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Anais da IV Semana de Letras – UFAL Revisitar o passado é o tempo do

Anais da IV Semana de Letras – UFAL Revisitar o passado é o tempo do presente:

memória e modernidade em línguas e literaturas

25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858

e literaturas 25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858 LITERATURA ERGÓDICA: INÍCIO, MEIO

LITERATURA ERGÓDICA:

INÍCIO, MEIO E VANGUARDA

RESUMO

Victor Mata Verçosa¹ (Ufal)

Conforme proposto por Espen J. Aarseth em seu trabalho de 1997, o conceito de literatura ergódica, embora possa a princípio ser confundido como categoria específica de texto em ambiente digital, não está definido como gênero literário fixo e independe do suporte do texto, o que permite classificar como ergódicos quaisquer textos de estrutura manipulável, que exijam leitura e configuração da própria estrutura do texto, isto é, são textos de linearidade muito variável e preveem alto grau de interação com o leitor-usuário. O presente trabalho discute ocorrências e características do texto ergódico desde suas mais antigas e remotas ocorrências em textos milenares de civilizações do oriente e oriente próximo, e também alguns recentes exemplos de textos ergódicos, cobrindo um vazio tecnológico entre o arcaico e o digital, fenômeno relativamente comum nos textos que comentam a categoria literária proposta por Aarseth. Os principais objetivos desta metodologia são expor e exemplificar a categoria destacada de um meio específico ou uma exclusiva tecnologia que o suporte, a fim de evitar a concepção de que a literatura ergódica é possível e aplicável apenas ao texto eletrônico. Além disso, este trabalho propõe a classificação de literatura ergódica a textos de vanguarda do último século, através da comparação de alguns aspectos dorsais da poesia e prosa de vanguarda do século XX que, não sendo comuns à maioria das formas textuais com os quais os leitores são expostos regularmente, podem ser interpretados como ergódicos, causando o típico estranhamento das artes experimentais e exigindo diferentes paradigmas de leitura.

Palavras-chave: Literatura-ergódica; Tecnologia; Texto.

1. Cibertextualidade - Proposta e Conceito

Em sua obra Cybertext – Perspectives on Ergodic Literature, publicada

originalmente em 1997, Espen J. Aarseth propõe novos olhares sobre os fenômenos da

textualidade, notadamente uma teoria do cibertexto e da literatura ergódica. O capítulo

introdutório do texto contém as principais considerações do autor, iniciando pela definição

daqueles termos nucleares de sua teoria, detendo-se a princípio nos significados de

cibertexto e literatura ergódica.

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memória e modernidade em línguas e literaturas

25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858

e literaturas 25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858 O primeiro derivado diretamente

O primeiro derivado diretamente de outra obra: Cybernetics - Control and

Communication in the Animal and the Machine, publicado em 1948 por Norbert Wiener, que aborda sistemas orgânicos e inorgânicos que possuam um information feedback loop (AARSETH, 1997, p. 1) sendo, portanto, cibernéticos. Isso estabelecido e aplicado ao objeto textual resulta no conceito de cibertexto, cuja leitura não se dá sem que o leitor considere as complexidades do meio ou suporte do texto como sendo elementos dinâmicos intrínsecos à prática da leitura e significação do texto. O estudo de um cibertexto, na proposta de Espen Aarseth, tem foco na organização mecânica do texto e nas particularidades de seu suporte como sendo as características que permitem o loop comunicativo e sempre renovável entre leitor e texto.

À primeira vista e em tempos de emergência da escrita e leitura em contexto

digital, é muito frequente a aplicação e experimentação dos conceitos de cibertextualidade

em computadores. Uma notável parcela da ainda rarefeita produção acadêmica sobre a temática tem como objeto o computador como mídia ideal da escrita e leitura de

cibertextos. Todavia, a cibertextualidade não se aplica apenas a esses casos, porque

seria uma limitação arbitrária e a-histórica, comparável talvez a um estudo da

“[

literatura que reconhecesse apenas textos impressos em papel.” (idem, p. 1, tradução nossa). Para este trabalho, nossa análise e comentários não utilizarão como exemplos

ideais os textos em mídia digital.

]isto

Como forma, o cibertexto não significa um gênero literário ou uma categoria nova e consequente das recentes tecnologias de escrita criadas a partir do século XX. Também não ocuparia posição antagônica em relação ao que seria uma velha textualidade. “Cybertext is a perspective on all forms of textuality, a way to expand the scope of literary studies to include phenomena that today are perceived of, or marginalized by, the field of literature[…]” (ibidem, 1997, p. 18).

Sob esse modelo, nenhum suporte é um veículo neutro em relação a seu conteúdo de texto, antes, esta ligação é simbiótica e pode ser explorada como espaço de experimentação estética e inovação estilística.

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25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858

2. A perspectiva ergódica do texto

2011 – ISSN: 2176-7858 2. A perspectiva ergódica do texto O segundo e talvez mais controverso

O segundo e talvez mais controverso conceito central da obra de Aarseth é o da

literatura ergódica. Cybertext é uma obra dividida em rápidas considerações sobre texto e literatura em meio a longas discussões sobre tecnologia e comunicação. É por esta causa uma obra escassa no campo da literatura e das letras, mesmo consistindo essencialmente em um estudo sobre texto e textualidade. Isto porque, as considerações teóricas, ontológicas e críticas acerca dos objetos de estudo – texto, literatura e mídias – não foram exaustivamente problematizadas.

É aceitável em certa medida que um texto que pretende incorporar grandes

novidades e perspectivas a um saber estabelecido seja a princípio mais sísmico que dialético. O estudo de Aarseth possui lampejos, mas nem tantos trovões. Neste que é o conceito central em nosso estudo, a discussão sobre literatura e ergodicidade em Aarseth

será estendida com considerações e contestações nossas, sobretudo naquelas lacunas mais negligenciadas pelo texto original do autor.

Etimologicamente, ergodicidade forma-se a partir dos radicais gregos ergon =

trabalho e hodos = caminho e, embora seja um termo corrente nos estudos da física, o

um

esforço não trivial é necessário para que o leitor percorra o texto.” (ibidem, p. 1, tradução

nossa). Este caminho pelo trabalho corresponde aos esquemas de leitura de textos em que são necessárias atividades manipulativas e/ou configurativas que imergem o indivíduo em processos tais que podemos considera-lo um leitor-usuário do texto.

sentido aqui é diverso: Aarseth define a literatura ergódica como aquela em que “[

]

Aarseth cita o I Ching como texto dotado de esquemas ergódicos de leitura. O texto chinês milenar organiza-se em combinações de hexagramas formados a partir dos resultados de lances de moedas ou varetas de bambu que revelam um oráculo ao leitor do texto, em uma dinâmica similar ao que poderíamos considerar as regras de um jogo. A leitura do I Ching é possível somente ao indivíduo que detiver todos os rituais de leitura e souber manipular corretamente o suporte atípico do texto em todas as suas características e regras de uso.

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e literaturas 25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858 Segue-se a esta definição

Segue-se a esta definição a oposição entre a literatura ergódica e a literatura não- ergódica, representada por todos aqueles textos que não induzem responsabilidades extranoemáticas ao leitor além dos atos de percorrer o texto com os olhos e periodicamente ou arbitrariamente virar as páginas. Cabe neste momento um brevíssimo comentário sobre o significado de extranoemático: nos estudos da fenomenologia de Edmund Husserl, o noema e a noiesis estão relacionados à faculdade mental do indivíduo como meio de apreensão e contato com o mundo. Assim, extranoemático será tudo aquilo que acontece “do lado de fora da mente”.

Na teoria do cibertexto, o leitor-usuário também ocupa destaque como figura muito mais determinante do que os teóricos considerariam, pois toda a performance de um chamado leitor usual acontece mentalmente, intranoematicamente, enquanto o usuário do cibertexto atua também em sentido extranoemático. “Durante o processo cibertextual, o usuário terá efetuado uma sequência semiótica, e este movimento seletivo é um trabalho de construção física que os vários conceitos de ‘leitura’ não preveem.” (ibidem, p. 1-2, tradução nossa).

Antes de discutirmos a utilidade e as possibilidades que se abrem a partir da perspectiva ergódica sobre a literatura e a própria ergodicidade como fenômeno válido, é necessário pontuarmos algumas imprecisões dos muito breves enunciados de Aarseth, colaborando com o estabelecimento daquelas proposições mais relevantes, mas questionando construtivamente aqueles aspectos da teoria que consideramos obscuros e inexatos conforme estão em Cibertext.

Quanto à alegada trivialidade dos atos de leitura – olhar o texto, virar páginas – o autor reduz a complexa história da escrita e leitura em nome de uma observação muito simplificada e sincrônica sobre o texto em seu suporte mais disseminado (porém não o único) atualmente: o códex. A trivialidade dos atos de abrir um volume e percorrer suas páginas é mera consequência da difusão do livro como principal veículo de informação e literatura no Ocidente, em escrita alfabética e em um formato cujas origens remontam à Idade Média.

Entretanto, este fato não é suficiente para tornar a leitura que com maior frequência praticamos uma atividade trivial ou mesmo o livro como sendo objeto de uso

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e literaturas 25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858 óbvio e intuitivo para

óbvio e intuitivo para todos os indivíduos. Isso seria semelhante a afirmar que o livro é um objeto natural, quando ele é na verdade uma tecnologia.

O ritual de leitura ocidental – em geral da esquerda para a direita, de cima para baixo - e, portanto, trivial para os indivíduos alfabetizados das sociedades ocidentais, pode não ser aplicável a textos de tradição extraocidental, cuja leitura obedece a esquemas específicos, linearidade e códigos diversos daqueles que podem ser considerados mais usuais.

As relações texto-leitor atípicas em quaisquer novos suportes de texto o serão

apenas provisoriamente, durante os primeiros estágios de disseminação e estabilização da nova mídia. E ainda assim, não serão absolutamente diferentes de códigos de leitura e escrita historicamente precedentes. Portanto, a relação entre ergodicidade e trivialidade do objeto e dos atos de leitura é insuficiente para, só ela, justificar a emergência e uma necessidade desta nova perspectiva, visto que o objeto de leitura pode ser mais ou menos

trivial sob um, mas não outros pontos de vista histórico-culturais.

O jornal impresso, por exemplo, requer esquemas de leitura que serão

considerados triviais apenas entre indivíduos daquelas culturas em que este suporte de texto é acessível, largamente consumido e historicamente estabelecido. Logo, seria mais adequado à teoria da ergodicidade definir como mais ou menos triviais os suportes de texto e não os próprios atos de leitura, e ainda assim de acordo com parâmetros históricos, culturais, sociológicos e inclusive econômicos.

No que concerne aos processos exclusivamente mentais do indivíduo que lê – atividades noemáticas –, não é apropriado à teoria da ergodicidade do texto propor antítese tão radical como a oposição entre textos ergódicos e textos não ergódicos, sobretudo porque, como fenômeno, a leitura ergódica existe há milênios e os textos podem apresentar esta característica em maior ou menor grau.

Um segundo exemplo de texto ergódico presente em Cybertext são as inscrições hieroglíficas egípcias: os textos são dispostos nas paredes de templos e obedecem a esquemas de leitura variáveis – as inscrições podem ser lidas linearmente, de parede a parede, mas também tridimensionalmente, quando os textos das paredes ou cômodos estão

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e literaturas 25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858 sequencialmente ligados segundo uma

sequencialmente ligados segundo uma disposição hierárquica simbólica entre cada cômodo do templo egípcio.

Observa-se que o resultado da leitura do texto hieroglífico depende de um ou outro esquema adotado pelo leitor. Ora, se o suporte permite múltiplos e distintos cursos de leitura, o nível de ergodicidade dos esquemas também deve estar sujeito a variações de intensidade. No exemplo do I Ching, a multiplicidade de resultados possíveis é tal que O Livro das Mutações (seu título em português) é usado como um oráculo de consulta pessoal. Se estabelecêssemos uma comparação entre o I Ching e os hieróglifos, o texto chinês proporia mais atividade ergódica de leitura do que a escrita sagrada egípcia.

Quanto ao livro no formato como o sabemos hoje, é ele também um veículo com grande potencialidade ergódica. Aarseth elenca alguns títulos que exploram as possibilidades do livro em uma lista pouco exaustiva, discutindo com mais ênfase as potências da mídia digital nos capítulos seguintes. Nosso trabalho preocupa-se em comentar a experimentação ergódica em textos literários apoiados em livro e papel, cobrindo um vácuo tecnológico entre o arqueológico e o eletrônico na observação ergódica do texto.

3. Ergodicidade e Vanguarda na Literatura

O início do século XX é marcado por intensas rupturas de paradigmas até então invioláveis no pensamento e produção artística do Ocidente. Na literatura, impulsionados pela experiência modernista na Europa, os movimentos de vanguarda subvertem as formas e usos da língua e das formas literárias em uma nova poética do estranhamento.

O emblemático Un Coup de Dés, de Stephane Mallarmé, é um marco da experimentação estética na poesia. As palavras dispersas, sem conexão aparente e em tamanhos distintos reconfiguraram os conceitos centrais de poesia, texto e literatura. Como ler Un Coup de Dés? O poema é impenetrável a rituais de leitura mais canonizados pela tradição. Mallarmé utiliza toda a potencialidade espacial do papel e quebra qualquer lógica sequencial e linear do texto, induzindo o leitor a fazer ele mesmo as conexões e criar um hodos para o poema.

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e literaturas 25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858 Para a teoria da

Para a teoria da ergodicidade, o prazer e a imersão do leitor estão diretamente ligados à sua liberdade interventiva no texto. Em Un Coup de Dés, o leitor deve investigar o enigma e propor uma lógica para que o texto “apareça” em meio à constelação verbal.

No entanto, a ergodicidade de Aarseth não se ajusta completamente ao poema de Mallarmé, pois, para o leitor, toda a atividade de exploração e configuração do texto acontece intranoematicamente. Há liberdade interventiva, mas não interferência na tessitura do texto. O leitor é convidado a criar um hodos para o poema, mas o ergon, o trabalho é predominantemente mental. Propondo uma escala decrescente de ergodicidade entre os textos até então mencionados, teríamos: I Ching – a escrita hieroglífica dos templos egípcios – Un Coup de Dés.

O experimental Cent Mille Milliard de Poèmes, do também francês Raymond Queneau, é outra obra de literatura ergódica mencionada em Cybertext. O livro consiste em um verdadeiro gerador de sonetos, arranjados em dez páginas, onde cada verso está disposto em uma tira de papel que pode ser manipulada separadamente do conjunto. Além disso, o esquema rítmico e silábico de todos os sonetos é idêntico, o que permite que cada verso seja combinado com os outros gerando 10¹ 4 possibilidades diferentes de sonetos configuráveis segundo o desejo do leitor. Cent Mille Milliard de Poèmes é um bom exemplo de obra literária ergódica: o suporte do texto está intrinsecamente ligado ao conteúdo e o curso de leitura é completamente manipulável.

A máquina de sonetos de Queneau ilustra ainda outra característica dos textos mais

ergódicos – a indissociabilidade entre o texto e seu suporte: Cent Mille Milliard de Poèmes possui versão online que foi consultada para esta pesquisa. A experiência desse texto adaptado para outra mídia diferente da original inibe seu potencial ergódico: toda a manipulação na versão digital consiste em uma opção clicável que randomiza os versos sem critério aparente e nenhuma interferência direta do leitor, evidenciando que, para este texto, o computador limita a ergodicidade da obra original em volume impresso.

A intervenção em um texto ergódico provoca um tipo de prazer da manipulação. A

literatura ergódica convida o leitor a imergir no texto sugerindo uma forte impressão de

domínio ou mesmo co-autoria sobre a obra: Prometeu roubando o fogo dos deuses. Evidentemente, esse controle é limitado pelas regras do esquema de leitura “programadas”

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25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858

e literaturas 25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858 pelo autor do texto.

pelo autor do texto. A liberdade na literatura ergódica é a da livre escolha do curso de leitura. Cent Mille Milliard de Poèmes possui uma quantidade finita de possibilidades limitadas pelo projeto do autor. Mais uma vez é válida a analogia com o jogo: a ação é possível dentro das regras fixas e do acordo entre as partes.

Terminada esta curta exposição das obras, podemos reclassificá-las segundo seus níveis de ergodicidade em ordem decrescente: I Ching e Cent Mille Milliard de Poèmes – a escrita hieroglífica dos templos egípcios – Un Coup de Dés. Insistimos em diferir da posição de Aarseth quanto ao par opositivo literatura ergódica/literatura não ergódica. As categorias demasiado fixas da classificação de textos sempre foram artifícios normativos e didáticos contestáveis à mera verificação de exemplos reais.

Uma classificação antagônica entre ergódico e não ergódico é algo controverso, dado que a publicação da teoria se dá em 1997, em um contexto científico onde já não encontram validade os modelos mais simplificadores. Discordamos de Cybertext, quando consideramos que a ergodicidade, como fenômeno observável no texto, se dá em níveis de intensidade. Para isso, fizemos uso de alguns dos mesmos exemplos sugeridos pela obra de Aarseth.

A teoria da ergodicidade do texto carece ainda de maior quantidade de obras de

referência, investigação e exemplificação para que seja possível um olhar sistematizado sobre

o fenômeno. Além do texto principal de Espen Aarseth, não há quantidade relevante de

estudos sobre o tema que promovam subsequentes aplicações dos conceitos e um refinamento da ergodicidade como fenômeno e parâmetro de crítica e análise formal de textos. Até a finalização deste artigo, não encontramos referências bibliográficas brasileiras que abordem

os temas levantados em Cybertext.

Longe de ser um estudo exaustivo sobre as muitas questões abordadas, este artigo se presta a expor e promover um debate sobre a perspectiva ergódica em seus principais aspectos teóricos na academia de letras. uma eventual admissão ou adaptação do conceito da literatura ergódica como ferramenta metodológica da crítica.

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memória e modernidade em línguas e literaturas

25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858

REFERÊNCIAS

25 e 26 de agosto de 2011 – ISSN: 2176-7858 REFERÊNCIAS AARSETH, Espen. J. Cybertext: Perspectives

AARSETH, Espen. J. Cybertext: Perspectives on Ergodic Literature. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1997.

HUSSERL, Edmund. Meditações Cartesianas: Introdução à Fenomenologia. Tradução de Frank de Oliveira. São Paulo: Madras Editora, 2001

I CHING. http://www1.uol.com.br/iching/index.htm. Acesso em 25 de agosto de 2011

MALLARMÉ, Stephane.

http://www.poetryintranslation.com/PITBR/French/MallarmeUnCoupdeDes.htm. Acesso em 25 de agosto de 2011.

Un

Coup

de

Dés.

QUENEAU,

http://x42.com/active/queneau.html?p=31577403187687&l=fr&n=New+Poem Acesso em 25 de agosto de 2011.

de Poèmes.

Raymond.

Cent

Mille

Milliard