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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

PROGRAMA DE P”S-GRADUA« O EM ENGENHARIA DE PRODU« O

AN£LISE POSTURAL NO TRABALHO DE UM CIRURGI O ONCOL”GICO ABDOMINAL: ESTUDO DE CASO

WOLDIR WOSIACKI FILHO

FLORIAN”POLIS SANTA CATARINA ñ BRASIL ABRIL DE 2002

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

PROGRAMA DE P”S-GRADUA« O EM ENGENHARIA DE PRODU« O

AN£LISE POSTURAL NO TRABALHO DE UM CIRURGI O ONCOL”GICO ABDOMINAL: ESTUDO DE CASO

DissertaÁ„o submetida como requisito parcial

‡ obtenÁ„o do grau de Mestre em Engenharia

ñ especialidade em Engenharia de ProduÁ„o.

WOLDIR WOSIACKI FILHO

Orientador

ANA REGINA DE AGUIAR DUTRA, DRA. ERG.

FLORIAN”POLIS SANTA CATARINA - BRASIL ABRIL DE 2002

iii

AN£LISE POSTURAL NO TRABALHO DE UM CIRURGI O ONCOL”GICO ABDOMINAL: ESTUDO DE CASO

Woldir Wosiacki Filho

Esta dissertaÁ„o foi julgada e aprovada para a obtenÁ„o do TÌtulo de Mestre em Engenharia de ProduÁ„o no Programa de PÛs-graduaÁ„o em Engenharia de ProduÁ„o da Universidade de Santa Catarina.

FlorianÛpolis, 23 de abril de 2002.

Prof. Ricardo Miranda Barcia Coordenador do Curso

BANCA EXAMINADORA

Orientadora:

Prof a Ana Regina Aguiar Dutra, Dra.

Prof a Eliete de Medeiros Franco, Dra.

Prof Antonio Renato Moro, Dr.

iv

¿ minha filha Frances, que È meu motivo para seguir sempre em frente.

v

AGRADECIMENTOS

Com o objetivo alcanÁado, manifesto o meu agradecimento a todos que, direta ou

indiretamente, contribuÌram para este estudo, em especial:

.

Aos meus pais, que s„o os pilares que sustentam esta conquista.

.

Aos meus irm„os, que a sua maneira me tranq¸ilizam.

.

¿ Doutora Ana Regina de Aguiar Dutra, pela orientaÁ„o ao longo das passadas deste

caminho.

. A eterna gratid„o ‡ amiga Gl·ucia RenÈe.Hilgemberg que com seu insepar·vel ìlaptopî

viabilizou este estudo.

.

Ao Doutor Massakazu Kato, pelo estÌmulo ‡ realizaÁ„o deste trabalho;

.

¿ Professora Maria Elzi Hilgemberg, pela revis„o ortogr·fica;

.

¿ Liga Paranaense de Combate ao C‚ncer, que consentiu na realizaÁ„o deste estudo.

vi

RESUMO

A cirurgia È conceituada como procedimento invasivo executado conforme metodizaÁ„o de tÈcnica, representando um mÈtodo terapÍutico e diagnÛstico. A especialidade n„o compreende apenas o ato operatÛrio mas a integraÁ„o de procedimentos de propedÍutica, diagnÛstico, indicaÁıes de tratamento, avaliaÁ„o clÌnica e cuidados de prÈ, trans e pÛs- operatÛrios. A tÈcnica cir˙rgica geral, b·sica ou fundamental caracteriza-se por conhecimentos de assepsia e antissepsia, centro cir˙rgico (fÌsico e funcional), equipe, material, vestu·rio, anestesia, procedimentos tÈcnicos gerais, prÈ, trans e pÛs-operatÛrio.

A Ergonomia determina os problemas causadores e as conseq¸Íncias da m·-postura mantida durante a realizaÁ„o de tarefas/atividades e sugere possÌveis modificaÁıes visando solucionar os problemas levantados alcanÁando o bem-estar do trabalhador.

Este È um Estudo de Caso da Ergonomia do Posto de Trabalho do Cirurgi„o OncolÛgico Abdominal realizado no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, Paran·. Teve como objetivo analisar as condiÁıes de trabalho do centro cir˙rgico do referido Hospital e propor estratÈgias para beneficiar a atividade profissional e melhora da qualidade de vida, utilizando como metodologia a an·lise ergonÙmica do trabalho. Os resultados do estudo foram focalizados nos aspectos tÈcnicos, ambientais e organizacionais do posto de trabalho do cirurgi„o oncolÛgico abdominal.

Palavras-Chave: ergonomia, cirurgi„o, centro cir˙rgico.

vii

ABSTRACT

The surgery is considered as an invasive procedure executed according to the use of method into technique, representing a diagnostical and therapeutic method. It doesnít include only the operational act, but also the integration of propedeutical procedures, treatment indications, clinical evaluation and special pre, trans and pos-toperatory. The general, basic or fundamental surgery technique is featured by Knowledges of asepsis and antiasepsis, surgery center (physical and funtional), team, material, clothing, anesthesia, general technical procedures, pre, trans and post-operatory. The ergonomy states the causing problems and the consequences of improper posture held during the execution of tasks/activities and suggests possible changings aiming to solve the stated problems, reaching the worker wel-fare. This is a research held by the Hospital Erasto Gaertner, in Curitiba, Paran·. Its main goal was to analyse through an ergonomic point of view, the working conditions in the surgery center of that Hospital and to propose strategies to improve the professional activity and the life quality, using the ergonomic analysis method. The research results was in tecnical, enviromental and organization aspects to surgeonís activity.

Keywords: ergonomy, surgeon, surgery center.

SUM£RIO

1.

INTRODU« O

13

1.1

DefiniÁ„o do Problema

13

1.2

Justificativa

16

1.3

Objetivos

17

1.3.1

Objetivo Geral

17

1.3.2

Objetivos EspecÌficos

17

1.4

LimitaÁıes do Estudo

18

1.5

Estrutura do Trabalho

18

2.

FUNDAMENTA« O TE”RICA

20

2.1

ConsideraÁıes Iniciais

20

2.2

Ergonomia

20

2.2.1

ConceituaÁ„o

20

2.2.2

HistÛrico

22

2.2.3

Objetivos

23

2.3

Sa˙de e Trabalho

24

2.4

Patologias Relacionadas ao Trabalho

26

2.4.1

Fadiga

26

2.4.2

LER / DORT

29

ix

2.4.2.2

Aspectos ClÌnicos e DiagnÛstico

29

2.4.2.3

Estadiamento e PrognÛstico

30

2.4.2.4

Fatores Causais

32

2.4.2.5

AfecÁıes da Coluna Vertebral

33

2.4.2.6

CefalÈia

40

2.4.2.7

Tratamento

41

2.4.2.8

RecomendaÁıes

43

2.5

Ergonomia Hospitalar

43

3.

HIST”RICO DA PROFISS O CIRURGI O

46

3.1

Conceito

46

3.2

A HistÛria Da Cirurgia

46

3.2.1

Era Primitiva

46

3.2.2

A

Anestesia

48

3.2.3

O Nascimento da Cirurgia Renal

51

3.2.4

A ìOperaÁ„o Cesareanaî

52

3.2.5

InfecÁ„o e PrevenÁ„o

54

3.2.6

A Cirurgia Hoje

56

3.3

CaracterizaÁ„o do Hospital Erasto Gaertner

58

3.4

Instrumentos Cir˙rgicos

60

x

3.4.2

ComposiÁ„o

 

60

3.4.3

Categorias

61

3.4.3.1

DissecaÁ„o

61

3.4.3.2

PinÁamento

62

3.4.3.3

Afastadores

63

3.4.3.4

AcessÛrios e instrumentos auxiliares

64

3.4.3.5

Instrumentos de Grampeamento

64

3.5

A Equipe Cir˙rgica Como Fonte De InfecÁ„o

64

3.5.1

ParamentaÁ„o

65

3.5.1.1

Uso

de

Aventais

65

3.5.1.2

Uso de luvas

66

3.5.1.3

Uso de gorros

66

3.5.1.4

Uso de m·scaras

66

3.5.1.5

Uso

de propÈs

67

3.5.2

Antissepsia

67

4.

AN£LISE POSTURAL NO TRABALHO DE UM

CIRURGIA ONCOL”GICA ABDOMINAL

69

4.1

IntroduÁ„o

 

69

4.2

Procedimentos MetodolÛgicos

70

xi

4.2.2

ClassificaÁ„o do estudo

71

4.2.3

Amostra

72

4.2.4

TÈcnica de coleta de dados

72

4.3

Estudo ErgonÙmico do Centro Cir˙rgico do Hospital Erasto Gartner

73

4.3.1

An·lise da Demanda

73

4.3.1.1

CaracterizaÁ„o do Local de Trabalho

75

4.3.2

An·lise da Tarefa

76

4.3.2.1

CondiÁıes de Trabalho

78

4.3.3

An·lise das atividades

82

4.3.3.1

An·lise das atividades em termos gestuais e posturais

82

4.3.3.2

An·lise das atividades em termos cognitivos e de regulaÁ„o

86

4.4

DiagnÛstico

89

4.4.1

Problemas relacionados com as condiÁıes tÈcnicas

89

4.4.2

Problemas relacionados com as condiÁıes fisico-ambientais

90

4.4.3

Problemas relacionados com as condiÁıes organizacionais

91

4.5

RecomendaÁıes ErgonÙmicas

93

4.5.1

RecomendaÁıes relacionadas com as condiÁıes tÈcnicas

94

4.5.2

RecomendaÁıes relacionadas com as condiÁıes fisico-ambientais

95

4.5.3

RecomendaÁıes relacionadas com as condiÁıes organizacionais

95

xii

5.1

ContribuiÁıes

99

5.2

RecomendaÁıes para Trabalhos Futuros

100

6.

REFER

NCIAS BIBLIOGR£FICAS

101

ANEXOS

107

Anexo 1

Programa De ExercÌcios Laborais

108

Anexo2

Instrumentos

De Pesquisa

116

Anexo 3

Gr·ficos Do Aplicativo OWAS

127

1.

INTRODU« O

1.1 DefiniÁ„o do Problema

O centro cir˙rgico È definido como instalaÁıes independentes para cirurgias cuidados de

pacientes cir˙rgicos. … um dos ambientes mais importantes de um hospital por se tratar de

uma ferramenta utilizada para diagnÛsticos e tratamentos.

Nos estudos ergonÙmicos realizados anteriormente, o centro cir˙rgico era abordado em

relaÁ„o ‡ equipe de enfermagem, instrumentais e mobili·rio, mas pouco foi estudado sobre

o cirurgi„o diretamente e suas relaÁıes com o meio de trabalho, relacionamentos, atitudes e

posturas.

MAGALH ES, 2000 afirma que a ergonomia est· diretamente ligada ao centro cir˙rgico

porÈm n„o atua com freq¸Íncia, visando desenvolver conhecimentos sobre as capacidades,

limites e importantes caracterÌsticas do desempenho humano que se relacionam entre

indivÌduos e outros componentes do sistema, colocando com prioridade a iluminaÁ„o da

sala cir˙rgica, os instrumentos cir˙rgicos e os movimentos do

realizaÁ„o

de

tarefas.

A

tÈcnica

cir˙rgica

geral,

b·sica

ou

cirurgi„o

durante a

fundamental

requer

conhecimentos em assepsia e anti-sepsia, centro cir˙rgico com sua parte fÌsica e funcional;

equipe cir˙rgica; vestu·rio; material cir˙rgico; anestesia; procedimentos tÈcnicos gerais,

prÈ, trans e pÛs operatÛrio.

Outra caracterÌstica dos centros cir˙rgicos atuais È o aglomerado devido aos novos

equipamentos que hoje s„o utilizados no ato cir˙rgico que, aumentam a poluiÁ„o visual e

sonora e diminuem o espaÁo, que n„o s„o adaptados as inovaÁıes tecnolÛgicas, para

14

movimentaÁ„o da equipe. Este problema È mais grave em edificaÁıes antigas que n„o

foram adequadas aos novos equipamentos e as exigÍncias para as rotinas.

Nas cirurgias de mÈdio e grande porte, que duram em mÈdia duas horas nota-se um

cansaÁo muscular e conseq¸ente estresse dentre a comunidade cir˙rgica geral quando da

realizaÁ„o de suas tarefas, acarretando em deficiÍncias no seu rendimento de trabalho.

(Diniz & Moraes, 1998)

BERGUER (1997) afirma que, o universo cir˙rgico È caro e os custos de erros ou atrasos

no tratamento cir˙rgico s„o substanciais tanto do ponto de vista ergonÙmico como humano

fica assim evidenciado a import‚ncia de analisar o trabalho do cirurgi„o, utilizando os

mÈtodos ergonÙmicos com o objetivo de fornecer eficiÍncia e seguranÁa neste posto

trabalho.

Com o aumento da complexidade dos procedimentos cir˙rgicos e da tecnologia empregada

para analis·-los, associados com o custo relativamente alto do pessoal e do tempo das salas

de operaÁ„o, est· surgindo a necessidade de aumentar a eficiÍncia na cirurgia baseando-se

na an·lise de dados voltadas as operaÁıes cir˙rgicas que deve permanecer sob o controle

dos prÛprios cirurgiıes.

Considerando cirurgias abertas que permite ao cirurgi„o ver diretamente o campo da

operaÁ„o sob essas condiÁıes, as principais consideraÁıes visuais da ergonomia s„o a

adequaÁ„o da exposiÁ„o do campo cir˙rgico para a visualizaÁ„o direta e a qualidade e

intensidade de iluminaÁ„o no campo.

Os procedimentos cir˙rgicos que s„o executados, geralmente exigem a postura de pÈ,

posiÁıes corporais desbalanceadas e necessidade ocasional de torÁıes do tronco para

visualizaÁ„o ou exercer forÁa sobre os tecidos. Entre os cirurgiıes as principais queixas s„o

15

a dor e a rigidez nos ombros e na coluna lombar, alÈm disso, constata-se alta taxa de dores

cervicais, parestesia e dor em membros superiores e cefalÈia.

As cirurgias em geral tÍm sempre sido associada com os estresses mental e emocional

relacionado ao desafio tÈcnico das intervenÁıes cir˙rgicas assim como ao contexto humano

do trabalho.

As caracterÌsticas de um projeto

adequado

de uma

sala de

operaÁıes È de suma

import‚ncia, pois o percentual de espaÁo ocupado por pessoas, mobili·rio e equipamentos

estendeu-se de 28 para 50%, com uma mÈdia de 37% para cirurgia aberta e 41% para

cirurgia de laparoscopia. Ser· necess·rio uma recriaÁ„o da arquitetura da microbiologia e

dos conceitos da equipe de profissionais, tradicionais da sala de operaÁ„o cir˙rgica para

estimular um aumento eficiente e flexÌvel e manter a seguranÁa do paciente. (Diniz &

Moraes, 1999).

A An·lise ErgonÙmica do Trabalho intensifica o conhecimento sobre as atividades dos

cirurgiıes, mostrando suas necessidades e dificuldades. H· ainda, outros pontos de vista

que podem ser considerados como a pÈssima estrutura fÌsica e organizacional de alguns

hospitais, e a baixa remuneraÁ„o dos profissionais, que se juntam a queixas de ordem fÌsica

e psicolÛgica, sem esquecer da grande demanda de pacientes a espera de atendimento. Isto

tem ocasionado os problemas fisiolÛgicos e psicolÛgicos, evidentes nas queixas dos

profissionais deste setor s„o deixados de lado e se tornam subjacentes atÈ que eclodam e se

tornem insuport·veis, ocasionando conseq¸Íncias evidentes, como: negligÍncias mÈdicas,

queda de rendimento e absenteÌsmo.

16

1.2

Justificativa

Existe uma crescente preocupaÁ„o das instituiÁıes hospitalares em modernizar-se, para

conseguir aumentar a produtividade. Esta modernizaÁ„o est· relacionada tanto a ativos

tangÌveis (estrutura fÌsica, equipamentos e outros recursos materiais), quanto intangÌveis

(organizaÁ„o, planejamento e recursos humanos).

As tecnologias cir˙rgicas tÍm aumentado o valor terapÍutico dos procedimentos cir˙rgicos

por permitir que sejam desempenhadas com menos trauma ao paciente (Berguer, 1999).

Mas, a ind˙stria de produtos e ferramentas cir˙rgicas e os hospitais est„o preocupados

apenas com o paciente e esquecem-se das condiÁıes de trabalho dos profissionais.

A realidade ergonÙmica do posto de trabalho do mÈdico cirurgi„o, preliminarmente, parece

desconhecida ‡ luz da ciÍncia, o que inviabiliza qualquer andamento de projetos para

melhorar a ergonomia do trabalho.

Existe

a

necessidade

da

an·lise

ergonÙmica

pois

dificuldade

dos

Cirurgiıes

OncolÛgicos Abdominais de posicionarem-se mediante a execuÁ„o do procedimento

cir˙rgico. Assim, estes trabalhadores s„o acometidos por lombalgias, cervicalgias, fadiga

dos membros superiores principalmente cintura escapular e m„os (Wosiacki Filho e Dutra,

2001).

Conhecendo

a

realidade

do

trabalho

do

mÈdico

cirurgi„o

oncolÛgico

abdominal

e

empregando a An·lise ErgonÙmica do Trabalho, bem como os resultados obtidos com um

programa de exercÌcios laborais, pode-se promover recomendaÁıes e aperfeiÁoamentos

ergonÙmicos neste posto de trabalho, permitindo assim assegurar a sa˙de e o bem-estar do

mÈdico cirurgi„o gerando produÁ„o com qualidade de vida.

17

1.3

Objetivos

 

1.3.1

Objetivo Geral

 

Estudar

o

trabalho

do

Cirurgi„o

OncolÛgico

Abdominal,

empregando

a

An·lise

ErgonÙmica do Trabalho, no centro cir˙rgico do Hospital Erasto Gaertner, permitindo

assim, modificaÁıes que beneficiem a atividade de trabalho.

1.3.2 Objetivos EspecÌficos

Identificar as condiÁıes de trabalho que interferem na sa˙de e no desempenho do

Cirurgi„o

OncolÛgico

Abdominal,

incluindo

o

levantamento

de

dificuldades

do

cirurgi„o em relaÁ„o ao paciente e sua equipe no posto de trabalho.

Conhecer as reais diferenÁas entre a tarefa e atividade do Cirurgi„o OncolÛgico

Abdominal do Hospital Erasto Gaertner, permitindo uma vis„o organizacional mais

ampla da tarefa e atividade.

Elaborar recomendaÁıes ergonÙmicas que possam contribuir para a melhoria das

condiÁıes de trabalho do Centro Cir˙rgico do Hospital Erasto Gaertner.

18

1.5 LimitaÁıes do Estudo

O presente trabalho realizou essa an·lise ergonÙmica no Centro Cir˙rgico do Hospital

Erasto

Gaertner,

para

conhecer

o

trabalho

do

Cirurgi„o

OncolÛgico

Abdominal,

enfatizando o contexto postural, objetivando melhorar as condiÁıes de trabalho deste

profissional.

Em se tratando de um Estudo de Caso, os resultados s„o especÌficos e n„o podem ser

generaliz·veis a todo profissional e toda atuaÁ„o de trabalho.

1.6 Estrutura do Trabalho

Este trabalho est· composto por sete capÌtulos.

O primeiro capÌtulo trata das consideraÁıes introdutÛrias, apresentando a definiÁ„o do

problema e justificativa, o objetivo geral e especÌfico, a metodologia do trabalho, as

limitaÁıes do estudo e a estrutura do trabalho.

O capÌtulo dois apresenta a fundamentaÁ„o teÛrica, onde est„o expostos, discutidos e

analisados os principais pontos referentes ao tema, encontrados na literatura. Engloba a

conceituaÁ„o, histÛrico e objetivos da Ergonomia, a relaÁ„o entre sa˙de e trabalho e

patologias relacionadas ao trabalho e Ergonomia Hospitalar.

No capÌtulo trÍs, encontra-se o histÛrico da profiss„o cirurgi„o com a histÛria da cirurgia, a

caracterizaÁ„o do local de estudo (Hospital Erasto Gaertner) e a instrumentaÁ„o cir˙rgica.

19

O capÌtulo quatro relata o estudo de caso, com os resultados da an·lise ergonÙmica do

trabalho do cirurgi„o oncolÛgico abdominal no Hospital Erasto Gaertner.

O capÌtulo cinco expıe as consideraÁıes finais e recomendaÁıes para trabalhos futuros.

No capÌtulo seis ressalta-se as referÍncias bibliogr·ficas utilizadas neste estudo.

No capÌtulo sete encontram-se os documentos em anexo.

20

2.

FUNDAMENTA« O TE”RICA

2.1

ConsideraÁıes Iniciais

Este capÌtulo aborda as premissas necess·rias para a realizaÁ„o e entendimento do Estudo,

fornecendo base de conhecimento para a resoluÁ„o da problem·tica do posto de trabalho

do cirurgi„o oncolÛgico abdominal.

2.2

Ergonomia

2.2.1

ConceituaÁ„o

Por ser uma disciplina ainda jovem, a ergonomia n„o tem uma definiÁ„o un‚nime,

definitiva. H· duas correntes filosÛficas distintas que conceituam esta disciplina. Uma, de

origem inglesa, caracteriza a ergonomia como ìa utilizaÁ„o das ciÍncias para melhorar as

condiÁıes de trabalho humanoî. Outra, de origem francesa, define a ergonomia como

ìestudo especÌfico do trabalho humano com finalidade de melhor·-loî (Montmollin,

1990).

O primeiro conceito leva em consideraÁ„o as caracterÌsticas psicofisiolÛgicas do homem,

denominada comumente Human Factors e È orientada para a concepÁ„o de dispositivos

21

tÈcnicos.

A

segunda

est·

mais

centrada

na

an·lise

das

atividades,

ìentendendo

o

trabalhador como ator no processo do trabalhoî (Abrah„o, 1993).

Estas duas correntes se identificam e por vezes se complementam, quando o objetivo È

compreender o trabalho para adapt·-lo ao homem.

LAVILLE (1977), define ergonomia como ìo conjunto de conhecimentos a respeito do

desempenho do homem em atividade, afim de aplic·-los ‡ concepÁ„o de tarefas, dos

instrumentos, das m·quinas e dos sistemas de produÁ„oî.

Segundo o mesmo autor, a ergonomia È dividida em dois tipos: a ergonomia de correÁ„o e

a de concepÁ„o, sendo que a primeira procura melhorar as condiÁıes de trabalho exitentes

(freq¸entemente parcial e de efic·cia limitada), e a segunda introduz os conhecimentos

sobre o homem desde o projeto do posto, do instrumento, da m·quina ou dos sistemas de

produÁ„o.

Para WISNER (1987), a ergonomia baseia-se em conhecimentos das ciÍncias do homem

(antropometria, fisiologia, psicologia e sociologia), e È uma ferramenta quando seu

resultado traduz no dispositivo tÈcnico. Este autor coloca quatro aspectos constantes no

estudo ergonÙmico:

1. UtilizaÁ„o de dados cientÌficos sobre o homem;

2. A origem multidisciplinar destes dados;

3. A aplicaÁ„o sobre o dispositivo tÈcnico e, de modo complementar,sobre a organizaÁ„o

do trabalho e formaÁ„o;

22

4.

A

perspectiva

do

uso

destes

dispositivos

tÈcnicos

pela

populaÁ„o

normal

dos

trabalhadores disponÌveis, por suas capacidades e limites, sem implicar a Ínfase numa

rigorosa seleÁ„o.

Diferentes autores compartilham a idÈia de que a ergonomia È perpassada por duas

intenÁıes fundamentais: por um lado, produzir conhecimento cientÌfico sobre trabalho,

sobre as condiÁıes de sua realizaÁ„o e sobre a relaÁ„o do homem com o trabalho. Por outro

lado, formular recomendaÁıes, propor instrumentos e princÌpios capazes de orientar

racionalmente a aÁ„o das condiÁıes de trabalho. Portanto, produÁ„o de conhecimento e

racionalizaÁ„o da aÁ„o, norteiam a pesquisa ergonÙmica.

A ergonomia mostra-se, ent„o, que est· conceitual e eticamente comprometida com o ser

humano. Deve ser entendida como ìciÍncia da aplicaÁ„o do conjunto de conhecimentos

relativos ao homem, aos produtos e processos, visando ao funcionamento harmÙnico e

seguro dos sistemas homem-m·quinaî (Oliveira & Cols., 1998).

2.2.2

HistÛrico

Em 1857, Jastrezebowiski publicou um artigo intitulado ìEnsaios de Ergonomia ou

CiÍncia do Trabalhoî. Apenas em 1949, ocorreu a primeira reuni„o de um grupo de

pesquisadores para a retomada do estudo da ergonomia e em 1950 houve a adoÁ„o do

neologismo ìErgonomiaî, formada pelos termos ergon (trabalho) e nomos (regras). Em

1953, foi fundada, na Ingaterra, a Ergonomics Research Society.

23

No Brasil, a ergonomia comeÁou a ser estudada na dÈcada de 60, quando Itiro Iida

desenvolveu a primeira tese, na Universidade de S„o Paulo (USP).ApÛs comeÁou a ser

desenvolvido o tema para alunos de Psicologia, Medicina e Engenharia de ProduÁ„o, em

S„o Paulo e no Rio de Janeiro. Na dÈcada de 1970, foi escrito o primeiro livro em

portuguÍs e somente em 1983 foi fundada a ABERGO ñ AssociaÁ„o Brasileira de

Ergonomia.

2.2.3

Objetivos

MONTMOLLIN (1986), diz: ì(

)

A ergonomia È uma disciplina ao mesmo tempo muito

modesta e muito ambiciosa. Muito modesta porque ela age pouco sobre as grandes

evoluÁıes que transformam em profundidade o mundo do trabalho. Mas muito ambiciosa,

no entanto, porque pretende forjar instrumentos teÛricos precisos que permitam modificar

o trabalhoî.

Os objetivos pr·ticos da ergonomia s„o: seguranÁa, prevenir acidentes; doenÁas do

trabalho; melhoria das condiÁıes ambientais. O aumento da produtividade e a melhoria na

qualidade

do

produto, ou

seja,

a

eficiÍncia È

apenas resultado.

Mas

a

ergonomia

contempor‚nea objetiva principalmente a humanizaÁ„o do trabalho.

Para a concretizaÁ„o de seus objetivos, a ergonomia estuda v·rios aspectos do homem no

trabalho e fatores importantes para o projeto de sistemas de trabalho, como:

O homem: caracterÌsticas fÌsicas, fisiolÛgicas e psicossociais, influÍncias do sexo, da

idade, do treinamento e motivaÁ„o;

24

A

m·quina:

entende-se

como

ajuda

material,

como

equipamentos,

ferramentas,

mobili·rio e instalaÁıes;

 

O ambiente: caracterÌsticas fÌsicas, como a temperatura, ruÌdos, luz, cores, gases e

outros;

 

A informaÁ„o: È referente ‡ comunicaÁ„o existente entre os elementos de um sistema, a

transmiss„o de informaÁ„o, o processamento e a tomada de decisıes.

 

A organizaÁ„o: s„o estes elementos em interaÁ„o no sistema produtivo e aspectos como

hor·rios, turnos de trabalho e formaÁ„o de equipes.

 

Conseq¸Íncias do trabalho: s„o as questıes de controle como tarefas de inspeÁ„o, erros

e acidentes, estudos sobre gasto energÈtico, fadiga e estresse.

 

2.3

Sa˙de e Trabalho

 

HELMAN (1994), define sa˙de como ìum estado de completo bem-estar fÌsico, mental e

social, e n„o simplesmente a ausÍncia de doenÁa ou enfermidadeî. Este conceito altera-se

conforme grupos culturais e classes sociais, porÈm, cada vez mais, a sa˙de È vista como

resultado de uma construÁ„o, como histÛria de evoluÁ„o e envelhecimento.

SANTOS, MATTOS & Reis (2001), afirmam que o ambiente hospitalar È rico em riscos

ocupacionais

e

a

que

expıem

seus

trabalhadores

as

mais

diversas

situaÁıes

de

adoecimento, pela sua estrutura organizacional ou pelos riscos das doenÁas atendidas e das

formas de tratamentos das mesmas. Poucos s„o os trabalhadores que obtÍm as informaÁıes

25

para proteÁ„o

de sua

sa˙de e,

mesmo

assim estas informaÁıes n„o

d„o

conta da

variabilidade dos diferentes processos e organizaÁıes de trabalho.

Do ponto de vista biopsicossocial, no corpo e na mente do indivÌduo est„o registradas as

marcas de sua histÛria cotidiana, seus conhecimentos, seus esforÁos, suas conquistas e suas

derrotas. O resultado desses registros se desenrola dentro de impactos internos e externos,

no organismo humano esses impactos s„o de ordem: cognitiva, social e biolÛgica. …

cognitiva

na

medida

em

que

conhecimentos;

È

social

porque

integra

suas

assimila

a

redes

neurais

influÍncia

das

na

construÁ„o

de

seus

relaÁıes

interpessoias;

e

finalmente, È de ordem biolÛgica devido ‡ conex„o existente entre mente e corpo.

PEREIRA & RODRIGUES (1997), relatam que tendÍncias individuais, particularmente as

caracterÌsticas mentais, influem enormemente na maneira como as pessoas explicam suas

dificuldades e as formas como encontram soluÁıes para seus problemas do corpo e da

mente. E, ao mesmo tempo, geram indagaÁıes sobre o seu prÛprio processo de adoecer.

A partir das expectativas que se estabelecem entre trabalhadores e empresa surgem

diferentes significados entre sa˙de-trabalho, fraqueza-doenÁa, frustaÁ„o-produtividade. A

manifestaÁ„o do trabalhador de suportar a dor È a atitude de maior significado, e, implica

na percepÁ„o de que o ìn„o estar doenteî, È diferente de estar sadio (Gasparini, 1992).

FALZON (1996), descreve que com a idade, as capacidades se modificam. De uma lado,

esta evoluÁ„o È sensÌvel ‡s condiÁıes de vida e de trabalho: conforme estas condiÁıes, o

envelhecimento È mais ou menos r·pido, a expectativa de vida È mais ou menos longa. Por

outro lado, as estratÈgias de compensaÁ„o ou de adaptaÁ„o se desenvolvem, se apoiam

sobre a experiÍncia adquirida no trabalho. Se os processos biolÛgicos conduzem a uma

26

degradaÁ„o,

as

condiÁıes

de

trabalho

negativamente neste processo.

e

de

vida

podem

influenciar

positiva

ou

Acontece que a ergonomia tende a adotar ora uma abordagem corretiva, que visa ‡

compensaÁ„o das deficiÍncias das pessoas, ora uma abordagem preventiva, que procura

evitar a ocorrÍncia de situaÁıes patogÍnicas, isto essencialmente visto pelo ‚ngulo da

psicologia e fisiologia. A esta abordagem ativa, È dito como uma aÁ„o que permite a cada

um construir

sua

prÛpria

sa˙de,

condiÁıes possÌveis.

seu

prÛprio

envelhecimento,

2.4 Patologias Relacionadas ao Trabalho

dentro

das

melhores

Durante as solicitaÁıes do aparelho m˙sculo-esquelÈtico na atividade profissional podem

ocorrem alteraÁıes morfofuncionais adaptativas normalmente subclÌnicas. Estas alteraÁıes

podem evoluir para dor, incapacidade funcional, sofrimento fÌsico e psicolÛgico diante de

situaÁıes traum·ticas fÌsicas e/ou emocionais (Andrews, 2001).

2.4.1

Fadiga

POWERS (2000), descreve fadiga como ìuma incapacidade de manutenÁ„o de produÁ„o

de potÍncia ou forÁa durante repetidas contraÁıes muscularesî. E, suas causas s„o

vari·veis e especÌficas para cada tipo de atividade.

27

IIDA (1990), define fadiga como o efeito de um trabalho continuado, que causa a reduÁ„o

da capacidade do organismo e tÍm como conseq¸Íncia a degradaÁ„o da qualidade no

trabalho

Ainda,

cita

que

a

fadiga

È

um

dos

principais

fatores

de

diminuiÁ„o

da

produtividade. … resultado de um conjunto de fatores que atuam isolados ou associados,

como:

1)

Fatores FisiolÛgicos

Atividade muscular muito intensa;

Jornadas de trabalho e turnos;

Esgotamento de reservas de energia do organismo;

SituaÁıes de estresse.

2)

Fatores psicolÛgicos

Monotonia;

Falta de motivaÁ„o;

Estado geral de sa˙de emocional;

Relacionamento social;

3)

Fatores ambientais

IluminaÁ„o

RuÌdos;

Temperatura.

28

Segundo GRANDJEAN (1998), fadiga relaciona-se ‡ capacidade de produÁ„o diminuÌda e

perda de motivaÁ„o para realizaÁ„o de qualquer atividade e È classifica em fadiga muscular

e generalizada. A primeira, caracteriza-se como aguda e dolorosa, atingindo grupos

musculares especÌficos, ou seja, local. A segunda È difusa, subjetiva e existe uma falta de

motivaÁ„o para qualquer atividade; h· irritabilidade e certos estÌmulos como fome, calor,

frio ou m· postura.

… originada por v·rios fatores como (1) exigÍncia do aparelho visual (fadiga visual); (2)

exigÍncia fÌsica d todo o organismo (fadiga corporal); (3) trabalho mental (fadiga mental);

exigÍncias de funÁıes psicomotoras (fadiga da destreza ou nervosa); (4) monotonia do

trabalho; (5) somatÛrio de influÍncias fatigantes prolongadas (fadiga crÙnica).

Os sintomas comuns s„o sonolÍncia, falta de disposiÁ„o, dificuldade de concentraÁ„o,

perda da produtividade em atividades fÌsicas e mentais, irritabilidade, predisposiÁ„o para

depress„o e outras doenÁas, podendo ter manifestaÁıes colaterais como: cefalÈias, tonturas,

insÙnia, perturbaÁıes cardÌacas, sudorese e perturbaÁıes dos Ûrg„os digestivos.

ANDREWS et al. (2000), descreve que n„o sÛ a fadiga fÌsica È respons·vel pela geraÁ„o de

les„o, mas tambÈm a fadiga mental tem um grande papel. Para que haja um alto grau de

concentraÁ„o h· um gasto grande de energia e associado com um trabalho exaustivo, a

atenÁ„o ficar· prejudicada ‡ medida que se instala a fadiga, fÌsica ou mental. A atenÁ„o

reduzida acarreta em tempos de resposta mais lentos e, juntamente com a perda de

coordenaÁ„o neuromuscular, faz aumentar o potencial de les„o.

29

2.4.2

LER / DORT

2.4.2.1

Conceito

COUTO (1991) define como

ìlesıes musculares e/ou de tendıes e/ou de f·scias e/ou de nervos nos

membros superiores ocasionadas pela utilizaÁ„o biomec‚nica incorreta dos

mesmos, que resultam em dor, fadiga, queda de performance no trabalho,

incapacidade tempor·ria, e conforme o caso podem evoluir para uma

sÌndrome dolorosa crÙnica, nesta fase agravada por todos os fatores

psÌquicos

(no

trabalho

e

fora

dele)

sensibilidade dolorosa do indivÌduo".

capazes

de

reduzir

o

limiar

de

TambÈm chamada de Dist˙rbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT),

acometem principalmente indivÌduos que executam atividades que exigem complexidade

gestual,

esforÁos

prolongados

e

de

repetiÁ„o,

acarretando

compressıes

nervosas

e

sobrecarga em um elemento muscular, ocasionando microtraumatismos sobre junÁıes

tendinosas

ostemusculares,

nos

envoltÛrios

de

canais

neurais,

troncos

nervosos

e

articulaÁıes. Est„o ligadas a relaÁ„o quantidade de movimentos e qualidade das estruturas

envolvidas.

2.4.2.2 Aspectos ClÌnicos e DiagnÛstico

As

manifestaÁıes

clÌnicas

s„o

bastante

numerosas,

variando

desde

patologias

bem

definidas proporcionando um diagnÛstico r·pido, atÈ sÌndromes dolorosas crÙnicas de

30

gÍnese multifatorial, algumas vezes acompanhadas por aspectos psicolÛgicos importantes e

diversos sintomas n„o funcionais como parestesias, cefalÈia, cansaÁo, sensaÁ„o de edema,

diminuiÁ„o

da

concentraÁ„o

(Ramazzini, 1992).

e

memÛria

que

acabam

por

dificultar

o

diagnÛstico.

A grande dificuldade nas questıes envolvidas com LER / DORT est· na definiÁ„o do

diagnÛstico. Deve-se valorizar a estrutura psicossocial do indivÌduo, sustentada por outras

leis sociais, histÛricas e econÙmicas

OLIVEIRA (1998), diz ìaspecto bastante polÍmico È o diagnÛstico quando o exame fÌsico

È normal e o ˙nico sintoma È a dorî. Ele cita alguns pontos b·sicos a serem observados:

N„o se caracteriza LER / DORT sem haver o risco ocupacional;

Em suas fases iniciais, muitas vezes, caracterizam-se somente pela presenÁa de dor,

sem sinais fÌsicos, achados laboratoriais e em exames de imagem.

Fatores de ordem pessoal influenciam a forma como o corpo È solicitado para realizar

as atividades.

2.4.2.3 Estadiamento e PrognÛstico

OLIVEIRA (1998), classifica a LER/DORT em cinco graus:

Grau 0: O trabalhador submetido aos fatores de risco para LER pode ao final da

jornada de trabalho queixar-se de uma sensaÁ„o de desconforto ou peso dos membros

superiores, e raramente procura o serviÁo mÈdico, mas quando o faz n„o h· sinais ao

exame fÌsico. H· indicaÁ„o de intervenÁ„o no ambiente de trabalho.

31

Grau I: O desconforto e a sensaÁ„o de peso persiste, surgindo em outras fases do

trabalho, de maneira aleatÛria e n„o somente em picos de produÁ„o e fim da jornada de

trabalho, mas n„o chega a interferir na produtividade de modo mensur·vel. O exame

fÌsico quase sempre È normal, mas pode haver dor ‡ palpaÁ„o da musculatura

envolvida. A ComunicaÁ„o de Acidente de Trabalho deve ser emitida e o trabalhador

afastado para o tratamento. H· necessidade de alteraÁıes no ambiente de trabalho para

que n„o haja evoluÁ„o desfavor·vel.

Grau

II:

A

dor

È

persistente

e

mais

intensa,

apresenta-se

mais

localizada

e

acompanhada de parestesias e calor. A recuperaÁ„o È mais demorada, mesmo com

repouso e uso de medicamentos. O exame fÌsico pode ser pobre ou normal, podendo

aparecer nodulaÁıes , hipertonia e dor na musculatura envolvida e em alguns casos,

sinais sugestivos de compress„o nervosa perifÈrica. O prognÛstico È vari·vel.

Grau III: A dor È muito forte. H· perda de forÁa muscular associada a parestesias. A

produtividade no trabalho È mÌnima e as tarefas domÈsticas s„o limitadas. O exame

fÌsico È rico: edema, hipertonia, podendo haver manifestaÁıes de les„o neurolÛgica

compressiva, h· sinais de ang˙stia e depress„o. PrognÛstico reservado e raro o retorno

‡s atividades produtivas.

Grau

IV:

Apresenta

distrofia

simp·tica

reflexa:

dor,

hiperestesia,

dist˙rbios

vasomotores e distrofias. A limitaÁ„o dos movimentos È dr·stica e a capacidade de

trabalho

È

produtivo.

anulada.

A

invalidez

As atividades de

vida

caracteriza-se

di·ria

ficam

pela

impossibilidade

de

trabalho

prejudicadas

causando

alteraÁıes

psicolÛgicas. O prognÛstico È sombrio e h· pouca resposta terapÍutica.

32

2.4.2.4 Fatores Causais

O estresse ocupacional pode ser fator desencadeante de enfermidades relacionadas ao

trabalho, referindo-se as reaÁıes crÙnicas do organismo frente ‡s ameaÁas di·rias das

situaÁıes de trabalho. Os agentes estressores podem ser relacionados ao meio fÌsico

(mobili·rio, iluminaÁ„o, ruÌdo, temperatura), ou organizacionais (jornada de trabalho,

ritmo de trabalho, entre outros).

GRANDJEAN (1998), descreve que cada indivÌduo possui um limiar vari·vel dc estresse

e, se ultrapassar este limite, desencadeia doenÁas, ent„o h· a necessidade de avaliaÁ„o da

intensidade dos estressores em relaÁ„o a cada indivÌduo.

IIDA (1992) afirma que o estresse profissional È provocado pelo avanÁo tecnolÛgico,

aumento de competiÁ„o, press„o de consumo, ameaÁa de perda do emprego e outras

dificuldades, provocando mudanÁas comportamentais com insÙnia e aumento de atividades

viciosas (·lcool e fumo). Em segundo, as transformaÁıes neuro-endÛcrinas interfere nas

funÁıes fisiolÛgicas e imunodeprimem o indivÌduo deixando-o vulner·vel a doenÁas.

1)

Fatores Biomec‚nicos

ForÁa excessiva na execuÁ„o de tarefa;

Repetitividade de movimentos;

Velocidade excessiva para realizaÁ„o de atividade;

Posturas inadequadas e est·ticas, resultado da interaÁ„o de fatores individuais com a

situaÁ„o de trabalho;

Estresse localizado, causado pelo contato com o instrumento de trabalho;

33

VibraÁ„o, que causa o aumento da forÁa necess·ria para segurar o instrumento;

Temperaturas extremas reduzindo a sensibilidade t·til acarretando num aumento de

forÁa.

2)

Fatores Organizacionais e Psicossociais

Est„o relacionados com a forma que o trabalho È estruturado, executado e supervisionado e

quais as estratÈgias escolhidas para situaÁıes de dificuldades.

A organizaÁ„o È determinada pelos fatores relacionados ‡ tecnologia que se vai estabelecer

para o tipo de trabalho e seus processos como: jornada de trabalhos em turno, dupla

jornada, inexistÍncia de pausas, cobranÁa de determinada produÁ„o, ritmo intenso de

trabalho, falta de manutenÁ„o de equipamentos e trabalhadores sem treinamento.

2.4.2.5 AfecÁıes da Coluna Vertebral

A

coluna

vertebral

È

composta

por

vÈrtebras

Ûsseas

intercaladas

com

discos

fibrocartilaginosos, conectada por fortes ligamentos e sustentada por uma musculatura que

se estendo do cr‚nio atÈ a pelve, proporcionando sustentaÁ„o axial do corpo.

Consiste em cinco regiıes: cervical (sete vÈrtebras), tor·cica (doze vÈrtebras), lombar

(cinco

vÈrtebras),

sacra

(cinco

vÈrtebras

fundidas)

e

coccÌgena

(quatro

vÈrtebras),

totalizando trinta e trÍs vÈrtebras. Estas aumentam de tamanho da regi„o cervical para a

lombar e diminuem da regi„o sacra para a coccÌgena. A coluna vertebral È constituÌda por

quatro curvaturas: duas com concavidade anterior, chamadas de cifÛticas nas regiıes

tor·cica e sacra, e duas com concavidades posteriores, nas regiıes cervical e lombar,

denominadas de curvas lordÛticas (Andrews, 2000).

34

Segundo APLEY (1998), cada segmento da coluna vertebral transmite o peso atravÈs do

corpo vertebral anteriormente e das facetas articulares posteriormente. Fortemente ligados

aos corpos vertebrais est„o os discos intervertebrais que em conjunto com os ligamentos e

m˙sculos

circundantes

absorvem

impactos

e,

se

houver

degeneraÁ„o

ou

fraqueza

diminuindo

esta capacidade de absorÁ„o

de forÁas trazendo

prejuÌzos aos ossos e

articulaÁıes.

O disco intervertebral È formado por uma porÁ„o central avascular chamada de n˙cleo

pulposo, gel hidrofÌlico composto por polissacarÌdeos protÈicos, fibras col·genas, cÈlulas

condrÛides esparsas e 88% de ·gua, circundado por camadas de tecido fibroso chamado de

anel fibroso. APLEY (1998), afirma que se as condiÁıes fÌsico-quÌmicas do n˙cleo pulposo

forem normais, o disco pode suportar quase toda a carga que tambÈm os m˙sculos

suportam. CECIN (1997), coloca que quanto maior a quantidade de ·gua no n˙cleo maior È

essa absorÁ„o de choque. Ressalta, tambÈm, que sua eficiÍncia biomec‚nica diminui com a

idade do indivÌduo devido ‡ desidrataÁ„o, quando ocorre tambÈm o aumento do estresse

mec‚nico.

As

modificaÁıes

estruturais

do

disco,

sua

dissecaÁ„o

e

a

diminuiÁ„o

do

espaÁo

intervertebral, afetam o equilÌbrio mec‚nico que existe com as articulaÁıes zigoapofisi·rias

e os ligamentos, pois h· uma transferÍncia de carga entre o primeiro para os outros. Essa

sobrecarga, de 20% ou mais, acarreta em degeneraÁ„o, desalinhamento

das facetas

articulares, distens„o e froxid„o capsular, instabilidade e subluxaÁıes subseq¸entes.

O disco degenerado desloca-se milÌmetros para tr·s causando estresse anormal, gerando

excesso de forÁas anormais nas articulaÁıes trazendo conseq¸Íncias importantes na

geometria espacial da coluna vertebral (Cecin, 1997).

35

Qualquer

desvio

na

forma

da

coluna

vertebral,

pode

gerar

solicitaÁıes

funcionais

prejudiciais que ocasionam um aumento de fadiga no trabalhador e leva ao longo do tempo

a lesıes graves. Existem v·rios mÈtodos diretos para avaliaÁ„o postural, entre eles o

OWAS (Ovako Working Posture Analising System), criado com objetivo de analisar

posturas de trabalho na ind˙stria do aÁo. O sistema baseia-se em analisar determinadas

atividades em intervalos vari·veis ou constantes observando-se a freq¸Íncia e o tempo

despendido em cada postura. O registro pode ser realizado atravÈs de vÌdeo acompanhado

de observaÁıes diretas. Durante a observaÁ„o s„o consideradas as posturas relacionadas ‡s

costas, braÁos, pernas, ao uso de forÁa e a fase da atividade que est· sendo observada. O

mÈtodo avalia as posturas considerando a percepÁ„o dos trabalhadores em relaÁ„o as

conseq¸Íncias, e a an·lise dos ergonomistas classificando

em quatro

categorias de

recomendaÁıes que eliminem ou minimizem tais atividades penosas. O mÈtodo tem

demonstrado benefÌcios no monitoramento das atividades que impıem constrangimentos

possibilitando identificar as atividades mais prejudiciais e ao mesmo tempo indicar as

regiıes anatÙmicas mais atingidas.

1)

Cervicalgia

NASCIMENTO & MORAES (2000), definem a cervicalgia como dor localizada em regi„o

cervical decorrente de posturas viciosas durante as atividades tanto de lazer como trabalho,

tensıes

emocionais,

movimentos

intensos

e/ou

cervicobraquialgia como

dor

em regi„o

cervical,

repetitivos.

E,

tambÈm

definem

a

com irradiaÁ„o

para os

membros

superiores, por pinÁamento de raiz nervosa pelas mesmas causas da cervicalgia e ainda por

alteraÁıes Ûsseas como ostÈofitos, podendo haver dor e/ou parestesia na regi„o occipital,

vÈrtice ou frontal da cabeÁa, regiıes laterais do pescoÁo, ombros, braÁos, antebraÁos e

dedos.

36

Dores relacionadas a coluna vertebral afetam cerca de 80% da populaÁ„o, sendo que a dor

em regi„o cervical, a cervicalgia, afeta 36% dessa populaÁ„o (Andrews, 2000).

A prevalÍncia da cervicalgia na medicina ocupacional vem aumentando significativamente,

sendo considerada um grave problema da sociedade moderna (AntÙnio & Pernanbuco,

2000).

HALES & BERNARD (1996), relatam que atÈ o presente momento existem evidÍncias

positivas de cervicalgias relacionadas com posturas fixas e prolongadas, curvaturas

exageradas do tronco, flex„o cervical acentuada durante as atividades, fatores ergonÙmicos

inadequados e atividades que envolvam vibraÁ„o do segmento m„o-braÁo.

As desordens mec‚nicas s„o as causas mais comuns de cervicalgia. A dor pode ser definida

como secund·ria ‡ utilizaÁ„o excessiva de uma estrutura anatÙmica normal, geralmente a

musculatura paravertebral) ou como secund·ria a dano ou deformidade em uma estrutura

anatÙmica, como a hÈrnia de disco.

A dor muscular pode ser definida como uma cervicalgia n„o irradiada, associada a

sobrecargas mec‚nicas ou posturas anormais prolongadas da coluna. Caracteriza-se por dor

em regi„o cervical posterior e em ·rea do trapÈzio, com restriÁıes da mobilidade ativa e

passiva, alÈm de ·reas dolorosas ‡ palpaÁ„o. As condiÁıes ocupacionais devem ser

enfatizadas no desencadeamento desta sÌndrome. (AntÙnio & Pernanbuco, 2000).

A cervicalgia tambÈm pode ser relacionada a um disco herniado. Esta hÈrnia de disco pode

ser definida como uma protus„o do n˙cleo pulposo atravÈs de soluÁıes de continuidade das

fibras do ‚nulo fibroso. Geralmente ocorrem em situaÁıes pÛstero-laterais, com maior

incidÍncia na Quarta dÈcada de vida. As ·reas mais freq¸entes da herniaÁ„o s„o: C6-C7 e

C5-C6.

37

ANT‘NIO & PERNAMBUCO (2000), dividem as radiculopatias cervicais em duas

categorias, de acordo com a consistÍncia do disco vertebral. IndivÌduos abaixo de 45 anos

tÍm hÈrnias de disco ìmoleî, associadas com extrus„o do n˙cleo pulposo, resultando em

compress„o medular ou radicular. Pacientes mais idosos apresentam hÈrnias ìdurasî,

relacionadas com calcificaÁıes discais e osteÛfitos.

HERBERT (1998), coloca que quando a sede da discopatia È pÛstero-lateral, a protus„o se

d· na parte pÛstero-lateral do canal vertebral, produzindo cervicalgia por irritaÁ„o do plexo

sensitivo raquidiano e braquialgia pelo contato com a raiz. Nos sinais e sintomas deve-se

distinguir os fenÙmenos sensitivos dos motores. Os fenÙmenos sensitivos mais comuns

residem principalmente em irradiaÁ„o da cervicalgia para o membro superior e tÛrax,

podendo

ser

acompanhado

de

parestesias.

Os

fenÙmenos

motores caracterizam por

paresias, com raros casos de paralisias e alteraÁ„o dos reflexos. A musculatura acometida

depende da raiz nervosa atingida.

2)

Lombalgia

Lombalgias s„o todas as condiÁıes de dor localizadas na regi„o inferior do dorso, em uma

·rea situada entre o ˙ltimo arco costal e a prega gl˙tea. As lombalgias podem ser

localizadas ou apresentarem irradiaÁıes para um ou ambos os membros inferiores, como

nas lombociatalgias.

A prevalÍncia da lombalgia durante todo o decorrer da vida excede 70% da populaÁ„o

investigada, na maioria das naÁıes industrializadas. … considerada portanto um problema

de sa˙de p˙blica, com altos custos socioeconÙmicos que chegaram a 50 bilhıes de dÛlares

anuais nos Estados Unidos da AmÈrica do Norte.

38

As mulheres s„o, em geral, mais acometidas que os homens e sua incidÍncia se inicia na

Segunda dÈcada, com aumento na Quinta dÈcada de vida. O grande contingente das

lombalgias s„o agudas, pois apenas 3% da populaÁ„o com lombalgia permanece limitada

apÛs trÍs meses de duraÁ„o. A estenose do canal vertebral e a sÌndrome de compress„o

radicular em nÌvel dos for‚mens de conjugaÁ„o s„o as causas mais frequentes de algias

vertebrais do compartimento mÈdio, enquanto o compartimento posterior est· relacionado

‡s lombalgias originadas das partes moles como as entorses, distensıes ou estiramentos

m˙sculo-ligamentares, ao par das artropatias interapofis·rias associadas ‡ osteoartrose,

artrite reumatÛide, espondilite anquilosante.

MEIRELLES (1987), afirma que È importante para um bom diagnÛstico È caracterizar a

dor em sua localizaÁ„o, irradiaÁ„o, natureza, modo de inÌcio, periodicidade, fatores de

alÌvio ou agravamento, alÈm de pesquisa das alteraÁıes neurolÛgicas sensitivas (parestesias

e ou hipoestesias) ou motoras (paresias ou paralisias) associadas. Os reflexos, bem como as

funÁıes esfincterianas vesical e anal devem ser pesquisados. A histÛria profissional e os

h·bitos de vida podem revelar fatores de risco importantes, tais como trabalhos com carga

pesada, atividades fÌsicas intensas ou pr·ticas esportivas violentas.

SHEON et al (1996), diz que a dor da coluna vertebral pode fazer parte de uma patologia

sistÍmica denominada fibromialgia ou ser regional mais freq¸entemente em nÌvel dos

m˙sculos gl˙teo mÈdio, quadrado lombar e piriforme. S„o freq¸entes a presenÁa de fadiga

crÙnica, dist˙rbios do sono e transtornos do humor como ansiedade e/ou depress„o nas

dores miofasciais generalizadas ou localizadas.

39

MEIRELLES (1987), coloca a import‚ncia da equipe multidisciplinar no tratamento da

lombalgia e, tambÈm a import‚ncia do diagnÛstico correto, fazendo a distinÁ„o entre

lombalgias ou lombociatalgias agudas, das lombalgias ou lombociatalgias crÙnicas.

A lombalgia aguda tem funÁ„o de alerta, segue-se ‡ les„o tecidual e geralmente desaparece

com a resoluÁ„o do processo patolÛgico, enquanto a lombalgia crÙnica È aquela que

persiste alÈm do tempo razo·vel para a cura de uma les„o, ou que est· associada a

processos patolÛgicos crÙnicos que causam dor contÌnua ou recorrente em intervalos de

meses ou anos. Alguns autores definem a dor crÙnica como aquela com duraÁ„o superior a

trÍs ou seis meses, embora tal critÈrio possa ser criticado em funÁ„o de que a dor crÙnica

possa ser gerada por diversos processos patolÛgicos, com distintos perÌodos de duraÁ„o.

As principais medidas gerais citadas na prevenÁ„o prim·ria (primeiro surto) ou secund·ria

(surtos subseq¸entes) das lombalgias envolvem a educaÁ„o do paciente, a correÁ„o postural

e a modificaÁ„o de potenciais fatores de risco associados ‡ obesidade, ao tabagismo e ao

sedentarismo.

DANDY (2000), descreve quatro importantes princÌpios de prevenÁ„o ‡ lombalgia e ‡

lombociatalgia relacionadas com o carregamentos de pesos e mudanÁa de dec˙bito de

pacientes: (1) n„o levantar pesos com a coluna flexionada, pois nesta posiÁ„o, o peso

corporal em ligamentos e m˙sculos distendidos, o que os torna vulner·veis a uma carga

adicional; (2) manter o peso a ser levantado ou o paciente a ser manipulado t„o prÛximo do

corpo possÌvel; (3) utilizar alavancas com os membros inferiores e posicionamento do

corpo, sem sobrecarregar a coluna lombar; (4) tornar o trabalho mais f·cil, melhorando o

espaÁo de trabalho e pedindo auxÌlio.

40

2.4.2.6

CefalÈia

O termo cefalÈia aplica-se a todo processo doloroso referido no segmento cef·lico, o qual

pode originar-se em qualquer das estruturas faciais ou cranianas.

A cefalÈia constitui um dos sintomas mais freq¸entes que levam o paciente ‡ procurar

auxÌlio mÈdico. Estima-se que em qualquer populaÁ„o, 80% dos indivÌduos apresentar„o,

ao menos uma vez ao ano, um episÛdio de cefalÈia, e metade deste n˙mero, pelo menos

dois episÛdios.

A grande maioria das cefalÈias podem ser, de modo geral, classificadas como enxaquecas

ou contraturas musculares, ou ent„o uma mistura das duas sÌndromes. A preocupaÁ„o

prim·ria È perceber uma causa da cefalÈia relativamente rara mas potencialmente de risco

de vida para os pacientes, como tumores cerebrais ou malformaÁıes arterio-venosas. Os

mecanismos envolvidos na produÁ„o das cefalÈias s„o basicamente: (1) deslocamento,

traÁ„o, distens„o, irritaÁ„o ou inflamaÁ„o das estruturas sensÌveis ‡ dor; (2) vasodilataÁ„o.

S„o sensÌveis ‡ dor: todas as estruturas faciais superficiais ou profundas, o couro cabeludo,

o

periÛsteo craniano, os vasos sang¸Ìneos extracranianos, as artÈrias do polÌgono de Willis

e

as porÁıes proximais extracerebrais de seus ramos, os grandes seios venosos intranianos

e

suas veias tribut·rias, a grande parte basal da duram·ter e os nervos sensitivos. N„o s„o

sensÌveis ‡ dor: os ossos da calota craniana, as leptomeninges e a maior parte da duramater,

o parÍnquima encef·lico e todos os vasos no seu interior.

A cefalÈia tensional È o tipo mais comum de dor de cabeÁa. Caracterizada por dor em

aperto ou press„o, n„o puls·til, de intensidade leve a moderada, bilateral, sem n·useas ou

vÙmitos, de inÌcio gradual e piorando ao final do dia. Pode ocorrer intoler‚ncia ‡ luz ou

barulho. Pode irradiar para pescoÁo e ombros. A duraÁ„o pode ser de trinta minutos a sete

41

dias,

com

mÈdia

de

doze

horas.

caracterizada

como

episÛdica

ou

crÙnica.

desencadeada por estresse fÌsico ou mental, sendo comum associar-se com quadros de

ansiedade ou depress„o.

O diagnÛstico È baseado no quadro clÌnico e na normalidade do exame neurolÛgico. Na

maioria

das

vezes

n„o

È

necess·rio

realizar

exames

complementares.

Em

casos

selecionados devem ser feitos exames laboratoriais (hemograma, VHS, eletrÛlitos, funÁ„o

renal e tireoidiana) e de imagem (tomografia computadorizada ou resson‚ncia nuclear

magnÈtica do encÈfalo).

AnalgÈsicos comuns resolvem as cefalÈias de muitos pacientes. As drogas antinflamatÛrias

n„o-esterÛides podem ser ˙teis. Quando associada com a enxaqueca, pode responder ao

tratamento com ergotamina e triptanos. Nos casos crÙnicos ou associados com depress„o o

uso de antidepressivos tricÌclicos est· indicado. Os betabloqueadores e anticonvulsivantes

tambÈm podem ser benÈficos. O emprego ponderado de ansiolÌticos È ˙til nos pacientes

ansiosos.

Muitos

pacientes

melhoram

afastando-se

de

situaÁıes

estressantes,

desenvolvendo atividades de lazer regulares, tirando fÈrias ou valendo-se de tÈcnicas de

relaxamento, fisioterapia, yoga e outras.

2.4.2.7

Tratamento

A identificaÁ„o

das estruturas anatÙmicas acometidas por ocasi„o

do

diagnÛstico

È

importante no planejamento de cada uma das principais causas do tratamento inadequada

das LER/DORT deve-se ‡ falha no diagnÛstico das reais etiologias do quadro clÌnico, da

avaliaÁ„o da incapacidade e dos fatores que agravam o quadro doloroso.

42

Os medicamentos analgÈsicos e antiinflamatÛrios s„o eficazes no combate ‡ dor aguda e

inflamaÁ„o, porÈm, isoladamente n„o s„o eficazes na dor crÙnica. Neste caso, È necess·rio

a associaÁ„o

de

medicamentos

psicotrÛpicos

como

os

antidepressivos,

tricÌclicos

e

fenotiazÌnicos, que promovem efeito analgÈsico e ansiolÌtico estabelizando o humor e

promovendo alteraÁıes na interpretaÁ„o da dor.

A fisioterapia tambÈm atua no combate a dor. Recursos como massoterapia, termoterapia,

eletroterapia,

cinesioterapia,

iontoforese,

fonoforese,

fototerapia,

acupuntura

e

suas

variantes. Tem como objetivo a reduÁ„o do edema e do processo inflamatÛrio, melhora das

condiÁıes

circulatÛrias,

aceleraÁ„o

da

cicatrizaÁ„o,

reduÁ„o

do

processo

doloroso

estimulaÁ„o da liberaÁ„o de neurotransmissores (endorfinas, encefalinas e monoaminas) e

promoÁ„o de relaxamento muscular.

As imobilizaÁıes n„o devem ser por longos perÌodos, pois favorecem o surgimento de

sÌndromes caracterizadas pela atrofia e descalcificaÁ„o, retraÁıes musculo-tendÌneas e

ligamentares, limitaÁıes de amplitude articular e distrofia simp·tico-reflexa. O uso de

Ûrteses de posicionamento È indicado.

A intervenÁ„o cir˙rgica sÛ pode ser indicada quando h· um diagnÛstico preciso e dever·

ser realizada por profissional especialista em LER/DORT.

A abordagem dos aspectos psicossociais da LER/DORT e do sofrimento mental do

paciente

È

importante

para

o

sucesso

do

tratamento,

por

isso,

acompanhamento de psicÛlogos e/ou psiquiatras.

faz-se

necess·rio

O tratamento tem que ser realizado por uma equipe multidisciplinar para que haja uma

abordagem integral do paciente.

43

2.4.2.8

RecomendaÁıes

Sabe-se que as LER/DORT s„o um problema de sa˙de p˙blica com grande import‚ncia

sÛcio-econÙmica j· que trazem diminuiÁ„o de produÁ„o em v·rias ·reas do mercado.

… importante que as populaÁıes de risco estejam conscientes e informadas corretamente

para que haja uma prevenÁ„o eficaz. MACIEL (1995) propÙs uma polÌtica preventiva

baseada em organizaÁ„o e planejamento do trabalho.

1)

OrganizaÁ„o: Hor·rio e conte˙do e ritmo de trabalho.

 

2)

Planejamento: AvaliaÁ„o da signific‚ncia das tarefas, preparo fÌsico e psicolÛgico para

execuÁ„o, treinamento, entre outros.

 

3)

VariaÁıes e Pausas: O planejamento deve ser realizado de modo que haja altern‚ncia

entre os trabalhos repetitivos, alÈm de pausas regulares.

 

4)

PerÌodos de AdaptaÁ„o: Para trabalhadores afastados por mais de duas semanas.

 

5)

Planejamento do Ambiente de Trabalho: Considerando fatores fÌsicos e psicolÛgicos.

6)

SeleÁ„o

de

Tecnologias

e

Equipamentos:

Levantamento

de

aspectos

fÌsicos

e

psicolÛgicos do usu·rio.

 

2.5

Ergonomia Hospitalar

 

A Ergonomia no ambiente hospitalar È de fundamental import‚ncia pois busca a promoÁ„o

da m·xima ambientalizaÁ„o do trabalhador, atravÈs da adequaÁ„o a este de condiÁıes

44

fÌsicas, psiquÌcas e emocionais, objetivando que as pessoas enxerguem o trabalho como

sendo capaz de gerar satisfaÁ„o e realizaÁ„o (Fialho e Santos, 1995).

Destacam-se alguns trabalhos sobre o tema:

GUIMAR ES et al (1997), estudaram o manuseio de crianÁas em berÁos, em seu trabalho

ìAn·lise Postural e Biomec‚nica no Manuseio de CrianÁas em BerÁosî. Demonstraram a

necessidade de um replanejamento dos berÁos hospitalares, de modo a permitir uma

manuseio ergonÙmico dos pacientes.

MERINO et al (1997), voltaram suas atenÁıes para o ìEstudo ErgonÙmico de Unidade de

Tratamento Intensivo - UTI ñ uma metodologia de avaliaÁ„oî, concluindo com uma sÈrie

de sugestıes para serem analisadas no projeto de futuras instalaÁıes.

CARDOSO et al (1997), com o trabalho ìProblemas ErgonÙmicos com as Atividades

Cotidianas de Pacientes Internos em RecuperaÁ„o PÛs-OperatÛriaî concluÌram que os

equipamentos hospitalares n„o facilitam o desempenho, pelo paciente, de suas atividades

de vida di·ria e lazer.

DINIZ & MORAES (1998), em seu trabalho ìConstrangimentos Posturais Relacionados

ao Trabalho do Cirurgi„o Eletivo Geralî relatam que as deficiÍncias no rendimento das

atividades de trabalho do profissional est„o relacionadas com o estresse e cansaÁo fÌsico

apÛs procedimentos de mÈdio porte. Aprofundando-se no seu excelente trabalho de 1999

ìA AtuaÁ„o da Ergonomia em Prol do Trabalho Cir˙rgicoî, onde eles analisam os

movimentos

do

cirurgi„o

e

concluem

que

a

rigidez

postural

prejudicial

para

a

operacionalizÁ„o das tarefas/atividades s„o devido a um ritmo intenso e repetitivo das

mesmas.

45

MAIA (1999), afirma que ìa Ergonomia, enquanto ciÍncia, sempre buscou analisar

situaÁıes de trabalho, tentando interferir em algumas e modificar outras que considerou

necess·rias, no sentido de obter uma maior racionalizaÁ„o e otimizaÁ„o, com o m·ximo d

conforto, rendimento e eficiÍnciaî.

SOUZA (2000) descreve que projetos em ambientes hospitalares devem ser planejados por

uma equipe multidisplinar, como profissionais da ·rea de Sa˙de, profissionais das diversas

especialidades da Engenharia como o Ergonomista, e arquitetos, sempre considerando as

condiÁıes do hospital, visando que a estrutura cumpra seus objetivos fundamentais.

WOSIACKI FILHO & DUTRA, em 2001, levantam em seu trabalho ìEstudo de Caso do

Posto de Trabalho do Cirurgi„o OncolÛgico Abdominalî as condiÁıes de trabalho que

interferem na sa˙de e desempenho do profissional.

46

3.

HIST”RICO DA PROFISS O CIRURGI O

3.1

Conceito

Segundo o Dicion·rio MÈdico Blakinston, cirurgia È ìramo da medicina que se ocupa dos

traumatismos e doenÁas que exigem processos operatÛrios, e, qualquer tratamento e

processo aperfeiÁoado e desenvolvido em cirurgiaî. E, cirurgi„o È ìmÈdico especializado e

adestrado para executar operaÁıes e praticar a cirurgiaî.

3.2

A HistÛria Da Cirurgia

3.2.1

Era Primitiva

THORWALD apud Abbot relata que Efrain MacDowell realizou a primeira cirurgia para

retirar um cisto muito desenvolvido num ov·rio da Senhora Jane Crawford, em Danville,

em dezembro de 1809, muito antes de se descobrir a anestesia, e com sucesso. A paciente

conseguiu suportar a cirurgia e viveu mais trinta e trÍs anos.

O mÈdico foi, de fato, o sÌmbolo daquela era primitiva da ciÍncia cir˙rgica e a paciente

personificou a humanidade sofredora daquele tempo, essa humanidade a qual n„o era

possÌvel poupar sequer as dores mais atrozes e para a qual toda a operaÁ„o cir˙rgica

representava uma aventura de vida ou de morte.

47

Tem-se conhecimento de que, em 1686 j· se praticavam operaÁıes, como a histÛria da

famosa operaÁ„o de fÌstula do rei LuÌs XIV, o Rei Sol dos franceses, feita por Felix. No

sÈculo XVIII atÈ o sÈculo XIX, as cirurgias tambÈm eram realizadas por ìespecialistasî ou

ìcirurgiıes de feiraî, pessoas que aprendiam a profiss„o e as realizavam em qualquer

lugar, tanto num pal·cio como numa carruagem. Eram considerados pelos mÈdicos

acadÍmicos como charlatıes ou curandeiros. Operavam partes do corpo que n„o reagiam

com febres mortÌferas.

Em 1843, em Boston, na Escola de Medicina de Harvard, destacou-se um professor de

cirurgia, John Collins Warren. Este mÈdico ficou conhecido como o sÌmbolo da energia, da

severidade, do sangue frio, isto È, das qualidades essenciais que ent„o se exigiam dum

cirurgi„o. Era um homem de energia e firmeza suficientes para presenciar os mais terrÌveis

padecimentos humanos, ouvir gritos dos suplicadores e, apesar disso, praticar o que, em

numerosos casos, constituÌa ent„o o ˙nico recurso. Dentre as cirurgias, ablaÁ„o operatÛria

de tumor de mama, amputaÁ„o de braÁos, pernas e atÈ de lÌngua, alÈm de retiradas de

˙lceras, hÈrnias e outras. As cauterizaÁıes eram realizadas com ferro em brasa.

Em 1854, oito anos apÛs a descoberta da anestesia, houve uma cirurgia feita em um

adolescente hindu, pelo ìlitomista de Khanpurî, Mukerji, para retirar c·lculos vesicais. O

menino estava deitado no ch„o de terra, sem anestesia, imobilizado por um ajudante

seminu e gritava horrivelmente. O operador usou uma faca que penetrava no reto, atravÈs

do perÌneo atÈ a bexiga e com os dedos procurou e retirou o c·lculo com o auxÌlio de uma

pinÁa que pegou do ch„o. Mukerji, o operador, n„o se preocupou com a incis„o que

sangrava, n„o tentou estancar o sangue e nem usou ataduras. O ajudante amarrou bem

firme as coxas do menino com corda de c‚nhamo. Havia cinq¸enta porcento de chance de

48

ele sobreviver. Na Època, exame para diagnosticar c·lculos na bexiga era feito com um

grosseiro catÈter de metal que, usado sem a menor noÁ„o dos germes infecciosos que se

introduziam com ele na bexiga, sem o esterilizar, n„o raro sem o lavar sequer, era enfiado

na uretra, com mais ou menos destreza e sensibilidade. Este exame era feito em Lucknow

(Õndia).

TambÈm em 1854, Jean Civiale, mÈdico francÍs, em Paris, diagnosticava c·lculos na

bexiga com sonda, catÈter e capacidade intuitiva. Para quebr·-los, usava instrumentos

aperfeiÁoados para triturar c·lculos n„o muito duros. O mÈdico enchia a bexiga do paciente

com ·gua e depois introduzia o catÈter e um instrumento com uma pinÁa fechada. Movia as

m„os devagar atÈ perceber o c·lculo e com a m„o direita girava uma rosca de parafuso.

Continuava manejando o instrumento atÈ quebrar o c·lculo. Em seguida, apÛs a retirada do

aparelho, introduzia outro catÈter, mais reforÁado, injetando merc˙rio, combinado com

irrigaÁ„o para que o paciente eliminasse os cristais fragmentados. Normalmente, fazia isso

em trÍs ou quatro sessıes, sem causar muito sofrimento ao paciente.

Esse mÈtodo foi um facho de luz, nas trevas da dor e da desesperanÁa dos pacientes. Jean

Civiale È considerado um pioneiro que, ‡s portas do sÈculo da cirurgia moderna, pÙs em

pr·tica um mÈtodo de cura do ìc·lculo mortÌferoî.

3.2.2 A Anestesia

THORWALD apud Bier et al descreve o sÈculo da cirurgia moderna comeÁou no ano de

1846, na sala de operaÁıes do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston. A 16 de

outubro desse ano, surgiu ‡ luz do mundo a narcose, a anestesia da dor mediante a inalaÁ„o

49

de gases quÌmicos. Foi o resultado de quase cinq¸enta anos de movimentos de tentativas

in˙teis em proveitos de indivÌduos, como a utilizaÁ„o do biÛxido de carbÙnio pelo inglÍs

Henry Hill Hickmann, em 1823, a inalaÁ„o de Èter, pelo mÈdico rural do Estado da

GeÛrgia, Dr. Crawford W. Long, em 1842.

Em 1844, no Hospital Geral de Massachusetts, Horace Walls, dentista, fez a primeira

demonstraÁ„o do uso de protÛxido de azoto, conhecido como g·s hilariante, muito

utilizado na Època para espet·culos circenses, para extrair um dente sem dor. Foi uma

demonstraÁ„o frustrante, j· que o volunt·rio gritou horrivelmente no momento da extraÁ„o,

sendo motivo de crÌtica e esc·rnio dos presentes, principalmente do Dr. John Collins

Warren.

No dia 16 de outubro de 1846, no mesmo local, na presenÁa de estudantes, mÈdicos e

especialistas, na presenÁa de Dr. Warren, Dr. Morton, colaborador de Horace Wells, fez a

inalaÁ„o do g·s Èter sulf˙rico no paciente chamado Abbot, para extraÁ„o de um tumor no

maxilar, feita pelo Dr. Warren. Este fez a cirurgia e o paciente n„o sentiu dor nenhuma, o

que causou emoÁ„o profunda naquele mÈdico soberbo, lacÙnico a ponto de fazÍ-lo chorar.

A partir deste acontecimento, havia acabado a era do sofrimento aterrorizante das pessoas

que necessitavam de uma cirurgia; estava aberto o caminho para as novas demonstraÁıes,

inclusive no ìVelho Mundoî, na Europa, e para a evoluÁ„o das cirurgias.

A amputaÁ„o de um membro inferior, sob narcose produzida pelo Èter, praticada pelo

cirurgi„o Roberto Liston, a 21 de dezembro de 1846, foi na Europa a primeira operaÁ„o

indolor. Abriu de par a par a porta ‡ marcha triunfal da anestesia pelo Èter, atravÈs da Gr„-

Bretanha, da Alemanha, da £ustria, da FranÁa, da SuÌÁa, da It·lia e da R˙ssia. Este

procedimento avanÁou com tal voracidade que em todos os paÌses de tradiÁıes cir˙rgicas j·

50

se fazia operaÁıes indolores, anestesiando com Èter, antes do final de janeiro de 1847. Em

Paris, Joseph FranÁois Malgaigne experimentou o Èter em trÍs casos e em 12 de janeiro de

1947 endereÁou ‡ Academia de Medicina o seu primeiro relatÛrio sobre a experiÍncia. Na

Alemanha, Martin Heyfelder foi o primeiro a colocar em pr·tica a experiÍncia. Em Viena,

Franz Schuh, depois de experimentar em c„es, praticou em seres humanos.

Em Edimburgo, a 19 de janeiro de 1847, o Dr. James Young Simpson fez o primeiro parto

sem dor registrado na HistÛria Universal. A parturiente tinha dores atrozes e graÁas a

decis„o corajosa do mÈdico, experimentou a grande descoberta como narcotizador; embora

acreditasse que n„o era o meio ideal contra as dores do parto. O Dr. Simpson prosseguiu

com as experiÍncias e em 04 de novembro de 1847, descobriu o efeito anestesiante do

clorifÛrmio. Apesar de comprovada a efic·cia do anestÈsico, o benefÌcio que trazia aos

pacientes, foi muito combatido pela Igreja, por julgar a dor como desÌgnio de Deus.

Em Londres, 1853, John Snow, ìo primeiro especialista em anestesiaî, cloroformizava a

Rainha VitÛria, quando esta deu ‡ luz a seu quarto filho, Leopoldo, Duque de Albany,

durante o parto, por desejo expresso de Sua Majestade e do PrÌncipe Consorte. Este fato

tornou ìmodaî o parto indolor na Inglaterra e onde existia o risco de uma oposiÁ„o

desenfreada, passara a existir o risco de um exagero sem limites. A Rainha VitÛria, em

1857, ainda assistida por John Snow, deu ‡ luz, novamente cloroformizada, ‡ Princesa

Beatriz da Gr„-Bretanha.

Dos descobridores da anestesia, James Simpson foi o ˙nico feliz e agraciado com o

sucesso. Simpson sempre omitiu o nome do homem que lhe desbravara o caminho para o

clorofÛrmio: o quÌmico David Waldie, de Liverpool.

51

Ainda em 1854, durante uma visita a Escut·ri, Henrique Estev„o Hartmann tomou

consciÍncia de que, vencida a dor, a cirurgia tinha de combater o seu segundo grande

inimigo: a infecÁ„o pÛs-operatÛria.

3.2.3 O Nascimento da Cirurgia Renal

A 02 de agosto de 1869, Gustavo Simon, professor de cirurgia em Heidelberg (Alemanha),

praticou pela primeira vez, com Íxito, a ablaÁ„o dum rim humano e resistiu a vida a sua

paciente, condenada a vegetar desamparada. Esse feito suscitou uma sensaÁ„o bem

prÛxima dos limites da que provocaria uma tentativa de homicÌdio. O que È hoje natural foi

excesso de temeridade, combatido, discutido ou aplaudido com tanto entusiasmo que

despertou o interesse de muitos estudiosos para continuar a estudar o procedimento

(Thorwald apud Graham).

A paciente, Margaretha Kleb, em necessidade extrema, recorrera a Simon para se tratar de

uma ˙lcera. J· havia retirado o ov·rio, o ˙tero por outro mÈdico e estava em estado

lastim·vel. Aos cuidados de Simon, a paciente se submeteu a diversas cirurgias e o mÈdico

a muitos estudos e experiÍncias com c„es e cad·veres humanos atÈ, em caso extremo,

decidiu retirar o rim, depois de nove meses de sofrimento e tentativas. Seis meses depois

da extraÁ„o do rim, a paciente estava curada e recomeÁou a sua vida laboriosa.

Triunfando de controvÈrsias e acusaÁıes, a nefrotomia de Gustavo Simon passou a ser um

capÌtulo da histÛria da medicina e, em verdade, um dos mais importantes. Assinala a hora

do nascimento da cirurgia renal, ainda na Època em que o espectro da febre pairava

ameaÁadoramente sobre o mundo. O nome de Gustavo Simon sobreviveu, como um

52

sÌmbolo e o nome de Magaretha Kleb foi esquecido, como caÌra no esquecimento o de

quase todos os enfermos que possibilitara, com seus sofrimentos e sua vontade de viver, o

progresso da medicina.

3.2.4 A ìOperaÁ„o Cesareanaî

CÈsar, o primeiro imperador romano, segundo uma lenda possivelmente apÛcrita, veio ao

mundo, pelo corte praticado no ventre de sua m„e. Mais tarde, interpretou-se o nome

ìCÈsarî como derivado de caseus, o qual poderia significar o ìcortadoî. E ent„o nasceu a

denominaÁ„o

ìoperaÁ„o

cesarianaî. Mas a lenda de ter CÈsar

nascido

dum ventre

ìcortadoî prova, nem mais nem menos, que os romanos conheciam e praticavam com

sucesso a ìoperaÁ„o cesarianaî. Certo È apenas que a antig¸idade, atÈ a alta Idade MÈdia,

estava familiarizada com a extraÁ„o do feto do ventre da m„e morta. Nessa pr·tica, a Igreja

CatÛlica era elemento propulsor, exigindo que nenhuma crianÁa fosse privada do batismo e

as parteiras ou mÈdicos, disciplinados por leis eclesi·sticas, extraiam o filho do ventre da

m„e que lhes morresse nas m„os.

No ano de 1581, apareceu em Paris, o primeiro tratado sobre operaÁ„o cesariana, cujo

autor foi FranÁois Rousset, cirurgi„o do Duque de SabÛia e tambÈm teÛrico em nefrotomia.

Foi o primeiro a descrever uma cesariana em paciente viva (THORWALD apud Leonardo)

No

sÈculo

XVII

existe

apenas

um

caso

de

ìoperaÁ„o

cesarianaî

comprovado

positivamente: em Wittemberg, Alemanha, o cirurgi„o Trantmann, sob a direÁ„o do

mÈdico Sinnert e Tandler, em presenÁa do arquidi·cono Silbermann, abriu o ventre e o

˙tero de ⁄rsulo Opitz, trazendo ‡ luz uma crianÁa viva, no dia 21 de abril de 1610.

53

Em 1778, noticiou uma operaÁ„o ‡ qual a parturiente sobreviveu. Normalmente as

pacientes morriam ardendo em febre dias depois. O parteiro inglÍs John Aiken, que morreu

em 1790, receava que as mortes eram causadas pelo ar intoxicado que entrava no abdome

aberto,

por isso

recomendava que as cesarianas

fossem realizadas com a paciente

mergulhada atÈ o pescoÁo. Por outro lado, o francÍs Lebas de Moulleron fez uma

descoberta meritÛria: seccionando corpos de mulheres vitimadas por cesarianas, observou

pela primeira vez que a incis„o de ˙tero n„o cicatrizava espontaneamente, ficava bem

aberta

e

sob

a

proteÁ„o

hemorragias mortais.

da

parede

abdominal

externamente

suturada,

produziam

Em 1876, para tentar solucionar o problema, iniciaram com ìamputaÁ„o ˙tero-ovariana

como complemento da cirurgiaî. Esse procedimento despertou um eco extraordin·rio.

O entusiasmo dos mÈdicos perdurou enquanto n„o se evidenciou que, embora sobrepujada

a infecÁ„o cir˙rgica, o perigo da operaÁ„o cesariana n„o estaria plenamente eliminado, se

n„o houvesse a possibilidade de se resolver o problema de cicatrizar a incis„o no ˙tero,

mediante uma sutura garantida. Era mister continuar a extirpar-se o ˙tero ou inventar um

novo mÈtodo de sutura capaz de resistir a todos os fenÙmenos do sobreparto e de fechar

com absoluta seguranÁa a incis„o do ˙tero.

Em 1881, o alem„o Ferdinaud Kehrer inventou, em Heidelberg, o primeiro mÈtodo

eficiente de sutura.

54

3.2.5 InfecÁ„o e PrevenÁ„o

THORWALD apud Otis relata que poucos anos apÛs a descoberta da anestesia deveriam

estar averiguadas e eliminadas as causas do poder sinistro da febre traum·tica. O homem

que viu essas causas, In·cio Filipe Semmelweis, e percebeu a fatalidade, que teve a

intuiÁ„o do caminho para sair do inferno da febre e da morte por infecÁ„o, e depois,

apontou com clareza e desesperadamente a seus contempor‚neos, foi ridicularizado e

escarnecido. Ele, natural de Ofen, foi nomeado assistente da Primeira ClÌnica ObstÈtrica de

Viena, em fevereiro de 1846 e ent„o iniciou a sua luta para combater a febre puerperal.

Contrariando

todos os conhecimentos mÈdicos

da Època,

sustentou que a infecÁ„o

puerperal era conseq¸Íncia da transmiss„o de assim chamados germes infecciosos, pelas

m„os dos mÈdicos e dos estudantes que se tenham ocupado em seccionar cad·veres das

vÌtimas do mal, sem lavar convenientemente as m„os. Ele condenou todo o sistema

cientÌfico da medicina e proclamou que, para banir a febre puerperal dos hospitais, se faz

necess·ria uma limpeza rigorosa das m„os.

Sab„o,

escova

para

unhas,

·cido

clÛrico

tiveram entrada

na

clÌnica.

Alguns

mais

esclarecidos obedeciam espontaneamente mas a maioria achava incÙmodo o ìlava-m„os

absurdoî, e Semmelweisteve que vigiar pessoalmente para obrig·-los a assim proceder.

Hoje, este mÈdico È considerado um herÛi da medicina, j· que sofreu durante anos atÈ

descobrir a causa da febre que matava quase todas as parturientes e seus colegas de

profiss„o n„o deram crÈdito, tomando-o por insano.

55

Em 1866, o professor de cirurgia da Universidade de Glasgow, Joseph Lister, depois de

conhecer as experiÍncias do francÍs Louis Pasteur, um quÌmico que descobriu o processo

de fermentaÁ„o e putrefaÁ„o e que verificou que, submetendo as matÈrias fermentadas ‡

ebuliÁ„o, cessava o desenvolvimento dos seus microscÛpios, pesquisou uma forma de

impedir

a

proliferaÁ„o

dos

microrganismos

no

organismo

humano.

Lister

tomou

conhecimento tambÈm que um certo doutor Crooks conseguiu eliminar o cheiro da

podrid„o dos valos, com a subst‚ncia quÌmica chamada ·cido carbÛlico ou fenol, obtido do

alcatr„o de hulha. Da eliminaÁ„o do mau cheiro, deduziu o extermÌnio dos micrÛbios

geradores da putrefaÁ„o e aÌ comeÁou a tratar os pacientes: cobria os ferimentos com uma

subst‚ncia embebida em fenol e comeÁou salvar vidas.

Joseph Lister foi, na histÛria da medicina, o primeiro cirurgi„o que praticou com Íxito a

amputaÁ„o da mama com escarificaÁ„o da axila, sob a proteÁ„o da compressa de fenol.

No dia 09 de agosto de 1867, em Dublin, a ìBritish Medical Societyî, realiava o seu 35 o

Congresso Anual na Irlanda, sob a presidÍncia do Dr. Stockes, da Universidade de Dublin,

na sede do Trinity College. Contava com a presenÁa dos mais famosos mÈdicos da Època,

dentre eles Dr. James Simpson de Edimburgo e Dr Syme. Dr. Lister, em vinte minutos,

descreveu sua experiÍncia com o ·cido carbÛlico ou fenol e o sucesso obtido. Foi

francamente hostilizado, renegado pela massa dos cirurgiıes brit‚nicos. Mesmo assim,

continuou a usar seu procedimento e ainda implantou a a lavagem das m„os e de

instrumentos numa soluÁ„o de ·cido carbÛlico.

Por volta dos anos de 1870, os mÈdicos da Alemanha adotaram o sistema de Lister, com

sucesso. TambÈm os mÈdicos da SuÌÁa livraram seus pacientes da febre e da gangrena

atravÈs do mÈtodo de Lister. E a divulgaÁ„o desses resultados abalou os preconceitos

56

seculares do mundo cir˙rgico sobre as infecÁıes traum·ticas. Mesmo assim, os brit‚nicos

ficaram desfavor·veis a Lister.

Em 1880, Robert Koch conseguiu provar a existÍncia de germes vivos, ou bactÈrias,

respons·veis pelas infecÁıes hospitalares em concord‚ncia com a hipÛtese em que Lister

baseava todo o seu mÈtodo de cura, sem poder provar. A partir daÌ, houve uma acentuada

evoluÁ„o na descoberta da bacteriologia e conseq¸entemente se concretizou a evoluÁ„o da

assepsia.

Num ponto decisivo, porÈm, havia uma preocupaÁ„o: as m„os dos cirurgiıes. Estava

provado que as m„os eram um viveiro de diferentes espÈcies de bactÈrias. A imers„o das

m„os em ·cido carbÛlico, alÈm de n„o ser eficiente, tornavam-nas ·speras, e, muitas vezes,

criavam

eczemas

e

alteraÁıes

que

atacavam

atÈ

os

braÁos.

Estudioso

no

assunto,

Guilherme Steward Halsted, professor de cirurgia da Universidade de John Hopkins, em

Baltimore, apresentou a soluÁ„o paras este problema: um par de luvas de borracha, muito

finas, que protegeriam as m„os sem alterar os movimentos. Estas luvas tornaram-se

utensÌlio cir˙rgico indispens·vel. A cirurgia estava armada para estender a sua aÁ„o a todos

os Ûrg„os do corpo humano, inclusive os mais secretos, e para evitar a infecÁ„o.

3.2.6 A Cirurgia Hoje

Com o sÈculo XX, h· um crescimento assombroso na tecnologia de detecÁ„o da doenÁa -

mÈtodos cromatogr·ficos,

microespectogr·ficos,

microfotografias,

isÛtopos radiativos,

57

microscopia eletrÙnica, tomografia computorizada, resson‚ncia magnÈtica, etc -, cuja

capacidade de penetraÁ„o e de resoluÁ„o de nossos sentidos tornou-se fabulosa.

No ‚mbito experimentaÁ„o cientÌfica, observa-se um denvolvimento marcante de sua

concepÁ„o teÛrica, abertas pela crÌtica da ciÍncia e a epistemologia. A idÈia a priori

converte-se

em

modelo

teÛrico,

representaÁ„o

abstrata

das

relaÁıes

sob

estudo

e

componente central do conhecimento cientÌfico. Na perspectiva da teoria da ciÍncia

destacaram-se v·rios movimentos: o convencionalismo (William James, J. Dewey, E.

Mach,

H.

PoincarÈ);

o

verificacionismo

(M.

Schlick,

E.A.

Singer,

A.J.

Ayer),

o

falsificacionismo (K. Poper e seguidores) e sua variante crÌtica (Thomas Kuhn, I. Lakatos,

P.K. Feyerabend). A estatÌstica passa a assumir uma presenÁa cada vez maior e mais

complexa

na

investigaÁ„o

cientÌfica,

tendo

a

capacidade

de

converter

um

achado

experimental ou de observaÁ„o em saber cientÌfico, mesmo antes de sua interpretaÁ„o.

Entretanto, a interpretaÁ„o torna-se cada vez mais rigorosa, pois sem um referencial

racional e plausÌvel n„o chega a ser verdadeiramente cientÌfico o conhecimento de um

investigador.

A cirurgia tem evoluÌdo n„o pelas novas tÈcnicas e t·ticas operatÛrias, e sim, pelo avanÁo

da tecnologia a ela aplicada. Um grande exemplo da nova era È a cirurgia vÌdeo-

laparoscÛpica. Possui como vantagens a diminuiÁ„o da dor pÛs-operatÛria, diminuiÁ„o da

taxa de infecÁ„o, diminuiÁ„o do tempo de internaÁ„o e retorno mais r·pido ‡s atividades de

vida di·ria.

Outro fator agregado ‡ vida do cirurgi„o na atualidade È o alto nÌvel de estresse, seja por

m˙ltiplas funÁıes, ou pela acirrada competitividade e ac˙mulo de novas informaÁıes. A

58

competitividade est· vinculada n„o sÛ pela competÍncia do profissional mas tambÈm pelo

desenvolvimento de seu marketing pessoal e domÌnio tecnolÛgico.

Um fato novo que vem ganhando relev‚ncia no Brasil È as diversas conotaÁıes e

desdobramentos jurÌdicos gerados pela express„o popular ìerro mÈdicoî. O cirurgi„o com

toda a problem·tica que j· tinha, agora preocupa-se tambÈm em n„o dar margem a

interpretaÁıes d˙bias da qualidade de sua conduta.

3.3 CaracterizaÁ„o do Hospital Erasto Gaertner

Em 1947, liderados pelo mÈdico Erasto Gaertner, mÈdicos, jornalistas e outros idealistas

fundaram a Liga Paranaense de Combate ao C‚ncer, sonhando estar criando uma arma

poderosa para vencer tabus e preconceitos que cercavam a doenÁa, tida como incur·vel.

Um dos passos fundamentais para a concretizaÁ„o deste sonho foi dado em 1954, com a

criaÁ„o da Rede Feminina. A equipe, constituÌda por volunt·rias dedicadas ‡ assistÍncia e

conforto de pacientes, teve participaÁ„o importante na construÁ„o do Hospital Erasto

Gaertner (HEG), inaugurado em 8 de dezembro de 1972. Hoje, o HEG È centro de

referÍncia nacional no tratamento do c‚ncer. Recebe pacientes do Paran·, de diversos

estados brasileiros e atÈ de paÌses vizinhos.

Por se tratar de doenÁa relacionada a fatores de origem externa, em sua grande maioria

(75% dos casos) potencialmente evit·veis, a Liga desenvolve, em paralelo ao tratamento,

programas de car·ter educativo, dentre eles o Programa LatinoamÈrica Contra o C‚ncer

(PLACC) - implantado simultaneamente em 18 paÌses das AmÈricas do Sul e Central e

59

Caribe, e coordenado no Brasil pela AssociaÁ„o Brasileira de InstituiÁıes FilantrÛpicas de

Combate ao C‚ncer -, aliados a programas de car·ter assistencial e cientÌfico.

Nesta ˙ltima

·rea,

destaca-se o

Programa de

Registro

Hospitalar

de

C‚ncer,

com

informaÁıes de diagnÛstico, tratamento e evoluÁ„o dos pacientes, usados para an·lise de

dados, publicaÁıes cientÌficas e direcionamento de aÁıes administrativas e financeiras,

tÈcnicas e assistenciais, curativas e de prevenÁ„o. E nos programas de pÛs-graduaÁ„o, o

corpo mÈdico ministra cursos de especializaÁ„o em oncologia.

A taxa global de sobrevida no HEG È de 48,8%, subindo para 82,8% quando a doenÁa È

diagnosticada em est·gio inicial. A possibilidade de cura chega a 50% dos casos, e na

pediatria, esse Ìndice pode ser de atÈ 73%.

O Departamento de Cirurgia foi criado pelo Dr. Benedito Valdecir de Oliveira, Dr. SÈrgio

Hatschbach, Dr. Massakazu Kato e Dr. Marcos Montenegro. No inÌcio eram trÍs salas

cir˙rgicas e trÍs quartos prÛximos, que funcionavam como Unidade de Terapia Intensiva

no pÛs-operatÛrio, novidade na Època. A primeira cirurgia realizada foi em 16 de abril de

1973 e, em seu primeiro ano de funcionamento realizou 809 cirurgias.

No final da dÈcada de 1980, o HEG j· contava com quatro salas cir˙rgicas, equipadas com

laser e criocirurgia, aparelhos de microcirurgias e monitoramento em todas as salas.

No ano passado, houve 42.377 internaÁıes no Hospital, sendo que 16.915 eram pacientes

de ClÌnica Cir˙rgica. Foram realizadas 3.703 cirurgias com a taxa de mortalidade de 2,2%.

60

3.4 Instrumentos Cir˙rgicos

Os instrumentos cir˙rgicos s„o utilizados em todas as intervenÁıes no paciente. A

import‚ncia de conhecÍ-los est· intimamente ligada ‡s aÁıes e movimentos do cirurgi„o

durante o ato operatÛrio.

3.4.1 HistÛrico

Os primeiros instrumentos conhecidos datam de 2.500 A. C. e eram de pedras pontiagudas

e de dentes de animais.

Em 1.800, quase n„o existiam, ent„o eram usados facas, canivetes e serras de carpinteiro.

Foram se especializando e hoje s„o desenvolvidos conforme avaliaÁ„o de mÈdicos e

enfermeiros.

3.4.2 ComposiÁ„o

Os instrumentos cir˙rgicos normalmente s„o caros e importados. Duram cerca de dez anos

e na sua maioria s„o fabricados de aÁo inoxid·vel e colocados em ·cido nÌtrico para

remover qualquer resÌduo de carbono.

No mercado h· trÍs tipos de acabamento:

(1)

Espelhado: È altamente polido, tende a refletir a luz interferindo na vis„o do

cirurgi„o.

61

(2)

Acetinado: È fosco, o que tende a diminuir o esforÁo visual do cirurgi„o.

(3)

EbanizaÁ„o: produz um acabamento preto. … utilizado durante procedimentos com

laser para evitar deflex„o do feixe.

3.4.3

Categorias

3.4.3.1

DissecaÁ„o

Podem ser agudos ou rombudos e s„o usados para cortar e separar tecidos, como os bisturis

e as tesouras.

Os bisturis s„o provavelmente os instrumentos mais antigos de todos. A maior parte s„o

cabos onde fixam l‚minas descart·veis que podem ser trocadas durante o ato cir˙rgico.

As tesouras s„o de v·rios tamanhos e formatos suas pontas podem ser rombudas ou

pontiagudas e as l‚minas retas ou curvas.

Tesoura Metzenbaum: s„o usadas para a dissecÁ„o de tecidos delicados e a tesoura reta

para corte de pontos.

Nesta categoria tambÈm est„o as brocas, serras, osteÛtomos, ruginas, adenÛstomos e

derm·tomos.

62

3.4.3.2 PinÁamento

S„o desenhados para segurar tecido ou outros materiais.

1)

Hemost·ticas: Usadas para o fechamento de extremidades cortadas, impedindo a

perda excessiva de sangue durante a dissecÁ„o, obrigatoriamente as garras devem ter

ranhuras transversas profundas para que os vasos possam ser comprimidos e assim

interromper o sangramento.

2)

PinÁas Oclusivas: Possuem um serrilhado vertical ou garras especiais com m˙ltiplas

fileiras entrelaÁadas de dentes evitando o extravasamento e minimizando traumatismo ao

pinÁar uma alÁa intestinal, vasos ou ductos que devem ser reanastomosados.

3)

Os Afastadores: S„o usados para a retraÁ„o de tecido e geralmente tem garras ou

desenho buscado na sua finalidade.

4)

PinÁa de Kocher: Tem serrilhado transversal e dentes grandes na extremidade para

agarrar com firmeza o tecido denso e escorregadio.

5)

PinÁa Allis: Tem dentes finos m˙ltiplos deforma a esmagar ou lesar o tecido.

6)

PinÁa Babcock: Tem pontas curvas fenestradas sem dentes, ela agarra estruturas

delicadas.

7)

Os fÛrceps: Tem cabos como as pinÁas e s„o usados para levantar e segurar tecido,

muitas vezes È usada na outra m„o auxiliando o cirurgi„o enquanto est· cortando ou

suturando,

os

fÛrceps

escorregadios.

sem

dentes

lesam

pouco

e

seguram

tecidos

espessos

ou

63

8)

Porta - agulhas: Devem obrigatoriamente agarrar metal em vez de tecidos moles e

est„o sujeitos a maior desgaste. Podem ter um mecanismo semelhante ao das pinÁas

hemost·ticas.

9)

PinÁas de toalha: S„o consideradas instrumentos de retenÁ„o. Dos dois

tipos

b·sicos, uma È pinÁa de toalha n„o penetrante e È usada para segurar no lugar os materiais

do campo cir˙rgico. A outra tem pontas agudas que penetram nos tecidos e toalhas

danificando-os.

3.4.3.3

Afastadores

S„o usados para retrair as bordas das feridas fornecendo uma boa exposiÁ„o do campo

operatÛrio,

o

cirurgi„o

necessita

da

melhor

traumatismo ao tecido circunvizinho.

exposiÁ„o

possÌvel

com

um

mÌnimo

Os afastadores s„o autofixantes ou mantidos manualmente no local por um membro da

equipe cir˙rgica. Os dois tipos de afastadores autofixantes s„o aqueles com molduras as

quais v·rias l‚minas podem ser fixadas e aqueles com duas l‚minas que podem ser

mantidos afastados com um encaixe. Com os afastadores manuais os cabos podem ser

serrilhados, em forma de gancho ou anel, dando ao cirurgi„o maior firmeza sem se cansar.

Um afastador male·vel È uma fita met·lica retr·til e pode ser deformada facilmente pelo

cirurgi„o no campo cir˙rgico.

64