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GERAÇÃO DE VAZÃO EM REGIÃO SEMI-ÁRIDA USANDO O

MODELO ALTERNATING RENEWAL REWARD /


FRAGMENTOS (ARRF)

Marcos Airton de Sousa Freitas1

Resumo - Aqui é demonstrado o emprego do modelo ARRF para a


geração de vazões em rios do semi-árido brasileiro. O modelo anual
Alternating Renewal Reward baseia-se nas características (duração,
severidade e magnitude) dos períodos de secas e cheias encontrados na
série histórica. Ele faz uso da distribuição geométrica para a simulação da
duração dos períodos de secas e cheias e da distribuição gama a dois
parâmetros para a reprodução da severidade. Já o Método dos Fragmentos
foi usado para desagregar as vazões anuais geradas em vazões mensais. O
modelo ARRF conseguiu resultados satisfatórios quando aplicado a três
bacias do Estado do Ceará

Abstract - In this study it is presented the ARRF for generating annual


flows, coupled with the Fragment Method to disaggregate the annual
flows to monthly ones. This coupled developed model was applied to
three typical intermittent basins in the State of Ceará. This model was
able to preserve the analyzed statistical parameters of the historical time
series, as well as to reproduce the persistence (long periods of low and
high flow) encountered in the historical series, which are fundamental by
the reservoir design.

Palavras-Chave – geração de vazão; semi-árido; otimização.


___________________________________________________________
1
Institut fuer Wasserwirtschaft, Hydrologie und landwirtschaftlichen Wasserbau
Universitaet Hannover - Alemanha; Prof. da Universidade de Fortaleza, Ceará, Brasil
Appelstr. 9A 30167 Hannover - Deutschland (Alemanha);E-mail:freitas@feq.unifor.br
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INTRODUÇÃO

O semi-árido brasileiro, com área de cerca de 1 milhão de km2 , é


caracterizado, dentre outros aspectos, por uma acentuada variabilidade
temporal e espacial de sua precipitação (400 a 1800 mm/a) e uma elevada
taxa de evaporação (acima de 2000 mm/a), associada à condições
geológicas restritivas (subsolo cristalino de reduzida potencialidade
hídrica), tendo como conseqüência a apresentação de intermitência de
seus cursos d’água. A construção de barragens artificiais ao longo dos
principais rios da região, apresentou-se, a partir do início deste século,
como necessidade indispensável no tocante à oferta hídrica,
especialmente nos períodos de secas.

Para o dimensionamento e operação desses sistemas de


reservatórios superficiais, submetidos, via de regra, a usos múltiplos e
concorrentes (abastecimento humano, irrigação, produção de energia,
etc.), lança-se mão, normalmente, dentre outras ferramentas, de modelos
determinísticos chuva-vazão e/ou de modelos de geração estocástica de
vazão (FREITAS, 1996), dependendo principalmente da disponibilidade
de dados.

Diversos modelos autoregressivos têm sido apresentados na


literatura especializada para a geração sintética de vazão em rios de
regiões temperadas. Para o semi-árido, entretanto, tais modelos, não
conseguem reproduzir satisfatoriamente as características típicas de
intermitência. Com esse intuito, FREITAS (1995) modificou e aplicou à
quatro bacias da região semi-árida do Brasil nove modelos, à nível
mensal, na geração de vazões em rios intermitentes. Os modelos
analisados apresentaram, em sua maioria, uma superestimativa da vazão
média mensal, devido provavelmente ao caráter markoviano dos
mesmos, conforme atestado também STEDINGER e TAYLOR (1982),
dentre outros. O objetivo do presente trabalho é, portanto, analisar e
discutir o desempenho de um novo modelo de geração de vazão, quando
de sua aplicação na região semi-árida brasileira.
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DEFINIÇÃO DE SECA HIDROLÓGICA

Conforme DRACUP et al. (1980) quatro considerações básicas


devem ser avaliadas, quando da definição de secas, quais sejam: 1) qual o
interesse maior na análise, isto é, qual a natureza do déficit d’água a ser
investigado (meteorológico, hidrológico ou agrícola), 2) qual o intervalo
de discretização utilizado na análise de série de tempo (anual, semestral,
mensal, etc.), 3) qual o patamar estabelecido para separação entre eventos
de cheia e de seca e 4) a escolha dos métodos de regionalização e
padronização adotados.

Para a análise dos parâmetros característicos dos períodos de secas


e cheias adotou-se, neste estudo, um intervalo de discretização de um
ano, devido ao caracter anual dos eventos de seca no Nordeste do Brasil.
Além disso, deter-se-á aqui apenas ao aspecto hidrológico, ou seja, à
modelagem de série de vazão. Optou-se, ainda, pela utilização da vazão
média como patamar para distinção entre cheia e seca, resultando em
uma mesma severidade média para os períodos de cheia e seca, quando
de um ciclo completo do processo de alternância (LEE et al., 1986).
Devido ao reduzido número da amostra a curva de freqüência da duração
de uma seca para séries anuais apresenta-se de forma não suave. Daí a
necessidade de utilização de dois procedimentos, os quais serão descritos
posteriormente: a regionalização e a padronização.

Uma seca hidrológica pode ser definida como um, ou uma


seqüência de mais anos, onde a vazão média anual permanece abaixo da
vazão anual média a longo prazo, considerando-se toda a série existente
(DRACUP et al., 1980). Um evento de seca pode, destarte, ser
caracterizado por meio de três parâmetros, a saber: a duração D, em anos;
a severidade ou déficit acumulado S e a magnitude M, a qual representa o
déficit médio acumulado abaixo da vazão média anual.
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ALTERNATING RENEWAL REWARD / FRAGMENTOS (ARRF)

O modelo empregado resulta da unificação do modelo Alternating


Renewal Reward (ARR), apresentado por KENDALL e DRACUP
(1992), usado na geração de vazões anuais, ao Método dos Fragmentos
(SVANIDZE, 1980), para a desagregação em valores mensais.

Modelagem anual: Alternating Renewal Reward - ARR

Uma hipótese básica no processo de modelagem das vazões anuais


por meio do modelo ARR é a de que os eventos de secas sejam oriundos
de populações distintas, ou seja, o déficit Yi (déficit no ano i) seja
independente e uniformemente distribuído, dependente, entretanto, da
duração. Para a geração anual são efetuados dois estágios: 1) modelagem
do processo seca/cheia, 2) modelagem da vazão dentro de período de
seca ou cheia. O modelo pode, portanto, se encontrar em um dos dois
estados possíveis. Caso, por exemplo, o sistema seja a priori adotado
como sendo cheia, gera-se, então, DH1 anos de cheias. A seguir, adota-se
o sistema como seca e gera-se DL1 anos de seca e assim por diante.
Sendo DHn e DLn distribuições de probabilidades independentes e
uniformemente distribuídas.

O problema, portanto, resume-se à identificação de funções de


distribuições de probabilidade para os dois estágios do modelo. Para a
modelagem do processo cheia/seca foi utilizada a distribuição geométrica
e para a modelagem da severidade das cheias e secas foi usado a
distribuição gama a dois parâmetros. Um fator restritivo no ajuste das
distribuições para a duração, bem como para a severidade, diz respeito à
pequena amostra. Em um período de cerca de 80 anos de dados tem-se,
por exemplo, aproximadamente 15 períodos de seca. Para superar essa
deficiência foram empregados, então, dois procedimentos: decimação e
padronização (LEE e DRACUP, 1982). Na análise de série de tempo com
intervalo menor do que um ano, isto é, caso haja periodicidade, a variável
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original pode ser substituída através de uma padronização, com o


objetivo de remover essa periodicidade.

Empregou-se o procedimento de decimação (BLOOMFIELD,


1976) para a obtenção de n (número de meses) séries de vazão, por meio
do uso dos valores de vazões padronizados de anos seguidos, para cada
seca (cada cheia), em cada uma das n séries. As severidades dos períodos
de cheias e secas são, deste modo, avaliados. Esse procedimento simula
uma regionalização, através de n séries de vazões de n diferentes postos
de uma região homogênea, submetidos às mesmas condições climáticas.

Para a simulação da duração dos períodos de cheias e secas


utilizou-se a distribuição geométrica, conforme a equação a seguir:

f x ( x ) = pq x −1 (1)

Para a severidade empregou-se distribuições gama a dois


parâmetros para cada duração, segundo KENDALL e DRACUP (1992):

λe−λY (λYD ) r −1
D

f (YD ) = (2)
Γ (r )
com
Γ = a função gama; r = o parâmetro de forma; λ = o parâm. de escala.

Modelagem mensal: Método dos Fragmentos

O Método dos Fragmentos de SVANIDZE (1980) norteia-se na


desagregação, em vazões mensais (ou intervalo de tempo menor), de
vazões anuais pré-geradas por algum modelo anual (neste caso, pelo
modelo ARR). O cerne do modelo caracteriza-se pela estimativa, para
cada mês e para todos os anos i da série histórica, dos denominados
fragmentos, dados por:
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Qi , j
f i, j = n (3)
∑Q i, j
j =1
n = número de meses (n=12); Qi , j = vazão no mês j do ano i.

Os fragmentos f i , j correspondem ao valor percentual da vazão


anual (denominador da equação acima) no ano i. A seguir os valores
anuais históricos de vazão são ordenados de forma crescente e divididos
em intervalos de classes. Os limites dos intervalos de classes são
formados pela média entre valores sucessivos de vazão. O número total
de classes é igual ao número de anos de vazão da série medida. A
primeira classe tem como limite inferior zero e a última classe tem limite
superior infinito. As vazões anuais geradas são, então, distribuídas
conforme os intervalos de classe e fragmentadas em valores mensais.

APLICAÇÃO DO MODELO

Para a verificação da aplicabilidade do modelo a rios intermitentes


do semi-árido brasileiro, aplicou-se o modelo composto a três bacias do
Estado do Ceará, bacias essas correspondendo aos seguintes açudes:
Paulo Sarasate, Aires de Souza e Carão (Tabela 1).

Tabela 1 - Características das bacias hidrográficas analisadas

Volume do Área da Vazão média


Posto açude bacia anual Período
(milhões m3) (km2) (m3/s)
P. Sarasate 891 3501 242.0 1912-88
A. de Souza 104 1092 91.3 1912-88
Carão 20 305 10.9 1912-88

Na tabela 2 encontram-se os valores do parâmetro p das


distribuições geométricas ajustadas às bacias em questão para a duração
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da seca e cheia. É apresentada, na figura, a curva de duração de seca,


resultante do ajuste da distribuição geométrica, após processo de
decimação para a bacia do açude Paulo Sarasate.

Tabela 2 - Parâmetros da distribuição geométrica

Posto pc(%) ps(%)


Paulo Sarasate 52.5 27.5
Aires de Souza 49.5 35.0
Carão 66.0 22.5

Curva de Duração da Seca


0,4
0,35 Historico
0,3 Dist. Geometrica
0,25 Decimação
P(D=t)

0,2
0,15
0,1
0,05
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Duração (anos)

Figura 1 - Curvas de duração de seca

A tabela 3 contem os parâmetros da distribuição gama para as


diversas duração de cheias e secas para o posto do aç. Paulo Sarasate.

Foram geradas para cada bacia mil séries mensais sintéticas de


vazão. Na figura 2 são apresentados os valores da média. São mostrados,
para cada mês, os valores mínimo, máximo, mediano, bem como o valor
histórico. Na tabela 4 encontram-se os desvios médios relativos (bias) e
os erros quadráticos médios (rmse) para as três bacias analisadas.
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Tabela 3 - Parâmetros da distribuição gama (posto aç. Paulo Sarasate)

duração cheia cheia seca seca


(ano) r λ r λ
1 3.212 0.018 38.199 0.306
2 4.653 0.026 35.526 0.299
3 7.052 0.044 27.858 0.236
4 4.101 0.029 47.147 0.373
5 - - 27.424 0.240
6 - - 16.418 0.146
7 - - 14.994 0.138
8 - - 49.307 0.437
9 - - 39.137 0.324

Vazão Média Mensal


160

140
Maximo
120
Mediano
100
Historico
m3/s

80 Minimo

60

40

20

0
j f m a m j j a s o n d
Meses

Figura 2 - Parâmetros estatísticos das séries geradas e histórica (média)


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CONCLUSÃO

Neste trabalho apresentou-se a aplicação do modelo ARRF na


geração de vazão em região semi-árida. O modelo, ao contrário dos
modelos autoregressivos, baseia-se nas características (duração,
severidade e magnitude) dos períodos de cheias e secas, e quando
aplicado a diversas bacias do semi-árido brasileiro apresentou resultados
satisfatórios, sendo assim uma ferramenta útil no projeto e otimização de
sistemas de reservatórios em regiões semi-áridas.

Tabela 4 - Erros médios de ajuste (bias e rmse)

Parâmetros Paulo Sarasate Aires de Souza Carão


Bias rmse bias rmse Bias rmse
µ -0.024 0.406 -0.038 0.451 0.005 0.545
σ -0.025 0.340 0.085 0.465 0.061 0.492
CV 0.053 0.326 0.094 0.395 0.103 0.229
γ 0.007 0.355 0.905 1.358 0.004 0.392
ρ 0.058 0.502 0.119 0.538 -0.009 0.281
ρ lag-1 0.193 0.726 -0.571 0.605 0.340 1.193

BIBLIOGRAFIA

BLOOMFIELD, P. -- Fourier Analysis of Time Series: An


Introduction 1976 -- Wiley-Interscience, 258p.
DRACUP, J. A.; LEE, K. S.; PAULSON, E.G. -- On the Definiton of
Droughts, WATER RESOURCES RESEARCH, 16(2), 297-302.
FREITAS, M. A. S. -- Stochastische Abflussgenerierung in
intermittierenden semiariden Gebieten (NO-Brasilien). Abschlussarbeit
Weiterbildendes Studium Bauingenieurwesen, Univ. Hannover,
Deutschland, 1995.
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KENDALL, D.R.; DRACUP, J. A. -- On the Generation of Drought
Events Using an Alternating Renewal-Reward Model, STOCHASTIC
HYDROL. HYDRAUL., 6, 55-68, 1992.
LEE, K.S.; DRACUP, J.A. -- A Stochastic Frequency Analysis of
Multiyear Droughts, National Science Foundation 1982, University of
California Water Resources Center.
LEE, K.S.; SADEGHIPOUR, J.; DRACUP, J.A. -- An Approach for
Frequency Analysis of Multiyear Drought Durations, WATER
RESOURCES RESEARCH, 22(5), 655-662, 1986.
STEDINGER, J. R.; TAYLOR, M. R. -- Synthetic Streamflow
Generation, 1: Model Verification and Validation, Water Resources
Research, 18(4), 909-918, 1982.
SVANIDZE, G.G. -- Mathematical Modeling of Hydrologic Series
for Hydroelectric and Water Resources Computations, Water
Resources Publications, Fort Collins, Colorado, USA, 1980.