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O Livro de Crescimento de Igreja História, Teologia e Princípios The Book of Church Growth

O Livro de Crescimento de Igreja

História, Teologia e Princípios

The Book of Church Growth

Thom S. Rainer

2009

Tradução: Josiane Kraft Dionisio Fonseca

Prefácio

Talvez mais que qualquer outro evento até hoje, a publicação de “O Livro do Crescimento de Igrejas” marca o início da era do Movimento de Crescimento de Igrejas. Thom Rainer executou o que muitos veteranos do crescimeto da igreja tem desejado por anos um bom livro para o ensino sobre o Crescimento de Igrejas. O livro “Entendendo Crescimento de Igrejas” de Donald McGavran (Eerdmans), agora em sua terceira edição, revisada e atualizada, continuará sendo um clássico fundamental do movimento. Ninguém será capaz de se dizer profissional com habilidade na área sem ter lido e assimilado esse livro. Entretanto, “Entendendo Crescimento de Igrejas” possui limitações. Como trabalho pioneiro, reflete o que Thom Rainer chama de “A Era McGravan”, quando as idéias de uma pessoa são estabelecidas como paradigmas básicos para que outros sigam, portanto é limitado e obsoleto. Muito foi acrescentado ao Movimento de Crescimento de Igrejas desde 1970, quando o livro foi publicado pela primeira vez. A segunda geração de líderes do Crescimento de Igrejas, aqueles que estudaram diretamente com McGravan nos anos de 1960 e 70, não possuem inclinação para escrever um livro compreensível. Antes, escolheram dirigir suas pesquisas e escritos para áreas mais específicas do Crescimento de Igrejas sugeridas, tanto explícita como implicitamente, pelos escritos de McGravan. Através das contribuições da segunda geração, o Movimento de Crescimento de Igrejas começou a amadurecer. Thom Rainer é um notável representante da terceira geração. Ele não estudou com McGravan ou Wagner. Não possui certificado do Seminário Fuller. Começou sua observação no Movimento de Crescimento de Igrejas apenas como um praticante neutro na área, que não tinha profundo interesse em ver almas ganhas para Cristo e igrejas se multiplicando. Se, em sua opinião, os princípios do Crescimento de Igrejas ajudassem a acelerar a evangelização em sua comunidade e no mundo, ele os adotaria. Se não, ele rapidamente procuraria por ajuda em outro lugar. Assim como O Livro do Crescimento de Igrejas mostra, Dr Rainer gostou do que viu. Gostou o suficiente para decidir dedicar duas facetas de sua carreira para seguir o Crescimento de Igrejas. Thom Rainer é uma daquelas raras combinações de estudioso e praticante. Então, decidiu, antes de tudo, dedicar a pesquisa e os escrito de seu Ph.D. ao assunto. Segundo, ele pessoalmente aplicou os princípios do Crescimento de Igrejas em seu ministério pastoral e, como resultado, viu igrejas crescerem. Como pastor da Igreja Batista de Green Valley, ele viu o número de membros chegar a 1.700 e a igreja ainda está crescendo. Menciono isso apenas para dizer que não conheço alguém mais qualificado para escrever o primeiro verdadeiro livro do Movimento de Crescimento de Igrejas. Sinto-me privilegiado por conhecer Thom pessoalmente e sentir que seu coração está em Deus e Seu Reino. Estou impressionado com a amplitude de seu trabalho. Rainer abrange a área desde Roland Allen até livros relevantes publicados apenas dois meses antes de eu ler o manuscrito. Esse não é um livro apenas para seminários e escolas bíblicas, mas para pastores e líderes de igreja, independente de onde estejam e qual seja denominação religiosa. Se você quer tirar sua igreja do ponto morto e move-la vigorosamente para frente, para a glória de Deus, não encontrará fonte melhor que O Livro do Crescimento de Igrejas que você está prestes a ler.

C. Peter Wagner Seminário Teológico de Fuller Pasadena, Califórnia

Agradecimentos

Meus alunos da Escola Beenson Divinity em Birmingham, Alabama, sempre me ouviram falar sobre a necessidade de um trabalho de introdução geral sobre o Movimento de

Crescimento de Igrejas. O encorajamento e força deles desempenharam um papel importante na escrita “dO Livro”, o nome que deram ao projeto. Estou em dívida com todos meus alunos

de Beenson, os estudantes mais capazes e talentosos, com quem me associei.

Um agradecimento especial à Broadman Press e ao editor desse livro, John Landers. O Livro do Crescimento de Igrejas foi minha primeira experiêcia em publicações com a Broadman

e não me desapontei. John Landers e seus bons assistentes acrescentaram clareza e

organização ao meu livro, enquanto me davam liberdade para expressar pensamentos e idéias. Sou abençoado por ser pastor da Igreja Batista de Green Valley, uma igreja que tiveram uma visão de muitas das idéias expressas nesse livro. Minha talentosa e alegre secretária, Virginia Barksdale, contribuiu com esse livro de inúmeras maneiras. Ela me mantém organizado, quando meu mundo seria uma desordem. Todo o maravilhoso staff da igreja de Green Valley merece reconhecimento por se unirem a mim e por me permitir testar minhas idéias e sonhos. Expresso minha mais profunda gratidão a todos do staff, especialmente ao grupo da essência ministerial: Chuck Carter, Charles Dorris, Marrion (Bubba) Eubank, Tim Miller e Rhonda Freeman. Sem o apoio de dois de meus mentores, O Livro do Crescimento de Igrejas nunca se tornaria realidade. Lewis A.Drummond, que agora é professor Billy Graham de evangelismo e Crescimento de Igrejas na Escola Beenson Divinity, encorajou minha busca por pesquisar o Crescimento de Igrejas enquanto era um aluno do doutorado no Seminário Teológico Batista do Sul. C. Peter Wagner, que me honrou grandemente ao escrever o prefácio desse livro, tem me dado horas de entrevistas e correspondências, e centenas de páginas de materiais pertinentes. Ele é a razão primária de permancer convencido de que os melhores dias do Movimento de Crescimento de Igrejas estão por vir. O leitor verá a influência do Dr. Wagner do começo ao fim desse livro. O Livro do Crescimento de Igrejas, de várias maneiras, é um projeto familiar. Meu irmão Sam Ranier Jr., deu um generoso suporte técnico e um amável encorajamento ao seu irmãozinho. Sam é realmente o escritor talentoso da família. Peggy Dutton, mais conhecida por Peggy Sue, deve ser incluida na família Rainer. Peggy Sue digitou todo o manuscrito, revisou o trabalho, e redigitou quando necessário. Em incontáveis ocasiões, ela recebeu meus três filhos em sua casa, quando o pai deles precisava de uma tempo a sós para escrever. Que essas poucas palavras possam ser uma prova de minha profunda gratidão a Peggy Sue. Em muitas maneiras, somos produtos de nossos anos de formação. Agradeço a Deus por minha mãe, Nan Rainer, que nunca parou de me apoiar, nunca parou de acreditar em mim,

nunca parou de orar por mim e nunca parou de me amar. Ele tem sido uma fonte constante de ânimo para esse livro e para minha vida. A memória de seu esposo e meu pai, Sam Rainer Sr., tem me fortalecido em meus momentos de fraqueza. A maior parte do crédito desse livro, entretanto, vai para a bela dama chamada Nellie Jo Ranier, e três presentes de Deus, chamados Sam Ranier III, Art Rainer e Jess Rainer. Meus três garotos nunca deixaram de orar pelo papai e por tudo o que faço. Nenhum pai poderia ser mais abençoado que eu. O amor de uma esposa foi minha motivação terrestre para continuar escrevendo com as datas de entrega se aproximando e as pressões aumentando. Jo não foi apenas minha primeira revisora, mas também usou sua própria habilidades em Crescimento de Igrejas para melhorar esse livro. Com seu olho aguçado para detalhes e sua habilidade de

indentificar-se com o futuro leitor resultou em muitos aperfeiçoando. Agradeço a você, Jo, pelas incontáveis horas que colocou nesse livro. Acima de tudo, obrigado por me amar e por ser me apoiar por mais de quinze anos. Uma palavra final. Há, mais ou menos, vinte e cinco anos atrás, em Union Springs, Alabama, um treinador de futebol americando do colegial, chamado Joe Hendrickson me apresentou o Salvador cuja igreja escrevo nesse livro. Nunca agradeci meu treinador pela eterna diferença que fez em minha vida, e não sei onde ele está hoje. Talvez, de alguma maneira, essas palavras o encontrem, treinador. Obrigado por ter se preocupado tanto com uma criancinha faminta para contar a ela sobre o Pão da Vida. Que Cristo edifique Sua igreja.

Introdução

Foi um começo incomum. Eu era um estudante em uma aula de seminário, lidando com questões contemporâneas da missão Cristã. Um dos requerimentos do curso era um trabalho de pesquisa , e o tópico deveria ser escolhido de uma lista dada pelo professor. Entre os assuntos naquela lista estavam duas palavras: “Crescimento de Igrejas”. Fiquei curioso. O que o Crescimento de Igrejas tinha a ver com missão? Por que aquele tópico era uma questão contemporânea “árdua”? Decidi escrever sobre Crescimento de Igrejas. Esse começo incomum, porém, tomou um outro rumo quando pedi alguma bibliografia sobre o assunto ao professor. Quase todos os livros que ele me recomendou tinha uma forte inclinação contra o Crescimento de Igrejas. Foi minha primeira amostra de algumas das fortes emoções que emerge desde que o Movimento de Crescimento de Igrejas começou em 1955. Muitos pastores, funcionários da igreja, e membros leigos têm sido expostos a algum tipo de Crescimento de Igrejas. Eles já tinham ouvido falar de C. Peter Wagner, Donald McGravan, George Hunter ou Elmer Towns. Eles talvez já tinham ido a alguma conferência lidando com questões críticas como pessoas que nasceram durante o baby boom, adoração contemporânea, Igrejas CAMEO (venha e conheça os outros) ou crescimento da Escolas Dominicais. Ainda que talvez, muitos dos interessados em Crescimento de Igrejas conhecem pouco do “grande quadro”. O que exatamente é Crescimento de Igrejas? Como o grande movimento começou? Onde está apoiado? Quais os principais princípios que o movimento tem defendido por quase quarenta anos? O objetivo desse livro é introduzir os leitores ao “grande quadro” do Crescimento de Igrejas. O livro é dividido em três grandes seções: história, teologia e princípios. Cada seção é independente, e também integralmente ralacionada com as outras. Aqueles com interesse na história contemporânea da igreja podem pesquisar primeiro na história do Movimento de Crescimento de Igrejas. Os teólogos que lerem esse livro, podem começar pela parte dois, que lida com a teologia do Crescimento de Igrejas. Muitas das críticas contra o movimento têm sido teológicas e, certamente, é justo perguntar se o Crescimento de Igrejas tem fundamento teológico. Finalmente, os pragmatistas podem decidir pular as duas primeiras partes para descobrir os princípios do crescrimento da igreja. Afinal, o movimento começou com alguém perguntando: “Por que algumas igrejas crescem e outras não?” Crescimento de Igrejas é um movimento pragmático, e seus princípios foram escritos anos antes de alguém escrever sobre sua história ou teologia. Um livro que tenta ser tão compreensível quanto este, carece em detalhes. Por exemplo, capítulo 19 trata da liderança e do Crescimento de Igrejas, assunto de um livro inteiro de C. Peter Wagner 1 . Espero que cada capítulo forneça bibliografia suficiente para aqueles desejosos de estudar uma área em maior detalhe. Ainda que escrito por um defensor do Crescimento de Igrejas, este livro busca apresentar uma visão objetiva do movimento. Examinará contribuições assim como críticas. Algumas das críticas refletem um conhecimento superficial do Crescimento de Igrejas (“Eles apenas se interessam por números!”). Outros, talvez, tenham mérito nos primeiros anos do movimento (“Eles parecem não se importar com interesses sociais.”). O que mais tem me impressionado sobre os líderes do Crescimento de Igrejas, entretanto, é a mente aberta e a vontade de mudar. Se alguma crítica foi justificada, aqueles

1 C. Peter Wagner, Liderando sua igreja ao crescimento (Ventura, CA: Reagal, 1984). Esse livro é um clássico da literatura de Crescimento de Igrejas. Pastores, em especial, apreciarão o discernimento que Wagner dá ao papel dela no Crescimento de Igrejas.

líderes se ajustam adequadamente. Talvez seja o espírito pacificador e a atitude receptiva que ganhou muitos críticos e levou o Crescimento de Igrejas a se tornar a voz de credibilidade no evangelismo ao fim do século vinte. Muitos anos atrás, perguntei a C. Peter Wagner o que ele esperava ser a contribuição do Movimento de Crescimento de Igrejas. Despretensiosamente, ele respondeu que seu alvo máximo é que o movimento glorifique a Deus. Para um passo significativo, acredito que o alvo foi alcançado. Se este livro, em uma pequena medida, alcançar o mesmo alvo, então descansarei com a certeza que o meu trabalho não foi em vão.

Conteúdo

Parte I A História do Movimento de Crescimento de Igrejas

1. A História do Movimento de Crescimento de Igrejas

09

2. Os Precursores do Crescimento de Igrejas

13

3. Nasce Um Movimento, 1955 1970

16

4. Um Movimento se Luta e Cresce, 1970 1981

20

5. A Era Wagner, 1981 1988

25

6. Rumo ao Século XXI, 1988 em diante

30

Parte II A Teologia do Crescimento de Igrejas

7. Uma Abordagem Sistemática da Teologia do Crescimento de Igrejas

36

8. Bibliologia e Crescimento de Igrejas

42

9. Teologia e Crescimento de Igrejas

46

10. Cristologia e Crescimento de Igrejas

50

11. Pneumatologia e Crescimento de Igrejas

55

12. Angeologia e Crescimento de Igrejas

60

13. Antropologia, Hamartiologia e Crescimento de Igrejas

64

14. Soteriologia e Crescimento de Igrejas

67

15. Eclesiologia e Crescimento de Igrejas

72

16. Escatologia e Crescimento de Igrejas

79

Parte III Princípios do Crescimento de Igrejas

17. Princípios do Crescimento de Igrejas

84

18. Oração: O Poder Por Trás dos Princípios

86

19. Liderança e Crescimento de Igrejas

93

20. Laicidade, Ministério e Crescimento de Igrejas

98

21. Plantação de Igrejas e Crescimento de Igrejas

102

22. Evangelismo e Crescimento de Igrejas

108

23. Adoração e Crescimento de Igrejas

113

24. Encontrando as Pessoas

120

25. Receptividade e Crescimento de Igrejas

125

26. Planejar, Definir Alvos e Crescimento de Igrejas

133

27. Instalações Físicas e Crescimento de Igrejas

136

28. Assimilação, Recuperação e Crescimento de Igrejas

139

29. Pequenos Grupos e Crescimento de Igrejas

142

30. Sinais e Prodígios e Crescimento de Igrejas

147

31. O Movimento de Crescimento de Igrejas: Um Apêndice

155

Parte I A História do Movimento de Crescimento de Igrejas

1

A História do Crescimento de Igrejas

Alunos como Mark se tornam fáceis de reconhecer. Mark veio à sessão de abertura da minha aula de Crescimento de Igrejas no seminário e sentou-se na fileira de trás, chamando a atenção. Ele absorveu tudo o que eu falava. Na terceira aula, ele já fazia muitas perguntas para debater. Mark era o clássico cético sobre o Crescimento de Igrejas. A minha recompensa como professor veio no final do ano. Em avaliação da classe, Mark escreveu essas palavras: “Dr. Rainer, assisti suas aulas para cumprir o requerimento para a formatura. Inicialmente, não tinha desejo de estudar cresimento da igreja. Por muitas razões, minha atitude para com o Crescimento de Igrejas era muito negativo. Percebo agora, que minha atitude era o resultado de muita informação errônea. Mesmo não tendo “comprado” tudo sobre Crescimento de Igrejas, sinto-me muito positivo sobre as contribuições do movimento. Obrigado por „limpar o ar‟. Nas páginas seguintes, espero “limpar o ar” – prover informações sobre um dos mais empolgantes desenvolvimentos no cristianismo do século XX. Nesta seção, veremos como o movimento começou e o que levou ao seu nascimento. Veremos as distintas eras do Crescimento de Igrejas, e os esforços e vitórias de cada era. Veremos um movimento que entrou em uma era de maturidade, ganhando aceitação na grande comunidade evangélica. Antes de começar essa jornada, é necessário introduzir e definir alguns termos e conceitos básicos.

O que é Crescimento de Igrejas?

Por serem tão comuns, as palavras “Crescimento de Igrejascausam uma certa confusão sobre o significado preciso da frase. Quando a Sociedade Norte Americana para Crescimento de Igrejas escreveu sua constituição, incluiu uma comprida definição de Crescimento de Igrejas:

Crescimento de Igrejas é a disciplina que investiga a natureza, expansão, nascimento, multiplicação, função e saúde das igrejas Cristãs enquanto se relacionam com a implementação efetiva da incumbência de Deus para “fazer discípulos em todas as nações” (Mat. 28:18-20). Estudantes do Crescimento de Igrejas esforçam-se para integrar os eternos princípios teológicos com os melhores critérios das contemporâneas ciências social e comportamental, empregando como estrutura inicial de referência, o trabalho fundamental de Donald McGravan. 2

Essa definição, mesmo prolixa, inclui alguns dos princípios básicos do Crescimento de

Igrejas. Crescimento de Igrejas é uma disciplina. Uma disciplina é uma área de estudo ou sistema com características distintas. Crescimento de Igrejas é aceita ao redor do mundo como uma disciplina merecedora de reconhecimento. Aulas na área são ensinadas em incontáveis seminários e faculdades de Bíblia e cadeiras de professor de Crescimento de Igrejas têm crescido em número. Conferências relacionadas à disciplina são realizadas todas as semanas, em vários lugares do mundo. Consultor de Crescimento de Igrejas se tornou uma profissão respeitada. Livros, direta ou indiretamente relacionados com Crescimento de Igrejas, poderiam encher uma pequena biblioteca. Crescimento de Igrejas está interessado em fazer discipulos. Não é meramente uma ênfase em contar números. Enquanto o evangelismo, no sentido de converter pessoas, é

2 C. Peter Wagner. Strategies for Church Growth (Ventura, CA: Regal Books, 1987), 114

de vital interesse, o coração do Crescimento de Igrejas é fazer desses novos Cristãos discipulos de Jesus Cristo. A maioria dos líderes do Crescimento de Igrejas considera “ser um membro da igreja com responsbilidade” como o barômetro para o discipulado 3 . Crescimento de Igrejas integra as ciências sociais e comportamentais para ajudar a determinar como as igrejas crescem. Por exemplo, estudos demográficos são uma das muitas ferramentas do Crescimento de Igrejas. Enquanto demografia não é, necessariamente, um conceito bíblico, também não deixa de ser. Qualquer ferramenta ou método que não é contrário a Bíblia pode ser utilizada em Crescimento de Igrejas. Crescimento de Igrejas, como movimento dos dias modernos, começou com o trabalho de Donald Mcgravan na Índia. Seu livro Bridges of God (As Pontes de Deus), publicado em 1955, é a “certidão de nascimento” do Crescimento de Igrejas. Estudaremos sobre ele e sua vasta contribuição por todo o livro. Algumas tentativas têm sido feitas para simplificar a definição de Crescimento de Igrejas. Wagner, por exemplo, disse que “Crescimento de Igrejas significa tudo que está envolvido em trazer homens e mulheres, que não tem um relacionamento pessoal com Jesus Cristo, à congregação e a se tornarem membros com responsabilidade” 4 . Mesmo essa definição sendo concisa, falha por não mencionar as ciências social e comportamental e o fundador do movimento, Donald Mc Gravan. Talvez, então, podemos definir Crescimento de Igrejas sem toda a verbosidade da primeira definição, mas com mais detalhes que a definição de Wagner: Crescimento de Igrejas

é a disciplina que procura entender , através de estudos bíblicos, sociológicos, históricos e comportamentais, por quê as igrejas crescem ou declinam. O Crescimento de Igrejas acontece quando a “Grande Comissão” de discípulos são colocados e evidenciados pelos responsáveis e frutíferos membros da igreja. A disciplina começou com o trabalho fundamental de Donald McGravan.

O Que é “O Movimento de Crescimento de Igrejas”?

Os próximos capítulos irão prover uma história e um resumo bem detalhado do Movimento de Crescimento de Igrejas. Por agora, uma definição básica irá introduzir o termo: O

Movimento de Crescimento de Igrejas inclui todos os recursos de pessoas, instituição e publicações dedicadas a explicar os conceitos e a prática do crescimentoda igreja, começando com o trabalho fundamental de Donald McGravan em 1955.

No próximo capítulo veremos vários dos fatores que levaram ao nascimento do movimento. Também veremos algumas pessoas chave que influenciaram McGravan.

Que Tipo de Crescimento é Crescimento de Igrejas?

Uma igreja pode crescer por um fator ou a combinação de três fatores. Crescimento biológico acontece quando os membros da igreja têm filhos. Da perspectiva de Crescimento de Igrejas, o crescimento biológico é a fonte de menos interesse, pois o recém-nascido não é um discípulo de Cristo, como evidenciado pelo resposável, frutífero membro da igreja. Crescimento por transferência acorre quando uma igreja cresce à custa de outra igreja. Se uma pessoa estava inativa em sua antiga igreja, ou se uma pessoa teve pouca oportunidade para um crescimento espritual, o crescimento pela transferência pode ser positiva pelos padrões

3 Veja a discussão de Wagner em Strategies for Church Growth, 53-54.

4 C. Peter Wagner, Your Church Can Grow, ed. Rev. (Ventura, CA: Regal Books, 1984), 14.

do Crescimento de Igrejas. Uma mudança como essa poderia resultar ao novo membro um grande distanciamento do discipulado. Em contraste, muitas das igrejas que têm como fonte primária o crescimento pela transferência são as beneficiárias da “troca de ovelhas”, o que raramente resulta em Cristãos profundamente comprometidos. Crescimento pela conversão acontece quando pessoas se comprometem com Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Esse compromisso, quando evidenciado pelo responsável membro da igreja, é a maior preocupação das pesquisas e esforços do Crescimento de Igrejas. Wagner e outros proponentes do Crescimento de Igrejas usam outras tipologias populares de evangelismo e Crescimento de Igrejas ao descreverem os parâmetros do movimento. Evangelismo envolvido em Crescimento de Igrejas é evidente em algumas de suas definições. Uma tipologia usa quatro classificações diferentes de acordo com as pessoas que estão sendo evangelizadas. E-0” ou “evangelismo-zero” acontece quando as pessoas que já são membros da igreja são evangelizadas. Quando essas pessoas fazer um compromisso com Cristo, o evangelismo assume seu lugar, mas a igreja não experimenta um crescimento quantitativo. “E-1” ou “evangelismo um” éo evangelismo que acontece fora da igreja, mas dentro do mesmo grupo cultural. Poucas barreiras precisam ser superadas quando o evangelho é compartlhado com alguém do mesmo meio cultural do que evangelismo em culturas diferentes. Tipicamente, a linguagem, a comida, os costumes e as experiências de vida, tanto do evangelista quanto do receptor da mensagem do evangelho, são muito similares. “E-2” ou “evangelismo dois” e “E-3” ou “evangelismo três” são tipos de evangelismo em culturas diferentes. Aquele que evangeliza deve alcançar pessoas em uma cultura diferente da sua. Tipicamente, o evangelismo “E-2” é compartilhar o evangelho com pessoas de uma cultura diferente, mas similar. Por exemplo, americanos evangelizando pessoas da França seria considerado “E-2”, mas, americanos evangelizando chineses, uma cultura mais distante, se encaixaria na categoria “E-3”. O Crescimento de Igrejas também poderia ser classificado em quatro tipos distintos de crescimento. Crescimento interno é a maturidade espiritual dos membros. Como membros individuais de um corpo espiritualmente maduro através da adoração, do estudo da Bíblia, oração, serviço e manifestação dos frutos do Espírito, o corpo unido cresce em força. Nos primeiros anos do Movimento de Crescimento de Igrejas, o crescimento quantitativo era, virtualmente, sinônimo de Crescimento de Igrejas. Agora, escritores, como Wagner, também incluem crescimento interno ou espiritual como uma categoria de Crescimento de Igrejas. Crescimento de expansão é o crescimento numérico de uma congregação local. O tipo de crescimento de expansão mais mencionado pelo Movimento de Crescimento de Igrejas é o crescimento pela conversão. Os membros saem para o mundo, ganham pessoas para Cristo, e trazem eles para a lista de membros da igreja. Crescimento de ampliação é o Crescimento de Igrejas que é sinônimo de criação de igrejas. Novos conversos da mesma cultura como a mãe igreja se reunem em novas congregações. Evangelismo “E-1” pode resultar em crescimento de ampliação. Crescimento de conexão também é uma forma de criar igrejas, mas os novos conversos são de uma cultura diferente daquela do evangelizador. Tanto evangelismo “E-2” como “E-3” podem resultar em crescimento de conexão, dependendo da distância cultural do evangelizado e do evangelizador.

Qual a Diferença entre Evangelismo e Crescimento de Igrejas?

Dependendo do entendimento de evangelismo, a definição de Crescimento de Igrejas pode ter envolvimento significante com evangelismo. Por exemplo, Lewis Drummond define evangelismo como “um esforço planejado para confrontar um descrente com a verdade sobre Jesus Cristo e suas alegações, e para desafia-lo com a visão de leva-lo ao arrependimento a Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo, desta maneira, para a comunidade da igreja”. 5 Enquanto o “crescimento por conversão”, para usar a terminologia do Crescimento de Igrejas, é o alvo primordial do evangelismo. A definição de Drummond também inclui “comunhão da igreja” como evidência de que o processo evangelístico está completo. Se tal definição de evangelismo é aceita, Crescimento de Igrejas e evangelismo são bem similares. A maioria das definições de evangelismo se preocupa apenas com a proclamação do evangelho, com o desejo de levar alguém a Cristo. Nessa noção, evangelismo pode ou não levar ao Crescimento de Igrejas. A igreja apenas experimentará o crescimento se a conversão leva-lo à comunidade da igreja. O Crescimento de Igrejas, então, na noção mais estrita da definição, é mais compreensível que o evangelismo. Uma igreja pode experimentar o crescimento vindo do evangelismo, mas também pode crescer pelo crescimento biológico e pela vinda de outros Cristãos. Enquanto você ouve e lê material de defensores do Crescimento de Igrejas, notará uma óbvia inclinação por Crescimento de Igrejas que também é crescimento do reino. Nesse respeito, evangelismo e Crescimento de Igrejas são parentes próximos. 6

Onde o Conceito de Crescimento de Igrejas Começou?

É surpreendente ver como os conceitos de Crescimento de Igrejas rapidamente se espalharam nos últimos anos. Denominações importantes, que antes eram grandes críticos do movimento, estão publicando materiais e livros difundindo os princípios do Crescimento de Igrejas. Seminários estão criando cadeiras para professores dedicados ao Crescimento de Igrejas. O movimento se tornou ansiosamente aceitável ao nível das igreja locais que conferências e convenções sobre Crescimento de Igrejas são muito freqüentadas. Precisamos reconhecer que os conceitos defendidos pelo Movimento de Crescimento de Igrejas são tão antigos quanto os primeiros anos da igreja de Atos. Citar 1955 como o “nascimento” do movimento, negligencia maiores eventos históricos como o reavivamento dos séculos XVII e XVIII; as contribuições evangelísticas de homens como John Wesley, George Whitefield e Charles Spurgeon; a abordagem metodológica de Charles Finney; ou o movimento das escolas dominicais adotado pela Convenção Batista do Sul. Esses e outros fatores são influências significantes no Crescimento de Igrejas atual. Esse livro, entretanto, foca, especificamente, no movimento que começou com o trabalho missionário de Donald McGravan. Onde o movimento começou? Como cresceu tão rapidamente e onde está a liderança do movimento? Nos próximos capítulos responderemos essas e outras questões. Primeiramente, porém, examinaremos os fatores que influenciaram e levaram ao Movimento de Crescimento de Igrejas moderno.

5 Lewis A. Drummond, Leading your church in Evangelism (Nashville: Broadman, 1975), 21. 6 Para uma discussão mais aprofundada, veja C. Peter Wagner, “Evangelism and the Church Growth Movement” in Thom S. Rainer, ed., Evangelism in the Twenty-First Century (Wheaton, IL: Harold Shaw, 1989). Wagner discute os aspectos da organização, educação, teologia, preocupações sociais, eclesiologia e metodologia de duas áreas.

2

Os Precursores do Crescimento de Igrejas

Mesmo 1955 sendo a data reconhecida como o nascimento do Movimento de Crescimento de Igrejas, muitos fatores precipitaram e influenciaram o movimento, anos antes de seu início oficial. Quanto tempo antes deveríamos pesquisar para descobrirmos esses fatores? Movimentos históricos no livro de Atos influenciaram diretamente o movimento, como é evidenciado pelas freqüentes referências a Atos na literatura de Crescimento de Igrejas. Esse capítulo, porém, mostrará as influências diretas de Donald McGravan, fundador do movimento. Devemos lembrar que McGravan estava no campo missionário na Índia, quando escreveu o livro fundamental, “The Bridges of God” (As Pontes de Deus), em 1955. Seu entendimento do que “missão” significava, o influenciou grandemente e, eventualmente, influenciaram o Movimento de Crescimento de Igrejas.

O Entendimento de McGravan Sobre Missões Cristãs

O que significa ser missionário? Qual é o primeiro propósito da missão Cristã?

Missiologia é um campo de estudo que examina essas e outra importantes questões sobre missão Cristã. Alguns missiologistas colocam a muita ênfase nas boas ações: hospitais, ajuda a agricultores e dar assistência em projetos de construção. Outros vêem a educação e a construção de escolas como os principais trabalhos da missão. A maioria dos trabalhos evangelísticos na missiologia dá ao evangelismo um papel proeminente, senão prioritário, nas missões. Evangelismo, ou uma ênfase em converter não-Cristãos a Cristo, é a maior preocupação das missões que influenciou a abordagem de Donald McGravan, em seu chamado na Índia.

McGravan seguiu o caminho iluminado por missionários como Henry Martyn e William Carey, que viram a salvação de almas como a prioridade das missões Cristãs. Igualmente, o Movimento dos Estudantes Volutários, cuja influência ainda se sente no início da carreira

missionária de McGravan, enfatizado pela conversão de indivíduos como o propósito primário das missões. Sob a liderança de John Mott, Robert Speer e Herman Rutgers, o movimento mobilizou milhares de estudantes americanos e europeus a entregarem sua vida ao trabalho missionário, com o alvo de “evangelizar o mundo nesta geração”.

O conceito de conversão como a tarefa primária das missões é essencial para o

pensamento do Crescimento de Igrejas. Outra importante fonte de pensamento, entretanto, é o conceito da eclesiocentricidade, definido como uma estratégia missionária centrada na igreja. Essa influência em McGravan é evidente em muitos escritos sobre Crescimento de Igrejas, nos dias de hoje. Esses escritos enfatizam a importância de novos conversos se tornarem ativos na congregação de uma igreja local. Eles salientam que o evangelismo não está completo até que um discipulado em uma igreja local seja evidente. Líderes missionários como Henry Venn, no século XVIII, e Rufus Anderson, no século XIX, consideram as igrejas locais como central dos empenhos missionários. Enquanto o evangelismo continuava sendo a tarefa central, também era crucial estabelecer igrejas nativas para desenvolver novos crentes em discípulos da Grande Comissão. O entendimento de McGravan da missão Cristã é duplo: primeiro, conversão do perdido; segundo, uma estratégia centrada na igreja para o discipulado.

Influências de McGravan no Campo Missionário

Donald McGravan viu as mais importantes tarefas do missionário que são evangelizar o perdido e, simultaneamente, estabelecer igrejas nativas, nas quais os discípulos podem crescer. Enquanto servia na Índia, McGravan sentiu que deveria colocar suas crenças em ação por três influências significativas. As duas primeiras influências eram homens com quem ele teve grande afinidade. A terceira influência era a situação particular da missão em que estava servindo. Roland Allen. Roland Allen foi um missiologista com propósito único. Em seu livro, The

Spontaneous Expasion of the Church and the Causes Which Hinder It (O Espontâneo

Crescimento de Igrejas e as causas que o impedem), contém o tipo de ousadia e feroz pragmatismo que tipifica muito dos escritos do Crescimento de Igrejas nos dias atuais. Allen corajosamente declara que a igreja em seu tempo esqueceu os métodos missionários mostrados no Novo Testamento. A igreja, ele disse, estava negligenciando os princípios bíblicos necessários para um Crescimento de Igrejas, enquanto seguiam métodos e tradições não bíblicos. Uma das tradições seguidas foi criar intituições para atividades missionárias. Allen acreditava que instituições tiravam recursos humanos e fianceiros, que poderiam ser melhor utilizados para propagação da fé. Allen via com suspeita qualquer princípio que pudesse impedir o Crescimento de Igrejas . Como as palavras de Allen assemelham-se aos futuros escritos de McGravan e o Movimento de Crescimento de Igrejas! J. Wakson Pickett. Enquanto a ousadia de Allen motivou McGravan, a pesquisa do bispo metodista J. Wakson Pickett fez com que o pai do Crescimento de Igrejas entrasse em ação. A pesquisa de Pickett mostrou que 134 estações missionárias no centro da Índia (onde McGravan servia) cresceu apenas 12% em dez anos. Assustado com o lento crescimento e poucas trocas de idéia, McGravan começou a pesquisar sobre Crescimento de Igrejas, em sua área, vendo estatísticas desde 1918. Quando a pesquisa de Pickett foi publicada com o nome de Christian Mass Movements in India (Movimentos Cristãos de Massa na Índia), em 1933, McGravan se tornou um discípulo entusiasmado, aprendendo como as pessoas se tornavam Cristãs através de movimentos de massa. Eventualmente, os dois homens se uniram a dois outros autores em 1936 para publicar uma pesquisa adicional em um livro entitulado Church Growth and Group Converstions (Crescimento de Igrejas e Conversas de Grupo). McGravan escreveu a dedicação. Esse livro precedeu o nascimento do Movimento de Crescimento de Igrejas em quase duas décadas; ainda assim as palavras pareciam tão pragmáticas e zelosas como nos escritos do Crescimento de Igrejas nos dias de hoje: “Dedicado aos homens e mulheres que trabalham para o crescimento das igrejas, descartando teorias sobre o Crescimento de Igrejas que não funcionam, e aprendendo e praticando padrões produtivos que realmente levam pessoas ao discipulado e aumentando a Família de Deus”. 7 A influência de Pickett sobre McGravan pode ser sentida ainda hoje no Crescimento de Igrejas em pelo menos três áreas. Abordagem pragmática. A abordagem pragmática para as missões, de Pickett, é proclamada pelos defensores do Crescimento de Igrejas hoje: se é bíblico e se contribui para o crescimeto da igreja, então faça. Movimentos de massa. Pickett apresenta a McGravan os “movimentos de massa”, que, mais tarde, McGravan chamou de “movimentos de pessoas”, porque movimentos de massa implicam “aceitação a Cristo pelas grandes massas de maneira impensada” 8 . McGravan explicou as espeficidades do movimento: “As pessoas se tornam Cristãs como se uma onda de

7 J. W. Pickett, A. L. Warnshuis, G. H. Sigh e D. A. McGravan, Church growth and Group conversation, 5 a ed. (South Pasadena, CA: William Carey Library, 1973). A primeira edição foi publicada em 1936. 8 D. A. McGravan, The Bridges of God (New York: Friendship Press, 1955), 13

decisões por Cristo limpasse a mente do grupo, involvendo muitas decisões individuais, mas sendo meramente uma soma. Isso pode ser chamado de reação em cadeia. Cada decisão leva

a uma outra e a soma total, poderosamente, afeta todo indivíduo. Quando as condições estão

corretas, não apenas cada sub-grupo, mas o grupo inteiro preocupado decide junto”. 9 Receptividade. Talvez o princípio de Crescimento de Igrejas mais claro, que veio de Pickett para McGravan para o Crescimento de Igrejas moderna é o pricípio da receptividade. Pessoas receptivas são aquelas que estão mais propensas a ouvir positivamente a mensagem do evangelho como um resultado de uma crise pessoal, dislocamento social e/ou o trabalho interno do Espírito Santo. Ambos, Pickett e McGravan, enfatizaram que recursos de pessoa, dinheiro e energia, em um mundo com recurso limitados, deveriam ser dirigidos a pessoas que estão mais propensas a ouvir e obedecer o evangelho de Jesus Cristo. Não negligencie pessoas não receptivas, eles dizem, mas use a maior parte dos recursos para alcançar o maior número de pessoas que desejam receber a Cristo. A Situação da Missão de McGravan. McGravan foi grandemente influenciado por Allen e Pickett. Ele se voltou a esses homens como mentores, por causa de sua grande preocupação com a situação de sua missão em particular. Não fosse pela perspectiva triste de seu trabalho missionário, o Movimento de Crescimento de Igrejas, como conhecemos, não seria concebido. A discussão de sua situação na Índia, é vital para nosso entendimento dos eventos que levaram a data de nascimento, 1955, do crecimento da igreja. McGravan se preocupou primeiro com a situação de sua missão em particular, nos anos de 1930, quando ele era um secretário executivo e tesoureiro da Sociedade Missionária Cristã Unida na Índia. Suas responsbilidades incluiam a supervisão de oitenta missionários, cinco hospitais, muitas escolas, esforços evangelísticos e uma casa de hanseníase. Apesar dos enormes recursos gastos em sua missão, McGravan estava profundamente perturbado que, após muitas décadas de trabalho, a missão tinha apenas de vinte a trinta igrejas, e todas elas não estavam tendo nenhum crescimento.

McGravan deixou sua posição administrativa, e passou seus próximos dezessete anos criando igrejas e pesquisando sobre Crescimento de Igrejas. Seu interesse aumentou ao

estudar as 145 estações missionárias na Índia. Das 145 estações, apenas 11 estavam mantendo

o ritmo de crescimento da população da Ídia! Ainda assim, nove estações tinham dobrado em

apenas três anos, a maioria com conversões de adultos. Ele se perguntava de novo e de novo:

“Como calcular crescimento e não crescimento em situações idênticas, em que, presumivelmente, os missionários têm sido igualmente fiéis?” Questões como essas estão por trás das pesquisas de Crescimento de Igrejas nos dias de hoje. A situação missionária de McGravan, e a percepção de que as oportunidades para o evangelismo estavam se perdendo a cada dia, deu-lhe a noção de urgência do dever. Foi essa noção de urgência que o levou para fora da administração e para dentro das igrejas e das pesquisas; seus anos de pesquisa, enfim, o levaram a escrever The Bridges of God, o livro que sinalizou o Movimento de Crescimento de Igrejas. No próximo capítulo testemunharemos o nascimento do Crescimento de Igrejas, e veremos os primeiros anos decisivos sob a liderança de Donald McGravan.

9 Ibid., 12, 13

3

Nasce Um Movimento

(1955-1970)

Donald Anderson McGravan nasceu em Damoh, Índia, em 15 de dezembro de 1887. Filho de pais missionários, John Grafton McGravan e Helen Anderson McGravan. Seus avós também eram missionários. McGravan foi para a América para fazer faculdade e pós-graduação. Em 1923, ele tinha três diplomas, e voltou aos Estados Unidos para receber o doutorado em Filosofia, pela Universidade de Columbia, em 1936. Após sua ordenação pelos Discípulos de Cristo em 1923, McGravan voltou para a Índia como um missionário indicado pela Sociedade Missionária União Cristã. Sua primeira atribuição foi superintender o sistema de escolas missionárias em Havda. Essa posição foi seguida pela atribuição administrativa, como diretor de Educação Religiosa para a Missão da Índia e, subsequentemente, como o secretário-tesoureiro. Sua experiência na Índia incluiu administração hospitalar, educação, evangelismo rural, criação de igrejas e pesquisa. McGravan també se envolveu com a tradução do Novo Testamento para o Chattisgarhee, uma língua indiana. Ele também produziu um filme retratando a vida dos missionários, entitulado “Amor

que constrange”.

Depois de doze anos de serviço missionário, McGravan começou a se indagar sobre o Crescimento de Igrejas. Influenciado pelos trabalhos de Pickett, o Conselho da Província da Índia Central pediu para McGravan investigar a falta de crescimento nas igrejas indianas. Resultado de seus estudos foi publicado em 1936 sob o título de Missões Cristãs na Índia Central. Em 1956, o trabalho foi publicado com o novo títulode Crescimento de Igrejas e Conversas em Grupo, a terceira edição do livro. A quinta edição do livro foi publicada em 1973. Agora, o interesse de McGravan em Crescimento de Igrejas se transformou em paixão. Entre 1936 e 1953, ele acumulou uma grande quantidade de idéias e pesquisas sobre Crescimento de Igrejas. Em 1953, a esposa de McGravan tomou para si a responsabilidade pela missão, para que ele pudesse se isolar em uma retirada para a floresta. Foi desejo dele, juntar duas décadas de seu pensamento sobre o Crescimento de Igrejas. Mal sabia McGravan que estava escrevendo um livro que marcaria o início de um novo e grande movimento missiológico.

As Pontes de Deus

Depois de terminar sua pesquisa, McGravan completou o manuscrito em apenas um mês. Ele mandou seu trabalho para o Senhor Kenneth Grubb da World Dominion Press, que pediu muitas mudanças. O problema primário expresso por Grubb era a nova terminologia no livro. “Movimento de pessoas”, “aperfeiçoando” e “discipulando” eram termos que Grubb queria que fossem mudados para termos de uma linguagem mais tradicional. McGravan se recusou a fazer essas mudanças, e as primeiras palavras do vocabulário do Crescimento de Igrejas estavam criadas. Em 1955, The Bridges of God (As Pontes de Deus) foi publicado, nascia, então, o Movimento de Crescimento de Igrejas. As reações ao livro foram imediatas. Resenhas negativas e positivas foram publicadas em todos os continentes. Alguns dos mais conhecidos missiologistas receberam a publicação com muito entusiasmo. Kenneth Scott Latourette, historiador missiológico e da igreja, escreveu na introdução do livro: “Ao atento leitor desse livro será como um sopro de ar fresco, estimulando-o a desafiar programas herdados e se aventurar corajosamente por caminhos nunca antes testados. É um dos mais importantes livros sobre métodos missionários que

aparece em muitos anos”. George F. Vicedom elogiou: “Esse é, em muitos respeitos, um livro

revolucionário e o autor deve ser felicitado por sua coragem em escreve-lo. Ninguém conseguirá lê-lo sem se sentir estimulado a repensar a diretriz missionária em muitas terras”. Discussão e debate continuariam por muitos anos. Wagner resumiu a discussão de The Bridges of God em quatro áreas principais:

teológica, ética, missiológica e processual.

O debate teológico se centrou no conceito de McGravan sobre evangelismo. Ele via o

evangelismo como mais que apenas proclamar o evangelho; insistia que a evangelização seria incompleta até que a pessoa se tornasse um responsável discípulo de Cristo. Depois, defensores do Crescimento de Igrejas, como C. Peter Wagner veriam membros ativos na igreja como evidência de discipulado responsável. Em outras palavras, evangelismo efetivo poderia ser medido por crescimento numérico da igreja. À questão ética concerne o pragmatismo de McGravan. Ele levou a sério, e literalmente, a ordem de Cristo de fazer discípulos. Não era suficiente jogar as sementes, e esperar que Deus

produzisse os resultados. Responsabilidade final era o lema de McGravan, e essa responsbilidade acontece ao avaliar os resultados numéricos. Críticos dizem que um pragmatismo com esso poderia resultar em tentativas com muita pressão para persuadir pessoas a tomarem sua decisão ao lado de Cristo. Eles temem que as pessoas se tornem apenas vitórias estatísticas.

A questão missiológica pode produzir o maior debate pelas próximas três décadas. A

típica abordagem Ocidental para o evangelismo era pregar um evangelho individualista e esperar as decisões por Cristo uma a uma. McGravan observa que um maior número se tornava Cristão tomando decisões indivíduais coletivamente: famílias, familiares, vilas, tribos, etc. Esse processo de conversão é chamado de “Movimento de público”. McGravan percebeu que os evangelistas mais eficazes eram aqueles que procuravam ganhar pessoas de sua própria raça, pessoas de dentro de sua própria cultura, classe, tribo ou família. A controvérsia que surgiu

resultou do princípio da unidade homegênea. “Os homens desejam se tornar Cristãos sem ter que cruzar barreiras sociais, lingüísticas ou de classe”. Esse princípio é um resultado para o conceito de movimento de público.

A final e maior questão no Pontes de Deus era a questão processual. McGravan disse

que o principal dever é o discipulado, levando descrentes a ter um compromisso com Cristo e uma comunhão ativa na igreja. McGravan também disse que o aspecto discipulando da Grande Comissão (Mat. 28:19) era um estágio distinto e separado do passo de “ensinar todas as coisas”, o que ele chamou de aperfeiçoando. Quando o aperfeiçoando acontece, a comunidade como um todo começa a viver um completo estilo de vida Cristão. A prioridade de McGravan do discipulando sobre o aperfeiçoando foi criticado nos fundamentos processual, explanatório e ético.

As Pontes de Deus, no entanto causou seu impacto. McGravan logo foi muito solicitado como palestrante. Ele foi convidado como professor visitante das missões em sete escolas diferentes em um período de três anos. A mensagem do Crescimento de Igrejas começou a alcançar um público maior.

O Movimento se Torna uma Instituição

A longevidade do Movimento de Crescimento de Igrejas pode ser atribuido, em grande

medida, ao início da institucionalização do movimento. Enquanto McGravan viaja e ensinava, ele sonhava em fundar uma instituição que carregasse os princípios do Crescimento de Igrejas. Seu sonho se tornou realidade em 1960, quando a Faculdade Cristã do Noroeste em Eugene,

Oregon o convidou para localizar seu Instituto de Crescimento de Igrejas em seu campus. O Instituto começou em operação total em 1961. McGravan explicou os princípios do instituto.

Neste momento, a missão mundial encara um fato curioso o conhecimento de como as igrejas crescem é limitado. Exemplos de Crescimento de Igrejas acontecem, mas são trancados em compartimentos lingüísticos, geográficos e denominacional. Pouco conhecimento sobre o Crescimento de Igrejas está disponível. Poucos livros foram publicados sobre o assunto. O que está disponível é de pequena circulação. O aumento dos membros é uma função central da missão, mesmo que a missão mundial não tenha um lugar de compensação para aprender sobre isso, sem ter um lugar dedicado para pesquisas relativo a isso, nenhum centro em que missionários aprendam as muitas, muitas maneiras que as igrejas se multiplicam, uma maneira distinta para cada população em particular. Esse desastroso vazio em conhecimento e treinamento impedem toda a iniciativa missionária. O Instituto de Crescimento de Igrejas foi lançado pela Faculdade Cristã do Noroeste, em Eugene, Oregon, EUA, com a ajuda da Sociedade Missionária Cristã Unida de Indiana, como esforço pioneiro para preencher o vazio.

No Instituto de Crescimento de Igrejas, pioneiros no movimento começaram a esclarecer a terminologia e os métodos. O Instituto também providenciou o incentivo para que

o movimento começasse a publicar os conceitos do Crescimento de Igrejas. Primeiro, McGravan

publicou três estudos de casos em Crescimento de Igrejas. Logo, porém, William B. Eerdmans publicou dois livros que iniciaram a Série de Crescimento de Igrejas. O movimento começou a chamar mais atenção ao publicar o Boletim de Crescimento de Igrejas (depois chamado de Crescimento de Igrejas Global). Esse periódico era bimestral, uma publicação de dezesseis páginas editado por McGravan era dedicado aos conceitos do Crescimento de Igrejas. A resposta foi tão forte, que logo tinha mais assinantes que a tão conhecida Revista Internacional das Missões. Essas primeiras publicações deram ao Movimento de Crescimento de Igrejas grande visibilidade e influência e levantou a estatura do Instituto de Crescimento de Igrejas.

A Conferência de Iberville de 1963, também solidificou a influência do Crescimento de Igrejas durante os anos do Instituto em Eugene. Essa conferência, patrocinada pelo Conselho Mundial das Igrejas no Canadá, foi uma consulta sobre Crescimento de Igrejas. Pickett, McGravan e Tipett foram convidados para apresentarem o ponto de vista do movimento. Muitos participantes da conferência apoiaram, apaixonadamente, a teoria do Crescimento de Igrejas. A Consulta, como um corpo, editou um relato formal, endossando os doze pontos do Crescimento de Igrejas, e a aprovando os primeiros empenhos do Movimento de Crescimento de Igrejas. Talvez, o único progresso mais importante em manter o Movimento de Crescimento de Igrejas unido se espalhou em 1965. McGravan foi convidado para o Seminário Teológico Fuller,

em Pasadena, California. Lá ele reestabeleceu o Instituto de Crescimento de Igrejas e se tornou

o reitor fundador da Escola da Missão Mundial de Fuller. Tipett acompanhou McGravan nessa

nova aventura, e a escola da Missão Mundial e o Instituto de Crescimento de Igrejas começaram a operar como uma instituição de graduação em Setembro de 1965. Delos Miles afirma, “Nada de tão grande importância aconteceu com a ênfase de McGravan no Crescimento de Igrejas quanto sua mudança para o baluarte de Fuller em Pasadena”. A escola Fuller se tornou o lugar em que muitas das atividades de Crescimento de Igrejas acontecem. Incluindo nas organizações e serviços na área de Pasadena está a biblioteca de William Carey, o maior publicador de literatura do Crescimento de Igrejas no mundo, fundado em 1969 por Ralph D. Winter; uma loja de desconto para livros de Crescimento de Igrejas, o Crescimento de Igrejas Clube do Livro, fundado em 1970; o Instituto de Crescimento de Igrejas Americana, fundado por Win Arn em 1973; o Instituto para Evangelismo e Crescimento de Igrejas Charles E. Fuller, em 1976; o Centro de Missões Avançadas de Pesquisa

e Comunicação (MARC); um serviço de Visão Mundial da Divisão de Pesquisa e Evangelismo Internacional; e o Centro Americano para a Missão Mundial, fundado em 1982 por Ralph Winter para ajudar a alcançar pessoas do mundo. O último significante desenvolvimento na era McGravan do Movimento Americano de Crescimento de Igrejas foi escrever Understanding the Church Growth (Entendendo Crescimento de Igrejas), que foi publicado em 1970. Wagner chamou de “a carta Magna do Movimento de Crescimento de Igrejas”. Entendendo Crescimento de Igrejas expressa o pensamento maduro de McGravan. O livro discute e promove a teologia, sociologia e metodologia do Crescimento de Igrejas. Considerando que As Pontes de Deus representaram o nascimento do movimento, Entendendo Crescimento de Igrejas trouxe a era McGravan a uma conclusão adequada. Embora a influência de McGravan no Crescimento de Igrejas diminuisse depois de 1970, ele continuou fazendo significantes contribuições. McGravan deu aulas na Fuller até a idade de 83 anos; depois de se aposentar, ele manteve um planejamento ativo para escrever, pesquisar, viajar, e falar até a sua morte em 1991. Dizer que a era McGravan terminou em 1970, com a publicação de Entendendo Crescimento de Igrejas, não significa que a influência de McGravan no Crescimento de Igrejas acabou. Pelo contrário, a influência do pai do Movimento de Crescimento de Igrejas será evidente em missiologia e evangelismo por décadas. Entretanto, desde que McGravan dirigiu sua maior atenção ao Crescimento de Igrejas nas nações de terceiro mundo e outras áreas fora dos Estados Unidos, o Crescimento de Igrejas na América ficaria sem liderança por aproximadamente uma década. McGravan foi o pioneiro do Movimento de Crescimento de Igrejas, mas um evento pioneiro deve, eventualmente, amadurecer ou morrer. Para o Crescimento de Igrejas, a maturidade não veio rapidamente. Na próxima década, debates, crises de identidade e dolorosas lutas aconteceriam antes que a comunidade teológica aceitasse o Movimento de Crescimento de Igrejas e suas muitas contribuições. Examinaremos essa era no próximo capítulo.

4

Um Movimento Luta e Cresce, 1970 1981

Os anos de 1970 foram um tempo tanto de crescimento rápido, como de um recuo defensivo para o Movimento de Crescimento de Igrejas. Essa situação paradoxal fez com que alguns defensores do Crescimento de Igrejas promovessem sua missão sem nenhum constrangimento, enquanto outros usavam seu trabalho para defender os conceitos do Crescimento de Igrejas, que estavam sendo duramente criticados. Com exceção de McGravan, nenhum líder surgiu para ser o principal port-voz do movimento. McGravan não escrevia muito sobre o Crescimento de Igrejas na América. Ao invés disso, seus escritos estavam focados nas missões e Crescimento de Igrejas em outras partes do mundo. A “gang de Pasadena” era o grupo que mais se identificava com o Crescimento de Igrejas. Esse grupo incluia aqueles que eram membros do primeiro corpo docente da Escola de Missão Mundial de Fuller: McGravan, Ralph Winter, Arthur Glasser, Charles Kraft, Allen Tipett e C. Peter Wagner. Podemos colocar também nesse grupo, Win Arn, que fundou o Instituto de Crescimento de Igrejas Americana, em 1972, e John Wimber, que se tornou o diretor fundador do Departamento de Crescimento de Igrejas, na Associação Evangelística de Fuller (agora, conhecido como Instituto de Evangelismo e Crescimento de Igrejas Charles E. Fuller). Os anos de 1970 produziram alguns defensores do Crescimento de Igrejas fora de área de Pasadena. Kent R. Hunter fundou o Centro de Crescimento de Igrejas, em 1977, em Coruna, Indiana. Elmer Towns, que agora está na Universidade Liberty em Lynchburg, Virgínia, fez algumas contribuições, especialmente na área de crescimento da Escola Dominical. No círculo Batista do Sul, Charles Chaney e Ron Lewis foram co-autores do livro Design for Church Growth (Modelo para Crescimento de Igrejas). Outros desenvolvimentos também moldaram o Crescimento de Igrejas nos anos de 1970. Delos Miles mostra sete fatores que moldaram o Movimento de Crescimento de Igrejas. O primeiro desenvolvimento ecumenismo evangélico. Esse tipo de ecumenismo foi melhor exemplificado no Congresso Internacional em Evangelismo Mundial, em 1974, em Lausanne, Suíça, e seu antecessor, o Congresso Mundial em Evangelismo que aconteceu Berlim em 1966. Esses encontros deram início a numerosos congressos nacionais sobre evangelismo, e colocou muitos líderes juntos pela primeira vez. Lausanne juntou muitos evangelizadores, incluindo líderes de Crescimento de Igrejas, com o compromisso teológico feito na Convenção de Lausanne. De particular importância para o Movimento de Crescimento de Igrejas no novo ecumenismo foi a plataforma acessível que agora os líderes do Crescimento de Igrejas tinham. Os líderes do Crescimento de Igrejas tinham muita visibilidade, tanto em Lusanne como no Comitê para Evangelização Mundial de Lausanne. Os ocasionais trabalhos publicados pelo comitê incluia alguns dos tópicos mais discutidos na teoria de Crescimento de Igrejas. Segundo, o relacionamento entre as superigrejas igrejas grandes, agressivas e em crescimento e o Crescimento de Igrejas também infuenciaram o movimento. Essas igrejas bem sucedidas numericamente tinham pastores de muita visibilidade que tinha uma liderança forte. Isso foi concebido como um princípio de Crescimento de Igrejas em muitos livros na década de 1970. As superigrejas, e seu vigoroso evangelismo e expansão, se tornaram modelos de Crescimento de Igrejas. Terceiro, a era de 1970 coincidiu com a era do treinamento de evangelistas. Modelos para compartilhar o evangelho emanaram de organizações como a III Explosão Evangelística, a

Associação Evangelítica de Billy Graham, Cruzadas Campais para Cristo. Batistas do Sul

desenvolveram o WIN (Witness Involvement Now/ Envolvimento de Testemunhas Agora) e o TELL (Training Evangelistic Lay Leadership/ Treinamento Evangelístico de Liderança Leiga). Igrejas evangelísticas eram receptivas ao treinamento de testemunhas e aos preceitos do Movimento de Crescimento de Igrejas. As duas forças se complementavam. Quarto, Crescimento de Igrejas enfatizava o papel de equipar todos os crentes para que fizessem o trabalho do ministério. O movimento de renovação leiga encontrou um aliado no Movimento de Crescimento de Igrejas, já que grupos independentes como Fé ao Trabalho, Gabinete Laico, os Companheiros e o Instituto de Renovação da Igreja se uniram a vários grupos denominacionais com enfâse em renovação leiga. Quinto, o impacto Neo-Pentecostal no Crescimento de Igrejas pode ser localizado nessa era. Não apenas o Crescimento de Igrejas tocou positivamente o movimento carismático nas principais denominações, o impacto também veio de grupos de paraigrejas 10 como o Full Gospel Bussiness Man‟s Fellowship International (Companheirismo Internacional dos Homens de Negócios pelo Evangelho Completo), Mulheres Incandescentes, PTL e o Clube 700. Sexto, Miles também faz uma conjetura da influência da Escola Dominical no movimento Crescimento de Igrejas. Os batistas do sul chamam a atenção pelo Crescimento de Igrejas através da Escola Domincal na década de 1970. Há similaradades notáveis entre muitas doutrinas do Crescimento de Igrejas e crescimento da Escola Dominical. E, finalmente, a sétima influência que afetou o Crescimento de Igrejas na década de 1970, de acordo com Miles, foi o Movimento Kenswick. Keswick se originou na Inglaterra na década de 1870. Enquanto Keswick focava no crescimento interno e espiritual, “Tinha grande potencial autorizar Cristãos a se voltarem para fora em crescimento de expansão, extensão e alcance”, isso também é um tipo de Crescimento de Igrejas.

A influência de McGravan no Crescimento de Igrejas americana chegou ao máximo em

1970 com a publicação de Entendendo o Crescimento de Igrejas. Ele fez, porém, duas significativas contribuições na décadade 1970 que ajudaram a estabelecer, firmemente, o Crescimento de Igrejas na América. Primeiro, em 1972, McGravan e Wagner ensinaram, em um curso experimental de Crescimento de Igrejas feito especialmente para uma nova geração de líderes na América. No mesmo ano, o livro The Growing Congregation (A Congregação Crescente) de Paul Benjamim foi publicado. Wagner descreveu o livro de Benjamim como “o

primeiro esforço direto para aplicar os princípio do Crescimento de Igrejas para o contexto americano por uma casa publicadora denominacional”.

A segunda maior contribuição de McGravan para o Crescimento de Igrejas americana na

década de 1970 foi o trabalho How To Grow a Church (Como fazer uma igreja crescer), um livro de co-autoria com Win Arn, em 1973. O livro foi escrito com um diálogo fácil de se entender entre McGravan e Arn. A linguagem altamente técnica do começo foi retirada, e muitos dos princípios do Crescimento de Igrejas foram aplicados no cenário americano. Outros eventos ajudaram a moldar o Crescimento de Igrejas nessa época. Em 1972, Paul Benjamim fundou o Centro Nacional de Pesquisa do Crescimento, uma organização dedicada ao Crescimento de Igrejas na América. Também em 1972, a publicação de Por que Igrejas Conservadoras Estão Crescendo gerou muita discussão e debate. O autor era Dean Kelley, um executivo do Conselho Nacional das Igrejas. Sua apresentação, de que as igrejas conservadoras estavam crescendo mais rapidamente que igrejas liberais, complementou os preceitos do Crescimento de Igrejas, mas atraiu a crítica a muitas de suas observações.

10 São movimentos de diferentes denomições que se unem para fazerem um trabalho de evangelismo e bem-estar social.

Apesar da abundância de escritos e influências no Crescimento de Igrejas, o movimento falhou ao estabelecer uma identidade clara. O material do Crescimento de Igrejas começou a ser publicado de tantas perspectivas diferentes que era difícil responder a pergunta: “Quem fala pelo Crescimento de Igrejas?” Outro fator crítico, a ser adicionado à confusão nos círculos de Crescimento de Igrejas, foi a maneira como o movimento respondeu às críticas. McGravan foi o protagonista agressivo do movimento. Seus escritos eram diretos e sem desculpas. O tom sincero e polêmico dos pontos de vista de McGravan marcavam o ritmo em que o Crescimento de Igrejas, corajosamente se afirmava. No início da década de 1970, os críticos do Crescimento de Igrejas começaram a acumular forças. Avanços estavam sendo feitos no Movimento de Crescimento de Igrejas, mas uma quantidade significante de tempo e recursos do movimento estavam sendo dedicados a responder às críticas. Uma amostra das críticas mostra o ambiente geral no qual o Crescimento de Igrejas se encontrava na década de 1970. Alguns críticos mostraram desdenho pelo tipo de evangelismo herdado dos modelos de Crescimento de Igrejas. Comentando os conceitos da unidade homogênea, um crítico concluiu que o Crescimento de Igrejas era “um evangelismo sem o evangelho”. Crescimento de Igrejas, ele disse, tinha uma teologia de evangelismo “que reduzia o compromisso inicial do cristão a um apelo inofensivo, evitando a sugestão de que para se tornar um cristão, a pessoa deve dar as costas à ordem social que perpetua a injustiça”. A definição do Arcebispo William Temple para evangelismo era um modelo para entre os evangelistas durante anos, mas quando McGravan confirmou a definição, foi criticado por ter uma “descrição estreita de evangelismo”. Wagner recebeu a parte mais difícil da crítica depois que a fúria sobre Entendendo o Crescimento de Igrejas se acalmou. Sobre abordagem de Wagner ao Crescimento de Igrejas e seu desenvolvimento, um crítico disse, “é precariamente deficiente como uma estratégia para o evangelismo”. Kenneth L. Smith da Colgate Rochester-Bexley-Crozier encontrou erro na estratégia de Wagner para o evangelismo, porque se concentrava no evangelismo “na noção estreita de „salvar almas‟”. Mais tarde, Smith caracterizou a metodologia de Wagner como “uma mistura de absolutismo teológico (i.e. a necessidade de uma experiência de renascimento) e ultilitarismo sociológico”. Os anos setenta também foi a época em que Wagner começou a receber a teologia do rápido crescimento Pentecostal mais calorosamente. Seus pontos de vista não escaparam a percepção dos críticos. Depois que Wagner escreveu Look Out! The Pentecostals Are Coming (Prestem Atenção! Os Pentecostais Estão Vindo), um crítico disse que “esse livro parece com uma propaganda”. A definição de evangelismo, ainda hoje, continua a ser um ponto de debate entre os defensores do Crescimento de Igrejas e os outros como era debatido em 1971, data da publicação Fronteiras na Estratégia Missionária de Wagner. Novamente, Wagner era o grande recipiente das críticas, exemplificado por um crítico que dizia que, teologicamente, Wagner caía “perigosamente próximo do Pelagianismo”. Outra série de críticas de fogo rápido vieram daqueles que viam o Crescimento de Igrejas como uma teologia desencaminhada, e sociologia, e sociologia com uma exagerada ênfase em números. Falando em oposição ao conceito de que missão deveria enfatizar “o verdadeiro número de almas ganhas”, Sabbas J. Killian replicou: “Se alguém continuar a olhar para o Crescimento de Igrejas, exclusivamente, como salvação de almas, e a teologia como alimentar pessoas com uma fórmula permitida, alguém mal poderia falar em um entendimento de Crescimento de Igrejas hoje. Em uma situação de diáspora, números não revelam nada”.

Enquanto nem todos os críticos sumariamente rejeitaram a importância de um crescimento numérico na missão, Robert K. Hundnut escreveu um repúdio do tamanho de um livro sobre a ênfase quantitativa da abordagem a missão.

Pessoas estão deixando a igreja. Não poderia ser um sinal melhor. De fato, enquanto eles estão deixando o rendimento da igreja está crescendo. Estava em 5.2% em 1973, de acordo com o Conselho National de Igrejas. Isso prova que quanto mais sérios os

membros, mas vigorosa a igreja

A maioria das igrejas poderiam ser dois terços menores

e não perderiam em poder. Na maioria das igrejas, o primeiro terço estão compromentidos, o segundo terço são periféricos, e o terceiro terço, estão fora.

Alguns antagonistas do Crescimento de Igrejas já não se irritam muito com a ênfase quantitativa do movimento como antes, na percepção de que o Crescimento de Igrejas sozinho reivindica exclusivo direito a essa ênfase. Em uma resenha de Entendendo o Crescimento de Igrejas, James Scherer escreveu “[McGravan] nos faria acreditar que o aumento numérico é rejeitado pela maioria das pessoas preocupadas com o trabalho missionário uma visão que muitos leitores não estão propensos a aceitar e que ele, sozinho, se mantém fiel ao missão de discipular as nações, enquanto outros vão atrás dos baalim das relevâncias sociais, relações ecumênicas, testemunhas institucionais, e por aí vai.” Ainda assim, outros rejeitam o crescimento de igrejas como um legítimo movimento missiológico. Pouco depois de aparecer Ententendo o Crescimento de Igrejas, Killian afirmou que ele “descorda[va] de McGravan em quase tudo”. Alfred C. Krass questionou a legitimidade do crescimento de igrejas como um movimento.

Eles perderam as madeiras por causa das árvores, que eles nem precisavam subir. Na tentativa de desenvolver uma psicologia de missão, uma sociologia de missão, uma etnologia de missão, eles tinham a necessidade de começar por um ponto de partida com cada nova síntese. Em um certo ponto, eles pegaram a disciplina secular mais relevante e tentaram combina-la com preocupações missiológicas-teológicas reais e raramente eles voltam àquela disciplina secular novamente, mas trabalham, pacientemente carregando uma imensa carga, tentando desenvolver uma nova ciência.

Outros críticos na década de 1970 tentaram aceitar as contribuições do crescimento de

igrejas; ainda que encontrassem uma série de problemas teológicos e hermenêuticos. “Uma área problemática da teoria de crescimento de igrejas,” disse Orlando E. Costas, missiologista do Terceiro Mundo, “é o fato de que os teóricos não são capazes de trazer um som hermenêutico às suas aventuras teológicas.” Costas e outros críticos dizem que o Movimento de

Crescimento de Igrejas “falhou

contemporâneo”. A abordagem do crescimento de igrejas nas escrituras, desse modo, parecia, talvez somente, preocupados com as corretas estratégias para os melhores resultados. Como conseqüência, os defensores do crescimento de igrejas foram acusados de ignorar a pobreza, a opressão, e problemas sociais, econômicos e políticos.

ao interpretar o texto à luz de muitas situações do homem

Como resultado da hermenêutica superficial do crescimento de igrejas que os críticos declararam, o movimento desenvolveu um conceito de missão que era incompleto e não bíblico. Eles acreditavam que defensores do crescimento de igrejas tinham uma missiologia limitada,

que focava apenas nos resultados e conversões e o ministério social cristão era tudo, menos desprezado; propagação da fé ofuscando completamente o evangelho de Jesus Cristo. Desse modo, Rodger Bassham argumentou, em 1979, que “a teologia do crescimento de

igrejas possui algumas sérias fraquezas

concluiu que o Movimento de Crescimento de Igrejas “parece ter negligenciado uma discussão

o conceito limitado de missão como evangelismo.” Ele

substancial que aconteceu nos últimos vinte e cinco anos, cujo significado de missão, evangelismo, testemunho, serviço e salvação tem sido explorado e desenvolvido.”

Esse era o ambiente no qual o crescimento de igrejas trabalhava na década de 1970. Críticos atiravam contra o movimento com mais freqüência e intensidade. As reações do defensores do crecimento de igrejas estavam misturadas. McGravan e Wagner continuaram a afirmar, corajosamente, as doutrinas básicas do movimento. Outros ainda estavam envolvidos em escrever um mix de defesas e afirmações sobre o crescimento de igrejas. Ainda, quando alguém lê uma literatura de crescimento de igrejas desse período, tem a impressão de que o movimento estava procurando uma clara identidade e um porta-voz proeminente. Enquanto o nome de McGravan continua sendo sinônimo do Movimento de Crescimento de Igrejas, cada vez mais ele foi visto como o pioneiro domovimento. Ao fim da década o movimento tinha a necessidade de encontrar alguém que tornasse as idéias básicas de McGravan aceitáveis na comunidade missiológica e teológica em geral. Sem um novo líder, o movimento estava em perigo de desaparecer com seu fundador, tornando-se apenas uma nota de rodapé nos anais da história da igreja.

5

A Era Wagner, 1981-1988

Enquanto o Movimento de Crescimento de Igrejas estava lutando por identidade e aceitação na década de 1970, um homem estava se levantando firmemente até o topo como porta-voz chefe do crescimento de igrejas americanas. C. Peter Wagner é agora o professor Donald McGravan de crescimento de igrejas no Seminário Teológico de Fuller. Considerando que o Seminário Fuller deu ao movimento seu poder institucional, Wagner providenciou a liderança pessoal para manter o crescimento de igrejas no primeiro plano da cristianismo evangélico. Sua formação e peregrinação descrevem o candidato mais improvável para guiar o Movimento de Crescimento de Igrejas a um novo século.

Um Esboço Biográfico de C. Peter Wagner

Charles Peter Wagner nasceu em 15 de agosto de 1930, em Nova York, filho de C. Graham Wagner e Mary Lewis Wagner. Seu lar era acolhedor e amável, mas não era um lar cristão. Religião era raramente discutida no lar dos Wagner. Wagner passou seus primeiros anos em St. Johnsville, em Mohawk Valley de Nova York, entre Albany e Utica. Seus ancestrais alemães vieram para a América em 1710 e se estabeleceram em Mohawk Valley em 1735. Wagner, até seus vinte anos, continuou a tradição da família de cultivar a terra. Durante a Depressão, a família Mueller da Alemanha imigrou para os Estados Unidos e comprou terras próximas da fazenda da família Wagner em St. Johnsville. O, aparentemente, inconseqüente desenvolvimento de duas famílias morando próximas umas das outras logo provou ser um encontro divino tanto para Wagner quanto para o Movimento de Crescimento de Igrejas. Mesmo a família Wagner tendo se mudado para o nordeste, Peter acabaria se encontrando com a família Mueller. Ele também conheceu a filha deles, Doris, que acabara de se tornar cristã, um semana antes. Esse primeiro encontro logo se tornou um firme relacionamento, levando Wagner a propor casamento. Doris Mueller respondeu que tinha feito duas promessas a Deus que ela não quebraria. Primeiro, ela prometera a Deus que se casaria apenas com um cristão. Segundo, ele pediu a Deus para que fosse missionária na África. Wagner sabia muito pouco sobre o cristianismo, e muito menos sobre o trabalho missionário, mas logo fez um compromisso com Cristo e com o campo missionário. Ambas decisões foram genuínas, e ambas fora decisivas para a história do Movimento de Crescimento de Igrejas. Wagner casou com Doris Mueller em 15 de outubro de 1950, e terminou seus estudos na Universidade Rutgers, onde se graduou em Ciências e foi eleito para o Phi Beta Kappa. Imediatamente, os Wagner foram para a California, para mais treinamento. Wagner se matriculou na instituição onde hoje trabalha, o Seminário Teológico Fuller, em Pasadena. Doris prosseguiu com seu treinamento missionário na Instituto Bíblico de Los Angeles (agora, Faculdade Biola, próximo de La Miranda). Em 1955, Wagner recebeu seu mestrado em Divindade pelo Seminário Fuller. Ele, então, foi ordenado na igreja Bíblica de New Brunswick. Fiéis às suas promessas, a Deus e um para com outro, os Wagner embarcaram em uma missão pioneira de dezesseis anos. Os Wagner serviram três anos na Bolívia. Eles foram enviados primeiro para a Missão Índio-Boliviana (que depois mudou seu nome para Missão Evangélica dos Andes, e depois se uniu à Missão Interior Sudan). Durante o primeiro ano, os Wagner trabalharam na floresta tropical do leste da Bolívia, onde criaram igrejas, começaram escolas bíblicas, treinaram líderes

indígenas, focaram em ministérios evangelísticos gerais e conduziram inúmeros trabalhos. Durante o primeiro ano nos trópicos, Wagner soube de Donald McGravan. Com seu insaciável apetite pela leitura (especialmente durante as longas siestas tropicais), Wagner leu um livro que estava causando um tumulto no pensamento e na prática missionária no final da década de 1950, As Pontes de Deus de Donald McGravan. A reação inicial de Wagner é notável:

Eu li a resenha de As Pontes de Deus na revista Antropologia Prática, na qual o livro era recomendado. Então, encomendei-o e li. Quanto mais eu lia o livro, mais eu achava que o autor era louco. Achei que ele fosse um charlatão realmente maluco. Nada do que ele dizia no livro eu havia aprendido no Seminário Fuller, nas minhas aulas de missão. Tudo era exatamente o oposto. Então, terminei a leitura e coloquei o livro na estante, como comida de barata. Passei para outros livros e acabei esquecendo-me dele.

O segundo ano de Wagner foi no clima mais agradável de Cochamba, nos Andes. Ele teve a vantagem de ter licença para facilitar sua educação. Entre o primeiro e segundo ano, de 1960 a 1962, Wagner voltou aos Estados Unidos, para o Seminário Princeton, onde recebeu seu mestrado em Teologia. Ao retornar à Bolívia, do Seminário Princeton, Wagner começou a ouvir dos ex-alunos do Seminário Fuller que McGravan havia sido convidado para se tornar o reitor fundador da nova Escola de Missão Mundial. A resposta de Wagner não foi nada tranqüila. “Eles convidaram o companheiro McGravan, o louco, para ser o reitor fundador o companheiro cujo livro virou comida de barata. Pensei, „O que está acontecendo por aqui?‟ Então, decidi que na minha próxima licença, que seria em 1967, me matricularia na Escola de Missão Mundial, e veria o que esse McGravan tinha pra dizer.” Wagner, desse modo, foi atrás de seu terceiro mestrado. Sua opinião sobre McGravan mudou rapidamente. Ele ficou impressionado, com aquele que seria seu mentor, quase desde o seu primeiro dia de aula. McGravan, igualmente, ficou impressionado com Wagner. Depois que Wagner recebeu seu mestrado de Arte em Missiologia em 1968, McGravan o convidou para se juntar ao corpo docente de Fuller ao invés de voltar para a Bolívia. Wagner, porém, sentiu a obrigação de voltar para a Bolívia, onde ele tinha se tornado o diretor da missão. Apesar disso, Wagner visitou Fuller em 1968, 1969 e 1970, como um professor auxiliar na Escola de Missão Mundial. Finalmente, em 1971, Wagner se sentiu livre para responder o chamado de Deus para se tornar um membro em tempo integral do corpo docente no Seminário Fuller, onde permanece até os dias de hoje. Em 1977, enquanto ensinava em Fuller, Wagner completou seu doutorado em Filosofia em Ética Social na Universidade do Sul da California. Ele focou seus estudos no tão debatido princípio da unidade homegênea.

A Ascenção de Wagner no Movimento de Crescimento de Igrejas

C. Peter Wagner foi um dos muitos que seguiu os ensinamentos de Donal McGravan nos anos setenta. Em 1981, porém, com a publicação de Church Growth and the Whole Gospel (Crescimento de Igrejas e o Evangelho Completo), Wagner se tornou o porta-voz oficial do Movimento de Crescimento de Igrejas. A publicação desse livro sozinho não o elevou ao posto de proeminência que ele possui hoje no movimento. Wagner e McGravan eram admiradores mútuos desde o primeiro encontro. Quando Wagner fala de seu mentor, ele expressa uma devoção como a de uma filho para com seu pai. Os escritos de McGravan refletem sentimentos similares em relação a Wagner, e ele estava feliz de ser recrutado por Wagner para ensinar no Seminário Fuller. Uma amizade unida existiu entre esses dois homens, mas a admiração profissional de McGravan por Wagner fez muito mais para tornar o aluno em sucessor de seu professor.

Wagner se sobressaiu em seus estudos com McGravan, e o entusiasmo de McGravan pelos princípios do crescimento de igrejas, chamou a atenção de seu mentor. Começando em 1971 os dois foram colegas de corpo docente por mais de dez anos. McGravan fundou a Escola de Missão Mundial para treinar estudantes que estavam servindo em nações de terceiro mundo. A área de estudos se ampliou quando Wagner se uniu ao corpo docente em 1971. Sob a liderança de Wagner, o campo de crescimento de igrejas americano começou a ganhar destaque. O primeiro curso em crescimento de igrejas para pastore americanos foi acrescentado no outono de 1972. McGravan e Wagner ensinaram juntos no curso experimental, que virou protótipo para futuros cursos em crescimento de igrejas americana. Quando, em 1984, Wagner foi nomeado professor de crescimento de igrejas Donald McGravan no Seminário Teológico Fuller, poucas pessoas expressaram surpresa. Sua relação com McGravan não foi o único fator de ascendência de Wagner no Movimento de Crescimento de Igrejas. De muitas maneiras Wagner foi um agente promocional de muita influência para o crescimento de igrejas. Ele promoveu a mensagem de crescimento

de igrejas através do ministério de ensino amplo, mantendo a grande visibilidade em muitos círculos teológicos, missiológicos e denominacionais, e por um ministério prolífico de produção literária.

A cada ano, centenas de alunos estudam crescimento de igrejas no Seminário Teológico

Fuller com Wagner. Um professor em tempo integral em Fuller ensina, no mínimo, vinte e quatro unidades anualmente. Wagner, normalmente, ensina sessenta e duas unidades, todas no campo de crescimento de igrejas. Em 1975, a Escola Fuller de Teologia começou um novo programa de doutorado em ministério, e Wagner foi convidado para dar aulas em um curso de crescimento de igrejas. Logo depois, um segundo curso foi adicionado ao currículo. Agora, oitenta por cento dos estudantes do doutorado em ministério, trabalham com crescimento de igrejas. Todos os seminários duram, por pelo menos, duas semanas; o programa exigem dois seminários e uma dissertação.

Centenas de pastores, estudantes e líderes denominacionais são assim expostos ao treinamento de crescimento de igrejas no programa de doutorado de ministério do Seminário Fuller. Mesmo sendo auxiliado na carga de ensino, Wagner é a força principal no aspecto do

treinamento de crescimento de igrejas. Cerca de dois mil estudantes já estudaram com Wagner nesse programa. Muitos desses estudantes se tornaram proponentes visíveis e ativos do crescimento de igrejas. Além disso, os estudantes do doutorado em ministério devem enviar dois trabalhos para publicação. Assim, a mensagem do Movimento de Crescimento de Igrejas é multiplicada a cada dia.

O ministério de ensino de Wagner vai além do campus de Pasadena do Seminário Fuller.

Dos quatro seminários de doutorado em ministério, que ele ensina por ano, um é oferecido em uma localidade fora da costa da California. Por causa da crescente popularidade do crescimento de igrejas, estudantes vem de todos lugares para estudar com Wagner. Uma localidade fora do campus para um seminário, todo ano, torna o programa mais atraente para estudantes que moram na costa Oeste. Outra faceta importante do ministério de ensino de Wagner é o seu serviço através do Instituto de Evangelismo e Crescimento de Igrejas Charles E. Fuller, em Pasadena. Esse ministério dos seminários começou quando ele se tornou diretor executivo da Associação Evangelística Fuller em acréscimo ao cargo de professor no Seminário Fuller, em 1971. Em 1975, Wagner pediu a John Wimber para que se tornasse o diretor fundador do Instituto Fuller para que tivessem uma instituição de consulta profissional em crescimento de igrejas. Wimber, mais tarde, deixou o Instituto para se tornar o pastor fundador da Comunhão Cristã Vineyard e o Ministério Internacional Vineyard. Carl George sucedeu Wimber e continua a liderar uma

grande ordem de ministérios através do Instituto até os dias de hoje. Wagner continua ligado

ao Instituto como consultor senior. Ele lidera os seminários de crescimento de igrejas que está prouzindo uma nova geração de discípulos do crescimento de igrejas. Wagner mantém viva a mensagem do crescimento de igrejas dando seminários, fazendo conferências, comissões e encontros ao redor do mundo. Ele, normalmente, planeja pelo menos duas viagens internacionais por ano, em acréscimo às suas viagens pelos Estados Unidos. Peter Wagner serviu em muitas posições como proponente do crescimento de igrejas. Ele foi um dos cinqüenta membros do Comitê de Lausanne para Evangelização Mundial, quando foi lançado em 1974. Subseqüentemente, ele foi eleito para o Comitê Executivo, ao qual serviu por seis anos. Por causa de seu papel proeminente em Lausanne, ele foi o presidente fundador do Grupo de Estratégias de Trabalho de Lausanne, que procurava discobrir pessoas não alcançadas como parte da estratégia de uma evangelização mundial. Como resultado desse empenho, Wagner iniciou o anuário Pessoas Não Alcançadas e co-editou os primeiros três volumes com Edward Dayton, que o sucedeu como presidente do Grupo de Estratégias de Trabalho. A reunião de Lausanne foi um marco no aumento da influência do moderno evangelicalismo. Primeiro, por causa do trabalho de Wagner, o crescimento de igrejas representou um importante papel em Lausanne. Wagner também foi prestativo na fundação da Sociedade Norte-Americana de Crescimento de Igrejas, servindo como primeiro presidente, em 1984. Ele permanece ativo na organização ainda hoje. Outra organização, o Instituto Americano para Crescimento de Igrejas, em Pasadena, tem a marca da influência de Wagner também. O instituto foi concebido por Win Arn, depois que ele freqüentou o curso experimental com Wagner e McGravan, no outono de

1972. Logo após o curso, Arn fundou o Instituto, e Wagner e McGravan foram membros da

comissão diretora. O Instituto Americano para Crescimento de Igreja é um dos comunicadores mais influentes dos princípios do crescimento de igrejas na América do Norte. Embora McGravan tenha sido o pioneiro do Movimento de Crescimento de Igrejas, C.

Peter Wagner tem sido o melhor homem de venda, de ensinamentos, palestras, servindo em posições chave e viajando pelo mundo todo. Porém, seu mais importante trabalho tem sido

escrever. Ele começou seu ministério da escrita em 1956, e publicou seu primeiro livro em

1966. Wagner publicou mais de setecentos trabalhos desde 1956, incluindo quase quarenta

livros completos. Durante a década de 1970, Wagner escreveu muitos livros explicando as aplicações práticas das teorias do crescimento de igrejas. Sua maior contribuição nessa área foram os livros direcionados aos pastores americanos e freqüentadores de igreja. Your Church can Grow (Sua Igreja Pode Crescer) vendeu mais de cem mil cópias. Your Spiritual Gifts Can Help Your Church Grow (Seus Dons Espirituais Podem Ajudar sua Igreja a Crescer) foi também de grande sucesso. Esses livros trouxeram o crescimento de igrejas, dos campos missionários no exterior, para casa. Talvez, os livros mais significativos de Wagner não tenham sido seus trabalhos mais vendidos. Uma abordagem, do tamanho de um livro, sobre o princípio da unidade homegênea,

Our Kind of People: The Ethical Dimensions of Church Growth in America (Nossa gente: As

Dimensões Éticas do Crescimento de Igrejas na América), foi publicada em 1979. A despeito das duras críticas de muitos setores, Our Kind Of People, foi fundamental na discussão do princípio mais controverso do crescimento de igrejas. Apesar da crescente notoriedade de Wagner no Movimento de Crescimento de Igrejas, a década de 1970 continuou a ser um tempo de crise e confusão. Enquanto não surgia uma defesa definitiva dos princípios do crescimento de igrejas, a crítica golpeava o movimento com crueldade. Essa situação desagradável terminou em 1981 com a publicação de Church Growth

and the Whole Gospel: A Biblical Mandate (Crescimento da Igreja e o Evangelho Completo:

Uma Ordem Divina). Como autor desse livro, C. Peter Wagner elevou-se ao topo do movimento e ficou claramente identificado como herdeiro do lugar de McGravan nas liderança do crescimento de igrejas. A publicação desse livro marca o início da era Wagner no crescimento de igrejas. Em Church Growth and the Whole Gospel, Wagner respondeu aos anos de crítica ao movimento. O tom desse livro era muito menos polêmico que os escritos anteriores do crescimento de igrejas. Franqueza às críticas e novos dados marcaram o livro. Falando de interesse por visão social, Wagner disse:

Sinto-me como um candidato à série “como minha mente mudou”. Não que eu tenha dado uma volta de 180 graus. De fato estou certo de que alguns leitores deste novo livro dirão que os traços de personalidade não mudam. Mas hoje, já não poderia argumentar como fiz que “alguém procura em vão nas escrituras por um mandamento que colocaria os cristãos no mundo com uma missão designada a criar paz e ordem, justiça e liberdade, dignidade e comunidade.”

Wagner também demonstrou franqueza sobre futuras mudanças e desenvolvimentos:

“Percebi que ainda não estou livre das contradições teológicas, embora espero mostrar, antes de terminar o primeiro capítulo, que resolvi os mais antigos. Algumas novas inconsistências certamente entraram, mas ainda não estou ciente desses delizes, e espero reconhece-los em dez anos.”

O que marca esse livro como um divisor de águas no Movimento de Crescimento de

Igrejas é a defesa de problemas críticos no crescimento de igrejas. Wagner respondeu aos críticas que o perseguiam por anos. Ele até reconheceu uma dívida de gratidão com muitos deles. Então, ele anunciou desculpas ao crescimento de igrejas. Enquanto Wagner percebia que Church Growth and the Whole Gospel não agradaria todos os críticos, também ficava feliz ao

ver as objeções ao movimento diminuirem. Virtualmente, todas as críticas levantadas desde 1981 foram refeitas de objeções anteriores.

A era Wagner do Movimento de Crescimento de Igrejas começou com a publicação de

um livro em 1981 dirigido às críticas e preocupações. Seus livros de crescimento de igrejas desde 1981 tem demonstrado sua crescente infuência e crescente contribuições ao crescimento de igrejas. Em 1986, Wagner foi o editor primário de Church Growth: State of Art (Crescimento

de Igrejas: Estado de arte), uma enciclopédia e livro de referência sobre o Movimento de Crescimento de Igrejas. Em 1987, ele escreveu uma breve abordagem teológica do movimento em seu livro Church Growth Strategies (Estratégias para Crescimento de Igrejas). Esse livro inclui discussões sobre o debate de definição-de-evangelismo e hermenêutica única do movimento. C. Peter Wagner ainda é reconhecido como o principal porta-voz do Movimento de Crescimento de Igrejas nos dias de hoje. Em grande parte por causa de sua influência em outras áreas, porém, uma nova era está tomando forma. Examinaremos essa era moderna do movimento no próximo capítulo.

O que aconteceu no crescimento de igrejas desde que Wagner se tornou líder do

movimento? Crescimento de igrejas está em crescente reconhecimento como uma disciplina acadêmica legítima em faculdades e seminários pelo mundo todo. Trabalhos de estudiosos estão sendo produzidos na forma de teses e dissertações. Dúzias de livros de prática em crescimento de igrejas surgem todo ano. Cursos de crescimento de igrejas são fundados por toda a nação. Agora, quase quarenta anos de idade, o Movimento de Crescimento de Igreja entrou em uma era madura e moderna. É nesse período que entraremos.

6

Rumo ao Século XXI, 1988 em diante

Quando terminei meus estudos do doutorado e minha dissertação em C. Peter Wagner e o crescimento de igrejas, em 1988, estava incerto sobre o futuro do movimento. Wagner era uma voz tão dominante que imaginei se o movimento poderia suster sua força viva depois de sua existência. Muitos eventos recentes, porém, sugerem que o Movimento de Crescimento de Igrejas continuará a crecer na direção do século XXI.

A Peregrinação de Sinais-e-Prodígios de Wagner

A era moderna do Movimento de Crescimento de Igrejas começou em 1988 quando

Wagner publicou um livro que demonstrou seu foco em uma faceta do crescimento de igrejas:

crescimento de igrejas sinais-e-prodígios e evangelismo poderoso. O livro tinha o título

humorado de How to Have a Healing Ministry Without Making Your Church Sick (Como ter um

ministério de cura sem deixar sua igreja doente). Esse livro explica que Deus mostra seus poderes sobrenaturais para atrair pessoas ao evangelho. O foco central do evangelismo poderoso é a cura divina, posto que a exposição dos poderes sobrenaturais de Deus incluem

falar em línguas, discernimento de espíritos, poderes para exorcisar demônios e outros atos extraordinários.

A aventura de Wagner nessa área do crescimento de igrejas trouxe críticas de dois

grupos importantes. O primeiro grupo crítico dessa faceta do crescimento de igrejas argumentava que “dons de sinais” (línguas, interpretação e curas) cessaram com a era apostólica. Qualquer manifestação desses dons deve ser considerado falso ou até demoníaco. Outro grupo crítico de Wagner não rejeitava a legítima manifestação dos dons de sinais, mas acreditavam que o foco de Wagner era uma aventura ao extremo. “Ele se tornou carismático!” alguns lamentavam. Outros se preocupavam que eles tinham deixado os pensamentos e prática que eram tendência predominante do crescimento de igrejas. Veremos esse problema por completo no capítulo 30. Por agora, vamos ver como Wagner chegou a esse novo paradigma e como essa visão afetou o Movimento de Crescimento de Igrejas moderno. Os primeiros anos cristãos de Wagner não foram tempos de franqueza nos movimentos Pentecostais. Ele refletiu em suas primeiras crenças: “Usei a bíblia Scofield, em inglês e espanhol, na qual as notas-de-rodapé do editor para I Coríntios 13:8 afirmava que o dons de „sinais‟ como línguas, curas e milagres sairam de uso depois da época dos apóstolos. Acreditei que milagres eram úteis ao espalhar a mensagem do evangelho antes de o Novo Testamento ser escrito, mas uma vez que as escrituras canônicas estavam disponíveis, eles tornaram os milagres absolutos.” De fato, Wagner admite prontamente que ele era anti-Pentecostal. Ele sentia que “o

Pentecostalismo é no melhor uma desilusão e no pior uma fraude”. Porém, muitos eventos aconteceram e o levaram a um novo entendimento de alguns ensinamentos Pentecostais. Primeiro, Wagner foi curado de um problema perigoso, resultado de uma cirurgia no pescoço para remoção de um cisto. A cura aconteceu da noite para o dia, depois de Wagner ir a um culto de cura na Bolívia, só por curiosidade. Segundo, o crescimento rápido do Pentecostalismo levou o sempre pragmático Wagner a examinar algumas igrejas Pentecostais e carismáticas. Sua atitude mudou drasticamente. Terceiro, Donald McGravan mesmo se tornou mais aberto ao pentecostalismo. Wagner disse “Isso, para mim, era como se fosse um imprimátur papal. Se era certo para Donald McGravan, era certo para mim.”

Quarto, a influência de John Wimber foi o principal fator na mudança de paradigma de

Wagner. Wimber, o diretor fundador do Instituto de Evangelismo e Crescimento de Igrejas Charles E. Fuller, no fim deixou o Instituto para liderar a Comunhão Cristã Vineyard, de crescimento rápido, em Anaheim. Uma das maiores influências da Vineyard era o minstério da cura. Wagner foi mais uma vez influenciado por um amigo próximo que tinha um crescimento de igrejas de sinais-e-prodígios.

O último, e mais controverso fator, foi uma aula ministrada no Seminário Teológico

Fuller: “MC510 Sinais, Maravilhas e Crescimento de Igrejas”. Wagner era o professor no papel, mas Wimber que ensinou quase tudo. As aulas expositivas eram sem nenhum acontecimento na superfície. Depois de cada aula, porém, os alunos eram convidados para permanecer em um “hora de ministério”, que incluia orações por cura. Apesar de a sessão adicional ser estritamente voluntária, raramente os alunos saiam antes da hora de ministério. A cada semana, muitos participantes da aula pediam por oração de cura, e muitos testemunhavam curas físicas.

O curso atraiu a atenção e a controvérsia nacional. Apoiadores do seminário ficaram

preocupados se a escola “estava se tornando carismática”. Estudantes e observadores estavam presentes em rebanho. Muitos achavam que o curso estava prejudicando a reputação de Fuller.

MC510 foi finalmente retirada do currículo em 1985. Uma força-tarefa trabalhou por oito meses, passando pelos vários problemas da controvérsia. Na primavera de 1987, um novo curso foi oferecido, “MC550 – O Ministério da Cura e Evangelização Mundial.” A controvérsia morreu e a order voltou ao seminário. Wagner escreveria sobre sua mudança teológica e sua atitude favorável a alguns aspectos do pentecostalismo por muito anos. Finalmente, com a publicação de How to Have a

Wagner urgiu para que o Movimento de

Crescimento de Igrejas considerasse uma mudança de paradigma. Ainda é muito cedo para discernir a direção do movimento como um todo nesse caso. Nesse meio tempo, o foco de Wagner na área abriu as portas para que outros líderes do crescimento de igreja a focarem em tópicos em voga sobre o que já havia sido escrito. Wagner, ironicamente, tem ajudado o movimento a se tornar mais forte e com maior abrangência ao entrar em uma área controversa.

Healing Ministry Without Making your Church Sick,

A Era dos Praticantes 11

Alguns dos novos líderes do crescimento de igrejas, diferentes de Wagner, são praticantes ou professores testando e provando os princípios do crescimento de igrejas no campo. Líderes pastorais como Bill Hybels, Rick Warren, Doug Murren, John Maxwell e Ed Young têm criado igrejas que se tornaram modelos de crescimento de igrejas. Eles escrevem livros, lideram conferências e ensinam e seminários para deixar a audiência com vontade de ouvir e ver como o crescimento funciona na prática. Sem dúvidas, o Movimento de Crescimento de Igrejas, com uma geração de princípios do crescimento de igrejas em operação, se voltará aos praticantes para aprender como os princípios devem funcionar em outros cenários.

Sociólogos e Demógrafos

O Movimento de Crescimento de Igrejas depende da pesquisa para entender seu campo

em potencial desde os primeiros anos do movimento. A era moderna do crescimento de igrejas,

11 Praticantes, de acordo com a ciência cristã, são pessoas autorizadas a praticar cura.

porém, tem testemunhado uma explosão de informação vindo de sociólogos e demógrafos. Algumas das informações emanaram de perspectivas cristãs, de estudos de pesquisadores como George Gallup e George Barna. Barna e seu time de pesquisas se tornaram os favoritos nos congressos de crescimento de igreja por toda a nação, e seus livros estão entre os mais vendidos nas prateleiras de crescimento de igrejas. Os defensores do crescimento de igrejas, entretanto, não estão se limitando em livros escritos estritamente por cristãos, ou por uma perspectiva cristã. Qualquer pesquisa, que auxilie alguém a entender as pessoas que precisam ser alcançadas por Cristo, é considerada válida para o movimento. Livros referentes a geração lidando com “baby boomers” e “baby buster” (pessoas que nasceram depois do baby boom), e outros grupos de pessoas se tornaram material de leitura popular para os proponentes do crescimento de igrejas.

Consultas e Consultores

Apesar de consultas em crescimento de igrejas não ser um conceito novo, seu maior crescimento, aparentemente, ainda está por vir. O número de consultores está crescendo rapidamente. Lyle Schaller, reitor de consultores de igreja, focou muito de seu trabalho em crescimento de igrejas, apesar de não se identificar com o Movimento de Crescimento de Igrejas. Carl F. George, o diretor do Instituto de Evangelismo e Crescimento de Igrejas Charles E. Fuller, dá consultas em crescimento para igrejas e denominções por todo Estados Unidos. Ron Lewis é provavelmente o consultor mais conhecido entre os batistas do sul. Visões de Crescimento de Igrejas é uma empresa de consulta fundada por Chuck Carter e eu em 1991. Com o contínuo crescimento da mensagem de crescimento de igrejas, a demanda por consultas e consultores sem dúvida se expadirá.

Publicações e Outras Mídias

A era moderna do crescimento de igrejas testemunhou uma explosão impressa, por áudio, e materiais de vídeo sobre vários tópicos do crescimento de igrejas. Minha biblioteca pessoal de livros sobre o assunto já é maior que minha biblioteca inteira de anos atrás. Alguns livros recentes lidam com princípios gerais do crescimento de igrejas (por exemplo, Church Growth Principles 12 por Kirk Hadaway). Outros focam em aspectos específicos do crescimento de igrejas, como o livro de George Barna que fala da necessidade de visão para crescer, Without a Vision People Perish (Sem visão as pessoas perecem). Ainda há outros que estão bem ligados ao crescimento de igrejas, como aqueles lidando com tendências sociológicas e demográficas. Novamente, Barna nos dá um bom exemplo desse tipo de livro em The Frog in the Kettle (O Sapo na caldeira). Folhetos informativos, revistas e notícias demográficas e tendências são exemplos de mídia impressa oferecida pelo crescimento de igrejas. Um dos meus favoritos é a revista Growing Churches (Igrejas em Crescimento), publicada pela comissão da escola dominical da Convenção Batista do Sul. Materiais em áudio e vídeo também estão disponíveis. O Instituto Fuller dispõe de um excelente áudio cassete chamado The Pastor‟s Update (As Atualizações do Pastor). Apresentações em vídeo sobre crescimento de igrejas podem mostrar um modelo de igreja para indivíduos interessados, por um custo razoável. A Igreja Comunitária de Willow Creek e seu pastor Bill Hybels oferecem vídeos sobre assuntos como adoração e filosofia de ministério.

12 Princípios do Crescimento de Igrejas

O número de recursos de mídia sobre crescimento de igreja é desse modo uma marca

definitiva da era moderna. Com novos conceitos sendo explorados a cada ano, não há indicação de que a corrente de materiais irá diminuir.

Um Novo Ecumenismo

Quando o Congresso Internacional de Evangelização Mundial se encontrou em

Lausanne, Suíça, em 1974, o movimento ganhou força. O movimento era evangélico e evangelístico. O Movimento de crescimento de igrejas, bem representado em Lausanne, tem mostrado o mesmo espírito duas décadas depois.

A era moderna do crescimento de igrejas tem unificado crentes diversos, aos quais as

prioridades são evangelizar e fazer igrejas crescer com o “discípulos da grande missão”.

A Mudança no Formato da Igreja

Talvez, o impacto mais visível do crescimento de igrejas na era moderna seja o deasafio que trouxe aos costumes e tradições de igrejas locais. Por causa de sua influência e procura por alcançar, de maneira eficiente, os perdidos e os sem igreja, o crescimento de igrejas está desafiando a idéia de “Sempre fizemos isso antes”.

A nova ou revitalizada ênfase no ministério leigo está fazendo com que muitas igrejas

transfiram as responsabilidade do clero para o laico. O conceito tradicional, apesar de não

bíblico, de o clero fazer a maior parte do ministério está lentamente mudando em muitas igrejas, mesmo que seja o crescimento de igrejas que esteja acelerando esse processo. Mudanças na adoração estão acontecendo em diferentes medidas em diferentes igrejas nesse novo período do crescimento de igrejas. Alguns adjetivos como “usuário-amigo”, “contemporâneo” e “experimental” estão associados com essa nova adoração, muito para o deleite de algumas gerações e muito para a mortificação de outras. Essa estrutura de igreja está sendo desafiada por alguns defensores do crescimento de

igreja. O sistema de comitê, equipe tradicional, a influência de denominações e seminários e os

encontros mensais de negócio, são vistos como impedimentos para o crescimento. Alguns líderes dentro do movimento estão insistido que “negócios comuns” devem mudar se os perdidos têm de ser alcançados. Um dos melhores livros sobre as razões por trás dessa mudança rápida nas igrejas é o The Seven-Day-a-Week Church (A Igreja de Sete dias por semana), de Lyle Schaller. Ele examina os fatores teológicos e sociológicos que tem levado as igrejas à mudança. Explica o aumento das mega igrejas, igrejas especializadas e o futuro não tão brilhante de igrejas tradicionais de domingo de manhã. Talvez, nenhum período desde a Reforma trouxe tantas mudanças e desafios para as igrejas. As próximas duas décadas devem ser as mais críticas na história moderna do cristianismo. Enquanto o Movimento de Crescimento de Igrejas não causa as mudanças (como nota Schaller, uma miríade de fatores sociológicos e teológicos estam no trabalho), o movimento está entre a responder ao mundo em mudança. Quais são os maiores desafios que o crescimento de igrejas enfrentará em um futuro próximo? Alguns exemplos ilustrarão o ritmo surpreendente em que essas mudanças têm acontecido no mundo.

1. O envelhecimento da geração do boom e a demanda sobre uma igreja que

enfrenta uma congregação que está envelhecendo.

2. O inacreditável ritmo da idade de informação. Será que as igrejas serão deixadas

para trás?

3. Uma nova definição de “família”. Quais são as implicações de uma igreja que

quer crescer e ministrar?

4. Aceitação social de estilos de vida que estão explicitamente proibidos pelas

escrituras.

5. O declínio das caridades e das contribuições das igrejas.

6. Uma nação sincrética: Cristãos, Judeus, Mulçumanos, Mormons, Hindus,

Budistas, Testemunhas de Jeová, Nova era ou culto-do-mês.

7. Antigas e novas visões: humanismo, naturalismo, misticismo, a fé judeu-cristã,

ou de caráter científico.

8. A mudança nos papeis e as visões conflitantes das mulheres no ministério.

9. O campus único, a igreja da vizinhança como um único culto no domingo de

manhã: antiguidade de gerações mais velhas.

Será que as igrejas podem responder a essas mudanças em ritmo acelerado sem perder suas raízes teológicas, históricas e confessionais? Esse capítulo da história da igreja ainda deve ser escrito.

O Movimento de Crescimento de Igrejas: Crescente Aceitação

Por muitos anos, o crescimento de igrejas se manteve como um movimento na extremidade do cristianismo evangélico. Trinta anos depois de seu nascimento, o movimento encontrou extensa aceitação denominacional, prática e teológica. Muitas denominações tem adotado alguns preceitos do crescimento de igrejas. Em minha denominação batista, o princípio do crescimento da escola dominical precedeu e influenciou o Movimento de Cresciemento de Igrejas. Hoje, a comissão das escolas domincais da convenção batista do sul publica Growing Churches (Igrejas em Crescimento), um períodico mencionado anteriormente. A comissão de missão conduz e apoia conferências de crescimento de igrejas. Os quase seis seminários oferecidos pelos cursos de crescimento de igreja e o seminário em Nova Orleans abriram um centro de crescimento de

igrejas. Outras denominações também carregam os princípios do crescimento de igrejas. Até algumas denominações importantes, que eram desconfiadas do movimento, aceitaram muitos dos ensinamentos do crescimento de igrejas. Em nível prático, milhares de igrejas americanas tem aplicado os princípios de crescimento de igrejas com diferentes níveis de satisfação e sucesso. O impacto prático do movimento evindenciado nas igrejas em nível local está além das medidas. A aceitação teológica do crescimento de igrejas está aumentando, mas questões sobre o movimento ainda persistem. O desafio mais significantivo do crescimento de igrejas é responder essas questões teológicas, definir claramente os parâmetros teológicos do movimento. Por causa do desejo do crescimento de igrejas de alcançar pessoas para Cristo, “relevância” tem sido o lema. Em seu entusiasmo por ser culturalmente relevante, estaria o movimento em perigo de se tornar biblicamente irrelevante? O crescimento de igrejas comprometeu a doutrina da graça por insistir que “evidência” salvação é ter “filiação responsável à igreja”? Será a mensagem do “evangelho completo” distorcida pela ênfase exagerada no evangelismo? Apesar de o movimento não ter começado com conjunto organizadamente definido de princípios teológicos, o crescimento de igrejas, contrário a opinião de críticos, não é “ateológico”. Precisamos agora examinar a teologia do Movimento de Crescimento de Igrejas. Não responderemos a todas as questões teológicas nessa modesta tentativa de sistematizar a teologia do crescimento de igrejas, mas talvez, as colocaremos em um foco mais claro.

Parte II

A Teologia Do Crescimento de Igrejas

7

Uma Abordagem Sistemática da Teologia de Crescimento de Igreja

Uma abordagem teológica pode vir de várias perspectivas diferentes. Teologia bíblica examina cada livro ou grupo de livros da Bíblia em seu contexto histórico para discernir as doutrinas e as progressivas revelações de Deus do Gênesis ao Apocalipse. Teologia histórica estuda as doutrinas da fé cristã e como elas têm se articulado e sido debatidas por aproximadamente dois mil anos. Teologia contemporânea é o estudo de doutrinas únicas desenvolvidas por cristãos recentemente. Teologia sistemática estuda os mais importantes ensinos da fé cristã, procurando determinar seu significado para a igreja viva. Escolhi olhar a teologia de crescimento de igrejas no contexto do maior tema doutrinal da Bíblia. Apesar de perceber que, sistematizando a teologia do crescimento de igrejas, poderia parecer inadequado algumas vezes, percebo também a necessidade de mostrar os ensinamentos do movimento na luz dos principais pontos teológicos da Bíblia.

Definindo Teologia Sistemática

A palavra teologia em português é a combinação de duas palavras gregas, theos que significa “Deus”, e logos, que significa “palavra”. O significado literal de teologia é “palavra de Deus”, mas por que entendemos o sufixo logos como “esudo de”, podemos entender teologia, simplesmente, como “estudo de Deus”. “Sistemático” também tem uma origem grega no sunistano, que significa “colocado junto”, ou “organizar”. Teologia sistemática então é a organização de fatos sobre Deus e Sua palavra. O processo de organização, normalmente, acontece pelas doutrinas bíblicas principais.

A Primeira Teologia de Crescimento de Igrejas

Essa modesta tentativa de organizar a teologia de crescimento de igrejas se constrói em muitas afirmações previamente articulada. Por exemplo, C. Peter Wagner citou sete preceitos teológicos fundamentais para crescimento de igrejas:

1. A glória de Deus como o único comandante dos humanos.

2. A soberania de Deus e a responsabilidade humana.

3. A salvação acontece exclusivamente através de Deus.

4. A nobreza de Deus.

5. A autoridade das Escrituras.

6. As realidades presente e escatológica do pecado, da salvação e da morte eterna.

7. A realidade presente e futura do reino de Deus.

Nenhuma literatura moldou a teologia do crescimento de igrejas como a literatura que emergiu do Congresso Internacional de Evangelização Mundial em Lausanne em 1974. Pelo fato de o material de Lausanne se tão importante para o entendimento da estrutura da teologia de crescimento de igrejas, o Acordo de Lausanne em 1974 está incluido nesse capítulo. O crescimento de igrejas, primeiramente através do trabalho de Wagner no Grupo de Trabalho Teológico de Lausanne, influenciou a teologia de Lausanne, que acabou afetando profundamente a teologia de crescimento de igrejas. Ao invés de examinar as hipóteses teológicas de Wagner ou o Acordo Teológico de Lausanne nesse capítulo, os dogmas básicos serão considerados nos capítulos seguintes, no

contexto de suas respectivas doutrinas cristãs. Outros trabalhos que fazem contribuições teológicas susbstanciais ao crescimento de igrejas incluem I Believe in Church Growth (Acredito em Crescimento de igrejas) de Eddie Gibbs; Contemporary Theologies of Mission (Teologias contemporâneas da Missão) de Donald McGravan e Arthur Glasser; Balanced Church Growth (Crescimento de Igrejas Equilibrado) de Ebbie Smith; e Foundations of Church Growth (Fundamentos do Crescimento de Igrejas) de Kent Hunter. Ao examinarmos a teologia de crescimento de igrejas sistematicamente, a maioria dos dogmas básicos serão sinônimos com o principal pensamento evangélico. O que coloca a teologia de crescimento de igreja à parte, porém, é sua abordagem hermenêutica excepcional. Entretanto, é fundamental que entendamos como a teologia de crescimento de igrejas aborda e interpreta as Escrituras. Essa é a tarefa do próximo capítulo que trata de bibliologia.

Introdução

Addendum O Acordo de Lausanne

Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação e regozijamos na comunhão que Ele nos deu e a comunhão de um com o outro. Estamos profundamente emocionados pelo que Deus está fazendo em nosso dia, movido pela penitência por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada de evangelização. Acreditamos no evangelho das boas novas de Deus para todo o mundo, e estamos determinados por sua graça a obedecer o comando de Deus de proclamar a toda a humanidade

e

fazer discípulos em todas as nações. Desejamos, então, confirmar nossa fé e nossa resolução,

e

tornar público nosso acordo.

1.

O Propósito de Deus

Confirmamos nossa crença no único eterno Deus, Criador e Senhor do mundo, Pai, Filho

e

Espírito Santo, que governa todas as coisas de acordo com a Sua vontade. Ele chamado para

Si pessoas de todo o mundo, e enviando as pessoas para serem Seus servos e testemunhas, para extensão de Seu reino, a construção do corpo de Deus e a glória de Seu nome. Confessamos com vergonha que várias vezes temos rejeitado nosso chamado e falhado em nossa missão, nos conformando com o mundo ou deixa-lo. Ainda assim nos regozijamos que até quando nascidos por instrumentos terrenos, o evangelho continua um tesouro precioso. Na

tarefa de fazer o tesouro conhecido no poder do Espírito Santo desejamos nos dedicar mais uma vez. (Isa. 40:28; Mat. 28:19; Efe. 1:11; Atos 15:14; João 17:6,18; Efe. 4:12; 1Cor. 5:10; Rom.12:2; 2Cor. 4:7)

2. A Autoridade e Poder da Bíblia

Afirmamos a divina inspiração, a total veracidade e autoridade tanto do Velho como do Novo Testamentos das Escrituras, Palavras de Deus escritas, sem erro em tudo que afirma, e a única e infalível regra de fé e prática. Também afirmamos que o poder da palavra de Deus ao cumprir seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia é aderessada a toda a humanidade. A revelação de Deus em Cristo e nas Escrituras é imutável. Através de Seu Espírito Santo Ele ainda fala nos dias atuais. Ele ilumina a mente das pessoas de Deus em toda cultura para

compreender a verdade com renovado vigor através de seus próprio olhos e desse modo revelar a toda a igreja mais sabedoria de Deus. (2Tim. 3:16; Ped. 1:21; João 10:35; Isa. 55:11; 1Cor. 1:21; Rom. 1:16; Mat. 5:17, 18; Judas 3; Efe. 1:17, 18; 3:10, 18)

3. A Supremacia e Universalidade de Cristo

Afirmamos que há apenas um salvador e um evangelho, apesar de haver uma grande diversidade de abordagens evangelísticas. Reconhecemos que todos os homens tem algum conhecimento de Deus, através de Sua revelação geral na natureza. Mas negamos que isso pode salvar, pois os homens suprimem a verdade com sua iniqüidade. Também rejeitamos como depreciador a Cristo e ao evangelho todo tipo de sincretismo e diálogo que dizem que Cristo fala através de toda religião e ideologia. Jesus Cristo, sendo ele o único Deus-homem, que se entregou como expiação pelos pecadores, o único mediador entre Deus e o homem. Não há outro nome pelo qual seremos salvos.

Todos os homens estão perecendo em razão do pecado, mas Deus ama a todos e não deseja que nenhum pereça, mas que todos devem se arrepender. Sendo assim, aqueles que rejeitam Cristo repudiam a alegria da salvação e se condenam à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como “Salvador do mundo” não é afirmar que todo homem está automaticamente ou basicamente salvos, menos ainda dizer que todas as religiões oferecem salvação em Cristo. Preferivelmente, é proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar a todos a responderem a Ele como salvador e Senhor em um compromisso pessoal feito de coração com arrependimento e fé. Jesus Cristo tem sido exaltado acima de qualquer outro nome; esperamos pelo dia em que todo joelho se dobrará perante Ele e toda língua se confessará ao Senhor. (Gal. 1:6-9; Rom. 1:18-32; 1Tim. 2:5,6; Atos 4:12; João 3:16-19; 2Ped. 3:9; Tess. 1:7- 9; João 4:42; Mat. 11:28; Efe. 1:20,21; Fil. 2:9-11)

4. A Natureza do Evangelismo

Evangelizar é espalhar as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressucitou dos mortos de acordo com as Escrituras, e sendo o Senhor que reina e agora oferece seu perdão aos pecados e o livre dom do Espírito a todos aqueles que se arrependem e crêem. Nossa presença cristã no mundo é indispensável para o evangelismo, e o tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade para ter entendimento. Mas evangelismo em si é a proclamação do Cristo, histórico e bíblico, como salvador e senhor, com a visão de persuadir as pessoas a virem pessoalmente e se reconciliarem com Deus. Ao divulgar o convite ao evangelho não temos a liberdade de ocultar o custo do discipulado. Jesus ainda chama, aqueles que O seguirão, para negarem a si mesmos com Sua nova comunidade. Os resultados do evangelismo incluem obediência a Cristo, incorporação na Sua igreja e serviço responsável no mundo. (1Cor. 15:3,4; Atos 2:32-39; João 20:21; 1Cor. 1:23; 2Cor. 4:5; 5:11,20; Luc. 14:25-33; Marcos 8:34; Atos 2:40,47; Marcos 10:43-45)

5. Responsabilidade Social Cristã

Afirmamos que Deus é Criador e Juíz de todos os homens. Então, devemos compartilhar Sua preocupação por justiça e reconcilação por toda a sociedade e pela liberação de todos os homens de qualquer tipo de opressão. Já que a humanidade foi feita a imagem de Deus, todos, sem levar em consideração raça, religião, cor, cultura, classe, sexo ou idade, temos uma intrínseca dignidade, pois Ele deve ser respeitado, e não ser explorado. Aqui também expressamos penitência por nossa negligência e por algumas vezes ter considerado o

evangelismo e os interesses sociais como mutuamente exclusivo. Apesar de reconciliação com o homem não ser reconciliação com Deus, nem é evangelismo de ação socia, nem salvação é política de libertação, apesar disso, afirmamos que evangelismo e envolvimento sociopolítico são partes de um dever cristão. Para ambos é necessário a expressão de nossas doutrinas de Deus e homem, nosso amor pelo vizinho e nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também na mensagem do julgamento sobre toda forma de alienação, opressão e discriminação,e não deveríamos ter medo de denunciar o mal e a injustiça, onde quer que existirem. Quando as pessoas recebem a Cristo, elas nascem de novo em Seu reino e devem procurar não apenas exibir, mas espalhar a retidão no meio de um mundo de iniqüidade. A salvação que afirmamos deve nos transformar em na totalidade de nossas respondabilidades sociais e pessoais. Fé sem trabalho é morta. (Atos 17:26,31; Gen. 18:25; Isa. 1:17; Sal. 45:7; Gen. 1:26,27; Lev. 19:18; Luc. 6:27,35; João 3:3,5; Tiago 3:9; Tiago 2:14-26; Mat. 5:20; 2Cor. 3:18; Tiago 2:20)

6. A Igreja e o Evangelismo

Afirmamos que Cristo manda seu povo redimido parao mundo, como Seu Pai o mandou,

e para isso é necessária uma similar penetração no mundo, profunda e custosa. Precisamos

escapar de nossos guetos eclesiásticos e permear a sociedade não-Cristã. Na missão de

sacrifício da igreja o culto de evangelismo é importante. Evangelização mundial requer que toda

a igreja leve o evangelho ao mundo todo. A igreja está bem no centro do propósito cósmico de Deus e seu significados marcados na pregação do evangelho. Mas a igreja que prega a cruz deve ser marcada pela cruz. Torna-se um obstáculo para o evangelismo quando de trai o evangelho ou falta a fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, incluindo promoção e finança. A igreja é a comunidade do povo de Deus ao invés de uma instituição, e não deve ser identificada com uma cultura em particular, um sistema político e social ou uma ideologia humana. (João 17:18; 20:21; Mat. 28:19,20; Atos 1:8; 20:27; Efe. 1:9,10; 3:9-11:7; Gal.6:14, 17; 2Cor. 6:3,4; 2Tim. 2:19-21; Fil. 1:27)

7. Cooperação no Evangelismo

Afirmamos que a verdade visível da igreja é o propósito de Deus. O evangelismo também nos convoca à unidade, porque nossa união fortalece nosso testemunho, assim como nossa desunião minam nosso evangelho e nossa reconciliação. Reconhecemos, porém, que a união organizacional tomam muitas formas e, necessariament, não levam o evangelismo para frente. Ainda assim nós que dividimos a mesma fé deveríamos ser mais unidos em nossa comunhão, trabalho e testemunho. Confessamos que nosso testemunho tem sido, algumas vezes, desfigurado por nosso individualismo pecaminoso e nossa inútil duplicação. Comprometemo-nos a procurar uma unidade mais profunda em verdade, adoração, santidade e missão. Encorajamos o desenvolvimento da cooperação regional e funcional para o apoio da missão da igreja, do planejamento estratégico, encorajamento mútuo e para compartilhar pesquisas e experiências. (João 17:21,23; Efe.4:3,4; João 13:35; Fil. 1:27; João 17:11-23)

8. Igrejas em Parceria Evangelística

Regozijamos que a nova era missionária alvoreceu. O papel dominante das missões ocidentais está rapidamente desaparecendo. Deus está levantando as igrejas novas um novo grande recurso para a evangelização mundial, e assim sendo, demonstrando que a responsabilidade de evangelizar pertence ao corpo de Cristo em sua totalidade. Todas as igrejas

deveriam portanto pedir a Deus e a elas mesmas o que deveriam fazer para alcançar sua própria área, e mandar missionários a outras partes do mundo. Um reavaliação de nossas responsabilidades missionárias e nosso papel deve ser continuado. Assim, uma crescente parceria de igrejas de desenvolveriam e o caráter universal das igrejas de Cristo será mais exposta. Também agradecemos a Deus pelas agências que trabalham na tradução da Bíblia, a educação teológica, a mídia de massa, a literatura cristã, o evangelismo, a missão, a renovação da igreja e outros campos específicos. Eles também deveriam se engajar e um constante auto-exame para avaliação de efetividade como parte da missão da igreja. (Rom. 1:8; Fil. 1:5; Atos 13:1-3; 1Tes. 1:6-8)

9. A Urgência da Tarefa Evangelística

Mais de 2,7 milhões pessoas, o que seria mais que dois terços da humanidade, devem

ser evangelizados. Estamos envergonhados por tantas pessoas terem sido negligenciadas; isso

é uma permanente reprovação a nós e a toda a igreja. Há agora, porém, em muitas partes do

mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que essa é a hora para que as agências das igrejas e para-igrejas orarem honestamente pela salvação do mundo das pessoas inalcançadas e para lançar novos esforços para alcançar a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e dinheiro em um pais

evangelizado pode ser, algumas vezes, necessária para facilitar o crescimento nacional de igrejas em auto-suficiência e para liberar recursos para áreas não evangelizadas. Missionários deveriam andar, ainda mais livremente, por todos os continentes, em um espírito de serviço humilde. O alvo deveria ser, por todos os meios disponíveis e o mais rápido possível, de que cada pessoa terá a oportunidade de ouvir, entender e receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões

e incomodados com as injustiças que ela causa. Aqueles de nós que vivem em circuntâncias

abundantes aceitam nossa tarefa de desenvolver um estilo de vida mais simples para que possa

contribuir mais generosamente tanto para ajuda como par evangelismo. (João 9:4; Mat. 9:35-38; Rom. 9:1-3; 1Cor. 9:19-23; Mar.16:15; Isa. 58:6,7; Tiago 1:27; 2:1-9; Mat. 25:31-46; Atos 2:44,45; 4:34,35)

10. Evangelismo e Cultura

O desenvolvimento de estratégias, para a evangelização mundial, pedem métodos

imaginativos e pioneiros. Com Deus, o resultado será o aumento de igrejas enraizadas em Cristo e intimamente relacionada com sua cultura. A cultura deve ser testada e julgada sempre pelas Escrituras. Por ser o homem uma criatura de Deus, algo de sua cultura é rica em beleza e bondade. Por ser um ser caído, tudo isso é manchado pelo pecado. O evangelho não pressupõe

a superioridade de uma cultura por outra, mas avalia todas as culturas de acordo com seu

próprio critério de verdade e retidão, e insiste na moral absoluta em qualquer cultura. Todas as missões, muito freqüentemente, exportavam, com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, algumas vezes, entram em contato com uma cultura ao invés das Escrituras. Os evangelistas de Cristo devem, humildemente, procurar se esvaziar de toda sua autenticidade pessoal a fim de se tornarem servos dos outros, e igrejas devem buscar transformar e enriquecer a cultura, tudo para a glória de Deus. (Marc. 7:8,9,13; Gen. 4:21,22; 1Cor. 9:19-23; Fil. 2:5-7; 2Cor. 4:5)

11. Educação e Liderança

Confessamos que algumas vezes procuramos o crescimento de igrejas ao custo da medida da igreja, e divorciamos evangelismo da educação cristã. Também reconhecemos que

algumas de nossas missões tem sido lentas em equipar e encorajar líderes nacionais a assumirem suas responsabilidades por direito. Ainda assim estamos compromissados aos princípios nativos, e esperamos que cada igreja terá líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de denominação, mas em serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de melhorar a educação teológica, especialmente para líderes de igreja. Em cada nação e cultura deveria existir um programa de treinamento efetivo, para pastores e obreiros leigos, em doutrinas, discipulado, evangelismo, educação e serviço. Tal treinamento não deveria confiar em metodologias esterotipada, mas deveria ser desenvolvida por iniciativas criativas locais, de acordo com padrões bíblicos. (Col. 1:27,28; Atos 14:23; Tito 1:5,9; Mar. 10:42-45; Efe. 4:11-12)

12. Conflito Espiritual

Acreditamos que estamos envolvidos em uma constante guerra espiritual com os principados e poderes do mal, que estão buscando derrotar a igreja e frustar suas tarefas de evangelização mundial. Conhecemos nossas necessidades de nos equiparmos com a armadura de Deus e lutar essa batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois detectamos a atividade de nosso inimigo, não apenas com falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro da igreja com falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos de vigilância e discernimento para proteção do evangelho bíblico. Sabemos que nós mesmos não estamos imunes do mundanismo de pensamentos e ações, para uma rendição ao secularismo. Por exemplo, apesar dos estudos cuidadosos do crescimento de igrejas, tanto numericamente quanto espiritualmente, são certos e válidos, mas às vezes os negligenciamos. Em outro momento, desejoso por garantir uma resposta ao evangelho, comprometemos nossa mensagem, manipulamos nossos ouvintes através de técnicas de pressão e nos tornamos excessivamente preocupados com estatíscas ou até o uso desonesto delas. Tudo isso é mundial. A igreja deve ser do mundo; mas o mundo não deve estar na

igreja. (Efe. 6:12; 2Cor. 4:3,4; Efe. 6:11,13-18; 2Cor. 10:3-5; 1João 2:18-26; 4:1-3; Gal. 1:6-9; 2Cor. 2:17; 4:2; João 17:15)

13. Liberdade e Perseguição

É dever designado por Deus de que cada governo deva assegurar condições de paz, justiça e liberdade no qual a igreja deve obedecer a Deus, servir o Senhor Cristo, e pregar o evangelho sem interferência. Portanto, oramos para que os líderes das nações e apelar para que eles garantam liberdade de pensamento e consciência e liberdade de para praticar e propagar a religião de acordo com a vontade de Deus como demonstrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação por todos que foram injustamente aprisionados, e especialmente por nossos irmãos que estão sofrendo por seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar por sua liberdade. Ao mesmo tempo, nos recusamos a ser intimidados pelo destino deles. Deus está nos ajudando, e nós também buscaremos nos colocar contra a injustiça e nos manter fiéis ao evangelho, seja qual for o custo. Não esqueceremos dos avisos de Jesus de que a perseguição é inevitável. (1Tim. 1:1-4; Atos 4:19; 5:29; Col. 3:24; Heb.13:1-3; Luc. 4:18; Gal. 5:11; 6:12; Mat.5:10-12; João 15:18-21)

14. O Poder do Espírito Santo

Acreditamos no poder do Espírito Santo. O Pai enviou o Espírito para levar testemunhas para Seu Filho; sem Suas testemunhas as nossas são em vão. Convicção de pecado, fé em

Deus, novo nascimento e crescimento cristão estão todos a Seu trabalho. Além disso, o Espírito Santo é um espírito missionário; assim, o evangelismo deveria surgir espontaneamente em uma igreja repleta do Espírito. Uma igreja que não é uma igreja missionária está se contradizendo e extinguindo o Espírito. Evangelização mundial se tornará uma possibilidade realística apenas quando o Espírito renove a igreja em sabedoria e verdade, fé, santidade, amor e poder. Portanto, chamamos todos os cristãos para orarem pela visita do supremo Espírito de Deus e que todo Seu fruto possa surgir em todo Seu povo e que todos Seus dons possam enriquecer o corpo de Cristo. Somente então, toda a igreja se tornará um instrumento adequado em nas mãos de Deus, e que toda a terra possam ouvir Sua voz. (1Cor. 2:4; João 15:26,27; 16:8-11; 1Cor. 12:3; João 3:6-8; 2Cor. 3:18; João 7:37-39; 1Tes. 5:19; Atos 1:8; Salmos 85:4-7; 67:1-3; Gal. 5:22,23; 1Cor. 12:4-31; Rom. 12:3-8)

15. O Retorno de Cristo

Acreditamos que Jesus Cristo voltará de maneira pessoal e visível, em poder e glória, para consumar Sua salvação e julgamento. Essa promessa de Sua volta é um incentivo a mais para nosso evangelismo, pois lembramos das palavras dEle de que o evangelho deveria ser pregado em todas as nações. Acreditamos que nesse ínterim, período entre a ascensão de Cristo e Sua volta, é repleto de missões do povo de Deus, que não tem permissão para parar antes do Fim. Também lembramos de Seus avisos do surgimento de falsos profetas e falsos Cristos como precursores do anti-Cristo. Portanto, rejeitamos como um sonho orgulhoso e auto- confiante a noção de que o homem algum dia construirá uma utopia na terra. Nossa confiança cristã é de que Cristo irá aperfeiçoar Seu reino, e esperaremos com ansiedade por esse dia, e pelo novo céu e terra no qual a retidão habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, nos dedicamos novamente ao serviço de Cristo e do homem em feliz submissão à Sua autoridade sobre a toda a nossa vida. (Marc. 14:26; Heb. 9:28; Marc. 13:10; Atos 1:8-11; Mat. 28:20; Marc. 13:21-23; João

2:18; 4:1-3; Luc. 12:32; Apoc. 21:1-5; 2Ped. 3:13; Mat. 28:18)

Conclusão Portanto, à luz de nossa fé e de nossa resolução, entramos em um acordo solene com Deus e com cada um aqui, para orar, planejar e trabalharmos juntos para a evangelização do mundo inteiro. Podemos chamar outros para se unirem a nós. Que Deus possa nos abençoar ajudando-nos com Sua graça e para Sua glória seremos fiéis ao nosso acordo! Amém! Aleluia!

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Bibliologia e Crescimento de Igrejas

Em bibliologia, a doutrina da Bíblia, duas palavras são freqüentemente usadas. A primeira é a palavra “Bíblia”, que tem sua origem no grego biblion, comumente traduzido como “livro” ou “rolo”. A planta papiro que crescia ao longo do Nilo chamava-se byblos, e era daí que os pergaminhos eram feitos. Uma segunda palavra é “escritura”, que é a tradução do grego graphe, que literalmente significa “escritos”. Quando o verbo grapho ou o substantivo graphe é usado, normalmente se refere às Escrituras. Essas Escrituras, especificamente expressado em 2 Tim. 3:16 a serem “folêgo de Deus”, é divino em origem e revelação, completamente oficial, e sem erro em tudo o que ensinam. O crescimento de igrejas, reconhecidamente, utliza-se de outras fontes além da Bíblia. Muitos dos seus princípios vem das ciências sociais e comportamentais. Apesar de o crescimento de igrejas continuar a usar essas fontes, a estrutura e fundação do movimento deve ser a palavra de Deus. Um perigo em potencial do entusiasmo e pragmatismo dos princípios do crescimento de igrejas, o perigo de uma hermenêutica existe. Examinaremos essa cilada em potencial depois de revermos alguns princípios básicos da Bíblia.

A Natureza Divina da Bíblia

O Acordo de Lausanne afirma “a divina inspiração, veracidade e autoridade das Escrituras” (ênfase adicionada). A Bíblia alega sua divina origem por aproximadamente quatro mil vezes quando declara que “Deus disse” ou “o Senhor disse”. Paulo e outros escritores do Novo Testamento também afirmam a origem divina das Escrituras (1Cor. 14:37; 2Pedro 1:16-

21). Por ser vista como de origem divina, a bíblia deve ser vista também como revelação de Deus. Enquanto revelação pode ser geral, por exemplo, na manisfestação de Deus dele mesmo na história e na natureza, a Bíblia é uma revelação especial apenas para aqueles que acreditam e a tomam como oficial. A Bíblia então é Fôlego de Deus, assim eram escritas por pessoas que tiveram suas palavras supervisionadas pelo Espírito Santo. Como uma conseqüência, a palavra escrita revela exatamente e sem erros nosso entendimento de Jesus Cristo, a palavra encarnada. A essência do crescimento de igrejas é comunicar ao mundo perdido a Palavra viva, para que a igreja de Deus possa crescer. Apenas uma Bíblia divinamente dada poderia nos mostrar, sem erro, a história escrita de Jesus Cristo e seus mandamentos, incluindo Seu grande comando para “fazer discípulos de todas as nações”.

A Inspiração da Bíblia

Paul Enns define inspiração como “a supervisão do Espírito Santo sobre os escritores para que, mesmo escrevendo de acordo com seus estilos e personalidades, o resultado fosse a Palavra de Deus escrita – oficial, fidedigna e livre de erros em seus originais”. Tal inspiração se aplica a toda a Escitura e suas partes. Enquanto 2 Timóteo 3:15 ou 2 Pedro 1:21 poderíamos usar para defender a inspiração das escrituras, a visão de Escritura por Cristo, Ele mesmo, é consistente com essa perspectiva. Jesus afirmou a inspiração de todo Antigo Testamento (Mat. 5:17-18); Ele ainda citava, com freqüência, partes do Antigo Testamento com igual autoridade (e.g. Mat. 4:4, 7,10; Mat. 21:42; Mat. 22:44; João 10:34, etc). Essa visão de inspiração é, as vezes, chamada de plenário verbal porque afirma a inspiração de partes, ou das palavras reais (verbal) e a Bíblia inteira (plenário).

O Poder da Bíblia

Porque a Bíblia é dada por Deus e inspirada por Deus, é possível cumprir o próposito de Deus da salvação (veja o Acordo de Lausanne na conclusão do capítulo anterior, seção 2). O escritor de Hebreus articula, claramente, o poder da Palavra de Deus: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Heb. 4:12). Essa leitura e proclamação de que a poderosa Palavra alcança o perdido; através dela, Deus salva aqueles que crêem (1 Cor. 1:2). O crescimento de igrejas proclama um Salvador que é conhecido através de Sua Palavra escrita. A Palavra escrita, em si, é poderosa, penetrando corações que podem ser acrescentado ao reino de Deus e Sua igreja.

A Autoridade das Escrituras Sobre Todas as Outras Fontes

Nossa definição afirma que crescimento de igrejas é “uma disciplina que busca entender, através de estudos bíblicos, sociológicos, históricos e comportamentais, o por quê igrejas crescem ou decaem.” História, sociologia e outras ciências comportamentais devem ser vistas como ferramentas de autoridade para o crescimento de igrejas. A Bíblia é a fonte de autoridade do movimento. Quando Martinho Lutero pregou suas Noventa e Cinco Teses na porta de Witterberg em 1517, ele delinou sua oposição aos abusos da igreja Católica. Lutero enfatizou sola scriptura Somente as Escrituras são oficiais. Nem a igreja, nem conselhos podem falar acima da autoridade da Palavra de Deus. Quando as ferramentas das ciências sociais são usadas para distinguir maneiras de alcaçar mais pessoas, essas ferramentas não devem ter autoridade, mas devem ser instrumentos que estão subjugados a autoridade das Escrituras. Líderes da Reforma observaram que nem igrejas nem conselhos, inerentemente, do mal, mas essas organizações se tornaram más quando abandonaram os parâmetros das Escrituras. As ferramentas do crescimento de igrejas não são inerentemente mal; mas essas ferramentas devem sempre estar dentro dos limites das Escrituras e subjugadas à autoridade bíblica. Ao meu entendimento, os teólogos e praticantes do crescimento de igrejas confirmariam o que foi dito sobre a autoridade das Escrituras. Os críticos não debatem a alta consideração do movimento pela Bíblia. Questionamentos surgem, porém, sobre a interpretação das Escrituras.

A Hermenêutica do Crescimento de Igrejas

Bernard Ramm define hermenêutica como “a ciência e arte da interpretação bíblica. É uma ciência por ser guiada por regras de um sistema; e é uma arte pois a aplicação dessas regras é por habilidade, não por imitação mecânica.” O processo de interpretação bíblica envolve o intérprete como uma pessoa completa, incluindo sua preconceitos. Uma honesta

abordagem hermenêutica deve considerar os potenciais preconceitos. Apesar de examinarmos os potenciais preconceitos hermenêuticos do crescimento de igrejas nos capítulos dessa seção,

é apropriado ver uma grade de interpretação que representa um potencial perigo ao

movimento. C. Peter Wagner refere-se à hermenêutica do crescimento de igrejas como algo fenomenológico: “O crescimento de igrejas inclina-se a uma abordagem fenomenológica que

tem conclusões teológicas que são algo mais como tentativa e está aberta a revisão quando necessário, à luz do que é aprendido com a experiência”. Talvez uma melhor descrição do que

é hermenêutica é uma direcionada pelo pragmatismo do crescimento: essas crenças que

recebem maior atenção são aquelas diretamente ligadas à melhora do crescimento da igreja.

O melhor exemplo dessa hermenêutica pode ser encontrado no interesse perspicaz do

crescimento de ingrejas em sociologia, demografia e marketing. O movimento está usando todas as ferramentas possíveis para alcançar sua cultura em uma base de “usabilidade”. A justificativa bíblica para essa abordagem está em 1 Coríntios 9:22b: “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns”. A “adaptação” de Paulo a cultura se tornou algo como um comício nos círculos do crescimento de igrejas. “Devemos fazer tudo o que for necessário para ganhar a audiência, assim poderemos compartilhar Cristo!” Essa deficiência hermenêutica em potencial não é que a passagem de Coríntios foi mal interpretada. O possível problema é que a maior parte dos princípios do crescimento de igrejas poderiam estar baseados em apenas uma porção das Escrituras. Paulo diria depois aos Coríntios que mesmo vivendo no mundo, vivemos de maneira diferente do mundo (2 Cor. 10:14). Jesus disse aos seus seguidores para serem diferentes do mundo, para que fossem sal e luz (Mat. 5:13-14).

O crescimento de igrejas, então, deve afirmar uma hermenêutica que captura a tensão

de ser do mundo, mas não do mundo. Uma hermenêutica que tenta isolar o texto da cultura moderna, não falará ao mundo. A Bíblia não será relevante. Entretanto, uma hermenêutica

constantemente buscando o benefício da cultura, mesmo se os resultados numéricos do

crescimento de igrejas aparecerem, podem ganhar relevância enquanto perde verdadeiros discípulos. Podemos “ganhar” esse mundo mas fazer poucos discípulos que levem o evangelho a outras culturas. O custo do discipulado deve permanecer na tensão com a mensagem culturalmente relevante.

É irônico que o maior perigo teológico do crescimento de igrejas, um movimento

conservador, evangélico, é o mesmo perigo ao qual o liberalismo sucumbiu no começo do século. As “ferramentas” da cultura não são inerentemente más, mas uma hermenêutica que flerta com as tentações da modernidade deve ter sempre o cuidado de nunca comprometer a essência do evangelho. No início do século o liberalismo reduziu o cristinianismo a um evangelho social. O Movimento de Crescimento de Igrejas deve estar atento para não reduzir as boas novas do século XXI a um mero evangelho sociológico.

9

Teologia e Crescimento de Igrejas

No capítulo 7, definimos teologia como o estudo de Deus, reconhecendo que a palavra é

geralmente entendida de uma maneira mais ampla, cobrindo o campo de crenças cristãs por completo. Para distinguir o estudo geral de todas as crenças cristãs do estudo mais específico de Deus, o Pai, o termo teologia própria é usado para designar a doutrina de Deus. Em uma afirmação concisa, o Acordo de Lausanne afirma “a crença em um único Deus, Criador e Senhor do mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas de acordo com o propósito de Sua vontade”, (ver cap. 7). A frase afirma algumas crenças básicas sobre Deus com pouca elaboração.

A Existência de Deus

Apesar dos muitos volumes escritos sobre a existência de Deus, o crescimento de igrejas afirma a priori que Deus é. Enquanto teológos argumentam a existência de Deus cosmologicamente, teleologicamente, moralmente, ontologicamente ou antropologicamente, a pressuposição do crescimento de igrejas, de uma Escritura infalível, aceita sem questionamento o Deus que disse “Eu sou” (Ex.3:14).

O argumento antropológico para a existência de Deus, como um exemplo, fala

diretamente sobre o Deus que criou humanos motivado por total amor. A palavra antropologia vem do grego anthropos que significa “homem”. Chafer expressa o argumento antropológico da

seguinte maneira: “Há na composição humana traços filosóficos e morais que podem ser

nunca poderia

produzir um homem com intelecto, sensibilidade, vontade, consciência e crença inerente em um

Criador”. Homem e mulher, então, foram criados a imagem de Deus (Gen. 1:27) para ter comunhão perfeita com seu Criador. Enquanto o argumento antropológico aponta para a existência de Deus, e também aponta para um Deus que deseja trazer Sua criação da morte e do pecado e a imagem manchada da humanidade (Gen. 9:6) de volta à comunhão completa com Ele. Tal discussão está além do foco dessa seção, mas provê uma fundação sobre a qual a teologia do crescimento de igrejas de baseia. O Deus-que-é é também o Deus que busca aproximar Sua criação dEle e construir Sua igreja.

seguidas ao passado para encontrar sua origem em Deus

uma força cega

Revelação de Deus

Revelação vem do grego apokalupsis, que significa literalmente “revelar” ou “desvendar”. Revelação é a revelação de Deus, sobre Ele mesmo, para a humanidade. Tipicamente, revelação é vista em duas categorias amplas, geral e especial.

A Revelação geral faz com homens e mulheres estejam cientes da existência de Deus

por Sua majestade e criação (Sal. 19:1-6; Rom. 1:18-21). Esse tipo de revelação faz com que a

humanidade se justifique a Deus, ficar “sem desculpas” ao reponder a Ele (Rom. 1:20).

A revelação especial é a auto-revelação de Deus mais direta e específica. Ainda que esse

tipo de revelação possa incluir vozes audíveis, manifestações visíveis (teofonia), sonhos ou visões, revelação especial normalmente se refere a Jesus Cristo e as Escrituras. As Escrituras foram escritas por homens que eram usados pelo Espírito Santo para que o testemunho escrito pudesse ser perfeito e isento de erros. O testemunho de acordo com as Escrituras também revela a Verbo vivo, Jesus Cristo.

A Trindade de Deus

Teologia própria reconhece que Deus se revelou como três pessoas unidas que são um Deus. As três pessoas são o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A relação única do Filho e o do Espírito Santo será discutida nos próximos dois capítulos. Neste capítulo focaremos em Deus, o Pai.

Atributos de Deus

As características distintas de Deus são muitas vezes chamadas de atributos de Deus. Há muitas variedades de classificação e categoria dos atributos de Deus. Paul Enns desenvolveu a seguinte tabela, que mostra algumas das classificações por diferentes teológos.

 

Os Atributos de Deus:

Variedades de Categorização

Teológos

Categorias

Atributos

Henry C.

 

Onipresença

Thiessen

Não-moral

Onisciência

Vermon D.

Onipotência

Doerksen

 

Imutabilidade

Moral

Santidade Retidão e Justiça Bondade e Misericórdia Verdade

A. H. Strong

Absoluto/Imanente

Espritualmente: vida, personalidade Infinidade: auto-existência, imutabilidade,unidade Perfeição: Verdade, amor, santidade

Relativo/Transitivo

Relacionado à tempo e espaço:

eternidade, imensidão Relacionado à criação:

onipresença, onisciêcia, onipotência Relacionado aos conceitos morais:

verdade e fidelidade misericórdia e bondade (amor transitivo) justiça e retidão (santidade transitiva)

Millard J. Erickson

Grandiosidade

Espiritualidade

Personalidade

Vida

Infinidade

Constância

 

Bondade

Pureza Moral:

santidade

retidão

justiça

Integridade:

autenticidade

veracidade

fidelidade

Amor:

benevolência

graça

misericórdia

persistência

Gordon R. Lewis

Metafisicamente

Auto-existência

Eterno

Imutável

Intelectualmente

Onisciente Fiel Sábio Santo Íntegro Amável Detesta o mal Longanimidade Compassivo Livre Autêntico Onipotênte Transcendente por natureza Universalmente imanente em atividade providecial Imanente com Seu povo na atividade redentora Shedd/Hodge: auto-existência, simplicidade, infinidade, eternidade, imutabilidade Berkhof: auto-existência, imutabilidade, unidade, infinidade, (perfeição, eternidade, imensidão) Bavinck: independência, auto-suficiência, imutabilidade, Infinidade: eternidade, imensidão (onipresença); unificação (númerica, quantitativo) Shedd/Hodge: sabedoria, benevolência, santidade, justiça, compaixão, verdade Berkhof:

Espiritualidade Intelectual Conhecimento Sabedoria Veracidade Moral Bondade (amor, graça, misericórdia, longanimidade) Santidade Retidão Justiça remunerativa Justiça retribuitiva Poder soberano Bavinck:

Vida e Espírito Espiritualidade Invibilidade Perfeição em Auto-consciência Conhecimento, onisciência Sabedoria Veracidade Natureza ética Bondade Retidão Santidade Senhor, Rei, Soberano Vontade Liberdade Onipotência Bem-aventurança Absoluta Perfeição Bem-aventurança Glória

Eticamente

Emocionalmente

Existencialmente

Relacionalmente

William

Shedd

Charles Hodge

Louis Berkhof

Herman Bavinck

G.

T.

Incomunicável

Comunicável

De todos os atributos de Deus, nenhum foi mais discutido em círculos de crescimento de igrejas que a soberania de Deus.

A Soberania de Deus

Há muitos anos atrás, um missionário na América do Sul escreveu um artigo sobre métodos de crescimento de igrejas que ele sentia serem comprometidos com sua fé Reformada. O escritor anônimo disse que “viu um espírito de morte chegar a uma missão quando experimentavem a „teoria de crescimento de igrejas‟ de Donald McGravan”. Ele disse que a teologia do crescimento de igrejas “aplica a sociologia para o domínio da criação de igrejas e se esforçam para descobrir, por meio de estatísticas, gráficos, planilhas e até computadores, onde os campos de colheita estão.” Ele estava frustrado porque os métodos de crescimento de igrejas determinavam “onde missionários deviam ser colocados” e deram “ênfase ao estabelecimento de objetivos não saudáveis”. A preocupação fundamental do escritor era que a teologia do crescimento de igrejas “não deixam espaço para a soberania de Deus e a espontaneidade do trabalho do Espírito.” Soberania de Deus significa que Ele está em absoluto controle, que o que Ele ordenar sempre acontece, e que Seu propósito divino sempre é cumprido (Efe. 1:11). Será que a metodologia do crescimento de igrejas ignora ou nega esse atributo? Como o movimento ao utilizar ferramentas como sociologia e demografia “feitas pelo homem” está negando que Deus levará para Si os eleitos? Em Sua soberania, Deus decide como Ele quer o homens e mulheres perdidos devem ser levados ao Seu reino, aqueles escolhidos para a salvação antes da fundação do mundo (Efe. 1:4-5; 2Tim. 1:9). Um onipotente Deus poderia desenvolver qualquer meio para trazer os perdidos para Si. O auxílio humano não é necessário para que Deus leve Seu plano adiante, mas Deus no entanto escolheu os seres humanos como Seus intermediários. O mistério dos meios humanos e divinos para espalhar o evangelho e fazer uma igreja crescer estão em harmonia de acordo com a vontade soberana de Deus. O decreto de soberania de Deus não viola o livre arbítrio do homem e não se faz necessário buscar métodos que melhor comunicam o evangelho para que a igreja de Deus cresça. Uma objeção como essa acontece por causa da antinomia na mente humana. Paulo proclamou a predestinação de seu povo à salvação (Efe. 1:5-11) e ensinou a doutrina da eleição (Rom. 1:1; 8:30; 9:11). Com igual convicção e asserção, Paulo encorajou a necessidade da intervenção humana e pregação para que as pessoas pudessem ser salvas e que a igreja crescesse (Atos 16:13; Rom. 10:14-15; 1 Cor. 9:16). A teologia do crescimento de igrejas não é apenas compatível com o atributo da soberania de Deus, mas os métodos que emanam da teologia obedecem ao Senhor soberano na difusão do evangelho de Jesus Cristo.

10

Cristologia e Crescimento de Igrejas

Cristologia é o estudo de Jesus Cristo. A definição de crescimento de igrejas dada no capítulo 1 dizia que o crescimento de igrejas busca fazer discípulos da “Grande Comissão” (Mat. 28:19). Foi Cristo quem comandou a “Grande Comissão”. Por essa e por outras razões, a doutrina de Cristo é uma doutrina central do Movimento de Crescimento de Igrejas. Muitas afirmações básicas da Cristologia devem ser parte da mensagem de crescimento de igrejas. Examinaremos os componentes necessários da mensagem em cada subtítulo.

Exclusividade da Salvação Através de Cristo

Jesus disse que “sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mat. 16:18, ênfase adicionada). O crescimento de igrejas está preocupado apenas com o crescimento da igreja de

Cristo. Qualquer sistema de crença que dê outras pretensões à igreja deve ser rejeitado. O Acordo de Lausanne rejeita “como depreciativo a Cristo e ao evangelho todo tipo de sincretismo e diálogo que implica que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele mesmo o único Deus-homem, que se entregou como resgate dos

pecadores, é o único mediador entre Deus e o homem”. “Não há outro nome

seremos salvos” (Atos 4:12). Jesus afirmaria que ninguém poderia ir ao Pai a não ser através dEle (Cristo) (João 14:16). Por causa da clara afirmação bíblica da exclusividade de salvação através de Cristo, o crescimento de igrejas não pode ficar tentado a abrir a porta da salvação mais do que através da Pessoa de Jesus Cristo. Em seu zelo pragmático, o movimento pode encontrar o crescimento numérico mais fácil se uma definição mais ampla de salvação for oferecida. Muitos em nossa sociedade atual estão ofendido por uma religião tão tacanha; mas qualquer crescimento que

pelo qual

não venha do estreito caminho de Cristo, não é crescimento de verdade.

Eternidade de Cristo

Aceitar a divindade de Cristo é aceitar a eternidade de Cristo. João se referia a Jesus como “o Verbo”, e declarou a contínua existência de Cristo (João 1:1). Em outra passagem de João, Jesus se refere ao Seu eterno estado declarando que “antes de Abraão nascer, Eu sou!” (João 8:58). O escritor de Hebreus declarou que o trono de Cristo “durará para sempre e sempre” (Heb. 1:8). Paulo, da mesma maneira, afirma a eternidade e pré-existência de Cristo quando disse: “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Col.

1:17).

O Cumprimento da Profecia

Como o Movimento de Crescimento de Igrejas busca cumprir a Grande Comissão, é imperativo que a mensagem da pessoa de Cristo seja comunicada claramente. Quando C. H.

Dodd escreveu The Apostolic Preaching and Its Development (A Pregação Apostólica e Seu

Desenvolvimento), ele focou na palavra do Novo Testamento kerigma. Dodd enfatizou que certas verdades cristológicas devem ser comunicadas sobre a Pessoa de Jesus Cristo. Embora o kerigma, ou conteúdo da mensagem do evangelho, provalvelmente, não era tão rígida como Dodd indicou, seu foco é válido a fim de que os entusiastas não percam o verdadeiro sentido do evangelho. Entre essas verdades específicas a serem transmitidas sobre Cristo, Dodd, consistentemente, identificou o cumprimento da profecia como uma doutrina cristológica central.

O Antigo Testamento é repleto com passagens, detalhadas e específicas, apontando

para Cristo. No plano soberano de Deus, Ele determinou que o filho encarnado deveria ter um nascimento, uma vida, um ministério e uma morte terrenos, e então ser levado à vitoriosa ressurreição. No contexto da antiga aliança, Deus preparou Seu povo para o Messias.

A linhagem de Jesus, por exemplo, foi profetizada para incluir a linha de Abraão (Gen.

12:2), Judá (49:10) e Davi (2 Sam. 7:12-16). O primeiro capítulo descreve o cumprimento

dessa linhagem (cf. Mat. 1:1-2), assim como o nascimento de Cristo por uma virgem (Mat.

1:23) profetizado em Isaías 7:14. Até o local específico do nascimento de Jesus, Belém (cf. Mat. 2:6), é profetizado em Miquéias 5:2.

O triplo ofício de Cristo, Rei (Mat. 21:5), Profeta (Atos 3:22-23), e Sacerdote (Heb. 5:6-

10) é descrito com no Antigo Testamento com precisão (cf. Num. 24:17; Sal. 2:6; Deut. 18:15- 18; Sal. 110:4). O precursor de Jesus, João Batista (Mat. 3:3), é o cumprimento das profecias

em Isaías 40:3 e Malaquias 3:1. Salmos 22:1 profetiza o pranto de Jesus na cruz, quando Ele levou sobre Si os pecados

do mundo (Mat. 27:46; Marc. 15:34). Salmos 22:7-8 descreve o escárnio que Cristo enfrentaria estando na cruz (Mat. 27:39). Salmos 22:8 profetiza até as exatas palavras daqueles que estavam ofendendo Jesus (Mat. 27:43).

A violenta morte de Jesus é profetizada em Salmos 22, que descreve perfuração das

mãos e dos pés (Sal. 22:16 cumprido em João 20:25) e indica que nenhum dos ossos de Jesus seriam quebrados (Sal. 22:17 cumprido em João 19:33-36). Salmos 22:18 profetiza que os

soldados lançariam sorte sobre as roupas de Cristo (João 19:24). Salmos 22:24 profetiza a oração de Jesus ao Pai, quando Sua morte se aproximava (Mat. 26:39; Heb. 5:7).

A desfiguração de Cristo está descrita em Isaías 52:14 e cumprida em João 19:1. A

dolorosa tortura e morte de Jesus está profetizada em Isaías 53:5 e se cumpre em João 19:1 e 19:18. Pedro aplica a esperança de Davi em Salmos 16:10 na ressurreição de Jesus (Atos 2:27- 28). E finalmente, Salmos 68:18 profetiza a ascensão e o fim da vida terrena de Jesus (Luc.

24:50-53; Atos 1:9-11).

Encarnação e Humanidade de Cristo

Outro componente essencial do kerigma, de acordo com Dodd, era que Jesus “nasceria da semente de Davi”. Em outras palavras, o eterno Filho de Deus não era apenas divino, mas levou sobre Si a natureza humana. “ O resultado é que Cristo permanece para sempre com sua divindade imaculada, sendo assim, Ele tem eternidade anterior; mas Ele também possui humanidade verdadeira e sem pecado em uma pessoas para sempre (cf. João 1:14; Fil. 2:7-8; 1 Tim. 3:6)”.

A doutrina da humanidade de Cristo é uma parte crítica da mensagem do evangelho

transmitida pelos proponentes do crescimento de igrejas. Apesar de Cristo não ter uma natureza pecadora e caída, Ele era completamente humano, então Ele poderia morrer por nós na cruz (cf. João 3:5; 4:2). Que o corpo de Cristo era dolorosamente humano ficou evidente quando a tortura aconteceu (João 19:1), quando os pregos penetraram Seu corpo (João 19:18) e quando sentiu sede na cruz (João 19:28). Lucas focou a humanidade de Jesus nos primeiros capítulos de seu evangelho. Jesus nasceu de uma mãe terrena, cresceu como uma criança, e desenvolveu em cada estágio de vida (cf. Lucas 2:52). Mais exemplos da humanidade de Jesus são encontradas em Sua Fome (Mat. 4:2), Seu cansaço (João 4:6), e Sua expressão de emoções humanas (Mat. 9:36; 23:37; Luc. 19:14; João 11:34-35).

O Nascimento Virginal

A doutrina do nascimento virgem faz uma ponte entre as doutrinas cristológicas

essenciais da humanidade de Cristo e a divindade de Cristo. Tanto Mateus como Lucas enfatizam o papel do Espírito Santo na concepção de Maria. Jesus o homem nasceria de uma mãe humana e um Pai divino (cf. Mat. 1:20; Luc. 1:35). Ainda que Cristo, como pessoa, exista por toda a eternidade, a natureza humana de Cristo começou no momento da concepção de Maria. A natureza humana de Cristo, ainda que sem pecado, experimentaria as limitações da humanidade e sofrimento sacrificial por nossos pecados.

Divindade de Cristo

A grande heresia cristológica da história da igreja se centrou nas negações tanto da humanidade quanto da divindade de Cristo. Ainda que o crescimento de igrejas continua a buscar maneiras inovadoras para alcançar pessoas para Cristo, a mensagem essencial, de que Cristo é totalmente humano e totalmente divino, deve ser transmitida de maneira clara. Os docetistas do princípio da história da igreja negavam a humanidade de Cristo, enquanto afirmavam a Sua divindade. Os ebionitas, ao contrário, negavam tanto o nascimento virgem quanto a divindade de Cristo, mas enfatizava que Jesus era um profeta humano. Um legado deixado para a teologia liberal de hoje é o ensinamento, em alguns círculos que negam a divindade de Cristo. Enns diz, “um ataque à divindade de Cristo é o ataque ao fundamento do cristianismo. No coração das crenças ortodoxas é o reconhecimento de que Cristo morreu uma morte substituinte para dar a salvação a uma humanidade perdida. Se Jesus fosse apenas um homem, ele não poderia morrer para salvar o mundo, mas por causa de sua divindade, sua morte tem valor infinito por meio da qual ele pode morrer pelo mundo inteiro.” Uma amostra das Escrituras demonstram, claramente, o ensinamento bíblico da divindade de Cristo. Jesus é chamado de “Senhor e Deus” (João 20:28); “Salvador e Deus” (Tito 2:13); “Senhor” (Mat. 22:44; Rom. 10:9); e “Filho de Deus” (João 5:25). Além disso, a Bíblia

declara atributos e trabalhos de Cristo que só poderiam ser atribuídas a Deus. João 1:1 aponta para a eternidade de Cristo. A promessa da habitação de Cristo em todos os crentes demonstra onipresença (cf. Efe. 3:17; Col. 1:27). Jesus tem completo conhecimento do que estava demonstrado, repetidamente, nas Escrituras. Seus discípulos se maravilharam com Sua onisciência (João 16:30), e Jesus falou de se Seu completo conhecimento ao indicar Sua morte (cf. Mat. 20:18-19; 26:1-2).

A divindade de Cristo também é afirmada por Sua onipotência (Mat. 28:15), Sua

imutabilidade (Heb. 13:8). Somente Ele, que é Deus, pode perdoar os pecados (Marc. 2:1-12) e fazer milagres (cf. Mat.8:23-27; 9:18-20; 9:27-31; 14:15-21; 14:26; Luc. 5:1-11; João 2:1-11;

4:46-54; 5:1-18; 11:1-44). Jesus Cristo é totalmente Deus, e um dia, todas as pessoas reconhecerão Sua divindade. O Acordode Lausanne afirma que “Jesus Cristo é exaltado acima de qualquer outro nome; esperamos pelo dia quando todos os joelhos se dobrarão a Ele, e toda língua confesse que Ele é o Senhor” (Fil. 2:9-11).

Morte de Cristo

O kerigma paulino, disse Dodd, incluia o elemento essencial de que Cristo “morreu de

acordo com as Escrituras, para nos livrar da era do mal”. Têm surgido um grande número de teorias relacionadas à morte ou expiação de Cristo: a teoria do exemplo, a teoria comercial, a teoria dramática, a teoria ética e a teoria do resgate. A ênfase no Novo Testamento, porém, é a de que Cristo morreu como substituto pelos, e em favor, dos pecadores. Sua morte foi vicária, ou em lugar de outro. As palavras de 1 Pedro 2:24 enfatiza a natureza substitutiva da morte de

Cristo: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” Verdades adicionais emergem como resultado da morte de Cristo. A idéia de que a redenção é comprada com um preço (2 Cor. 6:20) demonstra o custo do trabalho de Cristo para nos livrar da escravidão do pecado. (1 Cor. 7:23; Gal. 3:13; Gal. 4:5). A alegria da reconciliação, a restauração da comunhão de Deus entre a humanidade e Ele mesmo, como resultado da cruz (2 Cor. 5:18-20). A morte de Jesus também satisfez as exigências de um Deus justo; isso normalmente é chamado de propiciação (cf. Rom. 3:25). Finalmente, acontece a justificação na cruz. Deus, em Sua lei, declarou o pecador, que acredita em Cristo, justo (Rom. 5:1).

Ressurreição de Cristo

Paulo declarou que a ressurreição era a doutrina central da fé cristã: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Cor. 15:17). Em sua comparação do kerigma Jerusalém (Atos 2:16) com o kerigma Paulino, Dodd enfatiza que ambos contém o elememento essencial da ressurreição.

A ressurreição não apenas confirma a verdade da fé cristã, mas também demonstrou

que o trabalho da cruz estava completo e que muitas profecias do Antigo Testamento (e.g. Sal.

16:10) foram cumpridas por causa da ressurreição. A morte e ressurreição de Cristo também foram parte do plano de Deus de mandar o Espírito Santo como Seu advogado na vida daqueles que crêem.

A Ascensão de Cristo

Mesmo não sendo explícita em todas as mensagens do evangelho no Novo Testamento, ela é um elemento importante na cristologia e a mensagem que o crescimento de igrejas deve propagar. A ascensão de Cristo é encontrada em dois evangelhos: Marcos 16:19 e Lucas

24:51. Mais descrições da ascensão são encontradas em Atos 1:9, Efésios 4:8, Hebreus 4:14 e 1 Pedro 3:22.

A ascensão marca o fim do ministério de Cristo aqui na Terra e o início de Seu ministério

intercessório em Seu estado de glória. Por causa da ascensão, Cristo pode enviar o Espírito Santo (João 16:17) para habitar entre aquele que crêem.

O Ministério Presente de Cristo

Sendo a Cabeça do corpo de Cristo (Col. 1:18), Cristo está, atualmente, construindo a igreja e guiando-a. Ele é a fonte dos dons Espirituais que o Espírito Santo está administrando (Efe. 4:8; 11:13) para a construção da igreja. Cristo também intercede pelos crentes diante o Pai (Rom. 8:34; Heb. 7:25). Quando os cristãos pecam, a comunhão com o Pai é quebrada. Cristo atua como nosso parakletos ou advogado (1 João 2:1), para que nossa comunhão possa ser restaurada.

O

Ministério Futuro de Cristo

O

Acordo de Lausanne declara: “que Jesus Cristo retornará de forma pessoal e visível,

em poder e glória, para consumar sua salvação e julgamento. A promessa de Sua volta é também um estímulo para nosso evangelismo, pois lembramos de Suas palavras de que o evangelho deve ser pregado a todas as nações. Acreditamos que no ínterim, entre a ascensão de Cristo e seu retorno, deve ser preenchido com a missão do povo de Deus, que não devem parar antes do Fim”. A antecipação do retorno de Cristo (1 Cor. 15:51-58; 1 Tess. 4:13-18) é

mais um impulso para o crescimento de igrejas buscar a obediência à Grande Comissão, para

que as pessoas sejam levadas a Cristo e se tornem discípulos antes que a oportunidade evangélica não esteja mais disponível.

A Importância da Cristologia para o Crescimento de Igrejas

Vamos examinar alguns dos componentes da teologia do crescimento de igrejas, para vermos a grande importância da cristologia.

A Teologia do Crescimento de Igrejas e as Verdades da Cristologia

1.

Deus

criou

os

seres

humanas

a

Sua

imagem

(Gen.

1:26-27).

Verdade

cristológica: em Sua eternidade (João 1:1), Jesus Cristo era a segunda Pessoa do Deus Triuno que criou os humanos.

2. Os humanos

caíram em pecado

(Gen.

3).

Verdade

cristológica:

comoconseqüência do pecado, o julgamento caiu sobre a criação (Rom. 8:19-21) e a humanidade (Rom. 5:12). Um perfeito reconciliador era necessário para pagar o preço do pecado. Esse reconciliador é, com certeza, Jesus Cristo.

3. Deus se tornou um homem para dar a salvação ao mundo (Mat. 1:20; Luc.

1:35). Verdade cristológica: Jesus Cristo tomou sobre Si a natureza humana por causa da

humanidade pecaminosa.

4. O único Filho de Deus morreu na cruz para redimir (comprar) os pecados da

humanidade (1 Cor. 6:20). Verdade cristlógica: Cristo foi o substituto do mundo na cruz (1

Pedro 2:24).

5. Porque Ele, que era o sacrifício perfeito, ressucitou dos mortos, a vitória sobre a

morte pela humanidade foi possível. Verdade cristológica: Jesus Cristo ressucitou dos mortos

para tirar os pecados da humanidade e para dar a vitória sobre a morte (1 Cor. 15:56-57).

6. A salvação é acessível apenas através de Cristo e Seu sacrifício. Ninguém vai ao

Pai a não ser através de Cristo. Verdade cristológica: Jesus Cristo é o único caminho para a

salvação (João 14:6).

7. Compartilhar a mensagem da salvação, exclusivamente, através de Cristo é um

comando dado por Jesus. Verdade cristológica: Jesus mandou que Seus seguidores fizessem discípulos em todas as nações (Mat. 28:19). Esse é a máxima do crescimento de igrejas.

8. Cristo voltará para estabelecer Seu reino. Verdade cristológica: a tarefa do

crescimento de igrejas e evangelismo é cada vez mais urgente para antecipar o retorno de

Cristo (1 Tess. 5:4-10).

11

Pneumatologia e Crescimento de Igrejas

Pneumatologia é o estudo do Espírito Santo. A palavra tem origem na palavra grega pneuma, que significa espírito. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade. Obviamente, não é preciso dizer, que pneumatologia é um componente de grande importância para o nosso entendimento da teologia do crescimento de igrejas.

A Pessoa do Espírito Santo

Por razões muito extensas para discutir nessa visão geral, a terceira Pessoa da Trindade é, às vezes, é entendida como um “isso” ao invés de “ele”. Uma das heresias mais antigas da

igreja cristã foi a negação da personificação do Espírito Santo. Arius, que foi condenado no Conselho de Nicéia em 325 d.C., descreveu o Espírito Santo como uma força ou influência que emana de Deus, o Pai. Ensinos dos dias modernos das Testemunhas de Jeová e do Unitarismo trazem a influência de Arius para o século XXI.

A Bíblia é repleta com ensinamentos que confirmam a personificação do Espírito Santo.

Ele toma decisões, exercendo Sua vontade no povo de Deus. Paulo e seus companheiros tentaram entrar em Bitínia, “mas o Espírito não lho permitiu” (Atos 16:7). O Espírito Santo, de acordo com Efésios 4:30, é sofre com as ações orgulhosas dos fiéis. Além disso, o Espírito Santo é uma Pessoa sábia, entendendo a mente de Deus (1 Cor. 2:11). Assim o Espírito Santo demonstra personalidade em Seus atributos de vontade, emoções e sabedoria. As ações do Espírito Santo também mostram as características de uma pessoa. O Espírito ensina (João 14:26), testifica (João 15:26) e guia (João 16:13). Ele realiza algumas ações que demonstram uma personalidade divina. O Espírito Santo condena (Gg. elegcho) ou age como um promotor divino; nos regenera e dá nova vida (Tito 3:5); intercede em favor do

fiél (Rom. 8:26); e nos dá comandos (Atos 13:2).

O Ministério do Espírito Santo

O Espírito Santo realizou e continua realizando ministérios únicos em Seu lugar na Divindade. Já no segundo versículo da Bíblia (Gn. 1:2), vemos o Espírito de Deus involvido no trabalho da criação. Esse trabalho, junto com muitos outros, demonstram a divindade do Espírito Santo.

O Espírito se envolveu em dois eventos históricos únicos que foram fundamentais para a

fé cristã. No nascimento de Jesus Cristo, Maria “achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mat. 1:18). O Verbo vivo (João 1:1), Jesus, foi trazido à concepção humana através ofuscação de Maria pelo Espírito Santo. Ele supervisionou os escritores, humanos, das Escrituras para manter a perfeição da Bíblia, sem erros e inspirada por Deus (2 Ped. 1:21).

O ministério do Espírito Santo inclui Seu batismo que une os crentes com Cristo e com

outros crentes (1 Cor. 12:13). O Movimento de Crescimento de Igrejas foca na união de todos

os crentes no corpo de Cristo. O impulso evangelístico da prática de crescimento de igrejas nunca está completo até que uma pessoa demonstre uma participação responsável no corpo de

Cristo. Enquanto o crescimento de igrejas reconhece que o Espírito Santo habita em cristãos carnais (1 Cor. 6:19), o movimento, no entanto, admite a perdição de uma pessoa até que um comportamento frutífero seja evidente no corpo.

A discussão leva a outro evidente ministério do Espírito Santo, que o habitar em todos

os fiéis. Esse habitar é um dom daqueles que têm fé em Cristo (João 7:37-39). Um dom

irrevogável ou permanente (João 14:16) concedida na salvação (Efe. 1:13). Qualquer um que não possua o Espírito Santo é incrédulo (Rom. 8:9). Algumas passagens do Novo Testamento (cf. 2 Cor. 1:22; Efe. 1:13) se referem ao selamento como Espírito Santo, o que demonstra a propriedade de Deus sobre o crente. Novamente, essa ação ou ministério do Espírito Santo ao invés de algo feito pelo crente. O selo nos é concedido (2 Cor. 1:22) como sinal de propriedade e segurança; não foi algo ganho ou merecido. Outro aspecto do ministério do Espírito Santo, que tem sido objeto de muitas discussões do crescimento de igrejas, é sobre os dons do Espírito Santo. Por causa de sua ênfase na literatura de cresciemento de igrejas, examinaremos esse aspecto na próxima seção.

Dons do Espírito Santo

O Movimento de Crescimento de Igrejas tem focado, extensivamente, nos dons do Espírito Santo por causa da relação deles com a separação de toda a laicidade pelo ministério. Se os cristãos descobrissem seus dons espirituais, e os usasse para a edificação do corpo de Cristo (1 Cor. 12:1), então a igreja cresceria naturalmente. C. Peter Wagner coloca dessa maneira: “Não acho que exista qualquer dimensão da vida cristã que una com mais eficácia, os ensinamentos das Escrituras com as atividades do dia-a-dia do povo de Deus, que os dons Espirituais.” Wagner então explica que a relação dos dons com o crescimento de igrejas: “É com seus dons espirituais que o povo de Deus pode ministrar. Então, se um pastor está liderando um crescimento de igreja, um dos alvos essenciais da liderança é ter certeza de que cada membro da igreja descubra, desenvolva e use seus dons espirituais.” Dons esprituais são dons da graça concendidos ao crente pelo Espírito Santo. Eles são “uma doação divina de uma habilidade de serviço especial a um membro do corpo de Cristo”. O debate continua sobre a dádiva e manifestação sobre, o que alguns chamam de, “dons de sinais”. Teólogos Dispensacionalistas, geralmente, consideram os dons de profecia, operação de milagres, cura, línguas, interpretação de línguas, discernimento de espíritos e sabedoria são dons concedidos e manifestados somente durante a era apostólica. Citando as palavras de Paulo de que “quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado” (1 Cor. 13:10) e Paulo profetiza que profecias, línguas e conhecimento passarão (1 Cor. 13:8), dispensacionalistas concluem que “porque a fundação da igreja foi estabelecida e o cânone das Escrituras está completo [i.e. “perfeição” chegou] não há necessidade de dons.” Alguns defensores do crescimento de igrejas se encaixariam melhor em uma categoria melhor descrita como “dispensacionalistas práticos”. Enquanto a teologia deles pode não concordar com a hermenêutica dispensacionalista de 1 Coríntios 13:8-10, seus escritos e prática deixam pouco ou nenhum espaço para os “dons de sinais” mencionados no parágrafo anterior. Um terceiro grupo de seguidores do crescimento de igrejas não declaram a dádiva e a manifestação de todos os dons, mas também defendem que tais dons podem se manifestar em regularmente em suas igrejas. De fato, profecia, línguas, operação de milagres, cura, interpretação de línguas, discernimento de espíritos e sabedoria podem estar no centro da adoração e da vida de suas igrejas. Esse grupo é geralmente chamado de ala “sinais e prodígiosdo Movimento de Crescimento de Igrejas. Esse debate e controvérsia serão examinados no capítulo 30. Percebendo que os teólogos podem diferir quanto ao número de dons espirituais, os seguintes dons são os dezenove mencionados em grande parte da literatura sobre dons espirituais. Esses dons são concedidos aos indivíduos (1 Cor. 12:11) para a edificação de toda igreja (Efe. 4:12).

Apostolado. A palavra apóstolo vem de duas palavras do grego: apo, que significa

“de”, e stello, que significa “enviar”. Apóstolo, portanto, é aquele que “é enviado de”. No capítulo 21 examinaremos o tremendo impacto da “plantação” de igrejas no crescimento de igrejas. Deus pode estar enviando cristãos com o dom do apostolado para começar novos trabalhos. O dom do apostolado é mencionado duas vezes, ambas por Paulo, em 1 Coríntios 12:28 e Efésios 4:11. O dom do apostolado é diferente de do ofício de apóstolo. Profecia. O dom da profecia é mencionado em três cartas de Paulo: Romanos 12:6, 1 Coríntios 12:10 e Efésios 4:11. Um profeta nas Escrituras recebeu uma revelação direta de Deus e é dada aos seus amigos. A profecia pode ser sobre o futuro, ou pode ser uma palavra de edificação, instrução, encorajamento, ou conforto para o presente (cf. 1 Cor. 14:3). Já que revelação direta de Deus nas Escrituras, poderia parecer que os que possuem o dom da profecia, nos dias de hoje, aplicariam as verdades bíblicas na sociedade contemporânea. Operação de milagres. O dom de operar milagres (1Cor.12:10,28) parece ser um dom usado para validar a mensagem do evangelho. É um dom mais amplo que o dom de cura.

A operação de milagres por pessoas na Bíblia, geralmente, descrita em conjunção com a frase

“sinais e prodígios” (cf. Atos 5:12). Freqüentemente, por causa dos milagres, muitas pessoas acreditaram no Senhor (cf. Atos 5:14). Tal é a ênfase atual no movimento sinais-e-prodígios, que vamos examina-lo no último capítulo. Cura. O dom da cura (1 Cor. 12:9,28,30) serviu ao mesmo propósito bíblico do dom de operar milagres, para validar a mensagem do evangelho e mostrar o Salvador. Provavelmente,

é dom mais proeminente do movimento sinais-e-prodígios. Línguas. Outro dom validador nas Escrituras é o de línguas (1 Cor. 12:10). Paulo declarou que ele falou em línguas (1 Cor. 14:18), mas considerado como dom inferior (1 Cor. 12:28). Todavia, disse Paulo, línguas são um “sinal” para os incrédulos (1 Cor. 14:22) para que muitos fossem levados para Cristo. Interpretação de línguas. Acompanhando o dom de línguas é necessário o dom da

interpretação. A adoração deve ser ordeira, declarou Paulo. Alguém deve interpretar qualquer língua que seja falada (1 Cor. 14:28-29). O dom da interpretação (1 Cor. 12:30), então, só pode ser exercido lado a lado com o dom de línguas. Distinção de espíritos. A pessoa que tem o dom de distinguir espíritos (1 Cor. 12:10) tem a habilidade, dada por Deus, para determinar se algo ou alguém é de Cristo ou não. A exortação de João para “testar os espíritos” (1 João 4:1) obviamente tem relação aqui. Os que possuem esse dom teriam extraordinária habilidade de discernir se um espírito de Deus ou é um espírito do anticristo (1 João 4:3). Conhecimento. O dom da sabedoria (1 Cor. 12:8) é a revelação sobrenatural de algumas verdades. Muitos no movimento sinais-e-prodígios vêem esse dom exercido através de “palavras de sabedoria” vindas direto de Deus. Evangelismo. Já que a todos os crentes é dada a ordem evagelizar (2 Tim. 4:5), esse dom (Efe. 4:11) muito provavelmente dá a alguns fiéis a habilidade única de proclamar as boas novas para que pessoas correspondem em conversão e discipulado. Os que possuem o dom do evangelismo teram a responsabilidade pelos perdidos, a habilidade de apresentar a Deus com clareza e a alegria de ver as pessoas irem a Cristo. Wagner estima que um em cada dez cristãos possuam o dom do evangelista, mas todos deveriam se envolver em obedecer o comando de cumprir a Grande Comissão (Mat. 28:19-20). Pastor-Professor. Aquele que tem o dom de pastor-professor (Efe. 4:11) exercita esse dom tendo consideração e instruindo um grupo de cristãos. A palavra “pastor” vem do grego poimenas que literalmente significa pastor. A palavra não é apenas usada para se referir ao

dom, mas também é usada para se referir a Cristo como pastor da igreja toda (João 10:11,14,16; Heb. 13:20; 1 Ped. 2:25). Professor. “Esse dom é evidenciado, claramente, na pessoa que tem a habilidade de tomar profundas verdades bíblica e teológica e comunica-las de maneira lúcida, para que pessoas comuns possam, rapidamente, compreende-las. Esse é o dom de ensinar. O dom foi, consideravelmente, enfatizado nas igrejas locais no Novo Testamento pela importância de trazer os fiéis à maturidade (cf. Atos 2:42; 4:2; 5:42; 11:26; 13:1; 15:35; 18:11, etc). O dom de ensinar é encontrado em Romanos 12:7 e 1 Coríntios 12:28. Serviço. Uma das palavras mais comuns no Novo Testamento é “serviço” (diakonia). Enquanto a palavra se refere à preocupação pela necessidade dos outros em geral, também é um dom evidenciado por aqueles que tem um extraordinário encargo de colocar os outros antes de si mesmo (Rom. 12:7). A natureza da palavra indica um papel de subserviência voluntária. Ajudas. Por essa palavra (grego antilempsis) ter um significado muito similar com serviço , alguns vêem esses dois dons como idênticos. Ao mesmo tempo que existem similaridades, o dom de serviço tem seu foco naqueles auxílios que necessitam de uma posição de subserviência. Ajudas (1 Cor. 12:28), então, teriam um âmbito mais amplo. Sei de um homem em minha igreja que, definitivamente, tem o dom de ajuda. Ele, constantemente, está cuidado paraque as necessidades dos outros sejam eliminadas mas, por ser uma pessoa muito ocupada, ele não pode ajudar pessoalmente. Aqueles que ele consegue para ajudar aos outros pessoalmente, possuem o dom do serviço. Fé. Como muitos outros dons, o dom da fé (1 Cor. 12:9) é uma extraordinária medida de algo que todos os cristãos deveriam exercitar. Todos os fiéis têm fé salvadora (Efe. 2:8); todos os fiéis deveriam ter uma caminhada diária de fé; mas apenas aqueles fiéis com o dom da fé tem a capacidade de ver a possibilidade de Deus em uma situação aparentemente impossível. Exortação. A pessoa com o dom da exortação (Rom. 12:8) tem a habilidade incomum de afetar a vontade de uma pessoa com a vontade de Deus. O dom é manifestado quando alguém estimula outros a tomarem uma decisão específica ou consolar alguém que passou por dificuldades. Misericórdia. Como nossa igreja ajudou fiéis a descobrirem seus dons espirituais , temos visto significante crescimento pois nossos membros têm exercitado o dom da misericórdia (Rom. 12:8). Demonstrar misericórdia é um ministério grandemente necessário no corpo, especialmente nos dias de hoje. O número de pessoas feridas, doentes e com problemas parece estar crescendo diariamente. As boas novas para os que possuem o dom da misericórdia é que o ministério deles é o da alegria apesar das circunstâncias tristes em que se encontram. Administração/liderança. Mesmo sendo palavras diferentes no Novo Testamento, administração (grego kubernesis, 1 Cor. 12:28) e liderança (grego prohistimi, Rom. 12:8) são sinônimas. Os que lideram pessoas com eficácia e organização exercem o dom da administração ou liderança. Generosidade. Generosidade aparece como outro dom “subconjunto”, assim como cura é com milagres e serviço é com ajuda. O dom da generosidade (Rom. 12:8) é uma específica função do dom da fé. Os que dão além daquilo que outros pensam ser possível, possuem os olhos da fé ao compartilhar seus bens materiais com outros. Generosidade e fé não são sinônimos. O que tem o dom da generosidade pode não ter o dom da fé além desse âmbito; e o que tem o dom da fé pode manifesta-lo de outras maneiras. Sabedoria. O dom da sabedoria (1 Cor. 12:8) é um dom sobrenatural do entendimento que unifica o corpo de Cristo. Uma pessoa com esse dom pode ver o desígnio de Deus em uma

situação que está além do entendimento de outros fiéis. Paulo mostrou esse dom ao buscar a união da igreja de Coríntios (1 Cor. 2:6).

Enchendo-se do Espírito

O apóstolo Paulo escreveu à igreja de Éfeso: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito”(Efe. 5:8). O verbo é, primeiro, um comando a todos os fiéis. Colocado de maneira simples, estamos aqui para sermos preenchidos (grego plerousthe) ou controlados pelo Espírito através de uma submissão diária a Ele com a confissão regular dos pecados (1 João 1:9). Segundo, é uma continuidade, um evento repetido. Não somos preenchidos pelo Espírito em um evento único; ao invés disso, em nossa submissão diária a Cristo e morrendo para o pecado, permitimos que o Espírito Santo nos preencha novamente. As implicações de se encher com o Espírito Santo pelo crescimento de igrejas são muitas. Os que estiverem cheios do Espírito manifestarão os frutos do Espírito: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, fé, mansidão e temperança (Gal. 5:22-23). Sendo frutíferos levaremos pessoas a Cristo e, assim como as pessoas da igreja primitiva, fiéis “apreciarão” o favor de todo o povo (Atos 2:47). Quando os cristãos estão cheios do Espírito, o comportamento se torna exemplar, as igrejas se unificam e toda a exaltação contagia a todos. Não é de se admirar que na igreja de Jerusalém, “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (Atos 2:47). Além disso, cristãos que estão cheios do Espírito são cristãos obedientes. Todos os imperativos das Escrituras são um oportundade jubilosa. Fazer discípulos (Mat. 28:19) se torna um estilo de vida, quando muitos são ganhos para Cristo e a igreja cresce diariamente.

12

Angelologia e Crescimento de Igrejas

Tanto no Antigo Testamento quanto Novo Testamento, a palavra “anjo” significa “mensageiro”. A palavra hebraica malak refere-se tanto a mensageiros angelical quanto mensageiros humano. No Novo Testamento, porém, a palavra angelos refere-se, quase exclusivamente, a criaturas celestiais que ocupam terra e céu. Há uma década atrás, angelologia e crescimento de igrejas mal poderiam ser discutidos juntos. Hoje, porém, a literatura de crescimento de igrejas sobre guerra espiritual, anjos não- caídos, anjos caídos (demônios) e Satanás está crescendo mensalmente. C. Peter Wagner, mais uma vez, está na vanguarda desse movimento. Mesmo com algumas pessoas não estando totalmente de acordo com alguns dogmas da angelologia do crescimento de igrejas, o movimento não pode mais ser entendido como um instrumento de planos e cálculos divinos. Angelologia, com certeza, refere-se ao estudo dos anjos. Primeiramente, examinaremos os anjos não-caídos, seguido dos demônios ou anjos caídos e concluir com um estudo do anjo caído chefe, Satanás.

Anjos e o Crescimento de Igrejas

Trinta e quatro dos sessenta e seis livros da Bíblia fazem referência a anjos. Pelo comando de Deus, os anjos foram criados (Sal. 148:2-5) como seres com o propósito primário de servir a Cristo (Col. 1:16). Apesar de, agora, os anjos estarem em uma ordem mais alta que a humanidade (Heb. 2:7), no fim dos tempos, a humanidade será exaltada acima dos anjos (1 Cor. 6:3). Esses milhares de anjos (Heb. 12:22) aparentemente estão classificados em algum tipo de ordem. Efésios 6:12 parece dar uma classificação dos anjos maus, enquanto no versículo do livro de Judas se refere ao anjo não caído Miguel como um arcanjo. Daniel 10:13 também fala de “príncipes chefe”, e Efésios 3:10 menciona “principados e potestades nas regiões celestes”. Além desses, o querubim (Gen. 3:24; Ez. 1) e serafim (Isa. 6:2-3) parecem manter uma posição como atendentes e doadores de louvor a Deus. Enquanto alguns anjos como os querubis e serafins têm um ministério para Deus, outros anjos tiveram e terão um ministério para Cristo. Anjos ministraram para Cristo em Seu nascimento (Luc. 1:26-38), em Sua infância (Mat. 2:13), em Sua tentação (Mat. 4:11), em Suas necessidades emocionais (Lucas 22:43), em Sua ressurreição (Mat. 28:5-7; Marc. 16:6-7; Luc. 24:4-7; João 20:12-13) e em Sua ascensão (Atos 1:10). Anjos também acompharão Jesus em Sua segunda vinda (Mat. 25:31). Os anjos têm uma função no crescimento de igrejas? Há alguma relação entre a atividade dos anjos e a expansão do reino de Deus quando pessoas aceitam a Cristo e se tornam discípulos na igreja? A Epístola aos Hebreus diz que todos os anjos ministram aos fiéis:

“Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Heb. 1:14). Já que são diretamente responsáveis pelos fiéis enquanto eles buscam cumprir a Grande Comissão de Cristo, devemos concluir que os “espíritos ministradores” têm uma função no crescimento de igrejas. As responsabilidades de ministério e de guarda dos anjos incluem proteção física (e.g. Sal. 34:7; Atos 5:19; 12:7-11) e provisão física (1 Reis 19:5-7). Na ocasião da libertação do Pedro da prisão (Atos 12:7-11), a igreja estava orando pela libertação de Pedro (Atos 12:5). Deus enviou um anjo para respoder à oração e para ser um instrumento para a liberdade do

apóstolo. Com que freqüência, talvez desconhecida dos fiéis, os anjos se tornam instrumentos de Deus para responder nossas orações, inclusive para o cumprimento da Grande Comissão? Anjos também podem ministrar aos fiéis pelo encorajamento (Atos 10:3-6). Em muitas dessas ações, então, é possível que o ministério dos anjos encorajem fiéis a uma obediência mais dinâmica para fazer discípulos?

A literatura de crescimento de igrejas agora incluem a guerra espiritual, que é tão

claramente discutida nas Escrituras (e.g. Efe. 6:10-18). O foco da literatura de crescimento de igrejas até agora tem sido nos anjoa caídos (o qual veremos no parágrafo a seguir). A relação entre crescimento de igrejas e anjos não-caídos está pronto para discussão nos ano que se seguem.

Anjos Caídos (Demônios) e Crescimento de Igrejas

Anjos caídos, também chamados de demônios, provavelmente seguiram Lúcifer ou Satanás em sua rebelião contra Deus. Satanás às vezes é chamado de dragão; Apocalipse 12:7 fala do “o dragão e os seus anjos”. Jesus mesmo fala de anjos caídos e seu líder como “o diabo

e seus anjos” (Mat. 25:41). Por causa da atividade demoníaca é predominante em muito das Escrituras, podemos conjeturar que muitos demônios têm muita liberdade, e que essa liberdade continuará até que todas as criaturas rebeladas sejam jogadas no lago de fogo (Apoc. 20:15). Alguns demônios, porém, estão restritos ou retido das atividades, presumivelmente por causa da enormidade de seus pecados ou seu poder para infligir estragos (Luc. 8:31; 2 Ped. 2:4; Apoc. 9:2). Alguns estudiosos acreditam que Apocalipse 9:3-11 descreve a libertação desses mais horrendos demônios durante a grande tribulação. Demônios são da mesma constituição de sua contraparte, os anjos não-caídos. Eles são criaturas espirituais (Mat. 8:16; Luc. 10:17) que são limitadas em poder e inteligência. Apenas Deus é onipresente, onisciente e onipotente. Apesar de os demônios terem grande poder, eles não podem ser como Deus, nem fazer as obras de Deus (João 10:21). As atividades dos demônios podem ser prejudicial ao crescimento de igrejas. O Movimento de Crescimento de Igrejas, liderado por C. Peter Wagner, recentemente, tem publicado vários trabalhos, que focam essa guerra espiritual como o maior tópico do crescimento de igrejas. Esse foco representa uma mudança significativa para um movimento freqüentemente acusado de ser excessivamente humano e metódico.

O que, então, os demônios podem fazer para inibir o crescimento da igreja? Eles podem

enganar tanto os crentes como os incrédulos. Os incrédulos podem ser ludibriados e enganados

e não receberem o dom da salvação através de Jesus Cristo: “o deus deste século cegou os

entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Cor. 4:4). Um crente também pode ser distraído da obediência à Grande Comissão e à devoção sincera a Deus (2 Cor. 11:3). O apóstolo Paulo, preocupado que a igreja de Tessalônica tivesse perdido o zêlo por espalhar o evangelho, escreveu que as pessoas deveriam estar cientes do desencorajamento demôniaco: “Portanto, não podendo eu também esperar mais, mandei-o saber da vossa fé, temendo que o tentador vos tentasse, e o nosso trabalho viesse a ser inútil” (1 Tess. 3:5). Às vezes, os demônios irão além de meramente influenciar pessoas, invadindo ou possuindo alguém. Possessão demoníaca é comum nos evangelhos e em Atos (cf. Mat. 4:24; 8:16, 28, 33; 12:22; 15:22; Marc.1:32; 5:15, 16, 18; Luc. 8:36; João 10:21; Atos 19:13-16). O papel do demônios, seja influência ou possessão, é manter os incrédulos longe da salvação de Cristo e fazer com que crentes ineficentes se desviem de sua busca por uma obediência a Cristo.

Satanás e o Crescimento de Igrejas

O líder dos anjos caídos é Satanás, também conhecido por um grande número de outros

nomes (veja tabela). Enns, em Moody Handbook of Theology (Guia Moody de Teologia), diz “A

evidência no Novo Testamento da existência de Satanás é extensa. Todos os escritores e

dezenove dos livros do Novo Testamento fazem referência a ele (cf. Mat. 4:10; 12:26; Mar. 1:13; 3:23, 26; 4:15; Luc. 11:18; 22:3; João 13:27, etc). Cristo mesmo faz referência a Satanás vinte e sete vezes. O fato da existência de Satanás encontra apoio na veracidade das palavras de Cristo.” As características dos demônios descritas anteriomente se aplicariam a Satanás. Pareceria, porém, que Satanás manifestaria o maior poder, a maior decepção e o maior mal. Qualquer atividade demoníaca de Satanás teria a maior intensidade. Até sua queda, Satanás era o mais notável dos anjos: “Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em

Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se

formosura

achou iniqüidade em ti” (Eze. 28:12, 15). Satanás, então, lidera suas hordes demoníacas para se oporem à igreja e frustrar seu crescimento. Qualquer verdadeira estratégia de crescimento de igrejas deve estar ciente das batalhas espirituais que acontecem.

 

NOMES DE SATANÁS

Nome

Significado

Citação

Satanás

Adversário

Mateus 4:10

Diabo

Caluniador

Mateus 4:1

O Mal

Intrinsecamente Mal

João 17:15

Grande Dragão Vermelho

Criatura Destrutiva

Apocalipse 12:3, 7, 9

Antiga Serpente

Enganador Do Éden

Apocalipse 12:9

Abadom

Destruição

Apocalipse 9:11

Apoliom

Destruidor

Apocalipse 9:11

Adversário

Oponente

1 Pedro 5:8

Belzebu

Principe dos demônios (Baalzebul)

Mateus 12:24

Belial

Indigno (Beliar)

2 Coríntios 6:15

Deus Deste século

Controla A Filosofia Do Mundo

2 Coríntios 4:4

Príncipe Deste Mundo

Governa O Sistema Do Mundo

João 12:31

Princípe Das Potestades Do Ar

Controle Dos Incrédulos

Efésios 2:2

Inimigo

Oponente

Mateus 13:28

Tentador

Instiga As Pessoas À Pecar

Mateus 4:3

Assassino

Leva As Pessoas Para A Morte Eterna

João 8:44

Mentiroso

Perverte A Verdade

João 8:44

Acusador

Acusa Os Crentes Ante Deus

Apocalipse 12:10

O Crescimento de Igrejas e a Batalha Espiritual

O Movimento de Crescimento de Igrejas pode já ter sido descrito como uma análise

sociológica, um estudo demográfico, uma inovação metodológico, um contextualização teológica, um guia de liderança e uma aplicação estratégica. Porém, C. Peter Wagner reconheceu a deficiência dessas ferramentas se usadas sozinhas: “Agora que essas peças estão no lugar, como nunca estiveram antes, elas parecem para muitos como um foguete na

plataforma de lançamento, pronto para nos levar a novas dimensões de eficácia no avanço do

reino de Deus”. Ainda assim, Wagner percebe que o crescimento de igrejas deve ser mais que metodologias criadas pelo homem: “Mas ao mesmo tempo tem havido uma crescente consiência de que o foguete, por si só, com toda sua tecnologia, não vai a lugar nenhum sem combustível. O “combustível” é o Espírito Santo e a batalha é espiritual. “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efe. 5:12). Com essa perspectica em mente, diz Wagner, as estratégias de crescimento de igreja são vistas sob uma luz diferente. “Se a real batalha pelo avanço do reino de Deus é espiritual, precisamos aprender o máximo que pudermos sobre a regras da guerra, os planos de batalha, a natureza de nosso inimigo, os recursos à nossa disposição e as melhores táticas para empregarmos tais recursos.” Paulo nos dá um esboço dessas táticas de guerra em Efésios 6. Ele chama essas táticas de “a completa armadura de Deus” (Efe. 6:13). A armadura completa inclui, primeiramente,

um estilo de vida obediente e devota (“justiça

significa um conhecimento de, compromisso com, e obediência a Palavra de Deus (“

fé”, Efe. 5:14-16). Segundo,

a espada

do Espírito, que é a palavra de Deus”, Efe. 6:17). Finalmente, a armadura completa inclui a oração (Efe.6:18). Examinaremos mais detalhadamente oração e crescimento de igrejas no capítulo 18. Oração pode ser a chave para abrir a porta para um crescimento de igreja mundial como nunca visto antes.

preparação

13

Antropologia, Harmatiologia e Crescimento de Igrejas

Duas linhas bem próximas da teologia são a antroplogia e hamartiologia. Antropologia vem da palavra grega anthropos, que significa “homem”. Hamartiologia tem sua origem na palavra grega hamartia, substantivo para pecado. Discutiremos a queda e o pecado da humanidade ao estudar os dois campos da antropologia e hamartiologia.

Crescimento de Igrejas e Antropologia

O princípio do estudo da humanidade deve fazer a pergunta da origem humana. Não-

cristãs, particularmente aqueles que têm um ponto de vista teísta, normalmente vêem a origem

dos humanos como evolucionária. A evolução ateísta nega qualquer envolvimento sobrenatural na criação do homem e da mulher. Alguns teístas acreditam em uma evolução da humanidade

que permite a supervisão de Deus no processo gradual de criação. Criacionismo progressivo, às vezes chamado de teoria do dia-era, afirma que os dias da criação não são dias literais, de vinte e quatro horas, mas eras. Outra teoria da criação, a teoria do intervalo, permite um longo período de criação ao colocar um período de tempo entre Gênesis 1:1 e 1:2. O problema com essas teorias é que elas são, no máximo, um argumento do silêncio bíblico. Um crescente número de estudiosos bíblicos de fato acredita que as teorias “não se montam na exegese, mas ao invés disso (são) uma tentativa de conciliar a Bíblia com a ciência.” Criação Fiat é a visão de que Deus criou em dias literais de vinte e quatro horas. Essa perspectiva vê a criação como instantanêa. Rejeita qualquer forma de evolução humana, já que a evolução negaria a singularidade do homem e mulher a imagem de Deus (Gen. 1:26). Crescimento de Igrejas e antropologia se cruzam quando as Escrituras falam da queda (Gen.3). Adão e Eva eram pessoas sem pecado, criadas em perfeita comunhão com Deus. Eles tinham completa liberdade no jardim, exceto pela proibição de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gen. 3:17-19). O resultado da desobediência de Adão e Eva foi julgamento não apenas sobre a mulher (Gen. 3:16), o homem (Gen. 3:17-19) e toda a criação (Gen. 3:17-18), mas também julgamento sobre toda a raça humana (Rom. 5:12). Contrário a mentira da serpente de que Adão e Eva não morreriam, desobediência e pecado de fato subjugou toda a humanidade a morta.

O crescimento de Igrejas foca na reconciliação entre Deus e o homem. O esforço

humano de espalhar as boas novas de Cristo, de que Ele pode vencer o pecado e a morte, é chamado de evangelismo. Os esforços do evangelismo e o processo de fazer discípulos frutíferos de novos conversos que podem espalhar as boas novas é prioridade do crescimento de igrejas.

Crescimento de Igrejas e Hamartiologia

Hamartiologia, ou a doutrina do pecado, é uma doutrina crucial da teologia em geral e do crescimento de igrejas em particular. Pecado é a desobediência às leis de Deus que, a menos que sejam perdoados, criam um abismo irreconciliável entre Deus e a humanidade. A natureza de Deus, que é amor, grita por reconciliação de Deus e a humanidade através do perdão de seus pecados. Deus tornou esse perdão possível através de Seu amor ao enviar Seu Filho Jesus Cristo (João 3:16).

O grego hamartia significa literalmente “perdendo a marca”. Essa palavra familiar é de

longe a mais usada para pecado no Novo Testamento, com quase trezentas ocorrências. O conceito de hamartia do Novo Testamento não é de um mero engano, mas uma ação consciente, condenável e deliberada. O pecado é sempre contra Deus já que é o Seu padrão de retidão que falhamos em alcançar. Millard Erickson nota três desejos humanos naturais “que, mesmo sendo bons neles e deles mesmos, são áreas de pontencial tentação e pecado”. O primeiro desses é o desejo de aproveitar as coisas. Deus implantou em nós o desejo de certas coisas, algumas essenciais. Comida, bebida, sexo e atividades prazerosas, são apenas alguns dos desejos que a maioria das pessoas têm. Legitimamente, seguido nos limites das Escrituras, Deus deleita-se em prover os desejos de Seus filhos (Mat. 7:7-11). Porém, além dos limites das Escrituras, o encontro com esses desejos podem se tornar excessivos e, assim, pecados. Glutonaria, embriaguês, adultério, fornicação e preguiça são pecados resultados de uma violação de uma diretriz bíblica claramente estabelecida. Um segundo desejo humano é o de obter coisas. Teremos domínio sobre o mundo (Gen. 1:28), e materiais de possessão são incentivos legítimos voltados para a diligência. “Quando, porém, o desejo de adquirir bens mundanos se torna tão urgente que é satisfeito a qualquer

custo, até por explorar ou roubar de outros, então foi degenerado na „concupiscência dos olhos‟ (1 João 2:16).

O desejo de alcançar é a terceira área de potencial tentação e pecado. As parábolas de

Jesus sobre mordomia (e.g. Mat. 25:14-30) ilustram o mérito de realização aos olhos de Deus.

“Quando porém esse anseio transgride os limites apropriados e é perseguido ao custo de outros humanos, se degenerou em „soberba da vida‟ (1 João 2:16).

O cristão encontra a luta com o pecado surgindo de três áreas. A primeira dessas áreas

é designada “mundo”, ou kosmos em grego. Quando mundo é usado nesse contexto, refere-se a tudo que se opõe a Deus e Sua vontade. Aos cristãos é dito para não amar o mundo nem o

que há nele (1 João 2:15).

A carne é a segunda área de luta para o cristão. De fato, Paulo disse aos Romanos que

os incrédulos, “aqueles que vivem de acordo com a natureza pecaminosa”, são controlados pela

carne (Rom. 8:5-6). Os crentes lutam também entre o controle pelo Espírito e o controle pela carne. Paulo experimentou e articulou sua luta muito bem: " Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor.” (Rom. 7:21-25). Finalmente, o cristão luta com Satanás e seus seguidores demoníacos. Em nossa luta com o pecado somo chamados para resistir ao diabo (Tiago 4:7) usando a completa armadura de Deus (Efe. 6:10-18).

O pecado não deve ser considerado pequeno. A teologia do crescimento de igrejas não

deve evitar esse tópico em seus esforços para encorajar as igrejas a ser “amigável ao usuário”. Enquanto os ensino e pregações das igrejas do crescimento de igrejas devem evitar atitudes de julgamento e farisaicas, eles devem incluir um ensino saudável e equilibrado sobre o pecado. Se a doutrina do pecado não for ensinada, nem crentes, nem incrédulos compreederão a conseqüência do pecado. Para o incrédulo, pecado não perdoado resulta em eterna condenação e morte. O pecado de conseqüências além da morte eterna. Erickson classificou essas conseqüências em nosso relacionamento com Deus, conosco, e com outros humanos.

Em nosso relacionamento com outros humanos, o pecado pode levar a competitividade

insalubre (talvez entre igrejas e pastores) e, em larga escala, pode levar a guerra. O pecado também pode afetar nossa habilidade de demonstrar empatia. “Estar preocupado com nossos próprios desejos pessoais, reputação e opiniões, vemos apenas nossa perspectiva. O que queremos é tão importante que não conseguimos nos colocar no lugar dos outros e ver suas necessidades, ou ver como eles poderiam entender uma situação de alguma maneira diferente”. Em outras palavras, não vemos os interesses dos outros porque não temos a mente de Cristo (Filip. 2:3-5). Talvez a última conseqüência do pecado em nosso relacionamento com os outros é uma inabilidade de amar. Uma das maiores liberdades que vem da habitação de Deus em nós é a liberdade de colocar os outros antes de nós ao invés “mirar o número um”. Existe uma abundância de felicidade de livramento em não mais se preocupar com nossas necessidades, mas antes focar nas necessidades dos outros como aprendemos a amar uns aos outros (1João 4:7).

O pecado tem efeitos devastadores no pecador também. Um dos efeitos é um poder de

escravizar, levando a hábitos e vícios. Paulo encorajou os Romanos a serem escravos da retidão ao invés de escravos do pecad (Rom. 5:17-18). Viver em pecado pode resultar em sair da realidade, negação, auto-decepção (cf. Mat. 7:3), insensibilidade (cf. 1 Tim. 4:2), egocentrismo

e inquietude. Certamente os efeitos do pecado na vida dos pecadores tem um efeito oposto de “a paz de Deus, que excede todo o entendimento” (Filip. 4:7).

O pecado afeta nosso relacionamento com Deus. Seu ódio do pecado é evidente por

toda a Escritura (e.g Prov. 6:16-17; Zac. 8:17). Pecados não perdoados e não arrependidos, para o incrédulo, resultam na morte eterna (Mat. 25:41-46). A morte física ou mortalidade humana também é resultado do pecado (Gen. 2:17; Rom. 6:23). O crente não apenas é objeto da morte física como o incrédulo, mas também pode romper sua comnhão com Deus, se ele ou ela continuar com um pecado não arrependido (cf. 1 João 1:5-10).

O pecado é uma doutrina crucial da teologia em geral e do crescimento de igrejas em

particular. É por causa do pecado que necessitamos de um Salvador, então Deus elegeu Seu Filho como cesse Salvador em um ato de puro amor (João 3:16). Tal é o coração da teologia

cristã e do Movimento de Crescimento de Igrejas: um Deus que ama e busca Se reconciliar com

a humanidade rebelde ao enviar Seu Filho Jesus Cristo que então deu o comando de que todos

os crentes deveriam fazer discípulos (Mat. 28:19). Agora, entraremos na doutrina que foca o

ato reconciliatório de Jesus Cristo por nossa salvação, a doutrina da soteriologia.

14

Soteriologia e Crescimento de Igrejas

A palavra “soteriologia” vem da palavra grega soterion, que significa salvação; por isso soteriologia é o estudo da doutrina da salvação. Salvação é o resgate da humanidade, do poder e efeitos do pecado, por Deus. Salvação, então, vem de Deus e é efetuada por Deus. Nada podemos fazer para recuperarmos essa generosidade de Deus. “Na franqueza e amizade de Jesus pelos pecadores, a amorosa recepção de Deus encontrou uma perfeita expressão. Nada era necessário para recuperarmos esse favor de Deus. Esperou, ansiosamente, pelo retorno do homem (Luc. 15:11-24). Uma indispensável preliminar foi a mundaça no homem, da rebeldia pra a confiança inocente e vontade de obedecer.”

A Morte de Cristo e a Soteriologia

Nosso pecado causaram um abismo entre Deus e nós. Sem a remoção desse pecado, não há reconciliação e salvação. Já que Cristo, voluntariamente, sujeitou-Se a morte na cruz (Fil. 2:8) para trazer perdão e para a humanidade e reconciliação entre Deus e o homem, a morte de Cristo torna-se o elemento chave em nosso entendimento de soteriologia. Várias teorias têm sido levantadas para explicar a morte de Cristo. Um resumo dessas teorias está na tabela desevolvida por Paul Enns na página seguinte. Cada uma dessas teorias tem uma fraqueza significativa no âmbito de que nenhuma proposta indivdual pode ser caracterizada como a correta visão da expiação. Não devemos dizer, porém, que não há valor ou contribuição em algumas das visões. Por exemplo, o entendimento Sociniano da expiação, normalmente chamado de teoria do exemplo, é herético em sua rejeição a qualquer idéia de satisfação vicária. Ainda, algumas linhas de verdade podem ser encontradas no foco da morte de Jesus como um exemplo de total amor por Deus e como uma inspiração aos seguidores. A teoria governamental é fraca do ponto de vista das Escrituras quando diz que “é possível que Deus relaxe a lei para ele não precisasse definir uma punição específica ou penalidade para cada violação”. A teoria governamental, porém, enfatiza a seriedade do pecado e necessidade de lidar com o pecado. A despeito das forças de algumas visões da expiação, o entendimento mais preciso da morte de Cristo é a idéia da substituição. Jesus morreu no lugar dos pecadores, uma morte que foi chamada de vicária, que significa “um no lugar de outro”. Essa visão pode ser melhor explicada por vários termos relacionados à morte de Cristo. O primeiro desses termos é a palavra substituição em si. “Há muitas passagens que enfatizam a expiação substitutiva de Cristo no lugar da humanidade. Cristo foi um substituto ao Se fazer pecado pelos outros (2 Cor. 5:21); Ele levou sobre Si os pecados dos outros na cruz (1 Ped. 2:24); Ele sofreu para tirar o pecado dos outros (Heb. 9:28); Ele passou um sofrimento horrível, tortura e morte no lugar dos pecadores (Isa. 53:4-6).” Propiciação é outra palavra relacionada à morte substitutiva de Cristo. Significa, literalmente, “uma cobertura para o pecado”. Essa cobertura foi necessária para satisfazer as justas exigências de um Deus irado. A morte substitutiva de Jesus satisfez os requerimentos para conciliação de Deus (cf. Lev. 4:35). Ao receber o dom de salvação de Cristo, o fiél pode ser poupado da ira de Deus. “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (Heb. 2:17).

 

TEORIAS DA EXPIAÇÃO

 

Teoria

Representantes

 

Idéia Principal

Fraqueza

Representantes

Originais

Recentes

Resgate pago

Orígenes

O resgate pago a Satanás, pois ele manteve

A santidade de Deus foi ofendida pelo pecado; a cruz foi o julgamento de

Não existem

defensores

a Satanás

(184-254 d.C)

 

o

povo cativo pelo pecado.

Satanás e não o pagamento de um resgate.

atualmente

   

Cristo experimentou tudo

Contradiz a

impecabilidade de Cristo (1 João 3:5).

 

Recapitulação

Irineu

 

o

que Adão havia

Ninguém conhecido

(130-200 d.C.)

experimentado, inclusive o pecado.

Comercial

Anselmo

O pecado roubou a honra de Deus; a morte de Cristo honrou a Deus, permitindo o perdão dos pecados.

Eleva a honra de Deus acima de qualquer outro atributo; ignora a expiação vicária.

 

(Satisfação)

(1033-1109)

Ninguém conhecido

   

A

morte de Cristo foi

   

desnecessária para expiar

A base da morte de Cristo está no amor de

Deus e não em Sua santidade. Expiação vista como desnecessária.

Friedrich

Influência

Abelardo

o

pecado; Sua morte

Schleiermacher

Moral

(1079-1142)

abranda o coração do pecador, o que o leva ao arrependimento.

Albrecht Ritschi

Horace Bushnell

   

A

morte de Cristo foi

   

Socino

desnecessária para a expiação do pecado; Sua morte foi um exemplo de obediência para inspirar a reforma.

Vê Cristo apenas como um homem; expiação vista como desnecessária.

Thomas Altizer

Exemplo

(1583-1604)

Unitarianos

 

Grotius

Cristo sustenta o governo na lei de Deus; Sua morte foi um pagamento simbólico; permite que Deus deixe a lei de lado e perdoe o povo.

Deus está sujeito a mudanças; Sua lei é colocada de lado; Deus perdoa sem pagamento pelo pecado.

Daniel Whitby Samuel Clarke Richard Watson J. McLeod Campbell H. R. Mackintosh

Governamental

(1583-1645)

 

A. Schweitzer

Cristo se encantou com um complexo de Messias e acabou sendo morto por engano pelo processo.

Vê a morte de Cristo como um acidente; nega a expiação substitutiva.

 

Acidente

(1875-1965)

Ninguém conhecido

Redenção (grego agorazo) significa “comprar”. A palavra foi usada freqüentemente no contexto de compra de escravos no mercado. Os escritores do Novo Testamento usavam a palavra para se referir ao efeito da morte substitutiva de Cristo ao livrar as pessoas da escravidão do pecado. O preço da redenção foi a morte de Cristo (1 Cor. 6:20; 7:23; Apoc.

5:9). A palavra bíblica mais comum para perdão é aphemi, que significa literalmente “mandar embora”. A morte de Jesus na cruz livrou ou mandou embora nossos pecados. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efe. 1:7). O escritor de Hebreus enfocou a morte de Cristo como sacrifício (Heb. 9-10). Cristo é o sumo-sacerdote que entrou no Lugar Santo para fazer o sacrifício final, negando a necessidade de fazer os “mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano” (Heb. 10:1). “Assim

também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” (Heb. 9:28). Reconciliação (grego katalasso) significa “efetuar uma mudança, reconciliar”. Por causa de nosso pecado uma separação entre Deus e a humanidade. A morte de Cristo na cruz demonstra a iniciativa de Deus de restaurar o relacionamento. A reconciliação está disponível a todos, mas não é eficaz a não ser que alguém receba por fé a Cristo, que tornou possível a restauração desse relacionamento. Um termo final é o da justificação. Justificação é um ato legal, baseado na morte de Cristo (Rom. 5:9), através da qual Deus declara justo aqueles que têm fé em Jesus Cristo. O dom da justificação (Rom. 3:24) envolve o perdão e a remoção de todos os pecados e salvação da ira de Deus (Rom. 5:9). Nossa justiça não vem de nós mesmos, mas é um dom de Deus a todos que crêem (Rom. 3:22).

As Implicações da Expiação Substitutiva

Por causa das ricas implicações

da

morte substitutiva de Cristo na cruz,

esse

entendimento será estudado em maior detalhe. Millard Erickson fez um resumo desse assunto:

A teoria substitutiva da morte expiatória de Cristo, quando compreendida em toda sua complexidade, é uma verdade rica e significativa. Carrega várias implicações para nosso entendimento da salvação:

1. A teoria da substituição-penal confirma o ensinamento bíblico da total perversão

de todos os humanos. Deus não teria ido tão longe, como levar seu Filho à morte, se não fosse

totalmente necessário. O homem é totalmente incapaz de alcançar sua necessidade.

2. A natureza de Deus não é unilateral, nem há tensão entre seus diferentes

aspectos. Ele não é meramente justo e exigente, nem apenas amoroso e generoso. Ele é justo, tanto que o sacrifício pelo pecado tinha que ser providenciado. Ele é amoroso, tanto que providenciou que Ele fosse o sacrifício.

3. Não há outro caminho para salvação que pela graça, e especificamente, a morte

de Cristo. Tem um valor infinito a ainda cobre todos os pecados da humanidade de todos os

tempos. Um sacrifício finito, ao contrário, não cobriria nem os pecados de indivíduos que estivesse oferecendo o sacrifício.

4. Há segurança para o crente em seu relacionamento com Deus. Pois a base do

relacionamento, a morte sacrificial de Cristo, é completa e permanente. Apesar de nossos sentimentos mudarem, o fundamento de nosso relacionamento com Deus permanece inabalável.

5. Nunca devemos negligenciar a salvação que temos. Mesmo sendo de graça,

também é de grande valor, pois custou a Deus o sacrifício máximo. Devemos então ser gratos pelo que Ele fez por nós; devemos ama-lo em retribuição. “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 João 4:10).

Outras considerações da Soteriologia

Antes de examinarmos as implicações da soteriologia para a teologia de crescimento de igrejas, precisamos ver seis outras palavras bíblicas relacionadas a salvação. Eleição e predestinação são dois termos que freqüemente causam um certo disconforto por causa da percepção de que eles tiram nossa responsabilidade de responder. A ênfase das Escrituras, porém, é que qualquer um que estiver perdido perde a salvação por causa de sua própria obediência, não por causa da eleição ou predestinação. Similarmente, a responsabilidade dos crentes de evangelizar continua sendo uma ordem. Devemos admitir que a tensão entre o livre arbítrio humano (João 3:16-18) e a escolha soberana de Deus (Efe. 1:4). Tal tensão existe não apenas pela contradição na Escritura, mas por causa de nossa finita sabedoria.

“Eleição é soberana, eterno decreto de Deus”. O decreto envolve a escolha de pessoas de serem recebedores de graça e salvação (Efe. 1:4). “A palavra predestinação vem do grego proorizo, que significa „assinalado com antecedência‟, e ocorre seis vezes no Novo Testamento (Atos 4:28; Rom. 8:29-30; 1 Cor. 2:7; Efe. 1:5, 11)”. Tanto eleição, quanto predestinação são características necessárias de um Deus soberano; mas não absolve a humanidade da ordem de receber a Cristo, e então fazer discípulos. (Mat. 28:19) Adoção vem do termo grego huiothesia, que é usado para descrever uma nova posição e condição Cristã em Cristo um filho de Deus. Ao se unir a família de Deus, e apreciando a condição de filho (Gal. 4:5), os crentes são demovidos de sua antiga vida e levados a uma nova vida, com todos os benefícios e privilégios a disposição de um legítimo filho do Pai. Santificação, do grego hagiasmos, significa “tornar santo”, ou “ser separado”. Quando nos referimos ao crente estar diante de Deus, estamos falando da santificação posicional. Por causa da morte de Cristo na cruz, o crente é santo, ou separado, ou santo diante de Deus (cf. 1 Cor. 1:2; 2 Cor. 1:1; Efe. 1:1). Até a igreja de Corinto, com sua carnalidade abundante, foi chamada por Paulo de “os santificados em Cristo Jesus” (1 Cor. 1:2). O crente é sempre santo quando está diante de Deus, mas a santificação empírica do crente varia em relação com a dedicação deste a Deus. Assim Paulo poderia ordenar que os crentes fossem santificados ou santos: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1 Ped. 1:15). Santificação final ou máxima acontecem quando os crentes serão feitos a semelhança de Cristo, “sem mácula, nem ruga(Efe. 5:27). Graça é outro importante termo no entendimento da salvação. Uma definição geral de graça seria “a provisão do imerecido favor de Deus”. Conotações específicas de graça, porém, devem ser compreendidas para que receber o total impacto do termo. Graça comum refere-se ao favor de Deus garantido a toda a humanidade. Inclui as provisões da criação: luz do sol, chuva, comida, vestes, beleza e a retenção do julgamento. Graça especial é dada apenas aos crentes. Teólogos categorizaram graça especial como preveniente, eficaz, irresitível, suficiente. Graça preveniente significa que a graça vem primeiro, precendendo a iniciativa humana. “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). Graça eficaz é graça que não falha. Graça, dada ao crente, que não será tirada, nem falhará (João 10:27-28). Graça suficiente indica a total adequação do trabalho de Deus através de Jesus Cristo. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Heb. 7:25). Finalmente, graça irresistível diz que a graça de Deus não pode ser rejeitada. É Deus quem escolhe (Efe. 1:4) e provê graça a aqueles “segundo o beneplácito de sua vontade” (Efe. 1:5). Regeneração, mesmo sendo usada apenas duas vezes no Novo Testamento (paliggensia, Mat. 19:28; Tito 3:5), é um importante aspecto da salvação. É a entrega da vida de Deus a aquele que crê. É um novo nascimento em Deus, ou um nascimento do alto, ou um segundo nascimento: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). A regeneração do crente resulta em uma nova natureza (2 Ped. 1:4; Efe. 4:24; 2 Cor. 5:17) e uma nova vida (1 Cor. 2:16; Rom 5:5).

O Dilema do Crescimento de Igrejas

O crescimento de igrejas surgiu de um desejo de ver homens e mulheres aceitarem a Cristo, verem todos os benefícios da salvação, descritos nesse capítulo, concedido a um mundo não regenerado. Na seção histórica desse livro, vimos a responsabilidade de Donald McGravan

pelos perdidos em sua missão na Índia. Vimos suas preocupações com o pequeno número de pessoas convertidas e sua perplexidade ao ver que poucas igrejas estavam crescendo em um ritmo rápido ou no máximo tinham estacionado o crescimento. Quando McGravan começou a questionar por que algumas igrejas estavam crescendo enquanto outras estavam em declínio, ele estava integrando duas doutrinas, soteriologia e eclesiologia (a doutrina da igreja será examinada no próximo capítulo). McGravan queria evidenciar que a salvação estava acontecendo, que as pessoas estavam indo a Cristo. Seu dilema poderia ser expressado da seguinte maneira: Como saber se estamos alcançando pessoas para Cristo? Como podemos determinar se uma decisão interna foi tomada? Jesus disse “Por seus frutos os conhecereis” (Mat. 7:16). Paulo disse que os frutos do Espírito são amor, alegria, paz, paciência, bondade, generosidade, fidelidade, benignidade, e auto-controle (Gal. 5:22-23). Ainda assim, McGravan esteve diante da situação de que seria impossível saber quantas pessoas na Índia eram cristãs. Ninguém sabia ao certo se as pessoas estavam sendo alcançadas e se tornando discípulos (membros frutíferos). Era uma tarefa que não podia ser quantificada, que desafiava medidas e contabilidade. McGravan tomou uma abordagem diferente, mas falível. Salvação seria “medida” por “filiação responsável à igreja”. Se alguém estava freqüentando a igreja e participando ativamente na comunhão, então a probabilidade de que esse alguém fosse um cristão era alta. Então o Movimento de Crescimento de Igrejas cresceu quando a salvação se tornou quantificável, e as igrejas se tornaram responsáveis por seus números em termos de membros, freqüência, batismos e sucessivamente. Deve-se admitir que essa abordagem do crescimento de igrejas está sujeita a erros. Entretanto, cria um nível de responsabilidade, e essa responsabilidade mantém a igreja focada em sua tarefa primária: levar pessoas a Cristo.

15

Eclesiologia e Crescimento de Igrejas

Eclesiologia é o estudo da igreja. A palavra igreja é uma tradução da palavra grega ekklesia, que significa, literalmente, “os que foram chamados”. Já que a palavra “igreja” aparece no nome do Movimento de Crescimento de Igrejas, é importante que entendamos a eclesiologia do crescimento de igreja. No coração do assunto está a questão: “Qual é o propósito da igreja?” Antes de vermos esse assunto, vamos examinar algumas figuras de linguagem usados nas Escrituras para descrever a igreja.

Imagens da Igreja

Corpo de Cristo. A metáfora do corpo foca na autoridade, unidade e universalidade. Porque é compreensível, essa é a imagem da igreja usada com mais freqüência na Bíblia. Autoridade no corpo de Cristo está em Cristo em Si mesmo, que é a Cabeça do corpo (Col. 1:18). Então, os crentes são os membros ou partes do corpo. Imagem do corpo também retrata unidade, em que há muitos membros, mas um único corpo (1 Cor. 12:12). Finalmente, o corpo também é a igreja universal e também as congregações individuais (Efe. 1:22-23). Como corpo de Cristo, a igreja é a extensão do ministério de Cristo; a igreja deve fazer o trabalho de Cristo (João 14:12). Noiva de Cristo. Paulo faz uma analogia entre a relação do marido e da esposa no casamento e Cristo e Sua noiva, a igreja (Efe. 5:23). O tema dominante dessa imagem é o amor de Cristo pela igreja. Povo de Deus. O quadro da igreja como o povo de Deus enfatiza a iniciativa de Deus em escolher a igreja (2 Cor. 6:16). Como na linha abraâmica que produziu Israel, Deus escolheu a igreja para ser seu povo (cf. Exo. 15:13). Sacerdócio. Pedro se refere aos cristãos como sacerdócio real (1 Pedro 2:9), enfatizando essa posição como reis e sacerdotes. Todos os crentes de hoje têm acesso direto a Deus e podem se aproximar dEle com confiança (Heb. 4:14-16). Rebanho. Jesus é o Pastor que ama e tem cuidado por Seu rebanho, a igreja (João 10:16). Essa imagem reconhece o gentil cuidado e o espírito sacrificial de Cristo por Sua igreja. As ovelhas (igreja) pertencem a Cristo e estão sob Seu constante cuidado. Templo do Espírito Santo. Crentes são o lugar de habitação do Espírito Santo. Falando aos fiéis de Éfeso, Paulo escreveu “No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” (Efe. 2:22). O Espírito Santo dá à igreja unidade (Efe. 2:21), orientação (João 16:13) e poder (Atos 4:31-33).

Governo da Igreja

A teologia do crescimento de igreja, raramente, menciona as várias formas de governos, já que há pouca correlação entre governo da igreja e crescimento de igrejas. Na análise bíblica de Millard Erickson no crescimento de igrejas, ele concluiu: “É seguro dizer que a evidência do Novo Testamento é inconclusiva; em nenhuma parte do Novo Testamento encontramos um quadro semelhante ao do sistema desenvolvido atualmente”. Erickson acredita que as primeiras igrejas formavam estruturas governamentais que melhor se encaixavam às suas situações para maior eficácia: “É bem provável que naqueles dias o governo da igreja não era muito desenvolvido, de fato, as congregações locais eram grupos frouxamente ligados. Lá poderia muito bem haver uma grande variedade de programas governamentais. Cada igreja adotava um padrão que melhor se encaixava em cada situação individual.”

Minha denominação, a Convenção Batista do Sul, segue à posição de que a igreja é um corpo autônomo e democrático. Tal perspectiva é chamada de forma de governo congregacional. Alguns estudiosos do Novo Testamento, porém, vêem a possibilidade de outros tipos de governo. Examinaremos, brevemente, algumas das posições mais importantes. Em uma análise final, o tipo de governo depende de onde reside a autoridade. Na forma episcopal de governo de igreja , a autoridade geralmente está nas mãos do bispo (episkopos) ou bispos. Com certeza, a forma de governo episcopal mais desenvolvida é encontrada na Igreja Católica Romana. O bispo de Roma, o papa, é o supremo bispo.

A forma de governo presbiteriano foca no ofício chave do ancião; mas é normalmente no corpo de anciãos mais propriamente, que no oficío individual, que a autoridade é exercida. Paulo e Barnabé nomeavam anciãos (Atos 14:23), e Paulo convocou os anciãos de Éfeso para

que o termo ancião (presbuterus) normalmente

ocorre no plural, sugerindo que a autoridade dos anciãos era coletiva e não individual.” A forma congregacional de governo de igreja coloca o lugar de autoridade na congregação local. A igreja é autônoma e democrática, com cada membro votando com igual autoridade. Os que argumentam dizendo que o governo congregacional é normativa, normalmente olham um exemplo do princípio da igreja, quando a igreja escolheu o sucessor de Judas (Atos 1:15-26), e os sete homens que serviam as mesas (Atos 6:1-6). Alguns grupos cristãos, como o Quakers (Amigos) e o Irmãos de Plymouth (Plymouth Brethren), optaram por não terem estrutura governamental. Todas as estruturas governamentais, como comitês, que possuem cargos, contituições, estatutos e encontro de negócios são eliminados ou mantidos ao mínimo. Uma dependência no Espírito Santo fala diretamente à igreja na base das tomadas de decisão.

estarem com ele em Mileto. “Deve ser notado

Os Propósitos da Igreja

O coração da discussão de crescimento de igrejas é o propósito da igreja. Normalmente, as funções da igreja são classificadas em quatro áreas:

Evangelismo. As últimas palavras de Jesus aos Seus discípulos, em todo o Novo Testamento, foram sobre evangelismo (cf. Mat. 28:19; Atos 1:8). Obviamente, Jesus observou que a necessidade de outros ouvirem do caminho da salvação como sendo de máxima importância. Além disso, Jesus mandou que Seus discípulos fossem além da área de Jerusalém para “a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.”(Atos 1:8). A mensagem do evangelho era de urgência para alcançar quantos mais pudesse. Discipulado. Quando Jesus deu Seu comando para evangelizar, Ele falou de “fazer discípulos em todas as nações” (Mat. 28:19). Ele obviamente tinha em mente que a conversão cristã era apenas o começo; o discipulado deveria seguir com o batismo, ensinamentos e obediência (Mat. 28:19-20). Os crentes devem crescer em Cristo pela comunhão ou koinonia, mantendo todas as coisas em comum (Atos 2:44-45). Crescimento posterior viria da instrução (cf. Atos 18:26), pregação (1 Cor. 14:3-4) e exercício dos dons espirituais (1 Cor. 12). Adoração. Um terceiro propósito da igreja é a adoração, o louvor e exaltação de Deus. Adoração no princípio da igreja envolvia a igreja reunida (Heb. 10:25), freqüentemente se encontravam em local e horário definidos, de maneira regular (1 Cor. 16:2). Elementos da adoração incluiam a oração (Atos 12:5), leitura das Escrituras (Atos 4:24-26), cantar (Efe. 5:19), e observavam a Santa Ceia (1 Cor. 11:23-26). Adoração se tornou um assunto importante no crescimento de igrejas, um assunto que examinaremos na seção final do princípios do crescimento de igrejas.

Ministério Social. Jesus nos deu um exemplo vivo de alguém que se preocupas com as necessidades físicas e emocionais das pessoas. Tal é a essência de Sua parábola do bom samaritano (Luc. 10:25-37). Realmente, as palavras de Jesus em Mateus 25:31 sugerem que essa preocupação pelas necessidades dos outros seria evidência do compromisso verdadeiro de alguém com o Salvador. O livro de Tiago nos faz breve discursos intensos que afirmam, claramente, fé sem trabalho é morta: “E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tiago 2:15-17). A parte final do século XX viu evangélicos redescobrirem seu comando por preocupação social depois de reagir exageradamente ao evangelho social do começo do século. O Movimento de Crescimento de Igrejas, da mesma forma, lutou com sua eclesiologia, particularmente em suas tentativas de entender o propósito da igreja.

Crescimento de Igrejas: Qual é o Propósito da Igreja?

Para entendermos a evolução da eclesiologia do Movimento de Crescimento de Igrejas, é necessário seguir C. Peter Wagner em seu entendimento de missão (i.e. o propósito da igreja) e evangelismo. É importante entender que, na maior parte, a eclesiologia de Wagner continua de onde McGravan parou. Nos livros de McGravan como The Bridges of God (As Ponter de Deus, 1955), How Churches Grow (Como as Igrejas Crescem, 1959) e Understanding Church Growth (Entendendo Crescimento de Igrejas, 1970), ele basicamente afirmava que as

igrejas tinham um trabalho principal multiplicar-se. Em outras palavras, o propósito da igreja é evangelizar e tudo deve ser subordinado a isso. Hoje, a teologia de Wager, que representa a eclesiologia do crescimento de igrejas, saiu desse conceito reduzido do propósito da igreja, apesar de o evangelismo ainda permanecer como propósito prioritário.

O Acordo de Lausanne, o principal enunciado de fé e crença de Wagner, afirma que na

“missão da igreja de serviço sacrificial, o evangelismo é básico”, e que “a evangelização mundial requer que toda a igreja leve o evangelho completo ao mundo todo”. A teologia de Wagner se firma na primazia do evangelismo, mas o significado de evangelismo em sua teologia é freqüentemente incompreendida por alguns por ser sinônimo com missão e crescimento de igrejas. Já que sua teologia de crescimento de igrejas pressupõe a prioridade do evangelismo, se torna imperativo entender o significado exato da palavra e o contexto em que é usada. Primeiro, é necessário entender que a teologia de Wagner vê evangelismo como uma tarefa, ainda que a mais urgente tarefa, na definição de missão. Então, para entender evangelismo e sua prioridade na teologia de crescimento de igrejas, seu entendimento de missão deve ser examinado primeiro.

O significado de missão, diz Wagner, deve ser entendido no contexto do reino de Deus.

João Batista pregou que o reino estava aberto a todos que se arrependessem dos pecados e se entregassem a fé em Cristo. Ao pregar no deserto da Judéia, ele disse, “Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas” (Mat. 3:2); mas os ensinamentos do reino no Novo Testamento discute mais do que apenas a conversão das pessoas. Ao instruir Seus discípulos em sua missão, Jesus disse, “E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios;” (Mat. 10:7-8). Wagner afirma que o significado de missão, no contexto do reino de Deus, é um ministério holístico. “Já que é isso que Deus nos manda fazer, é disso que se trata missão”. A missão ainda “visa o bem da pessoa em completo.” Wagner reconhece que sua teologia de crescimento de igrejas seguiu uma trasformação evangélica geral no entendimento de missão. Suas mudanças teológicas também foram

resultado de críticas contra a teologia do crescimento de igrejas, uma das mais óbvias é “a

concepção limitada de missão como evangelismo.” O Movimento de Crescimento de Igrejas, diz Bassham, “parece ter negligenciado uma discussão substancial que aconteceu nos últimos vinte e cinco anos, na qual o significado de missão, evangelismo, testemunho, serviço e salvação têm sido explorados e desenvolvidos.” Até esse século, missão era, muitas vezes, igualada ao evangelismo. Para fazer missão era propagar a fé. Harvey Hoekstra rotulou essa função como “missão clássica,” que ele define como “um complexo de atividades em que o propósito principal é tornar Jesus Cristo conhecido como Senhor e Salvador, e persuadir homens a se tornarem seus discípulos e membros da igreja responsáveis.”

O significado clássico de missão deixou pouco espaço para outras atividades além do

evangelismo. Rufus Anderson argumentou que missão é a pregação do evangelho e ganhar conversos, depois disso “a renovação social será seguida”. Ele, explicitamente, rejeitou qualquer propósito de missão que envolvia a “reorganização, por vários meios diretos, da estrutura desse

sistema social na qual os conversos fazem parte.”

Ao chegar ao fim do século XIX, o entendimento de missão mudou dramaticamente. O

movimento do evangelho social estava influenciando as igrejas e “missões foram

a uma tarefa complexa de

participar ativamente nas benfeitoras e reconstruções sociais.” Evangélicos começaram a montar defesas contra o evangelho social. Ao fazer isso, o evangelicalismo estava certamente afirmando a importância do evangelismo, mas,

erroneamente, evitando qualquer reconhecimento de outros ministérios como sendo parte da missão. “Para permitir que a ordem cultural rastejasse para dentro da definição técnica de missão,” ele disse, “teria que ser interpretado como uma capitulação ao inimigo.”

A mudança do entendimento de missão de Wagner seguiu a mudança no

evangelicalismo em geral. Sinais de mudança foram percebidas no Congresso de Berlim em 1966, mas a mudança foi explícita no Congresso Internacional em Evangelização Mundial, em Lausanne, Suíça, em 1974. Wagner foi significantemente influenciado por John R. W. Sttot, que era pastor da Igreja de Todas as Almas em Londres. Em Berlim, Sttot tinha mantido a clássica definição de missão. Ele apresentou três sessões plenárias sobre estudos bíblicos sobre a Grande Comissão. Seu entendimento de missão estava claro – “A missão da igreja, então, não era reformar a sociedade, mas pregar o evangelho”. Sttot, porém, liderou os evangélicos à redefinição do conceito de missão. Quando o encontro de Lausanne começou, ele havia se tornado o autor chefe do Acordo de Lausanne, que declarou “que evangelismo e envolvimento sociopolítico são parte de nosso trabalho cristão. Para ambos, são necessárias expressões de nossas doutrinas de Deus e o homem,

metamorfoseadas de uma simples tarefa de ganhar conversos

nosso amor pelo vizinho e nossa obediência a Jesus Cristo.” Pouco depois de Lausanne, Sttot publicou um livro no qual ele afirmou que a missão da igreja “inclui evangelismo e responsabilidade social, já que ambos são expressões autênticas do amor que deseja servir ao homem em sua necessidade.”

O entendimento de missão de Wagner seguiu um padrão similar. Em 1971, ele publicou

Frontiers in Missionary Strategy (Fronteiras em Estratégias Missionárias), no qual ele usou missão e evangelismo alternadamente. Ele também argumentou por uma definição de missão que fosse realmente uma definição de evangelismo de presença, proclamação e persuasão. Depois, Wagner declarou uma mudança nesse aspecto de sua teologia.

Isso foi antes de eu ir para Lausanne e ouvir palestrantes como René Padilla, Samuel Escobar e Orlando Costas. Fui influenciado pelo Acordo de Lausanne, os escritos de John

Sttot e a progressiva dinâmica do comitê de Lausanne, ao qual pertenço desde sua fundação. Agora acredito que a missão da igreja abraça tanto as ordens culturais como as

evangelísticas. Acredito naquilo que agora está sendo chamado de “missão holística”.

Missão holística, então, disse Wagner, envolve duas ordens claras. Ele usou a terminologia concebida por Arthur Glasser, a ordem cultural e a ordem evangelística. A ordem cultural, às vezes chamada de responsabilidade social cristã, é a responsabilidade de todos os cristãos. Disse Wagner: “Fazendo o bem aos outros, se nossos esforços são dirigidos aos indivíduos ou à sociedade como um todo, é um dever bíblico, uma ordem cultural dada por Deus.” Wagner seguiu a tendência no círculo evangélico que agora declara que tanto o ministério social cristão quanto o evangelismo são componentes essenciais da missão. Wagner anunciou sua transformação em um ministério mais holístico em Church Growth and the Whole Gospel (Crescimento de Igrejas e o Evangelho Completo). Nesse livro Wagner lamentou a era da “Grande Reversão”, uma época do século em que evangélicos reagiram adversamente a qualquer coisa que parecesse um ministério social. Wagner dedicou um capítulo inteiro em seu livro para o chamado aos cristãos para se envolverem em ministérios sociais.

Depois que Church Growth and the Whole Gospel foi publicado em 1981, o Movimento de Crescimento de Igrejas ficou conhecido como um ministério que faz mais que contar numerous. “Não acho que nenhum de nós que vivem em fartura”, ele disse, “possam captar o âmbito total do apuro dos pobres do mundo em nossa mente só pode ser sentido, parcialmente, em nosso coração.” Apesar de os pobres não terem sido negligenciados nos primeiros escritos do crescimento de igrejas, Wagner faz uma clara descrição do apuro dos pobres e a responsabilidade cristã nesse livro. Citando Howard Snyder, Wagner disse: “O

ensinamento é claro, consistente e persistente: De todas as pessoas e classes, Deus tem, em especial, compaixão pelo pobre, seus atos na história confirmam isso.”

A ordem cultural apresenta a igreja com diferentes possibilidades de ministério. Wagner

classifica as diferentes oportunidades em ação social e serviço social. Ação social é o grupo de ministérios que tentam mudar as estruturas sociais. Envolve mudanças socio-políticas. Wagner acreditava que a igreja, normalmente, não era o melhor instrumento para efeturar a ação social.

A igreja, porém, “não tem um opção de ser ou não envolvida no ministério social. O estilo de vida do reino exige isso”. O ministério social é feito em obediência a Deus, que glorifica a Deus. Pode ser ou não um meio de ganhar almas. Wagner encontrou uma abundância de justificativas bíblicas para que faça o ministério social, ainda que pessoas sejam ou não levadas a fé em Cristo como resultado. Quando Wagner escreveu Church Growth and the Whole Gospel, ele já havia estabelecido o que entendia ser o padrão bíblico para definir prioridades para os ministérios sociais. A primeira prioridade é a família do cristão, tanto o núcleo familiar, quanto toda a extensão familiar. Wagner citou 1 Timóteo 5:8: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.”

A segunda prioridade de Wagner para o serviço social cristão são os irmãos de fé.

Gálatas 6:10 é o texto usado para apoiar essa tese: “Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.

A terceira prioridade para o serviço social cristão inclui qualquer pessoas que esteja

necessitada. Wagner avisou que a terceira prioridade não é um grupo opcional para que os cristão sirvam. “Ser uma terceira prioridade não significa que é opcional. Os pobres e famintos e necessitados e oprimidos de todo o mundo precisam ser ajudadas por pessoas que vivem em

um estilo de vida do reino e os que aceitam a ordem cultural. Cristãos que usam essas

prioridades bíblicas para negar responsabilidade global, como alguns infelizmente tem feito, estão desobedecendo a Deus e deveriam se arrepender e melhorar seus modos.”

A Prioridade do Evangelho

Apesar da forte declaração de Wagner sobre a ordem cultural, ele ainda insistiu na prioridade da ordem evangelística em sua teologia do crescimento de igrejas. Muitos, até dentro do campo evangélico, discordaram com o que eles entendem ser uma perigosa dicotomia. Apesar do Acordo de Lausanne, especificamente, afirmar a distinção entre evangelismo e ministério social (artigo 5), uma minoria vocal manteve a posição chamada de “evangelismo holístico.” Essa posição sustenta que evangelismo e ministérios sociais deveriam ser separados como duas partes distintas da missão. Em Growth and the Whole Gospel, Wagner observa que muitos indivíduos discordam dele e da posição de Lausanne. Alfred Krass sentia que os evangélicos, freqüentemente, evitavam os assuntos sociais porque eles tinham “aprendido a ler as Escrituras de uma maneira dicotomizada entre o pessoal e o social, entre o privado e o histórico”. Krass citou o artigo 5 do Acordo de Lausanne como um exemplo claro de uma “falsa dicotomia”. Rene Padilla, em Response to Lausanne (Resposta a Lausanne) escrito pela minoria dissidente do Congresso de Lausanne, disse: “Devemos repudiar como demoníaca a tentiva de dividir evangelismo e ação social.

Wagner não estava muito animado com alegação de Padilla de que seu entendimento de prioridade de evangelismo era “demoníaca”. Orlando Costas, cinco anos depois, chamaria essa posição de “polarização diabólica”, “um debate inútil”, e uma “perda satânico e sem sentido de tempo, energia e recursos.” Nesse ponto Wagner estava começando a questionar se essas críticas pertenciam ao campo de evangelismo teológico. Ele acreditava que uma das características distintas do liberalismo era a recusa em exaltar o espiritual sobre o físico. Falando especificamente de Costas, Wagner disse: “Ressalto isso, não para mostrar que Costas é um liberal, mas para explicar por que a posição dissidente de Lausanne no evangelismo holístico não foi adotada em um grau significante pela comunidade evangélica contemporânea. Ela vai contra a maneira como muitos evangélicos entendem sua fé.” Wagner recusou-se em aceitar a posição do evangelismo holístico, que diz que as ordens cultural e evangelística não podem ser separadas. Sua teologia agora pressupoe que elas não são apenas separáveis, mas que a evangelística era a prioritária das duas. O artigo 6 do Acordo de Lausanne afirmou isso: “Na missão sacrificial da igreja, o evangelismo é primário.” Em 1980, a Consulta em Evangelização Mundial foi realizada em Pattaya, Tailândia. Essa reunião foi ainda mais explícita na prioridade do evangelismo: “Isso não é para negar que evangelismo e ação social estejam integralmente relacionados, mas sim para reconhecer que todas as trágicas necessidades dos seres humanos não é maior que sua alienação de seu Criador e a realidade da morte eterna àqueles que se recusam a se arrepender e crer.”

Wagner diz que “isso nem é distinção nem dicotomização nem prioridade concedida é

equivalente a polarização.” Suas razões para manter uma prioridade evangelística são pragmáticas e teológicas. Pragmaticamente, ele afirma que todas as instituições possuem recursos de tempo, de dinheiro e de pessoal limitados. Instituições religiosas não estão isentas das limitações de recursos. Tais limitações requerem adoção de prioridades. Wagner acreditava que o testemunho bíblico favorece a ordem evangelística. Uma das muitas passagens que ele cita é Mateus 10:28: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.” Wagner resumiu seu argumento pela prioridade do evangelho ao dizer:

Repito que o cumprimento da ordem cultural não é opcional aos cristãos. É o comando de Deus e uma parte da missão cristã. Mas, é verdade que, quando uma escolha tem que ser feita na base da disponibilidade de recursos ou de valor de julgamentos, a indicação bíblica é que a ordem evangelística seja prioridade. Nada é ou pode ser tão importante quanto salvar almas da maldição eterna.

As Práticas Conseqüências das Prioridades

Como porta-voz do Movimento de Crescimento de Igrejas, Wagner firmemente afirmou que a prioridade do evangelismo deve ser fundamental na teologia do crescimento de igrejas. O sempre pragmático líder do movimento, porém, também estava preocupado com as práticas conseqüências de tal prioridade. Wagner observou que o registro histórico daqueles que se apegam à prioridade do evangelismo é muito positivo. Ele aponta para o trabalho reconhecido de Timothy L. Smith Revivalism and Social Reform (Fortalecimento da Fé e a Reforma Social). Smith descobriu que, apesar dos muito conhecidos evangelistas e revivalistas do século XIX se apegarem a prioridade de ganhar pessoas para Cristo, eles também foram instrumentos de massivas reformas sociais. Outro dos muitos exemplos que ele cita é o The Social Conscience of the Evangelical (A Consciência Social do Evangélico) de Sherwood Wirt. Wirt afirmou que o moderno movimento missionário evangélico era um protótipo para manter a prioridade do evangelismo, também mantendo uma forte consciência social. Wagner concluiu que não apenas a afirmação da prioridade evangelística conduz a um significante ministério social, mas a reversão da prioridade poderia muito bem levar a um colapso do movimento cristão. Ele citou o caso do movimento voluntário de estudantes, no início do século. A organização foi fundada sob um slogan: “A evangelização do mundo nessa geração”. Mesmo assim, na década de 1940, a organização deixou de existir. Sua prioridade original de evangelismo mudou para uma nova ênfase como relação de raça, relações internacionais e justiça econômica. Wagner também apontou o rápido declínio de grandes denominações como uma evidência do fracasso em entender a prioridade do evangelismo é o golpe de morte de um movimento cristão. Ele também acreditava que a prioridade da ordem evangelística é no fim das contas a melhor rota para realizar os ministérios sociais. A tese de Wagner, então, é que a reversão das prioridades, como a ordem cultural sobre a ordem evangélica ferirá a causa do evangelismo e de muitos ministérios sociais necessitados, também.