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ÓRGÃO OFICIAL DE JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL DE ALÇADA DO ESTADO DE MINAS GERAIS TRIBUNAL DE
ÓRGÃO OFICIAL DE JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL DE ALÇADA DO ESTADO DE MINAS GERAIS TRIBUNAL DE

ÓRGÃO OFICIAL DE JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL DE ALÇADA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

DO TRIBUNAL DE ALÇADA DO ESTADO DE MINAS GERAIS TRIBUNAL DE 4t\lcada DO ESTADO DE MINAS

TRIBUNAL DE 4t\lcada

DO

ESTADO

DE

MINAS GERAIS

RJTAMG

Belo Horizonte

DO ESTADO DE MINAS GERAIS TRIBUNAL DE 4t\lcada DO ESTADO DE MINAS GERAIS RJTAMG Belo Horizonte

jan./mar.

DO ESTADO DE MINAS GERAIS TRIBUNAL DE 4t\lcada DO ESTADO DE MINAS GERAIS RJTAMG Belo Horizonte

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tAtlu~;uuls de

credores acusem a transmissão

não
não

prejuízo algum para eles. As garantias que existiam antes da nuam as mesmas depois do ato de disposição do bem HH~J'-'J'u"J"' Permanecendo intactas as garantias, não cabe ao credor pretender a penhora do imóvel residencial protegido pela Lei n. 8.009/90 apenas porque o devedor deliberou aliená-lo.

O mesmo, obviamente, não acontecerá se o devedor deixar de usar o imóvel como moradia e o destinar ostensivamente a ser negociado. Aí, sim, antes da alienação o bem terá sido desafetado, retomando a condição de penhorável, e, quando do ato de disposição, já figurará no acervo geral de garantia dos credores. Nesse quadro será possível a configuração da fraude de execução, se insolvente o alienante, já que o desfalque da garantia patrimonial se revelará evidente.

Há interessante acórdão do STJ, em que, fazendo prevalecer o fim social do bem de família, mesmo quando o devedor constitua hipoteca sobre ele, ficou devido que o dito negócio só produz o efeito de liberar a penhora para o credor hipotecário, em nada favorecendo outros credores quirografários. Por isso, "o que sobejar como diferença entre o preço obtido com a alienação for- çada do bem e o pagamento do crédito privilegiado deve reverter em favor do insolvente, para aquisição, em prazo razoável, de outro imóvel residencial" (STJ, 4aT., REsp. n. 30.259-0/SP, Rel. Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO, ac. 8/2/93, DJU de 29/3/93, p. 5.260; MÁRCIA CLÁUDIA CACHAPUZ, Bem de Famí- lia: uma análise contemporânea, RT, v. 770, p. 46).

Com as devidas adaptações, o entendimento do STJ pode ser aplicado também à venda do imóvel residencial. Convém recordar, ainda, que o STJ, em nome da função social do bem de família, tem reconhecido sua subsistência até quando o devedor deixa de nele abrigar a família por necessidade de obter renda para sua subsistência, com aluguel de parte ou de todo o único prédio residencial disponível (v. item 8.3, retro).

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Horizonte, v. 78, p. 15-44, jan./mar. 2000 DOUTRINA 45 AGNALDO RODRIGUES PEREIRA Juiz de Direito "Constatada

AGNALDO RODRIGUES PEREIRA

Juiz de Direito

"Constatada a verossimilhança da alegação de ilegalidade de Lei

Municipal em face da Lei Orgânica Municipal e presente, ainda,

o in mora, possível a antecipação da tutela pretendi-

da, via ação declaratória, suspendendo-se os efeitos concretos da lei objurgada".

No Direito Brasileiro, em que a Constituição tem primado absoluto sobre as demais leis, vez por outra os operadores do Direito são apanhados às voltas com questões de inconstitucionalidade de leis. MANOEL GoNÇALVES FERREIRA FI- LHO, quando leciona sobre a supremacia da Constituição e a invalidade de toda lei ou de todo ato que com a mesma contradisser, afirma:

princípio pacífico em nosso Direito a supremacia da Constitui- ção, com todas as conseqüências, em especial, a sua rigidez, de onde de- corre a invalidade de toda lei ou de todo ato que a mesma contradisser. A validade de qualquer ato derivado da Constituição, portanto, depende de sua concordância com a Constituição. Depende, mais precisamente, da ob- servância dos requisitos formais e substanciais estabelecidos na Constitui- ção. É isso que ensina Alfredo Buzaid, esclarecendo, com a limpidez que lhe é peculiar, que 'os requisitos formais concernem, do ponto de vista subjetivo, ao órgão competente, de onde emana a lei; e, do ponto de vista objetivo, a observância da forma, prazo e rito prescrito para a sua ela- boração; os requisitos substanciais se referem ao respeito aos direitos as- segurados pela Constituição, ou à inexistência de violação às garantias cons- titucionais'.

Ora, 'de modo algum há regras jurídicas menos fortes no texto constitu- cional', reconhece Pontes de Miranda, de modo que tanto é inconstitucional o

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ato que foi editado com descumprimento dos requisitos fere direitos ou garantias asseguradas pela Constituição.
ato que foi editado com descumprimento dos requisitos
fere direitos ou garantias asseguradas pela Constituição.
o que
Há mais de cento e cinqüenta anos, dizia Marshall, no célebre Marbury
versus Madison: 'É
claro
para ser
a
ato n:;~;ISI<l\U
é uma lei mais
ma,
por meios
e é assim alterável
ou
no
dos atos
.
comuns
à
.
Se a pnme1ra
hipótese' é a correta, então um ato legislativo contrário à Constituição não é l.ei;
se a segunda é a correta, então as Constituições escritas não passam de tentat1va
da parte do povo para limitar um poder de natureza ilimitável'.

Destarte

conforme o ensinamento de Marshall, seguido pela doutrina

americana e pela brasileira, 'toda lei adversa à

te nula; não simplesmente anulável'. o

ato nulo é ser insusceptível de convalidação" 1 (Grifo meu). Desta forma, dúvida não há da primazia total da Lei Maior sobre as legislações inferiores. Com a primazia indubitável sobre o ordenamento jurídico brasileiro, a atual Constituição cuidou de robustecer a situação do Município, dando-lhe certa autonomia. Dita autonomia municipal vem consubstanciada nos poderes de auto-organização, autogoverno, faculdade normativa e auto?eterminação. Destas a auto-organização cumulada com a faculdade normativa confere ao Municfpio autonomia para organizar-se através de Lei Orgânica Própria com competência para editar leis próprias. Assim o Município edita leis no âmbito da sua competência, as quais têm a mesm~hierarquia das leis federais ou estaduais. Na órbita Municipal, a Lei Orgânica se equipara à Lei Magna. REGINA MARIA MACEDO NERY FERRARI, quando leciona sobre a Lei Orgâ- nica Municipal e a Competência Legislativa do Município, afirma:

e mais importante compe~ênci~ l~gislatiya?o Município é;

sem sombra de dúvida, a de elaborar sua Le1 Orgamca, po1s e ela que devera indicar quais as matérias de competência privativa municip~l, estabele~e.r o processo legislativo das leis em geral, assim como o da sua le1 orçamentana.

29 da Constituição de 198~, que

determina: 'O Município reger-se-á por Lei Orgânica, votada em d01s tur-

é absolutamen-

do

"A principal

Esta capacidade vem disposta no art.

1 Curso de Direito Constitucional, 17. ed., Saraiva, 1989.

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Belo Horizonte, v. 78, p. 45-55,jan./mar. 2000 DOUTRINA 47 mem- esta- Estado e os pre-

mem-

esta-

Estado e os pre-

auJ'""'"' respondendo à pergunta 'Em que consiste a Lei Orgânica , conclui:

do

"Ela mais é do que a Constituição Municipal, que organizará a Administração e a relação entre os órgãos do Executivo e Legislativo, discipli- nando a competência legislativa do Município, observadas as peculiaridades locais, bem como sua competência comum, disposta no art. 23, e sua compe- tência suplementar, disposta no art. 30, inc. da Constituição Federal. Porém essa organização não é inteiramente livre, ou seja, o Município não pode organizar-se, organizar os seus órgãos, os seus poderes, da forma que quiser; terá, no ato de elaboração de sua Lei Orgânica, de observar os limites contidos nas Constituições Federal e Estadual e os elencados no art. 29 da nossa Lei Maior. Antes de analisar esses limites, é importante ressaltar que a Lei Orgâni- ca, nos moldes do art. 29, tem como característica sua rigidez, o que advém do processo especialíssimo de sua elaboração, isto é, votada em dois turnos, com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara dos Vereadores, sendo por esta afinal promulgada. Desta forma, cabe à própria Lei Orgânica estabelecer regras para sua alteração, visto que só poderá ser alterada se obedecido o mesmo processo que a gerou, só poderá ser modificada pelo mesmo processo previsto para sua criação. Do reconhecimento de sua rigidez, admite-se uma hierarquia entre a Lei Maior do Município e sua legislação ordinária conseqüente, do que se conclui que as leis locais que a contrariarem serão ilegítimas ou inválidas, deven- do assim ser declaradas pelos órgãos do Poder Judiciário dos Estados Membros a que pertencem, pois o Município não tem competência, segundo o atual regime constitucional brasileiro, para o exercício da função jurisdicional" (Sublinhei).

Pois bem, do acima estampado conclui-se que a Lei Orgânica do Muni- cípio tem, no âmbito da sua competência, força de Lei Maior, e, para sua emenda, alteração ou supressão, necessária se faz a apresentação, votação e promulga- ção de projeto com essa finalidade.

2 Elementos de Direito Municipal, RT, 1993.

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Por ser norma de

a tará os princípios gerais da rigidez contidos no art. 29 da regulamentando através de artigo 0 rc>c•r>P0"' que a proposta de emenda será "votada em dois com o interstício

".

emenda será "votada em dois com o interstício ". mo de dez dias, e aprovada por

mo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta

Constituição do respectivo Estado

A rigor, a primeira pergunta que se faz é: seria possível a emenda, alte- ração ou supressão de norma constante Lei Orgânica com base em projeto de lei votado uma única vez, com maioria simples e sancionado pelo Prefeito

Municipal? Segundo as lições colacionadas, a resposta deve ser negativa, ten-

do em vista que a Lei Orgânica Municipal é para efeitos de

rarquia das normas, à Lei impondo-se um processo rígido para sua modificação, não sendo permitida sua emenda através de processo simplifica- do, utilizado para criação das demais leis. Note-se que o projeto seria votado em plenário como lei ordinária, ou seja, apenas uma vez, sem maioria qualifi- cada e, ao contrário de ser promulgado pela Mesa da Câmara, haveria sanção pelo Prefeito Municipal. A tramitação do projeto e formação do dispositivo, neste caso, é de vício essencial, pois não precedida dos atos indispensáveis à formação de uma emenda à Lei Orgânica. Ora, afastado o procedimento fixa- do pela Constituição Federal, do qual a própria Lei Orgânica foi obediente em repetir, para formação da emenda, têm-se por descumpridas as normas insculpidas no referido dispositivo da Constituição Federal vigente, bem como da Lei Orgânica que a repete. Assim, se vicioso o trâmite, nulo é o ato, no caso, a emenda. A nosso modesto entendimento, em princípio, o vício que sobressai e envolve a forma- ção da emenda será o da legalidade, pois a tramitação do projeto não atendeu a nenhum dos requisitos formais exigidos pelo dispositivo que regulamenta a modificação da Lei Orgânica. A falta de observância das formalidades indis- pensáveis à emenda da Lei Orgânica torna o próprio ato nulo, não podendo surtir efeitos. Então, mesmo que aprovada, a lei não terá o condão de modifi- car, alterar ou revogar dispositivo constante da Lei Orgânica. Neste contexto, ferido o princípio da legalidade, conclui-se que dita lei é, como leciona Regina Maria Macedo Nery Ferrari, ilegítima ou inválida, devendo assim ser declara- da pelo órgão do Poder Judiciário. Mas, neste caso, qual o órgão do Poder Judiciário competente? Qual o remédio jurídico apto para atacar o ato? Seria Ação Direta de Inconstitucio- nalidade, Mandado de Segurança, Ação Popular, Ação Civil Pública ou Ação

hie-

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Horizonte, v. 78, p. 45-55, jan./mar. 2000 DOUTRINA 49 De par com isso, surgem as primeiras

De par com isso, surgem as primeiras dúvidas, tanto para do

de

cabível quanto para

da

Nota-se de início

que a Municipal vai de encontro à Lei Orgânica Municipal. Na hi~ótesequ~ avençamos, e sobre a qual trabalhamos, as Constituições Federal e Estadual não foram agredidas, pois, ao repetir o art. 29 da CF, a própria Lei Orgânica acaba por o confronto da Lei Municipal em face das Constituições Estadual ou Federal. Inibe-se, com isso, a competência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Justiça do Estado. Adotados os princípios da especialidade e da com- petência residual, restará, pois, como competente, o Juízo da Comarca onde está situado o Município para conhecer de ação que vise atacar o ato. Uma vez fixada a competência, tem-se a escolha do tipo de ação cabí- veL Nessa hora, bifurcam-se os caminhos, dependendo dos efeitos da lei edita- da, dividindo-se, ainda, as posições doutrinárias. HELLY LOPES MEIRELES, quando define o objeto do Mandado de Segu- rança e o seu alcance, afirma:

"A lei em tese, como norma abstrata de conduta, não é atacável por mandado de segurança (STF, Súmula 266), pela óbvia razão de que não lesa, por si só, qualquer direito individual. Necessária se torna a conversão da nor- ma abstrata em ato concreto para expor-se à impetração, mas nada impede que, na sua execução, venha a ser declarada inconstitucional pela via do mandamus. Somente as leis e decretos de efeitos concretos tornam-se passíveis de manda- do de segurança, desde sua publicação, por equivalentes a atos administrativos nos seus resultados imediatos. Vê-se, portanto, que o objeto normal do mandado de segurança é o ato administrativo específico, mas por exceção presta-se a atacar as leis e decretos de efeitos concretos, as deliberações legislativas e as decisões judiciais para as ~uais não haja recurso capaz de impedir a lesão ao direito subjetivo do

1mpetrante.

3 Como .exemplo, cita-se lei que, ferindo o princípio da legalidade, emenda a Lei Orgânica Mumc1pal para alterar a data da eleição e posse da Mesa da Câmara.

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Por leis e decretos de efeitos concretos em:enaeiTH>e em si mesmos o resultado específico pretendido, tais como as que aprovam

planos de urbanização, as que fixam limites

pios ou desmembram distritos, as que concedem isenções fiscais; as que proí- bem atividades ou condutas individuais; os decretos que desapropriam bens, os que fixam tarifas, os que fazem nomeações e outros dessa espécie. Tais leis ou decretos nada têm de normativos; são atos de efeitos concretos, revestindo a forma imprópria de lei ou decreto por exigências administrativas. Não contêm mandamentos genéricos, nem apresentam qualquer regra abstrata de conduta; atuam concreta e imediatamente como qualquer ato administrativo de efeitos individuais e específicos, razão pela qual se expõem ao ataque pelo mandado de segurança. Em geral, as leis, decretos e demais atos proibitivas são sempre de efei- tos concretos, pois atuam direta e imediatamente sobre seus destinatários. Por deliberações legislativas atacáveis por mandado de segurança en- tendem-se as decisões do Plenário ou da Mesa ofensivas de direito individual ou coletivo de terceiros, dos membros da Corporação, das Comissões, ou da própria Mesa, no uso de suas atribuições e prerrogativas institucionais. As Câ- maras Legislativas não estão dispensadas da observância da Constituição, da lei em geral e do Regimento Interno em especial. A tramitação e a forma dos atos do Legislativo são sempre vinculadas às normas legais que os regem; a discricionariedade ou soberania dos corpos legislativos só se apresentam na escolha do conteúdo da lei, nas opções da votação e nas questões interna corporis de sua organização representativa. Nesses atos, resoluções ou decretos legislativos, caberá a segurança quando ofensivos de direito individual público ou privado do impetrante, como caberá também contra a aprovação de l~i,p~la Câmara, ou sanção, pelo Executivo, com infringência do processo leg1slat1vo pertinente, tendo legitimidade para a impetração tanto o le~ad?pela aplicaçã.o da norma ilegalmente elaborada quanto o parlamentar preJudicado no seu di- reito público subjetivo de votá-la regularmente." 4 Da lição supra, extrai-se que cabível o mandado de segurança quando a lei for de efeitos concretos e que, por sua natureza, uma vez editada, fira imediatamente direito líquido, certo e determinado do impetrante. Sendo lei abstraía, impossível o uso do mandamus. Da mesma forma, sendo lei de efeitos concretos, isto é, aquela que já traz em si as conseqüências imediatas de sua atuação, como a que desapro-

imediatas de sua atuação, como a que desapro- as que 4 Mandado de Segurança, 16. ed.,

as que

imediatas de sua atuação, como a que desapro- as que 4 Mandado de Segurança, 16. ed.,

4 Mandado de Segurança, 16. ed., Malheiros, p. 31-33.

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o
o

visto que material- ser

mente se equiparam aos atos

como visto acima, por Mandado de Segurança, conforme o direito ou o inte-

resse por elas lesados, mas incabível a tese (Súmula 266 do STF).

se se tratar de lei em

a tese (Súmula 266 do STF). se se tratar de lei em No caso de civil

No caso de

civil

266 do STF). se se tratar de lei em No caso de civil ter-se-á de analisar

ter-se-á de analisar o conteúdo da lei

editada, e, se se enquadrar entre as hipóteses previstas para sua aplicação, pos-

sível o seu uso. Em princípio, cabível a

nas, do conteúdo pragmático da lei. Obstados o uso do remédio heróico e da ação há que existir, além da ação civil outras normas processuais em vigor que sejam instrumentos aptos a proteger a população de leis que, sendo abstraías, porém de efeitos concretos, firam direito público. Esse direito estaria consubstanciado no direito subjetivo do resguardo à Lei Orgânica Municipal, que só pode ser modificada através de projeto de lei votado e promulgado de acordo com a rigidez exigida pela Magna Carta. 5 A situação passa a ser delicada. A posição da doutrina é forte no sentido de que não cabe ação direta de inconstitucionalidade ou ilegitimidade para atacar as leis que porventura agridam a Lei Orgânica dos Municípios; somente aqueles que forem por elas atingidos poderão, por via de defesa, apresentar impugnação. CELso BASTOS, em artigo intitulado O município: sua evolução histórica e suas atuais competências, publicado às p. 54-76, na Revista dos Tribunais, Caderno de Direito Constitucional, cita em prol da corrente supra o ilustre Jurista JosÉ AFONSO DA SILVA, afirmando:

"Assim, as leis locais contrárias à Lei Orgânica serão ilegítimas e inváli- das, desde que assim seja declarada pelo Judiciário, por via indireta, não estan- do prevista na Constituição Federal a possibilidade de ação direita de ilegitimi- dade da lei local em face da Lei Orgânica do Município.

Se o nosso Poder Judiciário fosse um pouco mais aberto à defesa do espírito das Constituições, bem que poderíamos sustentar a possibilidade de a Constituição do Estado estatuir perante o Juiz da Comarca competente o

civil

dependendo, ape-

5 Como no exemplo supra, onde, ferindo o princípio da legalidade, emenda-se a Lei Orgâni- ca Municipal, alterando a data da eleição e posse da Mesa da Câmara, por força de projeto de lei apresentado, votado e sancionado como se Lei Ordinária fosse.

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ajuizamento de

pal em face da sua própria Lei Orgânica, com recurso para o Justiça".

Não obstante a cultura dos ilustres professores, permissa ouso discordar, pois a limitação imposta, restringindo ao questionamento da lei ape- nas via de defesa ou está a ferir o direito subjetivo dos cidadãos de terem resguardadas as diretrizes traçadas pela Lei Orgânica Municipal, em face de casuísmos eleitoreiros, espúrios e ilegais dos membros da edilidade. O silêncio das Constituições Federal e Estadual não pode ser óbice à propositura de ação visando à proteção da Lei Maior Municipal.

de

de ilegitimidade de lei ou ato normativo munici-

Rogata venia, apesar de contestado por parte da doutrina, somos de opi- nião diversa, e, partindo-se do princípio de que para todo direito existe uma ação que o assegure, há que se permitir o manejo de ação ordinária visando à declaração da ilegalidade cometida na formação da emenda.

Inexistindo ação declaratória de inconstitucionalidade de lei municipal em face da própria Lei Orgânica do Município, surge a ação ordinária como forma e figura de juízo capaz de atacar o ato inquinado de ilegalidade.

A ação será ordinária com pedido declaratório. A declaração visada não será de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, pois terá por objeto a declaração de vício formal cometido na elaboração da emenda e, em conse- qüência, no retorno ao status quo ante.

Conclui-se, então, que a ilegalidade cometida poderá ser atacada via ação ordinária, ação ordinária declaratória de ilegalidade, ação declara- tória ou ação dedaratória de ilegalidade. ln casu, o nome dado à ação não é importante. Interessam, isto sim, os fundamentos de fato e de direito nela conti- dos e o pedido, trazendo a lume a máxima da mihi Jactum, dabo tibi jus, haja vista que "nada veda que a declaratória seja ajuizada em conexão com pedido constitutivo ou condenatório. O nome com o qual se rotula a causa é sem rele-

vância para

No pólo ativo situar-se-ão, se for o caso, aqueles vereadores que, ausen- tes à sessão, não participaram da votação da pretensa emenda. Também cida- dãos que, seguidores dos princípios norteadores do direito, vejam na emenda uma afronta à moralidade administrativa e ao seu direito subjetivo de viver em uma sociedade, onde a Lei Maior só pode ser mudada mediante a adoção de procedimento próprio.

a ciência processual." 6

6 RSTJ 37-368 e Just. 166-196.

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com à art. 273 e incisos do CPC. da ela ser au- sendo declaratória, como
com
à
art. 273 e incisos do CPC.
da
ela
ser
au-
sendo declaratória, como já reconhecido
a
pação
tutela pretendida? A resposta deve ser p~sitiva, poi,s ."não se

afastar, em princípio, o cabimento de cautela em açao declarat~napara obter a

antecipação provisória da prestação jurisdicional. ~la é adm1s_sível, ~mbora excepcionalmente, sempre que houver fundado ~ecew de dano 1rreparavel ou de difícil reparação (RTFR 134/15). Neste sentido: RTFR 157/233, 158/97, RJTJESP 106/319, JTA 99/33." 7 O legislador que a previu não inscreveu qual- quer distinção, no que o intérprete fica impedido de fazê-lo. HuMBERTO THEODORO JúNIOR, em recente artigo publicado, após ex- por e analisar os princípios nor~eadores da tut~laant~~ipada,frente à do~­ trina e à jurisprudência predommantes, conclmu que ~ao ha: como, se ve, na mais moderna visão doutrinária do processo preventlvo, um obstaculo a medidas cautelares, sejam conservativas ou antecipativas, no âmbito ?a tu- tela de mérito declaratória ou constitutiva. O que se impõe são criténos de adaptação das medidas antecipatórias _às peculiari~~des d~s açõe~ e~ ~ue~­ tão, sem, contudo, afastá-las de maneira peremptona da area de mc1denc1a

do art. 273 do CPC". 8

Assim, a tutela antecipada terá cabimento, nas ações declaratórias, para assegurar à parte, em c ará ter provisório, _a~gum bem da. vi?a. que decorra ~a futura decretação de nulidade ou anulab1hdade de ato JUndico e/ou relaçao jurídica controvertida. Na espécie, a verossimilhança da alegação será comprovada pel_a análise

confirmado o

dos documentos apresentados. 9 Cotejando ditos documentos, se

vício, presente estará a verossimilhança da alegação. A irreparabilidade do dano é própria dos efeitos das leis, haja vista que os atos praticados pela Câmara e pela própria Municipalidade, com base na emenda, serão nulos de pleno direito.

7 Theotonio Negrão. 29. ed., Saraiva, p. 77, art. 4°, nota 6.

8 RT 763/11, maio/99.

9 Cópias do projeto da Lei, da Ata da Sessão, da Lei Orgânica Municipal e da Le1 que fora promulgada/sancionada em face da Lei Orgânica Munic1pal.

.

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Neste caso,

as presenças do

fumus QQnijuris, pelQque a tutela antecipada

ser deferida.

in mora e

Com suporte na fundamentação aduzida, em caso ao e·xemplo dado, fora concedida nos autos n. 10.301/99, Ação Declaratória de Ilegitimida- de, na 2~ Vara da Comarca de São Francisco, "A antecipação da tutela pretendida na exordial para, reconhecendo a verossimilhança da alegação de ilegalidade da Lei n. 153/98, de 12/11/98, do Município de Chapada Gaúcha, MG, suspender os seus efeitos concretos, mantendo em vigor o § 1ºdo art. 83 da Lei Orgânica Municipal, até final decisão."

Essa decisão interlocutória foi atacada via agravo de instrumento junto ao eg. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, Agravo n. 144.563-4, julgado em 24/6/99-Acórdão publicado no Diário Oficial do dia 27/8/99, Relator oDes. ALoYsro NoGUEIRA que, apreciando a matéria versada, afastou as prelimi- nares argüidas e, no mérito, confirmou a possibilidade da antecipação da tutela, merecendo, do voto, especial destaque para as seguintes passagens:

"Alegam os agravantes a impossibilidade do uso da ação ajuizada para questionar a constitucionalidade da Lei 153/98. Entendem que tal pe- dido só poderia ter sido realizado através de ação direta de inconstitucio- nalidade. No entanto, estou em que, por meio da ação denominada 'declaratória de ilegitimidade', pretendem os autores atacar os efeitos con- cretos da lei, cuja inconstitucionalidade alega-se somente para efeito de solicitar o controle difuso das normas. Nessas condições, entendo ser pos- sível o exame da matéria no bojo da ação ajuizada, razão pela qual rejeito também a preliminar sob exame."

A antecipação da tutela é medida prevista pelo art. 273 do CPC,

devendo ser concedida no caso de o juiz convencer-se da verossimilhança da

alegação e desde que haja fundado receio de dano irreparável ou de dificil reparação.

análise da decisão hostilizada (f. 49-56), vê-se que o douto juiz a

quo discorreu acerca desses dois pressupostos, fundamentando sua decisão na existência de ambos. Seu entendimento parece-me adequado e de acordo com as provas documentais carreadas aos autos.

Com efeito, as provas trazidas até então demonstram a irregulari-

dade no processo legislativo que deu origem à Lei 153/98, e a manutenção da Mesa da Câmara Municipal, eleita com fulcro na aludida norma questiona- da, poderia provocar invalidação dos atos da Câmara Municipal de Chapada Gaúcha".

( )

( )Da

( )

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DOUTRINA

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Horizonte, v. 78, p. 45-55, jan./mar. 2000 DOUTRINA 55 E m f a c e é

Em face

p. 45-55, jan./mar. 2000 DOUTRINA 55 E m f a c e é concluir: I- o

é concluir:

I- o Juízo de la Instância está autorizado a conhecer de à declaração de ilegitimidade ou ilegalidade de Lei

de à declaração de ilegitimidade ou ilegalidade de Lei II - a ilegitimidade ou a ilegalidade
de à declaração de ilegitimidade ou ilegalidade de Lei II - a ilegitimidade ou a ilegalidade

II - a ilegitimidade ou a ilegalidade civil

de Lei II - a ilegitimidade ou a ilegalidade civil rito ordinário); e III - constatada
de Lei II - a ilegitimidade ou a ilegalidade civil rito ordinário); e III - constatada

rito ordinário); e

III -

constatada a verossimilhança da alegação de ilegalidade

- constatada a verossimilhança da alegação de ilegalidade Municipal em face da Lei Orgânica e presente,

Municipal em face da Lei Orgânica e presente, in mora, possível a antecipação tutela suspendendo-se os

concretos da referida lei.

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