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A ARTE ATRAVÉS DOS SONHOS

As questões 400 à 412, da primeira obra basilar do Espiritismo, nos


oferecem interessantes apontamentos acerca deste tão conhecido estado de
emancipação da alma denominado sono físico, bem como de seu principal
resultado — o sonho.
Ressalte-se, inicialmente, que nem todos os sonhos de que nos
recordamos representam uma vivência real nos campos da espiritualidade,
razão pela qual, assim estatuiu a questão 405 de O Livro dos Espíritos: “...Não
deveis esquecer que, durante o sono, a alma está constantemente sob
influência da matéria, às vezes mais, às vezes menos, e,
conseqüentemente, nunca se liberta completamente das idéias
terrenas. Disso resulta que as preocupações enquanto acordados
podem dar àquilo que se vê a aparência do que se deseja ou do que se
teme. A isso é o que verdadeiramente pode se chamar efeito da
imaginação.”
Entretanto, há momentos em que o ser humano se desliga
ostensivamente de seu corpo físico, entrando em franca comunicação com o
Plano Maior, de lá extraindo elementos preciosos para a concretização de
determinados objetivos na Terra. Após esses momentos, poderá, então, ao
despertar, lançar idéias inovadoras capazes de levar o progresso aos diversos
setores da sociedade planetária. Assim se fará, inclusive, no tocante às
manifestações artísticas.
Na obra intitulada Os Mensageiros, capítulo 16, André Luiz, sob
psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos traz valiosa contribuição para a
temática em apreço.
Encontrava-se o autor espiritual em trânsito por determinado posto de
socorro, ocasião em que, ao observar amplo salão daquela paragem, assim se
expressou: “....Admirado, fixei as paredes, de onde pendiam quadros
maravilhosos. Um deles, contudo, impunha-me especial atenção. Era
uma tela enorme, representando o martírio de São Dinis, o Apóstolo
das Gálias, rudemente supliciado nos primeiros tempos do
Cristianismo, segundo meus humildes conhecimentos de História.
Intrigado, recordei que vira, na Terra, um quadro absolutamente igual
àquele. Não se tratava de um famoso trabalho de Bonnat, célebre
pintor francês dos últimos tempos? A cópia do Posto de Socorro,
todavia, era muito mais bela.”
Julgou André Luiz que a tela que observara naquela região espiritual seria
uma simples reprodução da existente na Terra. Diante do seu equívoco, recebeu
a seguinte explicação, por ele reproduzida: “Engana-se — elucidou o meu
gentil interlocutor — nem todos os quadros, como nem todas as
grandes composições artísticas, são originárias da Terra. (...)Temos
aqui a história real dessa tela magnífica. Foi idealizada e executada por
nobre artista cristão, numa cidade espiritual ligada à França. Em fins
do século passado, embora estivesse retido no círculo carnal, o grande
pintor de Bayonne visitou essa colônia em noite de excelsa inspiração,
que ele, humanamente, poderia classificar de maravilhoso sonho.
Desde o minuto em que viu a tela, Florentino Bonnat não descansou
enquanto não a reproduziu, palidamente, em desenho que ficou
célebre no mundo inteiro”.
Tratava-se, na verdade, do notável pintor francês Leon-Joseph-Florentin
Bonnat (1833-1922), que, dotado de aguçada espiritualidade e sensibilidade
artística, o que se percebe em todas as suas obras, aproveitou-se de diversas
noites de sono para reproduzir, entre nós, a obra em que se inspirara no além.
Trabalho verdadeiramente exaustivo, já que foram necessários mais de dez anos
para sua conclusão (1874-1885).
A “cópia” de Bonnat, de grandes dimensões, hoje faz parte do acervo do
Panteão de Paris.
Como vemos, nossas noites podem ser perfeitamente aproveitadas para o
exercício das mais nobres tarefas. Todavia, infelizmente, conforme nos afirma o
instrutor Gúbio, em alerta reproduzido por André Luiz, em sua obra Libertação,
pg. 80, psicografia de Chico Xavier, “...a maior porcentagem desses
semilibertos do corpo, pela influência natural do sono, permanecem
nos círculos de baixa vibração.”
Por fim, no que pesem nossas inclinações negativas, esforcemo-nos,
doravante, no sentido de transformarmos as horas de sono em efetivas
oportunidades de progresso espiritual, ressaltando-se que os nossos sonhos,
conforme se tem comprovado, são os reflexos de nossas mais íntimas
aspirações.

José Marcelo G. Coelho


josemarcelo.coelho@ig.com.br

Bibliografia: Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos, cap. 8, questões 400 à


412.
Luiz, André/Chico Xavier, Os Mensageiros, capítulo 16
Luiz, André/Chico Xavier, Libertação, pg. 80
Anexos: Fotos de Leon Bonnat e sua obra O Martírio de São Dinis

(PUBLICADO NA REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO)