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CONSELHEIROS CAPACITADOS

Maria Cecilia Alfano1

A comunidade que aconselha não nasce espontaneamente. Ela é fruto de uma visão que
deve ser cultivada para se desenvolver, e precisa de investimento para que chegue a praticar
um aconselhamento relevante para sua época e centrado em Cristo, na Palavra de Cristo, na
transformação à imagem de Cristo e na atuação do corpo de Cristo.
Falando sobre a necessidade crucial do ministério de aconselhamento no corpo de Cristo
e do preparo para que o corpo ministre, John MacArthur diz:
Eu não discutiria, nem por um momento, o importante papel daqueles que são
espiritualmente dotados para oferecer encorajamento, discernimento, conforto,
conselho, compaixão e ajuda aos outros. De fato, um dos problemas que fez surgir a
atual praga de mau aconselhamento é que as igrejas não se saíram tão bem quanto
deveriam em auxiliar as pessoas que têm esses dons espirituais, a fim de que elas
sirvam com excelência.2
Referindo-se à igreja brasileira, o pastor Mauro Moreira diz: “Uma das dificuldades que
enfrentamos em nossas igrejas é que temos poucas pessoas que servem de referência para
ministrar”.3 Ele prossegue: “À proporção que conduzimos os crentes no caminho da
maturidade, multiplicamos as referências no meio da igreja”. A tarefa urgente é educar com o
propósito de ver pessoas maduras na Palavra e na vida cristã espalhadas em abundância no
corpo, servindo de referência para que outros, por sua vez, cresçam.
À medida que o Espírito chama os crentes aos vários ministérios, incluindo o ministério
de aconselhamento, é preciso que o corpo participe de seu aperfeiçoamento, equipando-os
com a transmissão de conhecimento, acompanhamento na vida cristã, treinamento prático e
supervisão. Este processo é comumente identificado como educação teológica.
“Muitas igrejas têm entendido que a educação teológica tem que ver somente com a
tarefa de formar pastores, missionários, professores etc, quer dizer, os ‘profissionais’ do
ministério... O conceito de educação teológica é muito mais amplo. Inclui a formação de todo o
povo de Deus para realizar toda a missão da Igreja”.4 Em certo sentido, todos precisam de
educação teológica. O correto entendimento da educação teológica é fundamental para o
resgate por parte da igreja do ministério bíblico de aconselhamento.
O termo educação teológica sugere pelo menos duas coisas: existe um corpo de
conhecimento que chamamos de teologia, e também existe uma comunicação e aquisição
deste conhecimento por meio daquilo que chamamos de educação.
É comum entendermos educação como um processo de ensino-aprendizagem. Em
Deuteronômio 4, quando Deus estabelece diretrizes básicas para a educação de Seu povo,
aprender e ensinar aparecem juntos nas instruções dadas a Moisés (Dt 4.10). No Novo
Testamento, quando o apóstolo Paulo menciona o processo educacional de Timóteo, ele se
refere especificamente a aprender e ensinar (2Tm 3.10-15).
Na educação teológica, o conteúdo do processo de ensino-aprendizagem é naturalmente
a teologia. Teologia diz respeito ao conhecimento de Deus — o fundamento da vida cristã e do
serviço cristão. Há um primeiro sentido em que teologia refere-se a um conhecimento de Deus
sapiencial e relacional, de uso prático nas situações de vida real.
A teologia tem por fim levar o homem ao conhecimento de Deus. Esse conhecimento
não é tanto uma lista de dados e fatos a respeito de Deus, tampouco algo que possa
satisfazer a nossa curiosidade. Ao contrário, é fazer o homem chegar a ouvir e
entender a revelação de Deus em Jesus Cristo. Tem por fim transformá-lo, para que

1
Este texto é parte da dissertação apresentada no programa Master in Arts of Biblical Counseling em The
Master’s College, Santa Clarita, Califórnia, em 2004.
2
. Nossa suficiência em Cristo: três influências letais que minam a sua vida espiritual. São José dos
Campos, SP: Fiel, 1995, p. 63.
3
MOREIRA, Mauro Israel. Chega junto: assistência pessoal na dinâmica de vida da igreja. Rio de Janeiro:
Horizontal, 1997, 49.
4
SUAZO, David. Propostas para alianças de trabalho conjunto entre igrejas e seminários. Jornal AETAL,
v.1, n. 7, maio 1997, p. 5.
este seja santo e irrepreensível diante dEle, para o louvor da glória da Sua graça (Ef
1.3-6).5
Sinclair Ferguson, com sua experiência de professor de teologia no Westminster
Theological Seminary em Philadelphia, alerta que o verdadeiro conhecimento de Deus não é
aprendido de livros, embora eles possam ajudar; não é aprendido em seminários, embora eles
possam encorajar. Não se trata de obter um maior número de informações a respeito de Deus,
embora tal informação possa estimular. O conhecimento de Deus é um conhecimento pessoal,
pois é o conhecimento de um Deus pessoal, alcançado por aqueles que O buscam de todo
coração conforme Ele promete em Jeremias 29.13. O conhecimento pessoal de Deus e a
sabedoria espiritual são promovidos pela Palavra. “Ouvir submissamente a voz de Deus [a
Escritura] é o que nos traz o conhecimento de Deus e equipa para ensinar outros e lhes dar
orientação espiritual.”6
Não resta dúvida de que o conselheiro bíblico necessita de um conhecimento relacional
de Deus. Há, porém, um segundo sentido da palavra teologia que diz respeito a uma
formulação sistemática do pensamento sobre Deus, o homem, e o mundo, a partir do estudo
das Escrituras e estabelecido em categorias planejadas. Trata-se da teologia como disciplina −
um trabalho cognitivo, um campo de estudo.
O aconselhamento bíblico deve estar alicerçado no entendimento sistemático da teologia.
“O conselheiro que está teologicamente inseguro comunicará esta insegurança à medida que
ministra ao aconselhado (ou quando escreve sobre aconselhamento)”, comenta Jay Adams. A
atuação do conselheiro despreparado teologicamente está baseada em muita especulação e
pouca profundidade bíblica. “Posso dizer que o relacionamento entre aconselhamento e teologia é
orgânico; aconselhamento não pode ser feito sem um compromisso teológico. Cada ação e palavra (ou
essência de ações e palavras) refletem este compromisso.”7 Aconselhamento bíblico é teologia
aplicada à vida.
Teologia como conhecimento pessoal de Deus e teologia como campo de estudo são
dimensões paralelas do termo. A educação teológica visa a ambas, e as trabalha em conjunto.
O preparo para o exercício do ministério de aconselhamento inclui a ambas: há uma
necessidade de aprendizagem ordenada de conceitos bíblicos, ao lado de um conhecimento
relacional de Deus.
Como instrumentos para alcançar os objetivos educacionais, Efésios 4.12-13 diz que
Deus concede à igreja “pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o
desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à
unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da
estatura da plenitude de Cristo”. Paulo prossegue destacando que uma das tarefas é guardar
a pureza doutrinária
para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados
ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com
que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele
que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio
de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio
aumento para a edificação de si mesmo em amor. (Ef. 4.14-16)
Vimos que o pastor não atua sozinho no ministério de aconselhamento. Ele se vale do
corpo capacitado pelo Espírito e aperfeiçoado para o ministério. Em decorrência disso, a
responsabilidade educacional do pastor é dupla: (1) prover os fundamentos básicos para que
corpo todo viva dentro da pureza bíblica sem de deixar levar por ventos de doutrina e teorias
seculares atraentes, e (2) cuidar de seu alvo primeiro de investimento, ou seja, a liderança
que o apóia e que precisa estar equipada para equipar outros.
Sermões em que a Palavra é exposta com precisão e clareza, escola dominical, pequenos
grupos e outros momentos de estudo da Palavra, são oportunidade para a educação básica de
todo o corpo, concorrendo para o entendimento teológico correto das doutrinas essenciais—em
particular, a doutrina da santificação progressiva do crente. Diz o pastor Steve Viars: “O

5
STURZ, Richard J. A conceituação da teologia. Vox Scripturae, v. 8, n.1, jul. 1998, p. 42.
6
FERGUSON, Sinclair B. A heart for God. Carlisle, Pa.: The Banner of Truth Trust, 1997, p.7.
7
ADAMS, Jay Edward. A theology of Christian counseling: more than redemptions. 2. ed. Grand Rapids,
Mich.: Zondervan, 1986, p. 13, 15.
ministério de aconselhamento na igreja será bíblico e bem-sucedido somente se a igreja como
corpo estiver comprometida com o padrão bíblico de crescimento espiritual”.8 Ao lado da
doutrina, o corpo como um todo recebe a maior parte de seu treinamento prático participando
naturalmente do convívio da igreja local, observando crescimento, crescendo e encorajando
crescimento em outros.
Equipar líderes fiéis e idôneos que possam equipar o corpo − aquilo que costuma ser
identificado mais especificamente como educação teológica − exige um investimento intenso,
em três dimensões específicas: conhecimento da Palavra, caráter cristão e habilidade
ministerial.
Primeira dimensão: o conhecimento da Palavra
É necessário que o conselheiro bíblico conheça e ame a Verdade de Deus. Ele deve
ser consumido não apenas pelo desejo de ministrar a outros, mas pelo desejo de
conhecer cada vez mais a Palavra de Deus, e ter aptidão para manejá-la (2 Tm 2.15) e
interpretá-la corretamente.9 Trata-se de algo sério, pois o conselheiro que não interpreta
e usa corretamente a Palavra não apenas corre o risco de enganar a si mesmo, mas
coloca outros na mesma situação por orientá-los de forma errada. Sua atitude deve ser
de um eterno aprendiz e de interdependência com o corpo para auxilio e encorajamento
de uns aos outros na interpretação e aplicação precisa da Palavra.
Se o aconselhamento bíblico é teologia aplicada, ele deve estar alicerçado sobre a
teologia. A exatidão teológica proveniente do estudo da Palavra também é essencial para
o entendimento do aconselhamento bíblico em contraste com outros modelos e teorias
de aconselhamento, e para verificar a precisão das abordagens cristãs expostas em
livros, artigos e palestras oferecidos no meio evangélico. 10 William Goode destacou: “Se
o conselheiro bíblico não tiver um entendimento claro de como Deus opera em vidas e
transforma corações, é mais provável que ele seja parte do problema que a solução”. 11
Ao lado do conhecimento da Palavra, conforme já mencionamos anteriormente, é
oportuno que o conselheiro bíblico seja um conhecedor das pessoas e do pensamento da
cultura em que vive e a que ministra. No entanto, este conhecimento não é sua ênfase
principal de estudo. Nunca recomendamos que ele se dedique a conhecer as teorias e
metodologias seculares, e nem mesmo a discutir a possibilidade ou não de integração
com a Bíblia, antes de ter um conhecimento sólido da Palavra e da metodologia bíblica
para o ministério.
Segunda dimensão: o caráter cristão
Esta dimensão diz respeito a viver a Palavra. É uma dimensão individual no sentido de
que o conselheiro bíblico vive um processo de transformação à medida que cresce no
relacionamento com Deus, exercita-se na piedade (1 Tm 4.7), observa e reflete sobre
sua experiência à luz da Palavra.

8
VIARS, Steve. Establishing a counseling ministry in a local church. Lafayette, Ind.: Faith Baptist Church,
1994, p. 2.
9
Na educação teológica de líderes isso implica particularmente um conhecimento no mínimo operacional
das línguas originais, hermenêutica (princípios de interpretação bíblica) e exegese (aplicação dos
princípios de interpretação).
10
Em algumas igrejas é preciso lidar com uma dificuldade singular: alguns dos líderes estão
comprometidos com as psicologias seculares e, embora creiam na suficiência de Cristo para a salvação,
não crêem em Sua centralidade e suficiência para o processo de santificação. Há pastores que escolhem
ignorar as inconsistências de integrar a Bíblia com as psicologias em favor de uma demonstração de
unidade no corpo. Não percebem a questão como crucial e, embora falem franca e claramente sobre
outros desvios da fidelidade bíblica, preferem não entrar no âmbito da centralidade e suficiência de Cristo
para o aconselhamento; não se identificam nem de um lado nem de outro, e tentam conciliar a ambos. O
resultado é confusão teológica na igreja local. Firmar uma posição bíblica e cristocêntrica no
aconselhamento não é violar o amor cristão nem mostrar falta de tolerância. Pelo contrário, é o exercício
de uma responsabilidade cristã para com o corpo como um todo e para com aqueles irmãos em
particular.
11
GOODE, William W. Biblical counseling and the local church. In: MacARTHUR, John F. Jr., MACK, Wayne
A. Introduction to biblical counseling. Dallas, Tex.: Word, 1994, p. 307.
O conselheiro, porém, necessita também da comunhão com outros homens piedosos
para afiá-lo (Pv 27.17). Mais uma vez queremos destacar que, em contraste com as
psicologias que têm como alvo uma mudança centrada na pessoa e na atualização da
capacidade interior do indivíduo, o alvo bíblico para crescimento prático é mudança
centrada em Cristo, desenvolvida com esforço pessoal, mas operada por Deus na
capacitação do Espírito e com o auxílio do corpo.
Terceira dimensão: a habilidade ministerial
Embora parte da educação de um conselheiro possa ocorrer em um ambiente de aula,
e a transformação de seu caráter ocorra no dia-a-dia, a habilidade ministerial prática
requer treinamento específico e intencional, por meio de observação e envolvimento
ativo nas diversas atividades do corpo onde o aconselhamento acontece.
Um treinamento adequado requer discipulado um a um, e o melhor lugar para que
isso seja oferecido é a igreja local. Em nossa igreja a pessoa que está sendo
treinada tem a oportunidade de participar de casos reais de aconselhamento e
depois há tempo para instruções e troca de idéias como o pastor/conselheiro.12

O primeiro modelo de educação teológica oferecido à igreja neotestamentária, o modelo


do próprio Senhor Jesus, envolveu discipulado, ou seja a instrução por meio da observação de
um modelo, da participação no ministério e da prática supervisionada. Jay Adams tem
argumentado fortemente que o discipulado na igreja local continua a ser o método mais
adequado para treinar conselheiros.13 Quando Jesus escolheu seus discípulos, não nos é dito
que Ele os escolheu para que ouvissem Suas preleções, embora às vezes a atividade do
programa de capacitação fosse exatamente esta.
O sistema usado por Jesus para treinar os discípulos não foi acadêmico, mas relacional,
ou seja, “estarem com Ele” (Mc 3.14). O alvo de Jesus não era a simples transmissão de
conhecimento, mas a comunicação de Sua semelhança (Lc 6.40). O mesmo aconteceu com
Paulo, conforme ele escreve aos Coríntios “Sede meus imitadores, como também eu sou de
Cristo” (1Co 11.1). Timóteo, discípulo de Paulo que o havia seguido de perto (2Tm 3.10-11),
deveria repetir o processo com homens fiéis (2Tm 2.2), sendo exemplo diante deles (1Tm
4.12).
Muito pode e deve ser alcançado pelo estudo pessoal na Palavra e em livros, mídias e
outros recurso sobre aconselhamento bíblico. Porém nada pode substituir o preparo oferecido
pelo discipulado. Observar o que o conselheiro experiente vive e faz não é uma opção, é um
imperativo, e o ambiente mais propício para este tipo de preparo é sem dúvida a igreja local.
Os princípios encontrados nas cartas às primeiras igrejas (especialmente a carta aos
Efésios) e aos líderes das igrejas (cartas a Timóteo e Tito) apontam para a edificação dos
equipadores como baseada na igreja local: o treinamento tinha lugar no contexto ministerial
em que homens fiéis se destacavam e eram treinados para treinar a outros (Ef 4.11; 2Tm
2.2). A igreja local era um contexto de laboratório na época neotestamentária.
Com o passar do tempo, diferentes modelos foram adotados para equipar equipadores
para o corpo. O modelo catequético empregado a partir do século II colocou sua ênfase no
discipulado; o modelo monástico a partir do século IV, enfatizou a espiritualidade; o modelo
acadêmico universitário, que dominou na idade média, concentrou-se no desenvolvimento
acadêmico do teólogo. O modelo de seminário, instituído a partir do século XVI, persiste até
nossos dias.14 Hoje juntam-se a ele novas possibilidades de treinamento, presenciais e à
distância, baseadas no avanço da tecnologia da informação.

12
STREET, John D. Is counseling training important for your church? The Biblical Counselor, May 1998,
p. 6.
13
Adams guardou esta ênfase durante todo o seu ministério no aconselhamento bíblico. Ele a
desenvolveu ao longo de três décadas e registrou especialmente em seus livros Your Place in Counseling
Revolution (Presbyterian & Reformed: 1975), A Theology of Christian Counseling: More Than
Redemptions (Zondervan: 1986) e Teaching to Observe (Timeless Texts:1995).
14
Para um panorama histórico da educação teológica veja FARLEY, Edward. Theologia: the unity and
fragmentation of theological education. Philadelphia, Pa.: Fortress, 1983.
Os recursos educacionais a serviço da igreja local podem ser relevantes, assumindo um
papel instrumental para informação e formação, em sintonia com as necessidades atuais da
Igreja e ao lado da Igreja. O essencial é lembrarmos que o ministério de aconselhamento está
centrado no corpo de Cristo, e a estrutura bíblica onde ele deve acontecer, e onde deve
acontecer o verdadeiro discipulado ministerial, é a igreja local. Qualquer outro ministério de
apoio educacional nunca deve se caracterizar como um “centro de aconselhamento”, mas pode
ter um papel importante como núcleo de estudo, recursos, referência e também reflexão
profunda sobre a Palavra e também sobre os temas atuais. O resultado deve ser a capacitação
de conselheiros bíblicos conhecedores profundos da Palavra e conhecedores de sua época,
habilidosos para manejar a Verdade de Cristo e aplicá-la com relevância a vidas.