Sei sulla pagina 1di 130
Instituto Educacional Evangélico do Centro-Oeste INTRODUÇÃO A FILOSOFIA secretaria@uniecodf.com.br Profº: JOSIAS ALVES

Instituto Educacional Evangélico do Centro-Oeste

INTRODUÇÃO A FILOSOFIA

secretaria@uniecodf.com.br

Profº: JOSIAS ALVES DA COSTA e-mail: josiasdacostap@gmail.com

BRASÍLIA 2013

Cadeia temática das aulas

Aula do dia 23 de Abril de 2014 Tema:

Introdução a Filosofia e a Filosofia da Religião

1. O que é filosofia? Definição e conceitos

2. O que filosofia da religião? E

3. Os principais filósofos antiguidade e da pós-modernidade

4. A filosofia da religião e os pressupostos cristãos

Aula do dia 30 de Abril de 2014 Tema:

Epistemologia

1. Teorias da Verdade e Pós-modernismo

2. Racionalidade e Ceticismo

3. A Estrutura da Justificação

4. Filosofia e Mitologia

Aula do dia 07 de Maio de 2014

Tema:

Teologia filosófica e Filosofia da Religião

1. A Existência de Deus

2. O Problema do Mal e a Coerência do Teísmo

3. A Criação, A Providencia e Os Milagres.

4. Trindade, Encarnação e Particularismo Cristão.

Aula do dia 14 de Maio de 2014

Tema:

Ética: pressupostos filosóficos e teológicos.

1. Ética, Moralidade e Responsabilidades.

2. O caráter Social da Formação Moral

3.

Dilemas Éticos do Fim do Século XIX

4. Teorias Ético-normativos: Egoísmo e Utilitarismo

5. REGISTRO DE ATIVIDADES PARA COMPLEMENTO DA DISICIPLINA

Atividades a serem desenvolvidas em cumprimento da disciplina de Introdução a Filosofia:

Declaração de leitura da apostila técnica da disciplina

Resenha informativa do livro “Teoria do Conhecimento e Teoria da Ciência” Autor: Urbano Zilles, paginas 162 a 196.

Prazo de entrega: 06/06/2014

SUMÁRIO

DEFINIÇÃO DE FILOSOFIA

 

6

A

IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA

7

ÁREAS DE ATUAÇÃO:

 

7

FILOSOFIA E MITO

9

COSMOGONIA E COSMOLOGIA

 

9

MITO (GR. MYTHOS: NARRATIVA, LENDA)

10

OS PRÉ-SOCRÁTICOS

12

FILOSOFIA DA RELIGIÃO

12

FILOSOFIA

COMO

MOVIMENTO

AGREGADOR

E

CONSTITUIDOR

DA

EXPERIÊNCIA

 

15

 

FILOSOFIA COMO FORMA DE VIDA

 

15

FILOSOFIA COMO DOUTRINA SOBRE A VIDA

15

FILOSOFIA COMO SABER ACERCA DAS COISAS

 

16

O

VERBO FILOSOFAR PODE SER USADO COM TRÊS SIGNIFICADOS DISTINTOS:

16

A

METAFISICA

 

16

 

O

QUE É METAFÍSICA:

 

17

CONCEITOS

 

17

A

METAFÍSICA DE ARISTÓTELES

 

19

O

CONTEÚDO A SEGUIR É PAUTADO POR VÁRIOS CONCEITOS FORMANDO UM

PERCURSO NO

 

20

O FILÓSOFO HEGEL (SÉC. XIX), UM RACIONALISTA, DISSE QUE A REALIDADE É

 

27

HABILIDADES DE RACIOCÍNIO

32

HABILIDADES DE FORMAÇÃO DE CONCEITOS

34

EPISTEMOLOGIA

35

TEORIAS DA VERDADE E PÓS-MODERNISMO

35

RACIONALIDADE E CETICISMO

37

A

ESTRUTURA DA JUSTIFICAÇÃO

39

Aquele que está morto

40

Está Justificado do Pecado

41

Para que sejas justificado

42

O

que o contexto nos apresenta?

42

TEOLOGIA FILOSÓFICA E FILOSOFIA DA RELIGIÃO

44

CINCO VIAS QUE PROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS EM SANTO TOMÁS DE AQUINOA

47

Argumentação sobre a existência de Deus

50

O PROBLEMA DO MAL E A COERÊNCIA DO TEÍSMO

53

O

Mal Prova que Deus não Existe?

54

Considere Todas as Evidências

56

 

1. O argumento cosmológico

56

2. O argumento

56

3. O argumento

57

4. O argumento moral

57

5. O argumento

57

O

que é o mal?

58

A CRIAÇÃO, A PROVIDÊNCIA E OS

67

A

CRIAÇÃO

67

 

A

versão de quem lê

69

TEORIAS DE CRIAÇÃO DO UNIVERSO

70

 

Teoria Científica

70

Teoria Cristã de Criação do Mundo

72

Teoria Egípcia

72

Teoria Grega da Criação

73

A

PROVIDENCIA

73

Deus preserva todas as coisas

74

Deus age em todas as coisas

76

 

O

“Concursus” e os Atos Bons 3

77

O

“Concursus e os Atos Maus”

78

Deus governa todas as coisas

81

OS MILAGRES

83

TRINDADE, ENCARNAÇÃO E PARTICULARISMO

84

A TRINDADE

84

 

Analisando

algumas objeções

85

A Trindade no Antigo Testamento

86

A Trindade no Novo Testamento

88

Jesus Cristo

89

Avaliação bíblica

89

Jesus não é o Arcanjo Miguel

91

Jesus não é "um deus"

91

Esclarecendo termos mal interpretados

91

Esclarecendo textos mal interpretados

94

Textos e termos mal aplicados ao Espírito Santo

99

Refutação:

99

Refutação:

100

Argumentos mal aplicados para se batizar somente em nome de Jesus

101

A ENCARNAÇÃO

102

PARTICULARISMO CRISTÃO

109

DEFINICIÓN

109

CONCEPTOS E IDEAS CLAVE

110

ÉTICA: PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS E

113

DEFINIÇÃO

113

CÓDIGOS DE ÉTICA

113

A

ÉTICA EM AMBIENTES ESPECÍFICOS

113

 

ANTIÉTICA

114

O

QUE É ÉTICA NA FILOSOFIA:

114

 

115

 

Responsabilidade social

116

Responsabilidade civil

116

O

CARÁTER SOCIAL DA FORMAÇÃO MORAL

116

Carácter pessoal da moral

117

Dilemas Éticos do Fim do Século XIX

118

Teorias Ético-normativos: Egoísmo e Utilitarismo

125

O

que é Egoísmo:

125

O

que é Egocentrismo:

126

Piaget e o egocentrismo

127

Conceito de utilitarismo

127

REFERENCIAS

129

INTRODUÇÃO A FILOSOFIA E A FILOSOFIA DA RELIGIÃO

DEFINIÇÃO DE FILOSOFIA

É difícil dar-se uma definição genérica de filosofia, já que esta varia não só quanto a cada filósofo ou corrente filosófica, mas também em relação histórica. Atribui-se a Pitágoras a distinção entre o saber e a “filosofia”, que seria a "amizade ao saber", a busca do saber. Com isso se estabeleceu, já desde sua origem, uma diferença de natureza entre a ciência, enquanto saber específico, conhecimento sobre um domínio do real, e a filosofia que teria um caráter mais geral, mais abstrato, mais reflexivo, no sentido da busca dos princípios que tornam possível o próprio saber. No entanto, no desenvolvimento da tradição filosófica "filosofia" foi frequentemente usado para designar a totalidade do saber, a ciência em geral, sendo a metafísica a ciência dos primeiros princípios, estabelecendo os fundamentos dos demais saberes.

O período medieval foi marcado pelas sucessivas tentativas de

conciliação entre razão e fé, entre a filosofia e os dogmas da religião revelada,

passando a filosofia a ser considerada “theologiae”, a serva da teologia, na medida em que fornecia as bases racionais e argumentativas para a

construção um sistema teológico, sem, contudo, poder questionar a própria fé.

O pensamento moderno recupera o sentido da filosofia como

investigação dos primeiros princípios, tendo, portanto, um papel de fundamento da ciência e de justificação da ação humana. A mente a partir do Iluminismo, vai atribuir à filosofia exatamente esse papel de investigação de pressupostos, de consciência de limites, de crítica da ciência e da cultura. Pode-se supor que

essa concepção, mais contemporânea tem raízes no ceticismo, que, ao duvidar da possibilidade da ciência e do conhecimento, atribuiu à filosofia um papel quase que exclusivamente questionados.

Na filosofia contemporânea, encontramos assim, ainda que em

diferentes correntes e perspectivas, como investigação crítica, situando nível

essencialmente distinto do da ciência, embora intimamente relacionado a esta,

já que descobertas científicas muitas vezes suscitam questões e reflexões

filosóficas e frequentemente problematizam teorias científicas. Essa relação

reflexiva entre a filosofia e os outros campos do saber fica clara, sobretudo, nas

chamadas "filosofia de": filosofia da ciência, filosofia da arte, filosofia da

história, filosofia da educação, matemática, filosofia do direito etc.

A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA

A Filosofia surge com a necessidade humana de compreender o

mundo e buscar um sentido para sua existência. È um conjunto de concepções

a

respeito do homem e do seu papel no universo; as atitudes reflexivas, críticas

e

especulativas em busca da verdade ou de certezas que possam orientar a

ação humana. O filósofo tem como objeto de estudo a essência do ser. Ele

estuda as possibilidades e os limites do conhecimento, a origem e a finalidade

das coisas, a natureza de Deus, o sentido da vida. É um profissional que tem

no ato de pensar sua principal ferramenta.

Seu pensamento é transmitido pela linguagem escrita e oral. Por este

motivo dever apaixonado pela leitura, desenvolver raciocínio abstrato e

prezando a oratória e a habilidade e clareza vocabular. A característica

principal do filósofo e a curiosidade, a inquietação e a paixão pela sabedoria.

Isto projeta-o na busca de uma explicação para os fatos e fenômenos que

ocorrem a sua volta e faz avizinhar-se das pesquisas e produções científicas

dos diversos campos de saber. O campo de atuação é vasto, mas pouco

reconhecido.

ÁREAS DE ATUAÇÃO:

Pesquisa (investiga todos os campos do conhecimento, refletindo sobre

os valores que definem o comportamento humano); magistério (em escolas e

universidades): crítica (faz comentários a

ou

obras

artísticas,

literárias

científicas; escreve livros e artigos); gerenciamento editorial (seleciona títulos e participa da edição de obras); consultoria (presta assessoria a empresas no que se refere à ética, política, linguagem, educação, religião; participa de palestras, seminários e conferências).

FILOSOFIA E MITO

A filosofia ocidental teve seu início na Grécia antiga. A palavra

"filosofia" filosofia palavra de origem grega. Philo vem de philia a ver com

companheirismo, amor fraterno, amizade. Sophia vem de sophos, que quer

dizer sábio. Assim, em geral, quando se parte da etimologia da palavra, temos

que "filosofia" é o amor ao saber, a amizade profunda à sabedoria; e o filósofo,

então, é aquele que tem um apreço especial pela sabedoria.

A filosofia, nesta perspectiva grega, é uma atividade que visa levar ao

saber. E sua história, para a maioria dos manuais, tem como primeiro

adversário o mito, que, aos olhos do filósofo, não estaria preocupado em levar

ao saber, ao conhecimento, tomando aqui a palavra conhecimento como saber

verdadeiro, não contraditório, que não busca causas em relações

sobrenaturais, mas em relações naturais.

A palavra mito também tem uma origem grega, ela vem de mythos. Há

dois verbos que confluem para mytheo, que tem a ver com a conversa

designação, e mytheyo, que tem a ver com a narração, com o contar algo para

outro. O mito narra algo que é inquestionável para quem está inserido fielmente

na atividade de ouvi-lo. Ele tem a função de dizer algo que tal pessoa acredita

sem pensar muito de modo a colocá-lo em dúvida. Seu papel é de informar e

dar sentido à existência de quem crê nele, mas, principalmente, o de socializar

as pessoas e criar uma comunidade que forma o "nós", os que se organizam

socialmente da mesma forma exatamente porque, entre o que possui de

comum, o mito é não só alguma coisa forte, mas é exatamente a narrativa

(única) que diz o que é comum para este "nós".

COSMOGONIA E COSMOLOGIA

As cosmogonias são de certa forma, narrativas sobre as origens do

mundo. Em geral elas estão presentes nos mitos, isto quando não são a sua

essência. Falam de união sexual entre deuses, que geram o mundo, ou união

sexual entre deuses e humanos, que em geral criam situações complexas e dão o enredo a uma história que explica divisões, guerras, ciúmes, paixões e disputas sobre a justiça, etc. As cosmologias já estão mais para o campo do pensamento filosófico do que para o pensamento mitológico. Para vários autores da história da

filosofia, elas são a origem do pensamento filosófico, e outros, mais propensos

a verem continuidade do que rupturas na história do pensamento tendem a ver

as cosmologias como o início do pensamento científico. As cosmologias são teorias a respeito da natureza do mundo. As cosmogonias são genealogias. Diferentemente, as cosmologias são conhecimento a respeito de elementos primordiais, mas naturais. O

pensamento cosmológico remete à phýsis, a palavra grega que tem a ver com

o que é eterno e de onde tudo surge, nasce, brota. Trata-se de um elemento gera todos os outros elementos naturais, que são perecíveis.

MITO (GR. MYTHOS: NARRATIVA, LENDA)

1. Narrativa lendária, pertencente à tradição cultural de um povo, que explica através do apelo ao sobrenatural, ao divino e ao misterioso, a origem do universo, o funcionamento da natureza e a origem e os valores básicos do próprio povo. Ex.: o mito de Ísis e Osíris, o mito de Prometeu etc. O surgimento do pensamento filosófico científico na Grécia antiga (séc.Vl a.C.) é visto como uma ruptura com o pensamento mítico, já que a realidade passa a ser explicada a partir da consideração da natureza pela própria, a qual pode ser conhecida racionalmente pelo homem, podendo essa explicação ser objeto de crítica e reformulação; daí a oposição tradicional entre mito e logos 2. Por extensão, crença não-justificada, comumente aceita e que, no entanto, pode e deve ser questionada do ponto de vista filosófico. Ex.: o mito da neutralidade científica, o mito do bom selvagem, o mito da superioridade da raça branca etc. A critica ao mito, nesse sentido_ produziria uma desmistificação dessas crenças.

3. Discurso alegórico que visa transmitir uma doutrina através de uma representação simbólica. Ex.: o mito ou alegoria da caverna e o mito do Sol, na República de Platão.

OS PRÉ-SOCRÁTICOS

Os pensadores pré-socráticos viveram no "mundo grego", mas nem todos antes de Sócrates. Alguns sim, outros não. Eles viveram entre o século sete e o meio do século quarto A.C. Sócrates nasceu em 470 e morreu em 399 A.C. (todas as datas, antes de Cristo, são, na sua maioria, estimativas). Uma boa parte desses pensadores foram, antes de tudo, cosmólogos. E vários deles trabalharam em um sentido reducionista, isto é, tentaram encontrar uma substância única, ou força exclusiva, ou princípio básico capaz de ser apresentado como o elemento efetivamente real e primordial do cosmos. A filosofia dos Pré-socráticos (Filósofos da Natureza) voltava o seu pensamento para a origem (racional) do mundo, do cosmos. Ou seja, estes filósofos dedicavam-se às investigações cosmológicas, buscando a arché (o princípio fundamental de todas as coisas). De seus escritos quase tudo se perdeu, restando apenas poucos fragmentos a respeito da Cosmologia: estudo, teoria ou descrição dos cosmos, do universo.

FILOSOFIA DA RELIGIÃO

Dentro das divisões que existem na filosofia, existe a Filosofia da Religião, que tem por objetivo estudar a dimensão espiritual que o homem possui desde uma perspectiva filosófica, que é adquirida através dos estudos, indagando e pesquisando sobre toda a essência que o fenômeno religioso exerce sobre o homem, colocando sempre em pauta a pergunta que todos fundamentalmente apreciam ”O que é, afinal, a religião?”. Quem estuda a filosofia da religião, geralmente usa o método histórico- crítico, que compara as várias religiões no tempo e no espaço, buscando seus aspectos comuns e suas diferenças, verificando sempre como é constituída a essência do fenômeno religioso; o comparativo faz estudo comparando as línguas, querendo encontrar palavras que são utilizadas para que descreva e

expresse o sagrado e suas raízes comuns; o filosófico e o antropológico

procuram reconstruírem o passado religioso tirando como base a etnologia. Para que consiga obter uma soma de elementos favoráveis para alcançar uma conclusão correta do que é a essência da religião e de suas características universais, sendo assim a Filosofia da Religião deverá realizar uma adequada conjugação desses métodos. Entre as pessoas a Filosofia da Religião não é bem uma prioridade, podendo citar que nos tempos atuais o que predomina com grande vultuosidade é a consciência ditada pelo saber científico, pela técnica e pela crítica iluminista, ignorando uma postura consideravelmente de pensamentos religiosos, no entanto, nas últimas décadas a teologia minou em quase todas as teologias, que para o cristão a única coisa que restou foi o recurso que podem possuir através da bíblia. Os que contestam os pensamentos religiosos, bem como o próprio ateísmo, somente compreendem-se dentro do paradigma monoteísta, apesar de não poder ignorar uma ruptura evidente com a tradição metafísica e teológica. A filosofia moderna com a devida consciência foi distanciada da teologia, na qual ficou para trás assuntos que transcenderiam a arte e a literatura, assim sendo, não havendo referência positiva ou até mesmo as críticas para a tradição religiosa, não seria somente o problema que envolveria

a Deus se tornaria impensável e incompreensível, mas a própria racionalidade

ocidental. Todos possuem dentro de si muitas indagações referentes à religião num todo, e quando se inicia um estudo em relação entre religião e razão, sempre se coloca à frente a fé religiosa que busca as explicações, mas quando adentramos em suas análises, pode verificar que a mesma não é objeto de

explicação. É certo que dentro de uma racionalidade, ela situa-se totalmente capaz em esclarecer, ela procura dar sentido para a vida, sempre na medida em que

a interpretamos, no entanto, a racionalidade torna-se uma condição necessária,

mas jamais suficiente ao vigor de uma fé religiosa. Essa fé religiosa que todos

buscam não depende única e exclusivamente de uma prova ou de uma

justificativa filosófica, a linguagem religiosa sempre foi e será através de símbolos e estes não se desfazem através de um sistema filosófico.

FILOSOFIA COMO MOVIMENTO AGREGADOR E CONSTITUIDOR DA EXPERIÊNCIA HUMANA.

FILOSOFIA COMO FORMA DE VIDA

O termo filosofia pode designar, antes de tudo, uma “forma de vida”: é a filosofia entendida como vida filosófica, como viver filosoficamente; assim entendiam a filosofia, por exemplo, os filósofos cínicos e cirenaicos e, em muitos aspectos, os próprios filósofos estóicos. Esta acepção do termo filosofia ainda ressoa na nossa linguagem quando dizemos que alguém “conduz a sua vida com muita filosofia”; esta mesma acepção do termo filosofia é recolhida nas acepções 3 e 4 do termo “filósofo” no Dicionário AURÉLIO:

Filósofo é “aquele que procede sempre com sabedoria e reflexão, que segue uma filosofia de vida”. Filósofo é “aquele que vive tranqüilo e indiferente aos preconceitos e convenções sociais”.

FILOSOFIA COMO DOUTRINA SOBRE A VIDA

O termo filosofia pode designar também uma “doutrina sobre a vida”: é

a filosofia entendida, sobretudo, como resposta ao problema do sentido da vida

e da existência humana. É aquilo que no fim do século XIX e começo do século XX chamou-se de “filosofia da vida” (Lebensphilosophie); o mesmo DILTHEY não é alheio a esta ideia da filosofia.

FILOSOFIA COMO SABER ACERCA DAS COISAS

O termo filosofia poder designar, finalmente, um “saber acerca das coisas”: é a filosofia entendida como conhecimento intelectivo (no sentido mais amplo desses termos) acerca das coisas (abrangendo entre as coisas o homem e a sua vida). Esta terceira acepção do termo filosofia é a que nos interessa especialmente, ainda que não unicamente; a ela aponta sobretudo, como temos dito, o termo filosofia na sua origem: a filosofia entendida como saber que busca a dimensão última e radical da vida e das coisas. Pois bem, para poder dar uma definição mais estrita do que é a filosofia enquanto saber que busca a dimensão última e radical da vida e das coisas, é necessário, antes de tudo, que digamos em que consiste essa “dimensão última e radical das coisas” (incluindo nelas a vida mesma) que busca esse saber, essa sabedoria, que chamamos de “filosofia”.

O VERBO FILOSOFAR PODE SER USADO COM TRÊS SIGNIFICADOS DISTINTOS:

• Como simples sinônimo de “pensar”. Às vezes, os acontecimentos da

vida nos fazem “filosofar.”

• Como sinônimo de “saber viver” virtuosamente. Aqui filosofar é viver com

sabedoria.

• Como o ‘filosofar propriamente dito”, que teve início da Grécia, em torno

dos séculos VI e V a.C. Por essa época começou-se a pensar a natureza, o ser humano , o conhecimento, os mitos, as verdades, a cultura e toda a forma de viver passa a ser questionada.

A METAFISICA

O QUE É METAFÍSICA:

Metafísica É um ramo da filosofia que estuda a essência do mundo. Se

ocupa em procurar responder perguntas tais como: O que é real? O que é

natural? O que é sobrenatural? O ramo central da metafísica é a ontologia, que

investiga em quais categorias as coisas estão no mundo e quais as relações

dessas coisas entre si. A metafísica também tenta esclarecer as noções de

como as pessoas entendem o mundo, incluindo a existência e a natureza do

relacionamento entre objetos e suas propriedades, espaço, tempo,

causalidade, e possibilidade. (http://dicionarioinformal.com.br/metaf)

CONCEITOS

Metafísica é uma palavra com origem no grego e que significa "o que

está para além da física". É uma doutrina que busca o conhecimento da

essência das coisas. Estudos que vão além da natureza, além do físico, além

daquilo que se possa ver ou tocar.

O termo metafísica foi consagrado por Andrônico de Rodes a partir da

ordenação dos livros aristotélicos referidos à ciência dos primeiros princípios e

primeiras causas do ser.

Para Aristóteles a metafísica é, simultaneamente, ontologia, filosofia e

teologia, na medida em que se ocupa do ser supremo dentro da hierarquia dos

seres. Neste sentido, foi recolhida pela filosofia tradicional até Kant, que se

interrogou sobre a possibilidade da metafísica como ciência.

A interpretação da metafísica como estudo do "sobrenatural" é de

origem neoplatônica. A tradição escolástica identificou o objeto de estudo da

metafísica com o da teologia, ainda que tenha distinguido as duas pelos

métodos usados: para explicar Deus, a metafísica recorre à razão e a teologia

à revelação.

Na Idade Moderna, ocorre uma clara separação entre a concepção

aristotélica e a neoplatônica: a metafísica como ontologia se converte em teoria

das categorias, teoria do conhecimento e teoria da ciência (epistemologia);

como ciência do transcendental, se converte em teoria da religião e das concepções do mundo. No século XVIII a metafísica era considerada equivalente a uma

explicação racional da realidade e no século XIX à pura especulação perante o caráter positivo das ciências. A partir de Heidegger e Jaspers, os pensadores interessados na problemática do ser se esforçaram por elaborar uma noção de metafísica factível e atual.

A obra A Fundamentação da Metafísica dos Costumes, da autoria de

Kant (um importante nome no estudo da metafísica) aborda a problemática da

moralidade humana.

A palavra metafísica possui origem grega e significa: meta: depois de,

além de e física/physis: natureza ou físico, e trata-se de um ramo da filosofia que se ocupa em estudar a essência do mundo. Pode ser definida como o estudo do ser ou da realidade, e se destina a buscar respostas para perguntas complexas como: O que é realidade? O que é a vida? O que é natural? O que é sobre-natural? O que nos faz essencialmente humanos? William James conceituou metafísica como sendo "apenas um esforço extraordinariamente obstinado para pensar com clareza". Trata-se de uma visão simplista e equivocada de pessoas que só conseguem perceber a vida

por meio de dimensões práticas. Os homens em geral sentem-se mais à vontade quando pensam sobre como fazer uma coisa ou outra, do que pensar no motivo pelo qual estão fazendo. É por isso que a política, a engenharia e a indústria são consideradas mais naturais pelos homens do que a filosofia, por exemplos. A metafísica não está interessada, de maneira nenhuma, por esse "comos" da vida humanas, mas sim pelos "porquês", por aquelas questões que uma pessoa pode passar a vida inteira para formular, sem muitas vezes encontrar uma resposta satisfatória. Para se formular um pensamento metafísico é preciso pensar, sem estar baseado em dogmas ou de forma superficial, nos básicos e intrigantes problemas da existência dos homens. São problemas básicos por serem fundamentais para a vida humana e porque muitos aspectos da vida dependem deles. Tomemos como exemplo a religião, ,ela não é metafísica, porém quando

nos questionamos sobre o motivo das crenças e das práticas religiosas e sua influencia no viver diário, passamos a pensar metafisicamente. Sob o título de “a Metafísica” Aristóteles escreveu uma de suas principais obras e o primeiro grande trabalho com relação ao que vem a ser metafísica. O objeto de estudo dessa obra não é ser algum, mas o estudo do ser enquanto ser. (Gabriela E. Possolli Vesce)

A METAFÍSICA DE ARISTÓTELES

No conjunto de obras denominado Metafísico, Aristóteles buscou investigar o “ser enquanto ser”. Significa que buscou compreender o que tornava as coisas o que elas são. Nesse sentido, as características das coisas apenas nos mostram como as coisas estão, mas não definem ou determinam o que elas são. É preciso investigar as condições que fazem as coisas existirem, aquilo que determina “o que” elas são e aquilo que determina “como” são. Em sua metafísica, Aristóteles fala acerca dos primeiros princípios. Os primeiros princípios dizem respeito aos princípios lógicos, a saber: o princípio de identidade, da não contradição e do terceiro excluído. O princípio de identidade é auto evidente e determina que uma proposição é sempre igual a ela. Disto pode-se afirmar que A=A. O princípio da não contradição afirma que uma proposição não pode, ao mesmo tempo, ser falsa e verdadeira. Não se pode propor que um triângulo possui e não possui três lados, por exemplo. O princípio do terceiro excluído afirma que ou uma proposição é verdadeira ou é falsa, e não há uma terceira opção viável. Tais princípios, deste modo, garantem as condições que asseguram a realidade das coisas. Além dos princípios, de acordo com Aristóteles, existem quatro causas fundamentais que também são condições necessárias para que as coisas existam. As causas são: material, formal, eficiente e final. A causa material é a matéria da qual é feita a essência das coisas. A causa formal diz respeito à forma da essência. A causa eficiente é aquela que explica como a matéria

recebeu determinada forma. A causa final é aquela que determina a finalidade das coisas existirem e serem como são. Para compreender a conceituação das causas, pode-se pensar numa pedra que rola a montanha. A causa material é o minério da pedra, a causa formal é a inclinação da montanha, a causa eficiente é o empurrão feito na pedra e a causa final é a vontade da pedra de atingir o nível mais baixo. Assim, os primeiros princípios e as quatro causas são as condições básicas para que as coisas existam e possam ser conhecidas. Disto, Aristóteles investiga sobre “o que” as coisas são. Nesse ponto, visa superar a ideia de seus antecessores, principalmente Platão, que afirmava que a essência das coisas está num mundo inteligível. Para Aristóteles, a essência das coisas está nas próprias coisas e não separada num mundo das formas e ideias perfeitas, isto é, a essência está na substância. A substância, para ele, é a fusão da matéria com a forma. Uma escultura de madeira, por exemplo, é a fusão da madeira (matéria) com o projeto do artesão (forma). A partir dessa concepção, era ainda necessário que Aristóteles desse conta do problema do movimento, pois a substância possui a matéria que está em constante movimento (transformação) e a forma (que é imóvel). Para superar tal problema, ele usa a ideia de potência e ato. As substâncias possuem potencial para aquilo que ocorre com elas. Pode-se dizer que a gasolina, por exemplo, é inflamável. Significa afirmar que ela possui potencial para pegar fogo, porém é preciso pelo menos uma faísca para que a potência se torne realidade, ato. Com isto, a metafísica de Aristóteles visa mostrar que o Estar em movimento possui mais importância do que o Ser imóvel de Platão. (Filipe Rangel Celeti)

O CONTEÚDO A SEGUIR É PAUTADO POR VÁRIOS CONCEITOS FORMANDO UM PERCURSO NO CONTEÚDO.

Origem existencial da Filosofia - É importante saber o que são os conceitos 'mitologia' e 'filosofia' assim como mostrar o que os diferenciam. Neste item aparece o conceito 'logos'. O conceito 'existencial' refere-se à natureza, a existência das coisas do mundo e não ao existencialismo contemporâneo relacionado ao sofrimento e emoções humanas. Aparecem também os conceitos 'narrativa' e 'causa', 'transcendente' e 'imanente'. Origem histórica da Filosofia - Deste item, os conceito mais importantes são 'democracia', 'política', 'linguagem alfabética'. Noções de Lógica - Os conceitos são bem demarcados: 'inferência', 'verdade', 'validade', 'raciocínio dedutivo' e 'raciocínio indutivo'. Concepção de ser humano na Antigüidade - Qual a relação entre os conceitos 'alma' e 'razão'; e a relação entre 'corpo' e 'desejo'. Lembrar que, de acordo com Aristóteles, o homem é um ser racional e não um ser de desejo. E que por ser racional, o homem é um ser político, pois é capaz de decidir sobre as coisas da pólis com racionalidade. O homem como ser político na Antigüidade - O que significa 'político' para Platão e Aristóteles? Lembrar que, para Platão, o conceito 'política' está vinculado ao conceito 'idéia' e a ética 'virtude ciência' e para Aristóteles, está vinculado à ação que possibilita chegar no 'justo meio'. Ética e política na Antigüidade - Qual o significado dos conceitos 'prazer ' e 'virtude' e o que eles têm a ver com Sócrates e os sofistas. Ainda

neste item: o que significa 'verdade' e 'opinião'; e também 'universal' e 'relativo',

e 'subjetivo' e 'objetivo'. Conhecimento sensível e conhecimento inteligível - Lembrar que estes conceitos, 'sensível' e 'inteligível', estão relacionados ao Tema do Conhecimento na Antigüidade. Eles não estão relacionados nem com a concepção de ser humano nem com a ética ou a política. Lembrar que apesar de sensível lembrar o termo empirismo e inteligível lembrar o termo racionalismo, estes tipos de conhecimento não são considerados concepções filosóficas. Na Antiguidade ainda no Tema do Conhecimento - O que é 'ceticismo'

e o que é 'dogmatismo'. Lembrar que os céticos advogavam a impossibilidade

do conhecimento e os dogmáticos a possibilidade do conhecimento absoluto na

forma de dogmas ou axiomas. Renascimento - O que é homem para os humanistas renascentistas? A questão 02 do vestibular UFMG/2006 foi sobre este tópico. A probabilidade de cair novamente é muito pequena, mas não impossível. Para ver a questão clique aqui. Maquiavel e problema do poder - Neste item, você terá que saber o que é 'república', por que para Maquiavel a 'política' está desvinculada da 'ética cristã'. Qual a relação entre o 'poder' e aristocracia e a 'liberdade' e o povo (súditos). Por que não se devem desprezar os conflitos quando se trata de formar uma república. O homem senhor da natureza - Conceitos: 'razão', 'leis da natureza', 'penso, logo existo', 'dúvida hiperbólica', 'princípio fundamental'. Dever e liberdade em Kant - Conceitos importantes: 'dever' e 'imperativo categórico', 'ética racional', 'liberdade' e 'autonomia'. Revolução científica sec. XVII - O que é ' revolução'? 'Fenômeno' e 'causa' do fenômeno. Racionalismo e empirismo - O conceito 'racionalismo' relacionado a Descartes e o conceito 'empirismo' relacionado a Hume.

A questão da subjetividade - Relacionada ao Tema do Conhecimento,

a 'subjetividade' tem a ver com 'solipsismo epistemológico' de Descartes, ao

'Penso, logo existo.'

A existência na contemporaneidade - A 'existência' é um conceito que

está relacionado ao 'existencialismo' de Kierkeggard a Sartre. O homem como objeto da Ciência - O homem como objeto de experiências; o sagrado é invadido internamente e externamente, o homem como força de trabalho agregado ao capital; o homem como objeto de

experiências.

A crítica à consciência: Marx, Nietzsche e Freud - Eles são chamados

de 'mestres da suspeita' pois eles foram os primeiros filósofos a suspeitarem da

'razão iluminista'. Perceberam os limites e os defeitos da racionalidade humana.

Totalitarismo e democracia - 'Totalitarismo' não é 'ditadura' e nem

'tirania'; 'democracia' está relacionada às diferentes opiniões e a liberdade em expressá-las. Democracia emana do povo, totalitarismo é o reino do 'terror' e à 'banalização da violência'. Positivismo - 'Ciência como religião' em Comte. Crítica ao positivismo - Conceitos: 'falsificacionismo' de Popper, 'paradigmas' de Kuhn.

A crise da razão - O primeiro sinal visível a todos desta crise foi o

afundamento do Titanic, posteriormente a Primeira e Segunda Guerra Mundial, o Holocausto e finalmente as bombas atômicas no Japão. E para completar esta crise, vimos os atentados terroristas aos EUA e a Guerra do Iraque. Estas foram demonstrações da incapacidade da razão humana para resolver problemas humanos. Mas, atenção: a crise da razão é um tema que no Conteúdo Programático que esta em o tema do conhecimento na contemporaneidade e não na ética ou na política. Razão "A razão pode lutar corpo a corpo com os terrores, e derrubá- los." Eurípedes Os conflitos que mais chamam a atenção nas notícias tendem ou a ser de natureza política e militar, ou a envolver a luta entre as pessoas e o ambiente natural quando, nas inundações, nas secas e nas pragas, este se

torna hostil. Mas subjacente a estes, e deles distinta uma vez que se trata de uma luta cujas proporções são as da própria história, encontra-se outra luta, uma luta profunda e muito importante porque dá forma aos destinos humanos de longo prazo. Trata-se da luta das ideias, exprimindo-se em termos de ideologias, política e enquadramentos conceituais que determinam convicções e morais.

A nossa compreensão da situação humana e as escolhas que fazemos

na gestão das indisciplinadas e difíceis complexidades da existência social assentam em ideias geralmente, ideias sistematizadas em teorias. São as idéias que, em última instância, arrastam as pessoas para a paz ou a guerra, que dão forma aos sistemas em que vivem e que determinam o modo como os escassos recursos mundiais são partilhados. As ideias têm importância e, por

conseguinte, também a tem a questão da razão, através da qual as idéias vivem ou morrem. Vista a certa luz, a razão é o armamento das ideias, a arma empregue nos conflitos travados entre pontos de vista. Isto indica que, num certo sentido, a razão é um absoluto que, corretamente utilizado, pode pôr termo a disputas e guiar-nos até à verdade. Mas a razão, entendida desta forma, tem sempre inimigos. Um deles é a religião, que afirma que a revelação, vinda de além- mundo, veicula verdades que não podem ser descobertas pela investigação humana, situada no seu seio. Outro desses inimigos é o relativismo, a opinião de que as diferentes verdades, as diferentes opiniões, as diferentes formas de pensar são todas igualmente válidas, não existindo um ponto de vista com autoridade, do qual elas possam ser avaliadas. Os grandes debates ocorridos entre ciência e religião constituem expressões clássicas deste conflito subjacente que existe entre concepções concorrentes acerca do lugar e natureza da razão. A maior parte da ciência e da filosofia encontra-se do lado que afirma que a razão, apesar das suas imperfeições e falibilidades, fornece uma norma à qual os pontos de vista concorrentes têm de se submeter para apreciação. Os defensores da razão são, assim, hostis às opiniões "pós- modernistas" agora em voga, que afirmam a existência de autoridades mais poderosas do que a razão, como a raça, a tradição, a natureza ou as entidades sobrenaturais. Pensava-se, outrora, que as características e valores humanos permaneciam inalterados, mas a engenharia social e as outras formas de engenharia tornaram-nos variáveis manipuláveis e, em resultado disso, perdemos as premissas com base nas quais raciocinávamos acerca dos fins e dos meios. O poder da tecnologia oferece-nos múltiplas escolhas e, desta forma, usurpa os pontos de partida fixos do passado; assim, andamos à deriva, indecisos quanto a valores e objetivos. Nestas circunstâncias, as vozes das sereias fazem-se ouvir mais alto: acreditemos em deuses, dizem elas, ou poções, ou configurações planetárias, como forma de nos orientarmos. Ou, na linguagem pós-modernista: reconheçamos que só há "discursos", cada um tão

válido como o anterior. Poderá ser verdade que a experiência humana é agora

mais fragmentada e assediada por ironias do que outrora foi, e que isso debilita

a confiança. Mas, ainda assim, dizem os defensores da razão, a razão continua

a ser, de longe, o melhor guia na procura do conhecimento, e portanto, apesar dos seus defeitos e limitações, não nos devemos distanciar dela.

Há muitas pessoas que rejeitam completamente esta opinião. A civilização ocidental está em crise, dizem, precisamente porque acreditamos na razão. Vivemos na escravidão de um ideal utópico de sociedade racional, sugerido em primeiro lugar pelos pensadores iluministas, no século XVIII; mas

o resultado, contrário às esperanças de pessoas como Voltaire, não libertou a

humanidade; antes a escravizou num corporativismo burocrático que cambaleia incontido por um desígnio moral, de desastre em desastre. O argumento anti-racionalista diz mais ou menos o seguinte: Os filósofos iluministas procuraram resgatar as pessoas da arbitrariedade do poder real ou clerical, substituindo-o pelo governo da razão. Mas o seu sonho ruiu devido às limitações da própria razão. O que aconteceu foi apenas um aumento da influência das elites técnicas. O mundo, em suma, tornou-se um feudo dos gestores. Os detentores do capital não controlam o capital, os eleitores não controlam a política tudo é governado por gestores que, e só

eles, sabem como manipular as complexidades estruturais da sociedade. E os objetivos dos gestores lucro, vitórias eleitorais não obedecem à moral. Este corporativismo tecnocrata aplicava-se tanto ao antigo Bloco de Leste como se aplica ao Ocidente. Na verdade, dizem tais críticos, a distinção Leste-Oeste, como a distinção entre Esquerda e Direita, não é sequer uma distinção verdadeira, mas uma ficção da estratégia gestora através da qual a Era da Razão se sustenta a si mesma. Basta elaborar uma lista dos problemas da civilização contemporânea para que qualquer pessoa consiga apresentar argumentos reveladores. Os críticos da razão fazem-no bastante eloquentemente. Os políticos, lembram-nos eles, conseguem safar-se dizendo disparates literais porque o que conta é a forma, e não o conteúdo, do que dizem. Os governos prosseguem com despudor no poder, apesar dos seus insucessos, porque

deixou de vigorar o conceito de responsabilidade. A televisão, a publicidade e o culto de heróis artificiais, como é o caso das estrelas de telenovelas, cegam as pessoas para a situação difícil que o mundo vive. Estes fenômenos, assim como muitos outros, constituem sintomas de grande mal-estar. Piores ainda são exemplos como o comércio de armas, incentivado por governos que proferem declarações pias sobre paz e liberdade, mas que subvertem ambas ao participarem naquilo que não é senão contrabando legal de armas. E isto é apenas uma parte da história, na qual prospera a autoridade militar estabelecida ébria de obsessões com a gestão e a tecnologia e muitos locais do mundo se encontram perpetuamente envolvidos em guerras. Embora este compêndio de problemas não contenha novidades, falar deles serve para nos manter alerta. Contudo, a culpa dos problemas mundiais não pode ser atribuída a um conceito e muito menos ao conceito de razão, preferido do Iluminismo , mas a pessoas. A razão é meramente um instrumento que, corretamente utilizado, ajuda as pessoas a fazer inferências a partir de determinadas premissas, sem inconsistências. O importante é escolher premissas sólidas e essa é uma responsabilidade exclusivamente humana. Atribuir culpa à "razão" é tão desprovido de sentido como atribuir culpa à "memória" ou à "percepção". Foi o racismo dos nazis, e não a lógica que eles aplicaram na expressão real do seu ódio, que causou o Holocausto. Pretendem os críticos afirmar que o uso da razão é mau, sem quaisquer reservas? Imagino-os a utilizar os seus processadores de texto, a atender o telefone, a tomar antibióticos para a garganta inflamada, a acionar interruptores para conseguir calor e luz, ao cair da noite fria. Estes produtos da razão são todos desprezíveis? A confusão que grassa no pensamento dos críticos da razão revela-se quando analisamos a alternativa que propõem. Oferecem-nos uma lista de virtudes, que deveríamos colocar no lugar da razão; uma destas listas inclui o seguinte: "espírito, desejo, fé, emoção, intuição, vontade, experiência." Reparamos imediatamente que todas elas, com exceção da última, a não serem governadas pela razão, são exatamente aquilo que alimenta o fanatismo e as guerras santas.

O FILÓSOFO HEGEL (SÉC. XIX), UM RACIONALISTA, DISSE QUE A REALIDADE É RACIONALIDADE.

1. A razão é cumulativa: na batalha interna entre teses e antíteses, a razão vai sendo enriquecida, vai acumulando conhecimentos cada vez maiores sobre si mesma, tanto conhecimento da racionalidade do real (razão objetiva) quanto como conhecimento da capacidade racional para o conhecimento (razão subjetiva). 2. A razão traz esperança: a razão possui força para não se destruir a si mesma em suas contradições internas; ao contrário, supera cada uma delas e chega a uma síntese harmoniosa de todos os momentos que constituíram a sua história. Vários filósofos franceses, como Michel Foucault, Jacques Derrida e Giles Delleuze, ao estudarem a história da filosofia, das ciências da sociedade, das artes e das técnicas, disseram que, sem dúvida, a razão é histórica - isto é, muda temporalmente -, mas essa história não é cumulativa, evolutiva, progressiva e contínua. Pelo contrário, é descontínua, se realiza por saltos e cada estrutura nova da razão possui um sentido próprio, válido apenas para ela.

Dizem eles que uma teoria (filosófica ou científica) ou uma prática (ética, política, artística) são novas justamente quando rompem as concepções anteriores e as substituem por outras completamente diferentes, não sendo possível falar numa continuidade progressiva entre elas, pois são tão diferentes que não como nem por que compará-las e julgar uma delas mais atrasada e a outra mais adiantada. Assim, por exemplo, a teoria da relatividade, elaborada por Einstein, não é continuação evoluída e melhorada da física clássica, formulada por Galileu e Newton, mas é uma outra física, com conceitos, princípios e procedimentos completamente novos e diferentes. Temos duas físicas diferentes, cada qual com seu sentido e valor próprios.

Não se pode falar num processo, numa evolução ou num avanço da razão a cada nova teoria, pois a novidade significa justamente que se trata de algo novo, tão diferente e tão outro que será absurdo falar em continuidade e avanço. Não há como dizer que as ideias e as teorias passadas são falsas, erradas ou atrasadas: elas simplesmente são diferentes das atuais porque se baseiam em princípios, interpretações e conceitos novos. Uma concepção semelhante foi desenvolvida pelo norte-americano Thomas Kuhn, filósofo da ciência que estuda a história do pensamento científico para mostrar que as ciências não se desenvolvem num processo contínuo e cumulativo e sim por 'saltos' ou revoluções. Essas revoluções acontecem quando uma teoria científica entra em crise e acaba sendo eliminada por outra, organizada de maneira diferente. Em cada época de sua história, a razão cria modelos ou paradigmas explicativos para os fenômenos ou para os objetos do conhecimento, não havendo continuidade nem pontos comuns entre eles que permitam compará- los. Agora, em lugar de um processo linear e contínuo da razão, fala-se na invenção de formas diferentes de racionalidade, de acordo com critérios que a própria razão cria para si mesma. A razão grega é diferente da medieval que, por sua vez, é diferente da renascentista e da moderna. A razão moderna e a iluminista também são diferentes, assim com a razão hegeliana é diferente da contemporânea. Enfim, os filósofos ditos pós-modernos (como, por exemplo, o francês Lyotard e o norte-americano Rorty) consideram a filosofia e a ciência práticas culturais típicas do Ocidente cuja pretensão de realizar a razão ou o conhecimento racional é infundada e irrealizável. Por quê? Porque a razão tem a pretensão de ser o conhecimento verdadeiro da realidade, mas esta não existe, pois não há fatos, dados ou coisas e sim maneiras de falar ou 'jogos de linguagem' com que inventamos meios para exprimir o que pensamos e sentimos. Chamamos tais jogos de racionais ou de verdadeiros simplesmente enquanto funcionam ou são úteis para nossos fins e os abandonamos por outros quando deixam de funcionar ou de ser úteis para nossos fins. A prova

de que não há a razão está na multiplicidade de filosofias contrárias umas às outras e nas mudanças das teorias científicas. Razão, racionalidade, objetividade, verdade são mitos ocidentais, 'crenças tribais' como as de quaisquer outros povos. (Convite à Filosofia, Marilena Chauí). O mito é uma forma de narrativa que não explica racionalmente a origem das coisas e a realidade, pois utiliza lendas e histórias sagradas para interpretá-las. É tido como verdade por causa da pessoa que a relata, um poeta escolhido pelos deuses, que lhe dirige a partir de visões sobre o passado que permite que a origem das coisas seja desvendada. Após algum tempo, as pessoas passaram a questionar a veracidade dos mitos contados pelos poetas, pois conseguiram perceber que as explicações dadas sobre a origem de todas as coisas eram contraditórias e limitadas. Para a percepção das contradições e limites, contaram com algumas condições:

Os gregos realizaram algumas viagens marítimas e perceberam que os locais habitados por deuses, heróis, titãs e outros seres mitológicos, como dizia o mito, eram povoados na verdade por outros seres humanos. Os gregos conseguiram calcular o tempo inventando o calendário como forma de prever frio, calor, sol, chuva, seca e outros fatores climáticos que antes acreditavam ser alterados pelos deuses. Também inventaram a moeda para realizarem trocas abstratas sem a necessidade de trocar uma mercadoria por outra; inventaram a escrita alfabética para firmar com mais clareza assuntos que antes eram firmados verbalmente; inventaram a política para que cada pessoa pudesse expor seus pensamentos. Por último, o surgimento da vida urbana que favoreceu o artesanato, o comércio e o nascimento de classes de comerciantes. A filosofia dessa forma surge para explicar racionalmente a origem e as transformações que ocorrem. Inicialmente, os filósofos acreditavam que tudo o que havia era originado a partir da natureza “physis”.Mas o que seria o "pensar bem"? Antes: o que constitui o ato de pensar?

Lipman coloca esta segunda pergunta à página 13 do livro, mas não é aí que ele a responde. Há uma resposta que chama a atenção à página 140:

"pensar é fazer associações e pensar criativamente é fazer associações novas e diferentes". Em passagem anterior a esta, Lipman afirma a mesma coisa sobre o que é o pensar, explicitando-a um pouco mais:

"Pensar é o processo de descobrir ou fazer associações e disjunções. O universo é feito de complexos (não há, evidentemente, realidades simples) como as moléculas, as cadeiras, as pessoas e as idéias, e estes complexos têm ligações com algumas coisas e não com outras. O termo genérico para associações e disjunções é relacionamentos. Considerando que o significado de um complexo encontra-se nos relacionamentos que este tem com outros complexos, cada relacionamento, quando descoberto ou inventado, é um significado, e grandes ordens ou sistemas de relacionamentos constituem grandes corpos de significados". (LIPMAN, 1995. p. 33). Nas duas passagens Lipman está afirmando que pensar é o processo de descobrir relações existentes na realidade e representá-las em nossas consciências e que isso nos permite atinar para os significados ou os sentidos que, de alguma forma, estão dados na mesma. Esta não é uma tarefa fácil, pois a realidade é complexa nas suas relações e inter-relações. Mas a única forma de apreender o seu sentido é estar apreendendo as relações que a constituem. E, se estas relações são dinâmicas, isto é, está sempre se refazendo e se modificando, o nosso pensamento precisa estar atento e precisa ser competente para apreendê-las neste seu dinamismo. Lipman indica, ainda, uma possibilidade especial do pensar: a de produzir ou criar novas relações e, portanto, a de os seres humanos estarem produzindo novas significações ou novos sentidos para a realidade e, por conseguinte, para suas próprias vidas, visto que fazem parte do processar-se da realidade. A forma através da qual os seres humanos concretizam sentidos ou direções na realidade é sempre a sua prática, a sua ação. Ao mesmo tempo em que vão agindo e pensando reflexivamente o seu agir, os seres humanos

podem estar representando as relações implicadas na realidade e podem estar

representando intelectualmente novas relações. Tanto as relações percebidas quanto as relações criadas ou construídas são trabalhadas na consciência como indicadoras das direções (sentidos) da prática humana.

A ação tem, como componente importante e necessário, o processo do

pensar. Não é só o pensar que determina a ação, mas o pensar, nos seres humanos, é um dos determinantes da ação. O pensar produz sentidos, direções, significações na e para a ação. Daí a importância de que o pensar seja bem "produzido", isto é, seja construído com rigor, sistematização, profundidade, com examinação constante e séria e com disposição constante a revisões (auto-correção), levando em conta as várias situações na sua

globalidade e, dentro de cada realidade situacional, as relações dadas e as possíveis. Um pensar assim, para Lipman, é um pensar bem, é um pensar de ordem superior que é crítico e criativo.

A expressão mais utilizada por Lipman, neste livro, para se referir ao

pensar bem é pensamento de ordem superior que ele opõe à expressão pensamento de ordem inferior. Algumas afirmações suas podem nos ajudar a ir entendo o que ele quer dizer com esta expressão que, assim como outras, diz ele, são contagiadas pela inexatidão ( p. 37) :

Diferentes observadores atribuem diferentes propriedades ao pensamento de ordem superior, mas, em geral, o que parecem querer dizer é que este pensamento é conceitualmente rico, coerentemente organizado e persistentemente investigativo. (LIPMAN, 1995, p. 37) Podemos acrescentar que o pensamento de ordem superior não equivale somente ao pensamento crítico, mas à fusão dos pensamentos crítico e criativo. ( idem, p. 38) Em um esclarecedor quadro, à página 43, Lipman indica algumas características do pensar de ordem superior que, aí, é também chamado de pensar complexo. Ele envolve características do pensar crítico, como utilização de critérios, produção de juízos ou julgamentos, auto-correção, sensibilidade ao contexto e outras. Envolve, também, características do pensar criativo, como

sensibilidade aos critérios sem se deixar aprisionar por eles, capacidade de auto-transcendência, isto é, capacidade de "ir além ou transcender a si mesmo" (nota da p. 44), ou seja, capacidade de produzir novas relações e não apenas constatar as relações já dadas. É claro que aquilo que denominamos aqui de pensamento complexo inclui o pensamento recursivo, o pensamento metacognitivo, o pensar auto- corretivo e todas aquelas formas de pensamento que envolvem a reflexão sobre sua própria metodologia, enquanto examinam, ao mesmo tempo, seu tema principal. (idem, p.43). Essas são características do pensamento crítico; mas o pensamento de ordem superior inclui, também, o pensamento criativo, como já foi assinalado acima. Como características do pensamento criativo, Lipman aponta habilidade, talento, julgamento criativo, inventividade, produção de alternativas ou hipóteses plausíveis, etc. Tais características são indicadas em vários momentos desta obra. Apesar da afirmação de que o pensamento criativo faz parte indissociável do pensamento de ordem superior e que ele é fundamental para o próprio pensamento crítico, Lipman se detém mais amplamente no estudo das características deste último.

Vejamos o que ele diz a respeito das habilidades que compõem o grupo das habilidades de raciocínio.

HABILIDADES DE RACIOCÍNIO

Comecemos com as seguintes palavras de Lipman:

"Raciocínio é o processo de ordenar e coordenar aquilo que foi descoberto através da investigação. Implica em descobrir maneiras válidas de ampliar e organizar o que foi descoberto ou inventado enquanto era mantido como verdade." (LIPMAN, 1995, p. 72). Mas o que foi descoberto através da investigação?

Informações, por certo, que são organizadas nos nossos juízos ou nos nossos

"julgamentos", conforme citação anterior. Ora, os nossos juízos são afirmações (ou negações) que produzimos a respeito de uma situação, de um fato, de algo, após termos feito uma análise investigativa: descobrimos alguma "verdade" a respeito e a afirmamos com base na investigação feita. Nós expressamos os juízos através de proposições ou orações. Pois bem, diz Lipman, quando ordenamos e coordenamos os nossos juízos de

tal

forma que, a partir deles, nós ampliamos aquilo que havíamos descoberto

na

investigação, nós estamos fazendo um raciocínio.

O conhecimento origina-se da experiência. Uma maneira de ampliá-lo sem, no

entanto, recorrer a experiências adicionais, é através do raciocínio. Considerando aquilo que conhecemos, o raciocínio nos permite descobrir coisas adicionais afins. A partir de um argumento solidamente formulado, onde iniciamos com premissas verdadeiras, descobrimos uma conclusão igualmente verdadeira que é "inferida" em consequência destas premissas. Nosso conhecimento baseia-se na experiência do mundo; é por meio do raciocínio que ampliamos este conhecimento, preservando-o. (idem, p. 66).

O raciocínio é, pois, o processo do pensamento através do qual nós

produzimos nossas conclusões a partir de algo já sabido. Isso, todas as pessoas fazem inclusive crianças pequenas. Mas há raciocínios mais simples e raciocínios mais complexos, isto é, aqueles que fazem parte do pensamento de "ordem superior". Um dos objetivos de uma educação para pensá-lo deve ser o de ajudar crianças e jovens a serem

capazes de realizar raciocínios mais complexos. Para tanto é importante promover o fortalecimento das habilidades de raciocínio que envolve, por exemplo, a utilização de inferências bem fundamentadas, a apresentação de razões convincentes, a revelação de suposições latentes, a determinação de classificações e definições defensáveis e a organização de explicações, descrições e argumentos coerentes. ( LIPMAN, 1995, P. 46).

HABILIDADES DE FORMAÇÃO DE CONCEITOS

A formação de conceitos implica na organização de informações para grupos relacionais e, então, analisar e esclarecê-los para facilitar sua utilização na compreensão e no julgamento. O pensamento conceitual envolve relacionar conceitos entre si a fim de formar princípios, critérios, argumentos, explicações, etc. (LIPMAN, 1995, p.

72).

Esta organização de informações que construímos em nossa consciência pode ser expressa por palavras, por sentenças e por esquemas, diz Lipman, à p. 67. Trata-se de conjuntos de informações relacionadas entre si e que formam um sentido, um significado. Pense-se, por exemplo, na palavra mesa. Se "dominamos", ou compreendemos o significado que esta palavra expressa, é sinal de que somos capazes de "ver" um conjunto de aspectos que, reunidos e interligados, nos dão a idéia, o conceito, do que constitui uma mesa. Não só. Na verdade, nós ficamos de posse de um conjunto significativo de informações inter- relacionadas (de um conceito) que nos ajuda a nos entendermos mutuamente quando falamos de mesas e nos ajuda a identificarmos como mesa os objetos que se nos apresentam com um conjunto de dados interligados desta mesma forma.

Nós podemos ir formando conceitos a partir de nossas relações diretas com as coisas, objetos, situações, etc., dentro de contextos situacionais culturais de uso e de significação ou, também, podemos formar conceitos sem estarmos em relação direta, física, com os objetos. Em ambas as situações, para sermos capazes de formar conceitos em nós mesmos, precisamos ser capazes de relacionar ideias entre si; "esmiuçar" ideias que estejam juntas, isto é, analisar; juntá-las de novo, isto é, sintetizar; esclarecer significados; explicar; etc Esta é uma listagem de habilidades que auxiliam na habilidade maior de formação de conceitos que se pode encontrar nos textos de Lipman.

EPISTEMOLOGIA

TEORIAS DA VERDADE E PÓS-MODERNISMO

Quando não havia distinção clara entre filosofia e ciência, era natural que os filósofos se afirmassem como as pessoas mais aptas a oferecer algo mais próximo da verdade. A concentração na epistemologia, principalmente no momento em que a epistemologia parecia ter sido convocada a fornecer as bases últimas da justificação do conhecimento, encorajou a ideia confusa de que o lugar em que se procurariam as verdades finais e mais básicas, nas quis todas as outras verdades seja da ciência, da moralidade ou do senso comum se baseariam, seria a Filosofia. A junção que Platão fez, dos universais abstratos com entidades de valor superior, reforçou a confusão da noção de verdade com as verdades mais elevadas; a confusão é evidente no ponto de vista (que Platão enfim questionou) de que só um exemplar perfeito de universal ou de forma é a forma em si. Assim, só a circularidade (o universal ou conceito) é perfeitamente circular, só o conceito de mão é a mão perfeita, só a verdade é totalmente verdadeira. Temos, aqui, uma confusão profunda, um erro de classificação que, aparentemente, foi condenado a prosperar. A verdade não é um objeto, e por isso não pode ser verdadeira; a verdade é um conceito, e é atribuível de modo compreensível a coisas tais como sentenças, pronunciamentos, crenças e proposições, entidades essas que têm um conteúdo proposicional. É um erro pensar que, se alguém procura entender o conceito de verdade, esse alguém está necessariamente tentando descobrir verdades gerais importantes sobre justiça ou sobre os fundamentos da física. O erro permeia até a ideia de que uma teoria da verdade deva nos dizer, de algum modo, o que é verdadeiro, em geral, ou ao menos como descobrir as verdades. Não é de estranhar que tenha havido reação! A filosofia prometia muito mais do que ela, ou qualquer outra disciplina, podia dar. A reação de Nietzsche ficou famosa; os pragmáticos americanos também reagiram, só que de outro

modo. Dewey, por exemplo, rejeitou de modo bastante adequado a ideia de que os filósofos tinham intimidade com algum tipo especial ou fundamental de verdade, sem a qual a ciência não pudesse progredir. Mas combinou essa modéstia virtuosa com uma teoria absurda sobre o conceito de verdade; visando ridicularizar as pretensões de acesso superior às verdades, ele sentiu necessidade de atacar o próprio conceito clássico. O ataque, à moda da época, assumiu a forma de uma redefinição convincente. Uma vez que a palavra ‘Verdade’ tem uma aura de algo valioso, o truque das definições convincentes é redefini-la de modo que ela seja algo daquilo que se aprovam algo ‘pelo que possamos nos guiar’, frase de Rorty apoiado em Dewey. Desse modo, Dewey afirmou que uma crença ou teoria é verdadeira apenas e tão somente se promover questões humanas. (Donald Davidson, “Verdade”. In: Livro anual de psicanálise XX, 2006: 275-280) No latim, verdade é veritas, ou, a conformidade de um relato com o fato. Ou seja, veritas é quando o que se diz de algo é a expressão de um fato, do ocorrido. Veritas é a verdade na tradição do Direito. No grego, o termo utilizado para verdade é a-letheia, algo desvelado, não coberto, não oculto, ou não esquecido. Verdade, portanto, na perspectiva do grego é aquilo que está exposto, á luz. É a verdade segundo a tradição filosófica. Algo que está exposto sempre encobre algo de si mesmo, aonde na aparência há sempre a dissimulação. Portanto, para a filosofia, verdade não encerra a busca e a pesquisa, porque esta verdade que se apresenta, ou que se descreve, nunca está completa ou esgotada. No hebraico, verdade é emunah, o cumprimento do que foi pactuado, prometido, vaticinado. É a verdade segundo a Teologia, que se fundamenta na revelação. Neste contexto, não se discute a verdade, posto que foi objeto de revelação, partindo de ser superior. E aí, esta verdade não se objeta, não se discute, apenas aceita-se. Ocorre, entretanto, que se afirmar que algo é verdade, tal afirmação é discurso, e todo discurso pode ser posto em suspensão. As palavras, bem articuladas, logicamente bem colocadas, e enfaticamente bem pronunciadas,

podem dar a coloração que se desejar, construindo-se nesta articulação

enunciados com status de verdade. No âmbito da justiça instrumental, por exemplo, o esforço do jurista é conquistar por meio de seu discurso e suas descrições, relativas a um processo, a confiança dos que ouvem e julgam, a ponto de admitirem tratar-se de uma verdade o que está sendo apresentado. A outra parte no processo, por outro lado, também envidará todos os esforços no mesmo sentido, e, assim sendo, o embate se dá pelas vias do discurso, na perspectiva do convencimento em direção a uma verdade. Contudo, o fato de obter sucesso neste processo de convencimento não significa que se alcançou a verdade. Vemos assim que aquilo que se aponta como verdade será sempre objeto de desconfiança.

A mídia, por meio de seus diversos instrumentos, quer ganhar a

confiança de seus ouvintes, leitores e telespectadores, isto é, convencê-los que

o que está sendo dito e apresentado é verdade, e deve ser assim admitido, de

tal forma que se desdobre em ações positivas em relação ao que foi veiculado pela mídia. A mídia, inclusive, pode elevar um homem simples à condição de ídolo, como também, destruir moralmente um homem ilibado. Ou seja, elevar uma mentira à condição de verdade, por simples recurso discursivo.

Nas correntes filosóficas contemporâneas (que tem sido a esteira moral contemporânea), aonde se abandonou qualquer tipo de fundamento à verdade,

o que tem prevalecido é uma teoria de verdade segundo o pragmatismo: não

há referências, nem essências que precisam ser atingidas, posto que verdade

é interpretação, ponto-de-vista. Para o pragmático, verdade é consenso, é o útil, é o que produzir o melhor resultado.

RACIONALIDADE E CETICISMO

A Racionalidade como Solução de Todos os Males do Mundo. A

racionalidade pode ser definida como o hábito de considerar todos os nossos

desejos relevantes, e não apenas aquele que sucede ser o mais forte no

momento. (

)

A racionalidade completa é, sem dúvida, ideal inatingível; porém,

enquanto continuarmos a classificar alguns homens como lunáticos, é claro que achamos uns mais racionais que outros. Acredito que todo o progresso sólido no mundo consiste de um aumento de racionalidade, tanto prática como teórica. Pregar uma moralidade altruística parece-me um tanto inútil, porque só falará aos que já têm desejos altruísticos. Mas pregar racionalidade é um tanto diferente, porque ela nos ajuda, de modo geral, a satisfazer os nossos próprios desejos, quaisquer que sejam. O homem é racional na proporção em que a sua inteligência orienta e controla os seus desejos. Acredito que o controle dos nossos atos pela inteligência é, afinal, o que mais importa e a única coisa capaz de preservar a possibilidade de vida social, enquanto a ciência expande os meios de que dispomos para nos ferir e destruir. O ensino, a imprensa, a política, a religião - numa palavra, todas as grandes forças do mundo - estão atualmente do lado da irracionalidade; estão nas mãos dos homens que lisonjeiam Populus Rex com o fito de desencaminhá-lo. O remédio não está em nada heroico nem cataclísmico, mas nos esforços dos indivíduos no sentido de uma opinião mais sadia e equilibrada das nossas relações com o próximo e a sociedade. É à inteligência, cada vez mais divulgada, que devemos recorrer para a solução dos males de que sofre o nosso mundo. Ceticismo é um estado de quem duvida de tudo, de quem é descrente. Um indivíduo cético caracteriza-se por ter predisposição constante para a dúvida, para a incredulidade. O ceticismo é um sistema filosófico fundado pelo filósofo grego Pirro (318 a.C.-272 a.C.), que tem por base a afirmação de que o homem não tem capacidade de atingir a certeza absoluta sobre uma verdade ou conhecimento específico. No extremo oposto ao ceticismo como corrente filosófica encontra- se o dogmatismo. O cético questiona tudo o que lhe é apresentado como verdade e não admite a existência de dogmas, fenômenos religiosos ou metafísicos. O cético pode usar o pensamento crítico e o método científico (ceticismo científico) como tentativa de comprovar a veracidade de alguma

tese. No entanto, o recurso ao método científico não é uma necessidade imperiosa para o cético, podendo muitas vezes preferir a evidência empírica para atestar a validade das suas ideias. Bertrand Russell, in 'Ensaios Cépticos: Os Homens Podem Ser Racionais?'

A ESTRUTURA DA JUSTIFICAÇÃO

O termo Justificação é também conhecido como "absolvição divina". Justificação é um termo jurídico que descreve aquele aspecto particular da salvação que consiste em libertação da culpa e penalidade de pecado. É o aspecto legal da salvação ante Deus como Legislador. É aquele aspecto no qual o crente se torna tão perfeito quanto se ele nunca tivesse pecado (cf. Rm 8:33,34). Podemos entender de forma mais ampla o que é Justificação, analisando Dt 25:1: "Quando houver contenda entre alguns, e vierem a juízo para que os juízes os julguem, ao justo justificarão e ao injusto condenarão." Aqui está claro que nenhuma melhoria moral é incluída. Os juízes não faziam melhor qualquer pessoa, mas declaravam o que era certo aos olhos da lei. Um tribunal humano ou juiz podem fazer justiça, justificando o inocente; no entanto, Deus mantém justiça e aumenta a graça, justificando o descrente: "Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça." (Rm 4:5). Portanto, Justificação é aquele aspecto da Salvação através da qual somos declarados justos. Em Romanos 3, verso 7, o apóstolo Paulo estabelece uma relação entre as palavras 'morto' e 'justificado': "aquele que está morto" também "está justificado" do pecado! Ou seja, a primeira condição (morto) implica na segunda (justificado). Satisfeita a primeira condição a segunda é estabelecida. A palavra justificação é de origem latina composta de ‘justus’ e ‘facere’ e significa ‘fazer justo’ em português. As palavras ‘justificado’ e ‘justiça’ são traduções de palavras gregas semelhantes. Temos o verbo dikaiôun que é 'declarar justo', 'justificar'. O

substantivo dikaíosis que é 'justificação', 'justiça', e o adjetivo dikaios, que qualifica que é 'justo'. Uma tradução precisa dos termos que fazem referência à justificação auxilia em muito a interpretação dos escritos de Paulo, porém, só os termos tomados de maneira isolada não revelam a grandeza das idéias centrais que compõe a doutrina da justificação. Para entendermos a extensão das expressões supracitadas devemos atentar mais para o contexto nas quais elas foram citadas, do que para o significado denotativo da palavra. Este estudo não se limita a apresentar um trabalho de conclusões. Antes, procuramos apresentar ao leitor o raciocínio que se deve percorrer para chegar às conclusões que apontaremos no decorrer deste estudo.

Aquele que está morto

Em Romanos 3, verso 7, o apóstolo Paulo estabelece uma relação

entre as palavras 'morto' e 'justificado': "aquele que está morto" também "está justificado" do pecado! Ou seja, a primeira condição (morto) implica na segunda (justificado). Satisfeita à primeira condição a segunda é estabelecida.

porque aquele que está morto está

justificado do pecado”, Paulo enfatiza de maneira contundente a 'morte' daqueles que creem em Cristo (estão) conforme diz a escritura ( Rm 6:1 -6). Para entendermos precisamente a declaração paulina devemos ter a resposta da seguinte pergunta: Quem está morto? A resposta está no versículo dois do capítulo seis da carta aos Romanos: Nós, ou seja, Paulo e os cristãos! "Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Rm 6:2 ) No versículo acima o apóstolo esclarece aos leitores da carta aos

Romanos que todos eles estão mortos para o pecado, ou seja, eles não mais vivem para o pecado. Efetivamente os cristãos estão mortos: mortos para o pecado.

Antes de ser feita a declaração “

Caso alguém argumentasse contra esta realidade (mortos para o

pecado), Paulo contra argumenta de quatro maneiras diferentes para se fazer compreensível.

a) Os que foram batizados foram batizados na morte de Cristo (Rm 6:3 );
b) Pelo batismo na morte todos foram sepultados com Cristo (Rm 6:4 );
c) Todos foram plantados juntamente com Cristo, e ( Rm 6:5 );
d) Uma vez que, todos sabiam que haviam sido crucificados com Cristo. “Pois sabemos isto, que o nosso velho homem foi com ele

crucificado

Diante dos elementos que foram apresentados restam as seguintes conclusões: vocês estão mortos! "Pois morrestes, e a vossa vida está oculta

(Rm 6:6 )

com Cristo em Deus" ( Cl 3:3 ). “Ora, se já morremos com Cristo

”(

Rm 6:8 ). “Assim também vós

considerai-vos como mortos para o pecado

( Rm 6:11 ).

Quando o apóstolo Paulo diz: ‘considerai-vos’, não significa simplesmente imaginar como se estivessem mortos para o pecado, antes os cristãos deviam estar cônscios, vivendo esta nova realidade. Paulo não apregoou um 'faz de conta', antes ele anunciou verdades eternas. Aquele que crê em Cristo vive esta nova realidade em verdade: após encontrar a cruz de Cristo, morreu para o pecado e está efetivamente justificado do pecado. Observe que a palavra ‘considerai’ do versículo onze significa ‘contar com’, ‘descansar em’. Aliado ao significado da palavra, está o contexto, que demonstra que os cristãos efetivamente estão mortos para o pecado.

Está Justificado do Pecado

Já que os cristãos efetivamente morreram para o pecado como foi observado em ( Rm 6:2 ), conclui-se que quem está justificado perante Deus necessariamente já morreu para o pecado. De outro modo: aquele que está vivo para o pecado não está justificado do pecado. Portanto, só é possível ser justificado do pecado quando se está morto para ele.

A condição 'justificado do pecado' é real e efetiva, pois decorre da

primeira, que é estar morto para o pecado “ está justificado do pecado”.

Dentro deste contexto de 'morte para o pecado' e 'justificado do pecado' torna-se possível determinarmos qual o real significado das palavras ‘justificação’ e ‘justificar’. Qual a melhor tradução para as palavras dikaíôun e dikaíosis? Seria ‘fazer justo’? ‘criar justo’? Ou ‘declarar justo’?

O parágrafo seguinte nos auxiliará na escolha da tradução que melhor

se adequa à ideia apresentada pelo contexto.

porque aquele que está morto

Para que sejas justificado

Quando Paulo faz a citação de um versículo do salmista Davi, nos auxilia em muito na compreensão da extensão do significado da palavra justificado. Neste salmo Davi demonstrou que reconhecer os próprios erros é a melhor maneira de declarar sem palavras que Deus é justo “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” ( Sl 51:4 ). Ele assume os seus erros para que Deus seja justificado ao falar.

O que o contexto nos apresenta?

Davi assumiu os seus erros para ‘fazer’ Deus justo? Davi assumiu os seus erros para ‘criar’ Deus justo?

Ou Davi assumiu os seus erros para ‘declarar’ que Deus é justo?

O contexto nos aponta a terceira opção. O homem declara a justiça de

Deus quando reconhece os seus próprios erros.

O salmista reconhece sua condição em decorrência do seu pecado:

a justiça de Deus “

contra

ti, contra ti somente pequei

”,

com um objetivo bem definido: declarar

”.

para que sejas justificado quando falares

O apóstolo cita este salmo para declarar que Deus é verdadeiro, ou

seja, ao citar este salmo, Paulo tem a intenção nítida de fazer uma declaração sobre um dos atributos de Deus: Deus é verdadeiro, ou: sempre seja Deus verdadeiro! “De maneira nenhuma. Sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado” (Rm 3:4 )

O apóstolo Paulo ao declarar que Deus é verdadeiro cita o salmista

para dar sustentabilidade à sua declaração. Paulo demonstra que a sua declaração é conforme as Escrituras. Temos dois elementos no texto, que se somados, evidenciam a idéia que a palavra ‘justificado’ procura transmitir:

Davi reconhece os seus erros para declarar que Deus é justo; Paulo utiliza o salmo para dar peso a sua declaração: Deus é verdadeiro e todo homem mentiroso. Desta forma temos que, a palavra ‘justificado’ se traduz por ‘declarar’

justo.

Declarar: Dar a conhecer; expor; proclamar publicamente, anunciar solenemente; revelar, julgar, considerar, nomear, etc.

O apóstolo Paulo fez a citação de um salmo onde a palavra justificado

engloba a mesma idéia que ele procura transmitir com os termos dikaíôun e

dikaíosis. FONTE: Dicionário Teológico Brasileiro Lázaro Soares de Assis

TEOLOGIA FILOSÓFICA E FILOSOFIA DA RELIGIÃO

Se nos debruçarmos na longa discussão tillichiana quanto à relação entre teologia e filosofia, parece ficar claro que não faz sentido fazer a pergunta “quem está certa, a teologia ou a filosofia?”. O que devemos fazer, como em todo fenômeno relacional, é verificar o momento ou a importância do tipo de relação à que as duas ciências estão submetidas de época para época e com quais critérios podemos fazer tal verificação. Talvez a maior importância de todo do pensamento de Tillich a este respeito não seja meramente a grande relevância de seu caráter normativo, mas muito mais, a impossibilidade de tratarmos esta questão sem antes declararmos as bases ou os pressupostos de que previamente lançamos mão ao tratá-la, e que determinarão em última análise nossa visão. Consideradas no universo das disciplinas metodológicas (inseridas no universo das ciências do pensamento, do ser e da cultura), a filosofia do sentido (Sinnphilosophie) é o fundamento de todo sistema das ciências; a metafísica é o esforço de expressar o Incondicional em termos de símbolos racionais; e a teologia é a metafísica teônoma. [1] A teologia reivindica que o caráter teonômico do pensamento ou seja, o pensamento como tal está enraizado no absoluto como o fundamento e abismo do sentido. A teologia toma como seu explícito objeto aquilo que é pressuposto implícito de todo conhecimento. Dessa forma, teologia e filosofia, religião e conhecimento estão mutuamente abraçados. Enfatizando a relevância existencial da relação entre filosofia e teologia, Tillich chega a dizer que “a filosofia existencial faz de um modo novo e radical a pergunta cuja resposta é dada à (e não pela) fé na teologia.” [2] A questão do relacionamento entre filosofia e teologia tem sido muito desdenhada ultimamente em nosso contexto contemporâneo, porque ela, em última análise, se relaciona com a questão da “filosofia primeira”, envolvendo o

retorno à metafísica uma questão considerada hoje como ultrapassada e fora

de moda. O prefixo mágico “meta” na palavra metafísica é empregado para designar algo fora ou além da experiência humana, aberto à imaginação arbitrária, apesar de todo o mundo saber que significa apenas o livro que vem depois da física na coleção de Aristóteles. Quanto a isso, devemos dizer o seguinte: a questão do ser, que é a questão da filosofia primeira ou fundamental, refere-se ao que está mais próximo de nós do que qualquer outra coisa. Trata-se de nós mesmos na medida em que somos e na medida em que sendo seres humanos, somos capazes de perguntar o que significa esse fato de que somos. [3] Já é tempo sim de abandonarmos a palavra “metafísica”, abusada e deformada. Mas hoje a negação da metafísica transformou-se em desculpa para propósitos pesados de modelos desarticuladores das possibilidades humanas e para a terrível superficialidade do pensamento, em face do qual a mitologia primitiva se mostra extremamente profunda. Outra objeção atual contra a importância da questão do relacionamento entre filosofia e teologia é feita alegando-se que não é a ontologia a filosofia primeira, mas sim a epistemologia. Esta alegação está correta apenas parcialmente, pois a epistemologia não pode pretender existir sem a base ontológica. Não se pode ter o aparecimento sem o ser que aparece, ou o conhecimento sem o ser que é conhecido, ou a experiência sem o ser que é experimentado. Se fosse assim, aparecimento ou experiência haveriam de se transformar em novas palavras para “ser”, e o problema do ser passaria a ser discutido em termos diferentes. Uma terceira objeção para a importância do relacionamento entre filosofia e teologia está na crítica cética de que o ser humano não tem possibilidade alguma de alcançar esta suposta estrutura e significado do ser, e que o ser se revela na multiplicidade dos seres e no mundo no qual todos se ligam e se relacionam, mas tudo o que há são multiplicidades. Esta objeção está querendo dizer: “olhem para os minerais e para as flores, para os animais

e para os seres humanos, para a história e para as artes, e aprendam a ver aí

o que é o ser; mas não procurem saber o que é o ser acima dessas coisas. Na poesia, este argumento encontra sua expressão máxima nos versos do Caeiro,

de Fernando Pessoa. Quanto a isto, declara Tillich, deve-se dizer o seguinte:

ninguém pode proibir o ser humano de levantar a mais humana das questões; nem mesmo os mais fortes ditadores quando disfarçados nas vestes do positivismo humilde ou do empirismo mais modesto. Os seres humanos são mais do que aparatos destinados a registrar os assim chamados “fatos” e sua interdependência. Queremos saber, saber a respeito de nós mesmos jogados no ser, e conhecer os poderes e as estruturas que controlam este ser em nós mesmos e em nosso mundo. Queremos conhecer o significado do ser porque somos humanos e não apenas sujeitos epistemológicos. Transcendemos e sempre devemos transcender os sinais de não-ultrapassagem, cautelosamente erguidos pelo ceticismo e dogmaticamente mantidos pelo pragmatismo. O significado do ser é nossa preocupação básica é a questão realmente humana e filosófica. A unidade do ser entre homem e natureza é mais básica do que sua diferença na consciência e na liberdade. Quando uma teologia (ou uma filosofia) não consegue entender esta relação, passa necessariamente a oscilar entre moralismo e naturalismo. Mas o ser é mais do que natureza ou moral. O mesmo pode ser dito quanto à religião. Tanto a crítica teológica como a crítica científico-filosófica com respeito à questão de que a religião é um aspecto do espírito humano, definem a religião como a relação do homem a seres divinos, cuja existência os teólogos afirmam e os científicos negam. Mas é exatamente esta idéia de religião que a torna impossível de qualquer compreensão. Não se chega a Deus com a questão se Ele existe ou não existe. Aliás, o afirmar que ele existe nos torna ainda mais distantes dele do que negá-lo. O Deus cuja existência ou não-existência possa ser discutida torna-se uma coisa ao lado de outras que integram o universo de objetos existentes. Se for assim, se justifica tanto afirmá-lo quanto negá-lo.É lamentável que os cientistas creiam ter refutado a religião quando apenas conseguiram demonstrar que não há prova alguma para a hipótese de que exista um tal ser. Infelizmente, muitos teólogos caem no mesmo erro. Começam sua mensagem com a afirmação de que há um ser superior chamado Deus, cujas revelações eles têm recebido, dando-lhes autoridade.

Esses teólogos são mais perigosos para a religião do que os chamados

cientistas ateus. São eles os que dão os primeiros passos no caminho que

conduz inevitavelmente ao ateísmo. Teólogos que tornam Deus um ser

superior que dá a alguns indivíduos informação sobre si mesmo, provocam a

inevitável resistência daqueles a quem dizem que devem submeter-se à

autoridade de tais informações.

A Religião não é uma função especial da vida espiritual do homem,

mas é a dimensão da profundidade em todas as suas funções. Ela não é

moralidade ética, nem conhecimento puro, não é estética ou arte, nem mero

sentimento subjetivo. A religião não precisa procurar por um lar. Está em casa

em qualquer lugar está na profundidade de todas as funções e na totalidade

da vida espiritual do homem naquilo que é último, infinito, incondicional de

nossas preocupações. “Para onde nos ausentaremos de sua face?” Como tal,

não é rejeitável pois só poderíamos fazê-lo em nome dela mesma. E é a partir

deste prisma fundamental do olhar que tanto a filosofia quanto a teologia

devem realizar suas tarefas.

Autor: Jessé Pereira da Silva. Membro da Sociedade Paul Tillich do Brasil e doutorando no Programa de Pós- Graduação em Ciências da Religião da UMESP.

CINCO VIAS QUE PROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS EM SANTO TOMÁS DE AQUINOA

Comumente se diz que Santo Agostinho cristianizou Platão, assim

como Aquino cristianizou Aristóteles. Como este, Aquino parte do sensível para

chegar ao inteligível como processo de conhecimento.

Assim, o filósofo cristão distingue cinco vias para caracterizar o

conhecimento e provar a existência de Deus. Vejamos quais são:

1. Primeiro motor imóvel: esta primeira via supõe a existência do

movimento no universo. Porém, um ser não move a si mesmo, só podendo,

então, mover outro ou por outro ser movido. Assim, se retroagirmos ao infinito,

não explicamos o movimento se não encontrarmos um primeiro motor que move todos os outros;

2. Primeira causa eficiente: a segunda via diz respeito ao efeito que

este motor imóvel acarreta: a percepção da ordenação das coisas em causas e efeitos permite averiguar que não há efeito sem causa. Dessa forma, igualmente retrocedendo ao infinito, não poderíamos senão chegar a uma causa eficiente que dá início ao movimento das coisas;

3. Ser Necessário e os seres possíveis: a terceira via compara os seres

que podem ser e não ser. A possibilidade destes seres implica que alguma vez

este ser não foi e passou a ser e ainda vem a não ser novamente. Mas do nada, nada vem e, por isso, estes seres possíveis dependem de um ser necessário para fundamentar suas existências;

4. Graus de Perfeição: a quarta via trata dos graus de perfeição, em

que comparações são constatadas a partir de um máximo (ótimo) que na verdade contém o verdadeiro ser (o mais ou menos só se diz em referência a um máximo); 5. Governo Supremo: a quinta via fala da questão da ordem e finalidade que a suprema inteligência governa todas as coisas (já que no mundo há ordem!), dispondo-as de forma organizada racionalmente, o que evidencia a intenção da existência de cada ser. Todas essas vias têm em comum o princípio de causalidade, herdado de Aristóteles, além de partirem do empírico, ou seja, de realidades concretas e de um mundo hierarquicamente ordenados. Vale também notar como Tomás de Aquino concebe o homem. Para ele, o homem é um ser intermediário. É composto de corpo (matéria) e alma (forma) sem as quais nada significa, isto é, nada é isoladamente. Assim, o homem é um ser intermediário entre os seres de forma mais elementar, como os minerais, as plantas e os animais, e os seres mais perfeitos como os anjos e Deus. O homem possui as características dos anteriores a ele e também dos procedentes na hierarquia do universo. Entretanto, o conhecimento de Deus se faz por analogia, seguindo uma vida de negação que afasta dele todo elemento criatural. Mas somente isto redundaria num agnosticismo. E não se conhece Deus imediatamente como

numa contemplação direta com a essência divina, mas somente através de um

saber analógico em que todos os nomes não predicados, explicita ou

implicitamente de modo negativo, Lhe aplicam tal sentido analógico, o que

evidencia a distância infinita entre o Criador e as criaturas e também justifica os

enunciados que de Deus fazemos (Deus é Bom, Infinitamente Sábio, etc.).

Essa doutrina da analogia que inclui semelhança e comparação se

opõe à da iluminação; esta propõe um contato imediato com Deus. O

abandono da Iluminação divina experiência interna pela analogia

experiência externa acarretou suas consequências e dificuldades, a saber:

em primeiro lugar, as criaturas semelhantes a Deus por serem causadas por

Ele (causa equívoca) devem conter seus efeitos. Desse modo, a causa contém

em si os seus efeitos; em segundo lugar, nada é univocamente predicável de

Deus e das criaturas, o que de acordo com o dito acima (causa equívoca) seus

efeitos também o são. A univocidade se enquadra em categorias e é a relação

para a equivocidade, enquanto Deus não se encaixa em nenhuma categoria.

Ele é simplesmente; e em terceiro lugar, alguns predicados não são

enunciados do modo puramente equívoco de Deus, já que para Aquino, uma

equivocação pura é um termo que, por simples causalidade, é empregado para

designar coisas diversas. O tautológico não se relaciona com as coisas e se

assim fosse, não teríamos dele conhecimento algum; e por último, que os

predicados positivos são anunciados analogicamente de Deus e das criaturas.

Em nossas predicações, o ser compete primeiro às criaturas e depois a Deus.

E não o contrário, porque não há relações entre estes. Designamos Deus a

partir do que deparamos nas criaturas de modo infinito (nas relações, ocorre o

inverso, já que o predicado é anterior à natureza de qualquer substância).

Portanto, Santo Tomás de Aquino atribui a predicação de Deus e da

criatura, somente por analogia, evidenciando entre eles uma distância infinita

da qual nenhum conceito transpõe, já que Deus transcende infinitamente a

criatura.

Autor: João Francisco P. Cabral Colaborador Brasil Escola Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

Argumentação sobre a existência de Deus

Deus existe? Eu acho interessante o fato de se dar tanta atenção a este debate. As últimas pesquisas nos informam de que mais de 90% das pessoas no mundo de hoje acreditam na existência de Deus ou de algum poder

superior. Mesmo assim, de alguma forma, a responsabilidade de provar que Deus realmente existe é posta sobre aqueles que acreditam que Deus existe. Para mim, deveria ser o contrário. No entanto, não se pode provar ou deixar de provar a existência de Deus. A Bíblia até mesmo diz que nós devemos aceitar por fé o fato de que Deus existe: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Se Deus assim o desejasse, Ele poderia simplesmente aparecer e provar para o mundo inteiro que Ele existe. Mas se Ele fizesse isso, não haveria mais necessidade de existir fé. “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29). Isso não significa, no entanto, que não existam evidências da existência de Deus. A Bíblia declara: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo” (Salmos 19:1- 4). Olhando para as estrelas, compreendendo a vastidão do universo, observando as maravilhas da natureza, vendo a beleza de um pôr-do-sol todas estas coisas apontam para um Deus Criador. Se estas coisas não fossem suficientes, também há evidência de Deus em nossos próprios

corações. Eclesiastes 3:11 nos diz: “

Há alguma coisa no fundo do nosso ser que reconhece que há algo

pôs a eternidade no coração do

homem

além desta vida e alguém além deste mundo. Nós podemos negar este conhecimento intelectualmente, mas a presença de Deus em nós e através de nós ainda estará lá. Apesar disso tudo, a Bíblia nos adverte que alguns, mesmo

[Ele]

”.

assim, irão negar a existência de Deus: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus.” (Salmos 14:1). Visto que 98% das pessoas através da história, em todas as culturas, em todas as civilizações, em todos os continentes acreditam na existência de algum tipo de Deus deve haver algo (ou alguém) causando esta crença. Além dos argumentos Bíblicos para a existência de Deus, existem argumentos lógicos. Em primeiro lugar, existe o argumento ontológico. A forma mais popular do argumento ontológico basicamente usa o conceito de Deus para provar a existência de Deus. Ele começa com a definição de Deus como “do que este não pode ser concebido alguém maior”. Argumenta-se então que existir é maior do que não existir, logo o maior ser que pode ser concebido tem que existir. Se Deus não existisse então Deus não seria o maior ser que pode ser concebido mas isso iria contradizer a própria definição de Deus. Em segundo lugar está o argumento teleológico. O argumento teleológico é aquele que diz que como o universo apresenta um projeto tão incrível, deve ter havido um projetista Divino. Por exemplo, se a terra estivesse apenas algumas centenas de quilômetros mais afastada ou mais próxima do sol, ela não seria capaz de sustentar grande parte da vida que sustenta no momento. Se os elementos na nossa atmosfera tivessem apenas alguns pontos percentuais de diferença, tudo o que vive na terra morreria. A chance de uma única molécula de proteína se formar ao acaso é de 1 em 10243 (isto é, 10 seguido de 243 zeros). Uma única célula possui milhões de moléculas de proteínas. Um terceiro argumento lógico para a existência de Deus é chamado de argumento cosmológico. Todo efeito deve ter uma causa. Este universo e tudo o que há nele é um efeito. Tem que existir algo que causou a existência de tudo. Finalmente, deve existir alguma coisa “não-causada” que fez com que tudo viesse à existência. Este “não-causado” é Deus. Um quarto argumento é conhecido como o argumento moral. Todas as culturas através da história têm alguma forma de lei. Todo mundo tem um senso de certo e errado. Assassinar, mentir, roubar e agir de forma imoral são coisas quase universalmente rejeitadas. De onde veio este senso de certo e errado se não de um Deus santo?

Apesar de todas estas coisas, a Bíblia nos diz que as pessoas irão

rejeitar o conhecimento claro e inegável de Deus e irão acreditar em uma

mudaram a verdade de Deus em

mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém”. A Bíblia também proclama que as pessoas não têm desculpa para não acreditar em Deus: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Romanos 1:20). As pessoas afirmam não acreditar em Deus porque “não é científico”

ou “porque não há prova”. A verdadeira razão é que, uma vez que as pessoas admitam que há um Deus, elas também precisarão se dar conta de que devem ter responsabilidade para com Deus e que precisam do Seu perdão (Romanos 3:23; Romanos 6:23). Se Deus existe, então nós devemos prestar contas das nossas ações a Ele. Se Deus não existe, então nós podemos fazer o que quisermos sem termos de nos preocupar com o Seu julgamento sobre nós. Eu acredito que esta é a razão pela qual a evolução é tão fortemente aceita por muitos na nossa sociedade para que as pessoas tenham uma alternativa a acreditar em um Deus Criador. Deus existe e todo mundo sabe que Ele existe. O fato de que alguns tentam tão agressivamente provar que Ele não existe é de fato um argumento para a Sua existência. Permita-me expor um último argumento para a existência de Deus. Como eu sei que Deus existe? Eu sei que Deus existe porque eu falo com Ele todos os dias. Eu não O ouço falar comigo “de uma forma audível”, mas sinto a Sua presença, sinto a Sua liderança, conheço o Seu amor, desejo a Sua graça. As coisas aconteceram na minha vida de forma que não há outra explicação senão Deus. Deus me salvou e mudou a minha vida de forma tão milagrosa que eu só posso aceitar e louvar a Sua existência. Nenhum destes argumentos pode persuadir alguém que se recusa a aceitar o que é tão claro. No fim das contas, a existência de Deus deve ser aceita pela fé (Hebreus 11:6). A fé em

mentira. Romanos 1:25 declara: “

eles

Deus não é um salto cego no escuro, mas um passo seguro em um quarto bem iluminado onde 90% das pessoas já estão presentes.

O PROBLEMA DO MAL E A COERÊNCIA DO TEÍSMO

"De duas uma, ou Deus quer abolir o mal, e não pode; ou Ele pode, mas não quer fazê-lo; ou Ele não pode ou Ele não quer. Se Ele quer, mas não pode, ele é impotente. Se Ele pode, mas não quer, logo Ele é perverso. No entanto, se Deus quer e pode abolir o mal, então como o mal ocorre no mundo?" Na tentativa de lidar com esse problema, as pessoas levantaram uma extensa gama de soluções, a maioria delas, de uma maneira ou outra, é insatisfatória. Por exemplo, algumas modificaram o conceito de que Deus é Todo-poderoso. Outras pessoas mudaram o conceito de que Deus é totalmente bom. Outros mudaram o próprio conceito de mal. Por exemplo, pessoas associadas às ciências da mente (seitas) concluem que o mal é apenas uma ilusão. Ele não existe de verdade. É apenas uma percepção errônea da mente finita. Outros interpretam o problema do mal por meio da malha de reencarnação e carma. Ainda outros em especial os que pertencem aos círculos da Nova Era, crêem que criamos nossa própria realidade por meio do poder da mente. Um dos nossos problemas é tentar desvendar o inescrutável. O fato é que muito do que Deus faz em nosso mundo é e continuará sendo inescrutável para nossa mente finita. Nunca saberemos por que algumas coisas ruins acontecem neste universo. Alguns caminhos de Deus continuarão a ser um mistério para nós. Deus afirmou em Isaías 55.8,9: "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos

caminhos,

pensamentos."

e

os

meus

pensamentos,

O Mal Prova que Deus não Existe?

mais

altos

do

que

os

vossos

Aparentemente, muitas pessoas vêem maldades, sem sentido e desnecessárias, ocorrendo no mundo e concluem que Deus não existe. Ou talvez, quem sabe em alguma outra época, existiu um Deus, mas é provável que agora Ele esteja morto. Alvin Plantinga diz assim: "Muitos crêem que a existência do mal (ou, pelo menos, o mal na quantidade e variedade que encontramos hoje) torna a crença em Deus sem fundamento e racionalmente inaceitável". Os teólogos William Hamilton e Thomas Altizer concluíram, sem rodeios, que Deus está morto. Outros crêem que se existe um Deus, Ele, com certeza, não tem razões morais o suficiente para permitir que essas maldades horríveis ocorram. Assim, o problema do mal representa o conflito entre três realidades: o poder de Deus, a benevolência de Deus e a presença do mal no mundo. O bom senso nos diz que as três não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. A solução do problema do mal envolve modificar uma ou mais dessas três opções: limitar o poder de Deus, limitar a benevolência de Deus ou

modificar a existência do mal (como, por exemplo, chamá-lo de ilusão). Caso Deus não afirmasse sua própria bondade, com certeza, seria mais fácil explicar

a existência do mal. No entanto, Deus afirma ser bom. Se Deus tivesse poder

limitado e fosse incapaz de opor-se ao mal, então seria mais fácil explicar a existência do mal. Entretanto, Deus afirma ser Todo-poderoso. Se o mal fosse apenas uma ilusão logo o problema, de fato, não existiria. Contudo, o mal não

é uma ilusão, é dolorosamente real. Hoje, enfrentamos a realidade do mal moral (que é cometido por agentes morais independentes, incluindo coisas como a guerra, o crime, a crueldade, o conflito de classes, a discriminação, a escravidão, a limpeza étnica, homens-bomba e outras injustiças) e do mal natural (que inclui

terremoto, enchentes, furacões e outros equivalentes). Deus é bom e Todo-

Poderoso e, apesar disso, o mal existe. Em razão de o mal existir e de não poder ser conciliado com um Deus bom e Todo-Poderoso, muitas pessoas escolhem simplesmente a total rejeição da crença em Deus. David Hume, H. G. Wells e Bertrand Russel, proeminentes pensadores, pertencem a esse grupo. Hume, de maneira sucinta, defendeu isso quando escreveu sobre Deus:

"Ele quer evitar o mal, mas não é capaz? Então, Ele é impotente. Ele é capaz, mas não quer fazer isso? Então, ele é sádico. Ele é capaz e quer: então por que motivo o mal existe?" Se existe um Deus Ele tem de ser totalmente bom e Todo-Poderoso , assim há questionamentos quanto às atrocidades, como as que Hitler cometeu o assassinato de seis milhões de judeus, que nunca deveriam ter acontecido. Nós cristãos, com certeza, concordamos que, o que Hitler fez com os judeus foi um horrendo e inescrupuloso crime. Mas a categorização das ações de Hitler como mal faz surgir um importante ponto filosófico. Conforme muitos pensadores observam, se alguém afirma que o mal existe no mundo, primeiro, deve perguntar-se qual o critério adotado para julgar que alguma coisa é má.Como é possível julgar que determinadas coisas são boas ou más? Por qual padrão moral de devem avaliar pessoas e eventos? Robert Morey, apologista cristão, explica desta maneira: "Como você reconhece o mal quando o vê? Por meio de que processo você reconhece o

Minha visão como Sócrates, muito tempo atrás, já demonstrou é

mal? [

a seguinte: para fazer a distinção entre indivíduos bons e maus deve-se ter um [padrão] universal ou absoluto. Uma vez que se admita isso, então, o resultado

final diz que, sem um ponto de referência infinito para o 'bem', a pessoa não pode identificar o bem nem o mal. Apenas Deus pode esgotar o significado ilimitado de bem. Portanto, sem a existência de Deus, não há 'mal' nem 'bem' em um sentido absoluto, pois tudo é relativo. O problema do mal não nega a existência de Deus. Na verdade, ele a exige." O ponto, portanto, é que é impossível distinguir o mal do bem, a menos que se tenha um ponto de referência ilimitado do que é absolutamente bom.

]

Caso contrário, seria como alguém que estivesse em um bote no mar, em uma

noite encoberta e sem bússola quer dizer, não haveria como distinguir entre

o norte e o sul. Deus é nosso ponto de referência para distinguir entre o mal e o

bem.

Considere Todas as Evidências

Embora nós cristãos reconheçamos que o problema do mal é visto por

alguns como um argumento racional contra a existência de Deus, nós

sugerimos que os argumentos a favor da existência de Deus têm muito mais

peso e valor do que os contra. E a realidade do mal, que é obviamente

problemática, entretanto, é vista como compatível em relação a visão de

mundo cristã. Nós cristãos, portanto, argumentamos que não se pode focar a

atenção sobre um único e restrito aspecto da evidência (como a existência do

mal), mas deve-se considerar todo o conjunto de evidências inclusive os

vários argumentos que, ao longo dos séculos, foram sugeridos a favor da

existência de Deus. Em resumo breve, alguns estão listados abaixo.

1. O argumento cosmológico.

Esse argumento diz que cada efeito tem uma causa adequada. O

universo é um "efeito". A razão determina que o que quer que tenha causado o

universo deve ser maior que o universo. Essa causa é Deus (e Ele mesmo é a

Primeira Causa não-causada). Como Hebreus 3.4 afirma: "Porque toda casa é

edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus".

2. O argumento teleológico.

Esse argumento destaca a óbvia intencionalidade e complexidade do

planejamento do mundo. Se encontrássemos um relógio na areia, poderíamos

assumir que alguém criou o relógio, pois, obviamente, as partes não poderiam

se unir sozinhas. O perfeito planejamento do universo, de maneira similar, indica um Planejador, e Ele é Deus.

3. O argumento ontológico.

Esse argumento diz que a maioria dos seres humanos tem a idéia inata do mais perfeito ser. De onde vem essa idéia? Não do homem, pois ele é um ser imperfeito. Algum ser perfeito (Deus) deve ter plantado essa idéia no homem. Não é possível conceber a não-existência de Deus, pois, desse modo, ninguém poderia conceber a existência de um ser ainda maior. Portanto, de fato, Deus deve existir.

4. O argumento moral.

Esse argumento diz que todo ser humano tem um senso inato de "dever" ou obrigação moral. De onde vem isso? Deve vir de Deus. A existência de uma lei moral em nosso coração exige a existência de um Legislador (veja Rm 1.19-32).

5. O argumento antropológico.

Esse argumento diz que o homem tem personalidade (razão, emoção e desejo). Uma vez que isso é pessoal, não pode se derivar do impessoal, deve haver uma causa pessoal e essa causa pessoal é Deus (veja Gn 1.26,27). Algumas pessoas, obviamente, mesmo quando a par de alguns desses argumentos, ainda rejeitam a crença em Deus. Talvez, João Calvino, o reformador, estivesse certo quando disse que as pessoas não-regeneradas veem, de forma nebulosa, essas evidências de Deus no universo. Apenas “quando a pessoa põe os “óculos” da fé e da crença na Bíblia é que as evidências da existência de Deus entram no foco claro e tornam-se convincentes”.

Os cristãos, se Calvino estiver correto, fazem bem em oferecer não apenas evidências da existência de Deus, como também evidências que demonstram a confiabilidade da Bíblia. Estou convencido de que se acrescentarmos aos argumentos filosóficos acima o incrível suporte histórico e arqueológico para a confiabilidade da Bíblia, o embasamento histórico de Jesus Cristo (inclusive a ressurreição), e destacarmos a exatidão das profecias bíblicas e o testemunho de inúmeros cristãos ao longo dos séculos, teremos um argumento bastante forte para provar a existência de Deus a qualquer pessoa sensata.

O que é o mal?

De uma perspectiva filosófica, o mal não é auto-existente; mas na verdade, ele é a perversão de algo que já existe. O mal é a ausência ou privação de alguma coisa boa. Só há devastação florestal, por exemplo, enquanto existirem árvores. A queda de um dente apenas pode acontecer se houver dente. A ferrugem em um carro, a carcaça decadente, olhos cegos e ouvidos surdos ilustram o mesmo ponto. O mal existe como perversão de alguma coisa boa; ele é a privação e não tem essência em si mesmo. Norman Geisler declara: "O mal é como um ferimento em um braço ou um buraco de traça em uma vestimenta. Ele apenas existe no outro, mas não por si mesmo". William Dembski importante teórico que defende o projeto inteligente, explica desta maneira:

"O mal sempre é um parasita do bem. Na verdade, todas nossas palavras para definir o mal pressupõem que um bem foi pervertido. Impureza pressupõe pureza, improbidade pressupõe probidade, desvio pressupõe

caminho (i.e., uma via) de onde partimos o pecado [

pressupõe um alvo

errado, e assim por diante". Na verdade, podemos ser um pouco mais precisos. O mal envolve a ausência de algo bom que deveria estar lá. Quando o bem que deveria estar

]

em alguma coisa não está ali, isso é o mal. Por exemplo, a saúde deve estar no corpo humano, mas algumas vezes, as pessoas têm câncer. Isso é o mal. O ouvir procede do ouvido, mas algumas vezes, as pessoas ficam surdas. Isso é o mal. A visão deve estar no olho, mas algumas vezes, as pessoas ficam cegas. Isso é o mal. Observe, em contraste, que a árvore em um gramado não pode ver, no entanto, isso não é o mal, porque nunca se esperou que a árvore enxergasse. Do mesmo modo, se meu nariz não tem uma verruga, isso não é o mal, porque, para começar, nunca se supôs que meu nariz deveria ter uma verruga. Portanto, o mal envolve a ausência de alguma coisa boa que deveria estar ali, como a visão nos olhos, o escutar no ouvido ou a saúde no corpo. O mal é a perversão ou privação de alguma coisa boa que deveria estar presente. Isso nos leva de volta ao ponto inicial. Quando Deus, como o Arquiteto divino, originariamente, criou o universo, ele era, de todas as maneiras possíveis e perfeitamente bom. Na verdade, Gênesis 1.31 nos relata: "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom". Nada estava errado. Não havia mal. Não havia no universo a situação em que se pudesse dizer que algo bom deveria estar lá, mas não estava ali. Tudo era bom. Hoje, no entanto nem tudo é bom. Na verdade, existe agora uma grande quantidade de mal no universo que, um dia, foi inteiramente bom. Isso só pode significar uma coisa. Aconteceu algo terrível entre aquele momento e agora, para causar tamanha mudança. Ocorreu uma colossal perversão do bem. Assim como uma casa pode sofrer uma invasão maciça de cupins, o universo sofreu uma invasão maciça de pecado. Jimmy H. Davis e Harry L. Põe, em seu livro Designer Universe:

Intelligent Design and the Existence of God (Planejador do Universo: o Projeto Inteligente e a Existência de Deus), sugere que a existência do mal no universo não desmente a existência de Deus, como também a existência de cupim na casa não desmente a existência do arquiteto: "O fato de que a feiúra, o tormento, a morte, a dor, o sofrimento e o caos estejam presentes no mundo não são argumentos que desmintam o Planejador. Uma infestação de cupim não prova que a casa não teve um arquiteto. O vandalismo não prova que a

casa não teve um arquiteto. O incêndio culposo não prova que a casa não teve um arquiteto. Proprietários descuidados que não pintam nem retiram o lixo não provam que a casa não teve arquiteto. Esses assuntos apenas levantam questões sobre a situação da casa desde que foi construída." Teologicamente, a Bíblia é clara quanto ao fato de que Deus existe e de que Ele criou o universo de modo totalmente bom. A Bíblia também é clara em relação ao fato de que as coisas mudaram de maneira radical desde que Deus criou o mundo. Na atual conjuntura, é suficiente notar que, devido ao pecado, as coisas agora não são mais como foram criadas para ser. O projeto original de Deus foi corrompido por um intruso -- o pecado. O universo bom de Deus, já não é melhor. Em resumo, sei que muitos suportaram sofrimentos significativos e foram tentados a concluir que Deus não existe, ou que, talvez, Ele não se importa. Por favor, permita-me lhes oferecer algumas verdades nas quais você pode querer se apoiar:

Os argumentos a favor da existência de Deus são muito mais convincentes e persuasivos do que os contra sua existência. Até mesmo uma casa com cupins tem um arquiteto. Deus é um Deus vivo que caminha com você em meio a qualquer circunstância que encontre (veja Dn 6.19-27). Deus ama o que não merece seu amor inclusive você e eu (1 Jo 4.8). Tente, com os olhos da mente, imaginar você descansando nos braços amorosos de Deus. O amor não é apenas uma característica de Deus. Ele é a personificação do amor (1 Jo 4.8), O amor permeia seu Ser. E o amor de Deus não depende da amabilidade dos objetos (seres humanos). Deus nos ama apesar de termos caído em pecado (Jo 3.16). Deus ama o pecador, apesar de Ele odiar o pecado. É importante lembrarmos disso, em especial nos momentos em que somos severamente advertidos por nossas faltas. Sentimo-nos, às vezes, culpados e indignos do amor de Deus. Na verdade, devemos sentir-nos como vermes diante de Deus devido a nossa maldade pessoal. No entanto, esse sentimento não está arraigado nos sentimentos de Deus para conosco. Ele nos ama mesmo quando não merecemos ser amados.

Deus está presente em todos os lugares. Ele está com você em todos os momento, quer você tenha consciência da presença dEle quer não (Sl 139.7,8 veja também 1 Rs 8.27; 2 Cr 2.6; Jr 23.23,24; At 17.27,28). É reconfortante sabermos que não importa para onde vamos, nunca escaparemos da presença de nosso amado Deus. Ele, como Bom Pastor de suas ovelhas, jamais deixará seus filhos sozinhos (Sl 23). Sempre conheceremos a bênção de andar com Ele em todas as provações e circunstâncias da vida. Deus é justo. Caso alguém o tenha tratado de maneira injusta, confie no fato de que, no final, Deus corrigirá todos os erros (Gn 18.25). A santidade de Deus não apenas significa que Ele está totalmente separado de todo mal, mas também que Ele é absolutamente reto (Lv 19.2). Ele é total e plenamente puro. Deus está separado de tudo que é moralmente imperfeito. As Escrituras põem grande ênfase sobre os atributos de Deus e se quisermos ser companheiros de Deus, devemos considerar seriamente a santidade pessoal. Caminhar em companheirismo diário com Ele, obrigatoriamente, envolve viver da maneira como Deus se agrada. Deus não pode ser companheiro daqueles que se envolvem com o pecado. Deus é excepcionalmente reto (diferente do conceito de Deus em algumas outras religiões mundiais). Lemos: "Ah! Senhor, Deus de Israel, justo és" (Ed 9.15); "Justo serias, ó Senhor" (Jr 12.1); "Porque o Senhor é justo e ama a justiça" (Sl 11.7); "Ele ama a justiça e o juízo" (Sl 33.5); "Justiça e juízo são a base do teu trono" (Sl 89.14). Dizer que Deus é justo, significa que Ele aplica seus padrões de retidão com justiça e equidade. Não há parcialidade ou deslealdade no modo como Deus lida com as pessoas (Sl 3.5, Rm 3.26). O Antigo e Novo Testamento proclama, de maneira enfática, a imparcialidade de Deus (veja, por exemplo, Gn 18.25; Jo 17.25; Hb 6.10). O fato de Deus ser justo é um conforto e também uma advertência. É confortante para aqueles que sofreram abusos. Eles podem descansar seguros de que, no final, Deus consertará todos os erros. No entanto, é uma advertência para aqueles que pensam que não serão punidos pelo mal que praticam. No final, a justiça prevalecerá!

Deus é compassivo e tem sentimentos carinhosos por você. Quando estiver tentado a duvidar da compaixão de Deus, reflita sobre o Jesus do Evangelho, pois isso lhe dará um retrato exato do coração de Deus. Deus demonstra compaixão carinhosa por seu povo. Em Salmos 103.13, pode-se ler: "Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem". Em Salmos 135.14, diz: "Pois o Senhor julgará o seu povo e se arrependerá em atenção aos seus servos". Salmos 34.18 relata-nos: "Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito". Em Isaías 49.15, Deus proclama:

"Pode uma mulher esquecer-se tanto do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti". Quando Deus precisa disciplinar seus filhos desobedientes, Ele sempre é compassivo depois que a disciplina é exercida. Deus afirma: "E será que, depois de os haver arrancado, tornarei, e me compadecerei deles, e os farei tornar cada um à sua herança e cada um à sua terra" (Jr 12.15; veja também Is 54.7,8). Observe que, em si mesma, a disciplina de Deus é um sinal do amor e da compaixão dEle, pois por amar tanto seus filhos, Ele não permite que firam a si mesmos ao permanecer em pecado (Hb 12.6). Podemos ter um vislumbre de primeira mão da compaixão de Deus ao observar a vida de Cristo. Quando testificamos Jesus, testificamos o coração de Deus. (Jesus mesmo disse que quando vemos Jesus, vemos o Pai Jo 14.9.) Há, no NT, inúmeros exemplos da compaixão de Jesus. Rememore que Jesus, após passar um tempo sozinho em um barco, foi para terra firme e, ao ver uma grande multidão, foi "possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos" (Mt 14.14). Mais tarde, uma multidão de quatro mil pessoas ficou faminta enquanto escutavam os ensinamentos de Jesus. Ele chamou seus discípulos e disse-lhes: "Tenho compaixão da multidão, porque já está comigo há três dias e não tem o que comer, e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho" (Mt 15.32). Depois, Jesus multiplicou sete filões de pães e alguns pequenos peixes para que todos tivessem abundância de alimento para comer (vv. 35-39). Mais tarde, quando

dois homens cegos suplicam pela misericórdia de Jesus, Ele não precisou ser

coagido para ajudá-los. "Então, Jesus, movido de íntima compaixão, tocou-lhes nos olhos, e logo viram; e eles o seguiram" (Mt 20.34). A misericórdia e compaixão admiráveis de Jesus incitam esta exortação do escritor de Hebreus: Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno (Hb 4.15,16). Em qualquer momento, em que você for tentado a inquirir sobre a benevolência e compaixão de Deus, reflita sobre o Jesus do Evangelho, pois isso lhe dará um retrato exato do coração de Deus. No Evangelho, ao observar

a compaixão de Jesus, vemos a compaixão de Deus em ação. Quer dizer que, graças à compaixão de Deus, você nunca sofrerá na vida? Não, não quer dizer isso. Isso é óbvio, as páginas da Bíblia estão

repletas de exemplos de sofrimento. O apóstolo Paulo é um bom exemplo. Ele

é um homem que serviu a Deus em tempo integral e que tinha conhecimento

vivido da compaixão do Deus a quem servia. No entanto, lemos isto em 2Coríntios 11.24-27: "Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez". Coisas ruins realmente acontecem para pessoas boas. No entanto, durante todo o tempo difícil, Deus está caminhando lado a lado conosco enquanto prosseguimos com dificuldade em nosso caminho em direção ao céu. Deus não nos isenta do sofrimento, mas Ele sempre está conosco em nosso sofrimento, como estava na fornalha ardente (Dn 3) e na cova dos leões (Dn 6).

Deus é soberano. Nada pode nos atingir, a menos que Deus, em sua sabedoria o permita. Mesmo quando você não entende por que certas coisas acontecem, pode ter certeza de que Deus está no controle. Soberania divina significa que Deus é o absoluto Regente do universo. Ele pode utilizar vários meios para alcançar seus fins, e Ele sempre está no controle. Não pode acontecer nada neste universo que esteja fora de seu desígnio. Todas as formas de existência estão no âmbito de seu absoluto domínio. O texto de Salmos 50.1 refere-se a Deus como o Poderoso que "falou e chamou a terra desde o nascimento do sol até ao seu ocaso". O Salmo 66.7 afirma que "Ele domina eternamente pelo seu poder". O Salmos 93.1, assegura-nos que "o Senhor reina" e "se revestiu e cingiu de fortaleza". Em Jó afirmou para Deus: "Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido" (Jo 42.2). Em Isaías 40.15 diz-nos que, por comparação, "as nações são consideradas por ele como a gota de um balde e como o pó miúdo das balanças; eis que lança por aí as ilhas como a uma coisa pequeníssima". Na verdade: "Todas as nações são como nada perante ele" (Is

40.17).

Deus afirmou: "O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade" (Is 46.10). Deus nos assegura: "Como pensei, assim sucederá; e, como determinei, assim se efetuará" (Is 14.24). Deus é "o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores" (1 Tm 6.15). Em Provérbios 16.9 relata-nos: "O coração do homem considera o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos". Em Provérbios 19.21 declara: "Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá". Em Provérbios 21.30, lemos: "Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o Senhor". Em Eclesiastes 7.13 instrui-nos:

"Atenta para a obra de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto?”. Em Lamentações 3.37 afirma-se: "Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?"

James Montgomery Boice, em seu excelente livro The Sovereign God (O Deus Soberano), fala sobre as várias maneiras por meio das quais Deus, nos tempos bíblicos, mostrou seu controle soberano:

Deus mostrou sua soberania sobre a natureza ao dividir as águas do mar Vermelho para que os filhos de Israel pudessem atravessar do Egito para o deserto e, depois, ao fazer retornar as águas a fim de destruir os soldados egípcios que os perseguiam. Ele mostrou sua soberania ao mandar alimento para dar sustento ao povo enquanto atravessavam o deserto. Em outra ocasião, Ele mandou codornizes ao campo para que tivessem carne. Deus dividiu as águas do rio Jordão para que as pessoas pudessem atravessar em direção a Canaã. Ele fez cair as muralhas de Jerico. Na época de Josué, Ele fez com que o sol permanecesse em Gibeão para que Israel tivesse força para obter uma vitória total sobre seus inimigos em fuga. A soberania de Deus, na época de Jesus, foi vista quando alimentou de quatro a cinco mil pessoas com alguns pequenos pães e peixes, na cura de doentes e ressuscitando de mortos. Por fim, manifestou-se nos eventos ligados à crucificação e ressurreição de Cristo. O que a soberania de Deus significa para mim e você em relação a nossa luta com as "coisas ruins"? Podemos ter certeza de que todas essas coisas estão sujeitas a Deus e de que nada pode nos atingir, a menos que Deus, em sua sabedoria, assim permita. Quando Ele permite que isso aconteça, podemos ter certeza de que o faz para o nosso bem. Recomendo que, qualquer pessoa que duvide de que Deus tenha habilidade para, de maneira soberana, entremear os eventos de nossa vida diária para nosso bem maior, leia o livro de Ester, na Bíblia. Nesse livro, encontramos a soberania, a providência e inflexibilidade de Deus operando, nos bastidores, em favor de seu povo. Ele faz o mesmo para nós. Muitas vezes, ainda que não percebamos, Deus está operando. Jerry Bridges concorda: "De nossa perspectiva limitada, nossa vida é marcada por uma série de contingências sem-fim. Percebemos, com frequência, que, em vez de agir como havíamos planejado, estamos reagindo devido a uma reviravolta inesperada dos eventos. Fazemos planos, porém, com freqüência, somos

obrigados a mudar esses planos. Entretanto, com Deus não há contingências. Nossa inesperada mudança forçada de planos faz parte do plano dEle. Deus nunca é surpreendido; nunca é pego desprevenido; nunca é frustrado por desfechos inesperados. Deus faz conforme seu deleite, e o que o deleita sempre é para sua glória e nosso bem". O mais difícil para nós é que Deus não nos senta e explica: "Está bem, escutem, permitirei, nesta próxima semana, que alguma coisa ruim aconteça, mas eu estou no controle, e a finalidade desse evento é para alcançar algo muito bom. Portanto, não se preocupe com isso. Está tudo bem". Deus, com certeza, não se sentou e explicou para Jó por que este sofria de maneira tão horrível. Judy Salisbury oferece esta explicação: "É como se Deus estivesse dizendo a Jó: “Jó, isso é muito grande, muito maior do que você”. Isso tem que ver com meu plano eterno. Jó, você é temporal e pensa dessa maneira. Eu sou infinito, você é finito" e, Jó, se eu começasse a lhe explicar isso, você não poderia lidar com esse assunto. Não lhe darei todas as respostas, mas saiba isso nenhuma folha cai no chão sem que eu saiba. Portanto você não acha que estou muito mais preocupado com aqueles que ostentam minha imagem?" Foi-nos dado a mim e a você o privilégio de por meio da leitura do livro de Jó investigar o contexto da vida desse homem. No entanto, não estamos aptos a investigar o contexto e discernir os misteriosos caminhos. Pelos quais Deus opera em nossa vida. Por isso, temos de confiar nEle. Usualmente, não estamos cientes da razão pela qual Deus planeja nossas circunstâncias da maneira que faz. Contudo, podemos sempre ter certeza de que em seu coração a busca de nosso maior benefício é uma constante. Penso que Chuck Swindoll está correto quando diz: "A soberania de Deus alivia minha ansiedade. Ela não afasta minhas questões. Ela afasta minha ansiedade. Quando me apoio nisso, sinto-me liberto da preocupação". Na verdade, ele afirma: "A soberania de Deus, liberta-me da necessidade de entendimento. Não preciso ter todas as respostas. Acho fácil, em momentos críticos, dizer a certos indivíduos: 'Você sabe, eu não sei. Não posso deslindar o plano total do Senhor nisso tudo'". Mas, alguém ainda pode objetivar que, se

Deus é tão poderoso e soberano, e bondoso, porque Ele não elimina o mal de uma vez por todas?

A CRIAÇÃO, A PROVIDÊNCIA E OS MILAGRES.

A CRIAÇÃO

A criação do mundo Todos os livros sagrados têm uma resposta sobre a natureza e a origem do Universo. Por que isso é tão importante para as religiões? No começo, era o nada. Então alguém resolveu contar a origem de tudo. E assim nasceu a tentativa do homem de explicar a origem do Universo. As civilizações mais antigas já tinham essa questão existencial. E as religiões, preocupadas em dar respostas a seus fiéis, não poderiam deixar de formular suas respostas. “Como surgiu tudo? Como é a origem do planeta, das coisas, do homem? Essas são as primeiras perguntas que o homem faz a si mesmo. Sejam indígenas, africanas, orientais, grandes ou pequenas, novas ou antigas, todas as religiões terão respostas para isso”, diz o teólogo da PUC-SP, Rafael Rodrigues, especialista no Antigo Testamento, que começa com a narrativa do livro do Gênese. Na falta de referências, os homens costumam usar como matéria-prima dos mitos o mundo real para responder essas perguntas transcendentais. Por isso, a cosmologia de cada grupo social é um reflexo da cultura e do momento histórico de quem a inventa. “Os mitos colocam o que é mais importante na cultura local com uma importância proporcional nos mitos de criação”, diz Rodrigues. Logo o sol e a água, essenciais para a produção agrícola e a sobrevivência, sempre ocuparam lugar de destaque na mitologia das civilizações antigas. Muitas histórias sobre a origem do mundo começam contando como esses recursos foram criados ou controlados pelo homem. Segundo a mitologia iorubá, no início dos tempos havia dois mundos:

Orum, espaço sagrado dos orixás, e Aiyê, que seria dos homens, feito apenas

de caos e água. Por ordem de Olorum, o deus supremo, o orixá Oduduá veio à Terra trazendo uma cabaça com ingredientes especiais, entre eles a terra escura que jogaria sobre o oceano para garantir morada e sustento aos homens. Para a tradição religiosa chinesa, o caos inicial era como um ovo no qual entraram em equilíbrio os princípios opostos, yin e yang. Desse equilíbrio nasceu Pangu, gigante de cujo corpo se formou a água, a terra e o Sol. Às vezes os mitos de criação são verdadeiros tratados políticos de sua época. “Só compreendemos o 1º capítulo do Gênese se entendemos a catástrofe dos povos que o escreveram”, diz Rodrigues. A cosmologia judaico- cristã foi escrita por povos dos antigos territórios de Israel e Judá, levados à força para a Babilônia, onde pagavam tributos. “Quando dizem que ‘antes a terra estava vazia e sem forma’, eles não se referem ao planeta, mas ao território deles, que ficou devastado e abandonado após a invasão dos povos assírios.” A ordem de criação das coisas no mito é uma provocação ao poder local. A primeira frase dop Gênese diz que Deus fez a luz. Só no 4º dia Ele criaria o Sol, contrariando a cosmologia dos opressores babilônios, para quem Marduk, o Sol, era o deus supremo e criador de todas as coisas, inclusive da luz.

Ainda contando a tragédia dos povos de Israel e Judá, os capítulos 2 e 3 do Gênese mostram o que acontece quando um camponês perde aquilo que é mais primordial para sua sobrevivência: a horta. “O sentido da palavra que traduzimos para jardim, em hebraico, é horta”, diz Rodrigues. Ao ser expulso do Éden e perdê-la, Adão comerá “o pão com o suor do rosto” e Eva sentirá aumentar “as dores do parto” porquê, em vez de ter filhos de 7 em 7 anos, como era o hábito, terá de engravidar mais vezes para o casal ter mais filhos e mão-de-obra. Trabalhando para os babilônios, eles precisavam produzir mais para pagar impostos. “O mito nasce como uma crítica ao sistema produtivo da época. É um texto antitributarista”, afirma Rodrigues.

A versão de quem lê

A cosmologia das religiões geralmente é elaborada a partir de mitos mais antigos. Ao se apropriar deles, elas se alimentam do mito e ao mesmo tempo o fortalecem. Afinal, elas transformam as lendas em algo mais que a realidade: a verdade de Deus. E é nesse processo de assimilação que geralmente os mitos são organizados em livros sagrados, quando também entram em jogo as interpretações e tradições orais e escritas que vão orientar sua leitura pelos fiéis. Os mitos do Gênese, por exemplo, foram escritos entre os séculos 8 e 5 a.C., mas a organização deles numa Torá só começaria no século 2 a.C. Nessa época, é provável que o texto tenha sofrido mudanças e adaptações, segundo os ideais do judaísmo nascente. A própria escolha dos textos também obedece os critérios da religião que o organiza, como aconteceria com o Novo Testamento, no início do cristianismo. Mesmo fora dos livros sagrados, as tradições e interpretações dos mitos de criação fundamentam valores, regras morais e de comportamento para seus seguidores. “Há textos rabínicos que interpretam cada linha do Gênese para mostrar que a mulher não pode dar testemunho em público. Porque, quando ela tomou alguma decisão, levou o homem ao erro e ao pecado. A partir daí aparece toda a questão da sujeição da mulher”, diz Rodrigues. As tradições construídas a partir do texto às vezes se tornam mais fortes no imaginário do que os originais. Quando lembramos de Adão e Eva no paraíso, é comum pensarmos na maçã, como retratado na imagem da página anterior. Apesar de a palavra maçã não aparecer no texto do Gênese. A cosmologia do hinduísmo também explica, além da origem do mundo, sua organização social. Segundo os Vedas, 3 divindades são responsáveis pelos ciclos de criação e destruição do Universo: Brahma cria, Vishnu preserva e Shiva o destrói para que o ciclo recomece. Para criar o mundo e os humanos, Brahma fez dois deuses de si: Gayatri e Purusha, o homem cósmico de onde foram feitas todas as coisas. Mas, enquanto alguns

homens nasceram da boca de Purusha, e se tornaram sacerdotes, outros nasceram dos pés, e se tornaram os escravos da sociedade indiana. O exemplo da sociedade hindu é apenas mais um exemplo de como os mitos sobre a criação do Universo fazem bem mais que resolver questões existenciais ao estabelecer relações de poder e detalhar códigos de conduta. O que faz deles ferramentas importantes para a coesão social, como parte indispensável da cultura e da identidade de um povo. Autor: Texto Tarso Araújo

TEORIAS DE CRIAÇÃO DO UNIVERSO

Existem várias teorias sobre a criação do Universo e do Planeta Terra, boa parte delas na tentativa de explicar algo que talvez seja tão inexplicável para alguns. Em compensação existem teorias que deixam pessoas com o queixo caído pela sua complexidade e perfeição na associação de idéias, esse é o caso da Teoria do BIG BANG, não restringe-se apenas a tão pequena Terra, em comparação com o Universo ela se torna um pontinho azul minúsculo no meio de inúmeros outros de todas as cores. Apesar de toda essa diversidade que encontramos no Universo, nos restringiremos ao Planeta Terra que mesmo sendo pequeno tem muito do que se falar. Segue abaixo as principais Teorias da Criação do Mundo. Enfim a uma disputa onde a Ciência e a Religiosidade tem opiniões divergentes, não temos como provar, só resta talvez a possibilidade de alguém fazer isto. Abaixo, seguem-se algumas teorias sobre a criação do Universo

Teoria Científica

Cientistas levantaram a hipótese de que as milhões de galáxias que povoam os céus tenham surgido a partir de uma fantástica explosão cósmica. Segundo essa hipótese, os corpos celestes de hoje são produtos da

transformação física dos fragmentos daquilo que explodiu no Big Bang que originou o universo. E essa explosão teria ocorrido há cerca de 20 bilhões de anos atrás.

O que hoje nós chamamos de galáxias, surgiram à partir de um mesmo

ponto, de um provável bloco de matéria original A mesma foi proposta pelo astrofísico belga Georges Lemaître, que acreditava que no passado remoto o Big Bang teria originado todo o Universo. Naquela matéria original, que deve ter existido no centro do espaço

cósmico, certamente estiveram reunidos todos os prótons, nêutrons e elétrons que hoje existentes em qualquer parte do Universo.Essa massa ainda não teria a estrutura atômica ou molecular. Essa matéria teria sido batizada pelo astrofísico Milne de Ylem, que quer dizer “ventre gerador”.

A incalculável pressão no interior do Ylem determinou a elevação de

sua temperatura a bilhões de graus. E foi em conseqüência dessa alta temperatura e a pressão fez que o ovo cósmico explodisse.(Ovo cósmico ou ovo pré-atômico, que era o conjunto de todos os Ylem) Lançando enormes

fragmentos do Ylem em todas as direções. A partir da explosão em que os Ylem foram lançados para longe, os

átomos procuravam alcançar um estágio de equilíbrio elétrico com os prótons, começavam então a surgir os primeiros átomos.

A formação em seqüência dos átomos dos vários tipos de elementos

químicos deve ter levado muito tempo, mas permitiu o aparecimento de imensas massas gasosas e de poeira cósmica, que se expandiram pelo espaço. Com a condensação desses gases e da poeira cósmica, nasceram as primeiras nebulosas, só que muitos bilhões de anos depois é que a densidade aumentou no interior de cada grande massa, levando a formação das estrelas e das galáxias, e com a ação da gravidade a matéria ficou girando sobre si própria, foi se condensando e chegou mesmo a formar corpos celestes de extraordinária densidade.

Dessa forma, nasceu o Universo, dentro dele, a Via-láctea, apenas uma galáxia que não é das maiores dentre milhões de outras. E quase na borda dessa imensa nuvem luminosa em forma de disco, com cerca de 100 bilhões de astros, nasceu uma modesta estrela, que também não é das maiores, e que recebeu o nome de SOL.

Teoria Cristã de Criação do Mundo

"No início, Deus criou o céu e a terra. Ao Primeiro dia, separou as luzes das trevas. Ao Segundo dia, criou o firmamento dando-lhe o nome de céu. Ao Terceiro dia, fez a terra germinar e criou as plantas e os seus frutos. Ao Quarto dia, colocou no céu o sol, a lua e as estrelas. Ao Quinto dia, povoou as águas de peixes e os céus de pássaros. Ao Sexto dia, povoou a terra de animais de todas as espécies e criou o homem à sua imagem e semelhança. Ao Sétimo dia, descansou."

Teoria Egípcia

Havia no Egito Antigo vários mitos sobre a criação, contam-se pelo menos 10 divindades criadoras. Antes de todas as coisas não havia senão trevas e “água primordial”, o Nun (oceano à semelhança do Nilo que continha todos os germes da vida). Surgiu o senhor todo-poderoso Atum, que se criou a si próprio a partir do Num, por ter pronunciado o seu próprio nome, depois teve 2 gêmeos, um filho Chu (que representava o ar seco) e uma filha Tefnut (ar húmido). Estes separaram o céu das águas e geraram Geb a terra seca e Nut o céu.

Teoria Grega da Criação

Para os Gregos, o início da criação era o Caos, e este gerou Érebo (a parte mais profunda dos infernos) e Nyx (a noite). Estes fizeram nascer Éter (o ar) e Hémera (o dia). Depois Gaia (terra) tornou-se a base em que todas as vidas têm a sua origem. Úrano (céu) casou-se com Gaia (terra). Todas as criaturas provêm desta união do céu e da terra (titãs, deuses, homens).

A PROVIDENCIA

Uma maneira prática de ver o relacionamento entre doutrinas como a da soberania de Deus e a da responsabilidade humana é considerar a doutrina Bíblica da Providência Divina. A doutrina da Providência trata com a questão sobre como o mundo sobrevive, e em que direção caminha. Ela procura dar resposta para a pergunta sobre se há uma ordem por detrás de todos os acontecimentos, ou se tudo acontece de forma aleatória. Vivemos num tempo em que, por um lado, as pessoas pensam que o acaso governa, ou, por outro, defendem uma espécie de fatalismo. A Bíblia não concorda com nenhuma destas crenças. Ela afirma o controle soberano de Deus sobre todas as coisas através de sua Providência. Estudar a doutrina da Providência nos mostra o quanto Deus é pessoal e está diretamente envolvido em tudo o que acontece neste mundo. O homem sempre teve muitas crenças interessantes sobre o curso que o mundo segue. Uma crença do século dezenove chamada “Deísmo” entendia que Deus havia criado o mundo, mas a partir de então, não atuava mais nele. Deus havia estabelecido leis fixas para todas as coisas, e então, o mundo simplesmente seguia o curso dessas leis, sem nenhuma interferência do Criador. Nessa visão, o mundo seria uma máquina que Deus acionou e que agora trabalha por conta própria. Por outro lado, como já dissemos, popularmente as pessoas acreditam na “sorte”, no “acaso”, na “fortuna” ou no

“destino”. É como se o mundo e o destino de todos os homens estivesse nas

mãos de alguma força impessoal e incompreensível.

O mundo não está nas mãos de uma força impessoal. O mundo está

nas mãos de um Deus que trabalha. Quando os fariseus recriminaram Jesus

por ter curado no Sábado, Jesus afirmou que o sétimo dia não significava o fim

do trabalho divino. Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho

também” (João 5:17). Deus continua trabalhando no mundo. A isto chamamos

de Providência. Uma boa definição de Providência pode ser: “O permanente

exercício da energia divina, pelo qual o Criador preserva todas as Suas

criaturas, opera em tudo que se passa no mundo e dirige todas as coisas para

o seu determinado fim” 1 .

Nas Escrituras, podemos ver três formas como a Providência Divina se

manifesta: Preservação, Concorrência e Governo.

Deus preserva todas as coisas

Deus não apenas criou o mundo como também o sustenta.

Rigorosamente falando, o ato criador de Deus terminou no sexto dia. A partir

daí iniciou-se a Providência Divina. O texto de Hebreus 1:1-3 diz que o mundo

foi criado através de Jesus, e que é sustentado igualmente através dele “pela

palavra do seu poder”. É este poder de Deus que sustenta diretamente o

mundo. Um Deus que criasse todas as coisas e as entregasse à sua própria

sorte não seria um Deus pessoal, mas distante, impessoal e despreocupado. A

Escritura ensina que Deus se envolve com tudo aquilo que criou até nos

mínimos detalhes. Veja que afirmação maravilhosa sobre a criação e a

Providência de Deus está em Neemias 9.6: “Só tu és Senhor, tu fizeste o céu, o

céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e

tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus

te adora”. Esse também é o entendimento do salmista: “Em ti esperam os olhos

de todos, e tu, a seu tempo, lhes dás o alimento. Abres a tua mão e satisfazes

de benevolência a todo ser vivente” (Salmo 145:15-16). Deus preserva e

sustenta a todos os seres que criou. Quando Deus deixa de sustentá-los, eles

morrem, conforme o salmista constata: “Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultas o teu rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem, e voltam ao pó” (Salmo 104:27-29). O que mais se destaca neste texto é a partícula “se”, que revela a condição pela qual a natureza continua existindo. Tal é o controle preservador de Deus sobre sua criação que Jesus disse: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo vosso Pai celeste as sustenta” (Mateus 6:26); e acrescentou mais tarde: “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados” (Mateus 10:29-30). Se Deus cuida até dos passarinhos, alimentando-os e sustentando-os durante toda a vida deles, se Deus sabe até o número de cabelos que temos na cabeça, então é porque seu envolvimento é total, desde as menores até as maiores coisas.

Diante dessas coisas como alguém pode crer no acaso ou na sorte? A conclusão lógica do assunto discutido é que não existem coisas como “sorte”, “acaso”, ou “destino”. Ninguém tem sorte de estar vivo, está vivo pela Providência de Deus. Do mesmo modo imaginar um Deus que criou o mundo, mas o abandonou à sua própria sorte é algo absurdo, pois segundo a Bíblia, a Providência de Deus é a causa do mundo ainda existir. E veja quanta misericórdia há nisso, pois o mundo é rebelde contra Deus, não obstante, Deus o preserva, fazendo nascer o sol sobre “maus e bons”, e cair “chuvas sobre justos e injustos” (Mateus 5:45). Deus providencia alimento até para os filhotes dos corvos (Jó 38:41). Devemos louvar a Deus pela grandiosidade de sua obra providencial como faz o salmista: “Cantai ao Senhor com ações de graças; entoai louvores, ao som da harpa, ao nosso Deus, que cobre de nuvens os céus, prepara a chuva para a terra, faz brotar nos montes a erva e dá o alimento aos animais e aos filhos dos corvos, quando clamam” (Salmo 147:7-

9).

Deus age em todas as coisas

Uma outra forma de ver a Providência de Deus é através de sua operação imediata em todas as coisas que acontecem. Os teólogos têm

chamado isso de Concorrência ou “Concursus”. “Concursus” se refere à junção

de

duas forças. Não significa necessariamente que sejam duas forças em pé

de

igualdade, mas, apenas que dois lados cooperam de alguma forma. Berkhof

define concorrência ou “concursus” como “a cooperação do poder divino com todos os poderes subordinados, em harmonia com leis pré-estabelecidas de sua operação, fazendo-os agir, e agir precisamente como agem” 2 . Quando dizemos que Deus e o homem agem conjuntamente não estamos querendo dizer que é 50% para cada lado. A vontade de Deus é sempre superior à vontade humana. Este é um assunto difícil, porém, devemos ser honestos com o ensino da Palavra de Deus, mesmo que tenhamos dificuldades em entendê- lo. Por isso, acima de tudo, devemos manter uma atitude reverente para com o Senhor ao meditarmos nos textos que estão a seguir. Vejamos alguns exemplos bíblicos sobre Concursus. Já estudamos em

lição anterior sobre o texto de Lucas 22:22, onde o decreto de Deus e a traição de Judas acontecem paralelamente. Deus determinou, mas Judas foi responsável por seu ato. O mesmo também foi visto no sermão de Pedro registrado em Atos 2, quando ele justificou que Jesus morreu “sendo entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus”, porém, quem havia realizado o ato infame foram os homens, conforme Pedro inequivocamente aponta: “Vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (Atos 2:22-23). Note que Jesus foi entregue porque Deus havia determinado que isto acontecesse, no entanto, o povo era o verdadeiro culpado da morte de Jesus.

O povo gritou para que ele fosse crucificado, preferindo a libertação de

Barrabás (Mateus 27:20-21). Esta mesma idéia repercute no capítulo 4 de Atos, quando a igreja ora ao Senhor: “Porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram” (Atos 4:27-28). Está claro que a culpa

pela morte de Jesus foi dos homens, porém, tudo o que aconteceu, seguiu a

vontade e a soberania de Deus, conforme seu plano pré-estabelecido. O que

os homens fizeram foi errado, pecaminoso, e eles certamente pagarão por isso,

porém, ao fazerem aquilo, em última instância, fizeram o que Deus havia

determinado. Isto é concorrência ou “concursus”.

O “Concursus” e os Atos Bons 3

Nunca conseguiremos deixar Deus de fora de qualquer coisa de

nossas vidas. Precisamos nos lembrar que Paulo disse que “nEle vivemos, e

nos movemos, e existimos” (Atos 17:28). Jamais o homem age de forma

independente de Deus. Por isso, todas as ações boas, que nós crentes

praticamos, são ações que Deus direcionou. Já vimos que segundo Filipenses

2:13 Deus opera em nós tanto o querer quanto o realizar. O que isso quer dizer

é que se eu faço alguma boa ação o mérito é do Senhor. Quem realizou a obra

fui eu, mas ela só foi possível, porque o Senhor me capacitou. É o que Paulo

fala sobre seu próprio trabalho apostólico: “Mas, pela graça de Deus, sou o que

sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei

muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo”

(1 Coríntios 15:10). Paulo tinha consciência de duas coisas: a graça de Deus e

seu trabalho árduo, mas acima de tudo sabia que tudo era pela graça.

O interessante é que isto pode ser visto também nas ações boas dos

homens não-regenerados. Eles também fazem coisas boas, não boas no

sentido de aceitáveis para salvação, mas boas, porque podem ter resultados

benéficos para as pessoas. Podemos ver pela Bíblia, que mesmo essas ações

sofrem o “concursus”. Ciro, o rei da Pérsia, é um grande exemplo disso. Veja o

que está escrito a seu respeito: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a

Eu irei adiante de ti, endireitarei os caminhos

quem tomo pela mão direita (

tortuosos, quebrarei as portas de bronze e despedaçarei as trancas de ferro”

(Isaías 45:1-2). Deus está dizendo que age na vida de Ciro para o ajudar. Em

seguida diz o motivo: “Por amor do meu servo Jacó e de Israel, meu escolhido,

pus o sobrenome, ainda que não me

eu

).

te

chamei pelo teu

nome

e

te

conheces” (Isaías 45:4). Deus usou Ciro por amor de seu povo, ainda que Ciro

não conhecesse o Senhor. Ciro foi usado para que o povo pudesse voltar do

cativeiro da Babilônia para sua própria terra. O imperador foi responsável pela

ordem que permitia a volta do povo, e essa foi uma boa ação, mas, ele não fez

isso pensando em agradar a Deus, na verdade, ele estava fazendo uma

manobra política, porém, acima de tudo, estava cumprindo a vontade decretiva

de Deus. Ciro agiu em busca de seus próprios interesses, mas acabou fazendo

algo de bom para o povo, e nisso ele foi dirigido por Deus, que agiu na vida de

Ciro.

Todas as boas ações desse mundo sofrem a ação do “concursus” de

Deus. Tudo o que acontece de bom, acontece porque duas coisas

participaram: a vontade do homem e a vontade de Deus. Em sua soberania,

Deus não anula a vontade do homem.

O “Concursus e os Atos Maus”

Não é difícil ver a atuação de Deus nas atitudes boas dos homens,

afinal de contas Deus é bom e fonte de todo bem. Mas e com relação às coisas

más que acontecem? Uma das coisas mais difíceis nesta vida é conciliar a

vontade soberana de Deus e os atos maus das pessoas. Uma forma de

responder a questão é dizer simplesmente que Deus permite que as pessoas

façam coisas más. Em parte esta resposta está certa. As atitudes más dos

homens seriam permitidas por Deus embora ferissem sua vontade preceptiva.

Mas como já estudamos, a vontade preceptiva é apenas um aspecto da

vontade de Deus. Nunca poderemos nos esquecer que Ele também tem uma

vontade decretiva. Como os atos maus dos homens se relacionam com os

decretos de Deus?

Podemos ver na Bíblia alguns casos que nos mostram que mesmo os

atos maus das pessoas não foram feitos independentemente de Deus. O

“concursus” pode ser visto nessas atitudes também. Em sua vontade decretiva,

Deus determinou tudo o que deve acontecer, inclusive os atos maus dos

homens. Porém isso não faz de Deus o autor do pecado destes homens.

Embora certas coisas ruins estejam decretadas, os homens as fazem livremente, e a culpa é somente deles, porque desejaram fazê-las. A história de José do Egito é novamente útil para entendermos isso. José era o filho preferido de Jacó e seus irmãos tinham ciúmes dele. Num certo dia, aproveitaram uma ocasião e venderam-no a alguns mercadores que iam para o Egito. Aquele foi um ato muito mau da parte dos irmãos. José enfrentou muitos problemas por causa disso, pois tornou-se um escravo no Egito, chegando até mesmo a parar na prisão. Porém o Senhor agiu na vida de José que acabou chegando ao cargo mais importante do Egito logo após o Faraó. Com isso, anos mais tarde José pôde ajudar sua família que passava dificuldades com a grande seca que se abateu sobre a terra. Quando se encontrou novamente com seus irmãos, José disse-lhes: “vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gênesis 50:20). Tal foi o entendimento de José daquela situação que até mesmo declarou: “Não fostes vós que me enviastes para cá, e, sim, Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa” (Gênesis 45:8). Vender José foi uma ação má dos irmãos, e eles eram responsáveis por aquela ação. Eles agiram segundo seus impulsos pecaminosos, porém, a Bíblia diz que, em última instância, Deus havia planejado tudo. Deus não foi o autor do pecado dos irmãos, mas agiu na vida deles, para que Seu propósito maior se cumprisse. Eles fizeram o que desejavam, pecaram e foram punidos, mas não deixaram de fazer também o que Deus desejava. Embora esta não seja uma coisa fácil de entender, precisa ser aceita pela fé. Deus quis que os irmãos vendessem José, mas, o pecado foi somente deles, pois ao agir daquela forma, não estavam obedecendo a uma ordem de Deus, e sim a sua própria vontade pessoal. Ainda mais difícil é entender como Deus atua nos atos maus dos próprios homens maus. Sempre imaginamos os irmãos de José como membros da Aliança, e por isso não os consideramos ímpios. Agora veja o que a Bíblia fala sobre o caso de Nabucodonozor, o ímpio rei da Babilônia. Esse rei invadiu Judá e cometeu atrocidades, porém, a Bíblia diz que Deus é quem o trouxe e determinou que fizesse aquilo (Jeremias 25:9-11). Nabucodonozor

agiu conforme sua iniqüidade determinava, por causa da sua sede de conquistas, entretanto, Deus determinou que aquilo acontecesse, usando Babilônia, império de Nabucodonozor, segundo seus propósitos, como Ele próprio declara: “Tu, Babilônia, eras meu martelo e minhas armas de guerra; por meio de ti, despedacei nações e destruí reis; por meio de ti, despedacei o cavalo e o seu cavaleiro; despedacei o carro e o seu cocheiro; por meio de ti, despedacei o homem e a mulher, despedacei o velho e o moço, despedacei o jovem e a virgem; por meio de ti, despedacei o pastor e o seu rebanho, despedacei o lavrador e a sua junta de bois, despedacei governadores e vice- reis” (Jeremias 51:20-23). Note que Deus diz que ele havia feito toda aquela destruição. Porém, Babilônia pagaria, pois havia agido conforme ela própria desejava, pois Deus declara: “Pagarei, ante os vossos próprios olhos, à Babilônia e a todos os moradores da Caldéia toda a maldade que fizeram em Sião, diz o Senhor” (Jeremias 51:24). A culpa era da Babilônia, pois agiu conforme sua cobiça, entretanto, em última análise, agiu como Deus havia determinado. Não resta dúvidas, Deus usou Babilônia e Nabucodonosor, agindo na vida deles para que fizessem aquilo que era seu plano que acontecesse. Ao mesmo tempo, porém, Babilônia e seu imperador agiram conforme seus próprios desejos infames, e seriam castigados por Deus por causa disto. Isto é surpreendente. Falta-nos espaço para tratar de Jeroboão (1Reis 14:10; 15:27-30); de Roboão (1 Reis 12:13-15; 22-24); do rei da Assíria (Isaías 10:5-15); de Absalão (2 Samuel 16:20-23; 12:11-12; 17:14) e de tantos outros casos que demonstram o mesmo que aconteceu com Nabucodonozor. Em todos estes casos, os homens ímpios agiram conforme seus desejos pecaminosos e são culpados por isto, porém, ao agir daquela forma, estavam fazendo o que a vontade decretiva de Deus havia determinado. Tudo o que acontece nesse mundo, acontece debaixo do olhar e do comando eficaz de Deus, nada foge ao Seu controle, porém, tudo o que o homem faz, faz porque sua vontade deseja. O “concursus” nos ajuda a entender a maneira como Deus age neste mundo e também como os homens agem. Há uma concorrência entre os dois, porém, não uma junção de forças,

como se o homem fizesse metade e Deus o resto. O fato é que Deus age no

homem, levando-o a fazer a Vontade Suprema, mas sem ferir a

responsabilidade pessoal do homem por cada ato seu, e sem ser o autor do

pecado dos homens. No caso do pecado, todo ato pecaminoso ocorre por ação

do homem. Porém é inegável que o pecado do homem esteja incluído no

decreto permissivo de Deus.

Deus governa todas as coisas

A perspectiva do governo de Deus é mais uma forma de ver sua

Providência. Não quer dizer que seja algo diferente de preservação e

concorrência, pois cada parte pode ser considerada como a Providência toda,

porém, ao enfatizarmos a idéia de governo estamos nos referindo ao propósito

final de Deus, ao qual o mundo está sendo conduzido.

A Bíblia apresenta Deus como o Grande Rei que está assentado no

trono e governa todas as coisas conforme sua vontade determina. O que seria

do mundo se Deus não tivesse propósitos? Se ele simplesmente deixasse a

“coisa rolar”, seguindo o livre curso das decisões dos homens? Que garantias

haveria de que as promessas bíblicas se cumpririam? Como poderíamos saber

que de alguma forma, o homem não sabotaria o plano divino? Toda expectativa

de fé se torna muito efêmera se Deus não tem propósitos e poder para realizá-

los.

Deus tem propósitos. A Providência de Deus nos fala que Ele guia os

eventos do mundo para um determinado fim. Esse fim é o “beneplácito de Sua

vontade” (Efésios 1:5), é o seu supremo propósito para esse mundo que

redunda em “louvor da Sua glória” (Efésios 1:12). Como já vimos, nada

acontece por acaso. Não existe a sorte ou a fortuna. Nem mesmo o destino

cego. Às vezes falamos: “hoje foi meu dia de sorte”, e nem percebemos o

quanto é falsa essa afirmação. Deveríamos evitar falar essas coisas, pois ao

afirmarmos isso, estamos dizendo que o acaso pendeu para o nosso lado e de

alguma maneira inusitada, impensada e não-planejada nos favoreceu. Isso

tende até mesmo a ser uma forma de idolatria, já que algo está sendo colocado

no lugar de Deus. Esta atitude é muito parecida com a que teve o povo de Israel após ter sido tirado do Egito. Naquela ocasião fizeram bezerros de ouro para si e disseram: “São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito” (Êxodo 32:4). Também fazemos isso quando, ao recebermos alguma bênção do Senhor, dizemos, “que sorte eu tive”. Imaginar que o destino cego é que guia todas as coisas não melhora as coisas. As vezes, as pessoas confundem a doutrina da soberania de Deus com o fatalismo. A religião islâmica assume uma espécie de fatalismo. O muçulmano quando se depara com um acontecimento imprevisto costuma dizer “maktub”, que significa “está escrito”. O fatalismo diz: “o que tiver que ser será”. Há uma grande diferença entre dizer que Deus dirige a história para seus propósitos e dizer que o destino a dirige. O destino não tem sentimentos nem vontade, ele é cego, surdo e mudo. Nosso Deus tem sentimentos e propósitos, ele fala, ouve e age. Não dizemos: “o que tiver que ser será”, dizemos: <o propósito de nosso Deus, Sua vontade boa, agradável e perfeita prevalecerá> (Romanos 12:2). Da mesma forma, não faz sentido a tendência moderna de que o homem é que determina o que deve acontecer. Muitos líderes religiosos falam em programas televisivos que Deus já liberou todas as Suas bênçãos para os homens na pessoa de Jesus, e que agora são as pessoas que precisam tomar posse da bênção que está à disposição delas, enquanto Deus permanece impassível somente esperando que os homens façam a obra dele. Alguns tele- evangelistas modernos dizem que quem faz a obra de Deus hoje somos nós. Na visão destes, a Providência já não é mais uma prerrogativa divina, passou a ser um atributo do homem. A despeito destas coisas, a doutrina da Providência é uma das mais belas doutrinas da Bíblia. Ela nos fala da maneira como Deus preserva e dirige este mundo para o cumprimento de seus objetivos. Fala de um Deus próximo, atuante, vivo, que se importa conosco, que está presente e age em cada detalhe da nossa vida. Nada é demasiado simples ou insignificante que não seja do interesse dEle. Nada acontece por acaso. Não existe sorte ou fortuna. Existe Deus e seus propósitos eternos. Um Deus que causa admiração, pois

como diz Isaías, “Desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nEle espera” (Isaías 64:4).

Autor: Leandro Antônio de Lima

OS MILAGRES

Milagres de Jesus é a denominação comum dada aos feitos de Jesus de Nazaré registrados nos Evangelhos e tidos por muitos como uma das maiores provas do poder sobrenatural Dele. Durante os 3 anos de seu ministério (algures entre 27 e 30 d.C), Jesus praticou vários milagres. Alguns desses milagres não eram incomuns naqueles tempos, outros foram extremamente grandiosos, segundo os registros históricos (nos Evangelhos), tais como os relatados em relação às ressurreições, como a ressurreição de Lázaro. Milagreiros e curandeiros perambulavam pelo país. No entanto, alguns ficaram impressionados pela forma como Jesus curava. Ele exercia isto com muita autoridade, chamando a atenção dos povo e dos líderes religiosos e políticos, levantando opositores e simpatizantes. Estes milagres são citados como comprovantes da deidade de Jesus, entretando muitos teólogos mostram que a confirmação de que Jesus é Deus é feita com base nas profecias históricas que se cumpriram rigorosamente em Jesus, sendo que não haveria como acontecerem em outra pessoa matematicamente, também citam esta autoridade do ensino dele e os milagres como coadjuvantes. A autoridade, tanto ao realizar os milagres quanto a mostrar que era divino, era algo que dividia as pessoas entre os que criam e os que o rejeitavam. Isso somado ao ensino revolucionário sobre o relacionamento entre o ser humano e Deus, culminou em uma dos maiores acontecimentos históricos - a paixão de Cristo (a morte e ressurreição) e na renovação do

judaísmo, que mais tarde diferenciou-se entre cristianismo e o judaísmo tradicional. Segundo os registros históricos, na sequência a morte e ressurreição de Jesus Cristo, seus apóstolos também pré-formaram milagres e isto pode e deve acontecer entre seus seguidores. Na atualidade há registros de milagres, tanto entre católicos como entre os demais ramos do cristianismo, mas acentua-se a comunicação e incentivo disto principalmente entre as igrejas advindas da reforma protestante.

TRINDADE, ENCARNAÇÃO E PARTICULARISMO CRISTÃO.

A TRINDADE

Antes de tudo é preciso definir o que é a doutrina da Trindade, pois até mesmo muitos cristãos se perdem nesse quesito. Por "Trindade" não queremos dizer que acreditamos em três deuses, pois para nós há somente um Deus (Isaías 43:10). Ao invés disso, queremos dizer que na Divindade há três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Pode parecer um paradoxo, mas Deus é três e um simultaneamente. Precisamos fazer distinção entre o termo "pessoa" e "natureza". As pessoas em Deus são três, mas uma só é a natureza, que consiste na onipotência, onisciência, onipresença etc. Vários exemplos foram apresentados para exemplificar esse caso; porém, o triângulo equilátero é o que mais se aproxima desse conceito. Acompanhe: O triângulo é indivisível, assim como Deus (simbolizado por toda a figura). Todavia, cada lado é distinto do outro e, contudo, formam a mesma figura, que só existe com os três lados iguais; assim, tomando a analogia, o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e vice e versa; porém, eles constituem o mesmo Deus. A individualidade pessoal é mantida, bem como a unidade. Assim, Deus não é somente o Pai, nem somente o Filho, e nem tampouco somente o Espírito Santo. Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Analisando algumas objeções

Negam a doutrina da Trindade, alegando que é de origem pagã e que

tal palavra não aparece na Bíblia. Somente Jeová é o Deus verdadeiro. Ele não

é onipresente, ou seja, não pode estar em vários lugares ao mesmo tempo,

pois sendo uma pessoa, possui um corpo de forma específica, que precisa de

um lugar para morar. Assim, ele está confinado no céu. Para exercer seu

comando sobre o universo, ele usa seu poder, seu Espírito Santo", que é sua

"força ativa". Sua onisciência é seletiva, ou seja, Jeová não sabe o futuro de

todas as coisas, a menos que ele queira. Explicam isso da seguinte forma: Um

rádio pode captar qualquer onda, porém, é preciso sintonizá-lo na estação

certa. Assim, se Jeová quiser saber se alguém será fiel a ele ou não, deverá

"sintonizar" na "estação" dessa pessoa.

a) A palavra "Trindade" não aparece na Bíblia A doutrina da

Trindade está fortemente enraizada nas Escrituras. A palavra "trindade" é um

termo extrabíblico utilizado para designar aquilo que é revelado nas Escrituras;

embora a palavra não apareça, a idéia está explícita na Bíblia. Outro fator que

torna sem fundamento a objeção das TJ é o fato de que utilizam termos como

"corpo governante" e "teocracia", embora tais palavras também não apareçam

na Bíblia. Das duas, uma: ou aceitam o uso do termo "trindade" ou deixam de

usar as terminologias "corpo governante" e "teocracia".

b) A Trindade e o paganismo A objeção de que a doutrina da

Trindade é de origem pagã, uma vez que os pagãos cultuavam suas tríades de

deuses, também não faz sentido, pois a concepção dos pagãos em nada se

assemelha à doutrina trinitariana. Enquanto os pagãos são politeístas, ou seja,

crêem na existência de vários deuses, sendo sua trindade mais um conjunto de

deuses em seu panteão, nós, cristãos, somos essencialmente monoteístas,

pois cremos que há um só Deus (Isaías 43:10), que subsiste em três

"pessoas": Pai, Filho e Espírito Santo. Não são três deuses, posto que só há

um Deus. Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são ao mesmo tempo três

pessoas distintas e um só Deus. O termo "triunidade" resume melhor essa

concepção bíblica de Deus. É bom também lembrar que a Bíblia não é o único

livro que fala de um dilúvio universal. A literatura pagã também contém relatos

sobre um dilúvio. Isso, evidentemente, não faz do dilúvio uma concepção pagã;

tampouco a doutrina da Trindade deveria ser vista da mesma forma.

c) A Trindade e a razão humana A acusação de que a doutrina da

Trindade não se conforma com a lógica ou a razão também é descabida, pois a

mente humana não pode apreender tudo sobre Deus. É impossível que o

relativo entenda com precisão o Ser Absoluto, que o finito atinja o Infinito, que a

criatura desvende todos os mistérios e segredos do Criador. Isso é pedir

demais. (Leia Romanos 11:33; 1ª Coríntios 2:11; Jó 11:7; Isaías 40:28). No

livro Raciocínios à base das Escrituras (publicado pelas TJ), página 123, há a

seguinte pergunta: "Será que Deus teve começo?" Daí, citam o Salmo 90:2,

que diz que Deus é Deus de "eternidade a eternidade", ou seja, ele é incriado,

sempre foi, é e será eternamente. Diante desse mistério, o livro lança o desafio:

"Há lógica nisso? Nossa mente não pode compreender isso plenamente. Mas

não é uma razão sólida para o rejeitar". Aplicando o mesmo princípio à doutrina

da Trindade, podemos perguntar: "Será que Deus é uma Trindade? Há lógica

nisso? Nossa mente não pode compreender isso plenamente. Mas não é razão

sólida para o rejeitar".

d) A Trindade e a Matemática Outra objeção argumenta que a

Trindade contraria a Matemática, pois se 1 + 1 + 1 = 3; então, Deus Pai + Deus

Filho + Deus Espírito Santo não podem ser um, mas três deuses. Ora, outro

argumento desprovido de bom senso, pois Deus não pode ser medido pelas

Ciências Exatas. No campo da Matemática, ele não pode ser somado,

diminuído, dividido ou multiplicado. Mas, se é matemática o que querem, a

pergunta é oportuna: Na Matemática, três podem ser um? Dependendo da

operação que se escolher, sim. Veja: 1 X 1 X 1 = 1.

A Trindade no Antigo Testamento

a) Gênesis 1:26, 27 Chegando o momento de criar o homem, Deus

disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança". O

verbo "fazer", nesse caso, aponta para um ato criativo, e somente Deus pode criar. Assim, ao ser criado, o homem não poderia ter a imagem de um anjo ou de qualquer outra criatura, mas a imagem de Deus, a imagem de seu Criador. No versículo 27, lemos: "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". O interessante, porém, é que a Bíblia diz que Jesus Cristo também criou todas as coisas, as visíveis e invisíveis (João 1:1, 3; Colossenses 1:16, 17; Hebreus 1:10), o que inclui necessariamente o homem. Desse modo, concluímos, à luz da Bíblia, que o homem tem a Jesus como seu Criador, logo, o homem carrega Sua imagem, pois Jesus é Deus, uma vez que "à imagem de Deus" o homem foi criado. Já em Jó 33:4, Eliú declara: "O Espírito de Deus me fez". Afinal de contas, quem fez o homem? A Bíblia diz: "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou". E quem é esse Deus? Resposta: Pai, Filho e Espírito Santo. É digno de nota que há outros textos em que Deus fala no plural:

Gênesis 3:22; 11:7-9; Isaías 6:8. Alguns dizem tratar-se de plural de majestade, ou seja, é uma forma de expressão onde o indivíduo fala do plural que não revela necessariamente uma pluralidade participativa. Todavia, isso não funciona em Gênesis 1:26, 27, pois outros textos bíblicos deixam claro que o Pai, o Filho e o Espírito Santo criaram o homem; logo, não está em jogo nenhum plural de majestade, mas um ato criativo de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Os demais textos, portanto, devem ser interpretados seguindo-se essa mesma linha de raciocínio. b) Deuteronômio 6:4 "Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová" (TNM). Esse texto é usado para desacreditar a doutrina da Trindade, mas, ao contrário disso, é o texto que prova que na unidade de Deus existe uma pluralidade, dando abertura para a concepção trinitariana. Como assim? Na língua hebraica, existem duas palavras para expressar unidade, a saber, ’ehadh e yehidh. A primeira designa uma unidade composta ou plural. Exemplo: Gênesis 2:24 diz que o homem e a mulher seriam uma (’ehadh) só carne, ou seja, dois em um. A segunda palavra é usada para expressar unidade absoluta, ou seja, aquela que não permite pluralidade. Exemplo:

Juízes 11:34 diz que Jefté tinha uma única (yehidh) filha. Qual dessas palavras

é empregada em Deuteronômio 6:4? A palavra ’ehadh, o que indica que na unidade da Divindade há uma pluralidade.

A Trindade no Novo Testamento

A revelação da Triunidade de Deus no Antigo Testamento não é tão clara quanto no Novo. Os textos bíblicos abaixo alistados (respeitando-se os devidos contextos) mostram sempre juntos o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Levando-se em conta que Deus é único (Isaías 43:10) e que ele não partilha sua glória com ninguém (Isaías 42:8; 48:11), é interessante notar como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são postos em pé de igualdade, coisa que nenhuma criatura, por melhor que fosse, poderia atingir, nem muito menos uma "força ativa" (agente passivo).

a) Mateus 28:19 A ordem de Jesus é para batizar em "nome do Pai,

e do Filho e do Espírito Santo". Ora, se Jesus fosse uma criatura e o Espírito

Santo uma "força ativa", seria estranho que as pessoas fossem batizadas em nome do Criador (que não divide sua glória com ninguém), em nome de um anjo, e de uma "força ativa"; aliás, que necessidade há em batizar alguém em nome de uma "força"? Tudo isso só faz sentido se Jesus e o Espírito Santo forem Deus, assim como o Pai.

b) Lucas 3:22 No batismo do Filho, lá estão o Espírito Santo e o Pai;

como sempre, inseparáveis. Essa é uma das razões pelas quais o batismo

cristão deve ser ministrado em nome das três pessoas.

c) João 14:26 Jesus fala do Espírito Santo, que será enviado pelo

Pai, em seu próprio nome, isto é, de Cristo.

d) 2ª Coríntios 13:13 Outra fórmula trinitária, onde aparece o Filho,

em primeiro lugar, com sua graça ou benignidade imerecida; depois, o Pai, com seu amor; e finalmente, o Espírito Santo, com a comunhão ou participação que

dele procede. e) 1ª Pedro 1:1, 2 Pedro fala aos escolhidos, que foram eleitos segundo a presciência do Pai, santificados pelo Espírito e aspergidos com o sangue de Jesus Cristo.

f) Outros versículos Romanos 8:14-17; 15:16, 30; 1ª Coríntios 2:10-

16; 6:1-20; 12:4-6; 2ª Coríntios 1:21, 22; Efésios 1:3-14; 4:4-6; 2ª Tessalonicenses 2:13, 14; Tito 3:4-6; Judas 20, 21; Apocalipse 1:4, 5 (compare com 4:5) etc. É digno de nota que se o Filho fosse uma criatura e o Espírito Santo uma "força ativa", os dois não poderiam assumir o primeiro lugar em algumas das passagens bíblicas acima citadas. Aliás, o que uma "força ativa" estaria fazendo no meio de duas pessoas? As TJ objetam dizendo que mencionar as três Pessoas juntas, não indica que sejam a mesma coisa, pois Abraão, Isaque e Jacó (Mateus 22:32), bem como Pedro, Tiago e João (Mateus 17:1) sempre são citados juntos; contudo, isso não os torna um. O que as TJ não perceberam foi o seguinte: Abraão, Isaque e Jacó tinham algo em comum:

o patriarcado. Já Pedro, Tiago e João tinham em comum o apostolado. E o que

o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm em comum? Resposta: a natureza divina, ou simplesmente, a divindade.

Jesus Cristo

É o Primogênito de Jeová (sua primeira criação). É seu Unigênito (o único criado diretamente por ele). Sendo "Filho de Deus" é submisso e inferior ao Pai. Recebeu o nome de Miguel e o título de Arcanjo (= anjo principal). É "um deus", assim como Satanás, no sentido de ser poderoso. É "Deus Poderoso", mas nunca "Deus Todo-Poderoso", como Jeová. Morreu numa "estaca" (não numa cruz). Ressuscitou em espírito (não fisicamente). "Voltou" invisivelmente em 1914. Somente as TJ o viram com os "olhos do entendimento". Através do Corpo Governante, ele exerce sua chefia sobre a organização.

Avaliação bíblica

A cristologia das TJ é uma ressurreição do arianismo, que surgiu com Ário (256-336), um sacerdote do século IV, da cidade de Alexandria, no Egito.

Ário afirmou que Jesus Cristo era uma criatura, baseando principalmente em Provérbios 8:22 e 1ª Coríntios 1:24. O primeiro é uma poesia, onde a sabedoria diz ter sido "criada" por Deus. O segundo diz que Jesus Cristo é a sabedoria de Deus. Assim, concluiu Ário, se Jesus é a sabedoria de Deus, então ele foi criado. O problema de Ário foi o seguinte: ele utilizava uma tradução do que hoje conhecemos como Antigo Testamento, escrito originalmente em hebraico, para o idioma grego. O texto hebraico traz em Provérbios 8:22 o verbo qanáni (possuir); contudo, o texto grego adotado por Ário verteu qanáni por bará, que significa "criar". Quando S. Jerônimo fez a Vulgata, tradução do hebraico para o latim, traduziu corretamente qanáni por possédit me (possuiu-me). A pergunta que se levanta é: qual é o termo correto criar ou possuir? A resposta é óbvia:

possuir. Basta um pouco de raciocínio para perceber isso. Veja: Deus é eterno, de eternidade a eternidade. Como ele é imutável, o que ele é hoje, sempre foi e sempre será. Assim, não há variação em Deus. Então, se Deus é poderoso, ele é poderoso de eternidade a eternidade. Nunca houve um momento em ele não tenha possuído poder. Ele não poderia ter criado seu poder, pois isso significaria que um dia ele não o teve. Ora, o mesmo se dá com a sabedoria de Deus.

Se dissermos que Deus criou sua sabedoria, chegaremos à conclusão que um dia Deus não teve sabedoria. Daí, vem a pergunta: com que grau de inteligência Deus percebeu que não tinha sabedoria e que precisaria criá-la? Assim, diante dessa conclusão ilógica, afirmamos à luz da Bíblia: Deus é sábio de eternidade a eternidade. Seus atributos são tão eternos quanto ele, pois Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Diante disso, a leitura correta do Provérbios 8:22 deve ser: "O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas". Para concluir, é preciso dizer que não se pode afirmar categoricamente que o texto de Provérbio 8:22 faça referência a Jesus Cristo.

O texto simplesmente apresenta a sabedoria de Deus num estilo poético e, em poesia, tudo pode acontecer: a sabedoria grita, ama, trabalha etc. Seja como for, Provérbios 8:22 não pode ser usado para afirmar que Jesus

é uma criatura. Ao contrário, a Bíblia o apresenta como Criador de todas as

coisas (João 1:3; Colossenses 1:16,17; Hebreus 1:10 com 3:4).

Jesus não é o Arcanjo Miguel

Jesus e Miguel não são a mesma pessoa por duas razões: Enquanto

que em Daniel 10:13 Miguel é chamado de "um dos mais destacados

príncipes" (TNM), o que nos leva a concluir que ele não é o principal, o primaz,

em Colossenses 1:18 se diz que Jesus tem a primazia. Mateus 4:10, 11 e

Marcos 1:25-27 apresentam Jesus Cristo repreendendo Satanás; mas em

Judas 9 está escrito que Miguel não se atreveu a censurá-lo, ao invés,

entregou para Deus tal responsabilidade. Jesus tem, portanto, diferente de

Miguel, a autoridade absoluta sobre Satã.

Jesus não é "um deus"

Já que Deus disse em Isaías 43:10 que antes dele Deus nenhum se

formou e que depois dele, Deus nenhum haverá, fica evidente que existe

somente um Deus. Tudo o que for além disso é uma falsa deidade. Assim,

Jesus não poderia ser um deus à parte. Além do mais, se Jeová fosse o Deus

e Jesus "um deus" (como verte a TNM o texto de João 1:1), então teríamos

dois deuses: um maior (Jeová) e o outro menor (Jesus). Ora, a crença em mais

de um deus constitui-se em politeísmo, o que é um grave pecado contra Deus.

Esclarecendo termos mal interpretados

Alguns grupos, como as TJ, se perdem na terminologia das Escrituras,

dando significados errôneos a certos termos aplicados a Jesus Cristo, como

por exemplo: primogênito, unigênito, princípio da criação e Filho de Deus. Tal

equívoco se dá devido ao fato de desconhecerem regras de uma boa

hermenêutica (interpretação) bíblica, e assim, separam esses termos de seu

contexto imediato ou local e o geral, bem como histórico e gramatical, e querem que afirmem aquilo que originalmente não significavam no texto bíblico. Eis alguns exemplos:

Primogênito (Colossenses 1:15) Longe de significar nesse texto "primeiro criado" ou "o primeiro de uma série", o termo "primogênito" é um título que indica preeminência ou primazia, apontando assim para a soberania de Cristo sobre a criação, pois segundo os versículos seguintes, ele criou todas as coisas; não podendo ser, portanto, uma criatura (veja 2.1.3. letra c). Outro ponto importante é que esse texto de Colossenses é uma aplicação do Salmo 89:27, que é messiânico. Originalmente foi aplicado ao rei Davi, que era o caçula de sua família (Salmo 89:20); no entanto, segundo esse salmo, Deus o colocaria como "primogênito", e explica o porquê: "O mais excelso dos reis da terra", que eqüivale ao título "rei dos reis" (Apocalipse 17:14). Que a idéia de soberania está implícita, basta conferir 1º Samuel 10:1, onde Samuel diz a Davi que Deus o ungiu para ser o líder ou chefe de Israel. Assim, o termo primogênito fala da posição soberana de Cristo sobre tudo e todos, e não que ele seja o primeiro de um série. Unigênito (João 3:16) Este título fala da singularidade de Jesus Cristo, o eterno Filho de Deus. Ele é único, não há ninguém semelhante a ele (Judas 4). Essa palavra é composta por mono (único) + genus (tipo, espécie). A ênfase, portanto, está na primeira parte: único , o que implica na idéia de singularidade, tal como acontece com Hebreus 11:17. Neste texto, Isaque é chamado de unigênito de Abraão. Ora, sabemos que Abraão não tinha apenas a Isaque como filho, não podendo ser ele, a rigor, o único filho. Aliás, Ismael era o primogênito. Isso mostra, portanto, que o termo "unigênito" abarca outros significados. Em que sentido, então, Isaque era o unigênito? Porque ele era o único e singular filho de Abraão. A idéia de um relacionamento íntimo e diferencial entre pai e filho está implícita na passagem; logo, não está em questão a ordem de nascimento de Isaque, mas sua posição diante do pai, sua singularidade. O mesmo se dá com Cristo em relação ao Pai. Sendo, então, "primogênito" e "unigênito", torna-se o "herdeiro de todas as coisas",

sustentando, ele mesmo, "todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hebreus 1:2, 3).

Princípio da criação (Apocalipse 3:14) A palavra grega arché, traduzida por princípio em muitas traduções da Bíblia, também significa "governador", "soberano", "origem". Assim, já que diversas passagens bíblicas atestam a eternidade de Cristo, posto ser ele o criador e sustentador de todas as coisas (Colossenses 1:16, 17; Hebreus 1:3), fica evidente que entender arché como o "primeiro de uma série", nesse caso em particular, seria pedir demais. Se ele criou todas as coisas e as sustenta, o termo "origem" cai como uma luva no contexto imediato e mais amplo. É assim que o termo princípio deve ser entendido em Apocalipse 3:14. Essa é, aliás, a forma traduzida pela versão espanhola La Bíblia de Estudio "Dios Habla Hoy". É bom também lembrar que na Tradução do Novo Mundo a expressão arché é usada em relação a Jeová (Apocalipse 22:12), sendo entendida como fonte, origem, começo; embora seja evidente, pelo contexto, que arché aplica-se ao Senhor Jesus Cristo, pois ele também é descrito assim em Colossenses 1:18. De qualquer forma, nenhum dos termos supracitados podem ser usados para defender a idéia de que Jesus seja um ser criado. Filho de Deus (Marcos 1:1) Esse termo geralmente é usando para indicar a inferioridade do Filho em relação ao Pai, pois um filho não pode ser igual ou maior que seu pai. Ora, isso não faz o menor sentido, pois Jesus é chamado de "filho de Maria" (Marcos 6:3); "Filho de Davi" (Marcos 10:48); e "Filho do Homem" (Mateus 25:31), e nem por isso, ele poderia ser considerado inferior a Maria, Davi ou ao homem. A primeira expressão "filho de Maria" tem o significado de "filho" no sentido comum da palavra, ou seja, ele era filho de Maria em sentido biológico. Ser chamado de Filho de Davi pode significar não somente que ele é seu descendente, mas também participante da linhagem real de Davi. Já o título "Filho do Homem" aponta para a humanidade assumida por Cristo, ou seja, ele participou de nossa natureza humana, contudo, sem pecado. E, finalmente, Jesus também é chamado de "Filho de Deus", não porque seja inferior, mas porque é participante da mesma natureza divina da qual o Pai também participa. Aqui cabe bem o velho ditado: "Tal pai, tal filho".

Esclarecendo textos mal interpretados

Os textos apresentados a seguir são bastante usados pelos antitrinitários para apoiar a idéia de que Jesus não era Deus, pois declarou que o Pai era maior do que ele (João 14:28); que acerca do dia e hora de sua vinda, somente o Pai sabe (Marcos 13:32); além disso, dizem que se ele orava ao Pai (João 17:1), não poderia ser o próprio Pai (esta sentença, aliás, os trinitários jamais afirmaram). Esses equívocos decorrem do fato de desacreditarem de outra grande "riqueza insondável do Cristo" (Efésios 3:8), ou seja, a sua Encarnação: o Verbo, que era Deus, "se fez carne e habitou entre nós" (João 1:14). A doutrina da Encarnação é tão complexa quanto a doutrina da Trindade. Mais uma vez vale ressaltar que por mais que tentemos, o ser finito jamais poderá compreender com perfeição o Ser Infinito, mesmo quando este assume nossa finitude. Ao assumir a natureza humana, tornando-se "Filho do Homem", Jesus Cristo assumiu a posição de "servo" (Filipenses 2:6 e 7). Tornou-se "menor" que os anjos, sem se tornar inferior a eles (Hebreus 2:9). Assim, sua humanidade, como a nossa, era limitada; mas, por outro lado, ele ainda era 100% Deus, ou seja, ilimitado. E aí está o grande problema: como compreender que numa única pessoa pudesse haver duas naturezas opostas naturalmente entre si? Ao mesmo tempo em que dizia "o Pai é maior do que eu" (João 14:28), também afirmava "Eu o Pai somos um" (João 10:30). Como resolver essa questão? A coisa não é tão fácil assim. Se alguém achar a resposta a essa pergunta, também terá descoberto como Deus veio a existir (aliás, ele nunca veio a existir, pois ele foi, é e sempre será) e explicará satisfatoriamente a Triunidade Divina. O que precisamos é recorrer ao testemunho das Escrituras para ver o que ela tem a nos dizer sobre isso, mesmo que indiretamente. Uma passagem reveladora é a de Mateus 8:23-27. Durante uma tempestade, o texto relata que Jesus dormia, mas, Deus não dorme. Desesperados, os discípulos acordaram-no, clamando por socorro. Nesse momento, Jesus acorda, repreende o vento e o mar, e ambos se aquietam. Ora, o homem não tem esse poder. Segundo os Salmos 65:5-7; 89:9 e 107: 29, somente Deus, como criador, tem poder sobre as forças da

natureza, e Jesus revelou tal poder (Hebreus 1:3). Percebe-se, portanto, nessa Escritura, a plena humanidade e divindade de Jesus Cristo. Ele tornou-se humano, sem deixar de ser Deus. Era Deus, assim como o Pai e o Espírito Santo, mas também era verdadeiro homem. Alguns objetam afirmando que Moisés abriu o Mar Vermelho, e nem por isso era Deus (Êxodo 14). O mesmo se deu na travessia do rio Jordão, sob o comando de Josué (Josué 3). Mas, quem foi que disse que Moisés abriu o Mar Vermelho? Segundo o livro de Êxodo, Deus mandou Moisés erguer um bastão e estendê-lo sobre o mar (14:16), e no versículo 21 diz que foi o próprio Deus, por meio dum forte vento, que fez o mar retroceder. O Salmo 114 poeticamente mostra que os acontecimentos ocorridos tanto no Mar Vermelho, quanto no rio Jordão, foram promovidos pelo senhor do vento e do mar: Deus. Assim, precisamos ler os textos abaixo tendo em vista o ensinamento bíblico da dupla natureza de Cristo.

1. João 14:28 Quando Jesus disse "o Pai é maior do que eu",

subentende-se a sua posição de servo, de humilhação à qual ele se submeteu voluntariamente, nada tendo haver com sua essência, sua natureza divina (Filipenses 2:6-8; Atos 8:33; 2 Coríntios 8:9). Nessa posição, segundo a Bíblia, Jesus também era menor que os anjos (Hebreus 2:6-9), pois em relação aos

humanos, os anjos são "maiores em força e poder" (2ª Pedro 2:11). Sendo menor que os anjos, Jesus podia dizer sem prejuízo para sua natureza divina que o Pai era maior do que ele.

2. Marcos 13:32 Se em Cristo estão "ocultos todos os tesouros da

sabedoria e da ciência" (Colossenses 2:3), por que ele afirmou que acerca daquele dia e daquela hora ele não sabia, mas unicamente o Pai? Essa é uma pergunta de difícil resposta; contudo, convém lembrar do seguinte: Jesus disse que os anjos também não sabiam; sendo assim, o que foi feito menor também

não saberia (Hebreus 2:9). Como homem Jesus não tinha sabedoria ilimitada. Aprendeu como qualquer um de nós (Lucas 2:52). Não cabe ao homem saber os tempos e as épocas que Deus determinou sob sua jurisdição (Atos 1:7).

3. João 17:1 Acompanhado desse texto, normalmente vem a

seguinte observação dos antitrinitários: Visto que Jesus orou a Deus, pedindo

que fosse feita a vontade de Deus, não a sua (Lucas 22:42), os dois não poderiam ser a mesma pessoa; e se Jesus fosse o Deus Todo-Poderoso, ele não oraria a si mesmo. Para inicio de conversa, esse argumento revela certa ignorância do que seja a doutrina da Trindade, pois não acreditamos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam a mesma pessoa, mas, sim, o mesmo Deus, ou seja, possuem a mesma natureza. O termo "Deus" pode ser aplicado individualmente a cada uma das Pessoas da Trindade (1ª Coríntios 8:5; 1ª João 5:20; Atos 5:3, 4), como pode ser usado como coletivo para abarcar as Três Pessoas Divinas, como em Gênesis 1:1. Assim, não sendo a mesma "pessoa" fica claro que não há nenhum impedimento para que o Filho dialogasse com o Pai. Na Encarnação Jesus participou das experiências humanas, menos o pecado (2ª Pedro 2:22); Jesus, como todo e qualquer humano, tinha necessidade espirituais. Ele precisa ter contato com o Pai (Mateus 4:4; João 4:34). Portanto, Jesus dialogou com o Pai, sem deixar de participar da mesma natureza divina, pois ele mesmo disse: "Eu o Pai somos um" (João 10:30). A objeção comum à frase "Eu e o Pai somos um" é a de que isso não significa que Jesus tenha a mesma natureza que o Pai, que ambos sejam de fato um, mas que Jesus apenas frisava sua unidade de propósito e pensamento com o Pai. A base bíblica apresentada é a de João 17:11, 21, 22, onde Jesus em oração pede que todos os seus discípulos sejam um, assim como ele e o Pai são um. Argumentam que isso não significa que os discípulos serão a mesma pessoa ou que possuirão a natureza divina. Mais uma fez enfatizamos que a idéia de serem os dois, Pai e Filho, a mesma pessoa, jamais estará em questão. Quanto à idéia de unidade de propósito e pensamento, dizemos que esta está presente em ambas as passagens. Todavia, segundo o contexto de João 10:30, há muito mais incluído do que simplesmente "unidade de propósito e pensamento". Acompanhe os seguintes raciocínios 1º Nesse capítulo, Jesus fala diversas vezes de suas ovelhas. No versículo 28 ele diz que dá a essas ovelhas a "vida eterna" e que elas jamais seriam destruídas (ou pereceriam). Pergunta-se: Poderia uma criatura, por mais importante que fosse , conceder a outras criaturas a vida eterna e a

indestrutibilidade? Não é somente Deus, o Eterno, a fonte da vida? (Salmo 36:9; Atos 17:27, 28). Contudo, Jesus disse de si mesmo: "Eu sou a ressurreição e a vida" (João 11:25). Disse mais: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (João 14:6). Seria pedantismo demais para um arcanjo, uma criatura, mesmo que fosse "o segundo maior personagem do universo", afirmar tudo isso; porém, não o seria para aquele que, junto com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina para sempre. Portanto, pelos versículos precedentes a João 10:30, fica claro que, se o Pai e o Filho são fontes da vida, então Jesus foi além da "unidade de propósito e pensamento" ao dizer "Eu e o Pai somos um". Vale a pena lembrar que, por mais que nos esforcemos, jamais conseguiremos ser a ressurreição, a verdade e a vida. Assim, devemos nos contentar com nossa "unidade de propósito e pensamento" para com Deus. Já Jesus Cristo, além do que temos (e num grau mais elevado e incomparável), também possui "toda a plenitude da Divindade" (Colossenses 2:9). 2º Diante da frase "Eu e o Pai somos um", a reação dos judeus foi imediata: acusaram a Jesus de blasfêmia, pois, sendo homem, fazia-se Deus a si mesmo (João 10:33). Eles entenderam exatamente o que Jesus queria dizer com aquele "um". Não faria sentido acusá-lo de blasfêmia pelo simples fato de expressar com a palavra "um" uma "unidade de propósito e pensamento". Na Tradução do Novo Mundo, João 10:33 é vertido assim: "Nós te apedrejamos, não por uma obra excelente, mas por blasfêmia, sim, porque tu, embora sejas um homem, te fazes um deus". A frase mal traduzida "te fazes um deus" tenta suavizar a força das palavras de Jesus, que evidentemente igualou-se ao Pai. Ademais, a acusação de blasfêmia só faria sentido para os judeus se Jesus se fizesse igual a Deus, o Pai, e não a "um deus", termo mais do que genérico nessa péssima tradução. É importante ressaltar que numa outra ocasião Jesus falou aos judeus dizendo: "Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu estou trabalhando" (João 5:17 TNM). Diante disso, alguns dos judeus queriam matá-lo, e uma das razões apresentadas foi a de que ele chamava Deus de Pai, "fazendo-se igual a Deus" (João 5:18 TNM). Percebe-se, portanto, que em ambas as passagens (João 10:29-33 e 5:17, 18) as declarações de Jesus sempre são entendidas como afirmações de igualdade

com o Pai, ou seja, ele afirma fazer aquilo do qual somente o Ser Supremo é capaz (compare com Marcos 2:5-11). Assim, se Jesus não fosse tudo aquilo que afirmou ser, direta ou indiretamente, não passaria de um impostor, mentiroso e megalomaníaco.

6. ESPÍRITO SANTO Muitos negam a personalidade e divindade do Espírito Santo, como as seitas espíritas e as Testemunhas de Jeová. Para estas o Espírito Santo é uma "força ativa"; para aqueles trata-se de uma "falange de espíritos". Em ambos os casos, o Espírito Santo é algo, não alguém.

A PERSONALIDADE E DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

a) É Deus, como o Pai e o Filho (Atos 5:3:4). Compare com Atos 16:31,

34.

b) É um ser pessoal, pois o Espírito Santo

Guia, fala, declara, ouve (João 16:13). Ama (Romanos 15:30). Clama (Gálatas 4:6). Toma decisões, administra (1ª Coríntios 12:11). Sabe e atinge as profundezas de Deus (1ª Coríntios 2:10, 11; compare com Mateus 11:27 e Lucas 10:22). Pode ser contristado (Efésios 4:30). Comparar com Isaías 63:10. Implora e intercede (Romanos 8:26, 27; comparar com v. 34). Ensina (Lucas 12:12; comparar com 21:14, 15; veja João 14:26). Fala (Atos 10:19). Ver também 13:2; 10:19, 20; 21:11; Mateus 10:18- 20).·É resistido (Atos 7:51 comparado com Isaías 63:10; Salmo 78:17- 19).·Proíbe, põe obstáculo (Atos 16:6 e 7; comparar com o v. 7 com Romanos 8:9 e Filipenses 1:19). Ordena, dirige e dá testemunho (Atos 8:29, 39 e 20:23). Designa, comissiona (Atos 20:28). Ver também 1ª Coríntios 12:7-11, comparando com 12:28 e Efésios 4:10, 11. É mencionado entre outras pessoas (Atos 15:28).

c)

1ª Coríntios 6:19 "Ao lado do templo do verdadeiro Deus na antiga

Jerusalém, as Escrituras mencionam muitos outros templo por exemplo: o templo de Dagom (1ª Samuel 5:2), o templo de Júpiter (Atos 14:13), o templo de Diana (Atos 19:35), e assim por diante. Cada um era o templo de alguém, ou do Deus verdadeiro ou de um deus falso. Mas a Bíblia também mostra que o corpo físico de cada cristão individualmente se torna um templo. Templo de quem? Um ‘templo do Espírito Santo’(1ª Coríntios 6:19)". — Argumento extraído de As Testemunhas de Jeová refutadas versículo por versículo, de David Reed, Juerp, pp. 89, 90.

Textos e termos mal aplicados ao Espírito Santo

a) Mateus 3:11 João Batista disse que Jesus batizaria com o Espírito

Santo, assim como ele batizava em água; portanto, assim como a água não é pessoa, tampouco seria o Espírito Santo. Refutação: É possível se batizado

numa Pessoa, sem que ela perca sua identidade pessoal. Romanos 6:3 (batizados em Cristo/batizados em sua morte) Gálatas 3:27 (batizados em e revestidos de Cristo) 1ª Coríntios 10:2 (batizados em Moisés)

b) 2ª Coríntios 6:6 O Espírito Santo é incluído entre várias outras

qualidades, o que indicaria que não se trata duma pessoa (Efésios 5:18; Atos 6:3; 11:24 e 13:52) Refutação: Em Gálatas 3:27 e Colossenses 3:12 insta-se às pessoas a ficarem revestidas de Cristo, assim como a se revestirem de qualidades como humildade, compaixão etc., sem que isso faça de Cristo uma "força ativa".

c) Atos 2:4 Os 120 discípulos ficaram cheios duma "força ativa" não

duma pessoa.

Refutação:

Efésios 1:23 diz que Deus "preenche todas as coisas", o que concorda com Atos 2:4. Romanos 8:11 diz o Espírito Santo mora ou reside em nós,

assim como Efésios 3:17 diz que Cristo reside em nossos corações, da mesma forma que João 14:23 também fala da habitação em nós tanto do Pai, quanto do Filho. Nada disso faz com que o Pai e o Filho deixem de ser pessoas. d) Atos 13:12 O fato de a Bíblia dizer que o Espírito Santo fala, isso não prova sua personalidade, pois outros textos mostram que isso era feito através de seres humanos ou de anjos.

Refutação:

Atos 3:21 mostra que Deus não falou diretamente, mas por meio da boca dos seus profetas, assim como se diz do Espírito Santo (Atos 28:25). Comparar Mateus 10:19, 20 com Lucas 21:14, 15 e Jeremias 1:7-9. e) Lucas 7:45, Romanos 5:14, 21, Gênesis 4:7 Estes textos mostram que coisas abstratas, como a sabedoria, o pecado e a morte são personificados; o mesmo se dá com o Espírito Santo. Refutação: A Bíblia personifica a sabedoria, o pecado e a morte porque não são pessoas. No caso do Espírito Santo, Ele não é personificado, pois já é uma pessoa. É apenas simbolizado, assim como Jesus e Jeová Espírito Santo: Pomba (Lucas 3:22); línguas de fogo (Atos 2:3) Jesus Cristo: Leão (Apocalipse 5:5); cordeiro (João 1:29); Porta (João 10:9); Videira (João 15:1) Jeová: Fogo (Deuteronômio 4:24); sol (Salmo 84:11) f) Atos 7: 55, 56 Estevão só viu o Pai e o Filho, não diz ter visto o Espírito Santo. Refutação: Estevão não podia ter visto o Espírito Santo pelo fato deste estar na terra cumprindo a sua missão, uma vez que fora enviado pelo Filho, que por sua vez fora enviado pelo Pai. Jesus disse que a menos que Ele próprio fosse embora, o Espírito Santo não viria. Assim sendo, quando Jesus voltou ao céu, enviou o Espírito, razão pela qual Estevão não poderia tê-lo visto. (Ver João 16:7, 8).

Argumentos mal aplicados para se batizar somente em nome de Jesus

Em Mateus 28:19, Jesus mandou que os discípulos batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Em Atos 2:38 encontramos os apóstolos batizando em nome de Jesus, porque Jesus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Refutação: Esse argumento não tem base bíblica, pois as Escrituras estabelecem a distinção entre as pessoas da Trindade, por exemplo:

João 10:30. Assim, é absurda a suposição de que os apóstolos entenderam que Jesus quis dizer que batizassem em seu próprio nome, porque ele era o Pai, o Filho e o Espírito Santo, uma vez que 1ª João 4:14 diz claramente: "E nós (os apóstolos) temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo". Afirma-se que "Pai", "Filho" e "Espírito Santo" são apenas "títulos", não "nomes próprios", mas que Jesus é "um nome próprio". Refutação: Se fizéssemos distinção entre "nome" e "título" na Bíblia, não poderíamos entender os nomes bíblicos, porque seus nomes eram seus títulos. Em Gênesis 29:32, por exemplo, "Rubem" (nome próprio) literalmente quer dizer "um filho", mas "filho" é um título segundo o Unicistas. Jesus (nome próprio) significa "Salvador" (Mateus 1:21), o qual também é um título. Ensina-se que em Mateus 28:19 se usa a palavra "nome" (singular) e não "nomes" (plural). Refutação: A Bíblia muitas vezes usa a palavra "nome" (singular) para referir-se a mais de uma pessoa. Veja este exemplo: Gênesis 5:2 ¾ "Homem e mulher os criou, e os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão, no dia em que foram criados". Veja também Gênesis 11:4 e 48: 6, 16. Alega-se que os apóstolos nunca batizaram "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", mas somente "em nome de Jesus". a) É verdade, na Bíblia não encontramos os apóstolos batizando a pessoas "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"; tampouco, porém, encontramos na Bíblia os apóstolos recitando a frase "eu te batizo em nome de Jesus Cristo". b) Eles afirmam que os apóstolos recitaram tal frase, quando lêem na Bíblia que algumas pessoas foram batizadas "em nome de Jesus Cristo". A

verdade é que não há nenhuma evidência na Bíblia de que os apóstolos tenham recitado tal frase ao batizar. c) Há somente uma pessoa na Bíblia que vemos como foi batizada. Esta pessoa foi o eunuco etíope, que foi batizado por Filipe (At 8:36). Ali, não observamos Filipe dizendo: "Eu te batizo em nome de Jesus". A única coisa que encontramos é que o eunuco dizendo: "Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus".

d) As evidências mais remotas que temos sobre a maneira em que os cristãos eram batizados na igreja primitiva se encontram num livro intitulado Didache (ou: Ensinamentos dos Apóstolos). Este livro, que foi escrito por volta do ano 110 d.C., diz: "Quanto ao batismo, procedam assim: Depois de ditas todas essas coisas, batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." (Grifo acrescentado). e) Fazer algo "em nome de" alguém significa fazê-lo em sua autoridade, em obediência ao seu mandato, da parte de ou como seu representante, como por exemplo: "E, pondo-os perante eles, os argüíram:

Com que poder, ou em nome (= na autoridade ou da parte) de quem fizestes isto?" (Atos 4:7). Veja também João 16:23-26; 1ª Coríntios 1"13-15 e Colossenses 3:17. Assim, a frase "em nome de" não tem nada que ver com uma fórmula mágica que alguém diz durante cada ação. Quando a Bíblia diz que alguns foram batizados "em nome do Senhor Jesus Cristo" (Atos 2:38; 8:16; 19:5), não quer dizer que os apóstolos literalmente recitaram a frase: "Eu te batizo em nome do Senhor Jesus Cristo" , antes, porém, que as pessoas foram batizadas em obediência à ordem de Jesus, isto é, de acordo com o ensino de Jesus. Autor: Pr. Luis Antônio Ferraz

A ENCARNAÇÃO

A encarnação de Yahweh na pessoa de Jesus Cristo é um dos maiores mistérios de Deus. Ficamos maravilhados em saber que o Supremo Criador tenha se identificado com as sua criaturas. Tal resposta para isso se encontra em João 3.16. Verdadeiramente, se a encarnação é um mistério de Deus, então, humanamente falando, não poderá ser perfeitamente explicada. Diante disso, o que temos a fazer é pedir que o Espírito Santo continue nos ajudando, na tentativa de ao menos limitadamente explicar a misteriosa encarnação do Logos, pois esta obra é dEle. O trinitarianismo afirma que o Filho de Deus pré-existente (segunda pessoa da Trindade) se encarnou, vindo assim, a ter duas naturezas, a divina que já tinha e a humana a qual veio a possuir por meio de seu nascimento virginal. Sendo assim, afirma a doutrina trinitarista que houve uma fusão entre divino-humano. É bom salientar que, este conceito definido como fusão do divino e o humano, toma um caminho totalmente contrário da encarnação, nada tem a ver com encarnação que a Bíblia realmente ensina. Se houve uma fusão, então, não houve uma encarnação ou vice-versa, pois, ambas são coisas realmente opostas. As passagens que falam como seria a encarnação do Logos (a Palavra), estão em Mateus 1.18-25 e Lucas 1.31-35. Elas nos dizem que Maria se achou grávida do Espírito Santo. O Anjo disse a José: «Não temas receber Maria tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo» (Mat 1.18,

20).

Quando se fala na encarnação de Cristo, a idéia que se tem (com afirma os trinitarianos) é que houve a fusão do divino com o humano, ou seja, de que o Filho eterno se encarnou, tornando-se homem. Outros ainda acham que Maria foi apenas uma espécie de «incubadora». Respondendo os dois conceitos acerca da encarnação. Este último conceito, que diz que Maria foi apenas uma espécie de incubadora, na sua maneira de ilustrar a encarnação, contraria na verdade uma real encarnação, colocando Jesus Cristo, não como um autêntico Homem, mas, como um Cristo docético, que apenas parecia ser humano. Dissemos assim, é porque se Maria

foi apenas uma incubadora, deveras então, que o corpo físico de Jesus não era produto de Maria, mas, do Espírito Santo. O que contradiz uma verdadeira encarnação. Como se sabe, o homem é um ser espiritual, possui um corpo físico, mas é também dotado de um espírito (ou alma), que é realmente o homem essencial. O corpo físico é um “veículo de expressão” da alma neste mundo. Jesus Cristo foi totalmente humano (vede), por isso possuía tanto um corpo físico como um “espírito humano” (Mat 26.38,27.50 e Atos 2.27). Se Jesus não tivesse um espírito humano, então não seria humano. Maria contribuiu com a encarnação, sim, pois a carne e o sangue, e toda a matéria que compõe um corpo físico provieram de Maria. Agora o

pelo Espírito Santo»

em Maria. Por conseguinte, foi o «espírito humano» de Cristo que o Espírito Santo gerou em Maria: Por exemplo, os seres humanos foram dotados e capacitados por Jeová para gerar tanto o corpo físico como o espírito (ou alma)

humano. O homem e mulher foram capacitados para gerar tanto o corpo físico com a alma, sendo assim, a alma é gerada pela coabitação do homem com a mulher. Este tipo de origem da alma é chamado de traducionismo. Essa teoria da origem da alma, chamada traducionismo, era defendida a princípio pelos estoicos, e mais tarde, por Agostinho. Essa teoria supõe que o homem e mulher, como seres físico-espirituais que são naturalmente, e sem qualquer intervenção direta e continua da parte de Deus, produzem seres que são tanto físicos como espirituais os seus filhos. E isso significa que tanto a «alma» (ou espírito) como o corpo físico seriam produtos da procriação. Sobre este assunto, estaremos falando futuramente, aliás, este é um assunto muito importante, onde poderemos conhecer a nós mesmos. O homem é um ser essencialmente espiritual, embora temporariamente esteja aprisionado a um corpo físico. Por isso, como espírito (ou alma) que é o homem essencial, ele é imortal. Há alguns, ditos “cristãos”, que não creem na imortalidade da alma, mais isso não muda a verdade, sobre a imortalidade da alma. Seguindo a linha ordinária da procriação dos seres humanos, segundo os conceitos bíblicos, se confirma que todos os seres humanos nascem em

«espírito humano» de Jesus foi um ato direto «

gerado

pecado, ou seja, nascem pecadores, que é o fruto da nossa natureza caída,

conhecida como «pecado original» (Sal 51.5, Ef 2.3; Rom 3.23; 5.12). A sede do pecado é essencialmente a alma e não o corpo físico do homem, ao contrário da idéia gnóstica (dos dias apostólicos), que asseveravam que o corpo físico é que era mal, que então deveria ser destruído para que a alma fosse liberta. Caso o corpo físico fosse a sede do pecado, então Jesus seria pecador, sendo que a carne e o sangue de Jesus provieram de Maria. Por outro lado, como o espírito (ou alma) é que é a sede do pecado, por isso o espírito foi gerado pelo Espírito Santo, para que viesse a ser impecável. Portanto, resumidamente expondo o trabalho do Espírito Santo foi gerar no ventre de Maria o espírito humano de Jesus, isto é o que deixa subentendido nas palavras de Maria, ao questionar as palavras do anjo sobre o nascimento

de um filho; «

Confira a resposta do anjo a Maria no versículo seguinte (vs.35). O espírito humano gerado por Espírito Santo no ventre da virgem (na ocasião) Maria, deu origem à célula inicial, consequentemente o embrião em todas as fases de seu desenvolvimento. Verdadeiramente o Pai de Jesus foi o Espírito Santo, e a sua mãe foi Maria. É plenamente ridícula àquela idéia que diz que Maria é mãe de Deus. Deus, o Supremo Criador de todas as coisas, não tem pai e nem mãe, Ele dependeu e não depende de ninguém para existir. Maria foi mãe da natureza humana de Yahweh, chamada de Jesus. Por conseguinte, o corpo físico de Jesus (a carne, o sangue, etc.), proveio de Maria, enquanto, que a alma (ou espírito) de Jesus proveio exclusivamente do Espírito Santo (Mat 1.18, 20). Somente assim, é que Jesus Cristo poderia ser impecável, pois o seu espírito (ou alma) não foi gerado no modo ordinário, na maneira geral em que é gerado o espírito do homem (como já vimos acima), ainda que fosse um espírito inteiramente humano. Então, a impecabilidade de Jesus Cristo é o resultado da operação do Espírito Santo, o qual gerou no ventre de Maria um espírito humano, sem qualquer mancha de pecado. O próprio Jesus desafiou os judeus acerca de sua impecabilidade: «Quem dentre vós me convence de pecado?» (João 8.46). Por conseguinte, o Espírito Santo

como será isto, pois não tenho relação com homem algum?»

gerou no ventre de Maria o seu espírito humano, vindo a chamar de Jesus, o

Filho de Deus. Fica explicitamente bem claro, que não houve qualquer fusão de naturezas, em que uma suposta segunda pessoa da Trindade viesse a se unir com a natureza humana de Jesus. Verdadeiramente, quem se encarnou, como Jesus de Nazaré, não foi de Deus Filho pré-existente (até porque que em nenhum lugar do Novo Testamento, Jesus é chamado de «Deus Filho», tão somente de «Filho de Deus», os quais são termos totalmente opostos), a segunda pessoa da Trindade, como afirma o trinitarianismo, mas sim, Jeová (o Deus Uno), Ele próprio é quem se encarnou. Sim, o próprio Deus Altíssimo, o Espírito Santo, é quem gerou no ventre de Maria o seu espírito humano, tornando-se humano como nós, com exceção de sua impecabilidade. A sua sujeição aos limites

assumindo a forma de servo, tornando-

se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana

ss.). É evidente que, muitos daqueles que crêem naquela doutrina pagã, chamada Trindade, tentarão repudiar essa verdade, pois o conceito que aprenderam sobre essa doutrina, parece que se adapta mais facilmente com os seus raciocínios e credos, com àquilo que ensinam as suas denominações, ou talvez por uma pura acomodação mental. Constitui-se como o maior mal, quando as pessoas tentam encaixar o Deus Onipotente dentro da lógica humana, e é justamente por essa causa, que inventaram a tal doutrina da Trindade, a qual descreve o Deus Eterno, subsistindo em três pessoas divinas; o Deus Pai, o Deus Filho e o Deus Espírito. É muito desconcertante, quando analisamos as tentativas do homem, tentando explicar a Pessoa e as operações de Jeová Deus, seguindo à maneira humana das razões, querendo explicar Deus com os seus intelectos. A doutrina da Trindade é um credo inventado pelos homens, que não encontra respaldo na Bíblia. Só podemos encontrar algum tipo de respaldo bíblico, quando somos desonestos com as interpretações bíblicas, isto é, quando queremos que a Bíblia diga o que ela realmente não diz. Explicitamente, a encarnação foi uma das mais belas de toda a criação que Jeová fez. Essa nova criação («misteriosa») se resume na revelação, na manifestação, e na identificação do próprio Deus Altíssimo aos

humanos, o fez que se esvaziasse, «

(Filip 2.7

»

homens e com os homens (João 14.9 ss.), o Emanuel, Deus conosco (Isaías 7.14, Mat 1.23). Jesus Cristo é a revelação real, final e mais completa que se tem de Jeová. Ele é realmente é o próprio Pai que se revelou aos homens com Filho de Deus, por causa da sua humanidade. E esse mesmo «Filho de Deus» era ao mesmo tempo «Filho do Homem». No momento, é inútil tentarmos detalhar um conceito completo sobre o Deus Yahweh, mas, futuramente, segundo as revelações do Espírito Santo, teremos alguns detalhes a mais, a esse respeito, embora longe de ser completo, pois, somente poderemos conhecê-lo e descrevê-lo por completo, não neste mundo, mas no mundo espiritual (1 João 3.2).

Portanto, Jesus Cristo, é o Homem do Céu, porque o seu espírito humano foi gerado diretamente pelo Espírito Santo, sem qualquer intervenção ou participação do homem, nesta geração. O espírito (ou alma) humano de

temas

Jesus de Nazaré, foi uma criação direta do Espírito Santo, «

receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo» (Mat 1.20). O espírito humano de Jesus proveio do Espírito Santo, mas a carne e o sangue, e, todos os elementos que compõe o corpo físico do homem,

provieram de Maria; «

(Gál 4.4). Resumidamente, a

verdadeira encarnação se consiste pelo fato de que o Deus Altíssimo, que é o próprio Espírito Santo, gerou o seu espírito humano no ventre da virgem Maria, tornando-se verdadeiro homem, e, é isto que está implícito em Filipenses 2.6-8. Por isso, Jesus Cristo era Homem e não Deus. É bom não esquecermos, que estamos falando de Jesus Cristo, a partir da sua encarnação até a sua morte, pois a partir de sua ressurreição, o assunto é diferente. A ressurreição trouxe uma mudança significativa a respeito da pessoa de Jesus Cristo. As limitações que Ele outrora tinha aqui na terra, não existem mais, agora Ele passou a ter

a autoridade, no céu e na terra» (Mat 28.18). Tomé reconheceu a Jesus

como sendo o seu Deus, «

ministério público, ninguém dirigiu a Jesus chamando-o de «Deus» e nem de

não

nascido

de mulher

»

toda «

Senhor

meu e Deus meu!» (João 20.28). Em seu

«Deus Filho».

É interessante notarmos que, quem gerou o espírito humano em Maria, chamado Filho de Deus, foi o Espírito Santo (o qual dizem os trinitarianos ser a segunda pessoa da trindade), que é na verdade o «Pai» de Jesus Cristo (ver Mat 1.18,20); mas, por que então, é que a Bíblia diz que o Seu Pai é o Deus Altíssimo, ou seja, Jeová, e, não o Espírito Santo? Essa aparente contradição de paternidade, categoricamente expressa à existência de um Deus Uno, e, não de um Deus Trino. Ou seja, o mesmo Espírito Santo é chamado de «Pai», por Jesus. Por conseguinte, não há nada de contraditório pelo fato do Espírito Santo gerar Jesus, mas o N.T. dizer que o Pai de Jesus é o Deus Altíssimo (João 17.1), isto porque falar do Espírito Santo é o mesmo que falar do Deus Yahweh, pois, é falar e expressar uma mesma Pessoa. Deus não é trinitário, o Deus Verdadeiro é Uno. Aplicar o trinitarismo ao Deus Verdadeiro é uma das maiores falácias do homem. Isto é uma «humanologia» e não uma teologia, propriamente dita. É uma das idéias mais ridículas do homem, ao tentar descrever e explicar Deus e as suas operações. A Bíblia diz: «Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz Jeová, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos (Is 55.8,9). Não podemos definir Deus à maneira humana. Não podemos limitar ou encaixar a existência divina, dentro da moldura de nossos raciocínios, enquadrando-o dentro da lógica humana. O nosso nível de compreensão acerca de Deus é realmente baixíssimo, nossas meras palavras, não podem explicar a substância divina. Como dizem os versículos acima, os caminhos e os pensamentos do Deus Jeová, são realmente elevadíssimos, em relação aos nossos. Se quisermos conhecer a Deus Jeová, então, precisamos da sua revelação, da sua Sabedoria e não, da teologia humana, que somente nos afasta da verdade e produz um Deus ao alcance de nossos olhos. A Doutrina da Trindade, não é uma teologia, mas uma humanologia. Trindade existe sim, mas uma Trindade Satânica, onde os seus componentes são: Satanás, o Anticristo e o Falso profeta (Apoc 12 -13).

PARTICULARISMO CRISTÃO

Particularismo histórico (1899 - 1940)

DEFINICIÓN

Hablar de particularismo histórico es hablar de Franz Boas y de su largo capítulo de seguidores. Boas fue el faro de la antropología estadounidense durante la primera mitad del siglo XX, en 1899 ingresó en la Universidad de Columbia y dio clase a casi toda la primera generación de antropólogos americanos (Benedict, Mead, Kroeber, Herskowits, Sapir, Lowie, etc.).

[Recomendación: ver el artículo sobre Boas como complemento a

éste.]

Particularismo histórico: cada cultura tiene su larga y única historia (unicidad histórica) y por lo tanto se niega la posibilidad de la perspectiva de una ciencia de la cultura generalizadora. Aunque reconoce el éxito de las formas difusionistas y evolucionistas, Boas reaccionará contra la corriente evolutiva por incluir a toda la humanidad en una misma corriente de desarrollo, algo que para el norteamericano será absurdo y poco consistente. No existe una cultura general o global, cada cultura sigue un camino único y particular y para entenderla hay que estudiarla por separado. Con ello critica también al método comparativo. Relativismo cultural: sostiene que no hay formas de cultura superiores o inferiores, rechazando de plano el etnocentrismo occidental y su posición de supremacía frente al resto de pueblos y culturas. Boas busca lograr un mayor grado de cientificidad en los estudios antropológicos, y no desmontar las convicciones evolucionistas porque sí, aunque por ello se ganara la fama de puritano metodológico en sus estudios. Boas creía que sólo mediante la profunda y lenta acumulación de datos y mas datos se conseguiría avanzar en su teoría histórica.

También mantienen que hay que llevar a cabo trabajos de campo etnográficos entre los pueblos no occidentales.

El logro más importante de Boas fue demostrar que la raza, el lenguaje

y

la cultura eran aspectos independientes de la condición humana. Demuestra

la

falsedad del darwinismo social.

CONCEPTOS E IDEAS CLAVE

A comienzos del S. XX, los antropólogos tomaron la iniciativa en la

revisión de los esquemas y doctrinas evolucionistas, tanto de los darwinistas sociales como de los comunistas marxistas. Según Boas, los intentos del S.

XIX de descubrir las leyes de la evolución cultural y de esquematizar las etapas del progreso cultural se basaron en una evidencia empírica insuficiente. Boas adujo que cada cultura tiene su propia historia, larga y única. Para comprender

o explicar una cultura en particular, lo mejor que podemos hacer es reconstruir

la trayectoria única que ha seguido. Este énfasis en la unicidad de cada cultura supuso una negativa a las perspectivas de la ciencia generalizadora de la cultura.

Otra característica importante es la noción de relativismo cultural, que

mantiene que no existen formas superiores o inferiores de cultura. Términos como “salvajismo”, “barbarie” y “civilización” expresan simplemente el etnocentrismo de la gente que piensa que su forma de vida es más normal que

la forma de vida de otras personas.

Para contrarrestar las teorías especulativas “de café” y el etnocentrismo de los evolucionistas, Boas y sus discípulos recalcaron también la importancia de llevar a cabo un trabajo de campo entre pueblos no occidentales. Como los informantes y monografías etnográficos producidos por los particularistas se multiplicaron, quedó claro que los evolucionistas habían

representado mal, o pasado por alto, desde luego, las complejidades de las llamadas culturas primitivas, y que habían subestimado, en términos generales, la inteligencia e ingenio de los pueblos no caucásicos, no europeos del mundo.

El logro más importante de Boas fue su demostración de que la raza, la lengua y la cultura eran aspectos independientes de la condición humana. Puesto que entre pueblos de la misma raza se encontraban culturas y lenguas similares y diferentes, no existía base alguna para la noción darwiniana social de que las evoluciones biológica y cultural formaban parte de un proceso simple.

Boas es el fundador de la escuela cultural, porque hizo de la antropología una ciencia independiente y una profesión, porque sistematizó las técnicas de trabajo de campo y los métodos de análisis propios de dicha escuela y porque formó o influyó en la mayoría de los antropólogos culturales. Así, Boas le da peso específico a la nueva ciencia y, además, le da un objeto, la cultura, que es autónoma como la raza y el lenguaje, términos que en aquél tiempo se consideraban intercambiables. Boas no niega el valor del método comparativo para generalizar y, por tanto, para llegar a formular leyes, que era la meta de la nueva ciencia, sino que señala sus limitaciones y propone un nuevo método, el método histórico, que permitiría aplicar después el método comparativo. Bohannan y Glazer sintetizan algunas de las limitaciones expresadas por Boas:

- Es imposible explicar todos los tipos de cultura afirmando que son

similares debido a la similitud de la mente humana.

- El descubrimiento de rasgos similares en sociedades diferentes no es tan importante como la escuela comparativa consideraría.

- Los rasgos similares se pueden haber desarrollado por muchas

razones diferentes en culturas diferentes.

- La visión de que las diferencias culturales son insignificantes no tiene

base. Son las diferencias culturales las que tienen mayor importancia etnográfica. El método histórico se caracteriza por el estudio detallado de una sociedad como un todo, teniendo en cuenta los factores ambientales y psicológicos que forman la cultura y el desarrollo local de cada costumbre. El método histórico, más que un intento de introducir el método inductivo en

antropología, parece ser una negación de toda generalización comparativa hasta que se tenga suficiente material etnográfico acumulado.

ÉTICA: PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS E TEOLÓGICOS.

DEFINIÇÃO

O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social. A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos.

CÓDIGOS DE ÉTICA

Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. Num país, por exemplo, sacrificar animais para pesquisa científica pode ser ético. Em outro país, esta atitude pode desrespeitar os princípios éticos estabelecidos. Aproveitando o exemplo, a ética na área de pesquisas biológicas é denominada bioética.

A ÉTICA EM AMBIENTES ESPECÍFICOS

Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe também a ética de determinados grupos ou locais específicos. Neste sentido, podemos citar: ética médica, ética profissional (trabalho), ética empresarial, ética educacional, ética nos esportes, ética jornalística, ética na política, etc.

ANTIÉTICA

Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado de antiético, assim como o ato praticado. No contexto filosófico, ética e moral possuem diferentes significados. A

ética está associada ao estudo fundamentado dos valores morais que orientam

o comportamento humano em sociedade, enquanto a moral são os costumes,

regras, tabus e convenções estabelecidas por cada sociedade. Os termos possuem origem etimológica distinta. A palavra “ética” vem do Grego “ethos” que significa “modo de ser” ou “caráter”. Já a palavra “moral” tem origem no termo latino “morales” que significa “relativo aos costumes”. Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica. É uma reflexão sobre a moral. Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau. No sentido prático, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante. São ambas responsáveis por construir as bases que vão guiar a conduta do homem, determinando o seu caráter, altruísmo e virtudes, e por ensinar a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade.

O QUE É ÉTICA NA FILOSOFIA:

Ética na filosofia é o estudo dos assuntos morais, do modo de ser e agir dos seres humanos, além dos seus comportamentos e caráter. A ética na filosofia procura descobrir o que motiva cada indivíduo de agir de um

determinado jeito, diferencia também o que significa o bom e o mau, e o mal e

o bem.

A ética na filosofia estuda os valores que regem os relacionamentos

interpessoais, como as pessoas se posicionam na vida, e de que maneira elas convivem em harmonia com as demais. O termo ética é oriundo do grego, e significa “aquilo que pertence ao caráter”. A ética diferencia-se de moral, uma vez que, a moral é relacionada a regras e normas, costumes de cada cultura, e a ética é o modo de agir das pessoas. Para a filosofia clássica, a ética estudava a maneira de buscar a harmonia entre todos os indivíduos, uma forma de conviver e viver com outras pessoas, de modo que cada um buscasse seus interesses e todos ficassem satisfeitos. A ética na filosofia clássica abrangia diversas outras áreas de conhecimento, como a estética, a psicologia, a sociologia, a economia, pedagogia, política, e etc. Com o crescimento mundial e o início da Revolução Industrial, surgiu a ética na filosofia contemporânea. Diversos filósofos como Sócrates, Aristóteles, Epicuro e outros, procuraram estudar a ética como uma área da filosofia que estudava as normas da sociedade, a conduta dos indivíduos e o que os faz escolher entre o bem e o mal.

RESPONSABILIDADES.

Responsabilidade é um substantivo feminino com origem no latim e que demonstra a qualidade do que é responsável, ou obrigação de responder por atos próprios ou alheios, ou por uma coisa confiada.

A palavra responsabilidade está relacionada com a palavra em latim

respondere, que significa "responder, prometer em troca". Desta forma, uma pessoa que seja considerada responsável por uma situação ou por alguma

coisa, terá que responder se alguma coisa corre de forma desastrosa. Na nossa sociedade a responsabilidade é uma característica muito apreciada e muito procurada, especialmente no mercado de trabalho, onde um trabalhador responsável é devidamente recompensado pela sua responsabilidade. Funcionários de empresas que demonstram

responsabilidade muitas vezes são escolhidos para exercerem cargos de

liderança (como gerentes de lojas, etc.).

Responsabilidade social

A responsabilidade social é uma característica cada vez mais

importante no mundo empresarial. Os consumidores estão cada vez mais

conscientes em relação à influência que as empresas têm na sociedade e cada

vez mais dão preferência às empresas que demonstram ter uma consciência

social.

A responsabilidade social empresarial está intimamente ligada a uma

gestão ética e transparente que a organização deve ter com suas partes

interessadas, para minimizar seus impactos negativos no meio ambiente e na

comunidade.

Responsabilidade civil

A responsabilidade civil consiste na obrigação (vínculo obrigacional)

que impende sobre aquele que causa um prejuízo a outrem, de o colocar na

situação em que estaria se o fato danoso não tivesse ocorrido.

Distingue-se entre responsabilidade civil contratual (resultante da falta

de cumprimento das obrigações emergentes dos contratos, dos negócios

unilaterais ou da lei) e responsabilidade civil extracontratual (dimanada da

violação de direitos absolutos ou da prática de certos atos que, embora lícitos,

causam prejuízos a outrem).

O CARÁTER SOCIAL DA FORMAÇÃO MORAL

Isso significa que a moral não está baseada em valores absolutos, mas

sim em valores que podem se modificar através do tempo em uma mesma

sociedade, ou seja, o que era considerado bom pela sociedade pode passar a

ser considerado mau ou vice-versa. Por exemplo uma sociedade que antes condenava o aborto por considerá-lo imoral com o passar do tempo pode tornar-se moralmente aceitável pelos membros integrantes dessa mesma sociedade. Outro exemplo que podemos destacar é o da escravidão - a sociedade brasileira considerava moralmente aceitável a escravidão na época imperial, abominando esse mesmo ato na época atual. O caráter pessoal da moral está relacionado com valores que eu pessoalmente considero bom, mas outras pessoas consideram mau na sociedade em que vivo. Por exemplo: posso considerar justa a pena de morte em casos hediondos, mas uma parcela da sociedade pode considerá-la um ato injusto, pois consideram que ninguém tem o direito matar outra pessoa mesmo se for um assassino declarado.

Carácter pessoal da moral

As normas morais são fruto da exigência da sociedade para regular as ações e relações entre os seus membros, daí ter uma dimensão social. E a decisão de seguir as normas morais é um cato de liberdade e cabe a cada um de nós agir ou não agir segundo uma norma moral, e o desrespeito pelas normas morais é da nossa inteira responsabilidade, tendo cada um responder por isso. E ao furtar-se do cumprimento das normas, o individuo responde perante a sociedade se ela assim o exigir, ou perante si próprio. Porque cada ato moral exige o sujeito dotado de consciência moral, daí a moral ter um carácter pessoal, que tem a ver com o modo interiormente nos relacionamos com as normas da sociedade, e de as aceitar como boas ou más mediante de um processo pessoal de decisão racional e livre designado por consciência moral. Que é uma espécie de tribunal que permite distinguir o bem do mal e que avalia os meus atos compensando ou castigando mediante de sentimentos agradáveis e de satisfação ou de vergonha e remorsos.

Dilemas Éticos do Fim do Século XIX

No livro A Escolha de Sofia, de William Styron, que virou filme estrelado por Meryl Streep, uma prisioneira polonesa em Auschwitz recebe um “presente” dos nazistas: ela pode escolher, entre o filho e a filha, qual será executado e qual deverá ser poupado. Escolhe salvar o menino, que é mais forte e tem mais chances na vida, mas nunca mais tem notícias dele. Atormentada com a decisão, Sofia acaba se matando anos depois. Dilemas morais, como a escolha de Sofia, são situações nas quais nenhuma solução é satisfatória. São encruzilhadas que desafiam todos que tentam criar regras para decidir o que é certo e o que é errado, de juristas a filósofos que estudam a moral. Cada vez que um filósofo monta um sistema de conduta, procura algo que responda a todas as situações possíveis. O filósofo inglês John Locke (1632-1704), por exemplo, definiu o bem pela não-agressão, aquela idéia de que “minha liberdade começa onde termina a sua”. Já Ros­seau (1712-1778) considerava o certo a vontade geral, a decisão da maioria. Agora os dilemas morais estão virando objeto de estudo de cientistas. E, para alguns deles, talvez os filósofos tenham trabalhado em vão ao se esforçar tanto para montar teorias morais. É que, segundo novas pesquisas, raramente usamos a razão para decidir se devemos tomar uma atitude ou não. Analisando o cérebro de pessoas enquanto elas pensavam sobre dilemas, os pesquisadores perceberam que muitas vezes decidimos por facilidade, empatia ou mesmo nojo de alguma atitude. Duvida? A seguir, faça o teste com você mesmo, respondendo a 5 dilemas morais clássicos. O trem descontrolado Um trem vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre a linha. Mas você tem a chance de evitar a tragédia acionando uma alavanca que

leva o trem para outra linha, onde ele atingirá apenas uma pessoa. Você mudaria o trajeto, salvando as 5 e matando 1?

(

) Mudaria

(

) Não mudaria

Esse dilema moral foi apresentado a voluntários pelo filósofo e psicólogo evolutivo Joshua Greene, da Universidade Harvard. “É aceitável mudar o trem e salvar 5 pessoas ao custo de uma? A maioria das pessoas diz que sim”, afirma Greene em um de seus artigos. De fato, numa pesquisa feita pela revista Time, 97% dos leitores salvariam os 5. Fazer isso significa agir conforme o utilitarismo a doutrina criada pelo filósofo inglês John Stuart Mill, no século 19. Para ele, a moral está na conseqüência: a atitude mais correta é

a que resulta na maior felicidade para o máximo de pessoas. Mas há um problema. A ética de escolher o mal menor tem um lado perigoso basta multiplicá-la por 1 milhão. Você mataria 1 milhão de pessoas para salvar 5 milhões? Uma decisão assim sustentou regimes totalitários do século 20 que desgraçaram, em nome da maioria, uma minoria tão inocente quanto o homem sozinho no trilho. Além disso, o ato de matar 1 para salvar 5 é o oposto do espírito dos direitos humanos, segundo o qual cada vida tem um valor inestimável em si e não nos cabe usar valores racionais ao lidar com esse tema.

O trem descontrolado (2) Imagine a mesma situação anterior: um trem em disparada irá atingir 5 trabalhadores desprevenidos nos trilhos. Agora, porém, há uma linha só. O trem pode ser parado por algum objeto pesado jogado em sua frente. Um homem com uma mochila muito grande está ao lado da ferrovia. Se você empurrá-lo para a linha, o trem vai parar, salvando as 5 pessoas, mas liquidando uma. Você empurraria o homem da mochila para a linha?

(

) Empurraria

(

) Não empurraria

Avaliando pela lógica pura, esse dilema não tem diferença em relação ao anterior. Continua sendo uma questão de trocar 1 indivíduo por 5. Apesar disso, a maioria das pessoas (75% nos estudos de Joshua Greene, 60% no

teste da Time) não empurraria o homem. A equipe de Greene descobriu que, enquanto usamos áreas cerebrais relacionadas à “alta cognição”, isto é, ao pensamento profundo, para resolver o dilema anterior, este aqui provoca reações emocionais, mesmo nos que empurrariam o homem para os trilhos. Uma versão mais bizarra desse dilema propõe uma catapulta para jogar o homem pesado nos trilhos e, surpresa, a maioria das pessoas volta a querer matar 1 para salvar 5. Conclusão: estamos dispostos a matar com máquinas, mas não mataríamos com as mãos. Para Greene, a diferença nas respostas aos dois dilemas pode ser explicada pela seleção natural. Durante milhares de anos da nossa evolução, os seres humanos que matavam outros friamente atraíam violência para si próprios: eram logo mortos pelo grupo, gerando menos descendentes. Já aqueles que conseguiam se segurar conquistavam amigos e proteção, transmitindo seus genes para o futuro. Assim, ao longo dos milênios, criamos instintos sociais que nos refreiam na hora de matar alguém. Acontece que, na maior parte do tempo da nossa evolução, vivemos em cavernas e com lanças na mão, e não operando máquinas, botões ou alavancas. Isso faz com que nossos instintos sociais não relacionem o ato de apertar um botão ou puxar uma alavanca com o de jogar alguém para a morte é por esse motivo que, para Joshua Greene, tanta gente mudaria a alavanca na situação anterior, mas não executaria o homem neste segundo dilema. “Os instintos sociais refletem o ambiente nos quais eles evoluíram, não o ambiente moderno”, afirma o cientista. Ele dá outro exemplo. Achamos um absurdo não prestar socorro a alguém que sofreu um acidente na estrada, mas nos esquecemos rapidinho que milhares de pessoas morrem de fome na África. Para Greene, o motivo dessa disparidade também está nos instintos. “Nossos ancestrais não evoluíram num ambiente em que poderiam salvar vidas do outro lado do mundo. Da forma como nosso cérebro é construído, pessoas próximas ativam nosso botão emocional, enquanto as distantes desaparecem na mente.” Para Greene, a diferença de atitudes mostra que os filósofos que lidam com a moral devem levar mais em conta a natureza do homem não para

agirmos conforme a natureza, mas para superá-la. Tendo consciência de que nossos instintos nos tornam capazes de matar friamente por meio de uma alavanca ou de ignorar genocídios distantes, temos mais poder para decidir o que é ou não correto. Totem e tabu

No seu país, a tortura de prisioneiros de guerra é proibida. Você é tenente do Exército e recebe um prisioneiro recém-capturado que grita: “Alguns de vocês morrerão às 21h35”. Suspeita-se que ele sabe de um ataque terrorista a uma boate. Para saber mais e salvar civis, você o torturaria?

(

) Torturaria

(

) Não torturaria

Recentemente, Israel e os EUA foram duramente criticados pela prática de tortura de terroristas árabes em prisões e pelas tentativas de legalizá-la em forma de “pressão psicológica” ou “pressão física moderada”. Na defesa, os países usaram dilemas como esse. Se você achar que o correto é torturar o prisioneiro, vai legitimar carceragens sangrentas. Por outro lado, caso se recusasse a torturá-lo, poderá deixar inocentes morrer. Essa situação também se parece com as anteriores pela razão pura, trata-se de salvar o maior número de vidas. Mas por que, então, é tão difícil

tomar a decisão de torturar o homem? Além do instinto básico de não-agressão apontado pelo cientista Joshua Greene, somos movidos por outra emoção primitiva: o nojo. É isso aí, o mesmo nojo que faz você ter uma ânsia de vômito ao olhar um esgoto. “Acreditamos que a aversão moral é nojo mesmo, e não apenas uma metáfora”, diz o psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade da Virgínia. Em uma de suas pesquisas, Haidt mostrou vídeos de neonazistas a seus voluntários, monitorando a atividade cerebral deles. Concluiu que sentiam nojo, e não uma reprovação racional. É por isso que, em casos que provocam asco, como a tortura, costumamos agir conforme o absolutismo moral: as regras não devem ser transgredidas nem para salvar inocentes. Ainda mais se lembrarmos que os países que querem legalizar o método geralmente se valem de dilemas como esse para situações mais leves, em que a tortura não vai resultar em vidas salvas.

Os limites da promessa Um amigo quer lhe contar um segredo e pede que você prometa não contar a ninguém. Você dá sua palavra. Ele conta que atropelou um pedestre

e, por isso, vai se refugiar na casa de uma prima. Quando a polícia o procura querendo saber do amigo, o que você faz?

(

) Conta à polícia

(

) Não conta à polícia

O antropólogo holandês Fonz Trompenaars realizou pesquisas em diversos países com dilemas como esse. O mais interessante é que as respostas variaram de acordo com o povo. A maioria dos russos acusaria o amigo na lata. Outros mentiriam para protegê-lo, dando dicas ambíguas à polícia, como os americanos. Já os brasileiros inventariam histórias malucas para dizer que a culpa não era do amigo, mas do pedestre, que era um suicida. Os gregos antigos já tinham consciência de que cada cultura tem noções diferentes sobre o que é certo ou errado: diziam que havia tantas morais quanto povos no mundo. A princípio, saber que a moral muda de acordo com a cultura é importante para não julgarmos costumes de um povo como se fossem os nossos, descobrindo suas razões particulares. Foi o que propôs o antropólogo Franz Boas (1858-1942), considerado o pai do relativismo cultural

a idéia de que nenhuma cultura é melhor que outra. Mas, quando duas culturas diferentes se chocam, surgem dilemas morais ainda mais difíceis como o da página seguinte. Choque cultural Você é um funcionário da Funai, trabalhando na Amazônia sob ordem expressa de jamais intervir na cultura indígena. Passeando perto de uma clareira, nota que ianomâmis estão envenenando o bebê de uma índia, que está aos prantos. Você impediria a morte do bebê?

(

) Impediria

(

) Não impediria

No começo de abril, a Folha de S.Paulo contou a história do índio Mayutá, de 2 anos, que nasceu de uma gravidez de gêmeos. Como os índios camaiurás acreditam que gêmeos trazem maldição, Mayutá deveria ser

envenenado.O irmão dele já havia sido assassinado quando o pai interveio. Com ajuda da ong Atini, que tenta acabar com o infanticídio entre os índios brasileiros, o pai retirou a criança da tribo. A ong foi formada pelos pais adotivos da ianomâmi Hakani, que viveu um caso parecido em 1995. Depois que Hakani nasceu com hipotireoidismo, seus pais receberam do conselho da tribo a ordem de envenená-la. Mas acabaram tomando o veneno eles mesmos. O irmão e o avô foram encarregados de levar a tarefa adiante e não conseguiram o avô também se suicidou. Hakani, abandonada, desnutrida e quase morta, acabou adotada por um casal de funcionários da Funai. Um antropólogo do ministério público tentou barrar a adoção, dizendo que era uma agressão à cultura ianomâmi. E aí, o que vale mais: a vida humana ou o respeito às tradições de um povo? Se você acha que o certo é deixar a cultura acontecer, é um relativista cultural. Se considera o valor da vida maior que o das culturas, é um absolutista moral, como o papa Bento 16. Talvez a solução do dilema esteja na hesitação dos pais. Ela mostra que o infanticídio não é um consenso entre os índios. Ou seja, o terror emocional diante de matar o próprio filho existe mesmo em culturas que admitem matar suas crianças. Isso converge com a tese do psicólogo evolutivo Steven Pinker: assim como qualquer língua do mundo diferencia entre verbo e objeto, a moral também tem suas regras universais, que cada cultura trata de forma diferente. Segundo a teoria da “gramática universal”, de Noam Chomski, temos uma capacidade de nascença para falar, e o que prova isso são as semelhanças de sintaxe entre todas as línguas do mundo. Num artigo para o jornal New York Times, Pinker paradiou a tese de Chomski: “Nascemos com uma gramática moral que nos permite analisar as ações humanas mesmo que com pouca consciência disso”. Mas, como mostram os dilemas morais, nem sempre é fácil fazer essa análise. Seguindo a distinção clássica entre razão teórica (nous theoretikos) e razão prática (nous praktikos), no que diz respeito à teoria temos as seguintes disciplinas fundamentais em filosofia: metafísica e epistemologia. No que diz respeito à prática as disciplinas básicas da filosofia são: ética e política.

Importante destacar que “prático” em filosofia não se refere meramente à aplicação de uma teoria como a ideia de matemática aplicada pelo engenheiro, por exemplo. A ideia de a disciplina ser prática, no contexto da filosofia, abrange o interesse prático da razão cujo alvo é o agir, enquanto que no aspecto teórico o interesse é voltado para o conhecer. No âmbito teórico, a expressão verbal fundamental que marca a preocupação da metafísica é “ser”, enquanto a expressão verbal da epistemologia é “conhecer”. No âmbito prático da razão a expressão verbal que marca a grande preocupação da ética é “dever”, enquanto que a expressão verbal da política é “poder”. Metafísica e epistemologia são disciplinas especulativas. Ética e política são disciplinas normativas. Justamente pelo fato de que, quando se apresentam na forma de experiência de questionamento a uma consciência reflexiva, a metafísica formula sua pergunta nos seguintes termos: “o que é a realidade (ser)?”, a epistemologia: “o que é o conhecimento?”, a ética: “o que eu devo fazer?” e a política: “o que eu posso fazer?”. No entanto, no caso da ética, a pergunta pelo dever da ação sempre tem como fim último a realização do bem à consciência pessoal do agente, portanto na ética o diálogo da ação realiza-se, em última instância, no silêncio da interioridade. O filósofo busca encontrar a norma que regula uma ação moral. Essa norma apresenta-se sempre na forma de um valor moral à consciência do agente. Esse valor pode ser pressuposto ou como uma máxima universal dado antes da circunstância da ação (ética do dever), cuja fonte do valor pode variar entre tradição, senso comum, religião e princípios da razão, ou como critério para calcular as consequências circunstâncias da ação (ética consequencialista), cuja princípio pode variar entre “maximizar bem” (utilitarismo), “minimizar sofrimento” (utilitarismo negativo) ou “equalizar o bem e o sofrimento” (proporcionalismo) como produtos inevitáveis da ação. No caso da política, o diálogo não termina na realização de uma consciência pessoal resolvendo o dilema do dever, mas a pergunta é lançada para uma comunidade concreta (ou ideal). Quando emerge a pergunta “o que

eu posso fazer?”, já está pressuposto uma comunidade como horizonte da possibilidade de realização da ação. E a norma que regula a ação política, isto é, a ação voltada para a comunidade, apresenta-se na forma de um valor político.

O bem do intento político é, antes de tudo, o bem comum. O que faz,

necessariamente, surgir o problema da justiça como a faculdade de distribuição deste bem comum, em outras palavras, da parte que cabe a cada um dos membros da comunidade a fim de garantir a ordem da comunidade. Nesse caso, há necessidade de se postular um critério fundamental para determinar o que é a justiça.

O valor pode ser pressuposto e derivado da concepção que se tem de

homem, da sociedade e da história: igualdade e liberdade (socialismo e liberalismo), perfectibilidade e imperfectibilidade (o homem é perfeito a sociedade o corrompe ou o homem é imperfeito e depende do cultivo dos processos civilizatórios), no caso do homem; a coletividade precede a individualidade ou a individualidade precede a coletividade, no caso da sociedade; progresso (ideal está no futuro e no senso participação da expectativa de uma promessa) ou tradição (ideal está na memória e senso de participação do passado), no caso da história.

Teorias Ético-normativos: Egoísmo e Utilitarismo

O que é Egoísmo:

Egoísmo é um substantivo masculino que nomeia um amor próprio excessivo, que leva um indivíduo a olhar só para os suas opiniões, interesses e necessidades, e que despreza as necessidades alheias. Egoísmo é um exclusivismo que faz o indivíduo se referir tudo a si próprio. É um orgulho, uma presunção.

A pessoa que trata só de seus interesses, que carrega consigo os

sentimentos do egoísmo é adjetivada de egoísta.

Em psicologia, a atitude intelectual daquele que tudo se refere ao próprio eu, é chamada de egocentrismo. O egoísmo é um comportamento que leva o indivíduo a desejar total exclusividade sobre o sentimento alheio, gerando ciúme, um sentimento negativo, que quando exagerado torna-se uma paranoia. O contrário de egoísmo é o altruísmo, ou seja, um comportamento de quem tem amor ao próximo, que é abnegado, solidário com os outros. Para os budistas, ao se atingir o estado de Nirvana, através da meditação, se chega à libertação, considerada a última etapa a ser alcançada pela filosofia budista. Nele é possível se livrar do egoísmo, do orgulho, da inveja etc. sentimentos que afligem o ser humano.

O que é Egocentrismo:

Egocentrismo é a condição ou estado de espírito do egocêntrico. Tem origem no grego, sendo a junção de egôn e kêntron, que significa "eu no centro".

O egocentrismo consiste em uma exaltação excessiva da própria personalidade, fazendo com que o indivíduo se sinta como o centro da atenção. Uma pessoa egocêntrica não consegue demonstrar empatia, ou seja, não consegue colocar no lugar do outro, porque está constantemente ocupado com os seus "eu" e com os seus próprios interesses. Um indivíduo egocêntrico é também egoísta, porque pensa só em si ou pelo menos pensa em si mesmo em primeiro lugar. Ex: Ele só pensa no seu próprio bem! Aposto que se você pesquisar na internet a definição de egocentrismo, com certeza vai aparecer a foto dele. O egocentrismo é frequentemente relacionado com a egolatria e narcisismo, ou seja, adoração de si próprio.

Piaget e o egocentrismo

Segundo o psicólogo suíco Jean Piaget (figura incontornável no âmbito da psicologia infantil), o egocentrismo é uma característica natural nas crianças que se encontram na segunda infância (entre os 3 e 6 anos). Isso acontece porque nesta idade, as crianças não são capazes de entender que os outros indivíduos possuem crenças, opiniões e pensamentos diferentes dos seus.

Conceito de utilitarismo

O utilitarismo é uma doutrina filosófica para a qual a utilidade é um

princípio da moral. É um sistema ético teleológico que determina a concepção moral com base no resultado final. Os resultados, por conseguinte, são a base do utilitarismo. Jeremy Bentham (1748-1832) foi um dos pioneiros no desenvolvimento desta filosofia, ao sugerir o seu sistema ético em torno da noção de prazer e longe da dor

física. O utilitarismo de Bentham está relacionado com o hedonismo, pois considera que as acções morais são aquelas que maximizam o prazer e minimizam a dor. John Stuart Mill (1806-1873) levou avante o desenvolvimento desta filosofia, ainda que se afastando do hedonismo. Na óptica de Mill, o prazer ou a felicidade geral deve calcular-se a partir do maior bem para o maior número de pessoas embora reconheça que certos prazeres têm uma “qualidade superior” a outros.

É importante ter em conta que o utilitarismo alterou a forma de pensar.

Enquanto a moral religiosa se baseava em regras e em revelações divinas, o utilitarismo antepunha os resultados. Posto isto, a razão veio substituir a fé na determinação da moral.

O utilitarismo sempre se destacou pela sua relativa simplicidade. Para

pensar se uma ação é moral, basta estimar as suas consequências positivas e

as negativas. Quando o bem supera o mal, pode-se considerar que se trata de uma ação moral.

Para além do sistema filosófico, a noção de utilitarismo tem um sentido crítico para se reportar à atitude que valoriza a utilidade de forma exagerada e que antepõe a sua consecução a qualquer outra coisa.

Leia

http://conceito.de/utilitarismo#ixzz2zYpLMf4M

mais:

Conceito

de

utilitarismo

-

O

que

é,

Definição

e

Significado

REFERENCIAS

ATKINSON, Sam (ORG). O livro da filosofia. Tradução: Rosemarie Ziegelmaier.

São Paulo, Globo, 2011.

SARTRE, Jean-Paul. A imaginação. Tradução: Paulo Neves. Porto Alegre.

L.P&M, 2012

MAY, Roy H. Discernimento Moral: Uma introdução à ética cristã. Tradução:

Walter O. Schlupp. São Leopoldo, Sinodal, 2004

MIES, Françoise (ORG). Bíblia e Filosofia: As luzes da razão. Tradução: Paula

Silvia Rodrigues Coelho Silva. São Paulo. Edições Loyola, 2012.

MORELAND E CRAIG, J.P. William Lane, Filosofia e Cosmovisão Cristã. São

Paulo. Vida Nova, 2005

RUSSELL, Bertrand. A filosofia entre a religião e a ciência. São Paulo. Saraiva.

2012

IPMAN, Matthew. A Filosofia vai à Escola. São Paulo. Summus, 1990.

Matthew.

A

Filosofia

na

Sala

de

Aula.

São

Paulo.

Nova

Alexandria,1994.

Matthew.

O Pensar na Educação. Petrópolis. Vozes, 1995.

 

Matthew.

Natasha:

diálogos

vygotskianos.

Porto

Alegre.

Artes

Médicas, 1997.

ARAÚJO, Tarso

http://super.abril.com.br/religiao/criacao-mundo-447670.shtml - Revista Super Interessante acessada em 19/042014

Fonte: http://www.etpc.com.br/revista/volume19artigo3.htm