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Chronos X Kairós

Escrito por Luciana Stocco de Mergulhão Sex, 09 de Janeiro de 2009 13:25

Estamos mais do que em tempo de mudar nossas escolas.

Miguel Arroyo aponta que conhecer as trajetórias humanas e os tempos dos educandos será uma condição para reconstruir as trajetórias profissionais dos mestres , remeto-me à minha experiência pessoal como educadora e pesquisadora. Durante o meu processo de pesquisa deparei-me com minhas próprias limitações e tive a oportunidade de autoconhecimento. O tempo foi um maravilhoso aprendizado que Tamires me proporcionou. Uma criança com síndrome de Down. Estávamos realizando uma atividade de letramento. Eu, com toda a minha ansiedade de ver a produção pronta, tendo enraizada na minha prática a tendência de achar que um bom desempenho é fazer as atividades com rapidez; comecei a apressá-la para terminar, e Tamires,com toda a sua sabedoria, ensinou-me algo que é extremamente profundo de sua natureza: seu modo e seu ritmo de aprender. Disse-me apenas: "calma! eu tenho o meu tempo" . Conforme o educador Ruy César Espírito Santo, as emoções e as descobertas tiveram importância fundamental. À medida que fui participando, observando e constatando através das leituras e dos sentimentos que me envolviam durante a caminhada, considerei o tempo como um aspecto que trouxe instigantes reflexões para a educação.

Iniciei um processo de busca através da palavra tempo. Encontrei, então, duas palavras gregas que estão ligadas à noção de tempo: CHRONOS e KAIRÓS. Chronos indica um tempo que, para a pessoa, tem a ver com horários, atrasos, atividades, ou seja, um tempo que é regido pela lógica da produtividade. É com base neste tipo de tempo que a maioria de nossas escolas está estruturada. Kairós, no entanto, é um outro tempo para a pessoa e tem a ver com valores

e qualidades em seu uso. "O tempo do kairós é 'um tempo interior', um tempo da alma ou do

espírito" - diz Espírito Santo. Foi exatamente este tempo que a Tamires me mostrou. Assim, descobri que todo ser humano em processo de aprendizagem precisa ser respeitado em seu tempo kairós, especialmente as crianças com síndrome de Down. Precisamos respeitar o tempo de qualquer criança, mas temos urgência em correr atrás do tempo perdido, como professores.

A escola está desafiada a considerar e respeitar que todo ser humano tem seu próprio ritmo e

tempo em seu processo de aprendizagem. Este é um grande desafio da escola, porque, ao longo da aprendizagem podemos ter alguma necessidade educacional temporária ou permanente. Faz-se necessário rever as ações pedagógicas, enfrentando à diferença e garantindo o compromisso com os direitos humanos. As novas exigências para este novo milênio não se concretizam por meio de ações isoladas. As pessoas, os relacionamentos, a afetividade, a parceria e o companheirismo são o grande diferencial. Valorizamos uma proposta pedagógica fundamentada numa prática de reflexão constante garantida por um trabalho cooperativo que proporciona a todos condições de trabalho dignas e oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Desta maneira, garantem-se ainda, oportunidades de aprendizagens para todos, fazendo valer um princípio fundamental de nossa Constituição: o direito de todos à Educação.

Tornar as escolas em verdadeiros ambientes inclusivos exige repensar os tem pos e os espaços das práticas pedagógicas e enfrentar os obstáculos, principalmente, os atitudinais. Sendo um dos grandes desafios da educação contemporânea a construção de uma cultura de inclusão.

Chronos X Kairós

Escrito por Luciana Stocco de Mergulhão Sex, 09 de Janeiro de 2009 13:25

Muitas são as pessoas que estão lutando por uma educação inclusiva. Amplos são os estudos sobre a formação inicial e continuada do professor. Muitos trabalhos vêm revelando sucessos, com a intenção de olhar a escola e o professor de maneira mais humana e transformadora. Então, por que será que ao entrar em várias escolas, nas tramas do cotidiano, ainda nos deparamos com marcas e "ranços" de uma prática educativa tradicional? Por que as escolas, os professores, ainda se mostram resistentes às inovações? Muitas são as crianças, adolescentes e jovens que estão sofrendo por inadaptação, intolerância e inflexibilidade de um sistema educacional que não considera as especificidades e o tempo de suas vidas, não só dos indivíduos com deficiência. Precisamos repensar, reorientar, desconstruir e construir novamente, pois muito do que está acontecendo está ultrapassado, ressaltando a importância de iniciarmos um processo de alfabetização em relação a uma prática que aprenda a incluir todos, incondicionalmente. Aprender a incluir todos é um ato de transformação, não é achar que está realizando um trabalho de caridade. É estar se posicionando diante do mundo como ser humano. Paulo Freire afirma: "estou convencido de que a primeira condição para aceitar ou recusar esta ou aquela mudança que anuncia é estar aberto à novidade, e ao diferente, à inovação, à dúvida". Nada melhor para nos direcionar do que o pensamento de Freire, um ser humano consciente de sua posição no mundo, um educador que hoje pôde ser reconhecido pela humanidade, por seu compromisso com os oprimidos e sua responsabilidade de educador da consciência ético-político-crítica - homem preocupado com o seu tempo e seu cotidiano. Lutando pelo interesse do povo para incentivá-lo a transformar e a reinventar a sociedade, para que nós homens e mulheres nos afirmemos como sujeitos de nossa história, conscientes, engajados e felizes. Sabemos que as escolas clamam por práticas inovadoras que possam transgredir, denunciar e excluir o sistema escolar atual. Arrisco-me a acrescentar que não será possível sobreviver em escolas estrutura das por modelos que não condizem com a realidade de seus alunos. Será que em algum tempo condiziam? Ou será que os alunos submeteram-se mais facilmente ao seu controle?

Luciana Stocco de Mergulhão Mestre em Educação, Especialista em Psicopedagogia pela UMESP, Licenciada em Pedagogia:

Administração Escolar para Exercício nas Escolas de I e II Graus e Orientação Educacional pela UMESP. Professora em cursos de Pedagogia e Psicopedagogia

Referências Bibliográficas:

ARROYO, Miguel G. Imagens quebradas: trajetórias e tempos de alunos e mestres. Petrópolis, Rj: V FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Unesp, 20 MANTOAN, Maria Teresa Eglér. O direito de ser, sendo diferente, na escola. In.RODRIGUES, David (org.). Inclusão e Educação: Doze olhares sobre a educação inclusiva. São Pau SANTO ESPÍRITO, Ruy Cezar. O renascimento do sagrado na educação. Campinas, SP: Papirus, 200