Sei sulla pagina 1di 2

1 Não conheço pessoalmente a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

Por
razões profissionais, mantive com ela duas curtíssimas conversas telefónicas e portanto
a avaliação pessoal que faço da sua acção governativa utiliza os mesmos meios de
aferição ao alcance de qualquer português: as políticas do ministério, as declarações
públicas da ministra e as reacções que produzem.

Feita esta nota prévia, declaro desde já a minha simpatia pela pessoa: gosto da
convicção, da forma apaixonada como defende os seus argumentos, do turbilhão de
trabalho em que está manifestamente envolvida. Se peca é por excesso: por querer,
talvez, fazer em pouco tempo, numa Legislatura, o que talvez devesse caber em duas.
Mas também não tenho a certeza disso.

O que tenho a certeza é de que ela anda depressa de mais para a velocidade de um país
dominado pelas dinâmicas socioprofissionais, que interioriza a rotina como um direito
adquirido e, sobretudo, tem medo de mudar.

A polémica instalada à volta do sistema de avaliação do desempenho dos professores da


educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário é disso prova evidente. E não
pode ser vista como uma contestação isolada. É mais um acto de uma revolta
corporativa que começou no dia em que a ministra começou a mudar as regras do
pacato dia-a-dia das escolas portuguesas, uma das origens do país que somos.

2 De qualquer forma há aqui, hoje, não é possível escondê-lo, um problema nas escolas
que resulta da forma como os professores encaram e tentam resistir às mudanças. Não
terá, talvez, a dimensão que é projectada na comunicação social, mas existe.

É um facto.

A contestação, que começou por ser sindical (leia--se: organizada pelo Partido
Comunista Português), tem na actualidade uma dimensão geral que deve obrigar a
ministra a alguma reflexão, porventura a questionar não o sentido das suas convicções
mas o timing de implementação de todas as medidas que considera imprescindíveis para
termos uma escola de qualidade - mais profissional e competente.

Digo isto porque sou sensível a uma observação que ontem voltei a encontrar no meio
de uma reportagem do Público: "Os professores sentem-se desrespeitados, há um
sentimento de desespero."

Este estado de espírito merece reflexão.

Quem, como eu, acredita na necessidade da avaliação, seja nos professores, nos juízes
ou nos jornalistas, tem de defender que ela seja explicada, bem percepcionada, assumida
por todos os intervenientes, se não com entusiasmo pelo menos com a convicção de que
no futuro, ultrapassadas situações pontuais de um ou outro critério a rever ou de alguma
injustiça a rectificar, ela possa originar um modelo racional, digno, muito melhor do que
o vazio que hoje reina entre a apatia da comunidade, a pouca participação dos pais e o
normal espírito rebelde dos alunos.

Os processos de avaliação - a chave de ignição deste movimento - são sempre


momentos sensíveis, especialmente quando não há experiência na matéria, como é o
caso dos professores. A maior parte deles manifestamente não sabe que os objectivos
individuais contra os quais se rebelam são simples adaptações de modelos técnicos que
funcionam noutras actividades e praticados pelas grandes empresas especializadas na
avaliação de recursos humanos.

Os professores, que tanta justiça clamam para si, deveriam ser mais justos na apreciação
que fazem à ministra.

E a propósito das manifestações, em que vão, erradamente, pedir a demissão de Maria


de Lurdes Rodrigues, como já se percebeu, cabe-me dizer o seguinte: mal seria que em
Portugal ainda pudesse cair um ministro pelas razões que estão sobre a mesa e que,
apenas por mero oportunismo político da oposição, se podem comparar às que
resultaram na saída do anterior ministro da Saúde.

Se uma das condições para participar nas manifestações anunciadas fosse provar
conhecer a legislação que vai tutelar a avaliação dos docentes (Decreto Regulamentar
n.º2/2008, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 7 de 10 de Janeiro deste
ano), tê-la lido e compreendido, provavelmente não haveria tanta contestação como
aquela que pode vir a desembocar na "marcha de indignação dos professores"
convocada para o próximo dia 8.