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PORTUGUÊS

01. Quanto às estruturas de reprodução de enunciados,

é

correto afirmar:

 

(A)

na transposição de um enunciado do discurso direto para o indireto, formas verbais no pretérito perfeito passam a ser enunciadas no pretérito- mais-que-perfeito, simples ou composto.

(B)

o discurso indireto produz, no plano expressivo, relatos predominantemente subjetivos, graças à introdução dos verbos declarativos (verbos dicendi ).

(C)

no plano formal, a passagem do discurso direto para o indireto marca-se pela sintaxe de coordenação, como forma de introduzir as falas das personagens.

(D)

no discurso direto, não se podem suprimir os

verbos

dicendi,

sob

pena

de

perder-se no

contexto

a

identificação

das

falas das

personagens.

 

(E)

no discurso indireto livre, a voz do narrador desaparece sob a voz das personagens, dando origem aos textos impressionistas, com foco narrativo em primeira pessoa.

02. Observe os dois enunciados seguintes.

I. Aqui na terra estão jogando futebol. (Chico Buarque de Holanda)

II. Quando, por exemplo, nos preparamos para escrever um romance e começamos a pensar

nas personagens

(Érico Veríssimo)

Assinale a alternativa que identifica corretamente o valor semântico do aspecto verbal nos enunciados I

e

II, a partir dos termos grifados.

I

II

(A)

pontual

durativo

(B)

durativo

conclusivo

(C)

durativo

incoativo

(D)

descontínuo

pontual

(E)

incoativo pontual

03. Português perde acento

Uma reforma ortográfica na Comunidade dos

Países de Língua Portuguesa (CLP) acaba de sair

No

Brasil, a grande novidade é o fim do trema que já

estava em desuso. Palavras como qüinqüênio, freqüentar, conseqüência, seqüência e sagüi não levarão mais essa acentuação. Outra regra é o fim do acento agudo em palavras terminadas em ditongo aberto “eia”. Então, perderão o acento palavras como idéia, assembléia,

atéia.(ISTOÉ/1504-29/7/98)

após oito anos de discussões e acertos. (

)

Considere as três seguintes afirmações:

I.

No período “

a grande novidade é o fim do

trema que já estava em desuso”, a opção por uma oração subordinada adjetiva restritiva conduz à suposição, falsa, de que haveria um outro caso de emprego de trema, que permanecerá em uso na língua.

II.

A

classificação do encontro vocálico “eia” como

ditongo aberto é imprópria: há três vogais no conjunto, razão pela qual deve-se falar em tritongo.

III.

Nos exemplos dados (idéia, assembléia, atéia),

a configuração do encontro vocálico é vogal [ ]

mais semivogal [j] mais vogal [a], participando a semivogal da formação de dois ditongos

distintos: [ j] e [ja].

A propósito dessas afirmações, deve-se dizer que

(A)

apenas III está correta.

(B)

nenhuma está correta.

(C)

apenas I e II estão corretas.

(D)

apenas I e III estão corretas.

(E)

apenas II está correta.

04. Assinale a alternativa em que se identifica corretamente, nos parênteses, o tipo de incoerência presente no enunciado.

(A)

ISTOÉ — A falta de compromisso com os partidos é uma das características que o senhor tem em comum com o ex-presidente Jânio Quadros? César — FHC tem ligação com partido? Quais são os maiores conflitos do presidente? (Entrevista de César Maia, ISTOÉ/1506 - 12/8/98) (Semântica)

(B)

Ferir um direito constitucional é inconcebível. Entretanto, levar políticos a um posicionamento é prescindível para que cidadãos possam julgá- lo. (Estilística)

(C)

O lugar era tão bonito que não tinha nenhuma qualidade que pudesse desagradar a algum turista. (Semântica)

(D)

A mulher, durante muito tempo, sempre foi vista como o “sexo frágil”. (Pragmática)

(E)

No final da reunião, decidiu-se que a turma deve dar duro para terminar o projeto no prazo. Para constar, lavrou-se esta ata que, lida e aprovada, vai assinada pelos presentes. (Sintática)

05. Analise os três textos seguintes.

Texto 1: Duas mulheres foram espontaneamente ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, onde está preso Francisco de Assis Pereira, e disseram tê-lo reconhecido como seu agressor na TV e em fotos. (Folha de S. Paulo,

7/8/98)

Texto 2:

Universidade de Mogi das Cruzes,

instituição que estaria recebendo órgãos tirados de mortos sem a autorização das famílias. (Veja,

17/6/98)

Texto 3: Marta pediu à mãe para namorar Joaquim.

Sobre esses textos, é correto afirmar:

(A) No

e disseram tê-lo

reconhecido como seu agressor na TV e em

devido à relação de

contigüidade entre termo subordinante e termo subordinado na ordem estrutural da frase.

é

responsável pelo sentido ambíguo do enunciado, por exigir, na seqüência, oração

iniciada pela conjunção “para”.

fotos”

texto

é

texto

1,

o

trecho

ambíguo

3,

a

(B) No

regência

do

verbo

“pedir”

(C) No texto 2, em “recebendo órgãos tirados de mortos sem a autorização das famílias”, a alteração da ordem linear da seqüência desfaz a ambigüidade.

(D) Nos textos 1 e 2, é a percepção da ordem estrutural da frase que permite ao falante reconhecer o sentido do enunciado, desfazendo a ambigüidade nele contida.

(E) No texto 3, a ambigüidade pode ser desfeita com uma reorganização da ordem e da pontuação do período: A mãe pediu a Marta, para namorar Joaquim.

06. Analise as ocorrências de crase a seguir e considere as afirmações de I a IV.

Paisagem triste da catinga nordestina Álcool - [‘awku] Louvor à autoridade Malam> maa> má

I. Pode-se aplicar a todas as ocorrências acima a concepção de que a crase é a fusão de dois sons contíguos, consistindo num recurso da língua para a eliminação do hiato.

II. Em malam> maa> má a crase é vista da perspectiva histórica, concorrendo para explicar a evolução fonética do vocábulo.

III. Em Louvor à autoridade o fenômeno da crase não é somente fonético; é também sintático e

envolve elementos mórficos diferentes, que contraem função com diferentes lexemas.

IV. Catinga e álcool -[‘awku] representam o fenômeno da crase em dois níveis distintos:

em catinga a crase efetivou-se fonética e graficamente; em álcool, tem realização somente fonética.

Quanto a essas afirmações deve-se dizer que estão corretas

(A)

I, II, III e IV.

(B)

apenas I e IV.

(C)

apenas II e IV.

(D)

apenas II e III.

(E)

apenas I, III e IV.

07. Em primeiro lugar, durante o tempo em que a

parede estiver a ser construída, é inevitável que os verbetes e os processos dos mortos recentes ( ) se vão aproximando perigosamente, e rocem, do

(José

lado de cá, os processos dos vivos ( Saramago, Todos os nomes)

).

Observe que, no contexto dado, estiver está para o infinitivo estar, vão está para o infinitivo ir. Da mesma forma, respectivamente,

(A)

houver está para haver, são está para ser.

 

(B)

conter

está

para

conter,

viajem

está

para

viajar.

(C)

intervier

está

para

intervir,

hão

está

para

haver.

(D)

sustentar está para sustentar, fazem está para fazer.

(E)

propuser está para propor, caibam está para caber.

08. Considere as seguintes afirmações:

I. Em “processos”, process- é morfema lexical de

significação externa pertencente a série aberta; -o e -s são morfemas gramaticais, de

significação

interna,

pertencentes

a

série

fechada.

II. São morfemas gramaticais, entre outros, as preposições; são morfemas lexicais os substantivos, os adjetivos, os verbos e os advérbios de modo.

III. À variação da realização fonética de um morfema chama-se alomorfe; o alomorfe do

morfema -va do imperfeito do indicativo, 1ª

conjugação

(“aproximava”),

é

-ve

(“aproximáveis”).

Dessas afirmações,

(A)

estão corretas I, II e III.

(B)

estão corretas I e II, apenas.

(C)

estão corretas I e III , apenas.

(D)

está correta II, apenas.

(E)

estão corretas II e III, apenas.

09. Observe os trechos seguintes.

I. Não a podiam despersuadir. (prefixação)

II. O xixixi e o empapar-se da paisagem - pestanas til-til. (onomatopéia)

as

III.

e

assim,

em

acanho,

foi

ele

avistado.

(derivação regressiva)

 

Assinale

a

alternativa

que

contém

palavras

formadas

segundo

 

os

mesmos

processos

identificados

nos

trechos

acima,

de

João

Guimarães Rosa.

 
 

I

II

III

(A)

ensurdecer

fraque

 

debate

 

(B)

felizmente

zás-trás

tamanho

(C)

bebedouro

pombal

perda

(D)

desmentir

cochicho

 

âncora

 

(E)

intervir

zunzum

 

perda

10. Assinale a alternativa em que, apesar da diferença de regência verbal, o sentido dos enunciados é o

mesmo.

(A)

Não

nos

cumpre

tarefa

tão

dura.

/

Não

se

cumpre tarefa tão dura.

 

(B)

Foi encarregado de informar à classe a decisão da diretoria. / Foi encarregado de informar a classe da decisão da diretoria.

(C)

A matéria do jornal refere a sentença do juiz. / A matéria do jornal refere-se à sentença do juiz.

(D)

A moça lembrava uma tia materna. / A moça lembrava-se de uma tia materna.

(E)

Quando se apresentou a ocasião, socorreu-se do amigo de infância. / Quando se apresentou a ocasião, socorreu o amigo de infância.

11. Texto 1: Tinham conversado sobre robôs. Jorunn considerava o cérebro humano um computador complicado. Sofia não estava bem certa se concordava com isso. O ser humano não seria algo mais do que uma máquina? (Jostein Gaarder, O mundo de Sofia)

Texto 2: Horácio já produziu três livros de poemas

Manhã cedo, três vigilantes associações de

). (

poetas telefonaram para ele, convidando-o a participar de tardes comemorativas ( ):

O meu amado poeta não pode faltar, pois não?

Reservamos um lugar de honra para o admirável bardo.

Distinto aedo, contamos com a sua presença. (Carlos Drummond de Andrade, Boca de luar)

A propósito das formas de coesão destacadas nos textos, é correto afirmar:

(A)

No texto 2, encontra-se forma lexical que remete a outros constituintes do texto: Horácio faz remissão anafórica a ele e o.

(B)

No texto 2, poeta, bardo e aedo são formas lexicais remissivas reunidas pelo mesmo traço semântico, reforçado pela alusão contida no nome Horácio.

(C)

No texto 1, os lexemas robôs, computador e máquina remetem uns aos outros por enca- deamento, sendo robôs o hiperônimo para os demais.

(D)

Nos

textos

1

e

2, as formas destacadas

caracterizam a coesão seqüencial, estabelecendo nexo lógico, além de semântico, entre as frases.

(E)

No

texto

2,

as

relações de sentido dos

enunciados são independentes, sendo a interpretação possibilitada por sintagmas sintaticamente não pertinentes.

12. Analise os três enunciados seguintes.

I.

Se você gosta, mas gosta mesmo de comer, você tem de conhecer Digeplus.

II.

Como

ostentasse

certa

arrogância,

não

se

distinguia bem se era uma criança.

 

III.

O pior é que o estafaram a tal ponto, que foi preciso deitá-lo à margem.

Assinale a alternativa em que se identificam, correta e respectivamente, as relações entre seqüências presentes nos enunciados.

 

I

II

III

(A)

condição causa

conseqüência

(B)

adição

causa

explicação

(C)

adversidade

conformidade

conseqüência

(D)

adversidade

causa

condição

(E)

condição conformidade

conseqüência

13. Texto 1: Vício de linguagem

Tomo a iniciativa de solicitar que façam comigo o esforço para correção deste vício de linguagem:

façamos a análise sintática da frase “A gente comeu arroz no almoço”. Iremos perceber que “a gente” é um substantivo feminino utilizado como coletivo. Já no caso de “comeu”, é um verbo transitivo direto, flexionado na 3ª pessoa do singular, deixando de combinar com o substantivo, que por ser coletivo deveria utilizar a flexão na 1ª pessoa do plural. Solicito que filólogos e professores de língua portuguesa avaliem minha colocação. Luiz Roberto Nascimento (Brasília, DF) (Publicado no Painel do Leitor, Folha de S. Paulo.)

Texto 2: A gente estamos trabalhando numa proposta. Maria Cristina de Morais, professora, presidente da Andes, sobre a greve nas universidades. (Publicado em Veja, 17/6/98)

Sobre os fatos lingüísticos caracterizados nos dois textos, é correto afirmar:

(A)

No texto 1, a informação de que “comer” é verbo transitivo é pertinente para explicar o caso de concordância tratado, pois a transitividade do verbo condiciona sua flexão.

(B)

A concordância do verbo no singular, com “a gente”, é vício de linguagem, como assegura o título dado ao texto 1, porque o sentido coletivo da expressão é condição determinante da flexão do verbo no plural.

(C)

Ambos os textos desprezam a circunstância de que a concordância é, ao mesmo tempo, fato morfológico (pela flexão) e fato sintático (pela contração de função entre palavras postas em relação sintática).

(D)

Tanto a proposta defendida no texto 1 quanto a solução de concordância exposta no texto 2 privilegiam, no sistema de concordância do português, o aspecto formal em detrimento do ideológico.

(E)

A proposta defendida no texto 1 e a realização frasal contida no texto 2 atribuem ao sintagma nominal “a gente” o valor semântico do dêitico “nós”, desconsiderando que essa expressão nominal, embora represente a 1ª pessoa do plural, não assume suas propriedades formais.

14. Se considerarmos que a produção de sentidos nasce de uma relação dinâmica que se estabelece entre o leitor e o texto, é correto afirmar que isso ocorre porque o leitor

(A)

conhece a gramática e as regras de organização do discurso que conferem sentido ao texto.

(B)

identifica-se com os fatos relatados no texto e com sua organização gramatical.

(C)

encontra no texto, além da linguagem que domina, elementos extralingüísticos que fazem parte do seu conhecimento de mundo.

(D)

conhece o vocabulário, a gramática da língua e o discurso do autor do texto.

(E)

conhece, identifica e reelabora o processo de organização textual e das regras gramaticais.

15. É correto afirmar que:

(A)

a língua falada e a língua escrita não são distintas, pois as diferenças não vão muito além da representação sonora por fonemas, da primeira; e da representação visual, da segunda.

(B)

a

língua

falada

e

a

língua escrita são

complementares, pois o aprendizado da segunda depende exclusivamente do grau de conhecimento da primeira.

(C)

não há correspondência estrita entre os grafemas e os fonemas, o que acarreta alguns problemas para o aprendizado da língua escrita.

(D)

a

língua escrita é

a

um só tempo mais

viva,

econômica e perene, porque depende sempre de um contexto situacional.

(E)

na língua escrita, a sintaxe, a ordem das palavras, é menos rígida, e há praticamente a supressão de alguns tempos verbais como o mais- que-perfeito.

16. Para

fazer

uma

leitura

compreensiva

e

interpretativa, o leitor necessita de conhecimentos

(A)

gramaticais, lingüísticos e de mundo.

(B)

lingüísticos, textuais e de mundo.

(C)

gramaticais, textuais e de mundo.

(D)

gramaticais, lingüísticos e textuais.

(E) lingüísticos, metalingüísticos e textuais.

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de números 17 e 18.

Escola ruim afeta produtividade

Os índices de reprovação e abandono nas escolas brasileiras são apenas dois dos fatores para que se possa estimar a taxa de desperdício provocada pela baixa qualidade de ensino. Há outros efeitos sociais ainda mais expressivos, embora de mais complexa quantificação, gerados pela escola ruim.

O mais evidente deles é a produtividade da mão-de-

obra. Sem dúvida nenhuma, um dos principais ingredientes para assegurar o crescimento econômico de um país é a educação dos trabalhadores. Educação mais qualificada significa maiores lucros; significa também que eles tiveram de passar por um treinamento mais adequado para desenvolvimento de matemática ou língua portuguesa.

Crescimento

Um dos maiores especialistas brasileiros no estudo do emprego, o professor José Pastore, da USP (Universidade de São Paulo), afirma que há alguns requisitos fundamentais para o crescimento de uma nação. De acordo com Pastore, tecnologia e educação

do trabalhador são dois fatores importantes.

Nações que investiram em tecnologia e, ao mesmo tempo, educaram seus trabalhadores, viram o emprego crescer. Não apenas por causa da produtividade, mas também porque o trabalhador consegue mais facilmente se adaptar a novas tarefas, reciclando sua ocupação. (GD)

(Folha de S. Paulo - 21/7/98)

17. O texto afirma que

(A) são perversos os efeitos sociais da baixa qualidade de ensino, porque provocam evasão e repetência.

(B) a escola não ensina adequadamente português e matemática, o que resulta numa baixa produtividade.

(C) a escola de má qualidade não cria empregos suficientes para absorver a mão-de-obra dos trabalhadores.

(D)

há uma relação significativa entre a boa qualidade de ensino e o crescimento econômico de uma nação.

(E)

a criação de novos empregos só é possível com uma boa educação, embora o crescimento econômico não dependa da boa qualidade da escola.

18. Segundo o articulista, “a educação qualificada signi- fica mais lucros” porque

(A)

os trabalhadores foram bem treinados em língua portuguesa e matemática.

(B)

a produtividade depende da mão-de-obra mais qualificada, capaz de se adaptar às novas tarefas.

(C)

as nações que investiram em tecnologia e nos trabalhadores obtiveram um crescimento de empregos.

(D)

o crescimento de empregos só ocorre com o crescimento econômico que depende do aprendizado de matemática ou de língua portuguesa.

(E)

a educação dos trabalhadores depende do crescimento econômico e da criação de empregos.

19. Copa sepulta est - em latim macarrônico deve significar que não só devemos evitar o choro sobre o leite derramado como preparar nossas vísceras para o próximo evento, que é o pleito de outubro. Falo bem em mencionar as vísceras. É preciso estômago para encarar mais um tipo de jogo que

(Carlos Heitor Cony, Folha de

devemos perder. ( S. Paulo, 22/7/98)

)

Interpretando o texto de Carlos Heitor Cony, é correto afirmar que

(A)

o estômago é a víscera que nos ajuda a suportar que o nosso candidato perca a eleição.

(B)

a eleição

é

um

jogo

como

a

copa e o nosso

estômago pode ajudar a perdê-lo.

 

(C)

o próximo evento é a eleição, as nossas vísceras deverão estar preparadas para perdê-la.

(D)

o

próximo

evento

 

é

a

eleição

e,

independentemente

do

resultado,

seremos

perdedores.

 

(E)

o estômago é a víscera que nos ajuda a suportar todas as perdas.

20. No texto falado ou escrito interagem os discursos do falante e do ouvinte, ou do escritor e do leitor. Nessas situações os participantes são co- produtores na construção do sentido do texto porque

(A)

o

sentido, que não se encontra no texto, se

constrói

de

uma perspectiva dinâmica e

dialética.

(B)

o sentido, que está inscrito no texto, se produz na troca de experiências entre os interlocutores.

(C)

o locutor instaura um sentido que é decodificado e compreendido pelo interlocutor.

(D)

o locutor instaura o sentido, decodificando o texto construído pelo locutor.

(E)

o locutor e o interlocutor buscam experiências decodificando e compreendendo o texto.

21. Leia as afirmações seguintes e assinale a correta, em relação à variação lingüística e à norma.

(A)

Dentre a multiplicidade de formas de expressão lingüística, só há uma correta, as demais estão erradas.

(B)

A norma constitui o Português correto; tudo o que foge a ela representa um erro e deve ser evitado.

(C)

O bom Português é aquele praticado em uma determinada região e por um determinado grupo social.

(D)

A norma corresponde aos usos e atitudes de determinado segmento da sociedade, é o dialeto da classe social de prestígio.

(E)

Os membros de uma comunidade, nascidos e criados num âmbito geográfico restrito, usam todos uma mesma forma de expressão.

22. Ao ler um texto, é essencial para sua compreensão que sejam

(A)

ativados conhecimentos prévios que permitam ao leitor fazer as inferências necessárias à prática da leitura.

(B)

inferidos dados de um conhecimento prévio que está no texto.

(C)

vivenciados os conhecimentos que não estão no texto, mas podem ser recuperados.

(D)

encontrados novos conhecimentos que ativem nossa memória.

(E)

ativados esquemas desconhecidos que serão incorporados para novas leituras.

23. Quanto à sua estrutura, os textos classificam-se em narrativos, descritivos e expositivos. Diz-se que a orientação temporal é fundamental nos textos

(A)

descritivos

e

expositivos,

porque

eles

apresentam

tematizações,

mas

não

tem

nenhuma importância nos textos narrativos.

(B)

expositivos, porque a ênfase está nas idéias e

não nas ações; já

nos textos descritivos ela é

irrelevante, porque estes apenas particularizam

o objeto tematizado.

(C)

descritivos,

porque

eles,

ao

contrário

dos

narrativos,

apresentam

seletividade

e

seqüencialização de qualidades.

 

(D)

narrativos, porque eles apresentam fatos, estabelecendo relações de causa e efeito; já nos textos descritivos e expositivos ela é irrelevante.

(E)

narrativos, expositivos e descritivos, porque em todos eles temos a elaboração de um simulacro

de mundo.

24. Estudos contemporâneos têm substituído o termo redação pela expressão produção de textos. Em relação a essa substituição, é correto afirmar que:

(A)

com as mudanças tecnológicas, há uma necessidade permanente de rever e atualizar uma terminologia que se mostra ultrapassada.

(B)

o que se pretende com a substituição é o comprometimento com a idéia de processo, de permanente elaboração, para o qual concorrem dimensões extralingüísticas e interdisciplinares.

(C)

as mudanças terminológicas devem ser evitadas, mesmo quando buscam retratar momentos pedagógicos diferentes, pois causam perplexidade aos professores e aos alunos.

(D)

a idéia de processo está na base da sociedade, por isso, sempre que novas mudanças exigirem,

terminologia deve ser repensada e atualizada gramaticalmente.

a

(E)

a substituição pretende deixar claro que as mudanças sociais e de comportamento devem envolver mudanças no ensino.

25. “Encontrei um guarda. Perguntei ao guarda sobre a rua. Eu estava procurando a rua. O guarda não sabia dizer.” Reescrevendo-se estas frases num único período, e observando-se as alterações necessárias, a forma correta é:

(A)

Encontrei um guarda e perguntei-lhe sobre a rua que estava procurando, onde ele não sabia dizer.

(B)

Encontrei um guarda, perguntei a ele onde ficava

rua e ele não sabia dizer a rua que eu procurava.

a

(C)

Quando encontrei um guarda, perguntei onde que ficava a rua que eu procurava, então ele respondeu não saber.

(D)

Quando encontrei um guarda, perguntei aonde ficava a rua que procurava e ele não sabia dizer.

(E)

Perguntei a um guarda que encontrei onde ficava a rua que eu estava procurando, mas ele não sabia dizer.

26. A sala de aula é o lugar

(A)

de transmissão de linguagens, porque nela se veicula um registro verbal mais adequado.

(B)

da interação verbal porque, nela, há um diálogo entre saberes diferentes.

(C)

dos

saberes

da

experiência

e

do

vivido

transmitidos aos alunos.

 

(D)

em que o professor transmite os conhecimentos lingüísticos sistematizados pela gramática.

(E)

de homogeneização das diferentes linguagens e saberes dos alunos.

27. Em Teoria e prática da leitura, Brandão e Micheletti afirmam que o leitor

(A)

se institui no texto em duas instâncias: no nível pragmático e no nível lingüístico.

(B)

aproveita os “vazios” do texto, os quais preenche com os níveis gramatical e lingüístico- semântico.

(C)

se institui no texto em duas instâncias: no nível gramatical e no nível sintático-semântico.

(D)

aproveita os “vazios” do texto, que preenche com os níveis gramatical e sintático-semântico.

(E)

aproveita para adquirir conhecimentos que lhe são transmitidos pelos níveis pragmático e sintático-semântico.

28. Na prática pedagógica de leitura de obras infanto- juvenis, o professor deve levar em consideração que

(A)

a literatura infanto-juvenil deve falar da realidade das crianças e dos adolescentes numa linguagem apropriada para eles.

(B)

cabe a ele fornecer modelos de interpretação dos textos, já que a criança transporta o que lê para o seu próprio mundo.

(C)

a boa obra para crianças e adolescentes é a que se alinha com a pedagogia como marca da voz do adulto no texto.

(D)

a literatura infanto-juvenil não deve ser abordada em suas peculiaridades sociais, pois não é essa

a

orientação desse gênero literário.

(E)

a criança é um ser ativo e sabe perceber quando

o texto literário retrata ou não o seu mundo e, assim, aceita-o ou recusa-o.

29. O reconhecimento da importância do leitor criança no sistema de circulação da literatura infantil configura a ótica a partir da qual se torna viável a abordagem dos textos. De um lado, permite um enfoque que leve em consideração o interesse da

história para a criança, o que significa simultaneamente uma ruptura com os padrões adultos que motivaram seu aparecimento – vale dizer, propicia a emergência da qualidade literária, que se mostra a partir desta renúncia à transmissão de valores alinhados com a dominação da criança. De outro lado, representa igualmente a manutenção de um foco sociológico; todavia, este se particulariza na medida em que se volta à compreensão do papel desempenhado pelo consumidor do texto, e não pelo seu produtor, já que é da decrescente influência deste que emerge a autonomia artística da obra.

(Regina Zilberman)

De acordo com o texto,

(A)

a obra de literatura infantil deve ter um enfoque sociológico que acentue a responsabilidade do adulto na transmissão de valores morais à criança.

(B)

a literariedade da obra infantil poderá ser tanto maior quanto menor for a preocupação do autor com uma pedagogia moralizante.

(C)

a qualidade da obra de literatura infantil está no fato de o adulto saber como transmitir seus valores à criança sem imposição.

(D)

o

escritor

de literatura para adultos tem

dificuldade de escrever para crianças, porque tem de dominar uma linguagem mais simples.

(E)

o escritor de literatura infantil deve saber negar os valores do mundo adulto para afirmar as necessidades das crianças e adolescentes.

30. Assinale a alternativa que contém a justificativa correta com relação à utilização da poesia no ensino da língua materna.

(A)

O

texto

poético

facilita

a

alfabetização

e

transmite

com

mais

rapidez

os

conteúdos

ideológicos dos adultos.

 

(B)

Por ser tecida numa linguagem econômica, a poesia é detalhista, discursiva e facilita a memorização dos conteúdos.

(C)

Por apreender o mundo de forma emocional e globalizante, a criança se afina e se sensibiliza intensamente com a poesia.

(D)

A poesia serve principalmente para o professor explorar a sonoridade das palavras e o ritmo poético.

(E)

A poesia deve servir, sobretudo, para exercitar a capacidade de memorização da criança e de assimilação das mensagens de formação.

31. Marque a alternativa correta com relação ao caráter conceptual dos sonetos de Camões sobre o amor.

(A) Para o

poeta, o amor

é um sentimento tão

arrebatado que engana quem o sente.

(B)

Os seus sonetos mostram a impossibilidade de alcançar e viver o verdadeiro amor.

(C)

A preocupação do poeta não é com a concepção do amor, mas com o seu sentimento.

(D)

Os paradoxos que o poeta usa definem com clareza o que é sentir amor.

(E)

O poeta comunica-nos mais um pensamento sobre o amor do que um sentimento dele.

INSTRUÇÃO:

Leia

o

poema

para

responder

questões de números 32 a 34.

às

As penélopes urbanas não têm ajuda dos deuses

Os meninos fazem tantas coisas iguais que espero tua chegada:

único acontecimento do meu dia.

Mas quando o trinco é aberto devagar sei que não chegas para mim.

A noite já devorou tuas palavras maduras,

teu modo antigo de chegar.

Teu alvoroço foi substituído por um certo respeito

pelas coisas distantes,

e eu queria ser amada

ou pisada como uma coisa viva.

(Alberto Cunha Melo)

32. Quanto ao poema, é correto dizer que

(A)

se refere a um casal urbano que não tem a ajuda dos deuses.

(B)

se refere a uma mulher descontente com os seus filhos e marido porque eles “fazem tantas coisas iguais”.

(C)

o

eu-lírico

feminino

que

se

expressa

nesse

poema se queixa de solidão e abandono.

(D)

o eu-lírico feminino se queixa de sua vida e de seu marido, embora ele lhe tenha respeito.

(E)

a

recompensa

que

a

mulher

urbana

recebe

assemelha-se à da mitológica Penélope.

33. O

verso

A

noite

devorou

tuas

palavras

maduras, denota: as tuas palavras já

(A) são maduras porque sumiram na noite.

(B)

foram

substituídas

pelo

respeito

às

coisas

distantes.

 

(C)

são maduras porque são muito antigas.

 

(D)

foram devoradas pela noite antiga, pelas coisas distantes.

(E)

desapareceram no tempo.

 

34. / eu queria ser amada / ou pisada / como uma coisa viva. É correto interpretar estes versos como: O eu- lírico feminino

(A)

gostaria de sentir-se amada, por ser uma coisa viva.

(B)

não se importa em sentir-se amada ou pisada.

(C)

sente-se esquecida, tratada como um objeto sem vida.

(D)

sente-se esquecida e gostaria de ser amada ou pisada.

(E)

não valoriza sua condição humana.

35. As sátiras do teatro de Gil Vicente mostram

(A)

a sua preocupação em defender muito mais os valores das classes nobres do que os das classes populares.

(B)

um sentimento concreto das injustiças sociais, porém com aceitação de sua existência na ordem natural do mundo.

(C)

que a sua mordacidade se aplica a todas as classes sociais, em especial aos negociantes e aventureiros, e tem validade universal.

(D)

que o aproveitamento de matéria puramente popular impede um alcance mais universal de sua dramaturgia.

(E)

um sentimento abstrato da injustiça da sociedade no seu conjunto e em relação ao campesinato em especial.

36. A respeito de O Primo Basílio, é correto afirmar que

(A)

Luísa

é

personagem

típica

do

realismo-

naturalismo exacerbado.

 

(B)

Jorge é um personagem forte de caráter, que não aceita a traição da mulher.

(C)

o ponto alto do romance é a caracterização do triângulo amoroso.

(D)

o

romancista

penetra

no

recesso

dum

lar

burguês e descobre podridão moral e física.

(E)

o

romance

faz

uma

verdadeira

apologia

do

adultério, ao mostrar suas causas.

37. Não só quem nos odeia ou nos inveja Nos limita e oprime: quem nos ama Não menos nos limita. Que os deuses me concedam que, despido De afetos, tenha a fria liberdade Dos píncaros sem nada. Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada É livre; quem não tem, e não deseja, Homem, é igual aos deuses.

Esse poema de Ricardo Reis apresenta três das características apontadas a seguir. Observe-as e assinale a alternativa que as contém corretamente.

I.

tema da fugacidade da existência.

II.

visão estóica do mundo.

III.

tema da plenitude da existência.

IV.

crença em sobrevivência post-mortem.

V.

ode no estilo clássico de Horácio.

(A)

I - II - IV.

(B)

I - IV -V.

(C)

II - III - IV.

(D)

II - IV - V.

(E)

II - III - V.

38. Existe ainda, no ensino de literatura, um hábito condenável de resumir obras. No caso dos romances de Machado de Assis, essa prática é improdutiva e inútil, sobretudo pelo fato de

(A)

serem muitos os seus personagens e de haver muita preocupação com detalhes dos conflitos.

(B)

que

o

que neles importa são as múltiplas

intenções e ressonâncias que os envolvem.

(C)

a técnica machadiana de narração é muito va- riada e impede qualquer perda de detalhe dos fatos.

(D)

serem predominantes nas histórias os longos diálogos e as digressões.

(E)

eles terem um cunho psicológico muito forte e servirem mais para os adultos.

39. A respeito de Marília, Antonio Candido escreveu:

“ é a pastora Marília, objeto ideal de poesia, sem

existência concreta. Por isso mesmo, ora é loura,

ora morena;

Essa oscilação deve ser explicada

(A)

como compromisso do arcadismo entre o real e

o

ideal de beleza do lirismo petrarquista.

 

(B)

pelo

fato de o poeta estar indeciso entre

as

estéticas do neoclassicismo e do romantismo.

(C)

pela vontade do poeta de ver sua amada sempre mudando a cor dos cabelos.

(D)

pelo compromisso árcade de imitar a natureza até mesmo na aparência física das musas.

(E)

como estratégia poética para sensibilizar e

surpreender o leitor. 40. Seixas era uma natureza aristocrática, embora acerca da política tivesse a balda de alardear uns ouropéis de liberalismo. Admitia a beleza rústica e plebéia, como uma convenção artística, mas a verdadeira formosura, a suprema graça feminina, a humanação do amor, essa, ele só a compreendia na mulher a quem cingia a auréola da elegância.

Nessa passagem de Senhora, percebe-se

(A)

a preocupação de Alencar em mostrar o caráter forte de seu herói.

(B)

uma velada aprovação de Alencar ao modo de pensar do ambíguo personagem.

(C)

a defesa de critérios para a opção política e para

a

avaliação da elegância feminina.

 

(D)

a

rejeição

do

escritor

a

qualquer

tipo

de

preconceito social.

 

(E)

um certo infantilismo nas construções sintáticas

e na escolha do léxico.

41. Alfredo Bosi, analisando o Barroco, diz :

O rebuscamento em abstrato é sem dúvida o lado estéril do Barroco e o seu estiolar-se em barroquismo.

Assinale a alternativa que contém versos de Gregório de Matos que confirmam a análise acima.

(A)

(B)

Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa De que importa, se aguarda sem defesa Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

Anjo no nome, Angélica na cara! Isso é ser flor, e anjo juntamente:

Ser Angélica flor e anjo florente, Em quem, senão em vós, se uniformara?

(C)

A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha:

Não sabem governar sua cozinha,

E podem governar o mundo inteiro!

(D)

Em todo Sacramento está Deus todo,

 

E

todo assiste inteiro em qualquer parte,

E

feito em partes todo, cada parte

Em qualquer parte sempre fica todo.

(E)

Luz, que clara me mostra a salvação;

A salvação pretendo em tais abraços:

Misericórdia, meu Senhor, Jesus, Jesus!

42.

A respeito de Vidas Secas, deve-se dizer que

(A)

é um romance de primeira pessoa que permite ao narrador mostrar o drama psicológico das personagens.

(B)

Fabiano é o chamado "herói" problemático

porque não aceita o mundo, nem os outros, nem

a

si mesmo.

(C)

seus capítulos curtos devem ser lidos em seqüência rigorosa em busca do fio condutor da trama.

(D)

há um sentimento de aceitação da natureza pelo

homem,

que

se resigna diante das

adversidades.

(E)

é um romance de tese que pretende mostrar a relação de causa e efeito entre a natureza e o homem.

43. Erguer os olhos, levantar os braços para o eterno Silêncio dos Espaços

e no Silêncio emudecer olhando. (“Imortal atitude”)

Abre-me os braços, Solidão radiante, funda, fenomenal e soluçante, larga e búdica Noite redentora! (“Êxtase búdico”)

Esses versos de Cruz e Sousa revelam

(A)

uma atitude de serenidade, mas de vibração diante da morte.

(B)

uma saída poética diante dos sofrimentos da vida.

(C)

o uso da palavra como instrumento de fuga das humilhações que ele sofreu.

(D)

indecisão entre a estética simbolista e romântica que predomina em sua obra.

(E) desespero

com

a

condição

de

criatura

condenada a retornar à matéria inorgânica.

44. Em Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto

(A)

narra a retirada dolorosa de Severino, num estilo carregado de lirismo e sentimento religioso.

(B)

imprime ao poema um tom sombrio no início da retirada, porém vibrante, na volta de Severino.

(C)

constrói um poema longo, bem equilibrado na forma e no conteúdo de caráter mais social.

(D)

utiliza diferente metro poético de acordo com a situação que vai sendo vivida pelo personagem.

(E)

preocupa-se, sobretudo, com o rigor formal em prejuízo da dramaticidade da trama narrativa.

45. Quando hoje acordei, ainda fazia escuro (Embora a manhã já estivesse avançada). Chovia. Chovia uma triste chuva de resignação Como contraste e consolo ao calor tempes- tuoso da noite. Então me levantei, Bebi o café que eu mesmo preparei, Depois me deitei novamente, acendi um ci- garro e fiquei pensando — Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

Esses versos de Manuel Bandeira traduzem perfeitamente o que está contido em

(A)

“O que não tenho e desejo É que melhor me enriquece.”

(B)

“Sou poeta menor, perdoai!”

(C)

“Mas basta de lero-lero Vida noves fora zero.”

(D)

“Eu faço versos como quem morre.”

(E)

“ — Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”

46. Deve-se dizer, de acordo com a distribuição feita por Alfredo Bosi, que os romances de Clarice Lispector

(A)

filiam-se à ficção neo-naturalista da geração de 30, embora tratem de temática urbana e tenham preocupação com a universalidade.

(B)

são de tensão crítica, já que o herói se opõe e resiste agonicamente às pressões da natureza e do meio social, agindo sobre eles.

(C)

são de tensão transfigurada, com o personagem central tentando superar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafísica.

(D) são de tensão mínima, apresentando personagens que não se destacam da estrutura social e da paisagem que os condicionam.

(E) são de tensão interiorizada, apresentando um herói que subjetiva o conflito existencial, em vez de agir sobre o mundo.

47. Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível que lhes deres:

Trouxeste a chave?

Esses versos de Carlos Drummond de Andrade fazem referência

(A) ao poder da linguagem e das palavras com sua capacidade de revelar e surpreender.

(B) à necessidade de o leitor consultar dicionários e gramáticas para interpretar um texto.

(C) ao

e

impossibilidade total de seu desvendamento.

caráter

ideológico

das

palavras

à

(D) à importância dos estudos de semântica em sala de aula.

(E) ao

erro

que

se

comete

na

tentativa

de

interpretação única em sala de aula.

48. Assinale

a

alternativa

que

contém

apreciação

correta da obra de Gonçalves Dias.

(A) Expressão máxima do Romantismo brasileiro, o poeta encarnou o espírito iluminista de sua época, destacando-se como cultor do “spleen” romântico na poesia épica.

(B) A poesia de Gonçalves Dias é marcada por cadências fortes, variedade de ritmos, exploração de recursos da linguagem, o que se encontra nos versos de “I-Juca Pirama”.

(C) O acentuado espírito nacionalista do autor fez com que sua obra poética ficasse isenta da influência portuguesa, nos temas e no tratamento estilístico destes.

(D) Diferentemente de seus contemporâneos, Gonçalves Dias não influenciou poetas das gerações românticas que o sucederam; sua

poesia só foi retomada como fonte temática a partir do Modernismo.

(E) Tido como a obra-prima do autor, o poema “Canção do Exílio” firmou-se na cultura literária brasileira como modelo de valorização dos temas nacionais; disso são prova as dezenas de canções do exílio, paródias que se originaram desse poema e eternizaram a exaltação da pátria.

49. Atente para as seguintes afirmações sobre Mário de Andrade.

I. No “Prefácio Interessantíssimo” de Paulicéia Desvairada, Mário de Andrade traça linhas de sua poética modernista: a harmonia musical do verso, a contraposição da arte à mera reprodução da natureza, os vínculos com referências estéticas de seu tempo, tais como o surrealismo, o cubismo e o futurismo.

II. A poesia e a prosa de Mário de Andrade incorporam a sintaxe coloquial, bem como contribuições léxicas de outras línguas, numa atitude estética que transpõe para a língua o dinamismo de uma sociedade cuja fisionomia se redesenhava, graças à mistura de raças e povos.

III. Estudioso do folclore brasileiro, o escritor faz figurar em sua obra elementos da cultura nacional, rompendo com as matrizes de cunho colonialista e dando vez aos recursos de expressão de artes nacionais em estado primitivo.

IV. A atitude do autor diante da língua era essen- cialmente intuitiva e ditada pelo inconsciente, como parte do irracionalismo que abraçou; assim, seus escritos dispensam reflexões sobre a práxis lingüística.

Dentre essas afirmações, estão corretas apenas

(A)

I, II e IV.

(B)

II e III.

(C)

I, II e III.

(D)

I e IV.

(E)

II, III e IV.

50. Considere as seguintes afirmações sobre a obra de João Guimarães Rosa.

I. Reconhecida pela exploração dos limites formais da linguagem, a obra rosiana subverte a sintaxe tradicional e funde novo e velho, vocábulos arcaicos e formações neológicas, muitas vezes insólitas.

II. O regionalismo de Rosa repõe em circulação os conteúdos psicológicos e sociais de molde crítico, resgatando a vertente que encena as relações conflituosas entre o homem e a natureza que o subjuga.

III. Dentre os livros de contos de Guimarães Rosa estão Primeiras Estórias, Tutaméia e Estas Estórias. Seu romance Grande Sertão: Veredas sintetiza recursos estilísticos do escritor.

IV. Guimarães Rosa desafia as convenções narrativas, construindo um universo mitopoético de contorno atemporal, povoado pelas indagações próprias da existência humana.

Estão corretas apenas as afirmações

(A)

II e III.

(B)

I, II e III.

(C)

III e IV.

(D)

I, III e IV.

(E)

I, II e IV.