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Apostila Especifica SUSAM Cargo/Psicólogo

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Processo de constituição psíquica

O bebê humano nasce prematuro, pois seu sistema neurológico e perceptivo

se apresenta ainda em formação no nascimento. Esse fato, conhecido como neotenia, tem consequências para a formação da consciência de si do sujeito. Para essa consciência emergir, é necessário que haja uma consciência reflexiva, isto é, uma figura adulta que reconheça a criança como alguém. Esse reconhecimento se dá através de quatro modos de relação que se combinam, progressivamente, no processo de constituição do sujeito. A

passagem de um tempo a outro implica a ressignificação dos tempos anteriores. O nascimento do sujeito então é um processo lógico no qual se tenta, progressiva e regressivamente, lidar com o que se perdeu.

O que o adulto faz com a criança é diferente da forma que ela interpreta isso.

Para formar o eu, a criança deve ser capaz de formar um novo ato psíquico, que transformará sua realidade. Ela tem consciência de tudo que a afeta, mas

não em consciência de que possui consciência. O eu se forma então de uma série de negações sobre o que se verifica no início da experiência subjetiva infantil.

Eis abaixo, as quatro atividades fundamentais de constituição do psiquismo:

-O falar com a criança, interpretando seu choro, sua face, seus movimentos (ou ausência deles) como gestos dotados de sentido.

O ato de falar com a criança a introduz simultaneamente ao seu desejo e à sua

linguagem. Ela precisa então saber como assumir para si essa linguagem, que a princípio, é falada.

Em um primeiro momento então, a criança apenas repete tudo que ouve do adulto. Depois, parece regredir sua sintaxe e vocabulário, para só então, se corrigir. Quando isso ocorre, ela demonstra que a fala se tornou própria. Ela então passa a pedir e colocar aquilo que ela quer, apesar de suas palavras terem vindo inicialmente do outro. Suas demandas se criam então a partir de uma alienação. Para se apropriar de sua fala, ela reconhece-se alienada na linguagem.

- O adulto cuida da criança, isso inclui a presença constante de trocas corporais usualmente investidas de carinho e satisfação.

Os cuidados corporais que o adulto dispensa à criança, a induzem a experiências de prazer e desprazer. Para a Psicanálise, qualquer parte de seu

corpo pode vir a ser fonte de satisfação. Quando se cuida de uma criança, também está se erotizando seu corpo, ajudando-a a construir um corpo pulsional e não meramente biológico funcional. Já o desprazer aparece nos intervalos da pulsão, mas também, sob a forma de dor, sendo essa última, para Freud, fundamentalmente para a formação do eu.

O eu se forma como um sistema de inibição do desprazer e de ação reativa contra a dor. Antes de reconhecer-se, a criança forma um eu que traduz a separação entre interioridade e exterioridade. O eu associa-se ao prazer interiorizado, e o mundo, ao desprazer exteriorizado. Vê-se que, as experiências que possuíam um valor de prazer ou desprazer, só depois adquirem o sentido de existência (ser ou não ser).

Neste ponto, o eu é capaz de atribuir sentido e valor às suas experiências, mas

é incapaz de julgar a própria realidade delas. É necessário então que algo do prazer/desprazer permaneça para que o eu adquira a capacidade de reconhecer-se existindo e com isso contar com a permanência de seu próprio corpo no tempo.

O adulto reage ao que a criança faz com uma atitude curiosamente semelhante á um espelho, se ela faz algo, ele tende a repetir o que ela fez ou a inverter de forma simétrica ao gesto realizado.

Entre os 6 e os 18 meses de idade, a criança passa a estranhar os outros, tem pesadelos e se mostra inquieta com o próprio corpo. É o que Jacques Lacan chama de estádio do espelho, um dos momentos formativos do eu.

Assumir uma imagem de si é um ato psíquico importante e formativo, pois é a partir da unidade imagética que a criança infere a unidade de si. (DUNKER,

2006).

- O adulto pede e oferece coisas às crianças, palavras antes de tudo, mas também manipulações protetoras, impedimentos e experimentos pelos quais apresentamos o mundo ao novo ser.

Eis aqui os primórdios da relação amorosa da criança. Ela percebe que há várias formas de querer, pedir e recusar. Ela investiga o desejo do outro e vê que ele mente em alguns aspectos, e que há objetos dotados de um valor antes desconhecido: o valor simbólico do amor. A criança vai percebendo que

é necessário ter algo para ser amado e ser algo para obter amor de alguém.

Assumir uma imagem de si é um ato psíquico importante e formativo, pois é a partir da unidade imagética que a criança infere a unidade de si. (DUNKER,

2006).

- O adulto pede e oferece coisas às crianças, palavras antes de tudo, mas também manipulações protetoras, impedimentos e experimentos pelos quais apresentamos o mundo ao novo ser.

Eis aqui os primórdios da relação amorosa da criança. Ela percebe que há várias formas de querer, pedir e recusar. Ela investiga o desejo do outro e vê que ele mente em alguns aspectos, e que há objetos dotados de um valor antes desconhecido: o valor simbólico do amor. A criança vai percebendo que é necessário ter algo para ser amado e ser algo para obter amor de alguém.

Processo de desenvolvimento humano em seus aspectos biológico e suas condutas

Os aspectos biológicos do desenvolvimento humano, através dos quais poderão ser compreendidas as raízes ou fontes geradores deste processo.

Focalizam, também, os aspectos psicológicos, em sua maioria, como eixo central capaz de subsidiar as discussões e questões polêmicas em torno da criança e do adolescente, e, ainda, as questões socioculturais, que representam o contexto no qual se inserem as situações e circunstâncias dos fatos e ocorrências.

Deste modo, os conceitos nele expostos pretendem auxiliar a elucidação do conhecimento sobre o comportamento humano, atitudes evidenciadas nas várias situações, e o desempenho demonstrado. Os conceitos relativos à base biológica do conhecimento contribuem para a justificativa de determinadas ocorrências e características singulares dos seres humanos. Através do glossário são evidenciados os conceitos sobre os processos de aprendizagem humana, segundo Jean Piaget, ressaltando-se o processo de assimilação e de acomodação. A teoria de desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget é abordada, em seus estágios. O estudo do processo de crescimento e desenvolvimento humano viabiliza-se, grandemente, pela presença dos conceitos referentes aos seus princípios e processos. Admitir a existência das tarefas evolutivas no desenvolvimento é muito importante.

São oferecidos, amplamente, conceitos da estrutura da personalidade humana - sua formação e desenvolvimento. O temperamento e o caráter são seus elementos.

Os aspectos biológicos do desenvolvimento humano, através dos quais poderão ser compreendidas as raízes ou fontes geradores deste processo.

Focalizam, também, os aspectos psicológicos, em sua maioria, como eixo central capaz de subsidiar as discussões e questões polêmicas em torno da criança e do adolescente, e, ainda, as questões socioculturais, que representam o contexto no qual se inserem as situações e circunstâncias dos fatos e ocorrências.

Deste modo, os conceitos nele expostos pretendem auxiliar a elucidação do conhecimento sobre o comportamento humano, atitudes evidenciadas nas várias situações, e o desempenho demonstrado. Os conceitos relativos à base biológica do conhecimento contribuem para a justificativa de determinadas ocorrências e características singulares dos seres humanos. Através do glossário são evidenciados os conceitos sobre os processos de aprendizagem humana, segundo Jean Piaget, ressaltando-se o processo de assimilação e de acomodação. A teoria de desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget é abordada, em seus estágios. O estudo do processo de crescimento e desenvolvimento humano viabiliza-se, grandemente, pela presença dos conceitos referentes aos seus princípios e processos. Admitir a existência das tarefas evolutivas no desenvolvimento é muito importante.

São oferecidos, amplamente, conceitos da estrutura da personalidade humana - sua formação e desenvolvimento. O temperamento e o caráter são seus elementos.

Focalizados conceitos sobre a Teoria Psicanalítica, de Freud, poderá a mesma ser analisada extenuadamente, tratando-se, ainda, dos mecanismos de defesa

Oferece-se, por último, alguns elementos conceituais sobre pesquisa psicológica.

Termos

Absolutismo moral: crença característica do primeiro estágio do julgamento moral: regras são completamente fixas e imutáveis.

Acomodação: processo proposto por Piaget, segundo o qual a pessoa modifica a estrutura existente - ações, idéias ou estratégias - para adequar-se a novas experiências.

Adaptação: o processo básico na existência biológica; de acordo com Piaget, também caracteriza o funcionamento intelectual e físico. A assimilação e a acomodação são partes do processo de adaptação.

Agressão: termo geral que se aplica aos sentimentos raiva ou hostilidade. A agressão funciona como um motivo, muitas vezes em resposta a ameaças, insultos ou frustrações.

Ajustamento: relacionamento entre o indivíduo e seu ambiente, especialmente o social, na satisfação de seus motivos.

Aprendizagem: mudanças relativamente permanentes no comportamento, que resulta de experiência ou prática passada.

Aprendizagem observacional: aprendizagem de habilidades motoras, atitudes e outros comportamentos através da observação de alguém que desempenha o comportamento

Angústia básica: termo empregado por Horney para indicar fonte principal de problemas de ajustamento no desenvolvimento da personalidade. Resulta de qualquer coisa que provoque insegurança na criança, especialmente nas suas relações com os pais.

Assimilação: processo de incorporação de uma nova experiência ou informação que se ajusta à estrutura existente. Um conceito básico na teoria de Piaget.

Atitude: uma organização duradoura de processos perceptuais, motivacionais, emocionais e de adaptação, que se centralizam em algum objeto do universo da pessoa. As atitudes podem ser positivas ou negativas, vale dizer, a pessoa pode estar disposta favorável ou desfavoravelmente com relação ao objeto. É uma tendência a responder a alguma pessoa objeto ou situação, de modo positivo ou negativo. Em geral ter um componente emocional e um componente de crença. Crença é a aceitação de uma declaração. A crença suporta o componente emocional da atitude, e vice-versa.

Autonomia funcional dos motivos: noção apresentada por Allport e segundo

a qual atividades resultantes de um motivo original podem, mais tarde, tornar- se motivadoras em se mesmas, depois do desaparecimento do motivo original.

Auto realização: noção incorporada em várias teorias da personalidade, de uma tendência humana básica cuja finalidade é transformar em real o que é potencial no eu, ou seja, é tornar reais, até o máximo possível, as potencialidades de cada um.

Autoconceito: o conceito geral do eu; inclui o "eu existencial", o "eu categorial"

e a autoestima.

Autoestima: a qualidade positiva ou negativa do autoconceito

Busca de superioridade: concepção de Adler, segundo a qual a fonte básica da motivação humana é um impulso inato e ascendente para a autoperfeição. As direções apresentadas por essas buscas têm o caráter de compensações pelas fraquezas peculiares ou pelas inferioridades percebidas pela pessoa.

Caráter: aspecto da personalidade que, em terminologia mais antiga, dizia respeito à aparência moral e à conduta do indivíduo. Conjunto de qualidades (boas ou más), de um indivíduo, que lhe determinam a conduta e concepção moral.

Caracteres genéticos: caracteres transmitidos aos indivíduos através dos genes.

Caracteres congênitos: características existentes no indivíduo ao nascer. Refere-se aos fatores que influenciaram o desenvolvimento durante a vida intra-uterina, porém não lhe foram transmitidos através dos genes, não sendo, assim, hereditários no sentido biológico do termo.

Companheiros: outras pessoas que têm, aproximadamente, a mesma idade de uma pessoa, com quem se relacionam.

Compensação: mecanismo de defesa em que um indivíduo substitui uma atividade por outra, na tentativa de satisfazer motivos frustrados. Esforço feito para superar uma fraqueza ou uma inferioridade. Pode apresentar a forma de uma busca de superioridade no próprio domínio da inferioridade, ou pode ser direta, isto é, apresentar a forma de buscar substitutivos. Habitualmente implica falha ou perda de autoestima em uma atividade, e a compensação dessa falha provoca esforços em outros campos de atividades.

Conservação: o conceito que as crianças de 6 a 10 anos adquiriram de que os objetos permanecem os mesmos em aspectos fundamentais, como o peso ou o número, mesmo que haja modificações externas na forma ou disposição espacial.

Complexo de Édipo: na teoria freudiana, é o fato de o menino dirigir seus sentimentos eróticos para sua mãe, e a menina para seu pai. Supõe-se que seja a fonte das identificações primárias com os pais, a partir das quais se desenvolvem as identificações posteriores.

Comportamento: qualquer ação observável de uma pessoa ou animal.

Condicionamento clássico: aprendizagem que ocorre quando um estimulo condicionado forma um par com o incondicionado.

Condicionamento operante: aprendizagem para dar uma determinada resposta, a fim de garantir reforça mento positivo, ou fugir a evitar reforça mento negativo.

Conflito de motivação: conflito entre dois ou mais motivos, resultando na frustração de um deles.

Conflito de aproximação-aproximação: conflito em que uma pessoa se sente motivada para aproximar-se de duas metas diferentes e que são compatíveis.

Conflito de afastamento-afastamento: aprendizagem para evitar um estimulo nocivo, como, por exemplo, um choque, pela resposta apropriado a um sinal de aviso.

Conflito de aproximação-afastamento: conflito em que uma pessoa tanto é atraída como é repelida pela mesma meta.

Consciência: termo normalmente usado para descrever o conjunto de regras internalizadas que Freud considerava que apareciam junto com o processo de identificação.

Crescimento: processo orgânico responsável pelas mudanças em tamanho e complexidade. Plano geral das mudanças do organismo como um todo. Sofre, além da influência do processo maturacional, a ação maciça das influências ambientais.

Desajustamento: diz respeito não apenas aos distúrbios psiconeurísticos e psicóticos, como também os mais brandos, nos quais uma pessoa se sente ansiosa ou se comporta de modo esquisito.

Desempenho: comportamento observado, diferentemente dos estados internos hipotéticos de um organismo.

Desenvolvimento: processo referente a mudanças resultantes de influencias ambientais ou de aprendizagem.

Direção céfalo-caudal: refere-se ao progressivo crescimento das partes do corpo, a partir da cabeça e dirigindo-se para as pernas, que é característico do ser humano durante o seu desenvolvimento.

Direção próximo-distal: refere-se ao progressivo crescimento das partes do corpo, a partir da parte central para as partes periféricas ou terminais, que é uma direção característica do ser humano em desenvolvimento. Assim, os ombros se desenvolvem antes, depois os braços, mãos e dedos.

Ego: na teoria freudiana, um dos três sistemas básicos que constituem a personalidade. É o sistema dos processos cognitivos-perceber, pensar, planejar, decidir-que torna possível a canalização realista e a satisfação dos instintos do Id.

Esquema: palavra que Piaget usou para as ações, idéias e estratégias às quais as novas experiências são assimiladas e que se modificam (acomodam- se) em função das novas experiências.

Estágios evolutivos: etapas da vida que reúnem padrões de características inter-relacionadas, que determinam o comportamento de cada período do desenvolvimento humano.

Estágios psicossexuais: os estágios do desenvolvimento da personalidade sugeridos por Freud e que incluem o oral, anal, fálico, latência e genital. A sequência é amplamente influenciada pela maturação.

Estágios psicossociais: os estágios do desenvolvimento da personalidade sugeridos por Erikson, que incluem a confiança, autonomia, iniciativa, produtividade, identidade, intimidade, generatividade e integridade do ego. São influenciados pelas expectativas sociais e pela maturação.

Estágio pré-operacional: o termo usado por Piaget para o primeiro estágio do desenvolvimento cognitivo, dos 2 aos 6 anos, durante a qual a criança desenvolve habilidades lógicas e a classificação básica.

Estágio sensório-motor: o termo usado por Piaget para o primeiro estágio do desenvolvimento cognitivo, do nascimento até aproximadamente os 18 meses, quando a criança evolui das ações reflexas às voluntárias.

Estereótipo: um conjunto fixo de idéias ou expectativas sobre um grupo de pessoas como homens, negros ou outros grupos, que são aplicadas a cada novo membro do grupo sem suficiente ajustamento à individualidade. Como conceito sociológico e estatístico refere-se a uma crença ou uma atitude que são muito divulgadas numa sociedade. (Por exemplo a crença de que as louras são menos inteligentes do que as morenas.) Como conceito psicológico, refere- se a uma crença e atitude que são supersimplificadas quanto ao conteúdo e, nas quais os atributos específicos do objeto não são observados e, além disso, são resistentes à mudanças.

Estilo parental autoritário: padrão de comportamento parental descrito por Baumrind, entre outros; inclui altos níveis de diretividade e baixo nível de afetividade.

Estilo parental competente: padrão descrito por Baumrind; inclui alto nível de controle e alto nível de afeto.

Estilo parental permissivo: um terceiro tipo descrito por Baumrind, entre outros, inclui muito afeto e baixo nível de controle.

Estrutura da personalidade: a maneira peculiar pela qual se organizam, dinamicamente, os traços, as habilidades, os motivos, os valores da pessoa, a

fim de formar a sua personalidade singular. É a organização de traços, motivos

e modos de comportamento que caracterizam uma determinada pessoa.

Estrutura social: termo geral que se refere ao fato de que tipicamente cada sociedade atribui categorias a seus membros, espera que eles executam certas espécies de trabalhos, e que tenham determinadas atitudes e crenças.

Etologia: estudo do comportamento, especialmente o instintivo, dos animais. Tratado dos costumes, usos e caracteres gerais.

Eu categorial: o conteúdo principal do autoconceito, descrição do eu em termos de categorias como tamanho, cor, idade e crenças.

Eu existencial: a parte mais básica do autoconceito, o sentido de ser separado

e distinto dos outros.

Experiência: termo que se refere à história passada do indivíduo.

Extrovertido: na tipologia de Jung, o tipo de pessoa que tem orientação dirigida para fora, para o mundo objetivo das coisas e dos acontecimentos; está

interessado fundamentalmente nas atividades sociais e nas atividades práticas; é racionalista e realista. Contrasta com o invertido.

Fase oral: na teoria freudiana, a primeira fase do desenvolvimento psicossexual, que ocorre durante o primeiro ano de vida, quando a criança centraliza seu interesse nas zonas erógenas da boca. Supõe-se que as fixações na fase oral levem ao desenvolvimento do caráter oral.

Fase anal: na teoria freudiana, a segunda fase do desenvolvimento psicossexual, e que ocorre durante o segundo e o terceiro anos de vida, quando os interesses da criança pelo seu corpo se centralizam na atividade anal, especialmente com relação ao controle obrigatório das fezes. Supõe-se que a fixação na fase anal leve ao desenvolvimento do caráter anal ou compulsivo.

Fase fálica: na teoria freudiana, a terceira fase do desenvolvimento psicossexual, durante o qual o interesse da criança, pelo seu corpo se volta para os órgãos sexuais e para os prazeres ligados ao seu manuseio; é durante esse período que ocorre o chamado complexo de Édipo.

Fase genital: na teoria freudiana, a fase final do desenvolvimento psicossexual, e que ocorre na puberdade quando o adolescente sente uma mudança de interesse; já não é o objeto primário, mais se voltam para outras pessoas e coisas, como objetos importantes; é o período durante o qual surgem as ligações heterossexuais.

Figura paternal: caso de transferência em que uma pessoas é considerada como se fosse o pai.

Frustração: distorção do comportamento motivado em direção a uma meta.

Gêmeos idênticos: dois indivíduos completos, que se desenvolveram de um óvulo fertilizado (zigoto) segmentado. Devem ser contrastados com os "gêmeos fraternos". Os gêmeos idênticos são geneticamente iguais, são de grande interesse para o psicólogo ocupado com o problema dos fatos hereditários no comportamento.

Gêmeos fraternos: Dois indivíduos que se desenvolveram de dois diferentes óvulos fertilizados (zigotos). Devem ser contrastados com "gêmeos idênticos". Os gêmeos fraternos podem ser meninos ou meninas, ou de sexos diferentes. Os gêmeos fraternos não são mais semelhantes, geneticamente, do que quaisquer outros irmãos ou irmãs.

Gene: é o elemento essencial na transmissão de características hereditárias transportado nos cromossomos. A unidade de natureza bioquímica, da hereditariedade, e que se localiza nos cromossomos. Supõe-se que o gene, ao reagir ao ambiente e aos outros genes, seja um fator na determinação dos traços hereditários e das estruturas do indivíduo em desenvolvimento.

Gênero (conceito de): o conceito amplo sobre o próprio gênero e dos outros, desenvolve-se durante os primeiros 5 ou 6 anos de vida.

Gênero (constância): o passo final no desenvolvimento do conceito de gênero, quando a criança compreende que o gênero não muda, mesmo que haja mudanças externas, como roupas e comprimento dos cabelos.

Gênero (estabilidade): o segundo passo no desenvolvimento do conceito de gênero, no qual a criança entende que o gênero da pessoa continua a ser estável durante toda a vida.

Glândulas endócrinas: glândulas, incluindo as supra-renais, tireóide, pituitária, testículos e ovários, que secretam os hormônios que governam o crescimento físico geral e a maturidade sexual.

Grupo formal: grupo social com a estrutura relativamente permanente de posições, cargos e papéis.

Grupo social: qualquer grupo de pessoa, formal ou informal, reunido ou disperso; as pessoas se relacionam entre si por algum interesse ou vinculação comum.

Grupo primário: pequeno grupo com o qual uma pessoa tem contatos frequentes e informais, com a família, amigos e associados.

Habilidade, capacidade: potencial para a aquisição de uma perícia, ou de uma

já adquirida.

Id: na teoria freudiana, um dos três sistemas básicos que constituem a personalidade. É a fonte das energias instrutivas básicas e inconscientes, subjacentes a todo o comportamento da pessoa.

Identificação: o processo de incorporação das qualidades e ideias de outra pessoa. Freud considerava que era o resultado da crise edipiana dos 3-5 anos.

A criança tenta tornar-se o pai do mesmo sexo.

Imitação: o termo usado for Bandura para descrever o processo de aprendizagem através da observação.

Incentivo: termo aproximadamente sinônimo de meta, mas implicando a manipulação de uma meta para motivar o indivíduo.

Instinto: os comportamentos instintivos são inatos, predeterminados e evocados pela presença de estímulos específicos. Eles tem papel fundamental na teoria etológica.

Inteligência: termo que cobre as habilidades de uma pessoa em uma vasta faixa de tarefas que envolvem vocabulário, números, solução de problemas, conceitos, e assim por diante. Medida pelo teste padronizado de inteligência,

geralmente envolve diversas habilidades específicas, com especial ênfase nas verbais.

Introvertido: na tipologia de Jung, o tipo de pessoa que tem orientação subjetiva; tem um interesse fundamental em ideias, imaginação e vida interior; empirista e idealista. Contrasta com o extrovertido.

Libido: Na teoria freudiana, a energia psíquica básica. Embora seja definida, popularmente, como de natureza sexual, tem maior amplitude, referindo-se a todos os impulsos de busca do prazer.

Linguagem: conjunto de símbolos usados na comunicação e no pensar.

Maturação: desdobramento, progressivo ou sucessivo, de diferentes funções físicas e mentais, assim como de capacidades, à medida que se desenvolvem

as estruturas físicas subjacentes, através do processo normal de crescimento.

É governado por hereditariedade e pelas condições ambientais.

Mecanismo de defesa: reação à frustração que defende a pessoa contra a ansiedade, e serve para distinguir motivos, de modo que o indivíduo engana-se

a si próprio sobre seus verdadeiros motivos e metas. Formas de reação à

angústia despertadas por conflitos, e que permitem a proteção e o realce da

autoimagem. Os mecanismos de defesa aumentam a autoestima. Os

"mecanismos" não são escolhidos deliberadamente pela pessoa. São comuns

a todos, e despertam sérios problemas de ajustamento apenas quando ocorre

em quantidade excessiva, e assim impedem que a pessoa enfrente realisticamente as suas dificuldades. Na teoria freudiana são as estratégias que

o ego utiliza para lidar com a ansiedade, incluindo negação, repressão, identificação e proteção.

Meio ambiente: conjunto de fatores exteriores, que atuam sobre o comportamento do indivíduo, possibilitando ao mesmo expandir o seu potencial hereditário nas diversas gradações, ou inibir a manifestação do mesmo, em diversos graus.

Mielina: a camada que envolve todos os nervos do corpo e que não está totalmente desenvolvida no nascimento.

Mielinização: o processo pelo qual a mielina é desenvolvida.

Moralidade heterônoma: o primeiro estágio de raciocínio moral que Piaget propôs; é caracterizado pelo absolutismo moral e pela crença na justiça imanente. Os julgamentos baseiam-se nas consequências e não nas intenções.

Moralidade autônoma: o segundo estágio de raciocínio moral proposto por Piaget; desenvolve-se a partir dos 7 anos, e caracteriza-se pelo julgamento das intenções e ênfase na reciprocidade.

Moralidade pré-convencional: o primeiro nível de moralidade proposto por Kohlberg, no qual os julgamentos morais são dominados pelas considerações do que será punido ou do que parece bom.

Moralidade pós-convencional: o terceiro nível de moralidade proposto por Kohlberg, no qual as considerações de justiça, direitos individuais e contrato dominam o julgamento moral.

Motivo: necessidade e direção do comportamento por meta. Tendência impulsiva.

Motivos sociais: motivos geralmente aprendidos que exigem a presença ou reação de outras pessoas para a sua satisfação. Na motivação humana usam- se necessidade e motivo como sinônimos.

Necessidade: qualquer falta dentro do indivíduo, seja ela adquirida ou fisiológica; muitas vezes usada como sinônimo de impulso ou motivo.

Norma do grupo: expectativa ou padrão de comportamento amplamente compartilhada entre a maioria dos membros de um grupo, classe ou cultura.

Operação: o termo usado por Piaget para os esquemas complexos, internos, abstratos e reversíveis, observados a partir dos 6 anos.

Operações concretas: o estágio de desenvolvimento proposto por Piaget que vai dos 6 aos 12 anos, e no qual desenvolvem-se operações mentais, como a subtração, reversibilidade, classificação multiplicativa, etc.

Operações formais: o nome dado por Piaget ao quarto e último estágio do desenvolvimento cognitivo, que ocorre durante a adolescência quando o jovem torna-se capaz de manipular e organizar ideias tão bem quanto objetos.

Organização: um dos processos básicos do funcionamento humano, junto com a adaptação.

Papel: padrão de comportamento que se espera de uma pessoa de determinado status.

Patrimônio hereditário: conjunto de caracteres transmitidos ao indivíduo através dos genes, de uma geração a outra.

Pensamento: processo representativo de experiência prévia; consiste em imagens, diminutos movimentos musculares, linguagem e outras atividades no sistema nervoso central.

Período crítico: período de tempo em que um organismo está pronto ao máximo para a aquisição de certas respostas.

Personalidade: organização permanente das predisposições do indivíduo, de seus traços característicos, motivações, valores e modos de ajustamento ao

ambiente. Características e maneiras distintivas pelas quais um indivíduo se comporta. A maneira é característica, porque representa o comportamento habitual ou típico. É distintiva porque o diferencia de outras pessoas.

Perturbações psicossomáticas: perturbações físicas provocadas por fatores psicológicos; por exemplo, úlceras do estômago provocadas por angústia crônica.

Preconceito: literalmente, prejulgamento; de modo mas geral, atitude com tom emocional pró ou contra um objeto, pessoa ou grupo. Tipicamente, é a atitude hostil que coloca em desvantagem uma pessoa ou um grupo. Atitudes que tendem a colocar objetos numa situação privilegiada ou desfavorecida, sem considerar os dados existentes.

Preconceito social: atitude hostil para com algum grupo social.

Prontidão: estágios na maturação quando um comportamento pode surgir sem treinamento; antes desse estágio não há possibilidade de comportamento, não importa o quão sofisticado e interno seja o treinamento.

Predisposição: no estudo de ajustamento pessoal, é a tendência herdada e que dá a base biológica para o desenvolvimento de certas características do temperamento e da personalidade.

Pré-natal: antes do nascimento.

Processo simbólico: processo representativo de experiência prévia; essencial na ação de pensar.

Processos inconscientes: processos ou eventos psicológicos dos quais uma pessoa não se apercebe.

Projeção: disfarce de uma fonte de conflitos, por meios da atribuição de motivos próprios a outra pessoa.

Psicologia do Desenvolvimento: ramo da psicologia que estuda as mudanças de comportamento que ocorrem com a idade.

Puberdade: refere-se ao conjunto de mudanças físicas e hormonais que levam à maturidade sexual. Refere-se ao início da capacidade de reprodução. O termo pubescência refere-se à obtenção da maturidade sexual. Compreende o período de vida entre 11,12 e 13,14 anos.

Realismo moral: entra descrição da moralidade heterônoma.

Regras internalizadas: um conjunto de padrões sobre o que é certo e errado que cada um de nós carrega consigo.

Resposta: geralmente, qualquer comportamento de um organismo.

Resposta condicionada: resposta produzida por um estímulo condicionado após a aprendizagem.

Resposta incondicionada: resposta eliciada por um estímulo incondicionado.

Rivalidade entre irmão: sentimentos de ciúme e competição entre irmãos. Muitas vezes surge numa criança, quando nasce um nené na família; leva a criança a comportamento agressivo e, às vezes, regressivo.

Síndrome autoritária: uma constelação de traços, frequentemente encontrados juntos em alguns indivíduos. Inclui excessivo conformismo, comportamento e valores autoritários, supercontrole de impulsos e sentimentos, rigidez nos processos de pensamento, preconceito com relação a grupos minoritários. Supõe-se que derive formas excessivamente severas de tratamento disciplinar pelos pais contra os quais se desenvolve a hostilidade reprimida.

Síndrome compulsiva: uma constelação de traços frequentemente encontrados associados em indivíduos. Inclui metodização, observação, avareza, pontualidade, excessiva limpeza. Supõe-se que resulte de fixações que ocorre na fase anal do desenvolvimento psicossexual; por isso, é, às vezes, denominado caráter anal.

Socialização: refere-se ao processo pelo qual fatores socialmente determinados se tornam capazes de influir no controle do comportamento da pessoa. Aprendizagem para que a pessoa se comporte da maneira prescrita por sua família e cultura, e para ajustar-se nos relacionamentos com outras pessoas.

Superego: na teoria freudiana, um dos sistemas básicos que constituem a personalidade. É um sistema de forças de restrição e inibição derivadas de normas e regulamentações sociais, e que são usadas na repressão e canalização de impulsos básicos-especialmente agressivos e sexuais-vistos como perigosos ou prejudiciais pela sociedade. É a consciência moral ou o sentimento moral.

Tarefa evolutiva: tipo de aprendizagem, ou ajustamento, que deve ocorrer em determinada fase do indivíduo, ou da vida humana. Quando a aprendizagem ocorre, os ajustamentos nas fases subsequentes realiza de modo mais satisfatório. Quando a aprendizagem não ocorre, esse ajustamento se torna mais difícil, e pode deixar de ocorrer.

Temperamento: aspectos da personalidade referentes às reações emocionais típicas, aos estados de humor, às características de atividades da pessoa. Conjunto de traços psicofisiológicos de uma pessoa e que lhe determinam as reações emocionais.

Tipos de personalidades: categorias qualitativamente diferentes em que se supõe que possam ser divididas as personalidades. Existem teorias de tipos simples, que supõem um número muito limitado de categorias, e teorias

complexas de tipos, que supõem a classificação de pessoas num grande número de dimensões.

Traço: uma característica permanente do indivíduo, e que se manifesta de forma consistente no comportamento realizado em grande variedade de situações. Os traços tem muitas modalidades; alguns são superficiais e outros são profundos.

Turma: grandes grupos de crianças ou adolescentes, geralmente compostos de diversas "panelas", mas mantidas juntas em função de interesses ou background comum.

Variável: uma das condições medidas ou controladas em um experimento.

Variável dependente: variável que se modifica em resultado de mudanças na variável independente.

Variável independente: variável que pode ser escolhida ou modificada pelo experimentador, e que é responsável por alterações na variável dependente.

Oferece-se, por último, alguns elementos conceituais sobre pesquisa psicológica.

Termos

Absolutismo moral: crença característica do primeiro estágio do julgamento moral: regras são completamente fixas e imutáveis.

Acomodação: processo proposto por Piaget, segundo o qual a pessoa modifica a estrutura existente - ações, ideias ou estratégias - para adequar-se a novas experiências.

Adaptação: o processo básico na existência biológica; de acordo com Piaget, também caracteriza o funcionamento intelectual e físico. A assimilação e a acomodação são partes do processo de adaptação.

Agressão: termo geral que se aplica aos sentimentos raiva ou hostilidade. A agressão funciona como um motivo, muitas vezes em resposta a ameaças, insultos ou frustrações.

Ajustamento: relacionamento entre o indivíduo e seu ambiente, especialmente o social, na satisfação de seus motivos.

Aprendizagem: mudanças relativamente permanentes no comportamento, que resulta de experiência ou prática passada.

Aprendizagem observacional: aprendizagem de habilidades motoras, atitudes e outros comportamentos através da observação de alguém que desempenha o comportamento

Angústia básica: termo empregado por Horney para indicar fonte principal de problemas de ajustamento no desenvolvimento da personalidade. Resulta de qualquer coisa que provoque insegurança na criança, especialmente nas suas relações com os pais.

Assimilação: processo de incorporação de uma nova experiência ou informação que se ajusta à estrutura existente. Um conceito básico na teoria de Piaget.

Atitude: uma organização duradoura de processos perceptuais, motivacionais, emocionais e de adaptação, que se centralizam em algum objeto do universo da pessoa. As atitudes podem ser positivas ou negativas, vale dizer, a pessoa pode estar disposta favorável ou desfavoravelmente com relação ao objeto. É uma tendência a responder a alguma pessoa objeto ou situação, de modo positivo ou negativo. Em geral ter um componente emocional e um componente de crença. Crença é a aceitação de uma declaração. A crença suporta o componente emocional da atitude, e vice-versa.

Autonomia funcional dos motivos: noção apresentada por Allport e segundo

a qual atividades resultantes de um motivo original podem, mais tarde, tornar- se motivadoras em se mesmas, depois do desaparecimento do motivo original.

Auto realização: noção incorporada em várias teorias da personalidade, de uma tendência humana básica cuja finalidade é transformar em real o que é potencial no eu, ou seja, é tornar reais, até o máximo possível, as potencialidades de cada um.

Autoconceito: o conceito geral do eu; inclui o "eu existencial", o "eu categorial"

e a autoestima.

Autoestima: a qualidade positiva ou negativa do autoconceito

Busca de superioridade: concepção de Adler, segundo a qual a fonte básica da motivação humana é um impulso inato e ascendente para a auto perfeição. As direções apresentadas por essas buscas têm o caráter de compensações pelas fraquezas peculiares ou pelas inferioridades percebidas pela pessoa.

Caráter: aspecto da personalidade que, em terminologia mais antiga, dizia respeito à aparência moral e à conduta do indivíduo. Conjunto de qualidades (boas ou más), de um indivíduo, que lhe determinam a conduta e concepção moral.

Caracteres genéticos: caracteres transmitidos aos indivíduos através dos genes.

Caracteres congênitos: características existentes no indivíduo ao nascer. Refere-se aos fatores que influenciaram o desenvolvimento durante a vida intrauterina, porém não lhe foram transmitidos através dos genes, não sendo, assim, hereditários no sentido biológico do termo.

Companheiros: outras pessoas que têm, aproximadamente, a mesma idade de uma pessoa, com quem se relacionam.

Compensação: mecanismo de defesa em que um indivíduo substitui uma atividade por outra, na tentativa de satisfazer motivos frustrados. Esforço feito para superar uma fraqueza ou uma inferioridade. Pode apresentar a forma de uma busca de superioridade no próprio domínio da inferioridade, ou pode ser direta, isto é, apresentar a forma de buscar substitutivos. Habitualmente implica falha ou perda de autoestima em uma atividade, e a compensação dessa falha provoca esforços em outros campos de atividades.

Conservação: o conceito que as crianças de 6 a 10 anos adquiriram de que os objetos permanecem os mesmos em aspectos fundamentais, como o peso ou o número, mesmo que haja modificações externas na forma ou disposição espacial.

Complexo de Édipo: na teoria freudiana, é o fato de o menino dirigir seus sentimentos eróticos para sua mãe, e a menina para seu pai. Supõe-se que seja a fonte das identificações primárias com os pais, a partir das quais se desenvolvem as identificações posteriores.

Comportamento: qualquer ação observável de uma pessoa ou animal.

Condicionamento clássico: aprendizagem que ocorre quando um estimulo condicionado forma um par com o incondicionado.

Condicionamento operante: aprendizagem para dar uma determinada resposta, a fim de garantir reforça mento positivo, ou fugir a evitar reforça mento negativo.

Conflito de motivação: conflito entre dois ou mais motivos, resultando na frustração de um deles.

Conflito de aproximação-aproximação: conflito em que uma pessoa se sente motivada para aproximar-se de duas metas diferentes e que são compatíveis.

Conflito de afastamento-afastamento: aprendizagem para evitar um estimulo nocivo, como, por exemplo, um choque, pela resposta apropriado a um sinal de aviso.

Conflito de aproximação-afastamento: conflito em que uma pessoa tanto é atraída como é repelida pela mesma meta.

Consciência: termo normalmente usado para descrever o conjunto de regras internalizadas que Freud considerava que apareciam junto com o processo de identificação.

Crescimento: processo orgânico responsável pelas mudanças em tamanho e complexidade. Plano geral das mudanças do organismo como um todo. Sofre, além da influência do processo maturacional, a ação maciça das influências ambientais.

Desajustamento: diz respeito não apenas aos distúrbios psiconeuróticos e psicóticos, como também os mais brandos, nos quais uma pessoa se sente ansiosa ou se comporta de modo esquisito.

Desempenho: comportamento observado, diferentemente dos estados internos hipotéticos de um organismo.

Desenvolvimento: processo referente a mudanças resultantes de influencias ambientais ou de aprendizagem.

Direção céfalo-caudal: refere-se ao progressivo crescimento das partes do corpo, a partir da cabeça e dirigindo-se para as pernas, que é característico do ser humano durante o seu desenvolvimento.

Direção próximo-distal: refere-se ao progressivo crescimento das partes do corpo, a partir da parte central para as partes periféricas ou terminais, que é uma direção característica do ser humano em desenvolvimento. Assim, os ombros se desenvolvem antes, depois os braços, mãos e dedos.

Ego: na teoria freudiana, um dos três sistemas básicos que constituem a personalidade. É o sistema dos processos cognitivos-perceber, pensar, planejar, decidir-que torna possível a canalização realista e a satisfação dos instintos do Id.

Esquema: palavra que Piaget usou para as ações, idéias e estratégias às quais as novas experiências são assimiladas e que se modificam (acomodam- se) em função das novas experiências.

Estágios evolutivos: etapas da vida que reúnem padrões de características inter-relacionadas, que determinam o comportamento de cada período do desenvolvimento humano.

Estágios psicossexuais: os estágios do desenvolvimento da personalidade sugeridos por Freud e que incluem o oral, anal, fálico, latência e genital. A sequência é amplamente influenciada pela maturação.

Estágios psicossociais: os estágios do desenvolvimento da personalidade sugeridos por Erikson, que incluem a confiança, autonomia, iniciativa, produtividade, identidade, intimidade, generatividade e integridade do ego. São influenciados pelas expectativas sociais e pela maturação.

Estágio pré-operacional: o termo usado por Piaget para o primeiro estágio do desenvolvimento cognitivo, dos 2 aos 6 anos, durante a qual a criança desenvolve habilidades lógicas e a classificação básica.

Estágio sensório-motor: o termo usado por Piaget para o primeiro estágio do desenvolvimento cognitivo, do nascimento até aproximadamente os 18 meses, quando a criança evolui das ações reflexas às voluntárias.

Estereótipo: um conjunto fixo de ideias ou expectativas sobre um grupo de pessoas como homens, negros ou outros grupos, que são aplicadas a cada novo membro do grupo sem suficiente ajustamento à individualidade. Como conceito sociológico e estatístico refere-se a uma crença ou uma atitude que são muito divulgadas numa sociedade. (Por exemplo a crença de que as louras são menos inteligentes do que as morenas.) Como conceito psicológico, refere- se a uma crença e atitude que são supersimplificadas quanto ao conteúdo e, nas quais os atributos específicos do objeto não são observados e, além disso, são resistentes à mudanças.

Estilo parental autoritário: padrão de comportamento parental descrito por Baumrind, entre outros; inclui altos níveis de diretividade e baixo nível de afetividade.

Estilo parental competente: padrão descrito por Baumrind; inclui alto nível de controle e alto nível de afeto.

Estilo parental permissivo: um terceiro tipo descrito por Baumrind, entre outros, inclui muito afeto e baixo nível de controle.

Estrutura da personalidade: a maneira peculiar pela qual se organizam, dinamicamente, os traços, as habilidades, os motivos, os valores da pessoa, a

fim de formar a sua personalidade singular. É a organização de traços, motivos

e modos de comportamento que caracterizam uma determinada pessoa.

Estrutura social: termo geral que se refere ao fato de que tipicamente cada sociedade atribui categorias a seus membros, espera que eles executam certas espécies de trabalhos, e que tenham determinadas atitudes e crenças.

Etologia: estudo do comportamento, especialmente o instintivo, dos animais. Tratado dos costumes, usos e caracteres gerais.

Eu categorial: o conteúdo principal do autoconceito, descrição do eu em termos de categorias como tamanho, cor, idade e crenças.

Eu existencial: a parte mais básica do autoconceito, o sentido de ser separado

e distinto dos outros.

Experiência: termo que se refere à história passada do indivíduo.

Extrovertido: na tipologia de Jung, o tipo de pessoa que tem orientação dirigida para fora, para o mundo objetivo das coisas e dos acontecimentos; está

interessado fundamentalmente nas atividades sociais e nas atividades práticas; é racionalista e realista. Contrasta com o invertido.

Fase oral: na teoria freudiana, a primeira fase do desenvolvimento psicossexual, que ocorre durante o primeiro ano de vida, quando a criança centraliza seu interesse nas zonas erógenas da boca. Supõe-se que as fixações na fase oral levem ao desenvolvimento do caráter oral.

Fase anal: na teoria freudiana, a segunda fase do desenvolvimento psicossexual, e que ocorre durante o segundo e o terceiro anos de vida, quando os interesses da criança pelo seu corpo se centralizam na atividade anal, especialmente com relação ao controle obrigatório das fezes. Supõe-se que a fixação na fase anal leve ao desenvolvimento do caráter anal ou compulsivo.

Fase fálica: na teoria freudiana, a terceira fase do desenvolvimento psicossexual, durante o qual o interesse da criança, pelo seu corpo se volta para os órgãos sexuais e para os prazeres ligados ao seu manuseio; é durante esse período que ocorre o chamado complexo de Édipo.

Fase genital: na teoria freudiana, a fase final do desenvolvimento psicossexual, e que ocorre na puberdade quando o adolescente sente uma mudança de interesse; já não é o objeto primário, mais se voltam para outras pessoas e coisas, como objetos importantes; é o período durante o qual surgem as ligações heterossexuais.

Figura paternal: caso de transferência em que uma pessoas é considerada como se fosse o pai.

Frustração: distorção do comportamento motivado em direção a uma meta.

Gêmeos idênticos: dois indivíduos completos, que se desenvolveram de um óvulo fertilizado (zigoto) segmentado. Devem ser contrastados com os "gêmeos fraternos". Os gêmeos idênticos são geneticamente iguais, são de grande interesse para o psicólogo ocupado com o problema dos fatos hereditários no comportamento.

Gêmeos fraternos: Dois indivíduos que se desenvolveram de dois diferentes óvulos fertilizados (zigotos). Devem ser contrastados com "gêmeos idênticos". Os gêmeos fraternos podem ser meninos ou meninas, ou de sexos diferentes. Os gêmeos fraternos não são mais semelhantes, geneticamente, do que quaisquer outros irmãos ou irmãs.

Gene: é o elemento essencial na transmissão de características hereditárias transportado nos cromossomos. A unidade de natureza bioquímica, da hereditariedade, e que se localiza nos cromossomos. Supõe-se que o gene, ao reagir ao ambiente e aos outros genes, seja um fator na determinação dos traços hereditários e das estruturas do indivíduo em desenvolvimento.

Gênero (conceito de): o conceito amplo sobre o próprio gênero e dos outros, desenvolve-se durante os primeiros 5 ou 6 anos de vida.

Gênero (constância): o passo final no desenvolvimento do conceito de gênero, quando a criança compreende que o gênero não muda, mesmo que haja mudanças externas, como roupas e comprimento dos cabelos.

Gênero (estabilidade): o segundo passo no desenvolvimento do conceito de gênero, no qual a criança entende que o gênero da pessoa continua a ser estável durante toda a vida.

Glândulas endócrinas: glândulas, incluindo as suprarrenais, tireoide, pituitária, testículos e ovários, que secretam os hormônios que governam o crescimento físico geral e a maturidade sexual.

Grupo formal: grupo social com a estrutura relativamente permanente de posições, cargos e papéis.

Grupo social: qualquer grupo de pessoa, formal ou informal, reunido ou disperso; as pessoas se relacionam entre si por algum interesse ou vinculação comum.

Grupo primário: pequeno grupo com o qual uma pessoa tem contatos frequentes e informais, com a família, amigos e associados.

Habilidade, capacidade: potencial para a aquisição de uma perícia, ou de uma

já adquirida.

Id: na teoria freudiana, um dos três sistemas básicos que constituem a personalidade. É a fonte das energias instrutivas básicas e inconscientes, subjacentes a todo o comportamento da pessoa.

Identificação: o processo de incorporação das qualidades e ideias de outra pessoa. Freud considerava que era o resultado da crise edipiana dos 3-5 anos.

A criança tenta tornar-se o pai do mesmo sexo.

Imitação: o termo usado for Bandura para descrever o processo de aprendizagem através da observação.

Incentivo: termo aproximadamente sinônimo de meta, mas implicando a manipulação de uma meta para motivar o indivíduo.

Instinto: os comportamentos instintivos são inatos, predeterminados e evocados pela presença de estímulos específicos. Eles tem papel fundamental na teoria etológica.

Inteligência: termo que cobre as habilidades de uma pessoa em uma vasta faixa de tarefas que envolvem vocabulário, números, solução de problemas, conceitos, e assim por diante. Medida pelo teste padronizado de inteligência,

geralmente envolve diversas habilidades específicas, com especial ênfase nas verbais.

Introvertido: na tipologia de Jung, o tipo de pessoa que tem orientação subjetiva; tem um interesse fundamental em ideias, imaginação e vida interior; empiricista e idealista. Contrasta com o extrovertido.

Libido: Na teoria freudiana, a energia psíquica básica. Embora seja definida, popularmente, como de natureza sexual, tem maior amplitude, referindo-se a todos os impulsos de busca do prazer.

Linguagem: conjunto de símbolos usados na comunicação e no pensar.

Maturação: desdobramento, progressivo ou sucessivo, de diferentes funções físicas e mentais, assim como de capacidades, à medida que se desenvolvem

as estruturas físicas subjacentes, através do processo normal de crescimento.

É governado por hereditariedade e pelas condições ambientais.

Mecanismo de defesa: reação à frustração que defende a pessoa contra a ansiedade, e serve para distinguir motivos, de modo que o indivíduo engana-se

a si próprio sobre seus verdadeiros motivos e metas. Formas de reação à

angústia despertadas por conflitos, e que permitem a proteção e o realce da

autoimagem. Os mecanismos de defesa aumentam a autoestima. Os

"mecanismos" não são escolhidos deliberadamente pela pessoa. São comuns

a todos, e despertam sérios problemas de ajustamento apenas quando ocorre

em quantidade excessiva, e assim impedem que a pessoa enfrente realisticamente as suas dificuldades. Na teoria freudiana são as estratégias que

o ego utiliza para lidar com a ansiedade, incluindo negação, repressão, identificação e proteção.

Meio ambiente: conjunto de fatores exteriores, que atuam sobre o comportamento do indivíduo, possibilitando ao mesmo expandir o seu potencial hereditário nas diversas gradações, ou inibir a manifestação do mesmo, em diversos graus.

Mielina: a camada que envolve todos os nervos do corpo e que não está totalmente desenvolvida no nascimento.

Mielinização: o processo pelo qual a mielina é desenvolvida.

Moralidade heterônoma: o primeiro estágio de raciocínio moral que Piaget propôs; é caracterizado pelo absolutismo moral e pela crença na justiça imanente. Os julgamentos baseiam-se nas consequências e não nas intenções.

Moralidade autônoma: o segundo estágio de raciocínio moral proposto por Piaget; desenvolve-se a partir dos 7 anos, e caracteriza-se pelo julgamento das intenções e ênfase na reciprocidade.

Moralidade pré-convencional: o primeiro nível de moralidade proposto por Kohlberg, no qual os julgamentos morais são dominados pelas considerações do que será punido ou do que parece bom.

Moralidade pós-convencional: o terceiro nível de moralidade proposto por Kohlberg, no qual as considerações de justiça, direitos individuais e contrato dominam o julgamento moral.

Motivo: necessidade e direção do comportamento por meta. Tendência impulsiva.

Motivos sociais: motivos geralmente aprendidos que exigem a presença ou reação de outras pessoas para a sua satisfação. Na motivação humana usam- se necessidade e motivo como sinônimos.

Necessidade: qualquer falta dentro do indivíduo, seja ela adquirida ou fisiológica; muitas vezes usada como sinônimo de impulso ou motivo.

Norma do grupo: expectativa ou padrão de comportamento amplamente compartilhada entre a maioria dos membros de um grupo, classe ou cultura.

Operação: o termo usado por Piaget para os esquemas complexos, internos, abstratos e reversíveis, observados a partir dos 6 anos.

Operações concretas: o estágio de desenvolvimento proposto por Piaget que vai dos 6 aos 12 anos, e no qual desenvolvem-se operações mentais, como a subtração, reversibilidade, classificação multiplicativa, etc.

Operações formais: o nome dado por Piaget ao quarto e último estágio do desenvolvimento cognitivo, que ocorre durante a adolescência quando o jovem torna-se capaz de manipular e organizar ideias tão bem quanto objetos.

Organização: um dos processos básicos do funcionamento humano, junto com a adaptação.

Papel: padrão de comportamento que se espera de uma pessoa de determinado status.

Patrimônio hereditário: conjunto de caracteres transmitidos ao indivíduo através dos genes, de uma geração a outra.

Pensamento: processo representativo de experiência prévia; consiste em imagens, diminutos movimentos musculares, linguagem e outras atividades no sistema nervoso central.

Período crítico: período de tempo em que um organismo está pronto ao máximo para a aquisição de certas respostas.

Personalidade: organização permanente das predisposições do indivíduo, de seus traços característicos, motivações, valores e modos de ajustamento ao

ambiente. Características e maneiras distintivas pelas quais um indivíduo se comporta. A maneira é característica, porque representa o comportamento habitual ou típico. É distintiva porque o diferencia de outras pessoas.

Perturbações psicossomáticas: perturbações físicas provocadas por fatores psicológicos; por exemplo, úlceras do estômago provocadas por angústia crônica.

Preconceito: literalmente, prejulgamento; de modo mas geral, atitude com tom emocional pró ou contra um objeto, pessoa ou grupo. Tipicamente, é a atitude hostil que coloca em desvantagem uma pessoa ou um grupo. Atitudes que tendem a colocar objetos numa situação privilegiada ou desfavorecida, sem considerar os dados existentes.

Preconceito social: atitude hostil para com algum grupo social.

Prontidão: estágios na maturação quando um comportamento pode surgir sem treinamento; antes desse estágio não há possibilidade de comportamento, não importa o quão sofisticado e interno seja o treinamento.

Predisposição: no estudo de ajustamento pessoal, é a tendência herdada e que dá a base biológica para o desenvolvimento de certas características do temperamento e da personalidade.

Pré-natal: antes do nascimento.

Processo simbólico: processo representativo de experiência prévia; essencial na ação de pensar.

Processos inconscientes: processos ou eventos psicológicos dos quais uma pessoa não se apercebe.

Projeção: disfarce de uma fonte de conflitos, por meios da atribuição de motivos próprios a outra pessoa.

Psicologia do Desenvolvimento: ramo da psicologia que estuda as mudanças de comportamento que ocorrem com a idade.

Puberdade: refere-se ao conjunto de mudanças físicas e hormonais que levam à maturidade sexual. Refere-se ao início da capacidade de reprodução. O termo pubescência refere-se à obtenção da maturidade sexual. Compreende o período de vida entre 11,12 e 13,14 anos.

Realismo moral: entra descrição da moralidade heterônoma.

Regras internalizadas: um conjunto de padrões sobre o que é certo e errado que cada um de nós carrega consigo.

Resposta: geralmente, qualquer comportamento de um organismo.

Resposta condicionada: resposta produzida por um estímulo condicionado após a aprendizagem.

Resposta incondicionada: resposta eliciada por um estímulo incondicionado.

Rivalidade entre irmão: sentimentos de ciúme e competição entre irmãos. Muitas vezes surge numa criança, quando nasce um nené na família; leva a criança a comportamento agressivo e, às vezes, regressivo.

Síndrome autoritária: uma constelação de traços, frequentemente encontrados juntos em alguns indivíduos. Inclui excessivo conformismo, comportamento e valores autoritários, supercontrole de impulsos e sentimentos, rigidez nos processos de pensamento, preconceito com relação a grupos minoritários. Supõe-se que derive formas excessivamente severas de tratamento disciplinar pelos pais contra os quais se desenvolve a hostilidade reprimida.

Síndrome compulsiva: uma constelação de traços frequentemente encontrados associados em indivíduos. Inclui metodização, observação, avareza, pontualidade, excessiva limpeza. Supõe-se que resulte de fixações que ocorre na fase anal do desenvolvimento psicossexual; por isso, é, às vezes, denominado caráter anal.

Socialização: refere-se ao processo pelo qual fatores socialmente determinados se tornam capazes de influir no controle do comportamento da pessoa. Aprendizagem para que a pessoa se comporte da maneira prescrita por sua família e cultura, e para ajustar-se nos relacionamentos com outras pessoas.

Superego: na teoria freudiana, um dos sistemas básicos que constituem a personalidade. É um sistema de forças de restrição e inibição derivadas de normas e regulamentações sociais, e que são usadas na repressão e canalização de impulsos básicos-especialmente agressivos e sexuais-vistos como perigosos ou prejudiciais pela sociedade. É a consciência moral ou o sentimento moral.

Tarefa evolutiva: tipo de aprendizagem, ou ajustamento, que deve ocorrer em determinada fase do indivíduo, ou da vida humana. Quando a aprendizagem ocorre, os ajustamentos nas fases subsequentes realiza de modo mais satisfatório. Quando a aprendizagem não ocorre, esse ajustamento se torna mais difícil, e pode deixar de ocorrer.

Temperamento: aspectos da personalidade referentes às reações emocionais típicas, aos estados de humor, às características de atividades da pessoa. Conjunto de traços psicofisiológicos de uma pessoa e que lhe determinam as reações emocionais.

Tipos de personalidades: categorias qualitativamente diferentes em que se supõe que possam ser divididas as personalidades. Existem teorias de tipos simples, que supõem um número muito limitado de categorias, e teorias

complexas de tipos, que supõem a classificação de pessoas num grande número de dimensões.

Traço: uma característica permanente do indivíduo, e que se manifesta de forma consistente no comportamento realizado em grande variedade de situações. Os traços tem muitas modalidades; alguns são superficiais e outros são profundos.

Turma: grandes grupos de crianças ou adolescentes, geralmente compostos de diversas "panelas", mas mantidas juntas em função de interesses ou background comum.

Variável: uma das condições medidas ou controladas em um experimento.

Variável dependente: variável que se modifica em resultado de mudanças na variável independente.

Variável independente: variável que pode ser escolhida ou modificada pelo experimentador, e que é responsável por alterações na variável dependente.

Transtornos do Espectro Autista /TEA

O que sao TDPs e TEAs?

O termo TDP, ou Transtorno de Desenvolvimento Pervasivo, é utilizado para descrever certos problemas de desenvolvimento. Os TDPs são chamados de transtornos de ―espectro‖ pois cada criança apresenta sintomas que diferem em intensidade, variando de leve a bastante grave. Porém, todas as crianças com TDP possuem algum grau de dificuldade nas seguintes áreas:

Habilidades sociais: compartilhar emoções, entender como as pessoas estão se sentindo, expressar empatia ou manter conversações; Comunicação: Tanto verbal quanto não verbal, tais como apontar, gesticular e fazer contato visual (olhar nos olhos); Comportamentos ou interesses: tais como repetir palavras ou ações, brincar com coisas de uma forma incomum (girar objetos, enfileirar brinquedos) ou insistir em seguir rotinas ou cronogramas rígidos.

Existem cinco TDPs: Transtorno Autista, Transtorno de Desenvolvimento PervasivoNão Especificado (TDP-NES), Síndrome de Asperger e outros distúrbios com menor freqüência: Síndrome de Rett e Transtorno Desintegrativo da Infância (TDI).

Transtorno de Espectro Autista Como você pode ver pelo diagrama, o Transtorno Autista, a Síndrome

Transtorno de Espectro Autista

Como você pode ver pelo diagrama, o Transtorno Autista, a Síndrome de Asperger e o TDP-NES (algumas vezes chamado de autismo atípico) estão incluídos na categoria de Transtornos de Espectro Autista (TEAs). Transtorno Austista ou Autismo é caracterizado por dificuldades em todas as três áreas (comunicação, habilidades sociais e comportamento vide acima). Síndrome de Asperger é caracterizada por habilidades de linguagem relativamente boas e dificuldades em interações sociais e manter conversações. Uma criança com Síndrome de Asperger pode também ter interesses intensos ou restritos e/ou comportamentos problemáticos. TDP-NES descreve uma pessoa que se enquadra em alguns, mas não todos os critérios de autismo ou possui sintomas mais leves em uma ou mais áreas. Os especialistas de seu filho podem usar termos levemente diferentes para descrevêlo. Mas mesmo quando os profissionais não utilizam esses termos da mesma forma, geralmente concordam que uma criança se encaixa em um diagnóstico mais amplo de TEA.

Transtornos de Desenvolvimento Pervasivo menos freqüentes

Síndrome de Rett é um transtorno de desenvolvimento que começa com desenvolvimento inicial normal e é seguido por perda de habilidades motoras, uso especial das mãos, e movimentos distintos das mãos, tais como torcer as mãos, regressão em habilidades e crescimento retardado. Transtorno Desintegrativo da Infância começa com um desenvolvimento normal até a idade de 3 ou 4 e é seguido por perda grave de comunicação, habilidades sociais, motoras e de brincar. Como é tratado o Autismo? Os tratamentos mais recomendados para crianças com Transtornos de Espectro Autista (TEAs) começam o mais cedo possível apos o diagnóstico e incluem muitas horas de trabalho individual com a criança.

O médico de seu filho e outros especialistas recomendarão um plano específico para as necessidades de seu filho. Nas terapias ―ABA‖ e ―Floortime,‖ duas das abordagens educacionais mais comumente utilizadas para crianças com TEA, os provedores trabalham passo a passo com a criança para desenvolver habilidades de linguagem, sociais e de brincar. A maioria dos professores e terapeutas treinados utilizam uma combinação da abordagem bastante estruturada da ABA e dos métodos interativos, de brincar, e altamente afetivos Floortime. Fornecemos a seguir uma descrição geral de cada abordagem:

Análise Comportamental Aplicada (ABA) desenvolve novas habilidades e elimina comportamentos difíceis ao dividir as tarefas em pequenos passos. Essa abordagem é especialmente eficaz para chamar a atenção de crianças difíceis de se alcançar. DIR/Floortime (Abordagem com base em relacionamento, diferença individual e desenvolvimento) inclui rotinas altamente motivadoras relacionadas aos interesses da criança e desenvolve habilidades sociais, de comunicação e de brincadeira através de interações lúdicas cada vez mais complexas. Abordagens semelhantes incluem Suporte Transacional, Regulamentação Emocional, Comunicação Social (SCERTS), Tratamento e Educação de Crianças Autistas e com problemas de comunicação relacionados (TEACCH) e Intervenção para Desenvolvimento Relacional (RDI).

Além dessas abordagens, a maioria dos programas para crianças com TEA utiliza ferramentas especificas, tais como:

Terapia de fala-linguagem, que ajuda a criança aprender a entender e expressar-se através da linguagem. Intervenções totais de comunicação, que envolvem o uso da linguagem, vocalizações, imagens e gestos, assim como linguagem de sinais e o Sistema de Comunicação de Troca de Imagem (PECS) qualquer meio que uma criança possa utilizar para se comunicar. Terapia ocupacional, fisioterapia e terapia de integração sensorial, que se concentra nas habilidades motoras finas (mãos e dedos) e grossas (musculares), e necessidades sensoriais. Apoios comportamentais positivos, os quais minimizam comportamentos difíceis através da recompensa para comportamentos apropriados, reações e conclusão de tarefa.

Profissionais da área médica podem também implementar as seguintes terapias:

Medicação. Não existe uma medicação especial para TEA. Alguns medicamentos podem ajudar com sintomas como hiperatividade, ansiedade, comportamentos compulsivos, atenção ou agressão. Peça conselho de seu médico sobre qual ou quais medicamentos podem ser adequados para seu filho e se os benefícios são maiores que qualquer risco ou efeito colateral associado ao medicamento. Terapias biológicas, que incluem dietas especializadas ou restritas, suplementos nutricionais e vitaminas. Consulte seu médico para determinar se tais abordagens são comprovadamente seguras e eficazes.

Psicologia social e saúde coletiva

BREVE HISTÓRICO DO NASCIMENTO DA PSICOLOGIA NA

SAÚDE PÚBLICA

A Psicologia, enquanto área comprometida com questões sociais, conquista

novos espaços de atuação no que se refere à Saúde Pública, em especial, à Saúde Coletiva. Entretanto, esse foi um longo percurso e a saúde no Brasil sofreu diversas transformações ao longo do tempo.

Carvalho e Ceccim (2007) descrevem os principais acontecimentoshistóricos relativos ao modelo de saúde. No Brasil, inicialmente manteve-se o Modelo Curativo individual, que definia o corpo como espaço de evolução das doenças

e a clínica a restauração da suposta normalidade. Nas décadas de 1950 e

1960, emergiu o Modelo Preventista com foco na transformação das práticas de saúde e nas necessidades da população. Na década de 1970, a Saúde Comunitária foi alvo de estudos e temas como os territórios da vida, contextos culturais e direito à educação popular são valorizados. Em seguida, surgem

novos sanitaristas, os quais expressam críticas à realidade social. Dessa

forma, iniciou-se o Movimento Sanitário, o qual reivindica integração entre o ensino-serviço, com valorização da aprendizagem em Unidades de Saúde. Nesse contexto, foi realizada, em 1978, a Conferência Internacional Sobre Cuidados Primários de Saúde em Alma-Ata, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Como resultado dessa conferência, a Atenção Primária de Saúde foi caracterizada como assistência sanitária ao alcance de todosAtualmente, a Saúde Coletiva compreende as subáreas da Saúde Pública, da Epidemiologia

e da Medicina Preventiva e Social.

A Saúde Coletiva,no que se refere à formação em saúde, propõe novas formas

de educar, pensar e agir em saúde, privilegiando histórias de vida, integralidade e histórias culturais. Dentro desse contexto, a Saúde Coletiva trabalha práticas cuidadoras de sujeitos e coletividades, práticas de afirmação da vida, de responsabilidade, da participação e solidariedade). Ainda a Saúde Coletiva é responsável por capacitar profissionais para ações, estudos, análises, organização, planejamento, execução e avaliação de programas e sistemas com ênfase na promoção de estratégias de saúde.

A ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF)

O Ministério da Saúde (BRASIL, 2006) define a Atenção Básica como um

conjunto de ações de saúde que abrangem a promoção e a proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde. Essas ações são desenvolvidas por práticas gerenciais e sanitárias, democráticas e participativas por meio do trabalho em equipe. Os princípios da

Atenção Básica são: universalidade, acessibilidade e coordenação do cuidado,

vínculo, continuidade, integralidade, responsabilização, humanização, equidade

e participação social.

Dentro desse contexto, a Estratégia de Saúde da Família (ESF) é um instrumento para a reorientação do modelo assistencial de saúde a partir da implementação de equipes multidisciplinares nas Unidades de Saúde.

Essa proposta surgiu, em 1991, com a idealização do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). A formação das primeiras equipes ocorreu em 1994, com a média de um Agente Comunitário de Saúde (ACS) para cada grupo de 575 pessoas. As equipes acompanham determinado número de famílias em zona geográfica delimitada. A promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos e manutenção da saúde da comunidade são o foco das ações da ESF (BRASIL, 2006).

Por médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde, de acordo com o entendimento da gestão. Os ACS fazem a ligação entre as famílias e o serviço de saúde, visitam domicílios, geralmente uma vez por mês, mapeiam a área,cadastrando as famílias. Além disso, esses profissionais estimulam a comunidade para práticas que visam à melhora da qualidade de vida.

O

modelo de Saúde da Família objetiva prestar assistência integral e favorecer

a

qualidade de vida, de acordo com as necessidades da população; humanizar

o

atendimento, vislumbrando um vínculo entre os profissionais da saúde e a

população; contribuir com a democratização do conhecimento do processo saúde-doença, reconhecendo a saúde como um direito à cidadania.

A Estratégia de Saúde da Família (ESF) contribui para a reorientação das

práticas em saúde e rompe com o modelo tradicional excludente, centrado na doença, individual e segmentado. Ao contrário, a atenção em saúde deve ser vislumbrada como uma prática social inserida em um contexto histórico e cultural, em que os sentidos são reconstruídos a todo o momento, por meio das interações entre os profissionais e a comunidade.

A PSICOLOGIA COMUNITÁRIA

O termo comunidade é polissêmico e fornece amplas problematizações. Esse

conceito se conforma às dinâmicas sociais que se processam em cada espaço- tempo . Nesse sentido, esta intervenção embasou-se nos princípios da Psicologia Social Comunitária, a qual é uma abordagem diferenciada para a inserção do psicólogo por voltar-se para classes populares, desafiando os modelos tradicionais e a identidade profissional.

A definição da Psicologia Comunitária como produtora do conhecimento por

meio da interação entre o psicólogo e os sujeitos envolvidos.

Essa abordagem valoriza a ética, a solidariedade, os direitos humanos e a busca de melhoria na qualidade de vida para a população. Ainda como definem

A Psicologia Comunitária estuda, compreende e intervém no cenário de

questões psicossociais que caracterizam a comunidade.

As interlocuções entre a psicologia e a comunidade se intensificaram a partir do diálogo entre as práticas psicológicas e outras áreas, como o saber popular e contextos sociopolíticos. Dessa forma, aspectos familiares, ambientais e culturais compõem as teorias, ampliam as concepções de saúde mental e as possibilidades de integração entre psicologia e comunidade.

O trabalho é baseado na construção de meios que proporcionem o exercício da

cidadania, da democracia e da igualdade. É importante ressaltar que a busca desses objetivos deve envolver tanto os profissionais quanto a população da comunidade, pois, acima de tudo, a proposta é que essas pessoas sejam sujeitos de sua história por meio da construção de novas soluções para a superação das adversidades. Para a concretização dessas metas, realizou-se o levantamento das necessidades do local, considerando, principalmente, as condições de saúde, a educação e o saneamento.

A Saúde Comunitária tem como ponto de partida o potencial de vida e a

experiência acumulada, presentes em cada morador e entre os moradores.

Assim, busca responder à multidimensionalidade da saúde em seus constituintes ecológicos, sociais, orgânicos e psicológicos, que afetam as pessoas em seu local de moradia e convivência, ou seja, a comunidade; envolvem todas as atividades realizadas na comunidade, em nome da saúde de seus moradores.

O psicólogo na comunidade tem a possibilidade de trabalhar as problemáticas

cotidianas. Os instrumentos adotados por cada psicólogo dependem dos valores e concepções que orientam sua prática. Essaescolha é realizada a partir da visão de homem e de mundo que cada profissional possui. Nessa relação, enquanto a comunidade oferece sua dinâmica, com suas características próprias e um contexto sociopolítico-geográfico, o profissional

participa através de sua formação e conhecimento teórico.

A INSERÇÃO NA COMUNIDADE E NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE

DA FAMÍLIA (ESF): RELATO DE EXPERIÊNCIA

Com base nesses aspectos teóricos, na experiência de Estágio Específico, objetivou-se diagnosticar, analisar a demanda e realizar o planejamento e as intervenções, com base na problematização da realidade, discussão dos objetivos, metodologias, instrumentos de intervenção e resultados. O Estágio teve como referência metodológica a observação participante, a pesquisa participante era pesquisa-ação, a qual é descrita como aquela que articula a produção de conhecimentos com ação, investigando para possibilitar o enfrentamento da realidade e oportunizar a participação democrática dos sujeitos envolvidos. As atividades e informações foram registradas em diários de campo, por serem um registro fiel e detalhado de cada visita a campo.

A inserção ocorreu através da Estratégia de Saúde da Família (ESF) localizada

em uma comunidade em situação de vulnerabilidade social, com médiade 20.000 habitantes.

A

história da comunidade é marcada por uma trajetória de várias lutas, perdas

e

conquistas. Inicialmente, o local era desabitado, o que impulsionou a

ocupação dos terrenos a partir da expansão de uma comunidade vizinha.

Conforme os relatos dos moradores, por meio de reivindicações e engajamento em movimentos sociais, aos poucos, foi possível a construção de pequenas casas que abrigavam diversas famílias. Muitas pessoas participantes desse processo ainda residem na comunidade.

O contexto revela uma realidade carente de recursos materiais e

oportunidades. Nessa localidade, vivem vários catadores de material reciclável, biscateiros, empregadas domésticas, entre outros trabalhadores. No local, também são encontrados grupos de risco, a exemplo: uso e tráfico de drogas, de prostituição, de gravidez na adolescência, entre outros. Constata-se que acomunidade, enquanto grupo, possui dificuldade em articular-se para lutar por interesses comuns. Também se observa a presença de algumas vozes líderes na comunidade, como uma das Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), que participa ativamente de mobilizações e movimentos sociais em prol da comunidade. O local possui uma líder comunitária. A partir dessas primeiras constatações, realizou-se a coleta de dados qualitativos que possibilitaram a construção de um diagnóstico avaliativo referentemente ao contexto estudado. Assim, antes do planejamento das ações, realizaram-se observações preliminares na comunidade, para conhecimento da realidade e verificação das demandas mais emergentes (condições de moradia, ações realizadas, grupos existentes, famílias, entre outros aspectos). As Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) desempenharam um papel de guia ao orientar e acompanhar as

estagiárias da Psicologia durante a experiência de Estágio. Dessa forma, a inserção na comunidade visou à análise de necessidades.

,

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

As ações foram organizadas e planejadas a partir dos grupos locais já existentes (Grupo de Atenção Integral à Saúde e Grupo de Mulheres ambos formados há, aproximadamente, seis anos); atendimentos domiciliares breves; visitas domiciliares; acolhimentos e orientações à comunidade. Conforme a atuação da Psicologia pode ocorrer em dinâmicas de grupos com o objetivo de investigar a experiência de seus membros, a partir do material emergente, enfocando o aspecto emocional, as crenças e ações de cada pessoa; em visitas domiciliares para divulgar o trabalho e conhecer a realidade dos moradores locais; realizar assistência psicológica breve, de acordo com as necessidades encontradas nos acolhimentos e orientações. As experiências com cada uma dessas modalidades de intervenção são descritas com maior detalhamento a seguir.

O Grupo de Atenção Integral à Saúde possuía encontros semanais realizados no salão paroquial da comunidade. Caracterizava-se como um grupo aberto e operativo, com o objetivo de promover a qualidade de vida das pessoas que dele participavam e da comunidade. O grupo era composto, aproximadamente, por 12 moradores, incluindo os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), duas

acadêmicas da Psicologia, acadêmicos da Fisioterapia, Enfermagem, Farmácia

e Nutrição e as professoras supervisoras. A cada encontro os participantes

definiam os temas que seriam abordados na próxima semana. Ao longo do Estágio, as acadêmicas de Psicologia perceberam que os encontros focavam apenas a doença, visto que manifestavam uma visão biológica, hospitalocêntrica e curativa. Inicialmente, os interesses do grupo referiam-se a doenças cardíacas, respiratórias, artroses, entre outras. Nesse sentido,

trabalhou-se com a promoção e prevenção de saúde, a fim de se ampliar tanto

o conceito de saúde na comunidade como de qualidade de vida. Temas como família, relacionamentos, autoestima, entre outros, ganharam espaço e configuraram os discursos locais.

Aos poucos, percebeu-se que a dinâmica do grupo modificou-se. A intervenção dos acadêmicos dos demais cursos também sofreu adaptações, deslocando-se

a proposta de palestra para atividades que envolviam a participação ativa dos integrantes do grupo. Foram realizadas dinâmicas que se aproximavam do cotidiano das pessoas e que as convocavam para a troca de experiências. Essas atividades geralmente englobavam músicas, teatro e ludicidade.

A produção e construção social da loucura

A loucura como produção e construção sociaisApenas a partir do século XIX é

que a loucura se tornou um fato científico e médico, situa ofilósofo Guilherme Branco. Ele recupera a provocação de Foucault segundo a qual, em nosso tempo, a política ―funcionanos mesmos moldes dos hospitais psiquiátricos‖

A loucura ou o louco não existem como entidades fixas ou determinadas para

sempre. ―Naverdade, enquanto produção social, histórica, e do saber-poder, a loucura é uma produção, uma construção, com efeitos opressivos que se dão depois, no tempo da internação, que paramuitos é um caminho sem volta‖. Assim, não se pode dizer que Ahistória da loucura foi uma tentativa de

denunciar a medicina ou libertar as vítimas do encarceramento psiquiátrico. Questionado se a sanidade e loucura eram construções sociais dos―saudáveis‖ sobre os ―dementes‖: O mundo político, na atualidade, disse Foucault certa vez, ―funciona nos moldes dos hospitais psiquiátricos‖.

Para se chegar a um conhecimento de loucura, devemos passar antes por alguns pontos como: a definição de senso comum e ciência, o que era considerado loucura nas diferentes épocas e os fatores socioculturais que constituem a loucura.

Muito do que se conhece hoje sobre a loucura ainda é embasada em senso comum, que é uma forma de conhecimento da realidade, porém um conhecimento simplificado, aprendido no cotidiano. Somente esse tipo de conhecimento, porém, não seria suficiente para as exigências da humanidade. Então devido à necessidade, o conhecimento foi se especificando cada vez mais e assim surgiu a ciência, que precisa de um conhecimento sistemático e que utiliza métodos, técnicas e teorias, possibilitando dessa forma sua replicação.

A loucura passou por diversos significados ao decorrer da história. Na Idade

Média o louco era um ser errante, normalmente expulso de sua cidade (alguns eram colocados em navios, como a Nau dos Loucos citada por Foucault, para serem ―despejados‖ em outros locais longe da sua cidade natal), ele também era considerado como tendo um saber cósmico, algo ligado ao sagrado. Já na Idade Clássica a loucura herdou o lugar da peste, os locais onde eram isolados os leprosos foram colocados à disposição dos loucos, porém a concepção de loucura da época era bem diferente da loucura na modernidade. Na Idade clássica, o louco ainda estava ligado ao sagrado, mas também estava ligado a moral. Na época da grande internação, foram isolados libertinos, portadores de doenças venéreas, criminosos, pessoas com idéias diferentes das idéias vigentes na época. A loucura era ―tratada‖ com punição e castigo. Já na modernidade o saber médico se apossa da loucura como objeto de estudo. Os médicos tentavam observar, classificar os tipos de louco (foi ai que surgiu a

clínica psiquiátrica), o louco passa a ser visto como doente e tem a ideia de que é possível curar o louco. Porém Foucault demonstra que a loucura é anterior a doença mental. ―A experiência social, conhecimento aproximado, seria da mesma natureza que o próprio conhecimento, e já a caminho da perfeição. Por essa mesma razão, o objeto do saber lhe preexiste, dado que já era ele apreendido, antes de ser rigorosamente delimitado por uma ciência positivista. Nessa época que surgiu Pinel para ―desacorrentar‖ os loucos, lhes dando um tratamento mais humanizado.

Ana Bock apresenta em seu artigo ―Formação do psicólogo: um debate a partir do significado do fenômeno psicológico‖ cinco pontos básicos em que se baseiam a psicologia, e através do qual é formado seu objeto de estudo, são eles:

1. ―Não existe a natureza humana;

2. Existe a condição humana‖;

3.‖ o homem é um ser ativo, social e histórico‖;

4. ―O homem é criado pelo homem‖;

5. ―O homem concreto é objeto da psicologia‖.

Pelo primeiro ponto podemos discutir o homem que tem sua natureza e que dadas às condições ele se comportará de uma forma ou de outra. Ana Bock discorda dessa ideia de natureza humana justificando que isso ―camufla a determinação social do homem, pensando-o de forma descolada de sua realidade social, realidade esse que o constitui e lhe dá sentido‖.

No segundo ponto a autora quer dizer que no homem, nada está aprioristicamente concebido. As habilidades, tendências, tudo isso é desenvolvido no homem através da cultura. Ela ainda diz que ―as condições biológicas hereditárias do homem são a sustentação de um desenvolvimento sócio histórico

Quando ela diz que ―o homem é um ser ativo, social e histórico‖, não deixa espaço pra muitas dúvidas. É através das relações entre homens e homens, homem e natureza que o homem se constrói, como vimos acima à definição de loucura foi mudando de acordo com as épocas. O homem age na sociedade e essa ação gera consequências para outros homens também (já abordando o quarto ponto também).

No quinto ponto ela busca o objeto de estudo da Psicologia. Insere o indivíduo na sociedade e dentro desse meio tenta compreende-lo. Mesmo em sua singularidade, só é possível compreender o indivíduo ―quando inserido na totalidade social e histórica que o determina

David Rosenhan resolveu fingir-se de louco. Em 1972, ele se dirigiu a um hospital psiquiátrico americano alegando escutar vozes que lhe diziam as palavras ―oco‖ ―vazio‖ e o som ―tum-tum‖. Essa foi a única mentira que contou. De resto, comportou-se de maneira calma e respondeu a perguntas sobre sua

vida e seus relacionamentos sem mentir uma única vez sequer. Outros oito voluntários sãos fizeram a mesma coisa, em instituições diferentes. Todos, exceto um, foram diagnosticados com esquizofrenia e internados. Assim que foram admitidos, os pacientes passaram a agir normalmente. Observavam a tudo e faziam anotações em suas cadernetas. No começo, as anotações eram feitas longe do olhar dos funcionários, mas logo eles perceberam que não havia necessidade de discrição. Médicos e enfermeiros passavam pouquíssimo tempo com os pacientes e nem ao menos respondiam às perguntas mais simples. ―Apesar de seu show público de sanidade, nenhum deles foi reconhecido‖, escreveu Rosenhan no artigo On Being Sane in Insane Places (―Sobre Ser São em Locais Insanos‖), publicado na conceituada revista Science, em janeiro de 1973. Ironicamente, os pacientes reais duvidavam com freqüência da condição dos novos colegas. ―Você não é louco. Você é um jornalista ou um professor checando o hospital‖, disseram diversas vezes. Os pacientes estavam certos. Rosenhan era mesmo um acadêmico e sua internação, assim como a dos outros voluntários, era parte de um estudo pioneiro para avaliar a capacidade médica de diagnosticar distúrbios mentais. Hoje, ele é professor emérito das Faculdades de Psicologia e Direito da Universidade de Stanford. Os falsos pacientes foram mantidos nos hospitais por períodos que variaram de 7 a 52 dias. Foram medicados (assim como boa parte dos internados reais, eles escondiam as pílulas sob a língua e as jogavam fora quando já não estavam mais na presença dos funcionários) e liberados com o diagnóstico de ―esquizofrenia em remissão‖, uma expressão médica usada para dizer que o paciente está livre dos sintomas. Já de volta à sua identidade real, os pesquisadores requisitaram os arquivos sobre suas estadas nos hospitais. Em nenhum dos documentos havia qualquer menção à desconfiança de que estivessem mentindo ou que aparentassem não ser esquizofrênicos. A conclusão que David Rosenhan escreveu para o estudo desconcertou a psiquiatria americana. ―Agora sabemos que somos incapazes de distinguir a insanidade da sanidade.‖

LOUCURA EXISTE!

A conclusão de Rosenhan não era de todo uma novidade para a comunidade

médica. Desde a Segunda Guerra Mundial, quando a porcentagem de homens liberados pelo exército por razões psicológicas variava de 20% a 60% entre estados, os americanos começaram a desconfiar de que seus diagnósticos tinham a precisão científica de uma cartomante. Para piorar, pesquisas começaram a mostrar que os Estados Unidos estavam diagnosticando um

número muito maior de esquizofrênicos do que a Inglaterra. Seria o chá das cinco um remédio tão eficiente contra distúrbios mentais?

O estudo de Rosenhan deixava claro que o problema não eram as mentes dos

ingleses e sim a maneira pouco eficiente de se fazer diagnósticos nos Estados Unidos. O instrumento usado por médicos e psiquiatras nessa tarefa era (e continua sendo) o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Distúrbios Mentais (DSM, na sigla em inglês). O manual é reconhecido pela Associação Americana de Psiquiatria como a lista oficial de doenças mentais e é usado em hospitais e consultórios psiquiátricos do mundo inteiro.

Mas em 1973, o DSM ainda estava em sua segunda versão e os diagnósticos dados usando o livro de cem páginas variavam de forma absurda. Um mesmo paciente poderia ser descrito como histérico ou hipocondríaco, dependendo apenas de quem o avaliasse. E essa era uma das questões centrais do estudo de Rosenhan. ―Será que as características que levam alguém a ser tachado de louco estão mesmo no paciente ou estão no ambiente e contexto em que o observador está inserido?‖, escreveu ele em On Being Sane Essa pergunta faz ainda mais sentido quando comparamos os diferentes conceitos de loucura ao longo da história. Homens cujo estado de espírito difere drasticamente da média dos demais existem desde as épocas mais remotas assim como tratamentos para curá-los. No entanto, por séculos, acreditava-se que a loucura era causada pela vontade dos deuses sendo, portanto, parte do destino de alguns. Fosse para punir ou até mesmo para recompensar o Alcorão conta como Maomé achava veneráveis os loucos, já que tinham sido abençoados com loucura por Alá, que lhes tirava o juízo para que não pecassem fato é que a loucura estava associada com a idéia de destino e participava da vida social assim como outras formas de percepção da realidade. ―A definição de loucura em termos de ‗doença‘ é uma operação recente na história da civilização ocidental‖, escreveu João Frayze-Pereira, no livro O que é a loucura. E mesmo vista como doença mental, a relação que se desenvolve com ela pode variar muito de cultura para cultura. Na Malásia, é comum mulheres mais velhas apresentarem um quadro psíquico conhecido como latah. É uma condição que faz com que a pessoa fique completamente alterada por um bom tempo, gritando e falando palavrões. Mas, no lugar de serem excluídas socialmente, essas pessoas são celebradas e costumam animar reuniões sociais com seu pequeno show de excentricidades. Os próprios exemplos do que configura um estado alterado de consciência mudam radicalmente de acordo com o lugar, o tempo ou a cultura. Só para citar um exemplo, em 1958, um jovem negro americano foi levado a um hospital psiquiátrico depois de se inscrever para a Universidade do Mississippi. Qualquer negro que pensasse que pudesse estudar ali estava, obviamente, louco. Ora, se a loucura suas razões, interpretações e definições pode mudar tão drasticamente diante de conceitos como geografia e tempo, como é possível afirmar que a loucura seja um distúrbio da mente e não apenas um desvio social? Será que Thomas Szars, um dos líderes do movimento antipsiquiatria no mundo, está certo quando diz que a psiquiatria não passa de uma polícia moral disposta a impedir pensamentos e condutas que não são agradáveis à sociedade?

A CIÊNCIA FALA

Hoje, a ciência faz uma distinção clara entre loucura e doenças mentais. ―Talvez pareça desconcertante, mas os psiquiatras não se utilizam de termos como louco ou loucura e nenhuma das atuais classificações dos distúrbios psiquiátricos os inclui‖, diz Sérgio Bettarello, do Instituto de Psiquiatria da USP. Os absurdos classificatórios de alguns anos atrás, como chamar uma mulher que se apaixona por um homem mais novo de louca, minguaram. ―A loucura como estado de ampliação da existência é positiva. Você costuma sair

enriquecido depois de uma experiência dessas. Já as doenças mentais são o oposto disso. No lugar de liberdade, elas te dão uma restrição da autonomia‖, diz Bettarello. A loucura que a psiquiatria trata é chamada de psicose, uma distorção do pensamento e do senso de realidade, que pode prejudicar drasticamente a vida do paciente. De fato, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, cinco entre as dez maiores causas de incapacidade no mundo são problemas mentais. O ranking é feito levando em conta dois quesitos: número de anos de vida e número de anos produtivos que a doença rouba do paciente. E, no caso das doenças mentais, há pouca concorrência em relação ao segundo quesito. ―Seja pelo estigma que carrega, seja pelos transtornos que traz à rotina da pessoa, distúrbios mentais podem levar a péssima qualidade de vida‖, diz o psiquiatra Roberto Tynakori. Qualquer pessoa com depressão crônica ou com um parente próximo que sofra de esquizofrenia sabe bem disso. Quando surgiu, no século 18, a psiquiatria era vista como uma prática menor, sem a objetividade necessária às coisas tratadas pela ciência. Se a própria definição de seu objeto de estudo era nebulosa, como seria possível propor diagnósticos e tratamentos confiáveis? A busca desesperada por explicações lógicas e maneiras científicas de tratar os males da mente produziu algumas das práticas mais macabras na história da ciência (veja quadros abaixo) e não teve muito sucesso até a metade do século 20. Somente quando o neurocientista português Egas Moniz ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela invenção da lobotomia uma cirurgia de danificação dos lobos frontais que é vista hoje como um dos exemplos mais bem-acabados da crueldade enfrentada em hospitais psiquiátricos é que a psiquiatria viu-se, finalmente, aceita entre os homens da ciência. ―Pode-se dizer que uma nova psiquiatria nasceu em 1935 quando Moniz deu o primeiro passo corajoso em direção ao campo da psicocirurgia‖, escreveram os editores do New England Journal of Medicine em 1949. A psiquiatria havia, finalmente conquistado a credencial necessária para vestir o jaleco da medicina. A segunda revolução nos tratamentos veio algum tempo depois, com a criação dos remédios antipsicóticos. Agora era possível tratar pacientes mentais dispensando a internação uma condição fundamental para a revolução que teria início na década de 1960: o fim dos manicômios. A invenção facilitou a vida de muitos pacientes, piorou a de outros (os efeitos colaterais costumam ser graves) e trouxe muito dinheiro para a indústria farmacêutica (só para citar um exemplo, o antipsicótico olanzapine é o terceiro remédio mais vendido do mundo). Mas o avanço nos tratamentos não resolvia a questão mais fundamental no processo: a precisão do diagnóstico. Há casos muito claros de perturbação mental, mas há outros em que é quase impossível determinar a linha que separa a simples imaginação humana da falta de lucidez restritiva típica das manias ou psicoses. David Rosenhan é uma prova disso. Quando seu artigo foi publicado, Rosenhan recebeu críticas duras de diversos psiquiatras. Muitos o acusaram de não ser suficientemente científico, afinal era impossível provar como os pacientes realmente haviam se comportado (Rosenhan nunca divulgou o nome das instituições em que foram internados já que, dizia, não era sua intenção atacar pessoalmente esse ou aquele hospital). Um dos grandes críticos do trabalho dele foi Robert Spitzer, que na época trabalhava no Centro de Pesquisa e Treinamento Psicanalíticos da

Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Spitzer acredita que o fato de terem sido liberados com o diagnóstico de esquizofrenia em remissão é uma prova de que os funcionários do hospital conseguiram sim distinguir a sanidade da insanidade. Ainda assim, Spitzer resolveu revisar o Manual de Diagnóstico vigente e logo percebeu que havia pouquíssimas provas científicas embasando os diagnósticos. Ele montou grupos de pesquisadores e foi atrás de pesquisas

e evidências. Em 1974, lançou a terceira edição do DSM, um calhamaço de 480 páginas e quase 300 diagnósticos catalogados.

OS LOUCOS FALAM

Durante sua temporada no hospital psiquiátrico, David Rosenhan percebeu que

―uma vez marcado como esquizofrênico, não há nada que o paciente possa fazer para superar essa etiqueta. A etiqueta muda completamente a percepção que os outros têm dele e de seu comportamento‖. Características normais, relatadas pelos pseudopacientes, foram interpretadas pelos enfermeiros como sinais da doença. A aproximação de um dos pais durante a adolescência, por exemplo, transformou-se em ―ausência de estabilidade emocional‖ no relatório médico. E a irritação dos pacientes com a falta de atenção dos funcionários era vista como mais um sintoma da doença e não como reação aos maus tratos. Ao lutar por seu lugar entre as práticas da ciência, a psiquiatria moderna havia instituído uma relação com os doentes que ficou famosa na definição do filósofo francês Michel Foucault: o monólogo da razão sobre a loucura. A idéia de que pacientes mentais eram desprovidos de razão e, portanto, não tinham direito a opinar sobre sua vida e tratamento legitimou vários abusos da medicina. Esterilização forçada e proibição de casar são só dois exemplos do que era visto como verdade incontestável quando o assunto era a vida dos doentes mentais. Um dos jornais mais respeitados do mundo, The New York Times, escreveu em seu editorial, em 1923, que ―é uma certeza que o casamento entre dois doentes mentais tem de ser proibido‖.

A obra de Foucault transformou-se em inspiração para os movimentos que

começavam a tomar corpo na década de 1960: a luta antimanicomial e a antipsiquiatria. Em todo o mundo, ex-pacientes de hospitais psiquiátricos começaram a se organizar contra os abusos da razão sobre a loucura. O objetivo era um só: dar ―ao indivíduo a tarefa e o direito de realizar sua loucura‖, como escreveu Foucault. Mas até que ponto vai a liberdade do indivíduo de realizar sua loucura? Para a maior parte dos governos, o limite é o risco de morte. Foi exatamente por isso que Rosenhan e seus companheiros foram internados. Naquela época, acreditava-se que ouvir uma voz dizendo palavras como ―oco‖ e ―vazio‖ era um sinal de que, inconscientemente, aquela pessoa acreditava que sua vida era oca, que não valia a pena. Dali para o suicídio, seria um pulo, acreditavam os médicos. Mas nem todo mundo concorda que o tratamento deve ser obrigatório quando há risco de morte. ―Qualquer tratamento forçado é ilegal‖, diz David Oaks, ex-paciente de hospitais psiquiátricos e fundador da organização Mind Freedom, uma organização que tem como um de seus lemas ―psiquiatria cura discórdia, não doença‖. O fato de o tratamento ser imperativo quando existe risco de morte impede que, para algumas doenças, estudos sejam feitos usando dois grupos de pacientes: um medicado e outro não medicado. Sem provas de que o

medicamento funciona melhor do que nenhum tratamento, a psiquiatria vira alvo de diversas críticas, principalmente no que diz respeito aos efeitos colaterais de seus medicamentos. ―O que se espera da psiquiatria é que ela seja 100% eficaz e que não tenha nenhum efeito colateral. Obviamente, ela não atinge esse objetivo‖, diz Bettarello. Mas nem todo mundo diz esperar 100% de eficácia. ―No topo da minha lista de desejos está um simples pedido de honestidade‖, escreveu o jornalista médico Robert Whitaker no livro Mad in America (―Louco na América‖, sem edição em português). O livro faz um balanço das pesquisas sobre tratamentos psiquiátricos nos últimos anos e mostra como não existem evidências concretas para a maior parte das declarações de eficácia feitas pela indústria farmacêutica e, conseqüentemente, dentro dos consultórios psiquiátricos. Honestidade também é o que pedem os participantes do Mad Pride (Orgulho Louco), um movimento de combate ao preconceito contra pacientes psiquiátricos e de celebração da cultura Louca (com L maiúsculo mesmo). Uma das ações do movimento é a passeata anual de loucos, inspirada nas paradas gays que já existem em diversas cidades do mundo. A idéia é desestigmatizar os doentes mentais e mostrar que existe sim vida normal entre eles. No Brasil, o movimento da luta antimanicomial cresceu nos anos 80 e, inspirado em projetos bem-sucedidos dos Estados Unidos e Europa, idealizou centros de apoio a pacientes mentais organizados e administrados pelos próprios usuários, em conjunto com médicos e seus familiares. ―A inserção não é algo que você concede a alguém. Ela precisa ser conquistada. O doente faz parte da sociedade e a relação que ele tem com sua doença é a mesma que a sociedade propõe‖, diz o psiquiatra Tykanori, um dos expoentes do movimento no Brasil. A luta antimanicomial transformou o atendimento público de saúde mental com a criação dos Caps, Centros de Apoio Psicossocial, e abriu caminho para a aprovação, em 2001, da lei que prevê a extinção progressiva dos manicômios no Brasil. E incluiu efetivamente os pacientes em sua batalha. ―Nós entendemos que podemos colaborar na construção teórica de um saber e nas práticas de reabilitação psicossocial‖, escreveu a usuária Graça Fernandes no artigo ―O avesso da vida. Como pode a assistência se transformar?‖. Os pacientes, finalmente, rompiam o monólogo da razão e estabeleciam um diálogo sobre sua própria condição. ―A sociedade percebeu que a participação dos doentes mentais enriquece-nos muito mais que o seu isolamento‖, diz Tykanori.

O QUE É NORMAL?

Com os avanços da ciência, a baixa popularidade dos manicômios e a força dos movimentos organizados contra abusos psiquiátricos, é de se pensar que, se o experimento de Rosenhan fosse realizado nos dias de hoje, ele teria um resultado bem diferente do que o internamento imediato dos anos 70. Certo? Era isso que a psicóloga americana Lauren Slater queria descobrir quando decidiu procurar, em janeiro de 2004, oito prontos-socorros de saúde mental e afirmar que vinha ouvindo o som ―tum-tum‖. Ela conta que, exatamente como Rosenhan e seus colegas, a voz foi o único sintoma falso que apresentou. Slater não foi tachada de esquizofrênica nem internada. No entanto, nos oito hospitais em que esteve, foi diagnosticada com depressão e recebeu pílulas de risperidone, um antipsicótico bem popular que, na época, era tido como um

remédio leve (seis meses depois da experiência, o fabricante divulgou uma nota confessando ter minimizado os riscos do uso do medicamento nos materiais promocionais enviados a médicos). ―Eu acredito que a ânsia de

prescrever remédios dirige hoje o diagnóstico da mesma forma que a necessidade de enquadrar o paciente como doente fazia nos anos 70‖, escreveu Lauren no artigo Into the cuckoo·s nest (―Dentro do ninho do louco‖ uma referência a One Flew Over the Cuckoos‘s Nest, o título em inglês do filme ―Um Estranho no Ninho‖), publicado no jornal britânico The Guardian e, mais tarde, no livro Mente e Cérebro, que acaba de ser lançado no Brasil.

O médico Spitzer soube, pela própria Slater, do resultado do experimento.

―Acho que médicos simplesmente não gostam de dizer eu não sei‖, disse a ela pelo telefone, depois de um longo silêncio. A recusa em confessar ignorância

não é uma particularidade da psiquiatria. ―O problema é que o objeto dessa

ciência somos nós mesmos e nossa normalidade. Ou seja, nossa natureza básica‖, escreveu Lawrence Osbourne, no livro American normal: the hidden world of Asperger syndrome (―Normalidade americana: o mundo secreto da síndrome de Asperger‖, não lançado no Brasil), que reúne informações sobre Asperger, uma doença cada vez mais comum nos Estados Unidos.

A síndrome de Asperger foi incluída no DSM-IV a edição mais recente do

manual, de 1994, com 884 páginas e 365 diagnósticos. Como o manual descreve os distúrbios a partir de seus sintomas, lista uma variedade imensa de emoções humanas, condutas e regras de relacionamento como desvios patológicos. Sentir-se angustiado depois do fim de um relacionamento, comer muito, comer pouco ou comportar-se mal na sala de aula são alguns exemplos de ações que aparecem na lista. É quase impossível não se reconhecer ali e se perguntar: mas, afinal, o que é normal? Das duas uma: ou estamos mesmo ficando menos equilibrados o que poderia ser explicado pelo ritmo e modos de vida do mundo moderno ou nos viciamos em diagnósticos psiquiátricos. ―Estamos transformando todo comportamento humano em patologia. Fazendo isso, criamos um sistema verdadeiramente louco, em que todos estão doentes‖, diz o psiquiatra Mel Levine, diretor do Centro Clínico de Estudos sobre Desenvolvimento e Aprendizado, da Univerdade da Carolina do Norte. Nos Estados Unidos, o uso de medicamentos psiquiátricos está atingindo níveis altíssimos. Crianças de 2 anos recebem

prescrição de remédios cujos efeitos a longo prazo são completamente

desconhecidos. ―É muito mais fácil encaixar a criança difícil em uma categoria

e medicá-la, do que deixar que ela desenvolva naturalmente suas habilidades

sociais‖, diz Levine. E, como quase tudo na vida, o mais fácil nem sempre é o melhor. ―Mais do que tudo, o aumento de diagnósticos psiquiátricos representa um aumento gradual do preconceito em nossa cultura‖, diz o psicólogo Richard DeGrandpre. Talvez seja a hora de começarmos a lidar melhor com as nossas próprias neuroses, manias e loucuras. E, sobretudo, aceitarmos nossas diferenças.

David Rosenhan resolveu fingir-se de louco. Em 1972, ele se dirigiu a um hospital psiquiátrico americano alegando escutar vozes que lhe diziam as palavras ―oco‖ ―vazio‖ e o som ―tum-tum‖. Essa foi a única mentira que contou. De resto, comportou-se de maneira calma e respondeu a perguntas sobre sua vida e seus relacionamentos sem mentir uma única vez sequer. Outros oito

voluntários sãos fizeram a mesma coisa, em instituições diferentes. Todos, exceto um, foram diagnosticados com esquizofrenia e internados.

Assim que foram admitidos, os pacientes passaram a agir normalmente. Observavam a tudo e faziam anotações em suas cadernetas. No começo, as anotações eram feitas longe do olhar dos funcionários, mas logo eles perceberam que não havia necessidade de discrição. Médicos e enfermeiros passavam pouquíssimo tempo com os pacientes e nem ao menos respondiam às perguntas mais simples. ―Apesar de seu show público de sanidade, nenhum deles foi reconhecido‖, escreveu Rosenhan no artigo On Being Sane in Insane Places (―Sobre Ser São em Locais Insanos‖), publicado na conceituada revista Science, em janeiro de 1973. Ironicamente, os pacientes reais duvidavam com freqüência da condição dos novos colegas. ―Você não é louco. Você é um jornalista ou um professor checando o hospital‖, disseram diversas vezes. Os pacientes estavam certos. Rosenhan era mesmo um acadêmico e sua internação, assim como a dos outros voluntários, era parte de um estudo pioneiro para avaliar a capacidade médica de diagnosticar distúrbios mentais. Hoje, ele é professor emérito das Faculdades de Psicologia e Direito da Universidade de Stanford.

Os falsos pacientes foram mantidos nos hospitais por períodos que variaram de 7 a 52 dias. Foram medicados (assim como boa parte dos internados reais, eles escondiam as pílulas sob a língua e as jogavam fora quando já não estavam mais na presença dos funcionários) e liberados com o diagnóstico de ―esquizofrenia em remissão‖, uma expressão médica usada para dizer que o paciente está livre dos sintomas. Já de volta à sua identidade real, os pesquisadores requisitaram os arquivos sobre suas estadas nos hospitais. Em nenhum dos documentos havia qualquer menção à desconfiança de que estivessem mentindo ou que aparentassem não ser esquizofrênicos. A conclusão que David Rosenhan escreveu para o estudo desconcertou a psiquiatria americana. ―Agora sabemos que somos incapazes de distinguir a insanidade da sanidade.‖

LOUCURA EXISTE!

A conclusão de Rosenhan não era de todo uma novidade para a comunidade médica. Desde a Segunda Guerra Mundial, quando a porcentagem de homens liberados pelo exército por razões psicológicas variava de 20% a 60% entre estados, os americanos começaram a desconfiar de que seus diagnósticos tinham a precisão científica de uma cartomante. Para piorar, pesquisas começaram a mostrar que os Estados Unidos estavam diagnosticando um número muito maior de esquizofrênicos do que a Inglaterra. Seria o chá das cinco um remédio tão eficiente contra distúrbios mentais? O estudo de Rosenhan deixava claro que o problema não eram as mentes dos ingleses e sim a maneira pouco eficiente de se fazer diagnósticos nos Estados Unidos. O instrumento usado por médicos e psiquiatras nessa tarefa era (e

continua sendo) o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Distúrbios Mentais (DSM, na sigla em inglês). O manual é reconhecido pela Associação Americana de Psiquiatria como a lista oficial de doenças mentais e é usado em hospitais e consultórios psiquiátricos do mundo inteiro. Mas em 1973, o DSM ainda estava em sua segunda versão e os diagnósticos dados usando o livro de cem páginas variavam de forma absurda. Um mesmo paciente poderia ser descrito como histérico ou hipocondríaco, dependendo apenas de quem o avaliasse. E essa era uma das questões centrais do estudo de Rosenhan. ―Será que as características que levam alguém a ser tachado de louco estão mesmo no paciente ou estão no ambiente e contexto em que o observador está inserido?‖, escreveu ele em On Being Sane Essa pergunta faz ainda mais sentido quando comparamos os diferentes conceitos de loucura ao longo da história. Homens cujo estado de espírito difere drasticamente da média dos demais existem desde as épocas mais remotas assim como tratamentos para curá-los. No entanto, por séculos, acreditava-se que a loucura era causada pela vontade dos deuses sendo, portanto, parte do destino de alguns. Fosse para punir ou até mesmo para recompensar o Alcorão conta como Maomé achava veneráveis os loucos, já que tinham sido abençoados com loucura por Alá, que lhes tirava o juízo para que não pecassem fato é que a loucura estava associada com a idéia de destino e participava da vida social assim como outras formas de percepção da realidade. ―A definição de loucura em termos de ‗doença‘ é uma operação recente na história da civilização ocidental‖, escreveu João Frayze-Pereira, no livro O que é a loucura. E mesmo vista como doença mental, a relação que se desenvolve com ela pode variar muito de cultura para cultura. Na Malásia, é comum mulheres mais velhas apresentarem um quadro psíquico conhecido como latah. É uma condição que faz com que a pessoa fique completamente alterada por um bom tempo, gritando e falando palavrões. Mas, no lugar de serem excluídas socialmente, essas pessoas são celebradas e costumam animar reuniões sociais com seu pequeno show de excentricidades. Os próprios exemplos do que configura um estado alterado de consciência mudam radicalmente de acordo com o lugar, o tempo ou a cultura. Só para citar um exemplo, em 1958, um jovem negro americano foi levado a um hospital psiquiátrico depois de se inscrever para a Universidade do Mississippi. Qualquer negro que pensasse que pudesse estudar ali estava, obviamente, louco. Ora, se a loucura suas razões, interpretações e definições pode mudar tão drasticamente diante de conceitos como geografia e tempo, como é possível afirmar que a loucura seja um distúrbio da mente e não apenas um desvio social? Será que Thomas Szars, um dos líderes do movimento antipsiquiatria no mundo, está certo quando diz que a psiquiatria não passa de uma polícia moral disposta a impedir pensamentos e condutas que não são agradáveis à sociedade? A CIÊNCIA FALA

Hoje, a ciência faz uma distinção clara entre loucura e doenças mentais. ―Talvez pareça desconcertante, mas os psiquiatras não se utilizam de termos como louco ou loucura e nenhuma das atuais classificações dos distúrbios psiquiátricos os inclui‖, diz Sérgio Bettarello, do Instituto de Psiquiatria da USP. Os absurdos classificatórios de alguns anos atrás, como chamar uma mulher que se apaixona por um homem mais novo de louca, minguaram. ―A loucura como estado de ampliação da existência é positiva. Você costuma sair enriquecido depois de uma experiência dessas. Já as doenças mentais são o oposto disso. No lugar de liberdade, elas te dão uma restrição da autonomia‖, diz Bettarello. A loucura que a psiquiatria trata é chamada de psicose, uma distorção do pensamento e do senso de realidade, que pode prejudicar drasticamente a vida do paciente. De fato, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, cinco entre as dez maiores causas de incapacidade no mundo são problemas mentais. O ranking é feito levando em conta dois quesitos: número de anos de vida e número de anos produtivos que a doença rouba do paciente. E, no caso das doenças mentais, há pouca concorrência em relação ao segundo quesito. ―Seja pelo estigma que carrega, seja pelos transtornos que traz à rotina da pessoa, distúrbios mentais podem levar a péssima qualidade de vida‖, diz o psiquiatra Roberto Tynakori. Qualquer pessoa com depressão crônica ou com um parente próximo que sofra de esquizofrenia sabe bem disso. Quando surgiu, no século 18, a psiquiatria era vista como uma prática menor, sem a objetividade necessária às coisas tratadas pela ciência. Se a própria definição de seu objeto de estudo era nebulosa, como seria possível propor diagnósticos e tratamentos confiáveis? A busca desesperada por explicações lógicas e maneiras científicas de tratar os males da mente produziu algumas das práticas mais macabras na história da ciência (veja quadros abaixo) e não teve muito sucesso até a metade do século 20. Somente quando o neurocientista português Egas Moniz ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela invenção da lobotomia uma cirurgia de danificação dos lobos frontais que é vista hoje como um dos exemplos mais bem-acabados da crueldade enfrentada em hospitais psiquiátricos é que a psiquiatria viu-se, finalmente, aceita entre os homens da ciência. ―Pode-se dizer que uma nova psiquiatria nasceu em 1935 quando Moniz deu o primeiro passo corajoso em direção ao campo da psicocirurgia‖, escreveram os editores do New England Journal of Medicine em 1949. A psiquiatria havia, finalmente conquistado a credencial necessária para vestir o jaleco da medicina. A segunda revolução nos tratamentos veio algum tempo depois, com a criação dos remédios antipsicóticos. Agora era possível tratar pacientes mentais dispensando a internação uma condição fundamental para a revolução que teria início na década de 1960: o fim dos manicômios. A invenção facilitou a vida de muitos pacientes, piorou a de outros (os efeitos colaterais costumam ser graves) e trouxe muito dinheiro para a indústria farmacêutica (só para citar um exemplo, o antipsicótico olanzapine é o terceiro remédio mais vendido do mundo).

Mas o avanço nos tratamentos não resolvia a questão mais fundamental no processo: a precisão do diagnóstico. Há casos muito claros de perturbação mental, mas há outros em que é quase impossível determinar a linha que separa a simples imaginação humana da falta de lucidez restritiva típica das manias ou psicoses. David Rosenhan é uma prova disso. Quando seu artigo foi publicado, Rosenhan recebeu críticas duras de diversos psiquiatras. Muitos o acusaram de não ser suficientemente científico, afinal era impossível provar como os pacientes realmente haviam se comportado (Rosenhan nunca divulgou o nome das instituições em que foram internados já que, dizia, não era sua intenção atacar pessoalmente esse ou aquele hospital). Um dos grandes críticos do trabalho dele foi Robert Spitzer, que na época trabalhava no Centro de Pesquisa e Treinamento Psicanalíticos da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Spitzer acredita que o fato de terem sido liberados com o diagnóstico de esquizofrenia em remissão é uma prova de que os funcionários do hospital conseguiram sim distinguir a sanidade da insanidade. Ainda assim, Spitzer resolveu revisar o Manual de Diagnóstico vigente e logo percebeu que havia pouquíssimas provas científicas embasando os diagnósticos. Ele montou grupos de pesquisadores e foi atrás de pesquisas e evidências. Em 1974, lançou a terceira edição do DSM, um calhamaço de 480 páginas e quase 300 diagnósticos catalogados. OS LOUCOS FALAM Durante sua temporada no hospital psiquiátrico, David Rosenhan percebeu que ―uma vez marcado como esquizofrênico, não há nada que o paciente possa fazer para superar essa etiqueta. A etiqueta muda completamente a percepção que os outros têm dele e de seu comportamento‖. Características normais, relatadas pelos pseudopacientes, foram interpretadas pelos enfermeiros como sinais da doença. A aproximação de um dos pais durante a adolescência, por exemplo, transformou-se em ―ausência de estabilidade emocional‖ no relatório médico. E a irritação dos pacientes com a falta de atenção dos funcionários era vista como mais um sintoma da doença e não como reação aos maus tratos. Ao lutar por seu lugar entre as práticas da ciência, a psiquiatria moderna havia instituído uma relação com os doentes que ficou famosa na definição do filósofo francês Michel Foucault: o monólogo da razão sobre a loucura. A idéia de que pacientes mentais eram desprovidos de razão e, portanto, não tinham direito a opinar sobre sua vida e tratamento legitimou vários abusos da medicina. Esterilização forçada e proibição de casar são só dois exemplos do que era visto como verdade incontestável quando o assunto era a vida dos doentes mentais. Um dos jornais mais respeitados do mundo, The New York Times, escreveu em seu editorial, em 1923, que ―é uma certeza que o casamento entre dois doentes mentais tem de ser proibido‖. A obra de Foucault transformou-se em inspiração para os movimentos que começavam a tomar corpo na década de 1960: a luta antimanicomial e a antipsiquiatria. Em todo o mundo, ex-pacientes de hospitais psiquiátricos começaram a se organizar contra os abusos da razão sobre a loucura. O objetivo era um só: dar ―ao indivíduo a tarefa e o direito de realizar sua loucura‖, como escreveu Foucault.

Mas até que ponto vai a liberdade do indivíduo de realizar sua loucura? Para a maior parte dos governos, o limite é o risco de morte. Foi exatamente por isso que Rosenhan e seus companheiros foram internados. Naquela época, acreditava-se que ouvir uma voz dizendo palavras como ―oco‖ e ―vazio‖ era um sinal de que, inconscientemente, aquela pessoa acreditava que sua vida era oca, que não valia a pena. Dali para o suicídio, seria um pulo, acreditavam os médicos. Mas nem todo mundo concorda que o tratamento deve ser obrigatório quando há risco de morte. ―Qualquer tratamento forçado é ilegal‖, diz David Oaks, ex-paciente de hospitais psiquiátricos e fundador da organização Mind Freedom, uma organização que tem como um de seus lemas ―psiquiatria cura discórdia, não doença‖. O fato de o tratamento ser imperativo quando existe risco de morte impede que, para algumas doenças, estudos sejam feitos usando dois grupos de pacientes: um medicado e outro não medicado. Sem provas de que o medicamento funciona melhor do que nenhum tratamento, a psiquiatria vira alvo de diversas críticas, principalmente no que diz respeito aos efeitos colaterais de seus medicamentos. ―O que se espera da psiquiatria é que ela seja 100% eficaz e que não tenha nenhum efeito colateral. Obviamente, ela não atinge esse objetivo‖, diz Bettarello. Mas nem todo mundo diz esperar 100% de eficácia. ―No topo da minha lista de desejos está um simples pedido de honestidade‖, escreveu o jornalista médico Robert Whitaker no livro Mad in America (―Louco na América‖, sem edição em português). O livro faz um balanço das pesquisas sobre tratamentos psiquiátricos nos últimos anos e mostra como não existem evidências concretas para a maior parte das declarações de eficácia feitas pela indústria farmacêutica e, conseqüentemente, dentro dos consultórios psiquiátricos. Honestidade também é o que pedem os participantes do Mad Pride (Orgulho Louco), um movimento de combate ao preconceito contra pacientes psiquiátricos e de celebração da cultura Louca (com L maiúsculo mesmo). Uma das ações do movimento é a passeata anual de loucos, inspirada nas paradas gays que já existem em diversas cidades do mundo. A idéia é desestigmatizar os doentes mentais e mostrar que existe sim vida normal entre eles. No Brasil, o movimento da luta antimanicomial cresceu nos anos 80 e, inspirado em projetos bem-sucedidos dos Estados Unidos e Europa, idealizou centros de apoio a pacientes mentais organizados e administrados pelos próprios usuários, em conjunto com médicos e seus familiares. ―A inserção não é algo que você concede a alguém. Ela precisa ser conquistada. O doente faz parte da sociedade e a relação que ele tem com sua doença é a mesma que a sociedade propõe‖, diz o psiquiatra Tykanori, um dos expoentes do movimento no Brasil. A luta antimanicomial transformou o atendimento público de saúde mental com a criação dos Caps, Centros de Apoio Psicossocial, e abriu caminho para a aprovação, em 2001, da lei que prevê a extinção progressiva dos manicômios no Brasil. E incluiu efetivamente os pacientes em sua batalha. ―Nós entendemos que podemos colaborar na construção teórica de um saber e nas práticas de reabilitação psicossocial‖, escreveu a usuária Graça Fernandes no artigo ―O avesso da vida. Como pode a assistência se transformar?‖. Os

pacientes, finalmente, rompiam o monólogo da razão e estabeleciam um

diálogo sobre sua própria condição. ―A sociedade percebeu que a participação dos doentes mentais enriquece-nos muito mais que o seu isolamento‖, diz Tykanori. O QUE É NORMAL? Com os avanços da ciência, a baixa popularidade dos manicômios e a força dos movimentos organizados contra abusos psiquiátricos, é de se pensar que,

se o experimento de Rosenhan fosse realizado nos dias de hoje, ele teria um

resultado bem diferente do que o internamento imediato dos anos 70. Certo? Era isso que a psicóloga americana Lauren Slater queria descobrir quando decidiu procurar, em janeiro de 2004, oito prontos-socorros de saúde mental e

afirmar que vinha ouvindo o som ―tum-tum‖. Ela conta que, exatamente como Rosenhan e seus colegas, a voz foi o único sintoma falso que apresentou. Slater não foi tachada de esquizofrênica nem internada. No entanto, nos oito hospitais em que esteve, foi diagnosticada com depressão e recebeu pílulas de risperidone, um antipsicótico bem popular que, na época, era tido como um remédio leve (seis meses depois da experiência, o fabricante divulgou uma nota confessando ter minimizado os riscos do uso do medicamento nos materiais promocionais enviados a médicos). ―Eu acredito que a ânsia de prescrever remédios dirige hoje o diagnóstico da mesma forma que a necessidade de enquadrar o paciente como doente fazia nos anos 70‖, escreveu Lauren no artigo Into the cuckoo·s nest (―Dentro do ninho do louco‖

uma referência a One Flew Over the Cuckoos‘s Nest, o título em inglês do filme ―Um Estranho no Ninho‖), publicado no jornal britânico The Guardian e, mais tarde, no livro Mente e Cérebro, que acaba de ser lançado no Brasil.

O médico Spitzer soube, pela própria Slater, do resultado do experimento.

―Acho que médicos simplesmente não gostam de dizer eu não sei‖, disse a ela pelo telefone, depois de um longo silêncio. A recusa em confessar ignorância não é uma particularidade da psiquiatria. ―O problema é que o objeto dessa ciência somos nós mesmos e nossa normalidade. Ou seja, nossa natureza básica‖, escreveu Lawrence Osbourne, no livro American normal: the hidden

world of Asperger syndrome (―Normalidade americana: o mundo secreto da síndrome de Asperger‖, não lançado no Brasil), que reúne informações sobre Asperger, uma doença cada vez mais comum nos Estados Unidos. A síndrome de Asperger foi incluída no DSM-IV a edição mais recente do manual, de 1994, com 884 páginas e 365 diagnósticos. Como o manual

descreve os distúrbios a partir de seus sintomas, lista uma variedade imensa de emoções humanas, condutas e regras de relacionamento como desvios patológicos. Sentir-se angustiado depois do fim de um relacionamento, comer muito, comer pouco ou comportar-se mal na sala de aula são alguns exemplos

de ações que aparecem na lista. É quase impossível não se reconhecer ali e se

perguntar: mas, afinal, o que é normal? Das duas uma: ou estamos mesmo ficando menos equilibrados o que poderia ser explicado pelo ritmo e modos de vida do mundo moderno ou nos viciamos em diagnósticos psiquiátricos. ―Estamos transformando todo comportamento humano em patologia. Fazendo isso, criamos um sistema verdadeiramente

louco, em que todos estão doentes‖, diz o psiquiatra Mel Levine, diretor do Centro Clínico de Estudos sobre Desenvolvimento e Aprendizado, da Univerdade da Carolina do Norte. Nos Estados Unidos, o uso de medicamentos psiquiátricos está atingindo níveis altíssimos. Crianças de 2 anos recebem prescrição de remédios cujos efeitos a longo prazo são completamente

desconhecidos. ―É muito mais fácil encaixar a criança difícil em uma categoria

e medicá-la, do que deixar que ela desenvolva naturalmente suas habilidades

sociais‖, diz Levine. E, como quase tudo na vida, o mais fácil nem sempre é o melhor. ―Mais do que tudo, o aumento de diagnósticos psiquiátricos representa um aumento gradual do preconceito em nossa cultura‖, diz o psicólogo Richard DeGrandpre. Talvez

seja a hora de começarmos a lidar melhor com as nossas próprias neuroses, manias e loucuras. E, sobretudo, aceitarmos nossas diferenças.

Médicos e loucos

Tratamentos usados para curar a loucura revelam algumas das convicções médicas ao longo da históriaFuros no crânio (século 5 a.C.)

O que é: Fazer buracos no couro cabeludo do pacienteJustificativa: Os buracos

permitem que os demônios, que provocam a loucura ao ocupar o corpo do paciente, possam abandoná-lo.

Disciplina total (século 17)

O que é: Thomas Willis, um dos primeiros médicos a escrever sobre loucura,

dizia que ―disciplina, ameaças, algemas e bofetadas são tão necessárias quanto tratamento médico‖Justificativa: É a razão que separa os homens dos

animais. Loucos são, portanto, como bichos e, para se recuperarem, precisam aprender a ter medo e respeitoDor (início do século 18).

O que é: São empregadas diversas técnicas com o objetivo de machucar o

paciente. A mais comum consiste em provocar bolhas no crânio e genitálias, usando soda cáusticaJustificativa: As dores obrigam a mente do louco a focar- se nessa sensação, deixando de lado pensamentos raivosos

Indução de vômito (1715)

O que é: Durante vários dias, diferentes tipos de purgantes são ministrados ao

pacienteJustificativa: ―Enquanto a náusea durar, alucinações constantes serão suspensas e, algumas vezes, removidas. Até o mais furioso vai se tornar tranquilo e obediente‖, dizia o médico George Man Burrows.

Sangramento (1790)

O que é: Retirada de até quatro quintos do sangue do corpo

Justificativa: Danos cerebrais, masturbação ou muita imaginação podem levar

à circulação irregular nas veias que irrigam o cérebro, que é a causa da loucura. A retirada do sangue poderia normalizar o fluxo

Afogamento (1828)

O que é: O paciente é colocado dentro de um caixão com furos e imerso na

água. Deve ficar submerso até que ―bolhas de ar parem de subir‖. Depois é retirado e reavivado Justificativa: O método leva à suspensão das funções vitais e possibilita que o paciente volte à vida com maneiras mais ajustadas de pensar

Cirurgias ginecológicas (1890)

O que é: Amputação do clitóris e retirada do úteroJustificativa: A vagina e o

clitóris têm grande influência na mente feminina. A loucura pode ser resultado da agitação provocada por esses órgãos.

Hidroterapia (1896)

O que é: O paciente é enrolado em uma rede e mantido dentro de uma

banheira encoberta por uma lona (com um buraco para a cabeça) por horas ou até dias. Água gelada e água fervente são usadas alternadamente para encher

a banheira

Justificativa: O banho prolongado induz à fadiga psicológica e estimula a produção de secreções da pele e dos rins, que podem reestruturar as funções do cérebro

Terapias endócrinas (1899)

O que é: Injeção de extratos dos ovários, testículos, glândulas pituitárias e

tireóides de diversos animais Justificativa: Os extratos modificam a nutrição das células do corpo e, portanto,

levam à cura permanente

Esterilização (1913)

O que é: Esterilização forçada nos homens

Justificativa: A operação viabiliza a conservação do esperma, o elixir da vida, ajudando na melhoria do quadro

Extração de dentes (1916)

O que é: Remoção de dentes que apresentam problemas. A terapia não é

aconselhada para pacientes num estágio avançado da doença Justificativa: Bactérias são a causa de várias doenças crônicas e costumam

ficar escondidas perto dos dentes. Elas podem seguir até o sistema circulatório

e chegar ao cérebro, causando doenças mentais

Hibernação (1920) O que é: O paciente permanece entre ―cobertores‖ congelados por até três dias, para que a temperatura do corpo caia 12oC ou menos Justificativa: O choque térmico pode fazer com que o paciente recobre parte das funções mentais

Coma provocado (1933)

O que é: O paciente recebe uma dose de insulina suficiente para levá-lo ao

estado de coma. Depois de um tempo (de 10 a 120 minutos), é reavivado com uma solução de glucoseJustificativa: A hipoglicemia pode matar ou silenciar as

células doentes e sem possibilidade de restauração. Os pacientes voltam do coma agindo como bebês de 5 anos o que é, sem dúvida, uma prova de sua

recuperação

Convulsão (1934)

O que é: O paciente recebe uma injeção de metrazol e entra em forte convulsão, correndo o risco de quebrar ossos e dentes e ter hemorragias Justificativa: A convulsão pode restaurar as funções mentais. Ou isso, ou o temor do paciente diante da terapia causa um choque cerebral tão forte que provoca a cura. De todo modo, a terapia é válida

Eletrochoque (1937)

O que é: Uso da eletricidade diretamente na cabeça para provocar o ataque de

epilepsiaJustificativa: A convulsão produz danos cerebrais, eficientes na

recuperação do paciente. A perda de memória, outra conseqüência do choque,

é benéfica já que torna impossível a lembrança de eventos que lhe causem preocupação ou angústia.

Lobotomia (1940)

O que é: Aprimorada pelo neurologista português Egas Moniz, a cirurgia, que já

vinha sendo realizada de diferentes maneiras desde o século 19, consiste em danificar os lobos frontais do cérebro Justificativa: Distúrbios acontecem porque pensamentos patológicos ―fixam-se‖

nas células cerebrais, especialmente nos lobos frontais. Para curar o paciente,

é preciso destrui-las

As faces da loucura Alguns estereótipos fazem parte da imaginação de todos nós e ajudam a construir nossa ideia do que é a loucura

O profeta

O profeta Gentileza abandonou seu trabalho e sua família para andar pelas

ruas do Rio de Janeiro pregando o amor e a paz. ―Louco é o homem que preferiu enlouquecer, no sentido em que socialmente se entende a palavra, a trair sua idéia de honra humana‖, escreveu o artista francês Antonin Artaud.

O gênio

Van Gogh é só um dos exemplos da combinação entre talento extraordinário e distúrbios mentais. ―Quando um intelecto superior se une a um temperamento psicopático, criam-se condições para aquele tipo de genialidade que entra para os livros de história‖, dizia o filósofo inglês William James

O Melancólico

Um tipo comum no mundo moderno, o deprimido é o homem que perde o interesse pela realidade e passa a viver ―no escuro‖, abandonando progressivamente a relação consigo mesmo.

O delirante

Dom Quixote é o exemplo mais famoso do herói sonhador, que passa a viver dentro de seus próprios sonhos. Seus delírios, como enxergar gigantes em moinhos de vento, criam uma realidade própria, que, para ele, é a verdadeira realidade.

O violento

Edward Gein, um dos serial killers mais famosos do século 20, foi preso em 1957 quando a polícia achou corpos de mulheres esquartejados em sua casa.

A história inspirou filmes como O Massacre da Serra Elétrica e reforçou a

imagem que liga loucura e violência.

O ilógico Twiggy, modelo famosa nos anos 60, inaugurou o ideal de magreza

exagerada. Vítima de anorexia nervosa, não enxergava o que parecia óbvio aos demais. Olhava o corpo esquelético no espelho e enxergava-se gorda.

Como vimos no texto esses pontos podem ser comprovados pela história, que em cada época teve uma concepção de loucura. Vendo o homem dessa forma podemos atuar de forma curativa (tratar a doença), preventiva (evitar a doença) e de promoção de saúde (alterando a realidade social para promover saúde). Dando assim um tratamento digno ao homem.

As ações terapêuticas individuais e grupais

A Terapia Comunitária Integrativa (TCI) é uma abordagem em grupo e como tal

é centrada e tem como objetivo, o grupo. Neste capítulo vamos aprofundar o

paradigma grupal e como este se intersecciona com a prática dessa metodologia. Trata-se de uma reflexão sobre a passagem do olhar terapêutico do indivíduo para o coletivo, percebendo o grupo como alvo da metodologia da TCI.

Para iniciar nossa reflexão, entendemos que para perceber a Roda de TCI como uma abordagem grupal é imprescindível que o terapeuta comunitário absorva o processo de forma inteira, tendo começo, meio e fim, entendendo a metodologia em todas suas etapas. Sem essa visão fica muito difícil e até sofrido para o terapeuta acompanhar os depoimentos dos participantes e ter, ao mesmo tempo, que fazer fluir a metodologia adotada. Por que acreditamos ser esse processo difícil? Porque ele, o terapeuta, vai ficar sempre no dilema entre concentrar sua atenção nas pessoas que estão expondo suas dificuldades e ao mesmo tempo não perder de vista o grupo como um todo.

Segundo Jorge Ponciano Ribeiro, gestal terapeuta estudioso do grupo psicoterapêutico (1994), o grupo é transformador, sempre muito maior que a soma de seus membros. Sobre isso, este autor afirma que ―O grupo é um fenômeno cuja essência reside no seu poder de transformação, no seu poder de escutar, de sentir, de se posicionar, de se arriscar a compreender o processo de significação do viver e do responsabilizar-se‖ (1994, p.10). Na prática percebemos que tanto o grupo psicoterapêutico quanto o terapêutico tem mais força no empoderamento das pessoas, pois seus membros, todos juntos, buscam a compreensão do mistério humano, dos sentimentos mais básicos de nossa existência: dor, raiva, angústia, alegria, amor, medo, tristeza. No grupo aprendemos que todos somos diferentes mas, ao mesmo tempo, próximos em nossas essências.

Nas formações em TCI se faz necessário conceituar grupo, seus alcances e possibilidades. Pautada na visão do grupo trazida pelo Mestre Ponciano, sempre acho importante clarear o diferencial entre os conceitos de terapia em grupo, terapia de grupo e terapia do grupo (RIBEIRO, 1994). Nós compreendemos que na terapia em grupo as pessoas participam do grupo, mas podem ser trabalhadas individualmente ou em subgrupos. O terapeuta pode realizar abordagens direcionadas a uma pessoa na presença dos demais componentes do grupo. O objetivo da terapia em grupo é focar na pessoa mais mobilizada naquele dia, recorrendo aos demais participantes como forma de suporte ou continente para a pessoa trabalhada.

Na terapia de grupo, acontecem trocas e aprendizados uns com os outros, ainda numa perspectiva do individual para o individual ou mesmo do individual para o grupal ou de terapeuta para o individual ou grupal. Nessa situação, todos são vistos como partes que formam um todo.

Enquanto que na terapia do grupo, o alvo e interesse das ações estão voltados para o grupo. O ―cliente‖ é o próprio grupo. O terapeuta tem como objetivo fazer com que o grupo evolua na direção da expansão da consciência sobre seus problemas e sobre suas soluções. Há uma certeza interna do

terapeuta de que se ele for fiel à necessidade e soluções que emergem do grupo, ele alcançará um ritmo harmônico na caminhada de todos. Na terapia do grupo, o grupo existe como uma configuração única, formada por inúmeras partes indissociáveis e que o todo será sempre maior do que a soma das partes. Nesse formato todos veem a si mesmo e ao mundo com olhar do outro.

Como o mote desta reflexão é compreender a Terapia Comunitária Integrativa como um grupo, afirmamos baseados na compreensão dessa metodologia, que ela seja uma terapia do grupo. Osterapeutas, mobilizados pelos ensinamentos da formação e, por sua prática, vão absorvendo progressivamente o paradigma grupal, facilitando, desta forma, a passagem das questões individuais trazidas pelos participantes para o tecido grupal que começa a ser confeccionado suavemente. Os temas colocados nas Rodas são portas de entrada para o trabalho grupal, verdadeiros gatilhos da consciência do grupo.

Para ajudar na construção do paradigma grupal, vamos apresentar a seguir as etapas ou momentos da Roda da TCI em que se verifica claramente a passagem do individual para o grupal. Este salto paradigmático evidencia que a sequência metodológica tem o objetivo de acessar a dimensão coletiva do grupo, entendendo que este é o nosso foco e ―cliente‖ a ser acolhido. A seguir são descritos os momentos em que esse fenômeno acontece:

1- Organização do espaço: Na Terapia Comunitária Integrativa as cadeiras são organizadas em círculo. Esta configuração facilita a proximidade dos participantes e a horizontalidade do processo; promove a igualdade de participação e o respeito ao diferente; finalmente, convida a todos para um diálogo íntimo e respeitoso. Quando posicionados em círculo cada pessoa se percebe integrada ao outro e disponível para a troca. Este é o primeiro passo para a formação do “Ser Grupal”.

2- Acolhimento e dinâmica: quando os participantes são acolhidos dentro de um clima caloroso, estimula-se a quebra das resistências e dos medos, todos são iguais nas suas comemorações, todos podem brincar e se aproximar livremente. Podemos afirmar que esta etapa seja o segundo passo para a construção do “Ser Grupal”.

3- Escolha do Tema: nesta etapa os participantes são livres para escolher o

tema, fazendo conexão com algo que está vivo dentro deles suas histórias de vida. A proposta de dizer o porquê daquela identificação leva ao acionamento dos arquivos antigos que são colocados à disposição do inconsciente do grupo. Nesse momento cada pessoa busca em si mesma a razão daquela escolha.‖ Eu escolho o tema tal porque fiquei muito tocada ou porque minha família já passou por isso…‖. Na votação, o grupo escolhe o tema entre os propostos na Roda e, pela experiência, percebemos que na maioria das vezes o grupo elege

o tema que mobiliza a todos e que proporciona inúmeros depoimentos na fase de compartilhamento. Entendemos que os participantes votam no tema que

mais tem a ver consigo mesmos, aquele que toca sua história de vida. Eis aqui

o terceiro passo para a formação do “Ser Grupal”

4- Nas Perguntas, durante a Contextualização: o tema trazido pela pessoa escolhida mobiliza a busca de compreensão das vivências de cada um. Incrível perceber que os participantes fazem as perguntas para si mesmo; perguntam sobre suas dúvidas, seus conflitos. Quando um comunitário elabora sua pergunta ele está percorrendo um caminho dentro de si mesmo, se interrogando sobre seus próprios dilemas. As perguntas feitas pelo grupo evidenciam oquarto passo para a formatação do “Ser Grupal”.

5- Na Problematização ou Compartilhamento de Experiências: ao responder a indagação através do Mote, o grupo, através dos depoimentos, se consolida em torno de um tema, cada pessoa vai ampliando o tema na sua perspectiva, mas sem perder o elo de conexão com todos. Nesse momento acontece o ápice da transmutação, do que a princípio eram questões individuais, para um somatório muito mais que a soma das partes. Este é o quinto passo para o “Ser Grupal”, que se torna mais forte, mais consolidado.

6- No encerramento: quando os participantes contribuem com a conotação positiva e respondem a pergunta ―O que estou levando daqui?‖, eles estão sintetizando para si toda substância vivenciada no grupo. Cada participante se conscientiza do feixe de possibilidades trazido e levado por todos. O comunitário, que já peneirou as opções que lhe soaram familiares, partilha suas pérolas com o grupo, reforçando a rede grupal já tecida nas várias etapas anteriores. Na conotação positiva, ele admira o que o grupo construiu e leva para si a resultante dessa construção coletiva; deixa consolidado o formato grupal ao se relacionar com suas alianças afetivas, que lhes conferem unidade e identidade. Esta finalização representa o sexto passo para este “Ser Grupal”.

Em todos esses momentos o fenômeno vivenciado deixa de ser pessoal e passa a ser coletivo. Muito interessante refletir que as partes estão no todo e que o todo é maior do que a soma das partes. Nesse aspecto ressaltamos a importância do Pensamento Sistêmico como um dos pilares da TCI. Podemos afirmar que cada etapa do desenvolvimento da TCI contém a essência da grande Roda, saindo da lógica individualista, sectária, para a lógica coletiva, sistêmica. Reafirmamos que no final da sessão teremos alcançado um resultado que representa bem mais do que a soma dos aprendizados individuais e que com certeza, uma vez introjetado por todos, reverberará aos familiares e a rede comunitária, formando assim a resiliência comunitária.

Quais serão as ações e características do terapeuta comunitário que facilitam a construção do Ser Grupal? Primeiramente podemos dizer que construir uma configuração de grupo requer abertura e segurança naquilo que se faz. A seguir citamos algumas ações ou características que os terapeutas comunitários deverão apresentar para tornar a Roda de TCI uma terapia do grupo:

1- Compreender tranquilamente e sem reservas que a TCI é uma terapia do

grupo;

2- Repassar nas oportunidades a segurança de que no transcorrer do grupo todos irão ter a resposta que precisam. É imprescindível para o terapeuta, ter a

certeza interior para ser convincente diante do grupo e não ficar dividido quando alguém esteja querendo falar demais mesmo que seja de uma dor pessoal intensa;

3- Trabalhar suas próprias aflições e dificuldades e sempre que algum tema mobilize suas emoções, buscar aprender com o grupo e a perceber outros ângulos de sua própria questão (―só reconheço aquilo que conheço‖);

4-Ter tranquilidade quando for necessário retomar o ritmo das etapas metodológicas, tendo que interromper a fala de um participante ou lembrar as regras da Roda. Quando ele toma essa decisão, estará calcado na certeza de que a sequência das etapas construirá uma Gestalt muito terapêutica e beneficiadora para as questões de todos;

5-Repetir como num ritmo musical as perguntas ou as orientações referentes a cada etapa. Por exemplo, repetir o Mote a cada uma ou duas partilhas; repetir a pergunta ―e eu, o que estou levando daqui?‖ quando no momento da finalização. Muitas vezes os participantes se distraem, podendo trazer novos assuntos ou novas demandas o que provocaria a dispersão do grupo como um todo;

6-O terapeuta comunitário precisa estar com as rédeas da metodologia em suas mãos. Ele não escolhe os temas e nem as pessoas que vão falar, mas cuida para que todas as etapas se completem, fechando o círculo formador do Ser Grupal. Se os componentes da roda não se pronunciarem, entender que o silêncio também é linguagem de comunicação.

Refletindo sobre a Roda da TCI como uma terapia do grupo, é importante falar um pouco sobre a formação dos terapeutas comunitários.

Normalmente, durante as formações, os alunos trazem uma preocupação sobre como curar ou resolver os problemas daquela pessoa específica que colocou o tema. Muitas vezes o terapeuta em formação fica ligado naquela pessoa, se mobilizando pelos sentimentos de compaixão. Se isso acontece, o terapeuta não consegue fluir naturalmente nas demais fases da metodologia. Esta postura entrava a fluidez das etapas e, consequentemente, o processo de passagem do individual para o grupal é comprometido. Nessas circunstâncias, todo processo pode ficar prejudicado e como as etapas não fluem, o grupo não recebe os benefícios esperados.

Quando o terapeuta em formação acredita na mágica da Gestalt da Roda, do começo, meio e fim, esse fenômeno permite acolher as necessidades de todos e todos receberão do grupo na medida de sua necessidade real e não do seu desejo. Essa compreensão sintoniza com os princípios de Platão que orienta aos mestres fornecer às crianças e aos jovens o que eles precisam e não o que eles desejam. Esse princípio promove a distribuição equânime dos recursos e potencializa a circulação do acolhimento entre as pessoas. Entendemos que os princípios da TCI nos fortalecem a compreensão de que, num grupo de pessoas, todos ganham quando os recursos pessoais e coletivos são

colocados à disposição de todos e partilhados na medida de suas necessidades.

Quando as Rodas da TCI vão acontecendo sistematicamente nas comunidades, os participantes vão incorporando, de forma até inconsciente, a segurança de que eles vão ser beneficiados se a sequência metodológica acontecer de forma harmônica e dentro dos tempos previstos. Temos percebido que logo após a implantação das Rodas, as pessoas ficam ansiosas para falar muito de suas questões, pois estão apegadas ainda ao paradigma do seu problema individualmente. Na evolução do processo, os participantes vão adquirindo confiança e muitas vezes ajudam os terapeutas a dar seguimento às etapas. Este é um processo lindo de ver os próprios comunitários acreditando na mágica encantadora da Terapia Comunitária Integrativa.

Saúde mental e atenção psicossocial

Um país, um Estado, uma cidade, um bairro, uma vila, um vilarejo são recortes de diferentes tamanhos dos territórios que habitamos. Território não é apenas uma área geográfica, embora sua geografia também seja muito importante para caracterizá-lo. O território é constituído fundamentalmente pelas pessoas que nele habitam, com seus conflitos, seus interesses, seus amigos, seus vizinhos, sua família, suas instituições, seus cenários (igreja, cultos, escola, trabalho, boteco etc.). É essa noção de território que busca organizar uma rede de atenção às pessoas que sofrem com transtornos mentais e suas famílias, amigos e interessados.

Para constituir essa rede, todos os recursos afetivos (relações pessoais, familiares, amigos etc.), sanitários (serviços de saúde), sociais (moradia, trabalho, escola, esporte etc.), econômicos (dinheiro, previdência etc.), culturais, religiosos e de lazer estão convocados para potencializar as equipes de saúde nos esforços de cuidado e reabilitação psicossocial. Nesta publicação estaremos apresentando e situando os CAPS como dispositivos que devem estar articulados na rede de serviços de saúde e necessitam permanentemente de outras redes sociais, de outros setores afins, para fazer face à complexidade das demandas de inclusão daqueles que estão excluídos da sociedade por transtornos mentais.

A Clínica Ampliada

A humanização das relações e da assistência tem ocupado um

significativo nas discussões ligadas à saúde no âmbito hospitalar. Na busca de

espaço

melhorar a qualidade de saúde no Brasil, foi então desenvolvido o HumanizaSUS, para integrar e humanizar o atendimento, atendendo as prioridades e apostando na eficácia do sistema de saúde do Brasil, o SUS.

A Política Nacional de Humanização (PNH), considera a saúde como direito de

todos e dever do Estado e valoriza as diferenças de cada indivíduo. Dessa forma preza pela autonomia e o protagonismo dos sujeitos, a co- esponsabilidade entre eles, o estabelecimento de vínculos solidários, a participação coletiva no processo de gestão e a indissociabilidade entre atenção e gestão, Comprometendo-se com as dimensões de prevenir, cuidar, proteger, tratar, recuperar, promover, enfim, de produzir saúde(BRASIL, 2004).

Cartilhas PNH

Para que se possa colocar em prática as tão esperadas mudanças na humanização, originaram-se as ―Cartilhas da PNH‖, que em um total de 10, vieram para melhor implantar esta política no contexto saúde.

Clínica Ampliada

Valorizar o contexto do indivíduo, de sua família e de sua comunidade, dando- lhe autonomia e produzindo saúde.

Podemos dizer que a clínica ampliada é: • um COMPROMISSO radical com o sujeito doente; • assumir a RESPONSABILIDADE sobre os usuários dos serviços de saúde; • buscar ajuda em outros setores, ao que se dá nome de INTERSETORIALIDADE; • RECONHECER OS LIMITES DOS CONHECIMENTOS dos profissionais de saúde e das TECNOLOGIAS por eles empregadas e buscar outros conhecimentos em diferentes setores • assumir um compromisso ÉTICO profundo. (PNH - BRASIL, 2004)

PRODUÇÃO DE VIDA

A Clínica Ampliada propõe que o profissional de saúde desenvolva a

capacidade de ajudar as pessoas, não só a combater as doenças, mas a transformar-se, de forma que a doença, mesmo sendo um limite, não a impeça de viver outras coisas na sua vida.

A Clínica na atenção psicossocial e a clínica dos transtornos mentais graves

A complexidade do atendimento em saúde mental exige saberes e fazeres que

não faziam parte, até então, do repertório das equipes de saúde na atenção

primária. As práticas de atenção psicossocial propõem um modelo de atenção interativo e complexo, que contemple as abordagens biológica, psicológica e social. Nesse contexto, valoriza-se o trabalho interdisciplinar centrado nas potencialidades de cada profissional em benefício de uma assistência mais dinâmica e eficiente no tratamento do doente. Infere-se que a troca de informações e experiências, as diferentes formas de estar e escutar o paciente possibilita uma maior interação entre a equipe e o usuário.

Entretanto "o modelo assistencial que opera hoje nos nossos serviços é centralmente organizado a partir dos problemas específicos, dentro da ótica hegemônica do modelo médico liberal, e que subordina claramente a dimensão cuidadora a um papel irrelevante e complementar‖ com pouca ou nenhuma preocupação com o antes, com os modos de vida do paciente e sua família. Existem, sim, intervenções pontuais e descontextualizadas para atender situações específicas de crise).

Colaborando com essa ideia, Saraceno afirma que no campo da saúde mental predomina a abordagem biomédica sendo necessário o deslocamento para uma abordagem biopsicossocial, o que requer mudanças importantes na formulação das políticas de saúde mental; na formulação e no financiamento de programas de saúde mental; na prática cotidiana dos serviços; no status social dos médicos. Essa passagem, segundo o autor, é norteada por uma forte resistência, cultural, social e econômica dos psiquiatras em transformar a assistência em saúde mental, colocando em crise o paradigma médico. Para o referido autor, o modelo hegemônico de atendimento, centrado no paradigma médico, apesar de acolher algumas proposições das abordagens psicossociais, se caracteriza por ser:

- linear um dano definido do sistema nervoso central provoca uma condição de doença e os tratamentos são reparações desse dano;

- individualista saúde e doença são determinadas pelos recursos/carências

do indivíduo e os tratamentos são intervenções exclusivamente dirigidas a ele;

- histórico ignora as interações indivíduo-ambiente. A despeito de terem

decorrido mais de dez anos dessas afirmações, constata-se que elas ainda encontram eco em diversas realidades de nosso país.

Saraceno (1999) acrescenta que a abordagem biopsicossocial aponta para o reconhecimento do papel dos usuários, da família, da comunidade e de outros profissionais de saúde como fontes geradoras de recursos para o tratamento da doença mental e promoção da saúde mental. Intervir, portanto, em saúde mental, não significa apenas prestar assistência. Intervir significa, sobretudo, estar atento à realidade social, econômica e cultural em que vivem as pessoas que atendemos. Sabe-se que um dos maiores desafios reside em alcançar as ações que estão para além da saúde. Saraceno comenta que "o muro do manicômio a ser demolido é qualquer muro que impeça de ver (e usar) outros saberes e outros recursos".

Sendo assim, operar na perspectiva de formulação de uma "Clínica Ampliada" traz possibilidades de fazer emergir para os profissionais de saúde outros aspectos do sujeito, que não apenas o biológico, considerando os usuários em

seu contexto sócio Histórico, em seus modos de viver, enfim, em seu território.

A clínica ampliada é denominada por "Clínica do Sujeito", que exige um

deslocamento da ênfase na doença para centrá-la na pessoa que apresenta algum problema de saúde. Trata-se aqui de saber o que o sujeito apresenta de regularidade na clínica e mais além, o que ele manifesta de diferente, de singular, que não se repete e que é só dele. Isto pressupõe a construção de um vínculo com o usuário.

Outro pressuposto da clínica ampliada é de que as expectativas dos usuários e

o tempo das relações terapêuticas são diferentes na atenção primária e, em

particular, na atenção em saúde mental. Trata-se também de uma prática capaz de reconhecer as potencialidades dos sujeitos em cada situação e que os profissionais, familiares e usuários estão imersos em uma teia de forças que os constitui.

A maneira como agem os diversos atores sociais (usuários, familiares,

técnicos, Estado) faz com que seja produzido um determinado modo de cuidar, sustentado pela cultura e instigado pelas novas maneiras de assistir. Nesse sentido, "somos em certas situações, a partir de certos recortes, sujeitos de saberes e das ações que nos permitem agir protagonizando processos novos

como força de mudança. Mas, ao mesmo tempo, sob outros recortes e sentidos, somos reprodutores de situações dadas".

Nesse sentido, não podemos reduzir a amplitude de um serviço a um local físico e aos seus profissionais, mas a toda gama de oportunidades e lugares que favoreçam a reabilitação psicossocial do paciente A ausência de inventividade, somada à ações fragmentadas podem contribuir para o surgimento do que se denomina nova cronicidade Nesse contexto estão incluídas a valorização das habilidades de cada indivíduo, práticas terapêuticas que visam ao exercício da cidadania, as políticas de saúde mental transformadoras do modelo hegemônico de assistência. A reabilitação psicossocial, portanto, trata-se de "uma atitude estratégica, uma vontade política, uma modalidade compreensiva, complexa e delicada de cuidados para pessoas vulneráveis aos modos de sociabilidade habituais‖.

É neste percurso que precisamos caminhar, ganhando a rua, a cidade.

Gramsci afirma que "criar uma nova cultura não significa apenas fazer individualmente descobertas ‗originais‘; significa também, e, sobretudo, difundir criticamente verdades já descobertas, ‗socializá-las‘ por assim dizer; transformá-las, portanto, em base de ações vitais, em elemento de coordenação e de ordem intelectual e moral".

Nesse sentido, um dos primeiros desafios se impõe. A sociedade e até mesmo os profissionais de saúde questionam: Por que criar novas maneiras de assistir que trazem o doente mental de volta ao espaço público? Por que nos haver com a loucura em toda a sua plenitude, longe dos muros dos hospícios? Por

que é necessário buscarmos uma interlocução efetiva com os profissionais que trabalham com saúde mental e a atenção primária?

A psiquiatria permitiu a inclusão do doente mental no universo dos humanos,

mas criou um paradoxos: a identidade de doente mental é uma identidade sem valor de troca, que exclui e afasta as pessoas. Isto nos faz correr o risco de reproduzir em nosso novo modelo assistencial a mesma prática excludente e segregadora, que norteou a assistência ao doente mental durante décadas.

A Reforma Psiquiátrica atual propõe um trabalho interdisciplinar que valorize as

potencialidades de cada profissional, em benefício de uma assistência mais dinâmica e eficiente no tratamento do doente mental, tal como aponta Dobies e Fioroni. A troca de informações e experiências, as diferentes formas de estar e escutar o paciente e o diálogo permanente com a rede de cuidados à saúde possibilita uma maior interação entre a equipe e o usuário. Entretanto, o próprio trabalho em equipe também representa desafios. A necessidade uma comunicação clara e aberta. É a partir de uma interlocução cotidiana, na qual os diferentes saberes e arcabouços teóricos, as diferentes experiências e leituras devem encontrar lugar privilegiado na construção de um trabalho em rede. O suporte ou matriciamento realizado pelos profissionais especialistas é um dispositivo de apoio institucional que requer uma comunicação constante mas principalmente nos espaços instituídos das reuniões de equipe. Como apontam diversos autores isso nem sempre acontece.

Saraceno afirma que "um programa de reabilitação psicossocial dirigido a um determinado paciente psicótico pode ser ao mesmo tempo realizado através de intervenções individuais (administração de psicofármacos, sustentação psicológica individual, adestramento de atividade laborativa, educação à aptidão na vida cotidiana) e intervenções coletivas (suporte à família, sensibilização da comunidade onde o paciente reside, envolvimento dos indivíduos com o local de trabalho)". De forma mais sistemática, diante da diversidade de acepções do termo reabilitação psicossocial, reúne as diferentes perspectivas em três modelos epistêmicos: psicoeducativos, sócio- políticos ou críticos e de orientação clínica. Embora partam de recortes epistemológicos distintos, os três modelos trazem a marca de um trabalho em construção. Há que se considerar que a perspectiva de um trabalho inacabado, em construção, bem como a amplitude conceitual aqui mencionada, funcionam, simultaneamente, simultaneamente como desafio e propulsor dessa proposta de atenção ao portador de sofrimento mental. A instabilidade do inacabado, as dúvidas diante da diversidade teórica e conceitual contribuem sobremaneira para a construção de uma proposta que pretende lidar - e não extinguir - com o sofrimento psíquico.

Portanto, as intervenções em saúde mental podem contemplar o indivíduo em sua totalidade, utilizando técnicas tanto individuais como coletivas, considerando as realidades locais como determinantes dessas intervenções ou, ainda, partir da singularidade do sujeito para propor intervenções convocando a responsabilização do sujeito pelas respostas que apresenta.

O Ato Cuidador e o Acolhimento

Existem maneiras diferentes de entender o ato cuidador. Para muitos, cuidar pressupõe somente a presença de um serviço de saúde. Não que, no manejo da crise, possamos prescindir de ajuda especializada e acesso aos serviços de saúde. O ato cuidador, em nosso entender, vai mais além. Ele faz emergir a capacidade criadora existente em cada um, aponta para a disponibilidade em se lançar, em criar novas maneiras de conviver com o outro em suas diferenças.

Experiências como a de Educação Popular em Saúde Mental, mostram a potencialidade das ações de saúde que visam dar voz a comunidade, valorizando os diferentes saberes na construção coletiva das novas práticas em saúde mental.

Ao discutir o lugar do apoio da equipe de saúde mental aos profissionais que se encontram na saúde coletiva (Apoio Matricial) novamente o acolhimento é compreendido na qualidade de uma prática que se volta à subjetividade, seja do usuário ou do trabalhador. É certo que o acolhimento, dispositivo, estratégia, ato, um direito, figura central no processo de trabalho das equipes que atuam na atenção primária, também é fundamental quando se pensa a atenção psicossocial e todos os desafios que envolvem a articulação entre saúde mental e saúde coletiva. No contexto apresentado, outros princípios e dispositivos devem ser incluídos para nortear a ação da equipe que atua na atenção primária, dentre eles o acolhimento, reconhecido como uma ferramenta estratégica ou tecnologia de cuidado que imprime qualidade aos serviços de saúde. E mais, no acolhimento o trabalhador deve mobilizar seu saber no sentido de produzir respostas às demandas a ele trazidas. Por fim, o acolhimento se volta à construção de um vínculo com a comunidade, aproximando o usuário com o serviço de saúde.

Se partirmos do princípio de que o lugar de todo portador de sofrimento psíquico é na comunidade - em contraponto à ideia de que esse lugar é em uma instituição - o reconhecimento de sua condição de ser único, particular, bem como de sua cidadania é fundamental para sua circulação no espaço público. Com isso, responsabilização e vínculo ganham espaço privilegiado quando compreendidos na acepção de ações que tem como objetivo a autonomia e não a alienação do portador de sofrimento psíquico ao serviço ou ao profissional de saúde e seu saber.

A condição de ser único requer acolher aquele que sofre, sempre e a cada vez que ele procura ajuda profissional. Queixas orgânicas não podem ser tomadas como algo do tipo ‗o mesmo de novo‘. Cada queixa, cada momento exige uma investigação de seu teor.

A responsabilização do profissional com cada usuário é algo já proposto. Entretanto, acolher o usuário portador de sofrimento psíquico implica responsabilizá-lo, implicá-lo em sua queixa. Quando o vínculo e a responsabilização deixam de existir o risco é a institucionalização da doença e todo o retrocesso que isso significa. Entretanto é necessário compreender, do

ponto de vista prático, o sentido de acolher. Acolher não significa atender de pronto a demanda do usuário. Em especial, quando esta demanda situa-se na realização de atos rotineiros da unidade de saúde (marcar consulta, fazer exames, procedimentos, dentre outros) ou ainda quando se trata de uma demanda insistente e infindável de um mesmo usuário. ‗Livrar-se‘ dele, atendendo-o logo, por vezes significa sustentar indefinidamente sua situação de queixas ajudando-o a ampliá-las e diversificá-las. Em um atendimento individual, buscar com o usuário os reais sentidos de suas queixas e demandas infinitas pode funcionar como acolhimento ao sujeito e não às suas demandas, responsabilização de ambos: profissional e usuário e fortalecimento de um vínculo.

Um vínculo profissional que se pretende terapêutico não comporta que o profissional de saúde faça tudo pelo usuário e, tampouco, busque soluções para todos os problemas trazidos por ele. As limitações do conhecimento, da capacidade de atendimento e resolutividade são elementos reais e bastantes presentes no cotidiano dos serviços. Atribuir novos significados para as queixas persistentes, novas possibilidades de reabilitação, de reinserção desse usuário num exercício de reconhecimento de sua cidadania e de seus direitos constitui um desafio e desenha possibilidades de abordagem.

A ressignificação dos sintomas não pode anular o sujeito, mas necessita que

convocá-lo a dizer sobre si, sobre o que deseja, o que consegue fazer, convida-lo a resinificar algo de seu sofrimento, a exercer sua cidadania.

E mais, esse processo requer a participação da família, na qualidade de

pessoas que podem oferecer suporte e apoio ao usuário. Transformar, recriar as relações existentes entre a família, a sociedade e o usuário com sofrimento

psíquico não é tarefa das mais fáceis. Existe o pronto, o universalmente aceito,

a delegação do cuidado a outrem, evidenciando a incapacidade de lidar com a

loucura, de aceitar novos desafios e de se aventurar em caminhos não trilhados. Pode-se pensar que o desconhecimento de como cuidar do portador de sofrimento psíquico, apontado por diversos autores como um obstáculo, pode se fundamentar também na ideia de que ser terapêutico na área da saúde mental implica o clássico atendimento individual utilizando-se ferramentas de

psicoterapia. Entretanto, o trabalho de acolher e responsabilizar, reconhecendo

a cidadania e o direito desse usuário de se inserir na sociedade, passa não só pelos atendimentos individuais psicoterapêuticos mas também por ações voltadas ao cotidiano, as quais os profissionais da atenção primária estão preparados e amparados por uma larga experiência advinda do lidar cotidiano com os problemas de saúde do território. As questões compreendidas pelos profissionais como mais complexas podem ser discutidas com os especialistas em saúde mental nos espaços de construção coletiva, tais como as reuniões clínicas.

Enfim, o cuidado ao portador de sofrimento psíquico necessita ser incluído na agenda de prioridades da equipe de saúde da família que desenvolvem as ações da atenção primária em saúde no Brasil. No lidar com o sofrimento psíquico, o profissional, qualquer que seja, se verá o tempo todo confrontado com suas próprias questões, e, também ele precisará criar formas de

ressignificação, seja buscando o acompanhamento de profissionais mais experientes ou reconhecendo os limites de atuação e apostando no desejo de saber mais.

A Atenção Psicossocial na rede de cuidados em saúde é uma realidade ainda

incipiente no Brasil que convoca e exige mudanças individuais, sociais e institucionais. O desafio é político e exige um compromisso contínuo na construção de novas formas de lidar com o sofrimento psíquico. A realidade brasileira, por sua extensão geográfica e marcantes diferenças, revela que nem todos os municípios dispõem de uma rede de atenção à saúde mental própria

ou pactuada. Além disso, o simples fato de possuir um serviço substitutivo, um CAPS, não implica o funcionamento de uma rede que se pretende também substitutiva.

A incipiente articulação da Saúde Mental na Atenção Primária, nomeada para

acolher e responsabilizar-se por essa clientela, requer conhecimento e preparo por parte das equipes de saúde da família quanto às formas de abordagem, de tratamento e encaminhamentos possíveis. A não responsabilização acaba por afastar o usuário, direcionando-o para os serviços substitutivos ou para os hospitais psiquiátricos, que continuam a representar, em muitos casos, o lugar social da doença mental, o lugar da loucura.

Sendo assim, embora busquemos a reversão do modelo de assistência à saúde mental, se não prestarmos atenção, corremos o risco de repetir em novos ambientes antigas práticas, criando outro tipo de manicômio, sem muros, mas que continua a ter a segregação e a exclusão como normas máximas.

Neste artigo, buscamos expor a realidade da Reforma Psiquiátrica Brasileira, a sutileza e delicadeza do ato cuidador na perspectiva da reabilitação psicossocial e a sua necessária interlocução com a atenção primária. Ousamos fazer algumas recomendações aos profissionais de saúde em seu contato com

o portador de sofrimento psíquico e seus familiares. Falamos um pouco de um grande e complexo mundo daquele que apresenta aos profissionais seus sofrimentos.

Sendo assim, procuramos dizer de nossa aposta na possibilidade de um cuidado ao portador de sofrimento psíquico que parta do pressuposto de que seu lugar é na cidade. Um cuidado que simplesmente lide com ele naquilo que ele é.

Atenção psicossocial a crianças e adolescentes no SUS

O CAPSi é um serviço de atenção diária destinado ao atendimento de crianças

e adolescentes gravemente comprometidos psiquicamente. Estão incluídos nessa categoria os portadores de autismo, psicoses, neuroses graves e todos aqueles que, por sua condição psíquica, estão impossibilitados de manter ou

estabelecer laços sociais. A experiência acumulada em serviços que já funcionavam segundo a lógica da atenção diária indica que ampliam-se as possibilidades do tratamento para crianças e adolescentes quando o atendimento tem início o mais cedo possível, devendo, portanto, os CAPSi estabelecerem as parcerias necessárias com a rede de saúde, educação e assistência social ligadas ao cuidado dapopulação infanto-juvenil.

As psicoses da infância e o autismo infantil são condições clínicas para as quais não se conhece uma causa isolada que possa ser responsabilizada por sua ocorrência. Apesar disso, a experiência permite indicar algumas situações que favorecem as possibilidades de melhora, principalmente quando o atendimento tem início o mais cedo possível, observando-se as seguintes

condições:

• O tratamento tem mais probabilidade de sucesso quando a criança ou adolescente é mantida em seu ambiente doméstico e familiar.

• As famílias devem fazer parte integrante do tratamento, quando possível, pois observa-se maior dificuldade de melhora quando se trata a criança ou adolescente isoladamente.

• O tratamento deve ter sempre estratégias e objetivos múltiplos, preocupando-

se com a atenção integral a essas crianças e adolescentes, o que envolve ações não somente no âmbito da clínica, mas também ações intersetoriais. É preciso envolver-se com as questões das relações familiares, afetivas, comunitárias, com a justiça, a educação, a saúde, a assistência, a moradia etc.

A melhoria das condições gerais dos ambientes onde vivem as crianças e os

adolescentes tem sido associada a uma melhor evolução clínica para alguns casos.As equipes técnicas devem atuar sempre de forma interdisciplinar, permitindo um enfoque ampliado dos problemas, recomendando-se a participação de médicos com experiência no atendimento infantil,

psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais, para formar uma equipe mínima de trabalho. A experiência de trabalho com famílias também deve fazer parte da formação da equipe.

• Deve-se ter em mente que no tratamento dessas crianças e adolescentes, mesmo quando não é possível trabalhar com a hipótese de remissão total do problema, a obtenção de progressos no nível de desenvolvimento, em qualquer aspecto de sua vida mental, pode significar melhora importante nas condições de vida para eles e suas famílias.

• Atividades de inclusão social em geral e escolar em particular devem ser parte integrante dos projetos terapêuticos.

Em geral, as atividades desenvolvidas nos CAPSi são as mesmas oferecidas nos CAPS, como atendimento individual, atendimento grupal, atendimento familiar, visitas domiciliares, atividades de inserção social, oficinas terapêuticas, atividades socioculturais e esportivas, atividades externas. Elas devem ser dirigidas para a faixa etária a quem se destina atender. Assim, por exemplo, as atividades de inserção social devem privilegiar aquelas relacionadas à escola.

COMO É UM CAPS PARA CUIDAR DE USUÁRIOS DE ÁLCOOL E DROGAS (CAPSad)?

Os CAPS I, II e III destinam-se a pacientes com transtornos mentais severos e persistentes, nos quais o uso de álcool e outras drogas é secundário à condição clínica de transtorno mental. Para pacientes cujo principal problema é

o uso prejudicial de álcool e outras drogas passam a existir, a partir de 2002, os CAPSad.

Os CAPSad devem oferecer atendimento diário a pacientes que fazem um uso prejudicial de álcool e outras drogas, permitindo o planejamento terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada de evolução contínua.

Possibilita ainda intervenções precoces, limitando o estigma associado ao tratamento. Assim, a rede proposta se baseia nesses serviços comunitários, apoiados por leitos psiquiátricos em hospital geral e outras práticas de atenção comunitária (ex.: internação domiciliar, inserção comunitária de serviços), de acordo com as necessidades da população-alvo dos trabalhos. Os CAPSad desenvolvem uma gama de atividades que vão desde o atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico, de orientação, entre outros) até atendimentos em grupo ou oficinas terapêuticas e visitas domiciliares.

Também devem oferecer condições para o repouso, bem como para a desintoxicação ambulatorial de pacientes que necessitem desse tipo de cuidados e que não demandem por atenção clínica hospitalar.

COMO O CAPSad PODE ATUAR DE FORMA PREVENTIVA?

A prevenção voltada para o uso abusivo e/ou dependência de álcool e outras

drogas pode ser definida como um processo de planejamento, implantação e implementação de múltiplas estratégias voltadas para a redução dos fatores de risco específicos e fortalecimento dos fatores de proteção. Implica necessariamente a inserção comunitária das práticas propostas, com a

colaboração de todos os segmentos sociais disponíveis. A prevenção teria como objetivo impedir o uso de substâncias psicoativas pela primeira vez, impedir uma ―escalada‖ do uso e minimizar as consequências de tal uso.

A lógica que sustenta tal planejamento deve ser a da Redução de Danos, em uma ampla perspectiva de práticas voltadas para minimizar as consequências globais de uso de álcool e drogas. O planejamento de programas assistenciais de menor exigência contempla uma parcela maior da população, dentro de uma perspectiva de saúde pública, o que encontra o devido respaldo em propostas mais flexíveis, que não tenham a abstinência total como a única meta viável e possível aos usuários dos serviços CAPSad.

Os CAPSad devem construir articulações consistentes com os Hospitais Gerais de seu território, para servirem de suporte ao tratamento, quando necessário.

As dependências de substâncias psicoativas, a redução de danos, vulnerabilidade e riscos. Reabilitação psicossocial.

A importância do tema ―dependência química‖ não é marcada apenas pela sua atualidade, mas principalmente pela sua complexidade. Está inserido em um contexto social que passa, constantemente, por profundas transformações sociais, econômicas, políticas e culturais, onde velhos paradigmas são quebrados e novos valores são agregados.

As comunidades terapêuticas, aqui entendidas como instituições de atendimento ao dependente químico, não governamentais, em ambiente não hospitalar, com orientação técnica e profissional, onde o principal instrumento terapêutico é a convivência entre os residentes, surgiram no cenário brasileiro, ao longo dos últimos quarenta anos, antes mesmo de existir qualquer política pública de atenção à dependência química no país. Elas cresceram, multiplicaram-se e ocuparam espaços na medida em que inexistiram programas e projetos de caráter público que oferecessem alternativas para o atendimento às pessoas dependentes de substâncias psicoativas (SPAs), desejosas de tratamento.

Frente à proporção que a questão da drogadição alcançou no mundo e no Brasil, associada à violência e ao crime organizado, atingindo cidadãos de todas as classes sociais e uma faixa etária cada vez mais precoce, políticas públicas para essa área começaram a ser pensadas e implantadas, embora de forma lenta e gradativa.

Atualmente, contamos com uma legislação específica no que se refere à atenção a dependência química, bem como, esta questão está presente em diferentes políticas sociais setoriais tais como a assistência social, a saúde e a educação.

As propostas e formas de atendimento terapêutico variam de acordo com a visão de mundo e perspectiva política, ideológica e religiosa dos diferentes grupos e instituições, governamentais e não governamentais, atuantes nesta área. Da abstinência total à redução de danos, do internamento ao atendimento ambulatorial, dos grupos de ajuda ao tratamento medicamentoso, de programas governamentais a comunidades terapêuticas, o usuário de substâncias psicoativas, que deseja ou necessita de tratamento, tem uma variedade de alternativas, optando por aquela mais adequada ao seu perfil e/ou suas necessidades.

Portanto, a abordagem desse tema não pode ocorrer de forma parcial, como se houvesse apenas uma alternativa e/ou forma eficiente de atenção à dependência química. A prevenção, o tratamento, recuperação e reinserção social, bem como a redução dos danos sociais e à saúde e a redução da oferta são dimensões amplamente consideradas na legislação e nas políticas voltadas para esta questão e, todas são válidas e importantes na medida em que contribuem não apenas para a compreensão desta problemática, mas também para o seu enfrentamento.

Neste texto nos ocuparemos do trabalho desenvolvido pelas comunidades terapêuticas que atuam na dimensão do tratamento, recuperação e reinserção social, tendo como premissa o internamento e a abstinência total do uso de SPAs.

O objetivo é discutir a interface das políticas públicas com as comunidades terapêuticas no atendimento aos usuários de substâncias psicoativas, focando as respectivas competências de cada instância.

Buscamos uma compreensão real e equilibrada do papel histórico que estas organizações têm ocupado no contexto contemporâneo e, concomitantemente, as possíveis parcerias com as políticas públicas para a efetivação de suas diretrizes e objetivos.

Trata-se de um tema que não se esgota nas reflexões aqui presentes. São várias as implicações e as perspectivas existentes, bem como as formas de enfrentamento da questão. Mas, acreditamos que é, em função disso mesmo, que devemos caminhar na busca da unidade na diversidade, deixando de lado pré-noções e pré-conceitos, na direção de atendimentos de real qualidade à pessoa que deseja e busca o tratamento.

1. A Dependência e o Dependente Químico:

Não há dificuldade, entre os estudiosos do assunto, em concordarem que a dependência química se trata de um conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos no qual o uso de uma substância ou uma classe

de substâncias alcança uma importância muito maior para um determinado indivíduo, do que outros comportamentos que antes tinham mais valor.

Segundo a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento apontada na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), uma característica descritiva central da síndrome de dependência é o desejo (freqüentemente forte, algumas vezes irresistível) de consumir drogas psicoativas (as quais podem ou não ter sido medicamentos prescritos), álcool ou tabaco.

A Organização Mundial de Saúde afirma que se trata de um estado psíquico e

às vezes físico resultante da interação entre um organismo vivo e uma substância. É caracterizado por modificações de comportamento e outras reações que sempre incluem um impulso a utilizar a substância de modo contínuo ou periódico, com a finalidade de experimentar seus efeitos psíquicos e, algumas vezes, de evitar o desconforto da privação. A tolerância pode estar presente ou não.

Ainda, segundo a CID -10, um diagnóstico de dependência química é confirmado quando, pelo menos, três dos comportamentos abaixo estão

presentes:

• Forte desejo ou senso de compulsão para consumir a substância;

• Dificuldade em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de seu início, término ou níveis de consumo;

• Uma síndrome de abstinência quando o uso da substância cessou ou foi

reduzido;

• Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes são requeridas para alcançar efeitos originais;

• Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso de substâncias psicoativas;

• Persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas.

A dependência química abarca o uso de todos os tipos de substâncias

psicoativas (SPA); ou seja, qualquer droga que altera o comportamento e que possa causar dependência: álcool, maconha, cocaína, crak, dentre outras.

A Organização Mundial de Saúde reconhece a dependência química como

uma doença porque há alteração da estrutura e no funcionamento normal da

pessoa, sendo-lhe prejudicial.

Não tem causa única, mas é produto de uma série de fatores (físicos, emocionais, psíquicos e sociais) que atuam ao mesmo tempo, sendo que às

vezes, uns são mais predominantes naquela pessoa específica do que em outras.

Atinge o ser humano na suas três dimensões básicas (biológica, psíquica e espiritual), e atualmente é reconhecida como uma das expressões da questão social brasileira, à medida que atinge todas as classes sociais.

Sem o tratamento adequado, a dependência química tende a piorar cada vez mais com o passar do tempo, levando a pessoa a uma destruição gradativa de si mesma, atingindo sua vida pessoal, familiar, profissional e social.

Portanto, há a necessidade da superação do rótulo ―dependentes químicos‖,

entendendo que estes são, antes disso, cidadãos, seres únicos e singulares, que devem ser respeitados em sua integralidade humana. São pessoas inseridas no contexto sócio familiar que, por diferentes causas orgânicas, sociais, psíquicas e econômicas se viram envolvidas na questão da drogadição

e da dependência química.

Aqueles que buscam ajuda para o enfrentamento/tratamento da dependência, são esses mesmos cidadãos, sujeitos de direitos que descobriram que, sozinhos, não o conseguirão.

Sendo assim, são sujeitos no processo de tratamento, reconhecidos em sua integralidade e como seres contextualizados, têm direito de acesso ao atendimento que melhor lhes convier, de qualidade social, com projeto terapêutico claramente definido e equipe terapêutica com profissionais de diferentes áreas. E, nesse processo, a família é co-participante ativo.

Estes, dependente e co-dependente, são a razão principal e última de toda a discussão sobre a dependência química e as diferentes formas de atenção, de

toda a política formulada, do surgimento de todas as comunidades terapêuticas

e de todas as formas de atendimento.

Constituem-se no foco principal de toda e qualquer movimentação em torno da discussão e do enfrentamento da dependência química. Prevenção Tratamento - Reinserção Sócio-Familiar fazem parte de um panorama de atuação cujo foco é o usuário (e a sua família); o dependente e o co- dependente. E eles são os sujeitos do processo de tratamento e não o objeto da intervenção.

A definição de políticas e competências nessa área não pode se tornar um

―cenário‖ de disputa de poder ou de desresponsabilização de fazeres, pois não

é tarefa fácil definir os limites de ação das políticas públicas envolvidas

(assistência social, saúde, segurança, dentre outras) eegislação vigente. Ao contrário, trata-se de um trabalho conjunto em que, muitas vezes, as competências e atribuições podem até se confundir, mas não deixando de

primar pela qualidade do atendimento ao usuário.

2. As Comunidades Terapêuticas:

O que são? De onde vieram? Por que surgiram? Como se constituem? Quais as suas vinculações institucionais? Quem nelas trabalha? A quem atende?

São questões que não são possíveis de serem respondidas em toda a sua extensão nos limites deste artigo. Mas, precisamos refletir sobre elas para a superação de alguns dogmas, conceitos e até preconceitos sobre estas instituições que, sem dúvida, têm cumprido um papel de importância histórica no contexto contemporâneo.

―Comunidade Terapêutica‖ tornou-se uma nomenclatura oficial a partir da Resolução 101 da ANVISA, de 30 de maio de 2001. Essa terminologia aparece no título da Resolução ―que estabelece regras para as clínicas e comunidades terapêuticas‖. E em seu artigo 1º define o que entende por comunidade

terapêutica: ―serviço de atenção a pessoas com problemas decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas, segundo modelo psicossocial‖. Isto é, reconhece a existência e o trabalho destas instituições e estabelece um modelo básico para o seu funcionamento: o psicossocial, na intenção de garantir o caráter terapêutico de suas ações. Utilizam-se de conhecimentos, instrumentos

e técnicas científicas, na área da saúde mental, social e física, para o

atendimento ao usuário de SPA que busca ajuda para o tratamento, que, por outro lado, sabemos ser uma doença incurável. O tratamento, portanto, se concentra no fortalecimento físico, psíquico e espiritual, para que o usuário se mantenha abstêmio pelo maior tempo possível. Esse é o quadro que prevalece

nos atendimentos prestados pelas comunidades terapêuticas.

No Brasil, a grande maioria destas comunidades, vinculadas principalmente a confissões religiosas (católicas e evangélicas), surgiu, gradativamente, em função de dois grandes motivos:

1º) o vácuo deixado pelas políticas públicas nessa área: por muito tempo a questão do álcool e de outras drogas foi tratada em nosso país como um ―caso de polícia‖. Até a década de 1960, época em que as comunidades terapêuticas começaram a surgir no Brasil, o dependente químico e/ou sua família tinham como única opção a internação em manicômios, levando o usuário/dependente

a ser considerado como uma pessoa com transtornos psiquiátricos.

Surgiram também as clínicas particulares especificamente atuando nesta área, mas com custos elevados, mantendo excluídos do tratamento uma grande parcela oriunda das classes mais empobrecidas da sociedade.

2º) Esse vácuo foi sendo ocupado por diferentes confissões religiosas, motivadas pela perspectiva de ―evangelização‖, mas também pela necessidade de fornecerem resposta aos pedidos de ajuda por tratamento que chegavam às suas portas na mesma proporção em que a dependência química alcançava números alarmantes de vítimas.

Observamos que, o CAPS/ad desempenha, dentro da política pública de atendimento à saúde mental, o serviço de atenção psicossocial a pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de SPA, tendo também o papel de regulador da porta de entrada do usuário à rede assistencial local de

atendimento, em articulação com o Conselho Municipal Antidrogas (COMAD). Porém, a ênfase do seu atendimento está na redução de danos e não na internação (abstinência), não reconhecendo as comunidades terapêuticas como espaço de tratamento clínico.

Como regime ―Fechado‖ e também ocupando o topo da pirâmide, está a atenção de maior complexidade, cujos sujeitos atendidos são aqueles com muito comprometimento com SPA e normalmente pouco motivados para o tratamento. Nesta modalidade estão as clínicas e hospitais psiquiátricos e os hospitais gerais. A internação do dependente químico é feita somente em último caso, quando as outras possibilidades não surtiram efeito e a situação do mesmo oferece risco à sua integridade ou à de outros.

A Política de Saúde conta com os hospitais gerais, que possuem leitos psiquiátricos ou unidades de desintoxicação, como hospitalar para os casos que exigem internação. Os dependentes em tratamento e outros pacientes recebem atendimento médico, psicológico, social e outros que se fizerem necessários de acordo com as particularidades de cada caso.

Essas internações ocorrem de acordo com a portaria nº. 224 de 29/01/92 da Secretaria de Assistência à Saúde, com modelo de longa e curta permanência (30 a 45 dias como referencial) com o objetivo de desintoxicação e encaminhamento para Ambulatório de Referência. Percebemos, mais uma vez, que as comunidades terapêuticas não são contadas como possibilidades de internamento, dentro da estrutura de atendimento da rede pública de saúde.

A interface das políticas públicas com as comunidades terapêuticas, no atendimento aos usuários de substâncias psicoativas, está claramente expressada na legislação vigente que versa sobre o assunto. Talvez a grande questão seja a operacionalização concreta dos princípios e diretrizes ali preconizadas e o reconhecimento do papel de cada instância pública e privada no atendimento à dependência química. São vários os sujeitos institucionais envolvidos, mas não podemos perder de vista que o principal sujeito participante deste processo não é institucional; mas sim, humano.

É o usuário/dependente de SPAs que deseja e busca atendimento e que tem o direito de ter acesso ao tratamento adequado à sua necessidade e de qualidade social. As políticas públicas que atuam nesta área, as comunidades terapêuticas e os conselhos municipais sobre drogas possuem especificidades para o enfrentamento desta questão que necessitam ser articuladas e operacionalizadas em função de um atendimento adequado e interdisciplinar.

Exercícios

Exercícios 1) O Sistema de Saúde Brasileiro (SUS), criado como parte da Constituição de 1988, visa

1) O Sistema de Saúde Brasileiro (SUS), criado como parte da Constituição de 1988, visa modificar substancialmente as condições de atendimento à saúde no Brasil.

A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

(A) O SUS, na sua concepção original, seria constituído por uma

rede exclusivamente pública.

(B) O SUS introduziu, como modificação importante, a

centralização de serviços, o que facilitou o planejamento de políticas nacionais mais abrangentes e efetivas.

(C) A integralidade é um dos princípios do SUS e tem a ver com o

direito de qualquer cidadão brasileiro se atendido pelo SUS.

(D) A participação social no SUS se restringe às sugestões que são

encaminhadas ao Conselho Municipal.

(E) Os serviços oferecidos devem diversificar os métodos e as

técnicas terapêuticas nos vários níveis de complexidade assistencial.

2) O Programa de Humanização em Saúde é considerado com uma das prioridades do atendimento em saúde no Brasil.

A respeito da humanização em saúde, assinale a afirmativa correta.

(A) O Programa Nacional de Humanização é voltado para otrabalho nos

hospitais.

(B) A atenção primária não é uma prioridade do Programa

Nacional de Humanização.

(C)

A modificação nos currículos de graduação tem sido

importante para a melhoria do cuidado em saúde

(D) A preocupação com o atendimento ao paciente com queixas

de dor tem tido importantes modificações a partir dos programas de humanização.

(E) O programa de humanização prioriza o aperfeiçoamentotécnicocientífico

de cada especialidade. 3) Os Programas de Atenção Básica têm concentrado muitosesforços de planejamento e avaliação de seus resultados.

Em relação a esses programas, analise as afirmativas a seguir.

I. A atenção à saúde da família faz parte das estratégias da atenção básica.

II. O foco do trabalho das equipes ligadas aos programas de saúde de família são as ações de promoção de saúde.

III. As equipes de saúde de família trabalham em um território definido.

Assinale:

(A)

se somente a afirmativa I estiver correta.

(B)

se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

(C)

se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

(D)

se somente a afirmativa III estiver correta

(E)

se todas as afirmativas estiverem corretas

4)O atendimento a pacientes em UTI tem tido sensíveismodificações, especialmente a partir das diretrizes do Programade Humanização em Saúde.

A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

(A) A presença de distúrbios agudos em pacientes internados em

UTI só aparece em caso de patologias prévias à internação.

(B) A impossibilidade de comunicação oral, resultante doprocedimento de

entubação, é uma das grandes dificuldadesdo paciente internado em UTI.

(C) As modificações ambientais, como a colocação de relógios

visíveis para os pacientes ou alguma iluminação naenfermaria, não têm efeitos sobre o grau de ansiedade dospacientes.

(D)

O trabalho do psicólogo, na maioria dos hospitais, se refereaos familiares

dos pacientes internados em UTI, não havendoatuação direta com os pacientes internados em UTI.

(E) Os programas para atendimento a pacientes em coma não

são passíveis de realização.

5) Um psicólogo foi procurado pelos pais de uma criança que sedisseram preocupados com a identidade de gênero do filho.

Segundo os pais, o adolescente de 13 anos vinha tendodificuldades na escola com os colegas, apresentandosedeprimido e dizendo sofrer muito em função desse problema.

A psicóloga propôs uma avaliação, ao final da qual foi acertado

(A) um tratamento que deveria tratar o problema de identidadeque tanto

mobilizava os pais.

(B) que não avaliaria o adolescente, uma vez que o Código deÉtica profissional

do Psicólogo não autoriza tratamentos paraquestões de identidade de gênero.

(C) um tratamento que indicaria o material de apoio para aavaliação

diagnóstica, que favorecesse a expressão deaspectos femininos como bonecas

e similares.

(D) um tratamento que deveria ser conduzido de acordo com atécnica

cognitivocomportamental.

(E) um tratamento que deveria focar a depressão e o sofrimentoda criança.

6)Uma das atribuições do psicólogo em sua prática cotidiana é aelaboração de documentos. Sobre a elaboração de documentos,de acordo com a Resolução n. 07/03, do Conselho Federal dePsicologia, assinale a afirmativa correta.

(A) A autenticidade do documenta exige o parecer psicológico e aassinatura do

parecerista.

(B) O planejamento do material (testes/material ludoterápico) aser utilizado em

um processo de avaliação deve ser o maishomogêneo possível.

(C) A declaração psicológica tem o objetivo de atestar fatos esituações,

devendo incluir o registro de sintomas, situaçõesou estados psicológicos.

(D) O parecer psicológico é um documento que deve avaliar osolicitante da

maneira mais ampla possível considerandosituações e/ou condições psicológicas e suas determinaçõeshistóricas, sociais, políticas e culturais.

(E) O parecer psicológico deve incluir a identificação, a exposiçãode motivos, a

análise e a conclusão.

7) Na atualidade, em relação à concepção de saúde, é possívelreferir inúmeras diferenças. A esse respeito, assinale a afirmativacorreta.

(A) A concepção de saúde contemporânea afirma a importância dos

profissionais enfatizarem os fatores unicausais das doenças.

(B) O relatório Flexner foi de grande importância para odesenvolvimento das

discussões de saúde.

(C) A medicalização de diferentes problemas sociais contribuipara agravar a

crise atual da saúde.

(D) A promoção de saúde é realizada quando se conseguedeterminar um fator

específico que cause a doença.

(E) As intervenções no sistema de saúde compreendem ações deprevenção,

tratamento ou recuperação.

8)A psicanálise contribuiu de forma importante para odesenvolvimento do trabalho do psicólogo hospitalar no Brasil.

A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

(A) Para que haja uma atuação em hospital são necessárias

mudanças no setting psicanalítico tradicional.

(B) Para o desenvolvimento da atuação em hospital, foinecessário fazer

modificações substanciais em conceitospsicanalíticos básicos.

(C) Um dos problemas para atuação em hospitais é a ausência de

demanda dos pacientes.

(D) No trabalho realizado em hospitais não é possível seguir um

plano terapêutico.

(E) Uma das dificuldades da implementação de serviçospsicanalíticos em

hospitais é a impossibilidade das camadaspopulares terem benefícios por esse método.

9) A psicanálise, por meio de suas diferentes leituras teóricas, teveimportantes contribuições ao trabalho dos psicólogoshospitalares no Brasil.

A esse respeito, analise as afirmativas a seguir.

I. A psicanálise se desenvolveu como um movimentoindependente da psicossomática.

II. O conceito de pensamento operatório de Pierre Marty seopõe ao conceito de alexitmia de Peter Sifneos.

III. Para Grodeck, todas as manifestações patológicas podem ser vistas como manifestações do inconsciente.

Assinale:

(A)

se somente a afirmativa I estiver correta.

(B)

se somente a afirmativa II estiver correta.

(C)

se somente a afirmativa III estiver correta.

(D)

se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

(E)

se todas as afirmativas estiverem corretas.

10) O SUS incorporou múltiplas modalidades de atendimento, buscando maior diversificação no trabalho proposto.

Em relação ao atendimento proposto pela rede, assinale aafirmativa correta.

(A) A saúde do adolescente não tem sido contemplada nosprogramas que vêm

sendo realizados pelo SUS.

(B) As equipes básicas do projeto de saúde da família sãoconstituídas por

médico, enfermeiro, assistente social,psicólogo/psiquiatra e oito agentes

comunitários.

(C) Um dos problemas da rede de cuidados é o da fixação deprofissionais na

atenção básica.

(D) As diretrizes de humanização em saúde não incluemtrabalhos em

reabilitação.

(E) As diretrizes de humanização não têm avançado no trabalhocom pacientes

aidéticos.

11)Com relação aos princípios teóricos da terapia cognitivo comportamental, assinale a afirmativa correta.

(A) A psicoterapia cognitivocomportamental não trabalha com ofeedback do

paciente.

(B) A terapia cognitivocomportamental não costuma dar continuidade ao

trabalho realizado em sessões anteriores.

(C) O conceito de empirismo colaborativo tem a ver com aconstrução de

hipóteses, feitas pelo terapeuta eapresentadas ao paciente.

(D) A terapia cognitivocomportamental não prevê possíveisrecaídas ao término

do trabalho.

(E) A qualidade da relação terapeuta/paciente tem grandeimportância para o

sucesso da terapia cognitivocomportamental.

12)Sobre os conceitos usados em um trabalho baseado na teoriapsicanalítica, analise as afirmativas a seguir.

I. A transferência é definida como um deslocamento para umobjeto da atualidade.

II. A transferência pode ser positiva e negativa.

III. As transferências eróticas podem se manifestar de diferentesmaneiras, obedecendo tanto a padrões neuróticos como apadrões psicóticos.

Assinale:

(A)

se apenas a afirmativa I estiver correta.

(B)

se apenas a afirmativa II estiver correta.

(C)

se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.

(D)

se apenas as afirmativas Ii e III estiverem corretas.

(E)

se todas as afirmativas estiverem corretas.

13)O inventário de depressão de Beck tem sido muito utilizado naprática clínica, seja em pacientes psiquiátricos ou na populaçãoem geral. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

(A) O inventário de depressão de Beck é uma escala deautoaplicação

composta de 25 itens.

(B) Os itens do inventário de depressão de Beck referemse amanifestações

comportamentais e cognitivas.

(C) O trabalho de Beck trouxe importantes contribuições para o

desenvolvimento de pesquisas sobre depressão.

(D) O inventário de Beck indica níveis decrescentes de depressãoem que as

alternativas têm sempre 4 possibilidades deresposta.

(E) O inventário de depressão de Beck tem seu uso limitado àpopulação adulta.

14)A entrevista familiar estruturada é um método construído evalidado na

década de setenta, com o objetivo de levantarquestões relativas à dinâmica

familiar.

A esse respeito, analise as afirmativas a seguir.

I. Um dos problemas no uso da entrevista familiar estruturadaé a exigência de um alto grau de verbalização dos sujeitos.

II. Para a análise do material coletado nas entrevistas, foramdeterminadas 12

categorias de análise.

III. A entrevista estruturada consiste na proposição de 8 tarefasque devem ser

realizadas conjuntamente pelos membros dafamília em uma sessão.

Assinale:

(A)

se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

(B)

se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

(C)

se somente a afirmativa I estiver correta.

(D)

se somente a afirmativa II estiver correta.

(E)

se somente a afirmativa III estiver correta.

15) Sobre algumas patologias que levam a vivências corporais muitoparticulares, analise as afirmativas a seguir.

I. Em casos de depressão grave, pode ocorrer o delírio denegação de órgãos.

II. No caso de pacientes esquizofrênicos, é comum a sensaçãode que o corpo

pode estar sendo controlado ou manipuladopor agentes externos.

III. Pacientes histéricos podem perceber seus órgãos genitaiscomo insensíveis

ou perigosos.

Assinale:

(A)

se somente a afirmativa II estiver correta.

(B)

se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

(C)

se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

(D)

se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

(E)

se todas as afirmativas estiverem corretas.

16)A respeito do transtorno póstraumático, tipo de patologia com características bastante marcantes, assinale a afirmativa correta.

(A)

No caso do transtornos póstraumático o fator causal não éidentificável.

(B)

Só muito recentemente a literatura especializada apresentoudescrição de

quadros similares ao transtorno póstraumático.

(C) O transtorno de estresse agudo não guarda nenhuma relaçãocom o

transtorno póstraumático.

(D) O transtorno póstraumático compreende os sintomas derevivência e os

sintomas de esquiva.

(E) Para a formação de respostas patológicas, são necessárias aexposição

objetiva a evento traumático e o sucesso naformação do evento traumático.

17)A psicologia humanista é considerada uma das importantestendências no trabalho clínico. A esse respeito, analise asafirmativas a seguir.

I. O conceito de tendência atualizante diz respeito aoreconhecimento de uma tendência inerente dos sereshumanos se desenvolverem em uma direção positiva.

II. O trabalho em psicologia humanista é dividido em fases ouetapas. Uma das classificações mais usadas considera a fasenão diretiva, a fase reflexiva, a fase experencial e a fasecoletiva ou interhumana.

III. Na etapa reflexiva, o trabalho inicial, marcado pela atitudenãodiretiva, é modificado para um centramento no cliente esugere uma postura mais ativa do terapeuta.

(A)

se somente a afirmativa I estiver correta.

(B)

se somente a afirmativa II estiver correta.

(C)

se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

(D)

se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

(E)

se todas as afirmativas estiverem corretas.

18)O processo de modificação da assistência em saúde mental noBrasil foi iniciado na década de 70 com a substituição do modelohospitalocêntrico.

A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

(A) No modelo de atenção psicossocial brasileiro, há manifestapreocupação

com o impacto da atuação nos CAPS sobre aequipe de saúde.

(B) O adoecimento de trabalhadores ligados a programas deCAPS não é

comum.

(C) Na atualidade, há medidas de prevenção ao sofrimentomental do

trabalhador que atua no CAPS.

(D) A criação de espaços de reflexão têm efeitos positivos sobre

os trabalhadores em saúde mental.

(E) Na atualidade, há inúmeros programas de capacitação para

profissionais que atuam na área.

19)O estudo da esquifofrenia envolve a identificação de uma sériede sintomas.

A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

(A)

As alucinações mais comuns nos pacientes esquizofrênicossão as visuais.

(B)

Os comportamentos desorganizados fazem parte do elencode sintomas

produtivos.

(C)

Os delírios característicos da paranóia costumam serdesorganizados.

(D)

As parafrenias são formas de psicose precoce em que oindivíduo mantém

certa preservação da personalidade

.

(E)

Situações traumáticas podem desencadear quadrospsicóticos, com

remissão rápida que não deixam sequelas nospacientes.

20)O governo brasileiro implementou as Estratégias da Saúde daFamília e de Agentes Comunitários de Saúde como uma forma defortalecer um modelo assistencial com base na atuação daVigilância de Saúde.

A esse respeito, analise as afirmativas a seguir.

I. As ações devem identificar os riscos, as necessidades, ospossíveis danos e as condições de vida e de trabalho dapopulação.

II. A identificação do trabalho de menores de 16 anos éconsiderado como um alerta epidemiológico.

III. O planejamento e a participação em atividades educativas emSaúde do Trabalhador, fazem parte das tarefas do agentecomunitário.

Assinale:

(A) se somente a afirmativa I estiver correta.

(B)

se somente a afirmativa II estiver correta.

(C)

se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

(D)

se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

(E)

se todas as afirmativas estiverem corretas.

1) E

2) D

3) C

4) E

5)E

6) C

7) A

8) C

9) C

10) E

11) E

12) C

13) B

14) E

15) E

16) D

17) E

18) D

19) E

20) E

Gabarito

Imagine uma nova história para sua vida e acredite nela.