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CUIDADO INTEGRAL NOS CICLOS DE VIDA Secretaria Municipal de Saúde Outubro de 2006

CUIDADO INTEGRAL NOS CICLOS DE VIDA

Secretaria Municipal de Saúde Outubro de 2006

Nutrição

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APRESENTAÇÃO

Uma boa nutrição é condição fundamental para promover o bem estar físico, mental e social de crianças, jovens e adultos, garantindo, em condições normais de saúde, uma boa qualidade de vida.

Além do prazer que proporciona, o alimento é fonte de energia e outros nutrientes que o corpo precisa para crescer, desenvolver e manter a saúde. E como cada nutriente tem uma função no organismo, a alimentação deve ser a mais variada possível, para que o corpo receba todos os nutrientes necessários para seu bom funcionamento.

Além do mais, diferentes grupos de pessoas possuem diferentes necessidades nutricionais, que dependem de fatores como idade, sexo, atividade física, gravidez e amamentação. As necessidades alimentares de uma criança, por exemplo, não são as mesmas de um adolescente, de um adulto ou de uma pessoa idosa.

Tudo isso e muito mais você vai ler nessa cartilha: “Alimentação por Faixa Etária”. Ela orienta sobre a alimentação adequada para crianças, adolescentes, adultos e idosos. Leia estas páginas com carinho e atenção!

NUTRIÇÃO NA INFÂNCIA

A infância exige maior cuidado com a alimentação. Além da manutenção das funções vitais, o organismo

da criança precisa de nutrientes para o crescimento, desenvolvimento do sistema nervoso e da estrutura

óssea.

A criança bem alimentada:

· cresce e ganha peso;

· desenvolve-se bem;

· tem melhor desempenho escolar;

· tem mais resistência às doenças;

· quando adoece, a recuperação é mais rápida.

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

O ser humano cresce geralmente até os 20 anos. Nesse período, há dois momentos em que a criança

cresce mais rápido, são os chamados estirões da infância e da adolescência.

O Estirão da Infância ocorre do primeiro ao sexto ano de vida. Durante o restante da infância, o

crescimento é relativamente lento e constante.

O Estirão da Adolescência acontece em idades diferentes para cada sexo. Nos homens acontece

dos 12 aos 20 anos, e nas mulheres, dos 10 aos 18 anos.

Crianças de 0 a 1 ano: ocorre o predomínio do peso em relação à altura (chamado de período de repleção).

Crianças de 1 a 6 anos: ocorre o predomínio da altura em relação ao peso (chamado de período de estirão).

Crianças de 6 a 10 anos: ocorre o predomínio do peso em relação à altura (repleção).

Adolescentes de 10 a 20 anos: ocorre o predomínio da altura em relação ao peso (estirão).

Desse modo, desde que nasce até o final da adolescência, principalmente nos dois estirões, a criança precisa de uma maior quantidade de nutrientes. Se houver deficiência na alimentação, podem surgir as doenças nutricionais como desnutrição, hipovitaminoses, raquitismo, anemia etc.

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Nutrição

ALIMENTAÇÃO DA CRIANÇA NO PRIMEIRO ANO DE IDADE

O leite materno é produzido especificamente para atender as necessidades nutricionais e afetivas da

criança, e, sempre que possível, deverá ser o único alimento oferecido nos primeiros seis meses de vida. Não precisa dar sucos, chás ou água. Bicos artificiais e chupetas também devem ser evitados para crianças que mamam no peito.

O leite de peito protege a criança de doenças infecciosas e diarréias, permitindo o desenvolvimento

mais saudável do bebê. Além disso, o ato de amamentar representa a ocasião em que o bebê se encontra envolvido nas delícias do afeto da mãe, recebendo amor, carinho e proteção.

A amamentação também é um excelente aliado da mãe na recuperação do seu peso normal, pois

produzir leite gasta muita energia. A ciência também tem mostrado que a chance de desenvolver câncer de mama é menor entre as mulheres que amamentam por mais tempo.

COMO OFERECER O PEITO

A melhor forma de amamentar é aquela em que a mãe consegue, mais tranqüilamente e da maneira

mais cômoda para os dois, oferecer o seu leite para o filho.

· Escolha um local da casa onde possa amamentar seu bebê sem ser incomodada. O momento deve

ser de tranqüilidade.

· Lave sempre as mãos com água e sabão antes de amamentar.

· Não limpe os bicos do seio com sabão, álcool ou outros produtos. O banho diário é suficiente.

· Amacie a região dos bicos, retirando com a mão um pouco de leite, para facilitar a pega do bebê e não ferir o seu peito.

· O bebê deve abocanhar a maior parte da aréola e não apenas o bico do peito.

· A amamentação deve ser prazerosa. Se o seu bico estiver doendo ou ferindo, é sinal de que a criança não está mamando da forma correta.

· A mãe deve deixar que o próprio bebê pegue o peito, encostando o mamilo no canto da boca dele para estimular o reflexo de busca.

· Durante a amamentação, afaste o narizinho do bebê do seu seio com a ajuda dos dedos indicador e médio.

· O horário das mamadas deve ficar por conta do bebê, isto é, ele deve mamar quando der sinais de fome. Os sinais mais evidentes são o choro, movimentos em busca do seio e a sucção das mãos.

· A duração da mamada é muito variável, pois é comum o bebê não sugar da mesma forma em todas as

mamadas. Inicie a amamentação sempre com o seio que se deu por último na mamada anterior.

· Ao final da mamada de cada seio coloque o bebê para arrotar. Ele precisa eliminar o pouco de ar que engoliu.

ALEITAMENTO ARTIFICIAL

Quando não for possível o aleitamento natural, o bebê deve ser alimentado com outro tipo de leite, a critério do pediatra ou nutricionista. O aleitamento artificial só deve ser introduzido caso a mãe seja portadora de alguma doença que impossibilite a amamentação.

Mamadeira

a superfície deve ser lisa e o fundo plano, de preferência graduada e resistente ao calor. O bico deve ser de borracha, macio e com furo apropriado. Posição da mamadeira inclinar, aos poucos, até a posição vertical, com o gargalo sempre cheio. Higienização as mamadeiras devem ser preparadas com o máximo de higiene, pois qualquer contaminação pode

colocar em risco a saúde do bebê. Lavar e esterilizar todos os utensílios da criança entre as mamadas.

A esterilização é feita fervendo-se os utensílios por 20 minutos.

Nutrição

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HIGIENE E SAÚDE BUCAL

A saúde dos dentes é importante em todas as fases da vida. A higiene oral deve iniciar-se mesmo antes

da erupção dos dentes-de-leite. A limpeza poderá ser feita com gaze, fralda ou algodão umedecidos com água filtrada, percorrendo toda a gengiva.

Após a erupção dos dentes-de-leite, a higiene oral deverá ser intensificada, especialmente após as mamadas, e mantida através da escovação e do uso do fio dental. A pasta dental só deverá ser utilizada para as crianças que conseguem controlar a deglutição e sabem cuspir.

DESMAME SAUDÁVEL

O desmame é um processo pelo qual outros alimentos são introduzidos gradualmente na dieta do bebê, primeiro para complementar o leite do peito e progressivamente para substituí-lo e adaptar a criança à alimentação do adulto.

A introdução de novos alimentos deve-se iniciar a partir dos seis meses, sem, no entanto, ser necessário

abandonar a amamentação, que pode prosseguir até os dois anos de idade. Apenas nos casos do aleitamento artificial ou da interrupção do aleitamento materno (muitas vezes quando a mãe retorna ao trabalho), a alimentação complementar pode ser introduzida mais cedo, a partir de 3 ou 4 meses de idade.

O desmame tem um papel fundamental na formação dos hábitos alimentares. Assim, é fundamental

que os pais ofereçam aos filhos alimentos variados e nutritivos, permitindo que eles conheçam diferentes sabores, amadureçam suas preferências e desenvolvam práticas alimentares saudáveis, que serão de grande importância nas próximas fases da vida.

Dicas Importantes para o Desmame:

· As papas salgadas do bebê devem combinar sabor, cor, textura e nutrientes. Elas precisam ser

preparadas com um tipo de carne, com um ou dois legumes e arroz, que pode ser substituído por batata, mandioca ou macarrão.

· É importante introduzir apenas um tipo de alimento a cada dia, assim, fica mais fácil observar a tolerância a cada tipo de alimento.

· Os alimentos devem ser preparados e servidos na hora. A papa salgada deve ser passada pela peneira

e NUNCA batida no liquidificador.

· Inclua verduras de folha pelo menos três vezes por semana. Assim, o bebê aprende a comer esses alimentos, fontes de vitaminas e fibras.

· Os óleos e o sal também são importantes na alimentação infantil, mas devem ser usados com

moderação. O açúcar também deve ser usado com muita moderação.

· A gema de ovo pode ser incluída no cardápio da criança no máximo duas ou três vezes por semana.

Ferva o ovo pelo menos por sete minutos e ofereça aos poucos – no primeiro dia, ofereça um quarto da

gema, outro dia, a metade, até introduzir a gema inteira. A clara não é indicada no primeiro ano de vida.

· O fígado também é uma boa opção de vitamina A e proteínas. Inclua-o na alimentação da criança pelo

menos a cada 15 dias.

· Mesmo que a criança “cuspa a comida, insista! Isto não significa que ela não esteja gostando, é só um sinal de que ela está aprendendo a comer.

Alimentos que devem ser evitados:

Até 6 meses: beterraba, espinafre, acelga, rabanete e farinha de trigo. Até 1 ano: alimentos duros (de difícil mastigação), frituras, feijão com casca, peixe, carne de porco, clara de ovo, mel, castanhas em geral, chocolate e bebidas achocolatadas, café, sucos artificiais, abacate, refrigerantes, alimentos enlatados e embutidos.

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Nutrição

 

6 - 7 h

9 - 9:30 h

11-12 h

15 - 15:30 h

17 - 18 h

À noite

3

meses

Mamadeira

Suco de fruta ou fruta amassada ou passada na peneira.

Mamadeira

Mamadeira

Mamadeira

Mamadeira

4

a 6

Mamadeira

Suco de fruta ou

Sopinha: introdução da primeira refeição de sal. Alimentos amassados ou passados na peneira: cenoura, batata, arroz, angu, chuchu, cará, abóbora etc.

Leite com

Mamadeira

Mamadeira

meses

fruta ou

fruta amassada ou raspadinha.

cereal.

7

a 9

Mamadeira

Suco de fruta ou fruta na forma de papa ou pedaços.

Sopinha: alimentos moídos ou amassados. Feijão: passado na peneira. Acrescentar gema de ovo ou carne magra bem desfiada ou moída

Leite com

Sopinha:

Mamadeira

meses

fruta ou

introdução da segunda refeição de sal.

cereal.

10 a 12 meses

Leite no

Suco de fruta ou fruta (banana inteira, laranja sem sementes, etc).

Refeição: alimentos cozidos e bem picados, em vez de moídos ou amassados.

Leite com

Refeição: já vai se aproximando da alimentação da família.

leite no

copo

fruta ou

copo

 

cereal.

ALIMENTAÇÃO DO PRÉ-ESCOLAR

Na idade pré-escolar, compreendida entre 1 e 6 anos, a criança tem necessidades nutricionais elevadas

e estão sujeitas às doenças contagiosas como catapora, sarampo e coqueluche. Nessa fase, ocorre

um predomínio da altura em relação ao peso (estirão), dando à criança a aparência de estar magra e alta.

A falta de apetite, principalmente nas refeições básicas (almoço e jantar), é uma característica forte do

pré-escolar, mas que deve ser observada com atenção e cuidado, para evitar possíveis carências nutricionais.

As seguintes observações podem ajudar a prevenir ou solucionar o problema da falta de apetite:

· Se tudo estiver bem do ponto de vista médico, a correção exigirá paciência e segurança dos pais.

· Aumente o intervalo entre as refeições, mas defina horários fixos.

· Evite oferecer lanches logo depois das refeições só porque a criança não almoçou direito. Neste caso,

a atitude correta é esperar mais meia hora ou 1 hora e oferecer a mesma refeição.

· Coloque pouca quantidade no prato e garanta a repetição quando solicitada.

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· Controle os líquidos durante a refeição, pois a criança troca facilmente a refeição por sucos e

refrigerantes. Deixe os sucos para os horários dos lanches e os refrigerantes para os finais de semana.

· Não dê comida na boca. Estimule a criança a comer sozinha.

· Prepare refeições coloridas para chamar a atenção das crianças.

· Evite discussões e correções exageradas durante as refeições.

· Não force o alimento e nem utilize da refeição como forma de recompensa. Isso cria uma resistência difícil de ser superada.

· Varie as preparações, incluindo o alimento que ela não gosta. Conte histórias e explique a necessidade de comer alimentos saudáveis.

· Desligue a televisão na hora das refeições.

· O ar puro, o exercício e o sono bem regulados são muito importantes para despertar o apetite.

DIETA ALIMENTAR DO PRÉ-ESCOLAR

Os cardápios do pré-escolar devem ser bem planejados, pois essa é a fase de formação e fixação de hábitos alimentares saudáveis.

Lembramos ainda que a dieta dos pais influencia os hábitos alimentares dos filhos. O apetite e a preferência por determinados alimentos estão relacionados à cultura alimentar dentro de casa. Se os pais não têm uma dieta saudável e variada, é mais difícil tentar impor esse tipo de hábito alimentar para seus filhos.

· A refeição deve ser atrativa, combinando cores e sabores. As cores dos alimentos são ótimas para atrair a atenção das crianças. Capriche nas hortaliças e nas frutas.

· Sempre que possível, coloque nas refeições um alimento de maior preferência da criança, mas não deixe que a refeição se limite a esse alimento.

· Evite alimentos muito gordurosos como enlatados, conservas, condimentos fortes, picles, carnes gordas, defumados, salame, mortadela e lingüiça. Esses alimentos podem agir maleficamente no organismo da criança.

· Incentive o consumo de frutas, verduras e legumes.

· Na hora do lanche ofereça frutas, vitaminas, sucos e biscoitos sem recheios doces.

· Dê preferência às carnes magras.

· As verduras de folhas oferecem importantes nutrientes para a criança: agrião, mostarda, salsa, ora-

pro-nóbis, couve, alface, acelga, brócolis, almeirão, espinafre, taioba, serralha e as folhas de beterraba, batata-doce e de abóbora.

· Inclua sempre um vegetal amarelo nas refeições: abóbora moranga, cenoura, batata baroa etc.

· Intercale as sobremesas com doces e frutas.

· As frutas cítricas (maracujá, limão, laranja, abacaxi, acerola, goiaba, tangerina) são ricas em vitamina C e ajudam o organismo a absorver melhor o ferro dos vegetais.

· As sopas são boas opções para o jantar. Coloque sempre um legume verde, um legume amarelo e um

alimento do grupo dos energéticos (cará, inhame, baroa, macarrão, arroz, mandioca, batatas, fubá,

etc).

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Nutrição

· Evite: balas, pirulitos, refrigerantes e sucos artificiais. Esses produtos provocam a cárie dentária e podem prejudicar a saúde.

· A criança deve aprender, desde pequena, a comer nos horários determinados pela família, pois assim reforça os bons hábitos alimentares e a convivência familiar.

· É importante orientar a criança e estabelecer limites, mas sem rigidez. Cada uma tem o seu ritmo e isso deve ser respeitado.

ALIMENTAÇÃO DO ESCOLAR

O estado nutricional do escolar, crianças entre 6 e 12 anos de idade, dependerá da maneira pela qual

tenha sido alimentado nas fases anteriores de sua vida.

O escolar encontra-se em fase de crescimento acentuado, porém lento e contínuo; as suas exigências

nutricionais continuam altas, mas já não é tão dependente e, se bem orientado, pode selecionar os seus próprios alimentos.

Os principais problemas na alimentação do escolar são:

· Café da manhã, almoço e jantar inadequados ou insuficientes.

· Falta de orientação na escolha do alimento, substituindo uma alimentação saudável por salgadinhos,

doces e refrigerantes.

· Consumo insuficiente de legumes, verduras e frutas.

· A ingestão de proteínas, cálcio, vitamina A, vitaminas do Complexo B e ferro estão sempre nos limites ou abaixo.

DIETA ALIMENTAR DO ESCOLAR

A classificação de alimentos para o escolar não é diferente do pré-escolar, sendo alterada somente a

quantidade. E nesta fase há uma vantagem: o escolar é voraz e não apresenta a falta de apetite da idade anterior. É preciso apenas ficar de olho na escolha adequada, orientando e estimulando a formação de bons hábitos alimentares.

Merenda Escolar

A merenda escolar é de grande importância para a criança e, se bem planejada, pode contribuir para a

formação de bons hábitos alimentares.

As opções de lanches oferecidas nas cantinas das escolas nem sempre são as mais saudáveis, por isso, oriente seu filho a trocar frituras por salgados assados ou sanduíches naturais, refrigerantes por sucos de frutas, doces por frutas.

O consumo exagerado de refrigerantes, balas, doces e frituras causa acúmulo de sal, gordura e açúcar

no organismo e pode ser responsável por colesterol alto, mau rendimento escolar e maior risco de contrair doenças.

Na cantina da escola, as crianças também devem ficar atentas ao prazo de validade dos produtos

e recusar embalagens danificadas, amassadas ou abertas.

Lanche Feito em Casa

Uma opção saudável e mais barata é preparar o lanche em casa. Converse com a criança sobre suas preferências e tente adequá-las às seguintes orientações:

· Faça uma programação de cardápio de acordo com as condições e preferências da criança. É bom

explicar sobre o valor nutritivo do alimento e porque ele deve comer coisas mais saudáveis.

· Inclua leite e seus derivados, ricos em cálcio e excelentes fontes de proteínas.

· Inclua frutas de fácil consumo (pêra, maçã, banana) e sucos, que contêm vitaminas e minerais.

Observe quais as frutas estão na safra.

· Alterne alimentos doces com salgados, sempre atento à quantidade, para não tirar o apetite das

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crianças para o almoço ou jantar.

· Tire do cardápio salgadinhos tipo chips, bombons, balas e outras guloseimas muito doces ou muito salgadas.

· A conservação dos alimentos também merece cuidados. Verifique se a cantina da escola oferece

espaço refrigerado para os lanches trazidos de casa. Caso isso não seja possível, não prepare alimentos com ingredientes que podem se deteriorar.

Sugestões de Lanches

· Pão de queijo com requeijão.

· Bolo de cenoura, de abóbora ou de fubá.

· Frutas naturais.

· Cereais em barra com frutas.

· Sanduíches naturais. Exemplos: pão de forma, cenoura ralada, milho verde, cheiro verde, requeijão ou iogurte natural.

· Salada de frutas.

· Biscoitos (evite apenas os biscoitos recheados, pois eles possuem muita gordura hidrogenada).

· Pão com fatia de queijo.

· Iogurte.

· Sucos naturais para acompanhamento. Exemplos: maracujá, manga, goiaba, abacaxi, graviola, acerola

e outras frutas que não alterem o sabor do suco.

Não esqueça a água

A água não pode faltar na dieta de crianças ou adultos, e deve ser oferecida em abundância.

Apesar de as crianças preferirem tomar refrigerantes e sucos, que contêm muito açúcar, estimule-as a

beber água sempre que estiverem com sede. Além de mais saudável, uma ida ao bebedouro é mais econômica que a compra de uma bebida na cantina.

SE A CRIANÇA RECUSA VERDURAS E LEGUMES, EXPERIMENTE VARIAR A PREPARAÇÃO!

Na maioria das vezes, esses alimentos são preparados refogados ou em saladas. Procure variar a forma de preparo: ralar, amassar, picar, fazer sucos e misturar aos alimentos que a criança gosta.

Sugestões de preparo:

· Sucos: de couve com limão (pode usar outras folhas verdes); cenoura com laranja e beterraba com abacaxi.

· Bolinhos: de espinafre, chuchu, mandioquinha, abóbora e talos das verduras.

· Massas: macarrão com brócolis; lasanha com abobrinha.

· Doces ou bolos: de cenoura, abóbora ou mandioca.

· Farofas: misturar couve, cenoura e talos das verduras.

· Suflês: acrescentar todas as verduras e legumes.

· Omeletes: com couve-flor, vagem, cenoura, repolho, almeirão, abobrinha, casca de moranga ralada, talos e folhas de hortaliças.

· Purês e patês: misturar cenoura, abóbora, mandioquinha e batata.

· Sopas: acrescentar todos os tipos de verduras e legumes.

· Arroz: misturar brócolis, cenoura, lentilha, etc.

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Nutrição

ALIMENTAÇÃO DE ADOLESCENTES

A adolescência é um período de transição entre a infância e a idade adulta, caracterizado por intensas

transformações de natureza biológica, psicológica e social. É um período de crescimento e desenvolvimento físico intenso.

A

adolescência dura em média seis anos e começa diferentemente para cada sexo. No sexo feminino

o

seu início é mais cedo, entre 9 e 10 anos e no sexo masculino, somente aos 11 ou 12 anos.

A

preferência dos adolescentes por lanches rápidos, substitutos das grandes refeições e principalmente

do jantar, geralmente favorece o desequilíbrio na dieta. A combinação dos alimentos nem sempre é

variada, resultando em cardápios muito calóricos e pouco nutritivos.

É importante ressaltar que a adolescência é uma faixa etária importante para a aprendizagem dos

princípios da nutrição adequada e que poderão conduzir a vida atual e adulta de forma mais saudável.

DIETA ALIMENTAR DO ADOLESCENTE

Proibir o consumo dos lanches rápidos na fase da adolescência não é a atitude mais acertada, o ideal

é instituir os cardápios de lanches orientados, visando diminuir os erros alimentares.

Os adolescentes têm grandes necessidades de energia e nutrientes. Estas necessidades são proporcionalmente maiores no início da adolescência, diminuindo ao passar para a fase adulta.

As exigências de proteínas são bem maiores nessa faixa etária, pois são muito utilizadas no processo de crescimento. Também merecem atenção especial as vitaminas, cálcio, fósforo e ferro.

· As frutas, legumes e verduras, de preferência crus e com casca, devem fazer parte do cardápio diário do adolescente.

· As refeições devem ter horários regulares.

· Para evitar que as principais refeições (almoço e jantar) sejam volumosas é bom intercalar com

pequenos lanches e frutas.

· É bom evitar preparações muito condimentadas e frituras, principalmente se o adolescente tiver propensão

à acne (espinhas).

· Uma atividade física regular ou simplesmente andar e brincar também faz bem ao adolescente.

Nutrição

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ALIMENTAÇÃO DO ADULTO

Nesta fase, a boa alimentação é fundamental para a manutenção e defesa do organismo. As exigências nutricionais do adulto vão depender da atividade física, massa corporal e idade. Nas mulheres, dependem ainda se estão grávidas ou amamentando.

O tamanho e a composição do corpo podem influir no gasto de energia. O homem, por exemplo, tem

mais massa corporal do que a mulher, por isso necessita de mais energia.

O gasto de energia dos adultos pode mudar com a idade, em vista de modificação da massa corporal,

diminuição da atividade física ou aumento da prevalência de enfermidades.

A atividade física é outro fator fundamental para a definição da dieta alimentar do adulto. O seu mundo

gira em torno do trabalho e é de acordo com a atividade exercida que se planejará a sua alimentação.

Atividades que exigem maior esforço físico:

Esportistas, jardineiros, carteiros, pedreiros, operários, etc. A necessidade energética deste grupo é muito grande e no cardápio não pode faltar os carboidratos (arroz, pães, macarrão, massas e farinhas em geral, etc).

Atividades predominantemente intelectuais:

Escritores, professores, médicos, escriturários, etc. Os principais cuidados com a dieta desse grupo são:

· Evitar o excesso de carboidratos (arroz, massas, macarrão, doces, etc), pois há pouco gasto de

energia.

· Por causa da baixa atividade física, consumir mais fibras para favorecer o funcionamento do intestino.

· Fazer alguma atividade física regularmente – ginástica, caminhada, natação, etc.

DIETA ALIMENTAR DO ADULTO

Alimentar-se bem nem sempre significa comer muito ou comer pouco. A alimentação deve ser equilibrada

e conter alimentos variados. A quantidade vai depender principalmente da atividade física.

· Não faça refeições volumosas. Faça entre quatro a seis pequenas refeições ao longo do dia.

· Não pule refeições. O café da manhã é a primeira e mais importante refeição do dia.

· Coma com tranqüilidade, em horários regulares e longe da televisão. Mastigue bem os alimentos.

· Aumente a ingestão de fibras: farelo de trigo, cereais integrais, bagaço de laranja, verduras de folha, etc.

· Dê preferência aos alimentos naturais e carnes magras, em especial peixes e aves.

· Prefira as frutas e hortaliças cruas. Inclua no cardápio diário pelo menos uma fonte de vitamina C

(laranja, limão, acerola, abacaxi, caju, etc).

· Reduza o consumo de sal e açúcar. Prefira os temperos e as ervas aromáticas.

· Evite frituras e carnes gordurosas. Dê preferência às preparações assadas, grelhadas ou cozidas com

pequena quantidade de óleo vegetal.

· Tome bastante água – de 2 a 2,5 litros por dia. Apenas evite os líquidos durante as refeições.

· Substitua as gorduras animais (banha, toucinho, manteiga) por óleos vegetais.

· As mulheres devem consumir mais alimentos ricos em cálcio ao longo da vida a fim de evitar a

osteoporose.

· Equilibre o que você come com a energia que gasta. Se comer menos do que precisa, poderá ficar

com baixo peso; se comer mais, poderá ficar com sobrepeso.

· As dietas devem ser individuais, respeitando o ritmo e as necessidades de cada pessoa.

· Os exercícios físicos proporcionam inúmeros benefícios ao organismo e à mente. Não é necessário

que o exercício seja feito em uma academia; as caminhadas e a prática de um esporte prazeroso já é um grande começo. Exercite-se.

· Uma alimentação saudável, acompanhada da prática regular de exercícios físicos é, provavelmente, a atitude ideal para se manter a boa forma e a saúde no decorrer de toda a vida.

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Nutrição

ALIMENTAÇÃO NA TERCEIRA IDADE

É importante dizer que idade avançada não precisa ser sinônimo de problemas de saúde. Com hábitos

de vida saudáveis, incluindo uma boa alimentação e atividade física, é possível compensar as mudanças naturais da idade e favorecer a boa forma e a saúde.

Uma boa alimentação exerce papel fundamental na promoção, manutenção e recuperação da saúde. Na terceira idade, mais do que nunca, é preciso evitar a deficiência ou o excesso de nutrientes. Como em todas as fases da vida, a alimentação deve ser variada e equilibrada, proporcionando uma dieta saudável e nutritiva.

Uma dieta saudável deve incluir frutas e hortaliças frescas, pães, cereais e massas integrais, óleos

vegetais, carnes magras e água. O valor calórico da alimentação deve ser suficiente para manter o vigor

e a atividade física, sem que provoque o aumento ou a redução do peso corporal.

DIETA ALIMENTAR NA TERCEIRA IDADE

As necessidades nutricionais diárias na terceira idade não são muito diferentes das de grupos mais jovens de pessoas, apenas deve-se ter o cuidado de adequar a dieta para os indivíduos com dificuldade de mastigação e deglutição.

As restrições dietéticas, decorrentes de doenças específicas, como diabetes e hipertensão, devem ser respeitadas, o que não significa que a alimentação não possa ser saborosa.

· Para garantir uma alimentação nutritiva e balanceada, o cardápio deve ser o mais variado possível, promovendo um equilíbrio entre a quantidade e qualidade de alimentos.

· As refeições coloridas, além de um visual bonito e apetitoso, garantem o consumo de todos os nutrientes que o corpo precisa para viver em harmonia.

· Dê preferência às frutas frescas e hortaliças cruas ou ligeiramente cozidas em pouca água ou feitas no vapor, a fim de preservar vitaminas, minerais e fibras.

· O leite e derivados são importantes para suprir as necessidades de cálcio e vitamina D.

· Evite refeições volumosas. Fracione a alimentação em 5 a 6 pequenas refeições ao longo do dia.

· Evite frituras. Use óleos vegetais em lugar de gordura animal.

· Na escolha das carnes, dê preferência aos peixes, carnes magras e aves sem pele, que são ricos em

proteínas e possuem baixo teor de gorduras.

· Os miúdos devem ser consumidos com moderação, pois eles são ricos em colesterol.

· O consumo de doces deve ser eventual. Dê preferência às frutas como sobremesa.

· O sal também deve ser usado com moderação. Acentue o sabor dos alimentos com ervas e condimentos.

· Beba bastante água, apenas evite os líquidos durante as refeições. Faça isso uma hora antes ou uma hora depois.

· Evite café e refrigerantes, principalmente à noite. Dê preferência aos chás naturais como camomila, erva cidreira e hortelã. Mas tudo com moderação.

· Evite também cigarros e bebidas alcoólicas.

· Mantenha um peso saudável. Coma com tranqüilidade e mastigue bem os alimentos.

· Tome sol pela manhã, de preferência entre 7 e 10 horas. A exposição ao sol contribui para ativar a

vitamina D presente no organismo.

· Faça uma atividade física regulamente. O tipo de exercício físico a ser praticado deve ser definido com base numa avaliação médica e sob orientação de um profissional especializado.

Nutrição

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O QUE PODE E O QUE NÃO PODE NA DIETA DA TERCEIRA IDADE

SINAL VERMELHO

 

SINAL VERDE

FARINHAS: quanto mais refinadas mais suaves e

FARINHAS: dê preferência aos cereais integrais. Eles são mais ricos. Os farelos também são uma boa opção.

macias ficam as tortas, bolos e as massas muito mais pobres em nutrientes.

mas

OVOS: a gema contém gordura e colesterol, um dos maiores inimigos das pessoas na terceira idade.

OVOS:

muita

moderação. Para os adultos e

idosos, o conselho é não utilizar mais que três ovos por semana. No caso de colesterol muito alto, o melhor é utilizar somente as claras.

GORDURA ANIMAL: taxas elevadas de colesterol e aterosclerose provêm de uma alimentação rica em gorduras animais. Além do mais, elevam o peso corporal, e a obesidade é muito prejudicial à saúde

GORDURA: para as gorduras de origem animal (banha, toucinho, bacon, carnes gordas, etc) não existe sinal verde. Coma carnes magras e utilize os óleos vegetais (girassol, milho, soja, azeite, etc) e, mesmo assim, com moderação.

AÇÚCAR: a diminuição da capacidade funcional do pâncreas é normal na idade avançada. Isso, somado ao ganho de peso, faz com que o açúcar seja mais dificilmente aproveitado pelo organismo, podendo causar diabetes.

AÇÚCAR: use pouco açúcar nas preparações. O açúcar mascavo é uma ótima opção. Considere o açúcar como tempero e não como alimento.

Referências bibliográficas:

· Nutrição e Saúde. Artigo “A Alimentação na Terceira Idade”. Esther I. de Fayard.

· Nutrição. Artigos de Maria Cristina Elias. São Paulo.

· Nutrição em Pauta. Publicação da Núcleo Consultoria, Com. e Rep. Ltda. São Paulo.

· Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Krause & Mahan. Livraria Roca. 7ª edição.

· Nutrição do Lactente. Marilene Pinheiro Euclides. Viçosa. 2ª edição.

Material extraído do manual “Alimentação por Faixa Etária” elaborado pela Secretaria Municipal de Política de Abastecimento.

Crescimento e Desenvolvimento

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INTRODUÇÃO

O acompanhamento do crescimento e desenvolvimento (CD), do nascimento até a adolescência, é

de fundamental importância para a promoção à saúde e prevenção de agravos das crianças e adolescentes, identificando problemas nutricionais, alterações no desenvolvimento neuropsicomotor e situações de risco, buscando atuar de forma precoce nas intercorrências.

Ações simples, como pesar, medir, avaliar os marcos de desenvolvimento e aquisição de novas habilidades, além do registro e avaliação do Cartão da Criança, devem ser incorporadas na rotina de atendimento às crianças e adolescentes pelas equipes de saúde.

Para que estas ações contribuam para a melhoria da saúde infantil, é necessária a capacitação continuada das equipes de saúde e o seguimento dos protocolos estabelecidos, bem como o trabalho integrado das equipes de saúde. As propostas apresentadas a seguir se inserem dentro da proposta da SMSA/BH de reorganização das ações de atenção à criança (BH Viva-Criança), objetivando garantir o acesso e qualificar a assistência às crianças e adolescentes através da organização do trabalho em equipes e sistematização do atendimento.

OBJETIVOS

. Implementar o acompanhamento sistemático do crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, pelas unidades básicas de saúde, priorizando a população das áreas de risco;

. Estabelecer calendário de atendimento à criança e ao adolescente, preferencialmente através de consultas intercaladas entre pediatra, médico generalista e enfermeira, além de atividades educativas desenvolvidas em grupo;

. Capacitar a equipe de saúde para identificar e captar crianças e adolescentes de risco (RN de risco, desnutridas) para acompanhamento na unidade de saúde.

ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA AO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO

Toda a equipe de saúde deverá estar atenta para programar e avaliar as ações de saúde, tendo como eixo o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança.

Mais detalhamento e sugestões de organização da assistência e fluxo de captação – vide AGENDA DA CRIANÇA (Protocolos 2004 / capítulo do Crescimento e Desenvolvimento).

CALENDÁRIO DE ATENDIMENTO

O calendário proposto para o controle do crescimento e desenvolvimento, de crianças e adolescentes

pressupõe a atuação de toda a equipe de saúde, de forma intercalada, possibilitando ampliação na oferta de atendimentos da unidade de saúde.

No caso de crianças de risco, RN prematuros, de baixo peso, crianças desnutridas, asmáticas, entre outras, este calendário poderá ter alterações, a critério da equipe de saúde e deverá ser priorizado o acompanhamento pelo médico (generalista ou pediatra), além das atividades educativas, imunização, Teste do Pezinho, etc.

Ao RN de risco, deverá estar garantido o acompanhamento diferenciado inclusive com calendário próprio (ver Agenda da Criança / capítulo do RN de alto risco).

2

Crescimento e Desenvolvimento

 

Calendário para acompanhamento da criança e do adolescente - crescimento e desenvolvimento

 

IDADE

ATIVIDADE

 

1º ano de vida

1ª semana após o parto

Visita domiciliar (ACS / ESF)

5º dia Saúde Integral

Consulta com enfermeiro

01

mês

Consulta com pediatra

02

meses

Grupo educativo + cons. Enfermagem

03

meses

Consulta com generalista

04

meses

Consulta com enfermeiro

06

meses

Consulta com pediatra

09

meses

Grupo educativo + cons. Enfermagem

12

meses

Consulta com generalista

 

2º ano de vida

15o mês

Consulta com pediatra

 

18º mês

Consulta com generalista

 

3 a 19 anos

Uma consulta médica anual

 

A primeira avaliação da criança deverá ser feita no 5º dia de vida- Saúde Integral, com realização de avaliação global da criança e da mãe através de consulta de enfermagem, avaliação do aleitamento materno, realização de teste do pezinho, BCG. O acompanhamento da criança deverá ser feito de forma intercalada, com atendimento de enfermagem, generalista, pediatra, e grupos operativos.

As atividades de grupo educativo serão coordenadas por um integrante da Equipe de Saúde da Família. Ao final da atividade deverão ser tomadas as medidas antropométricas das crianças participantes. Somente serão encaminhados para consulta os casos que, porventura, mostrem necessidade.

INSCRIÇÃO NA UNIDADE

Serão inscritas no controle de crescimento e de desenvolvimento todas as crianças da área de abrangência da Unidade de Saúde, priorizando as áreas de risco, destacando-se a importância da captação precoce e da garantia de acesso, principalmente dos RN de risco e criança desnutridas.

AVALIAÇÃO

Propõe-se que a equipe de atenção à criança faça avaliações periódicas do atendimento à criança, considerando aspectos qualitativos e quantitativos.

Sugere-se que a equipe avalie as questões:

. Cobertura do programa, em relação às crianças da área de abrangência, incluindo as crianças com critérios de risco (baixo peso, mãe adolescente, mãe com baixa instrução, área de risco, desnutridos etc, conforme orientações da Agenda da Criança);

. Capacidade da equipe de captar precocemente o RN de risco; (vide critérios na Agenda de Compromissos da Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil, documento da Coordenação de Atenção à Criança –SMSA);

.

Capacidade de resposta aos casos agudos;

.

Indicadores relativos às crianças acompanhadas:

· % com vacinação em dia

· % com alimentação adequada

· % com aleitamento materno (<6 meses)

· % com desenvolvimento normal e alterado

· % com Cartão da Criança preenchido

· % de desnutridos (por grau)

Crescimento e Desenvolvimento

3

· Intercorrências (diarréias, pneumonias, internações, óbitos) etc.

· Internações

· Vigilância ao óbito infantil na área de abrangência

. Avaliação de satisfação das mães

MARCOS DO DESENVOLVIMENTO NO PRIMEIRO ANO DE VIDA

A família deve ser orientada a estimular a criança em todos os aspectos do desenvolvimento: sensorial, perceptivo, emocional e motor. A avaliação do bebê prematuro deve ter como parâmetro a idade corrigida, que deverá ser feita até os 24 meses de idade. A tabela abaixo mostra alguns marcos do desenvolvimento para crianças nascidas a termo e algumas estratégias de estimulação adequadas.

Aquisições

Estimulação adequada

1º mês

Postura flexora dos membros

Estimular a mãe a tocar a criança e conversar carinhosamente com ela. Acariciar, brincar e falar com a criança quando lhe der banho, vesti-la ou amamentá-la. Atender a situações de desconforto.

Fixa o rosto da mãe ou cuidador

Predomínio de respostas reflexas: Moro, RTCA, preensão palmar e plantar, etc.

Produz sons nasais e guturais

Sucção vigorosa e eficiente

 

Reage aos sons do ambiente e à voz humana

2º mês

Fixa e segue objetos até 90 graus

Apresentar objetos sonoros e/ou coloridos. Conversar com a criança.

Choro diferenciado (dor, fome, etc)

Produz sons vocálicos

 

3º mês

Sorriso social

Chamar a atenção da criança sorrindo e conversando carinhosamente. Estimular o sorriso. Tocar e conversar com a criança.

Sustenta a cabeça quando colocada no colo

Segue objetos até 180 graus

De bruços, sustenta a cabeça com apoio de antebraços

 

4º /5º mês

Sustenta a cabeça

Oferecer brinquedos de borracha e outros materiais seguros. Colocar a criança de bruços. Permitir que a criança brinque com as mãos e leve- as à boca.

Sorri e observa atentamente o ambiente

Segura objetos e brinca com eles na linha média

Postura simétrica

Localiza lateralmente a fonte sonora

 

6º/7º mês

Senta com apoio

 

Segura objetos, explora-os visualmente e com a boca

Repetir os sons que a criança emite. Oferecer brinquedos sonoros. Estimular a movimentação e mudança de postura. Conversar e cantar para a criança.

Rola sobre o próprio corpo

Balbucia

Atende quando chamado pelo nome

 

8º/9º mês

Senta sem apoio com bom controle de tronco

Brincar com a criança na posição sentada. Oferecer brinquedos e objetos para que a criança os alcance (sentado e de bruços). Estimular o balbucio e a comunicação oral. Mostrar e nomear partes do corpo durante o banho e troca de roupa. Conversar e cantar para a criança.

Reage negativamente frente a pessoas estranhas

Arrasta-se ou engatinha

Entende palavras e ordens simples

Localiza sons acima e abaixo dos ouvidos

Explora as características dos objetos (balança, bate, etc) e do ambiente

4

Crescimento e Desenvolvimento

Aquisições

Estimulação adequada

10º /11º mês

Fica em pé com apoio

Favorecer o uso funcional dos objeto: empurrar o carrinho, pentear o cabelo da boneca, etc.

Reconhece algumas partes do corpo

Transfere objetos de uma mão a outra

Associa objetos a suas funções

12º mês

Anda quando seguro pelos dedos

Estimular a criança a andar. Brincar de esconder e achar. Priorizar a fala como meio de comunicação. Reforçar todo tipo de intenção comunicativa da criança. Oferecer alimentos de diferentes texturas, consistências e sabores.

Pega objetos pequenos usando o polegar e o indicador

Fica de pé, às vezes sem apoio

Linguagem compreensiva bem desenvolvida

Primeiras palavras com significado: mama, papa, dá, tchau

Alimenta-se de todas as consistências

Procura por objetos escondidos

13º/18ºmês

Anda sem apoio

Brincar, conversar e contar estórias. Estimular a marcha e a exploração do ambiente. Estimular a participação ativa da criança em todas as atividades de vida diária.

Fala pelo menos 4 a 6 palavras

Explora ativamente o ambiente

Mastigação bastante eficiente

Participa ativamente das atividades de vida diária, ajudando em tarefas como vestir, despir, alimentar, etc

Obs: Prevenir os acidentes domésticos, deixando fora do alcance da criança de qualquer idade objetos cortantes, pontudos ou muito pequenos; medicamentos de qualquer tipo; produtos de higiene e limpeza e material de qualquer natureza que ofereça riscos à saúde e à vida da criança. Nunca deixe a criança sozinha, sem a supervisão de um adulto.

Imunização

1

INTRODUÇÃO

A

imunização é uma das medidas mais eficazes e imediatas no controle de doenças imunopreveníveis.

O

objetivo do programa de imunização é, portanto, reduzir as taxas de morbi-mortalidade por esses

agravos. Por isso, é importante a avaliação da situação dessas doenças no município, não só para medir a efetividade do programa, mas também informar à população sobre o que realmente interes- sa, ou seja, a diminuição das doenças como efeito das ações de vacinação.

Um programa de vacinação efetivo, em consonância com uma intensa vigilância e outras medidas de controle, são capazes de erradicar moléstias, como pudemos testemunhar na erradicação da varíola em 1979 e, mais recentemente, a eliminação da poliomielite nas Américas em 1994. As doenças controladas através de imunização, tais como poliomielite, hepatite B, sarampo, rubéo- la, caxumba, varicela, difteria e tétano, devem ser notificadas à vigilância epidemiológica, para que possam ser traçadas medidas de intervenção e controle.

Nos últimos anos, as coberturas vacinais vêm decrescendo em Belo Horizonte, a despeito da ampli- ação significativa do quantitativo de profissionais da rede de serviços. Sabe-se que a disponibilidade de tecnologia é fundamental para garantir a efetividade das ações em tempo hábil. Embora as vacinas sejam oferecidas e os profissionais estejam capacitados para execução desta atividade, ainda assim verifica-se diferenciais de cobertura vacinal nas distintas regiões da cidade.

Depreende-se que um dos principais fatores que determinam a manutenção dessas baixas cobertu- ras vacinais é, sem dúvida, a perda de oportunidade para vacinar a clientela alvo. Embora menos freqüente hoje, há ainda locais em que se verifica o funcionamento da sala de vacina em determina- dos horários, ou até mesmo o agendamento de algumas vacinas uma vez por semana. Tudo isso desmotiva a população a acreditar nos serviços e retornar para buscar a vacina. “Perde-se vacina, mas não se perde a oportunidade de vacinar”. Esta deve ser a máxima.

Outra questão importante para elevar as coberturas vacinais é a manutenção do arquivo de vaci- nação com a 2ª via do cartão. O arquivo nos possibilita controlar o comparecimento da clientela à vacinação e identificar os faltosos. A busca de faltosos deve ser sistematizada (semanalmente / quinzenalmente), de acordo com as possibilidades da equipe de saúde, devendo ser definida pela equipe a forma de buscá-los, seja através de visita domiciliar, enviando carta ou aerograma ou fixação de listagem na unidade.

É necessário ainda que todos os profissionais estejam informados e participem das atividades extramuros (campanhas, intensificações, bloqueios, busca de faltosos, busca de não vacinados, etc), ou seja, de todas as atividades realizadas com a finalidade de aumentar a cobertura vacinal ou diminuir a perda de oportunidades, buscando, principalmente, completar o esquema de cada criança antes mesmo do primeiro ano de vida ou até os cinco anos de idade.

Além da necessidade de mantermos coberturas vacinais elevadas e homogêneas, é necessário garantir a manutenção da qualidade do imunobiológico desde o momento que sai do laboratório produtor até o momento de sua aplicação.

Torna-se então tema relevante quando se fala em programa de vacinação, a conservação dos imunobiológicos durante o transporte e armazenamento dos mesmos. No nível local as vacinas são conservadas em geladeiras domésticas, devendo a temperatura ser mantida entre 2º e 8º posi- tivos. A leitura da temperatura deve ser feita diariamente, duas vezes ao dia, no início e no fim do dia de trabalho, procedendo o seu registro no impresso próprio. Qualquer alteração da temperatura padronizada deve ser comunicada à Coordenação Técnica de Imunização. Veja mais sobre esse tema no Manual de Rede de Frio.

Outro ponto importante é a notificação dos eventos adversos associados às vacinas. Assim, poderemos contribuir no aprimoramento da segurança no uso dos imunizantes para crianças e adul- tos e, ao mesmo tempo, fornecendo aos profissionais da área de saúde e população em geral, informações consistentes do ponto de vista técnico. A notificação deve ser feita no impresso próprio que encontra-se disponível em todos os Centros de Saúde. Em relação à conduta a ser adotada para os eventos adversos, consulte o Manual de Eventos Adversos.

2

Imunização

Mencionamos que Belo Horizonte conta desde 1992 com o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais, com o objetivo de beneficiar uma parcela especial da população que, por motivos biológicos, tais como imunodeficiências congênitas ou adquiridas são impedidos de usufruir dos benefícios dos produtos que se encontram na rotina das unidades básicas.

Entre as pessoas que devem ser encaminhadas ao CRIE incluem-se: infectados pelo HIV, portador de imunodeficiência congênita; neoplasias malignas; em quimioterapia, radioterapia, ou corticoterapia em altas doses e condições que causam deficiência imunológica (asplenia, insuficiência renal ) apresentando risco aumentado para infecções.

Os imunobiológicos disponíveis atualmente no CRIE são: vacina de Poliovírus inativada, anti- pneumococo 23, anti-pneumococo 7, vacina contra hepatite b, vacina anti-haemophilus tipo B, influenza, DTP acelular, vacina contra varicela, hepatite A, anti-meningocócica C, vacina pentavalente, imunoglobulina anti-hepatite B, imuno anti-tetânica, imuno anti-varicela zoster, imuno anti-rábica. Acompanhando as transformações demográficas e epidemiológicas do nosso país, o Programa Na- cional de Imunizações incorporou um outro desafio neste século: ampliar as ações de vacinação para a população acima de 60 anos, utilizando as vacinas preconizadas pela OMS para esta faixa etária: dT (difteria e tétano), contra influenza (contra gripe) e pneumoco 23.

 

Calendário básico de vacinação / 2004

 

Idade

Vacinas

Dose

Doenças evitadas

1

mês

BCG - ID

Única

Formas graves da tuberculose

 

Contra Hep.B *1

1ª dose

Hepatite B

2

meses

Tetravalente *2

1ª dose

Difteria, tétano, coqueluche, doenças invasivas pelo Haemophilus

 

VOP

1ª dose

Poliomelite

4

meses

Tetravalente

2ª dose

Difteria, tétano, coqueluche, doenças invasivas pelo Haemophilus

 

VOP

2ª dose

Poliomelite

6

Tetravalente

3ª dose

Difteria, tétano, coqueluche, doenças invasivas pelo Haemophilus

 

meses

VOP

3ª dose

Poliomelite

 

Contra Hep.B

3ª dose

Hepatite B

 

Contra febre amarela

Única

 

9

meses

*3

Febre amarela

12

meses

Triviral (SRC)

1ª dose

Sarampo, rubéola, caxumba

15

meses

DPT

1º ref.

Difteria, tétano e coqueluche

VOP

1º ref.

Poliomelite

 

DPT

2º ref.

Difteria, tétano e coqueluche

4

- 6 anos

VOP

2º ref.

Poliomelite

 

Triviral

2º ref.

Sarampo, rubéola, caxumba

10

- 20

     

anos

BCG - ID

Reforço

Formas graves da TBC

Contra febre amarela

Reforço

Febre amarela

*1 - A primeira dose da vacina contra Hepatite B deve ser administrada na maternidade, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida do RN. O esquema básico se constitui de 03 doses com intervalo de 30 dias da primeira para a segunda dose e 180 dias da primeira para a terceira dose.

*2 - O esquema de vacinação atual é feito aos 2, 4 e 6 meses de idade com a vacina Tetravalente e dois reforços com a DPT, sendo o primeiro reforço aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos.

*3 - A vacina contra febre amarela está indicada a partir dos 9 meses de idade para as crianças que residam ou que irão viajar para áreas endêmicas (Estados: AP, TO,MA,MT,MS,RO,AC, RR,AM,PA,GO E DF), área de transição (alguns municípios dos Estados:PI,BA,MG,SP,PR,SC E RS) e áreas de risco potencial (alguns mu- nicípios dos estados BA, ES e MG). Se viajar para áreas de risco, vacinar contra Febre Amarela 10 dias da viagem.

Imunização

3

Calendário de vacinação do adolescente

 

Idade

Vacinas

Dose

Doenças evitadas

de 11 a 19 anos (na primeira visita ao cs)

Contra hep. B

1ª dose

Hepatite B

dT *1

1ª dose

Difteria e tétano

FA *2

dose inicial

Febre amarela

Triviral (SRC) *3

dose inicial

Sarampo, rubéola,caxumba

mês após a 1ª dose contra Hep. B

1

Contra hep. B

2ª dose

Hepatite B

meses após a 1ª dose contra Hep.B

6

Contra hep. B

3ª dose

Hepatite B

2

meses após a 1ª dose de dT

dT

2ª dose

Difteria e tétano

4

meses após a 1ª dose de dT

dT

3ª dose

Difteria e tétano

a cada 10 anos por toda a vida

dT

Reforço

Difteria e tétano

FA

Reforço

Febre amarela

OBS: Adolescente que não tiver comprovação de vacinação anterior, seguir o esquema acima.

*1 - Adolescente que já recebeu anteriormente 03 doses ou mais das vacinas DTP, DT ou dT, aplicar somente doses de reforço a cada 10 anos. Em ferimentos graves, antecipar a dose de reforço para 5 anos após a última dose. O intervalo mínimo entre as doses é de 30 dias. Adolescente grávida que esteja com a vacina contra tétano em dia, mas recebeu sua última dose há mais de 5 anos, precisa receber uma dose de reforço.

*2 - Adolescente que resida ou que irá viajar para áreas endêmicas (Estados: AP, TO,MA,MT,MS, RO, AC, RR,AM,PA,GO E DF), área de transição (alguns municípios dos Estados:PI,BA,MG,SP, PR,SC e RS) e áreas de risco potencial (alguns municípios dos estados BA, ES e MG). Se viajar para áreas de risco, vacinar contra Febre Amarela 10 dias da viagem.

*3 - Adolescente que tiver duas doses da vacina Triviral (SRC) devidamente comprovada no cartão de vacina- ção, não precisa receber mais nenhuma dose. A vacina Triviral ou Dupla Viral deve ser administrada em mulheres de 12 a 49 anos que não tiverem comprovação de vacinação anterior.

OBS: A partir dos 20 anos de idade, verificar situação vacinal para essas doenças e aqueles que não rem comprovação de vacinação anterior, seguir o esquema acima.

tive-

4

Imunização

 

Calendário de vacinação do adulto

 

Idade

Vacinas

Dose

Doenças evitadas

 

dT

1ª dose

difteria e tétano

A

partir de 20 anos

FA

dose inicial

febre amarela

 

dose única

Sarampo, Rubéola,

 

D.Viral ou Triviral

Caxumba

meses após a 1ª dose de dT

2

dT

2ª dose

difteria e tétano

meses após a 1ª dose de dT

4

dT

3ª dose

difteria e tétano

a cada 10 anos por toda

dT

Reforço

difteria e tétano

a vida

FA

Reforço

febre amarela

 

contra influenza *1

dose anual

influenza ou gripe

60 anos ou Mais

   

contra doenças

contra pneumococos *2

dose única

causadas pelo

 

pneumococo

OBS: OBS: A partir dos 20 anos de idade, verificar situação vacinal para essas doenças e aqueles que não tiverem comprovação de vacinação anterior, seguir o esquema acima.

*1 - A vacina contra influenza é oferecida anualmente durante a Campanha Nacional de Vacinação para população acima de 60 anos.

*2 - A vacina contra pneumococos é aplicada durante a Campanha Nacional de Vacinação para população acima de 60 anos, nas pessoas que residem em instituições fechadas ou estejam acamadas.

Violência / Acidentes

1

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial de Saúde considera a violência um dos grandes desafios para a Saúde

Pública, apresentando múltiplos determinantes e significados influenciados por questões de gênero, valores culturais, éticos e religiosos. A complexidade e a magnitude da violência exigem intervenções complexas, intersetoriais, envolvendo políticas públicas de geração de trabalho e renda, educação, saúde, assistência social, cultura, lazer e esportes.

A violência intra-familiar apresenta várias faces, não sendo facilmente percebida pelos profissionais

de saúde e podendo apresentar-se como violência física, sexual, psicológica, negligência, entre outros. Os sinais e sintomas podem ser vagos ou mascarados, e cabe especial atenção para sua identificação.

A abordagem às pessoas em situação de violência, sejam elas mulheres, crianças ou idosos, que

são os mais afetados, requer uma postura acolhedora e responsável, pelos serviços de saúde. Envolve a identificação de casos suspeitos e situações de vulnerabilidade, a escuta e análise do caso, a assistência integral de acordo com o nível de complexidade, o registro e notificação dos casos aos órgãos competentes, encaminhamentos a serviços especializados, programas de inclusão social, quando necessário, e o acompanhamento às famílias.

Em todos os casos de atendimento a vítimas de violência, são necessários o registro, a notificação

e o encaminhamento aos órgãos competentes (Conselhos Tutelares, Delegacias, Promotoria etc).

Casos mais complexos, que demandam orientação social, jurídica e psicológica podem ser encaminhados aos serviços de referência existentes, tais como, o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Crimes Violentos (NAVCV), o Benvinda / Casa Abrigo Sempre Viva, Centro de Apoio a Vítimas de Violência (CAVIV), Abrigos, AMAS, Serviços de Orientação Sócio-Familiar (SOSF), Programa Sentinela, Programa Miguilim, População de Rua, entre outros. Na maioria dos casos são necessárias intervenções mais abrangentes, envolvendo Assistência Social e Conselhos, no sentido de construir novas possibilidades de vida para essa população vulnerabilizada.

Além das lesões e traumas físicos sofridos por um número cada vez maior de pessoas, em especial as crianças e os adolescentes, muitas vezes levando à morte, outras formas de violência, como o abuso sexual, o abandono, a negligência e a violência psicológica deixam marcas, nem sempre visíveis, por toda a vida.

2

Violência / Acidentes

TIPOS DE VIOLÊNCIA

Tipo de violência

Criança/Adolescente

Mulher

Idoso

Física

Uso intencional não acidental de força física com objetivo de danificar, ferir ou submeter a criança ou adolescente; inclui a omissão de cuidados; negligência, exploração do trabalho infantil (< 16 anos).

Agressão com lesões corporais, lacerações, fraturas, traumas, contusões ou queimaduras.

Agressões com lesões corporais, exploração física através do trabalho doméstico forçado, omissão de cuidados.

Sexual

Prática de ato sexual induzido ou forçado com ou sem violência física; estupro, atos libidinosos, exibicionismo, sedução.

Qualquer forma de atividade e prática sexual sem consentimento com uso de força ,intimidação, chantagens, manipulação, ameaças ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal.

Idem mulher.

Psicológica

Rejeição, isolamento, depreciação, discriminação, desrespeito, ameaças corrupção, brigas e violência no ambiente doméstico.

Tentativa de controlar as ações, crenças e decisões da mulher por meio de intimidação, manipulação, humilhação.

Indução de tensão, angústia, intimidação por meio de agressão verbal, injúria, chantagem, isolamento familiar e social, ameaças de abandono privar, tolhir, cassar a autonomia, humilhar.

ORGANIZANDO A ABORDAGEM À VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR NAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE

As unidades básicas de saúde devem ser a porta de entrada preferencial para a identificação, acolhimento, atendimento e acompanhamento dos casos suspeitos ou confirmados de violência, bem como para o encaminhamento a serviços de referência ou especializados quando necessário.

 

Serviço para

   

Tipo de violência

encaminhamento

Endereço

Telefone

 

UPAS:

   
 

Av. Prof. Alfredo Balena,

 

Física: espancamento, fraturas, queimaduras

Hospital João XXIII

400

3239-9200

Hospital Odilon Berhens

Rua Formiga, 50

3277-6183

   

Av. Prof. Alfredo Balena,

 

Hospital das Clínicas

110

3248-9300/ 3248-9379

 

Hospital Odilon Berhens

Rua Formiga, 50

3277-6183

 

Av. Prof. Alfredo Balena,

 

Hospital das Clínicas

110

3248-9300/ 3248-9379

Sexual

Hospital Júlia Kubitschek

Rua Dr. Cristiano Rezende, 312

3322-2728/ 2828

Maternidade Odete Valadares (>10 anos)

Av. Contorno, 9494

3335-2457

Violência / Acidentes

3

ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE DE SAÚDE

CABE À TODA A EQUIPE DE SAÚDE

. Estar atenta aos sinais sugestivos de violência, procurando identificar situações de violência intra- familiar (presença de fraturas, luxações, hematomas, contusões, arranhaduras, manchas roxas, inflamação, irritação, edemas, dificuldades escolares, isolamento, comportamento auto destrutivo conseqüentes a agressão) em todo atendimento e nas visitas domiciliares;

.

Desenvolver uma atitude solidária e respeitosa à pessoa vítima de violência;

.

Estabelecer um vínculo de confiança individual e institucional;

.

Considerar a violência como critério de risco para atendimento prioritário na UBS;

.

Acolher as vítimas de violência, prestando atendimento imediato;

.

Garantir privacidade, confiança e respeito no atendimento.

AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE

. Identificar sinais de alerta e de situações sugestivas de violência intrafamiliar nas visitas domiciliares e informar à equipe de saúde;

. Desenvolver uma atitude de solidariedade e respeito e garantir a privacidade nas situações de violência intrafamiliar;

. Orientar e encaminhar Unidades de Saúde;

vítimas de violência ou autores de agressão para apoio e tratamento nas

. Participar do acompanhamento às famílias em situação de violência intrafamiliar através de visitas domiciliares;

. Participar da articulação da rede de apoio local (escolas, creches, projetos esportivos e culturais), de ações educativas e de mobilização comunitária.

ATENDIMENTO

MÉDICO

. Estar atento aos sinais sugestivos de violência intrafamiliar e situações de risco;

. Avaliar a história de violência (o que e como ocorreu, por que, quando, quem foi o agressor) a possibilidade de risco de vida, presença de lesões físicas, gravidade do caso;

. Avaliar, descrever e registrar os sinais de violência (física, sexual, psicológica) e as lesões físicas existentes:

. Prestar os cuidados necessários referentes às queixas da vítima, fazer propedêutica de acordo com as necessidades de cada caso;

. Registrar no prontuário e no impresso correspondente do sistema de produção, todo caso suspeito de violência, descrevendo o fato, quando, onde e como ocorreu e, se informado, quem foi o agressor;

. Agendar retorno e/ou visita domiciliar para acompanhamento do caso;

4

Violência / Acidentes

ASSISTENTE SOCIAL

. Avaliar a história de violência, a possibilidade de risco de vida, a complexidade da situação, as limitações e as possibilidades pessoais e familiares para lidar com a questão;

.

Avaliar os recursos sociais e familiares para continuidade do atendimento;

.

Fazer os encaminhamentos necessários (sociais, jurídicos, psicológicos e de auto-ajuda);

.

Agendar retorno e/ou visita domiciliar para acompanhamento do caso;

. Promover ações educativas com o tema violência, direitos (ECA) e cultura da paz, através de grupos operativos, murais, ações integradas, oficinas, reuniões com Comissão Local de Saúde e reuniões com a comunidade.

NOTIFICAÇÃO

Todo caso suspeito ou confirmado de violência intrafamiliar ou sexual deverá ser registrado no prontuário, contemplando as informações colhidas do fato, quando, onde e como ocorreu e, se informado, quem foi o agressor. Será implantada uma ficha de notificação dos casos suspeitos de violência intrafamiliar e sexual, dentro dos moldes do SINAN.

ENCAMINHAMENTOS

As unidades básicas de saúde deverão ter conhecimento da competência dos serviços de apoio disponíveis na cidade e seus respectivos telefones e endereços. Notificar todo caso suspeito ou confirmado de violência contra criança e adolescente, ao respectivo Conselho Tutelar, da forma mais ágil possível.

. Casos de maior gravidade, como abuso sexual, lesões graves e ou extensas, queimaduras de maior gravidade, traumatismo cranianos e fraturas, suspeita de lesão de órgãos internos e estado de choque emocional, dentre outros, deverão ser encaminhados aos Serviços de Urgência (UPA´s) e Pronto Atendimento Hospitalar (HOB, HPS, HCL).

. Casos de abuso sexual, após um primeiro atendimento e avaliação da gravidade, notificar o Conselho Tutelar (em caso de crianças e adolescentes) e encaminhar a um dos hospitais de referência:

HOB, Hospital das Clínicas, Maternidade Odete Valadares e Júlia Kubitschek.

SERVIÇOS DE APOIO

.

DISQUE DIREITOS HUMANOS – 0800-311119

.

DISQUE MULHER – 3277-4555

.

DISQUE IDOSO – 3277-4646

.

DISQUE DENÚNCIA – 0800- 2831244

.

DISQUE DENÚNCIA VIOLÊNCIA SEXUAL - 0800-305000

.

SOS SAÚDE - 3277-7722

Violência / Acidentes

5

CONSELHOS TUTELARES

Barreiro

3384-5111/2218

Centro Sul

3201-0600/3277-4544

Leste

3222-4605/7384

Nordeste

3484-3938/3738

Noroeste

3277-7224/ 3464-3100

Norte

3435-1113/1582

Oeste

3277-7056/ 3371-4472

Pampulha

3491-6266/ 3441-0058

Venda Nova

3277-5512/ 3451-0205

CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E ADOLESCENTE 3277-5685/ 5687/ 5689

NAVCV Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes Violentos: atendimento social, psicológico e jurídico – tel:

32141903 – 32141898 - 32141897 – R. da Bahia, 1148/ 3ºandar - Centro.

AMAS Atendimento psicológico e jurídico às vítimas e aos autores de agressão (encaminhamento via Conselho Tutelar). Tel: 3277-5162 Av. Afonso Pena, 4000.

SOSF Serviço de Orientação Sócio-Familiar da Secret. Mun. Assist. Social (regionalizado) – presta atendimento e acompanhamento às famílias de crianças e adolescentes que estão sob medidas protetivas, que tiveram seus direitos violados.

PROGRAMA SENTINELA (Violência Sexual) Programa da Secret. Mun. Assistência Social que orienta e fornece assessoria aos atendimentos e acompanhamento às vítimas de violência sexual – tel: 3277-4767

COORD. MUNICIPAL DE DIREITOS DA MULHER Rua Paraíba, 29, Santa Efigênia – Tel: 3277-9758 Tel- 277-4346

BENVINDA Centro de Apoio à Mulher nas áreas jurídica, social, psicológica e racial Av. do Contorno, 2231 – Bairro Floresta Tel: 3277-4379 / 4380

CASA ABRIGO SEMPRE VIVA Contato – Benvinda (vide acima)

INSTITUTO MÉDICO-LEGAL – IML (funcionamento 24h) Tel: 3379-5000 –R. Nícia Continentino, 1291 – Nova Gameleira

DELEGACIA ESPECIALIZADA DE CRIMES CONTRA A MULHER Rua Tenente Brito Melo, 353. Tel- 330-1746

DELEGACIA ESPECIALIZADA DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

3236-3808

PROMOTORIA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE Av Olegário Maciel, 555 - Centro Tel-3272-2930

JUIZADO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE Av. Olegário Maciel, 600 - Centro Tel-3272-4133

PROMOTORIA DE DEFESA DOS DIREITOS DO IDOSO E DO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA Av. Olegário Maciel, 1772 - Lourdes Tel-3335-8375/8311

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Violência / Acidentes

REFERÊNCIA E CONTRA-REFERÊNCIA Mesmo que encaminhada(o) para serviços especializados ou de urgência os profissionais que atendem a(o) paciente deverão garantir o agendamento de retorno na unidade ou visita domiciliar.

CONSTRUINDO E PARTICIPANDO DA REDE Conhecendo e se integrando à rede de apoio local e regional, a unidade de saúde estará contribuindo para a sua consolidação. A unidade deverá desenvolver ações no sentido de viabilizar a presença de profissionais destes serviços nas reuniões locais (conselho de saúde, igrejas, associações etc), discutindo sobre a prevenção da violência, casos conduzidos com sucesso, conquistas etc.

ABORDAGEM À CRIANÇA E ADOLESCENTE VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

A violência contra a criança e adolescente em geral é praticada por mães, pais biológicos ou outros

adultos de referência da criança, podendo se manifestar de várias formas, com quatro tipos principais:

violência física, sexual, psicológica e negligência/abandono. Os sintomas podem ser vagos ou mascarados, principalmente em crianças pequenas, apresentando-se como timidez excessiva, apatia, fobias, agressividade, dificuldade de aprendizagem, manchas, lesões, fraturas, queimaduras pelo corpo, internações repetidas, desnutrição grave, entre outros.

Cabe aos serviços de saúde identificar e notificar ao Conselho Tutelar todos os casos suspeitos de maus tratos, bem como situações de risco envolvendo crianças e adolescentes, promover a assistência integral à saúde, os encaminhamentos necessários e o acompanhamento às famílias através das equipes de PSF e da rede de apoio (Saúde Mental, Assistência Social, Educação, AMAS, Sentinela, Pastoral da Criança, Conselhos Tutelares, etc) .

É fundamental que as Unidades Básicas de Saúde identifiquem e articulem os recursos locais e

regionais existentes em sua área de abrangência (escolas, creches, projetos culturais, esportivos, associações comunitárias, Pastoral da criança, NAF, SOSF), que possam atuar como rede de apoio

e proteção às crianças e adolescentes.

SINAIS DE ALERTA PARA IDENTIFICAÇÃO DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Indicadores físicos e de comportamento da criança/ adolescente

Características da Família

Presença de lesões físicas, queimaduras, fraturas mal explicadas

Abuso de álcool e drogas

Dores, lesões, infecções (DST) ou sangramentos nas regiões genitais ou anais

Antecedentes familiares de maus tratos e abuso sexual

Tendências auto-destrutivas, suicidas, humor depressivo

Distúrbios psiquiátricos

Fugas constantes de casa

Rejeição à criança, negligência

Agressividade, medo ou apatia extrema, vergonha excessiva

Apatia, passividade; baixa auto-estima

Problemas de aprendizagem, fadiga constante, falta de atenção

Desleixo com a higiene e aparência pessoal

Comportamento sexual inadequado

Possessividade; isolamento da criança

Doenças psicossomáticas, padrão de crescimento deficiente

Expectativas irreais com a criança

Descuido da higiene, vestimentas e aparência pessoal

Autoritarismo

Trabalho infantil; absenteísmo escolar

Disciplina severa

Violência / Acidentes

7

ABORDAGEM À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA

A violência de gênero pode assumir várias formas, sejam ofensas verbais, ameaças de espancamento

ou abuso sexual, podendo ser praticada inclusive pelo companheiro ou pessoa muito próxima à vítima. É muito importante identificar os casos agudos de lesão física, mas também propiciar à mulher um espaço de escuta que facilitará a identificação das mulheres que vivem sob formas menos aparentes de violência.

Os profissionais de saúde devem oferecer apoio e solidariedade para além da assistência concreta de disponibilização dos recursos disponíveis. É também importante considerar que a mulher que vive nesta situação tem mais dificuldade de cuidar da própria saúde, devendo ser este um indicador de vulnerabilidade a um amplo conjunto de questões de saúde.

. No atendimento ás vítimas de violência sexual (estupro): é importante que aquelas que tenham necessidade de contracepção de emergência tenham acesso ágil ao medicamento (Levonogestrel 0,75 mg - 2comp) bem como a toda medicação profilática para doenças sexualmente transmissíveis (DST / HIV,hepatite B) preconizada, com encaminhamento conforme rede de referência.

. Estimular a vítima a denunciar o agressor, procurando uma delegacia especializada em crimes contra a mulher.

. A partir da Lei 8570 de 15/05/2003, todos os casos de violência contra a mulher são de notificação obrigatória, o que deve ser feito através do preenchimento da ficha de notificação.

ABORDAGEM AO IDOSO VÍTIMA DE VIOLÊNCIA

Violência a pessoa idosa é um ato único ou repetido, ou a ausência de ação apropriada que cause sofrimento ou prejuízo a uma pessoa idosa. Pode ser físico, psicológico, financeiro, sexual, por negligência. Uma pessoa idosa pode também sofrer de mais de uma forma de abuso ou de diferentes tipos de abuso ao mesmo tempo. As agressões verbais e o abuso financeiro são as formas mais freqüentes de violência contra idosos.

A situação geralmente se dá numa relação na qual há expectativa de confiança e pode ocorrer no

próprio domicílio, numa instituição para idosos ou em um hospital.

O agressor geralmente é o parceiro, companheiro ou cônjuge, um filho ou parente, um amigo ou

vizinho, um trabalhador voluntário ou mesmo um profissional de saúde, do serviço social ou outro profissional.

Fatores de risco associados ao abuso físico ou psicológico:

.

Isolamento social;

.

História de relacionamento de qualidade ruim de longa data entre o idoso agredido e o seu agressor;

.

Padrão de violência familiar. A pessoa que abusa freqüentemente já sofreu abuso no passado;

.

Dependência. A pessoa que abusa é dependente do idoso para acomodação, suporte financeiro e

emocional;

. História de problemas de saúde mental ou de distúrbio de personalidade ou de uso de drogas ou álcool da pessoa que abusa.

A LEI E A VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS

Há duas relevantes formas de atuação: a prevenção e a ação. A proteção está disponível nas delegacias de polícia militar e civil, ambos para prevenir o abuso ou a agressão aos idosos. Em caso de violência, a autoridade policial local deve sugerir a remoção do idoso que esteja em situação de risco severo.

O médico do Centro de Saúde, caso chamado a examinar o idoso suspeito de ter sofrido agressão,

deve emitir relatório descrevendo as condições de saúde e de vida do idoso, presença de doença

8

Violência / Acidentes

grave ou crônica, se é capaz de prover seu auto-cuidado e se recebe cuidado e atenção apropriados dos familiares ou da instituição em que vive. A remoção do idoso de seu domicílio deve ser o último recurso utilizado após todas as outras opções terem sido tentadas.

Ações criminais devem ser utilizadas contra o agressor, mas muitas vezes o que se descobrirá é que o agressor também é uma vítima de exclusão social e de precariedade física e mental.

AÇÕES DE APOIO SOCIAL

.

Visita pelas equipes de PSF aos idosos em situação de risco para avaliação sócio-familiar.

.

Visita de técnicos da Assistência Social para orientação e resolução de problemas.

. Encaminhamento dos jovens a ações educativas e dos idosos a ações de integração e de suporte psicossocial (reabilitação, convivência), de acordo com a condição funcional.

REDE DE APOIO

.

Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso

.

Disque Direitos Humanos

.

Disque Idoso

.

SOS Saúde (3277-7722)

.

Pastoral da Terceira Idade

.

Gerência de Assistência Social da Regional

.

ONG´s

.

Unidades de Saúde

ENCAMINHAMENTOS

.

Isolamento Social: grupos de convivências, grupos operativos nos CS

.

Risco de agressão imediata: internação temporária na Casa Transitória

.

Abuso financeiro: sindicância pela Assistência Social;

.

Abuso físico: visita pela ESF e da AS e encaminhamento conforme a gravidade das lesões;

.

Abuso sexual: conforme o fluxo proposto pela Coordenação de DST/ Aids.

Violência / Acidentes

9

PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA INFÂNCIA

A “descoberta do mundo” torna a criança mais vulnerável pelo desejo de tudo testar e provar, definindo assim os seus limites e suas capacidades. Se, por um lado, esta é uma das forças que impulsionam o aprendizado na infância é, também, a promotora principal dos acidentes.

A inserção da mãe no mercado de trabalho, mesmo que informalmente, leva-a a ausentar-se de casa, delegando os cuidados de sua prole nem sempre a pessoas qualificadas ou estimuladas.

Outros fatores que têm também influência na ocorrência dos acidentes na infância são as causas de ordem sócio econômicas, tais como a crescente população nem sempre com moradias adequadas.

Contextualizar situações de risco para acidentes compete ao profissional que lida com as questões de saúde na infância, deve-se salientar algumas modalidades especialmente prevalentes:

1-Acidentes no trânsito (atropelamentos ou transporte- assento inadequado ou não uso de cinto de segurança).

2-Cuidadores/familiares envolvidos com álcool/drogas (que expõem as crianças / adolescentes a inúmeras situações de risco).

Os acidentes na infância não são resultados do acaso e sim das condições que podem ser evitadas em geral e resultam de uma falha de avaliação de risco por parte dos cuidadores.

CAUSAS MAIS PREVALENTES DE ACIDENTES POR IDADE

FAIXA ETÁRIA ATÉ 1 ANO

Acidentes

Intervenção ativa: Vigilância do adulto +

Encaminhamento

Asfixias

Sacos plásticos, pequenos objetos, fora de alcance. Não usar presilha de chupeta, talco. Cobertores/lençóis presos ao colchão.

Serviço de urgência da área de adscrição.

Quedas

Cama/berço: ter grades protetoras. Bebê conforto/cadeira de comida: manter cinto de segurança afivelado. Pisos lisos/tapetes/escadas/janelas: travas, portões de segurança, corrimão, antiderrapante no piso, identificar vidros grandes.

Serviço de urgência da área de adscrição.

Queimaduras

Testar a temperatura da água de banho com cotovelo. Na cozinha: cabos das panelas para dentro, não manusear líquidos-alimentos /Banhos de sol antes das 10 ou depois das 16 horas.

Hospital João XXIII

Corpos

Grãos de cereais, chicletes, balas duras, botões, colchetes, tachinhas, pregos, parafusos, agulhas, alfinetes, moedas, medalhinhas, nunca ao alcance da criança, manter em locais fechados.

Hospital João XXIII

estranhos

Intoxicações

Conservação e validade de alimentos. Plantas ornamentais, verificar as tóxicas, e se possível isolá-las.

Hospital João XXIII Centro de informações toxicológicas 3239-9308

Afogamento

Manter fechada a porta do banheiro. Não deixar o bebê sozinho no banho.

Serviço de urgência da área de adscrição.

Ferimentos

Animais: não ter em casa animais agressivos, controlar a vacinação. Objetos perigosos, manter fora do alcance.

Serviço de urgência da área de adscrição.

vários

10

Violência / Acidentes

FAIXA ETÁRIA DE 2 A 4 ANOS

Acidentes

Intervenção ativa: Vigilância do adulto +

Encaminhamento

Asfixias

Vide 1 ano.

Serviço de urgência da área de adscrição.

Quedas

Vide 1 ano + Evitar acesso a muros, lajes e árvores. Evitar móveis com bordas pontiagudas e cortantes.

Serviço de urgência da área de adscrição.

Queimaduras

Vide 1 ano + Evitar acesso a ferro de passar, eletrodoméstico, álcool e produtos químicos/velas, isqueiros e fósforo.

Hospital João XXIII

Afogamento

Banheiros, piscinas, praias, rios somente com vigilância. Manter fora de alcance baldes ou bacias com água . A partir de 4 anos desenvolver a capacidade da natação.

Serviço de urgência da área de adscrição.

Intoxicações

Vide 1 ano + Manter fora de alcance medicamentos, materiais de limpeza. Utilizar produtos com trava de segurança, não ter em casa derivados de petróleo.

Hospital João XXIII Centro de informações toxicológicas

3239-9308

Choque

Substituir fios descascados e chaves com fusíveis expostos. Tomadas sempre com protetores e ocultas.

Hospital João XXIII

elétricos

FAIXA ETÁRIA MAIOR DE 5 ANOS ATÉ ADOLESCÊNCIA

Acidentes

Intervenção ativa: Vigilância do adulto +

Encaminhamento

Quedas

De 0 a 4 anos + Uso de equipamento/supervisão na prática esportiva. Avaliação de risco do local de lazer da criança.

Serviço de urgência da área de adscrição.

Queimaduras

Treinamento de manuseio do equipamento da cozinha com progressivo incremento de risco de acordo com a idade e necessidade.

Hospital João XXIII

Intoxicações

De faixas etárias anteriores + Desestimular a "ajuda" nas práticas agrícolas (hortas/ pomares) onde haja o uso de aditivos/inseticidas e similares. Contato supervisionado/protegido com produtos químicos utilizados na confecção de artesanato.

Hospital João XXIII Centro de informações toxicológicas

32399308

Afogamentos

Uso de colete salva vidas nas situações de risco ou passeios de barco mesmo para pessoas que saibam nadar.

Serviço de urgência da área de adscrição.

Choque

Soltar pipa longe da rede elétrica

Hospital João XXIII

elétricos

Violência / Acidentes

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PREVENÇÃO DE ACIDENTES PARA O IDOSO

A incidência de quedas entre os idosos é alta e muitas vezes elas não são valorizadas, sendo

consideradas como próprias para a idade. Apesar de ser difícil evitar TODAS as quedas e suas complicações, é muito importante identificar o que esta ocasionando as quedas no nosso idoso.

Considerar nos episódios e quedas os fatores de risco, associados ou não, como:

Ambiente

. Pisos escorregadios, móveis, tapetes, pequenos animais de estimação;

· Locais mal iluminados (quarto e banheiro);

· Escadas (principalmente o primeiro e o último degrau);

· Fios de extensão, objetos espalhados pelo chão.

Problemas relacionados com a saúde do idoso

· Doenças cardiovasculares (desmaio, enfarte, arritmia);

· Distúrbios do Sistema Nervoso (tonturas, vertigens, labirintite, derrame, Doença de Parkinson, demência - esclerose -, alteração do andar e equilíbrio);

· Desnutrição;

· Alcoolismo;

· Doenças dos ossos e articulações (artroses, artrites e reumatismos);

· Anormalidades e deformidades dos pés (joanetes, cravos);

· Problemas de visão (catarata, glaucoma, cegueira);

· Imobilidade e fraqueza muscular;

· Uso adequado de medicamentos (sedativos, anti-psicóticos, anti-depressivos, remédios para pressão);

· Depressão.

COMO EVITAR NOVAS QUEDAS

As informações obtidas, a escolha de medidas que devem ser tomadas para evitar novas quedas e para amenizar os efeitos das que já ocorreram, orientarão a elaboração de um plano de prevenção de episódios futuros.

.

Medidas sob orientação médica;

.

Medidas de apoio psicológico;

.

Medidas para reduzir riscos ambientais;

.

Medidas de terapia física visando a conservação e aumento da força muscular, a redução da dor,

o

aumento da mobilidade articular, correção das deformidades articulares e dos vícios de postura

corporal;

. Treinamento do andar, reforço dos músculos e uso adequado de instrumentos de auxílio (bengalas, andadores e muletas);

. Medidas educativas visando a maior capacidade do idoso para enfrentar os problemas de saúde e

para conquistar melhores condições de vida junto a seus familiares, sua comunidade e sociedade;

. Nos pacientes muito confusos e agitados, a contenção no leito não substitui a supervisão adequada e nem oferece conforto ao paciente.

Saúde Sexual e Reprodutiva

1

APRESENTAÇÃO

Visando melhor cuidar da saúde do cidadão, a introdução do Programa de Saúde da Família-PSF, mais do que em outros modelos, pressupõe uma ação integrada e coordenada entre os vários profissionais da equipe. Todos os profissionais deverão buscar incorporar sua função ao papel de cuidador, ter ciência e saber informar sobre o que e quais são os serviços disponíveis, conhecer as normas, rotinas e os fluxos de encaminhamentos da atenção à mulher e atender com competência e sabedoria as demandas apresentadas e as prevenções preconizadas, contribuindo para a otimização dos recursos disponíveis na rede assistencial, fazendo com que eles sejam utilizados da forma mais universal e equânime possível. Especificamente na área de saúde sexual e reprodutiva, salientamos a importância de propiciar ao indivíduo ou ao casal meios para programar sua prole, seja evitando ou espaçando gestações através do uso de contraceptivos, seja através do acesso garantido ao programa de assistência ao casal infértil, para aqueles que desejam, mas têm dificuldade para engravidar. Atentar para disfunções de saúde sexual tanto masculinas (como disfunções eréteis - cuja incidência aumenta com a idade, e sendo a maioria dos casos de origem orgânica passíveis de serem tratadas, ejaculação precoce, perda ou diminuição da libido), quanto femininos, lembrando que as mulheres podem também passar por quadros de diminuição da libido, disfunção orgástica, dores durante relações sexuais (dispareunia). Atenção ao repasse de informações corretas sobre prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids), bem como diagnóstico precoce e tratamento adequado, devem sempre perpassar as ações de saúde da equipe. Nestes pontos ressaltamos a importância de uma abordagem especial aos adolescentes. No acompanhamento da gestante, ações que visem início precoce do pré-natal, acompanhamento regular durante toda a gravidez, encaminhamento para o parto, assistência no puerpério, acolhimento do recém-nascido e da mãe no “5º dia: Saúde Integral”, devem ser incorporadas por toda a equipe. Certamente, com este trabalho multiprofissional, responsável e competente, estaremos no caminho de uma assistência com indicadores mais positivos na esfera de saúde sexual e reprodutiva.

ADOLESCÊNCIA / DESENVOLVIMENTO PUBERAL

As equipes de saúde deverão promover atividades de grupos de educação, através de dinâmicas participativas com os adolescentes de ambos os sexos, possibilitando a discussão e reflexão sobre temas como afetividade, sexualidade, contracepção prevenção de DST/Aids, e gravidez na adolescência. Destacar em todos os atendimentos e grupos, a prevenção da gestação precoce não planejada e o uso do preservativo como único método de prevenção de DST/AIDS. No acompanhamento do desenvolvimento puberal, a referência são os critérios de Tanner e os distúrbios de desenvolvimento deverão ser referenciados para especialistas.

ASSISTÊNCIA EM PLANEJAMENTO FAMILIAR

ABORDAGEM PRÉ-CONCEPCIONAL

Diante de uma mulher ou casal que planejam uma gestação é importante uma avaliação para se buscar uma futura gestação saudável e oportuna. Deve-se orientar sobre o intervalo interpartal, cuidados de saúde, ressaltar riscos de uso de drogas, álcool e cigarro. As ações preconizadas no programa de saúde integral da mulher devem ser mantidas (prevenção de câncer de colo e mama, avaliação ginecológica etc). As portadoras de doenças de base (doenças cardiovasculares, nefropatias, endocrinopatias, pneumopatias, doenças auto-imunes, neurológicas e hematológicas, etc), que podem representar alto risco na gestação devem ser particularmente avaliadas sobre a necessidade de tratamento prévio, contra indicação temporária ou permanente de engravidar. São recomendadas a pesquisa de sífilis através do VDRL, a vacinação das susceptíveis à rubéola e pesquisa de anti-HIV para aquelas que desejarem.

2

Saúde Sexual e Reprodutiva

CONTRACEPÇÃO

. Inscrição aberta a qualquer hora, para o “Grupo de Planejamento Familiar” (grupos formados por homens e mulheres), com periodicidade semanal, quinzenal ou mensal, dependendo da avaliação da demanda e da capacidade operacional de cada unidade de saúde. As reuniões deverão ser regulares e divulgadas através de cartazes, Comissão Local de Saúde etc.

. Excepcionalmente, as orientações previstas para o grupo poderão ser dadas individualmente (tanto para homens quanto para mulheres).

. Garantir agendamento automático das pacientes a partir do pré-natal, principalmente para gestantes de alto risco.

. Garantia de acesso gratuito aos métodos contraceptivos: todo usuário inscrito no programa terá acesso ao método escolhido, através da distribuição regular dos mesmos pelos Centros de Saúde, que ficam responsáveis pela programação junto às farmácias distritais. São disponibilizados vários métodos, todos aceitos pelo Ministério da Saúde.

Métodos disponíveis

. Métodos reversíveis Naturais Métodos de barreira :

. Preservativo (masculino ou feminino): Sempre recomendar. São os únicos métodos que conferem dupla proteção (DST/Aids), de forma eficaz.

. Diafragma

Métodos Hormonais:

.

Pílulas anti-concepcionais

.

Injetáveis

Dispositivos intra-uterinos (DIU)

. Métodos irreversíveis:

Salpingotripsia bilateral (STB) Vasectomia

INFERTILIDADE

A assistência está organizada de forma hierarquizada nos três níveis de atenção: primário, secundário

(PAMs) e terciário (Hospital das Clínicas da UFMG).

O acesso do casal se dá através das unidades básicas de saúde, onde serão realizados os exames

básicos:

.

Citologia oncótica (de acordo com protocolo)

.

Hemograma, VHS, VDRL, glicemia de jejum e urina rotina

.

Oferecer teste anti-HIV

.

Espermograma do parceiro

.

Na suspeita de anovulação crônica: Prolactina, TSH, T4 livre, curva de temperatura basal

.

Pedido de histerossalpingografia para pacientes com indicação para tal

.

Ultra-som pélvico, se necessário

Os serviços secundário e terciário estão realizando:

.

Consulta médica (ginecológica e urológica), psicológica e com assistente social

.

Teste pós-coito

Saúde Sexual e Reprodutiva

3

.

Pesquisa de Clamídia, Neisseria, Micoplasma e Ureaplasma

.

Histerossalpingografia

.

Pesquisa laboratorial de patologias e disfunções endócrinas

.

Rastreamento ecográfico de ovulação

.

Prescrição de indutores de ovulação

.

Histeroscopia (Hospital das Clínicas)

.

Vídeo-laparoscopia (Hospital das Clínicas)

.

Avaliação de função gonadal

.

Reprodução assistida (inseminação e fertilização assistidas)

O

referenciamento para o urologista / andrologista do PAM Sagrada Família deverá ser feito de

acordo com os seguintes critérios:

.

Espermograma anormal

.

Doença urológica já suspeitada ou estabelecida

.

Candidatos à reversão de vasectomia

ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL

Uma assistência pré-natal de qualidade começa pela captação precoce da gestante, ainda no primeiro trimestre de gestação, inclusive contando, com a participação dos ACS’s para esta ação. O agendamento deve estar aberto a qualquer hora para atendimento de pré-natal por médicos e enfermeiros treinados e para atividades em grupo, facilitando o acesso ao pré-natal. Na dúvida sobre o diagnóstico de gravidez, deverá ser solicitado teste de gravidez no acolhimento (o exame padronizado para diagnóstico de gravidez é o exame de urina) e, se o resultado for positivo, devem ser solicitados os exames de rotina.

Ainda na primeira consulta, a gestante deverá ser cadastrada no SISPRENATAL com anotação do número no prontuário e no cartão de gestante.

Os retornos deverão ser marcados para o dia preferencial de pré-natal, favorecendo as atividades em grupo na sala de espera, antes da consulta.

Toda gestante deverá ser encaminhada para o parto na maternidade de referência do respectivo centro de saúde. O nome da maternidade deverá ser informado à gestante e anotado no Cartão de Pré-Natal.

A equipe deverá ter conhecimento da agenda de todas as gestantes que estão sendo acompanhadas para eventual busca de faltosas.

No caso da detecção de fatores de risco na gravidez, o referenciamento da gestante para atendimento em níveis de maior complexidade se dará através da Central de Marcação de Consultas e agendamento de retorno no Centro de Saúde para acompanhamento até o efetivo ingresso da gestante

no pré-natal de alto risco. Mesmo as gestantes de alto risco que são acompanhadas nos serviços de

referência deverão manter vínculo com o Centro de Saúde, através da participação no grupo de gestantes. Os encaminhamentos deverão ser feitos preferencialmente pelo médico, mas poderão ser solicitados pelo enfermeiro, se a gestante preencher critérios definidos (vide abaixo) e não houver possibilidade de avaliação ágil pelo médico.

Ressaltando a importância do acompanhamento no puerpério, o “5º dia: Saúde Integral”, deve ser

divulgado e viabilizado para a avaliação da puérpera. O registro deste atendimento no SISPRENATAL

é imprescindível.

4

Saúde Sexual e Reprodutiva

ROTINA DE ATENDIMENTO À GESTANTE NAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE – PBH

.

Cartão de pré-natal e prontuário devem ser de uso obrigatório.

.

Cadastramento no SISPRENATAL

.

Exames básicos

Primeira consulta

.

Hemograma

.

Grupo sanguíneo e fator Rh (se não documentado anteriormente)

. Glicemia de jejum (vide rastreamento de diabetes gestacional no protocolo de saúde da mulher da SMSA)

.

VDRL

.

Sorologia IgG e IgM para toxoplasmose (se não diagnosticada como imune anteriormente)

.

Exame de urina de rotina e urocultura

.

HbsAg

.

Teste de HIV/Aids oferecido para todas as gestantes

. Citologia oncótica, se indicado conforme protocolo de propedêutica do colo. O exame cérvico- uterino da gestante deverá ser colhido preferencialmente pelo médico

Em torno da 24ª a 28ª semana:

Glicemia de jejum ou 2hs após 75g de dextrosol, para rastreamento de diabete gestacional Repetir VDRL

Repetir

IgM para

toxoplasmose se anteriormente IgG negativo.

PARA AS GESTANTES RH NEGATIVAS

Coombs indireto na primeira consulta e mensalmente a partir de 24ª semana. Referenciar para nível de maior complexidade a gestante com teste de Coombs indireto positivo.

PRESCRIÇÃO DE SULFATO FERROSO PROFILÁTICO A PARTIR DE 20 SEMANAS DE GESTAÇÃO

OBS: Ácido Fólico (1 a 5 mg) profilático só deverá ser prescrito pelo médico nas seguintes situações:

gestação gemelar, uso de anticonvulsivante, alcoólatras e história prévia de descolamento prematuro de placenta.

PROFILAXIA DO TÉTANO

Vide protocolo

AVALIAÇÃO ULTRASSONOGRÁFICA

Rotina: deverá ser solicitada pelo pré-natalista (médico ou enfermeiro) para ser realizada entre 18 e 24 semanas de gestação

Saúde Sexual e Reprodutiva

5

CRITÉRIOS E PRÉ-REQUISITOS PARA ENCAMINHAMENTO PARA PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO

O pedido de vaga na Central de Marcação de Consultas Especializadas deverá ser feito, preenchendo-

se adequadamente o Formulário de Referência e Contra-Referência e respeitando-se os seguintes

critérios:

.

Hipertensão arterial crônica com pressão arterial 150/100 mmHg

.

Doença Hipertensiva Específica da Gravidez (DHEG/Pré-eclâmpsia)

.

Cardiopatias

.

Nefropatias

.

Doenças do colágeno (Lupus Eritematoso Sistêmico, Artrite Reumatóide, etc)

.

Diabete Melito (prévia ou gestacional)

.

Doenças tireoidianas (hiper ou hipotireoidismo)

.

Pneumopatias

.

Anemias graves (ou hemoglobinopatias)

.

Epilepsia não controlada

.

Ameaça de parto prematuro ou com perdas gestacionais de repetição (3 ou mais)

.

Câncer

Devem estar acompanhados de exame de ultra-som:

.

Gestação múltipla (3 fetos ou mais)

.

Polidrâmnio

.

Oligoidrâmnio

.

Crescimento intra-uterino retardado (CIUR)

.

Anomalias uterinas (útero bicorno, septado)

.

Placenta prévia total

.

Má-formação fetal

Devem estar acompanhados de teste de Coombs indireto positivo:

. Isoimunização feto-materna (Doença Hemolítica Peri-natal ou Eritroblastose Fetal)

Devem estar acompanhados de exame laboratorial específico positivo:

. Infecções (Toxoplasmose, Sífilis com tratamento não penicilínico ou complicada, HIV/Aids)

Outras indicações de encaminhamentos deverão ser acompanhadas de minucioso relatório médico

e resultados de exames que as justifiquem. O encaminhamento deve ser o mais precoce possível.

A CONSULTA PUERPERAL: 5º DIA SAÚDE INTEGRAL

.

Avaliação da puérpera quanto a infecções: mastite, endometrite, infecções da episiotomia

.

Vacinação contra rubéola

.

Incentivo ao aleitamento materno

.

Encaminhamento ao planejamento familiar (orientação do casal)

.

Avaliação do recém-nascido

.

Teste do pezinho

.

Imunização do recém nascido: BCG e Anti-Hepatite B

6

Saúde Sexual e Reprodutiva

CLIMATÉRIO

DEFINIÇÃO Período geralmente entre 45 e 55 anos, que se caracteriza por diminuição progressiva da função ovariana, podendo preceder, em média, em 4 anos a menopausa (parada de menstruação). É o período de transição entre a fase reprodutiva (fértil) e não reprodutiva da mulher.

Atividades em grupo devem ser desenvolvidas com o objetivo de oferecer às clientes o maior nível de entendimento sobre as modificações biológicas inerentes ao período do climatério. Diferentes metodologias podem ser estabelecidas, dependendo das possibilidades de cada serviço/equipe. Qualquer metodologia utilizada deverá contemplar a participação das usuárias, permitindo maior integração à equipe de saúde.

É importante valorizar a auto-estima da mulher, oferecer tratamento para disfunções sexuais e ressaltar

que o fim da vida reprodutiva pode significar, inclusive, uma vivência mais plena da sexualidade. A mulher deve estar consciente de que continua vulnerável às DST’s e à Aids, estando indicada a manutenção do uso do preservativo.

O tratamento hormonal do climatério descompensado (fogachos, secura vaginal, alterações de humor,

distúrbios menstruais) deverá ser realizado por ginecologista, individualizando os esquemas terapêuticos e contra indicações.

Avaliar métodos contraceptivos mais adequados às necessidades desta faixa etária.

DISFUNÇÃO SEXUAL MASCULINA

A disfunção erétil é a incapacidade de manter a ereção peniana suficiente para permitir a relação

sexual. A incidência aumenta com a idade, acometendo 25% dos indivíduos com mais de 65 anos.

A maioria dos casos tem origem orgânica, entretanto nos jovens as causas psicogênicas são mais

frequentes.

A disfunção sexual masculina pode manifestar-se de várias formas e a anamnese é fundamental

para a abordagem correta.

1. A perda da libido reflete a diminuição dos andrógenos (a causa pode ser testicular, hipofisária ou hipotalâmica). A dosagem de testosterona e gonadotrofinas ajuda na definição do problema.

2. A perda de ereção ocorre por problemas arteriais, venosos, neurogênicos ou psicogênicos. Doenças concomitantes podem ser a causa destas afecções. Medicamentos são frequentemente causadores de disfunção erétil, notadamente os antihipertensivos simpaticolíticos de ação central (Clonidina, Metildopa e Reserpina). Os vasodilatadores, diuréticos e alfabloqueadores raramente afetam a ereção. Betabloqueadores e Espirinolactona podem causar perda da libido.

A ocorrência de ereções normais (geralmente noturnas ou pela manhã) refletem a existência de

causa psicogênica.

A perda gradativa de ereção com o tempo sugere causa orgânica.

A perda de emissão ocorre em várias doenças orgânicas ou por deficiência de andrógenos (diminuição

da secreção prostática e seminal).

A ejaculação retrógrada reflete alterações anatômicas no trígono da bexiga, principalmente após

ressecção transuretral da próstata ou denervação simpática pelo uso de bloqueadores, Diabetes Mellitus ou cirurgia radical pélvica ou retroperitoneal.

3. A perda do orgasmo (com ereção e libido normais) geralmente é de

Entretanto, diversos fármacos, como os antidepressivos, podem causar distúrbios da ejaculação.

origem psicogênica.

4. A ejaculação precoce normalmente está ligada a estados de ansiedade.

Saúde Sexual e Reprodutiva

7

AVALIAÇÃO

Anamnese

Diferenciar de problemas de libido, ejaculação ou orgasmo. Diferenciar se a evolução é crônica, ocasional ou situacional. Questionar dislipidemia, hipertensão, depressão, doenças neurológicas, Diabetes Mellitus, insuficiência renal, doenças tireoideanas ou adrenais, traumas ou cirurgias pélvicas, drogas utilizadas, uso de álcool, tabaco.

Exame físico

Caracteres sexuais secundários, exame vascular periférico e neurológico (motor e sensorial). Exame da genitália e próstata.

Exames laboratoriais

.

Hemograma, lipidograma, exame de urina de rotina, testosterona, prolactina.

.

Se houver alteração na testosterona ou prolactina, deve-se encaminhar à endocrinologia.

.

Outros testes especiais são do âmbito da atenção secundária.

Tratamento

Os casos psicogênicos beneficiam-se com psicoterapia e orientação sexual.

A maioria dos casos orgânicos pode ser tratada com as abordagens atuais, sendo muitas delas do

âmbito da atenção secundária/terciária e nem todos disponíveis na Rede SUS (inibidores da fosfodiesterase - como o sildenafil, reposição hormonal, tratamentos cirúrgicos etc).

Na atenção primária, além de orientar os pacientes, o médico deve estar atento para a necessidade

e a possibilidade de substituição ou suspensão de medicamentos causadores de disfunção sexual.

Os inibidores da fosfodiesterase não são padronizados pela SMSA; estas drogas inibem a

fosfodiesterase, permitindo que o GMP-C atue sem oposição. O Sistema Nervoso parassimpático e

o endotélio normalmente geram o GMP-C, que permite aumentar o influxo de sangue no pênis. Não

interferem na libido e nem causam trauma. O uso associado com nitratos pode levar à diminuição da pré-carga e à hipotensão, com risco elevado de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares. Portanto, é contra-indicada a administração destes medicamentos a pacientes que estão recebendo qualquer forma de nitrato.

Prevenção e Abordagem de Agravos Transmissíveis

1

Serão abordadas as diretrizes da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA - BH), voltadas para a prevenção e para a abordagem de doenças e agravos transmissíveis, nos seguintes tópicos:

1 - Diarréia aguda, parasitoses intestinais e principais doenças infecto-parasitárias na infân- cia;

2 - Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, incluindo as orientações para atendimento dos pacientes HIV positivos pelo PSF e o aconselhamento;

3 - Abordagem sindrômica das doenças sexualmente transmissíveis;

4 - Atendimento ao paciente com suspeita de dengue;

5 - Tuberculose;

6 - Hanseníase.

2

Prevenção e Abordagem de Agravos Transmissíveis

DIARRÉIA AGUDA NA INFÂNCIA

Problemas

.

Uma das principais causas de morbidade infantil em nosso meio

.

Uma das principais causas de mortalidade infantil

.

Fator agravante do estado nutricional das crianças

Equipe de Assistência à Criança

.

Auxiliar de enfermagem

.

Enfermeiro

.

Médico

.

Agente comunitário de saúde

Atribuições dos Profissionais da Equipe A - Acolhimento e identificação da criança com quadro de diarréia aguda: alteração do hábito intestinal com aumento do volume e freqüência das evacuações e diminuição da consistência das fezes, com duração máxima de 14 dias. B - Identificar casos com risco de evolução desfavorável:

Criança < de 06 meses

Menor de 1 ano com baixo peso ao nascer

Criança desidratada: sinais mais evidentes (AIDPI)

Estado geral comprometido

Vômitos incoercíveis

Prostração intensa

Recusa de líquidos

Criança desnutrida moderada ou grave

Diarréia com evolução prolongada sem melhora

Desmame precoce

Internação prévia por diarréia ou desidratação

Episódio anterior de diarréia com desidratação

Presença de sangue nas fezes

Risco situacional (baixo nível de instrução dos responsáveis/dificuldade de acesso à assistência de saúde)

Avaliação da desidratação

 

SINAIS

 

Parâmetros

Ausentes ou pouco evidentes

.

.

Presentes

Presentes e com sinais de choque

.

História de perdas hidroeletrolíticas

.

Sim

.

Sim

.

Sim

Estado geral

.

Preservado

.

Irritado

.

Alterações do sensório:

prostração, agitação, torpor e coma

Peso

.

Mantido

Perda aguda de peso de pequena à moderada

.

Perda de peso aguda ou evidente

.

Sede

Normal ou pouco aumentada

.

.

Aumentada

Dificuldade para ingerir líquidos

.

Pele e mucosas

.

Normais

.

Secas

.

Frias e pálidas ou

.

Turgor da pele pastoso

cianóticas

.

Elasticidade diminuída

.

Elasticidade muito

diminuída (prega cutânea se

desfaz em 2 segundos)

.

Turgor pastoso

Olhos/fontanela

.

Redução do

.

Tensão ocular diminuída

.

Enoftalmia acentuada,

lacrimejamento

.

Fontanelas deprimidas

tensão ocular diminuída,

.

Fontanelas normais

sem lágrimas

.

Fontanelas muito

deprimidas

Pulso

.

Cheio e rítmico

.

Fino e rápido

Muito fino, quase imperceptível

.

Enchimento capilar

.

Rápido< ou =3 segundos

.

De 3 a 5 segundos

.

Acima de 5 segundos

Frequência cardíaca

.

Normal

.

Aumentada

.

Aumentada e nos casos

muito graves diminuída.

.

Arritimias

Diurese

.

Normal

Diminuída com urina concentrada

.

.

Oligúria

Respiração

.

Normal

.

Aumento da FR

Irregular/hiperpnéia quando há acidose

.

Prevenção e Abordagem de Agravos Transmissíveis

3

Conduta

1 - Avaliação global da criança incluindo cartão de CD para avaliação nutricional, desenvolvimento e imunização

2 - Aferir temperatura axilar, peso e avaliar estado de hidratação

3 - Atender a criança eutrófica, com bom estado geral, sem desidratação ou outros fatores de risco:

.

orientação de higiene

.

orientação alimentar com incentivo ao aleitamento materno, manutenção dos alimentos da

dieta habitual, excluir

laxantes. É contra-indicada a pausa alimentar

.

dispensação de sais para reidratação oral

.

orientação para a família quanto à evolução da doença e sinais de piora do quadro

.

recomendação de retorno se não houver melhora do quadro

.

iniciar TRO se a criança estiver desidratada, providenciando atendimento pelo médico e/ou

enfermeiro 4- Os casos de risco descritos no item B deverão ser encaminhados para atendimento médico imediato

5 - Promover atividades educativas

6 - Investigar intoxicação alimentar (na mesma família ou na mesma instituição); transmissão hídrica, giardíase ou shigella (na mesma instituição); rotavírus (na mesma família); saneamento básico ineficiente em casos isolados em famílias de um mesmo bairro

Enfermeiro

.

Consulta de crianças eutróficas com quadro de diarréia sem desidratação

.

Anamnese

.

Exame físico completo, avaliação do estado de hidratação e fatores de risco

.

Conduta:

. TRO

. Solicitação de EPF para crianças > de 01 ano, com episódios freqüentes de diarréia, desde que não realizado nos últimos 6 meses

.

Agendar consulta médica na presença de outros fatores de risco

.

Prescrição: sais para reidratração oral, antitérmico

.

Agendar retorno se não houver melhora do quadro

.

Agendar consulta médica se necessário

Médico

. Consulta dos casos de diarréia com risco de evolução desfavorável, descritos no ítem B

. Consulta com avaliação do cartão da criança (curva CD, imunização e marcos do desenvolvimento) integral da criança

. Orientação alimentar conforme a idade e gravidade do caso. É contra-indicada a pausa alimentar. Sais para reidratação oral para tratamento da desidratação

.

TRO

.

Medicamentos

Na grande maioria dos casos de diarréia aguda não é necessário usar outros medicamentos além dos sais de reidratação oral. Em alguns quadros clínicos como diarréia invasiva grave (shiguelose), em crianças de baixa idade (especialmente nos recém nascidos prematuros), nos desnutridos ou crianças que apresentem sinais de disseminação extra-intestinal, está recomendado o uso de Sulfametoxazol + Trimetropin ou Ampicilina. Lembrar também das crianças portadoras de doenças neoplásicas, Aids, imunodeprimidas, e casos de cólera. Antieméticos, antiespamódicos e adstringentes não são recomendados.

Medicamentos

.

AAS - 60-70mg/Kg/dia

4-6 vezes ao dia (comp.100 e 500mg)

.

DIPIRONA - 10mg/Kg/dose (comp.500mg; 20 gotas=500mg)

.

ACETAMINOFEN - 100mg/dia

.

AMPICILINA - 100mg/Kg/dia de 6/6 horas

4

Prevenção e Abordagem de Agravos Transmissíveis

Bibliografia 1- Caderno Temático da Criança – Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo- 2002 2- Pediatria Ambulatorial – COOMPED – 1998

FLUXOGRAMA DIARRÉIA AGUDA

ACOLHIMENTO COM AVALIAÇÃO DE RISCO Avaliação integral da criança

. Avaliação do Cartão da Criança

. Manter vigilância à saúde da criança com acompanhamento pela ESF até a resolução do problema

com acompanhamento pela ESF até a resolução do problema ENFERMEIRO Crianças eutróficas com diarréia sem
com acompanhamento pela ESF até a resolução do problema ENFERMEIRO Crianças eutróficas com diarréia sem

ENFERMEIRO

Crianças eutróficas com diarréia sem desidratação

MÉDICO Criança menor de 6 meses

Menor de 1 ano com baixo peso na

nascer Estado geral comprometido (vômitos

incoercíveis/prostração) Desnutrição moderada ou grave

Recusa de líquidos

Diarréia com sangue ou com

evolução prolongada sem melhora História pregressa de diarréia com desidratação ou com internação

Risco situacional (baixo instrução dos responsáveis / dificuldade de acesso à assistência secundária)

/ dificuldade de acesso à assistência secundária) piora melhora piora RETORNO SE Piora estado geral Ficar

piora

melhora

piora
piora

RETORNO SE

Piora estado geral Ficar sem urinar por mais 6/8 horas Não conseguir beber líquido Diarréia persistente por mais de 7 dias Aparecimento de sangue nas fezes

melhora

ALTA
ALTA

piora

REAVALIAÇÃO MÉDICA piora
REAVALIAÇÃO
MÉDICA
piora

melhora

Piora do quadro

Criança perde peso após as 2

primeiras horas de TRO Alterações do estado de

consciência Vômitos persistentes

Íleo paralítico

horas de TRO Alterações do estado de consciência Vômitos persistentes Íleo paralítico URGÊNCIA/INTERNAÇÃO

URGÊNCIA/INTERNAÇÃO

Prevenção e Abordagem de Agravos Transmissíveis

5

PARASITOSES INTESTINAIS

Problemas Devido à alta prevalência de parasitoses intestinais em nosso meio, constatamos grande demanda de consultas pediátricas por este motivo nas unidades de saúde. Este atendimento rotineiro utiliza geralmente duas consultas médicas (uma para solicitação e outra para verificação do resultado do exame), que poderiam ser utilizadas para outras patologias onde este procedimento se faz imprescindível. A inserção da enfermagem na assistência às parasitoses possibilitará melhor utilização do potencial da equipe, com ampliação do acesso da população às consultas pediátricas e outros atendimentos da Unidade de Saúde.

Organização da Assistência

1 - Avaliação integral da criança e do Cartão de Vacina (curva de peso, imunização, marcos do desenvolvimento em todas as oportunidades de atendimento nas UBS)

2 - Solicitação de exame parasitológico de fezes pelo enfermeiro, conforme a demanda, observando- se os seguintes critérios:

.

crianças maiores de 01 ano de idade

.

último exame solicitado há mais de 06 meses

3 - Grupo de parasitose

. De posse do resultado do EPF, todos os pacientes serão agendados para o grupo educativo onde serão abordados

.

orientações sobre higiene

.

orientações gerais de promoção à saúde, com enfoque preventivo e educativo

4

- Consulta de Enfermagem

Poderão ser atendidas e tratadas pelo enfermeiro as crianças eutróficas, portadoras de ascaridíase, oxiuríase e tricocefalíase, sem comprometimento do estado geral e sem sinais de complicações clínicas (distensão abdominal, eliminação oral de áscaris) ou patologias associadas (anemias, desnutrição, outros)

5 - Consulta Médica

Todos os demais casos de parasitose intestinal deverão ser encaminhados para consulta médica

Sinais e Sintomas

.

Diarréia

.

Dor abdominal, náuseas e vômitos

.

Prolapso retal (principalmente Tricocephallus trichiurus)

.

Manifestações cutâneas e subcutâneas

.

Nas helmintíases o quadro cutâneo se apresenta principalmente com urticária

ou edema

angioneurótico. Na esquistossomose aguda, podem surgir prurido generalizado, placas

.

Anemia

.

Presença de sangue nas fezes

.

Desnutrição e perda de peso

.

Eliminação de parasitas

.

Prurido anal e vulvar

. Manifestações pulmonares (a fase larvária da ascaridíase, ancilostomíase, estrongiloidíase e esquistossomose pode se manifestar como quadro bronquítico ou pneumonia intersticial. Sintomas gerais como febre, cefaléia, mal-estar que caracterizam a síndrome de Löeffler)

. Hepato e/ou esplenomegalia

Tratamento Medicamentoso das Parasitoses Intestinais Nos casos de poliparasitismo, quando não houver possibilidade de se utilizar uma única droga com ação sobre todos os parasitas, deve-se, inicialmente, tratar os vermes que apresentam possibilidade

de m igração do trato gastrointestinalpara as vias respiratórias,com o o Ascaris lumbricoides e o

Strongyloides stercoralis.

6

Prevenção e Abordagem de Agravos Transmissíveis

1

- GIARDÍASE Metronidazol Dose:15mg/kg/dia em 3 tomadas/dia, 5 dias Apresentação: comp.250mg; suspensão 40mg/ml

2

- AMEBÍASE Metronidazol Dose: 30 mg/kg/dia em 3 tomadas/dia, 10 dias Apresentação: comp. 250mg; suspensão 40mg/ml Na infecção por E. histolytica e por Entamoeba coli, pode ocorrer a colite fulminante, com ulceração do cólon e da área perianal e, mais raramente, perfuração intestinal. Em crianças pequenas, invaginação intestinal, perfuração e peritonite ou colite necrotizante podem surgir rapidamente. Nestes casos, usar metronidazol na dose de 15mg/kg/dia em 3 tomadas/dia, 5 dias.

3

- ASCARIDÍASE ,TRICURÍASE, NECATORÍASE e ANCILOSTOMÍASE . 1º Escolha: Mebendazol Dose p/ Ascaridíase, Tricuríase e Ancilostomíase: 200 mg/dia em 2 tomadas, 3 dias Apresentação: comp. 100mg; suspensão 100mg/5ml. Repetir após 15 dias . 2a. Escolha: Albendazol Dose: 400mg/dia em dose única Apresentação: comp. 400mg; suspensão 40mg/ml OBS: Na ascaridíase, as complicações são devidas à migração do verme adulto ou à obstrução intestinal por “ bolo de vermes”. Os vermes podem penetrar nas vias respiratórias altas e trompa de Eustáquio, nos casos de vômitos com áscaris). Estar atento para possível presença de anemia ferropriva associada a essas parasitoses. Em casos de suspeita de obstrução ou semi-obstrução intestinal por Ascaris lumbricoides, está indicada internação.

4

- OXIURÍASE 1º Escolha: Mebendazol Dose: 100mg/dia em dose única. Repetir após 15 dias 2a. Escolha: Albendazol Dose: 400mg/dia em dose única. Repetir após 15 dias OBS: É importante o tratamento de todas as pessoas da casa, também é preciso enfatizar os cuidados de higiene, pessoais e ambientais (escovar as unhas pela manhã e lavar as mãos após utilizar o toalete, trocar as roupas de cama e íntimas durante o tratamento).

5

- ESTRONGILOIDÍASE 1º Escolha: Albendazol Dose: 400mg/dia em 1 tomada, 3 dias Apresentação comp. 400mg; suspensão 40mg/ml OBS: Está contra-indicado para menores de 2 anos 2º Escolha: Tiabendazol Dose: 50 mg/kg/dia em 2 tomadas, 3 dias Apresentação: comp. 500mg OBS: Está contra-indicado para crianças abaixo de 15Kg

6

-TENÍASE

1ºEscolha:Praziquantel

Dose: 10 mg/kg em dose única Apresentação: comp.150mg; comp.500mg 2º Escolha: Mebendazol Dose: 300mg/kg em 2 tomadas, 3 dias OBS: Com a Taenia solium, há possibilidade do homem tornar-se hospedeiro intermediário, desenvolvendo a cisticercose. A gravidade maior da doença encontra-se nos casos em que as larvas se instalam no sistema nervoso central, causando a neurocisticercose.

7

- HIMENOLEPTÍASE:

Praziquantel Dose: 25 mg/kg em dose única

Prevenção e Abordagem de Agravos Transmissíveis

7

8 - ESQUISTOSSOMOSE MANSONI

Praziquantel

Dose: 60 mg/kg em dose única ou em 3 tomadas durante 3dias (parece melhorar a eficácia)

Oxaminiquine

Dose: 15-20mg/Kg em dose única, dividida em 2 tomadas, com intervalo de 4 horas. OBS: Fazer controle de cura com exames parasitólogicos de fezes seriados (um exame a cada mês, durante 6 meses)

BIBLIOGRAFIA

. Penna, FJ; Mota, J.A.C. - Doenças do Aparelho Digestivo na Infância. Série Gastroenterologia Pediátrica 1. 1a. Edição, 1994

.

Penna, F.J.; Wehba,J; Neto, U.F.N. - Gastroenterologia Pediátrica. 2º Edição, 1991

.

Leão, E e cols - Pediatria Ambulatorial 2º Edição. COOPMED

.

Boletim de Informação Terapêutica.Serviço de Apoio Terapêutico/Assist.Farmacêutica - SMSA/

BH, nº 2, Dez/1995

. Caderno Temático da Criança - Prefeitura do Município de São Paulo. Secretaria Municipal da Saúde. 2003

DOENÇAS INFECTO-PARASITÁRIAS NA INFÂNCIA

A - MANUSEIO DE CRIANÇAS NASCIDAS DE MÃES SOROPOSITIVAS PARA HIV

As crianças nascidas de mães soropositivas para o HIV poderão ser encaminhadas para o acompanhamento em unidades básicas de saúde. No entanto, recomenda-se que mesmo as crianças que soro-negativaram realizem visitas periódicas, até o final da adolescência, em unidades

especializadas (Centro de Treinamento e Referência / CTR - DIP Orestes Diniz) para o atendimento

a pessoas com infecção pelo HIV. Isto se deve ao fato de terem sido expostas não só ao HIV, mas

também, durante o período intra-uterino, a drogas anti-retrovirais. Essa preocupação reside no fato de não se saberem as possíveis repercussões da exposição a tais medicamentos a médio e longo

prazos.

Cuidados com o recém-nascido

As orientações sobre os cuidados a serem observados com o RN deverão ser feitas pela maternidade.

O RN não poderá ser amamentado com leite materno.

Aspectos especiais do atendimento

O acompanhamento dessas crianças deve ser mensal ou bimensal nos primeiros 6 meses, e trimestral

a partir do 2º semestre de vida. Em todas as consultas deverá ser feito o registro das medidas de

peso, altura, e os perímetros, em especial o perímetro cefálico. A avaliação sistemática de seu crescimento e desenvolvimento é extremamente importante visto que as crianças infectadas podem,

já nos primeiros meses de vida, apresentar dificuldade de ganho de peso.

Em relação à vacinação contra poliomielite, recomenda-se dar preferência ao uso da Salk (inativada) - CRIE.

Profilaxia com zidovudina para o recém-nascido Em recém-nascidos de mulheres infectadas pelo HIV deve ser administrado zidovudina, solução

oral, durante as seis primeiras semanas de vida (42 dias), sendo iniciado nas primeiras 8 horas de vida. A partir daí ficará a cargo do serviço de referência (CTR) manter ou não a medicação.

A partir de 6 semanas de vida, as crianças deverão receber Sulfametoxazol + Trimetropim para

profilaxia de P. carinii, até completar 1 ano de vida.

Algumas considerações importantes

. Adolescentes infectados pelo HIV

A adesão do adolescente à terapia anti-retroviral sofre a influência de algumas peculiaridades

observadas nessa faixa etária, como a negação e o medo de sua condição de infectado pelo HIV,

a desinformação, o comprometimento da auto-estima, o questionamento sobre o sistema de

saúde a eficiência da terapêutica e as dificuldades em obter apoio familiar e social.

8

Prevenção e Abordagem de Agravos Transmissíveis

. Conceito de sucesso terapêutico Deve ficar a cargo do especialista, sendo importante enfatizar o uso de parâmetros clínicos, como a retomada do crescimento pôndero-estatural, desenvolvimento neuropsicomotor e controle das complicações clínicas da infecção na determinação do sucesso terapêutico. Qualidade de vida, objetivo fundamental do tratamento, é algo subjetivo e só bem avaliado a longo prazo (com apoio da ESF, UBS).

. Falha terapêutica

A falha terapêutica está relacionada, freqüentemente, à dificuldade de adesão ao tratamento.

1 - Critérios clínicos

.

Deterioração neurológica

.