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Badminton

Eu entrei no ginásio, de cabeça leve, instável. Eu me arrastei até os armários, me


trocando num estado de transe, só vagamente consciente que havia outras pessoas me
cercando. A realidade não me atingiu realmente até que me entregaram uma raquete.
Não era pesada, mas ainda assim pareceu muito insegura na minha mão. Conseguia ver
algumas das outras pessoas da classe me olhando furtivamente. O treinador Clapp
mandou nos organizarmos em duplas.
Misericordiosamente, alguns vestígios do cavalheirismo de Mike sobreviveram; ele veio
para ficar no meu lado.
- Quer formar dupla? – ele perguntou alegremente.
- Obrigada, Mike – você não tem que fazer isso, sabe. – eu fiz uma careta.
- Não se preocupe, vou me manter fora do seu caminho. – ele sorriu. As vezes era tão
fácil gostar do Mike.
Não foi suave. Eu tentei ficar longe de Mike para que ele pudesse mandar a bola em
jogo, mas o treinador Clapp veio e disse para ele ficar do seu lado da quadra para eu
pudesse participar. Ele ficou, observando, para reforçar suas palavras.
Com um suspiro, eu fui até o centro da quadra, segurando minha raquete para cima,
ainda que cuidadosamente. A garota no outro time olhou maliciosamente quando pegou
a bola – eu devia tê-la machucado durante as aulas de basquete – sacando a bola só a
alguns passos da rede, direto para mim. Eu corri tropeçando para frente, mirando minha
rebatida na direção da porcaria de borracha, mas esqueci de levar a rede em
consideração. Minha raquete bateu nela com uma força surpreendente, saltando da
minha mão, e se chocou contra minha testa antes de se desviar e golpear Mike no ombro
quando ele se lançou para frente para pegar a bola que eu tinha perdido completamente.
O treinador Clapp tossiu, ou escondeu uma risada.
- Desculpe, Newton. – ele murmurou, indo embora devagar para que nós pudéssemos
voltar para nossa formação anterior e menos perigosa.
- Você está bem? – Mike perguntou, massageando seu ombro, assim como eu estava
esfregando a minha testa.
- Sim, e você? – eu perguntei simpática, devolvendo minha arma.
- Acho que vou sobreviver. – ele virou o braço num círculo, se certificando que ainda
tinha os todos os movimentos.
- Eu vou ficar só aqui no fundo. – eu andei de volta para o canto da quadra, segurando
minha raquete cautelosamente atrás das costas.
Fazendo compras com Alice
O carro era lustroso, preto e poderoso; as janelas eram pretas como as de uma limusine.
O motor rugia como um grande gato enquanto nós avançávamos pela noite escura.
Jasper dirigia com uma mão, sem parecer se preocupar, mas o carro forte voava para
frente com perfeita precisão.
Alice sentava comigo no canto traseiro. De algum jeito, durante a noite, minha cabeça
tinha acabado contra o seu pescoço de granito, seus braços gelados me envolvendo, sua
bochecha pressionada contra o topo da minha cabeça. A frente de sua blusa fina de
algodão estava fria e úmida com as minhas lágrimas. Hora ou outra, se a minha
respiração ficava irregular, ela murmurava tranqüilizadora; em sua voz rápida e aguda,
os encorajamentos pareciam música. Para me manter calma, eu me concentrei no toque
de sua pele fria; era como uma conexão física com o Edward.
Os dois me asseguraram – quando eu tinha percebido, o pânico me golpeou, todas as
minhas coisas ainda estavam na picape – que deixá-las para trás era necessário, algo a
ver com o cheiro. Eles me disseram para não me preocupar com roupas ou dinheiro. Eu
tentei confiar neles, me esforçando para ignorar o quão desconfortável eu estava nas
roupas muito apertadas de Rosalie. Era uma coisa trivial.
Nas rodovias planas, Jasper nunca dirigiu o carro vigoroso, abaixo de 190 km/h. Ele
parecia inteiramente inconsciente dos limites de velocidade, mas nunca vimos um carro
de polícia. As únicas paradas na monotonia da viagem que fizemos foram para abastecer
o carro. Eu notei vagamente que Jasper entrou para pagar em dinheiro as duas vezes.
O dia começou a nascer quando estávamos em algum lugar ao norte da Califórnia. Eu
observei com olhos secos e ardentes a luz cinza deixar uma faixa no céu sem nuvens. Eu
estava exausta, mas o sono tinha escapado, minha mente cheia demais de imagens
perturbadoras para relaxar te a inconsciência. A expressão magoada do Charlie – o
rosnado brutal do Edward, com os dentes à mostra – o olhar afiado do rastreador – a
expressão fria do Laurent – o olhar morto no rosto do Edward depois que ele me beijou
pela última vez; elas piscavam como slides na frente dos meus olhos, meus sentimentos
se alternando entre terror e desespero.
Em Sacramento, Alice quis que Jasper parasse para comprar comida para mim. Mas eu
sacudi a cabeça, cansada, e numa voz fraca, falei para ele continuar dirigindo.
Algumas horas depois, em um subúrbio fora de Los Angeles, Alice falou suavemente
com ele de novo, e ele saiu da rodovia aos sons dos meus fracos protestos. Um shopping
grande era visível da rodovia, e ele foi até lá, estacionando na garagem do subsolo.
- Fique no carro – ela orientou Jasper.
- Tem certeza? – ele parecia apreensivo.
- Não vejo ninguém aqui – ela disse. Ele acenou, consentindo.
Alice pegou a minha mão e me tirou do carro. Ainda a segurando, ela me manteve ao
seu lado enquanto nós andávamos pela garagem escura. Ela evitava a beirada da
garagem, ficando na sombra. Eu notei como a pele dela parecia brilhar à luz do sol que
refletia da calçada. O shopping estava cheio, muitos grupos de pessoas passeavam,
algumas delas virando as cabeças para nos observar enquanto passávamos.
Andamos por baixo de uma ponte que cruzava desde o nível superior do estacionamento
até o segundo andar de uma loja de departamentos, sempre fora da luz solar direta.
Uma vez que entramos, sob a luz fluorescente da loja, Alice chamava menos atenção –
só uma garota pálida feito giz, com olhos escuros e com olheiras, de cabelo espetado e
preto. Os círculos embaixo dos meus olhos, eu tinha certeza, estavam mais evidentes do
que dela. Nós ainda atraíamos atenção de qualquer um que olhasse na nossa direção.
Imaginei o que eles pensavam quando nos viam. A delicada e dançante Alice, com seu
rosto impressionante de anjo, vestida em tecidos finos que não disfarçavam sua palidez
completamente, segurando minha mão, obviamente conduzindo, enquanto eu andava
com dificuldade, cansada, com as minhas roupas apertadas e caras, meu cabelo
embaraçado com os nós caindo pelas minhas costas.
Alice me levou sem erro até a praça de alimentação.
- O que você quer comer?
O cheiro dos fast foods gordurosos revirou o meu estômago. Mas os olhos da Alice não
estavam dispostos a persuasão. Eu respondi, sem entusiasmo, um sanduíche de peru.
- Posso ir ao banheiro? – eu perguntei quando fomos para a fila.
- Ok – e ela mudou a direção, sem soltar a minha mão.
- Eu posso ir sozinha – A atmosfera comum do shopping me fez sentir o mais normal
que eu me sentira desde o desastroso jogo ontem à noite.
- Desculpe, Bella, mas o Edward vai ler a minha mente quando ele chegar aqui, e se ele
ver que eu perdi você de vista nem que seja por um minuto… – ela foi diminuindo, sem
querer contemplar as horríveis conseqüências.
Pelo menos ela esperou fora do cubículo no banheiro cheio. Eu lavei o meu rosto e as
minhas mãos, ignorando os olhares assustados das mulheres ao meu redor. Tentei passar
meus dedos pelo meu cabelo, mas desisti rapidamente. Alice pegou minha mãe outra
vez na porta, e andamos lentamente de volta até a fila da comida. Eu estava me
arrastado, mas ela não parecia impaciente comigo.
Ela me observou comer, devagar no começo, e depois mais rápido, quando meu apetite
retornou. Eu tomei o refrigerante que ela me comprou tão rápido que ela me deixou por
um momento – embora sem tirar os olhos de mim – para comprar outro.
- É muito mais conveniente, a comida que você come – ela comentou quando eu
terminei. – mas não parece ser muito divertida.
- Caçar é mais animado, eu imagino.
- Você não tem idéia – ela abriu um largo sorriso de dentes brilhantes, e várias cabeças
se viraram em nossa direção.
Depois de jogar nossa comida fora, ela me levou pelos corredores largos do shopping,
seus olhos brilhando de vez em quando ela via algo que queria, me puxando com ela em
cada parada. Ela parou por um momento numa boutique cara para comprar três pares de
óculos escuros, dois de mulher e um de homem. Eu notei o funcionário olhar para ela
com uma nova expressão quando ela lhe entregou um cartão de crédito desconhecido
com marcas douradas que o cruzavam. Ela achou uma loja de acessórios onde comprou
uma escova de cabelo e elásticos.
Mas ela não começou a trabalhar realmente enquanto não me levou para um tipo de loja
que eu nunca freqüentava, porque o preço de um par de meias estaria fora do meu
alcance.
- Você deve ser tamanho médio – Era uma afirmação, não uma pergunta.
Ela me usou como burro de carga, me carregando com uma quantidade incrível de
roupas. Hora e outra eu a via pegar um tamanho extrapequeno quando escolhia algo
para si mesma. As roupas que ela selecionava para si mesma era todas em materiais
leves, mas de mangas compridas ou três quartos, feitas para cobrir o máximo da pele
dela possível. Um chapéu preto de palha estava no topo da montanha de roupas.
A vendedora teve a mesma reação com o cartão de crédito, ficando mais gentil e
chamando Alice de “senhorita”. Mas o nome que ela disse não me era familiar. Quando
estávamos andando pelo shopping de novo, nossos braços cheios com as compras, ela
carregando a maior parte delas, eu perguntei sobre isso.
- Do que ela te chamou?
- O cartão de crédito diz Rachel Lee. Seremos muito cuidadosos para não deixar
nenhum tipo de pista para o rastreador. Vamos trocar essa sua roupa.
Eu pensei sobre isso quando ela me levou para o banheiro de novo, me empurrando até
o cubículo de deficientes para que eu tivesse mais espaço para me mexer. Eu a ouvi
mexendo nas malas, finalmente pendurando um vestido leve de algodão na porta para
mim. Grata, eu finalmente tirei o jeans de Rosalie, muito comprido e muito apertado, a
blusa que pendia em todos os lugares errados, e as joguei pela porta para ela. Ela me
surpreendeu ao empurrar um par macio de sandálias por baixo da porta – quando ela
comprou aquilo? O vestido caiu incrivelmente bem, o corte caro aparecendo conforme
dobrava ao meu redor.
Quando eu saí do cubículo, percebi que ela estava jogando as roupas de Rosalie dentro
do lixo.
- Fique com seus tênis – ela disse. Eu os coloquei em cima de uma das malas.
Voltamos para a garagem. Alice recebeu menos olhares dessa vez, ela estava tão coberta
em malas que a pele dela mal era visível.
Jasper estava esperando. Ele saiu do carro quando nos aproximamos – o porta-malas
estava aberto. Quando ele pegou as minhas malas primeiro, deu a Alice um olhar
sarcástico.
- Sabia que devia ter ido – ele murmurou.
- Sim – ela concordou. – elas teriam adorado vocês no banheiro feminino. – Ele não
respondeu.
Alice fuçou nas malas antes de colocá-las no porta-malas. Ela entregou a Jasper um par
de óculos escuros, colocando um nela mesma. Me entregou o terceiro par e a escova de
cabelo. E depois tirou uma blusa de manga comprida, fina e de um preto transparente,
vestindo por cima de sua camiseta, a deixando aberta. Finalmente, ela colocou o chapéu
preto de palha. Nela, a fantasia parecia pertencer a uma modelo. Ela juntou mais
algumas roupas e, fazendo um montinho, abriu a porta de trás e fez um travesseiro no
banco.
- Você precisa dormir agora – ela ordenou firmemente. Eu subi obedientemente,
deitando a minha cabeça e me curvando. Estava quase dormindo quando o carro ligou.
- Você não devia ter me comprado todas essas coisas – eu murmurei.
- Não se preocupe, Bella. Durma – A voz dela era calma.
- Obrigada – eu sussurrei, e apaguei em um cochilo inquieto.
Foi a má posição do cochilo que me acordou. Eu ainda estava exausta, mas de repente
nervosa quando me lembrei onde estava. Eu levantei para ver o Vale do Sol se
estendendo à minha frente; a grande e larga extensão dos telhados, palmeiras, rodovias,
neblina e piscinas, cercadas pelos baixos montes de pedregulhos que chamávamos de
montanhas. Eu fiquei surpresa eu não sentir nenhum alivia, só uma saudade de casa
irritante, das goteiras e árvores muito verdes do lugar que significava Edward para mim.
Sacudi a cabeça, tentando afastar o desespero que ameaçava me tomar.
Jasper e Alice estavam conversando; conscientes, tinha certeza, que eu estava acordada
de novo, mas eles não deram sinais. Suas vozes rápidas e suaves, uma aguda, outra
grave, pareciam música ao meu redor. Eu consegui entender que eles estavam decidindo
onde iriam ficar.
- Bella – Alice falou comigo casualmente, como se eu já fosse parte da conversa. – qual
o caminho para o aeroporto?
- Fique na I-10 – eu disse automaticamente. – Vamos passar em frente.
Eu pensei nisso por um momento, meu cérebro ainda nebuloso com o sono.
- Vamos pegar algum avião? – eu perguntei.
- Não, mas é melhor ficar perto, por via das dúvidas – Ela abriu seu celular e
aparentemente pediu informações. Ela falou mais devagar que o normal, perguntando
por hotéis perto do aeroporto, concordando com uma sugestão, então fazendo uma
pausa enquanto era transferida. Ela fez reservas por uma semana sob o nome de
Christian Bower, falando o número de um cartão de crédito sem olhar para nenhum. Eu
a ouvi repetindo as instruções para o bem do telefonista; tinha certeza que ela não
precisava de ajuda alguma quando se tratava de memória.
A visão do celular me lembrou das minhas responsabilidades.
- Alice – eu perguntei quando ela tinha terminado. – preciso ligar para o meu pai. –
Minha voz estava melancólica. Ela me entregou o telefone.
Era fim de tarde; esperava que ele estivesse no trabalho. Mas ele atendei no primeiro
toque. Eu encolhi, imaginando o rosto ansioso dele no telefone.
- Pai? – eu disse hesitante.
- Bella! Onde você está, querida? – Forte alívio encheu sua voz.
- Na estrada – Nenhuma necessidade em contar para ele que tinha feito uma jornada de
três dias durante a noite.
- Bella, você tem que voltar.
- Eu tenho que ir para casa.
- Querida, vamos conversar sobre isso. Você não tem que ir embora por causa de um
garoto qualquer. – Eu podia dizer que ele estava sendo muito cuidadoso.
- Pai, me dê uma semana. Eu preciso pensar sobre algumas coisas, e aí eu decido se
volto. Isso não tem nada a ver com você, ok? – Minha voz tremeu um pouco. – Eu amo
você, pai. Qualquer coisa que eu decida, eu te vejo em breve. Prometo.
- Ok, Bella – a voz dele estava resignada. – Me ligue quando você chegar em Phoenix.
- Eu te ligo de casa, pai. Tchau.
- Tchau, Bells – ele hesitou antes de desligar.
Pelo menos eu estava de bem com o Charlie de novo, pensei enquanto devolvia o
telefone para Alice. Ela estava me observando cuidadosamente, talvez esperando por
outra crise emocional. Mas eu estava cansada demais.
A cidade familiar voava pela minha janela escura. O transito estava leve. Passamos
pelas ruas rapidamente até chegar no centro da cidade, então demos a volta ao norte do
aeroporto internacional Sky Harbor, virando para o sul, até Tempe. Bem do outro lado
de Salt River, a uns dois quilômetros do aeroporto, Jasper saiu da rodovia quando Alice
disse. Ela o direcionou facilmente através das ruas até a entrada do hotel Hilton.
Eu estava pensado que ficaríamos no Motel 6, mas eu tinha certeza que eles iriam
ignorar qualquer despesa com dinheiro. Parecia que eles tinham uma reserva sem fim.
Nós paramos no estacionamento do hotel sob a sombra do longo prédio, e dois
funcionários se moveram rapidamente para o lado do automóvel incrível. Jasper e Alice
saíram, parecendo muito com estrelas de cinema com seus óculos escuros. Eu saí
desajeitadamente, dura depois das longas horas no carro, me sentindo em casa. Jasper
abriu o porta-malas e os funcionários prestativos rapidamente descarregaram as malas
em um carrinho. Eles eram bem treinados demais para demonstrar qualquer surpresa à
nossa falta de bagagem de verdade.
Estava muito frio dentro do carro; sair para uma tarde de Phoenix, mesmo à sombra, era
como colocar a cabeça dentro de um forno para assar. Pela primeira vez no dia, me senti
em casa.
Jasper andou confiante pelas portas do lobby vazio. Alice ficou cuidadosamente ao meu
lado, os funcionários nos seguindo ansiosos com as nossas coisas. Jasper se aproximou
da mesa com seu ar inconsciente de realeza.
- Bower – foi tudo o que ele disse à recepcionista com ar profissional. Ela rapidamente
processou a informação, com só mínimos olhares em direção ao ídolo de cabelo
dourado à sua frente, traindo sua competência serena.
Fomos guiados rapidamente à nossa enorme suíte. Eu sabia que os dois quartos eram só
fachada. Os funcionários descarregaram nossas malas com eficiência enquanto eu
sentava fraca no sofá e Alice dançava para examinar os outros quartos. Jasper apertou as
mãos deles quando foram embora, e o olhar que eles trocaram enquanto passavam pela
porta era mais que satisfeito; era jubiloso. Então nos deixaram sozinhos.
Jasper foi até as janelas, fechando bem as cortinas. Alice apareceu e deixou cair um
menu de serviço de quarto no meu colo.
- Peça algo – ela instruiu.
- Estou bem – eu disse vagarosamente.
Ela me deu um olhar frio, e pegou o menu. Resmungando algo sobre o Edward, ela
pegou o telefone.
- Alice, de verdade – eu comecei, mas o olhar dela me silenciou. Apoiei minha cabeça
no braço do sofá e fechei meus olhos.
Uma batida na porta me acordou. Eu pulei tão rápido que escorreguei do sofá para o
chão e bati minha testa na mesinha de centro.
- Ai – eu disse, tonta, esfregando a minha testa.
Eu ouvi o Jasper rir uma vez, e olhei para cima para vê-lo cobrindo a boca, tentando
esconder o resto do seu divertimento. Alice foi atender a porta, pressionando seus lábios
firmemente, os cantos de sua boca de virando.
Eu corei e voltei para o sofá, segurando a cabeça nas mãos. Era a minha comida; o
cheiro de carne vermelha, queijo, alho e batatas girava tentadoramente ao meu redor.
Alice carregou a bandeja como se tivesse sido garçonete por anos, e a colocou na mesa
aos meus pés.
- Você precisa de proteína – Ela explicou, levantando a tampa cinza para revelar um
grande bife e uma escultura de batata decorativa. – Edward não vai ficar feliz com você
se seu sangue cheirar anêmico quando ele chegar aqui – Eu tinha quase certeza de que
ela estava brincando.
Agora que eu podia sentir o cheiro da comida, estava com fome novamente. Comi
rápido, sentindo minha energia voltando conforme o açúcar achegava à minha corrente
sanguínea. Alice e Jasper me ignoraram, vendo o jornal e falando tão rápido que eu não
conseguia entender nenhuma palavra.
Uma segunda batida soou na porta. Eu fiquei em pé, por pouco evitando outro acidente
com a bandeja quase vazia na mesinha de centro.
- Bella, você precisa se acalmar – Jasper disse, enquanto Alice abria a porta. Um
membro do serviço de quarto entregou a Alice uma malinha preta com o logo Hilton e
saiu silencioso. Alice a trouxe e me entregou. Eu abri e encontrei uma escova e uma
pasta de dentes, e todas as outras coisas importantes que eu tinha deixando na traseira da
minha picape. Lágrimas brotaram nos meus olhos.
- Vocês são tão bons pra mim – eu olhei para Alice e depois para Jasper, impressionada.
Eu tinha notado que o Jasper normalmente era o que mais tinha cuidado em manter
distância de mim, então me surpreendeu quando ele veio para o meu lado e colocou a
mão no meu ombro.
- Você é parte do clã agora – ele provocou, sorrindo calorosamente. Eu senti uma
fraqueza de repente se infiltrando pelo meu corpo; de algum jeito, minhas pálpebras
ficaram muito pesadas para segurar.
- Muito sutil, Jasper – eu ouvi Alice dizendo em um tom seco. Seus braços frios e finos
passaram por baixo dos meus joelhos e por trás das minhas costas. Ela me levantou, mas
eu já estava dormindo antes que ela me colocasse na cama.
Era muito cedo quando eu acordei. Eu tinha dormido bem, sem sonhos, e estava mais
alerta do que eu era quando acordava. Estava escuro, mas havia lampejos de luz vindos
debaixo da porta. Eu procurei ao lado da cama, tentando achar uma lamparina. Uma luz
apareceu perto da minha cabeça e eu ofeguei, e então a Alice estava ali, ajoelhada ao
meu lado da cama, a mão dela na lamparina que eu estava procurando feito boba na
cabeceira.
- Desculpe – ela disse quando eu me joguei de volta no travesseiro, aliviada. – Jasper
está certo – ela continuou. – você precisa relaxar.
- Bom, não fale isso para ele – eu resmunguei. – Se ele tentar me relaxar mais eu
entrarei em coma.
Ela riu. – Você percebeu, é?
- Se ele tivesse me acertado na cabeça com uma frigideira seria menos óbvio.
- Você precisava dormir – ela encolheu os ombros, ainda sorrindo.
- E agora eu preciso de um banho, eca! – eu percebi que eu ainda estava com o vestido
azul, que estava muito mais enrugado do que tinha direito de estar. Minha boca estava
com um gosto estranho.
- Eu acho que você vai ficar com um roxo na testa – ela mencionou enquanto eu ia para
o banheiro.
Depois de tomar banho, me senti muito melhor. Eu coloquei as roupas que a Alice tinha
escolhido para mim na cama, uma camiseta verde que parecia ser feita de seda e um
short de linho marrom-claro. Eu me senti culpada que as minhas roupas novas eram tão
melhores que qualquer um das que eu tinha deixado para trás.
Foi ótimo finalmente fazer algo com o meu cabelo; os shampoos do hotel eram de uma
marca de boa qualidade e meu cabelo ficou brilhante de novo. Demorei pra secar até
que ele ficasse perfeitamente liso. Tinha um pressentimento que não iríamos fazer muita
coisa hoje. Uma inspeção mais atenta ao espelho revelou uma mancha escura na minha
testa. Fabuloso.
Quando eu terminei, já havia luz aparecendo por detrás das cortinas. Alice e Jasper
estavam sentados no sofá, encarando pacientemente a televisão quase muda. Havia uma
nova bandeja de comida na mesa.
- Coma – Alice disse, apontando firmemente para ela.
Eu obedeci, sentando no chão, e comi sem perceber que comida era. Não gostei da
expressão nos rostos deles. Eles estavam muito parados. Assistiam televisão sem
desviar os olhos, mesmo com os comerciais que estavam passando agora. Eu empurrei a
bandeja, meu estomago abruptamente desconfortável. Alice olhou pra baixo, olhando a
badeja que ainda estava cheia com um olhar descontente.
- O que há errado, Alice? – eu perguntei humildemente.
- Não há nada de errado – Ela olhou para mim com olhos grandes e honesto que eu não
acreditei nem por um segundo.
- Bem, o que nós fazemos agora?
- Esperamos o Carlisle ligar.
- E ele já devia ter ligado? – eu podia ver que estava chegando perto. Os olhos de Alice
foram dos meus para o telefone em cima da sua mala de couro e de volta.
- O que isso quer dizer? – minha voz tremeu, e eu lutei para a controlar. – Que ele ainda
não ligou?
- Só quer dizer que ele ainda não tem nada para nos falar – Mas a voz dela estava muito
equilibrada e de repente o ar ficou difícil de respirar.
- Bella – Jasper disse numa voz suspeitamente tranquilizadora- você não tem nada para
se preocupar. Está completamente a salvo aqui.
- Você acha que é com isso que eu me preocupo? Eu perguntei sem acreditar.
- O que mais há? – ele perguntou, também surpreso. Ele podia sentir o teor das minhas
emoções, mas ele não podia ler as razões por trás delas.
- Você ouviu o que o Laurent disse – minha voz estava baixa, mas eles podiam me
escutar facilmente, é claro. – Ele disse que o James era letal. E se alguma coisa der
errado, e eles se separarem? Se algo acontecer com qualquer um deles, Carlisle,
Emmett… Edward… – eu engoli. – E se aquela descontrolada machucar a Rosalie ou a
Esme… – minha voz tinha ficado mais alta, uma nota de histeria começando a surgiu. –
Como eu posso viver comigo mesma sabendo que é minha culpa? Nenhum de vocês
deveria estar se arriscando por mim -
- Bella, Bella, pare – ele me interrompeu, suas palavras fluindo depressa. – Você está se
preocupando com as coisas erradas, Bella. Acredite em mim nisso – nenhum de nós
corre perigo. Você já está sob muita tensão, não coloque mais sem nenhuma
necessidade. Me ouça – porque eu tinha olhado para outro lado – Nossa família é forte.
Nosso único medo é perder você.
- Mas por que você deviam – Alice me interrompeu, tocando minha bochecha com seus
dedos frios.
- Edward esteve sozinho por quase um século. E agora ele achou você, e nossa família
está completa. Você acha que algum de nós vai querer olhá-lo nos olhos pelos próximos
100 anos se ele perder você?
Minha culpa lentamente desapareceu quando eu olhei para os seus olhos escuros. Mas,
mesmo quando a calma se espalhou por mim, eu sabia que não podia confiar em meus
sentimentos com o Jasper presente.
Emmett e o Urso
Eu estava surpresa de achar uma estranha amizade crescendo entre eu e o Emmett,
especialmente uma vez que ele, uma vez, foi o mais assustadores de todos eles para
mim. Tinha a ver com como nós dois tínhamos sido escolhidos para entrar na família;
nós dois tínhamos sido amados – e amado de volta – enquanto ainda éramos humanos,
embora muito brevemente para ele. Só Emmett lembrava – só ele realmente entendia o
milagre que Edward significava para mim.
Nós falamos disso pela primeira vez uma noite que nós três estávamos sentados nos
sofás claros na sala de estar, Emmett me alegrando calmamente com memórias que
eram melhores que contos de fadas, enquanto Edward se concentrava no programa de
culinária – ele tinha decidido que ele precisava aprender a cozinhar , para o meu
espanto, e isso era difícil sem poder contar com os sentidos certos de cheiro e gosto.
Afinal de contas, tinha uma coisa que ele não fazia sem dificuldade. Sua testa perfeita
de enrugou quando a celebridade chef mandou temperar outro prato de acordo com o
gosto. Eu reprimi um sorriso.
- Então ele tinha terminado de brincar comigo, e eu sabia que estar prester a morrer –
Emmett se lembrou suavemente, enrolando a história de seus anos humanos com o
conto do urso. Edward não estava prestando atenção; ele já tinha ouvido antes. – Eu não
conseguia me mexer, e minha consciência estava escapando, quando eu ouvi o que eu
pensei que fosse outro urso, e uma luta para ver quem ficaria com a minha carcaça,
acho. De repente parecei que eu estava voando. Achei que tinha morrido, mas eu tentei
abrir meus olhos mesmo assim. E então eu a vi – seu rosto ficou incrível com a
memória; eu me identifique completamente. – e eu soube que estava morto. Nem me
importei com a dor – lutei para manter meus olhos abertos, eu não queria perder
nenhum segundo do rosto do anjo. Eu estava delirando, claro, imaginando porque não
tínhamos chegado no céu ainda, pensando que deveria ser mais longe do que eu
esperava. Eu continuei esperando que ela voasse. E então ela me trouxe para Deus – Ele
deu sua risada grave e brincalhona. Eu podia entender muito bem que alguém pudesse
fazer essa suposição.
- Eu achei que o que aconteceu depois era minha punição. Eu tinha me divertido um
pouquinho demais nos meus vinte anos humanos, então não fiquei surpreso pelas
chamas do inferno – Ele riu de novo, mas eu tremi. O braço do Edward se apertou ao
meu redor inconscientemente. – O que me surpreendeu foi que o anjo não foi embora.
Eu não entendia porque uma coisa tão linda podia ficar no inferno comigo – eu estava
agradecido. Toda a vez que Deus vinha me checar, eu temia que ele ia levá-la embora,
mas ele nunca levou. Eu comecei a pensar que talvez aqueles fiéis que falavam de um
Deus misericordioso talvez estivessem certos, afinal. E então a dor sumiu… e eles
explicaram as coisas para mim.
- Eles ficaram surpresos no pouco que eu fiquei perturbado com a coisa de ser vampiro.
Mas se o Carlisle e a Rosalie, meu anjo, eram vampiros, o quão ruim podia ser? – Eu
acenei, concordando completamente, enquanto ele continuava. – - Eu tive um pouco
mais de dificuldade com as regras… – ele riu. – Você teve trabalho comigo no começo,
não foi? – O soco de brincadeira de Emmett no ombro de Edward fez nós dois
sacudirmos.
Edward bufou sem desviar os olhos da televisão.
- Então, o inferno não é tão ruim se você pode ter um anjo com você – ele me assegurou
travesso. – Quando ele finalmente aceitar o inevitável, você vai se dar bem.
O punho do Edward se moveu tão rapidamente que eu nem vi o que acertou o Emmett e
o fez se estatelar pelas costas do sofá. Os olhos do Edward nem deixaram a tela.
- Edward! – eu censurei, horrorizada.
- Não se preocupe, Bella – Emmett estava sereno, de volta ao seu lugar. – Eu sei onde
encontrá-lo – Ele olhou por cima de mim para o perfil do Edward. – Você vai ter que
colocá-la no chão alguma hora – ele ameaçou. Edward mal reclamou em resposta sem
olhar para ele.
- Meninos! – a voz reprovadora de Esme veio escada abaixo.
Remix do baile estendido
- Quando você vai me contar o que está acontecendo, Alice?
- Você verá, seja paciente. – ele ordeou, sorrindo diabolicamente.
Nós estávamos na minha caminhonete, mas ela estava dirigindo. Mais três semanas e eu
estaria fora do gesso, e então eu ia ser muito firme com toda a história do serviço de
chofer. Eu gostava de dirigir.
Era fim de maio, e de algum jeito a terra ao redor de Forks estava encontrando meios de
ficar ainda mais verde que o comum. Era lindo, claro, e eu estava ficando mais
conformada com a floresta, a maior parte disso devido ao fato que eu passava muito
mais tempo nela que o usual. Não éramos amigas ainda, a natureza e eu, mas estávamos
ficando mais próximas.
O céu estava cinza, mas isso era bem-vindo também. Era um cinza perolado, não estava
nublado e nem chovia, quase quente o suficiente para mim. As nuvens estavam grossas
e seguras, o tipo de nuvens que se tornaram agradáveis para mim, pela liberdade que
elas garantiam.
Mas fora esse ambiente agradável, eu estava me sentindo irritada. Parcialmente por
causa do comportamento estranho da Alice. Ela tinha insistido absolutamente num dia
só de garotas nesse sábado de manhã, me levando até Port Angeles para nós irmos à
manicure e pedicure, se recusando a aceitar o tom de rosa modesto que eu queria,
mandando a manicure me pintar com um cintilante vermelho escuro – e indo mais longe
e insistido em pintar as unhas do meu pé no gesso também.
Então ela me levou para fazer compras, embora eu só conseguisse experimentar metade
de cada roupa. Contra meus vigorosos protestos, ela me comprou um par dos stilletos
mais caros e impraticáveis – coisas que pareciam perigosas, que se seguravam só por
grossos fitas de cetin que cruzavam pelo meu pé e se amarravam num laço no meu
tornozelo. Eram de um azul profundo, e uma explicação em vão, eu tentei argumentar
que não tinha nada que ia combinar com eles. Mesmo com o meu closet
embaraçosamente cheio com as roupas que ela tinha comprado pra mim em Los
Angeles – a maioria delas ainda muito leve para usar em Forks – eu tinha certeza de que
não tinha nada naquele tom. Mesmo se eu tivesse alguma coisa parecida com aquela
escondida em algum canto no meu armário, minhas roupas não fazia muito o estilo de
saltos stilettos. Eu não fazia o estilo de saltos stilettos – não conseguia andar direito nem
só de meias. Mas minha lógica incontestável era um desperdiço com ela. Ela nem
respondia.
- Bom, eles não são de Biviano, mas vão ter que servir. – ela murmurava
desconcertantemente, e então não falava mais enquanto soltava o cartão de crédito nos
funcionários impressionados.
Ela me deu o almoço pela janela de um drive trhu de uma lanchonete, me dizendo que
eu teria que comer no carro, mas se recusando a explicar a razão da pressa. Mais de uma
vez eu tive que lembrá-la que a minha picape simplesmente não era capaz de ir tão
rápido quanto carros esportivos, mesmo com as modificações de Rosalie, e por favor
que desse um tempo para a pobre coisa. Geralmente Alice era minha chofer preferida.
Ela não se importava em dirigir a meros 30 ou 40 km/h acima do limite de velocidade,
enquanto outras pessoas simplesmente não aguentavam.
Mas a agenda secreta de Alice era só metade de problema, claro. Eu também estava
pateticamente ansiosa porque não via o rosto de Edward em quase seis horas, e isso
tinha que ser um recorde por pelo menos os últimos dois meses.
Charlie tinha sido difícil, mas não impossível. Ele estava conformado com a presença
constante do Edward quando ele voltava para casa, não achando nada para reclamar
quando ele sentava por cima do nosso dever de casa na mesa da cozinha – ele até
parecia gostar da companhia do Edward quando eles gritavam juntos assistindo jogos na
ESPN. Mas ele não tinha perdido nada de sua severidade quando ele cruelmente
segurava a porta aberta para o Edward, precisamente às dez da noite toda a noite durante
a semana. Claro que o Charlie era completamente inconsciente da habilidade do Edward
de levar seu carro para casa e voltar para a minha janela em menos de dez minutos.
Ele era muito mais agradável com Alice, algumas vezes chegava a dar vergonha.
Obviamente, até eu ter trocado o gesso gigante por um mais maleável, eu precisava de
uma ajuda feminina. Alice era um anjo, uma irmã; toda a noite e toda a manhã ela
aparecia para me ajudar com as minha rotina diária. Charlie ficou enormemente grato de
ser poupado do horror de uma filha quase adulta que precisava de ajuda para tomar
banho – esse tipo de coisa estava muito além da sua zona confortável, e da minha
também, no caso. Mas foi com mais que gratidão que Charlie começou a chamá-la de
“anjo”, como um apelido, e a olhava com olhos espantados enquanto ela dançava
sorridente pela casa pequena, a iluminando. Nenhum humano falhava em ser afetado
por sua graciosidade e beleza incríveis, e quando ela deslizava pela porta toda a noite
com um “Vejo você amanhã, Charlie”, e o deixava atordoado.
- Alice, vamos para casa agora? – eu perguntei agora, as duas entendendo que eu falava
da casa branca perto do rio.
- Sim – ela sorriu, me conhecendo. – Mas o Edward não está lá.
Eu fiz uma careta. – Onde ele está?
- Ele tinha alguns serviços para fazer.
- Serviços? – eu repeti inexpressiva. – Alice – meu tom ficou persuasivo. – por favor me
conte o que está acontecendo.
Ela balançou a cabeça, ainda sorrindo bastante. – Estou me divertindo muito – ela
explicou.
Quando voltamos para a casa, Alice me levou direto escada acima, para o banheiro dela
que era do tamanho de um quarto. Fiquei surpresa de encontrar Rosalie lá, esperando
com um sorriso celestial, atrás de uma cadeira baixa e rosa. Uma coleção de explodir a
mente de ferramentas e produtos cobria todo o balcão.
- Sente – Alice comandou. Eu a considerei por um minuto, e então, decidindo que ela
estava preparada para usar força se necessário, fui para a cadeira e me sentei com toda a
dignidade que podia administrar. Rosalie imediatamente começou a pentear meu cabelo.
- Acho que você não vai me dizer sobre o que é isso tudo, né? – eu a perguntei.
- Você pode me torturar – ela murmurou, concentrada no meu cabelo. – mas eu nunca
vou contar.
Rosalie segurou minha cabeça na pia enquanto Alice esfregava um shampoo que
cheirava menta e laranja no meu cabelo. Alice enxugou os nós com uma toalha
furiosamente, e depois jogou quase um frasco todo de spray de alguma coisa – esse
cheirava pepino – nas mechas úmidas e enxugou de novo.
Elas pentearam o resto da juba rápido então; o que quer que a coisa de pepino fosse, fez
as mechas se comportarem. Eu talvez fosse emprestar um pouco daquilo. Então cada
uma pegou um secador e começou a trabalhar.
Conforme os minutos passavam, e elas continuavam a achar novas mechas que
pingavam, seus rostos começaram a ficar um pouco preocupados. Eu sorri alegremente.
Algumas coisas nem vampiros conseguiam acelerar.
- Ela tem um monte de cabelo – Rosalie comentou numa voz ansiosa.
- Jasper – Alice chamou claramente, porém sem gritar. – Me ache outro secador!
Jasper veio ao resgate delas, se algum jeito chegando com outros dois secadores, que ele
apontou para a minha cabeça, profundamente distraído, enquanto elas continuaram a
trabalharam com os delas.
- Jasper… – eu comecei esperançosa.
- Desculpe, Bella. Não estou autorizado a dizer nada.
Ele escapou agradecido quando finalmente tudo estava seco – e armado. Meu cabelo
ficou uns 7 centímetros acima da minha cabeça.
- O que vocês fizeram comigo? – eu perguntei horrorizada. Mas elas me ignoraram,
pegando uma caixa de babyliss.
Tentei convencê-las que meu cabelo não enrolava, mas elas me ignoraram, empapando
cada mecha em uma coisa amarela antes de colocarem no cilindro quente.
- Você encontrou sapatos? – Rosalie perguntou intensamente enquanto elas
trabalhavam, como se a resposta fosse de vital importância.
- Sim – são perfeitos. – Alice ronronou com satisfação.
Eu vi Rosalie pelo espelho, acenando como se um grande peso tivesse sido tirado de sua
mente.
- Seu cabelo está bonito – eu notei. Não que não era sempre ideal – mas ela tinha
prendido essa tarde, criando uma coroa de cachos dourados e macios em cima de sua
cabeça perfeita.
- Obrigada – ela sorriu. Elas tinham começado a segunda rodada de babyliss agora.
- O que você acha de maquiagem? – Alice perguntou.
-É um tormento – eu tentei. Elas me ignoraram.
- Ela não precisa de muita – a pele dela é melhor limpa. – Rosalie meditou.
- Batom, peloe menos – Alice decidiu.
- E rímel e delineador também – Rosalie acrescentou. – só um pouco.
Eu suspirei alto. Alice riu. – Seja paciente, Bella. Estamos nos divertindo.
- Bom, se vocês estão… – eu murmurei.
Elas terminaram de prender todos os cachos bem apertados e inconfortáveis na minha
cabeça.
- Vamos vesti-la – a voz de Alice tremeu de expectativa. – Ela não esperou eu sair do
banheiro com as próprias pernas. Ao invés ela me levantou e me carregou para o quarto
grande e branco de Rosalie e Emmett. Em cima da cama tinha um vestido. Azul
profundo, é claro.
- O que você acha? – Alice perguntou, estridente.
Essa era uma boa pergunta. Tinha alguns babados, aparentemente feito para ser usado
baixo e sem ombros, com mangas longas e soltas que se fechavam nos pulsos. O tecido
do corpete era cercado por outro tecido azul, pálido e florido, que dobrava para formar
um fino franzido no lado esquerdo. O material do tecido florido era longo nas costas,
mas aberto na frente em várias camadas de renda macia, clareando o tom conforme eles
desciam para a bainha.
- Alice – eu choraminguei. – Não posso usar isso
- Por quê? – ela exigiu numa voz dura.
- A parte de cima é completamente transparente!
- Isso vai por baixo – Rosalie segurou a peça azul clara, de aparência sinistra.
- O que é isso? – eu perguntei temerosa.
- É um espartilho, bobinha – Alice disse, impaciente. – Agora você vai colocá-lo, ou eu
preciso chamar o Jasper e pedir pra ele segurar você enquanto eu coloco? – ela
ameaçou.
- Era pra você ser minha amiga – eu acusei.
- Seja boazinha, Bella – ela suspirou. – Eu não me lembro de ser humana e estou
tentando ter uma diversão substituta aqui. Além do mais, é para o seu bem.
Eu reclamei e fiquei vermelha muitas vezes, mas não demorou muito tempo para elas
me colocarem no vestido. Eu tinha que admitir, o espartilho tinha suas vantagens.
- Nossa – eu tomei fôlego. – Eu tenho um colo.
- Quem diria – Alice riu, encantada com seu trabalho. Mas eu não estava completamente
convencida.
- Você não acha que esse vestido é um pouco… não sei… muito moderna para Forks? –
eu perguntei hesitante.
- Acho que as palavras que você está perguntando são alta costura – Rosalie riu.
- Não é para Forks, é para o Edward – Alice insistiu. – É exatamente certo.
Elas me levaram de volta para o banheiro então, soltando os cachos com os dedos
voando. Para o meu choque, cascadas de cabelo caíram. Rosalie puxou a maioria deles
para cima, cuidadosamente os virando num rabo-de-cavalo que caíram numa linha
grossa nas minhas costas. Enquanto ela trabalhava, Alice rapidamente pintou uma fina
risca preta ao redor dos meus olhos, passou rímel e pintou minha boca atentamente com
um batom vermelho escuro. Então ela lançou-se para fora do quarto e retornou
prontamente com os sapatos.
- Perfeitos – Rosalie suspirou quando Alice os levantou para ser admirados.
Alice amarrou o sapato mortal com habilidade, e então olhou para o meu gesso com um
olhar reflexivo.
- Acho que nós fizemos o possível – ela sacudiu a cabeça tristemente. – Você não acha
que o Carlisle nos deixaria…?
- Duvido – Rosalie respondeu seca. – Alice suspirou.
As duas levantaram as cabeças então.
- Ele voltou – Eu soube a qual “ele” elas se referiam, e eu senti fortes borboletas no meu
estômago.
- Ele pode esperar. Tem mais uma coisa importante – Alice disse firme. Ela me levantou
de novo – uma necessidade, eu tinha certeza de que não conseguiria andar com aquele
sapato – e me carregou para o quarto dela, onde me colocou gentilmente no chão em
frente ao seu espelho grande, de moldura de ouro e estendido.
- Pronto – ela disse. – Vê?
Eu olhei a estranha no espelho. Ela parecia bem alta no sapato de salto alto, com a longa
e estreita linha do vestido apertado ajudando nessa ilusão. O espartilho decotado – onde
a incomum e impressionante linha do busto chamou minha atenção de novo – deixava o
pescoço dela muito longo, assim como a coluna de cachos brilhantes que desciam pelas
suas costas. O azul profundo do tecido era perfeito, destacando o tom de creme da sua
pele de marfim, o rosa da maquiagem em suas bochechas. Ela estava muito bonita, eu
tinha que admitir.
- Ok, Alice – eu sorri. – Eu vejo.
- Não se esqueça – ela ordenou.
Ela me levantou outra vez e me carregou para o topo das escadas.
- Se vire e feche os olhos! – ela mandou para o começo das escadas. – E fique fora da
minha cabeça – não estrague isso.
Ela hesitou, descendo mais devagar que o normal pela escada até que ela pudesse ver
que ele tinha obedecido. E então ela voou pelo resto do caminho. Edward estava parado
na porta, de costas, muito alto e escuro – eu nunca o tinha visto usando preto antes.
Alice de colocou de pé, amaciando as camadas do meu vestido, virando um cacho no
lugar e então ela me deixou lá, indo se sentar no banco do piano para assistir. Rosalie
seguiu para sentar com ela na aduciência.
- Posso olhar? – a voz dele estava intensa de ansiedade – fez meu coração bater
irregular.
- Sim… agora – Alice direcionou.
Ele se virou imediatamente, então congelou, seus olhos cor de topázio arregalados. Eu
podia sentir o calor subindo pelo meu pescoço e colorindo minhas bochechas. Ele estava
maravilhoso; senti uma fagulha do velho medo, de que ele fosse só um sonho, que não
era real. Ele estava usando um smoking, e pertencia a uma tela de cinema, não ao meu
lado. Eu olhei para ele com uma descrença apavorada.
Ele andou lentamente na minha direção, hesitando um passo quando me alcançou.
- Alice, Rosalie… obrigado – ele suspirou sem tirar os olhos de mim. Ouvi Alice rir de
prazer.
Ele deu mais um passo, colocando uma mão fria embaixo do meu queixo, e parando
para colocar os lábios na minha garganta.
- É você – ele murmurou contra a minha pele. Ele se afastou, e havia flores brancas em
sua outra mão.
- Frésia – ele me informou enquanto as colocava nos meus cachos. – Completamente
redundante, considerando a fragrância, claro – ele foi para trás, me olhando de novo.
Sorriu seu sorriso de parar o coração. – Você está absurdamente linda.
- Você roubou minha fala – manti minha voz o mais leve que eu podia. – Justo quando
eu me convenço de que você é real de verdade, você aparece vestido assim e eu fico
com medo de que estou sonhando de novo.
Ele me levantou para seus braços. Ele me segurou perto de seu rosto, seus olhos
queimando que me colocou ainda mais perto.
- Cuidado com o batom! – Alice mandou.
Ele riu com rebeldia, mas deixou sua boca cair para o espaço acima da minha clavícula.
- Você está pronta para ir? – ele perguntou.
- Alguém vai me dizer que ocasião é?
Ele riu outra vez, olhando por cima do ombro para suas irmãs. – Ela não adivinhou?
- Não – Alice deu uma risada. Edward riu junto, satisfeito. Fiz uma careta.
- O que estou perdendo?
- Não se preocupe, você vai descobrir daqui a pouco – ele me garantiu.
- Coloque-a no chão, Edward, para que eu possa tirar uma foto – Esme estava descendo
a escada com uma câmera prateada na mão.
- Fotos? – eu murmurei, quando ele me equilibrou gentilmente no meu pé bom. Estava
começando a ter um mau pressentimento com essa coisa toda. – Você vai aparecer no
filme? – eu perguntei sarcasticamente.
Eu sorriu para mim.
Esme tirou várias fotos de nós, até que o Edward ainda rindo insistiu que iríamos nos
atrasar.
- Nos vemos lá – Alice disse enquanto ele me carregava até a porta.
- Alice vai estar lá? Onde quer que lá seja? – me senti um pouco melhor.
- Com Jasper, e Emmett e Rosalie.
Minha testa enrugou de concentração quando eu tentei desvendar o segredo. Ele abafou
o ris pela minha expressão.
- Bella – Esme me chamou. – Seu pai está no telefone.
- Charlie? – Edward e eu perguntamos simultaneamente. Esme me trouxe o telefone,
mas ele o agarrou quando ela tentou me entregar, me segurando para longe sem esforço
com um braço.
- Hey! – eu protestei, mas ele já estava falando.
- Charlie? Sou eu. O que há de errado? – ele parecia preocupado. Meu rosto
empalideceu. Mas então a expressão dele ficou divertida – e subitamente perversa.
- Dê o telefone para ele, Charlie – deixe-me falar com ele – O que quer que estivesse
acontecendo, Edward estava se divertindo um pouco demais para Charlie estar em
algum perigo. Eu relaxei.
- Olá, Tyler, aqui é Edward Cullen – a voz dele estava muito amigável, na superfície. Eu
a conhecia o bastante para pegar o tom de ameaça. O que o Tyler estava fazendo na
minha casa? A verdade horrorosa começou a me atingir.
- Desculpe se houve algum tipo de erro de comunicação, mas a Bella não está
disponível esta noite – O tom do Edward mudou, a ameaça em sua voz de tornou muito
mais evidente quando ele continuou. – Para ser honesto, ela estará indisponível todas as
noites, para qualquer um que não seja eu mesmo. Sem ofensa. E sinto muito por sua
noite – ele não parecia sentir nenhum pouco. Então fechou o telefone, um sorriso
enorme no rosto.
- Você está me levando para a formatura! – eu acusei furiosamente. Meu rosto e
pescoço ficaram vermelhos de ódio. Eu podia sentir as lágrimas produzidas pela raiva
começando a encher meus olhos.
Ele não estava esperando a força da minha reação, isso era claro. Ele juntou os lábios e
seus olhos escureceram.
- Não seja difícil, Bella.
- Bella, todos nós vamos – Alice encorajou, de repente no meu ombro.
- Por que você está fazendo isso comigo? – eu exigi.
- Será divertido – Alice ainda estava muito otimista.
Mas Edward se curvou para sussurrar no meu ouvido, sua voz de veludo séria. – Você
só é humana uma vez, Bella. Me distraia.
Então ele liberou total força de seus olhos dourados em mim, derretendo minha
resistência com o calor deles.
- Ótimo – eu fiz um biquinho, incapaz de fazer uma cara tão feia como eu teria gostado.
– Eu vou por bem. Mas você verá – eu avisei sinistramente – essa é a má sorte com que
você tem se preocupado. Provavelmente vou quebrar a outra perna. Olha esse sapato! É
um armadilha mortal! – eu estique minha perna boa como evidencia.
- Hmmm – ele olhou para a minha perna por mais tempo do que o necessário, depois
olhou para Alice com os olhos brilhantes. – De novo, obrigado.
- Vai chegar atrasado na casa do Charlie – Esme o lembrou.
- Certo, vamos – ele me girou pela porta.
- Charlie está por dentro disso? – eu perguntei entre dentes.
- Claro – ele sorriu.
Eu estava preocupada, então não notei num primeiro momento. Só estava vagamente
consciente do carro prata e achei que era o Volvo. Mas então ele parou para me colocar
no que achei que era o chão.
- O que é isso? – eu perguntei, surpresa em me encontrar em um cupê. – Onde está o
Volvo?
- O Volvo é o meu carro de todo o dia. – ele me disse cuidadosamente, apreensivo que
eu talvez fosse surtar de novo. – Esse é o carro das ocasiões especiais.
- O que o Charlie vai pensar? – eu balancei a cabeça, desaprovadora, enquanto ele
entrava e ligava o motor. Ele rugiu.
- Ah, a maioria da população de Forks pensa que o Carlisle é um ávido colecionador de
carros – Ele acelerou pela floresta em direção à rodovia.
- E ele não é?
- Não, esse é mais meu hobby. Rosalie coleciona carros também, mas ela prefere brincar
mais com os interiores deles do que dirigi-los. Ela trabalhou bastante nesse aqui para
mim.
Eu ainda estava imaginando o porquê de voltarmos para a casa do Charlie quando ele
estacionou na frente dela. A luz da varanda estava acesa, embora ainda nem fosse pôr-
do-sol. Charlie devia estar esperando, provavelmente espiando pelas janelas agora. Eu
comecei a corar, me perguntando se a primeira reação do meu pai com relação ao
vestido seria mesma que a minha. Edward deu a volta no carro, devagar para ele, para
abrir a minha porta – confirmando as minhas suspeitas de que o Charlie estava
observando.
Então, quando o Edward estava me levantando do carro, Charlie – o que era muito
difícil de fazer – saiu para o jardim para nos receber. Minhas bochechas queimaram;
Edward notou e me olhou curioso. Mas eu nem precisava ter me preocupado. Charlie
nem me viu.
- Isso é um Aston Martin? – ele perguntou a Edward numa voz reverente.
- Sim – o Vanquish – Os cantos de sua boca se viraram, mas ele os controlou.
Charlie soltou um assobio baixo.
- Não quer dar a ela uma tentativa? – Edward segurou a chave.
Os olhos do Charlie finalmente deixaram o carro. Ele olhou para o Edward sem
acreditar – colorido por um pequeno sinal de esperança.
- Não – ele disse, relutante. – O que o seu pai diria?
- Carlisle não vai se importar nenhum pouco – Edward disse sincero. – Vai em frente –
Ele pressionou a chave na mão bem disposta de Charlie.
- Só uma voltinha então… – Charlie já estava alisando o pára-choque com uma mão.
Edward me ajudou a mancar até a porta da frente, me levantando quando estávamos
dentro, e me carregando até a cozinha.
- Funcionou bem – eu disse. – Ele nem teve chance de surtar com o vestido.
Edward piscou. – Não pensei nisso – ele admitiu. Os olhos dele passaram pelo meu
vestido de novo com uma expressão crítica. – Acho que foi bom não termos pego a
picape, clássica ou não.
Eu desviei os olhos sem vontade do seu rosto por tempo o suficiente para notar que a
cozinha estava escura. Tinham velas na mesa, muitas delas, talvez vinte ou trinta velas
altas e brancas. A mesa velha estava coberta com uma toalha grande e longa, assim
como duas cadeiras.
- É nisso que você esteve trabalhando o dia todo?
- Não – isso levou só um segundo. Foi a comida que levou o dia todo. Eu sei que você
acha que restaurantes chiques desnecessários, não que existam muitas escolhas que se
encaixem nessa categoria por aqui, mas decidi que você não podia reclamar sobre a sua
própria cozinha.
Ele me sentou em uma das cadeiras envoltas no pano branco, e começou a tirar coisas
do forno e da geladeira. Notei que só tinha um lugar preparado.
- Não vai alimentar o Charlie também? Ele vai voltar pra casa alguma hora.
- Charlie não agüentava mais comer outro pedaço – quem você achou que foi meu
degustador? Tive que ter certeza de que tudo isso fosse comestível – Ele colocou um
prato na minha frente, cheio de coisas que pareciam muito comestíveis. Suspirei.
- Ainda está brava? – Ele puxou a outra cadeira do outro lado da mesa para que pudesse
sentar ao meu lado.
- Não. Bem, sim, mas não no momento. Só estava pensando – aí se vai, a única coisa
que eu podia fazer melhor que você. Está com uma cara ótima – eu suspirei outra vez.
Ele riu. – Você nem experimentou – seja otimista, talvez esteja horrível.
Eu deu uma mordida, parei, e fiz uma careta.
- Está horrível? – ele perguntou, chocado.
- Não, está deliciosa, naturalmente.
- Que alívio – ele sorriu, tão lindo. – Não fique preocupada, ainda há muitas coisas em
que você é melhor.
- Fale só uma.
Ele não respondeu na hora, só passou seus dedos frios na linha da minha clavícula,
sustentando meu olhar com seus olhos ardentes até que eu senti minha pele queimar e
ficar vermelha.
- Tem isso – ele murmurou, tocando minha bochecha escarlate. – Nunca vi ninguém
corar tão bem como você.
- Maravilha – eu olhei com cara feia. – Reações involuntárias – algo de que eu possa ter
orgulho.
- Você também é a pessoa mais corajosa que eu conheço.
- Corajosa?
- Você passa todo o seu tempo livre na companhia de vampiros; isso exige alguns
nervos. E você não se preocupa em se colocar a uma proximidade arriscada dos meus
dentes…
Eu sacudi a cabeça. – Sabia que você não ia conseguir achar nada.
Ele riu. – Estou falando sério, sabe. Mas não faz mal. Coma – ele pegou meu garfo,
impaciente e começou a me alimentar. A comida estava toda perfeita, lógico.
Charlie voltou para casa quando eu estava quase acabando. Observei sua cara
cautelosamente, mas minha sorte ainda estava presente, ele ainda estava embasbacado
com o carro para notar como eu estava vestida. Ele entregou as chaves de volta para
Edward.
- Obrigado, Edward – ele sorriu sonhador. – Que carrão.
- Não por isso.
- Como tudo ficou? – Charlie olhou meu prato vazio.
- Perfeito – eu suspirei.
- Sabe, Bella, talvez seja melhor você deixá-lo praticar sua culinária para nós outras
vezes – ele aconselhou.
Dei um olhar zangado para Edward. – Tenho certeza que ele vai praticar, pai.
Não foi até nos chegarmos a porta que o Charlie acordou completamente. Edward
estava com os braços ao redor da minha cintura, por equilíbrio e suporte, enquanto eu
avançava com meu sapato instável.
- Hm, você está… muito adulta, Bella – eu podia ouvir o começo da desaprovação
paterna se espalhando.
- Foi a Alice que me vestiu. Não dei muita opinião em nada.
Edward deu uma risadinha tão baixa que só eu escutei.
- Bom, se foi a Alice… – sua voz foi morrendo, e ele de algum jeito ficou mais
tranquilo. – Você está bonita, Bella. Ele fez uma pausa, um brilho malicioso em seus
olhos. – Então, devo esperar mais rapazes de terno aparecerem na minha porta hoje?
Eu gemi e Edward abafou o riso. Como alguém podia ser tão cego quanto o Tyler, eu
não podia imaginar. Não era como se eu e Edward fossemos exatamente secretos na
escola. Nós chegávamos e íamos embora juntos, ele me carregava para todas as aulas,
eu sentava com ele e sua família no almoço todos os dias e ele não era tímido em me
beijar na frente das testemunhas também. Tyler claramente precisava de ajuda
profissional.
- Espero que sim – Edward sorriu para o meu pai. – Tem uma geladeira cheia de sobras
– dia a eles para se servirem.
- Acho que não – aqueles são meus – Charlie sussurrou.
- Anote os nomes para mim, Charlie – o traço de ameaça só era audível para mim.
- Ah, chega! – eu ordenei.
Graças a Deus, nós finalmente entramos no carro e fomos embora.
LUA NOVA
Narcóticos
Eu desmoronei no meu travesseiro, sufocando, minha cabeça girando. Meu braço não
doía mais, mas eu não sabia se era por causa dos remédios ou do beijo. Algo ficou
rondando a minha memória, vago, nos cantos…
- Desculpe – ele disse, e estava sem fôlego também. – Isso passou dos limites.
Para a minha surpresa, eu ri. – Você é engraçado – eu murmurei, e ri novamente.
Ele franziu a testa para mim no escuro. Parecia tão sério. Era engraçado demais.
Eu cobri minha boca para abafar a risada para que o Charlie não escutasse.
- Bella, você já tinha tomado Percocet antes?
- Acho que não – eu ri. – Por quê?
Ele revirou os olhos, e eu não conseguia parar de rir.
- Como está o seu braço?
- Não sinto nada. Ele ainda está aí?
Ele suspirou enquanto eu dava risada. – Tente dormir, Bella.
- Não, eu quero que você me beije de novo.
- Você está superestimando meu autocontrole.
Eu dei outra risada contida. – O que está te incomodando mais, meu sangue ou o meu
corpo? – Minha pergunta me fez rir.
- É um empate – ele sorriu sem vontade. – Nunca a vi alterada. Você fica muito
interessante.
- Não estou alterada – eu tentei evitar os risinhos para provar.
- Durma – ele sugeriu.
Eu percebi que estava me fazendo de tonta, o que não era muito incomum, mas ainda
era vergonhoso, então tentei seguir o conselho dele. Coloquei minha cabeça em seu
ombro outra vez e fechei meus olhos. Uma vez ou outra risada escapava. Mas elas
ficaram menos freqüentes quando os remédios me acalmaram até eu ficar inconsciente.
Me senti completamente péssima de manhã. Meu braço queimava e minha cabeça
latejava. Edward disse que eu estava de ressaca, e recomendou Tylenol ao invés de
Percocet antes de beijar a minha testa e sair pela janela.
Não ajudou minha perspectiva que o rosto dele estava indiferente e remoto. Eu estava
com muito medo das conclusões a que ele podia ter chegado durante a noite, enquanto
me via dormir. A ansiedade pareceu aumentar a intensidade das dores na minha cabeça.
Eu tomei duas doses do Tylenol, jogando o frasquinho de Percocet na cesta de lixo do
banheiro.
A bolsa de estudos
Cena um: um dia depois da Bella ter assistido ao filme de zumbi com a Jéssica.
Eu ainda sentia falta de Phoenix em raras ocasiões, quando provocada. Agora, por
exemplo, enquanto eu me dirigia ao Banco Federal de Forks para depositar meu
pagamento. O que eu não daria para a conveniência de um caixa eletrônico. Ou pelo
menos o anonimato de um estranho atrás do balcão.
- Boa tarde, Bella – a mãe da Jéssica me cumprimentou.
- Oi, Sra. Stanley.
- Foi tão bom que você pôde sair com a Jéssica a noite passada. Faz bastante tempo –
ela estalou a língua para mim, sorrindo para fazer o som mais amigável. Algo na minha
expressão devia estar errado, porque o sorrido de repente murchou, e ela passou a mão,
nervosa, pelo cabelo, onde ficou presa por um minuto; o cabelo dela era tão enrolado
quanto o da Jéssica, e caía numa disposição dura de cachos rígidos.
Eu sorri de volta, percebendo que foi um segundo tarde demais. Meu tempo de reação
estava enferrujado.
- É – eu disse, num tom que esperava que fosse sociável. – Eu estive muito ocupada,
sabe. Escola… trabalho… – eu lutei pra achar mais alguma coisa para acrescentar a
minha lista curta, mas não achei nada.
- Claro – ela sorriu mais calorosamente, provavelmente feliz que minha resposta parecia
de algum jeito normal e bem ajustada.
De repente me ocorreu que talvez eu não estivesse enganada quando pensava que essa
fosse a razão por trás do sorriso dela. Quem sabe o que a Jéssica tinha falado pra ela
sobre a noite passada? O que quer que tenha sido, não era totalmente confirmado. Eu
era a filha da ex excêntrica do Charlie – insanidade podia ser genético. Associada com
os doidos da cidade; eu pulei essa, me encolhendo. Vítima de um coma ambulante. Eu
decidi que havia um belo dum motivo para eu ser doida, mesmo sem contar as vozes
que eu escutava na minha cabeça agora, e me perguntei se a Sra. Stanley realmente
pensava isso.
Ela devia ter visto a reflexão nos meus olhos. Ela desviou o olhar rapidamente, para as
janelas atrás de mim.
- Trabalho – eu repeti, chamando sua atenção outra vez enquanto colocava meu cheque
no balcão. – Que é a razão de eu estar aqui.
Ela sorriu de novo. O batom dela estava sumindo conforme o dia passava, e era claro
que ela tinha feito o desenho maior do que seus lábios eram de verdade.
- Como estão as coisas nos Newton? Ela perguntou alegremente.
- Bem. A temporada está começando a esquentar – eu respondi automaticamente,
embora ela passasse na frente do estacionamento da loja Olympic de Equipamentos todo
dia – ela já devia ter visto os carros desconhecidos. Ela provavelmente conhecia os altos
e baixos do negócio de mochileiros melhor do que eu.
Ela acenou distraída enquanto digitava no computado à sua frente. Meus olhos vagaram
através do balcão escuro, com suas linhas laranja brilhantes, com os enfeites nos cantos.
As paredes e o tapete tinham sido trocados para um cinza mais neutro, mas o balcão era
a prova da antiga decoração do prédio.
- Hmmm – O murmúrio da Sra. Stanley estava um tom mais alto que o normal. Eu olhei
de volta para ela, só meio interessada, imaginando se tinha alguma aranha na mesa que
a tinha assustado.
Mas os olhos dela ainda estavam grudados na tela do computador. Seus dedos sem se
mover agora, a expressão dela surpresa e desconfortável. Eu esperei, mas ela não disse
mais nada.
- Há algo errado? – Os Newton estavam tentando passar cheques sem fundo?
- Não, não – ela sussurrou rapidamente, olhando para mim com um brilho estranho nos
olhos. Ela parecia estar reprimindo algum tipo de excitação. Me lembrou da Jessica
quando tinha alguma fofoca nova que estava morrendo para contar.
- Você gostaria de uma cópia do seu saldo? – A Sra. Stanley perguntou ansiosa. Não era
um hábito meu – minha conta crescia tão devagar e previsivelmente que não era difícil
fazer as contas na minha cabeça. Mas a mudança no tom dela me deixou curiosa. O que
tinha na tela do computador que a deixou tão fascinada?
- Claro – eu concordei.
Ela apertou uma tecla e a impressora cuspiu um documento pequeno.
- Aqui está – ela tirou o papel com tanta vontade que rasgou na metade.
- Opa, desculpe por isso – ela deu a volta no balcão, sem encontrar meu olhar curioso,
até que encontrasse uma fita crepe. Ela juntou os dois pedaços e me entregou.
- Er, obrigado – eu murmurei. Com o papel em mãos, eu me virei para sair, olhando
rápido para ver se conseguia adivinhar qual era o problema da Sra. Stanley.
Eu achava que a minha conta devia ter US$ 1535,00. Estava errada, tinha US$ 1535, 60.
E também tinha 20 mil dólares a mais.
Eu congelei onde estava, tentando entender os números. A conta estava com 20 mil
dólares a mais antes do meu depósito de hoje, que tinha sido feito corretamente.
Por um breve momento eu considerei fechar minha conta imediatamente. Mas,
suspirando uma vez, eu voltei para o balcão onde a Sra. Stanley estava esperando, com
olhos vivos e interessados.
- Houve algum tipo de erro no computador, Sra. Stanley – eu disse a ela, entregando o
pedaço de papel. – Só devia ter US$ 1535.
Ela riu conspiratoriamente. – Eu achei que era meio estranho.
- Nos meus sonhos, NE? – eu ri de volta, impressionada com a normalidade do meu
tom.
Ela digitou ligeira.
- Vejo o problema aqui… mostra um depósito feito há três semanas de 20 mil dólares
de… hmmm, outro banco, me parece. Eu imagino que alguém tenha colocado os
números errados.
- Vou me encrencar muito se fizer uma retirada? – eu provoquei.
Ela riu distraída enquanto continuava a digitar.
- Hmmm – ela disse de novo, sua testa franzindo em três rugas fundas. – Parece que foi
uma transferência internacional. Não recebemos muitas dessas. Sabe o quê? Vou pedir
para a Sra. Gerandy olhar isso aqui… – a voz dela foi sumindo enquanto ela se afastava
do computador, seu pescoço se espichando para olhar a porta atrás dela. – Charlotte,
está ocupada? – ela chamou.
Não houve resposta. A Sra. Stanley ignorou o silencio e andou até a porta dos fundos
onde os gabinetes deveriam estar.
Eu a olhei por um minuto, mas ela não reapareceu. Eu me virei e encarei sem ver as
janelas, observando a chuva cair pelo vidro. A chuva caía em jorros imprevisíveis, por
vezes pingando para os lados. Eu não contei o tempo que fiquei esperando. Eu tentei
deixar minha mente vagar, neutra, não pensando em nada, mas eu não conseguia
retornar ao estado de semi consciência.
Eventualmente eu escutei as vozes atrás de mim de novo. Eu me virei e vi a Sra. Stanley
e a esposa do Dr. Gerandy vindo até a sala da frente com o mesmo sorriso educado nos
dois rostos.
- Me desculpe sobre isso, Bella – Sra. Gerandy disse. – Eu consigo arrumar isso com
um simples e curto telefonema. Você pode esperar se quiser. – Ela fez um gesto para a
fileira de cadeiras contra a parede. Parecia que elas eram do conjunto de uma mesa de
jantar de alguém.
- Ok – eu concordei. Andei até as cadeiras e sentei bem no meio, de repente desejando
que tivesse um livro. Não tinha lido nada por algum tempo, fora da escola. E mesmo
assim, quando alguma história de amor ridícula fazia parte do currículo, eu trapacearia
com notas prontas. Era um alívio estar trabalhando com A Revolução dos Bichos por
hora. Mas tinha que ter mais livros seguros. Thrillers policiais. Assassinatos. Mistério.
Assassinatos terríveis não eram um problema; contanto que não houvesse nenhum sub-
trama com envolvesse olhos brilhantes e romance.
Demorou tanto que eu fiquei irritada. Estava entediada de ficar olhando para a sala
cinza, sem nenhum quadro para aliviar a inexpressividade das paredes. Não conseguia
ver a Sra. Stanley enquanto ela mexia em uma pilha de papeis, parando uma hora ou
outra para digitar algo no computador – ela olhou para mim uma vez, e quando pegou
meu olhar, pareceu desconfortável e deixou cair um arquivo. Eu podia ouvir a Sra.
Gerandy sussurrando, a voz dela indo e vindo da sala dos fundos, mas não era clara o
bastante para falar qualquer coisa além de que ela tinha mentido sobre o telefonema ser
curto. Estava demorando tanto que era impossível para qualquer pessoa evitar de deixar
a mente vagar por aí, e se isso não terminasse logo, eu não seria capaz de evitar
também. Eu teria que pensar. Entrei em pânico de novo, tentando encontrar um
pensamento seguro.
Fui sala pela volta da Sra. Gerandy. Eu sorri agradecida para ela quando passou pela
porta, seu cabelo grosso e claro chamando a minha atenção.
- Bella, se importaria de se juntar a mim? – ela perguntou, e eu percebi que ela estava
com um telefone pressionado contra sua orelha.
- Claro – eu murmurei quando ela desapareceu.
A Sra. Stanley tinha destrancado a metade da porta no final do balcão para me deixar
passar. O sorriso dela estava ausente, e ela não encontrou meu olhar. Eu tinha certeza
absoluta que ela estava planejando em escutar a conversa.
Minha mente correu pelas possibilidades enquanto eu ia para o gabinete. Alguém estava
desviando dinheiro através da minha conta. Ou talvez o Charlie estivesse aceitando
subornos e eu estava estragando o disfarce dele. Mas quem teria esse tanto de dinheiro
para subornar o Charlie? Talvez o Charlie estivesse na máfia, aceitando subornos, e
usando a minha conta para lavar dinheiro. Não, eu não conseguia imaginar o Charlie na
máfia. Talvez fosse o Phil. Afinal eu não conhecia muito bem o Phil, conhecia?
A Sra. Gerandy ainda estava no telefone, e acenava com o queixo para uma cadeira de
metal que estava na frente de sua mesa. Ela estava rabiscando rapidamente no verso de
um envelope. Eu sentei, me perguntando se o Phil tinha um passado negro, e se eu ia
para a cadeia.
- Obrigada, sim. Bem, acho que isso é tudo. Sim, sim. Muito obrigada por sua ajuda – a
Sra. Gerandy deu um sorriso antes de desligar. Ela não parecia brava ou triste. Mais
animada e confusa. O que me lembrou da Sra. Stanley na outra sala. Eu brinquei com a
idéia de assustá-la por um segundo.
Mas a Sra. Gerandy falou.
- Bom, eu acho que tenho noticias muito boas para você… embora eu não tenha idéia
porquê você ainda não ficou sabendo nada disso – Ela me olhou criticamente, como se
esperasse que eu batesse na testa e dissesse ”ah, AQUELES vinte mil dólares! Fugiu da
minha mente completamente!”
- Boas notícias? – a ficha caiu. As palavras implicavam que esse erro era complicado
demais para ela resolver, e ela estava com a impressão de que eu estava mais rica do que
há alguns instantes.
- Bom, se você não sabe mesmo… então parabéns! Você foi premiada com um bolsa de
estudos da… – ela olhou para baixo e leu suas anotações. – Fundação Pacífica do
Noroeste.
- Uma bolsa de estudos? – eu repeti sem acreditar.
- Sim, não é emocionante? Meu Deus, você vai poder ir para qualquer faculdade que
quiser!
Foi naquele exato momento, enquanto ela ria feliz com a minha boa sorte, que eu
descobri exatamente de onde aquele dinheiro tinha vindo. Fora o ataque de raiva
repentino, a suspeita, o ultraje e a dor, eu tentei falar calmamente.
- Uma fundação que deposita uma bolsa de estudos de vinte mil dólares direto na minha
conta – eu notei. – Ao invés de pagar na minha escola. Sem poder ter certeza alguma
que eu use o dinheiro para pagar a faculdade.
Minha reação a deixou confusa. Ela pareceu ficar ofendida com as minhas palavras.
- Seria muito insensato não usar esse dinheiro para o propósito que foi dado, Bella,
querida. Essa é uma oportunidade única.
- É claro – eu disse amargamente. – E essa Fundação Pacífica do Noroeste menciona
porquê eles me escolheram?
Ela olhou para as notas de novo, suas sobrancelhas ligeiramente erguidas pelo meu tom.
- É muito prestigio – eles não dão uma bolsa de estudos como premio todos os anos.
- Aposto que não.
Ela me olhou e desviou o olhar rapidamente. – O banco em Seattle que cuida da
fundação me encaminhou para um homem que administra a distribuição das bolsas. Ele
disse que essa bolsa é entregue baseada no mérito, sexo e localização. É direcionada a
estudantes mulheres em cidades pequenas que não tem as oportunidades disponíveis em
cidades maiores.
Parecia que alguém achava que estava sendo engraçado.
- Mérito? – eu perguntei desaprovadoramente. – Eu estou na média, tiro notas oito.
Posso nomear três garotas em Forks com notas melhores do que eu, e uma delas é a
Jessica. Além do que – eu nunca me inscrevi para nenhuma bolsa de estudos.
Ela estava muito perturbada agora, pegando a caneta e deixando-a cair de novo,
mexendo no pingente que usava entre o dedão e o indicador. Ela olhou pelas notas outra
vez.
- Ele mencionou que – ela manteve os olhos no envelope, sem ter certeza do que fazer
com a minha reação. – Eles não recebem inscrições. Eles pegam as inscrições rejeitadas
para outras bolsas e escolhem alunos que acham que foram olhados com pouco caso.
Eles acharam o seu nome em uma inscrição que você mandou para receber uma bolsa
por mérito para a Universidade de Washington.
Eu senti os cantos da minha boca caírem. Eu não sabia que aquela inscrição tinha sido
rejeitada. Era algo que eu tinha preenchido há tanto tempo, antes de…
Eu não tinha tentando nenhuma outra possibilidade, embora os prazos de entrega para as
inscrições estavam passando. Eu não conseguia me concentrar no futuro. Mas a
Universidade de Washington era o único lugar que podia me manter perto de Forks e do
Charlie.
- Como eles conseguem as inscrições rejeitadas? – eu perguntei monotonamente.
- Não tenho certeza, querida – a Sra. Gerandy estava triste. Ela queria animação e estava
conseguindo hostilidade. Eu queria que tivesse um jeito de explicar que toda a
negatividade não era para ela. – Mas o administrador deixou o numero do telefone dele
se eu tivesse alguma pergunta – pode ligar você mesma. Eu tenho certeza de que ele
pode garantir que esse dinheiro é mesmo para você.
Eu fiquei na dúvida com essa. – Eu gostaria do número dele.
Ela escreveu depressa em um pedaço de papel amassado. Tomei nota mental de doar
anonimamente alguns post its para o banco.
O número era de longa distância. – Ele não deixou nenhum email? – eu perguntei cética.
Não queria aumentar demais a conta do Charlie.
- Na verdade, ele deixou – ela sorriu, feliz de ter algo que eu quisesse. Ela se esticou por
cima da mesa para escrever outra coisa no papel.
- Obrigada, vou entrar em contato com ele assim que chegar em casa – Minha boca era
uma linha fina.
- Querida – a Sra. Gerandy disse hesitante. – Você deveria ficar feliz com isso. É uma
grande oportunidade.
- Eu não vou receber vinte mil dólares sem merecer – eu rebati, tentando manter um tom
de insulto fora da minha voz.
Ela mordeu o lábio e olhou para baixo de novo. Ela achava que eu era doida também.
Bem, eu iria fazê-la falar em voz alta.
- O que? – eu exigi.
- Bella… – ela pausou e eu esperei de dentes cerrados. – É muito mais que vinte mil
dólares.
- Perdão? – eu engasguei. – Mais?
- Vinte mil dólares é o pagamento inicial, no caso. De agora em diante você receberá
cinco mil dólares todos os meses até o final de sua carreira acadêmica. Se você se
matricular em uma faculdade, a fundação vai continuar a paga-la! – ela ficou animada
outra vez enquanto me contava isso.
Eu não consegui falar a principio, estava lívida de fúria. Cinco mil dólares por tempo
ilimitado. Eu queria esmagar alguma coisa.
- Como? – eu consegui dizer.
- Não entendo o que quer dizer.
- Como eu vou receber cinco mil dólares por mês?
- Será depositado na sua conta aqui – ela respondeu, perplexa.
Houve uma pausa pequena.
- Vou fechar essa conta agora – eu disse numa voz seca.
Levou quinze minutos para eu convencê-la de que estava falando a verdade. Ela tinha
um suprimento inesgotável de razões do quê isso era uma má idéia. Eu discuti nervosa
até que finalmente me ocorreu que ela estava preocupada em me dar os vinte mil. Eles
tinham tanto dinheiro assim por aqui?
- Olha, Sra. Gerandy – eu a assegurei. – Eu só quero sacar meus 1500 dólares Iria
agradecer muito se você devolvesse o resto do dinheiro para a conta de onde ele veio.
Eu vou resolver isso com esse – eu olhei o papel – Sr. Issac Randall. É realmente um
erro.
Isso pareceu tranqüilizá-la.
Uns vinte minutos mais tarde, com 15 rolinhos de notas de cem, uma de vinte, uma de
dez, uma de cinco, uma de um, e mais cinqüenta centavos no meu bolso, eu escapei do
banco aliviada. A Sra. Stanley e a Sra. Gerandy ficara lado a lado no balcão, me
encarando de olhos arregalados.
***
Cena dois: a mesma noite, depois de comprar as motos e visitar Jacob pela primeira
vez…
Eu fechei a porta atrás de mim e tirei o meu fundo da faculdade do bolso. Parecia bem
pequeno na palma da minha mão. Enfiei tudo no dedão de uma meia sem par e coloquei
na gaveta de calcinhas. Provavelmente não era o lugar mais original, mas eu me
preocuparia em ser criativa depois.
No outro bolso estava o pedaço rasgado de papel com o numero do telefone e email do
Isaac Randall. Eu tirei de lá e coloquei perto do teclado do meu computador, então
liguei, batendo o pé enquanto a tela lentamente brilhava para a vida.
Depois que eu me conectei, abri minha conta de email gratuita. Eu adiei, dando tempo
para deletar a montanha de spam que tinha se criado nos poucos dias desde que eu tinha
escrito o email para a Renée. Eventualmente eu fiquei sem ter o que fazer, e abri uma
caixa para escrever uma nova mensagem.
O email era endereçado a “irandall”, então eu presumi que iria diretamente ao homem
que eu queria.
Caro Sr. Randall, eu escrevi.
Espero que você se lembra da conversa que teve nesta manha com a Sra. Gerandy, do
Banco Federal de Forks. Meu nome é Isabella Swan, e aparentemente você está com a
impressão que eu fui premiada com uma bolsa de estudos muito generosa da Fundação
Pacífica do Noroeste.
Peço desculpas, mas eu não posso aceitar essa bolsa. Eu pedi para que o dinheiro que
eu já recebi seja devolvido para a conta de onde ele veio, e fechei minha conta no
Banco Federal de Forks. Por favor, premie outra pessoa para um candidato diferente.
Obrigada, I. Swan
Tentei algumas vezes até deixar pronto – formal, sem duplos sentidos. Eu li mais duas
vezes antes de enviá-lo. Não tinha certeza que tipo de instruções esse Sr. Randall havia
recebido sobre a falsa bolsa de estudos, mas eu não conseguia ver nenhum furo em
minha resposta.
***
Cena três: algumas semanas depois, logo depois do “encontro” de Bella e Jacob com
as motos…
Quando eu voltei, peguei a correspondência na entrada. Passei rapidamente pelas contas
e anúncios, até que cheguei a ultima carta da pilha.
Era um envelope normal de negócios, endereçado a mim – meu nome escrito a mão, o
que era incomum. Eu olhei para o endereço de retorno interessada.
Interesse que rapidamente virou náusea. A carta era da Divisão de Bolsas de Estudo da
Fundação Pacífica do Noroeste. Não havia endereço de rua embaixo do nome.
Era só o reconhecimento oficial da minha recusa, eu disse a mim mesma. Não havia
razão para se sentir nervosa. Nenhum razão, exceto pelo pequeno detalhe que se eu
pensasse sobre qualquer parte disso muito a fundo, eu podia ir em espiral direto para
terra zumbi. Só isso.
Eu joguei o resto da correspondência na mesa para o Charlie, juntei meus livros do chão
da sala de estar, e corri para cima. Uma vez em meu quarto, eu tranquei a porta e
rasguei o lacre do envelope. Eu tinha que me lembrar de ficar com raiva. Raiva era a
chave.
Cara Srta. Swan,
Permita-me parabenizá-la formalmente por ser premiada com a prestigiosa Bolsa de
Estudos J. Nicholls da Fundação Pacífica do Noroeste. Essa bolsa de estudos não é
concedida frequentemente, e você deveria ficar orgulhosa em saber que o Comitê de
Bolsas de Estudo escolheu o seu nome unanimemente para receber a honra.
Tem havido algumas dificuldades em entregar o dinheiro do seu prêmio, mas por favor,
não se preocupe. Eu mesmo vou garantir que você não tenha nem a menor das
inconveniências. Você encontrará junto com essa carta um cheque próprio de vinte e
cinco mil dólares; a bolsa inicial mais o seu primeiro auxilio mensal.
Mais uma vez eu a parabenizo por sua conquista. Por favor aceite os melhores desejos
de sucesso de toda a Corporação Pacífica do Noroeste para a sua carreira acadêmica.
Atenciosamente,
I. Randall
Raiva não era o problema.
Eu olhei para o envelope e, claro, lá estava o cheque.
- Quem é essa gente? – eu rosnei entre dentes, amassando a carta, com uma mão só, até
virar uma bola apertada.
Eu pisei furiosamente até a lata de lixo, para achar o número de telefone do Sr. I.
Randall. Não estava nem aí que era chamada de longa distancia – essa seria uma
conversa bem curta.
- Ah, merda – eu sibilei. A lata estava vazia. Charlie tinha tirado o lixo.
Eu joguei o envelope com o cheque na cama e alisei a carta. Era feita em papel de
empresa, com as palavras Departamento Das Bolsas de Estudo da Fundação Pacifica
do Noroeste escritas em verde escuro na parte de cima, mas não havia nenhuma
informação, nenhum telefone.
- Que porcaria.
Eu caí na beirada da minha cama para pensar com clareza. Obviamente, eles iriam me
ignorar. Eu não podia ter deixado minhas intenções mais claras, então isso não tinha
nenhum erro de comunicação. Provavelmente não faria diferença alguma se eu ligasse.
Então havia só uma coisa a ser feita.
Eu amassei o envelope com o cheque outra vez e desci a escada.
Charlie estava na sala de estar, com a TV ligada alto.
Fui até a pia e coloque as bolas de papel nela. Então eu remexi a nossa gaveta de
porcarias até achar uma caixa de fósforos. Eu risquei um, e encostei cuidadosamente
numa fissura do papel. Risquei mais um, e fiz a mesma coisa. Quase fui para um
terceiro, mas o papel já estava em chamas alegres, então não tinha necessidade.
- Bella? – Charlie chamou mais alto que a TV.
Eu girei a torneira rapidamente, sentindo satisfação quando a água bateu nas chamas,
transformando tudo numa meleca fedida.
- Sim, pai? – eu coloquei os fósforos de volta na gaveta, e a fechei silenciosamente.
- Está sentindo cheiro de queimado?
- Não, pai.
- Hmm.
Eu limpei a pia, me certificando que toda a gosma tinha descido pelo cano, e então
liguei o triturador de lixo para garantir.
Voltei para o meu quarto, me sentindo muito mais calma. Eles podiam mandar quantos
cheques eles quisessem, eu pensei cruelmente. Eu sempre podia comprar mais fósforos
quando aqueles acabassem.
***
Cena quatro: durante o tempo que Jacob a está evitando…
Na soleira da porta tinha um pacote do FedEx. Eu peguei curiosamente, esperando um
endereço da Florida, mas era de Seattle. Não havia nenhum remetente listado do lado de
fora da caixa.
Estava endereçado a mim, não ao Charlie, então eu o levei para a mesa e rasguei o lacre
para abrir.
Assim que eu vi a letra verde do logo da Fundação Pacifica do Noroeste, eu senti como
se a infecção do estomago tivesse voltado. Desabei na cadeira mais próxima, encarando
a carta, a raiva crescendo lentamente.
Eu nem conseguia me fazer lê-la, embora não fosse longa. Eu retirei de dentro, coloquei
de cabeça para baixo na mesa, e olhei de volta para a caixa, relutante, para ver o que
tinha. Era um envelope grosso feito em papel-manilha. Eu estava com medo de abri-lo,
mas com raiva o suficiente para tirá-lo lá de dentro.
Minha boca se tornou uma linha dura conforme eu rasgava o papel, sem me importar
com o selo. Eu já tinha bastante com o que lidar no momento. Não precisava da
lembrança nem da irritação.
Eu fiquei chocada, e mesmo assim, surpresa. O que mais poderia seria senão isso – três
montes espessos de notas, empilhados com elásticos grossos? Eu nem tinha que olhar
para os números. Sabia exatamente o quanto eles estariam tentando forçar para mim.
Seriam trinta mil dólares.
Eu peguei o envelope cuidadosamente quando levantei, e me virei para jogá-lo na pia.
Os fósforos estavam bem em cima na gaveta de tranqueiras, bem onde eu tinha deixado.
Eu tirei um e o acendi.
O fogo foi chegando cada vez mais perto e mais perto dos meus dedos enquanto eu
encarava o envelope idiota. Não conseguia fazer meus dedos o deixarem cair. Balancei
o fósforo antes que ele me queimasse, meu rosto se transformando numa careta de nojo.
Eu peguei a carta da mesa, amassando até que virasse uma bola, e jogando outra divisão
da pia. Acendi outro fósforo e o encostei no papel, observando com um prazer sinistro
enquanto o fogo o consumia. Esquentou rápido. Me estiquei para pegar outro fósforo.
Outra vez, eu o segurei, queimando, perto do envelope. De novo, queimou quase até os
meus dedos antes que eu jogasse no envelope que já era um monte de cinzas. Mas eu
não conseguia simplesmente queimar trinta mil dólares.
Então o que eu ia fazer com o dinheiro? Não tinha endereço para retorno – eu tinha
quase certeza que a companhia nem existia.
Então me ocorreu que eu tinha sim, outro endereço.
Coloquei o dinheiro dentro da caixa do FedEX, tirando a etiqueta de destinatário, para o
caso de se alguém encontrasse a caixa, não teria como me ligar ao dinheiro, e voltei para
a minha picape, resmungando incoerentemente pelo caminho. Eu prometi a mim mesma
que iria fazer algo especialmente imprudente com a moto essa semana. Eu pularia no ar
se precisasse.
Eu odiei cada metro da viagem enquanto passava pelas arvores sombrias, trincando os
dentes até que meu maxilar doesse. Os pesadelos seriam horríveis essa noite – eu estava
provocando. As árvores se abriram nas samambaias, eu dirigi mais rápido e com mais
raiva por elas, deixando uma marca dupla de galhos quebrados e molhados atrás de
mim. Eu parei quase nos degraus da frente, deixando na banguela.
A casa estava exatamente a mesma, dolorosamente vazia, morta. Eu sabia que estava
projetando meus sentimentos à aparência dela, mas isso não mudava o jeito que ela
parecia pra mim. Tomando cuidado para não olhar pelas janelas, eu andei até a porta da
frente. Eu desejei desesperadamente para ser o zumbi por só um minuto, mas a
dormência tinha ido embora para sempre.
Eu deixei a caixa cuidadosamente no degrau da casa abandonada, e me virei para ir
embora.
Eu parei no primeiro degrau. Não podia só deixar uma pilha de dinheiro na frente da
porta. Era quase tão ruim quanto queimá-la.
Com um suspiro, mantendo meus olhos baixos, eu virei e peguei a caixa ofensiva.
Talvez eu doasse anonimamente para uma boa causa. Caridade para pessoas com
doenças sanguíneas, ou algo assim.
Mas eu estava sacudindo a cabeça quando voltei para a picape. Era o dinheiro dele, e,
droga, ele ia ficar com ele. Se fosse roubado da frente da casa dele, então era culpa dele,
e não minha.
Minha janela estava aberta, e ao invés de sair, eu só atirei a caixa na direção da porta
com o Maximo de força que pude reunir.
Eu nunca tinha tido a melhor pontaria. A caixa se chocou ruidosamente contra a janela
da frente, deixando um buraco tão grande que era como se eu tivesse jogado uma
maquina de levar.
- Ah, que merda! – eu ofeguei em voz alta, cobrindo meu rosto com as mãos.
Eu devia ter sabido que, não importa o que eu fizesse, só deixaria as coisas piores.
Por sorte, o ódio voltou nessa hora. Isso era culpa dele, eu me lembrei. Eu só estava
devolvendo as coisas dele. Era problema dele se ele tinha tornado essa tarefa tão difícil.
Além do mais, o barulho do vidro quebrando era legal – me fez sentir um pouco melhor,
de um jeito perverso.
Eu não tinha me convencido completamente, mas eu tirei a picape da banguela e dirigi
de volta mesmo assim. Isso era o mais próximo de devolver o dinheiro para onde ele
pertencia. E agora eu tinha feito uma caixa de correio pra lá de boa para as contas dos
próximos meses. Era o melhor que eu podia fazer.
Eu repensei cem vezes depois que cheguei em casa. Procurei na agenda de telefones,
algum número para vidraceiros, mas não tinha ninguém desconhecido para me ajudar. E
como eu explicaria o endereço? O Charlie me prenderia por vandalismo?
***
Cena cinco: a primeira noite que Alice volta depois de ver Bella “cometendo
suicídio”…
- Jasper não quis vir com você?
- Ele não aprova a minha interferência.
Eu funguei. – Você não é a única.
Ela ficou rígida, depois relaxou. – Isso tem alguma coisa a ver com o buraco na janela
da frente da minha casa e uma caixa cheia de notas de cem dólares no chão da sala de
estar?
- Tem sim – eu disse nervosa. – Desculpe pela janela. Foi um acidente.
- Normalmente é assim com você. O que ele fez?
- Algo chamado Fundação Pacifica do Noroeste me premiou com uma bolsa de estudos
muito estranha e persistente. Não foi bem disfarçado. Quer dizer, eu não posso imaginar
que ele queria que eu soubesse que era ele, mas eu espero que ele ao pense que eu sou
assim tão burra.
- Por que, aquele traidor…? – Alice murmurou.
- Exatamente.
- E ele me disse para não olhar – Ela sacudiu a cabeça, irritada.
***
Cena seis: com Edward na noite depois da Itália, no quarto da Bella…
- Tem algum motivo pelo qual o perigo não pode resistir a você mais que eu resisto?
- O perigo não tenta – eu murmurei.
- É claro, parece que você andou muito ocupada procurando pelo perigo. O que você
estava pensando, Bella? Eu vi na cabeça do Charlie o numero de vezes que você foi
para o pronto socorro. Mencionei que estou bravo com você?
A voz dele parecia mais magoada do que nervosa.
- Por quê? Não é da sua conta – eu disse, envergonhada.
- Na verdade, eu me lembro de você me prometendo especificamente não fazer nada
imprudente.
Minha resposta foi rápida. – E você não me prometeu algo sobre “não interferir”?
- Enquanto você estava quebrando sua promessa – ele qualificou cuidadosamente. – eu
estava mantendo meu lado do acordo.
- Ah, verdade? Três palavras, Edward: Fundação. Pacifica. Noroeste.
Ele ergueu a cabeça para me olhar; sua expressão era confusa e inocente – inocente
demais. Foi ela que o entregou. – É pra isso fazer algum sentido para mim?
- Isso é insultante – eu reclamei. – Você acha que eu sou assim tão burra?
- Eu não tenho idéia do que você está falando – ele disse, olhos arregalados.
- Que seja – eu resmunguei.
***
Cena sete, a conclusão desse extra: na mesma noite/manhã, quando eles chegam na
casa dos Cullen para a votação…
De repente, a luz da varanda acendeu, e eu pude ver Esme parada à porta. Seu cabelo
caramelo ondulado para trás, e ela tinha algum tipo de toalha na mão.
- Estão todos em casa? – eu perguntei esperançosamente quando subimos as escadas.
- Sim, estão – Quando ela falou, as janelas abruptamente se encheram de luz. Eu olhei
atrás da mais próxima para ver quem tinha nos notado, mas a panela cheia de estilhaços
grossos e cinzas na frente da janela chamou a minha atenção. Eu olhei para a perfeição
do vidro, e percebi o que a Esme estava fazendo na varanda com uma toalha.
- Ah, droga, Esme! Sinto muito mesmo pela janela! Eu ia -
- Não se preocupe – ela me interrompeu com uma risada. – Alice me contou a historia, e
tenho que dizer, eu não teria culpado você por ter feito isso de propósito – Ela olhou
para seu filho, que estava me encarando.
Eu levantei uma sobrancelha. Ele desviou o olhar e murmurou algo indistinto sobre
cavalos dados.
Se Jacob não tivesse quebrado as regras
- Como nós vamos sair daqui? – eu tossi e cospi as palavras. Estava com tanto frio agora
que não conseguia sentir muita coisa além do calor do corpo dele enquanto ele me
carregava cuidadosamente acima das ondas, e a dor nas minhas costas. Parecia que a
corrente estava arrastando as minhas pernas, se recusando a desistir, mas elas estavam
entorpecidas e talvez eu só estivesse imaginando.
- Eu vou carregar você até a praia. Você vai ficar mole como se estivesse inconsciente e
não vai lutar. Isso deixará as coisas mais fáceis.
- Jake – eu disse ansiosamente. – A água é forte demais. Você provavelmente não vai
conseguir sozinho, quem dirá me levando.
- Eu puxei você pra fora, não puxei? – ele me apertou forte demais para que eu visse seu
rosto, mas a voz dele parecia um pouco convencida.
- Você puxou – eu concordei incerta. – Como? A correnteza…
- Eu sou mais forte que você.
Eu teria concordado, mas a água decidiu sair do meu estomago bem na hora.
- Ok – ele disse quando eu terminei de vomitar. – Preciso tirar você daqui. Lembre-se,
fique parada.
Eu estava fraca demais para discutir, mas estava aterrorizada demais de deixar a
segurança da pedra e deixar as ondas virem pra cima de mim de novo. Tão recuperada
quando eu estava há dois minutos sobre a idéia de me afogar, agora eu estava com
medo. Eu não queria voltar para o escuro. Não queria que a água cobrisse meu rosto de
novo.
Eu pude sentir quando o Jacob pulou da pedra. Estava de costas e ele ainda estava me
segurando embaixo dos braços quando ele deu o impulso. A água barulhenta nos
alcançou, e eu entrei em pânico e comecei a chutar.
- Pare com isso – ele repreendeu.
Eu lutei para me manter quieta, e era mais difícil do que eu teria imaginado, mesmo
com meus membros exaustos e com câimbras querendo nada mais que relaxar e ficar
parados.
Era incrível – nós nos movemos pela água como se uma linha estivesse nos guiando
para a costa. Jacob era o nadador mais forte que eu não tinha visto. Os empurrões e
agarrões da correnteza pareciam inúteis até mesmo de deslocar a rota direta que ele
seguia pelas ondas. E ele era rápido. Ia em ritmo de recorde mundial.
Então eu senti a areia raspando em meus calcanhares.
- Ok, pode ficar em pé, Bella.
Assim que ele me soltou, eu caí de cara nas ondas que estavam na altura dos joelhos.
Ele me pegou antes que eu pudesse engolir mais água, me jogando facilmente para os
seus ombros e andando até a areia. Ele não disse mais nada, mas a respiração dele
parecia irritada.
- Para lá – ele murmurou para si mesmo, e depois mudou de direção. Eu só podia ver,
quando pendi do ombro dele, seus pés descalços deixando pegadas enormes na areia
molhada.
Ele me sentou numa faixa de areia que parecia seca. Estava escuro aqui – eu percebi que
nós estávamos em uma caverna rasa que a maré tinha formado embaixo da pedra. A
chuva não podia me atingir diretamente, mas os respingos de garoa batiam na areia do
lado de fora e me acertavam.
Eu estava tremendo tanto que meus dentes estavam batendo – o som era como
castanholas.
- Vem aqui – Jacob disse, mas eu não tive que me mover. Ele enrolou os braços ao meu
redor e me apertou com força em seu peito nu. Eu tremi, mas ele estava parado. A pele
dele estava muito quente – como se a febre tivesse voltado.
- Você não está congelando? – eu gaguejei.
- Não.
Eu me senti envergonhada. Além de ele ser exponencialmente melhor do que eu na
água, ele ainda tinha que fazer parecer mais fraca.
- Eu sou tão frouxa – murmurei.
- Não, você é normal – a amargura estava lá no tom dele. Ele se moveu rapidamente,
sem me dar chance de perguntar o que ele quis dizer. – Se importa em me explicar que
diabos você estava fazendo? – ele exigiu.
- Pulando do penhasco. Recreação – Inacreditável, mas ainda tinha alguma no meu
estômago. E ela escolheu esse momento para reaparecer.
Ele esperou até que eu pudesse respirar outra vez. – Parece que você se divertiu.
- E me diverti, até bater na água. Não devíamos procurar ajuda ou algo assim? – meus
dentes ainda estavam batendo, mas ele entendeu o que eu quis dizer.
- Estão vindo.
- Quem está vindo? – eu perguntei, desconfiada e surpresa.
- Sam e ou outros.
Eu fiz uma careta. – Como eles sabem que precisamos de ajuda? – meu tom era cético.
Ele bufou. – Porque eles me viram correr e me atirar de um penhasco atrás de você.
- Você estava me vigiando? – eu acusei, ligeiramente ofendida.
- Não, eu escutei você gritar. Se eu tivesse visto você, teria te impedido. Foi muita
burrice, sabe.
- Seus amigos fazem isso.
- Eles são mais fortes que você.
- Eu sei nadar bem – eu protestei, ignorando a evidencia que provava o contrario.
- Em uma piscina ?????????? – ele retrucou. – Bella, ta virando um furacão pra lá. Você
não considerou isso?
- Não – eu admiti.
- Burrice – ele repetiu.
- É – eu concordei com um suspiro. Estava tão frio e eu estava tão cansada.
- Fique acordada – Jacob disse ríspido.
- Nem vem – eu respondi. – Não vou dormir.
- Então abra os olhos.
Pra falar a verdade, eu nem tinha percebido que eles estavam fechados. Não disse isso a
ele. Eu só os abri e disse “Ok.”
- Jacob? – o chamado veio claramente apesar do vento e ondas barulhentos. A voz era
muito grave.
Jacob se inclinou para que ele não gritasse no meu ouvido. – Na caverna, Sam.
Eu não os escutei se aproximarem. Abruptamente, a pequena caverna estava cheia de
pernas marrons. Eu olhei para cima, sabendo que meus olhos estariam cheios de
suspeitas e raiva, consciente da proximidade do Jacob. Os braços dele formavam um
escudo ao meu redor, mas de repente eu me senti como a protetora.
O rosto calmo de Sam foi a primeira coisa que eu vi. Uma onda confusa de déjà vu me
surpreendeu. A caverna escura não era muito diferente da floresta à noite, e, novamente,
eu estava deitada, fraca e inútil aos pés dele. Ele estava me salvando de novo. Eu olhei
pra ele, irritada.
- Ela está bem? – ele perguntou ao Jacob com uma voz segura, como um adulto entre as
crianças.
- Estou bem – eu resmunguei.
Ninguém me escutou.
- Temos que esquentá-la – ela está ficando com sono – Jacob respondeu.
- Embry? – Sam chamou, e um dos garotos deu um passo à frente para entregar para
Jacob alguns cobertores. O tom de comando da voz do Sam me irritou até não poder
mais. Era como se nenhum deles pudesse fazer algo até que ele dissesse. Eu o encarei
ferozmente enquanto Jacob colocava as cobertas em volta de mim.
- Vamos tirá-la daqui – Sam mandou friamente. Ele inclinou para mim com as mãos
esticadas, mas parou quando eu recuei dele.
- Já peguei, Sam – Jacob disse, colocando seus braços embaixo de mim e me levantando
facilmente quando ele se colocou de pé.
- Eu posso andar – eu protestei.
- Ok – Jacob me colocou no chão e esperou.
Meus joelhos dobraram. Sam me pegou quando eu caí; instintivamente, eu lutei contra
as suas mãos.
Jacob me pegou de novo, me tirando de perto de Sam e me girando até seus braços. Ele
era ridiculamente forte para a idade dele. Eu fiz uma careta bem feia quando o Sam
colocou os cobertores ao meu redor outra vez.
- Paul, você ta com aquele poncho?
Outro garoto deu um passo a frente sem falar nada e colocou uma camada de plástico
para proteger os cobertores.
A essa altura, enrolada em camadas de proteção, eu notei que Sam e os outros não
estavam muito mais vestidos que Jacob. Presumi que Jacob tinha tirado a maioria das
roupas antes de pular atrás de mim, mas eles estavam todos descalços e sem camisa,
cada um usando só calças ou shorts, pingando por causa da chuva. A água pingava dos
cabelos deles e escorria pela pele dos peitos deles; eles nem pareciam notar. Embaixo da
minha camada de cobertas, eu tremi descontroladamente e me senti como um bebê
ridículo.
- Vamos – Sam ordenou, e todos saíram da caverna.
Tinha uma trilha que seguia para a praia. Eles andavam com agilidade pelo caminho,
Jacob tão rápido quanto os outros. Ninguém se ofereceu para ajudá-lo, e ele não pediu
nenhuma ajuda. O fato das mãos dele estarem ocupada não parecia incomodá-lo. Ele
nem tropeçava.
Sam e os outros três iam à frente, e, conforme eu os observava escalar com a facilidade
de bodes montanheses, eu fiquei chocada ao perceber o quão bem eles se ajustavam ao
cenário. Eles se misturavam com tal harmonia com as cores das pedras e arvores, com o
movimento do vento; eles pertenciam ao lugar.
Eu olhei para o Jacob e ele pertencia ao lugar também. As nuvens, a tempestade, a
floresta, todo emoldurava seu novo rosto com perfeição. Ele parecia ainda mais natural,
mais à vontade que o meu Jacob feliz que zanzava pela sua garagem, seu próprio reino.
Era perturbador.
Nós alcançamos o topo bem mais longe na estrada do que eu tinha me aventurado. Eu
podia ver um montinho de cor meio enferrujada, vago, ao sul, e achei que era minha
picape.
Eu quis tentar andar de novo, mas Jacob ignorou meus pedidos baixos. Eles correram
para a orla da floresta, como se eles pudessem se mover mais rápido pelas árvores do
que na estrada. E eles estavam se movendo mais rápido; minha picape estava se
aproximando mais rápido do que deveria
- Onde estão as duas chaves? – Jacob perguntou quando chegamos perto. A respiração
dele ainda estava equilibrada e regular.
- No meu bolso – eu respondi automaticamente, antes de perceber o que ele estava
sugerindo.
- Me entregue.
Eu olhei para ele, mas seu rosto estava calmo e determinado. Mal humorada, eu forcei
minha mão pra dentro dos jeans molhados e tirei minha chave. Lutei contra as cobertas
até que a minha mão estivesse livre. Levantei a chave.
- Para você ou para o Sam? – eu perguntei rabugenta.
Ele revirou os olhos. – Eu dirijo.
Num movimento rápido e imediato, ele inclinou a cabeça na minha direção e tirou as
chaves das minhas mãos com os dentes.
- Ei! – eu reclamei, surpresa, como quando ele me colocou nos braços.
Ele sorriu, seco, através da chave.
Estávamos junto à picape agora; Sam abriu a porta do passageiro e Jacob me colocou
dentro do carro. Jacob deu a volta para o lado do motorista enquanto o resto deles subiu
na caçamba. Jacob ligou o motor e o aquecedor no máximo, mudando a posição deles
para que ficassem só pra mim. Eu olhei culpada para a janela de trás, para seus amigos
sentados sem se perturbarem, seminus na chuva que caía.
- Mas então o que você estava fazendo por aqui? – eu perguntei ao Jacob. – Vocês iam
nadar com o furacão também?
- Estávamos correndo – ele cortou.
- Na chuva?
-Sim, sorte sua.
Eu calei a boca e olhei para a janela.
Nós não viramos na 110 como eu esperei, mas ao invés disso pegamos o caminho que
levava a casa do Billy.
- Por que você está me levando para a sua casa?
- Eu vou pegar a minha moto e colocar na caçamba para a viagem de volta – a não ser
que você queria que eu fique com a sua picape.
- Ah.
- Além do mais, eu quero que o Billy dê uma olhada em você. Eu não quero que o
Charlie saiba disso até que eu tenha certeza de que você bem. Ele provavelmente vai me
prender por tentativa de homicídio, ou algo assim – ele acrescentou amargamente.
- Não seja burra – eu retruquei.
- Ok – ele concordou. – Já tem mais que estupidez necessária… pular de um penhasco!
Eu corei e olhei pra frente.
Jacob me carregou para dentro da casa. O resto deles nos seguiu silenciosamente. O
rosto de Billy estava sem expressão.
- O que aconteceu? – ele perguntou, direcionando a pergunta ao Sam ao invés que a seu
próprio filho. Olhei pra ele.
- Eu estava pulando do penhasco – eu disse rapidamente, antes que Sam pudesse
responder.
Billy só ergueu uma sobrancelha e manteve os olhos no Sam.
- Ela está com frio, mas acho que ficará bem em algumas roupas secas – Sam disse.
Jacob me colocou no sofá pequeno, e rapidamente o empurrou para perto do aquecedor.
As pernas do sofá se arrastaram, barulhentas, pelo chão de madeira. Então ele
desapareceu até o armário no quartinho.
Billy não disse nada sobre a condição de seu filho, que pingava pela casa toda, nem
sobre a de ninguém. Ninguém parecia preocupado com hipotermia a não ser no meu
caso.
Me senti mal sobre encharcar o sofá, mas eu não conseguia levantar a cabeça para salvar
o tecido seco do meu cabelo molhado. Estava cansada demais. Mesmo as figuras altas e
agourentas que enchiam a sala, encostadas nas paredes sem se mexerem, conseguiam
manter meus olhos abertos. Eu finalmente estava quente perto do aquecedor que
zumbia, e meus pulmões se moviam de um jeito que me empurrava até a inconsciência
ao invés de me deixar acordada.
- Devo acordá-la para se trocar? – eu ouvi o Jacob sussurrar. Perguntando para o Sam,
sem dúvida.
- Como está a pele dela? – a voz grave de Sam respondeu. Eu queria mandar pra ele
outro olhar de raiva, mas meus olhos não abriam.
Os dedos do Jacob tocaram levemente minha bochecha.
- Quente.
- Acho melhor deixá-la dormir, então.
Eu fiquei feliz que eles iam me deixar em paz.
- Charlie? – Jacob perguntou.
Billy respondeu dessa vez. – Ele viria pra cá num piscar de olhos. Vamos esperar até
que a tempestade passe para chamá-lo.
Boa resposta, eu pensei. Aqui eu estava, cercada por homens estranhos dos quais eu
tinha começado a sentir medo, mas me senti estranhamente segura e quente aqui.
Alguém falou alguma coisa, uma voz que eu não reconhecia. – Você quer que nós três
voltemos pra lá?
Houve uma pausa. – Acho que sim – Sam finalmente disse. – A tempestade é o disfarce
perfeito, não vamos ser pegos desprevenidos.
- Três é suficiente? – Billy perguntou, parecendo preocupado.
Alguém deu uma risada gutural. – Nenhum risco.
- Se tiver um só – Sam emedeu, severo. Ninguém respondeu, mas eu escutei uma porta
se abrindo.
- Controle, meus irmãos – Sam disse de novo, no tom de alguém se despedindo de um
parente. – Rapidez e segurança para vocês.
Fiquei ligeiramente incomodada com essas palavras, mas mantive minha voz
equilibrada.
- Irmãos – os outros repetiram em uníssono. Eu escutei a voz do Jacob se unir a dos
outros.
A porta se fechou silenciosamente. Não houve som por um bom tempo, e a temperatura
quente me levou até a inconsciência outra vez. Eu estava quase dormindo quando o Sam
falou calmamente.
- Você não quis deixá-la.
- Se ela acordar, eu acho que ela teria medo de você – Jacob parecia na defensiva.
- Você não pode fazer isso, Jacob. Foi certo salvar a vida dela hoje, claro. Mas você não
pode mantê-la perto de você.
Eu tive que morder a língua para segurar a resposta acida que eu queria dar pra ele. Era
mais importante escutar agora.
- Sam… eu… eu acho que consigo. Acho que seria seguro.
- Um momento de raiva, só isso. Quão perto você chegou na tarde passada?
Jacob não respondeu.
- Eu sei que é muito difícil.
- Eu sei que você sabe – Jacob disse, complacente. Não, eu quis dizer a ele. Não se
entregue assim!
- Seja paciente – Sam aconselhou. – Em um ano mais ou menos…
- Ela terá ido embora – Jacob concluiu amargamente.
- Ela não é pra você – Sam disse gentilmente.
Jacob não respondeu, e eu fiquei magoada. Eu odiava ter que concordar com o Sam em
qualquer coisa. E eu não via como esse fato estragava a nossa amizade.
Estava quente demais para eu me concentrar, e no silencia que se seguiu a esse dialogo
eu perdi a luta contra minha mente cansada. Em algum lugar perto, eu escutei uma voz
delicada murmurando uma canção de ninar familiar, e eu soube que já estava
adormecida.
***
A parte a seguir me parecia uma boa introdução para o epílogo original do Lua Nova.
Conforme continuamos com esse universo alternativo, lembrem-se que, mesmo a Bella
sabendo que tem algo errado com o Jacob, ela não tem idéia que ele é um lobisomem.
No epilogo, ela e Edward estão juntos em Forks outra vez, e as coisas voltaram ao
normal…
Epílogo – Humano
Era uma daqueles raros dias de sol, o tipo de dia que eu menos gostava. Mas Edward
não podia manter sua promessa a cada minuto. Ele também tinha suas necessidades.
- Alice pode ficar de novo – ele ofereceu na sexta-feira à noite. Eu conseguia ver a
ansiedade por trás de seus olhos – o medo de que iria surtar no minuto que ele me
deixasse sozinha e fazer algo maluco. Como pegar a minha moto de La Push, ou brincar
de roleta russa com a pistola do Charlie.
- Eu vou ficar bem – eu disse com uma confiança fingida. Tantos meses de esforço para
manter as aparências tinham afiado minhas habilidades para mentir. – Você tem que se
alimentar também. E é melhor nós voltarmos à rotina.
A maioria das coisas tinha voltado à rotina, em menos tempo que eu acreditaria ser
possível. O hospital tinha recebido Carlisle de volta de braços abertos e ávidos, sem
nem se preocupar em esconder a felicidade com o fato de que Esme não tinha gostado
da vida em Los Angeles. Graças à prova de cálculo que eu tinha perdido, Alice e
Edward estavam em melhores condições de se formar do que eu no momento. Charlie
não estava contente comigo – ou falando com o Edward – mas pelo menos Edward
podia entrar em casa de novo. Eu só não podia sair dela.
- Eu tenho umas redações para fazer, de qualquer jeito – eu suspirei, acenando em
direção a pilha de inscrições para faculdades – Edward tinha surrupiado um de cada
faculdade cujo prazo de entrega ainda estava aberto – na minha mesa. – Eu não preciso
de nenhuma distração.
- Isso é verdade – ele disse com uma severidade zombeteira. – Você terá muita coisa pra
deixá-la ocupada. E eu estarei de volta quando anoitecer.
- Não se apresse – eu disse a ele superficialmente, e fechei meus olhos como se
estivesse cansada.
Eu estava tentando convencê-lo que eu confiava nele, o que era verdade. Ele não
precisava saber dos pesadelos de zumbi. Eles não eram sobre a falta de confiança nele –
era de mim mesma que eu ainda não podia depender.
Charlie ficou em casa, o que não era normal para um sábado. Eu trabalhei nas inscrições
na mesa da cozinha para que ele pudesse ficar de olho em mim com mais facilidade.
Mas eu era um tédio de se observar, e ele raramente tirava os olhos da televisão para
checar se eu ainda estava lá.
Eu tentei me concentrar nos formulários e perguntas, mas era difícil. Hora ou outra eu
me sentia solitária; minha respiração ficava mais dura e eu tinha que lutar para me
acalmar. Eu me sentia como aquele motorzinho que podia – toda a hora eu tinha que me
lembrar, você pode fazer isso, você pode fazer isso, você pode fazer isso.
Então, quando a campainha tocou, a distração foi mais que bem recebida. Eu não tinha
idéia de quem poderia ser, mas eu nem me importava.
- Eu atendo! – eu gritei, e levantei da mesa como um raio.
- Ok – Charlie disse desinteressado. Eu corri para a sala de estar, pronta para receber um
vendedor porta a porta ou alguma testemunha de Jeová.
- Oi, Bella – Jacob Black sorriu, cínico, quando a porta se abriu.
- Ah, Jacob, oi – eu murmurei, surpresa. Eu não tinha tido noticias deles desde que nós
tínhamos voltado sãos e salvos da Itália. Eu tinha considerado a ultima despedida dele
como final. Doía quando eu pensava sobre isso, mas para ser perfeitamente honesta,
minha mente tinha ficado bem ocupada com outras coisas para sentir a falta dele como
eu deveria.
- Está livre? – ele perguntou. O tom amargo não tinha desaparecido de sua voz, e ele
disse essas palavras com um ressentimento especial.
- Depende – Minha voz estava ácida, combinando com a dele. – Não estou tão ocupada,
mas eu estou sob custodia. Então não estou livre, não.
- Mas você está sozinha, não? – ele explicou, sarcasticamente.
- O Charlie está aqui.
Ele mordeu os lábios. – Eu queria falar com você a sós… se você puder.
Eu levantei as mãos, sem defesa. – Você pode pedir ao Charlie – eu disse, com um
triunfo escondido. Charlie nunca me deixava sair de casa.
- Não foi isso que eu quis dizer – Os olhos escuros dele de repente ficaram mais sérios.
– Não era a permissão do Charlie que eu estava pedindo.
Eu o encarei sombriamente. – Meu pai é o único que me diz o que eu posso e o que eu
não posso fazer.
- Se você diz – ele deu de ombros. – Ei, Charlie! – ele gritou por cima do meu ombro.
- É você, Jake?
- Sim. A Bella pode dar uma volta comigo?
- Claro – Charlie disse casualmente, e meu sorriso esperançoso, o que esperava pela
negação, se tornou uma careta.
Jacob levantou uma sobrancelha em desafio.
O olhar provocador que estava nos olhos dele fez me mover mais rápido do que eu teria
me movido. Eu estava fora de casa em um segundo, fechando a porta atrás de mim.
- Aonde você quer ir? – eu perguntei, com uma animação falsa.
Pela primeira vez, ele pareceu inseguro. – Sério? – ele perguntou. – Você ficaria
sozinha comigo, de verdade?
- É lógico – eu franzi a testa. – Por que não?
Ele não respondeu. Ele me encarou por um longo minuto com os olhos suspeitos e
confusos.
- O quê? – eu exigi.
- Nada – ele resmungou. Ele começou a andar para a floresta.
- Vamos por esse lado – eu sugeri, acenando em direção a rua do lado oeste. Eu já tinha
tido experiências suficientes para uma vida toda naquela parte da floresta.
Ele olhou para mim rapidamente, suspeito de novo. Então deu de ombros outra vez e
passou na calçada para a rua.
Essa era a caminhada dele, então eu mantive minha boca fechada, embora eu estivesse
ficando mais curiosa a cada segundo.
- Tenho que admitir, estou surpreso – ele finalmente falou quando nós estávamos quase
na esquina. – A sugadorazinha de sangue não te contou tudo?
- Eu girei e comecei a andar para a casa de novo.
- Que foi? – ele perguntou, confuso, igualando meu passo irritado.
Eu parei e olhei para ele. – Eu não vou falar com você se começar a insultar os outros.
- Insultar? – ele piscou, surpreso.
- Você pode se referir aos meus amigos usando os nomes deles.
- Ah – Ele ainda parecia um pouco surpreso que eu tinha achado a palavra ofensiva. –
Alice então, né? Não acredito que ela ficou de boca fechada – Ele começou a andar para
a esquina outra dez, e eu o segui, relutante.
- Não sei do que você está falando.
- Você não cansa de se fazer de burra?
- Não estou me fazendo de burra – eu disse, azeda. – Aparentemente, eu sou burra.
Ele me olhou cuidadosamente. – Hm – ele resmungou.
- Que é? – eu exigi.
- Ela não falou mesmo de mim?
- De você? O que tem você?
Os olhos deles examinaram o meu rosto novamente. Então ele sacudiu a cabeça em
resignação e mudou de assunto.
- Eles já te fizeram escolher?
Eu soube imediatamente o que ele quis dizer.
- Eu disse pra você que eles não iam fazer isso. Você é o único obcecado em escolher
lados.
Ele sorriu, um sorriso duro, e seus olhos se estreitaram. – Veremos sobre isso.
Abruptamente, ele se inclinou e me pegou em um abraço de urso tão apertado e
entusiasmado que me tirou do chão.
- Me solta! – eu lutei inutilmente. Eles era forte demais.
- Por quê? – ele riu.
- Porque eu não consigo respirar!
Ele me largou, dando um passo para trás com um sorriso malicioso no rosto.
- Você está drogado – eu acusei, olhando para baixo envergonhada, fingindo arrumar a
minha camiseta.
- Só lembre-se que eu te avisei – ele sorriu, se inclinando de novo – não tão longe – para
pegar meu rosto entre suas mãos enormes.
- Hm, Jacob… – eu protestei, minha voz subindo uma oitava, uma mão se mexendo
rapidamente para cobrir a minha boca.
Ele me ignorou, inclinando a cabeça para pressionar seus lábios firmemente na minha
testa por um segundo prolongado. O beijo pareceu começar como uma piada, mas seu
rosto estava nervoso quando ele se endireitou.
- Você deveria me deixar beijá-la, Bella – ele disse quando deu um passo para trás,
deixando as mãos caírem. – Você pode gostar. Algo quente pra variar.
- Eu te disse desde o começo, Jacob.
- Eu sei, eu sei – ele suspirou. – Culpa minha. Fui eu que soltei a granada.
Eu olhei pra baixo, mordendo o lábio.
- Eu ainda sinto a sua falta, Bella – ele disse. – Muito. E então, bem na hora que nós
talvez voltássemos a ser amigos de novo, ele volta.
Fiz cara feia pra ele. – Se não fosse pelo Sam, nós seriamos amigos de qualquer jeito.
- Você acha? – Jacob de repente sorriu, e o sorriso era arrogante. – Ok, deixarei nas
mãos dele então – era obvio que o pronome que ele disse não se referia ao Sam.
- O que você quer dizer?
- Eu serei seu amigo – se ele não tiver problema com isso – Jacob ofereceu, e depois
começou a rir com algo que lembrava um divertimento verdadeiro.
Eu fiz uma careta, mas não ia deixar passar a oportunidade inesperada. – Ótimo – eu
estiquei minha mão à minha frente. – Amigos.
Ele apertou minha mão com um sorriso. – A parte irônica é que – se ele deixar que você
seja minha amiga – ele bufou de escárnio. – ia dar certo. Sou melhor que isto do que o
resto deles. Sam diz que é da minha natureza – ele fez uma cara revoltada.
- Da sua natureza em quê? – eu perguntei, confusa.
- Vou deixar que o sanguessuga te conte isso – quando ele te explicar porque você não
pode ser minha amiga – Jacob riu de novo.
Eu me virei automaticamente, mas ele agarrou meu ombro.
- Desculpa. Escapou. Eu quis dizer… Edward, é claro.
- É claro. Só se lembre que você fez um trato – eu o lembrei sombriamente.
- Eu vou manter a minha parte da barganha, não se preocupe com isso – ele riu.
- Não entendo a piada – eu reclamei.
- Você vai entender – ele continuou a rir. – Mas eu não posso garantir que você vai
achar engraçado.
Ele começou a voltar para a casa, então eu achei que ele já tinha dito tudo o que
planejava dizer.
- Como está o Sam? – eu perguntei em um tom neutro.
- Não está feliz, como você deve imaginar – ele disse, atestando a verdade. – Você não
pode esperar que a gente esteja super feliz que os vampiros voltaram pra cá.
Eu o encarei, meu rosto congelado de choque.
- Ah, fala sério, Bella – ele resmungou, revirando os olhos.
Eu franzi a testa e olhei para longe, enquanto ele ria de novo. Meu temperamento se
incendiou.
- Como está o Quil? – eu o provoquei.
A expressão dele imediatamente virou uma careta. – Não o vejo muito mais – ele
reclamou.
- Bom.
- É só uma questão de tempo – ele disse numa voz doentia e nervosa. – Agora.
- Agora o quê?
- Agora que seus amigos estão de volta.
Nós nos encaramos por um momento.
- Não posso falar com você quando fica desse jeito – eu decidi eventualmente.
Eu não esperava que ele desse pra trás, mas ele deu.
- Você tem razão. Não estou sendo muito amigável, né? Não deveria desperdiçar o
momento – essa provavelmente é a ultima conversa que nós teremos.
- Vou gostar bastante de provar que você está errado – eu murmurei.
- Isso é engraçado. Eu não acho que vou gostar nenhum um pouco de provar que vocês
está errada.
Nós tínhamos chegado a casa. Jacob me acompanhou até a varanda, mas nós paramos
ali.
- Você espera que ele volte logo? – Jacob perguntou casualmente.
- Edward, você quer dizer?
- Sim… Edward – parecia difícil para ele dizer o nome. Ele tinha menos problema com
‘Alice’.
- Mais tarde – eu disse num tom vago.
Jacob piscou para o sol, que aparecia através das nuvens estranhamente finas.
- Ah – ele disse, claramente entendendo perfeitamente. – Diga a ele que eu disse ‘oi’.
Ele soltou outra risada.
- Claro – eu murmurei.
- Eu nem consigo te dizer o quanto queria que você ganhasse essa – ele disse quando
terminou de rir, seu sorriso desaparecendo. – La Push é tão sem graça sem você.
Tão rapidamente que a minha respiração parou de choque, Jacob atirou os braços ao me
redor outra vez.
- Tchau, Bella – ele sussurrou, sua respiração quente no meu cabelo.
Antes que eu pudesse me recuperar e responder, Jacob se virou e correu pela rua, suas
mãos enfiadas nos bolsos da calça. Foi só nessa hora que eu me perguntei como ele
tinha chegado até aqui. Não tinha nenhum carro à vista. Mas as pernas compridas dele o
levavam tão rápido que eu teria que gritar para perguntar. E eu tinha certeza que ele ia
se encontrar com o Sam em algum lugar por perto.
Parecia que tudo o que eu fazia com o Jacob era dizer adeus. Eu suspirei.
Charlie não olhou pra cima quando eu passei por ele.
- Que conversa curta – ele notou.
- Jacob foi birrento – eu disse a ele.
Ele riu brevemente, olhos na TV.
Levei meus trabalhos para o meu quarto, então, determinada a me concentrar melhor.
Eu sabia que se eu ficasse na cozinha eu não iria tirar meus olhos do relógio em cima do
forno por nada. No meu quarto, consegui simplesmente tirar o despertador da tomada
para resolver o problema. Eu já tinha preenchido cinco formulários de inscrição, que
estavam prontos para serem enviados, quando o som da chuva tirou a minha
concentração. Eu olhei para a janela. Aparentemente, o tempo bom tinha acabado. Eu
sorri por um momento, e olhei para a próxima pergunta. Ainda tinha horas à minha
frente.
Algo rígido me pegou pela cintura com força e me tirou da cama. Antes que eu pudesse
inspirar para gritar, minhas costas estavam contra a parede mais distante. Eu estava
presa ali por algo firme e frio – e familiar. Um rosnado baixo, alarmado saia por entre
seus dentes.
- Edward, que foi? Quem está aqui? – eu sussurrei em terror. Tinham tantas respostas
más para aquela pergunta. Era tarde demais. Eu nunca devia ter dado ouvidos a eles, eu
devia ter feito a Alice me mudar na hora. Eu comecei a hiperventilar de medo.
E então Edward disse – Hmmm – em uma voz que não parecia nenhum pouco
preocupada. – Alarme falso.
Eu respirei fundo, acalmando o ritmo. – Ok.
Ele se virou, se afastando devagar para me dar espaço. Ele colocou as mãos nos meus
ombros, mas não me puxou para perto. Seus olhos examinaram meu rosto, meu nariz
perfeito se torcendo um pouco.
- Desculpe por isso – ele sorriu pesarosamente. – Exagerei.
- Em quê? – eu perguntei.
- Em um minuto – ele prometeu. Ele deu um passo para trás e me olhou com uma
expressão estranha que eu não consegui decifrar. – Primeiro, por que você não me diz o
que fez hoje?
- Fui boazinha – eu disse sem fôlego. – Já estou na metade.
- Só na metade? Não que eu esteja reclamando. – Agora que eu estava começando a me
recompor do momento de pânico, eu podia sentir uma onda de felicidade surgindo
dentro de mim. Ele tinha voltado.
- Você fez mais alguma coisa? – ele continuou, esperançoso.
Eu dei de ombros. – Jacob Black passou aqui.
Ele acenou, sem surpresa. – Ele escolheu bem o momento. Suponho que ele estivesse
esperando eu ir embora.
- Provavelmente – eu admiti e ele de repente ficou tenso. – Porque, Edward, ele… bem,
parece saber de tudo. Eu não sei se ele começou a acreditar no Billy agora -
- Eu sei – ele murmurou.
- O quê? – eu perguntei, pega desprevenida outra vez.
Mas Edward tinha andado para longe, seu rosto distante e pensativo.
Eu comecei a ficar brava. – Isso é irritante. Você vai me contar o que está acontecendo?
- Talvez – mas ele hesitou. – Posso pedir um favor antes?
Eu gemi. – Certo – eu fui sentar na cama, tentando juntar os papeis espalhados. – O que
você quer? – Ele devia saber que não havia muita coisa que eu não faria por ele.
Perguntar era quase supérfluo.
- Eu gostaria muito se você me prometesse ficar longe do Jacob Black. Só para minha
paz de espírito.
Meu queixo caiu. Eu olhei para ele em um a descrença horrenda. – Você esta brincando
– eu disse sem acreditar.
- Não, não estou – ele me olhou com olhos sombrios. – Você quase me fez ter um
ataque do coração – e não é a coisa mais fácil de fazer.
Eu não entendia o que ele queria dizer com aquilo, só que ele estava fazendo
exatamente o que eu tinha tanta certeza que ele não faria. – Você não pode estar falando
sério. Você não pode estar pedido de verdade que eu escolha lados.
- Escolha lados? – ele perguntou, franzindo a testa.
- Jacob disse que eu teria que escolher, que você não me deixaria ser amiga dele – e eu
disse que isso era ridículo – eu olhei para ele com olhos suplicantes – suplicantes para
ele levar a sério.
Os olhos dele se estreitaram um pouco. – Mesmo eu odiando fazer com que o Jacob
Black esteja certo… – ele começou.
- Não! – eu lamentei. – Não acredito nisso! – Eu chutei o ar, petulante, e uma pilha de
inscrições voaram para o chão.
Os olhos dele ficaram frios. – Você pode escolher o outro lado – ele me lembrou.
- Não seja idiota! – eu resmunguei.
- Eu não tinha percebido que ele era tão importante para você – Edward disse numa voz
melancólica. Os olhos dele ficaram duros outra vez.
- Você não está com ciúmes – eu gemi sem acreditar.
Ele fungou uma vez, e torceu o nariz de novo. – Bem, o cheiro é como se ele tivesse
chegado bem perto de você hoje à tarde.
- Não foi idéia minha – Mas eu corei.
Ele notou isso. Levantou uma sobrancelha.
- Não tem absolutamente motivo algum para você ficar com ciúme de ninguém nem de
qualquer coisa, nunca. Como você não sabe disso? Mas o Jacob é importante pra mim.
Ele é o melhor amigo humano que eu tenho. Ele é da família. Se não fosse por ele… –
eu parei, sacudindo a cabeça. Morta não era a pior coisa que eu poderia estar sem o
Jacob.
- Seu melhor amigo humano – Edward repetiu em voz baixa, encarando sem ver a janela
por um segundo antes de se voltar para mim. Ele veio sentar do meu lado na cama, mas
deixou um espaço entre nós, o que me surpreendeu. – Eu tenho que admitir, eu devo um
a ele – pelo menos uma – por salvar você do túmulo aquático. Mesmo assim, eu…
preferiria que você mantivesse distancia. Porque eu estar com ciúmes ou não vem ao
caso. Você já deve ter percebido a essa altura que a única coisa que me deixa
preocupado é a sua segurança.
Eu pisquei, surpresa. – Segurança? O que diabos você quer dizer?
Ele suspirou, fazendo uma careta. – Não é meu segredo para contar. Por que você não
perguntou ao Jacob o que está acontecendo.
- Eu perguntei.
Ele colocou os dedos nos lábios, me lembrando de falar baixo.
- Eu acabei de perguntar, de novo – eu continuei nervosa, porem mais silenciosamente.
– E o Jacob disse “eu vou deixar o sanguessuga te contar essa, quando ele explicar
porque você não pode ser minha amiga”.
Ele revirou os olhos, então eu continuei.
- Ele também disse para te falar “oi” – eu acrescentei, usando o mesmo tom de
provocação que o Jacob tinha usado.
Ele sacudiu a cabeça, e então sorriu triste. Ele colocou as mãos nos meus ombros, me
segurando um pouco longe, como se fosse para ter uma visão melhor da minha
expressão. – Ótimo, então – ele disse. – Eu vou te contar tudo. Na verdade, eu vou
explicar cada mínimo detalhe e responder cada pergunta que você tiver. Só que você
pode fazer uma coisa para mim antes? Ele ergueu as sobrancelhas, quase se
desculpando, e torceu o nariz de novo. – Se importa de lavar o seu cabelo? Você
absolutamente fede a lobisomem.
Tenho que admitir, eu ainda fico triste em ter tirado essa ultima frase.
Erro de cálculo
Um pequeno som cochichado – não aqui, a uns cem metros ao norte – me fez pular.
Minha mão se fechou automaticamente envolta do telefone, o fechando e o tirando de
vista no mesmo movimento.
Eu joguei meu cabelo por cima do ombro, espiando pelas janelas altas até a floresta. O
dia estava escuro, nublado; meu próprio reflexo era mais claro que as arvores e as
nuvens. Eu encarei meus olhos arregalados e assustados, meus lábios caídos nos cantos,
a pequena ruga na vertical entre minhas sobrancelhas…
Fiz uma careta, substituindo a expressão de culpa por uma de desprezo. Um desprezo
atraente. Inconscientemente, eu notei como a expressão de raiva combinava com o meu
rosto, contrastando belamente com o dourado dos meus cachos grossos. Ao mesmo
tempo, meus olhos procuravam pela floresta vazia do Alasca, e eu fiquei aliviada que
ainda estivesse sozinha. O som não tinha sido nada – um pássaro ou uma brisa.
Não tinha porque sentir alívio, eu disse a mim mesma. Não tem porque se sentir
culpada. Eu não tinha feito nada de errado.
Os outros estavam planejando nunca contar ao Edward a verdade? Deixá-lo rolar de
angustia por becos sujos, enquanto Esme ficava de luto e Carlisle tentava adivinhar cada
decisão dele e a alegria natural da existência de Emmett lentamente se transformar em
solidão? Como isso podia ser justo?
Além do mais, não havia como manter segredos do Edward. Mais cedo ou mais tarde
ele iria nos encontrar, vir visitar a Alice ou o Carlisle por alguma razão, e então ele
descobriria a verdade. Ele teria nos agradecido por mentir para ele como nosso silencio?
Dificilmente. Edward sempre tinha que saber de tudo; ele vivia para esse sentido de
onisciência. Ele teria um belo surto, e só ficaria mais irritado que nós escondemos a
morte da Bella dele.
Quando ele se acalmasse e superasse toda essa bagunça, ele provavelmente me
agradeceria por ser a única corajosa o suficiente para ser honesta com ele.
A quilômetros de distancia, um falcão gritou; o som me fez pular e checar a janela de
novo. Meu rosto tinha a mesma expressão de culpa de antes, e eu me olhei com raiva no
vidro.
Ótimo, então eu tinha minhas próprias razões. Era tão ruim assim que eu quisesse que a
minha família ficasse junta novamente? Era tão egoísta sentir falta da paz, da felicidade
sem fim a qual eu já tinha me acostumado, a felicidade que Edward parecia ter levado
com ele em sua viagem?
Eu só queria que as coisas voltassem a ser como eram antes. Isso era errado? Não
parecia tão horrível. Afinal, eu não tinha feito isso só para mim, mas para todos. Esme,
Carlisle e Emmett.
Não tanto por Alice, embora eu teria presumido… Mas Alice sempre tinha estado tão
certa que as coisas dariam certo no fim – que Edward seria incapaz de ficar longe de sua
namoradinha humana – que ela não tinha se preocupado em ficar de luto. Alice sempre
tinha funcionado em um mundo diferente do resto de nós, trancada em sua realidade
mutável. Já que o Edward era o único que podia participar dessa realidade, eu tinha
pensado que a ausência dele seria mais difícil para ela. Mas ela estava segura como
sempre, vivendo à frente, sua mente em um tempo que seu corpo ainda não tinha
alcançado. Sempre tão calma.
Mas ela tinha ficado fora de si quando viu Bella pular…
Eu tinha sido muito impaciente? Agido rápido demais?
Era melhor que eu fosse honesta comigo mesma, porque Edward veria cada
insignificância em minha decisão assim que ele voltasse para casa. Melhor que eu
reconhecesse logo meus motivos mesquinhos, os aceitasse de uma vez.
Sim, eu estava com ciúmes do jeito que a Alice se sentia sobre a Bella. Alice teria
corrido tão rápido, com um pânico tão desesperado, se ela tivesse me visto pulando de
um penhasco? Ela tinha que amar essa humanazinha comum tão mais do que me
amava?
Mas o ciúme era só uma pequena coisa. Talvez tivesse acelerado a minha decisão, mas
não tinha sido o principal motivo. Eu teria ligado para o Edward de qualquer jeito.
Tinha certeza que o Edward iria preferir minha honestidade objetiva do que a decepção
bondosa dos outros. A bondade deles já estava condenada desde o começo; Edward
viria para casa eventualmente.
E agora ele podia voltar para casa antes.
Não era a felicidade da minha família que eu sentia falta.
Eu sentia saudade do Edward também, de verdade. Eu sentia saudade das pequenas
observações cortantes dele, do humor negro que sempre estava mais em harmonia com
o meu do que o feliz e brincalhão do Emmett. Eu sentia saudade da musica – o radio
dele tocando sua ultima descoberta indie, e o piano, o som do Edward transformando
seus pensamentos quase sempre remotos em música. Eu sentia saudade dele
murmurando da garagem ao meu lado enquanto nós mexíamos nos carros, a única hora
em que ficávamos em perfeita sincronia.
Eu sentia saudade do meu irmão. Com certeza ele não me julgaria tão duramente depois
que ele visse isso na minha cabeça.
Seria desconfortável por um tempo, eu sabia disso. Mas o mais cedo que ele voltasse
para casa, mais cedo as coisas poderiam ser normais de novo…
Eu busquei em minha cabeça algum luto pela Bella, e fiquei contente em encontrar que
eu sentia pena da menina, sim. Um pouco. Uma coisa era certa, pelo menos: ela tinha
feito o Edward feliz em um jeito que eu nunca tinha visto antes. É claro, ela também
tinha o deixado mais infeliz que qualquer outra coisa em seus cem anos de vida. Mas eu
sentiria falta da paz que ela tinha dado a ele durante aqueles poucos meses. Eu podia
verdadeiramente lamentar a perda dela.
Esse reconhecimento me fez sentir melhor comigo mesmo, satisfeita. Eu sorri para o
meu rosto no vidro, emoldurado pelo meu cabelo dourado e as paredes de cedro
vermelhas da sala de estar aconchegante e longa da Tanya, e aproveitei a visão. Quando
eu sorria, não havia mulher ou homem no planeta, mortal ou imortal, que podia se
comparar comigo em beleza. Era um pensamento consolador. Talvez eu não fosse a
pessoa mais fácil de se conviver. Talvez eu fosse superficial e egoísta. Talvez eu tivesse
desenvolvido uma personalidade melhor se eu tivesse nascido com um rosto comum e
um corpo normal. Talvez eu tivesse sido mais feliz assim. Mas isso era impossível de
provar. Eu tinha a minha beleza; isso era algo em que eu podia contar.
Eu alarguei o sorriso.
O telefone tocou e eu automaticamente apertei a mão, embora o som tivesse vindo da
cozinha, não do meu pulso.
Eu soube na hora que era o Edward. Ligando para checar a informação que eu tinha
dado. Ele não confiava em mim. Ele achava que eu era cruel o bastante para fazer piada
disso, aparentemente. Eu fiz uma careta quando eu voei para a cozinha para atender o
telefone da Tanya.
O telefone estava no canto mais distante, em cima do longo balcão de cortar carnes. Eu
o peguei antes que o primeiro toque tivesse terminado, e virei a cabeça para a porta da
frente quando atendi. Eu não queria admitir, mas eu sabia que estava esperando o
retorno do Emmett e o Jasper. Eu não queria que eles m vissem falando com o Edward.
Ficariam com raiva…
- Sim – eu perguntei.
- Rose, eu preciso falar com o Carlisle agora – Alice disse ríspida.
- Ah, Alice! Carlisle está caçando. O quê -
- Ótimo, assim que ele voltar, então.
- O que é? Eu vou atrás dele agora mesmo e peço para ele ligar para você -
- Não – Alice interrompeu de novo. – Estarei em um avião. Olha, você teve notícias do
Edward?
Foi esquisito como o meu estomago se revirou, parecendo descer pelo meu abdômen. A
sensação trouxe um estranho déjà vu, uma alusão a uma memória humana, há muito
perdida. Náusea…
- Bem, sim, Alice. Verdade. Eu falei sim com o Edward. Há alguns minutos – Por um
breve segundo eu brinquei com a idéia de fingir que o Edward tinha me ligado, uma
coincidência aleatória. Mas é claro que não tinha sentido em mentir. Edward já me daria
trabalho o suficiente quando ele viesse para casa.
Meu estomago continuou a se mexer estranhamente, mas eu o ignorei. Decidi ficar
nervosa. Alice não devia falar assim comigo. Edward não queria mentira, ele queria a
verdade. Ele me apoiaria quando viesse para casa.
- Você e Carlisle estavam errados – eu disse. – Edward não gostaria que mentissem para
ele. Ele iria querer a verdade. Ele quis. Então eu dei a ele. Eui liguei para ele… Eu
liguei para ele muitas vezes – eu admiti. – Até que ele atendesse. Uma mensagem teria
sido… errado.
- Por quê? – Alice ofegou. – Por quê você fez isso, Rosalie?
- Porque o quanto antes ele esquecer isso, quanto antes as coisas voltarão ao normal.
Não teria ficado mais fácil com o tempo, então por que adiar? Tempo não vai mudar
nada. Bella está morta. Edward vai ficar de luto e então superar. Melhor que ele comece
agora do que depois.
- Bem, você está errada nos dois casos, Rosalie, então isso seria um problema, não
acha? – Alice perguntou um tom feroz, cruel.
Errada nos dois casos? Eu pisquei rápido, tentando entender.
- Bella ainda está viva? – eu sussurrei, sem acreditar nas palavras. Só tentando adivinhas
a que casos Alice estava se referindo.
- Sim, é isso mesmo. Ela está absolutamente bem -
- Bem? Você disse que ela pulou de um penhasco!
- Eu estava errada.
A palavra soou tão estranha na voz de Alice. Alice, que nunca estava errada, que nunca
era pega de surpresa…
- Como? – eu sussurrei.
- É uma longa história.
Alice estava errada. Bella estava viva. E eu tinha dito…
- Bem, você causou uma bela bagunça – eu resmunguei, transformando meu pesar em
acusação. – Edward vai ficar furioso quando voltar para casa.
- Mas você está errada sobre essa parte também – Alice disse. Eu podia dizer que ela
estava falando por entre os dentes. – É por isso que eu estou ligando…
- Errada sobre o quê? Edward voltar para casa? É claro que ele vai voltar – eu ri,
zombando. – O quê? Você acha que ele vai dar uma de Romeu? Há! Como algum
estúpido e romântico -
- Sim – Alice sibilou, a voz como gelo. – É exatamente isso que eu vi.
A convicção dura da voz dela deixou meus joelhos bizarramente bambos. Eu segurei na
viga de cedro para me apoiar – apoio que meu corpo duro feito diamante não precisava.
– Não. Ele não é assim burro. Ele – ele deve perceber que -
Mas eu não conseguia terminar a frase, porque eu podia ver na minha cabeça, uma visão
própria. Uma visão de mim. Uma visão impensável de como seria a minha vida se de
algum modo o Emmett deixasse de existir. Eu tremi e me recolhi de horror com a idéia.
Não – não tinha comparação. Bella era só humana. Edward não queria que ela fosse
imortal, então não era a mesma coisa. Edward não podia sentira mesma coisa!
- Eu – eu não tive intenção, Alice! Eu só queria que ele voltasse para casa! – minha voz
era quase um urro.
- É um pouco tarde demais para isso, Rose – Alice disse, mais grossa e fria que antes. –
Guarde seu remorso para alguém que acredite nele.
Houve um clique, e então o barulho da linha.
- Não – eu sussurrei. Sacudi a cabeça lentamente por um momento. – Edward tem que
voltar para casa.
Eu encarei o meu rosto na chapa de vidro da porta da frente, mas não conseguia mais o
enxergar. Era só um borrão de branco e dourado.
Então, através do borrão, longe na floresta distante, uma arvore enorme se agitou
irregularmente, diferente do resto da floresta. Emmett.
Eu empurrei a porta para longe do meu caminho. Ela bateu violentamente contra a
parede, mas o som estava bem atrás de mim enquanto eu corria pelo verde.
- Emmett! – eu gritei. – Emmett, ajuda!
Notícias de Rosalie
O telefone no meu bolso vibrou de novo. Era a vigésima quinta vez em vinte quatro
horas. Eu pensei em abrir o telefone, pelo menos ver quem estava tentando me contatar.
Talvez fosse importante. Talvez o Carlisle precisasse de mim.
Eu pensei sobre isso, mas não me mexi.
Eu não tinha muita certeza de onde estava. Algum sótão minúsculo e escuro, cheio de
ratos e aranhas. As aranhas me ignoravam e os ratos me davam espaço. O ar estava
pesado com o cheiro de óleo cozinhando, carne mofada, suor humano e a camada quase
sólida de poluição que era realmente visível no ar úmido, como um filme preto sobre
tudo. Abaixo de mim, quatro andares de uma pensão raquítica atrelavam, cheios de
vida. Eu não me importava em separar os pensamentos das vozes – eles formavam um
grande alarde de espanhol alto que eu não escutava. Eu só deixava os sons passarem por
mim. Sem importância. Tudo era sem importância. Minha existência era sem
importância.
Meu mundo inteiro era sem importância.
Minha testa pressionou contra meus joelhos e eu me perguntei quanto tempo ainda seria
capaz de aguentar isso. Talvez fosse inútil. Talvez, se a minha tentativa já estivesse
condenada ao fracasso, eu devesse parar de me torturar e voltar…
A idéia era tão poderosa, tão curativa – como se as palavras tivessem um anestésico
poderoso, lavando a montanha de dor que me enterrava – que me fez engasgar, de
deixou tonto.
Eu podia ir embora agora, eu podia voltar.
O rosto da Bella, sempre atrás das minhas pálpebras, sorriu para mim.
Era um sorriso de boas vindas, de perdão, mas não teve o efeito que o meu
subconsciente provavelmente queria que tivesse.
É claro que eu não podia voltar. O que era a minha dor, em comparação com a
felicidade dela? Ela devia ser capaz de sorrir, livre do medo e do perigo. Livre de
desejar um futuro sem alma. Ela merecia coisa melhor que isso. Ela merecia coisa
melhor que eu. Quando ela deixasse este mundo, ela iria para um lugar que estava
proibido para sempre para mim, não importa como eu me comportasse aqui.
A idéia dessa separação final era muito mais intensa que a dor que eu já sentia. Meu
corpo tremeu com ela. Quando Bella fosse para o lugar de onde ela fazia parte e eu
nunca poderia fazer, eu não ficaria mais por aqui. Tinha que ter esquecimento. Tinha
que ter alívio.
Essa a minha esperança, mas não havia garantia. Dormir? Sonhar, quem sabe! Ai, eis a
dúvida, eu citei. Mesmo quando ela virasse pó, eu ainda sentira a sua perda?
Eu tremi novamente.
E, droga, eu tinha prometido. Eu tinha prometido a ela que não assombraria a vida dela
de novo, trazendo meus demônios negros. Não quebraria minha palavra. Eu não
conseguia fazer nada certo por ela? Nada mesmo?
A idéia de voltar para a cidadezinha nublada que sempre seria meu verdadeiro lar nesse
planeta inundou meus pensamentos de novo.
Só para checar. Só para ver se ela estava segura e feliz. Não para interferir. Ela nunca
saberia que eu estava lá…
Não. Droga, não.
O telefone vibrou outra vez.
- Droga, droga, droga – eu rosnei.
Eu podia aproveitar a distração, supus. Eu abri o telefone e registrei os números com o
primeiro choque eu sentia em meio ano.
Por que a Rosalie estaria me ligando? Ela era a única pessoa que provavelmente estaria
gostando da minha ausência.
Devia ter algo muito errado se ela precisava falar comigo. De repente preocupado com a
minha família, eu apertei o bota para atender.
- O quê? – eu perguntei, tenso.
- Oh, nossa. Edward atendeu o telefone. Me sinto tão honrada.
Assim que eu ouvi o tom de sua voz, eu soube que a minha família estava bem. Ela só
devia estar entediada. Era difícil adivinhar o motivo sem os pensamentos dela como
guia. Rosalie nunca tive feito muito sentido para mim. Os impulsos dela funcionavam
com o tipo mais estranho de lógica.
Eu bati o telefone.
- Me deixe em paz – eu sussurrei para ninguém.
É claro que o telefone vibrou de novo.
Ela continuaria me ligando até que conseguisse passar qualquer mensagem com a qual
queria me irritar? Provavelmente. Levaria meses até que ela se cansasse desse jogo. Eu
brinquei com a idéia de deixá-la apertar o “redial” pelos próximos seis meses… e então
suspirei e atendi o telefone de novo.
- Fale logo.
Rosalie se apressou pelas palavras. – Eu imaginei que você gostaria de saber que a Alice
está em Forks.
Eu abri os olhos e encarei as vigas de madeira, a sete centímetros do meu rosto.
- O quê? – Minha voz estava vazia, sem emoção.
- Você sabe como a Alice é – pensa que sabe tudo. Igual a você – Rosalie riu sem
humor. A voz dela tinha um tom nervoso, como se de repente ela estivesse incerta sobre
o que estava fazendo.
Mas a minha raiva tornou difícil me preocupar com qual era o problema da Rosalie.
Alice tinha jurado para mim que ela faria o que eu tinha pedido em relação a Bella,
embora ela não concordasse com a minha decisão. Ela tinha prometido que deixaria a
Bella em paz… enquanto eu deixasse. Certamente, ela achava que eu eventualmente
cederia à dor. Talvez ela estivesse certa sobre isso.
Mas eu não tinha cedido. Ainda. Então o que ela estava fazendo em Forks? Eu quis
torcer o pescocinho magro dela. Não que o Jasper me deixaria chegar assim tão perto
dela, uma vez que ele pegasse um sopro da fúria que saia de mim…
- Você ainda está aí, Edward?
Eu não respondi. Eu apertei o meu nariz com as pontas dos dedos, imaginando se era
possível um vampiro ter dor de cabeça.
Por outro lado, se a Alice já tinha voltado…
Não. Não. Não. Não.
Eu tinha feito uma promessa. Bella merecia uma vida. Eu tinha feito uma promessa.
Bella merecia uma vida.
Eu repeti as palavras como um mantra, tentando limpar a minha cabeça da sedutora
imagem da janela escura da Bella. A entrada pra o meu único santuário.
Sem duvida eu teria que rastejar se eu voltasse. Não me importava com isso. Eu passaria
feliz a próxima década de joelhos, se eu estivesse com ela.
Não, não, não.
- Edward? Você não quer saber por que a Alice está lá?
- Não estou muito interessado.
A voz da Rosalie ficou presunçosa agora, satisfeita, sem dúvida, que ela tinha forçado
uma resposta minha. – Bem, é claro, ela não está exatamente quebrando as regras.
Quero dizer, você só nos advertiu para ficar longe da Bella. O resto de Forks não
importa.
Eu pisquei os olhos lentamente. Bella tinha ido embora? Meus pensamentos circularam
pela idéia inesperada. Ela ainda não tinha se formado, então ela devia ter voltado para a
mãe. Isso era bom. Ela devia morar à luz do sol. Era bom que ela tinha sido capaz de
deixar as sombras para trás.
Eu tentei engolir, mas não consegui.
Rosalie trinou uma risada nervosa. – Então você não precisa ficar bravo com a Alice.
- Então por que você me ligou, Rosalie, se não é pra entregar a Alice? Por que você está
me incomodando? Argh!
- Espera! – ela disse, sentindo, com razão, que eu ia desligar de novo. – Não foi por isso
que eu liguei.
- Então por quê? Me diz logo, e me deixe em paz.
- Bem… – ela hesitou.
- Fala de uma vez, Rosalie. Você tem dez segundos.
- Eu acho que você deve voltar para casa – Rosalie disse depressa. – Estou cansada da
Esme de luto e do Carlisle nunca rindo. Você devia se envergonhar do que você fez com
eles. Emmett sente a sua falta toda a hora e já está me irritando. Você tem uma família.
Cresça e pense em alguém além de si mesmo.
- Que conselho interessante, Rosalie. Deixe-me contar uma historinha sobre o sujo e o
mal lavado…
- Eu estou pensando neles, ao contrario de você. Não se importa com o quanto você
magoou a Esme, mais que todos? Ela ama você mais do que o resto de nós, e você sabe
disso. Venha para casa.
Eu não respondi.
- Eu pensei que uma vez que essa coisa toda de Forks tivesse terminado, você iria
superar.
- Forks nunca foi o problema, Rosalie – eu disse, tentando ser paciente. O que ela tinha
dito sobre Esme e Carlisle pegou em meu ponto fraco. – Só porque a Bella – era difícil
dizer o nome dela em voz alta – se mudou para a Florida, não quer dizer que eu seja
capaz… Olha, Rosalie. Eu sinto muito mesmo, mas, acredite, não faria ninguém mais
feliz se eu tivesse aí.
- Hm…
Ali estava, a hesitação nervosa outra vez.
- O que é que você não está me contando, Rosalie? Esme está bem? O Carlisle -
- Eles estão bem. É só… bem, eu não disse que a Bella tinha se mudado.
Eu não falei. Passei por nossa conversa na minha cabeça. Sim, Rosalie tinha dito que a
Bella tinha se mudado. Ela tinha falado: …você só nos advertiu para ficar longe da
Bella, certo? O resto de Forks não importa. E depois: eu pensei que uma vez que essa
coisa toda de Forks tivesse terminado… Então a Bella não estava em Forks. O que ela
quis dizer, Bella não tinha se mudado?
Então Rosalie estava se apressando pelas palavras outra vez, falando quase irritada
dessa vez.
- Eles não queriam contar para você, mas eu acho que é estupidez. O mais rápido que
você superar isso, mais rápido as coisas podem voltar ao normal. Por que deixar você se
lamentar pelos cantos escuros do mundo quando não tem necessidade? Você pode voltar
para casa agora. Nós podemos ser uma família de novo. Acabou.
- Minha mente parecia estar quebrada. Eu não conseguia entender as palavras dela. Era
como se houvesse alguma coisa muito, muito óbvia que ela estava me contando, mas eu
não fazia idéia do que era. Meu cérebro passava a informação, fazendo caminhos
estranhos dela. Absurdos.
- Edward?
- Eu não entendo o que você está dizendo, Rosalie.
Uma longa pausa, o tempo de alguns batimentos cardíacos humanos.
- Ela está morta, Edward.
Uma pausa mais longa.
- Eu… sinto muito. Mas você tem o direito de saber, eu acho. Bella… se atirou de um
penhasco dois dias atrás. Alice viu, mas era tarde demais para fazer qualquer coisa. Mas
eu acho que ela teria ajudado, quebrado sua promessa, se houvesse tempo. Ela voltou
para fazer o que pode por Charlie. Você sabe que ela sempre se importou com ele -
O telefone ficou silencioso. Levou alguns segundos para eu perceber que eu o tinha
desligado.
Eu sentei na escuridão empoeirada por um espaço de tempo longo, congelado. Era como
se o tempo tivesse terminado. Como se o universo tivesse parado.
Lentamente, me movendo como um homem velho, eu liguei meu telefone de novo e
disquei o único numero que eu tinha prometido que nunca mais ia discar.
Se fosse ela, eu desligaria. Se fosse o Charlie, eu conseguiria a informação que
precisava por pretextos. Eu provaria que a piada doentia da Rosalie estava errada e
então voltaria para o meu nada.
- Residência dos Swan – uma voz que eu nunca tinha ouvido antes atendeu. Uma voz de
homem, rouca, grave, mas ainda jovem.
Eu não parei para pensar no que isso significava.
- Aqui é o Dr. Carlisle Cullen – eu disse, imitando perfeitamente a voz do meu pai. –
Posso falar com o Charlie?
- Ele não está aqui – a voz respondeu, e eu fiquei fracamente surpreso pela raiva que ela
continha. As palavras eram quase um rosnado. Mas isso não importava.
- Bem, onde é que ele está então? – eu exigi, ficando impaciente.
Houve uma pequena pausa, como se o estranho quisesse reter a informação de mim.
- Ele está no funeral – o garoto finalmente respondeu.
Eu desliguei o telefone de novo.
Sendo Jacob Black
Aqui está um breve (há há) resumo da história até o final de Lua Nova, se você é Jacob
Black:
Então você é um garoto feliz. Você tem amigos legais, seu pai é bacana, mesmo sendo
um pouco supersticioso. Você vai bem na escola – não tem que estudar muito. Tem
bastante liberdade. Você adora todas as coisas mecânicas.
Um dia, a filha do melhor amigo do seu pai aparece. Ela é bem bonita, daquele tipo de
beleza de vizinha, mas, mais que isso, você instantaneamente a entende. Espíritos
gêmeos. Bella se afasta de todos os amigos da escola, parecendo totalmente interessada
em tudo o que você tem para dizer. Você imediatamente se encanta, mas sabe que ela
está fora do seu alcance. Ela está no segundo ano, você no primeiro – é, vai sonhando.
Mesmo assim, você pensa nela bastante. Quem sabe um dia, você fica repetindo.
É claro que agora você fica muito mais interessado em tudo o que o seu pai tem a dizer
sobre o Charlie. Você fica insistindo para ele fazer as pazes com o Charlie sobre a
história dos Cullen. Na sua cabeça, Billy é quem está errado. Você pede que ele se
desculpe. Eventualmente, ele o faz. Ele vai assistir um jogo de beisebol e, claro, você
vai junto. Alguém tem que dirigir. (Você sabe que não está enganando ninguém – Billy
entende na hora).
Você vê a Bella com um cara em um carro demais (o carro é a primeira coisa que você
vê. Foi muito bem trabalho – mas nada chocante. Você fica impressionado). Você é
seguro o suficiente em sua masculinidade pra admitir que o cara é bem bonito.
Observador como você é, consegue ver a fagulhas entre os dois. Suspira – é, você
sempre soube que ela seria pega bem rápido. Mas relacionamentos de escola acabam
rápido, então você esquece. Se pergunta quem ele é (você conhece todo mundo por
aqui) e por que o seu pai está tão esquisito.
Você tem uma chance de conversar com a Bella, e é bom de novo. É bem confortável
ficar perto dela. Você pergunta quem é o cara, e ele é um Cullen, então é daí que veio a
reação do Billy. Você passa uma noite agradável com a Bella, exceto pelo fato de que
ela parece bem distraída e está usando um novo perfume que você detesta.
Quando chega em casa, você escuta o seu pai surtando. Ele liga para todos os amigos
supersticiosos. Você entende (ouvindo escondido do seu quarto) que eles estão dizendo
que não é da conta dele. Você concorda, mas o Billy nem pergunta a sua opinião. Seu
pai acha que esse cara é literalmente algum tipo de mostro – dá até vergonha.
Billy vai ver o Charlie de novo, e ele ainda está chateado com a história da Bella. Ele
fica bem tenso, e você imagina (ele resmunga quando fica agitado) que ele acha que está
violando aquela trégua antiga. Você meio que considera mencionar que você contou as
historias para a Bella, mas você sabe que tomaria bronca, então não diz nada.
Você vê a Bella e o namorado dela outra vez. É óbvio que ele é namorado dela – ele
beija o pescoço dela antes dela entrar em casa. Billy quase tem um derrame. Ah, certo –
vampiros. Ai Deus, o velho vai humilhar vocês dois. Você imagina porque o namorado
só fica sentado lá na picape…
Você fica mais triste do que achou que ficaria. Você achava que já tinha aceitado que a
Bella tinha um namorado, mas essa prova é mais depressiva do que você esperava. A
diferença entre suspeitar de uma coisa e vê-la por si próprio. Suspiro. Seu pai manda
você procurar algo, e só depois você percebe que ele queria ficar sozinho com a Bella.
Você espera que ele não tenha se feito de bobo.
A vida continua. Você tem algumas paixonites por algumas meninas na escola, mas elas
acabam rápido. Você ainda pensa bastante na Bella. Queria que pudesse só passar
algum tempo com ela, mas seu pai está sendo idiota sobre a coisa do Cullen. Ele não
deixa você ir visitá-la. Como se você fosse se machucar ou algo assim. Você revira os
olhos para ele muitas vezes.
Bella foge de casa. Quando Billy conta isso, te afeta muito. Você se preocupa com ela –
isso te mantém acordado à noite. Você não tinha idéia que ela estava tão infeliz. Você
fica bravo por ter deixado o Billy te manter longe dela. Talvez você pudesse ter ajudado
de algum jeito…
Então o Charlie liga para o Billy para dizer que a Bella sofreu um acidente terrível em
Phoenix – ela atravessou uma janela e seu estado no hospital é grave. A noticia é como
uma bigorna na sua cabeça. Quando o Billy ouve que o Dr. Cullen está lá cuidando dela,
ele implora para o Charlie pegar um avião. Eles brigam de novo. Você se oferece para ir
até lá e ver como ela está, mas o Billy desconta tudo em você. Você sai, mas fica se
lamentando nos degraus. Você o escuta ao telefone com alguém, gritando sobre tréguas
e guerras – você não consegue escutar muito bem pela porta. Mas você escuta algo
sobre os Cullen machucando a Bella, e também sobre Sam. Imagina por que Sam Ulley
faz parte dessa conversa. Mas não fica imaginando por muito tempo. Você está
preocupado demais com a Bella.
Bella melhora e volta para casa. Você está morto de vontade de vê-la – certamente você
pode pelo menos levar algumas flores, desejos de melhoras, algo assim. Mas Billy te
proíbe de ir, e você não consegue convencer ninguém a te emprestar um carro (todos
estão do lado do Billy). Você não acredita como essa piada de vampiro tenha ficado fora
de controle.
Então o Billy muda a estratégia. Ele quer que você vá falar com a Bella. Mas ele quer
que você vá de penetra no baile dela. Você se sente humilhado. Mas ele te suborna, e
você quer muito ver a Bella. Você vai. Ela está tão bonita. Você passa a mensagem de
dar vergonha do Billy, mas, para o seu alivio, ela ri sobre a mensagem com você. Você
vê o jeito que ela para o Edward Cullen, e sabe que ela está completamente fora do seu
alcance. Mas você fica bem, porque também sabe que ela sempre será sua amiga. Você
quer que ela seja feliz, e esse cara claramente a deixa feliz. Você se sente mal por como
o seu pai tem sido mau e errado em relação aos Cullen e você deseja que tivesse algum
tato para se desculpar. Bella está usando aquele perfume horrível outra vez. Você se
pergunta por que ela gosta dele.
Você tem um verão legal em La Push. Trabalha na garagem a maior parte do tempo, e
também algumas horas por semana na loja para alguma grana extra, passa o tempo com
Embry e Quil, sai em alguns encontros em grupo. Uma menina fica a fim de você, mas é
só amizade pra você. Billy ainda está preocupado com a Bella, e você não pode evitar
prestar atenção especial sempre que o nome dela é mencionado. Tem uma gangue idiota
começando a se formar na cidade, e você e seus amigos tiram sarro do bando do Sam
pelas costas deles.
A escola começa de novo, e tudo está bastante normal.
Tarde da noite, Billy recebe uma ligação desesperada do Charlie. Bella está
desaparecida, perdida na floresta, ele acha. Billy promete ajudar. Você já está à porta,
mas ele diz não. Você fica nervoso, mas começa a andar de qualquer jeito. Não chega lá
até as três da manhã, e todo mundo está indo embora. Bella está dormindo, eles lhe
dizem, então você não entra na casa. Você vê Sam, Jared e Paul lá, e isso te irrita. Sr.
Weber oferece uma carona para casa quando te vê andando. Ele é quem te conta sobre a
partida dos Cullen. As pessoas já estão fofocando sobre o assunto. Edward deixou a
Bella na floresta, foi assim que ela arranjou confusão.
No começo, suas emoções são confusas. Você tem que admitir que fica um pouco feliz,
mas tenta reprimir esses sentimentos. São errados – a Bella deve estar infeliz. Você
torce para que ela esteja bem.
Então você começa a receber detalhes. Charlie está desesperado, e ele liga para o Billy
muitas vezes para pedir ajuda. Mas nenhuma das suas irmãs passou por algo desse tipo,
e o Billy não pode ajudar muito. Você ouve que a Bella está acabada, talvez catatônica,
sem comer ou dormir.
Você começa a odiar Edward Cullen. Como ele pôde fazer isso a alguém tão bondoso e
gentil? Que tipo de monstro ele é? Você se arrepende de um dia ter tido vontade de
pedir desculpas a ele.
Ao mesmo tempo, você fica nervoso com o povo de La Push que fica comemorando a
partida dos Cullen. Te irrita de verdade. Eles ficam comemorando a mesma coisa que
devastou a Bella.
O tempo passa, e o Charlie fica cada vez mais preocupado. Billy não te proíbe mais de
ver a Bella, mas instintivamente você sabe que ela não quer te ver – não quer ver
ninguém. Você tenta não se preocupar com ela, é difícil quando o Billy fica
resmungando sobre ela toda a hora. Ela está parecendo um zumbi, o Charlie diz. Ela não
sorri desde que o Edward foi embora.
Meses passam. Um dia, você escuta um motor familiar rugindo do lado de fora de casa.
Você nem acredita, mas Bella foi visitar do nada. Você fica muito feliz, até que a vê
melhor. Ela está pior do que você podia ter imaginado. Ela perdeu muito peso e os
círculos embaixo dos olhos dela estão pretos. O cabelo parece mais escuro e o rosto está
branco demais. Parece que ela ia se partir em duas a qualquer minuto. Mas então ela
olha para você, e ela sorri, sorri de verdade. Ela está feliz em te ver. É uma coisa
pequena, mas quer dizer tudo para você.
Você presta atenção em tudo o que ela fala e faz, mas nunca de um jeito que ela nota.
Você compara o jeito que está se comporta com tudo o que você ouviu do Charlie. Ela
conta para você das bicicletas, e você se anima. Isso é algo em que você é realmente
bom, e adoraria se mostrar um pouco. Ela parece perfeitamente confortável, e você se
sente do mesmo jeito. É como se ela tivesse passado todos os dias do ano passado com
você – nem dá para perceber que faz meses que você não a vê. Vocês se dão bem juntos,
como sempre se deram. Espíritos gêmeos.
Você começa a perceber pelos próximos dias que tem algo mais em que você é bom
além de carros: você consegue deixar a Bella feliz. Não do jeito que ela era antes, mas
muito melhor do que ela esteve. Charlie e Billy ficam no telefone o dia todo, e você fica
orgulhoso em saber que a está ajudando. Você a observa ficar melhor e melhor –
sorrindo e rindo mais, ficando animada com os planos de vocês – e você fica grato do
fundo do coração que pode fazer isso por ela.
Mas ela ainda não voltou ao normal, e você vai levando as coisas devagar. Ela parece
estar se reinventando, e você dá espaço para que ela faça isso, só a acompanhando e
seguindo o que ela propõe.
As coisas com a Bella vão bem, mas se não fosse por ela, sua vida seria uma droga.
Embry se juntou ao culto doido do Sam, e você fica com medo por ele e furioso com ele
ao mesmo tempo. Ele não fala com você. Você e Quil tentam entender o que está
acontecendo, mas nada faz sentido. Billy é tão irritante com a coisa toda e fica te
olhando de um jeito engraçado. Te deixa ansioso. Você conta isso para a Bella, também,
e ela te deixa melhor por levar a sério. Ela te abraça e seu coração quase explode.
É claro que você percebe que está se apaixonando por ela. Você também sabe que ela
ainda não está pronta, e não pensa em você desse jeito. Mas você sabe ser paciente, e
mantém os dedos cruzados de que um dia ela te olhe de modo diferente. Você fica feliz
por ser tão alto, por não parecer ter dezesseis anos. Você está começando a ter
músculos, mesmo sem levantar todo o peso como o Quil sempre faz, e isso te deixa feliz
também. Ela disse que você era meio bonito…
Ela sai com você e os amigos da escola, mas os planos dão errado e é só você, Bella e
Mike Newton. É fácil perceber a tensão. Você está se sentindo bem enquanto observa –
ela não gosta desse garoto. Ela não fica a vontade com ele do jeito que fica com você.
Ela quase nem fala com ele. Você gosta do filme que qualquer outro que você já
assistiu. Ela gosta mais de você. É óbvio.
Ele passa mal. Você espera por ele com a Bella, e está se sentindo muito esquisito. É
estranho – você se sente poderoso, cheio de confiança. Está voando, e fica chocado com
as coisas que diz a ela. Tudo só acaba saindo. Ela admite que você é o favorito dela,
mas ela claramente ainda está de luto pelo idiota que a magoou. Por meio segundo fica
cheio de raiva de que alguém pudesse machucá-la tanto. Você queria matá-lo. Fica
surpreso com essa emoção e rapidamente o reprime.
Você leva a Bella para casa, e está cheio de esperança. As coisas vão dar certo. Você é o
único que a deixa feliz. Ela precisa de você. Você vai fazer tudo o que puder para
continuar a fazendo feliz. Você promete isso a ela. Está se sentindo ótimo. Só mais um
pouco de tempo…
Você vai para casa e o Billy fica te olhando daquele jeito irritante. Está se sentindo
irritado, como se houvesse agulhas espetando toda a sua pele. O quarto está quente de
mais – Bella disse que você estava com febre. Você mal consegue ficar em pé.
Billy diz que você está esquisito, de um jeito todo crítico, e uma raiva insana te invade.
Dessa vez, você não consegue pará-la. Você se sente girando, fora de controle, um ódio
tão profundo que faz todo o seu corpo tremer. Parte de você sabe que sua reação é
estúpida, mas a maior parte está possuída pela fúria. Tudo fica quente, como se o quarto
estivesse pegando fogo. Você consegue sentir o calor dentro dos seus ossos.
E então, para seu horror e choque, a tremedeira fica pior e você sente seu corpo se
despedaçar. Fica aterrorizado. Só leva um segundo, mas é segundo mais longo da sua
vida. Você se sente explodindo e pensa que está morrendo.
Mas o seu corpo se recupera antes disso – você não se parte em pedaços. Está numa
nova forma que não compreende. Sua cabeça está batendo no teto, e você está olhando
para o Billy de alguma grande distancia. A tremedeira parou, mas o ódio ainda está lá.
Tudo está quente e vermelho. Você tenta gritar com o Billy, fazê-lo explicar, mas tudo o
que sai é um uivo horrendo. Você dá um passo na direção dele, e o quarto balança. Seus
lábios estão por cima dos dentes e você pode ouvir os rosnados e que sacudir o Billy e
exigir saber o que ele fez com você. Você se estica para ele, e essa pata enorme, com
garras se move ao invés da sua mão. Você olha para baixo e um urro de terror sai por
seus dentes.
Billy fala como você como se você fosse uma criança, devagar e tranqüilizador, dizendo
para ficar calma, que tudo ficará bem. Mas ele não explica o que aconteceu – o que você
é. Te deixa com raiva de novo o fato dele não parecer surpreso. Ele estava esperando
isso? Por que ele não te avisou?
Billy vai até o telefone e liga para alguém. Assim que você ouve o nome do Sam, surta.
Sam sabe disso. Rosnados horríveis enchem a casa. Billy parece assustado e você está
bem na cara dele, seus maxilares querendo morder. Você se joga para trás, e escuta o
uivo assustado de novo.
É então que começa a escutar vozes na sua cabeça. Mas são muito mais que vozes. Por
trás das palavras, você pode ver imagens e sentir o que sentem. Dentro de segundos,
você entende. Você vê a palavra por trás das outras palavras, a resposta para a sua
pergunta. Lobisomem. Voe é um mostro.
Embry é o que mais ajuda. Você reconhece a voz dele mesmo que não tenha som. Você
vê como ele está aliviado de que você está com ele agora. Sam deixa que ele explique,
deixa que ele te tire da casa (Billy te ajuda a sair da casa – seus ombros mal conseguem
atravessar a porta). Na floresta atrás da sua casa, você vê os outros pela primeira vez.
Eles são enormes e terríveis. Você está apavorado de saber que é como eles.
A noite é longa. Eles te mostram tudo. Todas as hitórias e as lendas que você escutou
durante a vida toda na verdade são fatos. É como chegar em Oz, tudo ganhando cor,
exceto que esse novo mundo não é um lugar bonito e cheio de munchkins. Você está
dentro de um filme de terror. Você é um dos monstros. Eles te mostram porque isso
aconteceu, e essa é a pior parte. Porque os vampiros são reais também. E é culpa deles
que você virou essa coisa. Mais que isso, não só os vampiros sanguessugas literalmente
existem como a sua amiga, a garota que você ama, ainda é apaixonada por um deles.
Primeiro você não acredita que ela saiba da verdade, mas eles te convencem que ela é
completamente consciente. Te deixa enjoado agora, lembrar como ela ainda fica de luto
por ele.
Você é um monstro também, mas não um dos ruins. Você é o tipo que existe para
proteger sua família dos ruins de verdade. Não que isso sirva de consolo. Especialmente
quando eles dizem que ser um protetor lendário você não pode mais ficar perto de gente
normal. Você é perigoso demais por enquanto. Em seis meses, um ano, quem sabe.
Você tem que continuar indo a escola para manter o segredo, mas nada de outros riscos
desnecessários. Na escola, você deve concentrar todo a sua energia em ficar calma.
Esquecer as aulas. Só não mate ninguém.
E a Bella está totalmente fora de questão. Quando você reclama, vê as memórias do
Sam. É como se você estivesse lá. Você o vê implorando para a Emily. Você ouve a
resposta que enche o Sam de uma fúria irracional – a fúria que é a marca e a maldição
dos lobos. Você o sente explodir, a mão na direção dela. Você vê as garras rasgarem o
rosto dela. Você a vê atingir o chão, inconsciente. Você sente o terror dele, o pânico. É
tão forte que ele não consegue se transformar de volta para ajudá-la. Você acha que a
está vendo morrer (mesmo sabendo que ela sobreviveu, te deixa acabado – você vomita
com a dor da memória). Você vê o Jared e o Paul correr para trazer a Sue Clearwater
(uma enfermeira – a melhor alternativa disponível quando o pessoal do hospital é
vampiro). Sue cuida da Emily enquanto o Sam se contorce de agonia na floreta, se
escondendo, ainda incapaz de se acalmar o bastante para voltar…
E você sabe que eles estão certos, você não pode mais ver a Bella. Sua promessa vai se
quebrar. Você vai magoá-la, assim como o outro mostro fez.
Vendo as memórias do Sam acabarem, você vê como se transformar de volta. Se acalma
do jeito que ele fez, e se sente tremer e voltar a forma verdadeira. Pelado e enjoado,
você se curva no escuro e chora como nunca chorou na vida.
Os outros ficam surpresos. Levou dias ou até semanas até que o resto deles conseguisse
se transformar de volta.
Sua nova vida começa tensa. Não só os vampiros são reais, como eles ainda estão aqui.
Novos, não os Cullen. Estão caçando na área, e é seu trabalho pará-los. Essa parte você
consegue. Todo o ódio pelo o que Edward e o resto dos Cullen fizeram a Bella é
canalizado às caçadas para esse par, o macho de cabelo escuro com a companheira
ruiva.
Quando você consegue pegar o macho, é quase tarde demais. Você segue o cheiro do
vampiro cuidadosamente, tentando surpreendê-lo. Jared vai à frente porque os olhos
dele são como binóculos – conseguem enxergar por quilômetros. O vampiro pára em
uma clareira pequena, e Jared o vê conversando com a Bella. Você se apressa, mas o
Sam hesita. Vocês estão fora das terras da trégua. Esse é um dos amigos dos Cullen? Ele
quebrou a trégua ao matar as pessoas, mas vocês não podem provar – não
testemunharam. Sam não quer começar uma guerra sem ter certeza das conseqüências.
Você acha que ele ficou cuidadoso demais. Discute, e quando fica claro que esse
Laurent quer machucar a Bella, Sam rapidamente fica do seu lado.
Matar Laurent é mais fácil do que todos vocês esperavam. É porque eram cinco contra
um? Você sabe que esse não é o caso. Você e Sam fizeram a maior parte do trabalho, e
você sente que você conseguiria ter feito tudo sozinho. Talvez os vampiros não são tão
durões como as histórias fizeram todos vocês acreditarem.
A imagem do rosto amedrontado da Bella da clareira sempre está atrás dos seus olhos.
Ela estava apavorada – mais horrorizada com a sua nova cara do que estava com o
vampiro caçador e de olhos vermelhos. Você se pergunta constantemente como ela
explicou para si mesma o que viu.
A caçada continua e a vampira ruiva prova se muito mais esquiva. O bando não entende
os motivos dela, então é difícil adivinhar seus movimentos. E ela é muito boa em fugir.
Ter um vampiro por perto te deixa nervoso. Todos eles parecem chegar perto da Bella
no fim. Você corre pela casa dela à noite, para ter certeza que ela está segura.
A vida normal virou um dever. Mas os outros ficam impressionados com o seu controle,
e durante aquelas poucas semanas atrás do vampiro de cabelo preto, eles ficam cada vez
mais abobados. Você é melhor em controlar suas “crises” (como você as chama) do que
qualquer um deles. Demorou meio ano para o Sam chegar no ponto que você chegou em
duas semanas. Você já é melhor que o Embry, Jared e Paul. Mas isso não te deixa mais
feliz. Por que alguém gostaria de ser melhor em ser um lobisomem?
Assim, você começa a pensar que seria capaz de ver a Bella. Você tem certeza, agora
que sabe o que esperar, que pode se controlar perto dela. E ela liga o tempo todo. Os
monstros na floresta deviam sem dúvida tê-la traumatizado. Ela precisa de você. E isso
fica na sua cabeça a maior parte do tempo. Sam te castiga – ninguém sabe melhor que
ele como é cometer um erro.
Você não pode nem conversar por ela pelo telefone. Todos os lobos e os anciãos ficam
perturbados com as suas memórias – todos foram tão cuidadosos com a trégua, e você a
quebrou, mesmo sem saber. Pelo menos os vampiros que concordaram com a trégua
foram embora, então isso não significa uma guerra. E a Bella não pareceu acreditar um
mais que uma história… Mas o Sam te dá uma ordem: você não pode contar a verdade
para Bella. E ele diz isso na forma de lobo, e você pode sentir a autoridade pelos
pensamentos. Ele é o lobo alfa, e você não pode desobedecer.
Mas a Bella é persistente, e você não fica surpreso quando ela monta guarda do lado de
fora da sua casa. Você convence os outros que pode lidar com uma conversa, que tem
que ser feita uma hora ou outra. Sam concorda – ele não está disposto a mandar muito
em sua forma alfa, com você menos que o resto (mas essa história é para outra hora).
Ele te previne para ficar calmo, e insiste que você diga o que for preciso para mantê-la
longe. Ele está pensando na Emily, e como você pode discordar disso?
É mais difícil do que você achou que seria. Você observa o rosto da Bella quando
quebra a promessa, e é como se alguém estivesse de esfaqueando. Você é tão mau
quanto o vampiro que a despedaçou. É como se você estivesse tirando toda a sua
esperança e felicidade, e a dela também, e esmagando com suas próprias mãos.
Algumas vezes a raiva é mais forte – você começa a se esquentar, mas consegue
controlar. O mais perto que chega de perder o controle é quando ela defende os
vampiros. Como ela pode pensar bem deles, especialmente agora, depois de tudo o que
eles fizeram para ela? Como se só ser vampiro não bastasse.
E então ela começa a colocar a culpa nela mesma – ela pensa que fez algo de errado, e é
por isso que você está fazendo isso. Ela quase te implora. Você se odeia de verdade por
estar fazendo isso com ela. Você foge, se transformando assim que você fica fora de
vista para que não chore como fez antes.
É uma longa tarde. Você fica cansado do Embry tentando te consolar, cansado da
aprovação do Sam pelo que você fez. Você se pergunta amargamente se não marcou a
Bella tão profundamente quanto o Sam marcou a Emily. Você volta para sua forma
humana para escapar deles, e pensa a noite toda. Você sai de casa para se afastar do
Billy, que é tão irritante quanto os outros.
Você percebe que mesmo o Sam tendo te proibido de explicar as coisas para a Bella,
tecnicamente, ele não te proibiu de vê-la. Você sabe que isso vai ser complicado, mas
não agüenta que ela fique imaginando que não quer ser amigo dela. Você tem que se
desculpar, arranjar um jeito.
Você vai de moto e a esconde em outra rua. Entra no quarto dela, e se surpreende em
ver como ela está brava. E outra, ela está horrível – quase tão ruim como da primeira
vez que você a viu. Os olhos estão vermelhos e o rosto molhado. Você se odeia de novo,
ao ver isso. Tenta explicar, mas as ordens do Sam ficam atrapalhando.
Você tenta pelo menos deixar claro o quão importante ela é e que essa separação não é
culpa sua. Enquanto você fala com ela, primeiro acha que estava errado em querer vir
para cá. Não está deixando as coisas melhores. Elas não podem ser melhores, enquanto
ela não entender. Se ela somente acreditasse em todas as histórias daquele primeiro
dia…
Você percebe que ela já sabe o que você quer que ela saiba. Você tenta fazer com que
ela se lembre, que junte as peças, mas ela está quase dormindo e confusa. Você fica
mais esperançoso, mas também mais tenso. Ela vai se lembrar? Ela vai entender? Se
sim, o que ela vai pensar? Ela vai ficar assustada e enojada? A idéia de que ela talvez se
sinta assim te deixa nervoso. Ela foi capaz de aceitar um vampiro… Isso te dá nojo.
Assim que você se transforma de novo, Sam e os outros ficarão sabendo de tudo sobre
essa brecha. Você espera que possa manter a noticia longe deles até que a Bella entenda
as coisas. Volta de moto para casa, e promete que vai se manter calmo, custe o que
custar.
Quando você acorda de manhã, Billy diz que a Bella passou na sua casa, e que ela está
esperando por você na praia. Você fica animado e receio. Ela devia ter juntado as peças.
Ela não ligou. Ela já tinha aceitado o que você era?
Então você chega à praia e vê a cara dela. Ela está assustada e chateada. Você consegue
ver na expressão dela que ela não fica contente com essa sua nova vida. Isso te deixa
furioso. Você tem que concentrar todas a sua energia para permanecer humano. Você a
acusa de ser hipócrita, e então sente um alivio incrível quando o desentendimento é
esclarecido. Incomoda saber como ela protege seus vampiros, mas pelo menos a
aceitação dela se aplica a você também. Outra vez, você se sente esperançoso. Talvez
vocês possam passar por cima de toda essa bagunça e ficar juntos de novo.
É um alivio imenso poder conversar abertamente com ela outra vez. Você fica surpreso
que ela sabe mais sobre os vampiros fora de Forks do que o bando, e horrorizado que a
ruiva estava atrás da Bella o tempo todo. Você fica ansioso para falar com os outros;
você quer um plano em ação para proteger a Bella. Você fica muito irritado, sabendo
que existe alguém que quer machucá-la. Pela primeira vez, você fica feliz em ser um
lobisomem. É horrível, mas, ao mesmo tempo, você pode proteger a Bella. Parece que
de repente, vale a pena.
Você chama o bando todo. Enquanto você está confiante que pode se controlar perto da
Bella, você esquecer de considerar os outros. Paul reage pior que você esperava. Você
tem que se transformar bem na frente da Bella para protegê-la, e não tem uma chance de
ver a reação dela. Você tem que tirar o Paul de perto dela. Para a sua sorte, você está
ficando maior e mais forte a cada dia que passa. Não é difícil empurrar o Paul até a
floresta. Sam junta-se a vocês rapidamente, e ordena que o Paul se acalme. Você explica
para eles sobre a ruiva e Bella – não demora muito, falando através dos pensamentos
como vocês fazem. Embora o Sam admita que essa informação é importante e útil, ele
de dá um sermão. Ele diz que você colocou a Bella em perigo hoje, e então ele dá um
sermão no Paul, por ser o perigo. Finalmente, ele te lembra que ele entende, e vocês três
voltam a ficar bem. Melhor que antes, você percebe. Você acha fácil fazer parte da
situação, agora que ela ajuda a Bella.
É estranho como as coisas voltam ao normal, enquanto ao mesmo tempo, tudo é
diferente e perigoso. Bella é a peça chave que te ajuda a balancear tudo. Você dorme
algumas horas por noite, mas a maior parte do tempo está correndo pela floresta com o
Sam ou o Embry, procurando algum sinal de que a vampira ruiva tenha voltado.
Quando não é seu turno, você passa o máximo de tempo que pode com a Bella. Há um
novo nível de intimidade à amizade de vocês. Vocês sabem todos os segredos um do
outro, e isso faz mais diferença do que achou que faria. Você fica impressionado com o
quanto ela não podia falar, como ela esteve sozinha durante o tempo que ficou
quebrada. Ainda te deixa perturbado em ver o quanto ela está de luto pelos Cullen. Você
não consegue ver a diferença entre os Cullen e a vampira que está atrás dela, mas ela
consegue. Ela obviamente tem medo daquela vampira. Você tenta confortá-la. E fica
feliz que ela não tem mais que ficar sozinha com isso.
Você se preocupa com a Bella ficar sozinha quando você está de patrulha. Você não fica
feliz quando os seus planos de levá-la para se divertir – quebrar a ansiedade constante –
são interrompidos pela Victoria. Ela faz uma tentativa capenga de cruzar para o seu
território. Você acha muito suspeito, e quando ela entra na água, você se preocupa que
ela tenha outro plano. Você, Jared e Embry correm pela costa, procurando algum sinal
de que ela tenha tentado pisar em terra firme. Você volta para La Push sem cruzar com
o cheiro dela. Embry continua com o Jared, mas você quer ver a Bella. Só para ter
certeza que a ruiva não passou a perna em vocês.
Bella não está na praia, nem a ruiva, nem ninguém. Você continua até as árvores, mas a
tempestade está tão forte que ninguém está por perto para te ver. A picape dela não está
na frente da sua casa. A primeira coisa que você pensa é que ela voltou para casa, mas
marcas de pneus recentes levam em outra direção. Não é até que você encontra a picape
abandonada na estrada perto dos penhascos que você se lembra do que tinha prometido
no dia anterior. Pular do penhasco. No mesmo instante, você escuta o grito da Bella,
longe, desaparecendo conforme o som vai caindo.
Você corre até a beirada do penhasco em segundos. Não consegue ver nada lá embaixo
– as ondas são muito fortes, não há sinal da queda recente dela. Você se joga,
mergulhando de cabeça na água escura.
A água está bruta. Você sabe o quanto de força está usando para conseguir nadar por
ela, e sabe que a Bella não é assim tão forte. Nenhum humano é assim tão forte para dar
conta dessa correnteza.
Você procura freneticamente, seus olhos afiados passando pela água. Finalmente, você
vê algo brilhando, braço – as mãos dela lutando inutilmente contra as ondas. Você está
submerso, quase sem ar, e com um pânico gigante. Nenhuma outra pessoa teria sido
capaz de conseguir sob as mesmas circunstancias, nem mesmo o Sam, mas você se
concentra e se força a voltar à sua forma humana. Então você pega a Bella e puxa para a
superfície.
Você queria ter trazido o kit de primeiros socorros. Tudo em que você consegue pensar
é tirar a água dos pulmões dela. Tem tanta. No começo ela está consciente, mas depois
apaga. Você não sabe o que fazer. Você a leva de volta para a praia, esperando que
consiga a ajuda desse jeito. Os pensamentos do Jared e do Embry estavam com você
durante a queda, mas agora você está desconectado deles.
Sam chega, mas a Bella acorda antes que ele possa fazer muito mais do que te contar da
tragédia na vila. Você fica chateado em tê-lo tirado do lugar que precisam dele. Bella
parece estar bem. Você não sabe se ela precisa de um medico, mas ela só quer
descansar, então você a leva para casa. Está exausto de tantas noites correndo, e você
dorme ao lado dela. Se sente bem lá, juntos e sem segredos entre vocês, sabendo que ela
está segura.
Billy te acorda quando chega em casa. É devastador saber que Harry se foi. Ele era um
dos melhores amigos do Billy, um tio em tantos jeitos, e também um dos três anciãos
que sabiam sobre os lobos. Não parece justo que ele tenha morrido.
Você leva a Bella para casa, sabendo que o Charlie estará de luto também. Pela primeira
vez desde a noite em que você se transformou – a noite daquele filme horrível – você
pensa que isso talvez dê certo. Parece certo segurá-la desse jeito. Ela sente o mesmo?
Talvez não seja tão forte quanto ela se sentia sobre o vampiro, mas deve significar que
nenhum dos dois fica completo sem o outro. Parece que é seu destino ficar com ela.
Ela começa a se afastar. Ela não está pronta, mas você acha que ela estará. Só mais um
pouco de paciência. Você abre a porta do carro, e esse pensamento pacífico é ameaçado.
Há um vampiro por perto. Seu primeiro palpite é a ruiva, e você imagina que ela usou a
distração da morte de Harry para se desviar. Não tem certeza de onde ela está e se ela
está observando. Você tem medo de que ela comece a caçar, caso ela entre enquanto
você a está procurando. Decide que a melhor coisa é levar a Bella de volta a La Push,
deixá-la com o Embry e então caçar a ruiva com o Sam.
Mas algo não está certo. O cheiro é outro. Um vampiro, obviamente, mas não é o
mesmo cujo cheiro vinha vindo queimando seu nariz pelas ultimas semanas.
Antes que você tenha alguma idéia, a Bella pede para você parar. O rosto dela está mais
brilhante desde o dia que ela foi procurar você, toda machucada. Ela acha que os Cullen
voltaram, e o carro brilhante parado em frente à casa dela dá evidencia à teoria. O
entusiasmo dela te deixa enjoado. Você fica furioso. É difícil se acalmar.
Fica claro que você terá que levá-la a força se quiser impedi-la de entrar na casa. Ela
parece certa que são os vampiros dela. Ela já foi embora – mentalmente, ela está a
quilômetros de distancia de você. E você te responsabilidades. O bando esteve
ignorando as linhas da trégua completamente desde que os Cullen partiram. Você não
pode deixar que seus irmãos arrumem confusão, não sabendo que os Cullen está de
volta.
Você odeia ter que deixá-la, e fica bravo que é isso que ela quer. O futuro que parecia
tão esperançoso há alguns minutos se transforma em nada. Ela nem se importa que eles
foram embora? Isso não importa? Nenhuma vez ela expressou algum tipo de ódio em
relação a eles pelo que fizeram a ela. Você imagina que ela nunca sentiu esse ódio. Ela
aceita o que eles fizeram sem nem questionar.
Você precisa ir embora, porque você não vai conseguir se segurar por muito mais
tempo. Consegue sentir a raiva crescendo. Você a deixa sozinha na rua, desejando mais
que qualquer coisa que ela te chamará, que ela mudará de idéia. Ela não muda.
Você corre para o hospital, e então se transforma de volta. A raiva diminuiu um pouco,
e você fica preocupado com a segurança dela de novo. Você liga e ela atende. Os Cullen
voltaram, e ela escolheu os vampiros ao invés de você.
É uma noite péssima para os lobos quileutes. Sam volta as linhas de patrulha ao normal
para que vocês só protejam alguns quilômetros da reserva. Sam não quer deixar nenhum
buraco – talvez haja meia dúzia de vampiros por aí, e as intenções deles não são claras.
Você se preocupa com a Bella e a ruiva, mas Sam diz para deixar que os Cullen cuidem
disso eles mesmos. Você fica péssimo com a idéia da Bella pertencendo a eles.
Os dias passam. Ninguém tenta cruzar a linha. Billy liga para o Charlie, e parece que só
um dos Cullen voltou, e ela está passando os dias com eles. Isso te deixa assustado. Sam
está preocupado – qual é a nova medida? As linhas da trégua voltaram? Por quanto
tempo? O resto deles também vai voltar? Eles sabem sobre a ruiva? Eles consideram
que ela esteja sob a proteção da trégua também? Se sim, a trégua está desfeita. E se eles
não a pararem, o bando irá considerá-los como cúmplices. Sam, Billy e o velho Quil
discutem a possibilidade de uma guerra…
Mas o Sam quer informação primeiro – tentar manter as coisas civilizadas pelo máximo
de tempo possível – e você se oferece como voluntário. Insiste em ir pessoalmente.
Você precisa ver o rosto dela, ver o quão envolvida ela está. Você diz ao Sam que vai
ter mais informação pessoalmente, que você saberá melhor se ela está mentindo. Você
não o engana com seus motivos, mas seus argumentos parecem inúteis.
Então você vai durante o funeral, para que consiga falar com ela honestamente, sem
arriscar que o Charlie interrompa. Jared e Embry não querem te deixar sozinho, mesmo
quando você tem certeza que a vampira saiu. Você sabe que eles ficaram por perto, mas
não quer que eles escutem. Você quer falar com a Bella, falar de verdade, mas é o
máximo que pode fazer para ficar calmo. A casa dela fede – queima seu nariz. O fedor
de vampiro está grudado nela. Vocês estão um pouco hostis, mas ela responde as suas
perguntas. A Cullen só está visitando. Você diz a si mesmo que as coisas voltarão ao
normal quando a vampira for embora de novo.
Você não consegue ir embora. Vê que a magoou, e volta e a encontra chorando. Você se
sente pior, e melhor. Melhor porque ela pelo menos se importa com você o suficiente.
Ela está chorando por você. Isso já é algo.
Você consegue falar com ela, mas é difícil. Ela os ama. Os monstros que a machucaram
– ama todos. Ela se importa com você também, mas não tanto. Ainda, a vampira irá
embora… Você está confuso, sem saber como se sentir.
Você a segura em seus braços, e é como antes – como se fosse o destino. Você pega o
rosto dela nas mãos, e de repente você quer beijá-la mais do que qualquer coisa no
mundo. Não é como você planejou – a hora é péssima com a vampira por perto. Mas
depois você pensa que isso também seja o destino. Talvez ela vai sentir isso. Você vê o
conflito nos olhos dela, e imagina que lado ela vai tomar quando os seus lábios tocarem
os dela.
O telefone toca bem nessa hora inoportuna, e você atende. Que escolha tem? Pode ser o
Sam, pode haver algum problema. Você ouve o tom claro, cantante da voz com um leve
sotaque britânico, e sabe quem está ligando na primeira palavra. Outro deles. Talvez a
Bella estivesse errada sobre o resto deles voltar também. Talvez ela estivesse mentindo.
Billa fica nervosa de novo quando o vampiro desliga na sua cara. Antes que você possa
esclarecer, sente a queimação fresca de uma vampira próxima. Escuta o leve som da
aproximação quase silenciosa da vampira. Você tenta ir embora, mas o cheiro é mais
forte na sala. Antes que você possa sair pelos fundos, a sanguessuga está lá.
Ela é uma coisinha minúscula, mas depois do que a Bella disse sobre os vampiros com
talentos extras, você não vai abaixar a guarda. E ela nem presta atenção em você. Ela
mal parece consciente das coisas ao redor, perturbada com algo. Bella a chama de Alice.
Alice fala o nome do Edward uma vez, e a Bella desmaia. A vampira a machucou?
Você não vê nada. Mas se inclina para pegar a Bella antes que a vampira possa tocá-la,
e a tira de perto dela.
A vampira parece bem chateada, e isso te surpreende. Você não tinha percebido que eles
tinham muitas emoções. Fica revoltado e impressionado em como a Bella e a Alice
parecem confortáveis em se tocar. Você pensou que a vampira não seria capaz de tocar
humanos sem os machucar. E a Bella parece tão à vontade com Alice – capaz de
interagir com ela como se ela fosse humana. Bella parece vê-la desse jeito – quase como
uma pessoa.
A conversa é difícil de seguir. Você entende que o Edward Cullen está em algum tipo
de confusão, e é culpa de uma tal de Rosalie. Bella está gritando e exigindo ajudar, e a
vampirinha vai deixá-la tentar, embora ela tenha deixado claro que é uma missão
suicida.
Você segue a Bella até a cozinha, onde ela escreve um bilhete para o Charlie. Você pede
a ela que não vá. É como se você não tivesse dito nada. Ela pede que você tome conta
do pai dela.
Bella corre para fazer as malas, e você fica sozinho com a Alice. Você se afasta o
máximo que pode dela – o instinto para se transformar e atacar é difícil de reprimir – e a
acusa de estar levando a Bella para a morte dela. Na verdade é mais fácil falar com ela
do que você teria pensado – ela reage e fala como um humano, embora a aparência dela
seja assustadoramente alienígena. Aos seus olhos afiados, ela é como um cristal
ambulante, toda angulosa e brilhante.
Alice discute por um momento, e então a Bella volta e elas se preparam para partir.
Você irá vê-la novamente? Você literalmente implora para que ela não vá, mas a Bella
vai embora depois de beijar a sua mão. Você mal pode se segurar por meio segundo
quando percebe que ela vai morrer por aquele parasita que arruinou a vida. Pela
primeira vez desde o começo, você perde o controle de si mesmo e explode em lobo
contra a sua vontade.
A vida fica mais sombria do que foi antes. Os outros estão aliviados que a Alice Cullen
foi embora, levando a Bella ou não. Eles tentam esconder os sentimentos de vocês, mas
é claro que não há segredos em um bando de lobos. Sam cuidadosamente estende as
linhas da patrulha, e você toma um cuidado extra para cuidar do Charlie, como a Bella
te pediu.
É assim que você descobre que a ruiva está tentando pegar a Bella outra vez. O bando
circula, lentamente aproximando o perímetro, deixando-a chegar mais perto de Forks
enquanto estabelecem uma linha entre ela e Charlie… No entanto, ela abruptamente dá
meia volta e foge. Você a persegue, mas ela é esperta e mais rápida que o vampiro de
cabelo preto. O voo rápido dela o pega desprevenido – você não deu sinal da sua
aproximação. Procurando pistas sobre o fato, Sam junta o que aconteceu. O caminho
dela cruzou com uma trilha deixada pela Alice Cullen. Isso parece ter sido o suficiente
para fazê-la entrar em pânico. Isso pelo menos deixa claro que ela não é amiga dos
Cullen.
Charlie está desesperado, naturalmente. Ele vai até La Push para te interrogar, ver se
você sabe algo que o ajude a achar a Bella. Você queria poder dizer tudo sobre os
Cullen a ele, mas não pode entregar os próprios segredos, e que bem isso faria a ele?
Nenhum de vocês pode salvar a Bella agora.
Rumores se espalham por Forks quando a Bella volta viva. Charlie não liga para o Billy
na hora – aparentemente ele está furioso demais – então você escuta as coisas da Leah
Clearwater. Charlie ligou para cancelar uma visita a mãe dela; ele não queria deixar a
Bella sozinha, porque ela está muito enrascada. Você fica aliviado que a Bella esteja
bem, e não se importa com mais nada no começo. Mas não demora muito até que as
notícias ruins cheguem. Dr. Cullen vai voltar para o hospital – a família inteira voltou à
cidade. Sam convoca as patrulhas de novo, mas não tão longe como antes. Se eles
voltaram para ficar, então o bando tem que reforçar as fronteiras outra vez. Ter certeza
que não há desentendimentos quanto ao que pertence aos quileutes.
Através do Charlie, o Billy fica chateado. Edward está de volta, aparentemente
nomeado como “namorado” da Bella de novo, sem nenhuma repercussão da deserção
dele. Bella não vem te ver, e você fica bravo, embora não esperasse realmente que ela
viesse. Você também está bravo por saber que o Charlie deixa a Bella namorar o
Edward de novo. Ele não devia, como pai, fazer algo sobre isso?
Você bola um plano, mas não pensa muito nele. Se deixá-la de castigo, ela não vai
poder vê-lo… Talvez, se ela ficar longe dela, ela vai poder se livrar do feitiço qualquer
que ele colocou nela e se lembrar quem ele é, e o que ele fez.
Outra, você tem uma nova preocupação agora. Desde que a Alice voltou, seu maior
medo é que algum dos vampiros perca o controle perto da Bella e a mate por sede. Te
acorre agora, que talvez haja algo pior. Talvez eles têm intenções piores do que usá-la
para saciar o apetite. Você nem que ter a idéia na sua cabeça, mas não pode evitar.
Talvez eles tentem fazê-la uma deles.
É a pior coisa que você pode imaginar. É pior que matá-la – roubar a essência dela e
deixá-la como uma criatura inumana de pedra, uma zombaria da pessoa que ela foi um
dia. Era como se deixasse que um estranho tivesse o corpo dela, só que uma versão fria,
deformada desse corpo.
Você sabe que a única coisa que deixaria o Charlie nervoso, mais que qualquer coisa
(exceto pela verdade, que você não pode dizer a ele), é a moto da Bella. Você a leva até
a casa dela e diz ao Charlie que está devolvendo, porque a Bella não vai mais para La
Push. Charlie fica da cor de uma beterraba e grita com você por quinze minutos,
prometendo que vai contar para o Billy que está acontecendo. Quando ele te deixa ir,
você se esconde na floresta ao invés de ir embora, sabendo que o sanguessuga irá saber
pelo seu cheiro que você esteve aqui. Você tem um aviso para entregar.
Assim como você esperava, Edward Cullen chega com a Bella para te encontrar antes
que ela veja o Charlie. É muito difícil se controlar, mas você não vai se meter numa
briga com a Bella ali. Ela pode se machucar e você não vai quebrar a trégua dessa vez.
Deixe que os Cullen sejam os malvados dessa vez.
Bella está furiosa. Você estava preparado para isso, mas ainda é ruim vê-la magoada.
O vampiro de pega de surpresa, te agradecendo pelo que você fez pela Bella. Você se
recusa a acreditar que ele está sendo honesto. É só algum truque. Você descobre que a
habilidade de ler a mente dele é ainda piore do que você imaginava. Ele vê tudo o que
você está pensando.
Embora ele já saiba o aviso que você veio dar, você responde a pergunta da Bella sobre
a trégua. Não só eles não podem se alimentar de humanos como se eles quiserem
preservar a paz com os lobos, eles não podem criar novos vampiros.
A reação nervosa da Bella diz muito mais que você queria saber. Até aquele momento,
você se preocupava que os Cullen estivessem pensando em transformá-la. Você não
esperava que ela soubesse desse plano. Agora você vê que ela própria está planejando
isso – que é isso que ela quer.
Você precisa se esforçar muito mais do que uma dia precisou para manter a forma. O
resto da conversa não significa nada. Bella quer ser uma vampira. Ela não percebe que
essa transformação é só outra forma de morte – pior que qualquer outra.
Se ele transformá-la, significará guerra. Você corre para casa para dizer aos seus irmãos.
Vocês precisam se preparar…