Sei sulla pagina 1di 44
CursoCursoCursoCurso dededede DIREITODIREITODIREITODIREITO NoiteNoiteNoiteNoite –––– 3º3º3º3º
CursoCursoCursoCurso dededede DIREITODIREITODIREITODIREITO
NoiteNoiteNoiteNoite –––– 3º3º3º3º PeríodoPeríodoPeríodoPeríodo –––– 1º1º1º1º Semestre/2012Semestre/2012Semestre/2012Semestre/2012
TEORIA DA CONSTITUIÇÃO
Prof. Sérgio Jacob Braga
DeLiuPUC@hotmail.com
ElianaElianaElianaEliana DiasDiasDiasDias
DenylsonDenylsonDenylsonDenylson LopesLopesLopesLopes
08/06/2012
direitopucbar@groups.live.com
https://groups.live.com/DIREITOPUCBAR/

SUMÁRIO

NOTAS DE AULA

   

17/02/2012

10

TEORIA DA CONSTITUIÇÃO

 

1

Trabalho: Quadro Comparativo do Constitucionalismo

10

Apresentações

 

1

   
 

18/02/2012

10

 

10/02/2012

1

Carnaval

 

10

 

FUNDAMENTO DA TEORIA DA CONSTITUIÇÃO

 

1

 

23/02/2012

11

CONSTITUCIONALISMO

 

1

PODER CONSTITUINTE

 

11

1

Acepções

1

1 Pensamento Sieyes

11

1.2 Sociológica

1

2 Titularidade

11

1.3 Canotilho

1

 
 

3 Poder

Constituinte Originário

11

2 Como limitar o poder do Estado

 

1

4 Poder constituinte derivado

 

11

3 Evolução Histórica

 

1

4.1

Limites ao Poder Constituinte Derivado

11

4 Constitucionalismo – Classificação

 

1

4.1.1 Limite Material

11

4.1 Constitucionalismo

Liberal

1

4.1.2 Limite Circunstancial

11

4.2 Constitucionalismo

Social

1

4.1.3 Limite Temporal

12

4.3 Constitucionalismo Democrático

 

1

4.1.4 Limite Formal

12

11/02/2012

2

5 Poder Constituinte (Derivado) Decorrente

12

CONSTITUIÇÃO

 

2

6 Poder Constituinte Supranacional

12

Conceito

 

2

24/02/2012

12

Classificação das constituições

 

2

EFEITOS DO EXERCÍCIO DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO SOBRE A ORDEM JURÍDICA ANTERIOR

 

1

Quanto ao Conteúdo

 

2

12

1.1 Material

 

2

1 Desconstitucionalização

 

12

1.2 Formal

2

2 Recepção

12

2

Quanto

à Forma

2

3 Repristinação

 

12

2.1 Escrita

(Instrumental)

2

3.1

Efeito Repristinatório

13

2.2 Não escrita (Costumeira/Consuetudinária)

 

2

4

Mutação Constitucional

13

3

Quanto ao Modo de Elaboração

2

 
   

25/02/2012

13

3.1 Dogmática

 

2

REVISÃO DA AULA DO DIA 24/02/2012

 

3.2 Histórica

 

2

 

13

4

Quanto à Origem

 

2

 

1º/03/2012

13

4.1 Promulgada (democrática / popular)

 

2

NORMAS CONSTITUCIONAIS

 

13

4.2 Outorgada

 

2

1 Norma

13

5

Quanto à Estabilidade

 

2

 
 

2 Diferenças: Regras X Princípios

 

13

5.1 Imutável

 

2

 

5.2 Rígida

2

3 Classificação das Normas Constitucionais

 

13

5.3 Flexível

2

3.1

Quanto ao Conteúdo

13

5.4 Semiflexíveis/semirrígida

 

2

3.1.1 Normas Constitucionais Materiais

13

6

Quanto à Extensão

 

2

3.1.2 Normas Constitucionais Formais

13

 

3.2

Quanto à Estrutura

14

6.1 Sintética

 

2

 

6.2 Analítica

2

3.2.1 Princípios Constitucionais

 

14

 

3.2.2 Regras Constitucionais

14

 

16/02/2012

3

3.3

Quanto à Finalidade

14

OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO – O ESTADO LIBERAL, O ESTADO SOCIAL (SOCIALISTA) E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

 

3.3.1 Normas Constitucionais de Organização

14

3.3.2 Normas Constitucionais Definidoras de Direito

14

3

3.3.3 Normas Constitucionais Programáticas

14

1. Paradigmas e Paradigmas Jurídicos na Pós-Modernidade

3

02/03/2012

14

2. O Paradigma do Estado Liberal de Direito

 

3

3.4

Quanto à Eficácia (JAS)

 

14

3. O Paradigma do Estado Social de Direito

5

3.4.1 Norma Constitucional de Eficácia Plena (JAS)

14

 

3.4.2 Norma Constitucional de Eficácia Contida (JAS)

14

3.1. A distinção entre Estado Social e Estado Socialista

6

3.4.3 Norma Constitucional de Eficácia Limitada (JAS)

15

4. O Paradigma do Estado Democrático de Direito

7

3.5

Quanto à Eficácia (PM)

 

15

5. Conclusão

 

8

3.5.1 Norma Constitucional Autoaplicável (PM)

15

Bibliografia

9

3.5.2 Norma Constitucional Não Autoaplicável (PM)

15

2

SUMÁRIO – Teoria da Constituição

3.6 Quanto à Eficácia (MHD)

15

3.6.1 Norma Constitucional de Eficácia Absoluta (MHD)

15

3.6.2 Norma Constitucional de Eficácia Plena (MHD)

15

3.6.3 Norma Constitucional de Eficácia Relativa Restringível (MHD)

15

3.6.4 Norma Constitucional de Eficácia Relativa Complementável (MHD)

15

3.7 Quanto à Aplicabilidade (MGFF)

15

3.7.1 Norma Constitucional Imediatamente Exequíveis (MGFF)

15

3.7.2 Norma Constitucional Não Exequíveis por Si Mesmas (MGFF)

15

3.8 Quanto aos Valores a Serem Protegidos (LRB)

3.8 1 Normas Constitucionais de Organização (LRB)

3.8.2 Normas Constitucionais Definidoras de Direito (LRB)

3.8.3 Normas Constitucionais Programáticas (LRB)

15

15

15

15

 

03/03/2012

15

Trabalho em sala

15

 

08/03/2012

16

HERMENÊUTICA E INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL

16

1 Interpretar

16

2 Hermenêutica

16

3 Interpretação Constitucional

16

3.1 Constituição Aberta

16

3.2 Constituição Fechada

16

4 Mutação Constitucional/Inconstitucional

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO

1 Quanto às Fontes

1.1 Interpretação Autêntica

1.2 Interpretação Judiciária/Jurisprudencial

1.3 Interpretação Doutrinária

16

16

16

16

16

16

2 Quanto aos Meios

 

16

2.1 Interpretação Gramatical

16

2.2 Interpretação Sistemática

16

2.3 Interpretação Analógica

16

2.4 Interpretação Teleológica

16

09/03/2012

16

3

Quanto ao Resultado

16

3.1 Interpretação Declaração

 

16

3.2 Interpretação Extensiva

16

3.3 Interpretação Restritiva

16

10/03/2012

16

SEM AULA – PARA ESTUDAR

 

16

15/03/2012

17

PRINCÍPIOS DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL

17

1 Princípio da Supremacia da Constituição

2 Princípio da Unidade da Constituição

3 Princípio da Interpretação Conforme a Constituição

4 Princípio da Presunção da Constitucionalidade

5 Princípio da Máxima Efetividade

6 Princípio da Razoabilidade / Proporcionalidade

17

17

17

17

17

17

 

16/03/2012

17

VÍDEOS – STJ - HOMOAFETIVO

17

 

17/03/2012

17

SEM AULA – PARA TIRAR DÚVIDAS

17

 

22/03/2012

17

PROVA/AVALIAÇÃO – 20 PTS

17

 

23/03/2012

18

CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE

18

1 Objetivos/Funções

18

2 Pressupostos ou Requisitos de Constitucionalidade das Espécies Normativas

18

2.1

Requisitos Formais

18

2.1.1 Subjetivo

18

2.1.2 Objetivo

18

2.2 Requisitos Materiais

3 Descumprimento da lei/ato normativo inconstitucional por parte do poder

18

18

24/03/2012

18

4 Espécies de Controle de Constitucionalidade

18

4.1

Quanto ao momento de realização

18

4.1.1 Controle Preventivo

18

4.1.2 Controle Repressivo

18

4.2 Quanto ao Órgão Controlador

19

 

4.2.1 Controle Político

19

4.2.2 Controle Judiciário

19

4.2.3 Controle Misto

19

5

Controle Preventivo

19

5.1

Comissões de Constituição e Justiça (CCJ)

19

5.1.1 Comissões de Constituição e Justiça e Redação (CCJR)

19

5.1.2 Comissões de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC)

19

5.2 Veto Presidencial

19

5.2.1

VP Jurídico

19

5.2.1

VP Político

19

5.3 Veto Judiciário

19

6 Controle Repressivo

 

19

6.1 Controle Judiciário

19

6.2 Controle Legislativo

19

29/03/2012

20

7

Controle Difuso

20

 

30/03/2012

21

31/03/2012

21

SEM AULA – PARA TIRAR DÚVIDAS

 

21

05-06-07/04/2012

21

RECESSO – SEMANA SANTA

 

21

12/04/2012

21

Correção da Prova do dia 22/03/2012

 

21

13/04/2012

22

8 Controle Concentrado

22

8.1 Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI Genêrica)

22

 

14/04/2012

25

19/04/2012

26

8.2 Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC)

26

 

20/04/2012

27

Leitura de ADC/Dirimir Dúvidas sobre a matéria dada

27

 

21/04/2012

27

Feriado – Tiradentes

 

27

26/04/2012

28

8.3

Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO)

28

 

27/04/2012

30

Quadro - Controle Difuso x Concentrado

 

30

28/04/2012

30

SEM AULA – PARA TIRAR DÚVIDAS

 

30

03/05/2012

30

2º PROVA/AVALIAÇÃO – 20 PTS

 

30

04/05/2012

31

8.4

Ação Direta De Inconstitucionalidade Interventiva (ADII)

31

 

05/05/2012

32

SUMÁRIO – Disciplina???

3

8.5 Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF)

32

 

10/05/2012

33

Exposição sobre ADIN 2.231-8, de 2000 Finalização do quadro Controle Difuso x Concentrado

33

33

 

11/05/2012

34

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS (CR)

 

34

Preâmbulo Art. 1º, CR (Fundamentos)

34

34

Art.

(Poderes)

34

Art. 3º (Objetivos Fundamentais) Art. 4º (Relações Internacionais)

 

34

35

 

12/05/2012

35

Art. 5º (Direitos e garantias fundamentais)

 

35

Direitos Humanos X Direitos Fundamentais Geração de Direitos Fundamentais Funções dos Direitos Fundamentais

35

35

36

 

17/05/2012

36

Características dos Direitos Fundamentais

 

36

Destinatário

36

Apresentação dos Incisos do Art. 5º, CR (alunos)

37

18/05/2012

37

19/05/2012

37

24/05/2012

38

25/05/2012

38

26/05/2012

39

Habeas-corpus

 

39

31/05/2012

39

Mandado de Segurança Mandado de Injunção Habeas-Data

 

39

39

39

 

01/06/2012

40

QUADRO COMPARATIVO - ADO x Mandado de Injunção

40

NotAulas – Teoria da Constituição

1

TEORIA DA CONSTITUIÇÃO Apresentações

E-mail: sjbraga@yahoo.com

22/03 1ª Prova (20 pts) Aberta

03/05 2ª Prova (?? pts) V ou F, com justificativa

Trabalhos (20 pts)

??/05 Avalição Global (30 pts) Abertas e fechadas

Indicação de autor: Jorge Miranda

10/02/2012

FUNDAMENTO DA TEORIA DA CONSTITUIÇÃO

Institui o Estado

A partir

fundamentos do Estado atual nasceram em 1988.

da

Constituição

institui

o

Estado

juridicamente.

Os

A Constituição é a norma estruturante do Estado, à qual todas as

instituições estatais, todo o ordenamento jurídico e toda a sociedade

encontram-se submetidos e vinculados. Por isso não há Estado sem Constituição, porque ela é o instrumento condicionador da vida

social

O poder constituinte é o poder social que elabora e promulga a

Constituição, sendo que nos Estados atuais dificilmente haverá

Constituição que não seja precedida pela instauração do Poder Constituinte, exceto nos países de Constituição não escrita.

Nem todas as normas da CF88, tiveram eficácia imediata. Muitas normas necessitavam de adequações do próprio Estado, como atos normativos infraconstitucionais que a própria Constituição autoriza.

Compreende a parte geral do Direito Constitucional e aspectos atinentes à Constituição, como conceito, conteúdo, classificação, elementos, eficácia das normas, princípios, interpretação, controle de constitucionalidade, teoria do poder constituinte.

CONSTITUCIONALISMO 1 Acepções

1.1 Jurídica

Sistema normativo constitucional.

1.2 Sociológica

Movimento social que dá sustentação à limitação do poder.

O Estado por não ter uma finalidade em si mesmo, deve promover o bem comum dos indivíduos. Ele tem que ter o poder limitado para evitar seu abuso.

1.3 Canotilho

“É a teoria que ergue o princípio do governo limitado, indispensável

à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização de

uma comunidade”.

2

Como limitar o poder do Estado

-

Garantir a diversificação de autoridades.

-

Divisão do poder.

-

É técnica da liberdade.

3

Evolução Histórica

-

Carta Magna na Inglaterra– 1215 (lordes x rei) – começa a se

formar o Constitucionalismo moderno, mas não existe a ideia de Assembléia Nacional Constituinte, fruto de um poder soberano baseado na vontade popular.

- Revolução Francesa (1789) (burguesia x lordes/rei) – superação

das antigas teorias que tinham na origem divina, o poder. A partir de então, a nação, o povo, por meio da Assembleía Constituinte era o

titular da soberania e por isso do poder constituinte.

-

Paradigma dos Estados

4

Constitucionalismo – Classificação

4.1 Constitucionalismo Liberal

• Não intervenção do Estado nas relações sociais através da criação de direitos fundamentais (liberdade, igualdade, fraternidade). O homem deixa de ser objeto e passa a ser sujeito de direito a partir da Revolução Francesa.

• Propriedade

• Direitos civis

• Direitos políticos

O marco teórico para o fim do Estado liberal foi a Primeira Guerra.

4.2 Constitucionalismo Social

• Intervenção do Estado

• Reestabelecer igualdade

• Constituições 1917 (México) e 1919 (Weimar) com garantias aos trabalhadores

• Somam-se aos direitos fundamentais já existentes, novos direitos.

• Estado passa oferecer bens e serviços.

• Igualdade

apenas

Democrático.

formal

e

por

isso

surgimento

do

Estado

4.3 Constitucionalismo Democrático

• Ampliação do rol de direitos civis, políticos, sociais, direitos coletivos (ambiente consumidor).

• Manteve igualdade, liberdade e criaram-se novos direitos para a fraternidade.

2

NotAulas – Teoria da Constituição

 

11/02/2012

Ex.: Em 1988, o texto constitucional expressou que o Brasil é um sistema capitalista.

CONSTITUIÇÃO

Conceito

 

3.2

Histórica

Ato de constituir, instituir (lato sensu).

 

JOSÉ AFONSO DA SILVA:

Fruto de lenta e contínua síntese da história e tradições de um determinado povo. Não há reuniões ou utilização de qualquer ideologia.

“Sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma do Estado, governo, aquisição e exercício do poder, estabelece órgãos, limites de atuação, direitos fundamentais e garantias”.

4

Quanto à Origem

4.1

Promulgada (democrática / popular)

 

Deriva do trabalho da Assembleia Nacional constituinte, composta de representantes do povo. (Brasil).

Classificação das constituições

1

Quanto ao Conteúdo

4.2

Outorgada

1.1

Material

 

Conjunto de regras voltadas para questões fundamentais do Estado DEO (Brasil). Ela tem em seu bojo tão somente questões de índole materialmente constitucional, expressa ou não em um texto escrito.

estabelecida sem participação popular e imposta pelo poder central da época.

Ex.: Constituições no Brasil de 1824, 1937, 1967

DEO:

5

Quanto à Estabilidade

Direitos Fundamentais;

5.1

Imutável

Estrutura do Estado; e

 

Organização do Poder.

Veda qualquer alteração – quando ocorre a ruptura constitucional cria-se uma nova Constituição e um novo Estado.

1.2

Formal

5.2

Rígida

Conjunto de regras insertas em um texto escrito, solene, estabelecido pelo poder constituinte originário. Nem tudo que é formalmente constitucional será material, mas no Brasil tudo que é material será formal. Ex.: seu conteúdo versa sobre Ciência e Tecnologia, que não é DEO.

Admite a alteração mediante um processo mais solene. (Brasil)

5.3

Flexível

2

Quanto à Forma

Admite alteração mediante processo legislativo ordinário, sem qualquer processo rigoroso, como se fosse uma lei ordinária. Geralmente é a Constituição não escrita

2.1

Escrita (Instrumental)

 

5.4

Semiflexíveis/semirrígida

Conjunto de regras codificado e sistematizado em um único documento para fixar a organização fundamental. (Brasil).

Junção da rígida e flexível. Por isso em alguns assuntos podem ser utilizadas a rígida e em outros a flexível. Podendo ser alterada pelo processo legislativo ordinário e em outras situações pelo processo legislativo especial

2.2

Não escrita (Costumeira/Consuetudinária)

Conjunto de regras não aglutinadas em um único documento, mas baseada em leis esparsas, costumes, jurisprudência. Normalmente adotada pelos países Anglo-saxões.

6

Quanto à Extensão

6.1

Sintética

3

Quanto ao Modo de Elaboração

Prevê somente princípios e normas gerais. Organiza e limita o seu poder por meio da estipulação de direitos e garantias fundamentais. São essencialmente materiais.

3.1

Dogmática

Produto escrito e sistematizado por um órgão constituinte a partir de ideias fundamentais da teoria política e direito dominante. (Brasil).

6.2

Analítica

Considera em sua elaboração todas as ideias e todo ambiente político, econômico e social existente na sociedade em determinado momento.

Examina e regula todos os assuntos que entenda relevante para a formação e funcionamento do Estado. (Brasil).

NotAulas – Teoria da Constituição

OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO

3

16/02/2012

OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO – O ESTADO LIBERAL, O ESTADO SOCIAL (SOCIALISTA) E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Ralph Batista de Maulaz - Mestre em Direito Constitucional. Professor de Direito Constitucional no Centro de Atualização em Direito (CAD). Professor de Direito Constitucional e Teoria Geral do Estado da Universidade de Itaúna

1. Paradigmas e Paradigmas Jurídicos na Pós- Modernidade

Para compreender o real sentido de um paradigma e a forma pela qual ele foi introduzido na discussão epistemológica contemporânea, mister se faz uma análise, mesmo que breve, da concepção de paradigma construída por Thomas Kuhn 1 .

No seu uso estabelecido,

 

um paradigma, segundo Kuhn,

é

um

modelo ou padrão aceito, que, na dimensão científica, raramente é suscetível de reprodução, porque, assim como decisões judiciais, o paradigma “é um objeto a ser mais bem articulado e precisado em

condições novas ou mais rigorosas” 2 . Entende-se, portanto, que a

 

cada mudança de paradigma, há uma implicação necessária de que

o passado seja re-trabalhado de forma a permitir que o novo paradigma seja visto como um implemento do anterior.

A noção de paradigma, segundo

Menelick de Carvalho Netto,

A noção de paradigma, segundo Menelick de Carvalho Netto, apresenta um duplo aspecto, haja vista que,

apresenta um duplo aspecto, haja vista que, por um lado, possibilita

explicar o desenvolvimento científico como

e/ou, que se verifica mediante rupturas, por meio “da tematização e explicitação de aspectos centrais dos grandes esquemas gerais de pré-compreensões e visões-de-mundo”, consubstanciados no backgraund das práticas sociais, “que a um só tempo tornam possível a linguagem, a comunicação, e limitam ou condicionam o nosso agir e a nossa percepção de nós mesmos e do mundo”. Por outro lado, quanto ao outro aspecto, insta salientar que “também padece de óbvias simplificações, que só são válidas na medida em que permitem que se apresente essas grades seletivas gerais pressupostas nas visões de mundo prevalentes e tendencialmente hegemônicas em determinadas sociedades por certos períodos de tempo e em contextos determinados” 3 .

um processo de rupturas

Conceitualmente,

um

paradigma

pode

ser

entendido

como

“consenso

científico

enraizado

quanto

às

teorias,

modelos

e

métodos de compreensão do mundo” 4 , ou, como o define Kuhn,

 

eles são “realizações cientificas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência”. 5

1 KUHN, Thomas s. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo:

Perspectiva, 2000. p. 43 et seq.

2 KUHN, Thomas s. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo:

Perspectiva, 2000. p. 44. 3 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 476, mai., 1999.

4 CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. Coimbra: Almedina, 1999. p. 15. et seq. Cf. CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002. p. 52.

5 KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo:

Perspectiva, 2000. p. 43 et seq, 217-232. Cf. CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002. p. 52. Cf. CARVALHO

NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 475, mai., 1999. Em observação feita por Marcelo Cattoni (2002, p. 53-54), Giovanni Reale expende que “Kuhn escolheu o

termo paradigma [

Os paradigmas indicam as

concepções e convicções que constituem os pontos firmes da ciência num dado momento, e que, no curso do arco do tempo, fornecem os modelos para a formulação dos problemas e das suas soluções para os cientistas que trabalham em determinados âmbitos de pesquisa. Escreve Khun: ‘Com a escolha desse termo, pretendi chamar a atenção para o fato de que alguns exemplos da prática científica efetiva reconhecidos como válidos – exemplos que compreendem globalmente leis, teorias, aplicações e instrumentos –

sustentação da nova epistemologia [

porque ele exprime de maneira eficaz o eixo de

]

].

fornecem modelos originadores de tradições de pesquisa científica

Transportando a concepção de paradigma para o campo das ciências sociais e desse, para o campo do direito, J. Habermas 6 ,

citado por Marcelo Cattoni, entende que

paradigmas de direito são

“as visões exemplares de uma comunidade jurídica que considera como o mesmo sistema de direitos e princípios constitucionais podem ser realizados no contexto percebido de uma dada

 

sociedade”. Com efeito, “um paradigma de direito delineia um

modelo de sociedade contemporânea para explicar como direitos e princípios constitucionais devem ser concebidos e implementados para que cumpram naquele dado contexto as funções normativamente a eles atribuídas”. 7

Com efeito, a razão de no presente estudo apresentarmos e contrapormos os paradigmas dos Estados Liberal e Social de Direito

mostrando a insuficiência de cada um e a releitura proposta a

cada ruptura

–, decorre da necessidade de se tomar por base as

formações anteriores (modelos paradigmáticos de estados constitucionais) para melhor compreender o novo paradigma exsurgente, ou seja, o do Estado democrático de direito, que no Brasil, foi inaugurado (positivado) e suposto pela Constituição da República de 1988.

2. O Paradigma do Estado Liberal de Direito

O Estado Liberal de Direito, que teve algumas de suas bases teóricas lançadas por Locke 8 e Monstequieu 9 caracterizou-se pela difusão da idéia de direitos fundamentais, da separação de poderes,

bem

como,

do

império

das

leis,

próprias

dos

movimentos

constitucionalistas que impulsionaram o mundo ocidental a partir da Magna Charta Libertatum de 1215.

Nesse paradigma – o do Estado Liberal –, há uma

divisão bem

evidente entre o que é público, ligado às coisas do Estado (direitos à comunidade estatal: cidadania, segurança jurídica, representação política etc.) e o privado, mormente, a vida, a liberdade, a individualidade familiar, a propriedade, o mercado (trabalho e

emprego capital)

etc. Essa

separação dicotômica (público/privado)

era garantida por intermédio do Estado, que lançando mão do império das leis, garantia a certeza das relações sociais por meio do

exercício estrito da legalidade.

 

Com a definição precisa do espaço privado e do espaço público, o indivíduo guiado pelo ideal da liberdade busca no espaço público a possibilidade de materializar as conquistas implementadas no

âmbito do

Estado que assumiu a feição de não interventor.

Nesse diapasão, sob a égide do paradigma liberal,

compete ao

   

Estado, por meio do direito posto, “garantir a certeza nas relações

sociais, através da compatibilização dos interesses privados de cada um com o interesse de todos, mas deixar a felicidade ou a

particulares que possuem a sua coerência. [

verdadeira unidade de medida fundamental nas pesquisas científicas, porque,

como já dissemos, constitui o critério segundo o qual se acolhem os problemas, justamente enquanto problemas científicos, e se desenvolvem,

conseqüentemente, as suas soluções. [

verdadeira atividade modeladora, anterior e não redutível inteiramente às

componentes lógicas, ou seja, às várias leis, regras e teorias, que podem ser abstraídas e deduzidas delas. Os cientistas não aprendem as leis e as regras abstratamente, mas junto com o paradigma, do qual, posteriormente, as

Os paradigmas podem ser anteriores, mas vinculantes e mais

completos do que qualquer conjunto de regras de pesquisa que se possa inequivocamente abstrair deles. Nesse sentido, portanto, os paradigmas têm função reguladora nas ciências e são a verdadeira força dinâmica que determina o seu desenvolvimento” (Cf. REALE, Giovanni. Para uma nova interpretação de Platão. São Paulo: Loyola, 1991. p. 7-10. Apud., CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002. p. 53-

abstraem [

O paradigma constitui uma

O paradigma constitui uma

]

]

].

54).

6 HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia: entre a facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Universitário, 1997. p. 123 et seq.

7 HABERMAS, Jürgen. Between facts and norms: contributions to discourse theory of law and democracy. Cambridge: The MIT, 1996. p. 194-195. Apud., CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002. p. 54.

8 Cf. LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo civil. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

9 Cf. MONTESQUIEU, Charles de Secondat, Baron de. O espírito das leis. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

4 OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO

NotAulas – Teoria da Constituição

busca da felicidade nas mãos de cada indivíduo” 10 , rompendo-se, via de conseqüência, com a anterior concepção de Estado (pré- moderno 11 ), no qual, até a felicidade dos indivíduos era uma

com a anterior concepção de Estado (pré- moderno 1 1 ), no qual, até a felicidade

atribuição estatal.

concepção de Estado (pré- moderno 1 1 ), no qual, até a felicidade dos indivíduos era

O direito passa a ser considerado um ordenamento

constitucional/legal, deixando para trás aquela idéia de que ele era uma coisa devida transcendentalmente com base na imutável

hierarquia social oligarca.

Exsurgem idéias como o exercício das liberdades individuais, de se

Exsurgem idéias como o exercício das liberdades individuais, de se

poder fazer tudo que não for proibido em lei. Em contraposição à

como o exercício das liberdades individuais, de se poder fazer tudo que não for proibido em

liberdade dos antigos, encarada como participação nas decisões políticas (liberdade de ser), abrolha-se a liberdade dos modernos,

vista como autonomia da conduta individual (liberdade de ter) 12 .

Com efeito,

a igualdade de todos diante da lei é consagrada.

Formalmente, todos são iguais perante a lei, ou “são iguais no

 

sentido de todos se apresentarem agora como proprietários, no mínimo, de si próprios, e, assim, formalmente, todos devem ser iguais perante a lei, porque proprietários, sujeitos de direito,

devendo-se pôr fim aos odiosos privilégios de nascimento”. 13

 

A liberdade, que só se concebe em relação a outrem, passa a ser exercitada pela primeira vez na história pós-tribal. Ao menos tese os indivíduos são proprietários, quando no mínimo, do próprio corpo.

Os

indivíduos que outrora eram coisificados, agora contam com a

elevação de sua dignidade pessoal à de sujeitos de direitos,

10 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos,

2002. p. 55.

11 Por um sem número de fatores, o paradigma existente antes do Estado Liberal de direito (paradigma medieval) levou cerca de três séculos para ser dissolvido, contando-se com o advento do capital (Karl Marx), passando pelo desenvolvimento das práticas de investigação policial (U. Eco e Focaut), a substituição da cosmologia feudal – fechada e hierarquizada – pela isonômica estrutura matemática de átomos, componentes do infinito universo da física

de Galileu (Koiré), bem como, pelas lutas de libertação religiosa e separação

entre a religião, moral e direito (Max Weber). “Seja como for, o relevante é que todos esses processos de mudança se integram em uma profunda alteração de paradigma”, pois, antes dessa ruptura, “o direito e a organização política pré-modernos encontravam fundamento, em última análise, em um amálgama normativo indiferenciado de religião, direito, moral, tradição e costumes transcendentalmente justificados e que essencialmente não se discerniam. O Direito é visto como a coisa devida a alguém, em razão de seu local de nascimento na hierarquia social tida como absoluta e divinizada nas sociedades de castas, e a justiça se realiza, sobretudo, pela sabedoria e

sensibilidade do aplicador em bem observar o princípio da equidade tomado como a harmonia requerida pelo tratamento desigual que deveria reconhecer

e reproduzir as diferenças, as desigualdades, absolutizadas da tessitura

social (a phronesis aristotélica, a servir de modelo para a postura do hermeneuta). O Direito, portanto, se apresentava como ordenamentos sucessivos, consagradores dos privilégios de cada casta e facção de casta, reciprocamente excludentes, de normas oriundas da barafunda legislativa imemorial, das tradições, dos usos e costumes locais, aplicadas casuisticamente como normas concretas e individuais, e não como um único ordenamento jurídico integrado por normas gerais e abstratas válidas para todos” (CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 477, mai., 1999).

12 MIRANDA, Jorge. Manual de direito constitucional. Coimbra: Coimbra,

1997. tomo I, p. 53. O renomado constitucionalista português estabelece uma

distinção feita por Benjamin Constant acerca da liberdade (liberdade dos antigos e liberdade dos modernos). Cf. MONTESQUIEU, Charles de Secondat, Baron de. O espírito das leis. São Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 166. Manoel Gonçalves Ferreira Filho (Estado de direito e Constituição. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 1) pondera que “a liberdade dos modernos na

famosa fórmula de Constant (CONSTANT, Benjamin. De l’esprit de conquête et de l’usurpation. Paris, 1814. p. 101 et seq.) e não liberdade encarada como participação nas decisões políticas, a liberdade dos antigos” é que teve primazia em meados dos anos setecentos. “A idéia de direito que então se generaliza, e que inspira as revoluções americana e francesa, é tão marcada pela preocupação com a liberdade, que se tornou conhecida como liberal”. Cf. LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo civil. São Paulo: Martins Fontes,

1998. p. 457 et seq. Com Locke começa a surgir os pensamentos que vão

culminar na necessidade de submeter o Estado ao Império do Direito. Constitui-se, atua e se organiza em função do Direito. Ser livre é poder

exercer a liberdade contra alguém e, dessa forma, ser livre a também saber reconhecer a liberdade dos outros. Assim, a liberdade só existe onde existir o Direito legítimo, que, na idade (pós) moderna só pode ser encontrado numa fórmula estatal onde descansam os fatores reais do poder, ou seja, a fórmula do Estado Democrático de Direito, consagrada na Constituição da República

de 1988.

13 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 478, mai., 1999.

mormente, com a realização de contratos de compra e venda de sua força de trabalho.

De um modo geral,

no

reconhecimento do que à época convencionou chamar direitos

como

valores máximos. Por outro lado, no âmbito da esfera pública, “convencionam-se direitos perante o Estado e direitos à comunidade estatal: status de membro (nacionalidade), igualdade perante a lei, certeza e segurança jurídicas, tutela jurisdicional, segurança pública, direitos políticos etc”. 14

naturais.

são consagrados

os

direitos

de

primeira

na

esfera

privada,

o

movimento

reflete

geração,
geração,

ou

seja,

Consagra-se a vida, a liberdade e a propriedade

O constitucionalismo moderno surge com o tema central da fundação e legitimação do poder político, assim como a constitucionalização das liberdades. A idéia, na idade moderna, é impor limites ao leviatã e garantir os direitos individuais.

Num primeiro momento, com a inversão da polaridade ocorrida com

a

ascensão da burguesia, constrói-se a idéia de liberdade do

da burguesia, constrói-se a idéia de liberdade do homem perante o Estado, com base na concepção

homem perante o Estado, com base na concepção burguesa de

ordem política.

Eram os ideais da liberdade burguesa contra os

ideais do absolutismo, o indivíduo contra o Estado (privado versus

público).

 

Uma vez detentora do controle político da sociedade, a burguesia não mais se interessa em manter como apanágio de todos os homens, a prática universal dos princípios filosóficos de sua revolta social. “Só de maneira formal os sustenta, uma vez que no plano de aplicação política eles se conservam, de fato, princípios constitutivos de uma ideologia de classe”. 15

Em um outro momento, começa a detonação da primeira fase do constitucionalismo burguês, oportunidade em que as idéias avançam para uma participação total e indiscriminada do homem livre perante o Estado, na formação da própria vontade estatal. Essa idéia – democrática – se agita com ímpeto invencível, rumo ao sufrágio universal. 16

Decaída a autoridade do ancien régime e rompida a ideologia do

passado, o

com seus combates e determinando a mudança ocorrida, no sentido das Cartas Constitucionais, cada vez mais exigentes de conteúdos que se destinassem a fazer valer objetivamente o ideário burguês das liberdades concretas, dignificadoras da pessoa humana. 17

O vitorioso Estado burguês de Direito eleva os direitos da liberdade ao cume da ordem política. Liberdade essa, indispensável à manutenção do poder político e que, só nominalmente, se estendiam às demais classes.

Conforme impende Bonavides, “disso não advinha para a burguesia dano algum, senão muita vantagem demagógica, dada a completa ausência de condições materiais que permitissem às massas transpor as restrições do sufrágio e, assim, concorrer ostensivamente, por via democrática, à formação da vontade estatal”. Ademais, permitia aos burgueses falar ilusoriamente em nome de toda a sociedade, com os direitos da liberdade (fundamentais de primeira geração) que ela mesma proclamara, os quais se apresentavam, em seu conjunto, do ponto de vista teórico, “válidos para toda a comunidade humana, embora, na realidade, tivesse bom número deles vigência tão-somente parcial, e em proveito da classe que efetivamente os podia fruir” 18 .

homem caminha firme rumo à democracia, prosseguindo

8 . homem caminha firme rumo à democracia, prosseguindo 1 4 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional .

14 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002. p. 55.

15 BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. São Paulo:

Malheiros, 1996. p. 42.

16 BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. São Paulo:

Malheiros, 1996. p. 43.

17 BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. São Paulo:

Malheiros, 1996. p. 44.

18 BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. São Paulo:

Malheiros, 1996. p. 44.

NotAulas – Teoria da Constituição

OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO

5

A

separação de poderes ganhou maior projeção como garantia

 

contra o abuso do poder estatal, técnica fundamental de proteção

dos direitos da liberdade, em razão do exercício fracionado e simultâneo das funções administrativas, legislativas e judiciais.

Além dos direitos da liberdade (fundamentais) e da separação de poderes, erige-se o ideal do law’s empire. Com observância estrita ao direito posto, garantiu-se ao indivíduo, além de outras prerrogativas, a segurança jurídica.

A Constituição passa ser concebida como uma ordenação

normativo-sistemática da comunidade política – o fundamento de validade do direito posto – organizada em razão do poder público (respeitando o comando principiológico da separação de poderes), modelada documentalmente e com vistas a garantir os direitos fundamentais dos indivíduos. Nessa esteira, J. J. Canotilho a define como uma “ordenação sistemática e racional da comunidade política através de um documento escrito no qual se declaram as liberdades e os direitos e se fixam os limites do poder político”. 19

Aos olhos de um cidadão revolucionário, a Constituição transporta necessariamente dois momentos essenciais, quais sejam: o da ruptura (com a ordem histórico-natural em que se encontravam as coisas no antigo regime) e o Construtivista (por ter sido elaborada por um novo poder – o Poder Constituinte – que define os esquemas e projetos de uma nova ordem racionalmente construída) 20 .

Na perspectiva do paradigma do Estado liberal de direito, todo

aparato de garantias das liberdades individuais conta com o alicerce

constitucional.

A Constituição escrita passa a configurar, desde a Independência

Americana e a Revolução Francesa, um pacto político que representa esquemática e fundamentalmente o Estado burguês de

direito.

A Constituição é compreendida como instrumento de governo

(instrument of goverment), “como estatuto jurídico-político fundamental da organização da sociedade política, do Estado”, no qual o poder político encontra limites e o Estado se juridifica, legitimado pelo Direito e pela representação popular. De Estado de Direito erige-se à condição de Estado Constitucional. 21

No sistema de check and balances implementado pelo Estado

liberal de Direito, ao Poder Legislativo compete a supremacia, por

ser

ele o elaborador das leis – fontes por excelência do Direito.

Ao

Poder

Judiciário,

por

sua

vez,

cabe

dirimir

conflitos

interparticulares

ou, “conforme o modelo constitucional, entre esses

e

a Administração Pública, quando provocado, através dos

procedimentos devidos, aplicando o direito material vigente de modo estrito” por intermédio de processos lógico-dedutivos de subsunção

do fato à norma, “sob os ditames da igualdade formal, estando

sempre vinculados ao sentido literal” 22 , numa evidenciada posição subalterna perante o poder a que competia a produção normativa, pois o Poder Judiciário ficava limitado a uma atividade mecânica, ou seja, em ser apenas, no dizer de Montesquieu, la bouche de la loi. 23

19 CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e teoria da Constituição. Coimbra: Almedina, 1999. p. 48. Conforme salienta o constitucionalista de Coimbra, esse conceito de Constituição pode ser desdobrado de forma a captar as dimensões fundamentais que o incorpora. Dessa forma, têm-se: (1) ordenação jurídico-política plasmada num documento escrito; (2) declaração, nessa carta escrita, de um conjunto de direitos fundamentais e do respectivo modo de garantia; (3) organização do poder político segundo esquemas tendentes a torná-lo um poder limitado e moderado.

20 CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e teoria da Constituição. Coimbra: Almedina, 1999. p. 48

21 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos,

2002. p. 55.

22 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos,

2002. p. 55

23 Cf. MAULAZ, Ralph Batista de. Estado de Direito: discussão a partir da formação do Estado moderno e do direito contemporâneo. Franca: Faculdade de Direito, 2001. p. 170. Dissertação (Mestrado em Direito) – UNIFRAN, 2001. 194p. Cf. GUERRA FILHO, Willis Santiago. Teoria da ciência jurídica. São Paulo: Saraiva, 2001. p. 162. Com brilhantismo peculiar, Menelick de

Por fim, ao

Poder Executivo incumbe a tarefa de implementar o

Por fim, ao Poder Executivo incumbe a tarefa de implementar o Direito, “garantindo a certeza e

Direito, “garantindo a certeza e a segurança jurídicas e sociais,

internas e externas, na paz e na guerra”. 24

Com efeito, a relação entre os três poderes pautou-se por um sistema de contenção, de freios e contrapesos (check and balances), no qual o poder limitava o poder, no exercício das faculdades de impedir. 25

Resumindo,

o paradigma do Estado liberal de direito importa na

liberdade de todos, ou seja, todos devem ser livres, proprietários e iguais, num sistema alicerçado no império das leis, na separação de

poderes e no enunciado dos direitos e garantias individuais. O

 

direito, nesse paradigma é visto como um sistema normativo no qual

as regras, gerais e abstratas, são válidas universalmente para todos

os membros da sociedade, e tão-somente a ele, incumbe a tarefa

de pautar a atuação do leviatã.

3. O Paradigma do Estado Social de Direito

A

vivência das idéias abstratas que conformavam o paradigma do

Estado liberal

de direito, mormente, o

exercício das liberdades e

igualdades formais, bem como, a

 

propriedade privada, culminou por

fundamentar idéias e práticas sociais no período que ficou caracterizado na história como de maior exploração do homem pelo

homem.

 

Se de um lado o homem alcançou o ideal de liberdade em face do Estado, mormente com a implementação de um documento formal que lhe garantia formalmente uma gama de direitos (de 1 a geração), por outro, essa garantia reduzia-se ao campo meramente formal, pois, no paradigma constitucional do Estado liberal de direito, a condição humana não melhorou muito em relação à noção pré- moderna, haja vista que a alteração aconteceu apenas no âmbito do senhor em quase nada alterando a condição do escravo.

A

ordem liberal é posta em xeque com o surgimento de idéias

 

socialistas, comunistas e anarquistas, que a um só tempo, “animam

os movimentos coletivos de massa cada vez mais significativos e neles reforça com a luta pelos direitos coletivos e sociais”. 26

Nesse momento da história do liberalismo, seu movimento e sistemas sofreram “diversas transformações à medida que conectaram com outros movimentos ou reformaram seu quadro institucional para se ajustar a novas exigências sociais” 27 .

Com o desenvolvimento do movimento democrático e o surgimento

de

um capitalismo monopolista,

o aumento das demandas sociais e

políticas, além da Primeira Guerra Mundial, abrolha-se a crise da sociedade liberal, possibilitando o surgimento de uma nova fase do constitucionalismo – agora social – com alicerce na Constituição da

 

República de Weimar, e em razão disso, inaugura-se o paradigma

constitucional do Estado social de direito.

Esse novo paradigma que exsurge, o do Estado social, implica a

materialização dos direitos anteriormente formais.

Não se trata de

Carvalho Netto pondera que sob o prisma do primeiro paradigma constitucional, o do Estado de Direito, “a questão da atividade hermenêutica do juiz só poderia ser vista como uma atividade mecânica, resultado de uma leitura direta dos textos que deveriam ser claros e distintos, e a interpretação algo a ser evitado até mesmo pela consulta ao legislador na hipótese de dúvidas do juiz diante de textos obscuros e intrincados. Ao juiz é reservado o papel de mera bouche de la loi” (CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 479, mai., 1999).

24 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos,

2002. p. 57.

25 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos,

2002. p. 57.

26 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 478, mai., 1999.

27 LUCAS VERDÚ, Pablo. Curso de derecho politico. Madrid: Tecnos, 1992. v.1. p. 226. Apud., BARACHO JÚNIOR, José Alfredo de Oliveira.

Responsabilidade civil por dano ao meio ambiente. Belo Horizonte: Del Rey,

2000. p. 55.

6 OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO

NotAulas – Teoria da Constituição

acrescer uma gama de direitos de 2 a geração (direitos coletivos e

sociais) aos de 1 a geração (direitos individuais)

28 , que já existiam no

paradigma do Estado liberal, pois o novo traz em seu bojo a necessidade de se realizar uma releitura historizada dos primeiros direitos chamados fundamentais, que os adapte à novel demanda social.

Dessa forma, a

liberdade do Estado liberal não pode mais ser

considerada como desdobramento da legalidade estrita, na qual o indivíduo podia fazer tudo o que não fosse proibido por lei, “mas agora pressupõe precisamente toda uma plêiade de leis sociais e coletivas que possibilitem, no mínimo, o reconhecimento das diferenças materiais e o tratamento privilegiado do lado social ou economicamente mais fraco da relação” 29 , de modo a satisfazer um

 

mínimo material de igualdade. Em outras palavras, a nova pauta

inaugurada pelo paradigma do Estado social implica a “internalização na legislação de uma igualdade não mais apenas formal, mas tendencialmente material”. Na verdade, com a ruptura do paradigma do Estado liberal, ocorre uma redefinição dos clássicos direitos de 1 a geração, ou, como diz Habermas, uma materialização do direito. 30

Em razão da complexificação da sociedade, resultante no modelo paradigmático social ou de bem-estar-social, no qual o direito é materializado, o Estado vivencia um momento de ampliação extraordinária na sua seara de atuação, mormente pela necessidade de abranger tarefas vinculadas aos novos fins econômicos e sociais que lhes são atribuídos, e, via de conseqüência, reduzir a distância entre a realidade do senhor e do escravo à luz de uma igualdade material.

Nesse novo paradigma,

o antigo cidadão-proprietário do Estado

liberal é encarado como o cliente de uma Administração Pública

garantidora de bens e serviços.

 

A releitura do paradigma anterior não ocorre tão-somente no âmbito dos direitos individuais, pois o princípio da separação de poderes (outro pilar do modelo liberal) também é reinterpretado.

Com efeito,

ao Poder Executivo são atribuídos novos mecanismos

jurídicos e legislativos “de intervenção direta e imediata na economia e na sociedade civil, em nome do interesse coletivo,

público, social ou nacional”. 31 Ao

 

Poder Legislativo, por sua vez,

 

além de sua atividade típica, compete o exercício de funções de

controle,

ou

seja,

“fiscalização

e

apreciação

da

atividade

da

Administração Pública e da atuação econômica do Estado”. 32 Por

 
 

outro lado, o “direito passa a ser interpretado como sistema de

regras e de princípios

otimizáveis, consubstanciadores de valores

fundamentais (ordem material de valores, como entendeu a Corte

28 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 480, mai., 1999.

29 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 480, mai., 1999.

30 HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia: entre a facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. v. 2. p. 127 et seq. No mesmo diapasão, Menelick de Carvalho Netto pondera que os direitos individuais de 1 a geração não são mais vistos como verdades matemáticas. “O direito privado, assim como o público, apresentam-se agora como meras convenções e a distinção entre eles é meramente didática e não mais ontológica. A propriedade privada, quando admitida, o é como um mecanismo de incentivo à produtividade e operosidade sociais, não mais em termos absolutos, mas condicionada ao seu uso, à sua função social. Assim, todo o Direito é público, imposição de um Estado colocado acima da sociedade, uma sociedade amorfa, carente de acesso à saúde ou à educação, massa pronta a ser moldada pelo Leviatã onisciente sobre o qual recai essa imensa tarefa. O Estado subsume toda a dimensão do público e tem que prover os serviços interentes aos direitos de 2 a geração à sociedade, como saúde, educação, previdência, mediante os quais alicia clientelas”. (CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 480, mai., 1999).

31 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos,

2002. p. 60.

32 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos,

2002. p. 60.

Constitucional Federal alemã), bem como de programas e fins, realizáveis no limite do possível”. 33

Diferente do que ocorria no paradigma anterior, na idade do Estado social o Poder Judiciário não se limita a ser a bouche de la loi, realizando, tão-somente, uma tarefa mecânica de aplicação da lei subsumida automaticamente ao fato.

a

Agora,

seja

exige-se

que

o

juiz
juiz

la

bouche

du

droit,

pois

hermenêutica jurídica

hermenêutica jurídica
hermenêutica jurídica
hermenêutica jurídica

estabelece métodos mais sofisticados como a

análise teleológica, a sistêmica e a histórica, “capazes de emancipar

o sentido da lei da vontade subjetiva do legislador na direção da

vontade objetiva da própria lei, profundamente inserida nas diretrizes de materialização do direito que mesma prefigura, mergulhada na dinâmica das necessidades dos programas e tarefas sociais”. 34

Do Poder Judiciário exige-se uma aplicação construtiva do direito material vigente de modo a alcançar seus fins últimos na perspectiva do ordenamento jurídico positivo. No paradigma do Estado social, cabe ao juiz, no exercício da função jurisdicional, “uma tarefa densificadora e concretizadora do direito, a fim de se garantir, sob o princípio da igualdade materializada, a Justiça no caso concreto”. 35

3.1. A distinção entre Estado Social e Estado Socialista

O

Estado social, na verdade, representa uma transformação efetiva

da superestrutura do Estado liberal.

 

Quando coagido pela pressão das massas

confere os direitos do

trabalho, da previdência, da educação, intervém na economia como distribuidor, dita o salário, manipula a moeda, regula os preços etc.,

em suma, estende sua influência a quase todos os domínios

que

dantes pertenciam, em grande parte, à área de iniciativa individual,

o Estado pode ser chamado de social. 36

Não obstante,

ele conserva a adesão anteriormente existente à

 

ordem capitalista, princípio ao qual não abdica, pois, no ocidente, o

poder político repousa na estrutura econômica do capitalismo.

Por outro lado, no oriente socialista, a base estatal se transforma, “e

é

essa modificação que justifica o corte dicotômico entre o sistema

político marxista e o sistema político ocidental”. 37

 

Primeiro os socialistas utópicos (Owen, Saint-Simon, Fourier etc.), depois, Marx e Engels, desenvolveram uma profunda revisão crítica da base do Estado liberal, bem como, do social, que repousavam na estrutura capitalista. Esses teóricos socialistas denunciavam o caráter formal e individualista dos direitos e propunham novas bases com uma metódica voltada para o proletariado.

A própria liberdade política, a liberdade individualista da Declaração

de Direitos do Homem não encontrou perdão por parte dessa nova doutrina. A pura liberdade de direito, proteção metafísica e morta,

que deixava o fraco à mercê dos fortes, exatamente como a igualdade de direito, não servia aos teóricos do Estado socialista. Dessa forma, a liberdade e a igualdade formais foram completamente repensadas, “não mais no plano enganador da pura política, mas no plano social, para dar-lhes enfim um conteúdo real”. 38

33 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos,

2002. p. 59.

34 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 481, mai., 1999.

35 CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos,

2002. p. 61.

36 BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. São Paulo:

Malheiros, 1996. p. 186.

37 BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. São Paulo:

Malheiros, 1996. p. 184.

38 CHEVALLIER, Jean-Jacques. As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias. Rio de Janeiro: Agir, 2001. p. 285.

NotAulas – Teoria da Constituição

OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO

7

Com efeito, apresentando um plus ao Estado social e mostrando-se

no pólo oposto ao modelo liberal/burguês, o arquétipo

socialista se

caracteriza na medida em que o Estado produtor remove o Estado de base capitalista, ampliando-lhe a esfera de ação, alargando o número das empresas sob seu poder e controle, suprimindo ou estorvando a iniciativa privada, colocando em xeque o modelo econômico estatal iniciado com o paradigma do Estado liberal de

 

39

direito

 

.

O Estado socialista, aproveitando a estrutura do modelo social, vai

além

– aceitos pelo modelo social –, culmina por promover

ampla ruptura com o modelo de Estado liberal, postando-se, após amplo intervalo, lado oposto ao modelo criado a partir dos movimentos liberais burgueses.

na

sua

constituição,

e,

passando

a

negar

os

valores

capitalistas
capitalistas

4. O Paradigma do Estado Democrático de Direito

Ao final da Segunda Guerra Mundial, o paradigma do Estado social começa a ser questionado em razão de suas crises de

legitimação

40 . Na década de 70, do século passado, que as crises

deste modelo estatal se manifestaram em toda sua dimensão.

e “as sociedades

hipercomplexas da era da informação ou pós-industrial comportam relações extremamente intrincadas e fluidas”. Na esteira dos novos movimentos sociais (hippie, estudantil, pacifista, ecologista) que

O Estado interventor se transforma em empresa

eclodem na década de 60, o

paradigma do Estado democrático de

direito exsurge configurando uma alternativa ao modelo de Estado

do

bem-estar-social. 41

 

Com o novo paradigma,

são consagrados os direitos de 3 a geração

 

(direitos ou interesses difusos), e os de 1 a e 2 a outrora consagrados

nos paradigmas anteriores passam por um processo de releitura de adequação ao novo modelo.

É que em decorrência do esgotamento do paradigma do Estado

social, vieram à tona problemas relevantes, e as tentativas de superar a oposição existente entre Estado social e o direito formal

burguês criaram uma nova compreensão do modelo constitucional

de estado, na qual, todos os atores envolvidos ou afetados têm que

imaginar como o conteúdo normativo do novo arquétipo “pode ser

explorado efetivamente no horizonte de tendências e estruturas sociais dadas”. 42

Nessa perspectiva, salienta Menelick de Carvalho Netto,

os direitos

de 1 a geração são retomados como direitos de participação no

 

debate público, e revestidos de conotação processual, informam a

soberania do paradigma constitucional do Estado democrático de direito, “e seu direito participativo, pluralista e aberto”. 43

Da mesma forma, o

Princípio da Separação de Poderes ganha uma

nova roupagem, na qual, o Poder Judiciário amplia sua participação no processo de concretização do Estado democrático de direito, haja vista que a ele compete viabilizar a promoção da legitimação

do

Estado democrático pelo procedimento da cidadania.

 

Exige-se um incremento quanto à postura do Juiz diante do texto normativo, bem como, do caso concreto e “dos elementos fáticos que são igualmente interpretados e que, na realidade, integram necessariamente o processo de densificação normativa ou de aplicação do direito”, como resultado da aplicação das doutrinas de

39 BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. São Paulo:

Malheiros, 1996. p. 186.

40 Cf. HABERMAS, Jürgen. A crise de legitimação no capitalismo tardio. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994.

41 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 481, mai., 1999.

42 HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia: entre a facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. v. 2. p. 131.

43 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 481, mai., 1999.

Konrad Hesse, Robert Alexy, Friedrich Müller, Ronald Dworkin, J.J. Canotilho e Paulo Bonavides, dentre vários outros. 44

Nessa perspectiva, reconstrói-se a relação entre direito e moral, outrora destruída pelo positivismo kelseneano. No nível de fundamentação pós-metafísico, pondera Habermas 45 , tanto as regras morais quanto as jurídicas se diferenciam da eticidade tradicional, oportunidade em que se postam como normas de ação, que surgem lado a lado, antes completando-se do que excluindo-se.

Na fase pós-positiva inaugurada no paradigma do Estado

democrático

de

direito,

os

princípios 46

ganham

uma

nova

classificação que visa, sobretudo, permitir encontrar para as demandas complexas, uma solução de compromisso do Direito à

luz das exigências do novo arquétipo estatal. Todo caso posto em

 

discussão diante do Poder Judiciário é um caso difícil. Para solvê-lo, portanto, dos operadores do direito, principalmente do Juiz, passa- se a exigir os atributos de Hércules. 47

Considerando o atual contexto social com a elevada complexidade

e inovações da sociedade, “não se pode ter ilusões quanto ao que

esperar do texto que é a Constituição, em seu sentido estritamente jurídico, que não pode ser visto como portador de soluções prontas para problemas dessa ordem. Seu texto é como uma obra aberta; ao ser interpretado, atribui-se-lhe a significação requerida no presente, levando em conta a Constituição em seu sentido empírico”. 48

A esta altura da revolução científica não se mostra mais viável a

tese formalista/normativista de interpretação do direito construída

por Hans Kelsen 49 , que preconiza o esgotamento das possibilidades de soluções complexas por meio da produção normativa, pois, por melhor que se apresente, a moldura normativa sempre deixará

margem

à

atuação

do

intérprete.

No

paradigma

do

Estado

democrático de direito, antes de boas leis, devem existir bons

operadores do direito.

 

Nesse diapasão, requer-se do Poder Judiciário – no paradigma constitucional do Estado democrático de direito – decisões que, “ao retrabalharem construtivamente os princípios e regras construtivos do Direito vigente, satisfaçam, a um só tempo, a exigência de dar curso e reforçar a crença tanto na legalidade, entendida como segurança jurídica, como certeza do direito, quanto ao sentimento de justiça realizada, que deflui da adequabilidade da decisão às particularidades do caso concreto”. 50

Entretanto, é preciso que o julgador tome ciência da transformação estrutural ocorrida no ordenamento jurídico. Diferentemente da sua formação positivista, consistente num mero conjunto hierarquizado de regras aplicáveis à base do tudo ou nada, na idade pós-positiva, consagrou-se uma superestrutura normativa, na qual as regras e os princípios se mostram como espécies normativas, muito embora não apresentem tal estrutura.

Nessa nova estrutura jurídica que considera o princípio como uma espécie normativa, ele reúne as funções de condicionar a leitura das regras, contextualizá-las, inter-relacioná-las, tornando possível

44 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 481, mai., 1999.

45 HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia: entre a facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. v. 2. p. 131.

46 No período positivista, os princípios ganharam força normativa ao ingressarem nos códigos como fonte normativa subsidiária [MAULAZ, Ralph Batista de. Estado de Direito: discussão a partir da formação do Estado moderno e do direito contemporâneo. Franca: Faculdade de Direito, 2001. p. 170. Dissertação (Mestrado em Direito) – UNIFRAN, 2001. 194p].

47 Sobre o tema, cf., DWORKIN, Ronald. O império do Direito. São Paulo:

Martins Fontes, 1999.

48 GUERRA FILHO, Willis Santiago. Teoria da ciência jurídica. São Paulo:

Saraiva, 2001. p. 144.

49 KELSEN, HANS. Teoria pura do direito. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 387-397.

50 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 482, mai., 1999.

8 OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO

NotAulas – Teoria da Constituição

a integração construtiva da decisão adequada de um hard case, em

virtude da impossibilidade de serem resolvidos, de forma satisfatória, apenas com o emprego das regras jurídicas (rules) 51 .

Com efeito, pondera Menelick de Carvalho Netto 52 ao condicionarem a leitura das regras, suas contextualizações e inter- relações, e, ao possibilitarem a integração construtiva da decisão adequada de um hard case, os princípios operam ativamente no ordenamento jurídico positivo.

Frise-se que é de suma importância, na atualidade, desenvolver uma teoria da ciência jurídica adequada e atualizada aos parâmetros do paradigma constitucional do Estado democrático de direito, por meio da qual se atribuam a determinadas normas consagradoras de direitos fundamentais a natureza de um princípio, 53 de forma que, nos casos difíceis, os tribunais decidam em conformidade com a demanda valorativa principiológica.

Os julgamentos dos juízes que decidem um caso atual devem levar em conta o horizonte de um futuro presente, fincados na validade à luz de regras e princípios legítimos, uma vez que as decisões judiciais, do mesmo modo que as leis, são criaturas da história e da moral. 54 Pretende-se, de um lado, a obtenção de índices satisfatórios de segurança jurídica e, de outro, a pretensão cinge-se

à legitimidade da ordem jurídica.

A

demanda do paradigma democrático implica na construção do

direito à luz da compreensão comum e moral do justo

sem abrir mão

do ideal da segurança nas relações jurídicas intrincadas.

51 Cf. DWORKIN, Ronald. Taking rights seriously. Cambridge: Havard Universit Press, 1999. p. 22-31. GUERRA FILHO, Willis Santiago. Processo constitucional e direitos fundamentais. São Paulo: Celso Bastos, 1999. p. 51- 54. BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. São Paulo:

Malheiros, 1999. p. 228-266. CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos pragmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado

Democrático de Direito. Revista de Direito Comparado. Belo Horizonte, v. 3, p. 482, mai. 1999. CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. Coimbra: Almedina, 1999. p. 1086 et. seq. GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na Constituição de 1988. São Paulo: Malheiros, 2000. p. 75-123. LARENZ, Karl. Metodologia da ciência do direito. Lisboa:

Fundação Calouste Gulbenkian, 1997. p. 182-201, 209-215, 510-517, 574 et seq. CHUEIRI, Vera Karam de. Filosofia do direito e modernidade: Dworkin e

a possibilidade de um discurso instituinte de direitos. Curitiba JM, 1995. p. 67

et. seq.

52 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 482, mai., 1999.

53 GUERRA FILHO, op. cit., p. 145, nota 242. Em nota explicativa, o jusfilósofo da UFC salienta que na teoria do direito anglo-saxônica, e, de um modo geral, “quem deu o maior impulso para o reconhecimento da natureza diferenciada dos princípios enquanto norma jurídica foi, a nosso ver, conforme salientado anteriormente, Ronald Dworkin, em Taking rigths seriously, com sua tentativa de superação do conceito de ordenamento jurídico como um conjunto de regras primárias e secundárias, devida a H. L. A. Hart, em The concept of law (Postscript). A recepção dessa proposta de superação do positivismo na Alemanha deve-se principalmente a Robert Alexy” (cf. BONAVIDES, op. cit., p. 247, nota 243).

Insta acrescer que, na primeira metade do século passado, muito se discutiu acerca da normatividade dos princípios. Tanto os positivistas quanto os jusnaturalistas reconheceram unanimemente a sua força vinculante. Na atualidade, identificamos três teorias explicativas do fenômeno principiológico.

A primeira delas, defendidas por Del Vecchio e Bobbio, identifica os princípios

como normas gerais ou generalíssimas de um sistema. A segunda teoria, defendida por Alexy, concebe que os princípios não têm aplicação irrestrita, ou seja, não se aplicam integral ou plenamente em qualquer situação, pois tais se identificam com mandados de otimização. Alexy, da mesma forma que Dworkin, entende que os princípios são espécies normativas diferentes das regras. Os princípios expressam que algo deve ser realizado na maior medida do possível. Os princípios são razões prima facie e as regras razões definitivas (cf. ALEXY, Robert. Teoría de los derechos fundamentales. Madrid:

Centro de Estudios Constitucionales, 1997. p. 81-115). Apesar de guardar uma aparente consistência, a teoria dos princípios como mandados de otimização, defendida por Alexy, é objeto de críticas por autores ligados à ética do discurso e às “análises pragmáticas da comunicação humana, o que dará origem à terceira teoria” – defendida por Jürgen Habermas (Direito e democracia: entre a facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997, p. 241-295) com base na obra de Dworkin – “que identifica os princípios com normas cujas condições de aplicação não são pré-determinadas” (cf. GALUPPO, Marcelo Campos. Os princípios jurídicos no Estado democrático de direito: ensaio sobre o modo de sua aplicação. Revista de informação legislativa. Brasília, v. 36, n. 143, p. 191-209, jul./set., 1999.

54 HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre a facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. v. 1, p. 246.

Com efeito, a teoria adequada ao Estado democrático de direito é resultante da aproximação da prática interpretativa de textos constitucionais exercida na jurisdição constitucional 55 , com a inserção de princípios nos textos das Constituições modernas, convertendo-os em pautas valorativas, norteadoras e legitimantes, com hegemonia sobre as demais fontes normativas.

O ordenamento jurídico, na vertente pós-positiva, se mostra como

um conjunto normativo entrelaçado em diferentes graus, de regras e

princípios, concretizadores de uma idéia-retora, que, de um “ponto

de vista filosófico, metapositivo, pode ser entendida como a idéia do

direito (Rechtsidee), fórmula sintetizadora das idéias de paz jurídica

e justiça, mas que, para nós, se condensa positivamente na fórmula política adotada em nossa Constituição: Estado Democrático de Direito”. 56

Na esteira do pensamento de Dworkin, conclui-se que dado ao grau de abstração, os princípios, ao contrário das regras, podem ser contrários (tensão) sem serem contraditórios (antinômicos) – o que equivale dizer que eles não se eliminam reciprocamente à base do tudo ou nada.

Nessa relação de contrariedade sem contraditoriedade, existe um

intervalo conceitual no qual se permite a construção, pelo operador

do direito, de soluções adequadas à demanda complexa.

Com efeito, é viável afirmar que no ordenamento jurídico subsistem “princípios contrários que estão sempre em concorrência entre si para reger uma determinada situação. A sensibilidade do juiz para as especificidades do caso concreto que tem diante de si é fundamental, portanto, para que possa encontrar a norma adequada

a produzir justiça naquela situação específica”. 57

Precisamente, pondera Menelick de Carvalho Netto 58 , é “a diferença entre os discursos legislativos de justificação, regidos pelas exigências de universalidade e abstração, e os discursos judiciais e executivos de aplicação, regidos pelas exigências de respeito às especificidades e à concretude de cada caso, ao densificarem as normas gerais e abstratas na produção das normas individuais e concretas, que fornece o substrato do que Klaus Günther 59 denomina senso de adequabilidade, que, no Estado Democrático de Direito, é de se exigir do concretizador do ordenamento ao tomar suas decisões”.

5. Conclusão

Os paradigmas constitucionais do Estado Liberal e do Estado Social de Direito não se mostraram suficientes como modelos à satisfação dos interesses e valores que informam a sociedade na era da comunicação.

Se de um lado o modelo liberal consagra apenas liberdades formais, deixando o legando ao cidadão o jugo da servidão, de outro, o modelo social se mostra inadequado, mormente pela fragilidade de sua política assistencialista e dispendiosa de redução das desigualdades.

Na idade da comunicação, o discurso legitimante da cidadania deve partir da sociedade e ecoar no âmbito do Poder Judiciário, que é de fundamental importância para a concretização dos ideais

55 Cf. GUERRA FILHO, Willis Santiago. Teoria da ciência jurídica. São Paulo:

Saraiva, 2001. p. 146; PIMENTA, Roberto Lyrio. Eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais programáticas. São Paulo: Max Limonad, 1999. p.

126.

56 GUERRA FILHO, Willis Santiago. Teoria da ciência jurídica. São Paulo:

Saraiva, 2001. p. 146.

57 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 483, mai., 1999.

58 CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, p. 483, mai., 1999.

59 GÜNTER, Klaus. The sense of appropriateness. New York: State University of New York Press. 1993.

NotAulas – Teoria da Constituição

OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO

9

democráticos, tendo em vista o mecanismo e o poder decisório concentrado em suas mãos.

constitucional-democrático entre nós. Uma ordem constitucional como a brasileira de 1988, que cobra reflexividade, nos termos do paradigma do Estado Democrático de Direito”, ordena aos operadores do direito uma maior consciência hermenêutica, bem como, “responsabilidade ética e política para sua implementação – algo que, infelizmente, e muitas vezes, falta a doutrinadores e a tribunais no Brasil”.

No diapasão de Friedrich Müller 66 , um verdadeiro Estado Democrático de Direito, “que possa ser chamado legítimo, só pode coexistir com um pensamento constitucional normativo (e de modo algum com um pensamento constitucional nominalista ou simbólico)”.

Ao final, acrescente-se que a legitimidade ora retratada pelo exímio jurista alemão, passa, necessariamente, pela coragem decisória do Judiciário, que, necessariamente, deve assumir a condição de um autêntico Poder que se faz à luz dos atributos de Hércules.

Ao juiz deve-se conferir poderes hercúleos para a satisfatória entrega da prestação da tutela jurisdicional no Estado Democrático de Direito visando a “harmonização de interesses que se situam em três esferas fundamentais: pública, ocupada pelo Estado, a privada, que se situa o indivíduo, e um segmento intermediário, a esfera coletiva, na qual há os interesses de indivíduos enquanto membros de determinados grupos formados para a consecução de objetivos econômicos, políticos, culturais ou outros”. 60

Se após a falência do Estado liberal num primeiro momento observou-se o prestígio do modelo social, ou mesmo socialista de Estado, a “fórmula do Estado Democrático firma-se a partir de uma revalorização dos clássicos direitos individuais de liberdade”. 61

Nessa nova demanda democrática de valorização dos direitos fundamentais, os princípios são considerados espécies normativas diferentes das regras, proporcionando a busca de soluções de compromisso para os casos difíceis.

É

que, ao preço de produzirem injustiças que subvertem a crença

Bibliografia

na própria juridicidade, na Constituição e no ordenamento, os princípios não podem, em nenhum caso, ganhar aplicação de regras. 62

ALEXY, Robert. Teoría de los derechos fundamentales. Madrid: Centro de Estudios Constitucionales, 1997. BARACHO JÚNIOR, José Alfredo de Oliveira. Responsabilidade civil por dano ao meio ambiente. Belo Horizonte: Del Rey, 2000.

A

sociedade complexa exige a saída do legalismo estrito para a

BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. São Paulo: Malheiros, 1999. Do Estado liberal ao Estado social. São Paulo: Malheiros, 1996. CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. Coimbra:

Almedina, 1999. CARVALHO NETTO, Menelick de. Requisitos paradigmáticos da interpretação jurídica sob o paradigma do Estado democrático de direito. Revista de Direito Comparado, Belo Horizonte, n. 3, mai., 1999. CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002. CONSTANT, Benjamin. De l’esprit de conquête et de l’usurpation. Paris, 1814. CHEVALLIER, Jean-Jacques. As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias. Rio de Janeiro: Agir, 2001. CHUEIRI, Vera Karam de. Filosofia do direito e modernidade: Dworkin e a possibilidade de um discurso instituinte de direitos. Curitiba JM, 1995. DWORKIN, Ronald. Taking rights seriously. Cambridge: Havard Universit Press,

1999.

utilização efetiva de um Direito que seja, sobretudo, legítimo, no

qual a “fundamentação moral e política dos princípios jurídicos, isto

é,

a legitimidade do Direito e a sua procedimentalização acham-se

intimamente relacionadas, já que seus valores legitimadores não se

encontrariam propriamente no conteúdo de suas normas, mas sim nos procedimentos, 63 que fundamentam algum de seus possíveis conteúdos”. 64

À

guisa de concluir, saliente-se que o Direito no verdadeiro Estado

de Direito (Estado Democrático de Direito), conforme já mencionamos, precisa ser, antes de tudo, legítimo, e para tanto mister se faz lançar mão das teses de superação ao positivismo. Legitimidade que pressupõe a legalidade, corolários de um efetivo Estado Democrático de Direito.

Conforme Marcelo Cattoni 65 , “não há de modo algum, que isentar os operadores jurídicos de responsabilidades na realização do projeto

O império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 1999. GALUPPO, Marcelo Campos. Os princípios jurídicos no Estado democrático de direito: ensaio sobre o modo de sua aplicação. Revista de informação legislativa. Brasília, v. 36, n. 143, p. 191-209, jul./set., 1999. GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na Constituição de 1988. São Paulo:

Malheiros, 2000. GUERRA FILHO, Willis Santiago. Teoria da ciência jurídica. São Paulo: Saraiva,

 

2001.

60

GUERRA FILHO, Willis Santiago. Teoria da ciência jurídica. São Paulo:

GUERRA FILHO, Willis Santiago. Processo constitucional e direitos fundamentais. São Paulo: Celso Bastos, 1999. GÜNTER, Klaus. The sense of appropriateness. New York: State University of New York Press. 1993.

Saraiva, 2001. p. 159.

61

GUERRA FILHO, Willis Santiago. Teoria da ciência jurídica. São Paulo:

Saraiva, 2001. p. 158-159.

HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia: entre a facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Universitário, 1997. A crise de legitimação no capitalismo tardio. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994. Between facts and norms: contributions to discourse theory of law and democracy. Cambridge: The MIT, 1996.

HART, Herbert L. A. O conceito de direito. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,

62

CARVALHO NETTO, op. cit., p. 486, nota 254. 63 Cumpre salientar que o Estado Democrático de Direito depende intensamente dos procedimentos, não apenas os legislativos, e eleitorais, mas, sobretudo, os judiciais. Como diz Guerra Filho (2001, p. 159-160), “para solucionar as colisões entre interesses diversos de certas coletividades entre si e interesses individuais ou estatais, tão variadas e imprevisíveis em sua ocorrência, não há como se amparar em uma regulamentação prévia exaustiva, donde a dependência incontornável de procedimentos para atingir as soluções esperadas. Compreende-se, então, como o centro de decisões políticas relevantes, no Estado Democrático contemporâneo, sofre um sensível deslocamento do Legislativo e Executivo em direção ao Judiciário. O processo judicial que se instaura mediante a propositura de determinadas ações, especialmente aquelas de natureza coletiva e/ou de dimensão constitucional – ação popular, ação civil pública, mandado de injunção etc. –, torna-se um instrumento privilegiado de participação política e exercício permanente da cidadania. É compreensível, então, que devamos enfocar aquela estrutura de poder do Estado que se utiliza do processo como instrumento de sua atuação, ao aplicar o conjunto de normas que formam essa ordem jurídica: o Judiciário. O papel do Judiciário em um Estado que se quer democrático é distinto daquele que se lhe atribui na formulação clássica sobre suas relações com os demais poderes estatais. Do Judiciário hoje não é de se esperar uma posição subalterna perante os outros poderes a quem caberia a produção normativa. O juiz não há de se limitar a ser apenas, como disse Montesquieu, la bouche de la loi, mas sim, la bouche du droit, isto é, a boca não só da lei, mas o próprio Direito. Sobre esse ponto, aliás, explicitou a jurisprudência constitucional alemã que a Lei Fundamental, quando estabelece, em seu art. 97, que o juiz está vinculado apenas à lei, essa vinculação deve ser entendida como ao Direito”.

1996.

KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2000. LARENZ, Karl. Metodologia da ciência do direito. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997. LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo civil. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

LUCAS VERDÚ, Pablo. Curso de derecho politico. Madrid: Tecnos, 1992. v.1. MAULAZ, Ralph Batista de. Estado de Direito: discussão a partir da formação do Estado moderno e do direito contemporâneo. Franca: Faculdade de Direito, 2001. p. 170. Dissertação (Mestrado em Direito) – UNIFRAN, 2001. 194p MIRANDA, Jorge. Manual de direito constitucional. Coimbra: Coimbra, 1997. tomo I. MONTESQUIEU, Charles de Secondat, Baron de. O espírito das leis. São Paulo:

Martins Fontes, 1996. MÜLLER, Friedrich. Legitimidade como conflito concreto do direito positivo. Cadernos da Escola do Legislativo. Belo Horizonte, 1999. PIMENTA, Roberto Lyrio. Eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais programáticas. São Paulo: Max Limonad, 1999. REALE, Giovanni. Para uma nova interpretação de Platão. São Paulo: Loyola, 1991.

64

GUERRA FILHO, Willis Santiago. Teoria da ciência jurídica. São Paulo:

Saraiva, 2001. p. 156-157.

 

65

CATTONI, Marcelo. Direito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002. p. 99-100.

66 MÜLLER, Friedrich. Legitimidade como conflito concreto do direito positivo. Cadernos da Escola do Legislativo. Belo Horizonte, 1999. p. 26.

10 OS PARADIGMAS DO ESTADO DE DIREITO

NotAulas – Teoria da Constituição

17/02/2012

Trabalho: Quadro Comparativo do Constitucionalismo

Fazer um quadro comparativo do constitucionalismo liberal, social e democrático à luz do texto enviado ao e-mail da turma (5 pts)

 

CONSTITUCIONALISMO

 

As relações entre indivíduos deve ser regida/normatizada por uma constituição

Constituição: Lei fundamental e suprema que regula e organiza um Estado. No Brasil, estabelece a forma de governo (Democracia), sistema político (Presidencialismo), forma de estado (Federalismo), as relações entre os poderes públicos, a distribuição de competências, os direitos e deveres dos cidadãos - Lei máxima, à qual todas as outras leis devem ajustar-se.

 

Liberal

 

Social

 

Democrático

Separação entre privado (Estado) e público (indivíduo) – modelo liberal/burguês (capitalista)

O

Estado passa a intervir na

Interação geral dos indivíduos, com objetivos diversos, buscando o bem comum da coletividade (esfera coletiva)

esfera antes dos indivíduos (economia, providência, educação )

Diferente do socialismo, com base comunista, mantém sua base no capitalismo.

Estado não interventor, garantidor da segurança/relações internas e de fronteiras, principalmente através das leis.

Estado intervém para garantir

Alternativa ao estado

os

direitos mínimos do

de bem-estar-social, interventor, com suas empresas engessadas

e

inchadas causadoras

indivíduo. Para manter o equilíbrio da economia capitalista, evitando distorções que possam gerar crises estruturais.

de crises.

Busca da felicidade de forma individual

Busca do bem comum como função primordial do Estado

Todos os atores envolvidos nessa construção de novo modelo de busca do bem comum. (síntese)

Liberdade individual –

Busca reduzir a distância entre

Direito a participação

o

que não é proibido

os

grandes proprietários e o

nas decisões públicas

em lei é permitido (direito de ter)

proletariado.

sufrágio universal

Direito de 1º geração

Materialização de direitos e

Participação geral no debate e decisão, por representação, e definição de direitos.

naturais – esfera privada - formal

-

mudança no conceito de direitos fundamentais

Separação do poder para coibir o abuso estatal - Poder Legislativo:

Também passa a funcionar como controlador do Estado

Por delegação (voto direto) buscar sintetizar (normas de controle –

(econômica/administrativament

e)

leis) e dar manutenção aos valores principiológicos coletivos.

elaborador de leis

Poder Judiciário:

Maior autonomia na análise nos casos legais e infralegais na busca da igualdade material e justiça social.

Promotor da legalidade (segurança jurídica) – inclusão do conceito de moralidade. Constituição aplicada empiricamente (flexível/adaptável). Jurisprudencial.

resolver conflitos – limitado às normas estabelecidas pelo legislativo.

Poder Executivo:

Maior poder de intervenção (direta e indireta) na busca dos interesses coletivos, público, social e/ou nacional.

Maior legitimidade através do voto direto para escolha de seus representantes.

colocar em prática o Direito, “garantindo a certeza e a segurança jurídicas e sociais, internas e externas, na paz e na guerra”.

18/02/2012

Carnaval

NotAulas – Teoria da Constituição

Poder Constituinte

11

23/02/2012

PODER CONSTITUINTE

(poder responsável pela elaboração da Constituição e após essa criação, ele deixa de existir e passa a existir o poder legislativo)

1 Pensamento Sieyes

Pensamento Sieyes no livro: “O que terceiro Estado?”

Igualdade de direitos em relação nobreza e clero.

Distinção entre poder constituinte e poder legislativo – o poder constituinte sobrepõe-se a qualquer poder constituído e nenhum poder delegado pode mudar as condições de delegação do poder maior de criação do próprio Estado.

O poder legislativo deriva do poder constituinte e encontra limites na Constituição que é o próprio poder constituinte que por sua vez não encontra limites em nenhuma ordem estabelecida.

Distorção de 1987 no Brasil – a Assembléia instalada aproveitou a composição de um poder legislativo anterior, não eleito para essa missão específica e que teve a sua composição congressual mantida, contrariando que a Assembléia Constituinte para manter a imparcialidade deverá ser dissolvida logo após a promulgação da Constituição.

2 Titularidade

Quem é o titular do poder constituinte?

Titularidade do Poder constituinte e da soberania são questões indissociáveis.

Nação / Povo

Para Sieyes a nação existe antes de tudo, por isso sua vontade é a lei

Para Manoel Gonçalves, o poder só se estabiliza quando fundado na aceitação dos que por ele serão governados.

3 Poder Constituinte Originário

Instala um novo Estado e rompe com o anterior.

Características:

Inicial – instaura uma nova ordem sem limite jurídico positivado na ordem que está sendo rompida

Ilimitado (?) – não encontra limites ao seu poder, não se vincula ou submete-se a ordem anterior.

Incondicionado (?) – não encontra condições ou termos dentro da ordem jurídica interna.

Para uma corrente de pensadores, esses limites existem.

(?) Princípio da vedação ao retrocesso não pode haver retrocesso aos direitos fundamentais já adquiridos anteriormente.

Jusnaturalistas os limites estão dentro das normas do direito natural

O próprio movimento que gerou a Constituição.

Origina nova ordem

(experiência francesa) – nada acontece de repente e

Bernardo Gonçalves

Poder Constituinte Material Movimento social que impulsiona o legislados a criar a Constituição

Poder Constituinte Formal ????

Poder Constituinte Fundacional Poder originário que funda o Estado.

Poder Constituinte Não Fundacional Ruptura, modificação de um Estado já existente

4 Poder constituinte derivado

Surge da necessidade de alterar a CR de acordo com a evolução da sua sociedade para acompanhar a evolução social.

Não se confunde com o originário.

Pode ser:

Emenda modificação pontual de uma matéria constitucional, adicionando, suprimindo, modificando alineas, incisos e artigos.

Revisional revisão sistemática, mais ampla .

Na CR/88 a previsão de manifestação desse poder de revisão é de uma única vez cinco anos após a sua promulgação.

4.1 Limites ao Poder Constituinte Derivado

4.1.1 Limite Material

Matérias que não podem ser objeto de alteração.

Explícitos

Ex.: art.60, § 4º,CR

Art.

proposta:

60.

A

Constituição

poderá

ser

emendada

mediante

§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

I - a forma federativa de Estado;

II - o voto direto, secreto, universal e periódico;

III - a separação dos Poderes;

IV - os direitos e garantias individuais.

Cláusulas pétreas não podem ser abolidas, reduzidas ou suprimidas; podem ser ampliadas/melhoradas.

Implícitos

Teoria da Dupla Reforma utilizando dos limites formais da Constituição poderá alterar os limites formais. É teoria alemã que não se aplica no Direito brasileiro

Vedação de tentar burlar os limites explícitos.

4.1.2 Limite Circunstancial

Proíbe reforma durante situações de instabilidade democrática.

12

Poder Constituinte

NotAulas – Teoria da Constituição

Art.

proposta:

60.

A

Constituição

poderá

ser

emendada

mediante

§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

Impede modificações casuísticas.

Ex.: Estado de Sitio, intervenção do Estado, Estado de guerra.

4.1.3 Limite Temporal

Impede reforma durante certo intervalo de tempo

4.1.4 Limite Formal

Estabelece um sistema mais rígido para alteração da CR. Cumpre uma formalidade para realizar alterações.

Ex.: Exigência de quorum qualificado do membros do Congresso Nacional

5 Poder Constituinte (Derivado) Decorrente

Refere-se aos entes federados: Estados-membros e municípios

Não implica em soberania desses entes, já que a soberania é privativa da federação.

Estados membros = poder decorrente de 2º grau

Municípios = poder decorrente de 3º grau

6 Poder Constituinte Supranacional

Derivado a partir do fenômeno da globalização, para criar uma Constituição convivendo com a Nacional e acima dessa – comunidades internacionais.

Não

supranacional

pode

haver

conflito

ente

a

Constituição

nacional

e

Visa a formação de uma Constituição supranacional.

Titularidade (?) Não existe titularidade a Constituição supranacional, porque falta o elemento povo para dar legitimidade a esse poder. Não existe povo europeu, por isso no âmbito interno de cada Estado que compõe a União Européia, legitimou as alterações.

Estrutura Estatal Supranacional

Ex.: União Européia

Parlamento

Conselho – órgão de decisão

Comissão – órgão executor

Tribunal de justiça – responsável principalmente pelos direitos fundamentais

Tribunal de contas

Banco europeu

24/02/2012

EFEITOS DO EXERCÍCIO DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO SOBRE A ORDEM JURÍDICA ANTERIOR

1 Desconstitucionalização

(Fenômeno que não ocorre no Brasil ou em nenhum estado

democrático moderno)

A teoria da Desconstitucionalização não é utilizada no Brasil, porque

a promulgação de uma nova Constituição opera revogação total da

Constituição anterior.

A promulgação de uma nova constituição implica na revogação da

constituição material (D.E.O Direitos Fundamentais; Estrutura do

Estado; e Organização do Poder) anterior, sendo que a constituição

formal, se em sintonia com a nova carta continuaria em vigor como

norma infraconstitucional.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de

qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos

estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à

vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos

termos seguintes:

Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:

As normas sobre tecnologia, desporto (que não são essenciais ao

Estado) seriam recepcionadas pela nova ordem como norma

infraconstitucional, como Lei Ordinária.

2 Recepção

A constituição

(infraconstitucional) se com ela for compatível.

nova

recepciona

a

ordem

normativa

Através de processo hermenêutico (Interpretação de textos legais

para

aplicação à particularidade dos casos).

Ex.:

CP/40 (Código Penal) DL (decreto lei ) LO (lei ordinária)

CTN/66 (Cód. Trib. Nac.) LO (lei ordinária) LC (lei compl.)

3 Repristinação

(Esse fenômeno não é observado no Brasil, apenas se for

tratado de forma expressa)

Pode ser observado tanto em relação a constituição, quanto às leis

ordinárias

A norma revogada pelo advento de uma constituição é restaurada

com a revogação da carta que revogou aquela.

NotAulas – Teoria da Constituição

Poder Constituinte

13

3.1 Efeito Repristinatório

Repristinação é diferente do efeito repristinatório.

Uma lei inconstitucional, seja no todo ou em parte que alcance determinada lei, que revoga uma lei, perde o seu efeito e a lei anterior volta a vigorar.

4 Mutação Constitucional

Modificação informal do texto constitucional. O texto constitucional não será modificado, pois é necessário E.C e revisão pelo poder legislativo.

A mutação é feita pela interpretação pelos órgãos judiciários – STF – pode ou não ter vinculação.

Ex.: interpretação Prisão civil do depositário infiel e devedor de pensão não se aplica mais. No art.5º, cláusula pétrea, determina que esses podem ser presos civilmente, mas no pacto de São José da Costa Rica, sendo mais benéfico ao cidadão, ele passou a ser recepcionado pela CR.

25/02/2012

REVISÃO DA AULA DO DIA 24/02/2012

1º/03/2012

NORMAS CONSTITUCIONAIS

1 Norma

Mandamento, prescrição, ordem.

2 Diferenças: Regras X Princípios

Regras

Princípios

Comando abstrato de observação geral

Nortes, linhas mestras, diretrizes magnas

Conflito em:

Colisão

Hierarquia (Art. 59 CR)

Não há anulação, mas prevalência (caso concreto)

Especialidade

 

Cronológico

3

Classificação das Normas Constitucionais

3.1 Quanto ao Conteúdo

3.1.1 Normas Constitucionais Materiais

Quanto ao Conteúdo 3.1.1 Normas Constitucionais Materiais Pertinentes à organização dos poderes, estrutura do

Pertinentes à organização dos poderes, estrutura do Estado e direitos fundamentais.

Art. 21. Compete à União:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:

Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:

Arts. 2º, 5º e 23

3.1.2 Normas Constitucionais Formais

Outras normas que estão inseridas no texto constitucional, mas que não se referem a questões essenciais do Estado.

Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados:

Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação

Art. 220. A manifestação o pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta

Arts. 221, 22, 223

14

Poder Constituinte

NotAulas – Teoria da Constituição

3.2 Quanto à Estrutura

3.2.1 Princípios Constitucionais

Contemplam valores que informam a ordem jurídica. Alto grau de generalidade e baixa densidade normativa.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:

Arts. 74, 76 e 84

3.2.2 Regras Constitucionais

Prescrevem condutas ou descrevem situações. Baixo grau de abstração e alta densidade normativa.

Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de

Art. 177. Constituem monopólio da União:

Arts. 29, 44, 224

3.3 Quanto à Finalidade

3.3.1 Normas Constitucionais de Organização

Têm por objeto a organização do Estado e sua estrutura.

Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:

Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei.

Arts. 18; 19, I, II e III; e 21, I a XXV

3.3.2 Normas Constitucionais Definidoras de Direito

Trazem o disciplinamento dos direitos fundamentais, dirigidas precipuamente às relações entre Estado e indivíduo.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Arts. 6º, 7º, 8º

3.3.3 Normas Constitucionais Programáticas

Definem fins a serem atingidos pelo estado e de programas a serem implementados.

Ex.: Art. 4º, § único; art. 196; art. 205, 215 CR

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino- americana de nações.

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações

Arts. 1°, 3º e 5º

02/03/2012

3.4 Quanto à Eficácia (JAS)

(José Afonso da Silva)

3.4.1 Norma Constitucional de Eficácia Plena (JAS)

Não

infraconstitucional.

necessitam

de

qualquer

integração

Aplicação direta, imediata e integral.

legislativa

Art. 21. Compete à União: