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Resenha Do Livro: A Bahia e a Carreira da Índia.

Maria Carolina Soares Santana 1

RESUMO PALAVRAS-CHAVES História – Economia- Salvador. ABSTRACT KEYWORDS History - Economy - Salvador. os contos e
RESUMO
PALAVRAS-CHAVES
História – Economia- Salvador.
ABSTRACT
KEYWORDS
History - Economy - Salvador.
os contos e os antros.

A presente Resenha vem com o intuito de pontuar as principais características da obra “A Bahia e a Carreira da Índia” que tem como autor José do Amaral Lapa. Demonstrando a Importância do Porto de Salvador no contexto do Brasil Colônia.

This Review is aiming to score the main characteristics of the works “Bahia and Career of India” whose author José do Amaral Lapa. Demonstrating the importance of the port of Salvador in the context of colonial Brazil.

José Roberto de Amaral Lapa foi professor e pesquisador do Instituto de Filosoa e Ciências Humanas da UNICAMP. Dedicou parte de sua vida a recuperação da História do Oeste Paulista, e em particular a de Campinas. Outra porção importante de sua vida esteve voltada para o ensino e pesquisa em história, tendo entre outros méritos o de ter enveredado por uma história critica, social e cultural. A primeira de suas obras a ser

publicada foi a Bahia e a Carreira da Índia em 1968, originalmente sua tese de doutorado, orientada pelo professor Sergio Buarque de Holanda e sua ultima publicação foi A Cidade:

A maioria de seus trabalhos situa-se na área de História econômica, abrangendo áreas geográcas variadas (Bahia, Mato Grosso, Grão–Pará, Portugal). Secundariamente vieram publicações dedicadas a questões da historiograa brasileira. O conjunto de suas obras o coloca entre um dos mais respeitados nomes da história do Brasil, sendo que uma recente avaliação critica realizada sobre a historiograa brasileira atribuiu, a ele, o lugar de principal analista brasileiro de historiograa.

No livro A Bahia e a Carreira da Índia, José Roberto do Amaral Lapa, vem discutir e demonstrar, de maneira bastante detalhada, a importância que teve o porto de Salvador no processo de roteiro marítimo na Idade Moderna. Tendo esse objetivo como foco, Lapa (1968) utiliza como fontes de estudo crônicas, documentação ocial ou particular (principalmente seitisentista e setesentista) e catálogos. Indo pesquisar em arquivos metropolitanos portugueses e ao que se refere ao Brasil, principalmente, no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e no Arquivo Público do Estado da Bahia. Dessa maneira, percebe-se sua preocupação na utilização dos documentos para reconstruir o passado histórico.

1 Licenciada em História pelas Faculdades Jorge Amado. Especialista em História Social e Econômica do Brasil pela Faculdade São Bento da Bahia e cursa, atualmente, o Mestrado em Ciências Sociais da UFBA.

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E é em meio a essa preocupação que o autor subdivide o livro em dez capítulos, os quais denominam respectivamente de: O porto do Brasil, O aproveitamento da Madeira e as Feitorias Reais, O estaleiro colonial, Matéria Prima, Mão de obra, Navegação e Aportamento, Malotagem e Municionamento, Estadia e Relações Humanas, Fisco e Contrabando, e por ultimo Comércio com o Oriente.

ISSN 1807-3174 E é em meio a essa preocupação que o autor subdivide o livro em

Sem desviar, em hipótese alguma, sua atenção sobre o porto de Salvador, o autor minuciosamente destaca a importância deste, como ponto de parada dos navios que se dirigiam ao Oriente a partir do século XVI. Acrescentando que possivelmente partes dessas paradas seriam feitas de formas ilegais. Vindo a mostrar detalhadamente, entre outros aspectos, a serventia daquele porto, graças a seu bom ancoradouro e seu fácil acesso, para abastecimento e refresco dos navios.

Mesclando informações importantes ao longo do livro, percebe-se que o processo de colonização impulsionou a depredação da matas, pois as madeiras eram retiradas de forma exorbitantes para serem utilizadas na exportação e fabricação naval. E por ser de boa qualidade, existiram incentivos para trazer ao Brasil mão de obra capacitada a m de ajudar no corte e no transporte do produto.

Analisando por esse ponto, é inevitável perceber a importância da matéria prima nesse contexto histórico, além de ser intrigante compreender que o início do processo de devastação das matas deu-se nessa época, perpetuando-se até os dias atuais através da continua ação predatória humana. Sendo que, na época, esta situação era tão acentuada que existiu a necessidade de criação do cargo de juiz conservador das matas e uma legislação para especicar o tipo de madeira que deveria ser utilizada nos estaleiros.

Cabe também destacar que, apesar de certas vezes o livro e todo seu aparato narrativo tornar-se um pouco cansativo (devido principalmente á densidade de informações contidas), nos é mostrado de maneira satisfatória o papel da Bahia como centro de escoamento da madeira de outras áreas e o motivo que ocasionou a substituição, em alguns pontos do sistema de extração, da mesma, pelo de feitorias. Ao que se refere á Mão de obra, Lapa( 1968 ) demonstra o pouco interesse em trabalhar prossionalmente no Brasil, já que as possibilidades lucrativas não eram boas, faltando com isso estimulo ao aliciamento. Tendo evidencias que o recrutamento ocorria principalmente nas penínsulas, por falta de pessoas experientes na colônia.

E em meio á escassez de trabalhadores algumas medidas deveriam ser tomadas passando-se, assim, a formar trabalhadores que eram ensinados pelos ociais, dando preferência aos negros por serem hábeis prossionais, aprendendo o serviço de calafetagem, carpintaria, serraria, etc. Existindo, também, hipóteses perfeitamente plausíveis de aborígenes terem participado da faina do estaleiro, além de moleques serem utilizados em tarefas simples da ribeira, destacando-se também o problema da remuneração que variava entre salários mensais até graticações por tarefas executadas.

Desta maneira nota-se o percurso que Lapa ( 1968 ) faz em seu livro, falando de Salvador como ancoradouro e apontando as diculdades de manobra na Barra, havendo como uma das medidas para remediar esse problema a iluminação dos fortes. Esse aportamentos aconteciam em grande parte pelos ventos de monções, ou seja, ventos periódicos, cabendo ressaltar aqui, também, o problema das frotas, onde alguns navios tendo o interesse de chegarem mais cedo e garantirem melhores preços, se afastavam do grupo desrespeitando as regras de navegações.

Por isso existe uma admirável reexão de Lapa( 1968) no livro, A Bahia e a Carreira da Índia, em atentar para as diculdades no levantamento das medidas proibitivas ou concessionárias desses aportamentos. O que nos remete ao árduo, porém graticante,

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trabalho do historiador que deve se adaptar, criando novos artifícios e possibilidades perante a carência de fontes, para conseguir aprofundar seu objeto de estudo.

Sendo assim, é destacada a constante chegada em Salvador de navios necessitados de reforçar a sua marotagem. Optando principalmente pela farinha que é um alimento de difícil deterioração, preferindo a carne de porco, que era bastante consumida a bordo, e levando entre outras coisas, galinhas viva em quantidades razoáveis.

atingidas pelo Brasil na balança comercial da colônia com as mercadorias orientais.
atingidas pelo Brasil na balança comercial da colônia com as mercadorias orientais.

Dessa maneira mais uma vez Amaral Lapa (1968 ), em seu livro, enfoca a importância do porto de Salvador, servindo inclusive como disponibilizador de munição e armamentos para as naus da carreira, pois segundo dados, existiam reservas na terra muito maiores que a necessidade real para sua proteção. E em meio a esses fatores se torna presente também as relações humanas, inclusive Salvador contribuiu com a empresa de navegação disponibilizando o efetivo humano e oferecendo a estadia para as embarcações da corrida do oriente, ocorrendo, também, á boa vontade da população em abrigar em suas casas marinheiro enfermos.

Embasado em fontes ociais, Amaral Lapa (1968), a partir dessa metodologia nos faz perceber a existência de um comércio ilegal praticado entre a população de Salvador e a tripulação dos navios, sendo o contrabando intensicado a partir do século XVII, tendo várias leis a partir desse século para coibi-lo. Apesar da obvia scalização (até mesmo antes dos navios ancorarem no porto e principalmente depois de concretizarem essa ação), é inegável que, no turno da noite, os contrabandos fossem transferidos através de canoas e barcos de pesca da terra para os navios.

Não esquecendo, de maneira alguma, as práticas comerciais entre o Brasil e o Oriente e atentando ao problema da baldeação do porto de Salvador, Lapa ( 1968 ), enfatiza outra oportunidade comercial que a carreira ofereceu ao porto de Salvador com a tentativa de negociantes e outros interessados em participar dela. Se destacado as respeitáveis cifras

Tendo em vista esses argumentos A Bahia e a Carreira da Índia vem demonstrar, como o próprio autor arma na conclusão do livro, que o Brasil não permaneceu isolado nem ligado inteiramente a metrópole. Servindo esse trabalho como um grande instrumento de pesquisa a aqueles que desejam aprofundar o conhecimento sobre o Brasil colonial e principalmente em relação a Bahia, já que atualmente existe tão poucos estudos que se enveredam nesse campo.

Também cabe notar a utilização de Amaral Lapa ( 1968 ), em sua narrativa, de grácos no corpo do texto, a m de tornar mais satisfatório o entendimento e a leitura, mostrando ao longo dos capítulos as diculdades encontradas, por ele, em torno de suas fontes. O que nos faz lembrar O Grande Massacre de Gatos onde Robert Darnton (1986), utilizando uma metodologia em parte similar a Lapa (1968), vai aos arquivos da SNT, procurar por informações sobre a vida dos trabalhadores nas indústrias da França no Século XVII, e deparando-se com a narrativa de Contat, demonstra as diculdades em trabalhar com ela, porque, a mesma, fornece dados e símbolos signicativos para Contat, onde demonstra sua percepção individual e cultural de mundo. Tendo, o autor, que buscar métodos variados para extrair o máximo de informações e desenvolver uma análise da referida narrativa.

Ao término, Amaral Lapa (1968), vem dando indicações de temas que poderiam ser pesquisados, como por exemplo, as relações existentes entre o trabalhador da colônia, que consiste em um recorte de pesquisa muito rico e interessante a ser estudado. Sendo assim, pode-se concluir que a Carreira da Índia é um estudo enriquecedor sobre a participação em particular da Bahia na segunda fase de expansão econômica de Portugal.

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REFERÊNCIAS

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DARNTON, Robert. O Grande Massacre dos Gatos. E outros episódios da História Cultural da França. 4ªEdição. SP: Graal, 1986.

ISSN 1807-3174 R EFERÊNCIAS DARNTON, Robert. O Grande Massacre dos Gatos . E outros episódios da

LAPA, José Roberto do Amaral. A Bahia e a Carreira da Índia. Ed. Facsimiliada. Soa Paulo: Hucitec; Unicamp, 2000.