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Centro Evangélico de Missões Caixa Postal 53 - 36570-000 - Viçosa, MG Telefax: (31) 3891-3030

Centro Evangélico de Missões

Caixa Postal 53 - 36570-000 - Viçosa, MG Telefax: (31) 3891-3030 E-mail: info@cem.org.br Homepage: www.cem.org.br

Professor Dr. Ehud M. Garcia P. O. Box 652 Lewiston, ID 83501 USA

C-205

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO

Ementa & Notas de Aula

Janeiro, 2013

Centro Evangélico de Missões Caixa Postal 53 - 36570-000 - Viçosa, MG Telefax: (31) 3891-3030

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CONTEXTO URBANO DE MISSÃO

E-205

Curso: Mestrado em Missiologia Créditos: 3 Carga Horária: 45 h/a

Ementa Acadêmica

Professor: Rev. Dr. Ehud M. Garcia Diaspora Intercultural Academy, Fundador Endereço Postal: P. O. Box 652, Lewiston, ID 83501 EUA Telefone: 1 (509) 237-1221 (Celular) E-Mail: ehudmgarcia@gmail.com

I. INTRODUZINDO O CURSO

Este curso lida com a constante movimentação urbana mundial e suas implicações para uma missão integral efetiva. Ele é montado de forma que todos possam ter uma visão global do movimento urbano, assim como seus desafios e oportunidades para um alcance missionário a partir da igreja. O curso inclui bases bíblicas e teológicas para uma missão integral urbana, seu ministério, como fazer uma exegese urbana, e como ministrar em to- dos os níveis entre os moradores da Urbe. Porém, o mesmo é voltado mais para o minis- tério entre os desfalcados e pobres da cidade, trazendo algumas estratégias para plantação de igrejas e desenvolvimento comunitário.

II. RAZÕES PARA ESTE CURSO

A realidade da missão cristã para o mundo reside primariamente no contexto urbano. Es- tatísticas têm mostrado um avanço cada vez mais veloz do pobre para os grandes centros urbanos. Há metrópoles no mundo hoje que recebem uma média de alguns milhares de famílias por semana, como tem sido o caso de Seattle, Los Angeles, São Paulo, Rio de Janeiro, Moscou, e outras cidades que estão se multiplicando a passos espantosos como é o caso de Calgary, no Canadá; Goiânia, no Brasil; Nairóbi, no Quênia. Há alguns anos, o equivalente à população inteira de Seattle estava se migrando para a Cidade do México em um espaço de um ano apenas. Toronto, Canadá, e São Paulo, Brasil, estão entre as ci- dades mais diversificadas cultural e etnicamente no globo. Ambas contam com mais de 140 línguas diferentes faladas no aconchego de suas famílias ali residentes. São Paulo, até há poucos anos, contava com treze por cento da população inteira do Brasil. A área metropolitana da Cidade do México ou a de São Paulo totalizam a população inteira do

i

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Canadá, independentemente. Já por nossos dias, mais de oitenta por cento da população do mundo se acha nas áreas urbanas. Isto tudo demanda uma aproximação intensa e ur-

gente para uma nova avaliação da estratégia missionária em todos os frontes que se nos

aparecem.

A Igreja de Jesus Cristo, no entanto, muito embora esteja mais e mais presente no contexto urbano, se encontra despreparada para assumir o desafio assustador do ministé- rio urbano. Há ainda muito o que se aprender a respeito da missão urbana, principalmen- te, da missão integral urbana. Este curso procura oferecer alguns pontos referenciais e estratégicos para uma práxis missionária que seja urbana e integral.

III. OBJETIVOS DO CURSO

Ao final deste curso, o estudante estará apto a:

A. Entender e discutir os fundamentos bíblicos e teológicos para uma Missão Inte- gral Urbana.

B. Produzir uma visão informada do desenvolvimento histórico da Missão Urbana, que seja relevante para o contexto da igreja nos nossos dias.

C. Descrever várias formas de observação da cidade, principalmente através da ajuda das ciências sociais, econômicas e de comportamento.

D. Entender e explicar as dinâmicas da migração urbana e suas importantes implica- ções para temas como pobreza, desapoderamento, desespero e também as oportu- nidades para um ministério urbano que seja missional.

E. Construir uma estratégia que seja bíblica e contextualizada para plantação de igre- jas e ministérios comunitários urbanos.

F. Discutir e implementar estratégias que possam trazer esperança para a cidade e seus habitantes.

IV. LIVROS REQUERIDOS

Grigg, Viv

2008 Servos Entre os Pobres: Cristo nas Favelas Urbanas. Segunda Edição. Vi- çosa, MG: Editora Ultimato.

Linthicum, Robert

1993 Cidade de Deus, Cidade de Satanás. Belo Horizonte, MG: Editora Missão.

PROGRAMA DE APOIO À AÇÃO DIACONAL DAS IGREJAS

2002 Pastoral Urbana: A Co-responsabilidade das Igrejas no Nordeste. Viçosa, MG: Editora Ultimato.

Vários Autores Um mínimo de 200 páginas de leitura sobre o Ministério e a Missão Urba- nos. Sua leitura deverá ser tirada de várias fontes: artigos em jornais e revis- tas, capítulos de livros, incluindo-se também ensaios, etc. Tal leitura deverá ser registrada da seguinte forma: autor, data, título, e fonte onde o artigo,

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capítulo, ensaio, etc., tenha sido tirado. Em tempo, sua leitura pode ser tira- da de fontes em outros idiomas, uma vez que você forneça uma breve si- nopse do que foi lido.

V. ESBOÇO DO CURSO

Sessão

Tópico

1: 28/1

Introdução: Desmistificando os Mitos Urbanos Preparação para o Ministério Urbano: O Treinamento Necessário Fundações Bíblicas e Teológicas para uma Missão Integral Urbana Exegese Urbana: Ferramentas Necessárias para Missão Urbana

2: 29/1

3: 29/1

4: 30/1

5: 30/1

A Cidade e Suas Ruas: As Necessidades Urbanas Reais

6: 30/1

A Cidade e Suas Cores: Aspectos Étnicos da Cidade

7: 31/1

A Cidade e Suas Fortalezas: Os Poderes Estruturais Urbanos

8: 31/1

Compaixão: Chave Para uma Missão Integral Urbana Orando Pela Cidade: Mobilização para uma Realidade Integral da Missão

9: 1/2

Urbana

VI. TAREFAS PRESCRITAS PARA O CURSO

A. Análise de Foco em um Determinado Ministério Urbano: Igreja Missional ou Missão Integral

Você deverá obter informação necessária e produzir uma breve análise de a) uma igreja urbana que esteja fazendo trabalho missional, ou b) um trabalho missioná- rio urbano que seja integral. Essa análise não precisa ser extensa, mas precisa ser concisa. Obtenha o maior número de informações que lhe estiver ao alcance: panfletos, cartas de oração, bo- letins informativos, websites, etc. De todo o possível, entreviste pastores, missio- nários, obreiros, membros dos grupos sendo ministrados, etc. Isto talvez vá lhe tomar 12-15 horas de trabalho. Seu produto final deverá ter no mínimo cinco páginas, duplo espaço. Inclua no mesmo o material que você conseguiu ou cópias eletrônicas, em formato jpg ou jpeg (caso você queira manter os originais consigo), links dos websites que você pode ter consultado. Eu manterei sua análise em meus arquivos para o futuro. Uma pequena nota: Caso você decida deixar o seu trabalho e o material em forma física (hardcopy), favor deixar com a secretaria acadêmica, quando eu esti- ver de volta ao Brasil (junho, pegá-los-ei). Porém, dado ao tempo de sua entrega dos trabalhos, os mesmos deverão ser enviados para mim eletronicamente, via e- mail.

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B. Trabalho Monográfico

Você deverá me apresentar um trabalho monográfico relacionado com sua área de interesse dentro do assunto de ministério urbano. Espero ver nele tanto uma parte teórica, como uma parte prática. Para tal, estou aqui lhe oferecendo um esboço tentativo. Faça-o como um plano de ação, caso você esteja se preparando para um ministério urbano no futuro. Quero que você esteja envolvido com algum ministério urbano de sua escolha. Você pode escolher sua cidade (desde que a mesma seja um contexto urbano e não rural), ou outra cidade maior, Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Mossoró, Natal, João Pessoa, Campina Grande, etc. Ou você pode também escolher uma ci- dade que seja parte do seu alvo missionário: Londres, Xangai, Cidade do México, Bissau, Nairóbi, Toronto, Calcutá, Lisboa, etc. O importante, no entanto, é que você tenha informação o bastante para o seu trabalho. Aqui você tem meu esboço, contendo o que que quero no seu trabalho. Você pode segui-lo, mas aqui há apenas os tópicos que espero no seu conteúdo; é claro que sua criatividade é melhor do que a minha e poderá ser que você tenha uma sequência melhor para o mesmo:

1. Introdução

2. Razões bíblicas e teológicas para o seu ministério urbano

3. Descrição de seu campo missionário urbano

4. Que tipo de ministério urbano você será mais eficaz naquele contexto

5. Uma estratégia aproximada para seu ministério

6. Conclusão

7. Referências Citadas no seu trabalho.

O seu trabalho monográfico deverá ter de 12 a 15 páginas. Ser escrito em du- plo espaço, exclusivo de páginas de título, tábua de conteúdo e referências cita- das. Você deverá apresentar pelo menos 8 referências, exclusive da Bíblia.

VII. DISTRIBUIÇÃO DA NOTA PARA ESTE CURSO

Leitura Requerida

10%

Análise de Foco

40%

Trabalho Monográfico

50%

TOTAL DA NOTA 100%

Ehud M. Garcia Lewiston, Idaho, EUA 22 de dezembro de 2012

SESSÃO 1

INTRODUÇÃO: DESMISTIFICANDO OS MITOS URBANOS

I.

INTRODUÇÃO

Antes de iniciar minhas aulas para este curso, preciso de apresentar uma explicação im- portante para que minhas notas sejam de certa forma bem recebidas. Esta é a primeira vez que ensino esta matéria no Brasil. Tenho ensinado neste assunto somente no contexto norte-americano, primeiramente no Canadá e também nos Estados Unidos. Não somente a literatura que cobri para este curso tem sido largamente para o contex- to já mencionado, o meu contato pessoal tanto em ministério como em experiências urba- nas tem sido neste mesmo contexto, salvo outras experiências que tenho tido em áreas metropolitanas de vários países, tais como na Europa, na Ásia, África e também no Bra- sil. Tais experiências fora da América do Norte, contudo, têm sido esporádicas e rápidas, em sua maioria, quando viajo para ensinar ou ministrar em tais localidades. Minha experiência acadêmica, pastoral e missionária tem sido nos Estados Unidos e Canadá por quase três décadas. Por isso, estou falando mais como um “estrangeiro” em meu próprio país. Creio que após meu retorno mais permanente ao Brasil, dentro em bre- ve, terei como fazer uma atualização mais eficaz nas minhas notas, fazendo com que este curso possa também ser melhor usado para o contexto urbano brasileiro. Enquanto isso, uma vez que este curso visa missionários urbanos em outros países, creio que a informa- ção que aqui trago seja bastante cosmopolita para tal. Sendo este o caso, estarei usando as ilustrações e exemplos que tenho em mãos, salvo poucas adaptações que tive ainda tempo de fazer antes de chegar ao Brasil para este cur- so. Assim, à medida que tais exemplos e ilustrações apareçam, tomarei tempo para expli- car seus significados, colocando-os em perspectiva para que o estudante possa compreen- der melhor o que está sendo apresentado. A maioria dos meus exemplos e ilustrações, apesar de “estrangeiros,” fazem parte dos vários princípios que são apresentados; daí, te- mos a inferência de que tais princípios possam facilmente achar seus equivalentes a partir das experiências de cada aluno ou aluna.

Na Graça do Senhor Jesus,

Lewiston, Idaho Natal de 2012.

A. A pergunta inicial não parece tão óbvia: “Por que ministérios urbanos?”

1

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1. Novas tendências: Não são percebidas imediatamente. A igreja parece ser a última a realizar as últimas tendências na sociedade.

2. O apelo do deslocamento suburbano: A movimento norte-americano pa- ra os subúrbios 1 tem fechado a oportunidade para ministério dentro do contexto urbano:

a. O fluxo de imigração para as grandes cidades, tais como Montreal, Londres, Toronto, Nova Iorque, Los Angeles, Vancouver, São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, tem contribuído para um vas- to êxodo de moradores originais de tais cidades.

b. Assim, a mentalidade idílica da “casa no campo,” e da “Pequena Casa na Campina,” o que tornou um seriado famoso da televisão americana, ainda faz parte do chamado “Sonho Americano,” (American Dream).

c. Preconceito Racial: O temor natural de se confrontar mudanças e novos vizinhos tem puxado os antigos moradores da cidade para fora de seus habitats naturais.

d. População nos Estados Unidos em 200 anos, por exemplo:

1790

95% Rural

5% Urbana

1920

Maioria nas zonas rurais

 

1960

1/3 Rural

1/3 Urbana

1/3 Suburbana

1990

25% Rural

31% Urbana

44% Suburbana

2010

17.7% Rural

82.3% Urbana

3. Panelinha”: Ou Aproximação. A tendência dos membros da igreja de manter a “família da igreja” juntos.

B. A necessidade do ministério urbano tem aumentado nos últimos anos de uma forma muito rápida, jamais vista antes.

1. A alta porcentagem de contextos urbanos no mundo é evidente prova da grande necessidade de missão e ministérios urbanos.

1 Como veremos no decorrer deste curso, estarei usando alguns termos que são primariamen- te aplicados na realidade norte-americana. Os subúrbios, para os norte-americanos, significam aquelas áreas residenciais que começaram a ser construídas distantes dos centros urbanos à me- dida que os mesmos foram “invadidos” pelos imigrantes nacionais ou estrangeiros. Assim, os moradores da cidade, temerosos por seu bem estar, começaram a sair de seus antigos lugares de moradia, mudando-se para os subúrbios, o que se tornaram o lugar de moradia dos habitantes de classes média e alta. Mais sobre isso será apresentado à medida que prosseguimos com nosso estudo.

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2. A preocupação com o crescimento da população urbana no países dos dois terços maiores pode ser visto no quadro abaixo:

Dez Cidades do Terceiro Mundo em 2000 2

Cidade

População Total

Povo nas Favelas

%

Cidade do México

31.616.000

14.543.000

46

Calcutá, Índia

19.663.000

13.174.000

67

Rio de Janeiro

19.383.000

5.815.000

30

Mumbai (Bombaim), Índia

19.060.000

8.579.000

45

Jakarta, Indonésia

16.933.000

4.403.000

26

Deli, Índia

13.220.000

4.759.000

36

Manila, Filipinas

12.683.000

4.439.000

35

Lima, Peru

12.130.000

4.852.000

40

Bogotá, Colômbia

9.527.000

5.716.000

60

Caracas, Venezuela

5.963.000

2.504.000

42

3. Podemos ver aqui o crescimento dramático do contexto urbano. Conside- remos apenas cidades com mais de dez milhões de habitantes, no quadro abaixo: 3

População em Milhões

Aglomeração Urbana

1970

1990

2011

2025

Lagos, Nigéria Dhâka, Bangladesh Shenzhen, China Karachi, Paquistão Deli, Índia Beijing, China Guangzhou, Guangdong, China Shangai, China Manila, Filipinas Mumbai (Bombaim), Índia Istambul, Turquia Al-Qahirah (Cairo), Egito Kolkata, (Calcutá), Índia

1.4

4.8

11.2

18.9

1.4

6.6

15.4

22.9

0.0

0.9

10.6

15.5

3.1

7.1

13.9

20.2

3.5

9.7

22.7

32.9

4.4

6.8

15.6

22.6

1.5

3.1

10.8

15.5

6.0

7.8

20.2

28.4

3.5

8.0

11.9

16.3

5.8

12.4

19.7

26.6

2.8

6.6

11.3

14.9

5.6

9.1

11.2

14.7

6.9

10.9

14.4

18.7

2 Cf. Greenway e Monsma, Cities: Missions’ New Frontier (Grand Rapids, MI: Baker, 1989), p. 47. Observe que Greenway tirou seus dados de George T. Kurian, The New Book of World Rankings (New York: Facts on File, 1984), p. 422. Apesar de ser informação já incorreta, por ser desatualizada, quero deixar a informação apenas para trazer à tona a porcentagem das populações faveladas naquelas cidades. Mesmo mostrando tais populações faveladas, este quadro não mostra outras cidades importantes como São Paulo, Nairóbi, etc. A informação sobre o Rio de Janeiro parece não refletir bem a realidade do ano 2000.

3 Department of Economic and Social Affairs, Population Division. World Urbanization Pro- spects: The 2011 Revision (New York: United Nations, 2012), p. 8. As aglomerações urbanas estão colocadas em ordem de acordo com sua taxa projetada para a mudança da população du- rante 2011-2025.

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Cidade do México, México

8.8

15.3

20.4

24.6

Los Angeles-Long Beach-Santa Ana, EUA

8.4

10.9

13.4

15.7

São Paulo, Brasil

7.6

14.8

19.9

23.2

Nova Iorque-Newark, EUA

16.2

16.1

20.4

23.6

Buenos Aires, Argentina

8.1

10.5

13.5

15.7

Paris, França

8.2

9.3

10.6

12.2

Rio de Janeiro, Brasil

6.6

9.6

12.0

13.6

Moskva (Moscou), Rússia

7.1

9.0

11.6

12.6

Osaka-Kobe, Japão

9.4

11.0

11.5

12.0

Tóquio, Japão

23.3

32.5

37.2

38.7

C. A Sedução da Cidade

1. Fatores: Há muitos fatores que contribuem para o crescimento das popu- lações urbanas pelo mundo. Devemos notar, no entanto, que esse fenôme- no não começou nos assim chamados países do Terceiro Mundo. Ao con- trário, tal movimento começou muito antes na Europa, depois na América do Norte, e somente hoje em dia é que ele está acontecendo nos outros dois terços do mundo.

2. Migração: A migração tem sido o maior movimento no mundo nos últi- mos cem anos, pelo menos. De acordo com o Banco Mundial, durante os Oitenta mais de um milhão de pessoas mudaram-se de contextos rurais (de pequenas vilas) para contextos urbanos em volta do mundo, predominan- temente no Terceiro Mundo.

3. O glamour da cidade e as suas vastas oportunidades para uma vida melhor, entre outros fatores, é a razão principal pela qual as pessoas se mudam pa- ra ela. Mas a forma mais fácil de se entender essa dinâmica pode ser vista através da combinação dos fatores que empurram e os fatores que atraem.

a. Os Fatores que Empurram: Eles são os fatores principais que empurram as pessoas para a cidade, tais como:

Desemprego (Pobreza): Esse fator é basicamente gerado pela falta de trabalho, o que produz a falta de emprego, de comida, de abrigo, e assim por diante.

Educação: A falta de educação é também um dos fatores principais para levar as pessoas para a cidade, tirando-as de seus vilarejos, cidades menores e sem recursos escolares. Este não é necessariamente ligado com a pobreza (por exemplo, no Brasil, muitos fazendeiros enviam seus filhos para a cidade para mais estudos, ou até mesmo se mudam com eles para tal).

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Cuidado de Saúde: Esse é outro fator importante na equa- ção. A maioria dos contextos rurais e vilarejos não têm cui- dado médico e dental adequado para seu povo.

Oportunidades Limitadas: Há outras razões, tais como:

lazer (o que é diretamente ligado com a monotonia da mai- oria das zonas rurais e de pequenas comunidades, princi- palmente para as populações jovens), opções diferentes de trabalho (muito embora a pessoa possa ter um trabalho on- de ela esteja vivendo), oportunidades de casamento, etc.

Segregação: Por razões diferentes, dependendo do contex- to, tais como religião, classe social, orientação sexual, raça, cor da pele, língua, entre várias.

b. Fatores que Atraem: Esses são os fatores contrários da equação; isto é, o outro lado da moeda. Eles atraem as pessoas das zonas ru- rais e das pequenas cidades.

A promessa de uma vida melhor: Esse é provavelmente o fator “sombrinha” desta categoria. A atração da cidade é propagada através da constante promessa de um estilo de vida melhor para aqueles que se acham em um ponto de desvantagem. Novamente, ele não se relaciona somente com coisas materiais, mas com status e com o glamour também. Muitas pessoas, nas melhores de suas intenções, acham-se engaioladas pela ambição da cidade grande, mesmo que eles tenham um pano de fundo financeiro está- vel. Exemplos sobre isso são muitos, mas uma rápida leitu- ra de várias histórias feitas por Hollywood podem explicar melhor este fator.

A Modernidade da Cidade: Aqui está o outro fator impor- tante da atração das pessoas pela cidade. Sua tecnologia, seus computadores, a televisão (principalmente em muitos países ainda em desenvolvimento), as comodidades de mui- tas coisas que não se encontram no contexto rural, por exemplo. A lista de coisas que podem ser mencionadas aqui são muitas.

As Luzes da Cidade: O reluzir constante da cidade com suas luzes radiantes, os sinais de neon nas ruas principais, a noite com suas brilhantes e atrativas luzes, as quais estão ali para combater a monotonia da vida.

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Desafios e Oportunidades: Esse fator cobre a maioria dos desejos das pessoas: empregos, opções educacionais, facili- dades médicas, crescimento econômico, novos relaciona- mentos, novas carreiras, as oportunidades para novos hori- zontes.

A aspiração por uma sociedade mais igualitária: Este fa- tor pode parecer estar fora de lugar aqui, mas a cidade é uma sociedade mais “individualista,” onde as pessoas po- dem viver sem ser notadas. Isto irá ajudar em muitas ins- tâncias os moradores da cidade a sobrepujar seus problemas com status sociais, descendência racial, preferências religi- osas, orientação sexual e outros preconceitos. (É minha percepção que este fator pode ser considerado tanto um que empurre ou que atrai, e o mesmo pode afetar apenas uma pequena porcentagem das populações mudando para as ci- dades).

D. Padrões de Migração nas Cidades

1. Três Categorias Diferentes de Migração

a. Migração Monocultural: Esta categoria ocorre principalmente nos limites de um contexto singular (monocultural), onde pessoas de um dado contexto rural (ou pequena cidade, vilarejo) se muda para a cidade.

Famílias se mudando de contextos rurais ou de pequenas comunidades por causa da falta de emprego e de escola pa- ra seus filhos. Exemplo: Minha família se mudou de Ara- guari, MG, (na época, com mais ou menos 40.000 habitan- tes) para Goiânia (na época com mais ou menos meio mi- lhão de habitantes, hoje com mais de dois milhões). Mu- damos por causa das duas razões acima, mas não houve quaisquer transposição de barreiras culturais.

Laços de parentesco dentro do mesmo contexto social ou cultural. Famílias que haviam ido para a cidade primeiro, pavimentam o caminho para uma vida melhor. Amigos também exercem uma função importante nesses casos.

Estudantes de vilarejos e zonas rurais se mudam para a ci- dade para seus próximos passos em sua educação, usual- mente para cursos universitários. (Esse fenômeno é encon- trado em todos os lugares do mundo, principalmente nos

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Estados Unidos e no Brasil, também como em outros países em desenvolvimento).

b. Migração Transcultural Voluntária: Esta categoria ocorre prin- cipalmente quando uma pessoa e uma família se mudam para de um centro urbano que pode ser culturalmente diverso do seu origi- nal. Ela pode ser dividida em duas subcategorias, e é uma mudança voluntária, a qual pode ter sido planejada de antemão.

(1)

Dentro do mesmo país: Um considerável número de pes- soas migram de um cenário rural ou de pequena comunida- de para uma cidade que pode ser dramaticamente diferente de seu pano de fundo cultural, mas que está confinada em suas barreiras nacionais.

Os Nordestinos que emigram para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, por exemplo. A sua maioria se muda por causa de laços de parentesco, um padrão muito simples no Brasil.

O

pessoal do centro-oeste americano que emigra pa-

 

ra Nova Iorque, Los Angeles ou até mesmo para Honolulu.

 

Os “Campesinos” do México que se mudam para a Cidade do México ou Acapulco. As pessoas das co- linas colombianas, mudando-se para Bogotá, Me- dellín, e outros grandes centros.

(2)

Migração através das bordas nacionais: Outros planejam a se mudar de seus lugares de origem para a grande cidade, transpondo uma outra cultura além da sua.

A migração dos europeus tanto dentro da Europa, como para a América do Norte e América do Sul, ou para “outras colônias.” A maioria dessas migra- ções foram de zonas rurais da Europa. Podemos ver isso também entre os japoneses que emigraram para

o Brasil há mais de cem anos. E também os euro- peus que moram no sul do nosso país.

Os mexicanos e outros centro-americanos que se mudam de suas regiões rurais para as megacidades nos Estados Unidos e Canadá, tal como Toronto, Los Angeles, Dallas, Miami, etc.

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Muitos latino-americanos e africanos têm se muda- do para outros centros europeus tais como Londres, Paris, Lisboa, Roma, Amsterdã, e outros lugares de grande influência na Europa.

c. Migração Transcultural Involuntária: Embora haja também mi- gração involuntária monocultural devido a guerras, perseguições, secas, e assim por diante, esta categoria trata de um tipo particular de migração, o qual tem grandes implicações para a missão urbana contemporânea. Esta categoria lida com aqueles que foram força- dos a sair de seus próprios contextos por causa de perseguição, guerra, fome, e outras pragas que acontecem em grandes números em várias partes do mundo hoje.

Os refugiados da América Central que se mudaram para a América do Norte e para a Europa, através dos anos recen- tes.

Os chilenos que fugiram durante o tempo do Pinochet para o Canadá e para a França. (Muito embora, muitos deles eram de classes média e alta em seu país. A maioria deles eram estudantes universitários, acadêmicos, poetas, intelec- tuais).

• Os étnicos Hmong, de Laos. Primeiro, foram “despejados” em Filadélfia, depois foram relocados em Minnesota.

Os refugiados de Kosovo (verão, 1999), sendo deslocados de sua terra e levados para diferentes países: Inglaterra, Es- tados Unidos, Canadá, etc.

2. Quatro Padrões Diferentes de Migração

a. Migração Standard: Este padrão segue os procedimentos conven- cionais da migração. Geralmente, ele é planejado, voluntário, e se- gue procedimentos normais. Ele é direto e não tem muita instabili- dade, quando a pessoa migrando sai do contexto rural ou da cidade pequena para a cidade grande.

b. Migração Transiente: Esta migração é mais “nômade” porque os migrantes estão sempre se mudando. Eles deixam seus ambientes rurais para trabalhar na cidade e depois retornam para as suas anti- gas residências. Eles se mudam até fazerem bastante dinheiro e en- tão retornam para seu ambiente de origem. Greenway chama este tipo de migração, “migração de ida e volta,” como uma ponte aé- rea.

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c. Migração Progressiva: Esta migração acontece em estágios. As pessoas se mudam para uma cidade um pouco maior, depois para outra de tamanho médio, então se mudam para a cidade grande. Is- to toma mais tempo, mas creio ser a migração menos ofensiva do que até mesmo a migração standard.

d. Migração de Preferência Pessoal: Aqui temos um tipo de migra- ção que segue as necessidades pessoais da pessoa, tais como sexo, idade, ou padrões de parentesco. Como discutido anteriormente, há um grande número de jovens se mudando para a cidade grande. Há lugares onde rapazes deixam suas casas, ao passo que em outros casos, são a moças que deixam suas casas para trabalhar em fábri- cas ou como babás, secretárias domésticas nas cidades grandes.

II. DESMISTIFICANDO A CIDADE

O problema com a cidade, no entanto, é que há muitíssimos pensamentos negativos a seu respeito. Harvie Conn (1987) oferece uma voz profética sobre as necessidades da ci- dade, mas ele o faz com um objetivo claro: “A menos que nós mudemos nossas ideias a respeito da cidade, não nos engajaremos em ministério urbano.” Antes de entrarmos em discussão sobre seus pontos de vista, permita-me sugerir que temos diante de nós um grande desafio, o qual não pode ser deixado de lado.

A. O Potencial para Ministério é Imenso

1. A cidade é o conglomerado de pessoas em necessidade. As pessoas da ci- dade estão feridas em muitas áreas: emocional, econômica, espiritual e fi- sicamente. A lista é muito grande e acha-se quase impossível atender todas aquelas necessidades.

2. O Pobre Urbano. Este talvez seja a evidência mais clara da necessidade para a Missão Urbana. A maioria do povo na cidade não consegue o que eles estão buscando ali. Seus sonhos são espatifados no ar por poderes in- visíveis que eles não esperavam encontrar: poderes políticos, opressão econômica de todo tipo, trevas espirituais. Como veremos no decorrer deste curso, a tradução da palavra “pobre” tem que ser procurada, mas os dicionários não nos ajudarão muito a en- tender seu significado a menos que nós vamos onde eles estão e vejamos por nós mesmos. Este é a abertura de um ministério de grande urgência!

Você precisa de dinheiro para sobreviver!

Você precisa de habilidades para trabalhar!

Você precisa de moradia para viver!

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3. A Receptividade dos Moradores Urbanos. As pessoas que acabaram de mudar para a cidade deixaram para trás muitas coisas: Seus parentes, ami- gos, a “casa antiga,” etc. Eles deixaram para trás seus compromissos reli- giosos, suas filosofias, sua poesia. Por isso, eles estão abertos para receber o impacto do amor de Deus em Cristo Jesus.

Agora eles estão abertos para qualquer coisa nova. Eles são como cri- anças, como bebês recém nascidos em um novo ambiente. Eles estão aber- tos para novas ideias, novas amizades, novos compromissos religiosos. Es- ta é uma das melhores oportunidades para o ministério urbano.

4. A Internacionalização das Cidades Globais. Globalização é a nova tendên- cia no mundo nestes últimos vinte anos ou mais. Tal movimento está espa- lhado por todo o mundo; todas as maiores cidades do globo estão cada vez mais internacionalizadas. Tome São Paulo, por exemplo. Por que não mencionar Belo Horizonte, Recife, Fortaleza.

B. Mas a gente aprendeu a odiar a cidade

A maioria dos crentes tem aprendido a olhar a cidade como sendo demoníaca. A cidade está sempre ligada com o conceito do “mundo,” isto é, a inimiga de Deus, e não estamos supostos a amar o mundo, mas a odiá-lo.

1. A preferência pelos subúrbios e por um estilo de vida melhor.

Assim nos Estados Unidos, o mito urbano é inseparavelmente li- gado com a sua religião civil, o Sonho Americano, a ‘boa socieda- de’ onde o ‘mais feliz estado do homem é o estado médio entre o selvagem e o refinado, ou entre o estado bárbaro e o luxuoso” (Conn 1987:27). 4

2. O que alguns evangelicais americanos falaram sobre a cidade:

Dwight L. Moody: “‘Nós não podemos pegar o povo que estamos procurando,’ ele lamentou, quando encorajado a começar um revi- valismo urbano. ‘A cidade não é lugar para mim,’ ele escreveu à sua família em 1896 durante uma rara visita a Nova Iorque. ‘Se não fosse pelo trabalho que eu fui chamado a fazer, eu nunca mos- traria minha cabeça nesta cidade ou em qualquer outra novamen- te’” (Conn 1987:26). 5

4 Cf. Thomas Bender, Toward an Urban Vision (Baltimore, MD: Johns Hopkins University Press, 1975), p. 7.

5 Cf. Paul Boyer, Urban Masses and Moral Order in America, 1820-1920 (Cambridge, UK:

Harvard University Press, 1978), p. 136.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 11

Francis Schaeffer: Há morte na polis. Há morte na cidade” (Conn 1987:26). 6

Um Executivo de Igreja: “Pelo menos nós ainda temos os subúr- Isto é basicamente uma sociedade suburbana, e nós temos nossa força nos subúrbios” (Conn 1987:28). 7

3. Cidade de Satanás. Para muitos, a cidade é satânica com nada de bom ne- la. Mas nos esquecemos que Deus é Aquele que a criou. Mas sobre isto no decorrer deste curso.

C. Blocos para a Desmistificação da Cidade:

1. A nossa leitura cultura da Bíblia.

As ripas de madeira em nossos olhos não nos deixa ver propria- mente.

Nossas cosmovisões escondem a verdade.

• “Nossas teologias da cidade têm que ser construídas com um olho na Bíblia e o outro no lugar onde nós colocamos nossos sinais da igreja” (Conn 1987:29).

2. O Sonho Americano é um sonho da classe média.

• “[O cristianismo com as classes média e alta na Europa Ocidental] parece se o fator primário para o declínio das igrejas cristãs na Suécia, Inglaterra e França. O cristianismo tem profundas raízes nestes países, mas a urbanização o solapou por séculos. O cristia- nismo urbano na Europa Ocidental tem se concentrado entre a bur- guesia e tem se alienado das classes trabalhistas” (Conn 1987:29). 8

• “O batismo do materialismo em nome de Jesus, a bênção da com- petição como um modo de vida, a santificação do crescimento em termos numéricostudo isto nos impede de encontrar pobre mun- do invisível urbano da “não-pessoa’, que é fraca e derrotada. A igreja, criada nesta imagem, se torna apenas um ponto quente para almas com problema” (Conn 1987:29).

6 Cf. Francis Schaeffer, Death in the City (Downers Grove, IL: IVP, 1969), p. 20.

7 Cf. Carl S. Dudley, Where Have All Our People Gone? (New York: Pilgrim, 1979), p. 22.

8 Cf. Gibson Winter, The Suburban Captivity of the Church (Garden City, NY: Doubleday, 1961), p. 50.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 12

Somos chamados a um estilo de vida simples que seja significante para aqueles em nossa volta. Este é um chamado para um estilo de vida do reino, o qual prega um kerygma holístico para a cidade.

3. A Privatização de Nossa Fé.

Uma fé pessoal e doméstica.

Nossas agendas pessoais são muito individualistas, servindo uma moralidade individualista: aborto, eutanásia, oração nas escolas, pornografia (as quais são ótimas agendas em si mesmas), mas ele não tocam a idéia toda dos assuntos que estão em volta dos pro- blemas.

Por isso, o medo de ir para a esquerda, a trás de “sinais do reino” em movimentos de libertação política ou econômica.

Nós precisamos de ir em frente em busca de um novo entendimen- to dos assuntos relacionados com a Igreja e a Sociedade, Evange- lismo e Responsabilidade Social, e de uma missão holística que se- ja centrada no Reino de Deus.

4. Racismo.

• James D. Hunter: “O evangelicalismo contemporâneo é, de fato, um fenômeno religioso branco” (in Conn 1987:31). 9

• A amostra mais visível: a) “suburbanização” e b) “o recuo da igre- ja evangélica” — “a fuga branca.”

• Um crente negro: “A integração é um termo branco para cobrir o período de tempo entre a mudança para dentro do primeiro negro e a mudança para fora do último branco.”

A ausência da minoria na atividade missionária estrangeira.

A atitude separatista para com os internacionais nas igrejas norte americanas.

D. Passos para uma Nova Visão de Missão e Ministério Urbanos.

1. Precisamos de reconstruir nossa imagem teológica da cidade.

9 Cf. Hunter, American Evangelicalism: Conservative Religion and the Quandary of Moder- nity (New Brunswick, NJ: Rutgers University Press, 1983), p. 51.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 13

2. Precisamos de contextualizar o Evangelho para a cidade.

3. Precisando trazer a visão do Reino de Deus para a cidade.

4. Precisamos de integrar o Evangelho ao povo de uma maneira holística.

III. CONCLUSÃO: O DESAFIO DIANTE DE NÓS!

A.

O

fenômeno urbano tem sido parte da agenda de Deus desde o começo. Ele criou

as cidades, como iremos aprender no futuro. Por causa disso, não podemos escon-

der o fato de que nosso ministério está se tornando mais e mais urbano.

B.

Os ministérios urbanos vão além do conceito de pobreza e da perspectiva de se

fazer mero serviço social. Há uma grande fome e sede pela Palavra de Deus entre

povo urbano: pessoas pobres, pessoas ricas, a classe média, e crescentemente entre as minorias étnicas.

o

C.

Há uma grande necessidade de procurar novos meios de fazer o ministério na ci- dade.

1. Antes de tudo, ele deve ser integral. Tem que haver um compromisso para com a pessoa completa, em todas as áreas de sua vida. Não podemos ima- ginar um ministério transformador que não seja dirigido à integralidade da pessoa, ao morador urbano completo, atendendo a todas as suas necessi- dades.

2. Precisamos de encontrar meios para proclamar a Salvação em seu sentido completo. Essa mensagem trás em si as implicações do Reino de Deus pa- ra a criação de uma nova sociedade, a Igreja, entre os cidadãos urbanos.

3. Para isso, o Evangelismo deve ser redefinido em nossas igrejas e entre nossos missionários. O Evangelho é para ser apresentado em Palavra e em Ação. Não como uma retórica filosófica que tente minimizar as implica- ções do pecado e da Queda humana. Ao contrário, o Evangelismo tem que lidar com tanto o agora como o eternal: com a necessidade de arrependi- mento e fé para que a pessoa possa ter uma nova vida em Cristo Jesus.

D.

Uma outra área importante da missão e do ministério urbano é o desafio para a renovação daquelas igrejas que têm sofrido a sufocação trazida pelo processo de urbanização. Há muitas igrejas que têm que receber a visitação do Espírito Santo pra que haja um avivamento, de outra forma, tais igrejas continuarão em seu pro- cesso de morte.

SESSÃO 2

PREPARAÇÃO PARA O MINISTÉRIO URBANO:

O TREINAMENTO NECESSÁRIO

I.

INTRODUÇÃO

A. O objetivo principal desta sessão tem duas metas: 1) Conscientizar o aluno 10 da necessidade de treinamento especial para o ministério urbano; 2) Informar o aluno de sua participação na preparação de novos líderes cristãos urbanos como foco central para o ministério urbano.

B. O mundo está se tornando altamente urbanizado e podemos verificar isso em du- as formas:

1. A realidade da globalização total diante de nossos olhos.

2. A mudança de paradigmas: de rural para urbano; movendo de um senti- mento provincial para uma atitude menos provinciana.

O islamismo está na TV, o hinduísmo é uma seção religiosa de uma livra- ria, confucionistas são membros da APP [Associação de Pais e Professo- res]. A filha de um membro da igreja se casa com um budista, um membro da família se converte ao judaísmo, um líder leigo na igreja se torna fasci- nado com o sentimento Samurai de dever da unidade corporativaa qual ameaça tanto o ar de superioridade protestante como o seu trabalhoenquanto sua esposa se matricula em uma classe de ioga e seu filho se tor- na marxista.” 11

3. Deus tem uma agenda para a cidade e não podemos evitar a realidade de suas exigências.

10 Mesmo estando ciente da necessidade de usar um vocabulário apropriado para honrar tanto os alunos e as alunas neste curso, a nossa limitação da língua portuguesa (como em outras) nos força a usar ou um gênero ou continuar usando os dois redundantemente. Assim, estarei usando o gênero masculino. Tentarei ser sensato o máximo possível no uso de tal gênero, que em nossa língua é também usado como abrangente para os dois.

11 Max L. Stackhouse. “The Theological Challenge of Globalization.” The Christian Century

106(15):468-471.

14

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Através da migração mundial para a cidade, Deus pode estar montando o estágio para a maior missão da igreja e talvez a sua hora mais importante para tal.” 12

C. O ponto chave aqui é que precisamos de pessoal bem equipado para servir na ci- dade. Novamente, Greenway aponta para essa grande necessidade, como podemos ver abaixo:

Se isto é a cidade, a conclusão inescapável é que batalha espirituais agudas asso- lam aqui e a luta principal é pela devoção de corações e vidas. Por isso, as mentes mais afiadas e melhor preparadas que as igrejas cristãs produzem deveriam estar focadas na cidade e nas massas urbanas.” 13

D. A pergunta chave deve ser levantada: “Quais são as maneiras melhores para equi- par líderes cristãos para servir no contexto urbano?”

II. EXPLORANDO OS VÁRIOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO

A. Tem havido um declínio no movimento de treinamento urbano através dos anos. Somente alguns programas têm prevalecido e eles podem ser analisados para que possamos aprender dos mesmos.

B. Antes de apresentarmos alguns programas positivos, prestemos atenção em cinco motivos pela diminuição do movimento de treinamento urbano, como foi apresen- tado por Carol Ann McGibbon, uma obreira urbana de Chicago 14 :

1. Os seminários não incluíram o movimento em seus currículos;

2. Se o mesmo era apoiado por seminários, não houve apropriação do mesmo e por isso não houve apoio financeiro. Houve acreditação, mas não houve investimento;

3. Houve controvérsias sobre como fazer educação teológica nas cidades, particularmente sobre a abordagem contextual contra a abordagem acadê- mica formal;

12 Roger S. Greenway. “World Urbanization and Missiological Education,” em Missiological

Education for the 21st Century. J. Dudley Woodberry, Charles Van Engen, and Edgar J. Elliston, eds. (Maryknoll, NY: Orbis Books, 1996), pg. 146.

13 Greenway, “World Urbanization

”,

p. 145, ênfase minha.

14 McGibbon, “History of Urban Training Centers,” em Signs of Hope in the City. Robert C. Linthicum, ed. (Monrovia, CA: MARC, 1995) pp. 49-52. Carol A. McGibbon, na ocasião de sua apresentação, era parte do ministério do SCUPE (sigla para Seminary Consortium for Urban Pastoral Education), em Chicago, Illinois.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 16

4. Uma dificuldade existiu na manutenção de ajuda financeira por parte das denominações;

5. Existiu confusão sobre como usar o poder na cidadeespecialmente no aspecto de organização comunitária 15 (McGibbon 1995:50).

C. Ela apresentou naquela ocasião dois centros de treinamento, chamados Centros de Treinamento Ação (Action Training Centers) for dos Estados Unidos, que ainda estavam de pé:

1. Canadian Urban Training Project for Christian Service (CUTS) 16 , em To- ronto, Canadá.

2. PRISMA, em Puerto Rico.

3. Estas são as razões por quê eles permaneceram em pé. Seu compromisso era focado no seguinte:

a. Manter a agenda de missão urbana diante de toda a igreja;

b. Dar um novo foco ao esforço missionário de igreja para o contexto urbano, e não somente em missões estrangeiras;

c. Focar em plantação de igrejas no centro urbano de maior necessi- dade.

D. O Propósito da CUTS, de Toronto, Canadá:

1. Treinar e equipar o clero e liderança leiga cristãos em como relacionar a obra da igreja com a vida nas áreas metropolitanas;

2. Estabelecer cursos de estudo e programas de treinamento para que os líde- res da igreja (clero e leigos) possam melhor entender a cultura urbana e in- terpretar a fé cristã dentro daquela cultura;

3. Colher informação a respeito da vida e dos problemas nas áreas metropoli- tanas, tais como planejamento, renovação urbana, limpeza de favelas, no que concerne à utilização de tal informação no que se relaciona com a obra da igreja e colocar tal informação à disposição de todos, o mais am- plamente possível;

15 O termo “Organização Comunitária” aqui usado vem de um termo mais técnico em inglês “Community Organizing,” o qual tem uma conotação mais política do que mesmo desenvolvi- mento comunitário. Esse termo será discutido em seu próprio momento.

16 Para não ser confundido com C.U.T.S. (Center for Urban Theological Studies) em Phila- delphia, PA.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 17

4. Invocar novas formas e padrões para o serviço cristão dentro das estrutu- ras da igreja onde for possível. 17

E. Outras características encontradas em sua pesquisa:

1. A habilidade de combinar a ação social com a agenda e o contexto da igre- ja;

2. Tentou adaptar a pesquisa a suas situações (tanto CUTS como PRISMA);

3. Tomadas de decisões e programação são descentralizados em essência;

4. Conseguiu manter a tensão entre sua responsabilidade social e a igreja ins-

titucionalizada.

F. Alguns outros programas com resultados positivos:

1. A Church on Brady [Igreja em Brady], Los Angeles Leste. (Igreja Batista do Sul).

A convicção é sinceramente tida por nossa liderança de que a igreja que não enfrenta clara, concreta e corajosamente essas mudanças vai secar-se em [completa] irrelevância.” 18

2. O Instituto Bresee, Los Angeles. (Primeira Igreja do Nazareno).

A DECLARAÇÃO DE PROPÓSITO DO INSTITUTO BRESEE

a. Preparar indivíduos que estejam comprometidos com o ministério em áreas urbanas para liderança cristã;

b. Equipar indivíduos para ministério urbano e transcultural com as habilidades apropriadas necessárias para efetivamente impactar o ambiente urbano;

c. Assistir ministros em meio de carreira, já envolvidos no contexto urbano, a desenvolver novas habilidades ministeriais enquanto continuam seu ministério;

d. Criar ênfases evangelísticas interdenominacionais formais que pos- sam de fato melhorar o teor espiritual e material do contexto urba- no, i. e., Los Angeles.

17 McGibbon, “History of Urban Training Centers,” p. 51.

18 Church on Brady, Day of the Congregation (Los Angeles, CA: The Church on Brady, 1990), p. 6.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 18

e. Seis Níveis de Programação do Instituto Bresee: 19

(1)

Trabalho de curso pós-graduado (APU, Nazarene Theolo-

(2)

gical Seminary, Fuller Theological Seminary) Estágio de estudantes de pós-graduação

(3)

Estudos urbanos graduados (a nível de bacharelado)

(4)

Estágios de verão (junho-agosto)

(5)

Um programa de orientação para com a cidade

(6)

Seminários, oficinas de trabalho, conferências, consultas.

3. Outros Programas:

a. CUTS (Center for Urban Theological Studies), Philadelphia, PA;

b. HUP (Hollywood Urban Project), Hollywood, CA;

c. SCUPE (Seminary Consortium for Urban Pastoral Education), Chicago, IL;

d. Harambee Christian Family Center, Pasadena, CA.

e. SCUTEP (Southern California Urban Theological Education Partnership), Los Angeles, CA.

III. UM CURRÍCULO MISSIOLÓGICO PARA MISSÃO URBANA

A. Roger Greenway apresenta dezesseis áreas que deveriam ser incluídas no currícu- lo missiológico para ministério urbano (Greenway 1996:146-147). Evidentemen- te, nenhum programa poderá acomodar todas essas áreas de uma vez. Isto nos conclama a procurar meios de cooperação e de rede de informações entre vários programas. Em muitos casos, eles poderiam se tornar áreas de especialização para várias escolas ou centros de treinamento:

1. Uma teologia bíblica da cidade e do ministério urbano.

2. Antropologia, sociologia e demografia urbanas.

3. Contextualização do evangelho no ambiente urbano.

4. História da missão e ministério urbanos.

5. A natureza da pobreza urbana e do desenvolvimento comunitário.

6. Estruturas políticas urbanas, sistemas sociais e assuntos de justiça.

7. Técnicas de pesquisa para evangelismo urbano e crescimento da igreja.

8. Métodos e modelos eficazes para ministério urbano.

9. Saúde física e mental no ministério urbano.

10. Acesso a recursos urbanos, particularmente através de redes de comunica- ção (networking).

11. Sistemas de representação e empoderamento na cidade.

12. Desenvolvimento de liderança em vários contextos urbanos.

13. Métodos de comunicação na cidade.

19 Bresee Institute, “Promotional Literature” (Los Angeles, CA: Bresee Institute, n.d.).

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 19

14. Religiões não cristãs, seitas e cosmovisões alternativas.

15. Princípios de educação e metodologias apropriadas a várias culturas e con- textos.

16. Espiritualidade urbana e batalha espiritual na cidade.

B. A abordagem de Sidney H. Rooy às bases teológicas para educação teológica ur- bana:

1. Para se conseguir sua meta de transformação, a educação teológica urbana deveria preparar e desafiar os cristãos a criar uma comunidade espiritual- corporal que dê corpo e vida para a reconciliação oferecida por Deus em Jesus Cristo.

2. Para se obter a meta de reconciliação, a educação teológica urbana deveria preparar os cristãos para conduzir um ministério compartilhado que incor- pore membros de acordo com seus dons na obra de pregação, conversão e cura, tanto dentro da comunidade espiritual local e da comunidade mais ampla da qual ela é parte.

3. Para se concretizar a meta de um ministério relevante, a educação teológi- ca urbana tem que preparar cristãos para o dolorido processo de reavaliar sua vida e ministério em vista de seu contexto imediato e mais amplo. para esta tarefa, é imperativo que haja um estudo sério das ciências sociais, econômicas e antropológicas em relação à teologia.

4. Para se cumprir a meta da educação teológica crítica em autoexame entre disciplinas, a educação teológica urbana deveria preparar homens e mulhe- res para definir e por em ação programas de amor e justiça a níveis locais, nacionais e globais. 20

C. Algumas implicações para a educação teológica urbana:

1. Treinamento teológico tem que ser dado para toda a igreja. Nesse caso, ele sugere que “a educação teológica não pode ser limitada ao clero profissio- nal” (Rooy 1992:234).

2. O treinamento teológico deveria ser diversificado e especializado.

3. O treinamento teológico deveria desenvolver uma atitude crítica criativa da pessoa. (Para integrar novas ideias, avaliar e aplicar as situações reais).

20 Sidney H. Rooy, “Theological Education for Urban Mission,” in Discipling the City: A Comprehensive Approach to Urban Mission. Roger S. Greenway, ed. (Grand Rapids, MI: Baker Books, 1992), pp. 223-245.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 20

4. As congregações e pastores têm que ser treinados para eliminar o conceito profissional elitizado de ministério de tempo integral. (Com ênfase no sa- cerdócio de todos os santos e em seus muitos dons).

D. As áreas importantes que devem ser cobertas no treinamento de líderes urbanos cristãos:

1. Contextualização:

Até que os padrões de liderança e estruturas da igreja se conformem com a situação contemporânea e se enquadrem com o padrão bíblico, o proces- so de contextualização não será conseguido.” 21

a. O problema de ser designado a partir de uma cosmovisão.

b. A contextualização ajuda a se guardar contra “abordagens imperia- listas e irrelevantes que produzem líderes disfuncionais” (Elliston and Kauffman 1993:64).

2. Ministério Direcionado ao Reino de Deus: A centralidade da tarefa: A tarefa central é orientada para o Reino de Deus.

a. O Mandato Cultural

b. O Mandato Evangelístico

3. Formação de Caráter:

1. Amor a Deus e ao Próximo

2. Integridade de Vida

Positivo: José do Egito, Ester e Daniel Negativo: Rei Saul, Ananias e Safira

3. Senso de Destino (Atos 17:26-27)

¤ Um lugar

¤ Um ajuntamento de nações

¤ Um chamado para o ministério

¤ Uma missão

21 Edgar J. Elliston and J. Timothy Kauffman, eds. Developing Leaders for Urban Ministries. (New York: Peter Lang, 1993), p.64.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 21

4. Formação Espiritual: Isto tem um lugar crucial no ministério urbano porque os convertidos urbanos usualmente vêm a Cristo vindo de situa- ções muito difíceis. Isto requer muito tempo, paciência, aconselhamento e curas interiores.

O elemento singular mais crucial em evangelismo urbano bem sucedido tem que ser o desenvolvimento espiritual daquele instrumento humano, o qual Deus tem sempre usado para encarnar-se no meio do povo.” 22

A menos que esses instrumento humanos do evangelho sejam limpos em sua identidade pessoal própria, emocionalmente sadios, e espiritualmente comprometidos, toda a tecnologia e exercícios acadêmicos serão apenas aquiloexercícios.” 23

5. Treinamento de toda a igreja. A participação chave dos leigos no ministé- rio urbano é vital para o contínuo crescimento da igreja na cidade. 24

IV.

CONCLUSÃO

A. A seleção de líderes e o seu treinamento é provavelmente o aspecto mais crucial do ministério urbano hoje. A menos que nós desenvolvamos um processo de sele- ção de liderança forte, o ministério urbano não irá acompanhar os desafios cada vez mais crescentes que enfrentamos neste momento histórico da igreja.

B. Isto irá habilitar novos ministros e missionários a superar o medo do “desconheci- do” e a nova fronteira nos ministérios da igreja, principalmente em plantação de igrejas.

C. Isto ajudará a treinar novos líderes no seu contexto para o seu contexto. A menos que nós desenvolvamos um treinamento de líderes entre o povo em seu próprio contextoa partir de sua própria realidadenão conseguiremos nada que possa ser significante para esta nova realidade em que vivemos em todos os quadrantes do mundo.

D. A seleção de liderança contextual e seu treinamento tem que ser enfatizada para a missão e o ministério urbanos em todos os seus níveis, principalmente a partir da igreja enviadora.

22 Samuel M. James, “Training for Urban Evangelization,” An Urban World: Churches Face the Future. (Nashville, TN: Broadman Press, 1984), pp. 189-206.

23 James, “Training

24 Cf. 2 Timothy 2:2, e outras passagens bíblicas que nos ajudam a entender a necessidade de

”, p. 190.

fazermos discipulado e prover treinamento de líderes.

SESSÃO 3

FUNDAÇÕES BÍBLICAS E TEOLÓGICAS PARA UMA MISSÃO INTEGRAL URBANA

I.

INTRODUÇÃO

A. Como podemos ver através de nossas injunções anteriores, a cidade não é tão “bonita” para muitas pessoas. Por exemplo, Jacques Ellul, em seu livro The Meaning of the City (O Significado da Cidade), apresenta o seu temor quanto à tecnologia e a cidade.

B. Precisamos sobrepujar esta idéia negativa porque o Senhor tem um plano para a cidade. De fato, a cidade é um projeto evidente para Deus. Há em torno de 119 cidades apresentadas por nome em toda a Bíblia e isto nos dá a idéia segura de que Deus não é contra a cidade.

C. É necessário, por isso, entender que nós não somente precisamos desenvolver uma estratégia para Missão Urbana, mas primeiramente precisamos construir uma teológica para a Missão e o Ministério Urbanos. Por esta razão, vamos agora en- trar em um diálogo entre as fundações bíblicas e teológicas para o assunto.

II.

A CRIAÇÃO: O DESENHO ORIGINAL DE DEUS PARA A CIDADE 25



A Bíblia começa em um jardim e termina em uma cidade” (Domínio público).

A.

O Jardim do Éden: um paraíso pastoral (Gen. 2; Ezeq. 28:13; 31:8-9). >> Sustenta uma imagem agrícola.

1. Adão e Eva eram os regentes, comandados a dominar sobre o jardim e tu- do: no ar, na água, na terra.

2. O Mandato Cultural

3. Gen. 1:26-28; 2:19-20.

25 Estou aqui usando um capítulo escrito por Dr. Harvie M. Conn (1933-1999), “Genesis as Urban Prologue” (1992:13-33), como meu ponto focal para esta parte e a seguinte. Uma outra perspectiva pode ser encontrada Robert C. Linthicum, Cidade de Deus, Cidade de Satanás (Belo Horizonte: 1993).

22

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 23

B.

A

Intenção Urbana de Deus

O mandato cultural dado a Adão e Eva no jardim para encher, governar, e subju-

gar a terra (Gen. 1:28), foi nada mais do que um mandato para construir a cidade.

A

cultura humana que iria seguir depois deles era para tomar a forma de cidade

(Conn 1992:15).

1. Multiplicação”: Prover os cidadãos da cidade.

2. Cultivação dos recursos da terra”: As estruturas da arquitetura da cidade.

3. A estrutura da autoridade da família”: “governo centralizado pelo qual a vida e a funcionalidade da cidade seriam organizadas, debaixo de Deus.”

C.

A Apologética Urbana de Deus

1. Quando o autor de Gênesis escreveu o Pentateuco, cidades já se encontra- vam em existência. Contudo, algumas delas tinham um pequeno contraste com o mundo rural/nômade. Mas uma coisa era distinta nelas:

a cidade era uma comunidade que se conglomerava por um compro-

misso religioso comum. Era aquele território, geralmente numa posição elevada e cercada por um muro de proteção, dedicada ao serviço da deida- de local” (Conn 1992:15).

2. Alguns exemplos no Pentateuco:

¤ Baal-Gade (Jos. 11:17)

¤ Baal-Meom (Num. 32:38)

¤ Baal-Peor (Num. 25:3)

¤ Baal-Zefom (Ex. 14:2)

3. Cidades que eram o “estado da cidade-deus”: Seus reis ou regentes tinha o dever de:

¤ interpretação da vontade dos deuses

¤ representação de seu povo diante dos deuses

¤ administração do território

¤ responsabilidade pelo comportamento de seus sujeitos diante dos deuses.

— “A cidade era vista como um microcosmo, uma integração da natu- reza, sociedade, e do divino. Urbanismo se tornou uma atividade dos deuses” (Conn 1992:16).

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 24

4. As cidades eram tidas como as “esposas” dos deuses: Baalá (Jos. 15:9) e Astarote (Jos. 9:10). Assim, cidades proeminentes eram “mães,” enquanto cidades pequenas eram usualmente as “filhas” (Num. 21:25; 32:42; Jos.

15:45).

5. As cidades eram intimamente ligadas com a agricultura. Frequentemente,

o termo eretz (terra) é usado como sinônimo para a cidade (Gen. 11:28; 34:2 [cf. 33:18]; 1 Reis 8:37; 22:36).

6. apologética de Moisés (Gen. 1-3) A Imagem do Jardim:

A

¤

A natureza não é deificada e Deus não é urbanizado.

¤

O Deus da Aliança não é uma deidade urbana local como os Baa- lim.

¤

Ele não é limitado em autoridade para um singular local ou cidade (Sl. 24:1-2).

¤

As cidades como Jericó se dobram diante dele, “porque o SENHOR, vosso Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra” (Jos.

2:11).

¤

Nínive tem que se dobrar diante do Senhor de Jonas.

Em resposta apologética a esses mitos de uma aliança corrompi-

da, Gênesis vê a própria criação e seu microcosmo no jardim como

o

lugar de moradia do Senhor. A criação é a casa cósmica de Deus,

o

selo da vitória de Deus sobre o caos(Conn 1992:17).

7. Como podemos visualizar este fato:

Gênesis 1-2 = Jardim do Éden = O Primeiro Shalom

Gênesis 3 Apocalipse 20 = O Éden Caído = A Paz Quebrada

Apocalipse 21-22 = Nova Jerusalém = Shalom Restaurado

III. A QUEDA E A REBELIÃO URBANA

A. Do Jardim à Cidade

1. Logo depois da Queda da humanidade, Adão e Eva se separaram de seu habitat natural, se tornaram “cidadãos do mundo” e multiplicaram a se- mente de sua raça.

2. A primeira cidade foi criada pelo primeiro assassino, Caim (Gen. 4:17), que lhe deu o nome de seu filho, Enoque.

B. Uma Cidade Rebelde

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1. Conn levanta a questão sobre a intenção de Caim de construir a primeira cidade nomeada na Bíblia. Ele concede ao fato de que a intenção de Caim foi uma “acusação da cidade, oposto ao Jardim do Éden.”

¤ Caim tinha sido amaldiçoado por Deus para andar a esmo (Gen.

4:12)

¤ Sua construção da cidade é uma metáfora de um refúgio forte con- tra o inimigo (Salmos 46 e 48)

¤ Isto parece ser uma resistência àquela maldição

¤ Ele procura encontrar por si mesmo o remédio para a situação que ele mesmo havia criado

¤ O evento cai na cronologia da linha de Caim (4:17-24), não na li- nhagem do piedoso Sete (5:3-32)

¤ Caim perpetua seu próprio nome na segurança auto sustentável da cidade

¤ Tudo continua com a perpetuação da semente de violência de Caim, depois com a violência de (4:23-24).

2. No entanto, há também dicas de uma visão mais positiva da cidade.

¤ A cidade se torna o centro de realizações humanas.

¤ Ela se torna o centro da civilização em muitos aspectos (arte, tec- nologia se encontram dentro de seus muros, 4:20-22).

¤ Elas englobam as provisões da graça comum de Deus, um ato pali- ativo na vida humana.

¤ Através das mesmas, Deus refreia o desenvolvimento do mal, abençoa suas criaturas caídas, e exercita seu propósito soberano tanto em graça como em julgamento.

O homem pode tornar a cidade em alguma coisa mais tremenda do que o deserto uivante, mas isso é uma outra matéria. Como na provisão da graça comum de Deus, a cidade é um benefício, ser- vindo a humanidade pelo menos parcialmente, um refúgio interino

da condição desértica na qual a raça caída, exilada do paraíso, tem

sido

nhadas pela cidade a parte da Queda são agora modificadas por te- rem sido mudadas pelo novo propósito de precipitação, até uma certa distância, dos males surgindo através da pecaminosidade hu- mana e como um resultado da maldição comum sobre a raça(Conn 1992:19 26 ).

As funções que poderiam ter sido desempe-

26 Conn está aqui citando Meredith G. Kline, Kingdom Prologue (Philadelphia, PA: Westmi- nster Theological Seminary, anotações de aula, impressas privadamente pelo autor, 1983), 4:15.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 26

¤ O caráter duplo da cidade: a) o sinal da preocupação graciosa de Deus pela criação caída, e b) a busca da humanidade rebelde por segurança a parte de Deus.

C. A Cidade da Confusão

1. A Torre de Babel: o lado negativo da cidade (Gen. 11:1-9)

2. Ninrode, o edificador de cidades (Gen. 10:8-12): a forma verbal de “re- voltemos.” “Ele deixa um rastro de civilização urbana em sua andança:

Ereque, Acade, Calné, Nínive, Reobote-Ir, Calá, Resém e também Babel/ Babilônia.”

3. Babel: A dialética dos movimentos centrípetos e centrífugos:

¤ A humanidade procura se levantar até Deus; Deus desce para amaldiçoar o orgulho da humanidade.

¤ A humanidade tenta manter a unidade; Deus divide e dispersa a raça.

¤ A humanidade procurar um centro próprio; Deus a encontra com uma dispersão divina.

4. Como a cidade de Caim, Babel procura se tornar um refúgio da insegu- rança do mundo aberto e do destino desejado para eles por Deus.” (Isto por excluir Deus).

5. A cidade simboliza o desejo que aquele povo tinha de parar de vaguear pe- lo mundo. A Bíblia tem um número de ilustrações de andanças, que para os homens possam encher a terra, mas, ao invés disso, eles queriam um lugar seguro para ficar.

Ex.: As andanças de Abraão, a descendência de Jacó exilada no Egito, a jornada no deserto, a dispersão das dez tribos, a o exílio babilônico.

As cidades do mundo são apenas paradas temporárias para um povo que tem que aprender que a segurança está em residir na cidade-montanha de Jeová e em mantendo a sua aliança (Dt. 6:10-12; Sl. 43:1-3)” (Conn

1992:20).

D. Abraão: De Ur dos Caldeus a um Lugar da Habitação de Deus (Gen. 12:1-3)

1. A cidade se tornou um refúgio para pessoas nômades, andarilhas. Agora, o autor de Gênesis muda da história universal para a história de Israel, para uma história particular, a qual irá levar ao advento do Messias.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 27

2. Abrão, ao invés de se revoltar contra Deus, expressa sua fé em Deus pela sua obediência, ao obedecer ao seu chamado para deixar sua cidade e ir para um lugar desconhecido, um lugar que somente Deus conhecia (Gen.

11:31-12:5).

¤ Ur era o maior centro de negócios do mundo naquela época.

¤ É interessante notar que Ur era geograficamente perto de Babel (Babilônia).

¤ Ele deixou a segurança de seus deuses e de suas ligações familia- res.

¤ Ele deixou ainda uma outra cidade importante: Harã, a Cidade da Caravana (Gen. 12:4).

¤ Então, ele erigiu um altar perto de Luz (Gen. 12:8; 13:3), o qual se torna depois Betel (Gen. 35:6-7).

3. A intercessão de Abraão por Sodoma e Gomorra.

¤ Deus havia prometido julgar as duas cidades ímpias (Gen. 13:13), como Ele havia feito com a cidade e a torre de Babel.

¤ O perfil de Sodoma:

O culto da fertilidade cananeu a Baal e a Astarote.

Ló: a promessa de riqueza e vida fácil (Gen. 13:10-12).

Abraão: recusou a riqueza do rei ao vencer os quatro outros reis (Gen. 14:22-23).

orgulho, excesso de comida, vida fácil

próspera; eles não ajudaram os pobres e necessitados. Eles eram soberbos, e praticaram coisas abomináveis diante de

mim; por isso eu os removi quando eu vi aquilo” (Ezek. 16:49-50, minha breve tradução).

• Seu veredito:

¤ Mas Deus ouviu ao apelo apaixonado de Abraão, levantado em fa- vor daquela cidade, antes de apagá-la por completo.

4. Sodoma e Gomorra: símbolo do julgamento de Deus contra toda a impie- dade (Dt. 29:23; Jer. 49:18; Am. 4:11; Lc. 17:29).

5. O resgate de Ló é uma lembrança do remanescente da graça (2 Pet. 2:6-9).

IV. A VISÃO DE GREENWAY SOBRE AS CIDADES NUMA PERSPECTIVA BÍBLICA 27

A. As Cidades Que Poderiam Ter Sido

27 Cf. Greenway e Monsma (1989:3-7).

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 28

1. As cidades que poderiam ter sido são as comunidades que teriam se levan- tado se a Queda não tivesse acontecido.

2. As dádivas que vêm à expressão na cultura humana teriam sido perfeita- mente usadas sem as influências corrompidas do mal:

¤ as artes

¤ as obras humanas

¤ a arquitetura

¤ a tecnologia

Os dons humanos teriam vindo em sua mais alta expressão nas cidades, na vida comunal e institucional, à medida que pessoas sem pecado trabalhassem juntas, compartilhando seus talentos e labor, e produzindo grandes coisas com os recursos provindos da boa e rica criação de Deus” (Greenway e Monsma 1989:3).

3. O mundo que poderia ter ocorrido teria mais certamente sido um mundo urbano.

¤ Embora a raça humana foi criada em um jardim (como vimos pre- viamente), seu destino com portadores da imagem de Deus e tam- bém como seres sociais os teria liderado à cidade.

¤ A complexidade das habilidades organizacionais que teriam sido requeridas podem somente ser aplicada em um ambiente urbano.

¤ Com o crescimento da população humana, as cidades naturalmente surgido.

Estas cidades teriam sido lugares maravilhosos, uma alegria com- pleta para seus habitantes. Sem pecado, corrupção, ou desarmonia, toda a vida urbana teria contribuído para o bem-estar humano e pa- ra a glória de Deus” (Greenway and Monsma 1989:3).

¤ Elas teriam sido centros culturais além da imaginação humana.

B. As Cidades Que São

1. Estas são as cidades de uma humanidade pós-Queda. Consequentemente, o pecado entrou no seu tecido e com ele,

as cidade hoje são centradas no homem, sempre violentas, cheia de fric- ção, ganância e carnalidade. O pecado navega livremente através das ruas e dos mercados. O pecado se senta entronizado em altos lugares da vida cívica. As cidades são caracterizadas pela suas muitas alianças quebradas,

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 29

principalmente a aliança quebrada com Deus” (Greenway e Monsma

1989:5).

2. No entanto, estas cidades são habitáveis.

¤ A graça comum de Deus ainda se acha presente nestas cidades.

Pela misericórdia de Deus, até mesmo as cidades pagãs ainda re- fletem algo da grandeza do Deus que criou os seus habitantes, co- locando sua imagem neles, e que restringe as suas intenções pio- res” (Ibid.)

¤ A vida destas cidades é adaptada à condição caída de seus habitan- tes. (Força policial, cortes, prisões, lei).

A vida urbana, de fato, pode continuar e se preservar da degene- ração rumo ao caos total somente por causa dos mecanismos cor- porativos de defesa que os moradores da cidade desenvolvem para suportar a sua condição caída comum” (Ibid.)

3. Centros Protetores

¤ Pela graça e misericórdia de Deus, Caim e seus descendentes pude- ram edificar cidades como refúgio contra uma possível perseguição (o que, de fato, culminou em violência maior Lameque).

¤ Havia cidades de refúgio (Num. 35) para aqueles que involuntari- amente havia matado alguém.

¤ As cidades pós-Queda são temporais, não permanentes.

As cidades são, as cidades da história, como as conhecemos, são sujeitas a decadência e eventualmente à destruição. Talvez, a falta de sossego tão comum na vida urbana vem da falta da inquietação corporativa da cidade com respeito ao seu futuro e a uma preocu- pação inconsciente sobre a sua vulnerabilidade e destruição even- tual” (Ibid., p. 6).

¤ Não mais é a cidade somente um centro geográfico de comércio, um mercado para despachar o fluxo da abundancia da terra e os produtos dos empenhos culturais da humanidade. Ao contrário, a cidade tem se tornado um centro administrativo para promover o bem-estar e alívio para o povo em aflição” (Ibid.).

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 30

C. A Cidade Que Será

1. A Cidade Santa: A Nova Jerusalém (Ap. 21). Esta é a meta última do pro- pósito redentor de Deus.

2. A admissão àquela cidade é totalmente pela graça de Deus, por sua graça tão somente.

3. Ela não é edificada por mãos humanas, ela é a obra de arte final de Deus, ela é a arquitetura única de Deus.

4. Sua vida comunitária é cheia de paz e é harmoniosa: sem lágrimas, sem morte, sem pecado.

5. Ela é uma cidade-templo. O Templo é Jesus Cristo. Ela é o lugar onde o povo de Deus viverá para sempre na presença do Deus Altíssimo.

6. O mundo vindouro é um mundo urbano.

O drama da redenção que começou em um jardim vai terminar em uma cidade, a Nova Jerusalém. Os cidadãos dos céus serão urbanos. Atraídos pelos elos da graça de todas as raças, nações e grupos linguísticos, os ci- dadãos da nova cidade viverão juntos em perfeita harmonia como o povo redimido de Deus, a sua comunidade da nova aliança. Esta cidade a ser apreciará tudo o que as cidades que poderiam ter sido teriam possuído, e uma coisa a mais: os cidadãos da nova cidade não somente serão limpos do pecado, eles serão pecadores totalmente lavados. A sua estória será a história da redenção. Suas canções será sobre o Salvador e seu sangue (Ap. 5:9)” (Ibid.).

V. PONTOS CHAVES SOBRE A MISSÃO E MINISTÉRIO URBANOS

A. Procure a Paz da Cidade

Este talvez seja o paradigma mais importante para o morador da cidade. Ele é ti- rado de Jeremias 29:7, “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz.

1. Temos a ordem de procurar a reconciliação espiritual e social na cidade.

¤ Greenway menciona que há muitas alianças quebradas na cidade. Elas estão presentes entre muitas pessoas, mas também entre o po- vo de Deus.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 31

¤ Tem que haver uma reconciliação vertical e também horizontal na cidade e isso só pode ser feito através do evangelismo e da ação social que parte da igreja.

2. Alguns exemplos dessas duas dimensões da reconciliação na Bíblia:

¤ Nos Profetas: Isa. 1:12-17; Am. 5:21-24; Miq. 6:6-8

¤ Em Cristo Jesus: Mt. 25:31-46; Lc. 10:25-37

¤ Em Paulo: Rom. 13:8-10; 1 Cor. 13:4-7; Gal. 5:22-23

¤ Em Tiago: Tg. 2:8, 14-17

¤ Em João: 1 Jo. 1:3-4, 7; 3:14-18; 4:20-21.

3. Um mandato chave nas Escrituras, então, é a reconciliação espiritual e social: trazendo pessoas alienadas umas das outras de volta a uma harmo- nia vertical com Deus e horizontal com o próximo” (Claerbaut 1983:24).

4. Uma observação importante de Claerbaut:

Para a igreja na cidade isto significa estabelecer-se entre o povo pobre. Quase sempre, no entanto, os crentes de classe média se mudam para fora, enquanto os pobres se mudam para o local. Então, vários anos depois, aqueles mesmos crentes voltam e tentam evangelizar os habitantes presen- tes. Não é de se admirar que os pobres têm pouco respeito quando aqueles fazendo trabalho missionário não querem morar no seu meio em primeiro lugar. Quando a igreja demonstra compromisso social genuíno, no entan- to, sua mensagem espiritual ganha credibilidade” (1983:25).

B. Procure a Justiça da Cidade

1. David Claerbaut nos chama à atenção para o fato de que a maioria dos mi- nistérios urbanos requerem o envolvimento da igreja em ação social por- que a cidade é um lugar de luta, opressão e injustiça.

2. Nós somos chamados a ter preocupação pelo pobre e oprimido:

Salmo 41:1 Provérbios 14:31 Provérbios 21:13 Provérbios 28:27 Provérbios 29:7 Lucas 6:33-36 1 João 3:17-18

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 32

3. Deus comanda que justiça seja feita:

Salmo 37:28 Salmo 106:3 Provérbios 31:8-9 Isaias 1:17 Jeremias 22:16 Lucas 14:12-14

4. Haverá julgamento por parte de Deus para aqueles que recusam a mostrar justiça para com o pobre, o oprimido e o destituído de poder:

Não afligirás o forasteiro, nem o oprimirás; pois forasteiros fostes na ter- ra do Egito. A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Se de algum modo os afligireis, e eles clamarem a mim, eu lhes ouvirei o clamor, a minha ira se acenderá, e vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão viúvas, e vossos filhos, órfãos” (Ex. 22:21-24).

5. A definição de justiça oferecida por Harvie Conn: “apostasia; a rejeição do pobre, a rejeição de Deus.”

C. Cuidado com a Tremenda Batalha Espiritual na Cidade

1. Há uma grande luta pelo poder no cenário urbano: político, econômico e social. Mas nenhum desses poderes é mais pernicioso do que o poder espi- ritual que envolve a cidade.

2. As duas cidades em guerra: Babilônia contra Jerusalém 28

Babilônia = Cidade do Homem

Guerra

Jerusalém = Cidade de Deus

Seu “Prefeito” é o Anticristo

 

Seu “Mestre” é Jesus Cristo

Sua Natureza:

 

Sua Natureza:

Rebelde

Teocrática Centrada na Aliança Integração de Culto e Cultura Paz, “shalom” entre Deus e o seu povo

Alianças Quebradas

Idólatra

Antropocêntrica

Violenta

 

Seu Final:

 

Seu Final:

Destruição

Vida Eterna

28 Roger S. Greenway, Urban Mission and Ministry: A Study Guide (Grand Rapids, MI: Out- reach Inc., 1989), p. 6.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 33

3. Encontramo-nos contra os poderes espirituais que agem de várias formas contra o avanço do Reino de Deus e de sua Igreja. Eles trabalham através de poderes institucionais na cidade e através de demonizações de várias formas entre o povo.

D. Ore Pela Cidade

1. Obtenha a informação necessária sobre as necessidades reais da cidade.

2. Organize grupos de oração pela cidade.

3. Ore ativa e intencionalmente pela cidade.

VI.

CONCLUSÃO

A. Embora haja um grande volume de sentimentos negativos sobre a cidade, temos aprendido que Deus tem um plano para ela. A cidade é a expressão da graça co- mum de Deus para com aqueles caminham como mortos em busca de alguma forma de conforto que eles buscam receber como o único refúgio que a cidade pode lhes oferecer.

B. De acordo com Atos 17:26-27, aprendemos que Deus tem pessoas onde Ele se digna a colocá-las, para que as mesmas possam de alguma forma buscá-lo. A ci- dade, nesse caso Atenas, estava também no plano redentor de Deus. Assim, ali haviam as pessoas que Ele havia escolhido para recebê-lo com seu Senhor e Sal- vador em Cristo Jesus.

C. Deveríamos se positivos e ativos em nossa responsabilidade cristã dentro e pela cidade.

SESSÃO 4

EXEGESE URBANA:

FERRAMENTAS NECESSÁRIAS PARA MISSÃO URBANA

I.

INTRODUÇÃO

A. Há uma necessidade urgente para aprendermos como “ler” a cidade.

Na maioria dos casos, não estamos prestando muita atenção ao que está aconte- cendo em nossa volta. As notícias são bastante negativas e, acima de tudo, não es- tamos muito abertos a conceder ao fato de que a cidade tem o seu próprio mape- amento, ou cópia heliostática, o qual contém seu próprio tom ou forma.

A exegese de uma comunidade pode trazer altos dividendos para ministros e missionários; penultimamente, para os residentes da comunidade; e ultimamente, para Deus. Fazer uma exegese literalmente significa ‘fazer uma leitura de dentro para fora,’ para trabalhar em prol de entendimento” (Van Houten 1988:20).

B. O Etos da Cidade.

Se por um lado a teoria e estratégia de missões parecem ser direcionadas para o trabalho missionário em lugares distantes, e em lugares na sua maior parte, rurais. Falhamos terrivelmente em não realizar que a cidade tem seu próprio etos. Preci- samos sobrepujar o temor da cidade e seus múltiplos mitos, como Harvie M. Co- on (1987) sugere, mas ao mesmo tempo, precisamos entrar na cidade e fazer uma exegese da mesma para que nossos esforços sejam alcançados com sucesso.

C. A Meta Principal.

Esta sessão tem como sua meta principal a descoberta da cidade e como entendê- la. Aqui, iremos aprender sobre as ferramentas básicas para esta importante tarefa, e eu oro para que nós estejamos preparados para usá-las para a glória de Deus.

D. Resultados.

Da mesma forma, os resultados desta sessão deverão nos levar a considerar a im- portância de provermos estratégias eficazes para a missão e ministério urbanos.

34

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 35

II. CONDUZINDO PESQUISA NA CIDADE

A. Informação.

Esta abordagem deverá dar ao estudante informação o bastante em como desen- volver uma pesquisa que o irá habilitar a usar os meios apropriados para a implan- tação de igrejas e também para um envolvimento social integral na cidade.

B. O Que é Pesquisa?

1. [Pesquisa] é a colheita de informação para uso em tomadas de deci- sões.” 29

2. É a coletagem de informações valiosas para a elaboração de melhores es- tratégias.

3. Quando Paulo falou aos ouvintes de Atenas no Areópago, ele somente o fez depois de uma pesquisa previamente feita do local (At. 17:22-23). Ao fazer tal pesquisa, ele estava habilitado a apresentar uma introdução pode- rosa da sua mensagem.

4. Pesquisa é em muitos dos casos bem simples, como pudemos ver acima, mas ela tende a se tornar bastante complicada, dado aos seus objetivos propostos. Uma pessoa terá que usar ferramentas diferentes, dependendo do tipo de pesquisa que ela vai fazer. Em nosso caso, haverá várias manei- ras de conduzir pesquisa ou pesquisas, mas a maioria delas estarão no campo das ciências sociais, incluindo etnografia, a qual pode ser tanto so- cial como antropológica. Outras ciências que podem ser necessárias: an- tropologia social, antropologia cultural, economia, sociologia, psicologia e estatística (que serve de apoio a todas as outras pesquisas).

C. Passos para uma Pesquisa Relevante

1. Determine o seu objetivo. Tome tempo para determinar sua meta princi- pal para a pesquisa que você tem em mente. Algumas vezes (mais fre- quentemente do que você possa imaginar), você precisará de estreitar o seu escopo até que a pesquisa se torne possível, i. e., razoável, dentro de uma amostragem boa e que possa ser bem controlada.

2. Tenha objetivos claros. Depois de você ter decidido na meta central para sua pesquisa, defina objetivos que podem ser alcançados. Cada objetivo irá lhe ajudar a alcançar o seu alvo. Isto o convidará a elaborar alguma es-

29 James F. Engel, How Can I Get Them to Listen? (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1977), p.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 36

tratégia que possa lhe habilitar a conseguir o seu alvo proposto (cf. Greenway and Monsma 1989:136-137).

3. Timothy Monsma sugere que para que a pesquisa seja eficaz, a mesma de- ve ser feita no local (Ibid., p. 138).

4. Descoberta Cultural.

Fazer pesquisa é uma aventura e quando você en-

gaja em fazê-la na cidade, você descobrirá muitas coisas que você obvia- mente não conhecia antes. Nesse caso, você deveria seguir alguns passos importantes: 30

a. Envolva-se com o povo (Observação Participativa). A maioria das pesquisas relacionadas com assuntos sociais e etnográficos vão requerer envolvimento com o povo. Isto é comumente chamado “Observação do Participante” e muito irá ajudar ao pesquisador em várias áreas: Conhecer o povo melhor, aprender sobre o que acon- tece depois de suas entrevistas, sentir-se á vontade em sua presen- ça, etc.

Ex.: Sebastião Salgado, fotógrafo de brasileiro de renome. Quando ele fez um estudo fotográfico na Etiópia, ele gastou dois anos com

o povo a fim de que ele pudesse entendê-los melhor. O resultado

de seu trabalho foi um dos mais impactantes na história do fotojor- nalismo mundial.

b. Mantenha Relatórios. Manter um jornal com suas notas pessoais,

o que tende a ser bastante subjetivo, pois o mesmo é bastante ínti-

mo. Da mesma forma, mantenha um método de organizar suas no- tas, o que vai lhe ajudar a manter notas de campo, para análise pos-

terior. Exemplo: “Isto é o que aconteceu

Usualmente, o pesquisador irá carregar consigo um pequeno ca- derno ou caderneta, um gravador de voz, uma pequena câmera fo- tográfica, etc. Ultimamente, com o advento dos tablets, tal prática tem ficado ainda mais fácil. 31

c. Faça as perguntas pertinentes, o mais corretamente possível. Perguntas surgem da observação que o pesquisador está fazendo e

30 Agradeço ao Dr. Daniel Shaw, professor de Antropologia Cultural no Seminário Teológi- co Fuller, hoje aposentado, por seu discernimento neste assunto. Este material foi em parte co- lhido em sala de aula no Seminário Fuller, em 5 de abril de 1995. 31 Pessoalmente, sempre carrego comigo um pequeno caderno, além das parafernália eletrô- nica, é claro. Como também gosto de desenhar, sempre que posso, carrego comigo um pequeno caderno de desenho para desenhar o que vejo como interessante para minha pesquisa. Penso mui- to através de rabiscos

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 37

também depois de analisar as suas notas de campo, seu jornal pes- soal, e até mesmo as fotografias, desenhos, ou rabiscos que você tenha acumulado.

d. Analisando. Determine o significado de seus achados baseados em respostas e em teoria.

e. Descrição Extensiva: De acordo com Geertz, ela demanda:

(1)

A nível superficial: (forma), boa observação e boas pergun- tas;

(2)

A nível de estrutura profunda: (significado), boa colheita de notas e relatórios;

(3)

Isto leva a uma boa análise.

5. Coleta de Dados. A colheita de dados pode ser feita de várias formas:

questionários, entrevistas pessoais, observação participativa, informação demográfica, estatística econômica, a assim por diante. Aqui o pesquisa- dor irá encontrar algumas diretrizes para coleção de dados antropológicos, os quais podem ser usados tanto em ambientes rurais como urbanos: 32

a. Perguntas preliminares:

(1)

Quais são as normas culturais estabelecidas entre o povo?

(2)

Estariam tais pessoas vivendo sob tais normas (real/ideal)?

(3)

Estariam tais normas em processo de mudança?

(4)

Quem é responsável pela mudança? (Este parece ser o mai- or problema missiológico, porque o mesmo requer confian- ça [por parte do povo]). Tendo estabelecido tal confiança, trabalhe pela mudança dentro do sistema baseado em ne- cessidades percebidas, influência de agentes de mudança partindo de dentro (do grupo) que processam informações vindas de fora, para dentro do contexto local.

b. Outros passos importantes:

(1)

Apreensão: Incerteza, obtenha permissão (isto é um caso ético). Em algumas realidades, principalmente em outras

32 Shaw, notas de aula, 1995.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 38

culturas, há uma necessidade preeminente de se obter a de- vida permissão para fazer quaisquer pesquisas.

(2)

Exploração: Tente desenvolver relacionamentos, expli- cando os objetivos repetitivamente. Repita o que o povo diz; foque no uso, não no significado (faça-o a nível super- ficial).

(3)

Cooperação: Um produto da confiança mútua, encoraje a correção. Ao lidar com os informantes: interação, retroali- mentação para construir confiança mútua. 33

(4)

Participação: Observe e aprenda praticando (Observação participativa é crucial aqui); pessoas se envolvendo umas com as outras.

(Esteja envolvido — mais subjetivo: “quanto mais você se envolve, mais você fica subjetivo”).

(5)

Entendimento: Atua baseado naquilo que você sabe a fim de agir corretamente e obter mais informação. Este é a Principal Meta!

6. Critérios para Selecionar Seu Foco de Estudo

a. Interesse Pessoal: geralmente o missionário tem um interesse pes- soal que o leva a começar uma pesquisa dentro do seu campo inici- al de trabalho, quer seja urbano, rural, ou ambos.

b. Outras sugestões (por exemplo: de seu professor, do diretor de sua agência missionária, de seu pastor, etc.)

c. Interesses teoréticos: Algumas vezes, um interesse teorético se tor- na a motivação de uma nova pesquisa. Geralmente tais interesses surgem após investigações prévias sobre vários assuntos pertinen- tes ao campo missionário.

d. Aplicação de estratégia etnográfica: Este é o caso principalmente se o missionário planeja trabalhar em áreas densamente diversifi- cadas. A etnografia da cidade é fascinante para quem procura mi- nistrar em uma população urbana multicultural.

33 Em tempo, devo acrescentar que o Dr. Shaw é um antropólogo e linguista, tendo trabalha- do extensivamente em treinamento de tradutores da Bíblia no campo missionário (Papua, Nova Guiné). Assim, boa parte de suas explicações são para tal contexto, mas que podem também ser amplamente aplicados na obra missionária urbana transcultural.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 39

e. Organização de domínios (áreas) de interesse

f. Implantação de igreja em ambientes urbanos (o que é o nosso caso neste curso)

g. Ação e Responsabilidade Social (o que representa a integralidade da missão urbana em sua maioria dos casos)

7. Escolhendo a Metodologia Apropriada

a. Observação Participativa

b. Questionário / Enquete

c. Método de Estudo de Caso / Histórias Vivas

d. Abordagens Etnográficas Tradicionais:

(1)

Mapeamento: O ambiente físico da pesquisa cultural. Mapeamento regional, da comunidade, perfis especiais, en- quete social, ambiente urbano, suburbano, rural, etc.

(2)

Censo: As estatísticas e informações do censo são exce- lentes pontos de partida, mas deve-se tomar cuidado com as datas das mesmas. Algumas são por décadas, outras por quinquênios, e assim por diante.

(3)

Estudos Demográficos: A ciência da população. As esta- tísticas vitais da sociedade. Taxas de nascimento, de óbitos, de idades por grupos, casamento. O uso de subsistemas, ta- belas, fotografias, relatórios, etc., tudo o que possa fornecer informação sobre a economia, relações familiares, padrões de comportamento, estruturas políticas, sociais, religiosas, etc.

(4)

Aprendizado de Línguas: O que o povo está falando sempre é melhor conectar-se com o povo usando a sua lín- gua o melhor que se pode. É importante entender suas pa- lavras, discursos, gírias e expressões idiomáticas. Isso tam- bém inclui todos os níveis linguísticos do cotidiano: nos bancos, no mercado, na igreja, na escola, nos bares, etc.

(5)

Pesquisa Eletrônica: Aqui, o uso do computador é impor- tante: Manuseamento de Dados, Internet, etc.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 40

8. Escreva um Relatório de Avaliação.

Este deve ser o último passo da pesquisa. Esse relatório proverá a análise, mas, além disso, ajudará ao pesquisador (missionário, evangelista, pastor, agente social) a criar uma visão mais acurada para o próximo estágio de seu projeto.

III. TIPOS DIFERENTES DE PESQUISA PARA TIPOS DIFERENTES DE MINISTÉRIO

A. Vários tipos de pesquisa serão usados em um dado ambiente. Estes são apenas al- guns tipos que podem ser usados na missão e ministério urbanos:

1. Pesquisa Histórica

2. Pesquisa Demográfica

3. Pesquisa Etnográfica

4. Pesquisa Sociológica

5. Pesquisa Espiritual

B. A Pesquisa Ajudará a Determinar a Localidade de Seu Ministério

1. Uma igreja pode achar necessário plantar igrejas “filhas” (ou filiais) em uma mesma cidade. Em muitos casos, isto é o que acontece em vários paí- ses do mundo, como é o caso aqui no Brasil. De certa forma, vemos o mesmo acontecer na América do Norte, por exemplo. Em Calgary, Alberta (Canadá), há alguns anos, a Primeira Igreja da Assembléia, começou uma igreja ao enviar 200 membros para um novo desenvolvimento residencial na cidade. Assim, em menos de dois anos, aquela nova igreja cresceu de 200 membros para mais de 1.300 membros, a Igreja de Westside King. Tenho notícia que a Primeira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, plan- tou mais de trinta igrejas na área metropolitana de Belo Horizonte. 34 Para tal, igrejas locais precisam explorar quais áreas da cidade precisam de um novo desenvolvimento de igreja.

2. Outras igrejas ou agências missionárias enviam missionários para plantar igrejas urbanas em outras cidades, regiões, estados, e até mesmo em outros países. Isto requer um sério processo de pesquisa adiantadamente para que decisões educadas possam ser tomadas. Como exemplo, a igreja onde te- nho servido ultimamente, plantou outra igreja em Missoula, Montana, e

34 Informação dada pelo seu Pastor Efetivo, Rev. Ludgero Bonilha de Morais, por ocasião da Assembléia Geral da Evangelical Presbyterian Church, da qual sou membro, em Denver, Colo- rado, junho 2007.

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 41

estamos estudando a possibilidade de plantar outras na vasta região do no- roeste americano.

3. Hoje, com o rápido crescimento de grupos étnicos em muitas das cidades mais importantes do mundo, precisamos ter acesso a pesquisa séria em como alcançar tais grupos em ambientes altamente urbanizados. Exemplo:

plantar igrejas entre imigrantes nos centros urbanos do mundo: Brasil (São Paulo, Belo Horizonte), Estados Unidos (Boston, Chicago, San Francisco, Miami, Los Angeles, Seattle), Inglaterra (Londres, Manchester), França (Paris, Lyon), Canadá (Toronto, Vancouver), a lista é grande. O fato é que tais centros têm grandes conglomerações de imigrantes. Pode-se plantar igrejas étnicas e também internacionais nestes locais.

C. Pesquisa Ajuda a Entender a Audiência

1. Pesquisa ajuda a pessoa a evitar os tropeços e a saber o que se deve fazer em uma cidade no caso de seus membros abraçarem Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor” (Greenway e Monsma 1989:133).

2. A pesquisa ajuda a responder perguntas sobre os compromissos religiosos do povo, da mesma forma, seus status socioeconômico, seu nível de alfa-

betização, seus mores, sua cultura, e assim por diante. Isto é importante para se tomar decisões sobre meios apropriados para comunicar o Evange- lho de fato que eles possam entendê-lo e fazer uma decisão de fé por Jesus

Cristo.

3. Usualmente, a observação participativa é o melhor método para este tipo de pesquisa. Ela colocará o missionário ou obreiro urbano no meio do po- vo e por estar os conhecendo melhor, o missionário ou obreiro aprenderá como melhor usar as suas habilidades de comunicação que serão mais efi- cazes no seu ministério.

4. Tipos de audiência:

a. Pessoas de médio para alta classe que são bem educadas e que têm necessidades específicas: Famílias quebradas, pais estressados, ma- ridos e esposas abusadores, etc.

b. Pessoas de classe baixa, pobres: pessoas que têm qualquer tipo de emprego, mas que ainda têm o bastante para manter um lugar de residência normal, saúde (mesmo que de forma precária), escola pública para as crianças, etc.

c. Favelados: Pessoas que são pobres, que não têm muita educação, podem ou não ter um trabalho. Vivem em favelas por várias ra- zões, na sua maioria por causa de migração interna (regional, naci-

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onal) e que não conseguem se estabelecer fisicamente em lugares de residência normais.

d. Pessoas sem teto, desabrigados, os marginalizados em todos os as- pectos. Esses não podem arcar com moradia e vivem de um abrigo para outro (em lugares onde tais oportunidades existem) ou sim- plesmente abandonados pelas ruas da cidade.

e. Outras categorias:

(1)

Catadores de Rua: Coletando ferro velho, alumínio, pa- pelão, papel, etc. (Manila, São Paulo, Calgary, Los Ange- les, Vancouver, New York, etc.)

(2)

Camelôs de Rua: Vendendo pequenas coisas nas ruas: ar- tesanatos, contrabando, cds e dvs pirateados, etc. (Goiânia, Recife, Hong Kong, Bissau, Nairóbi, Moscou, Maputo, Rio de Janeiro, etc.)

(3)

Prostitutas: Pessoas vendendo seus corpos. (Bangkok, Recife, Vancouver, Toronto, Los Angeles)

(4)

Jatans (Jatãs): Vendedores de Couro (Índia)

D. Inter-Relação (Networking)

1. Pesquisa habilita outros a completar sua missão e ministério na cidade. A importância da pesquisa é que ela pode ser avaliada por outros também. Isto é feito na maioria dos casos através de redes de comunicação, as quais

são importantes para os donos das informações encontradas e para os ou- tros já envolvidos naquela área em particular, ou ainda para outros que es- tejam tentando ministrar naquela mesma área. Nem todos os missionários, agências missionárias ou igrejas têm a mesma agenda, mas eles têm metas semelhantes em seus horizontes. Através de um processo de networking, eles podem prover informação crucial para cada grupo ou pessoa represen-

tados.

2. Bob Linthicum define networking da seguinte maneira:

Networking, no contexto cristão, é a visitação sistemática e intencional do pastor e dos obreiros da igreja ao povo de uma comunidade urbana a fim de habilitar aquela comunidade ou igreja para adereçar mais eficazmente os problemas mais substanciais daquela vizinhança (1992:112).

3. Há três razões primárias para uma inter-relação (networking):

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a. Aprender do povo de uma dada comunidade urbana o que eles per- cebem ser os problemas reais que dominam suas vidas e sua co- munidade. [Pessoas que servem como fazedores de redes de rela- cionamentos] procuram primeiramente aprender o que o povo con- sidera seus problemas” (Linthicum 1992:113).

Algumas perguntas a se fazer:

(1)

Há quanto tempo você vive nesta comunidade?”

(2)

Se a pessoa vive na comunidade por muito tempo: Creio que você deve ter presenciado muita mudança nesta comu- nidade desde que você chegou aqui!”

Se a pessoa vive na comunidade por pouco tempo: “O que lhe moveu a se mudar para esta comunidade?”

(3)

O que você gosta ou aprecia mais sobre esta comunida- de?” ou O que lhe perturba mais sobre isto?” ou ainda, “O que você acha que sejam os maiores problemas aqui?”

b. Descubra os líderes reais da comunidade.

(1)

Guardiões: Aqueles que decidem quem deveriam ser per- mitidos a entrar ou mantidos fora da comunidade. A per- gunta chave para encontrá-los é a seguinte:

Vejo que você tem um buraco em sua rua. Se você quises- se garantir que o buraco fosse tapado, quem você iria pro- curar na vizinhança para ter certeza que ele fosse conserta- do?”

(2)

Zeladores: “Eles são os ‘meios,’ o pessoal de coração calo- roso da comunidade, aqueles cujas casas as crianças se jun- tam para brincar em sua frente.” (Ibid., p. 114).

Pergunta: Se você tivesse uma crise às duas horas da ma- nhã e ninguém de sua família estivesse por perto, que desta comunidade você iria procurar para receber ajuda?”

(3)

Fofoqueiros: Ele ou ela é a pessoa que passa as notícias (boas ou ruins) para todo mundo na comunidade.

(4)

Corretores: Este é o político, aquele que pode exercer in- fluência fora da comunidade. Essa pessoa tem as conexões

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corretas: um amigo de um amigo de um amigo do delegado da polícia, por exemplo

c. Encontre o pessoal da comunidade que tem o desejo ardente por ela ou por um dos problemas primários daquela comunidade.

4. Quanto mais informação é compartilhada através do networking, mais efi- caz a missão e o ministério urbano serão.

5. Linthicum tem uma nota importante sobre o que networking não é:

É importante notar qual não é o propósito do networking. Ele não é in- tencionado para evangelismo. Nem é ele visitação pastoral na comunida- de. Acima de tudo, não é para ser usado como recrutamento de pessoas pa- ra atender cultos ou quaisquer outras funções da igreja. O propósito de in- ter-relacionamento é aprender sobre a comunidade.”

6. Os benefícios do networking para a igreja e seu ministério:

a. Informa sua pregação e ensino para que possam trazer discerni- mentos bíblicos para assuntos de maior importância para o povo;

b. Identifica o povo na comunidade com aqueles que precisam edifi- car um relacionamento forte e empático;

c. Provê entendimento em como comunicar ao povo que circunvizi- nha o prédio da igreja;

d. Dá forma ao desenvolvimento programático da sua igreja;

e. Identifica possíveis interessados para futuro evangelismo;

f. Cria conscientização comunitária sobre a igreja e conscientização de suas preocupações [sobre a comunidade]” (Linthicum 1992:

115).

IV. COISAS A OLHAR NA CIDADE

A.

Vizinhanças

1. Características da vida urbana:

a. Extensiva e complexa divisão de trabalho. Isto repõe o trabalho de pessoas habilidosas em uma área de trabalho. Exemplo: Ao invés de se fazer uma peça completa de móvel, há uma fábrica de mon- tagem, a qual faz aquela peça de móvel por várias pessoas.

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b.

Ênfase em sucesso, realizações, mobilidade social. Todos são mo- ralmente elogiados, com orientação a um alvo.

c.

Degeneração geral da família: laços enfraquecidos de parentesco.

d.

Rompimento de grupos e laços primários: desorganização social.

e.

O

relacionamento com atores de atos segmentados não são com-

pletos: isto leva à alienação.

f.

O

declínio da hegemonia cultural: há tantas opiniões diferentes. Is-

to

leva ao desenvolvimento de subculturas: gangues, grupos de su-

porte mútuo, grupos exclusivos, etc. “Pássaros da mesma penujem permanecem juntos” (provérbio americano).

g.

Segregação espacial: baseada em nível salarial, status, raça, proce- dência étnica.

2. Cinco tipos de pessoas na favela, ou do lado pobre da cidade:

a. Cosmopolitas: músicos, artistas, estudantes, escritores, etc. (por escolha própria, por causa de suas necessidades).

b. Solteiros ou pessoas sem filhos: Casais novos, solteiros, etc. (por escolha própria).

c. Vilas Étnicas: Parentescos e grupos primários. Têm uma teia or- ganizacional forte: Italianos, chineses, polacos, coreanos, japone- ses, hispânicos, etc. (parcialmente por necessidade).

d. Desprovidos de tudo: Esses estão na favela sem ter o escolher por si mesmos!

e. “Engaiolados”: Esses estão “presos,” como que em uma cilada, em um determinado local. Eles não têm como sair dali para um ou- tro lugar. (não têm escolha alguma).

Nota: No cenário norte-americano, há os subúrbios, que geralmente estão fora dos limites das áreas centrais (inner-city) das cidades, as quais são deterioradas, empobrecidas. Tais subúrbios são considerados “dormitórios” para aqueles que trabalham no centro da cidade.

O mesmo fenômeno ocorre no Brasil, principalmente no conceito

de condomínios fechados (verticais ou horizontais), os quais são protegidos contra os pobres que circunvizinham suas moradias. Em

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nosso caso, esse fenômeno tem também seguido de perto o sistema de urbanização norte-atlântico em muitas das suas feições.

Tal fenômeno foi também presenciado por mim em Guiné-Bissau, onde pude ver casas exuberantes fora da sua capital, Bissau. Uma delas, mais parecida com um vila de Beverly Hills, na California:

isolada, porém rodeada pela pobreza reinante naquele pequeno pa- ís.

B. Determine os Centros de Poder na Cidade 35

1. Políticos

2. Polícia

3. Sacerdotes

4. A imprensa, televisão, a mídia.

C. Analise as Necessidades Sentidas dos Grupos de Pessoas

1. Doenças pessoais (as doenças que geralmente estão presentes naquele am- biente)

2. Solidão

3. Dificuldades físicas (principalmente aquelas que afetam a população com desafios físicos)

4. Sistema de moradia, direitos de propriedade, etc.

D. Tipos de Igrejas Existentes

1. A Velha Primeira Igreja(o que é o caso mais visível na América do Norte)

2. A Catedral (geralmente é o local onde a maioria das cidades brasileiras nasceram, também chamadas “Igrejas Matrizes”)

3. Igrejas de Vitrine

4. Igrejas com propósitos especiais

5. Sinagogas

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6. Mesquitas

7. Centros Espíritas (Kardecistas, de umbanda, candomblé)

E. Tipos de Ministérios Existentes Entre o Povo da Cidade

1. Exército da Salvação (em vários países)

2. Centros de Refúgio (para pessoas em perigo, em vários países)

3. A Semente de Mostarda (Mustard Seed, na América do Norte)

4. Centros de Refúgio para Mulheres Espancadas (vários países)

5. Abrigos para Crianças Abusadas, que sofrem abusos (vários países)

6. Hospícios: Para aqueles com doenças terminais, contaminosas, ou men- tais: para pacientes de AIDS (CIDA, em outros países de fala portuguesa), asilo de loucos, leprosários, etc. (vários países)

7. Visão Mundial (vários países)

8. Missão Servos (São Paulo e Salvador)

V.

CONCLUSÃO

A. Pesquisa é um dos elementos chaves para o ministério urbano.

Como acontece em qualquer empresa, não podemos permitir a possibilidade de começar um trabalho missionário ou um ministério na cidade sem ter um conhe- cimento melhor do contexto que estamos almejando.

B. Há várias formas diferentes de pesquisa.

Embora haja vários tipos de pesquisa, neste estudo eu foquei mais na abordagem etnográfica, como uma ilustração. Esta foi uma escolha deliberada porque meu foco central é na globalização da missão integral urbana, devido á grande interna- cionalização das cidades em volta do mundo.

C. Precisamos de focar nas necessidades voltadas para a Plantação de Igrejas Inte- grais.

A menos que a missão urbana tenha como foco a plantação de igrejas que sejam integrais, o processo do ministério urbano não está completo. Mesmo que tenha- mos um serviço social efetivo, o mesmo tem que gerar novos membros do Reino

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de Deus e consequentemente a sua inserção na Igreja de Jesus Cristo. Daí, toda a pesquisa que fizermos deverá nos capacitar para efetivarmos um trabalho que seja tanto evangelístico como responsável socialmente. A pesquisa tem que produzir elementos para uma decisão holística de missão urbana. Qualquer coisa menos do que isto deve ser sumariamente rejeitada.

SESSÃO 5

A CIDADE E SUAS RUAS: AS NECESSIDADES URBANAS REAIS

I.

INTRODUÇÃO

A. Esta sessão está ligada à prévia, a qual lida com a necessidade de se fazer uma pesquisa a fim de melhor posicionar nossos dons e detalhar nossas estratégias para a missão e o ministério na cidade.

B. Pessoas nas Ruas.

Agora vamos proceder na direção de uma busca intencional pelas necessidades do povo nas ruas. Este é um avaliação de necessidades ligada em sua maioria com o povo nas ruas, o desabrigado (sem teto), o marginalizado, aqueles que sofrem de doenças mentais, e assim por diante.

C. As Ruas da Cidade.

Antes de entrarmos neste assunto, vamos explorar um pouco a cidade como um conglomerado de ruas que aponta para muitos aspectos das necessidades do povo urbano.

D. Um Ponto Inicial para Reflexão.

Um jornal de Calgary, Canadá, publicou um artigo interessante sobre a cidade de Toronto, o maior centro urbano canadense. Nesse artigo, o mesmo traz a oportu- nidade para alguma reflexão sobre a realidade urbana.

Uma erupção de mortes por pacientes psiquiátricos encandece a crescente impa- ciência para com os sem teto na maior cidade canadense.” 36

36 The Calgary Herald (Segunda-feira, 6 Outubro, 1997). Apesar desta informação já ser considerada antiga, pelos padrões de atualização sobre o assunto, o mesmo ainda contém evidên- cia da realidade presente no contexto urbano em vários centros do mundo.

49

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II. PROCURE CONHECER A GEOGRAFIA DA CIDADE

A. Mapas da Cidade.

À medida que você se familiariza com a cidade, tente memorizar o seu mapea- mento da melhor maneira possível. As cidades norte-americanas são mais fáceis de se aprender porque elas seguem o esquema ligado com os Pontos Cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste) como seu ponto de referência. Mas a maioria das cida- des do mundo não seguem tais quadrantes; ao contrário, sua maioria segue os con- tornos de acidentes geográficos (rios, lagoas, colinas, etc.), tornando-se mais difí- cil de aprender seu mapeamento. Assim, grandes cidades como São Paulo, Belo Horizonte ou Recife, por exemplo, são bastante difíceis de se conhecer por ter seu sistema viário bastante complicado. O mesmo não ocorre com Brasília, princi- palmente no que concerne à sua planta original, a qual foi já planejada de acordo com os quadrantes cardeais; por exemplo, Asa Sul, Asa Norte, e a forma com que se lê os endereços, os quais seguem um padrão mais uniforme.

É interessante observar que nós brasileiros temos nossa cosmovisão urbana bas- tante próxima à da Europa, principalmente da Península Ibérica. Assim, estamos mais acostumados com os sistemas viários portugueses e espanhóis, por causa da grande influência daquelas culturas no perfil da cidade brasileira. Isto ajuda bas- tante, caso o missionário brasileiro se ache em lugares que tenham tais caracterís- ticas, como é o caso da maioria das cidades na América Latina, por exemplo.

B. Procure conhecer o fluxo de viário da cidade

1. Como é que o povo se locomove dentro da cidade?

a. Padrões de tráfico variam de uma cultura para outra. Uma compa- ração entre Londres, Moscou, Paris, São Paulo, Tóquio, Nairóbi e Los Angeles prova ser algo fascinante. A coisa fica ainda mais in- teressante quando se faz a mesma comparação entre Nova Iorque, Madras e Bissau.

b. Pessoas de negócio tiram vantagem disto para colocar suas propa- gandas em lugares estratégicos pelas ruas, rodovias, etc. Após es- tudarem os hábitos dos transeuntes, motoristas, ciclistas, etc., eles sabem como melhor colocar seus outdoors de forma que vão atrair novos consumidores.

c. Quais são os melhores meios de transporte na cidade? Automóveis, trens, metros, ônibus coletivos, vans, motocicletas, bicicletas, jipneys, tuk-tuks, etc.

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1. Roger Greenway comenta que ele tem encontrado cristãos que começaram igrejas em lugares dos mais impróprios como em vielas, lugares baratos que não podiam ser encontrados.

2. Estude o sistema do metro, caso a sua cidade tenha um.

3. Informe-se sobre o sistema viário em geral, transporte privado ou público.

a. Há lugares onde transporte privado pode ser um obstáculo, ao in- vés de uma boa opção. Exemplos: Nova Iorque, Paris, Londres, Cidade do México, São Paulo, etc.

b. O ponto chave aqui é o seguinte: Ache um lugar que tenha acesso fácil para o povo, que possa usar a forma mais fácil de transporte possível.

D. Isto muito o ajudará a conhecer onde as igrejas e outros ministério estão localiza- dos

1. Há uma boa chance que você não será o primeiro missionário na cidade

grande.

2. Por encontrar onde outras igrejas e ministérios estão localizados, você po- derá evitar a repetição (ou até mesmo, a concorrência) de ministério. Tal- vez abrindo a porta para uma cooperação entre os que ali estão, promo- vendo o Reino de Deus juntos, ao invés de dividi-lo.

III. A DETERIORAÇÃO DA CIDADE 37

A. É importante que saibamos as causas da deterioração urbana, para que possamos trazer uma estratégia melhor para missão e ministério.

1. Os sem-teto sem possibilidade de ser alcançados: Este foi um projeto em uma grande cidade para abrigar seus 26.000 habitantes sem cobertura. Tal projeto falhou por falta de uma estratégia melhor: Seus promotores decidi- ram fazer a propaganda do programa pela televisão

2. Houve um outro caso de uma igreja que preparou um programa bastante audacioso para os jovens, gastando milhares de dólares. O problema foi que ninguém apareceu. Uma firma de consultores foi contratada e eles vie- ram a reconhecer que não havia uma presença significante de jovens na- quela vizinhança.

37 Baseado em David Claerbaut, Urban Ministry (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1983), pp.

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3. Uma pequena igreja fez uma pesquisa em sua vizinhança e descobriu que

o cerne da população era composto de pessoas divorciadas ou separadas.

Eles começaram um programa para atender àquelas necessidades e a igreja triplicou e depois quadruplicou em tamanho em menos de três anos (Van

Houten 1988:19-20).

B. A Erosão da Fonte de Impostos na Cidade

1. Os ricos se mudam para lugares mais seguros; no caso norte-americanos, para os subúrbios.

2. Os negócios rumam para os desenvolvimentos mais afluentes e para os shopping centers.

3. Não existe ajuda do governo para os lugares mais pobres.

C. Colocação Injusta dos Benefícios Fiscais

1.

A

estrutura fiscal mata as comunidades urbanas pobres.

2.

Seus benefícios sempre vão para os lugares mais privilegiados.

3.

Tais impostos beneficiam áreas que onde os pobres não têm condição de acessar: estádios esportivos, aeroportos, centros de arte, teatros, e a lista é grande.

Que os pobres recebem muito pouco pode ser observado em quanto de cada dólar-imposto 38 vai para a construção de rodovias, facilidades de alta educação, salários de funcionários do governo, e a manutenção e renova- ção de parques e outras facilidades recreativas usadas pela sociedade mai- or” (Claerbaut 1983:33). 39

4.

Isto é exploração econômica.

38 Este termo é um valor considerado por cada dólar (em nosso caso, real) que entra como pagamento de impostos pela população. Ilustrando: Digamos que a cidade de Vitória, ES, gasta quarenta centavos de um real para o pagamento do salário do seu prefeito.

39 Quando eu ensinei este curso pela primeira vez, em 1997, a cidade de Calgary havia feito um cheque de C$430.000 (dólares canadenses) para ajudar com os custos dos jogos mundiais da polícia e dos corpos de bombeiros (um evento de caráter mundial que ocorre a cada dois anos; os jogos de 2011 foram em Nova Iorque, os próximos serão em Belfast, na Irlanda, cf. www.2013wpfg.com). Naquela mesma época, a cidade de Calgary estava experimentando um grande influxo de pessoas sem teto, vindas do extremo leste do país em busca de trabalho, mas com falta de habilidades para tais oportunidades empregatícias.

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D. Rendimentos Salariais São Tomados Pelos Urbanos de Classe Média Alta

1. Eles usam as rodovias públicas (arteriais, expressways, freeways)

2. Eles tomam a água da cidade

3. Eles usam os banheiros públicos

4. Eles andam nos pavimentos e calçadas da cidade

5. Eles usam as ciclovias do centro da cidade

MAS, eles pagam seus impostos e adquirem seus bens e serviços no lado rico da cidade.

IV. O PERFIL DO CINTURÃO DA POBREZA DA CIDADE E A SUA FORMAÇÃO 40

A. Definição do Cinturão da Pobreza

Um cinturão da pobreza pode ser definido como a área de pobreza na qual há muita atividade e controle governamentais, mas pouca atividade por parte do setor privado. Frequentemente, vendedores, casas de negócios e igrejas deixaram a área. As amenidades urbanas, tais como lavanderias, barbeiros, fotógrafos, lojas de eletrodomésticos, e outras afim, existem mui limitadamente. Mas agências go- vernamentais, órgãos de casas populares, e instituições sociais são bem visíveis. Instituições privadas deste tipotanto para lucro ou sem fins lucrativos são au- sentes” (Claerbaut 1983:35).

B. Outros nomes usados: Comunidades de baixa renda, centro da cidade, “gueto.”

C. Podem ter qualquer tipo de pessoas.

40 Dado à minha ignorância quanto ao cinturão da pobreza no Brasil, e nesta primeira tentati- va de ensinar um curso de missão urbana fora da América do Norte, estou aqui usando um termo muito comum na literatura de missão urbana em inglês. O termo é “inner city,” o que significa “centro da cidade.” No caso brasileiro, geralmente o centro da cidade é onde as pessoas mais afluentes residem. No caso brasileiro, o subúrbio geralmente é tido como o lugar pobre, deslei- xado e sem a assistência governamental necessária; ao passo que, no caso da América do Norte, o subúrbio é o reduto, a refúgio dos abastados que, para fugir da deterioração do centro da cidade por causa da “invasão dos pobres, dos negros, dos estrangeiros,” continuam a deixar o centro da cidade. Assim, o termo deste ponto “inner-city” deve ser interpretado como o cinturão da pobre- za, pois é ali que o pobre reside. O equivalente maior que podemos achar para o mesmo nos paí- ses dos dois terços do mundo seriam as favelas, sejam elas no Brasil, na Índia, e na maioria dos países africanos. Novamente, este ponto é quase que totalmente descritivo do centro da cidade norte-americano.

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Na situação americana: negros, hispânicos, refugiados, velhos de cor branca, etc.

D. Alta densidade residencial.

Exemplo: por densidade demográfica, Chicago teria aproximadamente 135 mi- lhões de pessoas, se o critério da densidade demográfica do cinturão da pobreza fosse usado.

E. População Superpopulosa

1. Tem um alto nível de conflito.

2. Isto leva ao aumento da violência: crime, tráfico de drogas, prostituição e outras formas de abuso.

3. Moradias Inadequadas

a. Prédios são muito pertos uns dos outros por causa do alto índice de população (prédios de apartamentos são muito comuns).

b. Em alguns lugares, a média de oito pessoas (ou mais) por quarto é normal.

c. Na maioria dos casos, os edifícios são velhos sem reparo ou reno- vação. No caso das favelas, a maioria de suas moradias são inade- quadas e muitas vezes são barracões ou choças.

F. Causas das Condições do Cinturão da Pobreza

1. Transição de uma vizinhança estável para uma outra em constante mudan-

ça.

a.

De uma vizinhança homogênea para um ambiente mais heterogê- neo: o pobre se muda para o local, o mais abastado se muda para outro local, geralmente para os subúrbio. O crescente nível de imi- grantes, não somente vindos da zona rural, mas também de outros grupos étnicos.

b.

Especulação Imobiliária: corretores de imóveis compram barato (depois de intimidarem os morados) e depois vendem as mesmas propriedades com uma larga margem de lucro para os recém- chegados.

2. Disfunção Fiscal

a. As funções da vizinhança refletem a renda pessoal;

CONTEXTO URBANO DE MISSÃO Página 55

b. Isto se transforma em impostos para manter empresas quase- públicas: Escolas, bibliotecas, escritórios públicos, hospitais;

c. À medida que a renda acumula, os residentes abrem contas bancá- rias, cadernetas de poupança e associações de empréstimo.

d. EM RETORNO: instituições emprestarão dinheiro, colocando-o de volta na comunidade, o que leva ao crescimento e desenvolvi- mento comunitários.

e. Corta de Crédito: 41 Corta de empréstimos se a demanda por mo- radia decresce:

Não há hipotecas dispensadas nas áreas de corta de crédito.

Isto é um ato ilegal para as instituições, mas elas continuam a praticá-lo.

Ninguém pode comprar, ninguém pode vender (eis o dile- ma).

f. Senhorio das Favelas

• Moradias em condições precárias são “alugadas” para o povo pobre são possuídas pelos chamados “Senhores das Favelas.”

Os donos dos imóveis subornam os inspetores municipais para que os mesmos não reportem violações dos códigos residenciais da cidade.

Quando o prédio está para desabar ou a cidade demanda que o mesmo seja reparado, está acontecendo um “tor- ching” (termo que não consegui uma tradução para o mes- mo).

Os proprietários desses prédios não os consertam e não ofe- recem utilidades básicas. Exemplo: A falta de aquecimento durante o inverno é comum nesses prédios, levando os in- quilinos a ficarem doentes ou até mesmo a morrerem.

41 O termo aqui usado é “redlining,” o qual não consegui achar meios para traduzi-lo para o português. A idéia literal seria traçando linhas vermelhas,um tipo de demarcação, penso eu.

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Especulação imobiliária, corta de crédito e senhorio das favelas são resultados da ganância e do preconceito” (Cla- erbaut 1983:39).

V. QUAL SERIA A ATITUDE DA IGREJA

A. A Presença ou a Evasão da Igreja.

Viv Grigg (1984) observa que quando ele trabalhou em uma favela em Manila, havia uma igreja evangélica bem na orla daquela favela. Sua observação foi que a igreja tinha suas portas com a face (a frente) virada para o outro lado da favela. Em outra perspectiva, a igreja tinha virado as suas costas para o povo pobre da- quela área em particular.

B. A Transição Traz Várias Respostas Por Parte de Diferentes Igrejas

1. Mudança de Local: Primeira Igreja da Aliança, em Calgary.

2. Fechamento: Há lugares onde várias igrejas estão se fechando por causa da transição urbana, de afluente para pobre. Quando morei em Calgary, observei que num período de quatro anos ali, mais de uma dezena de igre- jas fecharam suas portas dentro do cinturão da pobreza.

3. Unificação de duas ou mais congregações: Em outros lugares, há várias igrejas que estão se unindo para formar uma terceira congregação. De uma forma não relacionada a este assunto, a igreja onde sirvo é resultado da unificação de três congregações, o que aconteceu na sua formação há vinte anos atrás.

4. Revitalização da comunidade.

C. O Padrão do “Paciente Terminal”

1. Portas Móveis: Tornando-se Metropolitana

a. As famílias tradicionais da igreja já se mudaram para fora da vizi- nhança.

b. Os membros ainda remanescentes procuram transformar a igreja em uma igreja metropolitana 42 ao invés de uma empresa da vizi- nhança.

42 Aqui há uma necessidade de afirmar que o termo “metropolitano” é relacionado com a ex- pansão metropolitana da cidade grande. Tal título foi, há anos, adotado por igrejas gays nos Es- tados Unidos, o que não é o caso deste ponto.

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c. eles procuram afirmar a cultura inicial enquanto se acham em um estado psicológico de negação” (Claerbaut 1983:40)

d. Alguns exemplos: Primeira Igreja Presbiteriana de Hollywood (tentando ser uma igreja metropolitana com algum sucesso); ao passo que a Primeira Igreja Presbiteriana de Pasadena se achava em um estágio avançado de doença eclesial.

2. Colapso e aparente crescimento espiritual

a. Os fundos se tornaram totalmente escassos e os pastores, exaustos, deixam a igreja.

b. Sua expansão dá lugar à sua contração.

c. Seus membros se tornam a igreja

O nível de doações financeiras aumenta

Há mais atividade por parte dos membros da igreja

A fé espiritual aumenta

d. Quando o estresse se acumula, o povo explode e inexplicavelmente deixa a igreja. Há uma ira suprimida por causa da transição.

3. O estágio de acomodação emerge (depois que eles vão á bancarrota, per- dendo todo o dinheiro)

a. A igreja expande sua aparência, procurando oferecer ministérios na comunidade em mudança e desejando compartilhar quaisquer recursos que eles têm com outros grupos a fim de levantar dinhei- ro” (Claerbaut 1983:41).

b. Os edifícios da igreja são alugados para outros

c. Ajuda financeira é procurada (principalmente vindo do governo federal)

d. Os pastores são permitidos a trabalhar em empregos seculares (pa- ra compensar seus salários)

e. Emprestam as facilidades da igreja para outros grupos ou igrejas étnicos ou de minorias.

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4. Resultado: Ou uma morte confortável acontece ou a igreja se muda para uma outra localidade.

D. Revitalizando a Comunidade

1. Eles devem procurar respostas criativas para os problemas de moradias inadequadas e disfunção fiscal.

a. Patrocinando organizações de reabilitação

b. Oferendo cursos em manutenção de prédios

c. Abrir bancos

d. Usar portfólios de investimento com sabedoria

e. Trabalhando com as agências comunitárias e governamentais.

2. A igreja deveria olhar primeiramente no que as agências sociais podem estar fazendo na comunidade antes de embarcar em algumas coisa cara, que aliena, e que esteja repetindo seu esforço” (Ibid., p. 43).

3. Para que haja uma mudança eficaz na comunidade, é necessário se organi-

zar.

a.

O ato de se organizar vai manter o projeto debaixo de uma voz co- erente.

b.

Encontre liderança local e autóctone para ajudar na revitalização da comunidade.

c.

Edifique a partir das bases.

4. A revitalização do cinturão da pobreza requer passos importantes:

a. Parcerias, alianças e coalizões.

b. Aproximação de agências sociais com uma nota positiva.

c. Pastores deveriam desenvolver um relacionamento com o oficial de nível médio.

d. Tirando vantagem das agências consultoras disponíveis.

e. Pastores deveriam se envolver com organizações comunitárias de sua localidade.

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VI. TORNANDO-SE PESSOAL: CONHECENDO O POBRE

A. As Multidões.

Os habitantes do cinturão da pobreza fazem parte das multidões que Jesus Cristo viu e teve grande compaixão por eles.

Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt. 9:36).

B. Eles são aqueles que têm falta do presente mais preciosos de todos: AMOR!

Não ser querido é a maior doença de todas. Esta é a pobreza que encontramos em nossa volta aqui. A fome não tanto por pão e arroz mas por ser amado, por ser al- guém” (Madre Teresa de Calcutá, 1910-1997 43 ).

C. Abrindo os olhos para ver os pobres

1. Algumas pessoas se tornam conscientes de seus próprios pobres depois de ver os pobres em outros lugares.

2. Seria muito bom se os membros da igreja, estudantes, profissionais, pu- dessem explorar outras terras e ver por si mesmos a pobreza naqueles lu- gares:

a. Missões de curto prazo são excelentes oportunidades para esta ex- periência visual.

b. Estágios entre os pobres mudam a vida das pessoas para sempre. Exemplo: Os jovens que fizeram seus estágios no Projeto Urbano de Hollywood, sob a liderança de minha esposa.

c. Meus quatro anos no nordeste brasileiro me mostraram o quão “ri- co” eu havia sido em toda a minha vida. Após aqueles anos, pude identificar os pobres em minha cidade em Goiás.

D. Calcutá: A Cidade da Pobreza Extrema

1. Mais de dez milhões de pessoas lutam para continuar vivas.

2. Doenças e pobreza ao extremo na cidade, o que a faz tão famosa.

43 De acordo com uma citação de M. J. Christensen, “You Did It to Me,” Herald of Holiness 173, no. 23 (December 1, 1984), p. 5.

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3. Mais de meio milhão de pessoas dormem nas ruas.

4. Milhares de pessoas totalmente desprovidas de qualquer coisa, andando pelo portal da morte, podem ser encontradas perto das estações de trem e sob a ponte Howrah.

5. Criancinhas ainda vivas são frequentemente lançadas em latas de lixo.

6. Leprosos são lançados valetas de ruas.

7. Pais idosos (são) rejeitados por seus filhos e abandonados para morrer so- zinhos (Christensen 1988:36). 44

E. As Muitas Faces da Pobreza

1. Um bebê rejeitado

2. Uma criança que sofre abuso de várias formas

3. Um jovem que fugiu de casa e perambula pelas ruas da cidade

4. Uma esposa rejeitada

5. Um homem solitário

6. Um paciente morrendo de SIDA (AIDS)

7. O povo sem teto nas ruas das muitas cidades do mundo

8. Novos imigrantes e refugiados em vários países do mundo

9. A pobreza pode ser física, emocional e espiritual.

10. Ser empobrecido significa ter falta de amor e das coisas essenciais da vi- da: comida, roupa, abrigo, saúde, sustento, identidade, e propósito. O eco- nomicamente pobre e o espiritualmente empobrecido tem a mesma neces- sidade básicasaber que seu bem-estar é a preocupação de Deus” (Chris- tensen 1988:36-37).

11. “Em ordem de amar o pobre, temos que vir a conhecer o pobre” (Madre Teresa of Calcutá).

F. As Pessoas da Rua e Sua Estatística

44 Parte deste ponto é baseado em Michael J. Christensen, City Streets City People (Nash- ville, TN: Abingdon, 1988), pp. 36-52).

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1. A Missão de Resgate União, em Los Angeles.

2. A Comunidade Golden Gate, em San Francisco: (168 pessoas da rua):

81% eram homens solteiros

Idade: 18-39 anos de idade

Maioria: não tinha renda ou estavam desempregados

33% tinham terminado o segundo grau

41% tinham experiência no trabalho geral, eletricidade ou em construção civil

60% tinham uma afiliação religiosa

18% identificaram-se com a linha protestante tradicional

10% identificaram-se como evangelicais/fundamentalistas

8% identificaram-se como Católico Romanos

16% admitiram ser usuários de drogas naquela época

13% eram parte dos Alcoólicos Anônimos

7% disseram ser parte de um grupo de apoio em suas igrejas (Christensen 1988:43).

VII.

CONCLUSÃO

A. Povos Perambulantes.

A cidade tem também um número de outras pessoas em suas ruas. Eles são recipi- entes da graça comum de Deus que perambulam pelas ruas urbanas. Mas ao mes- mo tempo, tais pessoas se acham entre aqueles que irão receber a graça salvadora de Deus. Neste sentido, encontram-se também as pessoas das classes médias e al- tas que também andam nas ruas.

B. Alcançando Audiências Diferentes.

Há pessoas de todas as áreas da vida que precisam do amor e da graça de Deus dentro da cidade. Entre elas, não somente os pobres, mas também as pessoas que trabalham em várias corporações, as pessoas que trabalham nas fábricas, as mino- rias étnicas que têm negócios na cidade, artistas, intelectuais, professores univer- sitários, pessoas que têm preferências sexuais variadas, etc.

C. Os pobres têm mais do que necessidades materiais.

As pessoas pobres têm profundas necessidades espirituais que serão satisfeitas somente através da pregação do Evangelho do Reino de Deus. O Evangelho em si mesmo tem o poder de transformar aqueles que são pobres e ajudá-los a encontrar uma nova vida em Jesus Cristo, o Senhor.

SESSÃO 6

A CIDADE E SUAS CORES: ASPECTOS ÉTNICOS DA CIDADE

I.

INTRODUÇÃO

A. Já estabelecemos que a cidade está se tornando cada vez mais multiétnica. À me- dida que ela cresce nessa direção, a igreja tem que aprender como servir os grupos étnicos de suas comunidades.

B. Algumas estatísticas podem nos ajudar bastante em nosso entendimento deste fe- nômeno que está intrinsecamente ligado com a globalização em todos os seus as- pectos.

1. Toronto é a maior cidade internacional do Canadá. Mais de cem línguas são faladas dentro dos lares naquela metrópole. Com isso, no entanto, aquela cidade tem se tornado a cidade mais racista daquele país, de acordo com um estudo feito há alguns anos. 45

A cidade é lar para 44 por cento dos imigrantes minoritários visíveis do Canadá.” 46

2. A segunda maior cidade internacional do Canadá é Vancouver, na Colôm- bia Britânica, com a maioria de sua população estrangeira vindo de países asiáticos, principalmente de Hong Kong.

3. Novamente, o artigo do jornal The Calgary Herald menciona que “As pessoas que tendem a julgar as coisas em termos cor, obviamente terão fortes sentimentos contra outras pessoas que são marrons (ou escuras) ou de origem mistas.” 47

4. Nessa mesma enquete, este foi o nível de tolerância para com os grupos étnicos; partindo de uma escala de um (concorda fortemente) para cinco

45 Cf. “Toronto [é a] cidade mais racista, diz o relatório da imigração.” Calgary Herald (Oct. 6, 1997).

46 Ibid.

47 Ibid., citando Lloyd Stanford.

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(discorda fortemente) com a seguinte pergunta: “Deveria ser permitida a imigração de pessoas não-brancas no Canadá?”

Vancouver

4.67

Prairies (Pradarias)

4.64

Ontario, excluindo Toronto

4.61

A média canadense

4.47

British Columbia, excluindo Vancouver

4.43

Montreal

4.42

Canadá Atlântica

4.38

O resto de Quebec

4.33

Toronto

4.09 48

5.

A população hispânica nos Estados Unidos é maior do que toda a popula- ção da América central, ou do que toda a população da Argentina. Os Es- tados Unidos, como nação, é o quinto maior país de fala espanhola do mundo.

6.

O mosaico americano é composto de mais de 200 grupos étnicos, com 495 tribos indígenas.

7.

Los Angeles é a terceira maior cidade canadense da América do Norte.

9.

Chicago é a segunda maior cidade polonesa do mundo (Varsóvia é a pri- meira).

10.

Los Angeles é a capital vietnamita da América. LA também é a segunda cidade coreana maior do mundo.

11.

Na América do Norte, há jornais impressos em mais de sessenta e cinco línguas diferente.

C. Isto chama os cristãos a considerar os fatos mais de perto: O mundo está em nossa volta, de uma forma que demonstra ser a forma mais fácil de alcançá-lo para Cris- to. Por isso, a Igreja de Jesus Cristo é chamada a agir em nossas cidades cada vez mais étnicas em sua estrutura.

II. QUAL É O FORMATO DA POPULAÇÃO NORTE AMERICANA HOJE?

A. De “Caldo Cultural” a Pluralismo Cultural:

48 Ibid. Douglas Palmer, o autor do relatório da imigração aponta para o fato de que “Você tem um número tremendamente grande de pessoas de muitas culturas diferentes vindo para a ci- dade a cada ano. Mas há também a questão de quanto e de qual passo de mudança pode ser tole- rado.”