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CLASSIFICAÇÕES DAS MALOCLUSÕES OCLUSÃO NORMAL Gustavo Brandão Curso de Especialização em Ortodontia
CLASSIFICAÇÕES DAS MALOCLUSÕES OCLUSÃO NORMAL Gustavo Brandão Curso de Especialização em Ortodontia

CLASSIFICAÇÕES DAS MALOCLUSÕES

OCLUSÃO NORMAL

Gustavo Brandão

Curso de Especialização em Ortodontia

INTRODUÇÃO

Desde a antiguidade, dentes mal posicionados trazem certos problemas para

alguns indivíduos e tentativas para corrigir estas desordens datam de pelo menos 1000 anos a.C. Aparelhos ortodônticos primitivos e surpreedentemente bem elaborados, foram encontrados nas escavações gregas e etruscas. A medida que

a odontologia se desenvolveu nos séculos XVIII e XIX, um grande número de

dispositivos para a "regularização dos dentes" e sistemas de classificação foram descritos por vários autores e utilizados esporadicamente por dentistas da época. O que chamamos hoje de oclusão normal já tinha sido descrito no século XVIII por John Hunter. 1 Carabelli, na metade do século XIX, foi provavelmente aquele que primeiro descreveu um sistema de classificação anormal no relacionamento entre as arcadas dentárias superior e inferior. O termo mordida topo a topo e overbite, são na realidade derivadas do sistema de classificação de Carabelli. O termo Ortodontia (Orthodonsie) foi originado por um francês chamado Lefoulon, aproximadamente na mesma época em que o interesse por estes problemas tornavam-se comuns.

Após 1850 apareceram os primeiros tratados que descreveram a ortodontia de maneira sistemática, o mais notável destes é o de Norman Kingsley - Oral

Deformities . Kingsley influenciou significativamente a odontologia americana durante a última metade do século XIX. Apesar das suas contribuições e de seus contemporâneos, a ênfase da Ortodontia permaneceu no alinhamento dos dentes

e na correção das suas proporções faciais, prestando-se pouca atenção à oclusão dentária.

Muitos sistemas de classificação das maloclusões têm sido empregados dentro da ortodontia, alguns simples, outros bastante complexos, porém, todos buscando encontrar regras que venham definir um grupo de acordo com suas características semelhantes, além de buscar estabelecer critérios para diferenciação destes grupos entre si. Moyers, acredita que a razão para essa busca constante de um método preciso para a classificação dos casos deve-se não apenas às falhas dos sistemas de classificação já apresentados, mas também ao seu emprego incorreto.

O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO

Definição:

O sistema de classificação é definido como um grupo de casos clínicos de características similares, que facilitam seu manejo. Não é um sistema de diagnóstico, um método para determinar o prognóstico ou uma forma de definir o tratamento (Moyers, 1979).

Finalidade:

Razões tradicionais

Facilidade de Referência

Propósito de Comparação

Facilidade de Comunicação pessoal

Quando Classificar

Um dos erros mais comuns é o de tentar rotular cada caso isoladamente. Não devemos nos precipitar para categorizá-los. A classificação imediata pode prejudicar a decisão final. Devemos estudar cuidadosamente a maloclusão, descreve-la em detalhes e, então, se possível, classificá-la.

Iremos abordar neste material, as classificações que usualmente são eferenciadas na prática clínica atual.

CLASSIFICAÇÃO DE ANGLE

A publicação da Classificação de Angle (1989) foi um importante degrau no desenvolvimento da ortodontia pois

Substituiu a maioria dos tipos de classificação

Incluiu a primeira definição clara e simples de oclusão normal na dentição natural

A classificação de ANGLE é baseada na relação antero-posterior dos maxilares. Para ANGLE o primeiro molar superior permanente era fixo e estava invariavelmente na posição correta.

ANGLE, afirmava que a arcada superior sendo fixa, serviria como base para determinar se o arco inferior estava em posição antero-posterior correta, além disso, considerou que os primeiros molares superiores permanentes fariam com os primeiros molares inferiores permanentes a “Chave de Oclusão”.

Chave de Oclusão: “Ponta de cúspide mésio-vestibular do primeiro molar superior permanente oclui no sulco vestibular do primeiro molar inferior permanente”.

sulco vestibular do primeiro molar inferior permanente”. ANGLE descreveu a oclusão normal como sendo a chave

ANGLE descreveu a oclusão normal como sendo a chave de oclusão dos molares com o restante dos dentes posicionados na linha de oclusão, linha na qual os dentes devem estar em harmonia com relação à forma e função

descrevendo uma curva parabólica e variando dentro dos limites normais, de acordo com a raça e o tipo do indivíduo:

Angle agrupou as maloclusões semelhantes em 3 grupos.

CLASSE I

CLASSE II, 1ª. e 2ª. divisões e subdivisões.

CLASSE III

CLASSE I (Neutroclusão)

São englobados aqueles casos em que relação mésio-distal entre os primeiros molares permanentes está correta, ou seja, é o tipo de maloclusão em que a chave de oclusão está correta, porém os arcos estão relativamente mais curtos e reduzidos em tamanho.

Na maloclusão de classe I temos que:

A maloclusão está restrita às mal-posições dos dentes

Existe harmonia entre as arcadas

Há desarmonia entre volume dentário e volume ósseo.

 Há desarmonia entre volume dentário e volume ósseo. Maloclusão de Classe I Fonte: Classe II
 Há desarmonia entre volume dentário e volume ósseo. Maloclusão de Classe I Fonte: Classe II

Maloclusão de Classe I

Fonte:

Classe II (Distoclusão)

São aqueles casos em que a arcada inferior se encontra em relação distal com a arcada superior (distooclusão). A cúspide mésio-vestibular do primeiro molar superior oclui no espaço entre a cúspide vestibular do primeiro molar inferior e a face distal da cúspide vestibular do segundo pré-molar inferior.

da cúspide vestibular do segundo pré-molar inferior. De acordo com a posição dos incisivos a maloclusão

De acordo com a posição dos incisivos a maloclusão de Classe II é dividida

em:

Divisão 1: Uma de suas características marcantes é a protrusão dos incisivos superiores que apresentam uma inclinação Axial-labial. A forma da arcada se assemelha à um “V”.

Divisão 2: São aqueles casos de classe II em que os incisivos superiores estão com inclinação axial vertical ou lingual. O arco superior geralmente apresenta-se achatado na região anterior, devido a inclinação excessiva dos incisivos centrais superiores.

a inclinação excessiva dos incisivos centrais superiores. Maloclusão de Classe II - Divisão 1 Maloclusão de
a inclinação excessiva dos incisivos centrais superiores. Maloclusão de Classe II - Divisão 1 Maloclusão de

Maloclusão de Classe II - Divisão 1

Maloclusão de Classe II - Divisão 2
Maloclusão de Classe II - Divisão 2

Fonte:

Subdivisão: Quando os molares de um lado apresentam relações de classe I e o outro lado em relação de classe II. Recebe a denominação de subdivisões direita ou esquerda, conforme a chave de oclusão de classe II esteja do lado direito ou esquerdo respectivamente.

Classe III (Mesioclusão)

São aqueles casos em que o primeiro molar inferior encontra-se em posição mesial na relação com o primeiro molar superior. A cúspide mésio vestibular do primeiro molar superior oclui no espaço entre a cúspide distal do primeiro molar inferior e a cúspide mésio-vestibular do segundo molar inferior. Também neste caso é usada a subdivisão quando existe um lado em chave de oclusão.

a subdivisão quando existe um lado em chave de oclusão. Maloclusão de Classe III Fonte: Classe
a subdivisão quando existe um lado em chave de oclusão. Maloclusão de Classe III Fonte: Classe

Maloclusão de Classe III

Fonte:

Classe III Subdivisão: A relação mesial do molar ocorre somente de um lado.

SISTEMA DE SIMON

No sistema de Simon os arcos dentários são relacionados com três planos

antropológicos, baseados em pontos craniométricos. Os pontos utilizados:

Plano Orbital

Plano Sagital médio

Plano de Frankfurt

Fonte:

 Plano Sagital médio  Plano de Frankfurt Fonte: Relações antero-posteriores: baseadas no plano Orbital.

Relações antero-posteriores: baseadas no plano Orbital.

Protração: Quando a arcada dentária ou parte dela está loclaizada mais anteriormente do que o normal em relação ao plano orbital.

anteriormente do que o normal em relação ao plano orbital. Fonte: Protração  Retração: Quando a

Fonte:

Protração

Retração: Quando a arcada dentéria ou parte dela, está colocada mais posteriormente que o normal em relação ao plano orbital.

posteriormente que o normal em relação ao plano orbital. Fonte: Retração Relações Médio Laterais: baseadas no

Fonte:

Retração

Relações Médio Laterais: baseadas no plano sagital médio

Contração: Quando a arcada dentária ou parte dela está mais próxima do plano sagital médio do que o normal.

Distração: Quando a arcada dentária ou parte dela está posicionada mais distanciada do plano sagital médio que o normal.

mais distanciada do plano sagital médio que o normal. Desvios do plano sagital médio Fonte: Relações

Desvios do plano sagital médio

Fonte:

Relações Verticais: baseadas no plano de frankfurt

Atração: Quando a arcada dentária ou parte dela está mais próxima do plano de frankfut que o normal

Abstração: Quando a arcada dentária ou parte dela está mais distante do plano de frankfurt que o normal.

dela está mais distante do plano de frankfurt que o normal. Desvios no plano de frankfurt

Desvios no plano de frankfurt

Fonte:

CLASSIFICAÇÃO DE LISCHER

A nomeclatura de Lischer para descrever as más posições dentárias individuais é a mais usada. Envolve somente a adiçÃo do sufixo “versão” à palavra indicadora da direção para a qual o dente desvia-se da posição normal.

a) Mesioversão Mesial à posição normal

b) Distoversão Distal à posição normal

c) Linguoversão lingual a posição normal

d) Lábio ou vestíbuloversão em direção ao lábio ou bochecha

e) Infraversão aquém da linha de oclusão

f) Supraversão Além da linha de oclusão

g) Axiversão Inclinação axial incorreta

h) Giroversão ou Torsiversão Rotação sobre os seu longo eixo

i) Transversão ou Transposição Alteração da ordem normal dos dentes no arco. Os termos podem ser combinados quando o dente assume uma má posição que apresente mais de uma variação da direção normal.

o dente assume uma má posição que apresente mais de uma variação da direção normal. Fonte:
o dente assume uma má posição que apresente mais de uma variação da direção normal. Fonte:

Fonte:

O CONCEITO DE PADRÃO

o dente assume uma má posição que apresente mais de uma variação da direção normal. Fonte:
o dente assume uma má posição que apresente mais de uma variação da direção normal. Fonte:

O uso do termo padrão na ortodontia já mereceu discussão específica. Moyers e cols(1979) afirmam que o conceito de padrão tem tanta importância na compreensão do crescimento facial, que justifica a correta definição da palavra e sua quantificação, com objetivo de eliminar a confusão semântica em torno de seu uso, incluindo a ortodontia e o crescimento facial. Os autores chegam a definição própria: “Um padrão é um conjunto de regras limitantes, quantitativas ou geométricas, atuando para preservar a integração de partes sob condições variadas ou em épocas diferentes. As limitações podem apresentar qualquer uma das diversas expressões formais: Transformações coordenadas, práticas de compromisso, mecanismos cibernéticos e compensações de vários tipos. Sugerimos que os padrões morfogenéticos e de crescimento sejam considerados com a mesma conotação.

Baseado nesse contexto, Capelloza Filho(2004) estabelece um novo conceito na classiificação das maloclusões, considerando o padrão de crescimento como fator etiológico primário, ampliando a classificação das maloclusões para além da relação molar e da posição dos dentes.

Dessa forma sugere a junção dos fatores crescimento, relação sagital entre maxila e mandíbula, com objetivo de estabelecer um conceito de padrão definido geneticamente e podendo ser identificada através de normas para diagnóstico que incluem a análise facial, análise cefalométrica e análise de modelos. Nessa linha, encontram definidos: O Padrão I, II, III, Face Curta e Face Longa.

Padrão I: O Padrão I é identificado pela normalidade facial. A má oclusão, quando presente, é apenas dentária não associada a qualquer discrepância esquelética sagital ou vertical.

em conseqüência do excesso maxilar, mais raro, ou pela deficiência mandibular. Normalmente, observa-se uma maxila

em

conseqüência do excesso maxilar, mais raro, ou pela deficiência mandibular. Normalmente, observa-se uma maxila com boa expressão na face, enquanto o terço inferior está deficiente e com a linha queixo-pescoço curta. Apresenta, usualmente, um ângulo nasolabial bom, associado ao sulco mentolabial marcado pela eversão do lábio inferior.

Padrão

II:

O

Padrão

II

apresenta

convexidade

facial

aumentada,

II: O Padrão II apresenta convexidade facial aumentada, Padrão III: No Padrão III a convexidade facial

Padrão III: No Padrão III a convexidade facial apresenta-se reduzida, resultando em um perfil reto ou mais raramente côncavo devido à deficiência maxilar, ao prognatismo mandibular ou à associação de ambos. O terço médio da face tende a parecer deficiente, mesmo que esteja normal, pois o excesso mandibular desloca para anterior o tecido mole da maxila, mascarando a leitura da projeção zigomática. O terço inferior da face tende ao aumento, principalmente no prognatismo e a linha queixo-pescoço apresenta-se normal nos deficientes maxilares ou em excesso nos prognatas. O sulco mentolabial encontra-se aberto, devido à verticalização compensatória dos incisivos inferiores. As maloclusões do Padrão III são emientemente esquelético e nem sempre apresentam uma relação molar de classe III.

Padrão Face Longa: O paciente Padrão Face Longa é caracterizado pelo excesso na altura facial,

Padrão Face Longa: O paciente Padrão Face Longa é caracterizado pelo excesso na altura facial, resultando em ausência de selamento labial, excesso de exposição de dentes no repouso e de gengiva no sorriso. A convexidade facial desses pacientes está aumentada, a expressão maxilar é deficiente e a linha queixo-pescoço curta. O paciente Padrão Face longa tem deficiência na expressão sagital da maxila e da mandíbula, que apresentam direção de crescimento predominantemente vertical. Portanto, será todo o indivíduo que apresentar excesso do terço inferior da face, que torne o selamento labial ou a relação labial normal ou impossível.

labial ou a relação labial normal ou impossível. Padrão Face Curta: O paciente Padrão Face Curta

Padrão Face Curta:

O paciente Padrão Face Curta é identificado pela

deficiência nas dimensões verticais, lábios comprimidos, maxila com expressão adequada e excesso da linha queixo-pescoço, devido à rotação anti-horária da mandíbula. A convexidade do perfil está, normalmente, reduzida e o paciente apresenta pouca exposição dos incisivos superiores no repouso e no sorriso.

reduzida e o paciente apresenta pouca exposição dos incisivos superiores no repouso e no sorriso. QUADRO

QUADRO DEMOSNTRATVO:

Padrão Tipologia Facial Maloclusão

Padrão I Padrão I BRAQUI, BRAQUI, MESO, MESO, D D Ó Ó LICO LICO BRAQUI,

Padrão I

Padrão I

BRAQUI,BRAQUI, MESO,MESO, DDÓÓLICOLICO

BRAQUI,BRAQUI, MESO,MESO, DDÓÓLICOLICO

LICO BRAQUI, BRAQUI, MESO, MESO, D D Ó Ó LICO LICO CL CL I, I, CL

CLCL I,I, CLCL II,II, CLCL IIIIII

CLCL I,I, CLCL II,II, CLCL IIIIII

MESO, D D Ó Ó LICO LICO CL CL I, I, CL CL II, II, CL
CL III III CL CL I, I, CL CL II, II, CL CL III III CL

CLCL II,II, CLCL I,I, CLCL IIIIII

CLCL II,II, CLCL I,I, CLCL IIIIII

CLCL III,III, CLCL I,I, CLCL IIII

CLCL III,III, CLCL I,I, CLCL IIII

CLCL II,II, CLIII,CLIII, CLICLI

CLCL II,II, CLIII,CLIII, CLICLI

CLCL II,II, CLCL I,I, CLIIICLIII

CLCL II,II, CLCL I,I, CLIIICLIII

Padrão II

Padrão II

Padrão III Padrão III
Padrão III
Padrão III

BRAQUI,BRAQUI, MESO,MESO, DDÓÓLICOLICO

BRAQUI,BRAQUI, MESO,MESO, DDÓÓLICOLICO

BRAQUI,BRAQUI, MESO,MESO, DDÓÓLICOLICO

BRAQUI,BRAQUI, MESO,MESO, DDÓÓLICOLICO

DDÓÓLICOLICO DDÓÓLICOLICO Face Longa Face Longa DESEQUILIBRADODESEQUILIBRADO DESEQUILIBRADODESEQUILIBRADO
DDÓÓLICOLICO
DDÓÓLICOLICO
Face Longa
Face Longa
DESEQUILIBRADODESEQUILIBRADO
DESEQUILIBRADODESEQUILIBRADO
BRBRÁÁQUIQUI BRBRÁÁQUIQUI Face Curta Face Curta DESEQUILIBRADODESEQUILIBRADO DESEQUILIBRADODESEQUILIBRADO
BRBRÁÁQUIQUI
BRBRÁÁQUIQUI
Face Curta
Face Curta
DESEQUILIBRADODESEQUILIBRADO
DESEQUILIBRADODESEQUILIBRADO

OCLUSÃO NORMAL

A oclusão dental inegavelmente é o vasto capítulo da Odontologia, constituindo-se no alicerce sobre o qual se edifica a Ortodontia. Daí a necessidade de a estudarmos em todos os seus detalhes, variações e desenvolvimento. Para diagnosticarmos as maloclusões, antes de tudo, precisamos ter uma visão mais completa possível da oclusão normal, quer na dentadura decídua, quer na permanente. Contudo, é necessário entender que na odontologia, e principalmente no estudo da oclusão o conceito de normalidade admite variações. Este fato nos leva a considerar que, embora o conceito de normal seja referido “ao mais freqüente, verifica-se que o desvio, mais ou menos amplo em torno da média, caracteriza a maior parte das oclusões estudadas. Portanto, é necessário que tracemos regras definidas para o estabelecimento de uma norma individual, em todas as etapas do desenvolvimento das dentições, abordando as características peculiares inerentes ao reconhecimento dos padrões de normalidade.

DENTIÇÃO PERMANENTE e OCLUSÃO FUNCIONAL

A ortodontia está baseada no princípio da oclusão dentária normal, e tem como objetivos, ao final do tratamento, uma ótima saúde oral, estética facial agradável, boa função e estabilidade. A oclusão normal na dentição permanente foi definida por Angle, em 1907, como sendo a oclusão caracterizada pelas relações normais dos planos inclinados dos dentes, baseado na relação molar, quando os maxilares estão ocluídos. Este mesmo aspecto oclusional estático foi aceito pela maioria dos ortodontista durante anos. STRANG, em 1943, considerou a oclusão normal como um complexo estrutural constituído pelos dentes e ossos maxilares, e caracterizado por uma relação normal dos planos inclinados dos dentes, que estão individualmente e coletivamente situados em harmonia arquitetônica com seus ossos basais e com a anatomia craniana, apresentando contatos proximais e posições axiais corretas, estando associados com o crescimento, desenvolvimento, localização e correlações normais de todos os tecidos e partes envolvidos.

ANDREWS, em 1972, publicou um artigo intitulado “As seis Chaves da Oclusão Normal”, no qual descreve as características comuns encontradas no estudo de 120 casos de oclusão normal que nunca haviam se submetido a

tratamento ortodôntico. Este trabalho foi realizado porque contatou-se que os casos ortodônticos, até então, eram determinados subjetivamente, de acordo com os conceitos de cada ortodontista. As chaves da oclusão normal ficaram então determinadas pela:

I Relação Inter-arcos

II Angulação das Coroas

III Inclinação das Coroas

IV Ausência de Rotações

V Contatos Interproximais Justos

VI Curva de Spee.

Os resultados desta pesquisa passaram a ser consideradas como a meta “ideal” estática a ser obtida no final dos tratamento ortodônticos. Estes conceitos estáticos e anatômicos por um bom tempo definiram a oclusão normal. ROTH (1976), realizou um trabalho para determinar se as seis chaves da Oclusão normal determinadas por Andrews, que definem o posicionamento dentário estático “ideal”, proporcionavam também uma oclusão funcionalmente ideal de acordo com os princípios gnatológicos vigentes. Os resultados demonstraram que quando as seis chaves são obtidas com a mandíbula em relação cêntrica, proporcionam uma oclusão também funcionalmente ideal. A partir de então estavam estabelecidos os definitivamente os critérios para a oclusão “ideal” estática e dinamicamente. Os conceitos estáticos e anatômicos que por um bom tempo definiram a olcusão normal, cederam lugar a uma interpretação mais ampla e dinâmica, onde articulação temporomandibular, sistema muscular e função têm sido considerados. Uma oclusão normal significa algo mais que uma relação anatômica estática, haja vista que uma oclusão com uma aparência superficial de normalidade pode ser, de fato, anormal quando submetida a uma avaliação funcional. Nenhum fator sozinho deve ser considerado suficiente, mas todos devem ser analisados. Uma oclusão funcionalmente equilibrada, estável, saudável e estéticamente atraente pode ser considerada normal, mesmo se pequenas alterações no posicionamento dentário estiverem presentes. A oclusão ideal pode ser considerada um conceito hipotético, sendo raramente encontrada na natureza, apesar disto, o ortodontista deve ter um padrão ideal como parâmetro para avaliar uma oclusão e até como um objetivo a ser alcançado com o tratamento. A oclusão portanto não é uma relação de contatos estática, mas um sistema integrado por estruturas de suporte, articulação têmporo mandibular e um sistema neuromuscular. Um conceito prático de oclusão “funcionalideal, que reconhece a relação existente na complexidade do sistema estomatognático, além de considerar os contatos dentais durante a mastigação e deglutição deveria servir de base para o diagnóstico e tratamento de todos os problemas ortodônticos. No final da década de 70 surgiu o conceito de oclusão individual dinâmica. Este conceito se concentra na saúde e funcionamento do sistema mastigatório, e não numa configuração oclusal estática e específica.

Baseados nestas premissas, um resumo das condições oclusais funcionais pode ser estabelecido. As seguintes condições anatômicas e fisiológicas parecem ser as menos patogênicas para um grande número de pacientes por um período de tempo maior, assim, as seguintes condições parecem ser as mais desejáveis ao final do tratamento ortodôntico:

1) Côndilos situados na posição ideal ou fisiológica, com coincidência de RC e MIH, ou seja, uma posição articular ortopedicamente estável ideal. Quando a boca se fecha, os côndilos estão na posição mais ântero-superior na fossa mandibular, apoiados nas vertentes posteriores das eminências articulares com os discos propriamente interpostos. Nesta posição há contatos homogêneos e simultâneos de todos os dentes posteriores. Os dentes anteriores também contatam, porém mais levemente do que os dentes posteriores. Quando uma forte contração dos músculos elevadores (sem interferências oclusais), a estabilidade articular ortopédica é mantida. Essa posição é considerada, portanto, a mais musculoesqueletalmente estável da mandíbula. 2) Oclusão Mutuamente Protegida, onde em RC ocorrem contatos homogêneos de todos os dentes posteriores e contatos suaves nos dentes anteriores, e na protrusão, os contatos dentais são dirigidos pelos dentes anteriores, para desocluir todos os dentes posteriores imediatamente. 3) Nos movimentos de lateralidade devem haver guias de contato do lado de trabalho (laterotrusivo) para desocluir o lado de balanceio (mediotrusivo) imediatamente, e a guia mais desejável é a fornecida pelos caninos. Existem alguns fatores para a consideração da desoclusão em canino ser mais favorável:

a) O canino tem uma boa implantação radicular, capaz de tolerar maiores forças oclusais

b) A raiz do canino tem uma maior área de superfície radicular comparado aos dentes adjacentes, o que proporciona uma melhor propiocepção.

c) A forma da superfície palatal do canino superior é côncava, o que é favorável para guiar os movimentos laterais.

4) Os dentes não interfiram com os movimentos mandibulares em quaisquer direções 5) Contatos dentários promovendo carga axial das forças oclusais 6) Na posição habitual, como para comer, os contatos dos dentes posteriores são mais pesados do que os contatos nos dentes anteriores. 7) Dimensão Vertical estável.

OKESON, (2000)

Quando revisamos as evidências detectadas pela maioria dos autores, podemos concluir que uma oclusão “ideal” deve englobar:

Harmonia neuromuscular

Estabilidade Oclusal

Saúde periodontal

Estética aceitável

Boa função mastigatória

Fonação normal

Ausência de hábitos parafuncionais

Ausência de evidências patológicas nas ATMs

Loads ocluais distribuídos no eixo axial dos dentes

Guia anterior adequada

Bom balanço bilateral

Tensão muscular mínima X máxima eficiência

Minimum dental wearing

Referências Bibliográficas

Angle, EH. Classification of malocclusion. Dent Cosmos. 1899

Moyers, RE. Ortodontia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1984.

Araújo, MCM. Ortodontia para Clínicos Programa Pré Ortodôntico. São Paulo: Editora Santos; 3ª. ed, 1986.

Capelozza Filho, L. Diagnóstico em Ortodontia. Maringá: Dental Press Editora,

2004.

Ferreira, FV. Ortodontia Diagnóstico e Planejamento Clínico. São Paulo: Artes Médicas, 1996.

Okeson, JP. Tratamento das desordens temporomandibulares e oclusão. São Paulo: Artes Médicas; 4ª. ed, 2000.

Paiva, HJ. Oclusão: Noções e Conceitos Básicos. São Paulo: Editora Santos; 1ª. ed, 1997.