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RESIDENCIAL CASA VERDE BANCOOP

Processo: 017542756.2010.8.26.0100 Classe: Procedimento Ordinário Área: Cível 28/07/2011 00:00 - Conversão de Dados - Local Físico: Tribunal de Justiça

Distribuição: Livre - 23/08/2010 às 16:32 41ª Vara Cível - Foro Central Cível

Juiz: Paulo Rogério Bonini

Valor da

ação:

R$ 104.371,26

Juiz: Paulo Rogério Bonini Valor da ação: R$ 104.371,26 Partes do Processo Reqte: Eraldo N de

Partes do Processo Reqte: Eraldo N de O Advogada:Daniela Marinelli de Carvalho do Carmo

Reqdo: bancoop

13/05/2011

Data da Publicação SIDAP Vistos.

ERALDO N DE O, ajuizou a presente Ação de

 

Rescisão

Contratual com Restituição de Valores e Declaração de

Inexistência

de

Saldo

Devedor

,

em

face

de

COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO - BANCOOP, alegando, em suma, que firmou com a ré em 1º de agosto de 2001, contrato para aquisição de unidade imobiliária junto ao

empreendimento

, com relação

ao qual vinha quitando regularmente as prestações ajustadas.

Residencial Casa Verde

Sustenta que o prazo de entrega da unidade estabelecido em contrato, seria no final de novembro de 2005, sendo certo que até o presente momento as obras relativas ao seu bloco ainda estão em fase inicial.

Imputando o descumprimento do contrato à ré, requereu, com base no Código de Defesa do Consumidor, a procedência do pedido para o fim de que seja declarado rescindido o instrumento firmado, além da condenação da ré ao reembolso de todas as parcelas já pagas, no total de R$ 94.528,83 (noventa e quatro mil quinhentos e vinte e oito reais e oitenta e três centavos), bem como a declaração de inexigibilidade da última parcela devida, cujo vencimento ocorreria no dia 15 de fevereiro passado, na quantia de R$ 9.842,43 (nove mil oitocentos e quarenta e dois reais e quarenta e três centavos).

Instruiu a inicial com procuração e documentos (fls.

16/39).

Foi deferida a tutela antecipada requerida (fls. 49).

Não se tem notícias sobre o julgamento do recurso de agravo interposto pela ré.

Regularmente citada, apresentou a ré contestação (fls. 88/112), requerendo, de início, a denunciação da lide à Associação dos Adquirentes de Imóveis do Condomínio Casa Verde, que pode ser atingida em caso de procedência do pedido.

No mérito, sustenta que sempre atuou com lisura, nos termos do seu estatuto, não havendo qualquer irregularidade no que diz respeito à gestão financeira do empreendimento discutido nos autos, fato que restou demonstrado, inclusive, na ação civil pública que tramitou perante a 40ª Vara Cível Central.

Alega que a pretensão inicial apenas virá em prejuízo das obras em andamento, posto que a falta de pagamento da última parcela pelo autor, infringe o sistema de autofinanciamento em que se baseia o empreendimento.

Pugnou pela inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor, por se tratar de cooperativa. No mais, aduziu a regularidade dos termos do contrato, que foi firmado por livre manifestação de vontade das partes. Requereu a improcedência do pedido. Juntou procuração e documentos (fls. 113/162). Houve réplica (fls. 164/173). Não manifestaram as partes interesse na produção de outras provas.

É o Relatório. Fundamento e DECIDO.

Não foram argüidas preliminares.

No que diz respeito ao pedido de denunciação da lide, entendo não ser o caso de acolhimento.

Isso porque, na hipótese de procedência do pedido inicial, os ônus financeiros serão carreados apenas indiretamente à Associação dos Adquirentes de Imóveis do Condomínio Casa Verde, tendo em vista que a ré, nos termos do seu estatuto, detém entre as suas finalidades a incorporação de unidades imobiliárias e a manutenção de todos os serviços administrativos até a conclusão das obras (fls. 116).

Ademais, foi a única signatária do instrumento discutido nos autos (fls. 131).

No mérito, o pedido é procedente. Inicialmente, impende consignar que a relação jurídica instaurada entre cooperativa e cooperado não possui natureza

consumeirista, já que ausentes as figuras do fornecedor

e do consumidor.

A respeito do tema, confira-se ensinamento de Waldirio Bulgarelli, in As Sociedades Cooperativas e a sua Disciplina Jurídica RJ, Renovar, 1998, p. 19/20:

Por se apresentar como uma nova categoria de sociedade por ter criado novos tipos de relações jurídicas com seus associados e com terceiros e por operar de forma diferente das sociedades tanto civis como comerciais, com objetivos próprios e característicos, passou-se a entender que as regras destinadas a reger as cooperativas não constituíam mero apêndice ou prolongamento dos sistemas de Direito Civil, Comercial, Social ou Administrativo, mas, sim, continham os elementos caracterizadores de um novo ramo do Direito: o Direito Cooperativo.

Esse Direito seria aquele destinado a reger as sociedades cooperativas e suas relações jurídicas, sem subordinação a outros ramos do Direito, por incompatível a sistemática jurídica das cooperativas com a orientação e o conteúdo das normas desses ramos do Direito.

Prossegue o ilustre jurista:

Trata-se, portanto, de empresa cuja conformação e procedimentos estão influenciados pelos princípios doutrinários do sistema de que é instrumento.

Não constitui a cooperativa uma categoria econômica, em si, autônoma, destinada como as sociedades

capitalistas apenas à obtenção de lucro; ao substituir a economia lucrativa pela economia de serviço e portanto de custos, ela se subordina a ser o instrumento de

execução desse novo objetivo. (

Há que se distinguir

na atividade operacional das cooperativas, dois tipos de relações gerais, básicos para a compreensão da verdadeira natureza dessas relações.

)

Assim é que decorrente da sua estrutura societária, pode-se isolar aqueles atos internos, praticados com seus associados, e aqueles praticados com terceiros.

Aos primeiros, configurados num círculo fechado, tem- se atribuído a denominação de atos cooperativos (Aos poucos a legislação vem admitindo esse conceito, com

a Instrução nº 1 de 30.111.1964, do BNH, que em seu

artigo 1º, refere-se expressamente aos atos cooperativos; também o decreto-lei 59 de 21 de novembro de 1966, no seu artigo 23, faz referência aos

atos das cooperativas com seus associados.).

Se a originalidade dos atos praticados pelas cooperativas pode-se irradiar, como de fato se irradiado tem, além dos limites do círculo interno, e impresso a sua marca, até mesmo aos praticados com

terceiros, em razão da força irresistível promanada dos princípios doutrinários informativos de suas atividades - onde, porém, essa originalidade mais se acentua

as

cooperativas são organizadas para atender aos associados, fornecendo-lhes bens e serviços; as

empresas capitalistas para operarem no mercado e distribuir entre os sócios a renda proveniente dessas

nas sociedades

cooperativas as cotas sejam intransferíveis a terceiros, pois que diferentemente das sociedades capitalistas, as sociedades cooperativas são sociedades de pessoas, e suas ações não podem se transferir simplesmente pela tradição.

atividades (Ob. cit., p. 21/24). (

é justamente nos atos com seus associados. (

)

)

O sistema cooperativo nesse ponto é totalmente diverso; não há emissão de ações e seu eventual resgate.

Simplesmente, o capital é alterado com a entrada e saída dos associados; quando de seu ingresso ele subscreve e integraliza sua cota ou cotas; quando sai recebe o valor correspondente, indo sempre essa

variação repercutir diretamente no capital da sociedade. Tem-se permitido, apenas, nesse sentido, a transferência de associado para associado, com a autorização da Assembléia Geral. Pela indivisibilidade do fundo de Reserva Legal entre os associados, mesmo em caso de dissolução da sociedade, procurou-se uma fórmula de reforçar o patrimônio associativo, e socializar um mínimo de riqueza. De três ordens portanto, os motivos que determinaram a criação dessa impartilhabilidade - prática, para efeito de assegurar em proveito dos credores a conservação do patrimônio social; doutrinária, obtendo uma pequena socialização da riqueza, através da dedução de uma porcentagem do retorno e econômica, visando a fortificar o patrimônio quase sempre débil das sociedades cooperativas, em seus inícios.(Ob. cit., p. 55/56).

Desta feita, não há que se falar, no presente caso, em inversão do ônus probatório, tampouco em responsabilidade objetiva da ré.

Inobstante tal circunstância, observo que a demora verificada na hipótese dos autos extrapolou sobremaneira ao quanto estipulado em contrato, que prevê o período de até seis meses a contar da data estimada de conclusão do bloco, como máximo de atraso.

A unidade adquirida pelo autor, segundo a cláusula 8ª do instrumento (fls. 21), deveria ser entregue no mês de novembro de 2005, razão pela qual, com a tolerância de seis meses, o prazo máximo seria em maio de 2006.

Todavia, transcorridos mais de quatro anos da data limite, constata-se que as obras da unidade objeto dos autos ainda estão em sua fase inicial, sem qualquer perspectiva de conclusão (fls. 36/39), o que evidencia flagrante descumprimento imotivado do contrato pela ré.

O argumento de que este atraso teria resultado de

déficit de fluxo de caixa

medida em que um sistema de autofinanciamento eficiente deveria computar no cálculo das parcelas devidas pelos cooperados, o risco de inadimplência ou de falta de adesão, tal como sustentado em contestação.

na

, não merece prosperar

,

Nesse sentido, restando claro que

o atraso decorreu de

gestão

orçamentária,

a

qual

incumbia

exclusivamente à ré, flagrante que foi a única

responsável

pelo descumprimento contratual,

ensejando a sua rescisão, com o restabelecimento das

partes ao status quo ante, ainda que considerado o

regime jurídico do Código Civil

.

Destarte, e levando-se em conta que o autor não deixou de cumprir com nenhuma das obrigações assumidas, a procedência do pedido é medida que se impõe.

Ante o exposto, e por tudo mais que dos autos consta, julgo PROCEDENTE o pedido, para o fim de:

a) declarar rescindido o contrato de adesão e compromisso de participação firmado entre as partes;

b) declarar inexigível a parcela remanescente devida, no total de R$ 9.842,43 (nove mil oitocentos e quarenta e dois reais e quarenta e três centavos);

c) condenar a ré a devolver ao autor de uma só vez, os valores pagos, no total de R$ 94.528,83 (noventa e quatro mil quinhentos e vinte e oito reais e oitenta e três centavos), sobre o qual deverão incidir correção monetária nos termos da Tabela Prática do E. Tribunal de Justiça, e juros de mora de 1% ao mês, ambos a partir da citação até o efetivo desembolso.

Via de conseqüência, confirmo a tutela antecipada anteriormente concedida. Ante a sucumbência operada, condeno a ré ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como dos honorários advocatícios, que fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação (artigo 20, § 3º do Código de Processo Civil).

Oportunamente, arquivem-se os autos. P. R. I. C. São Paulo, 25 de abril de 2011. TÂNIA MARA AHUALLI Juíza de Direito Remetido à imprensa oficial para fins de publicação, nos termos do art. 162, § 4º do C.P.C.:

Para eventual interposição de recurso de apelação, deverão ser recolhidas, nos termos da Lei Estadual 11.608 de 29/12/2003, as seguintes taxas judiciárias:

Preparo de apelação: R$ 1.890,58; Porte de remessa dos autos para Segunda Instância: R$ 50,00, na guia de FDTJ. S.P.