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ELETROBRÁS Centrais Elétricas Brasileiras Praia do Flamengo nº 66 – Bloco A – 14º andar 22210-030 – Rio de Janeiro – RJ Ligação gratuita – Tel. 0800 560506

PROCEL Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica Praia do Flamengo nº 66 – Bloco A – 4º andar 22210-030 – Rio de Janeiro – RJ Ligação gratuita – Tel. 0800 560506

IBAM Instituto Brasileiro de Administração Municipal Largo Ibam nº 1 – Humaitá 22271-070 – Rio de Janeiro – RJ

Tel: (21) 2536-9797

Fax: (21) 2537-1262

Catalogação da Publicação na Fonte Biblioteca do PROCEL

FICHA

CATALOGRÁFICA

[et al.]. – 2. ed., rev. e

atual. / por José Luiz Pitanga Maia e Ana Cristina Braga Maia. - Rio de Janeiro :

Gestão Energética Municipal / Gerard Magnin

ELETROBRÁS / IBAM, 2004.

138 p. : il. ; 28 cm. – ( Guia técnico)

ISBN

1. Energia elétrica – Gestão. 2. Planejamento energético. 3. Eficiência energética. 4. Energia – Conservação. I. Magnin, Gérard. II. Maia, José Luiz Pitanga. III. PROCEL. IV. IBAM. V. Série.

CDD 333.79

CDU 621.3

Trabalho elaborado pela Área de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do IBAM, Núcleo da Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE, no âmbito do convênio com a ELETROBRÁS, através do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – PROCEL.

ELETROBRÁS

/

PROCEL

Presidente da ELETROBRÁS

Silas Rondeau Cavalcante Silva

Diretor de Projetos Especiais e Desenvolvimento Tecnológico e Industrial:

Aloísio Marcos Vasconcelos Novais

Chefe do Departamento de Desenvolvimento de Projetos Especiais:

George Alves Soares

Chefe da Divisão de Desenvolvimento de Projetos Especiais:

Solange Nogueira Puente Santos

EQUIPE

TÉCNICA

ELETROBRÁS/PROCEL

Equipe do PROCEL:

Davi Miranda Márcio Cesar A. Calheiros Maria Cristina P. Pascoal

IBAM

Superintendente Geral:

Mara Biasi Ferrari Pinto

Superintendente de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente:

Ana Lúcia Nadalutti La Rovere

IBAM

Coordenação do Projeto:

José Luiz Pitanga Maia

Elaboração:

José Luiz Pitanga Maia Ana Cristina Braga Maia

Apoio Técnico:

Equipe da Rede Cidades Eficientes:

Cristiane Lima Rajão Carvalho Luciana Hamada Luiz Felipe Lacerda Pacheco Marcos Antônio de Figueiredo Cunha Filho Rodrigo de Oliveira Leite

Apoio Administrativo:

Roseni Pessoa Victoriano de Souza

Revisão Técnica:

Sergio Rodrigues Bahia

Coordenação Editorial:

Sandra Mager

Programação Visual:

Paulo Felicio

SUMÁRIO

 

Apresentação ELETROBRÁS / PROCEL

9

Apresentação IBAM / DUMA

11

Créditos da 1 a Edição

13

Introdução

19

1

Gestão Energética Municipal

22

2

Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica

35

3

Iluminação Pública

39

4

Prédios Públicos

56

5

Saneamento

69

6

Educação

89

7

Novas Tecnologias e Fontes Alternativas de Energia

94

8

Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica

102

9

Experiência em 10 Municípios-Pilotos

114

Bibliografia

126

Anexo: Glossário

128

Anexo: Contatos Importantes

135

Gestão da Energia Elétrica nos Municípios

A ELETROBRÁS, através do PROCEL – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, vem, desde

1996, incentivando o desenvolvimento de projetos com o objetivo de mobilizar os Municípios brasileiros na busca do uso eficiente da energia elétrica.

Um dos pontos relevantes a ser trabalhado pelo Administrador Municipal é a gestão das contas públicas e

o planejamento das ações futuras, gerando um melhor uso dos recursos e permitindo a identificação de externalidades e desequilíbrios que antes passavam despercebidos.

Com o intuito de colaborar com o Administrador Municipal na gestão e uso eficiente de energia elétrica nos centros consumidores pertencentes à Prefeitura, bem como na identificação de oportunidades de eco- nomia e geração de energia, está sendo reeditado este Guia Técnico de Gestão Energética Municipal, em 2ª edição, revisada e atualizada.

O público-alvo desse guia é constituído por, além do próprio Administrador Municipal, funcionários das

Prefeituras, prestadores de serviço que, de alguma forma, estejam ligados ao uso da energia elétrica, estudio-

sos do tema que estejam interessados em informações, entre outros. Desta forma, com públicos tão diversifi- cados, a linguagem utilizada é bastante didática, procurando sempre informar os conceitos básicos e apre- sentar as novidades sobre os temas abordados.

O presente guia é composto de nove capítulos, além do glossário e de uma lista de contatos. O Capítulo 1

trata exatamente da Gestão Energética Municipal, apresentando seus benefícios para as Prefeituras Munici- pais; o Capítulo 2 apresenta a Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica, um importante instrumento de troca de informações para os Municípios; nos Capítulos 3 a 6, são mostrados os setores de atuação mais importantes para a Gestão Energética Municipal: Iluminação Pública, Prédios Públicos, Saneamento e Educa- ção; o Capítulo 7 aborda um novo assunto, inserido nesta edição, de muito interesse para as Prefeituras: as Novas Tecnologias e Fontes Alternativas de Energia; no Capítulo 8 serão encontradas orientações a respeito da negociação de Contratos de Fornecimento de Energia Elétrica; e no Capítulo 9, uma grande novidade: a

Experiência da Gestão Energética Municipal em dez Municípios-Piloto, implementada numa parceria entre ELETROBRÁS/PROCEL e IBAM.

Seguindo as diretrizes do PROCEL, este guia pretende atingir e auxiliar os Administradores Municipais das grandes e pequenas cidades, de norte a sul do país, tornando-se uma referência e uma fonte de consulta constante para aqueles que compartilham dos objetivos de promover a racionalização da produção e do consumo de energia elétrica, para que se eliminem os desperdícios e se reduzam os custos e os investimen- tos setoriais.

ELETROBRÁS / PROCEL

Apresentação IBAM / DUMA

A Rede Cidades Eficientes – RCE, foi criada em 1998, e é uma iniciativa da ELETROBRÁS-PROCEL e do IBAM

baseada na experiência da rede européia Energie-Cités (apoiada pela União Européia) e na experiência PROCEL/ IBAM no desenvolvimento de metodologia específica para atender à realidade dos Municípios brasileiros.

O objetivo central da RCE é facilitar e fortalecer o intercâmbio de informações tecnológicas, experiências e

projetos voltados para o uso eficiente da energia elétrica nos diversos segmentos do âmbito municipal.

As Prefeituras, a partir da Constituição de 1988, passam a assumir atribuições e responsabilidades, até en- tão de competência dos Governos Estaduais e Federal. Cabe agora ao Administrador Municipal a responsabi- lidade de organizar e prestar atendimento aos serviços públicos de interesse local, entre eles a gestão e o acompanhamento da energia elétrica.

Para atender a essa nova demanda, a Gestão Energética Municipal serve como instrumento a ser utilizado pelos Administradores Municipais, basicamente no auxílio da organização, planejamento e gerência otimizada de todos os segmentos que façam uso da energia elétrica.

Este Guia Técnico de Gestão Energética Municipal, produto da parceria ELETROBRÁS – PROCEL / IBAM, pro- porciona ao Administrador Municipal uma visão global, sob a ótica do combate a todos os tipos de desperdí- cio no âmbito municipal, estabelecendo metas claras para a sociedade, direcionadas para a eficiência energé- tica com a otimização dos recursos financeiros, associadas à preservação ambiental e à melhoria da qualidade de vida da população.

A Rede Cidades Eficientes – RCE espera, através deste Guia Técnico de Gestão Energética Municipal, sensibi-

lizar os Administradores Municipais para a importância do planejamento e da gestão, com a melhoria de eficiência de energia elétrica e que estes benefícios e conceitos possam ser ampliados como novo paradigma para a sociedade local.

IBAM / DUMA

Créditos da 1ª edição

EQUIPE

TÉCNICA

Coordenação Técnica do Guia

Marcia de Andrade Sena Souza

ELETROBRÁS/PROCEL

Gestão Energética Municipal

Marina Godoy Assumpção Marcia de Andrade Sena Souza

Saneamento

José Luiz Pitanga Maia

Iluminação Pública

Ione Maria Torres de Araújo

Prédios Públicos

Luiz Antônio de Almeida e Silva

Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica

Ricardo Valadares Pessoa

Educação

Milton Cesar Silva Marques

Revisão Ortográfica

Cláudia Ajuz

Programação Visual

PROPEG Comunicação Social e Mercadológica Ltda.

Ilustrações

Marcio Gomes Marcelo Gemmal (RODA – Artes Visuais)

Consultores

Gérard Magnin

Sergio Rodrigues Bahia

Paulo de Tarso Carvalhaes

Luiz Alberto Almeida Reis

Ricardo da Silva David

Créditos da 1ª edição

Fortalecimento das Relações entre o Brasil e a Comissão Européia

Este guia foi desenvolvido com o espírito de fortalecer as relações entre a Comissão Européia e o Brasil, atendendo a seus principais objetivos:

facilitar o desenvolvimento de ações orientadas para a demanda de energia no Brasil;

fortalecer os laços econômicos entre os setores públicos e privados, europeu e brasileiro, e na área de eficiência energética.

O guia visa atender a uma das prioridades identificadas no escopo do Projeto BRACEL: contribuir para a Gestão Energética Municipal no Brasil através da disseminação de alguns conceitos e informações relativos ao uso racional da energia elétrica nos Municípios, no momento em que estes carecem de subsídios para as ações ligadas ao uso da energia elétrica em seus domínios, em face da privatização do setor e dase suas novas atribuições em relação ao uso e consumo de energia elétrica.

Constitui, portanto, ferramenta de apoio ao desenvolvimento econômico e social dos Municípios, ofere- cendo informações para a gestão energética municipal tanto do ponto de vista gerencial quanto do conhe- cimento e avaliação de seus sistemas elétricos.

Não representa, no entanto, uma versão final, que esgote o assunto. Ao contrário, caracteriza-se por abrir espaço para a abordagem do tema nos Municípios, incitando-os a conhecer melhor seus sistemas.

Comissão Européia

Créditos da 1ª edição

Gestão da Energia Elétrica nos Municípios

O setor elétrico enfrenta, no momento, o desafio de estimular e reforçar o papel dos Municípios na gestão

de energia e, principalmente, no combate ao desperdício de energia elétrica. Esta tarefa não é fácil, tendo em

vista que o tema gestão energética municipal é assunto recente no Brasil.

O desenvolvimento de trabalhos de eficiência energética nos Municípios é um promissor campo de atua-

ção e constitui-se em um ótimo negócio: os Municípios passam a ter controle sobre seus consumos e dispên- dios com energia elétrica, garantindo, assim, a autonomia municipal na gestão de seus recursos. Os benefíci- os desta gestão advêm da redução na conta de energia e, conseqüentemente, da possibilidade de alocação desses recursos em outras áreas prioritárias, como educação e saúde.

Além disso, as Prefeituras se beneficiarão com os dividendos advindos da implementação de projetos desta natureza, uma vez que a sociedade brasileira desenvolveu, nos últimos anos, uma significativa sensibi- lidade para a questão ambiental e tende a apoiar os decisores políticos que atuem em consonância com princípios preservacionistas.

Visando criar instrumentos que efetivamente contribuam para os Municípios, foi desenvolvido o presente Guia de Gestão Energética Municipal que busca capacitar e orientar os Municípios a implementarem ações de combate ao desperdício de energia elétrica.

O guia foi desenvolvido no âmbito do Programa ALURE/projeto BRACEL e é fruto de um trabalho do PROCEL

– Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica – e seus parceiros nacionais no Projeto BRACEL –

Agência para Aplicação de Energia do Estado de São Paulo – AAE/SP, Companhia Energética de Minas Gerais

– CEMIG, Secretaria de Energia, Transporte e Comunicação de Estado da Bahia – SETC/BA, comprometidos

com o objetivo de integrar, desenvolver e implementar ações visando ao combate ao desperdício de energia elétrica no país.

ELETROBRÁS/PROCEL

Créditos da 1ª edição

Programa ALURE

O Programa ALURE é um programa da Comissão Européia cujo objetivo é apoiar o desenvolvimento eco- nômico e social sustentável na América Latina, viabilizando investimentos e promovendo a modernização e a maior eficiência na produção, transformação e uso final de energia.

Sua atuação concentra-se em quatro áreas principais: apoio à adaptação de políticas energéticas nacionais em face dos novos desafios econômicos, sociais e ambientais; participação na definição de novas estruturas institucionais, incluindo o papel e responsabilidade do Governo e das agências de energia e a relação entre eles, buscando o fortalecimento das Administrações nacional e regionais, e aumentando a participação do setor privado; contribuição para a melhoria da eficiência interna e externa das empresas de energia em níveis técnico, econômico e financeiro, particularmente para os subsetores de energia elétrica e gás natural, visando prover melhores serviços para os consumidores; apoio ao desenvolvimento e à implementação de estratégi- as e programas de gestão energética, buscando assegurar o fornecimento de energia para todos.

de estratégi- as e programas de gestão energética, buscando assegurar o fornecimento de energia para todos.

Créditos da 1ª edição

Projeto BRACEL

Entre os seis projetos selecionados pelo Programa ALURE, o BRACEL trata especificamente de eficiência energética. O projeto BRACEL – “Cooperação Euro-Brasileira no Combate ao Desperdício de Energia” – está sendo implementado desde 1997 por um consórcio de empresas européias e brasileiras objetivando fortale- cer a cooperação econômica entre o Brasil e a União Européia, através do desenvolvimento de atividades comuns e do intercâmbio de experiências, disponibilizando-as para um grande número de parceiros brasilei- ros e promovendo ativamente o reforço dos laços industriais e comerciais de eficiência energética.

Para atingir estes objetivos, o projeto está estruturado em torno de seis componentes, um deles referente à iniciação e ao fortalecimento do programa municipal de Gestão Energética, bem como à identificação e à preparação de projetos de eficiência energética específicos. A elaboração deste Guia de Gestão Energética Municipal é uma das atividades vinculadas ao programa de gestão integrado no Município.

vinculadas ao programa de gestão integrado no Município. PARCEIROS NACIONAIS: Agência para Aplicação de Energia do

PARCEIROS NACIONAIS:

Agência para Aplicação de Energia do Estado de São Paulo – AAE-SP Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – ELETROBRÁS/PROCEL Secretaria de Energia, Transporte e Comunicação do Estado da Bahia – SETC-BA PARCEIROS INTERNACIONAIS:

ADEME – Agence de l’Environnement et de la Maîtrise de l’Energie ETSU – Energy Tecnology Support Unit ICAEN – Institut Catalá d’Energie

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento de um país relaciona diretamente crescimento econômico com consumo de energia.

O Brasil é um país em desenvolvimento e seu consumo de energia cresce a taxas de cerca de 2,6% (290,5

TWh) ao ano (ELETROBRÁS - Departamento de Mercado, 2002).

Após a Constituição de 1988, as Prefeituras passaram a assumir atribuições e responsabilidades até então

de competência exclusiva dos Governos Estaduais e Federal, fortalecendo o papel dos Municípios no contex-

to nacional. Esta descentralização política, institucional e fiscal aumentou a participação dos Municípios na

gestão e no atendimento dos serviços públicos, gerando novas obrigações e responsabilidades, conforme citado no artigo 30 da Constituição, entre outras atribuições para os Governos Municipais.

A transferência de serviços públicos para os Municípios requer novas modalidades de associações que

viabilizem a implementação e a manutenção destes serviços tais como a privatização ou as parcerias entre Estado e empresas.

No contexto da descentralização e desconcentração das funções de Governo e em consonância com a política do Governo Federal, a reestruturação da atuação das empresas do setor elétrico, bem como de outros setores da economia, passa, a partir da década de 1990, por enormes mudanças, com a introdução de um novo modelo para o setor elétrico, com a concorrência e a privatização, a revisão do papel das agências reguladoras, as alterações na estrutura tarifária e a readequação das empresas setoriais estaduais e federais.

Neste cenário, onde, por um lado, as empresas de energia privatizadas ou públicas, passam a atuar voltadas para o mercado com um caráter mais empresarial e, de outro lado, os Municípios passam a ter maior autono- mia assumindo novas funções e responsabilidades, alterou-se substancialmente essa relação, gerando confli- tos de interesses entre as partes. O foco da relação entre Municípios e empresas de energia passou a ser então comercial, exigindo por parte dos Municípios estruturação e organização voltadas para a gestão e controle eficiente do consumo e dos gastos de energia, fundamental para a conquista de uma maior autonomia mu- nicipal em relação à gestão de seus recursos.

De forma geral os Municípios brasileiros não estão preocupados com o uso da energia elétrica, restringin- do-se a serem basicamente consumidores de energia. Neste novo contexto, com a reestruturação do setor elétrico associada à entrada no mercado de energia de novos agentes privados, esta tendência está mudan- do as políticas de gestão municipal sobre o assunto, abrindo inclusive a oportunidade para que alguns Muni- cípios possam atuar como produtores e distribuidores de energia.

A ELETROBRÁS/PROCEL e o IBAM identificaram a necessidade de apoiar os Administradores Municipais na

sua responsabilidade na formulação e elaboração das políticas que contemplem conceitos energéticos, atu- ando como agentes de motivação e inserindo instrumentos de planejamento das cidades, apoiando ações de educação, de difusão de informação e de participação sobre todas as questões energéticas relacionadas ao Município.

Visando estimular os Municípios brasileiros a atuarem nesta nova área de negócios e se beneficiarem das economias de recursos advindas da implementação de projetos de conservação de energia elétrica, foi atua- lizado o presente Guia Técnico de Gestão Energética Municipal, que teve como referência o Guia Técnico Gestão Energética Municipal – Subsídios ao Combate do Desperdício de Energia Elétrica, que busca reunir ações concre- tas relativas ao uso eficiente da eletricidade nos Municípios, de forma a contribuir para a redução dos consu- mos e das faturas de energia elétrica.

O guia técnico constitui-se num instrumento de apoio aos Administradores Municipais no processo do

estabelecimento de uma política de uso eficiente, planejamento e gestão da energia elétrica e tem os seguin- tes objetivos:

Disseminar informação e conhecimento sobre o tema.

Orientar para o uso eficiente da energia no âmbito municipal.

Ser uma ferramenta de treinamento e fonte de consulta para as equipes de coordenação e gerência de projetos de energia elétrica.

Auxiliar o Município na negociação com as concessionárias de energia, garantindo, assim, a autonomia municipal na gestão de seus recursos.

Apresentar experiências exitosas.

Constituem o público-alvo deste guia técnico os Prefeitos, os administradores e técnicos municipais, as concessionárias de serviços urbanos; os prestadores de serviços e consultores da área de energia.

O guia técnico foi elaborado de forma abrangente visando auxiliar os Administradores Municipais a ter

uma visão gerencial nos principais temas energéticos da Administração Pública Municipal. A abrangência

visa atender às significativas diferenças existentes entre os 5.561 Municípios brasileiros. Assim, as concep- ções e as ações propostas são úteis tanto para um Município de pequeno porte quanto para uma cidade de grande porte.

O presente guia técnico está organizado em nove capítulos. O Capítulo 1 apresenta a definição, a abran-

gência, as funções, os benefícios e as ações para a operacionalização da Gestão Energética Municipal. O segundo capítulo faz uma apresentação da Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE, criada pela ELETROBRÁS/PROCEL, seus objetivos, produtos e serviços disponibilizados para os associados.

Os Capítulos 3, 4 e 5, identificam e analisam as principais ações relacionadas aos centros consumidores de energia elétrica nos Municípios: iluminação pública, prédios públicos e saneamento. O Capítulo 6 apre- senta a atuação na área de Educação para a capacitação de técnicos municipais e do setor elétrico, e o processo metodológico do PROCEL nas escolas, para professores e alunos de níveis fundamental e médio, visando ao combate do desperdício de energia elétrica.

O Capítulo 7 aborda novas tecnologias e fontes alternativas de energia que podem ser absorvidas; en-

quanto o Capítulo 8 apresenta o tema específico de revisão de contratos de fornecimento com a concessi- onária de energia. E, por fim, o último capítulo apresenta a experiência realizada em dez Municípios-pilotos na elaboração do Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica – PLAMGE

22

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

1Gestão Energética Municipal

1.1 Introdução

No âmbito da estrutura nacional, a esfera municipal vem assumindo cada dia mais o seu importante papel institucional na relação direta com o bem-estar dos munícipes. Dentro deste contexto, faz-se necessária a identificação de ações voltadas para saúde, educação, saneamento, meio ambiente e segurança, assim como a preocupação com o uso da energia e conseqüentemente a elaboração de projetos específicos em eficiên- cia energética.

O papel principal do Poder Público local na questão energética é a organização de uma estrutura específi- ca voltada para uma macrovisão energética do Município, considerando o controle e o planejamento dos custos totais e parciais de cada unidade consumidora de energia do Município, e também um maior conhe- cimento dos recursos energéticos e seus potenciais. E é nesse sentido que os trabalhos de Gestão Energética Municipal criam oportunidades, reduzem custos de transação, mudam os paradigmas dos conceitos de efici- ência, garantem a manutenção e a continuidade das ações.

Em suma, os trabalhos relativos à Gestão Energética Municipal propiciam sustentabilidade aos diversos projetos de eficiência energética empreendidos pelos Municípios.

1.2 Pontos-Chaves

Criar Unidades de Gestão Energética Municipal – UGEM.

Conferir legitimidade à Unidade de Gestão Energética Municipal – UGEM.

Implementar o software de Sistema de Informação Energética Municipal – SIEM

Realizar levantamentos e diagnósticos preliminares da utilização da energia elétrica no Município.

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

23

Elaborar um Programa de Conservação de Energia Elétrica no Município.

Elaborar um Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica – PLAMGE.

Implementar medidas de conservação de energia elétrica.

Manter e garantir a continuidade das ações.

Divulgar as experiências exitosas.

1.3 Definição

A Gestão Energética Municipal – GEM é um instrumento voltado para o Administrador Municipal que busca

planejar e organizar as diferentes atividades do uso da energia elétrica desenvolvidas pela Prefeitura, identifi- cando áreas com potencial de melhoria da eficiência do consumo, sem a perda da qualidade do serviço ofertado, elaborando um planejamento com projetos definidos e permitindo a priorização destes projetos para a sua implementação, considerando os aspectos do desenvolvimento local com a eficiência energética

e a qualidade ambiental.

1.4 Objetivos

Os principais objetivos da Gestão Energética Municipal são:

gerenciar o uso da energia elétrica nos centros consumidores municipais (iluminação pública, prédios públicos, saneamento etc.) planejando, implementando e controlando as ações;

criar uma equipe com conhecimento e competência, voltada para a aplicação dos conceitos de eficiência energética;

reduzir o consumo da energia e, conseqüentemente, a conta municipal de energia;

capacitar o Município para negociar com as concessionárias de energia, garantindo, assim, a autonomia municipal na gestão de seus recursos;

introduzir sistemas e equipamentos mais eficientes que contribuam para uma melhora da qualidade ambiental do Município;

incorporar os conceitos energéticos e ambientais nos instrumentos legais de formulação de políticas, planos estratégicos e programas municipais.

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GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

1.5 Princípios Básicos da Gem

CONTINUIDADE

ADEQUAÇÃO

EXCLUSIVIDADE

LIVRE

ACESSO

LEGITIMIDADE

CONTINUIDADE – A função da Gestão Energética deve ser assegurada para garantir a continuidade das ações empreendidas na área de energia no Município.

ADEQUAÇÃO – Esta função deve ser assumida por uma equipe condizente com a dimensão do Município e com os potenciais de um Programa de Gestão Energética.

EXCLUSIVIDADE – Esta equipe tem essencialmente um papel funcional e deve se dedicar, na medida do possível, exclusivamente às tarefas de Gestão Energética do Município.

LIVRE ACESSO – A equipe responsável deve estar em relação permanente com os responsáveis operacionais nos diferentes departamentos/secretarias municipais.

LEGITIMIDADE – A equipe responsável deve ter uma legitimidade explicitamente confirmada pelo mais alto nível de decisão no Município.

1.6 Funções do Município na Área de Energia Elétrica

As formas de atuação de um Município na área de energia são, basicamente:

CONSUMIDOR – Os Municípios brasileiros são consumidores de energia nas várias áreas sob sua administração: iluminação pública, prédios públicos, saneamento e outras específicas de cada Município.

PRODUTOR E DISTRIBUIDOR – Na Europa, alguns Municípios são responsáveis pela produção e distribuição de energia em seus territórios. No Brasil, este modelo vem sendo incentivado através da implementação de projetos de co-geração.

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

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PLANEJADOR E ORGANIZADOR DO TERRITÓRIO – O consumo de energia de um território é, em grande parte, o resultado das escolhas municipais em matéria de planejamento urbano, urbanismo, meio ambiente

e planejamento energético. Esta é uma área de atuação de grande potencial para os Municípios brasileiros em face da realidade nacional – país em desenvolvimento;

INCITADOR – Cabe ao Município desenvolver ações para estimular a população e os agentes econômicos

a promoverem o uso eficiente da energia. Estas ações podem ser desenvolvidas a partir de divulgação de informação, assessoria, incentivos financeiros, promoção de energias renováveis etc.

1.6.1 Benefícios para o Município Resultantes da Atuação na GEM

POSSIBILIDADE DE REDUÇÃO NO CONSUMO E NA CONTA DE ENERGIA ELÉTRICA – Apresenta-se como bene- fício direto resultante da Gestão Energética. Esta redução pode dar-se de duas formas:

Economia de energia (kWh) – a implementação de projetos de eficiência energética nos serviços municipais pode gerar economia de consumo de energia de até 50% em algumas áreas de atuação.

Economia de recursos (R$) – além da redução nas contas de energia dos Municípios advinda da implementação de projetos de eficiência energética, outras ações, tais como a otimização dos contratos de fornecimento de energia entre as Prefeituras e as empresas concessionárias, podem gerar economia de recursos para as Prefeituras.

APROVEITAMENTO DOS RECURSOS ENERGÉTICOS Conhecer os recursos disponíveis em cada Município, possibilitando um melhor aproveitamento das fontes alternativas de energia e dos potenciais energéticos.

PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE – O processo de melhoria da eficiência dos sistemas elétricos do Muni- cípio irá difundir e consolidar o princípio da eficiência energética associada ao meio ambiente, mitigando, num contexto mais amplo, as questões de controle dos impactos ambientais e a prevenção da poluição, visando garantir a preservação dos recursos naturais para as gerações futuras baseada no desenvolvimento sustentável.

BENEFÍCIOS POLÍTICOS – Nesta linha de atuação, as Prefeituras certamente se beneficiarão com os dividen- dos políticos resultantes da implementação de projetos desta natureza, tendo em vista a significativa sensibi- lidade desenvolvida pela sociedade brasileira para as questões energética e ambiental.

MELHORA DA CAPACIDADE DE NEGOCIAÇÃO DO MUNICÍPIO – A atuação na GEM reforçará suas compe- tências, possibilitando condições de defender melhor os interesses do Município junto a fornecedores e prestadores de serviços na área de energia.

26

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

1.6.2 BENEFÍCIOS PARA O SETOR ELÉTRICO

REDUÇÃO DO DESPERDÍCIO – A melhoria da eficiência dos sistemas de energia posterga investimentos de recursos públicos ou privados na geração, transmissão e distribuição de energia.

REDUÇÃO DO CONSUMO DE ENERGIA NA PONTA DO SISTEMA – As ações de eficiência energética nos Municípios contribuem para a redução de investimentos por parte do Setor Elétrico para garantir o supri- mento de energia no horário de ponta do sistema.

AUMENTO DA CONFIABILIDADE NO FORNECIMENTO DE ENERGIA – O ganho obtido com a redução de perdas no uso final garante um sistema de distribuição de energia mais equilibrado, ajustando a conformida- de dos níveis de tensão de energia elétrica em regime permanente (de acordo com a resolução 505 ANEEL).

1.6.3 Benefícios para a sociedade brasileira

A atuação dos Municípios na GEM e a decorrente capacitação de pessoal acarretarão uma série de oportuni- dades advindas da abrangência deste processo, entre as quais, destacam-se:

possibilidade de elaboração de uma estratégia de planejamento energético, com foco municipal;

concentração de esforços em nível municipal para economizar energia;

possibilidade de elaborar projetos dentro de uma concepção integrada e voltada para os interesses do país;

possibilidade de liberar recursos para investimentos em áreas sociais consideradas prioritárias pelos habitantes da cidade;

Os setores residencial, comercial e industrial, particularmente as pequenas e médias empresas, poderão ter acesso a informações e sensibilizarem-se para esta questão, aderindo, assim, ao Programa de Eficiência Energética.

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

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1.7 Etapas para a Implementação da Gestão Energética Municipal

Para a implementação da GEM, o Município deve seguir uma seqüência de etapas, a saber:

ETAPAS

CRIAR

A

UGEM

LEGITIMAR

A

UGEM

CAPACITAR

A

UGEM

IMPLEMENTAR

O

SIEM

ELABORAR

O

PLANO

MUNICIPAL

DE

GESTÃO

DA

E N E R G I A

E L É T R I C A – P L A M G E

CONTINUIDADE

DAS

AÇÕES

DIVULGAÇÃO

DAS

EXPERIÊNCIAS

Para a implementação de cada uma destas etapas, o Município pode contar com o apoio da RCE – Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica. Para maiores informações veja o Capítulo 2.

1.7.1

1 o passo: criar a “Unidade de Gestão Energética Municipal” – UGEM

A implementação da GEM inicia-se com a formação de uma equipe multidisciplinar com competência pró-

pria – a UGEM. Esta equipe deve ser formalmente legitimada através de decreto municipal, de forma a garan-

tir seu reconhecimento na estrutura funcional da Administração. Formada por um ou mais funcionários, con-

forme as dimensões, as características e as potencialidades de cada Município, a UGEM tem o objetivo de acompanhar os projetos da Prefeitura, preparar, apresentar, planejar e implementar as ações de eficiência energética nos setores da Administração Pública, bem como assessorá-la na orientação das ações dos agen- tes privados no Município.

28

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

PONTOS-CHAVES DA UGEM

Capacitar e treinar a equipe

Decreto legitimando a UGEM

Disponibilizar infra-estrutura

Sistematizar procedimentos operacionais

Como sugestão para a sistematização de procedimentos operacionais da Prefeitura, pode-se ter como base o Manual de Conservação de Energia Elétrica – CICE elaborado, pela ELETROBRÁS/PROCEL, para prestar suporte técnico às Comissões Internas de Conservação de Energia (CICE) dos órgãos e entidades da Adminis- tração Federal direta e indireta, criada pelo Decreto nº 99.656, de 26 de outubro de 1990.

1.7.1.1 Funções da UGEM

A seguir são apresentadas as funções da UGEM e sugestões para sua organização e localização na estrutura administrativa da Prefeitura.

ESTRATÉGICAS

Propor aos responsáveis municipais um Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica Municipal – PLAMGE, considerando objetivos, análises custo/benefício, estimativa das economias a realizar, meios a serem implementados.

Assegurar a implementação da metodologia de GEM.

GESTÃO

Implantar o programa computacional SIEM - Sistema de Informação Energética Municipal, que contém as seguintes informações sobre os Municípios: o consumo e as despesas de energia elétrica nos segmentos prédios públicos, iluminação pública e saneamento e a descrição de todo o parque de equipamentos das unidades consumidoras.

Acompanhar os vários contratos de fornecimento de energia elétrica entre Prefeitura e concessionária visando a sua otimização.

Acompanhar os consumos mensais de cada unidade consumidora de energia elétrica do Município.

PLANEJAMENTO

Elaborar o planejamento de médio prazo do Município a partir do módulo de planejamento do software SIEM, seguindo a metodologia descrita no Manual para Elaboração de Planos Municipais para a Gestão da Energia Elétrica.

TÉCNICAS

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

29

Administrar instalações e equipamentos visando otimizar seu funcionamento.

Conceber novas instalações tendo em vista os princípios da eficiência energética.

Acompanhar os resultados das medidas implementadas, tais como redução dos consumos de energia elétrica, eficiência de novas tecnologias utilizadas, eficiência de processos etc.

Manter-se atualizado e promover intercâmbio de experiências.

MARKETING / DIFUSÃO DE INFORMAÇÕES

Sensibilizar os usuários e diferentes agentes da Administração envolvidos.

Envolver as equipes de manutenção.

Prestar contas dos resultados financeiros, energéticos e ambientais obtidos.

Divulgar resultados à população.

A RCE promove o “Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica”, possibilitando o reconhecimento das ações municipais no uso eficiente da energia elétrica. Maiores informações no Capítulo 2 e no site www.rce.org.br.

1.7.1.2 Organização da UGEM

A equipe será composta por dois grupos complementares com funções distintas e de igual importância, sendo que o sucesso desta equipe dependerá de sua capacidade de articulação. As funções a serem desem- penhadas são as seguintes:

EQUIPE FUNCIONAL – diretamente responsável pela operação, desempenhará funções estratégicas, de gestão global, de produção de relatórios, de treinamento etc. Este grupo definirá as estratégias e metas, asse- gurará a organização, permitirá a coerência e garantirá a permanência das ações empreendidas.

EQUIPE OPERACIONAL – abrange todos os funcionários envolvidos indiretamente, e será constituída por pessoas designadas pelas secretarias municipais que deverão realizar levantamentos de dados, auxiliar nos diagnósticos e na seleção de medidas a serem implementadas.

1.7.1.3 Infra-estrutura e localização da UGEM

Deverá ser disponibilizada uma infra-estrutura básica para operação da equipe técnica constituída basica- mente de:

30

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

Espaço físico adequado ao número de pessoas da equipe.

Equipamentos de informática.

Sistema de telefonia.

Equipamentos de proteção individual de segurança.

Instrumentos e ferramentas para levantamento de campo.

A localização da UGEM deve atender às expectativas em relação as suas funções, sendo esta uma decisão

importante para o desenvolvimento das atividades da equipe.

Esta decisão deve ser avaliada em relação à estrutura organizacional da Administração do Município em questão, levando-se sempre em conta a necessidade de comunicação constante entre as várias secretarias do Município.

A experiência européia mostra que a equipe deve:

ter a legitimidade necessária para poder intervir de forma apropriada em todos os setores de sua compe tência, principalmente se for física e administrativamente ligada a uma secretaria ou departamento;

conceber suas funções como um papel de assessoria e apoio às secretarias e não como de fiscalização;

criar condições favoráveis para que seja solicitada sistematicamente para todas as questões ligadas à energia.

1.7.2

2 o passo: capacitar a UGEM

Tendo em vista que o tema Gestão Energética Municipal é relativamente recente no Brasil e requer enfoque multidisciplinar para sua implementação, faz-se necessário capacitar a nova equipe, cabendo ao Município esta iniciativa. A capacitação deverá ser desenvolvida a partir do nível inicial de conhecimento de cada equi- pe. Para que isto seja possível serão necessários alguns procedimentos que permitam a avaliação da equipe para posterior determinação de treinamento a ser desenvolvido, a saber:

Identificar os componentes da UGEM – avaliar os vários níveis de conhecimentos dos elementos da UGEM, considerando sua procedência e experiência em relação às funções que irão desempenhar na equipe. Parte da capacitação da equipe pode ser apropriada a partir de experiências anteriores em ações de con- trole e manutenção de sistemas elétricos ou, também, a partir do conhecimento nas áreas sob a Adminis- tração Municipal.

Aplicação da metodologia – direcionar o foco do treinamento para a metodologia de gestão energética desenvolvida, visando favorecer as ações da equipe em suas áreas de competência.

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

31

Conceitos de uso eficiente da energia elétrica - direcionar para os segmentos de iluminação pública, prédi- os públicos e saneamento os conceitos técnicos do uso eficiente da energia nos temas iluminação, ar- condicionado, motores, conversores de freqüência, arquitetura, gerenciamento do uso da energia, estru- tura tarifária, controladores de demanda, alternativas tecnológicas etc.

Treinamento no uso do SIEM – direcionar a aula de aplicação e manuseio do programa SIEM com exem- plos práticos.

Manter a UGEM atualizada– proporcionar condições para que as equipes possam estar constantemente se atualizando em relação às novas técnicas e procedimentos na área de eficiência energética

A RCE oferece cursos e seminários para treinamento e reciclagem profissional.

1.7.3

3 º passo: implementar o Sistema de Informação Energética Municipal - SIEM

O SIEM é um programa de computador desenvolvido pelo PROCEL em parceria com o IBAM e constante- mente atualizado pelo Escritório Técnico da RCE. É um instrumento ágil e fácil de usar, voltado para os Admi- nistradores Municipais fazerem a gestão e o planejamento do uso eficiente da energia elétrica, conhecerem e controlarem seus consumos e gastos de energia de forma a otimizarem seu uso, trazendo benefícios eco- nômicos significativos para a Administração Municipal.

O uso contínuo do sistema por cada Município permitirá a construção de séries históricas e a produção de

índices de desempenho energético, análises de cenários e relatórios de acompanhamento baseados em informações consistentes.

A implementação do SIEM nos Municípios demandará um esforço inicial pela equipe da Administração

Municipal. Porém, uma vez implantado o sistema, as ações tornam-se rotineiras e incorporam-se facilmente ao dia-a-dia das atividades e seguem as seguintes etapas:

Treinamento da equipe.

Levantamento de dados.

Entrada de dados.

Acompanhamento e análise dos dados, para garantir uma gestão eficiente, através da entrada de dados de consumo mensal e da análise dos relatórios de controle.

32

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

1.7.4 4 o passo: elaborar um Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica - PLAMGE

O PLAMGE é o instrumento maior da GEM que busca levantar e organizar as diferentes atividades desenvol-

vidas pela Prefeitura e, em seguida, identificar áreas com potencial de redução de consumo de energia elétri-

ca sem perda da qualidade do serviço ofertado. A implementação de novas atividades também é considera-

da e envolve aspectos como qualidade ambiental e eficiência energética.

A elaboração e implementação do PLAMGE auxiliam a Administração Municipal, valorizando seus esforços nas três escalas de tempo:

No tempo presente, o PLAMGE organiza a execução das atividades de GEM, auxiliando a criação, instrumentalização e capacitação da UGEM.

Em relação ao passado, o PLAMGE demonstra os benefícios obtidos graças à adoção de medidas de efici- ência energética já implementadas e em andamento.

Quanto ao futuro, o PLAMGE ilustra os resultados potenciais das medidas identificadas, contribuindo para sua priorização através da análise de seus custos e benefícios.

Para a definição das estratégias resultantes do PLAMGE, deverão ser considerados, ainda, o grau de mobi- lização e interesse dos atores envolvidos, as prioridades políticas das coletividades locais e regionais e a pos- sibilidade de obtenção e demonstração de resultados visíveis.

A ELETROBRÁS/PROCEL, através do núcleo PROCEL GEM, apóia a Rede Cidades Eficientes em Ener- gia Elétrica – RCE, tendo como diretriz a implementação de ações voltadas para os Municípios associados, estimulando a elaboração de Planos Municipais de Gestão da Energia Elétrica, para maiores informações visite o site: www.rce.org.br

ETAPAS DO PLAMGE

Caracterização do Município.

Avaliação da Questão da Energia Elétrica para a Prefeitura.

Elaboração do Cenário de Referência.·Definição da Estratégia da Prefeitura para o Combate ao Desperdício.

Desenvolvimento de um Programa Municipal de Eficiência Energética.

Elaboração do Cenário de Eficiência Energética.

Elaboração do PLAMGE.

Implementação do PLAMGE.

Acompanhamento e Avaliação do PLAMGE.

Divulgação de Resultados.

1.8 Marcos Legais

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

33

A seguir estão apresentados os principais marcos legais que devem ser construídos pelo Município visando adequar as políticas de governo ao programa de desenvolvimento sustentável local.

Constituição Federal de 1988 artigo 30.“Legislar sobre assunto de interesse social; suplementar a legislação federal e estadual no que lhe couber; instituir e arrecadar tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas; criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; organizar e prestar, direta- mente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local”.

Constituição Federal de 1988 artigo 182 e a regulamentação pela Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, denominada“Estatuto da Cidade”, estabelece diretrizes gerais da política de desenvolvimento e expansão urbana, especificamente com a obrigatoriedade de elaboração do Plano Diretor Municipal, suportado pe- los demais instrumentos legais, Transporte Urbano, Código de Obras e Edificações, Perímetro Urbano, Uso e Ocupação do Solo/Zoneamento e Parcelamento do Solo e Cadernos de Encargos de Compras de Equi- pamentos.

Constituição Federal de 1988, artigo 225,“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibra- do, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Lei de Eficiência Energética nº 10.295, de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, visando à alocação de recursos energéticos e à preservação do meio ambiente, estabelece índices de eficiência para equipamentos elétricos e indicadores para diversos tipos de edificações e requisitos para a arquitetura bioclimática.

Lei Complementar nº 101, de maio de 2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelece normas de finan- ças públicas voltadas para a gestão fiscal do Município.

Lei nº 10.028, de 19 de outubro de 2000, artigo 339-C, “ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte, que não tenha contra- partida suficiente de disponibilidade de caixa.”

Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Estatuto da Cidade regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição

34

GESTÃO

ENERGÉTICA

MUNICIPAL

Federal, estabelece diretrizes gerais da política de desenvolvimento urbano e norteia a função social da cidade e da propriedade urbana, com a elaboração do Plano Diretor Municipal.

Decreto Presidencial, de 7 de julho de 1999, cria a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima – CIMGC, com “a preocupação com a regulamentação dos mecanismos do Protocolo de Kioto e, em parti- cular, entre outras atribuições, estabelece que a comissão será a autoridade nacional designada para apro- var os projetos considerados elegíveis do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, cabendo, também, à comissão definir critérios adicionais de elegibilidade àqueles considerados na regulamentação do Proto- colo de Kioto”.

REDE

CIDADES

EFICIENTES

EM

ENERGIA

ELÉTRICA

35

2 Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica

2.1 Introdução

Considerando que a Gestão Energética Municipal é geralmente uma novidade para os Municípios brasileiros,

o desenvolvimento dos trabalhos numa rede de informações pode contribuir para que estes enfrentem os

desafios e superem as barreiras inerentes a um trabalho novo, através da análise de soluções alheias e de

casos de sucesso.

Em 1998 foi criada a Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE, concebida pela ELETROBRÁS, no âm- bito no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – PROCEL, em parceria com Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM e com o apoio do Programa ALURE, da Comissão Européia. O ponto de partida foi a experiência da Rede Européia Energie-Cités, uma associação de Municípios europeus que pro- move a sustentabilidade energética local.

Para estruturação da RCE, os Municípios associados podem contar com o apoio do PROCEL da ELETRO- BRÁS, através do escritório técnico executivo, a cargo do IBAM, que é o responsável por centralizar, operacionalizar, documentar e divulgar as experiências municipais no uso eficiente de energia elétrica. A atuação da RCE junto aos Municípios é direta, através da aplicação de uma metodologia de GEM já desenvol- vida que é voltada para a capacitação dos técnicos municipais na gestão da energia e na elaboração do Plano Municipal de Gestão de Energia Elétrica – PLAMGE.

2.2

Objetivos

A RCE é uma rede de informações que visa facilitar e fortalecer o intercâmbio de informações entre os Muni-

cípios, sobre tecnologias, experiências e projetos que contemplem o uso eficiente da energia elétrica nos diversos segmentos de consumo de energia no âmbito municipal.

36

REDE

2.3

CIDADES

EFICIENTES

Vantagens

EM

ENERGIA

ELÉTRICA

Destacam-se, a seguir, as principais vantagens que são proporcionadas pela “Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica - RCE” para os associados:

Acessar informações atualizadas sobre tecnologias, experiências municipais e projetos de eficiência ener- gética.

Promover a redução de consumo e das despesas de energia elétrica nos Municípios brasileiros.

Facilitar o intercâmbio de informações entre os associados e informá-los sobre práticas e tecnologias efici- entes em energia elétrica.

Divulgar as realizações municipais exitosas para outros Municípios.

Concentrar esforços para viabilizar projetos e para a implementação de medidas de conservação de ener- gia elétrica, identificando fontes de recurso para o financiamento das ações.

Criar e fortalecer a competência municipal na gestão da energia elétrica, por intermédio da capacitação e aplicação da metodologia de elaboração de planos municipais de gestão da energia elétrica – PLAMGE.

Participar do“Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica”, tendo reconhecimento das experiên- cias com projetos que se destacaram no uso eficiente da energia elétrica.

REDE CIDADES EFICIENTES EM ENERGIA ELÉTRICA

Foi lançada em 1998 durante o Seminário EFFICIENTIA, no Rio de Janeiro, no âmbito do Programa ALURE/Projeto BRACEL, convênio ELETROBRÁS-PROCEL/IBAM, não tem fins lucrativos, seguindo os

moldes da Rede Européia Énergie-Cités, (www.energie-cites,org), que é uma associação de Municípios europeus que promove a política energética local permanente, a promoção de energias renováveis e a

quatro Municípios-pilotos – Salvador (BA), Governador Valadares (MG),

Rio de Janeiro (RJ) e Piracicaba (SP) – foram os primeiros a integrar a rede. A partir destes resultados foi elaborada uma metodologia de planejamento, posteriormente testada em dez Municípios, cujos resul- tados são tratados no Capítulo 9. Site da RCE: www.rce.org.br

proteção do meio ambiente

Os

37 REDE CIDADES EFICIENTES EM ENERGIA ELÉTRICA 2.4 Organização CONCESSIONÁRIA ANEEL ENERGIA ELÉTRICA
37
REDE
CIDADES
EFICIENTES
EM
ENERGIA
ELÉTRICA
2.4 Organização
CONCESSIONÁRIA
ANEEL
ENERGIA ELÉTRICA
ASSEMBLÉIA
ASSOCIAÇÕES
GERAL
<
>
AMBIENTAIS
UNIVERSIDADES E
CENTROS DE PESQUISA
<
>
SECRETARIA
ADJUNTA
PRESIDENTE
INSTITUIÇÕES
<
>
<
>
INICIATIVAS
SECRETARIA
INTERNACIONAIS
CIVIS
EXECUTIVA
ELETROBRÁS / PROCEL
IBAM
PREFEITURAS E
FABRICANTES
ASSOCIAÇÕES DE
SECRETARIAS DE
ESTADO DE ENERGIA
EQUIPAMENTOS
MUNICÍPIOS
AGÊNCIAS
<
>
REGULADORAS
ESTADUAIS
<
>
<
>
<
>
<
>

2.5 Principais Produtos

Os associados à Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica - RCE, os Municípios, parceiros e colaboradores podem usufruir os produtos disponibilizados, que são:

Boletim Trimestral – é um dos principais canais de comunicação, juntamente com o site, para a troca de experiências de sucesso, informações e agendas de eventos voltadas para a gestão da energia elétrica.

Site da Rede Cidades Eficiente – RCE (www.rce.org.br) – oferece informações relacionadas à Gestão Ener- gética Municipal – GEM, agenda de eventos, abre um canal de comunicação direta, permite a troca de experiências de projetos municipais através do Banco de Experiências, indica manuais técnicos, além de ter disponível para baixar (download) o software SIEM e o formulário de adesão para a associação dos Municípios à RCE.

Manuais – foram desenvolvidos manuais técnicos que abordam o uso eficiente da energia elétrica nos seguintes temas:

Manual para a Elaboração de Planos Municipais de Gestão da Energia Elétrica.

Guia Técnico de Iluminação Pública Eficiente.

Eficiência Energética nos Sistemas de Saneamento.

Manual de Prédios Eficientes em Energia Elétrica.

38

REDE

CIDADES

EFICIENTES

EM

ENERGIA

ELÉTRICA

Planejamento Urbano e Uso Eficiente de Energia Elétrica.

Modelo para Elaboração de Código de Obras e Edificações.

Guia Técnico de Gestão Energética Municipal (este guia).

Banco de Experiências Municipais – reúne experiências municipais consideradas bem-sucedidas nos te- mas relacionados à energia elétrica, tais como iluminação pública, prédios públicos, saneamento, educa- ção, gestão energética municipal e legislação. As pesquisas podem ser feitas por meio de um mecanismo de busca, onde as informações são obtidas por categoria temática, nome do Município e segundo a ener- gia economizada em MWh/ano.

Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica – tem por objetivo reconhecer e premiar, anual- mente, as experiências locais que mais se destacaram em ações e iniciativas eficientes no uso da energia elétrica nas categorias: Educação, Gestão Energética Municipal, Iluminação Pública, Iluminação Pública – RELUZ, Legislação, Prédios Públicos e Saneamento. Os projetos premiados de cada categoria são reunidos em uma publicação especial amplamente divulgada para as Administrações Municipais e instituições na- cionais envolvidas na área de eficiência energética.

Sistema de Informação Energética Municipal – SIEM – é um programa computacional que auxilia a Prefei- tura Municipal na gestão, acompanhamento das contas e dos gastos com energia elétrica, possibilitando também o planejamento da evolução do consumo e gastos de energia nos segmentos prédios públicos saneamento e iluminação pública.

Planos Municipais de Gestão da Energia Elétrica – PLAMGEs – são instrumentos de planejamento energé- tico de médio prazo para a aplicação eficiente do uso da energia elétrica, com a identificação de projetos que otimizem os segmentos de consumo de energia elétrica no Município.

Curso de capacitação em eficiência energética e Gestão Energética Municipal – tem como objetivo difun- dir o conceito da Gestão Energética Municipal, através da capacitação dos técnicos das Prefeituras associ- adas, concessionárias e consultores de energia, em temas específicos relacionados à eficiência energética nos segmentos do consumo municipal, além de treiná-los para a utilização do software SIEM e para a metodologia de elaboração PLAMGEs.

Eventos – participação em seminários, palestras e feiras, em que os temas municipais e de eficiência ener- gética são abordados – disseminando e apresentando as vantagens para os associados da rede.

Cursos Específicos – são disponibilizados cursos com temas específicos em função de demandas dos Mu- nicípios ou temas atuais relacionados à eficiência energética, tais como: Iluminação Pública, Financiamen- to, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (Crédito de Carbono) etc.

Escritório Técnico da RCE – os Municípios associados podem receber atendimento e orientações técnicas sobre: ações de eficiência energética, novas tecnologias, informações sobre linhas de financiamento exis- tentes para projetos, questões gerenciais, questões econômico-financeiras, áreas de interesse (educação, gestão energética municipal, iluminação pública, legislação, prédios públicos e saneamento), além do su- porte técnico quanto à utilização do SIEM.

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

39

3 Iluminação Pública

3.1

Introdução

A Iluminação Pública é uma responsabilidade da Administração Pública Municipal e é essencial para o melhor desenvolvimento social e econômico das cidades. Quando bem atendidos, os cidadãos podem desfrutar de melhores oportunidades em atividades de turismo, sociais, educacionais, culturais e esportivas Atualmente, ela é fundamental para a segurança do tráfego de veículos e para a prevenção contra a criminalidade. É importante ressaltar que o consumo de energia da Iluminação Pública representa cerca de 3,3% na matriz energética brasileira, e da ordem de 10,2 TWh/ano (dados do PROCEL do ano de 2002).

São consideradas duas categorias de sistemas de iluminação pública: padrão e especial. A Iluminação Pública Padrão consiste na iluminação convencional de ruas, instalada geralmente nos postes da rede de distribuição da concessionária de energia elétrica. Já a Iluminação Pública Especial diz respeito à iluminação ornamental ou decorativa e pode ser tratada como um dos elementos de divulgação da cultura local, realçan- do a imagem urbana, patrimônio histórico, pontos turísticos, de esporte e lazer. A utilização da luz pode ser uma estratégia política de valorização da imagem local.

Sistemas de sinalização semafórica com qualidade garantem ao Administrador Municipal um controle automatizado e eficiente das vias, oferecendo inúmeros benefícios à população e ao Município, como econo- mia de energia elétrica, aumento da confiabilidade de operação do sistema e redução do custo de manutenção.

A ELETROBRÁS, por meio do PROCEL, apóia o desenvolvimento socioeconômico dos Municípios atra-

vés da eficiência da Iluminação Pública com o programa RELUZ e com a Rede Cidades Eficientes em

Energia Elétrica – RCE. As formas de procedimento estão disponíveis no Manual de Instruções do RELUZ

e no Guia Técnico de Iluminação Pública Eficiente.

40

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

3.2 Pontos-chaves

Buscar eficiência energética para a iluminação pública, reduzindo despesas com energia elétrica.

Usar lâmpadas, luminárias e equipamentos auxiliares de grande eficiência luminosa, melhorando a qualidade do serviço prestado.

Expandir o sistema de iluminação pública.

Iluminação Especial de praças, monumentos e edifícios de valor histórico.

Sinalização semafórica.

Celebrar parcerias com as empresas do setor elétrico que também se beneficiam com a moderniza- ção da iluminação pública.

Assumir o controle efetivo deste serviço público, através da gestão eficaz de sua rede física e de seus sistemas técnicos e administrativos.

3.3 Estrutura e Componentes do Sistema

As redes de iluminação pública são alimentadas em baixa tensão a 220V e 60Hz, e são constituídas de:

lâmpadas;

equipamentos auxiliares;

luminárias;

braços;

postes;

equipamentos de comando e proteção e;

circuitos de alimentação elétrica.

A seguir é apresentado um detalhamento destes componentes:

3.3.1

Lâmpadas

Existem duas classes de lâmpadas.

De descarga – Utilizam a técnica de provocar uma descarga elétrica sobre um gás, que pode estar subme- tido à alta pressão. Variando-se a natureza dos gases no interior do tubo obtêm-se os diversos tipos de lâmpadas de descarga. São as lâmpadas indicadas para a iluminação pública em razão da boa eficiência luminosa e vida útil.

Incandescentes – Fabricadas com a técnica mais antiga que consiste em levar um filamento à uma tempe- ratura muito elevada, passando corrente elétrica através do mesmo. São as que apresentam menor eficiên- cia luminosa e menor vida útil.

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

41

DADOS

(Valores médios, com base em informações de fabricantes)

LÂMPADAS

TÉCNICOS

DAS

TIPO

POTÊNCIA

FLUXO

EFICIÊNCIA

PERDA DO REATOR (W)

TEMPERATURA DE COR (k)

ÍNDICE DE REPRODUÇÃO DE COR (%

VIDA ÚTIL

(W)

LUMINOSO

LUMINOSA

   

(h)

(lm)

(lm/W)

CONVENCIONAL

ELETRÔNICO

 

Incandescente

100

1300

13

   

2700

100

1000

150

2200

15

   

2700

100

1000

200

3150

16

   

2700

100

1000

300

5000

17

   

2700

100

1000

500

8400

17

   

2700

100

1000

Fluorescente

40

2700

68

11

4

5250

75

7500

tubular

110

8300

76

25

 

5250

75

7500

Mista

160

3100

19

   

3600

60

6000

250

5500

22

   

3800

60

6000

500

13500

27

   

4100

60

6000

Mercúrio de

80

3600

45

9

 

4100

45

9000

alta pressão

125

6200

50

12

 

4000

45

12000

250

12700

50

16

 

3900

45

12000

400

22000

55

25

 

3800

45

15000

700

38500

55

35

 

3550

45

15000

1000

58000

58

45

 

3550

45

15000

Sódio de

70

5600

80

15

 

2000

20

18000

altapressão

100

9500

95

15

17

2000

20

24000

150

14000

94

20

24

2000

20

24000

250

26000

104

25

 

2000

20

24000

350

34000

97

40

 

2000

20

14000

400

48000

120

40

 

2000

20

24000

600

90000

150

50

 

2000

20

32000

Multivapor

70

5000

72

13

 

3000

80

8000

metálico

150

11000

73

12

 

3000

80

8000

250

20000

80

25

 

5200

90

12000

400

38000

95

35

 

5900

90

12000

DADOS

QUALITATIVOS

TIPOS

VANTAGENS

DESVANTAGENS

RECOMENDAÇÕES

INCANDESCENTE

Fluxo luminoso quase constante ao longo da vida útil.Ótima reprodu- ção de cores e brilho. Impressão de cor quente.

Baixa eficiência luminosa. Curta duração de vida. Custo elevado de manutenção.

Inapropriada para IP. Caso seu Município ainda possua, substitua por lâmpadas mais eficientes, como a vapor de sódio de alta pressão.

42

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

DADOS

QUALITATIVOS

TIPOS

VANTAGENS

DESVANTAGENS

RECOMENDAÇÕES

VAPOR DE MERCÚRIO - VM

Boa eficiência luminosa.

Acendimento não instantâneo. Índice de reprodução de cores médio. Impressão de cor fria. Maior consumo se comparado ao de outras com mesmo fluxo luminoso.

Adequada à iluminação pública quando usada em altura elevada.

VAPOR DE SÓDIO DE ALTA PRESSÃO – VSAP

Ótima eficiência

Acendimento não instantâneo.Baixo índice de reprodução de cores. Maior investimento inicial.

Adequada à maior parte dos logradouros públicos.

luminosa.

LÂMPADA DE SÓDIO A MUITO ALTA PRESSÃO - SÓDIO BRANCO

Aparência agradável. Bom índice de reprodução de cores.

Acendimento não

Recomendada para iluminação de destaque eembelezamento. Escassas no mercado brasileiro.

instantâneo.

Investimento inicial

 

elevado.

FLUORESCENTES

Opções de reprodução de cores e temperatura de cor.

Baixa eficiência luminosa. Em geral as luminárias utilizadas permitem que as lâmpadas fiquem expostas às intempéries, ocasionando perdas e elevando o custo com a manutenção.

Inapropriada para IP. Caso seu Município ainda possua, substitua por lâmpadas mais eficientes, como a vapor de sódio de alta pressão.

TUBULARES

VAPORES METÁLICOS

Boa eficiência luminosa.Alto índice de reprodução de cores.

Acendimento não instantâneo. Investimento elevado. Menor vida útil em relação às demais lâmpadas de alta pressão.

Adequada à iluminação de monumentos e grandes espaços através de projetores posicionados a médias e grandes alturas.

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

43

OUTROS

TIPOS

TIPOS

VANTAGENS

DESVANTAGENS

RECOMENDAÇÕES

MISTAS (com filamento e tubo de descarga)

Não necessitam de equipa- mentos auxiliares.

Baixa eficiência luminosa. Alto consumo de energia. Custo elevado de manutenção.

A serem substituídas o mais breve possível por lâmpadas de maior eficiência luminosa.

FIBRAS ÓPTICAS

Permite o transporte da luz antes de sua distribuição final. Possibilidade de controle operacional e efeitos especiais. Facilidade de manutenção. Grande segurança para instalações.

Investimento muito

Utilização em ilumina- ções especiais e de difícil realização.

elevado. Tecnologia

recente pouco

difundida.

LEDS - Light Emitting Diodes (diodos emissores de luz)

Possuem elevada resistência mecânica e baixa potência de luz emitida. Oferecem cores mais exatas e mais vivas, aumentando a segurança e o fluxo do tráfego. Vida útil de longa duração cerca de 100 vezes superior à da lâmpada incandescente.

Tecnologia recente. Investimento maior em comparação à lâmpada incandescente.

Adequada à iluminação semafórica.

3.3.2 Equipamentos Auxiliares

Na tabela a seguir são apresentados os equipamentos auxiliares mais utilizados na rede de iluminação públi- ca, inclusive com valores médios de vida útil, de acordo com as suas funções:

EQUIPAMENTO

FUNÇÃO

VIDA ÚTIL (anos)

Luminária aberta Luminária fechada Braços para luminária Cabos e ferragens Reatores Ignitores Condensadores (capacitores) Relés fotoelétricos Relés fotoelétricos Economizadores inteligentes

Proteção da lâmpada Proteção da lâmpada Sustentar as luminárias Instalação Estabilização Partida (ignição) Compensação de reativos Acionamentos mecânicos Acionamentos eletrônicos Acionamentos com redução da potência

10

20

20

20

10

10

10

4

10

5

Fonte: Manual RELUZ

44

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

Os relés economizadores inteligentes de energia substituem os relés fotoelétricos. São de tecnologia re- cente para a iluminação pública e podem ser utilizados nas lâmpadas de vapor de mercúrio e sódio de 125 a 400W. Possibilitam uma programação escalonada, normalmente nos períodos da madrugada, podendo re- duzir a potência consumida em cerca de 20%.

3.3.3 - Luminárias

As luminárias são constituídas por uma estrutura mecânica de proteção e um conjunto óptico. Sua função é proteger a lâmpada e demais equipamentos, bem como proporcionar os melhores rendimento e distribui- ção do fluxo luminoso emitido pela lâmpada, por meio de seu conjunto óptico, por reflexão e refração. Deve também minimizar o efeito de ofuscamento.

As luminárias mais modernas utilizam unicamente o efeito da reflexão da luz, para a distribuição do fluxo luminoso, através de superfícies altamente reflexivas. O fechamento da luminária, em vidro ou policarbonato, é usado tão-somente para proteção. Sendo plano, reduz sensivelmente o ofuscamento e apresenta melhor rendimento.

LUMINÁRIAS MAIS UTILIZADAS

LOCAL RECOMENDADO PARA UTILIZAÇÃO

Luminária aberta Luminária aberta com tela de proteção Luminária fechada com refrator em policarbonato Luminária fechada com vidro prismático Luminária fechada com vidro plano Luminária ornamental

Não recomendada pelo RELUZ Não recomendada pelo RELUZ Vias de baixo trânsito Vias de trânsito normal, arteriais e coletoras Vias arteriais e coletoras Praças, calçadões e áreas verdes

O tipo de proteção das luminárias deve corresponder ao nível de ação de agentes externos encontrados no local de sua instalação. O grau de proteção (IP, do inglês ingress protection) indica esta capacidade, confor- me apresentado na tabela a seguir. Na codificação, o primeiro dígito indica o grau de proteção em relação aos poluentes sólidos e o segundo o grau de proteção contra a penetração de água. Quanto maior o número, maior a proteção oferecida pela luminária.

LOCAL DE UTILIZAÇÃO

GRAU DE PROTEÇÃO

Com pouca presença de poluição, pó e agentes corrosivos. Com presença média de poluição, pó e agentes corrosivos. Com forte presença de poluição, pó ou agentes corrosivos. Luminárias situadas a até 2,80m em relação ao solo. Túneis.

IP 23

IP 44

IP 54

IP 44

IP 55

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

45

3.4 Gestão e Manutenção do Sistema Existente

A responsabilidade da operação e manutenção dos sistemas de iluminação pública tem sido passada para os Municípios, criando a necessidade de uma nova política municipal para o seu atendimento.

Diante desta oportunidade de novo negócio, as empresas do mercado de iluminação desenvolveram ins- trumentos que permitem a gestão completa de todo o sistema de Iluminação Pública, que englobam a ges- tão de todas as fases do processo, desde a organização, análise do sistema existente, cadastro, projeto, opera- ção, eficiência energética, manutenção e pagamento de contas e relacionamento com a concessionária de energia, objetivando a satisfação da população.

3.4.1

Pontos-chaves

Elaborar o cadastro do sistema de iluminação pública.

Elaborar contrato de fornecimento entre a Prefeitura Municipal e a concessionária de energia elétrica.

Atualizar o cadastro.

Implementar um software de gestão.·Implementar e manter atualizado um banco de dados sobre o siste- ma de iluminação pública.

Padronizar e normalizar os tipos de lâmpadas e demais equipamentos utilizados no sistema de iluminação pública.

Implementar programa de redução de custos na iluminação pública com a implantação de equipamentos energeticamente eficientes.

Treinar e capacitar o pessoal envolvido nos serviços.·Incluir um Plano de Gestão Completa de IP na elabo- ração do PLAMGE.

Estudos computacionais realizados por fabricantes e empresas atuantes na área, voltados para construção de uma gestão mais eficiente, vêm produzindo softwares de gestão eficiente para sistemas de iluminação pública. Normalmente esses softwares controlam cadastramento, manutenção corretiva e preventiva, expan- sões e melhorias e, algumas vezes, emitem dados para o faturamento da concessionária. Esses softwares precisam ser acompanhados de trabalhos de campo para aquisição de dados a serem inseridos no em seu banco de dados como:

Diagnóstico e etiquetamento do parque.

Rotas diurnas e noturnas para identificação de problemas.

Central de Atendimento (Call-Center) para reclamações e dúvidas da população.

Equipe de manutenção para execução dos serviços.

46

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

3.4.2 Verificação de Oportunidades

1) Redução de despesas – A substituição de lâmpadas obsoletas por lâmpadas de maior eficiência luminosa e maior vida útil possibilita redução no consumo de energia elétrica e na freqüência de intervenções de manutenção. Pode-se, assim, obter diminuição nas despesas com as contas de energia elétrica e de manu- tenção da rede de iluminação pública.

2) Cooperação e parcerias – Empresas do setor elétrico podem estar interessadas na modernização das redes de iluminação pública. Com a redução na demanda por energia elétrica decorrente desta medida, as concessionárias podem liberar seu sistema para atendimento a outros segmentos de mercado ou postergar investimentos na oferta de energia.

Parceiros locais, como, por exemplo, associações comerciais, de turismo, hotelaria e outros, podem estar interessados na melhoria da iluminação ou no embelezamento de áreas urbanas através de iluminação orna- mental, com vistas ao incremento de seus negócios.

3) Programas governamentais – Incentivos à maior eficiência no uso da energia têm levado à criação de programas especiais por parte dos Governos Federal e Estaduais. O “Programa de Nacional de Conservação de Energia Elétrica – PROCEL”, desenvolvido pelo Governo Federal através da ELETROBRÁS, é o melhor exem- plo.

4) Obtenção de recursos – Identificar e buscar fontes de recursos no Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente – RELUZ da ELETROBRÁS/PROCEL, através da concessionária de energia local, para financia- mento de melhoria e expansão do sistema existente, iluminação especial e inovação tecnológica.

5) Melhoria na segurança pública – A melhoria na iluminação de áreas de maior risco de acidentes de trânsito ou de criminalidade é uma medida oportuna que deve ser considerada. Existem levantamentos indi- cando que a boa iluminação de vias pode reduzir em mais de 30% o número de acidentes de trânsito. Quanto à criminalidade, nas suas várias formas de ocorrência no período noturno, a boa iluminação é fator determinante para a sua prevenção e redução.

6) Agentes privados – Novas empresas do setor privado, conhecidas como Empresas de Serviços de Con- servação de Energia, ESCOs, especializadas em eficiência energética, estão surgindo no mercado. Estas em- presas podem representar uma oportunidade para as Administrações Municipais que pretendam melhorar suas redes de iluminação pública, contribuindo com a competência técnica necessária a estes empreendi- mentos e viabilizando a captação de recursos financeiros.

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

47

3.4.3 - Elaboração do Plano

1) Diretrizes e metas – A fixação de diretrizes e metas é fundamental para a elaboração de um plano de ação na área da Iluminação Pública. Este plano de ação deve integrar-se ao Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica e incluir as medidas sugeridas nos itens anteriores.

2) Plano de ação – É um instrumento necessário para o gerenciamento das mudanças pretendidas e para

a

negociação com parceiros e obtenção de recursos. Inclui metas, prioridades, programas executivos, prazos

e

recursos necessários identificados.

3) Recursos humanos – Com base na análise das ações a serem empreendidas, nos benefícios a serem auferidos e no porte da rede de iluminação do Município, deve-se dimensionar a equipe de profissionais a ser mobilizada. Deve-se, também, considerar a conveniência da criação de uma equipe técnica permanente e de uma unidade de administração específica para a iluminação pública no Município.

Participar do “Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica”, organizado pela RCE, é uma ótima oportunidade de reconhecimento das experiências municipais com projetos de Iluminação Pública eficiente.

3.5 – A Manutenção das Instalações

INTERVENÇÃO

ALTERNATIVAS

COMENTÁRIOS

Troca de lâmpada

Existem duas possibilidades: a manuten- ção preventiva e a manutenção corretiva. Somente um estudo técnico e econômico pode indicar a estratégia mais adequada à otimização dos fatores custo/benefício.

Os altos custos da troca unitária das lâmpadas na manutenção corretiva e as dificuldades operacionais no sistema viário impõem uma análise mais acurada da questão. A grande maioria dos Municípios e concessionárias realiza a troca somente na queima das lâmpadas.

Manutenção

A troca das lâmpadas é feita por grupos em regiões ou conjunto de logradouros de forma programada. O período para as trocas é em função da vida útil esperada para as lâmpadas e do nível de perda admissível para o fluxo luminoso das mesmas. Os trabalhos de manutenção, neste caso, causam menor impacto na operação do sistema viário.

Na troca programada é importante o controle de utilização das lâmpadas. Aquelas em boas condições podem ser usadas em trocas no caso de queima. Pode-se adotar a troca programada em áreas de tráfego intenso e a troca pela queima em áreas de menor intensidade de tráfego.

preventiva

48

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

INTERVENÇÃO

ALTERNATIVAS

COMENTÁRIOS

Manutenção

A

troca das lâmpadas se dá somente

O

acompanhamento sistemático com registro

corretiva

quando ocorre a queima. O reparo deve ser executado prontamente, restabelecendo-se

das ocorrências permite a realização de estudos estatísticos sobre falhas no desempe- nho real de lâmpadas e equipamentos. Estes estudos são escassos, porém são úteis para a orientação às novas aquisições de materiais, para a especificação técnica em novos projetos e para o desenvolvimento tecnológico. Existe a oportunidade para a coleta de informações para os cadernos de

referência de cada equipamento.

o

serviço com qualidade de forma a evitar a

deterioração da imagem da cidade e de sua Administração. Um sistema de inspeção e detecção de falhas é imprescindível, podendo ser realizado em rondas regulares, controle por amostras e no atendimento de reclamações via telefone. Deve contar também com sistema privilegiado de comunicação com a empresa concessioná- ria encarregada da manutenção e com

mecanismos eficazes de acompanhamento

 

controle das medidas corretivas e de seus prazos de execução.

e

Luminárias

A

limpeza da carcaça, dos refletores e dos

O

envelhecimento das lâmpadas e a poluição

vidros difusores ou protetores é indispen-

atmosférica produzem perdas significativas nos níveis de iluminamento proporcionado pelas luminárias. A limpeza periódica e as trocas programadas podem restabelecer os índices de iluminamento projetados. Economiza-se tempo no campo e os reparos nos equipamentos são realizados na oficina de manutenção. As falhas são detectadas com precisão, evitando-se reparos indevidos, reincidência de falhas e danos em equipa- mentos sem defeitos. Pode-se, assim, obter um diagnóstico preciso sobre o desempenho dos equipamentos e alimentar com dados os cadernos de referência.

sável. A periodicidade deve ser determina- da em função do grau de poluição local, mas deve ser realizada no mínimo uma vez ao ano. A manutenção pode ser realizada com a troca completa da luminária, quando a sua constituição permitir um rápido e seguro encaixe mecânico junto ao braço de sustentação e perfeita conexão elétrica.

 

Realizar inspeções periódicas nos compo- nentes mecânicos, verificando níveis de corrosão e deterioração. Os aterramentos das estruturas metálicas e componentes elétricos devem também ser inspecionados periodicamente. Atenção à proteção e ao isolamento dos circuitos alimentadores. Todas as inspeções devem ser registradas e informadas de modo que suas recomendações possam ser implementadas, garantindo a segurança da população e dos operadores.

foram registrados inúmeros casos de

Demais componen- tes: postes, braços,

suportes e circuitos de alimentação

acidentes, inclusive fatais, com operadores e pedestres, em decorrência de falhas em redes

de iluminação pública. Estas falhas foram conseqüência da má conservação e da negligência na manutenção das suas instalações.

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

49

INTERVENÇÃO

ALTERNATIVAS

COMENTÁRIOS

Meio ambiente

Certificar-se de que os resíduos tóxicos provenientes do descarte de lâmpadas e capacitores estejam sendo manipulados com segurança e levados a destino final conforme imposições legais.

O “ascarel”, óleo cuja utilização como isolante elétrico foi proibida (1982), encontra-se ainda presente em capacitores e reatores antigos, que podem estar instalados em redes de iluminação pública.É altamente tóxico! O mesmo ocorre com os resíduos de mercúrio.

3.63.63.63.63.6 PPPPPrrrrrojetojetojetojetojetooooo dedededede IluminaçIluminaçIluminaçIluminaçIluminaçãoãoãoãoão PPPPPúblicúblicúblicúblicúblicaaaaa EEEEEficienficienficienficienficienttttteeeee

3.6.1 Ações de Melhoria em Sistemas Existentes

CONTEXTO

AÇÕES A EMPREENDER

RECOMENDAÇÕES

COMENTÁRIOS

Iluminação

Substituir lâmpadas incandescentes, mistas ou de vapor de mercúrio por lâmpadas de sódio de alta pressão ou multivapores metálicos (ver Tabela de Substituição de Lâmpadas abaixo)

Preferir lâmpadas de sódio e multivapores metálicos com ignitor. Algumas destas lâmpadas prescindem do uso do ignitor, sendo adaptadas diretamente às instalações de mercúrio que vão substituir. Estas lâmpadas têm, entretan- to, apresentado vida útil menor e grande perda no fluxo luminoso ao longo da mesma. A tabela que integra o próximo item apresenta sugestões para a substituição de lâmpadas. Em conformida- de com esta tabela as substituições proporcionam sempre um aumento no fluxo luminoso.

A

substituição de lâmpadas

deficiente

pode ser realizada por etapas em locais julgados prioritários ou com necessi- dade premente de manuten- ção. As lâmpadas e equipa- mentos retirados e em condições de uso deverão ser utilizados na manutenção corretiva, reduzindo a compra de materiais obsoletos.A maioria das lâmpadas multivapores metálicos é fabricada para o uso na posição de funciona- mento vertical

 

Escolher lâmpadas com o formato compatível com a conformação das luminárias existentes.

O

uso das luminárias

existentes é uma medida recomendável para reduzir custos. Para tanto, são necessárias adaptações possibilitando o alojamento dos ignitores e reatores.

50

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

CONTEXTO

AÇÕES A EMPREENDER

RECOMENDAÇÕES

COMENTÁRIOS

Iluminação

Substituir luminárias e reatores existentes por luminárias com maior rendimento e reatores com alto fator de potência

Escolher luminárias eficientes compatíveis com a sua classificação. Adotar reatores eficientes com fator de potência superior a 0,92, e verificar se o reator é compatí- vel com o local a ser instalado.

O

benefício advindo de um

deficiente

novo design melhora o rendimento final do sistema,

trazendo benefício com o aumento do índice de iluminamento no local.- Redução das perdas do conjunto ótico.

Ajustar a operação da rede de iluminação pública

 

Acendimentos prematuros

Preferir acionamento da rede de iluminação que leve em

conta a efetiva luminosidade natural. A tendência nesta área

ou em atraso podem ser evitados com a utilização de fotômetros de precisão.

 

é

a automação do

Simultaneidade no

acionamento com a adoção do

telecomando. Seu uso permite

acendimento é fator de segurança no tráfego. Ao se

o

controle preciso do tempo

prevenir acendimentos diurnos evitam-se desperdí- cios e a impressão de desleixo. O controle centralizado com telecoman- do possibilita, ainda, acionamento por zonas e também a redução de potência. A prática mais difundida para o controle de acionamento é a do relé fotoelétrico individual. Este sistema, contudo, dificulta a automação e os benefícios decorrentes e apresenta má qualidade no serviço, com acendimentos irregulares.

de utilização de energia elétrica e melhora sensivel- mente a qualidade do serviço. Dispositivos para redução de potência, com tempo programado, podem ser utilizados para diminuir o consumo de energia. Isto é acompanhado de redução do fluxo luminoso da lâmpada, o que só é aceitável para certas vias, em determinados horários.

Arborização

Estabelecer diretrizes para o desenvolvimento da arborização urbana de forma compatível com a qualidade requerida para a iluminação pública.

A

escolha da arborização deve

Problemas de interferência entre a iluminação pública e a arborização podem ser evitados com a implantação das mesmas em lados opostos nas vias, quando possível. Caso contrário, a adoção de luminárias adequadas é necessária para

ser adequada ao uso das vias,

evitando-se interferências com as redes de iluminação e de distribuição de energia elétrica.

 

se

preservar a arborização.

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

51

3.6.2 Sugestões para a Substituição de Lâmpadas, visando à melhor eficiência da Iluminação Pública

A tabela a seguir apresenta sugestões para a substituição de lâmpadas, indicando uma correspondência entre suas potências que possibilita a redução do consumo de energia elétrica e o simultâneo aumento no fluxo luminoso.

TABELA

DE

SUBSTITUIÇÃO

DE

LÂMPADAS

LÂMPADAS EXISTENTES

ALTERNATIVAS DE SUBSTITUIÇÃO

Lâmpadas de vapor de mercúrio

Lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão

80W

70W

125W

100W

250W

150W

400W

250W

700W

400W

Lâmpadas mistas

160W

70W

250W

100W

500W

150W

Lâmpadas incandescentes 100 a 300W

70W

500W

100W

1000W

150W

Lâmpadas fluorescentes tubulares 2 x 40W

70W

110W

70W

Fonte: Manual RELUZ, Eletrobrás/PROCEL, 2003

3.6.3 Concepção de Novas Instalações

PROJETOS

CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES

COMENTÁRIOS

Expansão e remodelação da

Os principais pontos a serem considerados na concepção de novos projetos ou na remodelação de redes são:

Projetos criteriosamente elaborados vão reduzir custos na implantação, no consumo de energia elétrica e na manutenção futura da rede de iluminação pública.Seus principais parâmetros de controle são o nível de iluminamento, a uniformidade e o controle de ofuscamento.A evolução da normalização em vários países vem indicando a utilização da luminância como grandeza a ser especificada para a elaboração dos projetos de iluminação

Rede de Iluminação Pública

zoneamento e classificação dos logradouros por tipo e conforme as características de uso, tráfego de veículos e pedestres;

níveis de iluminamento adequados;

escolhas das lâmpadas e luminárias;

localização dos pontos com luminárias;

52

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

PROJETOS

CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES

COMENTÁRIOS

Expansão e

cálculo do iluminamento.

pública. A vantagem desta mudança está no fato que ela indica a iluminação que chega ao observador, ao passo que a grandeza iluminamento indica o fluxo luminoso que incide sobre a via. Trata-se, portanto, de um procedimento mais preciso, porém de maior dificuldade de realização. Exige melhores características ópticas das luminárias e pavimentos, bem como medições de difícil realização com aparelhos especiais.

A NBR 5101 estabelece a classificação

remodelação da Rede de Iluminação

Pública (cont.)

geral dos logradouros, por zona e tipo, e fixa os níveis mínimos de iluminamento

conforme a intensidade de tráfego de veículos e de pedestres.

Lâmpadas com maior fluxo e rendimento luminoso, maior vida útil e menor perda no fluxo luminoso ao longo da mesma devem ser selecionadas. As luminárias devem ser escolhidas em função do tipo de lâmpada, possibilitando o melhor rendimento do conjunto.

Esta escolha permite maior espaçamento entre luminárias, mantendo-se níveis adequados de uniformidade e ofuscamento.

A

vida útil esperada para a lâmpada também

fica assegurada.

Preferir luminárias de fácil instalação e manutenção, com equipamentos auxiliares alojados na mesma.

É

uma característica desejada sobretudo

quando se têm em conta as dificuldades operativas em vias de grande intensidade de tráfego. Em caso de falhas, pode-se trocar o conjunto completo, luminária com lâmpada e

 

equipamentos auxiliares, e proceder à manutenção em oficina própria.

 

O

iluminamento mínimo no eixo da via

Para um mesmo conjunto lâmpada e luminária, grandes espaçamentos produzem um baixo fator de uniformidade, o que é indesejável. Proximidade excessiva implicará maior consumo de energia elétrica. No geral, obtém-se uma iluminação satisfatória com o espaçamento entre duas luminárias medindo de três a quatro vezes a sua altura em relação ao nível da via. Na maioria dos casos, entretanto, este espaçamento está fixado pelo uso do poste da rede de distribuição de energia elétrica. Neste caso, é o conjunto lâmpada e luminária que garantirá o bom iluminamento de via.

não deverá ser inferior a um quarto do iluminamento máximo no mesmo eixo. Ou seja, a uniformidade longitudinal deve ser superior a 0,25.A uniformidade geral

sobre as vias deve variar entre 0,05, para

as

vias de tráfego leve, até 0,2, para os

casos de vias de tráfego intenso.O nível de iluminamento mínimo, nestas mesmas situações, deve variar entre 3 lux até 50 lux.Trabalhando-se com a luminância, nas mesmas condições de via, os seus valores devem estar entre 0,5 cd/m 2 e 2 cd/m 2 respectivamente.

Os equipamentos auxiliares devem ser compatíveis com as lâmpadas selecionadas e devem apresentar alta qualidade de desempenho operacional.

Esta medida prolonga a vida útil das lâmpa- das e reduz o número das intervenções corretivas de campo. Deve-se ter rigor na especificação e na inspeção para recebimento destes materiais. Rejeitar aqueles que não correspondam às especificações.

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

53

PROJETOS

CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES

COMENTÁRIOS

Expansão e remodelação da Rede de Iluminação

Preferir o sistema de comando dos acendimentos e desligamentos por grupos de luminárias.

Possibilita melhor desempenho quanto à regularidade de funcionamento e controle do ofuscamento no início da noite e favorece a introdução de automação com telecomando.

Pública (cont.)

Estabelecer uma padronização própria de equipamentos e componentes da rede de iluminação pública para o Município. Cadernos de referência são de grande utilidade para o estabelecimento de especificações, acompanhadas de histórico de desempenho e de relatórios de qualidade.

A

padronização permite a racionalização dos

estoques, redução dos custos com a aquisição de seus itens, o treinamento de pessoal e o acompanhamento do desempenho dos equipamentos e componentes da rede de iluminação pública.Os cadernos de referência permitem o registro de informações relevan- tes que orientarão as especificações dos materiais e equipamentos, a elaboração de

 

novos projetos e de técnicas mais avançadas de manutenção. Trata-se da fixação do know- how no setor o que implica maior qualidade e economia para o serviço de iluminação pública.

3.6.4 Outros Projetos de Iluminação Pública

PROJETOS

CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES

COMENTÁRIOS

Iluminação

Empregar lâmpadas com alto índice de reprodução de cores, o que é mais coerente com os efeitos luminosos que se pretende produzir. Projetos para ilumina- ção de destaque exigem a competência de especialistas.

Valoriza o patrimônio histórico e cultural local

especial

e

embeleza praças, centros ou praias onde

ocorrem atividades sociais, culturais, comerciais, de lazer e turismo. A implantação deste tipo de equipamento urbano pode trazer benefícios significativos para a comunidade local, para visitantes e para a Administração Municipal.

Sinalização

Introduzir a nova tecnologia utilizando, por exemplo, os leds (diodos emissores de luz) para semáforos.

Apresentam alta eficiência luminosa e vida útil 100 vezes maior que as lâmpadas incandescentes. Oferece mais segurança devida à melhor visibilidade, além da grande economia de energia e nos custos de manutenção. Aumenta também a confiabili- dade do sistema.

semafórica

Passagem de

Para as áreas de passagem de pedestres, recomenda-se o uso de projetores.

São áreas onde medidas preventivas para a segurança contra a criminalidade, como a iluminação, são imprescindíveis.

pedestres

54

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

PROJETOS

CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES

COMENTÁRIOS

Favelas e

Projetos diferentes dos padrões usuais podem ser executados. Considerar o uso de lâmpadas fluorescentes compactas. Já existem no mercado luminárias adequadas ao seu uso em áreas externas.

Estas áreas, onde habita um grande número de famílias, não podem continuar desprovi- das do serviço de iluminação pública. Suas características, com traçado de vias irregula- res, exigem soluções originais e que podem contemplar o uso de iluminação de alta eficiência energética.

assemelhados

3.7 Marcos Legais

Constituição Federal de 1988 artigo 30.“Legislar sobre assunto de interesse social; suplementar a legislação federal e estadual no que lhe couber; instituir e arrecadar tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas; criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; organizar e prestar, direta- mente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local”.

Plano Nacional de Segurança – “AVANÇA BRASIL”

Resolução ANEEL nº 456/2000, artigo 2º item XXIV. Define que “a iluminação pública é um serviço que tem por objetivo prover de luz, ou claridade artificial, os logradouros públicos no período noturno ou nos escurecimentos diurnos ocasionais, inclusive aqueles que necessitam de iluminação permanente no perí- odo diurno.”

NORMAS E PADRÕES

A iluminação pública está sujeita à normalização específica, estabelecida pela ABNT e pela ANEEL. Entre as normas mais significativas, destacam-se:

Iluminação pública:

ANEEL Portaria 456/2000 – Condições gerais de fornecimento de energia elétrica. NBR 5101/1992 – Requisitos mínimos à obtenção de uma visibilidade imediata acurada e suportável. NBR 5461/1992 – Iluminação, terminologia. NBR 6146/1980 - Invólucros de equipamentos elétricos; proteção-especificação.

Luminárias:

NBR 10304/1988 – Luminária aberta para iluminação pública, lâmpadas a vapor de mercúrio de 80/125W e sódio 50/70W. NBR 10672/1989 – Luminária para iluminação pública, fechada para lâmpadas a vapor de mercúrio 250 e 400W.

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA

55

Lâmpadas:

NBR IEC 60188/1997 – Lâmpada a vapor de mercúrio de alta pressão. NBR IEC 60662/1997 – Lâmpada a vapor de sódio de alta pressão. NBR IEC 61167/1997 - Lâmpada a vapor metálico.

Reatores:

NBR 13593/1996 – Reator e ignitor para lâmpadas a vapor de sódio de alta pressão – Especificação e ensaios. NBR 5170 – Reator para lâmpadas de mercúrio de alta pressão – Ensaios. NBR 5125/1996 – Reator para lâmpada vapor de mercúrio a alta pressão. NBR 14305/1999 – Reator e ignitor para lâmpada a vapor metálico – requisitos e ensaio.

Relés:

NBR 5123/1992 – Relés fotoelétricos – Especificação.

56

PRÉDIOS

PÚBLICOS

4 Prédios Públicos

4.1

Introdução

Na Matriz Energética Brasileira, o consumo de energia elétrica nos prédios públicos representa cerca de 3% do total de energia. A resultante deste consumo está vinculada aos padrões tecnológicos e de eficiência energética dos diversos sistemas e equipamentos instalados, às suas características construtivas e arquitetônicas, ao clima local, à atividade a que se destina e à orientação e hábitos dos usuários quanto ao uso racional dos recursos.

Distribuição do perfil de consumo de energia elétrica em prédios públicos.

de consumo de energia elétrica em prédios públicos. Fonte: Orientações gerais para conservação de energia

Fonte: Orientações gerais para conservação de energia elétrica, 2002 – ELETROBRÁS/PROCEL.

Algumas características arquitetônicas devem ser pensadas por ocasião do projeto, como a orientação geográfica, forma da edificação, uso de vidros, isolamentos térmicos, cores internas e externas, sombreamento, processo construtivo e outras. Estes fatores, compatibilizados com os projetos eficientes de iluminação e ar- condicionado, são oportunidades significativas de ganhos de conforto ambiental e de eficiência energética nas edificações Estes mesmos elementos devem ser considerados na implementação de medidas de eficiên- cia às edificações existentes. A adoção de equipamentos tecnologicamente mais avançados e eficientes re- duz o consumo de energia e o impacto ambiental.

PRÉDIOS

PÚBLICOS

57

As medidas visam à conservação da energia elétrica e de recursos financeiros públicos. A eliminação dos desperdícios pode gerar recursos que são contabilizados durante toda vida útil dos projetos, permitindo que sejam utilizados em outras atividades prioritárias da Administração Pública, como saúde e educação.

É de suma importância a criação da UGEM nos moldes da Comissão Interna de Conservação de Energia – CICE, para implantar e consolidar as ações de eficiência energética, conforme descrito no Capítulo 1 – Gestão Energética Municipal.

Uma das categorias do“Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica”, reconhece experiências com projetos de Prédios Públicos Eficientes no uso eficiente da energia elétrica. Vale a pena participar.

4.2 Pontos-Chaves

Substituir lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas, e fluorescentes normais por mode- los eficientes com reatores eletrônicos.

Avaliar a possibilidade de utilizar sistema informatizado de gerenciamento de energia elétrica.

Estabelecer rotinas administrativas quanto ao uso eficiente dos sistemas de iluminação, ar-condicio- nado e dos demais equipamentos dos prédios.

Programar os equipamentos de escritório, como monitores, impressoras a laser e copiadoras, para funcionar no modo econômico, reduzindo o consumo de energia dos mesmos.

Utilizar motores eficientes nas bombas, compressores e máquinas; avaliar o fator de potência dos motores. Se necessário, fazer a correção dos mesmos e controlar seu horário de funcionamento.

Fazer avaliações periódicas dos sistemas funcionais do edifício. Evitar desperdícios contínuos de ener- gia e buscar soluções inteligentes para reduzir os custos operacionais e aumentar o conforto e a qualidade ambiental do prédio.

Verificar os contratos de fornecimento de energia elétrica com vistas ao uso adequado de sua utiliza- ção (ver Capítulo 8 - Revisão do Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica).

4.3 Edificação e Equipamentos

Existem diversos tipos de prédios públicos, tais como escolas, hospitais, postos de saúde, delegacias, prédios administrativos etc. Cada tipo de edificação deve ser projetado, construído e reformado para melhor atender às funções para as quais é criado ou transformado, considerando sempre as características climáticas locais. As especificidades no uso dos prédios determinam diferenças na arquitetura e nos equipamentos ou siste- mas instalados em cada prédio.

58

PRÉDIOS

PÚBLICOS

edificação, de acordo com seu uso e localização, pode possuir os seguintes sistemas prediais consumido- res de energia elétrica:

A

iluminação e tomadas de energia;

ar-condicionado;

bombeamento de água e esgoto;

aquecimento de água e ar;

elevadores;

refrigeração e;

outras utilidades de menor consumo.

O sistema corrente de iluminação normalmente adotado nos prédios públicos caracteriza-se pelo uso de

lâmpadas incandescentes e lâmpadas fluorescentes de 40W com reatores eletromagnéticos de baixo fator de potência e luminárias de baixa eficiência. Ainda é muito comum o uso de instalações com controle centrali- zado de circuitos, sem interruptores setorizados nos ambientes de trabalho.

O sistema típico de condicionamento de ar nos prédios públicos caracteriza-se pelo uso de aparelhos de

janela, que são muitas vezes instalados e/ou utilizados inadequadamente devido à sua exposição à radiação solar, ao sub ou superdimensionamento e à manutenção inadequada.

Nos prédios de maior porte, com sistema de ar-condicionado central, verifica-se, em geral, a baixa eficiên- cia energética deste sistema devido à idade e ao padrão tecnológico, à inexistência ou funcionamento inade- quado dos instrumentos e estratégias de controle, em especial nas unidades resfriadoras de ar – fan coils – e na central de água gelada (CAG), assim como à baixa qualidade operacional e de manutenção.

As bombas de recalque raramente utilizam motores de elevada eficiência, como também carecem, na sua maioria, de controle de horário de funcionamento.

Os sistemas de refrigeração de alimentos utilizam equipamentos padronizados, como refrigeradores e freezer, e, em casos excepcionais, compressores em câmeras frigoríficas. Pelas características próprias de utilização, são de funcionamento contínuo e raramente estão baseados em equipamentos de máxima eficiência, com selo do PROCEL.

Aquecimento de água para grandes volumes normalmente é usado através de um boiler elétrico, que é um reservatório isolado e com uma resistência elétrica e um dispositivo de controle de temperatura, como tecnologia alternativa temos um sistema semelhante em que o aquecimento é feito através de coletores solares.

PRÉDIOS

PÚBLICOS

59

Transporte vertical ou elevadores são um sistema de tração elétrica de uma cabine sustentada por vários cabos de aço, polias e um contrapeso; os sistemas de acionamento são de corrente contínua; é um motor assíncrono acionando um gerador síncrono de corrente contínua que gera energia e alimenta o motor de corrente contínua acoplado ao redutor de velocidade que movimenta a cabine , ou acionamento de corrente alternada com motor assíncrono, ligado direto ao redutor de velocidade que movimenta a cabine

4.4 Gerenciamento e Manutenção dos Prédios Públicos

A Gestão Energética dos Edifícios Públicos, incluindo a fase de planejamento e execução de obras, requer a

adoção de estratégias gerenciais adequadas. Estas estratégias devem considerar a importância de realizar

levantamentos dos sistemas elétricos existentes nos edifícios, investigar hábitos de uso da edificação e dos sistemas elétricos implantados, conhecer a opinião dos usuários e técnicos do edifício sobre a qualidade dos sistemas instalados e formar grupos de trabalho que executem ou contratem diagnósticos energéticos, obras

e serviços selecionados, envolvendo as equipes de manutenção e de técnicos do edifício.

Apresenta-se, a seguir, o roteiro básico para a realização de diagnósticos energéticos em prédios:

1) LEVANTAMENTO DE DADOS DAS CONTAS DE ENERGIA ELÉTRICA:

Levantamento de dados da série histórica das contas de energia dos 12 ou 24 meses anteriores, organizan- do as informações fundamentais (consumo em kWh, demanda em MWkW, fator de potência, fator de carga, multas, ajustes, valores em reais) que devem ser incluídas no SIEM. Os dados históricos devem ser analisados para a definição do padrão médio de uso de energia realizado e esperado, após a implementa- ção das medidas selecionadas. O acompanhamento das contas de energia deve ser atualizado mensal- mente, fazendo-se o controle e o acompanhamento, através dos relatórios emitidos pelo SIEM, evitando- se, assim, o pagamento de multas ou desperdícios de energia.

2) LEVANTAMENTO DOS DADOS FÍSICOS DO PRÉDIO E DE SEUS SISTEMAS ELÉTRICOS:

Esta etapa refere-se ao levantamento de todos os dados da edificação e de seus sistemas elétricos visando ao planejamento das ações de eficiência energética a serem implementadas. Posteriormente estas infor- mações também devem ser incluídas no SIEM.

3) SUGESTÕES DE MEDIDAS A SEREM IMPLEMENTADAS:

Alterações de tarifa ou contrato de demanda de energia elétrica, otimizando-os em função do padrão de uso.

Gestão do uso da energia no edifício. Por exemplo, evitando, na medida do possível, a limpeza fora do horário de uso da edificação.

Evitar equipamentos de escritório permanentemente ligados.

60

PRÉDIOS

PÚBLICOS

Realizar manutenção periódica dos equipamentos e sistemas, evitando fugas de corrente, luminárias e filtros sujos, circuitos e motores sobrecarregados, circuitos desbalanceados e outros. Veja a seguir, o item 4 de Manutenção.

Substituir equipamentos existentes por equipamentos mais eficientes energeticamente.

4) MANUTENÇÃO:

A

manutenção é de suma importância para garantir a redução dos desperdícios de energia elétrica. A

manutenção inadequada aumenta o desgaste dos equipamentos instalados, reduzindo a vida útil, a efici-

ência e incrementando o consumo, acarretando aumento das faturas de energia elétrica para o adminis- trador, além da redução do conforto para os usuários da edificação.

É importante o cadastro atualizado dos equipamentos, verificando o estado corrente de conservação, ida- de e limpeza.

4.5 Projeto de Prédio Público Eficiente em Energia Elétrica

4.5.1 Ações sobre as Instalações Existentes

A partir do levantamento de dados relativos ao uso de energia na edificação e do registro deles, deve-se

proceder à seleção das ações visando à redução do desperdício de energia. Há uma metodologia indicada, utilizada para a elaboração do PLAMGE, no Capítulo 1 – Gestão Energética Municipal.

A seguir são apresentadas as principais oportunidades de redução de desperdícios nos diversos sistemas

operacionais de um edifício:

A ELETROBRÁS, por meio do PROCEL, apóia o desenvolvimento socioeconômico dos Municípios atra-

vés da eficiência energética nos prédios públicos e nas edificações com os programas PROCEL EPP e PROCEL EDIFICA e com a Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE. As formas de procedimento estão disponíveis no Manual de Prédios Eficientes em Energia Elétrica, com informações mais detalha- das a respeito deste assunto. Informe-se em www.rce.org.br.

PRÉDIOS

PÚBLICOS

61

SISTEMA

AÇÃO

COMENTÁRIO

Substituição de

Substituir as lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes compactas.

Esta substituição deve ser feita especialmente quando o uso médio diário for superior a seis horas. Considerar a relação de potência na troca e observar sua adequação às normas.

lâmpadas, reatores

e luminárias

 

Substituir as lâmpadas fluorescentes de 40W por fluorescentes de 32 ou 28W. Substituir as lâmpadas fluorescentes de 20W por fluorescentes de 16 ou 14W.

Esta substituição deve incluir a troca dos reatores eletromagnéticos por reatores eletrônicos de alto fator de potência.

Substituir as luminárias de baixa eficiência por luminárias de alta eficiência.

Considerar a utilização de luminárias de alumínio anodizado, especular ou material similar.

Melhorar a qualidade da iluminação.

Adequar os equipamentos às tarefas desem- penhadas nos ambientes, respeitando as normas vigentes.

Retrofit de

Melhorar a eficiência das luminárias.

Instalar refletores de alumínio anodizado, especular ou pintar com epóxi branco. Melhorando a eficiência, poderá haver uma redução da potência da luminária (4 lâmpa- das para 2 ou de 2 para 1, com respectivas alterações nos reatores).

luminária

Iluminação natural

Aproveitar ao máximo a iluminação natural.

Compatibilizar, sempre que possível, o uso da iluminação natural com a artificial, conside- rando os ganhos de carga térmica que podem estar associados e avaliando os benefícios que podem resultar deste uso.

Controle de

Controlar os sistemas de iluminação.

Avaliar a possibilidade de utilização de interruptores, sensores ou controladores. Evitar os circuitos controlados por um único disjuntor. Setorizar os circuitos de iluminação em cada ambiente de trabalho. Setorizar os circuitos mais próximos das janelas, a fim de aproveitar iluminação natural.

iluminação

Adequação de capacidade dos sistemas de ar- condicionado

Avaliar a adequação do sistema instalado às necessidades do edifício.Observar o estado de conservação das instalações.- Dimensionar corretamente a capacidade dos aparelhos ou dos sistemas de ar- condicionado.

Considerar a idade do sistema. Em caso de substituição total, dimensionar os sistemas em função da área do ambiente condicionado

e

da carga térmica estimada. Instalar segundo

 

as normas, evitando a insolação direta e a a

proximidade ao chão.

Substituição de

Substituir equipamentos antigos e ineficientes por equipamentos eficientes.

O

mercado já dispõe de equipamentos com

equipamentos de

elevado padrão de eficiência energética (Selo do Procel). Avaliar periodicamente as condições de funcionamento dos equipa- mentos e implantar um processo de substitui- ção gradual baseado na eficiência energética.

ar-condicionado

62

PRÉDIOS

PÚBLICOS

SISTEMA

AÇÃO

COMENTÁRIO

Retrofit do sistema atual de ar- condicionado

Renovar os sistemas de ar-condicionado central.

Fazer um retrofit das instalações para a otimização energética. Se necessário, instalar válvulas de duas vias e variadores de freqüên- cia nas bombas, implantar o ciclo economizador (controle entálpico) e sistemas de controle para o gerenciamento integrado do sistema.

Termoacumulação

Avaliar a possibilidade de utilizar a termoacumulação.

Analisar a oportunidade de implantar um sistema de termoacumulação, de gelo ou água gelada, para ser utilizado no horário de ponta. Seu uso ocorre, principalmente, em edifícios de grande porte e com funciona- mento contínuo.

Redução das perdas de água

Promover campanha incentivando a redução do consumo de água de modo a diminuir o consumo de energia elétrica. Instalar torneiras e descargas economizadoras. Eliminar vazamentos de água. Avaliar a possibilidade do aproveitamento da água da chuva.

Já existem no mercado equipamentos economizadores e temporizadores, reduzindo o consumo de água e energia.

Controle do ar- condicionado

Gerenciar adequadamente o uso do ar-condicionado.

Sendo um dos principais consumidores de energia de uma edificação, sua utilização deve ser evitada no horário de ponta. Controlar com programação horária ou com sistemas de controle.

Transporte vertical

Respeitar a capacidade de transporte do elevador.Estabelecer rotinas de operação com desligamento nos horários de menor demanda.

Fazer retrofit nos sistemas antigos.Gerenciar o fluxo de trafego, que permita o desligamento de elevadores em horários de menor fluxo de passageiros.

Bombas hidráulicas

Troca de motores para motores de alto rendimento. Eliminação de vazamentos de águas. Dimensionamento correto da bomba estabelecendo o ponto de operação correto (vazão x altura manométrica). Para sistemas maiores usar conversores de freqüência.

Manutenção constante dos motores e do sistema hidráulico (eliminação de vazamentos). Não fazer reenrolamento de motores e fazer a substituição por um novo de alto rendimento. Aplicar tecnologia mais eficiente no uso de bombas e aplicação de conversor de freqüência.

Redução da carga térmica

Considerar a possibilidade de substituição dos materiais existentes por outros energeticamente mais eficientes.Avaliar a possibilidade de utilizar materiais isolantes, filmes reflexivos sobre os vidros, vidros reflexivos, cores claras nas fachadas, brises ou outros elementos de proteção à radiação solar direta nas fachadas etc.

Reduzir a absorção de carga térmica através das coberturas, paredes e esquadrias, diminuindo o desconforto térmico e o consumo de energia. Incorporar dispositivos no Código de Obras e Edificações do Municí- pio, que visem assegurar o conforto ambien- tal e o planejamento urbano e o uso eficiente da energia elétrica.

PRÉDIOS

PÚBLICOS

63

SISTEMA

AÇÃO

COMENTÁRIO

Compras eficientes

As compras devem privilegiar os modelos energeticamente eficientes com o Selo Procel e o Caderno de Encargos de Compras de Equipamentos do Município.

Materiais e equipamentos empregados na edificação devem ser comprados consideran- do os padrões de eficiência energética definidos pelo Município.

Uso eficiente dos equipamentos de escritório

Configurar os computadores, impressoras e máquinas copiadoras para o modo econômico.

Esta medida pode ser realizada sem investimento e pode reduzir o consumo de energia elétrica destes equipamentos em cerca de 50%.

Acompanhamento do uso e das despesas de energia

Acompanhar o consumo de energia e o valor das faturas.

Evitar o pagamento desnecessário de demanda contratada acima da registrada, de ultrapassagens de demanda e de ajustes de fator de potência.

Sistema de

Avaliar a possibilidade de utilização de um sistema informatizado de gerenciamento de energia elétrica.

Este sistema auxilia a gestão energética através do acompanhamento dos consumos e gastos com energia, gerando relatórios periódicos e alertando sobre problemas.

gerenciamento de

energia

4.5.2 Concepção de Novas Instalações

A construção de uma edificação demanda o consumo de energia elétrica ao longo de todo o seu processo.

Trataremos neste item somente das possibilidades de redução do consumo de energia elétrica durante o uso da edificação.

Neste sentido, a etapa de elaboração do projeto de arquitetura é determinante do perfil de consumo que

a edificação assumirá quando construída. A inclusão dos princípios de eficiência energética no planejamento

da edificação definirá o seu desempenho em relação ao consumo de energia elétrica e o conforto ambiental, tendo em vista as possibilidades de economia que podem resultar do uso de métodos passivos de iluminação (iluminação natural) e climatização (ventilação natural), e ainda da otimização do uso da água nos edifícios.

Estabelecer instrumentos legais como, Plano Diretor, Código de Obras e Edificações, e o Caderno de Encar- gos de Compras de Equipamentos, visando ao planejamento integrado de ações de eficiência energética nos Municípios, é de suma importância, visto que são instrumentos básicos de planejamento para a política inte- grada de desenvolvimento do Município.

Os projetos de arquitetura com a visão do conforto ambiental levam em consideração um ambiente sau- dável que atenda às necessidades orgânicas dos usuários com o menor consumo de energia possível, consi- derando basicamente condições higrotérmicas (temperatura e umidade), lumínicas e acústicas, qualidade do ar, condições de microclima e entorno externo.

64

PRÉDIOS

PÚBLICOS

A seguir são apresentadas algumas dicas para projeto e construção de uma edificação eficiente do ponto

de vista energético:

Elaborar o projeto considerando os aspectos climáticos e ambientais da região.

Criar condições para que as equipes de arquitetos, engenheiros e projetistas dos projetos complementa- res (ar-condicionado, iluminação etc.) façam uma análise crítica dos projetos arquitetônicos e de instala-

ções do edifício, para garantir que sejam especificados e detalhados os procedimentos e conceitos adotados para a maximização da eficiência energética da edificação. Se possível, deve-se simular o comportamento energético do edifício com softwares específicos.

Estudar a possibilidade de utilizar as sombras das árvores no entorno da edificação para melhorar o clima interno.

Implantar a edificação considerando: posição do sol, regime de ventos, existência de reservas naturais, legislação local, construções vizinhas, seus gabaritos etc. Estas medidas podem reduzir a carga térmica

incidente e proporcionar condições favoráveis ao uso da iluminação e da ventilação naturais.

Avaliar a possibilidade de utilização da ventilação natural no futuro edifício. Selecionar esquadrias compa- tíveis com as necessidades locais, atentar para o seu posicionamento e orientação nas fachadas e adequar suas dimensões aos requisitos de conforto ambiental. Quando o uso de sistemas de condicionamento de

ar for imprescindível, dotar a edificação com condições de compatibilizar o uso deste sistema ao uso da

ventilação natural em determinados períodos do dia.

Sempre que possível, conceber os espaços internos da edificação voltados para as fachadas, considerando

suas dimensões em relação às possibilidades de serem naturalmente iluminados e ventilados.

Usar materiais e acabamentos adequados à região e às suas características climáticas. Isolar o calor, o frio e

a umidade, sempre que necessário. Estar atento aos ganhos de carga térmica através das fachadas e da

cobertura, utilizando materiais isolantes e/ou reflexivos.

Evitar fachadas de vidro expostas à radiação solar direta por períodos prolongados. Quando não for possí- vel, utilizar elementos sombreadores ou vidros reflexivos e com baixa capacidade de absorção de calor.

Dar preferência às cores claras para as superfícies da edificação, pois, no exterior do edifício, absorvem menos calor do que as escuras e, no interior, reduzem a carga de iluminação artificial.

Definir corretamente a capacidade de cada aparelho de ar-condicionado de janela em função da área do ambiente. Dar preferência aos equipamentos de maior eficiência (Selo PROCEL) e evitar instalá-los expos- tos ao sol.

Utilizar sistemas de aquecimento de água centralizado, a gás, elétrico ou solar.

Especificar equipamentos, motores, bombas etc., adequados às necessidades e com alto rendimento (Selo PROCEL). Caso o edifício tenha muitos equipamentos com motores e reatores eletromagnéticos, fazer um estudo do fator de potência das instalações e, se necessário, prever a instalação de um banco de capacitores.

Considerar a possibilidade de utilização de sistemas integrados de automação predial (controlador de de- manda), que podem gerar inúmeros benefícios operacionais, reduzir custos diretos e indiretos com a ope- ração e manutenção dos edifícios e favorecer a gestão dos usos de energia elétrica.

PRÉDIOS

PÚBLICOS

65

Projetar o sistema de iluminação dos ambientes considerando o uso de equipamentos (luminárias, lâmpa- das, reatores) eficientes. A economia gerada com o uso destes equipamentos compensa o investimento inicial.

Distribuir racionalmente os circuitos de iluminação, permitindo a compatibilização do uso da iluminação natural e artificial, através do acionamento parcial nos compartimentos naturalmente iluminados. Usar interruptores, sensores ou controladores horários.

Além destas dicas, todas as ações listadas no item 5.1 - Ações Sobre as Instalações Existentes, também devem ser observadas na concepção de novas instalações.

A manutenção adequada do edifício é fundamental para se garantir a redução do desperdício e para man-

ter os padrões de eficiência. A falta de manutenção acelera rapidamente a depreciação dos equipamentos instalados, tornando-os mais suscetíveis a problemas e gerando desperdícios que poderiam ser evitados atra- vés do acompanhamento contínuo. Ou seja, a falta ou insuficiência de manutenção gera aumento de despe- sas para o administrador e redução de conforto para os usuários do edifício.

Para a realização de uma manutenção eficaz nos edifícios, a etapa de levantamento de dados, já mencio- nada anteriormente, é fundamental. O conhecimento dos equipamentos e de seu atual estado de conserva- ção permitirá a implementação de manutenção mais adequada ao bom desempenho da edificação.

O uso de energia elétrica, na maioria dos edifícios, está concentrado nos sistemas de iluminação, ar-condi-

cionado e equipamentos diversos, como elevadores, computadores, copiadoras etc. A manutenção deve ser priorizada sobre estes sistemas e equipamentos de forma a garantir que os mesmos mantenham-se, na maior parte da sua vida útil, em condições ótimas de funcionamento.

Para qualquer sistema a ser mantido devem ser definidas as rotinas e tarefas de manutenção, conforme tabela a seguir, que passam necessariamente pelos seguintes passos:

Fazer um levantamento de dados detalhado do parque de equipamentos ou sistemas a serem mantidos, determinando as características individuais, essas informações deverão estar disponibilizadas no SIEM.

Definir a equipe de manutenção e as responsabilidades de cada funcionário. Relatórios devem ser elabora- dos para acompanhar os serviços e os benefícios obtidos nas ações realizadas.

Programar o serviço de limpeza dos ambientes, preferencialmente durante o dia, fora do horário de ponta, desligando a iluminação e os equipamentos utilizados após a conclusão da limpeza.

Definir os fornecedores e acompanhar o estoque, avaliando custos médios, velocidade de circulação da mercadoria em estoque e grau de atualização tecnológica e eficiência energética.

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PRÉDIOS

PÚBLICOS

Utilizar o SIEM no auxílio do gerenciamento da manutenção, mantendo o histórico de cada equipamento, sistema ou grupo. Paralelamente, manter controle de determinadas necessidades do estoque e da estrutu- ra de pessoal, gerando automaticamente ordens de serviço a partir de atividades pré-programadas (manu- tenção preventiva) ou solicitações (manutenção corretiva). A criação de um grupo voltado para o controle do uso eficiente de energia, pode se basear e se estruturar na CICE (ver Capítulo I). CICE.

SISTEMA / EQUIPAMENTO

ATIVIDADES BÁSICAS DE MANUTENÇÃO

Luminárias

Manter limpas para permitir a reflexão máxima da luz.Melhorar a eficiência com troca ou retrofit.

Lâmpadas