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ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA

CURSO DE LICENCIATURA EM ENFERMAGEM –3º Ano

A Hipertensão Arterial na
Gravidez
UC Enfermagem de Saúde da Mulher
Dirigido a:

Prof.Helena Bértolo

Prof. Maria João Delgado

Ana Esteves, 221


Carla Cardiga, 232
Hugo Varela, 757
Marta Alexandre, 268
Marta Silva, 266
Nídia Santos, 273
Tatiana Glória, 811
Turma A

Lisboa,
Dezembro de 2009
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UC Enfermagem da Saúde da Mulher

ÍNDICE

0. Introdução ……………………………………………………………………………… 5

1. A Hipertensão na Gravidez …….………………………………………………….…. 6

1.1 Epidemiologia ................................................................................................... 6

1.2 Diagnóstico de Hipertensão na Grávida ........................................................... 6

2. Critérios de Classificação ………………………………………………………………. 6

2.1 Hipertensão Induzida pela Gravidez ................................................................. 6

2.1.1 Pré-Eclâmpsia ....................................................................................... 7

2.1.2 Eclâmpsia ............................................................................................ 11

2.1.3 Síndrome de HELLP ............................................................................ 12

2.1.4 Hipertensão Transitória ....................................................................... 13

2.2 Hipertensão Crónica ....................................................................................... 13

2.2.1 Hipertensão crónica com pré-eclâmpsia sobreposta............................ 14

3. Condições que desencadeiam o parto ……………………………………….…....… 15

4. Complicações …………………………………………………………………………… 17

4.1. Maternas ....................................................................................................... 17

4.2. Fetais ............................................................................................................ 17

5. Intervenções de Enfermagem ………………………………………………………… 17

5.1. Prevenção Primária ....................................................................................... 17

5.2. Secundária .................................................................................................... 19

6. Sinais do Período Prodrómico (Eclâmpsia) …………………………………………. 19

7. Cuidados Especiais em Pré-Eclâmpsia e Eclâmpsia ………………………………. 20

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8. Alterações Psico-Emocionais ………………………………………………………… 23

8.1. Intervenções .................................................................................................. 23

9. Conclusão ………………………………………………………………………………. 24

10. Bibliografia ……………………………………………………………………….……. 26

AAN
NE
N EX
E XO
X OS
OSS ................................................................................................................ 27

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Valores Sistólicos e Diastólicos na Hipertensão Crónica ligeira/moderada e


Grave.......................................................................................................................... 13

Tabela 2 - Exemplos de atitudes correctas a tomar consoante o tempo de gestação


das mulheres grávidas com pré-eclâmpsia grave ....................................................... 15

Tabela 3 – Principais fármacos utilizados no tratamento da pré-eclâmpsia e eclâmpsia


................................................................................................................................... 29

Tabela 4 - Principais alterações laboratoriais na pré-eclâmpsia.................................. 30

Tabela 5 - Efeitos minorizantes e colaterais do sulfato de magnésio .......................... 31

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Ilustração 1 - Fisiopatologia da Pré-Eclâmpsia ............................................................. 8

Ilustração 2 - Fisiopatologia da Pré-Eclâmpsia ............................................................. 8

Ilustração 3 - Posição de Decúbito Lateral Esquerdo .................................................. 10

Ilustração 4 - Avaliação da Altura do Fundo do útero .................................................. 18

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0. INTRODUÇÃO

Este trabalho realizado no âmbito da Unidade Curricular de Enfermagem da Saúde da


Mulher tem por base uma das principais alterações na maternidade tão em voga que
podem afectar tanto a mulher como o feto, cuja abordagem é de extrema pertinência:
trata-se da Hipertensão Arterial na gravidez.

O grupo definiu como principais objectivos reconhecer e compreender os vários tipos


de hipertensão na grávida e respectiva fisiopatologia, identificar os principais riscos e
complicações provocados pela HTA durante esta fase, salientar os princípios de
abordagem da HTA na grávida, conhecer algumas formas de tratamento
farmacológico e não farmacológico nesta patologia, definir qual o papel do enfermeiro
no acompanhamento pré-natal, obstétrico e pós-natal e ainda identificar as
intervenções de enfermagem tanto para a mulher como para a sua família.

No sentido de dar resposta a estes objectivos, o grupo irá analisar alguns dados
epidemiológicos que lhe permita reflectir acerca da realidade que é este problema,
face às mulheres grávidas. Assim, será abordada a classificação e respectivos
critérios relativamente à hipertensão na gravidez, focando então a hipertensão
induzida pela gravidez, hipertensão transitória e hipertensão crónica. No que concerne
à Hipertensão induzida pela gravidez, é importante que sejam tidas em conta as
condições específicas que a caracterizam bem como os principais factores de risco
que estão na base da sua origem. Serão assim abordados ao longo deste trabalho, os
conceitos de pré-eclâmpsia, eclâmpsia e Síndrome de HELLP, especificando as suas
particularidades e implicações fisiopatológicas. Reconhecemos ser também pertinente
abordar alguns dos cuidados especiais que deverão ser prestados face a uma
situação agravada de hipertensão na gravidez, e dadas as inúmeras alterações
psicológicas e pessoais inerentes à gravidez e a todo o processo de gestação, o grupo
denotou ainda a importância da abordagem das principais alterações psico-emocionais
e respectivas intervenções face à grávida e família.

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1. A HIPERTENSÃO NA GRAVIDEZ

1.1 Epidemiologia
A hipertensão na Gravidez constitui uma das principais causas da morbilidade e
mortalidade materna e perinatal. Cerca de 7 a 10 % das grávidas sofre de distúrbios
hipertensivos. O predomínio aumenta para 20 a 40% quando se trata de grávidas com
antecedentes de Hipertensão Arterial (HTA) ou quando outras doenças
cardiovasculares e renais, como também outros problemas como hipertensão
essencial, diabetes mellitus e lúpus eritematoso precedem a gestação.

Apesar dos intensos estudos realizados neste âmbito, ainda não se conhece a relação
entre a gravidez e a HTA, ou seja, ainda não foram descobertas quais as causas da
eclâmpsia e pré-eclâmpsia. Este fenómeno inicia-se precocemente, imediatamente
após a invasão trofoblástica, resultando de inúmeros factores, pelo que os sinais e
sintomas surgem apenas já numa fase de instalação já algo avançada do processo
fisiopatológico. Sabe-se contudo, que para se evitar o aparecimento de complicações
e preservar as vidas, tanto da mãe como do feto, é necessário proceder-se a uma
vigilância cuidadosa e para se estabelecerem as atitudes terapêuticas na altura
correcta. Assim, a grávida deverá ser capaz de reconhecer os principais sintomas de
HTA para que as medidas terapêuticas sejam activadas atempadamente evitando um
agravamento do prognóstico da mãe e do feto.

1.2 Diagnóstico de Hipertensão na Grávida


É diagnosticada hipertensão arterial na grávida sempre que, em pelo menos duas
avaliações consecutivas, com um espaçamento de seis horas entre si, a Pressão
Arterial Sistólica se encontra em valores superiores a 140 mmHg e a Pressão Arterial
Diastólica acima de 90 mmHg.

2. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO

2.1 Hipertensão Induzida pela Gravidez

A hipertensão durante a gravidez é bastante frequente e geralmente desaparece após


o parto, contudo, pode manter-se até às 12 semanas após o parto. Estas alterações
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hipertensivas podem colocar em risco o bem-estar do feto e provocar alterações nos


principais sistemas do organismo tais como, isquémia tecidual (por diminuição da
perfusão dos órgãos vitais) e depósitos de fibrinogénio nas paredes vasculares.

Desta forma, a hipertensão induzida pela gravidez corresponde a um aumento da


tensão arterial após 20 semanas de gestação, acima dos limites encarados
patológicos anteriormente referidos, sem que seja acompanhada de qualquer outro
sintoma. Os valores de tensão arterial da mulher grávida durante o primeiro semestre
de gestação irão assim constituir os valores de referência. Como os valores tensionais
variam, entre outros, com a idade, hereditariedade, estado fisiológico e hábitos
dietéticos, em alternativa, pode definir-se hipertensão como um aumento da pressão
sistólica e diastólica em 30mmHg e 15 mmHg, respectivamente, acima dos valores de
referência. Para que seja considerada, devem então registar-se valores elevados em
avaliações realizadas com um intervalo de no mínimo 6 horas.

2.1.1 Pré-Eclâmpsia
 Etiologia e Factores de Risco

A pré-eclâmpsia é uma condição que ocorre especificamente durante a gravidez, onde


a pressão arterial se desenvolve a partir da 20ª semana de gestação numa grávida
anteriormente normotensa (adaptado de BOBAK et al, 1999).

Este síndroma apresenta características próprias, nomeadamente uma fisiopatologia


muito diferente das situações de hipertensão arterial pré-existentes à gravidez, pelo
que não são necessárias atitudes clínicas e terapêuticas igualmente específicas.
Habitualmente estes problemas podem ser evitados, na maioria das vezes, em
consultas pré-natais e com avaliações médicas, de modo a que sejam instauradas
medidas terapêuticas simples e evitar um agravamento da situação.

A pré-eclâmpsia apresenta diversos factores de risco, ocorrendo com maior frequência


em mulheres primíparas, em grávidas muito jovens (geralmente coincidente com a
primiparidade) ou em mulheres com idade superior a 35/40 anos (mesmo que sejam
multíparas) ou grávidas de gémeos. A sua incidência e gravidade é também maior em
grávidas de classes sociais mais baixas com uma menor eficiência e acesso aos
cuidados pré-natais. É bastante frequente em filhas e irmãs de mulheres com
antecedentes de pré-eclâmpsia, pelo que os factores biológicos e genéticos familiares
devem ser tidos em consideração. Pode estar ainda associada a obesidade e a
hipertensão crónica.

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 Fisiopatologia da Pré-Eclâmpsia:

A pré-eclâmpsia é uma doença multissistémica e a sua fisiopatologia relaciona-se com


as alterações fisiológicas da gravidez. Ainda não se conhece uma verdadeira causa
para a ocorrência da pré-eclâmpsia, contudo sabe-
se que esta doença tem origem na placenta.

Durante a gravidez, a mulher irá atravessar um


período de adaptação fisiológica, em que se
verifica um aumento do plasma, vasodilatação,
diminuição da resistência vascular sistémica,
aumento do débito cardíaco e diminuição da
pressão osmótica coloidal.

A base desta doença está na dificuldade e


incapacidade da invasão do lúmen das arteríolas

Ilustração 1 - Fisiopatologia da Pré-Eclâmpsia espiraladas pelo citotrofoblasto extravilositárico, e,


ao contrário do que acontece numa gravidez
normal, as arteríolas espiraladas tornam-se altamente resistentes, reduzindo o fluxo de
sangue ao espaço inter-viloso. Desta forma, ocorre uma diminuição do volume de
plasma circulante, desencadeando hemoconcentração e aumento do hematócrito da
mulher grávida.

Todas estas alterações provocam uma diminuição da perfusão dos órgãos maternos,
inclusive o útero, placenta e feto. Os vasoespasmos
que ocorrem ciclicamente irão acentuar ainda mais
a diminuição da perfusão dos órgãos (hipóxia
tecidular), por destruição dos glóbulos vermelhos, o
que provocará uma diminuição da capacidade de
oxigenação materna e uma eventual falência
multiorgânica.

O vasoespasmo é assim considerado como o


principal responsável pelo aparecimento dos sinais
e sintomas de pré-eclâmpsia, resultando de um Ilustração 2 - Fisiopatologia da Pré-Eclâmpsia
aumento de sensibilidade para os vasopressores
presentes na circulação tais como a angiotensina II, desencadeando um desequilíbrio
entre as prostaglandinas, prostacilina e tromboxano A2.

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Para além dos danos endoteliais, o vasoespasmo arterial conduz também a um


aumento da permeabilidade capilar e, consequentemente, a um aumento do edema e
diminuição do volume intravascular, predispondo a mulher com pré-eclâmpsia a um
edema pulmonar.

A hipertensão e a proteinúria características da pré-eclâmpsia, resultam de um


aumento da perfusão renal: inicia-se um mecanismo protector (vasoespasmo renal)
como consequência de uma lesão endotelial.

Os factores imunitários têm também um papel preponderante na pré-eclâmpsia,


contribuindo para o seu desenvolvimento. A presença da placenta e do feto poderão
originar uma resposta imunitária adversa. Será então esta resposta imunitária o
suporte da explicação para a elevada incidência de pré-eclâmpsia na primeira gravidez
que corresponde ao primeiro contacto com o tecido fetal, bem como em mulheres
multigestas que engravidam de um novo parceiro e, portanto, o material genético será
diferente.

Segundo estudos levados a cabo por Sibai (1991), existe um gene recessivo
autossómico que controla a resposta imunitária da mãe evidenciada através de uma
incidência elevada de pré-eclâmpsia e eclâmpsia em filhas ou netas de mulheres com
história de pré-eclâmpsia.

Assim, o diagnóstico da pré-eclâmpsia é feito com base na seguinte tríade:

Os sintomas mais indicativos da pré-eclâmpsia são então a hipertensão e a


proteinúria, sendo o edema significativo quando estas coabitam. Contudo, nem todos
os sinais e sintomas se podem manifestar simultaneamente para o estabelecimento do
diagnóstico. Para além destes sinais clássicos, poderão ainda estar presentes outros,
como as epigastralgias, cefaleias, alterações da visão, oligúria ou anúria, disfunção
hepato-celular, hiperreflexia, convulsões. O edema surge apenas em cerca de metade
das grávidas (embora clinicamente patente) e por isso é considerado um sinal de
pequeno valor. Para que seja considerado patológico deverá ser matutino e surgir na

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face, região lombar, membros superiores e inferiores, concomitante com um aumento


de peso que poderá ocorrer mesmo antes das manifestações do edema.

Torna-se assim importante distinguir três tipos de pré-eclâmpsia de acordo com os


valores de tensão arterial e de proteinúria:

 Pré-Eclâmpsia moderada: O diagnóstico é feito com base no surgimento de


hipertensão, proteinúria e/ou edema, tal como supracitado, após a 20ª semana
de gestação. Estas situações não requerem internamento se as condições no
domicílio forem adequadas.

 Pré-Eclâmpsia Grave: Verifica-se então um agravamento da pré-eclâmpsia


quando existe um envolvimento multissistémico. Para além dos sintomas
tradicionais e característicos da pré-eclâmpsia moderada, poderá verificar-se
também oligúria inferior ou igual a 400ml em 24horas, proteinúria maior ou
igual a 5g na urina 24horas, distúrbio cerebral ou visual (alteração da
consciência, visão turva, cefaleias), e edema pulmonar ou cianose. Uma
situação de pré-eclâmpsia grave requer o internamento da grávida.

 Recomendações em caso de pré-eclâmpsia moderada

Em situações de pré-eclâmpsia moderada, a grávida poderá permanecer em casa. No


entanto deverá seguir algumas recomendações, algumas das quais na impossibilidade
de realização de visitas de enfermagem domiciliares, tais como: Avaliar diariamente a
tensão arterial para despiste de qualquer elevação da pressão sanguínea; pesar-se
com frequência e identificar a presença de edemas; comunicar qualquer alteração
urinária, como ardor ao urinar, diminuição ou aumento da diurese; avaliar a proteinúria
numa amostra de urina através de fita reagente se possível; tomar a terapêutica
prescrita e estar atenta à actividade fetal diariamente devendo recorrer aos
profissionais de saúde em caso de diminuição
dos movimentos fetais (3 ou menos movimentos
por hora) pois poderá ser um indicador de
sofrimento fetal. Relativamente ao repouso e
ocupação, a grávida deverá deitar-se em
Ilustração 3 - Posição de Decúbito Lateral decúbito lateral esquerdo, uma vez que
Esquerdo
maximiza o fluxo uteroplacentar; realizar
exercícios de relaxamento; deverá ocupar o seu tempo com actividades lúdicas para
evitar o aborrecimento bem como realizar exercícios suaves para estimulação do

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tónus muscular, circulação e bem-estar (movimentar pés e mãos em círculos, contrair


e relaxar os músculos das pernas e pés). Relativamente à alimentação, a grávida
também deverá ter alguns cuidados, devendo manter uma dieta nutritiva e equilibrada,
ingerir alimentos ricos em fibras, 6 a 8 copos de água por dia; apesar de não haver
restrição de sal, não deverá ingerir alimentos excessivamente salgados; evitar o álcool
e tabaco.

Assim que a grávida notar algumas alterações como um aumento da pressão arterial,
cefaleias e epigastralgias persistentes, perturbações visuais, hemorragia vaginal ou
diminuição dos movimentos fetais, deverá dirigir-se imediatamente aos Serviços de
Urgência.

Os cuidados especiais relativos a situações de pré-eclâmpsia grave serão abordados


mais à frente.

 Avaliação

Quando surgem os primeiros sintomas, a hipertensão encontra-se já num estado


bastante avançado do processo fisiopatológico, pois até aqui este processo é
silencioso e assintomático. Por este motivo se torna primordial uma identificação o
mais precocemente possível de uma situação de pré-eclâmpsia, para que se possa
actuar o mais rapidamente possível, evitando transtornos maiores. É importante então
que a mulher realize uma consulta pré-natal, de forma a que seja feito um despiste dos
factores de risco e primeiros sintomas que evidenciem uma possível pré-eclâmpsia.

2.1.2 Eclâmpsia
A eclâmpsia advém de um agravamento da pré-eclâmpsia e é caracterizada pelo
aparecimento de convulsões, coma ou de ambos numa grávida com sintomas de pré-
eclâmpsia. Devem ser excluídas quaisquer outras causas de convulsões, como
acessos provocados por epilepsia, acidentes cardiovasculares, hemorragia cerebral ou
excesso de drogas, pois requerem outro tipo de intervenção. Para além disso, a pré-
eclâmpsia surge também associado a hipertensão extrema, hiperreflexia, proteinúria e
edema generalizado. Pode surgir antes, durante ou após parto, contudo, na grande
maioria das vezes, a sua ocorrência tem lugar antes do parto (50% dos casos).
Perante uma crise convulsiva, são necessários alguns cuidados especiais, os quais
serão abordados ao longo deste trabalho.

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2.1.3 Síndrome de HELLP


O fígado pode ser o órgão-alvo das complicações da pré-eclâmpsia/eclâmpsia,
podendo apresentar-se sobre a forma de síndrome de HELLP. HELLP trata-se de uma
abreviatura para o que ocorre nesta síndroma, nomeadamente hemólise (Hemolysis),
aumento das enzimas hepáticas (Elevated Liver enzymes) e trombocitopénia (Low
Platelets). Por vezes pode ser confundido com os quadros de coagulação intravascular
disseminada e púrpura trombótica trobocitopénica, situações essas que são muito
mais raras do que a pré-eclâmpsia grave com complicações associadas. Como regra,
todas as grávidas com alterações hematológicas e aumento das enzimas hepáticas
devem ser abordadas primariamente como tendo uma situação induzida pela gravidez.

O tratamento da síndrome de HELLP é semelhante ao da pré-eclâmpsia/eclâmpsia


grave. No que toca à indução do parto há divergências entre autores, sendo que uns
defendem que o parto deve ser induzido independentemente da idade gestacional
(WEINSTEIN, 1982 e 1985; KILLAM, 1975; SCHWARTZ, 1983), e outros defendem
que o parto deve ser retardado 24 dias e não 24 horas, fazendo repouso no leito e
terapêutica endovenosa de MgSO4 (MACKENNA, 1983; GOODLIN, 1982;
THIAGARAJAH, 1984). Numa revisão dos achados, em 231 pacientes ocorreram 7
mortes maternas, pelo que, segundo Knuppel e Drukker (1993) não se deve retardar o
parto, a não ser por 48 a 72 horas, para terapia com corticoesteróides. Devem-se
realizar ainda contagens séricas de plaquetas e se estas decaírem abruptamente não
se deve retardar mais o parto.

 Atitudes Terapêuticas
Para o tratamento da pré-eclâmpsia e eclâmpsia, são utilizadas algumas medidas
terapêuticas, nomeadamente terapêutica anti-hipertensora. No controlo da hipertensão
nestas gestantes, a administração desta terapêutica não deve ser uma prática
constante, pois não está cientificamente comprovado o seu benefício, quer na
gestante quer no feto. No entanto, a sua administração é feita apenas em casos em
que a gestante tenha valores de pressão arterial (P.A.) muito elevados que suscitem
uma possível hemorragia intra–craniana. A administração de anti-hipertensivos na pré-
eclâmpsia tem como objectivos diminuir a P.A. diastólica para valores entre os 90 e
105 mmHg (consoante os casos), sem provocar hipotensão do sistema nervoso
central (S.N.C.) materno e utero-placentar. Existem muitos fármacos anti-
hipertensores, mas apenas alguns são utilizados como anti-hipertensores de primeira
linha, em gestantes com pré-eclâmpsia grave. Fármacos como a Hidralazina
(Nepressol®) um vasodilatador; nifedipina (Adalat®) bloqueador dos canais de cálcio;
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labetalol (Trandate®) bloqueador combinado dos receptores α e β-adrenérgicos e


metildopa que é utilizada no tratamento da pré-eclâmpsia grave. Para o seu
tratamento é também frequentemente utilizado o sulfato de magnésio, um
anticonvulsivante. Todos estes fármacos vêm descritos na Tabela 3 do Anexo I, com
respectivas formas de actuação, dosagem e efeitos colaterais na mãe e feto.

2.1.4 Hipertensão Transitória


A hipertensão transitória corresponde ao aparecimento de hipertensão durante a
gravidez, geralmente na segunda metade ou 24 horas após o parto, sem quaisquer
outros sinais que evidenciem pré-eclâmpsia. Este tipo de hipertensão pode ser
indicativa de um potencial aparecimento de hipertensão essencial. Geralmente na
hipertensão transitória, os valores da PA tendem a normalizar até ao 10º dia após o
parto.

2.2 Hipertensão Crónica


Na mulher grávida, define-se como crónica a HTA que já havia sido documentada
antes de se iniciar a gravidez. O diagnóstico pode ser dificultado quando a primeira
medição da PA é feita após a 16ª semana de gestação, uma vez que a partir desta
altura os valores tensionais tendem a estar numa descida fisiológica pelo que, mesmo
em mulheres previamente hipertensas, podem apresentar-se abaixo dos valores
considerados patológicos, e assim, muitas vezes só no 3º trimestre, com a retoma dos
valores tensionais pré-existentes, será feito o diagnóstico de HTA gestacional ou
transitório erradamente.
A abordagem clínica é muito dependente da gravidade da situação. Em 90% dos
casos, a HTA crónica é idiopática, sendo que os restantes 10% dos casos são de
origem secundária como nefropatias, conectivopatias, patologias endócrinas e
coartação da aorta. Em situação clínica é importante subdividir a HTA crónica
associada à gravidez consoante a sua gravidade. Assim, temos:

Valores Sistólicos Valores Diastólicos

HTA C. ligeira/moderada < 180 mmHg < 110 mmHg

HTA C. Grave > 180 mmHg > 110 mmHg

Tabela 1 – Valores Sistólicos e Diastólicos na Hipertensão Crónica ligeira/moderada e Grave

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Qualquer que seja o nível de risco em que sejam incluídas as grávidas com HTA
crónica, todas têm uma probabilidade aumentada para surgir uma pré-eclâmpsia
sobreposta e/ou descolamento prematuro da placenta. Para além das complicações
obstétricas, as grávidas com HTA crónica grave têm um risco mais elevado de
desenvolver edema agudo do pulmão, encefalopatia hipertensiva, descolamento da
retina, hemorragia do sistema nervoso central e insuficiência renal aguda.

No que toca às intervenções terapêuticas, na HTA de baixo risco, a maior parte das
grávidas terá um desenvolvimento obstétrico favorável, e grande parte terá os seus
valores tensionais controlados apenas com medidas não farmacológicas. Já na HTA
de alto risco, é provável que surjam complicações maternas e fetais, dependendo das
suas incidências, da etiologia da HTA e do grau de afecção dos órgãos-alvo. O factor
mais importante para condicionar a evolução da gravidez em mulheres com HTA
crónica grave é a vigilância clínica frequente, efectuada por técnicos especializados
em Medicina Materno-Fetal, desde os momentos iniciais da gravidez. Caso não haja
descontrolo tensional, aconselha-se a indução do parto entre as 36 e as 37 semanas.

2.2.1 Hipertensão crónica com pré-eclâmpsia sobreposta


Como já foi referido, as grávidas com HTA crónica grave têm um elevado risco de
desenvolverem um quadro de pré-eclâmpsia, habitualmente mais precoce do que nas
grávidas previamente normotensas. Este diagnóstico estabelece-se quando aos
valores anteriores à gravidez acrescem 30 mmHg ao valor sistólico e 15 mmHg ao
valor diastólico, concomitante com proteinúria significativa. A terapêutica prescrita será
a preconizada para a pré-eclâmpsia grave, juntamente com a terapêutica basal da
grávida hipertensa. Este quadro clínico de HTA crónica com Pré-eclâmpsia sobreposta
é a situação mais grave, principalmente quando ocorre antes das 34 semanas de
gestação.

Tendo em conta que a taxa de mortalidade perinatal é de 100% quando este quadro
se estabelece antes das 28 semanas, desaconselham-se as atitudes conservadoras,
bem como a decisão de optar por cesariana se a indicação estiver apenas relacionada
com a deterioração do estado fetal (adaptado de SIBAI, 1990)

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3. CONDIÇÕES QUE DESENCADEIAM O PARTO

Segundo Graça (2005), a única maneira de por fim à pré-eclâmpsia e à eclâmpsia é o


parto. No entanto, para que este aconteça são necessárias algumas condições e
precauções, pois dependerá da fase de gestação em que a grávida se encontra. A
decisão de provocar ou não o parto torna-se complexa, pois se a grávida não estiver
estabilizada clinicamente e for provocado o parto, isto poderá levar complicações a
nível materno e fetal, mas se, por outro lado, for atrasado, estas complicações também
se poderão manifestar. Assim, as atitudes correctas a tomar, em mulheres grávidas
com pré-eclâmpsia grave, dependendo do tempo de gestação, serão a indução do
parto ou atitudes conservadoras, havendo um prolongamento da gravidez para que
ocorra maturação do feto (normalmente com administração de glucocorticóides).

Tempo de
Entre 30 a 33
Gestação / Até 26 semanas 34 semanas
semanas
Atitude Correcta

Outra opção iria


Após
aumentar a:
Indução do Parto administração
(Interrupção da ⋅ Taxa de mortalidade anticonvulsiva e
Gravidez) fetal estabilização da
P.A.
⋅ Risco materno

Vantagens para o
feto porque promove
Conservadora
a maturação deste
(Prolongamento
através da
da Gravidez)
administração de
glucocorticóides

Tabela 2 - Exemplos de atitudes correctas a tomar consoante o tempo de gestação das mulheres
grávidas com pré-eclâmpsia grave

Quando se opta pela indução do parto, esta baseia-se em determinados critérios:


 P.A. ≥ 160/100mmHg mesmo sob terapêutica anti-hipertensiva
 Débito urinário <500ml em 24 horas
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 Plaquetas com valores <50.0007mm3

 Aumento progressivo da creatinina sérica

 Valores de Desidrogenase láctica LDH> 1000UI/l

 CTG com desacelerações tardias repetidas e baixa variabilidade

 Fluxo diastólico umbilical ausente ou invertido

 ACIU

 Deterioração da função renal e hepática

 Edema Agudo do Pulmão

 Oligoâmnios (diminuição do volume do líquido amniótico)

 Sinais de sofrimento fetal

Só nestas condições o parto será induzido. Assim como quando se opta pelo
prolongamento da gravidez, é importante que a situação clínica da mulher esteja
estabilizada, com valores tensionais inferiores a 160/110mmHg e que esteja a ser
vigiada continuamente.

Quando se efectua a indução do parto, as indicações obstétricas, apontam para que


este seja realizado por cesariana. A analgesia e anestesia do parto e da cesariana na
grávida com pré-eclâmpsia poderá ser realizada através de anestesia geral, regional
ou epidural. A anestesia geral não é recomendada por haver risco de aspiração; a
regional não é aconselhada em gestantes com coagulopatia ou contagem de
plaquetas inferior a 50.000mm3 (SIBAI, DEKKER & KUPFERMINO, 2005 citados por
PERRY, 2008). A epidural trás grandes vantagens no caso da cesariana pois impede
que a P.A. aumente com a dor, como também torna mais rápida a recuperação da
parturiente no período pós-operatório, (adaptado de GRAÇA, 2005) e controla a dor
materna. No entanto, os outros tipos de analgesia poderão ser efectuados se forem
cuidadosamente administrados.

Assim, segundo estudos recentes, a indução do parto através da administração, quer


de prostaglandinas ou de oxitocina nestas mulheres, quando clinicamente
estabilizadas e o feto não apresente sinais de hipóxia.

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4. COMPLICAÇÕES

4.1. Maternas
⋅ Efeitos Renais: pode verificar-se proteinúria ou insuficiência renal.

⋅ Efeitos hepáticos: disfunção hepática, necrose periportal e hematoma subcapsular.

⋅ Efeitos Pulmunares: Fundamentalmente o edema pulmonar e hemorragia


intrapulmonar difusa, que podem levar a broncopneumonias.

⋅ Efeitos cardiovasculares: insuficiência cardíaca grave.

⋅ Efeitos hematológicos: A HTA induzida pela gravidez pode complicar-se por


anomalias hematológicas como a alteração da morfologia dos eritrócitos, redução de
alguns factores de coagulação ou trombocitopénia. Pode verificar-se hemólise e
coagulação intravascular disseminada.

⋅ Efeitos endócrinos e metabólicos: Algumas hormonas podem ficar abaixo dos


níveis pré-gestacionais, não funcionando com tanta eficácia.

⋅ Efeitos no SNC: podem manifestar-se alterações visuais, hiperreflexia, convulsões e


em casos graves hemorragias cerebrais.

4.2. Fetais
Pode existir uma alteração da perfusão útero-placentária, que podem originar a
degeneração e calcificação dos tecidos, envelhecimento prematuro e tromboses
arteriolares, que condicionam o desenvolvimento do feto, podem levar a um sofrimento
fetal, parto pré-termo, lesões no SNC ou atraso do crescimento intra-uterino.

5. INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM

5.1. Prevenção Primária

A prevenção primária tem como principal objectivo, em conjunto com uma equipa
multidisciplinar, prevenir problemas de saúde que possam interferir com a saúde da
mãe e do feto e colocá-los em risco de vida. Assim, possibilita-se uma boa preparação

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da mãe para a maternidade, diminuindo a morbimortabilidade da mãe e do feto. Deste


modo e direccionando para o problema em abordagem neste trabalho, a prevenção
primária visa sobretudo identificar factores de risco ao aparecimento da hipertensão na
gravidez, e prevenir eventuais doenças hipertensivas. A consulta de enfermagem de
vigilância pré-natal deverá assim assentar numa adequada anamnese, exame
físico/laboratorial.

 Anamnese
⋅ Avaliar história médica e nutricional e questionar quanto a antecedentes familiares
de HTA, pré-eclâmpsia e/ou eclâmpsia e outras doenças crónicas.
⋅ Obter informações quanto a culturas e crenças da grávida, que possam interferir
no processo da maternidade;
⋅ Identificar antecedentes obstétricos de HTA, eclâmpsia ou pré-eclâmpsia e quais
os sinais e sintomas que se evidenciaram. (questionar se em gravidezes
anteriores apresentou HTA, e se verificaram edema da face, mãos, pernas e pés;)
⋅ Identificar e avaliar outros factores de risco;
⋅ Perguntar se tem cefaleias, espasmos vasculares, dor epigástrica ou distúrbios
visuais actualmente.

 Exames Físicos e Laboratoriais

Exame físico:

⋅ Avaliação do edema, se apresenta godet positivo ou negativo e o respectivo grau,


consoante a compressão do edema e do tempo que este permanece deprimido,
assim como a sua profundidade;
⋅ Avaliação diária do peso;
⋅ Avaliação da pressão arterial;
⋅ Avaliação do débito urinário de 8h/8h e pesquisa
de proteinúria na urina com uma fita reagente;
⋅ Avaliar os reflexos tendinosos profundos
(estimulando os reflexos da patela, bíceps e
tornozelos) podendo estes indicar hipo ou
hiperreflexia;
⋅ Avaliar a frequência cardíaca fetal (FCF);
Ilustração 4 - Avaliação da Altura do ⋅ Avaliar a altura do fundo do útero.
Fundo do útero
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Exames laboratoriais:

Os exames devem compreender a avaliação de Hemoglobina/hematócrito, Plaquetas,


TP (Tempo de protrombina), Fibrinogénio, Produtos fragmentados da fibrina,
Creatinina, Lactato desidrogenase (LDH), Aspartato aminotransferase (AST), Alanina
aminotransferase (ALT), Depuração de creatinina, Acido úrico, Bilirrubina (total),
Proteinúria, cujos valores em situação normal e de hipertensão induzida pela gravidez
se apresentam no Anexo II, Tabela 4.

5.2. Secundária
A prevenção secundária tem como objectivo evitar graves complicações maternas e
fetais. Em casos moderados de pré-eclâmpsia a grávida pode permanecer no
domicílio, contudo deve haver um envolvimento da família neste processo sendo que
um destes elementos deve acompanhar permanentemente a grávida e estar bem
informado da sua situação, que participe nos seus cuidados e que esteja bem
esclarecido acerca dos sinais de agravamento, constituindo assim o elemento de
referência.

Deverá então, promover-se o repouso absoluto para promoção do bem-estar físico e


emocional; recomendar a posição de decúbito lateral esquerdo alternando com o
decúbito lateral direito, pois permite que haja um maior aporte de sangue ao útero e ao
feto; avaliar o peso diariamente e sempre à mesma hora; avaliar diariamente os
edemas e ter em atenção o edema oculto; avaliar a P.A. de 6/6h; avaliar diariamente a
proteinúria com fitas reactivas; avaliar o balanço hídrico; avaliar a AFU (altura do fundo
do útero); administrar a terapêutica prescrita; avaliar diariamente o bem estar fetal
(BCF – batimentos cardíacos fetais - e CTG - cardiotocografia) e prestar apoio
emocional à grávida e à família.

6. SINAIS DO PERÍODO PRODRÓMICO (ECLÂMPSIA)

Como já foi referido, a eclâmpsia é uma fase convulsiva da pré-eclâmpsia, quer seja
moderada ou grave, como tal, corresponde ao aparecimento numa destas situações,
de convulsões antes ou durante o parto ou nas primeiras 48 horas pós-parto (GRAÇA,
2005). É portanto necessário estar atento a determinados sinais que indiquem o início
desta fase. Normalmente, as convulsões começam por contracção a nível facial, flexão
lateral da cabeça e tensão do pescoço sendo acompanhada de fixação dos olhos -
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Espasmos focais. Outros sinais a observar são amnésia, cefaleias intensas que não
cedem a analgésicos, alterações visuais (diplopia, escotomas), vómitos precedidos de
náuseas e dores epigástricas intensas. (PERRY, 2008).

Aquando destes episódios deve-se agir de modo a minimizar o impacto negativo que
destes advém. Segundo Sibai e seus colaboradores (1981) citados por Knuppel &
Drukker, (1995), a avaliação das convulsões deve contemplar: início, progressão,
envolvimento corporal, duração, incontinência, condições do feto e sinais de
descolamento prematuro da placenta. Também, durante as convulsões deve-se estar
presente e atento de modo a impedir que danos maiores sejam causados por estes
episódios. Assim deve-se colocar a cliente em decúbito lateral (evitar a aspiração),
proteger a cliente de eventuais lesões, consoante o protocolo do serviço colocar ou
não, um protector de língua (para não a morder, ter atenção para não colocar muito
perto da garganta evitando o reflexo do vómito, nem colocar os dedos dentro da boca
da cliente, sob risco de nos morder) (BOBAK e JENSEN, 1991 citado por KNUPPEL &
DRUKKER, 1995). Deve-se forrar previamente as grades da cama da cliente com
material esponjoso, para evitar lesões. Em termos de medidas terapêuticas, alguns
exemplos de substâncias que podem ser administradas para cessar as convulsões
são sulfato de magnésio (MgSO4 entre 4 a 6g em 5 minutos). Esta situação irá
provocar uma bradicardia no feto com um aumento do stress, podendo provocar um
parto pré-termo, e por este motivo é necessário que estas clientes tenham uma
enfermeira sempre ao seu lado para avaliar as condições quer da mãe quer do feto
nesta situação. Após uma convulsão, é importante avaliar ainda outros parâmetros,
por exemplo exames pulmonares, pelo facto de haver um risco aumentado nas
clientes eclâmpticas de edema agudo do pulmão; registo do balanço hídrico; realizar
tipagem e hematócrito prescrito. Pode também ser necessária administração de
oxigénio à cliente.

7. CUIDADOS ESPECIAIS EM PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE E


ECLÂMPSIA

Tal como já foi referido anteriormente, as situações de pré-eclâmpsia grave ou


eclâmpsia, requerem sempre internamento. Assim deverão ter-se em conta alguns
cuidados especiais, nomeadamente, um isolamento da grávida num quarto
obscurecido com temperatura amena e agradável livre de ruídos; grades de protecção
na cama almofadadas; campainha em local de acesso fácil; restrição das visitas;
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fornecer informações acerca do estado da mulher grávida mediante o seu


consentimento; informar a grávida quanto à importância de repouso absoluto e a
permanência o maior tempo possível em decúbito lateral esquerdo; vigilância
permanente e avaliação dos sinais vitais de 15 em 15 minutos no caso de estar a
realizar MgSO4; drenagem vesical para avaliação do débito urinário de hora a hora;
vigilância da pressão venosa central (PVC); balanço hídrico de hora a hora e
hidroelectrolítico a cada 24 horas; vigilância dos BCF; CTG em SOS; administração de
oxigénio quando necessário; administração controlada da terapêutica prescrita
vigiando e controlando os seus efeitos; manter o material de urgência preparado para
o caso de ser necessária ventilação assistida; avaliação da proteinúria de 4 em 4
horas e edemas; estar atento a sinais de trabalho de parto e ao aparecimento de
convulsões que se poderão prolongar até 48horas após o parto, pelo que o kit de
emergência para o parto também já deverá estar preparado. Em período de
conservação da gravidez deverão ainda ser administrados glucocorticóides para
maturação fetal. Durante as convulsões, as intervenções imediatas visam assegurar a
permeabilidade das vias aéreas, mantendo a grávida em decúbito lateral para prevenir
a aspiração do vómito e síndroma de hipotensão de decúbito. A cabeça deverá estar
virada de lado com uma almofada sob o ombro e costas. Após a convulsão a mulher
deverá ser aspirada se necessário, realizar oxigenoterapia e deverá ser feita a
monitorização do estado fetal e uterino.

Na profilaxia das convulsões é utilizado o anticonvulsiovante sulfato de magnésio


(MgSO4). Este é utilizado por não se ligar às proteínas e penetrar facilmente nos
tecidos. O seu mecanismo de acção ainda não é, em termos científicos, confirmado,
no entanto, e tal como todos os fármacos, também este tem efeitos colaterais, tendo
sido descritos efeitos minorizantes (que se encontram resumidos na Tabela 5, no
Anexo III), isto é, relaxantes de acção periférica a nível neuromuscular. Este fármaco
passa rapidamente para o feto, no entanto, desde que os níveis do feto não
ultrapassem os níveis limite da mãe, este não será tóxico para este, visto que os níveis
limite do feto são semelhantes aos da mãe.

Como enfermeiros teremos que monitorizar vários parâmetros após a administração


do sulfato de magnésio, por exemplo:

 Situação de Hipomagnesémia, ao ser administrado o sulfato de magnésio:

⋅ Monitorizar o pulso, pressão arterial, respiração e ECG frequentemente durante


a administração parentérica;
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⋅ Monitorizar movimentos respiratórios, pelo menos 16 min antes de cada dose;

 Monitorizar o estado neurológico antes e durante a terapêutica;

 Instituir precauções contra as convulsões (acolchoar as grades da cama da


grávida por exemplo);

 Testar o reflexo patelar (antes da administração de cada dose parentérica);

 Não devem ser administradas doses adicionais até que seja obtida uma resposta
positiva;

 Monitorizar o balanço hídrico (ingestões e eliminações – mínimo de 100 ml/4h);

 Considerações laboratoriais: níveis séricos de magnésio e a função renal devem


ser monitorizados periodicamente durante a administração parentérica de sulfato
de magnésio.

Tal como a monitorização, o modo como vamos administrar o sulfato de magnésio


exige procedimentos próprios, tais como:

 Quando administrada por via I.M. para obter um efeito anticonvulsivante:

⋅ Deve-se diluir 4g de sulfato de magnésio em 250 ml de dextrose 5% ou NaCl


0.9% (Cloreto de Sódio);

⋅ Ritmo de perfusão não deve exceder os 3ml/min.

⋅ Depois da administração teremos que avaliar a sua eficácia, que neste caso,
poderá ser verificada ou por concentrações sanguíneas de magnésio normais
(Adulto: 1.6-2.6 mg/dl) (segundo FISCHBACH, 2002) ou em caso de conseguir
um controlo das convulsões na gestante.

Não só nos devemos preocupar com o modo de administrar, mas também os receios,
ansiedades e falta de conhecimentos quer às gestantes, quer aos familiares. Assim
deveremos explicar-lhes que o sulfato será administrado como medicação profiláctica,
isto é, como prevenção do aparecimento de possíveis convulsões que eventualmente
poderão surgir.

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8. ALTERAÇÕES PSICO-EMOCIONAIS

Todas as mulheres grávidas sentem uma grande preocupação com a sua saúde e a
dos seus fetos. No entanto, existem grávidas de alto risco, como gestantes com
patologias relacionadas com a hipertensão (pré-eclâmpsia e eclâmpsia, por exemplo)
(RAMER & FRANK, 2001 citados por PERRY, 2008), que após o resultado do
diagnóstico, podem tornar-se ainda mais receosas, podendo apresentar várias
reacções a nível psicológico, tais como: ansiedade, baixa auto-estima, culpa,
frustração e incapacidade para resolver problemas. O facto de saberem que terão que
ficar internadas e que portanto, não poderão dar resposta às suas responsabilidades,
o facto de se sentirem incapazes de tomar decisões por si mesmas e de se sentirem
sós, contribuirão para o aumento destes estados. O internamento nestas gestantes de
alto risco, é talvez o que trará mais stress adicional (PERRY, 2008). Tais
preocupações poderão comprometer a vinculação da mãe com o feto, tendo assim a
equipa de cuidados de saúde intervir, para ajudar não só a gestante mas também as
suas famílias nesta vinculação.

8.1. Intervenções
Perante os aspectos psicológicos e emocionais destas gestantes, os enfermeiros
poderão ajudar tanto estas mulheres como os respectivos familiares a estabilizar as
suas vidas (COFFMAN & RAY, 2002 citados por PERRY, 2008). Algumas medidas de
enfermagem a tomar serão: o encorajamento e apoio no fornecimento de informação
sobre os problemas que estão a surgir durante a gravidez, fisiologia e patologia, com o
objectivo de tranquilizar tanto a grávida como a família e prepará-los para eventuais
problemas associados; transmitir maneiras de lidar com sintomas e sinais
característicos desta patologia; dar informação acerca das possíveis escolhas face ao
tratamento e meios de diagnóstico, para que desta maneira se aplique o
empowerment a estes clientes. Especificando um pouco mais a ajuda em termos de
gestão de estados de stress, sentimentos de ansiedade e medo da gestante, estes
poderão ser apaziguados através de intervenções de enfermagem, tais como:
providenciar um ambiente calmo para o ensino, com o objectivo já referido, de facilitar
a adaptação; encorajar a transmitir os seus receios e medos, como estratégia para
aliviar a tensão e o mau estar e saber as estratégias anteriormente utilizadas pela
gestante e família. Saber o modo como actuam em situações semelhantes é
importante para os consciencializar de que são capazes de superar também esta fase

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menos boa das suas vidas, dando-lhes assim, algum alento para não desistirem.
Incluir os familiares no tratamento é sem dúvida uma boa estratégia para que estas
mulheres se sintam menos sós.

9. CONCLUSÃO

A Hipertensão na gravidez é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade


quer materna quer perinatal e o seu predomínio aumenta, quando se trata de grávidas
com outros antecedentes (HTA, outras doenças cardiovasculares e renais, diabetes
mellitus e lúpus eritematoso que precedem à gestação).

A hipertensão na gravidez pode manifestar-se de diversos modos. Desta forma, fala-


se de hipertensão crónica quando esta patologia existe previamente à gravidez, de
hipertensão induzida pela gravidez quando a HTA é diagnosticada após 20 semanas
de gestação sem que se evidencie qualquer sintomatologia sendo que habitualmente
desaparece com o parto. Existem vários tipos de hipertensão induzida pela gravidez.
Uma delas trata-se da pré-eclâmpsia, cujos sinais e sintomas clássicos são a HTA,
proteinúria e edema, tendo uma fisiopatologia e atitude terapêutica específicas que lhe
são bastante características. Esta por sua vez decompõe-se em dois tipos de acordo
com a sua gravidade: moderada e grave, sendo que esta última requer internamento
imediato. Se não for devidamente controlada, este tipo de hipertensão pode evoluir
para situações mais complicadas, como é o caso da eclâmpsia que cessará com o
parto, mas poderá prolongar-se até 48h após o mesmo. É caracterizada
essencialmente pelo aparecimento de convulsões. O síndroma de HELLP corresponde
a outra forma agravada da pré-eclâmpsia, sendo caracterizado por alguns sinais
laboratoriais, responsáveis pela denominação deste síndroma, sendo eles a hemólise,
o aumento das enzimas hepáticas e trombocitopénia. A cura para todos estes
aspectos retratados é o parto, que poderá ser induzido ou retardado, consoante o
estado clínico da parturiente e do tempo de gestação.

A gravidez desencadeia uma transformação psicológica e pessoal que coloca todas as


mulheres em contacto com sentimentos, comportamentos e significados que residem
na parte mais escondida de todos os seres humanos, sobretudo numa situação de
HTA. Assim, a gravidez poderá constituir uma fonte de stress, por vários motivos,
influenciando de forma marcante os aspectos associados como o estado de saúde,
quer da mãe, quer do feto, quer da família. Este stress poderá estar agravado ou

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atenuado durante o internamento. Neste sentido, sublinha-se a importância de um


planeamento e vigilância da gravidez através de consultas pré-natal, de forma a
permitir uma vivência mais favorável da mesma, prevenindo riscos e complicações.
Por isso, será da nossa função, dar apoio, prestando cuidados de enfermagem
dirigidos a estas mulheres, tendo em conta todas as suas fragilidades, bem como às
suas famílias, evitando sentimentos de solidão e de forma a capacitá-los para fazerem
frente às dificuldades inerentes a esta fase das suas vidas.

Perante os conteúdos abordados, o grupo obteve conhecimentos de fisiopatologia,


riscos e consequências, e modos de intervenção como enfermeiros, nos mais diversos
níveis, face a este tipo de circunstâncias, bem como em diferentes contextos, no
domicílio e em meio hospitalar.

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10. BIBLIOGRAFIA

• BRANDEN, Pennie Sessler - Enfermagem Materno-Infantil. 2ª ed. Reichmann


& Affonso Editores. 2000. ISBN 85-87148-41-9.

• BOBAK, Irene M.; JENSEN, Margaret Duncan; LOWDERMILK, Deitra Leonard –


Enfermagem na Maternidade. 4ª ed. Lusociência. 1999. ISBN 972-8383-09-6.

• CAMPOS, Ana – Hipertensão na Gravidez. In: Dossier Temático sobre


hipertensão e gravidez. P. 6 a 10.

• DEGLIN, Judith Hopfer; VALLERAND, April Hazard – Guia Farmacológico para


Enfermeiros. 7ª ed, Lusociência, ISBN 972-8383-47-9.

• GRAÇA, Luís Mendes da – Medicina Materno-Fetal. 3ª ed. Lisboa: Lidel, 2005


ISBN 972-757-325-8.

• KNUPPEL, Robert A.; DRUKKER, Joan E. – Alto Risco em Obstetrícia: Um


Enfoque Multidisciplinar. 2ª ed. Porto Alegre (Brasil): Artes Médicas, 1996.

• MENDES, Mário – Obstetrícia Essencial. 2ª ed. 1985.

• PERRY, Lowdermilk – Enfermagem na Maternidade. 7ª ed. Loures:


Lusodidacta, 2008. ISBN 078-989-9075-16-1.

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ANEXOS

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ANEXO I

Efeitos
Fármaco Acção Dosagem Colaterais Efeitos no Feto
Maternos

Antihipertensor. Taquicardia
Bloqueador α; uteroplacentária,
I.V.- pequenos
vasodilatador Hipotensão, insuficiência com
bolus ou
Hidralazina arteriolar que taquicardia, taquicardia
perfusão
aumenta o débito cefaleias subsequente e
rápida
cardíaco e o fluxo desacelerações
sanguíneo renal. tardias.

Antihipertensor
Bloqueador dos
canais de cálcio. Oral (10 a 20
Hipotensão,
Diminui a mg de 4 a 6
horas); intensificação do A segurança do
resistência
Nifedipina efeito se o sulfato feto não está
vascular Nunca
de magnésio determinada.
periférica; administrar por
estiver presente.
vasodilatador das via sublingual
artérias cerebrais
da grávida.

Aumento da
Antihipertensor. perfusão útero-
Contra indicado
Bloqueador α e β. placentária,
Oral: doses em mulheres com
Provoca uma crescentes diminuição da
antecedentes de
Labetalol diminuição da (20, 40, 60 resistência
mg) asma e bloqueio
frequência vascular uterina,
cardíaco do 1º
cardíaca e da IV: 6 – 12 ml/h bradicardia fetal,
grau. Hipotensão.
pressão arterial. hipotensão e
hipoglicémia.

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Oral: 250 mg
Vasodilatador das (inicialmente 2
ou 3 Cefaleias,
artérias cerebrais
vezes/dia) . As bradicardia,
Metildopa da grávida. doses poderão
disfunção
Agonista α2 ser
aumentadas hepática.
Central.
até ao 3g/dia
no máximo.

Depressão do
Anticovulsivante. SNC, Rubor,
Importante papel Dose de náuseas,
na carga: 4-6 g IV vómitos,
(15-30 min)
Sulfato de neurotransmissão cefaleias, Variabilidade
Magnésio e excitabilidade Dose de hipotermia, visão diminuída.
manutenção:
muscular. turva, depressão
2-3 mg/h IV
Resolução da em perfusão respiratória,
eclâmpsia. paragem
cardíaca.

Tabela 3 – Principais fármacos utilizados no tratamento da pré-eclâmpsia e eclâmpsia

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ANEXO II

MUDANÇAS LABORATORIAIS COMUNS DA PRÉ-ECLÂMPSIA

Hipertensão induzida
Normal
pela gravidez

Hemoglobina/hematócrito 12 a 16 g/dl Pode elevar-se

Plaquetas 150.000 a 400.000 mm3 , Sem alteração

TP ( Tempo de protrombina) 12 a 14 seg/60 a 70seg Sem alterações

Fibrinogénio 150 a 400 mg/dl 300 a 600 mg/dl

Produtos fragmentados da
ausentes ausentes
fibrina

Creatinina 0,5 a 1,1 mg/dl <1 ml/dl

Lactato desidrogenase (LDH) 45 a 90 U/L Sem alteração

Aspartato aminotransferase
4 a 20 U/L Sem alteração
(AST)

Alanina aminotransferase (ALT) 3 a 21 U/L Sem alteração

Depuração de creatinina 80 a 125 ml/min 130 a 180 ml/min

Acido úrico 2 a 6,6 ml/dl 4,5 a 6 ml/dl

Bilirrubina (total) 0,1 a 1 mg/dl Sem alteração

0,3 g/l em 24h


Proteinúria ausente
>0,1 g/l (6h/6)

Tabela 4 - Principais alterações laboratoriais na pré-eclâmpsia

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Anexo III

Efeitos Minorizantes Efeitos colaterais

Actividade tocolítica( efeito


Diminui acetilcolina libertada
simpaticomimético, inibem as ameaças de
pelos impulsos nervosos
parto entre as 28 e 32 semanas de gestação)

Diminui a excitabilidade do
córtex cerebral
Interferem com a condução cardíaca e a
Diminui ligeiramente a P.A. depressão respiratória
(efeito vasodilatador)

Tabela 5 - Efeitos minorizantes e colaterais do sulfato de magnésio

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