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Relatório Síntese

Relatório Síntese Plano Estratégico de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

Plano Estratégico de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica dos Rios

Tocantins e Araguaia

Plano Estratégico de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia: relatório síntese
Plano Estratégico de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia: relatório síntese
Banco Mundial
The World Bank
Araguaia: relatório síntese Banco Mundial The World Bank Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Araguaia: relatório síntese Banco Mundial The World Bank Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Araguaia: relatório síntese Banco Mundial The World Bank Organização das Nações Unidas para a Educação, a

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

ISBN 978-85-89629-55-3 9 788589 629553
ISBN 978-85-89629-55-3
9
788589
629553

Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva

Ministério do Meio Ambiente Carlos Minc Ministro

Agência Nacional de Águas Diretoria Colegiada José Machado (Diretor–Presidente) Benedito Braga Bruno Pagnoccheschi Dalvino Troccoli Franca Paulo Lopes Varella Neto

Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos João Gilberto Lotufo Conejo

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

PLANO ESTRATÉGICO DE RECURSOS HÍDRICOS DA BACIA HIDROGRÁFICA DOS RIOS TOCANTINS E ARAGUAIA:

relatório síntese

Brasília

2009

© Agência Nacional de Águas (ANA), 2009. Setor Policial Sul, Área 5, Quadra 3, Blocos B, L, M e T. CEP 70610-200, Brasília, DF PABX: 61 2109 5400 www.ana.gov.br

Coordenação Geral

João Gilberto Lotufo Conejo Ney Maranhão

Coordenação executiva

José Luiz Gomes Zoby

Produção: TDA Comunicação: www.tdabrasil.com.br Fotos: Banco de imagens ANA e Eraldo Peres Foto da capa: Eraldo Peres

Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução de dados e de informações contidos nesta publicação, desde que citada a fonte.

Catalogação na fonte: CEDOC / BIBLIOTECA

A271p

Agência Nacional de Águas (Brasil)

Plano estratégico de recursos hídricos da bacia hidrográfica dos rios Tocantins e Araguaia : relatório síntese / Agência Nacional de Águas . -- Brasília : ANA; SPR, 2009.

256 p. : Il.

ISBN

978-85-89629-55-3

1. Recursos hídricos 2. relatório

3. Tocantins, rio

4. Araguaia, rio

I. Agência Nacional de Águas (Brasil) II. Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos. III. Título

CDU 556.51(047.32)

Equipe Técnica

Coordenação Geral João Gilberto Lotufo Conejo – Superintendente Ney Maranhão – Superintendente Adjunto

Coordenadação Executiva José Luiz Gomes Zoby

Apoio Aline Teixeira Ferrigno Ariel Jorge Mera Valverde Bolivar Antunes Matos Eduardo Carrari Elizabeth Siqueira Juliatto Gonzalo Álvaro Vázquez Fernandez Laura Tillmann Viana Marcelo Pires da Costa Marco Antônio Silva Maurício Pontes Monteiro Wagner Martins da Cunha Vilela

Apoio Técnico e Institucional dos Órgãos Gestores de Recursos Hídricos

Instituto Brasília Ambiental

Gustavo Souto Maior Salgado – Presidente Tereza Cristina Esmeraldo de Oliveira – Gerente de Estudos e Programas em Meio Ambiente e Recursos Hídricos Andrei Goulart Mora – Gerente de Acompanhamento de Indicadores

Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso Luís Henrique Daldegan – Secretário Luís Henrique Noquelli – Superintendente de Recursos Hídricos Leandro Maraschin – Coordenador de Ordenamento Hídrico

Secretaria de Meio Ambiente do Pará Valmir Gabriel Ortega – Secretário Manoel Imbiriba Júnior – Diretor de Recursos Hídricos Aline Maria Meiguins de Lima – Coordenadora de Informação e Planejamento

Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Goiás José de Paula Moraes Filho – ex-Secretário João Ricardo Raiser – Gerente de Política de Recursos Hídricos

Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente do Estado do Tocantins Anízio Costa Pedreira – Secretário Carlos Spartacus da Silva Oliveira – Coordenador de Recursos Hídricos

Secretaria de Estado de Meio ambiente e Recursos Naturais do Maranhão Raimundo Nonato Othelino Filho – ex-Secretário José Amaro Nogueira – Superintendente de Recursos Hídricos

Empresas Contratadas

Consórcio Magna Engenharia Ltda. e Cohidro Consultoria Estudos e Projetos Ltda. Maria Teresa Cordeiro – Coordenadora José Augusto Castro – Coordenador

Ana Paula Furtado Lou de Matos Antonio Eduardo Lanna Antônio Francisco Soares Antonio Sérgio V. Castro Lima Carlos Eduardo Furtado Lou Celso Rosa de Ávila Delton Braga Eduardo A. Larossa Béquio Eduardo Antonio Audibert Elcio Wilson Nascimento Evaldo Flávio Gomes Correia Guilhermino de Oliveira Filho Henrique Schuchmann Morador João Ivo Avelaneda José Edson Falcão Júnior José Mário Pirandelo Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente – LIMA /COPPE Luis Paulo Pousa Luiz Miguel de Miranda Luiz Noronha Luiz Paulo de Souza Viana Marcelo Teixeira Pinto Maria de Lourdes Pimentel Marina Christofidis Marina Reina Gonçalves Moacyr Paixão Og Rubert Orgel de Oliveira Carvalho Filho Otávio Cândido Ramalho Neto Paulo Carneiro Paulo Roberto Haddad Pedro Faranin Wilton Rocha

Sumário

SUMÁRIO EXECUTIVO

13

1 INTRODUÇÃO

21

2 METODOLOGIA E BASES DE DADOS

25

3 OBJETIVOS

31

4 PROCESSO DE ELABORAÇÃO

35

5 DIAGNÓSTICO

41

5.1 Área de estudo

41

5.2 Caracterização físico-biótica

44

5.3 Uso e ocupação do solo

61

5.4 Caracterização Socioeconômica

71

5.5 Saneamento ambiental

88

5.6 Disponibilidade hídrica

93

5.7 Demandas e usos consuntivos de água

107

5.8 Usos não consuntivos de água

112

5.9 Balanços

hídricos

120

5.10 Eventos

críticos

122

5.11 Caracterização política, legal e institucional

125

5.12 Planos e programas

125

5.13 Síntese do diagnóstico

129

6 AVALIAÇÃO DE CENÁRIOS

137

6.1 ECONOMIA

137

6.2 DEMOGRAFIA

142

6.3 DISPONIBILIDADE HÍDRICA

142

6.4 USOS CONSUNTIVOS E NÃO CONSUNTIVOS DA ÁGUA

143

6.5 BALANÇOS HÍDRICOS

158

6.6 AVALIAÇÕES MULTICRITERIAL E AMBIENTAL ESTRATÉGICA

162

7 DIRETRIZES, INTERVENÇÕES

173

7.1 FORMULAÇÃO DAS INTERVENÇÕES

173

7.2 ALOCAÇÃO DE ÁGUA

175

7.3 ENQUADRAMENTO DOS CORPOS HÍDRICOS

179

7.5 INVESTIMENTOS

190

7.6 TEMAS ESTRATÉGICOS E DIRETRIZES

192

8 ARRANJO INSTITUCIONAL PARA GESTÃO

197

9 ESTRATÉGIAS DE IMPLEMENTAÇÃO DO PLANO

203

10 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

207

11 REFERÊNCIAS

215

ANEXO 1 ATORES PARTICIPANTES DO GRUPO TÉCNICO DE ACOMPANHAMENTO E DAS REUNIÕES PÚBLICAS

223

ANEXO 2 SÍNTESE DE DADOS SOBRE A REGIÃO HIDROGRÁFICA – ASPECTOS FÍSICOS, SOCIOECONÔMICOS, HIDROLÓGICOS, DE OCUPAÇÃO DO SOLO, DE SANEAMENTO, DE USO DA ÁGUA E DE ÁREAS

IRRIGADAS

235

Foto: Eraldo Peres

Foto: Eraldo Peres

13
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Relatório Síntese

SUMÁRIO EXECUTIVO

A Região Hidrográfica do Tocantins e Araguaia é a mais extensa em área de drenagem to- talmente contida em território brasileiro e palco de dinâmico processo de desenvolvimento socioeconômico que deverá se intensificar nas próximas décadas em função das demandas nacional e internacional por commodities. Por seu caráter estratégico para o país, as potencia- lidades hídrica, agropecuária, mineral, para navegação e geração de energia serão cada vez mais demandadas.

A

região se caracteriza por uma área de drenagem

A

ocupação da região, de forma mais intensa, foi inicia-

de 918.822 km 2 (11% do país), se estende na dire-

da

nas décadas de 60 e 70 com a política de ocupação

ção

norte-sul e abrange os estados do Pará (30% da

do

interior do país e expansão da fronteira agropecuária.

área da região), Tocantins (30% e o estado situado integralmente na região), Goiás (21%), Mato Gros-

Essas atividades foram influenciadas pelos eixos rodovi- ários, em especial a rodovia Belém–Brasília. Na década

so

(15%) e Maranhão (4%), além do Distrito Federal

de

80, destacam-se a implantação da exploração mineral

(0,1%), totalizando 409 municípios. Com população

na

Serra de Carajás (PA) e o aproveitamento do potencial

de

7,2 milhões de habitantes (2000) apresenta baixa

hidroenergético iniciado com a Usina de Tucuruí (PA).

densidade demográfica (7,8 hab./km 2 ). Cabe destacar,

entretanto, a Região Metropolitana (RM) de Belém

que concentra 25% da população. O Índice de Desen-

volvimento Humano (IDH) – ano 2000 – médio é de 0,725, valor abaixo da média nacional que é de 0,766. Em 2025 a população atingirá 10,5 milhões de habi- tantes e a taxa de urbanização 91% (74% em 2000).

A Região Hidrográfica destaca-se por ser a segunda maior do país em termos de área e de vazão, inferior

apenas a do Amazonas, e a maior do país com área de drenagem situada integralmente em território nacional. As dimensões equivalem a 1,5 vez a Bacia do Rio São Francisco e a vazão média de 13.799 m 3 /s (8% do total do país) resulta em elevado per capita de 60.536 m 3 / hab.ano. As reservas hídricas subterrâneas explotáveis

são de 996 m 3 /s, sendo que o seu potencial está con-

centrado nos sistemas aquíferos porosos pertencentes às bacias sedimentares do Urucuia e Parnaíba, que

ocorrem ao longo da porção leste da região, do Paraná,

na parte sudoeste, e do Amazonas, a norte.

A precipitação média anual é de 1.744 mm, com totais

anuais aumentando de sul para norte (valores de 1.500

Em termos econômicos, atualmente as principais ativi- dades são a agropecuária e a mineração. Na agricultura

de sequeiro existe uma área cultivada de aproximada-

mente 4,0 milhões de ha (2005) com destaque para a soja, milho e arroz. Na agricultura irrigada, destacam-se

as

culturas do arroz, milho, feijão, soja e cana-de-açúcar.

A

área irrigada é de 124.238 ha, sendo que o potencial

de

solos aptos é de 5,4 milhões de hectares. A pecuária,

voltada para a produção de carne bovina, apresenta re-

banho de 27,5 milhões de cabeças.

Na mineração, a região produz alumínio, amianto, bau-

xita, calcário, cobre, ferro, níquel e ouro, entre outros.

Nos garimpos, são relevantes as extrações de ouro e

diamante. Entre as 5 províncias minerais, destacam-se

as seguintes: Carajás (PA), que detém os maiores de-

pósitos de ferro do mundo e que é conectada ao Por-

to de Itaqui (MA) pela Ferrovia Carajás; Paragominas

(PA) que tem a produção de alumínio transportada pelo mineroduto até o Porto de Vila do Conde (PA); e

Centro-Norte de Goiás, com destaque para a produção

de

níquel e amianto.

O

extrativismo vegetal é atividade econômica mais

mm

em Brasília até 3.000 mm em Belém). Associada a

destacada na parte norte da região. Tem como princi-

essa

característica, a região apresenta dois importantes

pais produtos o carvão vegetal, a produção de lenha e a

biomas: a Floresta Amazônica, que ocupa a porção nor- te/noroeste da região (35% da área total), e o Cerrado (65%). Esses biomas apresentam grande diversidade de fauna e flora e uma ampla zona de transição (écotono).

extração de madeiras, castanha-do-pará, açaí, palmito

e pequi. A exploração madeireira acompanha áreas de

colonização, grandes empreendimentos agropecuários

ou áreas de siderurgia.

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Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

Além da ocupação das áreas para as diversas ativida- des econômicas, existem áreas com restrições ao uso

e ocupação humanas. As unidades de conservação

abrangem 82.321 km 2 (9% da região), dos quais apenas 29% são de proteção integral (3% da região). Desta- cam-se, em função da extensão, as áreas de proteção ambiental da Ilha do Bananal/Cantão (Rio Araguaia) e do Jalapão (afluentes do rio do Sono). A ocupação in- dígena é também expressiva com 53 terras indígenas totalizando uma área de 47.031 km 2 (5% da região) e 25 etnias distintas. Muitas dessas terras ainda estão em processo de demarcação. Adicionalmente, a região possui 23 comunidades remanescentes de quilombolas oficialmente reconhecidas, distribuídas em 21 municí- pios nos estados de Goiás, Tocantins, Pará e Maranhão.

A região possui três importantes corredores ecológi-

cos: Araguaia–Bananal, Jalapão–Mangabeiras e Paranã-

Pireneus. No primeiro está localizada a Ilha do Bananal,

a maior ilha fluvial do mundo, que é formada pelo Rio

Araguaia, e o Parque Nacional do Araguaia, um Sítio Ramsar, uma das zonas úmidas mais importantes no

mundo para conservação da biodiversidade.

Na Região Hidrográfica, a demanda (vazão de retirada)

de água é de 95 m 3 /s, sendo o principal uso consuntivo

a

irrigação, que totaliza 57 m 3 /s (60% do total).

O

segundo uso da água, em termos quantitativos, é

para dessedentação animal, com 16 m 3 /s, seguido pelo abastecimento humano, com 13 m 3 /s. A predominância dos usos para irrigação e pecuária reflete o perfil econômico da região. Em 2025, a Região Hidrográfica deverá atingir uma demanda de 221 m 3 /s e a irrigação e

pecuária continuarão como os principais usos, seguidos do abastecimento humano e do uso industrial.

A Região Hidrográfica é a segunda maior do país em po-

tencial hidroenergético instalado com 11.573 MW (16% do país) e 5 grandes usinas em operação (11.460 MW), todas no Rio Tocantins. A Usina de Serra da Mesa tem o maior volume de reservatório do país e a de Tucuruí (8.365 MW), a maior capacidade de geração de uma usina nacio- nal. O potencial hidrelétrico da região é de 23.825 MW.

Assim, a localização, abundância e potencial de utili- zação dos recursos naturais, especialmente da água, conferem à região um relevante papel no desenvol- vimento do país. Assim, foi elaborado um Plano de Recursos Hídricos com caráter estratégico, que visa

a minimizar e a antecipar conflitos futuros, estabele-

cendo diretrizes para a compatibilização da utilização

múltipla da água com as demais políticas setoriais para assegurar o uso sustentável.

O Plano foi inicialmente desenvolvido a partir do

quadro de referência sobre as condições atuais da re-

gião, elaborado no Diagnóstico, que deu subsídios à construção dos cenários alternativos de utilização dos recursos hídricos na etapa de Avaliação de Cenários.

Na

terceira e última etapa, de Consolidação do Plano,

resultados das fases anteriores foram integrados e conduziram à proposição de Diretrizes, Programas e Ações a serem implementados até 2025. Além disso,

os

de

forma inovadora em planos de recursos hídricos,

foi

realizada uma Avaliação Ambiental Estratégica in-

tegrada à segunda e à terceira etapas do Plano, que

orientou a proposição dos programas para a região.

A elaboração do Plano foi realizada de forma partici-

pativa, tendo sido realizadas reuniões públicas abertas

para apresentação dos resultados aos Conselhos Esta- duais de Recursos Hídricos ao final de cada etapa, num total de 14 apresentações em 5 Unidades da Federação, que contou com a participação de aproximadamente 135 instituições. Além disso, foi constituído um Grupo Técnico de Acompanhamento da elaboração do Pla- no, formado por representantes dos governos federal e estaduais, da sociedade civil e dos usuários de água

das Unidades da Federação que integram a região. Esse grupo se reuniu cinco vezes em Brasília com a presença

de

um total de 47 instituições. O processo de consul-

ta

e participação permitiu a construção de uma visão

ampla das questões mais críticas da região, refletindo e

integrando os pontos de vista de diversos atores.

Assim, o Plano propõe um conjunto de ações não

estruturais e estruturais baseadas em critérios de sus- tentabilidade hídrica e ambiental. Essas ações estão agrupadas nos seguintes componentes: Fortalecimen-

to da Articulação e Compatibilização das Ações Gover-

namentais (Componente 1); Saneamento Ambiental (Componente 2) e Uso Sustentável dos Recursos Hí- dricos (Componente 3). Os investimentos requeridos totalizam R$ 3,8 bilhões até 2025.

O Componente 1 representa 5% do total de investi-

mentos previstos e inclui quatro programas.

O programa de capacitação e estruturação dos órgãos

estaduais gestores de recursos hídricos apresenta-se

como pré-requisito para a adequada gestão dos recursos

da água, uma das principais fragilidades da região.

15
15

Relatório Síntese

O programa de implementação dos instrumentos de

gestão da água tem como destaque as propostas de

alocação de água (associada à outorga) e de enqua- dramento dos corpos hídricos. Um aspecto relevante

é que, embora a região apresente uma elevada dispo-

nibilidade de água (vazão regularizada mais vazão in- cremental) de 5.447 m 3 /s, existem várias áreas de fra- gilidade hídrica em que são propostos critérios mais restritivos para outorga e ações de fiscalização. Nas bacias dos rios Javaés (inclui rio Formoso e afluentes), Claro, Vermelho e Crixás (bacias com intensa irriga- ção), afluentes do Rio Araguaia, e bacias do Paranã (irrigação) e Itacaiúnas (mineração), afluentes do Rio Tocantins, o estabelecimento de novos usuários pres- sionará ainda mais os recursos hídricos. Além disso, a irrigação de salvamento da cana-de-açúcar, na região de cabeceiras de afluentes do Rio Araguaia, também pressiona adicionalmente os corpos d´água em curto período de tempo.

Em outro programa, de fortalecimento da articulação e

da compatibilização das ações governamentais, desta-

cam-se as ações para integração da gestão ambiental com a de recursos hídricos e as articulações para viabili- zação da navegação no Rio Tocantins. A navegação co-

mercial nesse rio, aliada à construção da Ferrovia Nor- te–Sul em curso, é muito importante para o transporte

de grandes cargas pelo Norte do país. A área de lavou-

do Colegiado de Recursos Hídricos e de um meca-

nismo de articulação intersetorial no âmbito do go- verno via decreto. Paralelamente, de forma gradual, serão iniciadas as consultas e tratativas voltadas para a criação de comitês de bacia hidrográfica primeira- mente nas bacias mais críticas e, em tempo oportu- no, de um Comitê de Integração. A duração de cada etapa depende dos avanços obtidos e da consolida- ção dos consensos das fases anteriores.

O Componente 2 corresponde a 92% do total de

investimentos e inclui três programas de saneamento

ambiental para melhoria das condições de vida da população. Em relação à água, cabe destacar que atualmente cerca de 62% da água utilizada para abastecimento provém de mananciais superficiais e 38%, de subterrâneo. As metas em relação ao abastecimento de água preveem ampliar o índice de

cobertura da população urbana de 84% (média nacional é de 90%) para 92% em 2025, com redução das perdas

de

rede a no máximo 40%. Sobre o índice de cobertura

da

coleta de esgotos, o valor atual é bastante baixo, de

8%, e do total de população com esse serviço, apenas 47% da população têm seus esgotos tratados. A meta,

nesse tema, é atingir, em 2025, 49% de coleta e

tratamento de esgotos pelo menos ao nível primário. Por fim, em relação aos resíduos sólidos, cerca de 79% da população atualmente é atendida por sistemas

ras, na região, até 2025, deve mais que duplicar, atin-

seja possível, é necessária a articulação entre os setores

de coleta e a grande maioria dos municípios utiliza

gindo cerca de 9,7 milhões de ha, concentrados prin-

lixões para disposição final (47% do lixo coletado).

cipalmente na porção sul da região. Nesse sentido, é

O Plano propõe, até 2025 universalizar a coleta e a

fundamental a implementação da Hidrovia do Tocantins

disposição em aterros.

que passa pela conclusão das eclusas de Tucuruí e La- jeados, já iniciadas, e a construção da eclusa de Estreito simultaneamente com as obras da usina. Para que isso

Os investimentos em saneamento na região são fun- damentais para o crescimento sustentável das cidades sem comprometer os recursos hídricos e a saúde da

de transportes e energia. O Rio Araguaia, por sua vez,

devido a características naturais (rio de planície) e maio-

população. Entretanto, prevalecem as dificuldades fi- nanceiras enfrentadas pelas empresas de saneamento

res restrições ambientais – remoção de bancos de areia

da

região, o que conduziu à proposição de uma ação

e pedrais, unidades de conservação, terras indígenas e

de

apoio ao fortalecimento dessas instituições, pré-re-

turismo nas praias – não foi priorizado para navegação,

quisito para sua condição de investimento nos serviços

no

Plano para navegação, até o seu horizonte (2025).

prestados, prevista no Plano.

O

quarto programa do Componente 1 é a proposta

Outro aspecto relevante é que, apesar da elevada

de um arranjo institucional progressivo para a ges- tão dos recursos hídricos, adaptado às dimensões da região e ao nível de organização institucional e da sociedade civil existentes hoje e que implemente os programas previstos no Plano. Para tal, o modelo é dinâmico e se inicia com as criações, no curto prazo,

precipitação em termos médios na região, na bacia

do Paranã há problemas de falta de água em áreas

rurais de vários municípios do Estado do Tocantins (precipitação anual da ordem de 1.200 mm). Por isso, o Plano prevê ação para apoiar o governo na solução dessa questão.

16
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Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

A

ocorrência de doenças de veiculação hídrica,

na

região, está também diretamente vinculada ao

saneamento e é especialmente importante na Região Metropolitana de Belém. Nesse contexto, reveste-se de especial relevância para o Plano a gestão sustentável dos aquíferos Pirabas e Barreiras, que abastecem significativa parte da cidade de Belém.

Outra interface do saneamento é o comprometimento da qualidade das águas superficiais de pequenos rios

localizados em regiões de divisor de águas, em especial

ao longo da rodovia Belém–Brasília. Para isso, a pro-

posta de enquadramento prevê classes menos restriti-

vas para alguns corpos hídricos de menor porte.

O Componente 3 tem interfaces com o uso múltiplo e racional da água, a proteção ambiental e o uso do solo. Representa 3% do total de investimentos e agrega sete programas.

A região vem sendo submetida historicamente a

um processo de desflorestamento para exploração

madeireira e agropecuária. A questão fundiária, es- pecialmente no bioma Amazônico, associado à falta

de

um zoneamento agrícola são fatores críticos des-

sa

questão. As estimativas indicam que a cobertura

vegetal nativa da região será reduzida de 59% para

40% em 2025. As projeções de crescimento das áreas

de agricultura indicam ainda que a competição pelos

solos mais aptos fará com que a expansão da pecuária continue a pressionar ainda mais as áreas de reserva legal e de preservação permanente das propriedades. Associado a esse processo de ocupação e mau uso

do solo, observados na região, desenvolveram-se pro-

orientar o aproveitamento sustentável do alto poten- cial de terras irrigáveis da região, a ser proposto por grupo técnico interministerial a ser criado.

Uma questão de relevância na região é que a maior parte das unidades de conservação (essas unidades ocupam 9% da Região Hidrográfica), incluindo várias de proteção inte- gral, mostram sinais de antropismo e poucas apresentam planos de manejo. Soma-se o fato de que muitas áreas con-

sideradas de alta relevância para a preservação da biodiver- sidade estão sem proteção. Para enfrentar essas questões,

foi elaborado um programa de apoio às ações de criação e

manutenção de unidades de conservação na região.

Em razão do baixo nível de consciência ambiental da população da região, a educação ambiental, com ên- fase em recursos hídricos, também é considerada no Plano. Possui importante interface com as questões de saneamento e o turismo, que apresenta elevado potencial na região (inclui o ecoturismo, o turismo de aventura e a pesca esportiva) embora ainda careça de infraestrutura. Os rios Tocantins e, principalmente, o Araguaia destacam-se pelas praias formadas no perí- odo de estiagem. Existem ainda áreas com grande po- tencial como Belém, os parques do Cantão, Jalapão e Chapada dos Veadeiros. As áreas dos lagos de represas, como Tucuruí, Serra da Mesa e Lajeado, são polos de atração para turismo e lazer.

O programa de proteção e conservação dos ecossis-

temas aquáticos visa a apoiar ações de incentivo e

organização da aquicultura, de incentivo à pesca sus- tentável e de expansão das unidades demonstrativas

de tanque-rede. Nesse contexto, cabe ressaltar que a

cessos erosivos que estão concentrados nas cabecei-

pesca artesanal se constitui em atividade essencial para

ras

dos rios Tocantins e, principalmente, Araguaia.

a

subsistência de grande parte da população ribeirinha

Nesse último, a associação com solos altamente sus-

ção de áreas degradadas que visa a reduzir o processo

e

de peixes, com destaque para o mapará, jaú, filhote,

indígena, e que a região possui cerca de 300 espécies

os

reservatórios, com área total de 5.693 km 2 , apresen-

ceptíveis à erosão conduziu à extensiva formação de voçorocas de médio a grande porte. Assim, o Plano

dourado, tucunaré, jaraqui e pacu-branco. Além disso,

inclui um programa de controle de erosão e recupera-

tam um potencial aquícola expressivo.

de assoreamento dos cursos d´água.

Outro programa prevê o apoio ao uso eficiente da água

na irrigação, a principal demanda de água da região

cuja expansão da atividade em áreas de fragilidade

hídrica é estratégica para a sustentabilidade do uso

da água. Nesse tema é proposta ainda a criação e im-

plementação de programa específico, com a definição

do modelo institucional e a inclusão de instrumentos

regulatórios e econômico-financeiros inovadores, para

Na interface com a questão dos ecossistemas aquáticos,

existe o planejamento da construção das usinas hidre- létricas pelo setor elétrico, que prevê a construção, até 2016, de mais 13 empreendimentos, totalizando 7.229 MW, sendo que Estreito e São Salvador já estão em construção (1.330 MW). Considerando o potencial da região de 23.825 MW, distribuído em 84% na sub-Bacia

do Rio Tocantins e 16% na do Araguaia, o Plano prevê ar-

ticulações para adiar, no horizonte do Plano, a instalação

17
17

Relatório Síntese

das usinas na bacia do Rio do Sono, este um afluente do Tocantins, em função da importância ambiental e hídrica, e o reduzido impacto na potência inventariada (a Usina de Novo Acordo, prevista no PDE 2007-2016, tem potência de 160 MW que equivale a 0,7% do total) que deixa de ser instalada. No caso do Araguaia, pelas suas características hídricas e valor ambiental, o seu tre- cho médio – que inclui diversas terras indígenas, áreas de proteção ambiental, o Parque Nacional do Araguaia, um sítio Ramsar, os parques estaduais do Araguaia e do Cantão e um corredor ecológico – deve ser protegido, de modo a preservar o equilíbrio que depende da ma- nutenção da dinâmica fluvial existente As intervenções planejadas nesta bacia somente poderão receber outorga de uso ou reserva de disponibilidade hídrica depois de demonstrarem que a dinâmica fluvial neste trecho não será afetada.

Adicionalmente, um outro programa propõe um sistema integrado de gestão de reservatórios para melhoria do monitoramento dos corpos d´água e fomento ao uso múltiplo e sustentável dos potenciais dos lagos.

Nas áreas com lacunas de conhecimentos, o Plano prevê programa para elaboração de estudos cobrindo temas como a gestão das águas do aquífero Urucuia (seu papel na manutenção de diversas nascentes na ba- cia do Paranã), os estoques e produção pesqueiros, e a qualidade das águas superficiais (ampliação da rede de monitoramento quali-quantitativa em áreas estratégi- cas, como nas bacias do rio Itacaiúnas – mineração – e Javaés, onde há intensa irrigação).

Assim, considerando o papel que a água desempe- nha na estruturação e no desenvolvimento regional e o grau de interferência que pode sofrer, tanto em disponibilidade quanto qualidade, é fundamental o adequado planejamento de sua utilização e conser- vação, posto que representará o eixo sobre o qual poderão se assentar tais bases. Nesse sentido, se estabelece o desafio de implementar o Plano com articulações nos três níveis de governo e com o com- prometimento de atores sociais e políticos em um processo dinâmico, participativo e focado em resul- tados de curto a longo prazo.

Foto: Eraldo Peres
Foto: Eraldo Peres
Foto: Eraldo Peres

Foto: Eraldo Peres

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Relatório Síntese

1 INTRODUÇÃO

O Conselho Nacional de Recursos Hídricos estabeleceu a divisão do território nacional em 12 regiões hidrográficas, das quais a Região Hidrográfica Tocantins e Araguaia (RHTA) é a mais extensa em termos da área de drenagem integralmente situadao no território brasileiro. A presença, abundância e utilização dos recursos naturais conferem à região um relevante papel no desenvolvimento do país. A região já é palco de um dinâmico processo de desenvolvimento socioeconômico, que deverá se intensificar nas próximas décadas e que tem nos recursos hídricos um dos seus eixos.

Por isso, a região foi definida, pela Agência Nacional

de Águas (ANA), como prioritária para a implementa-

ção dos instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), que são definidos pela Lei 9.433/97. Essa decisão culminou com a elaboração do Plano Es- tratégico de Recursos Hídricos da Bacia dos Rios To- cantins e Araguaia (PERHTA), seguindo a diretriz do Sistema Integrado de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, que é a de implementar a PNRH de forma integrada, descentralizada e participativa nas principais bacias e regiões hidrográficas brasileiras.

O Plano elaborado busca, de fato, articular os instrumen-

tos da PNRH e embasa as ações para a gestão comparti-

lhada e o uso múltiplo e integrado dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos. O caráter estratégico é con- ferido pela busca de minimizar e antecipar conflitos futu- ros, estabelecendo diretrizes para a compatibilização da utilização da água com as demais políticas setoriais para

assegurar o seu uso sustentável.

O processo de elaboração do PERHTA estendeu-se

pelo período de janeiro de 2006 a novembro de 2008 e buscou incorporar a participação de atores da região. No início, foram realizadas reuniões com órgãos de governo federal e estadual, setores usuários e socie-

dade civil para apresentação da proposta de trabalho

do Plano e obtenção de informações para subsidiar o

diagnóstico. Em seguida, ao final de cada uma das três

etapas da sua execução, foram realizadas reuniões pú- blicas abertas com a participação dos Conselhos Esta- duais de Recursos Hídricos. Além disso, foi constituído um Grupo Técnico de Acompanhamento da elaboração

do Plano, formado por representantes dos governos fe-

deral e estaduais, da sociedade civil e dos usuários de água das Unidades da Federação que integram a região.

Os integrantes reuniram-se para tomar conhecimento dos trabalhos realizados e dos resultados obtidos, e

contribuir para o seu aprimoramento. Todo o proces-

so de consulta e participação permitiu a construção de

uma visão ampla das questões mais críticas da região, refletindo e buscando integrar os consensos e pontos

de

vista de diversos atores.

O

presente documento, o Relatório Síntese do PERHTA

se

encontra subdividido em 10 capítulos onde é revisado

e consolidado o acervo de informações produzidas e o

conjunto de ações propostas para a região.

O Capítulo 2 oferece, de forma concisa, uma visão da me-

todologia utilizada nas três etapas de elaboração do Plano

e

as principais fontes de dados consultadas.

O

Capítulo 3 apresenta o processo participativo da sua

elaboração, que contou com as reuniões públicas e com o grupo de acompanhamento técnico.

O Capítulo 4 sintetiza um conjunto extenso de infor-

mações físico-climáticas, socioeconômicas e ambien- tais produzidas e organizadas sobre a Região Hidro- gráfica. Apresenta ainda a disponibilidade hídrica e os diferentes usos da água.

O Capítulo 5 delineia os cenários de utilização dos

recursos hídricos, considerando os múltiplos usos da água até o ano de 2025, horizonte do Plano. Além dis- so, são apresentados os resultados do Modelo Multi- critério desenvolvido, que inclui a Avaliação Ambiental Estratégica, utilizado para a avaliação dos cenários.

No Capítulo 6, são indicados e brevemente descri- tos os programas e ações propostos para a região até 2025 para enfrentar as questões identificadas como mais relevantes para o uso sustentável dos recursos hídricos, apresentadas nos dois capítulos anteriores, não se limitando apenas a ações estruturais. Nes- se sentido, aborda os temas estratégicos e trata da

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Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

aplicação de instrumentos como alocação de água, enquadramento e fiscalização, e ações de fortaleci- mento institucional, entre outros.

O Capítulo 7 propõe um modelo de arranjo institucio- nal para a gestão dos recursos hídricos adaptado às características e dimensões da região, visando à imple- mentação das ações previstas no Plano.

No Capítulo 8 estão descritas as diversas estratégias que buscam implementar o Plano.

O Capítulo 9 apresenta as principais conclusões e reco- mendações do estudo.

Por fim, o Capítulo 10 lista as principais referências bi- bliográficas utilizadas e são acrescentados dois Anexos ao final do documento. O primeiro apresenta as institui- ções e os participantes que tomaram parte no processo participativo de elaboração do Plano, enquanto o segun- do anexo mostra uma síntese de dados consolidados por Unidades de Planejamento e para a Região Hidrográfica.

Foto: Eraldo Peres
Foto: Eraldo Peres
Foto: Eraldo Peres

Foto: Eraldo Peres

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Relatório Síntese

2 METODOLOGIA E BASES DE DADOS

A elaboração do Plano foi dividida em três distintas etapas: Diagnóstico, Avaliação de Cená- rios e Consolidação – cuja interrelação é mostrada na Figura 2.1.

Etapa 1 − Diagnóstico Etapa 2 − Avaliação de cenários Consolidação Perspectivas de Coleta de
Etapa 1 − Diagnóstico
Etapa 2 − Avaliação de cenários
Consolidação
Perspectivas de
Coleta de dados
de bases
desenvolvimento
da região
hidrográfica
Meio físico e biótico
Socioeconomia
Uso do solo
Disponibilidade
Hidrologia
hídrica
Qualidade da água
Eventos críticos
Perspectivas
macroeconômicas
e demográficas do
Brasil
Demandas
Usos da água
hídricas
Saneamento
Cenário Tendencial
Cenários econômicos
Cenário Otimista
Caracterização política,
legal e institucional
Balanço hídrico
Planos e programas
quali-quantitativo
Cenários de demandas hídricas
Cenário Tendencial
Cenário do Plano
Cenário Alternativo
Cenários de balanços hídricos
Diagnóstico integrado
Indicadores de
Recursos Hídricos
e Meio Ambiente
Cenário Tendencial
Cenário do Plano
Cenário Alternativo
Seleção de temas estratégicos e objetivos
Avaliação multicriterial e ambiental
Caracterização temática
Etapa 3 − Consolidação Formulação das intervenções Alocação de água Programas, metas, ações e
Etapa 3 − Consolidação
Formulação das intervenções
Alocação de água
Programas, metas, ações e investimentos
Diretrizes para os instrumentos de
gestão da Lei n o 9.433,
incluindo o enquadramento dos
corpos d’água
Diretrizes para temas estratégicos

Figura 2.1: Etapas da elaboração do PERHTA e atividades principais

No Diagnóstico, foi levantada e sistematizada uma gran- de quantidade de dados anteriormente dispersos nas diversas Unidades da Federação em diferentes órgãos e instituições e com diferentes níveis e escalas de levanta- mento. Todo o acervo obtido foi atualizado e colocado sobre uma base única, que permitiu a realização de es- tudos abrangentes e multissetoriais, o que deu subsídios para a criação de um Banco de Dados associado a um Sistema de Informações Geográficas com ferramentas criadas especificamente para o Plano. O apoio e a co- laboração dos órgãos estaduais e federais, que atuam na região, foram fundamentais não só no processo de obtenção de dados, mas igualmente na sua avaliação.

Com relação às bases e dados coletados, estes cobrem, de forma geral, adequadamente a região e foram consi- derados suficientes e dotados da qualidade necessária para a elaboração do Plano, cuja escala de trabalho foi de 1:1.000.000 e contou essencialmente com dados

secundários. O único conjunto de dados primários utili- zado foi o resultante do cadastramento de campo de irri- gantes da RHTA, realizado no segundo semestre de 2006, cujos resultados foram inseridos no Cadastro Nacional de Usuários de Recursos Hídricos (CNARH) da ANA.

Um aspecto do levantamento de estudos foi a difi- culdade de obtenção de alguns dados em função da escassez e/ou das restrições de acesso. Este é o caso dos dados de hidrometeorologia, em especial sobre qualidade de água, que se mostraram bastante limi- tados diante das dimensões da região e das ativida- des que nela têm lugar. Sua obtenção exigiu seguidos contatos com órgãos públicos e concessionárias de saneamento e energia elétrica na região. De forma si- milar, os dados sobre pesca e aquicultura, mais do que a dificuldade de acesso, revelaram-se limitados em termos de abrangência e, em geral, desatualizados.

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Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

O conjunto de informações produzidas na Etapa de

Diagnóstico permitiu constituir um quadro de refe- rência sobre uma ampla diversidade de temas socio- econômicos, ambientais e, principalmente, hídricos. A partir dele, foram definidos os temas estratégicos e objetivos do Plano (Figura 2.1).

A Etapa de Avaliação de Cenários foi desenvolvida

com o objetivo de analisar e avaliar antecipadamente as pressões e os reflexos do crescimento econômico sobre os recursos hídricos. A construção dos cenários partiu de uma visão do Brasil dentro de um contexto

econômico mundial e dos seus rebatimentos sobre a RHTA (Figura 2.1). Assim, foram adotadas duas hipó- teses de crescimento macroeconômico e estimados cenários potenciais – denominados tendencial e oti- mista – para os diversos segmentos econômicos no horizonte de 2005 a 2025, com resultados para os patamares intermediários a cada cinco anos. A dis- tribuição dos crescimentos econômicos considerou

os vetores de expansão das diversas atividades por

toda a RHTA, as aptidões dos solos e as restrições técnicas e legais para fixação de empreendimentos e preservação ambiental, bem como decisões no plano da gestão de recursos hídricos e ambiental com in- fluência no quadro geral prognosticado para a região.

Os cenários de desenvolvimento econômico subsidia- ram, posteriormente, a construção de três cenários - tendencial, do Plano e alternativo – de crescimento das demandas, disponibilidades e qualidade das águas (Figura 2.1). Os balanços qualitativo e quantitativo fo- ram então executados, de forma a verificar o compro- metimento dos recursos hídricos para atendimento aos diversos usos. Adicionalmente, esses cenários

foram avaliados em relação ao atendimento de cada objetivo do Plano, por meio de uma Avaliação Am- biental Estratégica (AAE) fundamentada em um Mo- delo Multicritério. Essa abordagem orientou a toma- da de decisão mediante um processo estruturado de análises comparativas das diferentes alternativas em cada cenário e subsidiou a proposta de intervenções a serem realizadas na região.

Na Etapa de Consolidação do Plano, foram analisa- dos, de forma integrada, os resultados das etapas anteriores, por meio da espacialização das fragilida- des identificadas no Diagnóstico e que poderão ser agravadas pela intensificação do uso dos recursos naturais, notadamente os hídricos. As questões iden- tificadas como relevantes para o desenvolvimento em bases sustentáveis subsidiaram a construção de um conjunto de diretrizes para programas e ações na re- gião (Figura 2.1). Os custos de investimentos de cada ação foram quantificados e os principais atores fede- rais e estaduais foram identificados.

Ainda nessa etapa, foram estruturadas as diretrizes para a alocação de água, definindo as condições de entrega da água, em termos de quantidade, entre as Unidades da Federação e o enquadramento dos corpos hídricos superficiais da bacia com o estabelecimento de metas para a qualidade da água.

A Tabela 2.1 sistematiza as principais bases e estudos consultados ao longo de todo o Plano. Alguns temas avaliados apresentaram um número bastante diversifi- cado de fontes de informação que, por isso, não foram aqui incluídas, mas podem ser encontradas nos relató- rios específicos de cada etapa do Plano.

Tabela 2.1: Principais fontes de dados utilizados na elaboração do Plano

Tema

Principais fontes

Aspectos gerais

Prodiat (MI e OEA, 1982) e Caderno da Região Hidrográfica (MMA, 2006)

Hidrografia

Base hidroreferenciada (ANA, 2006)

Uso e ocupação do solo

Imagens de satélite CBERS do ano de 2005

Geologia

Carta ao milionésimo da CPRM (SCHOBBENHAUS et al., 2004)

Geomorfologia

Folhas 1:250.000 do Projeto Radam (MME, 1973 a 1983) complementadas e integradas

Solos

Folhas 1:250.000 do Projeto Radam (MME, 1973 a 1983) complementadas, integra- das e reclassificadas para a classificação de solos da Embrapa/CNPS (1999)

Recursos minerais

Contribuição Financeira pela Exploração de Minerais (DNPM, 2005), Anuário Mi- neral Brasileiro (DNPM, 2006a) e Cadastro Mineiro (DNPM, 2006b)

Continua

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Relatório Síntese

Tema

Principais fontes

Unidades de conservação

Arquivos shape file do Ministério do Meio Ambiente (2005) e das Secretarias Estaduais de Meio Ambiente e/ou Recursos Hídricos do Pará, Mato Grosso e To- cantins (2007) e Agência Ambiental de Goiás (2007)

Corredores ecológicos

Ayres et al. (2005)

Áreas prioritárias para conservação da biodiversidade

Portaria nº 9 de 23/01/2007 do Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2007a)

Terras indígenas

Memoriais de demarcação obtidos na Funai (2006)

Comunidades quilombolas

Fundação Cultural Palmares (2006)

 

Água

Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2000b), Sistema Nacional de Informa- ções sobre Saneamento (BRASIL, 2004b), Saneatins (2005) e Saneago (2005)

Saneamento ambiental

Esgoto

Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2000b), Sistema Nacional de Infor- mações sobre Saneamento (BRASIL, 2004b), Saneatins (2005) e Saneago (2005).

Resí-

duos

Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2000b) e Sistema Nacional de Infor- mações sobre Saneamento (BRASIL, 2004b)

sólidos

Socioeconomia

IBGE (2000), Pnud (2000), Ipeadata (2004), Produção Agrícola Municipal (IBGE, 2004a) e Censo Agropecuário (IBGE, 2006)

Climatologia e precipitação

Prodiat (MI e OEA, 1982), Inmet (1992) e Hidroweb (ANA, 2006)

Disponibilidade hídrica superficial

Regionalização de Vazões (ANEEL; FUB, 1999 e 2000; ANEEL; MB ENGENHARIA, 2002; ANEEL; CPRM, 2002) e Reconstituição de Vazões Naturais (ONS, 2004)

Transporte de sedimentos

Lima et al. (2004) e Hidroweb (ANA, 2006)

Energia

Sistema de Informações do Potencial Hidrelétrico (ELETROBRAS, 2006), Avaliação Ambiental Integrada (EPE, 2007a) e Plano Decenal de Energia 2007-2016 (EPE, 2007b)

Navegação

Portobras (1989), Miranda (2000), Ahitar (2004) e Plano Nacional de Logística de Transportes (MT, 2008)

Pesca e aquicultura

BRASIL (1995), Ribeiro et al. (1995), Ibama (2005) e ANA (2006)

Turismo

Endereços eletrônicos das secretarias estaduais do Pará e do Mato Grosso e infor- mações da Agência Goiana de Turismo (Agetur) e Agência de Desenvolvimento Turístico do Tocantins (Adtur) (2006)

Planos e programas

Fundos Constitucionais (MI, 2006), BNDES (2006), ANEEL (2006), Leis Orçamen- tárias Federal, Estaduais e do Distrito Federal de 2007 e Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal (2007)

Águas subterrâneas

Frasca et al. (2001), ANA (2003), Sistema de Informação sobre Águas Subterrâne- as (CPRM, 2006) e Campos et al. (2006)

Qualidade das águas superficiais

Rios - Hidroweb (ANA, 2006), Saneatins (2006), Sema (2006), Projeto Brasil das Águas (2004 e 2006) e AGMA (2007a e 2007b) Reservatórios - Eletronorte (2005), Semesa (2006), Tractebel (2007), Naturae (2003)

Qualidade das águas subterrâneas

ANA (2005) e Campos et al. (2006)

Cenários macroeconômicos

Ipea (2006), EPE (2006) e Plano Nacional de Logística e Transportes (BRASIL, 2007d)

Projeções demográficas e agropecuárias

Censos Agropecuários (IBGE, 1996 e 2006) e Projeções Populacionais (IBGE, 2004b, 2005a e 2007; BRASIL, 2007b)

Foto: Eraldo Peres

Foto: Eraldo Peres

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Relatório Síntese

3 OBJETIVOS

Os objetivos estratégicos do Plano foram estabelecidos considerando os seguintes eixos como referência para sua estruturação:

»

a

Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei

n o 9.433/97), que estabelece como objetivos básicos da gestão dos recursos hídricos sua utilização racional e integrada com vistas ao desenvolvimento sustentável, de modo a as-

segurar à atual e às futuras gerações a neces- sária disponibilidade de água em quantidade

e

padrões de qualidade adequados aos múlti-

plos usos, além da prevenção e defesa contra

eventos hidrológicos críticos;

»

as questões socioambientais identificadas como estratégicas, por estarem associadas aos fatores críticos para o desenvolvimento do setor pro- dutivo da região e possuírem rebatimento direto sobre a gestão dos recursos hídricos;

»

a

sustentabilidade social e ambiental, que visam

ao atendimento às políticas públicas nacionais relacionadas à proteção do meio ambiente, em particular à Política Nacional de Meio Ambiente,

e

aquelas referentes ao bem-estar social, bem

como aos acordos internacionais dos quais o país é signatário, tais como os Objetivos do Mi- lênio (ONU, 2000), Agenda 21 e a Convenção da Biodiversidade;

»

o fortalecimento organizacional dos órgãos gestores de recursos hídricos e meio ambiente

a promoção da articulação interinstitucional para dar suporte à implementação das ações do Plano; e

e

»

gestão descentralizada e participativa preconi- zada na Lei n o 9.433/97.

a

podem sofrer, tanto em termos de disponibili- dade quantitativa quanto qualitativa, o adequa- do planejamento de sua utilização representa o eixo sobre o qual se devem assentar as bases para o sucesso de uma política de desenvolvi- mento que se pretenda sustentável nessa Re- gião Hidrográfica;

» Objetivo II: uso múltiplo, racional, integrado e sustentável dos recursos hídricos com vistas ao desenvolvimento sustentável. Consideran- do os diversos empreendimentos existentes e projetados, a multiplicidade de setores atuantes na RHTA e os potenciais conflitos pelo uso da água, o Plano deve buscar a compatibilização do uso múltiplo da água (abastecimento huma- no, geração de energia, navegação, irrigação, etc.) com as demais políticas setoriais que te- nham interferência sobre os recursos hídricos;

» Objetivo III: contribuir para a melhoria das condições de vida da população nas questões relacionadas aos recursos hídricos. Em con- sonância com as políticas públicas e com os Objetivos do Milênio, busca a melhoria das condições de saneamento que têm reflexos di- retos sobre a melhoria da saúde e o bem-estar da população;

» Objetivo IV: contribuir para a sustentabilidade ambiental visando à conservação dos recursos hídricos. Na RHTA, as atividades econômicas exercem forte pressão sobre a cobertura vegetal, com a consequente perda de vegetação ciliar e degradação de áreas, que interfere nos recursos hídricos através dos processos erosivos e o sub- sequente assoreamento dos corpos d´água. Os instrumentos da Política Nacional de Meio Am- biente e as diretrizes da Convenção da Biodiver- sidade orientam este objetivo;

» Objetivo V: promover a Governança e a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos, mediante o aperfeiçoamento do arcabouço institucional da União e dos Estados. Busca suprir uma

Com baste nestes princípios, foram definidos os se- guintes objetivos do PERHTA:

» Objetivo I: Assegurar à atual e às futuras gera- ções a necessária disponibilidade de água em padrões de qualidade adequados aos respecti- vos usos. Tendo em vista o papel primordial que os recursos hídricos desempenham na estruturação e sustentabilidade do desenvolvi- mento regional e o grau de interferência que

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Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

das maiores fragilidades apontadas no Plano: a necessidade de fortalecer os órgãos gestores estaduais de recursos hídricos e a falta de integração e sinergia entre as políticas públicas setoriais da região. Com este objetivo,

pretende-se assegurar que o conjunto de ações previstas no PERHTA seja implementado de forma consistente e articulada pelas instituições gestoras de recursos hídricos e demais instituições com atuação na região.

Foto: Eraldo Peres
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Foto: Eraldo Peres

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Relatório Síntese

4 PROCESSO DE ELABORAÇÃO

A elaboração do Plano foi iniciada em janeiro de 2006 com a ANA coordenando os trabalhos do Consórcio de empresas Magna-Cohidro, contratado para a execução dos serviços. Inter- namente na Agência, o processo teve a coordenação da Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos e contou com a colaboração de outras superintendências que deram suporte técnico à condução do trabalho em suas áreas específicas de atuação.

A construção do Plano foi conduzida por meio de um

processo participativo com a criação de dois espaços de discussão e de recebimento de contribuições ao estudo: Reuniões Públicas no âmbito dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos e o Grupo Técnico de Acompanhamento (GTA). A interface entre a ANA, o Grupo Técnico de Acompanhamento e a contratada para execução dos serviços é mostrada na Figura 4.1.

O princípio participativo da gestão de recursos hídri-

cos, adotado no PERHTA, é aquele preconizado pela Lei n o 9.433/97, onde é prescrito que a implementa- ção da Política Nacional de Recursos Hídricos deve ser descentralizada e participativa. Nessa linha, a Resolu- ção n o 17 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos

considera que o acompanhamento da elaboração dos planos em bacias hidrográficas com águas de domínio da União deverá ser realizado por uma equipe técnica formada por representantes das Unidades da Federação articulados em nível estadual pelas entidades ou ór- gãos gestores de recursos hídricos. Além disso, acres- centa que a participação da sociedade deve acontecer por meio de consultas públicas, encontros técnicos e oficinas de trabalho, ocasião em que os diversos estu- dos elaborados serão amplamente divulgados.

A abordagem adotada no processo público de par- ticipação do PERHTA foi a de realizar as rodadas de reuniões públicas nas Unidades da Federação ao final de cada uma das três etapas de elaboração do

Coordenação Agência Nacional de Águas Apoio institucional Órgãos gestores de Recursos Hídricos Execução
Coordenação
Agência Nacional
de Águas
Apoio institucional
Órgãos gestores
de Recursos Hídricos
Execução
Acompanhamento
Consórcio
Reuniões em Brasília
Consultas públicas abertas
nas Unidades da Federação
Magna-Cohidro
Grupo técnico de
acompanhamento
Conselhos Estaduais
de Recursos Hídricos
Ministérios
Goiás
Sociedade civil
Tocantins
Órgãos gestores de
recursos hídricos
Pará
No Distrito Federal e no Maranhão,
foram realizadas apresentações
Mato Grosso
Sociedade civil
Usuários de água
do Plano Estratégico sem a
presença dos Conselhos de
Recursos Hídricos
Figura 4.1. Organograma do processo de elaboração do Plano
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Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

Plano Estratégico. A apresentação de informações consolidadas favoreceu o debate e estimulou a con- tribuição dos participantes. Após a conclusão da ro- dada de reuniões, era realizada a análise e incorpora- ção das contribuições recebidas para apresentação, em seguida, dos resultados ao GTA.

As reuniões foram sempre abertas ao público e reali- zadas com a participação dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos. Sua função foi a de apresentar os resultados dos estudos elaborados no Plano, receber contribuições e captar as posições e visões dos usuá-

rios de água, órgãos de governo e sociedade civil sobre

os temas considerados.

A participação do GTA na elaboração do Plano, por

outro lado, seguiu uma linha diferenciada de evolu- ção. A sua constituição e atividades foram desen-

cadeadas logo no início da elaboração do Plano. A mobilização para sua criação foi iniciada a partir das reuniões preparatórias realizadas com ministérios, Congresso Nacional e secretarias de meio ambiente e recursos hídricos dos Estados e do Distrito Federal no período de março a junho de 2006. A ANA solicitou

às instituições a indicação de seus representantes, in-

cluindo titular e suplente, para compor o grupo. Para

as secretarias estaduais, em especial, foi demandada

a indicação de representantes locais dos setores usu- ários e da sociedade civil.

Com a finalização do recebimento das indicações, o GTA foi instalado, em 20 de julho de 2006, com as fun- ções de acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos, de analisar e contribuir com suas experiências para o

alcance dos objetivos do trabalho e de agir como facili- tador na obtenção de dados e informações nas esferas

de sua atuação. A sua composição inclui dez represen-

tantes de ministérios, dois representantes das secreta- rias especiais, um representante das comunidades indí-

genas, um representante do Congresso Nacional e 28 representantes dos Estados e do Distrito Federal. A sua criação foi oficializada com a publicação, pela ANA, da Portaria n o 189, de 17 de novembro de 2006, no Diário Oficial da União (DOU).

A partir do diagnóstico preliminar da região, a ANA

decidiu incorporar estudos ainda não considerados e aprofundar alguns temas estratégicos. A fim de abor- dar adequadamente estas questões, a agência realizou, nos estados de Mato Grosso, Pará, Tocantins e Goiás, no período de dezembro de 2006 a março de 2007,

reuniões com os órgãos gestores de recursos hídricos

e visitou 20 instituições selecionadas. Essa estratégia revelou-se extremamente produtiva pelo conjunto de dados e informações levantado e, em especial, pela contribuição dos técnicos e demais participantes que

conhecem e vivenciam a situação dos recursos hídricos

da região. Todo o processo de recebimento e sistemati-

zação da informação revelou-se demorado e intensivo, tendo sido concluído em julho de 2007.

A primeira rodada de reuniões públicas, para apre-

sentação dos resultados da Etapa de Diagnóstico,

ocorreu nos estados do Tocantins, Mato Grosso, Pará

e Goiás de outubro a novembro de 2007. No caso do

Distrito Federal, foi realizada uma apresentação para

os técnicos do órgão gestor, o IBRAM. Em seguida,

no mês dezembro, os resultados consolidados foram

apresentados ao GTA.

A segunda rodada de reuniões públicas ocorreu, em

abril de 2008, nos estados do Tocantins, Mato Gros- so, Pará e Goiás, com a apresentação da Etapa de

Avaliação dos Cenários. No mês de junho, foi realiza-

da a apresentação para os membros do GTA.

A terceira e última rodada de reuniões públicas visou

apresentar os resultados finais do Plano a todas as Unidades da Federação, incluindo o Distrito Federal

e Maranhão, que, por apresentarem menor represen-

tatividade em termos de população e área na região, não haviam sido incluídas nos eventos anteriores. Cabe ressaltar, entretanto, que durante a elaboração do Diagnóstico, essas Unidades da Federação, por meio dos seus órgãos gestores, colaboraram forne- cendo os dados disponíveis para o estudo.

Assim, nos meses de junho e julho de 2008, nos es- tados do Pará, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Goiás, ocorreram apresentações do relatório de Con- solidação do Plano para apreciação dos atores nos estados. Finalizando o processo de participação pú- blica, os resultados foram apresentados, no mês de outubro, para o GTA.

Durante o processo de elaboração do PERHTA, foram realizadas 3 rodadas de reuniões públicas com 14 apre- sentações em 5 Unidades da Federação, totalizando a participação de cerca de 135 instituições, que incluem governo, sociedade civil e usuários. O GTA, por sua vez, realizou 5 reuniões para deliberação, todas reali- zadas em Brasília, que contaram com a participação de

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Relatório Síntese

47 instituições no total. No Anexo 1, são listados os atores envolvidos nas discussões e debates.

Todos os relatórios do Plano foram previamente disponibilizados para consulta aos participantes das reuniões públicas e do GTA no endereço eletrônico da ANA: <http://www.ana.gov.br/GestaoRecHidricos/ PlanejHidrologico/pbhta/>. As contribuições relativas aos relatórios foram recebidas pelo e-mail: <spr@ana.gov.br>.

Os produtos disponibilizados, no endereço eletrô- nico, foram: Relatório de Diagnóstico; Relatório de Avaliação de Cenários; Relatório de Consolidação. O Relatório de Diagnóstico é complementado por 24 anexos que cobrem os diversos temas relevantes para a avaliação da região: geologia; geomorfologia; recur- sos minerais; solos; risco potencial de erosão; meio biótico; terras indígenas; comunidades quilombolas; socioeconomia; economia regional; saneamento; dis- ponibilidade hídrica superficial; disponibilidade hídri- ca subterrânea; qualidade das águas superficiais; qua- lidade das águas subterrâneas; irrigação; geração de energia; navegação e transporte; pesca e aquicultura;

turismo; caracterização político-institucional; planos e programas; e sedimentometria. Integra também o Diagnóstico, o Relatório de Cadastro de Usuários rea- lizado na região, em que são apresentados os resulta- dos do levantamento de campo de irrigantes.

Complementando esses produtos, foram disponibili- zados 3 Relatórios de Consultas Públicas, onde estão registradas as contribuições recebidas em cada uma das 3 rodadas de reuniões públicas realizadas nas Unidades da Federação que compõem a Região Hidro- gráfica com a participação dos respectivos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos.

Assim, o processo de visita às instituições da região e de consulta e participação, conduzido dentro do Plano, permitiu a construção de uma visão ampla das questões mais críticas da região, refletindo e integrando os pontos de vista de diversos atores. Tais manifestações foram ex- tremamente importantes para a adequação do foco em diversos temas e para que fosse obtido o conjunto de visões que melhor representam os anseios da sociedade.

Foto: Eraldo Peres
Foto: Eraldo Peres
Foto: Eraldo Peres

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Relatório Síntese

5 DIAGNÓSTICO

5.1 ÁREA DE ESTUDO

A

Região Hidrográfica do Tocantins–Araguaia (RHTA) localiza-se entre os paralelos sul 0º 30’

e

18º 05’ e os meridianos de longitude oeste 45º 45’ e 56º 20’. Sua configuração é alongada,

com sentido Sul–Norte, seguindo a direção predominante dos cursos d’água principais, os rios Tocantins e o Araguaia, que se unem na parte setentrional da região, a partir de onde é denominado apenas de Rio Tocantins, que segue até desaguar na Baía da Ilha de Marajó.

A área total de drenagem da RHTA é de 918.822 km 2 , abran- gendo parte das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Ocupa 11% do território nacional, incluindo áreas dos es- tados de Goiás (21,4% da RHTA), Mato Grosso (14,7%), Tocantins (30,2%), Pará (30,3%), Maranhão (3,3%) e o

Distrito Federal (0,1%), totalizando 409 municípios, dos quais 385 (94%) têm sua sede inserida na região (Tabela 5.1). O Estado do Tocantins está integralmente na RHTA. A localização da RHTA, das Unidades da Federação e das se- des municipais que a compõem é apresentada na Figura 5.1.

Tabela 5.1: Participação das Unidades da Federação na RHTA

Unidade da

Área da UF na RHTA

 

Área da RHTA na UF (%)

Federação (UF)

(km 2 )

(%)

Pará

278.073

30,3

22,3

Tocantins

277.621

30,2

100,0

Goiás

196.297

21,4

57,7

Mato Grosso

135.302

14,7

15,0

Maranhão

30.757

3,3

9,3

Distrito Federal

772

0,1

13,3

Total

918.822

100,0

 

Municípios

 

Unidade da

Total

Com sede na RHTA

Federação (UF)

 

(n)

(%)

(n)

(%)

Pará

79

19,3

73

92,4

Tocantins

139

34,0

139

100,0

Goiás

131

32,0

122

93,1

Mato Grosso

37

9,0

33

89,2

Maranhão

22

5,5

18

81,8

Distrito Federal

1

0,2

0

0,0

Total

409

100,0

385

94,1

O Rio Tocantins tem extensão total de aproximadamente 2.400 km e é formado a partir da confluência dos rios das Almas e Maranhão, cujas cabeceiras localizam-se no Pla- nalto de Goiás, a cerca de 1.000 m de altitude, ao norte da cidade de Brasília. Tem área de drenagem de 306.310 km 2 , antes da confluência com o Araguaia, e 764.996 km 2 na

foz, incluída a área de drenagem do Rio Araguaia. Apre- senta, no seu trecho superior a médio, características de rio de planalto, enquanto no trecho médio a inferior, de planície. As grandes usinas hidrelétricas da RHTA estão no Rio Tocantins e são, de montante para jusante, as se- guintes: Serra da Mesa, Cana Brava, Peixe-Angical, Luís

42
42

Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

BELÉM Abaetetuba SÃO LUÍS Rio Guamá UHE Tucuruí MA Marabá TERESINA BR - 235 Imperatriz
BELÉM
Abaetetuba
SÃO LUÍS
Rio Guamá
UHE
Tucuruí
MA
Marabá
TERESINA
BR - 235
Imperatriz
Parauapebas
BR - 310
BR - 230
PA
BR - 235
Araguaína
Carolina
TO - 080
PI
BR - 080
UHE
Lajeado
TO
PALMAS
Lagoa da Confusão
São Félix do Araguaia
BR - 020
BR - 040
Gurupí
GO - 184
UHE Peixe-Angical
BA
MT
UHE
Cana Brava
UHE
Serra da Mesa
Niquelândia
BR - 364
CUIABÁ
Barra do
Garças
BR - 070
DF
BRASÍLIA
GO - 060
BR - 222
Goiás
GOIÂNIA
MG
GO
BR - 222
BR - 060
BR - 060
TO - 373
Rio Araguaia
BR - 158
PA - 150
PA - 150
Rio Tocantins
GO - 184
010-BR

Figura 5.1: Mapa de localização da Região Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia Rodovias Sedes Municipais Rios Principais usinas hidrelétricas N
Capitais
Cidades
Limite estadual
Limite da bacia
Rodovias
Sedes Municipais
Rios
Principais usinas hidrelétricas
N
O
L
0
45
90
180
270
360 km
S
43
43

Relatório Síntese

Rio Pacajá BELÉM 17 Rio Pará SÃO LUÍS 16 15 UHE Tucuruí Rio Guamá Rio
Rio Pacajá
BELÉM
17
Rio Pará
SÃO LUÍS
16
15
UHE
Tucuruí
Rio Guamá
Rio Manuel
Alves
Grande
Rio Itacalúnas
14
MA
TERESINA
Rio Capim
13
Rio Arraias do Araguaia
PA
Rio Cristalino
7
12
Rio do Sono
Rio Manuel Alves Pequeno
Rio do Coco
PI
Rio Tapirapé
Rio Paranã
6
Rio Manuel Alves
Rio Tocantizinho
UHE
Lajeado
11
PALMAS
TO
5
Rio Piranhas
Rio Maranhão
Rio Crixás
Rio Claro
UHE Peixe-Angical
Rio Maria
Rio Caipó
MT
10
BA
Rio Caiapó
3
UHE
Rio Vermelho
Cana Brava
Rio Formoso
Rio do Peixe
UHE
Serra da Mesa
4
8
9
Rio Piranhas
2
CUIABÁ
Rio
das Mortes
DF
BRASÍLIA
1
GOIÂNIA
Rio Pau D’arco
MG
GO
Rio das Garças
Rio Acará
Rio das Almas
Rio Anapu
Rio das Mortes
Rio Araguaia
Rio Parauapebas
Rio Cristalino
Rio Tocantins
Rio Santa Teresa
Rio Javaés
Rio Tocantins

Figura 5.2: Unidades de Planejamento adotadas no Plano

Figura 5.2: Unidades de Planejamento adotadas no Plano Capitais Limite estadual Limite da bacia Rios 1.

Capitais

Limite estadual

Limite da bacia Rios

1.

2.

3.

Baixo Mortes

Alto Mortes

Alto Araguaia

bacia Rios 1. 2. 3. Baixo Mortes Alto Mortes Alto Araguaia 4. Alto Médio Araguaia 5.

bacia Rios 1. 2. 3. Baixo Mortes Alto Mortes Alto Araguaia 4. Alto Médio Araguaia 5.

bacia Rios 1. 2. 3. Baixo Mortes Alto Mortes Alto Araguaia 4. Alto Médio Araguaia 5.

bacia Rios 1. 2. 3. Baixo Mortes Alto Mortes Alto Araguaia 4. Alto Médio Araguaia 5.

bacia Rios 1. 2. 3. Baixo Mortes Alto Mortes Alto Araguaia 4. Alto Médio Araguaia 5.

bacia Rios 1. 2. 3. Baixo Mortes Alto Mortes Alto Araguaia 4. Alto Médio Araguaia 5.

bacia Rios 1. 2. 3. Baixo Mortes Alto Mortes Alto Araguaia 4. Alto Médio Araguaia 5.

4. Alto Médio Araguaia

5.

6.

7.

8.

9.

10. Alto Médio Tocantins

Médio Araguaia

Submédio Araguaia

Baixo Araguaia

Alto Tocantins

Paranã

Submédio Araguaia Baixo Araguaia Alto Tocantins Paranã 11. Sono 12. 13. 14. 15. 16. 17. Médio

Submédio Araguaia Baixo Araguaia Alto Tocantins Paranã 11. Sono 12. 13. 14. 15. 16. 17. Médio

Submédio Araguaia Baixo Araguaia Alto Tocantins Paranã 11. Sono 12. 13. 14. 15. 16. 17. Médio

Submédio Araguaia Baixo Araguaia Alto Tocantins Paranã 11. Sono 12. 13. 14. 15. 16. 17. Médio

Submédio Araguaia Baixo Araguaia Alto Tocantins Paranã 11. Sono 12. 13. 14. 15. 16. 17. Médio

Submédio Araguaia Baixo Araguaia Alto Tocantins Paranã 11. Sono 12. 13. 14. 15. 16. 17. Médio

Submédio Araguaia Baixo Araguaia Alto Tocantins Paranã 11. Sono 12. 13. 14. 15. 16. 17. Médio

11. Sono

12.

13.

14.

15.

16.

17.

Médio Tocantins

Itacaiúnas

Submédio Tocantins

Baixo Tocantins

Pará

Acará-Guamá

N O L S
N
O
L
S
Médio Tocantins Itacaiúnas Submédio Tocantins Baixo Tocantins Pará Acará-Guamá N O L S 0 45 90
0 45 90 180 270 360 km
0 45
90
180
270
360 km
44
44

Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

Eduardo Magalhães (Lajeado) e Tucuruí (Figura 5.1). Os principais tributários do Tocantins, até sua confluência com o Araguaia, estão localizados em sua margem direita, sendo, de montante para jusante, os seguintes: Paranã, Manoel Alves, do Sono e Manoel Alves Grande. Depois da confluência com o Araguaia recebe, pela margem es- querda, o rio Itacaiúnas (Figura 5.2).

O Rio Araguaia, por sua vez, drena uma área de

385.060 km 2 e tem suas nascentes nos rebordos das Serra do Caiapó, entre Goiás e Mato Grosso, em al- titude de 850 m. É tipicamente um rio de planície, percorrendo cerca de 2.000 km na cota de 90 m, quase paralelamente ao Tocantins e nele desembo- ca. Seu principal tributário é o rio das Mortes que o

encontra pela margem esquerda (Figura 5.2).

De acordo com a Resolução nº 32, do Conselho Na-

cional de recursos Hídricos (Brasil, 2003), a RHTA inclui, além das bacias dos rios Tocantins e Araguaia,

duas áreas adjacentes de rios tipicamente de planície. A primeira, localizada a oeste, corresponde às bacias dos rios Pacajá e demais afluentes da margem direita do Rio Pará, que é caracterizado por uma infinidade

de canais que o conectam a calha principal do Ama-

zonas, assim separando a Ilha do Marajó. Apresenta ainda um regime de maré similar àquele ao que o Rio Tocantins está submetido em seu trecho baixo. A segunda área, localizada a leste, inclui as bacias dos rios Acará, Guamá e Moju, adicionadas à região pelas características fisiográficas e a importância histórica de Belém, que está vinculada à navegação fluvial e à

ocupação do território amazônico.

Considerando as unidades de gestão de recursos uti- lizadas pelas Unidades da Federação que compõem a RHTA, a informação hidrológica disponível e os apro- veitamentos hidrelétricos existentes, a região foi subdi- vidida em 17 Unidades de Planejamento (UP) (Figura 5.2). Uma caracterização mais detalhada de cada UP é apresentada no Anexo 2 na Tabela 1.

5.2 CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-BIÓTICA

Clima

A RHTA caracteriza-se pela regularidade climática

com estações que apresentam pequenas variações

anuais e índices pluviométricos e termométricos cres- centes no sentido sul–norte. Segundo a metodologia

de Köeppen, os seguintes tipos climáticos são identi-

ficados (Figura 5.3):

»

Af (úmido megatérmico): elevados totais pluviomé- tricos anuais, superiores a 3.000 mm, sem estação seca, com totais pluviométricos superiores a 100

durante todos os meses do ano e temperatura média mensal da ordem de 26 °C;

mm

»

Am

(tropical úmido megatérmico): índice pluvio-

métrico anual da ordem de 2.000 mm, modera-

do período de estiagem (entre julho e setembro), com precipitações inferiores a 50 mm e tempera-

tura

média de 26 °C;

»

Aw

(quente e úmido megatérmico): índice plu-

viométrico anual da ordem de 1.700 mm, tem-

peraturas médias mensais oscilando entre 24 e 26 °C, período de estiagem no trimestre junho a agosto, quando os totais pluviométricos men-

sais

são inferiores a 10 mm; e

»

Cwa (tropical de altitude): índice pluviométrico anual da ordem de 1.500 mm, com período de estiagem entre abril e setembro e temperatura média de 21 °C.

O regime das chuvas da região é devido, quase que ex-

clusivamente, aos sistemas de circulação atmosférica, sendo que o efeito do relevo é pouco significativo. As médias anuais de precipitação de cada UP são apresen-

tadas no Anexo 2 na Tabela 6. A precipitação média na região é de 1.744 mm com os totais pluviométricos crescendo de sul para norte – valores próximos a 1.500 mm (Brasília) a 3.000 mm (Belém) – e decrescendo no sentido de oeste para leste – valores da ordem de 1.800 mm a 1.200 mm (Figura 5.4). Cabe destacar que, principalmente na porção sudeste, na UP Paranã, os índices são menores que 1.200 mm.

A RHTA apresenta essencialmente duas estações. Nas

partes central e sul da região, há distinção marcante en- tre as estações: o período chuvoso compreende os me- ses de novembro a março e o seco, os meses de maio

a setembro, com os meses de abril e outubro como

transição. Esses períodos são menos distintos na parte

norte, onde o início do período chuvoso ocorre mais tarde. Assim, a estação chuvosa começa em janeiro e termina em abril e o período de menor intensidade de chuvas se estende de junho a novembro.

Geologia

Os compartimentos geológicos, que constituem a RHTA, são apresentados na Figura 5.5.

45
45

Relatório Síntese

BELÉM Breves Porto de Moz SÃO LUÍS Altamira Tucuruí MA Marabá Imperatriz TERESINA Grajaú PA
BELÉM
Breves
Porto de Moz
SÃO LUÍS
Altamira
Tucuruí
MA
Marabá
Imperatriz
TERESINA
Grajaú
PA
São Felix Xingu
Carolina
PI
Conceição Araguaia
PALMAS
Porto Nacional
TO
Peixe
Taguatinga
BA
MT
Paranã
Posse
CUIABÁ
Formosa
Aragarças
Pirenópolis
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO

Figura 5.3: Tipos climáticos de Köeppen

Fonte: Inmet.

N O L S
N
O
L
S
Tipos climáticos de Köeppen Fonte: Inmet. N O L S Capitais Cidades Limite estadual Limite da

Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia Rios Estação climatológica

S Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia Rios Estação climatológica Af Am Aw Cwa 0

S Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia Rios Estação climatológica Af Am Aw Cwa 0

S Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia Rios Estação climatológica Af Am Aw Cwa 0

S Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia Rios Estação climatológica Af Am Aw Cwa 0

Af

Am

Aw

Cwa

S Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia Rios Estação climatológica Af Am Aw Cwa 0
0 45 90 180 270 360 km
0 45
90
180
270
360 km
46
46

Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

BELÉM SÃO LUÍS MA TERESINA PA PI PALMAS TO BA MT CUIABÁ DF BRASÍLIA GOIÂNIA
BELÉM
SÃO LUÍS
MA
TERESINA
PA
PI
PALMAS
TO
BA
MT
CUIABÁ
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO

Figura 5.4: Isoietas de precipitação anual

Fonte: ANA – Hidro

- 1.800Isoietas de precipitação anual Fonte: ANA – Hidro - 1.900 - 2.000 - 2.100 - 2.200

- 1.900de precipitação anual Fonte: ANA – Hidro - 1.800 - 2.000 - 2.100 - 2.200 -

- 2.000precipitação anual Fonte: ANA – Hidro - 1.800 - 1.900 - 2.100 - 2.200 - 2.300

- 2.100anual Fonte: ANA – Hidro - 1.800 - 1.900 - 2.000 - 2.200 - 2.300 -

- 2.200anual Fonte: ANA – Hidro - 1.800 - 1.900 - 2.000 - 2.100 - 2.300 -

- 2.300Fonte: ANA – Hidro - 1.800 - 1.900 - 2.000 - 2.100 - 2.200 - 2.400

- 2.400– Hidro - 1.800 - 1.900 - 2.000 - 2.100 - 2.200 - 2.300 - 2.500

- 2.500- 1.800 - 1.900 - 2.000 - 2.100 - 2.200 - 2.300 - 2.400 1.701 1.801

1.701

1.801

1.901

2.001

2.101

2.201

2.301

2.401

- 2.600- 2.500 1.701 1.801 1.901 2.001 2.101 2.201 2.301 2.401 - 2.700 - 2.800 - 2.900

- 2.7001.701 1.801 1.901 2.001 2.101 2.201 2.301 2.401 - 2.600 - 2.800 - 2.900 - 3.000

- 2.8001.801 1.901 2.001 2.101 2.201 2.301 2.401 - 2.600 - 2.700 - 2.900 - 3.000 -

- 2.9001.901 2.001 2.101 2.201 2.301 2.401 - 2.600 - 2.700 - 2.800 - 3.000 - 3.100

- 3.0002.101 2.201 2.301 2.401 - 2.600 - 2.700 - 2.800 - 2.900 - 3.100 - 3.200

- 3.1002.201 2.301 2.401 - 2.600 - 2.700 - 2.800 - 2.900 - 3.000 - 3.200 -

- 3.2002.301 2.401 - 2.600 - 2.700 - 2.800 - 2.900 - 3.000 - 3.100 - 3.300

- 3.300- 2.600 - 2.700 - 2.800 - 2.900 - 3.000 - 3.100 - 3.200 2.501 2.601

2.501

2.601

2.701

2.801

2.901

3.001

3.101

3.201

N O L S
N
O
L
S
2.501 2.601 2.701 2.801 2.901 3.001 3.101 3.201 N O L S Capitais Limite estadual Limite

Capitais

Limite estadual

Limite da bacia

Rios

Estação pluviométrica

Precipitação total anual (mm)

- 1.200Estação pluviométrica Precipitação total anual (mm) - 1.300 - 1.400 - 1.500 - 1.600 - 1.700

- 1.300pluviométrica Precipitação total anual (mm) - 1.200 - 1.400 - 1.500 - 1.600 - 1.700 1.122

- 1.400Precipitação total anual (mm) - 1.200 - 1.300 - 1.500 - 1.600 - 1.700 1.122 1.201

- 1.500Precipitação total anual (mm) - 1.200 - 1.300 - 1.400 - 1.600 - 1.700 1.122 1.201

- 1.600total anual (mm) - 1.200 - 1.300 - 1.400 - 1.500 - 1.700 1.122 1.201 1.301

- 1.700total anual (mm) - 1.200 - 1.300 - 1.400 - 1.500 - 1.600 1.122 1.201 1.301

1.122

1.201

1.301

1.401

1.501

1.601

anual (mm) - 1.200 - 1.300 - 1.400 - 1.500 - 1.600 - 1.700 1.122 1.201
0 45 90 180 270 360 km
0 45
90
180
270
360 km
47
47

Relatório Síntese

BELÉM SÃO LUÍS MA TERESINA PA PI PALMAS TO BA MT CUIABÁ DF BRASÍLIA GOIÂNIA
BELÉM
SÃO LUÍS
MA
TERESINA
PA
PI
PALMAS
TO
BA
MT
CUIABÁ
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO

Figura 5.5: Compartimentos geológicos

Coberturas cenozóicas Bacia do Parnaíba Capitais Grupo Barreiras Cráton do São Francisco Limite estadual
Coberturas cenozóicas
Bacia do Parnaíba
Capitais
Grupo Barreiras
Cráton do São Francisco
Limite estadual
(coberturas cratônicas)
Bacia Sanfranciscana
Limite da bacia
Bacia do Parecis
Província Tocantins
Rios
Bacia do Amazonas
Cráton de São Luís
Bacia do Paraná
Cráton Amazônico
N
O
L
0 45
90
180
270
360 km
S
48
48

Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

Os terrenos mais antigos, do pré-Brasiliano, correspon- dem aos crátons do Amazonas (12% da área da RHTA), São Luiz (Domínio Gurupi) (0,1%) e São Francisco (2%) (Figura 5.5). São constituídos basicamente por terrenos granitoides e sequências vulcano-sedimentares do tipo greenstone belt, representados por rochas metamórfi- cas e ígneas do Paleoproterozoico e Arqueano (mais de 1,7 bilhões de anos). No caso do cráton do São Francisco, a idade das rochas é menor, pois aflora, na RHTA, a cobertura cratônica, o Grupo Bambuí (950 a 650 milhões de anos).

O período Brasiliano corresponde aos terrenos da Pro-

víncia Tocantins, que ocupa 28% da área da RHTA (Figura 5.5). Estes terrenos são compostos por rochas metamórficas e ígneas de idades variadas do Arqueano até o Neoproterozoico (entre 2.900 e 530 milhões de anos). Inclui sequências vulcano-sedimentares e sedi- mentares, complexos máfico-ultramáficos acamada- dos, terrenos tipo greenstone belt e granitoides.

O pós–Brasiliano - 530 milhões de anos até a presente

data – corresponde às áreas dominadas por rochas se- dimentares. Neste conjunto, destacam-se, as bacias sedimentares do Amazonas, Parnaíba, Paraná, San-

franciscana e Parecis (Figura 5.5), que ocupam 30%

da superfície da RHTA. As coberturas cenozoicas, na

qual se destacam o Grupo Barreiras e as formações Araguaia e Ipixuna, recobrem as demais unidades ge- otectônicas da região.

Geomorfologia

Os domínios geomorfológicos da RHTA (Figura 5.6) mostram o predomínio de planaltos e depressões, ca- racterizando um relevo, de forma geral, muito plano, porém com diversos degraus associados a ciclos ero- sivos. As feições geomorfológicas na região guardam estreita relação com a geologia (Figura 5.5) e a hipso- metria (Figura 5.7).

As maiores altitudes, superiores a 600 m, ocorrem nas regiões sul e sudeste da RHTA (Figura 5.7) e correspondem geomorfologicamente à porção sul do Planalto dos Guimarães (em termos geológicos, a Bacia Sedimentar do Paraná, Figura 5.5), o Planalto Central Goiano (parte da Província Tocantins) e os Planaltos em Estruturas Dobradas (parte da Provín- cia Tocantins) e Concordantes (Bacia Sanfranciscana) (Figura 5.6). No Planalto Central Goiano, a norte do Distrito Federal, são observadas as maiores altitudes, com a cota chegando a 1.669 m, e a presença de ex-

tensos topos planos em chapadas, como ocorre nas chapadas de Brasília e dos Veadeiros.

Nessse domínios geomorfológicos situados em por- ções mais altas, de planaltos e serras, ocorrem áreas mais deprimidas com cotas entre 600 e 400 m (Figura 5.7), com destaque para a Depressão Pediplanada do Paranã, na porção sudeste da região (Figura 5.6), que corresponde geologicamente à Cobertura do Cráton do São Francisco (grupo Bambuí) (Figura 5.5).

As altitudes entre 400 e 300 m correspondem a áreas de transição entre as depressões e os planaltos e ser- ras, constituindo divisores de água de alguns rios im- portantes da região (Figura 5.7). Destaca-se, o divisor das bacias do Araguaia e Tocantins, que ocupa a parte central da RHTA, e constitui, em parte, as unidades ge- omorfológicas de Planalto e de Patamar de Interflúvio Araguaia-Tocantins (Figura 5.6).

A Figura 5.7 mostra que as altitudes entre 300 e 100 m

predominam amplamente na RHTA e abrangem a maior parte das áreas das bacias dos rios Tocantins e Araguaia.

No caso da bacia do Rio Araguaia, o trecho médio cor-

responde à Depressão do Araguaia, a parte mais central,

à Planície do Bananal, e o trecho baixo, à Depressão

Periférica do Sul do Pará. Cabe destacar a Planície do Bananal, que engloba a Ilha do Bananal, uma área pe- riodicamente alagada, com relevo extremamente plano nivelado na altitude de 200 m. Do ponto de vista geo- lógico, essa região é uma bacia sedimentar associada às coberturas cenozoicas recentes, responsáveis inclusive

pela formação da referida ilha. Já a região da Depressão Periférica do Sul do Pará, onde o Rio Araguaia apresen-

ta uma planície de inundação mais restrita, correspon-

de a um trecho de embasamento geológico antigo da

Província Tocantins e do Cráton do Amazonas.

O Rio Tocantins, no entanto, atravessa, nos seus tre-

chos alto e em parte do médio, o domínio geomorfo- lógico da Depressão do Tocantins, que corresponde, em grande parte às rochas da Província Tocantins. Já no trecho médio, mais a norte, cruza uma área carac- terística de depressão monoclinal, a Depressão do Mé- dio Tocantins, que secciona a borda ocidental da Bacia Sedimentar do Parnaíba. De modo geral, essa região do Rio Tocantins mostra um modelado quase plano e, portanto, com fraco grau de dissecação e altitudes que variam de 200 m no norte a 500 m na extremidade sul.

49
49

Relatório Síntese

BELÉM SÃO LUÍS MA TERESINA PA PI PALMAS TO BA MT CUIABÁ DF BRASÍLIA GOIÂNIA
BELÉM
SÃO LUÍS
MA
TERESINA
PA
PI
PALMAS
TO
BA
MT
CUIABÁ
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO

Figura 5.6: Unidades de relevo

Limite da bacia Rios Depressão Ortoclinal do Médio Tocantins Depressão do Araguaia Depressão do Tocantins
Limite da bacia
Rios
Depressão Ortoclinal
do Médio Tocantins
Depressão do Araguaia
Depressão do Tocantins
Domínio das Depressões Pediplanadas
Domínios Planaltos em Estruturas
Sedimentares Concordantes
Planalto Dissecado do Sul do Pará
Domínio geomofológico
Planalto Residual do Tocantins
Capitais
Limite estadual
Planalto Setentrional
Pará−Maranhão
Domínios Planaltos em Estruturas
Sedimentares Dobradas
Planalto do Interflúvio
Araguaia−Tocantins
Depressão Periférica
do Sul do Pará
Planalto dos Guimarães (Alcantilado)
Patamares do Interflúvio Araguaia−Tocantins
N
Planalto Central Goiano
Planície do Bananal
O
L
0 45
90
180
270
360 km
S
50
50

Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

BELÉM SÃO LUÍS MA TERESINA PA PI BA MT CUIABÁ DF BRASÍLIA GOIÂNIA MG GO
BELÉM
SÃO LUÍS
MA
TERESINA
PA
PI
BA
MT
CUIABÁ
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO

Figura 5.7: Mapa hipsométrico

Fonte: SRTM.

Altitude (m)

0 - 100GO Figura 5.7: Mapa hipsométrico Fonte: SRTM. Altitude (m) - 200 - 300 - 400 -

- 2005.7: Mapa hipsométrico Fonte: SRTM. Altitude (m) 0 - 100 - 300 - 400 - 600

- 300Mapa hipsométrico Fonte: SRTM. Altitude (m) 0 - 100 - 200 - 400 - 600 -

- 400hipsométrico Fonte: SRTM. Altitude (m) 0 - 100 - 200 - 300 - 600 - 1.669

- 600Fonte: SRTM. Altitude (m) 0 - 100 - 200 - 300 - 400 - 1.669 N

- 1.669Fonte: SRTM. Altitude (m) 0 - 100 - 200 - 300 - 400 - 600 N

N O L S
N
O
L
S
(m) 0 - 100 - 200 - 300 - 400 - 600 - 1.669 N O

Capitais

Limite estadual

Limite da bacia

Rios

101

201

301

401

601

400 - 600 - 1.669 N O L S Capitais Limite estadual Limite da bacia Rios
0 45 90 180 270 360 km
0 45
90
180
270
360 km
51
51

Relatório Síntese

Na porção mais norte da RHTA, que corresponde ao trecho baixo do Rio Tocantins e às bacias de diversos rios como o Acará, Guamá e afluentes do Pará, predomi- nam as cotas altimétricas inferiores a 100 m, que estão associadas à porção setentrional da Depressão Periférica do Sul do Pará e ao Planalto Setentrional Pará-Maranhão (Figura 5.7) e correspondem geologicamente à parte do Cráton do Amazonas e das bacias sedimentares do Par- naíba e do Amazonas e ao Grupo Barreiras.

Por fim, o mapa hipsométrico evidencia que o Rio To- cantins, nos trechos alto e médio, apresenta caracte-

rísticas de rio de planalto, enquanto o Rio Araguaia e

o baixo Tocantins, são tipicamente de planície (Figura

5.7). Esse aspecto determina características bastante distintivas entre as duas bacias, já que, por exemplo, o Rio Tocantins concentra o potencial hidroenergético da RHTA, enquanto o Araguaia, por suas áreas de inunda- ção, apresenta expressivo potencial piscícola.

Solos

As seis classes de solos predominantes, na RHTA, são as seguintes: argissolo vermelho-amarelo (ocupa 17,2% da área total da região); neossolo quartzarênico (15,4%); latossolo vermelho-amarelo (14,9%); plintos- solo háplico (13,8%); latossolo amarelo (9,5%) e neos- solo litólico (7,7%).

O mapa de solos da região é apresentado na Figura 5.8.

Além dessas classes principais, que representam cerca de 79% da área total da RHTA, foram ainda identificadas mais 15 que apresentam menor importância face às suas áreas de ocorrência mais restritas.

A partir das classes de solos, foi realizada a caracterização dos grupos de aptidão agrícola, segundo a classificação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) (1999) (Figura 5.9). Os Grupos 1, 2 e 3 são representados pelas terras com aptidão agrícola para uso com lavouras nos sistemas de manejo A, B ou C e ocupam, respectivamente, 17,6%, 44,0% e 17,5% da superfície da RHTA. O Grupo 4 inclui as terras com aptidão agrícola para uso com pastagem plantada, que representam 6,7% da região. O Grupo 5, re- presentado pelas terras com aptidão agrícola para uso com pastagem natural ou com silvicultura, ocupa 5,9% da RHTA e, por fim, o Grupo 6 das terras não indicadas para utiliza- ção agrícola representa apenas 6,7% da área total. Os outros 1,6% de área na RHTA correspondem aos corpos hídricos

Aproximadamente 79% das terras que integram a re- gião apresentam aptidão para agricultura (classes 1, 2 ou 3). As maiores extensões de terras com aptidão es- tão localizadas nas UP Acará-Guamá (8,8% da RHTA), Médio Araguaia (7,8%), Médio Tocantins (7,4%) e Alto Médio Tocantins (6,3%).

Na região do Cerrado, apresentam melhor aptidão agrí- cola (Classe 1) os latossolos vermelho-amarelo, o latos- solo vermelho e o latossolo amarelo, que são solos mi- nerais, não hidromórficos, profundos e bem drenados. Concentram-se, principalmente, nas UPs Alto Mortes, Alto Médio Araguaia, Médio Araguaia e Alto Médio Tocantins. Na região da Amazônia, as classes de solo que apresentam melhor aptidão agrícola (Classe 1) são os latossolos amarelo e vermelho-amarelo concentrados principalmente na UP Acará-Guamá.

Foi realizada avaliação das áreas potencialmente ir- rigáveis na região, apresentadas na Figura 5.10, que

Foto: Eraldo Peres
Foto: Eraldo Peres
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Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

BELÉM SÃO LUÍS MA TERESINA PA PI PALMAS BA MT CUIABÁ DF BRASÍLIA GOIÂNIA MG
BELÉM
SÃO LUÍS
MA
TERESINA
PA
PI
PALMAS
BA
MT
CUIABÁ
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO
Figura 5.8: Principais classes de solos
Classes de Solos
Capitais
Argissolo vermelho-amarelo
Neossolo litólico
Neossolo quartzarênico
Outras
Limite estadual
Latossolo vermelho-amarelo
Limite da bacia
Plintossolo háplico
Latossolo amarelo
N
O
L
0
45
90
180
270
360 km
S
53
53

Relatório Síntese

BELÉM SÃO LUÍS MA TERESINA PA PI PALMAS TO BA MT CUIABÁ DF BRASÍLIA GOIÂNIA
BELÉM
SÃO LUÍS
MA
TERESINA
PA
PI
PALMAS
TO
BA
MT
CUIABÁ
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO

Figura 5.9: Mapa de aptidão agrícola de solos

N O L S
N
O
L
S
Figura 5.9: Mapa de aptidão agrícola de solos N O L S Capitais Limite estadual Limite

Capitais

Limite estadual

Limite da bacia

Rios

Aptidão boa para lavourasAptidão regular para lavouras Aptidão regular para pastagem

Aptidão regular para lavourasAptidão boa para lavouras Aptidão regular para pastagem

Aptidão regular para pastagemAptidão boa para lavouras Aptidão regular para lavouras

natural

Aptidão regular para pastagem plantadapara lavouras Aptidão regular para pastagem natural Aptidão regular para silvicultura Aptidão restrita para

Aptidão regular para silviculturapastagem natural Aptidão regular para pastagem plantada Aptidão restrita para lavouras Sem aptidão agrícola 0 45

Aptidão restrita para lavourasregular para pastagem plantada Aptidão regular para silvicultura Sem aptidão agrícola 0 45 90 180 270

Sem aptidão agrícolapara pastagem plantada Aptidão regular para silvicultura Aptidão restrita para lavouras 0 45 90 180 270

Aptidão regular para silvicultura Aptidão restrita para lavouras Sem aptidão agrícola 0 45 90 180 270
0 45 90 180 270 360 km
0 45
90
180
270
360 km
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54

Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

BELÉM SÃO LUÍS MA TERESINA PA PI Rio Manuel Alves PALMAS Rio Crixás TO Rio
BELÉM
SÃO LUÍS
MA
TERESINA
PA
PI
Rio Manuel Alves
PALMAS
Rio Crixás
TO
Rio Vermelho
BA
MT
Rio Claro
Rio Formoso
Rio Caiapó
CUIABÁ
Rio das Garças
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO
Rio das Mortes
Rio das Almas
Rio Araguaia
Rio Santa Teresa
Rio Javaés
Rio Paranã
TocantinsRio

Figura 5.10: Localização das áreas potencialmente irrigáveis

Capitais Solos irrigáveis - Classes 1, 2 e 3 Limite estadual Solos irrigáveis - Classe
Capitais
Solos irrigáveis - Classes 1, 2 e 3
Limite estadual
Solos irrigáveis - Classe 4 (Programa Prodoeste)
Solos irrigáveis - Classe 4 (Projeto Formoso)
Limite da bacia
Rios
N
O
L
0 45
90
180
270
360 km
S
55
55

Relatório Síntese

totalizam 5,4 milhões de ha. Para definição dessas áreas foram utilizados seguintes critérios: adoção de somente as Classes 1 e 2 de solos com potencial para

a irrigação, sendo que, na UP do Médio Araguaia, fo-

ram considerados os solos Classe 4, com aptidão res- trita para irrigação, em função dos grandes aproveita- mentos existentes e previstos (Prodoeste do governo do Estado do Tocantins) nesse tipo de solo; exclusão das áreas das unidades de conservação e terras in- dígenas; exclusão das áreas de déficit hídrico anual

menor que 200 mm; limitação das áreas potenciais dentro de faixas de 20 km em cada margem dos rios

principais, Tocantins e Araguaia; limitação das áreas potenciais dentro de faixas de 10 km em cada mar- gem dos seguintes rios: das Mortes, Formoso, Javaés, Claro, Vermelho, Crixás-Açu (na Bacia do Araguaia)

e Almas, Maranhão, Paranã, Manuel Alves e Santa

Tereza (na bacia do Tocantins); eliminação das áreas de cabeceiras dos rios selecionados, considerando os rios somente após drenarem áreas na faixa de 5.000

a 10.000 km 2 . Cabe destacar que a altura manométri-

ca máxima de bombeamento não foi considerada na análise, em razão da escala de trabalho do estudo e da imprecisão dos dados altimétricos disponíveis nas bases utilizadas.

A distribuição das áreas potencialmente irrigáveis por UP é apresentada na Tabela 10 do Anexo 2. O potencial da RHTA está distribuído da seguinte forma entre as UPs: Alto Médio Tocantins (24% do total de áreas po- tencialmente irrigáveis da RHTA); Alto Araguaia (15%); Alto Médio Araguaia (14%); Médio Tocantins (10%); Submédio Araguaia (9%); Baixo Araguaia (9%) e Alto Tocantins (8%). Sob a perspectiva das Unidades da Fe- deração, o estado de Goiás detém 35,1% das áreas po- tencialmente irrigáveis, sendo seguido pelo estado do Tocantins (34,4% da área total), Mato Grosso (13,3%), Pará (13,0%) e Maranhão (4,3%).

Se as potencialidades de exploração econômica da re- gião são expressivas, por outro lado, as condições fí- sicas e climáticas, associadas à atividade agropecuária, intensificam o desenvolvimento de processos erosivos na bacia, os quais se manifestam desde sulcos até vo- çorocas de extensão quilométrica e repercutem direta- mente sobre o assoreamento dos corpos d´água.

Os solos que apresentam maior suscetibilidade à erosão, na RHTA, devido à sua baixa coesão e alta friabilidade, são os neossolos quartzarênicos, litóli-

cos e flúvicos. Este é um aspecto relevante uma vez que ocupam cerca de 24% da área total da RHTA.

As áreas de forte declividade, como os divisores de água no sul da RHTA, e as áreas que tiveram sua cobertura vegetal original retirada apresentam risco elevado de erosão (Figura 5.11). Esse é o caso da porção norte da bacia nas UPs Pará e Acará-Guamá, onde as faixas ao longo das rodovias, que concen- tram as atividades antrópicas mostram um risco de erosão médio a alto.

Os problemas erosivos, na RHTA, estão concentra- dos especialmente nas cabeceiras do Rio Araguaia,

na UP Alto Araguaia. Foram identificadas 304 feições erosivas que, mesmo dispersas em uma região com 62.000 km 2 , se concentram em áreas preferenciais como nas nascentes das bacias dos rios Claro, Caia-

pó e Piranhas, Peixes, Babilônia e Araguaia, áreas de

erodibilidade forte (Santana, 2007). Os focos erosivos lineares variam de pequeno a médio porte (até cerca

de 300 m de extensão) até grande porte (mais de 300

até cerca de 4.000 m), sendo que, em geral, esses últimos estão conectados diretamente ao próprio Rio Araguaia. Outro aspecto a ser destacado é que, no Estado de Goiás, predominam os focos de pequeno a médio porte, enquanto em Mato Grosso, os de grande porte (Castro et al., 2004). As voçorocas se concen- tram na superfície de ocorrência dos neossolos quart- zarênicos – em grande parte derivados dos arenitos que formam o aquífero Guarani – que é rebaixada dis- secada e suavizada e contorna a superfície cimeira, da chapada, que é o nível de recarga do aquífero regional (Castro, 2005). Desenvolvem-se principalmente nas áreas de pastagem, seguida daquelas de agricultura, e

estão associadas ao manejo inadequado do solo, que propicia a incisão de canais e o consequente avanço remontante e ramificação (Barbalho, 2002).

Biomas e biodiversidade

Na RHTA ocorrem os biomas Amazônia (Floresta Amazônia de Terra Firme ou Floresta Ombrófila) e Cer- rado (Savana), que ocupam, respectivamente, 35% e 65% da área (Figura 5.12).

O bioma Amazônia é formado pelos seguintes ecos-

sistemas: floresta ombrófila densa; floresta ombrófi- la aberta, floresta estacional decidual e semidecidual; campinarana; formações pioneiras; refúgios montanos; savanas amazônicas; matas de terra firme; matas de

56
56

Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

BELÉM SÃO LUÍS MA TERESINA PA PI PALMAS BA MT CUIABÁ DF BRASÍLIA GOIÂNIA MG
BELÉM
SÃO LUÍS
MA
TERESINA
PA
PI
PALMAS
BA
MT
CUIABÁ
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO
Figura 5.11: Risco potencial de eroso do solo
Risco de erosão
Capitais
Muito alto
Alto
Limite estadual
Moderado
Limite da bacia
Rios
Baixo
Muito baixo
N
O
L
0
45
90
180
270
360 km
S
57
57

Relatório Síntese

AP BELÉM SÃO LUÍS AM MA CE TERESINA PA PI PE PALMAS TO BA MT
AP
BELÉM
SÃO LUÍS
AM
MA
CE
TERESINA
PA
PI
PE
PALMAS
TO
BA
MT
CUIABÁ
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
GO
MG
ES
MS
SP

Figura 5.12: Biomas da RHTA

N O L S
N
O
L
S
GO MG ES MS SP Figura 5.12: Biomas da RHTA N O L S Capitais Limite

Capitais

Limite estadual

Limite da bacia

Rios

Amazônia5.12: Biomas da RHTA N O L S Capitais Limite estadual Limite da bacia Rios Cerrado

Cerrado5.12: Biomas da RHTA N O L S Capitais Limite estadual Limite da bacia Rios Amazônia

Biomas da RHTA N O L S Capitais Limite estadual Limite da bacia Rios Amazônia Cerrado
0 45 90 180 270 360 450 km
0 45
90
180
270
360
450 km
58
58

Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

várzea e matas de igapós. Na RHTA, nesse bioma, o ecossistema de maior expressão é o da floresta ombró- fila densa.

Nas áreas pertencentes a esse bioma, predominam os climas de Köeppen Af (úmido megatérmico) no extremo

norte da bacia e Am (clima tropical úmido megatérmico).

As elevadas pluviosidade e temperatura, aliadas à geologia,

proporcionaram condições para a formação de solos que,

no entanto, apresentam, via de regra, baixas fertilidades

naturais. No bioma existe um equilíbrio (clímax) baseado

na reciclagem de compostos orgânicos, onde a maior par-

te da biomassa fixada por meio da fotossíntese vegetal é reincorporada ao processo, principalmente pela queda de folhas que, assim, são incorporadas aos solos. A rápida re- ciclagem desses nutrientes garante o equilíbrio necessário à manutenção da floresta.

O bioma Cerrado, por sua vez, apresenta formações

fisionômicas que são o cerradão, o cerrado típico, o

campo cerrado, o campo sujo de cerrado e o campo limpo. Na sua área de ocorrência, predomina o clima

de Köeppen Aw (quente e úmido megatérmico) com

chuvas de verão e estação seca no inverno.

Cumpre ressaltar que a RHTA apresenta duas zonas

de transição entre os biomas, os chamados ecótonos.

Nessas áreas normalmente verifica-se uma fauna mais diversificada e abundante do que nos biomas, o deno- minado “efeito de borda”.

O ecótono mais expressivo é o da Amazônia–Cerrado

cuja área vem sofrendo um processo contínuo de des- matamento e queimadas em função da expansão da exploração madereira e da fronteira agrícola. Segundo o Ibama, esta é a região conhecida como “arco do desma- tamento” ou “arco das queimadas” da Amazônia Legal, zona que exige enorme esforço de prevenção, controle e

combate aos desmatamentos e incêndios. Este antropis- mo pouco controlado é alarmante na região.

O

ecótono Cerrado–Caatinga está localizado a nordes-

te

da UP Médio Tocantins. Também é importante para

a conservação da biodiversidade, porém apresenta ex- tensão restrita na RHTA e, por isso, não possui a mes- ma importância que o ecótono Amazônia–Cerrado.

Associado aos biomas, existe um banco genético com singular importância para a manutenção das funções ecológicas que garantem um ambiente propício à vida humana.

O bioma Amazônia é considerado o de maior bio-

diversidade do planeta. Abriga cerca de 1,5 milhão

de espécies vegetais catalogadas (estima-se que exis-

tam de 5 milhões até 30 milhões) e apresenta a maior

variedade de aves, primatas, roedores, jacarés, sapos, insetos, lagartos e peixes de água doce de todo o planeta. São 324 espécies de mamíferos, 334 espécies

de papagaios e cerca de 3.000 espécies de peixes (Bi-

blioteca Virtual da Amazônia, 2007).

O Cerrado, por outro lado, é considerado a savana

com maior biodiversidade do planeta. Estima-se que existam cerca de 10.000 espécies de vegetais, sendo

4.400 endêmicas. Destacam-se os frutos com gran- de variedade de formas, cores, sabores e aromas. Eles podem ser utilizados in natura, como doces e bebidas e como medicamentos naturais.

A principal ameaça à biodiversidade na RHTA é o

desmatamento que, na Amazônia, objetiva principal- mente a exploração madeireira e a agropecuária, e no Cerrado, a atividade produção de carvão vegetal e a agropecuária. No processo de transformação dessas regiões, os fazendeiros utilizam o fogo para limpar a terra e prepará-la para o plantio ou para controle de plantas invasoras. Essas queimadas geralmente são realizadas no final da estação seca, quando a vegeta- ção está mais vulnerável ao fogo, e causam a degra- dação dos ecossitemas.

A exploração insustentável dos recursos naturais, em

especial na Amazônia, tem trazido pouca riqueza

para a população da região que, em grande parte, ain-

da tem no extrativismo sua principal fonte de sobrevi-

vência. Na área de Cerrado, a ocupação desordenada do solo tornou sua paisagem bastante fragmentada.

A vegetação nativa foi substituída por áreas urbanas

intercaladas com agropastoris, o que é agravado pela pequena quantidade de áreas protegidas, concentra-

das em poucas regiões.

Merecem destaque ainda em relação à biodiversidade,

as

ecorregiões aquáticas Tocantins e Araguaia e Estuá-

rio

Amazônico. A primeira está integralmente inserida

na RHTA e inclui as bacias de drenagem dos rios To- cantins e Araguaia, a montante da usina hidrelétrica

de Tucuruí. A segunda apresenta área de aproximada-

mente 25.000 km 2 , que compreende as ilhas do arqui- pélago de Marajó e as margens dos rios que compõem

o estuário, desde sua foz até o rio Xingu. O estuário amazônico é berço de grande biodiversidade, dada a complexidade dos ecossistemas.

Por fim, além do desmatamento, a degradação ambien-

tal na região está relacionada aos seguintes fatores:

» a construção de grandes barragens para gera- ção de energia no Rio Tocantins compromete a migração e a reprodução de muitas espécies de

59
59

Relatório Síntese

ambiente lótico e favorece as espécies adaptadas aos ambientes lênticos, como os ciclídeos (acarás, tucunarés) e piranhas, que também se adaptam a ambientes lacustres;

»

a simplificação gradativa dos habitats faunísticos em função do ritmo de desenvolvimento acentuado da região, principalmente após a criação do Estado do Tocantins, ocorreu com a construção de rodovias e implantação da agropecuária;

»

as explorações madereira e mineral, principal- mente a aurífera no sudeste do Pará, implica- ram em ampla interferência nos habitats da mastofauna local. O processo de antropização devido, em parte, aos esgotamentos do ouro

da madeira nobre, evoluiu para o interior do estado, afetando a região à margem esquerda do Araguaia;

e

»

grandes projetos agropecuários de aproveita- mento de áreas sazonalmente inundáveis a les- te da Ilha do Bananal (UP Médio Araguaia) têm provocado alterações expressivas nos habitats faunísticos pela drenagem de extensas áreas e captação de águas para irrigação;

»

a

ocupação fundiária desordenada na região

sudeste do estado do Pará e centro-norte do

Tocantins tem provocado um incremento na

desapropriação de terras para a reforma agrária,

o que gera a degradação ambiental pela adoção

de práticas inadequadas, como a utilização de queimadas para a limpeza de pastagens, des- matamentos intensos, e a caça e pesca preda- tórias para a subsistência das famílias de colo- nos assentados;

»

a

captura e caça de animais silvestres são prá-

ticas comuns nos rios da RHTA, sendo mais acentuada na região dos rios das Mortes e Ara- guaia, ao norte da Ilha do Bananal. Famílias ri- beirinhas adotam essa atividade para a própria subsistência. Além disso, algumas espécies de grandes felinos, devido à alteração de habitats, são perseguidas;

»

a pesca ilegal provém, em parte, do tráfico de animais, pois os peixes temporários são espécies muito coloridas e exóticas da fauna neotropical. Os ecossistemas já tão frágeis da região são explora- dos por coletores locais e internacionais; e

»

o

turismo em massa, como o que ocorre nos rios

Araguaia, na Ilha do Bananal e Jalapão, pressiona

o meio ambiente pela aglomeração de resíduos

sólidos e pelas perturbações na cadeia alimentar

da fauna.

Recursos minerais

A RHTA tem grande vocação mineira com jazidas em exploração e reservas. O extrativismo mineral desem- penhou um papel importante na ocupação da região no século XIX e, posteriormente, foi retomado em maior escala a partir de 1960/70. No final da década de 70, a Companhia Vale já havia iniciado a exploração de mi- nério de ferro em Carajás.

As províncias minerais identificadas, na região, são as seguintes (Figura 5.13):

» Província de Carajás (PA): região de abrangên- cia da UP Itacaiúnas, englobando os municípios de Marabá, Parauapebas, Canaã dos Carajás, Eldorado dos Carajás e Curionópolis. As princi- pais substâncias minerais exploradas são ferro

Foto: Eraldo Peres
Foto: Eraldo Peres
60
60

Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

BELÉM SÃO LUÍS Província de Carajás Província de Paragominas MA TERESINA PA Exploração de materiais
BELÉM
SÃO LUÍS
Província de
Carajás
Província de
Paragominas
MA
TERESINA
PA
Exploração de
materiais de construção
PI
PALMAS
Província do
Centro-Norte de Goiás
TO
BA
MT
Província diamantífera
do Leste do Mato Grosso
CUIABÁ
DF
BRASÍLIA
GOIÂNIA
MG
GO
Figura 5.13: Localização das províncias minerais
Capitais
Províncias minerais
Limite estadual
Explorações ativas
Limite da bacia
Rios
N
O
L
0
45
90
180
270
360 km
S
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Relatório Síntese

(minas ativas e depósitos) e ouro (dominante- mente garimpos). Além disso, ocorrem explo- ração e depósitos de manganês, cobre, níquel

e zinco. Essa é a principal província mineral da

RHTA, em função da grande diversidade de mineralizações identificadas e das expressivas reservas associadas, dos quais se destaca a pre- sença da maior mina de ferro do mundo;

» Província de Paragominas (PA): região de abran- gência da UP Acará-Guamá que inclui os muni- cípios de Dom Eliseu, Goianésia do Pará, Ipixuna do Pará, Paragominas, Rondon do Pará, Tailân- dia, Tomé-Açu, Ulianópolis e Garrafão do Norte. Há grande exploração, em minas e garimpos, de bauxita (alumínio) e caulim, além da existência de grandes depósitos, estimados em 2 bilhões de toneladas, de bauxita. Ocorre ainda explora- ção de minério de ferro e níquel;

» Província Centro-Norte de Goiás (GO): região de abrangência das UPs Alto Tocantins, Alto Médio Tocantins e Alto Médio Araguaia. En- globa diversos municípios da região central- norte do estado, entre os quais se destacam os de Niquelândia, Barro Alto, Minaçu, Nova Roma, Monte Alegre de Goiás, Cavalcante, Amorinópolis, Sanclerlândia, Piranhas, Goiás,

Cocalzinho de Goiás, Padre Bernardo e Goia- nésia. Há explorações de diversas substâncias, sendo as mais expressivas as de níquel (minas

e depósitos), ouro (garimpos), estanho (garim-

pos e depósitos), diamante (garimpos), amian- to (minas e depósitos), manganês (minas e depósitos), cassiteria (garimpos e depósitos), areia, argila berilo, esmeralda e água marinha (garimpos). Ocorrem ainda minas de calcário, calcário dolomítico e vermiculita; e

» Província Diamantífera do Leste do Mato Gros- so: região de abrangência das UPs Alto Mortes

e Alto Araguaia, a atividade mineira está concen-

trada em municípios como Pontal do Araguaia, Aragarças, Tesouro, Poxoréu, nas áreas dos rios das Garças, Cassununga, Araguaia e de Guiratin- ga. A extração é dominantemente de garimpos de diamante e ouro, porém, encontra-se, em grande parte, paralisada por esgotamento dos depósitos.

Além dessas províncias, foi delimitada uma região de exploração de materiais de construção ao longo do divisor de águas das bacias dos rios Tocantins e Ara- guaia, no Estado do Tocantins. A exploração de cal- cário, dada a vocação agrícola e pecuária, ocorre em diversas áreas da RHTA.

5.3 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

A RHTA, até a década de 50, era considerada um grande

vazio com a maior parte das cidades situadas nos extre- mos sul e norte em regiões, respectivamente, de garim- po e do entorno de Belém, cuja ocupação já havia sido consolidada no “Primeiro Ciclo da Borracha” (1850-1920). Naquele período, as sedes municipais no interior da região estavam concentradas ao longo dos rios Tocantins e Ara- guaia e eram áreas de influência de Belém. O acesso à re-

gião era feito pelos trechos navegáveis dos principais rios e

as poucas estradas existentes na parte de garimpo goiana.

A ocupação da RHTA sofreu um grande impulso com a

abertura da rodovia Belém–Brasília e, na década de 60, pela construção de Brasília, que resultaram na prolife-

ração de novos municípios em volta da capital federal

e ao longo do eixo viário que passou a atravessar a

região no sentido norte-sul. Esse processo de adensa-

mento foi favorecido por medidas institucionais como

a criação da Superintendência de Desenvolvimento do

Centro-Oeste (Sudeco) e da Superintendência de De- senvolvimento da Amazônia (Sudam) que canalizaram

recursos para a infraestrutura.

A seguir, na década de 1970, a construção da Transa- mazônica (1972), dentro do Programa de Integração Nacional, e a criação dos Programas voltados para

o Centro-Oeste (Prodoeste), a Amazônia (Polama-

zônia) e os Cerrados (Prodecer) efetivaram ações de ocupação por meio de projetos específicos para as áreas sob foco.

Na década de 1980, foram implantados projetos de grande envergadura no estado do Pará que trouxeram consigo infraestruturas próprias, como o Projeto Ferro- Carajás, a hidrelétrica de Tucuruí e o projeto Alunorte/Al- brás (1984/1985) em Barcarena. O projeto hidroagrícola Formoso, no Estado de Goiás (posteriormente Estado do Tocantins), data também desse período. A Constituição de 1988 reforçou e consolidou o sistema de incentivos à descentralização econômica do país, criando os fundos constitucionais de desenvolvimento e estabelecendo a criação do Estado do Tocantins, que veio a se efetivar em 1991 e contribuiu para o adensamento municipal e a implantação de infraestrutura na região.

Permeando todo esse período, vale registrar a coloni- zação dirigida pelo Instituto Nacional de Colonização

e Reforma Agrária (Incra) e pelos institutos de ter- ras estaduais, que, desde o fim da década de 1950,

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Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

BELÉM SÃO LUÍS MA TERESINA PA PI PALMAS BA MT CUIABÁ DF BRASÍLIA GOIÂNIA MG
BELÉM
SÃO LUÍS
MA
TERESINA
PA
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BA
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CUIABÁ
DF
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GOIÂNIA
MG
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Figura 5.14: Formações vegetais e uso atual do solo

N O L S
N
O
L
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Capitais Área Agrícola Lâmina d’água

Capitais

Área AgrícolaCapitais Lâmina d’água

Lâmina d’águaCapitais Área Agrícola

Cidades

Campo/pastagemCidades Zona urbana

Zona urbanaCidades Campo/pastagem

Limite estadual

Campo cerradoLimite estadual Área agrícola

Área agrícolaLimite estadual Campo cerrado

Limite da bacia

Cerrado de pantanalLimite da bacia

Rios

Floresta ombrófila densaRios

Formação floresta ciliarÁrea agrícola Limite da bacia Cerrado de pantanal Rios Floresta ombrófila densa 0 45 90 180

da bacia Cerrado de pantanal Rios Floresta ombrófila densa Formação floresta ciliar 0 45 90 180
da bacia Cerrado de pantanal Rios Floresta ombrófila densa Formação floresta ciliar 0 45 90 180
da bacia Cerrado de pantanal Rios Floresta ombrófila densa Formação floresta ciliar 0 45 90 180
da bacia Cerrado de pantanal Rios Floresta ombrófila densa Formação floresta ciliar 0 45 90 180
da bacia Cerrado de pantanal Rios Floresta ombrófila densa Formação floresta ciliar 0 45 90 180

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Relatório Síntese

Ano 2000

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63 Relatório Síntese Ano 2000 Ano 2001 Ano 2002 Ano 2003 Ano 2004 Ano 2005 Figura

Ano 2003

Ano 2004

Ano 2005

Ano 2000 Ano 2001 Ano 2002 Ano 2003 Ano 2004 Ano 2005 Figura 5.15: Evolução das

Figura 5.15: Evolução das áreas desflorestadas na porção da Amazônia Legal, situada na RHTA

Fonte: INPE.

N O L S
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Desmatamentoda Amazônia Legal, situada na RHTA Fonte: INPE. N O L S Floresta Hidrografia Não floresta

FlorestaLegal, situada na RHTA Fonte: INPE. N O L S Desmatamento Hidrografia Não floresta Nuvem Limite

Hidrografiana RHTA Fonte: INPE. N O L S Desmatamento Floresta Não floresta Nuvem Limite estadual Limite

Não florestaFonte: INPE. N O L S Desmatamento Floresta Hidrografia Nuvem Limite estadual Limite da bacia 0

NuvemN O L S Desmatamento Floresta Hidrografia Não floresta Limite estadual Limite da bacia 0 90

Limite estadual Limite da bacia

O L S Desmatamento Floresta Hidrografia Não floresta Nuvem Limite estadual Limite da bacia 0 90
0 90 180 360 540 720 km
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Plano Estratégico da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia

empreenderam ações diretas, através dos projetos públicos de assentamento, e indiretas, por meio de incentivos como a cessão de terras devolutas, preços baixos e créditos subsidiados, atraindo contingentes populacionais de nordestinos e de agricultores dos estados sulistas. Essas ações foram especialmente concentradas no norte do Estado do Tocantins e em suas adjacências nos estados do Pará e do Maranhão.

Da mesma forma, as pesquisas da Embrapa produziram espécies adaptadas aos cerrados e os avanços da pecu- ária bovina de corte contribuíram para a ocupação de grandes áreas, formando núcleos ligados às atividades agropecuárias em toda a RHTA.

Os novos eixos viários como as rodovias PA-150, MT- 158 e a BR-070 (Brasília-Cuiabá) também produziram uma expressiva diversificação dos eixos e vetores de povoamento na região.

Todo esse processo crescente de ocupação da região es- tabeleceu um padrão de uso e ocupação da região que foi analisado a partir de cenas orbitais do ano de 2005 do satélite CBERS, distribuídas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) (Figura 5.14).

De forma geral, na RHTA, o campo cerrado (43,5%), a formação florestal ciliar (18,0%), a floresta ombrófila densa (16,1%) e o campo/pastagem (12,6%) ocupam as maiores áreas. A Tabela 2 do Anexo 2 apresenta o padrão de ocupação dos solos da região em cada UP.

Na área de ocorrência do Cerrado e suas vegetações associadas, verifica-se a presença de áreas restritas de formação florestal, como nas UPs do Sono, no trecho baixo da UP Paranã e UP Alto Médio Tocan- tins, mostrando o elevado antropismo a que o bioma foi submetido (Figura 5.14). Nas UPs Baixo Mortes, Alto Médio e Médio Araguaia, que engloba a Ilha do Bananal,

Área de distribuição original do Cerrado Remanescentes da vegetação nativa do Cerrado em 2002 MA
Área de distribuição original do Cerrado
Remanescentes da vegetação nativa do Cerrado em 2002
MA
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Figura 5.16: Panorama da perda de vegetação do Cerrado

Fonte: Machado et al., (2004).

N O L S
N
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do Cerrado Fonte: Machado et al., (2004). N O L S Capitais Cidades Limite estadual Limite

Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia

Vegetação de Cerrado

Fonte: Machado et al., (2004). N O L S Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia
Fonte: Machado et al., (2004). N O L S Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia
Fonte: Machado et al., (2004). N O L S Capitais Cidades Limite estadual Limite da bacia