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ABEAS/UFV Curso de Manejo e Fertilidade do Solo

ABEAS/UFV Curso de Manejo e Fertilidade do Solo Micronutrientes Módulo X Júlio César Lima Neves Prof.

Micronutrientes

Módulo X

Júlio César Lima Neves

Prof. Assistente Depto. de Solos - UFV, Viçosa - MG - 36570-000

10.1.

Objetivos

2

10.2. Pré-Teste

3

10.3. Introdução

3

10.4. Dinâmica de Micronutrientes no Sistema Solo-Planta

4

10.4.1. Micronutrientes

no

Solo

4

10.4.2. Micronutrientes

na

Planta

10

10.4.2.1.

Micronutrientes e o metabolismo Vegetal

10

10.4.2.2.

Formas Absorvidas e Mobilidade nas Plantas

11

10.4.3. Envolvendo Micronutrientes

Interações

12

10.5. Fertilizantes de Micronutrientes

13

10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes

17

10.7. Bibliografia

24

10.8. Resposta do Pré-Teste

25

10.9. Pós-Teste

26

10.1.

Objetivos

Este Módulo objetiva capacitar o estudante a um melhor entendimento do comportamento de micronutrientes no sistema solo-planta, de suas fontes fertilizantes e filosofias de adubação.

10.2. Pré-Teste

1) Por que a utilização de micronutrientes nas recomendações de adubação é prática relativamente recente?

2) Como os fatores pH e potencial redox do solo influenciam a disponibilidade de micronutrientes? Exemplifique.

3) Qual é a importância da matéria orgânica na disponibilidade de micronutrientes no solo?

4) Quais são os três tipos de fontes fertilizantes de micronutrientes? Exemplifique.

5) O que se entende por "transição abrúptica" no que diz respeito às curvas de resposta das plantas à fertilização com micronutrientes?

10.3. Introdução

A obtenção de elevadas produtividade de plantas e de uma boa qualidade de sues produtos - grãos, frutos etc. - depende de uma adequada nutrição mineral. O fornecimento de macro e micronutrientes (Fe, Mn, Zn, B, Cu, Mo e Cl), considerando não apenas as doses mas também os equilíbrios , é condição necessária para alcançar os objetivos mencionados. Nessa linha, têm sido amplamente referidos na literatura os efeitos benéficos de uma nutrição adequadamente balanceada, inclusive em termos de resistência de plantas a pragas e doenças.

Quanto aos micronutrientes, o panorama relativo à fertilização, considerando critérios de interpretação de análises de solo e de planta e mesmo a melhor forma de aplicação, via planta ou via solo - e, neste caso, a localização mais adequada: a lanço ou em covas/sulcos - , ainda é confuso.

Assim, há necessidade de considerar aspectos referentes ao comportamento de micronutrientes no solo e na planta, bem como as características das fontes fertilizantes atualmente disponíveis e também a natureza das respostas das plantas ao fornecimento de micronutrientes para fundamentar a estratégia a ser adotada para a fertilização com esses nutrientes.

10.4. Dinâmica de Micronutrientes no Sistema Solo-Planta

10.4.1. Micronutrientes no Solo

No solo, os micronutrientes ocorrem em teores extremamente variáveis, em função de fatores tais como: material de origem, estágio de intemperismo, clima passado e atual, teor de matéria orgânica, textura do solo, potencial de oxi-redução, atividade de microrganismos, atividade hidrogeniônica (pH), uso e manejo.

Numa abordagem ampla, a abundância de micronutrientes primariamente varia com o material de origem (Quadro 10.1). Contudo, para um mesmo material pode-se ter ação diversa de agentes de intemperismo - como umidade e temperatura - resultando em solos com características diferentes. Ficam assim evidentes os efeitos de condições climáticas diferentes em épocas atuais e passadas. A estabilidade relativa dos minerais (Quadro 10.2) ilustra possíveis variações nos teores de micronutrientes de acordo com o estádio de intemperismo. O papel da matéria orgânica é exemplificado na Figura 10.1, mediante representação esquemática da complexação do boro. A atividade de microrganismos pode promover alterações nos teores de matéria orgânica, e assim na disponibilidade de micronutrientes, seja por intermédio do fornecimento desses nutrientes em resposta à mineralização ou pelo decréscimo na complexação dos mesmos; a atividade de microorganismos também influencia os ciclos de oxidação-redução do meio.como mostra o esquema referente ao comportamento de formas de manganês no solo (Figura 10.2)

Quadro 10.1 - Teores de micronutrientes em Rochas e Solo

Elemento

R. ígneas

 

R sedimentares

Solo

Gran.

Bas.

Calc.

Aren.

Fol.

 

-------------------------------------- mg/dm 3 -------------------------------------------

Fe

27.000

86.000

3.800

9.800

47.000

10 4 - 10 5

Mn

400

1.500

1.100

10 - 100

850

20 - 3.000

Cu

10

100

4

30

45

10 -

80

Zn

40

100

20

16

95

10 -

300

Mo

2

1

0,4

0,2

2,6

0,2 - 100

B

15

5

20

35

100

7 -

80

Fonte: Harmsen & Vlek (1985).

A alteração de formas químicas de manganês e de ferro com o decréscimo do potencial de oxi-redução do meio, é de grande importância prática. Por exemplo, plantas cultivadas em áreas de baixadas (várzeas úmidas) podem sofrer toxicidade de Mn e de Fe, pela existência no meio de Mn e de Fe nas formas reduzidas (Mn 2 + e Fe 2+ ). No caso particular da cultura do arroz, essa toxicidade pode ser minorada pois essa planta possui o aerênquima, que possibilita a condutoção do oxigênio da parte aérea para as raízes. Assim, em condições de campo como as mencionadas, é frequente a observação de coloração marrom-avermelhada, que indica a presença de ferro em forma oxidada (Fe 3+ ) na superfície de raízes.de plantas de arroz. e assim, provavelmente já houve também mudança de Mn2+ para a forma oxidada (Mn 4+ ) de menor atividade. No entanto, para a maioria das plantas cultivadas, sob condições de baixo potencial redox e, principalmente, em ambientes redutores há grande probabilidade de ocorrer toxicidade de manganês e de ferro.

Quadro 10.2 - Estabilidade relativa de alguns minerais de Rochas "ígneas" e micronu- trientes associados

Grau de Estabilidade

Mineral

Constituintes (*)

Principais

Secundários

Estável

Turmalina

Ca, Mg, Fe, B, Al

--------

Magnetita

Fe

Zn

Facilmente Intemperizável

Ilmenita

Fe, Ti

--------

Muscovita

K, Al

B

Ortoclásio

K, Al

Cu

Albita

Na,Al

Cu

Biotita

K, Mg, Fe, Al

Mn, Zn, Cu, B, Mo

Augita

Ca, Mg, Al

Mn, Zn, Cu

Hornblenda

Mg, Fe, Ca, Al

Mn, Zn, Cu

Olivina

Mg, Fe

Mn, Zn, Cu, Mo

(*) Sob o aspecto quantitativo.

A textura do solo é fator influente na disponibilidade de micronutrientes para as plantas, uma vez que tais elementos podem se associar à fase sólida do solo, como por exemplo a minerais de argila (Quadro 10.3.) A energia com a qual os micronutrientes ficam associados à fase sólida é variável de elemento para elemento; isto implica em haver uma mobilidade diferencial entre os micronutrientes no sistema- solo.

diferencial entre os micronutrientes no sistema- solo. Figura 10.1 - Esquema de complexação de Boro pela

Figura 10.1 - Esquema de complexação de Boro pela matéria orgânica

Figura 10.2 - Ciclo de oxidação-redução do Manganês no solo (extraído de Borkert, 1991). Elementos

Figura 10.2 - Ciclo de oxidação-redução do Manganês no solo (extraído de Borkert,

1991).

Elementos como zinco e cobre possuem, em geral, mobilidade muito baixa enquanto que boro e cloro são extremamente móveis no perfil de solo. Assim, para os dois primeiros o transporte na solução do solo é feito essencialmente por difusão - para o cobre, inclusive, o processo de interceptação de raízes assume certa importância - enquanto que para os dois últimos o fluxo em massa é o principal meio de transporte. O transporte dos micronutrientes no solo é importante para aspectos associados ao uso dos fertilizantes e para a compreensão de sintomas de deficiência - por exemplo, de B e Zn - freqüentemente verificados em épocas secas. Nessas épocas, portanto, pode-se ter a manifestação das deficiências referidas apesar de os mecanismos de transporte serem diferentes. No caso do B, tem-se que seu transporte à região das raízes é dependente de um gradiente de potencial hídrico resultante da transpiração da planta, processo que decresce nas épocas secas. Para o Zn, inicialmente há a necessidade do estabelecimento de um gradiente de concentração, condição necessária mas não suficiente para o estabelecimento do fluxo difusivo que, para ocorrer, requer bom teor de umidade no solo. Por isso, é comum observar o desaparecimento dos sintomas de deficiência desses dois micronutrientes após as primeiras chuvas. Entretanto, se as chuvas são mais intensas pode voltar a haver deficiência de boro devido à sua grande mobilidade no solo, e possível lixiviação fato que para o Zn não deve ocorrer.

Quadro 10.3 - Formas dos micronutrientes no solo

Micronutriente

Formas do Solo

Manganês

Mn - adsorvido; Mn - matéria orgânica; Mn 2 O 3 ; MnO

 

Ferro

óxidos; Fe trocável (muito pequeno)

 

Cobre

Cu 2+ (altamente adsorvido); Cu - matéria orgânica

 

Molibdênio

Mo - adsorvido; Mo - mat. org.; Mo - óxidos; Mo - arg. silic.

Zinco

Zn 2+

(altamente

adsorvido);

ZnOH + ;

ZnCl + ;

Zn

-

mat.

orgânica

 

Boro

B - matéria orgânica; B adsorvido

 

Cloro

Cl - (adsorção desprezível); ZnCl

A situação mencionada quanto a lixiviação do B permite inferir sobre a importância da matéria orgânica na manutenção de B no solo, considerando a complexação deste micronutriente pelos radicais e grupamentos orgânicos como o grupamento diol (Figura 10.1). Assim, esperadamente, todas as práticas de manejo e conservação do solo que levem à manutenção da matéria orgânica, são benéficas quanto à disponibilidade de micronutrientes para as plantas.

Práticas como a correção da acidez do solo, se por um lado geralmente favorecem a diponibilidade de macronutrientes às plantas podem ocasionar acentuado decréscimo na disponibilidade da maioria dos micronutrientes; a exceção se deve ao. Mo.cuja disponibilidade cresce com o pH. Os efeitos da elevação do pH do solo, em resposta à calagem, sobre a disponibilidade de micronutrientes podem ser melhor avaliados consultando-se o Capítulo 6.

A ocorrência de situações de "super-calagem" é assim extremamente prejudicial para a disponibilidade de micronutrientes. Tais situações têm sido verificadas em muitas áreas em que se faz uso de elevadas doses de insumos agrícolas, dentre estes de calcário, como, por exemplo, em latossolos de textura média de Minas Gerais nos quais tem sido frequente a observação de deficiências de Mn para a cultura da soja. Em suma, com o objetivo de se ter produtividades cada vez maiores, doses elevadas de corretivos da acidez podem causar alterações tão drásticas no meio que podem até ocasionar, paradoxalmente, não o aumento mas a redução da produtividade; e isto muitas vezes como fruto de uma nutrição desequilibrada pela carência de

micronutrientes. Ressalta-se que, via de regra, considerando aspectos técnicos, operacionais e econômicos, é mais difícil corrigir condições resultantes de uma super- calagem do que aquelas condições frequentemente encontradas em solos ácidos.

Quanto à influência do uso e manejo do solo sobre a disponibilidade de micronutrientes, além das considerações já expostas, pode-se levantar o problema da compactação do solo. Tem sido observada uma tendência crescente de haver camadas de solo compactadas em áreas com intensa exploração agrícola. Além de aspectos ou fatores associados à uma mecanização agrícola frequentemente inadequada - preparo de solo, principalmente - a própria adição de insumos como os calcários, em doses elevadas e em repetidas aplicações, responde por boa parte dos problemas de compactação observados. Nas camadas compactadas podem ocorrer até mesmo baixo potencial de oxi-redução, o bastante para propiciar toxicidade de Mn.

10.4.2. Micronutrientes na Planta

10.4.2.1. Micronutrientes e o metabolismo Vegetal

Nas plantas, os micronutrientes desempenham papéis dos mais variados destacando-se a ativação de enzimas as quais catalizam várias reações metabólicas. Desta forma os micronutrientes participam na redução da energia de ativação de reações vitais nas plantas.

Algumas das enzimas ativadas por micronutrientes e os papéis dessas enzimas nas plantas serão comentadas. Assim, por exemplo, sob condições de carência de Mo pode-se prever que ocorram problemas na nutrição nitrogenada das plantas. pois, embora o N seja absorvido pelas plantas tanto na forma nítrica quanto amoniacal sua assimilação somente é feita a partir desta última forma. A nitrato redutase, enzima que atua na passagem de N-nítrico para N-amoniacal, é ativada pelo Mo. Logo, pode-se inferir que para muitas plantas com sintomas típicos da deficiência de N o que de fato está ocorrendo é, primariamente, uma carência extrema de Mo. Em termos práticos muitas vezes as aplicações de N a essas plantas não resultarão na correção de sua deficiência, correção que só ocorrerá pela adição de Mo. Outra enzima de fundamental importância para a nutrição nitrogenada de plantas, desta vez para as leguminosas, a nitrogenase, é dependente do Mo. Como a nitrogenase é a enzima responsável pela fixação simbiótica de N2 atmosférico, nos nódulos formados por bactérias dos genêros Rhizobium e Bradrhizobium fica, mais uma vez, clara a relação do Mo com a nutrição nitrogenada das plantas.

Outra situação importante pelo seu reflexo prático é concernente à redução de crescimento da planta sob condições de deficiência de Zn. Como o Zn é fundamental para a síntese do aminoácido triptofano, o qual é um precurssor de auxinas (AIA), o crescimento das plantas deverá ser grandemente reduzido quando o Zn for deficiente no meio. Explica-se assim a existência de internódios de comprimento reduzido em épocas secas dado o reduzido transporte de Zn no solo. Tal transporte é restabelecido após as chuvas redundando em comprimento normal dos internódios, desde que o Zn existente no solo seja suficiente.

Sob condição de deficiência de B observa-se baixa atividade das ATP-ases atividades pelo K, várias das quais têm sido propostas como carregadores (a nível de plasmalema) de P e K. Também encontra-se efeito do B sobre o acúmulo de fenóis nas plantas, acúmulo que se atribui à não inibição da enzima desidrogenase 6- fosfogliconato, sob condições de falta de B. Esse acúmulo de compostos fenólicos pode levar a ocorrência de mortes de tecidos (necroses). Vê-se assim que o envolvimento de um micronutriente nos sistemas enzimáticos pode ser inclusive no sentido de inibir alguma enzima e, portanto, não necessariamente, apenas como um ativador de enzimas - embora esta seja a situação mais frequente.

O envolvimento do Fe na fotossíntese e respiração das plantas é explicável por

ser o Fe nutriente chave nos citocromos, importantíssimos na cadeia transporte de elétrons. O Fe também é relevante na fixação simbiótica de N atmosférico pois faz

parte da Legmoglobina (LegHb), proteína existente nos nódulos das leguminosas.

A semelhança muitas vezes verificada entre os sintomas de carência de Mn e

de Mg, desconsiderando-se obviamente a posição ou região pela qual os sintomas se iniciam, pode ser entendida, ao menos em parte, pelo fato de várias enzimas serem ativadas por ambos os nutrientes ou por um deles poder substituir parcialmente o outro. Como exemplo tem-se as descarboxilases e desidrogenases do ciclo dos ácidos tricarboxílicos . No entanto, como também referido na literatura, há enzimas que são ativadas especificamente pelo Mn, como as AIA-oxidases.

Embora não se tenha detectado uma definida enzima ativada ou modulada pelo Cl tem-se como clara a importância deste nutriente no fotossistema II da fotossíntese, admite- se também ser o transporte eletrônico estimulado pelo Cl. Algumas enzimas envolvidas nesse transporte são ativadas pelo Cu.

10.4.2.2. Formas Absorvidas e Mobilidade nas Plantas

Os micronutrientes são absorvidos em diferentes formas pelas plantas, aspecto

de grande importância prática em se considerando a conexão forma existente no solo versus forma absorvida.

De modo geral, os micronutrientes catiônicos - Fe, Mn, Zn e Cu - são

absorvidos pelas plantas nas formas divalentes positivas. Já os micronutrientes aniônicos - B, Cl e Mo - apresentam as seguintes formas de absorção: B e Mo -

boratos e molibidatos; Cl - cloretos. Quanto ao B, há inclusive referências que atestam ser possível sua absorção como ácido bórico, num processo passivo.

As quantidades de micronutrientes absorvidas são muito variáveis conforme a planta mas, em geral, obedecem a seguinte ordem decrescente: Fe > Mn > Zn > Cu = Bo > Mo. É interessante observar que essa sequência é compatível com a exposta no Quadro 10.1 referente às quantidades de micronutrientes em rochas e em solos, em termos dos teores das formas totais. A não inclusão do Cl na sequência mencionada deve-se, de modo geral, ao fato de as quantidades de Cl absorvidas para a maioria das culturas serem maiores que a dos demais micronutrientes; e, principalmente, por praticamente não haver em sistemas naturais limitações por Cl. Entretanto, isso nem sempre é verdadeiro: em coqueiros o Cl é tido como um macronutriente dadas as grandes quantidades absorvidas, maiores até de que a de alguns macronutrientes. Em algumas áreas do nordeste brasileiro mais afastadas do litoral é comum a aplicação de Cl aos coqueirais, adição esta feita com KCl. Ressalta-se que esta fonte fertilizante é adicionada para suprir Cl e não, como seria mais usual, para adicionar K. Tal prática pode promover até mesmo desbalanceamentos nutricionais envolvendo K, Ca e Mg.

Quanto à mobilidade na planta os micronutrientes são pouco móveis, exceção feita para o Mo qua apresenta mobilidade mediana. Assim, na prática, pode-se esperar que os sintomas de carência de micronutrientes apareçam inicialmente nos tecidos mais jovens das plantas (folhas apicais e extremidades de ramos).

10.4.3. Interações Envolvendo Micronutrientes

Tanto a nível de solo quanto de planta ocorrem interações nas quais participam os micronutrientes. Essas interações podem resultar em sinergismos, antagonismos etc. na absorção de nutrientes. Resultariam então aumentos ou reduções nas quantidades absorvidas, respectivamente.

A nível do solo podem ocorrer reações de precipitação levando a se ter uma menor atividade do nutriente. São clássicas, por exemplo, as interações envolvendo P x Zn, P x Fe, Fe x S. Estas interações levam à redução nas disponibilidades dos nutrientes. Já a interação P x Mo parece promover maior disponibilidade dos nutrientes, possivelmente em razão da formação de complexos - fosfomolibdatos - de maior solubilidade.

É devido a evitar a formação de precipitados envolvendo micronutrientes que os quelatos apresentam frequentemente bons resultados no tocante à fertilização com esses nutrientes.

Na planta as interações em que participam os micronutrientes são melhor estudadas, sabendo-se assim que: P x Zn - leva a diminuição na absorção de Zn pelo

aumento no suprimento de P, situação que tem sido explicada, ainda que existam controvérsias, pela formação de precipitados entre os dois nutrientes nas raízes e pela redução do transporte de Zn para a parte aérea, além de por uma inibição do P sobre a absorção de Zn; S x Mo - redução na absorção de Mo pelo aumento das doses de S, possivelmente por uma inibição competitiva; P x Mo - sinergismo, provavelmente pela formação de fosfomolibdatos mais solúveis à nível da plasmalema; Mn x Si - o que parece ocorrer neste caso é uma maior homogeneização do Mn pelo limbo foliar, resultando em um menor efeito tóxico do Mn; P x Fe - formação de precipitados; Cu x N - na deficiência de Cu pode haver concentração de N proporcionando folhas maiores e de coloração verde escura muito intensa tendendo ao azul escuro; Mn x Fe - maiores doses de Mn acarretam geralmente menor absorção de Fe.

Várias outras interações podem ocorrer nas plantas, sendo interessante uma consulta a material mais específico na área.

10.5. Fertilizantes de Micronutrientes

Existem três tipos básicos de fertilizantes de micronutrientes: inorgânicos, orgânicos (quelatos sintéticos e naturais) e os silicatos complexos ('fritas") (Quadros 10.4, 10.5 e 10.6).

Os fertilizantes fontes de micronutrientes diferem de acordo com o tipo segundo características tais como: concentração, solubilidade e custo.

Em têrmos de concentração há, em geral, a seguinte ordem decrescente:

inorgânicos > orgânicos > silicatos complexos (Quadros 10.4, 10.5 e 10.6).

Quadro 10.4 - Fontes inorgânicas simples de micronutrientes

Micronu-

Fonte

Fórm. Química

Teor

Solubilidade

triente

aproximado

em água

 

----- % -----

---- g/L

----

Boro

Bórax

Na 2 B 4 O 7 .10H 2 O

 

11

20

Ácido bórico

H 3 BO 3

 

17

63

Ulexita

NaCaB 5 O 9 .8H 2 O

 

8

insolúvel

Borato

46

Na 2 B 4 O 7 .5H 2 O

14

226

Borato

65

Na 2 B 4 O 7

 

20

10

Solubor

Na 2 B 4 O 7 .5H 2 O

+

20

---

 

Na

2

B

10 O

16 .10H 2 O

 

Zinco

Sulfato de zinco

ZnSO 4 .7H 2 O

 

23

965

Óxido de zinco

ZnO

 

78

insolúvel

Cobre

Sulfato de cobre

CuSO 4 .5H 2 O

 

25

316

Óxido de cobre

CuO

 

75

insolúvel

Ferro

Sulfato ferroso

FeSO 4 .7H

2 O .9H 2 O

 

19

156

Sulfato férrico

Fe 2 (SO 4 ) 3

19

4400

Manganês

Sulfato manganoso

MnSo 4 .3H

2 O

26 - 28

742

Óxido manganoso

MnO

 

41 - 68

insolúvel

Molibdênio

Molibdato de sódio

Na 2

MoO 4 .2H 2 O

 

39

562

Molibdato de amônio

(NH

4 ) 6 Mo 7 O 24 .4H 2 O

54

430

Óxido de molibdênio

MoO 3

 

66

1

Cobalto

Sulfato de cobalto

CoSO4.7H2O

 

22

600

Cloreto de cobalto

CoCl2.2H2O

34

---

Óxido de cobalto

CoO

 

75

insolúvel

FONTE: Extraído de Volkweiss (1992).

Quadro 10.5 - Principais quelatos comerciais fornecedores de micronutrientes.

Micronutriente

Fonte

Fórmula

Teor

 

------------ % ----------

Cobre

Oxalato

CuC 2 O 4 .5H 2 O Na 2 CuEDTA NaCuHEDTA Poliflavonóides

40

Quelato sintético

13

Quelato sintético

9

Quelato natural

5 -

7

Ferro

Quelato sintético Quelato sintético Quelato sintético Quelato sintético Quelato natural Quelato natural Metoxifenil propano

NaFeEDTA

5 - 14

NaFeHEDTA

5 -

9

NaFeEDDHA

6

NaFeDTPA

10

Poliflavonóides

9 - 10

Lignossulfonatos

5 -

8

FeMPP

5

Manganês

Quelato sintético Quelato natural Metoxifenil propano

MnEDTA

12

Poliflavonóide

8,5

MnMPP

10 - 12

Zinco

Quelato sintético

Na 2 ZnEDTA NaZnEDTA NaZnHEDTA Poliflavonóide Lignossulfonato

14

Quelato sintético

13

Quelato sintético

9

Quelato natural

10

Quelato natural

5

FONTE: Malavolta (1981).

A solubilidade diferencial é importante para se ter uma maior ou menor disponibilidade dos micronutrientes adicionados via fertilizantes para as plantas. A uma maior solubilidade corresponde, via de regra, uma maior tendência de formação de precipitados. Os quelatos embora apresentem uma elevada solubilidade não ocasionam precipitados. Isto ocorre devido ao micronutriente quelado ficar como que "aprisionado" temporariamente no interior de estruturas orgânicas em forma de anéis. Essas estruturas dos agentes complexantes levam a uma situação na qual o micronutriente passa a não mais ter carga elétrica residual, não se comportando,

enquanto quelatado, como cátion ou ânion. Assim, o micronutriente fica menos sujeito às reações que ocasionam sua precipitação e insolubilização.

A absorção de um quelato (complexo) pela planta parece ocorrer de modo que na plasmalema ocorra a dissociação do quelato (nutriente + agente quelatante), sendo então apenas o nutriente absorvido e o agente complexante é "reciclado" para o meio externo.

Os silicatos complexos ("fritas") são obtidos pela fusão a elevadas temperaturas, 1.300 graus Celsius aproximadamente, de fontes de micronutrientes com silicatos - muitas vezes borossilicatos - e posterior choque térmico (natural ou por jatos de água - "quenching") - que resulta na formação de pequenos cristais, vítreos, com solubilidade muito baixa.

Quadro 10.6 - Teores de micronutrientes em "Fritas" comercializadas no Brasil

Produto

Micronutriente

 

B

Co

Cu

Fe

Mn

Mo

Zn

FTE

Br -

8

2,5

--

1,0

5,0

10,0

0,1

7,0

FTE

Br -

9

2,0

--

0,8

6,0

3,0

0,1

6,0

FTE

Br - 10 Br - 12 Br - 13 Br - 15 Br - 16 Br - 18

2,5

0,1

1,0

4,0

4,0

0,1

7,0

FTE

1,8

--

0,8

3,0

3,0

0,1

9,0

FTE

1,5

--

2,0

2,0

2,0

0,1

7,0

FTE

2,8

--

0,8

--

--

0,1

8,0

FTE

1,5

--

3,5

--

0,4

0,2

3,5

FTE

3,6

--

1,6

--

--

0,2

18,0

FTE

Br - 24 "Oeste baiano" "Centro oeste"

3,6

--

1,6

6,0

4,0

0,2

18,0

FTE

2,0

--

4,5

2,0

8,0

0,1

5,0

FTE

2,0

--

2,0

--

10,0

--

15,0

FTE "Cerrado"

2,0

--

1,6

--

4,0

0,2

15,0

FONTE: Malavolta (1986).

Em questão de custos, tem-se que de modo geral as fontes inorgânicas são as de menor custo seguidas pelas "fritas" e pelos quelatos.

10.6. Uso dos Fertilizantes de Micronutrientes

Para que se possa usar de forma mais eficiente e balanceada os micronutrientes há que se ter critérios seguros e extrapoláveis concernentes à interpretação do estado nutricional dos solos e das plantas. Ou seja, importa saber como detectar se um dado solo ou espécie (cultivar, linhagem etc.) está com um teor adequado ou não de um dado micronutriente, ou de vários deles. Para isso, há que se valer de um processo integrado, no qual devem ser considerados parâmetros "diretos" e "indiretos" de solo e planta.

Como parâmetros "diretos" podem ser considerados: análises de planta, análises de solo, testes bioquímicos (enzimáticos), e, inclusive, os sintomas visuais de carências e excessos. Nos Quadros 10.7 e 10.8 são apresentados, respectivamente, valores de teores foliares adequados de micronutrientes para diversas culturas e valores de níveis críticos de alguns micronutrientes no solo. Parâmetros aqui referidos como "indiretos" seriam por exemplo: pH do solo, potencial de oxi-redução do meio, conteúdo volumétrico de água, teor de matéria orgânica, histórico de uso da área.

De todo modo, muito mais relevante do que se preocupar em discriminar um tipo de parâmetro de outro é, por exemplo, considerar em qual das duas situações haveria maior disponibilidade de Mn para as plantas: em um solo que por um definido extrator químico apresentou 10 ppm de Mn, e seu pH era de 5,2 ou um outro como características físicas semelhantes (textura) que também tinha 10 ppm de Mn, pelo mesmo extrator, mas que apresentava pH 7,0. Mediante consideração da curva de disponibilidade dos micronutrientes em relação ao pH pode-se inferir que a maior disponibilidade seria na primeira situação, ou seja a pH 5,2. Evidentemente, na prática poderia ser diferente a situação, uma vez que outros fatores certamente influiriam. Seria talvez o caso da existência de grandes diferenças no potencial de oxi-redução do meio; ou então de se ter um teor de matéria orgânica muito diferente pois a complexação de Mn poderia ser muito diversa.

Quadro 10.7 - Teores foliares adequados de micronutrientes em diversas culturas

Cultura

B

Cu

Fe

Mn

Zn

Mo

(grandes culturas)

Algodão

40 - 100

8 - 20

50 - 250

50 - 350

20 -

60

1 - 2

Amendoim

20 -

60

10 - 50

50 - 300

50 - 350

20 - 150

0,1 - 1,4

Arroz

20 -100

5 - 20

70 - 300

30 - 600

20 - 150

0,1 - 2,0

Cana

15 - 50

8 -10

80 - 500

50 - 250

25 - 50

0,1 - 0,3

Feijão

20 - 60

10 - 20

50 - 450

50 - 200

30 -100

0,5 - 3,0

Girassol

50 - 70

30 - 50

150 - 300

300 - 600

70 -140

Mandioca

30 - 60

6 - 10

120 -140

50 - 120

30 - 60

---

Milho

10 - 50

6 - 50

50 - 350

50 - 200

20 - 50

--- 0,1 - 0,6

Soja

20 - 100

10 - 30

50 - 350

20 - 300

20 - 75

0,3 - 5,0

Trigo

5 - 20

5 - 25

50 - 150

25 - 100

15 - 70

0,1 - 0,2

(Olerícolas)

Batata

25 - 50

5 - 20

70 -150

30 - 50

25 - 100

---

Couve-flôr

35 - 100

8 - 10

80 - 150

50 - 70

30 - 50

0,3 - 0,8

Repolho

30 - 60

15 - 20

30 - 60

25 - 40

20 - 40

0,7 - 1,5

Tomate

30 - 75

8 - 15

40 - 400

60 - 400

60- 70

0,3 - 0,5

(Fruteiras)

Abacate

50 - 100

5 - 15

50 - 200

30 - 650

30 - 150

---

Abacaxi

30 - 40

9 - 12

100 - 200

50 - 200

10 - 15

Banana

10 - 25

6 - 30

80 - 360

20 - 50

---

Citros

35 - 100

5 - 20

50 - 200

--- 25 - 500

25 - 200

--- 0,1 - 1,0

Maçã

40 - 65

5 - 10

100 - 200

50 - 100

25 - 30

0,1 - 0,3

Pera

20 - 40

9 - 20

60 - 200

60 - 120

30 - 40

Pêssego

40 - 60

7 - 18

30 - 100

40 - 300

40 - 140

--- ---

Uva

30 - 60

13 - 20

30 - 100

40 - 100

25 - 40

---

(outras perenes)

Cacau

30 - 40

10 - 15

150 - 200

150 - 200

50 - 70

0,5 - 1,0

Café

40 - 100

6 - 50

70 - 300

50 - 300

10 - 70

0,1 - 0,5

Dendê

12 - 15

5 - 10

80 - 250

50 - 200

18 - 50

1,0

Eucalipto

40 - 50

8 - 10

150 - 200

60 - 600

40 - 60

0,5 - 1,0

Seringueira

20 - 70

8 - 12

70 - 300

45 - 300

20 - 50

---

Quadro 10.8 - Níveis críticos de alguns micronutrientes no solo

Micronutriente

Extrator

Nível Crítico

----- ppm -----

Boro

Água quente

0,3

Zinco

Mehlich-1

1,0

Manganês

Mehlich-1

5,0

Cobre

Mehlich-1

0,6

Ferro

Mehlich-1

30,0

Observa-se assim que não será uma única informação que levará a uma avaliação segura, ou pelo menos com menor grau de erro, da condição que terá um solo para fornecer um dado micronutriente para as plantas. Tal situação obviamente não se aplica só aos micronutrientes, mas em função de se dispor de mais informações para um macronutriente como o P ou mesmo Ca e Mg - e o que é muito importante informações muitas vezes mais confiáveis - é mais fácil avaliar a disponibilidade de boa parte dos macronutrientes que a dos micronutrientes.

Aliado à essa carência de informações seguras e extrapoláveis ainda existente quanto a micronutrientes, outro aspecto a considerar no tocante à fertilização é a natureza das curvas de respostas das plantas à adição desses nutrientes. Para os macronutrientes a região de teto de produção em resposta ao fornecimento desses nutrientes é bastante extensa implicando em baixo risco de um eventual excesso desses nutrientes ocasionar decréscimo na produção física da planta. Já para micronutrientes, por exemplo para B, a transição entre a região de deficiência e a de toxicidade é muito abruptica. Assim, um excesso de B, como de resto para a maioria dos micronutrientes, adicionado via fertilizantes poderá causar grandes prejuízos à produção física e, obviamente, ainda mais à produção econômica. Em função da já comentada falta de bons critérios para avaliar a fertilidade dos solos e também do estado nutricional das plantas quanto aos micronutrientes, fica fácil concluir que a fertilização com micronutrientes envolve um grau de risco considerável.

caso,

fertilizações com micronutrientes "a posteriori" pode ser, muitas vezes, a melhor

A

opção

de

muitos

agricultores

e

técnicos

por

realizar,

se

for

o

estratégia. Se se tratar de uma cultura perene ou com um tempo de permanência no campo razoavelmente longo tal opção fica ainda mais razoável; nesta situação é provável que haja tempo para que a correção seja efetivada.

A filosofia de correção "a priori" de um suposto problema de carência de micronutrientes, na verdade mais uma prevenção do que correção, é perfeitamente aplicável para casos específicos. Tais casos seriam aqueles em que sabidamente uma dada cultura, cultivada numa definida condição de meio, requer a adição ao seu meio de cultivo de um dado micronutriente; por exemplo, plantas de arroz cultivadas sob irrigação por alagamento. De fato, é observação bastante generalizada a carência de Zn para essas plantas na condição mencionada. Outro exemplo seria a situação nutricional para couve-flôr quanto a B e Mo. Estes dois micronutrientes são importantíssimos na inflorescência desta planta, sendo por isso generalizada a aplicação dos mesmos para couve-flôr. Outros exemplos poderiam ser citados: Zn em café e seringueira, etc

Essas situações que poderiam ser denominadas de situações de respostas prováveis evidenciam que para algumas culturas, muitas vezes implantadas no campo de modo muito semelhante, há sugestões de fertilização que merecem ser consideradas. Muitas vezes, a instalação de modo bastante generalizado para uma mesma cultura de deficiências nutricionais é, talvez, resultante de certas práticas de calagem e fertilização. Seria o caso das frequentes deficiências de Zn em seringueira, cultura que na implantação recebe quase sempre doses de fertilizante fosfatado bem elevadas. Neste caso, poderia ocorrer desequilíbrio entre P e Zn, tendo em vista a interação negativa clássica entre esses dois nutrientes.

Sugestões para o fornecimento de micronutrientes mediante pulverização foliar considerando várias culturas são apresentadas no Quadro 10.9 enquanto que para adição ao solo algumas recomendações constam do Quadro 10.10.

Quadro 10.9 - Algumas Recomendações de Micronutrientes Visando Correção de Deficiências Mediante Pulverização Foliar.

Micronutriente

Culturas

Fonte

Dose da Fonte

(Kg/100 L água)

Boro

aipo, alfafa, beterraba, cricíferas e

bórax

ou

outras

fontes

0,1 - 0,3

frutíferas

solúveis

 

café

Idem

0,3 - 0,5

Cobre

hortaliças, frutíferas, café

sulfato; calda bordalesa

0,2 - 0,5

Ferro

abacaxi , sorgo

sulfato ferroso

 

0,6 - 3,0

Manganês

aipo, citros, feijões, soja, tomate

sulfato

0,4 - 0,8

Molibdênio

citros, couve-flôr, repolho

molibdatos

 

0,05 - 0,90

Zinco

plantas anuais

sulfato

0,25 - 0,40

plantas perenes

Idem

0,60 - 1,00

1/ O limite inferior de dose corresponde a aplicações em alto volume.

Fonte: Rosolem (1984)

Um aspecto importante é a utilização nas culturas de defensivos, como os fungicidas, os quais podem promover um aporte muitas vezes considerável de micronutrientes para as plantas. Tal é o caso da utilização em plantas de café de fungicidas que contém Cu, Mn e Zn. Nesta situação, uma eventual mudança ou mesmo supressão dos fungicidas aplicados pode acarretar o aparecimento de sintomas de deficiência,

Quadro 10.10 - Doses de Micronutrientes para Fornecimento ao Solo.

Micronutriente

Fonte

Dose do Micronutriente

 

-------

Kg/ha -------

Boro

bórax; "fritas" sulfato; óxido sulfato; óxido; "fritas" molibdatos; óxido sulfato; óxido; "fritas"

0,5

-

2,0

Cobre

Manganês

- 2,0 - 10,0 0,05 - 0,50 1,0 - 5,0

1,0

7,0

Molibdênio

Zinco

Uma questão plausível tendo em vista a colocação feita quanto à utilização de defensivos contendo micronutrientes em plantas de café seria sobre a eficiência das pulverizações para fornecer esses nutrientes. Ora, se é baixa a mobilidade de quase todos os micronutrientes na planta como pulverizações como as mencionadas estariam proporcionando bons resultados, em têrmos de suprimento de micronutrientes? De fato, se não se proceder a pulverizações repetidas não se conseguirá garantir um adequado aporte de micronutrientes para as plantas, em razão da baixa mobilidade que apresentam na planta. Se com uma pulverização pode se corrigir uma deficiência existente num dado momento, o que seria dos novos lançamentos - ramos, se as aplicações não fossem repetidas? Esta é uma questão de fácil resposta, mas que levanta um outro questionamento: Tendo em vista a provável necessidade de se proceder a repetidas aplicações às folhas, é vantagem aplicar micronutrientes às plantas, ou seria melhor adicioná-los ao solo? A princípio poder-se-ía concluir pela vantagem das aplicações ao solo, usuais para os macronutrientes. No entanto, cabe considerar que os elementos adicionados ao solo estão sujeitos a lixiviação - B, em épocas muito chuvosas quando aplicado a solos com baixos teores de matéria orgânica e/ou a solos com elevada permeabilidade, como as areias quartzosas - e a precipitação/adsorção como seria, em princípio, para Zn e Cu.

Ou seja, há que se considerar quando da proposição do esquema de fertilização com micronutrientes vários aspectos que incluem o comportamento do micronutriente na planta e no solo.

Dentro dessa mesma preocupação, ou seja de aplicar uma visão abrangente para a fertilização com micronutrientes, há que se considerar as características das fontes fertilizantes e, caso a opção seja por efetuar a aplicação do micronutriente ao solo atentar para a localização do elemento. Neste particular, tem-se que avaliar as características relativas à mobilidade do micronutriente no solo. Há ainda que se preocupar com a dose da fonte do nutriente a ser aplicada; exemplificando: para um elemento como o Mo as doses recomendadas são tão pequenas que a incorporação do nutriente seria problemática (má uniformidade na aplicação).O fornecimento deste micronutriente mediante sua incorporação/peletização de sementes é frequentemente usado com bons resultados.

A umidade do solo é aspecto estreitamente associado à disponibilidade dos nutrientes para as plantas. Assim, em se tratando de fertilização com micronutrientes deve-se atentar para a época em que a avaliação da disponibilidade está sendo feita; muitas vezes uma deficiência evidente de um dado micronutriente é apenas devida a um transporte inadequado do elemento no solo, sendo que com o restabelecimento do transporte há uma pronta correção da deficiência. O que merece ser considerado é o reflexo da deficiência no crescimento/produção da planta, ao longo do intervalo de tempo de seu ciclo.

A filosofia empregada para macronutrientes, baseada em trabalhos de

correlação e calibração de análises de solo - principalmente - e de planta deve ser intensificada para os micronutrientes, paralelamente a estudos que procurem explicar os porquês das diferenças e variações que, certamente, serão verificadas entre solos e plantas.

O papel de associações simbióticas entre plantas e organismos sobre a

absorção e o aproveitamento de micronutrientes pelas plantas deve ser objeto de maiores estudos, dentre eles destacando-se os efeitos das associações entre raízes e fungos micorrízicos e entre raízes e bactérias dos generos Rhizobium e

Bradrhizobium.

10.7. Bibliografia

BATAGLIA, O.C. Análise Química de Plantas. In: FERREIRA, M.E. & CRUZ, M.C.P.

(eds) Micronutrientes na Agricultura. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, 1991. p.289-

308.

BORKERT,

C.M.

Manganês.

In:

FERREIRA,

M.E.

&

CRUZ,

M.C.P.

(eds)

Micronutrientes na Agricultura. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, 1991. p 173 - 190.

HARMSEN, K. & VLEK, P.L.G.

The Chemistry of micronutrients in soil. Fertilizer

Research, Dordrecht, 7: 1-42, 1985.

MALAVOLTA, E.

Manual de Química Agrícola; adubos e adubação .3 ed. São

Paulo, Editora Agronômica Ceres, 1981. 596p.

MALAVOLTA, E. Micronutrientes na Adubação. s.l., Nutriplant, 1986. 70p.

ROSOLEM, C.A. Adubação Foliar. In: Simpósio Sobre Fertilizantes na Agricultura

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária,

Brasileira, 1., Brasília, 1984. Anais 1984. p.419-49.

VOLKWEISS, S.J. Fontes e Métodos de Aplicação. In: FERREIRA, M.E. & CRUZ, M.C.P. (eds) Micronutrientes na Agricultura. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, 1991. p.391 - 412.

10.8. Resposta do Pré-Teste

1) Apesar de a necessidade de micronutrientes ser conhecida há bastante tempo, a maior importância prática que, atualmente, se atribui a estes nutrientes, resultando na frequente inclusão dos mesmos nos programas de fertilização, pode ser entendida considerando: a - as maiores produtividades das culturas com consequente aumento das quantidades de micronutrientes absorvidas pelas plantas e, assim, maior remoção desses nutrientes dos solos; b - a utilização de fertilizantes minerais, para o forneci- mento de macronutrientes, mais concentrados e, portanto, com menores teores de elementos acompanhantes e de impurezas, dentre estes os micronutrientes; c - a incorporação ao sistema produtivo, nas áreas de expansão de fronteira agrícola, de solos de baixa fertilidade natural, já naturalmente pobres em micronutrientes.

2) O pH é tido como um dos principais controladores da disponibilidade de micronu- trientes. Exceção feita para o molibdênio - cuja disponibilidade cresce com a elevação do pH - a disponibilidade dos micronutrientes decresce com o aumento do pH, fato que constitui um dos principais reflexos negativos da supercalagem dos solos. O potencial de oxi-redução relaciona-se com as alterações nas formas químicas de alguns micronutrientes no solo. Como exemplo, em solos com baixo potencial redox ocorre a passagem do manganês da forma oxidada (Mn 4+ ) para a forma reduzida (Mn 2+ ) e, em ambientes fortemente redutores, a passagem de Fe 3+ para Fe 2+ , resultando, frequentemente, em fitotoxicidade de manganês e de ferro.

3) A matéria orgânica é de grande importância para a manutenção de micronutrientes no solo, em formas disponíveis, mediante, principalmente, a formação de quelatos.

4) As fontes fertilizantes de micronutrientes podem ser divididas em: a - fontes inorgâ- nicas: por exemplo, bórax e sulfato de zinco; b - fontes orgânicas - quelatos sinté- ticos tais como FeEDTA e FeHEDTA, ou naturais como poliflavonóides e lignossul- fonatos; c - silicatos complexos - "fritas".

5) O termo "transição abrúptica" é utilizado para descrever o estreito limite entre a faixa de deficiência e a de toxidez, que caracteriza a curva de resposta das plantas à adição de doses crescentes de micronutrientes.

10.9. Pós-Teste

1) Sob condições de solo compactado têm sido observados, no campo, sintomas de toxicidade de manganês. Qual é o seu parecer sobre essa ocorrência?

2) Em épocas frias observa-se com maior freqüência sintomas de deficiência de micronutrientes, como por exemplo de manganês, mesmo em solos submetidos à irrigação suplementar. Qual é a sua opinião a respeito?

3) O que você diria a um técnico que atribuiu a redução de produtividade de feijão ao

Justifique.

aumento da dose de Molibdênio?

4) A inclusão de micronutrientes, por exemplo de boro e de zinco, em misturas NPK é, atualmente, prática usual. Analise onde tal inclusão propicia uma melhor administração de micronutrientes ao solo comparando NPK na forma de mistura de grânulos ou na forma granulada.

5) Condições de solo, planta e do ambiente como um todo influenciam marcantemente a disponibilidade de micronutrientes para as plantas. Apresente, e discuta pormenorizadamente, algumas dessas condições.