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Uma Palavra

Uma Palavra

F

Indice

Prefácio

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Uma Palavra aos Moços -J.C. Ryle

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Capítulo

1 -Razões Para Exortar os Moços

9

Capítulo 2 -Perigos que os Moços Enfrentam

23

Capítulo 3 -Conselhos Gerais aos Moços

39

Capítulo

4

-Regras Específicas Para os Moços

55

Capítulo 5 -Encorajamentos Finais

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Prefácio

E u gostaria muito que na adolescência eu tivesse en­ contrado os escritos de J.C.Ryle. Pois, ao mesmo

tempo em que seus livros são atrativos a todas as idades e estágios da experiência cristã, a franqueza da sabedoria bíblica e a profunda preocupação pastoral, encontradas neles, os tornam especialmente úteis para os estágios de formação da vida.

J.C.Ryle escreveu sobre a vida cristã de forma a unir uma exatidão espiritual perscrutadora com um equi­ líbrio maravilhosamente saudável. Este livro, Uma Palavra aos Moços, ilustra essas qualidades. Ele está repleto de conselhos confiáveis e, com uma combinação rara de seriedade e bondade, diz exatamente as coisas que precisamos ouvir. Os moços, para os quais o livro foi escrito, o acharão de valor inestimável. Mas todos os cristãos, homens ou mulheres, jovens ou velhos, podem lê-lo e dele receber benefícios duradouros. E uma obra digna de ser lida e amplamente divulgada; fará um grande bem espiritual a todo leitor.

Sinclair B. Ferguson Professor de Teologia Sistemática Seminário Teológico de Westminster Filadélfia, PA.

Uma Palavra aos Moços

E screvo esta pequena obra em benefício dos moços. Quando o apóstolo Paulo escreveu a sua epístola a

Tito, na qual falava do dever deste como ministro, men­ cionou os moços como um grupo que requer atenção

especial. Depois de discorrer sobre os homens idosos, as mulheres idosas e as jovens, ele acrescenta este vigoroso conselho: “Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as cousas, sejam criteriosos” (Tt 2.6). Estou seguindo o conselho do após­ tolo. Proponho-me a oferecer aos moços algumas palavras de afáveis e oportunas exortações. Estou envelhecendo, mas há poucas coisas das quais me lembro tão bem quanto'os dias^da minha juventude. Tenho a mais precisa lembrança das alegrias

e tristezas, das esperanças e lágrimas, das tentações e

dificuldades, dos julgamentos errôneos e afetos mal colocados, dos erros e das aspirações que fazem parte da vida do jovem. Serei muito grato, se apenas puder dizer algo que mantenha o moço no caminho certo e o preserve de faltas e pecados, os quais podem prejudicar

o seu bem-estar, agora e na eternidade. Há quatro coisas que me proponho a fazer: pri­ meiro, mencionarei alguns motivos gerais por que os moços precisam ser exortados; segundo, destacarei alguns perigos específicos sobre os quais eles precisam ser alertados; terceiro, darei alguns conselhos gerais e instarei para que sejam aceitos por eles; quarto, estabe­

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Uma Palavra Aos Moços

lecerei algumas regras específicas de conduta, as quais vigorosamente os aconselho a seguir. Tenho algo a dizer sobre cada um desses pontos; oro a Deus para que o que for dito possa causar algum bem a sua alma, caro leitor.

John Charles Ryle

Razões Para Exortar os Moços

I nicialmente, quais são os motivos gerais por que os moços, em especial, devem ser exortados? Procurarei mencionar alguns deles.

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Existe o triste fato de serem poucos os

moços, em qualquer lugar, que demonstram espiritualidade genuína. Falo isso sem acepção de

pessoas. E digo-o a respeito de todos - os de elevada ou baixa posição, ricos ou pobres, educados ou simples, eruditos ou incultos, da cidade ou do campo; não faz diferença. Tremo ao observar quão poucos jovens são guiados pelo Espírito, quão poucos estão no caminho estreito que conduz à vida, quão poucos estão colocando seus corações nas coisas que são do alto, que estão tomando a cruz e seguindo a Cristo. Digo isso com toda

a tristeza; mas creio, diante de Deus, que estou dizendo

nada mais que a verdade. Moço, você faz parte de um dos maiores e mais importantes grupos na população de seu país. Porém, como e em que situação se encontra a sua alma eterna? Em qualquer lugar que indaguemos, veremos com tristeza que a resposta será sempre a mesma! Perguntemos a qualquer fiel ministro do evangelho

e observemos o que ele nos dirá. Segundo o seu cálculo, quantos jovens solteiros participam da ceia do Senhor? Quais são os mais negligentes quanto ao uso dos meios

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Uma Palavra aos Moços

da graça,1 os mais irregulares na freqüência aos cultos dõmínicais, os mais difíceis de serem atraídos aos estu­ dos bíblicos e às reuniõesjde oração e sempre os mais desatentos nas pregações? Que parte de sua congrega­ ção mais o preocupa? Quais são os “Rúbens” pelos quais ele tem as mais profundas “esquadrinhações do cora­ ção”? (Jz 5.16 - a rc ). Quais, no seu rebanho, são os mais difíceis de conduzir, os que requerem constantes alertas e reprimendas, os que lhe causam mais temor pelas suas almas e que parecem os mais incorrigíveis? Acredite, sua resposta sempre será: os moços. Perguntemos aos pais, em qualquer igreja de nossa nação, e vejamos o que geralmente eles têm a dizer. Quem, em sua família, causa mais dor e trabalho? Quem precisa de mais vigilância e, com mais freqüência, traz preocupações e dasapontamentos? Quais os primei­ ros a se desviarem do que é certo, e os últimos a se lembrarem dos avisos e dos bons conselhos? Quais os mais difíceis de serem mantidos dentro das normas e dos limites? Quais os que, com mais freqüência, caem no pecado, envergonham a família, entristecem seus amigos, amargam a velhice de seus parentes e fazem os de cabelos brancos padecerem de tristeza? Acredite, a resposta freqüentemente será: os moços. Perguntemos aos juizes e aos delegados de polícia

e observemos o que nos responderão. Quem mais fre­

qüenta as choperias e danceterias? Quem são os que menos guardam o dia do Senhor? Quem promove ajun­ tamentos tumultuosos e reuniões de rebeldia? Quem é mais enredado pelo alcoolismo e tem mais tendência a perturbar a paz, roubar, assaltar e fazer coisas semelhan­ tes? Quem povoa as celas e penitenciárias? Que faixa etária mais requer incessante cuidado e vigilância? Acre­ dite, eles imeditamente apontarão para o mesmo grupo

e dirão: os moços. Voltemo-nos para os ricos e observemos os

comentários que eles farão. Em uma família, os filhos

Razões Para Exortar os Moços

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sempre desperdiçam o tempo, a saúde e o dinheiro na procura egoísta por.prazeres. Em outra, os filhos não buscam ter uma profissão específica, mas gastam o tempo mais precioso de suas vidas em fazer nada. Em uma outra, exercem a profissão como um mero esporte, sem atentar para as responsabilidades nela envolvidas. Em outra, ainda, os filhos estão sempre envolvendo-se em maus relacionamentos, trapaceando, entrando em ílívidas, associando-se a más companhias e, assim, man­ tendo seus amigos em constante preocupação. Lamentavelmente, não se previne essas coisas com posição social, diplomas, riquezas e cultura. Se a verdade fosse dita, pais ansiosos, mães com os corações despe­ daçados e irmãs amarguradas poderiam contar fatos tristes sobre esses filhos. Apesar de terem tudo o que este mundo pode oferecer, muitas famílias trazem, em seu meio, algum nome que nunca é mencionado ou que

é citado apenas com desgosto e vergonha. Talvez seja o nome de algum filho, irmão, primo ou sobrinho que

vive a seu próprio modo e, desta forma, serve de tristeza

a todos os que o conhecem. São poucas as famílias abastadas que não trazem em si algum espinho de desgosto, alguma mancha nas páginas de felicidade, alguma constante fonte de dor e ansiedade; e, geralmente, na maioria das vezes, a ver­ dadeira causa de tudo isso não são os moços? O que dizer diante disso? O que vimos são fatos óbvios que nos encaram de frente; fatos com os quais esbarramos por toda parte; fatos que não podem ser negados. Que coisa horrível! Quão pavoroso é este pen­

samento - sempre que encontro um moço, encontro alguém que com toda a probabilidade é um inimigo de Deus, viajando pelo caminho largo que conduz à destrui­ ção; alguém desqualificado para o céu! Com toda certeza,

á vista desses fatos, você não ficará admirado de que eu

o exorte desta maneira. Na verdade, você deverá admitir que há uma causa justa para as minhas preocupações.

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Uma Palavra aos Moços

(2)

A morte e o julgamento estão dian

dos moços, assim como dos outros; mas quase todos eles parecem esquecer-se disso. Moço, está

lhe ordenado morrer uma só vez (Hb 9.27). Não importa o quanto você esteja saudável e forte agora, o dia de sua morte talvez esteja muito próximo. Tenho visto a enfer­ midade atingir jovens e velhos. Tenho feito funerais de jovens e de idosos. Nos cemitérios eu leio nomes de pessoas da mesma idade que a sua. Tenho lido que, com exceção da infância e da velhice, morrem mais pessoas entre os treze e vinte e três anos que em qual­ quer outra fase da vida.2 Mesmo assim, você vive como

se estivesse certo, no momento, de que jamais morrerá.

Você pensa em atender a estas exortações amanhã? Lembre-se das palavras do sábio Rei Salomão:

“Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz” (Pv 27.1). “As coisas importantes, amanhã”, disse um cético a alguém que o alertara de um perigo iminente; mas o amanhã dele nunca chegou.

O amanhã é o dia do diabo, mas o hoje é o dia de Deus.

Satanás não se importa com a espiritualidade de suas

intenções, ou com a santidade de suas resoluções, contanto que sejam para amanhã. Oh! não dê lugar ao

diabo quanto a isso! Diga-lhe: “Não, Satanás! Será hoje, hoje mesmo!” Não são todos os homens que chegam à idade de patriarcas como Isaque e Jacó. Muitos filhos morrem antes de seus pais. Davi teve de chorar a morte de dois dos seus filhos mais queridos; Jó perdeu todos

os dez filhos em um só dia. A sua sorte pode ser como a

daqueles jovens; e quando a morte chama, é inútil falar em amanhã - você tem de ir imediatamente. Você pensa que haverá um tempo mais apropri­ ado, no futuro, para considerar essas coisas? Assim também pensaram Félix e os atenienses, aos quais Paulo pregara; mas esse tempo nunca chegou (At 17.32-34; 24.24-27). O inferno está repleto de suposições tolas e fantasiosas como essas. É melhor fazer o que é certo

Razões Para Exortar os Moços

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enquanto você pode. Não deixe na incerteza nada que é eterno. Não corra o risco, quando se trata de sua alma. Acredite, a salvação de uma alma não é coisa irrelevante. Todos precisam de uma “grande” salvação, quer sejam moços ou velhos; todos precisam nascer de novo, ser lavados no sangue de Cristo e santificados pelo Espírito. Feliz é o homem que não deixa essas coisas na incerteza e que não descansa até que tenha o testemunho do Espírito, em seu interior, testificando ser ele filho de Deus. Moço, seu tempo é curto. Seus dias são como a medida de um palmo, como uma sombra, como um vapor, como um conto ligeiro. Seu corpo não é de bronze. Isaías 40.30 diz que até mesmo “os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem”. A sua saúde pode lhe ser tirada em um instante; é preciso só uma queda, uma febre, uma inflamação, uma hemorragia e o verme se alimentará de sua carne. Há apenas um passo entre você e a morte. Esta noite sua alma poderá ser requerida. Você está indo, rapidamente, pelo caminho de toda a terra; em breve você partirá. A sua vida é plena de incertezas, mas sua morte e seu julgamento são perfeitamente certos. Você, também, terá de ouvir o soar da trombeta do arcanjo e estar diante do grande trono branco. Você, também, deverá obedecer aquele chamamento que Jerônimo3dizia sempre vibrar em seus ouvidos: “Levantai-vos, vós os mortos, e vinde ao julgamento”. Eis o que diz o próprio Juiz: “Certa­ mente venho sem demora” (Ap 22.20). Eu não posso, não ouso, não o deixarei sossegado. Quem dera você guardasse no coração as palavras do pregador: “Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas cousas Deus te pedirá conta” (Ec 11.9). E espantoso que, com tal exortação, qualquer homem possa permanecer descuidado e indiferente. Certamente, ninguém é tão tolo

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Uma Paloura aos Moços

quanto aqueles que se contentam em viver despreparados para a morte. Sem dúvida, a descrença dos homens é a coisa mais impressionante no mundo. E com razão que

a profecia mais cristalina, na Bíblia, começa com estas

palavras: “Quem creu em nossa pregação?” (Is 53.1). E com razão que o Senhor Jesus disse: “Quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.8). Moço, eu temo que isto seja dito sobre você na corte celestial: “Ele deliberadamente não creu”. Temo que você passe de súbito deste mundo e acorde tarde demais, para constatar que a morte e o juízo são realida­ des. Temo por tudo isso; portanto o exorto.

(3)

O que os moços virão a ser depen

muito provavelmente, daquilo que são no mo­ mento; ainda assim, parece que se esquecem disso com muita facilidade. A juventude é o estágio

embrionário da maturidade; o período de formação, no curto espaço da vida humana; a época decisiva, na exis­ tência de um homem. Pelo broto julgamos a árvore; pela flor julgamos

o fruto; pela florada julgamos a safra; pelo amanhecer

julgamos o dia; e, de modo geral, pelo caráter do jovem podemos julgar o que ele virá a ser na idade adulta. Moço, não se deixe enganar. Não pense que pode deliberadamente servir a si mesmo e a seus prazeres, no início da vida, e depois servir a Deus tranqüilamente, no final de sua existência. Não pense que pode viver como Esaú e morrer como Jacó. E zombaria agir assim com Deus e com sua alma. E um terrível desprezo supor que você pode oferecer ao mundo e ao diabo o vigor da sua juventude, deixando para o Rei dos reis as sobras de sua

vida e os restos de suas forças. Isso é uma terrível tolice,

e pode ser que você descubra,~ para o seu desespero,

que tal coisa de fato não pode ser feita. Eu me aventuro a afirmar que você está contando com um arrependimento tardio. Você não sabe o que está fazendo. Está pensando nos fatos sem levar Deus

Razões Para Exortar os Moços

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em consideração. O arrependimento e a fé são dádivas

de Deus; dádivas que Ele freqüentemente retém, depois de serem oferecidas em vão durante muito tempo. Admito nunca ser tarde para o verdadeiro arrependimento; mas, ao mesmo tempo, advirto-lhe que o arrependimento tardio poucas vezes é verdadeiro. Concordo que um ladrão penitente foi convertido na última hora de vida, para que nenhum homem venha a se desesperar; mas digo-lhe que apenas um dos ladrões foi convertido nessa condi­ ção, para que ninguém presuma o mesmo para si (Lc 23.39-43). Admito estar escrito que Jesus “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus” (Hb 7.25); mas notifico-lhe que o mesmo Espírito também escreveu:

“Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a

minha mão, e não houve quem atendesse

me rirei na vossa desventura, e, em vindo o vosso terror, eu zombarei” (Pv 1.24,26). Acredite-me, você verá que não é coisa fácil vol­ tar-se para Deus no momento que achar conveniente. É verdadeiro o que disse o pastor Leighton: “O caminho do pecado é morro abaixo; o homem não consegue parar quando quer”.4 Convicções sérias e desejos santos não são como os servos do centurião, prontos a ir e vir, à sua vontade (Mt 8.9); antes, são como o boi selvagem do livro de Jó; não lhe obedecerão nem atenderão o seu comando (Jó 39.10). Conta-se que Aníbal, um famoso general do passado, quando poderia ter tomado a cidade de Roma, contra a qual guerreava, não quis fazê-lo; e, finalmente, quando ele quis, já não pôde mais. Atente bem, para que o mesmo não lhe aconteça em relação à vida eterna. For que estou dizendo tudo isto? Digo-o por causa do poder dos hábitos. A experiência me diz que os cora­ ções das pessoas dificilmente mudam, se não mudarem enquanto elas são jovens. Na verdade, poucos homens são convertidos em sua velhice. Os hábitos têm raízes profundas. O pecado, uma vez que você permita que se

também eu

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Uma Palavra aos Moços

aninhe em seu coração, não o deixará, mediante um pedido seu. O costume acaba se tornando uma segunda natureza, como o cordão de três dobras, difícil de ser rompido (Ec 4.12). O profeta declara, apropriadamente:

“Pode acaso o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (Jr 13.23). Os hábitos são como pedras que rolam pela montanha; quanto mais ligeiras elas rolam, mais incontrolável é o seu curso. E, à semelhança das árvores, os hábitos se fortalecem com o passar do tempo. Um garoto consegue envergar um carvalho, quando este é ainda tenro, mas cem homens não conseguem desarraigá-lo, quando se torna uma árvore adulta. Na nascente do Rio Tâmisa, uma criança pode brincar de rolar na água; mas, nas proximidades do encontro do rio com o mar, pode navegar o maior navio que existe. Assim acontece com os hábitos: quanto mais antigos, mais fortes eles ficam; quanto mais tempo prenderem a alma, mais difícil de serem eliminados. Eles crescem, à medida que crescemos; e se fortalecem, à medida que nos desenvolvemos. O hábito nutre o peca­ do. Cada pecado cometido atenua o temor e o remorso, endurece o coração, abranda o aguilhão da consciência e aumenta nossa inclinação para o mal. Talvez você, moço, pense que estou enfatizando muito esse ponto. Mas não diria isso, se, como eu, tivesse visto tantos velhos à beira da sepultura, totalmente insensíveis, cauterizados, calejados, apáticos, endurecidos como a pedra inferior do moinho. Creia, você não pode ficar neutro quanto aos interesses de sua alma. Ou bons ou maus hábitos diariamente se fortalecem em seu coração. A cada dia que passa, ou você se aproxima mais de Deus ou se distancia dEle. A cada ano que você continua sem arrepender-se e converter-se, o muro divisório entre você e o céu aumenta e se avoluma; e o abismo a ser cruzado se aprofunda e se alarga. Oh! eu insisto! Você deve temer o endurecimento causado pela

Razões Para Exortar os Moços

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permanência no pecado! Agora é o tempo aceitável. Não espere até a sua velhice, ou a força do hábito será tamanha que, se você não busca o Senhor enquanto jovem, provavelmente, nunca irá buscá-Lo. E isso que eu temo; portanto o exorto.

(4)

O diabo faz um esforço especial para

destruir as almas dos moços; mas, eles parecem

não saber disso. Satanás sabe muito bem que você constituirá a próxima geração; então, sem perda de tem­ po, logo emprega todo artifício para tomar posse de sua vida. Eu não quero que você fique ignorante de suas artimanhas. Você faz parte do grupo para o qual ele exibe todas as suas tentações favoritas. Ele arma a rede com o maior cuidado, a fim de emaranhar o seu coração; guar­ nece as iscas de suas armadilhas com os bocados mais doces, para tê-lo em seu poder; expõe com a maior habilidade a sua mercadoria diante dos seus olhos, no intuito de levá-lo a comprar seu veneno adocicado e a comer suas iguarias amaldiçoadas. Você é o grande alvo do seu ataque. Que o Senhor repreenda a Satanás e livre a sua vida das mãos dele! Jovem, tome cuidado para não ficar preso nos laços de Satanás. Ele tenta jogar poeira em seus olhos para impedir que você enxergue qualquer coisa em suas cores reais. Ele deliberadamente leva você a considerar o bem como mal e o mal como bem. Ele pinta, mascara e adorna o pecado, para levá-lo a apaixonar-se pelo pecado. Ao mesmo tempo que deforma, deturpa e ridiculariza a verdadeira religião, a fim de que você tenha aversão por ela. Exalta os prazeres da iniqüidade, mas oculta de você a dor que ela causa. Mostra-lhe a cruz e os sofrimentos que ela representa, mas mantém fora de suas vistas a coroa eterna. Tal como fez com Jesus, o diabo promete-lhe qualquer coisa, desde que você tão- somente o sirva. Até mesmo o ajuda a praticar uma religião qualquer, desde que você não reconheça o poder

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Uma Palavra aos Moços

da religião verdadeira. No início de sua vida, ele lhe diz:

“E muito cedo para você servir a Deus”; e no final, ele diz: “Agora é tarde demais”. Oh! não se deixe enganar! Quão pouco você sabe sobre o perigo que corre, devido a esse pavoroso inimigo! E precisamente essa ignorância que me causa temor. Você é como um cego, andando em meio a buracos e armadilhas, e não vê os perigos que lhe cercam por todos os lados.

O seu inimigo é poderoso. E chamado de “prín­

cipe do mundo” (Jo 14.30). Ele se opôs ao Senhor Jesus Cristo durante todo o ministério dEle. Tentou Adão e Eva a comer o fruto proibido, trazendo assim o pecado

e a morte ao mundo. Tentou até mesmo Davi, o homem

segundo o coração de Deus, fazendo com que seus últi­ mos dias fossem cheios de tristeza. Também tentou

Pedro, o grande apóstolo, persuadindo-o a negar seu

Senhor. Com toda a certeza, o intenso ódio desse inimigo não deve ser ignorado!

O seu inimigo é incansável. Ele nunca dorme. Anda

constantemente em derredor, rugindo como leão, buscando

a quem possa devorar (1 Pe 5.8). Está sempre a rodear a

terra e a passear por ela (Jó 1.7; 2.2). Você pode ser des­

cuidado com a sua alma, mas ele não é. Ele quer torná-la

miserável, assim como ele; e o fará, se puder. Certamente que seu ódio intenso não deve ser ignorado!

O seu inimigo é sagaz. Por milhares de anos ele

tem lido um livro; este livro é o coração do homem. Portanto, deve conhecê-lo bem, e de fato o conhece; sabe de todas as suas fraquezas, enganos e loucuras. Tem armazenado um grande número de tentações, que causam males ao coração. Você nunca irá a um lugar onde ele não possa encontrá-lo. Vá à cidade, e lá ele estará. Dirija-se ao deserto, e ali também ele estará. Sente-se entre os beberrões e escarnecedores, e lá estará ele para lhe assistir. Ouça a pregação, e ele estará ao redor para distraí-lo. Certamente não deve ser ignorado um ódio tão intenso!

Razões Para Exortar os Moços

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Moço, esse inimigo faz grande esforço para con­ seguir a sua destruição; mesmo que você não perceba isso. A sua vida é o prêmio pelo qual ele mantém especial contenda. Ele vê de antemão que você será uma bênção ou uma maldição em seus dias. Assim, procura diligen­ temente obter entrada em seu coração o mais cedo possível, para que no final você venha a aumentar o reino dele. Ele compreende muito bem que estragar o botão é o modo mais seguro para arruinar a flor. Oh! que se abrissem os seus olhos como os do servo de Eliseu, em Dotã (2 Rs 6.15-17). Oh! se você apenas compre­ endesse o que Satanás está maquinando contra a sua paz! Eu preciso alertá-lo, preciso exortá-lo. Quer você ouça, quer não; eu não posso, não ouso, não o deixarei sossegado.

(5)

Os moços necessitam de exortação, por­

que, se começarem a servir a Deus agora, serão

poupados de tristezas. O pecado é a causa de toda a tristeza, e nenhum outro tipo de pecado parece trazer ao homem tanta miséria e dor quanto os pecados da sua juventude. As tolices que ele cometeu, o tempo desper­ diçado, os erros praticados, as más companhias mantidas por ele, os males causados a si próprio, tanto no corpo quanto no espírito, as chances de felicidade jogadas fora, as oportunidades de ser útil que foram desprezadas; todas essas são coisas que freqüentemente amarguram a cons­ ciência de um ancião. Além disso, enegrecem o entardecer de seus dias e preenchem as últimas horas de sua vida com auto-reprovação e vergonha. Alguns homens poderiam contar-lhe sobre a pre­ matura perda da saúde, causada pelos pecados da juventude. A enfermidade maltrata os seus membros com dor, e a vida para eles é quase um tédio. O vigor de seus músculos está tão enfraquecido que um gafanhoto lhes parece um fardo. Seus olhos se escurecem precoce- mente, e sua força se abate. Sendo ainda dia, já se pôs o sol de sua saúde, e lamentam ver consumidos o seu corpo

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Uma Palavra aos Moços

e sua carne (Ec 12.1,2). Creia-me, esse é um cálice amargo para se beber. Outros poderiam dar tristes relatos sobre as con­ seqüências da ociosidade. Jogaram fora a áurea oportunidade da aprendizagem. Não quiseram obter sabedoria, na época em que a mente estava mais apta a receber o ensino e a memória mais preparada a reter o conhecimento. Agora é muito tarde! Já não têm tempo para sentar e aprender; não têm a mesma força, mesmo que tivessem o tempo disponível. O tempo perdido jamais pode ser readquirido. Esse, também, é um cálice amargo para se beber. Outros podem contar-lhe sobre os dolorosos enganos em suas decisões, que os fizeram sofrer durante toda a vida. Quiseram seguir os seus próprios caminhos. Não aceitaram conselhos. Fizeram alianças que resulta­ ram na sua completa infelicidade. Escolheram uma profissão com a qual eram inteiramente incompatíveis. Agora eles reconhecem tudo isso. Mas, infelizmente, seus olhos só se abriram quando o erro não podia mais ser reparado. Oh! esse é, igualmente, um cálice amargo para se beber! Moço, moço! gostaria que você conhecesse o conforto que há em uma consciência não sobrecarregada com uma longa lista de pecados próprios da mocidade. Esses pecados são feridas que traspassam o espírito; são um aguilhão que fere a alma. Seja misericordioso consigo mesmo. Busque o Senhor no início de sua vida e, assim, será poupado de muitas lágrimas amargas. Essa é a realidade que Jó parece ter experimen­ tado. Ele disse: “Pois decretas contra mim cousas amargas e me atribuis as culpas da minha mocidade” (Jó 13.26). Também Zofar, o amigo de Jó, referindo-se ao ímpio, disse: “Ainda que os seus ossos estejam cheios do vigor da sua juventude, esse vigor se deitará com ele no pó” (Jó 20.11). Davi, também, parece ter experimentado o mes-

Razões Para Exortar os Moços

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mo. Ele disse ao Senhor: “Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões” (SI 25.7). Beza,6o grande reformador suíço, experimentou essa verdade de maneira tão intensa que, em seu testa­ mento, citou como misericórdia especial o fato de ter sido chamado, pela graça de Deus, a desprezar o mundo aos dezesseis anos de idade. Pergunte aos crentes, e penso que muitos deles lhe dirão coisas semelhantes. “Quem me dera pudesse viver minha juventude novamente!”, é o que provavel­ mente falarão. “Ah! se eu tivesse gasto os dias da minha mocidade de uma forma melhor!” “Oh! se eu não tivesse deixado os maus hábitos se arraigarem, de maneira tão forte, na primavera da minha existência!”7 Moço, quero poupá-lo de todos esses dissabores, se eu puder. O inferno é uma realidade que vem a ser descoberta tarde demais. Seja sábio. O que a juventude semear, _avelhice colherá. Não empregue a época mais preciosa da vida em coisas que não lhe trarão conforto nos seus dias finais. Antes, semeie para si mesmo em retidão; revolva o terreno do seu coração para não semear entre espinhos. No momento, você peca facilmente, tanto na prática quanto em palavras; mas tenha certeza, não demorará para você e o seu pecado se encontrarem, mesmo que você não queira que isso aconteça. As feridas antigas freqüentemente doem e causam sofrimento, mesmo tendo passado muito tempo após a sua cura e quando resta apenas uma cicatriz. Assim também será com os seus pecados. Milhares de anos após a morte de certos animais, têm sido encontradas as suas pegadas impressas nas rochas, as quais na época eram apenas argila úmida. Assim, também, poderá suceder com os seus pecados. Diz o ditado: “A experiência é uma escola muito cara, mas os tolos não aprendem em nenhuma outra”.

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Uma Palavra aos Moços

Meu desejo é que você escape da tristeza de ter que

aprender na escola da experiência. Desejo levá-lo a evitar

a desgraça certamente produzida pelos pecados da

mocidade. Esse é o último motivo pelo qual eu o exorto.

1. Os meios da graça, de acordo com “O Breve Cate­

cismo”, são as ordenanças dadas por Deus, especialmente a Palavra, o batismo, a ceia do Senhor e a oração. 2. Embora não haja dúvidas de que as estatísticas exatas mudaram nos últimos 100 anos, permanece o fato que, a cada ano, multidões de moços e moças partem para a eternidade.

3. Jerônimo (345-420) foi um tradutor da Bíblia e

um defensor do monasticismo. A sua mais famosa realização foi a tradução da Bíblia para o latim. Essa tradução é conhecida como Vulgata Latina. Por volta do Século XVIII tornou-se a

versão oficialmente reconhecida e autorizada para a Igreja Católica, substituindo todas as outras traduções em latim. 4. Robert Leighton (1611-1684) graduou-se na Uni­

versidade de Edimburgo e foi arcebispo da Igreja Anglicana

de Glasgow. Entre os seus escritos devocionais, há um notável

comentário sobre 1 Pedro, o qual foi recomendado por C.H.Spurgeon, ao dizer: “E um dos favoritos de todos os

homens espirituais”.

5. Das duas pedras do moinho, essa era a usada para

triturar os grãos. Essa pedra era usada como figura, para descrever a condição de endurecimento do coração do homem.

6. Theodore Beza (1519-1605) foi um admirador,

amigo, associado e sucessor de João Calvino em Genebra. Embora tenha estudado para ser um advogado, uma enfer­ midade fez com que seus pensamentos fossem voltados a

Deus e à Fé Reformada.

7. No livreto intitulado A Dying Man’s Regrets (La­

mentos de um homem à beira da morte), Adolphe Monod (1802-1856) trata de vários assuntos relacionados aos re­ morsos sentidos no leito de morte. Nesse opúsculo, um dos mais destacados pregadores da França, no século passado, abre o coração nos seus últimos dias de vida e compartilha os

seus lamentos pessoais.

Perigos que os Moços Enfrentam

H á alguns perigos específicos sobre os quais os mo­ ços devem ser alertados.

(1)

Um perigo específico para o moço é o

pecado do orgulho. Bem sei que todas as pessoas estão diante de um perigo terrível. Velhos e jovens, não importa a idade, todos têm uma corrida a empreender, uma batalha a enfrentar, um coração pecaminoso a ser mortificado, um mundo a ser vencido, um corpo a ser mantido sob controle e o diabo a ser resistido. Bem podemos dizer: “Quem está capacitado para tanto?” (2 Co 2.16 -nvi ). Entretanto, cada época da vida e cada circunstância têm suas ciladas e tentações peculiares; é bom conhecê-las. Quem é avisado se acautela. Se tão- somente eu puder persuadi-lo a vigiar contra os perigos que vou mencionar, estou certo de que estarei dando à sua alma aquilo que é essencial.

O orgulho é o pecado mais antigo no mundo.

Na verdade, veio a existir antes que o mundo fosse criado. Satanás e seus anjos caíram por causa do orgulho. Eles não ficaram satisfeitos com o seu primeiro estado. Assim, o orgulho abasteceu o inferno com os seus primeiros habitantes.

O orgulho lançou Adão fora do paraíso. Ele não

ficou satisfeito com o lugar que Deus lhe designara. Tentou elevar-se e caiu. Desta forma, o pecado, a tristeza

24

Uma Palavra aos Moços

e a morte entraram neste mundo através do orgulho. Por natureza, o orgulho ocupa todos os corações. Nós nascemos orgulhosos. O orgulho faz com que fiquemos satisfeitos conosco mesmos, levando-nos a pensar que, como estamos, somos bons o suficiente. Ele tapa os nossos ouvidos a todo e qualquer conselho e leva-nos a rejeitar o evangelho de Cristo. Ele encaminha cada pessoa ao seu próprio modo de viver. Porém, não há outro lugar onde o orgulho reina com mais força do

que no coração de um moço. Como é comum encontrarmos moços volunta­ riosos, arrogantes e sem paciência para ouvir conselhos! Como é freqüente não serem educados e corteses com os que estão à sua volta, por não se acharem valorizados

e estimados como gostariam de ser. Com que freqüência

não param, a fim de ouvir uma sugestão de alguém mais velho! Pensam que sabem tudo. São presunçosos quanto

à própria sabedoria. Acham que os mais velhos, especial­

mente os seus familiares, são ignorantes, tolos e antiquados. Imaginam que não precisam de ensino ou instrução: já compreendem tudo. Dirigir-lhes qualquer palavra os torna quase irados. Como potrinhos, não suportam o menor controle exercido sobre eles. Precisam ser independentes e viver a sua própria vida. A seme­ lhança daqueles mencionados por Jó (12.2), esses moços demonstram pensar: Nós somos o povo, e conosco morrerá a sabedoria. Tudo isso é orgulho. Roboão foi um jovem desse tipo. Desprezou o conselho de experientes homens idosos, que haviam estado diante do seu pai Salomão, e deu ouvidos aos conselhos dos jovens de sua própria geração. Ele viveu colhendo as conseqüências de sua loucura (1 Rs 12). Infelizmente, há muitos semelhantes a ele. Também foi assim o filho pródigo, na parábola,

o qual tomou a parte que lhe cabia da herança e partiu para viver por si mesmo. Não podia submeter-se a uma vida tranqüila, sob o teto do pai; mas precisava partir

Perigos Que os Moços Enfrentam

25

para uma terra distante e ser dono de si mesmo. Assim

como uma criança que se afasta da mãe e vagueia sozinho, aquele jovem logo sofreu por sua tolice. Final­ mente, depois que foi forçado a comer alfarrobas com os porcos, tornou-se mais sábio (Lc 15.11-19). Infeliz­ mente, há muitos semelhantes a ele. Moço, imploro-lhe com sinceridade, acautele-se do orgulho. Dizem que há duas coisas muito raras de serem vistas no mundo: uma é um moço que seja humilde, a outra é um velho satisfeito. Temo que essa afirmação seja, de fato, verdadeira. Não se orgulhe de suas habilidades, de suas forças, de seu conhecimento, de sua aparência ou de sua inteli­ gência. Não se orgulhe de si mesmo ou de qualquer dos seus talentos. Tudo isso é conseqüência de não conhecer

a si mesmo e ao mundo. Quanto mais você envelhece e

mais compreende as coisas, menos razão tem para ser

orgulhoso. A ignorância e a inexperiência são o pedestal do orgulho; uma vez que esse pedestal seja removido, o orgulho logo desabará. Recorde-se de quantas vezes as Escrituras nos mostram a excelência de um espírito de humildade. Como somos intensamente exortados a não pensarmos de nós mesmos além do que devemos pensar! (Rm 12.3). Com que clareza somos informados que “se alguém julga saber alguma cousa, com efeito não aprendeu ainda como convém saber” (1 Co 8.2). Como a ordem é

precisa: “Revesti-vos

“Cingi-vos todos de humildade” (1 Pe 5.5). Infelizmen­ te, muitos parecem não possuir nem um fragmento dessa vestimenta. Pense no grande exemplo deixado pelo Senhor

Jesus Cristo, quanto a isso. Ele lavou os pés dos discípulos

e lhes disse: “Como eu vos fiz, façais vós também” (Jo

de humildade” (Cl 3.12). E, ainda:

13.15). Está escrito: “Jesus Cristo

sendo rico, se fez

pobre por amor de vós” (2 Co 8.9); e, em outro lugar:

“Antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de

26

Uma Palavra aos Moços

servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reco­ nhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou” (Fp 2.7,8). Obviamente, ser orgulhoso é ser mais seme­ lhante ao diabo e ao Adão decaído do que a Cristo. Com certeza, ser como Cristo jamais será desprezível ou desonroso. Pense no homem mais sábio que já viveu; refiro- me, evidentemente, a Salomão. Veja como ele se considerou “uma criança”, alguém que não sabia como se conduzir (1 Rs 3.7). Havia nele um espírito bem diferente do que em seu irmão, Absalão, que se achava capacitado a qualquer coisa: “Ah! quem me dera ser juiz na terra! para que viesse a mim todo homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça” (2 Sm 15.4); diferente, também, de seu irmão Adonias, que “se exaltou e disse: Eu reinarei” (1 Rs 1.5). A humildade era o princípio da sabedoria de Salomão. Ele deixou escrito, por experiência própria: “Tens visto a um homem que é sábio a seus próprios olhos? Maior esperança há no insensato do que nele” (Pv 26.12). Moço, guarde no coração esses versículos citados; não confie demasiadamente em seu próprio discerni­ mento. Pare de confiar que você está sempre certo e os outros sempre errados. Desconfie de sua própria opinião, quando vê que ela é contrária à dos mais velhos e, especialmente, à opinião de seus pais. A idade traz experiência e, portanto, merece respeito. No livro de Jó, vemos que uma característica da sabedoria de Eliú foi o fato de ele ter esperado para falar a Jó, pois este era de mais idade do que ele (Jó 32.4). Então, Eliú disse:

“Eu sou de menos idade, e vós sois idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião. Dizia eu: falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria” (Jó 32.6,7). A modéstia e o silêncio são adornos graciosos nos jovens. Nunca se envergonhe de ser um aprendiz; Jesus o foi. Aos doze anos de idade, Ele foi encontrado no templo, “assentado no meio dos mestres, ouvindo-

Perigos Que os Moços Enfrentam

27

os e interrogando-os” (Lc 2.46). Os homens mais sábios lhe dirão que continuam sendo aprendizes; e são humildes em reconhecer, depois de tudo, quão pouco realmente sabem. O grande Isaac Newton1 costumava dizer que não se considerava melhor do que uma criança que colhera algumas pedras preciosas às margens do mar do conhecimento. Moço, se você deseja ser sábio, se deseja ser feliz, lembre-se deste aviso: cuidado com o orgulhol

(2)

Um outro perigo para os moços é o

amor aos prazeres. A juventude é a época em que as nossas paixões são mais fortes - e, como criança indisciplinada, clamam o mais alto possível para serem satisfeitas. E a época em que geralmente estamos no

máximo do nosso vigor e saúde; a morte parece distante,

e, gozar a vida parece-nos a coisa mais importante. É

também o período da vida em que a maioria das pessoas têm poucos problemas ou ansiedades com que se ocupa­

.Tudo isso colabora para que o jovem pense no

prazer mais que em qualquer outra coisa. Eu sirvo às

paixões e aos prazeres - seria a resposta sincera que muitos moços deveriam dar, se lhes fosse perguntado:

A quem você serve?

Moço, faltaria tempo, se eu fosse falar de todos os frutos produzidos pelo amor aos prazeres e de todas as maneiras pelas quais esse tipo de amor pode lhe prejudicar. Por que haveria de falar sobre bailes, bebedeiras, jogos de azar, teatro, danças e coisas seme­ lhantes? Poucos há que não conhecem em parte essas coisas, através de amarga experiência. E esses são apenas alguns exemplos. Tudo o que traz uma sensação de euforia momentânea, que faz naufragar o raciocínio, mantendo a mente num constante redemoinho, que agrada os sentidos e gratifica a carne é o tipo de coisa que agora exerce grande poder em sua vida. E esse poder provém do amor aos prazeres. Acautele-se! Não seja como aqueles mencionados por Paulo, que são

rem.

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Uma Palavra aos Moços

“antes amigos dos prazeres que amigos de Deus” (2 Tm 3.4). Se você deseja apegar-se aos prazeres deste mundo, lembre-se do que lhe digo: são esses os que matam a alma. Ceder aos desejos da carne e dos pen­ samentos é o meio mais seguro de se obter uma

consciência cauterizada e um coração impenitente e duro.

A princípio, ceder aos desejos parece inconseqüente,

mas o impacto é sentido a longo prazo. Considere o que Pedro disse: “Exorto-vos

absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra

a alma” (1 Pe 2.11). Tais paixões destroem a paz que

há na alma, quebrantam seu vigor, conduzem-na a um

a vos

penoso cativeiro e fazem dela uma escrava. Considere o que Paulo disse: “Fazei, pois, morrer

a vossa natureza terrena” (Cl 3.5); “E os que são de

Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões

e

concupiscências” (G15.24); “Mas esmurro o meu corpo

e

o reduzo à escravidão” (1 Co 9.27). Antes do pecado,

corpo era uma perfeita habitação para a alma; contudo, agora está todo corrompido, desregrado e necessita de constante vigilância. Ele é um peso para a alma, não um companheiro útil; um estorvo, não uma ajuda. O corpo pode se tornar um servo muito útil, mas será sempre um péssimo senhor. Considere estas outras palavras de Paulo:

o

“Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências” (Rm 13.14). “Essas são palavras”, disse Leighton, “cuja simples leitura operou de tal modo em Agostinho, que ele foi transformado de um jovem imoral e vil em um fiel servo de Jesus Cristo”.2 Moço, desejo que o mesmo aconteça com você. Novamente, você deseja apegar-se aos prazeres deste mundo, lembre-se que eles são completamente uazios, fúteis e de modo algum satisfazem. Assim como

os gafanhotos da visão em Apocalipse, esses prazeres

Perigos Que os Moços Enfrentam

29

aparentam possuir coroas em suas cabeças; mas, do mesmo modo que tais gafanhotos, você verá que possuem ferrões - verdadeiros ferrões - em suas caudas (Ap 9.7-10). Nem tudo que reluz é ouro; nem tudo que é doce é bom; nem tudo que dá prazer mo­ mentâneo é prazer verdadeiro.

Atire-se aos prazeres mundanos, se você desejar; porém, jamais seu coração se satisfará com eles. Sempre haverá uma voz interior, clamando como a sanguessuga:

“Dá, dá!” (Fv 30.15). Há em seu coração um vazio que só Deus pode preencher, e nada mais. Assim como Salomão descobriu, por experiência própria, você tam­ bém descobrirá que os prazeres deste mundo não passam de um vão espetáculo - vaidade e vexação de espírito

- como sepulcros caiados, com boa aparência externa

mas cheios de corrupção e cinzas em seu interior. É melhor ser sábio a tempo. E melhor rotular com a palavra “veneno” todos os prazeres terrenos. Dentre eles, até mesmo o prazer mais legítimo deve ser usado com moderação. Qualquer um deles destrói sua alma, se você coloca neles o coração. Nessa altura não hesitarei em alertar a você e a todos os moços a recordarem-se do sétimo mandamento

e a guardarem-se do adultério, da fornicação e de todo

tipo de impureza. Temo que exista, freqüentemente, uma falta de franqueza ao se falar dessa parte da lei de Deus. Mas, quando vejo o modo como os profetas e os

apóstolos lidaram com esse assunto, quando observo a maneira aberta com que os reformadores da igreja denunciam esses pecados, quando olho a quantidade de moços seguindo as pisadas de Rúbens, Amom, Hofni

e Finéias, não posso, em sã consciência, ficar quieto.

Duvido que o mundo se encontre em melhor situação por causa do silêncio excessivo que prevalece em rela­ ção a esse mandamento. De minha parte, penso que seria uma falsidade e uma cortesia sem fundamento

bíblico dirigir-me aos moços e não falar deste pecado

30

Uma Palavra aos Moços

que é, preeminentemente, o pecado peculiar do moço. A quebra do sétimo mandamento é o pecado que se sobrepõe a todos os outros e que, como disse Oséias, tira o entendimento (Os 4.11). E o pecado que deixa na alma márcas mais profundas do que qualquer outro que o homem pode cometer. E um pecado que extermina os seus milhares, em qualquer idade, e que arruinou não poucos dentre os santos de Deus, em épocas passadas. Ló, Sansão e Davi são desagradáveis provas desse fato. Esse é o pecado para o qual o homem ousa sorrir e o suaviza com nomes como diversão, fraqueza, impetu­ osidade. E, porém, o pecado com o qual o diabo especificamente se regozija, pois o diabo é o “espírito imundo”; e também é o pecado que Deus especifica­ mente abomina, declarando que “julgará os impuros e adúlteros” (Hb 13.4). Moço, eu insisto, se você ama a vida, fuja da imoralidade sexual (1 Co 6.18). “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas cousas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Ef 5.6). Fuja das ocasiões para esse pecado, da companhia daqueles que podem induzi-lo a pecar e de lugares onde você pode ser tentado a cair nesse pecado. Leia o que nosso Senhor disse a respeito, em Mateus 5.28. Seja santo como Jó, que disse: “Fiz aliança com meus olhos” (Jó 31.1). Fuja deconversas imorais. Essa é uma das coisas que nem sequer deve estar em nossos lábios. Não há como manusear o piche sem sujar as mãos. Fuja dos pensamentos imorais; resista-lhes, mortifique-os, ore a respeito, faça qualquer sacrifício, ao invés de ceder. Com muita freqüência, a imaginação é a incubadora onde é chocado esse pecado. Vigie os seus pensamentos, e pouco haverá que se temer quanto às suas ações. Considere o alerta que tenho lhe dado. Se tudo o mais for esquecido, não se esqueça dessa advertência.

(3)

Outro grande perigo para os moços é

falta de reflexão e ponderação. A falta de reflexão

Perigos Que os Moços Enfrentam

31

é um simples motivo pelo qual milhares de almas tornam-

se perdidas eternamente. Os homens não querem refletir, não querem olhar adiante, não querem olhar ao seu redor nem meditar sobre o curso de sua vida presente e as óbvias conseqüências do seu modo de viver; e, final­ mente acordarão para o fato que foram condenados por falta de reflexão sobre essas coisas. Moço, ninguém mais do que você corre perigo nessa área. Ao seu redor há perigos dos quais você sabe muito pouco; e assim se descuida quanto ao seu cami­ nhar. Você detesta a importunação de pensar calma e sobriamente; então toma decisões erradas e acaba colhendo tristezas. O jovem Esaú tinha necessidade do cozido de lentilhas do irmão e de vender-lhe o direito de primogenitura; ele não refletiu no quanto haveria de desejar esse direito um dia (Gn 25.27-34). Os jovens Simeão e Levi tinham necessidade de vingar sua irmã Diná e passar ao fio da espada os siquemitas; eles não ponderaram sobre o quanto de aborrecimento e preocupação trariam para suas casas e para seu pai, Jacó (Gn 34). Jó parecia temer especificamente essa falta de ponderação entre seus filhos. Está escrito que, “decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madru­ gada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim fazia Jó continuamente” (Jó 1.5).

Acredite-me, este mundo não é um lugar onde nos damos bem, se não usamos o raciocínio; quanto mais nos assuntos referentes às nossas almas. “Não pense!”, sussurra Satanás. Ele sabe que um coração não- convertido é como os livros fiscais de um negociante desonesto - não resistirão a uma inspeção detalhada.

“Considerai os vossos caminhos”, diz a Palavra de Deus. Pare e pense, considere os seus caminhos e seja sábio.

E correto o provérbio espanhol: “A pressa vem do diabo”.

32

Uma Palavra aos Moços

Assim como muitos homens se casam, na hora da pressa,

e se arrependem, na hora da reflexão, assim também

em um instante cometem erros quanto as suas almas; e, por isso, sofrem durante anos. Assim como o mau servo procede erroneamente e então diz: “Nunca me preocupei com aquilo”, assim também o moço corre para o pecado

e depois diz: “Não pensei nisso, não parecia que era

pecado”. Não parecia pecado! O que você esperava? O pecado não vem a você e diz: “Eu sou o pecado”. Se fizesse isso, ele lhe causaria poucos males. O pecado sempre parece bom, agradável e desejável, ao ser cometido. Ó, jovem! adquira a sabedoria e a prudência! Lembre-se das palavras de Salomão: “Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos” (Pv 4.26). É sábio o que foi dito pelo Lorde Bacon:3 “Não faça nada de forma precipitada; aguarde um pouco mais

e você acabará mais cedo”. Alguns alegarão, ouso afirmar, que estou pedindo algo exorbitante, que a juventude não é o período da vida em que a pessoa deve ser séria e ponderada. Eu respondo que, hoje em dia, há pouco risco de os jovens serem muito inclinados a isso. Conversas fúteis, gracejos, piadas e diversão excessiva são coisas muito comuns. Sem dúvida, há tempo para tudo; no entanto, ser cons­ tantemente leviano e frívolo é ser qualquer outra coisa, menos sensato. O que nos disse o mais sábio dos homens? “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete; pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em conside­ ração. Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos na casa da alegria” (Ec 7.2-4). Matthew Henry4 conta a história de um grande estadista, do período elisabetano, que aposentou-se da vida pública em seus últimos anos

e dedicou-se à séria reflexão. Seus amigos foram visitá- lo e lhe disseram que estava agindo com melancolia.

Perigos Que os Moços Enfrentam

33

“Não”, respondeu ele, “estou agindo com seriedade; pois há seriedade em tudo, ao meu redor. Deus age com seriedade ao nos observar; Cristo age com seriedade ao interceder por nós; o Espírito age com seriedade ao contender conosco; as verdades de Deus são sérias; nossos inimigos espirituais são sérios em seus intentos para nos arruinar; a existência de pobres pecadores perdidos no inferno é uma séria realidade. Diante de tudo isso, por que eu e você não haveríamos de agir com seriedade também?”5

O,

moço! aprenda a refletir! Aprenda a ponderar

sobre as suas atitudes e sobre o seu destino final. Separe

tempo para refletir calmamente. Medite em seu coração

e aquiete-se. Lembre-se da minha advertência: não se perca meramente por falta de ponderação.

(4)

Um outro perigo para os moços é o

menosprezo à vida espiritual. Esse é, também, um

dos perigos específicos que você enfrenta. Sempre observo não haver quem demonstre tão pouco respeito para com a verdadeira religião quanto os moços. Em comparação a eles, não há quem se dedique tão pouco aos meios da graça, quem participe menos dos cultos quando presentes, quem utilize tão pouco as Escrituras

e livros devocionais, quem cante tão pouco ou dê tão

pouca atenção às pregações. Ninguém, mais do que eles, deixa de participar dos cultos de oração, de estu­ dos bíblicos ou de qualquer outra atividade semanal que serve de ajuda para a alma. Parece que os moços pen­ sam não necessitarem dessas coisas; talvez sejam boas para os homens e mulheres de mais idade, mas não

para eles. Parece que eles se envergonham de dar a impressão de que se importam com as suas almas; parece que eles consideram como uma desgraça o fato de ir para o céu. Isso é um menosprezo à vida espiritual;

é a mesma atitude que levou os rapazinhos de Betei a

zombar do consagrado Eliseu (2 Rs 2.23). E eu lhe digo:

Acautele-se, moço, desse tipo de atitude! Se compensa

34

Uma Palavra aos Moços

ter uma religião verdadeira, também compensa tratá-la com seriedade. O menosprezo às coisas espirituais é o principal caminho que conduz à infidelidade para com Deus. Uma vez que o homem tenha começado a zombar e a fazer piadas sobre qualquer área da vida cristã, nunca me sur­ preendo ao saber que se tornou um incrédulo resoluto. Moço, você já se decidiu sobre esse assunto? Já visualizou com precisão o abismo que está à sua frente, se persistir em desprezar as coisas de Deus? Recorde-se das palavras de Davi: “Diz o insensato no seu coração:

Não há Deus” (SI 14.1). O insensato, e somente ele, fala assim, mas sempre sem provas! Lembre-se, se já houve um livro cuja veracidade tem sido comprovada,

do princípio ao fim, esse livro é a Bíblia. Ela tem resistido os ataques de todos os inimigos e de todos os que nela procuram alguma falta. “A palavra do S enhor é provada’ (SI 18.30). Tem sido provada de toda forma; e quanto mais é provada, mais evidentemente se comprova ser uma obra das mãos do próprio Deus. Em que você vai crer senão na Bíblia? Não há outra escolha, a não ser que você prefira acreditar em algo ridículo e absurdo. Esteja certo, ninguém é tão ingênuo quanto o homem que nega ser a Bíblia a Palavra de Deus;6 porém, se ela

é a Palavra de Deus, cuide para não desprezá-la. Os homens podem lhe dizer que há coisas difíceis de serem entendidas na Bíblia. Se não fosse assim, ela não seria o livro de Deus. E, qual o problema com isso? Você não despreza os medicamentos por não compre­ ender tudo que seu médico faz por meio deles. Mas, o

que quer que digam os homens, aquilo que é necessário para a salvação está dito de modo tão claro quanto a luz do dia. Esteja bem certo disto: os homens nunca rejeitam

a Bíblia por não conseguirem entendê-la. Eles a enten­ dem muito bem; compreendem que ela condena os seus procedimentos, testemunha contra os seus pecados e os intima ao julgamento. Os homens tentam acreditar

Perigos Que os Moços Enfrentam

35

que ela é falsa e inútil, porque não gostam de admitir a sua veracidade. O célebre Lorde Rochester,7pondo sua mão sobre a Bíblia, afirmou: “A única grande objeção a este livro é levar uma vida perversa”. Robert South8disse:

“Os homens questionam a veracidade do cristianismo porque detestam a prática do mesmo”. Moço, quando foi que Deus falhou em cumprir sua palavra? Nunca! O que disse que faria, Ele sempre fez; o que falou, Ele sempre cumpriu. Ele falhou em cumprir sua palavra a respeito do dilúvio? Não! Porven­ tura Ele falhou em relação a Sodoma e Gomorra? Não! Falhou com a incrédula Jerusalém? Não! Falhou com os judeus, até o presente momento? Não! Ele nunca falhou em cumprir a sua palavra. Cuidado para não ser achado entre aqueles que desprezam a Palavra de Deus. Jamais zombe da religião bíblica. Não escarneça do que é sagrado. Não ridicularize os que são sinceros e zelosos com suas almas. Poderá chegar o tempo em que você considerará felizes os que lhe eram motivo de riso; uma hora em que o seu riso se tornará em tristeza

e o seu escárnio em aflição.

(5)

Outro perigo para os moços é o temo

pelas opiniões de outros. “Quem teme ao homem arma

ciladas” (Pv 29.25). E triste observar o poder exercido pelo temor, na maioria das mentes; e, em especial, na mente dos jovens. Poucos parecem ter qualquer opinião própria ou capacidade de pensar por si mesmos. São como os detritos no mar, levados pelas ondas e pelas marés; o que outros pensam estar correto, eles também pensam; o que outros consideram errado, também eles. Não há no mundo muitos jovens que pensam por si mesmos. A maioria deles

é como ovelhas - seguem um líder. Se o que estiver em

voga for pertencer ao catolicismo romano, eles serão cató­ licos romanos; se ao islamismo, serão islamitas. Esses

detestam a idéia de ir contra a atual corrente de pensa­ mento. Resumindo, a opinião em voga se torna a sua religião, o seu credo, a sua bíblia e o seu deus.

36

Uma Palavra aos Moços

“O que os meus amigos vão_pensar ou dizer a meu respeito?” Tal pensamento corta pela raiz muitas das boas intenções. O temor de ser desprezado, escar­ necido e ridicularizado impede^que muitos hábitos bons sejam adquiridos. Há muitas Bíblias cuja leitura poderia iniciar-se hoje mesmo, se os seus donos ousassem a isso. Muitos sabem que deveriam lê-las, mas têm receio: “O que as pessoas vão dizer?” Há joelhos que deveriam dobrar-se em oração, hoje mesmo, mas o temor ao ho­ mem é um impedimento: “Que dirão meus amigos, meu irmão, minha esposa, se me virem orando?” Que terrível escravidão é essa, e o quanto ela é comum! “Temi o povo” - disse Saul a Samuel; e assim transgrediu o mandamento do Senhor (1 Sm 15.24). “Receio-me dos judeus” - disse Zedequias, o infeliz rei de Judá; e assim desobedeceu o conselho dado a ele por Jeremias (Jr 38.19). Herodes teve receio do que os seus convidados pensariam dele; e, assim, fez aquilo que o entristeceu profundamente - decapitou João Batista (Mc 6.17-28). Pilatos temeu ofender os judeus; e, assim, efetuou o que ele tinha consciência de ser uma coisa injusta - entregou Jesus para ser crucificado. Se isso não é escravidão, então diga-me o que é. Meu jovem, quero que você seja liberto dessa escravidão. Desejo que não se importe com a opinião dos homens, quando o caminho do dever é claro. Acredite, é uma grande coisa ser capaz de dizer “Não!” Este era o ponto fraco do bom rei Josafá; ele era muito complacente e flexível em seu modo de agir com Aca­ be; desse modo lhe sobrevieram muitos de seus problemas (1 Rs 22.4). Aprenda a dizer “Não!” Que o medo de parecer uma pessoa desagradável não o torne incapaz de resistir. Quando os pecadores procurarem seduzir você, diga com determinação: Não consentirei (Pv 1.10). Considere como é irracional o temor ao homem. Como é de curta duração a inimizade humana e quão

Perigos Que os Moços Enfrentam

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pequeno é o mal que o homem lhe pode causar! “Quem,pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem que não passa de erva? Quem és tu que te esqueces do S en h or que te criou, que estendeu os céus e fundou a terra?.” (Is 51.12,13). Pense quão ingrato é esse temor! Ninguém realmente o achará uma pessoa melhor, por causa disso. O mundo sempre tem um respeito maior por aqueles que servem a Deus com destemor. Oh! quebre esses grilhões e atire-os fora! Jamais se envergonhe de deixar os homens saberem que o seu desejo é ir para o céu. Não veja como infelici­ dade o demonstrar ser um servo de Deus. Não tenha medo de fazer o que é certo.

^ Lembre-se das palavras do Senhor Jesus: “Não

temais os que matam o corpo e não podem matar a

alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28). Tão- somente procure servir a Deus, e logo Ele pode fazer com que outros se agradem de você. “Sendo o caminho

S e n h o r , este reconcilia com

eles os seus inimigos” (Pv 16.7). Moço, seja corajoso.9 Não se importe com o que

o mundo pensa ou diz; você não permanecerá nele para

sempre. Pode o homem salvar-lhe a alma? Não! No gran­ de e terrível Dia do Juízo, quem o julgará: o homem?

Não! Pode ele lhe conceder uma boa consciência durante

a vida, uma boa esperança na morte e uma boa resposta

na manhã da ressurreição? Não! Não! Não! Nada disso o homem pode fazer. Então, “não temais o opróbrio dos homens, nem vos turbeis por causa das suas injúrias. Porque a traça os roerá como a um vestido, e o bicho os comerá como à lã” (Is 51.7,8). Eis o que disse o bom Coronel Gardiner:10“Temo a Deus; portanto, nada mais tenho a temer”. Imite-o, jovem! Estes são os avisos que eu lhe dou. Guarde-os no coração; eles são dignos de reflexão. Estarei muito enganado, se não forem imensamente necessários.

dos homens agradável ao

38

Uma Palavra aos Moços

Queira o Senhor que não lhe tenham sido dados em

vão!

1. Isaac Newton (1642-1727) foi um matemático e

filósofo talentoso.

2. Agostinho (354-430) foi um famoso bispo da cidade de Hippo. O relato de sua conversão a Cristo pode ser visto na obra clássica Confessions (Confissões).

 

3.

Francis Bacon (1561-1626) foi um estadista inglês

e

filósofo.

4.

Matthew Henry (1662-1714) foi um expositor

bíblico que escreveu um dos mais úteis comentários sobre toda a Bíblia.

5. Uma indicação trágica da atitude moderna quanto

a esse assunto está contida no mote do Instituto Internacional do Humor: “Não existe nenhuma evidência de que a vida é coisa séria”.

6. Não é isso o que acontece quando se fala em criação

e evolução? As Escrituras declaram, sem equívoco, que Deus

criou o mundo pelo poder de sua própria palavra. O Senhor

tornou em loucura a assim chamada sabedoria do mundo (1

Co 3.18-20); portanto, ela está pronta a argumentar que o glorioso e complexo universo aconteceu por mero acaso.

7. John W. Rochester (1647-1680) foi um assistente

da corte real inglêsa.

8. Robert South (1634-1716) foi um ministro

anglicano, cujos sermões foram denominados de “Clássicos

da Teologia Inglesa”. Procurava sempre pregar com clareza, simplicidade e fervor.

9. Veja nas Escrituras os seguintes versículos que

utilizam linguagem idêntica: Deuteronômio 31.6,7,23; Josué 1.6,9,18; Salmo 27.14. 10. Cel. James Gardiner (1687-1745) foi um consa­ grado pregador, convertido de forma notável, enquanto lia o livro de Thomas Watson: Heauen Taken by Storm (O Céu Tomado à Força).

Conselhos Gerais aos Moços

D esejo agora dar alguns conselhos gerais aos moços.

(1) Procure obter uma compreensão clara

sobre a malignidade do pecado. Moço, se você tão

simplesmente soubesse o que é o pecado e o que ele tem efetuado, não estranharia que eu o exortasse dessa maneira. Você não enxerga o pecado em suas verdadei­ ras cores. Por natureza, seus olhos são cegos para ver a culpa e o perigo que ele encerra; por isso, não consegue entender o que me faz ficar tão preocupado com a sua vida. Não deixe o diabo ser bem sucedido em persuadi-lo de que o pecado não passa de um assunto insignificante e sem importância. Pense, por um instante, sobre o que a Bíblia diz a respeito do pecado. Note como ele habita_natural- mente no coração de cada homem e de cada mulher (Ec 7.20; Rm 3.23); como corrompe nossos pensa­ mentos, palavras e ações, continuamente (Gn 6.5; Mt 15.19); como nos torna inteiramente culpados e abomináveis aos olhos de um Deus que é Santo (Is 64.6; Hc 1.13); como nos deixa completamente sem espe­ rança de salvação, se olharmos para nós mesmos (SI 143.2; Rm 3.20). Observe como neste mundo o fruto do pecado é a vergonha e no mundo vindouro o seu salário é a morte (Rm 6.21,23). Reflita com calma em tudo isso. Eu lhe digo: não é mais triste estar morrendo

40

Uma Palavra aos Moços

de câncer, sem o saber, do que estar vivo e não estar ciente dessas coisas. Pense na tremenda mudança que o pecado ocasionou em toda a nossa natureza. O homem não é mais o que era, quando Deus o formou do pó da terra.' Era reto e sem pecado, ao ser formado pelas mãos de Deus (Ec 7.29). Como tudo o mais, no dia de sua criação ele era “muito bom” (Gn 1.31). E, o que é o homem agora? Ele é uma criatura caída, arruinada; um ser que mostra inteiramente as marcas da corrupção. Seu coração é como *o de Nabucodonozor, degenerado e mundano, ligado à terra e não ao céu (Dn 4). Seus sentimentos são como uma família em desordem e sem liderança, cheios de extravagância e confusão. Seu entendimento é como uma luz enfraquecida, impotente

para guiá-lo, não sabendo discernir entre o que é bom e

o que é mau. Sua vontade é como um navio sem leme,

atirado para cá e para lá pelos seus desejos, apresentando firmeza apenas quanto a escolher qualquer outro caminho que não seja o de Deus. Ora, que desastre é o homem, comparado com o que ele poderia ter sido. É possível compreender bem as figuras utilizadas pelo

Espírito - cegueira, surdez, enfermidade, sono, morte

- quando quer retratar o homem do modo como este

está. Lembre-se que o homem se encontra desse modo devido ao pecado. Pense, também, no quanto custou para ser feita a expiação pelo pecado, para prover redenção e perdão aos pecadores. O próprio Filho de Deus teve de vir ao mundo e tomar sobre Si a nossa natureza,_a fim de pagar

o preço da nossa redenção e livrar-nos da maldição da

lei, jnqual fora transgredida.

Aquele que estava no princípio com o Pai e pelo qual todas as coisas foram criadas - o justo pelos injustos. Teve de morrer como um malfeitor, antes que o cami­ nho para o céu se abrisse a quem quer que fosse. Olhe

para o Senhor Jesus Cristo sendo açoitado, zombado,

Teve de sofrer petò pecado,

Conselhos Gerais aos Moços

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insultado, desprezado e rejeitado pelos homens. Con- temple-0 derramando o seu sangue na cruz do Calvário. Ouça-O a clamar em agonia: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Note como o sol se escureceu e as rochas se fenderam com o que presenciaram. Considere, então, a extensão da maldade e da culpa do pecado. Pense no que o pecado já tem feito sobre a terra:

lançou Adão e Eva para fora do Éden; trouxe o dilúvio sobre o mundo antigo; fez com que caísse fogo sobre Sodoma e Gomorra; afundou Faraó e seu exército no Mar Vermelho; destruiu as sete nações ímpias de Canaã; dispersou as doze tribos de Israel pela face da terra. Sozinho, o pecado fez tudo isso. Pense, ainda, em toda a miséria e tristeza que o pecado já causou e continua causando, até o mo­ mento. Morte, dores, contendas, doenças, intrigas, divisões, inveja, ciúmes, malícia, falsidade, fraudes, engano, violência, opressão, roubo, egoísmo, crueldade, ingratidão - todos esses são frutos do pecado; o pecado produz tudo isso. Na verdade, é o pecado que tanto tem arruinado e desfigurado a face da criação de Deus. Moço, reflita nessas coisas e não ficará admirado por ser exortado desse modo. Se você simplesmente pensasse nesses frutos, certamente romperia com o pecado para sempre. Você brincaria com o veneno? Divertir-se-ia com o inferno? Tomaria o fogo nas mãos? Acolheria em seu coração o inimigo mais fatal? Conti­ nuaria a viver como se de modo algum importasse em ter ou não os seus pecados perdoados? Continuaria indiferente quanto a ter domínio sobre o pecado ou ser dominado por ele? Oh! desperte para a necessidade de compreender o perigo e a malignidade do pecado! Lem­ bre-se que Salomão afirmou que “os loucos”, e somente esses, “zombam do pecado” (Pv 14.9). Portanto, ouça o pedido que lhe faço hoje: ore para que Deus lhe mostre a verdadeira perversidade do pecado.

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Uma Palavra aos Moços

Se deseja ter sua alma salva, desperte agora e ore.

(2)

Procure conhecer melhor o Senh

Jesus Cristo. Na verdade, esta é a essência da vida espiritual. E a pedra fundamental do cristianismo. En­ quanto você não reconhecer essa necessidade, os meus

conselhos e admoestações lhe serão inúteis; e seus esforços, quaisquer que sejam, serão em vão. Um relógio sem a mola principal é tão imprestável quanto uma vida

, Entretanto, não desejo ser mal compreendido. O que quero dizer não é meramente ter conhecimento do

nome de Cristo - é conhecer a sua misericórdia, graça

e poder; é conhecê-Lo não por ouvir falar dEle. mas

por prová-Lo no coração. Desejo que O conheça pela fé; e, como diz Paulo, que conheça “o poder da sua

ressurreição”, conformando-se “com ele na sua morte” (Fp 3.10). Espero que você possa dizer sobre Ele: “Ele é

a minha paz e minha força, minha vida e meu consolo,

meu médico e meu pastor, meu Salvador e meu Deus”. Por que encaro esse assunto com tanta seriedade? Faço isso porque somente em Cristo reside “toda a plenitude” (Cl 1.19); só nEle há o suprimento de tudo quanto nossas almas necessitam. Por nós mesmos somos criaturas pobres e vazias - sem retidão nem paz, sem vigor nem consolo, sem coragem nem paciência; sem forças para perseverar, prosseguir ou progredir neste mundo iníquo. Só em Cristo podemos encontrar graça., paz, sabedoria, retidão, santificação e redenção. E à medida em que vivemos na dependência de Cristo que nos tornamos cristãos fortes. Será apenas quando o nosso “eu” for nada e Cristo for toda "a nossa confiança que executaremos grandes feitos (Dn 11.32). Só então estaremos armados para a batalha da vida e venceremos. Só então estaremos prontos para a jornada da vida e prosseguiremos avante. Viver em Cristo, obter dEle todas as coisas, fazer tudo na força de Cristo e estar sempre olhando para Ele - esse é o verdadeiro segredo do pro­

religiosa desprovida de

Conselhos Gerais aos Moços

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gresso espiritual. “Tudo posso naquele que me fortalece”, disse Paulo (Fp 4.13). Jovem, apresento-lhe, nesse dia, Jesus Cristo como o tesouro de sua alma; e convido você a iniciar sua caminhada em direção a Ele, se deseja correr de tal modo a alcançar o prêmio. Que ir a Cristo seja o seu primeiro passo. Você quer consultar os amigos? Ele é o melhor amigo: “Amigo mais chegado do que um irmão” (Pv 18.24). Você se acha indigno por-causa dos seus pecados? Não tema; o sangue de Cristo nos purifica de todo pecado. Ele diz: “Ainda que os vossos pecados são como a escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã” (Is 1.18). Sente-se fraco e incapaz de segui- Lo? Não tema; Ele lhe dará poder para que você se torne um filho de Deus. Dar-lhe-á o Espírito Santo para habitar em sua vida e o selará para Ele mesmo. Também lhe concederá um novo coração e colocará em seu interior um novo espírito. Encontra-se perturbado ou afligido por alguma debilidade espiritual? Não tema; não há espírito maligno que Jesus não possa expulsar; não há enfermidade da alma que Ele não possa curar. Tem dúvidas e temores? Deixe-os de lado. Cristo diz: Venha

a mim; e “o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei

fora” (Jo 6.37). Ele conhece bem o coração do jovem rapaz. Conhece as suas provações e tentações, suas dificuldades e lutas. Quando aqui viveu em carne, Ele foi

como você - um jovem, em Nazaré. Por experiência própria conhece a mentalidade de um rapaz. Pode

comover-se por causa das suas fraquezas, moço; pois Ele mesmo sofreu, ao ser tentado. Não haverá desculpas, certamente, caso você vire as costas para um Salvador

e amigo como este. Ouça o pedido que hoje lhe faço: se você ama a vida, procure conhecer melhor a Jesus Cristo.1

(3)

Nunca esqueça que nada é tão impor

tante quanto sua alma. Sua alma é eterna; viverá

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Uma Palavra aos Moços

para sempre. O mundo e tudo o que ele contém há de passar; embora firme, sólido, belo e bem ordenado como é, o mundo terá o seu fim. “Os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas (2 Pe 3.10). As obras dos governadores, pintores, arquitetos e outros são todas de vida curta; mas sua alma subsistirá, depois do fim de todas elas. Um dia, soará uma grande voz do céu, dizendo: “Feito está” (Ap 16.17). Mas o mesmo nunca será dito em relação à sua alma. Eu lhe peço, procure compreender que a sua alma é o que há de mais importante. E a parte da sua vida que deve sempre ser considerada em primeiro lugar. Nenhum lugar ou emprego será bom, se lhe trouxer prejuízo para a alma. Não merece a sua confiança qual­ quer amigo ou companheiro que considera uma coisa sem importância a preocupação que você tem com a sua alma. O homem que causa danos ao seu corpo, aos seus bens e à sua reputação traz prejuízos apenas tem­ porários. O verdadeiro inimigo é o que procura sempre prejudicar a sua alma. Pense por um instante. Por que você veio a este mundo? Não foi meramente para comer, beber e satisfazer os desejos da carne. Não foi simplesmente para vestir o corpo e seguir suas paixões, aonde quer que elas o conduzam; ou apenas para trabalhar, dormir, rir, falar, alegrar-se e pensar em mais nada além do momento presente. Não! você veio por causa de um propósito melhor e mais elevado; foi colocado aqui para ser treinado para a eternidade.2O seu corpo lhe foi dado apenas para servir de habitação a um espírito imortal. Tornar a alma uma serva do corpo, ao investe tornar o corpo um servo da alma é fazer como muitos fazem e significa fugir dos propósitos de Deus. Moço, Deus não faz acepção de pessoas. Ele não observa a vestimenta, o dinheiro, a classe social ou po­

Conselhos Gerais aos Moços

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sição do homem. “O S enhor não vê como vê o homem” (1 S m 16.7). O mais pobre entre os santos, que tenha morrido em um lugar humilde, é mais nobre à vista de Deus do que o pecador mais rico, que tenha morrido em um palácio. Deus não olha para riquezas, diplomas, erudição, beleza ou coisas semelhantes a essas. Há, porém, uma coisa para a qual Ele olha: para a alma imortal. Ele avalia todos os homens por uma mesma norma, uma mesma medida, um mesmo teste e um mesmo critério, a saber, a condição de suas almas. Não esqueça essas coisas. De manhã, ao meio dia e à noite, tenha sempre em vista aquilo que diz res­ peito à sua alma. Ao levantar-se, a cada dia, deseje que

ela prospere; ao deitar-se, a cada noite, verifique consigo mesmo se realmente ela tem feito progressos. Lembre- se de Zeuxis,3 o grande pintor da antiguidade. Quando lhe interrogaram sobre a razão de trabalhar tanto e se dedicar de tal forma a cada um de seus quadros, sua resposta foi simplesmente esta: “Eu pinto para a eterni­ dade”. Não se envergonhe de ser semelhante a ele. Contemple a sua alma imortal com os olhos do entendi­ mento; e, quando os homens lhe perguntarem a razão de viver com tal seriedade, responda-lhes à maneira de Zeuxis: ”Vivo de modo a importar-me com minha alma”. Acredite, rapidamente se aproxima o dia em que a alma será a única preocupação do homem, e a questão de real importância será esta: “A minha alma está perdida ou está salua?”

(4)

Lembre que é possível ser jovem e,

mesmo assim, servir a Deus. Quanto a isso, temo

os laços que Satanás arma para você. Temo que ele seja bem sucedido em encher a sua mente com a falsa idéia de que, na juventude, ser um cristão verdadeiro é coisa impossível. Tenho visto muitos que são levados por esse engano. Já ouvi o seguinte: “Você exige coisas impossí- veis, ao esperar tanta dedicação espiritual por parte dos jovens. Ã juventude não é época para seriedade. Nossos

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Uma Palavra aos Moços

desejos são fortes, e nunca foi tencionado que os tivés­ semos sob controle, como você quer que façamos. Deus tencionava que nos divertíssemos. Mais tarde haverá tempojufiçiente para assuntos religiosos”. Esse tipo de conversa é encorajada demais pelo mundo, que está sempre pronto a ignorar os pecados cometidos pelos jovens. O mundo parece assumir que os moços devem procurar “entregar-se aos prazeres da mocidade”. O mundo tem por certo que os jovens devem ser irreligiosos

e que é impossível seguirem a Cristo. Moço, faço-lhe esta simples pergunta: em qual parte da Palavra de Deus podè~ser encontrada qualquer coisa semelhante? Onde está o capítulo ou o versículo que dá base para esses comentários e argumentos mun­ danos? Porventura a Bíblia não fala sobre os velhos e sobre os jovens sem qualquer distinção? Acaso o pecado não será pecado, se for cometido por alguém aos vinte ou cinqüenta anos? Se, no Dia do Juízo, alguém disser:

“Sei que pequei, mas na ocasião eu era jovem”, servirá isso como desculpa? Demonstre ter bom senso, eu peço, deixando de lado tais desculpas fúteis. Diante de Deus, você é responsável a partir do momento em que conhece

o certo e o errado. Sei muito bem que há muitas dificuldades nos caminhos de um jovem. Admito-o inteiramente. Mas, sempre há dificuldades no caminho certo. O caminho para o céu é sempre estreito, quer para o jovem quer para o velho (veja o que Jesus disse, em Mateus 7.13,14). As dificuldades existem, mas Deus lhe dará graça para superá-las. Deus não é um mestre severo. Ao con­ trário de Faraó, Ele não exigirá que você produza tijolos sem lhe dar a palha (Ex 5.7-18). Ele cuidará para que o caminho do pleno dever nunca seja impossível. Ele jamais deu ordenanças aos homens, sem lhes conceder forças para cumpri-las.4 As dificuldades existem, mas muitos moços têm obtido vitória sobre elas, no passado; e você também pode obter. Moisés era um jovem com as

Conselhos Gerais aos Moços

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mesmas paixões que as suas; mas, veja o que foi dito sobre ele, nas Escrituras: “Pela fé Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus, a usufruir prazeres transitórios do pecado; por­ quanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contem­ plava o galardão” (Hb 11.24-26). DariieLera jovem quando começou a servir a Deus em Babilônia. Estava rodeado por tentações de todos os tipos. Havia poucos a seu lado e muitos contra ele. Ainda assim, a vida de Daniel era tão inculpável e coerente que nem mesmo os seus inimigos conseguiam achar nele falta alguma, a não ser que procurassem algo contra ele “na lei do seu Deus” (Dn 6.5). Esses que citei não são casos isolados. Há uma nuvem de testemunhas que eu poderia enumerar. Cer­ tamente me faltaria tempo para falar dos jovens Isaque, José, Josué, Samuel, Davi, Salomão, Obadias, Josias e Timóteo.5 Eles não foram anjos, mas homens; com corações que tinham a mesma natureza que o seu. Assim como você, também tinham obstáculos a enfrentar, paixões a mortificar, provações a suportar e tarefas difíceis de serem realizadas. Mas, embora sendo jovens, todos viram que era possível servir a Deus. Não irão todos eles se levantar no Dia do Juízo e condená-lo, se você persistir em dizer que isso não é possível? Jovem, tente servir a Deus. Resista o diabo, quando ele lhe sussurrar que isso é impossível. Tente servir a Deus, e esse mesmo Senhor Deus das promessas lhe dará forças nessa tentativa. Deus tem prazer em vir ao encontro dos que se esforçam em aproximar-se dEle. Ele virá ao seu encontro e lhe concederá as forças necessárias. Seja como o corajoso homem que o Pere­ grino viu na casa do Intérprete; prossiga com ousadia e diga: “Escreva o meu nome” (“O Peregrino”, John Bunyan6). Lembre das palavras de Jesus: “Buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Mt 7.7). São^vèrdadei-

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Uma Palavra aos Moços

ras, embora freqüentemente eu as ouça sendo repetidas por pessoas insensíveis. As dificuldades que, no início se parecem com grandes montes, se derreterão como a neve na primavera. Os obstáculos, que parecem gigan­ tescos à distância, serão reduzidos a nada, quando você corajosamente enfrentá-los. O leão em meio ao caminho, ao qual você teme, mostrar-se-á estar acorrentado. Se os homens cressem mais nas promessas divinas, nunca teriam receio de cumprir os seus deveres. Mas, lembre- se da pequena palavra - “tentar” - sobre a qual tenho insistido com você; e, quando Satanás disser: "Você não consegue ser um cristão enquanto é jovem”, responda- lhe: “Para trás de mim, Satanás: com a ajuda de Deus, eu tentarei”.

(5)

Determine fazer da Bíblia o seu guia e

conselheiro, enquanto você viver. A Bíblia é a

misericordiosa provisão, da parte de Deus. para a alma pecaminosa do homem. E o mapa pelo qual ele deve orientar o seu curso, se quiser alcançar a vida eterna. Ela contém, de forma riquíssima, tudo o que precisamos saber, a fim de sermos serenos, santos e felizes. Se o moço deseja saber o que fazer para iniciar bem a vida, então que ouça as palavras de Davi: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? observan­ do-o segundo a tua palavra” (SI 119.9).7 Jovem, eu o desafio a adquirir o hábito de ler a Bíblia e não deixar esse hábito ser interrompido. O riso dos companheiros, ou os maus costumes da família onde talvez você viva - que nenhuma dessas coisas possam impedi-lo de ler as Escrituras. Decida não apenas possuir uma Bíblia, mas também separar tempo para sua leitura.8 Não permita que ninguém o convença de que a Bíblia é um livro escrito para crianças e senhoras idosas que fre­ qüentam a Escola Dominical. Através desse Livro, o rei Davi obteve sabedoria e entendimento. Foi o Livro que o jovem Timóteo conheceu desde a infância. Nunca sinta vergonha de ler a Bíblia. Não despreze a Palavra (Pv 13.13).

Conselhos Gerais aos Moços

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Leia a Bíblia em atitude de oração, pedindo que, pela graça do Espírito, possa entender o que lê.

homem que não tem a graça

de Deus é tão impossível entender o verdadeiro signifi­ cado das Escrituras quanto ao cego ler a sua letra”. Leia a Bíblia reverentemente, tomando-a como a Palavra de Deus, não dos homens; crendo, irrestrita- mente, que aquilo que ela aprova é o correto e o que ela condena é o errado. Esteja certo, qualquer doutrina que não resiste ao teste das Escrituras é falsa. Isso evitará que você seja jogado de um lado para o outro e levado pelas opiniões perigosas dos tempos atuais. Esteja plenamente certo de que qualquer prática contrária às Escrituras, em seu viver, é pecaminosa e deve ser aban­ donada. Isto resolverá muitas questões relacionadas à consciência e eliminará muitas dúvidas. Lembre-se das maneiras diferentes como dois reis de Judá leram a Pa­ lavra de Deus. Jeoaquim, depois de ler o Livro, imediatamente cortou os escritos e atirou-os ao fogo (Jr 36.23). Por que ele fez isso? Porque seu coração havia se rebelado contra aquelas palavras e estava decidido a não obedecê-las. Josias leu o livro e em seguida rasgou as suas vestes, clamando intensamente ao Senhor (2 Cr 34.19). E por que fez isso? Porque seu coração era ter­ no e obediente. Estava pronto a fazer qualquer coisa que as Escrituras lhe mostrassem ser o seu dever. Oh! que você siga esse último exemplo, não o primeiro! Leia a Bíblia regularmente. Esse é o único modo para tornar-se “poderoso nas Escrituras”. Leituras rápidas e ocasionais produzem pouco efeito. Fazendo assím7~võce~ nunca ficará familiarizado com os seus tesouros, nem sentirá a espada do Espírito ajustada em sua mão na hora do conflito. Porém, através da leitura diligente, mantenha a mente repleta com as Escrituras e logo descobrirá o valor e poder que elas têm. No„mo­ mento em que for tentado, os textos bíblicos virão ao seu coração. Em tempos de incerteza, ordens claras serão

Beveridge9 afirmou: “Ao

50

Uma Palaura aos Moços

lembradas. Em tempo de desânimo, seus pensamentos se encherão com as promessas da Palavra de Deus. Assim, você experimentará a verdade contida na afir mação de Davi: “Guardo no coração as tuas palavras para não pecar contra ti” (SI 119.11); e a inteireza da afirmação de Salomão: “Quando caminhares, isso te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo” (Pv 6.22). Demoro-me a falar sobre isso porque vivemos em uma época de muita produção de literatura.10Parece não haver fim para o fazer livros, embora poucos deles' sejam realmente proveitosos. Parece existir uma ten­ dência para se imprimir e publicar coisas de pouco valor. Proliferam-se jornais de todos os tipos; e a maneira com que alguns desses se expressam, os quais têm maior circulação, manifesta o mau gosto desta época. Em meio a um dilúvio de leituras perigosas, faço um apelo em favor do livro do meu Mestre. Peço-lhe que não se esqueça desse livro da alma. Que os profetas e os após­ tolos não sejam desprezados, enquanto os jornais, histórias e romances são lidos. Não deixe sua atenção ser tragada por aquilo que é estimulante e lascivo, enquanto o que produz edificação e santificação não acha lugar em sua mente. Moço, a cada dia do seu viver, dê à Bíblia a honra que lhe é devida. Dentre todas as suas leituras, dê às Escri­ turas a primazia. Acautele-se da má literatura; há muita em nossos dias. Cuidado com o que você lê. Suspeito que os males causados à alma por essa literatura são maiores do que muitos pensam ser possível. Avalie qualquer escrito à proporção que ele concorda com a Bíblia: os que mais se aproximam dela são os melhores; os que mais se distanciam e são contrários a ela são os piores.

(6)

Nunca tenha como amigo íntimo alguém

que não seja amigo de Deus. Entenda-me, não me

refiro a um simples relacionamento. Não estou afirmando que é o seu dever não se relacionar com qual-

Conselhos Gerais aos Moços

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quer outro que não seja um cristão verdadeiro. Tomar tal posição não é possível nem desejável, em nosso mundo. O cristianismo jamais exige que o homem seja descortês. Entretanto, aconselho-o a ser muito cauteloso ao escolher seus amigos. Não abra inteiramente o seu coração a alguém, simplesmente por ser uma pessoa inteligente, agradável, bondosa, otimista e generosa. Essas qualidades são muito boas em si mesmas, mas não são tudo. Nunca se satisfaça com uma amizade que não seja benéfica à sua alma. Creia-me, a importância desse conselho não pode ser substimada. E impossível descrever o prejuízo causado pela associação com pessoas ímpias. O diabo dispõe de poucas ajudas melhores que essas para arruinar a alma humana. Caia nessa cilada, e ele pouco se importará com a armadura que você dispõe para enfrentá-lo. Es­ colaridade, bons hábitos morais adquiridos no lar, influência de bons sermões, a bênção de um lar bem ajustado, recomendações por parte dos pais, quaisquer dessas coisas - o diabo bem sabe - pouco lhe servirão, caso se apegue a amigos ímpios. Você poderá resistir a muitas tentações óbvias e rejeitar muitas armadilhas comuns; mas, uma vez que passa a ter amizade com maus companheiros, deixa o diabo satisfeito. O impres­ sionante capítulo que descreve a conduta ímpia de Amnom, em relação a Tamar, praticamente começa com estas palavras: “Tinha, porém, Amnom um amigo homem mui sagaz” (2 Sm 13.3). Devemos lembrar que todos somos criaturas tendentes à imitação. Podemos aprender com os ensina­ mentos; porém, o exemplo de vida é o que nos atrai. Há alguma coisa, em todos nós, que nos leva sempre a estar dispostos a captar o modo de agir daqueles com quem convivemos; e quanto mais gostamos deles, mais cresce a disposição de imitá-los. Sem que o percebamos, exercem influência sobre nossos gostos e opiniões. Gradativamente, desistimos do que desaprovam e assimi-

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Uma Palaura aos Moços

Íamos o que aprovam, a fim de nos tornarmos amigos mais chegados a eles. E o que é pior, assimilamos os seus maus procedimentos mais rapidamente que suas boas atitudes. Infelizmente a saúde não é contagiosa, mas a doença sim. E muito mais fácil assimilar as atitudes negativas do que transmitir as positivas; e também, fazer definhar a vida espiritual uns dos outros do que fazê-la crescer e prosperar. Jovem, peço-lhe para guardar esse ensino no cora­

ção. Antes de fazer de alguém o seu amigo de todas as horas; antes de adquirir o hábito de contar-lhe tudo e de conferenciar-lhe todos os seus problemas e todas as suas alegrias; antes de fazer isso, pense no que eu disse e per­

“Essa amizade me será benéfica ou não?”

gunte a si mesmo:

De fato, “as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Co 15.33). Gostaria que esse texto fosse escrito nos corações com a mesma freqüência que

nos livros. Bons amigos estão entre as maiores bênçãos que podemos ter. Eles podem nos afastar do mal, animar- nos em nosso caminhar, dar uma palavra no tempo apropriãdõTlevar-nos a pensar nas coisas do alto e a continuar avante na carreira cristã. Mas, um mau amigo

é um verdadeiro infortúnio; é um peso que continua­

mente nos puxa para baixo e nos prende às coisas terrenas. Mantenha amizade com um homem que não teme a Deus e, é mais que provável, acabará tornando- se igual a ele. Essa é a conseqüência de tais amizades. Aquele que é bom rebaixa-se ao nível do que é mau; e o que é mau não se eleva ao nível daquele que é bom. Até mesmo a pedra acaba cedendo, ante o contínuo gotejar da água. E bastante correto o provérbio: “As roupas e

as

companhias de alguém dizem coisas verdadeiras sobre

o

seu caráter”. Diz ainda o provérbio: “Dize-me com

quem andas e te direi quem és”. Persisto neste ponto, porque tem mais a ver com

o seu bem-estar do que çossa parecer à primeira vista.

Se você se casar, é mais que provável que escolherá

Conselhos Gerais aos Moços

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uma esposa dentre o seu círculo de amizades. Se Jeorão, o filho de Josafá, não tivesse cultivado amizade com a família de Acabe, é bem provável que não teria casado com a filha desse rei. Quem pode avaliar a importância de uma escolha certa no casamento? De acordo com um antigo provérbio, esse é um passo que “tanto pode fazer o homem, quanto pode arruiná-lo”. A sua felicidade, nesta vida e na futura, pode depender dessa escolha. A sua esposa irá beneficiar a sua alma ou irá prejudicá-la; não há um meio-termo. Ou ela acenderá ainda mais a chama da fé, em seu coração, ou atirará um balde d’água, fazendo-a diminuir. Dependendo do caráter de sua mulher, ela lhe será como asas ou como grilhões; será como rédeas ou como esporas para a sua vida cristã. Aquele que acha uma boa esposa, acha, verdadeiramen­ te, “o bem” (Pv 18.22). Se você tem o mínimo desejo de encontrar uma boa esposa, seja cauteloso na escolha de seus amigos. Que tipo de amigo devo escolher?, você me per­ gunta. Escolha amigos que trarão benefícios à sua alma. Amigos que~sèjam realmente respeitáveis, os quais você gostaria de ter ao lado no leito de morte. Amigos que amam a Bíblia e não temem falar-lhe sobre ela; dos quais, na v o lta i Cristo e no Dia do Juízo, você não se enver­ gonhara por tê-los conhecido. Siga o exemplo deixado por Davi, ao dizer: “Companheiro sou de todos os que te lemerrT e dos que guardam os teus preçeilos” (SI 119.63). Lembre-se, também, das palavras de Salomão:

“Quem anda com os sábios será sábio, mas o compa­ nheiro dos insensatos se tornará mau” (Pv 13.20). Esteja certo disto: ter más companhias, na vida presente, é o caminho seguro para se obter companhias ainda piores, na vida além.

1. Não há um meio para conhecer melhor o Senhor

Jesus do que através da constante leitura dos evangelhos. A

excelente série escrita por J.C. Ryle, Expository Thoughts

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Uma Palavra aos Moços

on the Gospels (Meditações nos Evangelhos), muito poderá ajudar o leitor na compreensão dos ensinamentos de Cristo. (Dois livros desta série -Mateus e Marcos -já foram publicados pela Editora Fiel.)

2. O Catecismo Maior da Assembléia de Westminster

se inicia com a grande questão e a respectiva resposta: “Qual

a principal e mais elevada razão para a existência do homem? -Glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre”.

3. Zeuxis (464-396 A.C.) foi um pintor grego.

4. Agostinho pronunciou estas sábias palavras em sua

obra clássica: “Concede-me poder cumprir o que me orde­

nas, e ordena-me o que for de tua vontade” (Confissões - Livro 10, Capítulo 29).

5. Para examinar a vida desses jovens, relacione os

nomes comas referências: Isaque-Gênesis 22; José -Gênesis 39; Josué-Êxodo 17.9-14, 24.13, 33.11; Samuel -1 Samuel 2.18, 3.21; Davi -1 Samuel 16,17; Salomão -1 Reis 3.4-9; Obadias -1 Reis 18.3; Josias -2 Crônicas 34,35; Timóteo -

Atos 16.1-3. Esse estudo biográfico pode ser muito útil para

a sua alma.

6. O clássico O Peregrino, escrito por John Bunyan

(1628-1688), é merecedor de uma leitura atenciosa e feita em oração. O valor desse livro é inestimável. Caso não o tenha lido, procure fazê-lo. Spurgeon o leu mais de cem vezes.

(Uma edição resumida foi publicada pela Editora Fiel.)

7. Charles Bridges escreveu sobre o Salmo 119 um

comentário que tem servido de grande ajuda. O consagrado Matthew Henry ensinou aos seus filhos que a melhor maneira para aprender a amar a Bíblia é meditar diariamente nesse

salmo. 8. Geoffrey Thomas escreveu um livreto muito útil, intitulado Reading The Bible (Lendo a Bíblia). Esse livreto traz um esquema de leitura diária que, em um ano, torna possível a leitura do Antigo Testamento uma vez e a do Novo Testamento duas vezes. Encontre um método adequado para

a leitura da Bíblia e siga-o, a qualquer custo.

9. William Beveridge (1637-1708) foi um bispo

anglicano em Asaph, Inglaterra.

10. Infelizmente, a era atual é marcada por um grande

desinteresse pela leitura. Moço, resistaa essatrágica tendência,

e leia, leia, leia!

Regras Específicas Para os Moços

P or último, estabelecerei algumas regras específicas de conduta. E, firmemente, aconselho todos os moços a seguirem-nas.

(1)

De uma vez por todas e pela graça de

Deus, decida abandonar cada pecado conhecido, por menor que ele seja.

Olhe para dentro de si mesmo. Examine seu coração. Existe nele qualquer hábito ou costume que võce tem consciência de ser algo errado aos olhos de Deus? Se existe, não se demore nem por um instante em atacá-lo; determine deixar de lado esse pecado imediatamente. Nada obscurece mais intensamente os olhos do entendimento e insensibiliza tanto a consciência do que um pecado consentido. Pode parecer um pecado insignificante, mas nem por isso menos perigoso. Um pequeno vazamento afunda um enorme navio; uma pequena fagulha causa um grande incêndio. Do mesmo modo, um pequen^4^^ado_consentido_leva a alma imortal à ruína. Ouça o meu conseího e nunça-§uarde sequer um_pequeno pecado. Foi ordenado a Israel que eliminasse cada um dos cananeus, pequenos e grandes. Proceda de acordo com o mesmo princípio e não de­ monstre misericórdia para com os pecados menores. Disse o sábio Salomão, acertadamente: “Apanhai-me

56

Uma Palavra aos Moços

as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos” (Ct 2.15). Saiba que nenhum homem perverso^no início de sua vida, jamais pretendeu ser tão perverso. Porém, tal homem começou a permitir-se algumapequena trans­ gressão, que o levou a uma transgressão maior, e, com o passar do tempo, aumentou ainda mais. Assim, tal homem chegou ao estado de miséria em que se encontra

agora. Quando Hazael ouviu Elias narrar-lhe os atos ter­ ríveis que um dia haveria de cometer, respondeu-lhe espantado: “Pois que é teu servo, este cão, para fazer tão grandes cousas?” (2 Rs 8.13). Mas Hazael permitiu que o pecado se arraigasse em seu coração e, ao final, cometeu tudo o que lhe fora dito. Jovem, resista o pecado logo no início. Pode parecer algo pequeno e insignificante, mas esteja aten­ to ao que lhe digo: resista-o; não se comprometa com ele, nem deixe que qualquer pecado se aloje de mansinho

e serenamente em seu coração. Diz um antigo provérbio:

“O começo da malvadez não é maior que a asa de um mosquitinho”. Não há nada mais fino que a ponta de uma agulha; porém, uma vez que ela faz um buraco, arrasta atrás de si toda a linha. Lembre das palavras do

apóstolo: “Um pouco de fermento leveda a massa toda” (1 Co 5.6). Muitos moços poderiam contar-lhe, com tristeza

e vergonha, que atribuem a ruína de todo o seu bem-

estar neste mundo, ao ponto sobre o qual estou falando:

deram lugar ao pecado, quando este se iniciava. Eles começaram dando lugar a hábitos de falsidade e desonestidade em pequenos assuntos; e esses hábitos os dominaram. Passo a passo continuaram piorando, até praticarem coisas que antes teriam achado impossível cometerem. E, ao final, acabaram perdendo sua posição, caráter, conforto e, por pouco, não perderam a própria alma. Eles permitiram que se iniciasse uma pequena fenda no muro da consciência, porque parecia bem

Regras Específicas Para os Moços

57

pequenina. Mas, uma vez ignorada, a fenda aumentou a cada dia, até que, finalmente, todo o muro perdeu qual­ quer resistência. Lembre-se disso, especialmente quanto aos aspec­ tos da verdade e da honestidade. Conscientize-se de que as coisas que parecem mais insignificantes também são importantes. “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito” (Lc 16.10). Não importa o que o mundo possa dizer, não há pecados que sejam insignificantes. Todos os grandes edifícios são feitos de pequenas partes. O primeiro tijolo é tão importante quanto qualquer outro. Todos os hábitos são formados por uma sucessão de pequenos atos; e o primeiro pequeno ato traz em si uma grande conseqüência. Há uma fábula sobre um machado que pediu permissão às árvores para cortar apenas üm pedacinho de madeira, a fim de fazer um

cabo para si; depois disso, ele nâo as molestaria nunca mais. Ele conseguiu o que queria e logo acabou cortando todas aquelas árvores. O diabo apenas deseja colocar, em seu coração, a cunha de um pequeno pecado, com

o qual você consente; assim, logo sua vida será inteira­ mente dele. E sábio o que afirmou o ancião William Bridge:1“Nada há que seja insignificante, entre nós e Deus; pois Ele é um Deus infinito”. Há duas maneiras de descer do alto de uma torre:

uma é saltar de lá para baixo; a outra é descer pelos degraus; mas, as duas formas o levarão ao chão. Assim também, há duas maneiras de ir para o inferno: uma é entrar nele com os olhos abertos - poucos fazem isso;

a outra é descer os degraus dos pequenos pecados -

essa maneira é muito comum, temo eu. Dê lugar a alguns pecados pequenos e logo vai desejar mais outros. Até mesmo um incrédulo2 pôde declarar: “Quem estaria contente com apenas um pecado?” E assim a sua vida continuará piorando a cada ano. Jeremy Taylor3 descreveu com muita propriedade o modo como o pe­ cado se desenvolve no homem: “Inicialmente o pecado

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Uma Palavra aos Moços

causa espanto ao homem, depois se torna agradável, confortável, prazeiroso, freqüente, habitual e, por fim, confirmado no seu coração. Assim, o homem se torna impenitente, obstinado, determina não se arrepender e, finalmente, é condenado”. Moço, se não é o seu desejo chegar a um final trágico como esse, recorde-se dessa regra e, sem demora, decida abandonar cada pecado conhecido.

(2)

Pela graça de Deus, determine repeli

tudo que dá ocasião ao pecado. É excelente o que

foi dito pelo Pastor Hall:4 “Quem deseja estar livre dos atos do mal deve evitar completamente as situações em que ele é praticado”.5 Não é o suficiente determinarmos não cometer pecado; precisamos cautelosamente per­ manecer à distância do mesmo. E com isso em mente que devemos avaliar a maneira como gastamos o nosso tempo, os livros que lemos, as famílias que visitamos ou as amizades que mantemos. Não podemos nos contentar com o pensamento: “Não há nada que esteja realmente errado com isso”. E preciso ir mais além e indagar: “Há nisso alguma coisa que me possa dar ocasião de cair no pecado?” Precisamos lembrar que esse é o grande motivo pelo qual a ociosidade deve ser evitada. Não é que existe algo realmente pecaminoso, em si mesmo, com o fato de não se fazer nada. O problema é a oportunidade que isso concede aos maus pensamentos e às vãs imagina­ ções; essa é a grande brecha para que Satanás lance em seu coração as sementes do que não é bom. Isso deve ser temido, acima de tudo. Se Davi não tivesse dado ocasião ao diabo, usando ociosamente o seu tempo, ao passear no terraço de sua casa em Jerusalém (2 Sm 11.1-2), provavelmente nunca teria visto Bate-Seba nem matado Urias. Esse é, também, um grande motivo pelo qual as diversões mundanas são tão sujeitas a objeções. Em alguns casos, pode ser difícil mostrar pelas Escrituras

Regras Específicas Para os Moços

59

que, em si mesmas, são indiscutivelmente erradas. Porém, não é muito difícil mostrar que a tendência de quase todas elas é a de trazer grande prejuízo à alma. Tais diversões lançam as sementes de uma mentalidade mundana e sensual. Elas guerreiam contra a vida e a fé. Promovem uma busca artificial e insana por emoções. Atendem à concupiscência da carne, à concupiscência dos olhos e à soberba da vida. Ofuscam os olhos, para que eles não contemplem os céus e a eternidade, e dão um falso colorido às coisas do presente. Tornam o cora­ ção inadequado para a oração secreta, para a leitura da Bíblia e para uma tranqüila comunhão com Deus. O homem que se associa a elas procede como quem dá a Satanás a vantagem. Há diante dele uma batalha para enfrentar, mas dá ao seu inimigo a vantagem do sol, da brisa e dos lugares altos. Seria realmente estranho se tal homem não se achasse continuamente derrotado. Moço, procure, o máximo que puder, manter-se afastado'de tudo que seja prejudicial à sua alma. Nunca dê uma chance ao diabo. As pessoas podem lhe dizer que você é escrupuloso e minucioso demais; afinal, que há de tão prejudicial nisto ou naquilo? Mas não os ouça!

E perigoso brincar com ferramentas afiadas; mas é muito

mais perigoso tratar com descaso a sua alma imortal. Aquele que deseja estar em segurança não deve aproxi- mar-se do perigo. Deve, antes, considerar o seu coração como um barril de pólvora e ser cuidadoso em não acariciar nenhuma faísca de tentação.

De que lhe adianta orar: “Não nos deixes cair em

tentação”, a menos que haja cautela, de sua parte, para não correr em direção à tentação; e: “Livra-nos do mal”,

a menos que demonstre o desejo de manter-se afastado

dele? Tome como exemplo a vida de José: ele não apenas recusou os sedutores ataques da mulher de seu senhor,

mas também demonstrou sua prudência ao recusar-se “estar com ela” (Gn 39.10). Guarde no coração o con­ selho do sábio Salomão; não apenas se recuse a seguir

60

Uma Palavra aos Moços

“pelo caminho dos maus”, mas também “evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo” (Pv 4.15). Não apenas evite a embriaguez, mas recuse-se até mes­ mo a olhar “para o vinho, quando se mostra vermelho” (Pv 23.31). Aquele que fazia o voto de nazireado, em Israel, não apenas deixava de beber vinho, mas também se abstinha de uvas, em qualquer forma que fosse. “Detestai o mal”, disse Paulo aos crentes em Roma (Rm 12.9); não apenas deixe de praticá-lo. Ele escreveu a

das paixões da mocidade” (2 Tm

2.22); isto é, afaste-se delas o máximo possível. Oh! como são necessários tais cuidados! Diná esteve entre os ímpios siquemitas para observar os seus caminhos, e como resultado perdeu a sua moral (Gn 34). Ló armou a sua tenda próximo à pecaminosa Sodoma e perdeu tudo o que tinha, escapando somente com a sua vida (Gn 13.10-13; 19.1-22). Moço, seja sábio em tempo oportuno. Pare de tentar chegar o mais perto possível do inimigo de sua alma e, ainda assim, poder escapar dele. Mantenha-o afastado. Fique o mais distante possível da tentação, e isso lhe servirá de grande ajuda para permanecer distante do pecado.

Timóteo: “Foge

(3)

Determine nunca esquecer que De

vê todas as coisas. Deus vê todas as coisas! Pense nisso. Em qualquer lugar, qualquer casa, qualquer cômodo, qualquer solo, qualquer companhia, estando só ou entre a multidão, os olhos de Deus repousam sempre sobre você. “Os olhos do S en h or estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Pv 15.3); e esses olhos vêem os corações e também as atitudes dos homens (Hb 4.12,13). Peçõ^he que se empenhe em compreender isso. Lembre-se que prestará contas a um Deus que tudo vê, um Deus que não dormita nem dorme (SI 121.4); um Deus que de longe entende os seus pensamentos (SI 139.2), para quem a noite é clara como o dia (SI 139.12).

Regras Específicas Para os Moços

61

Assim como o filho pródigo, você pode partir da casa de seu pai, dirigir-se a um país distante e pensar que ninguém está a observar a sua conduta; mas os olhos e os ouvidos de Deus lá estão, à sua frente. Pode enganar os seus pais ou patrões e dizer-lhes falsidades; pode parecer uma coisa diante deles e agir de outra maneira às suas costas, mas não pode enganar a Deus. Ele o conhece inteiramente; ouve o que você fala em suas conversas; sabe o que se passa em sua mente neste exato momento. Os seus pecados mais secretos estão diante da face de Deus, e um dia eles serão expostos perante o mundo, para sua vergonha, a menos que dê ouvidos ao conselho bíblico. Quão pouca sensibilidade há quanto a isso! Quantas coisas são praticadas continuamente, as quais os homens não praticariam, se pensassem que estão sendo observados! Quantos assuntos são tratados na imaginação, os quais nunca suportariam ser examinados à luz do dia! Sim; os homens conservam certos pensa­ mentos, dizem certas palavras e praticam certos atos em segredo, dos quais se envergonhariam e corariam, se fossem mostrados ao mundo. O som de passos se aproximando tem feito cessar muitos atos de iniqüidade. O barulho de batidas na porta tem feito com que muitas obras más deixem de ser praticadas e sejam postas de lado às pressas. Oh! mas que grande insensatez há nisso tudo! Ao nosso redor existe uma Testemunha que tudo vê, aonde quer que vamos. Tranque a porta, abaixe a persiana, feche a janela, apague a luz; não faz diferença, Deus está em todo lugar. Não se pode impedi-Lo de entrar ou evitar que Ele veja. “Todas as cousas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.13). José compreendeu isso muito bem, quando a mulher de seu senhor o tentou. Não havia ninguém na casa para vê-los, nenhuma teste­ munha ocular que pudesse fazer-lhe acusação. Mas ele vivia como alguém que vê Aquele que é invisível: “Como,

62

Uma Palavra aos Moços

pois, cometeria eu tamanha maldade”, disse ele, “e pe­ caria contra Deus?” (Gn 39.9). Moço, peço-lhe que leia o Salmo 139. Aconse­ lho-o a memorizá-lo.6 Faça desse salmo o teste para todos os seus procedimentos nos assuntos deste mundo. Indague-se com freqüência: “Estou lembrado que Deus me vê?” Viva como que diante dos olhos de Deus. Foi isto o que Abraão fez - andou diante de Deus; foi isto o que Enoque fez - andou com Deus. E isto será o próprio céu - a eterna presença de Deus. Não faça nada que você não queira que Deus veja. Não diga nada que não deseje que Deus ouça. Não escreva nada que você não queira que Deus leia. Não vá a qualquer lugar onde não queira ser encontrado por Deus. Não leia qual­ quer livro sobre o qual não queira que Deus diga:

“Mostre-o a mim”. Jamais gaste o tempo de uma forma que não apreciaria, se Deus lhe perguntasse: “O que você está fazendo?”

(4)

Seja diligente no uso de todos os meios

da graça. Freqüente com regularidade a casa de Deus, sempre que suas portas estiverem abertas à oração e à pregação, e faça-se presente ali sempre que lhe for pos­ sível. Seja constante em santificar o dia do Senhor; e, cfaqüi èm diante, decida que um dia em sete, o dia do Senhor, será dedicado Aquele que o possui por direito. Eu não gostaria de deixar qualquer falsa impressão em sua mente. Não saia por aí dizendo que eu falei que a verdadeira religião consiste, no seu todo, em observar os deveres de sua igreja. Eu não disse tal coisa. Não desejo que você se torne um formalista e fariseu. Se você acha que o simples fato de conduzir o seu corpo a um certo local, em certas horas, em um certo dia da semana o tornará um cristão e o preparará para encon- trar-se com Deus, digo-lhe claramente: você está miseravelmente enganado. Quaisquer atividades realizadas sem um coração servil são inúteis e vãs. Os verdadeiros adoradores são apenas aqueles que adoram

Regras Específicas Para os Moços

63

“o Pai em espírito e em verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (Jo 4.23). Todavia, os meios da graça não devem ser des­ prezados, por não serem meios de salvação. O ouro não é alimento, portanto não pode ser ingerido; mas, por esse motivo, você não diria que é coisa inútil nem o jogaria fora. Com muita certeza, o eterno bem-estar de sua alma nãó depende dos meios da graça, mas é igual­ mente certo que, como regra geral, sem eles a sua alma não estará bem. Deus poderia levar todos os salvos ao céu em uma carruagem de fogo, como fez com Elias; mas não age dessa maneira. Ele poderia ensinar todos os seus filhos por meio de visões, sonhos e intervenções miraculosas, sem requerer que lessem ou pensassem por si mesmos; mas não age assim. E por que não? Porque Ele é um Deus que opera através de meios, e é a sua regra e seu desejo que, em todo o relacionamento do homem para com Ele, os meios sejam usados. Ninguém senão um louco ou um tolo pensaria em construir uma casa sem andaimes e escadas; da mesma forma, nenhum homem sábio desprezará os meios da graça, especial­ mente quando ordenados por Deus. Demoro-me nesse ponto, porque Satanás pro­ curará, de toda forma, encher sua mente com argumentos contrários ao uso dos meios da graça. Cha­ mará a sua atenção para o número de pessoas que se utilizam desses meios, mas nem por isso essas pessoas são melhores. “Olhe lá”, ele cochichará aos seus ouvidos, “você não percebe que aqueles que vão à igreja não são melhores do que os que não vão?”7 Não se deixe abalar com isso. Não é correto argumentar contra alguma coisa por estar sendo utilizada inadequadamente. Devido ao fato que muitos daqueles que observam os meios da graça não se nutrem por eles, não se pode concluir que esses meios para nada servem. Os medicamentos não devem ser desprezados apenas por que muitos daqueles que tomam medicamentos não recobram a saúde. Ninguém

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Uma Palavra aos Moços

pensaria em desistir de comer ou beber somente por que muitos comem e bebem de forma desregrada e causam enfermidades a si mesmos. O valor dos meios da graça, assim como o valor de outras coisas, em grande medida depende da maneira e da disposição com que os utilizamos. Demoro-me também nesse ponto por causa da grande preocupação que sinto, para que cada moço ouça regularmente a pregação do evangelho de Cristo. E impossível dizer-lhe o quanto penso ser isto importante. Pela graça de Deus, que a pregação do evangelho possa ser o meio usado para conversão de sua alma; para levá- lo a conhecer Cristo como seu Salvador pessoal e torná-lo um verdadeiro filho de Deus, no procedimento e na verdade. Isso seria um motivo de eterna gratidão. Seria um evento sobre o qual os anjos se regozijariam. Mesmo quando isso não acontece, na ministração do evangelho há uma influência e um poder restringente, sob os quais desejo sinceramente que todo moço esteja. O evangelho tem mantido a milhares afastados do mal, embora ainda não os tenha trazido para Deus; e tem feito deles cidadãos muito melhores, apesar de ainda não tê-los transformado em cristãos verdadeiros. Há um certo poder misterioso na pregação fiel do evangelho, que afeta imperceptivel- mente as multidões que o ouvem, muito embora não o recebam no coração. Ouvir, domingo após domingo, o pecado sendo humilhado e a santidade sendo exaltada; Cristo sendo enaltecido e as obras do diabo sendo com­ batidas; o reino dos céus e suas bem-aventuranças sendo relatadas e o mundo e sua futilidade sendo desmascarados - isso dificilmente deixa de produzir um bom efeito na alma. Depois de ouvir essas coisas, torna-se muito mais difícil levar uma vida dissoluta e sem moderação. O evan­ gelho atua como um instrumento de restrição salutar sobre o coração do homem. Creio que esta é uma das maneiras pela qual se cumpre a promessa de Deus:

“Assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará

Regras Específicas Para os Moços

65

para mim vazia” (Is 55.11). Há muita verdade no que Whitefield8 afirmou: “O evangelho afasta muitas pessoas das grades e da forca, mesmo quando não as afasta do inferno”. Deixe-me abordar agora um outro ponto que está intimamente ligado a este assunto. Jamais permita que qualquer coisa sirva como tentação para torná-lo um transgressor do dia do Senhor. Meu desejo é inculcar isso em sua mente. Conscientize-se em dedicar o do­ mingo inteiramente ao Senhor. Tem aumentado com rapidez assustadora, entre nós, um espírito de descaso por esse dia separado para Deus; e o mesmo tem ocor­ rido entre os moços. Viagens, visitas e passeios, aos domingos, tornam-se mais comuns a cada ano e têm causado infinitos males para as almas.9 Moço, seja zeloso nesse assunto. Quer viva na cidade, quer no campo, tome a firme decisão de não profanar o dia do Senhor. A argumentação plausível sobre a “necessidade de descanso para o corpo”, os exemplos de pessoas ao seu redor, os convites feitos por companheiros com os quais você convive - não permita a nenhuma dessas coisas movê-lo desta regra estabelecida: o dia do Senhor deve ser dado ao Senhor. Uma vez que você desiste de ser cuidadoso quanto ao domingo, acabará desistindo de cuidar de sua alma. Os passos que levam a essa conclusão são óbvios e naturais. Comece a não honrar o dia do Senhor e tam­

bém deixará de honrar a casa do Senhor; cesse de honrar

a casa do Senhor e breve deixará de honrar o Livro do

Senhor; deixe de honrar o Livro do Senhor e, enfim,

não prestará a Deus qualquer honra. Quando alguém estabelece para si mesmo o princípio de não observar o dia do Senhor, eu não me surpreendo ao vê-lo terminar

a

vida completamente sem Deus. E notável o que disse

o

Juiz Hale. Ele disse que, enquanto ocupou o tribunal,

entre todos os que foram condenados por crime capital,

encontrou apenas alguns, ao serem indagados, que não

66

Uma Palavra aos Moços

admitiram ter iniciado sua carreira de impiedade por negligenciar o dia do Senhor.10 Moço, talvez você precise conviver com pessoas que se esquecem de honrar o dia do Senhor, mas deter­ mine, pela graça de Deus, que sempre se lembrará de observá-lo. Honre-o, freqüentando regularmente um local onde o evangelho é pregado. Submeta-se a um ministério que seja fiel à Palavra, e uma vez feito isso, nunca deixe o seu lugar vazio nessa igreja. Creia-me que lhe advirá uma bênção especial: “Se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do S en h or digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pre­ tendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no S e n h o r . Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra” (Is 58.13,14). Uma coisa é bastante certa: os seus sentimentos em relação ao dia do Senhor serão sempre um teste e um indicador de seu preparo espiritual para o céu. O dia do Senhor quando observado da forma certa, se torna um antegozo do céu e um pedaço dos prazeres celestias. O homem que o encara como um fardo e não um privilégio deve estar certo de que seu coração necessita de uma grande transformação.

5) E, finalmente, determine orar sempre, em qualquer lugar que estiver. A oração é o fôlego

de vida da alma humana. Sem ela, podemos ser chama­ dos e considerados como cristãos, mas estaremos mortos aos olhos de Deus. O sentimento, em nós, de que devemos clamar a Deus por misericórdia e paz é um sinal da graça divina. O hábito de colocarmos diante dEle as necessida­ des de nossas almas é uma evidência de termos o espírito de adoção. A oração é o meio indicado para obtermos a satisfação das nossas necessidades espirituais. Ela abre os tesouros divinos e faz jorrar do alto as fontes de bên­ çãos. Se nada temos, é porque não pedimos (Tg 4.2). A oração é o meio de buscarmos o derramamento do Espírito em nossos corações. Jesus prometeu o Espí­

Regras Específicas Para os Moços

67

rito Santo, o Consolador (Jo 14.16). Ele está pronto a vir sobre nós com todos os seus dons preciosos, reno­ vando, -santificando, purificando, fortalecendo, alegrando, encorajando, iluminando, ensinando, condu­ zindo e guiando nossas vidas à toda verdade. Entretando, Ele aguarda ser buscado intensamente por nós. Digo com tristeza que é nesse ponto que os homens falham tão miseravelmente. Podem ser encon­ trados poucos que realmente oram. Muitos são os que se ajoelham e, talvez, repetem frases decoradas, mas poucos são os que oram. Poucos são os que clamam ao Senhor; os que O buscam procurando realmente encontrá-Lo; os que batem, famintos e sedentos; os que lutam e sinceramente buscam a Deus por uma resposta; os'que não dão a Ele descanso; os que perseveram e vigiam em oração; os que oram sempre, sem cessar e sem desfalecer. Sim, poucos oram! A oração é uma das coisas assumidas como questão de hábito, mas poucas vezes praticada. É algo que todos devem praticar, mas que, na verdade, poucos são os que nela se envolvem. Jovem, esteja certo de que, para a sua alma ser salva, você precisa orar. Deus não possui filhos que não desejam se comunicar com Ele. Se você deseja resistir o mundo, a carne e o diabo, então ore. Será inútil procurar fortalecimento na hora da provação, se não tiver sido procurado de antemão. Você poderá conviver com pessoas que não oram, dormir no mesmo quarto em companhia de alguém que nunca busca a Deus; mesmo assim, ouça o que eu digo: você precisa orar. Compreendo, de fato, que você encontra grandes dificuldades nessa área, quanto ao aspecto de ocasiões oportunas, tempos e lugares apropriados. Não ouso estabelecer um conjunto preciso de regras em um as­ sunto como esse; deixo isso a cargo de sua consciência. Você precisa de orientação que esteja de acordo com as circunstâncias em que você vive. Nosso Senhor Jesus Cristo orou quando estava em um monte; Isaque orou

68

Uma Palavra aos Moços

no campo; Ezequias orou ao virar sua face para a parede,

enquanto deitado na cama; Daniel orou às margens do rio; Pedro, o apóstolo, orou no eirado da casa. Tenho ouvido sobre moços que oram em estábulos e celeiros. Toda minha argumentação tem essa finalidade - você precisa entender o que significa “entra no teu quarto” (Mt 6.6). É preciso haver um tempo específico, no qual você possa falar com Deus face a face; você precisa, todos os dias, de um período separado para oração.

Você precisa orar.

Sem esse conselho, todos os outros são inúteis.

A oração é a última parte mencionada por Paulo na

descrição da armadura espiritual, em Efésios 6; mas, na verdade, é a primeira em valor e importância.11 É o alimento que você necessita diariamente, se deseja atra­

vessar em segurança o deserto desta vida. E por meio

do fortalecimento na oração que você avança em direção

à moradia de Deus. Tenho ouvido dizer que os operários

das fábricas de bússola, na cidade de Sheffield, usam

algumas vezes uma peça com ímã magnético ao redor

da boca, a fim de atrair as minúsculas fagulhas de ferro

que estão ao redor, impedido-as de entrar em seus pulmões e, assim, salvam as suas vidas. A oração é a peça que você deve usar continuamente, õu~êfítão não conseguirá prosseguir sem ser prejudicado pela atmosfera insalubre deste mundo pecaminoso. Você precisa orar. Moço, saiba que nenhum outro tempo é tão bem utilizado como aquele que uma pessoa gasta de joelhos. Arranje tempo para orar, qualquer que seja a sua ocupa­ ção. Pense em Davi, o rei de Israel. O que ele disse? “A

tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas

e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz” (SI 55.17). Pense em Daniel, que tinha em suas mãos o cuidado de todos

os negócios de um reino; e, ainda assim, orava três vezes

ao dia (Dn 6.10). Observe que esse era o segredo de sentir-se seguro na perversa Babilônia. Pense em Salomão, que começou o seu reinado com uma oração

Regras Específicas Para os Moços

69

pedindo ajuda e assistência, seguindo-se a isso a sua maravilhosa prosperidade (2 Cr 1.7-12). Pense em Neemias, que conseguiu achar tempo para orar ao Deus do céu, mesmo estando em pé, na presença de Artaxerxes (N&2.4). Pense nos exemplos que esses ho­ mens santos nos deixaram e proceda d airie sm a maneira. Ó moço, que o Senhor possa lhe dar o espírito de graça e de súplicas (Zc 12.10)! “Não é fato que agora mesmo tu me invocas, dizendo: Pai meu, tu és o amigo da minha mocidade?” (Jr 3.4). Eu alegremente aceitaria que todas as palavras deste livro fossem esquecidas, desde que, pelo menos, este ensino sobre a importância da oração ficasse bem gravado em seu coração.

1. William Bridge (1600-1667) foi pastor e escritor.

2. Juvenal (34-120) foi um poeta romano do gênero

satírico. 3. Jeremy Taylor (1613-1667) foi bispo anglicano e escritor, nascido e instruído em Cambridge. Escreveu alguns

livros que têm servido de ajuda a

(Vivendo Piedosamente) e Ho/y Dyirtg (Morrendo Piedosa­

muitos, inclusive Ho/y

Liuing

mente). 4. Joseph Hall (1574-1656) foi bispo de Norwich. Seu livro Hard Times (Tempos Difíceis) relata sua pobreza e o quanto sofreu pelas mãos do Parlamento. 5. Há uma fábula antiga sobre uma mariposa que, certa vez, comentou com uma coruja sobre o fogo que havia chamuscado as suas asas. A coruja, movida pela intenção de jantá-la, aconselhou-a: não se preocupe, vá brincar com o fogo e ignore a fumaça.

6. O consagrado Puritano, Samuel Annesley (1620-

1696), disse o seguinte sobre o Salmo 119: “Este salmo

deveria ser repetido pela manhã e à noite pelos crentes”. Matthew Poole (1624-1679) também comentou: “Os judeus consideram este salmo como o mais excelente do livro dos Salmos. O assunto nele abordado é sublime e nobre”.

7. C.S. Lewis (1898-1963), um anglicano que lecio­

nou em Oxford e Cambridge, escreveu The Screwtape Letters

70

Uma Palaura aos Moços

{Cartas do Inferno -Edições Vida Nova), no qual o diabo usa argumentos semelhantes para dissuadir da fé um novo con­ vertido (Capítulo 2).

8. George Whitefield (1714-1770) foi um dos maiores

evangelistas da História da Igreja.

9. Pelas palavras de Ryle fica claro que, em seus dias,

a observância do dia do Senhor era mais rigorosa do que se pode ver atualmente. Que o leitor pondere se a nossa falta de zelo quanto a isso demonstra progresso ou declínio da verdadeira espiritualidade. 10. Sir Matthew Hale (1609-1676) foi um famoso jurista inglês e escritor. Crime capital é o crime punido com a

morte. 11. Veja a letra do hino de George Duffield:

Ergue-te, ergue-te por Cristo; Ergue-te no poder do Senhor. O braço de carne falhará, Não ouses em ti mesmo confiar. Usa a armadura do evangelho,

Veste cada uma de suas peças, em oração.

Onde vês o perigo e o dever Nunca deixes de atender.

Encorajamentos

Finais

D irijo-me, agora, à conclusão. Tenho dito coisas das quais muitos talvez não gostaram nem aceitaram;

mas, faço um apelo à sua consciência: Porventura não são coisas verdadeiras?

Jovem, você realmente tem uma consciência. Embora corrompidos e arruinados pela Queda, cada um de nós tem uma consciência. No coração de cada pessoa existe uma testemunha para com Deus; uma testemunha que nos condena ao fazermos algo errado, e nos dá sua aprovação ao fazermos o que é correto. A essa teste­ munha faço agora o meu apelo: Não são verdadeiras as coisas que venho dizendo? Siga avante, moço, e hoje mesmo determine lembrar-se do seu Criador, nos dias de sua juventude. Antes que passe o dia da graça, antes que a consciên­ cia se torne cauterizada pela idade e insensível por ter sido espezinhada repetidas vezes; enquanto não lhe faltam tempo, vigor e oportunidades, achegue-se ao_Senhor em uma aliança eterna, a qual jamais será esquecida (Is 55.1-3). O Espírito não contenderá sempre com você. A medida em que você resiste à voz da consciência, ano após ano, ela se torna mais enfraquecida e debilitada. Os atenienses disseram a Paulo: “A respeito disso te ouviremos noutra ocasião”; mas o estavam ouvindo pela última vez (At 17.32).

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Uma Palavra aos Moços

Apresse-se e não se detenha. Não hesite e não demore

mais!

Pense na indizível consolação que você dará

aos seus pais, parentes e amigos, se ouvir os meus con­ selhos. Essas são pessoas que gastaram tempo, dinheiro

e saúde, para educá-lo e torná-lo aquilo que você é hoje.

Com certeza merecem alguma consideração de sua parte. Quem pode avaliar a alegria e a felicidade que os jovens são capazes de proporcionar? Por outro lado, quem pode contar as preocupações e tristezas causadas por filhos como Esaú, Hofni e Finéias, e Absalão? Com

muita veracidade declarou Salomão: “O filho sábio alegra

a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe”

(Pv 10.1). Oh! considere essas coisas e dê o seu coração

a Deus! Não permita que, no final de sua vida, seja dito

a seu respeito o que é falado de muitos outros: “A juventude foi um desperdício, a meia-idade uma labuta e

a velhice um desgosto”. Pense como você pode ser um instrumento de bem para o mundo. Quase todos os mais notáveis santos de Deus buscaram o Senhor bem cedo em suas vidas. Moisés, Samuel, Davi, Daniel - todos esses serviram a Deus desde a juventude. Parece que Deus se deleita em conceder aos jovens servos uma honra especial. O que não haveríamos de esperar, com toda a certeza, se os jovens rapazes deste tempo consagrassem a Deus a pri­ mavera de suas vidas? Quase todas as benéficas e grandes causas necessitam de- pessoas disponíveis, mas tais pessoas dificilmente são encontradas. Existem diversos tipos de mecanismos para semear a verdade, mas há carência de obreiros para trabalhar. Para a prática do bem, é mais fácil conseguir-se dinheiro do que homens. Igrejas novas necessitam de pastores; novos campos necessitam de missionários; novas escolas necessitam de professores e bairros negligenciados necessitam de visitação. Muitas causas dignas não têm tido prossegui­ mento meramente por falta de quem queira se envolver

Encorajamentos Finais

73

nelas. Existe uma grande necessidade de homens fiéis, santos e confiáveis que possam ocupar posições como essas mencionadas. Moço, uocê é necessário para Deus, neste tempo presente. Esta é, peculiarmente, uma era de muitas atividades. Temos nos livrado de alguns egoísmos do passado. Os homens já não dormem o sono da apatia e indiferença em relação ao próximo, como os seus pais o fizeram. Estão começando a sentir vergonha de pensar como Caim: “Acaso sou eu tutor de meu irmão?” (Gn 4.9). Um amplo campo de oportunidades para ser útil se abrirá à sua frente, se tão-somente você desejar entrar nele. A seara é grande, e os ceifeiros são poucos. Seja zeloso de boas obras. Venha! venha juntar-se à causa do Senhor contra as poderosas forças do mal, que se avolumam a cada dia! Em certo aspecto, agir assim é assemelhar-se a Deus: não apenas em ser bom, mas em fazer o bem (SI 119.68). Significa seguir os passos do seu Senhor e Salvador, “o qual andou por toda a parte, fazendo o bem” (At 1CK38). Significa viver como Davi, o qual serviu “à sua própria geração, conforme o desígnio de Deus” (At 13.36). Quem pode duvidar que esse é o caminho mais adequado para a alma, que é eterna? Quem não gostaria de ser como Josias, cuja partida deste mundo foi lamen­ tada por todos (2 Cr 35.24,25); e não como Jeorão, que “se foi sem deixar de si saudades”? (2 Cr 21.20). Considere o que é melhor: ser uma pessoa ociosa, frívola, inutilmente sobrecarregada de coisas terrenas e que vive para seu próprio corpo, egoísmo, concupiscência e orgulho; ou ser alguém que se gasta e deixa se gastar, na gloriosa causa de ser útil ao próximo? E melhor ser

egocêntrico ou ser como William Shaftesbury2 - uma bênção para

mundo; ou como Howard3 - um amigo para os encar­ cerados e cativos; ou como Schwartz4- o pai espiritual

Wilberforce1 e Lord sua nação e para o

74

Uma Palavra aos Moços

de centenas de almas, em terras pagãs; ou como aquele homem de Deus, Robert Murray M’Cheyne5? É melhor ser voltado para si mesmo ou ser uma chama que brilha, uma carta aberta de Cristo, conhecida e lida por todos os homens; ser alguém que traz despertamento a todos

os crentes que cruzam o seu caminho? Oh! quem poderia duvidar? Quem ficaria incerto para responder a esta pergunta, ainda que por um momento sequer? Moço, pense nas suas responsabilidades. Consi­ dere o privilégio e a satisfação que há em fazer o bem. Determine ser útil, hoje mesmo. Entregue, imediata­ mente, o seu coração a Cristo. Finalmente, pense na alegria que sobrevirá à sua alma , se servir a Deus - alegria ao longo do cami­ nho, ao viajar pela vida, e alegria ao final, quando terminar a jornada. Creia-me, quaisquer que sejam as idéias vãs que você tenha ouvido, há uma recompensa para o justo, mesmo neste mundo (Lc 18.29,30). De

fato, “a piedade

tem a promessa da vida que agora é

e da que há de ser” (1 Tm 4.8). Há uma paz inabalável

em sentir e saber que Deus é seu amigo. Não obstante

seja grande a sua falta de merecimento, há uma satisfação genuína em saber que você é completo em Cristo, tem uma porção duradoura e escolheu a boa parte que não lhe será tirada (Lc 10.42). E fato que “o infiel de coração dos seus caminhos se farta”, mas o homem de bem se farta “do seu próprio proceder” (Pv 14.14). A cada ano que passa, o caminho do homem mundano se torna cada vez mais escuro; a vereda do crente é como a luz da aurora, que brilha mais e mais, até o final (Pv 4.18,19). Quando o sol do crente apenas começa a nascer, o do homem mundano já está se pondo para sempre; quando todas as melhores coisas do crente começam a florir e florescer para sempre, as do mundano já estão escapando de suas mãos

e fenecendo. Moço, estes ensinos são verdadeiros. Acate esta

Encorajamentos Finais

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palavra de exortação. Deixe-se persuadir. Tome a cruz. Siga a Cristo. Entregue-se a Deus.

1. William Wilberforce (1759-1833), foi um inglês

estadista, abolicionista e filantropo. Lutou para abolir o tráfico de escravos e a própria escravidão. Morreu um mês antes da promulgação oficial do fim do tráfico de escravos nas Colônias

Britânicas.

2. Anthony A. Shaftesbury (1801-1885) foi um

homem de Deus. Dedicou-se à correção de muitas das práticas

desumanas existentes na Inglaterra. 3. John Howard (1726-1790) foi um inglês dedicado

à filantropia e defensor da reforma do sistema carcerário. Gastou a sua vida denunciando e procurando melhorar as condições terríveis e desumanas que havia nos cárceres.

4. Christian F. Schwartz (1726-1798) foi um missio­

nário alemão que serviu na índia por mais de 40 anos. Deus

abençoou o seu trabalho, ajudando-o a estabelecer escolas e congregações por todo o sudeste daquele país.

5. Robert Murray McCheyne (1813-1843) foi um dos

homens mais consagrados do século 19.

A

lg u n s

Títulos da E ditora F ie l

V ida C ristã

Chaves para o Crescimento Espiritual - John F. MacArthur, Jr.

Conforto em Tempos de Enfermidade

- P. B.

Power

Cristo em Gênesis - Henry Law Decisão por Cristo, A - L. R. Shelton,

Jr.

Educação Cristã -Francisco Solano Portela Neto Enriquecendo-se com a Bíblia - A. W. Pink Existe o Milagre de Curas Hoje? - Brian Edwards

Fé Inútil -Jim Elliff Guiado pelo Espírito -Jim Elliff Homem e Mulher - John Piper e Wayne Grudem

Morte da Razão, A - Francis A. Schaeffer Obreiro Cristão Normal, O -Watchman Nee

Oração que Deus Responde, A - Guy Appérré

Onde Estão

Pessoa de Cristo no Tabernáculo, A - Floyd Lee Gilbert

Plena Satisfação em Deus -John Piper

Procura de Algo

Provisão Divina para sua

Psicologia da Felicidade,

Que Existe de Especial no Domingo, O? - Brian Ewards

Santidade

Santos no Mundo - Leland Ryken Separados pela Verdade - Peter Masters Sob o Fogo da Provação - Roger Ellsworth Tempos de Refrigério (Uma Chamada à Oração) - L. R. Shelton, Jr.

Verdadeira

Vocábulos de Deus - J. I. Packer

Genuína - J. C. Ryle

os Apóstolos e Profetas? - Brian Edwards

Mais, A - John F. MacArthur, Jr.

Saúde, A - S. I. MacMillen

A - Clyde N. Narramore

Sem a Qual Ninguém Verá o Senhor - J. C. Ryle

Espiritualidade - Francis A. Schaeffer

É UMA PRECIOSIDADE ESPIRITUAL.

Jerry Bridges

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a todos os homens; tanto jovens quanto velhos. John MacArthur, Jr.

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em você

sobre o que você lê. J.I. Packer