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INFORMATIVO DA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO Nº 84 - MAIO E JUNHO / 2010

INFORMATIVO DA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO

Nº 84 - MAIO E JUNHO / 2010

FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO Nº 84 - MAIO E JUNHO / 2010 UFRPE e Governo do

UFRPE e Governo do Estado comandam escola de referência modelo

A e s c ola públ ic a como centro ino- vador para formação

simultânea de estudan- tes do Ensino Médio, de professores da rede pública e de alunos de licenciaturas. Esse é

o perfil da Escola de

Referência e Formação de Professores Cândido Duarte, no bairro de Dois Irmãos, cuja nova estrutura pedagógica a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Governo do Estado inaugu- raram no mês de março.

O centro de referência diferenciado oferece

à rede pública a implantação de mudanças no âmbito de conteúdos, métodos e gestão. Os alunos terão aulas em período integral, com acompanhamento constante da equipe de docentes do Departamento de Educação da UFRPE e com a participação de alunos das licenciaturas da universidade. A gestão e a manutenção da escola ficarão a cargo da Secretaria Estadual de Educação.

O modelo piloto visa à formação do

estudante de ensino médio por meio do aco- lhimento e do trato da diversidade, a partir de atividades de enriquecimento cultural, do uso de tecnologias da informação e da comunicação, de metodologias e materiais inovadores e da interação da escola com a família e a comunidade. Ao mesmo tempo, o centro de formação possibilitará as licenciandos da UFRPE estudos e práticas que valorizam a escola pública como espaço social de experiências para a construção do conhecimento, além do contato com projetos político-pedagógicos, diretrizes curriculares e rotina em sala de aula. O projeto ainda estimula a formação continuada dos professores.

O reitor da UFRPE, professor Valmar

Bruno Andrade
Bruno Andrade

Corrêa de Andrade, ressalta que os desafios do novo século exigem profunda reestrutu- ração da educação superior que signifique, no contexto democrático, pacto entre go- verno, instituições de ensino e sociedade, visando à elevação de níveis de acesso à educação superior pública e gratuita, bem como ao progresso do padrão de qualidade do ensino. Para o reitor, a essa expansão do sistema público federal de ensino superior deve estar associada à reestruturação acadêmica

e curricular que, entre outras mudanças,

seja capaz de promover articulação com a educação básica, principalmente no nível do ensino médio, que enfrenta importantes mudanças na atualização de metodologias e tecnologias de ensino-aprendizagem. “As instituições de ensino devem aliar ao

uso de novas tecnologias de apoio à apren- dizagem mecanismos de inclusão social e

a construção de itinerários formativos que

preparem os estudantes para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. É ur- gente ensinar os indivíduos a ter consciência de conjunto, um sentimento de pertenci- mento democrático, plural, com respeito às diferenças, mas com a possibilidade de diálogo, com um dialeto em comum”, pondera.

UFRPE inaugura fazenda de beijupirá em alto mar Página 3
UFRPE inaugura
fazenda de beijupirá
em alto mar
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Ridesa libera novas variedades RB de cana-de-açúcar

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Pasteurizador compacto insere produtor familiar no mercado do leite

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Comissão de Ética analisa uso de animais em pesquisas

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Pesquisadores Desvendam Segredos do Horto Zoobotânico de Nassau no Recife

Fernando Azevedo
Fernando Azevedo

E n t r e os animais, podiam ser encontrados t u c a n o s , araras, ta- m a n d u á s , capivaras, pacus, pei- xes, tatus, entre outras espécies da fauna nativa. Também foram trazidos ani- mais da África – e de outros países ameri- canos –, como tigres, cabras angolanas e aves. “Havia grande diversidade de animais de nossa fauna usados para exibição entre os convidados de Nassau. Os colonizadores ficaram deslumbrados com a beleza desses animais” destaca a professora Maria Adélia Borstelmann de Oliveira, do Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal da UFR- PE. “Mas o horto também tinha caráter utilitário, pois muitas espécies eram criadas para consumo dos colonizadores”, completa. No atual Teatro de Santa Isabel, existia um grande viveiro de peixes, que eram criados com o propósito de servir de reserva de ali- mento para os holandeses. A flora presente em Friburgo também le- vava em conta critérios estéticos e utilitários. Como Nassau tencionava organizar uma espécie de principado no Recife, o palácio de Friburgo e seu jardim seguiam as tendências de muitos castelos europeus. “Foi o primeiro projeto paisagístico planejado rigorosamente no Brasil. Ele é baseado num profundo ge- ometrismo, composto por figuras paralelas, canteiros com forma de figuras geométricas, definidas, marcadas. Era uma tendência in- ternacional na época, que se encontrava nos jardins italianos, franceses do Renascimen- to”, explica Isabelle Meunier, professora do Departamento de Ciências Florestais. Segundo a pesquisadora, a construção do jardim também obedeceu a estratégias que

O Palácio de Friburgo, uma das três resi- dências utilizadas pelo conde João Maurício de Nassau, no período em que governou o Brasil Holandês (1637-1644), abrigava um jardim que fascina até hoje quem se propõe a estudar esse pedaço da história. Localizado na área onde atualmente se encontram a Praça da República, o Teatro de Santa Isabel e o Palácio do Campo das Princesas, no coração do Recife, o jardim funcionou como uma espécie de horto zoobotânico, o primeiro das Américas em estilo europeu. A história, a flora e a fauna do espaço foram objeto de estudos de um grupo de pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). “Houve, antes do horto de Friburgo, outro mais antigo na América, mas organi- zado sob visão dos povos ameríndios, pro- vavelmente astecas. Mas o que encontramos por trás do palácio de Friburgo pode ser considerado o primeiro horto zoobotânico em moldes europeus de todas as Américas”, esclarece o professor Argus Vasconcelos de Almeida, do Departamento de Biologia da UFRPE, estudioso da História Natural do Brasil Holandês. Segundo o pesquisador, Nassau procurou construir espaço onde espécies de plantas e animais do Nordeste brasileiro pudessem ser contemplados por ele e seus convidados. Além disso, o local serviria como centro de reserva e produção de alimentos e como palco onde cientistas, 2 trazidos pelo governador em sua comitiva, realizariam pesquisas.

visavam à criação de reservas de alimento para consumo dos colonizadores. Entre os

registros encontrados, há relatos do médico

e naturalista Guilherme Piso, trazido por

Nassau para estudar a natureza da colônia, que apontam a nossa mangaba como “a mais saborosa fruta das Américas”. A pitanga, segundo esse mesmo cientista, servia para

o preparo das mais apetitosas sobremesas.

Esses frutos, assim como bananas e tama- rindos, eram cultivados em Friburgo. Plantas medicinais e frutas cítricas rece- beram atenção especial no jardim palaciano. Como a dificuldade de trazer medicamentos da Europa era grande, além das novas doenças que aqui se depararam, os holandeses tiveram conhecer as propriedades de muitos de nos- sas plantas, recorrendo inclusive à medicina indígena. O escorbuto, doença ligada à falta de vitamina C no organismo, muito comum entre os navegadores da época, era tratado muitas vezes com sucos e polpas dos limões, da laranja e da lima encontrados no jardim. O jardim do palácio de Friburgo foi total- mente destruído pelos próprios holandeses após a saída de Nassau, em 1644. Apesar das recomendações de que o espaço fosse mantido como reserva de alimentos para a colônia, os representantes da Companhia das Índias Ocidentais que substituíram Nassau arrasaram totalmente o horto, ale- gando critérios de segurança. Eles temiam ataques pelo Rio Capibaribe da guerrilha de resistência luso-brasileira que lutava pela ex- pulsão dos holandeses. No local, só escapou da destruição o palácio, que após a expulsão dos holandeses passou a ser conhecido como Palácio da Torres. Muitas das informações sobre a fauna e flora do local pode ser encon- trada nos registros feitos por Guilherme Piso

e Georg Marcgrave. “Apesar da existência

efêmera (durou apenas sete anos, entre 1638

a 1645), o horto zoobotânico do Palácio de

Friburgo tem enorme importância do ponto de vista histórico das Ciências Biológicas no Brasil”, resume Argus.

UFRPE terá fazenda de beijupirá em alto-mar

Bom não é dar o peixe, mas ensinar a pescar. Esse velho ditado ilustra bem a iniciativa pioneira no Brasil que o Departamento de Pesca e Aquicultura da Universi- dade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) lançou junto a colônias de pescadores em três comunidades do Grande Recife: o Projeto Cação de Escama. A ideia é capacitar e estimular os pescadores artesanais

para o cultivo do beijupirá (ou ca- ção de escama), espécie explorada em países como China, Taiwan e Vietnã, onde movimenta a econo- mia por ser muito apreciada por comerciantes e consumidores.

Divulgação
Divulgação

O projeto-piloto atende 120 pescadores

de colônias em Brasília Teimosa, Piedade e Barra de Jangada, que participam de oficinas e aulas-práticas para a aprendizagem do manejo

e da comercialização do beijupirá. A iniciativa

é financiada pelo Ministério da Pesca e Aqui- cultura (MPA), com apoio do Sebrae-PE e do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). A UFRPE está instalando as gaiolas numa área de alto-mar já regulamentada pelo MPA, pelo Ibama, pela Agência Estadual de

Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH) e pela Capitania dos Portos.

por meio da primeira licitação internacional da Universidade, que adquiriu material do

Chile. A área da fazenda do Projeto Cação de Escamas/UFRPE foi selecionada pelos especialistas, situando-se a 8 quilômetros do Porto do Recife, em área de água limpa e livre de navegação. “Escolhemos o local ideal tanto para o cultivo do peixe quanto para facilitar a vida dos pescadores, que terão lancha e barco de apoio disponíveis, além de toda a

estrutura para que trabalhem nas melhores condições”, explica o coordenador do Projeto Cação de Es- camas, professor Ronal- do Cavalli. De acordo com

o pesquisador, a expectativa é que se plante uma semente para a populari- zação, no Brasil, dessa nova atividade que já movimenta a economia de outros países. “O Recife foi escolhido como berço e a vitrine do beijupirá, e queremos que os pescadores não sejam apenas mão-de-obra, mas que desen- volvam a autonomia necessária para evoluir e multiplicar”, completa. As quatro gaiolas, com 1.200 metros cú- bicos cada, têm capacidade para a produção de mais de 40 toneladas de pescado ao ano, que pode gerar retorno de R$ 500 mil no

O projeto-piloto atende 120 pescadores

em Brasília Teimosa, Piedade e Barra de Jangada

Já com certo know-

how no cultivo do beiju- pirá – a partir de pesqui-

sas e do apoio técnico à equipe da Aqualíder, que lançou, no ano passado, a primeira fazenda marinha de beijupirá do

País –, os pesquisadores do Laboratório de Piscicultura Marinha da UFRPE pretendem oferecer aos pescadores autonomia para cul- tivar e comercializar a espécie, que é bastante valorizada mundo afora e já no Brasil, onde

é apreciada em restaurantes do Recife e do

sudeste do País. Para montar toda a estrutura de equi- pamentos e apoio aos pescadores, os pes- quisadores do projeto realizaram a compra

mesmo período. Já capacitados com noções de associativismo e cooperativismo, os pescadores começam, em março, o curso de Cultivo de Beijupirá. Após acertos entre os participantes, o grupo trabalhará em sistema de rodízio, a partir de um Termo de Compromisso, que define regras e me- tas para os trabalhadores envolvidos nesse grupo-piloto. Ao final do primeiro ano, espera-se a criação de uma cooperativa de pescadores-aquicultores, que passaria a gerenciar todo o processo.

Ao todo, o projeto recebeu a verba de R$ 1,7 milhão para compra de equipamentos, capacitação e manutenção. A iniciativa in- tegra grande plano nacional do MPA para desenvolver, no Brasil, nova cadeia industrial

a partir do cultivo de peixes em fazendas

marinhas e continentais, a fim de deixar o País entre os cinco maiores produtores de

peixe do mundo até o ano de 2020. Com

a atuação das fazendas da Aqualíder e da

UFRPE/Pescadores, Pernambuco sai na frente dessa ousada empreitada nacional.

Mais informações

pelo telefone: 3320.6524.

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Comissão de Ética da UFRPE discute uso de animais em pesquisas científicas

Aline Galvão
Aline Galvão

análise, e apenas um foi rejeitado, devido à necessidade de estudos preliminares antes da realização das experiências. “A Comissão julgou que seria necessário preencher algu- mas lacunas de conhecimento, de modo que tanto as situações experimentais quanto o número de animais pudessem ser definidos da maneira mais clara e precisa possível”, esclarece o professor Carlos Pontes. Para ele, já se percebe evolução em relação aos cuida- dos com os animais utilizados como cobaias:

“Em termos qualitativos, é possível afirmar que há mudança para melhor, sentida nas manifestações de apoio à Comissão e nas respostas afirmativas dos pesquisadores em acatar sugestões ”, sublinha. Atualmente, a Ceua conta com mais dez nomes, entre professores e técnicos dos campi de Dois Irmãos, Garanhuns e Serra Talhada, além de um integrante do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-PE). As reuniões ocorrem uma vez por mês, embora reuniões extraordinárias possam ser convoca- das pelo presidente ou por decisão da maioria dos membros.

Mais informações

pelo telefone: 3320.6051, no site: www.uag.ufrpe.br/ceua ou pelo e-mail:

ceua@prppg.ufrpe.br/.

Entre as muitas discussões envolvendo a ética em experiências científicas destaca-se o debate sobre a diminuição ou extinção do so- frimento e do sacrifício de cobaias animais no desenvolvimento de pesquisas. A fim de ana- lisar os projetos e procedimentos que incluam tais experiências, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) mantém a Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceua), que se baseia na legislação e em princípios da bioética para orientar, aprovar ou reprovar todas as atividades que envolvam cobaias animais. O primeiro passo para a criação da Comis- são foi dado em outubro de 2008, com a apro- vação da Lei Federal 11974/2008, conhecida como Lei Arouca. A partir da nova lei, as ins- tituições que utilizam animais em pesquisas foram obrigadas a constituírem comissões de ética para regular a atividade. O presidente da Ceua, professor Carlos Antonio Alves Pontes, explica que a UFRPE já havia se antecipado

à lei federal estabelecendo, em seu Plano de

Desenvolvimento Institucional (PDI 2006- 2010), a instalação da comissão, já prevista na Resolução 436/2005 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe/UFRPE).

“Com isso, a UFRPE faz com que seja atendida a necessidade de se inscrever no movimento mais geral em defesa dos animais

não-humanos que impõe limites éticos para a sua utilização”, destaca o presidente da Ceua, professor Carlos Pontes. Porém, o envolvimen- to com o tema é anterior à criação da Ceua: no final do ano de 2006, foi realizado o I Encontro de Bioética e Bem-Estar Animal do Nordeste, que de acordo com Pontes, teve uma impor- tância grande “porque permitiu que a temática envolvendo uso de animais em atividades didático-científicas pudesse ser abordada de maneira mais sistematizada permitindo que muitas pessoas da UFRPE pudessem expressar seus interesses e preocupações e ver que não estavam sozinhas neste tipo de discussão”. O Encontro ainda forneceu embasamento para

a criação e desenvolvimento do Regimento da

Comissão, entre janeiro

e maio de 2007. De acordo com Pontes, a Ceua se baseia em duas ideias na hora da análise: em primei- ro lugar, a Comissão assume, como pano de fundo, o posiciona- mento ético de evitar sofrimento desneces-

sário. Isso significa que

a proposição de realizar

um experimento deve ser justificada demonstrando-se que os be-

nefícios são relevantes e significativos e que compensam os prejuízos ou danos a serem causados aos animais em experimentação. Em segundo lugar, a Comissão busca aplicar

o que ficou conhecido como ‘Princípio dos 3R’,

respondendo as perguntas: é possível substituir

o experimento por métodos alternativos que

não utilizam animais? É possível diminuir o número de animais no experimento? O que pode ser feito para minimizar o sofrimento a ser causado pelo experimento? Outro ponto de destaque é a variedade de animais usados e de enfoques, uma vez que as atividades didático-científicas da UFRPE são bastante diversificadas, em função dos cursos de graduação e dos programas de pós- graduação nas áreas de Medicina Veterinária, Zootecnia, Engenharia de Pesca e Ciências Biológicas. “Em algumas áreas, os próprios

animais são beneficiários diretos, em outras os benefícios são indiretos. Em outras, ainda são instrumentos para a produção de conheci- mento em benefício de nós humanos”. Desde a implantação da Comissão, já foram analisados projetos de pesquisa envol- vendo animais de companhia, como cães e gatos, animais de produção, como bovinos, caprinos, suínos, aves e peixes e animais de laboratório como camundongos. Ao todo,

foram recebidos 146 projetos de pesquisa para

Pesquisa analisa efeito da acidificação das águas em Pernambuco

M uitos organismos aquáticos dependem do equilíbrio do pH da água marinha

para sobreviver. Quando sofre alguma altera- ção, pode ser nocivo a determinados animais, notadamente os crustáceos. Tal situação, que pode levar à extinção de espécies aquáticas, também se nota nas águas continentais, como açudes e lagoas. A Universidade Federal Rural de Pernambuco desenvolve pesquisa pioneira sobre a acidificação das águas continentais de regiões costeiras e seus reflexos para a vida aquática e para a comunidade local. Coordenada pelo pesquisador Lohengrin Fernandes, a pesquisa avalia os efeitos da acidificação na região costeira de Pernam- buco e nos reservatórios do agreste, tendo o Reservatório de Jucazinho como alvo atual. Além do professor Lohengrin, participam os

professores Alfredo Oliveira Galvez, do De- partamento de Pesca e Aquicultura, e Ariadne do Nascimento Moura, do Departamento de Biologia. Eles já estudam organismos captura- dos em Jucazinho e cultivados em laboratório para testes em ambiente acidificado. As primeiras experiências foram feitas com pequenos crustáceos chamados cientifi- camente Ostrácodes, que dependem bastante do carbonato de cálcio para formar seu es- queleto. “Ainda aguardamos a compra de um

equipamento fundamental, um sensor de CO2 na água, que está em processo de importação dos Estados Unidos. Até lá, estamos conhe- cendo melhor a vida desses organismos, que já foram escolhidos dentre nossa biodiversidade por conta de sua potencial vulnerabilidade”, explica Lohengrin. Atualmente, porém, só

é possível especular que estejam ocorrendo

alterações, pois não há um parâmetro bem definido para avaliar o grau das mudanças. A

proposta da pesquisa é definir este parâmetro, para que se possa medir mais adequadamente

a ocorrência da acidificação nas regiões. O

projeto já conta com parcerias de grupos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Embora seja mais estudado no hemisfério norte e em oceanos polares, devido à sua me- nor temperatura, há pesquisas que indicam a ocorrência do processo também em regiões tropicais e em águas continentais, como açu- des e reservatórios. A acidificação ocorre pelo

Mirella Marques
Mirella Marques

aumento da concentração de CO2 (dióxido de carbono) na água, o que diminui seu pH. Quando o CO2 se dissolve na água, entra em reação com as moléculas de H2O, o que resulta na formação de ácido carbônico (H2CO3).

O contrário também é possível, com o ácido

dividindo-se em água e dióxido de carbono,

e este expulso para a atmosfera.

O fenômeno também está ligado ao aque-

cimento global e às variações climáticas que vêm ocorrendo no planeta, uma vez que a “direção” da reação depende basicamente da

temperatura da água: quanto mais fria, mais

o

CO2 se dissolve; e quanto mais quente, mais

o

ácido carbônico se transforma em dióxido

de carbono. Estas alterações são atribuídas à

intensa atividade humana, que produz cada vez mais dióxido de carbono.

O professor Lohengrin Fernandes explica

que a acidificação das águas tem efeitos sobre

o meio ambiente, como a dissolução do car-

bonato de cálcio, substância constituinte do esqueleto de muitos organismos (animais,

plantas e protistas). Na presença de ácidos, o carbonato se dissolve na água, o que acarreta

o enfraquecimento gradual do esqueleto, até

a morte do organismo. Há também estudos

sobre os efeitos no metabolismo de determi- nados animais, que, em ambientes ácidos,

precisam manter seu controle interno de acidez em nível adequado, para um bom

funcionamento de suas enzimas. Quando a alteração do ambiente se prolonga ou atinge

um nível que torne esse controle impossível,

o animal tem que se mudar do local, ou es-

tará fadado a morrer. Além desses, já foram identificados efeitos da acidificação sobre as rochas calcárias, que se dissolvem mais rapi- damente; para a reprodução dos organismos que dependem do carbonato de cálcio, como crustáceos, entre outros. E o homem, por estar inserido no ecos- sistema como mais um personagem, também sofre as conseqüências do aumento da acidez das águas. Notadamente no agreste nordes- tino, os reservatórios e açudes são a principal fonte de água para consumo das populações, sendo, portanto, de fundamental importân- cia. Quando o pH da água se altera, ela se torna gradualmente imprópria ao consumo humano, seja por sua acidez, seja por conter mais cálcio (as chamadas “águas duras”). Isso torna o problema do abastecimento público para as comunidades interioranas ainda mais

graves. E os riscos não param por aí. Segundo

o professor Lohengrin, “para populações que consomem crustáceos e peixes oriundos de

rios, a diminuição da taxa de reprodução des- ses animais pode afetar diretamente a susten- tabilidade do uso desses recursos como fonte de proteínas”. Embora o panorama não seja nada positivo, as pesquisas do grupo têm dado resultados interessantes. Os microcrustáceos estudados se mostraram bastante resistentes

a alterações bruscas na acidez da água, indi- cando que seu organismo exerce um controle eficiente sobre seu metabolismo interno. Para resolver o problema, Lohengrin ates- ta que são necessárias medidas muito mais políticas que técnicas, como a diminuição

de das emissões de CO2 por todos os países. Além disso, a manutenção das florestas em ecossistemas terrestres e a avaliação do cresci- mento do fitoplâncton nos oceanos (principal responsável pela retirada do CO2 atmosférico na atualidade) são ações desejáveis. Além das parcerias com os grupos de ou- tros estados, citados anteriormente, atualmen-

te os pesquisadores tentam associação com a

Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia

do Estado de Pernambuco (Facepe), o Conse- lho Nacional de Desenvolvimento Científico

e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de

Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), para progresso dos projetos.

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Percevejos predadores combatem pragas do algodoeiro

C ontrolar pragas que atingem o algo- doeiro e outros tipos de plantação. Essa ideia simples e que pode faci-

litar a vida de muitos produtores rurais se fortalece a partir de estudos realizados no Departamento de Agronomia da Universi- dade Federal Rural de Pernambuco (UFR- PE), onde os pesquisadores descobriram que as lagartas desfolhadoras, pragas facilmente encontradas nas plantações, podem ser con- troladas pelo uso, nas lavouras, do percevejo predador Podisus nigrispinus. O algodoeiro, que é facilmente atacado por pragas, principalmente lagartas, che- ga a ter um investimento de 25 a 30% do custo total da produção com o manejo de pragas. Para tentar amenizar esses gastos, os pesquisadores da UFRPE promovem o

projeto Ecologia do predador Podisus ni- grispinus e o manejo integrado de lagartas em algodoeiro colorido, que tem o objetivo

de desenvolver estratégias para usar esse percevejo como agente natural para o con- trole de lagartas. Na prática, os pesquisadores realizaram estudos para analisar que tipo de predador é mais adequado para ser usado nas lavou- ras no combate às lagartas. Eles focam na espécie Podisus nigrispinus como opção viável para esse fim, uma vez que requer pouco trabalho de mão-de-obra, não possui problemas referentes

Divulgação
Divulgação

alimentados com larvas e pupas de Tenebrio molitor, mais conhecido como o besouro de

farinha, pois o custo dessas larvas é muito baixo”, ressalta coordenador do projeto, o professor Jorge Braz Torres. Com o resultado da primeira bate- ria de experimentos, os pes- quisadores agora ela-

boram estratégias de conservação dos predadores

nas lavouras. “ U s a r e m o s ninfas de quin- to instar, que é a fase em que o predador ainda não possui asas ou adultos jovens acasala-

produtores podem substituir os agrotóxi- cos contra lagartas se tiverem tecnologia disponível para o controle da praga. “Essa alternativa é fantástica para os pequenos produtores que não têm equipamentos nem dinheiro para comprar material, pois, além de economizarem nos inseticidas, poderão consumir e vender produtos de qualidade e maior valor agregado, uma vez que os pro- dutos orgânicos são mais apreciados pelos consumidores. Outro fator importante é que não corre o risco desses percevejos se tornarem uma ameaça às plantações, já que eles são inimigos naturais das pragas”, destaca o pesquisador. As experiências em campo estão sendo exploradas no campus de Dois Irmãos da UFRPE, em Aldeia, município de Camara- gibe, e em Surubim, também em Pernam- buco. Nesses locais, os estudantes envol- vidos com o projeto – Robério Carlos dos Santos Neves, Itillio Vany Ferreira Pontes e Izeudo Timóteo Ramos Filho – trabalham em plantações de algodão, onde, com o aparecimento das lagartas, devem liberar os predadores para a avaliação e conclusão da pesquisa.

O estudo serviu como demonstração

de que os produtores podem substituir os agrotóxicos contra lagartas

ao impacto em não alvos e tem baixo custo de produ- ção – já que, com média de R$ 25, consegue-se produzir cerca de mil percevejos adultos. Na lavoura, o percevejo se alimenta das lagartas, o que impede a proliferação

da praga e, consequente- mente, garante a segurança da

produção. Para a reprodução dos predadores, os especialistas elaboraram sistema de criação massal nos laboratórios da UFRPE, que chegam a reproduzir de 200 a 300 percevejos por unidade, além de manter vários adultos 6 para a reprodução. “Esses percevejos são criados nos laboratórios da Universidade e

dos com 5 a 10 dias de idade com as asas membranosas parcialmente cortadas, para evitar que esses percevejos se dispersem para outras plantações. É im- portante manter esses predadores nas áreas onde o controle da praga deve ser feito”. De acordo com o pesquisador, o estu-

do serviu como demonstração de que os

Pasteurizador compacto insere produtores familiares no mercado dos derivados lácteos

Thomáz Vieira
Thomáz Vieira

banco de gelo, entre outros fatores. Também há economia de energia, pois o resfriamento se restringe ao armazenamento do produto final e diminuição do tempo de estoque. “Não queremos desbancar os equipamentos sagrados na agroindústria, mas inserir o produtor familiar e criar mercado para os maiores, que podem direcionar o foco para controle de qualidade e análises”, salienta o pesquisador. A Upac está em processo de licencia- mento por indústrias de manipulação de inox, mas já é comercializada por meio da Saturno. Instituições parceiras como o Sebrae também já auxiliam na expansão do produto para a bacia leiteira do Estado e de outras regiões do País.

Mais informações

pelo telefone: (81) 9118.2911 ou pelo e-mail:

saturno.tec@gmail.com

Os agricultores de base familiar já podem produzir derivados de leite com se- gurança alimentar e baixo custo. Essa boa notícia vem com a chegada da Unidade Pas- teurizadora Compacta (Upac), desenvolvida pelo pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Emídio Lustosa para incentivar a produção de pro- dutos lácteos por pequenos produtores. Mais simples e mais barata, a invenção permite que os produtores familiares pasteu- rizem o leite com higiene e aproveitamento total – polpa e soro –, sem a necessidade dos pesados equipamentos tradicionais, que geralmente são inacessíveis à maioria desses trabalhadores em Pernambuco. Além do aumento de renda e potencial empreendedor, a Upac pode ser utilizada para produção em maior escala, por coo- perativas e associações agropecuaristas de base familiar, no fornecimento de produtos para merenda escolar. De acordo com Emí- dio Lustosa, que conduz a Saturno Tecnolo- gia Agropecuária – incubada da UFRPE –, essa possibilidade aumenta com o vigor da Lei Nº 11.947, sancionada no ano passado, a qual determina que o mínimo de 30% da merenda escolar seja comprada diretamente de agricultores familiares, sem licitação. “Se não quiserem trabalhar individualmente, podem montar, em grupo, pequena agroin- dústria”, afirma. Segundo Lustosa, a Upac surgiu da vontade de simplificar o processo de fabri- cação de derivados do leite, sem os custos industriais e possíveis alterações na quali- dade dos produtos artesanais. “Inventei o equipamento na pequena propriedade que possuo e, com o apoio do Colégio Agrícola

Dom Agostinho Ikas

(Codai), veio a patente, depois a incubação na UFRPE e até premia- ção”, conta. A Upac já passou por testes de qualidade, segurança

e aplicabilidade junto

a famílias rurais em

Garanhuns. A Instrução Nor- mativa 51 do Minis- tério da Agricultura, Pecuária e Abasteci- mento, que visa a con- trolar a qualidade do leite brasileiro, determina que não se pode comercializar leite a granel sem a pasteuri- zação, que diminui o risco de contamina- ção. Para Emídio Lustosa, o grande gargalo dessa situação é o alto custo do procedimen- to, que deixa a agricultura familiar de fora da produção. “A Upac é um equipamento inovador, socialmente inclusivo, seguro do ponto de vista alimentar e econômico.

Estamos começando a atender produtores dispostos a absorver inovação tecnológica para produzir com higiene e menor custo. Também é possível aumentar o leque de produtos, uma vez que a unidade permite a utilização do soro para fabricação de bebida láctea”, ressalta. Os estudos práticos da utilização da Upac demonstram que o agricultor ou coo- perativa que produzir 30 litros por dia con- segue ganhar R$ 27 mil em um ano. Cada unidade sai por aproximadamente um terço do valor de um equipamento profissional, pois dispensa o tanque de resfriamento e o

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EXPEDIENTE

Ridesa lança Catálogo Nacional de Variedades RB de cana-de-açúcar

A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) libera duas variedades RB de cana-de-açúcar.

As variedades RB962962 e RB002504, desenvolvidas na Estação Experimental de Cana-de-açúcar do Carpina (EECAC), integram pacote de 13 novas RB disponibi-

lizadas pela Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa). Em paralelo, foi lançado o Catá- logo Nacional de Variedades RB de Cana- de-açúcar, em Brasília e no Recife. O presidente da Ridesa e reitor da UFR- PE, Valmar Corrêa de Andrade, recebeu os reitores das outras nove universidades integradas à entidade para discutir a dis- tribuição das variedades para o setor. Com

a

liberação das novas variedades, pequenos

e

médios produtores brasileiros vão contar

com material genético de ponta, testados em diferentes ambientes de produção de regiões canavieiras. No Catálogo Nacional, será possível conhecer cada uma dessas variedades, que são mais produtivas, geram maior lucro para as empresas e representam quantidade superior de açúcar por área. As variedades RB (República do Bra- sil) representam 60% da área cultivada no Brasil. Cada tipo desenvolvido é fruto de pesquisa em várias áreas, que permite, entre outras ações, a identificação de ge- nes que controlam a tolerância a estresses hídricos, temperaturas elevadas, pragas e enfermidades. Formada por dez universidades federais (UFRPE, UFPR, UFSCar, UFV, UFRRJ, UFS, UFAL, UFPI, UFMT e UFG), algu-

Reitor: Valmar Corrêa de Andrade Vice-reitor: Reginaldo Barros Pró-reitores:

Administração: Francisco Ramos de Carvalho; En- sino de Graduação: Maria José de Sena; Extensão:

Delson Laranjeira; Gestão Estudantil: Valberes Bernardo do Nascimento; Planejamento: Romildo Morant; Pesquisa e Pós-Graduação: Antônia Sher- lânea Véras.

mas das quais estavam localizadas nas

áreas de atuação das Coordenadorias do ex- PLANALSUCAR, a Ridesa foi criada com

a finalidade de incorporar as atividades

desse extinto programa e dar continuidade ao desenvolvimento de pes- quisas visando à melhoria da produtividade do setor. Este ano, a Rede com- pleta 19 anos de atuação e tem como base para o de- senvolvimento da pesquisa 31 estações experimentais estrategicamente locali- zadas nos Estados onde

a

açúcar apresenta maior expressão.

Além das estações experimentais, a Ridesa também desen- volve pesquisa no s c a mpu s das universi- dades federais, e n v o l v e n d o

principalmente

pesquisas con- duzidas nos di- ferentes cursos de pós-gradu- ação, em nível de mestrado e doutorado. P r i nc ip a l produtor de açúcar e etanol

a partir da cana-de-açúcar, o Brasil investe nas instituições públicas e nas empresas para manter essa liderança, em especial no uso do etanol como combustível re- novável.

em especial no uso do etanol como combustível re- novável. Divulgação cultura da cana-de- Publicação da
Divulgação
Divulgação

cultura da cana-de-

Publicação da Coordenadoria de Comunicação Social da UFRPE

Coordenadora: Simone Gomes Jornalista responsável: Renata Sá Carneiro (DRT- PE 3306). Equipe: Denize Siqueira (Secretaria); Bruno An- drade (DRT-PE 4208), Ernandes Tavares, Mirella Pontes e Thomaz Vieira (Jornalismo); Maria Izabel Moura e Suzyane Bernardes (Relações Públicas); Fernando Azevedo (Fotografia); Daniel Marques (Design); Marcos Antônio do Nascimen- to e João Batista de Souza (Apoio).

Impresso na Editora Universitária da UFRPE

Diretor: Antão Marcelo Freitas Projeto gráfico e diagramação: Bruno de Souza Leão Tiragem: 2.000 exemplares

Endereço: Av. Dom Manoel de Medeiros, s/n, Dois Irmãos, Recife-PE. CEP.: 52171- 900. Fone: 3320.6005/6013. Fax: 3320.6011. E-mail: ascom@ccs.ufrpe.br