Sei sulla pagina 1di 40
Relatório Final do Trabalho Final de Curso Licenciatura em Engenharia Mecânica Ano Lectivo: 00/01 (

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Licenciatura em Engenharia Mecânica

Ano Lectivo: 00/01

(Ramo: Termodinâmica Aplicada)

Ano Lectivo: 00/01 ( Ramo : Termodinâmica Aplicada ) Projecto de um sistema de Ar Condicionado

Projecto de um sistema de Ar Condicionado do Museu Marítimo e Regional de Ílhavo

Aluno:

Bruno Lima, N.º 44299

e-mail: Bruno.Lima@sapo.pt

Supervisor:

Prof. Artur Barreiros

e-mail: Barreiros@ist.utl.pt

Co-Supervisor:

Eng.º Luís Andrade

e-mail: pen@mail.telepac.pt

Site do Projecto: http://tfcmmi.no.sapo.pt Data de Realização: 5 de Fevereiro de 2002

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Agradecimentos : Em primeiro lugar ao Professor Artur

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Agradecimentos:

Em primeiro lugar ao Professor Artur Barreiros pelo seu apoio incondicional ao meu trabalho e orientação que contribuirá certamente para o meu desempenho a nível profissional.

Ao Engenheiro Luís Andrade por me ter apresentado este caso real de estudo, pelos esclarecimentos técnicos e pela documentação que contribuíram de forma decisiva para a estrutura deste Projecto.

Ao Doutor Rui Xavier que favoreceu de forma indelével ao alertar- me para as condições específicas da conservação do espólio do Museu, enriquecimento assim o meu Projecto e a minha cultura científica.

À minha família o meu profundo agradecimento pela orientação na minha vida académica e pessoal.

pela orientação na minha vida académica e pessoal. A amabilidade da direcção do Museu em apadrinhar

A amabilidade da direcção do Museu em apadrinhar este Projecto é de assinalar e saudar.

Por último gostava de agradecer aos meus colegas Márcio Nóbrega e Esaú Freire por todo o seu apoio.

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Índice 1.- Sumário 4 4 2.- Introdução 3.-

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Índice

1.- Sumário

4

4

2.- Introdução

3.- Descrição do caso de estudo

3.1- Descrição do Edifício

3.2- Caracterização das condições operacionais

3.3- Condições específicas

4.- Modelação dos processos de transferência de Energia

4.1- Conforto Térmico

5

5

6

8

8

8

4.2- Avaliação das cargas térmicas

4.2.1 - Carga por insolação através das superfícies transparentes

4.2.2 - Carga por insolação através da envolvente exterior

- Carga por insolação através da envolvente exterior 4.2.3 - Carga por condução através dos elementos

4.2.3 - Carga por condução através dos elementos interiores

4.2.4 - Carga resultante da Geração Interna de calor

4.2.5 – Carga térmica devido à renovação do ar

4.2.6 – Carga térmica devido à infiltração de ar

4.3- Dimensionamento dos equipamentos

5.- Selecção dos componentes principais de instalação

12

12

15

17

17

19

20

21

29

5.1- Análise dos sistemas existentes

30

5.2- Análise da solução instalada

30

5.3- Análise de resultados

32

6.- Conclusões

38

7.- Referências

38

8.- Anexos

40

e

Relatório Final do Trabalho Final de Curso 1.- Sumário Este trabalho consistiu no estudo do

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

1.- Sumário

Este trabalho consistiu no estudo do sistema de ar condicionado do Museu Marítimo e Regional de Ílhavo. A análise baseou-se na utilização de metodologias apropriadas para o dimensionamento dos componentes do sistema. O procedimento adoptado permitiu identificar alguns inconvenientes da solução instalada relacionados com o controlo da humidade. A nova solução visa responder aos problemas sentidos pelo Museu na correcta preservação e conservação das peças expostas.

2.- Introdução

O estudo do sistema de climatização instalado no Museu foi conduzido através de metodologias apropriadas para o dimensionamento de sistemas de ar condicionado.

O

conhecimentos teóricos e práticos na área de Projecto de sistemas de ar condicionado, com vista ao futuro desempenho de funções neste sector. Para a concretização deste objectivo, considerou-se importante a cooperação com uma empresa, a qual permitiu o acesso a informação técnica específica e a utilização de um caso real de estudo.

principal objectivo da realização deste Trabalho consiste na aquisição de

da realização deste Trabalho consiste na aquisição de Em função dos objectivos propostos, estabeleceu-se, numa

Em função dos objectivos propostos, estabeleceu-se, numa primeira fase, como prioritário a análise detalhada da solução existente, repetindo todos os cálculos necessários para efectuar o seu dimensionamento. Posteriormente, através de contactos com um Especialista na área de conservação de peças em Museus, foi identificada a necessidade de um controlo rigoroso da humidade. Constatou-se, então, que a instalação actual não respondia na sua totalidade às novas condições específicas desta aplicação. A solução instalada foi dimensionada de acordo com restrições económicas impostas pela direcção do Museu. Neste trabalho, estas restrições não são consideradas sendo, consequentemente, proposta uma solução ideal com a capacidade de manter, em todos os espaços, as condições ideias para a correcta conservação e preservação do espólio da Instituição.

A nova configuração foi dimensionada utilizando a mesma metodologia que foi

adoptada para a análise da solução instalada. Na sua concepção, procurou-se minimizar

Relatório Final do Trabalho Final de Curso as alterações ao Projecto inicial de modo a

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

as alterações ao Projecto inicial de modo a reduzir os custos de uma eventual implementação. Deste modo, foi necessário verificar se os componentes da instalação se adequavam às novas condições de Projecto. Concluiu-se que as principais modificações são nas Unidades de Tratamento de Ar (UTA) e no Chiller – Bomba de calor. As condutas de distribuição dos fluidos, os vasos de expansão e os reservatórios de inércia não necessitam de alterações.

3.- Descrição do caso de estudo

Nesta secção é apresentada uma descrição do edifício, identificando, nomeadamente, a sua volumetria e compartimentos. São também, caracterizadas as condições operacionais adoptadas para o cálculo das cargas térmicas e as condições específicas de projecto.

?? Rés-do-chão: Compartimento Designação Área 1 [m 2 ] Sala de Conferências Z01 150 Sala
?? Rés-do-chão:
Compartimento
Designação
Área 1 [m 2 ]
Sala de Conferências
Z01
150
Sala de Reuniões
Z02
17
Átrio
Z03
240
Sala da Faina Maior
Z04
545
Sala da Ria
Z05
407
Sala de Exposições Temporárias
Z06
105
Casa de Banho
Z07
48
Secretaria
Z08
18
Arquivo
Z09
14
Direcção
Z010
14
Cafetaria
Z011
38
Loja
Z012
52
Sala da Reserva
Z013
43
Escola de Artes Marítimas
Z014
36
Oficina
Z015
44
Recepção
Z016
8
Átrio da sala de conferências
Z017
17

3.1- Descrição do Edifício

O edifício em estudo é composto por dois andares, R/C e 1ºAndar, cuja identificação por zonas foi a seguinte:

1 Área que foi contabilizada para calcular as cargas térmicas no respectivo compartimento, ou seja, é a área de pavimento

Relatório Final do Trabalho Final de Curso ?? 1º Andar: Compartimento Designação Área 1 [m
Relatório Final do Trabalho Final de Curso
?? 1º Andar:
Compartimento
Designação
Área 1 [m 2 ]
Biblioteca
Z11
153
Arquivo
Z12
70
Sala de Amigos de S. M. Manuela
Z13
14
Sala de Amigos do Museu de
Ílhavo
Z14
14
Sala dos Mares
Z15
453
Sala de tradução 1
Z16
5
Sala de tradução 2
Z17
5
Sala de Vídeo e Som
Z18
12

Todos os compartimentos são climatizados excepto o arquivo do R/C, os corredores e as

pequenas salas de arrumação da Instituição porque as suas taxas de ocupação ou

finalidade não justificam tal investimento extra. As cargas térmicas da recepção (Z016)

e do átrio da sala de conferências (Z017) foram contabilizadas no dimensionamento da

Unidade de Tratamento de Ar (UTA) do átrio, pois esta unidade abrange a área destes

Ar (UTA) do átrio, pois esta unidade abrange a área destes três recintos. Na zona Z07,

três recintos. Na zona Z07, casa de banho, não é feita a climatização do ar mas apenas

uma extracção para evitar odores no compartimento. Apresenta mos no anexo D uma

descrição detalhada dos compartimentos.

3.2- Caracterização das condições operacionais

No cálculo das cargas térmicas foram consideradas duas situações extremas,

nomeadamente a de Verão e de Inverno, em que utilizamos alguns valores de referência.

As condições exteriores assumidas para este projecto foram obtidas de [1] recorrendo

para tal aos quadros 1.3, 1.4 e 1.8 considerando que a região de Ílhavo é uma zona

climática 2 do tipo I 2 -V 1 :

Tabela 1: Condições exteriores de projecto

Condições exteriores de projecto

Verão

Inverno

Temperatura [ºC]

28

0

Humidade especifica [g v /kg ar ]

10.129

3.055

Pressão de saturação do vapor de água [bar]

0.03782

0.00611

Humidade relativa [%]

42

80

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Para a escolha das condições interiores optamos pelos

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Para a escolha das condições interiores optamos pelos valores expostos na tabela que se segue, atendendo não só ao bem-estar das pessoas presentes no recinto mas também às condições preferenciais para a correcta preservação (manutenção/conservação) do espólio do Museu 3 :

Tabela 2: Condições interiores de projecto

Condições interiores de projecto

Verão

Inverno

Temperatura [ºC]

24

22

Pressão de saturação do vapor de água [bar]

0.02985

0.02645

Humidade relativa [%]

50

50

Humidade especifica [g v /kg ar ]

9.482

8.419

No dimensionamento dos equipamentos de AVAC 4 é necessário não só ter em conta os valores apresentados na tabela anterior, mas também alguns pormenores próprios do edifício em estudo, dado que estes influenciam os valores das cargas térmicas, salientando-se os seguintes:

valores das cargas térmicas, salientando-se os seguintes: ?? A Instituição em estudo tem um horário de

?? A Instituição em estudo tem um horário de funcionamento das 9h às 19h o que implica que a iluminação funcione durante um período de dez horas, impondo assim uma determinada carga por iluminação nos recintos condicionados;

?? Existem quinze funcionários no museu que foram contabilizados nas cargas térmicas dos respectivos compartimentos onde trabalham;

?? A sala de conferências tem uma capacidade para 180 pessoas o que provoca uma carga térmica significativa quando o auditório estiver em funcionamento; ?? As pessoas entram no recinto pela porta do átrio o que permite uma infiltração, suplementar à existente pelas janelas, de ar exterior no recinto;

?? As exposições guiadas pelo Museu são feitas em grupos de quinze pessoas, com uma duração aproximada de quinze minutos, perfazendo um total de dezasseis pessoas, incluindo o Monitor, em cada compartimento de exposição.

2 Informação retirada do quadro III.1 de [1];

3 Consultamos para o efeito o Dr. Rui Xavier da Fundação Calouste Gulbenkian.

4 Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado;

Relatório Final do Trabalho Final de Curso 3.3- Condições específicas Pela análise da tabela precedente

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

3.3- Condições específicas

Pela análise da tabela precedente podemos observar que em condições de projecto a

humidade relativa é igual para as situações de Verão e Inverno, estes valores encontram-

se na gama de valores aceitáveis de conforto humano 5 . Relativamente ao acervo do

Museu, que assenta principalmente em peças de madeira é necessário ter em conta a sua elevada sensibilidade à humidade relativa. Por este facto torna-se importante ter um controle rigoroso desta variável. Conforme se refere no anexo N a humidade relativa tem influência na conservação do espólio do Museu, sendo os parâmetros desta variável dependentes de um estudo das condições específicas de cada compartimento. Assim será necessário conceber um sistema com a flexibilidade de resposta a qualquer necessidade.

4.-

Energia

Modelação

dos

processos

de

transferência

de

4.- Energia Modelação dos processos de transferência de Esta secção foi organizada em duas partes: uma

Esta secção foi organizada em duas partes: uma que consiste em apresentar algumas noções de conforto térmico e outra onde é apresentada a metodologia de cálculo das cargas térmicas utilizada neste projecto, tendo em conta todos os pormenores mencionados nas secções precedentes. No anexo H encontra-se uma aplicação da metodologia exposta nesta secção e a respectiva análise da relevância de cada tipo de carga térmica.

4.1- Conforto Térmico

A definição clara de conforto termo-higrométrico em edifícios não é facilmente

alcançável uma vez que depende de factores subjectivos, obtidos através de sensações humanas que diferem de pessoa para pessoa. Correntemente considera-se que um

indivíduo está colocado em condições de conforto termo- higrométrico quando não experimenta qualquer desagrado ou irritação de modo a distrai- lo das suas actividades

de momento. A condição básica para que tal se verifique é a de que o sistema termo-

regulador do organismo se encontre em equilíbrio com o ambiente envolvente, obtendo- se então um estado de neutralidade térmica.

5 Para conforto das pessoas a humidade relativa deve assumir valores entre 35% e 85%, devendo-se contudo evitar exceder os 60% no Verão;

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Para um ser humano saudável o seu organismo

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Para um ser humano saudável o seu organismo funciona a um temperatura aproximadamente constante de 36 ºC. A energia calorífica (metabolismo) produzida pelos seus processos vitais – circulação, respiração, reacções provenientes da digestão, etc. – e a actividade muscular, deverá ser dissipada na medida em que é produzida, de forma a não haver acumulação ou défice que provocam um funcionamento anormal 6 . Esta troca de calor com o meio envolvente efectua-se através das seguintes vias:

?? Condução: Através do contacto directo das partes do corpo com elementos do contorno;

?? Convecção e radiação: Através da interacção da superfície do corpo com o ar por convecção e com out ras superfícies por radiação;

?? Respiração e evaporação: Transpiração pelos poros da pele.

e evaporação: Transpiração pelos poros da pele. Este equilíbrio pode ser resumido pela seguinte equação:

Este equilíbrio pode ser resumido pela seguinte equação:

Metabolismo 7 = Trocas por (Condução + Radiação + Evaporação)

Os factores dos quais depende o estado de neutralidade térmica são:

?? Parâmetros ambientais: Temperatura do ar, Temperatura radiante média, Velocidade do ar e Humidade relativa do ar.

?? Parâmetros individuais: Nível de actividade e Tipo de vestuário.

É de salientar que as condições fisiológicas não são, por si só, suficientes para caracterizarem a sensação térmica provocada pelo ambiente, admitindo-se ser ainda necessário ter em conta factores de natureza psicológica e sociológica, tais como: sexo, idade, estrato sócio-cultural, adaptação ecológica às regiões, etc.

Uma quantificação da neutralidade térmica proposta por Fanger (1972) foi a de assumir que esta era controlada por aspectos fisiológicos quantificáveis, sendo então possível a dedução duma equação geral de conforto. Utilizando para o efeito uma escala de sete

6 Nomeadamente ‘tremer de frio’ numa situação de défice ou transpirar numa situação de acumulação.

7 Pode-se consultar o quadro 1.1 de [1] para obtermos o nível de metabolismo;

Relatório Final do Trabalho Final de Curso termos de –3 a +3, representando o zero

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

termos de –3 a +3, representando o zero a neutralidade térmica 8 . Fanger estabeleceu um índice PMV (Predict Mean Vote) que permitia calcular, a partir das condições ambientais, da actividade e do tipo de vestuário, o valor médio esperado do voto dos indivíduos. Com base numa análise estatística dos resultados da observação correlacionou o PMV com a percentagem previsível de pessoas insatisfeitas PPD (Predicted Percentage of Dissatisfied) nas condições referidas. A relação existente entre a Percentagem Previsível de Insatisfeitos PPD e Voto Médio Previsível PMV é a que se representa na figura seguinte, retirada de [1]:

é a que se representa na figura seguinte, retirada de [1]: Figura 1: Relação de PPD

Figura 1: Relação de PPD com PMV

A norma ISO 9 7730, publicada originalmente em 1984 e revista em 1994, recomenda para espaços onde se verifique ocupação humana, que o valor de PPD seja inferior a 10 %, o que equivale a admitir valores de PMV compreendidos entre –0,5 e +0,5. Os valores apresentados expressam as condições de conforto considerando que todo o corpo troca calor com o meio ambiente na mesma proporção. Ora na prática tal situação não ocorre pois a pessoa pode sentir aquecimento ou arrefecimento assimétrico do corpo, como por exemplo o efeito provocado pela radiação excessiva de uma lâmpada que aquece a cabeça ou o de um chão frio que arrefece os pés. Tendo em conta estes efeitos estabeleceu-se na década de 80 um documento 10 onde se estabelecia valores limites das seguintes variáveis:

8 Recomenda-se a leitura de §1 de [1];

9 ISO – International Standarts Organization; 10 Este documento – Regras de qualidade térmica para edifícios – foi realizado no quadro de actividades do Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes (CSOPT).

Relatório Final do Trabalho Final de Curso ?? Temperatura do ar A temperatura do ar

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

?? Temperatura do ar

A temperatura do ar no interior deverá estar compreendida entre os valores

limites de 18ºC e 26ºC, devendo a sua variação corresponder à variação sazonal da temperatura do ar exterior. Admite-se que em períodos não muito longos aqueles limites possam ser excedidos em 2ºC. A flutuação diária da temperatura durante os períodos de ocupação não deve ser superior a ±2ºC e, em períodos de Inverno, a diferença de temperatura para locais não aquecidos no edifício, por exemplo corredores, vestíbulos, etc. – ou locais onde o nível de actividade seja elevado - oficinas, ginásios, etc. - não deve ser superior a 4ºC.

?? Humidade do ar

A

85%, devendo contudo evitar-se que em períodos de Verão exceda os 60%.

humidade relativa do ar deve estar compreendida entre os valores 35% e

do ar deve estar compreendida entre os valores 35% e ?? Radiação do contorno A temperatura

?? Radiação do contorno

A

temperatura do ar. Quando tal não suceda, o efeito conjunto daquelas duas acções deve ser de modo a simular uma sensação equivalente à suscitada pela temperatura média do ar recomendada. A temperatura do pavimento não deve exceder a temperatura do ar mais do que 6ºC.

temperatura média de radiação deve apresentar valores próximos dos da

?? Velocidade do ar Os valores da temperatura do ar foram fixados admitindo que a velocidade do ar é baixa (<0,2 m/s), o que, em geral, se verifica em edifícios em “funcionamento livre” em período de Inverno. Em período de Verão essa velocidade poderá ser superior a fim de satisfazer o valor limite da neutralidade térmica, nomeadamente em locais de actividade mais intensa – oficinas, ginásios, etc. - não devendo contudo na generalidade dos usos em edifícios ultrapassar os 0,5 m/s.

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Actualmente existe uma maior atenção ao impacto provocado

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Actualmente existe uma maior atenção ao impacto provocado pelos sistemas de Ar condicionado nas pessoas. No anexo G é feita uma breve introdução a alguns problemas de saúde associados aos sistemas de climatização.

4.2- Avaliação das cargas térmicas

A determinação das cargas térmicas existentes no edifício é de uma importância fulcral para o correcto dimensionamento dos componentes constituintes de um sistema de ar condicionado. Relativamente à sua origem podem, essencialmente, ser identificados cinco tipos de cargas térmicas, que passamos a descrever:

?? Transmissão da calor através dos elementos do revestimento exterior devido ao diferencial de temperaturas existente entre o meio exterior e interior ou entre compartimentos.

?? Transferência de energia solar através dos envidraçados ou a sua absorção por um elemento opaco. ?? Renovação de ar através da insuflação de ar exterior no compartimento após tratamento nas Unidades de Tratamento de Ar (UTA).

após tratamento nas Unidades de Tratamento de Ar (UTA). ?? Perda ou ganho de calor devido

?? Perda ou ganho de calor devido à infiltração de ar exterior no recinto condicionado.

?? Libertação de energia calorífica por pessoas e equipamentos presentes no recinto.

As expressões utilizadas para a quantificação das cargas térmicas são apresentadas na próxima secção. No anexo A apresentamos os resultados obtidos para cada compartimento aplicando esta metodologia de cálculo.

4.2.1- Carga por insolação através das superfícies transparentes

Existem vários factores que condicionam a transmissão de calor através dos vidros devido à insolação, tais como: tipo de envidraçado, constituição, área útil, orie ntação, sombreamento devido à posição relativa do Sol e estação do ano. O calor que atravessa um vidro em regime permanente é avaliado pela seguinte equação, retirada de [2]:

Relatório Final do Trabalho Final de Curso ? Q v ? AI ? ? t

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

?

Q

v

?

AI

?

?

t ?

?

?

?

U ?

h

e

?

?

?

?

?

A?FGCI?

(1)

Sendo: A: Área do vidro [m 2 ] I t : Irradiação da superfície exterior [W/m 2 ]

? : Transmissividade do vidro U : Coeficiente global de transmissão de calor [W/m 2 K]

? : Absorsividade do vidro h e : Coeficiente de transmissão de calor por convecção no plano exterior do vidro [W/m 2 K] FGCI : Factor de ganho de calor por insolação [W/m 2 ]

?

? ? ?

U

?

?

?

?

Na expressão (1), o termo

t ? h ? ? e
t ?
h
?
?
e

?FGCI?

sombra

?

A

sol

?FGCI?

sol

I

é substituído pelo factor FGCI cujo valor se

encontra na Tabela 4-10 de [2], em função da latitude do local, orientação e mês do ano, simplificando assim o cálculo da energia solar incidente sobre o envidraçado. No entanto a expressão (1) não contabiliza o tipo de vidro e o sombreamento externo existente 11 , pelo que terá de ser alterada. Utiliza-se então:

?

Q

V

?

A

?

CS

(2)

sombra

Sendo: A Sombra : Área do vidro sombreada [m 2 ] A Sol : Área do vidro ensolarada [m 2 ] (FGCI) 12 Sombra : Factor de ganho de calor por insolação a Norte [W/m 2 ] (FGCI) Sol : Factor de ganho de calor por insolação [W/m 2 ] CS : Coeficiente de sombreamento

Os valores de CS utilizados nos vários tipos de vidro existentes no edifício foram obtidos através da Tabela 4-11 de [2]. O cálculo é feito relacionando a altitude solar ? , o

11 Qualquer vidro vertical apresenta sombreamento, mesmo os que não têm protecções solares pois nestes uma determinada área só recebe radiação difusa. 12 (FGCI) sombra representa o valor do factor de ganho de calor máximo por insolação à Norte (caso hemisfério Norte), pelo que se a superfície transparente estiver orientada a Norte o ganho de calor por insolação = área total * coeficiente de sombreamento CS * (FGCI máx ) sombra

Relatório Final do Trabalho Final de Curso ângulo de azimute ? , e o ângulo

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

ângulo de azimute ? , e o ângulo de azimute da parede ?, de acordo com o esquema apresentado na figura 2.

parede ? , de acordo com o esquema apresentado na figura 2. Figura 2: Determinação da
parede ? , de acordo com o esquema apresentado na figura 2. Figura 2: Determinação da

Figura 2: Determinação da área sombreada 13

As variáveis representadas nesta figura têm o seguinte significado:

? : Ângulo entre o plano horizontal sobre a terra e o raio solar [º]

: Ângulo entre dois planos verticais (em relação ao plano vertical), um normal à parede e outro contendo o raio solar [º]

?

?

: Ângulo entre o raio solar e o eixo dirigido a sul [º]

?

: Ângulo que o plano vertical normal à parede faz com o sul [º]

D

: Espessura das palas exteriores aos vidros ou janelas

Y

: Altura da área ensolarada [m]

X

: Largura da área ensolarada [m]

O cálculo resume-se à localização das superfícies transparentes existentes no edifício

(vidros, janelas e portas de vidro) que possuam protuberâncias ou beirais, e determinar

as suas dimensões (L e h), espessura das palas (d), assim como a orientação (? ), latitude

e

mês do ano. Depois consulta-se a Tabela 4-13 de [2], donde se retiram os valores de ?

e

? . Tendo em consideração a figura 2 podemos deduzir as seguintes expressões:

13 Fig.4-5 de [2].

Relatório Final do Trabalho Final de Curso x d tg ? ? a ? (

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

x

d

tg? ?

a ?

(3.a)

(3.b)

d

cos?

Com estas expressões calculamos os valores das áreas ensola rada e sombreada.

4.2.2- Carga por insolação através da envolvente exterior

Esta carga térmica pode ser dividida em duas componentes, ou seja, na carga térmica imposta pelas paredes exteriores e pela cobertura, que passamos a apresentar nas subsecções seguintes.

que passamos a apresentar nas subsecções seguintes. 4.2.2.1- Carga por insolação através das paredes

4.2.2.1- Carga por insolação através das paredes exteriores

A

área, materiais constituintes, direcção e intensidade do vento e estação do ano. O

transmissão de calor através das paredes depende de inúmeros factores tais como:

processo de transmissão de calor pode ser ilustrado através da figura seguinte, retirada

de [2]:

ser ilustrado através da figura seguinte, retirada de [2]: Figura 3: Energia solar incidente sobre uma

Figura 3: Energia solar incidente sobre uma parede opaca

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Esta figura mostra que parte da energia que

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Esta figura mostra que parte da energia que incide na parede é absorvida enquanto a restante é reflectida. Da fracção de energia que é absorvida uma parte é re-irradiada e transmitida por convecção para o meio exterior, a restante é trans ferida para o interior ou absorvida temporariamente, aumentado assim a energia interna da parede 14 . Segundo [2] a definição desta carga térmica pode ser modelada a partir das expressões:

?

Q

P

e

?

? ?

?

?

?

? ?

?

U A

t

?

Q

P

e

T

e

? ?

I

t

h

e

?

? ?

?

?

T

i

?

?

?

U A?DTCR?

t

?

?

U A T

t

eq

?

T

i

?

(4)

(5)

Sendo: A 15 : Área da parede U t : Coeficiente global de transmissão de calor da parede [W/m 2 k] I t : Irradiação da superfície exterior [W/m 2 ]

I t : Irradiação da superfície exterior [W/m 2 ] ? : Absorvitividade da parede h

? : Absorvitividade da parede h e : Coeficiente de transmissão de calor por convecção na superfície exterior da parede [W/m 2 K] T e : Temperatura exterior seca de projecto [ºC] T i : Temperatura interior seca de projecto [ºC] T eq 16 : Temperatura equivalente [ºC] DTCR 17 : Diferença de temperatura para a carga de arrefecimento [ºC]

Neste trabalho não se utilizou a expressão (4) uma vez que esta não contabiliza a retenção parcial de energia na parede, que reduz o fluxo de calor. Utilizou-se, em alternativa, a expressão (5) que tem em conta a capacidade térmica da parede e o calor recebido por insolação, contabilizando assim os efeitos transientes da parede.

Os coeficientes globais de transmissão de calor foram determinados de acordo com a informação disponível em [3] e são apresentados no anexo L.

14 Quanto maior for a inércia térmica da parede menos acentuada é a absorção de energia. No anexo I apresentamos o exemplo do cálculo da inércia térmica da biblioteca, baseado na metodologia proposta em [1]. Na folha de cálculo apresentamos o cálculo da inércia térmica do edifício. 15 O valor da área é obtido multiplicando o comprimento da parede pelo pé direito do andar correspondente, retirando a área das janelas e portas.

16 A temperatura equivalente é igual à temperatura externa somada a um valor que leva em conta o efeito da radiação solar incidente sobre a parede opaca.

A
A

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

4.2.2.2- Carga por insolação através da cobertura

carga térmica através da cobertura é reduzida porque existe uma protecção exterior

que impede a luz solar de incidir directamente no telhado e que permite a circulação livre de ar exterior. Nesta situação o fluxo de calor existente deve-se, essencialmente, ao diferencial de temperaturas entre o ar exterior e o ar interior:

?

Q

Cob

?

.

U A

.

?

? T ? T

e

? T

i

T

(6)

(7)

4.2.3- Carga por condução através dos elementos interiores

Este tipo de carga térmica exis te apenas nas paredes que estão na fronteira entre

? Q ? U A .? T t . P i
?
Q
? U
A
.?
T
t .
P i

compartimentos condicionados e não condicionados. A expressão para o seu cálculo é a

seguinte:

(8)

O

compartimentos não climatizados é igual à média aritmética entre a temperatura interior

de um espaço climatizado e a temperatura exterior.

diferencial de temperaturas foi definido assumindo que a temperatura existente nos

4.2.4- Carga resultante da Geração Interna de calor

Este tipo de carga térmica assume um valor significativo no caso em estudo porque a taxa de ocupação média é elevada e existem vários equipamentos presentes no edifício durante o seu período de funcionamento.

4.2.4.1- Carga provocada pela ocupação humana

17 Obtido através da tabela 4-14 e 4-15 de [2].

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Cada pessoa presente no Museu liberta de um

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Cada pessoa presente no Museu liberta de um modo contínuo uma determinada

quantidade de calor, que depende da actividade desempenhada pela pessoa, temperatura

do ar envolvente, temperatura das superfícies circundantes, humidade do ar e velocidade

do ar. O calor libertado pelas pessoas divide-se em duas componentes, uma sensível e a

outra latente. O valor de cada componente foi contabilizado através das seguintes

expressões:

Q ?

sensível

Q ?

latente

?

?

N

N

?

?

(Q ? )

s

pessoa

??

Q ?

t

?

pessoa

?

?

FCR

?

Q ?

s ?

pessoa

?

(9)

(10)

Sendo: FCR: factor de carga de refrigeração para os ocupantes [m 2 ]

(Q s ) pessoa 18 : Calor sensível libertado por pessoa [W]

(Q t ) pessoa : Calor total libertado por pessoa [W]

p e s s o a : Calor total libertado por pessoa [W] N : Número

N : Número de pessoas presentes no local

O factor FCR aplica-se à carga sensível uma vez que parte desta carga é absorvida pela

envolvente, mas não se aplica à carga latente porque esta é na sua totalidade absorvida

pelo ar.

4.2.4.2- Carga provocada pela iluminação

Esta carga térmica representa uma percentagem significativa da carga térmica imposta

pela geração interna de calor, pelo que a sua determinação deve ser a mais precisa

possível. O efeito da iluminação na carga térmica não é “sentido” imediatamente pelo

sistema de ar condicionado, uma vez que os elementos e as superfícies presentes no

compartimento absorvem a radiação emitida, aumentando assim a sua temperatura 19 .

Posteriormente esta energia é transferida por convecção para o ar circundante,

aumentando assim a temperatura ambiente do compartimento 20 . A expressão utilizada

no cálculo desta carga é a seguinte, retirada de [2]:

18 Estes valores são retirados da tabela 4-7 de [2] em função da tarefa desempenhada pela pessoa.

19 Este aumento de temperatura é mais significativo para elementos que apresentam uma inércia térmica baixa. 20 O efeito do aumento de temperatura persiste depois de desligarmos as lâmpadas devido à inércia térmica.

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Q ? I ? (potência nominal das lâmpadas)

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Q ?

I

? (potência nominal das lâmpadas)

?

F

?

?

F

r

?

FCR

(11)

Sendo: F ? : Factor de utilização das lâmpadas instaladas que são realmente utilizadas. F r : Factor do reactor das lâmpadas (=1,2 para lâmpadas fluorescentes). FCR 21 : Factor de carga térmica de refrigeração.

Assumimos para o caso em estudo que F ? = 1, ou seja, que todas as lâmpadas

encontram-se ligadas maximizando assim o valor desta componente.

4.2.4.3- Carga provocada pelos equipamentos

O funcionamento de equipamentos dentro de recintos condicionados impõe uma determinada carga térmica ao sistema de ar condicionado devido à libertação de calor destes. Para o cálculo desta carga seguimos os valores estipulados pela ASHRAE 22 para os diferentes equipamentos existentes no Museu:

Tabela 3: Calor libertado por equipamento Tipo de equipamento Calor libertado [W] Sistema de projecção
Tabela 3: Calor libertado por equipamento
Tipo de equipamento
Calor libertado [W]
Sistema de projecção + Computador
1000
Televisão + Vídeo + Som
1000
Computador + Impressora
575

4.2.5 – Carga térmica devido à renovação do ar

Esta carga térmica é devida à renovação de ar necessária no compartimento de modo a manter a qualidade do ar no recinto. Como o ar tem de ser introduzido no recinto em condições distintas do exterior há assim que considerar outra carga térmica no sistema. O valor desta carga divide-se em duas componentes, uma latente e outra sensível, sendo a primeira resultante da existência de vapor no ar atmosférico e a segunda devida ao diferencial de temperaturas. O valor do caud al mássico desta carga térmica foi obtido a

21 Obtido da tabela 4.6 de [2] onde se considerou a conexão X

22 ASHRAE: American Society of Heating, Refrigeration and Air Conditioning Engineers, Inc

Relatório Final do Trabalho Final de Curso partir do quadro IV.2 de [1] em que

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

partir do quadro IV.2 de [1] em que é considerado o número de pessoas presentes na sala e o tipo de actividade. Para o cálculo destas duas componentes utilizamos as seguintes expressões:

.

Q

sensível

?

.

?

m (C

?

?

par

?

w C

e

pvapor

)T

e

?

(C

par

?

w C

i

pvapor

)T

i

?

?

?

(12)

.

Q

latente

.

? mh

fgo

(

w

e

? w

i

)

(13)

.

Sendo:

m : caudal de ar novo T e : Temperatura exterior do ar [ºC] T i : Temperatura interior do ar [ºC] C par : Capacidade calorífica do ar a pressão constante [kJ/kgK] C pvapor : Capacidade calorífica do vapor de água a pressão constante [kJ/kgK] w e : Humidade específica exterior do ar [kg vapor /kg ar ] w i : Humidade específica interior do ar [kg vapor /kg ar ] h fgo : Entalpia de vaporização da água [J/kg]

h f g o : Entalpia de vaporização da água [J/kg] Nas situações de Verão e

Nas situações de Verão e Inverno a carga latente apresenta um valor negativo porque a humidade específica exterior é inferior à interior. No cálculo das potências de aquecimento e de arrefecimento utilizamos três cenários possíveis no Museu de modo a optimizar o cálculo das potências dos equipamentos, em cada uma destas situações a carga latente é abordada de modo diferente.

4.2.6 – Carga térmica devido à infiltração de ar

A metodologia de cálculo para esta carga térmica é idêntica à anterior, mas a sua origem

é diferente uma vez que provem da infiltração de ar frio na situação de Inverno no

compartimento ou na infiltração de ar quente na situação de Verão, através das janelas ou portas exteriores. Para uma estimativa do valor do caudal volumétrico que entra na zona em estudo recorremos à tabela 7.13 de [5]. O valor desta carga térmica é desprezável em todos os compartimentos, exceptuando-se no Átrio por onde todas as pessoas entram no Museu. Neste caso o caudal de ar infiltrado pela porta exterior

Relatório Final do Trabalho Final de Curso assume um valor significativo conduzindo consequentemente a uma

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

assume um valor significativo conduzindo consequentemente a uma carga térmica assinalável.

Tal como na carga térmica devida ao ar novo a análise da componente latente é feita conforme o cenário em consideração. Na folha de cálculo do Excel descrevemos as três situações de referência e em cada uma delas contabilizamos ou não a carga latente.

4.3- Dimensionamento dos equipamentos

Nas subsecções seguintes são apresentadas as metodologias associadas ao cálculo das potências relevantes na selecção de equipamentos. Serão também apresentados os passos envolvidos no dimensionamento das redes de distribuição de fluidos.

4.3.1- Definição das condições de insuflação

fluidos. 4.3.1- Definição das condições de insuflação As condições de insuflação e as potências envolvidas no

As condições de insuflação e as potências envolvidas no tratamento do ar são obtidas através de balanços integrais de massa e energia, assumindo regime estacionário. A metodologia que a seguir se apresenta foi desenvolvida com base no esquema apresentado na figura seguinte que representa uma zona a ser climatizada e uma unidade de tratamento de ar. São ainda representados, nessa figura, os volumes de controle utilizados para obter as equações de balanço:

? Q ; ? S T i i ? Q L V1 2 1 V2
?
Q
; ?
S
T i
i
?
Q
L
V1
2
1
V2
?
Q
M
?
3
m
M
R
V3
V4
S
E
Relatório Final do Trabalho Final de Curso Figura 4: Conjunto: recinto, unidade de tratamento de

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Figura 4: Conjunto: recinto, unidade de tratamento de ar e condutas

As variáveis e os índices representados nesta figura têm o seguinte significado:

?

Q

?

Q

S

L

- carga sensível do compartimento;

- carga latente do compartimento;

?

Q

M

- carga latente e sensível a fornecer à máquina;

R

E

S – Ar expelido para o exterior do edifício;

2

1

3

V1 Volume de controle aplicado ao compartimento; V2 Volume de controle aplicado à máquina; V3 Volume de controle aplicado ao ponto de mistura do caudal de ar novo com o recirculado; V4 Volume de controle aplicado ao recinto e ao sistema de ar condicionado.

– Ar recirculado que volta a ser injectado na sala;

– Ar vindo do exterior;

– Condições do ar de retorno da sala;

– Condições do ar de insuflação;

de retorno da sala; – Condições do ar de insuflação; – Condições do ar após mistura

– Condições do ar após mistura do ar recirculado com o ar exterior;

O procedimento utilizado para o cálculo das diversas potências caloríficas assenta nos seguintes pressupostos:

?? O caudal de ar novo é imposto, pois é determinado com base no quadro IV.2 de [1];

?? As propriedades no ponto i são idênticas às dos pontos 2, R e S;

?? O diferencial de temperaturas existente entre a temperatura de insuflação (Ponto 1) e a temperatura no recinto é imposto; ?? Temperatura e humidade relativa interior são conhecidas;

?? Temperatura e humidade relativa exterior são conhecidas;

?? Carga sensível e latente no recinto são conhecidas;

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Aplicando o balanço de massa ao ar seco

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Aplicando o balanço de massa ao ar seco no volume de controle V1 obtém-se a seguinte relação:

?

m

a

1

?

?

m

a

2

Aplicando o balanço de massa ao vapor de água no volume de controle V1 e atendo ao facto de que existe libertação de vapor no interior do compartimento devido à carga latente, obtemos a seguinte expressão:

Onde:

?

1

? ?

2

?

m

?

v

?

m

v

?

m

a 1

?

?

Q

L

h fgo

(14a)

(14b)

Aplicando agora um balanço de energia ao volume de controle V1 obtemos a seguinte expressão:

? ? ? Q ? Q m ? S L a 1 h ? h
?
?
?
Q
? Q
m
?
S
L
a 1
h
? h
2
1

(15)

Atendendo à definição de entalpia específica:

h

?

?

C

p

a

?

wC

p

V

?

T

? ?

?

h

fgo

(16)

Podemos constatar que a equação (14) tem duas incógnitas, w 1 e m a1 . No entanto, como a explicitação destas variáveis é complexa, recorre-se a um processo iterativo, que se descreve a seguir:

1. Arbitrar w 1 , por exemplo: w 1 =w 2 ;

2. Calcular h 2 -h 1 e m a1 através das expressões (15) e (16);

3. Calcular w 1 a partir de (14);

4. Voltar ao ponto 2 se a diferença de w 1 entre duas iterações sucessivas for apreciável.

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Uma vez definidas as condições de insuflação, aplicamos

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Uma vez definidas as condições de insuflação, aplicamos um balanço de massa ao vapor de água no volume de controle V2:

?

m

M

?

?

m

a 1

(

?

1

? ?

3

)

(17)

Esta

variável

permite-nos

identificar

se

é

necessário

humidificar

(

?

m

M

? 0

)

ou

?

m

M

desumidificar (

V2 obtemos a seguinte expressão:

? 0

). Aplicando agora um balanço de energia ao volume de controle

?

m a

1

(

h

3

?

h

1

)

?

?

m M h

M

?

?

Q

MAQ

?

0

(18)

Atendendo agora à definição de entalpia podemos na fórmula anterior identificar os termos da potência sensível e latente da máquina:

?

Q SENS

?? ? ? C ? ? C T ? C a 1 pa 1 pv
??
?
?
C
? ?
C
T
?
C
a 1
pa
1
pv
1
pa
?
?
? m
h
(
?
?
?
) ?
m
a 1
?
fgo
1
3

?

m

LAT

? ?

h

?

?

?

Q

2

C

pv

?

T

2

?

(19)

(20)

Aplicando os balanços de massa e energia ao volume de controle V3 obtemos as seguintes expressões:

?

h

3

3

? ?

?

?

m

aR

?

m

a 1

?

?

m

aR

?

m

a 1

h

2

1

?

?

m

aE

?

m

a 1

?

m

aE

?

m

a 1

h

E

?

E

(21)

(22)

Com estas duas últimas equações é possível calcular as potências sensível e latente que a máquina deverá fornecer. O procedimento apresentado foi definido e implementado

Relatório Final do Trabalho Final de Curso pelo Supervisor que disponibilizou um programa informático, designado

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

pelo Supervisor que disponibilizou um programa informático, designado por CTERM, [8], para efectuar os cálculos. No anexo F apresentamos as listagens obtidas por este programa.

4.3.2- Técnicas para controlar a humidade

As unidades de tratamento de ar e ventilo-convectores utilizados nesta instalação têm que controlar a humidade relativa no interior do recinto. Numa primeira fase pensou-se em propor a utilização de máquinas de controlo de humidade relativa apenas em compartimentos que tivessem peças ou objectos susceptíveis de degradação, beneficiando assim de uma instalação mais económica. Concluímos, no entanto, que esta ideia era impraticável devido ao problema de migração de vapor de água entre compartimentos, as assimetrias de concentrações provocam gradientes de massa entre recintos.

concentrações provocam gradientes de massa entre recintos. Neste tipo de Projecto para que a haja controlo

Neste tipo de Projecto para que a haja controlo de humidade na máquina é necessária a existência de uma bateria de aquecimento e uma bateria de arrefecimento, para que o ar possa numa primeira fase ser arrefecido até uma determinada temperatura e ocorra a condensação de algum vapor de água para de seguida ser reaquecido até a temperatura de insuflação. A exigência de duas baterias para efectuar o controlo de humidade implica que não possamos adoptar um sistema de dois tubos, pois nestes só produzimos calor ou frio, mas nunca os dois em simultâneo. Apresentamos de seguida uma figura onde representamos esquematicamente a evolução ideal do ar ao longo das duas baterias:

? ? Q mW h ARREF W 3 4 1 ? Q AQUE
?
?
Q
mW h
ARREF
W
3
4
1
?
Q
AQUE

Figura 5: Evolução do ar ao passar pela bateria de arrefecimento e reaquecimento.

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Pela análise da figura precedente podemos deduzir as

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Pela análise da figura precedente podemos deduzir as seguintes expressões para o cálculo da potência de arrefecimento e aquecimento, respectivamente:

?

Q

?

Q

ARREF

?

AQUE ?

?

m

a

1 (

h

3

?

m

a 1

(

h

1

?

?

h

4

h

4

) ?

)

?

m

W

h

W

(23)

(24)

Através de um balanço de massa ao vapor de água no volume de controle V4 é ainda possível verificar que o valor máximo da humidade específica interior depende do caudal de ar novo. Assumindo que não existe condensação em nenhuma zona da instalação, obtém-se:

?

Q

L w ? w ? i e ? m h aE fgo
L
w
?
w
?
i
e
?
m
h
aE
fgo

(25)

A

superiormente (até w e ) aumentando-se m aE . Num recinto com uma humidade específica elevada podia-se pensar em adoptar uma solução que aumenta-se o caudal de ar novo, beneficiando do facto da humidade específica exterior ser inferior à interior. Com este

partir desta expressão conclui-se que se w e < w i o valor de w i pode ser limitado

tipo de solução baixava-se o valor da humidade específica interior, mas não se evitava a variação da humidade específica ao longo do dia devido a variação da carga latente no recinto. Adicionalmente numa situação de humidade específica exterior superior à interior esta solução não podia ser utilizada. No Museu não podíamos adoptar uma solução deste género porque as peças expostas são sens íveis às variações de humidade

do recinto.

Nesta Instituição existe uma grande área de envidraçados que numa situação de

temperatura exterior baixa, situação de Inverno, poderá conduzir a condensação de vapor de água nos vidros contrariando o efeito da humidificação. Esta possibilidade foi avaliada considerando o compartimento com a maior área de envidraçados, a sala da Ria onde A Env =23,25 m 2 . Considerando apenas as perdas de calor por condução e convecção

na seguinte expressão:

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Q ? 1 U ? AU ( 1

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Q ?

1

U

?

AU

(

1

h

e

?

T

i

? T

e

)

1

K

?

1

h

i

(26)

(27)

Onde:

Recorrendo ao quadro 2.3 e 2.9 de [1] obtém-se: 1/h e = 0,04 m 2 ºC/W, 1/h i = 0,12 m 2 ºC/W e K= 3,4 W/m 2 ºC e, finalmente, U = 2,2 W/m 2 ºC.

Sabendo que na situação de Inverno T i =22ºC e T e = 0ºC obtemos da expressão anterior Q = 1126 W. Considerando agora o coeficiente de transmissão de calor entre a superfície interior do vidro e o exterior, definido pela seguinte equação:

1

U

* ?

1

?

1

h

K

(28)

e Q ? AU * ( T ? T ) S e
e
Q ?
AU
* (
T
? T
)
S
e

Sendo U * = 2,99 W/m 2 ºC, obtém-se a temperatura da superfície interior do vidro, T S , a partir da expressão:

(29)

Para Q=1126 W obteve-se T S = 16,2 ºC. Utilizando uma tabela de vapor de água saturado verificamos que a 16,2 ºC a pressão de vapor saturado é de 0,01842 bar o que corresponde a humidade relativa interior de 72 %, logo para as condições de projecto com uma humidade relativa de aproximadamente 50% não existe possibilidades de condensação de vapor de água nos vidros.

4.3.4- Dimensionamento das redes de distribuição de fluidos

Para dimensionamento dos ventiladores e das bombas, nos sistemas de distribuição dos fluidos, é necessário contabilizar as perdas de pressão estática que se designam, também, por perdas de carga. O correcto dimensionamento é fulcral pois o consumo energético, associado a estes componentes, representa uma percentagem significativa do consumo energético total da instalação. As perdas de carga podem dividir-se em dois

Relatório Final do Trabalho Final de Curso tipos: perdas em Linha e perdas localizadas. As

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

tipos: perdas em Linha e perdas localizadas. As perdas em linha são contabilizadas a

partir de um factor de atrito, f, que se representa, geralmente, num diagrama designado

por diagrama de Moody. Neste trabalho utilizou-se a seguinte expressão, retirada de [7],

que permite implementar facilmente numa folha de cálculo as perdas de carga:

f

?

?

?

0,7817 ln ?

?

?

69

Re

D

?

? ? / D ?

?

3,7

?

?

?

1,11

?

?

?

?

Onde Re D é o número de Re ynolds baseado no diâmetro D e

superfície.

 

(30)

?

a rugosidade da

Relativamente às perdas de carga localizadas consideraram-se as perdas em contracções

e expansões, nos cotovelos, em ramificações e nas grelhas de insuflação.

Para dimensionar os diâmetros das condutas são geralmente utilizados dois métodos: o

das condutas são geralmente utilizados dois métodos: o método da perda de carga constante e o

método da perda de carga constante e o método da velocidade. O primeiro baseia-se,

essencialmente, em impor uma determinada perda de carga por unidade de comprimento

enquanto que o segundo se baseia na imposição da velocidade.

Relativamente às condutas do Museu estas foram dimensionadas através do método da

perda de carga constante, assumindo uma perda de carga de 1 Pa por metro de conduta.

No anexo J encontra-se os esquemas da cada UTA e respectivas condutas. No anexo K é

facultado um relatório técnico, elaborado pela Empresa Nónio Lda., sobre a UTA do

Átrio para a solução proposta.

Os valores obtidos para os caudais de insuflação de ar diferem ligeiramente dos da

solução inicial. Por esta razão foi feita uma verificação das velocidades obtidas em cada

troço com os novos valores de caudais. Constatamos que em todos os troços as

velocidades se enquadravam numa gama aceitável. Salienta-se que em edifícios

públicos velocidades de 5 a 8 m/s são aceitáveis nas condutas principais e velocidades

de 4 a 6 m/s nas ramificações.

Os valores dos caudais de água foram obtidos através de balanços de energia efectuados

a cada bateria, da figura 6, que conduziram às seguintes expressões:

Relatório Final do Trabalho Final de Curso ? m AguaQuente ? ? ? m AguaFria

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

?

m

AguaQuente

?

?

?

m

AguaFria

?

m

?

m

C

P

Ar

?

T

Ar

ArTotal C

P

?

T

AguaQuente

(31)

ÁguaQuente

C

P

Ar

?

T

Ar

ArTotal C

P

ÁguaFria

?

T

AguaFria

(32)

As temperaturas de referência, apresentadas na seguinte figura, foram indicadas pelo

fabricante do chiller/bomba de calor:

7ºC

45ºC

Água Ventilador Ventilador de de Extracção Insuflação ? m Ar Total 3 4 1 Bateria
Água
Ventilador
Ventilador de
de Extracção
Insuflação
?
m
Ar Total
3
4
1
Bateria de
Arrefecimento
Bateria de Re-
aquecimento
Água

12ºC

40ºC

Figura 6: Esquema de uma Unidade de Tratamento de Ar (UTA)

5.- Selecção dos componentes principais de instalação

Presentemente existe uma grande diversidade de sistemas de climatização no mercado.

Faremos uma breve introdução acerca deste tema nesta secção. Incluímos também um

resumo sobre o sistema actual do Museu cujo relatório técnico, elaborado pela empresa

PEN Lda., poderá ser consultado no anexo E. Será feita uma análise aos resultados

obtidos pela metodologia de cálculo exposta anteriormente e para finalizar

apresentaremos uma nova configuração para o sistema de ar condicionado.

Relatório Final do Trabalho Final de Curso 5.1- Análise dos sistemas existentes Numa primeira abordagem

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

5.1- Análise dos sistemas existentes

Numa primeira abordagem podemos classificar os sistemas de climatização 23 em duas categorias: Sistemas Centrais e Sistemas locais. Os sistemas centrais são caracterizados pela produção centralizada de calor/frio num compartimento. Os fluidos são posteriormente distribuídos às unidades terminais através de uma rede de condutas, que por vezes atinge um grau de complexidade elevado. Nos sistemas locais os equipamentos presentes em cada recinto têm um funcionamento autónomo, baseando-se apenas nas condições de insuflação exigidas por cada espaço climatizado. Esta autonomia confere uma maior flexibilidade ao sistema.

Não existe uma aplicação específica para cada uma destas categorias, pois não existem vantagens marcantes de um tipo face ao outro. Os sistemas centrais de ar condicionado podem também ser classificados pelo fluido térmico utilizado, identificando-se, neste caso, Sistemas tudo ar, Sistemas ar-água e Sistemas tudo água. Nos sistemas tudo ar as necessidades de arrefecimento são todas fornecidas pelo sistema. Em relação às necessidades de aquecimento poderão ser ou não providas por este sistema. Os sistemas

ar

– água utilizam dois meios. O ar (normalmente designado por ar primário) e a água

O ar (normalmente designado por ar primário) e a água (normalmente designada por água secundária) para

(normalmente designada por água secundária) para executarem as trocas de calor e de vapor de água. Necessitam de equipamentos centrais para a produção de calor/frio. Podem executar a desumidificação do ar, mas não controlam rigorosamente o valor da

humidade relativa. Nos sistemas tudo água as unidades terminais não recebem ar primário, adoptando-se outras soluções para a ventilação do recinto. Diferenciam-se dos sistemas ar - água pelo facto de as unidades terminais removerem as cargas sensíveis e latentes, nos períodos de arrefecimento (Verão). Esta configuração permite o controlo

da temperatura e da humidade relativa.

5.2- Análise da solução instalada

A solução de climatização que se encontra, actualmente, instalada assenta basicamente

na produção centralizada de calor/frio por um chiller – bomba de calor, num sistema ar - água a 4 Tubos. Nos próximos parágrafos apresentaremos algumas generalidades sobre

os componentes desta instalação:

23 No §IV.5.3 de [6] é feita uma descrição pormenorizada sobre sistemas de climatização.

Relatório Final do Trabalho Final de Curso ?? Chiller – Bomba de Calor Na tabela

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

?? Chiller – Bomba de Calor Na tabela que se segue identificamos as suas características específicas:

Tabela 4: características específicas do chiller – bomba de calor

Capacidade de arrefecimento [kW] 286 Capacidade de aquecimento [kW] 309 Regime de temperatura da água
Capacidade de arrefecimento [kW]
286
Capacidade de aquecimento [kW]
309
Regime de temperatura da água
refrigerada [ºC]
7/12
Regime de temperatura da água para
aquecimento [ºC]
45/50
Refrigerante 24
R407C
Potência absorvida no chiller/bomba
de calor [kW]
103/92
Temperatura exterior de Verão [ºC]
35
Temperatura exterior de Inverno [ºC]
2
Marca de referência
CLIMAVENETA
Modelo de referência
WRAQ 1402/B

?? Unidades de Tratamento de Ar (UTA) As unidades de tratamento de ar foram projectadas no sentido de satisfazer as necessidades de aquecimento ou arrefecimento de cada compartimento, independentemente das condições pretendidas nos outros recintos. As UTA´s instaladas não estão preparadas para um controlo rigoroso da humidade, mas como existe a possibilidade de alguma condensação na bateria de arrefecimento promovendo desta forma alguma desumidificação limitando o valor máximo da humidade relativa. Todas estas máquinas estão equipadas com um filtro 25 do tipo G4 para retirar as poeiras, de maior dimensão, existentes no ar tratado.

?? Condutas

24 No anexo C pode-se consultar informação pormenorizada sobre este fluido refrigerante;

25 Documentação sobre filtração no §18 de [5];

Relatório Final do Trabalho Final de Curso O material constituinte das condutas de ar foi

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

O material constituinte das condutas de ar foi feito a partir de bobinas ou chapas de aço galvanizado. As de água foram construídas em ferro preto, série média, DIN 2440. Na construção das condutas atendeu-se às normas SMACNA 26 . O material utilizado como isolante térmico foi a manta de lãs de vidro ou rocha, aglomerada com resinas e coladas

a papel Kraft de alumínio com 25 mm ou 40 mm de espessura, condutibilidade térmica inferior a 0,040 W/mK e densidade superior a 12 kg/m 3 .

?? Vaso de expansão Este equipamento tem por objectivo absorver as variações de volume da água dos circuitos, provocadas pelas variações de temperatura. O vaso de expansão é do tipo fechado, com duas câmaras separadas por uma membrana elástica. Um dos compartimentos é pré-carregado com azoto ou ar e o outro serve de depósito de água, permanecendo ligado a um dos dois circuitos de água. Nesta instalação encontra-se acoplado um vaso de expansão em cada um dos dois circuitos de água.

um vaso de expansão em cada um dos dois circuitos de água. ?? Reservatório de inércia

?? Reservatório de inércia Os reservatórios de inércia têm por objectivo evitar os arranques consecutivos do chiller

arranque do funcionamento do chiller – bomba de calor dá-se no momento em que o diferencial de temperaturas existente entre a temperatura de retorno e de ida da água seja superior ou igual a 1,5ºC. Para contrariar este efeito, na situação de Verão, o volume de água refrigerada, a 7ºC, existente no reservatório de inércia mistura-se com a água de retorno sobreaquecida, atenuando o aumento de temperatura da água de retorno.

bomba de calor devido ao aumento das cargas térmicas nos recintos condicionados. O

5.3- Análise de resultados

Nesta secção apresentam-se os resultados obtidos aplicando a metodologia de cálculo exposta anteriormente para as cargas térmicas de todos os compartimentos. Será feita uma análise à importância de cada tipo de carga térmica. Identificamos também os compartimentos com as cargas térmicas mais significativas.

26 SMACNA - Sheet Metal and Air Conditioning Contractors National Association;

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Potência [kW] Potência das cargas térmicas na situação

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Potência [kW]

Potência das cargas térmicas na situação de Inverno - Verão 150,0 100,0 50,0 0,0 P.
Potência das cargas térmicas na situação de Inverno - Verão
150,0
100,0
50,0
0,0
P.
P.
Vidros
Cobertura
Equip.
Ilum.
Pessoas
Infiltração
Ar Novo
exteriores
interiores
Inverno
0,0
30,4
18,4
6,0
0,0
0,0
0,0
11,6
83,2
Verão
126,2
28,2
3,3
1,1
11,2
67,2
18,6
2,1
15,3

Figura 7: Potência por tipo de carga térmica

2,1 15,3 Figura 7: Potência por tipo de carga térmica Como podemos constatar na figura precedente

Como podemos constatar na figura precedente na situação de Inverno a carga térmica devido ao ar novo assume o maior valor. Isto deve-se ao facto de o diferencial de temperaturas existente entre o ar exterior e interior ser elevado, cerca de 22ºC, no Inverno. As cargas provocadas pela iluminação, equipamentos e ocupação humana não são contabilizadas porque a potência de aquecimento das UTA´s é dimensionada para a situação mais desfavorável, que é a de não haver geração interna de calor nos compartimentos, maximizando assim o valor da potência.

Na situação de Verão os vidros apresentam a carga térmica mais significativa, o que era espectável devido à existência de uma área de envidraçados elevada. As cargas devido à Iluminação, pessoas e paredes exteriores assumem um valor razoável sendo as restantes pouco significativas.

N.º de Página: 33

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Potência por compartimento no R/C 50,0 40,0 30,0

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

Potência por compartimento no R/C

50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 Z01 Z02 Z03 Z04 Z05 Z06 Z07 Z08 Z09
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
Z01
Z02
Z03
Z04
Z05
Z06
Z07
Z08
Z09
Z010
Z011
Z012
Z013
Z014
Z015
Z016
Z017
Inverno
5,2
0,8
14,8
4,3
10,4
6,1
1,0
0,2
0,3
0,6
1,2
0,8
3,1
0,2
0,3
0,0
0,0
Verão
16,3
11,5
41,8
30,3
24,9
16,4
5,6
3,7
3,0
3,3
12,6
6,6
4,5
3,0
2,9
0,4
0,9
Potência
[kW]

Figura 8: Potência por compartimento no R/C

No rés-do-chão os compartimentos com as maiores cargas térmicas, como podemos constatar pela figura precedente, são os das zonas Z03, Z04, Z05 e Z06, que representam respectivamente o átrio, sala da Faina Maior, sala da Ria e sala das exposições temporárias. Como são recintos espaçosos, com um volume de ar a ser tratado significativo, e com taxas de ocupação humana elevadas, por serem compartimentos de exposição ao público, impõem uma carga térmica elevada ao sistema de ar condicionado.

Potência por compartimento no 1ºAndar
Potência por compartimento no 1ºAndar

Potência

30,0 20,0 10,0 0,0 Z11 Z12 Z13 Z14 Z15 Z16 Z17 Z18 Inverno 3,7 2,6
30,0
20,0
10,0
0,0
Z11
Z12
Z13
Z14
Z15
Z16
Z17
Z18
Inverno
3,7
2,6
0,6
0,3
8,3
0,2
0,5
0,7
Verão
29,7
4,1
2,8
2,8
25,8
1,4
1,6
1,9
[kW]

Figura 9: Potência por compartimento no 1ºAndar

Pela análise directa à figura 9 destacam-se os compartimentos Z11 e Z15, que representam respectivamente a Biblioteca e a sala dos Mares. A explicação apresentada no parágrafo anterior aplica-se igualmente a estes dois compartimentos. Os restantes recintos apresentam cargas térmicas relativamente inferiores pois tratam-se de salas pequenas, com pouca geração interna de calor e com áreas de envidraçados reduzidas.

N.º de Página: 34

A
A

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

5.4- A solução proposta

solução proposta assenta na produção centralizada de calor/frio através de um chiller

– bomba de calor num sistema ar - água a 4 Tubos com um controlo rigoroso da

humidade relativa em todos os compartimentos. Nos próximos pontos será feita uma

descrição de cada componente da instalação:

?? Chiller – bomba de calor

A determinação da capacidade de arrefecimento desta unidade não resulta da simples

adição das potências de arrefecimento das Unidades de Tratamento de Ar, aplicando-se o mesmo para a capacidade de aquecimento. A nível prático introduz-se um coeficiente de diversidade, igual a 0,7 neste caso, ao somatório das potências. A justificação para a

utilização deste coeficiente assenta no facto de as cargas térmicas dos recintos variarem ao longo do dia e esta evolução não ser a mesma de dia para dia em cada compartimento. O chiller – Bomba de calor actualmente instalado no Museu tem capacidade de resposta para as novas solicitações das Unidades de Tratamento de Ar, mas sugere-se aqui o chiller – bomba de calor ideal para esta nova situação. No anexo

M

bomba de calor ideal para esta nova situação. No anexo M disponibilizamos documentação técnica adicional: Tabela

disponibilizamos documentação técnica adicional:

Tabela 5: características específicas do novo chiller – bomba de calor

Capacidade de arrefecimento [kW]

261

Capacidade de aquecimento [kW]

292

Regime de temperatura da água refrigerada [ºC]

7/12

Regime de temperatura da água para aquecimento [ºC]

45/50

Refrigerante

R407C

Potência absorvida pelos compressores chiller/bomba de calor [kW]

99/88

Potência total absorvida pelo chiller/bomba de calor [kW]

106/93

Temperatura exterior de Verão [ºC]

35

Relatório Final do Trabalho Final de Curso Temperatura exterior de Inverno [ºC] 2 Número de
Relatório Final do Trabalho Final de Curso
Temperatura exterior de Inverno [ºC]
2
Número de compressores
2
Número de circuitos do compressor
2
Nível de pressão sonora [dB(A)]
82
Marca de referência
CLIMAVENETA
Modelo de referência
WRAQ 1202/B

Na figura que se segue apresentamos uma imagem do chiller – bomba de calor proposto:

uma imagem do chiller – bomba de calor proposto: Figura 10: C hiller – bomba de

Figura 10: Chiller – bomba de calor proposto 27

Na tabela seguinte apresentam-se as dimensões desta unidade:

Tabela 6: Dimensões do chiller – bomba de calor proposto

Comprimento [mm]

Largura [mm]

Altura [mm]

4110

2220

1990

?? Unidades de Tratamento de Ar Todas as unidades foram projectadas para executarem um controlo rigoroso do valor da humidade relativa e temperatura do respectivo recinto. O controlo da humidade relativa é feito através de um “humidostato”, presente no recinto, que emite sinais ao sistema de controladores. O controlo de temperatura é feito por um sensor de temperatura, presente

27 Figura retirada do catálogo da CLIMAVENETA

Relatório Final do Trabalho Final de Curso no recinto, que também emite sinais ao sistema

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

no recinto, que também emite sinais ao sistema de controladores. O dimensionamento das Unidades de Tratamento de Ar foi realizado atendendo aos valores expostos na tabela seguinte, onde cada sigla tem o seguinte significado:

PQSM – Potência calorífica sensível do recinto PQLM – Potência calorífica latente do recinto PQAR – Potência calorífica de arrefecimento a fornecer à UTA PQAQ – Potência calorífica de aquecimento a fornecer à UTA PEVI – Pressão estática do ventilador de insuflação PEVE – Pressão estática do ventilador de extracção

Ta bela 7: Características técnicas das UTA´s do Rés-do-Chão

Zona da Caudal de ar novo [m 3 /h] Caudal de ar recirculado [m 3
Zona
da
Caudal
de ar
novo
[m 3 /h]
Caudal de
ar
recirculado
[m 3 /h]
PQSM
PQLM
PQAR
PQAQ
PQVM
PEVI
PEAR
[kW]
[kW]
[kW]
[kW]
[kW]
[Pa]
[Pa]
UTA
Z01
5500
50
43,703
9,702
42,497
8,529
25,060
197
132
Z02
300
3100
11,869
0,485
13,915
1,541
1,253
90
76
Z03
900
12000
42,997
6,148
58,069
52,401
4,177
269
105
Z04
500
8500
31,028
3,278
39,984
17,569
2,228
263
149
Z05
500
7000
25,666
3,278
34,014
35,157
2,228
153
97
Z06
600
4500
17,337
4,100
26,099
20,762
2,784
84
25
Z08
200
1000
3,907
0,401
4,968
0,643
0,696
134
30
Z010
100
1000
3,400
0,160
4,032
0,465
0,278
134
36
Z011
500
3500
13,280
0,861
16,032
1,854
2,228
187
30
Z012
200
2000
6,788
0,520
8,383
1,052
0,696
171
30
Z013
200
2000
4,683
1,025
6,913
9,400
0,696
76
25
Z014
300
600
3,413
0,539
4,580
0,605
1,392
55
18
Z015
200
1100
3,026
1,585
6,925
2,768
0,696
20
12
Relatório Final do Trabalho Final de Curso Tabela 8: Características técnicas das UTA´s do 1ºAndar
Relatório Final do Trabalho Final de Curso
Tabela 8: Características técnicas das UTA´s do 1ºAndar
Zona
da
Caudal
de ar
novo
[m 3 /h]
Caudal de ar
recirculado
[m 3 /h]
PQSM
PQLM
PQAR
PQAQ
PQVM
PEVI
PEAR
[kW]
[kW]
[kW]
[kW]
[kW]
[Pa]
[Pa]
UTA
Z11
300
9000
30,127
0,538
34,321
3,632
1,392
128
71
Z12
100
1500
4,190
0,174
4,937
0,565
0,278
10
24
Z13
100
800
2,926
0,108
3,413
0,375
0,278
146
42
Z14
100
800
2,884
0,108
3,366
0,370
0,278
138
36
Z15
500
7100
26,496
3,278
34,938
28,893
2,228
156
101
Z16
100
400
1,502
0,108
1,828
0,214
0,278
50
29
Z17
100
500
1,703
0,108
2,052
0,237
0,278
50
29
Z18
100
500
1,947
0,108
2,323
0,264
0,278
92
29
29 Z18 100 500 1,947 0,108 2,323 0,264 0,278 92 29 ?? Outros acessórios Relativamente aos

?? Outros acessórios Relativamente aos restantes acessórios, nomeadamente as condutas, os vasos de expansão e reservatórios de inércia, constatamos que as suas características se adaptam aos novos parâmetros de funcionamento da instalação. Por esta razão não é necessária a sua substituição.

6.- Conclusões

Neste trabalho foi analisado o sistema de ar condicionado do Museu Marítimo e Regional de Ílhavo. A análise consistiu, numa primeira fase, na aplicação de metodologias apropriadas para o dimensionamento de sistemas de ar condicionado. Posteriormente, verificamos que a sensibilidade às variações de temperatura e humidade relativa constitui um problema na conservação do espólio desta Instituição. Constatou- se então que a solução instalada não respondia na sua totalidade a estas condições específicas. Consequentemente, decidiu-se estudar e propor uma nova solução que se adequa às novas necessidades.

Na tentativa de propor uma nova solução concluiu-se que um sistema de dois tubos não podia ser aplicado a esta instalação porque o controlo da humidade relativa necessita de

Relatório Final do Trabalho Final de Curso uma bateria de arrefecimento e outra de reaquecimento

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

uma bateria de arrefecimento e outra de reaquecimento na Unidade de Tratamento de Ar (UTA). O que implica a produção simultânea de frio e calor e um sistema de quatro tubos, dois tubos, um de ida e outro de retorno, para circular a água quente na bateria de reaquecimento e os outros dois tubos para circular a água fria na bateria de arrefecimento. Optou-se pela produção centralizada de calor e frio podendo assim efectuar-se uma recuperação de calor no chiller – bomba de calor, uma vez que as potências instaladas nas UTA´s atingem um valor significativo. A instalação de duas caldeiras em paralelo com um regime de temperaturas de 70ºC / 90ºC e um chiller foi inicialmente equacionada, mas sabendo que ao optarmos por esta via os custos monetários associados a essa substituição eram elevados optamos pela simples substituição de um chiller – bomba de calor por outro que se adequa melhor às novas exigências da instalação.

7.- Referências

às novas exigências da instalação. 7.- Referências [1] – PIEDADE, A., RODRIGUES, A. e RORIZ, L.

[1] – PIEDADE, A., RODRIGUES, A. e RORIZ, L. – Climatização em Edifícios, Envolvente e Comportamento Térmico – Edições Orion, 1ª Edição, 2000 [2] – STOECKER, W.F.; JONES, J.W. – Refrigeração e Ar Condicionado – 1985, McGraw Hill Brasil, Ltda

[3] – SANTOS, C. A. Pina; PAIVA, J. A. Vasconcelos – Coeficientes de Transmissão Térmica de Elementos da Envolvente de Edifícios – Lisboa, Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), 1990 [4] – A.A.V.V. La Madera Editorial Blume S.A., 1986 [5] – JONES, W.P. – Engenharia de Ar Condicionado – Editora Campus, 2ªEdição,

1973

[6] – A.A.V.V. – Térmica dos Edifícios – Instituto Soldadura e Qualidade (ISQ), 1996

[7] – WHITE, F. – Fluid Mechanics – McGraw-Hill, 1998 [8] – BARREIROS, A.; “CTERM: Programa para determinação das condições de insuflação e potências das máquinas, num sistema de condicionamento de ar”, 1999 [9] – PLENDERLEITH, H.S. – La Conservation des antiquites et des oeuvres d’art – Éditions Eyrolles, 1996 [10] – MAYER, R. – Materiales y técnicas del arte – Editorial Blume, 1985

Relatório Final do Trabalho Final de Curso 8.- Anexos Anexo A: Tabelas referentes às cargas

Relatório Final do Trabalho Final de Curso

8.- Anexos

Anexo A: Tabelas referentes às cargas térmicas

Anexo B: Gráficos das cargas térmicas Anexo C: Propriedades termodinâmicas do fluido refrigerante R407C Anexo D: Breve descrição dos compartimentos do Museu Anexo E: Relatório técnico da Empresa PEN, Lda. Anexo F: Listagens do CTERM

Anexo G: Doenças provocadas por sistemas de Ar Condicionado Anexo H: Exemplo de cálculo das cargas térmicas Anexo I: Cálculo da inércia térmica da Biblioteca Anexo J: Desenhos em AUTOCAD das UTA´s e respectivas condutas Anexo K: Características técnicas da UTA do Átrio

Anexo K: Características técnicas da UTA do Átrio Anexo L: Cálculo dos coeficientes de transmissão de

Anexo L: Cálculo dos coeficientes de transmissão de calor da envolvente Anexo M: Características técnicas do Chiller – Bomba de Calor Anexo N: Controle de condições Ambiente: interiores