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NOTA DE AULA PROF. JOSÉ GOMES RIBEIRO FILHO

VETORES

01.INTRODUÇÃO

Em Física, duas categorias de grandezas: as escalares e as vetoriais. As primeiras caracterizamse apenas pelo valor numérico, acompanhado da unidade de medida. Já as segundas requerem um valor numérico (sem sinal), denominado módulo ou intensidade, acompanhado da respectiva unidade de medida e de uma orientação, isto é, uma direção e um sentido. Na figura abaixo, o comprimento = 4,75cm medido por uma régua milimetrada é uma grandeza escalar, que fica totalmente determinado pelo valor numérico (4,75) acompanhado da unidade de medida (cm).

(4,75) acompanhado da unidade de medida (cm). FIGURA 1 ― Régua milimetrada. São também

FIGURA 1 Régua milimetrada.

São também escalares as grandezas: área, massa, tempo, energia, potência, densidade, pressão, temperatura, carga elétrica e tensão elétrica, dentre outras. Agora, observe, na figura abaixo, que o deslocamento sofrido pelo carro ao movimentarse de P até Q é uma grandeza vetorial, caracterizada por um módulo (10 m), uma direção (leste oeste) e um sentido (de oeste para leste).

(leste ‐ oeste) e um sentido (de oeste para leste). FIGURA 2 ― Deslocamento sofrido por

FIGURA 2 Deslocamento sofrido por um carro.

São também vetoriais as grandezas: velocidade, aceleração, força, impulso, quantidade de movimento (ou momento linear), vetor campo elétrico e vetor indução magnética, dentre outras. Atenção: não confunda direção com sentido, pois são conceitos diferentes. Uma reta define uma direção. A essa direção podemos associar dois sentidos. Na figura seguinte, os carros A e B percorrem uma mesma avenida retilínea e vão se cruzar. Suas velocidades têm a mesma direção, mas sentidos opostos.

têm a mesma direção, mas sentidos opostos. FIGURA 3 ― Carros A e B na mesma

FIGURA 3 Carros A e B na mesma direção, mas sentidos opostos.

02. VETOR Um vetor pode ser esboçado graficamente por um segmento de reta orientado (seta), como mostrado na figura a seguir:

orientado (seta), como mostrado na figura a seguir: FIGURA 4 ― Representação de um Vetor. O

FIGURA 4 Representação de um Vetor.

O comprimento do segmento orientado está associado ao módulo do vetor, a reta suporte r fornece a direção e a orientação (ponta aguçada do segmento) evidencia o sentido.

FIGURA 5 ― Placas indicativas informando sobre direção e sentido. Nas placas indicativas existentes nas

FIGURA 5 Placas indicativas informando sobre direção e sentido.

Nas placas indicativas existentes nas cidades, o motorista obtém informações sobre direção e sentido a serem seguidos para chegar a um determinado destino. Essas informações se referem às grandezas vetoriais deslocamento e velocidade do veículo. Até este capítulo, velocidade e aceleração foram tratadas com caráter escalar, isto é, não nos preocupamos com a natureza vetorial dessas grandezas, mas apenas com seus valores algébricos. Note que essa é uma simplificação conveniente e permitida quando as trajetórias são previamente conhecidas. Insistimos, entretanto, que ambas são grandezas vetoriais, cabendo lhes, além do módulo ou intensidade, uma direção e um sentido. Podemos definir vetor como um ente matemático constituído de um módulo, uma direção e um sentido, utilizado em Física para representar as grandezas vetoriais.

em Física para representar as grandezas vetoriais. FIGURA 6 ― Características de um vetor. No exemplo

FIGURA 6 Características de um vetor.

No exemplo da figura a seguir, um homem está empurrando um bloco horizontalmente para a direita, aplicando sobre ele uma força de intensidade 200 N (N = newton, a unidade de força no SI).

200 N (N = newton, a unidade de força no SI). FIGURA 7 ― Homem empurrando

FIGURA 7 Homem empurrando um bloco.

A força de 200 N que o homem aplica no bloco (grandeza física vetorial) está representada pelo segmento de reta orientado, de comprimento 5,0 unidades, em que cada unidade de comprimento equivale a 40 N.

A notação de um vetor é feita geralmente se utilizando uma letra sobreposta por uma pequena seta, como, por

exemplo,

Outra notação também comum é obtida nomeando se com letras maiúsculas as extremidades do segmento orientado que representa o vetor.

 

a, b, V, F

ou em NEGRITO .

o vetor.     a, b, V, F ou em NEGRITO . FIGURA 8

FIGURA 8 Notação de um vetor.

Nessa notação, fazse sempre a letra que nomeia a ponta aguçada da seta menos a letra que nomeia a extremidade oposta (ou "origem"): a = B A.

03.SOMA E DIFERENÇA DE VETORES

Os cálculos envolvendo uma grandeza escalar são feitos pelas operações aritméticas usuais. Por exemplo, 6 kg + 3 kg = 9 kg ou 4 x 2 s = 8 s. Contudo, os cálculos que envolvem vetores necessitam de operações específicas. Para entender mais de vetores e as operações com eles envolvidas, começaremos com uma grandeza vetorial muito simples, o deslocamento. O deslocamento é simplesmente a variação da posição de um ponto. (O ponto pode representar uma partícula ou um objeto pequeno.) Na figura 9a, representamos a variação da posição de um ponto P 1 ao ponto P 2 por uma linha reta unindo estes pontos, com a ponta da flecha apontando para P 2 para representar o sentido do deslocamento. O deslocamento é uma grandeza vetorial, porque devemos especificar não só a distância percorrida como também a direção e o sentido do deslocamento. Caminhar 3 km do sul para o norte leva a um local completamente diferente de uma caminhada de 3 km para o sudeste. Estes dois deslocamentos possuem o mesmo módulo, mas direções e sentidos diferentes. Vamos representar a grandeza vetorial por uma única letra, tal como a letra A , que indica o deslocamento na figura 9a. Neste curso sempre designaremos uma grandeza vetorial por um tipo normal e com uma flecha sobre a letra. Fazemos isto para você lembrar que uma grandeza vetorial possui propriedades diferentes das grandezas escalares; a flecha serve para lembrar que uma grandeza vetorial possui direção e sentido. Se você não fizer esta distinção na notação entre uma grandeza vetorial e uma grandeza escalar, poderá ocorrer também uma confusão na sua maneira de pensar.

O comprimento do segmento fornece o módulo do vetor, a direção é indicada pelo segmento da reta e o sentido é indicado pela seta. O deslocamento é sempre dado por um segmento de reta que fornece o módulo que liga o ponto inicial ao ponto final da trajetória, mesmo no caso de uma trajetória curva. Na figura 9b, a partícula se deslocou ao longo de uma trajetória curva do ponto P 1 ao ponto P 2 , porém o deslocamento é dado pelo mesmo vetor A . Note que o vetor deslocamento não é associado com a distância total da trajetória descrita. Caso a partícula continuasse a se deslocar até o ponto P 3 e depois retornasse ao ponto P 1 , seu deslocamento na trajetória fechada seria igual a zero.

na trajetória fechada seria igual a zero.    FIGURA 9 ― (a) O vetor

FIGURA 9 (a) O vetor A é o deslocamento do ponto P 1 ao ponto P 2 . (b) O deslocamento é um vetor cuja direção é sempre traçada do ponto inicial até o ponto final, mesmo no caso de uma trajetória curva. Quando o ponto final da trajetória coincide com o ponto inicial, o deslocamento é igual a zero.

Vetores paralelos são aqueles que possuem a mesma direção e o mesmo sentido. Se dois vetores possuem o mesmo módulo e a mesma direção e sentido eles são iguais, independentemente do local onde se encontram no

espaço. Na figura 10 o vetor A que liga o ponto P 1 ao ponto P 2 possui o mesmo módulo, a mesma direção e o mesmo sentido do vetor A ' que liga o ponto P 3 com o ponto P 4 . Estes dois deslocamentos são iguais, embora eles comecem em

 

pontos diferentes. Na figura 10, vemos que

A =

A '. Duas grandezas vetoriais são iguais somente quando elas possuem

o mesmo módulo e a mesma direção e sentido. Contudo, o vetor B na figura 10 não é igual a A , porque possui sentido contrário ao do deslocamento

Definimos um vetor negativo como um vetor que possui mesmo módulo e direção do vetor dado, mas possui sentido contrário ao sentido deste vetor. O vetor negativo de um vetor A é designado por A , onde usamos um sinal negativo

A .

em negrito para enfatizar sua natureza vetorial. Caso A seja um vetor de 87 m apontando do norte para o sul, então A será um vetor de 87 m apontando do sul para o norte. Logo, a relação entre o vetor A e o vetor B na figura 10

 

pode ser escrita como

A

= B

ou B = A . Quando dois vetores

A e B

possuem a mesma direção, mas sentidos

contrários, possuindo ou não o mesmo módulo, dizemos que eles são antiparalelos.

FIGURA 10 ― O deslocamento de P 3 até P 4 é igual ao deslocamento

FIGURA 10 O deslocamento de P 3 até P 4 é igual ao deslocamento de P 1 até P 2 . O deslocamento B de P 5 até P 6 possui o mesmo módulo de A e de A ', porém seu sentido é oposto; o deslocamento B é

 

um vetor igual e contrário ao vetor

A .

Normalmente representamos o módulo de uma grandeza vetorial (o comprimento, no caso do vetor deslocamento) usando a mesma letra do vetor, porém sem a pequena seta. O uso de barras verticais laterais é uma notação alternativa para o módulo de um vetor:

(Módulo de A ) = A = l A l.

Por definição, o módulo de um vetor é uma grandeza escalar (um número), sendo sempre positivo. Note que um vetor nunca pode ser igual a um escalar porque eles representam grandezas diferentes. A expressão " A = 6 m" é tão errada quanto dizer "2 laranjas = 3 maçãs"!

[1 .2]

3.1 SOMA DE VETORES Muitas vezes, encontrase em vários problemas não somente um vetor, mas dois ou mais vetores. Para se saber o efeito total combinado destes dois vetores, é necessário obter o vetor resultante, ou seja, somá los para obter um vetor cujo efeito seja igual ao efeito combinado de todos os vetores do problema. Pode se obter o vetor resultante através de métodos gráficos (desenhos) e de métodos analíticos (cálculo). Graficamente, têmse dois processos: o método do paralelogramo, indicado para soma de dois vetores e o método geométrico, indicado para soma de vários vetores. A seguir, são apresentados os dois métodos:

3.1.1)Regra do polígono

Considere os vetores a,  b, c, d e e representados abaixo.

a,  b, c, d e e  representados abaixo.   FIGURA 11 ― Vetores

FIGURA 11 Vetores a, b, c, d e e

Como podemos obter o vetor soma (ou resultante) s , dado por s=a   b +c d + e ?

Para responder a essa questão, faremos outra figura associando sequencialmente os segmentos orientados representativos dos vetores parcelas , de modo que a "origem" de um coincida com a ponta aguçada do que lhe antecede. Na construção dessa figura, devemos preservar as características de cada vetor: módulo, direção e sentido. De acordo com a figura a seguir, o que se obtém é uma linha segmentada, denominada linha poligonal.

é uma linha segmentada, denominada linha poligonal.   FIGURA 12 ― Soma dos Vetores a,

FIGURA 12 Soma dos Vetores a, b, c, d e e pela regra

do polígono.

Então, temos que:

= B A; b

a

= C B; c

= D C; d

= E D e e

= F E.

Logo:

=(B A) + (C B) + (D C) + (ED) + (F H) Assim: = F A Na figura abaixo, está ilustrado o vetor resultante . O segmento orientado que representa sempre fecha o polígono e sua ponta aguçada coincide com a ponta aguçada do segmento orientado que representa o último vetor parcela.

s

s

s

s

que representa o último vetor parcela. s s s s FIGURA   13 ― Resultado

FIGURA   13 Resultado da Soma dos vetores a,  b, c, d e e pela regra do polígono.

A esse método de adição de vetores damos o nome de regra do polígono. Notas:

•Vale a propriedade comutativa, isto é, a ordem dos vetores parcelas não altera o vetor soma.



abcdebedac

•Se a linha poligonal dos vetores parcelas for fechada, então o vetor soma será nulo, como ocorre no caso da soma dos

   

vetores a, b e c da figura abaixo:

  vetores a, b e c  da figura abaixo:  FIGURA 14 ― Resultado

FIGURA 14 Resultado da Soma dos

Vetores a, b e c pela regra do polígono.

 

s=a  

b

c 0

3.1.2)Regra do paralelogramo

Considere os vetores aeb representados na figura 15.1. Admitamos que seus segmentos orientados

representativos tenham "origens" coincidentes no ponto O e que o ângulo formado entre eles seja Θ.

Na figura 2, está feita a adição

a b

pela regra do polígono.

a adição  a   b pela regra do polígono.  FIGURA 15 ― Soma

FIGURA 15 Soma dos Vetores a e b e seu

resultado pela regra do paralelogramo.

Observe que o segmento orientado representativo do vetor resultante nada mais é que a diagonal do paralelogramo formado. Assim, dados dois vetores, é sempre possível obter se graficamente o vetor soma (resultante) pela regra do paralelogramo: fazemos com que os segmentos orientados representativos dos vetores tenham "origens" coincidentes; da ponta aguçada do segmento orientado que representa um dos vetores, traçamos uma paralela ao segmento orientado que representa o outro vetor e viceversa; o segmento orientado representativo do vetor resultante é a diagonal do paralelogramo obtido.

dada pela regra do paralelogramo, temos que o

módulo do vetor soma (resultante) pode ser obtido aplicando se uma importante relação matemática denominada

s

Retomando a figura anterior, em que aparece a soma

s

a b

Lei dos cossenos ao triângulo formado pelos segmentos orientados representativos de a, b e s .

Sendo a o módulo de a , b o módulo de b e s o módulo de , temos:

s

s 2 = a 2 + b 2 2ab cos(180°‐ Θ)

Mas:

cos(180°‐ Θ ) =cos Θ

Assim:

s 2 = a 2 + b 2 + 2ab cos Θ

Casos particulares I. a e b têm a mesma direção e o mesmo sentido:

[1]

e b  têm a mesma direção e o mesmo sentido: [1] Neste caso, Θ =

Neste caso, Θ = 0°; então, cos0° = 1. s 2 = a 2 + b 2 + 2ab => s 2 = (a + b) 2

s = a + b

[2]

II. a e b têm a mesma direção e sentidos opostos:

e b  têm a mesma direção e sentidos opostos: Neste caso, Θ = 180°; então,

Neste caso, Θ = 180°; então, cos180° = 1. s 2 = a 2 + b 2 2ab => s 2 = (a b) 2

s = a – b

[3]

III. a e b são perpendiculares entre si:

a  e b  são perpendiculares entre si: Neste caso, Θ = 90°; então, cos90°

Neste caso, Θ = 90°; então, cos90° = 0. s 2 = a 2 + b 2

[4]

3.2 DIFERENÇA DE VETORES A diferença vetorial nada mais é do que um caso especial da soma vetorial. Efetuar a diferença vetorial entre

 

dois vetores

A e

B significa realizar a soma do vetor A com o oposto do outro vetor B . Sendo que o oposto do vetor

B é um vetor idêntico ao vetor original, porém com sentido contrário.

FIGURA 16 ― Vetores opostos. Por se tratar de um caso especial da soma vetorial,

FIGURA 16 Vetores opostos.

Por se tratar de um caso especial da soma vetorial, todas as considerações feitas para soma também valem para diferença vetorial, e os métodos de obtenção do vetor diferença D são os mesmos processos de obtenção do vetor resultante ou vetor soma. Veja o exemplo com o método geométrico:

soma. Veja o exemplo com o método geométrico:   FIGURA 17 ― Diferença dos vetores

FIGURA 17 Diferença dos vetores AeB .

04.COMPONENTES DE UM VETOR E VETORES UNITÁRIOS O método geométrico de adicionar vetores não é o procedimento recomendado em situações que requerem grande precisão, ou em problemas tridimensionais, pois somos forçados a desenhá los em um papel bidimensional. Nesta seção descrevemos um método de adicionar vetores que utiliza as projeções de um vetor ao longo dos eixos de um sistema de coordenadas retangular. Considere um vetor A no plano xy fazendo um ângulo arbitrário Θ com o eixo x positivo, como na figura 18a. O vetor A pode ser representado por suas componentes retangulares, A x e A y . A componente A x representa a projeção de A ao longo do eixo x, e A y representa a projeção de A ao longo do eixo y. As componentes de um vetor, que são grandezas escalares, podem ser positivas ou negativas. Por exemplo, na figura 18a, A x e A y são ambas positivas. O valor absoluto das componentes são os módulos dos vetores componentes associados A x e A y .

componentes associados A x e A y .      FIGURA 18 ―

FIGURA 18 (a) Um vetor A no plano xy pode ser representado por seus vetores componentes A x e A y . (b) O vetor componente y, A y ˆ j , pode ser movido para a direita de tal forma que ele seja adicionado a A x . O vetor soma dos vetores componentes é A . Esses três vetores formam um triângulo retângulo.

A figura 18b mostra novamente os vetores componentes, mas com o vetor componente y deslocado de tal forma que ele seja adicionado vetorialmente ao vetor componente x. Esse diagrama nos mostra dois aspectos importantes. Em primeiro lugar, um vetor é igual à soma de seus vetores componentes. Assim, a combinação dos vetores componentes é um substituto válido para o vetor real. O segundo aspecto é que o vetor e seus vetores componentes formam um triângulo retângulo. Assim, podemos deixar o triângulo ser um modelo para o vetor e podemos usar a trigonometria de triângulos retângulos para analisar o vetor. Os catetos do triângulo têm comprimentos proporcionais às componentes (dependendo de qual fator de escala foi escolhido), e a hipotenusa tem um comprimento proporcional ao módulo do vetor. Da figura 18b e da definição do seno e do co seno de um ângulo, vemos que cos Θ = A x /A e senΘ = A y /A. Portanto, as componentes de A são dadas por

A x = A cos Θ e

É importante notar que ao utilizar essas equações componentes, Θ tem de ser medido em sentido anti horário a

A y = A senΘ

[5]

partir do eixo x positivo. De nosso triângulo, seguese que o módulo de A e sua direção estão relacionados com suas componentes por meio do teorema de Pitágoras e da definição da função tangente:

A 2 = A x 2 + A y 2

[6]

tg Θ = A y /A x

[7]

Para obter Θ, podemos escrever Θ = tg 1 (A y /A x ), que é lida "Θ” é igual ao ângulo cuja tangente é a razão A y /A x . Observe que os sinais das componentes A x e A y dependem do ângulo Θ. Por exemplo, sen Θ = 120°, A x é negativa e A y é positiva. Por outro lado, se Θ = 225°, tanto A x quanto A y são negativas. Se você escolher eixos de referência ou um ângulo diferentes daqueles mostrados na figura 18, as componentes do vetor têm de ser modificadas de acordo com isso. Em muitas aplicações é mais conveniente expressar as componentes de um vetor em um sistema de coordenadas tendo eixos que não são horizontais e verticais, mas que

ainda são perpendiculares entre si. Suponha que um vetor B faça um ângulo Θ, com o eixo x' definido na figura 19.



FIGURA 19 As componentes do vetor B em um sistema de coordenadas que está inclinado.

As componentes de B ao longo desses eixos são dadas por B x ’ = B cos Θ’ e por B y = B senΘ’, como na Equação (5). O módulo e a direção de B são obtidos das expressões equivalentes às Equações (6) e (7). Assim, podemos expressar as componentes de um vetor em qualquer sistema de coordenadas que seja conveniente para uma situação particular. Grandezas vetoriais são expressas freqüentemente em termos dos vetores unitários. Um vetor unitário é um vetor sem dimensões com módulo unitário e é usado para especificar uma direção. Os vetores unitários não têm outro significado físico. São usados simplesmente como conveniência prática ao descreverse uma direção no espaço. Os vetores unitários fornecem uma notação conveniente para cálculos que envolvem os componentes de vetores. Sempre usaremos acento circunflexo ou "chapéu" (^) para simbolizar um vetor unitário e distingui lo de um vetor comum cujo módulo pode ser igual a 1 ou diferente de 1.

Usaremos os símbolos ˆ i,j ˆ e k ˆ para representar vetores unitários apontando nas direções x, y e z, ˆ

respectivamente. Assim, os vetores unitários ˆ i, ˆ j e k formam um conjunto de vetores mutuamente perpendiculares,

como mostrado na figura 20a, onde o módulo de cada vetor unitário é igual a um; isto é, l ˆ i l = l ˆ j l = l k ˆ l = 1.

FIGURA 20 ― (a) Os vetores unitários ˆ i,j ˆ e k ˆ estão direcionados

FIGURA 20 (a) Os vetores unitários ˆ i,j ˆ e k ˆ estão direcionados

ao longo dos eixos x, y e z, respectivamente, (b) Um vetor A no plano xy tem vetores componentes A x e A y onde A x e A y são as

 

componentes de

A .

Considere um vetor A no plano xy, como na figura 20b. O produto da componente A x com o vetor unitário ˆ i é o vetor componente A x ˆ i paralelo ao eixo x com magnitude A x . Da mesma forma, A y ˆ j é um vetor componente de

magnitude A y paralelo ao eixo y. Ao utilizar a forma unitária de um vetor, estamos simplesmente multiplicando um vetor (o vetor unidade) por um escalar (a componente). Assim, a notação de vetor unitário para o vetor A é escrita

A

A ˆ i

x

A

y

ˆ j

[8]

Suponha agora que você deseje adicionar o vetor B ao vetor A , onde B tem componentes B x e B y . O procedimento para realizar essa soma é simplesmente adicionar as componentes x e y separadamente. O vetor

resultante

 A

R

B ˆ i+ A

B é, portanto,

B

yy

ˆ j

R

 A

[9]

xx

Assim, as componentes do vetor resultante são dadas por R x = A x + B x

R y = A y + B y

O módulo de R e o ângulo que ele faz com o eixo x podem então ser obtidos de suas componentes utilizando as

relações

[10]

R

222

R R (A B ) (A B )

x

y

2

xx

2

yy

[11]

R

y

AB

yy

tg  

R

x

AB

xx

[12]

O

procedimento que acabamos de descrever para adicionar dois vetores A

e B

utilizando o método de

componente pode ser checado usando se um diagrama como a figura 21.

 

A

extensão desses métodos para vetores tridimensionais é direta. Se A

e B

têm componentes x, y e z,

expressamos os vetores na forma

A

B

 A ˆ i

A ˆ j

A k ˆ

xyz

 B ˆ i

B ˆ j

B k ˆ

xyz

A soma de



RAB 

O

A e B é

A

x

B

x

ˆ i

A

B

yy

ˆ j

(A

z

B

z

)k ˆ

[13]

mesmo procedimento pode ser usado para adicionar três ou mais vetores. Se um vetor R tem componentes

x, y e z, o módulo do vetor é



R

R

2

R

22

xy

R

z

2

O ângulo Θ que R faz com o eixo x é dado por

cos 

x

R

R

x

com expressões similares para os ângulos em relação aos eixos y e z.

para os ângulos em relação aos eixos y e z. FIGURA 21 ― Uma construção geométrica

FIGURA 21 Uma construção geométrica mostrando a relação entre as componentes da resultante R de dois vetores e as componentes individuais.

05. PRODUTOS DE VETORES

Podemos escrever concisamente muitas outras relações entre grandezas físicas usando produtos de vetores. Os vetores não são números comuns, de modo que o produto comum não é diretamente aplicado para vetores. Vamos definir três tipos de produtos usando vetores. O primeiro será denominado produto de um escalar por um vetor dando como resultado um novo vetor. O segundo será o produto de dois vetores denominado produto escalar , fornece um resultado que é uma grandeza escalar. O terceiro, também será o produto de dois vetores, denominado produto vetorial , fornece outra grandeza vetorial.

5.1 PRODUTO DE UM ESCALAR POR UM VETOR

O produto de um escalar e por um vetor A é um novo vetor com as seguintes características:

Módulo: eA

 

Direção: a mesma de

A

Sentido: depende do sinal de e:

 

e

> 0: mesmo sentido de A

e

< 0: sentido oposto de A .

Para dividir A por e , basta multiplicar A por (1/e) . Na figura abaixo mostramos o resultado do produto de um escalar e por um vetor A com e = 3 e e = 3.

um escalar e por um vetor A com e = 3 e e = ‐ 3.

FIGURA 22 Produto de um escalar e por um vetor A

5.2 PRODUTO ESCALAR

O produto escalar de dois vetores AeB é designado por A B   Para definir o produto escalar A B de dois vetores AeB , desenhamos o início destes vetores no mesmo ponto

(figura 23a). O ângulo entre os vetores é designado por Θ como indicado: o ângulo Θ está sempre compreendido entre

 

0 o e 180°. A figura 23b mostra a projeção do vetor B na direção de A ; esta projeção é dada por B cos Θ e corresponde

ao componente de B paralelo ao vetor A . (Podemos obter componentes ao longo de qualquer direção conveniente e não somente nas direções dos eixos Ox e Oy.)

FIGURA 23 ― (a) Dois vetores desenhados a partir de um mesmo   ponto

FIGURA 23 (a) Dois vetores desenhados a partir de um mesmo

 

ponto para definir o produto escalar A B = AB cos Θ. (b) B cos Θ é o

 

componente de B paralelo ao vetor A e A B é o produto deste

componente pelo módulo de A . (c) A B é também o produto do

módulo de B pelo componente de A paralelo ao vetor B .

  A B

  Definimos A B como sendo o módulo de A multiplicado pelo componente de B paralelo ao vetor A . Ou seja,

= AB cos Θ = l A l.l B l cos Θ (definição do produto escalar),

[14]

onde Θ está compreendido entre e 180°.

 

Como alternativa, podemos definir A B como o produto do módulo de B multiplicado pelo componente de A  

na direção do vetor B , como indicado na figura 23c. Logo, A B = BA cos Θ = l B

(14).

O produto escalar é uma grandeza escalar, não é um vetor, possuindo um valor positivo, negativo ou nulo. Quando Θ está compreendido entre e 90°, o produto escalar é positivo. Quando Θ está compreendido entre 90° e 180°, o produto escalar é negativo. Desenhe um diagrama análogo ao da figura 23 porém com Θ compreendido entre

A l cos Θ, confirmando as Equações

l.

l

90° e 180°, para você se convencer de que nesse caso o componente de B na direção do vetor A é negativo, do mesmo

    modo que o componente de A na direção do vetor B . Finalmente, quando Θ = 90°, AB 0 . O produto escalar de dois

vetores ortogonais é sempre igual a zero.

Para dois vetores arbitrários, AeB , ABcosΘ = BAcos Θ. Isto significa que AB BA . O produto escalar obedece à lei comutativa da multiplicação; a ordem dos dois vetores não importa. Usaremos o produto escalar no capítulo de Trabalho e Energia para definir o trabalho realizado por uma força.





Quando uma força constante F é aplicada a um corpo, que sofre um deslocamento , o trabalho W (uma grandeza escalar) realizado por esta força é dado por

s

W

F s .

O trabalho realizado por uma força é positivo quando o ângulo entre F e s estiver compreendido entre e 90°,

negativo se este ângulo estiver compreendido entre 90° e 180° e igual a zero quando F e s forem dois vetores ortogonais. Em capítulos posteriores usaremos o produto escalar para diversas finalidades, desde o cálculo de um

potencial elétrico até a determinação dos efeitos produzidos pela variação de campos magnéticos em circuitos elétricos.

  Podemos calcular o produto escalar A B diretamente quando os componentes x, y e z dos vetores AeB forem

conhecidos. Para ver como isto é feito, vamos calcular o produto escalar dos vetores unitários. Isto é fácil, visto que

ˆ ˆ

ˆ

i,j e k são vetores mutuamente ortogonais. Usando as Equações (14), achamos

ˆ

i i

ˆ

ˆ = ˆ j ˆ j =

ˆ

k ˆ k ˆ = 1 . 1 . cos0° =1

j k ˆ = 1 . 1 . cos90° =0

i j = ˆ

i k = ˆ

ˆ

5.3 PRODUTO VETORIAL

  O produto vetorial de dois vetores AeB é designado pelo símbolo A B . Usaremos este produto em um

capítulo posterior para descrever o torque e o momento angular. Mais tarde também usaremos frequentemente este produto para campos magnéticos, quando então ele nos será útil para determinar relações entre direções espaciais para diversas grandezas vetoriais.

  Para definir o produto vetorial A B de dois vetores AeB desenhamos os dois vetores com início em um

mesmo ponto (figura 24a).

início em um mesmo ponto (figura 24a).      FIGURA 24 ― (a)

FIGURA 24 (a) Dois vetores AeB situados em um   mesmo plano; o produto vetorial A B é perpendicular a

este plano e seu sentido é dado pela regra da mão direita. (b) A B = B A , o produto vetorial de dois vetores é anticomutativo.

 

 

Assim, os dois vetores ficam situados em um mesmo plano. Definimos o produto vetorial como uma grandeza

vetorial perpendicular a este plano (isto é, perpendicular tanto ao vetor A quanto ao vetor B ) e possuindo módulo dado por AB senΘ. Isto é, se C AB, então

l C

l = AB senΘ = l A l.l B l senΘ (módulo do produto vetorial de AeB ).

[15]

Medimos o ângulo Θ entre AeB como sendo o menor ângulo entre estes dois vetores, ou seja, o ângulo Θ está

compreendido entre 0 o e 180°. Logo, l C l na Equação (15) possui sempre valor positivo, como era de esperar para o módulo de um vetor. Note que quando AeB forem dois vetores paralelos ou antiparalelos, Θ= ou 180° e l C l = 0. Ou seja, o produto vetorial de dois vetores paralelos ou antiparalelos é sempre igual a zero. Em particular, o produto vetorial de um vetor com ele mesmo é igual a zero. Para avaliar o contraste entre o produto escalar e o módulo do

produto vetorial de dois vetores, imagine que o ângulo entre os vetores AeB possa variar enquanto seus módulos permanecem constantes. Quando AeB são paralelos, o produto escalar possui seu valor máximo enquanto o módulo do produto vetorial é igual a zero. Quando AeB são perpendiculares, o produto escalar é igual a zero enquanto o

módulo do produto vetorial possui seu valor máximo. Existem sempre dois sentidos para uma direção ortogonal a um plano, um para cima e outro para baixo do plano. Escolhemos o sentido de A B do seguinte modo: imagine que o vetor A sofra uma rotação em torno de um

 

eixo ortogonal   ao plano até que ele se superponha com o vetor B , escolhendo nesta rotação o menor ângulo   entre os vetores AeB . Faça uma rotação dos quatro dedos neste sentido; o dedo polegar apontará no sentido de A B . A regra da mão direita é indicada na figura 24a. O sentido do produto vetorial é também dado pela rotação de um parafuso de rosca direita quando ele avança ao ser girado de A para   B , conforme indicado.

Analogamente, determinamos o sentido de B A fazendo uma rotação de B para A como indicado na figura   24b. O resultado é um vetor oposto ao vetor A B . O produto vetorial não é comutativo! De fato, para dois vetores AeB  

A

B

  = B A .

[16]

Assim como fizemos para o caso do produto escalar, podemos fazer uma interpretação geométrica para o módulo do produto vetorial. Na figura 25a, B senΘ é o componente de B em uma direção perpendicular à direção de A . Pela Equação (15) vemos que o módulo de A B é igual ao módulo de A multiplicado pelo componente de B em uma   direção perpendicular à direção de A . A figura 25b mostra que o módulo de A B é também igual ao módulo de B

multiplicado pelo componente de A em uma direção perpendicular à direção de B . Note que a figura 25 mostra um caso no qual Θ está compreendido entre 0 o e 90°; você deve desenhar um diagrama semelhante   para Θ compreendido entre 90° e 180° para verificar que a mesma interpretação geométrica vale para o módulo de A B .

geométrica vale para o módulo de A  B .  B em uma  

B em uma

  direção perpendicular à direção de A , e o módulo de A B é

FIGURA 25 (a) BsenΘ é o componente de

igual ao produto   do módulo de A por este component