Sei sulla pagina 1di 876
Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Aula

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Aula 00: Constituição: princípios fundamentais. Da aplicabilidade e interpretação das normas constitucionais; vigência e eficácia das normas constitucionais. Direitos e deveres individuais e coletivos (Parte I).

SUMÁRIO

PÁGINA

1-Teoria e Questões Comentadas

1-97

2-Lista de Questões

98-117

3-Gabarito

118

Olá, meu amigo (a) concurseiro(a)!

Meu nome é Nádia Carolina. Fui aprovada em vários concursos, dentre os quais se destacam os de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (2010), tendo obtido o 14 o lugar nacional e de Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil (2010), em que obtive o 16 o lugar nacional. Atualmente ocupo o cargo de Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil.

A proposta deste curso é dar a você o melhor suporte teórico para a

resolução das questões objetivas do concurso do TRT-SC, cujo edital acaba de ser publicado. Tudo isso em linguagem fácil e com muitos esquemas, para facilitar a fixação.

A jurisprudência mais recente também será objeto deste curso.

Sabemos que a FCC gosta de cobrar os entendimentos mais recentes do STF e

do STJ, que, na maioria das vezes, não constam dos livros nem de questões anteriores. Por isso mesmo, deixaremos você “por dentro” de tudo que for relevante nos informativos mais recentes desses tribunais.

Além disso, resolveremos centenas de questões em nossas aulas. Veja que, só nesta aula demonstrativa, são cento e quarenta e cinco questões comentadas, todas da FCC. Muitas delas, de 2012 e até 2013. Você ficará “expert” nessa banca, não tem jeito de errar na hora da prova!

O

quadro a seguir resume nosso cronograma de aulas:

 

Aulas

Tópicos abordados

Data

Aula 00

Constituição: princípios fundamentais. Da aplicabilidade e interpretação das normas constitucionais; vigência e eficácia das normas constitucionais. Direitos e deveres individuais e coletivos (Parte I).

-

Aula 01

Direitos e deveres individuais e coletivos (Parte II).

22/05

Aula 02

Dos direitos sociais; dos direitos de nacionalidade; dos direitos políticos. Emenda constitucional 77/13.

25/05

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Aula

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Aula 03

Da organização político-administrativa: das competências da União, Estados e Municípios.

29/05

Aula 04

Administração Pública: disposições gerais; dos servidores públicos.

01/06

Aula 05

Do Poder Executivo: das atribuições e responsabilidades do Presidente da República.

04/06

Aula 06

Do Poder Legislativo: da fiscalização contábil, financeira e orçamentária.

08/06

Aula 07

Do Poder Judiciário:disposições gerais; do Supremo Tribunal Federal; do Superior Tribunal de Justiça; dos Tribunais Regionais Federais e dos Juízes Federais; dos Tribunais e Juízes do Trabalho. Emenda constitucional

11/06

45/04.

Aula 08

Das funções essenciais à Justiça: do Ministério Público; da Advocacia Pública; da Advocacia e da Defensoria Públicas.

15/06

Aula 09

Controle de constitucionalidade: sistemas difuso e concentrado; ação direta de inconstitucionalidade; ação declaratória de constitucionalidade e arguição de descumprimento de preceito fundamental.

18/06

As questões utilizadas em cada aula serão colocadas ao final do arquivo, de modo que você possa tentar resolvê-las antes de ler o comentário a elas referente ou utilizá-las como ferramentas de revisão rápida na “reta final” de preparação para o concurso.

Finalmente, gostaria de convidá-lo, caro (a) aluno(a) a participar ativamente do curso. Sinta-se à vontade para enviar seus questionamentos por meio do Fórum de Dúvidas.

Após esta breve explicação sobre o curso, vamos à aula 00

Observação importante: este curso é protegido por direitos autorais (copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.

Grupos de rateio e pirataria são clandestinos, violam a lei e prejudicam os professores que elaboram os cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe adquirindo os cursos honestamente através do site Estratégia Concursos ;-)

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Conceito

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Conceito de Constituição

Começaremos nossa aula apresentando o conceito de Constituição. Mas o que se entende por Constituição?

Objeto de estudo do Direito Constitucional, a Constituição é a lei fundamental e suprema de um Estado, criada pela vontade soberana do povo. É ela que determina a organização político-jurídica do Estado, dispondo sobre a sua forma, os órgãos que o integram e as competências destes e, finalmente, a aquisição e o exercício do poder. Cabe também a ela estabelecer as limitações ao poder do Estado e enumerar os direitos e garantias fundamentais.

A Pirâmide de Kelsen

Para compreender bem o Direito Constitucional, é fundamental que estudemos a hierarquia das normas, através do que a doutrina denomina “pirâmide de Kelsen”.

A pirâmide de Kelsen tem a Constituição e as emendas constitucionais como seu vértice (topo), por serem fundamento de validade de todas as demais normas do sistema. Assim, nenhuma norma do ordenamento jurídico pode se opor à Constituição: ela é superior a todas as demais normas jurídicas, que são, por isso mesmo, denominadas infraconstitucionais.

É importante observar que, a partir da Emenda Constitucional n o 45 de 2004, os tratados e convenções internacionais aprovados em cada Casa do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, passaram a ser equivalentes às emendas constitucionais. Situam-se, portanto, no topo da pirâmide de Kelsen, tendo “status” de emenda constitucional.

Os demais tratados internacionais sobre direitos humanos, aprovados pelo rito ordinário, têm, segundo o STF, “status” supralegal. Isso significa que se situam logo abaixo da Constituição e acima das demais normas do ordenamento jurídico.

As normas imediatamente abaixo da Constituição (infraconstitucionais) e dos tratados internacionais sobre direitos humanos são as leis (complementares, ordinárias e delegadas), as medidas provisórias, os decretos legislativos, as resoluções legislativas, os tratados internacionais em geral incorporados ao ordenamento jurídico e os decretos autônomos. Todas essas normas serão estudadas em detalhes em aula futura, não se preocupe! Neste momento, quero apenas que você guarde quais são as normas infraconstitucionais e que elas não possuem hierarquia entre si, segundo doutrina majoritária. Essas normas são primárias, sendo capazes de gerar direitos e criar obrigações, desde que não contrariem a Constituição.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Nesse

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Nesse sentido, tem-se o entendimento do Supremo de que a lei complementar não é hierarquicamente superior à lei ordinária. Ambas têm campos de atuação diversos, a matéria (conteúdo) é diferente. No caso de matéria disciplinada por lei formalmente complementar, mas não submetida à reserva constitucional de lei complementar, eventuais alterações desse diploma legislativo podem ocorrer mediante simples lei ordinária. Isso porque a lei complementar será, materialmente, ordinária, subsumindo-se ao regime constitucional dessa lei 1 .

Finalmente, abaixo das leis encontram-se as normas infralegais. Elas são normas secundárias, não tendo poder de gerar direitos, nem, tampouco, de impor obrigações. Não podem contrariar as normas primárias, sob pena de invalidade. É o caso das portarias, das instruções normativas, dentre outras.

CONSTITUIÇÃO, EMENDAS CONSTITUCIONAIS E TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS APROVADOS COMO EMENDAS
CONSTITUIÇÃO, EMENDAS CONSTITUCIONAIS E
TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS
HUMANOS APROVADOS COMO EMENDAS
CONSTITUCIONAIS
OUTROS TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE
DIREITOS HUMANOS
LEIS COMPLEMENTARES, ORDINÁRIAS E DELEGADAS,
MEDIDAS PROVISÓRIAS, DECRETOS LEGISLATIVOS,
RESOLUÇÕES LEGISLATIVAS, TRATADOS
INTERNACIONAIS EM GERAL E DECRETOS
AUTÔNOMOS
NORMAS INFRALEGAIS

O Direito Constitucional e os Demais Ramos do Direito

Como vimos, a Constituição é fundamento de validade de todas as demais normas do ordenamento jurídico. Por esse motivo, o Direito Constitucional é um tronco de onde partem todas as ramificações que constituem os demais campos do Direito. Desse modo, é o Direito Constitucional que confere unidade ao Direito como um todo, seja ele público ou privado. Veja como a nossa disciplina se relaciona com os demais ramos do Direito:

1 AI 467822 RS, p. 04-10-2011.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Direito Constitucional e Direito Administrativo - o Direito Constitucional

determina os princípios gerais e os fundamentos da Administração Pública,

bem como estabelece normas para os servidores públicos.

Direito Constitucional e Direito Penal - é o Direito Constitucional que fixa

os fundamentos e determina os limites da pretensão punitiva do Estado, bem como garante o direito de defesa do acusado. Os limites à atuação do Estado

se encontram nos direitos e garantias fundamentais estabelecidos pela Constituição, estando insertos implícita ou explicitamente no art. 5º da Carta Magna, que estudaremos adiante neste curso.

Direito Constitucional e Direito Processual - o Direito Constitucional está

intimamente ligado ao Direito Processual, uma vez que:

i. Garante o acesso à Justiça (art. 5 º , XXXV, CF);

ii. Estabelece o devido processo legal (art. contraditório e a ampla defesa (art. 5 º , LV);

iii. Determina a inadmissibilidade, no processo, de provas obtidas por meios

ilícitos (art. 5 º , LVI, CF);

iv. Prevê remédios constitucionais como o mandado de segurança individual

e

popular (art. 5 º , LXXIIII, CF); v. Garante a assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem

insuficiência de recursos (art. 5 º , LXXIV, CF), bem como a razoável duração do processo, no âmbito judicial e administrativo, e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação (art. 5 º , LXXVIII, CF);

vi. Regula a ação direta de inconstitucionalidade, a ação declaratória de

constitucionalidade, a arguição de descumprimento de preceito fundamental e

a ação direta de inconstitucionalidade por omissão.

coletivo (art. 5 º , LXIX e LXX, CF), o habeas data (art. 5 º , LXXII, CF) e a ação

bem como o

5 º ,

LIV,

CF),

Direito Constitucional e Direito do Trabalho: é a Constituição que prevê

os principais direitos sociais do empregado (arts. 7 º a 10, CF), o que torna o

Direito Constitucional intrinsecamente relacionado ao Direito do Trabalho.

Direito Constitucional e Direito Civil: a partir da Constituição de 1988,

houve o fenômeno da constitucionalização do Direito Civil, que passou a ter suas normas sujeitas aos princípios e regras constitucionais. Valores

constitucionais como a dignidade da pessoa humana, a solidariedade social e a igualdade substancial, previstos na Constituição, conferiram ao Direito Civil um caráter mais humanista, em oposição à base patrimonial que se verificava outrora. Uma das consequências desse fenômeno é a aplicabilidade dos direitos fundamentais às relações privadas e não apenas às relações com o Poder Público. Assim, pode o particular opor um direito ou garantia fundamental a outro particular, o que reduz a autonomia privada.

Direito Constitucional e Direito Tributário: o Direito Constitucional

delineia o sistema tributário nacional, estabelece o conceito de tributo 2 ,

discrimina a competência tributária e fixa limites ao poder de tributar.

2 Segundo Geraldo Ataliba, o conceito de tributo tem origem na Constituição, não podendo ser alargado, reduzido ou modificado pelo legislador constitucional. Isso por ser ele um conceito- chave para demarcação das competências legislativas e balizador do regime tributário,

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Estrutura

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Estrutura das Constituições

As

Constituições,

de

forma

geral,

dividem-se

em

três

partes:

preâmbulo, parte dogmática e disposições transitórias.

O preâmbulo é a parte que antecede o texto constitucional

propriamente dito. Serve para sintetizar a ideologia do poder constituinte

originário, expondo os valores por ele adotados e os objetivos por ele perseguidos. Segundo o STF, ele não dispõe de força normativa, não tendo caráter vinculante 3 .

A parte dogmática da Constituição é o texto constitucional

propriamente dito, que prevê os direitos e deveres criados pelo poder constituinte. Trata-se do corpo permanente da Carta Magna, que, na CF/88, vai do art. 1º ao 250. Destaca-se que falamos em “corpo permanente” porque, a princípio, essas normas não têm caráter transitório, embora possam ser modificadas pelo poder constituinte derivado, mediante emenda constitucional.

Por fim, a parte transitória da Constituição visa a integrar a ordem jurídica antiga à nova, quando do advento de uma nova Constituição, garantindo a segurança jurídica e evitando o colapso entre um ordenamento jurídico e outro. Suas normas são formalmente constitucionais, embora, no texto da CF/88, apresente numeração própria (veja o ADCT Ato das Disposições Constitucionais Transitórias). Assim como a parte dogmática, pode ser modificado por reforma constitucional.

Elementos das Constituições

Embora as Constituições formem um todo sistematizado, suas normas estão agrupadas em títulos, capítulos e seções, com conteúdo, origem e finalidade diferentes. Diz-se, por isso, que a Constituição tem caráter polifacético, ou seja, que possui “muitas faces”.

A fim de melhor compreender cada uma dessas faces, a doutrina agrupa as normas constitucionais conforme suas finalidades, no que se denominam elementos da constituição. Segundo José Afonso da Silva, esses elementos formam cinco categorias:

Elementos orgânicos: compreendem as normas que regulam a

estrutura do Estado e do Poder. Exemplos: Título III (Da Organização do Estado) e IV (Da Organização dos Poderes e do Sistema de Governo).

Elementos limitativos: compreendem as normas que compõem os

direitos e garantias fundamentais, limitando a atuação do poder estatal.

conjunto de princípios e regras constitucionais de proteção do contribuinte contra o chamado poder tributário, exercido, nas respectivas faixas delimitadas de competências, por União, Estados e Municípios (Hipótese de Incidência Tributária, São Paulo: Malheiros).

3 ADI 2.076-AC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJU de 23.08.2002.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Exemplo:

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Exemplo: Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais), exceto Capítulo II (Dos Direitos Sociais).

Elementos socioideológicos: traduzem o compromisso da Constituição

entre o Estado individualista e o Estado social, intervencionista. Exemplo:

Capítulo II do Título II (Dos Direitos Sociais).

Elementos de estabilização constitucional: compreendem as normas

destinadas a prover solução de conflitos constitucionais, bem como a defesa da Constituição, do Estado e das instituições democráticas. São instrumentos de defesa do Estado, com vistas a promover a paz social. Exemplos: art. 102, I, “a” (ação de inconstitucionalidade) e arts. 34 a 36 (intervenção).

Elementos formais de aplicabilidade: compreendem as normas que

estabelecem regras de aplicação da constituição. Exemplos: disposições constitucionais transitórias e art. 5º, § 1º, que estabelece que as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 1. (FCC/2012/TRE-SP) Em reconhecimento à

1. (FCC/2012/TRE-SP) Em reconhecimento à internacionalização da

matéria relativa a direitos e garantias fundamentais, a Constituição da

República estabelece que tratados internacionais, em matéria de direitos humanos, serão equivalentes a emendas constitucionais se forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros.

Comentários:

É o que determina o art. 5º, § 3º, da Constituição Federal. Questão correta.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Classificação

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Classificação das normas constitucionais

Considerando que a Constituição Federal de 1988 é do tipo formal, entende-se por normas constitucionais quaisquer disposições nela inseridas, independentemente de seu conteúdo. Assim, a distinção entre normas formalmente materiais (todas as normas da CF/88) e normas materialmente constitucionais (aquelas que regulam a estrutura do Estado, a organização do Poder e os direitos fundamentais) é irrelevante, à luz da Constituição atual 4 .

A aplicabilidade das normas, ou seja, sua capacidade de produzir efeitos, leva em consideração sua vigência, sua validade ou legitimidade e sua eficácia. Veja o que significa cada um desses conceitos:

Vigência: compreende o período compreendido entre a entrada em vigor

da norma e sua revogação, durante o qual a norma existe juridicamente e tem

observância obrigatória.

Validade e legitimidade: é a compatibilidade da norma com o

ordenamento jurídico. No caso da Constituição, tendo em vista ela situar-se no topo do ordenamento jurídico (Pirâmide de Kelsen), sua validade não depende de qualquer outra norma. Seu fundamento advém do poder constituinte originário, cujo titular é o povo. Falaremos mais desse poder adiante, ainda nesta aula.

Eficácia 5 : é a qualidade de a norma ser hábil a produzir efeitos jurídicos.

Todas as normas constitucionais apresentam juridicidade. Assim, todas surtem efeitos jurídicos: o que varia é o grau de eficácia.

A partir da aplicabilidade das normas constitucionais, José Afonso da Silva classifica as normas constitucionais em normas de eficácia plena, normas de eficácia contida e normas de eficácia limitada.

Normas de eficácia plena

São aquelas que, desde a entrada em vigor da Constituição, produzem, ou têm possibilidade de produzir, todos os efeitos que o legislador constituinte quis regular. É o caso do art 2º da CF/88, que diz: “são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. São normas de aplicabilidade direta, imediata e integral: produzem todos os efeitos de imediato, independentemente de lei posterior que lhes complete o alcance e o sentido.

4 Michel Temer, Elementos de Direito Constitucional.

5 Aplicabilidade e eficácia são fenômenos distintos, embora intimamente relacionados. A aplicabilidade é a capacidade de aplicação da norma, enquanto a eficácia é sua capacidade de produzir efeitos. A aplicabilidade depende da eficácia, só sendo aplicável a norma eficaz. Enquanto a eficácia se dá quanto à produção potencial de efeitos, a aplicabilidade exige realizabilidade, praticidade.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Normas constitucionais de eficácia contida

São aquelas em que a Constituição regulou suficientemente os interesses relativos a determinada matéria, mas permitiu a atuação restritiva por parte do Poder Público. Um exemplo é o art. 5º, LVIII, que estabelece que “o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei”. O dispositivo é de aplicabilidade imediata, produzindo todos os efeitos imediatamente. Entretanto, pode ter sua eficácia restringida por lei ordinária. É importante ressaltar que, enquanto tal lei ordinária não for criada, sua eficácia é plena.

A aplicabilidade das normas de eficácia contida é direta e imediata, mas não é integral, já que podem ter sua eficácia restringida por lei, por outras normas constitucionais ou por conceitos jurídicos indeterminados nelas presentes (ao fixar esses conceitos, o Poder Público poderá limitar seu alcance, como é o caso do art. 5º, XXIV e XXV, que restringem o direito de propriedade estabelecido no art. 5º, XXII da CF/88).

Normas constitucionais de eficácia limitada

São aquelas que dependem de regulamentação futura para produzirem todos os seus efeitos. Sua aplicabilidade é indireta, mediata e reduzida, pois somente produzem integralmente seus efeitos quando regulamentadas por lei posterior que lhes amplia a eficácia.

José Afonso da Silva as subdivide em normas declaratórias de princípios institutivos ou organizativos e normas declaratórias de princípios

programáticos. As primeiras são aquelas que dependem de lei para estruturar

e organizar as atribuições de instituições, pessoas e órgãos previstos na

Constituição. É o caso do art. 18, §3º, CF/88 (“ os Estados podem incorporar- se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar”). Já as segundas estabelecem programas a serem desenvolvidos pelo legislador infraconstitucional. Um exemplo é o art. 196 da Carta Magna (“a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”).

É importante destacar que, embora as normas de eficácia limitada não produzam todos os efeitos tão-somente com sua promulgação, não é verdade

que estas sejam completamente desprovidas de eficácia jurídica. Sua eficácia é limitada, não inexistente! Isso porque, independentemente de regulação pelo legislador infraconstitucional, produzem alguns efeitos: revogam disposições anteriores em sentido contrário e impedem a validade de leis posteriores que

se oponham a seus comandos.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 NORMAS

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

NORMAS DE EFICÁCIA PLENA

PRODUZEM OU ESTÃO APTAS A PRODUZIR, DESDE SUA ENTRADA EM VIGOR, TODOS OS EFEITOS

APLICABILIDADE DIRETA, IMEDIATA E INTEGRAL

NORMAS DE EFICÁCIA CONTIDA

 

PODEM SOFRER RESTRIÇÕES

APLICABILIDADE DIRETA E IMEDIATA, MAS NÃO INTEGRAL

NORMAS DE EFICÁCIA LIMITADA

NECESSITAM DE REGULAMENTAÇÃO PARA PRODUZIREM

TODOS OS SEUS EFEITOS

APLICABILIDADE INDIRETA, MEDIATA E REDUZIDA

Questão de prova:

2. (FCC/2013/TRT-PR) O inciso XIII do artigo 5º da Constituição

Federal brasileira estabelece que é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer e o inciso LXVIII afirma que conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por

ilegalidade ou abuso de poder. Estes casos, são, respectivamente, exemplos de norma constitucional de eficácia

a) Plena e limitada.

b) Plena e contida.

c) Limitada e contida.

d) Contida e plena.

e) Contida e limitada.

Comentários:

No primeiro caso, a lei poderá restringir a liberdade de exercício do trabalho, ofício ou profissão, por meio de exigência de cumprimento de determinadas qualificações profissionais. Trata-se, portanto, de norma de eficácia contida. No segundo, o direito é plenamente exercível desde logo, sem qualquer exigência de lei para tanto. Tem-se uma norma de eficácia plena. A letra D é o gabarito da questão.

Outra classificação das normas constitucionais bastante cobrada em concursos públicos é aquela proposta por Maria Helena Diniz, explanada a seguir.

 Normas com eficácia absoluta Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia

Normas com eficácia absoluta

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

São aquelas que não podem ser suprimidas por meio de emenda constitucional. Na CF/88, são exemplos aquelas enumeradas no art. 60, §4º, que determina que “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes e, finalmente, os direitos e garantias individuais. São as denominadas cláusulas pétreas expressas.

Normas com eficácia plena

O conceito utilizado pela autora é o mesmo aplicado por José Afonso da Silva para normas de eficácia plena. Destaca-se que essas normas se assemelham às de eficácia absoluta por possuírem, como estas, aplicabilidade imediata, independendo de regulamentação para produzirem todos os seus efeitos. A distinção entre elas se dá pelo fato de as normas com eficácia plena poderem sofrer emendas tendentes a suprimi-las.

Normas com eficácia relativa restringível

Correspondem às normas de eficácia contida de José Afonso da Silva, referidas anteriormente. Essas normas possuem cláusula de redutibilidade, possibilitando que atos infraconstitucionais lhes componham o significado. Além disso, sua eficácia poderá ser restringida ou suspensa pela própria Constituição.

Normas com eficácia relativa complementável ou dependentes de complementação

São equivalentes às normas de eficácia limitada de José Afonso da Silva, ou seja, dependem de legislação infraconstitucional para produzirem todos os seus efeitos.

Alguns autores consideram, ainda, a existência de normas constitucionais de eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada. São normas cujos efeitos cessaram, não mais apresentando eficácia jurídica. É o caso de vários preceitos do ADCT da CF/88.

jurídica. É o caso de vários preceitos do ADCT da CF/88. 3. (FCC/2010/TRT 22ª Região) No

3. (FCC/2010/TRT 22ª Região) No tocante à aplicabilidade, as

normas constitucionais que não regulam diretamente interesses ou direitos nelas consagrados, mas que se limitam a traçar alguns preceitos a serem cumpridos pelo Poder Público, como programas das

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 respectivas

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

respectivas atividades, pretendendo unicamente a consecução dos fins sociais pelo Estado, são classificadas como:

a) análogas.

b) hermenêuticas.

c) andrógenas.

d) programáticas.

e) satisfativas.

Comentários:

As normas que estabelecem preceitos a serem cumpridos pelo Poder Público sem, no entanto, regulá-los diretamente são denominadas normas programáticas. Um exemplo é o art. 196 da Carta Magna (“a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”). A letra D é o gabarito da questão.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Aplicação

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Aplicação das normas constitucionais no tempo

Com o advento de uma nova Constituição, continuam válidos todos os atos normativos com ela compatíveis, sendo eles por ela recepcionados no “status” previsto para o instrumento normativo que tratará daquela matéria. Trata-se do chamado princípio da recepção. É o caso do Código Tributário Nacional, por exemplo, que, embora tenha sido criado como lei ordinária, foi recepcionado como lei complementar.

No caso de lei editada por ente federativo diverso daquele ao qual a nova Constituição atribuiu competência para dispor sobre a matéria, esta também será recepcionada, se houver compatibilidade material com o novo texto constitucional. A lei será, então, recebida como se tivesse sido editada pelo ente competente para tratar da matéria. Exemplo: uma lei federal vigente sob a égide da Constituição pregressa poderá ser recepcionada como estadual pela nova Carta, se esta estabelecer que os Estados são competentes para disciplinar a matéria.

Outra possibilidade de recepção se dá quando a nova Constituição determina, expressamente, a continuidade de dispositivos daquela que lhe precedeu. Como exemplo, a CF/88 estabeleceu que o sistema tributário nacional vigoraria a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da sua promulgação, mantendo-se, até essa data, a vigência dos dispositivos da Constituição de 1967.

Ao contrário do que se poderia supor, entretanto. O princípio da recepção não ocorre no caso de emenda constitucional. Isso porque o poder de reforma encontra limites na própria Constituição. Assim, o que se dá, no caso de edição de emenda constitucional, é a revogação do direito ordinário anterior, se desconforme com ela, ou a manutenção de sua validade, caso ele seja com ela compatível.

Alguns autores entendem que, no caso de entrada em vigor de uma nova Constituição, as normas legais com ela incompatíveis se tornam inconstitucionais, pelo fenômeno da inconstitucionalidade superveniente. Essa não é a posição do STF. Para a Corte, trata-se de simples conflito de normas no tempo, em que a norma posterior revoga a anterior. Nesse caso, portanto, haveria simples revogação, e não inconstitucionalidade.

Outro ponto interessante é o que ocorre com os atos revogados pelas Constituições pretéritas. Podem eles ser revalidados pela nova Constituição?

Sim. Trata-se do fenômeno da repristinação, pelo qual se “ressuscitam” as normas anteriormente revogadas. Essa prática, contudo, só é admitida excepcionalmente e quando há disposição expressa nesse sentido, em virtude da necessidade de se resguardar a segurança jurídica. Por esse motivo, em regra, só ocorre recepção de dispositivos legais em vigor no momento da promulgação da nova Constituição.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Por

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Por fim, resta a pergunta: pode uma norma constitucional revogada na vigência da Constituição pretérita adquirir “status” de lei com a promulgação da nova Constituição?

Tem-se, aí, o princípio da desconstitucionalização, em que a nova Constituição recepciona as normas da pretérita, conferindo-lhes “status” legal, infraconstitucional. Embora não houvesse óbice para que a CF/88 adotasse a desconstitucionalização, ela não o fez, nem de forma genérica, nem quanto a algum dispositivo específico.

forma genérica, nem quanto a algum dispositivo específico. 4. (FCC/2009/PGE-SP) A nova Constituição revoga as normas

4. (FCC/2009/PGE-SP) A nova Constituição revoga as normas da

Constituição anterior com ela incompatíveis e as que digam respeito a matéria por ela inteiramente regulada (normas materialmente constitucionais). Quanto às demais normas inseridas na Constituição pretérita (normas apenas formalmente constitucionais, compatíveis com a nova Constituição), entende-se que continuam a vigorar, porém em nível ordinário, dando ensejo ao fenômeno:

a) da recepção.

b) da desconstitucionalização.

c) da supremacia da Constituição.

d) da mutação constitucional.

e) das normas apenas materialmente constitucionais.

Comentários:

Trata-se do fenômeno da desconstitucionalização, pelo qual normas da Constituição pretérita são recepcionadas pela nova com “status” de lei ordinária. A letra B é o gabarito.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Interpretação

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Interpretação da Constituição

Interpretar a Constituição significa compreender, investigar o significado do texto constitucional. A Hermenêutica (Interpretação) Constitucional serve para solucionar, no caso concreto, conflitos entre bens jurídicos protegidos pela Carta Magna, bem como para dar eficácia e aplicabilidade às normas constitucionais.

A quem cabe a tarefa de interpretar a Constituição? Só ao Judiciário? Não caia nessa pegadinha, comum nas provas de concursos! Tanto o Judiciário quanto o Executivo e o Legislativo interpretam a Constituição.

À Hermenêutica Constitucional são aplicáveis todas as técnicas de

interpretação das demais normas jurídicas (gramatical, histórica, teleológica,

dentre outras). Entretanto, ela apresenta também métodos próprios, devido à supremacia da Constituição.

A interpretação da Constituição envolve um conjunto de métodos,

desenvolvidos pela doutrina e pela jurisprudência. São eles:

Método jurídico (hermenêutico clássico)

Este método considera que a Constituição é uma lei, devendo ser interpretada usando as regras da Hermenêutica tradicional, ou seja, os elementos literal (textual), lógico (sistemático), histórico, teleológico e genético. O elemento literal, como o nome diz, busca analisar o texto da norma em sua literalidade. O lógico, por sua vez, busca avaliar a relação de cada norma com o restante da Constituição. O histórico avalia o momento de elaboração da norma (ideologia então vigente), enquanto o teleológico busca a sua finalidade. Por fim, o genético investiga a origem dos conceitos empregados na Constituição.

O método jurídico valoriza o texto constitucional. Cabe ao intérprete

descobrir o sentido deste texto, sem extrapolar a literalidade da lei.

Método tópico-problemático

Neste método, há prevalência do problema sobre a norma, ou seja, busca-se solucionar determinado problema por meio da interpretação de norma constitucional. Este método parte das premissas seguintes: a interpretação constitucional tem caráter prático, pois busca resolver problemas concretos e a norma constitucional é aberta, de significado indeterminado (por isso, deve-se dar preferência à discussão do problema).

Método hermenêutico-concretizador

Este método foi criado por Konrad Hesse, segundo o qual a leitura da Constituição inicia-se pela pré-compreensão do seu sentido pelo intérprete, a quem cabe aplicar a norma para a resolução de uma situação concreta.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Valoriza

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Valoriza a atividade interpretativa e as circunstâncias nas quais esta se desenvolve, promovendo uma relação entre texto e contexto, transformando a interpretação em “movimento de ir e vir” (círculo hermenêutico). O método hermenêutico-concretizador diferencia-se do método tópico-problemático porque enquanto este pressupõe a primazia do problema sobre a norma, aquele se baseia na prevalência do texto constitucional sobre o problema.

Método tópico-problemático • Primazia do problema sobre a norma Método hermenêutico-concretizador • Primazia
Método tópico-problemático
• Primazia do problema sobre a norma
Método hermenêutico-concretizador
• Primazia da norma sobre o problema

Método integrativo ou científico-espiritual

Segundo este método, preconizado por Rudolf Smend, a interpretação da Constituição deve considerar a ordem ou o sistema de valores subjacentes ao texto constitucional. A Constituição deve ser interpretada como um todo, dentro da realidade do Estado.

Método normativo-estruturante

Este método considera que a norma jurídica é diferente do texto normativo: esta é mais ampla que aquele, pois resulta não só da atividade legislativa, mas igualmente da jurisdicional e da administrativa. Assim, para se interpretar a norma, deve-se utilizar tanto seu texto quanto a verificação de como se dá sua aplicação à realidade social. A norma seria o resultado da interpretação do texto.

Para auxiliar a entender o significado das normas constitucionais, a doutrina criou vários enunciados, os chamados princípios de interpretação constitucional. Esses princípios são aplicados facultativamente pelo intérprete, não tendo qualquer valor normativo. São eles:

O princípio da unidade da Constituição

Esse princípio determina que o texto da Constituição deve ser interpretado de forma a evitar contradições entre suas normas ou entre os princípios constitucionais. Assim, não há contradição verdadeira entre as normas constitucionais: o conflito entre estas é apenas aparente.

Segundo esse princípio, na interpretação deve-se considerar a Constituição como um todo, e não se interpretarem as normas de maneira isolada. Um exemplo de sua aplicação é a interpretação do aparente conflito entre o art. 61, §1º, II, “d” e o art. 128, §5º, da Constituição. Utilizando-se o

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 princípio

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

princípio da unidade da Constituição, percebe-se que não se trata de um conflito real (antinomia) entre as normas, mas de uma iniciativa legislativa concorrente do Procurador Geral da República e do Presidente da República para dispor sobre a organização do Ministério Público da União, do Distrito Federal e dos Territórios.

O STF aplica, em vários de seus julgados, o princípio da unidade da Constituição. Segundo a Corte, “os postulados que informam a teoria do ordenamento jurídico e lhe dão o substrato doutrinário assentam-se na premissa fundamental de que o sistema de direito positivo, além de caracterizar uma unidade institucional, constitui um complexo de normas que devem manter entre si um vínculo de essencial coerência (STF, RE 159.103- 0/SP, DJU de 4.8.1995)

Princípio

interpretação efetiva)

da

máxima

efetividade

(da

eficiência

ou

da

Esse princípio estabelece que o intérprete deve atribuir à norma constitucional o sentido que lhe dê maior efetividade social. Visa, portanto, a maximizar a norma, a fim de extrair dela todas as suas potencialidades. Sua utilização se dá principalmente na aplicação dos direitos fundamentais, embora possa ser usado na interpretação de todas as normas constitucionais.

Princípio da justeza ou da conformidade funcional ou, ainda, da correção funcional

Esse princípio determina que o órgão encarregado de interpretar a Constituição não pode chegar a uma conclusão que subverta o esquema organizatório-funcional estabelecido pelo constituinte. Assim, este órgão não poderia alterar, pela interpretação, as competências estabelecidas pela Constituição para a União, por exemplo.

Princípio da concordância prática ou da harmonização

Esse princípio impõe a harmonização dos bens jurídicos em caso de conflito entre eles, de modo a evitar o sacrifício total de uns em relação aos outros. É geralmente usado na solução de problemas referentes à colisão de direitos fundamentais. Assim, apesar de a Constituição, por exemplo, garantir a livre manifestação do pensamento (art. 5º, IV, CF/88), este direito não é absoluto. Ele encontra limites na proteção à vida privada (art. 5º, X, CF/88), outro direito protegido constitucionalmente.

Princípio do efeito integrador

Esse princípio busca que, na interpretação da Constituição, seja dada preferência às determinações que favoreçam a integração política e social e o reforço da unidade política.

Princípio da força normativa da Constituição

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Esse

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Esse princípio determina que toda norma jurídica precisa de um mínimo de eficácia, sob pena de não ser aplicada. Estabelece, portanto, que, na interpretação constitucional, deve-se dar preferência às soluções que possibilitem a atualização de suas normas, garantindo-lhes eficácia e permanência.

Para Konrad Hesse, seu idealizador, as normas jurídicas e a realidade devem ser consideradas em seu condicionamento recíproco. A norma constitucional não tem existência autônoma em face da realidade. Desse modo, a Constituição, para ser aplicável, deve ser conexa à realidade jurídica, social e política.

Aprofundando ainda mais no estudo do tema, trazemos a posição do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a manutenção de decisões divergentes da interpretação constitucional revela-se afrontosa à força normativa da Constituição e ao princípio da máxima efetividade da norma constitucional. Isso porque a postura atual do Supremo é a de valorizar cada vez mais suas decisões, com vistas a criar um ambiente de maior segurança jurídica. Visa-se, enfim, conferir maior uniformidade ás decisões do Judiciário brasileiro.

Interpretação conforme a Constituição

Esse princípio foi criado pela jurisprudência alemã, tendo como objetivo preservar as normas. Em vez de se declarar a norma inconstitucional, o Tribunal busca dar-lhe uma interpretação que a conduza à constitucionalidade.

Assim, no caso de normas com várias interpretações possíveis, deve-se priorizar aquela que lhes compatibilize o sentido com o conteúdo constitucional. A partir deste princípio, tem-se que a regra é a manutenção da validade da lei, e não a declaração de sua inconstitucionalidade. Isso desde que, obviamente, a interpretação dada à norma não contrarie sua literalidade ou sentido a fim de harmonizá-la com a Constituição.

Por seu caráter extremamente didático, reproduzimos julgado do STF em que se discorre sobre a técnica de interpretação conforme a Constituição:

“A interpretação conforme é uma técnica de eliminação de uma interpretação desconforme. O saque desse modo especial da interpretação não é feito para conformar um dispositivo subconstitucional aos termos da Constituição Positiva. Absolutamente! Ele é feito para descartar aquela particularizada interpretação que, incidindo sobre um dado texto normativo de menor hierarquia impositiva, torna esse texto desconforme à Constituição. Logo, trata-se de uma técnica de controle de constitucionalidade que só pode começar ali onde a interpretação do texto normativo inferior termina.” (STF, ADPF 54-QO, 27.04.2005).

Destaca-se que quando a norma só tem um sentido possível (sentido unívoco), não é possível a aplicação da interpretação conforme. Nesse caso, ou

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 a

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

a norma será declarada totalmente constitucional ou totalmente inconstitucional (STF, ADI 1.344-1/ES, DJ de 19.04.1996).

Outro ponto importante é que a interpretação conforme não pode deturpar o sentido originário das leis ou atos normativos. Não é possível ao intérprete “salvar” uma lei inconstitucional, dando-lhe uma significação “contra legem”. A interpretação conforme a Constituição tem como limite a razoabilidade, não podendo ser usada como ferramenta para tornar o juiz um legislador, ferindo o princípio da separação dos Poderes. Veja o que o Supremo decidiu a respeito:

“Por isso, se a única interpretação possível contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme a Constituição, que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo” (STF, Repr. 1.417-7, em 09.12.1987).

A interpretação conforme pode ser de dois tipos: com ou sem redução do

texto.

Interpretação conforme com redução do texto:

Nesse caso, a parte viciada é considerada inconstitucional, tendo sua eficácia suspensa. Como exemplo, tem-se que na ADI 1.127-8, o STF suspendeu liminarmente a expressão “ou desacato”, presente no art. 7 o , § 7 o , do Estatuto da OAB.

Interpretação conforme sem redução do texto:

Nesse caso, exclui-se ou se atribui à norma um sentido, de modo a torná-la compatível com a Constituição. Pode ser concessiva (quando se concede à noma uma interpretação que lhe preserve a constitucionalidade) ou excludente (quando se exclua uma interpretação que poderia torná-la inconstitucional).

uma interpretação que poderia torná-la inconstitucional). 5. (FCC/2010/Pref. Teresina) O "Princípio da Unidade da

5. (FCC/2010/Pref. Teresina) O "Princípio da Unidade da Constituição" permite ao intérprete dar coesão ao texto constitucional ao definir princípios como standards juridicamente relevantes, abertos, apartado das regras.

Comentários:

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 O

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

O Princípio da Unidade da Constituição não pretende apartar (separar) os princípios das regras. Pelo contrário: busca-se considerar a Constituição como um todo, para dar coesão ao texto constitucional. Questão incorreta.

6. (FCC/2010/TRE-AM) Com relação aos princípios interpretativos

das normas constitucionais, aquele segundo o qual a interpretação deve ser realizada de maneira a evitar contradições entre suas normas é denominado de:

a) Conformidade funcional.

b) Máxima efetividade.

c) Unidade da constituição.

d) Harmonização.

e) Força normativa da constituição.

Comentários:

O princípio segundo o qual a interpretação da constituição deve ser

realizada de maneira a evitar contradições entre suas normas é o da “unidade da constituição”. A letra C é o gabarito da questão.

7. (FCC/2010/Pref. Teresina) O "Princípio da Máxima Efetividade"

autoriza a alteração do conteúdo dos direitos fundamentais da norma com o fim de garantir o sentido que lhe dê a maior eficácia possível.

Comentários:

O enunciado da questão é absurdo! Não pode o princípio da máxima

efetividade alterar o conteúdo dos direitos fundamentais. Só o legislador pode

fazê-lo! Cabe ao princípio conferir à norma o sentido que lhe dê maior efetividade social, sem lhe modificar o conteúdo. Questão incorreta.

8. (FCC/2010/TRE-AC)

constitucionais, analise:

Sobre

a

interpretação

das

normas

I. O órgão encarregado de interpretar a Constituição não pode chegar a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório- funcional estabelecido pelo legislador constituinte.

II. O texto de uma Constituição deve ser interpretado de forma a evitar contradições (antinomias) entre suas normas, e sobretudo, entre os princípios constitucionais estabelecidos.

Os

referidos

princípios,

conforme

doutrina

denominados, respectivamente, como:

dominante,

são

a) Da força normativa e da justeza.

b) Do efeito integrador e da harmonização.

c) Da justeza e da unidade.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 d)

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

d) Da máxima efetividade e da unidade.

e) Do efeito integrador e da forma normativa.

Comentários:

O conceito I se refere ao princípio da justeza, que acabamos de ver, enquanto o II se refere ao da unidade da Constituição. Portanto, o gabarito é a letra C.

9. (FCC/2010/Pref. Teresina) O "Princípio da Concordância Prática"

indica que diante de um conflito entre bens constitucionalmente protegidos, deve-se optar por um deles em nome da coerência lógica e segurança jurídica.

Comentários:

Segundo o princípio da concordância prática, deve-se evitar o sacrifício de um bem constitucionalmente protegido em detrimento de outros, no caso de um conflito entre eles. O que se tem é uma harmonização entre esses bens, de modo que cada um “cede um pouco” e nenhum é sacrificado. Questão incorreta.

10. (FCC/2011/DPE-RS) No Direito Constitucional brasileiro fala-se

de uma certa relatividade dos direitos e garantias individuais e coletivos, bem como da possibilidade de haver conflito entre dois ou mais deles, oportunidade em que o intérprete deverá se utilizar do princípio da concordância prática ou da harmonização para coordenar e combinar os bens tutelados, evitando o sacrifício total de uns em relação aos outros, sempre visando ao verdadeiro significado do texto constitucional.

Comentários:

O enunciado está perfeito! Leia-o atentamente, para fixar bem o conceito

de princípio da harmonização! Questão correta.

11. (FCC/2010/Pref. Teresina) O "Princípio da Força Normativa da

Constituição" alude para a priorização de soluções hermenêuticas que possibilitem a atualização normativa e, ao mesmo tempo, edifique sua

eficácia e permanência.

Comentários:

O enunciado está perfeito. Questão correta.

12. (FCC/2010/Pref. de Teresina) O "Princípio da Interpretação

Conforme a Constituição" é uma diretriz para aplicação dos princípios constitucionais fundamentais que devem ser interpretados no sentido de chegar a uma integração política e social.

Comentários: Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00

Comentários:

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

É o princípio do efeito integrador que busca que, na interpretação da Constituição, seja dada preferência às determinações que favoreçam a integração política e social e o reforço da unidade política. Questão incorreta.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Poder

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Poder Constituinte

É hora de aprendermos tudo sobre Poder Constituinte. Vamos lá?

A teoria do poder constituinte foi criada por Sieyès, abade francês, no

século XVIII. Esta teoria, que se aplica somente aos Estados com Constituição escrita e rígida, distingue poder constituinte de poderes constituídos.

Poder constituinte é aquele que cria a Constituição, enquanto os constituídos são aqueles estabelecidos por ela, ou seja, são aqueles que resultam de sua criação. O titular do poder constituinte é o povo, pois só este pode determinar a criação ou modificação de uma Constituição. Sieyès rompeu, portanto, com teorias anteriores ao Iluminismo, que determinavam que a origem do poder era divina. Quanta coragem para um clérigo, não é mesmo?

O poder constituinte pode ser de dois tipos: originário ou derivado.

Poder constituinte originário (poder constituinte de primeiro grau ou genuíno) é o poder de criar uma nova Constituição. Apresenta cinco características que o distinguem do derivado: é político, inicial, incondicionado, permanente e ilimitado.

Político: dá origem ao ordenamento jurídico (é extrajurídico), não se deriva dele.

Inicial: dá início a uma nova ordem jurídica, rompendo com a anterior.

Incondicionado: não se sujeita a qualquer forma ou procedimento predeterminado em sua manifestação

Permanente: pode se manifestar a qualquer tempo, mesmo depois de elaborada uma Constituição.

Ilimitado ou autônomo: não se submete a limites determinados pelo direito anterior. Pode mudar completamente a estrutura do Estado ou os direitos dos cidadãos, por exemplo, sem ter sua validade contestada com base no ordenamento jurídico anterior.

Embora o povo seja o titular do poder constituinte, seu exercício nem sempre é democrático. Muitas vezes, a Constituição é criada por ditadores ou grupos que conquistam o poder autocraticamente.

Assim, diz-se que a forma do exercício do poder constituinte pode ser democrática ou por convenção (quando se dá pelo povo) ou autocrática ou por outorga (quando se dá pela ação de usurpadores do poder). Note que em ambas as formas a titularidade do poder constituinte é do povo, o que muda é a forma de exercício deste poder!

A forma democrática de exercício pode se dar tanto diretamente quanto

indiretamente. Na primeira, o povo participa diretamente do processo de elaboração da Constituição, por meio de plebiscito, referendo ou proposta de criação de determinados dispositivos constitucionais. Na segunda, mais

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 frequente,

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

frequente, a participação popular se dá indiretamente, por meio de assembleia constituinte, composta por representantes eleitos pelo povo.

No que se refere à Assembleia Constituinte, esta é considerada soberana

quando tem o poder de elaborar e promulgar, sem consulta ou ratificação popular, uma constituição. Isso se dá por ela representar a vontade do povo.

Por isso mesmo, seu poder independe de consulta ou ratificação popular.

Diz-se, ainda, que ela é exclusiva quando é composta por pessoas que não pertençam a qualquer partido político. Seus representantes seriam professores, cientistas políticos e estudiosos do Direito, que representariam a nação.

A Assembleia Constituinte de 1988 era soberana, mas não exclusiva. Guarde isso!

Trataremos, agora, da segunda forma de Poder Constituinte: o Derivado.

O Poder constituinte derivado (poder constituinte de segundo grau) é o poder de modificar a Constituição Federal bem como de elaborar as Constituições Estaduais. É fruto do poder constituinte originário, estando previsto na própria Constituição. Tem como características ser jurídico, derivado, limitado (ou subordinado) e condicionado.

Jurídico: é regulado pela Constituição, estando, portanto, previsto no ordenamento jurídico vigente.

Derivado: é fruto do poder constituinte originário

Limitado ou subordinado: é limitado pela Constituição, não podendo desrespeitá-la, sob pena de inconstitucionalidade.

Condicionado: a forma de seu exercício é determinada pela Constituição. Assim, a aprovação de emendas constitucionais, por exemplo, deve obedecer ao procedimento estabelecido no artigo 60 da Constituição Federal (CF/88)

O poder constituinte derivado subdivide-se em poder constituinte

reformador e poder constituinte decorrente. O primeiro consiste no poder de modificar a Constituição. Já o segundo é aquele que a CF/88 confere aos Estados de se auto-organizarem, por meio da elaboração de suas próprias Constituições. Ambos devem respeitar as limitações e condições impostas pela Constituição Federal.

Uma informação adicional faz-se necessária para sua prova. Em nosso mundo globalizado, fala-se hoje em um poder constituinte supranacional. Atualmente, tal modalidade de poder constituinte existe na União Europeia, onde vários Estados abriram mão de parte de sua soberania em prol de um poder central. É a manifestação máxima daquilo que se chama direito comunitário, reconhecido como hierarquicamente superior aos direitos internos de cada Estado.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 13.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 13. (FCC/2011/DPE-RS) O Poder

13. (FCC/2011/DPE-RS) O Poder Constituinte genuíno estabelece a

Constituição de um novo Estado, organizando-o e criando os poderes que o regerão.

Comentários:

Com certeza! Por isso mesmo, ele é inicial. Questão correta.

14. (FCC/2011/DPE-RS) Existe Poder Constituinte na elaboração de

qualquer Constituição, seja ela a primeira Constituição de um país, seja na elaboração de qualquer Constituição posterior.

Comentários:

De fato, sempre que uma Constituição é elaborada, isso ocorre por meio de um Poder Constituinte. Isso se aplica, inclusive, às Constituições dos Estados-membros. Questão correta.

15. (FCC/ 2009/ TRT 16ª Região) Em tema de Poder Constituinte

Originário, é INCORRETO afirmar que:

a)

vigente, sob pena de inconstitucionalidade.

b) É incondicionado, porque não tem ele que seguir qualquer procedimento

determinado para realizar sua obra de constitucionalização.

c) É autônomo, pois não está sujeito a qualquer limitação ou forma

prefixada para manifestar sua vontade.

É limitado pelas normas expressas e implícitas do texto constitucional

d) Caracteriza-se por ser ilimitado, autônomo e incondicionado.

e) Se diz inicial, pois seu objeto final - a Constituição, é a base da ordem

jurídica.

Comentários:

A letra A é incorreta, sendo o gabarito da questão. Lembre-se de que o

poder constituinte originário é ilimitado, não se submete às normas da constituição anterior ao seu exercício. Todas as demais letras estão corretas, leia-as com atenção, para fixar bem o que aprendeu!

16. (FCC/2009/ Especialista em Políticas Públicas-SP) O Poder

Constituinte denominado originário somente se manifesta por meio de Assembleia Constituinte, eleita de acordo com os princípios democráticos.

Comentários: Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00

Comentários:

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Como vimos, nem sempre o exercício do Poder Constituinte originário é democrático. Questão incorreta.

17. (FCC/2011/DPE-RS) O Poder Constituinte derivado decorre de

uma regra jurídica constitucional, é ilimitado, subordinado e condicionado.

Comentários:

O Poder Constituinte derivado é, de fato, subordinado e condicionado,

decorrendo de uma regra jurídica constitucional. Entretanto, diferentemente do

que diz o enunciado, ele é limitado. Questão incorreta.

18. (FCC/2011/TRE-PE)

Poder

Constituinte

derivado

decorrente

consiste no estabelecimento da primeira Constituição de um novo país.

Comentários:

Compete

ao

poder

constituinte

originário

estabelecer

a

primeira

Constituição de um novo país. Questão incorreta.

19. (FCC/2011/TRE-PE) O Poder Constituinte derivado decorrente

consiste na possibilidade dos Estados membros de se auto organizarem através de suas Constituições Estaduais próprias, respeitando as regras limitativas da Constituição Federal.

Comentários:

É esse o conceito de poder constituinte derivado decorrente. Questão

correta.

20. (FCC/2010/TCE-RO) O Poder Constituinte Reformador, no Brasil,

é fundamento de validade para que os Estados- Membros da Federação

promulguem Constituições próprias com a aprovação das respectivas Assembleias Legislativas.

Comentários:

O fundamento para que os Estados-membros elaborem suas próprias

Constituições é o poder constituinte derivado decorrente. Questão incorreta.

21. (FCC/2010/TRE-RS) Em matéria de Poder Constituinte analise:

I. O poder que a Constituição da República Federativa do Brasil vigente atribui aos estados-membros para se auto organizarem, por meio da elaboração de suas próprias Constituições.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 II.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

II. O poder que tem como característica, dentre outras, a de ser ilimitado, autônomo e incondicionado.

Esses poderes dizem respeito, respectivamente, às espécies de poder constituinte:

a) decorrente e originário.

b) derivado e reformador.

c) reformador e revisor.

d) originário e revisor.

e) decorrente e derivado.

Comentários:

O item I traz o conceito de poder constituinte derivado decorrente, enquanto o II traduz o conceito de poder constituinte originário. A letra A é o gabarito da questão.

22. (FCC/2010/Metrô) O Poder Constituinte, que consiste na possibilidade que os Estados-membros têm, em virtude de sua autonomia político-administrativa, de se auto-organizarem por meio de suas respectivas constituições estaduais, sempre respeitando as regras limitativas estabelecidas pela Constituição Federal, é classificado por:

a) ilimitado.

b) derivado reformador.

c) originário.

d) derivado decorrente.

e) Inicial.

Comentários:

O enunciado traz o conceito de poder constituinte derivado decorrente. A letra D é o gabarito da questão.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 O

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

O Preâmbulo da Constituição

O preâmbulo é o prefácio da Constituição, ou seja, é o texto que precede seus artigos. Na Constituição de 1988, seu texto é o que se segue:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil.

O preâmbulo serve para definir as intenções do legislador constituinte, proclamando os princípios da nova constituição e rompendo com a ordem jurídica anterior. Sua função é servir de elemento de integração dos artigos que lhe seguem, bem como orientar a sua interpretação.

Apesar desse importante papel, o preâmbulo não tem função normativa. Segundo o Supremo Tribunal Federal, ele não é norma constitucional. Portanto, não serve de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade e não estabelece limites para o Poder Constituinte Derivado, seja ele Reformador ou Decorrente. Por isso, o STF entende que suas disposições não são de reprodução obrigatória pelas Constituições Estaduais.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Princípios

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil

Antes de tratarmos dos princípios fundamentais, é necessário que compreendamos dois conceitos: o de regras e o de princípios.

As regras e os princípios são espécies de normas constitucionais. As primeiras são mais concretas, servindo para definir condutas. Já os segundos são mais abstratos. Não definem condutas, mas sim diretrizes para que se alcance a máxima concretização da norma. Por esse motivo, as regras não admitem o cumprimento ou o descumprimento parcial, mas apenas total, enquanto os princípios podem ser cumpridos apenas parcialmente.

Desse modo, quando duas regras entram em conflito, cabe ao aplicador do direito determinar qual delas foi suprimida pela outra. Já no caso de colisão entre princípios, o conflito é apenas aparente, ou seja, um não será excluído pelo outro. Assim, apesar de a Constituição, por exemplo, garantir a livre manifestação do pensamento (art. 5º, IV, CF/88), este direito não é absoluto. Ele encontra limites na proteção à vida privada (art. 5º, X, CF/88), outro direito protegido constitucionalmente.

Os princípios fundamentais são as características essenciais de um Estado. Representam os valores que orientaram o constituinte na elaboração da Constituição, suas escolhas políticas fundamentais. Segundo Canotilho, são os princípios constitucionais politicamente conformadores do Estado, que explicitam as valorações políticas fundamentais do legislador constituinte, revelando as concepções políticas triunfantes numa Assembleia Constituinte, constituindo-se, assim, no cerne político de uma Constituição política 6 .

Na Constituição Federal, estão dispostos no Título I, composto por quatro artigos. Iniciemos seu estudo pelo art. 1º da CF/88:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como

fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o pluralismo político.

6 CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição, p. 1091-92.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Parágrafo

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

No “caput”, observa-se que a forma de estado adotada pelo Brasil é a federação. Dá-se o nome de Federação ou Estado federal a um Estado composto por diversas entidades territoriais autônomas, dotadas de governo próprio. Por autonomia compreende-se um conjunto de competências ou prerrogativas garantidas pela Constituição que não podem ser abolidas ou alteradas de modo unilateral pelo governo central. A palavra federação vem de “foedus, foederis” e significa aliança, pacto, união.

Do ”caput”, depreende-se, ainda, que a Federação brasileira é composta por União, estados-membros, Distrito Federal e Municípios. Todos são pessoas jurídicas de direito público, com vínculo indissolúvel (não há direito de secessão em nosso ordenamento jurídico). Na CF/88 os Municípios foram incluídos, pela primeira vez, como entidades federativas. Observe que os Territórios não fazem parte da Federação. Por isso, nosso federalismo é de terceiro grau: temos uma federação composta por União, Estados e Municípios. Em outros Estados, o federalismo é de segundo grau, composto apenas pelas esferas federal e estadual.

O Estado federal, segundo a doutrina, apresenta duas características:

autonomia e participação. A autonomia traduz-se na possibilidade de os Estados e Municípios terem sua própria estrutura governamental e competências, distintas daquelas da União. A participação, por sua vez, consiste em dar aos Estados a possibilidade de interferir na formação das leis. Ela é garantida, em nosso ordenamento jurídico, pelo Senado, órgão legislativo que representa os Estados.

Entretanto, autonomia difere de soberania. No Brasil, apenas a República Federativa do Brasil (RFB) é considerada soberana, inclusive para fins de direito internacional. Só ela possui personalidade internacional. Os Estados federados são reconhecidos pelo direito internacional apenas na medida em que o a RFB autoriza.

Isso porque na Federação os entes reunidos, apesar de não perderem suas personalidades jurídicas, abrem mão de algumas prerrogativas, em benefício do todo (Estado Federal). Dessas, a principal é a soberania. Apenas o Estado Federal (no Brasil, a RFB) é soberano para o Direito Internacional. Os membros da Federação são apenas autônomos para o Direito interno.

A federação pressupõe um território, dentro do qual o Estado federal exerce a soberania e a descentralização política dentro desse mesmo território. Isso significa que os membros da federação têm capacidade política assegurada pela Constituição.

Além disso, pressupõe a existência de uma entidade central e de várias parciais, dotadas de capacidade política concedida diretamente pela

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Constituição.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Constituição. Essa capacidade implica a possibilidade de produção de normas de sua competência.

No Brasil, a União, os Estados-membros e os Municípios, todos igualmente autônomos, têm o mesmo “status” hierárquico, recebendo tratamento jurídico isonômico. O governo de qualquer um deles não pode determinar o que o governo do outro pode ou não fazer. Cada um exerce suas competências dentro dos limites reservados pela Constituição.

tem, ainda, como característica, a

indissolubilidade. Os entes federativos não têm direito a secessão (art. 1º, “caput”, CF). Além disso, é cláusula pétrea (art. 60, § 4º, I, CF), não podendo sofrer emenda tendente a aboli-la.

A

federação

brasileira

Nossa federação também tem como característica ter resultado de um movimento centrífugo, sendo formada por segregação. Isso porque no Brasil o Estado era centralizado, tendo se desmembrado para a formação dos Estados- membros. Já nos Estados Unidos, por exemplo, os Estados se agregaram, num movimento centrípeto, para formar o Estado federal.

Outra característica de nosso federalismo é que ele é cooperativo. A repartição de competências entre os entes da federação se dá de forma que todos eles contribuam para que o Estado alcance seus objetivos. Algumas competências são comuns a todos, havendo, ainda, a colaboração técnica e financeira entre eles para a prestação de alguns serviços públicos, bem como repartição das receitas tributárias.

Voltando à análise do texto constitucional, outra informação importante trazida pelo “caput” do art. 1º da CF/88 é que a forma de governo do Brasil é a república. Entende-se por forma de governo o modo como se dá a instituição do poder na sociedade e a relação entre governantes e governados.

São características da República: caráter eletivo, representativo e transitório dos detentores do poder político e responsabilidade dos governantes. Os governantes, na República, são eleitos pelo povo, o que vincula essa forma de governo à democracia. Além disso, na República, o governo é limitado e responsável, surgindo a ideia de responsabilidade da Administração Pública. Finalmente, o caráter transitório dos detentores do poder político é inerente ao governo republicano, sendo ressaltada, por exemplo, no art. 60, §4º da CF/88, que impede que seja objeto de deliberação a proposta de emenda constitucional tendente a abolir o “voto direto, secreto, universal e periódico”.

Outra importante característica da República é que ela é fundada na igualdade formal das pessoas. Nessa forma de governo é intolerável a discriminação, sendo todos formalmente iguais, ou seja, iguais perante o Direito.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 No

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

No art. 1º, “caput”, CF/88, determina-se ainda que o regime político do Brasil é o democrático. A expressão “Estado Democrático de Direito” não implica uma mera reunião dos princípios do Estado de Direito e do Estado Democrático, uma vez que os supera, trazendo em si um conceito novo.

Trata-se, na verdade, da garantia de uma sociedade pluralista, em que todas as pessoas se submetem às leis e ao Direito, que, por sua vez, são criados pelo povo, por meio de seus representantes. A lei e o Direito, nesse Estado, visam a garantir o respeito aos direitos fundamentais, assegurando a todos uma igualdade material, ou seja, condições materiais mínimas a uma existência digna. Nos dizeres de Dirley da Cunha Jr, “o Estado Democrático de Direito, portanto, é o Estado Constitucional submetido à Constituição e aos valores humanos nela consagrados 7 ”.

Regime Político = Democrático Forma de Forma de Governo = Estado = República Federação
Regime
Político =
Democrático
Forma de
Forma de
Governo =
Estado =
República
Federação

O princípio democrático é reforçado pelo parágrafo único do art.1º da Constituição Federal. Por ele conclui-se que em nosso Estado vigora a democracia semidireta ou participativa. Nela há uma combinação de representação política com formas de democracia direta plebiscito, referendo e iniciativa popular.

“Qual a diferença entre plebiscito e referendo, Nádia?” É simples: o plebiscito é convocado antes da criação da norma (ato legislativo ou administrativo) para que os cidadãos, por meio do voto, aprovem ou não a questão que lhes foi submetida. Já o referendo é convocado após a edição da norma, devendo esta ser ratificada pelos cidadãos para ter validade.

Nos incisos do art. 1º da Carta Magna estão expressos os fundamentos da República Federativa do Brasil, que são os pilares, a base de nosso ordenamento jurídico. Eles formam a famosa sigla “SOCIDIVAPLU”, usada

7 Dirley da Cunha Jr. Curso de Direito Constitucional, 6ª edição, p. 543.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 pelos

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

pelos concurseiros para decorá-los: soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e pluralismo político.

Dignidade da pessoa humana

pluralismo político. Dignidade da pessoa h u m a n a Cidadania Valores sociais do trabalho

Cidadania

Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa

SOCIDIVAPLU
SOCIDIVAPLU

Soberania

Pluralismo

político

iniciativa SOCIDIVAPLU Soberania Pluralismo político A soberania é um poder supremo e independente. Supremo na
iniciativa SOCIDIVAPLU Soberania Pluralismo político A soberania é um poder supremo e independente. Supremo na

A soberania é um poder supremo e independente. Supremo na ordem interna, por ser o Estado brasileiro é superior a todas as outras pessoas no âmbito interno: as normas e decisões elaboradas pelo Estado prevalecem sobre as emanadas de grupos sociais intermediários como família, escola e igreja, por exemplo. E independente na ordem externa, em que é igual aos poderes soberanos dos demais Estados no âmbito internacional. Como você verá adiante, a igualdade entre os Estados é um dos princípios adotados pela República Federativa do Brasil em suas relações internacionais (art. 4º, V,

CF/88).

Já a cidadania exige que o Poder Público incentive a participação popular nas decisões políticas do Estado. Nesse sentido, está intimamente ligada ao conceito de democracia, pois supõe que o cidadão se sinta responsável pela construção de seu Estado, pelo bom funcionamento das instituições. Veja como isso foi cobrado em prova:

23. (FCC/2012/TRT 6ª Região) O voto é uma das principais armas

da Democracia, pois permite ao povo escolher os responsáveis pela condução das decisões políticas de um Estado. Quem faz mau uso do voto deixa de zelar pela boa condução da política e põe em risco seus próprios direitos e deveres, o que afeta a essência do Estado Democrático de Direito. Dentre os fundamentos da República Federativa do Brasil, expressamente previstos na Constituição, aquele que mais adequadamente se relaciona à ideia acima exposta é a:

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 a)

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

a) soberania.

b) prevalência dos direitos humanos.

c) cidadania.

d) independência nacional.

e) dignidade da pessoa humana.

Comentários:

Os fundamentos da República Federativa do Brasil (RFB) são: soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e pluralismo político. Apenas com essa informação, já era possível eliminar as alternativas B e D, que são princípios que regem a RFB em suas relações internacionais, assunto que estudaremos mais adiante, nesta aula.

Como vimos, é a cidadania o fundamento que exige a participação popular nas decisões políticas do Estado. A letra C é o gabarito da questão.

Na Constituição federal de 1988, a dignidade da pessoa humana é a base de todos os direitos fundamentais. Coloca o ser humano a uma preocupação central para o Estado brasileiro. Determina que a pessoa humana deve ser tratada como um fim em si mesma, e não como meio para se obter um resultado.

Trata-se de uma limitação ao poder do Estado, que não tem a possibilidade de impor restrições à consciência humana. Mas não é, por isso, apenas uma liberdade negativa (ausência de constrangimento pelo Estado). É, também, liberdade positiva, ou seja, de não sofrer impedimentos econômicos, sociais ou políticos que obstem a plena realização da personalidade humana.

Segundo o STF, a dignidade da pessoa humana é princípio supremo, “significativo vetor interpretativo, verdadeiro valor-fonte que conforma e inspira todo o ordenamento constitucional vigente em nosso País e que traduz, de modo expressivo, um dos fundamentos em que se assenta, entre nós, a ordem republicana e democrática consagrada pelo sistema de direito constitucional positivo. 8

Por isso, com base nesse princípio, a Corte decidiu “assistir, a qualquer pessoa, o direito fundamental à orientação sexual, havendo proclamado, por isso mesmo, a plena legitimidade ético-jurídica da união homoafetiva como entidade familiar, atribuindo-lhe, em consequência, verdadeiro estatuto de cidadania, em ordem a permitir que se extraiam, em favor de parceiros homossexuais, relevantes consequências no plano do Direito, notadamente no campo previdenciário, e, também, na esfera das relações sociais e familiares”. Considerou que “a extensão, às uniões homoafetivas, do mesmo regime jurídico aplicável à união estável entre pessoas de gênero distinto justifica- se e legitima-se pela direta incidência, dentre outros, dos princípios

8 STF, HC 85.237, Rel. Min. Celso de Mello, j. 17.03.05, DJ de 29.04.05.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 constitucionais

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

constitucionais da igualdade, da liberdade, da dignidade, da segurança jurídica e do postulado constitucional implícito que consagra o direito à busca da felicidade, os quais configuram, numa estrita dimensão que privilegia o sentido de inclusão decorrente da própria Constituição da República (art. 1º, III, e art. 3º, IV), fundamentos autônomos e suficientes aptos a conferir suporte legitimador à qualificação das conjugalidades entre pessoas do mesmo sexo como espécie do gênero entidade familiar9 . Além disso, entendeu ser impossível a coação do pai no sentido da realização do exame de DNA 10 .

Voltando à análise dos fundamentos da República Federativa do Brasil, a elevação dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa a essa condição visa a determinar que nosso Estado é capitalista, e, simultaneamente, demonstrar que o trabalho tem um valor social. Observe que o art. 170 da CF/88 reforça esse fundamento, ao determinar que “a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social”.

Finalmente, o Estado brasileiro tem como fundamento o pluralismo político. Esse princípio visa a garantir a inclusão dos diferentes grupos sociais no processo político nacional.

diferentes grupos sociais no processo político nacional. 24. (FCC/2011/DPE-RS) São fundamentos da República

24. (FCC/2011/DPE-RS) São fundamentos da República Federativa do Brasil a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, a livre concorrência, o voto direto e secreto e o pluralismo político.

Comentários:

São fundamentos da República Federativa do Brasil:

9 RE 477554 MG, DJe-164 DIVULG 25-08-2011 PUBLIC 26-08-2011 EMENT VOL-02574-02 PP-00287.

10 STF, Pleno, HC 71.373/RS, rel. Min. Francisco Rezek, Diário da Justiça, Seção I, 22.11.1996.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 SOBERANIA

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

SOBERANIA CIDADANIA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA LIVRE INICIATIVA PLURALISMO
SOBERANIA
CIDADANIA
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA
LIVRE INICIATIVA
PLURALISMO POLÍTICO
SOCIDIVAPLU

Questão incorreta.

25. (FCC/2010/Assembleia Legislativa SP) Constitui um dos

fundamentos da República Federativa do Brasil, de acordo com a Constituição Federal de 1988,

a)

A garantia do desenvolvimento nacional.

b)

A não intervenção.

c)

A defesa da paz.

d)

A igualdade entre os Estados.

e)

O

pluralismo político.

Comentários:

Dentre as alternativas, apenas o pluralismo político é fundamento da RFB (art. 1º, V, CF). A letra E é o gabarito da questão.

26. (FCC/2009/Analista

Federativa do Brasil tem como fundamento o pluralismo político.

Judiciário/Taquigrafia).

A

República

Comentários:

O pluralismo político é um dos fundamentos da República Federativa do

Brasil. Não há nem o que comentar! Pura “decoreba”. Questão correta.

27. (FCC/2009/Analista Judiciário/Taquigrafia). Todo o poder emana

do Congresso Nacional, que o exerce por meio de representantes

eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição Federal.

Comentários: Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00

Comentários:

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Juro que essa questão me fez dar um sorrisinho, de tão fácil que é. Todo poder emana do POVO! É o que diz o parágrafo único do art.1º da CF/88. Questão incorreta.

28. (FCC/2009/TRT 3ª Região/Juiz Substituto) Na forma de redação

do texto constitucional, a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,

constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como princípios fundamentais, exceto:

a) A soberania

b) A cidadania

c) A dignidade da pessoa humana

d) Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa

e) A saúde e a segurança

Comentários:

Difícil acreditar que uma questão fácil dessas foi cobrada num

concurso de Juiz! Entretanto, devemos nos lembrar que todos os concursos têm questões fáceis, médias e difíceis. Isso também ocorrerá na sua prova, com certeza.

Eu sei

Vamos ao comentário? Os fundamentos da RFB são aqueles do art. 1º da Constituição, que formam “SOCIDIVAPLU”. A questão é tão fácil que nem trocou a ordem em que eles aparecem na Lei Maior. Apenas substituiu o pluralismo político (o último dos fundamentos) por saúde e segurança. O gabarito é a letra E.

29. (FCC/2009/TCE-TO) A República Federativa do Brasil é formada

pela união indissolúvel dos Estados, Municípios e Distrito Federal.

Comentários:

Literalidade do “caput” do art. 1 O da CF/88. Questão correta.

30. (FCC/2009/TCE-TO) Todo o poder emana do povo, que o exerce

por meio de representantes ou diretamente, nos termos da Constituição.

Comentários:

Literalidade do parágrafo único do art. 1 O da CF/88. Questão correta.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 A

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

A Harmonia e a Independência entre os Poderes

Antes

de

falarmos

do

art.

da

apresentarmos o conceito de poder político.

Constituição,

faz-se

necessário

soberano. Esse fato é

expresso no art. 1º, parágrafo único, da CF/88, segundo o qual “todo poder

emana do povo”.

O poder político,

do

qual o

povo

é titular,

é

São características do poder político:

Unicidade: trata-se de um poder uno e indivisível. Isso significa que não

se permitem conflitos ou fracionamentos, apenas se considera o real interesse do povo.

Titularidade do povo: é o povo o titular da soberania. O conceito de povo

abrange todos os indivíduos vinculados ao Estado por meio da nacionalidade

ou da cidadania. É importante não confundir esse conceito com o de população, que compreende todas as pessoas presentes no território do Estado num determinado momento, inclusive estrangeiros e apátridas.

Imprescritibilidade: trata-se de um poder permanente, que não se

extingue com o tempo.

Indelegabilidade: o titular do poder político (povo) não pode abrir mão dele. Mesmo quando há representantes, este age em seu nome.

Uma vez entendido o conceito de poder político, passemos à análise do art. 2º da CF/88?

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário

Esse artigo trata da teoria da tripartição dos Poderes, que surgiu com a publicação de “A Política”, por Aristóteles e foi, posteriormente, trabalhada por Monstesquieu na obra “O Espírito das Leis”.

Veja que ele fala em harmonia e independência entre os Poderes. A primeira significa cooperação, colaboração entre os Poderes. Visa a garantir que estes expressem uniformemente a vontade da União. Já a segunda traduz- se na ausência de subordinação de um Poder a outro. Todos eles têm, portanto, a mesma hierarquia.

Nossa Constituição adotou a separação de Poderes flexível. Isso significa que eles não exercem exclusivamente suas funções típicas, mas também outras, denominadas atípicas. Um exemplo disso é o exercício da função administrativa típica do Executivo pelo Judiciário e pelo Legislativo, quando dispõem sobre sua organização interna e sobre seus servidores, nomeando-os ou exonerando-os.

A independência entre os Poderes é limitada pelo sistema de freios e contrapesos, de origem norte-americana. Esse sistema prevê a interferência

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Poder

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Poder sobre o outro, nos limites estabelecidos

constitucionalmente. É o que acontece, por exemplo, quando o Congresso Nacional (Poder Legislativo) fiscaliza os atos do Poder Executivo (art. 49, X,

legítima de um

CF/88).

atos do Poder Executivo (art. 49, X, legítima de um CF/88). Segundo o STF, os mecanismos

Segundo o STF, os mecanismos de freios e contrapesos estão previstos na Constituição Federal, sendo vedado à Constituição Estadual criar outras formas de interferência de um Poder sobre o outro (ADI 3046). Além disso, a Corte considera inconstitucional, por ofensa ao princípio da independência e harmonia entre os Poderes, norma que subordina acordos, convênios, contratos e atos de Secretários de Estado à aprovação da Assembleia Legislativa (ADI 476).

Por fim, é importante destacar que, tendo em vista a teoria sobre o poder político, entendemos que, apesar de a Constituição falar em três Poderes, na verdade ela se refere a funções distintas de um mesmo Poder: a legislativa, a executiva e a judiciária. Isso porque o poder político, como vimos, é uno e indivisível.

porque o poder político, como vimos, é uno e indivisível. 31. (FCC/2010/Assembleia Legislativa de São Paulo)

31. (FCC/2010/Assembleia Legislativa de São Paulo) São Poderes da

União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo, o Judiciário e o Ministério Público.

Comentários:

O Ministério Público não é um dos três Poderes da União. Questão incorreta.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Objetivos

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil

Que tal analisarmos o art. 3º da Carta Magna?

Art.

Constituem

Federativa do Brasil:

objetivos

fundamentais

da

República

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

A promoção do bem de todos, sem preconceitos, alçada pela Carta Magna à condição de objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, consagra a igualdade formal como um dos objetivos da República Federativa do Brasil. Um exemplo de sua aplicação é a reserva de vagas nas Universidades Federais, a serem ocupadas exclusivamente por alunos egressos de escolas públicas. Busca-se tornar o sistema educacional mais justo, mais igual. Não se trata de preconceito, mas de uma ação afirmativa do Estado.

Elucidando esse conceito, o STF dispôs que “ações afirmativas são medidas especiais tomadas com o objetivo de assegurar progresso adequado de certos grupos raciais, sociais ou étnicos ou indivíduos que necessitem de proteção, e que possam ser necessárias e úteis para proporcionar a tais grupos ou indivíduos igual gozo ou exercício de direitos humanos e liberdades fundamentais, contanto que, tais medidas não conduzam, em consequência, à manutenção de direitos separados para diferentes grupos raciais, e não prossigam após terem sido alcançados os seus objetivos” (REsp 1132476/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/10/2009, DJe 21/10/2009)

Como se lembrar do rol de objetivos da República Federativa do Brasil, uma vez que o art. 3º da CF/88 costuma ser cobrado em sua literalidade? Leia-o e releia-o até decorá-lo! Para ajudá-lo na memorização do mesmo, peço que preste atenção nos verbos, sempre no infinitivo: construir, garantir, erradicar e promover.

Calma, o curso não descambou para o Português! É que apenas com essa observação, você poderá resolver a questão de sua prova, mesmo se não se lembrar de nada que esteja escrito no art. 3º, CF/88.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Outra

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Outra dica é que esses verbos formam a sigla “Conga Erra Pro”, que serve de memorização. Pense em um rapaz, de apelido CONGA, que tem como OBJETIVO não ERRAr na PROva:

CONSTRUIR UMA SOCIEDADE LIVRE, JUSTA E SOLIDÁRIA GARANTIR O DESENVOLVIMENTO NACIONAL ERRADICAR A POBREZA E
CONSTRUIR UMA SOCIEDADE LIVRE, JUSTA E
SOLIDÁRIA
GARANTIR O DESENVOLVIMENTO NACIONAL
ERRADICAR A POBREZA E A MARGINALIZAÇÃO E
REDUZIR AS DESIGUALDADES SOCIAIS E REGIONAIS
PROMOVER O BEM DE TODOS, SEM PRECONCEITOS DE
ORIGEM, RAÇA, SEXO, COR, IDADE E QUAISQUER
OUTRAS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO
OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DA
RFB (“CONGA ERRA PRO”)
OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DA RFB (“CONGA ERRA PRO”) 32. (FCC/2011/DPE-RS) São objetivos fundamentais da

32. (FCC/2011/DPE-RS) São objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil previstos e assim descritos no artigo 3º da Constituição Federal, construir uma sociedade livre, justa e pluralista, garantir o desenvolvimento regional, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e locais, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Comentários:

São objetivos fundamentais da RFB: construir uma sociedade livre, justa

e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a

marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais e, finalmente, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade

e quaisquer outras formas de discriminação. Os grifos destacam as palavras

que foram substituídas pelo examinador, gerando o erro. Questão incorreta.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 33.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

33. (FCC/2009/Analista Judiciário/Taquigrafia). Constitui objetivo

fundamental da República Federativa do Brasil erradicar a pobreza e a

marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.

Comentários:

Viu como o inciso III do art. 2º da CF/88 foi cobrado em sua literalidade?

O tema poderá aparecer assim na sua prova. Questão correta.

34. (FCC/2011/TRT 14a Região) NÃO constitui objetivo fundamental

da República Federativa do Brasil, previsto expressamente na

Constituição Federal,

a)

construir uma sociedade livre, justa e solidária.

b)

garantir o desenvolvimento nacional.

c)

erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais

e

regionais.

d)

captar tributos mediante fiscalização da Receita Federal.

e)

promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,

idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Comentários:

Como Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil, eu bem que gostaria que a letra D fosse um dos objetivos fundamentais da RFB! Brincadeiras à parte, a letra D está incorreta. Todas as demais alternativas estão arroladas no art. 3 O da CF/88.

35. (FCC/2009/TCE-TO) Constituem objetivos fundamentais da

República Federativa do Brasil, dentre outros, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a garantia do desenvolvimento nacional.

Comentários:

Veja como o examinador é malandro: retirou os verbos do infinitivo só para complicar sua vida. Ainda bem que você é mais esperto ainda e não caiu no “peguinha”. Questão correta.

36. (FCC/2010/Assembleia Legislativa de São Paulo) Constitui

objetivo fundamental da República Federativa do Brasil erradicar as

desigualdades econômicas, sociais e culturais.

Comentários:

É objetivo da RFB reduzir (e não erradicar!) as desigualdades sociais e regionais. Isso não se estende às desigualdades econômicas e culturais, como diz, erroneamente, o enunciado. Questão incorreta.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Princípios

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Princípios que Regem a República Federativa do Brasil em suas Relações Internacionais

Já que estamos “craques” no art. 3º, que tal estudarmos, agora, o art. 4º da CF?

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

I - independência nacional;

II - prevalência dos direitos humanos;

III - autodeterminação dos povos;

IV - não-intervenção;

V - igualdade entre os Estados;

VI - defesa da paz;

VII - solução pacífica dos conflitos;

VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX

humanidade;

cooperação

-

entre

os

povos

para

X - concessão de asilo político.

o

progresso

da

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

Como costuma ser cobrado esse artigo? Geralmente o examinador tenta confundir esses princípios com os objetivos expostos no art. 3º e os princípios fundamentais da RFB, apresentados no art. 1º da Carta Magna

O legislador constituinte se inspirou na Carta da ONU, assinada em 1945, ao escrever o art. 4º da CF/88. Naquela Carta, expressou-se o maior sentimento da humanidade após o início da II Guerra Mundial: busca da paz. Em nossa Constituição, tal sentimento foi registrado nos incisos III, IV, VI, VII e IX. Observe que nela determina-se que a RFB buscará a autodeterminação dos povos, ou seja, respeitar a sua soberania, não intervindo em suas decisões. Isso porque defende a paz e, para tal, a solução pacífica dos conflitos, assumindo que as relações entre os povos deve ser de cooperação.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Uma

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Uma das consequências da II Guerra Mundial foi a independência das colônias. Percebeu-se que, para haver paz, é necessário independência nacional, ou seja, ter sua soberania respeitada pelas outras nações. Além disso, verificou-se que a paz somente é possível com a igualdade entre os Estados, pois a existência de colônias e as sanções impostas à Alemanha após a Primeira Guerra Mundial foram as principais causas para a eclosão da Segunda. A igualdade entre os Estados é uma contrapartida à independência nacional: é o compromisso de que uns respeitem a soberania dos outros. Esses são os motivos pelos quais os incisos I e V do art. 4º foram escolhidos por nosso constituinte como princípios das relações internacionais do Brasil.

Finalmente, qual a imagem mais forte da II Guerra Mundial? O massacre dos judeus, nos campos de concentração, promovido pelos nazistas. Uma vergonha para a Humanidade. A Carta da ONU, em consequência, assume como princípio o estímulo aos direitos humanos. Inspirado naquela Carta, nosso constituinte elevou à condição de princípios a serem buscados pela RFB em suas relações internacionais a prevalência dos direitos humanos e o repúdio ao terrorismo e ao racismo.

O parágrafo único do art. 4º da Constituição traz um objetivo a ser buscado pelo Brasil em suas relações internacionais: a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. Quando é cobrado, o examinador geralmente troca América Latina por América do Sul, para confundi-lo(a). Portanto, fique atento!

do Sul, para confundi-lo(a). Portanto, fique atento! 37. (FCC/2009/TRT 15ª Região/Técnico Judiciário) Sobre

37. (FCC/2009/TRT 15ª Região/Técnico Judiciário) Sobre os princípios fundamentais da República Federativa do Brasil, é correto afirmar que:

a) Foi acolhido, além de outros, o princípio da intervenção para os

conscritos.

b) Dentre seus objetivos está o de reduzir as desigualdades regionais.

c) Um dos seus fundamentos é a vedação ao pluralismo político.

d) O Brasil rege-se nas suas relações internacionais, pela dependência

nacional.

e) A política internacional brasileira veda a integração política que vise à

formação de uma comunidade latino-americana de nações.

Comentários:

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 A

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

A letra “a” é absurda. Não dá nem para imaginar o que seja intervenção

para conscritos. Viagem do examinador.

A letra “b” está correta. Fundamento: art. 3º, III, CF/88.

A letra “c” também é absurda. O pluralismo político é um dos fundamentos de nossa República. Nem precisava saber Direito Constitucional para “matar” esse item. Imagine nossa Carta vedando o pluralismo político:

provavelmente viveríamos numa ditadura! Para resolver a questão, bastava que o candidato se lembrasse da quantidade de partidos políticos existentes, hoje, no país

A letra “d” deveria ser proibida pelo Ministério da Saúde: pode causar

dores abdominais, de tanto rir! Um dos fundamentos da RFB em suas relações internacionais é a independência nacional. Absurdo pensar que nosso constituinte defenderia a dependência

A letra “e” também é ridícula. Se nossa Carta vedasse a formação de

uma comunidade latino-americana de nações, os blocos regionais de que

seriam inconstitucionais. Incorreta,

tendo como fundamento o parágrafo único do art. 4º da CF/88. O gabarito, portanto, é a letra B.

fazemos parte (MERCOSUL, ALADI

)

38. (FCC/2009/Analista Judiciário-Taquigrafia). A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internas pelo princípio da não intervenção.

Comentários:

Que fácil, não? O examinador apenas trocou a palavra internacionais por internas, o que tornou o item errado. Questão incorreta.

39. (FCC/2010/Assembleia Legislativa de São Paulo) A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política e cultural dos povos da América Latina, da Europa e da África, visando à formação de uma comunidade de nações.

Comentários:

De acordo com o parágrafo único do art. 4º da Constituição, a República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino- americana de nações. A Carta Magna não estende essa integração aos povos da Europa e da África. Questão incorreta.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Direitos

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Direitos e garantias Fundamentais

Qual a diferença entre direitos e garantias fundamentais?

Os direitos fundamentais são os bens protegidos pela Constituição. É o

Já as garantias são formas de se

protegerem esses bens, ou seja, instrumentos constitucionais. Um exemplo é

o habeas corpus, que protege o direito à liberdade de locomoção.

caso da vida, da liberdade, da propriedade

Os direitos fundamentais são tradicionalmente classificados em gerações. Veja as principais características de cada uma delas a seguir:

Primeira geração: abrange os direitos relativos à liberdade, isto é, os civis e políticos, reconhecidos no final do século XVIII, com as Revoluções Francesa e Americana. Restringem a ação do Estado sobre o indivíduo, impedindo que este se intrometa de forma abusiva na vida privada das pessoas. São, por isso também chamados liberdades negativas: traduzem a liberdade de não sofrer ingerência abusiva por parte do Estado. Exemplo:

direito de propriedade. Segunda geração: abarca os direitos referentes à igualdade: econômicos, sociais e culturais. Em sua maioria, são representados por liberdades positivas, isto é, direitos de se receberem prestações do Estado (políticas e serviços públicos). É o caso do direito à educação, por exemplo. Alguns, contudo, consubstanciam liberdades negativas. Exemplo: liberdade de greve. Terceira geração: refere-se ao princípio da solidariedade (fraternidade). Compreende os direitos difusos e os coletivos (supraindividuais). Citam-se, como exemplos, o direito do consumidor e o direito ao desenvolvimento.

Parte da doutrina considera, ainda, a existência de direitos de quarta geração. Esses incluiriam: o direito à democracia, o direito à informação e o direito ao pluralismo. Desses direitos dependeria a concretização de uma “civitas máxima”, uma sociedade sem fronteiras e universal.

“Puxa, Nádia

Você falou em direitos difusos e direitos coletivos

que são esses direitos?” Veja o quadro:

O

Direitos difusos • Apresentam indivisibilidade, ou seja, é impossível satisfazer- se um de seus titulares

Direitos difusos

Apresentam indivisibilidade, ou seja, é impossível satisfazer- se um de seus titulares individualmente. Isso porque seus sujeitos são indeterminados. Exemplo: direito ao ar puro.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Direitos coletivos

Também têm natureza indivisível, mas têm como titulares um grupo, uma categoria ou uma classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica. Exemplo: direitos de determinadas categorias sindicais que agem coletivamente por meio de seus sindicatos.

Percebeu como as três primeiras gerações seguem a sequência do lema da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade? Guarde isso para a prova!

Hodiernamente, fala-se em direitos de quarta e quinta geração. Entretanto, como essas classificações não são cobradas em prova, por não haver consenso doutrinário a respeito delas, não discutiremos esse assunto.

Um tópico bastante cobrado sobre os direitos fundamentais é sua natureza relativa. Memorize esta informação: não há direito fundamental absoluto! Todo direito sempre encontra limites em outros, também protegidos pela Constituição. É por isso que, em caso de conflito entre dois direitos, não haverá o sacrifício total de um em relação ao outro, mas redução proporcional de ambos, buscando-se, com isso, alcançar a finalidade da norma.

Também é importante destacar que os direitos fundamentais cumprem a função de direito de defesa dos cidadãos, sob dupla perspectiva: não permitem aos Poderes Públicos a ingerência na esfera jurídica individual, bem como conferem ao indivíduo, poder para exercê-los e exigir do Estado a correção das omissões a eles relativas.

Os Direitos Fundamentais e a Reserva do Possível

A teoria da reserva do possível serve para determinar os limites em que o Estado deixa de ser obrigado a dar efetividade aos direitos sociais. Segundo ela, a efetivação dos direitos sociais encontra dois limites: a suficiência de recursos públicos e a previsão orçamentária da respectiva despesa.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Assim,

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Assim, trata-se de uma teoria que afasta a aptidão do Poder Judiciário de intervir na garantia da efetivação de direitos sociais. Para que esse limite à ação do Judiciário seja válido, entretanto, é necessária a comprovação da ausência de recursos orçamentários suficientes para a implementação da ação estatal. Nesse sentido, entende a Corte que:

a realização dos direitos econômicos, sociais e culturais -

além de caracterizar-se pela gradualidade de seu processo de concretização - depende, em grande medida, de um inescapável vínculo financeiro subordinado às possibilidades orçamentárias do Estado, de tal modo que, comprovada, objetivamente, a incapacidade econômico-financeira da pessoa estatal, desta não se poderá razoavelmente exigir, considerada a limitação material referida, a imediata efetivação do comando fundado no texto da Carta Política. Não se mostrará lícito, no entanto, ao Poder Público, em tal hipótese - mediante indevida manipulação de sua atividade financeira e/ou político-administrativa - criar obstáculo artificial que revele o ilegítimo, arbitrário e censurável propósito de fraudar, de frustrar e de inviabilizar o estabelecimento e a preservação, em favor da pessoa e dos cidadãos, de condições materiais mínimas de existência. 11

“(

)

É importante destacar que a reserva do possível tem sido paulatinamente abandonada pelo STF, em seus julgados. A Corte Suprema, quando da análise de situações em que o Estado descumpriu uma obrigação de efetivar uma prestação positiva, tem exigido, para fazer uso da reserva do possível, não só a confirmação da inexistência de recursos, mas também a denominada exaustão orçamentária.

E o que é exaustão orçamentária? É a situação em que inexistem recursos suficientes para que a Administração cumpra determinada decisão judicial. É a famosa “falta de verbas”.

Outra limitação à reserva do possível é o dever do Poder Público de garantir condições mínimas materiais de existência ao ser humano. Isso porque a meta central das Constituições modernas, e da Carta de 1988 em particular, pode ser resumida, como já exposto, na promoção do bem-estar do homem, cujo ponto de partida está em assegurar as condições de sua própria dignidade, que inclui, além da proteção dos direitos individuais, condições materiais mínimas de existência. Ao apurar os elementos fundamentais dessa dignidade (o mínimo existencial), estar-se-ão estabelecendo exatamente os alvos prioritários dos gastos públicos. Apenas depois de atingi-los é que se poderá discutir, relativamente aos recursos remanescentes, em que outros projetos se deverá investir. O mínimo existencial, como se vê, associado ao

11 ADPF 45 MC/DF, Rel. Min. Celso de Mello, j. 29.04.2004, DJ 04.05.2004.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 estabelecimento

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

estabelecimento de prioridades orçamentárias, é capaz de conviver produtivamente com a reserva do possível” 12 .

Limites aos direitos fundamentais

Os direitos fundamentais apresentam limites. Nenhum direito fundamental é absoluto. Para tratar dessas limitações, foram criadas duas teorias: a externa e a interna.

A primeira delas (externa) entende que as limitações aos direitos fundamentais encontram-se externamente a seu conceito. Esses direitos são restringíveis, observado o princípio da proporcionalidade e/ou a proteção de seu núcleo essencial. Exemplo: o direito à vida pode sofrer restrições no caso concreto.

A segunda (interna) entende que o conteúdo de um direito só pode ser

definido após seu confronto com os demais. Não há restrições a um direito, mas uma simples definição de seus contornos. Os limites do direito lhe são imanentes, intrínsecos.

A Eficácia Horizontal dos Direitos Fundamentais

Até o século XX, acreditava-se que os direitos fundamentais se aplicavam apenas à relação entre o indivíduo e o Estado. Como essa relação é de um ente superior (Estado) com um inferior (indivíduo), esta era a chamada “eficácia vertical” dos direitos fundamentais.

A partir do século XX, entretanto, surgiu a teoria da eficácia horizontal

dos direitos fundamentais, que estendeu sua aplicação também às relações entre particulares. Tem-se a chamada “eficácia horizontal” ou “efeito externo” dos direitos fundamentais.

A aplicação de direitos fundamentais nas relações entre particulares tem

diferente aceitação pelo mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, só se aceita

a eficácia vertical dos direitos fundamentais.

Existem duas teorias para a aplicação dos direitos fundamentais: a da eficácia indireta e mediata e a da eficácia direta e imediata.

Para a primeira (teoria da eficácia indireta e mediata), os direitos fundamentais só se aplicam nas relações jurídicas entre particulares de forma indireta, excepcionalmente, por meio das cláusulas gerais de direito privado (ordem pública, liberdade contratual, e outras). Essa teoria é incompatível com a Constituição Federal, que, em seu art. 5º, § 1º, prevê que as normas definidoras de direitos fundamentais possuem aplicabilidade imediata.

12 Barcellos, Ana Paula. A Eficácia Jurídica dos Princípios Constitucionais, p. 245-246, 2002, Renovar.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Já

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Já para a segunda (teoria da eficácia direta e imediata), os direitos fundamentais incidem diretamente nas relações entre particulares. Estes estariam tão obrigados a cumpri-los quanto o Poder Público. Esta é a tese que prevalece no Brasil, tendo sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal.

Características dos direitos fundamentais

De acordo com a doutrina, os direitos fundamentais apresentam as seguintes características:

Historicidade: os direitos fundamentais não resultam de um

acontecimento histórico determinado, mas de todo um processo de afirmação. Surgem a partir das lutas do homem, em que há conquistas progressivas. Por isso mesmo, são mutáveis e sujeitos a ampliações, o que explica as diferentes

gerações de direitos fundamentais que estudamos.

Universalidade: os direitos fundamentais são comuns a todos os seres

humanos, respeitadas suas particularidades. Isso porque existem direitos comuns a todos (como o direito à vida, por exemplo) e direitos próprios de um grupo (como os direitos dos trabalhadores).

Inalienabilidade: os direitos fundamentais são intransferíveis e

inegociáveis, não podendo ser abolidos por vontade de seu titular. Além disso, não possuem conteúdo econômico-patrimonial.

Imprescritibilidade: os direitos fundamentais não se perdem com o tempo, sendo sempre exigíveis.

Irrenunciabilidade: o titular dos direitos fundamentais não pode deles

dispor, embora possa deixar de exercê-los. É admissível, entretanto, em algumas situações, a autolimitação voluntária de seu exercício, num caso

concreto.

Limitabilidade: não há direitos fundamentais absolutos. Trata-se de

direitos relativos, limitáveis, no caso concreto, por outros direitos fundamentais. No caso de conflito entre eles, há uma concordância prática ou harmonização: nenhum deles é sacrificado definitivamente.

Concorrência: os direitos fundamentais podem ser exercidos

cumulativamente, podendo um mesmo titular possuir vários direitos ao mesmo tempo.

Proibição do retrocesso: por serem os direitos fundamentais o

resultado de um processo evolutivo, de conquistas graduais da Humanidade, não podem ser enfraquecidos ou suprimidos. Isso significa que as normas que os instituem não podem ser revogadas ou substituídas por outras que os

diminuam, restrinjam ou suprimam.

Nesse sentido, para Canotilho, existe o princípio do não retrocesso social, com base no qual, os direitos sociais, uma vez tendo sido previstos, passam a

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 constituir

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

constituir tanto uma garantia institucional quanto um direito subjetivo. Isso limita o legislador e exige a realização de uma política condizente com esses direitos, sendo inconstitucionais quaisquer medidas estatais que, sem a criação de outros esquemas alternativos ou compensatórios, anulem, revoguem ou aniquilem o núcleo essencial desses direitos.

revoguem ou aniquilem o núcleo essencial desses direitos. 40. (FCC/2010/DP-SP) São insindicáveis as políticas

40. (FCC/2010/DP-SP) São insindicáveis as políticas públicas no que

se refere aos meios necessários para atingi-las, pois é nesse aspecto

que reside a discricionariedade do Governante.

Comentários:

Pode, sim, haver controle, pelo Judiciário, das políticas públicas. O mínimo existencial deverá ser garantido pelo Poder Público, respeitada a reserva do possível. Questão incorreta.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 O

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

O art. 5º da Constituição

Iniciaremos o estudo do artigo da Constituição mais cobrado em provas de concursos: o art. 5º. Vamos lá?

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,

nos termos seguintes: (

)

O dispositivo constitucional enumera cinco direitos fundamentais os

direitos à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Apesar de referir-se apenas a “brasileiros e estrangeiros residentes no país”, há

consenso na doutrina de que eles abrangem qualquer pessoa que se encontre em território nacional, mesmo que seja estrangeira residente no exterior.

Nesse sentido, entende o STF que o súdito estrangeiro, mesmo aquele sem domicílio no Brasil, tem direito a todas as prerrogativas básicas que lhe assegurem a preservação do status libertatis e a observância, pelo Poder Público, da cláusula constitucional do due process 13 .

No

que se refere

ao direito à vida, é importante estar atento(a) à

posição do STF de que é legítima e não ofende o direito a vida nem, tampouco, a dignidade da pessoa humana, a realização de pesquisas com células-tronco embrionárias, obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização “in vitro” e não utilizados neste procedimento.

Uma vez decifrado o “caput” do artigo 5º da Carta Magna, passaremos a análise dos seus incisos:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

Esse inciso traduz o princípio da igualdade, que determina que se dê tratamento igual aos que estão em condições equivalentes e desigual aos que estão em condições diversas, dentro de suas desigualdades. Obriga tanto o legislador quanto o aplicador da lei.

O legislador fica, portanto, obrigado a obedecer à “igualdade na lei”,

não podendo criar leis que discriminem pessoas que se encontram em situação equivalente, exceto quando houver razoabilidade para tal. Exemplo: a lei, em regra, não pode criar discriminações nos concursos públicos. Entretanto, se houver razoabilidade, em razão do cargo, tais discriminações tornam-se possíveis. Seria o caso de um concurso para agente penitenciário de prisão feminina restrito a mulheres. Bastante razoável, não? O mesmo vale para

13 HC 94.016, Rel. Min. Celso de Mello, j. 16-9-2008, Segunda Turma, DJE de 27-2-2009.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 limites

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

limites de idade em concursos públicos: o STF considera a previsão legítima quando justificada pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido (súmula 683).

Nesse sentindo, entende o STF que não afronta o princípio da isonomia a adoção de critérios distintos para a promoção de integrantes do corpo feminino e masculino da Aeronáutica 14 . Trata-se de uma hipótese em que a distinção entre homens e mulheres visa a atingir a igualdade material, sendo, portanto, razoável.

Também entende a Corte Suprema que o foro especial para a mulher nas ações de separação judicial e de conversão da separação judicial em divórcio não ofende o princípio da isonomia entre homens e mulheres ou da igualdade entre os cônjuges. Isso porque não se trata de um privilégio estabelecido em favor das mulheres, mas de uma norma que visa a dar um tratamento menos gravoso à parte que, em regra, se encontrava e, ainda se encontra, em situação menos favorável econômica e financeiramente 15 .

Note, todavia, que só a lei ou a própria Constituição podem determinar discriminações entre as pessoas, nos casos acima. Os atos infralegais (como edital de concurso, por exemplo) não podem determinar tais limitações sem que haja previsão legal.

Questão da FCC:

41. (FCC/2012/TRT 6ª Região) Considere o relato a seguir:

O Congresso Nacional promulgou, em agosto de 2006, a Lei nº 11.340, conhecida por "Lei Maria da Penha", a qual criou mecanismos para proteger a mulher que é vítima de violência doméstica e familiar. Em fevereiro de 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou procedente a Ação Declaratória de Constitucionalidade no 19 (ADC-19) para declarar a constitucionalidade de dispositivos da referida lei, o que trouxe ainda mais força para sua aplicação.

O princípio constitucional, relacionado aos direitos fundamentais, que embasa a "Lei Maria da Penha", permitindo que a mulher receba um tratamento jurídico preferencial em relação ao homem nas situações de violência doméstica e familiar, é o da:

a) função social da propriedade.

b) liberdade individual.

c) igualdade material.

d) inviolabilidade domiciliar.

e) segurança jurídica.

14 RE 498.900-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 23-10-2007, Primeira Turma, DJ de 7-12-2007.

15 RE 227.114/SP, DJE 12.02.2012, Segunda Turma.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Comentários:

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Comentários:

A Lei Maria da Penha tem como fundamento a igualdade material, no sentido em que visa a oferecer uma proteção especial as mulheres, que figuram histórica e culturalmente em posição de desvantagem em relação aos homens. A letra C é o gabarito da questão.

Outra decorrência do princípio da igualdade é que os intérpretes e aplicadores da lei ficam limitados pela “igualdade perante a lei”, não podendo diferenciar, quando da aplicação do Direito, aqueles a quem a lei concedeu tratamento igual. Isso visa a resguardar a própria igualdade na lei. De nada adiantaria ao constituinte estabelecer um direito a todos e permitir que os juízes e demais autoridades tratassem as pessoas desigualmente, reconhecendo aquele direito a alguns e negando-os a outros, não é mesmo? Veja o interessante julgado do STF 16 a respeito do assunto:

O princípio da isonomia, que se reveste de auto-aplicabilidade, não é enquanto postulado fundamental de nossa ordem político- jurídica suscetível de regulamentação ou de complementação normativa. Esse princípio cuja observância vincula, incondicionalmente, todas as manifestações do Poder Público deve ser considerado, em sua precípua função de obstar discriminações e de extinguir privilégios (RDA 55/114), sob duplo aspecto: (a) o da igualdade na lei; e (b) o da igualdade perante a lei. A igualdade na lei que opera numa fase de generalidade puramente abstrata constitui exigência destinada ao legislador que, no processo de sua formação, nela não poderá incluir fatores de discriminação, responsáveis pela ruptura da ordem isonômica. A igualdade perante a lei, contudo, pressupondo lei já elaborada, traduz imposição destinada aos demais poderes estatais, que, na aplicação da norma legal, não poderão subordiná-la a critérios que ensejem tratamento seletivo ou discriminatório.

Do princípio da igualdade se originam vários outros princípios da Constituição, como, por exemplo, a vedação ao racismo (art. 5º, XLII, CF), o princípio da isonomia tributária (art. 150, II, CF), dentre outros.

Finalizando o estudo desse inciso, guarde jurisprudência cobrada em concursos. O STF entende que o princípio da isonomia não autoriza ao Poder Judiciário estender a alguns grupos vantagens estabelecidas por lei a outros. Isso porque se assim fosse possível, o Judiciário estaria “legislando”, não é mesmo? O STF considera que, em tal situação, haveria ofensa ao princípio da separação dos Poderes.

Revisemos o inciso II do art. 5º da Carta Magna:

16 MI 58, Rel. p/ o ac. Min. Celso de Mello, j.14-12-1990, DJ de 19-4-1991.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 II

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

Trata-se do princípio da legalidade, que traz, para os particulares, a garantia de que só podem ser obrigados a agirem ou a se omitirem por lei. Tudo é permitido a eles, portanto, na falta de norma legal proibitiva.

Já para o Poder Público, o princípio da legalidade consagra a ideia de que este só pode fazer o que é permitido pela lei. Esse conceito será mais bem explorado na aula referente à Administração Pública.

Completando o estudo do inciso, quero que você compreenda a diferença entre legalidade e reserva legal.

Tem-se a legalidade quando a Carta Magna determina a submissão e o respeito à lei, ou a atuação dentro dos limites legais. Neste caso, a palavra lei adquire sentido mais amplo que o apresentado na reserva legal, como se verá a seguir. Isso porque aqui consideram-se “lei” também os atos infralegais, desde que expedidos nos limites da norma legal. Trata-se da lei em sentido material, ou seja, todo ato normativo do Estado que obedeça às formalidades que lhe são próprias e contenha uma regra jurídica.

Já a reserva legal ocorre quando a Constituição exige expressamente que determinada matéria seja regulada por lei formal ou atos com força de lei (como decretos autônomos, por exemplo). É o caso do art. 173, §1º, CF/88, que determina que lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica. Lei formal é aquela necessariamente emanada do Poder Legislativo, podendo conter ou não uma regra jurídica.

Revisemos os incisos III e IV do art. 5º da Constituição:

III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

Esse inciso costuma ser cobrado em sua literalidade. Memorize-o!

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

Trata-se da liberdade de expressão. Todos podem manifestar, oralmente ou por escrito, o que pensam, desde que isso não seja feito anonimamente. A vedação ao anonimato visa a garantir a responsabilização de quem utilizar tal liberdade para causar danos a terceiros.

Com base na vedação ao anonimato, o STF veda, em regra, o acolhimento a denúncias anônimas. Essas poderão servir de base para gerar investigação pelo Poder Público, mas jamais poderão ser causa única de exercício de atividade punitiva pelo Estado.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Segundo

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Segundo a Corte, as autoridades públicas não podem iniciar qualquer medida de persecução (penal ou disciplinar), apoiando-se apenas em peças apócrifas ou em escritos anônimos. As peças apócrifas não podem ser incorporadas, formalmente, ao processo, salvo quanto tais documentos forem produzidos pelo acusado, ou, ainda, quando constituírem, eles próprios, o corpo de delito (como sucede com bilhetes de resgate no delito de extorsão mediante sequestro, por exemplo). É por isso que o escrito anônimo não autoriza, isoladamente considerado, a imediata instauração de "persecutio criminis".

Entretanto, pode o Poder Público, provocado por delação anônima ("disque-denúncia", p. ex.), adotar medidas informais destinadas a apurar, previamente, em averiguação sumária, a possível ocorrência de ilicitude, desde que o faça com o objetivo de conferir a verossimilhança dos fatos nela denunciados. Em caso positivo, poderá, então, ser promovida a formal instauração da "persecutio criminis", mantendo-se completa desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas.

Por fim, concluindo a análise do inciso IV, é importante saber que, que tendo como fundamento a liberdade de expressão, o STF considerou que a exigência de diploma de jornalismo e de registro profissional no Ministério do Trabalho não são condição para o exercício da profissão de jornalista. Nas palavras de Gilmar Mendes, relator do processo, “o jornalismo e a liberdade de expressão são atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensados e tratados de forma separada”.

Estudemos o próximo inciso do art. 5º da Carta Magna:

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

Essa norma traduz o direito de resposta à manifestação do pensamento de outrem. Essa resposta deverá ser sempre proporcional, ou seja, veiculada no mesmo meio de comunicação utilizado pelo agravo, com mesmo destaque, tamanho e duração. Salienta-se, ainda, que o direito de resposta se aplica tanto a pessoas físicas quanto a jurídicas ofendidas pela expressão indevida de opiniões.

Outro aspecto importante a se considerar sobre o inciso acima é que as indenizações material, moral e à imagem são cumuláveis (podem ser aplicadas conjuntamente), e, da mesma forma que o direito à resposta, aplicam-se tanto a pessoas físicas (indivíduos) quanto a jurídicas (“empresas”) e são proporcionais (quanto maior o dano, maior a indenização). O direito á indenização independe de o direito à resposta ter sido, ou não, exercido, bem como de a o dano caracterizar, ou não, infração penal.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 Relacionada

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

Relacionada a esse inciso, há jurisprudência que pode ser cobrada em seu concurso. O STF entende que o Tribunal de Contas da União (TCU) 17 não pode manter em sigilo a autoria de denúncia contra administrador público a ele apresentada. Isso porque tal sigilo impediria que o denunciado se defendesse perante aquele Tribunal.

Também é importante ressaltar que, segundo a doutrina e a jurisprudência, o direito à honra se estende às pessoas jurídicas, que podem, inclusive, sofrer dano moral. É o que determina a Súmula 227 do Superior Tribunal de Justiça.

Por fim, no que diz respeito a servidor público objeto de à sua honra ou imagem no exercício de suas funções, o STF entende que a indenização está sujeita a uma cláusula de modicidade. Isso porque todo agente público está sob permanente vigília da cidadania. E quando o agente estatal não prima por todas as aparências de legalidade e legitimidade no seu atuar oficial, atrai contra si mais fortes suspeitas de um comportamento antijurídico francamente sindicável pelos cidadãos 18 . Assim, no caso de eu, Auditora-Fiscal, sofrer um dano à minha honra por uma reportagem na TV, a indenização a mim devida será menor do que aquela que seria paga a um cidadão comum.

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

VII

-

é

assegurada, nos termos da lei, a prestação

assistência

internação coletiva;

religiosa

nas

entidades

civis

e

militares

de

de

Consagra-se, nesses incisos, a liberdade religiosa.

No que se refere ao inciso VII, observe que não é Poder Público o responsável pela prestação religiosa, pois o Brasil é um Estado laico, portanto a administração pública está impedida de exercer tal função. Essa assistência tem caráter privado e incumbe aos representantes habilitados de cada religião.

17 O TCU é um órgão auxiliar do Poder Legislativo (do Congresso Nacional), cujas principais funções são acompanhar a execução do orçamento (dos gastos públicos) e julgar as contas dos responsáveis por dinheiro ou bens públicos. Suas atribuições estão discriminadas no art. 71 da CF/88, que você pode ler, para sanar sua curiosidade. Entretanto, não se preocupe em aprendê-las agora: teremos aula específica para isso.

18 ADPF 130, DJE de 6-11-2009.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 42.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

42. (FCC/2012/TCE-AP) As igrejas, para professarem seus cultos,

dependem de autorização administrativa, a qual será negada a

instituições que utilizam práticas de curandeirismo.

Comentários:

É livre o exercício dos cultos religiosos, não podendo o Estado brasileiro embaraçar-lhes o funcionamento (art. 5º, VI c/c art. 19, I, CF). Questão incorreta.

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Esse dispositivo consagra a denominada “escusa de consciência”. Isso significa que, em regra, ninguém será privado de direitos por não cumprir obrigação legal imposta a todos devido a suas crenças religiosas ou convicções filosóficas ou políticas. Entretanto, caso isso aconteça, o Estado poderá impor, à pessoa que recorrer a esse direito, prestação alternativa fixada em lei.

E o que acontecerá se essa pessoa recusar-se, também, a cumprir a prestação alternativa? Nesse caso, poderá excepcionalmente sofrer restrição de direitos. Veja que para isso, são necessárias, cumulativamente, duas condições: recusar-se a cumprir obrigação legal alegando escusa de consciência e, ainda, a cumprir a prestação alternativa fixada pela lei. Nesse caso, poderá haver a perda de direitos políticos, na forma do art. 15, IV, da Constituição.

Questões de prova:

43. (FCC/2012/TCE-AP) Uma pessoa perderá direitos políticos caso

alegue motivo de crença religiosa para se livrar do cumprimento de obrigação a todos imposta e se oponha a cumprir prestação alternativa.

Comentários:

Caso a pessoa alegue motivo de crença religiosa para se livrar do cumprimento de obrigação a todos imposta e se oponha a cumprir prestação alternativa, poderá, sim, sofrer a perda dos direitos políticos. É o que determina o art. 5º, VIII, c/c art. 15, IV, da Constituição. Questão correta.

44. (FCC/2012/TRF 2ª Região) Jean Luke, integrante de

determinado grupo armado fardado de pessoas civis, que, sem autorização governamental, por conta própria combate com violência as queimadas e o desmatamento na Amazônia, bem como protege os índios, invocou convicção política para se eximir de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 lei.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

lei. Conforme o disposto na Constituição Federal brasileira, Jean Luke poderá ser privado de direitos.

Comentários:

Jean Luke poderá, sim, ser privado de direitos, uma vez que, além de não cumprir obrigação legal a todos imposta, recusou-se, também, a cumprir prestação alternativa fixada em lei. Questão correta.

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

O que você não pode esquecer sobre esse inciso? É vedada a censura. Entretanto, a liberdade de expressão, como qualquer direito fundamental, é relativa. Isso porque é limitada por outros direitos protegidos pela Carta Magna, como a inviolabilidade da privacidade e da intimidade do indivíduo, por exemplo. Veja como isso foi cobrado em prova recente da FCC:

45. (FCC/2012/TRE-CE) Roberto, artista plástico, retratou em quadro a realidade de determinada comunidade carente do país. Segundo a Constituição Federal, Roberto poderá exibir sua obra de arte:

a) mediante prévia autorização do Poder Judiciário de onde estiver

localizada a comunidade retratada.

b) mediante prévio preenchimento de requerimento de inscrição e de

exibição no cadastro nacional de obras de arte.

c) mediante prévia autorização do Poder Executivo de onde estiver

localizada a comunidade retratada.

d) mediante prévia autorização do Poder Legislativo de onde estiver

localizada a comunidade retratada.

e) independentemente de censura e de licença da autoridade pública.

Comentários:

A exibição da obra de arte de Roberto independe de censura ou licença, conforme dispõe o art. 5º, inciso IX, da Constituição Federal. A letra E é o gabarito da questão.

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

“Dissecando-se” esse inciso, percebe-se que ele protege o direito:

À intimidade e à vida privada. Resguarda, portanto, a esfera mais secreta da vida de uma pessoa, tudo que diz respeito a seu modo de pensar e de agir.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

À honra. Blinda, desse modo, o sentimento de dignidade e a reputação dos indivíduos, o “bom nome” que os diferencia na sociedade.

O direito à imagem. Defende a representação que as pessoas possuem perante si mesmas e os outros.

É importante que você saiba que o STF considera que para que haja condenação por dano moral, não é necessário ofensa à reputação do indivíduo. Assim, a dor de se perder um membro da família, por exemplo, pode ensejar indenização por danos morais.

Além disso, com base nesse inciso o STF entende que não se pode coagir suposto pai a realizar exame de DNA. Essa medida feriria, também, outros direitos humanos, como, por exemplo, a dignidade da pessoa humana, a intangibilidade do corpo humano. Nesse caso, a paternidade só poderá ser comprovada mediante outros elementos constantes do processo.

Sobre esse tema, é importante, ainda, destacar que o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que é válida decisão judicial proibindo a publicação de fatos relativos a um indivíduo por empresa jornalística. O fundamento da decisão é a inviolabilidade constitucional dos direitos da personalidade, notadamente o da privacidade.

Outra importante decisão do STF diz respeito à privacidade dos agentes políticos. Segundo a Corte, esta é relativa, uma vez que estes devem à sociedade as contas da atuação desenvolvida 19 . Mas isso não significa que quem se dedica à vida pública não tem direito à privacidade. O direito se mantém no que diz respeito a fatos íntimos e da vida familiar, embora nunca naquilo que se refira à sua atividade pública 20 .

Destaque-se também que, segundo Alexandre de Moraes, a inviolabilidade do sigilo de dados (art.5º, XII) complementa a previsão do direito à intimidade e vida privada (art. 5º, X), sendo ambas as previsões uma defesa da privacidade e regidas pelo princípio da exclusividade. Esse princípio pretende assegurar ao indivíduo, como ressalta Tercio Ferraz a "sua identidade diante dos riscos proporcionados pela niveladora pressão social e pela incontrastável impositividade do poder político."

pela incontrastável impositividade do poder político." O STF considera que para que haja condenação por dano

O STF considera que para que haja condenação por dano moral, não é necessário ofensa à reputação do indivíduo. Assim, a dor de se perder um membro da família, por exemplo, pode ensejar indenização por danos morais.

19 Inq 2589 MS, Min. Marco Aurélio, j. 02.11.2009, p. 20.11.2009.

20 RE 577785 RJ, Min. Ricardo Lewandowski, j. 20.05.2008, p. 30.05.2008.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 XI

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela

podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em

caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro,

ou, durante o dia, por determinação judicial;

Trata-se do princípio da inviolabilidade domiciliar. Esta alcança não só a residência do indivíduo, mas também o local onde este exerce sua profissão.

A partir da leitura do artigo, em quais hipóteses se pode penetrar na

casa de um indivíduo?

Com seu consentimento;

Sem seu consentimento, sob ordem judicial, apenas durante o dia;

A qualquer hora, sem consentimento do indivíduo, em caso de flagrante delito ou desastre, ou, ainda, para prestar socorro.

Para o STF, o conceito de “casa” revela-se abrangente, estendendo-se a qualquer compartimento privado não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade (Código Penal, art. 150, § 4º, III). É o caso dos escritórios profissionais, por exemplo (HC 93.050, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 10-6-2008, Segunda Turma, DJE de 1º-8-2008).

Entretanto, embora o escritório esteja abrangido pelo conceito de “casa”, o STF entende que não se pode invocar a inviolabilidade de domicílio como escudo para a prática de atos ilícitos em seu interior. Com base nisso, a Corte autorizou a instalação de escuta em um escritório de advogados, por ordem judicial.

A Corte também considerou válida ordem judicial que autorizava o

ingresso de autoridade policial no estabelecimento profissional inclusive durante a noite para instalar equipamentos de captação de som (“escuta”). Entendeu-se que tais medidas precisavam ser executadas sem o conhecimento do investigado, o que seria impossível durante o dia.

É importante destacar que a inviolabilidade domiciliar também se aplica

ao fisco e à polícia judiciária. Segundo o STF, “nem a Polícia Judiciária e nem a

administração tributária podem, afrontando direitos assegurados pela Constituição da República, invadir domicílio alheio com o objetivo de apreender, durante o período diurno, e sem ordem judicial, quaisquer objetos que possam interessar ao Poder Público” (AP 370-3/DF, RTJ, 162:249-250).

Questões de prova:

46. (FCC/2012/TCE-AP) Estabelece a Constituição Federal que a casa é asilo inviolável do indivíduo e nela pode entrar, sem o consentimento do morador,

a) Qualquer pessoa em estado de miserabilidade.

b) Oficial de justiça, munido de autorização do juiz, a qualquer hora.

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina – Aula 00 c)

Direito Constitucional p/ TRT-SC - AJAJ Prof a . Nádia Carolina Aula 00

c)