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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS ESCOLA DE ENGENHARIA CIVIL CURSO DE MESTRADO EM ENGENHARIA CIVIL

RICARDO BARBOSA FERREIRA

INFLUÊNCIA DAS ADIÇÕES MINERAIS NAS CARACTERÍSTICAS DO CONCRETO DE COBRIMENTO E SEU EFEITO NA CORROSÃO DE ARMADURA INDUZIDA POR CLORETOS

Goiânia

2003

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS ESCOLA DE ENGENHARIA CIVIL CURSO DE MESTRADO EM ENGENHARIA CIVIL

RICARDO BARBOSA FERREIRA

INFLUÊNCIA DAS ADIÇÕES MINERAIS NAS CARACTERÍSTICAS DO CONCRETO DE COBRIMENTO E SEU EFEITO NA CORROSÃO DE ARMADURA INDUZIDA POR CLORETOS

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Engenharia Civil da Escola de Engenharia Civil da Universidade Federal de Goiás, para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Civil.

Área de concentração: Estruturas e Materiais.

Orientadora:

Co-orientador: Prof. Dr. Oswaldo Cascudo.

Profª Drª. Helena Carasek.

Goiânia

2003

iii

INFLUÊNCIA DAS ADIÇÕES MINERAIS NAS CARACTERÍSTICAS DO

CONCRETO DE COBRIMENTO E SEU EFEITO NA CORROSÃO DE

ARMADURA INDUZIDA POR CLORETOS

RICARDO BARBOSA FERREIRA

Dissertação de Mestrado defendida e aprovada em 18 de setembro de 2003, pela banca examinadora constituída pelos professores:

pela banca examinadora constituída pelos professores: Helena Carasek, Drª. (UFG) (ORIENTADORA) Oswaldo Cascudo,

Helena Carasek, Drª. (UFG) (ORIENTADORA)

professores: Helena Carasek, Drª. (UFG) (ORIENTADORA) Oswaldo Cascudo, Dr. (UFG) (CO-ORIENTADOR) Rejane Maria

Oswaldo Cascudo, Dr. (UFG) (CO-ORIENTADOR)

(ORIENTADORA) Oswaldo Cascudo, Dr. (UFG) (CO-ORIENTADOR) Rejane Maria Candiot a Tubino, Drª. (UFG) (EXAMINADORA

Rejane Maria Candiota Tubino, Drª. (UFG) (EXAMINADORA INTERNA)

Maria Candiot a Tubino, Drª. (UFG) (EXAMINADORA INTERNA) Wellington Longuini Repette, Dr. (UFSC) (EXAMINADOR EXTERNO)
Maria Candiot a Tubino, Drª. (UFG) (EXAMINADORA INTERNA) Wellington Longuini Repette, Dr. (UFSC) (EXAMINADOR EXTERNO)

Wellington Longuini Repette, Dr. (UFSC) (EXAMINADOR EXTERNO)

Maria Candiot a Tubino, Drª. (UFG) (EXAMINADORA INTERNA) Wellington Longuini Repette, Dr. (UFSC) (EXAMINADOR EXTERNO)

iv

Aos meus pais, Raimundo e Celina, pelo irrefutável exemplo de vida.

v

AGRADECIMENTOS

Aos meus orientadores Helena Carasek e Oswaldo Cascudo, pelo apoio, incentivo, sugestões e contribuições ao longo desta pesquisa. E também pelo carinho, companheirismo, amizade e atenção dispensados a mim e a minha esposa, por tudo isso, o meu muitíssimo obrigado. Ao Centro Tecnológico de Engenharia Civil de FURNAS Centrais Elétricas S.A.; a quem gostaria de agradecer nas pessoas dos Engenheiros Walton Pacelli de Andrade, Rubens Bittencourt e Moacir A. Souza de Andrade, pela viabilização da realização do trabalho experimental. Não posso deixar de mencionar os funcionários e técnicos do Centro Tecnológico, que contribuíram com dedicação, seriedade e competência durante a realização deste estudo. Aos Engenheiros do DCT.T, Reynaldo Bittencourt, Elizabeth Leopoldina Batista e Luciana dos Anjos pelo auxílio durante a realização do programa experimental. Em especial, gostaria de agradecer ao empenho e a

dedicação desprendida à realização deste trabalho pela Engª. Anne Neiry Lopes.

À CAPES pelo indispensável apoio financeiro.

À ANEEL pelo financiamento da pesquisa, iniciativa que deveria ser

seguida e ampliada por tantas outras empresas estatais e privadas. Aos professores do Curso de Mestrado em Engenharia Civil da Universidade Federal de Goiás (CMEC - UFG), pelos valiosos ensinamentos ao longo de todo o curso de mestrado. Em especial ao professor Ronaldo Gomes pela atenção e disponibilidade constantes. À Neuza, secretária do Curso de Mestrado de Engenharia Civil da UFG, pela competência, receptividade e, principalmente, pelo carinho dispensado à minha pessoa. Aos meus queridos amigos e companheiros de jornada, Adriane de Paula Couto, Alexandre de Castro e Victor Braun, que não mediram esforços para tornar real nosso objetivo comum. Tenham certeza que, durante nosso convívio quase que diário, aprendi a respeitá-los e admirá-los pelos profissionais e pessoas maravilhosas que são. Aos amigos de sempre, Marcus Valente, Márcio Chucre, Cláudio Henrique Pereira, Keila Bento, Fernando Teixeira, Luís Maurício Scartezini

vi

Leonardo Guimarães e Adriano Carvalho, por quem guardo um carinho e uma admiração infindáveis. Aos meus familiares que, apesar da distância, tenho certeza que sempre estiveram presentes ao meu lado. Aos meus queridos irmãos Renato e Márcia; aos meus avós Licínio e Ceny; aos meus sobrinhos Vinnícius, Matheus e David; aos meus sogros Renato e Maria do Carmo e à Dª Eulalia Jucá. Aos meus pais, toda a minha gratidão, por terem moldado meu caráter pautado em princípios de honestidade, respeito, amor, Humildade e dignidade.

Neles, busco inspiração e motivação para tornar-me, a cada dia, um ser humano melhor e merecedor de ser seu filho.

À minha esposa, Tatiana Jucá, sem a qual certamente não teria obtido

êxito nesta empreitada. Uma mulher sempre presente ao meu lado, dedicando

carinho, atenção e amor nos momentos que mais precisei. Taty, esta vitória também é sua, te amo.

A DEUS, que me acompanha em todos os passos do longo e tortuoso,

porém compensador, caminho da vida.

é sua, te amo. A DEUS, que me acompanha em todos os passos do longo e

vii

SUMÁRIO

Lista de figuras

x

Lista de tabelas

xv

Lista de abreviaturas e siglas

xvii

Nomenclatura da química do cimento

xviii

Resumo

xix

Abstract

xx

CAPÍTULO 1

- INTRODUÇÃO

1

1.1 Justificativa e importância do tema

1

1.2 Objetivos

4

1.3 Estrutura do trabalho

5

CAPÍTULO 2

- CORROSÃO DAS ARMADURAS INDUZIDA POR CLORETOS

6

2.1 Conceitos básicos

6

2.1.1 Período de Iniciação

12

2.1.2 Período de Propagação

12

2.2 Mecanismos de transporte de agentes agressivos no concreto

14

2.2.1 Absorção capilar

14

2.2.2 Difusão

16

2.2.3 Permeabilidade

18

2.2.4 Migração iônica

19

2.3 Mecanismos de ação dos cloretos na corrosão

20

CAPÍTULO 3

- EFEITO DAS ADIÇÕES MINERAIS NA DURABILIDADE DO

CONCRETO

24

3.1 Adições minerais

24

3.1.1 Escória de alto-forno

28

3.1.2 Cinza Volante

30

3.1.3 Cinza de Casca de Arroz

31

3.1.4 Sílica Ativa

32

3.1.5 Metacaulinita

34

3.2 Influência das adições minerais no ingresso de cloretos no concreto

37

3.3 Influência das adições minerais na corrosão induzida por cloretos

42

3.3.1 Resistividade elétrica

42

3.3.2 Potencial de corrosão

48

3.3.3 Taxa de corrosão

50

CAPÍTULO 4

4.1

Variáveis

- PROGRAMA EXPERIMENTAL: MATERIAIS E MÉTODOS 54

55

4.1.1 Adição mineral

55

4.1.2 Relação água/aglomerante (a/ag)

56

4.1.3 Procedimento

de cura

56

viii

4.2 Materiais

60

4.2.1 Cimento

60

4.2.2 Adições minerais

61

4.2.3 Agregados

67

4.2.4 Aditivos

68

4.2.5 Aço

68

4.3 Concretos estudados

69

4.4 Corpos-de-prova

71

4.4.1 Preparação das barras de aço destinadas a determinação da taxa de corrosão gravimétrica

74

4.4.2 Fôrmas

76

4.4.3 Moldagem e cura dos corpos-de-prova

77

4.5 Métodos

79

4.5.1 Caracterização do concreto fresco

79

4.5.2 Caracterização do concreto endurecido

81

4.5.2.1 Resistência à compressão e absorção de água por capilaridade

81

4.5.2.2 Absorção/permeabilidade superficial do concreto

82

4.5.2.3 Penetrabilidade de íons cloreto

83

4.5.3 Avaliação do concreto sob a ação de cloretos 86

4.5.3.1 Indução e aceleração da corrosão por meio de ataque por cloretos

86

4.5.3.2 Resistividade elétrica aparente superficial do concreto

87

4.5.3.3 Monitoramento eletroquímico da corrosão por meio da técnica de potencial de corrosão 88

4.5.3.4 Taxa de corrosão 90

4.5.3.5 Microscopia eletrônica de varredura (MEV) 92

CAPÍTULO 5

- APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

5.1 Caracterização do concreto no estado endurecido

93

93

5.1.1 Resistência à compressão

94

5.1.1.1 Influência da relação a/ag

97

5.1.1.2 Influência da idade

98

5.1.1.3 Influência das adições minerais

99

5.1.2 Absorção de água por capilaridade

102

5.1.2.1 Influência da relação a/ag

104

5.1.2.2 Influência da idade

105

5.1.2.3 Influência das adições minerais

106

5.1.3 Absorção/permeabilidade superficial do concreto

107

5.1.3.1

Análise dos resultados

110

5.1.4 Penetrabilidade de íons cloreto

114

5.1.4.1 Influência da relação a/ag

117

5.1.4.2 Influência da cura

118

5.1.4.3 Influência da idade

120

5.1.4.4 Influência das adições minerais

121

5.2 Avaliação do concreto sob a ação de cloretos

122

5.2.1 Resistividade elétrica superficial do concreto

122

5.2.1.1 Influência da relação a/ag e da cura

126

5.2.1.2 Influência das adições minerais

130

5.2.2 Monitoramento eletroquímico da corrosão por meio da técnica de potencial de corrosão

131

5.2.2.1 Influência da relação a/ag e da cura

134

5.2.2.2 Influência das adições minerais

140

5.2.3 Taxa de corrosão

141

5.2.3.1 Influência da relação a/ag

144

5.2.3.2 Influência da cura

145

5.2.3.3 Influência das adições minerais

146

5.2.4 Microestrutura do concreto atacado

147

5.3 Simulação de previsão de vida útil

151

ix

CAPÍTULO 6

- CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS

6.1 Sugestões para futuras pesquisas

162

165

ANEXO A

167

ANEXO B

172

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

213

Referências bibliográficas citadas no texto

213

Bibliografia consultada

222

x

LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1.1 - Pilha eletroquímica de corrosão no concreto armado (CASCUDO,

8

Figura 2.1.2 - Diagrama de Pourbaix de equilíbrio termodinâmico. Potencial x pH para o sistema Fe-H 2 O a 25°C, delimitando os domínios de corrosão, passivação e imunidade (CASCUDO, 1997)

10

Figura 2.1.3 - Modelo de vida útil proposto por TUUTTI

11

Figura 2.2.1 - Representação esquemática das forças que atuam num líquido dentro de um

 

15

Figura 2.3.1 - Formas de ocorrência de íons cloreto na estrutura do concreto (CASCUDO, 1997) 21

Figura 2.3.2 - Esquema mostrando a corrosão por pite na qual os Cl - despassivam a armadura, formam o complexo transitório e depois são reciclados para novas reações (CASCUDO, 1997)

23

Figura 3.2.1 - Coeficiente de difusão de cloretos em concretos com cinza volante (30%), escória de alto-forno (50%), sílica ativa (10%) e metacaulinita (10% e 20%) em comparação

37

Figura 3.2.2 - Penetrabilidade de íons cloreto em concretos com 8% e 12% de metacaulinita em substituição parcial da massa de cimento (BODDY et al., 2001 e GRUBER et al.,

40

Figura 3.3.1 - Variação da resistividade elétrica do concreto (ρ) em função do tempo das dosagens A (a/ag = 0,60 e [Cl - ] 0 = 0,77%), B (a/ag = 0,40 e [Cl - ] 0 = 0,43%), C (a/ag = 0,60 e [Cl - ] 0 = 1,65%) e D (a/ag = 0,60 e [Cl - ] 0 = 0,16%). Amostras expostas a ambiente marinho

com um concreto sem adições (BASHEER et al.,

2001)

(MORRIS et al.,

Figura 3.3.2 - Variação da resistividade elétrica de prismas de concreto armado submetidos a ciclos de molhagem e secagem (HOPE & IP, 1987)

44

45

Figura 3.3.3 - Efeito da adição de sílica ativa na resistividade do concreto (DOTTO et al., 2003). 46

Figura 3.3.4 - Efeito benéfico da adição de metacaulinita na resistividade elétrica do concreto (BODDY et al., 2001)

46

Figura 3.3.5 – Correlação entre potencial de corrosão (Ecorr) e resistividade elétrica do concreto (ρ). Valores medidos simultaneamente em corpos-de-prova expostos à ambiente marinho e sob condição de imersão (MORRIS et al., 2002)

47

Figura 3.3.6 - Influência da umidade de equilíbrio e do teor de cloretos na resistividade do concreto

48

Figura 3.3.7 - Variação do potencial de corrosão (Ecorr) em função do tempo das dosagens A (a/ag = 0,60 e [Cl - ] 0 = 0,77%), B (a/ag = 0,40 e [Cl - ] 0 = 0,43%), C (a/ag = 0,60 e [Cl - ] 0 = 1,65%) e D (a/ag = 0,60 e [Cl - ] 0 = 0,16%). Amostras expostas a ambiente marinho

49

(BURY & DOMONE, 1974 apud HELENE,

(MORRIS et al.,

Figura 3.3.8 - Variação da taxa de corrosão (TC) e da densidade de corrente (icorr) em função do tempo, das dosagens: A (a/ag = 0,60 e [Cl - ] 0 = 0,77%), B (a/ag = 0,40 e [Cl - ] 0 = 0,43%), C (a/ag = 0,60 e [Cl - ] 0 = 1,65%) e D (a/ag = 0,60 e [Cl - ] 0 = 0,16%). Amostras expostas a ambiente marinho (MORRIS et al.,

Figura 3.3.9 - Taxa de corrosão aos 28 dias de idade de concretos com várias relações a/ag (0,35, 0,40 e 0,45) e diferentes composições de aglomerantes (sílica ativa e escória de alto-

52

forno) (TÜRKMEN et al.,

53

Figura 4.1.1 – Fluxograma das combinações do trabalho

58

Figura 4.1.2 – Detalhamento do programa

59

xi

Figura 4.2.2 – Difratograma da escória de

62

Figura 4.2.3 – Difratograma da cinza

63

Figura 4.2.4 – Difratograma da cinza de casca de

64

Figura 4.2.5 – Difratograma da metacaulinita

65

Figura 4.2.6 – Difratograma da sílica

66

Figura 4.4.1 – Protótipos de concreto empregados nos ensaio de penetrabilidade e perfil de cloretos (ASTM C 1202: 1992 (ASTM, 2000))

72

Figura 4.4.2 – Protótipo de concreto de 20 cm x 20 cm x 50 cm utilizado para os ensaios de penetrabilidade e perfil de cloretos. (a) fôrma com armaduras e espaçadores antes da

moldagem e (b) protótipo após a desmoldagem

73

Figura 4.4.3 – Corpos-de-prova empregados no estudo de indução e avaliação da corrosão por ciclos de imersão e

73

Figura 4.4.4 – Corpo-de-prova nas dimensões de 20 cm x 20 cm x 20 cm utilizado para os ensaios de indução e aceleração da corrosão. (a) fôrma com armaduras e espaçadores antes

da moldagem e (b) corpo-de-prova após a desmoldagem

74

Figura 4.4.5 – Barra de aço após receber camada de fita isolante e pintura com resina epóxi. (a) aspecto das barras com e sem pintura epóxi e (b) configuração das barras montadas.

 

76

Figura 4.4.6 – Fôrmas dos corpos-de-prova. (a) dimensões de 20 cm x 20 cm x 20 cm e (b) dimensões de 20 cm x 20 cm x 50

77

Figura 4.4.7 – Seqüência de moldagem dos corpos-de-prova. (a) descarga da betoneira; (b) colocação do concreto nas fôrmas e (c) adensamento

78

Figura 4.4.8 – Ambientes de cura dos corpos-de-prova. (a) câmara úmida e (b) local de armazenamento

79

Figura 4.5.1 – Ensaios realizados no concreto fresco. (a) abatimento do tronco de cone; (b) massa

específica e (c) teor de ar incorporado

Figura 4.5.2 – Ensaio de absorção/permeabilidade da superfície do concreto, utilizando-se o método do cachimbo (CSTC NIT 224: 2002 (CSTC, 2002)). (a) equipamentos utilizados e (b) realização do

80

83

Figura 4.5.3 – (a) extração dos testemunhos cilindros de 95 x 200 mm a partir dos protótipos de concreto e (b) corte dos corpos-de-prova cilíndricos de 95 x 50 mm para o ensaio de

penetrabilidade de íons cloreto

84

Figura 4.5.4 – Processo de saturação a vácuo das amostras para ensaio de penetrabilidade de íons

84

Figura 4.5.5 – Ensaio de penetrabilidade de íons cloreto

85

Figura 4.5.6 – Fase de imersão em solução agressiva contendo cloretos na concentração de 5% em

87

Figura 4.5.7 – Fase de secagem ao ar da metodologia adotada para a indução e a aceleração da

87

Figura 4.5.8 – Ensaio de resistividade elétrica aparente superficial do concreto (ASTM G 57: 1995

(ASTM, 2002)). (a) equipamento utilizado no ensaio e (b) realização do

Figura 4.5.9 – Ensaio de potencial de corrosão. (a) equipamentos utilizados no ensaio e (b) realização do ensaio

88

89

Figura 4.5.10 – Limpeza das barras de aço em solução de ácido clorídrico na concentração de 1:1

e 3,5 g de hexametilenotetramina, por um período de 15 minutos

90

Figura 4.5.11 – Limpeza das barras de aço em aparelho de ultra-som, por um período de 15

xii

Figura 4.5.12 – Determinação da massa das barras de aço em balança comparadora de massa de

91

Figura 5.1.1 – Valores médios de resistência à compressão para cada tipo de concreto em função

alta precisão, com resolução de 0,0001 g

da relação a/ag (a) e valores médios globais em função da relação a/ag

97

Figura 5.1.2 – Valores médios de resistência à compressão para cada tipo de concreto em função

da idade (a) e valores médios globais em função da idade (b)

98

Figura 5.1.3 – Valores médios de resistência à compressão para cada idade em função da relação

99

Figura 5.1.4 – Valores médios globais de resistência à compressão para todos os concretos com seus intervalos de confiança de 95% e seus desvios padrões. As linhas tracejadas

verticais definem os grupos que diferem

Figura 5.1.5 – Valores médios de absorção capilar para cada tipo de concreto em função da relação a/ag (a) e valores médios globais em função da relação a/ag (b)

100

104

Figura 5.1.6 – Valores médios de absorção capilar para cada tipo de concreto em função da idade

105

Figura 5.1.7 – Valores médios globais de absorção capilar para todos os concretos com seus intervalos de confiança de 95% e seus desvios padrões. As linhas tracejadas verticais

106

Figura 5.1.8 – Absorção/permeabilidade superficial medida pelo método do cachimbo em função do tempo para os concretos com relação a/ag 0,40, considerando-se os seis tipos de

108

Figura 5.1.9 – Absorção/permeabilidade superficial medida pelo método do cachimbo em função do tempo para os concretos com relação a/ag 0,55, considerando-se os seis tipos de

109

Figura 5.1.10 – Absorção/permeabilidade superficial medida pelo método do cachimbo em função do tempo para os concretos com relação a/ag 0,70, considerando-se os seis tipos de

109

Figura 5.1.11 – Absorção/permeabilidade superficial medida pelo método do cachimbo em função do tempo para os concretos de referência, considerando-se as três relações a/ag e as

110

Figura 5.1.12 – Absorção/permeabilidade superficial medida pelo método do cachimbo em função do tempo para os concretos com adição de escória de alto-forno, considerando-se as três relações a/ag e as duas condições de cura. Cura úmida (a) e cura ambiente (b).

110

(a) e valores médios globais em função da idade (b)

definem os grupos que diferem

concreto (adições) e as duas condições de

concreto (adições) e as duas condições de

concreto (adições) e as duas condições de

duas condições de cura. Cura úmida (a) e cura ambiente

Figura 5.1.13 – Absorção/permeabilidade superficial medida pelo método do cachimbo em função do tempo para os concretos com adição de cinza volante, considerando-se as três

111

Figura 5.1.14 – Absorção/permeabilidade superficial medida pelo método do cachimbo em função do tempo para os concretos com adição de cinza de casca de arroz, considerando-se as três relações a/ag e as duas condições de cura. Cura úmida (a) e cura ambiente

111

Figura 5.1.15 – Absorção/permeabilidade superficial medida pelo método do cachimbo em função do tempo para os concretos com adição de metacaulinita, considerando-se as três

111

Figura 5.1.16 – Absorção/permeabilidade superficial medida pelo método do cachimbo em função do tempo para os concretos com adição de sílica ativa, considerando-se as três

relações a/ag e as duas condições de cura. Cura úmida (a) e cura ambiente (b)

(b)

relações a/ag e as duas condições de cura. Cura úmida (a) e cura ambiente (b)

relações a/ag e as duas condições de cura. Cura úmida (a) e cura ambiente (b)

112

Figura 5.1.17 – Valores médios de penetrabilidade de íons cloreto para cada tipo de concreto em função da relação a/ag (a) e valores médios globais em função da relação a/ag (b).

xiii

Figura 5.1.18 – Valores médios de penetrabilidade de íons cloreto para cada tipo de concreto em

função da cura (a) e valores médios globais em função da cura

119

Figura 5.1.19 – Valores médios de penetrabilidade de íons cloreto para cada tipo de concreto em

função da idade (a) e valores médios globais em função da idade (b)

120

Figura 5.1.20 – Valores médios globais de penetrabilidade de íons cloreto para todos os concretos com seus intervalos de confiança de 95% e seus desvios padrões. As linhas

tracejadas verticais definem os grupos que diferem

121

Figura 5.2.1 – Resistividade elétrica em função do tempo para os concretos com relação a/ag 0,40, considerando-se os seis tipos de concreto (adições) e as duas condições de

 

123

Figura 5.2.2 – Resistividade elétrica em função do tempo para os concretos com relação a/ag 0,55, considerando-se os seis tipos de concreto (adições) e as duas condições de

 

124

Figura 5.2.3 – Resistividade elétrica em função do tempo para os concretos com relação a/ag 0,70, considerando-se os seis tipos de concreto (adições) e as duas condições de

 

124

Figura 5.2.4 – Resistividade elétrica em função do tempo para os concretos de referência, considerando-se as três relações a/ag e as duas condições de cura

126

Figura 5.2.5 – Resistividade elétrica em função do tempo para os concretos com adição de escória de alto-forno, considerando-se as três relações a/ag e as duas condições de cura. 127

Figura 5.2.6 – Resistividade elétrica em função do tempo para os concretos com adição de cinza

127

Figura 5.2.7 – Resistividade elétrica em função do tempo para os concretos com adição de cinza de casca de arroz, considerando-se as três relações a/ag e as duas condições de

128

Figura 5.2.8 – Resistividade elétrica em função do tempo para os concretos com adição de metacaulinita, considerando-se as três relações a/ag e as duas condições de cura.

128

Figura 5.2.9 – Resistividade elétrica em função do tempo para os concretos com adição de sílica

volante, considerando-se as três relações a/ag e as duas condições de cura

ativa, considerando-se as três relações a/ag e as duas condições de cura

129

Figura 5.2.10 - Potenciais de corrosão em função do tempo para os concretos de relação a/ag 0,40, medidas feitas com eletrodo de referência de calomelano saturado –

132

Figura 5.2.11 - Potenciais de corrosão em função do tempo para os concretos de relação a/ag 0,55, medidas feitas com eletrodo de referência de calomelano saturado –

133

Figura 5.2.12 - Potenciais de corrosão em função do tempo para os concretos de relação a/ag 0,70, medidas feitas com eletrodo de referência de calomelano saturado –

133

Figura 5.2.13 - Potenciais de corrosão em função do tempo para os concretos de referência, medidas feitas com eletrodo de referência de calomelano saturado – ECS

135

Figura 5.2.14 - Potenciais de corrosão em função do tempo para os concretos com adição de escória de alto-forno, medidas feitas com eletrodo de referência de calomelano saturado – ECS

135

Figura 5.2.15 - Potenciais de corrosão em função do tempo para os concretos com adição de cinza volante, medidas feitas com eletrodo de referência de calomelano saturado – ECS

Figura 5.2.16 - Potenciais de corrosão em função do tempo para os concretos com adição de cinza de casca de arroz, medidas feitas com eletrodo de referência de calomelano saturado – ECS

Figura 5.2.17 - Potenciais de corrosão em função do tempo para os concretos com adição de metacaulinita, medidas feitas com eletrodo de referência de calomelano saturado –

136

136

xiv

137

Figura 5.2.18 - Potenciais de corrosão em função do tempo para os concretos com adição de sílica

137

ECS

ativa, medidas feitas com eletrodo de referência de calomelano saturado – ECS

Figura 5.2.19 – Valores médios de taxa de corrosão gravimétrica e intensidade de corrosão para cada tipo de concreto em função da relação a/ag (a) e valores médios globais em função da relação a/ag (b)

Figura 5.2.20 – Valores médios de taxa de corrosão gravimétrica e intensidade de corrosão para cada tipo de concreto em função da cura (a) e valores médios globais em função da

144

cura (b)

145

Figura 5.2.21 – Valores médios globais de taxa de corrosão gravimétrica e intensidade de corrosão para todos os concretos com seus intervalos de confiança de 95% e seus desvios padrões. A linha tracejada vertical define os grupos que diferem

146

Figura 5.2.22 – Micrografias do aspecto geral da microestrutura do concreto, imagens com ampliação de 1000 vezes. Concreto de referência (a) e concreto com cinza volante

(b)

148

Figura 5.2.23 – Micrografias do aspecto geral da microestrutura do concreto, imagens com ampliação de 1000 vezes. Concreto de referência (a) e concreto com metacaulinita

(b)

148

Figura 5.2.24 – Micrografias do aspecto do concreto contendo adição de cinza volante (CV4H). (a) cinza volante não reagida, ampliação de 5000 vezes e (b) cenosfera – esfera oca –

parcialmente consumida pela reação pozolânica, ampliação de 15000

149

Figura 5.2.25 – Micrografias que ilustram o desenvolvimento das reações pozolânicas da cinza volante com o hidróxido de cálcio

149

Figura 5.2.26 – Micrografias que ilustram a morfologia típica do sal de Friedel, ou seja, placas delgadas hexagonais com dimensão da ordem de 2,5 µm, ampliações de 20000 e 40000 vezes. Cristal de sal de Friedel (F)

150

Figura 5.2.27 – Microanálise realizada sobre os cristais de sal de Friedel apresentados na Figura

 

150

Figura 5.2.28 – Micrografias que ilustram a morfologia típica do sal de Friedel (F) segundo OLLIVIER (1998) (a) e LUO et al. (2003) (b)

151

Figura 5.3.1 – Modelo de previsão de vida útil total para os concretos de relação a/ag 0,55 e cura

úmida, com os devidos IDR. Diâmetro nominal das barras igual a 10 mm

154

Figura 5.3.2 – Modelo de previsão de vida útil total para os concretos de relação a/ag 0,55 e cura

ao ambiente, com os devidos IDR. Diâmetro nominal das barras igual a 10

154

Figura 5.3.3 – Aspecto superficial de uma barra de aço inserida em um concreto de referência, relação a/ag 0,70 e cura ambiente. Estagio avançado de corrosão, presença de pites

acentuados e considerável redução da

156

Figura 5.3.4 – Aspecto superficial de uma barra de aço inserida em um concreto com cinza de casca de arroz, relação a/ag 0,70 e cura ambiente. Não se observa a presença de produtos de corrosão, tampouco de pites ou perdas de

156

Figura 5.4.1 – Corte transversal dos corpos-de-prova com adição de sílica ativa. (a) relação a/ag

0,40 e (b) relação a/ag 0,55. Ausência de fissuras superficiais

157

Figura 5.4.2 – Corte transversal do corpo-de-prova com adição de sílica ativa, relação a/ag 0,70.

Intensa fissuração

158

xv

LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1.1 - Série eletroquímica dos metais – Potenciais padrão de oxi-redução para 25°C e 1 atm (ANDRADE, 1992 e CASCUDO, 1997)

9

Tabela 3.1.1 - Composições mineralógicas e características básicas das partículas das adições minerais (elaborada com base em MALHOTRA & MEHTA, 1996; BASHEER et al.;

2002,

27

Tabela 3.1.2 - Composições químicas típicas das adições minerais (elaborada com base em MALHOTRA & MEHTA, 1996; BASHEER et al.; 2002, etc.)

27

Tabela 4.2.1 – Caracterização do

60

Tabela 4.2.2 – Caracterização da Escória de

62

Tabela 4.2.3 – Caracterização da Cinza Volante

63

Tabela 4.2.4 – Caracterização da Cinza de Casca de Arroz

64

Tabela 4.2.5 – Caracterização da Metacaulinita

65

Tabela 4.2.6 – Caracterização da Sílica

66

Tabela 4.2.7 – Resumo da caracterização física e química do cimento e das adições

67

Tabela 4.2.8 – Resumo da análise química do cimento e das adições minerais

67

Tabela 4.2.9 – Caracterização dos agregados graúdo e miúdo

68

Tabela 4.2.10 – Caracterização dos agregados graúdo e miúdo

68

Tabela 4.3.1 – Proporcionamento dos concretos estudados

70

Tabela 4.3.2 – Codificação adotada no programa

71

Tabela 4.5.1 – Caracterização do concreto no estado

80

Tabela 4.5.2 – Caracterização do concreto no estado

81

Tabela 5.1.1 – Resultados de resistência à compressão

94

Tabela 5.1.2 – Resultado da análise de variância (ANOVA) realizada com os dados de resistência

à compressão, para as variáveis independentes consideradas no modelo estatístico.

 

95

Tabela 5.1.3 – Resultados de absorção capilar média

102

Tabela 5.1.4 – Resultados da análise de variância (ANOVA) realizada com os dados de absorção

103

Tabela 5.1.5 – Critérios de avaliação dos valores de penetrabilidade de íons cloreto de acordo com

capilar, para as variáveis independentes consideradas no modelo

a

ASTM C 1202: 1992 (ASTM, 2000)

114

Tabela 5.1.6 – Resultados médios de carga passante e classificação de acordo com a ASTM C 1202: 1992 (ASTM, 2000)

115

Tabela 5.1.7 – Resultados da análise de variância (ANOVA) realizada com os dados de penetrabilidade de íons cloreto, para as variáveis independentes consideradas no modelo

116

Tabela 5.2.1 – Critérios de avaliação da resistividade elétrica superficial do concreto de acordo com o CEB 192

123

Tabela 5.2.2 – Critérios de avaliação dos valores de potencial de corrosão de acordo com a ASTM C 876: 1991 (ASTM, 2000)

132

Tabela 5.2.3 – Tempo de ataque até a despassivação da armadura, caracterizada pelo potencial

xvi

Tabela 5.2.4 – Resultados de taxa de corrosão gravimétrica média e intensidade de corrosão

141

Tabela 5.2.5 – Critérios de avaliação dos valores de taxa de corrosão de acordo com ALONSO &

ANDRADE

142

Tabela 5.2.6 – Resultados da análise de variância (ANOVA) realizada com os dados de taxa de corrosão gravimétrica, para as variáveis independentes consideradas no modelo estatístico

Tabela 5.3.1 –Índices de Desempenho Relativo (IDR) para as situações estudadas em função do

143

limite crítico de 25% de redução de seção (CEB 162)

153

xvii

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AASHTO – American Association of State Highway and Transportation Officials (EUA).

a/ag – relação água/aglomerante (cimento + adição), em massa.

ACI – American Concrete lnstitute (EUA).

a/c – relação água/cimento, em massa.

ASTM – American Society for Testing MateriaIs (EUA).

BSE ou QBSD – elétrons retroespalhados.

C – Coulomb. Coulomb é a quantidade de carga elétrica que atravessa, em um segundo, a seção reta de um condutor percorrido por uma corrente constante de 1 (um) Ampère. Nesta dissertação, representa a quantidade de carga elétrica total medida no ensaio de penetrabilidade de íons cloreto (ASTM C 1202: 1992).

CA – cinza de casca de arroz.

CANMET – Canada Centre for Mineral and Energy Technology (Canadá).

CEB – Comitê Eurointernational du Béton.

cp – corpo-de-prova.

CSTC – Centre Scientifique et Technique de la Construction (Bélgica).

CV – cinza volante.

DRX – difração de raios X.

E – escória de alto-forno.

EDX – espectrometria por energia dispersiva de raios X.

f c – resistência à compressão, em MPa.

FIP

– Fédération Internationale de Ia Précontrainte.

IPT

– Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo.

M – metacaulinita.

MEV – microscópio eletrônico de varredura.

R – concreto de referência.

RILEM – Réunion Internationale des Laboratoires d'Essais et de Recherches sur les Matériaux et les Constructions (França).

SA

– sílica ativa.

SE

– elétrons secundários.

SSS – saturado superfície seca.

T.A. – tamanho da amostra.

xviii

NOMENCLATURA DA QUÍMICA DO CIMENTO

Principais óxidos: A – Al 2 O 3 ; C – CaO; F – Fe 2 O 3 ; H – H 2 O; K – K 2 O; M – MgO; N – Na 2 O; S – SiO 2 .

AFt – trissulfoaluminato de cálcio (Al 2 O 3 -Fe 2 O 3 -tri); designação dada aos produtos estruturalmente similares à etringita, podendo possuir composição química variável e conter óxido de ferro em suas estruturas.

AFm – monossulfoaluminato de cálcio.

C 3 S – silicato tricálcico.

C 2 S – silicato dicálcico.

C 3 A – aluminato tricálcio.

C 4 AF – ferroaluminato tetracálcico – ferrita.

CaCO 3 – carbonato de cálcio (ex: calcita).

CaMg(CO 3 ) 2 – carbonato de cálcio e magnésio – dolomita.

CH ou Ca(OH) 2 – hidróxido de cálcio – portlandita.

Cl - – íon cloreto.

Cl - /OH - – relação iônica entre cloretos e hidroxilas.

C-S-H – silicato de cálcio hidratado.

C/S – relação CaO/SiO 2 .

KOH – hidróxido de potássio.

Mg(OH) 2 – hidróxido de magnésio – brucita.

NaOH – hidróxido de sódio.

Na 2 O eq – equivalente alcalino (%Na 2 O + 0,658.%K 2 O).

OH - – íon hidroxila.

SiO 2 – sílica.

xix

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo estudar as características do concreto de cobrimento ligadas à durabilidade, avaliando a influência das adições minerais, relação água/aglomerante (a/ag) e da cura. Considerando estas variáveis, o estudo visa também verificar a capacidade de proteção do cobrimento frente à corrosão de armaduras induzida por cloretos. Para tanto, o programa experimental teve como variáveis: presença de adições minerais em substituição parcial à massa de cimento (65% de escória de alto-forno, 25% de cinza volante, 10% de cinza de casca de arroz, 10% de metacaulinita e 10% de sílica ativa); relação água/aglomerante (0,40; 0,55 e 0,70); e o procedimento de cura (cura ao ar e cura úmida). Foram moldados corpos-de- prova (protótipos de viga), além de cilindros de concreto, sendo ensaiados, em várias idades, quanto à resistência à compressão; absorção de água por capilaridade; absorção/permeabilidade à água pelo método do cachimbo e penetrabilidade de íons cloreto (ASTM C 1202). Após 91 dias de moldados, os corpos-de-prova de concreto foram submetidos ao ataque de cloretos por 91 dias (até a idade de 182 dias), sendo monitoradas, ao longo deste período, a resistividade elétrica do concreto e a corrosão da armadura por meio da técnica de potenciais de corrosão. Ao final do experimento, realizou-se a medida da perda de massa de todas as barras, determinando-se as taxas de corrosão gravimétricas. Como resultado obteve-se que a incorporação das adições minerais de elevada reatividade aumentou a resistência à compressão dos concretos, alcançando acréscimos médios de 33%, 28% e 21%, aos 28 dias, para os concretos com sílica ativa, metacaulinita e cinza de casca de arroz, respectivamente. A análise estatística dos resultados evidencia o efeito benéfico, preponderante sobre as demais variáveis, do emprego de adições minerais na redução da penetrabilidade de íons cloreto. Neste sentido, os concretos de referência situaram-se na faixa de alta penetrabilidade de acordo com a ASTM C 1202 e os concretos com adições situaram-se nas faixas de baixa e muito baixa penetrabilidade; as reduções observadas foram da ordem de 80% quando empregadas as adições. A resistividade elétrica dos concretos com adições foi em média de 2 (com escória de alto-forno) a 4 (com sílica ativa) vezes maior que a do concreto de referência. As taxas de corrosão dos concretos com adições foram inferiores às dos concretos de referência; sendo a faixa média de redução entre 27% (com escória de alto-forno) e 45% (com cinza de casca de arroz). Numa avaliação mais geral, constatou-se que a incorporação de adições minerais em estruturas sob ação de cloretos pode aumentar a vida útil total em até 80% (caso da sílica ativa).

FERREIRA, R. B. Influência das adições minerais nas características do concreto de cobrimento e o seu efeito na corrosão de armadura induzida por cloretos. Goiânia, 2003. 225p. Dissertação (Mestrado) - UFG, Escola de Engenharia Civil. Orientadores: Profª Drª Helena Carasek e Prof. Dr. Oswaldo Cascudo. Palavras-chave: concreto, cobrimento, durabilidade, corrosão de armaduras, cloreto, adições minerais, cura e relação água/aglomerante.

xx

ABSTRACT

The present research has as objective to study the concrete cover characteristics linked to the durability, evaluating the influence of the mineral additions, water/binder ratio (w/b) and cure. Considering these variables, the study also aims to verify the protection capacity of the cover with relation to the corrosion of steel induced by chloride. For so much, the experimental program had as variables: presence of mineral additions in partial substitution of the cement mass (65% of ground granulated blast furnace slag, 25% of fly ash, 10% of rice husk ash, 10% of metakaolin and 10% of silica fume); water/binder ratio (0,40; 0,55 and 0,70); and the cure procedure (air cure and moisture cure). Thus, test specimens (beam prototypes) and standardized concrete cylinders were molded and tested, in several ages, for the compressive strength; capillary water absorption; water absorption/permeability by the pipe method and penetrability of chloride ion (ASTM C 1202). After 91 days of age, the test specimens of concrete were submitted to the attack of chloride by 91 days (until the age of 182 days), being monitored, during this period, by means of the concrete’s electric resistivity and the corrosion of bars through the technique of half-cell potentials (versus Saturated Calomel Electrode - SCE). At the end of the experiment, the mass loss of all the bars were measured, enabling the determination of their gravimetric corrosion rate. As result it was obtained that the incorporation of high-reactivity mineral additions increased the compressive strength of the concretes, reaching average increments of 33%, 28% and 21%, in 28 days, for the concretes with silica fume, metakaolin and rice husk ash, respectively. The results statistical analysis evidences the beneficial effect, preponderant on the other variables, of the presence of mineral additions in the reduction of chloride ion penetrability. Regarding this, the reference concretes located, in the strip of high penetrability, according ASTM C 1202, the concretes with additions located in the strips of low and very low penetrability; the observed reductions have been of the order of 80% when additions were employed. The electric resistivity of the concretes with additions was on average of 2 (with ground granulated blast furnace slag) to 4 (with silica fume) times greater than that of the reference concrete. The corrosion rates of the concretes with additions were inferior to those of the reference concretes; the reductions average was between 27% (with ground granulated blast furnace slag) and 45% (with rice husk ash). In a more general evaluation, it was verified that the incorporation of mineral additions in structures under chloride action can increase the total service life up to 80% (with respect to the silica fume).

FERREIRA, R. B. Influence of the mineral additions in the concrete cover characteristics and yours effect on the corrosion induced by chlorides. Goiânia, 2003. 230p. Dissertation (M.Sc. degree) - UFG, Escola de Engenharia Civil. Supervisers: Drª Helena Carasek and Dr. Oswaldo Cascudo.

Keywords: concrete, cover, durability, corrosion of steel, chloride, mineral additions, cure and relation water/binder.

CAPÍTULO 1

-

INTRODUÇÃO

Esta pesquisa teve origem em um projeto integrado sobre as características do concreto de cobrimento e o seu papel na durabilidade das estruturas de concreto armado (CARASEK & CASCUDO, 2001), desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás em conjunto com Furnas Centrais Elétricas, tendo como tema geral a durabilidade do concreto de cobrimento e como variáveis, as adições minerais (em substituição parcial ao cimento em massa), os procedimentos de cura e a relação água/aglomerante. O projeto em referência corresponde a quatro dissertações de mestrado que abordam a influência das condições de moldagem e cura nas características do cobrimento de diversos concretos (BRAUN, 2003), a influência das condições de cura nas características do cobrimento de diferentes concretos (PAULA COUTO, 2003), a influência das adições minerais na durabilidade do concreto sujeito à carbonatação (CASTRO, 2003), além da presente pesquisa, sobre a influência das adições minerais nas características do concreto de cobrimento e seu efeito na corrosão de armadura induzida por cloretos. Estes trabalhos foram orientados pelos professores Drª. Helena Carasek e Dr. Oswaldo Cascudo, que, juntamente com os autores das dissertações, formam o Grupo de Estudos em Durabilidade (GEDUR) ligado ao Curso de Mestrado em Engenharia Civil da Universidade Federal de Goiás (CMEC-UFG).

1.1 JUSTIFICATIVA E IMPORTÂNCIA DO TEMA

A combinação harmônica de aço e concreto fez do concreto armado um dos mais populares materiais de construção do mundo. No entanto, a falta de conhecimento a respeito de seu desempenho, a longo prazo, sob condições ambientais de severa agressividade, pode causar sérios problemas. São muitas as causas de deterioração de estruturas de concreto armado, tais como: a

2

corrosão de armaduras devido à carbonatação ou ingresso de cloretos, ataque por sulfatos, reação álcali-agregado, etc. A utilização de materiais de baixa

qualidade ou impróprios ao projeto, detalhamento inadequado, controle de qualidade insuficiente e cura inadequada dentre outros, podem reduzir a vida útil das estruturas ou forçar a execução de reparos extensivos, com um oneroso custo econômico. Neste contexto, o concreto de cobrimento assume papel muito importante, pois constitui uma barreira física na proteção contra a penetração de agentes agressivos no concreto, que podem vir a gerar manifestações patológicas e reduções bruscas na vida útil das estruturas de concreto. Dentre as manifestações patológicas ocasionadas pelo ingresso de agentes agressivos através do concreto de cobrimento, pode-se destacar a corrosão de armaduras. A corrosão de armaduras é um problema muito sério, que pode trazer implicações econômicas e sociais gravíssimas.

A corrosão das armaduras é uma das manifestações patológicas de

maior gravidade nas obras civis em todo o mundo. Isto justifica-se por este fenômeno implicar em altos custos de reparo e correção; redução da capacidade portante e comprometimento estrutural e na incidência e reincidência do fenômeno que é relativamente alta. A incidência desta manifestação patológica vem crescendo nos últimos anos, fato este que pode ser atribuído ao aumento da esbelteza das peças estruturais, sem o devido cuidado em manter a proteção física das armaduras (concreto de cobrimento) com espessura e qualidade compatíveis com a agressividade do meio ao qual a estrutura está inserida (CASCUDO 2000). HELENE (1992) cita que corrosão de armaduras, juntamente com as fissuras, manchas superficiais e ninhos de concretagem, ocupa posição de destaque na distribuição relativa da incidência de manifestações patológicas em estruturas de concreto armado, com um percentual de 20% dos problemas incidentes.

A corrosão das armaduras no concreto é um processo gerado pela

perda da película passivadora das armaduras, e inicia-se essencialmente por dois

motivos. O primeiro é devido ao fenômeno da diminuição da alcalinidade do concreto, ocasionado principalmente pela carbonatação do concreto e o segundo

3

devido à presença de cloretos livres no concreto. Ambos os mecanismos desestabilizam a película de óxidos que constitui a proteção química das armaduras; com esta despassivação as armaduras passam a estar vulneráveis ao processo corrosivo. A corrosão induzida por cloretos é considerada como a mais perigosa, pois, neste caso, os cloretos despassivam a armadura pontualmente e formam pites que reduzem a seção transversal da barra, reduzindo sua capacidade portante e, conseqüentemente, podendo levar a estrutura ao colapso parcial ou total. Portanto, de todas as considerações anteriores, pode-se dizer que o concreto de cobrimento desenvolve papel importantíssimo na manutenção da integridade do concreto, pois, uma vez que os agentes agressivos conseguem passar pelo cobrimento, está implantado um quadro propício ao surgimento de uma série de manifestações patológicas que podem levar ao término da vida útil da estrutura. Será melhor a proteção proporcionada pelo concreto de cobrimento, quanto maior for sua capacidade de reduzir a entrada de agentes agressivos no concreto. Nesse contexto, tem-se empregado as adições minerais que, geralmente, proporcionam benefícios microestruturais, refletindo-se em redução do ingresso de agentes deletérios e, conseqüentemente, redução da corrosão de armaduras. Quanto às adições minerais, considerações de ordem técnica, econômica, energética e ecológica fazem com que elas sejam geralmente empregadas como substituinte parcial do cimento Portland no concreto, pois são de baixo custo e substituem um material nobre que necessita de muita energia para ser obtido. Além disso, a maioria das adições minerais é oriunda de subprodutos industriais, sendo consideradas como resíduos, fazendo com que sua utilização torne-se uma solução ecologicamente correta. As adições minerais, em geral, trazem benefícios ao concreto tanto no estado fresco quanto no estado endurecido e na durabilidade, preponderantemente. Por tudo o que foi exposto, torna-se importante uma investigação detalhada da influência das adições minerais nas propriedades do concreto de

4

cobrimento ligadas à durabilidade, com um enfoque especial na corrosão de armaduras induzida por íons cloreto.

1.2

OBJETIVOS

Constituem objetivos gerais desta dissertação estudar as características do concreto de cobrimento ligadas à durabilidade, avaliando a influência das adições minerais, relação água/aglomerante e da cura. Considerando estas variáveis, o estudo visa também verificar a capacidade de proteção do cobrimento frente à corrosão de armaduras induzida por cloretos. Como objetivos específicos, podem ser citados:

Relacionar as características físicas, químicas e mineralógicas das adições minerais com as propriedades mecânicas e de durabilidade. Confrontar as características e propriedades do cobrimento, como a resistividade elétrica superficial, com critérios e parâmetros de desempenho, existentes na literatura e normalização nacional e internacional, com vistas à obtenção de requisitos mínimos de durabilidade. Avaliar a penetrabilidade de íons cloreto na camada de cobrimento, tendo em vista a incorporação de adições minerais, relação a/ag e o tipo de cura. Determinar os tempos de iniciação da corrosão do aço por meio da técnica de potenciais de corrosão, avaliando a influência do emprego das adições minerais. Avaliar a cinética do processo de corrosão de armaduras por meio da determinação das taxas de corrosão, permitindo desta forma previsões sobre desempenho e vida útil de peças estruturais.

5

1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO

A presente dissertação de mestrado encontra-se estruturada em seis capítulos, além dos anexos e referências bibliográficas. A seguir é apresentada uma sucinta descrição a respeito do conteúdo de cada capítulo. No Capítulo 2 a seguir, intitulado corrosão das armaduras induzida por cloretos, são apresentados, com base na revisão da literatura, conceitos básicos a respeito da corrosão de armaduras induzida por cloretos e mecanismos de transporte de agentes deletérios para o interior do concreto. No capítulo seguinte, também de revisão bibliográfica, são apresentadas características, propriedades e influências das adições minerais no ingresso de cloretos no concreto e na corrosão induzida por cloretos. O Capítulo 4 trata da metodologia do programa experimental, onde estão descritas as variáveis, os materiais empregados, os concretos e os corpos- de-prova adotados nesta pesquisa, além dos métodos utilizados para a obtenção dos resultados, visando atingir os objetivos propostos. No capítulo 5, estão apresentados e discutidos os resultados obtidos no programa experimental. Inicialmente são abordados os resultados relativos à caracterização do concreto no estado endurecido. Em seguida é apresentada a avaliação de propriedades ligadas à durabilidade do concreto e posteriormente são mostrados e discutidos os resultados do monitoramento da corrosão ao longo do tempo. Na seqüência, são abordados os resultados das medidas de taxa de corrosão, além de uma simulação de vida útil total dos concretos estudados. Por fim apresenta-se um estudo da morfologia dos produtos hidratados do concreto de cobrimento submetido à ação de cloretos por meio de microscopia eletrônica de varredura. Prosseguindo, no sexto capítulo, são apresentadas as conclusões a que se chegou neste programa experimental, também são traçadas considerações a respeito do estudo e feitas sugestões para futuras pesquisas que venham a contribuir e ampliar o conhecimento com relação ao concreto de cobrimento com adições minerais. Ao final do trabalho seguem-se os anexos e a lista completa das referências bibliográficas e bibliografia consultada.

CAPÍTULO 2

-

CORROSÃO DAS ARMADURAS INDUZIDA POR CLORETOS

O concreto, muito embora a aparência não demonstre à primeira vista,

não está livre de severos problemas de degradação. Além das falhas de projeto estrutural, a mais importante causa de degradação do concreto é a corrosão das armaduras. Este problema tem alcançado proporções alarmantes nas últimas três décadas, levando a custos elevadíssimos de reparos, às vezes superiores ao

custo inicial de construção, ou em situações extremas, ao colapso da estrutura.

A corrosão devida ao ingresso de cloretos é o processo mais intenso e

o que gera maior degradação das estruturas de concreto, pois o fenômeno

progride a taxas muito mais elevadas do que as devidas à carbonatação. Em

casos extremos, a taxa de corrosão em estruturas reais atacadas por cloretos pode ser 100 vezes maior que na corrosão induzida por carbonatação (BASHEER

et al., 2001).

Por estes motivos, faz-se a seguir uma abordagem, sucintamente, dos conceitos envolvidos no fenômeno de corrosão induzida por cloretos, bem como dos mecanismos de ingresso e atuação desses íons no processo de despassivação e cinética do processo corrosivo.

2.1 CONCEITOS BÁSICOS

Neste item discute-se alguns conceitos relacionados à corrosão de armaduras induzida por cloretos, a fim de dotar o leitor de informações mínimas necessárias ao bom entendimento do trabalho. No seu sentido mais amplo, a corrosão do concreto pode ser definida como a interação destrutiva de um material com o meio ambiente, seja por ação física, química, eletroquímica, ou a combinação destas. Como ações físicas características pode-se citar os fenômenos de erosão e cavitação; como ação eletroquímica típica a maioria dos processos corrosivos de metais em meios

7

aquosos; e como químicas as reações de expansão e de lixiviação dos compostos hidratados da pasta de cimento PortIand em argamassas e concretos, por exemplo (HELENE, 1993).

O enfoque desta pesquisa situa-se sobre a corrosão das armaduras

inseridas no concreto; a este respeito cabe salientar que os metais encontram-se na natureza, em geral, formando compostos com outros elementos, tais como óxidos, sulfatos, etc. Para usá-los em sua forma elementar é preciso extrair o metal mediante um processo de redução, o que requer aplicar-lhes certa quantidade de energia. O processo inverso pelo qual o metal volta ao seu estado natural vai acompanhado de uma redução da sua energia de GIBBS 1 (ANDRADE,

1992).

Em se tratando da deterioração do aço, dois são os processos de corrosão que podem agir: o denominado de oxidação direta e o de corrosão eletroquímica. Na oxidação direta os átomos do aço reagem diretamente com o oxigênio. Geralmente é uma reação gás-metal ou íon-metal com formação de

uma película uniforme e contínua de óxido de ferro. Este tipo de corrosão é muito lenta à temperatura ambiente podendo ser significativa somente em altas temperaturas. Em geral acarreta uma corrosão uniforme que ocorre igualmente sobre toda a superfície da armadura (HELENE, 1993). Na corrosão eletroquímica o fenômeno ocorre como resultado da formação de pilhas ou células de corrosão devida à presença de umidade, água ou uma solução aquosa na superfície das barras ou no concreto que a envolve, que possam atuar como eletrólito. A dissolução do aço ocorre nas regiões anódicas e o processo não é uniforme, pois nas regiões catódicas o ataque pode ser considerado desprezível. A corrosão das armaduras de aço em presença de umidade ou à temperatura ambiente pode ser considerada sempre um processo do tipo eletroquímico (HELENE, 1993).

O processo de corrosão pressupõe, portanto, a constituição de uma

pilha eletroquímica, como ilustra a Figura 2.1.1. A corrosão através do metal e do

1 O desencadeamento das reações de redução ou oxidação e sua estabilização dependem do nível de energia associada ao sistema, a energia livre de GIBBS, a qual tem relação com a entropia e a entalpia do sistema, dando, portanto, a medida de tal energia associada(ANDRADE,

1992).

8

eletrólito entre ânodo e o cátodo pressupõe o funcionamento de um circuito fechado. Se o circuito se interrompe em algum de seus pontos, a pilha não pode funcionar e a corrosão se detém (ANDRADE, 1992).

pode funcionar e a corrosão se detém (ANDRADE, 1992). Figura 2.1.1 - Pilha eletroquímica de corro

Figura 2.1.1 - Pilha eletroquímica de corrosão no concreto armado (CASCUDO, 1997).

A corrosão eletroquímica é o tipo de corrosão mais importante para o engenheiro civil e com a qual deve se preocupar. Conhecendo melhor os mecanismos envolvidos neste processo de degradação das estruturas de concreto armado, poderá evitá-los e corrigi-los com sucesso. Nem todos os metais têm a mesma tendência em oxidar-se, já que uns são mais estáveis que outros e, inclusive, há alguns como os metais nobres que se conservam indefinidamente em sua forma elementar(ANDRADE, 1992). A chamada série eletroquímica dos metais os ordena de acordo com a sua tendência a oxidar-se conforme apresentado na Tabela 2.1.1, tomando-se como zero arbitrário a oxidação do hidrogênio a próton.

9

Tabela 2.1.1 - Série eletroquímica dos metais – Potenciais padrão de oxi-redução para 25°C e 1 atm (ANDRADE, 1992 e CASCUDO, 1997).

para 25°C e 1 atm (ANDRADE, 1992 e CASCUDO, 1997).   Potenciais Reação normais de eletrodo
para 25°C e 1 atm (ANDRADE, 1992 e CASCUDO, 1997).   Potenciais Reação normais de eletrodo
 

Potenciais

Reação

normais de

eletrodo (V)

Ca 2+ + 2e - Ca

-2,76

Na + + e - Na

-2,71

Mg 2+ + 2e - Mg

-2,37

Al 3+ + 3e - Al

-1,67

Zn 2+ + 2e - Zn

-0,76

Fe 2+ + 2e - Fe

-0,45

Pb 2+ + 2e - Pb

-0,13

2H + + 2e - H 2

0

Eletrodo de calomelano saturado – KCl saturado

0,24

Cu 2+ + 2e - Cu

0,34

Ag + + e - Ag

0,80

Hg 2+ + 2e - Hg

0,85

Pd 2+ + 2e - Pd

0,95

Pt 2+ + 2e - Pt

1,12

Au 3+ + 3e - Au

1,50

Sendo a corrosão em meio aquoso, dá origem a íons em dissolução, os quais podem participar em reações de equilíbrio com outros íons do meio, como os da água. Deste modo, a reação de corrosão depende de uma série de reações nas que intervêm, direta ou indiretamente, os íons da água, isto é, depende do pH do meio (ANDRADE, 1992). A armadura encontra-se no interior do concreto em meio altamente alcalino (pH usualmente entre 12,5 e 13,5). Esta alcalinidade provém da fase líquida constituinte dos poros do concreto, a qual, nas primeiras idades, basicamente é uma solução saturada de hidróxido de cálcio, Ca(OH) 2 (portlandita), sendo esta oriunda das reações de hidratação do cimento. Em idades avançadas o concreto continua, via de regra, propiciando um meio alcalino, sendo que sua fase líquida, neste caso, é uma solução composta principalmente por hidróxido de sódio (NaOH) e hidróxido de potássio (KOH) originários dos álcalis do cimento (CASCUDO, 1997). Os diagramas de Pourbaix estabelecem para cada metal as condições de pH e potencial nas quais o material se corrói, se passiva ou permanece imune. Na Figura 2.1.2 apresenta-se o diagrama de Pourbaix para o Fe a 25°C. O estado definido como de passivação e que por sorte apresentam diversos metais, supõe que o metal se recobre de um filme passivo de óxidos de ferro muito aderente,

10

virtualmente contínuo, transparente, imperceptível (espessura de 10 3 a 10 -1 µm) e que atua como barreira impedindo a oxidação posterior (ANDRADE, 1992 e TAYLOR, 1997). Dessa forma, a armadura presente no interior do concreto, em meio alcalino, está protegida do fenômeno da corrosão, devido à presença de uma capa ou película protetora de caráter passivo, que envolve essa armadura; é a chamada proteção química (CASCUDO, 2000).

armadura; é a chamada proteção química (CASCUDO, 2000). Figura 2.1.2 - Diagrama de Pourbaix de equilíbrio

Figura 2.1.2 - Diagrama de Pourbaix de equilíbrio termodinâmico. Potencial x pH para o sistema Fe-H 2 O a 25°C, delimitando os domínios de corrosão, passivação e imunidade (CASCUDO, 1997)

Pourbaix demonstrou que para a ordem de grandeza do pH no concreto (normalmente entre os limites de 12,5 e 13,5) e para uma faixa usual de potencial de corrosão, também no concreto, da ordem de +0,1 a -0,4 V em relação ao eletrodo padrão de hidrogênio, as reações de eletrodo verificadas no ferro são de passivação (CASCUDO, 1997). No estado de passivação a corrosão não é exatamente nula, mas é muito limitada pela resistência ôhmica do filme, apresentando taxa de corrosão passiva do aço de cerca de 0,1 µm/ano, o que é considerada desprezível em termos de vida útil para as estruturas de concreto. Pode-se portanto afirmar sem receios que enquanto a armadura estiver passivada, não haverá corrosão, posto que a película impede o acesso de umidade, oxigênio e agentes agressivos à superfície do aço, bem como dificulta a dissolução do ferro (CASCUDO, 1997).

11

Uma vez que o filme passivante seja quebrado ou descaracterizado, está instalado um quadro favorável ao desencadeamento dos processos de corrosão das armaduras, que pode se apresentar de formas diversas. Em geral são classificadas pela extensão da área atacada. Os tipos de corrosão mais freqüentes são: generalizada, localizada, por pite e sob tensão (fraturante). A corrosão generalizada, como seu próprio nome sugere, ocorre de maneira generalizada na superfície do aço, podendo ser uniforme ou não, apresentando superfície rugosa e irregular. A corrosão por pite ou corrosão puntiforme é uma corrosão localizada pontualmente, onde se pode observar pontos de desgastes na superfície do metal que evoluem aprofundando-se. A corrosão sob tensão também é uma corrosão localizada, porém, neste caso, a corrosão ocorre na presença de uma tensão de tração na armadura, podendo ocorrer a propagação de fissuras no aço. Embora em todo processo corrosivo sempre intervenham reações químicas e eletroquímicas de natureza complexa, apresenta-se a seguir um modelo simplificado e prático de representação do fenômeno que reúne os fatores determinantes do processo. Este modelo de corrosão, proposto por TUUTTI (1982), subdivide o processo em iniciação e propagação. A iniciação corresponde ao período de tempo que vai desde a execução da estrutura até a ação do agente agressivo em atravessar o concreto de cobrimento, alcançar a armadura e despassivá-Ia; a propagação, por sua vez, consiste no desenvolvimento da corrosão até que se alcance um grau inaceitável do processo (Figura 2.1.3).

se alcance um grau inac eitável do processo (Figura 2.1.3). Figura 2.1.3 - Modelo de vida

Figura 2.1.3 - Modelo de vida útil proposto por TUUTTI (1982).

12

2.1.1 Período de Iniciação

A película passiva é a grande defesa da armadura e a garantia de que esta não sofrerá corrosão. Entretanto, a estabilidade do filme pode ser perdida, descaracterizando-se, frente a duas condições básicas:

Despassivação localizada da armadura devido a presença de uma quantidade suficiente de íons cloreto; os quais podem advir tanto do meio externo e atingir a armadura por difusão, quanto podem já estar no interior do concreto devido à água de amassamento e/ou a agregados contaminados, ou mesmo devido à presença de aditivos aceleradores de pega e endurecimento à base de cloreto de cálcio (CaCI 2 ) (CASCUDO & REPETTE, 1995). O ataque por cloretos também pode ser originado pela exposição da estrutura à água ou atmosfera marinha ou pelo uso de sais de degelo (NaCl, CaCl 2 , e MgCl 2 ), uma prática comum em países de clima frio (MONTEMOR et al., 2003). Despassivação completa da armadura devido à diminuição da alcalinidade (acidificação) da solução intersticial do concreto; isto pode se dar devido principalmente às reações de carbonatação ou mesmo devido

à penetração de substâncias ácidas no concreto. Em casos especiais, a

queda na alcalinidade pode ser oriunda da lixiviação do concreto, em que

a solução alcalina intersticial é lavada pelo ataque das águas; neste caso, para que ocorra a lixiviação, é necessária uma certa pressão hidráulica no concreto associada à ação das águas.

2.1.2 Período de Propagação

Uma vez despassivada a armadura, seja pela chegada da frente de carbonatação, seja pela ação deletéria dos cloretos, ou ainda pela ação simultânea de ambos os fatores, ela fica vulnerável à corrosão. Inicia-se então, pelo modelo de TUUTTI (1982) (Figura 2.1.3), a propagação do fenômeno, desde que hajam os elementos básicos para tanto. Na cinética do processo corrosivo influem fundamentalmente além da natureza do eletrólito, a diferença de potencial, o conteúdo de oxigênio, a resistividade elétrica do meio e a

13

possibilidade de existir agentes agressivos, em especial os íons cloreto (ANDRADE, 1992 e HELENE, 1993).

Tendo-se os elementos básicos, anteriormente discutidos, a corrosão se desenvolve, simplificadamente, com a presença de reações nas zonas

anódicas (corroídas); que levam à dissolução do ferro (oxidação), conforme a

reação que se segue:

(1)

Estas reações são balanceadas pelas reações de redução do oxigênio

nas zonas catódicas (não corroídas); as quais produzem ânions hidroxila de

acordo com a reação a seguir:

(2)

A partir daí, os íons Fe 2+ migram pelo eletrólito em direção ao cátodo e

os íons hidroxila, OH - , migram em direção ao ânodo. Numa região intermediária

eles se encontram e precipita-se o hidróxido ferroso, de acordo com a seguinte reação:

(3)

Este produto de corrosão pode ser formado inclusive em regiões

próximas do cátodo (região não corroída), isto porque o OH - , um íon maior e de maior massa do que o Fe 2+ , apresenta mobilidade iônica menor do que o íon de

ferro.

Após o início do processo corrosivo, o acúmulo dos produtos de

corrosão (óxidos e hidróxidos de ferro), ocupam um volume muitas vezes superior

ao metal inicial, gerando tensões internas que resultam em fissuração e desplacamento do concreto de cobrimento. Neste estágio, o ingresso de agentes

deletérios, oxigênio e umidade é facilitado e o passo seguinte pode ser a perda total da integridade estrutural (MONTEMOR et al., 2003).

Fe Fe 2+ + 2e -

H 2 O + ½ O 2 + 2e - 2OH -

Fe 2+ + 2OH - Fe(OH) 2

14

2.2

MECANISMOS

CONCRETO

DE

TRANSPORTE

DE

AGENTES

AGRESSIVOS

NO

O movimento de gases, líquidos e íons através do concreto é de suma

importância para sua durabilidade, devido à interação destes com os constituintes

do concreto ou com a água dos poros, podendo levar direta ou indiretamente a

deterioração da estrutura. Estes movimentos, geralmente chamados de

penetração, ocorrem devido a várias combinações de pressões diferenciais de ar

ou água, umidades diferenciais ou diferenças de temperatura ou concentração de

soluções. Dependendo da força motriz do processo e da natureza da matéria

transportada, distingue-se diferentes processos de transporte para substâncias

deletérias através do concreto, tais como: difusão, absorção e permeabilidade

(BASHEER et al., 2001).

O transporte, não apenas dos cloretos, mas de outras substâncias

dissolvidas no interior do concreto, é decisivamente influenciado pela estrutura

porosa da pasta de cimento endurecida. Neste sentido, a interconexão dos poros,

que determina a porosidade aberta, e a distribuição do tamanho de poros,

constituem-se fatores de suma importância. A porosidade aberta possibilita o

transporte das substâncias e caracteriza a permeabilidade da pasta; por sua vez,

o tamanho dos poros interfere na velocidade de transporte (CASCUDO, 1997).

O ingresso de cloretos pela estrutura porosa do concreto ocorre em

forma de solução, ou seja, os cloretos geralmente dissolvidos em água penetram

no concreto, quer seja por mecanismos próprios de transporte de água (absorção

capilar, permeabilidade), ou por outros mecanismos de ingresso (difusão,

migração) (BAUER, 1995 e CASCUDO, 1997). Alguns dos principais mecanismos

de transporte de agentes agressivos para o interior do concreto são abordados a

seguir.

2.2.1

Absorção capilar

Conhece-se como absorção capilar o transporte de líquidos devido à

tensão superficial atuante nos poros capilares do concreto. Este fenômeno é

dependente de características do líquido (viscosidade, densidade e tensão

15

superficial), e de características do sólido poroso (raio, tortuosidade e continuidade dos poros, energia superficial, conteúdo de umidade).

Dentro de um poro capilar a pressão de vapor sobre o líquido é menor que a pressão de saturação, causando então a evaporação da água no interior do poro e, devido à diferença de pressão, surge o menisco, como se vê na Figura

2.2.1.

de pressão, surge o menisco, como se vê na Figura 2.2.1. Figura 2.2.1 - Representação esquemática

Figura 2.2.1 - Representação esquemática das forças que atuam num líquido dentro de um capilar.

Na Figura 2.2.1 é mostrado um líquido que ascende à altura h c num capilar de raio r aberto para a pressão atmosférica no topo. A força que mantém a ascensão do líquido é a componente vertical da força F, ou seja F.cosα. Sendo o comprimento do anel de contato igual a 2. π.r, F=2. π.r.T s e a componente vertical

de F é 2.π.r.T s .cosα, onde T s é a tensão superficial do líquido. O volume do líquido

no capilar é π.r².h c . Fazendo-se o equilíbrio de forças verticais, tem-se:

r T

s

.cosα

=

π.

r

2

.

h

c

.γ

(4)

Considerando-se α = 0 (menisco semi-esférico), tem-se:

onde:

h

c

=

2. T

s

γ . r

(5)

h c = altura de sucção ou penetração de água no capilar (m); T s = tensão superficial do líquido (N/m); r = raio do capilar (m); e γ= massa específica do líquido (N/m 3 ).

16

A influência da estrutura dos poros é determinante na absorção capilar,

quer seja no volume de água absorvido, na velocidade de absorção, como também na altura de sucção (h c ). Teoricamente, quanto menores os diâmetros dos poros, maiores as pressões capilares e maior a altura (h c ). Sob enfoque inverso, com poros maiores temos alturas menores, porém volumes absorvidos maiores. No entanto, segundo BASHEER et al. (2001), concretos de reduzida relação água/cimento apresentam capilares com diâmetros menores, porém muito menos interconectados, resultando menores alturas de sucção e também menores volumes absorvidos. Com relação à corrosão das armaduras desencadeada por cloretos, a

absorção de soluções líquidas ricas em íons cloro oriundos de sais dissolvidos (como a névoa salina, por exemplo) geralmente representa o primeiro passo para

a contaminação por impregnação externa de peças de concreto. Tal fenômeno,

motivado por tensões capilares, ocorre imediatamente após o contato superficial

do líquido com o substrato. A absorção capilar, portanto, é dependente da

porosidade aberta, isto é, dos poros capilares interconectados entre si, permitindo

o transporte das substâncias líquidas contaminadas para o interior do concreto;

mas depende sobretudo do diâmetro dos poros e apresenta forças de sucção capilar tão mais intensas quanto menores forem os diâmetros dos capilares

(CASCUDO,1997).

Esta estrutura de poros caracteriza o concreto como um material hidrófilo, ou seja, um material ávido de água. Sendo assim, pode-se afirmar que as características hidrófilas do concreto e sua condição de umidade (que em menor teor favorece uma maior absorção) são aspectos de decisiva influência na capacidade absorvente do concreto.

2.2.2

Difusão

A difusão é o movimento de íons ou moléculas devido a um gradiente

de concentração, onde estes íons ou moléculas difundem de regiões de maior

para regiões de menor concentração. O fluxo da substância que se difunde tende

a anular o gradiente, ou seja, igualar as concentrações. A difusão pode ser

17

modelada pelas leis de Fick (CASCUDO, 1997; OLLIVIER, 1998 e BASHEER et

al., 2001).

A primeira lei da difusão de Fick, aplicável em estado estacionário

(fluxo contínuo) unidirecional, diz que o fluxo ou velocidade de transferência de

massa através da unidade de área de uma dada seção (J) é proporcional ao

gradiente de concentração (c/x) e ao coeficiente de difusão (D).

onde:

J

= −

D

c

x

(6)

J

= fluxo ou velocidade de transferência de massa (kg/m².s ou moles/m².s);

D

= coeficiente de difusão, também chamado de difusividade (m²/s);

c/x = gradiente de concentração (kg/m 4 ou moles/m 4 );

c

= concentração de íons na solução na profundidade x e no tempo t (kg/m 3 ou moles/m 3 ); e

x

= profundidade considerada (m).

Para condições de estado não-estacionário (condição transiente), a

concentração c a uma dada profundidade x varia com o tempo, e a equação do

balanço de massa, geralmente chamada de segunda lei da difusão de Fick,

descreve o fenômeno (OLLIVIER, 1998 e BASHEER et al., 2001).

c

2

c

= D

t

x

2

(7)

Onde: c = concentração de íons na solução na profundidade x e no tempo t (kg/m 3 ou moles/m 3 ); t = tempo considerado (s);

D

= coeficiente de difusão (m²/s); e

x

= profundidade considerada (m).

Um fator a ser considerado quando se lida com o processo de difusão

são as reações químicas que ocorrem entre a substância penetrante e o concreto.

Por exemplo, a difusão de íons cloreto no concreto é acompanhada por reações

de fixação física e química com os produtos de hidratação (este assunto será

abordado no item 2.3, a seguir). As reações reduzem a concentração de íons

cloreto livres e, conseqüentemente, a tendência da difusão é de redução contínua

até se alcançar o equilíbrio de concentrações e o processo cesse (BASHEER et

al., 2001).

18

A difusão iônica é mais efetiva quando os poros da pasta de cimento hidratado estão saturados, mas também podem ocorrer em concretos parcialmente saturados. No que diz respeito à difusão de gases, o dióxido de carbono e o oxigênio apresentam grande interesse no estudo da corrosão; o primeiro leva a carbonatação da pasta de cimento hidratado e o segundo torna possível a corrosão da armadura do concreto. É importante lembrar que o coeficiente de difusividade de um gás é inversamente proporcional à raiz quadrada de sua massa molecular, de modo que, por exemplo, o oxigênio se difunde teoricamente 1,17 vezes mais rápido que o dióxido de carbono (NEVILLE, 1997). Excetuando-se a absorção capilar que ocorre na camada superficial, o movimento dos cloretos no interior do concreto, onde o teor de umidade é mais elevado, dá-se essencialmente por difusão em meio aquoso (CASCUDO, 1997).

2.2.3

Permeabilidade

Permeabilidade é definida como a propriedade pela qual um fluido escoa através de um meio poroso sob a ação de uma pressão diferencial. O ingresso de cloretos por permeabilidade ocorre na forma dissolvida, geralmente em água e tem relação direta com a estrutura de poros do concreto, mais particularmente a distribuição de tamanho de poros. Assim, fatores que influenciam na distribuição de poros da pasta, são potencialmente influentes na permeabilidade (BAUER, 1995 e BASHEER et al., 2001). Portanto, tem-se que a composição do cimento, a relação água/ cimento e o grau de hidratação influenciam diretamente na permeabilidade da pasta e, conseqüentemente, na permeabilidade do concreto (UCHIKAWA, 1986 e HELENE, 1993). UCHIKAWA (1986) afirma que a permeabilidade à água se relaciona diretamente com os poros de diâmetro superior a 132 ηm da pasta, chamados poros capilares. O escoamento em poros capilares segue a lei de Darcy para fluxo laminar de um fluido não compressível através de meio poroso, a qual estabelece

19

uma proporcionalidade entre o fluxo e o gradiente hidráulico (OLLIVIER, 1998), conforme a Equação 8.

onde:

v =

Q

dh

= K

A

dx

=

K

i

= velocidade de percolação da água (m/s); Q = vazão de água percolada (m /s);

v

3

A

K

h

x

i = gradiente hidráulico.

= área da superfície confinada por onde percola a água (m 2 )

= coeficiente de permeabilidade (m/s);

= pressão da água (mca);

= espessura de concreto percolado pela água (m); e

(8)

É importante ressaltar que a permeabilidade a líquidos sob pressão será tanto mais acentuada quanto maior for o diâmetro dos poros capilares, além obviamente da comunicação entre eles; isto na prática é obtido através de relações água/cimento relativamente altas (acima de 0,6, por exemplo). Por sua vez, à medida que se baixa esse número, vai se obtendo estruturas cada vez mais compactas, com poros capilares mais "estreitos". Isto, apesar de favorecer uma maior absorção capilar, pelas forças de sucção aumentadas quando da redução no diâmetro dos capilares, é desejável que aconteça porque diminui de fato a absorção total e a permeabilidade. A justificativa deste fato é que com estrutura de pasta mais compacta, a despeito do favorecimento no acréscimo das pressões capilares, haverá sempre uma queda significativa na porosidade capilar e na interconexão ou comunicação entre os poros (CASCUDO, 1997).

2.2.4 Migração iônica

A movimentação dos cloretos na estrutura porosa do concreto, no caso da migração iônica, existe quando da ocorrência de um campo elétrico. Este campo elétrico pode originar-se dos fenômenos de polarização pertinentes aos processos de corrosão da armadura e, em maior escala, podem ser oriundos de dispositivos de proteção catódica, ou de correntes erráticas (correntes de fuga). Uma vez que ocorra um campo elétrico, entre determinado ponto da região interna e a superfície do concreto (por exemplo, entre a armadura e a superfície externa do elemento estrutural), dependendo da polaridade, os cloretos

20

irão se mover através do concreto. Para que os cloretos ingressem, a armadura

deve estar polarizada com carga positiva (HELENE, 1993).

O campo elétrico instalado obriga que, para que se mantenha a

eletroneutralidade, ocorra o transporte de carga elétrica pelos íons presentes, ou

seja, ocorra a migração. Todos os íons presentes na fase aquosa (eletrólito)

participam da migração, existindo, no entanto, diferenciação quanto a corrente

iônica transportada por diversos íons (ANDRADE et al., 1993). O fluxo

unidirecional de íons pode ser determinado pela equação de Nernst-Plank,

conforme a equação abaixo:

J x

(

) =

z . F

(

x

)

E ( x

)

D c

.

RT

.

x

onde: J(x) = fluxo unidirecional (mol/cm 2 .s);

D

x = variação da distância (cm);

2

= coeficiente de difusão (cm /s);

z

= carga elétrica;

F

= constante de Faraday (96.493 C);

R

= constante do gás (cal/V);

T

c

= temperatura absoluta (K);

= concentração (mol/cm 3 ); e

E = variação do potencial (V).

(9)

2.3 MECANISMOS DE AÇÃO DOS CLORETOS NA CORROSÃO

Pode-se afirmar que na grande maioria dos casos, os mecanismos de

transporte dos cloretos presentes no concreto são a absorção capilar e a difusão

iônica. A absorção se dá numa camada superficial do concreto, geralmente onde

ocorre a molhagem e secagem do cobrimento pela ação das intempéries; mais

para o interior do concreto onde a presença do eletrólito é mais constante, tem-se

basicamente a difusão (CASCUDO, 1997).

Sabe-se que o cloreto se apresenta em três formas no concreto:

quimicamente ligado ao aluminato tricálcico (C 3 A), formando cloroaluminato de

cálcio ou sal de Friedel (C 3 A.CaCI 2 .10H 2 O); adsorvido na superfície dos poros; e

sob a forma de íons-livres. A formação do sal de Friedel pode ser reduzida na

presença de carbonatação ou de sulfatos, neste caso, devido a formação

preferencial de monosulfatos ou de etringita (TAYLOR, 1997).

21

Por maior que seja a capacidade de um dado concreto de ligar-se quimicamente ou adsorver fisicamente íons cloreto, haverá sempre um estado de equilíbrio entre as três formas de ocorrência desses íons, de modo que sempre existirá um certo teor de íons cloreto livres na fase líquida do concreto. Esses cloretos livres são os que efetivamente causam preocupação. A Figura 2.3.1 ilustra as três possibilidades de ocorrência de Cl - .

ilustra as três possibilidades de ocorrência de Cl - . Figura 2.3.1 - Formas de ocorrência

Figura 2.3.1 - Formas de ocorrência de íons cloreto na estrutura do concreto (CASCUDO,

1997)

Na presença de cloretos, o filme passivante é localmente destruído, até mesmo em pH elevado e um processo de corrosão localizada é iniciado; por este motivo, os íons cloreto têm um papel muito importante na corrosão de armaduras (TAYLOR, 1997). No período de iniciação do processo eles agem como despassivadores do aço. No período de propagação, eles participam como catalisadores em reações para formarem produtos de corrosão, além de agirem como aceleradores do processo pelo aumento da condutividade elétrica do eletrólito.

As regiões do metal expostas aos íons cloreto tornam-se ânodos e as não afetadas tornam-se cátodos. Como as áreas de quebra do filme passivante são pequenas, elevadas densidades de corrente podem ser desenvolvidas nos ânodos, causando pites e reduções localizadas no pH, com conseqüente agravamento do ataque (TAYLOR, 1997). Segundo CASCUDO (1997), no relatório do Comitê 222 do ACI, existem três teorias para explicar os efeitos dos íons cloreto sobre a corrosão do aço, das quais, a primeira está explicitamente ligada ao período de iniciação, enquanto as outras duas parecem referir-se ao período de propagação da corrosão:

22

Teoria do Filme de Óxido: os íons penetram no filme de óxido passivante sobre o aço, através de poros ou defeitos, mais facilmente do que penetram outros íons, por exemplo o sulfato (SO 4 2- ). Alternadamente os cloretos podem dispersar-se coloidalmente no filme de óxido, tornando mais fácil a sua penetração. Teoria da Adsorção: os íons CI - são adsorvidos na superfície metálica em competição com o oxigênio dissolvido ou com íons hidroxila. O cloreto promove hidratação dos íons metálicos, facilitando a sua dissolução. Teoria do Complexo Transitório: os íons CI - competem com os íons hidroxila (OH - ) para produção de íons ferrosos pela corrosão. Forma-se então um complexo solúvel de cloreto de ferro. Este pode difundir-se a partir das áreas anódicas destruindo a camada protetora de Fe(OH) 2 e permitindo a continuação do processo corrosivo. A certa distância do eletrodo o complexo é rompido, precipita o hidróxido de ferro e o íon cloreto fica livre para transportar mais íons ferrosos da área anódica. Uma vez que a corrosão não é estancada, mais íons de ferro continuam a migrar dentro do concreto, a partir do ponto de corrosão, e reagem também com o oxigênio para formar óxidos mais altos que induzem a um volume quatro vezes maior, causando tensões internas e fissuras no concreto. A formação de complexos de cloreto de ferro pode também conduzir a forças internas que levem à fissuração e à desagregação do concreto. A Figura 2.3.2 mostra esquematicamente todo o processo.

23

23 Figura 2.3.2 - Esquema mostrando a corrosão por pite na qual os Cl - despassivam

Figura 2.3.2 - Esquema mostrando a corrosão por pite na qual os Cl - despassivam a armadura, formam o complexo transitório e depois são reciclados para novas reações (CASCUDO, 1997).

Com relação as teorias do ACI e as várias discussões sobre o assunto, a verdade é que o estabelecimento preciso do mecanismo de despassivação pela ação de cloretos ainda está por vir. Resta clara, no entanto, a forma macroscópica de atuação desses íons no período de iniciação, os quais invariavelmente agem provocando acidificações locais que levam a desestabilizações puntiformes do filme de óxidos passivos. Portanto, é evidente a ação extremamente deletéria dos cloretos, que vai desde a despassivação da armadura até a participação plena no processo corrosivo; a saber, eles aumentam substancialmente a condutividade elétrica do eletrólito, acelerando o processo, além de como já comentado, participarem das reações para formação dos produtos de corrosão. Afora tudo isso, deve-se essencialmente aos cloretos a ocorrência da corrosão localizada por pite (possivelmente por causa das acidificações locais mencionadas anteriormente), a qual apresenta grande gravidade do ponto de vista das estruturas de concreto.

CAPÍTULO 3

-

EFEITO DAS ADIÇÕES MINERAIS NA DURABILIDADE DO CONCRETO

De modo geral sabe-se que a incorporação de materiais pozolânicos, substituindo ou como adição à massa de cimento, aumenta a durabilidade de argamassas e concretos de cimento Portland. Este fato ocorre porque o hidróxido de cálcio (CH), produzido das reações de hidratação do cimento, reage com a pozolana para formar produtos de hidratação secundários (C-S-H) que preenchem os vazios capilares grandes e refinam a estrutura dos poros; conseqüentemente, a permeabilidade do sistema é reduzida e há um aumento na resistência mecânica e na durabilidade. Este capítulo tem como objetivo discutir o papel das adições minerais, exclusivamente as pozolânicas e cimentantes, na durabilidade do concreto, com foco especial nas alterações que esses materiais causam nos mecanismos de ingresso de cloretos no concreto e na corrosão de armaduras induzida por cloretos. Assim, a seguir, são abordados alguns pontos para o bom entendimento deste estudo, tais como definições, propriedades e influências que as adições minerais têm sobre as propriedades do concreto.

3.1 ADIÇÕES MINERAIS

Considerações de ordem técnica, econômica, energética e ecológica fazem com que as adições minerais sejam geralmente empregadas como substituinte parcial do cimento Portland no concreto, pois são de baixo custo e substituem um material nobre que necessita de muita energia para ser obtido. Além disso, a maioria das adições minerais é oriunda de subprodutos industriais, sendo consideradas como resíduos, fazendo com que sua utilização torne-se uma solução ecologicamente correta. As adições minerais, em geral, trazem benefícios ao concreto tanto no estado fresco quanto no estado endurecido e na durabilidade, preponderantemente, conforme será discutido a seguir.

25

Algumas adições possuem atividade hidráulica (cimentante), tal como a escória de alto-forno, outras possuem atividade pozolânica, como a cinza volante, a cinza de casca de arroz, a sílica ativa e a metacaulinita. Segundo a ABNT NBR 12653:1992 (ABNT, 1992), pozolana é descrita como material silicoso ou sílico-aluminoso que, por si só, possui pouca ou nenhuma característica aglomerante, mas, quando finamente dividida e na presença de água, reage quimicamente com o hidróxido de cálcio em temperatura ambiente para formar compostos com propriedades aglomerantes. As pozolanas podem ser classificadas em pozolanas de materiais naturais e as pozolanas de materiais artificiais. Dentre as pozolanas naturais conhecidas, destacam-se os vidros vulcânicos, tufos vulcânicos, argilas ou folhelhos calcinados e as terras diatomáceas. Dentre as pozolanas artificiais, os subprodutos mais conhecidos são a escória de alto-forno, a escória de aciaria, a cinza volante, a sílica ativa, a cinza de casca de arroz e a metacaulinita. As adições minerais, via de regra, proporcionam ao concreto no estado fresco menor calor de hidratação (responsável por trincas nas peças de concreto), melhoria da trabalhabilidade e redução do teor de água para uma dada consistência (exceto para adições com área superficial muito alta, como a sílica ativa, a cinza de casca de arroz e a metacaulinita) e uma redução considerável da tendência de exsudação e da segregação, quando comparados com concretos sem adições (ALVES, 1987; MEHTA, 1989; MALHOTRA & MEHTA, 1996 e SENSALE & DAL MOLIN, 1999). No caso das adições com alta superfície específica, principalmente das superpozolanas, usualmente é necessária uma elevada dosagem de plastificante ou superplastificante, uma vez que esses materiais exigem uma maior quantidade de água (MALHOTRA, 1998). No estado endurecido, normalmente a utilização de adições minerais propicia ao concreto um aumento da resistência mecânica última, uma maior estabilidade volumétrica (aumento do módulo de elasticidade e redução da fluência e da retração por secagem), um aumento da resistência a ataques químicos e uma redução da permeabilidade por refinamento dos poros. Além disso, aumentam a resistência às águas e solos agressivos, reduzem o ingresso de cloretos, conseqüentemente elevando a durabilidade do concreto (ALVES, 1987; DAL MOLIN, 1994; LORENTZ & FRENCH, 1995; NAWY, 1996; ZHANG &

26

MALHOTRA, 1996; MALHOTRA & MEHTA, 1996; BRETANHA, 2000 e NEHDI et al., 2003).

Segundo SENSALE & DAL MOLIN (1999), as características físicas e químicas das adições minerais influenciam a cinética da hidratação do cimento. Geralmente elas aceleram a hidratação inicial do cimento Portland, principalmente devido à elevada superfície específica de suas partículas. Em geral as pozolanas altamente reativas influem nas propriedades do concreto fresco e endurecido dependendo do tamanho, área específica, forma e textura de suas partículas e da sua composição química e mineralógica. A seguir, nas Tabelas 3.1.1 e 3.1.2, estão compiladas diversas características de algumas das principais adições minerais empregadas em concretos.

27

Tabela 3.1.1 - Composições mineralógicas e características básicas das partículas das adições minerais (elaborada com base em MALHOTRA & MEHTA, 1996; BASHEER et al.; 2002, etc.).

Adição

Composição mineralógica

 

Características das partículas

mineral

Escória de

Formada de 80% a 100% por silicatos e aluminossilicatos de cálcio e magnésio, na forma não cristalina. Compostos cristalinos do grupo da melitita podem ser encontrados em pequena quantidade.

Na maior parte são partículas de textura rugosa menores que 45 µm, com área específica de 400 a 500 m /kg de finura

Blaine

2

alto-forno

 

Formada de 50% a 90% por aluminossilicatos na forma não cristalina. Pequenas quantidades de minerais cristalinos são encontradas, consistindo geralmente de quartzo, mulita, silimanita, hematita e magnetita.

Esferas sólidas com diâmetro entre 1 e 100 µm, com valor médio em torno de

Cinza volante de baixo teor de cálcio 2

20 µm, podem ser encontradas cenosferas

e

plerosferas. Normalmente, mais de 40%

das partículas são menores que 10 µm e menos de 15% são maiores que 45µm. A área específica Blaine situa-se entre 300 e 400 m /kg.

2

Cinza de

 

Partículas altamente celulares geralmente menores que 45 µm, com dimensão média entre 6 e 10 µm. A superfície específica obtida por adsorção de nitrogênio é da ordem de 40 a 100 m 2 /g.

casca de

Essencialmente constituída de sílica pura na forma não cristalina.

arroz

Sílica ativa

Sílica pura na forma não cristalina.

Pó extremamente fino contendo esferas sólidas de diâmetro médio entre 0,01 e 1 µm. Superfície específica obtida por adsorção de nitrogênio em torno de 20 m /g.

2

   

Partículas com tamanho médio de 1,5 µm

Metacaulinita

Alumino-silicatos na forma amorfa.

superfície específica obtida por adsorção de nitrogênio em torno de 20 m /g.

e

2

Tabela 3.1.2 - Composições químicas típicas das adições minerais (elaborada com base em MALHOTRA & MEHTA, 1996; BASHEER et al.; 2002, etc.).

   

Percentual em massa

 

Material

SiO 2

Al 2 O 3

Fe 2 O 3

CaO

MgO

álcalis

perda

ao fogo

Escória de alto-forno

30-40

8-13

0,1-2

35-45

8-20

0,5-1

0,3-2

Cinza volante

50-65

20-27

5-10

2-7

1-2

1-3

0,5-3,5

Sílica ativa de indústria de sílico-metálico

90-98

0,06-2,5

0,03-2,5

0,1-0,8

0,2-3

0,1-2,5

2,5-3,5

Cinza de casca de arroz

90-94

0,4-,01

0,2-0,5

0,3-0,5

0,2-0,4

2-3

2-3

Metacaulinita

41-55

35-45

1,0-1,5

1,5-2,5

0,1-0,3

0,3-0,6

1,5-2,5

2 Teor de CaO inferior a 8% em massa (THOMAS et al. 1999)

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BENTZ & GARBOCZI (1991) citados por ISAIA (1995), estudaram a microestrutura da interface pasta/agregado em concretos com pozolanas de várias atividades, chegando à conclusão que as adições minerais reduzem, mas não eliminam, o gradiente de porosidade capilar na zona de interface, reduzem o teor de CH tanto na interface quanto na matriz da pasta de cimento do concreto e melhoram as ligações na interface pelo aumento de C-S-H próximo ao agregado. A melhoria da microestrutura da interface e da matriz é devida tanto ao tamanho dos grãos quanto à reatividade da pozolana utilizada. Como é o caso da sílica ativa que apresenta uma pequena dimensão dos seus grãos e uma grande reatividade.

3.1.1 Escória de alto-forno

A escória de alto-forno consiste de um subproduto da fabricação do

ferro-gusa em alto-fornos; deste processo são gerados cerca de 300 kg de escória por tonelada de ferro-gusa. Sua obtenção passa por aplicar à escória líquida em alta temperatura, um resfriamento brusco com água ou uma combinação água-ar, gerando uma solidificação na forma de partículas de dimensão de areia constituídas basicamente de silicatos e aluminossilicatos de cálcio e magnésio, na forma não cristalina. Esta adição caracteriza-se por apresentar propriedades hidráulicas latentes, uma vez que é constituída dos mesmos óxidos do cimento, mas em proporções diferentes (UCHIKAWA, 1986 e MALHOTRA & MEHTA, 1996). Segundo MEHTA & MONTEIRO (1994) e MALHOTRA & MEHTA (1996) as partículas inferiores a 10 µm contribuem para as resistências iniciais

(até 28 dias), as partículas de 10 a 45 µm interferem apenas nas resistências em

idades mais avançadas, enquanto que partículas maiores do que 45 µm não se hidratam facilmente.

A principal propriedade da escória que a habilita a ser empregada

como adição, é a sua significativa reatividade, a qual depende da composição química, do teor de fase vítrea e da finura (CINCOTTO et al., 1992 e TAYLOR,

1997).

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Ao entrar em contato com a água, forma-se ao redor do grão de escória uma camada envoltória muito pouco permeável a qual impede futuras reações. A dissolução de tal camada e a dissolução posterior dos íons de Si 4+ e AI 3+ da fase vítrea da escória só são possíveis em pH elevado (TAYLOR, 1997; UCHIKAWA, 1986; REGOURD, 1986 e ROY, 1989). A fase aquosa oriunda da hidratação do cimento Portland é um meio adequado, principalmente pelos hidróxidos de Na + , K + e Ca 2+ que fornecem os íons OH - necessários à quebra das ligações Si-O e AI-O da fase vítrea (TAYLOR, 1997). O processo de hidratação da escória junto com o cimento, depende e se inter-relaciona com a hidratação dos compostos do clínquer. Nos instantes iniciais após a mistura (4 minutos), constata-se uma dissolução inicial da escória ocorrendo principalmente dissolução de Ca 2+ na fase aquosa. Após esta etapa o processo atinge um período dormente o qual é acompanhado pela formação de fases AFt ocorrendo redução da concentração de íons Ca 2+ e AI 3+ na fase líquida. Uma vez formada a fase AFt, e com um pH próximo a 12, constata-se a aceleração da hidratação (ROY, 1989). UCHIKAWA (1986) comenta que a hidratação do C 3 S precede a hidratação ativa da escória, principalmente por formação de solução supersaturada de Ca 2+ e pelo ataque de íons alcalinos. TAYLOR (1997) sugere que, para uma dada escória, a velocidade de reação é limitada pela velocidade com que os íons necessários são supridos pelo clínquer ou pelos produtos da hidratação. Os produtos da hidratação da escória são essencialmente similares aos encontrados em pastas hidratadas de cimento Portland, constatando-se entretanto baixos teores de CH, bem como diferentes relações C/S e C/A dos produtos hidratados (TAYLOR, 1997; UCHIKAWA, 1986 e ROY, 1989). As reações de hidratação dos concretos com adição de escória de alto- forno processam-se mais lentamente do que nos concretos sem a adição, refletindo-se diretamente no desenvolvimento da resistência à compressão. MEHTA & MONTEIRO (1994) relatam que, a temperaturas normais, as velocidades de hidratação e de desenvolvimento de resistência dos cimentos Portland com adições de escória de alto-forno são mais lentas que as do cimento Portland puro. Os autores mencionam também que este efeito é limitado às baixas idades, apresentando resistência similar à idade de 90 dias ou superior.

30

TÜRKMEN et al. (2003) constataram que a resistência à compressão dos concretos com escória de alto-forno aos 28 dias é inferior a do concreto de referência, porém, apresentando valores superiores para idades mais avançadas.

3.1.2 Cinza Volante

A cinza volante é um subproduto industrial oriundo da combustão do

carvão pulverizado em usinas termoelétricas. Seu processo de produção ocorre

pela passagem do carvão, pela zona de elevada temperatura do forno, onde o material volátil e o carbono são queimados. Durante a queima desses produtos, algumas impurezas minerais (argilas, quartzo e feldspato) se fundem a altas temperaturas. Logo após, este material fundido é transportado para zonas de baixa temperatura onde se solidificam em esferas de vidro. Deste material solidificado formam-se as cinzas de grelha. No entanto, a maior parte desse material é arrastada pelos gases de exaustão e captada, posteriormente, por precipitação eletrostática, sendo assim chamadas de cinzas volantes (MEHTA & MONTEIRO, 1994). Segundo NEVILLE (1997), a massa especifica da cinza volante pode variar de acordo com a assiduidade de esferas ocas como também de esferas pequenas que contenham em sua composição magnetita ou hematita, sendo normalmente considerado um valor médio de 2,35 g/cm 3 .

A reação que ocorre entre a cinza volante e a pasta de cimento foi

estudada por MEHTA (1989), o qual chegou à conclusão de que ocorre a formação de uma película impermeável ao redor das partículas após a adição de água à mistura. Posteriormente, os íons hidroxilas provocam a hidratação dos aluminossilicatos e, em seguida, as reações pozolânicas consomem o hidróxido de cálcio (CH) formando silicatos de cálcio hidratados (C-S-H). Este processo prossegue enquanto existir CH. Com relação ao consumo de CH, estudo realizado por BAALBAKI et al. (1992), com substituição de 20% de cinza volante no cimento, demonstrou que na interface pasta-agregado não apareciam cristais de CH e sim uma certa quantidade de partículas de cinza volante não reagidas. Na pasta, porém, podiam

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ser vistas algumas partículas de cinza volante envolvidas pelo CH. SAlTO & KAWAMURA (1989), apud ISAIA (1995), pesquisaram pastas de cimento com substituição de 30% de cinza volante e verificaram uma diminuição expressiva do teor de cristais de CH na interface pasta agregado. Concretos com cinza volante apresentam reduzidas absorções capilares, este comportamento pode ser atribuído, segundo FRAAY et al. (1989), ao fato dos produtos formados das reações da cinza volante se difundirem e se precipitarem no interior do sistema de poros; o resultado é uma redução da porosidade capilar e, conseqüentemente, uma estrutura de poros mais finos. Assim como a escória de alto-forno, a cinza volante também apresenta velocidades de hidratação e de desenvolvimento de resistência mais lentas do que o cimento Portland puro (MEHTA & MONTEIRO, 1994). A este respeito, HASSAN et al. (2000) relata que em concretos com 30% de cinza volante de baixo teor de cálcio, a resistência é 11% menor do que a do concreto de referência, sendo similar aos 28 dias e 7% superior aos 365 dias.

3.1.3 Cinza de Casca de Arroz

O arroz é o cereal mais cultivado e consumido no mundo. Segundo MEHTA (1977), uma tonelada de arroz gera aproximadamente 200 kg de casca de arroz de baixa densidade, necessitando assim de uma grande área para seu depósito e transporte, tornando-se um problema para a indústria de beneficiamento de arroz. Uma das maneiras encontradas para solucionar esse problema foi a queima dessa casca de arroz em campo aberto. A queima da casca produz cerca de 20% de cinza, em massa, constituída basicamente de sílica. Contudo, esse material não tem finalidade agrícola ou industrial e, já que é altamente reativo, passou a ser utilizado como adição mineral. No mundo são produzidos anualmente aproximadamente 100 milhões de toneladas de casca e, portanto, uma capacidade de produção de 20 milhões de toneladas de cinza de casca de arroz por ano (MALHOTRA & MEHTA, 1996). As partículas da cinza de casca de arroz são geralmente menores do que 45 µm e são constituídas essencialmente de sílica pura na forma não

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cristalina com área específica de 50 a 60 m 2 /g obtida por adsorção de nitrogênio (MEHTA & MONTEIRO, 1994). Quanto mais finas forem as suas partículas maiores serão as resistências adquiridas pelo concreto. Segundo COOK (1984), o processo de queima da casca pode interferir nas características da cinza, podendo variar bastante os resultados obtidos com seu uso. O principal objetivo é a obtenção da sílica amorfa para atuar como pozolana, porém algumas vezes podem ser encontradas formas cristalinas da sílica se a queima não for controlada. De acordo com a opinião da maioria dos pesquisadores, a reatividade da cinza de casca de arroz é similar ou até superior a da sílica ativa e da metacaulinita, apresentando boa atividade quando a temperatura do processo de queima é controlada (MALHOTRA & MEHTA, 1996). Ainda sobre esta questão da temperatura controlada, MEHTA (1992), declara que a cinza de casca de arroz queimada à temperatura adequada e controlada é altamente reativa, podendo ser chamada de superpozolana, pois assim como a sílica ativa, possui a habilidade de contribuir para o aumento da resistência mecânica nas idades de 1 a 3 dias. Na cinza de casca de arroz, os teores de sílica são bastante diversificados, na maioria das vezes, entre 90% e 95%. Os álcalis K 2 O e Na 2 O ocorrem como principais impurezas e, ocasionalmente, o CaO e MgO aparecem em teores inferiores ou iguais a 1% (SILVEIRA et al., 1996). Os concretos com cinza de casca de arroz, em geral, apresentam incrementos significativos de resistência e reduções drásticas de permeabilidade quando comparados ao concreto de referência (MEHTA & MONTEIRO, 1994; MALHOTRA & MEHTA, 1996; NEVILLE, 1997; OLLIVIER, 1998 e NEHDI, 2003).

3.1.4 Sílica Ativa

A sílica ativa é um subproduto da fabricação de silício metálico ou de ligas de ferro-silício a partir de quartzo de elevada pureza e carvão em fornos a arco e de indução. A redução de quartzo a silício em temperaturas de até 2000°C produz vapor de SiO que oxida e condensa em zonas de baixa temperatura, na forma de partículas esféricas minúsculas constituídas de sílica não cristalina;

33

estas partículas são removidas por filtração dos gases de exaustão em filtros manga (ROBERTS, 1989; MEHTA & MONTEIRO, 1994 e MALHOTRA & MEHTA,

1996).

Conforme MEHTA & MONTEIRO (1994) e NAWY (1996), a sílica ativa

é um pó extremamente fino consistindo de esferas sólidas de diâmetro médio de

0,1 µm com superfície específica da ordem de 20 a 25 m 2 /g. É essencialmente constituída de sílica pura na forma não cristalina com cor variando de cinza claro ao cinza escuro, dependendo do teor de carbono presente. O teor de SiO 2 varia de 85% a 98% (AMARAL, 1987). A sílica ativa é considerada uma superpozolana, pois apresenta alta reatividade e grande superfície específica, gerando, desta forma, reações rápidas. Além do efeito pozolânico, a sílica ativa também possui efeito fíler, proporcionando uma reorganização interna dos vazios (DAL MOLIN, 1994). MALHOTRA & MEHTA (1996) consideram que as reações envolvendo as pozolanas altamente reativas, como a sílica ativa, são bastante rápidas, não sendo necessário longos períodos de cura para alcançar as resistências e baixas permeabilidades desejadas. Fazendo-se um apanhado dos trabalhos já realizados por alguns

pesquisadores, pode-se destacar como principais características da sílica ativa, a melhora da durabilidade, o aumento da resistência mecânica com baixas idades,

o aumento da resistência ao desgaste ou abrasão, a diminuição das deformações

por retração e a redução da permeabilidade. Concretos com sílica ativa apresentam incrementos de resistência significativos quando comparados com concretos sem adições (MEHTA & MONTEIRO, 1994; NEVILLE, 1997; OLLIVIER, 1998 e NEHDI, 2003). HASSAN et al. (2000) pesquisando concretos com substituição de 10% do cimento por sílica ativa, observaram o aumento da resistência à compressão para todas as idades, de 1 a 365 dias. Alguns autores afirmam que o bom desempenho da sílica ativa é ainda mais pronunciado nas primeiras idades, dentre eles KHATRI et al. (1995); RAMEZANIANPOUR & MALHOTRA (1995) e TÜRKMEN et al. (2003).

34

3.1.5

Metacaulinita

A metacaulinita é um produto originado da calcinação da argila

caulinítica de elevada pureza. A temperatura ótima de calcinação na qual se obtém a máxima atividade pozolânica, encontra-se entre 650°C e 850°C. O produto da calcinação é pulverizado em partículas muito finas (da ordem de 1 a

2 µm) o que o torna altamente pozolânico (MURAT, 1983a; MURAT & COMEL,

1983; SAAD MORSY et al., 1997; AMBROISE et al., 1992; CALDARONE et al., 1994; MALHOTRA & MEHTA, 1996 e BARATA, 1998).

As reações pozolânicas entre a argila calcinada e o CH são reações de

dissolução e formação de novos compostos. A argila termicamente ativada, pelo fato de estar em forte desequilíbrio físico-químico por causa do tratamento térmico que transforma a estrutura cristalina dos minerais aluminossilicosos (argilominerais) em uma estrutura amorfa, quando entra em contato com o meio fortemente alcalino das pastas hidratadas de cimento Portland, promove na superfície de suas partículas a dissolução do silício e do alumínio que, posteriormente, com a disponibilidade de cálcio irão cristalizar-se em aluminatos, silicatos e aluminossilicatos de cálcio hidratado (ZAMPIERI, 1989 apud BARATA,

1998).

Com relação ao consumo de CH pela reação pozolânica com a metacaulinita, KOSTUC et al. (1993) afirmam que teores de substituição de 20% de cimento por metacaulinita removem por completo o CH do concreto aos 28 dias de idade. Já ORIOL & PÉRA (1995) relatam que incorporações de 30% a

40% de metacaulinita são necessárias para consumir todo o CH disponível em pastas com relação a/ag de 0,5, curadas por 28 dias em solução saturada de cal. WILD & KHATIB (1997) observaram que, após um ano de hidratação, pastas com 15% de metacaulinita ainda apresentavam 50% do conteúdo de CH de pastas sem pozolanas. Os autores observaram que a metacaulinita estudada foi menos eficiente que a sílica ativa na remoção do CH e, desta forma, sugeriram que fossem empregados níveis de substituição acima de 15% para que ocorresse a completa remoção do referido produto de hidratação.

O consumo do CH em concretos com teores de 10% e 20% de

metacaulinita em substituição do cimento proporciona reduções no pH da solução

35

de poros, entretanto, não a ponto de afetar diretamente a estabilidade do filme passivo que protege a armadura contra a corrosão, uma vez que o pH da solução da pasta com 20% de metacaulinita, após cem dias de cura, ficou em torno de 13,2, superior ao pH de 12,5, valor correspondente à solução saturada de CH (ZHANG & GJRV, 1991). A atividade pozolânica das argilas calcinadas depende da natureza (tipo, grau de cristalização e composição mineralógica) e do conteúdo do argilomineral presente, da finura do material e das condições de calcinação (equipamento, tempo e temperatura). Além do que, limita-se diante da presença de minerais pozolanicamente inertes como quartzo, feldspato, óxidos e hidróxidos de ferro, entre outros (AMBROISE et al., 1992 e MURAT, 1983b). Segundo AMBROISE et al. (1992), a produção de metacaulinita de elevada reatividade só é possível através da calcinação de argilas contendo pelo menos 90% de caulinita. A composição química das argilas calcinadas, embora hoje em dia não seja um parâmetro adequado para averiguar sua potencialidade pelo fato de não distinguir a sílica cristalina da não-cristalina, pode ser estabelecida com a finalidade de exercer um controle de produção ou de recepção de um material de uma determinada origem ou procedência (SOUZA SANTOS, 1992). De acordo com LEA (1938) citado por BARATA (1998), as argilas utilizadas para fabricação de pozolana devem conter de 50% a 65% de SiO 2 e de 17% a 38% de AI 2 O 3 , sendo que a atividade pozolânica aumenta com o teor de Al 2 O 3 . BATTAGIN (1987) acredita que essa afirmação está relacionada com fato das argilas com maiores teores de AI 2 O 3 apresentarem maiores teores de argilomineral, e cita o exemplo da caulinita, cuja composição química é de 46,54% de SiO 2 , 39,5% de Al 2 O 3 e 13,96% de H 2 O. MASSAZZA e COSTA (1979) citados por BARATA (1998) observaram que nas primeiras idades de hidratação do cimento, a atividade pozolânica está fundamentalmente relacionada à superfície específica, e nas idades posteriores, ao conteúdo de sílica e alumina reativa da pozolana. Por essa razão, o efeito da moagem é mais preponderante nas primeiras idades e repercute de maneira muito acentuada sobre a cinética da reação pozolânica e, conseqüentemente, no desenvolvimento de resistência. AMBROISE et al. (1992; 1994) constataram, em argamassas, que substituições de 10% e 20% de cimento Portland comum por

36

uma metacaulinita com área superficial específica de 20 m 2 /g, aceleram a hidratação do cimento e, conseqüentemente, a elevação da temperatura adiabática nas primeiras horas. Esses fatores contribuíram para o aumento das resistências iniciais das argamassas com metacaulinita em relação às misturas de referência. Comportamento semelhante foi observado no trabalho experimental de ZHANG & MALHOTRA (1995), no qual a temperatura máxima da mistura de concreto com metacaulinita de alta reatividade (área superficial específica de 16,5 m 2 /g e diâmetro médio de 1,5 µm) foi superior e ocorreu mais cedo que as dos concretos com sílica ativa e de referência. As misturas com incorporação de argilas calcinadas, ao contrário dos concretos com cinza volante ou escória de alto-forno, normalmente requerem uma demanda de água superior em relação às de referência para obter uma determinada consistência. Com isso, surgem problemas relacionados à dispersão das partículas e à trabalhabilidade da mistura, que hoje são superados com o emprego do aditivo superplastificante (CALDARONE et al., 1994; ZHANG & MALHOTRA, 1995 e WILD et al., 1996). A exsudação das misturas com argila calcinada, assim como ocorre nos concretos com sílica ativa, é consideravelmente menor que nos concretos sem adição mineral. As partículas extremamente finas da pozolana proporcionam um melhor empacotamento dos grãos de cimento, reduzindo os canais ascendentes de água. KHATIB & WILD (1996) avaliaram, através de ensaios de porosimetria por intrusão de mercúrio, a influência da incorporação de metacaulinita na porosidade total e na distribuição de tamanhos de poros de pastas de cimento Portland. No trabalho experimental, os teores de substituição de cimento por metacaulinita estudados foram 5%, 10% e 15%, sendo que todas as pastas foram moldadas com relação a/ag de 0,55 e adequadamente curadas por períodos que variaram de 1 a 365 dias. Os resultados da pesquisa demonstraram que a incorporação de metacaulinita nas pastas de cimento proporciona o refinamento da estrutura dos poros, apesar de ter sido observado um aumento no volume total de poros em relação ao das pastas de referência. Ainda sobre a redução do diâmetro dos poros proporcionada pelas adições minerais, pode-se citar o estudo de FRÍAS & CABRERA (2000), que

37

observaram que em pastas de cimento com 10% de metacaulinita ocorre uma

forte redução do diâmetro médio dos poros em comparação com a pasta sem

metacaulinita, da ordem de 15 nm para 10 nm; notadamente, esta redução se

processa até os 28 dias de idade, não havendo alterações significativas em

idades posteriores. No entanto, KHATIB & WILD (1996) afirmam que este

processo ocorre somente até os 14 dias em pastas com 5%, 10% e 15% de

metacaulinita.

3.2 INFLUÊNCIA DAS ADIÇÕES MINERAIS NO INGRESSO DE CLORETOS NO CONCRETO

O ingresso de cloretos no concreto ocorre por meio do efeito simples

ou combinado dos mecanismos de transporte abordados no item 2.2, quais

sejam: absorção capilar, difusão iônica, permeabilidade e migração iônica. A

intensidade de atuação desses mecanismos é função da microestrutura do

concreto, ou seja, tamanho, forma, distribuição e conectividade da estrutura de

poros. O estudo de BASHEER et al. (2002) exemplifica o comentário anterior;

neste estudo os autores avaliaram o coeficiente de difusão de cloretos em

concretos com cinza volante (30%), escória de alto-forno (50%), sílica ativa (10%)

e metacaulinita (10% e 20%) em comparação com um concreto sem adições, os

resultados estão mostrados na Figura 3.2.1.

8 6 4 2 0 Sem adição 30% CV 50% EAF 10% SA 10% M
8
6
4
2
0
Sem adição
30% CV
50% EAF
10% SA
10% M
20% M
Coeficiente de difusão x 10 -2 (m 2 /s)

Tipo de concreto

Figura 3.2.1 - Coeficiente de difusão de cloretos em concretos com cinza volante (30%), escória de alto-forno (50%), sílica ativa (10%) e metacaulinita (10% e 20%) em comparação com um concreto sem adições (BASHEER et al., 2002).

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Neste contexto, o emprego das adições minerais tem papel decisivo, uma vez que proporcionam o refinamento dos poros, proporcionando um efeito benéfico sobre os mecanismos de transporte de cloretos, refletindo-se na redução do ingresso destes íons no concreto (MALHOTRA, 1992; RAMEZANIANPOUR & MALHOTRA, 1995; GASTALDINI, 1996; NAWY 1996; NEVILLE, 1997; OLLIVIER, 1998; BODDY et al., 2001; GRUBER et al., 2001 e NEHDI at al, 2003). É consenso no meio técnico que a utilização de adições minerais reduz a permeabilidade do concreto. NAWY (1996) atribui esta redução, em concretos com sílica ativa, à grande dispersão das suas finas partículas, preenchendo assim, a maioria dos vazios ocupados pela água de amassamento. O autor salienta que se a porcentagem de substituição de sílica ativa no concreto for de 20% ou 25%, a permeabilidade será de aproximadamente zero. GASTALDINI (1996), estudando concretos com sílica ativa e cinza de casca de arroz, constatou que o refinamento dos poros proporciona uma diminuição da porosidade e, conseqüentemente, da permeabilidade; o autor atribuiu o fato às características de elevada reatividade das adições. MEHTA (1990) e GASTALDINI & ISAIA (1999) ressaltam o efeito de redução da permeabilidade das adições minerais com elevadas áreas específicas e graus de amorfismo como a cinza de casca de arroz. Este efeito se verifica até mesmo em relações a/ag mais elevas, em que a substituição de 10% do cimento por cinza de casca de arroz proporcionou o preenchimento dos vazios capilares, e conseqüentemente a diminuição da permeabilidade do concreto (BRETANHA, 2000). Segundo MEHTA & MONTEIRO (1994), a permeabilidade do concreto contendo cinza volante é reduzida consideravelmente após os 28 dias de cura. O que de uma maneira geral proporciona ao concreto uma maior resistência aos meios agressivos. Concretos com adições minerais, normalmente, apresentam bom desempenho no tocante ao ataque por cloretos, evidenciando o potencial do uso coadjuvante desses materiais no concreto com o objetivo de proteger a armadura contra a corrosão. Na literatura são muitos os trabalhos que evidenciam este fato, sendo que alguns deles são citados a seguir. BAUER (1995) estudando concretos moldados com cimento CP II – E, atribuiu o efeito ao aumento da capacidade de fixação dos cloretos.

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Para o caso da adição de escória, devido à significativa capacidade de fixação de cloretos, e também a importantes alterações na estrutura de poros, observam-se coeficientes de difusão muito pequenos. POLDER & PEELEN (2002) estudaram concretos de relação a/ag 0,40, 0,45 e 0,55 e encontraram que

o coeficiente aparente de difusão de cloretos dos concretos reduz-se na seguinte ordem: concreto de referência, 27% de cinza volante e 75% de escória de alto- forno; os referidos autores ainda observaram um aumento significativo do coeficiente de difusão com o aumento da relação a/ag. TÜRKMEN et al. (2003) também obtiveram como resultado, que concretos com adição de escória de alto- forno apresentam elevada resistência à corrosão induzida por íons cloreto. De acordo com NAIK et al. (1998) e THOMAS & MATHEWS (1993) apud MULLICK (2000), concretos com adição de cinza volante apresentam

significativa melhora na resistência à penetração de íons cloreto em relação aos concretos de referência. Segundo MULLICK (2000), o acréscimo de cinza volante diminui o nível de cloretos no processo da corrosão, isto provavelmente ocorre devido à redução do tamanho e melhor distribuição dos poros, tendo-se, conseqüentemente, uma microestrutura mais densa e um aumento na resistência

à penetração de cloretos. HASSAN et al. (2000) destacaram que a utilização de adições minerais proporciona grande melhoria na estrutura de poros do concreto, apresentando

reflexo na melhoria das propriedades ligadas ao transporte de agentes agressivos ao concreto, tais como a permeabilidade e a difusão de oxigênio e a migração de cloretos. Os autores comentam que os concretos com 10% de sílica ativa melhoram as propriedades de transporte de agentes agressivos desde as idades iniciais, enquanto que os concretos com 30% de cinza volante só são eficazes em idades mais avançadas, alcançando desempenho similar ao da sílica ativa em longo prazo. NEHDI et al. (2003) concluíram que o uso de 10% de cinza de casca de arroz finamente moída reduz a penetrabilidade de íons cloreto em concretos de relação a/ag 0,40, da faixa de moderada para baixa ou muito baixa penetração de cloretos (de acordo com a classificação da ASTM C 1202), dependendo do tipo

e do teor de cinza. Observaram também que, as reduções alcançadas pela cinza de casca de arroz são comparáveis às da sílica ativa, embora ligeiramente

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inferiores. Resultados semelhantes foram obtidos por MEHTA (1992), em concretos com substituições de 10% e 20% do cimento por cinza de casca de arroz.

A utilização de metacaulinita também pode reduzir significativamente o coeficiente de difusão e a penetrabilidade de íons cloreto no concreto. Em trabalho experimental, BODDY et al. (2001) e GRUBER et al. (2001) obtiveram um nível de redução médio, comparado ao concreto de referência, de 50% e 60% para concretos com 8% e 12% de metacaulinita, respectivamente (Figura 3.2.2). Pode-se esperar que tal redução tenha um efeito significativo sobre a vida útil de concretos em ambientes com cloretos.

3000 a/ag 0,40 2500 a/ag 0,30 2000 1500 1000 500 0 -4 0 4 8
3000
a/ag 0,40
2500
a/ag 0,30
2000
1500
1000
500
0
-4
0
4
8
12
16
Carga passante (C)

Teor de Metacaulinita de alta reatividade (% de cimento)

Figura 3.2.2 - Penetrabilidade de íons cloreto em concretos com 8% e 12% de metacaulinita em substituição parcial da massa de cimento (BODDY et al., 2001 e GRUBER et al., 2001).

CALDARONE et al. (1994) mostraram, através do ensaio de penetração acelerada de íons cloretos (ASTM C 1202), que a resistência à penetração de cloretos do concreto com adição de 10% de metacaulinita de elevada reatividade foi substancialmente superior à do concreto de referência, similar à da mistura com 10% de sílica ativa. Comportamento semelhante foi constatado por ZHANG & MALHOTRA (1995). Em ambos os estudos, os concretos com adição de metacaulinita apresentaram valores de carga passante inferiores a 1000 C. Dentre as melhorias obtidas com a redução da relação a/ag, uma das mais importantes é a redução da penetrabilidade de íons de cloreto (OLLIVIER, 1998; BODDY et al., 2001 e GRUBER et al., 2001). No entanto, os concretos com adições são pouco sensíveis às alterações na relação a/ag, esta constatação vem

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comprovar que para concretos sob a ação de cloretos, o benefício do emprego das adições minerais pode ser mais importante do que a redução da relação a/ag (DETWILER et al., 1994; BODDY et al., 2001 e GRUBER et al., 2001). DETWILER et al. (1994), concluíram que a adição de 5% de sílica ativa teve efeito mais pronunciado sobre a permeabilidade a cloretos do que a redução da relação a/c de 0,50 para 0,40. Resultado obtido por ZHANG & GJRV (1991) apud ISAIA (1995), relatam que o uso da sílica ativa na proporção de 10% reduziu muito a difusividade a cloretos, tornando o efeito da redução da relação a/c pouco importante. LOPES et al. (2000), verificaram que os traços com substituição do cimento por sílica ativa apresentaram melhor desempenho com relação à difusão de cloretos e menores concentrações de cloretos que os traços de referência. A redução do ingresso de cloretos com o tempo é atribuída às mudanças na estrutura de poros do concreto geradas pela hidratação dos materiais cimentícios e pela evolução das reações pozolânicas das adições minerais (RAMEZANIANPOUR & MALHOTRA, 1995) e o conseqüente refinamento dos poros (BODDY et al., 2001). À medida que as reações de hidratação do cimento e as reações pozolânicas vão se processando a microestrutura do concreto torna-se mais densa e menos permeável, reduzindo consideravelmente a migração de íons cloreto, conforme resultados obtidos por HASSAN et al. (2000) para ensaios de migração de cloretos em concretos com 10% de sílica ativa e 30% de cinza volante. Deve-se ressaltar a importância de um bom procedimento de cura, em especial a cura úmida por tempo prolongado, para se obter o melhor desempenho das adições minerais com relação ao ataque por cloretos (HELENE, 1993; BAUER, 1995 e RAMEZANIANPOUR & MALHOTRA, 1995).

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3.3 INFLUÊNCIA DAS ADIÇÕES MINERAIS NA CORROSÃO INDUZIDA POR CLORETOS

Neste item aborda-se a influência que as adições minerais exercem

sobre pontos de grande relevância relacionados à corrosão de armaduras

induzida por cloretos, quais sejam: a resistividade elétrica do concreto, o potencial

de corrosão e a taxa de corrosão.

3.3.1 Resistividade elétrica

A importância de se estudar e mensurar a resistividade elétrica do

concreto reside no fato de que esta propriedade, juntamente com o acesso de

oxigênio às barras, constituem os dois elementos principais controladores do

processo eletroquímico que leva ao fenômeno da corrosão de armaduras. Dessa

forma, a velocidade de corrosão do aço no concreto é em muito dependente da

resistividade elétrica ou, por outro lado, da condutividade iônica do eletrólito (fase

líquida do concreto) (ANDRADE, 1992 e CASCUDO, 1997).

FELIU et al., 1989 citados por CASCUDO, 1997 comentam que o

processo de corrosão de um metal inserido no concreto é, prioritariamente,

dependente da fração da superfície metálica efetivamente em contato com a fase

líquida do concreto (super