Sei sulla pagina 1di 28
Imunologia Eduardo Antunes Martins Imunologia UNIDADE I CAPÍTULO 5
Imunologia
Eduardo Antunes Martins
Imunologia
UNIDADE I
CAPÍTULO 5

CÉLULAS

DO

SISTEMA

IMUNE

Para o correto entendimento do sistema imune e suas funções é necessário conhecer todas as células imunes e suas origens. Isso permite entender as respostas imunes inata (células em geral) e adaptativa (linhagem linfoide).

O estudo será dividido da seguinte maneira: inicialmente uma divisão das células de acordo com suas origens (progenitores linfoides e mieloides), divisão de acordo com suas funções (na imunidade inata e adaptativa), análise de cada uma das células, especificações em relação aos linfócitos T e B (criação, maturação e interação entre eles e as outras células). Os seguintes objetivos devem ser alcançados:

Divisões das células do sistema imune;

Especificação de todas as células;

Interação entre os linfócitos e as diversas células do sistema imune e do organismo.

de todas as células;  Interação entre os linfócitos e as diversas células do sistema imune

Imunologia Unidade I

Basicamente existem dois tipos de respostas imunes distintas: inata (ou natural) e adaptativa. A primeira define-se como aquela que está presente antes mesmo de entrar em contato com o antígeno. Já a última é definida como conjunto de mecanismos existentes no organismo que somente são ativados depois do contato com o agente agressor. Dentre suas diferenças podemos citar: a inata é mais inespecífica, pois ela já apresenta um número e tipos específicos e pré-estipulados de receptores para substâncias comuns a diversos antígenos (geralmente polissacarídeos, proteínas, enzimas, compostos das membranas); apresenta efetividade limitada, pelos mesmos motivos; a duração da adaptativa é muito maior, em decorrência da criação de células de memória (ver a frente); as células constituintes são diferentes.

Apesar de todas as diferenças citadas existem inúmeras semelhanças. Na realidade, essa divisão é meramente educacional, sendo que na imunologia avançada à distinção dos processos imunológicos é impossível. Mesmo com o assunto sendo tratado de maneira simplificada pode-se perceber como veremos no decorrer dos capítulos, que há intensa relação entre os constituintes das duas imunidades (alguns até podem pertencer as duas). Além disso, um ponto é de extrema importância que esses dois tipos de RI tenham: a tolerância ao próprio organismo, que inclusive é uma das premissas básicas da resposta imune.

Existem quatro premissas básicas para as respostas imunes, que são:

Reconhecimento imunológico: o sistema deve reconhecer o antígeno, ou seja, a presença de uma infecção deve ser detectada;

Funções imune efetoras: deve ocorrer resposta imune correta e condizente ao estímulo. Essa pode ser de três tipos: destruição do antígeno, ativação de outros sistemas ou diminuição da progressão da infecção;

Regulação imune: o sistema imune deve ser capaz de discernir o que é proveniente do corpo e o que é um antígeno (quando danificado gera as doenças autoimunes);

Memória imunológica: mais relacionada a resposta adaptativa, que visa uma melhor resposta em infecções futuras.

Células Componentes Conceitos Gerais

futuras. Células Componentes – Conceitos Gerais As células do sistema imune são denominadas leucócitos
futuras. Células Componentes – Conceitos Gerais As células do sistema imune são denominadas leucócitos

As células do sistema imune são denominadas leucócitos (leukos=branco), pois são células brancas do sangue. O número de leucócitos por milímetro de sangue no adulto normal é de 5.000 a 10.000. Ao nascimento, o sangue da criança contém 20.000 leucócitos/mm³ de sangue e vai decrescendo com a vida e aos 12 anos atinge a faixa do adulto. Isso ocorre porque a criança ainda não tem as barreiras naturais do organismo completamente desenvolvidas, tendo mais facilidades de contrair infecções de diversas naturezas. Por essa razão é necessário que haja uma população de leucócitos maior para a proteção da criança.

Denomina-se leucocitose o fenômeno em que o número destas células sobe acima de 10.000/mm³ de sangue e leucopenia quando desce abaixo de 2.000/mm³ de sangue. Na leucemia (câncer de leucócitos) encontramos mais de 100 mil leucócitos/mm³ de sangue.

As células derivadas exclusivamente da medula são nomeadas de acordo com a sua coloração pelo corante

universal hematoxilina-eosina. São eles os leucócitos granulócitos: neutrófilos; eosinófilos e basófilos. A hematoxilina

é um corante básico e a eosina um corante ácido. Os leucócitos eosinófilos tem afinidade pela eosina ,ou seja, tem

afinidade por corante ácido (também chamado de leucócito acidófilo) e o basófilo tem afinidade pela hematoxilina, que é um corante básico, então chamado basófilo. As células acidófilas se coram em vermelho e as basófilas em azul escuro. Já os neutrófilos ou polimorfonucleares são corados por corante neutros, ou seja, de pH=7.

Os linfócitos são agranulócitos (quer dizer, sem grânulos no citoplasma), que são indentificáveis pela microscopia óptica pelo sua imensa massa nuclear que toma quase todo o citoplasma. São células indiferenciadas entre si pela microscopia óptica, entretanto podem ser diferenciadas pelas técnicas imunocitoquímicas que detectam

o CD (cluster differenciation) é possível saber que tipo de linfócito está se observando. Os linfócitos são divididos em linfócitos T, linfócitos B e linfócitos NK, sendo o LT responsável principalmente pelo auxílio ao sistema imune e resposta imune celular, o linfócito B responsável pela resposta imune humoral (com detalhes do capítulo 5) e os linfócitos NK pela resposta imune inespecífica. Os LT e os LB produzem resposta imune específica, pois ambos são estimulados a partir de epítopos de antígeno específico. Neste caso formarão populações monoclonais específicas para atacar o antígeno em questão.

caso formarão populações monoclonais específicas para atacar o antígeno em questão. MARTINS, Eduardo A. Página 1
caso formarão populações monoclonais específicas para atacar o antígeno em questão. MARTINS, Eduardo A. Página 1

Cap. 5 Células do Sistema Imune

Cap. 5 – Células do Sistema Imune Figura 1 – Esquema representando as principais células do

Figura 1 Esquema representando as principais células do sistema imune.

Temos ainda as células do sistema monocítico fagocitário (SMF) antigamente conhecido por sistema retículo- endotelial). Estas células são especialistas em fagocitose e apresentação de antígeno ao exército do sistema imune. São elas : macrófagos alveolares, micróglia, células de Kuppfer, células dendríticas, células de Langehans e macrófagos em geral.

dendríticas, células de Langehans e macrófagos em geral. Tabela 1 – Tipos de macrófagos, junto com

Tabela 1 Tipos de macrófagos, junto com suas localizações e funções.

Naturalmente, as células pertencentes a divisão natural estão localizadas em todas as regiões do organismo. Já os linfócitos, salvo em situações de infecções, estão confinados nos tecidos linfoides.

linfócitos, salvo em situações de infecções, estão confinados nos tecidos linfoides. MARTINS, Eduardo A. Página 2
linfócitos, salvo em situações de infecções, estão confinados nos tecidos linfoides. MARTINS, Eduardo A. Página 2

Imunologia Unidade I

Imunologia – Unidade I Figura 2 – Representação de todos órgãos linfoides . Tecidos Linfoides São

Figura 2 Representação de todos órgãos linfoides.

Tecidos Linfoides

de todos órgãos linfoides . Tecidos Linfoides São classificados em duas categorias:  Primários ou
de todos órgãos linfoides . Tecidos Linfoides São classificados em duas categorias:  Primários ou

São classificados em duas categorias:

Primários

ou

centrais:

responsáveis

pelo

desenvolvimento e maturação de linfócitos (além da

produção

em

alguns

casos

de

outras

células

do

sistema imune). São eles:

 
 

o

Fígado fetal;

o

Medula óssea;

o

Timo.

Secundários ou periféricos: propiciam um ambiente adequado para correta interação entre as células e os antígenos. São eles:

o

Linfonodos;

 

o

Baço;

o

Tecidos

linfoides

associados

a

mucosas

(MALT).

Timo

Situado no mediastino ântero-superior e na parte inferior do pescoço, é o local de maturação dos linfócitos T imaturos. É um órgão linfóide achatado, e mais ativo durante a infância. Revestido por uma

cápsula de tecido conjuntivo frouxo, da qual se irradiam para o dentro do parênquima do órgão pequenos septos interlobulares contendo vasos sanguíneos. O parênquima tímico é dividido em duas zonas distintas, um córtex externo, intensamente basófilo, e uma medula interna eosinófila.

Numerosos pequenos ramos da artéria torácica interna e da artéria tireoidiana inferior entram no timo através septos interlobulares, se ramificando na junção corticomedular para suprir o córtex e a medula. Vênulas pós-capilares na região corticomedular têm um endotélio cúbico especializado semelhante ao das vênulas de endotélio alto dos linfonodos, o qual permite a passagem de linfócito para dentro e fora do timo. As drenagens venosa e linfática seguem o curso do suprimento arterial; não existem vasos linfáticos aferentes. Fibras simpáticas e parassimpáticas derivadas da cadeia simpática e dos nervos frênicos, respectivamente, acompanham os vasos sanguíneos dentro do timo.

Figura 3 Processo de maturação de linfócitos no timo.

O córtex tímico está carregado de células T maduras e em maturação. Estas sofrem subseqüente maturação à medida que se movem do córtex externo em direção à medula. Na junção corticomedular encontra-se alguns macrófagos fracamente corados. Pequenos capilares revestidos por células endoteliais achatadas invadem o córtex a partir da cápsula. Na medula tímica o componente epitelial é mais abundante. Células reticulares epiteliais têm núcleos grandes e palidamente corados. Uma característica particular da medula é apresentação do corpúsculo de Hassall, estrutura lamelada que participam na fase final da maturação da célula T. Na medula também é encontrado um tipo de célula apresentadora de antígenos, conhecida como célula interdigitante tímica, que apresenta auto-antígenos para células T em maturação e as auto-reativas são destruídas por apoptose. Isto é conhecido como deleção clonal ou seleção negativa.

destruídas por apoptose. Isto é conhecido como deleção clonal ou seleção negativa. MARTINS, Eduardo A. Página
destruídas por apoptose. Isto é conhecido como deleção clonal ou seleção negativa. MARTINS, Eduardo A. Página

Cap. 5 Células do Sistema Imune

Medula Óssea

As células hemopoeticas do fígado fetal e medula óssea dos adultos originam diretamente os linf. B. Um microambiente de direfenciação é estabelecido e mantido por células estromais da medula óssea (rede de células epiteliais). Cada micorambiente é destinado à produção de um tipo celular específico. As células estromais, além de fornecer moléculas de adesão e da matriz extracelular, sintetizam também numerosas citocinas essenciais da hematopoese. A medula óssea contêm células T maduras (atuando assim também como órgão linfóide secundário).

Baço

O baço é um grande órgão linfóide situado na parte superior esquerda do abdome. Recebe um rico suprimento sanguíneo através de uma única artéria, a artéria esplênica, e é drenada por uma única veia esplênica para dentro de sistema porta hepático. O baço executa a mesma função para o sangue que os linfonodos executam para a linfa.

É constituído de polpa branca e polpa vermelha. A primeira consiste em agregados linfóides, e a segunda perfaz a maior parte do órgão e é um tecido altamente vascularizado. O baço possui uma delgada cápsula externa fibroelástica, da qual se estendem trabéculas para dentro do parênquima. O estroma é constituído por células e fibras reticulares que sustentam o parênquima. Sendo assim, temos:

Polpa Branca: Tecido Linfóide ao redor da arteríola central (conhecido como bainha linfóide periarteriolar- PALS). A bainha linfóide periarteriolar contêm áreas de células T e engloba folículos ao redor da arteríola central contendo células B. Polpa Vermelha: Consiste de sinusóides e cordões celulares. Nela ocorre a hemocaterese (destruição de plaquetas e eritrócitos envelhecidos). As arteríolas centrais circundadas pela PALS se abrem livremente nos cordões da polpa vermelha e aí as plaquetas e hemácias velhas são fagocitadas por macrófagos.

A polpa branca é circundada por uma zona marginal que contêm macrófagos, APCs (células apresentadoras de antígenos), linf. B e NK. No baço, os linfócitos adentram a polpa branca na zona marginal e passam para os sinusóides da polpa vermelha de onde saem pela veia esplênica.

da polpa vermelha de onde saem pela veia esplênica. Figura 4 – Localização do baço e

Figura 4 Localização do baço e sua estrutura interna.

Linfonodos

Os linfonodos elaboram resposta imune contra antígenos circulantes na linfa (absorvida pelos vasos linfáticos que são presentes em todo o organismo, exceto no cérebro, globos oculares, cavidades medulares, cartilagens e placenta). Assim, basicamente os linfonodos filtram antígenos e fluídos intersticiais da linfa. Do mesmo modo que o baço, os linfonodos são circundados por uma cápsula fibrosa.

Os linfonodos têm formato de rim e possuem um hilo no seu lado convexo. A linfa chega aos linfonodos pelos vasos aferentes no lado côncavo e penetra no seio subcapsular, o qual é revestido de macrófagos. Em seguida, a linfa atravessa o córtex, paracórtex e medula (nesta ordem) e sai do linfonodo pelo hilo nos vasos eferentes.

Abaixo da cápsula, encontra-se o seio subcapsular, que contem fagócitos. Já o córtex, que é envolto pelo seio subcapsular, é rico em linf. B, pois contêm folículos primários e secundários. Os folículos linfóides dão estruturas que podem desaparecer e formar-se em diferentes locais no transcorrer do tempo. Existem dois tipos de folículos:

formar-se em diferentes locais no transcorrer do tempo. Existem dois tipos de folículos: MARTINS, Eduardo A.
formar-se em diferentes locais no transcorrer do tempo. Existem dois tipos de folículos: MARTINS, Eduardo A.

Imunologia Unidade I

Primários Contêm células B em repouso maduras, que são virgens ( ou seja, não foram desafiadas contra antígenos ainda).

Secundários Também conhecidos como centro germinativos, possuem principalmente linf. B de memória originados de outros linf B que foram ativados por determinado antígeno. As células B em proliferação no centro germinativo também sofrem um processo de maturação por afinidade, em que os linf B respondem mais avidamente ao antígeno.

Entre o córtex e a medula, encontra-se o paracórtex, que contem linf. T associados a APCs. Os linfócitos circulantes chegam aos linfonodos através das vênulas especializadas do endotélio alto (HEV) no paracórtex. Basicamente, a massa de tecido linfoide presente nos linfonodos se concentram no córtex e paracórtex. Sob o paracórtex localiza-se a medula, a qual possui linfócitos T, B, plasmócitos e macrófagos.

Na medida em que a linfa circula pelos linfonodos, a partir dos vasos linfáticos aferentes para eferentes, os antígenos são removidos pelas células fagocitárias e transportados para o tecido linfoide do linfonodo. Os linfócitos deixam o linfonodo somente através do vaso linfático eferente presente no hilo. Já a circulação sanguínea do linfonodo entra e sai pelo hilo.

circulação sanguínea do linfonodo entra e sai pelo hilo. Figura 5 – Estrutura interna de um

Figura 5 Estrutura interna de um linfonodo em relação à sua capacidade de criar um microambiente para o contato célula:antígeno.

MALT

Não é encapsulado e é encontrado na lâmina própria e submucosa dos tratos gastrointestinal, geniturinário e respiratório na forma de agregados difusos ou nódulos solitários ou agregados com centros germinativos (folículos secundários).

Na parede intestinal, há tecido linfóide difuso e placas de Peyer no ileo inferior, para as quais há um transporte eficiente de antígenos realizado por células epiteliais M.

eficiente de antígenos realizado por células epiteliais M. Figura 6 – Corte histológico mostrando placas de

Figura 6 Corte histológico mostrando placas de Peyer (seta).

Circulação Linfocitária

A migração dos linfócitos para os tecidos e linfonodos se dá pelas células endoteliais especializadas das vênulas pós-capilares (HEV) e saem pelos vasos linfáticos eferentes, passando daí para grupos de linfonodos maiores e daí para o ducto torácico, sendo a linfa então coletada pela veia subclávica esquerda. Uma exceção disto ocorre no baço, pois neste órgão os linfócitos não só entram, mas também saem através da corrente sangüínea.

Nos linfonodos, as HEV são encontradas principalmente no paracórtex. As células que revestem as HEV são endoteliais cubóides que expressam móléculas de adesão (E-selectina, P-selectina, ICAM-1, VCAM-1) e podem ser ativadas por meio de citocinas (ex: IFN-γ, Il-1, TNF).

ICAM-1, VCAM-1) e podem ser ativadas por meio de citocinas (ex: IFN- γ, Il -1, TNF).
ICAM-1, VCAM-1) e podem ser ativadas por meio de citocinas (ex: IFN- γ, Il -1, TNF).

Cap. 5 Células do Sistema Imune

Nos locais que estão ocorrendo inflamação, onde normalmente não existem HEV, as células endoteliais são ativadas e passam a permitir a passagem dos leucócitos, compartilhando assim com características das HEV. Dessa forma, o endotélio participa ativamente nas respostas inflamatórias, permitindo a diapedese e modulando a ação dos leucócitos envolvidos no processo. Quando expostas às citocinas (ex: Il-1, TNF-β, IFN-γ) ou à mediadores químicos, as células endoteliais tornam-se ativadas e passam a ter adesão aumentada a neutrófilos, monócitos e outras células circulantes. Este aumento na adesão é importante pois atrai leucócitos para o tecido afetado. Com base nisto, percebe-se que a inflamação atua constituindo um órgão linfóide lábil em determinada região, afim de o organismo poder assim estabelecer uma resposta aos agentes nocivos (permitindo, por exemplo, que os leucócitos fagocitem bactérias, degradem tecidos necróticos ou antígenos estranhos).

Expor antígenos a um grande número de linfócitos num microambiente adequado dos órgãos linfóides secundários. Isso é importante já que as células linfóides são monoespecíficas e existe apenas um numero finito de linfócitos capazes de reconhecer um determinado antígeno. Quando um antígeno adentra num animal já sensibilizado, há diminuição do fluxo linfocitário, permitindo que estes leucócitos antígeno-específicos fiquem retidos nos linfonodos drenando a fonte de antígenos.

retidos nos linfonodos drenando a fonte de antígenos. Figura 7 – Representação da recirculação de

Figura 7 Representação da recirculação de linfócitos.

Funções e Morfologia Celular

de linfócitos. Funções e Morfologia Celular As principais células efetoras da imunidade inata são:
de linfócitos. Funções e Morfologia Celular As principais células efetoras da imunidade inata são:

As principais células efetoras da imunidade inata são: macrófagos, neutrófilos, células dendríticas e células Natural Killer - NK. Fagocitose, liberação de mediadores inflamatórios, ativação de proteínas do sistema complemento, bem como síntese de proteínas de fase aguda, citocinas e quimiocinas são os principais mecanismos na imunidade inata. Esses mecanismos são ativados por estímulos específicos, representados por estruturas moleculares de ocorrência ubíqua em micro-organismos, mas que não ocorrem na espécie humana. Moléculas tais como lipopolissacarídeos, resíduos de manose e ácidos teicoicos, comumente encontradas na superfície de microorganismos, constituem Padrões Moleculares Associados a Patógenos (PAMPs) e ativam a resposta imune inata, por interação com diferentes receptores conhecidos como Receptores de Reconhecimento de Padrões (RRP), dentre os quais a família dos receptores Toll-like (TLRs). Essa interação é semelhante à complementaridade entre antígeno e anticorpo ou entre antígeno e receptor de linfócitos T (TCR), mas, nesse caso, não há diversidade nem capacidade adaptativa para a geração de novos receptores ou reconhecimento de novos padrões moleculares que não aqueles já programados no código genético.

de novos padrões moleculares que não aqueles já programados no código genético. MARTINS, Eduardo A. Página
de novos padrões moleculares que não aqueles já programados no código genético. MARTINS, Eduardo A. Página

Imunologia Unidade I

Imunologia – Unidade I Tabela 2 – Divisão das células do sistema imune de acordo com

Tabela 2 Divisão das células do sistema imune de acordo com suas funções.

das células do sistema imune de acordo com suas funções. Figura 8 – Diferentes tipos de

Figura 8 Diferentes tipos de RRPs, assim como a maneira na qual a ligação se estabelece.

Entre os vários RRPs envolvidos em opsonização, ativação de complemento e fagocitose, os TLRs se destacam por seu papel central na ligação a patógenos e iniciação da resposta inflamatória. Esses receptores estão presentes principalmente em macrófagos, neutrófilos e células dendríticas (DCs). Atualmente, 11 diferentes TLRs já foram identificados, alguns localizados na membrana celular, outros no interior das células. Outros receptores presentes em fagócitos, com importante papel na resposta imune, são aqueles para frações do complemento, citocinas, interleucinas e imunoglobulinas (tipo FcγR).

Em contraposição à resposta inata, a resposta imune adaptativa depende da ativação de células especializadas, os linfócitos, e das moléculas solúveis por eles produzidas. As principais características da resposta adquirida são: especificidade e diversidade de reconhecimento, memória, especialização de resposta,

autolimitação e tolerância a componentes do próprio organismo. Embora as principais células envolvidas na resposta imune adquirida sejam os linfócitos, as células apresentadoras de antígenos (APCs) desempenham papel fundamental em sua ativação, apresentando antígenos associados a moléculas do complexo de histocompatibilidade principal (MHC, major histocompatibility complex) para os linfócitos T (LT).

Neutrófilos

São células polimorfonucleares (PMN), ou seja, possuem um núcleo bilobulado, trilobulado ou pentalobulado. A presenças deste lóbulos nucleares ajuda na identificação destas células na microscopia óptica. Estes lóbulos são interligados por cromatina . A cromatina nuclear dos neutrófilos estando frouxa indica que a célula é jovem, e se estiver condensada indica célula antiga. Um pequeno apêndice aparece ao lado do núcleo de neutrófilos de pessoas do sexo feminino. Este apêndice é a manifestação visual da cromatina sexual (cromossomo X).

a manifestação visual da cromatina sexual (cromossomo X). Figura 9 – Representação de um neutrófilo (à

Figura 9 Representação de um neutrófilo (à esquerda) e seu aspecto em cortes histológicos (à direita).

de um neutrófilo (à esquerda) e seu aspecto em cortes histológicos (à direita). MARTINS, Eduardo A.
de um neutrófilo (à esquerda) e seu aspecto em cortes histológicos (à direita). MARTINS, Eduardo A.

Cap. 5 Células do Sistema Imune

São os leucócitos mais populosos do sangue, fazendo parte de aproximadamente 65% dos leucócitos do sangue. Eles são os principais fagócitos do sangue e participam da reação inflamatória, sendo sensíveis a agentes quimiotáxicos liberados pelos mastócitos, basófilos e complemento*. Agentes quimiotáxicos são substâncias que atraem os neutrófilos até o local, ajudando no movimento em direção ao agente agressor. A leucocitose de neutrófilos pode indicar uma infecção bacteriana, visto que este leucócitos participam da fagocitose de bactérias e são altamente estimulados numa infecção deste tipo, que é chamado no de desvio à esquerda no estudo do hemograma.

Os neutrófilos são células piogênicas, ou seja, dão o aspecto purulento nas inflamações, aquele “líquido leitoso” do pus. O pus é formado por substâncias bacterianas, bactérias mortas, sangue, mas principalmente por neutrófilos que morreram em combate. Eles possuem receptores de superfície denominados LFA-1( presente também em macrófagos ) , que é uma molécula de adesão, se ligando ao ICAM-1 dos endotélios, que se refere ao receptor de neutrófilos nos vasos. Ao se ligar ao endotélio, o neutrófilo realiza a diapedese, que é o processo no qual o neutrófilo atravessa os póros do endotélio dilatado em entra no tecido. O endotélio se dilata pela presença de vasodilatadores como histamina, prostaglandina E2, prostaciclina e componete C5a do complemento.

Os neutrófilos possuem em sua membrana receptores para o componente C3b do complemento . O C3b estimula a fagocitose pelos neutrófilos e o componente C5a é um importante quimiotáxico para eles, aumentando também o seu metabolismo. O C3b é gerada pela fixação do complemento e quando liberada na reação se liga ao receptor de superfície do neutrófilo fazendo opsionização, ou seja, ajuda na ingestão do material pelos fagócitos. Os neutrófilos ainda possuem receptores da fração FC das IgGs chamadas de FCgamaR. Estas imunoglobulinas IgG (neste caso são opsoninas) envolvem o material a ser fagocitado e se liga a este receptor de superfície, ocorrendo a emissão de pseudópodes e englobamento da partícula.

a emissão de pseudópodes e englobamento da partícula. Tabela 3 – Hidrolases e oxidantes dos lisossomas

Tabela 3 Hidrolases e oxidantes dos lisossomas dos leucócitos.

oportunistas e recidivantes.

O citoplasma destes granulócitos neutrófilos é rico em grânulos específicos (que se coram por corantes neutros), mas também possuem grânulos azurófilos que não são específicos para eles. Os grânulos azurófilos contém fosfatase ácida , mielo- peroxidase, proteínas básicas e glicosaminas sulfatadas ( se coram em púrpura pela coloração de Romanowsky). Já os grânulos específicos contém fosfatase alcalina, colagenase, lactoferrina e lisozima.

A mieloperoxidase (MPO) é uma enzima que compõem o sistema “peróxido de hidrogênio-MPO-hialida”. Este é o sistema mais eficiente e mais importante anti-microbiana presente no grânulos azurófilos dos neutrófilos. O mecanismo de ação dela se baseia no seguinte:

O neutrófilo sintetiza peróxido de hidrogênio por ação da enzima superóxido desmutase (SOD) a partir de 2 moléculas de superóxido. A MPO converte o peróxido de hidrogênio em presença de uma hialida como o cloreto(Cl-) em HOCl-, que é um poderosíssimo oxidante.Isto mata a bactéria por oxidar sua membrana plasmática e criar ligação moleculares prejudiciais ( faz união dos radicais sulfidrila dos aminoácidos cisteína das proteínas superficiais). Devemos destacar aqui uma doença denominada doença granulomatosa crônica da infância (DGC), que se caracteriza por defeito nos genes que codificam a MPO. Não havendo a MPO, a criança fica muito vulnerável a infecções

A lisozima presente nos fagócitos em geral, hidrolisa (quebra) a parede de bactérias gram-positivas principalmente. Este enzima hidrolisa a ligação entre a cadeia de ácido N-acetil-murâmico e o N-acetil-glucosamina da parede celular (camadas de peptidoglicana*).

A lactoferrina é um ligante do ferro, que é importantíssimo para a vida e desenvolvimento da bactéria. Quando a lactoferrina é liberada no meio por exocitose, ela se liga a todo o ferro que encontra no caminho e mata a bactéria de fome, pois ela não tem ferro para ingerir. Essa lactoferrina também é encontrada na saliva humana.

ela não tem ferro para ingerir. Essa lactoferrina também é encontrada na saliva humana. MARTINS, Eduardo
ela não tem ferro para ingerir. Essa lactoferrina também é encontrada na saliva humana. MARTINS, Eduardo

Imunologia Unidade I

A APB (proteína bactericida de aumento da permeabilidade) é uma substância altamente catiônica que altera a permeabilidade da membrana plasmática das bactérias (que é altamente aniônica) e as mata por osmose (entrada excessiva de líquido).

Colagenase digere o colágeno nos tecidos, e é responsável por criar o “abcesso” presente na inflamações purulentas ( furúnculo p. exemplo). Isso ocorre por que no pus estão presentes quantidade enorme de neutrófilos mortos que tiveram suas membrana plasmáticas rompidas, o que liberou para o meio as suas enzimas, incluindo a colagenase.

As enzimas hidrolíticas em geral necessitam de um pH ideal entre 4 e 5.Essas enzimas hidrolíticas descritas acima estão presentes nos lisossomas dos neutrófilos na forma inativa pois o pH está alto. Quando se fundem ao fagossoma formando o fagolissoma , o pH abaixa e ativa as enzimas, que vão agir sobre as bactérias presentes do fagossoma e fazer a digestão.

as bactérias presentes do fagossoma e fazer a digestão. Figura 10 – Formação do fagolisossoma e

Figura 10 Formação do fagolisossoma e as reações envolvidas na destruição do antígeno.

Eosinófilos

Os eosinófilos são leucócitos granulócitos presentes na sangue em pequena quantidade. É encontrado fazendo parte de aproximadamente 3% dos leucócitos do sangue. É binucleado e seu citoplama possuem grânulos específicos que se coram pela eosina (acidófilos), que são lisossomas, sendo ricos em fosfatases ácidas. As nucleases presentes são as ribonucleases e as desoxiribonucleades que digerem o RNA e o DNA, respectivamente.

Funcionalmente esta célula é capaz de fagocitar bactérias ou qualquer outro material estranho. Mas a sua principal função não é a fagocitose, mas sim a exocitose da PBM (proteína básica maior). Esta proteína é rica em arginina (aminoácido básico) e contribui muito para a acidofilia ( ou eosinofilia) dos grânulos desta célula, pois substâncias básicas tem afinidade por substâncias ácidas. Ela é tóxica para parasitas de humanos e causam a sua morte. Se o sangue do indivíduo estiver com a taxa de eosinófilos alta (leucocitose eosinofílica) é um grande indicador de infecção parasitária. Um exemplo é a infecção por Schistossoma mansoni, no qual a grande eosinofilia confirma a suspeita clínica e ajuda no diagnóstico.

Os eosinófilos também estão muito presentes em reações alérgicas do organismo. Isto ocorre porque o basófilo ou o mastócito, estimulado na reação alérgica, libera o ECF-A ( fator quimiotáxico dos eosinófilos na anafilaxia) ou seja, é um fator que atrai e dirige os eosinófilos até o local da alergia. O eosinófilo chega ao local da reação para resolver a reação (inibir) através da liberação de histaminase e aril sulfatase B que destróem a histamina e o SRS-A respectivamente,

B que destróem a histamina e o SRS-A respectivamente, Figura 11 – Representação de um eosinífilo

Figura 11 Representação de um eosinífilo (à esquerda) e seu aspecto em preparações histológicas (à direita).

de um eosinífilo (à esquerda) e seu aspecto em preparações histológicas (à direita). MARTINS, Eduardo A.
de um eosinífilo (à esquerda) e seu aspecto em preparações histológicas (à direita). MARTINS, Eduardo A.

Cap. 5 Células do Sistema Imune

que são produtos inflamatórios liberados pelos mastócitos ou basófilos sensibilizados.

Basófilos

Os basófilos são granulócitos encontrados no sangue em pequena quantidade, variando entre 0 a 1% dos leucócitos. Esta célula é grande, com núcleo volumoso, geralmente em forma de “S” e possui grânulos grandes no citoplasma.

Os basófilos tem função semelhante ao dos mastócitos. Possui aos mesmos mediadores nos seus

lisossomas, e possui também receptores de IgE. Participa de reações alérgicas da mesma forma que os mastócitos.

A diferença básica entre oa basófilos e os mastócitos está no fato de os basófilos serem encontrados no sangue (

não típico do tec. conjuntivo) e da estrutura morfológica. A origem também é diferente, como se pode observar no capítulo I referente a leucocitopoese.

A sua participação no choque anafilático (sistêmico) é maior que o mastócitos, pois os basófilos são células que realmente estão presentes no sangue, e liberam os mediadores para a circulação.

no sangue, e liberam os mediadores para a circulação. Figura 12 - Representação de um basófilo

Figura 12 - Representação de um basófilo (à esquerda) e seu aspecto em preparações histológicas (à direita).

Mastócitos

Os mastócitos são células do tecido conjuntivo, originado a partir de células mesenquimatosas (células de grande potência de diferenciação que dá origem as células do tecido conjuntivo).

Possui citoplasma rico em grânulos de coloração azul pelo HE (basófilos). A principal função dos mastócitos

é armazenar potentes mediadores químicos da inflamação, como a histamina, heparina, ECF-A (fator quimiotáxico dos eosinófilos), SRS-A , serotonina e fatores quimiotáxicos dos neutrófilos.

Esta célula não tem significado no sangue, sendo uma célula própria do tecido conjuntivo. Ela participa de reações alérgicas (de hipersensibilidade), na qual chama os leucócitos até o local e cria uma vasodilatação.

É a principal célula responsável pelo famoso choque anafilático. O Processo de ativação da desgranu-lação (exocitose) se baseia na sensibilização destas células (mastócitos), que ocorre em indivíduos com uma predisposição genética na maioria dos casos. Esta sensibilização ocorre da seguinte forma: o primeiro contato com o alérgeno (substância irritante que causa a alergia) estimula a produção de IgE específicas que se unem aos receptores de superfície dos mastócitos, pois estes são rico em receptores de IgE. No segundo contanto, as IgE ligadas ao mastócito se ligam ao alérgeno e desencadeia a liberação de todos os mediadores inflamatórios. Com isso a histamina causa uma vasodilatação, a heparina é anticoagulante, o ECF-A chama os eosinófilos e a fator quimiotáxico dos neutrófilos chama os neutrófilos ao local. O SRS-A (slow reacting substance of anaphilaxis) traduzindo significa substância de reação lenta da anafilaxia e tem como efeito produzir contração lenta da musculatura lisa. Esta contração da musculatura lisa é importante quando essa reação anafilática ocorre no pulmão (devido à inalação do antígeno) e leva a uma broncoconstricção (asma alérgica).A histamina também contribui muito na asma devido a presença de receptores histaminérgicos H2 que causam broncocontricção.

Sobre mecanismo de liberação dos mediadores o que ocorre, de um modo mais detalhado, é a ativação da adenil ciclase pelo receptor de IgE estimulado. A adenil ciclase quebra o ATP em AMPc, que vai ativar uma enzima

chamada de proteína quinase A, que vai fosforilar filamentos contráteis do citoplasma. O AMPc também proprociona

citoplasma

a maior entrada de íons de cálcio (Ca++), que favorece a contração das miofibrilas. Essa contração do carreia as vesículas cheias de mediadores para a membrana plasmática realizando a exocitose.

as vesículas cheias de mediadores para a membrana plasmática realizando a exocitose. MARTINS, Eduardo A. Página
as vesículas cheias de mediadores para a membrana plasmática realizando a exocitose. MARTINS, Eduardo A. Página

Imunologia Unidade I

Outro meio de causar a ativação da desgranulação dos mastócitos, porém sem a participação da IgE é a ligação dos componentes C3a, C4a e C5a do complemento e de IL-3 com receptores de superfície. Os componentes do complemento são liberadas na ativação da via clássica e a IL-3 é liberada por linfócito T ativados.Essas substâncias são conhecidas como anafilotoxinas pois podem desencadear a reação anafilática.

O efeito da reação anafilático no paciente se manifesta clinicamente no local onde houve o contato com o alérgeno. Por exemplo, se for na conjuntiva dos olhos, ocorrerá uma conjuntivite alérgica, no intestino uma diarréria e vômitos, na pele ocorre edema angioneurótico e erupção maculo-papular. A urticária resulta de antígenos que foram absovidos pelo trato intestinal e que vão causar alergia na pele. Esses casos podem ser tratados com hidrocortisona ou antihistamínicos. Foi descoberto que o interferon gama ( produzido por linfócitos T helper-1) pode inibir o processo de secreção de IgE pelos plasmócitos, podendo assim impedir a desgranulação dos mastócitos.

É importante que saibamos os efeitos sistêmicos do choque anafilático, que ocorre quando o antígeno é inoculado na circulação sangüínea do paciente. Este antígeno pode ser a penicilina, ou peçonha de algum inseto (abelha) e etc. A histamina liberada em grande quantidade no sangue é o principal responsável pelo efeitos sistêmicos do choque anafilático: taquicardia (efeito direto de receptores H2 no coração ou pelo efeito reflexo baroceptor pela queda da pressão arterial), hipotensão arterial grave devido a intensa vasodilatação. Ocorrem ainda

edema de glote (laringe) e efeitos gastrintestinais (diarréia, vômitos

colapso circulatório e deve ser tratado imediatamente com administração de adrenalina, pois é o antagonista

fisiológico da histamina. A reação anafilática é também chamada de reação de hipersensibilidade tipo I.

Esse choque sistêmico pode levar a morte por

).

tipo I. Esse choque sistêmico pode levar a morte por ). Figura 13 - - Esta

Figura 13 - - Esta figura ilustra a ação dos mastócitos na reação de hispersensibilidade tipo I ou anafilática. O alérgeno no seu primeiro contato estimulou a resposta imune humoral, fazendo com que os plasmóctios produzissem as IgE específicas para o alérgeno. As IgE se ligam aos mastócitos, fazendo-os ficar sensibilizados. No segundo contato, o alérgeno se liga ao mastócito sensibilizadoe faz com que ele libere os mediadores da inflamação. O ECF-A é o quimitáxico dos eosinófilos. Estes chegam ao local e liberam o seu conteúdo lisossômico. Este conteúdo contem susbtâncias que vão hidrolisar(destruir) a histamina e o SRS-A liberado pelos mastócitos. A histamina é o principal vasodilatador, levando a graves consequências para o indivíduo.

Monócitos/Macrófagos

Os monócitos estão presentes no sangue, constituindo-se de 3 a 8 % dos leucócitos circulantes. O macrófagos não estão circulando no sangue, são células que aparecem no tecido conjuntivo ou no parênquima de algum órgão, e é originado a partir dos monócitos, que migraram até o local (veja capítulo I).

Os monócitos tem núcleo ovóide, ou em forma de rim e o citoplasma basófilo, com grânulos azurófilos. É diferente do macrófago, que é uma célula grande, amebóide com retículo endoplasmático rugoso e complexo de Golgi desenvolvidos.

grande, amebóide com retículo endoplasmático rugoso e complexo de Golgi desenvolvidos. MARTINS, Eduardo A. Página 11
grande, amebóide com retículo endoplasmático rugoso e complexo de Golgi desenvolvidos. MARTINS, Eduardo A. Página 11

Cap. 5 Células do Sistema Imune

Cap. 5 – Células do Sistema Imune Figura 14 – Diferenciação de monócitos em macrófagos nos

Figura 14 Diferenciação de monócitos em macrófagos nos tecidos.

O monócito também participa da formação dos granulomas na inflamação crônica granulomatosa. Eles se fundem em formam as células gigantes de Langhans. Estas células multinucleadas gigantes tem grande capacidade fagocitária, e engloba partículas maiores, como fungos (paracoccidiodes, coccidioides, blastomyces etc.) e também bactérias (Treponema pallidum, Mycobacterium tuberculosis e M. leprae). No granuloma, os macrófagos (originados dos monócitos do sangue) se modificam e viram células epitelióides, com grande atividade secretora e pouca atividade fagocítica. Elas secretam enzimas hidrolítica que vão matar o ser estranho que está no granuloma. Estas enzimas também causam necrose no centro desses granulomas, como por exemplo, a necrose caseosa encontrada na tuberculose.

por exemplo, a necrose caseosa encontrada na tuberculose. Figura 15 – Formação de granuloma. Os monócitos

Figura 15 Formação de granuloma.

Os monócitos também formam os osteoclastos presente no tecido conjuntivo ósseo. Estes osteoclastos são células que digerem a hidroxiapatita dos óssos e com isso liberam cálcio e fosfato para o sangue. Ficam estacionadas dentro de cavidades denominadas lacunas de Howship. Sua atividade é regulada pelo paratormônio, que estimula sua atividade. Quando o cálcio do sangue cai abaixo de um limiar, as glândulas paratireóides liberam este hormônio.

Os macrófagos são células de altíssimo poder fagocitário. O interferon gama* produzido por linfócitos T helper estimula a fusão dos lisossomas com o fagossoma para que haja a digestão intracelular. Este fato é importante para entender diversas doenças como a leishmaniose difusa e a hanseníase lepromatosa . Estes fagócitos possuem diversas enzimas hidrolíticas em seus lisossomas.Ele não possui a mieloperoxidase, mas mata as bactérias por liberação de radicais derivados do oxigênio, como o superóxido, radical hidroxila e o peróxido de hidrogênio ( H2O2). Estes vão oxidar as membranas das celulares da bactéria e formar pontes dissulfeto entre os

vão oxidar as membranas das celulares da bactéria e formar pontes dissulfeto entre os MARTINS, Eduardo
vão oxidar as membranas das celulares da bactéria e formar pontes dissulfeto entre os MARTINS, Eduardo

Imunologia Unidade I

aminoácidos cisteína de diversas proteínas estruturais da bactéria, o que leva a morte da mesma. Entretanto, a bactéria pode possuir alguma enzima que degrada a H2O2, como a catalase presente no Staphilococcus aureus. A catalase é nesse caso um mecanismo de defesa da bactéria, pois destrói o peróxido de hidrogênio.

da bactéria, pois destrói o peróxido de hidrogênio. Figura 16 – Relação entre a imunidade inata

Figura 16 Relação entre a imunidade inata e adaptativa dependente dos macrófagos.

Possui funções de extrema importância para o sistema imune:

Apresentador de antígenos: Os macrófagos são células que vão fagocitar a antígeno e digerí-

lo

no fagolisossoma. Porém os seus epítopos* são levados até a superfície da célula e apresentado

ao linfócito T ou ao linfócito B. Ao mesmo tempo ele sintetiza o MHC-classe II que se combinará com

o linfócito T. Este irá estimular todo o sistema imune do organismo e “convocar” as células para o ataque.

Limpador : Os macrófagos são células que chegam para fazer a limpeza de um tecido que

necrosou, ou que inflamou. Eles fagocitam restos celulares, células mortas, proteínas estranhas, calo ósseo que se formou numa fratura, tecido de cicatrização exuberante etc. Após esta limpeza, os

fibroblastos ativos ( no caso de uma necrose) vão ao local e preenchem o espaço com colágeno.

Produtor de interleucinas: O macrófago é o principal produtor da interleucina I (IL-1). Ele

produz a IL-1 quando fagocita organismos invasores (micróbios), que dá o alarme para o sistema

imune. Esta citocina estimula linfócitos T helper até o local da infecção, onde serão apresentados aos epítopos nos macrófagos. Além disso a IL-1 estimula a expansão clonal dos LThelper e dos linfócitos

B específicos contra os epítopos (lembre-se: epítopos são moléculas específicas dos antígeno que é

capaz de criar uma população de células específica para combatê-lo)

A IL-1 é responsável pela febre nas infecções e inflamações que ocorrem no corpo. Ela vai ao hipotálamo, nos núcleos supraópticos e estimula a produção de prostaglandinas, que ativam o sistema de elevação da temperatura. Estes núcleos ativados vão fazer com que os vasos sangüíneos da pele se contraem. Com isso a pele retém o calor do corpo, fazendo-o esquentar. O suor que aparece na febre indica melhora, pois os vasos da pele se dilatam e as glândulas sudoríparas estão em funcionamento, liberando água, com isso mandando o calor para o meio externo. A IL-1 também estimula a ciclo-oxigenase no metabolismo do ac. aracdônico, aumentando a produção de prostaglandinas pelos leucócitos , que vai contribuir para a inflamação e dor (lembre-se que as prostaglandinas participam do mecanismo da dor). Além disso a IL-1 estimula a síntese de proteínas de adesão leucocitária nos endotélios (como a ICAM-1) e facilita a adesão dos leucócitos para realizar a diapedese. Outras funções da IL-1 se referem aos estímulos para maturação dos leucócitos, descrito no capítulo 1.

Os macráfagos são resposáveis pelo sistema monocítico fagocitário (SMF), pois vem da maturação dos monócitos que chegam pelo sangue. Existem células que são morfologicamente diferentes dos macrófagos, mas tem a mesma função, e provém dos monócitos da mesma forma, sendo, então parte do SMF. São eles:

Monócito sanguïneo - circulante no sangue;

Micróglia - SNC;

SMF. São eles:  Monócito sanguïneo - circulante no sangue;  Micróglia - SNC; MARTINS, Eduardo
SMF. São eles:  Monócito sanguïneo - circulante no sangue;  Micróglia - SNC; MARTINS, Eduardo

Cap. 5 Células do Sistema Imune

Células de Kuppfer - fígado;

Macrófagos alveolares - pulmão;

Células dendríticas - região subcortical dos linfonodos;

Mesangio intraglomerular - glomérulo de Malpighi renal;

Macrófagos sinusais dos baço - cordões de billroth da polpa vermelha do baço.

Macrófagos das serosas - peritônio, pericárdio e pleura;

Células de Langehans - pele;

Os macrófagos ou células de Langehans da pele quando inativados, viram histiócitos. Estes reduzem as suas

organelas e diminuem o seu metabolismo ficando como um “vegetal”. Os histiócitos são responsáveis pela formação

da

tatuagem, onde seu citoplasma fica cheio de pigmentos fagocitados.

Os macrófagos possuem receptores de superfície ( ou marcadores) que são chamados de RC1 e FC-gamaR

O

RC1 é o receptor que se interage com o componente C3b do complemento. A interação deste C3b com o RC1

estimula a fagocitose dos macrófagos (opsionização). Já o FC-gamaR é o receptor de IgG para a sua fração FC cuja interação causa opsionização, estimulando a fagocitose (englobamento pela emissão de pseudópodes). Estes receptores descritos acima são importantes, pois a bactéria ou outros agentes estranhos costumam estar envolvidos de IgG e de componentes do complemento como o C3b. Outro receptor encontrado nos macrófagos é o LFA-1 que é responsável pela adesão ao endotélio capilar (semelhante aos neutrófilos)

Um destaque deve ser dado para as células dendríticas dos linfonodos. Estes não expressam o MHC-classe

II, apenas o RC1 e o FC-gamaR e mantém interações de apresentação do antígeno aos LB dos linfonodos.

Células Dendríticas

As células dendríticas, especializadas na captura e apresentação de antígenos para os linfócitos, são consideradas uma ponte entre a imunidade inata e a adaptativa, por serem atraídas e ativadas por elementos da resposta inata e viabilizarem a sensibilização de LT da resposta imune adaptativa. Residem em tecidos periféricos, como pele, fígado e intestino, onde capturam antígenos e se tornam ativadas, migrando para os linfonodos regionais, nos quais processam e apresentam antígenos proteicos ou lipídicos aos LTs. DCs imaturas são altamente eficientes na captura de antígenos, enquanto as maduras são muito eficientes na apresentação. Os antígenos capturados são processados dentro da célula e apresentados em sua superfície, inseridos em moléculas do MHC. Em geral, antígenos proteicos são apresentados por moléculas MHCs clássicas (de classes I e II) que estimulam LTαβ. Antígenos lipídicos são apresentados por moléculas MHCs não clássicas como CD1 e estimulam principalmente LTγδ e células NK/T.

Durante sua vida útil, as DCs imaturas migram da medula óssea pela corrente sanguínea, atingindo tecidos periféricos como a pele, onde se tornam residentes (células de Langerhans). Um aspecto curioso é que as DCs são as primeiras células a chegar a um sítio infeccioso, precedendo até mesmo os neutrófilos. Após o contato com o antígeno, as DCs se tornam ativadas e migram pelos vasos linfáticos até os órgãos linfoides secundários. Podem receber sinais de maturação a partir de células NK, NK/T e LT, de moléculas proinflamatórias, como citocinas, prostaglandinas e interferons e dos PAMPs. As DCs retêm o antígeno nos órgãos linfoides por períodos extensos, o que pode contribuir para a memória imunológica. Essas células orquestram a migração de outros tipos de células imunes dentro dos linfonodos via secreção de quimiocinas e regulam a diferenciação, a maturação e a função de LT de modo contato-dependente e por secreção de fatores solúveis, sendo, portanto, fundamentais para o início e a coordenação da resposta imunológica adquirida.

Há duas vias de diferenciação das DCs a partir de um progenitor comum. A via mieloide gera DCs mieloides (mDCs), entre os quais estão as células de Langerhans, as principais DCs na pele e as DCs intersticiais encontradas em outros tecidos. A outra via de diferenciação gera as DCs plasmocitoides (pDCs), que predominam no sangue periférico e secretam grandes quantidades de interferon tipo I (IFN-α/β) na vigência de infecções virais. As pDCs têm receptores citoplasmáticos capazes de responder a RNA (TLRs 7 e 8) e DNA (TLR9), enquanto as mDCs expressam preferencialmente receptores de superfície para PAMPs, como peptidoglicanos (TLR2) e lipopolissacarídeos (TLR4).

As DCs são decisivas para a determinação da ativação e do tipo de imunidade mediada pelos LTs. Em geral, DCs imaturas são tolerogênicas, enquanto DCs maduras são imunoestimuladoras. Entretanto, em alguns contextos, DCs maduras podem expandir a população de LTs reguladores. A indução de tolerância ou resposta imune depende do conjunto de sinais recebidos pelas DCs, tais como ativação de TLRs e citocinas presentes no meio. As DCs podem coordenar respostas dos LBs via ativação de LT ou diretamente, por substâncias solúveis como o INF-α.

dos LBs via ativação de LT ou diretamente, por substâncias solúveis como o INF- α. MARTINS,
dos LBs via ativação de LT ou diretamente, por substâncias solúveis como o INF- α. MARTINS,

Imunologia Unidade I

Imunologia – Unidade I Figura 17 – Apresentação de antígenos pela célula dendrítica (APC profissional).

Figura 17 Apresentação de antígenos pela célula dendrítica (APC profissional).

Células NK

As células Natural Killer (NK) têm origem na medula óssea, a partir de um progenitor comum aos LTs, constituindo de 5% a 20% das células mononucleares do sangue. São uma importante linha de defesa inespecífica, reconhecendo e lisando células infectadas por vírus, bactérias e protozoários, bem como células

tumorais. Ademais, recrutam neutrófilos e macrófagos, ativam DCs

e linfócitos T e B. A expansão e a ativação das NKs são

estimuladas pela IL-15, produzida por macrófagos, e pela IL-12, indutor potente da produção de IFN-γ e ação citolítica. Uma vez ativadas, as NKs lisam células infectadas e tumorais e secretam citocinas pro-inflamatórias (IL-1, IL-2 e principalmente IFN-γ).

pro-inflamatórias (IL-1, IL-2 e principalmente IFN- γ). Figura 18 - Relações realizadas pelas células NK. A

Figura 18 - Relações realizadas pelas células NK.

A citólise mediada pelas NKs ocorre pela ação das enzimas perforinas, que criam poros na membrana das células- alvo, e granzimas, que penetram nas células, desencadeando

morte celular por apoptose. As células NKs apresentam receptores

de ativação e de inibição, e o balanço entre os sinais gerados por

eles determina sua ativação. Uma classe de receptores pertence à superfamília das imunoglobulinas (KIR), enquanto a outra pertence à família das lectinas tipo-C. No homem, há 14 receptores KIR, oito inibidores e seis ativadores. Os receptores de inibição reconhecem moléculas MHC de classe I próprias, expressas na superfície de todas as células nucleadas. De modo geral, há dominância dos receptores de inibição, impedindo a lise das células normais do hospedeiro, que expressam moléculas de MHC de classe I. Células infectadas, especialmente por vírus, e células tumorais

frequentemente apresentam baixa expressão das proteínas de MHC classe I, tornando-se vulneráveis à ação das NK. A capacidade tumoricida das NKs é aumentada por citocinas como interferons e interleucinas (IL-2 e IL-12). Outra ação efetora das NKs é a destruição de células revestidas por

anticorpos IgG, via receptores Fc (FcγRIII ou CD16), pelo mecanismo de citotoxicidade celular dependente de anticorpos (ADCC).

ou CD16), pelo mecanismo de citotoxicidade celular dependente de anticorpos (ADCC). MARTINS, Eduardo A. Página 15
ou CD16), pelo mecanismo de citotoxicidade celular dependente de anticorpos (ADCC). MARTINS, Eduardo A. Página 15

Cap. 5 Células do Sistema Imune

Cap. 5 – Células do Sistema Imune Figura 20 – Características da formação e ação dos

Figura 20 Características da formação e ação dos linfócitos

B.

Linfócitos B

da formação e ação dos linfócitos B. Linfócitos B Os LB são inicialmente produzidos no saco
da formação e ação dos linfócitos B. Linfócitos B Os LB são inicialmente produzidos no saco

Os LB são inicialmente produzidos no saco vitelino, posteriormente, durante a vida fetal, no fígado e finalmente na medula óssea. As células que vão se diferenciar em LB permanecem na medula óssea durante sua maturação e os LB maduros deixam a medula e entram na circulação, migrando para os órgãos linfoides secundários.

As moléculas responsáveis pelo reconhecimento de antígenos nos LB são as imunoglobulinas de membrana, IgM e IgD. Estas são a contrapartida dos receptores de linfócitos T (TCR) e por analogia são denominadas receptores de linfócitos B (BCR) em alguns contextos.

Maturação

A maturação dos linfócitos B tem início a partir das

células pró-B que expressam três genes, TdT, RAG1 e RAG2, que comandam a recombinação gênica necessária para a produção de imunoglobulinas. A montagem da cadeia pesada se inicia com a combinação aleatória de um segmento D e um J, que a seguir se unem a um segmento V, definindo a

especificidade de reconhecimento do anticorpo que será formado, independentemente da porção constante que fará parte da cadeia completa. Essa cadeia pesada se associa a uma cadeia invariável e é expressa na superfície como um pré-BCR, juntamente com as moléculas assessórias Igα e Igβ. Em seguida ocorre o rearranjo da cadeia leve k e, na falha desta, da cadeia λ. Cada LB apresenta, portanto, um único tipo de cadeia leve associado à cadeia pesada. O sucesso na expressão de uma IgM completa na superfície do LB leva à progressão da maturação com subsequente produção de IgD de membrana.

É importante ressaltar que todo rearranjo gênico ocorre no início da maturação do LB, no estágio pré-B, ainda na medula óssea, e de modo totalmente independente de qualquer contato com antígeno.O processo combinatório dos diferentes segmentos que compõem as porções variáveis das cadeias pesadas e leves e as diferentes

possibilidades de associação entre elas resultam em cerca de 1011 especificidades diferentes de reconhecimento

pelas imunoglobulinas.

A fim de restringir esse repertório, mecanismos de seleção positiva e negativa atuam durante a maturação

dos LB. Na seleção positiva, os LB imaturos expressando moléculas funcionais de Ig de membrana recebem sinais de sobrevivência para prosseguir a maturação. No processo de seleção negativa, os LB imaturos, ainda na medula óssea, que reconhecem antígenos próprios com alta afinidade sofrem apoptose ou entram em um processo denominado edição de receptor, no qual os genes RAG são novamente ativados e outra combinação V-J de cadeia

leve

anterior, auto-reativa.

é

gerada

em

substituição

à

leve anterior, auto-reativa. é gerada em substituição à Figura 21 – Fases da maturação dos linfócitos

Figura 21 Fases da maturação dos linfócitos B.

Os estágios de maturação dos LB são caracterizados por um padrão específico de expressão de

genes de imunoglobulinas e de outras proteínas de membrana que servem

como marcadores fenotípicos desses

estágios de desenvolvimento. Essas moléculas de superfície cumprem funções específicas importantes nas

diferentes fases de maturação do LB.

A existência de anticorpos

monoclonais específicos para cada um desses marcadores permite que sejam feitos estudos sobre a distribuição e a dinâmica da linhagem

permite que sejam feitos estudos sobre a distribuição e a dinâmica da linhagem MARTINS, Eduardo A.
permite que sejam feitos estudos sobre a distribuição e a dinâmica da linhagem MARTINS, Eduardo A.

Imunologia Unidade I

de LB. Ademais, monoclonais contra algumas dessas moléculas de superfície também podem ser utilizados com finalidade terapêutica, atingindo determinadas subpopulações de células da linhagem B.

Ativação dos Linfócitos B

Os LB são responsáveis pela imunidade humoral que se caracteriza pela produção e liberação de anticorpos capazes de neutralizar, ou até mesmo destruir, os antígenos (Ag) contra os quais foram gerados. Para tal, os LB devem ser ativados, o que acarreta um processo de proliferação e diferenciação, que culmina na geração de plasmócitos com produção de imunoglobulinas com alta afinidade para o epítopo antigênico que originou a resposta. Para ativação, é preciso que o BCR ligue-se a um epítopo antigênico, o que desencadeia uma sequência de eventos intracelulares. Além do reconhecimento do antígeno, a ativação dos LB depende também de um segundo sinal ativador.

O complexo do receptor de LB (BCR) inclui, além da imunoglobulina de membrana, duas cadeias peptídicas, Igα e Igβ, que têm função de dar início à sinalização intracelular após o encontro com o antígeno. As moléculas Igα e Igβ contêm motivos de ativação (ITAMs) que são fosforilados após ligação do antígeno ao complexo BCR, e ativam fatores que promovem a transcrição de genes envolvidos na proliferação e diferenciação dos LB.

Figura 22 Aspectos morfológicos e funcionais do BCR.

Os LB funcionam também como células apresentadoras de

antígeno, após interiorizarem e processarem o Ag ligado ao receptor de superfície (BCR). Os peptídeos gerados pelo processamento são expressos na membrana dos LB ligados às moléculas do complexo maior de histocompatibilidade (MHC) classe II, para apresentação aos LTCD4+ (auxiliares). A interação do complexo peptídeo/MHC classe II com o receptor de LT (TCR) inicia uma cadeia de eventos que levam os LT auxiliares à expansão clonal e produção de citocinas que

estimulam a proliferação e diferenciação dos LB.

Proteínas do complemento também fornecem sinais secundários para ativação por meio do receptor para o fragmento C3d, denominado CR2 ou CD21, expresso na superfície dos LB. O CD21 forma um complexo com outras duas proteínas de membrana, CD19 e CD81, permitindo o reconhecimento simultâneo do C3d e do antígeno pelo BCR. Esta ligação promove o início da cascata de sinalização de ambos os receptores, gerando uma resposta muito maior se comparada à resposta do antígeno não ligado à molécula C3d. A possibilidade da ligação C3d/CR2 atuar como o segundo sinal para a ativação dos LB garante o desencadeamento da resposta frente a microorganismos e antígenos que ativam o complemento. Esse é também um mecanismo de amplificação da resposta imune humoral, uma vez que anticorpos capazes de ativar o complemento vão resultar em maior estímulo dos LB.

Recentemente tem sido destacado o potencial dos LB em desempenhar suas funções após ativação de outros receptores relacionados à resposta imune inata, tais como os Toll-Like Receptors (TLRs). Foi demonstrado que os LB expressam a maioria dos TLRs, tais como TLR-2, TLR-3, TLR-5 TLR-7 e TLR-9, respondendo a uma enorme variedade de ligantes que podem ser proteicos, polissacarídicos, lipídicos e outros.

A resposta dos LB a antígenos peptídicos requer a ajuda dos LT auxiliares e esses antígenos são, por isso, denominados "antígenos T dependentes". Muitos antígenos não proteicos, com epítopos repetitivos, não necessitam da cooperação dos LT e são denominados "antígenos T independentes".

Tipos de Respostas

As respostas primárias e secundárias dos anticorpos para os antígenos proteicos diferem qualitativa e quantitativamente.

Resposta Primária

O primeiro contato com um antígeno, por exposição natural ou vacinação, leva à ativação de LB virgens, que se diferenciam em plasmócitos produtores de anticorpos e em células de memória, resultando na produção de

produtores de anticorpos e em células de memória, resultando na produção de MARTINS, Eduardo A. Página
produtores de anticorpos e em células de memória, resultando na produção de MARTINS, Eduardo A. Página

Cap. 5 Células do Sistema Imune

anticorpos específicos contra o antígeno indutor. Após o início da resposta, observa-se uma fase de aumento exponencial dos níveis de anticorpos, seguida por uma fase denominada platô, na qual os níveis não se alteram. Segue-se a última fase da resposta primária, a fase de declínio, na qual ocorre uma diminuição progressiva dos anticorpos específicos circulantes.

Resposta Secundária

Ao entrar em contato com o antígeno pela segunda vez, já existe uma população de LB capazes de reconhecer esse antígeno devido à expansão clonal e células de memória geradas na resposta primária. A resposta secundária difere da primária nos seguintes aspectos: a dose de antígeno necessária para induzir a resposta é menor; a fase de latência é mais curta e a fase exponencial é mais acentuada; a produção de anticorpos é mais rápida e são atingidos níveis mais elevados; a fase de platô é alcançada mais rapidamente e é mais duradoura e a fase de declínio é mais lenta e persistente.

A magnitude da resposta secundária depende também do intervalo de tempo desde o contato inicial com o antígeno. A resposta será menor se o intervalo for muito curto ou muito longo. Se for muito curto, os anticorpos ainda presentes formam complexos Ag/Ac que são rapidamente eliminados; se for muito longo, é possível que as células de memória tenham diminuído gradualmente com o tempo, embora a capacidade para deflagrar uma resposta secundária possa persistir por meses ou anos. O período ótimo para a indução de resposta secundária é logo após a queda do nível de anticorpos da resposta primária abaixo dos limites de detecção.

Nos dois tipos de resposta, primária e secundária, há a produção dos isótipos IgM e IgG, porém, na resposta primária IgM é a principal Ig e a produção de IgG é menor e mais tardia. Na resposta secundária, a IgG é a imunoglobulina predominante. Nas duas respostas, a concentração de IgM sérica diminui rapidamente de maneira que, após uma ou duas semanas, observa-se queda acentuada enquanto a produção de IgG é persistente. Vale a pena enfatizar que os testes imunoenzimáticos muito sensíveis podem registrar níveis baixos ou residuais de IgM por meses em alguns casos.

baixos ou residuais de IgM por meses em alguns casos. Figura 23 – Cronologia das respostas

Figura 23 Cronologia das respostas linfocitárias.

Células B reguladoras

O conceito de LB reguladores (BREGS) foi introduzido por Bhan e Mizoguchi11 a partir de estudo com camundongos LB deficientes (B-) cruzados com camundongos que não expressavam TCRα (TCRα-/-) e desenvolviam espontaneamente colite crônica. Os camundongos duplamente afetados (B-/TCRα-/-) apresentaram doença mais precocemente e inflamação mais exacerbada do que animais TCRα-/-, mas que tinham LB. De modo surpreendente foi comprovado que, naquele modelo experimental, era possível minimizar o efeito da colite no grupo B-/TCRα-/-, pela administração de imunoglobulinas purificadas e de autoanticorpos anticélulas epiteliais colônicas. A melhora observada foi acompanhada de aumento no clearance de células apoptóticas favorecido pelos autoanticorpos produzidos pelos LBREGS.

de células apoptóticas favorecido pelos autoanticorpos produzidos pelos LBREGS. MARTINS, Eduardo A. Página 18
de células apoptóticas favorecido pelos autoanticorpos produzidos pelos LBREGS. MARTINS, Eduardo A. Página 18

Imunologia Unidade I

Outros estudos em modelos experimentais comprovaram a existência de células com capacidade imunomoduladora no pool de LB que, em um ambiente cronicamente inflamado, se diferenciam em um fenótipo com alta expressão de CD1d, capacidade de produção de IL-10 e habilidade para suprimir a resposta inflamatória. Os LBREGS dependem de interação antigênica e estimulação via molécula CD40L e B7, mas, uma vez ativadas, produzem IL-10 e TGF-β suprimindo a ativação e diferenciação de LTCD4+, LTCD8+ e células NK/T, inibem a ativação de células dendríticas e estimulam a diferenciação de LT reguladores. Mediante contato dos LBREGS com LT virgens há inibição da ativação do LT e da diferenciação em TH1

O estudo dos LBREGS em modelos animais deixa claro o papel regulador dessas células nas diferentes enfermidades. A comprovação da existência dessas células no homem será de grande relevância para a compreensão das doenças autoimunes. Mais do que entender a diversidade de efeitos das citocinas anti- inflamatórias que asseguram as funções dos LBREGS, o seu estudo reforça as evidências da produção de autoanticorpos de modo fisiológico com finalidade protetora.

Subtipos Especiais de Linfócitos B

Além do LB convencional (B2) existem outros subtipos de LB como os B1 e os LB da zona marginal (MZ-B) do baço, que atuam como verdadeiras sentinelas em sítios anatômicos específicos como: cavidade peritoneal,

cavidade pleural e zona periférica do baço, respectivamente. Estes subtipos assemelham-se muito aos linfócitos Tγδ

e aos linfócitos NK/T por sua localização em regiões específicas e função efetora com a utilização de receptores altamente conservados, mas capazes de reconhecer uma variedade limitada de patógenos. Ambos os subtipos exercem tanto as funções de células da imunidade inata como da resposta adaptativa. Por pertenceram aos dois tipos de resposta, provavelmente essas células representam uma forma primitiva e conservada de imunidade.

Linfócitos B1

Os LB1 constituem uma subpopulação distinta dos LB convencionais (B2). Possuem forte capacidade autorrenovadora e são encontrados principalmente na cavidade pleural, peritoneal e em menor quantidade no baço. São responsáveis pela produção da maior parte das IgM naturais e também da maioria dos anticorpos de classe IgM, incluindo anticorpos contra LT, dsDNA, eritrócitos e anticorpos que reconhecem constituintes bacterianos comuns. Tem sido sugerido que os LB1 representam uma relíquia evolutiva originada de uma linhagem primitiva da imunidade inata que se tornou uma célula linfoide do sistema adaptativo, mas ainda mantém muitas características de uma

célula do sistema inato. Os LB1 parecem representar a primeira linha de defesa contra infecções sistêmicas por vírus

e bactérias e são de fundamental importância para o equilíbrio homeostático do organismo. Produzem anticorpos

polirreativos e de baixa afinidade, importantes para remoção de células envelhecidas e/ou que sofreram estresse

celular e proteção contra o desenvolvimento de doenças autoimunes e arterosclerose.

Os LB1 expressam baixos níveis dos marcadores B220/ CD45R, CD19, Mac-1 e IgD de superfície, altos níveis de IgM de superfície e são subdivididos em 2 grupos principais: B1a e B1b. Os LB1a expressam a molécula CD5 de superfície em níveis intermediários, enquanto os LB1b são CD5- e capazes de diferenciação em células com características mielomonocíticas com função e morfologia semelhante ao macrófago. Foi verificado que a secreção de IL-10 pelos LB1 modula a atividade fagocítica do macrófago in vitro, e a apresentação de antígenos na presença de IL-10 induz à tolerância ou diferenciação de LT em células supressoras, indicando um possível papel imunomodulador dessa população celular.

Linfócitos B da zona marginal

As principais populações de LB efetoras do baço são os LB da zona marginal (MZ-B) e os LB foliculares (FC- B). Os MZ-B são populações especializadas de LB localizadas na região periférica ou marginal do baço, região denominada sinusoide esplênico. Neste sítio estão localizados também os macrófagos da zona marginal que junto com os MZ-B representam a primeira linha de defesa rápida, contra antígenos particulados da corrente sanguínea. No entanto, fenotipicamente, estes linfócitos são muito semelhantes aos LB convencionais, sendo classificadas também no grupo LB2.

Os FC-B, localizados nos folículos linfoides, atuam em um estágio mais avançado da resposta adquirida, gerando LB de memória e plasmócitos por meio da resposta humoral T dependente comentada anteriormente nesta revisão.

Os MZ-B, assim como os LB1, possuem um repertório de reconhecimento antigênico limitado, normalmente autorreativo. Mas, ainda que autorreativos, eles são também polirreativos, com especificidade importante tanto para

autorreativos, eles são também polirreativos, com especificidade importante tanto para MARTINS, Eduardo A. Página 19
autorreativos, eles são também polirreativos, com especificidade importante tanto para MARTINS, Eduardo A. Página 19

Cap. 5 Células do Sistema Imune

remoção de restos celulares, como para o reconhecimento de antígenos bacterianos e virais. Outra característica importante destas células é a propriedade que elas têm de gerar as chamadas respostas humorais T independentes, ou seja, podem responder avidamente a estímulos antigênicos e se diferenciarem em células secretoras de anticorpos sem a necessidade de auxilio de LT. Juntos, MZ-B e LB1 fazem parte das chamadas repostas de memória natural, pois geram rapidamente células efetoras nos estágios iniciais da resposta imune.

Linfócitos T

nos estágios iniciais da resposta imune. Linfócitos T As células pré-T entram no córtex tímico pelas
nos estágios iniciais da resposta imune. Linfócitos T As células pré-T entram no córtex tímico pelas

As células pré-T entram no córtex tímico pelas artérias e durante o processo de seleção e maturação migram

em direção à medula, de onde saem para a circulação. O processo de maturação dos LT envolve a expressão de um

receptor de células T (TCR) funcional e dos co-receptores CD4 e/ou CD8.

Os LT só reconhecem antígenos processados, apresentados por moléculas de MHC na superfície de uma célula apresentadora de antígeno. O TCR é expresso na membrana dos LT em associação com um complexo denominado CD3, composto por cinco diferentes proteínas da família das imunoglobulinas. O TCR é responsável pelo reconhecimento do complexo peptídeo-molécula de MHC, e o CD3, pela sinalização celular subsequente.

TCR

O TCR é formado por duas cadeias peptídicas da superfamília das

imunoglobulinas, com uma região variável e uma região constante, formadas a partir de segmentos gênicos que durante a maturação dos LT sofrem recombinação de forma semelhante à do BCR. Em cerca de 95% dos LT circulantes o TCR é formado pelas cadeias α e β. Uma pequena porcentagem de LT apresenta TCR composto por cadeias γ e δ. As cadeias α e δ são formadas pela combinação de três tipos de segmentos (V, J e C) e as cadeias β e γ, quatro tipos (V, D, J e C). Há ~70 diferentes segmentos Vα, 60 Jα e 1 único Cα. Para a cadeia β, há ~50 Vβ seguidos de dois conjuntos compostos de 1 Dβ, 6-7 jβ e 1 Cβ. Nas cadeias γ e δ a variabilidade é menor.

A grande diversidade de repertório dos LT maduros é gerada pelo

processo de recombinação somática na qual um dado gene V, entre os diversos possíveis, liga-se a um dado gene J ou combinação DJ. A diversidade de repertório potencial dos LT é algo em torno de 10. A recombinação entre os diferentes segmentos é mediada por enzimas expressas apenas durante a fase de maturação dos linfócitos.

apenas durante a fase de maturação dos linfócitos. Figura 24 – Semelhança entre os Ac e

Figura 24 Semelhança entre os Ac e os TCRs.

Maturação de Linfócitos T

O processo de maturação dos LT ocorre em etapas sequenciais que envolvem a recombinação somática e expressão do TCR, proliferação das células, expressão dos co-receptores CD4 e CD8 e seleção positiva e negativa induzida por apresentação de antígenos próprios por células do estroma tímico.

Inicialmente ocorre o rearranjo dos genes da cadeia β do TCR e, em seguida, da cadeia α. Os timócitos, ou linfócitos imaturos, começam a expressar baixos níveis de CD4 e CD8 na superfície, sendo, portanto, duplo-positivos. Nesta fase, os timócitos migram em direção à medula tímica e entram em contato com Ag próprios apresentados pelas células epiteliais do estroma tímico. Apenas aqueles que se ligam ao complexo MHC/Ag com afinidade adequada recebem estímulo para sobreviver (seleção positiva). Os timócitos cujo TCR não apresenta afinidade pelo MHC próprio sofrem apoptose pela falta de estímulo (morte por negligência). A interação com moléculas MHC de classe I ou II determina a diferenciação do timócito em LT CD8+ ou CD4+, respectivamente. Continuando a maturação, os timócitos αβ que sobreviveram à seleção positiva e expressam apenas CD4 ou CD8 entram em contato na medula com células dendríticas e macrófagos, células apresentadoras de antígenos (APCs) extremamente eficientes, que apresentam Ag próprios associados ao MHC. Os timócitos imaturos que interagem com muita afinidade com esses complexos morrem por apoptose (seleção negativa). As células que sobrevivem tornam- se LT maduros, prontos para deixarem o timo e exercerem suas funções na periferia. Apenas cerca de 5% das células que entram no timo tornam-se LT maduros.

Este processo de educação tímica visa garantir que os LT circulantes sejam tolerantes aos Ag próprios, mas capazes de reconhecer Ag estranhos ao organismo quando apresentados pelo MHC próprio. Entretanto, os

Ag estranhos ao organismo quando apresentados pelo MHC próprio. Entretanto, os MARTINS, Eduardo A. Página 20
Ag estranhos ao organismo quando apresentados pelo MHC próprio. Entretanto, os MARTINS, Eduardo A. Página 20

Imunologia Unidade I

mecanismos centrais de tolerância não são absolutos uma vez que LT autorreativos podem ser encontrados na periferia. Entre outros mecanismos de regulação periférica, destacam-se diferentes populações de LT reguladores que atuam na periferia impedindo o desenvolvimento de autoimunidade.

na periferia impedindo o desenvolvimento de autoimunidade. Figura 25 – Representação da maturação dos

Figura 25 Representação da maturação dos linfócitos B, muito semelhantes a maturação do linfócito T.

Linfócitos Efetores

Existem diversos subtipos de LT efetores. Classicamente os dois principais subtipos são os auxiliares (Th) e os citotóxicos, que apresentam um receptor TCR αβ e as moléculas correceptoras, CD4 ou CD8, respectivamente. Os LT CD4 (Th) são responsáveis por orquestrar outras células da resposta imune na erradicação patógenos e são também muito importantes na ativação dos LB, macrófagos ou mesmo LT CD8. Os LT CD8 estão envolvidos principalmente nas respostas antivirais e possuem também atividade antitumoral. Ambos os subtipos apresentam papel muito importante no controle de patógenos intracelulares. Outros subtipos de LT efetores, encontrados especialmente nas barreiras de mucosa e na pele, são os LT γδ. Essas células são importantes nas respostas imunes contra antígenos comumente encontrados nesses sítios anatômicos e representam um elo entre a resposta imune inata e adaptativa.

Linfócitos T CD4 Auxiliares (Th)

Os LTh são subdivididos funcionalmente pelo padrão de citocinas que produzem. Durante o estímulo fornecido por uma APC, um linfócito precursor Th0 pode se tornar um linfócito Th1, Th2 ou Th17, na dependência do ambiente de citocinas presente. Embora morfologicamente indistinguíveis essas células apresentam distintos padrões de citocinas secretadas e, consequentemente, diferentes respostas efetoras.

Linfócitos Th1

Os LTh1 produzem grandes quantidades de IL-2, que induz proliferação de LT (incluindo os próprios LTCD4 de maneira autócrina) e também induz a proliferação e aumenta a capacidade citotóxica dos LT CD8. A outra citocina produzida em grandes quantidades pelos LTh1 é o INF-γ, uma citocina muito importante na ativação de macrófagos infectados com patógenos intracelulares como micobactérias, protozoários e fungos, que apresenta também um papel relevante na ativação de LT CD8. Os pacientes com síndrome de imunodeficiência em que o receptor de INF-γ está ausente sofrem de infecções graves por micobactérias. Existe um ciclo de retroalimentação positiva na ação do INF-γ sobre outros LThO, induzindo sua polarização para a via de diferenciação Th1 e inibindo a via Th2. A resposta Th1 é essencial para o controle de patógenos intracelulares, sendo possível que contribua para a patogênese de doenças reumáticas autoimunes como artrite reumatoide (AR) e esclerose múltipla (EM). Entretanto, nos últimos anos, uma nova subpopulação de LT, os LTh17, tem sido responsabilizada pelo processo fisiopatológico dessas enfermidades.

os LTh17, tem sido responsabilizada pelo processo fisiopatológico dessas enfermidades. MARTINS, Eduardo A. Página 21
os LTh17, tem sido responsabilizada pelo processo fisiopatológico dessas enfermidades. MARTINS, Eduardo A. Página 21

Cap. 5 Células do Sistema Imune

Cap. 5 – Células do Sistema Imune Figura 26 – Representação dos tipos de linfócitos existentes.

Figura 26 Representação dos tipos de linfócitos existentes.

reabsorção óssea.

Linfócitos Th2

A segunda população Th muito importante nas

respostas imunes humorais é o LTh2, que produz IL-4, IL-5, IL-6 e IL-10, favorecendo a produção de anticorpos. 18 As respostas Th2 estão associadas com as doenças alérgicas e infecções por helmintos, uma vez que a IL-4 induz a troca de classe de imunoglobulinas nos linfócitos B para IgE e a IL-5 induz a produção e ativação de eosinófilos. De forma análoga ao INF-γ, a IL- 4 também promove retroalimentação positiva para a via Th2 e suprime a via Th1. Em situações de hipersensibilidade imediata, como nas doenças alérgicas, a terapia visa a dessensibilização imune Th2 e indução de respostas Th1 alérgeno-específicas. Já em doenças sabidamente causadas por LTh1, as citocinas Th2 têm sido consideradas protetoras, portanto a busca

pela alteração no padrão de resposta imune de Th1 para Th2 tem sido muito estudada, visando a melhora ou o restabelecimento da tolerância imunológica. Entretanto, este paradigma bipolar tem sido reformulado recentemente em função do reconhecimento de novos subtipos de LT, principalmente as células Th17.

Linfócitos Th17

Os LTh17 representam um novo subtipo de LT efetores importantes na proteção contra infecção por microorganismos extracelulares. Foram originalmente descritos em modelos experimentais de doenças autoimunes como encefalite autoimune e artrite induzida por colágeno, que antes se acreditava serem mediadas predominantemente por células Th1. Esta nova via de diferenciação Th começou a ser elucidada com a descoberta da citocina IL-23 que, juntamente com IL-1 e IL-6, pode levar ao desenvolvimento de doenças autoimunes em modelos murinos por seu importante papel pró-inflamatório e indutor da diferenciação e ativação de LTh17. Os LTh17 produzem citocinas IL-22, IL-26 e citocinas da família IL-17. As citocinas da família IL-17 são potentes indutoras da inflamação, induzindo à infiltração celular e produção de outras citocinas pró- inflamatórias.

A produção desregulada de IL-17 está associada

a várias condições autoimunes, como: esclerose

múltipla, doença intestinal inflamatória, psoríase e lúpus. Em pacientes com artrite reumatoide, níveis aumentados

de IL-17 foram encontrados na sinóvia, onde atua como

um importante fator na ativação dos osteoclastos e

A via de diferenciação Th17 é antagonizada pelas citocinas Th1 e Th2 e, em alguns modelos experimentais de autoimunidade causada por LTh17, as citocinas Th1 e Th2 têm se mostrado protetoras. A exata compreensão dos mecanismos de polarização Th em humanos é fundamental para um melhor entendimento dos mecanismos fisiopatológicos das doenças inflamatórias crônicas e para o possível desenvolvimento de formas mais eficazes de imunoterapia.

crônicas e para o possível desenvolvimento de formas mais eficazes de imunoterapia. MARTINS, Eduardo A. Página
crônicas e para o possível desenvolvimento de formas mais eficazes de imunoterapia. MARTINS, Eduardo A. Página

Linfócitos T Citotóxicos (CTL)

Imunologia Unidade I

Os LT CD8 reconhecem antígenos intracitoplasmáticos apresentados por moléculas MHC de classe I, que são expressas por praticamente todas as células nucleadas. Células infectadas por vírus e células tumorais normalmente são reconhecidas pelos LT CD8. Após adesão às células alvo apresentando um antígeno associado ao MHC e coestímulo adequado, os LT CD8 proliferam e, em um encontro subsequente, podem eliminar por citotoxicidade qualquer célula que apresente esse antígeno especifico, independente da presença de moléculas coestimulatórias. Os LT CD8 induzem a via de morte celular programada (apoptose) na célula alvo pela ação de perforinas e granzimas e também podem levar à apoptose pela expressão do receptor Fas L (CD95) que interage com a molécula Fas nas células alvo.

Linfócitos γδ

Uma pequena população de LT periféricos possui TCR com diversidade limitada, composto por cadeias γδ.

Essas células são comumente encontradas nas primeiras linhas de defesa do organismo, como as barreiras mucosas

e a pele, onde atuam como verdadeiras sentinelas de reconhecimento de padrões moleculares, reconhecendo e

apresentando antígenos, respondendo a eles e contribuindo também para ativação e proliferação de células do sistema imune. Essas células diferem dos LT αβ, pois seu TCR pode reconhecer antígenos mesmo na ausência de apresentação pela molécula de MHC, sendo então consideradas verdadeiras sentinelas do organismo. Os LT γδ apresentam também memória imunológica, respondendo mais vigorosamente em um segundo encontro antigênico. Os LT γδ exercem suas funções efetoras de maneiras variadas, podendo, por exemplo, apresentar citotoxicidade (característica primária de LTCD8). Estudos terapêuticos têm explorado esta característica citotóxica contra antígenos tumorais. Os LTγδ exercem também função auxiliadora liberando citocinas como INF-γ (Th1) ou IL-4 (Th2), podendo inclusive atuar como APCs eficientes, pois possuem alta capacidade de apresentar antígenos aos LTαβ, mediando sua ativação e proliferação. Os LTγδ são também capazes de ativar células dendríticas e LB, ampliando assim tanto a resposta imune celular como humoral.

Os LTγδ trazem à tona a discussão de um dos dogmas contemporâneos da imunologia, a divisão do sistema imune em sistema inato e adaptativo. O sistema imune inato responde rapidamente ao reconhecer padrões moleculares derivados de patógenos e é capaz de induzir repostas imunes adaptativas pela liberação de citocinas e apresentação de antígenos. Em contraste, a reposta adaptativa age lentamente em um encontro antigênico inicial, mas desenvolve memória imunológica e responde rápida e vigorosamente em um encontro subsequente. Os LTγδ podem ser incluídos em ambos os braços da resposta imune, uma vez que exercem tanto as funções de células da imunidade inata como da resposta adaptativa. Sua participação nos dois tipos de resposta sugere que essas células representam uma forma primitiva e conservada de imunidade.

Linfócitos T Reguladores

Várias evidências demonstram a importância das diferentes populações de LT reguladores na manutenção da autotolerância imunológica e no controle das respostas autoimunes. Assim, há grande interesse no estudo dessas células e de sua potencial aplicação no tratamento das doenças autoimunes.

As células com função imunorreguladora apresentam como característica básica a capacidade de produção de citocinas imunossupressoras, como IL-4, IL-10 e TGF-β. Atuam em uma complexa rede de mecanismos reguladores destinados a assegurar a modulação das respostas imunológicas frente aos diversos antígenos provenientes de agentes infecciosos, tumores, aloantígenos, autoantígenos e alérgenos. Entre os LT com função reguladora estão os LT reguladores de ocorrência natural (T REGS CD4 + CD25 + ), descritos por Sakaguchi et al (1995), os LT R1 que produzem IL-10 e suprimem o desenvolvimento de algumas respostas de LT in vivo, e os LTh3, capazes de impedir o desenvolvimento de enfermidades autoimunes mediante a produção de TGF-β. Outros LT com função reguladora são os LT γδ, células CD8 + Qa-1 + , os LT CD8 + CD28 - (CD8 + T R ), as células NK/T e os LT duplo-negativos.

Linfócitos T REGULADORES DE OCORRÊNCIA NATURAL - TREGs

As células T REGS representam 5 a 10% do total de LT CD4 + no sangue periférico, podendo também ser isoladas diretamente do timo. As T REGS presentes no timo são células naive que, quando saem para a periferia, se tornam ativadas, adquirindo fenótipo de memória.

As T REGS apresentam altos níveis de CD25 (CD25 HIGH ou CD25 BRIGHT ) e expressam CD45RO, CD62L, CD122, HLA-DR, CD69, CD71 e o receptor para TNF α induzido por glicocorticoides (GITR) entre outros. Expressam também

o fator de transcrição Foxp3, encontrado predominantemente nas T REGS tímicas e periféricas, que parece ter grande

predominantemente nas T R E G S tímicas e periféricas, que parece ter grande MARTINS, Eduardo
predominantemente nas T R E G S tímicas e periféricas, que parece ter grande MARTINS, Eduardo

Cap. 5 Células do Sistema Imune

importância no desenvolvimento e função das T REGS tanto em camundongos quanto em humanos. Pacientes com mutação no gene FOXP3 apresentam a síndrome denominada IPEX (Desregulação imune, Poliendocrinopatia, Enteropatia, Síndrome ligada ao X), um distúrbio autoimune que afeta múltiplos órgãos com desenvolvimento de alergia e doença inflamatória intestinal. Aparentemente esses pacientes têm comprometimento no desenvolvimento das T REGS e consequente defeito na função supressora, levando a um estado de hiperativação de LT, que se tornam reativos contra autoantígenos, bactérias comensais do intestino ou antígenos ambientais inócuos, desenvolvendo poliendocrinopatia autoimune, doença inflamatória intestinal ou alergia, respectivamente.

Há interesse no estudo dos LT reguladores por sua função chave na manutenção dos mecanismos de autotolerância e regulação da resposta imune. Além dos distúrbios autoimunes associados à ausência/deficiência de sua função, existe interesse no seu estudo em situações de exacerbação da resposta imunitária como nos transplantes, na doença do enxerto versus hospedeiro (GVHD), nos processos alérgicos e outras condições. Nessas situações, uma abordagem terapêutica seria estimular o número e a função dessas células a partir da administração de fármacos, citocinas, moléculas coestimulatórias ou outros elementos que potencialmente atinjam esta finalidade.

Linfócitos T Reguladores Duplo Negativos

A maioria dos LTCD3+ TCRαβ expressam também moléculas CD4 ou CD8. Entretanto, uma nova subpopulação de LT reguladores com receptor TCRαβ mas CD4 - CD8 - foi descrita por Strober et al, em 1989. Os LT duplo-negativos naturais periféricos com atividade supressora, denominados células T REG DN constituem uma subpopulação de células presentes em tecidos linfoides e não linfoides. Existem em pequeno número, representando 1% - 2% dos LT periféricos em humanos, podendo estar aumentados em algumas doenças autoimunes. As T REG DN produzem predominantemente INF-γ, TNF-α e pequena quantidade de TGF-β e são capazes de suprimir a reposta imune alogênica e xenogênica mediada por LT CD4+ e CD8+, assim como a resposta a antígenos próprios.

O estímulo dos LT REG DN por antígenos específicos através do TCR é importante para o desenvolvimento da

atividade reguladora. Os LT REG DN são capazes de adquirir alopeptídeos a partir de complexos peptídeo-MHC de APCs e apresentar esses peptídeos na sua superfície. Essa apresentação permite a interação específica dos LT REG DN com LT efetores reativos ao aloantígeno, que após esse contato progridem para morte celular, Similarmente aos LT REGs CD4+CD25+, a supressão pelos LT REG DN também requer o contato célula-célula.

Na síndrome linfoproliferativa autoimune (ALPS) tipo Ia, os pacientes têm um acúmulo de LT CD3+TCRαβ + DN na periferia como resultado de um defeito de apoptose. Acredita-se que o aumento do número de células DN nesses casos se deva à perda das moléculas CD4 e CD8 pelos LT senescentes que falham em morrer por apoptose. Neste caso específico não há evidência de que essas células tenham atividade reguladora.

Dados recentes indicam que os LT REG DN podem estar aumentados em algumas doenças autoimunes, talvez como uma tentativa de controlar as células efetoras. A completa caracterização dos LT REG DN humanos poderá ter implicações importantes no entendimento e tratamento de doenças autoimunes e na rejeição de transplantes.

Linfócitos T Reguladores CD8+CD28-

As células caracterizadas imunofenotipicamente como CD8 + CD28 - reconhecem especificamente antígenos expressos principalmente por APCs em associação ao MHC de classe I, mas não são ativadas por carecerem do receptor CD28. Ao invés, suprimem a resposta proliferativa de LTCD4+ aloreativas nas imediações. Este efeito supressor não é mediado por citocinas, mas requer a interação célula-célula entre LTh CD4+, LT supressores CD8 + CD28 - e APCs apresentando antígenos alogeneicos.

O mecanismo de ação das células reguladoras CD8 + CD28 - não está completamente esclarecido e poucos

estudos têm caracterizado a função dessas células regulatórias in vitro.

Células NK/T

Praticamente todas as células que expressam TCRαβ são restritas ao MHC, ou seja, reconhecem o antígeno apenas em associação a moléculas do MHC próprio, e expressam co-receptores CD4 ou CD8. Uma pequena população de LT expressa marcadores encontrados em células NK e são conhecidas como células NK/T, que parecem também ter papel importante na regulação da resposta imune. As células NK/T apresentam expressão de TCR com cadeias α de diversidade limitada. Esse TCR reconhece lipídeos ligados a moléculas não-polimórficas, denominadas CD1 e semelhantes ao MHC da classe I.

a moléculas não-polimórficas, denominadas CD1 e semelhantes ao MHC da classe I. MARTINS, Eduardo A. Página
a moléculas não-polimórficas, denominadas CD1 e semelhantes ao MHC da classe I. MARTINS, Eduardo A. Página

Imunologia Unidade I

As células NK/T parecem surgir do mesmo precursor que origina LT convencionais, mas são selecionadas positivamente após interações de alta avidez com glicolipídeos associados a moléculas CD1d expressas por células epiteliais ou medulares do tecido tímico.

Apesar do repertório limitado, as células NK/T apresentam duas estratégias diferentes no reconhecimento de patógenos. A primeira, observada no reconhecimento de bactérias Gram-negativas, ocorre pela sinalização de receptores do tipo Toll (TLR) pelo LPS. A segunda ocorre pelo reconhecimento específico de glicosilceramidas presentes na parede celular bacteriana, apresentadas por CD1d. Essa última via de sinalização assegura o reconhecimento de patógenos que não apresentam ligantes para TLRs em sua parede celular.

Devido ao reconhecimento de glicolipídios conservados, tanto endógenos (iGbeta3) quanto exógenos, essas células estão envolvidas em respostas alérgicas, inflamatórias, tumorais e na autoimunidade, além de participarem da regulação da resposta imune.

Reações Inflamatórias

da regulação da resposta imune. Reações Inflamatórias Em uma resposta inflamatória aguda, ou seja, inflamação
da regulação da resposta imune. Reações Inflamatórias Em uma resposta inflamatória aguda, ou seja, inflamação

Em uma resposta inflamatória aguda, ou seja, inflamação aguda ocorre dois tipos de reações que definem todas as variáveis dessa resposta e sua exteriorização do ponto de vista clínico (tanto do ponto de vista de sinais e sintomas como nos próprios sinais cardinais da inflamação). Essas respostas são definidas como vasculares e celulares.

Essas respostas são definidas como vasculares e celulares. Figura 27 – Reações que ocorrem na microcirculação

Figura 27 Reações que ocorrem na microcirculação e nos vasos em geral em uma inflamação aguda.

As reações vasculares podem ser definidas em três etapas: alterações do fluxo e calibre, aumento da permeabilidade dos vasos e remodelação do sistema linfático. As alterações do fluxo são causadas pelos seguintes mecanismos: vasodilatação por meio da ação de mediadores (histamina e NO) o que aumenta o fluxo sanguíneo causando calor e rubor na região; aumenta da permeabilidade, com posterior extravasamento de substâncias; perda de fluídos pelo transporte citado e consequente acúmulo de hemácias na região, culminando com uma estase sanguínea (mais tumor, calor e rubor); a estase estimula e melhora as reações celulares leucocitárias. O aumento da permeabilidade resulta de: contração das células endoteliais por meio de mediadores químicos (histamina); injúria endotelial, resultando em necrose endotelial e desprendimento, por meio de injúrias graves (por exemplo, queimadura) e pela destruição direta pelos neutrófilos; aumento na transcitose, com estimulação de organelas vesiculovaculares. As modificações nos sistemas linfáticos são geradas por meio da liberação de fatores de crescimento por células da região inflamada, principalmente VEGF, que tem como função diminuir o acúmulo de líquido intersticial.

As reações celulares são dividas em: recrutamento, reconhecimento e remoção, sendo que todos estão relacionados aos linfócitos e neutrófilos. O recrutamento é dividido em: marginação (a lentificação do fluxo sanguíneo causa mudança da concentração de leucócitos para a região marginal, favorecendo a interação entre receptores e a célula); rolamento (inflamação

causa aumento da expressão de moléculas de adesão, as chamadas selectinas. Existem três tipos de selectinas, E, L e P, que estão distribuídos de modo diferente nas células. Ela promove uma ligação fraca que por sua vez diminui a velocidade da célula promovendo assim sua adesão posterior); adesão (por meio das integrinas, promovendo uma adesão mais forte ao endotélio e favorecendo a diapedese);

diapedese (quimiocinas criam gradiente química que favorece passagem dos linfócitos por entre as células endoteliais. Várias moléculas participam do processo, como membros da superfamília Ig ,PECAM-1 ou CD31, e moléculas juncionais. Após atravessar, atravessam membrana basal por colagenases e se movimentam por gradiente quimiotático. No tecido a enzima CD44 é usada para fixar o leucócito na MEC); quimiotaxia (passagem de linfócitos para o tecido necessário. As substâncias que favorecem essa movimentação são: citocinas, complemento, LTB4 e peptídeos que contem um aminoácido terminal N-formilmetionina e alguns lipídeos).

e peptídeos que contem um aminoácido terminal N-formilmetionina e alguns lipídeos). MARTINS, Eduardo A. Página 25
e peptídeos que contem um aminoácido terminal N-formilmetionina e alguns lipídeos). MARTINS, Eduardo A. Página 25

Cap. 5 Células do Sistema Imune

Cap. 5 – Células do Sistema Imune Figura 28 – Reações celulares na inflamação aguda. Após

Figura 28 Reações celulares na inflamação aguda.

Após o recrutamento deve ocorrer o reconhecimento. Essa etapa depende de uma série de proteínas receptoras, entre elas:

Toll (TLRs): Receptores associados a cinases, os ligantes são produtos microbianos e sua ativação estimula produção de citocinas e microbicidas;

Acoplados a proteína G: Reconhece peptídeos bacterianos, quimiocinas, produtos do complemento e mediadores lipídicos. Induz a quimiotaxia e a produção de substâncias microbicidas;

Para Opsoninas: Receptores nos leucócitos, que reconhecem anticorpos (região Fc), proteínas do complemento e lectinas. Essa ligação induz a fagocitose;

Para Citocinas: Reconhecem citocinas liberadas por outros agentes imunes. O IFN-gama é o principal ativador de macrófagos.

imunes. O IFN-gama é o principal ativador de macrófagos. Figura 29 – Receptores envolvidos na resposta

Figura 29 Receptores envolvidos na resposta inflamatória.

ativador de macrófagos. Figura 29 – Receptores envolvidos na resposta inflamatória. MARTINS, Eduardo A. Página 26
ativador de macrófagos. Figura 29 – Receptores envolvidos na resposta inflamatória. MARTINS, Eduardo A. Página 26

Imunologia Unidade I

Esse reconhecimento promove a ativação leucocitária. Após essa ativação diversas vias são iniciadas e levam aos processos de fagocitose e morte intracelular, os principais meios de eliminação dos micróbios e tecidos mortos. Entre os mecanismos de morte mais importantes está a fagocitose. Esse processo envolve três etapas:

Reconhecimento: ocorre por três tipos de receptores na membrana dos fagócitos: Receptores de Manose que reconhecem estruturas da PC de bactérias, Receptores Scavenger (limpadores) que reconhecem LDL oxidada e alguns micróbios, e Receptores para opsoninas que são ativados por opsoninas (como a IgG).

Englobamento: Após a ligação da partícula ao receptor ocorre a emissão de pseudópodes que a envolvem formando um fagossoma intracelular.

Morte e degradação: O fagossomo formado se funde a lisossomos, se tornando fagolisossomo, dentro do qual ocorre a morte e degradação dos micróbios e células necróticas. Essa morte é causada por: Espécies Reativas de Oxigênio, Espécies Reativas de Nitrogênio e outras enzimas (elastase, defensina, arginina, catelicidina, lisozima e lactoferrina). Todas essas substâncias estão nos lisossomos que se fundem ao fagossomo.

estão nos lisossomos que se fundem ao fagossomo. Figura 30 – Fagocitose seus processos dentro da

Figura 30 Fagocitose seus processos dentro da célula.

Referências

Abbas AK, Lichtman AH, Pillai S. Cellular and Molecular Immunology, 6a ed, Editora Saunders 2007.

Janeway CA, Travers P, Walport Mark, Shlomchik M. Imunobiologia O sistema imune na saúde e na doença, 7ª ed, Editora Artmed, 2010.

ESQUITA JUNIOR, Danilo et al . Sistema imunitário - parte II: fundamentos da resposta imunológica mediada por linfócitos T e B. Rev. Bras. Reumatol., São Paulo, v. 50, n. 5, Oct. 2010 .

CURVINEL, Wilson de Melo, et al. Sistema imunitário - Parte I. Fundamentos da imunidade inata com ênfase nos mecanismos moleculares e celulares da resposta inflamatória. Rev. Bras. Reumatol. vol.50 no.4 São Paulo July/Aug. 2010.

KUMAR, Vinay; PERKINS, James A. Robbins e Cotran patologia: bases patológicas das doenças. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

JUNQUEIRA, L. C. & CARNEIRO, J. Histologia Básica. 10ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

C. & CARNEIRO, J. Histologia Básica . 10ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. MARTINS, Eduardo
C. & CARNEIRO, J. Histologia Básica . 10ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. MARTINS, Eduardo