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Prof. Paulo Sérgio Pereira da Silva

VIII EXAME DA OAB 2ª FASE

PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Norberto da Silva, pessoa desprovida de qualquer bem material, adquiriu de terceiro, há nove anos e meio, posse de terreno medindo 240m² em área urbana, onde construiu moradia simples para sua família. O terreno está situado na Rua Cardoso Soares nº 42, no bairro de Lírios, na cidade de Condonópolis, no estado de Tocantins. São seus vizinhos do lado direito Carlos, do esquerdo Ezequiel e, dos fundos, Edgar. A posse é exercida ininterruptamente, de forma mansa e pacífica, sem qualquer oposição. No último ano, o bairro passou por um acelerado processo de valorização devido à construção de suntuosos projetos imobiliários. Em razão disso, Norberto tem sido constantemente sondado a se retirar do local, recebendo ofertas de valor insignificante, já que as construtoras alegam que o terreno sequer pertence a ele, pois está registrado em nome de Cândido Gonçalves. Norberto não tem qualquer interesse em aceitar tais ofertas; ao contrário, com setenta e dois anos de idade, viúvo e acostumado com a vida na localidade, demonstra desejo de lá permanecer com seus filhos. Por não ter qualquer documentação oficial que lhe resguarde o direito de propriedade do imóvel, Norberto procura um advogado a fim de que seja intentada medida judicial. Elabore a peça processual cabível in caso, indicando os seus requisitos e fundamentos nos termos da legislação vigente. (Valor: 5,00)

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA COMARCA DE CONDONÓPOLIS TO

VARA CÍVEL DA

NORBERTO DA SILVA, [nacionalidade], viúvo,

, residente e domiciliado

na Rua Cardoso Soares nº 42, Bairro de Lírios, Condonópolis TO, por

intermédio de seu advogado ao final subscrito, com escritório localizado na Rua

(procuração anexa, doc. 1), vem

propor

[profissão], inscrito no RG sob

Bairro

,

na cidade de

e no CPF sob

, Estado de

AÇÃO DE USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO

em face de CÂNDIDO GONÇALVES, [nacionalidade], [estado civil],

[profissão], inscrito no RG sob

e no CPF sob

 

,

residente e domiciliado

na Rua

Bairro

,

na cidade de

,

Estado de

,

e sua esposa, se casado

for;

de CARLOS

[nacionalidade], [estado civil], [profissão], inscrito no RG sob

, Bairro de Lírios, Condonópolis TO, e sua esposa, se casado for;

n.

e no CPF sob

residente e domiciliado na Rua Cardoso Soares nº

,

de EZEQUIEL

sob

[nacionalidade], [estado civil], [profissão], inscrito no RG

, residente e domiciliado na Rua Cardoso Soares nº

e no CPF sob

, Bairro de Lírios, Condonópolis TO, e sua esposa, se casado for;

e de EDGAR,

, Lírios, Condonópolis TO, e sua esposa, se casado for; aduzindo, para tanto, o seguinte:

n.

[nacionalidade], [estado civil], [profissão], inscrito no RG sob

Bairro de

e no CPF sob

residente e domiciliado na Rua

,

I. DOS FATOS

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2.

de terceiro posse de terreno medindo 240m² em área urbana, onde construiu moradia simples e ali reside com sua família, conforme contrato anexo (doc. 2). Esse imóvel encontra-se registrado no respectivo cartório em nome de NORBERTO DA SILVA, 1º requerido, conforme certidão anexa (doc. 3).

O requerente, desprovido de qualquer bem material, adquiriu

O terreno está situado na Rua Cardoso Soares nº 42, no bairro

de Lírios, na cidade de Condonópolis, no estado de Tocantins. São seus vizinhos

do lado direito CARLOS (2º interessado), do esquerdo EZEQUIEL (3º interessado) e, dos fundos, EDGAR (4º interessado), conforme levantamento topográfico e memorial descritivo, com a planta do imóvel, anexos (doc. 4/6).

3.

4.

forma mansa e pacífica, sem qualquer oposição, há nove anos e meio, conforme

provam os anexos comprovantes de pagamento de IPTU, água e energia elétrica (doc. 7/9).

A posse é exercida pelo requerente ininterruptamente, de

II.

DO DIREITO

II.1.

Da aquisição do domínio pela usucapião e legitimidade das partes

5.

Tratando-se de posse mansa e pacífica sobre imóvel urbano

de tamanho não superior a 250 m 2 , utilizado como moradia pelo requerente, que não possui outro bem imóvel, é seu direito adquirir-lhe a propriedade, conforme dispõe o art. 9º da Lei 10.257, de 10 julho de 2001:

Art. 9º Aquele que possuir como sua área ou edificação urbana de até

anos,

ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (Grifamos).

duzentos

e

cinqüenta

metros

quadrados,

por

cinco

6.

Do mesmo modo, o artigo 1.240 do CÓDIGO CIVIL, caput:

Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir- lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano

ou rural. (Grifamos).

7.

No mesmo sentido, a CONSTITUIÇÃO FEDERAL:

Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem

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oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe- á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou

rural. (Grifamos).

A ação para esse propósito é a de usucapião especial urbano,

que seguirá o procedimento sumário, figurando como parte legítima ativa o requerente, conforme dispõem a já mencionada Lei 10.257/2001 (artigos 12, I, e

8.

14) e o art. 941 do CPC.

São legitimados passivos o 1º requerido, na condição de

proprietário do imóvel, e os outros réus, confinantes e terceiros, na condição de interessados, bem como suas respectivas esposas, se casados forem, conforme artigos 10, § 1º, I, 213 e 942 do CPC, bem como doutrina abalizada:

9.

a relação processual na ação de usucapião se aperfeiçoa com a

citação de réus certos e incertos, sendo os primeiros citados pessoalmente e os últimos por edital. I Réus certos Os réus certos, citados por mandado, são a pessoa em cujo nome o imóvel estiver transcrito no Registro Imobiliário e os confinantes do prédio usucapiendo (art. 942). Em se tratando de ação real imobiliária, indispensável será também a citação dos cônjuges, sempre que os réus forem casados (art. 10, § 1º,

I). (Grifamos).

Humberto Theodoro Júnior, in Curso de Direito Processual Civil,

Procedimentos Especiais, vol. III, 42ª ed., Rio de Janeiro: Forense, p.

] [

170.

II.2.

Da assistência judiciária

10.

É direito do autor a assistência judiciária, seja pela ausência

de condições econômicas para custear as despesas processuais e os honorários advocatícios, sem prejuízo próprio, conforme declaração (doc. 10) anexa (art. 4º da Lei 1.060/50), seja pela concessão oferecida, de forma objetiva, pelo art. 12, § 2º, da Lei 10.257/2001:

Art. 12. São partes legítimas para a propositura da ação de usucapião especial urbana:

§ 2º O autor terá os benefícios da justiça e da assistência judiciária gratuita, inclusive perante o cartório de registro de imóveis.

(Grifamos).

II.3.

Da tramitação prioritária

11.

Como o requerente conta com 72 (setenta e dois) anos de

idade, conforme carteira de identidade e certidão de nascimento anexas (doc. 11

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e 12) o procedimento terá prioridade em sua tramitação em todas as instâncias, conforme dicção do art. 1.211-A do CPC:

Os procedimentos judiciais em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, ou portadora de doença grave, terão prioridade de tramitação em todas as instâncias.

III. DOS PEDIDOS

Assim exposto, requer:

a) a concessão da assistência judiciária ao requerente e a tramitação prioritária do feito, com identificação própria nos autos do processo que evidencie esse regime (art. 1.211-B, § 1º, CPC);

b) seja designada audiência de conciliação, ordenando a citação e intimação, por mandado, dos requeridos e de suas respectivas esposas, se casados forem, bem como de réus eventualmente interessados e suas esposas, se casados forem, estes por edital (art. 942, CPC), para que compareçam ao ato, onde deverão, caso frustrado acordo, oferecer suas defesas (art. 277, caput, e 278, caput, CPC), sob a advertência do art. 285 do CPC;

c) a intimação, por via postal, para que se manifestem na causa, dos representantes da Fazenda Pública da União, do Estado do Tocantins, do Distrito Federal e do município de Condonópolis;

d) a intimação do representante do Ministério Público para

Lei

intervenção no

feito (art. 944,

CPC, art.

12,

§

1º,

da

10.257/01);

e) a intimação das seguintes testemunhas:

e.1. [nome completo], [nacionalidade], [estado

[profissão], residente e domiciliado na Rua [cidade e estado];

,

civil],

,

Bairro

e.2. [nome completo], [nacionalidade], [estado

[profissão], residente e domiciliado na Rua [cidade e estado];

,

civil],

,

Bairro

f) a declaração do domínio do requerente sobre o imóvel usucapiendo, com ordem ao cartório de registro de imóveis para a respectiva transcrição, sem qualquer cobrança de taxas para esse fim (artigos 945, CPC, e 12, § 2º, Lei 10.257/01);

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g) a intimação do advogado subscritor, com endereço já mencionado no preâmbulo, para as intimações de estilo (art. 39, I, 236, § 1º, CPC)

h) a condenação dos requeridos ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios (art. 20, § 4º, CPC).

Termos em que, oferecendo à causa o valor da estimativa

oficial para lançamento do IPTU, de R$ 259, VII, CPC,

(

),

conforme regra analógica do art.

Pede Deferimento.

 

Condonópolis,

de

de

NOME DO ADVOGADO OAB/

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QUESTÃO 1 Marcelo, brasileiro, casado, advogado, residente e domiciliado na cidade do Rio de Janeiro/RJ, adquiriu um veículo zero quilômetro em 2005. Exatos seis anos depois da aquisição do referido automóvel, quando viajava com sua família em Natal/RN, o motor do carro explodiu, o que gerou um grave acidente, com sérias consequências para Marcelo e sua família, bem como para dois pedestres que estavam no acostamento da rodovia. Apesar de ter seguido à risca o plano de revisão sugerido pela montadora do veículo, com sede em São Paulo/SP, um exame pericial no carro de Marcelo constatou claramente que o motor apresentava um sério defeito de fabricação que provocou o desgaste prematuro de determinadas peças e, consequentemente, a explosão.

A respeito desta hipótese, responda, fundamentadamente:

A) Em relação aos danos sofridos por Marcelo e seus familiares, em que(ais)

dispositivo(s) do Código de Defesa do Consumidor você enquadraria a responsabilidade do fabricante do veículo? (Valor: 0,35) Os dispositivos do CDC em que deve ser enquadrada a responsabilidade do fabricante do veículo são: artigos 6º, VI, 12 e 18, tendo em vista o direito à reparação dos danos, independentemente de culpa, a ser efetivada pelo fabricante em virtude de defeito do produto (explosão do motor do veículo por

ele fabricado).

B) O fabricante pode, com êxito, alegar ter se escoado o prazo prescricional?

(Valor: 0,30)

Não, tendo em vista que a prescrição de 5 (cinco) anos somente é iniciada a partir do conhecimento do dano e de sua autoria (art. 27, CDC 1 ). Assim, embora o veículo tenha sido adquirido em 2005, somente em 2011 é que houve a constatação pericial de que a explosão do motor se deu em virtude de defeito de fabricação. Dessa forma, o prazo prescricional somente se iniciou a partir desse ano de 2011, quando evidentemente não transcorreram ainda os 5 (cinco) anos que caracterizariam a prescrição.

C) Os terceiros lesados (dois pedestres) pelo acidente provocado pela explosão

podem se valer das normas constantes do Código de Defesa do Consumidor para pleitear eventual recomposição pelos danos sofridos? (Valor: 0,30)

Sim, tendo em vista que os dois pedestres, embora não tenham participado da cadeia original de consumo, são considerados consumidores por equiparação, conforme dispõe o art. 17 do CDC: Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento.

1 Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.

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D) Marcelo poderia propor a ação de responsabilidade civil da empresa fabricante na cidade do Rio de Janeiro? E na cidade de São Paulo? (Valor: 0,30) Sim para ambas as perguntas, tendo em vista que o art. 101 do CDC oferece uma opção para que a ação possa ser proposta no domicílio do autor (consumidor). Como se trata de opção, os autores, caso queiram, podem propor a ação no local onde se encontra instalada a sede da montadora do veículo, em São Paulo SP, seguindo a regra do art. 100, IV, a, CPC.

QUESTÃO 2 João ingressa com uma ação ordinária em face da empresa XYZ, postulando a revisão de cláusula contratual cumulada com indenização por danos morais e materiais. Após todo o trâmite na 1ª instância, o juízo cível prolata sentença, julgando procedente apenas o pedido de revisão. Irresignado, João interpõe apelação, a qual o Tribunal dá parcial provimento, entendendo somente pelo cabimento da indenização por danos materiais. Após a publicação do acórdão, no 5º dia, último dia do prazo, a empresa XYZ opõe embargos de declaração, por entender que houve contradição na decisão colegiada que julgou a apelação. João, sem atentar para tal fato, interpõe Recurso Especial no dia seguinte da oposição dos embargos sem aguardar o julgamento destes.

Considerando que após a publicação do acórdão que julgou os embargos não houve reiteração do recurso interposto por João, responda às questões a seguir, com a devida fundamentação legal.

A) O Recurso Especial poderá ser admitido? (Valor: 0,65) Não. O recurso especial só poderia ser admitido se houvesse, após a publicação do acórdão dos embargos de declaração, a ratificação do recorrente. Sem que a reiteração tenha ocorrido, o REsp realmente deverá ter o seu seguimento negado, conforme Súmula 418 do STJ: É inadmissível o recurso especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem posterior ratificação.

B) Em caso de não admissão do Recurso Especial interposto, qual seria o recurso cabível? (Valor: 0,60) Não admitido o recurso especial, caberá agravo ao Presidente do Tribunal de 2º grau, no prazo de 10 (dez) dias, independentemente de preparo, recurso que será processado nos próprios autos do processo, que serão enviados ao STJ, a quem compete julgar tal agravo, conforme art. 544 do CPC.

QUESTÃO 3 Carlos reside no apartamento 604, sendo proprietário de sete vagas de garagem que foram sendo adquiridas ao longo dos anos de residência no Edifício

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Acapulco. Após assembleia condominial ordinária com quorum e requisitos de convocação exigidos pela legislação, Carlos foi notificado por correspondência assinada pelo síndico eleito Alberto Santos, noticiando a proibição de locação das vagas de garagem de sua propriedade exclusiva a pessoas estranhas ao condomínio nos termos da convenção condominial. Diante da correspondência assinada pelo síndico, Carlos ajuizou demanda em face de Alberto Santos, visando promover a locação das vagas de garagem, alegando ser possível a locação das vagas de garagem de sua propriedade exclusiva, assim como a locação de apartamentos.

Sobre a hipótese apresentada, responda aos itens a seguir.

A) A pretensão de direito material perseguida por Carlos encontra amparo legal? Explique. (Valor: 0,65) Não encontra amparo legal, considerando o teor do art. 1.331, § 1º, do CC, com redação dada pela Lei 12.607, de 4 de abril de 2012:

§ 1º As partes suscetíveis de utilização independente, tais como apartamentos, escritórios, salas, lojas e sobrelojas, com as respectivas frações ideais no solo e nas outras partes comuns, sujeitam-se a propriedade exclusiva, podendo ser alienadas e gravadas livremente por seus proprietários, exceto os abrigos para veículos, que não poderão ser alienados ou alugados a pessoas estranhas ao

condomínio,

salvo

autorização

expressa

na

convenção

de

condomínio.

(Grifamos).

B) De acordo com os elementos processuais fornecidos pelo enunciado, a pretensão de Carlos satisfaz todas as condições da ação? Fundamente. (Valor:

0,60)

Não satisfaz todas as condições da ação, haja vista: i) a impossibilidade jurídica do pedido no caso (vedação do art. 1.331, § 1º, CC), o que caracteriza a inépcia da inicial (art. 295, parágrafo único, III, do CPC) e gera a extinção do processo sem resolução de mérito (art. 267, VI, do CPC); ii) a ilegitimidade passiva, pois a ação deveria ter sido ajuizada contra o condomínio (art. 3º e 6º, CPC), e não contra o seu representante, o síndico, o que igualmente gera o indeferimento da petição inicial (art. 295, II, CPC) e a extinção do processo sem resolução de mérito, conforme art. 267, VI, CPC.

QUESTÃO 4 Francisco confiou a Joaquim a guarda de determinada escultura italiana; para tanto, celebraram contrato de depósito, a título gratuito. Francisco, ao ser comunicado sobre o falecimento de Joaquim, reclama a devolução do bem; no entanto, os herdeiros argumentam que desconheciam a existência do contrato e informam que alienaram o bem a André. Com base em tal situação, responda

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aos itens a seguir, utilizando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.

A) Qual ação judicial deverá ser ajuizada contra André? (Valor: 0,60) Na condição de proprietário da escultura italiana, Francisco tem o direito de mover contra André ação reivindicatória, conforme art. 1.228 do CC. Observe:

Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.

Esclareça-se que não é cabível a ação de depósito prevista nos art. 901 e seguintes do CPC, pois o encargo de depositário particular é insucessível de transmissão porque delegado em caráter personalíssimo. Morrendo o depositário, o munus não se transfere automaticamente ao inventariante. (Ap.

602. 20.2.75. 1ª C TACPR. Rel. Juiz NUNES DO NASCIMENTO, in RF 255-293)

B) Qual(ais) medida(s) pode(m) ser exigida(s) dos herdeiros por Francisco? (Valor: 0,65) A medida que pode ser exigida por Francisco é o pedido judicial para que os herdeiros sejam obrigados a assisti-lo na ação de reivindicação, os quais deverão restituir ao comprador o preço recebido pela escultura, conforme art. 637 do CC:

Art. 637. O herdeiro do depositário, que de boa-fé vendeu a coisa depositada, é obrigado a assistir o depositante na reivindicação, e a restituir ao comprador o preço recebido.