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INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTARÉM ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO Valores Éticos na Intervenção social Ética e

INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTARÉM

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO

Valores Éticos na Intervenção social

Ética e Deontologia na Intervenção Social

Prof. Dr. Ramiro Marques

Mestrado em Educação Social e Intervenção Comunitária

Carla Pinto n.º 120225017

Verónica Pereira n.º 120225016

Santarém, 29 de Janeiro de 2014

Palavras-Chave: Ética; Intervenção Social; Prática Profissional; Educação.

Sinopse: A presente reflexão apresenta-se como uma breve análise do conceito de “Ética”

e das suas implicações no âmbito de acção da intervenção social, sendo que a

problematização ética surge como mola impulsionadora do aprimoramento do pensamento,

da decisão e da acção.

Parte Introdutória

Um pensamento ético, por mais distinto que seja, é sempre decorrente do conceito global de “Ética” [1] e uma parte fundamental da Filosofia e da Moral. Deste modo, o problema ético pressupõe sempre uma escolha, uma opção e uma direcção. A ética compreende, portanto, um vasto leque de possibilidades de natureza moral e relacionadas com múltiplos códigos de conduta, entre outros regulamentos deontológicos [2] e foi abordada por muitos autores em épocas distintas. Segundo Allan (p.152, 1970), n’ “A Ética para Nicómano”, Aristóteles preconiza que “toda a a acção humana deliberada tem por objectivo um determinado fim ou bem e todos os homens concordam em dar o nome de felicidade ou bem-estar ao bem supremo e que não é visto nunca como meio para atingir outro fim ou bem ulterior. A felicidade ou bem-estar é também, ao mesmo tempo, a referência última para basearmos os nossos juízos morais.” Allan (1970), salienta ainda que, Aristóteles, desvalorizando a motivação da obrigação moral, põe ênfase nas regras de conduta que seriam aplicáveis de uma forma idêntica a todos os indivíduos e que todos podem compreender: “Pressupõe-se que o motivo na base de toda a conduta e escolha é o interesse próprio, mais ou menos

[1] É virtualmente impossível apontar todas as obras de referência e estudos especializados sobre o conceito de “Ética”. Foi de grande utilidade para esta questão, em termos bastantes sintéticos, a consulta de LUÑO, Angel Rodriguez Etica, Ediciones Universidad de Navarra, Pamplona, 1984. [2] Por exemplo, veja-se “Ética”, in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. X, Editorial Enciclopédia, Lisboa, [s. d.], p. 596.

esclarecido ( uma concepção que, contudo, muitos pensadores claros que não são

cegos aos valores morais defendem sinceramente). Mesmo que nos fosse possível ignorar o refinamento das nossa noções éticas operado pelo Cristianismo, todo o ambiente social que serve de pano de fundo para as análises da Ética é enormemente diferente do nosso, e seria necessário repensar muitos temas para o tornar totalmente aceitável por um espírito moderno. Generalidade de perspectiva, tolerância e humanismo, grande sagacidade na análise psicológica, uma concepção judiciosa e consistente n âmbito da ética bem como do seu método próprio são os pontes fortes da obra realizada por Aristóteles neste campo.” (pp.167,168) Segundo Singer (pp.,27,28, 1993), a ética adopta um ponto de vista universal, contudo “não quer isto dizer que um determinado juízo ético tenha de possuir aplicação universal. Como vimos as circunstâncias alteram as causas. Significa, isso sim, que, quando fazemos juízos éticos, vamos para além de preferências e aversões. De um ponto de vista ético, é irrelevante o facto de ser eu o beneficiário de, digamos, uma distribuição mais equilibrada do rendimento e outra pessoa a prejudicada. A ética exige que nos abstraiamos do “eu” e do “tu” e que cheguemos à lei universal, ao juízo universalizável, ao ponto de vista do espectador imparcial ou do observador ideal, ou o que lhe quisermos chamar.” Embora a conciliação de um grande leque de teorias éticas

e ideais éticos - como os direitos individuais, a justiça, a pureza, etc- possa apresentar- se como um obstáculo à ideia de universalidade, podemos encontrar no âmago de cada quadro teórico um olhar para a “natureza ética própria do ser pessoa que se caracteriza por um cuidado que, enquanto tal, não é uma atitude ou um acto, mas um a priori existencial de onde derivam as atitudes e os actos, as vontades, os sentimentos e as situações.” (Perdigão, 2003, p. 485) Qualquer conceito ético, por mais específico ou global, é sempre uma definição em aberto. Como consequência, a ética não é finita nem exacta, mas perpetuamente uma matéria subjectiva. A ética possui um carácter individualista, embora possa ser entendida na óptica colectiva ou social. A ética é uma interrogação permanente, fruto de um produto cultural, dado que cada sociedade possui condutas éticas e deontológicas diferentes. A ética está continuamente em mudança, dado que faz parte da dialéctica da vida, ou seja, quanto mais complexa for a existência, mais emaranhada será a ética que a rege. A ética é normativa e tem um sentido impositivo, o que justifica o seu poder. Daí

o pensamento ético tender a ser autónomo, o que pressupõe o exercício de um livre-

arbítrio. Também pode ser confundida com a Moral, mas não é nitidamente um pensamento ou acto moral; confunde-se inclusive com o Direito, mas não é um conjunto de leis.

A ética acompanha a evolução do pensamento e está compreendida na estrutura básica da sociedade. O que possibilita o “homem social” é a ética e a obediência a essa mesma ética, sendo lícito afirmar que é responsável pela vida em comunidade. Seria difícil imaginar uma sociedade sem ética, porque, caso contrário, viveríamos num meio anárquico, sem leis ou regras, num estado permanentemente “selvagem”. É a expressão da coesão humana, sendo cada vez mais uma reivindicação nos domínios das ciências e das práticas profissionais, aonde o conceito é constantemente revisto. A ética compreende, portanto, um vasto leque de possibilidades de natureza moral e relacionadas com múltiplos códigos de conduta, entre outros regulamentos deontológicos. Entende-se, assim, a pertinência de promover a capacidade reflexiva e crítica sobre a ética e a prática dos trabalhadores sociais, sua formação e práxis, tendo em conta que o seu âmbito de acção é regulado por normas e regras específicas, bem como por princípios de teor mais abstracto ou menos cristalizado inerentes à condição de ser que aprende para si, para o outro e para mundo.

Problematização/Desenvolvimento

No âmbito da intervenção social, somos confrontados com inúmeras questões de natureza ética. É, sem dúvida, uma exigência constante na formação e prática profissionais um olhar atento aos conceitos de ética, moral e deontologia, ainda que seja para nos propor um universo de interrogações filosóficas em que os códigos morais e profissionais são terrenos férteis para o desenvolvimento da capacidade analítica necessária ao aprimoramento da capacidade de pensamento, decisão e acção. A intervenção social promove a edificação de projectos de vida individual e colectiva, cuja configuração solidária é expressão e condição do exercício dos Direitos Humanos e plataforma não só para a sua prática como igualmente para a sua efectiva declaração. O questionamento, a ponderação e a implicação surgirão, então, como estratégias privilegiadas de aprofundamento da identidade profissional do trabalhador

social. “ Para a profissão, a ética e a deontologia funcionam por um lado, como

orientação interna guiando o exercício profissional, por outro, como referência externa, ajudando a promover uma imagem pública valorizada, ancorada numa cultura de justiça e responsabilidade.” (Carvalho e Baptista,2004 p.98)

Já Morin (2000,p.102) propõe uma “ética da compreensão entre as pessoas”

relacionando-a “com a ética da era planetária, que pede a mundialização da compreensão. A única verdadeira mundialização que estaria a serviço do gênero

humano é a da compreensão, da solidariedade intelectual e moral da humanidade.”

A exigência e responsabilidade presentes no âmbito de acção da intervenção

social, que alicerça a sua acção nos direitos humanos e na justiça social, delineando um trajecto de corresponsabilidade e proximidade, promovendo o respeito pela igualdade, valor e dignidade de todos, torna evidente a importância do compromisso ético. A afirmação de Díaz (2006) de que “a educação social deve, antes de mais, ajudar a ser e a conviver com os outros: aprender a ser com os outros e a viver juntos em comunidade” recupera a dimensão axiológica do acto educativo, assim como nos remete para as questões de formação dos profissionais da educação, e para a necessidade de uma atitude reflexiva e inconformista sobre a acção e sobre os códigos que a norteiam de forma a estimular o debate sobre a ambiguidade das práticas e o seu papel transformador. O processo educativo e de intervenção social deve abarcar a

possibilidade e a necessidade de todos contribuirem para o bem comum de forma implicada e responsável, como patamar sobre o qual se reforçará a sua dimensão humanista e democrática. Baptista (2005, p.59) refere que a educação, como acção ética, é responsável pela “promoção da humanidade em cada homem”, pela construção de um novo homem e de uma nova sociedade orientada pela universalização do ideal democrático. Aliado ao direito de que todos devem ter acesso à educação, está o dever de cada um participar activamente, de forma responsável e implicada no projecto comum. Surge como imperativo da nova abordagem da educação e da intervenção que se pretende permanente e inclusiva “valorizar a pluralidade de redes que ligam os actores sociais e atender a uma diversidade de contextos e modalidades de formação.” (ibid.,p.61). A autora argumenta que “recebemos a humanidade por contágio, nunca a teríamos desenvolvido se não fosse a proximidade com os nossos semelhantes” (ibid.,p.84). Sendo a educação agente privilegiado deste contágio social, descobrimos- lhe uma intencionalidade pedagógica clara e de carácter axiológico promotora de uma cultura humanista orientada para a tomada de decisão, o compromisso e a participação.

Assim sendo, “indivíduo/sociedade/espécie são não apenas inseparáveis, mas co- produtores um do outro. Cada um destes termos é, ao mesmo tempo, meio e fim dos outros. Não se pode absolutizar nenhum deles e fazer de um só o fim supremo da tríade; esta é, em si própria, rotativamente, seu próprio fim. Estes elementos não poderiam, por conseqüência, ser entendidos como dissociados: qualquer concepção do gênero humano significa desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana. No seio desta tríade complexa emerge a consciência.” (Morin, 2000, p.105,106)

Conclusões

Estas questões são quási eternas, porque acompanham o Homem praticamente desde o berço, ou pelo menos quando possui a capacidade cognitiva de entender o “certo” ou o “errado”, ainda que a esfera infantil seja compreensivelmente nebulosa. Com a construção da personalidade e da consciência do indivíduo, per si, as preferências e escolhas revestem-se cada vez mais de uma complexidade crescente. E assim será, até ao dia em que morrermos. Somos instados a escolher, mesmo que não queiramos optar ou decidir, especialmente no que diz respeito ao destino alheio. A sociedade actual reclama, não só a competência profissional, mas também as competências intrapessoal e interpessoal, para se poder compreender, respeitar e conviver com o outro de forma harmoniosa. Assim sendo, obriga a um rigoroso exercício de reflexão e a um questionamento crítico de nós próprios e das estruturas e dinâmicas sociais envolventes. Citando Morin (2000, p.54,55): “(…) é a cultura e a sociedade que garantem a realização dos indivíduos, e são as interações entre indivíduos que permitem a perpetuação da cultura e a auto-organização da sociedade. Entretanto, podemos considerar que a plenitude e a livre expressão dos indivíduos- sujeitos constituem nosso propósito ético e político, sem, entretanto, pensarmos que constituem a própria finalidade da tríade indivíduo/sociedade/espécie. A complexidade humana não poderia ser compreendida dissociada dos elementos que a constituem:

todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto

das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana.” Desta forma não podemos nem devemos descurar a procura da excelência no trabalho, alinhada pelo respeito pelos grandes princípios éticos. No entanto, todas estas interrogações de natureza ética permanecerão sempre em aberto e serão campo privilegiado de questionamento e reflexão.

Bibliografia

ALLAN, D.J. (1970). A Filosofia de Aristóteles. Editorial Presença: Lisboa.

BAPTISTA, I. (2005). Dar Rosto ao Futuro: a educação como compromisso ético. Editora Profedições:

Porto.

CARVALHO, A. e BAPTISTA, I. (2004). Educação Social Fundamentos e Estratégias. Porto Editora:

Lisboa.

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2005). vol. IV, Temas & Debates. Lisboa.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. vol. X, Editorial Enciclopédia, Lisboa, [s. d.].

DIAZ, A. S. (2006). "Uma aproximação à pedagogia-educação social". In Revista Lusófona de Educação. Lisboa, no.7, pp. 91-104

LUÑO, Angel Rodriguez (1984). Etica, Ediciones Universidad de Navarra: Pamplona.

MORIN, E. (2000). Os sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, 2a. ed. - São Paulo - Cortez; Brasília, DF: UNESCO

PERDIGAO, Antónia Cristina. A ética do cuidado na intervenção comunitária e social: os pressupostos filosóficos. Aná. Psicológica [online]. 2003, vol.21, n.4 [citado 2014-01-25], pp. 485-497 . Disponível em: <http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870- 82312003000400007&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0870-8231.

SINGER, Peter (1993). Ética Prática. Gradiva Publicações: Lisboa.