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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Curso: Teologia Matéria: Introdução a Filosofia

Ementa: Trabalhar os aspectos centrais que fundamentam o pensamento filosófico

Objetivo: Possibilitar ao aluno o conhecimento dos fundamentos do pensamento racionalista.

Programa da Matéria

1. Surgimento da Filosofia

2. Pensamento Mítico e Filosófico

3. Sofistas

4. Sócrates, Platão e Aristóteles.

5. Agostinho e Tomas de Aquino

6. Galileu e Bacon

7. Descartes e Pascal

8. Kant e Hegel

9. Karl Jaspers

10. Escola de Frankfurt

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

MARCONDES, Danilo. Iniciação a Historia da Filosofia. Zahar, ISBN 85-7110- 405-0, 1997.

NICOLA, Ubaldo Antologia ilustrada de Filosofia. Globo, ISBN 85-250-3899-7,

2005.

REALE, Giovanni e. História da Filosofia: de Spinoza a Kant, v. 4. Paulus, ISBN 85-349-2255-1, 2005

Bibliografia Complementar

ALLEN, Diógenes e Filosofia para entender teologia. 3ª ed. Academia Cristã e Paulus, ISBN 978-85-98481-42-5, 2010.

CATHCART, Thomas & Platão e um Ornitorrinco entram num bar

explicada com senso de humor. Objetiva, ISBN 978-85-7302-884-3, 2008.

A filosofia

GHIRALDELLI JR, Paulo História Essencial da Filosofia, vol. 4. Universo dos Livros, ISBN 978-85-7930-115-5, 2010.

PECORARO, Rossano (org.) Os Filósofos Clássicos da Filosofia, v um de Sócrates a Rousseau. Vozes e Puc-Rio, ISBN 978-85-326-3653-9, 2008.

WEISCHEDEL, Wilhelm. A Escada dos Fundos da Filosofia. Ed. Angra, ISBN 85-85969-14-8, 2001.

MODULO I

a. Origem da Palavra Sabedoria: Pitágoras de Samos, filo (amigo) Sofia

(sabedoria) - saber: Conjunto sistemático e racional de conhecimento ou

disposição humana para uma vida virtuosa e feliz.

b. A Filosofia nasce com a cosmologia: explicação racional sobre a origem

e a ordem do mundo.

c. Seguindo os grandes períodos da história da Grécia a filosofia nasce na

Grécia arcaica no IV séc. AC e alcança o apogeu na Grécia Clássica e se expande para além das fronteiras gregas no período helenístico.

d. Tales de Mileto é definido por Aristóteles como o primeiro filósofo.

e. Todos os povos antigos tiveram visões próprias da natureza e maneiras

diversas de explicar fenômenos e processos naturais, porém só os gregos fizeram ciência. O pensamento filosófico-científico é uma forma específica de o

homem tentar entender o mundo que o cerca.

Pensamento Mítico

Consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos essenciais

da realidade em que vive: a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais e as origens deste povo, bem como seus valores

básicos.

Mythos significa um tipo bastante especial de discurso, o discurso fictício ou imaginário, sendo por vezes sinônimo de “mentira”.

As lendas e narrativas míticas não são produtos de um autor ou autores,

mas parte da tradição cultural e folclórica de um povo. Sua origem cronológica é indeterminada, e sua forma de transmissão é basicamente oral. O mito é,

portanto, essencialmente fruto de uma tradição cultural e não da elaboração de um determinado indivíduo.

O mito configura a própria visão de mundo dos indivíduos e sua maneira mesmo de vivenciar esta realidade.

O mito não se justifica não se fundamenta, portanto, nem se presta ao

questionamento, à crítica ou à correção. Não há discussão do mito porque ele constitui a própria visão de mundo dos indivíduos pertencentes a uma determinada sociedade, tendo, portanto um caráter global que exclui outras perspectivas a partir das quais ele poderia ser discutido.

Pensamento mítico pressupõe adesão e aceitação.

Um dos elementos centrais do pensamento mítico e de sua forma de

explicar a realidade é o apelo ao sobrenatural, ao mistério, ao sagrado, à

magia. São os deuses, os espíritos, o destino que governam a natureza, o homem, a própria sociedade.

Pensamento mítico tenta explicar a realidade recorrendo a uma

explicação que se fundamenta no mistério e no sobrenatural, coisas que não se podem explicar.

f. Escola Jônica irá buscar uma explicação do mundo natural (a phisis)

baseada essencialmente em causas naturais. A explicação do mundo esta dentro dele, e não fora dele.

g. Vemos então a presença do desenvolvimento do pensamento filosófico

sem o desaparecimento do pensamento mítico. Por isso as questões dos deuses aparecem em alguns filósofos

h. A mudança do papel do mito na sociedade grega esta relacionada às

mudanças políticas, econômicas e culturais do povo. As Cidades-estados levam a uma secularização progressiva da sociedade. Mileto na Ásia era uma cidade empreendedora, que também sentiu estas mudanças políticas e econômicas. Os comerciantes tiraram o poder das mãos da aristocracia agrária, e tentaram compensar a falta de sangue nobre com o aumento de seu próprio prestígio, patrocinando artes, construindo bibliotecas e promovendo a

vida intelectual. O filósofo Aristóteles afirma que a riqueza e a existência dos escravos liberaram os gregos da fadiga e da pena do trabalho e dos negócios, dando- lhes o ócio indispensável para a vida, isto é para a filosofia.

i.

MITOS

Mitos Persas Imagem de Deus: Ahura Mazda ou Mazda Ahura (Sábio Senhor) é o lugar central, denominando tudo. Sua onipotência é limitada por Ahriman, o Príncipe do Mal. Ahura Mazda para Zaratustra é o criador do céu e da terra, o legislador da natureza e de todo o cosmo, o autor da luz e da escuridão, está livre de características naturais. Além de criador, Ahura Mazda também é juiz, tanto do destino da alma individual após a morte como no final do tempo terreno do

mundo.

No final dos tempos, Ahriman e toda a sua criação malvada serão aniquilados e haverá um estado de bem-aventurança no reino do Sábio Senhor. Concepção dualista do mundo e da vida. Ser se divide em ser espiritual e material, e cada uma das essências isoladas é diariamente oposta à outra.

Na ordem ética dois princípios entram em oposição última e irreconciliável: um

do mal e outro do bem que são iguais em todos os seus aspectos, pela eleição,

isto é, pelo pensamento e livre vontade, deram origem ao conflito entre o bem e

o mal na história dos homens e do mundo.

Daevas são os adversários do Sábio Senhor, potências malvadas, corruptoras, funestas para aqueles que às seguem, são os demônios. Mitra era o deus da luz e do fogo. Quando sua crença chegou a Roma, foi representado por um deus que sofre uma paixão e morre para depois ressuscitar periodicamente como todos os senhores solares-agrícolas Transformou-se na divindade dos mortos, justo juiz, ajudado por Sraosha (obediência) e Rasnu (justiça), com quem formava uma trindade.

Vida após a morte

Acreditavam numa vida após a morte, onde o corpo seria restaurado de uma forma transfigurada. Aquele que fizesse o bem e venerasse a religião de Mazda seria recompensado, os maus teriam uma sorte tenebrosa. Acreditava-se numa ponte que unia este mundo ao outro, onde o justo e o mentiroso teriam que passar. No livro celeste são anotadas todas as boas e as más ações, que são pesadas numa balança. Dada à sentença, a alma chegaria imediatamente ao lugar de felicidade ou de horror eterno.

Criação

O primeiro homem, Gayomart, e o primeiro touro, Goch, foram criados por

Ahura Mazda para serem produtores de tudo o que vive por obra de Ahriman morre, mas da semente de Goyomart surge o primeiro ser humano, Machya e Machoi. Estes se deixaram influenciar pela mentira de Ahriman, mas Ahura

Mazda continuou protegendo-os. Dominaram a terra, receberam muitas revelações, mas o pecado faz necessária a vinda de Zaratustra, a confissão de pecados, a purificação e as penitências.

O Bundahish descreve uma espécie de Apocalipse, preparando a vinda do

terceiro filho de Zaratustra Saushyant. Antes disso, ocorreriam coisas estupendas no mundo: os homens voltariam aos seus costumes primitivos e depois ressuscitariam os mortos, estes veriam seus atos bons e maus, sobre a terra e serão no final separados. A serpente Gokcihr difundirá o terror na terra, um rio de metais ardentes correrá pela terra, levando bons e maus ao sofrimento. Os maus sairão do rio purificados. Saushyant sacrificará o touro

Hadayosh e, com sua banha e o haoma, fará uma bebida que dará a imortalidade a todos os homens. Ahura Mazda e suas hostes vencerão Ahriman e seus espíritos do mal, reinando no próprio inferno e fazendo com que o mal desapareça para sempre, toda criação viverá eternamente feliz, louvando a Ahura Mazda.

Culto a Mitra: esse culto oriental se enraizou mais em Roma. Estava ligado ao culto do fogo e ao mito solar e contava como o deus. Mitra havia matado a serpente, símbolo do gênio do mal, e deixado a terra num carro de chamas conduzido pelo sol. Mitra deveria reaparecer na terra para sacrificar, uma vez mais, o touro, cuja banha misturada com o suco da planta haoma restituiria a vida dos fiéis do mitraismo. O fogo do céu destruiria os seres maus.

MODULO II

NOÇÕES FUNDAMENTAIS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO-CIENTÍFICO.

a.

A physis: investigar o mundo natural procurando com suas teorias dar uma explicação causal dos processos e dos fenômenos naturais a partir de causas puramente naturais.

b.

A causalidade: noção de causalidade, interpretada em termos puramente naturais. Explicar é relacionar um efeito a uma causa que o antecede e o determina; reconstruir o nexo causal existente entre os fenômenos da natureza é tomar um fenômeno como efeito de uma causa.

-

Busca da causa primeira, um primeiro princípio que sirva de ponto de partida para todo o processo racional.

c.

A Arqué

A fim de evitar a regressão ao infinito da explicação causal, o que a tornaria insatisfatória, esses filósofos vão postular a existência de um elemento primordial, que serviria de ponto de partida para todo o processo. Tales de Mileto afirma ser a água o elemento primordial, talvez tenha escolhido por ser o único elemento que se encontra na natureza nos três estados: sólido, líquido e gasoso. Elemento primordial daria unidade à natureza. Anaxímenes e Anaximandro ar e o apeiron (um princípio abstrato significando

algo de ilimitado, indefinido, subjacente à própria natureza). Heráclito fogo. Demócrito o átomo Empédocles: terra, água, ar e fogo. (Platão) permaneceu até o surgimento da moderna química. Hidrogênio esteja presente em todo o universo.

d. O cosmo

Uma ordenação racional, uma ordem hierárquica, em certos elementos são mais básicos, e que se constitui de forma determinada, tendo a causalidade como lei principal. Cosmologia: teoria geral sobre a natureza e o funcionamento do universo.

e. O logos

O discurso racional, argumentativo, em que as explicações são justificadas e estão sujeitas à crítica e à discussão. Heráclito caracteriza a realidade como tendo um logos, ou seja, uma racionalidade que seria captada pela razão humana.

Um dos pressupostos básicos da visão dos primeiros filósofos é a correspondência entra a razão humana e a racionalidade do real, o que tornaria possível um discurso racional sobre o real.

f. O caráter crítico (escola jônica)

Teorias formuladas não eram de forma dogmática. As ideias de um filósofo estão sempre abertas à discussão, à reformulação, a correções. Na escola jônica o debate a divergência e a formulação de novas hipóteses eram estimulados. A única exigência era que as propostas divergentes pudessem ser justificadas, explicadas e fundamentadas por seus autores, e que pudessem, por sua vez ser submetidas à crítica.

g.

TRAÇOS PRINCIPAIS DA ATITUDE FILÓSOFICA NASCENTE

Tendência à racionalidade: a razão é tomada como critério de verdade. A razão vê o visível e compreende o invisível, que é seu princípio imutável e verdadeiro.

Busca de respostas concludentes: colocado um problema, sua solução é sempre submetida à discussão e à análise crítica.

Acatamento às imposições de um pensamento organizado de acordo com a lógica.

Na ausência de explicações preestabelecidas temos que investigar.

Tendência à generalização, busca de leis e normas.

.

PRINCÍPIO DA CONSTRUÇÃO DA VERDADE: A DIFERENÇA ENTRE O DISCURSO RELIGIOSO E CIENTÍFICO.

MODULO III PARMÊNIDES e os Eleatas.

a. Princípio de identidade: o ser é o ser; princípio de não contradição:

impossível afirmar ao mesmo tempo uma coisa e seu contrário.

b. O que é pensável e dizível existe, e o que não é pensável nem dizível não existe.

d.

Distinção entre realidade e aparência.

e. Através do pensamento devemos buscar a essência da realidade, aquilo que permanece na mudança. Sustenta que a noção de movimento pressupõe a noção de permanência como mais básica.

f. A realidade é racional. A racionalidade do real e a razão humana são da mesma natureza, o que permite o homem pensar o ser.

g. Para obter o conhecimento devemos usar apenas a razão, as demonstrações racionais e as contraprovas racionais. Os órgãos do sentido nos enganam, o conhecimento verdadeiro é alcançado apenas pelo pensamento puro.

OS SOFISTAS

Deslocam o interesse da filosofia da natureza para o homem

Instauram um clima cultural que se poderia chamar com o moderno termo “iluminista”

Criticam a religião em perspectiva ateia

Criticam o conceito de verdade e de bem

Destroem a imagem tradicional do homem

Considera a virtude como objeto de ensino

Apresentam-se como mestres de virtude

É expressão da crise da aristocracia e da ascensão política das novas classes

Os sofistas e suas contribuições

a. Surgem no período da passagem da tirania e da oligarquia para a democracia. Mestres da retórica e da oratória. Itinerantes. Com seu trabalho preparam o cidadão para participar da vida política.

b. Platão

e

Aristóteles

pintaram

um

retrato

bastante

negativo

destes

pensadores. Sofista e Sofismo acabou adquirindo uma conotação negativa.

c. Deram grande contribuição ao estudo da linguagem: Etimologia; uso de metáforas e figuras de linguagem.

instrução aos jovens e davam mostras de eloquência em público, mediante pagamento. Todos os sofistas eram peritos numa arte necessária, a arte da palavra.

e. Retórica: parte de nossas opiniões sobre as coisas e nos ensina a persuadir os outros de que nossa opinião é a melhor. Para realizar-se a persuasão precisa da dialética (confronto de ideias). A retórica, arte da persuasão apoia-se na dialética, arte da discussão.

- A retórica ensina, em primeiro lugar, que o que conta não é o fato em si, mas o que dele aparece aquilo que pode persuadir os homens.

- A tirania impõe a opinião de um só; a retórica pressupõe o direito de todos à opinião. A tirania usa a força; a retórica os argumentos.

- É preciso em todos os assuntos aprender tanto os argumentos a favor como os contra, se quiser vencer a discussão e persuadir os demais.

f. Oratória. Persuasão deve atingir primeiro o sentimento ou o coração do ouvinte, e somente depois sua razão. Argumento forte é aquele que comove ou emociona que o escuta.

- Para isso ensinavam a inventar ou encontrar figuras de linguagem poderosas (como as metáforas), a falar com ritmo (como os poetas), com graça (como os atores) e elegância (como os grandes políticos e magistrados); empregavam a música (tanto para ensinar o ritmo das palavras numa sentença, como para acompanhar o discurso comovente).

Dança (postura corporal) memória (para não ler o discurso) dicção (para ser bem entendido).

g. Nómos e phýsis: Os sofistas introduziram em Atenas o ardor pela dialética

e pela retórica, as dúvidas quanto à pretensão da filosofia de conhecer a

verdade última das coisas e as discussões sobre a diferença entre o nómos (a convenção que depende de uma decisão humana usos e costumes) e

a phýsis (a natureza, cuja ordem necessária independe da ação humana), optando pelo primeiro contra a segunda.

A grande questão levantada pelos sofistas é se a lei é por natureza ou por convenção? Se for por natureza, não depende da decisão humana e é inviolável; se for convenção, pode ser alterada e mesmo transgredida.

Os aristocratas julgavam que seus usos e costumes, valores e ideias eram naturais ou instituídos por natureza, portanto absolutos. Os aristocratas podiam considerar suas leis superiores às da democracia, cuja origem humana todos

conheciam.

h. Conjunto de perguntas a respeito do domínio do nómos sobre a phýsis.

Os costumes e as crenças sobre o bem, o justo e o verdadeiros? São nómos. A moral é convenção.

As leis não escritas, codificadas para o “bom-uso” e as normas do Direito. São nómos A justiça é convenção.

Os deuses existem pela phýsis ou pelo nómos? Pelo nómos, como já dissera Xenófanes. A religião é convenção.

As cidades nascem por decretos divinos, por necessidade natural ou por convenção? Por convenção. A política é convenção.

As raças em que se dividem os homens, e que vários pré-socráticos explicavam a partir das mudanças na physis, são naturais ou por convenção? Por convenção. As “raças” são agrupamentos sociais.

A igualdade e a desigualdade entre os homens são naturais ou fruto dos costumes, por convenção? Por convenção. A igualdade e a desigualdade são produzidas pela vida social.

Se tudo é por convenção, tudo pode ser ensinado, o que seria impossível se já trouxéssemos em nós, de modo inato ou por natureza, todas as habilidades, leis, ideias, normas e costumes. Assim sendo, a virtude pode ser considerada uma convenção social.

PRINCÍPIO DA CONSTRUÇÃO DA VERDADE: PRINCÍPIO DE IDENTIDADE E DISTINÇÃO ENTRE REALIDADE E APARÊNCIA.

DEFINIÇÃO DO QUE É CONVENÇÃO SOCIAL E O QUE É DA NATUREZA.

MODULO IV

SÓCRATES

PENSAMENTO

a. Formula socrática “Só sei que nada sei”, a ideia de que o reconhecimento da ignorância é o princípio da sabedoria. Sócrates entende que nesta expressão temos o início da sabedoria. Em cada conhecimento obtido uma nova ignorância se abre diante de nós.

b. Sócrates e o Escândalo de Perguntar.

Perguntar significa não se deixar acalentar na sonolência das ilusões. Perguntar significa Ter a coragem de suportar também o amargor da verdade.

Quando preso assume as acusações e recusa-se a fugir e prefere permanecer coerente com suas ideias.

c. A concepção filosófica de Sócrates: método de análise conceitual “O que é busca pela definição de uma determinada coisa”.

O que é virtude. Algo comum que faz de todos os exemplos citados virtude. Conceito de Coragem.

d.

“Conhece-te a ti mesmo”, significa que o conhecimento não é um estado, mas um processo, uma busca, uma procura da verdade. Conhecer a si mesmo significa o homem atingir uma consciência racional da existência, possibilitando assim a organização racional da própria vida.

e. Maiêutica, a arte de fazer o parto, ele era o parteiro das ideias. O papel do filósofo não é transmitir um saber pronto e acabado, mas fazer com que o aluno dê a luz a suas próprias ideias.

f. Sócrates introduz o diálogo como forma de busca da verdade. Procura fazer que cada um descubra que aquilo que julgava ser a ideia da coisa (o saber que julgava possuir) era apenas uma imagem dela.

O método socrático, exercitado em forma de diálogo, consta de duas partes:

Na primeira chamada de protréptico, isto é, exortação, Sócrates convida o interlocutor a filosofar, a buscar a verdade; na Segunda, chamada élenkhos, isto é, indagação, Sócrates, fazendo perguntas comentando as respostas e voltando a perguntar, caminha com o interlocutor para encontrar a definição da coisa procurada. Esta parte também é dividida em duas. Na primeira chama-se ironia, isto é, refutação, com a finalidade de quebrar a solidez aparente dos preconceitos.

Na Segunda parte Sócrates ao perguntar, vai sugerindo caminhos ao interlocutor até que este chegue à definição procurada. Esta Segunda parte chama-se maiêutica, isto é, arte de realizar um parto; no caso, parto de uma ideia verdadeira.

g. Teoria da reminiscência: conhecer é reconhecer, recordar ou lembrar a verdade que se encontra adormecida em nossa alma racional. Se conhecer é lembrar, o diálogo filosófico é anamnese.

Aproximação entre o método médico da anamnese, onde se faz perguntas ao paciente para que este possa lembrar o momento que adoeceu. Recordar é o primeiro passo da cura.

De onde provém a noção de verdade? Vem de nós mesmos, isto é, dos juízos que fazemos sobre as coisas. Se não conseguirmos contemplar a verdade na natureza é porque fomos buscá-la no lugar errado: não está fora de si, mas dentro de nós.

h. A ciência socrática é o resultado do método, é visa encontrar as definições universais e necessárias das coisas ou a essência universal delas, fazendo desta uma ideia alcançada pela razão. A ideia socrática manifesta racionalmente o que a coisa é em sua essência universal.

i. A lógica socrática ergue-se sobre dois pilares:

O raciocínio indutivo: processo pelo qual o pensamento vai dos casos particulares ao geral que os engloba;

A ideia: reunião dos traços comuns presentes em todos os casos particulares e que são os traços essenciais de todos eles; a ideia é uma síntese do diverso, a unidade racional de uma multiplicidade.

Sócrates se interessa pela virtude, sendo que para ele a investigação filosófica deve chegar à ideia de virtude e, com ela, determinar quais comportamentos são virtuosos (coragem amizade, justiça).

j.

Para conhecer temos que distinguir entre qualidades acidentais: aquelas que podem surgir e desaparecer num ser, sem alterá-lo em sua realidade; e qualidades essenciais: aquelas que não podem ser retiradas de um ser sem destruí-lo, pois são sua essência. Conhecer é, portanto, passar do acidental ao essencial, da opinião à verdade, da aparência a ideia.

k.

A razão é a capacidade para chegar às ideias das coisas pela distinção entre aparência sensível e realidade, entre opinião e verdade, entre imagem

conceito, acidente e essência. A razão é o poder da alma para conhecer as essências das coisas.

e

l. Porque o critério da maioria não serve? “Porque não é pelo número, mas pela ciência, que devemos julgar estas coisas”. O método socrático envolve um questionamento do senso comum, das crenças e opiniões que temos, consideradas vagas, imprecisas, derivadas de

nossa experiência, e, portanto parciais, incompletas. Sócrates tenta mostrar que temos um entendimento prático, intuitivo, imediato, que, contudo se revela inadequado no momento em que deve ser tornado explícito. Nos mostra a necessidade da busca de um conhecimento mais

completo.

m. Aporia socrática: Mostrar que os interlocutores não sabem o que julgavam saber, tanto porque suas definições são os preconceitos da maioria como porque apanham aspectos acidentais e não a essência da coisa procurada.

MODULO V

PLATÃO Trabalha com dois recursos expositivos que também são literários: o discurso e o mito.

a. A questão da possibilidade do conhecimento: é possível conhecer a realidade, o mundo, tal qual ele é?

questão do método: como é possível esse conhecimento?

questão dos instrumentos do conhecimento: os sentidos e a razão?

questão do objeto do conhecimento: o mundo material (realidade mutável)

A

A

A

ou a realidade superior (essência imutável)

Timeu Origem do Mundo

No princípio havia o Bem e as ideias, o mundo inteligível e, separada dele, havia a matéria caótica, sem forma e sem ordem. O Bem cria um demiurgo,

isto é, um artesão sumamente inteligente, matemático e arquiteto, bom e sem mácula, que irá criar o mundo sensível para difundir e multiplicar o Bem. Que faz o demiurgo? Como arquiteto contempla as ideias, as toma como modelos ou paradigmas e as copia, imprimindo-as na matéria perecível e mutável, a khóra, receptáculo informe e desordenado. A impressão das formas puras e eternas na matéria bruta, informe e perecível, dá origem ao kósmos, que, imitação do mundo inteligível, possui, como este, uma alma inteligente que o governa, a Alma do mundo. O mundo é concebido, assim, como um objeto técnico, um artefato submetido a regras, leis e planos, por isso é um cosmo, e também como um todo animado ou um grande animal, um ser vivo. A relação entre mundo sensível e o mundo inteligível é a de imitação, isto é a relação entre um modelo e sua cópia. As coisas sensíveis são cópias das ideias.

Teoria dos mistos: o mundo é um misto, resulta da mistura ou composição de duas ordens diferentes de realidade, a ordem dos seres que permanecem imutáveis, sempre idênticos a si mesmos, sem nascimento e sem perecimento, invisíveis aos sentidos e visíveis só para o intelecto (as ideias), e a ordem da matéria ou dos seres sujeitos ao devir, ao nascimento e ao perecimento, às mudanças ou ao movimento, visíveis aos sentidos e ao intelecto.

O BEM: Platão foi o primeiro a trazer à baila o conceito de Bem do ponto de

vista ontológico, identificando-o com a suma Ideia, e com o princípio primeiro e supremo do Uno (que é a Medida suprema de todas as coisas), do qual depende toda a realidade (recebendo a justa medida e proporção que a faz ser). Do ponto de vista moral, o Bem se identifica com a imitação do divino, ou seja,

do

Bem metafísico, e consiste na alma ordenada e plasmada segundo a ordem

do

mundo ideal. Tenhamos presente que Platão ligou de modo estreito o Belo

com o Bem, enquanto é o modo que o Bem se manifesta.

O UNO: O uno sintetiza em si o Bem, pois tudo quanto o Uno produz é bem. O

Uno age sobre a multiplicidade ilimitada como princípio limitante e determinante. Unidade como medida absolutamente exata da realidade.

A ALMA: A alma humana é uma natureza intermediária entre o divino e o

mundo, destinada ao conhecimento, mas por sua ligação com o corpo também pode cair no erro e ser arrastada pelas paixões, que a distanciam de sua destinação natural. A alma humana como uma natureza intermediária entre o sensível e o inteligível, participa da primeira pelo corpo e da Segunda pela razão.

A alma racional é imortal. A alma é semelhante ao divino, pela sua

racionalidade e imortalidade. Alma física, emoções e da razão. Três partes sendo que a razão deve dominar as outras duas. Purificação da alma acontece através do conhecimento.

Imortalidade da Alma: A alma humana é capaz de conhecer as realidades imutáveis e eternas, portanto pata Ter este conhecimento tem que Ter uma natureza afim com elas.

Texto

O Mito da Caverna Vejamos o que nos diz Platão, através da boca de Sócrates:

Imaginemos homens que vivam numa caverna cuja entrada se abre para a luz em toda a sua largura, com um amplo saguão de acesso. Imaginemos que esta caverna seja habitada, e seus habitantes tenham as pernas e o pescoço amarrados de tal modo que não possam mudar de posição e tenham de olhar apenas para o fundo da caverna, onde há uma parede. Imaginemos ainda que, bem em frente da entrada da caverna, exista um pequeno muro da altura de um homem e que, por trás desse muro, se movam homens carregando sobre os ombros estátuas trabalhadas em pedra e madeira, representando os mais diversos tipos de coisas. Imaginemos também que, por lá, no alto, brilhe o sol.

Finalmente, imaginemos que a caverna produza ecos e que os homens que passam por trás do muro estejam falando de modo que suas vozes ecoem no fundo da caverna. Se fosse assim, certamente os habitantes da caverna nada poderiam ver além das sombras das pequenas estátuas projetadas no fundo da caverna e ouviriam apenas o eco das vozes. Entretanto, por nunca terem visto outra coisa, eles acreditariam que aquelas sombras, que eram cópias imperfeitas de objetos reais, eram a única e verdadeira realidade e que o eco das vozes seriam o som real das vozes emitidas pelas sombras.

Suponhamos, agora, que um daqueles habitantes consiga se soltar das correntes que o prendem. Com muita dificuldade e sentindo-se frequentemente tonto, ele se voltaria para a luz e começaria a subir até a entrada da caverna. Com muita dificuldade e sentindo-se perdido, ele começaria a se habituar à nova visão com a qual se deparava. Habituando os olhos e os ouvidos, ele veria as estatuetas moverem-se por sobre o muro e, após formular inúmeras hipóteses, por fim compreenderia que elas possuem mais detalhes e são muito mais belas que as sombras que antes via na caverna, e que agora lhes parece algo irreal ou limitado.

Suponhamos que alguém o traga para o outro lado do muro. Primeiramente ele ficaria ofuscado e amedrontado pelo excesso de luz; depois, habituando-se, veria as várias coisas em si mesmas; e, por último, veria a própria luz do sol refletida em todas as coisas. Compreenderia, então, que estas e somente estas coisas seriam a realidade e que o sol seria a causa de todas as outras coisas. Mas ele se entristeceria se seus companheiros da caverna ficassem ainda em sua obscura ignorância acerca das causas últimas das coisas. Assim, ele, por amor, voltaria à caverna a fim de libertar seus irmãos do julgo da ignorância e dos grilhões que os prendiam. Mas, quando volta, ele é recebido como um louco que não reconhece ou não mais se adapta à realidade que eles pensam ser a verdadeira: a realidade das sombras. E, então, eles o desprezariam

LEITURA DA ALEGORIA DA CAVERNA

Vemos o processo difícil e doloroso de libertação de um prisioneiro. O prisioneiro não é de fato libertado por nenhuma força externa, mas por um conflito interno entre duas forças que se encontram em sua alma, a força do hábito ou da acomodação e a força do Eros, do impulso, da curiosidade, que o estimula para fora, para buscar algo além de si mesmo. A força do hábito o leva para aquilo que é familiar, a força do Eros, faz com que ele se sinta infeliz e frustrado e o levando a buscar uma situação nova. Este conflito é o motor da dialética.

Quando atinge a visão da realidade total, prefere qualquer coisa a voltar à situação inicial.

missão pedagógica e política do filósofo é mostrar esta realidade superior

A

e

motivá-los a seguir este caminho.

O aprendizado é doloroso, fazendo-o desejar a caverna onde tudo lhe é familiar e conhecido.

As sombras são as coisas sensíveis, que tomamos pelas verdadeiras, e as

imagens ou sombras dessas sombras, criadas por artefatos fabricadores de ilusões. Os grilhões são nossos preconceitos, nossa confiança em nossos sentidos, nossas paixões e opiniões. O instrumento que quebra os grilhões

e permite a escalada do muro é a dialética. O prisioneiro que escapa é o

filósofo. A luz que ele vê é a luz plena do ser, isto é, o Bem, que ilumina o

mundo inteligível como o Sol ilumina o mundo sensível. O retorno à caverna para convidar os outros a sair dela é o diálogo filosófico.

Os anos despendidos na criação do instrumento para sair da caverna são os esforços da alma para libertar-se. Conhecer é, pois, um ato de libertação

e de iluminação.

MODULO VI

ARISTÓTELES

A METAFÍSICA DE ARISTÓTELES COMO CONCEPÇÃO DA REALIDADE.

A metafísica “indaga as causas e os princípios primeiros ou supremos”;

“Indaga o ser enquanto ser”; metafísica considera o ser enquanto ser universal.

“Indaga a substância”; que tipo de substâncias existem: sensíveis ou suprassensíveis e divinas.

“Indaga Deus e a substância suprassensível”. (que é a causa e o princípio primeiro)

“Todas as outras ciências podem ser mais necessárias ao homem, mas superior a esta nenhuma”.

a. Realidade: o que existe é a substância individual indivíduo material concreto

Indivíduos são compostos: matéria (princípio da individuação) forma (maneira como a matéria se organiza em cada indivíduo): são indissociáveis.

Todos os indivíduos de uma mesma espécie teriam a mesma forma, mas difeririam do ponto de vista da matéria.

A matéria só existe na medida em que possui uma determinada forma, a forma por sua vez é sempre forma de um objeto material concreto.

O intelecto humano pela abstração separa a matéria de forma no processo de conhecimento da realidade e fazendo abstração da matéria, de suas formas particulares. Ex. o cavalo não existe, o que existem são este cavalo, ou aquele cavalo. Separou a forma do cavalo em cada cavalo individual. Cavalo como tipo geral.

b.

Essência e Acidente

Essência: é aquilo que faz com que a coisa seja o que é a unidade que serve de suporte aos predicados. Sócrates é um ser humano

Acidentes: são as características mutáveis e variáveis da coisa. Sócrates é calvo, mas não foi sempre.

Necessidade e Contingência: é a correlata distinção entre essência e acidente.

c. CONSTITUIÇÃO DA REALIDADE

Ato Forma: realidade, ser efetivo; várias formas da mesma matéria. Matéria Potência: possibilidade de assumir várias formas; capacidade de ser; elemento imutável.

** Todo ser é uma síntese de potência e ato em diversas proporções. ** União do conceito de Parmênides (ser estático) e Heráclito (vir a ser)

As Quatro Causas

Ilustração

Definição

Causa Formal: Aquilo que determina o que algo é. Ideia ou plano de um escultor para

Elemento que distingue as coisas

Causa Material: Aquilo do qual algo é feito Elemento constituinte da coisa

Causa Eficiente: Aquilo pelo qual algo é feito O agente de transformação

Causa Final: Aquilo para o qual algo é feito

jardim

Finalidade da coisa.

uma escultura

Bloco de mármore

Escultor

Decoração de um

O MOTOR NÃO MOVIDO: a causa última do movimento tem de ser uma causa

não causada, um motor não movido. O motor não movido é a forma última da matéria eterna.

E o motor não movido é a causa final que dirige todas as coisas para o seu fim apropriado, seu propósito teleológico fundamental.

DIVISÃO DO CONHECIMENTO SEGUNDO ARISTÓTELES (METAFÍSICA)

a.

Saber Teórico: procuram o saber pelo saber.

1.

Ciência Geral: Filosofia, metafísica, teologia:

Arqueologia: busca das causas primeiras

 

Ontologia: a discussão do ser enquanto ser

Substância: trata da substância como o principal sentido do ser

Teologia: a ciência do Ser Perfeito.

 

2.

Ciência Natural:

 

Física e astronomia: ciências que examinam o ser em movimento

Ciências da vida ou biológicas

 

Psicologia: examina as diferentes funções da alma e aspectos do intelecto. Trabalha o conceito dos quatros temperamentos que tem a influência de quatros sucos (sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra).

Quatro

caracteres

fundamentais:

sanguíneo, fleumático, colérico e

melancólico.

b. Saber Prático: Ética e Política. Usam o saber com a finalidade de perfeição moral. - estabelecer normas e critérios da boa forma de agir

1. A ética aristotélica é um estudo da virtude. O objetivo dos homens é a

busca do grau mais elevado do bem humano. Virtude: está no meio. Ex. corajoso não é aquele que nada teme, nem o que

tudo teme, mas sim o que tem uma dose de temor que é a cautela, sem, contudo perder a iniciativa.

O homem virtuoso deve conhecer o ponto médio, a justa medida de todas as

coisas, e agir de forma equilibrada de acordo com a prudência ou moderação.

2. Política: Contexto onde o homem virtuoso deve exercer sua virtude, na vida social. O homem é um animal político. A ciência prática arquitetônica, isto é, aquela que estrutura as ações e as produções humanas.

Conceitos Fundamentais:

O Estado justo ou perfeito é uma comunidade una e indivisa.

A finalidade do Estado é o bem comum

Os governantes devem ser virtuosos porque são espelhos para os governados, que os imitam.

c.

Saber Produtivo: Estudos de Estética. Tendem à produção de determinadas coisas

1.

Poética: análise da tragédia grega.

Noção de mímesis: a obra de arte imita o real.

Noção de catarsis: efeitos purificadores naqueles que assistem à tragédia, resultando no amadurecimento.

2.

Retórica: sistematiza os elementos centrais do discurso retórico capazes de produzir o efeito persuasivo visado por este discurso (figuras de linguagem)

d.

Lógica: Saber instrumental de importância metodológica

A

Lógica é o que devemos estudar e aprender antes de iniciar uma

investigação filosófica ou científica, pois somente ela pode indicar qual o tipo

de proposição, de raciocínio, de demonstração, de prova e de definição que

uma determinada ciência deve usar.

O nosso pensamento obedece a três princípios lógicos sem os quais não há

pensamento. Esses princípios são:

Princípio de

identidade:

A

é

A,

isto

é,

necessariamente idêntica a si mesma.

uma

coisa

é

sempre

e

Princípio da não contradição: A é A e não pode ser não-A, isto é, é impossível que uma coisa seja idêntica a si mesma e contrária a si mesma, ao mesmo tempo e na mesma relação.

Princípio do terceiro excluído: A é ou x ou não-x, e não há terceira possibilidade, isto é, dadas duas proposições cujos predicados são contrários, uma delas é verdadeira e a outra falsa, não havendo terceira possibilidade.

e.

Silogismo: Raciocínio dedutivo

Ostensivo parte de pressuposições assertóricas

Todos os homens são mortais (Todos os S são P) Premissa maior Sócrates é homem (X é S) Premissa Menor Logo, Sócrates é mortal (Logo, X é P) Conclusão.

A ideia geral do silogismo é:

A é verdade de B (é verdade que todos os homens são mortais)

A é verdade de C (é verdade que Sócrates é homem)

Logo, B é verdade de C (é verdade que Sócrates é mortal).

Hipotéticos parte de uma proposição condicional

Se todos os homens são mortais Todos os atenienses são homens Então, todos os atenienses são mortais.

f. Processo do Conhecimento

Sensação: pontos de partida do processo de conhecimento e indispensáveis para esse processo. São insuficientes, já que seu modo de contato com o real é instantâneo e direto, esgotando-se neste contato.

Memória: importante para a retenção dos dados sensoriais possibilitando avanço do processo do conhecimento. Sem a memória nada permaneceria dos dados que a sensação nos fornece do real.

Experiência: que se constrói a partir dos dados que recebemos dos sentidos e retemos pela memória. Caracteriza-se pela capacidade de estabelecer relações entre os dados sensoriais retidos pela memória. A experiência é assim o conhecimento prático baseado na repetição.

Arte (Técnica): trabalho do artífice ou do artesão. Conhecimento das regras que permitem produzir determinados resultados. Sabe-se o porquê das coisas, pode-se determinar a causa, tendo a possibilidade de ensinar.

Teoria-Ciência: conhecimento do real em seu sentido mais abstrato e genérico, o conhecimento de conceitos e princípios. O Saber teórico

caracteriza-se por ser contemplativo, definindo-se pela cisão da verdade e por não ter objetivos práticos ou fins imediatos. Grau de abstração e

generalidade.

Filosofia: consiste num tipo de ciência ainda mais elevado. O conhecimento das causas primeiras e universais, do mais genérico, do mais abstrato.

PRINCÍPIO DA CONSTRUÇÃO DA VERDADE: LÓGICA; DIFERENÇA ENTRE ESSENCIA E ACIDENTE; DIVISÃO DO CONHECIMENTO E ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DO CONHECIMENTO.

[]

MODULO VII

AGOSTINHO

A) Gnosiologia - Considera a Filosofia platonicamente, como solucionadora

do problema da vida, ao qual só o cristianismo pode dar uma solução integral. Todo seu interesse central esta nos problemas de Deus e da alma. Admite que os sentidos, como o intelecto são fonte dos conhecimentos. Para o conhecimento intelectual seria necessária uma luz espiritual, não bastam, para que se realize o conhecimento intelectual humano, as forças naturais do espírito, mas é mister uma particular e direta iluminação de Deus.

B) Metafísica - a existência de Deus é provada fundamentalmente a priori, enquanto no espírito humano haveria uma presença particular de Deus. Deus cria o mundo livremente, e a vontade do homem é a causa do mal.

C) Moral - teísta e cristã, transcendente e ascética. A vontade não é determinada pelo intelecto, mas precede-o (tem supremacia). Vontade humana é má. Formula agostiniana em torno da liberdade em Adão:

antes do pecado original - poder não pecar; depois - não poder não pecar; nos cristãos, não poder pecar. A vontade humana é impotente sem a graça.

(D). Política - se não houvesse pecado e os homens fossem todos justos, o Estado seria inútil. A propriedade seria de direito positivo, e não natural. O pecado original perturbou a natureza humana, individual e social, que só pode ser superada sobrenaturalmente.

TOMÁS DE AQUINO

.

a. Tomás

papéis

complementares na busca da verdade. A graça não destrói a natureza, mas

acreditava

que

a

filosofia

e

a

teologia

tinham

a completa. Tomás via fronteiras claras entre as duas disciplinas, mas considerou ambas necessárias para a compreensão global da realidade.

b.

Tomás trabalha o ponto de que todo conhecimento na natureza e na graça, depende da revelação de Deus.

c.

Trabalha com o conceito de Teologia natural e revelada.

d.

Cinco vias da existência de Deus: demonstração por dedução

Precisamos postular Deus, a fim de explicar os movimentos do mundo. O Movedor é Deus.

Concatenação das causas. Postular uma causa primária porque sem a causa não pode haver efeito. Sem causa não haveria vida nem existência.

Contingência e na necessidade Sem um ser necessário, outros seres, por serem contingentes desapareceriam. Se algo existe agora, é necessário que algo sempre tenha existido (Deus).

Axiológico necessidade da existência de um ser supremo onde estão incorporados os valores: bondade, verdade, justiça.

Teleológico ordem universal; finalidade; tem que Ter um planejador.

e.

Homem é um animal político, social, forçado a viver em sociedade.

Família conservação do gênero humano. Estado bem comum dos indivíduos. Igreja Bem eterno das almas.

i. A razão demonstra a credibilidade da fé, a não irracionalidade do mistério, e sistematiza na teologia as verdades da fé.

j. Conhecer e voltar às opiniões dos antigos para guardar o que disseram de bem e nos defender do mal.

k. Lógica é a ciência da razão.

l. Belo é uma propriedade transcendente do ser.

COMPARAÇÃO ENTRE AGOSTINHO E TOMAS.

1. Conhecimento: Agostinho: Conhecimento depende de uma particular iluminação divina Tomás: conhecimento é sensível (experiência) e intelectual, independe da iluminação divina.

2. Alma

Agostinho: Platonismo: alma concebida como autônoma, onde o corpo era tido como obstáculo e não instrumento. Conhecimento humano se realizava acima dos sentidos, no contato com o mundo inteligível. Tomas: a alma é incompleta sem o corpo, sendo o corpo um instrumento indispensável para o conhecimento humano.

3. Vontade e Intelecto

Agostinho: Primazia da vontade sobre o intelecto

Tomas: primazia do intelecto sobre a vontade.

4. Questão da Queda

Agostinho: Queda afetou a vontade e o intelecto. Tomas: Queda afetou apenas a vontade.

PRINCÍPIOS DA CONSTRUÇÃO DA VERDADE NA FILOSOFIA ANTIGA

A) A DIFERENÇA ENTRE O DISCURSO RELIGIOSO E CIENTÍFICO.

B) PRINCÍPIO DE IDENTIDADE E DISTINÇÃO ENTRE REALIDADE E APARÊNCIA.

C) A OBSERVAÇÃO COMO UM ELEMENTO PRIMORDIAL PARA CONHECERMOS A REALIDADE.

D) DEFINIÇÃO DO QUE É CONVENÇÃO SOCIAL E O QUE É DA NATUREZA.

E) PERGUNTAR E QUESTIONAR A REALIDADE QUE NOS CERCA E O SENSO COMUM. BUSCAR A DEFINIÇÃO DOS CONCEITOS. CONCEITO DE ACIDENTE E ESSÊNCIA. RACIOCÍNIO INDUTIVO.

F) MITO DA CAVERNA E O PROCESSO DE CONHECIMENTO E LIBERTAÇÃO DO MUNDO IRREAL.

G) LÓGICA; DIFERENÇA ENTRE ESSENCIA E ACIDENTE; DIVISÃO DO CONHECIMENTO E ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE CONHECIMENTO.

H) RECONHECER OS LIMITES DO CONHECIMENTO.

QUESTÃO DO CONHECIMENTO - MODERNIDADE

MODULO VIII

Galileu Galilei Toscana - 1564-1642 (A.I pg 204)

Conhecimento: Fundamenta o conhecimento sobre a experiência. Estuda o mundo para colher os fenômenos e suas leis. Método: observação; hipótese; experimentação.

Galileu apresenta em seus pensamentos a tendência da filosofia Moderna, de

reduzir a metafísica à física, pela pretensão de explicar tudo matematicamente e considerar a ordem matemática como a ordem ideal da realidade.

A ciência moderna surge quando se torna mais importante salvar os

fenômenos e quando a observação, a experimentação e a verificação de hipóteses tornam-se critérios decisivos, suplantando o argumento metafísico. Filosofar não significa dar livre vazão à fantasia metafísica ou se atormentar sobre a correta interpretação de qualquer autoridade, mas indagar o grande

livro da natureza escrito por Deus para descobrir as suas verdadeiras leis.

Para Galileu existe a tendência psicológica de confiar mais em um grande autor

do que em uma experiência

Oposição entre ciência e fé: Não deveria ocorrer, pois tanto a ciência como a fé são obras do mesmo criador. A Bíblia deve ser interpretação adaptada às teorias científicas. A Bíblia contém a verdade, mas pode ser mal interpretada. Uma observação científica natural é mais segura do que uma interpretação

bíblica. Em caso de divergência entre a Bíblia e a ciência, prevalece a observação científica.

As verdades que devem ser buscadas na Bíblia são de tipo ético e religioso

Interpretação e Hermenêutica:

1) Nenhum texto é totalmente claro: portanto, toda leitura será sempre, ao menos em parte, interpretação.

2) Um texto pode ser lido e interpretado de diversas maneiras: literalmente, simbolicamente.

Na natureza existem qualidades principais (extensão, forma, medida e peso) e secundárias (cor e sabor). As qualidades secundárias são subjetivas. (Tato)

EMPIRISMO

A Royal Society, formada pelos ricos comerciantes de Londres, tendo interesse nas possíveis aplicações técnicas desses conhecimentos na questão dos negócios, foi a patrocinadora do empirismo.

Posição filosófica que toma a experiência como guia e critério de validade de suas afirmações.

No empirismo o nosso conhecimento é reduzido aos sentidos; estes não nos proporcionam a realidade em si e sim os fenômenos, as aparências subjetivas das coisas.

Enfatiza a ideia que encontramos nesta frase de inspiração aristotélica “Nada está no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos”

Todo conhecimento resulta de uma base empírica, de percepções ou impressões sensíveis sobre o real. Rejeitam a noção de ideias inatas, ou um conhecimento anterior ou independente da experiência.

Trabalham com a valorização da experiência humana, da realidade concreta,

da atividade do indivíduo e com seu espírito contrário à metafísica especulativa

e aos grandes sistemas teóricos.

FRANCISCO BACON - 1561-1626

O PENSAMENTO

a. Enfatizou o método indutivo e a experiência.

Fazia a defesa do método experimental contra a ciência teórica e especulativa clássica. Trabalhou pelo desenvolvimento de um pensamento crítico buscando o progresso da ciência e da técnica. Considerava a filosofia como esclarecedora da essência da realidade.

b. Classificação Geral das Disciplinas Humanas

História, que registra os dados do fato. Poesia, elaboração imaginativa desses dados. Ciência ou Filosofia, conhecimento racional de Deus, homem e natureza.

c. O Novo Organum. A Ciência da Natureza.

O verdadeiro método da indução científica compreende:

1. Uma parte crítica: alertar a mente contra os erros comuns, na procura da ciência verdadeira. Bacon chama estes erros de fantasmas e os divide em quatro grupos:

Idola tribus - os erros da raça humana Idola specus - disposições subjetivas de cada um Idola fori - provenientes do comércio social ou da linguagem imperfeita Idola theatri - erros das escolas filosóficas, que substituem o mundo real por um fantástico.

2. parte construtiva: genuína interpretação da natureza para dominá-la

- O homem deve despir-se de seus preconceitos, tornando-se “uma criança

diante da natureza”. Só assim alcançara o verdadeiro saber.

- Método da indução: estudar e observar casos específicos para identificar as leis gerais. A lógica tradicional trabalha com palavras, a indução com a

realidade.

Tabelas de presença dos fenômenos: causa e lei Tabelas de ausência: faltará causa e lei Tabelas de gradações: aumentará ou diminuirá a causa e lei

A causa é procurada na primeira tabela, não sendo fácil, ter-se tabelas

completas, é mister estabelecê-la por hipótese, experimentações.

averiguada em

e. Saber é Poder. Podemos controlar e prever os fatos da natureza.

Razão instrumental defendida por Bacon e sua glorificação da técnica, são marcas fortes da sociedade contemporânea, que foi criticada pela Escola de Frankfurt.

f. Não descarta o mundo transcendente e cristão. Metafísica Tradicional.

PRINCIPIO PARA CONSTRUÇÃO DA VERDADE: SUPERIORIDADE DO MÉTODO CIENTÍFICO DIANTE DOS ARGUMENTOS METAFÍSICOS.

CONSIDERAR OS ERROS QUE DEVEMOS EVITAR NO CONHECIMENTO E O METODO EXPERIMENTAL.

MODULO IX

RACIONALISMO

Características Gerais

Racionalismo e Empirismo concordam em um fenomenismo e subjetivismo comuns, entendendo que o homem não conhece mais as coisas, mas, a saber, o conhecimento das coisas; as impressões (subjetivas) que as coisas exercem sobre ele, sobre o seu intelecto (racionalismo) e sobre os seus sentidos (empirismo).

Racionalismo torna-se um puro fenomenismo intelectualista, em que tudo derivaria a priori da razão humana, tudo seria deduzido das verdades primeiras atingidas imediatamente pelo intelecto.

Atraído pelo ideal físico-matemático, quantitativo-mecanicista, o mundo é uma grande máquina.

DESCARTES

PENSAMENTO

a) Objetivo: Fundamentar a possibilidade do conhecimento científico, construir

as bases metodológicas para uma ciência mais sólida, mais bem-

fundamentada que a tradicional.

Para ele a racionalidade é natural ao homem, sendo compartilhada por todos.

O que explica a possibilidade e a ocorrência do erro, do engano e da falsidade

é a falta de um método para guiar a razão no bom caminho.

b) Método: Missão de fundamentar ou legitimar a ciência, demonstrando de

forma conclusiva que o homem pode conhecer o real de modo verdadeiro e definitivo.

(c) Tradição não é confiável (O ensino recebido por Descartes, o deixaram com muitas dúvidas) Tem o propósito de recuperar a luz natural, desfazendo-se do saber errôneo que recebemos.

a)

Conhecimento Racional:

1.

Racionalidade é compartilhada por todos

2.

Erros acontecem pela aplicação incorreta do nosso conhecimento.

3.

Finalidade do método é apresentar este caminho correto à razão para o alcance da verdade.

b)

ARGUMENTO DO COGITO O Objetivo principal do argumento do cogito é estabelecer os fundamentos do conhecimento, e, portanto da possibilidade do saber científico, através da refutação do ceticismo.

Inicialmente Descartes propõe assumir a posição do ceticismo, levando-o às suas últimas consequências para, a partir disso, refutá-lo.

A etapa inicial da argumentação cartesiana é a formulação de uma dúvida

metódica, colocando em questão todo o conhecimento adquirido, toda a ciência clássica, todas as nossas crenças e opiniões. Devemos, portanto esvaziar-nos de todos os nossos conhecimentos e crenças, já que dentre eles há alguns que não são confiáveis; mas não sabemos quais até examiná-los todos.

c) A etapa inicial é a formulação da dúvida universal; toda e qualquer proposição deve ser rejeitada.

d) Não podemos confiar em nossos sentidos; contudo eles são a fonte principal de nosso conhecimento sobre o mundo natural.

e) Tudo o que acreditamos perceber claramente pode estar ocorrendo apenas em sonho (imaginação)

f) A hipótese do ser humano ser criado por um gênio maligno que o ilude e engana. (Deus enganador)

g) Se duvidar, é porque penso, só penso porque existo. Primeira certeza.

h) Dá um passo adiante afirmando que posso Ter certeza de que existe uma coisa que pensa.

i)

Descobre então que sua mente é composta de ideias, que Ter uma ideia é pensar sobre algo, independentemente da verdade ou falsidade do pensamento.

j)

Uma ideia será válida ou adequada na medida em que for evidente, isto é, clara e distinta.

e.

O Método Cartesiano

Princípios Gerais

1. Ele nada aceitaria como verdadeiro que não fosse claro e certo.

2. Ele analisaria um problema, dividindo-o em partes, então discutiria a questão

parte por parte.

3.

Prosseguiria do simples para o complexo, e suas enumerações seriam mais completas possíveis.

4.

Ele duvidaria de tudo que admitisse dúvidas. Somente as proposições que se mantivessem de pé diante desse exame crítico e cético seriam retidas como fundamentais.

f.

Ideias podem ser:

- Inatas: Uma pessoa nasce com ideias inatas que surgem de seu interior, uma

dessas ideias é a ideia divina, o qual é a fonte ultima das ideias. Perfeição de

Deus.

- Adventícias através da experiência e percepções

k) Imaginação formada na mente (unicórnio)

g. Correspondência: correlação entre a ideia na mente e a coisa a ser conhecida no mundo externo. Mesma visão de Aristóteles: busca de um corpo de verdades teóricas, universais e necessárias, de certezas definitivas, que não admitem erro, correção ou refutação.

h. Solíssimo cartesiano: isolamento do eu em relação a tudo mais: o mundo exterior e ao próprio corpo, que também é um elemento externo. O solíssimo é resultado da evidência do cogito, uma certeza tão forte que exige critérios que não são aplicáveis a nada mais.

Se há um processo de dúvida, deve haver alguém que duvida. Penso logo

existo. Para haver um processo de pensamento deve haver um pensador. Entendia que havia estabelecido uma proposição que não podia ser posta em

dúvida.

.

Blaise Pascal - (1623-1662) “O coração tem razões que a razão desconhece”. Inventor da máquina de calcular. (A.I pg. 241)

PENSAMENTO

a. Autonomia da razão

b. Importância da experiência subjetiva e a fé. O coração e não a razão é que sente Deus, e isto é a fé. Crê num Deus sensível ao coração e não a razão. O coração tem razões que a própria razão desconhece.

c. Tem como objetivo conciliar razão e experiência. Método Ideal realiza-se pela arte de persuadir. Este método que tem a sua origem na geometria tem três partes essenciais:

Definições claras de todos os termos de que nos servimos;

Axiomas evidentes postos como fundamento da demonstração

Demonstrações em que os termos definidos devem sempre ser mentalmente substituídos pelas definições.

d. Trabalha com os limites da razão, que só podem ser superados pela fé. As verdades teológicas são reveladas e eternas e as verdades empíricas são racionais e, portanto progressivas. As verdades teológicas estão ligadas à experiência e não a racionalidade. Os princípios da fé estão acima da natureza e da razão. E preciso deixar intactas as verdades reveladas e fazer progredir continuamente as verdades humanas.

e. Dignidade do homem esta no atributo de pensar. O homem não se deve julgar um animal, mas também não deve presumir que é anjo.

PRINCIPIO DE CONSTRUÇÃO DA VERDADE: ATITUDE CRITICA COM RELAÇÃO A TODO CONHECIMENTO RECEBIDO; NÃO ACEITAR UMA VERDADE QUE NÃO FOSSE CLARA E CERTA.

MODULO X

KANT (1724-1894)

PENSAMENTO

a. Queria fugir do dogmatismo racionalista e do ceticismo empirista.

b. Questões que o filósofo deve determinar:

As fontes do saber humano

A extensão do uso possível do saber

Os limites da razão (só conhecemos o fenômeno)

c. Critica da razão pura do uso da razão no conhecimento da realidade. É preciso estabelecer critérios de demarcação entre o que podemos conhecer legitimamente e as falsas pretensões do conhecimento, que nunca se realizam.

A tarefa da crítica consiste assim em examinar os limites da razão teórica e

estabelecer os critérios de um conhecimento legítimo.

d. A Crítica da Razão Pura

Distinguir o uso cognitivo da razão que efetivamente produz conhecimento do real, de seu uso meramente especulativo, em que no pensamento não correspondem a objetos.

Juízos Analíticos: caráter lógico em que o predicado esta contido no sujeito. “Todo triângulo tem três ângulos”. São a priori independentes da experiência, universais e necessários, mas não

cognitivos.

Juízos sintéticos (a posteriori): dependem da experiência e constituem uma ampliação de nosso conhecimento: “A água ferve a 100 graus centígrados”. Baseiam-se na experiência e no máximo se tornam generalizações empíricas.

Juízos sintéticos a priori (universais e necessários): independente da experiência mais relacionado a ela. Os princípios mais gerais da ciência, os fundamentos da física e da matemática e os juízos filosóficos da teoria do conhecimento que Kant pretende estabelecer.

e. Conhecimento Para Kant no conhecimento o objeto e que é determinado pelo sujeito. Sujeito e objeto são, portanto para Kant, termos relacionais, que só podem ser considerados como parte da relação de conhecimento, e não autonomamente.

Só há objeto para o sujeito, só há sujeito se este que se dirige ao objeto visa

apreendê-lo.

f. Razão é uma estrutura vazia, uma forma pura sem conteúdos, é inata, é o ponto de vista do conhecimento anterior à experiência.

Os conteúdos que a razão conhece e nos quais pensa esse sim, dependem da

experiência.

Assim a experiência fornece a matéria do conhecimento para a razão e esta por sua vez, fornece a forma do conhecimento.

A estrutura da razão é inata e universal, enquanto os conteúdos são empíricos

e podem variar no tempo e no espaço.

A razão é constituída por três estruturas a priori:

A estrutura ou forma de sensibilidade e percepção. Trabalha com as propriedades a priori de espaço e tempo. Sem esta estrutura seria impossível individualizar os dados da experiência. Manifesta-se no momento do pensar.

A Estrutura ou forma de entendimento. Trabalham com categorias a priori. Organização dos conteúdos empíricos.

A

estrutura ou forma da razão. Sua função é regular e controlar a sensibilidade

e

o entendimento.

g.

O “Eu Transcendental” é idêntico em todos os indivíduos empíricos; é superindividual e supersubjetivo; por isso, o constitui um mundo que vale para todos, nesse sentido universal e objetivo.

h.

Formas puras de sensibilidade são as intuições de espaço e tempo, que nos dão condições da experiência sensível, elementos constitutivos, portanto de nossa relação com objetos enquanto determinados espaço- temporalmente. Intuição é o modo como os objetos se apresentam a nós no espaço e no tempo, condição de possibilidade para que sejam objetos.

Espaço e tempo não seriam uma realidade preexistente aos objetos e destes independentes, mas relações, modos subjetivos (ainda que universais) de perceber e ordenar o sensível multíplice. Espaço e tempo não derivam nem

das sensações, nem das coisas, mas são formas constitutivas a priori de nosso

espírito.

f. O que conhecemos não é a coisa em si, mas sempre o real em relação ao sujeito do conhecimento.

g. Não conhecemos a essência das coisas apenas o fenômeno.

h. Formas puras do entendimento: As categorias

Tabelas dos Juízos e Categorias:

Juízos

1. Quantidade

Categorias

Universal: “todo homem é mortal” Particular: “Algum homem é mortal” Singular: “Sócrates é mortal”

Universal: “todo homem é mortal” Particular: “Algum homem é mortal” Singula r: “Sócrates é mortal”
Universal: “todo homem é mortal” Particular: “Algum homem é mortal” Singula r: “Sócrates é mortal”

unidade

pluralidade

totalidade

2.

Qualidade

Afirmativo: “todo homem é mortal”

realidade

Negativo: “não é o caso que Sócrates é mortal”

negação

Limitativo: “Sócrates não é mortal”

limitação

Categórico: “Sócrates é mortal”

Hipotético: “Se,

então”

substância e acidente causalidade e

dependência

Disjuntivo: “ou,

ou”

comunidade e interação

d. Modalidade

Problemático: “É possível que

Assertórico: “ Sócrates é mortal”

Apodítico: “é necessário que contingência.

possibilidade existência e inexistência necessidade e

“Não podemos pensar nenhum objeto senão mediante categorias; não podemos conhecer nenhum objeto pensado senão mediante intuições que correspondem àqueles conceitos”.

A sensibilidade nos fornece os dados da experiência (o múltiplo), a imaginação

completa estes dados e os unifica, e o entendimento lhes dá unidade conceitual, permitindo-nos pensá-los. O conhecimento resulta da contribuição

desses três elementos.

Eu

precisamente

independentemente delas.

penso

Kantiano,

o

que

não

lhes

é

puro

e

nem

unidade

e

anterior

à

não

pode

experiência,

ser

mas

considerado

O sujeito humano não espelha as coisas mais a constitui. Coloca como centro

do conhecimento o sujeito. De sorte que não é o sujeito que espelha o objeto, mas este depende daquele.

IDEALISMO

Conceito de criatividade e liberdade do espírito, historicismo, o conceito de desenvolvimento, a valorização da nacionalidade e da religião que são produtos históricos.

O idealismo clássico nega de tudo, ou coisa em si, perante o qual o espírito é

passivo, nega a transcendência e reduz tudo a mais absoluta imanência.

O mundo da matéria das sensações, da natureza, é uma criação inconsciente

do espírito.

O IDEALISMO LÓGICO HEGEL (1770-1831)

- últimas palavras “silêncio desapaixonado do conhecimento que apenas pensa”

a. A razão é a realidade profunda das coisas, a essência do próprio Ser. A razão é o próprio modo de ser das coisas. O Racional é Real e o Real é racional.

b. A filosofia tem um papel interpretativo da realidade, ela aparece depois dos fatos.

c. A Filosofia só pode entender o que é finito, contingente analisando-o como parte de um todo infinito.

d. A Ideia se manifesta como processo histórico. A história universal nada mais é do que a manifestação da razão.

e. Vir-a Ser é a história do Espírito Universal que se desenvolve e se realiza por etapas sucessivas. A História para Hegel é uma odisseia do Espírito Universal.

f. O espírito humano é de início uma consciência confusa, um espírito puramente subjetivo, é a sensação imediata. Depois, ele encarna-se, objetiva-se sob a forma de civilizações, de instituições organizadas. Tal é o espírito objetivo que se realiza naquilo que Hegel chama de “o mundo da cultura”. Enfim, o Espírito se descobre mais claramente na consciência artística e na consciência religiosa para finalmente apreender-se na Filosofia como Saber Absoluto.

g. DIALÉTICA não é objeto de reflexão filosófica, mas o elemento estrutural essencial da realidade.

Dialética dos opostos, cuja característica fundamental é a negação, em que a positividade se realiza através da negatividade, no ritmo famoso, de tese, antítese e síntese.

A lógica tradicional afirma que o ser é idêntico a si mesmo e exclui o seu

oposto (princípio de identidade e contradição); ao passo que a lógica hegeliana sustenta que a realidade é essencialmente mudança, devir, passagem de um elemento ao seu oposto.

A lógica tradicional afirma que o conceito é universal abstrato, enquanto

apreende o ser imutável, realmente ainda que não totalmente; ao passo que a lógica hegeliana sustenta que o conceito é universal concreto, isto é, conexão histórica particular com a totalidade real, onde tudo é essencialmente conexo com tudo.

A lógica tradicional distingue substancialmente a filosofia, cujo objeto é o

universal e o imutável, da história, cujo objeto é o particular e o mutável; ao

passo que a lógica hegeliana assimila a filosofia coma história, enquanto o ser é vir-a-ser.

A lógica tradicional distingue-se da ontologia, enquanto o nosso pensamento se apreende o ser, não o esgota totalmente como faz o pensamento de Deus; ao passo que a lógica hegeliana coincide com a ontologia, porquanto a realidade é o desenvolvimento dialético do próprio “logos” divino, que no espírito humano adquire plena consciência de si mesmo.

h. A realidade é o vir-a-ser dialético da Ideia, a autoconsciência racional de

Deus.

A realidade deveria transformar-se rigorosamente na racionalidade em um sistema coerente de pensamento idealista e imanentista

PRINCIPIO PARA A CONSTRUÇÃO DA VERDADE: A RAZÃO COMO ESTRUTURA A PRIORI CAPAZ DE ORGANIZAR O CONHECIMENTO; VALORIZAÇÃO DA SENSIBILIDADE E DA RACIONALIDADE; LIMITES DO CONHECIMENTO. A DIALÉTICA COMO POSSIBILIDADE DE TRABALHAR A REALIDADE.

MODULO XI

KARL MARX (1818-1883)

MARXISMO - Alemão de origem judaica (1818-1883) Direito e Doutor em Filosofia. Historiador, político, sociólogo, economista e jornalista. O Capital

(1876).

a. A Filosofia não deve se limitar a interpretar o mundo, pois temos que transformá-lo.

b. Objetivo: libertar o homem combatendo as ilusões da consciência.

c. Inverter o Homem de Hegel: pés na terra e a cabeça nas nuvens. Hegel já trabalha com o conceito do conhecimento socialmente determinado. Alienação é a visão parcial a partir de uma única forma ou momento do pensamento.

d. A questão do trabalho é a questão fundante do homem e da própria sociedade. O trabalho cria o homem e o mundo.

e. Ideologia: falsa consciência. Ideologia é uma visão distorcida, é o mascaramento da realidade opressora. Meio de dominação. A tarefa da filosofia e desmascarar a ideologia, mostrando como ela surge.

f. A ideologia, segundo Karl Marx, pode ser considerada um instrumento de dominação que age através do convencimento (e não da força), de

forma prescritiva, alienando a consciência humana e mascarando a realidade.

g. Desenvolve uma teoria a respeito da ideologia, na qual concebe a mesma como uma consciência falsa, proveniente da divisão do trabalho manual e intelectual. Nessa divisão, surgem os ideólogos ou intelectuais que passam através de ideias impostas a dominar através das relações de produção e das classes que esses criam na sociedade. Contudo a ideologia (falsa consciência) gera inverte ou camufla a realidade, para os ideais ou vontades da classe dominante.

h. Todo discurso tem uma dimensão ideológica que relaciona as marcas deixadas no texto com as suas condições de produção, e que se insere na formação ideológica. E essa dimensão ideológica do discurso pode tanto transformar quanto reproduzir as relações de dominação. Para Marx, essa dominação se dá pelas relações de produção que se estabelecem e as classes que estas criam numa sociedade. Por isso, a ideologia cria uma “falsa consciência” sobre a realidade que visa a modo de suprir, morder e reforçar e perpetuar essa dominação.

i. O Trabalhador é “o homem extraviado de si mesmo”; sua existência é “a perda total do homem; sua essência é uma essência desumanizada”. A auto alienação do homem tem a sua raiz em uma alienação do trabalhador do produto do seu trabalho; este não pertence àquele para seu usufruto, mas ao empregador.

j. A estrutura e o desenvolvimento das sociedades possuem base econômica (materialismo econômico) e obedecem à dialética hegeliana tese, antítese e síntese cuja expressão é a luta de classes (materialismo histórico). As relações de produção formam a estrutura social. As formas de produção determinam as formas de consciência. O fator econômico é determinante fundamental da estrutura e do desenvolvimento da sociedade, sito é, organização política, religião, lei, filosofia, ciência, arte, literatura e a própria moralidade. O Estado é a superestrutura a serviço da classe dominante. Através das lutas de classes advirá o socialismo (antítese do capitalismo) que será superado pelo comunismo (sociedade sem classes e sem estado), nova ordem que aliará a abundância material à justiça social.

SUPERESTRUTURA (Reflexo da Infraestrutura)

- Religião, educação, Leis, organização social, estado, moral.

INFRAESTRUTURA Relações de Produção

- Dono dos meios de produção

- Distribuição da riqueza produzida

PRINCIPIO PARA CONSTRUÇÃO DA VERDADE: O PAPEL DA IDEOLOGIA NO CONHECIMENTO.

MODULO XII

KARL JASPERS E O NAUFRÁGIO DA EXISTÊNCIA

VIDA

Médico e filosofo. Max Weber seu mestre. 1883-1969.

Filósofo de elevada sensibilidade moral, ele se opôs corajosamente ao nazismo e, convencido de que “não há grande filosofia sem pensamento político”, escreveu sobre o problema da bomba atômica e sobre a Culpa da Alemanha.

Jeremias e deportação dos judeus. Pergunta-se Jaspers “O que significa isso? Significa que Deus existe e isso basta. Se tudo desvanece, Deus existe: esse é o único ponto seguro para nós”.

PESAMENTO

a. Sua visão da relação da ciência com a filosofia.

A Filosofia e a ciência não são possíveis uma sem a outra. É a ciência que nos fornece conhecimentos claros sobre dados de fato. “E se faltasse ao filósofo à harmonia com as ciências ele permaneceria sem o conhecimento claro do mundo como cego”.

A filosofia atua sobre as ciências para dissolver o dogmatismo sempre renovado da própria ciência. A filosofia torna-se a garantia consciente do espírito científico contra a hostilidade da ciência.

b. Definição de Ciência por Jaspers

Atitude científica se caracteriza pela consciência metodológica dos limites de validade da ciência.

Atitude científica é a pronta disposição do investigador a aceitar toda crítica às suas opiniões.

c. Limites do saber científico

O conhecimento científico das coisas não é o conhecimento do ser.

O conhecimento científico não pode dar orientação para a vida. Ele não estabelece valores válidos.

A ciência não pode dar nenhuma resposta à pergunta relativa ao seu verdadeiro sentido (a sua própria existência). Não está em condições de demonstrar a necessidade de sua existência (existiram outras culturas sem ciência)

O conhecimento científico vale para todos. Mas não resolve todos os problemas.

A ciência é sempre conhecimento de determinado objeto no mundo e o mundo como “totalidade” permanece sempre além dele.

O absoluto está sempre além, além de todo o horizonte científico.

“Se eu quiser captar o ser enquanto ser, estou irremediavelmente destinado ao naufrágio”.

d. A Inobjetividade da existência.

MODULO XIII

A ESCOLA DE FRANKFURT

ADORNO E A DILÉTICA NEGATIVA

1969)

- Theodor Wiesengrund Adorno

(1901-

a. Dialética da negação que nega a identidade entre a realidade e pensamento; desbarata as pretensões da filosofia de captar a totalidade do real.

b. Considera a filosofia tradicional como a ilusão de que por força do pensamento é possível captar a totalidade do real. A filosofia como hoje ela se apresenta nada mais serve do que para mascarar a realidade e eternizar o seu estado presente.

c. Somente afirmando a não-identidade entre ser e pensamento é que se pode garantir a não-camuflagem da realidade. Temos que desmascarar os sistemas filosóficos que tentam “eternizar” o estado presente da realidade e bloquear qualquer ação transformadora e revolucionária.

d. A dialética é a luta contra o domínio do idêntico, é a rebelião dos particulares contra o mal universal.

e. O real não é a razão. O indicador do primado do objeto é a impotência do espírito em todos os seus juízos, assim como na organização da realidade.

f. A divisão do mundo em coisas principais e acessórias, sempre contribuiu para neutralizar, como simples exceções, os fenômenos com base na extrema injustiça social.

ADORNO E HORKHEIMER: A DIALÉTICA DO ILUMINISMO

a. Por iluminismo pensam no itinerário da razão, que, partindo já de Xenófanes, pretende racionalizar o mundo, tornando-o manipulável pelo homem. Iluminismo ficou paralisado com o medo da verdade (não dá para conhecer o real). Prevaleceu nele à idéia de que o saber é mais técnica do que crítica.

b. Perdeu-se a confiança na razão objetiva: o que importa não é a veracidade das teorias, senão sua funcionalidade em vista de fins sobre os quais a razão perdeu todo o direito.

c. A razão é razão instrumental porque só pode identificar, construir e aperfeiçoar os instrumentos ou meios adequados para alcançar fins estabelecidos e controlados pelo "sistema”.

d. O aumento da produtividade que gera condições para um mundo justo; propicia aos grupos sociais que dominam este instrumental técnico uma imensa superioridade sobre o resto da população.

e. No estado injusto, a impotência e a dirigibilidade da massa crescem com a quantidade de bens que lhe são fornecidos.

O conceito de racionalidade que está na base da civilização industrial está podre pela raiz. A doença da razão está no fato de que ela nasceu da necessidade humana de dominar a natureza. Essa vontade de dominar a natureza, de compreender suas “leis” para submetê-la, exigiu a instauração de uma organização burocrática impessoal, que em nome do triunfo da razão sobre a natureza, chegou a reduzir o homem a simples instrumento.

Esta sensação de medo e desilusão brota do fato de quanto maior o avanço da tecnologia, o homem perde a sua autonomia a sua imaginação e a sua independência de juízo.

A civilização industrial substituiu os fins pelos meios e transformou a razão em instrumento para atingir fins, dos quais a razão não sabe mais nada. A razão unicamente “a capacidade de calcular as probabilidades e coordenar os meios adequados com dado fim”.

A razão, portanto, não nos dá mais verdades objetivas e universais às quais possamos nos agarrar, mas somente instrumentos para objetivos já estabelecidos. Quem decide sobre o bem e o mal é agora o “sistema”, ou seja, o poder. Tendo renunciado a sua autonomia a razão se tornou instrumento. Esta subjugada pelo processo social.