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Filipe Borato de Castro Seminário da Disciplina de Análise de Música na Mídia CONSIDERAÇÕES SOBRE A LEI ROUANET RESUMO A apresentação deste seminário consiste na discussão entre o modelo de apoio cultural vi- gente no estado brasileiro e a relação entre os diversos meios que a música é utilizada para fomentar a propaganda empresarial (denominado como marketing cultural). Para que isso aconteça, irei co- mentar como sucedeu as mudanças na legislação federal em relação às leis que regem o modelo de amparo econômico da cultura brasileira. Incrementar a discussão utilizando alguns textos de Theo- dor W. Adorno, tais textos que analisam a forma mercadológica empregada nos meios artísticos. Informar sobre as possibilidades de mudança na legislação e os problemas que sãos discutidos em pequenos debates organizados por pessoas da área cultural, que têm a finalidade de fortalecer pe- quenos grupos que necessitam de recursos para produção artística voltada à comunidade – carente de outras possibilidades culturais. PALAVRAS-CHAVE: Lei; Rounaet; Adorno; música; mídia; marketing; cultural; arte. INTRODUÇÃO A Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313 de 23 de dezembro de 1991), conhecida também por Lei Rouanet, é a lei que institui políticas públicas para a cultura nacional. Sua finalida- de é criar diretrizes que promovem a proteção e valorização das expressões culturais nacionais, por meio de incentivos fiscais que possibilitam empresas e cidadãos ao “apadrinhamento” das ações culturais, pela aplicação de uma parte do imposto de renda. Parecido com o mecenato dos séculos anteriores. A diferença é que o mecenato do séc. XVIII possibilitava a promoção do que era genuí- no nas artes. Já no séc. XX esse mecenato corrobora para a decadência da qualidade musical, irei discutir este assunto mais à frente. Esta lei nasce com intuito de educar as empresas e cidadãos a investirem em cultura, mas a sua idealização é deturpada pela falta de uma política de fiscalização e distribuição financeira pelo Brasil. “Depois do autoritarismo, a segunda característica marcante na história das políticas cultu- rais brasileiras é a instabilidade. Uma das poucas instituições que fugiu dessa regra foi o IPHAN, que se manteve com poucas mudanças por décadas” (AUGUSTIN, 2011:11) pela instabilidade o governo brasileiro recorreu a um modelo imediatista de políticas culturais. A política cultural que deveria ser do domínio do governo, passa a ser um recurso de promoção para instituições privadas. O pagamento do imposto de renda é necessário para que o governo redistribua a renda de maneira correta, sem intervenção de terceiros. Este modelo, da lei vigente, está inserido em uma visão eco- nômica neoliberal que acredita no fortalecimento empresarial e distribuição da renda, mas não é isto que tem acontecido na prática, principalmente no âmbito cultural. A falta de fiscalização e a aplica- ção de punições a empresas que não cumprem a lei tem afetado o apoio aos meios culturais.

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JUSTIFICATIVA A minha ideia para este trabalho é indagar se a forma política-econômica influencia nas formas de produção musical nacional. Talvez faltem dados para discutir estes questionamentos, mas só a reflexão a respeito pode ser válida para uma futura análise do que acontece no Brasil há mais de duas décadas. Um dos meus questionamentos é: Qual é o principal critério de avaliação usado pelas grandes organizações ou instituições privadas para a aprovação de um projeto cultural? Na visão empresarial o que quer dizer marketing cultural? Estas questões são parcialmente respondidas pelos trabalhos que consultei, mas precisamos partir do começo para entender como estas relações acontecem e quem são os beneficiados por todo este dinheiro. Adorno fala a respeito da motivação ou fator para que uma peça ou obra de arte seja criada. Para ele não há como um objeto artístico ser reconhecido e designado arte se a finalidade da criação não for desvinculada do valor de mercadoria (1996:77). Neste sentido podemos fazer um paralelo em relação a esta forma de incentivo à cultura, se o artista necessita trazer valor à empresa que o emprega pela lei do incentivo, como ele pode se dizer livre para criação de uma peça de arte, se a finalidade é a publicidade. Esta questão da objetividade do trabalho é um dado importante para A- dorno e para filosofia e estética do século XX. É certo que muitas causas apoiadas são dignas da verba que recebem das instituições financiadoras da cultura e talvez contemplem parte da população pobre brasileira, mas no conceito de arte vigente este modelo que prioriza o marketing atrapalha objetivo da obra de arte. Tenho acompanhado alguns casos por jornais sobre a aprovação de incentivo para artistas que possuem um grande público e não necessitam do incentivo à cultura para sobrevivência de suas carreiras artísticas. Nestes casos eu entro na questão da música massiva que possuí uma simbiose perfeita com o desejo de promoção empresarial, porque carrega em si mesma o domínio das massas com alto teor alienante e desenvolve um trabalho de fetiche com a figura, que pode ser o músico ou qualquer objeto de idolatria, de alto poderio econômico. Esta atitude desencadeia no fortalecimento e hegemonia da Indústria cultural, porque cria um adorador de bens de consumo (o público) e uma divindade que possui características de mercadoria como um produto industrializado (o artista das massas).

Não levando em consideração o conceito citado acima sobre a arte, mas priorizando a di- versidade cultural brasileira que possui traços de várias etnias, ainda assim, esta legislação não con- segue garantir o auxílio e a proteção que ela propõe, que é, garantir as diversas manifestações cultu- rais presentes no Brasil. Por que isso não acontece? Porque não ocorre a distribuição quantitativa do Brasil? Em uma pesquisa levantada por Augustin por meio do IBGE indica que 80% dos recursos captados pela Lei Rounet entre 1993 a 2009 foram destinados a projetos do Sudoeste (2011:14). Qual é política usada para fiscalização e aplicação do que é determinado pela lei? Alguns grupos populares têm lutado a favor de uma mudança efetiva em relação a estes casos apresentados.

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DISCUSSÃO Antes da Lei Rouanet, existia Lei Sarney que foi criada em 1986 neste modelo econômico neoliberal e antes disso existia o Conselho Federal da Cultura instituído em 1966 uma forma do governo autoritário da época, que visa controlar todas as formas de expressão e contrariedade polí-

tica (chamado de censura). Getúlio Vargas, muito antes, já teria estabelecido está relação de contro- le autoritário com o denominado Conselho Nacional de Cultura. Uma das questões citadas por Au- gustin é a ausência do governo em relação à políticas culturais que foi uma tradição que se perpetu- ou dês da Colônia e do Império e que se manteve na República. Augustin acredita que as leis de incentivo confirmam esta modalidade de ausência, que retiram o poder da mão do estado e repas- sam para iniciativas privadas (2011:11). A Lei Rouanet prevê três instâncias: o Fundo Nacional de Investimento Cultural e Artístico (FICART, que nunca foi implantado), o Fundo Nacional de Cultura (FNC, gerido pelo Ministério da Cultura, mas com poucos recursos) e a renúncia fiscal para patrocínios e doações a projetos cul- turais, modalidade conhecida como “mecenato”. Um dos grandes problemas da Lei do incentivo é a falta de distribuição do financiamento no país. Já foi citado acima que 80% do financiamento fica na região sudeste “Enquanto isso, a região Norte recebeu menos de 1% do total e a Centro Oeste,

Já o Nordeste possui 27,9% da população, mas apenas 6,2% dos recursos da lei” (AU-

3,2% [

GUSTIN, 2011:14). Além dessa situação, da distribuição do patrocínio, ainda há uma diferença em cidades e até bairros, geralmente uma região mais rica é privilegiada. Um outro problema é que Lei Rounet não profere nada contra a venda de ingressos, só e- nuncia que qualquer evento que participe do programa necessita ser aberto ao público e foi assim que o Bradesco conseguiu trazer o Cirque du Soleil ao Brasil com um cachê de nove milhões de reais e cobrando os ingressos entre 100 a 370 reais em 2005. Estes fatos comentados não contribu-

em para democratização da cultura, mas aumentam desigualdade social, fator totalmente contrário à lei do incentivo a cultura. Uma outra questão é a falta de apoio aos artistas que necessitam de apoio por produzirem trabalhos não comercias, principalmente aqueles que estão iniciando suas carreiras, que necessitam da manutenção do estado para financiamento dos trabalhos. “O investimento cultural, quando incorpora um alto grau de inovação, comporta uma forte

o estado substitui o mercado para apoiar os setores que, sem

incerteza no tocante aos resultados. [

esse maná, estariam condenados à decadência” (AUGUSTIN, 2011:15) no Brasil esta função de financiamento passa a ser delegada ao setor privado que trata o novo artista como risco de mercado por não possuir ainda reconhecimento do público. E o artista por sua vez, abandona as idéias inova- doras e passa a produzir trabalhos que são formatados no padrão de venda do mercado. Isso acaba

acontecendo porque o objetivo das instituições privadas não é de fomentar a cultura e democratizar os meios de acesso a ela, mas o objetivo é atribuir valores humanitários à marca pela publicidade que marketing cultural oferece, e claro, gerar lucro.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS É preciso haver uma reformulação da Lei do Incentivo à Cultura que faça valer o intuito de perpetuar as diversidades culturais para trazer obras gratuitas ao grande público. As formas de polí- ticas culturais estão ultrapassadas e não servem para a finalidade que elas foram criadas, que é a descentralização do mercado e a valorização dos vários tipos de manifestações culturais. O objetivo de fazer propaganda fala mais alto do que a prioridade em contribuir para a construção de um cida- dão que necessita de alternativas culturais, tais propriedades que objetivam o enriquecimento hu- mano. Não acredito, como Adorno, em um único modelo artístico, acredito sim, na autenticidade de um trabalho e a verdade empregada numa peça cujo intuito é maior do que a venda, e para isso, não precisamos de justificativas que tendem a hegemonia cultural. Acredito em manifestações culturais que contribuem para o enriquecimento da diversidade e não no monopólio político, religioso e eco- nômico. Um trecho do artigo de Marta Porto define bem estas impressões que tenho sobre a cultura:

Uma política cultural não tem como principais destinatários artistas e produtores, mas o povo. Não para en- tretê-lo, mas para criar oportunidades reais de enriquecimento humano, de acesso ao conhecimento produzido pela enorme diversidade cultural e ambiental do planeta, do reconhecimento da nossa e de outras identidades culturais, de experiências culturais que emocionem, que modifiquem a nossa maneira de ver e estar no mun- do. E que nos habilitem, se assim desejarmos, a ser ativos participantes das escolhas sobre nosso presente e nosso futuro (PORTO, 2007:174).

REFERÊNCIAS ADORNO, Theodor W. Coleção “Os Pensadores”: O Fetichismo na Música e a Regressão da Audição. São Paulo: Nova Cultura, 1996. PORTO, Marta. Políticas culturais no Brasil. Edufba: Salvador, 2007. AUGUSTIN, A. C. A Farsa das Leis de Incentivo: O neoliberalismo e seu impacto na política cultural brasileira. 83 f. Trabalho de Graduação (Bacharelado em Ciências Econômicas) - Departa- mento de Ciências Econômicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. AUGUSTIN, A. C. O neoliberalismo e seu impacto na política cultural brasileira. Trabalho apresentado no II Seminário Internacional de Políticas Culturais, Rio de Janeiro, 2011. CORREIA, A. M. A. A Cultura Privatizada – Políticas de Financiamento no Brasil Neoliberal:

o caso da Lei Rouanet. 17 f. Trabalho de conclusão de curso de Pós-Graduação (Especialização em Mídia, Informação e Cultura) - Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunica- ção, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.