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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE MINAS

Disciplina:

Professor:

PLANEJAMENTO DE LAVRA A CÉU ABERTO (carga horária 75 horas)

José Ildefonso Gusmão Dutra

NOTAS DE AULA

Fev/2011

Planejamento de Lavra a Céu Aberto

Programa

1. FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO

1.1. Conceito de planejamento;

1.2. Aspectos gerais de um empreendimento em mineração;

1.3. Definição de parâmetros mineiros;

1.4. Informações iniciais importantes;

1.5. Recomposição ambiental.

2. DESCRIÇÃO DO CORPO DE MINÉRIO

2.1. Mapa da mina;

2.2. Informação geológica;

2.3. Cálculo da quantidade de minério e composição;

2.4. Método de seções verticais;

2.5. Método de seções horizontais;

2.6. Modelo de blocos;

2.7. Base estatística para determinação de teor;

2.8. Krigagem;

2.9. Modelo geológico.

3. AVALIAÇÃO DO EMPREENDIMENTO MINEIRO

3.1. Capital da mina e custos operacionais;

3.2. Custos e estimação de custos;

3.3. Avaliação de mina;

3.4. Estudo de viabilidade;

3.5. Estratégias de projeto operacional;

3.6. Análise de investimentos.

4. CONSIDERAÇÕES GEOMÉTRICAS

4.1. Geometria da bancada;

4.2. Acesso ao minério;

4.3. Processos de expansão da cava;

4.4. Geometria e ângulo de talude;

4.5. Representação da geometria da bancada;

4.6. Construção de estrada;

5.

CONCEITOS DE PLANEJAMENTO DE LAVRA

5.1. Planejamento a longo, médio e curto prazo;

5.2. Fases do desenvolvimento de mina;

5.3. Fases do planejamento;

5.4. Preparação de estudos de exequibilidade;

5.5. Recuperação na lavra;

5.6. Elementos de controle de qualidade;

5.7. Procedimentos do planejamento ambiental.

6. PLANEJAMENTO E PROJETO DE LAVRA A CÉU ABERTO

6.1. Definição de parâmetros da indústria mineira;

6.2. Definição de cava final;

6.3. Otimização de cava;

6.4. Escala de produção;

6.5. Disposição de rejeito;

6.6. Programação de produção;

6.7. Sequenciamento da lavra;

6.8. Encerramento da mina, fechamento e abandono.

7. DETERMINAÇÃO DOS LIMITES DA CAVA

7.1. Objetivos e critérios;

7.2. Métodos manuais;

7.3. Modelo econômico de blocos;

7.4. Técnica do cone flutuante;

7.5. Algorítmo de Lerchs-Grossmann;

7.6. Parametrização de jazidas.

8. OUTROS ASPECTOS IMPORTANTES NO PLANEJAMENTO

8.1. Operações auxiliares;

8.2. Salubridade e segurança;

8.3. Gerenciamento e organização.

1.

FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO

1.1. Conceito de planejamento

O planejamento de lavra é o resultado de um conjunto de tarefas que visam ao melhor aproveitamento dos recursos minerais. Melhor aproveitamento esse que se dá sob o ponto de vista da otimização da recuperação do bem mineral útil em função da maximização do lucro. Os modelos matemáticos e computacionais atualmente empregados no planejamento de lavra buscam exatamente a otimização da quantidade de bem mineral útil recuperada em função do lucro máximo. E embora possa parecer que a busca por lucro máximo conduza a um baixo aproveitamento dos recursos, esses modelos têm mostrado que o melhor aproveitamento desses recursos é conseguido com a maximização do lucro.

Entretanto, deve-se ressaltar que o lucro máximo não consiste no lucro percentual máximo, mas sim no volume de lucro máximo. Isso somente é conseguido com a utilização do efeito de escala. Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril. Contudo, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente.

1.2. Aspectos gerais de um empreendimento em mineração

O diagrama da figura 1.1 mostra o processo de suprimento de substâncias minerais no mercado. Como pode-se notar, uma mudança positiva no mercado local cria uma nova demanda ou aumenta a demanda existente para os produtos minerais. Em resposta a novas demandas, recursos financeiros são aplicados na pesquisa mineral resultando em novas descobertas de depósitos. E por meio do aumento de preço, minerais podem tornar-se atrativos, passando a ser economicamente viáveis. Oportunamente, depósitos antes economicamente inviáveis, podem passar a sê-lo, por exemplo, com o desenvolvimento tecnológico.

Fig. 1.1 – Processo de suprimento mineral Os processos envolvidos na recuperação dos bens minerais

Fig. 1.1 Processo de suprimento mineral

Os processos envolvidos na recuperação dos bens minerais são geralmente subdivididos em quatro fases: Prospecção, Exploração, Desenvolvimento e Explotação (lavra). As duas primeiras fases constituem a pesquisa mineral, a qual é responsável pelo estudo e caracterização da ocorrência mineral.

As informações obtidas na pesquisa mineral são fundamentais para a avaliação do depósito mineral bem como para o estudo de viabilidade da mineração. Após a avaliação e a viabilização do depósito mineral, tais informações passam a constituir a base para o planejamento e o projeto do empreendimento mineiro.

Durante o processo de modelagem do depósito, dependendo do porte do empreendimento, uma grande quantidade de informações é gerada. Com os modelos computacionais disponíveis atualmente é possível organizar estas informações para produzir um modelo tri-dimensional do depósito. Esse modelo considera as seguintes características: topografia, capeamento, geologia, estrutura, geomecânica, espessuras dos corpos, teores, tipologias etc. O planejamento da mina envolve um processo complexo que depende, além dos aspectos técnicos, da localização, da experiência em gerenciamento de mina, das condições econômicas e da legislação. De maneira resumida, pode-se dizer que o planejamento de lavra deve buscar o método melhor e mais econômico possível para extrair o minério. Em outras palavras, o planejamento deve procurar o processo ótimo de mineração que possa resultar no lucro máximo. Entretanto, para maximizar o lucro torna-se necessário minimizar os custos e aumentar a recuperação na lavra ou buscar uma combinação das duas coisas. O detalhamento dos processos utilizados, os “lay-out”, as especificações de equipamentos, o método de lavra, entre outros fatores dependem dos seguintes fatores:

1. características naturais e geológicas do corpo mineral: Tipo de minério, distribuição espacial, topografia, hidrologia, características ambientais de sua localização características metalúrgicas, etc.,

2.

fatores econômicos: Custos operacionais e de investimento, razão de produção, condições de mercado, etc.

3. fatores legais: regulamentações locais, regionais e nacionais, políticas de incentivo a mineração, etc.

4. fatores tecnológicos: equipamentos, ângulos de talude, altura de bancada, inclinação de rampas etc.

A dificuldade na determinação desses fatores torna evidente a complexidade das operações envolvidas na recuperação do bem mineral e, por conseqüência, também a importância do planejamento de tais operações. O objetivo do planejamento mineiro é, portanto, a recuperação organizada do bem mineral, de forma a obter o máximo lucro possível e otimizar a quantidade dos recursos extraídos. A figura 1.2 representa a capacidade relativa de influenciar os custos de cada fase do empreendimento de mineração.

FASES PLANEJAMENTO IMPLEMENTAÇÃO PRODUÇÃO Projeto "Start Up" Operação Estudo Estudo Estudo
FASES
PLANEJAMENTO
IMPLEMENTAÇÃO
PRODUÇÃO
Projeto
"Start Up"
Operação
Estudo
Estudo
Estudo
Comissio-
ESTÁGIOS
e
Conceitual
Preliminar
de
namento
Construção
Fisibilidade

DECISÃO

DE

INVESTIMENTO

Fig. 1.2 Capacidade relativa de influência nos custos

Como mostra a figura 1.2, a fase de planejamento apresenta a melhor oportunidade de minimizar o capital de investimento e os custos operacionais do projeto final pela maximização da operacionalidade e da lucratividade do empreendimento. O contrário também é verdade. Nenhuma outra fase do projeto apresenta a mesma possibilidade de conduzir a um desastre técnico ou financeiro como a fase do planejamento. No início do estudo conceitual, a capacidade de influência nos custos do projeto é relativamente grande. Quando as decisões são tomadas corretamente, durante a fase de planejamento, a influência das fases seguintes nos custos do empreendimento diminui rapidamente. A capacidade de influenciar no custo do projeto diminui ainda mais quando novas decisões são tomadas durante o estágio de projeto na fase de implementação. No final desta fase não existe, praticamente, mais chance de influenciar nos custos das fases seguintes.

1.3.

Definição de parâmetros mineiros

Minério: Agregado natural composto de um ou mais minerais que pode ser lavrado e processado para gerar um produto que pode ser vendido com lucro.

Estéril: Agregado natural composto de um ou mais minerais que deve ser lavrado para liberar minério não apresentando valor econômico.

Exploração: A exploração, segunda fase da pesquisa mineral, tem como objetivo fundamental determinar a importância econômica de um depósito por meio do estudo quantitativo e qualitativo dos bens minerais. Tem como propósito caracterizar as condições naturais e econômicas nas quais ele ocorre. Ela toma como base as hipóteses feitas durante a prospecção, a partir das quais se inicia o programa de exploração, com a finalidade de avaliar o depósito. Essa avaliação é feita através do estudo da variabilidade das características do corpo de minério. Dentre essas características, a forma e o teor são as mais importantes. O aumento do conhecimento geológico e as técnicas de investigação (que podem ser, geológicos, geoquímicos e geofísicos) na fase de exploração permitem maior precisão na definição do corpo de minério. Dessa forma tem-se um conjunto de resultados que possibilitam:

forma tem-se um conjunto de resultados que possibilitam: localizar o depósito mineral estabelecer a forma, a

localizar o depósito mineral estabelecer a forma, a composição e o tamanho do depósito mineral.

Desenvolvimento: É o conjunto de operações que têm como finalidade preparar a jazida para a lavra. Tais operações podem ser realizadas tanto antes do início da lavra como durante sua execução. Essa preparação consta basicamente da abertura de acessos, construção de infra-estrutura necessária, remoção de capeamento e drenagem. A duração dessa fase é bastante variável, dependendo principalmente do método de lavra adotado.

Lavra: É o conjunto de operações que resulta em uma extração economicamente viável. A lavra ou explotação compreende todas as etapas envolvidas na extração do bem mineral. Os serviços de lavra mostram finalmente a realidade do depósito. Os dados resultantes da lavra refletem a realidade da jazida e são utilizados, constantemente, para complementar a avaliação do depósito. Além dos dados reais que a lavra fornece, ela facilita o acesso a partes antes inacessíveis, tornando possível um estudo mais detalhado da jazida através da geologia de mina. A geologia de mina pode ser vista como a continuação da pesquisa mineral durante a lavra. Ela possibilita um conhecimento mais detalhado do depósito e ainda fornece subsídios para o controle de qualidade na lavra.

Jazida: Ocorrência mineral com potencialidade de extração econômica.

Mina: Jazida em lavra, mesmo que suspensa.

As informações mais importantes decorrentes da pesquisa mineral são as definições de recursos minerais: inferido, indicado e medido (Reserva: provável e provada). Essas informações são mais precisas quanto maior for o conhecimento geológico.

Recursos minerais: Concentração natural sólida, líquida ou gasosa na crosta terrestre, definida de tal forma que a extração econômica e a facilidade de extração para concentração é real ou factível. Localização, atitude, qualidade e quantidade são conhecidas ou estimadas por meio das evidências geológicas específicas. Para demonstrar a variação e o grau de certezas geológicas, os recursos podem ser divididos em medidos, indicados e inferidos.

podem ser divididos em medidos, indicados e inferidos. Recursos minerais medidos: A quantidade é computada para

Recursos minerais medidos: A quantidade é computada para dimensões reveladas por meio de afloramentos, trincheiras, furos de sondagem. Os locais de pesquisa, amostragem e medidas são restritos e fechados com as características geológicas muito bem definidas como tamanho, profundidade e teor mineral estabelecido. Recursos minerais indicados: A quantidade da informação é computada de forma similar àquela dos recursos medidos, mas os locais de pesquisa, amostragem e medidas são mais distantes e com maior espaçamento. O grau de precisão geológico é menor que o anterior, e é assumido um grau de continuidade geológico entre os pontos de observação mensurados. Recursos minerais inferidos: As estimativas são baseadas em evidências geológicas, assumindo uma continuidade generalizada na qual a confiança nas informações é menor que nas duas definições anteriores. Esses recursos podem ou não ser definidos através de amostras ou medidas, mas essa inferência deve ser garantida por um conhecimento geo-científico competente.

garantida por um conhecimento geo-científico competente. Reserva : É a parcela dos recursos que possui um
garantida por um conhecimento geo-científico competente. Reserva : É a parcela dos recursos que possui um

Reserva: É a parcela dos recursos que possui um mínimo de especificações físicas e químicas para ser lavrada, incluindo teor, qualidade, espessura e profundidade; podendo-se assumir como, econômica, legalizada e preparada para produção em um tempo determinado. A viabilidade da lavra deve ser demonstrada por meio de estudo. O termo reserva, por si só, não designa uma extração operacionalmente viável. As reservas relativas aos recursos são:

viável. As reservas relativas aos recursos são: Reserva provada: Parte do recurso mensurado que satisfaz as

Reserva provada: Parte do recurso mensurado que satisfaz as condições para ser classificado como reserva. Reserva provável: Parte dos recursos indicados que satisfaz as condições para ser classificado como reserva.

satisfaz as condições para ser classificado como reserva. 1.4. Informações iniciais importantes Nos estágios

1.4. Informações iniciais importantes

Nos estágios iniciais do planejamento, um grande número de fatores de natureza diversa deve ser considerado. Alguns desses fatores podem ser

facilmente abordados, enquanto outros requerem um estudo mais aprofundado. Itens a serem considerados:

a- Topografia;

b- Condições climáticas;

Altitude

Temperatura

Precipitação

Vento

Umidade

Poeira

Nevoeiro

c- Água - Potável e de Processo

Fonte

Disponibilidade

Quantidade

Qualidade

d-

e-

f-

Tratamento e esgotamento Estrutura geológica Água na mina Superfície

Vegetação

Condições não usuais

g- Tipo de rocha capeamento e minério

h- Localização das instalações de beneficiamento

i-

j-

k- Energia

l- Propriedade do terreno

m- Políticas governamentais

Área para disposição de rejeito Estradas

n-

Condições econômicas locais

o-

Localização da barragem de rejeito

p-

Informações disponíveis

q-

Proximidade de centros urbanos industriais

1.5. Recomposição ambiental

A extração de minerais e combustíveis fósseis da Terra não é possível sem alterar as características ambientais naturais. Uma mina requer estradas de acesso, energia e água, além das escavações que devem ser feitas no terreno para a extração do bem mineral. Áreas da mina devem ser alocadas para as instalações de processamento, oficinas, escritórios, instalações de armazenagem etc. Os rejeitos devem ser depositados, podendo ser sólidos, líquidos e/ou gasosos. Em adição, há que se ter em vista a atmosfera da mina e outros agentes poluentes, que devem ser controlados para salvaguardar a saúde dos trabalhadores.

O controle ambiental tem sido aplicado à mineração há muito tempo, incluindo restauração do terreno, purificação da água, supressão de poeiras e dispersão de gases nocivos. As técnicas para tal controle vêm sendo desenvolvidas de modo a reduzir os efeitos adversos da mineração sobre o ambiente. A legislação ambiental tem sido cada dia mais rigorosa, impondo às minerações restrições de maior ou menos grandeza, de acordo com as condições de cada uma. Desse modo, as empresas de mineração devem dispor de métodos

e equipamentos para realizar o controle de poluição desejado, bem como

recuperar o terreno, considerando os prazos de recuperação e os custos adicionais sobre o empreendimento. Tendo em vista que a demanda por minerais e combustíveis aumenta a cada ano particularmente por causa do aumento de população, mas também devido ao aumento no padrão de vida dos povos as indústrias extrativas continuam fundamentais para a humanidade. Paradoxalmente, produtos da indústria mineral são necessários em máquinas e processos de controle ambiental. Atualmente tem-se buscado o uso múltiplo e ordenado dos terrenos, em que minerais são extraídos com a utilização de meios que minimizam o impacto ambiental. Em seguida, o terreno é restaurado para ser utilizado com outros fins. O primeiro tratado sobre tecnologia mineral escrito por Agrícola há mais de quatrocentos anos já revelava preocupações quanto ao impacto ambiental inerente à produção de metais e ligas. Mas a despeito disso, Agrícola salienta enfaticamente em sua obra a imprescindibilidade dos metais para a vida civilizada. Os benefícios da mineração têm sido constantemente demonstrados, situando-a como uma atividade imprescindível ao bem estar social. Apesar disso e do impacto ambiental não ter como sua fonte principal a mineração, poucas atividades produtivas geram tantas controvérsias, de forma que se instaurou um

conflito entre a necessidade do exercício da tecnologia mineral e a minimização de seu impacto ambiental. No passado, a recomposição ambiental somente era considerada no fim das operações de lavra e não na fase de planejamento. Hoje em dia qualquer empreendimento só se inicia após aprovação do licenciamento ambiental, o qual envolve todos os aspectos ambientais relativos aos efeitos da mineração, levando em conta suas particularidades.

O propósito da recomposição ambiental é melhorar as características de toda a

área (ou parte dela) afetada pela atividade de mineração, a fim de proteger o ambiente afetado por esta atividade. Entretanto, é importante ressaltar que recomposição é diferente de restauração. Na atividade de mineração a restauração é bastante inviável, uma vez que ela pressupõe a reconstrução da superfície topográfica original e o restabelecimento do terreno com as características originais para ser usado como anteriormente. Assim, é fácil verificar a impossibilidade técnica e econômica da restauração na mineração. Por outro lado, a recomposição deve contemplar as condições impostas pelos órgãos governamentais de fiscalização de fomento e fiscalização ambientais. Em operações de mina a céu aberto são três as principais áreas a serem recompostas: a) as cavas das minerações; b) as áreas de disposição de estéril e

c) as barragens de rejeitos.

O grau de exigências na recuperação ou restauração de áreas degradadas por mineração é determinado por um variado número de fatores, que inclui:

a. Regulamentação governamental;

b. Prioridade no uso do terreno;

c. Proximidade de centros urbanos;

d. Valor estético e visibilidade;

e. Quantidade e tipos de contaminantes do ar e da água, que podem ser liberados pelas atividades da mineração;

f. Tipo e densidade da vegetação local;

g. Condições climáticas;

h. Localização da mina;

i. Política ambiental da empresa de mineração;

j. Custo e efeito no desenvolvimento do empreendimento;

k. Configuração das áreas de disposição de rejeitos;

l. Espécies naturais e introduzidas na fauna da área;

m. Utilização final proposta para o terreno;

n. Disponibilidade de água e nível do lençol freático;

o. Características do relevo;

p. Fluxo de drenagem natural e redirecionada existente na área quanto à quantidade, níveis de cheia e freqüência;

q. Usos da água a jusante da mineração;

r. Futuro potencial do material armazenado como rejeito.

Todos esses fatores devem ser considerados no projeto ambiental para o empreendimento de mineração e devem ser aprovados pelos representantes da comunidade e pelas autoridades governamentais. O projeto ambiental é específico para cada caso, uma vez que estes fatores têm efeitos e pesos diferentes nos custos do projeto de recomposição ambiental. Na maioria das operações em mina a céu aberto, o rejeito removido da cava é depositado em área adjacente. A área necessária para deposição desse rejeito é normalmente igual ou superior à área da cava. As restrições ambientais impostas pela legislação têm dificultado a disposição de rejeitos de mineração. Tudo isso tem conduzido à utilização da cava para deposição do rejeito. Para tanto o planejamento deve considerar essa possibilidade no sequenciamento da lavra.

O planejamento ambiental deve ser um documento de fácil compreensão

e fazer parte do planejamento de exploração, de lavra e de operação. O planejamento deve considerar os seguintes aspectos:

a. Uma seqüência lógica de passos para realizar o processo de recomposição;

b. As especificações dos padrões de recomposição a ser executada;

c. Uma estimação dos custos da recomposição;

Informação suficiente para o desenvolvimento de uma base de inspeção e de imposição da recomposição. Além disso, estabelecer critérios a serem usados na avaliação do sucesso da recomposição.

2.

DESCRIÇÃO DO CORPO DE MINÉRIO

2.1. Mapa da mina;

2.2. Informação geológica;

2.3. Cálculo da quantidade de minério e composição;

2.4. Método de seções verticais;

2.5. Método de seções horizontes;

2.6. Modelo de blocos;

2.7. Base estatística para determinação de teor;

2.8. Krigagem

2.9. Modelo geológico

O modelo geológico é utilizado para caracterizar os recursos minerais.

Atualmente usa-se o modelo geológico tri-dimensional, que consiste em uma compilação de todas as informações geológicas, observações e estudos disponíveis, organizados de forma a representar e esclarecer as particularidades geológicas do depósito, sob um ponto de vista empírico e genético. O modelo pode ser extremamente simples ou altamente complexo, dependendo da natureza dos recursos, da disponibilidade de informações, ou do grau de sofisticação do modelo de estudo empregado.

O modelo empírico representa a compilação e integração de numerosos

tipos de informações químicas, mineralógicas, estruturais e não raramente numericamente quantificáveis. O modelo genético ou conceitual procura esclarecer a distribuição e origem das características importantes de modo útil e prático. O modelo geológico sempre deve ser atualizado ou revisto à medida que

novas informações são obtidas. Os problemas fundamentais da caracterização de recursos minerais com

o objetivo de avaliar e estimar a reserva mineral são a quantidade de informação

geológica, a análise e interpretação desta informação e a extensão dessa interpretação a partes não pesquisadas da área. Tais informações muitas vezes não apresentam um grau de representatividade aceitável e, mesmo assim, a partir

delas são feitas sínteses dos valores quantitativos e qualitativos que servem para

a elaboração do relatório final sobre a área pesquisada. Em termos mais simples,

a imprecisão dos resultados está nos questionamentos: onde está localizado o

recurso mineral (minério), quais são seus limites (forma do corpo), qual é sua

qualidade e quantidade (teor) e qual é a natureza do ambiente associado a este recurso. Infelizmente essa simplificação no modelo conduz a modelos de corpos com limites bem definidos, que somente acontecem em poucos tipos específicos de depósitos. Mais comumente, os depósitos são irregulares e apresentam uma distribuição de teores bastante irregular.

A figura 2.9.1 é uma representação simples e objetiva que ilustra a

estimação de teores, a diluição e a dificuldade na definição da fronteira do corpo

mineralizado.

Fig. 2.9.1 – Representação do corpo de minério. a e b ) representação comum do

Fig. 2.9.1 Representação do corpo de minério. a e b ) representação comum do corpo de minério com limites bem definidos; c e d ) distribuição real típica de teores dentro do corpo mineralizado com fronteiras irregulares

Em resumo, um levantamento geológico bem conduzido com base numa interpretação criteriosa das informações é a única receita para uma boa caracterização do depósito.

3.

AVALIAÇÃO DO EMPREENDIMENTO MINEIRO

3.1. Capital da mina e custos operacionais

Vários tipos de custos são envolvidos nas operações de mineração.

Existem várias formas de determinar e estimar esses custos. Um modo muito usual é sua divisão em categorias. Basicamente, os custos da mineração podem ser agrupados em três categorias:

- Custos de capital;

- Custos operacionais;

- Custos gerais e administrativos.

Os custos de capital são relativos aos investimentos na infra-estrutura da mina e da planta de beneficiamento. Os custos operacionais são os custos inerentes às operações de produção como perfuração, desmonte, transporte, operações de beneficiamento etc. Esses custos podem ser indicados na base de unidade monetária por tonelada produzida. Os custos gerais e administrativos

normalmente são considerados numa base anual. Normalmente os custos gerais e administrativos consideram os seguintes itens:

- Supervisão;

- Prêmios aos empregados;

- Despesas administrativas;

- Levantamento topográfico e geologia de mina;

- Bombeamento;

- Desmonte para desenvolvimento;

- Taxas;

- Seguros;

- Ensaios;

- Depreciação da planta, etc.

e o custo geral e administrativo podem ser

transformados em custo por tonelada como os custos operacionais. Assi m, as categorias de custos tornam-se:

O

custo

de

capital

- Custos de propriedade;

- Custos de produção;

- Custos gerais e administrativos.

Os custos operacionais podem ser representados para as diferentes unidades operacionais:

- Perfuração;

- Desmonte;

- Carregamento;

- Transporte;

- Outros.

manutenção de estradas,

manutenção de barragens de rejeito e pilhas de disposição, bombeamento etc. Algumas minerações incluem custo de manutenção nos custos operacionais.

Outras incluem esse custo em custos gerais e de administração. Os custos operacionais podem ser também discriminados em componentes do custo. Por exemplo, no desmonte:

A

categoria

“outros”

inclui

terraplenagem,

- Explosivos;

- Espoletas;

- Reforçadores;

- Cordéis;

- Retardos etc.

O custo operacional também pode ser dividido em categorias:

- Mão-de-obra;

- Materiais, custos e energia;

- Outros.

Numa determinada operação, as despesas com mão-de-obra podem ser incluídas somente nos custos diretos (perfurador e ajudante, por exemplo). Em outros casos, são incluídas em custos indiretos (supervisão, reparos etc.). Há certos custos que são vistos como fixos ou independentes do nível de produção. Outros são variáveis, dependendo diretamente da produção. Outros ainda é difícil estabelecer se são fixos ou variáveis. Os custos de aquisição dos equipamentos são normalmente depreciados numa média anual dentro dos custos de investimentos.

3.2. Custos e estimação de custos

Um depósito mineral não pode ser desenvolvido para uma mina, a menos que o lucro operacional anual estimado seja suficiente para recuperar, com lucro, o custo de capital de desenvolvimento da mina. A precisão de estimação de custo de capital e operacional depende da qualidade técnica da avaliação do depósito e do conhecimento sobre as características da lavra e do beneficiamento. A estimação dos custos de capital e operacional de uma futura mina é feita inicialmente após as reservas de minério terem sido determinadas. Isso envolve riscos visto que o projeto de detalhe ainda não existe. Entretanto, os principais custos de capital são aplicados após exploração detalhada do minério, realização do projeto da mina, estudos detalhados das características metalúrgicas do minério e projeto global do empreendimento. No estágio do estudo de viabilidade preliminar, há conhecimento técnico insuficiente para estimar os custos com precisão, sendo os custos estimados aproximadamente para orientar a viabilidade da provável mina, do tamanho ótimo da planta e a necessidade de estudos adicionais para melhorar os conhecimentos sobre o depósito. Custos estimados são baseados inicialmente em custos médios compilados a partir de projetos e operações existentes, com semelhanças ao

projeto em estudo. Semelhanças essas com relação às condições gerais, métodos de lavra e beneficiamento.

A estimação de custos com uma precisão de ± 10%, que é necessária

para um estudo detalhado de viabilidade, requer aperfeiçoamento de trabalhos técnicos extensivos e estudos de planejamento de mina, projeto geral do empreendimento, estudos ambientais e avaliação de suprimentos, mão-de-obra e equipamentos requeridos para a mineração, beneficiamento e serviços.

3.3. Avaliação de mina

O termo avaliação de mina implica na fixação de uma moeda corrente

para quantificar o valor de uma mina ou projeto de mineração e estabelecer uma

medida do valor da propriedade. Como tal, diversos tipos de valor podem ser encontrados para representar o estudo de avaliação de uma mina. Na avaliação de mina, as principais respostas que se buscam são:

- Qual é o valor da mina?

- Qual é o custo da mineração?

Nesse contexto o valor que interessa é o valor de mercado do recurso mineral. Valor de mercado é o preço estabelecido num mercado público pela troca entre um comprador disposto e um vendedor também disposto, quando nem um nem outro está sob pressão para completar a transação. Assim, o termo mercado sugere a idéia de troca.

Entretanto, a determinação do valor de mercado de um bem mineral específico somente pode ser feita pelo mercado através de uma transação de venda real, onde são intervenientes o comprador e o vendedor. O comprador tem interesse de baixar o valor e o vendedor procura aumentar o preço.

Especificamente, os profissionais de economia mineral, os avaliadores e os órgãos de fiscalização do governo são interessados na estimação de valor de mercado para os bens minerais. O valor de mercado é uma propriedade bastante dinâmica e sofre influência do tempo e das condições de mercado. Para estimar o valor de mercado de qualquer bem mineral, a maioria dos avaliadores consideram inicialmente 3 abordagens geralmente aceitas para estimação de valores. A primeira abordagem é com relação aos custos. A segunda está relacionada ao mercado e a terceira às receitas (lucros). Os custos são uma preocupação constante dos engenheiros de planejamento. Existe sempre o conflito entre a melhor qualidade do produto e o menor custo.

O mercado dos bens minerais encontra alguns problemas práticos. Isso

se deve principalmente a dois fatores: a) há muito poucos bens minerais à venda e, por conseguinte, pouca concorrência; b) uma vez que cada depósito mineral é único em qualidade, tamanho, locação geográfica, grau de desenvolvimento etc., as condições de mercado não têm influência significativa nos preços. A receita é o resultado entre o valor de mercado e o custo.

3.4.

Estudo de viabilidade

O estudo de viabilidade é a essência do processo de avaliação de mina.

No projeto de mineração esse estudo representa uma estimação de engenharia econômica para a viabilidade comercial do referido projeto. É o resultado de um procedimento relativamente formal obtido por meio da análise das várias relações que existem entre a grande quantidade de fatores que afetam o projeto em questão direta ou indiretamente. Em essência, o objetivo do estudo de viabilidade é refinar os fatores básicos que regem as mudanças para o sucesso do projeto. Uma vez definidos e estudados todos os fatores relativos ao projeto, esforço deve ser feito para quantificar tantas variáveis quanto possível, no sentido de encontrar

um valor potencial ou preço do recurso mineral. Como um projeto progride a partir dos resultados iniciais da exploração,

até que as decisões para desenvolver e lavrar os recursos sejam tomadas, um número considerável de análises deve ser realizado, cada qual baseado numa quantidade crescente de informações, requerendo tempo adicional para essas tarefas, com o objetivo de aumentar a precisão dos resultados. Supondo uma decisão favorável para continuação do projeto, a próxima seqüência de decisões deve ser fundamentada em estudos que utilizem informações muito mais detalhadas. Esse estudo designado de pré-viabilidade ou estudo econômico intermediário é baseado em quantidades crescentes de dados relativos a informações geológicas, projetos preliminares de engenharia, planejamento de lavra e de instalações de beneficiamento e estimação inicial de receitas e custos. Os estudos econômicos intermediários devem considerar as informações e análises dos itens seguintes: projeto descritivo, geologia, lavra, beneficiamento, necessidades operacionais, transporte, cidades próximas e vantagens relativas, necessidade de mão-de-obra, legislação e análise econômica.

O estudo de viabilidade considera uma análise detalhada de todos os

parâmetros incluídos no estudo econômico intermediário, justamente com outros fatores pertinentes relativos a aspectos legais e políticos que afetam a viabilidade do projeto.

3.5. Estratégias de projeto operacional

O detentor do direito de lavra de uma determinada área tem 5

alternativas, ou uma combinação delas, para colocar a jazida em produção. As alternativas são: a) desenvolver o empreendimento sozinho; 2) utilizar uma empresa contratada para executar parte ou todo o desenvolvimento e/ou lavra; 3) utilizar uma empresa contratada para iniciar o processo de produção; 4) arrendar a área para uma companhia de mineração; 5) associar-se a outra mineradora para tocar o empreendimento.

A escolha por uma dessas alternativas depende de um conjunto de

circunstâncias que deve ser analisado em termos de vantagens e desvantagens. Essa análise deve levar em conta as conseqüências econômicas de cada

alternativa.

3.6.

Análise de investimentos (SME)

O objetivo principal da análise de investimentos é a determinação de qual projeto oferecerá benefício suficiente para justificar a sua implantação. Tal benefício é analisado em termos de: a) remuneração do investimento feito; b) risco envolvido. Embora as ferramentas para avaliação de projeto atualmente utilizadas sejam bastante confiáveis para propósitos de tomada de decisão, deve-se considerar que não há substituto para a qualidade dos dados de entrada. Quando uma empresa é confrontada com diversas oportunidades de investimentos, torna-se necessário avaliar a atratividade de cada proposta.

Qualquer critério de avaliação utilizado deve possibilitar, de modo consistente, a escolha daquele projeto mais aceitável. Em outras palavras, a seguinte questão deve ser respondida: O projeto “A” é suficientemente bom para justificar o investimento de capital? Para responder à pergunta com a finalidade de tomada de decisão de investimento, qualquer critério de avaliação satisfatório deve respeitar dois princípios básicos:

1. Benefícios maiores são preferíveis;

2. Benefícios antecipados são preferíveis.

4. CONSIDERAÇÕES GEOMÉTRICAS

As bancadas podem ser consideradas as unidades fundamentais de extração nas operações de lavra a céu aberto. Algumas características básicas como crista, pé, largura, face, altura e ângulo da face aparecem na figura 4.1.

Ângulo do Pé Largura Talude da Bancada CRISTA Talude ou Face Altura da Bancada
Ângulo
do
Largura
Talude
da
Bancada
CRISTA
Talude
ou
Face
Altura
da
Bancada

Fig. 4.1 Desenho esquemático de uma bancada com seus elementos

4.1.

Geometria da bancada

Deve-se salientar a existência de diferentes tipos de bancadas. Por

exemplo, pode-se citar as bancadas que têm como função aparar os materiais que por ventura rolarem de bancadas superiores, das bancadas ou bermas de segurança e das bancadas de trabalho, ou praças, onde ocorre efetivamente o processo de lavra. Diversos fatores influenciam nas dimensões dos elementos apresentados acima. Alguns aspectos importantes na determinação da geometria das bancadas podem ser enumerados:

1. Características do depósito: Volume, teor, distribuição etc.

2. Escala de produção: Toneladas de minério e estéril produzidas.

3. Seletividade na lavra e necessidade de blendagem.

4. Equipamentos utilizados nas operações de lavra: Função básica da escala de produção.

5. Considerações sobre estabilidade dos taludes

6. Relação estéril/minério.

7. Custos operacionais vs. custos de investimento.

ÂNGULO DA FACE DA BANCADA:

Os ângulos das bancadas são mantidos, geralmente, com a maior inclinação possível. Os limites aqui são relacionados, basicamente, às condições

de estabilidade. Em rochas competentes, valores entre 55 O e 80 O são tipicamente encontrados.

É importante ressaltar que os ângulos das bancadas podem ter uma

grande influência no talude final da cava.

ALTURA DA BANCADA:

A altura da bancada é determinada normalmente em função da altura

máxima de escavação do equipamento utilizado na operação de carregamento. É importante observar a possibilidade de escavação de talude negativo quando utilizada essa altura máxima de escavação (i.e. escavadeiras ”shovels” e hidráulicas). Essa situação poderia representar riscos para a própria operação de carregamento ou para as operações subseqüentes. Valores de altura de bancada variam de cinco metros (para pequenos depósitos de ouro, por exemplo) a

aproximadamente quinze metros (em grandes operações de lavra). Com os avanços tecnológicos dos equipamentos, a perfuração, hoje, praticamente não impõe limites à altura da bancada. O que necessariamente deveria ser investigado até alguns anos atrás.

O exemplo da figura a seguir mostra uma escavadeira hidráulica com

capacidade de 13 a 27.5 m

metros. Observando condições mais rígidas de segurança, essa altura poderia ser

definida em aproximadamente 11 metros.

3

(17-36 yd 3 ). A altura máxima de escavação é de 15

LARGURA DE BANCADA: Além das bancadas ou bermas de segurança é comum, nas operações de

LARGURA DE BANCADA:

Além das bancadas ou bermas de segurança é comum, nas operações de lavra de grande porte, a utilização de leras de proteção nessas bancadas. As leras são formadas por pilhas de material fragmentado e depositado junto à crista dessas bermas, formando assim uma vala para coleta do material. As seguintes recomendações para a determinação da geometria da bancada podem ser observadas na figura a seguir.

Largura

da

Lera

Largura Mínima da Berma Área de Impacto Altura da Lera Altura da Bancada
Largura
Mínima
da
Berma
Área
de
Impacto
Altura
da
Lera
Altura
da
Bancada

Geometria de Bermas de Segurança (metros)

Altura

Área

Altura

Largura

Largura

da

Bancada

de

Impacto

das

Leras

das

Leras

Mínima da

Bancada

15

3,5

1,5

4

7,5

30

4,5

2

5,5

10

45

5

3

8

13

Outra consideração de segurança a ser feita com relação à altura das leras é que ela deverá ser pelo menos igual ao raio dos pneus dos equipamentos que trafegam nessas bancadas. Em locais de tráfego duplo, como as vias de acesso, é comum observar a presença de leras na parte central das pistas. Nesse caso, a largura do acesso deve ser dimensionada em função do equipamento de maior largura que utilize o acesso. Observando-se a recomendação da AASHO, que aconselha largura adicional de segurança igual à metade da largura do equipamento, tanto à direita quanto à esquerda da pista, e adicionado-se ainda a largura da lera de proteção na crista da bancada e uma determinada distância para a vala de drenagem, uma primeira estimativa da largura total pode ser obtida através da formulação expedita:

Largura = 4 x Largura dos caminhões

L = Largura do Caminhão L/2 L L/2 L L/2
L = Largura do Caminhão
L/2
L
L/2
L
L/2

Uma comparação entre diferentes bancadas mostra que a utilização de larguras maiores acarretariam, como aspectos negativos:

Menor seletividadede larguras maiores acarretariam, como aspectos negativos: Maior diluição Menor flexibilidade e como aspectos

Maior diluiçãoacarretariam, como aspectos negativos: Menor seletividade Menor flexibilidade e como aspectos positivos: Menores

Menor flexibilidadecomo aspectos negativos: Menor seletividade Maior diluição e como aspectos positivos: Menores tempos de manobra

e como aspectos positivos:

Menores tempos de manobra manobra

Melhores possibilidades de supervisãoe como aspectos positivos: Menores tempos de manobra Maior eficiência, produtividade e razão de produção.

Maior eficiência, produtividade e razão de produção.tempos de manobra Melhores possibilidades de supervisão 4.2. Acesso ao minério O acesso ao corpo de

4.2. Acesso ao minério

O acesso ao corpo de minério é feito obedecendo-se aos mesmos

princípios para execução de qualquer outro tipo de acesso. Em primeiro lugar procura-se a menor distância entre os dois pontos ligados pelo acesso. Entretanto, isto só pode ser conseguido se os outros aspectos construtivos forem obedecidos. Esses aspectos compreendem a rampa máxima, raio de curva mínimo e características do pavimento. Outro aspecto a considerar, para o caso da mineração, é o fato desse acesso ser feito muitas vezes em cima do minério. Assim, devem ser consideradas duas características muito particulares desse tipo de acesso. Uma delas é a constituição do pavimento, que não pode ser feito com material que possa contaminar o minério. Deste modo, procura-se sempre que possível utilizar

o próprio minério para fazer a pavimentação. O outro aspecto é relativo ao tipo de corte que é feito. Este corte quase sempre é feito a explosivo necessitando, portanto, de uma regularização das irregularidades no piso, causadas pelo desmonte a explosivo.

4.3. Processos de expansão da cava

Quando a cava alcança o fundo, o seu aprofundamento é feito a partir de uma rampa até alcançar o nível inferior. Assim que a rampa alcança o nível inferior, a abertura é expandida lateralmente para formar a praça no novo nível. A figura 4.3.1, mostra os passos para essa expansão. Inicialmente, como pode ser visto na figura 4.3.1A, o espaço de operação é muito limitado. Os caminhões devem descer a rampa de marcha-a-ré até a escavadeira. Quando o fundo da cava for expandido suficientemente (fig. 4.3.1B), o caminhão pode manobrar no fundo da cava. Quando a praça é alargada o suficiente (fig. 4.3.1C) mais de uma escavadeira pode ser usada ao mesmo tempo. Além disso, a manobra dos caminhões é facilitada, diminuído o tempo de ciclo e de espera. O comprimento ótimo da face da bancada, alocado para uma máquina, varia com o porte e tipo de máquina. O comprimento mínimo, normalmente varia entre 100 e 200 m.

Figura 4.3.1 – Seqüência de passos no desenvolvimento de um novo nível de produção Assim

Figura 4.3.1 Seqüência de passos no desenvolvimento de um novo nível de produção

Assim que o acesso ao nível inferior é estabelecido, a praça é alargada até alcançar os limites da cava para aquele nível. O avanço da praça pode ser feito de 3 modos diferentes:

a) Por corte frontal, figura 4.3.2

b) Por corte paralelo - Com caminhão em fila, figura 4.3.3

c) Por corte paralelo Com caminhão manobrando e encostando de marcha-a-ré, figura 4.3.4 (A e B) (fig. 4.40 e 4.41 H pg 277)

figura 4.3.4 (A e B) (fig. 4.40 e 4.41 H pg 277) Figura 4.3.2 – Representação

Figura 4.3.2 Representação de operação de desmonte com corte frontal

Figura 4.3.3 – Representação de operação de desmonte com corte paralelo Com caminhão em fila

Figura 4.3.3 Representação de operação de desmonte com corte paralelo Com caminhão em fila

A

B

de desmonte com corte paralelo Com caminhão em fila A B Figura 4.3.4 – Representação de

Figura 4.3.4 Representação de operação de desmonte com corte paralelo. Caminhão manobrando e encostando de marcha-a-ré A Carregamento pelos dois lados B Carregamento de um só lado

4.4.

Geometria e ângulo do talude

Diversos ângulos de taludes podem ser observados em uma operação de lavra a céu aberto. A figura 4.4.1 mostra uma representação de talude com as bancadas (bermas) e faces tendo as mesmas características geométricas.

LB = Largura da Bancada AB = Altura da Bancada = Ângulo da Face da
LB = Largura da Bancada
AB = Altura da Bancada
= Ângulo da Face da Bancada
= Ângulo do Talude
B
B
B
L
L
L
Comprimento Total
A B
A B
A B
A B
Altura Total

Figura 4.4.1 Representação do talude

B Altura Total Figura 4.4.1 – Representação do talude O ângulo do talude ( ) pode

O ângulo do talude ( ) pode ser definido como:

ou:

talude O ângulo do talude ( ) pode ser definido como: ou: Tan 1 Altura Total

Tan

1
1

Altura Total

Comprimento Total

ser definido como: ou: Tan 1 Altura Total Comprimento Total Tan 4(A ) 1 B 3(L

Tan

4(A ) 1 B 3(L ) 4(D) B
4(A
)
1
B
3(L
)
4(D)
B

onde D é definido a partir da geometria da bancada como:

D

Total Tan 4(A ) 1 B 3(L ) 4(D) B onde D é definido a partir

A

B )
B
)

Tan (

e finalmente:

e finalmente: Tan 4(A ) 1 B 4(A ) B 3(L ) B Tan ( )

Tan

4(A ) 1 B 4(A ) B 3(L ) B Tan ( )
4(A
)
1
B
4(A
)
B
3(L
)
B
Tan (
)

Durante o processo de lavra, rampas de acesso ou bancadas em lavra (praças) poderão estar presentes na situação mostrada anteriormente. A introdução desta modificação na condição acima traz algumas alterações no valor do ângulo do talude geral. Para uma rampa com largura igual ao dobro da largura das bermas a igura 4.4.1 Passaria a ter a forma da figura 4.4.2.

LB = Largura da Bancada 2 AB = Altura da Bancada Ângulo da Face da
LB = Largura da Bancada
2
AB = Altura da Bancada
Ângulo da Face da Bancada
=
Ângulo do Talude
=
1
= Ângulo do Talude abaixo da Rampa
2
= Ângulo do Talude acima da Rampa
B
B
B
L
D
L
E
2L B
E
L
Comprimento Total
1
B /2
A B
A B
A
A B /2
A B
Altura Total

Figura 4.4.2 Representação de talude com acesso

De maneira geral a formulação para determinar o ângulo do talude geral da cava poderia ser então escrito da seguinte forma:

4(A ) 1 B Tan 4(A ) B 3(L ) L B R Tan (
4(A
)
1
B
Tan
4(A
)
B
3(L
)
L
B
R
Tan (
)

Aqui L R representa a largura da rampa.

Considerando-se agora a largura das bermas e da rampa iguais a 10 metros e 20 metros respectivamente, a altura das bancadas igual a 15 metros e ainda, o ângulo da face das bancadas igual a 75 O os valores obtidos para o ângulo do talude geral para a situação sem a presença da rampa (b s ) e com a presença da rampa (b c ) seriam, respectivamente:

4(10) 1 Tan 4(15) s 3(10) o Tan (75 )
4(10)
1
Tan
4(15)
s
3(10)
o
Tan (75 )

394(10) 1 Tan 4(15) s 3(10) o Tan (75 ) o Tan 4(10) 1 4(15) c

o

Tan4(10) 1 Tan 4(15) s 3(10) o Tan (75 ) 39 o 4(10) 1 4(15) c

4(10) 1 Tan 4(15) s 3(10) o Tan (75 ) 39 o Tan 4(10) 1 4(15)
4(10) 1 4(15) c 3(10) 20 o Tan (75 )
4(10)
1
4(15)
c
3(10)
20
o
Tan (75 )
(75 ) 39 o Tan 4(10) 1 4(15) c 3(10) 20 o Tan (75 ) 31

31

4.5. Construção de estrada

o

As estradas em mina a céu aberto são usadas para transportar produto em bruto da mina para a usina de beneficiamento, para bota-fora, para instalação de embarque e para servir de acesso ao pessoal e equipamentos dentro da área da mina. O tipo de construção da estrada depende de sua finalidade e do tipo de equipamento que irá utilizá-la. Quando o transporte na mina é feito por caminhão, a estrada é dimensionada principalmente em função das características destes equipamentos. Do ponto de vista da utilização, a estrada pode ser considerada temporária ou permanente. A permanente é aquela que terá vida igual à vida da mina, merecendo, por isto, uma atenção especial no projeto e construção. A estrada temporária é um acesso aberto para atender determinada área da mina por um período limitado.

4.5.1. Dimensionamento

Todos os aspectos de engenharia de auto-estrada incluindo inclinação de talude mínima, super-elevação nas curvas, raio de curvatura e drenagem adequada devem ser seguidos para possibilitar a construção de estradas eficientes e seguras, para o transporte rápido e econômico dos produtos lavrados até o seu destino. Há diversas considerações básicas no planejamento de estradas. O mais importante é seguir todos os procedimentos de segurança no projeto e na construção. Máximo esforço deve ser feito para usar a planta topográfica mais recente da mina quando for traçada e projetada a estrada (fotografias aéreas são muito úteis).

Rampas, largura e curvas devem ser mantidos dentro dos limites de especificação dos equipamentos, uma vez que todos esses fatores podem limitar a velocidade e conseqüentemente a eficiência do equipamento. Os gradientes na maioria das operações de mina são adversos (subir carregado) o que aumenta o custo de transporte. A largura das estradas é determinada pelo tipo e tamanho do equipamento e velocidade desejada. As curvas devem ser construídas com o máximo raio permissível. A super-elevação nas curvas aumenta a velocidade.

O projeto final é determinado pelo tempo de uso pretendido para a estrada

e pelo tipo de equipamento que irá utilizá-la. Durante e após o estágio de planejamento da estrada, trabalhos preliminares de campo devem ser feitos,

através de levantamento topográfico a fim de resolver problemas relacionados a gradiente, construção de perfis e drenagem.

O traçado de uma pista é constituído por retas concordadas por curvas,

que formarão o futuro eixo. Na figura 4.5.1 é mostrado o traçado de uma estrada

descendo numa cava.

é mostrado o traçado de uma estrada descendo numa cava. Fig. 4.5.1 - Traçado de estrada

Fig. 4.5.1 - Traçado de estrada na cava

A construção da sub-base deve estar de acordo com os resultados do

estudo do solo e da carga de transporte.

O custo de construção de uma estrada de mina é dificil de determinar. Há

uma grande variedade de estradas nas minas em termos de qualidade de construção. A disponibilidade de materiais locais serem utilizados, influencia os

custos de construção. Outro fator que interfere nos custo é a utilização de equipamentos da mina na construção da estrada. Um traçado em planta é, portanto, constituído por tangentes e curvas.

Os principais elementos utilizados no traçado de uma estrada são:

a-

eixo;

b-

perfil longitudinal;

c-

seção transversal;

d-

ângulo de rampa;

e-

curvas de concordância horizontal;

f- curvas de concordância vertical;

g- off-set.

4.5.2. Largura de pista

A largura das estradas é determinada pelo tipo e dimensões do

equipamento e velocidade desejada. Muita atenção deve ser dada à abertura de cortes ao longo de rampas adversas e em locais onde a linha de visibilidade pode ser seriamente prejudicada. Isso pode ser seriamente importante naqueles locais onde mais de um tipo de equipamento com diferentes capacidades são usados. Quando as curvas têm um pequeno raio de curvatura, pode ser necessário o alargamento do lado interno da curva para acomodar os grandes equipamentos utilizados. Nos aterros, a largura da estrada também deve ser aumentada por uma quantidade proporcional à altura do aterro. Existem várias expressões para determinar a largura da estrada. Para pista em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2.

em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura
em linha reta pode ser usada a relação mostrada na Fig. 4.5.2. Figura 4.5.2 - Largura

Figura 4.5.2 - Largura da estrada (pista em linha reta)

4.5.3.

Curvas

As curvas devem ser construídas com o máximo raio permissível para as condições de operação. Seqüências de curvas devem ser evitadas, exceto onde uma significativa economia de material pode ser feita ou onde for impossível alcançar um objetivo pelo uso de uma rampa ininterrupta máxima. Tais exceções devem ser justificadas dentro de critérios técnicos e de segurança. Curva muito acentuada é uma das razões para a obsolescência prematura da estrada, devido

ao excessivo desgaste da própria pista, do equipamento (principalmente os pneus)

e considerando a evolução dos equipamentos tanto em capacidade de carga

como em velocidade. As curvas planas de raio longo podem ser reprojetadas com

a utilização de super-elevação, possibilitando velocidades mais elevadas com

equipamentos mais modernos. A super-elevação em curvas aumenta a velocidade admissível devido a uma alteração nas componentes das forças atuantes. Apesar da super-elevação possibilitar o aumento da velocidade nas curvas, ela implica em vários inconvenientes que muitas vezes inviabiliza a utilização da mesma. Em subidas e em áreas sujeitas a gelo e neve, a super-elevação deve ser reduzida. Por outro lado, veículos de baixa velocidade podem escorregar para dentro da curva. Super- elevação excessiva também aumenta o desgate de pneus, tanto para os pneus do lado interno da curva, quando a velocidade estiver abaixo da admissível na curva, como para os pneus do lado externo, quando a velocidade estiver acima daquela admissível. A determinação da largura da estrada em curva pode ser feita pela seguinte expressão:

W = Z(U + F A + F B + Z) + C

4.5.4. Rampas

onde:

C = Z = (U + F A + F B ) / 2

As rampas na maioria das operações de mina são adversas (subir carregado), o que aumenta o custo de transporte. Durante o projeto da estrada, deve ser feito um balanço entre o aumento do custo de transporte versus a diminuição de distância afetada pelas rampas mais íngremes e o aumento no custo de construção de estradas com rampas mais suaves. Em geral, as rampas são mantidas o mais suaves possível e raramente devem exceder 10%. Com a evolução tecnológica, entretanto, é possível que os equipamentos possam alcançar rampas maiores a custos de transporte praticáveis. Já existem equipamentos operando em algumas minerações em rampas de até 12%, principalmente em distâncias não muito longas.

4.5.5. Características do pavimento

Tendo em vista a intensa utilização das estradas de mina, as características do pavimento devem possibilitar o deslocamento dos equipamentos

dentro das especificações de funcionamento dos mesmos. Um pavimento dimensionado inadequadamente para o uso a que ele se propõe, afeta não só a eficiência do equipamento como pode implicar num desgaste excessivo de seus componentes, principalmente os pneus, alem de afetar a segurança das operações. O material da superfície de rolamento deve ter uma granulometria compatível com as características dos pneus. A pavimentação asfáltica não é recomendada devido a magnitude da carga transportada. Alguns trechos permanentes em minas muitas vezes são pavimentados com concreto, que deve ser dimensionado para a carga do equipamento. Tanto para o caso de pavimentação com material granulado como concreto, a sub-base, a base e o pavimento devem estar de acordo com as especificações do projeto para um dado tipo de pneus e uma determinada carga

no eixo do equipamento. O mais comum é utilizar material granulado, de preferência estéril da própria mina, compactado com uso de pequena quantidade de água para dar liga ao material.

A construção da sub-base deve estar de acordo com os resultados do

estudo do solo e da carga de transporte.

O custo de construção de uma estrada de mina é difícil de determinar. Há

uma grande variedade de estradas nas minas em termos de qualidade de construção. A possibilidade de materiais locais serem utilizados influencia os custos de construção. Outro fator que interfere nos custo é a utilização de equipamentos da mina na construção da estrada.

4.5.6. Drenagem

A maioria dos materiais utilizados nas pistas de rolamento tem o seu

comportamento bastante afetado por variações no seu teor de umidade. A água no terreno contribui para a baixa produtividade e pelo aumento dos custos de operação e manutenção.

O sistema de drenagem deve manter tanto a sub-base como a superfície

de rolamento secas. Um sistema de drenagem mal projetado trás muitos transtornos à operação, podendo mesmo causar interrupções nas operações durante os períodos de chuva. A drenagem superficial é feita através de uma inclinação, de cerca de 5cm por metro, na superfície de rolamento, a partir do centro para as laterais. A água é coletada em canaletas nas laterais da estrada. A drenagem no material da sub- base é uma função da permeabilidade do material. Os materiais que compõem a sub-base e a base devem possuir uma permeabilidade tal que a quantidade de água retida no material não altere substancialmente as características de resistência do mesmo.

4.5.7. Manutenção

Para manter a estrada em ótimas condições de velocidade e eficiência de transporte é necessário manter o seu leito em condições adequadas.

Caminhões tanque podem ser utilizados para umedecer a superfície de rolamento com várias finalidades. A água proporciona um efetivo controle de poeira que é importante para assegurar a segurança do transporte e o desgaste excessivo do equipamento devido ao acúmulo de poeira. Além disso, a água no pavimento ajuda na compactação da superfície de rolamento. É pratica corrente a incorporação de cloreto de cálcio ou outras substâncias químicas na superfície da estrada para ajudar na estabilidade mecânica e dar uma consistência firme à superfície de rolamento, prolongando o período de utilização do piso. O tratamento com estas substâncias mantém a estrada úmida no período sem chuvas, uma vez que o sal retarda a evaporação e absorve a umidade do ar. A manutenção de estradas de rodagem requer a elaboração de um programa que inclui a regular adição de material no seu leito. Buracos ou rugosidades devem ser corrigidos com motoniveladoras. O sistema de drenagem e os taludes devem ser controlados continuamente para evitar problemas que possam comprometer o funcionamento das estradas.

4.5.8. Construção de rampas e acessos

As rampas e acessos têm caráter temporário e muitas vezes finalidades bastante específicas. Podem ser feitos para dar acesso à novas frentes de lavra ou para transferência de equipamentos de perfuração e carregamento entre bancadas. Esses acessos não têm como finalidade uma utilização intensiva, portanto, não é necessário um projeto minucioso. Entretanto, as características do material utilizado devem estar de acordo com a carga do equipamento transportado. O ângulo da rampa também deve estar condicionado às limitações do equipamento. Considerando que a utilização desses acessos é limitada, podem ser utilizadas velocidades bastante baixas, o que implica em raios de curvatura e larguras menores, ângulos de rampa maiores, como também não implica na necessidade de manutenção intensa nas superfícies de rolamento, como é feito nas estradas de transporte, uma vez que isso implica em aumento de custo.

4.6. Razão de extração

4.6.1. Relação estéril/minério (aspectos geométricos)

Para analisarmos a considerações geométricas envolvidas na relação estéril/Minério considere um corpo mineral hipotético com a forma de um cilindro perfeito de raio (r) e comprimento (L). O seu volume (V M ) pode ser calculado por:

V

M

r 2
r
2

L

No processo de lavra do corpo é, quase sempre, necessário a utilização de um ângulo de talude da cava menor que os noventa graus apresentados pelas paredes do cilindro mineralizado, figura 4.6.1. Admitindo-se um ângulo de talude igual a o volume total escavado pode ser definido por:

igual a o volume total escavado pode ser definido por: V T 1 R 3 2

V

T

1 R
1
R

3

2

L

T

r 2 L T L
r
2 L
T L

Onde:

 

L

e

 

R

T

L
L

r Tan2 L T r 2 L T L Onde:   L e   R T L

r 2 L T L Onde:   L e   R T L r Tan L
L r Tan
L
r
Tan

A relação estéril/Minério global pode ser definida então por:

ou:

R

EM

V T
V
T

V

M

V

M

R 2 L r 2 L T L 3r 2 L R T EM 3r
R
2 L
r
2 L
T L
3r
2 L
R
T
EM
3r
2 L

Figura 4.6.1 Representação de um cone de extração

Desta

mesma

forma

pode-se

definir

relações

estéril/Minério,

ditas

instantâneas, para cada fase da lavra, através de, por exemplo, cones aninhados,

4.6.2. Relação estéril/minério (aspectos econômicos)

A figura 4.6.2 abaixo mostra um exemplo da relação estéril/ minério em uma cava idealizada com um corpo de minério com mergulho de ângulo º. O parâmetro e/m é amplamente usado no ramo da mineração e representa o montante de material desprovido de valor econômico (estéril) que deverá ser removido, para liberar uma unidade de minério. A relação gobal é definida como :

unidade de minério. A relação gobal é definida como : R= (volume de estéril removido a

R= (volume de estéril removido a uma profundidade d) / (volume de minério recoberto a uma profundidade d) Para a figura R= ABD/BCED

recoberto a uma profundidade d) Para a figura R= ABD/BCED Figura 4.6.2 – Representação da relação

Figura 4.6.2 Representação da relação E / M global numa seção

Uma vez determinada a cava final ótima e a relação E/M gobal, o planejamento de lavra pode ser detalhado. A seguir, na elaboração da seqüência de extração é imprescindível a determinação da evolução da relação E/M no tempo. Basicamente existem três modos de executar a extração com relação a

razão de extração: a. Relação estéril / minério crescente;

b. Relação estéril / minério decrescente;

c. Relação estéril / minério constante.

Uma combinação dos modos acima também é possível. A escolha pelo melhor modo de conduzir a relação estéril / minério depende de vários fatores e deve ser criteriosamente definida uma vez que uma escolha não adequada pode conduzir inclusive a inviabilização do projeto.

5.

CONCEITOS DE PLANEJAMENTO DE LAVRA

5.1. Planejamento a longo, médio e curto prazos

Uma das principais tarefas do engenheiro no desenvolvimento de um empreendimento mineiro a céu aberto é o planejamento da cava. Há basicamente três grupos de fatores envolvidos nesse planejamento.

a) Fatores naturais e geológicos: condições geológicas, tipos de minérios, condições hidrológicas, topografia e características metalúrgicas do minério. b) Fatores econômicos: teor e tonelagem do minério, razão de extração, teor de corte, custo operacional, custo de investimento, lucro desejado, razão de produção e condições de mercado. c) Fatores tecnológicos: equipamentos, ângulo de talude, altura da bancada, rampa da estrada, limites de propriedade e limites da cava. Pode-se afirmar, sem sombra de dúvida, que a determinação do limite da cava final é a consideração mais importante e trabalhosa no planejamento de lavra. Para confirmar esta afirmação basta lembrar que todas as decisões no projeto de lavra são baseadas neste limite final de cava. Igual importância deve ser dada ao desenvolvimento de uma seqüência ótima de lavra e de um cronograma de produção ao longo da vida da mina. Como um primeiro passo, tanto para o planejamento a longo prazo como no médio prazo, os limites da cava devem ser determinados. Esses limites definem a quantidade de bem mineral lavrável e a quantidade de rejeito e estéril associados que devem ser movimentados durante as operações de produção. O tamanho, geometria e locação da cava final são importantes para o planejamento de bota-foras, barragens de rejeito, plantas de concentração e demais instalações industriais.

5.1.1. Planejamento longo prazo

No planejamento longo prazo, procura-se definir o limite da cava final. Ao longo do tempo esse plano deve sofrer mudanças como conseqüência de mudanças na economia de mercado, aumento do conhecimento do corpo de minério e melhoria na tecnologia de mineração. Deste modo, o planejamento longo prazo deve sofrer atualizações a intervalos de tempo visando adequá-lo a novas situações. O limite final da cava define a fronteira além da qual a lavra de um determinado bem mineral deixa de ser econômica. Portanto, dentro deste limite

não podem ser construídas estruturas permanentes da mina, tais como: plantas de beneficiamento, barragem de rejeito etc. Existem basicamente três grupos principais de abordagem para o planejamento de cava final:

a) Abordagem manual;

b) Abordagem computacional e

5.1.2.

Planejamento médio prazo

produção

devem merecer atenção especial. Os equipamentos e os sistemas de operação da mina são implantados visando a atender a produção dentro de critérios ótimos de produtividade, buscando manter a viabilidade operacional e a exposição de minério de modo a garantir a continuidade da lavra para atender aos compromissos de produção da empresa.

O objetivo da programação de produção é a maximização do valor

presente líquido e o retorno do investimento que pode ser derivado da extração, concentração e venda de algum produto do depósito mineral. O método e a

seqüência de extração, o teor de corte e a estratégia de produção são afetados pelos seguintes fatores primários:

No planejamento médio prazo, a escala e a seqüência de

a) Locação e distribuição do minério com relação a topografia e cota;

b) Tipos de minério, características físicas e teor;

c) Despesas diretas com operação associadas com a lavra e com o beneficiamento;

d) Custo de capital inicial e de reposição necessário para iniciar e manter

a operação;

e) Custos indiretos;

f) Fatores de recuperação dos produtos e valores;

g) Restrições de mercado e de capital;

h) Considerações ambientais e políticas.

5.1.3. Planejamento curto prazo

Esse planejamento tem como objetivo, uma lavra para um mínimo de seis meses e um máximo de um ano. De uma maneira geral esse planejamento não está baseado no conceito de cava ótima mas em planejar áreas de lavra e desenvolvimento a curto prazo, com o maior fluxo de caixa, contudo limitado pelo conceito econômico e geométrico da cava ótima. Desta forma o planejamento de curto prazo é uma serie de seqüências de expansões que o seu somatório deverá ser fisicamente a exaustão da reserva lavrável e o resultado econômico a relação estéril minério global. Cada planejamento curto prazo objetiva a relação custo benefício teórica:

Rb

=

rendimentos / todos os custos > 1

O

engenheiro de Minas através do estudo da distribuição de teores e

conhecimento topográfico poderá chegar a um planejamento estratégico de curto prazo com o máximo de benefícios.

A figura 5.1.3.1 abaixo mostra uma seqüência de lavra. A seqüência de extração para uma relação custo beneficio alta seria a seqüência de lavra de A a

G.

Figura 5.1.3.1 – Sequenciamento de lavra 5.2. Fases do planejamento O planejamento, como mostra a

Figura 5.1.3.1 Sequenciamento de lavra

5.2. Fases do planejamento

O planejamento, como mostra a figura anterior, pode ser constituído

por três fases: Estudo Conceitual, Estudos Preliminares e Estudos de Viabilidade.

a)

Estudo Conceitual

O

primeiro estágio, estudo conceitual, representa a transformação das

idéias iniciais do projeto em proposições de investimento. Utiliza-se, nesta fase, situações comparativas e técnicas de estimação de custo, como por exemplo, os casos históricos. Em termos de precisão dos resultados de estimação de custos, tanto de investimento quanto de operação, apresentados no relatório de avaliação preliminar, são, normalmente considerados aceitáveis se apresentam erros da ordem de 30%.

b) Estudo preliminar

Os estudos preliminares apresentam um nível intermediário de detalhamento, cujos resultados não são, ainda, adequados para uma decisão de investimento. Seu principal objetivo é determinar se o projeto conceitual justifica uma análise mais detalhada através de um estudo de viabilidade. Esse estudo deve ser visto como o intermediário entre um estudo conceitual de baixo custo e um estudo de viabilidade de alto custo. Alguns desses estudos são realizados por duas ou três pessoas da empresa com acesso a consultores de vários campos de conhecimento. A lista seguinte apresenta as seções importantes que compõem um relatório intermediário de avaliação.

1.

Objetivo

2. Conceitos Técnicos

3. Conhecimento Inicial

4. Tonelagem e Teor

5. Programação de Lavra e Produção

6. Estimação de Custos de Investimento

7. Estimação de Custos Operacionais

8. Estimação de Receita

9. Impostos e Aspectos Financeiros

10. Fluxo de caixa

A precisão das estimações de custo, nesta fase, situam-se na ordem de 20%, dependendo do grau de detalhamento das dos itens relacionados acima, que por sua vez dependem da quantidade e da qualidade das informações disponíveis.

b) Estudo de viabilidade

Os estudos de viabilidade devem fornecer todos os conhecimentos técnicos, ambientais e comerciais (capacidade de produção, aporte tecnológico, custos de investimento e operacional, receitas, taxa de retorno, etc.) para a tomada de decisão de implementação ou não do projeto. O relatório, ou os resultados, produzido nesta fase será o documento básico para todas as fases subseqüentes do projeto. Uma metodologia proposta para o estudo de viabilidade compreende onze itens distribuídos em três fases:

Fase I - Planejamento:compreende onze itens distribuídos em três fases: Ítens: 01 Estabelecimento de um comitê gerencial

Ítens:

01

Estabelecimento de um comitê gerencial

02

Estabelecimento da equipe de estudos

03

Desenvolvimento e sistematização do estudo

04

Desenvolvimento de um plano de ação

Fase II - Organização:do estudo 04 Desenvolvimento de um plano de ação Ítens: 05 Identificação dos requerimentos

Ítens:

05

Identificação dos requerimentos adicionais

06

Identificação de membros para a equipe de trabalho

07

Desenvolvimento da estrutura organizacional e definição de responsabilidades

08

Desenvolvimento de planos e programações secundárias

09

Identificação dos especialistas necessários

10

Avaliação e contratação dos consultores

Fase III - Execução: Ítens: 11 Execução, Monitoramento e Controle 5.2.1. Conteúdo de um relatório

Fase III - Execução:

Ítens:

11

Execução, Monitoramento e Controle

5.2.1. Conteúdo de um relatório intermediário de avaliação

Breve descrição sobre o conhecimento existente sobre o investimento. Conceitos técnicos Conclusões com comentários e recomendações Tonelagem de minério e qualidade Escala de produção Capital e estimativa de custo Lucro estimado Taxas de financiamento Fluxo de caixa

Taylor 1977 apresenta uma

proposta de conteúdo detalhado para o

relatório intermediário, tabela 5.2.1, mostrada a seguir:

Tabela 5.2.1 - Conteúdo de um relatório intermediário de avaliação

Tabela 5.2.1 - Conteúdo de um relatório intermediário de avaliação

5.2.2. Conteúdo de um relatório de estudo de viabilidade

As principais funções desse relatório são:

Prover através de uma estrutura compreensível de fatos detalhados e comprovados concernentes ao projeto mineral.viabilidade As principais funções desse relatório são: Apresentar um esquema apropriado de lavra contendo desenhos

Apresentar um esquema apropriado de lavra contendo desenhos ou figuras ou fotos e lista de equipamentos, com detalhamento de previsão de custos e resultados.detalhados e comprovados concernentes ao projeto mineral. Indicar aos proprietários do projeto a lucratividade do

Indicar aos proprietários do projeto a lucratividade do projeto considerando que os equipamentos operam dentro das especificaçõescom detalhamento de previsão de custos e resultados. Mostra de forma inteligível e concisa aos proprietários,

Mostra de forma inteligível e concisa aos proprietários, parceiros, sócios ou fontes de financiamento.que os equipamentos operam dentro das especificações Apresenta-se abaixo uma proposta de Taylor (1977) para o

Apresenta-se abaixo uma proposta de Taylor (1977) para o detalhamento do estudo, tabela 5.2.2.

Tabela 5.2.2 - Conteúdo de um estudo de viabilidade

Tabela 5.2.2 - Conteúdo de um estudo de viabilidade
5.2.3. Custos do planejamento O custo desses estudos varia substancialmente de acordo com o porte,

5.2.3. Custos do planejamento

O custo desses estudos varia substancialmente de acordo com o porte, natureza do projeto, tipos de estudos e pesquisas, numero de alternativas a serem investigadas, etc. Desta forma, a ordem de grandeza em termos de estudos técnicos, excluindo itens como sondagens, testes metalúrgicos, estudos de impacto ambiental podem ser expressos ( Hustrulid 1995) em termos do capital para o investimento total:

Estudo conceitual: 0.1 a 0.3 %1995) em termos do capital para o investimento total: Estudo preliminar : 0.2 a 0.8 %

Estudo preliminar : 0.2 a 0.8 %para o investimento total: Estudo conceitual: 0.1 a 0.3 % Estudo de viabilidade : 0.5 a

Estudo de viabilidade : 0.5 a 1.5%conceitual: 0.1 a 0.3 % Estudo preliminar : 0.2 a 0.8 % 5.2.4. Estimativas que necessitam

5.2.4. Estimativas que necessitam de precisão

: 0.5 a 1.5% 5.2.4. Estimativas que necessitam de precisão Tonelagem e qualidade: A viabilidade e

Tonelagem e qualidade: A viabilidade e qualidade médias do minério no processo de lavra por ser um trabalho resultante de numerosas amostragens é aparentemente aceitável dentro dos limites de erro em +- 5%, calculado através de estatísticas simples. Embora a tonelagem do cava final possa ser conhecida através de sondagens e investigações precisas,

na prática isso é difícil pois depende das tecnologias aplicadas, relação custo benefício do mercado e vida útil do projeto. Para efeito do valor presente teórico, a vida útil não é economicamente significativa no estágio de viabilidade. Esse conhecimento é importante tendo de ser amadurecido com o tempo. O que é mais importante é que a qualidade e a quantidade do minério seja conhecida, com segurança, nos primeiros anos de operação.

Dois aspectos importantes podem ser considerados:

o

Reserva mínima de minério igual deve suprir todos os anos de fluxo de caixa que estão projetados no relatório de viabilidade, necessitando ser conhecida com precisão e sigilo.

o

O potencial de reserva final projetado generosamente e com otimismo, deve ser calculado para definir a área afetada pela mineração dentro da qual bota foras e planta de tratamento não podem ser invadidas.

Performance: Na lavra a céu aberto a performance pode ser bem estabelecida, se os trabalhos de lavra são corretamente organizados e os equipamentos de escavação e transporte estão dimensionados de forma correta e trabalhando em condições corretas. Há uma perda de performance se os trabalhos de decapeamento é inadequado. É necessário que essas questões sejam adequadamente agendadas e planejadas no estudo de viabilidade. O rendimento na fase de concentração é limitado pela qualidade da reserva, estágios de cominuição e classificação para a produção de particulados finos. Os princípios de classificação e moagem são bem estabelecidos mas é necessário um conhecimento apurado sobre dureza e classificação de minérios. Essas quantidades necessitam de uma cuidadosa atenção nos testes comprobatórios.bota foras e planta de tratamento não podem ser invadidas. Custos: Alguns itens de custo diferem

Custos: Alguns itens de custo diferem substancialmente de mina para mina, dependendo do tipo de minério e finalidade. Outros são difíceis de serem estimados e conhecidos. Geralmente a apuração do capital, ou estimativa de custos, é realizada em retro-análise para uma melhor precisão. Desta forma é conveniente organizar esses itens diretamente quando possível e não relacioná-los nos item “outros custos“. É necessário previsão para itens fora de padrão tais como uma greve tem “outros custos“. É necessário previsão para itens fora de padrão tais como uma greve ou tempo de espera por um problema de acidente durante a construção, problemas nas fundações ou na qualidade do tempo meteorológico. Contudo é necessária a experiência pragmática para organizar e definir todos os itens de custos, mas sempre existirá o item outras despesas. Lee 1984 publica dados estatísticos onde é estimado o desvio dos custos de capital e dos custos operacionais nas três fases de projetos:

Conceitual + /- 30%dos custos de capital e dos custos operacionais nas três fases de projetos: Preliminar +/- 20

Preliminar +/- 20 %dos custos de capital e dos custos operacionais nas três fases de projetos: Conceitual + /-

Viabilidade +/- 10%dos custos de capital e dos custos operacionais nas três fases de projetos: Conceitual + /-

Não será exaustivo lembrar que só o estudo de viabilidade possui um estudo de otimização de custos.

de viabilidade possui um estudo de otimização de custos. Preço e receita: A receita geral na

Preço e receita: A receita geral na vida de uma mina é uma única e grande fonte de dinheiro. Esse dinheiro tem de pagar vários tipos de despesas, incluindo retorno do investimento. Por ser a receita a grande base medidas para a economia em mineração, esta merece maior sensibilidade para variações do que as variações em quaisquer outros itens de despesas de projeto. A receita é dirigida pela qualidade da lavra e, recuperação na lavra, preço do produto ou metal. O preço é o fator mais difícil de ser estimado, preço é o valor de mercado, o lucro é a performance do empreendimento. Segundo Hustrulid para metais, uma previsão do preço com 80% de precisão é conservadora mas segura.

5.2.5. Preparação para o estudo de viabilidade

Esse estudo envolve o maior numero de pessoas e de especialistas. Existem duas formas básicas:

A empresa de mineração organiza o estudo e grupos do relatório de viabilidade.de pessoas e de especialistas. Existem duas formas básicas: O estudo é delegado a um ou

O estudo é delegado a um ou mais engenheiros da empresa de mineração.organiza o estudo e grupos do relatório de viabilidade. Segundo Lee (1995) 11 etapas estão presentes

Segundo Lee (1995) 11 etapas estão presentes neste relatório:

1. Estabelecimento do comitê de Direção:

Vice Presidente ( Chairman) Diretor Geral ( operações de mina) Vice Presidente ( finanças) Chefe da Geologia ( pesquisa) Vice Presidente ( serviços técnicos)

2. Estabelecimento de uma equipe de projeto

Pré-requisitos:

Competência nos campos específicos Experiência em operações mineiras Habilidades técnicas complementares Personalidades compatíveis fortes qualidades de relacionamento inter- pessoal Pessoal:

Gerente de Projetos Área de Supervisor de Mina Área de Supervisor de beneficiamento

5.3.

Preparação de estudos de exeqüibilidade;

5.4. Recuperação na lavra;

5.5. Elementos de controle de qualidade;

5.6. Procedimentos do planejamento ambiental.

6. PLANEJAMENTO E PROJETO DE LAVRA A CÉU ABERTO

6.1.

Definição de parâmetros da indústria mineira;

6.2.

Definição de cava final;

6.3.

Otimização de cava

6.4.

Escala de produção

O procedimento usado para estabelecer a escala de mineração ótima pode ser dividido em três estágios. O primeiro define a ordem de extração ou seqüência de lavra, o segundo define uma estratégia de teor de corte que varia no tempo e seria ótimo para um dado conjunto de parâmetros de produção e o terceiro, define que combinação de taxas de produção da mina, moagem e processamento mineral serão ótimas, dentro dos limites estabelecidos por restrições logísticas, financeiras, de mercado e outras.

Com o objetivo de desenvolver uma escala de produção ótima, uma seqüência ou ordem de extração deve inicialmente ser estabelecida dentro da assim chamada cava final. A seqüência de extração depende de dois subconjuntos de parâmetros. O primeiro está relacionado com a relação de extração associada com a recuperação do minério, o teor do minério e locação física dos pontos de extração com respeito à disponibilidade através do tempo. O segundo subconjunto de parâmetros consiste dos custos associados com o início e manutenção do conjunto de operações. Custos operacionais diretos podem ser usados para definir uma razão de extração e teor de corte limites, ma s o objetivo do planejamento mineiro é programar uma estratégia que otimize o investimento total. Operações com teores de corte e relação de extração limite, somente são ótimos para a fase final, ou seja, no fim da vida da mina. Antes de começar o planejamento de produção da mina, uma grande quantidade de trabalho já foi completado na exploração e modelagem do depósito. A partir desse trabalho, um número de suposições já foram feitas incluindo o método de lavra mais provável e assim a altura da bancada, tipo e tamanho aproximado do equipamento de carregamento e a seletividade da lavra. Outro trabalho de teste e suposição também foi feito com vista a determinar o tipo de processamento será necessário para recuperar o produto. Esses parâmetros serão usados para estimar a faixa de custo mais provável para a lavra e o beneficiamento. O projeto das fases da lavra pode ser elaborado manualmente, com certa limitação, com base nas seções horizontais e verticais. Ele pode também ser feito analiticamente com auxilio do computador. Cada método tem vantagens e

desvantagens quando aplicado por uma engenheiro experiente, mas o método escolhido é determinado pela precisão requerida e disponibilidade de recursos financeiros. Se o objetivo do estudo é muito preliminar, com pouca disponibilidade

de dados básicos, então os métodos manuais podem ser justificados. Se o estudo

é para servir de base para investimento e desenvolvimento de mina, e um grande

número de informações foi coletado, então a utilização de métodos computacionais deve ser preferida.

6.4.1. Sistemas de equipamentos

A integração das unidades de operação em um sistema que seja capaz

de executar o ciclo de produção eficientemente requer grande atenção tanto no

projeto inicial do sistema como na manutenção das operações do dia-a-dia. As seguintes decisões são de fundamental importância par o bom funcionamento do sistema de equipamento:

a) Sincronizar os equipamentos do sistema de modo a minimizar as esperas;

b) Balancear a capacidade de produção das unidades de operação: Uma boa solução para este problema é estar sempre atento ao funcionamento do sistema ao invés de se preocupar apenas em equilibrar no pico ou na média de produção as diferentes unidades do sistema;

c) Determinação da disponibilidade do sistema. Todo o sistema de produção da mina tende a ser altamente interdependente e serial por natureza. Falha de uma unidade de operação pode interferir na produção de vários outros equipamentos do sistema;

d) Desenvolver estratégias de controle em tempo real

Engenharia de sistema de produção na mina ajuda na avaliação das muitas alternativas de projeto e estratégias operacionais que podem ser desenvolvidas para uma determinada aplicação. Ela serve como um veículo para

identificar escolhas boas e muitas vezes ótimas. Ela vê as unidade de operação coletivamente como um sistema integrado ao invés de operações independentes.

A interface e interação das unidades operacionais deve ser considerada

explicitamente.

6.5. Disposição de rejeito;

6.6. Programação de produção;

6.7. Seqüenciamento da lavra;

6.8. Encerramento da mina, fechamento e abandono.

7. DETERMINAÇÃO DOS LIMITES DA CAVA

7.1. Objetivos e critérios;

A abordagem manual para o planejamento de cava final é um método tradicional de planejamento. Ela é baseada fundamentalmente no conceito de relação estéril/minério. Constitui-se num método de tentativa e erro cujo sucesso depende muito mais da habilidade e decisão do engenheiro de minas que executa

o planejamento. Diversos detalhes preliminares são requeridos antes de iniciar o planejamento manual da cava, incluindo:

a) Seções verticais mostrando claramente os limites do minério e a distribuição de teores dentro do minério e o estéril;

b) Planta de cada nível da mina mostrando os limites correspondentes de minério e estéril;

c) Ângulo de talude máximo admissível para os vários tipos de rocha;

d) Largura mínima do fundo da cava proposta;

e) Curvas de extração relevantes mostrando a variação da razão de extração com o teor de minério e possíveis preços de venda.

Normalmente, o método manual utiliza três tipos de seções verticais,

figura 7.2.1, para representar o depósito mineral: seção vertical, seção longitudinal

e seção radial.

seção vertical, seção longitudinal e seção radial. Figura 7.2.1 Tipos de seções verticais usados no método

Figura 7.2.1 Tipos de seções verticais usados no método manual de planejamento de cava

Em cada seção deve estar representado teores de minério, topografia da superfície, geologia, controle estrutural e qualquer outra informação importante para o planejamento. A relação estéril/minério é usada para traçar os limites da cava em cada seção. Os limites da cava são colocados em cada seção de modo que a quantidade de bem mineral nessa seção apresente uma receita que cubra

as despesas, inclusive com o estéril. Uma vez lançado o minério e o estéril na seção calcula-se a relação estéril/minério na seção e compara-se com a relação estéril/minério econômica. Se a relação estéril/minério calculada é menor do que a relação econômica, a cava pode ser ampliada na referida seção. Caso a relação estéril minério seja maior, o limite da cava na seção é diminuído. Esse processo continua até que o limite da cava seja colocado num ponto onde a relação estéril/minério calculada seja igual à relação estéril/minério econômica. Vale lembrar que a relação econômica é aquela de lucro máximo. O lucro máximo não é necessariamente aquele que maximiza a quantidade de minério nem o lucro percentual mas sim ao volume máximo de lucro. Na Figura 7.2.2, o teor do lado direito da cava foi estimado em 0,6% de cobre. Com um preço de $ 2,25 por kg de cobre, a relação de extração limite na Figura 7.2.3 é de 1,3:1. A linha para o limite da cava final foi encontrada usando o ângulo de talude e locada num ponto que forneça uma relação estéril/minério de 1,3:1. No limite Comprimento no estéril (XY) / Comprimento no minério (YZ) = 1,3/1

no estéril (XY) / Comprimento no minério (YZ) = 1,3/1 Figura 7.2.2 – Limites da cava
Figura 7.2.2 – Limites da cava em seção vertical
Figura 7.2.2 – Limites da cava em seção vertical
= 1,3/1 Figura 7.2.2 – Limites da cava em seção vertical Figura 7.2.3 – Razões de

Figura 7.2.3 Razões de extração para diferentes teores de minério e preços de metal

No lado esquerdo da seção, o limite da cava para o teor de 0,7% de cobre é determinado da mesma forma usando uma relação de extração de 1,7:1. Se o teor do minério muda, a razão de extração de corte também muda. Do mesmo modo, os limites da cava são estabelecidos na seção longitudinal com as mesmas curvas de razão de extração. Uma vez definida a cava em cada seção, o próximo passo é transferir os limites da cava de cada seção para um mapa do depósito. Após a transferência dos limites da cava em cada seção para o mapa, deve ser feita a suavização da curva para os limites da cava na superfície e para cada nível considerado. Após ter concluído a suavização dos limites em planta, a razão de extração deve ser revista par verificar se continua satisfazendo a razão de extração econômica.

7.3. Modelo econômico de blocos

Com a evolução dos computadores e o crescente desenvolvimento de modelos matemáticos empregados no planejamento e projeto de lavra, o modelo de blocos tornou-se uma ferramenta indispensável para o engenheiro de minas. A divisão em blocos é uma maneira de discretizar o domínio a ser estudado por meio de um modelo matemático sendo o tamanho do bloco a menor porção que o “olho” matemático do modelo consegue “enxergar”. A representação de corpos de minério por meio de modelo de blocos ao invés da representação por seções e o armazenamento das informações em computadores de alta capacidade de memória e velocidade de processamento tem oferecido novas possibilidades ao planejamento de lavra. O uso de computadores possibilita a atualização rápida dos planos de lavra como também permite a abordagem de um grande número de parâmetros por meio da análise de sensibilidade. O dimensionamento do bloco unitário leva em conta as características da mineralização e a quantidade de informações disponíveis. O tamanho do bloco é uma função da quantidade de informações disponíveis para a estimação das variáveis de interesse contidas no mesmo. De um modo geral pode-se afirmar que, para uma determinada quantidade de informações (por exemplo, amostras de sondagem), quanto menor for o tamanho do bloco, maior será o erro na estimação do bloco e, conseqüentemente, menor será a confiabilidade do modelo. O modelo de blocos é, portanto, a base para a grande maioria dos projetos de cava desenvolvidos por computador (modelos). Para definir todo o domínio é necessário determinar um bloco retangular grande o suficiente para conter todo o volume do depósito mineral a ser estudado figura 7.3.1. Os blocos do domínio podem ser de vários tamanhos e formas.

Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em

Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total

Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos
Figura 7.3.1a - Bloco representando o domínio total Figura 7.3.1b – Domínio total discretizado em blocos

Figura 7.3.1b Domínio total discretizado em blocos

A posição geométrica de um bloco é fixada em relação a um sistema coordenado apropriado. A cada bloco são atribuídas informações relativas à geologia, mecânica de rochas, processamento mineral e custo. Há vários tipos de

modelos de blocos, entretanto, o modelo de bloco regular tridimensional é o mais largamente utilizado na prática. A altura do bloco normalmente é coincidente com

a altura da bancada de lavra ou múltiplo dela. A seção horizontal normalmente tem

a forma de um quadrado ou retângulo. A principal característica de um modelo de bloco tridimensional é que todos os blocos possuem as mesmas dimensões e forma.

A atribuição de valores para cada bloco pode ser feita por meio de várias técnicas de interpolação. Dentre elas, as mais utilizadas são:

a) Geoestatística usando Krigagem;

b) Inverso da potência da distância, e

No sentido físico de utilização, o modelo de blocos toma a forma de um arquivo de computador, no qual são armazenadas as informações relativas a posição, dimensões e variáveis de interesse. A figura 7.3.2 mostra um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos.

modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação
modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Figura 7.3.2 – Modelo de blocos com representação

Figura 7.3.2 Modelo de blocos com representação de blocos extraídos

7.3.1. Valor econômico do bloco

Na busca de um critério de otimização para maximizar o valor total da cava, o principal problema enfrentado no planejamento da cava se restringe a encontrar uma coleção de blocos que forneçam o valor máximo possível; sujeito, naturalmente, às restrições impostas ao projeto. Deste modo, o valor econômico de cada bloco é de fundamental importância no planejamento de lavra. Cada bloco dentro do domínio pode ser caracterizado por:

a) Receita = R = Valor da porção recuperável e vendável do bloco;

b) Custos diretos = CD = custos que podem ser atribuídos diretamente ao bloco (ex. Custos de perfuração, desmonte, carregamento e transporte)

c) Custos indiretos = CI = custos totais que não podem ser alocados individualmente a cada bloco. Tais custos são dependentes do tempo (ex: salários de pessoal administrativo e de gerência, custos de pesquisa etc.)

Considerando estes parâmetros de custo, o valor econômico do bloco (VEB) pode ser definido como:

VEB = R CD

Na fórmula acima é possível notar que o lucro ou prejuízo não é contemplado no valor econômico do bloco. Para determinar o lucro ou prejuízo é necessário considerar também os custos indiretos (CI):

Lucro (ou prejuízo) =

também os custos indiretos (CI): Lucro (ou prejuízo) = (VEB) -CI Blocos de estéril e rejeito

(VEB) -CI

Blocos de estéril e rejeito da mina apresentam VEB negativo, uma vez que não apresentam receita. Blocos de minério e blocos contendo tanto minério como estéril (ou rejeito de mina) podem apresentar VEB menor igual ou maior do que zero dependendo da quantidade e qualidade do minério neles contido. Qualquer critério de otimização para o planejamento da cava final deve pois considerar:

Máximo

Z =

da cava final deve pois considerar: Máximo Z = (VEB) j Deve ser considerado que esse

(VEB) j

Deve ser considerado que esse máximo sempre está sujeito às restrições impostas pela estabilidade de taludes e operações mineiras.

7.4. Técnica do cone flutuante

Tal método consiste numa pesquisa do contorno ótimo por tentativas. O ápice do cone é movido de um bloco de minério para outro, sendo feito o cálculo do valor do cone para cada posição explorada. Quando o valor calculado é positivo, o cone é dito como contribuição positiva para o lucro da cava, e armazenado para ser lavrado, com os blocos de minério e estéril contidos no cone. O método identifica e conserva em memória os sucessivos cones fortes e fracos. Os sucessivos cones vão sendo transformados com adições e subtrações de blocos tal como na normalização das árvores construídos no ALG. O método apresenta um grave problema, conhecido como “cones fracos, que em determinadas situações de decisão de lavra de blocos de minério, remove significativo excesso de estéril ou não remove o bloco de minério que em outros algoritmos otimizadores (como Lerch-Grossmann) seriam lavrados. Na verdade, o programa não é otimizador pois foi concebido para corpos porfiríticos em que se tem o corpo central de minério e as encaixantes de estéril. Para corpos lenticulares o algoritmo não é adequado. Tão logo foi divulgado, o método de Lerchs & Grossmann permitiu a operacionalização do método clássico de Cones Deslizantes (“moving coning methods”), que até então como aplicação isolada, frustrava as primeiras tentativas de otimização de cavas.

O cálculo é feito a partir de uma matriz de blocos em que os teores dos blocos são calculados por métodos consagrados como krigagem ou inverso do quadrado da distância. A continuidade do procedimento conduz a um teor mínimo de explotação e, um ângulo determinado para a inclinação das paredes da cava. Coloca-se o cone no primeiro bloco econômico (maior que o teor mínimo de explotação) que exista na matriz de blocos, começando de cima para baixo e da esquerda para a direita fazendo-se a avaliação de todos os blocos com valores positivos acima do teor mínimo estabelecido para a explotação, como mostra a figura 7.4.1. A viabilidade econômica do cone é calculada utilizando a seguinte fórmula:

B = (Pr x RM x G x NB - (M M + P) x NB - (M E x NE)) x VB x DA

Onde:

B

=

Benefício

Pr

=

Preço de venda do metal (mineral)

RM

=

Recuperação Metalúrgica (metálica)

G

=

Teor médio

NB

=

Número de blocos com G como teor médio

M M

=

Custo de extração e transporte de cada tonelada de minério

P

=

Custo de processamento para cada tonelada de minério

M E

=

Custo de extração e transporte para cada tonelada de estéril

NE

=

Número de blocos estéreis

VB

=

Volume do bloco

DA

=

Densidade aparente

Se o benefício é positivo, todos os blocos incluídos dentro do cone são selecionados e retirados da matriz de blocos, originando uma nova superfície. Pelo contrário, se o benefício é negativo, a matriz permanece como está e o vértice do cone translada-se ao segundo bloco cujo valor está acima do teor mínimo de lavra, e o processo é repetido.

acima do teor mínimo de lavra, e o processo é repetido. Figura 7.4.1 - Otimização econômica

Figura 7.4.1 - Otimização econômica pelo método dos cones flutuantes

No exemplo da figura 7.4.1, se o primeiro cone gera resultados positivos, o segundo cone apenas geraria blocos já avaliados positivamente, pois a sua economicidade é mais que provável. Se o benefício é negativo no primeiro cone e positivo no segundo, o cone volta a transladar-se ao primeiro cone, pois a extração dos blocos do segundo cone pode viabilizar a extração do primeiro cone. A técnica é portanto, interativa e termina quando forem avaliados todos os blocos que possuam teores acima do teor mínimo de explotação, e não se possa aumentar mais o tamanho da cava, nem lateralmente nem para baixo. Economicamente, o algoritmo finaliza a sua avaliação quando os valores líquidos de todos os blocos avaliados não apresentarem mais nenhum valor positivo acima de um teor mínimo determinado para a cava de explotação. Na figura 7.4.2 é mostrada uma matriz representativa de um modelo de blocos cuja otimização se realizará seguindo o método dos cones flutuantes. O processo se realiza da seguinte forma:

cones flutuantes. O processo se realiza da seguinte forma: Figura 7.4.2 - Matriz de blocos representativa

Figura 7.4.2 - Matriz de blocos representativa do método dos cones flutuantes

a) O primeiro nível apresenta um bloco com valor positivo; posto que não existem blocos superiores, sua extração geraria resultados positivos, sendo o valor do cone do bloco (+1), figura 7.4.3.

sendo o valor do cone do bloco (+1), figura 7.4.3. Figura 7.4.3 - Primeiro cone incremental

Figura 7.4.3 - Primeiro cone incremental para o método dos cones flutuantes.

b) O cone seguinte será definido pelo bloco do nível 2 e coluna 4 (+4). O valor do cone será:

-1-1-1+4 = +1

Como o valor do cone é positivo, o cone é extraído (figura 7.4.4).

do cone é positivo, o cone é extraído (figura 7.4.4). Figura 7.4.4 - Segundo cone incremental

Figura 7.4.4 - Segundo cone incremental para o método dos cones flutuantes

c) O bloco seguinte a ser analisado será o do nível 3 e coluna 3 (+7). O valor desse cone é:

-1-1-2-2+7 = +1

Novamente o valor do cone é positivo, portanto também será extraído (figura

7.4.5)

é positivo, portanto também será extraído (figura 7.4.5) Figura 7.4.5 - Terceiro cone incremental para o

Figura 7.4.5 - Terceiro cone incremental para o método dos cones flutuantes.

d) Finalmente, o último cone será definido pelo nível 3 e coluna 4 (+1), cuja extração gerará o seguinte valor:

-2+1 = -1

Neste caso, o valor é negativo por isso não será extraído (figura 7.4.6).

é negativo por isso não será extraído (figura 7.4.6). Fig 7.4.6 - Quarto cone incremental para

Fig 7.4.6 - Quarto cone incremental para o método dos cones flutuantes.

O

desenho final da explotação é o mostrado na figura 7.4.7.

desenho final da explotação é o mostrado na figura 7.4.7. Figura 7.4.7 - Desenho final da

Figura 7.4.7 - Desenho final da cava de explotação para o método dos cones flutuantes

O valor total da cava será dado por:

-1-1-1-1-1+1-2-2+4+7 = +3

Nesta simulação simples, o desenho final obtido é o ótimo. Contudo, este método de otimização nem sempre oferece a situação ótima, pois podem apresentar-se diferentes situações problemáticas. De certo, duas possíveis segundo BARNES, 1982:

a) O primeiro problema se apresenta quando blocos positivos são analisados individualmente. A extração de um único bloco positivo pode não se justificar, mas a combinação deste bloco com outros blocos que se sobrepõem pode-se gerar um cone com valores positivos. JOHNSON (1973, apud JIMENO, 1997) havia denominado esta situação como o problema do suporte mútuo. Nas figura 7.4.8 a 7.4.11 é representada esta situação (HUSTRULID e KUCHTA, 1995). O cone definido pelo bloco do nível 3 e coluna 3 (+10) tem um valor de:

-1-1-1-1-1-2-2-2+10 = -1

3 e coluna 3 (+10) tem um valor de: -1-1-1-1-1-2-2-2+10 = -1 Figura 7.4.8 - Matriz

Figura 7.4.8 - Matriz inicial de blocos para análise do primeiro tipo de problema do método dos cones flutuantes.

Dado que o resultado final do cone é negativo, não se extrai figura 7.4.9. De igual forma, o cone estabelecido segundo o bloco do nível 3 e coluna 5 (+10) terá um valor de:

-1-1-1-1-1-2-2-2+10 = -1

e coluna 5 (+10) terá um valor de: -1-1-1-1-1-2-2-2+10 = -1 Fig 7.4.9 - Primeiro cone

Fig 7.4.9 - Primeiro cone cuja extração não se realiza para o método dos cones flutuantes

Também neste caso não se realizaria a sua explotação figura 7.4.10. Portanto, usando a análise simples dos cones flutuantes, nenhum bloco será extraído nas duas simulações realizadas. Entretanto, devido à superposição (suporte mútuo) que apresentam ambos os cones anteriores, o valor de suas combinações apresentariam resultados positivos:

-1-1-1-1-1-1-1-2-2-2-2-2+10+10 = +3

(10)

positivos: -1-1-1-1-1-1-1-2-2-2-2-2+10+10 = +3 (10) Fig 7.4.10 - Segundo cone cuja extração não se realiza

Fig 7.4.10 - Segundo cone cuja extração não se realiza para o método dos cones flutuantes.

Este desenho seria a autêntica otimização figura 7.4.11. Esta situação pode-se apresentar com grande facilidade em jazidas reais, e a otimização simples pelo método dos cones flutuantes não a considera. Portanto, contemplar a técnica interativa, comentada anteriormente, resulta no único caminho para resolver situações deste tipo.

Figura 7.4.11 - Desenho ótimo autêntico para o para o método dos cones flutuantes. b)

Figura 7.4.11 - Desenho ótimo autêntico para o para o método dos cones flutuantes.

b) A segunda situação problemática se apresenta quando o método inclui blocos sem benefício no desenho final da cava. Esta discussão pode reduzir o valor líquido da explotação. As figuras 7.4.12 a 7.4.14 mostram o problema. Dada a matriz da figura 7.4.12, o cone correspondente ao bloco do nível 3 e coluna 3 definirá um valor de: figura 7.4.13.

-1-1-1-1-1+5-2-2+5 = +1

um valor de: figura 7.4.13. -1-1-1-1-1+5-2-2+5 = +1 Figura 7.4.12 - Matriz de blocos para análise

Figura 7.4.12 - Matriz de blocos para análise do segundo tipo de problema para o método dos cones flutuantes

segundo tipo de problema para o método dos cones flutuantes Figura 7.4.13 - Cone de tamanho

Figura 7.4.13 - Cone de tamanho maior para o bloco do nível 3 e coluna 3 do segundo tipo de problema do método dos cones flutuantes

Desde que o valor deste cone seja positivo não implica que deva ser extraído. Como se observa na figura 7.4.14, o valor do bloco correspondente ao nível 2 e coluna 2 terá um valor de:

-1-1-1+5 = +2

que será o valor do desenho ótimo, pois, uma vez extraído este, o seguinte gerará resultados negativos (nível 3 e coluna 3):

-1-1-2-2+5 = -1

resultados negativos (nível 3 e coluna 3): -1-1-2-2+5 = -1 Figura 7.4.14 - Cone menor para

Figura 7.4.14 - Cone menor para o bloco do nível 2 e coluna 2 do segundo tipo de problema para o método dos cones flutuantes.

Neste caso, o valor do cone menor (nível 2 e coluna 2) é maior que o valor do cone maior (nível 3 e coluna 3). Apesar destes problemas, o método é muito simples em seu conceito, fácil de programar e de resolver num curto espaço de tempo. Apesar das variações que têm sido publicadas não terem produzido uma verdadeira otimização existe um número importante de aspectos positivos que possibilita a esta técnica ser uma das mais utilizadas.

a) O método é uma informatização das técnicas manuais, e por isso os usuários podem utilizá-lo, entender o que estão fazendo e sentirem-se satisfeitos com os resultados.

b) O algoritmo é muito simples, permitindo uma fácil e ágil interface com outros programas de mineração.

c) O algoritmo gera resultados suficientemente seguros e confiáveis.

7.5. Algorítmo de Lerchs-Grossmann

7.5.1. Abordagens para o planejamento da cava final

Vários tipos de abordagem têm sido utilizadas no planejamento da cava final. A preferência por um método particular normalmente é baseada na familiaridade e na disponibilidade de um aplicativo do modelo a ser utilizado. Outro fator determinante é a disponibilidade de informações exigidas pelo modelo.

A tabela 7.5.1 mostra vários tipos de métodos para projeto de cava final de acordo com a abordagem empregada. Esses métodos foram desenvolvidos entre 1964 e 1987. A simulação e a programação dinâmica são as técnicas mais empregadas. As técnicas de simulação incluem os cones móveis e as técnicas de programação dinâmica incluem o algorítmo de Lerchs & Grossman e suas modificações incluindo algorítmos bi e tridimensionais.

Tabela 7.5.1 Tipos de abordagem para planejamento de cava final

   

Métodos básicos

 

Autor

Manual

Simulação

Programaçã

o linear

Programaçã

o dinâmica

Teoria de

Grafus

Parametriza

-ção

Axelson (1964

 

X

       

Lerchs & Grossman (1965)

     

X

X

 

Pana (1965)

 

X

       

Meyer (1966)

   

X

     

Erikson (1968)

X

         

Fairfield & Leigh (1969)

 

X

       

Johnson & Sharp (1971)

     

X

   

Francois-Bongarçon & Marechal (1976)

         

X

Lee & Kim (1979)

 

X

       

Koenigsberg (1982)

     

X

   

Wilke & Wright (1984)

     

X

   

Shenggui & Starfield (1985)

     

X

   

Wright (1987)

     

X

   

7.5.2. Métodos computacionais e mistos

Uma vez que os detalhes a serem considerados no planejamento de uma

mina a céu aberto normalmente são numerosos, o uso do computador torna-se necessário. Esses detalhes incluem:

a) O teor e a distribuição de teores dentro do depósito;

b) Os custos de mineração;

d)

Recuperação metalúrgica e

e) Preço de venda.

As informações importantes são inicialmente registradas no modelo de blocos. As velocidades envolvidas no armazenamento das informações, no

processamento das mesmas e na apresentação dos resultados são importantes para o planejamento de lavra para:

a) Aplicar algoritmos de planejamento cuja implementação seria impossível sem o computador e;

b) Examinar muito mais opções de projeto e assim possibilitar resultados melhores.

A utilização de métodos computacionais no planejamento de cava pode ser dividida em dois grupos:

a) Métodos assistidos por computador. O cálculo é feito pelo computador

sob o controle direto do engenheiro. O computador não executa o projeto inteiro

mas somente realiza o trabalho de cálculo com o engenheiro controlando o processo. Exemplo disso é a utilização da técnica de Lerchs-Grossman.

b) Métodos automáticos. Eles são capazes de executar o planejamento

da cava final para um dado conjunto de restrições físicas econômicas sem a intervenção do engenheiro. Uma categoria de métodos automáticos compreende técnicas matematicamente ótimas usando programação linear e dinâmica ou fluxo de rede. Uma segunda categoria utiliza os métodos heurísticos, tal como o método dos cones flutuantes que produz uma cava aceitável mais não necessariamente produz uma cava ótima.

7.5.3. Algoritmos de otimização

A implementação computacional de modelos para determinação de cava final ótima em mineração a céu aberto avançou consideravelmente nos últimos anos. Quatro famílias genéricas de métodos computadorizados são utilizadas na indústria mineral:

a) Método por Incrementos, uma variante computadorizada do tradicional método manual de “push-back”;

b) Algoritmo utilizando Teoria dos Grafos, o mais conhecido é o Algoritmo de Lerch & Grossman (ALG);

c) Algoritmo dos Cones Móveis, também chamado de Cones Flutuantes;

d) Método de Parametrização Técnica de Reservas.

7.5.3.1. Método por incrementos

Dentro deste grupo enquadram-se os métodos gráficos e alguns métodos algébricos para efetuar a otimização da cava final. Esse método tradicional, descrito por Pana e Daverey (1973), considera a área delimitada pela jazida dividida em seções verticais paralelas, obtidas por

meio de um método bidimensional, para cada uma das quais determina-se a cava final ótima pelo deslocamento das linhas que possam representar suas paredes (observado o ângulo de talude) e os “push&back” necessários. As seções adjacentes são, então, aproximadas para que passem a atender, no sentido longitudinal, à inclinação pré-fixada para as suas paredes. Este método tem uso clássico no cálculo manual, porém dentro de um grau aceitável de exatidão, tem servido também a implementações que embora explorem as capacidades do computador, exigem considerável esforço técnico do usuário.

O processo pode ser bem ajustado para depósitos com características pouco variáveis numa determinada direção, e cujas seções estudadas sejam perpendiculares a essa direção. Caso contrário, o ajuste para três dimensões, a partir de seções otimizadas, pode fugir da solução ótima procurada.

7.5.4. Algoritmo de Lerchs & Grossman (ALG)

Usando a técnica de Programação Dinâmica, Lerchs, H. e Grossman, I. (1965) introduzem, juntamente com um algoritmo de otimização bi-dimensional de cavas, o tratamento algébrico para a discretização da jazida em blocos tecnológicos. Lerchs e Grossmann propuseram um algoritmo matemático que permite desenhar o contorno de uma explotação a céu aberto de tal forma que se maximize a diferença entre o valor total da mineralização explotada e o custo total da extração do minério e estéril. Este trabalho foi o começo das aplicações da informática na otimização de explotações a céu aberto, sendo o artigo que tem tido maior incidência nesta temática aplicada à indústria mineira. Contudo, seu uso não é universalmente aceito provavelmente pelas seguintes razões:

a) Complexidade do método em termos de compreensão e programação.

b) Tempo requerido, em termos de ordenação para obtenção do desenho. Este fato tem gerado a criação de um grande número de algoritmos alternativos, como o algoritmo de KOROBOV, que reduz o tempo necessário para a otimização do desenho. Este problema aumenta se existe a necessidade de realizar uma análise de sensibilidade que gera múltiplos desenhos em função de mudanças nas variáveis tais como custos, preços, teores mínimos de lavra etc. Contudo, a chegada, nos últimos anos, de equipamentos de informática potentes a baixo custo tem minimizado, notavelmente, este problema.

c) Dificuldade para incorporar mudanças nos ângulos de taludes da cava de explotação.

d) O critério de otimização se baseia no benefício total, enquanto deveria ser baseado no Valor Atual Líquido (VAL). Esta dificuldade é comum na maior parte dos algoritmos existentes e tem uma solução difícil.

Considerando insatisfatoriamente a extensão deste método para três dimensões, devido à necessidade de manterem-se as aproximações que em última análise afastam a solução do ótimo, estes autores apresentam no mesmo

trabalho um segundo algoritmo, derivado da Teoria dos Garfos, que trata do problema, colocado sob as hipóteses características de discretização da jazida em blocos, através da procura do fecho máximo em um grafo associado. O benefício B associado de lavra i, se representa por Bi, o problema de otimização em pauta pode ser formulado como sendo a busca da combinatória de blocos que maximizaram i B i , respeitando os constrangimentos pertinentes ao caso em estudo. O contorno que satisfaz as restrições geométricas impostas, é representado por um fecho do grafo G=(X,v). O algoritmo de Lerchs & Grossman (ALG) (1965), demonstrou que atinge o objetivo desejado com um número finito de iterações. A grande vantagem obtida com a introdução dos conceitos de Programação Dinâmica na resolução dos problemas da cava final ótima, sem duvida, está relacionada com a rapidez na obtenção da solução, particularmente interessante para a avaliação de alternativas na programação da produção.

avaliação de alternativas na programação da produção. 7.5.5. Método de Lerchs & Grossmann bidimensional (D) O

7.5.5. Método de Lerchs & Grossmann bidimensional (D)

O modelo bi-dimensional desenvolvido por Lerchs & Grossmann, acumula características de simplicidade e precisão, sendo aplicável à determinação das configurações ótimas para a extração de blocos de cada seção vertical de um depósito mineral assim discretizado. A figura 7.4.15 mostra os procedimentos básicos para o uso do algoritmo de Lerchs & Grossmann para o planejamento de cava final. O esquema da figura 7.4.15a mostra uma seção vertical de um modelo de blocos com os valores econômicos de cada bloco, m ij , escritos em cada bloco. Adicionalmente uma linha de “blocos de ar” foi sobreposta na seção como a linha 0. Essa linha serve como a linha de partida. Ela é necessária para determinar o limite da cava como a soma máxima dos valores econômicos dos blocos na seção, sujeita à restrição do ângulo máximo de talude de 1:1 bloco para ambos os lados da seção. Na ordem para extrair um bloco no nível “i”, todos os blocos diretamente acima dele na coluna “j” , devem ser extraídos primeiro, designadamente os blocos nos níveis “i-1”, “i-2” etc. O valores econômicos dos blocos, m ij , dos blocos em qualquer coluna, abaixo incluindo o bloco em consideração devem ser somados para dar o valor da coluna de blocos, M ij , sendo:

M ij =

da coluna de blocos, M i j , sendo: M i j = m i j

m ij ,

para j = 1,2,

Entretanto, para lavrar um bloco particular do nível “i”, é necessário não somente a extração de todos os blocos diretamente acima desse bloco na mesma coluna, mas também todos os blocos dentro do cone de remoção mínimo formado pelo ângulo de talude. Agora, considerando qualquer bloco, b ij , na coluna “j” em relação à coluna vizinha “j-1”, a restrição de talude assumida de 1:1 obriga que o bloco b ij pode somente ser lavrado juntamente com o bloco b i-1, j-1 , bloco b i, j-1 ou o bloco b i+1, j-1 .

  0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 0 0 0
 

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-2

 

2

-6

5

5

5

5

5

5

-6

3

-7

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-7

4

-8

-8

-8

3

-8

-8

-8

-8

 

a)

 

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-2

 

2

-8

3

3

3

3

3

3

-8

3

-15

1

1

1

1

1

1

-15

4

-23

-7

-7

4

-7

-7

-7

-23

 

b)

 

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

0

0

0

0

0

0

2

5

8

11

14

1

-2

-2

-1

2

5

8

11

14

 

2

X

1

4

7

10

13

16

X

3

X

X

2

5

8

11

X

X

4

X

X

X

6

-1

X

X

X

c)

Figura 7.4.15 Ilustração do uso do algoritmo de Lerchs & Grossmann

Evidentemente, deve-se procurar extrair esse bloco b ij com a melhor combinação possível com os três blocos vizinhos para a maximização do valor econômico da cava no referido bloco. Com P ij representando o valor ótimo obtido pela extração dos blocos que procuram maximixar o valor, incluindo o bloco b ij , P ij pode ser escrito como:

P ij = M ij + Max

P i -1, j 1 P i, j 1 P i +1, j 1

A equação acima é a fórmula recursiva que dá a relação aplicável a

qualquer bloco na seção. Portanto, é possível usar esta equação para derivar todas as fronteiras de cava possíveis na seção e a partir delas determinar a cava limite com valor máximo. Na prática deve-se começar a partir do bloco superior esquerdo da seção (por exemplo, com o bloco b 00 ) e continuar aplicando a equação de P ij de modo descendente nas colunas da esquerda para a direita.

A determinação do valor econômico do bloco na cava, P ij , para cada

bloco é feita durante a sequência. Os blocos são examinados na seguinte ordem:

nível a nível dentro de cada coluna. Seguindo as colunas da esquerda para a direita. No fim da sequência, cada bloco terá seu valor na cava, P ij , e uma seta apontando para o vizinho ótimo na direção contrária ( aquele P i, j 1 Max, escolhido para o cálculo de P ij .

Por exemplo, para o bloco b 24 , figura 7.4.15 três possíveis combinações podem ser feitas. Sendo elas com os blocos b 13 , b 23 ou b 33 conduzindo aos valores:

P 13

P 24 = M 24 + Max P 23

Dando:

P 24 = 3 + Max

P 33

-1

4

2

A partir da fórmula acima o bloco vizinho b 23 é o ótimo entre os vizinhos,

sendo indicado pela seta que sai do bloco b 24 apontando para o bloco b 23 na figura

7.4.15c.

O traçado da fronteira da cava ótima é feito a partir do último bloco de ar

da direita (bloco b 09 na figura 7.4.15c) seguindo as setas que apontam para o

bloco ótimo na coluna da esquerda.

O ALG deu margem a verdadeira revolução, impulsionando a pesquisa de

novos métodos e permitindo-se o apoio de outros, como os propostos por Vallet

(1976) ou ainda por Bongarcon e Marechal (1976). Embora inicialmente não tenha sido completamente aceito na prática por requerer, como os demais métodos então utilizados, um esforço subjetivo de

aproximação das paredes laterais e fundo das cavas com relação as secções verticais vizinhas , esse método foi estendido posteriormente para otimização tri- dimensional com perspectivas favoráveis a obtenção de resultados mais satisfatórios como no método de Johnson e Sharp (1971), seguindo o esquema do ALG, sendo adaptado à obtenção de uma solução analítica para substituir a aproximação empírica das cavas estabelecidas nas seções transversais do depósito, por otimização bi-dimensional. O problema de suavização da cava no sentido longitudinal surge em virtude dos cálculos das cavas transversais serem desenvolvidos isoladamente, sem qualquer preocupação quanto à compatibilidade dos resultados com respeito às seções contíguas. Em conseqüência, os contornos resultantes dificilmente se ajustam devido a inevitável defasagem dos níveis estabelecidos para exploração econômica em cada seção transversal. Johnson e Sharp (1971), propuseram um método para estender estes cálculos ao levantamento dos contornos para cada possível nível de exploração que venha a ser fixado visando a composição da cava conjuntamente com as demais seções contíguas. Evidentemente a cava resultante observará as imposições quanto à inclinação máxima, já que estará fundamentada nos cálculos parciais de cavas viáveis possíveis. No mercado, o ALG encontra-se implementado em programas como Whittle ( Whittle Programming) e Maxpit (Earthworks) com suas devidas modificações. O algoritmo de programação dinâmica bidimensional (2D) de LERCHS e GROSSMANN, que determina, em seções, a configuração ótima dos blocos a extrair, tem como a grande maioria das técnicas bidimensionais, seu maior problema na complexidade e notável esforço que deve ser realizado para suavizar o fundo da cava, assim como para assegurar que as seções, nas diferentes direções, possam unir-se umas as outras, pois, como o método trabalha a duas dimensões de forma independente, não possibilita nenhuma segurança de que uma seção apresente um desenho compatível, geometricamente, com a seguinte. Ainda mais, a suavização que se pode realizar para conseguir a desejada tridimensionalidade jamais gerará uma solução ótima. Existem diferentes opções para solucionar este problema. Uma delas é recorrer ao algoritmo tridimensional (3D) de LERCHS e GROSSMANN. A outra é optar por algoritmos que, sem possuir o caráter tridimensional, proporcionem uma solução que acrescente, ao menos parcialmente, uma tridimensionalidade ao problema. Um exemplo é o algoritmo denominado por BARNES como 2 ½ D. Na figura 7.4.16 são mostradas cinco seções consecutivas de um hipotético bloco tridimensional a otimizar. Começando com a primeira seção, se determinam os desenhos ótimos de explotação para cada um dos níveis considerados (quatro no presente exemplo, figura 7.4.17). Uma vez calculados estes (definidos com uma versão ligeiramente modificada do algoritmo de LERCHS e GROSSMANN 2D), se obtém os valores líquidos para cada um dos desenhos, que são:

Nível 1

2,
2,

Nível 2

2D), se obtém os valores líquidos para cada um dos desenhos, que são: Nível 1 2,

-3, Nível 3

2D), se obtém os valores líquidos para cada um dos desenhos, que são: Nível 1 2,

1 e Nível 4

-7
-7
Figura 7.4.16 - Seções para o desenvolvimento do método de Lerchs&Grossmann 2½ D. Figura 7.4.17

Figura 7.4.16 - Seções para o desenvolvimento do método de Lerchs&Grossmann 2½ D.

o desenvolvimento do método de Lerchs&Grossmann 2½ D. Figura 7.4.17 - Desenhos de explotações ótimas para

Figura 7.4.17 - Desenhos de explotações ótimas para análise da seção 1 da figura 7.4.16

Este processo se repete com as quatro seções restantes. Para combinar as cinco seções e gerar, portanto, um efeito tridimensional, é necessário obter uma seção longitudinal que cruze, de forma perpendicular, as cincos seções consecutivas.

Observando a figura 7.4.17, pode-se verificar que a extração mais profunda na primeira seção alcança a coluna de n o 4. Por isso, cria-se uma coluna com quatro valores que correspondem aos valores líquidos para cada nível, já calculados anteriormente (2, -3, 1 e -7). Da mesma forma se faz com as seções restantes, obtendo a figura 7.4.18, a qual se otimiza de forma semelhante às anteriores figura 7.4.19.

se otimiza de forma semelhante às anteriores figura 7.4.19. Figua 7.4.18 - Seção longitudinal para o

Figua 7.4.18 - Seção longitudinal para o método de Lerchs&Grossmann 2 ½ D

longitudinal para o método de Lerchs&Grossmann 2 ½ D Figura 7.4.19 - Contorno longitudinal ótimo para

Figura 7.4.19 - Contorno longitudinal ótimo para o método de Lerchs&Grossmann 2 ½ D

O valor líquido para o material presente na explotação a céu aberto se obtém somando os valores dos blocos presentes ao longo do contorno final figura 7.4.19 isto é:

Valor da cava = 2 + 0 + 5 + 0 + (-1) = 6

(15)

Uma vez que os níveis do fundo da cava para as seções transversais tenham sido calculados, gira-se as seções originais figura 7.4.16 e selecionam as correspondentes, de acordo com os valores mostrados anteriormente figura

Dessa forma se consegue obter o efeito tridimensional desejado, ao combinar as duas dimensões das seções originais figura 7.4.16 com a terceira dimensão definida pela seção longitudinal transversal (figura 7.4.18 e 7.4.19).

seção longitudinal transversal (figura 7.4.18 e 7.4.19). Figura 7.4.20 - Seções longitudinais ótimas da cava para

Figura 7.4.20 - Seções longitudinais ótimas da cava para o método de Lerchs&Grossmann 2 ½ D

Dado o grande número de operações que o programa necessita realizar para otimizar a cava, o tamanho dos blocos a serem estudados constitui um ponto crucial no desenvolvimento do método. A escolha dos tamanhos dos blocos deve considerar as quatro etapas a seguir:

a) Desenho

logicamente, da forma e tamanho do corpo de minério, assim como do suporte utilizado. Em qualquer caso, o tamanho pode ser pequeno, gerando-se, freqüentemente, modelos com milhões de blocos. b) Estimação dos valores dos blocos: nesta etapa deve-se buscar uma solução de compromisso considerando os dois fatores seguintes: (1 o ) a

do

corpo

mineralizado:

o

tamanho dos blocos é função,

menor Unidade Seletiva de Lavra (USL), de tal forma que não se possa estabelecer um tamanho de bloco tão pequeno que não possa ser extraído seletivamente e, (2 o ) a suavização, não elegendo tamanhos tão grandes que gerem valores de teores artificiais pela forte suavização. Em geral, o tamanho do bloco pode ser maior que na etapa anterior.

c) Desenho da cava: de acordo com grande experiência que existe no desenho das cavas a partir da técnica de otimização, um modelo que inclua entre 100.000 e 200.000 blocos pode ser mais que suficiente para os objetivos almejados. Isto conduz para que o tamanho do bloco, novamente, seja maior que na etapa anterior.

d) Análise de sensibilidade: quando se quer realizar um série de otimizações considerando, p. ex., diferentes preços da matéria prima, um modelo de 20.000 a 50.000 blocos dá, praticamente, os mesmos resultados de um modelo constituído pelos 100.000 a 200.000 blocos da etapa anterior. Esta nova diminuição do número de blocos economiza uma notável quantidade de tempo e gera resultados bastante satisfatórios.

Na fig 7.4.21 é mostrado o tipo de curva que se obtém quando se representa o valor total da cava em função das tonelagens correspondentes. Como se pode observar, o valor máximo apresenta-se em uma zona de comportamento suave, não existindo um pico claramente definido. Este fato tem um efeito muito importante no processo de otimização. Assim, se os pequenos desvios são produzidos em zonas que correspondem aos desenhos não ótimos (figura 7.4.21 17, zona A), estas mudanças podem ter conseqüências importantes no valor final da cava. Pelo contrário, se os desvios são definidos a partir do desenho ótimo (figura 7.4.21, zona B), desenho gerado pelo algoritmo de LERCHS e GROSSMANN 3D, o efeito que é produzido no valor final da cava é mínimo. A diminuição no número de blocos de 200.000 a 25.000 gera, em termos médios e considerando um grande número de tipos de jazidas diferentes, erros que não superam 1% (segundo WHITTLE, 1992).

erros que não superam 1% (segundo WHITTLE, 1992). Figura 7.4.21 - Representação do valor final da

Figura 7.4.21 - Representação do valor final da cava em função de suas correspondentes tonelagens.

7.5.6. Aspectos relevantes da otimização de cava final

a)

É

importante ressaltar que a etapa de modelagem geológica e avaliação

de reservas deve ser realizada adequadamente independente do método

de otimização de cava a ser utilizado;

b)

Os dois principais métodos de otimização de cava final são:

Lerchs&Grossmann e Parametrização Técnica de Reservas;

c)

O

método dos cones flutuantes não é otimizante devido ao problema dos

cones fracos;

d)

Os métodos que utilizam Lerchs&Grossmann já têm embutido uma função econômica para maximizar o valor presente líquido do empreendimento e partindo da premissa de um sequenciamento previamente executado. Entretanto, cuidados especiais deverão ser tomados para se ter uma função econômica que realment retrate as condições do projeto em estudo. Fatores como escala de produção, custos variáveis durante a vida do empreendimento, variação do preço de venda do minério etc. devem

ser analisados com o devido cuidado.

e)

A parametrização técnica de reservas é um método prático e flexível.

Possibilita a consideração de diversos parâmetros técnicos antecedendo

análise econômica, dando então enfoque a condições de engenharia que não podem ser sub-avaliadas.

a

f)

A

técnica de parametrização de reservas possibilita programar geometrias

parciais ótimas, fornecendo o sequenciamento ótimo da mina até a exaustão.

g)

Em qualquer método de otimização de cava final a etapa de operacionalização ( ou suavização) do contorno da cava final é obrigatória. Esta etapa exige do engenheiro e projetista especial cuidado para não fugir da solução ótima obtida pelo programa, devido a colocação

de acesso, cristas e bermas.

h)

No contexto de sequenciamento de lavra, a principal condicionante é a

maximização do valor presente líquido do empreendimento. Porém objetivos em termos de qualidade, relação estéril/minério e quantitativos de produção podem ser atingidos.

i)

O

valor do bloco depende fortemente de quando ele vai ser movimentado,

ou seja, seu valor é função do tempo.

7.6.

Parametrização de jazidas

Em uma proposta inovadora, Bongarçon e Marechal (1976), baseados em estudos de G. Matheron (1975), abandonam o ponto de vista geométrico e combinatório para tratarem do problema de cava final por meio de uma aproximação funcional. Utilizaram para isso a técnica de Analise Convexa.

A idéia básica sintetiza-se em voltar o problema para a determinação de uma função de parametrização, a partir da qual torna-se possível a obtenção imediata de uma família de cavas ótimas, independente da conjuntura econômica

subjacente ao problema, o que é mais uma das vantagens destes métodos de otimização.

O estudo de variabilidade de soluções relativamente a um dado parâmetro

passa a ser imediato, sem exigir qualquer processamento adicional de cálculo do programa. Em outras palavras, o conhecimento de todos os projetos potencialmente ótimos do ponto de vista da maximização da quantidade de metal, permite a comparação dos mesmos com antecedência às flutuações de mercado.

A maximização da quantidade de metal contido, com a minimização de

remoção de material, garante soluções ótimas, em que a escolha da cava entre a

família de cavas ótimas pode ser obtida, por exemplo, pela cava de maior benefício.

A Parametrização Técnica de Reservas é então, em resumo, a procura

dos projetos que pertençam à superfície convexa que sobrepõe ao conjunto de todas as cavas possíveis. A figura 7.6.1 ilustra as disposições dos diferentes projetos. Como se pode verificar na figura 7.6.1, as cavas máximas estão contidas numa serie que define o chamado envelope superior do domínio das cavas possíveis. Na modelagem adotada por Vallet, R. (1976), há uma pequena variação

na definição do grafo G=(V,A) associado à jazida discretizada em blocos de lavra:

a lei de antecedência de que o bloco j deva preceder o bloco i no processo de

extração, gera o arco (vi,vj)

O conceito básico é encontrar todos os projetos que maximizem a seguinte fórmula:

A.
A.

Q -

T
T

-

V
V

onde:

Q

o teor de corteque maximizem a seguinte fórmula: A. Q - T - V onde: Q T similar ao

T

similar ao teor e representa parâmetros de ligação do tamanho da cava ou aa seguinte fórmula: A. Q - T - V onde: Q o teor de corte T

relação

V

é a quantidade de metal

é a tonelagem de minério

entre custos de mineração e preço do metal

é a tonelagem total de minério e estéril

OTIMIZAÇÃO DE CAVA

Parametrização Técnica de Reservas

Análise convexa

Cavas técnicas ótimas Cavas possíveis Cavas técnicas ótimas no topo em um gráfico Q(T,V)
Cavas
técnicas
ótimas
Cavas
possíveis
Cavas técnicas ótimas no topo em um gráfico Q(T,V)

Figura 7.6.1 O conjunto de projetos e as cavas tecnicamente ótimas (curva do envelope)

Uma aproximação alternativa para a otimização da cava é parametrzar a geometria da cava como uma função do número de variáveis. Esta aproximação foi desenvolvida por MATHERON (1975) e tem sido utilizada em inúmeras situações. A aproximação divide o problema em duas partes distintas - técnica e econômica. Numa primeira etapa as geometrias são pré-selecionadas e, posteriormente são avaliadas do ponto de vista econômico/financeiro. O algoritmo que permite a aplicação desta técnica foi concebido por BONGARÇON e MARECHAL (1976). A parametrização assume que somente a geometria da cava de algum interesse é que maximiza a quantidade de recurso (mineral, metal). A hipótese é baseada na observação de que a maioria das funções de rendimento, de forma complexa, aumenta com a quantidade de recurso (mineral, metal) e que a cava para um corpo de minério particular pode então ser definida por um número mínimo de parâmetros técnicos: quantidade de recurso (mineral, metal), tonelagem total e tonelagem selecionada. Embora o método produza soluções paramétricas que são inteiramente consistentes, ele não é rigorosamente ótimo e tem encontrado resistência para sua utilização em processos de otimização de cava.

Ao contrário das técnicas de otimização clássicas a Parametrização

Técnica trabalha a partir do conteúdo metálico recuperável de cada bloco de lavra e dos volumes de minério e estéril.

O modelo visa obter geometrias com diferentes volumes totais,

maximizando seu conteúdo metálico em cada caso, ou seja, num caso real é possível definir inúmeras cavas com mesmo volume V (minério + estéril), porém apenas uma delas maximiza a quantidade de metal contido recuperável. Esse método adota a função:

K=Q -

contido recuperável. Esse método adota a função: K=Q - V - T para a determinação do

V -

T
T

para a determinação do valor de cada bloco de lavra, onde Q é a quantidade de metal recuperável, V é o volume total (minério + estéril), T é o volume de minério e

e
e
total (minério + estéril), T é o volume de minério e e são parâmetros técnicos definidos

são parâmetros técnicos definidos anteriormente. Segundo DAGDELEN E BONGARÇON (1982), os parâmetros e , não devem ser entendidos como as relações entre custos e preços, mas sim como parâmetros de corte, fazendo com que a função K represente famílias de planos, tangentes á superfície formada pelas cavas de metal recuperável máximo. A figura 7.6.2 mostra o universo de cavas de um depósito hipotético, onde cada cava é representada por seu volume total V e respectiva quantidade de metal recuperável Q. A linha S representa as cavas de quantidade máxima de metal recuperável, como aquelas de número 1, 2, 3, 4 e 5, porém, somente as cavas 1, 3 e 5 são otimizadas, pois encontram-se na envoltória convexa C, definida pela da variação dos parâmetros e ,. Por outro lado, o valor de K conforme expresso na equação anterior tem todas as características de uma função beneficio pois é inegável que é crescente com Q e é decrescente com V e T. COLÉOU (1989, apud PRATTI, 1995), chega a fazer analogia entre a expressão K e a função beneficio clássica:

entre a expressão K e a função beneficio clássica: B = aQ - bV - cT
entre a expressão K e a função beneficio clássica: B = aQ - bV - cT
entre a expressão K e a função beneficio clássica: B = aQ - bV - cT
entre a expressão K e a função beneficio clássica: B = aQ - bV - cT

B =

aQ - bV -

cT

onde a é o preço unitário do metal, b é o custo unitário de extração e c é o custo unitário de beneficiamento. Assim o parâmetro corresponderia aos possíveis valores a serem assumidos por b/a e corresponderia a c/a. Seja qual for a interpretação dada aos parâmetros e , para cada par deles estabelece-se uma cava otimizada, que é obtida pela aplicação do algoritmo de LERCHS e GROSSMANN aos blocos de lavra com valores atribuidos pela função K, ou pelo algoritmo de BONGARÇON. Em qualquer dos casos obtém-se como resultado final um conjunto de cavas otimizadas subsequentes. Na etapa seguinte essas cavas otimizadas, de diferentes volumes V, serão avaliadas por critério econômico/financeiro finalizando assim a escolha da cava a ser seguida como meta de longo prazo.

avaliadas por critério econômico/financeiro finalizando assim a escolha da cava a ser seguida como meta de
avaliadas por critério econômico/financeiro finalizando assim a escolha da cava a ser seguida como meta de
avaliadas por critério econômico/financeiro finalizando assim a escolha da cava a ser seguida como meta de
avaliadas por critério econômico/financeiro finalizando assim a escolha da cava a ser seguida como meta de

Q

K 5 3 C 4 1 2
K
5
3
C
4
1
2
Q K 5 3 C 4 1 2 S S V
S S
S
S

V

Figura 7.6.2 - Superfície C envoltória de máximos convexos

O algoritmo estabelecido promove soluções para o contorno final de uma cava. Há, contudo, virtualmente, números ilimitados de maneiras de procura por um contorno final, cada maneira tendo um modelo de fluxo de caixa diferente. A figura 7.6.3 mostra alguns fluxos de caixa possíveis a título ilustrativo.

7.6.3 mostra alguns fluxos de caixa possíveis a título ilustrativo. - Modelos de fluxos de caixa

- Modelos de fluxos de caixa em função do tempo.

Como mostra a figura 7.6.3 existem duas sequências extremas de lavra,

ou

com a divisão da cava global otimizada em várias outras cavas menores, e assim,

a lavra é realizada passando por cada uma destas cavas menores. A sequência n o 2 é definida pela lavra por níveis, onde cada nível é esgotado antes do inicio da lavra do nível subsequente. Essas duas estratégias de lavra diferem na velocidade de remoção de estéril e evolução do teor médio do minério de interesse, provocando diferenças sensíveis no fluxo de caixa do negocio. Do ponto de vista estritamente financeiro, a primeira estratégia apresenta melhores resultados pelo adiamento de custos de remoção de estéril e antecipação de resultados pela lavra com teores de corte decrescentes. Porém, esse critério pode vir a ser conflitante com a necessidade operacional relativa ao número de frentes disponíveis com materiais distintos que permitam a manutenção da “estacionarização” conforme especificado pelo processo de beneficiamento e com as condições de espaço operacional para que os custos e a produtividade não sejam afetados negativamente. A complexidade do problema pode atingir maiores proporções se houverem tipologias diferentes perante às exigências de processo de beneficiamento.

O compromisso entre os diversos requisitos citados pode conduzir ao

estabelecimento de uma sequência intermediária como, por exemplo, a sequência de n o 3 que atenda de forma satisfatória às necessidades operacionais sem

comprometer o fluxo de caixa da empresa . Um dos caminhos para sua definição é

o de simulações, servindo-se das cavas otimizadas como guia para o seqüenciamento da lavra.

seja, sequências de lavra por cavas e por níveis. A sequência n o 1 é realizada

8. OUTROS ASPECTOS IMPORTANTES NO PLANEJAMENTO

8.1. Operações auxiliares

8.1.1. Projeto e gerenciamento de água e sistemas de controle de sedimentos

8.1.2. Disposição de rejeitos e controle de contaminantes

8.1.3. Recomposição

8.1.4. Energia elétrica e sua utilização

8.1.5. Ar comprimento

8.1.6. Monitoramento, controle e comunicação

8.1.7. Serviços de suprimento e transporte de pessoal

8.1.8. Manutenção de equipamentos

8.2. Salubridade e segurança

8.2.1. Salubridade e segurança de pessoal

8.2.2. Controle de gases e poeira

8.2.3. Controle de radiação

8.2.5.

Controle de emissões

8.2.6. Ventilação de mina

8.2.7. Redução de ruído

8.2.8. Iluminação

8.2.9. Aplicação do computador a ventilação de mina e controle ambiental

BIBLIOGRAFIA

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