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TODAS AS GLORIAS A SRÏ GURU E GAURÃNGA

Gosto Superior

Receitas Internacionais Guia Prático do Vegetarianismo

Baseado nos ensinamentos de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

FUNDbDOfí-ÃCÃRYA DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DA CONSCIÊNCIA DE KRISHNA

DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DA CONSCIÊNCIA DE KRISHNA THE BHAKTIVEDANTA BOOKTRl/ST São Paulo • Bombaim •

THE BHAKTIVEDANTA BOOKTRl/ST

São Paulo • Bombaim • Londres • Los Angeles • Estocolmo • Hong Kong • Sidnei

Introdução

l

índice

1 - Saúde e uma Dieta que não Contenha Carne3

2 - O Custo Oculto da Carne

3-"FazeaosOutros

13

"

21

4 - Karma e Reencarnação

33

5 - Mais do que Simples Vegetarianismo

43

6 - Gosto Superior

53

7 - Receitas

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Jantar Italiano l

Peslo; Berinjela recheada; Bolinhos de ervas; Cubos fritos

de mussarela; Salada de legumes e Sherhet de limão

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Jantar Italiano 2

Minestrone; Espaguete com koftas ao molho de tomate; Abobrinhas empanadas; Vagens com tomates; Cakone; Bolo napolitano de queijo

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Jantar Indiano l

Berinjela com tomate e panir; Arroz com castanhas de caju e ervilhas; Samosas; Raita de pepino; P uris; Burfi de coco

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Jantar Indiano 2

Sabji de batata e repolho; Mung dal; Arroz basmati; Pakoras de couve-flor; Chutney de tomate; Chapatis; Kheer bengali

88

Jantar Chinês l

Sopa de legumes agridoce; Manapua; Arroz frito; Vegetal agridoce de Tofú; Biscoitos de amêndoas

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Jantar Chinês 2

Salada de agrião; Rolinhos primavera; Vegetal Lo Mein; Berinjela temperada; Sorvete de baunilha

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Jantar Mexicano

Gaipacho; Salada de abacate; Enchiladas; Emlhas e cenouras ao creme; Sobremesa de manga

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Jantar Francês

Tomates recheados; Quiche de legumes; Almondine de vagens;

Arroz e legumes à caçarola; Gelatina de suco de frutas

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Jantar Sírio-Libanês

Sopa de lentilhas com limão; Massa folhada com espinafre; Salada de berinjela; Abobrinha recheada; Pastel doce

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Legumes e Vegetais

Pimentões recheados; Upma; Couve-flor com vagem e castanha de caju; Aspargos à caçarola; Legumes ao curry; Fatias fritas de berinjela; Batatas Gouranga; Couve-flor ao parmesão;

"Omelete" de batata; Espinafre e couve-flor ao creme

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Acompanhamentos Diversos

Tostados; Pizza pila; Bharats ao molho de iogurte; Parathas recheadas; Banana vadis; Bolinhos de balatas e ervilhas; Bolinhos de ricota; Sanduíches de pimentão e ricota; Bolo salgado de castanhas

8 - Sobre o Movimento Hare Krishna e a Alimentação Vegetariana

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Introdução

Influenciadas por fatores que variam desde a saúde e a economia até a ética e a religião, milhões de pessoas ao redor do mundo estão se voltando para uma dieta vegetariana. Gosto Superior explica claramente as várias razões pelas quais as pessoas deixam de comer carne. Nele estão contidas mais de 60 receitas de pratos vegetarianos que superarão os prazeres, encontrados, na alimentação habitual, transportando-nos,

ffitãc?, a nwaa v^i^cilcacïaa cfc <iclít,iít3 çrarudisíu^us.

Sc YOGÚ

^empre pensava que ser vegetariano significa comer apenas al-guns legumes cozidos e saladas frias, prepare-se então, para uma grande surpresa. Com Gosto Superior, você aprenderá a prepa-rar refeições completas, nutritivas e saborosas. As receitas foram escolhidas por causa de sua simplicidade e preparo fácil e rápido. Também tão importante quanto os ingredientes que você usa para cozinhar é a sua consciência. Gosto Superior mostra :omo qualquer pessoa pode transformar uma rotina diária em uma experiência bem aventurada e iluminante. O ato de preparar alimento vegetariano que não acarreta karma é uma parte integrante do mais elevado sistema de yoga e meditação descrito nos ensinamentos intemporais da literatura védica indiana. No Bhagavad-gïtã o Senhor Krsna afirma: "Se alguém Me oferecer, com amor e devoção, uma folha, uma flor, frutas ou água, Eu as aceitarei". A pessoa que prepara alimento vegetariano puro e natural e em seguida o oferece ao Senhor Supremo automaticamente sentirá o despertar do sublime prazer espiritual no coração. O Senhor Supremo é descrito nos Vedas como o reservatório de todo o prazer e, para aumentar Seu prazer, Ele Se expande -través de Sua energia de prazer em incontáveis

seres vivos que têm o propósito de compartilhar de Seu desfrute. Todos nós somos partes dessa potência eterna de prazer e, pelo simples ato de prepararmos o alimento para o prazer de Deus, podemos experimentar gozo transcendental. Você perceberá isso tão logo saboreie a comida que você ofereceu. Como disse o ex- beatle George Harrison certa vez em uma entrevista: "Quando você sabe que alguém cozinhou algo com relutância, isso não tem um sabor tão agradável quanto o alimento que, feito para atrair e agradar a Deus, é-Lhe oferecido

primeiramente. Basta isto para que o alimento fique muito mais saboroso". É isso que queremos dizer com "um gosto superior". O Capítulo Primeiro revela como a pesquisa médica moderna mostra grandes relações entre o consumo de carne e as doenças fatais, como o câncer e doenças cardíacas. O Capítulo Segundo expõe o mito da escassez alimentar mundial e esclarece as vantagens económicas que a dieta vegetariana propicia à sociedade e ao indivíduo. No Capítulo Terceiro, demonstram-se os fundamentos éticos do vegetarianismo, focalizando os escritos de alguns dos maiores líderes religiosos, escritores e filósofos do mundo, dentre os quais Pitágoras, Platão, Leonardo da Vinci, Rousseau, Franklin, Shelley, Tolstoy, Thoreau, Gandhi e outros. Também se examina o princípio da não-violência, conforme defendido nos ensinamentos do judaísmo, cristianismo, budismo e hinduísmo. Uma análise de como as leis do karma e a reencarnação se relacionam com o vegetarianismo forma a base do Capítulo Quarto. O Capítulo Quinto explica em pormenores a lógica e os procedimentos de se oferecer alimento vegetariano ao Senhor Supremo como parte do sistema de bhakti-yoga. No Capítulo Sexto, trechos dos escritos de Srïla Prabhupãda, a maior autoridade sobre a cultura védica, fornecem um resumo muito conciso e de fácil leitura da filosofia por trás da dieta vegetariana espiritual delineada em Gosto Superior.

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Saúde e uma Dieta que não Contenha Carne

Aindagaçãocentralacercadovegetarianismoconsistiria emperguntarseésaudáveleliminar-sea carneeoutrosalimentos animais.Agora, entretanto, a questão principal é se é mais saudávelserum vegetariano do que um carnívoro. A resposta a ambas as perguntas, tomando como base a evidência disponível hojeemdia,pareceserumsonorosim.

Jane E.Brody New York Times News Service

Hoje em dia, com a crescente evidência do efeito crítico da dieta na saúde e na longevidade, um número cada vez maior de pessoas está levantando esta pergunta: Ao corpo humano é mais apropriada uma dieta vegetariana ou uma dieta que inclua carne? Na busca das respostas deve-se considerar duas áreas — a estrutura anatómica do corpo humano e os efeitos físicos do consumo de carne. Visto que o ato de comer principia nas mãos e na boca, o que poderá nos revelar a anatomia destas partes do corpo? Os dentes humanos, da mesma forma que aqueles dos herbívoros, são projetados para mastigar e triturar substâncias vegetais. Os seres humanos não possuem os agudos dentes frontais que se destinam a cortar carne e que são característicos dos carnívoros. Os animais que

comem carne geralmente deglutem seu alimento sem mastigá-lo e, portanto, não necessitam de molares ou de uma mandíbula capaz de mover-se lateralmente.

Também a mão humana, sem unhas aguçadas e com seu polegar que pode fazer oposição aos outros dedos, é mais adequada para colher frutos e vegetais do que para capturar uma presa.

Digerindo a carne

Uma vez no estômago, a carne necessita de sucos digestivos altamente concentrados em ácido clorídrico. Os estômagos dos seres humanos e dos herbívoros produzem menos de um vigésimo de concentração de ácidos em relação aos carnívoros.

Outra diferença crucial entre o carnívoro e o vegetariano é encontrada no trato intestinal, onde o alimento é digerido mais ainda e os nutrientes passam para o sangue. Um pedaço de carne é parte de um cadáver, e sua putrefação cria catabólicos venenosos dentro do corpo. Dessa forma a carne deverá ser eliminada rapidamente. Com este objetivo os carnívoros possuem canais alimentares que são apenas três vezes o tamanho de seu corpo. Desde que o homem, da mesma forma que outros animais que não comem carne, possui um canal alimentar doze vezes o ta- manho de seu corpo, a carne em rápida decomposição fica retida por um tempo mais longo, produzindo uma grande quantidade de efeitos tóxicos indesejáveis. Um órgão do corpo que é afetado desfavoravelmente por estas toxinas são os rins. Este órgão vital, que elimina os catabólicos do sangue, é sobrecarregado pelo excesso de veneno introduzido pelo consumo de carne. Mesmo os que comem carne moderadamente necessitam que seus rins trabalhem três vezes mais em relação aos vegetarianos. Os rins de uma pessoa jovem podem ser capazes de aceitar este desafio, mas à medida que a pessoa envelhece o risco da doença e insuficiência renal aumenta grandemente.

Doença cardíaca

A incapacidade do corpo humano de lidar com gorduras animais em excesso é outra indicação de que o consumo de carne não é algo natural. Os animais carnívoros podem metabolizar quantidades quase ilimitadas de colesterol e de gorduras sem quaisquer efeitos adversos. Em experiências com cachorros, foram adicionados até 225 gramas de gordura de leite à sua dieta diária em um período de dois anos sem que ocorresse absolutamente qualquer alteração em seu nível sérico de colesterol. Por outro lado, seres vegetarianos têm uma capacidade muito limitada de lidar com qualquer nível de colesterol ou de gordura saturada que ultrapasse o limite requerido pelo corpo. Quando há consumo excessivo no decorrer de muitos anos, depósitos gordurosos (placas) acumulam-se nas paredes internas das artérias,

desencadeando o aparecimento de uma condição conhecida como arterosclerose, ou endurecimento das artérias. Uma vez que as placas depositadas dificultam o fluxo de sangue para o coração, aumenta-se tremendamente o potencial para ataques cardíacos, derrames e coágulos sanguíneos.

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Gosto Superior

Em 1961 o Journal ofthe American Medicai Association (Jornal da Associação Médica Americana) afirmou que 90 a 97% das doenças cardíacas, causa de mais da metade das mortes nos Estados Unidos, poderiam ser prevenidas através de uma dieta vegetariana.' Estes achados são fortalecidos por um relato da Associação Médica Americana, que declara: "Em estudos bem documentados de populações utilizando

a evidência sugere

métodos padronizados de dieta e avaliação de doença coronária

que uma dieta de gorduras altamente saturadas é um fator essencial para uma alta

incidência de doença cardíaca coronária". 2 A Academia Nacional de Ciências também relatou recentemente que o alto nível de colesterol sérico encontrado na maioria dos americanos é um fator importante na "epidemia" de doença cardíaca coronária nos Estados Unidos. 3

Câncer

Uma evidência a mais da inconveniência do trato intestinal humano para a digestão de

carne é a relação, estabelecida por numerosos estudos, entre o câncer de cólon e o hábito de comer carne. 4 Uma razão para a incidência de câncer é o conteúdo rico em gorduras e pobre em resíduos de uma dieta centralizada na carne. Isto resulta em um trânsito lento através do cólon, permitindo que os detritos tóxicos executem seu dano. O Dr. Sharon Fleming do Departamento de Ciências Nutricionais da Universidade da Califórnia em

Berkeley afirma: "Parece que a fibra na dieta ajuda a reduzir a frequência de

cólon e câncer retal". 5 Além do mais sabe-se que enquanto digerida, a carne produz metabólitos esteróides que têm propriedades carcinogcnicas (que produzem câncer). À medida que as pesquisas continuam, a evidência correlacionando o consumo de carne com outras formas de câncer está se acumulando a uma velocidade alarmante. A Academia Nacional de Ciências relatou em 1983 que "as pessoas serão capazes de prevenir muitos tipos de câncer ao comer menos

câncer de

Saúde e uma Dieta que não Contenha Carne

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carnes gordurosas e mais legumes e grãos". 6 E em seu Notes on the Causation of Câncer (Anotações Acerca da Causa do Câncer), Rollo Russel escreve: "Verifiquei que entre 25 países alimentando-se amplamente de carne, 19 apresentavam uma alta incidência de câncer e apenas um mostrava baixa incidência, e que entre 35 países alimentando-se de pouca ou nenhuma carne, nenhum apresentou uma alta incidência". 7 Alguns dos resultados de maior impacto na pesquisa do câncer vieram da exploração dos efeitos das nitrosaminas. As nitrosaminas formam-se quando as aminas secundárias, prevalecentes na cerveja, no vinho, no chá e no cigarro, reagem,

por exemplo, com conservantes químicos na carne. A entidade chamada Food and Drug Administration considerou as nitrosaminas, "um dos grupos de carcinógenas

mais versáteis e formidáveis jamais descobertos, e seu papel

humano tem causado crescente apreensão entre os especialistas". O Dr. William Lijinsky do Laboratório Nacional de Oak Ridge conduziu experimentos nos quais os animais testados foram alimentados com nitrosaminas. Dentro de seis meses ele encontrou tumores malignos em 100% dos animais. "Os cânceres", disse ele, "estão espalhados por toda a parte, no cérebro, nos pulmões, no pâncreas, no estômago, no fígado, nas supra-renais e nos intestinos. As funções orgânicas dos animais viram uma grande confusão". 8

na etiologia do câncer

Substâncias químicas perigosas na carne

Numerosas outras substâncias químicas potencialmente perigosas, das quais os consumidores não estão geralmente inteirados, estão presentes na carne e seus derivados industrializados. Em seu livro Poison in Your Body (Venenos em seu Corpo), Gary e Steven Null dão-nos uma visão interna dos artifícios utilizados nas fábricas institucionalizadas de produtos animais. Os animais são mantidos vivos e engordados através da administração contínua de tranquilizantes, hormônios, antibióticos e GO.ÏÍO

Superior Saúde e uma Dieta que não Contenha Carne

2.700 outras drogas", escrevem eles. "O processo começa antes mesmo do nascimento e continua muito tempo após a morte. Embora tais drogas ainda estejam presentes na carne quando você a come, a lei não exige que elas sejam enumeradas. Uma das substâncias químicas é o dietilstilbestrol (DÊS), um hormônio que promove o crescimento e que tem sido usado nos Estados Unidos durante os últimos

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anos a despeito dos estudos que demonstraram ser ele carcinogênico. Proibido em

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países por ser considerado um sério perigo à saúde, ele continua sendo usado pela

indústria da carne dos Estados Unidos, possivelmente porque a entidade chamada Food and Drug Administration calcula que ele poupe mais de 500 milhões de dólares anualmente aos produtores de carne. Outro popular estimulante do crescimento é o arsénico. Em 1972 o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos verificou que este veneno bem conhecido excedia o limite legal em 15% nas aves de criação da nação. 9 O nitrato e o nitrito de sódio, substâncias químicas usadas como conservantes para retardar a putrefação da carne defumada e de derivados da carne, inclusive presunto, toucinho, salame, linguiça e peixe, põem, também, a saúde em risco. Estas substâncias químicas dão à carne uma aparência vermelho-brilhante ao reagir com os pigmentos do sangue e do músculo. Sem estas substâncias a tonalidade marrom- acinzentada natural da carne morta afastaria muitos consumidores em perspectiva. Infelizmente estas substâncias químicas não distinguem o sangue de um cadáver do sangue de um ser humano, e muitas pessoas acidentalmente sujeitas a quantidades excessivas morreram de envenenamento. Mesmo quantidades menores poderão ser perigosas, especialmente para crianças ou bebés e, portanto, o Comité Abalizado das Nações Unidas sobre Aditivos no Alimento — a Organização para Alimento e

Agricultura e a Organização Mundial da Saúde (OAA-OMS) em conjunto — alertou: "Em nenhuma hipótese deve-se adicionar nitrato ao alimento do bebé". A. J. Lehman da Food and Drug Administration apontou que, "existe uma pequena margem de segurança entre a quantidade de nitrato que não é prejudicial e aquela que pode ser perigosa". Em decorrência das condições sujas e amontoadas a que os animais são forçados pela indústria da carne de corte, faz-se necessário o uso de grandes quantidades de antibióticos. Mas tal uso exacerbado de antibióticos propicia o aparecimento de bac- térias resistentes aos mesmos, as quais são transmitidas àqueles que comem a carne. A Food and Drug Administration estima que a penicilina e a tetraciclina poupam 1,9 bilhões de dólares por ano à indústria da carne, o que lhe dá razão suficiente para fazer vistas grossas aos perigos potenciais à saúde. O trauma de ser chacinado também acrescenta "venenos da dor" (tais como estimulantes fortíssimos) à carne. Estes juntam-se no sangue do animal aos detritos que não foram eliminados, tais como a ureia e o ácido úrico, contaminando ainda mais a carne comida pêlos consumidores.

Doenças na carne

Além das substâncias químicas perigosas, a carne frequentemente contém doenças dos próprios animais. Apinhados em condições sujas, alimentados à força e tratados com desumanidade, os animais destinados à matança contraem muito mais doenças do que normalmente contrairiam. Os inspetores da carne tentam eliminar os produtos inaceitáveis, mas devido a pressões da indústria e à falta de tempo suficiente para exame, muito do que é aprovado é muito menos saudável do que os compradores de carne imaginam. Em 1972 um relato do Departamento de Agricultura dos listados Unidos arrola as carcaças permitidas pela inspeção depois que as partes doentes foram removidas. Os exemplos incluíam quase 100.000 vacas com câncer de olho e 3.596.302 casos ik- fígado obscedido. O governo permite também, o comércio de

Gosto Superior Saúde e uma Dieta que não Contenha Carne

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galinhas com uma doença parecida com a pneumonia, que ocasiona o acúmulo de muco carregado de pus nos pulmões. A fim de satisfazer os requisitos federais, as cavidades toráxicas das galinhas são aspiradas com aparelhos de sucção de ar. Mas durante este processo os sacos aéreos doentios rompem-se e o pus derrama-se pela carne. Tem-se verificado que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos tem se mostrado frouxo em impor seus próprios requisitos inadequados. Em função de observar as agências ins-petoras federais a Repartição Geral de Relatos acusou o Departamento de Agricultura por sua falha em corrigir diversas violações dos matadouros. Carcaças contaminadas com fezes de roedores, baratas e bolor foram descobertas em companhias que vendem carne enlatada tais como a Swift e a

Armour. 10 Alguns inspetores tentam explicar essas concessões alegando que, caso as regulações fossem aplicadas, nenhuma companhia de carne enlatada seria capaz de continuar seu comércio.

Nutrição sem carne

Muitas vezes a menção do vegetarianismo provoca uma reação esperada: "E a proteína?" A isto o vegetariano poderia muito bem replicar: "Que me diz você do elefante? E do touro? E do rinoceronte?" Tanto as ideias de que a carne tenha o monopólio da proteína quanto as de que grandes quantidades de proteína sejam necessárias para a obtenção de força e de energia não passam de mitos. Enquanto digerida, a maioria das proteínas se decompõe em seus aminoácidos constituintes que novamente se unem, sendo usados pelo corpo para seu crescimento bem como para a reposição tissular. Destes 22 aminoácidos apenas oito não são sintetizados pelo próprio corpo, e estes oito "aminoácidos essenciais" existem em abundância em alimentos não cárneos. Leite e derivados, grãos, feijões e nozes são todos altamente providos de proteína. Queijo, amendoim e lentilhas, por exemplo, contém peso por peso, mais proteína do que hamburger, carne de porco ou rosbife. Um estudo conduzido pelo Dr. Fred Stare de Harvard e pelo Dr. Mervyn Hardinge da Universidade de Loma Linda fez extensas comparações entre a ingestão proteica dos vegetarianos e dos carnívoros. Eles concluíram que "cada grupo excedia duas vezes o conteúdo de cada aminoácido essencial e a maioria deles ultrapassava em grande parte este valor". A proteína constitui mais de 20% da dieta de muitos americanos, quase duas vezes mais que a quantidade recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Embora quantidades inadequadas de proteínas causem fraqueza, a proteína em excesso não pode ser utilizada pelo corpo, ao invés disso, ela é convertida em detritos nitrogenados que sobrecarregam os rins. A fonte primária de energia do organismo são os carboidratos. Só como um último recurso são as proteínas do corpo utilizadas para a produção de energia. Muita ingestão proteica na verdade reduz a capacidade energética do organismo. Em uma série de testes comparativos de resistência foram conduzidos pelo Dr. Irving Hisher de Yale, os vegetarianos foram duas vezes mais habilitados que os carnívoros. Ao reduzir 20% do consumo proteico dos não-vegetarianos, o Dr. Fisher observou que sua eficiência aumentou 33%. Numerosos outros estudos demonstraram que uma dieta vegetariana apropriada fornece muito mais energia nutritiva que a carne. Além do mais, um estudo conduzido pelo Dr. J. lotekyo e V. Kipani na Universidade de Bruxelas demonstrou que os vegetarianos foram capazes de realizar testes físicos em um período duas a três vezes maior que o dos carnívoros sem ficarem esgotados e se recuperaram da fadiga em uma quinta parte do tempo necessário aos comedores de carne.

Gosto Superior

Referências

1. "Diet and Strcss in Vascular Disease", Journal ofthe American Medicai Association, 3 de junho

de 1961, pág. 806.

2. "Diet and Coronary Heart Disease", um informe desenvolvido pelo Comité de Nutrição c

autorizado para liberação pelo Comité Central para Programas Médicos e Comunitários da Associação Cardiológica Americana, 1973.

3. "Diet and Coronary Heart Disease", Journal of the American Medicai Association, volume 222,

número 13, (25 de dezembro de 1972), pág. 1647.

4. Michacl J. Hill, M.D., "Metabolic Epidemiology of Dietary Factors in Large Bowcl Câncer",

Câncer Research, vol. 35, número 11, parte 2 (novembro de 1975), págs. 3398-3402; Bandaru S. Reddy, Ph.D., e Ernest L. Wynder, M.D., "Large-Bowel Carcinogenisis: Fecal Constituents of Population with Diverse Incidencc Rates of Cólon Câncer", Journal ofthe National Câncer Institute, vol. 50, 1973, págs.

1437-1441.

5. Dr. Sharon Fleming, correspondência pessoal, 26 de fevereiro de 1981.

6. Los Angeles Herald Examiner.

1. Citado de Câncer e Outras Doenças Advindas do Consumo de Carne, Blanche Leonardo, Ph.D., 1979, pág. 12.

8. Afirmativa do Dr. William Lijinsky, na audiência da Câmara de Deputados dos Estados

Unidos sobre "Regulação dos Aditivos nos Alimentos e dos Alimentos Medicamentosos Animais", março, 1971, pág. 132.

9. "Arsenic in Chicken Liver to Be Reviewed by Agency", Wall Street Journal, 13 de janeiro de

1972.

10. Jean Snyder, "O que Você Deveria Saber Acerca da Carne que Você Come", Today's Health, vol. 19, dezembro de 1971, págs. 38-39.

O Custo Oculto da Carne O Mito da Escassez

Em seu best-seller de 1975, O Relato do Eco-Espasmo, o futurista Alvin Tojfler, autor de Futuro Choque e de A Terceira Onda, sugeriu uma esperança positiva para a crise alimentar mundial. Ele previu "a ascenção súbita de um movimento religioso no Ocidente que restringiria o consumo de carne de gado, poupando, assim, bilhões de toneladas de cereais e fornecendo uma dieta nutritiva para o mundo como um todo".

Resolvendo o problema da f orne

Francis Moore Lappé, perita em nutrição e autora do best-seller Dietfor a small Planei (Dieta para um Planeta Pequeno), disse em recente entrevista na televisão que deveríamos olhar para um pedaço de bife como para um Cadillac. "O que eu

quero di'/.er", explicou ela, "é que nós nos Estados Unidos tornamo-nos dependentes de grandes carros que consomem muita gasolina devido à ilusão do petróleo barato. Da mesma forma, tornamo-nos prisioneiros de uma dieta centralizada na carne, obtida por uma alimentação animal rica em cereais, em decorrência da ilusão do baixo preço destes". De acordo com a informação compilada pelo Departamen-lo de Agricultura dos Estados Unidos, até 90% de todos os cere-iiis produzidos nos Estados Unidos são utilizados para alimentar iininiais de corte — vacas, porcos, caprinos e galinhas — que aca-IM W nas mesas de refeição. No entanto, o processo de se utilizar irreais para a produção de carne é incrivelmente improdutivo.

O Custo Oculto da Carne - O Mito da Escassez

Por exemplo, a informação proveniente do Serviço de Pesquisa Económica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revela que conseguimos de volta apenas meio quilo de carne de gado para cada 7 quilos de cereais. Em seu livro Proteins: Their Chemistry and Politics, o Dr. Aaron Altshul observa que, em unidades de calorias por hectare, uma dieta à base de cereais, legumes e feijão mantém 20 vezes mais pessoas que uma dieta à base de carne. Conforme se verifica atualmente, cerca da metade dos campos de colheitas americanos é utilizada para alimentar animais. Se usassem os campos aráveis da Terra principalmente para a produção de alimentos vegetarianos, o planeta poderia facilmente manter uma população humana de mais de 20 bilhões de pessoas. Fatos semelhantes a estes levaram os peritos em alimentação a apontar que o problema nutricional do mundo é amplamente ilusório. O mito da "superpopulação" não deveria ser utilizado pêlos defensores do aborto para justificar a matança de mais de 50 milhões de crianças não-nascidas a cada ano em todo o mundo. Mesmo agora já estamos produzindo alimento suficiente para todos no planeta, mas infelizmente o mesmo está sendo repartido de maneira ineficiente. Em relato submetido à Conferência Mundial de Alimentos das Nações Unidas (Roma, 1974), Rene Dumont, uma economista em agricultura junto ao Instituto Agrícola Nacional da França, emitiu a seguinte opinião: "O consumo excessivo de carne pêlos ricos significa fome para os pobres. Deve-se mudar esta agricultura contraproducente — pela supressão de lotes onde se engorda o gado com cereais e mesmo através de uma redução maciça do gado de corte".

As vacas vivas são uma vantagem económica

É por demais claro que uma vaca viva fornece à sociedade mais alimento do que quando morta — sob a forma de fornecimento contínuo de leite, queijo, manteiga, iogurte e outros alimentos ricos em proteína. Stewart Odend'hal, da Universidade de Missouri, realizou em 1971 um estudo pormenorizado com vacas na Bengala e observou que, longe de privar os seres humanos de alimento, elas comiam somente os restos não aproveitáveis das colheitas (cascas de arroz, bagaços de cana-de-açúcar, etc.) e capim. "Basicamente", disse ele, "o gado converte itens de pouco valor humano

direto em produtos de utilidade imediata." Isto deverá pôr de lado o mito de que as pessoas estão passando fome na índia porque não matam suas vacas. É interessante observar que a índia recentemente parece ter superado seus problemas alimentares, que sempre estavam mais relacionados com rigorosa seca ocasional ou com levantes políticos do que com as vacas sagradas. Um grupo de peritos junto à Agência para o Desenvolvimento Internacional, em uma declaração citada no Registro do Congresso para 2 de dezembro de 1980, concluiu: "A índia produz o suficiente para alimentar toda a sua população". Se lhes for permitido viver, as vacas produzirão alimentos de alta qualidade e ricos em proteína que vão além da imaginação. Nos Estados Unidos há uma tentativa deliberada de imitar a produção de derivados lácteos; não obstante, Sam Gibbons, de- putado da Flórida, relatou recentemente ao Cogresso que o governo dos Estados Unidos estava sendo forçado a armazenar "montanhas de manteiga, queijo e leite em pó desnatado". Ele disse a seus colegas: "Temos atualmente cerca de 200 milhões de quilos de manteiga, 250 milhões de quilos de queijo e cerca de 350 milhões de quilos de leite em pó desnatado". O suprimento aumenta cerca de 20 milhões de quilos a cada semana. Com efeito, as 10 milhões de vacas americanas fornecem leite c-m tanta quantidade que o governo libera periodicamente milhões de quilos de produtos derivados do leite para serem distribuídos i-nlre os pobres e os famintos. Fica visível e claro que as vacas l ;is vivas) constituem um dos mais valiosos recursos alimenta-u-s da humanidade.

O Custo Oculto da Carne - O Mito da Escassez

Florescem movimentos que visam salvar da matança as focas, os golfinhos e as baleias — por que, então, não haveria um movimento para salvar as vacas? Isso parece ser uma ideia sensata mesmo que apenas do ponto de vista económico — a menos que você faça parte da indústria da carne, a qual está cada vez mais preocupada com o crescimento do vegetarianismo. Em junho de 1977 o Farm Journal (Jornal Agrícola), uma importante revista comercial, imprimiu um editorial intitulado: "Quem defenderá o bom nome da carne de gado?" A revista instava que os criadores de gado de corte da nação contribuíssem com 40 milhões de dólares para que se financiasse a publicidade e, assim, se mantivesse bem alto tanto o consumo quanto o preço da carne de gado.

Você paga pela carne mais do que pensa

A indústria da carne é uma poderosa força económica e política e, além de despender milhões de seus próprios dólares para promover o consumo de carne, ela também conseguiu controlar uma boa parte de nosso imposto. Falando de forma práti- ca, o processo de produção de carne é tão custoso e desgastante que a indústria necessita de subsídios para sobreviver. A maioria das pessoas não está consciente de como os governos nacionais apoiam intensamente a indústria da carne através de concessões evidentes, de garantias favoráveis de empréstimo e assim por diante. Em 1977, por exemplo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos comprou 100 milhões de dólares a mais de carne de gado excedente para programas de merenda escolar. Naquele mesmo ano os governos da Europa Ocidental gastaram quase meio

bilhão de dólares, comprando dos fazendeiros o excesso de produção de carne e gastaram outros milhões para estocar o mesmo. Mais impostos são utilizados sob a forma de milhões de dólares que o governo dos Estados Unidos aplica a cada ano para manter uma rede de inspetores, para inspecionar o problema pouco divulgado das doenças animais. Quando os animais doentes são destruídos o governo paga uma indenização aos donos. Por exemplo, em 1978 o governo americano pagou 50 milhões do dinheiro do imposto de seus cidadãos para indenizações ao controle da brucelose, uma doença semelhante à gripe que aflige o gado e outros animais. Em outro programa o governo dos Estados Unidos fornece empréstimos de 350 mil dólares para os produtores de carne. Outros fazendeiros recebem abono de no máximo 20 mil dólares. Um editorial do New York Times denominou este título de subsídio como sendo "ultrajante", caracterizando-o como "um roubo escandaloso do erário". Apesar de as agências de saúde do governo evidenciarem que há associação entre o consumo de carne e o aparecimento de câncer e de doenças cardíacas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos continua gastando milhões de dólares na promoção do consumo de carne através de suas publicações e de programas de merenda escolar.

Dano ao meio ambiente

Outro preço que devemos pagar pelo consumo da carne é a deterioração do meio- ambiente. O Serviço de Pesquisa Agrícola dos Estados Unidos considera o sistema de esgoto altamente contaminado dos matadouros e dos pastos de alimentação como uma importante fonte de poluição dos rios e correntes da nação. Está se tornando cada vez mais evidente que as fontes de água pura deste planeta estão não apenas ficando poluídas como também estão sendo esgotadas, e a indústria da carne é especialmente destrutiva. Em seu livro Population, Resourses and Environment, Paul e Anne Ehrlich observaram que, para se cultivar meio quilo de trigo era necessário apenas 27 litros de água, ao passo que a produção de meio quilo de carne requeria entre 1.125 e 2.700 litros de água. E em 1973 o New York Time Post revelou este surpreendente abuso de um valioso recurso nacional — verificou-se que uma enorme instalação para matar galinhas estavautilizando 378 milhões de

litros de água por dia! Este mesmo volume poderia suprir uma cidade de 25 mil habitantes.

Conflito social

O processo desgastante da produção de carne, que requer maiores extensões de terra do que a agricultura dos vegetais, tem sido uma fonte de conflito económico na sociedade humana por milhares de anos. Um estudo publicado em Plant Foods for Human Nutrition revela que meio hectare de cereais produz cinco vezes mais proteínas do que meio hectare de pastagem reservado à produção de carne. Meio hectare de espinafre, 28 vezes mais proteína. Fatos económicos como estes eram conhecidos dos antigos gregos. Na República de Platão, Sócrates, o grande filósofo grego, recomendava uma dieta vegetariana porque ela

permitiria ao país usar de maneira mais inteligente seus recursos agrícolas. Ele alertou que, se as pessoas começassem a alimentar-se de animais, haveria maior necessidade de campos de pastagens. "E a nação que era capaz de sustentar seus habitantes originais se tornará, agora, muito pequena; e isso não é bastante?", perguntou ele a Glauco, o qual respondeu que isto era de fato verdadeiro. "E, consequentemente, iremos à guerra, Glauco, não iremos?" Ao que Glauco replicou: "Com toda a certeza". É interessante notar que o consumo de carne desempenhou um notável papel em muitas das guerras durante a era da expansão colonial europeia. O comércio de especiarias com a índia e com outras nações do Oriente foi motivo de grande contenção. Os europeus mantinham-se com uma dieta de carne preservada com sal. Com o objetivo de dissimular e variar o sabor monótono e desagradável de sua comida, eles compravam avidamente grandes quantidades de temperos. Tão colossais eram as fortunas feitas com o comércio de especiarias que os governos e os mercadores não hesitavam em valer-se das armas para garantir as fontes de suprimentos.

Na era atual, ainda existe a possibilidade de conflitos de massa tendo como base o alimento. Em agosto de 1974, a Agência Central de Inteligência (CIA) publicou um relato avisando que em futuro próximo poderá não haver alimento suficiente para a população do mundo, "a menos que as nações ricas diminuam rápida e drasticamente seu consumo de animais criados com cereais".

Poupando dinheiro através de uma dieta vegetariana

Desviemo-nos, agora, da situação geopolítica do mundo e dirijamo-nos a nossos próprios livros. Embora não se divulgue amplamente, os cereais, os feijões e o leite são uma fonte excelente de proteína de alta qualidade. Peso por peso, muitos alimentos vegetais são fontes mais ricas deste nutrimento do que a carne. Uma porção de 100 gramas de carne contém apenas 20 gramas de proteína. Outro fato a ser considerado é que a carne contém mais de 50% de água por peso. Comparativamente, uma porção de 100 gramas de queijo ou de lentilhas fornece 25 gramas de proteína ao passo que 100 gramas de soja fornecem 34 gramas de proteína. Mas, embora a carne forneça menos proteína, ela custa muito mais. Uma análise local nos supermercados de Los Angeles em agosto de 1983 revelou que um quilo de lombo de vaca custava 3,89 dólares, ao passo que ingredientes essenciais para deliciosas refeições vegetarianas custavam em média, menos de cinquenta centavos por quilo. Um copinho de 227 gramas de requeijão ao custo de 59 centavos de dólar provê 60% da necessidade mínima diária de proteína. Ao se tornar vegetariana, cada pessoa que faz as compras da casa poderia economizar pelo menos centenas de dólares por ano e milhares de dólares ao lon-f,o de sua vida. Como um todo, os americanos poupariam bilhões de dólares anualmente. Considerando tudo isto, torna-se difícil compreender por que alguém não se tornaria vegetariano.

"Faze aos Outros

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Não tenho dúvida de que a suspensão do consumo de animais faz parte integrante do destino da raçahumanaemseu aperfeiçoamentogradual.

Thoreau

Sintoqueoprogressoespiritualrequer,emumadeterminada etapa,queparemos dematarnossos companheiros,os animais,parasatisfaçãodenossosdesejoscorpóreos.

Gandhi

A cada ano matam-se 134 milhões de mamíferos e 3 bilhões de aves para alimento nos Estados Unidos. Mas poucas pessoas fa/em qualquer ligação consciente entre esta matança e os produtos cárneos que aparecem em suas mesas. Nos anúncios de lolcvisão um palhaço chamado Ronald McDonald diz às crianças i|iic o hamburger nasce nas "formas de hamburger". A verdade não é tão agradável — os matadouros comerciais assemelham-se ;i visões do inferno. Animais a berrar são golpeados por açoites e malho, por choque elétrico e por armas de concussão. Eles são, rnlão, suspensos pêlos pés e transportados através das fábricas da morte em sistemas condutores mecanizados. Muitas vezes, ainda vivos, suas gargantas são furadas e sua carne cortada. Descrevendo suas impressões de uma visita feita a um matadouro, o 1'íinipeão de ténis Peter Burwash escreveu em seu livro A ViWtarian Primer. "Não costumo me amedrontar muito facilmente. Eu jogava hóquei até quando me fizeram engolir metade dos meus dentes. E sou altamente competitivo em quadra de iniis, mas aquela experiência no matadouro aterrorizou-me.

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Quando saí de lá, eu sabia que nunca mais maltrataria um animal novamente! Eu conhecia todos os argumentos fisiológicos, económicos e ecológicos que apoiavam o vegetarianismo, mas foi a experiência direta da crueldade do homem para com os animais que estabeleceu o verdadeiro alicerce de meu compromisso com o vegetarianismo".

A Grécia e Roma antigas

Considerações éticas sempre têm impelido muitas das maiores personalidades do mundo a adotarem uma dieta vegetariana. Pitágoras, famoso por suas contribuições à Geometria e à Matemática, disse: "Oh! queridos companheiros, não profaneis vossos corpos com alimentos pecaminosos. Nós temos milho, temos maçãs que curvam os galhos com seu peso e uvas crescendo nos vinhedos. Há ervas de sabor doce e legumes que podem ser cozidos e abrandados no fogo, nem se nos nega o leite ou o mel perfumado com menta. A terra proporciona um suprimento exuberante de

riquezas, de alimentos inocentes e oferece-nos banquetes que não envolvem derramamento de sangue ou matança; somente as feras satisfazem sua fome com

carne, mas nem todas elas, pois os cavalos, o gado e as ovelhas subsistem de grama".

O biógrafo Diógenes conta-nos que Pitágoras comia pão e mel pela manhã e

legumes crus à noite. Ele também pagava aos pescadores para que estes jogassem sua pesca de volta ao mar. Em um ensaio intitulado "Acerca do Consumo da Carne" o autor romano Plutarco escreveu: "Podeis realmente perguntar que motivo tinha Pitágoras para se abster de carne? De minha parte não entendo através de que acidente e em que estado de espírito foi que a primeira pessoa sujou sua boca com sangue e levou seus lábios em direção à carne de uma criatura morta, pôs mesas de corpos mortos e em decomposição e ousou chamar de alimento e nutrição as partes que pouco antes haviam bramido e chorado, movimentavam-se e viviam. Como poderiam os olhos suportar a matança em que as gargantas eram perfuradas, a pele

esfolada e os membros arrancados? Como poderia seu nariz aguentar o fedor? Como é que a contaminação não ensombrava seu paladar, o qual fazia contato com

as misérias dos outros e sorvia os sucos e os soros de feridas mortais? Certamente

não são leões e lobos que comemos para defesa pessoal; pelo contrário, ignoramos estes e chacinamos criaturas dóceis e inofensivas, sem presas ou dentes para nos atacar. Por um pouco de carne tiramo-lhes o sol, a luz e a duração de suas vidas a que elas têm direito por seu nascimento e por sua existência". Ele, então, lançou este desafio aos carnívoros: "se afirmais ser naturalmente projetados para esta dieta, então primeiramente matais vós mesmos aquilo que desejais comer. Entretanto, lazei isto somente através de vossos próprios recursos, sem ajuda de um cutelo, de um cacete ou de qualquer tipo de machado".

Da Vinci, Rousseau, Franklin

Leonardo Da Vinci, o grande pintor, inventor, escultor e poeta da Renascença, epitomou a abordagem ética ao vegetarianismo. Ele escreveu: "Aquele que não dá valor à vida não a merece". Ele considerava os corpos dos comedores de carne como sendo locais de sepultamento", sepulturas dos animais que eles comiam. Seus livros e anotações estão cheios de passagens que mostram sua compaixão pelas criaturas vivas. Ele lamentava: "Números incontáveis destes animais terão seus filhos arrancados deles, rasgados e barbaramente trucidados".

O filósofo francês Jean Jaques Rousseau era um defensor da ordem natural. Ele observou que os animais carnívoros são geralmente mais cruéis do que os herbívoros. Ele concluiu, portanto, que uma dieta vegetariana produziria uma pessoa mais compassiva. Chegou mesmo a aconselhar que não se permitisse i|iic os açougueiros testemunhassem no tribunal ou que se sentassem no júri. Em The Wealth ofNations (A Riqueza das Nações) o economista Adam Smith proclamou as vantagens

de uma dieta ve-iriariana. "Pode-se, de fato pôr em dúvida se a carne dos açougues

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é, de alguma maneira, necessária à vida. Grãos e outros legumes, juntamente com o

leite, queijo e manteiga, ou óleo, caso não se tenha manteiga, propiciam a dieta mais

completa, saudável, nutritiva e revigorante. Em nenhum lugar o decoro impõe que alguma pessoa deva comer carne". Considerações semelhantes motivaram Benjamin Franklin a se tornar um vegetariano aos dezesseis anos de idade. Franklin lucrou daí "maior progresso dessa maior clareza de pensamento e mais rápida compreensão". Em seus escritos auto-biográficos ele chamava o consumo de carne de "assassinato imotivado". O poeta Shelley era vegetariano convicto. Em seu ensaio "Em Defesa da Dieta Natural", ele escreveu: "Que o defensor da alimentação animal seja forçado a uma experiência da conveniência da mesma e, como recomenda Plutarco rasgue, um

cordeiro vivo com seus dentes e, mergulhando sua cabeça nos órgãos vitais deste, mate

então, e só então, ele teria alguma lógica". O

interesse de Shelley pelo vegetarianismo começou quando ele era estudante em Oxford,

sua sede com o sangue fumegante

e ele e Harriet, sua esposa, adotaram a dieta logo após o seu casamento. Em uma carta datada de 14 de março de 1812, sua esposa escreveu a uma amiga: "Nós abandonamos

a carne e adotamos o sistema pitagorista". Shelley, em seu poema Queen Mab,

descreveu um mundo utópico onde as pessoas não matavam animais para se alimentar.

agoradenãomais Mataocordeiroqueoolhacomconfiança, Ebrutalmentedevorasuamaceradacarcaça, A qual,aindaimplorandodanaturezaavingança, Atiçatodososhumorespútridosdesua devassa: Todasaspaixõesdaninhas,todasasvãscrenças, Ódio,desesperoedesprezoemsua mente, Osgermesdamiséria,morte,crimeedoenças.

O escritor russo Leon Tolstoy tornou-se vegetariano em IHX5. Abandonando o esporte da caça, ele defendia o "pacifis-nio vegetariano" e era contrário a que se matassem mesmo as menores entidades vivas, tais como as formigas. Ele sentia haver uma progressão natural da violência que conduzia inevitavelmente a sociedade humana

à guerra. Em seu ensaio "O Primeiro Passo", Tolstoy escreveu que o consumo de carne

é "simplesmente imo-i;il, visto que envolve a execução de um ato contrário a conduta

moral: matar". Tolstoy acreditava que, ao matar, "o homem suprime em si mesmo, desnecessariamente, a capacidade espiritu-íil mais elevada — a da compaixão para com os seres vivos como fie — e, ao violar seus próprios sentimentos, torna-se cruel". O compositor Richard Wagner acreditava que toda vida era sagrada. Ele via no vegetarianismo a "dieta da natureza", a qual poderia salvar a humanidade das tendências violentas e ajudar-nos a retornar ao "Paraíso há muito perdido". Em muitas ocasiões de sua vida, Henry David Thoreau foi um vegetariano. Embora sua prática fosse, na melhor das hipó-lf sés, irregular, ele reconhecia suas virtudes. Em Walden ele es-uvvcu: "Não é uma vergonha que o homem seja um animal f arnívoro? É verdade que ele pode viver, e vive, em granda me-ilida, da captura de outros animais; mas isto é uma forma mise-lávcl — como qualquer pessoa que pegar coelhos numa armadilha ou matar cordeiros poderá aprender — e será considerado um benfeitor de sua raça aquele que ensinar às pessoas a st- restringir a uma dieta mais inocente e saudável. Qualquer que seja minha prática, não tenho dúvida de que a suspensão do consumo de animais faça parte integrante do destino da raça

humana em seu aperfeiçoamento gradual, da mesma forma que as li ihos selvagens deixaram de ser antropófagas ao entrarem em mulato com as mais civilizadas".

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O Século XX

Desnecessário se faz dizer que Mohandas Gandhi, o grande apóstolo da não-violência do Século XX, era vegetariano. Seus pais, sendo devotos hindus, nunca lhe deram carne, peixes ou ovos. Todavia, sob a regulação britânica, houve uma grande investida contra os princípios milenares da cultura indiana. Debaixo de tais pressões, muitos indianos passaram a adotar os hábitos carnívoros do Ocidente. Mesmo Gandhi foi vítima dos conselhos de alguns de seus colegas de classe que instavam a que ele comesse carne, pois ela aumentaria sua força e coragem. Mas, depois, ele assumiu novamente uma dieta vegetariana e escreveu: "É necessário que se corrija o erro de que o vegetarianismo nos tenha tornado fracos de mente ou passivos ou inertes de ação. Não considero a alimentação carnívora necessária em qualquer etapa". Ele escreveu cinco

livros sobre vegetarianismo. Sua própria dieta diária incluía germe de trigo, pasta de amêndoa, hortaliças, limões e mel. Ele fundou a Fazenda Tolstoy, uma comunidade baseada em princípios vegetarianos. Em seu livro A Base Moral do Vegetarianismo, Gandhi escreveu: "Eu considero a alimentação cárnea inadequada à nossa espécie. Er- ramos ao copiar o mundo animal inferior se somos superiores a ele". Ele percebia que os princípios éticos eram uma base mais sólida para a adesão a um regime vegetariano que

as razões de saúde. "Sinto", afirmou ele, "que o progresso espiritual requer, em uma

determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, buscando satisfazer nossos desejos corpóreos". O dramaturgo George Bernard Shaw tentou primeiramente tornar-se vegetariano aos 25 anos de idade. "Foi Shelley quem por primeiro abriu meus olhos para a selvageria de minha dieta", escreveu ele em sua auto-biografia. Os médicos de Shaw avisaram-no de que a dieta iria matá-lo. Quando já estava velho, perguntaram-lhe porque ele não mostrava a eles o bem que a dieta lhe fez. Ele replicou: "Eu gostaria, mas eles já faleceram anos atrás!" Certa vez, alguém lhe perguntou porque ele parecia tão jovem. "Não, eu não pareço", retrucou ele. "Aparento a idade que tenho. São as outras pessoas que parecem ser mais velhas do que são. Que pode você esperar de pessoas que comem cadáveres?" Sobre a correlação entre o consumo de carne e a violência na sociedade humana, Shaw escreveu:

Oramos aos domingos para que possamos ter luz Que guie nossas passadas na trilha que palmitamos; Estamos saturados de guerra, o conflito não nos seduz; Mesmo assim é dos mortos que nos fartamos.

H. G. Wells escreveu acerca do vegetarianismo em sua visão de um mundo futuro,

A Modern Utopia. "Em todo o mundo da Utopia não existe carne. Costumava haver.

Mas agora não podemos tolerar a ideia dos açougues. E, em uma população educada e com aproximadamente o mesmo nível de boa condição física, é praticamente

Ainda posso

recordar, em minha juventude, a alegria ao fechar o último matadouro". O escritor Isaac Bashevis Singer, ganhador do prémio Nobel, lornou-se vegetariano em 1962, aos 58 anos de idade. Ele disse: "Naturalmente lamento agora que tenha esperado tanto, mas antes larde do que nunca". Ele julga o vegetarianismo muito compatível com seu sistema místico de judaísmo. "Todos nós somos criaturas de Deus — é incoerente o fato de orarmos a Deus por misericórdia e justiça, enquanto continuamos a comer a carne dos animais que são mortos por nossa própria causa" Embora aprecie o aspecto saudável do vegetarianismo, ele afirma muito claramente que a consideração ética é primária. "Mesmo que demonstrassem que comer carne faz bem para a saúde, ainda iissim eu certamente não a comeria".

Singer denota pouca paciência com as justificativas inteirei uais para o consumo de carne. "Vários filósofos e líderes

impossível encontrar alguém que degole um boi ou um porco