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RITA DE CASSIA GOUVEA BRUNO

MALVINA EDUARDO DAMACENO CORRÊA

A UTILIZAÇÃO DA ACUPUNTURA NA DISFUNÇÃO TEMPORO-MANDIBULAR E


DOR OROFACIAL

PORTO VELHO – RO
Maio/2006
2

RITA DE CASSIA GOUVEA BRUNO

MALVINA EDUARDO DAMACENO CORRÊA

A UTILIZAÇÃO DA ACUPUNTURA NA DISFUNÇÃO TEMPORO-MANDIBULAR E


DOR OROFACIAL

Trabalho de conclusão de curso para


obtenção do certificado de habilitação em
Acupuntura pela escola CEATA – São
Paulo - SP

PORTO VELHO – RO
Maio/2006
3

Aos nossos filhos e


companheiros.
4

AGRADECIMENTOS

Aos nossos pais, a quem devemos nossa educação e conquistas.


Aos amigos e professores Ephraim Ferreira de Medeiros, Júlio César
Callado por sua amizade e auxílio.
E acima de tudo a Deus, pela vitória nesse projeto de vida.
5

RESUMO

A acupuntura é um método terapêutico antigo, utilizado há


aproximadamente 5000 anos no oriente. Foi criada na China, sendo mais tarde
incorporada ao arsenal terapêutico da medicina em outros países orientais como o
Japão, Coréia e Vietnã.
Os chineses, ao longo destes milhares de anos, descreveram cerca de
1.000 pontos de acupuntura, dos quais 361 estão distribuídos em quatorze canais de
energia ao longo do corpo denominados meridianos, onde circula a energia vital “Qi”.
Os meridianos fazem a conexão energética entre os órgãos internos Zang-
Fu e os vários tecidos e órgãos da porção superficial do corpo, criando assim, uma
integridade orgânica.
Os distúrbios na circulação da energia vital irá acarretar uma série de
enfermidades, que poderão ser eliminadas através do restabelecimento do equilíbrio
do Qi pela inserção de agulhas ou ainda pressão sobre pontos de acupuntura
específicos para cada patogenia.
Tendo em mente estes conceitos básicos, este trabalho visa descrever
como essa técnica milenar pode ser útil nos distúrbios que acometem a articulação
temporomandibular, os quais têm sido causa comum de dores na região orofacial.
Para tanto, serão descritos os meridianos afetados nesse tipo de distúrbio,
bem como o método de obtenção da analgesia e relaxamento muscular através da
inserção de agulhas, como um valioso auxiliar no tratamento das DTMs.
6

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 09
2 A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 11
2.1 Yin & Yang 11
2.2 A Energia Vital (Qi) 12
2.3 Os Cinco Elementos 12
2.4 Os Órgãos Zang – Fu 15
2.5 Os Canais de Energia (meridianos) 17
2.6 O diagnóstico na Medicina Tradicional Chinesa 18
3 DOR OROFACIAL 20
3.1 A Articulação Temporobandibular 21
3.2 Disfunção Temporomandibular (DTM) 25
3.3 A Acupuntura como Tratamento das DTMs 28
3.3.1 Os Canais de Energia Acometidos na DTM 33
3.3.2 Fundamentação Científica 39
4 CONCLUSÃO 41
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 42
7

LISTA DE TABELAS

Tabela 01 Classificação de acordo com a teoria dos cinco elementos 14


Tabela 02 Principais fatores de doença na medicina tradicional chinesa 19

LISTA DE FIGURAS

Fig.01 Localização da ATM 2


2
Fig.02 Articulação Têmporo Mandibular 2
2
Fig.03 Seleção de pontos para dor restrita à ATM 3
0
Fig.04 Pontos selacionados para dores na região massetérica 3
0
Fig.05 Seleção de pontos para dores na região temporal 3
1
Fig.06 Seleção de pontos para dores cervicais 3
1
Fig.07 Combinação de pontos para artrite temporomandibular, segundo Ross 3
2
Fig.08 Pontos para problemas de mandíbula, segundo Yamamura 3
2
Fig.09 Pontos do meridiano VB para dores de cabeça e faciais laterais 3
3
Fig.10 Meridiano do Estômago 3
5
Fig.11 Meridiano do Intestino Delgado 36
Fig.12 Trajeto do Triplo Aquecedor 3
7
Fig.13 Trajeto do VB 3
8
8

LISTA DE ABREVIATURAS

TA Triplo Aquecedor
CS Circulação - Sexo
C Coração
ID Intestino Delgado
BP Baço/Pâncreas
E Estômago
P Pulmão
IG Intestino Grosso
R Rim
B Bexiga
F Fígado
VB Vesícula Biliar
MTC Medicina Tradicional Chinesa
DTM Distúrbio Temporomandibular
ATM Articulação Temporo Mandibular
9

1 – INTRODUÇÃO

A dor, crônica ou aguda, constitui o principal motivo pelo qual um indivíduo


procura tratamento médico ou odontológico. É uma experiência vivenciada pela
quase totalidade dos seres humanos e, como sintoma ou doença, é freqüentemente
causa de incapacidade.
Enquanto a dor aguda é fundamental para a preservação da integridade do
indivíduo, por ser um sintoma que alerta para a ocorrência de lesões no organismo,
a dor crônica não tem esse valor biológico e estão entre os problemas mais difíceis
de serem controlados pelos profissionais de saúde.
Essas condições, freqüentemente encontradas nas regiões de cabeça e
pescoço, somam aproximadamente 40% de todos os casos analisados clinicamente
(MCNEILL, 1997).
À luz do conhecimento atual, a disfunção temporomandibular deixou de ser
avaliada como entidade única e decorrente simplesmente de alterações oclusais,
embora se reconheça a importância desse fator no desencadeamento e na
perpetuação da dor facial.
As terapias não invasivas devem ser a primeira escolha, e a acupuntura tem
tido alto índice de sucesso no alívio da dor para possibilitar o tratamento da causa
propriamente dita.
As DTMs são similares a outras disfunções reumatológicas e músculo-
esqueléticas e um esforço especial deve ser feito para evitar terapias mais
agressivas e irreversíveis.
Nesse sentido, protocolos alternativos têm sido utilizados freqüentemente
por vários terapeutas em todo o mundo, alguns atingindo resultados comparáveis
aos da placa oclusal. Algumas dessas terapias têm efeito periférico, como a
aplicação local de calor ou gelo, exercícios mandibulares, automassagem,
compressão e injeção nos “pontos-gatilho”. Outras agem de forma presumivelmente
mais central, o que inclui acupuntura, relaxamento e biofeedback (WRIGHT, 1995).
No Ocidente, a acupuntura ganhou credibilidade principalmente por seu
efeito no alívio da dor, seja ela de várias origens. Esta é uma das razões para a
ênfase atual da pesquisa no estudo dos mecanismos analgésicos da acupuntura.
10

Mas a acupuntura não causa apenas um efeito analgésico, ela provoca


múltiplas respostas biológicas, como já demonstrado em estudos em animais e
humanos, e o que queremos com esse trabalho é relatar o mecanismo de ação
dessa técnica e como tirar o máximo proveito disso no tratamento dos nossos
pacientes com dor orofacial..
11

2 – A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

2.1 - Yin & yang

Com a base teórico-filosófica de sustentação da medicina tradicional


chinesa, há duas principais tendências do pensamento chinês: o Confucionismo e o
Taoísmo.
Um dos aspectos do Taoísmo é a compreensão de que a transformação e a
mudança são características constantes da natureza, e que essas mudanças são
manifestações da interação dinâmica entre polaridades de opostos denominados de
Yin e Yang, os quais estão dinamicamente vinculados um ao outro.
A expressão simbólica dessas idéias se cristaliza no diagrama chinês
denominado Taiji. Esse diagrama apresenta uma disposição simétrica do Yin
sombrio e do Yang claro, contudo essa simetria não é estática.
Os dois pontos simbolizam a idéia de que, cada vez que um dos opostos
atingem seu apogeu, manifesta dentro de si a semente de seu oposto.
A concepção básica da acupuntura, está na idéia de que a energia vital que
anima nosso corpo, se apresenta sob a forma de um par de opostos, ou seja, a
energia Yin e a energia Yang.
Yin-yang sintetiza a dualidade da natureza. Pode representar tanto duas
coisas contraditórias como duas partes contraditórias da mesma coisa.
As características básicas que diferenciam yin e yang são: todas as coisas
com tendência a fluir para cima, para fora, com claridade, mobilidade, excitação,
calor e velocidade pertencem à yang; e por outro lado, todas as coisas com
tendência a fluir para baixo, para dentro, com escuridão, tranqüilidade, inibição,
astenia, frio e lentidão pertencem à yin.
A natureza de yin ou de yang de uma coisa não é absoluta, mas sim
relativa, já que a existência dessa coisa é determinada pelas condições interiores e
exteriores.
12

2.2 - A energia vital (qi)

Além da energia vital herdada (Qi inato), pode-se adquirir também energia
vital através da respiração e da alimentação. O Qi (energia vital) não está em nosso
corpo efetivamente na mesma quantidade, durante todo o tempo, nem tão pouco se
distribui uniformemente pelos diferentes órgãos. O fluxo do Qi pelo nosso organismo
se faz através de um mecanismo cíclico de circulação através dos chamados
meridianos ordinários, em número de 12.
Cada meridiano se constitui num verdadeiro canal, exteriorizado na
superfície de nosso corpo, mas que também se comunica com as vísceras, através
de ramos profundos. A energia vital flui pelo nosso organismo através dos
meridianos de uma forma cíclica. As energias Yin e Yang circulam ao longo dos
meridianos na medida em que uma se transforma na outra.

2.3 - Os cinco elementos

Os trabalhadores da antiga China , através de sua vivência ao longo do


tempo, observavam que a madeira, o fogo, a terra, o metal e a água, eram
elementos fundamentais na constituição da natureza (YAMAMURA 1993).
À medida que se aprofundavam no conhecimento do mundo material, foi
elaborada a teoria dos cinco elementos, que descreve as características desses
elementos, as relações entre eles, suas atividades e suas transformações.
A teoria dos cinco elementos sustenta que a natureza está constituída por
cinco substâncias: a madeira, o fogo, a terra, o metal e a água.
O desenvolvimento e as transformações de todas as coisas ou fenômenos
são os resultados do movimento contínuo da intergeracão e a interinibicão
(interdominância) dos cinco elementos.
Na medicina tradicional chinesa, esta teoria se aplica principalmente para
explicar as características fisiopatológicas de todos os órgãos internos e os tecidos
do corpo humano, as relações fisiopatológicas entre eles e as relações entre o corpo
humano e o meio ambiente, com a finalidade de servir de guia no diagnóstico e no
tratamento.
13

Cada um dos cinco elementos tem suas próprias características: a madeira


tem como características crescer e desenvolver-se, estender-se livremente; o fogo,
esquentar ascender; a terra, produzir e transformar; o metal, purificar e ser sólido, e
a água, fria e úmida, fluir em direção ao solo (para baixo).
A atribuição das propriedades das coisas e fenômenos aos cinco elementos
tem sido feita de acordo com a concepção das propriedades destes, e recorrendo a
similitudes e alegorias.
Por isso, toda coisa ou fenômeno com propriedades de crescer
desenvolver-se, estender-se livremente, é de madeira; aquela com propriedades de
calor yang e ascendência, é de fogo; a de produzir e transformar é de terra; a de
purificar e de ser sólido e forte, é de metal; a de propriedades frias, úmidas, fluindo
para baixo é de água, etc.
Partindo desta consideração, os antigos médicos chineses relacionam,
logicamente a fisiologia e patologia dos Zang Fu (vísceras e órgãos) e os tecidos do
corpo humano com os fatores do meio ambiente comparáveis à vida da
humanidade.
Portanto, os órgãos e tecidos do corpo humano são classificados em cinco
categorias, tomando os cinco elementos como base, e de acordo com suas
diferentes propriedades, funções e formas, de modo que sirvam como referência
para a observação de suas relações internas e seus movimentos.
14

TABELA 01 - Classificação de acordo com a Teoria dos Cinco Elementos


MADEIRA FOGO TERRA METAL ÁGUA
Órgãos Fígado Coração Baço Pulmões Rins
Zang
Órgãos Fu Vesícula Intestino Estômago Intestino Bexiga
Biliar Delgado Grosso
Órgãos dos Olhos Língua Boca Nariz Orelhas
5 sentidos
Cinco Tendões Vasos Músculos Pele e Ossos
Tecidos cabelo
Emoção Raiva Alegria Preocupação Desgosto Medo
Estação Primavera Verão Fim de Verão Outono Inverno
Fator Vento Calor Umidade Secura Frio
Ambiental
Crescimento Germinação Crescimento Transformaçã Maturaçã Armazenamento
e desenvolv. o o
Cor Verde Vermelho Amarelo Branco Preto
Sabor Azedo Amargo Doce Picante Salgado
Orientação Leste Sul Centro Oeste Norte
Fonte: ROSS (1994)

A teoria explica as relações internas entre as coisas com as leis da


intergeração e interdominância.
A intergeração implica promover o crescimento. A interdominância implica
controle mútuo, inibição e superação mútuas.
A lei da intergeração dos cinco elementos diz que a madeira gera o fogo; o
fogo gera a terra; a terra gera o metal; o metal gera a água, e a água gera a
madeira, establecendo-se assim um ciclo.
A lei da interdominância diz que a madeira domina a terra; a terra domina a
água; a água domina o fogo; o fogo domina o metal, e o metal domina a madeira.
Dessa forma, o elemento que gera é a mãe, e o elemento gerado é o filho;
portanto, estas relações também se chamam relações “mãe e filho”.
15

2.4 – Os órgãos zang fu

A teoria de Zang-Fu é utilizada para investigar a anatomia, as funções


fisiológicas e os fenômenos patológicos dos órgãos internos do corpo humano e as
relações entre eles. Também é uma parte importante da teoria básica da fisiologia e
patologia da medicina tradicional chinesa e constitui uma guia importante para a
prática clínica.
A teoria de Zang-Fu compreende os órgãos Zang-Fu, órgãos
extraordinários, essências (Jing), energia(Qi), sangue(xue) e líquidos
corporais(jinye).
O coração, o fígado, o baço, o pulmão e o rim são conhecidos como os
cinco Zang (órgãos), enquanto que o estômago, o intestino delgado, o intestino
grosso, a bexiga, a vesícula biliar e o sanjiao são conhecidos como os seis Fu
(vísceras). O cérebro, a medula, os ossos, os vasos sanguíneos, a vesícula biliar e o
útero são conhecidos como os órgãos extraordinários, enquanto que os cinco
sentidos, a pele, os pelos e cabelos, os tendões, os músculos, os órgãos genitais
externos e o ânus estão relacionados com os órgãos Zang-Fu.
O Jing, o Qi, xue e jinye são sustâncias básicas que elaboram os diversos
órgãos e tecidos dos Zang-Fu e que realizam diversas atividades funcionais; às
vezes, são também produtos das atividades funcionais dos Zang-Fu.
Zang e Fu são os órgãos mais importantes na manutenção dos processos
vitais do corpo humano, e se destacam os cinco órgãos Zang como principais.
Os órgãos Zang são diferentes dos Fu enquanto função fisiológica. As
funções fisiológicas dos cinco Zang são armazenar o Jing Qi; estão incluídos as
substâncias essenciais, a energia vital, o sangue e os líquidos corporais que
constituem a base elementar para a produção e a manutenção das atividades vitais
do corpo humano.
O desgaste em excesso ou a invasão de fatores patógenos exógenos
transtornam as funções normais dos cinco órgãos Zang e produzem enfermidades.
As funções fisiológicas dos seis Fu (vísceras) são transformar e transportar
substâncias, ou seja, receber, digerir, transformar e transportar alimentos e líquidos
shi e excretar os dejetos através das funções normais das seis vísceras Fu. Logo,
distribuem as substâncias essenciais transformadas dos alimentos e líquidos nos
16

cinco Zang para que se convertam em mais energia vital e excretar mais tarde a
urina e as fezes.
Se ocorrer desequilíbrio entre shi y bucang, aparecem transtornos de
recepção, digestão, transformação e transporte, e se produzem as enfermidades.
De acordo com Maciocia (1996), Hopwood et al. (2001), Sussmann (2000),
Wong (1995) e Yamamura (1993) a função dos Órgãos Zang-Fu apresentam-se da
seguinte forma:
O Coração situa-se no tórax e está protegido pelo pericárdio possui a
função de controlar a circulação de sangue e os vasos sangüíneos, regular o fluxo
de Qi do coração, no qual acredita a MTC que é a força propulsora do batimento
cardíaco. Abriga e governa o Espírito (Shen), controla a consciência, o suor como o
fluído do coração, influencia o sono e os sonhos e tem relação com a lígua e a face.
Pode ser lesado pelo excesso de alegria ou agitação.
O Intestino Delgado controla a recepção e a transformação, separa os
fluídos, influencia os sonhos e relaciona-se com o Coração.
O Fígado, situado na região do hipocôndrio direito, armazena o sangue,
controla a dispersão, determina as condições dos tendões e dos ligamentos, é
responsável pelo movimento dos fluídos orgânicos, influencia o ciclo menstrual,
nutre músculos e tendões, influencia nas unhas e se relaciona com os olhos.
A Vesícula Biliar, ligada ao Fígado onde armazena a bile com a finalidade
de ajudar o Estômago e o Baço/Pâncreas na digestão, influencia psicologicamente
sonhos e tomada de decisões.
O Baço/Pâncreas, está localizado no Jiao Médio, apresenta como funções
relacionadas com o controle de transporte e transformação dos nutrientes, manter o
sangue circulando dentro dos vasos, promover o metabolismo da água, controlar o
Qi crescente e abriga o pensamento e tem relação com os músculos, membros e
lábios.
O Estômago, situado no Jiao médio controla o amadurecimento e a
decomposição do alimento, controla o transporte de essência do alimento, controla o
Qi descendente, origina fluídos corpóreos e influencia o estado mental.
O Pulmão, situado na caixa torácica, é responsável por controlar o Qi e a
respiração, governar a superfície do corpo, o cabelo e a pele. Considerado o órgão
17

Zang mais externo, tem o nariz como sua abertura e se reflete na pele, no pêlo e
penugem.
O Intestino Grosso, tem a função fisiológica de transmitir os alimentos
digeridos e excretá-los.
O Rim localiza-se na região lombar (Jiao inferior) de cada um dos lados da
coluna vertebral e tem como funções armazenar o Jing (Essência), regular o
metabolismo da água, controlar o nascimento, o crescimento e a reprodução, nutrir
os ossos e os dentes, controlar a atividade mental, controlar e promover a
inspiração, ter sua abertura nos ouvidos, no ânus e no órgão urogenital e reflete nos
cabelos.
A Bexiga, está localizada no Jiao inferior onde sua principal função é de
acumular a urina e depois fazer a eliminação.
O Pericárdio, também apresentado como Circulação-Sexualidade está
estreitamente relacionado ao Coração, tendo como função protegê-lo.
O Triplo Aquecedor (Sanjiao, órgão Fu), uma generalização dos três Jiao
onde estão contidos os Zang-Fu e o Sanjiao, controla a circulação de água no corpo.

2.5 – Os canais de energia (meridianos)

Os canais de energia fornecem uma base essencial para compreender os


diversos aspectos patológicos, fisiológicos, diagnóstico e terapêuticos da Medicina
Tradicional Chinesa.
Segundo Yamamura (1996), de acordo com a teoria tradicional, existe no
corpo um sistema de canais de energia ou vasos que integram todas as partes do
corpo, formando um organismo unificado.[...] O Qi e o Sangue circulam por toda
parte do corpo por meio desta rede de canais de energia, de modo a manter a
conexão entre os órgãos internos e a periferia.
Os canais de energia têm funções fisiológicas e patológicas importantes em
função das conexões existentes entre os tecidos e os órgãos.
Conforme Yamamura (1996), as funções dos canais de energia são:
- Transporte de Qi e de Sangue, umedece e nutre o corpo:
18

O Qi tem melhor compreensão como a energia ou força necessária para


promover a atividade funcional ao passo que o Sangue é a fonte da umectação da
lubrificação e de alimentação. É através dos canais de energia que o Qi e o Sangue
se espalham pelo corpo e assim os tecidos podem desempenhar suas atividades
normais.
- Resposta para disfunção do corpo:
A doença origina-se quando por uma série de causas, sejam elas internas
ou externas, a função normal do corpo é interrompida, afetando os canais e pontos
de Acupuntura que tornam-se mais sensíveis ou doloridos ao toque. Mesmo que
uma doença tenha origem em um órgão interno, os sinais e sintomas podem se
manifestar em áreas distante, relacionada com aquele canal de energia associado
ao órgão.
Yamamura (1996) cita que “quando o pulmão ou coração está doente, seu
Qi é retido nas articulações do cotovelo. Quando o fígado está doente, seu Qi é
retido nas axilas. Quando o Baço/Pâncreas está doente, seu Qi é retido nos quadris
e quando os rins estão doentes, o Qi é retido na região posterior dos joelhos”.
O relacionamento do órgão, com uma série de sintomas, só é possível
quando se conhece o trajeto do seu canal de energia.
- Transmissão da doença e estimulação da Acupuntura:
Quando a doença ataca o corpo, ela pode passar de um órgão para o outro
através dos canais de energia. Uma doença de origem exógena reside
primeiramente nos poros da pele, pelos quais a doença entra nos canais de energia
de conexão, depois para canais de energia de conexão maiores, para os canais de
energia principais e finalmente atinge os órgãos internos (Yamamura 1996). Cada
um desses estágios manifesta-se com características de aumento de gravidade.

2.6 - O diagnóstico na medicina tradicional chinesa

O diagnóstico inclui principalmente a indagação, a inspeção, a auscultação,


a olfação, tomada de pulso e palpação.
Para Hopwood et al (2001) e Maciocia (1996), os oito princípios: Yin/Yang,
Calor/Frio, Excesso/Deficiência, Interno/Externo compreendem uma forma lógica de
19

diagnóstico que permitiu aos chineses antigos codificarem suas observações sobre
o paciente.
Segundo Ross (1994) a Medicina Tradicional Chinesa considera três grupos
principais de fatores de doenças que são: fatores externos (que surgem do
ambiente), internos (que surgem dentro do corpo) e nem internos e nem externos
(mistos) na qual participam fatores internos e externos.

TABELA 02 - Principais Fatores de Doenças na Medicina Tradicional


Chinesa
Clima Emoção Estilo de Vida
Seis influências Sete Emoções Mistos
perniciosas
Vento Alegria Nutrição
Frio Raiva Ocupação
Calor Preocupação Excesso de trabalho
Umidade Mágoa Exercício
Secura Medo Relacionamento
Calor de verão Temor Sexo
Aflição Trauma
Parasitas
Fonte: ROSS (1994).

Ainda para se realizar o diagnóstico chinês é importante que se faça uma


anamnese através de um interrogatório.
Segundo Maciocia (1996) e Auteroche & Navailh (1992), no sentido geral, a
anamnese é uma conversa entre o terapeuta e o paciente para descobrir como
aconteceu a patologia, as condições de vida do paciente, o meio ambiente e o
ambiente familiar.
O objetivo da anamnese é, finalmente, localizar a causa da patologia de
maneira que o paciente e o terapeuta possam trabalhar juntos e tentar eliminá-la ou
minimizá-la.
Outra forma de diagnosticar o paciente é através do pulso, pois este fornece
informações sobre o estado dos sistemas internos, além de refletir o complexo geral
do Qi e do sangue (Xue).
20

A observação da língua também consiste em uma forma de diagnóstico


porque proporciona sinais de desarmonia do paciente, e segundo Maciocia (1996) e
Auteroche & Navailh (1992), a observação da língua está baseada em quatro itens
principais: cor, forma, saburra e umidade da língua.

3 – DOR OROFACIAL

Atualmente a denominação DTM tende a ser reservada para a dor músculo-


esquelética crônica de face (SIQUEIRA, 2001).
É importante lembrar que outras disfunções, dentais ou sistêmicas, podem
causar dor muscular como sintoma secundário, sendo o diagnóstico um fator muito
importante antes da decisão sobre o tratamento a ser indicado (WRIGHT, 1995).
Existem vários fatores relacionados com o desenvolvimento de dores
faciais, entre eles o trauma, as disfunções temporomandibulares, as neuralgias,
cefaléias, sinusites e dores miogênicas primárias. Nessas situações, o tratamento
ortodoxo pode resultar em procedimentos muito invasivos, com perdas de elementos
dentários saudáveis e outras intervenções cirúrgicas (ROSTED, 2001).
Segundo Siqueira (2001), nem toda dor articular ou muscular relacionada à
face pode ser considerada disfunção temporomandibular (DTM).
Disfunção temporomandibular é um termo genérico utilizado para descrever
disfunções relacionadas à articulação temporomandibular (ATM), aos músculos
mastigatórios e estruturas associadas, a sintomas comuns de dor, limitação de
abertura de boca e desvio mandibular (ROSTED, 2001).
A dor da DTM é músculo-esquelética, ou seja, de origem muscular, articular
ou mista (SIQUEIRA, 2001).
Pode-se considerar que DTM é o conjunto de anormalidades responsáveis
por dores crônicas do tipo recorrente, não progressivas e associadas a impacto leve
ou moderado na atividade social do paciente (SESSLE, 1995).
Para uma melhor compreensão do contexto em que se desenvolvem essas
alterações, segue uma descrição das estruturas envolvidas na disfunção
temporomandibular.
21

3.1 – A articulação temporomandibular

As articulações têmporo mandibulares(ATMs) são responsáveis pelos


movimentos mandibulares, associados à ação dos músculos mastigatórios.
A articulação temporomandibular constitui um órgão dinâmico formado por
um grande número de estruturas internas e externas.
Cada articulação temporomandibular consiste de duas unidades articulares
que proporcionam a ação combinada de charneira e deslize (SOLBERG, 1999).
Esta articulação é uma das mais especializadas e diferenciadas do
organismo porque é capaz de realizar movimentos complexos e está relacionada
praticamente com todas as funções do aparelho estomatognático, como a
mastigação, deglutição, fonação e postura, que dependem muito da função, saúde e
estabilidade da articulação temporomandibular.
A articulação temporomandibular (ATM) é formada pelo osso temporal (lado
e base do crânio) e pela mandíbula (maxilar inferior).
Cabezas (1997) refere que a ATM é o único osso móvel do crânio, ligando-
se à base craniana através de uma articulação dupla bilateral, que se movimenta
sinergicamente.
Os componentes ósseos da articulação estão separados pelo disco
articular, e a limitação e integridade são mantidas pelos ligamentos.
Os músculos de mastigação unem o maxilar inferior ao crânio, permitindo-
lhe mover a mandíbula para frente e para o lado e abrir e fechar a boca.
A articulação funciona adequadamente quando o maxilar inferior e as suas
junções (direita e esquerda) estão sincronizados durante o movimento (Figs 1 e 2).

Fig 1 – Localização da ATM


FONTE: Ashs et al. – “Oclusão”.
22

Fig 2 – Articulação Têmporo Mandibular


FONTE: Ashs et al. – “Oclusão”.

Segundo Solberg (1999), em razão das articulações direita e esquerda


serem ligadas pela mandíbula, o movimento de uma articulação afeta diretamente o
da outra.
Os problemas da A.T.M. podem ocorrer quando o maxilar se torce quando
abre, fecha ou realiza movimentos para o lado. Estes movimentos afetam a
articulação da mandíbula e os músculos que controlam a mastigação.
Solberg (1989) relata que durante a abertura bucal, o disco articular gira
posteriormente próximo ao côndilo, enquanto o complexo disco-côndilo se move
para frente e para baixo, próximo à eminência articular.
23

A forma de tensão do ligamento posterior, em meia abertura, auxilia a trazer


para trás o disco em rotação próximo ao côndilo.
Para Fávero (1999), a ATM é um componente do aparelho estomatognático,
constituindo um sistema dinâmico. Sendo considerada a juntura mais complexa do
corpo humano, é composta principalmente pelo côndilo mandibular (parte móvel que
se desloca) e pelo osso temporal (parte fixa).
Maciel e cols (2003) fala ainda que, o osso, embora, seja considerado um
dos tecidos mais duros do organismo é, ao mesmo tempo, um tecido altamente
plástico, com grande capacidade de modificação estrutural, adaptativa e
degenerativa.
O côndilo da mandíbula é composto pela cabeça e pescoço. A cabeça tem o
formato ovóide e é muito mais convexa no sentido antero-posterior do que no
sentido mediolateral e com convexidade aumentada ao redor do pólo medial (HALL
& BRODY, 2001).
Segundo Tamaki (1981), o côndilo do indivíduo adulto mede de 15 a 20mm
de comprimento e de 8 a 10mm de largura. A parte superior é totalmente lisa e
apresenta convexidade nos sentidos anteroposterior e vestibulolingual. Através
dessa superfície lisa que a mandíbula entra em contato com a cavidade glenóide,
que é oval e côncava.
Para Okeson (2000), a porção do osso temporal que aloja o côndilo
mandibular é composto de uma concavidade chamada fossa mandibular, também
denominada cavidade glenóide ou articular. A fossa é recoberta por tecido
fibrocartilaginoso, assim como o processo condilóide da mandíbula em sua
superfície articular.
É delimitada, anteriormente pelo tubérculo articular, posteriormente pelo
tubérculo pós-glenóide do osso temporal, internamente pela fissura tímpano-
escamosa e externamente pelo processo retroarticular (TAMAKI, 1981).
O disco articular é uma placa de forma ovalada que separa a ATM em dois
compartimentos, que além de dividir em duas cavidades por intermédio das
superfícies bicôncavas, estas são recíprocas e congruentes nos dois
compartimentos, de tal modo que, tanto o côndilo como a eminência articular do
osso temporal encontram-se em contato, não entre si, mas contra a superfície
oposta do disco (FRIEDMAN; WEISBERG, 1993).
24

O disco é estabilizado pelos ligamentos do côndilo, de tal forma que este


fique fixo e posição, evitando que se movimente para trás e para cima, quando a
mandíbula exerce uma grande pressão (FAVERO, 1999).
Para Maciel e cols (2003), o disco articular é uma estrutura
fibrocartilaginosa, flexível, localizado entre as superfícies funcionais – côndilo e
eminência articular -, nas regiões central e média da articulação temporomandibular.
Os ligamentos que compõem a ATM são: temporomandibular,
esfenomandibular e estilomandibular (TAMAKI, 1981)
O ligamento temporomandibular é um ligamento denominado colateral, e
apresenta suas fibras orientadas de tal maneira, que nos movimentos da articulação
estas fibras não são distendidas ou relaxadas o que indica que os ligamentos da
ATM não restringem o movimento normal da mandíbula e não são necessários para
o funcionamento da articulação(OKESON, 2000).
O ligamento temporomandibular tem a função de limitar os movimentos do
complexo côndilo-disco (MACIEL e cols, 2003).
O ligamento esfenomandibular é um ligamento passivo durante os
movimentos da mandíbula, mantendo relativamente a mesma intensidade de tensão
durante a abertura e o fechamento da boca.
O ligamento estilomandibular é uma densa concentração localizada na
fáscia cervical, estendendo-se a partir do processo estilóide para o ângulo
mandibular, cobrindo a superfície externa do processo e do ligamento estilóide e
ligando-se ao osso na parte posterior do ângulo mandibular, difundindo-se
anteriormente como ampla lâmina fascial cobrindo a superfície interna do músculo
pterigóide medial.
O ligamento estilomandibular está frouxo quando as arcadas estão fechadas
ou quando a mandíbula está em repouso e relaxa-se notoriamente quando a boca
está aberta, porque o ângulo da mandíbula oscila para cima e para trás e ao mesmo
tempo o côndilo desliza para baixo e para frente (HARRISON, 2002).
Segundo Hall & Brody (2001), a inervação dessa região é suprida pelos
nervos cranianos e cervicais. A superposição dos ramos de ambos os tipos de
nervos implica a análise neurológica dessa região e pode ser responsável pela
extensa gama de sintomas nas disfunções da cabeça, da ATM e coluna cervical. A
25

ATM possui terminações de Ruffini, órgãos tendinosos de Golgi, terminações de


Paccini e terminações livres, sendo estas últimas as mais numerosas.
A ATM é vascularizada pela circulação colateral de todos os vasos
sangüíneos na área da articulação. A porção anterior da ATM obtém sua irrigação
das artérias profunda, temporal posterior e messentérica. As faces posterior e medial
da ATM são irrigadas por ramos da artéria maxilar, artérias timpânicas anterior,
auricular profunda e meníngea média. As faces posterior e lateral da articulação são
irrigadas por ramos da artéria temporal superficial (OKESON, 2000; FAVERO, 1999;
MACIEL, 1996; TAMAKI, 1981)

3.2 – Disfunção têmporo mandibular (dtm)

Atualmente um problema que vem se tornando cada vez mais freqüente na


sociedade moderna é a disfunção temporomandibular.
A liberdade dos movimentos mandibulares possibilita as funções de
respiração e postura, sucção, mastigação, deglutição, fala e produção da voz.
Uma desordem na harmonia do sistema estomatognático pode provocar
uma Disfunção Temporomandibular (DTM), em que os músculos e as articulações
não trabalham harmonicamente, causando comprometimentos musculares como:
espasmo, tensão, dor e comprometimento das estruturas ósseas (CABEZAS, 1997).
Queixas ou observações de dor facial, padrões alterados de movimento
mandibular e ruídos articular (crepitação ou estalido) são citados por diversos
autores como freqüentes.
Algumas vezes, a dor parece localizar-se próxima da articulação e não nela.
Um distúrbio da articulação temporomandibular pode causar cefaléias recorrentes
que não respondem ao tratamento clínico usual.
Segundo Siqueira (2001), a sintomatologia comum inclui: ruído articular,
limitação ou irregularidade do movimento mandibular, alterações oclusais ou
esqueléticas, parafunção e dor articular ou muscular, movimentos mandibulares
limitados, alterações da audição, equilíbrio, visão ou mesmo queixa de mal estar.
Okeson (2000), apresenta Disfunção Temporomandibular como o termo de
inclusão para todos os distúrbios funcionais do sistema mastigatório.
26

Já Conti (1998), caracteriza essencialmente a Disfunção


Temporomandibular, por dores miofaciais, ruídos na articulação Temporomandibular
e dificuldade de abertura e movimentação mandibular.
Fatores que induzem estes sintomas incluem estresse, bruxismo (cerrar os
dentes durante a noite), má oclusão durante a mastigação, bocejar, mordida brusca
de substância dura e trauma.
As causas mais comuns das disfunções temporomandibulares segundo
Siqueira (2001), são distúrbios musculares, que comumente são referidos como dor
e disfunção miofascial, artropatias da ATM, bruximo e pacientes com síndromes
dolorosas sistêmicas. Estes distúrbios musculares em geral são tratados com
uma variedade de métodos de tratamento não cirúrgico reversível para redução da
dor e do desconforto, da inflamação nos músculos e articulação e a melhora da
função mandibular através de tratamento ortopédico funcional dos maxilares.
Discrepâncias ósseas, ausência de dentes, restaurações incorretas,
doenças inflamatórias e degenerativas, desordens posturais, traumatismo e outras
alterações comprometem a integração funcional e a estabilidade dos componentes
deste sistema resultando, freqüentemente, em diversos níveis de desordens
craniocervicomandibulares (MACIEL e cols, 2003).
De acordo com Tamaki (1981), o sistema mastigatório ou sistema
estomatognático está constituído dos dentes, ossos maxilares e mandíbula,
músculos mastigatórios, articulação temporomandibular, lábios, língua, bochecha e
elementos vasculonervosos.
Os sintomas dolorosos do aparelho mastigatório podem se localizar na
região da nuca e dos ombros, como por irradiação da dor em órgãos que são do
domínio da otorrinolaringologia.
Os sintomas das desordens na articulação temporomandibular são bem
conhecidas e há geralmente a dor funcional da mandíbula como a característica
básica, entretanto um dos problemas relacionados com a disfunção
temporomandibular é a cefaléia de tensão. Os pacientes que sofrem deste tipo de
cefaléia referem uma sensação de pressão sobre a cabeça irradiando dor para a
nuca, a região periorbital, o ouvido e a mandíbula, e é freqüente a tensão da
musculatura do pescoço.
27

A dor e a contratura muscular ao redor da mandíbula são devidas


principalmente ao uso excessivo da musculatura, segundo Solberg (1999) uma das
causas de mialgias nos músculos da mastigação é a hiperatividade induzida pela
tensão [...], freqüentemente decorrentes de um estresse psicológico que faz com
que o indivíduo aperte firmemente ou ranja os dentes (bruxismo). A maioria dos
indivíduos consegue colocar as pontas dos dedos indicador, médio e anular
verticalmente no espaço entre os dentes frontais superiores e inferiores sem forçar.
Quando um indivíduo apresenta um problema relacionado à musculatura em torno
da articulação temporomandibular, esse espaço geralmente é menor.
Uma condição de dor recorrente provavelmente na população em geral e
que apresenta áreas de entrelaçamento com ATM é a chamada “cefaléia tensional”.
Para (SIQUEIRA e TEIXEIRA, 2001), o local da cefaléia tensional é
predominantemente bilateral (fronto-temporal) [...]. A cefaléia do tipo tensão pode ser
unilateral, principalmente em crianças e adolescentes, e, eventualmente, apresentar
localização variada, que inclui a própria face. Para Okeson (2000) freqüentemente
encontra-se também a dor de cabeça do tipo tensional.
Rhoden e Cols (1992), referem que os principais sinais e sintomas são:
• Dor na região auricular, podendo irradiar-se para o ângulo
mandibular;
• Sensibilidade muscular em nível do temporal, pterigóideo e masseter;
• Clic e estalido na articulação Temporo-Mandibular;
• Limitação do movimento da mandíbula;
• Sensibilidade em toda musculatura do sistema estomatognático e
cervical.
Para Aguiar (1988), a dor, geralmente unilateral, é descrita pelo paciente
como dor surda nas regiões temporal, pré-auricular, goníaca e cervical. Pode ser
relativamente constante, porém mais freqüentemente o paciente relata que a dor é
pior pela manhã, outros relatam que é relativamente suave pela manhã e aumenta
gradativamente à tarde, exacerbando-se na hora das refeições.
A Disfunção Temporomandibular é multifatorial e para tanto para se fazer
um diagnóstico acertado sobre a disfunção faz-se necessário que o mesmo seja
multidiciplinar, pois através dele que coletamos as informações sobre o paciente e
assim pode prescrever o melhor tratamento.
28

Segundo Steenks e Wijer (1996) e Junqueira (1990), o diagnóstico costuma


ser mais fácil quando estão presentes ruídos, dores e limitações na mobilidade da
ATM. Porém, pode surgir superposição de sintomas, devido a outros fatores
etiológicos atuantes em outras regiões, dificultando o diagnóstico.
Para Solberg (1999), sensibilidade, fadiga e dor de cabeça são sintomas
subjetivos comuns. A fraqueza e o tremor dos abaixadores da mandíbula são
sintomas subjetivos.
Felício (1994) relata a preocupação dos profissionais que atuam com DTMs
e a dificuldade que as pessoas tem para descobrir o que se passa com elas.
Procurando vários especialistas, na busca de uma solução, ficam sujeitas a
diagnósticos e tratamentos inadequados que provocam iatrogenias.
É comum a excessiva utilização de analgésicos e antiinflamatórios, seja por
automedicação ou por indicação médica, nos casos de dores na região facial.
Nos últimos anos, para reduzir as queixas nos consultórios, cirurgiões-
dentistas estão aderindo a uma alternativa, que é a aplicação da acupuntura como
analgésico e em casos de dores na articulação temporomandibular (ATM).
A Fisioterapia também exerce papel importante no tratamento da Disfunção
Temporomandibular, utilizando várias técnicas que vão desde a massoterapia,
cinesioterapia e eletroterapia.

3.3 – A acupuntura como tratamento das DTMs

A doença não é um estado permanente e imutável, a transição entre “são” e


“doente” é um movimento constante. Bem-estar e mal-estar dependem de inúmeros
fatores e nós próprios somos responsáveis pela maioria deles.
Nas últimas décadas a Acupuntura tornou-se cada vez mais popular e
parcialmente aceita nos países ocidentais sendo que os fatores que mais
contribuíram foram o alívio da dor aguda e crônica.
List e Helkimo (1987), avaliaram pacientes com dor facial crônica e sintomas
persistentes de disfunção mandibular há pelo menos 13 anos, objetivando adquirir
experiência na utilização da acupuntura em situações de resistência a outros tipos
de tratamentos, estabelecendo em quais situações essa técnica caracteriza-se como
29

alternativa real aos procedimentos convencionais. Os pacientes selecionados foram


avaliados antes e imediatamente após a primeira sessão de acupuntura, repetindo-
se os mesmos procedimentos de avaliação no terceiro e sétimo meses seguintes.
Independente da intensidade inicial da dor, do consumo de medicamentos e da
sintomatologia, os pacientes experimentaram alguma melhoria imediatamente após
a sessão de acupuntura.
Para Lee e Liao (1994) o uso da Acupuntura em pacientes com dor é
plausível para sua redução e também para o aumento de temperatura, ativando a
liberação de serotonina, encefalina e endorfina, gerando analgesia de início lento
com resultados prolongados podendo ter efeito cumulativo.
A história da Acupuntura demonstra que seu êxito não é modismo
passageiro, pois muito antes que se descobrisse a pólvora, o papel, a vacina
preventiva contra varíola, a porcelana, a seda, a bússola, os chineses combatiam
suas doenças com Acupuntura, e segundo Ernest e White (1999) estudos recentes
dão sustentação científica para antigas descobertas empíricas.
O National Institute of Health Norte-Americano, reconheceu a eficácia da
acupuntura no tratamento de diversos estados clínicos, como dor, náuseas entre
outras patologias, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a utilização
da acupuntura em 80 afecções ou condições clínicas, incluindo dor (TEIXEIRA e
FIGUEIRÓ, 2001).
Apesar de ser praticada pelos chineses há aproximadamente 5 mil anos, na
área odontológica no Brasil, ainda é reduzido o contingente de profissionais
capacitados na utilização da acupuntura, abrindo-se assim mais um campo.
A Acupuntura juntamente com a odontologia, a fisioterapia e a medicina,
surgem como mais uma ferramenta no combate da disfunção temporomandibular.
Passemos a analisar a acupuntura agora como meio de controle da dor
vinculada com as disfunções crânio-mandibulares.
A acupuntura constitui-se numa excelente opção de eliminação da dor,
durante o desenvolvimento de um tratamento a longo prazo, que envolva a utilização
de placas de mordida, aparelhos ortodônticos fixos ou móveis, ortopédicos,
reabilitação oral, exercícios de reabilitação foniátrica, fisioterapia e apoio psicológico.
30

Em relação à seleção dos pontos para a penetração das agulhas, devemos


escolher fundamentalmente dois: um localizado no local onde se concentra a dor e o
outro localizado à distância.
O ponto distante necessariamente deverá pertencer a um meridiano que
transite pelo território palco da dor.
Assim, por exemplo, nos casos de dor restrita à região da ATM tem-se
utilizado o ponto 19 do meridiano do intestino delgado (ID19), o ponto 2 do
meridiano do estômago (E2), ou o ponto 21 do meridiano do triplo aquecedor (TA21)
(Fig. 3).

Fig. 3 – Seleção de pontos para dor restrita à ATM

Para as dores da região massetérica utiliza-se como pontos locais o 7 do


estômago (E7), o 6 do estômago (E6) e o 18 do intestino delgado (ID18) (Fig. 4).

Fig. 4 – Pontos selacionados para dores na região


massetérica.
31

Para as dores da região temporal utiliza-se os 23,22,20,9,8 e 7 do triplo


aquecedor (TA23,TA22,TA20,TA9,TA8e TA7) (Fig. 5).

Fig. 5 – Seleção de pontos para dores na região temporal.

Para as dores cervicais, envolvendo o músculo esternocleidomastoideo,


utilizamos o 16 e o 17 do intestino delgado(ID16 e ID17), o 17 do intestino
grosso(IG17), o 12 do estômago(E12), o 16 do triplo aquecedor(TA16) e o 20 da
vesícula biliar(VB20) (Fig. 6).

Fig. 6 – Seleção de pontos para dores cervicais.


32

Para Ross (2003) os pontos do canal do Estômago E6(Jiache) e


E7(Xiaguan) são pontos locais para problemas dos dentes, do queixo, da face, do
pescoço e da garganta. Ainda para Ross (2003) a combinação de pontos para artrite
temporomandibular é E6(Jiache), E7(Xiaguan), E44, IG4(Hegu) todos em dispersão
(Fig. 7).

Fig. 7 – Combinação de pontos para artrite temporomandibular, segundo Ross.

Segundo Yamamura (1993), os pontos para tratar problemas na mandíbula


são E7 (Xiaguan), IG4 (Hegu), TA17 (Yifeng), E6 (Jiache) (Fig. 8).

Fig. 8 – Pontos para problemas de mandíbula, segundo Yamamura.


33

Outro Canal de Energia afetado no distúrbio temporomandibular é o da


Vesícula Biliar. Para Ross (2003) a combinação de pontos é VB1, VB2, VB43, ID2,
ID17, ID18, IG4 todos harmonizando, utilizado para dor de cabeça lateral e dor facial
lateral (Fig. 9).

Fig. 9 – Pontos do meridiano da Vesícula Biliar para dores de cabeça e faciais laterais

3.3.1 - Os canais de energia acometidos na DTM

Nos canais de Energia o Qi e o Sangue alimentam e protegem os tecidos do


corpo e ajudam a manter suas funções, estando este corpo sadio. Porém, se o corpo
estiver doente, e a fisiologia normal afetada, aparecem os sintomas patológicos ao
longo do canal de energia afetado.
Segundo Ross (1994), o pensamento chinês vê a doença como a
desarmonia; como um estado de desequilíbrio na interação entre o corpo e o meio
ambiente.
A MTC atribui as odontalgias e as dores maxilares a um quadro de Fogo no
Estômago (dor por excesso) ou de Deficiência do Yin do Rim (dor por deficiência).
A odontalgia e a dor maxilar podem também estar relacionadas com o
trajeto externo do Meridiano do Intestino Grosso ou ainda ao ramo colateral do
mesmo Meridiano quando este se separa do Canal Principal e vai até a mandíbula e
se extende até os dentes. A estas condições pode-se acrescentar a penetração de
agentes patogênicos externos.
34

Canal de Energia do Estômago (Yangming do Pé) - Inicia-se ao lado da


asa do nariz, depois sobe até a raiz do nariz onde se cruza com o canal da Bexiga,
desce lateralmente ao nariz, penetra a gengiva superior e une-se com o canal de
Energia Du Mai (Vaso Governador), depois margeia o canto da boca, unindo-se com
o canal de Energia Ren Mai (Vaso Concepção) no sulco mentoniano do queixo.
Depois segue para o ângulo da mandíbula e vai em direção ascendente para a
região pré-auricular, prossegue contornando o couro cabeludo até cruzar o canal de
Energia da Vesícula Biliar. Finalmente, vai para a região frontal, seguindo
paralelamente com a linha de inserção dos cabelos e atinge a testa. Ao nível da
mandíbula um ramo desce pela garganta penetrando a fossa supraclavicular,
descendo até o diafragma penetrando seu órgão pertinente o Estomago e
comunicando-se com o Baço.
Um outro ramo vertical desce diretamente da fossa supraclavicular ao longo
da linha mamilar do tórax, depois passa ao lado do umbigo e vai para o abdome
inferior até a região inguinal. Ainda, um outro ramo inicia-se na região do piloro e
desce internamente à região inguinal onde ele se junta com o ramo vertical descrito
acima. Passando pela face anterior da coxa e vai para a patela, prosseguindo ao
longo da face lateral da tíbia até o dorso do pé, terminando lateralmente da
extremidade do segundo dedo do pé (Fig. 10).
Os sintomas relacionados com o trajeto incluem: febre alta, febres
intermitentes, rubor facial, transpiração e delírio, algumas vezes sensibilidade ao frio
ou dor nos olhos, narina seca e epistaxe, herpes labial, dor intensa de garganta,
inchaço no pescoço, paralisia facial (desvio de boca), dor no tórax, dor ou distensão
ao longo do canal na perna e no pé e membros inferiores frios. Os sintomas
associados incluem distensão abdominal, plenitude ou edema, desconforto quando
se inclina, ataque, fome persistente e urina amarela.
35

Fig 10 – Meridiano do estômago


FONTE:Yu-LinLian – “Atlas Gráfico de Acupuntura Seirin”.

Canal de Energia do Intestino Delgado (Taiyang da Mão) - Este canal


origina-se na ponta ulnar do dedo mínimo e sobe ao longo da borda ulnar na mão
até o punho, e depois através do processo estilóide da ulna e o limite posterior do
antebraço, passando entre o olecrano e o epicôndilo medial que situam-se na região
medial do cotovelo; depois segue pela região posterolateral do braço, emergindo na
região posterior do ombro. Na região dorsal, cruza o Canal de Energia da Bexiga de
onde retorna para a fossa supraclavicular, onde penetra e une-se com coração. Um
ramo desse canal de Energia da fossa supraclavicular dirige-se para cima, cruzando
o pescoço e a região mandibular, indo até o canto do olho, onde se encontra com o
Canal de Energia da Vesíbula Biliar, depois vai para a têmpora e penetra na orelha
no ponto ID-19 (Tinggong).
Um outro ramo separa-se do primeiro na altura da região maxilar, sobre até
a região infra-orbital e depois para o canto interno do olho, onde se encontra o Canal
de Energia da Bexiga, indo para a região zigomática (Fig. 11).
Os sintomas associados ao trajeto incluem entorpecimento da boca e da
língua, dor no pescoço ou na região maxilar e dor ao longo da região lateral do
ombro e do braço. Os sintomas associados com a Víscera interna incluem dor e
36

distensão no baixo ventre, possivelmente dor com irradiação ao redor da cintura ou


aos genitais externos e diarréia ou dor abdominal com fezes ressequidas ou
constipação.

Fig11 – Meridiano do Intestino Delgado


FONTE:Yu-LinLian – “Atlas Gráfico de Acupuntura Seirin”.

Canal de Energia do Triplo Aquecedor (Yang menor do Braço) - Origina-


se na borda ulnar da extremidade do quarto dedo, percorre entre o quarto e quinto
ossos metacárpicos do dorso da mão e do punho, atravessa o antebraço entre a
ulna e o rádio e vai em direção ascendente pelo olecrano e pela borda lateral do
braço até o ombro, onde cruza-se com o Canal de Energia do Intestino Delgado e
une-se ao Canal de Energia Du Mai, de onde retorna para a região do ombro,
cruzando o Canal de Energia da Vesícula Biliar, seguindo para a fossa
supraclavicular, onde penetra internamente e dirige-se para a região medial do tórax,
de onde o Canal de energia une-se com o Pericárdio e desce através do diafragma
até o abdome unindo-se sucessivamente aos Aquecedores Superior, Médio e
Inferior que constituem o Triplo Aquecedor.
Um ramo separa-se no tórax e sobe emergindo na fossa supraclavicular, de
onde prossegue para cima, indo para a região posterior da orelha, cruzando com o
Canal de Energia da Vesícula Biliar situados na cabeça, indo depis para a região
37

maxilar e alcançando o olho. Outro ramo separa-se na região retroauricular e


penetra a orelha, emergindo na região pré-auricular, onde cruza com o Canal de
Energia do Intestino Delgado e com o da Vesícula Biliar, atravessa a região
zigomática para terminar no canto externo do olho no ponto TA-23 (Sizhukong) (Fig.
12).
Os sintomas associados incluem inchaço e dor de garganta, dor na
bochecha e na mandíbula, olhos avermelhados, surdez, dor retroauricular ou na face
lateral do ombro e do braço. Já os sintomas associados à víscera interna incluem
distensão abdominal, insensibilidade e adiposidade do baixo ventre, enurese,
micção freqüente, edema e disúria.

Fig 12 – Trajeto do Triplo Aquecedor


FONTE:Yu-LinLian – “Atlas Gráfico de Acupuntura Seirin”.

Canal de Energia da Vesícula Biliar (Yang menor da Perna) - Começa no


canto externo do olho e atravessa a têmpora indo depois, para a região
parietofrontal onde atravessa o ponto E-8 (Touwei) e vai para a região retroauricular,
de onde segue o pescoço, anteriormente ao Canal de Energia Triplo Aquecedor,
cruzando com o Canal de Energia do Intestino Delgado, depois na região dorsal alta,
volta e segue atrás do Canal de Energia Triplo Aquecedor cruzando-se o Canal de
Energia Du Mai na coluna vertebral, de onde o Canal de Energia segue
anteriormente em direção à região supraclavicular, onde interioriza.
38

Um ramo principal sai atrás do ouvido e penetra o mesmo pelo ponto TA-17
(Yifeng), e emerge em frente à orelha, cruzando-se com o Canal de Energia do
Intestino Delgado, no ID-19 (Tinggong), e com o Canal de Energia do Estomago
antes de terminar no canto externo do olho.
Um outro ramo separa-se no canto externo do olho e segue para baixo até a
mandíbula. Após cruzar com o Canal de Energia do Triplo Aquecedor retorna para a
região infra-orbital antes de descer novamente para o pescoço, onde junta-se na
fossa supraclavicular. Deste ponto penetra e desce mais adiante para dentro do
tórax cruzando o diafragma e unindo-se com o Fígado antes de juntar-se com a sua
Víscera associada, a Vesícula Biliar. Segue pela margem interna das costelas,
emergindo na região inguinal onde contorna os genitais, indo para o quadril no ponto
VB-30 (Huantiao) (Fig. 13).
Esse Canal de Energia está associado com a Vesícula Biliar e une-se com o
Fígado e está também ligado diretamente ao Coração.
Os sintomas associados ao trajeto incluem febre intermitente e calafrios,
cefaléia, tez pálida, dor no olho ou na mandíbula, inchaço na região subaxilar,
escrófula, surdez e dor no trajeto do Canal de Energia na região do quadril, da perna
ou do pé. E os sintomas associados à Víscera interna incluem dor nas costas,
vômitos, gosto amargo na boca e dor no tórax.

Fig 13 – Trajeto do VB.


FONTE:Yu-LinLian – “Atlas Gráfico de Acupuntura Seirin”.
39

3.3.2 – Fundamentação científica

Atualmente o conhecimento científico explica pelo menos parte dos


mecanismos neurais, implicados na analgesia pela acupuntura.
A comunicação entre neurônios é fundamentalmente mediada pelos
neurotransmissores.
Desde o experimento clássico de Loewe em 1920, com a descoberta da
acetilcolina, suscederam-se outras descobertas como: noradrenalina, adrenalina,
dopamina e serotonina; de alguns aminoácidos como glicina, glutamato, aspartato e
o gama-aminobutirato.
Com relação aos neurotransmissores envolvidos com a sensibilidade
dolorosa, um grande avanço se deu com a descoberta de que vários alcalóides
extraídos do ópio tem a capacidade de se concentrar, com alto grau de afinidade,
em determinadas regiões do sistema nervoso central.
A acupuntura ativa pequenas fibras nervosas mielinizadas dentro dos
músculos, que enviam impulsos para a medula espinhal ativando então o
mesencéfalo e o centro hipotálamo/pituitária.
Hoje é aceito pela cultura ocidental que a inserção de uma agulha num
ponto de acupuntura cria um pequeno processo inflamatório com liberação de
neurotransmissores, tais como,bradicinina, histamina, etc. e a estimulação das fibras
A/gama, localizadas na pele e na musculatura, inibem a sensação de dor pela
liberação de encefalina.
Este modelo é o mais simples mecanismo de ação e provavelmente
contribuem para o efeito de alívio da dor na acupuntura, na maioria dos casos.
A partir da segunda vértebra da coluna vertebral, as fibras continuam até a
quinta vértebra, atravessando até o lado oposto e ascendendo através do trato
espinotalâmico até o mesencéfalo onde o núcleo da rafe mediana é estimulado. Este
núcleo é o principal produtor de serotonina no cérebro e desempenha um papel
chave no mecanismo de ação da acupuntura.
Desta forma, tem sido demonstrado que a serotonina é uma pré-droga para
a endorfina, o que provavelmente contribui para o efeito central da acupuntura.
40

Além disso, tem sido mostrado que a serotonina é uma pré-droga para o
ACTH, o que, provavelmente, contribui através da glândula pituitária para o aumento
de cortisol, que melhora o sistema imunológico.
Finalmente, a serotonina tem um efeito direto no córtex e é provável que o
efeito benéfico da acupuntura sobre o estresse e a ansiedade é devido a esse efeito
direto.
41

4 - CONCLUSÃO

Diante dos princípios abordados e após a revisão de importantes pontos


relacionados à aplicação de acupuntura no tratamento das DTMs, é possível concluir
que a acupuntura tem se mostrado eficiente no controle de dores faciais,
principalmente tratando-se de dores de origem muscular.
Além disso, essa técnica utiliza o mecanismo de analgesia do próprio do
organismo sem provocar quaisquer efeitos colaterais, podendo ser usada quantas
vezes forem necessárias.
Podemos verificar que a acupuntura surge como mais uma forma de
tratamento da Disfunção Temporomandibular e que pode contribuir juntamente com
a Odontologia, Fisioterapia e Medicina na busca do bem-estar do paciente.
Com a evolução da ciência, pode-se verificar que ainda existe um campo
vasto a ser explorado, oferecendo oportunidades de trabalho diferenciado para os
profissionais da área de saúde, especialmente da área odontológica, com visão
holística de seus pacientes.
42

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