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ANÁLISE DAS EMPRESAS TRANSPORTADORAS DE CARGA COM ÊNFASE NA TECNOLOGIA DE RASTREAMENTO

Estefânia Quirla Bordin

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA DE TRANSPORTES.

Aprovada por:

Prof. Ronaldo Balassiano, Ph.D.

Prof. Márcio de Almeida D’Agosto, D.Sc

Prof. Márcio Peixoto de Sequeira Santos, Ph.D

Profª. Vânia Barcellos Gouvêa Campos, D.Sc

RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL. MAIO DE 2008

BORDIN, ESTEFÂNIA QUIRLA Análise das empresas transportadoras de carga com ênfase na tecnologia de rastreamento. [Rio de Janeiro] 2008. XI, 117 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJ,

M.Sc., Engenharia de Transportes, 2008) Dissertação - Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE

1. Transporte de Carga

2. Análise de Desempenho

3. Sistemas de Rastreamento I. COPPE/ UFRJ II. Título (série)

Aos meus avós Otília (in memoriam) e Armando (in memoriam) que me ensinaram a alegria de viver e a importância de cultivar os amigos.

a

minha irmã Franciely pelo amor incondicional.

Aos

meus

pais,

Iloni

e Renê,

e

Agradeço a Deus por todas as alegrias e também pelos momentos difíceis pelo

qual passei, por todas as oportunidades de crescimento e pela realização deste

trabalho com saúde e perseverança.

Um agradecimento especial à minha família, considerada base referencial da

minha formação, que embora distante geograficamente, estive tão perto, me enchendo

de coragem.

Aos grandes amigos, que ficaram ao meu lado nos momentos mais difíceis de

superação, e aqueles que, mesmo de longe, torceram e rezaram por mim.

Aos meus orientadores, Ronaldo Balassiano e Márcio de Almeida D’Agosto

que, com sabedoria, me ajudaram a trilhar este caminho até a conclusão deste

trabalho.

Aos professores do PET e componentes da banca examinadora da Dissertação

de Mestrado pela participação, colaboração e contribuição; aos funcionários da

Secretaria, do Lamipet e do Cedoc, pela atenção e simpatia; e ainda aos colegas de

mestrado pela convivência e companheirismo.

Às empresas que possibilitaram a realização do Estudo de caso e a todas as

pessoas que forneceram dados e informações que contribuíram para este trabalho.

A todos que contribuíram direta e indiretamente para a realização deste

trabalho.

Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)

ANÁLISE DAS EMPRESAS TRANSPORTADORAS DE CARGA COM ÊNFASE NA TECNOLOGIA DE RASTREAMENTO

Estefânia Quirla Bordin

May / 2008

Orientadores: Ronaldo Balassiano Márcio de Almeida D’Agosto

Programa: Engenharia de Transportes

A relevância do transporte rodoviário de cargas no Brasil para a economia do país, dada sua participação na matriz de transportes, é reconhecida por diferentes autores. O crescente aumento da quantidade de roubos e assaltos a caminhões e a cargas, o aumento dos valores das apólices de seguro devido ao alto valor agregado da carga e ao alto risco desse transporte, tem demandado um gerenciamento mais apurado na movimentação dos veículos. Não só no sentido de evitar prejuízos, mas também atingir maior qualidade nos serviços prestados em um mercado muito competitivo. A presente pesquisa teve por objetivo analisar o potencial de utilização de sistemas de rastreamento pelas empresas transportadoras de cargas na operação e na estrutura logística de suas frotas. Após uma detalhada revisão bibliográfica, a pesquisa descreve um estudo de caso em que duas empresas transportadoras rodoviárias brasileiras (uma de menor porte e outra de maior porte), operando serviços que utilizam dispositivos de rastreamento, foram avaliadas. A análise do estudo de caso envolvendo as duas empresas evidencia a importância da operação de frotas com maior confiabilidade e segurança, indicando que existe uma tendência crescente de utilização de tecnologias de rastreamento. Nesse sentido, essas empresas podem mais facilmente gerenciar seus custos operacionais, bem como sua estrutura logística da operação.

Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)

ANALYSIS OF FREIGHT TRANSPORT COMPANIES WITH EMPHASIS ON TRACKING TECHNOLOGIES

Estefânia Quirla Bordin

May / 2008

Advisors: Ronaldo Balassiano Márcio de Almeida D’Agosto

Department: Transportation Engineering

The relevance of the road load transport in Brazil for the economy of the country, given its participation in the matrix of transports is recognized for different authors. The increasing increase of the amount of robberies and assaults the trucks and loads, the increase of the values of the insurance policies due to the high aggregate value of the load and to the high risk of this transport, have demanded a more refined management in the movement of the vehicles. Not only in the direction of only preventing damages, but also reaching greater quality in the services given in a very competitive market. The present research had for objective to analyze the potential of generation of improvements in the operation and the logistic structure of companies of load transport for highway, who use technological devices of tracking (monitoração). After one detailed bibliographical revision, the research describes a case study where two transporting companies road Brazilians (one of lesser transport and another one of bigger transport), operating services that use tracking devices, had been evaluated. The analysis of the case study involving the two companies evidences the importance of the operation of fleets with bigger trustworthiness and security, indicating that an increasing trend of use of tracking technologies exists. In this direction these companies can more easily manage sweat operational costs as well as its logistic structure of the operation.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

1

1.1 Considerações iniciais

1

1.2 Objetivo geral e específico

2

1.3 Justificativa e relevância do tema

3

1.4 Problema de Pesquisa

3

1.5 Descrição da dissertação

4

2 CARACTERIZAÇÃO DO TRANSPORTE DE CARGADE CARGA

6

2.1 Panorama do transporte de carga internacional

6

2.2 Panorama do transporte de carga brasileiro

9

2.3 A importância do transporte rodoviário de carga

17

2.4 Principais problemas do transporte rodoviário de cargas no Brasil

19

2.5 Considerações finais

27

3 SISTEMAS DE RASTREAMENTO

29

3.1 Panorama internacional dos sistemas de rastreamento

30

3.2 Panorama nacional dos sistemas de rastreamento

33

3.3 Tecnologias de rastreamento disponíveis no mercado

35

3.3.1 Características técnicas dos sistemas de rastreamento

35

3.3.2 Descrição da tipologia dos sistemas de rastreamento

36

3.3.2.1 Localização por direcionamento

36

3.3.2.2 Triangulação de antenas

37

3.3.2.3 Sistema GPS

37

3.3.3 Equipamentos embarcados

43

3.3.4 Vantagens e desvantagens dos sistemas de rastreamento em geral

45

3.4 Gerenciamento de risco

47

3.5 Considerações finais

49

4 O USO DE SISTEMAS DE RASTREAMENTO: AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO

DAS OPERADORAS DE CARGA

53

 

4.1 Indicadores de desempenho

58

4.2 Medidas de desempenho

59

4.3 Potencialidades dos sistemas de rastreamento para o desempenho das

empresas transportadoras de cargas

64

5

ESTUDO DE CASO

66

5.1 Caracterização da pesquisa

66

5.2 Descrição da pesquisa

68

5.3

Caracterização do perfil operacional das empresas transportadoras de carga

 

68

 

5.3.1

Coleta de dados

69

5.3.2

Análise de dados

70

5.3.3

Resultados do perfil operacional das empresas transportadoras de

carga

72

5.4

Caracterização do estudo de caso

79

5.4.1 Coleta de dados

83

5.4.2 Análise dos dados

84

5.5

Resultados do estudo de caso

84

5.5.1

Perfil das empresas pesquisadas em relação ao cenário obtido no

Anuário

84

5.5.2

Análise das entrevistas com as empresas do estudo de caso

85

5.5.2.1 Implantação do sistema de rastreamento

85

5.5.2.2 Benefícios obtidos com o sistema de rastreamento

86

5.5.2.3 Roubos de veículos

87

5.5.2.4 Vantagens do sistema de rastreamento

88

5.6

Considerações finais

89

6

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

92

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 2.1: Classificação Geral - Extensão Total

20

Tabela 2.2: Principais problemas do transporte rodoviário de cargas no Brasil

26

Tabela 3.1: Caracterização dos Principais Sistemas de Rastreamento

42

Tabela 4.1: Esquema das medidas de eficiência e eficácia, com seus respectivos

62

Tabela 5.1: Benefícios proporcionados pelos sistemas de

87

Tabela 5.2: Quadro comparativo das empresas A e B entrevistadas no estudo de caso

89

ÍNDICE DAS FIGURAS

Figura 2.1: Utilização de meios de transporte de

7

Figura 2.2: Evolução do transporte de carga entre 1995 e

7

Figura 2.3: Evolução do Transporte Rodoviário de Carga no

10

Figura 2.4: Evolução do Transporte Ferroviário de Carga no

11

Figura 2.5: Mapa das concessões ferroviárias

12

Figura 2.6: Evolução do Transporte Aquaviário de Carga no Brasil

13

Figura 2.7: Classificação Geral - Extensão Total

20

Figura 2.8: Resumo das Características Avaliadas - Extensão Total

21

Figura 2.9: Cenário Nacional de

21

Figura 2.10: Evolução do Roubo de Cargas no Brasil em

22

Figura 2.11: Evolução do Roubo de Cargas no Brasil em

22

Figura 2.12: Roubo de Cargas no estado de São Paulo

23

Figura 2.13: Evolução do pagamento de prêmios de seguro de carga no

24

Figura 3.1: Taxa de adoção ao sistema de rastreamento por tamanho de

31

Figura 3.2: Taxa de adoção ao sistema de rastreamento por

31

Figura 3.3: Benefícios para as empresas que se utilizam de sistemas de rastreamento.

 

32

Figura 3.4: Fatores que estão denegrindo a indústria de sistemas de rastreamento

33

Figura 3.5: Ilustração do sistema de rastreamento de veículos

35

Figura 5.1: Utilização do sistema de

72

Figura 5.2: Tamanho de

73

Figura 5.3: Região de

73

Figura 5.4: Região de atuação - Brasil e

74

Figura 5.5: Tipos de carga transportada

74

Figura 5.6: Participação dos produtos/serviços na receita do segmento de transporte rodoviário de cargas – Brasil –

75

Figura 5.7: Utilização de sistema de rastreamento em relação ao tamanho da frota

77

Figura 5.8: Utilização do sistema de rastreamento em relação à região de atuação

77

Figura 5.9: Utilização do sistema de rastreamento em relação ao tipo de carga transportada

78

ANEXOS

ANEXO 1 - Tabela de informações adaptada do Anuário do Transporte de

Carga 2006.

ANEXO 2 - Lista das empresas operadoras de cargas e os respectivos

endereços eletrônicos.

ANEXO 3 - Questionário aplicado em entrevista com o Gerente de Operações

das empresas transportadoras de carga do estudo de caso.

ANEXO 4 – Questionário aplicado na entrevista com especialista da área de

sistemas de rastreamento.

ANEXO 5 – Conhecendo as empresas de sistemas de rastreamento.

1

INTRODUÇÃO

1.1 Considerações iniciais

O setor de transportes no Brasil tem uma participação importante no produto

interno bruto, envolvendo o segmento rodoviário, ferroviário, aquaviário, aéreo e

dutoviário, sendo responsável, de acordo com a Associação Brasileira de Logística e

Transporte de Carga (2008) pelo deslocamento de 80 milhões de pessoas diariamente

e respondendo por um movimento de cargas superior a 723 bilhões de t/km anuais.

Por

outro

lado,

apesar

da

importância

do

setor

de

transportes

para

o

desenvolvimento econômico do País, o que ocorreu ao longo de muitos anos foi um

processo de obsolescência e deterioração da sua infra-estrutura, em seus diversos

segmentos,

em

investimentos.

decorrência

das

limitações

do

setor

público

na

promoção

de

De acordo com a Associação Brasileira de Logística e Transporte de Carga

(2008), o País possui hoje 164 mil km de estradas federais, estaduais e municipais

pavimentadas. O Governo tem buscado meios de possibilitar a construção de novos

trechos e reformar os existentes, mediante o estabelecimento de concessões, aspecto

de fundamental importância para as empresas transportadoras de carga rodoviária

que estão desestimuladas a investirem na renovação e ampliação de frota, pois é

deficiente a condição das estradas brasileiras.

Segundo a Confederação Nacional do Transporte – CNT (2007) o setor

rodoviário é responsável por aproximadamente 60% do transporte de cargas, sendo

que os serviços de transporte prestados por este setor representaram 35,2% da

receita do setor de transportes em 2005, de acordo com dados do Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística - IBGE.

O setor de transporte rodoviário brasileiro passa por uma grande transformação

baseada na qualidade do gerenciamento e na eficiência operacional. O uso de

veículos de baixa tecnologia, improviso e administração precária, estão chegando ao

fim e o profissionalismo começa a se alastrar por todo o sistema. O mais importante é

transportar com eficiência e promover melhoria contínua.

A chegada do comércio eletrônico e o surgimento dos operadores logísticos

trouxeram mudanças para o setor, pois as empresas necessitaram adotar conceitos e

padrões de agilidade, eficiência e qualidade no sentido de atuarem nesse mercado

mais competitivo.

O controle da informação e a racionalização da gestão passam a representar

vantagem competitiva, sendo isso possível através da adoção da tecnologia da

informação (TI) pelas empresas transportadoras de carga rodoviária. Um exemplo de

tecnologia que pode ser implantada pelas empresas é o sistema de rastreamento que

possibilita o controle em tempo real dos veículos.

Assim, pretende-se com este trabalho, enfocar de maneira especial o

transporte rodoviário de cargas que é o setor mais importante para a economia do

país. Dentro deste, enfatizar o uso de sistemas de rastreamento pelas empresas

transportadoras de carga, analisando o potencial de utilização de sistemas de

rastreamento pelas empresas transportadoras de cargas na operação e na estrutura

logística de suas frotas. Além disso, será abordado um estudo de caso contendo

informações referentes a duas empresas transportadoras de carga brasileiras.

1.2 Objetivo geral e específico

A presente dissertação tem como objetivo principal analisar como o potencial

de utilização de sistemas de rastreamento pelas empresas transportadoras de cargas

na operação e na estrutura logística de suas frotas.

Os objetivos específicos são:

1º) Identificar um perfil qualitativo de Empresas Transportadoras de Cargas

brasileiras em relação às suas características de operação, a partir de informações

contidas no Anuário do Transporte de Carga 2007;

2º) Avaliar o impacto em duas empresas transportadoras de carga (Estudo de

Caso) após a implantação de sistemas de rastreamento.

1.3 Justificativa e relevância do tema

Em face da importância do transporte rodoviário de cargas para a economia

brasileira e, ao mesmo tempo dos problemas enfrentados pelo setor que vão desde a

obsolescência e deterioração da sua infra-estrutura ao alto índice de roubos de

cargas, e conseqüente aumento dos prejuízos, é relevante um estudo aprofundado do

setor de transporte de cargas rodoviário e da implantação de tecnologias que auxiliem

as empresas no controle das suas operações logísticas e contribuam para que as

mesmas superem os problemas oriundos de fatores externos.

Considerando o número de empresas transportadoras de carga rodoviária

existentes

no

País,

o

percentual

de

empresas

que

utilizam

tecnologias

de

rastreamento como auxílio para a gestão das operações logísticas é relativamente

baixo. Isto se deve em parte ao desconhecimento dos benefícios que esta tecnologia

pode oferecer para as empresas e ao alto custo de investimento para implantação.

O estudo do tema é importante para a comunidade científica, visto que é um

assunto pouco explorado, existindo poucos trabalhos divulgados na área.

1.4 Problema de Pesquisa

De acordo com Gil (2007), um problema na acepção científica, é uma questão

não resolvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio do conhecimento.

O panorama atual do setor de transporte rodoviário de carga brasileiro explicita

alguns aspectos que devem ser melhor analisados:

Crescimento da demanda pelo transporte rodoviário de cargas com

a estabilização da economia;

Crescente

aumento

da

caminhões e cargas;

quantidade

de

roubos

e

assaltos

de

Aumento dos valores das apólices de seguro devido ao alto valor

agregado da carga e ao alto risco de transportar;

Não utilização da capacidade máxima dos seus veículos para não

elevar o custo do seguro, além de realizarem o retorno com veículos

vazios;

Exigência, por parte das seguradoras de gerenciamento de risco às

empresas transportadoras rodoviárias de carga;

Aumento do valor dos fretes.

Dessa forma e tendo como base o objetivo geral da pesquisa, torna-se

importante identificar quais são as melhorias geradas na operação e gestão logística

de frotas de transporte de carga por rodovia que utilizam dispositivos tecnológicos de

rastreamento (monitoração).

1.5 Descrição da dissertação

O trabalho está estruturado em seis capítulos, além desta introdução.

O capítulo dois apresenta um panorama do transporte de carga nacional e

internacional, com uma descrição breve sobre os modos de transporte mais utilizados

para o deslocamento de mercadorias no Brasil. Além disso, pretende-se destacar a

importância do transporte rodoviário de carga e os principais problemas enfrentados

pelo setor atualmente.

O capítulo três traz um panorama nacional e internacional dos sistemas de

rastreamento utilizados no transporte rodoviário de carga e ainda uma descrição da

tecnologia envolvida e suas vantagens, desvantagens e benefícios para as empresas

transportadoras de carga e seus clientes.

O

capítulo quatro apresenta alguns conceitos de avaliação de desempenho,

atributos

importantes

a

serem

considerados

e

indicadores

utilizados

com

as

respectivas medidas envolvidas neste processo. Serão considerados conceitos de

avaliação

de

desempenho,

visando

explicitar

o

desempenho

das

empresas

de

transporte de carga que se utilizam de sistemas de rastreamento.

Já o capítulo cinco traz o estudo de caso, com a descrição dos procedimentos

metodológicos

adotados

na

pesquisa,

justificando-se

a

escolha

do

método,

o

detalhamento das etapas de desenvolvimento, uma descrição do contexto, o processo

de seleção dos envolvidos, os procedimentos e o instrumental de coleta e análise de

dados e os recursos utilizados para maximizar a confiabilidade dos resultados.

Para finalizar, o capítulo seis apresenta as conclusões do que foi descrito nos

capítulos anteriores e algumas recomendações para futuros trabalhos.

2

CARACTERIZAÇÃO DO TRANSPORTE DE CARGADE CARGA

Um sistema de transporte eficiente e de baixo custo contribui para aumentar a

competitividade da empresa no mercado, reduzir preços dos produtos comercializados

e melhorar a economia de escala na produção. Com relação à economia de escala, o

sistema de transporte interfere na confiabilidade do recebimento de matéria-prima e

componentes dos fornecedores e na confiabilidade de entrega de produtos acabados

aos

clientes

e

mercados

consumidores,

em

determinados (BALLOU, 2006).

bom

estado

e

nos

tempos

pré-

A escolha do modo de transporte deve considerar algumas características

básicas, tais como: (1) preço do serviço de transporte, (2) rapidez e variabilidade, (3)

versatilidade, (4) riscos de perdas e danos decorrentes da modalidade escolhida

(MONTEIRO, 2002).

Portanto, será apresentado neste capítulo um panorama do transporte de carga

nacional e internacional, com uma descrição breve sobre os modos de transporte mais

utilizados para o deslocamento dos bens no Brasil. Além disso, pretende-se destacar a

importância do transporte rodoviário de carga e os problemas enfrentados pelo setor

atualmente.

2.1 Panorama do transporte de carga internacional

A mobilidade das pessoas e dos bens é um componente essencial para a

competitividade da indústria e dos serviços. Um sistema eficaz de transporte é

essencial, tendo impactos significativos no crescimento econômico, social e ambiental

de um país. Este é um dos motivos pelo qual a Rede de Transporte Européia permite

a livre circulação de pessoas e mercadorias na União Européia (EUROSTAT, 2007).

De acordo com dados do Eurostat (2007), o modo de transporte mais utilizado

para o deslocamento de bens e mercadorias na União Européia é o rodoviário,

representando em 2005, 44,2% seguido do transporte marítimo, com 39,1%, conforme

Figura 2.1 abaixo.

0,06% 39,10% 3,40% 3,30% 10,00%
0,06%
39,10%
3,40%
3,30%
10,00%

44,20%

RodoviaFerrovia Hidrovia (fluvial) Dutos Aquaviário (marítmo) Aéreo

FerroviaRodovia Hidrovia (fluvial) Dutos Aquaviário (marítmo) Aéreo

Hidrovia (fluvial)Rodovia Ferrovia Dutos Aquaviário (marítmo) Aéreo

DutosRodovia Ferrovia Hidrovia (fluvial) Aquaviário (marítmo) Aéreo

Aquaviário (marítmo)Rodovia Ferrovia Hidrovia (fluvial) Dutos Aéreo

AéreoRodovia Ferrovia Hidrovia (fluvial) Dutos Aquaviário (marítmo)

Fonte: Eurostat (2007) Figura 2.1: Utilização de meios de transporte de carga.

A redução do transporte pesado e a importância crescente dos serviços porta-

a-porta e just-in-time contribuíram para um incremento no transporte rodoviário,

representando um crescimento de 38% na União Européia entre 1995 e 2004, de

acordo com a Figura 2.2, segundo dados do Eurostat (2007).

Evolução do transporte de carga

50,00% 45,00% 37,90% 40,00% 34,60% 35,00% 31,10% 30,00% 25,00% 20,00% 17,50% 15,00% 10,20% 9,20% 10,00%
50,00%
45,00%
37,90%
40,00%
34,60%
35,00%
31,10%
30,00%
25,00%
20,00%
17,50%
15,00%
10,20%
9,20%
10,00%
5,00%
0,00%
Estrada
Ferrovia
Hidrovia
Óleodutos
Hidrovia
Aéreo
(fluvial)
(marítmo)
Fonte: Eurostat (2007)
Figura 2.2: Evolução do transporte de carga entre 1995 e 2004.

O transporte marítimo

vem em segundo lugar, com 34,6%, seguido do

transporte

aéreo

com

31,1%

dos

bens

transportados

na

União

Européia,

representando as modalidades de transportes de bens com alto valor agregado.

(EUROSTAT, 2007).

Na União Européia, constata-se uma queda na modalidade do transporte

ferroviário de bens em contrapartida com o aumento do transporte rodoviário e aéreo,

ocorrendo uma diminuição da frota de vagões por motivos da renovação, por mais

eficientes. Outro motivo da diminuição é o fato de existir muita frota alugada,

geralmente estes dados não são contabilizados nas estatísticas (EUROSTAT, 2007).

Ainda de acordo com dados do Eurostat (2007), o transporte rodoviário é o

principal causador de impactos nos recursos de energia e no meio ambiente,

representando cerca de 83% do consumo de energia final total. Constitui-se no maior

emissor de gases do efeito estufa, entre as modalidades do setor de transportes, com

93% de emissões.

De acordo com o Departamento de Estatística de Transporte dos EUA (2005),

o sistema de transporte dos EUA é constituído por uma extensa rede pública e privada

de rodovias, aeroportos, ferrovias, vias urbanas e portos. Milhões de indivíduos e

organizações dependem delas para trabalhar, viajar, deslocar bens e mercadorias

dentro do país, conectando cidades de pequeno e grande porte, assim como áreas

urbanas e rurais.

De acordo com o estudo World Air Cargo Forecast 2006-2007, divulgado pela

Boeing, o transporte de carga – que nas últimas décadas apresentou um crescimento

médio de 6,4% - deve manter seu crescimento constante até 2025 (ANUÁRIO DE

GESTÃO DE FROTAS, TREINAMENTO E PÓS-VENDAS, 2008).

Nos últimos anos, o mercado sofreu momentos de oscilação, com quedas

acentuadas provocadas pela Guerra do Golfo (1991), mas também de crescimento

muito elevado, como em 2004, quando a indústria respondeu positivamente ao avanço

econômico da Ásia e da União Européia (ANUÁRIO DE GESTÃO DE FROTAS,

TREINAMENTO E PÓS-VENDAS, 2008).

A Ásia, que hoje representa 51% no mercado mundial de cargas deve alcançar

a marca de 63% de participação ate 2025, tendo a China como principal propulsora

deste crescimento. Nas regiões da América do Sul e do Norte, o crescimento deve

ficar em torno de 5,8 a 6% ao ano. A previsão é de que o volume de carga pela via

aérea deva triplicar e a frota mundial de aeronaves cargueiras dobrar de tamanho

(ANUÁRIO DE GESTÃO DE FROTAS, TREINAMENTO E PÓS-VENDAS, 2008).

2.2 Panorama do transporte de carga brasileiro

O transporte rodoviário apresenta baixo custo inicial de implantação, se for

comparado aos demais modos de transportes. É o sistema de transporte mais utilizado

no país, apesar de registrar elevado custo operacional e excessivo consumo de óleo

diesel. Possui grande flexibilidade operacional, permitindo acessos a pontos isolados.

Apresenta grande competitividade para o transporte de cargas não concentradas na

origem ou no destino e o de curtas distâncias, em que seu maior custo operacional é

compensado pela eliminação de transbordos (WANKE e FLEURY, 2006).

Entre os anos de 2000 e 2006, o transporte rodoviário de carga apresentou um

crescimento de 30,2%, conforme a Figura 2.3. Isso se deve pelo fato de o modo

rodoviário possibilitar serviços porta-a-porta e just-in-time e também pela sua grande

flexibilidade e agilidade (EUROSTAT, 2007).

Transporte Rodoviário de Carga

680 639 630 580 540 530 480 454 456 446 448 441 430 380 2000
680
639
630
580
540
530
480
454
456
446
448
441
430
380
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
milhões de toneladas

Fonte: IDET/FIPE/CNT Figura 2.3: Evolução do Transporte Rodoviário de Carga no Brasil.

Entre as desvantagens, estão o custo de fretes mais elevados em alguns

casos; menor capacidade de carga em relação a todos os outros modos; menos

competitivo para longas distâncias (WANKE e FLEURY, 2006). Com relação à

segurança no transporte rodoviário de cargas, tecnologias com rastreamento de

veículos por satélite, bloqueio remoto de combustível, entre outras, estão sendo

utilizadas por empresas do setor, visando reduzir os riscos de transporte, sendo que

essas tecnologias possuem elevados custos de aquisição, de maneira que grande

parte

da

frota

rodoviária

de

carga

encontra-se

à

(ANEFALOS e CAIXETA-FILHO, 2001).

margem

dessas

inovações

O segundo modo de transporte mais utilizado no Brasil é o ferroviário, pois

apresenta um baixo custo operacional comparado aos demais modos de transporte. O

seu crescimento nos últimos anos pode ser observado na Figura 2.4. As ferrovias

tornam-se muito competitivas para o transporte de cargas com origens e destinos fixos

e para longas distâncias, em que os transbordos realizados na origem e destino são

compensados pelo menor custo do transporte (RIBEIRO e FERREIRA, 2002).

Transporte Ferroviário de Carga

450 431 430 414 410 390 360 370 356 350 330 330 317 304 310
450
431
430
414
410
390
360
370
356
350
330
330
317
304
310
290
270
250
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
milhões de toneladas

Fonte: IDET/FIPE/CNT Figura 2.4: Evolução do Transporte Ferroviário de Carga no Brasil.

O Brasil dispõem de aproximadamente 29.000 quilômetros de ferrovias de

carga que atendem todas as regiões do país. Deste total, foram concedidos 25.599 km

à iniciativa privada (ANTT, 2008), há aproximadamente dez anos, tendo investido

cerca de R$11 bilhões, principalmente em ativos, reforma das vias e material rodante

(ANUÁRIO DO TRANSPORTE DE CARGA, 2007).

A

Figura 2.5 apresenta a malha ferroviária nacional.

rodante (ANUÁRIO DO TRANSPORTE DE CARGA, 2007). A Figura 2.5 apresenta a malha ferroviária nacional. Fonte:

Fonte: ANTT 2008

Figura 2.5: Mapa das concessões ferroviárias.

Para alcançar a produtividade máxima em 2010, as ferrovias brasileiras

pretendem continuar crescendo numa média de 8% ao ano em produtividade. Para

que isso aconteça, além de manter os níveis operacionais, as empresas terão que

reforçar o tripé tecnologia, treinamento e responsabilidade social (ANUÁRIO DO

TRANSPORTE DE CARGA, 2007).

Em 2006, a América Latina Logística, maior operadora logística da América

Latina, registrou um aumento de 10,6% no volume de carga transportada, totalizando

R$ 22 bilhões de tku’s (toneladas transportadas por quilômetro útil). Isso se deve ao

aumento de 13,4% na movimentação de commodities agrícolas. A malha opera hoje

com

960

locomotivas

e

cerca

de

27

TRANSPORTE DE CARGA, 2007).

mil

vagões

próprios

(ANUÁRIO

DO

O transporte de granéis líquidos, produtos químicos, areia, carvão, cereais e

bens de alto valor (operadores internacionais) é realizado em contêineres através do

modo hidroviário. Como exemplos de meios de transporte hidroviário, pode-se citar os

navios dedicados, navios porta contêineres e navios bidirecionais para veículos (roll-

on, roll-off, vessel) (RIBEIRO e FERREIRA, 2002).

Ainda de acordo com Ribeiro e Ferreira (2002), este tipo de transporte pode ser

dividido em três formas de navegação, a saber: a cabotagem que é navegação

realizada entre portos ou pontos do território brasileiro, utilizando a via marítima ou

entre esta e as vias navegáveis interiores (até, aproximadamente, 12 milhas da costa);

a navegação interior que é realizada em hidrovias interiores, em percurso nacional ou

internacional e por fim, a navegação de longo curso, realizada entre portos brasileiros

e estrangeiros.

Em relação aos custos, o transporte hidroviário apresenta custo fixo médio

(navios e equipamentos) e custo variável baixo (capacidade para transportar grande

tonelagem). É o modo que apresenta o mais baixo custo (RIBEIRO e FERREIRA,

2002).

Este modo apresenta como vantagens a capacidade de transportar mercadoria

volumosa e pesada e o fato dos custos de perdas e danos serem considerados baixos

comparados com outros modos de transporte. Suas principais desvantagens são a

existência de problemas administrativos no porto; acarretando a lentidão, uma vez que

o transporte hidroviário é, em média, mais lento que a ferrovia, forte influência do

clima.

Sua

disponibilidade

e

confiabilidade

são

afetadas

meteorológicas (RIBEIRO e FERREIRA, 2002).

pelas

condições

Conforme a Figura 2.6, o transporte aquaviário apresentou uma queda de 6,5%

de 2005 para 2006.

Transporte Aquaviário de Carga

470 459 451 445 450 429 430 420 407 410 399 390 370 2000 2001
470
459
451
445
450
429
430
420
407
410
399
390
370
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
milhões de toneladas

Fonte: IDET/FIPE/CNT. Figura 2.6: Evolução do Transporte Aquaviário de Carga no Brasil.

O transporte hidroviário apresenta baixo custo de implantação, quando da

ocorrência de uma via natural. Tal custo, no entanto, aumenta bastante se houver

necessidade de construção de canais, barragens e eclusas, por exemplo. Seu custo

operacional, pequeno em vias perenes de grande calado, aumenta de maneira

sensível em vias de baixo calado e de utilização sazonal, em que não é possível

operar em períodos de seca. Apresenta baixa velocidade operacional e alcance

limitado ao curso natural da via utilizada (RIBEIRO e FERREIRA, 2002).

Já como desvantagens costumam ser mais lento que o modo ferroviário, e

ainda a disponibilidade e confiabilidade são fortemente influenciadas pelas condições

meteorológicas (WANKE e FLEURY, 2006).

A globalização

provocou

o

enxugamento

dos

estoques

de

mercadorias,

trazendo a necessidade de acelerar o suprimento. O transporte aéreo, neste cenário,

ganhou importância fundamental na movimentação da carga.

É o modo de transporte que apresenta elevado custo operacional, grande

flexibilidade, permitindo o acesso a pontos isolados do país, com alta velocidade

operacional. É o transporte adequado para mercadorias de alto valor agregado,

pequenos volumes ou com urgência na entrega.

As

empresas

aéreas

brasileiras

estão

focadas,

além

do

transporte

de

passageiros, em transportar carga, pois esta pode gerar uma receita correspondente a

cerca

de

5%

do

faturamento

total

TRANSPORTE DE CARGA, 2007).

das

empresas

aéreas

(ANUÁRIO

DO

Na TAM Linhas Aéreas, em 2006, a carga aérea representou uma receita de

R$486,5

milhões,

expansão

de

19,5%

em

relação

ao

ano

anterior.

A

carga

representou 6,3% da receita bruta da companhia no ano passado. Destacou-se a

carga internacional, que aumentou 26,9% (ANUÁRIO DO TRANSPORTE DE CARGA,

2007).

Já a Gol Transportes Aéreos, apresentou um crescimento na sua receita

líquida em 2006, chegando ao valor de R$ 221 milhões extraídos do transporte de

mercadorias,

cobrindo

75%

do

arrendamento

de

TRANSPORTE DE CARGA, 2007).

O

Aeroporto

de

Guarulhos

está

em

primeiro

aeronaves

lugar

entre

(ANUÁRIO

DO

os

aeroportos

brasileiros na movimentação de carga, com um total de 419.848 toneladas entre vôos

domésticos e internacionais, em 2006, seguido pelo aeroporto de Campinas com

178.979 toneladas e Manaus com 147.240 toneladas transportadas (ANUÁRIO DO

TRANSPORTE DE CARGA, 2007).

De acordo com o estudo World Air Cargo Forecast 2006-2007, divulgado pela

Boeing, o mercado mundial cargueiro – que cresce em média 6,4% ao ano nas últimas

décadas

-

deve

manter

o

crescimento

constante

TRANSPORTE DE CARGA, 2007).

até

2025

(ANUÁRIO

DO

O transporte dutoviário é feito através de tubos (dutos), baseando-se na

diferença de pressão. Sua utilização privilegia materiais fluidos, tal como gases,

líquidos e sólidos granulares. O sistema apresenta elevado custo de implantação e

baixo custo operacional (WANKE e FLEURY, 2006).

A Samarco Mineração S.A. é uma empresa brasileira fornecedora de minério

de ferro para a indústria siderúrgica mundial. Mantém integrados os processos da

mina ao porto, que contemplam lavra, beneficiamento, transporte, pelotização e

exportação (SAMARCO, 2008).

Possui o maior mineroduto do mundo para a condução de minério de ferro. São

396 quilômetros de tubulação interligando Germano, em Minas Gerais a Ponta de Ubu,

no Espírito Santo. Em 2007, a empresa transportou 16,386 milhões de toneladas de

polpa de minério de ferro, ante 15,716 milhões de toneladas em 2006, um crescimento

de 4,195% (SAMARCO, 2008).

A utilização de mais de um modo de transporte vem crescendo nos últimos

anos. O crescimento internacional esta impulsionando este setor, além dos ganhos

econômicos que proporciona. A principal característica da intermodalidade é o livre

intercâmbio de equipamentos entre os diversos modos de transporte. Têm-se o

exemplo de um contêiner que é a carga de um caminhão podendo ser embarcado e

transportado em avião, ou o vagão ferroviário embarcado num navio com o uso de um

guindaste (BALLOU, 2006).

Ballou (2006) apresenta dez combinações para os transportes intermodais:

ferro – rodoviário; ferro – hidroviário; ferro – aeroviário; ferro – dutoviário; rodo – aéreo;

rodo – hidroviário; rodo – dutoviário; hidro – dutoviário; hidro – aéreo; aero –

dutoviário. De acordo com o autor, muitas destas combinações não são práticas ou

ainda não conquistaram a confiança do mercado.

As combinações mais utilizadas são rodoviário-ferroviário, uma combinação de

semi-reboque com vagão plataforma; navio-caminhão para a exportação; e em

proporções menores caminhão-avião e trem-navio também são viáveis, embora com

utilização limitada BALLOU (2006).

É possível utilizar contêineres para a operação em ferrovias, rodovias e portos.

A operação de contêineres foi prejudicada no ano de 2006 por um conjunto de

problemas. Os motivos, de acordo com os executivos do setor, foram o baixo

crescimento da economia interna, a queda nas exportações de frango congelado e de

carne suína devido à gripe aviária e ao embargo russo, respectivamente; problemas

na infra-estrutura portuária e paralisações dos técnicos da Receita Federal, da

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do Ministério da Agricultura

contribuíram para a diminuição da movimentação de contêineres (ANUÁRIO DO

TRANSPORTE DE CARGA, 2007).

O Porto de Santos possui a maior movimentação de contêineres do Brasil, com

um total de 2.446.481 TEU’s (comprimento padrão de contêiner intermodal de

20”x8”x8”), no ano de 2006, seguido pelo Porto de Itajaí, com 692.995 TEU’s e logo

após o Porto de Rio Grande, com 554.863 TEU’s. Apesar de os portos de Itajaí e Rio

Grande estarem em segundo e terceiro lugares respectivamente, apresentaram uma

queda na operação de contêineres na comparação com o ano de 2005. O Porto de

Paranaguá, que ficou em quarto lugar na movimentação, registrou um aumento nas

operações chegando atrás do Porto de Santos (ANUÁRIO DO TRANSPORTE DE

CARGA, 2007).

Conforme apresentado, o transporte rodoviário de carga é o modo mais

utilizado no Brasil para o deslocamento de mercadorias, com menor custo e maior

flexibilidade. Devido a estes fatores, a próxima seção destaca a importância deste

modo para a economia do país e para a sociedade de modo geral.

2.3

A importância do transporte rodoviário de carga

As

esperanças

futuras

para

que

o

Brasil

promova

o

seu

crescimento

econômico - por meio da captação dos recursos externos, da produção agrícola

(energia

e

agropecuária),

da

ampliação

da

cadeia

produtiva

industrial

e

da

homogeneização do desenvolvimento das cinco regiões do país – estão ligadas aos

investimentos

governamentais

em

infra-estrutura.

O

transporte

é

importante

na

integração das áreas de produção e consumo, e, também das pessoas (CNT, 2007).

As rodovias são a infra-estrutura de primeiro grau de acesso a essa integração.

A coleta de cargas nas áreas agrícolas acontece por meio das mesmas, além da

acessibilidade aos terminais de transferência modal – como portos, ferrovias e

aeroportos -, o acesso direto a fábricas e centros de distribuição de produtos. A

liberdade e a democracia de acesso da população às metrópoles, cidades e povoados

são garantidas pelas rodovias, possibilitando relações comerciais, financeiras, de lazer

e turismo entre diversas localidades (CNT, 2007).

Schlüter (2004) afirma que o transporte rodoviário de carga representa o elo

entre os insumos e a produção, bem como do produto acabado com o consumidor

final”. Este papel de instrumento de dinamização de toda a cadeia logística lhe confere

uma importância decisiva na estrutura da economia de um país e que, dependendo de

sua produtividade e custo, determina o grau de competitividade de produtos nos

mercados, doméstico e internacional.

O

setor

rodoviário

é

responsável

por

mais

de

90%

do

transporte

de

passageiros e 61% do transporte de cargas no Brasil. Os custos operacionais dos

transportadores estão diretamente ligados aos gastos com combustíveis, pneumáticos

e demais itens mecânicos. É possível acrescentar aos custos que envolvem todos os

usuários de rodovias, os atrasos de viagens, congestionamentos e acidentes de

trânsito. Para ambos os casos, notam-se conseqüências diretas da qualidade e da

capacidade da via sobre os custos de movimentação (CNT, 2007).

Os serviços de transporte rodoviário de cargas representaram 35,2% da receita

do setor de transportes em 2005 (IBGE, 2005).

O cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) em 2006, mostra que o subsetor,

dentro do setor de serviços representa o transporte, armazenagem e correios, possui

uma participação de 5,1% do produto total do país, representando cerca de R$ 102,1

bilhões (ANUÁRIO DO TRANSPORTE DE CARGAS, 2007).

É

importante

rodoviárias

realizadas

mencionar

em

todo

que

o

a

operação

de

movimentação

de

país

é

promovida

por

mais

de

cargas

767

mil

transportadores de carga autônomos, 688 cooperativas de transportadores e mais de

144 mil empresas de transporte de carga (ETC). Nesse quadro 95% são de pequeno e

médio porte, das quais 141.366 transportadoras (97,8%) são classificadas como

proprietárias de até 30 veículos (ANTT, 2008).

De acordo com Anefalos e Caixeta-Filho (2001), o transporte rodoviário de

cargas é um dos setores-chave da economia brasileira que tem empenhado em

investir em tecnologia da informação (TI), visando um melhor abastecimento do país e

do Mercado Comum do Sul (Mercosul, composto por Argentina, Brasil, Paraguai,

Uruguai, Venezuela, Chile e Bolívia – sendo estes dois últimos membros associados).

Isto se dá por meio do cumprimento de prazos mais reduzidos e de entrega de vários

tipos de cargas, melhor embaladas e conservadas, como é o caso dos produtos

agropecuários.

Atualmente este setor está passando por uma grande transformação baseada

na qualidade do gerenciamento e na eficiência operacional. O uso de veículos de

baixa tecnologia, improviso e administração precária está chegando ao fim e o

profissionalismo começa a se expandir por todo o sistema (ANUÁRIO DE GESTÃO

DE FROTAS, TREINAMENTO E PÓS-VENDAS, 2008).

Transportar

bem

e

melhor

garante

às

empresas

a

sustentabilidade

dos

negócios, através do controle das informações e da racionalização da gestão que

passam a fazer a diferença competitiva.

Para o futuro, vislumbra-se uma expansão da prestação de serviços para o

setor de transporte rodoviário. Isso se deve ao rápido desenvolvimento da economia

brasileira. As empresas trabalham com uma margem de lucro apertada e a operação

cada vez mais complexa. Se as mesmas perderem o controle das suas despesas e

processos,

ao

invés

de

lucro,

sofrerão

prejuízos

(ANUÁRIO

DE

GESTÃO

DE

FROTAS, TREINAMENTO E PÓS-VENDAS, 2008).

Para que as empresas do setor possam reduzir seus custos com a máxima

segurança operacional e com alto desempenho, devem investir em recursos de

tecnologia da informação (TI) e avaliar as vantagens e desvantagens dos serviços

terceirizados

(ANUÁRIO

VENDAS, 2008).

DE

GESTÃO

DE

FROTAS,

TREINAMENTO

E

PÓS-

O mercado apresenta hoje uma grande oferta de serviços especializados de

transporte que visam tornar o gerenciamento dos custos variáveis (combustíveis,

pneus, manutenção e autopeças) e fixos (custos de capital, mão-de-obra, taxas, etc.)

mais eficiente. Montadoras, concessionárias, fabricantes de implementos, de pneus,

participaram deste negócio incorporando os serviços para as empresas de transporte

rodoviário no seus esforços de pós-venda. Já as empresas de serviços financeiros,

fabricantes

de

softwares,

empresas

de

telecomunicações,

telemetria

e

de

rastreamento são as participantes de uma nova frente de negócios relacionada com a

tecnologia da informação (TI).

Embora

o

setor

de

transporte

rodoviário

de

cargas

seja

extremamente

importante para a economia do país e apresente uma série de vantagens, também

merece ser destacado o conjunto de problemas enfrentados pelo setor.

2.4 Principais problemas do transporte rodoviário de cargas no Brasil

Apesar das características positivas intrínsecas ao modo rodoviário, tais como

flexibilidade, disponibilidade e velocidade, há também uma série de limitações quando

comparado aos demais modos: baixa produtividade e eficiência energética, elevados

níveis de emissão de poluentes atmosféricos e menores índices de segurança.

Além destas características, verificam-se, ainda, no Brasil dois outros motivos

que contribuem negativamente para o desempenho do modo rodoviário: a elevada

idade média da frota de caminhões e uma oferta insuficiente de infra-estrutura de

transporte rodoviária, tanto em termos de extensão quanto em termos de qualidade

das vias.

De

Nacional

acordo

com

a

dos

Transportes

Pesquisa

-

CNT

Rodoviária

em

2007,

desenvolvida

pela

sobre

os

aspectos

Confederação

qualitativos

e

quantitativos dos 87.592 km de rodovias nacionais, indicam uma situação geral

desfavorável das rodovias brasileiras pavimentadas: 64.699 km - equivalentes a 73,9%

da malha pavimentada – foram classificados como regular, ruim ou péssimo. A Figura

2.7 e a Tabela 2.1 mostram a distribuição da classificação do estado geral das

rodovias. Em 26,1% da malha, com extensão de 22.893 km, as condições de

conservação foram classificadas nas categorias ótimo ou bom.

40%

22%

foram classificadas nas categorias ótimo ou bom. 40% 22% 16% 11% 11% Ótimo Bom Regular Ruím

16%

11%

11%

Ótimo Bom Regular Ruím Péssimo
Ótimo
Bom
Regular
Ruím
Péssimo

Fonte: CNT – Pesquisa Rodoviária 2007.

Figura 2.7: Classificação Geral - Extensão Total

Tabela 2.1: Classificação Geral - Extensão Total

Estado Geral

Extensão Total

 

Km

Ótimo

9,211

10.5%

Bom

13,682

15.6%

Regular

35,710

40.8%

Ruim

19,397

22.1%

Péssimo

9,592

11.0%

Total

87,592

100.0%

Fonte: CNT – Pesquisa Rodoviária

2007.

Já a Fonte: CNT – Pesquisa Rodoviária 2007.

Figura

2.8

apresenta

um

resumo

das

características

avaliadas

pela

pesquisa, sendo eles, o estado geral das rodovias, o pavimento, a sinalização e a

geometria da via.

60%

40%

20%

0%

(20%)

(40%)

(60%)

(80%)

(100%)

Resumo das Características Avaliadas - Extensão Total

 

39.0%

22.3%

10.5%

   

5.2%

15.6%

6.5%

12.3%

17.5%

-40.8%

-35.8%

-34.3%

-20.8%

 

-10.8%

-16.3%

-29.7%

-22.1%

-7.9%

-14.7%

 

-11.0%

-26.8%

Estado Geral

Pavimento

Sinalização

Geometria da Via

P é s s i m o Péssimo

-11.0%

-7.9%

-14.7%

-26.8%

R u í m Ruím

-22.1%

-10.8%

-16.3%

-29.7%

R e g u l a r Regular

-40.8%

-35.8%

-34.3%

-20.8%

Ó t i m o Ótimo

10.5%

39.0%

22.3%

5.2%

B o m Bom

15.6%

6.5%

12.3%

17.5%

Fonte: CNT – Pesquisa Rodoviária 2007. Figura 2.8: Resumo das Características Avaliadas - Extensão Total

O cenário nacional de acidentes, conforme Fonte: Pamcary/CEL/COPPEAD

Figura 2.9, mostra em 2001, 51,2 milhares de acidentes nas rodovias

estaduais e 47,4 milhares de acidentes em rodovias federais. Já em 2004, estes

números caíram para 49,1 e 40,1, respectivamente.

Cenário Nacional de Acidentes

120.0 100.0 80.0 54.6 51.2 49.4 49.1 60.0 40.0 50.6 47.4 45.8 20.0 40.1 0.0
120.0
100.0
80.0
54.6
51.2
49.4
49.1
60.0
40.0
50.6
47.4
45.8
20.0
40.1
0.0
2001
2002
2003
2004
Rodovias Federais
Rodovias Estaduais
Milhares de Eventos

Fonte: Pamcary/CEL/COPPEAD Figura 2.9: Cenário Nacional de Acidentes.

Estudos realizados pelo CEL/COPPEAD (2005) indicam que o roubo de

cargas é um dos problemas que o transporte rodoviário enfrenta. Considerando-se

que existem alguns tipos de produtos, para os quais as seguradoras não aceitam

fazer seguro, pode-se concluir que o prejuízo sofrido pelo setor é ainda maior. O

estudo informa a evolução do roubo de cargas Brasil, de acordo com a Figura 2.10,

em 1995 houve 2700 eventos registrados e em 2004 este número passou para

7320 eventos.

Evolução do Roubo de Cargas no Brasil

8000 7000 7218 7497 7595 7320 6000 5000 4967 5389 4000 4341 3000 3198 3600
8000
7000
7218 7497 7595 7320
6000
5000
4967 5389
4000
4341
3000
3198 3600
2000
2700
1000
0
Ocorrëncias

1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Fonte: NTC / Comissão Permanente de Segurança (Compsur) Figura 2.10: Evolução do Roubo de Cargas no Brasil em Ocorrências.

Destaca-se ainda que o estudo sobre a evolução do roubo em cargas no

Brasil, mostra os prejuízos em milhões de reais segundo a Figura 2.11. Em 1995,

obteve-se um prejuízo de R$ 162 milhões com o roubo de cargas e, em 2004, este

valor chegou a R$ 525 milhões.

Evolução do Roubo de Cargas no Brasil

600 500 555 525 505 466 400 415 374 300 315 270 200 250 162
600
500
555
525
505
466
400
415
374
300
315
270
200
250
162
100
0
Prejuízos em Milhões de R$

1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Fonte: SSP/SP Figura 2.11: Evolução do Roubo de Cargas no Brasil em Prejuízo.

Em

São

Paulo,

cresce

o

roubo

de

cargas

em

rodovias,

causando

preocupação. Por causa da violência, algumas empresas recusam transportar

determinadas cargas e diminuem seus lucros só para evitar assaltos. De acordo

com estudos da Fetcesp (Federação das Empresas de Transporte de Cargas do

Estado de São Paulo) em parceria com a Setcesp (Sindicato das Empresas de

Transportes de Carga do Estado de São Paulo), em 2006, registrou-se, em média,

513,2 ocorrências de roubos de cargas por mês. Em 2007, o levantamento revelou

que ocorreram 4.656 assaltos até setembro, o que perfaz a média de 517 por mês,

gerando uma elevação de 0,78% (BLANC, 2007), conforme Figura 2.12.

Roubo de Cargas em SP

1650 1600 1623 1550 1560 1541 1545 1543 1500 1513 1450 1465 1459 1400 1350
1650
1600
1623
1550
1560
1541
1545
1543
1500
1513
1450
1465
1459
1400
1350
1/05
2/05
3/05
4/05
1/06
2/06
3/06
4/06
Ocorrências por Trimestre

Fonte: SSP/SP Figura 2.12: Roubo de Cargas no estado de São Paulo

Conforme o estudo citado por Blanc (2007), da média de roubos mensais,

16,58%, ocorreram em rodovias. A tecnologia de rastreamento pode minimizar o

roubo do veículo, pois é fácil encontrá-lo depois. Mas esta constante preocupação

com a segurança acaba elevando o preço do transporte, sendo que uma empresa

transportadora concentra os maiores gastos em rastreamento e monitoramento de

caminhões e cargas. A maior possibilidade de roubo deixa as seguradoras

preocupadas com a situação, pois o seguro de uma carga pode representar até

20% do frete. A Figura 2.13 reproduz a realidade do seguro do transporte no Brasil.

Seguro no Transporte

120 109 108 106 100 80 59 57 60 52 48 43 43 40 22
120
109
108
106
100
80
59
57
60
52
48
43
43
40
22
20
21
20
0
2001
2002
2003
2004
2005
2006
médias mensais - R$ milhões

Sinistros57 60 52 48 43 43 40 22 20 21 20 0 2001 2002 2003 2004

Prêmios57 60 52 48 43 43 40 22 20 21 20 0 2001 2002 2003 2004

Fonte: FENASEG Figura 2.13: Evolução do pagamento de prêmios de seguro de carga no Brasil.

As principais ineficiências causadas pelo roubo de carga são: a roteirização

não ótima para entregas urbanas; baixa utilização da capacidade (por limitação do

seguro);

gastos

com

seguro

e

gerenciamento

de

risco,

além

da

perda

de

produtividade

nas

entregas

(por

causa

de

procedimentos

relacionados

ao

gerenciamento de risco).

Quanto aos custos globais de operação do sistema rodoviário de cargas no

Brasil,

e

especificamente

em

relação

a

um

dos

itens

mais

relevantes

na

composição

destes,

Lima

(2001)

procurou

estimar

os

custos

logísticos

com

combustível, em termos macroeconômicos. O autor cita que em 1996 o diesel

representava 16,8% do custo total de uma carreta, aumentando sua participação

para 31,8% em 2004. Segundo esse mesmo estudo, cerca de 55% de todo o diesel

consumido no Brasil em 2004 foi destinados ao transporte rodoviário de carga, o

que equivale a 21,7 bilhões de litros e a R$ 32,3 bilhões.

De acordo com a literatura pesquisada, foi possível detectar alguns dos

principais problemas do setor, a

Tabela 2.2 mostra um quadro dos problemas encontrados no setor em nível

Aspecto

 

Problema

   

Causas

 

Conseqüências

 
     

As transportadoras têm

que

praticar preços cada

vez mais baixos.

 

A

concorrência

No

 

Os

fretes

são

acirrada e gestão empírica e intuitiva fazem com que a mensuração dos custos seja ineficiente e muitas vezes inútil

longo

prazo,

a

Fretes

praticados com preços baixos, muitas

fica

impossibilitada de renovar

transportadora

sua

operacionais aumentam.

frota

e

os custos

vezes até menores que o preço de custo.

O ciclo se torna vicioso, o que prejudica ainda mais

 

competitividade da empresa.

a

   

O policiamento por

Os

custos com seguro

parte do

Estado

é

tendem a crescer, o que eleva ainda mais os custos totais e diminui a competitividade.

realizado

de

forma

Roubo de Cargas

É

crescente

o

ineficiente

 

roube de cargas

A

maioria

das

   

empresas não possui

Eleva-se também o número de assassinatos de motoristas

sistema

de

rastreamento

   

Para

cobrir os

 

custos, aumenta-se o sobre-peso

Aumento

 

do prejuízo

com

perda de cargas por

Deterioração

dos

O Estado é ineficaz na fiscalização do peso e na política de

conta da qualidade do

Pavimentos

Pavimentos

pavimento

 

investimentos

em

Aumento no custo de manutenção da frota

infra-estrutura

do

setor

   
     

Entrada

de

operadores

despreparados

 

gerencialmente

Livre acesso ao setor

Impossibilidade

Ausência

de

intervenção

 

Regulamentação

 

responsabilidade

Inacessibilidade

crédito

 

Regulamentação

inerte

e

em

alguns

técnica

ao

casos inexistente

 

Inexigibilidade

de

   
 

capacidade

Práticas abusivas com relação ao peso e horas trabalhadas

econômica

 

Empecilho

 

à

intermodalidade

nacional:

Tabela 2.2: Principais problemas do transporte rodoviário de cargas no

Brasil.

Aspecto

 

Problema

   

Causas

 

Conseqüências

 
     

As transportadoras têm

que

praticar preços cada

vez mais baixos.

 

A

concorrência

No

 

Os

fretes

são

acirrada e gestão empírica e intuitiva fazem com que a mensuração dos custos seja ineficiente e muitas vezes inútil

longo

prazo,

a

Fretes

praticados com preços baixos, muitas

fica

impossibilitada de renovar

transportadora

sua

operacionais aumentam.

frota

e

os custos

vezes até menores que o preço de custo.

O ciclo se torna vicioso, o que prejudica ainda mais

 

competitividade da empresa.

a

   

O policiamento por

Os

custos com seguro

parte do

Estado

é

tendem a crescer, o que eleva ainda mais os custos totais e diminui a competitividade.

realizado

de

forma

Roubo de Cargas

É

crescente

o

ineficiente

 

roube de cargas

A

maioria

das

   

empresas não possui

Eleva-se também o número de assassinatos de motoristas

sistema

de

rastreamento

   

Para

cobrir os

 

custos, aumenta-se o sobre-peso

Aumento

 

do prejuízo

com

perda de cargas por

Deterioração

dos

O Estado é ineficaz na fiscalização do peso e na política de

conta da qualidade do

Pavimentos

Pavimentos

pavimento

 

investimentos

em

Aumento no custo de manutenção da frota

infra-estrutura

do

setor

   
     

Entrada

de

operadores

despreparados

 

gerencialmente

Livre acesso ao setor

Impossibilidade

Ausência

de

intervenção

 

Regulamentação

 

responsabilidade

Inacessibilidade

crédito

 

Regulamentação

inerte

e

em

alguns

técnica

ao

casos inexistente

 

Inexigibilidade

de

   
 

capacidade

Práticas abusivas com relação ao peso e horas trabalhadas

econômica

 

Empecilho

 

à

intermodalidade

2.5

Considerações finais

Diversas empresas de vários setores da economia atualmente têm buscado

estabelecer parcerias com as transportadoras de carga para obter eficiência

operacional e reduzir os seus custos, acompanhando a tendência de terceirizar

tarefas periféricas para concentrar esforços em sua atividade principal (core

business). O objetivo é ampliar as possibilidades de alavancagem dos serviços de

transporte e logística.

Atualmente, ganha quem for melhor no gerenciamento da logística derivada

da qualidade total, reengenharia e terceirização de atividades não essenciais.

Apesar do gargalo de infra-estrutura conhecido no Brasil que limita a

eficiência do transporte, existe também o gargalo da gestão, que cada empresa,

apoiada no conhecimento do seu próprio negócio e em trabalho consultivo, vai

conseguir resolver. Portanto, o que se espera é um transporte mais inteligente e

lucrativo, capaz de contribuir para essa a grande expansão projetada para a

economia brasileira.

Assim,

pretende-se

com

este

trabalho,

enfocar

o

transporte

como

a

atividade logística mais importante, além de enfatizar o modo rodoviário de carga

no Brasil e, neste segmento, a necessidade que as empresas de transporte de

carga têm de alcançar maior competitividade, através da oferta de serviços

logísticos capazes de vencer tempo e distâncias na movimentação de bens, de

forma eficaz e eficiente, ao menor custo possível, objetivando sua permanência e

melhoria de posicionamento no mercado.

Dentre as tecnologias citadas neste capítulo que servem de ferramentas de

apoio a gestão para as empresas transportadoras de carga, será apresentado no

capítulo seguinte a importância dos sistemas de rastreamento para o transporte

rodoviário de carga, as características dos diversos tipos de tecnologia disponíveis

no mercado e suas vantagens e desvantagens, visto que este setor é o maior

prejudicado em termos de segurança, ou seja, acidentes e roubos de carga.

3

SISTEMAS DE RASTREAMENTO

De acordo com os dados analisados no capítulo anterior, é de suma

importância que as empresas e o setor de transporte de carga modernizem os seus

sistemas e introduzam a tecnologia da informação (TI) como ferramenta que possa

auxiliá-los na gestão para obter vantagem competitiva e a participação contínua

neste mercado.

As empresas devem acompanhar os avanços tecnológicos ocorridos hoje

rapidamente, usufruindo-os da melhor forma, sempre que viáveis econômica e

tecnicamente. A entrega correta de um bem ao cliente certo, no lugar e na hora

certa programados é o que difere uma empresa de sucesso de uma de fracasso no

mercado.

O setor de transporte rodoviário sofre hoje por conseqüências que são

reflexos

da

inadequação

da

infra-estrutura

disponível,

problemas

esses

de

responsabilidade do governo, ocasionando acidentes e sérios prejuízos para as

empresas transportadoras de carga. Outro grande prejuízo que as empresas

enfrentam é o roubo de cargas, problema de segurança pública, mas contra os

quais as empresas precisam se proteger. Além destas dificuldades externas, as

empresas também enfrentam dificuldades internas relacionadas à sua gestão, por

não possuir na maioria das vezes, um planejamento e controle das operações,

incorrendo em grandes prejuízos.

A tecnologia de rastreamento é capaz de auxiliar as empresas a solucionar

grande parte dos problemas mencionados acima, tais como reduzir o roubo de

carga, possibilitar a gestão eficiente da frota e ganho com a logística adequada.

Com isso, será apresentado neste capítulo um panorama nacional e

internacional dos sistemas de rastreamento utilizados no transporte rodoviário de

carga

e

ainda

uma

descrição

da

tecnologia

envolvida

e

suas

vantagens,

desvantagens e benefícios para as empresas transportadoras de carga e seus

clientes.

O sistema de rastreamento é a tecnologia utilizada para controlar a

movimentação dos veículos no transporte de cargas, de modo a aumentar a

segurança e a eficiência na utilização da frota.

A importância dos serviços de rastreamento para a logística e proteção para

o transporte de cargas cresce proporcionalmente aos atuais benefícios alcançados

pelos sistemas, tais como segurança, logística e gestão de frotas (ANUÁRIO

TRANSPORTE DE CARGAS, 2006). Entre os projetos de tecnologia de informação

(TI) de maior importância neste setor, sobressaem-se os de gerenciamento de

frotas

por

sistemas

de

rastreamento,

que

ao

aliarem

aplicações

logísticas

modernas e de segurança, têm-se revelado instrumentos de grande valia no dia-a-

dia das empresas de transporte (ANEFALOS E CAIXETA-FILHO, 2001).

3.1 Panorama internacional dos sistemas de rastreamento

Estudos

recentes

realizados

na

indústria

americana

de

sistemas

de

rastreamento mostram que apenas 10% dos 20 milhões dos veículos comerciais

utilizam esta tecnologia. É esperado que estes números cresçam até um patamar

de 17 milhões de clientes de sistemas de rastreamento por GPS, aumentando o

faturamento da indústria até 2010 (Calvin, 2008).

Já no Reúno Unido, através de uma pesquisa Realizada pela DigiCore

(2008) com 150 gerentes de frota, foram descritos os pontos-chave dos sistemas

de rastreamento:

O sistema de rastreamento está sendo utilizado em mais de um

quarto das frotas do Reino Unido, com maior aumento em frotas

de veículos comerciais e operadores de frota com mais de 100

veículos. A Figura 3.1 mostra que 18% das empresas com frotas

entre um a cem veículos utilizam sistemas de rastreamento. Mas

entre as frotas que excedem cem veículos, este percentual

cresceu 31%. De acordo com a Figura 3.2 o uso de sistemas de

rastreamento é particularmente alto em serviços básicos como

luz, energia e gás (86%), logística e transporte rodoviário (40%) e

gerenciamento de serviços (38%).

Taxa de Adoção - Por Tamanho da Frota

1-10 15% 11-25 15% 26-50 26% 51-100 24% 101-250 33% 251-500 30% 501-1000 25% +1000
1-10
15%
11-25
15%
26-50
26%
51-100
24%
101-250
33%
251-500
30%
501-1000
25%
+1000
33%

Fonte: Vehicle Tracking – Survey 2008. Figura 3.1: Taxa de adoção ao sistema de rastreamento por tamanho de frotas.

Taxa de Adoção - Por Setor

Serviços Básicos (Água, Luz e Gás) 86% Logística e Transporte Rodoviário 40% Gerenciamento de Serviços
Serviços Básicos (Água, Luz e Gás)
86%
Logística e Transporte Rodoviário
40%
Gerenciamento de Serviços
38%
Autoridades Locais
36%
Construção
28%
Manufatura
26%
Vendas
7%
Outros
17%

Fonte: Vehicle Tracking – Survey 2008. Figura 3.2: Taxa de adoção ao sistema de rastreamento por setor.

Entre os usuários de rastreamento de veículos, segundo a Figura

3.3, 76% disseram que a tecnologia está agregando valor ao seu

negócio, entre os benefícios estão o aumento da produtividade

(54%), redução de custos (44%) e aumento da eficiência da frota

(46%). Em termos de redução de custos os operadores de frota

estão alcançando uma média de 12% na redução de combustível

na diminuição de atrasos chega a 13%.

Benefícios dos sistemas de rastreamento

Tender Requirements 20% Comportamento Seguro 36% Aumento na Segurança 36% Aumento de Informação para Tomada
Tender Requirements
20%
Comportamento Seguro
36%
Aumento na Segurança
36%
Aumento de Informação para Tomada de
Decisões
36%
Performance da Frota
46%
Aumento de Produtividade
54%
Redução de Custos
44%

Fonte: Vehicle Tracking – Survey 2008. Figura 3.3: Benefícios para as empresas que se utilizam de sistemas de rastreamento.

Mais da metade dos operadores de frota do Reino Unido que não

utilizam sistemas de rastreamento consideram importante investir

na tecnologia. Porém mais de um terço ainda não sabe dos

benefícios que ela pode oferecer.

Oitenta

e

cinco

por

cento

dos

usuários

de

sistemas

de

rastreamento dizem que estão satisfeitos com a solução atual.

Entretanto

alguns

pontos

negativos

referentes

ao

setor

de

rastreamento foram citados, de acordo com a Figura 3.4, sendo

35% dos pesquisados que não utilizam sistemas de rastreamento

dizem que a reputação do setor está sendo afetada pela falta de

viabilidade financeira dos operadores e problemas tecnológicos.

O que está denegrindo a reputação da indústria de rastreamento de veículos

Falta de conhecimento da indústria 1% Consciência 2% Privacidade 2% Confiabilidade 19% Credibilidade da
Falta de conhecimento da indústria
1%
Consciência
2%
Privacidade
2%
Confiabilidade
19%
Credibilidade da tecnologia
21%
Sobrevenda
30%
Viabilidade financeira das operações
19%

Fonte: Vehicle Tracking – Survey 2008. Figura 3.4: Fatores que estão denegrindo a indústria de sistemas de rastreamento.

3.2 Panorama nacional dos sistemas de rastreamento

As empresas de sistemas de rastreamento e gerenciamento de risco estão

crescendo e ocupando espaço no mercado brasileiro. Em 2003, havia cerca de 33

empresas no mercado e, em 2005, este número já havia ultrapassado 80 empresas

(ANUÁRIO TRANSPORTE DE CARGAS, 2006).

Acredita-se numa continua expansão do setor devido ao grande número de

veículos que ainda não possuem equipamentos de rastreamento, pois existe uma

crescente preocupação com caminhoneiros, caminhões e cargas transportadas

resultante da constante ameaça de assaltos e roubos pelas estradas do Brasil

(ANUÁRIO TRANSPORTE DE CARGAS, 2006).

A tecnologia vinda dos EUA era 100% voltada para a logística. Contudo,

percebeu-se, em pouco tempo, que só seria possível alcançar o mercado, se

fossem agregadas a ela as necessidades de segurança. Entretanto, apenas após o

ano 2000 é que as empresas começaram a utilizá-la em logística, relatam Garcia e

Costa (2002).

A partir de dados apresentados por Garcia (2002), no período compreendido

entre 1994 e 2001, o Brasil viu dobrar o número de ocorrências de roubo de carga.

O SETCESP (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e

Regiões) registrou um crescimento estatístico de 98,9% dos casos, e as empresas

envolvidas com o transporte e a logística se vêem mergulhadas numa luta

constante para manter a confiabilidade e rentabilidade de suas operações de

transporte de carga.

Existe mais de 1,7 milhão de caminhões rodando nas estradas hoje de

acordo com a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT, 2008), sendo que

mais

de

90%

desses

caminhões

não

utilizam

tecnologias

de

monitoração,

rastreamento ou bloqueio (ANUÁRIO TRANSPORTE DE CARGAS, 2006). A

empresa de rastreamento referência do setor, por causa de sua imagem de

qualidade, inovação e transparência, estima que apenas 115 mil veículos sejam

equipados

com

sistema

de

comunicação

móvel

de

dados

e

rastreamento

(ANUÁRIO TRANSPORTE DE CARGAS, 2007).

Dentre as empresas fornecedoras de sistemas de rastreamento, apenas

uma delas é detentora de 70% do mercado brasileiro de veículos rastreados por

satélite, tendo instalado seus equipamentos em mais de 80 mil veículos (ANUÁRIO

TRANSPORTE DE CARGAS, 2007).

No

entanto,

falta

uma

maior

conscientização

dos

consumidores

em

potencial, ou seja, as empresas transportadoras de carga que ainda não se utilizam

desta

tecnologia,

sobre

a

necessidade

de

rastrearem

seus

veículos

e

as

especificidades dos sistemas e tecnologias oferecidos (ANUÁRIO TRANSPORTE

DE CARGAS, 2006). A Figura 3.5 apresenta uma ilustração do sistema de

rastreamento de veículos.

Fonte: Anuário de Gestão de Frotas, Treinamento e Pós-vendas, 2008. Figura 3.5: Ilustração do sistema

Fonte: Anuário de Gestão de Frotas, Treinamento e Pós-vendas, 2008.

Figura 3.5: Ilustração do sistema de rastreamento de veículos

3.3 Tecnologias de rastreamento disponíveis no mercado

O rastreamento de veículos alia inúmeras possibilidades de uso, e existem

diferentes sistemas com os quais o usuário pode contar.

3.3.1 Características técnicas dos sistemas de rastreamento

O

rastreamento

parte

da

premissa

da

necessidade

de

localização

e

posterior envio (comunicação) - das informações geo-referenciadas para um

determinado local ou central de monitoramento, que assiste o objeto, bem ou

pessoa

rastreada.

monitoramento

são:

(OMNILINK, 2008).

Assim,

as

três

partes

integrantes

de

localização,

comunicação

e

central

um

sistema

de

de

monitoramento

A localização (coordenadas de latitude e longitude) pode ser obtida por duas

tecnologias. A primeira é a constelação de satélite GPS (Global Positioning

System)

do

governo

americano

(não

é

a

única,

mas

a

mais

utilizada

mundialmente).

A

segunda

tecnologia

é

a

de

rádio-localização

ou

rádio-

triangulação ou triangulação de antenas, que utiliza a infra-estrutura de antenas,

que podem ser do sistema celular comercial ou não (sistemas dedicados, como o

da ITURAN em SP).

Através da comunicação do satélite com o veículo, é transmitida a posição e

enviada para uma central de monitoramento. Atualmente, os dois meios de

comunicação mais utilizados são: celular GSM/GPRS (General Package Radio

System), sendo que a banda GSM é destinada a dados, e a comunicação via

satélite de dados, para localizações remotas sem cobertura celular – utilizando-se

dos sistemas IRIDIUM SDB, InmarSat D + , e Global Star.

A central de monitoramento realiza a interface entre o usuário e o sistema

de rastreamento. Envolve software específico que executa as funções de controle

de posições, programação de sensores do veículo e dos comandos e mensagens a

serem trocadas entre os veículos e a Central. Há duas soluções: Local (para

grandes operações, acima de 50 veículos), em que o software e a mapoteca é

instalada na empresa que opera o sistema. E ainda os sistemas via WEB (tipo

portal) que atendem usuários particulares e pequenos frotistas.

3.3.2 Descrição da tipologia dos sistemas de rastreamento

Segundo Moura (2004), os sistemas disponíveis para esta função são:

localização por direcionamento, triangulação de antenas, opções que se baseiam

na constelação GPS e outra, cujo funcionamento se faz inteiramente pela rede

celular.

3.3.2.1

Localização por direcionamento

A localização por direcionamento é um sistema bastante popular nos

Estados Unidos, onde foi desenvolvido. Um dispositivo eletrônico é instalado no

veículo e sua função é emitir um sinal silencioso, criptografado, que passa a ser

monitorado quando há um aviso de roubo ou furto. Esta opção, entretanto,

compensa a falta de um recurso bloqueador, oferecendo uma estrutura muito

completa, com equipes treinadas especificamente para providenciar o resgate dos

veículos.

Tem

como

vantagens

o

serviço

de

apoio

oferecido.

Entre

as

desvantagens, pode-se citar a limitação da área de abrangência, dependência da

disponibilidade e agilidade das equipes de busca para efetuar a localização.

3.3.2.2 Triangulação de antenas

A triangulação de antenas segue o mesmo conceito aplicado aos satélites,

porém utilizando antenas em terra. Oferece uma localização precisa, baixo custo de

transmissão, opera tanto “indoor" quanto “outdoor", porém com uma área de

abrangência limitada. No entanto, com esta tecnologia, o sistema consegue

localizar o veículo em tempo real, com uma precisão de 15 metros. O sistema pode

ser acionado via telefone ou imediatamente quando o carro é violado ou quando

um “botão de pânico" é pressionado. Há empresas que oferecem uma série de

serviços de segurança para complementar o trabalho. Entre as vantagens, pode-se

dizer que o sistema foi criado especificamente para o rastreamento e bloqueio de

veículos. Por isto, são muito eficientes quando se trata do controle de automóveis

de passeio. Entre as desvantagens, pode-se citar o fato de sua abrangência ser

limitada pela área entre as antenas de operação.

3.3.2.3 Sistema GPS

Os sistemas de rastreamento por satélite possuem três funções básicas, de

acordo com Reis (1997): a) comunicação entre a estação de controle e os veículos;

localização on line de veículos; b) controle da frota em rela