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JOHN STUART MILL

.---

SISTEMA DE LOGICA

DEDUTIVA

-

E INDUTIVA

~

EXPOSICAO DOS PRINCIPIOS DA PROVA E DOS MÉTODOS

l

-

DE INVESTIGACAO

-

(SELEÇÃO)

,

CIENTIFICA

T r ad u ção de João Marcos Coelho

~===

CAPÍTULO Ill

Do fundamento da indução

1. Axioma da uniformidade do curso da naturez a

A indução propriamente dita - enquanto distinta da s operações mentais , muitas v ezes designada s, embora impropriamente , por e sse nome , que tentei caracterizar no capítulo precedente - pode, pois , ser resumidamente definida como generalização da experiência. Consiste em inferir , de alguns casos particu- lares em que um fenômeno é obser v ado , que ocorrerá em todos os caso s de uma determinada classe , isto é, em todos os casos que se a s s e melham ao s primeiro s enquanto são consideradas suas circunstâncias essenciais. De que maneira as circunstâncias essenciais se distinguem das que não o são , ou por que algumas das circunstâncias são essenciai s e outras não , ainda não estamo s preparados para explicar. Devemos primeiro ob s er v ar que há um princí -

pio implicado na própria afirmação do que é uma indução ; uma suposição com respeito ao curso da natureza e à ordem do universo , a saber , que há na natureza coisas tai s como casos paralelos; que o que acontece uma v ez deverá , s ob um grau suficiente de s imilaridade de circun s tância s, acontecer no v amente , mas t a n- tas vezes quantas as mesmas circunstâncias tornarem a suceder. E, se cor sul- tarmos o curso atual da natureza , aí encontraremos sua garantia. O uni, erso , tanto quanto o conhecemo s, é constituído de maneira tal que tudo o que é verda- deiro em um caso de determinada natureza é também v erdadeiro para todos os casos da mesma natureza ; a única dificuldade é descobrir qual é esta natureza. Este fato uni v ersal, que é nossa garantia para todas as inferências da expe- riência, foi de s crito pelo s f ilósofos com diferente s termo s: un s dizem que o cur s o da natureza é uniforme; outros, que o uni v er s o é go v ernado por lei s gerais ; e ou-

tras expres s ões semelhantes. (

Qualquer que seja a maneira mais apropriada de expressá-Ia, a proposição de que o curso da natureza é uniforme é o princípio fundamental , o axioma geral da indução. Porém , seria um grave erro apresentar essa va s ta generalização como uma explicação do procedimento induti v o. Pelo contrário , considero-o como um exemplo de indução, e não é das mais fáceis e evidentes. Longe de ser a primeira indução que fazemos , é uma das últimas , ou , em todo caso , uma das últimas a atingir a estrita exatidão filosófica. Como má x ima geral , na verdade , só entra nas mentes dos filósofos; nem mesmo estes, como teremos muitas oportunidades de observar, conceberam com muita exatidão sua extensão e limites. A verdade é que esta vasta generalização é ela própria fundada em generalizaçõe s anteriores. E é atrav és dela que as leis mais obscura s da natureza foram descobertas, mas

)

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mais óbvias devem ter sido compreendidas e reconhecidas como v erdades gerais antes que se tivesse notícia dela. Nunca teríamos pensado em afirmar que todos os fenômenos ocorrem de acordo com leis gerais se não ti v éssemos primeiro che- gado, no caso de uma grande quantidade de fenômenos , a algum conhecimento das próprias leis, o que só se poderia fazer através da indução. Em que sentido,

primeira indução , ser

considerado como nossa garantia para todos os demais? No único sentido em que , como já vimos , as proposições gerais colocadas no topo de nossos raciocí-

nios quando formulados como silogismos sempre contribuem realmente para sua validade . Como o arcebispo W hatel y obser v a , toda indução é um silogismo cuja premissa maior é suprimida; ou (como prefe r iria dizer) , toda indução pode ser

colocada

for feito , o princípio em questão - o da uniformidade do curso da natureza - aparecerá como a última premissa maior de todas as induções e, portanto , terá , com todas as induções , a mesma relação que , como tão longamente tem sido mostrado , a premissa maior de um silogismo sempre terá com a conclusão , não contribuindo em absoluto para pro v á-Ia, mas sendo condição necessária para que

seja provada , já que não

se prova nenhuma conclusão se não se acha uma pre-

missa maior v erdadeira para fundá-Ia. Pode-se pensar que a afirmação de que a uni f ormidade do curso da natureza

é a última premissa maior em todos os casos de indução e x ige alguma explicação.

pois, pode um princípio , que está tão longe de ser nossa

na forma silogística introduzindo-se a prem i ssa maior. Se isto realmente

Certamente ela não é a premissa maior imediata em todo argumento indutivo. Nisto , a explicação do arcebispo Whatel y de v e ser considerada correta. A indu- ção "João, Pedro , etc. , são mortais , portanto todos os homens são mortais" pode , como ele diz justamente, ser transformada em um silogismo antepondo - se como

uma premissa maior (o que é , de resto , uma condição necessária da validade do

argumento) que o que é verdadeiro de João , Pedro , etc. , é verdadeiro de todos os

homens . Mas de onde nos vem essa premissa maior? Ela não mesma; e , além disso , em t odos os casos de generalização não

verdadeira. Como , então , é obtida? Necessariamente , ou pela indução , ou pelo raciocínio; e se por indução , o procedimento , como todos os demais argumentos indutivos , de v e ser colocado em forma silogística . É necessário , portanto , cons-

truir esse silogismo preliminar. A prova real de que o que é verdadeiro de João ,

Pedro , etc. é verdadeiro de todos os homens só pode ser o fato de que uma suposi- ção diferente seria incompatível com a uniformidade co n h e c id e - do curso da natu- reza. Saber se essa incompatibilidade existe ou não pode ser um assunto de longa

e delicada pesquisa ; mas se não existisse , não teríamos fundamento suficiente

para a premissa maior do silogismo induti v o . Daí conclui-se que , se desenvol-

vermos um argumento induti v o em uma série de silogismos , deveremos chegar , em maior ou menor número de passos , a um último silogismo cuja premissa maior será o princípio ou axioma da uniformidade do curso da natureza. 5 )

é evidente em si garantida, não é

( .

Embora a uniformid a de

do cur s o d a n a ture za

s eja c o ndiçã o

d a v alidade d e to da indução,

não é condi-

ção necess ári a que a uniform i dade

fenômeno s

perm e ie toda a natureza .

É s uficie nte qu e pen e tre na classe particular

do s planetas

de

à qual a indução

s e refere . Uma indução relativa ao s mo v imentos

ou das proprie-

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2. Posição da questão da L ó gica induti v a

Para melhor compreender o problema que o lógico deve resolver se quiser estabelecer uma teoria científica da indução , comparemos a l gun s casos de indu- ções incorretas com outros reconhecidamente leg í timo s. A lgun s, sabemos , que s e

acreditaram durante séculos serem corretos, e r am , apesar de tudo , i ncorretos. A indução de que todos os cisnes são brancos não pode ter sido boa, já que a con - clusão tornou-se fa l sa . A experiência, todavia , sobre a qual se apoiava a conc l u - são era genuína. Desde os tempos mais remotos , o testemunho de todos os habi - tantes do mundo conhecido era unânime nesse ponto. A experiência constante, portanto , dos habitantes do mundo conhecido , chegando a um re s ultado comum , sem nenhum caso conhecido de desvio desse resultado , nem sempre é suficiente para estabelecer uma conclusão geral . Passemos agora a um caso que aparentemente n ão é diferente deste. Os ho- mens estavam errados , parece, em concluir que todos os cisnes eram brancos; estamos também errados quando concluímos que todos os homens têm as cabe - ças acima de seus ombros e nunca abaixo, apesar do testemunho contrário do naturalista Plínio? Assim como havia cisnes pretos, embora os homens civili- zados tenham existido durante três mil anos sobre a terra sem nunca ter encon-

t rado um de l es, não pode também haver "homens cujas cabeças estão co l ocadas abaixo de seus ombros" , não obstante uma unanimidade não menos absoluta de

t estemunho negativo da parte dos observadores? A maioria das pessoas respon -

deria não ; é mais crível

v ariasse na posição relativa de seus órgãos principais. E não há nenhuma dúvida

de que , assim dizendo , estariam certas ; mas seria impossível dizer por que estão

certas sem avançar mais do que se faz usualmente na verdadeira teoria da

i ndução. Há casos, ainda , em que contamos com uma confiança inabalável na unifor- midade , e outros em que não contamos com isso em absoluto. Em alguns, senti-

m os completa certeza de que o futuro se assemelhará ao passado, o desconhecido

que um pássaro variasse em sua cor do que um homem

s

erá exatamente semelhante ao conhecido . Em outros, conquanto invariáveis pos -

s

am ser os resultados obtidos dos casos que observamos, não tiramos mais do

q ue uma fraca presunção de q u e o mesmo resultado surgirá em todos os demais

duvida-

c asos . Uma linha reta é a distância mais curta entre dois pontos - não

d

a de s do í m ã nã o s erá i n val i dada

p ela supo s içã o

de qu e o vent o e a chuva seja m fr ut os d o a caso. de s d e que

-

a ceit e q ue os fe n ômenos astro n ô mi cos

e m a gnéti cos

e s tão s ob o domíni o d e l e is g e rai s . S em isto , a s e x p e -

r

i

ê ncias mai s a nt igas d a huma ni d ade

est a riam apoiada s num fundamento

muito fr ac o , p o i s na i n fânc i a

da

ciência não se p o di a sa ber q u e lo dos o s f e n ô menos

T

do fato geral da uni f o rmidad e ,

t ê ~

-

- - - - O reg u l ar .

a mbém

não s e r ia corret o diz e r que cada indução inferindo alguma verdad e implica o c onhe cim ento p r é vio

Ela implic a o u que

" O D u que d e

m

e s mo c o m r e ferência

à e spécie d e f e nômeno s

e m que s t ã o.

s e f a to g eral j á é co nhecido ,

ou q ue po demo s conh e cê - Ia a tual mente .

Ass im, a c o n clu s ão

W

e l lin g ton é m or t a l "

t ira d a dos c aso s A , B c C i m plica ou que j á c on cluí mos

que t od os o s homen s sào m or-

tai

s , ou que e s t arno s h a bi li t a d os

a faz ê - Ia

pa rt i ndo d a me s ma evidê n cia. E s t as s i mple s conside r ações

d i ss ip a -

i a m g r a ndes co n fusõ es e para l ogismos

a respe it o dos fu nd ame n to s

d a i n d u ç ão . (N. do A. )

STUAR T M ILL

m o s se r isto verdadeiro , mesmo na região das estrelas fixas. 6 Quando um quí-

mico anuncia a existência e as propriedades de uma substância recentemente descoberta, se confiamos na sua precisão , sentimo-nos seguros de que as conclu- sõe s a que chegou serão mantidas uni v er s almente , embora a indução e s teja fun-

dada em um único fato . Não negamo s nosso a s sentimento , para e s perar que a

e x periência se repita; ou , s e o fazemo s, é na dú v ida de que a experiênc i a

sido bem feita , e não que , se bem feita , s eria conclusi v a. Aqu i, poi s, está uma le i geral da natureza inferida sem hesitação de um único fato , uma proposição uni- versal a partir de uma proposição singular . Observemos um outro caso e compa-

todos os casos que foram ob s er v ado s desde o começo do

mundo e m apoio à propos içã o geral de que todo s o s cor v o s são pr e to s s eriam

considerados uma presunç ã o s ufic i en t e da v erd a de da propo si ção para s uperar a pro v a de uma testemunha i rrepreen s í v el afirmando que , em alguma região da terra ainda inexplorada, capturara e e x aminara um corvo e descobrira que era cinzento. Por que um único e x emplo , em algun s ca s os , é s uficiente para uma indução completa , enquanto , em o utro s, mi r íade s de e xe mplo s coincidente s , s em um a

ún i ca e x ceção con h ecid a ou pre s u mi da , cami nham tã o pouco para o est a be l ec i-

mento d e u ma propo s i çã o u niv er s al ? Que m q u e r qu e pos s a re s ponder a e st a que s-

remos com este. Nem

tenha

tão sabe mai s da filo s ofia da lógic a do que o mais sábio do s ant i gos e t erá resol - vido o problema da indução .

A r i go r , d es de que a co n s tit u iç ão de e s paç o a tu a l p er m a n eça . Tem os a mpl as r azões par a a c re dit a r q u e assi m é n a r eg iã o da s es t rel as fi x a s . ( N . d o A . )

CAPÍTULO IV

Das leis da natureza

1. A regularidade geral da natureza é um tecido de regularidades parciais chamadas leis

Considerando essa uniformidade no curso da natureza que é suposta em

primeiras obser v ações que se

apresentam é a de que a uniformidade em questão não é propriamente uniformi -

dade , mas uniform i dades . A regularidade geral resulta da coe x istência de regula- ridades parciais. O curso da natureza em geral é constante porque o curso de

cada um dos di v ersos fenômenos que a compõem o é. Um determinado

t oda inferência a partir da experiência , uma das

fato ocor-

re in v ariavelmente sempre que determinadas circunstâncias estão presentes e não

ocorre quando estão ausentes; o mesmo é verdadeiro de um outro fato; e assim

por diante . Dessas linhas distintas indo de uma parte para outra do grande todo que denominamos natureza inevitavelmente tece-se um tecido de conexão que

mantém o todo. Se A sempre é acompanhado

que AB é acompanhado por DE , A C por DF , BC por EF e , finalmente , A BC por DEF; e assim se estabelece o caráter geral de regularidade , que, juntamente com, e no meio da , infinita diversidade, impregna toda a natureza. O primeiro ponto , portanto , a notar com respeito ao que é chamado a uniformidade do curso da natureza, é que ela própria é um fato complexo, com - posto de todas as uniformidades separadas de cada fenômeno . A essas diversas uniformidades , quando constatadas por aquilo que se considera uma suficiente indução , chamamos , na linguagem comum , leis da natureza . Cientificamente falando , essa expressão é empregada num sentido mais restrito para designar as uniformidades quando reduzidas à sua expressão mais simples. Assim, no exem- plo precedente, havia sete uniformidades; todas, se consideradas suficientemente certas , seriam chamadas, na acepção mais ampla do termo, leis da natureza. Mas , das sete , apenas três são propriamente distintas e independentes; pressupondo-se estas , as outras seguem - se naturalmente. As primeiras três , portanto, no sentido

rigoroso , são chamadas leis da natureza; as restantes não, porque são , na verda - de , meros casos das três primeiras, virtualmente incluídas nelas, e conseqüente- mente , diz-se que resultam delas; quem quer que afirme aquelas três já afirmou as demais. Substituindo os exemplos simbólicos por exemplos reais , eis três uniformi-

dades , ou leis da natureza: a lei de que o ar tem peso , a lei de que a pressão de um

fluido se propaga igualmente em todas

as direções , e a lei de que . a pressão em

uma d i reç ã o, não contrabalançada por uma press ão i gual na direç ã o con t r á ri a,

por D , B por E , e C por F , segue - se

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prod u z um movimento que du r a até que o equil í brio seja restabelec i d o . A partir dessas t rês uniform i dades, deve r íamos ser capazes de predizer uma outra uni fo r -

midade, a saber , a ascensão do mercúrio no t u bo de Torrice l li . Esta , no uso mais estrito da expressão, não é uma lei da natu r eza . É o resu l tado de leis da natureza . É um caso de cada uma e de todas as três leis , e é apenas a ocorrência onde todas poderiam se realizar . Se o mercúrio não fosse man ti do n o barômetro, mas m a nti- do a uma a l tura tal q u e a co lu na de mercúrio fosse igual em peso a uma coluna de atmosfera do mesmo diâmet r o, te r íamos u m caso ou do ar que não exerce pr e - são sobre a sup e rfíc i e do mercúrio com a força que é c h amada seu peso, o u da

p ressão para baixo sobre o mercúrio que não se propaga

ção para o alto , o u de um corpo impulsionado em uma direção e não na direção oposta, q u er n ão se m o vendo na direção em que é impulsionad o , quer parando antes de atingir o equilíbrio . Se soubéssemos, port a n t o , as três simples le i s mas

n u nca t i véssemos tentado a experiência de Torricel l i , poderíamos deduzir seu

resultado dessas t rês leis. O peso conhecido do ar , co m binado com a posição do

i nstrumento, co l ocaria o mercúrio na primeira da s três induções; a p rimeira i ndu-

ção o levaria à segunda , e a segunda à tercei r a , da m aneira que caracterizamos quando tratamos do raciocínio . Chegaríamo s a s sim a conhecer a uniformidade mais comp l exa , independentemente da experimentação esp e cífica, a través do nosso conhecimento das uniformidades mais si m p l es, de que ela é o resultado , embora, por razões q ue aparecerão depois , a v erificação por uma experiência ad hoc fosse ainda desejável e tal v ez indi s pensá v el . As uniformidades comple x as , que , como essa , são meros casos de unifo r mi - dades mais simples e , portanto , estão v i r tualmente afirmadas ao se afirmar aque -

las , podem com propriedade ser chamadas le i s , mas d i fic i lmente poderiam , na lin -

g u agem estritamente científica , ser c h amadas " leis da natureza ". É pra x e n a

ciência, sempre que um a regularidade de q ualquer esp é cie pode ser t raçada , cha -

mar de le i a proposição geral que expressa a nat u reza dessa regularidade; como

quando , na matemática , falamos da lei do decrésc i mo dos termos s ucessi v os de uma série con v ergente. M as a e x pressão lei da nat u reza geralmente é e mpregada

com

e xpressão da v ontade de um super i o r . Quando , portanto , se tornou apar e n te que

q ualquer u ma das u niformidades observadas na natureza deve r ia r esu l t ar espon -

taneamente de determinadas outras un i form i dades, n ão s e supo n d o nec e ssar i a - mente nenh u m ato distinto de vontade criadora para a produção da s unifo rmi - dades de r i v adas , estas não eram usualmente mencionada s como le is da na t u r eza . Num outro modo de expressão , a pergunta: " Quais são as le i s da n atu r eza ?" pode ser assim colocada: " Quais são as supo s ições menos n u mero sas e m a i s si m - ples que , sendo acei t a s, del a s resultari a toda a ord e m ex istente da natu re z a ?" U m outro modo de e x primi - Ia seria: "Q u a i s são as proposições gerais m e no s numero - sas a partir da s quais todas a s unifor m idades d a n a tur e za poder iam s e r inf er i da s dedut i vam e nte?"

tácita a o s e ntido original da p ala vra l e i , is to é , a

igualmente em uma dire -

u ma espécie de referência

-c., .)

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2. A indução científica deve ser fundada em induções prévias espontâneas

Ao pretender constatar a ordem geral da natureza constatando a ordem par - ticul a r de ocorrência de cada um dos fenômenos da natureza, o proc e dimento mais científico não pode ser senão uma forma aperfeiçoada daquele que primiti- vamente foi seguido pelo entendimento humano ainda não dirigido pela ciência.

(

a sede, que o sol dá luz e calor, que os corpos caem no solo. Os primeiros pesqui - sadores científicos admitiram estes fa t os e outros semelhantes como verdades conhecidas e partiram delas para descobrir novas; não estavam errados ao proce- der assim , sujeitos , todavia, como depois começaram a perceber , a uma revisão posterior dessas próprias generalizações espontâneas quando o progresso do conhecimento estabeleceu limites a elas ou lhes mostrou que sua verdade depen - dia de alguma circunstância or i gina l mente não observada . A seqüência de nossa pesquisa mostrará, penso, que não há nenhum vício lógico nesse modo de proce- der; mas já podemos ver que qualquer outro modo é rigorosamente impraticável ,

método científico de indução , ou um meio de

garantir a validade das induções, a não ser na hipótese de que algumas induções dignas de crédito já foram feitas. Voltemos ao exemplo já citado , e consideremos por que , com exatamente a mesma soma de provas , negativas e positivas , não rejeitamos a afirmação de que há cisnes pretos enquanto recusaríamos crédito a qualquer testemunho que afir- masse haver homens com a cabeça abaixo dos ombros. A prime i ra asserção era mais crível que a última. Mas por que mais crível? Se nenhum dos dois fenôme- nos realmente fora testemunhado , que razão havia para achar um mais difícil de acreditar que o outro? Aparentemente porque há menos constância na cor dos animais do que em sua estrutura geral anatômica. Como sabemos isto? Sem dúvi- da, pela experiência. É claro, pois, que necessitamos da experiência para infor- mar-nos em que grau , e em quais casos, ou espécies de casos, pode - se contar com a experiência. É preciso consultar a experiência para saber dela em que circuns- tâncias os argumentos fundados em seu testemunho são válidos. Não temos ne- nhum critério ulterior para a experiência em geral: ela é seu próprio critério para si mesma . A experiência atesta que, entre as uniformidades que exibe ou parece exibir , algumas são mais admissíveis que outras; e a uniformidade, portanto, pode ser presumida de um número dado de exemplos com um grau de certeza tanto maior quanto os fatos pertençam a uma classe em que as uniformidades até então foram consideradas mais constantes. Essa maneira de retificar uma generalização por meio de outra, uma genera- lização mais restrita por uma mais ampla, que o senso comum sugere e adota na prática , é o tipo real de indução científica. Tudo o que essa arte pode fazer é ape - nas dar exatidão e precisão a esse procedimento e adaptá-Io a todas as variedades de casos sem q u alquer alteração essencial nos seus princípios. )

) Nenhuma ciência precisou ensinar que o alimento nutre, que a água mata

já que é impossível instituir um

( .

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STUART MILL

3. Há induções próp r ias para ser v ir d e critério para toda s as demais?

(

Pode- s e afi r mar , como prin cí pio g eral , qu e t oda s as induçõe s , sólidas ou frá-

)

.

geis, que podem ser unidas pelo racio c ínio se confirm a m mutuamente , enquanto as que levam dedutivamente a conseqüências inconciliáveis tornam - se reciproca- mente um índice certo de que uma ou outra de ve s er a bandonada ou , ao menos , expres sa com mais reserva. N o caso d e indu ç õe s q u e confirmam mutu a men t e , a que s e torna conclusão silogística alcança p e lo menos o nível de certeza da mai s fraca das de que é d eduzi da , enquanto , em geral , a certeza de todas aumenta mais

ou menos . A ssim , a experiência de Torricelli , embora u m simple s caso de trê s leis mai s gerais , não apenas reforç ou grandemente a pro v a de ssas leis , ma s con v erteu

u ma de l as (o peso do ar) de uma gene r alização ainda du v i d osa em uma doutrina

completamente demonstr a da. Se , pois , um le v anta me nto das uniformidade s cuja ex ist ê ncia foi reconhecida na natureza de v eria e s tabelecer algumas que , t anto quanto qualquer objeti v o hu- mano exige certeza , p u dessem ser consideradas absolutamente certas e uni v ersais, então , por meio dessas u niformidade s , seremos capazes de elevar inúmeras outras induçõe s a e s te grau de autoridade. Se , com efeito , podemos demonstrar , com re s -

peito a qualquer inferênc i a induti v a , que ou ela de v e ser v erdadeira ou uma dessa s induções certas e u niversais d eve admitir uma e x ceção , esta indução atingirá a certeza e , em seus limites , a indefectibilidade , que s ão atributos das outras .

Provar-se- á que e la é uma lei e , s e não u m resultado d e ou t ras leis mai s s imples ,

será uma lei da n a tureza . Ora, há tais induções certas e universais ; e é porque as há que é possíve l uma lógica da indução.

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