A USABILIDADE EM DISPOSITIVOS MÓVEIS
Gabriel Gavasso 1 Rodrigo Calderaro 1 Carlos Eduardo Spolavori 1 Profa. Orientadora Daniele Andres 2
Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) – Campus Guaíba BR 116, 5.724 – Bairro Colina – Guaíba, RS – Brasil
1 {gabrielgavasso}{calderaro.rodrigo}{kadu.spolavori}@gmail.com
2 danielep@guaiba.ulbra.tche.br
Resumo. Hoje os dispositivos móveis são cada vez mais comuns e mais necessários no dia-a- dia das pessoas. Os usuários destes aparelhos estão inseridos em um contexto diferente dos usuários de computadores de mesa, além de apresentar características específicas que devem ser consideradas no momento de projetar interfaces para os mesmos. Este artigo visa então debater sobre tais características, de modo a prover informações para o projeto de interfaces que valorizem a usabilidade como fator importante no desenvolvimento do produto.
Palavras-chave: usabilidade, dispositivos móveis, interfaces.
1 . INTRODUÇÃO
As interfaces homem-computador não se limitam à interação do usuário com interfaces de aplicativos convencionais e as páginas Web para computadores de mesa. Atualmente, percebe-se a presença de “computadores disfarçados” em diversos produtos utilizados diariamente, além de não serem necessariamente operados pelo mouse e pelo teclado. Neste universo, uma realidade que cresce cada vez mais é a Internet móvel e telefonia móvel, onde as tecnologias de conexão sem-fio surgem rapidamente e possibilitam o acesso a Internet a partir de dispositivos portáteis, como celulares ou PDA's (a partir da sigla inglesa significa Assistente Digital Pessoal).
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Para ser considerado um computador de mão, WEISS apud BETIOL (2004) afirma que este deve possuir três características básicas, listadas abaixo:
Deve funcionar sem cabos, exceto temporariamente (recarga elétrica ou sincronização com computadores de mesa); Deve ser facilmente operado com uma mão sem a necessidade de estar apoiado em uma mesa; Deve permitir a adição de novos aplicativos e suportar conexão à Internet. Estima-se que no Brasil já existam quase 5 milhões de computadores de mão (BARRUECO, 2006), além de mais de 70 milhões de celulares em abril de 2005 (SOUZA, 2006). Dessa maneira, cada vez mais serviços são oferecidos para estes dispositivos, desde os serviços mais básicos de telefonia aos celulares, até jogos e outros serviços de entretenimento utilizando conexões de Internet. Para os PDA's novos aplicativos são lançados e o acesso à Internet a partir destes dispositivos se desenvolve a cada dia. As novas tecnologias dos dispositivos móveis geram uma necessidade maior no projeto de uma interface com usabilidade, pois acopla inúmeras funcionalidades em uma pequena tela. A entrada de novos usuários no mercado de celulares está quase se esgotando e chega à hora que se destacarão aqueles que aumentarem o número e a qualidade de seus serviços agregados (BAHIANA, 2005). Porém, estes serviços só irão gerar lucros para a empresa se os usuários souberem utilizar as tecnologias facilmente. Sob esta perspectiva, este artigo visa apresentar aspectos importantes relacionados à usabilidade em dispositivos móveis, principalmente PDA’s e aparelhos celulares. A usabilidade tem por principal característica tornar a interação mais fácil, principalmente para os usuários inexperientes.
2 . CARACTERÍSTICAS DOS DISPOSITIVOS MÓVEIS
Algumas características são próprias dos dispositivos móveis e devem ser consideradas e respeitadas para prover uma experiência mais confortável, implicando em facilidade de uso e aprendizado, metas da usabilidade. Estas características, segundo SILVA FILHO (2006), são listadas abaixo:
Propósito e funcionalidade limitada; Não necessariamente extensível ou atualizável;
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Menos complicado comparativamente ao PC;
Quanto aos celulares, seus usuários são, geralmente, leigos. Os fabricantes de tais dispositivos são influenciados pela pressão do mercado, que exige novidades tecnológicas e redução do ciclo de vida dos produtos. Embora aconteçam muitos avanços, eles não ocorrem no consumo de serviços de valor agregado. Normalmente, o consumidor só descobre ou não ser capaz de utilizar as funções depois de realizar a compra (SILVA FILHO 2006 e BARRUECO, 2006). Outras características que devem ser consideradas, segundo BETIOL (2004), é o fato de tais dispositivos móveis é o tamanho da tela de tais aparelhos. Isto exige cuidados quanto à otimização dos espaços da tela e apresentam diversas características que diferem em tantos
modelos e fabricantes. Ainda segundo BETIOL (2004), tais dispositivos diferem muito de outros computadores quanto aos seus dispositivos de entrada, já que ainda não existe uma tecnologia padrão como o mouse e teclado para computadores de mesa. A entrada dos dados ainda difere entre os diversos modelos de diversos fabricantes. O ambiente em que os computadores móveis estão inseridos também possui influência sobre as características que o produto deve ter quanto a sua usabilidade. Segundo BETIOL (2004), os computadores de mesa são utilizados para tarefas longas. Ao contrário, computadores de mão são utilizados para tarefas rápidas e que oferecem informações para a interação do usuário com o ambiente. A interface destes dispositivos deve ser fácil, de modo a permitir que a interação do usuário com o equipamento não interfira nas tarefas que estão sendo desenvolvidas no ambiente. Segundo RISCHPATER apud BETIOL (2004), “o usuário móvel tem menor capacidade de processar e absorver conteúdo que um usuário que está sentado em frente a um computador de mesa”. Computadores de mão são destinados ao uso por uma grande variedade de usuários, inclusive aqueles que não têm experiências prévias com computadores. Dessa maneira, a “usabilidade imediata” é muito importante (MACKENZIE apud BETIOL, 2004). Dessa maneira, as necessidades e características dos usuários de dispositivos móveis, o contexto de uso dos computadores de mão e suas limitações devem ser considerados no projeto de interfaces com usabilidade destes equipamentos.
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3 . USABILIDADE EM DISPOSITIVOS MÓVEIS
Atualmente, o mercado de dispositivos móveis possui muitos modelos de diferentes marcas. Não há um padrão entre estes diversos dispositivos, tanto ao seu uso quanto a suas interfaces. Isso origina aplicações com interfaces não intuitivas, navegação confusa entre as telas, além do uso desordenado de cores devido às propriedades das telas dos sistemas. A crescente criação de serviços para dispositivos móveis ocorre de maneira desordenada e pode ser comparada ao caos da explosão da Internet na última década do século passado, onde as empresas Microsoft e a Nestscape lançaram seus navegadores para a Internet sem esperar pela definição de um padrão para o desenvolvimento das páginas para a Internet. Isso ocasionou incompatibilidades de muitas páginas na Internet. Iniciativas para a padronização dos sites acessados na Internet a partir de dispositivos móveis têm sido tomadas pela W3C (World Wide Web Consortium), um consórcio composto por diversas entidades com o objetivo de definir padrões para a Internet, inclusive para dispositivos móveis. Esta padronização para os sites da Internet em celulares e PDA’s permite o uso crescente de negócios baseando suas operações, como vendedores que utilizam ambientes web via celular para realizar vendas. Serviços como e-banking e e-commerce pelo celular tem seu crescimento proporcionado por esta padronização, já que possibilita que usuários que utilizem os mais diferentes aparelhos acessem estes sites, sem a necessidade de custos adicionais para a empresa com o desenvolvimento de várias soluções destinadas a múltiplos aparelhos. Já os aplicativos que não dependem da Internet, como agendas e editores de texto, não possuem padronização para as suas interfaces e consequentemente a cada troca de aparelho, o usuário tem um período de aprendizagem, o que muitas vezes acontece com os erros. Entre os fabricantes, a Palm One possui um sistema operacional próprio, o Palm OS, que, segundo VAN AMSTEL (2006), se utiliza de elementos já comuns dos computadores de mesa, como botões, ícones, elementos de formulário, entre outros. Porém, todos foram devidamente adaptados para o acesso através de telas touch-screen. Não considerando tais diferenças entre computadores de mesa e computadores de mão, a Microsoft desenvolveu o sistema operacional WindowsCE, que é destinado a computadores de mão de fabricantes como HP e Compaq. Este sistema não adaptou o sistema operacional Windows dos computadores de mesa para sua interface menor nos PDA’s. Dessa
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forma, os elementos distribuídos nas interfaces não valorizam as características que este dispositivo possui. A usabilidade de dispositivos móveis ainda se encontra em fases de pesquisa, principalmente devido ao alto custo na realização de testes com usuários, já que são inúmeros dispositivos existentes.
4. CONCLUSÕES
Verifica-se que os dispositivos móveis tem características muito particulares e devem ser tratadas de maneira diferente, não sendo aplicável as mesmas técnicas para o projeto de interfaces de computadores de mesa para computadores móveis. Devido aos vários dispositivos disponíveis no mercado e a grande rotatividade de equipamentos, principalmente de aparelhos celulares, a padronização no desenvolvimento de tais interfaces permite que o usuário aprenda a utilização do sistema e mesmo com a troca de equipamento, possibilite a continuidade do seu aprendizado e não o reaprendizado sobre uma nova interface. Estas interfaces devem levar em conta também o contexto em que os usuários estão inseridos e os principais usos destes equipamentos. Dispositivos móveis normalmente são utilizados em tarefas mais rápidas e nas mais diversas situações, desde fila em bancos até reuniões de negócios. Além disso, a própria tecnologia exige uma agilidade no uso dos mesmos. Este é um campo promissor como área de pesquisa, visto que é uma tecnologia recente e que a utilização é muito grande.
R EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAHIANA, Carlos. Usabilidade de celulares: oportunidade para operadoras. Capturado em 28/06/2006. Disponível em http://www.design.eti.br/index2.php?option=com_content
&do_pdf=1&id=84
BARRUECO, Raul. E a Palm faz 10 anos
Capturado em 28/06/2006. Disponível em
http://www.palmland.com.br/materias/2006/007_palm10anos.asp?id=1058
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BETIOL, Adriana H. Avaliação de Usabilidade para os computadores de mão: um estudo comparativo entre três abordagens para ensaios de interação. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Santa Catarina : Florianópolis, 2004. SOUZA, José Luis de. A possível diferença na contagem do número de Celulares no Brasil. Online. Capturado em 28/06/2006. Disponível em http://www.teleco.com.br/emdebate/
jluis01.asp
VAN AMSTEL, Frederick. 5º Usihc*parte I. Capturado em 28/06/2006. Disponível em
http://www.usabilidoido.com.br/5_usihc_parte_i.html
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