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O USO DO TRANSE RITUA L NA CLINICA HIPNOTERAPICA: ESTUDO

DE CASOS EM PSIQUIATRIA TRANSCULTURAL

(*/

Madeleine

Richeport**

INTRODUÇÃ O

É u m prazer muit o grande ter a oportunidade de apresentar algumas observações sobre a relação

entre a psiquiatria oficial e o sistema informa l o u tradiciona l de curas, principalment e nas seitas es-

píritas que eu presenciei em Nova Iorque, em Porto Rico durante cinco anos, e no Brasil durante um ano e meio. Profissionais na área de Saúde Mental reconhecem a importância do sistema informal ou tradi- cional de tratamento como um importante recurso em psiquiatria comunitária. Uma definição operacional da medicina tradicional inclui todas práticas de curandeiros que não são incluídas dentr o da medicina através da graduação de instituições alopáticas.

A medicina tradicional é um termo usado para descrever a totalidade de práticas existentes e

conceitos que tê m sido transmitidos através das gerações de curandeiros e que são profundament e en- raizados na "visão d o mundo " das comunidades em que são utilizadas. São contínuo s e entrosados dentro das estruturas de vida da família , do parentesco, da organização política e religiosa. I1)

Atualmente, serviços psiquiátricos estão se abrindo para mais pessoas, embora estudos tê m mos- trado que muitos pacientes continuam o tratamento no sistema não-médico e ao mesmo temp o con-

sultam psiquiatras. ( 2 1 ' 2 3 e

com a utilização do sistema informal dentro d o sistema psiquiátrico

De form a a obter a máxim a cobertura, estratégias são necessárias para ligar os sistemas forma l e informal de tratarnento mental. Na América Latina e no Caribe médiuns espíritas funciona m com o psiquiatras. Os cultos espí- ritas do Brasil vão desde o ramo europeu do espiritismo Kardecista, com ênfase intelectual de ensina- mentos e discussões filosóficas co m espírito de ilustres pessoas mortas, até a mais africana form a de Candomblé. ( 3 4 e 3S ) . O sincrético culto da Umbanda te m alcançado as proporções de religião nacio- nal. ( 3 2 e33 h

na expressão, interpretação e tratament o

Essas crenças e práticas supernaturais de distúrbios emocionais para uma enorme

30 ) . Diferenças na etiologia, nosologia, diagnose e tratamento

oficial.

( 3

1 )

interferem

são importante s

proporção da

população.

Trabalh o apresentad o n o VIo. Congresso Pan Americano de Hipnologia e Medicina Psicossomática, Ri o de Ja- neiro, 12-17, março, 1978.

Universidade

Federa! d o

Rio

Grande d o

Nort e

Considerando o grande númer o de pessoas que entra m em transe cada dia neste context o re- ligioso, os estados de transe fornecem uma ponte referencial conectando os tratamentos psiquiátricos formal e informal. Este trabalho focaliza o relacionamento entre os transes mediúnicos nos cultos brasileiros e o transe hipnótico na situação clínica. Mais especificamente, eu analisarei o papel do hipnoterapista na transladação do transe ritual para dentro da prática clínica, quando pacientes têm crenças místicas.

A Política Mundial — Quando o Dr. Mahler, presidente da Organização Mundial de Saúde falou em

Brasília, em setembro de 1977, ele reiterou a política mundial de saúde frente à medicina tradicional:

" O recurso à medicina tradicional é um tema polémico, que com certeza excitará o exclusivismo feroz

dos "imperadores" da medicina; mas, para que a assistência primária de saúde se rcflita às forças de vida da comunidade e se sirva dos recursos locais, humanos, materiais e financeiros — e eu estou per-

suadido de que terá que fazê-lo para não fracassar — se tem de aproveitar todas as energias disponíveis

confiança que a população em muitos lugares te m na prática médica tradicional é algo

para a saúde: a

que não se deve desfazer ligeiramente. Convido seriamente aos "imperadores" para irem às aldeias, para que vejam por si mesmos e sejam vistos como são". ( 2 ) .

fundos hoje, tem que mostrar que está utilizando todos os recursos para

a saúde do

Para u m

país

conseguir

povo.

U m recurso importante

Nos Estados Unidos, o Instituto Nacional de Saúde Mental dá apoio financeiro para os "Medi -

funciona m melhor co m a trib o que

medicina oficial ( 3 ) . E m cubanos e por-

toriquenhos. ( 4 ) . Alguns países profissionalizaram os sistemas tradicionais. Na índia, por exemplo, coexistem a medicina ocidental com Universidades e hospitais que treinam médicos indianos na medi-

cina ayurvédica. ( s )

Nova Iorque, vários hospitais psiquiátricos procuram utilizar espíritas co m os doentes

os médicos ocidentais, e pode m ser treinados para dar uma boa colaboração

cine Men" , curandeiros entre os índios navajos, porque sabem que

é o sistema informal e tradicional.

à

Há alguns exemplos em

que

a medicina

oficial

procura

integrar

o sistema informal ; Dr.

Lambo

na Nigéria utiliza curandeiros no Senegal. ( 7 ) .

dentro

d o

seu hospital

psiquiátrico,

( 6 )

com o

també m

o

Dr.

Collom b

A terapia Morita, no Japão, procura utilizar elementos de Zen budismo, afora conhecimentos

nas síndromes "culturais específicas." ( 8 ) Médicos

científicos ocidentais em vários tipos de neurose e

indianos

combina m a Yoga com o tratamento clássico para tratar desordens digestivas, asma crónica,

diabete s

mellitus , e alguma s alteraçõe s cardiovasculares . (9) Aqu i n o Brasil , Davi d Akstei n ( 1CH6 )

criou uma técnica de psicoterapia grupai, não-verbal, baseada nos transes cinéticos rituais da Umbanda

(TTT) . Ele comprovo u que durante os transes cinéticos os indivíduos obtê m a liberação das tensões emocionais represadas, melhorando as condições psíquicas e psicossomáticas. Ele se interessa também no problema de se é "possível transformar-se o impulso concentrativo místico em uma possante con- centração no desejo de u m aperfeiçoamento das qualidades pessoais".

Geralmente, aqui no Brasil a psiquiatria oficial sempre procurou separar-se da medicina popu-

lar. É fácil entender esta posição, considerando o paradoxo em que nos encontramos. U m país gasta

muita energia para implantar um sistema "científico " de saúde e,

Mundial de Saúde recomenda que agora se deva valorizar os recursos que não estão baseados em fatos bio-médicos verificáveis, mas baseados na fé, nas superstições, e na magia.

Aqu i no Brasil e em muitos outros países, psiquiatras já aceitam a realidade de que muitos de seus doentes estão e m tratament o simultâneo, psiquiátrico e junt o às seitas espíritas.

É preciso se levar em conta que as práticas religiosas principalmente espíritas, comument e se inserem na rotina diária de uma parte considerável da população brasileira.

A popularidade da cura mística não pode ser subestimada. Um a pesquisa de opiniã o pública

a doutrina da reen-

carnação e 60 % tê m procurad o os médiuns para resolver os seus problemas. Pressel ( 1 8 ) reporto u que mais de 50 % da população são espíritas, embora a maioria se reportam com o católicas oficialmente. Um a pesquisa recente e m Nov a Iguaçu mostr a que 75 % da populaçã o não-protestante é espírit a I19).

I 1 7 ) reportou que a metade da população entrevistada no Rio e São Paulo aceita

logo em seguida, a Organização

40

lid o

que qualquer outra publicação. ( 2 0 ) Aqu i no Brasil várias pesquisas, na Bahia, ( 2 1 ) na Rio, ( 2 ) em Nova Iguaçu, ( 1 9 ) em Caruaru ( 2 3 ) mostram a preferência pelo sistema

primeiro recurso de tratamento; e mostram a dupla utilização da psiquiatria e seitas espíritas.

Agora que a psiquiatria está se tornando mais aberta ao povo nos serviços ambulatoriais, e não só para a classe alta, que é tratada no consultóri o particular, vai ser muit o important e que os psiquia- tras busque m estratégias para compatibiliza r esses sistemas, considerand o as grandes discrepâncias

na diagnose, nosologia e tratamento.

Para ilustrar alguns problemas e soluções em casos onde o doente está em tratament o psiquiá- trico junt o com a Umbanda ou Kardecismo, vou apresentar três casos da prática d o Dr. David

Akstein, que gentilmente te m me proporcionado todos os meios para chegar aos meus objetivos de

casos

envolviment o co m religião. Dessas, cinco eram

investigação aqui no Brasil, inclusive acompanhand o no seu consultório particular em 1976. Vint e tinha m médiuns espíritas.

Outro s

índice s

de

popularidad e

inclu i

o Livro

dos

Espíritas

de

Allan

Kardec,

qu e

é mais

Zona Norte do informal como

a sua prática

diária. Eu

observei

setenta

TRÉ S HISTÓRIA S

DE

CAS O

Caso Um — Marl y Marly é uma atrativa mulher casada, 44 anos de idade, que mora co m seu marido e sua filha em um bairro elegante no Rio. Ela procurou o tratamento psiquiátrico em janeiro de 1975, apresentando sintomas de depressão causadas por seu marido, que bebia muito . Ambo s tinha m amantes, mas nenhum dos dois queriam se desquitar.

mediunidade na Umbanda quando tinha 32

anos de idade. Sua experiência inicial ocorreu no dia primeiro de janeiro depois da festa de Iemanjá

quando ela, como milhares de brasileiros, participou do banho ritual na praia, onde muitos deles en-

tra m em transe. Quand o Marl y volto u para casa, seus pais falaram para ela que sua pele fico u arrepia-

da, e que ela gritou os nomes de vários orixás, movendo sua cabeça para frente e para trás. Marly teve amnésia dos fatos ocorridos, durante duas semanas. Nessa ocasião sua famíli a chamou u m psiquiatra que empregou a sonoterapia.

com o o desenvolvimento da mediunidade, sendo, por isso,

Marly

informo u

ter

começado

a desenvolver

sua

Sua famíli a

interpretou

sua conduta

levada a uma vizinha, uma médiu m umbandista. Marly frequentou sua casa regularmente em consultas particulares e sessões públicas. Também , Marly estudo u as filosofias Kardecista e oriental , as quais

forneceram-lhe explicações satisfatórias

anos seguintes sentiu-se completamente bem. Pouco temp o antes de consultar o Dr. Akstein, ela co- meço u a ter visões místicas nas sessões e for a delas. Queixo u qu e sentia-se pio r depois das sessões es- píritas. Sua família levou-a, então, a um centro Kardecista e ela teve uma visão tão ameaçadora, que deixou de frequentar qualquer culto.

0 Dr. Akstein tratou-a com a medicação anti-depressiva, terapia verbal, relaxação progressiva, e

um a bo a pacient e para a hipnose , o qu e ele acho u raro , porqu e os médiun s geral-

mente entram em transe hipnótico. Por esta razão, o Dr. Akstein suspeitou tratar-se de u m caso de

esquizofrenia mascarada dentr o das práticas sócio-religiosas. N o intervalo entre uma e outr a sessão psicoterápica sofreu uma crise e seu amante fez questão de acompanhá-la, muit o preocupado com as visões e as despersonalizações que ela tinha na rua e em casa. Marly passou então a dar interpreta- ções místicas a tud o o que acontecia na sua vida. Ela tinha dificuldade de lembrar coisas, descon- fiando que as pessoas estavam fazendo mal contra ela. Ela não pôde responder às perguntas do Dr.,

anti-psi-

cótica e Marly melhorou muito .

Hoje ela é alerta, ativa, tendo voltado à sua profissão de nutricionista. Ela vem ao consultório uma vez por mês, quando então continua a falar de seu matrimóni o insatisfatório. Akstein recomendou, depois que ela ficou livre daqueles sintomas, que ela experimentasse voltar a um centro espírita para ver se apresentava algumas manifestações mediúnicas. Ele acredita que o que ela apresentou eram manifestações patológicas mascaradas em termos socio-religiosos e interpretadas com o fenómeno s mediúnicos por ela, por sua famíli a e seus amigos.

e

hipnose . E',z nã o fo i

para suas manifestações.

Marly

informo u

que durante os dez

seus

gestos

estavam

fora

de

sincronia.

Nessa

ocasião, então,

Akstei n

receitou

medicação

41

Caso Dois Ricardo Ricardo, vinte e dois anos de idade, chegou ao consultório do Dr. akstein cheio de rituais obses- sivos, abençoando-se continuamente no ônibus e sem controle da micção, envergonhando a sua famí- lia que lhe acompanhava. Ele se escondia n o chão de seu quart o fechado, recusando tod o contato social, inclusive deixando de jogar futebol , que ele adorava.

Esta crise, segundo sua família , fo i precipitada por seu

fracasso n o

vestibular.

Deixou-se, a partir daí, de estudar. Todavia, logo, ao mesmo temp o em que começou a tera-

pia psiquiátrica Ricardo passou a fazer u m curso de datilografia, que funcionou como uma distração

Na mesma época, também , ele começou a frequentar um centro Umbandista-Karde-

cista duas vezes por semana, por recomendação de uma vizinha, que intepreto u seu comportament o com o derivad o d e causas espirituais . Ricard o não acho u nada incompatíve l ser assistido po r esses doi s sistemas terapêuticos simultaneamente. Ele acreditou que sua doença foi causada por uma entidade

que danificou sua cabeça, e então ele precisou de u m psiquiatra para curar sua cabeça (sic).

ansiolítica e anti-depressiva, mais relaxa-

ção e psicoterapia verbal. Atualment e está levando uma vida social normal e jogando futebol ; está

estudando para fazer o vestibular

ou laborterapia.

Ricardo

teve

uma

boa

melhora

com

uma

medicação

novamente.

Ele

esclarecer

continu a

qu e

que

a assistir

o

seu

Dr .

às sessões no

Akstei n

centr o

nã o encorajo u

espírita

essa participaçã o

um a

vez

por

semana

"par a

porqu e

obsessivo-compulsivo

correlacionaram

toma r

passes".

Dev o

ele

por

suas melhoras mais à ajuda espiritual d o que ao tratament o

intensiva

na seita espírit a

acreditou

paciente

possivelmente

iria substituir

o

comportament o

rituais espíritas

igualmente

de form a obsessiva-compulsiva. Ricardo e sua família

psiquiátrico.

Caso Três — Gladis

Gladis é uma atrativa melhor casada, com trinta e nove anos de idade, que apresentou sintomas como , tonteiras, náuseas e medo de sair sozinha à rua. Por isso, ela estava sempre acompanhada de

seu marido , Fernando , ou

po r sua filha , Sônia, de doze anos de idade.

Depois de consultar vários especialistas (clínicos, oftalmologista e otorrinolaringologista), ela

concordo u e m ver u m psiquiatra, co m relutância, porque não acreditava causas psicológicas.

vinte e uma pulseiras de prata e m seu braço e fala

dos rituais que faz diariamente para proteger a ela e a sua família . Ante s de começar a terapia psiquiátrica, ela disse que seus Caboclos lhe avisaram para deixar

a sua prática mediúnica, a qual ela fazia e m sua própria casa, co m uma grande clientela. Os guias lhe disseram que ela estava muit o cansada por estar recebendo bastante clientes, muitas vezes a noite toda, sem recompensa. Outr o problem a que ela relatou fo i sua hostilidade para co m sua mãe, que mor a num a casa e m frente e que olhava tud o o que ela fazia através da janela.

Gladis se comportava timidamente , subordinando-se à seu marido. Ela impunha pouca disci-

plina à sua filha , malcriada, hiperativa, que sempre interrompi a

O Dr. Akstein a tratou com medicação normalizadora do equilíbrio neurovegetativo e ansio-

lítica, além de psicoterapia verbal, técnicas hipnóticas de relaxamento e dessensibilização sistemática.

corpo,

Na sua técnica de relaxamento ele pede à

tivessem

que

seus sintomas

Gladis

é

um a

médiu m

umbandista .

Ela

usa

a sessão psicoterapêutica.

e m

cada

parte

paciente

para

se concentrar

de seu

de baixo para cima, primeiro fazendo-o tenso e depois afrouxando-o. Depois ele dá sugestão de bem- estar e, posteriormente, ensina a paciente a fazer o relaxamento deitado em sua cama, em sua casa; mais tarde é ensinado a fazê-lo, de mod o mais parcial, sentado, em pé, ou quando precisar. A técnica

de dessensibilização em casos com o os de fobi a procura fazer o paciente visualizar-se na situação fóbica e, em seguida, dando sugestões de bem estar para eliminar a angústia. O paciente dessensibiliza

o med o gradualmente

depois de várias sessões.

Gladis melhorou , mas sua tonteira e fobia de sair à rua não desapareceram completamente.

Akstein, então, começou a encorajá-la para voltar às práticas

a cabeça colocada numa posição anti-

natural, para trás, uma técnica de indução típica da Umbanda. Gladis entrou em transe mediúnico, o que nunca ocorreu anteriormente quando ela foi submetida à induções hipnóticas segundo técnicas

mediúnicas.

co m

Durante

uma

consulta

ele, quase

brincando,

a girou

42

clássicas. Durante as seguintes sessões, que fora m gravadas, Gladis fo i incorporada por onze das vinte e sete entidades que ela recebe. Akstein conversa co m o fort e e agressivo Caboclo Boiadeiro, pedindo-lhe para ajudá-lo no seu trabalh o de me'dico e pedindo-lh e també m para ajuda r o seu cavalo, " o qua l é muit o sensível, co m muitos problemas familiares e fatigado por muitos trabalhos de caridade". Akstein pede às entidades para protegê-la quand o sair à rua e aceita gentilmente as obrigações e os passes. O marid o se torna seu

auxiliar , o cambono, e recebe u m tap a na testa , d o caboclo , porqu e nã o de u suficient e atençã o à Gladis. O caboclo dizia à Sônia para se portar bem e estudar na escola. Sônia mostra então muit o res- peito e aceita a disciplina dos guias espirituais. Gladis parece sair do transe, mas recebe outra entida-

de, u m Exú . Essa entidad e xinga , bebe cachaça, dá um a "cantada " n o Dr. Akstein , é

0 mund o acha graça.

relaxante, e tod o

Gladis também

recebeu

Pretos Velhos e Crianças.

Discussão:

Quando psiquiatras utilizam linguagem espiritualista e transe de possessão, os profissionais mé- dicos não-espíritas vêm isto como não-ético. Isto é lamentável, porque estes preconceitos evitam o uso de um dos mais importantes recursos para o paciente, isto é, a habilidade para entrar e utilizar o procedimento d o transe. Akstein, conhecedor da hipnose e u m estudioso do transe ritual por mais de vinte e cinco anos, ilustrou, através destes casos, que a hipnose fornece uma adiciona! opção para:

1 —

2 — desenvolver o critério adequado para referimento ao sistema formal ;

3 —

diferenciar síndromes patogênicas de síndromes

patoplásticos;

encontrar as técnicas terapêuticas mais adequadas para os pacientes espíritas.

patoplás-

ticos — A s alucinaçõe s mística s são sintoma s chaves d a esquizofrenia . Paradoxalmente , são be m valo- rizadas dentro da "visão do mundo " Católico Latino. A história do Cristianismo te m nos mostrado

isto, através dos milagres, curas pela fé e pelas entidades

1

A

hipnose

como

ajuda

para

diferenciar

os síndromes

patogênicos

dos

síndromes

sobrenaturais.

Considerando

esta realidade, os psiquiatras tê m o problema de diferenciar as alucinações

patoló

gicas das condutas aceitáveis culturalmente. Marly e Gladis reportaram que eram médiuns. Alé m do

quadro clínico, Akstein utiliza o critério seguinte: se o paciente, que te m alucinações, não entra em

transe hipnótico, isto confirma u m diagnóstico de

elimina a barreira da consciência e permite que o "eu verdadeiro" apareça. Então, se o paciente que se diz médiu m não entra em transe apesar dos estímulos associados com a experiência ritual, então, devemos considerar que o transe representa u m outr o critério para diferenciar patologia de conduta com padrão cultural.

Akstein reconheceu que Marly mascarou uma psicose em termos sócio-religiosos, usando os

seguintes indícios: ela queixou-se de sentir pior depois d o transe em centros espíritas, o contrário de todas as experiências que Akstein havia tid o co m outros casos que tê m mostrado que o transe traz ao médium um equilíbrio bio-psico-social. Gladis, por outro lado, entrou tanto em transe hip- nótico como em mediúnico facilmente e sentia melhor depois. Marly nunca entrou em transe hipnó-

Precisamos identificar mais critérios através da documentação

tico e nem no transe cinético da TTT . de casos.

esquizofrenia ou de falsa mediunidade. A hipnose

2 —

Depois de acertar u m diagnóstico temos que identificar critérios sobre quais casos podemos tirar benefícios do sistema informal . Existe uma diferença de opinião sobre quais casos podem se

aproveitar do espiritismo. Eugene Brod y ( 2 S ) por exemplo, reportou que " o

co pode só atrapalhar o tratamento psiquiátrico, resultando na cronificação de doente esquizofré-

nico e

gos da participação das seitas espíritas em diferentes etapas das doenças nervosas não tê m sido quase estudados. Em variados casos, Akstein te m encorajado a participação no espiritismo. N o caso de Gladis, com a condição de que ela fizesse a limitação do temp o de seu trabalho mediúnico, para evitar o can-

alcoolista. Muitos outros psiquiatras não têm o mesmo pont o de vista. Os benefícios e os peri-

tratamento não-médi-

Desenvolvendo

o critério

para

referimentos

ao

sistema

informal.

43

saco que ela sentiu anteriormente. Para ajudar a canalizar esta paciente dentro do espiritismo, Akstein convido-a para ajudar outro paciente espírita, dando-lhe, assim, prestígio. N o caso de Ricardo , uma personalidade obsessivo-compulsiva, Akstei n não pôde proibi r suas atividades espíritas, mas através de linguagem estratégica ele limito u sua participação, para que ele não substituísse rituais obsessivos por rituais religiosos. Todavia, Akstein acredita que na crise o cuito deu apoio à Ricardo, utilizando uma linguagem que ele pode compreender. N o caso de Marly, Akstein acredita que quand o uma doença não está na fase crític a e pode ser absorvida pelo culto , ele não proíbe a assistência. Assim, Akstein sugeriu duas hipóteses para o diagnóstico dela. Que ela demons- tro u sua doença depois que ela deixo u de participa r das sessões, porqu e ela não pôde canalizar seus sintomas dentro de um meio sócio-cultural, ou que ela entrou em uma etapa mais séria de sua doença.

Precisamos pesquisar quais os casos que melhoram e os que pioram nos centos espíritas.

3—A

hipnose

permite

o emprego

de técnicas

mais

adequadas

com

os pacientes

espíritas.

e Rubi n de Pinho ( 2 6 ) "nossa experiência te m mostrado que os tratamentos

médicos convencionais não levam à resultados positivos quando o paciente te m as manifestações má- gicas-religiosas de doença com o os transes, os êxtases, encarnações e outras manifestações espíritas".

Parece que a hipnose oferece uma ponte referencial permitind o ao terapeuta aproveitar u m re-

curso importante d o próprio paciente, sua capacidade de entrar em transe. Akstein utilizou o transe

mediúnic o de Gladis

ções, e mobilizar todas as facetas de sua personalidade. Utilizando o transe mediúnic o de seus pacien- tes, ele aplica uma técnica psicoterápica de dois modos : 1) pede à entidade espírita (caboclo, preto velho, etc.) que dê apoio, que oriente e que auxilie ao seu cavalo no tratamento ; 2) em segunda ins- tância, pede à entidade que lhe auxilie no tratamento de seu cavalo.

re-síntese, onde durante o transe os indi-

reforçar suas sugestões, receber mais informa -

Conforme Lassa

para facilitar

maior

comunicação,

Analisarei

( 2 7 )

a mediunidade

como

u m

processo

de

víduos funcionam em múltiplos níveis de consciência, interrompendo associações habituais sem as li- mitações próprias dos padrões da atividade consciente, e permitindo aprendizagem vivencial, não tanto intelectual, e propiciando a reestruturação da personalidade. Desempenhando variados papéis

resolver proble-

dentro de sua prática mediúnica, temos visto com o os médiuns tê m oportunidades de mas em um nível simbólico.

 

Vivenciando

outros

"eus "

desempenhando

papéis de

Exú ,

Preto

Velho,

ou

Caboclo,

permite

que

os

"eus "

possam

contemplar-se

duma

perspectiva

mais

ampla, funcionando

em

múltiplos

níveis

de

consciência,

ocorrendo

assim,

uma

verdadeira

dessensibilização

das crises emocionais.

Os

indiví-

duos,

então, conseguem

maior

controle

sobre

os "eus "

alternados

conseguindo

assim ajudar

aos que

os

procuram ;

são

personalidades

sociais

adicionais

mantidas

dentr o

d o

meio

espírita, e sua

atuação

t e m grande

importância nas decisões de muit a

gente.

 

Essas soluções geralmente são mostradas através dos desempenhos simbólico s que podemo s ver traduzidos na vida ordinária. A nossa análise das gravações apoiam esta interpretação. Observamos que

muitas das condutas, as quais Gladis primeiro expressou no transe mediúnico — a força, a agressivida-

de, a liberação feminina — fora m expressadas

das em sua vida ordinária. Ela fo i capaz de sentir-se fort e para sair sozinha, para expressar suas insatis-

para reconhecer que sua tonteir a estava

relacionada co m sua fobia. Encorajando o transe mediúnico, Akstein permitiu que fosse utilizada uma experiência important e na vida de sua paciente e permitiu-lhe u m diálogo co m seus "eus " alternativos.

fações co m respeito a seu marido , para disciplinar a sua filha e

na terapia feita fora do transe, e fora m depois traduzi-

D o mesmo modo , os psicólogos humanistas e os psiquiatras utilizam a imaginação ativa, as fan- tasias dirigidas, a hipnosíntese, "redreaming" , ensaio, e outras técnicas que empregam o condiciona- mento da imagem para cultivar as mudanças da personalidade e a psicosíntese. A hipnose proporciona uma pont e referencial para os pacientes espíritas se expressaram, pois que muito s dos fenómeno s es- píritas são reproduzíveis na hipnose, e se o paciente já te m capacidade de utilizar o transe, então o psiquiatra poderá torná-lo u m grande recurso terapêutico.

4 4

Modelo Universal da Interação Psicoterapêutica — Quand o os psiquiatra s brasileiro s procura m uti - lizar a linguagem e os símbolos rituais, ou o transe mediúnico e m seu consultório, a psiquiatria oficial, poderá ver nisso uma situação contra a ética médica "científica" . Mas, se nós analisarmos a comuni- cação em qualquer interação psicoterapêutica utilizando a ciência linguística, poderemos construir |2 8-2 9 | u m mo del o de estrutura básica e universal da psicoterapia.

Estamos empregando esta análise co m as gravações dos casos citados. Primeiro, terapistas iden-

tifica m a experiência vivencial tota l dos doentes. Os seres humanos criam mapas ou representações de

seu

do, os terapistas desafiam os modelos dos doentes, empregando os mesmos elementos da conduta de-

les. Parece u m paradoxo , poré m oferece

mundo . Esses mapas servem para guiar sua condut a e para predizer a condut a dos outros . Segun-

meno r chance de resistência por

parte d o

paciente.

0 terceiro elemento daquela estrutura básica da comunicação é que os doentes

podem :

a) criar novas estruturas de referência ou ; b) canalizar sua conduta num a área sem se contrapo r co m sua vida mundana (por exemplo , encorajar a prática mediúnica).

U m astuto terapista com o AKSTEIN , arranja as circunstâncias que facilitam a receptividade do pa- ciente a suas associações interiores, a suas destrezas mentais muitas vezes expressadas nos transes de possessão.

em

tratamento psiquiátrico e popular.

1 - Estratégias psicoterapêuticas dos psiquiatras inovadores que fazem a ligação entre sistemas

alternativos de cura. Por exemplo, as relações entre o transe mediúnico e outras terapias populares,

b e m com o seu entrosamento

2 — Espécie de formação , treinament o e experiência úti l ao profissional para aumentar sua efi-

cácia terapêutica.

3 — Estruturas organizacionais, sistemas de referências, e relações cooperativistas entre prati- cantes profissionais médicos e não-médicos.

4 — Atitudes , crenças e outro s fatore s culturai s importante s para influencia r essas técnicas.

5 — As congruências e conflitos na diagnose, etiologia, nosologia e práticas de sistemas comple-

mentares de cura.

Para

termina r

gostaria

de abordar

algumas

linhas de

pesquisa

através de estudos

dos casos

co m a hipnose clínica e outras técnicas

psicoterápicas.

 

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