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27/8/2014

Aula 01 - Guido Cavalcanti

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Aula 01

1. Roteiro de aula

Noção Geral de obrigação

Numa lição clássica contida nas Institutas de Justiniano, pode-se encontrar a noção de que obrigação é um vínculo jurídico que nos obriga a pagar alguma coisa.

Apesar de aparentemente simplória, essa antiga lição remete com bastante propriedade à idéia essencial que circunda o direito das obrigações – a idéia de relação jurídica entre duas ou mais pessoas, sejam elas naturais ou jurídicas.

Tendo em vista a natureza intuitiva do conceito, o legislador preferiu não defini-lo no atual Código Civil. Na doutrina, Caio Mário define obrigação como o vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa pode exigir de outra prestação economicamente apreciável.

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Já Washington de Barros Monteiro, de forma menos sucinta, enuncia que obrigação é a relação jurídica, de caráter transitório, estabelecida entre devedor e credor, cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica, positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento através do seu patrimônio”. Nessa segunda definição é interessante observar a presença do elemento responsabilidade, uma vez que a sua presença será fundamental quando dos efeitos decorrentes do descumprimento da obrigação.

Outro elemento que merece destaque é o caráter de transitoriedade, inerente às obriga- ções. A obrigação é, em verdade, uma relação jurídica que nasce tendo por fim a sua própria extinção, ou ainda melhor, a sua realização.

É justamente a satisfação do credor, que ocorre com o regular adimplemento da obrigação, que enseja o fim desta e, por conseguinte, o fim do vínculo jurídico que une credor e devedor.

Na dinâmica obrigacional, os atores encontram-se subsumidos nas figuras do credor e do devedor. A idéia de vinculação, que traduz o ponto principal do instituto, une duas ou mais pessoas que se encontrem envoltas numa relação de crédito e débito. O credor e o devedor correspondem aos dois lados da obrigação, aos pólos ativo e passivo respectivamente. O vínculo aqui descrito é marcado pela pessoalidade. Essa característica remete ao fato de que numa relação obrigacional há um número determinado (ou ao menos determinável) de pessoas envolvidas. Os credores e devedores são conhecidos, ou ao menos conhecíveis. Ao credor não é dado cobrar sua dívida de um estranho à relação obrigacional, e o devedor, por sua vez, não se verá desembaraçado de sua obrigação se pagar a outro que não àquele a quem deve (ou que pelo menos tenha poder de receber representando o credor).

Outro ponto crucial para entender as obrigações é a delimitação do seu objeto. Este nada

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mais é do que uma atividade do devedor, em prol do credor e essa atividade recebe a designação de prestação.

As formas que essa prestação pode assumir são bem diversas e ensejarão diferentes classificações das obrigações.

A própria experiência cotidiana mostra que as obrigações estão

sujeitas ao inadimplemento, sendo que este, em certos ramos da atividade econômica, é demasiadamente grande.

Nesses casos, o direito resguarda o credor de ver a sua expectativa de satisfação inteiramente frustrada definindo que deverá o patrimônio do devedor responder, em última análise, pelo adimplemento.

É justamente a possibilidade de procurar no patrimônio do devedor a satisfação do crédito que faz com que essas vinculações jurídicas não sejam desacreditas. Contudo, nem sempre foi assim. Na Antiguidade Clássica, por exemplo, o devedor respondia com o próprio corpo em face das obrigações assumidas, podendo ser submetido inclusive à situação de escravidão.

Contudo, o direito tal qual hoje é concebido, embasado dentre outros princípios pelo da dignidade da pessoa humana, repele o uso da força física no intuito de compelir alguém a satisfazer uma obrigação assumida. Embasando a idéia acima descrita, veja-se o exemplo acadêmico do pintor que assume a obrigação de pintar um quadro, mas depois se arrepende. Qual seria

a solução para satisfazer quem o contratou?

Não há como forçar o artista a pintar, pois é forte o embasamento constitucional no sentido de vedar o uso da força para consecução de tais intentos. No estudo da responsabilidade civil será observado que, nesse caso, a legislação reserva à parte prejudicada a possibilidade de recorrer ao judiciário demandando reparação por perdas e danos.

Outro elemento que deve ser destacado é o cunho pecuniário das

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obrigações, visto que

o seu objeto sempre será um valor de natureza econômica.

É certo que o direito pode até mesmo reservar, em certos momentos,

uma especial consideração às obrigações de natureza exclusivamente moral, mas não sendo as mesmas dotadas de juridicidade, não podem ser inseridas no estudo das obrigações.

Igualmente não há que se pensar que as obrigações do direito de família – muitas vezes não propriamente pecuniárias – constituem forma de excepcionar a idéia de caráter econômico acima expressa.

Cumpre apenas destacar que natureza jurídica dessa espécie de obrigações não convém ao tema ora abordado, devendo ser pormenorizadas no estudo do direito de família.

Contextualizando o direito das obrigações com a realidade das relações econômicas vivenciadas hoje, percebe-se que a sua pertinência se ressalta quando são analisadas as relações de consumo. Pode-se destacar como os principais fatores para essa situação os seguintes fatos: (i) a dinâmica do consumo é cada vez mais marcada pela publicidade, como será visto posteriormente, essas prestações podem ser uma simples entrega de um bem, uma conduta que represente um agir (fazer), ou ainda uma simples abstenção (não fazer). inclusive reconhecendo para esse artifício inegável teor contratual; e (ii) o fenômeno da massificação dos contratos, tendência hoje já consolidada e que ocorre quando os consumidores simplesmente aderem a contratos já previamente redigidos (como no caso dos contratos bancários). Certo é que em todas as atividades econômicas, da produção à distribuição de bens e serviços, imiscui-se o direito obrigacional.

Fontes das obrigações

Fontes das obrigações são todos os atos jurídicos através dos quais nascem as obriga- ções.

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Essa matéria é essencialmente marcada pela construção da doutrina

e dessa forma,

há grande variação de entendimentos acerca de que elementos constituem fontes das No Direito Romano, as fontes das obrigações eram identificadas como sendo compostas pelos seguintes elementos: os contratos, os quase contratos, os delitos e os quase-delitos. O código francês, por sua vez, reproduziu essa enumeração acrescentando o elemento lei. Essa classificação não foi reproduzida na atual sistemática do direito das obrigações no ordenamento jurídico pátrio.

No atual Código Civil, são fontes das obrigações o contrato, os atos unilaterais e o ato ilícito. O enriquecimento sem causa e o abuso de direito também são abordados, sendo equiparados aos atos ilícitos.

Os contratos e as manifestações unilaterais de vontade são fontes das obrigações nas quais pode-se observar claramente a vontade humana como fonte direta.

O ato ilícito provém de situações onde estão presentes ações ou omissões marcadas pela culpa, seja culpa em sentido estrito, seja uma conduta dolosa. Deve- se observar a previsão no art. 186 do Código Civil ao dispor que: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Por fim, destaque-se o grande dissenso acerca da consideração da lei como fonte das obrigações. Em breve análise, pode-se dizer que todas as obrigações se balizam pela lei, não podendo confrontá-la, mas não necessariamente as obrigações surgiriam diretamente dela.

A necessidade da prática de certos atos que surge por força da lei

não é suficiente para classificá-la como fonte, mesmo porque, em regra, esses atos são deveres jurídicos e não

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propriamente obrigações.

SLIDE ATUALIZADO

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Guido Chaves,

11/08/2011 11:5

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