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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios
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Composição do Pleno Conselheiro Presidente: Manoel Beserra Veras Conselheiro Vice-Presidente: José Marcelo Feitosa Conselheiro Corregedor: Pedro Ângelo Sales Figueiredo Conselheiro Artur Silva Filho Conselheiro Ernesto Saboia de Figueiredo Junior Conselheiro Francisco de Paula Rocha Aguiar Conselheiro Hélio Parente de Vasconcelos Filho

Auditores David Santos Matos Fernando Antonio Costa Lima Uchôa Júnior Manassés Pedrosa Cavalcante

Composição da Procuradoria Procuradora Geral de Contas Leilyanne Brandão Feitosa Procurador de Contas Júlio César Rôla Saraiva Procuradora de Contas Cláudia Patrícia Rodrigues Alves Cristino

Diretor Geral Luis Eduardo de Menezes Lima

Assessoria de Imprensa Francisco Eunivaldo Pires Pereira

Assessoria Jurídica Bruno Caminha Scarano

Controladoria Luiz Mario Vieira

Ouvidoria Francisco Antonio Barros Farias

Secretaria Fernando Antônio Diogo de Siqueira Cruz

Diretoria de Administração e Finanças Virgílio Freire do Nascimento Filho

Diretoria de Fiscalização Juraci Muniz Junior

Diretoria de Tecnologia e Informação Adalberto Ribeiro da Silva

Diretoria de Assistência Técnica e Planejamento Danielle Nascimento Jucá

Escola de Contas e Gestão Sandra Valéria de Morais Santos

TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DO CEARÁ

Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

Fortaleza – Ceará

2012

Direção Geral Conselheiro José Marcelo Feitosa

Elaboração Fernando Antônio da Justa Danielle Nascimento Jucá Ana Maria Carneiro Figueiredo Francisco Nelson Andrade Figueiredo Ana Karla Martins da Silva Telma Maria Escóssio Melo Marcos Correia Martins Bezerra

Revisão Ortográfica Rosijane Marques Azevedo Francisco Junior

Editoração Eletrônica Kahic Rocha Mikael Baima

Ilustração Fernando Antônio da Justa

Supervisão Escola de Contas e Gestão - Ecoge

Capa

Roberto Santos

Editoração Eletrônica para Web Yuri Lamboglia Barbosa

Ceará. Tribunal de Contas dos Municípios do Estado.

C387

Obrigações legais na transição governamental nos municípios. / Tribunal de

Contas dos Municípios do Estado do Ceará. - Fortaleza: TCM-CE, 2012.

72p.

1. Administração Pública Municipal. 2. Poder Executivo Municipal. 3. Poder Legislativo Mu-

nicipal. 4. Controle Externo. I. Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará. II. Título

Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará Av. Gal. Afonso Albuquerque Lima ,130 Cambeba,

Cep: 60.822-32 PABX: (85) 3218-14-13

Fortaleza – Ceará FAX: (85) 3218-12-12

Sumário

Apresentação

7

1 – Transição de Governo

9

1.1 – Equipe de Transição Constituída pelo Executivo e Legislativo Municipal

9

1.2 – Recomendações de Procedimentos a serem Observados na Transmissão dos Cargos de Prefeitos e Presidentes de Câmaras

9

1.2.1 – Recomendações de Procedimentos aos atuais Prefeitos para Transmissão de Cargos aos seus Sucessores

10

1.2.2 – Recomendações de Procedimentos aos atuais Presidentes de Câmaras para Transmissão de Cargos aos seus Sucessores

12

1.2.3 – Providências a serem Tomadas pelos Presidentes de Câmaras Eleitos

12

2 – Restrições Legais de Final de Mandato e suas Penalidades

14

2.1 – Dos Prefeitos Municipais

14

2.1.1 – Da Lei Complementar nº 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF

14

2.1.2 – Da Lei nº 9.504/97 – Lei Eleitoral

15

2.2 – Dos Presidentes de Câmaras Municipais

16

2.2.1 – Da Lei Complementar nº 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF

16

2.2.2 – Da Lei nº 9.504/97 – Lei Eleitoral

17

3 – Ilegalidades Constatadas nas Transições de Governo Municipal (Prefeituras e Câmaras)

18

4 – Instrumentos de Planejamento

18

4.1 – Plano Plurianual

19

4.2 – Lei de Diretrizes Orçamentárias

19

4.3 – Lei Orçamentária Anual

20

5 – Preservação de Documentação e Arquivo

22

5.1 – A Importância dos Arquivos Públicos

22

5.2 – A Obrigatoriedade de Guarda dos Documentos Públicos

22

5.3 – Arquivos Organizados

23

5.4 – Temporalidade dos Documentos

24

6 – Disponibilidades Financeiras e os Compromissos do Setor Público

24

6.1 – Disponibilidades Financeiras

25

6.2 – Disponibilidades Financeiras x Despesas Liquidadas

25

6.3 – Comprovação das Disponibilidades Financeiras

26

7

– Regularidade na Prestação dos Serviços Públicos

28

7.1 – Interrupção dos Serviços no Período de Transição e Início de Mandato

28

7.2 – Pagamento dos Contratos Firmados

29

8 – Patrimônio Público

30

8.1

– Utilização dos Bens e Serviços Públicos para fins Particulares e não em prol da Coletividade

31

8.2

– Breves Noções sobre as “Condutas Vedadas” para todos os Períodos da Gestão

32

8.3

– O Uso Adequado e Manutenção dos Bens Públicos

33

8.4

– Confiabilidade dos Inventários Apresentados

34

8.5

– Estoque de Materiais

36

9 – Controle Interno

37

9.1 – Controle dos Recursos Vinculados

37

9.2 – Acompanhamento e Controle dos Programas Assistenciais

39

10

– Endividamento

40

10.1

– Inadimplência de Quitação e Pagamentos não Realizados em suaTotalidade de Compromissos

41

10.2 – Valores Consignados e não Repassados ou Transferidos

42

10.3 – Operações de Créditos por Antecipação da Receita

44

10.4 – Operações de Créditos de Longo Prazo

44

11

– Despesas de Pessoal

46

11.1 – Limite das Despesas de Pessoal – LRF

47

11.2 – Restrições nos Casos de Descumprimento do Limite das Despesas de Pessoal

48

11.3 – Inadimplência de Pagamento

49

11.4 – Prazos de Pagamento

49

11.5 – Vedações de Pessoal no Período Eleitoral

49

 

11.5.1 – Da Lei Complementar n.º 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF

49

11.5.2 – Da Lei n.º 9.504/97 – Lei Eleitoral

49

Referências Bibliográficas e Webgrafia

50

ANEXO A Quadro Geral das Transgressões à LRF e Correspondentes Punições

52

ANEXO B Calendário das Obrigações Municipais – Exercício de 2013

62

Apresentação

O encerramento de um exercício financeiro traz consigo uma série de providências a serem adota- das pelos gestores públicos. Quando se trata do último ano de mandato dos prefeitos e do encerramento da legislatura dos vereadores a atenção deve ser redobrada.

O Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará – TCM/CE, investido nas suas prerrogati- vas constitucionais e legais, mas, principalmente, imbuído de suas atribuições de natureza preventiva e de orientação, edita esta Cartilha com o propósito de destacar as principais obrigações legais que devem ser observadas durante a transição governamental nos municípios.

Esta Corte de Contas, ao disponibilizar o presente trabalho, não antecipa juízos que só o exame específico de cada situação será capaz de formar, mas confirma seu compromisso de colaborar com o Ministério Público Estadual na concretização de suas atividades, centradas nos interesses dos cidadãos e da sociedade, que são a razão de ser de nossa existência.

A Cartilha, em função de seu foco objetivo, resume providências e ações de prevenção à possibili- dade de malversação dos recursos públicos, em especial no último ano de mandato.

Mais uma vez o TCM/CE reafirma a importância do diálogo construído com o Ministério Público Estadual, o que tem contribuído para o fortalecimento das atividades de controle externo.

Conselheiro Manoel Beserra Veras Presidente

Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

1 - Transição de Governo

TRANSMISSÃO DE CARGOS TRANSPARENTE PREFEITO E ATUAIS PREFEITO E PRESIDENTE DE CÂMARA PRESIDENTE DE CÂMARA
TRANSMISSÃO DE CARGOS
TRANSPARENTE
PREFEITO E
ATUAIS PREFEITO
E PRESIDENTE DE
CÂMARA
PRESIDENTE DE
CÂMARA
ELEITOS

O processo de transição governamental transparente visa oferecer condições para que o candidato

eleito para o cargo de Prefeito Municipal, que ainda não assumiu legalmente as suas funções, possa rece-

ber de seu antecessor todos os dados e informações necessários aos programas do novo governo.

1.1 - Equipe de Transição Constituída pelo Executivo e Legislativo Municipal

A chamada “Equipe de Transição” é a comissão regularmente instituída mediante ato normativo

específico, que tem a atribuição de inteirar-se do funcionamento dos órgãos e entidades que compõem a Administração Pública Municipal, levantar dados, traçar um diagnóstico da situação atual do Município, bem como propor um projeto de trabalho para antes da posse e para os primeiros dias de governo. As- sim, a Equipe deve ser composta por técnicos que detenham domínio, no mínimo, nas áreas seguintes:

Planejamento Público; Jurídica; Orçamentos Públicos; Finanças Públicas; Contabilidade Pública; Pessoal (Recursos Humanos); Suprimentos Governamentais; Infraestrutura Civil e de Tecnologia da Informação; Saúde e Educação.

1.2 – Recomendações de Procedimentos a serem Observados na Transmissão dos Cargos de Prefeitos e Presidentes de Câmaras

• Designar uma “Equipe de Transição de Governo” por meio de ato normativo específico que deve estabelecer as finalidades e a forma de atuação da equipe e determinar as datas de início e encer- ramento dos trabalhos. A equipe deve ser constituída, se possível, pelos seguintes membros: Ad- vogado, Contador, Administrador ouTécnico em Administração,Técnico responsável pelo Controle Interno, representantes das entidades da Administração Indireta Municipal e outro(s) que entender necessário(s);

Criar mecanismos para disponibilizar todas as informações solicitadas pela equipe de transição;

Órgãos e entidades da Administração Pública deverão elaborar e estar aptos a apresentar à equipe de transição, relatório com o seguinte conteúdo mínimo:

Informação sucinta sobre decisões tomadas que possam ter repercussão de especial relevância para o futuro do órgão;

Relação dos órgãos e entidades com os quais o município tem maior interação, em especial da- queles que integram outros Entes Federativos, organizações não governamentais e organismos internacionais, com menção aos temas que motivam essa interação;

Principais ações, projetos e programas, executados ou não, elaborados pelos órgãos e entidades durante a gestão em curso; e

9

Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

Relação atualizada de nomes, endereços e telefones dos principais dirigentes do órgão ou entida- de, bem como dos servidores ocupantes de cargos de chefia.

1.2.1 – Recomendações de Procedimentos aos atuais Prefeitos para Transmissão de Cargos aos seus Sucessores

Recomenda-se ao atual prefeito que providencie a apresentação, ao prefeito eleito, dos instrumen- tos legais e documentos relacionados abaixo:

1.

Plano Plurianual de Investimentos Vigente (2010 a 2013).

2.

Lei de Diretrizes Orçamentárias para o exercício de 2013, acompanhada do Anexo de Metas Fiscais e do Anexo de Riscos Fiscais, conforme previsto na Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Respon- sabilidade Fiscal.

3.

Lei Orçamentária Anual para o exercício de 2013.

4.

Demonstrativo dos saldos disponíveis, transferidos do exercício de 2012 para 2013, a serem elabo- rados da seguinte forma:

a)

Termo de verificação de saldo em bancos, onde constarão os saldos de todas as contas cor- rentes mantidas pela municipalidade em estabelecimentos bancários, acompanhados de extratos e memorandos indicando expressamente o valor existente em 31 de dezembro do corrente exercício.

b)

Conciliação bancária que deverá indicar:

nome do banco, o número da agência e o número da conta;

saldo demonstrado no extrato;

os cheques emitidos e não descontados;

os créditos efetuados e não liberados;

os débitos autorizados e não procedidos pela instituição bancária, podendo este documento ser apresen- tado posteriormente, no primeiro mês do exercício seguinte, em data fixada pela Equipe deTransição.

c)

Relação de valores pertencentes a terceiros e regularmente confiados à guarda da Tesouraria (ex.: caução, depósito, cautelas, etc.).

5.

Demonstrativo das obrigações contraídas e não pagas até o encerramento do corrente exercício, inscritas como RESTOS A PAGAR, evidenciando o seguinte:

a)

As despesas empenhadas e liquidadas, até o final do exercício, registradas como RESTOS A PAGAR PROCESSADOS.

b)

As despesas empenhadas, mas não liquidadas até o final do exercício, registradas como RES- TOS A PAGAR NÃO PROCESSADOS.

c)

As despesas empenhadas, liquidadas ou não, que não foram emitidas as notas de empenho respectivas com o comprometimento das dotações orçamentárias.

d)

As despesas não empenhadas, mas que se constituem obrigações líquidas e certas para o Muni-

 

cípio (Despesas de Exercícios Anteriores).

6.

Demonstrativo da Dívida Fundada Interna, bem como de Operações de Crédito por Antecipação de Receita – ARO.

7.

Relação dos compromissos financeiros em longo prazo, decorrentes de contratos de execução de obras, consórcios, convênios e outros, especificando o que já foi pago e o saldo a pagar.

8.

Inventário atualizado dos Bens Patrimoniais.

9.

Inventário dos Bens de Consumo existentes em Almoxarifado.

10.Relação dos servidores municipais, contendo: nome, lotação, cargo, data e forma de ingresso (con- curso, livre nomeação e exoneração ou contrato por tempo determinado), remuneração, regime jurídico e indicação de envio ao Tribunal do ato de nomeação para efeito de registro.

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

11. Contratos de terceirização de mão de obra, bem como a relação dos terceirizados contendo: nome, função e local da prestação do serviço. 12.Demonstrativos das responsabilidades não regularizadas, com a indicação das providências adota- das para sua regularização (ex.: bens públicos sob a guarda de terceiros).

13. Relação dos bens de terceiros sob a guarda e utilização pelo Município.

14.Relação de atrasos de pagamento de servidores municipais, se houver.

15. Relação de atrasos no recolhimento das contribuições previdenciárias e patronais, se houver.

16.Apresentação do demonstrativo de movimentação financeira (Livro Razão, controle computado- rizado dos lançamentos, bem como das contas correntes dos bancos), escriturado até o último dia do mandato.

17. Relação das obrigações municipais pendentes de regularização junto ao Tribunal de Contas dos

Municípios (ex.: entrega do SIM, do RGF, do RREO, da LDO e da LOA, etc.). 18.Relação dos atos expedidos no período eleitoral, nas datas estabelecidas pela RESOLUÇÃO Nº 23.341 DO TSE, INSTRUÇÃO Nº 933-81.2011.6.00.0000 – CLASSE 19 – BRASÍLIA – DISTRITO FEDERAL - 2012, que importaram na concessão de reajustes de vencimentos em percentual superior à inflação acumulada, desde o último reajustamento, assim como dos atos relacionados à nomeação, admissão, contratação ou exoneração de ofício, demissão, dispensa, transferência, designação, readaptação ou supressão de vantagens de qualquer espécie, do servidor público municipal, estatutário ou não, da administração pública centralizada ou descentralizada do Município e ainda da realização de concurso público no mesmo período. 19.Situação de cadastramento dos contribuintes e arrecadação de receitas próprias do Município. 20.Relação atualizada da Dívida Ativa do Município, bem como relatório da situação das providências adotadas pela Administração, no que se refere à sua cobrança.

21.Situação analítica das concessões, permissões, acordos, convênios e ajustes em execução, devida- mente conciliados, informando, inclusive, as contas bancárias respectivas dos recursos vinculados. 22.Relação dos convênios pendentes de prestação de contas junto aos convenentes.

23. Balanço Anual referente ao exercício de 2012.

24.Relatório de Gestão Fiscal (RGF) do 3º Quadrimestre ou do 2º Semestre de 2012, conforme a popula- ção do Município, e Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) do 6º Bimestre de 2012. 25.Colocar à disposição do Prefeito Municipal eleito a legislação do Município, assim constituída:

a) Lei Orgânica do Município;

b) Leis Complementares à Lei Orgânica;

c) Legislação referente à organização administrativa municipal, relativa à constituição dos órgãos integrantes da administração direta, bem como as leis de criação dos fundos especiais, das entidades da administração indireta do Município e respectivos estatutos;

d) Leis de Organização do Quadro de Pessoal e legislação complementar, tais como: Lei do Regime Jurídico, Estatuto dos Servidores Públicos do Município, Lei do Plano de Cargos e Salários, Lei de Contratação Temporária e outras, se houver;

e) Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo;

f) Lei de Zoneamento;

g) Código de Postura;

h) Plano Diretor;

i) Código Tributário Municipal;

j) Lei que instituiu a Guarda Municipal;

k) Projetos de Lei em tramitação na Câmara Municipal;

l) Outras normas.

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

As recomendações aqui expostas poderão ser aplicadas no que couber, à Administração Indireta e às Fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público Municipal. Recomenda-se que os documentos elaborados sejam assinados pelo Prefeito, Secretário ouTesou- reiro Municipal, em duas vias: uma entregue ao Prefeito eleito e a outra arquivada na Prefeitura, ficando disponível para consulta por parte do Poder Legislativo, bem como do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará.

1.2.2

– Recomendações de Procedimentos aos atuais Presidentes de Câmaras para Transmissão de Cargos aos seus Sucessores

Recomenda-se ao atual Presidente da Câmara que observe os seguintes procedimentos:

Determinação legal a ser cumprida no último ano da legislatura:

a)

Fixação dos subsídios dos vereadores para a próxima legislatura – Princípio da Anterioridade;

b)

Normas regulamentadoras de fixação dos subsídios dos vereadores;

c)

Limites constitucionais e da Lei Complementar nº 101/2000 - LRF para fixação dos subsídios dos

 

vereadores.

O atual Presidente da Câmara deverá designar uma “Equipe de Transição de Gestão”, por meio de ato normativo específico, constituída, se possível, pelos seguintes membros: Advogado, Contador ou Técnico em Finanças Públicas; Técnico em Administração ou cargo correlato; Tesoureiro, e um representante dos Vereadores.

Criar mecanismos para disponibilizar todas as informações solicitadas pela equipe de transição.

Definir, mediante ato normativo específico, as datas de início e encerramento dos trabalhos, as finalidades, forma de atuação e data de dissolução da equipe de transição.

1.2.3

– Providências a serem Tomadas pelos Presidentes de Câmaras Eleitos

Providenciar a apresentação, ao novo Presidente de Câmara eleito, dos instrumentos legais e do- cumentos relacionados abaixo:

1.

Demonstrativo dos saldos disponíveis, transferidos do exercício de 2012 para 2013, a serem elabo- rados da seguinte forma:

a)

Termo de verificação de saldo em bancos, onde constarão os saldos de todas as contas correntes mantidas pela Câmara em estabelecimentos bancários, acompanhados de extratos e memoran- dos indicando expressamente o valor existente em 31 de dezembro do corrente exercício.

b)

Conciliação bancária que deverá indicar:

Nome do banco, o número da agência e o número da conta;

Saldo demonstrado no extrato;

Os cheques emitidos e não descontados;

Os créditos efetuados e não liberados;

Os débitos autorizados e não procedidos pela instituição bancária, podendo este documento ser apresentado posteriormente, no primeiro mês do exercício seguinte, em data fixada pela Equipe de Transição.

c)

Relação de valores pertencentes a terceiros e regularmente confiados à guarda da Tesouraria (ex.: caução, depósito, cautelas, etc.).

2.

Demonstrativo das obrigações contraídas e não pagas até o encerramento do corrente exercício, inscritas como RESTOS A PAGAR, evidenciando o seguinte:

a) As despesas empenhadas e liquidadas até o final do exercício, registradas como RESTOS A PA- GAR PROCESSADOS.

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

b)

As despesas empenhadas, mas não liquidadas até o final do exercício, registradas como RES- TOS A PAGAR NÃO PROCESSADOS.

c)

As despesas empenhadas, liquidadas ou não, que não foram emitidas as notas de empenho respectivas com o comprometimento das dotações orçamentárias.

d)

As despesas não empenhadas, mas que se constituem obrigações líquidas e certas para o Muni-

cípio (Despesas de Exercícios Anteriores).

3.

Relação dos compromissos financeiros em longo prazo, decorrentes de contratos de execução de obras e serviços, se houver.

4.

Inventário atualizado dos bens patrimoniais.

5.

Inventário dos bens de consumo existentes em almoxarifado.

6.

Relação dos servidores da Câmara, contendo: nome, lotação, cargo, data e forma de ingresso (con- curso, livre nomeação e exoneração ou contrato por tempo determinado), remuneração, regime jurídico e indicação de envio a esse Tribunal do ato de nomeação para efeito de registro.

7.

Contratos de terceirização de mão de obra, bem como a relação dos terceirizados contendo: nome, função e local da prestação do serviço.

8.

Demonstrativos das responsabilidades não regularizadas, com a indicação das providências adota- das para sua regularização (ex.: bens públicos sob a guarda de terceiros).

9.

Relação dos bens de terceiros sob a guarda e utilização pela Câmara.

10.Relação de atrasos de pagamento de servidores da Câmara, se houver.

11. Relação de atrasos no recolhimento das consignações, contribuições previdenciárias e patronais, se houver. 12.Apresentação do demonstrativo de movimentação financeira (Livro Razão, controle computadori- zado dos lançamentos, bem como das contas correntes dos bancos), escriturado até o último dia do mandato.

13. Relação das obrigações da Câmara, pendentes de regularização junto ao Tribunal de Contas dos

Municípios (ex.: entrega do SIM, do RGF, etc.). 14.Relação dos atos expedidos no período eleitoral, nas datas estabelecidas pela RESOLUÇÃO Nº

23.341 DO TSE, INSTRUÇÃO Nº 933-81.2011.6.00.0000 – CLASSE 19 – BRASÍLIA – DISTRITO FE- DERAL - 2012, que importaram na concessão de reajustes de vencimentos em percentual superior à inflação acumulada, desde o último reajustamento, assim como dos atos relacionados à nome- ação, admissão, contratação ou exoneração de ofício, demissão, dispensa, transferência, desig- nação, readaptação ou supressão de vantagens de qualquer espécie, dos servidores públicos da Câmara, estatutário ou não, e ainda da realização de concurso público no mesmo período.

15.

Relatório de Gestão Fiscal (RGF) do 3º Quadrimestre ou do 2º Semestre de 2012, conforme a po- pulação do Município.

16.

Colocar à disposição do Presidente da Câmara eleito, a legislação específica da Câmara, bem como a legislação do Município, assim constituída:

a) Lei Orgânica do Município;

b) Leis Complementares à Lei Orgânica;

c) Regimento Interno da Câmara;

d) Leis de Organização do Quadro de Pessoal e legislação complementar, tais como: Lei do Regi- me Jurídico, Estatuto dos Servidores Públicos do Município, Lei do Plano de Cargos e Salários, Lei de Contratação Temporária do Município e outras, se houver;

e) Código Tributário Municipal;

f) Projetos de Lei em tramitação na Câmara Municipal;

g) Outras normas.

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

Recomendamos que os documentos elaborados sejam assinados pelo ex-presidente da Câmara, Secretário ouTesoureiro, em duas vias: uma entregue ao Presidente eleito e a outra arquivada na Câmara, ficando disponível para consulta por parte do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará.

2 – Restrições Legais de Final de Mandato e suas Penalidades

2.1 – Dos Prefeitos Municipais

Passa-se a apresentar adiante algumas restrições legais, agrupando-as por mandamentos legais:

2.1.1 – Da Lei Complementar nº 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF

Aumentar despesa com pessoal: é vedado, ao titular do Poder ou Órgão, o ato que resulte aumento de despesa de pessoal nos 180 dias anteriores ao final do mandato, sob pena de ser considerado nulo de pleno direito (art. 21, parágrafo único da LRF).

Das Penalidades: O art. 359-G da Lei nº 10.028/2000 tipifica o ato como crime sujeito à pena de reclusão de 1(um) a 4 (quatro) anos.

Contratar operação de crédito por antecipação da receita (ARO): durante o último ano de mandato é vedada a contratação de operação de crédito por antecipação da receita, nos termos da alínea “b”, do inciso IV, do art. 38, da LRF.

Das Penalidades: O art. 359-A da Lei nº 10.028/2000 tipifica o ato como crime sujeito à pena de reclusão de 1 (um) a 2 (dois) anos.

Exceder o limite da dívida consolidada: o limite máximo para endividamento do Ente, estabelecido pela Resolução n° 40/2001 do Senado Federal, quando inobservado no primeiro quadrimestre do último ano de mandato, importará na aplicação imediata das restrições descritas no art. 31, §§1º e 3º da LRF, quais sejam:

a) Vedação para realização de operações de crédito, inclusive por antecipação da receita, excetuan- do-se apenas aquelas destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária;

b) Obrigatoriedade de obter superávit primário necessário à recondução da dívida ao limite, inclu- sive com medidas de limitação de empenho.

Contrair obrigação de despesa nos dois últimos quadrimestres do mandato sem recursos financeiros para pagamento: o titular do Poder ou Órgão fica proibido de contrair obrigação de despesa, nos últimos oito meses que antecedem o final de seu mandato, que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte, sem que haja suficiente disponibilidade de caixa, conforme art. 42 da LRF.

Das Penalidades: as sanções pelo descumprimento do disposto acima, estão previstas nos artigos 359-B, 359-C e 359-D da Lei nº 10.028/2000:

Art. 359-B. Ordenar ou autorizar a inscrição em restos a pagar, de despesa que não tenha sido previamente empenhada ou que exceda limite estabelecido em lei;

Pena - detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.

Art. 359-C. Ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte, que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade de caixa.

Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos;

Art. 359-D. Ordenar despesa não autorizada por lei.

Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

14

Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

2.1.2

– Da Lei nº 9.504/97 – Lei Eleitoral

 

Realizar despesa com doação: no ano em que se realiza eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública Municipal, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa conforme disposição do §10, do art. 73 da Lei nº 9.504/97, incluído pela Lei n° 11.300/2006.

Realizar revisão geral anual que exceda a recomposição da perda do poder aquisitivo: o in- ciso VIII, do art. 73 da Lei nº 9.504/97 e a Resolução n° 23.341/2011 do Tribunal Superior Eleitoral determinam que, nos 180 (cento e oitenta) dias que antecedem o pleito, ou seja, a partir de 10 de abril de 2012 e até a posse dos eleitos, fica vedada a realização de revisão geral da remuneração dos servidores públicos municipais, que exceda a recomposição de perdas inflacionárias ao longo do ano da eleição.

A revisão geral e anual da remuneração deve ser entendida como sendo a reposição, com base em índice oficial, do poder aquisitivo concedido em razão da perda do valor monetário

 

e

que não tem por objetivo corrigir situações de injustiça ou de necessidade de revalorização

profissional de carreiras específicas.

 

Despesa de contratação e nomeação de pessoal: nos três meses que antecedem o pleito (a partir de 07 de julho de 2012) e até a posse dos eleitos, são vedados aos agentes públicos nome- ar, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar van- tagens ou por outros meios, dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex-officio, remo- ver, transferir ou exonerar servidor na circunscrição do pleito conforme dicção da alínea “a”, do inciso V, do art. 73 da Lei nº 9.504/97 e Resolução n° 23.341/2011 do Tribunal Superior Eleitoral.

 

Exceções:

 

a)

nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança;

b)

nomeação dos aprovados em concurso público homologado até 07 de julho de 2012 (alínea “c” do inciso do inciso V, do art. 73 da Lei nº 9.504/97);

c)

nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais, com prévia e expressa autorização do chefe do Poder Executivo (alínea “d” do inciso V, do art. 73 da Lei nº 9.504/97).

Autorizar despesa com publicidade institucional: nos três meses que precedem as eleições, (a partir de 07 de julho de 2012), é vedado autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, conforme texto contido na alínea “b”, inciso VI, do art. 73 da Lei nº 9.504/97.

Realizar despesa com publicidade: em ano de eleição, antes dos três meses que antecedem as eleições, (a partir de 07 de julho de 2012), é vedada a realização de despesas com publicidade dos órgãos públicos municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que ex- cedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano ime- diatamente anterior à eleição, nos termos da redação do inciso VII, do art. 73 da Lei nº 9.504/97.

Realizar despesa com show artístico: o art. 75 da Lei n.º 9.504/97 e a Resolução n.º 23.341/2011 determinam que, nos três meses que antecedem as eleições, (a partir de 07 de julho), é vedada

 

a

contratação de shows artísticos pagos com recursos públicos.

Penalidades:

O descumprimento do disposto no art. 73 e incisos acarretará suspensão imediata da conduta ve- dada e sujeitará os responsáveis à multa, conforme disposição do § 4º do art. 73 da Lei nº 9.504/97;

15

Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

No caso de descumprimento da alínea “b” do inciso VI do art. 73 (autorizar despesa com publicida- de institucional), além da multa referida no item anterior, o agente político ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma;

As condutas retromencionadas caracterizam, ainda, atos de improbidade administrativa, a que se refere o inciso I, do art. 11 da Lei nº 8.429/92, e sujeitam-se às cominações do inciso III, do art. 12 do mesmo diploma legal; vejamos: ressarcimento integral do dano, se houver; perda da função pública; suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos; pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente; proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.

Ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imó- veis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dosTerritórios e dos Municípios, ressalvada a realização de convenção partidária, conforme pre- vê o inciso I do art. 73 da Lei nº 8.429/92.

Usar materiais ou serviços custeados pelos Governos ou Casas Legislativas, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram, de acordo com o inciso II, do art. 73 da Lei nº 8.429/92.

Ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de seus serviços para comitês de campanha eleito- ral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado, de conformidade com o inciso III do art. 73 da Lei nº 8.429/92. Fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social, custeados ou subvencionados pelo Poder Público, conforme o inciso IV do art. 73 da Lei nº 8.429/92.

2.2 – Dos Presidentes de Câmaras Municipais

Passa-se a apresentar adiante algumas restrições legais, agrupando-as por mandamentos legais:

2.2.1 – Da Lei Complementar nº 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF

Aumentar despesa com pessoal: é vedado, ao titular do Poder ou Órgão, o ato que resulte aumento de despesa de pessoal nos 180 dias anteriores ao final do mandato, sob pena de ser considerado nulo de pleno direito (art. 21, parágrafo único da LRF).

Das Penalidades: O art. 359-G da Lei nº 10.028/2000 tipifica o ato como crime sujeito à pena de reclusão de 1(um) a 4 (quatro) anos.

Contrair obrigação de despesa nos dois últimos quadrimestres do mandato sem recursos financeiros para pagamento: o titular do Poder ou Órgão fica proibido de contrair obrigação de despesa, nos últimos oito meses que antecedem o final de seu mandato, que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguin- te, sem que haja suficiente disponibilidade de caixa, conforme art. 42 da LRF.

Das Penalidades: as sanções pelo descumprimento do disposto acima, estão previstas nos artigos 359-B, 359-C e 359-D da Lei nº 10.028/2000:

Art. 359-B. Ordenar ou autorizar a inscrição em restos a pagar, de despesa que não tenha sido previamente empenhada ou que exceda limite estabelecido em lei;

Pena - detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.

Art. 359-C. Ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício

16

Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

financeiro ou, caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte, que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade de caixa.

Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos;

Art. 359-D. Ordenar despesa não autorizada por lei.

Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

2.2.2 – Da Lei nº 9.504/97 – Lei Eleitoral

Realizar despesa com doação: no ano em que se realiza eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública Municipal, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa conforme disposição do §10, do art. 73 da Lei nº 9.504/97, incluído pela Lei n° 11.300/2006.

Realizar revisão geral anual que exceda a recomposição da Perda do Poder Aquisitivo: o inciso VIII, do art. 73 da Lei nº 9.504/97 e a Resolução n° 23.341/2011 do Tribunal Superior Elei- toral determinam que, nos 180 (cento e oitenta) dias que antecedem o pleito, ou seja, a par- tir de 10 de abril de 2012 e até a posse dos eleitos, fica vedada a realização de revisão geral da remuneração dos servidores públicos municipais, que exceda a recomposição de perdas inflacionárias ao longo do ano da eleição.

A revisão geral e anual da remuneração deve ser entendida como sendo a reposição, com base em índice oficial, do poder aquisitivo concedido em razão da perda do valor monetário

e que não tem por objetivo corrigir situações de injustiça ou de necessidade de revalorização

profissional de carreiras específicas.

Despesa de contratação e nomeação de pessoal: nos três meses que antecedem o pleito, (a partir de 07 de julho de 2012) e até a posse dos eleitos, são vedados aos agentes públicos nome- ar, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar van- tagens ou por outros meios, dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex-officio, remo- ver, transferir ou exonerar servidor na circunscrição do pleito conforme dicção da alínea “a”, do inciso V, do art. 73 da Lei nº 9.504/97 e Resolução n° 23.341/2011 do Tribunal Superior Eleitoral.

Exceções:

a)

nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança;

b)

nomeação dos aprovados em concurso público homologado até 07 de julho de 2012 (alínea “c” do inciso do inciso V, do art. 73 da Lei nº 9.504/97).

Autorizar despesa com publicidade institucional: nos três meses que precedem as eleições, (a partir de 07 de julho de 2012), é vedado autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, conforme texto contido na alínea “b”, inciso VI, do art. 73 da Lei nº 9.504/97.

Realizar despesa com publicidade: em ano de eleição, antes dos três meses que antecedem as eleições, (a partir de 07 de julho de 2012), é vedada a realização de despesas com publicidade dos órgãos públicos municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que ex- cedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano ime- diatamente anterior à eleição, nos termos da redação do inciso VII, do art. 73 da Lei nº 9.504/97.

Realizar despesa com show artístico: o art. 75 da Lei n.º 9.504/97 e a Resolução n.º 23.341/2011 determinam que, nos três meses que antecedem as eleições, (a partir de 07 de julho), é vedada

a contratação de shows artísticos pagos com recursos públicos.

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

Penalidades:

O descumprimento do disposto no art. 73 e incisos acarretará suspensão imediata da conduta ve- dada e sujeitará os responsáveis à multa, conforme disposição do § 4º do art. 73 da Lei nº 9.504/97;

No caso de descumprimento da alínea “b” do inciso VI do art. 73 (autorizar despesa com publicida- de institucional), além da multa referida no item anterior, o agente político ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma; As condutas retromencionadas caracterizam, ainda, atos de improbidade administrativa, a que se refere o inciso I, do art. 11 da Lei nº 8.429/92, e sujeitam-se às cominações do inciso III, do art. 12 do mesmo diploma legal; vejamos: ressarcimento integral do dano, se houver; perda da função pública; sus- pensão dos direitos políticos de três a cinco anos; pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente; proibição de contratar com o poder público.

3 – Ilegalidades Constatadas nas Transições de Governo Municipal (Prefeituras e Câmaras)

Geraram especial atenção dos órgãos, entidades e autoridades do Estado do Ceará, as ações ne- fandas e reprováveis de alguns ex-gestores municipais, que no final do mandato e por ocasião do ato de transição, decorrente das últimas eleições municipais, dilapidaram o patrimônio público, a saber:

Sucateamento da frota de veículos, máquinas, equipamentos, bem como de outros bens móveis;

Doação ilegal de bens imóveis e móveis pertencentes ao patrimônio municipal;

Saques efetuados nas contas correntes bancárias dos municípios, sem a devida correspondência de despesas comprovadas;

• Contratações de obrigações de despesas sem as correspondentes disponibilidades financeiras para

o seu atendimento;

Atraso no pagamento dos salários dos servidores e empregados do município (Prefeitura e Câmara);

Atraso no pagamento de fornecedores, principalmente os de serviços essenciais de energia elétri- ca, água e telefone, resultando no corte desses serviços;

Apropriação indevida de livros, processos, documentos, arquivos, inclusive os digitalizados, das secretarias municipais, principalmente os atinentes à contabilidade, ao setor de finanças, ao setor de pessoal, aos controles internos e ao patrimônio;

Não repasse, ao Instituto de Previdência, das retenções efetuadas nas folhas de pagamento dos servidores municipais (Prefeitura e Câmara).

4 – Instrumentos de Planejamento

O Plano Plurianual – PPA;

Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO; e

A

Lei Orçamentária Anual – LOA.

– LDO; e • A Lei Orçamentária Anual – LOA. Os instrumentos legais de planejamento e

Os instrumentos legais de planejamento e orçamentação brasileiros são definidos nos incisos I, II e III do art. 165 da Constituição Federal como:

Não se deve esquecer que a estes instrumentos podem e devem ser acrescidos outros mecanismos de planejamento, como os planos diretores, os planos de saúde, educação, assistência social, entre outros. Entretanto, passa-se a enfocar neste trabalho as leis orçamentárias, que por força de mandamento constitucional, todos os Entes da Federação estão obrigados a seguir. São elas:

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

4.1 – Plano Plurianual - PPA

É o instrumento legal de planejamento de maior alcance temporal no estabelecimento das prio-

ridades e no direcionamento das ações do governo, estabelecendo para a Administração Pública, de forma regionalizada, as diretrizes, os objetivos e as metas que orientaram a aplicação dos recursos públicos e privados quando decorrentes de parcerias.

O Plano Plurianual prevê ações governamentais voltadas para a ampliação da capacidade produ-

tiva do Setor Público e o desenvolvimento socioeconômico, implicando, portanto, em despesas classifi- cadas como despesas de capital e despesas correntes que delas decorram, bem como para os progra- mas de duração continuada, portanto, a Lei instituidora do Plano Plurianual abrangerá investimentos cuja execução ultrapasse um exercício financeiro, como também os planos e programas especiais, ou setoriais que serão apreciados e aprovados pelo Poder Legislativo. Vale salientar que o Plano não é executável por si mesmo. A execução dos investimentos fixados nesse plano fica na dependência de sua inclusão na Lei de Diretrizes Orçamentárias e no Orçamento Anual. Essa peça orçamentária tem por finalidade evitar a descontinuidade dos serviços públicos, pois, caso contrário, o Chefe do Poder Executivo encontraria uma Administração sem planos e metas quando assumisse seu mandato. Portanto, é possível mencionar que o PPA é um instrumento de médio prazo, abrangendo mais de uma gestão, pois apesar de ter vigência de 4 (quatro) anos, ele é elaborado no primeiro ano do mandato do Chefe do Poder Executivo, se estendendo até o primeiro ano do mandato do seu suces- sor. Assim, deve o Prefeito eleito observar o PPA deixado pelo seu antecessor para dar continuidade às obras e aos serviços públicos que se encontravam em andamento, visando o total aproveitamento dos recursos públicos já empregados. Diante destas colocações, é imperioso destacar que os Prefeitos eleitos terão, ainda no primeiro ano de sua gestão, que elaborar a proposta orçamentária pertinente ao PPA alusivo ao período de 2014 a 2017 e encaminhar, mediante projeto de lei, até 4 (quatro) meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro (31 de agosto) e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa (22 de dezembro). Ressalte, todavia, que a Lei Orgânica de cada Município deve disciplinar a data do envio do Pro- jeto de Lei do PPA ao Poder Legislativo, bem como a data limite de sua aprovação, caso não ocorra, aplicam-se as datas retrocitadas, obedecendo à norma disciplinada no inciso I do § 2º do art. 35 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT. Convém, ainda, destacar que nenhum investimento que a execução ultrapasse um exercício fi- nanceiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no Plano Plurianual, ou sem lei que o autorize a inclu- são sob pena do Chefe do Poder Executivo cometer crime de responsabilidade. Caso o PPA não seja aprovado no prazo constitucional, a execução orçamentária-financeira do Governo fica comprometida até a sua aprovação, por não ter amparo legal, principalmente quando se trata de programas novos ou projetos ainda não iniciados, e com duração prevista superior a um exercício financeiro.

4.2 – Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO

É o instrumento de iniciativa do Poder Executivo para conexão entre o pla- no estratégico das ações governamentais (PPA) e o plano operacional (Orça- mento Anual), viabilizando a execução dos programas governamentais. Portanto, essa peça orçamentária inicia-se fundamentada no PPA e após a sua conclusão estabelecerá normas para a elaboração do Orçamento Anual. Caso ocorra a necessidade da LDO sofrer alterações, com o objetivo de ser aperfeiçoada, referidas alterações devem ser feitas por meio de emendas parla- mentares, devidamente aprovadas pelo Poder Legislativo.

alterações devem ser feitas por meio de emendas parla- mentares , devidamente aprovadas pelo Poder Legislativo.

19

Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

Entre as funções da LDO está a de selecionar, dentre os programas incluídos no PPA, quais terão prioridade na execução do orçamento de cada exercício financeiro, já que sua vigência é de 1 (um) ano.

A lei pertinente ao exercício de 2013 já deve ter sido aprovada em 2012, portanto, deve ser obser-

vado se constam da lei aprovada os anexos definidos no art. 4° da Lei de Responsabilidade Fiscal, com destaque para o Anexo de Metas Fiscais.

A omissão desses demonstrativos, em face de não terem sidos formatados, revela que o Orça-

mento Anual foi elaborado sem observar as metas fiscais previstas para o exercício. Assim a ausência do anexo de metas fiscais constitui infração administrativa contra as leis de finanças públicas, conforme determina o inciso II do art. 5° do Decreto-Lei n.° 201/67, alterado pela Lei n.° 10.028/2000. Caso a LDO vigente não contenha os anexos exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, deve o Prefeito eleito, ao assumir cargo, envidar esforços junto à Câmara Municipal para que aprove projeto de lei de sua iniciativa para alteração da LDO. Acrescente-se que o inciso I do § 9° do art. 165 da Constituição Federal estabelece que caberá à Lei Complementar, dispor sobre o exercício financeiro, a vigência dos prazos, a elaboração e a organização da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Todavia, até a entrada em vigor da Lei Complementar supra, deverão ser observadas a Constituição Estadual e a Lei Orgânica de cada Município que dispuser sobre a matéria. Como até a presente data a matéria não foi contemplada nesses instrumentos, faz imperioso lem- brar, a título de subsídio, que o inciso II do § 2° do art. 35 do ADCT da Carta Maior registra que o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias será encaminhado até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro, portanto, 15 de abril, e devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa, 17 de julho.

Disciplina o art. 4º da Instrução Normativa n.º 03/2000 do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará – TCM, que a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO será encaminhada a esta Corte de Contas até 30 (trinta) dias após a sanção do Poder Executivo, para análise conjunta com o PPA e a Lei Orçamentária Anual.

4.3 – Lei Orçamentária Anual - LOA

É o instrumento de planejamento utilizado pela Administração para a mobilização financeira e

consequente materialização do conjunto de ações e objetivos que foram planejados pelo Poder Público, no sentido de alcançar o objetivo primordial que é o atendimento e bem-estar da coletividade em um determinado período.

O orçamento é o instrumento utilizado pela Administração para a previsão da receita e fixa-

ção da despesa.

Segundo os incisos I, II e III do § 5º do art. 165 da Constituição Federal, o Orçamento Anual com- preenderá:

I - Orçamento Fiscal: o qual demonstra a ação governamental dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, seus fundos, órgãos e entidades da Administração direta e indireta, inclusive fundações insti- tuídas e mantidas pelo Poder Público. II - Orçamento de Investimento: das empresas em que a Administração Pública detenha direta ou indiretamente a maioria do capital social com direito a voto. III - Orçamento de Seguridade Social: compreende as ações integradas de todas as entidades e órgãos da administração direta ou indireta destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, previ- dência e assistência social.

A LOA, para o exercício de 2013, já deve se encontrar aprovada e em sintonia com as regras de

elaboração definidas na LDO, bem como os disciplinamentos constitucionais. Os Prefeitos eleitos, ao tomarem conhecimento do Orçamento Anual, devem proceder a uma re- visão geral para identificar possíveis lacunas, bem como adequá-la às prováveis alterações na estrutu- ra administrativa do Município proposta pelo novo Governo.

20

Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

Assim, caso haja necessidade de serem realizadas alterações, deve-se observar se o Prefeito eleito promoveu esforços junto à Câmara Municipal para que aprove projeto de lei de sua iniciativa, contendo medidas capazes de solucioná-las, a fim de melhor atender às exigências legais e constitucionais durante a execução orçamentária.

É de fundamental importância que se comente rapidamente sobre as eta-

pas do ciclo orçamentário, ou seja, as etapas pelas quais passam as Leis Orçamen- tárias, merecendo destaque para a aprovação, que é uma delas.

O ciclo orçamentário é a sequência dos passos ou processos, articulados

entre si, que se repetem em períodos prefixados, através dos quais os instrumen- tos orçamentários são elaborados, discutidos, aprovados, executados, avalia- dos e controlados, sendo as contas dos ordenadores de despesas julgadas pela Corte de Contas, num processo de contínua retroalimentação. Acrescente-se que das fases do ciclo orçamentário, a aprovação e a avaliação dos atos políticos do Chefe do Poder Executivo, são de competência do Poder Legislativo. Daí a necessidade do tema ser tratado neste item, pois cabe ao atual Presidente da Câmara Municipal, antes de terminar o seu man- dato, deixar devidamente aprovados os projetos de leis orçamentárias inerentes à Lei de Diretrizes Orçamentárias e à Lei Orçamentária Anual, pertinentes ao exercício de 2013.

Orçamentária Anual, pertinentes ao exercício de 2013 . 1‐ Elaboração 4‐ Avaliação Cliclo

1‐ Elaboração

4‐ Avaliação

Cliclo Orçamentario
Cliclo
Orçamentario

2‐ Discurssão

e Aprovação

2‐ Discurssão e Aprovação 3‐ Execução

3‐ Execução

1 e 3 Competência poder Executivo

3‐ Execução 1 e 3 Competência poder Executivo 2 e 4 Competência poder Legislativo Registram-se a

2 e 4 Competência poder Legislativo

Registram-se a seguir os prazos em que aludidas peças orçamentárias deverão ser remetidas ao Poder Legislativo para serem discutidas e votadas, bem como as datas em que devem ser devolvidas ao Poder Executivo para serem validadas, recebendo sanção ou veto.

 

Envio ao Poder Legislativo

Devolução ao Poder Executivo

Peça

Prazo

Fundamentação

Prazo

Fundamentação

Máximo

Legal

Máximo

Legal

Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias

15 de abril

Inciso II do § 2º do art. 35 do ADCT da Constituição Federal

17 de julho

art. 57 e Inciso II do § 2º do art. 35 do ADCT da Constituição Federal

Projeto de Lei Orçamentária Anual

1º de

§ 5º do art. 42 da Constituição Estadual

1º de

§ 5º do art. 42 da Constituição Estadual

outubro

novembro

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

5 - Preservação da Documentação e Arquivos

5.1 – A Importância dos Arquivos Públicos

Nas administrações públicas municipais a guarda física, a microfilma- gem e, sob uma visão mais moderna, a digitalização de documentos são im- portantes na preservação da história de cada localidade, bem como são de grande relevância para as entidades e para aqueles que delas fazem parte, haja vista que suas funções básicas são tornar disponíveis as informações contidas no acervo documental sob sua proteção, objetivando assim conheci- mento dos fatos ocorridos. Torna-se imprescindível salientar que embora o arquivo seja o setor que reúne todos os documentos produzidos, os quais devem representar a essência da Entidade, quase sempre se localiza na área mais inadequada do imóvel, começando assim um grande problema para a sua administração, pois agentes exteriores, tais como: luminosidade, temperatura, umidade, poeira, ventilação, fungos, in- setos, roedores, etc., podem contribuir para danificar a documentação para ali encaminhada. Como visto, é no arquivo que se devem encontrar os documentos, independentemente do inter- valo de tempo existente entre a data de sua elaboração e a necessidade de sua utilização, pois eles são imprescindíveis para comprovar qualquer fato ou direito. Diante do exposto, se faz necessário que as Administrações Públicas Municipais enfoquem uma aten- ção maior na guarda de sua documentação, a fim de possibilitar a eficiência dos Entes Governamentais.

5.2 – A Obrigatoriedade da Guarda dos Documentos Públicos

5.2 – A Obrigatoriedade da Guarda dos Documentos Públicos A obrigatoriedade legal de proteção dos documentos

A obrigatoriedade legal de proteção dos documentos produzidos e recebi- dos pelos governos não é somente preocupação atual. A legislação portuguesa, herança do Antigo Regime, já se preocupava com a guarda da documentação das antigas Câmaras, obrigação existente não só na metrópole portuguesa, mas tam- bém em suas colônias. As Ordenações Filipinas de 1603 rezavam em seu Livro I,Título LXVI , 23, que aos Vereadores cabia guardar em uma arca grande e boa todos os Forais, Tombos, Privilégios e quaisquer outras escrituras que pertencessem ao Conselho. O Regimento das Câmaras Municipais do Império do Brasil, datado de 1828, preocupou-se com a documentação pública, rezando em seu artigo 49 que deverão ser feitos cofres e armários necessários para a guarda dos documentos das eleições, escrituras, e mais papéis que formam o arquivo da Câmara. Na legislação brasileira expedida no Império e na República, também é encontrada a preocupação do legislador em garantir por meio de instrumentos legais a guarda e a preservação dos documentos imprescindíveis à gestão municipal, demonstrando assim, que ao longo da história brasileira, os Entes Públicos tiveram que se preocupar e assumir a custódia dos documentos produzidos na administração governamental. Atualmente tem-se a obrigatoriedade de manter os arquivos públicos recepcionados na Constitui- ção Federal, art. 216, § 2º, e Lei Federal n.º 8.159, de 08 de janeiro de 1991, a qual dispõe sobre a Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados.

n.º 8.159, de 08 de janeiro de 1991, a qual dispõe sobre a Política Nacional de

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

Constituição Federal

Art. 216 § 2° Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamen- tal e as providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem.

Lei Federal n.° 8.159/91

Art. 1º É dever do Poder Público a gestão documental e a de proteção especial a documentos de arquivos, como instrumento de apoio à administração, à cultura, ao desenvolvimento científico e como elementos de prova e informação.

Art. 21 Legislação estadual, do Distrito Federal e municipal definirá os critérios de organização e vinculação dos arquivos estaduais e municipais, bem como a gestão e o acesso aos documentos, observado o disposto na Constituição Federal e nesta lei.

5.3 – Arquivos Organizados

As pessoas e os profissionais, dos mais variados setores, em suas atividades diárias, vão produzin- do informações e acumulando documentação desordenadamente de tal modo que se torna impossível a comunicação da informação que existe sob a forma de documento. Acredita-se que esse fato ocorra não por descuido ou irresponsabilidade dos geradores e recebe- dores de documentos, mas, por falta do conhecimento para estruturar a acumulação destas peças. Não basta só designar alguém do grupo para esta tarefa, é necessário estruturar e organizar o espaço físi- co com condições adequadas, como também possibilitar conhecimento e treinamento suficientes para quem for designado a exercer a missão de implantar e manter organizado o arquivo; não esquecendo nunca que nesse lugar encontram-se informações muito valiosas, as quais podem e poderão repercutir na administração pública e na vida das pessoas.

na administração pública e na vida das pessoas. Se soubesse não tinha deixado chegar ao ponto
Se soubesse não tinha deixado chegar ao ponto que che- gou????
Se
soubesse não
tinha deixado chegar
ao ponto que che-
gou????

Com a documentação organizada, a Administração torna-se mais apta a fazer seus serviços co- nhecidos por seus administrados, bem como permite uma maior transparência da gestão, haja vista que, sendo os documentos uma das provas capazes de elucidar questionamentos ou mesmo omissões apon- tadas aos responsáveis pela aplicação dos recursos públicos, estes podem auxiliar, tempestivamente, nas diligências formuladas por todos os detentores da função de controle dos gastos públicos, sejam eles membros do controle interno, externo ou social.

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

Preocupar-se com a organização dos arquivos públicos representa, acima de tudo, uma postura pessoal dos dirigentes e funcionários de uma forma geral, deixando de lado interesses pessoais, medos, desconfianças e resistências. Sem informação não dá para atender aos clientes internos e externos, não dá para desenvolver os serviços e promover o bem-estar social, nem utilizar-se de tecnologia, não dá para cobrar, receber, inves- tir, atender, planejar, controlar, não dá para fazer coisa alguma que seja confiável, competente, eficaz. Não dá mais para tratar a informação como arquivo morto. Não dá mais para deixar o arquivo para segundo plano como algo diferente e inútil dentro da entidade, um depósito que acumula poeira, baratas, ratos, traças, cupins, enquanto a instituição se desenvolve em tecnologia pensando em informática, etc.

5.4 –Temporalidade dos Documentos

A temporalidade dos documentos está relacionada com os fatores “vida útil” e a “perda de direito”. O Ministério da Justiça, através do CONARQ, expediu a Resolução n.° 14 de 24/10/2001 a qual apresenta um Plano de Classificação por Assunto e a Tabela de Tem- poralidade e Destinação de documentos de Arquivos relativos às atividades-meios da Administração Pública.

A tabela de temporalidade é um instrumento arquivístico resultante de avaliação, que tem por ob-

jetivo definir prazos de guarda e destinação de documentos, com vista a garantir o acesso à informação a quantos dela necessitem.

Segundo Wadson Faria (2006), a tabela de temporalidade documental é o instrumento de gestão arquivístico que determina:

é o instrumento de gestão arquivístico que determina: ♦ os prazos em que os documentos devem

os prazos em que os documentos devem ser mantidos no arquivo corrente (setorial);

quando devem ser transferidos ao arquivo intermediário (central);

e por quanto tempo devem ali permanecer.

O

prazo de guarda é calculado para atender às prescrições dentro do serviço público e refere-se ao

tempo necessário para arquivamento dos documentos, visando atender exclusivamente às necessidades da administração que os gerou, mencionado, preferencialmente, em anos. Excepcionalmente, pode ser expresso a partir de uma ação concreta que deverá necessariamente ocorrer em relação a um determi- nado conjunto documental. Entretanto, deve ser objetivo e direto na definição da ação – exemplos: até aprovação das contas; até homologação da aposentadoria; até quitação da dívida, até o prazo de prescri- ção do cumprimento da obrigação, etc.

A referida tabela pode ser encontrada acessando o site: http://www.conarq.arquivonacional.gov.

br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm.

6 - Disponibilidades Financeiras e os Compromissos do Setor Público

No âmbito das Administrações Públicas faz-se necessário que os gestores realizem gastos com dinheiro público para atender às atividades-fim, as quais devem suprir as necessidades da coletividade, bem como atender às atividades-meio, que mantêm em funcionamento a máquina administrativa. Para a realização das despesas públicas, faz-se necessário que seja percorrido um procedimento administrativo, composto de eta- pas, que está recepcionado na Lei n.° 4.320/64, quando aborda a exis- tência dos estágios da despesa pública, compreendendo os atos do empenho (art. 58), da liquidação (art. 63) e do pagamento (art. 65). Feitas essas considerações iniciais, o ponto relevante a ser tratado neste trabalho, e que deve ser bastante observado pelos gestores pú- blicos, é com relação à capacidade financeira que o Ente Público deve

bastante observado pelos gestores pú- blicos , é com relação à capacidade financeira que o Ente

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

possuir para arcar com os compromissos assumidos, a fim de honrá-los em tempo oportuno, como também não gerar possíveis endividamentos ao Erário, ou ainda causar problemas para as gestões seguintes, em face da existência de dívidas que têm como credor o Ente Público, e não ter sido repassado disponibilidade financeira para quitá-las.

6.1 – Disponibilidades Financeiras

Dando continuidade ao tema em comento, é imperioso destacar o significado de disponibilidade de caixa ou disponibilidade financeira. Osvaldo Sanches, em seu “Dicionário de Lançamento, Planejamento e Áreas Afins” aborda a ex- pressão “disponibilidade financeira” como sendo uma sistematização que se presta para evidenciar o saldo ainda disponível em cada categoria de recursos. Portanto, tomando por base esses ensinamentos, pode-se dizer que disponibilidade financeira, para efeito de ser utilizada na quitação de compromissos assumidos, representa o somatório dos valo- res pecuniários existentes em caixa (depósitos e aplicações financeiras), que são de propriedade e se encontram à disposição do Ente da Federação. Acrescente-se também que, o parágrafo único do art. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal prevê que na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos e despesas compro- missadas a pagar até o final do exercício. Diante do entendimento acima exposto, conclui-se que “disponibilidade financeira líquida”, cor- responde ao montante dos recursos financeiros, expressos em moeda corrente, pertencente ao Go- verno, dele sendo deduzidas as quantias depositadas em contas bancárias que possuam destinações específicas, ou seja, aquelas que não são de propriedade do Ente Público, permanecendo depositadas por um curto período de tempo, somente enquanto não ocorrer a transferência ao destinatário final, ra- zão pela qual jamais poderão ser utilizadas para quitar compromissos públicos. Deve-se acrescentar, ainda, que o resultado a ser apresentado como disponibilidade financeira é obtido através do fluxo diário de recursos que são movimentados, ficando a definição de como pode o Ente Público efetuar seus pagamentos, como atribuição mínima do poder discricionário do gestor.

6.2 – Disponibilidades Financeiras x Despesas Liquidadas

Existem vários aspectos importantes que devem ser comentados, ob- jetivando oferecer ao gestor público um melhor entendimento para que ele possa gerenciar e manter a entidade pública atuando de forma eficiente no atendimento das necessidades da coletividade, dentre eles, um acompa- nhamento eficaz dos recursos financeiros que ingressam e os desembol- sos feitos por esta entidade pública. A fim de que se possa adentrar na análise da existência das disponi- bilidades de recursos públicos para custear os gastos governamentais, é de fundamental importância registrar que, de conformidade com o art. 35 da Lei n.° 4.320/64, pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas e as despesas nele le- galmente empenhadas. Dessa forma, e ainda em consonância com os disciplinamentos contidos nessa lei, precisamente nos arts. 58 e 63, observa-se que o ato de empenhar as despesas públicas cria para o Estado a obrigação de pagamento, entretanto, o ato de pagar encontra-se vinculado à ocorrência da liquidação da despesa. Em face ao exposto, é de suma importância o acompanhamento dos gastos públicos em con- fronto com a disponibilidade para a execução do pagamento, pois não basta apenas observar um ou o outro aspecto, já que os dois devem atuar de maneira eficiente para que a entidade pública tenha uma posição sólida, trazendo assim uma maior credibilidade junto a seus diversos fornecedores e prestado- res de serviços, bem como fique demonstrado à sociedade, de forma transparente, a responsabilidade com que estão sendo tratados os recursos públicos.

à sociedade , de forma transparente , a responsabilidade com que estão sendo tratados os recursos

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

Portanto, no decorrer de cada exercício financeiro os gestores públicos devem preocupar-se com

a verificação do saldo financeiro existente para atender às despesas que serão por eles autorizadas,

uma vez que, sendo a aquisição dos materiais e/ou a prestação de serviços liquidadas, existe a obrigação do devido pagamento, razão pela qual deve se encontrar disponível quantia suficiente para a quitação, caso contrário, o fato irá gerar uma dívida para o Ente Público e não para o gestor que deixou de agir com os cuidados e a responsabilidade necessários. Entretanto, a não observância dos procedimentos retrocitados pode ocasionar o pagamento de multas aos gestores, como penalidades por não terem atentado para as boas práticas do emprego do dinheiro público.

Ressalte-se que, ocorrendo compromissos assumidos por meio de emissão de empenho das despesas, e não pagos durante a vigência do exercício financeiro, e que por algum motivo ocorreu o fim da gestão ou da competência decisorial de um agente delegado pela autoridade máxima do Ente da Federação, a contabilidade deverá registrar a importância pendente de pagamento como “despesas empenhadas a pagar”. Entretanto, ficando gastos empenhados e não pagos ao término do exercício financeiro, o setor contábil deverá registrar a importância como “restos a pagar”.

6.3 – Comprovação das Disponibilidades Financeiras

O saldo das disponibilidades financeiras demonstrado nos balancetes mensais e na prestação de contas anual deverá ser comprovado por intermédio dos extratos bancários e dos termos de con- ciliação bancária.

É de suma importância, para que seja mantida uma maior transparência e uma maior eficiência

da utilização dos recursos financeiros, o controle do fluxo de caixa, o qual representa o instrumento que permite ao gestor planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar a movimentação dos recursos financeiros de uma entidade. Outro controle financeiro que merece uma atenção muito grande por parte daqueles que têm a responsabilidade de gerenciar os recursos públicos são os controles das contas bancárias, haja vista que, de conformidade com os dispositivos constitucionais, as disponibilidades financeiras dos órgãos públicos devem ser depositadas em instituições financeiras oficiais.

O extrato bancário, por se constituir em fonte externa de informação, é o documento hábil para a

comprovação do saldo existente em bancos. Associada aos controles das contas bancárias deve-se também ter um cuidado bastante especial para a realização de possíveis conciliações bancárias, a fim de que essas registrem, criteriosamente, as alterações que não permitam a correspondência dos saldos das movimentações financeiras informa- das por meio dos estabelecimentos bancários em confronto com os registros contábeis (diário, razão e fluxo de caixa), objetivando, assim, que o saldo das disponibilidades financeiras não seja apresentado temporariamente incorreto, ou mesmo permitindo a correção de eventuais imperfeições nos registros realizados. Deve-se informar, ou mesmo relembrar, que desde 27 de agosto de 2011, quando entrou em vigor

o Decreto n.° 7.507/2011, a existência de novas regras para a movimentação financeira de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, dentre as quais foi determinada que toda movimentação de verba transferida pela União aos Estados, Distrito Federal e Municípios, seja realizada, exclusivamente, por meio eletrônico, mediante crédito na conta corrente de titularidade dos fornecedores e prestadores de serviços devidamente identificados. Dessa forma, as entidades públicas ficam impedidas de utilizar cheques para o pagamento de fornecedores e prestadores de serviços.

6.4 – O Artigo 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal

A Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF instituiu novas regras, com o objetivo de disciplinar as trans-

ferências das obrigações assumidas dentro de um determinado exercício para o exercício financeiro

subsequente.

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

Procurou ainda a LRF coibir o abuso praticado pelos gestores e, concomitante- mente, adotou regras que vedam, em parte, a inscrição na conta “restos a pagar”, im- pondo aos administradores, indistintamente, a responsabilidade da existência de dis- ponibilidade financeira para o pagamento das despesas inscritas, em 31 de dezembro de cada ano, na aludida conta. Até certo ponto, o disciplinamento que trata dos “restos a pagar” exige um equilíbrio orçamentário entre a arrecadação das receitas e o empenho das despesas durante o exercício financeiro, situação que nem sempre é possível de acontecer. Entretanto, quando se trata de final de mandato, a norma é taxativa, pois exige que não se realize nenhum gasto além das receitas arrecadadas. Todavia, esse equilíbrio, mesmo antes de entrar em vigor a Lei de Responsabilidade Fiscal, já era perseguido, tendo em vista que o art. 47 da Lei n.° 4.320/64 prevê a programação da despesa, ao discipli- nar que imediatamente após a promulgação da Lei Orçamentária e com base nos limites nela fixados, o Poder Executivo aprovará um quadro de cotas trimestrais da despesa que cada unidade orçamentária fica autorizada a utilizar. Assim, a programação é um processo contínuo em toda administração de recursos, principal- mente na área pública, pois aprovado os planos de trabalhos e os limites financeiros necessários à execução desses planos, começa-se a operacionalizar o orçamento. É bem verdade que a operacionali- zação desse instrumento de planejamento não deveria ter sido entendida como um procedimento de fácil execução, ou seja, durante o exercício financeiro o gestor enfrenta alterações necessárias neste planejamento, no entanto, não poderá jamais distanciar-se da visão de que precisa ter suficiência de caixa para quitar os gastos autorizados.

Com o advento da LRF, em maio de 2000, a matéria teve um considerável reforço, tendo em vista que o art. 8° desse mandamento jurídico estabeleceu que até 30 (trinta) dias após a publicação do orça- mento e observado o que dispuser a Lei de Diretrizes Orçamentária, deverá o Poder Executivo estabe- lecer a Programação Financeira e o Cronograma de Desembolso, com vistas a assegurar às unidades gestoras os recursos financeiros suficientes e oportunos para a execução dos programas de trabalho, além de ter, também, a finalidade, dentro do possível, de manter o equilíbrio entre as receitas e as des- pesas realizadas. Em que pese os dispositivos legais vigentes que tratam do assunto aqui já mencionado, verifica-se que os cronogramas de desembolsos não eram seguidos e, a cada momento, aumentava o volume de obrigações a pagar, sendo insuficientes as receitas auferidas no mesmo período.

O que estava sendo observado pelo gestor era, com certeza, o entendimento da existência da

autorização orçamentária, com a disponibilidade de saldo suficiente na dotação específica, não se preo-

cupando, este, com a necessária existência de disponibilidade financeira para saldar os compromissos antes assumidos.

A interpretação predominante era de ter leques de autorizações de despesas, mesmo sem a pos-

sibilidade da obtenção de receitas suficientes para cobrirem os gastos. Entendendo o administrador que poderia empenhar, pagar ou transferir para o exercício seguinte aquelas despesas, regularmente

empenhadas, e não pagas até 31 de dezembro de cada ano. Com o passar dos anos, o instituto “restos a pagar” foi utilizado como um instrumento de rolagem das previsões exageradas das receitas e fixação das despesas aquém da realidade, portanto, fruto de instrumentos de planejamen- tos mal elaborados, que impossibilitavam o cumprimento de determinadas despesas dentro do ciclo orçamentário de cada exercício financeiro. Outro ponto a ser observado nesta análise é que, com o decorrer do tem- po, a utilização do registro de despesas na conta “restos a pagar” foi desvirtu- ada, sendo utilizado como mecanismo para abrigar a realização de despesas sem cobertura financeira, assim como para a prática de assunção de compro-

abrigar a realização de despesas sem cobertura financeira , assim como para a prática de assunção
abrigar a realização de despesas sem cobertura financeira , assim como para a prática de assunção

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

missos que, invariavelmente, seriam transferidos para o exercício subsequente, concorrendo, princi- palmente, no final de mandatos, para a realização de despesas de cunho eleitoral e endividamento da futura administração. A Lei de Responsabilidade Fiscal impôs várias limitações na atividade administrativa, dentre elas encontra-se a que veda o gestor público contrair obrigação de despesa que não possa ser cumpri- da integralmente dentro de seu mandato, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte (restos a pagar) sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito (art. 42).

Dessa forma, a medida apresentada pela LRF reforçou não só evitar um maior endividamento dos Entes Públicos, como também contribuiu para a solução do princípio da continuidade na adminis- tração pública, ficando evidente que, ao término do exercício financeiro, o gestor não poderá suspen- der o pagamento das obrigações assumidas, assim como viabilizou que, no exercício seguinte, possam ser pagas as despesas pendentes, evitando, ainda, uma desconfiança entre os diversos credores das en- tidades públicas, caso viesse a ser concebido o não pagamento da dívida passiva, regularmente inscrita. Acrescente-se que a Lei n.° 10.028/2000, que trata dos crimes contra as finanças públicas, estabe- lece em seu art. 359-B, como penalização ao gestor público, detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, nas seguintes hipóteses:

inscrever despesas não empenhadas em restos a pagar;

exceder o limite de restos a pagar previsto em lei;

deixar de ordenar, autorizar ou promover o cancelamento do montante de restos a pagar inscri- tos superior ao limite permitido por lei. Manolo Del Olmo, especialista em Direito Administrativo e em Administração Pública Municipal, acerca da anulação dos restos a pagar, defende que todos aqueles restos a pagar que tiverem origem em despesas assumidas pelo gestor do mandato anterior, nos últimos dois quadrimestres e que não tinham provisionamento de caixa em 1º de janeiro do exercício subsequente, devem ser cancelados pelo atual gestor, sob pena de incorrer no crime tipificado no art. 359-F da Lei n.º 10.028/2000. Afirma, ainda, Manolo Del Olmo que as despesas que originaram os restos a pa- gar cancelados devem ser reempenhadas em dotação destinada a “Despesas de Exer- cícios Anteriores”, se existir saldo suficiente, caso contrário, deverá ser aberto crédito adicional criando ou suplementando a aludida dotação. Após o empenho devido, o gestor deverá pagar tais despesas segundo a ordem cronológica das exigibilidades, respeitando as fontes pagadoras.

das exigibilidades , respeitando as fontes pagadoras . ♦ 7 – Regularidade na Prestação de Serviços

7 – Regularidade na Prestação de Serviços Públicos

7.1 - Interrupção de Serviços no Período de Transição e Início de Mandato

É princípio da Administração Pública a continuidade dos serviços públicos, contudo, a vida prática revela que em ano de eleição os gastos públicos aumentam, e muito, causando descompasso entre as re- ceitas e despesas e, por conseguinte, dívida pública que repercute por vários exercícios financeiros, capaz de onerar os cofres públicos e provocar a descontinuidade que tanto prejudica a população. Findas as eleições municipais de 2012 e conhecidos os eleitos, uma série de providências devem ser adotadas nas Prefeituras e nas Câmaras Municipais, tais como a manutenção dos pagamentos de compromissos firmados, podendo-se citar: pagamento de pessoal, obrigações previdenciárias, serviços de tratamento e abastecimento de água, assistência médica e hospitalar, distribuição de medicamentos e alimentos (na forma da Lei), serviços funerários, transporte coletivo, captação (coleta) e tratamento de esgoto e lixo, serviços de telefonia e energia elétrica. Outrossim, deve-se prosseguir a execução de obras e serviços públicos, pois, em realidade, o que agora está em debate não são os mandatos dos governantes: é a continuidade das atividades adminis- trativas que se concretizam sob o ponto de vista comunitário – na boa prestação de serviços públicos e na efetivação do atendimento às demandas da população.

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

Com vistas a preservar a continuidade na prestação desses serviços a cargo do Poder Público Mu- nicipal, e evitar que o resultado das eleições leve à inadimplência dos pagamentos e sua consequente interrupção, recomenda-se atentar, com redobrado rigor, para que seja mantida a regularidade na quitação das despesas relacionadas a atividades e serviços públicos. Uma medida que pode ser citada como exemplo para o monitoramento da continuidade é a verifi- cação dos pagamentos efetuados ao INSS, com base nas guias da previdência social e certidão de qui- tação previdenciária.

A interrupção dos serviços, como é sabido, causa transtor-

dos serviços , como é sabido, causa transtor- nos, algumas vezes irreparáveis, aos munícipes, que,

nos, algumas vezes irreparáveis, aos munícipes, que, por vezes, não têm como arcar com o pagamento de serviços básicos, essenciais, cuja falta ofende direitos fundamentais de todo cidadão, consa- grados pela Constituição da República, tais como o acesso universal à saúde e à educação. Ainda que aviltantes esses casos não ocorrem apenas ao final dos mandatos, posto que no início da gestão pode-se perceber fatos semelhantes, indevidamente justifi- cados como decorrentes da falta de recursos para pagamento. Nessa trilha, notadamente em razão do interesse público e respeitando o planejamento firmado para o exercício financeiro em curso – compromisso do Administrador Municipal configurado na Lei Or- çamentária e demais instrumentos de planejamento – os Gestores devem adotar medidas de controle e responsabilidade fiscal no intuito de preservar a prestação do serviço público, dada a sua essenciali- dade e necessidade, mantendo em dia o pagamento dos compromissos firmados junto aos credores, quer sejam servidores públicos ou pessoas físicas/jurídicas contratadas para execução de serviços (citam- -se como exemplo os serviços de telefonia e energia elétrica). Neste ponto cabe recordar que a utilização das possibilidades de dispensa de licitação previstas no art. 24 da Lei n.º 8.666/93 deve estar fundamentada e comprovada conforme exige esse mandamento, recusando-se todo emprego irregular desse dispositivo legal como forma de fugir da exigência de licitar. Não é raro em fiscalizações posteriores ao pleito eleitoral e em início de mandato deparar com Municí- pios em situação de caos administrativo sem contarem, tampouco, com serviços de comunicação, água e ma- terial de expediente, apenas para citar alguns casos. Como já dito, essa situação não se restringe aos espaços físicos do Poder Público, mas alcança, por via de consequência, cada um dos cidadãos, desafiando o interesse coletivo, a dignidade da pessoa humana e o direito à vida, todos consagrados constitucionalmente. Vê-se, portanto, que a Administração responsável deve caminhar no sentido de executar a ges- tão fiscal responsável culminando com a prevalência dos direitos fundamentais do cidadão. Portan- to, alerta-se no sentido de que sejam adotadas medidas para o acompanhamento no pagamento dos compromissos firmados, uma vez que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) põe restrições a dispêndios sem cobertura monetária; de logo, conclui-se que quando firmados tais compromissos contavam com o correspondente respaldo na programação financeira do Município, não se admitindo a alegativa de que, de forma surpreendente, os recursos tenham se extinguido. Com efeito, caso as datas de pagamento dessas exigibilidades recaiam no exercício seguinte (pri- meiro ano de mandato), diante da vedação imposta pelo artigo 42 da LRF deve existir lastro financeiro suficiente à cobertura das despesas.

7.2 - Pagamento dos Contratos Firmados

A troca de comando envolvendo prefeitos e vereadores de um município não pode ser a causa da

geração de prejuízos para os habitantes daquela cidade. Afinal, toda a Administração Pública está com- prometida com a continuidade administrativa, eficiência, impessoalidade, moralidade e garantia do de- senvolvimento humano em todas as dimensões.

Ainda que haja o encerramento do mandato do Governante, claro está que não cessam as necessidades e o interesse público, nem mesmo as obrigações decorrentes de contratos firmados com o Poder Público.

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

Assim, com o propósito de acompanhar a regularidade no cumprimento das obrigações pactu- adas, orienta-se verificar a totalidade dos contratos vigentes sob a responsabilidade do Município (Poderes Executivo e Legislativo), o objeto contratado, as parcelas pagas e a pagar, assim como a fonte de recursos para quitação dessas exigibilidades. Essa verificação busca diagnosticar a situação vigente e certificar que, ao final do mandato, e no início da nova administração, não sejam praticados atos sem a devida observância da legislação. A falta de respaldo financeiro para pagamento dos compromissos poderá ser objeto de responsabilização dos atuais gestores, segundo imposição da Lei Fiscal, além das penalidades previstas nos corresponden- tes termos contratuais. Torna-se importante recordar que, pela primeira vez na his- tória política brasileira, os candidatos ao Executivo Municipal ti- veram que registrar na Justiça Eleitoral – juntamente com as suas candidaturas – o seu Plano de Governo (ou Planejamento Governa- mental), documento este que possibilitará não apenas o autocontrole administrativo, mas o acompanhamento por parte das demais vias de controle e fiscalização, tais como as exercidas pelo Tribunal de Contas dos Municípios, Ministério Público Estadual, Câmara de Vereadores e controle social.

8 - Patrimônio Público

Os Prefeitos e Gestores Municipais são os responsáveis pelo Patrimônio Público, e pelo geren- ciamento dos recursos que fazem parte deste Patrimônio Governamental, razão pela qual, é de suma importância que seja apresentado claramente o seu conceito. Assim sendo, e pesquisando acerca da matéria, observa-se que a Lei da Ação Popular (Lei n.° 4.717/65) define em seu art. 1°, § 1° Patrimônio Público como sendo o conjunto de bens e direitos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou turístico, pertencentes aos Entes da Administração Pública direta e indireta (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Portanto, pode-se dizer que o patrimônio público é formado por bens de toda natureza e espécie que tenha interesse para a Administração e para a comunidade administrada. Esses bens recebem con- ceituação, classificação e destinação legal para sua correta gestão patrimonial, que percorre do ingresso até o seu desfazimento. Bens públicos, em sentido amplo, são todas as coisas, corpóreas ou incorpóreas, imóveis, mó- veis e semoventes, créditos, direitos e ações, que pertençam, a qualquer título, às entidades estatais, autárquicas, e empresas governamentais.

De conformidade com o art. 98 do Código Civil Brasileiro (Lei n.° 10.406/02), os bens públicos são os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno, que são classifi- cados de acordo com os incisos I, II e III do art. 99 do mesmo dispositivo legal como:

I, II e III do art. 99 do mesmo dispositivo legal como: ♦ Bens de uso

Bens de uso comum do povo (rios, mares, estradas, ruas e praças, entre outros);

Bens de uso especial (edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da admi- nistração pública, inclusive os de suas autarquias);

Bens dominicais (disponibilidades financeiras em cofre, bens de natureza industrial, pré-

dios públicos para serem alugados a terceiros, entre outros). Os bens estão sempre presentes nas relações jurídicas. A título de curiosidade, e após a leitura na vasta doutrina acerca do assunto, observam-se três requisitos para que um bem seja objeto de uma relação jurídica, quais sejam: interesse econômico, gestão econômica e subordinação. Por interesse econômico: entende-se que o bem deve representar um interesse de ordem econô- mica. Por gestão econômica conclui-se que os bens devem ser passíveis de individualização e de valora- ção, e por fim, de subordinação, onde o bem deve ser passível de subordinação a uma pessoa.

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e de valora- ção, e por fim, de subordinação , onde o bem deve ser passível

Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

Os bens são representados por todos os valores materiais e imateriais que possam figurar numa relação jurídica, sendo classificados pelo Direito Civil em bens corpóreos, incorpóreos, bens fungíveis e infungíveis, bens móveis e imóveis. Em um significado mais amplo, pode-se dizer que o patrimônio público é o conjunto de bens e direi- tos pertencente a todos, e não a um indivíduo da entidade governamental, em virtude de todos serem ci- dadãos, povo, razão para qual o Estado e aAdministração existem. Portanto, a todos cabe zelar, preservar e defender o patrimônio, entretanto, quando o patrimônio estiver vinculado a um determinado Ente, a ele cabe, inicialmente, adotar todas as providências necessárias à sua preservação e conservação. Contudo, nem sempre isso acontece. Às vezes, o patrimônio de uma determinada Entidade Públi- ca é atacado e ofendido por seus próprios dirigentes e representantes. Com o intuito de defender e proteger o patrimônio da sociedade, a Constituição Federal atribui ao Ministério Público, dentre outras funções insti- tucionais, a de promover o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos, conforme se encontra previsto no inciso III do art. 129 da Constituição Federal vigente. Existem, também, outros órgãos (Tribunais de Contas, Corregedorias, Controladorias, entre outros), encarregados da função de controle da atividade administrativa, atu- ando tanto de forma preventiva como de maneira repressiva, vez que podem adotar medidas que busquem diminuir práticas lesivas ao patrimônio, como os atos de corrupção, bem como aplicando punição àqueles que incidem nessas práticas. Portanto, a efetiva responsabilização penal, civil e administrativa daqueles que lesarem o pa- trimônio público é de fundamental importância para a sua proteção e preservação, devendo sempre ser perseguida, seja pelos próprios órgãos da Administração Pública, pelo Ministério Público ou pelos órgãos de Controle, por meio de ações penais, ações de improbidade administrativa, processos admi- nistrativos e ações civis de ressarcimento de danos. O patrimônio público pertence a todos os integrantes da sociedade, aos Entes da Administra- ção Pública, ao Ministério Público e aos órgãos de controle, devendo ser preservado, protegido e defendido, na medida em que só assim haverá condições materiais para que se construa uma sociedade livre, justa e solidária, para que se garanta o desenvolvimento nacional, com o fim de que se erradique a pobreza e a marginalização, se reduzam as desigualdades sociais e regionais, e para que seja promovido o bem de todos, conforme determina o art. 3º da Constituição da República.

8.1 – Utilização dos Bens e Serviços Públicos para fins Particulares e não em prol da Coletividade

É com um olhar para esses fatos divulgados nos mais diversos meios de comu- nicação de nosso País, que se conclui que o objetivo do legislador ao acrescentar o § 10 ao artigo 73 da Lei das Eleições, Lei n.° 9.504/1997, não foi outro senão afastar o uso da máquina pública como instrumento de atendimento das necessidades particulares ao invés das coletivas, proporcionando o comprometimento da igualdade de oportuni- dades entre os cidadãos. Todos os agentes públicos devem atuar com estrita observância aos princípios que regem a Administração Pública, disciplinados no art. 37, caput, da Constituição Federal vigente, regramento que serve de norte para o administrador público, e do qual este não pode se afastar, sob pena de serem detectados vários problemas que possam demonstrar uma gestão de recursos públicos ímproba, como diuturnamente a população brasileira testemunha, em face dos inúmeros escândalos de corrupção envolvendo agentes públicos de diversos escalões, que se utilizam do Estado, fazendo com que ele funcione a seu favor, numa total inversão de valores, que aumenta ainda mais o abismo social, exterminando direitos essenciais da população.

total inversão de valores , que aumenta ainda mais o abismo social, exterminando direitos essenciais da
total inversão de valores , que aumenta ainda mais o abismo social, exterminando direitos essenciais da

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

Em face do exposto é que esse Tribunal de Contas tem como parcela de sua missão institucional orientar sobre o bom uso do dinheiro público aos interessados e gestores governamentais através dos diversos meios que dispõe, tais como: expedição de material escrito com orientações sobre os procedimen- tos e cuidados com a transmissão de cargos (cartilhas); realização de seminários regionais abordando as- suntos de interesse da administração e esclarecendo as dúvidas que porventura sejam apresentadas nesses eventos, cuja realização fica a cargo de sua Escola de Contas e Gestão; atendimento aos jurisdicionados, através de resposta a questionamentos formulados por meio de processo normativo consultivo, de contato pessoal ou telefônico e ainda de forma eletrônica (email), pela Coordenadoria de Assistência Técnica aos Municípios – COTEM, desteTribunal; atendendo às demandas dos jurisdicionados e cidadãos pela Ouvidoria desta Corte de Contas através do canal “Fale com o Presidente” disponibilizado no site do TCM. Ressalte-se que a Administração Pública deve se pautar pelo disposto na Constituição Federal e nos dispositivos infraconstitucionais, visando a correta e boa aplicação dos recursos públicos a ela confia- dos. Por esta razão os Agentes Públicos devem, cuidadosamente, observar a estrita obediência aos prin- cípios da administração pública, estabelecidos no art. 37 da Carta Magna (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência), e a Lei n. ° 8.429/92, que diz respeito à moralidade e à improbi- dade administrativa, a fim de que os atos por eles praticados não gerem dano ao patrimônio público ou enriquecimento irregular, bem como não culminem em penalidades. Com base em leitura realizada no art. 10 da referida lei, os atos praticados que configuram impro- bidade administrativa e que causam lesão ao erário; que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades regidas pelo direito público, estão descritos nos incisos de I a XV, dentre os quais se destacam:

O pagamento indevido de verbas públicas (superfaturamento na aquisição de bens, excessiva valorização na avaliação de imóveis a ser alienados e quitação de despe- sas não realizadas);

a ser alienados e quitação de despe- sas não realizadas); ♦ O desrespeito ao regramento da

O desrespeito ao regramento da Lei de Licitações;

A incorporação ao patrimônio particular de pessoa física ou jurídica, de bens, ren- das ou valores pertencentes à administração pública;

A permissão ou contribuição para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial público, sem a obser- vância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;

A permissão de utilização, em obras e serviços de particulares, de servidor, empre- gado, pessoas contratadas pelo setor público, bem como de equipamento e mate- riais de propriedade das entidades públicas.

A Lei n.° 8.429/92 disciplina em seu art. 12, que independentemente das san- ções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de im- probidade sujeito às seguintes cominações, relacionadas nos incisos I, II e III, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato, tais como:

A perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio do responsável pelo ato de improbidade;

O pagamento de multa civil e o ressarcimento integral do dano causado;

A perda da função pública e suspensão dos direitos políticos;

A proibição de contratar com o Poder Público ou de receber benefícios ou incentivos.

8.2 - Breves Noções sobre as “Condutas Vedadas” para todos os Períodos da Gestão

A prática de condutas vedadas pode vir a ser apurada em investigação judicial, conforme o dis- posto no art. 22 da Lei Complementar n.º 64/90, que trata do uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade, da utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social, em benefício de candidato ou partido político.

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

Ressalte-se que as condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral encontram- -se disciplinadas nos arts. 73 a 78 da Lei n. º 9.504/97, impondo aos gestores públicos condutas a serem observadas em determinados períodos do ano em que se realizam eleições, no intuito de manter a igual- dade de oportunidades entre os candidatos em disputa.

A doutrina de Djalma Pinto, em seu livro “Direito Eleitoral: Improbidade Administrativa e Respon-

sabilidade Fiscal”, esclarece que as condutas vedadas são as ações praticadas por agentes públicos, servidores ou não, que consistem na colocação da máquina administrativa a serviço de candidatura, desequilibrando a igualdade exigida entre os candidatos, devendo ser imediatamente sustadas e punidos os infratores por comprometerem a normalidade da disputa pelo mandato. Saliente-se que algumas condutas vedadas são direcionadas para os agentes públicos da circuns- crição do pleito, entretanto, outras são de obediência de todos os gestores públicos, independente- mente de tratar-se de eleições para os cargos eletivos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, cujos pleitos eleitorais ocorrem em épocas distintas.

Deve-se acrescentar que dentre as condutas vedadas aos agentes públicos, ci- tadas no art. 73 da Lei n.° 9.504/97, em todos os anos e, sobretudo, no ano eleitoral, aquelas relacionadas ao patrimônio público são:

Conduta vedada
Conduta
vedada

Inciso I – ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou co-

ligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de convenção partidária;

Inciso II – usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos ou Casas Legislativas, que exce- dam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram;

Inciso IV – fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coliga- ção, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público;

§ 10 – no ano em que se realizar eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de es- tado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa.

§ 11 Nos anos eleitorais, os programas sociais de que trata o § 10 não poderão ser executados por entidade nominalmente vinculada a candidato ou por ele mantida. Diante do exposto, é imperioso destacar que o Poder Público somente poderá distribuir bens, valores ou benefícios (ressalvados os casos de calamidade pública e de estado de emergência), mesmo por meio da assistência social para a população carente, quando já existir uma lei do Ente federado criando os programas sociais para essa finalidade, estabelecendo os critérios de concessão (princí- pios constitucionais da legalidade e da isonomia), e em execução orçamentária no exercício anterior, isso quer dizer que esses programas já tinham sido implantados e vinham funcionando antes da che- gada do ano eleitoral.

8.3 - O Uso Adequado e a Manutenção dos Bens Públicos

A administração dos bens compete, em regra, a seu proprietário, o qual

pode usá-lo e dispor da forma que bem desejar. No caso dos bens públicos, a propriedade desses é do povo, que escolhe por meio do voto um administrador para gerenciá-los, de conformidade com as regras inerentes ao Direito Público. Necessário se faz esclarecer que, o poder de utilização e de conserva- ção dos bens públicos diverge da ideia de propriedade, tendo em vista que

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o poder de utilização e de conserva- ção dos bens públicos diverge da ideia de propriedade

Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

independe de autorização específica para que sejam praticados, contrariamente, aos atos relacionados com a propriedade (licitação, contrato, aquisição e alienação), para os quais é exigido o cumprimento da lei que rege a matéria. A utilização indevida de bens públicos por particulares deve ser rejeitada por meios administra- tivos, independentemente de ordem judicial, pois o ato de defesa do patrimônio público, pela Admi- nistração, é autoexecutável, como o são, em regra, os atos de polícia administrativa, que exigem execu- ção imediata, amparada pela força pública, quando isto for necessário. Os bens públicos ou se destinam ao uso especial ou ao uso comum do povo, os quais deverão ser utilizados na implantação e melhoramento dos mais diversos serviços colocados à disposição da sociedade. No entanto, em qualquer dos casos, o Ente Público deve interferir com o poder de admi- nistrá-los, disciplinando e policiando a conduta dos usuários, para promover a vigilância e assegurar a conservação dos bens, possibilitando a utilização desses bens de forma racional e eficiente, tanto pela coletividade, quanto pelos indivíduos como, ainda, pelas repartições administrativas. Os servidores públicos poderão ser chamados à responsabilidade pelo desaparecimento dos bens ou material que lhes forem confiados, para guarda e uso, bem como pelo dano que dolosa ou cul- posamente, causar a quaisquer bens ou materiais que estejam ou não sob sua guarda. Cabe, portanto, a todos os usuários nos diversos níveis da unidade, a responsabilidade de zelar, guardar, conservar e informar qualquer movimentação ou irregularidade com o bem permanente, permitindo ao Setor de Patrimônio manter os seus registros atualizados. Os servidores temporários não poderão ter sob sua guarda bens patrimoniais, salvo por motivo de força maior, devidamente justificado e apresentado ao Setor de Patrimônio. Nesses casos, os equipa- mentos por eles utilizados serão de responsabilidade da chefia do órgão, não estando os mesmos isentos das responsabilidades sobre o bem público. Os gestores e servidores das instituições públicas deverão ser responsáveis pelos bens que estão sob seu uso e/ou guarda, competindo a estes:

conservar os bens do acervo patrimonial, ligar, operar e desligar os equipamen- tos conforme as recomendações e especificações de seu fabricante;

adotar e propor à chefia imediata providências que preservem a segurança e

imediata providências que preservem a segurança e conservação dos bens móveis existentes em sua unidade;

conservação dos bens móveis existentes em sua unidade;

manter os bens de pequeno porte em local seguro;

comunicar à chefia imediata, o mais breve possível, a ocorrência de qualquer

irregularidade, envolvendo o patrimônio da unidade gestora, providenciando, em seguida, a comunicação por escrito; e

apoiar os servidores do Setor de Patrimônio e da Comissão de Avaliação de

Bens na realização de levantamentos e inventários, ou na prestação de qualquer in- formação sobre bem em uso no seu local de trabalho. Diante de tudo que foi exposto, resta salientar que a boa utilização e a conservação dos bens públicos, demonstram um espelho de uma administração responsável, em que o Chefe do Poder Exe- cutivo realmente cuida com esmero do patrimônio de propriedade da coletividade que o elegeu.

8.4 - Confiabilidade dos Inventários Apresentados

Antes mesmo de ser abordada especificamente a temática confiabilidade dos inventários apre- sentados, é imprescindível que se faça uma abordagem preliminar acerca da relevância da informação para seus usuários, como também seja relatado sinteticamente sobre a figura e a necessidade de um inventário, tudo com um foco no setor governamental. Segundo a doutrina de Luís Clóvis Padoveze, em sua obra “Contabilidade Gerencial: Um Enfoque em Sistema de Informação Contábil”, a informação deve ser um dado que foi processado e armaze- nado de forma compreensível para seu receptor e que apresenta valor real ou percebido para suas de- cisões correntes ou futuras.

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

Como se pode observar, a importância da informação não diz respeito ao aspecto contábil, já que o informe é necessário a todos os interessados na gestão das entidades, sejam elas públicas ou privadas, haja vista que a informação é o resultado do processamento, manipulação e organização dos dados que possibilite um acréscimo de conhecimento a todas as pessoas que a recebem, sejam elas consideradas clientes internos da entidade ou mesmo clientes externos, que no setor público são repre- sentadas, respectivamente, pelos servidores/gestores e sociedade. Quando uma informação não for suficiente, precisa ou completa, portanto, não estando reves- tida de características que a torne confiável, essa pode repercutir negativamente nas tomadas de decisões dos gestores, bem como acarretar prejuízos sociais e econômicos para as entidades. O outro ponto que é merecedor de destaque é o significado do termo inventário no contexto abor- dado, o qual, de conformidade com alguns doutrinadores, pode-se dizer que é o documento ou listagem onde se acham registrados os bens contendo uma enumeração detalhada ou minuciosa da descrição dos mesmos, bem como a quantidade existente e o local onde se encontram. Portanto, objetiva o inventário de uma entidade constituir uma base de dados dos bens: imóveis, móveis, máquinas e equipamentos, retratando assim a identidade patrimonial, afixando nos bens a ela pertencentes uma forma de identificação (carimbos, plaquetas, etiquetas de código de barras, etc.), a fim de que, através deste instrumento de identificação e o correto registro no assentamento patrimo- nial, seja possível obter as especificações técnicas: número do tombamento, descrição, marca, modelo e número de série do equipamento para a perfeita caracterização do bem. Diante dos aspectos iniciais tratados, observa-se ser de suma importân- cia a implantação e conservação dos registros, bem como a apresentação do inventário do patrimônio público a todos os interessados, em qualquer época que assim desejarem.

Para que a confiabilidade de tais registros possa assegurar a qualidade e a credibilidade dos valores epigrafados nos demonstrativos contábeis (Demonstração das Variações Pa- trimoniais e Balanço Patrimonial), sem que haja as ressalvas de auditorias, tanto interna, quanto externa, necessário se faz uma observância cuidadosa aos seguintes procedimentos:

verificar a existência física dos bens e se os mesmos estão operacionalmente ativos, identifi- cando-os com a colocação de etiquetas patrimoniais e implementando os controles patrimo- niais, com a determinação da localização;

certificar que os bens estão contabilizados corretamente (levantamento contábil), de forma individualizada, classificados corretamente nas respectivas contas contábeis e assegurar a veracidade das informações publicadas nos demonstrativos contábeis;

informações publicadas nos demonstrativos contábeis ; ♦ confrontar o controle físico com o contábil ; ♦

confrontar o controle físico com o contábil;

eliminar as sobras contábeis e/ou sobras físicas, analisando caso a caso as causas e buscando soluções;

implantar normas para controlar a movimentação dos bens.

Saliente-se que na fixação de plaquetas, ou de outro meio de identificação dos bens, deve- rão ser obedecidas recomendações técnicas do fornecedor, como também serem colocados de modo padronizado para facilitar o acesso, a visualização e a leitura “via scanner”, quando a identificação dos bens for mediante código de barras. No processo de certificação de que os bens encontrados fisicamente e demonstrados no inven- tário patrimonial estão registrados corretamente no sistema contábil, necessário se faz analisar a base documental que fundamentou o registro contábil, tais como: notas fiscais de aquisição e notas de empenho, a fim de validar a data e o valor do registro, constatando assim a valorização individualizada dos bens contabilizados. Também devem ser consultados os mapas de depreciação e reavaliação dos bens com o objetivo de validar o saldo contábil na data do encerramento do período de avaliado. Ou- tro fator que precisa ser pesquisado é o estado de conservação dos bens inventariados para apuração da idade aparente (ano de aquisição) e o estado funcional.

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

Ao serem verificadas divergências após a realização do confronto da existência física com o con- trole contábil, estas devem ser analisadas caso a caso. As discordâncias entre os referidos controles po- dem ser ocasionadas devido a:

diferenças na descrição do bem, entre a base contábil (geralmente técnica do fornecedor) e base física (descrição do bem pelo servidor da entidade no registro patrimonial);

item órfão no registro patrimonial, ou seja, item que faz parte de algum item principal (pai), entretanto, na hora da contabilização foi registrado como se fosse um item a mais, portanto, precisa ser reagrupado a um item principal;

contabilização por totais de notas fiscais, ocasionando a falta de detalhamento ou individua- lização na base patrimonial; nesse caso será necessária a pesquisa nos documentos de aquisi- ção dos bens para que seja procedido o registro dos bens de forma separada;

descrição incompleta dos itens na base contábil, pois, algumas vezes, quem procede à conta- bilização não toma o devido cuidado para descrever o bem, informando a marca, o modelo e o número de série, etc., o que torna impossível, ou mesmo dificulta uma conciliação dos registros. Após as tentativas de eliminar as possíveis causas que originaram as divergências nos registros, e se ainda assim essas persistirem, deve-se solucionar a questão efetuando a apropriação dos valores contábeis não conciliados.

8.5 - Estoques de Materiais

O gerenciamento eficiente dos estoques de materiais proporciona uma maior organização da entidade, disponibilizando as informações de forma mais racional, prática e transparente, possibilitando a eliminação de retrabalhos e uma melhor aplicação dos recursos públicos, pois os tomadores de decisões poderão conhecer em tempo hábil o momento exato para realizarem suas compras, e em que volume será necessário, não desperdiçando recursos, ou mesmo os compro- metendo com itens em demasia.

O controle dos materiais em estoque deve ser realizado de maneira eficaz, segura e flexível, de modo a propiciar uma integração entre os diversos setores da entidade, passando pelos setores soli- citantes; o encarregado pela licitação e contratos; o contábil; o que realiza a compra e finalmente o almoxarifado, setor responsável pelo recebimento dos materiais em conformidade com os solicitados no início desse processo. A fim de evitar as mais diversas problemáticas nos procedimentos que envolvem a prática de estocagem de materiais, é relevante que se tenha atenção para a operacionalização dos seguintes atos:

atenção para a operacionalização dos seguintes atos: ♦ controlar as notas fiscais no momento da entrada

controlar as notas fiscais no momento da entrada dos materiais no almoxarifado;

controlar as requisições no momento das saídas dos materiais do almoxarifado;

conferir as especificações dos materiais entregues, confrontando se essas encontram-se de acordo com as dos materiais que foram licitados e empenhados;

administrar o armazenamento dos materiais, zelando pela boa conservação e validade destes;

manter a movimentação do estoque devidamente atualizada e fiel à ocorrência dos fatos;

calcular e observar os estoques mínimo e máximo de cada material armazenado;

prestar informações aos setores contábil, de licitação e de compras;

efetuar os registros de avaliação dos bens em almoxarifado pelo preço médio ponderado das compras como disciplina o inciso III, do art. 106 da Lei n.° 4.320/64;

atentar para o cumprimento das normas de segurança necessárias para resguardar os ele- mentos patrimoniais. Ressalte-se que, quanto menos eficaz for o sistema de controle interno, mais importante será a execução da verificação dos estoques de materiais e de inventários físicos na data da elaboração das Demonstrações Contábeis.

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9 - Controle Interno

O controle interno a ser mantido na administração pública deve envolver todas as atividades exer- cidas pela entidade, sendo de competência e responsabilidade do administrador a implantação, o fun- cionamento e a manutenção do sistema de controle interno, a fim de que possa registrar, avaliar, diag- nosticar e propor melhorias no setor público, orientando assim as pessoas que exercem esse controle.

Portanto, o sucesso ou o fracasso da atuação do sistema de controle interno, que tende a modi- ficar rotinas e procedimentos considerados inadequados, depende, inquestionavelmente, da forma como é conduzido, não podendo ser negligenciado o fato de que são pessoas que agem na execução dos controles e que a área pública tem peculiaridades não encontradas no setor privado, evitando assim que a administração pública não controle adequadamente os recursos por ela movimentados. A estrutura do controle interno na área pública deve ser desenhada em fun- ção das diversas variáveis que derivam da estratégia da entidade, bem como, do contexto social em que o órgão está inserido, ressaltando-se que esta estrutura deve ser tomada como um sistema, que engloba todos os controles, ou seja:

os controles administrativos – envolvendo os métodos e procedimentos que

objetivam a adesão às políticas estratégicas e à eficiência operacional da organiza- ção, como por exemplo: os sistemas de custos, o planejamento estratégico, o con- trole de qualidade dos produtos ofertados aos clientes externos (sociedade), dentre outros; e

os controles contábeis – referem-se a fidedignidade das informações contábeis e a salvaguar- da do patrimônio, como por exemplo: controle físico sobre os bens, definição dos níveis de au- toridade e responsabilidade, segregação de funções, elaboração de demonstrativos, etc. Um sistema de controle interno atuando de forma eficaz e integrado traz inúmeros benefícios, diretamente à Sociedade, e indiretamente à Entidade Pública, pois visa assegurar a eficiência da arre- cadação das receitas e a adequada utilização dos recursos públicos. Por esta razão não deve ser visto apenas sob o aspecto da redução do custo dos serviços e bens dispostos à população, mas, sobretudo, como um meio que possa assegurar a boa utilização dos recur- sos públicos, prevenindo ou reduzindo desperdícios, fraudes ou abusos, contribuindo, portanto, para o cumprimento da missão institucional dos órgãos da administração pública e tendo ainda um relevante papel que é o de orientar por meio de informações aos administradores dos recursos públicos em suas tomadas de decisões.

9.1 - Controle dos RecursosVinculados

Para iniciar a matéria sobre controle dos recursos vinculados, faz-se necessário relatar o que são recursos vinculados.

A expressão “recursos vinculados” refere-se tanto à execução orça-

mentária quanto à execução financeira dos órgãos e entidades municipais, inclusive consórcios públicos.

O procedimento de vinculação está definido no parágrafo único, do art.

8º da Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF, o qual estabelece que “Os recur- sos legalmente vinculados à finalidade específica serão utilizados exclusi- vamente para atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso”. Acrescente-se que a maioria dos recursos vinculados que ingressam nos municípios cearenses são provenientes de transferências financeiras voluntárias oriundas da União e/ou do Estado do Ceará em decorrência da celebração de convênios, acordos, ajustes ou outros instrumentos simi- lares, cuja finalidade é a realização de obras e/ou serviços de interesse comum e coincidente às três esferas do Governo.

finalidade é a realização de obras e/ou serviços de interesse comum e coincidente às três esferas
finalidade é a realização de obras e/ou serviços de interesse comum e coincidente às três esferas

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a entrega de re-

cursos correntes ou de capital a outro Ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência finan- ceira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde.”

Essas transferências são realizadas basicamente de duas formas: através de convênios ou contra- tos de repasses.

Convênio - de conformidade com a Portaria Interministerial MPOG/MF/CGU n.° 127/2008, é o acordo ou ajuste que discipline a transferência de recursos financeiros que tenha como partícipe, de um lado um concedente (União e Estados), responsável pela transferência dos recursos, e de outro lado um convenente (Estados, Municípios ou Entidades Privadas sem fins lucrativos), visando à execução de programa de gover- no, envolvendo a realização de projeto, atividade, serviço, aquisição de bens ou evento de interesse recíproco em regime de mútua cooperação. Contrato de repasses - de acordo, também, com a Portaria Interministerial MPOG/MF/CGU n.° 127/2008 é o instrumento administrativo por meio do qual a trans- ferência dos recursos financeiros se processa por intermédio de instituição ou agente financeiro público, atuando como mandatário do órgão repassador. Diante das exposições acima, ficou claro que os ingressos vinculados são parcelas de recursos fi- nanceiros repassados por outro Ente da Federação com destinação específica, razão pela qual devem ser rigorosamente controlados a fim de que a utilização dos recursos seja realmente no objeto da vincu- lação, para isso necessário se faz que a entrada dos recursos vinculados seja individualizada, portanto, em conta bancária própria como determina o inciso I, do art. 50 da LRF. Como já mencionado, os recursos vinculados têm como característica a sua utilização específica no objeto pactuado, motivo pelo qual a identificação e o controle de todas as operações que envolvem esse tipo de ingresso devem ser acompanhados. Destacam-se entre as atividades a ser rigorosamente controladas:

Fluxo financeiro - iniciando-se pelo recebimento da transferência, adicionando-se as receitas patrimoniais por ventura geradas através do montante financeiro vinculado, subtraindo-se as despesas pagas, obtendo-se o saldo, se houver, o qual deverá ser restituído à entidade repassa- dora, quando da prestação de contas. Toda essa movimentação financeira deverá ocorrer em conta bancária específica;

Movimentação orçamentária – registrando-se o crédito orçamentário (quer inicialmente no orçamento anual, quer aberto por meio de crédito adicional especial) específico, deduzindo-se deste os valores dos empenhos emitidos, os ajustes, se necessários, provenientes de cancela- mentos de despesas não ocorridas até o término do exercício financeiro;

Prestação de Contas – deve ser feita de forma individualizada por cada transferência recebida, e apresentada com todos os documentos comprobatórios das transações (receitas e despesas) efetuadas com os recursos transferidos, dentro do prazo determinado pelo órgão concedente. Importante destacar que, caso o prazo para prestar contas ultrapasse a gestão do administra- dor público, ou mesmo o mandato do prefeito municipal, as peças indispensáveis à formulação da aludida prestação de contas devem permanecer na sede do órgão/secretaria que gerenciou tais recursos, pois não ocorrendo a devida e necessária Prestação de Contas o município fica impedido de receber outra transferência voluntária (alínea “a”, do inciso IV, do art. 25 da LRF).

Objeto de gasto – os recursos vinculados não podem ser utilizados com a finalidade distinta da pactuada (§ 2°, do art. 25 da LRF). Relevante ressaltar que a partir de 2008, quando entrou em vigor o Decreto n.° 6.170/2008, foram estabelecidas regras para a transferência voluntária de recursos da União, tornando mais eficiente e transparente o processo de transferência dos recursos federais mediante convênios e contratos de re- passe, para estados, municípios ou organizações não governamentais (ONG’s).

Segundo o art. 25 da Lei de Responsabilidade Fiscal, transferência voluntária é “

não governamentais (ONG’s). Segundo o art. 25 da Lei de Responsabilidade Fiscal, transferência voluntária é “

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

As regras instituídas por esse instrumento exigirão melhor definição dos bens e serviços a serem custeados com esses recursos, além de permitirem maior acompanhamento de cada etapa do processo (celebração, liberação de recursos, acompanhamento da execução e prestação de contas), por parte dos órgãos gestores e de controle, haja vista que as informações devem ser acompanhamento da execução e prestação de contas) disponibilizadas por meio eletrônico , no Portal dos disponibilizadas por meio eletrônico, no Portal dos Convênios, gerido pelo Ministério do Planejamento, possibilitando assim uma resposta do governo à sociedade brasileira que vem exigindo, cada vez mais, o aprimoramento dos sistemas de controle do dinheiro público. Podem ser citados como regramentos disciplinados nesse decreto a proibição de assinatura de convênios com estados e municípios em valor inferior a R$ 100.000,00 (cem mil re- ais); e assinatura de convênios com entidades privadas dirigidas por membros de Poder ou servidores públicos que atuam no órgão concedente.

Além disso, será obrigatória a padronização dos objetos de convênio mais celebrados, com a definição clara das características técnicas e custos dos projetos. Em relação à execução financeira dos recursos, a conta bancária não permitirá mais o saque em dinheiro na boca do caixa, portanto, os pagamentos deverão identificar o beneficiário final do recurso. Por fim, é imperioso destacar que os Gestores de recursos públicos devem estar bem atentos para que não ocorra a situação de inadimplência dos recursos vinculados, a fim de que o órgão concedente não proceda à inscrição do convenente ou contratado no cadastro de inadimplentes do Sistema Inte- grado de Administração Financeira do Governo Federal – Siafi e no Cadastro Informativo – Cadin. Caracterizam a situação de inadimplência:

não apresentar a prestação de contas, final ou parcial, dos recursos recebidos, nos prazos de- terminados;

não ter a sua prestação de contas aprovada pelo concedente por qualquer fato que resulte em prejuízo ao erário;

estar em débito junto a órgão ou entidade da administração pública, pertinente a obrigações fiscais ou a contribuições legais.

9.2 - Acompanhamento e Controle dos Programas Assistenciais

Os programas assistenciais são extraordinariamente amplos, envolvem boa parte dos recursos orçamentários fixados pelos municípios cearenses, podem ser assistenciais são extraordinariamente amplos, envolvem boa custeados financeiramente pelos Governos Federal e Estadual, custeados financeiramente pelos Governos Federal e Estadual, bem como contam com uma parcela de contrapartida dos recursos financeiros dos municípios. Esses programas objetivam atender às pessoas que tenham carências nas respectivas áreas de atuação, visando uma proteção social à população menos as- sistida, melhorando assim a condição de vida dessas pessoas beneficiadas, portan- to, diminuindo as desigualdades sociais. Os controles existentes sobre estes programas devem ser elaborados internamente e contar com uma participação bem efetiva da sociedade civil (controle social), o qual pode ser exercido pelas Organi- zações Governamentais – ONG’s, associações, fundações, conselhos, etc., tanto nas fases de planejamento, como no acompanhamento, na avaliação e na fiscalização da gestão e dos programas e ações públicas. Acredita-se que, com o fortalecimento de uma cultura de transparência dos gastos públicos, o monitoramento da execução desses gastos, bem como a atenção ao cumprimento das prestações de contas, o desempenho das políticas públicas se tornará mais eficiente e eficaz. Todos os esforços devem ser empreendidos para garantir que a aplicação dos recursos públicos esteja sendo realizada em prol daqueles que realmente precisam, contribuindo, assim, para uma dife- rença na vida de cada um da coletividade.

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

O controle dos programas assistenciais consiste no acompanhamento contínuo por parte dos

gestores, do desenvolvimento dos programas e políticas em relação aos objetivos e metas traçados, permitindo a adoção de medidas corretivas para melhorar sua operacionaliza- ção, pois o controle das ações desenvolvidas nos programas assistenciais deve ser cuidadosamente observado, a fim de demonstrar a correta e regular aplicação dos recursos sob a responsabilidade do gestor como meio para atingir o interesse da coletividade.

Ressalte-se que cuidados são necessários para verificar que os recursos des- tinados aos programas assistenciais foram corretamente aplicados, não bastando, simplesmente, o gestor público comprovar a execução dos serviços assisten- ciais e/ou a distribuição dos objetos que fazem parte dos programas, devendo demonstrar, também:

que fazem parte dos programas , devendo demonstrar, também: ♦ que a realização foi custeada com

que a realização foi custeada com recursos destinados para tal;

a comprovação de recebimento dos serviços e/ou materiais por parte dos beneficiados, através de assinaturas legíveis;

os critérios para disciplinar a seleção dos beneficiados;

a adoção obrigatória de procedimento licitatório, se for o caso;

o não pagamento em dinheiro aos beneficiados;

que todas as ações assistenciais são respaldadas em programas previamente definidos em lei.

10 - Endividamento

Endividamento público ou dívida pública representa o que os Entes Governamentais devem a ter- ceiros. São provenientes de operações cujos resultados geralmente estão registrados no ativo, apresen- tados como disponibilidades, representando no presente um poder de aquisição, convertidos em bens, e um correspondente no passivo evidenciando obrigações perante terceiros.

O endividamento público é arraigado em diversas vertentes dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Entretanto, sabe-se que o endividamento público são todas as dívidas que o governo possui convertidas

em moeda nacional.

Sob o aspecto contábil, a Dívida Pública pode ser classificada quanto ao prazo de exigibilidade, ou seja, de curto prazo, denominada de Dívida Flutuante, e de longo prazo, conhecida como Dívida Fundada.

A Dívida Fundada de um governo é fragmentada em duas categorias:

Dívida Interna: compreende a parte da dívida pública que representa o somatório dos débitos, resultantes de empréstimos e financiamentos contraídos por um governo, com entidades financeiras de seu próprio país; e

Dívida Externa: é o somatório dos débitos de um país, resultantes de empréstimos e financiamen- tos contraídos no exterior pelo próprio governo, por empresas estatais ou privadas. Os recursos podem ser provenientes de governos, entidades financeiras internacionais (FMI, Banco Mundial, etc.), bancos ou empresas privadas. Inúmeros fatores caracterizam a dívida pública, entretanto serão abordados neste trabalho, so- mente aqueles oriundos:

serão abordados neste trabalho, so- mente aqueles oriundos: ♦ da inadimplência de quitação e pagamentos não

da inadimplência de quitação e pagamentos não realizados em sua totalida- de dos compromissos assumidos com os credores dos Entes Públicos, sejam eles fornecedores de materiais, prestadores de serviços, ou mesmo referente à remuneração dos servidores públicos;

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

das dívidas provenientes de valores consignados de terceiros por não terem sido repassados ao destinatário final, e não se encontrar disponível nos cofres públicos o numerário suficiente des- tinado a esse pagamento, uma vez que os recursos ali ingressados não pertenciam à Entidade Pública, jamais sendo possível a sua utilização para arcar com o pagamento de outros gastos; e

por meio das operações de créditos contraídas.

No intuito de imprimir maior transparência à gestão fiscal dos diversos Entes da Federação, um dos princípios basilares da Lei de Responsabilidade Fiscal, que é colocado à disposição da socie- dade, é a informação sobre o endividamento público da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios Brasileiros. Os dados sobre a Dívida Pública são prestados pelas instituições do Sistema Financeiro Nacional ao Sistema de Registro de Operações com o Setor Público - CADIP, mantido pelo Banco Central do Brasil, o

qual disponibiliza às instituições financeiras os registros das operações de crédito contraídas com órgãos

e entidades do setor público, contribuindo para a maior transparência e controle de limites e das condi-

ções de contratações de operações de créditos do setor público. Finalizando esta parte conceitual, pode-se dizer que Dívidas Públicas são obrigações da entidade, derivadas de eventos passados, cujos pagamentos se esperam que resultem, para o Ente Governamen- tal, saídas de recursos capazes de gerar benefícios econômicos ou potencial de serviços, bem como quitar compromissos antes assumidos.

10.1 – Inadimplência de Quitação e Pagamentos não Realizados em sua Totalidade de compromissos

A inadimplência de quitação dos compromissos assumidos pela Ad- ministração Pública é um assunto cada vez mais comum e de reflexos diretos e importantes tanto na estrutura econômica das entidades públicas, quanto na estrutura dos credores contratados, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Outro fator que merece uma maior atenção, por gerar endividamento,

é a prática, às vezes usada por algumas Administrações Públicas, de ao reali-

zarem o pagamento de suas obrigações perante terceiros, não o fazerem em sua totalidade, e nesta situação, o caso mais comum encontrado se re- fere à quitação da remuneração dos servidores públicos, sendo detectado pelos órgãos de controle, o pagamento, integral ou não, de remuneração de servidores de um setor ad- ministrativo da entidade e de outros não. Os procedimentos mencionados acima geram dívidas, e em último ano de mandato dos prefei- tos municipais, tais práticas, além de ocasionarem prejuízos financeiros aos Entes Governamentais, em face dos juros e multas que podem ser cobrados mediante cláusulas contratuais pré-estabelecidas, tam- bém prejudicam a gestão dos futuros prefeitos, haja vista que estes irão se deparar com obrigações municipais a serem quitadas, tendo ou não sido deixado disponibilidades financeiras nos cofres públicos. Ressalte-se, portanto, que é imprescindível que os atuais gestores dos municípios tenham uma atenção à tempestividade e à integridade no cumprimento de quitação das obrigações municipais, uma vez que, além de evitarem o comprometimento de recursos públicos com o pagamento de pe- nalidades (juros e multas), ou mesmo atualização monetária do valor principal, em razão do intervalo de tempo entre a data do vencimento da obrigação e a data do então pagamento, trazem uma maior credibilidade à Administração Pública quanto à honradez de seus compromissos, o que, com a ado- ção de tal procedimento, com certeza, facilitará uma maior adesão dos interessados nos processos licitatórios futuros, e até uma diminuição nas próximas cotações de preços para as aquisições de materiais ou prestações de serviços.

uma diminuição nas próximas cotações de preços para as aquisições de materiais ou prestações de serviços.

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Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará

10.2 – Valores Consignados e não Repassados ou Transferidos

– Valores Consignados e não Repassados ou Transferidos Outro fator que acarreta endividamento às entidades

Outro fator que acarreta endividamento às entidades governamentais é a práti- ca de valores a serem consignados (retidos) em documentos de quitação de despesas junto aos credores da Administração Pública (descontos previdenciários, pensões ali- mentícias, imposto de renda retido na fonte, imposto sobre serviços de qualquer na- tureza, empréstimos consignáveis, faltas ao trabalho, contribuição sindical, etc.) e não serem repassados ou transferidos ao fiel destinatário de tais recursos, haja vista que o órgão público que está realizando o aludido pagamento não é o beneficiado com as retenções efetuadas naquele momento, sendo apenas um mero intermediário entre o credor e o proprietário. Faz-se necessário esclarecer que, para efeito de melhor entendimento da exposição da matéria neste trabalho, o termo “Repasse” refere-se à passagem de recursos financeiros da unidade gesto- ra arrecadadora para a unidade central do município responsável pelo controle financeiro. Já o termo “Transferências” relaciona-se à passagem de recursos financeiros da unidade gestora arrecadadora (no próprio município), para os órgãos competentes a quem os recursos pertencem.

Como dito nas linhas acima, os valores retidos dos servidores, prestadores de serviços ou ainda fornecedores de materiais podem ser de várias naturezas, razão pela qual se passa a abordar as mais cor- riqueiras, ou sejam:

Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS, descontos de faltas no trabalho – quando as retenções inerentes a estas receitas ocorrem em unidades gestoras (Fundos Especiais, Secretarias, Poder Legislativo ou Órgãos da Administra- ção Indireta) que possuem registros contábeis efetuados de maneira descentralizada, os valores correspondentes a tais ingressos devem ser repassados integralmente à unidade representativa do Erário Municipal (Secretaria de Finanças, Fundo Geral). Portanto, não sendo evidenciado nos assentamentos e demonstrações contábeis dos órgãos recebedores que ocorreu o ingresso do repasse da totalidade dos valores retidos, ou mesmo a ocorrência de compensações alusivas a fatos realizados em exercícios anteriores, fica caracterizado um endividamento dessas unidades gestoras ao Fundo Geral. É bem verdade que o endividamento ora tratado é de natureza in- terna, não repercutindo no cômputo da Dívida Pública propriamente dita, mas, gera direitos ao Município de receber as cifras não repassadas aos cofres do Fundo Geral.

Descontos Previdenciários e Contribuições Sociais

outro ponto responsável pelo percentual bastante elevado no endividamento dos municípios do Estado do Ceará é com rela- ção à omissão de transferência aos Órgãos Previdenciários (Ins- tituto Nacional do Seguro Social – INSS e Institutos ou Caixas de Previdências Municipais) das importâncias arrecadadas per- tinentes à cobrança de contribuições retidas dos servidores e à cobrança das contribuições sociais, as quais serão utilizadas para a concessão de pagamento de benefícios como: aposenta- doria, pensão por morte, auxílio doença, auxílio acidente, entre outros previstos em lei.

Pensões Alimentícias, Contribuições Sindicais e De-

mais Retenções de Valores Pertencentes a Terceiros – as re- tenções pertinentes a estas receitas devem ser descontadas dos pagamentos efetuados pelo empregador e transferidas aos respectivos destinatários. A não ocorrência deste procedimento gera, a partir da data estabelecida para a transferência, um endividamento de responsabilidade do empregador, portanto, acarretando um aumento da dívida pública, não só do principal, mas também, comprometendo o Ente Público com a quitação de possíveis juros e multas a serem cobrados mediante uma determinação legal pré-

Ente Público com a quitação de possíveis juros e multas a serem cobrados mediante uma determinação

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Obrigações Legais na Transição Governamental nos Municípios

-existente. Importante, ainda, ressaltar, que os recursos consignados inerentes a tais descon- tos dos servidores não são receitas pertencentes ao município, jamais podendo ser utilizadas para custear despesas que não sejam as transferências aos reais destinatários.

A irregularidade decorrente da não transferência de consignações previdenciárias é de nature- za grave, encontrando inclusive tipificação como crime de apropriação indébita, art. 168-A do Código Penal, acrescido pela Lei n.° 9.983/2000.

É imperioso salientar que, além do endividamento causado ao município, a não transferên- cia das contribuições previdenciárias gera um grave problema aos servidores públicos, haja vista que desde 1998, quando a aposentadoria passou a ser por tempo de contribuição e não mais por tempo de serviço, caso o empregador não repasse a contribuição previdenciária, o servidor poderá ter seu processo de aposentadoria dificultado pela falta de reconhecimento do pagamento destas contribuições.

Empréstimos Consignáveis – o não repasse dos descontos relativo às operações de emprés- timos consignados às Instituições Financeiras fere o princípio da moralidade administrativa. Isso porque, enquanto os servidores acreditam que o poder público repassa para as instituições bancárias os valores mensalmente descontados de seus contracheques, destinados a saldarem os débitos decorrentes dos empréstimos realizados, o município utiliza-se das referidas quan- tias para saldar gastos pertinentes à manutenção da máquina administrativa, demonst