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CURSO ON-LINE - DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFT PROFESSOR: FÁBIO ZAMBITTE

Prezados Alunos e Alunas, é novamente um prazer fazer parte desta iniciativa do Ponto dos Concursos, e com isso atingir a todos que não tem tempo ou possibilidade de assistir um curso presencial.

Tentarei aqui expor minha aula exatamente da mesma maneira que faço em sala de aula, com o mesmo conteúdo e abordagem. Estarei no fórum de dúvidas para qualquer elucidação que se faça necessária.

Nosso conteúdo programático terá utilidade para o concurso de AFT, que somente exigirá a parte de benefícios, ficando excluída a parte de custeio. Todavia, trataremos da parte da organização e princípios da seguridade, pois, apesar de ser tratada na Constituição, tem previsão na Lei n. 8213/91. Optei também, nesta primeira aula, em “enxugá-la” ao mínimo possível, pois as questões da ESAF, nos últimos dez anos, não têm ido além do que está abaixo, no que diz respeito aos princípios da seguridade.

Para o estudo de nossa matéria, em complemento às aulas,

8.213/91

sempre

devidamente ATUALIZADA!

recomendo

a

meus

alunos

a

leitura

da

Lei

Aula I: Seguridade Social: Conceituação; Origem e Evolução Legislativa no Brasil; Organização e Princípios constitucionais.

1. A Proteção Social

Nossa primeira aula se inicia com a análise da proteção social, no que diz respeito à sua conceituação e origem. O assunto é de grande relevância até porque a compreensão das normas vigentes passa necessariamente pela abordagem dos eventos passados, e a evolução histórica dos mecanismos adotados pela sociedade em favor da cobertura dos infortúnios da vida é importante ponto de partida.

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proteção

mecanismos criados pela sociedade, ao longo de sua existência, para atender aos infortúnios da vida, como doença, velhice, etc., que impeçam a pessoa de obter seu sustento.

A

social,

então,

nada

mais

é

do

que

os

A sociedade, ao longo de sua história, tem adotado em diversos mecanismos para o atendimento das necessidades de seus componentes em momentos de dificuldade. Pode-se dizer até mesmo que a proteção social possui uma natureza instintiva, porque a maioria dos seres humanos se preocupa em guardar algum tipo de recurso para o futuro.

Na vida em sociedade pode-se dizer que uma das primeiras manifestações da proteção social como técnica de atendimento aos infortúnios da vida foi inicialmente patrocinada pela família, ou seja, um trabalhador que por exemplo ficasse incapacitado para trabalho teria o apoio de seus familiares enquanto se recuperava, e da mesma forma pessoas idosas teriam o amparo familiar para sua manutenção.

Ao

mesmo

tempo

existia

também

a

figura

da

assistência

voluntária, quando pessoas estranhas ao seio familiar auxiliavam necessitados, mesmo desconhecidos, numa situação que perdura até hoje quando, por exemplo, vemos pessoas recebendo esmolas na rua.

Percebam que essas técnicas rudimentares originárias da proteção social ainda existem! Não foram excluídas, sendo que a proteção fornecida pela família ainda é facilmente encontrada, assim como a assistência voluntária de terceiros.

Até aí, não havia nenhum outro mecanismo protetivo! O Estado não tinha qualquer parcela de responsabilidade, até porque prevalecia o conceito liberal-burguês de organização estatal, no qual o Poder Público detém muito mais obrigações negativas, deveres de abstenção, de não interferência estatal na vida privada. O seu sucesso ou insucesso na vida dependia exclusivamente de você!

Não havia aposentadoria, pensão ou qualquer coisa parecida! A pessoa deveria ser precavida, guardando para o futuro, ou certamente iria depender de terceiros, tendo mesmo de trabalhar “até cair”!

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2. Organização e Princípios Constitucionais

O direito previdenciário, como ramo didaticamente autônomo do Direito, possui princípios próprios, os quais norteiam a aplicação e interpretação das regras constitucionais e legais relativas ao sistema protetivo. Alguns princípios são exclusivos da Seguridade Social, o que revela sua autonomia didática, enquanto outros são genéricos, aplicáveis a todos os ramos do Direito, inclusive o securitário.

Apesar de tais princípios terem previsão constitucional, são também previstos na legislação e, pelas provas anteriores, a ESAF tem uma verdadeira tara sobre o assunto. Então, vamos a eles.

Entre os princípios, temos:

Solidariedade – o mais importante, de natureza ético-jurídica, ou seja, trazendo à tona o dever moral de auxílio ao próximo. Impede

adoção de um sistema de capitalização pura na previdência social, pois

o mais afortunado deve contribuir com mais, tendo em vista a escassez

de recursos e contribuições de outros. É este princípio que permite uma pessoa ser aposentada por invalidez em seu primeiro dia de trabalho, sem ter qualquer contribuição recolhida para o sistema (art. 3°, I,

CF/88).

Universalidade de cobertura e Atendimento (art. 194, parágrafo único, I, CF/88) – este princípio estabelece que qualquer pessoa pode participar da proteção social patrocinada pelo Estado. Com relação à

saúde e assistência social, já foi visto que esta é a regra. Porém, quanto

à previdência social, por ser regime contributivo, é, a princípio, restrito aos que exercem atividade remunerada. Mas, para atender ao mandamento constitucional, foi criada a figura do segurado facultativo.

Uniformidade e Equivalência de Prestações Entre as Populações Urbana e Rural (art. 194, parágrafo único, II, CF/88)- as prestações securitárias devem ser idênticas para trabalhadores rurais ou urbanos, não sendo lícito a criação de benefícios diferenciados.

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Até a Carta de 1988 o tratamento dado a estas populações era diferenciado, sendo que em regra, agora seguem a mesma normatização previdenciária, contudo existem exceções postas pela própria Constituição (art. 195, § 8º e 201, § 7°).

Seletividade e Distributividade na Prestação de Benefícios e Serviços (art. 194, parágrafo único, III, CF/88)- algumas prestações serão extensíveis somente a algumas parcelas da população, como, por exemplo, salário-família (seletividade) e os benefícios e serviços devem buscar a otimização da distribuição de renda no país, favorecendo as pessoas e regiões mais pobres (distributividade).

A seletividade concede na concessão do benefício ou serviço em razão de sua essencialidade, por exemplo, o salário-família que somente é pago ao trabalhador de baixa renda, sendo que a distributividade, que opera no plano interpessoal e inter-regional, sendo que o primeiro estará vinculado a solidariedade do sistema, onde a contribuição visa a manutenção do sistema protetivo, e no plano inter-regional determina que as regiões mais pobres do país deverão receber mais recursos que as mais ricas.

Irredutibilidade do Valor dos Benefícios (art. 194, parágrafo único, IV, CF/88) - Determina, na visão do STF, uma prestação negativa do Estado de abster-se de reduzir o benéfico concedido. Ou seja, este princípio NÂO garante a correção monetária do benefício, mas somente a manutenção do seu valor nominal. A correção até deve existir, mas devido a outra norma constitucional (art. 201, § 4º).

Equidade na Forma de Participação no Custeio (art. 194, parágrafo único, V, CF/88) – norma dirigida ao legislador, impõe que este crie a contribuição de acordo com as possibilidades de cada um dos contribuintes, empresa e trabalhador. Não implica a aplicação pura e simples da capacidade contributiva, como nos impostos, mas alguma razoabilidade na taxação. Traduz a idéia de cobrar alíquotas e valores mais elevados daqueles que tem maior fonte de rendimentos.

Diversidade da Base de Financiamento (art. 194, parágrafo único, VI, CF/88) – a base de financiamento da Seguridade Social deve

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ser o mais variada possível, de modo que oscilações setoriais não venham a comprometer a arrecadação de contribuições. Como veremos, este princípio é seguido à risca, já que existem diversas contribuições sociais.

Por causa deste princípio, qualquer proposta de unificação de todas as contribuições sociais em uma única é inconstitucional.

Caráter Democrático e Descentralizado da Administração (art. 194, parágrafo único, VII, CF/88) – ALTERADO PELA EC 20/98 – visa a participação da sociedade da organização e gerenciamento da seguridade Social, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, empregadores, APOSENTADOS e do governo.

Isto funciona nos órgãos colegiados da seguridade, como o conselho nacional de previdência social, o conselho de recursos da previdência social etc.

Preexistência do Custeio em Relação ao Benefício ou Serviço (art. 195, § 5°, CF/88) – este princípio visa o equilíbrio atuarial e financeiro do sistema securitário. Este princípio será melhor abordado em aulas futuras.

Exercícios:

1) A respeito da seguridade social e de seus princípios informativos, assinale a alternativa errada.

a) Seguridade social é um conjunto de princípios, normas e

instituições destinado a estabelecer um sistema de proteção social aos indivíduos contra contingências que os impeçam de prover as suas necessidades pessoais básicas e de suas famílias, integrado por iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, visando assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.

b) O princípio constitucional da universalidade da cobertura e do

atendimento, que informa a organização da seguridade social, corresponde ao ideal de que todos os residentes no país será garantida igual cobertura diante da mesma contingência ou circunstância, desde

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que atendidos certos requisitos e observadas determinadas condições, definidos pela legislação previdenciária.

c)

preservar o respectivo poder aquisitivo, diante de contingências da economia nacional, sendo certo que o valor reajustado dos benefícios não poderá superar o salário-de-benefício do segurado vigente na data do reajustamento, respeitando-se, todavia, os direitos adquiridos.

d)

O princípio da irredutibilidade do valor dos benefícios objetiva

O princípio da preexistência do custeio em relação ao benefício ou

serviço admite apenas uma única exceção, identificável nas prestações da assistência social, para cujo acesso não há necessidade de qualquer

contribuição por parte do segurado.

e) O princípio da tríplice forma de custeio estatui a obrigação dos

entes públicos, empregados e empregadores para a seguridade social, não exclui a contribuição sobre a receita dos concursos de prognósticos.

a) Correta

A questão traz amplo conceito de seguridade social, como dispõe a Constituição, destinando-se a atender todo tipo de demanda social nas áreas previdenciária, assistencial e de saúde.

A seguridade social, como perspectiva máxima da atuação estatal

na área protetiva, conjuga uma ampla gama de normas e princípios a elas relativos, de modo a orientar a aplicação das regras da seguridade, materializando a determinação constitucional (Art. 194, caput ,

CRFB/88).

b) Correta

princípio

constitucional da universalidade da cobertura e do atendimento (Art. 194, parágrafo único, I, CRFB/88) atende a qualquer pessoa em território nacional, como, por exemplo, um turista que venha a

necessitar de atendimento médico.

A questão

traz

restrição

indevida.

Na

verdade,

o

Provavelmente, a Banca deu entendimento restrito ao Princípio, imaginando-o no âmbito da previdência social, quando tem sua aplicação, em regra, restrita aos brasileiros e estrangeiros residentes no país.

De qualquer forma, ainda que incompleta, a questão não é errada,

de modo que o gabarito permaneceu como correta.

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c) “Correta”

Como vimos, o princípio da irredutibilidade (Art. 194, parágrafo único, V, CRFB/88), na acepção do STF, tem um alcance mais restrito, mas é fato que muitos sustentam que o mesmo visa a manutenção do poder de compra do benefício, de modo a evitar sua corrosão por perdas inflacionárias, por exemplo. Aliás, a própria Lei n. 8213/91 fala isso, no art. 2º, V. por isso, devemos ter todo cuidado, sempre verificando o enunciado e os demais itens da questão. Como o salário-de- benefício - SB é a base de cálculo para a obtenção do valor da prestação previdenciária a ser paga, e como, em regra, este valor não poderá superar 100% do SB, por uma questão mais lógica do que jurídica, a correção do benefício não teria como superar a base do benefício corrigida pelo mesmo índice.

A ressalva aos direitos adquiridos é válida no sentido de excluir da

afirmativa segurados que, em virtude de dispositivos legais já revogados, gozavam de privilégios na correção do benefício que poderiam gerar prestação superior a 100% do SB.

Apesar do início da questão ser discrepante com o que fala o STF, veremos que o item seguinte traz uma questão “mais errada”, e portanto será o gabarito.

d) ERRADO

O princípio da preexistência do custeio em relação ao benefício ou

serviço (Art. 195, § 5°, CRFB/88) não comporta qualquer exceção. Na verdade, todas as ações da seguridade social, incluindo aí as assistenciais, devem atender a este Princípio.

O que gera alguma confusão, no estudo do benefício de natureza

assistencial, é a ausência de contribuição do beneficiário direto, isto é, daquele que irá gozar do benefício, que é o necessitado.

Ou seja, apesar de inexistir contribuição daquele que irá obter a prestação, isto não significa que não há custeio respectivo: este é feito a partir das demais contribuições sociais, arrecadadas de toda a sociedade. É a aplicação evidente do Princípio da Solidariedade.

Desta forma, mesmo benefícios de natureza assistencial, caso sofram majoração, sejam estendidos ou criados, deverão, necessariamente, prever fonte de custeio respectiva.

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e) Correta

atual

Constituição.A contribuição social sobre a receita de concursos de

prognósticos (Art. 195, III, CRFB/88) é simplesmente uma exação a mais criada pelo constituinte, de modo a trazer mais recursos à seguridade social, arrecadada da sociedade

de

A

fonte

de

tríplice

custeio

é

adotada

pela

2) Com relação à seguridade social, assinale a alternativa correta.

a) A Lei n. 8.213/91 não foi a primeira a tratar de acidentes do trabalho

no Brasil.

b) A Lei n. 8.213/91 impede que os auditores fiscais do trabalho autuem

empresas.

c) A preexistência do custeio total em relação ao benefício ou serviço da

seguridade social é fator indispensável; sem o custeio, não há benefício

ou serviço de seguridade. Por isso este princípio impede que a assistência social seja prestada independentemente de contribuição do beneficiário à seguridade social.

d) Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços

não são princípios constitucionais da seguridade social.

e) Não há garantia ao direito adquirido na previdência social, em razão

de sua natureza contributiva.

A letra “a” é a correta, pois os acidentes do trabalho tem previsão legal

desde 1919. A letra “b” é incorreta, já que a fiscalização do trabalho

pode autuar empresas por descumprir condições de higiene e segurança no trabalho, além de cobrar o FGTS.

A letra “c” está incorreta pois, embora a preexistência do custeio seja

necessária, como ainda veremos, a assistência social não demanda cotização do benefício direto, mas somente sua comprovação da condição de necessitado. Obviamente, os recursos devem existir, e são arrecadados pelo Estado da sociedade como um todo.

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A letra ‘d” é incorreta, pois, como visto, seletividade e distributividade

são, sim, princípios constitucionais da seguridade social.

A letra ‘e” é incorreta, pois, como visto, o direito adquirido é assegurado

em qualquer hipótese, inclusive, por óbvio, na seguridade social.

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