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Pessoal, primeiramente um bom dia a todos! Eu queria dizer que toda essa movimentação por ter tido um bom resultado na prova da Receita me impressionou, mas é algo muito gratificante – principalmente porque nesse período pude ter contato com muitas pessoas pelas redes sociais e trocar várias experiências. Antes de descrever minha trajetória e a preparação, como algumas pessoas pediram, eu acho legal apenas lembrar uns pontos importantes:

­ O resultado ainda é provisório. Como não há mais recursos para as notas objetivas, olhando a classificação parece que matematicamente eu devo terminar em primeiro, porém o concurso não está homologado ainda, e ele também não depende apenas da ESAF (pode haver ações etc.). Vale a pena levar as coisas com calma!

­ Como todos vão perceber, minha trajetória em concursos é recente. Comparado a outras

pessoas com quem tive contato, eu devo ser um dos que menos entende de materiais. Ainda assim espero poder escrever um depoimento útil

­ O concurso envolve conhecimento, mas também muitos fatores externos e aleatórios. Tenho

certeza que há pessoas melhores do que eu, o que ocorre é que em um dado momento um ou outro se sai melhor nas condições daquela prova. Além disso, o concurso tem seu lado de imparcialidade, mas nem todos têm oportunidades iguais na base (dedicar­se exclusivamente a

ele, comprar materiais

)

­ e assim é muito difícil comparar o verdadeiro mérito de cada um.

Bom, para começar o depoimento em si, acho que vale a pena eu me apresentar e explicar como descobri os concursos:

Meu nome é Kaique Knothe de Andrade, tenho 25 anos e nasci em Rio Claro, no interior de São Paulo, uma cidade que eu adoro. Vivi lá até o fim do colegial, quando me mudei para Campinas para estudar engenharia mecânica na UNICAMP. Durante a graduação eu morei dois anos e meio na França devido a um programa de duplo­diploma da minha universidade com a Ecole Centrale de Nantes, como bolsista da CAPES e depois como bolsista do governo francês, e também representei o Brasil em cursos e eventos sobre meio ambiente na China, em 2009 (Top China ­ Santander), e no Japão, em 2012 (devido aos desastres de Fukushima). Nesse período de estudos eu estava focado na engenharia mesmo, no máximo algum aspecto gerencial. Embora eu soubesse que algumas carreiras públicas eram interessantes, nunca busquei informações sobre concursos durante meu período acadêmico No fim de 2012 concluí meus estudos e entrei numa empresa de consultoria estratégica em São Paulo, onde aprendi muito e fiz bons amigos, porém encontrei um estilo de vida bastante corrido e uma forma de pensar diferente da minha. Em maio de 2013 eu me demiti e decidi que buscaria um emprego que me proporcionasse mais satisfação e um equilíbrio maior entre a vida pessoal e profissional – a melhor saída, a meu ver, foi a de prestar um concurso público (devido à minha formação, preferi a área fiscal). Voltei a Rio Claro e comecei a desvendar esse mundo dos concursos ­ demorou um pouco para eu me encontrar no ramo, mas em julho/13 comecei a estudar em período integral e o resultado veio agora, dez meses depois. Neste período passei em outros dois concursos, fiquei na lista de espera de outros três e não passei

em quatro. Um dos que deram certo foi o de Engenheiro do PECFAZ, cargo que ocupo há três semanas lotado justamente na Receita Federal, Superintendência de São Paulo. Acho que meu relato pode ser interessante por ser alguém que foge da lógica de um estudo

rigidamente preparado e de longo prazo. Há exatamente um ano eu trabalhava com estratégia

e modelização de cenários, e só tinha prestado um concurso da Petrobras e um do BNDES

(sem estudar, o que acabou não dando certo). Pra se ter uma ideia, se alguém me perguntasse se uma lei é hierarquicamente superior a um decreto eu juro que não saberia responder

Decisão:

Entrar nesse vespeiro que se chama concurso público exige uma consciência do que estamos fazendo. Envolve abrir mão de algumas coisas num curto prazo para obter o resultado mais à frente. Envolve chamar para si uma certa responsabilidade caso você resolva parar e se dedicar só àquilo, e esta responsabilidade vai te demandar uma tranquilidade igualmente grande – senão você começa a achar que é difícil e pode desistir no meio do caminho.

O serviço público não te dá a riqueza ou a projeção de um emprego top na iniciativa privada,

mas te oferece segurança, qualidade de vida e a satisfação de estar num trabalho em que não há acionistas, mas sim um interesse coletivo (muita gente não fala desse ponto, mas pra mim é algo fundamental para a minha satisfação). Estando hoje na Receita percebo que o local é bem estruturado e possui um corpo de servidores muito bem qualificado – o serviço público tem disfunções, mas percebe­se que esse jogo está virando.

Objetivo:

Como eu gosto da área de atuação da Receita Federal (vejo a arrecadação como ponto essencial para um estado de bem estar social) e a carreira de auditor é oferece boas condições de remuneração e trabalho, eu me preparei voltado especificamente para este concurso. Eu defini, porém, que buscaria também a aprovação em outros concursos sem estudar os editais inteiros (a técnica da escada), tentando entrar na administração cedo e ir subindo com o tempo. Na época eu trabalhava com um horizonte de tempo maior do que o que efetivamente foi necessário para ser aprovado como AFRFB, então seria bom passar em outro concurso e ter um cargo no meio do caminho – isso aliviaria o aspecto financeiro e também reduziria o nível de pressão que eu mesmo colocava sobre mim durante a preparação. Também poderia colaborar na nota de outros concursos, como o das agências reguladoras e do BACEN, em que seu período como servidor é convertido em pontos na prova de títulos. Durante meus estudos saíram editais do BACEN, Analista do INSS, ANCINE e outros. Em todos estes casos eu não saía do foco na Receita, mas me inscrevia neles e nos dez dias anteriores ao concurso estudava um pouco das partes específicas para ter mais chances. Se eu quisesse ter chances melhores, deveria ter estudado bem mais que os dez dias, mas era uma forma de me preparar um pouco sem deixar de lado o foco na Receita Federal. Além disso, fazer outros concursos era uma forma de estudar as matérias comuns a ambos e também de aprimorar meu tempo de prova e preparo psicológico.

Acho essa ideia de manter um foco em um concurso e deixá­lo esporadicamente para ter alguma chance em outros bastante interessante! O que não vale tanto a pena, pelo que percebo, é atirar pra todo lado sem um norte

Preparação:

A preparação é fundamental, pois o caminho até a aprovação é longo e a duração pode variar.

Em meio a essa oferta enorme de materiais você tem que se encontrar, descobrir um bom método e fazer sua parte bem feita ­ o resultado vai vir! Não há uma fórmula ideal. Desculpem­me se este trecho vai decepcionar quem busca uma, mas é uma das poucas coisas que eu digo com certa segurança. Existem, é claro, fórmulas que provavelmente darão certo – porque se você mandar uma pessoa estudar a vida inteira 20h por dia, é natural pensar que um dia a aprovação virá. Isso não consiste em uma forma

ideal, otimizada, mas sim em uma forma “na marra”. A fórmula ideal vai ter que vir de cada pessoa, vai envolver uma taxa de assimilação boa do conteúdo e assegurar que esse conhecimento se converta em pontos na hora da prova. Existem, a meu ver, três vertentes paralelas quando falamos do que uma pessoa precisa para fazer uma boa prova em um concurso: uma primeira parte que é a base vinda da sua vivência, uma segunda parte de conteúdo específico (que envolve muito estudo), e por fim uma parte que envolve frieza e agilidade para utilizar esse conteúdo na hora da prova. A primeira parte é a mais difícil de se trabalhar – envolve a forma de se expressar, o conhecimento dos idiomas requeridos, a formação acadêmica, a bagagem de conhecimento

geral

Esses fatores auxiliam um eventual argumento em uma redação, uma maior facilidade

em entender as coisas ou mesmo a interpretação de uma questão. Uma boa forma de se

trabalhar esta parte é a leitura, a busca por informação no cotidiano e uma tentativa de interligar conhecimentos de várias áreas no dia­a­dia.

A segunda é a parte em que nós mergulhamos no texto/áudio/vídeo e aprendemos matérias

que quase ninguém aprende até virar concurseiro: legislação tributária, contabilidade (no meu caso), legislação específica para algum outro concurso etc. Nessa parte não há saída: é ralar

com um bom material.

A terceira envolve tempo de prova, tranquilidade e a capacidade de usar o que você aprendeu

– isso vem do seu estilo e bagagem acumulada, mas também da resolução de exercícios e até

mesmo de provas inteiras, de forma cronometrada e simulando ao máximo a pressão vivida no momento de um concurso. Envolve igualmente o “se vira nos trinta” do concurso, no qual você tem uma questão na sua frente e tem que fazer de algum jeito – não importa se você sabe a resposta porque estudou, se você sabe porque viu num jornal, se você resolveu por lógica, o que importa é que a resposta tem que sair!

A preparação é fundamental para o nosso sucesso como concurseiros. Há pessoas que têm

uma base boa e precisam focar na parte específica, há pessoas que têm um domínio completo da matéria mas não transcrevem isso para o papel. É importante manter as três áreas afiadas.

Tempo de estudo:

Como eu disse, minha preparação levou dez meses, saindo do zero. Eu me preparei estudando de forma integral, já que como eu disse eu deixei o emprego e vivi por quase um ano com uma renda mínima e despesas controladas. Eu não gostava de cronometrar o tempo de estudo (embora reconheço que pode ser bom), mas na média fazia umas nove ou dez horas líquidas por dia da semana. Nos fins de semana eu reduzia bastante, digamos que quatro horas/dia. Essa parte de cronometrar ou não, de estudar X ou Y horas líquidas ou brutas por dia, de deixar ou não de fazer alguma outra coisa etc vai muito da pessoa. No fundo eu acho que tudo se resume numa palavra: controle. O controle tem que estar nas mãos de quem está se preparando. Se você percebe que está assimilando bem o conteúdo, não é preciso controlar de forma rígida. Se durante uma semana você sai da linha, ou faz um simulado e o resultado não é bom, aí é interessante fazer um plano de contingência no papel pra corrigir isso.

Estratégia:

Quanto à parte da estratégia de estudos, eu comecei com uma apostila de banca que achei particularmente ruim, e meus estudos só melhoraram quando eu percebi o óbvio:

diferentemente do que ocorria no passado, hoje o concurso de auditor exige muito conhecimento e uma apostila de banca de jornais não é nem próxima do suficiente. Devido a isso eu entrei no curso regular do LFG, unidade de Rio Claro. São aulas televisionadas e o curso dura seis meses. Paralelamente eu comprei uma coleção de livros/apostilas da Livraria dos Concursos (em papel mesmo, eles vendem pela internet), que eu igualmente recomendo. Minha preparação foi 80% baseada nestes materiais. Reconheço que à primeira vista o meu método já é um tanto quanto retrógrado por envolver poucas fontes de informação, mas o volume de material disponível hoje em dia é tão insano que vale a pena você ponderar entre o quanto você aproveita de tudo aquilo que você tem. Talvez com a cabeça que tenho hoje eu teria variado um pouco mais nos livros e vídeos, pois quanto mais fontes diferentes menor a probabilidade de você não cobrir um tema, mas de toda forma eu não abro mão dessa base (video­aula + apostila/livro).

O que eu utilizava largamente, e recomendo bastante, é estudar com vídeo e texto ao mesmo tempo. Mas não estou falando de ler o material que vem junto com a aula, e sim de ler um diferente – de repente de outra matéria. Você dá um play na aula e abre uma apostila de outro professor, e vai avançando. Quando o professor do curso fala algo que você não sabe, você presta atenção. Quando ele divaga, fala do vizinho que passou sei lá onde ou ainda fala sobre um assunto que você já aprendeu, você acompanha de leve e avança sua leitura à parte. O ponto chave é maximizar o conteúdo aprendido por período de tempo. Eu entendo quem diz que vídeo­aulas consomem muito tempo, e realmente consomem (e se você se basear só nelas não fica tão bom porque o professor não tem como aprofundar tanto quanto um livro). Porém utilizá­las parcialmente nesse esquema de usar duas fontes é algo que pode dar certo, principalmente para alguém como eu, que não sabia nada de direito e precisava de uma explicação mais amigável que aquela presente no texto puro. Fazendo essa

não sabia nada de direito e precisava de uma explicação mais amigável que aquela presente no

tática de ler e assistir paralelamente (não é bem ao mesmo tempo, na verdade é ler durante as explicações do que você já sabe) você tem um ganho de tempo que pode fazer a diferença! Outra coisa que não é inovadora, mas que vale a pena salientar, é lançar mão de qualquer tempo perdido em deslocamentos para ouvir algo relacionado aos estudos. Eu baixava alguns programas do Prova Final (programa da TV Justiça disponibilizado no Youtube) em áudio e ouvia no meu caminho para o curso. A Constituição em áudio também é um bom complemento. Quando você já entendeu bem as matérias, o texto puro da lei é algo bom para se habituar com

a linguagem que pode cair no concurso, e também para revisar o estudo. Só não se baseie

exclusivamente na lei, pois o concurso tem cobrado muita jurisprudência ­ e além disso algumas leis antigas têm conteúdo que contrasta com normas superiores ou mais recentes.

Eu não montava um cronograma rígido de matérias, com quadros de planejamento ou algo assim, mas mantinha as coisas dentro do controle para que se o edital saísse em pouco tempo

nenhuma matéria ficasse defasada das demais (salvo as legislações tributária e aduaneira, que eu recomendo conhecer um pouco mas só intensificar o estudo mais perto da prova). Também gostava de estudar um tema quase por completo, pois não gosto de parar ou começar as coisas no meio. Na maioria dos dias estudava uma só matéria, mas bem a fundo. Quando o estudo é quebrado em muitos intervalos, tenho a impressão que me esqueço do conteúdo anterior cada vez que pego a matéria ­ então achava melhor avançar de uma só vez um bom

volume de conteúdo. Não precisa ser a matéria inteira

administrativo em algumas partes, mas nunca quebrava um tema (ex: lei 8666, atos administrativos) em várias etapas. Eu recomendo seguir uma ordem de matérias (ou de temas dentro da mesma matéria) que vai da mais geral para a mais específica, pois do contrário as coisas tendem a se atropelar. Não

vale a pena estudar legislação tributária antes de direito tributário, o rendimento vai ser baixo. E

o melhor é que quando você faz nessa ordem, nos temas específicos você tende a passar de

novo por alguns pontos dos temas gerais, reforçando o aprendizado. Se você estiver com o

edital todo estudado e com um pouco de tempo, avance em temas mais complexos que ainda mantenham coerência com o concurso – mesmo que tenham uma chance mais baixa de cair,

isso também reforça o aprendizado. Exemplo: primeiro você estuda Constitucional, lê a constituição, vê a ordem dos artigos, os princípios. Depois você pega direito tributário, e de certa forma você está revendo um bom pedaço dos artigos 145­162 e adicionando novos conteúdos. Aí você parte pra legislação tributária, e nos decretos muitos artigos do CTN/CF são repetidos à risca. Se você já fez as três etapas e tem tempo, pegue as leis do imposto de renda e leia – tem coisas que nem caem, mas essa expansão de conhecimento consolida as outras coisas que você deve saber para a prova. É como um estudante de engenharia que terminou Cálculo 3 e começou a achar Cálculo 1 uma matéria mais tranquila, sendo que era seu ponto fraco no primeiro semestre – as coisas vão se sobrepondo de tal forma que o que está na base fica mais claro, começa a fazer sentido

e não ser mais uma simples coisa decorada

Por exemplo: eu quebrava direito

Um outro ponto que eu fiz de forma bem particular foi quanto à escolha entre livros e exercícios. Eu vejo que muitos concurseiros dão muito valor aos exercícios (e entendo completamente), mas eu tenho uma característica que eu trago desde a faculdade: eu não gosto de fazer exercícios. Pelo menos não os longos. No colégio eu fazia muitos, mas quando entrei na UNICAMP o volume de exercícios nas listas de estudo era absurdo. Ao mesmo tempo eu percebia que os livros eram muito bons, inclusive com exemplos resolvidos. Um dia no primeiro semestre o professor entrou na sala e passou uma lista com uns 50 exercícios opcionais, que pelos meus cálculos levariam algumas tardes. Minha decisão foi simples: não vou fazer nenhum. Fiz a prova estudando com a teoria e com exercícios resolvidos, e deu certo. Levei isso pela graduação inteira: durante o total de seis anos de faculdade/intercâmbio eu não fiz nem 100 exercícios (fora os obrigatórios, os que valiam nota etc.), estudava sempre pela teoria e xerocava listas resolvidas de exercícios de amigos – quando alguém achava estranho eu brincava dizendo que eu não gostava de procurar problemas, só soluções. Quando comecei no mundo dos concursos, lá em junho/julho, resolvi que ia fazer dessa mesma forma – e deu certo. Eu lia muito bem a teoria, primeiro as apostilas e os materiais em PDF do cursinho e depois alguns PDFs que eu achava na internet e pareciam bons. No fim do capítulo eu fazia uns exercícios curtos só pra fixar mesmo. Não sei se essa tática é a mais recomendável, pois na faculdade eu mostrei a umas pessoas e elas disseram que não funcionou. No entanto, mesmo que você goste de estudar com muitos exercícios, acho que a sequência natural é construir uma base sólida lendo a teoria e partir para os exercícios quando você perceber que consegue respondê­los com uma boa taxa de acertos. Não acho que valha a pena fazer exercícios em bateria tendo que consultar a resolução a toda hora, o melhor e fazer exercícios enquanto você percebe que está lidando bem com eles ­ do contrário é necessário voltar pra fortificar sua base teórica Em matérias cujo método de aprendizado depende mais de exercícios, como contabilidade por exemplo, tente ganhar tempo fazendo exercícios resolvidos. Nesse caso você lê o enunciado, mentaliza se já sabe fazer e acompanha a resolução. Você verifica se conhece todas as contas, se a ordem da DRE lhe é familiar etc. Não fique fazendo contas de (237 + 855 ­ 437) a toda hora, isso vai tomar um tempo enorme. A soma você já sabe fazer, é só garantir na prova! Um último ponto que eu acho bom: o edital é extremamente importante, não deixe de lê­lo e entendê­lo bem. Às vezes você estuda com o material do último concurso, e se não se ligar no edital do concurso novo pode até estar estudando coisas que não vão cair. Vale a pena prestar atenção nas mudanças, e alguns dias antes da prova procurar saber mais sobre leis novas e sobre conteúdos recém colocados no texto do edital!

Minha preparação seguiu nesse ritmo por uns oito meses (o curso do LFG durou seis, mas ainda tinha coisas que eu não tinha conseguido acompanhar, então fiz a prova de bolsas on­ line e continuei na outra entrada gratuitamente), até que o edital saiu e eu fiz o Reta Final que o curso ofereceu. Recomendo estes Reta Finais se você estiver preparado, caso contrário é melhor começar mais lentamente em um curso regular. De toda forma, neste momento de edital na praça eu me direcionei mais para a parte dos regulamentos de IR/IPI/aduaneiro e também para a resolução de provas antigas (era algo necessário). Não fiz uma bateria delas

por assim dizer, como já expliquei acima, mas fiz todas as provas de auditor recentes, algumas de auditor do trabalho e também de analista – além de algumas questões de concursos espalhadas em sites e livros. Todas com a resolução do lado, e de preferência feitas de forma intercalada enquanto assistia a uma aula de resolução de questões do Reta Final (a tática texto + vídeo, pra fazer render esses dois meses até a prova). Estudei até a sexta­feira anterior à prova, e no sábado peguei o ônibus para São Paulo ouvindo aulas de Direito Tributário e Comércio Internacional. Sábado à noite eu só descansei, e no intervalo entre as provas objetivas eu revisei um pouco a parte de Imposto de Renda.

Lazer:

O concurso tem seu lado difícil, envolve muita seriedade nos estudos, mas não caia no erro de esquecer de tudo e de todos. Curta o tempo com a família e amigos, isto é muito importante – mais que qualquer concurso. Apenas tenha coerência e não coloque sua aprovação em risco. No meu caso, por exemplo, eu gosto muito de Carnaval, participo dos desfiles e tal. Na sexta­ feira eu desliguei dos concursos e só voltei na quarta­feira de cinzas, porque é algo pelo qual eu espero o ano todo. Também não perdi nenhum aniversário ou algo do tipo. Não há problemas em ir num churrasco ou numa balada, o problema é ir com uma frequência tão intensa que prejudique o plano de estudos. Como contraponto do meu exemplo, agora em maio teve o feriado do dia primeiro, minha família foi viajar e eu fiquei estudando em casa os quatro dias como se fossem dias úteis. O controle está em suas mãos, não há uma regra definida ­ no fundo o que decide a sua aprovação é o que você faz, não o que você deixa de fazer.

Material:

Quanto à ordem, como eu disse, eu recomendo começar “pela base” das coisas. A meu ver português, inglês e raciocínio lógico são matérias que podem ser o sonho ou o pesadelo de um concurseiro, e o volume de horas demandado varia muito de caso a caso. Algumas matérias são relativamente independentes, como administração, auditoria e contabilidade – aproveite para estudá­las quando você cansar das disciplinas de direito. Quanto ao direito, recomendo começar por constitucional, seguir para administrativo e tributário e deixar as legislações específicas para perto do edital (dando uma olhada antes se possível, só pra ter alguma noção). No meu caso eu estudei penal, civil e empresarial porque não sabíamos que as disciplinas sairiam do edital ­ e pra quem vai prestar o próximo concurso acho bom ficar de olho nestas matérias também!

Português: gostei muito do curso do Agnaldo Martino e do Marcondes Júnior. Aquela base que

vem lá da oitava série pode fazer diferença também

oficial, mas para muitos casos o Manual de Redação Oficial da Presidência da República é uma ótima pedida, inclusive devido aos capítulos de gramática – e o melhor é que ele é disponibilizado gratuitamente na internet.

Não foi uma prova que cobrou redação

Inglês: não estudei, apenas vi alguns textos de provas anteriores com termos tributários.

Raciocínio lógico: Matemática Financeira e Estatística eu estudei com materiais das disciplinas que tive na UNICAMP. Nas partes de Raciocínio Lógico (em sentido estrito) e Geometria eu gostei das apostilas da Livraria dos Concursos, mas por eu ser da área de exatas eu fiz mais uma revisão do que um aprendizado em si. Considerando que a ESAF pediu

equação da circunferência e mistura entre líquidos, fica difícil dizer alguma coisa pra quem quer

No fim eu fico com as apostilas da LC mesmo, mas

saber quais tópicos são mais importantes

deve haver recomendações melhores. Pra aprender pela primeira vez uma vídeo­aula pode ser boa (minha dica é o Adriano Caribé), pois os professores avançam de uma forma mais calma.

Administração Geral e Pública: Estudei pelo material em PDF e pelas aulas do Carlos Ramos (LFG) e pelas apostilas da LC (desculpas pela falta de variedade, mas foram essas duas fontes – LFG e Livraria dos Concursos – que eu usei basicamente em tudo). Achei bons, mas é importante lembrar que há ótimas aulas de administração soltas no Youtube que me ajudaram bastante (é só jogar o tema e vem um monte de coisas). A administração envolve também muito raciocínio de prova para eliminar questões, e não só a base teórica em si.

Direito Constitucional: Uma das disciplinas que mais gostei. Recomendo muito as aulas do Fábio Tavares e do Flávio Martins. O primeiro foca bastante em disciplinas que caem mais, como controle de constitucionalidade. O segundo dá uma visão um pouco mais geral da CF.

Direito Administrativo: As aulas do Luís Gustavo são muito boas, e tem conteúdo separado voltado exclusivamente para Lei 8112 e 8666. Numa matéria em que a jurisprudência está rolando solta na ESAF eu recomendo materiais atualizados, acima de tudo. Para quem está começando há aulas da professora Elisa Faria gratuitas no Youtube que me ajudaram muito (didática muito boa).

Direito Tributário: Gostei bastante das aulas do Castellani, mas me baseei muito na apostila da Livraria dos Concursos e também numa leitura reiterada da CF, do CTN e das leis do IR. As aulas do Prova Final, da TV Justiça, complementam bem os estudos. Vale a pena estudar as Súmulas Vinculantes e as do STF/STJ ligadas à matéria. Não li nenhum livro porque faltou tempo, mas acho algo bom a se fazer!

Direito Previdenciário: Utilizei as aulas do Ítalo Romano, ele entende muito do tema. Mas aqui há uma dica interessante: existe um material gratuito de um rapaz que trabalha no INSS chamado Vinícius Mendonça, ele disponibiliza aulas no Youtube e uma apostila gratuita on­line. Eu encontrei por acaso, mas é um ótimo material.

Legislação Tributária: Recomendo estudar apenas após Direito Tributário. Gostei das aulas do Edvaldo Nilo, mas só assista quando estiver preparado (bem em direito tributário e tendo lido os regulamentos) para acompanhar o ritmo.

Legislação Aduaneira e Comércio Internacional: Recomendo os professores Rodrigo Luz e Roberto Caparroz. Ambos possuem materiais escritos, vídeos e também livros sobre o tema bastante completos. É importante ler muito bem o Decreto 6759, no mínimo as partes constantes do edital. Especificamente em CI você encontra informações em vários livros e sites, e o bom é que é uma matéria menos cansativa que a maioria das outras.

Contabilidade: A sequência que me ajudou muito foi começar com o Marcondes Fortaleza para aprender conceitos iniciais de uma forma bem clara e estar com uma base forte na parte das demonstrações contábeis e nos exercícios de mercadorias, impostos etc. Na sequência passei para o Eugênio Montoto, pois ele trabalha mais as partes aprofundadas da matéria,

legislação, normas contábeis etc. (tratamento do ágio, DVA

bastante completo para arrematar o tema. No começo dos estudos é fundamental que você não decore as coisas, mas sim entenda o que está acontecendo. Isso é fundamental para a sequência – se não entendeu, tente voltar e ler de novo. A parte das leis e normas contábeis acaba tendo que incluir uma ou outra forma de decorar, mas quanto mais conteúdo for assimilado pela via do “faz sentido”, melhor!

O Eugênio tem um livro

).

Auditoria: Uma matéria chata de aprender. Recomendo o material do Cláudio Zorzo e do Rodrigo Fontanelle. Algumas questões saem usando a lógica, mas não dependa só dela!

Prova Discursiva: Esse concurso de 2012 foi mais amigável que o normal nesse ponto, pois o conteúdo para a prova discursiva estava mais restrito. No fundo ela depende muito do nosso nível de português e capacidade de argumentação, mas recomendo as aulas da professora Júnia Andrade por mostrarem aspectos bastante interessantes sobre como a correção é feita pelos examinadores. Não acho que o segredo seja somente fazer uma prova discursiva voltada para quem corrige (uma boa introdução, uma linguagem adequada e até uma boa letra são muito importantes), mas conhecer a correção é uma ferramenta útil em nossas mãos.

Pessoal, mais uma vez: Conheço estes professores porque a maioria deles dá aula no LFG ou tem materiais gratuitos, e conheço os livros/apostilas porque fazem parte dos poucos que comprei (coleção da livraria dos concursos e alguns mais específicos que listei acima).

Recomendo muito estes professores e materiais, porém deve ter gente ótima por aí, e eu peço

Ouvi falar muito bem de sites como o Ponto dos Concursos, o

Estratégia e o Eu Vou Passar, e também de alguns sites novos que vêm com uma mentalidade

inclusive dicas quanto a isso

mais focada em métodos diferenciados ­ olhem os materiais de lá e vejam o que se adapta mais às necessidades de cada um.

Site da Receita Federal (“Perguntão”): eu não usei, mas se soubesse como a prova foi seria eu teria usado. Muitas questões de legislação e tributário saíram de lá! É bom para uma revisão e não tanto como base teórica.

Livros só de exercícios: não usei, mas pra quem gosta de exercícios parece uma boa opção.

Mapas mentais: estudei com alguns, assim como eu também lançava mão de muita coisa decorada por meio de frases (SO­CI­DI­VA­PLU, COM­FI­FOR­M­OB etc.). Acho que são boas formas de evitar um branco, mas sempre em complemento a um aprendizado a fundo do tema.

Palestras de motivação: eu não assisti a nenhuma, mas essa parte da motivação, ou mais precisamente da estabilidade emocional, não pode ser desprezada por um concurseiro. Pode ser que você passe por situações em que um colega é aprovado e você sente uma alegria e uma angústia ao mesmo tempo, pode ser que anulem uma prova e você se sinta injustiçado, pode ser que alguém do lado compre uma pilha de livros quando você acabou de ler o seu e isso te deixe com a impressão de que o estudo não tem fim. É fundamental saber levar as coisas tranquilamente. Uma coisa interessante que eu ouvi um dia (acho que foi o Steve Jobs

quem disse, alguém assim

é que as coisas só fazem sentido quando vistas do futuro. Essa

trajetória de obter uma boa colocação parece sólida, mas há momentos em que a gente duvida,

há momentos em que a gente vê outras pessoas indo bem na iniciativa privada e pensa em sair

Nesse momento, se você quer mesmo a aprovação, é necessário ter

da vida de concurseiro calma e manter o foco.

)

Prova:

Eu gosto de fazer as provas na sequência em que as questões são dadas, só mudo em casos específicos para deixar matérias que envolvam cálculos para o final e poder usar o tempo mais eficazmente (nessa última prova deixei contabilidade por último na P2, o resto fiz tudo em ordem – salvo as questões que eu ia deixando pelo caminho pra voltar no fim). O controle do tempo é fundamental, e é algo que você aprende resolvendo provas mesmo. Pode ser que você já traga um pouco disso dos tempos de faculdade, mas de qualquer forma vale a pena treinar. Eu fazia muitos concursos que apareciam, mesmo sem ter estudado o edital inteiro. Claro que por questões de custo pode ser melhor fazer a prova impressa em casa

e cronometrar, mas ir a vários concursos ajuda bastante a desenvolver aspectos como o tempo

de prova, o físico e o emocional. Durante a prova eu gostava de dividir o tempo em quatro (se a prova é de 4h), e o número de questões em três (para esse mesmo período de prova). O primeiro terço de questões tem que

ser feito no primeiro quarto do tempo, o segundo terço no segundo quarto, o terceiro terço no terceiro quarto, e o último quarto do tempo fica livre pra você revisar e passar as questões para

a folha de respostas. Exemplo:

70 questões => 23, 23 e 24 grupos de questões. 4 horas => 1h, 1h, 1h e 1h. Como não podemos levar relógio para fazer algo mais preciso, meu controle tinha esse limite mínimo de 23 questões para cada 1h. O intervalo de 1h coincide com o tempo em que o fiscal retira o adesivo da lousa e te dá uma noção do horário. A última hora era “livre” para o que

sobrasse, para as questões que eu pulei etc

português e raciocínio lógico demandam mais tempo. Isso você percebe e controla na hora. Fazendo as questões na sequência, pode acontecer de você perceber que se enroscou em uma. Eu considerava que isso acontecia quando ficava uns cinco minutos na mesma questão – aproximadamente né, pois como eu disse não há relógio e então a coisa depende muito da nossa percepção. Pode acontecer também de você ler e ver que ela levará muito tempo para ser feita (mas muito mesmo). Nesses casos, circule o número e pule. Isso vai levá­la para ser resolvida no último quarto, em que ela vai ter que sair na raça ou você vai ter que chutar.

Claro que não é algo rígido, e matérias como

Eu não tenho o costume de contar questões e chutar todas as restantes na mesma letra. Se fosse um caso muito específico em que você precisa de um ponto de qualquer jeito pra não ser eliminado até pode ser justificável, mas caso contrário tente analisar questão por questão. Qualquer alternativa de uma questão que você eliminar por lógica aumenta suas chances! Nessa parte entra o uso da lógica ou ainda daquela lembrança que você tira do nada, de uma aula perdida, e que te ajuda a eliminar alguma alternativa. Às vezes a alternativa é muito

taxativa, às vezes a alternativa contrasta com algo que você leu nos enunciados da prova, às

vezes você viu num jornal meses atrás algo que contraria aquela ideia

enfim, através da sua

base de conhecimento tente arrancar pontos que você normalmente não teria! Uma boa técnica pra desenvolver isso é pegar algumas horas em casa e fazer umas provas de concurso cujas matérias do edital você não conheça tão bem (ou se inscrever no tal concurso e tenta passar, melhor ainda!). Você faz na base da lógica e vê se consegue mais pontos do que os 20% que

seriam a esperança matemática no caso de você chutar todas. Prova envolve sagacidade, é muito importante não perdermos pontos em questões que nós sabemos e também ganharmos alguns que não estavam previstos!

Comentários adicionais:

Pessoal, eu fiz esse relato vendo um pouco do que outros aprovados haviam feito e seguindo o pedido de algumas pessoas que me contactaram nesse período após o resultado da prova de

AFRFB, mas realmente não há uma tática milagrosa

envolve se isolar do planeta, mas há sim muita dedicação) e um método que otimize o seu aprendizado (pode ser o que eu usei, pode ser um que você já usa, pode ser o de outra pessoa). Escolha alguns bons materiais, trace um plano (formalmente ou na sua cabeça) e mantenha um controle pra saber que aquilo está sendo seguido. Na hora da prova ponha tudo o que você sabe e mais um pouco no papel. Tenho certeza que as chances de aprovação serão grandes!

Concurso envolve dedicação (não

Um abraço a todos!