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DOCUMENTOS

ENTRE PORTUGAL E ITALIA

PUBLICADOS POR

S. E. H E N R I Q U E T R I N D A D E C O E L H O
Ministro de Paitugal junto da Santn Sé

G U I D O BATTELLI
Professor em Florenoa
VESPASIANO DA BISTICCI

VITE DI PORTOGHESI ILLUSTRI

VIAGCIO ALL'ISOLA DI MADERA


E A L L E AZZORRE (1567)

CON LA RIPRODUZIONE D I D U E ANTICHI PORTOLANI

DELLE AZZORRE

FIRENZE
TIPOGRAFIA ALFANI E VENTURI
MC&lXXXIV
Perguntaram u m a vez a Gabriel d'Annulzzio que biografo
desejaria. « E u queria, resfiodeu o Poeta, um biografo cdndido
como Ves$asiauo da Bisticci ». ( I )
Este adjectivo canclido, um pouco desconcerlante na boca
de d'Aununzio, traduz, por isso mesmo, o melhor elogio de
Vespasiano. Livreiro fZorenfiuo do Quattrocento (viveu de
1421 a 1498), que pela sua bottega viu $assar os lifératos
e humanistas mais famosos da é$oca; que serviu Pontqices,
reis, $rinci$es, prelados, gentishomens, capitães, artistas c
banqueiros de todas as raças e de todas as latitudes, tamanha
experiencia granjeou nos ncultiformes convivios, que uma
meia palavra, p a s i um breve acêno, duas linhas incisivas,
poucos fundos traços lhe bastavam $ara foca? um homem ou
um acontecimento, penetrando-os até d medula.
Vespasiano não é pois um retórico, nem um @ane&rista
interesseiro :nem u m cauto entretecedor d'elogios, que multipli-
casse as virtudes e escondesse os defeitos dos seus inumeros
personagens. Não: éle é um realista honrado. A s suas anotações
são rapidas, mas precisas, Neruosas e sincevas. Fazem lenzbrar,
talvez, os celeres esboços dos pintores, subitamente inspirados

( r ) Santa Lucia a Bisticci è uma pequediinn freguezia sobre a colina


de Sêo Donato, perto de Florença.
na mancha de u m a paisagem, na linha de um monumento, no
indirecto do reflexo de u m a perspectiva, de u m marmore OU de
um vosto: num resumo visual, enfim, de compo~zentes.E zcm
observador que sd conz um largo sorriso, feito de bolzhonzid e
de argucia, se debruça sobre as,fraquêsas humanas :é um filosofo
sempre convencido de que, mesmo os grandes homens, não
podem subtrahir-se d argila e ao molde do destino comum:
e que o engenho, o saber, a riquêsa e a poteucia, muito pouco
pesam na seueva balança aferidora do que de humauo e fragil
existe num mecenas, uztm principe, num artista ....
Emprega já Vespasiano o mermo processo de vivificação
que mais tarde realisaria, em grande estilo e fundo hausto, Gio-
vanni Papini no seu Dante vivo, que tanto snccesso alcançou
150s nossos dias.
N o entanto,preciso é colocar Vespasiano no seu plano pro-
prio. Qne deve ser - apesar de certos excessos de julgamento -
o comentario que sobve 8le formula Vittorio Rossi u a sua Sto-
ria letteraria de1 Quattrocento. (I)
Efectivamente nos adverte Rossi de que Vespasiauo não
tem $retenções a artista; de que as suas biografias são um
poztco desordenadas; de qz<e o desenho não mantém um equi-
librio constante: que abundam as repetições; e que está muitas
uezes errada a ordem monologica.
Nüo esqueçamos porém que o Ves$asiano - como êle
proprio confessa - esmeve (iper via di ricordo »,isto é, segundo
as sugestões re$entiuas da prodigiosa memoria, onde gravou,
acumulou e guardou milhares d'imagens vivas e reaes, para
despreocufiadas reproduções do momento. Não llze sairam
telas acabadas? De certo. M a s os esbo~ossão admiravelmente
fortes e veridicos.
E que homens, e quantos homens êle não conheceu e fixou
nas suas Vidas ! Eugenio I V e a Corte papal e m Florença,
quando se reuniu o Concilio Eucnmenico que deveria unir a
- -
(I) Milano, Vallardi 1933 pag. 37
E p j a grega d latina (1439) ; ( I ) Nicolau V , o grande papa
humanista, fundador da Biblioteca Vaticana, que êle visitou
e m Ronza: Alfonso d'Aragona, vei de Napoles ;Frederico de
ll.Ponlefeltro, duque d'uvbino; Alexandre Sforza, senhor de
Pesava; o duql*e de Worcester ; Nuno Gusmano, da Corte
de Espanha ; os Patriarcas de Constantinopla e de Jerhsalem ;
os arcebispos de Coloniu e de Strigone, os Cardeaes Bessarione,
Albergati, Cesarini e Jayme de Povtugal. Dois santos o abeira-
ram tanzbem: Santo Anfonin,o, bispo de Florenp e Sa"o Bev-
n a r d i ~ ode Siena. Todos os grandes Izumanistas do século -
entre os quaes tautos bispos e prelados -foranz clientes seus :
Giorgio da Trebisonda, o Poggio, o Filelfo, Vittonno da FeZt~:e,
Matteo PalruciLri, Niccolò A'iccoli, Donato Acciaioli, Gianozzo
Man.etti, Palla Strozzi, Francesco Sacchetti junior. Cosimo de
Mediei era da sua intimidade ;e, em dois anos, gastou u m a for-
tuua nas copias dos duzentos manuscritos que airiam a formar
o nucleo d'essa preciosa Biblioteca Laurenziana, qtue é uma das
brinzeiiras do rnzcndo. Alinhando este elenco de -prandes Nomes
da é$oca, apênas quizemos revelãr o interesse que apresentam
as biocrafias
- . do Ves.pasiano.
Aqzci reproduzinzos aquelas três que entram no nosso plalzo
de Cuabalho : a do cardeal .Jayme, a do Bisfio do Algarve e a do
misterioso Velasco, que foi, seguranzente, um dos apreçados
frequentadores da loja florentina, R onde procurava os livros mais
lindos, sem conszderar a despesa n.
Nimbada de +uistica e virgilzal beldsa nos surge a nobre e
gracil figura do Cardeal, que desde os primeiros anos tomara
a devisa do arminho acompanhada da letra :« Ma10 mori quam
foedari ». Chorou F l o r e ~ aa sua moute pvematura como se
fosse um luto da cidade ;e os rnais belos, os mais sonoros, nomes
da litératwra a da m f e contemporaneas se juntaram na home-
nagem comovida d sua nzemwia. Jamais se viu - e se uerá
talvez - um tão deslzcmbrante grupo de artistas ligados pelo

(i] O Papa continuou a habitar Florenqa a t é 1443.


v111 INTRODUCCÃO.
---
generoso pensame?zto comum de honrar z1m extinto. Repare o
leifor: Antonio Manetti, disci$ulo de Brunelleschi, desenlzou
a Capéla :Andrea dellu. Robbia modelou os azulejos da abobada ;
Alesso Baldovinetti pintou a fresco a formosa Anuuciação
na parede fronteira ao tmmulo; Antonio e Piero de1 Pollaiolo
pintaram o retabulo dos tres Santos: Eustaquio, Thiago e Vi-
cente ; Antonio Rossellino foi o escultor adnziravel do mouu-
mento funebre; e A n g d o Policiano compoz o epitafio latino:

REGIA STIR12S, J a C o B U S NODIS??, LUSITANA PROPAGO,


INSIGNIS X ~ R M A , suonnih PUDICIXIA,
CARDINECS r r ' f u m s , broiiuur r r r ~ o n , OPTIMA VITA
rsrn nusnk ~ 1 1 x 1 :MORS J U V E N E ~ I RAPUI'I.
V I X . A??. XXV. 31. XI. D . X . OBIIT AX.
SALUTIS N I C C C C L I X
ALVAREP. SILVENS. OPUS PACIUNDUM CURAVIT
QUI, TRASLATO CARD. CORPORE, ARAM DIVIS
JACOBO, VINCENTlO iir EuSTACHIO, ASSIGNATA D o T n
SACRAVIT XI X A L . OCTOBRIS M C C C C L X V I .

Atestado de admiragão e de dor, colzsagração duma vida


resl>landeceute de ternura virginal, a maravilhosa Capéla da
Basilica de S a n Miniato è unza das obras $$.irnas da Relza-
scença italiana.
Przbderccia, covdura, sabedoria, são os dotes primordiaes
do Bispo do Algarue, que dirige a casa cardinalicia do seu pa-
rente com tão exemplar recttdão, q ~ ~R oe~ n ainteira O aponta
e o exalta como modelo a seguir.
E T7elasco ? Estudioso infntigavel e ~ultissinzo: de jovial
e despreoczipado trato atravez dos seus imnpetos juucvcis, rrcas
altivo e rigoroso zeladou da sua Izonra e do sezc nome :voz de
trovão e pulso de brzgão, tão lesto no castigar como mzo pev-
doar: insolente, m a s espontaneo e instantarzeo no reconheci-
mento da sua culpa, eis Velasco, o misterioso Velasco, que
acaba os seus dias tumulluosos $20 sileucio d u m claustro de
monges, longe do fervor da cidade. E' esla figura impetzcosa e
generosa que Vespasiano nos traça com M o verdadeiramente
feliz.
A o conkario de que haviamos prometido na Introdução ao
primeiro volunze, pareceu-nos desneressario acom$anhar as
Vidas da$ relativas traducções. Desnecessario, dada a limpida
simplicidade da linguagem de Vespasiano, ao alcance de todas
as $essoas cultas de Portugal, ás qnaes princi$almente, e se
~zãototalmente, esta obra se dirige. Desistimos portanto de
urna tarefa que, feita mesmo com os mais pacientes e amorosos
desvelos, bastante enfrapueceria a clara originalidade do texto.

Rasões de oportwnidade tipogvafica nos aconselharam a


encurtar neste voluminho a pitoresca relação da Viagem à
ilha de Madeira e aos Açôres, feita em 1567 per Pompeo Ar-
diti, nobre de Pesaro ao serviço do rei de Portugal, cujo manu-
scrito original se colzserva na Biblioteca Oliveriana da cidade.
A nota pitoresca é a predominante, como que a alieiiar
as doutas anotações astronomicas e geograficas, as agudas ob-
serz~açóesde sn'encias naturaes. A Madeira e os Açôres apa-
recem-nos, sobretudo, como preciosos pontos de abrigo e de abas-
tecimento das nazis portuguêsas nas suas grandes rótas, famosas
nos recuados tempos e m pie os eavegadores lusitanos domina-
uam os mares e o comercio do mundo.
Como atestado insuspeito da veracidade da narração do
Arditi, @u6licamos tam s nzps preciosas 'notas redi-
de sna Magestade, pozlcos
anos d e p o i s ( 1 ~ 8 ~ à) , m$@& & s -.behs
- ~. &tas nauticas dos
.~~
Agdres, desenhadas povikcunzbencia do Grão ~ u g u ed e T o -
scana e conservadas n a Biblioteca Nacional de Florença.
Tendo obtido de Felipe I I licenças d'exportação das suas
fazendas e dos seus tecidos para as terras do Nwoo Mundo, ini-
ciara assim a Toscana um rendoso comercio com o Brazil e
as terras da Nolia Espanha. Desta maseira se explicam os
desvelos do Grão Duque Francisco I pela const7,ucçZo do porto
de Livorno e de uma potente esquadra ;e as rebuscas febris de
cartas nauticas e portirclanos portugueses, de que são testemzmhos,
alem das mapas do Teixeira, a g ~ a n d eCarta ilautica do Medi-
terraneo e do AtIantico, do cosmografo lusitauco Homem niego
(1563): e o estupendo Atlante nautico, de 26 cwtas, admira-
velmente desenhadas e iluminadas em pergami?zho, que se colz-
serva como u m a rara preciosidade na Biblioteca Riccardiana
de Florercça. Figuram neste Atlante todas as gloriosas conqui-
stas portuguesas, ~ z oBrasil, Iza Africn, nns Indias, até ci lon-
giqua ilha de Timor, baluarte extremo de. civilisagão oci-
dental, latina e cvistz, contra a posse dos Mouros, aos quaes as
caraoelas de Vasco de Ganza tinham uib~adoum go@e mortal,
abrindo aos $ouos de Europa « o s mares nunca d'anles nave-
gados 1).

Roma, Flov6n[<a, Abrzl ds 1934.

Dr. GUIDOBATTELLI.
VESPASIANO DA BISTICCI

VITE
DI PORTOGE-IESI ILLUSTKI
CARDIR7ALE JACOPO DI PORTOGALLO
DI STIRPE REALE.

I.-Messer Jacopo di Portogallo,titolo di Santo Eustachio,


diacono Cardinale, nato per padre e madre delle più degne case
che siano oggi ne' cristiani. Costui per padre è nato di stirpe
reale della casa di Portogallo. (I) La sorella de1 padre, fu di
casa di Borgogna. Sarebbe assai prolisso narrare la sua pro-
genie, ina è tairto nota che non è necessario fariie menzione.
Costui dalla sua tenera età fu volto alle lettere, dove comiu-
ciò in Portogallo sotto degnissimi precettori. Non solo co-
minciò a dare opera alle lettere latine, ma a formare la sua
vita di laudabili costumi, e fece proposito, in fra Saltre sua
laudabili virtù, d'osservare verginità, essendo lui bellissimo
de1 corpo, quanto ignuno n'avessi Ia sua età. Faceva tutte
quelle cose per le quali i1 suo voto non s'avessi a impedire :
di fuggire i ragionamenti non onesti, fuggire le donne e Ia
loro conversazione ; e bdli e canti e suoni aveva in abomi-
uazione. Sendo istato in Portogallo in questa osservama,
parve a' parenti sua, deliberando che fussi prete, mandar10
a studiare in ragione canonica in Italia ; ed elessono Perugia,

( I ) Era figlio dell' Infante D. Pedro duca di Coirnbra, secondogenito


de1 Re D. João I. Sua zia Isabella aveva sposato i1 Duca di Botgogna,
Filippo i1 Buono, e fu madre di Carlo i1 Temerario.
4 CARDiNAhE JACOPO D I PORTOGAhLO
-- - - -
e quivi mandaronlo, ch'era i11 età d'anni dicesette, accompa-
gnato come si conveiiiva a uno reale.
11. - Istando a questo modo a Perugia, noii si mutava
de1 suo proposito, ina stava in quello constaiitissimo, e ogni
di piii si confermava iiella sua opiilione. Interveniva che qual-
che volta presso alia casa sua si sonava e bailava ; subito che
sentiva simili cose, se si sonava d'una parte della casa, egli
andava d'un'altra, in modo che ilon udiva xiuila. I1 priino dl
di quaresima se n'andava in uno luogo di frati di Monte Oli-
veto, a lato a Perugia, dov'egli aveva grandissinia divozione ;
niangiava con 10x0 i11 refettorio, di poi dormiva restito e
levavasi a matutiiio, ed era in chiesa a tutte Sore de1 di e
deiia notte ; e stavavi tutta la Quaresima infiiio alla mattina
di Pasqua di Resurressione ch'egli era confessato e comuni-
cato. E finito l'uificio, venivano i sua per lui e andavasene a
casa. Mirabile Iddio ! in carne vivere di vita non umaiia, ma
angelica ! Fu fatto in questo tempo, neli'eti di circa anni
rliciotto, protonotaio ; e bene che più tempo innanzi avesse
coniinciato a dire l'ufficio, e ogni di udire niessa e digiunare
e dormire vestito, ed essere la vita sua di tanto buono esempio,
che non era ignuuo che non tremassi a guatarlo, erano pochi
di che non andasse a1 luogo di Monte Olioeto per sua devo-
zione. I1 re di Francia, 10 imperadore. i1 re di Portogallo, i1
duca di Borgogna volevano in ogni modo clie i1 papa 10 facessi
Cardinale ; ma per volere andare secondo Sordine, lo volle
prima fare protonotaio.
111. - Istando non molto tempo protonotaio apostolico,
venne alla degnita de1 Cardinalato, (I) dove la degnitaper nulla

( r ) F u eletto cardiuale da Calisto I11 i1 23 fehbraiu de1 I q j 6 , iu


eth di z a anui. Bnea Sil-iio Piccolomini nells sua Sioria d'Euvofia (cap. 5 8 )
scrive che ir nel Cardinslc di Portogallo splcndeva tanta modestia, tanta
D I STIRPE REALE. 5
non mutò i costumi ch'erano di natura ; ch'era di grandissima
coniusione che uno giovane d'anni venti, bellissimo nel corpo,
nobilissimo di parenti, avesse eletta una vita tanto degna,
quanto aveva eletto questo giovane, ispercl~iodi costumi.
E no11 sia ignuno che per temeraria presunzione si scusi d'es-
sere impotente, e non potere osservare contineilza, se in uno
giovane nobile, ricco e ornatissimo de1 corpo sopra tutti que-
gli della sua età, con tanta licenza quaiit'egli voleva, sanza
avere persona sopra i1 capo, che gli potesse o dovesse coman-
dare pih che lui si volesse, niente di meno con tutte queste
condizioni, superò e vinse sè medesimo. Era istudioso sempre;
detto l'ufficio, leggeva qualche opera santa ; mai istava che
non fussi occupato, o in orare o in dire l'ufficio o in leggere.
Kon voleva che iu sua presenza si parlasse di cosa ignuna che
passasse la via dell'onestà. Con doniia ignuna non parlava
mai, nè si voleva trovare dove ne fusse ignuna. Vidi già uno
comentario dov'era segnato neíie margini, di mano de1 Car-
dinale, in pih luoghi, e maxinie in uno luogo, dove santo Giro-
lamo dice che le donne no11 entiino in casa di persona, sole,
ma si accompagnate ; i1 Cardinale di sua mano v'ha scritto,
che per nulla entrino in casa dove siano uomini, nè sole nè
accompagnate. Fuggiva come savio tutte le cose che gli po-
tevano essere impedimento alla servanza de' buoni costumi.
IV. - Sendo venuto a qiiesta degnità, istette poco tem-
po in corte d i Roma, non gli piacendo i modi e costumi de'
pih de' prelati, e pattissi e venne in Ibscann. (I) Intervenne,

gravit8, tanto scume d'ingegno e tale studio di lettere e tanto amore


ai v i r a che, quantunque giovanissimo, p a n e a t u t t i assunto troppo
tardi alla sacra porpora B.
(I) Era stato nominato da Pio I1 legato a latzre deu' Imperatore
Federigo 111, e appunto mentre era in viaggio per la Germania, sorpreso
dalla malattia, dovette fermarsi in Toscana.
6 CARDINALE JACOPO D I PORTOGALLO

sendo d'eta d'anni ventidua, che se gli juppe una vena in


sul petto. Vedutosi i1 male pericoloso, vi fece i rimedi. Fu
consigliato d'andare a1 Bagno (I) ;gli giovò poco. Sendo venuto
a Firerize e parendoli luogo comodo alla sua salute cosi
dell'anima come de1 corpo, prese stanza a Monte Oliveto, (2)
qui presso alla citta. Ora sendo qui in E'irenze, voiíe avere pa-
rere di più medici. In questa sua cura, sendo difficile in si
grande uomo e di tanta aiitorità, r'andavano con sospetto
a ciirarlo, con tutto ch'egli dicessi loro cbe facessino in questa
$na cura que110 che credevano che fiisse la sua salute dell'ani-
ma e de1 corpo. Istava de1 continovo benissimo provveduto
cosi della confessione e della comunione, e di tutte le cose
appartenenti alla salute dell'auima sua. Ora, sendo stato piii
tempo in questa cura, e non migliorando, per la difficultà
della infirmità, intervenne uno caso assai strano, d'uno me-
dico poco priidente, i1 (luale indiisçe uno rimedio assai be-
stiale e contrario alla saliite dell'auima sua come de1 corpo ;
e questo fu ch'egli disse che sarebbe bene per la salute de1
Cardinale che dormisse con una fanciulla. Inteso questo, i1
Cardinale non si potè avere pazienza, che fussi bastata la
vista a questo medico d'avere indotta una cosa tanto scelle-
rata ; della qitale prese tanto isdegno, che questo medico in-
ducessi Ia dannazione dell'anima e de1 corpo, conoscendo la
sua vita e' sua costumi ; e per cluesto riprese i1 medico come
egli meritava, dicendogli dove era 12 sua coscienza ch'egli
anteponesse la salute de1 corpo a quella dell'anima? E per
questo gli fece comandare che mai più egli venisse in quella
camera, nè di sua cura s'impacciasse. E cosi disse a1 vescovo

(I) Forse Bagno di Romapns sull'Appennino tosco-romagnolo, dove


ancor oggi sono sorgenti termali pregiate.
(2) Su un poggetto della riva sinistra dell'Arno, d i fronte allecascine.
DI STIRPE REALE. 7
d'Algarve (I) e a quegli che gli stavano appresso; e per questo
fu comandato a1 medico che mai più entrasse in quella casa ;
e cosi per questa cagione ebbe licenza, e mai pih vi tornò.
Onnipotente Iddio, quanto è grande Ia tua misericordia in
quegli che isperano in te !
V. - Istava i1 Cardinale de1 continovo co' Religiosi
di Monte Oliveto ; e i1 vescovo d'Algarve, uomo di buonis-
sima coscienza, ch'era a1 governo della casa, non si partiva
mai d'appresso a lui. Già conosceva i1 Cardinale i1 suo male
essere incurabile e non potere campare, e atteiideva a nettare
la coscienza sua, se aveva cosa ignuna che gli desse noia.
Era di natura umanissimo, e in lui uon regnava se non
umiltà. Era una fonte liberalissima in dare a' poveri per Dio,
discretissimo di provvedere a quegli che 10 servivano, mo-
destissimo nell'ordine della casa sua, nimico di pompe e
cose superflue ; teneva in ogni cosa la via de' beati, ch'è
la via del inezzo. (2) La sua famiglia voleva che somigliassino
lui nella vita e ne' costumi ; in casa sua non voleva che si
facesse nulla che si potesse riprendere : in tutte le cose era
Ia sua casa e '1 suo governo modestissimo. Ritornarido dove
abbiamo lasciato, istando in questi laudabili esercizi, ordinò
il suo testamento per autoriti apostolica, che fu d'essere
seppellito alla chiesa di Sancto Miniato di Firenze, (3) dell'or-
dine di Monte Oliveto ; e volle che vi si facessi una cappella
dotata, dove s'avessi ogni mattina a dire messa, come oggi
si vede, e lasciovvi i paramenti e altre cose appartenenti a1

( r ) D. Alvaro, di cui leggeremo Ia vita qui appresso.


(2) Secondo la dottrina sristotelica, la virtù sta nel meazo fra i d ~ i e
estremi.
(3) 8 la magnifica basilica romanica fonàata poclii anni dopo i1
mille dall'Imperatore di Germania Enrico i1 Santo, in nome de1 mar-
tire S. Miniato. Sorge su tina collina alla sinistra dell'Arno.
8 CARDINALE JACOPO DI PORTOGALLO

divino ufficio. Volle che di quelle sustanze che v'erano, se


ne soddisfacesse a quelli che I'avevano servito, e a' poveri ;
e cosi ordinò ogni sua cosa nella morte, come aveva fatto
nella vita. Non aveva atteso a cumulare tesoro, perchè neíía
sua casa, da alcuni arienti in fuori, non molti, e assai buona
copia di libri e sua vestimeuti e sua masserizia, non v'era
altro : che non credo che andassino alla somma di fiorini
tre mila ; in modo che, soddisfatto a quello che aveva lasciato,
la cappella non v'era de1 suo tanto che si potessi fare ; ma
questo vescovo Silvense (r) fece fare ogni cosa, e pagò gran
parte di quella spesa la duchessa di Borgogna.
VI. -La fine sua fu sanctissima, (2)come era stata lavita,
la quale fu di natura buona ; che esaminatola molto bene si
vede come si privò di tutti i diletti mondani ; e tutto si debbe
riputare che fusse per la grazia di Cristo e per i sua infiniti
meriti. Perchè si vede che f u tanto accetto a Dio che nella
carne mortale vivesse come s'egli ne fusse fuori, onde piii
tosto è da chiamarla vita d'angeli che d'uomini ; perch'egli
è certo che fu nella vita mortale come s'egli ne fusse fuori ;
e non sarebbe inconveniente, e cosi si debbe e può sperare,
ch'egli sia collocato nel numero degli eletti, avendo lasciato
a tutto i1 mondo tanto buono esempio di sè e della vita sua. E
se questa vita f u s e scritta per ordiue, dalla puerizia sua infino
a questa età, ed elia si vedesse, sazebbe non solo esempio,

(I) Silves è la. sede vescovile dell'dlgarve, tenuta in questo momento


da1 Vescovo D. Alvaro già ricordato.
(2) Mori i1 27 agosto 1459 (e non i1 15 aprile come dicono alcuni).
Ciù resulta da1 CIACONIO7stae Pontificum et Cardinaliuvn (Roma, 1677).
vol. 11, pag. ggo, e da una lettera di Francesco a Filippo Strozzi in data
di Firenze 1 1 settembre 1459 : a E cosi intesa arete come a Firenze mori
i1 Cardinale di Portogallo, che Iddio gli perdoni r (Archzuio d i Stato di
Fir~?zae, Cavte Strozeiane C C X X X , pag. 249). Non aveva compiuti i
26 anui.
DI STIRPE REALS. 9

ma confusione a tutto i1 mondo. Nella sepoltura che è oggi a


Sancto Miniato, (I) la mano l u formata dalla sua propria, i1
viso in alcuna parte assai 10 somiglia, perchè dopo la sua vita
fu formato ; per essere venustissimo nel corpo ma piii nel-
l'animo, dov'era tutto ornamento di costumi, che pia non
ve ne poteva essere. Ed io scrittore, che gran parte di qneste
cose ho vedute e udite da persone degne di fede, che stavano
de1 continovo appresso la sua Signoria, ne rimango ismarrito,
quando io le penso. Chi leggerà adunque questa vita, conosca
ch'egli è in podestà degli uomini andare per ta via per ta quale
andò i1 Cardinale di propria sua volontà, non con altro mezzo
che col suo. Non sarebbe indegno ii Cardinale per esempio
a qualunque ebbono gli antichi, o di santità di vita o di co-
stumi o di qualunque altra virtù. Chi scrivesse la vita sua
per ordine come si convenebbe, e non con questa brevità,
sarebbe reputata cosa miracolosa ; e massime facendola iu
latino, a fine che ogni nazione ne avessi uotizia, e che la me-
moria di si degno uomo non perisse.

(I) Abbiamo già ricordato nella Introduzione quali furono gli artisti
eminenti che lavorarono a questa Csppeiia.
I0 ALFONSO DI POKTOGALLO

ALFONSO DI PORTOGALLO, VESCOVO B'ALGARVE.

I. - Messer Alfonso (I) di Portogallo fu que110 nel cui


governo fu dato i1 Cardinale di Portogallo, nato di nobilis-
sima stirpe di Re. Per la bontà di messer Alfonso e Ia sua
gravità, ed essere dottissimo in iure civile e canonico, gli
dettono a governo questo giovane ne' teneri anni sua, ac-
ciocchè colla sua prudenza temperasse gl'impeti della gio-
ventù ; con tutto che poca fatica ebbe a durare per Ia sua
buona disposizione.
Sendo messer Alfonso mastro di casa, e' governava la
casa de1 Cardinale in forma che non era in Corte di Roma
casa meglio ordinata de la sua, e piena d'uomini dabbene,
tutti omati di laudabili costumi. Istette questo vescovo
c01 Cardinale insino alla fine della vita sua, che fu i11 Fi-
renze ; e sempre gli fu appresso in tutti i sua bisogni cosi
spirituali che temporali. Era questo Cardinale come nella
Vita è scritto, como uno Job di pazienza e mai non si doleva,
e accordavasi con la volontà di Dio. Grande parte di questa
sua virtii procedeva da1 Cardinale e dalla sua buona na-
tiira ; benchè i1 Vescovo per i sua esempi e conforti, l'avessi
aiutato assai a vivere come viveva. Venendo i1 Cardinale
alla morte, lasciò suo esecutore i1 Vescovo a fare molte

(I) I1 primo nome era Alvaro


di Roma, nel tempo di Papa Pio; (I) e .per le sue virtii e per
essere buono leggista e canonista, fu fatto reggente della
Cancelleria; e que110 ufficio, che è di grandissima impor-
tanza, amministrò con pari riputazione. Molte degne con-
dizioni furono iu lui, che chi avessi a scrivere la vita sua le
potrebbe mettere ; questo che s'è scritto basti per un breve
ricordo.

(I) Pio I1 (Piccolomini) senese, regnò dai 1458 a1 '64.


VELASCO DI PORTOGALLO.

VELASCO DI PORTOGALLO.

I. - Messer Velasco fu di Portogallo, nato di nobilissimi


pareirti ; venne in Italia a studiare in ragion civile e cano-
nica. Fu grandissimo giurista e canonista. Istando a studio
c011 sornma riputazione, rispetto all'essere di nobile stirpe
e il padre ricco e in buona grazia de1 re di Portogallo ; donde
si procedesse non so, i1 padre veníie in disgrazia de1 suo re,
che tolsegli ducati ventirnila, si chè bisognò che si partisse
da1 regno. Istando messer Velasco a Bologna, e sendo i1
padre ricco, e lui di prestantissimo ingegno, e non avendo
bisogno molto di guadagnare, se n'andava a spasso la notte,
e non rivedeva lezioni, e secondo che intesi da lui, le lezioni
che leggeva si erano i Sonetti de1 Petrarca ; e il pih de1 tempo
10 consumava disutilmente, fidandosi de1 suo ingegno. Istato
pih tempo a questo modo, e vedendo i1 padre avere perduta
la grazia de1 se e buona somma di danari, sendo fuori de1
regno, per 10 sdegno fece pensiero di non vi ritornare mai
piii e misesi gih con grandissima diligenza a istudiare iure
civile e canonico ; e per la prestanza dell'ingegno suo, in
brevissimo tempo diventò singularissimo nell'una e nel-
l'altra facultà, e dottorossi con grandissima fama e riputa-
zione ; di natura che se n'erano addottorati pochi in Bolo-
gna di quella qualità. I% ebbe que110 messer Velasco che
pochi iuristi e canonisti hanno : di essere eloquentissimo in
iscrivere, perchè s'era dilettato di leggere piii opere dei
'4 VELASCO DI PORTOGALLO.

gentili, e di quelle aveva fatto uno buonissimo stile, come


si vede per più sua composizioni. Era audacissimo, e aveva
una lingua onnipotente, come bisogna avere ai legisti e
canonisti.
11. - Andando in Corte ne' tempi di Papa Eugenio, (I) e
conosciuta la sua virtù, fu fatto awocato concistoriale, e
vennevi in tanta riputazione che i1 più delle cause gli ve-
nivano nelle mani, e di tutte, o della maggior parte, aveva
onore. Aveva una voce che pareva uno tuono, e con questa
sua audacia e con Ia perizia grande ch'egli aveva e con lo
ingegno naturale gli riusciva ogni cosa, e in questo esercizio
guadagnò un tesoro. Aveva libri per parecchi migliaia di
iiorini, perchè voleva tutti i più belli clie travava. Aveva
pih veste rasate, foderate tutte di zibellini, e i pi& belli ca-
valli che fussino in corte di Roma ; teneva uno bellissimo
istato, ed era liberalissimo nello spendere e in ogni cosa.
Intervennogli alcuni casi avversi per questa sua audacia
e impazienza, che non poteva sopportare che gli fusse detto
nulla. Un Ti, sendo Papa Eugenio in Firenze, (2) sendo ragu-
nato i1 concistoro pubblico, e venuto messer Velasco innanzi
a1 Papa a difendere una causa contro uno abbate, tra Ia
sua dottrina e l'audacia e la eloquenza, e una voce che arebbe
rintonato i1 mondo, condusse queli'abbate in modo che egli
nori sapeva dove si fusse, ed erasi condotto alla via delia
disperazione : onde per lo sdegno si volse a messer Velasco
cou parole ingiuriose, di iiatura che messer Velasco perdè
Ia pazienza, si che in preseuza de1 Papa e di tutto i1 conci-
storo si aperse nelle braccia, e dettegli si piacevolemente,
che 10 pose iii terra ai piedi de1 Papa.
(I)Eugenio I V (1431.47).
(2)In occasione de1 Concilio Eciirnenico per tinire la Chiesa greca
alla latina (1439).
VELASCO DI PORTOGALLO. I5
Fatto questo, i1 Papa ne prese uiio grandissimo isdegno,
di natura che, se non fossino istati alcuni Cardinali che si
misono di mezzo, messer Velasco avrebbe mal fatto, perchè
i1 Papa I'avrebbe fatto mettere in prigione, ed era difficile
che non avesse grandissima punizione. Andossene a casa,
e non usciva fuori se non la notte a parlare a' Cardinali
e ad altri prelati che fussino c01 Papa, che gli perdonasse,
i1 quale non ne voleva udire nulla. Dopo molti prieghi, e
ancora di placare l'abbate i1 meglio che si potè, duhitando
messer Velasco per avventura non avere anche quello che
ci guadagnò l'abbate, (I) fece che i1 Papa, dopo più di, gli
perdonò, ma c011 difficultà. L' abbate ci avanzò che messer
Velasco di quella causa nou se ne impacciò più.
111. - Partendosi Papa Eugenio da Firenze e andando
a Siena, messer Velasco vi stette tutto i1 tempo che
vi stette Papa Eugenio : e andando a Roma, messer Ve-
lasco, avendo nel tempo che era a Roma, fatta questione
con certi Romani, uomini di condizione, a' quali inesser
Velasco, che era manesco, doveva aver dato delle busse,
per questa ragione non vi volle andare, a fine che quegli
Romani non si volessino vendicare. In questo tempo ch'era
a Roma ed ebbe questione con questi Romani, fu nella
morte di Papa Martino, (2) che, sendo istato preso i1 Vescovo
di Tivoli, ch'era dei primi a1 governo, sendo messo in Ca-
stel Sant'Angelo, messer Velasco disse volere andare a ve-
derlo. Andovvi, e perchè, come fanno i grandi maestri,
quando messer Velasco andava a parlargli, non gli poteva
pai-lare, giunto messer Velasco a1 vescovo, aveva portato seco
uno bastoncello, e giunto a lui, gli dette parecchie basto-
iiate, e diceva : nricordati che t u non volevi che ti fusse
( I ) Cio& le percosse.
(2) Milartino V mori nel 1431
18 VELASCO DI PORlDGALLO.

vita sua, e attendere a leggere e a orare, e ripensare bene


a' sua peccati ; e cosi fece e pose l'animo in pace e venne
in grandissima contrizione de' sua peccati. Istava in più
digiuni e orazioni i1 di e la notte, e si confessava spesso, e
soddisfece quello che potè, e in tutto s'alienò da ogni con-
versazione. Venne in grande grazia di Dio, diventò umiiis-
simo, dove era dianzi superbissimo ; attendeva a confortare
chi gli parlava, a1 bene operare ; e in questo tempo che egii
stette in questo luogo compose molte cose devote, le quali
non ho mai potuto vedete ; e rendè 10 spirito a Dio in mano
di quelli religiosi, avendo avuto tutti i Sacramenti, come
fedele e buono cristiano.
Fecegli l'onnipotente Iddio grandissima grazia, sendo
stato uomo tutto de1 mondo, di venire a tanta contrizione
de' sua peccati e fare si degno fine com'egli fece. E per que-
sto sia mai ignuno che si disperi per grandi peccati che egli
abbia fatti, ma sempre speri nella infinita misericordia di
Dio, che non abbandona chi si fida in lui.
Feciongli i frati di quello monistero per memoria sua
una sepuitura di marmo in terra, ed è alla porta dirirnpetto
a uno Crocifisso.

secondo la regola di Santa Brigida, a cui apparteneva, comprendeva due


case di religiosi, tina di rnonaci, l'altra di suore, avinti la chies* in co-
mune. Secolarizzato nel 1776, oggi serve come abitazione privata e non
c'è più alcun vestigio delle sepolture ricorsate qui appresso.
POMPEO ARDITI

VIAGGIO ALL' ISOLA DI MADERA


E A L L E AZZORRE
09-57) .
I L V I A G W CHE FECE POMPEO ARDITI DA PESAR0

ALL'ISOLA DI MADERA E ALLE AZZORRE.

D D ~6 di Maggio 1567 partimmo con la marèa da1


porto di questa Città di Lisbona, in una caravella
armata, un martedi a1tardi, per andare all'isola di
Nadera. Entrati in mare, navigammo tutta la notte, spirando
un poco di greco levante; e Ia mattina veniente, rinfor-
zandosi i1 vento, perdemmo vista di terra, e cosi navigammo
con buonissimo tempo quattro giorni senza veder terra,
facendo i1 vento felice mutatione, quando in greco e quando
ingreco tramontana.11 quinto giorno poi,che fu una domenica,
Ia mattina a buon'hora, vedemmo un'isoletta chiamata
Portosanto, Ia quale, per quanto dicono i marinari,circonda Portosanto.
cinque leghe, ed è in 33 gradi e %; P molto fertile di grani e
biave, e copiosissima di conigli. Arrivati che fummo a1 pari
della detta isoletta, Ia lasciammo a man destra e comin-
ciammo a vedere l'isola di Madera, che per essere terra altis-
sima si vede molto lontano ; che è quindici leghe lungi dalla
detta isoletta. A man sinistra dell'isola di Madera,vedemmo
poi tre altre isolette Ia piii vicina delle quali è quattro leghe Le $sole deserte
distante dall'isola. Sono queste isolette chiamate deserte,
imperocchè in una non abitaiio pih di sei o sette pastori,
e l'altre sono disabitate ; sono molto piccole, di maniera che
22 VIAGGIO ALL'ISOLA D I MADSRA

la piii grande non eccede di lunghezza una lega, e non è piii


larga d'un tiro d'arcobugio ; e in alcqni luoghi è tanto stretta,
che appena vi possono passare tre huomini a1 paro. Ciascuna
di loro è quasi tutta di un sasso vivo altissimo e scosceso,
iii modo che non hanno piii di una salita per una, e quella
tanto difficultosa, che tre anni sono, essendo certi Inglesi
smontati ivi per rubare bestiarni, un Negro solo, che se ne
accorse, gettando pietre abbasso, non solo loro difese Ia salita,
ma ammazzò cinque di loro. Si vedono ivi vacche, castrati,
muli e capre in malta quantità, molti pavoni e galline, e
una infinità di conigli. Di 13 pai andammo costeggiando una
parte dell'isola di Madera, per insino che alla tarde (r) arri-
vammo a1 Funciale, città di Vescovato, cosi detta perchè ivi,
quando primieramente cominciarono ad abitare, era tutto
Madera. pieno di finocchio, che i Portoghesi chiamano funcio. Questa
isola di Madera è situata in 32 gradi )/2 ; lungi dalla piii
propinqua isola d d e Fortunate, (2) che si chiama Lanzarot,
leghe 70, dalla costa d'Africa leghe xoo, e da Lisbona leghe
150 ; è montuosissima, sassosa molto e copiosissima di fonti
d'acque perfettissime. 1,a sua grandezza è diciotto leghe in
lungo, e da tre in quattro larga ; non è abitata se non alle
marine ; imperocchè alla montagna per cansa dell'espessura
degli arbori, che ivi sono in grandissima copia e altissimi di
maniera che dicono che per causa d'essi vi si cammina due
o tre leghe senza mai v e d a sole, e per la gran quantità delie
acque che surgono, ancor che sia di Luglio, vi fa tanto freddo
che è quasi insopportabile ; ma alle marine, dove sono le
abitationi, vi è un aere tanto temperato, che mai in nessun
tempo vi f a caldo o freddo. Quest'isola farà a1 pie da 13 in

(I) La sera.
(2) Le Csnarie
E ALLE AZZORRE. 23
-
14 mila anime; ed è divisa in due capitanie, l'una chiamata
dei Funciale, e l'altra di Maccicco ; (I) le quali sono di due
signori di questo Regno, e sono maiorgati, (2) che vanno d'he-
rede in herede, e hanno d' entrata la redecima de1 Re, come
a dire, se i1 Re ha 10mila scudi d'entrata, essi ne hanno
mille.
L a capitania de1 Funciale fa quasi tutti li zuccheri ; chè fiodotti 0di.i-
coli di IMadevn.
Maccicco, per non esser tanto copioso d'acque, ne fa pochi,
ma f a grani e biave. l'utta l'isola fa gran quantità di vini 7
che sono. tenuti qua eccellentissimi, e sono molto simili alle
malvasie di Candia; (3) i1 grana che quivi si raccoglie, è buonis-
simo ma è tanto poco, che non basta per i1 terzo dell'isola ;
per i1 che sono forzati a servirsi di fuori, dalle Canarie e dalle
isole degli Astori. (4) I1 raccolto loro vien inolto piii presto clie . ,

i1 nostro,.imperocchè alli 12 di Maggio noi mangiamo pan


nuo~ro,uva, fichi e meloni; (5) ma gli iiomini dell'isola dicevano
che insino da Marzo incominciavano a mangiar pan nuovo.
È molto copiosa di frutti d'ogni sorte, e fra gli altri vi sono
delle muse (ó), di quella sorte che alle volte vengono di Cipro
a Venetia. È tanto fertile quest'isola, che, piantandovi ar-
bori, in un anno danno i1 frutto; oltra di questo, tiene in sè
una meravigliosa proprietà, che non solo non procrea ani-
mali velenosi, ma portativi d'altronde, subito muoiono, nè
vi si ritrovano altri animali nocivi, altro che sorci e raga-
.

( r ) Masico.
(2) In portogliese morgados (maggioraschi).
( 3 ) 1,e prime viti vi furono realmente importate da Candia e da
Cipro per ordine dell' Infante Enrico, i1 Navigatore ( ~ q z o ) .
(4) I n portaghese Açores.
(j) Per quanto nel Portognllo, e specialmente nella regionc più meri-
dionale, I' Algar~e,le produzioni agrieole siano piii precoci che rla noi, è
certo esagerato i1 dire che a maggio si maiigia i1 pan tiovo e la frutta eçtiva.
(6) Banane.

5
Fu?zchal. iielline, lunghe a1 più come un dito. I,a città de1 Funciale è
Ia maggiore abitatione di tutta l'isola e potrà fare da cinque
i11 sei mila anime ; è situata in una spiaggia da un miglio
e mezzo lunga, la quale guarda verso Capo Verde ; dove àn-
corano ttitti i legni che vengono a comperare zticcheri, vini
e conserve di zucchero, clie in questa citta si fanno eccel-
lentissimi e in molta copia. Quivi adunque cosi quelli che veii-
dono, come quelli che comperano, pagano i diritti a1 Re a
ragione di dieci per cento, di niodo che i1 Re, con questo
e con quello ch'egli ha importo di zuccheri dalle genti della
terra, che gli danno di ogni cinque uno, ogiii anno, fuori di
tutte le spese, si avaiiza ciiiquanta niila ducati.
i'artenzn da Da questa isola poi, stati che in essa fummo treiitaquattro
Madera.
gioriii, partimmo alli 13di Giugilo, un sabbato a iiotte, sopra
una caravella per andare alle isole de gli Astori, e noii navi-
gammo due leghe, che ne calinò i1 vento, di maniera che in
tutto i1 resto della notte, e insino a mezzo l'altro giorno,
non facemmo qtiasi nessun viaggio. A mezzodi poi havendo
passato que1 capo che è volto a ponente, soccorrendoci un
scirocco, Ia notte perdelumo de1 tutto vista dell'isola ; e cosi
naviganlmo con btionissimo tempo tre giorni, dopo la perdita
di terra, quando con astro, quando con scirocco, e talor con
levante ; e i1 quarto, che ftt un giovedi, a1 tardi, vedemino
Le Azmrre. di lontano una delle isole de gli Astori ; cosi dette per la
nlolta quaiitità d' astori che ivi eraiio quando la prima volta
furono ritrovate, ma hora non ve ne è puxe uno ; chè, secondo
dicono, subito clie s'iuco~~~i~iciarono
ad abitare, se iie andarono.
1,a mattina veniente poi, in sul far de1 giorno, ci ritrovammo
sopra Ia detta isola, la quale si chiama Santa Maria, e d'indi
vedenimo l'isola di S. Nichele, tredici leghe ivi distante.
santa~ ~ Questa
~ isola
i di~Santa. Maria è in 38 gradi; non è molto mon-
tuosa, è copiosa molto di grarii, biave e carni, Ia sua grandezza
E ALLE AZZORRE. 25
-~ ~

potrà essere di circuito a1 più da sette in otto leghe. Navi-


gando poi avanti, Ia lasciammo a man manca, e audatnnio alla
volta dell'isola di San Michele; availti che fosse inezzo giorilo
arrivammo a que1 capo dell'isola che è volto verso levante ;
e d'indi, costeggiando l'isola dalla parte di mezzodi, perveilin~.
mo a1 tardi alla città di Ponta-Delgada ; dove sbarcati, dimo-
rammo da quaranta giorni nell'isola, nel qual tempo Ia caval-
cammo quasi t u t t a ; però più distintamente ch'io potrò
e saprò, descriverò quello ch'io gran parte vidi, e parte udii
dire da huomini de1 paese degni di fede. Quest'isola è i11 39 sa?~
hlichclz
gradi, lungi dall'isola di UIadera cento cinquanta leghe ;
Ia sua grandeza è diciotto leghe in lungo, e da due in tre
larga ; Ia lunghezza sua è da levante a ponente. Dalla banda
di greco-levante è montuosissima e tutta piena d'arbori,
fra i quali vi è molta quantità di cedri, di quella sorte de1
Monte Libano ; i1 resto è quasi tutto piano e colline frutti-
fere, che danno gran quantità di grani e biave; vi si fa ancora
in quest'isola guadi (I) per tingere panni, i11 tanta quantità
che ogni anno gli Inglesi che vengono a comperarli, ne cari-
cano dieci a dodici navi grosse. No11 tiene vini clie vagliano,
perchè sono tanto debili che non durano più di tre o quattro
mesi, in modo che e' pare che Iddio habbia date queste isole
tutte ad un Re, perchè l'una habbia a soccorrer l'altra,
essendo che tutte queste isole de gli Astori, che sono nove,
cioè : S. Maria, S. Michele, Ia Tercera, S. Giorgio, i1 Picco,
i1 Fayale, Ia Gratiosa, Flores, e i1 Corvo, tutte tengono cat-
tivi viui come S. Michele, e tutte, eccetto i1 Picco e S. Giorgio,
sono copiose di grano, di modo che facendo cambi con l'isola
di Madera, dando grani e pigliando vini, tutte commoda-
mente si mantengono. Quest'isola di S. Michele è molto popo-

(I) Y Z ~ , che dà una bella tinta azzurra


Isatis I Z ~ Z C ~ Opianta
26 VIAGGIO ALL'ISOLA DI MADZEA

lata, chè può fare, secondo dicono, più di venti mila anime ;
è molto abundante di vacche, castrati e porci, e vi è tanta
quantita di quaglie che è uno stupore ; uon è molto copiosa
d'acque, ma tuttavia non le mancano per suo uso ; i meloni
di questa isola sono i migliori di tutte queste parti, e vi sono
de' lunghi da quattro in cinque palmi. Quivi ancora si fa
cosi meraviglioso mele d'api, ch'io credo che difficilmente
si possa ritrovar migliore o eguale. Questa isola, secondo i
L'crz'zionc uul-
caaica de1 r563
vestigi che si vedono, già arse tutta ; e l'anno de1 1563 dicono
che la vigilia di San Pietro, appresso a una terra chiamata
Villa-franca, incominciò a poco a poco a tremar la terra, e
poco di poi tutta l'isola grandissimamente, i1 qual terremoto
durò tre d i continui, e i1 quarto si apersero tre monti, delli
quali ne ho veduto uno io, e gettarono tanto fuoco, con tanto
strepito che si senti per insino a S. Giorgio, che sono trenta-
cinque leghe, con nuvole grandissime di pietre pomice, e
tanta quantità di cenere che, ventando allora un ponente,
ne portò insino in Portogallo, ivi distante 260 leghe. Quella
cenere fece di molto danno a' raccolti, e coperse tutta quella
parte dell'isola che prese, di maniera che appena adesso in
alcuni luoglii incomiucia a dare un poco di frutto. Gettò
ancora i1 monte tanta terra in cinque giorni che durò i1
fuoco, che in due lochi, dall'una e l'altra banda dell'isola che
riguarda a tramontana e a mezzo di,ha fatto in mare due
spiaggie, da diie in tre miglia lunghe c mezzo larghe in circa.
Corsero da questi monti fiumi di materiali infuocati, che per
dove correrrano, nè monti nè alcun'altra cosa li poteva far
declinar da1 corso, e io ne ho veduto uno che passò da una
parte all'altra un gran monte e di poi entrò in mare, havendo
corso più di una lega di terra. Questo materiale si è convertito
in pietra durissima e negra, che a vedere adesso pare pece.
Tutta l'isola 6 piena di colli che sono aperti da cima, e dentro
E ALLE AZZORRE. V
--
vacui, e ia terra ioro è come cenere, segno evidente haver
causato ciò i1 fuoco ; oltra di questo per tutta I'isola, cavando
quattro o cinque piedi sotto terra, si ritrova di questa materia
abbruciata e convertita in pietra durissima. Dalla banda verso
tramontana, dopo questo fuoco, si è ritrovato pietra da fare
allume, e ne fanno, ma non in molta quantità. Dicono che
due leghe lungi da quella terra chiainata Villa-franca, dentro
della montagna, vi sono certe furne (I) sulfuree di dove escono,
quasi d'uu niedesimo loco, due fiumicelli d'acque, l'uno tanto
freddo che non vi si può soffrire le mani dentro, e l'altro tanto
caldo, che ponendovi un porco, e subito tirando10 sù, 10 ri-
trovano senza peli. Dicono ancora ch'ivi è un piano, in mezzo
de1 quale sta un lago d'acque negrissime, che di continuo bol- 1 1 lago boliciile

lono, dalle quali esce un grandissimo puzzore, di modo che se


ivi vauno cani o qual si voglia bestiame, subito muoiono,
e agli Iiuomini non fa nocumento alcuno ;le quali cose, essendo
per le molte pioggie pericoloso i1 cammino, iloncicurammo di
vedere. Ali'incoutro della suddetta ViUa-franca, la quale
è situata alla riva de1 mare dalla banda di mezzodi, vedemmo
una meravigliosa isoletta, quasi di forma rotonda, di un mezzo
miglio di circuito, lungi da terra altrettanto, Ia quale è cinta 11 poyto dx vd
attorno di roccia viva molto alta, che pare clie sia tagliata
collo scarpello. I n mezzo poi Ia terra si viene a poco a poco
abbassando come un teatro, e fa nel centro una rotonditi di
quarauta canne di diametro ; nella quale entra per certe fes-
sure di basso i1 mare ; i1 che liavendo veduto queste genti del-
l'isola, e conosciuta Ia commodità che ne potevano ricevere,
molti anni sono tagliarono quella parte che è verso la terra,
che è Ia pih stretta e piir bassa, e vi fecero una entrata perchè
vi potessero entrar navili. Ma fu tanto stretta che non vi

( I ) Fornaci, caldane.
possono entrar legni di più di cento tonellate, e perchè la
detta bocca, come ho detto, è volta vefso la terra che ri-
para la tramontana, che gli potrebbe nocere, vieiie a essere
iin porto d'ogni tempo sicurissimo. Quivi dentro, iiel porto
di questa isoletta, vi è una iiiestimabile quantità di pesci
d'ogni sorte, e in terra vi sono iiifiniti piccioni selvatici, che
facilissiinamentesi pigliano, ed è terreno, che chi ci attendesse,
produrrebbe buonissimi viiii, chè, cosi inculto come egli è, vi
sono delle viti che fanno uva eccellentissima. Questa cosi
bella isoletta adunque, chè in tutto i1 mondo credo che non
si ritrovi una simile, è stata insino a1 di d'hoggi nella maniera
ch'io l'ho descritta, nori faceudo nessuno utile al Re ; onde si
vede, che per mancamento d'huomini che sapessero dimo-
strare a Sua Altezza Ia necessità che tiene in queste isole
d'un porto come è questo, per Ia sua armata, essendo che
in tutte queste isole non ne tiene nessuno che vi si possa
svernare senza pericolo, è stata lasciata in questa maniera
senza farne più conto che tanto. Ma hora S. Altezza si è
deliberata, per consiglio de1signor Tommaso (I), di fargli allar-
gar quella bocca, tanto che commodamente vi possano en-
trar le navi che vengono dall'Indie ; e tenervi la sua armata
per guardia di queste isole, cliè non gli intervenga quello
che intervenne l'aniio passato all'isola di Madera, che come
vi scrissi, fu saccheggiata da' Frailcesi. E perchè i1 fondo
di dentro non è tanto che vi possano nuotare le dette navi, lo
vuol far cavare tanto che sia abbastanza ; i1 che moltofacil-
mente si può fare. Ma prima che si faccia questo, per preve-
nire agli accidenti che potrebbono nascere, si farà un forte
in nna parte della detta isoletta, dove vi possa stare arti-

( r ) Impossibile determinare clii sia questo ingegnere a1 servizio de1


Re D. Sehastiauo : forse un italiano?
E ALLE AZZORRF. z9
glieria per difesa de1 porto, euna abitatione per un capitano
e per quelli pochi huomini che vi saranno necessari, di
maniera che, facendovi una buona cisterna, percliè in sè
non tiene acqna, e ponendovi legna e grano, con commo-
dità di macinare, senza quasi altro, quelli clie ivi dimorano
sono atti a mantenersi, per le altre commodità ch'io dissi
di sopra che in sè tiene, e a difender que1 loco da tutto i1
poter de1 mondo. Questa isola di S. Michele è tutta una ca-
pitania, e maiorgato cl'un fidalgo di questo Regno ; la terra
priiicipale di essa è ia città di Ponta-Delgada, cosi detta Ponto Delgndn
per esser situata nella più stretta punta dell'isola, Ia qual
città potrà fare da otto in nove mila anime, e rende insieme
con tutta I'isola ogni anno a1 Re da trentamila ducati in
circa, fuori di tntte le spese.
Paitimmo poi di questa isola per Ia Terzera a' 28 di
Luglio, un luiledi a notte, in un navilietto piccolo, chiamato
Ia barca della carrera, peichè non fa altro viaggio che yue-
sto ; e navigammo tutta la notte con un scirocco molto
fiacco, e sul far de1 giorno si calmò in tutto ; ma poco di
pai si voltò i1 vento a maestro, di maniera che ci era a1 tutto
contrario; per i1 che deliberainmo, per non tornare indietro,
d'andar trattenendoci bordeggiando, perchè i1 vento non
era molto gagliardo, sperando che in bieve dovesse vol-
tarsi per noi, ma egli tutto i1 contrario facendo, ci tratteniie
un tre giorni e tre iiotti quasi senipse a vista dell'isola Ter-
zera, senza mai poterla pigliaie, essendo costume di farsi
questo viaggio, che noli è piii di 30 leghe, in meiio di un giorno
e una notte. I1 quarto giorr~opoi, come piacque a Dia, si
voltò nn poco d'ostro scirocco, che ci condusse, passato mezzo
di, nel porto della città d'Awra, che fu addi primo di Ago-
sto. Quest'isola Terzera è nell'altura di Lisbona, cio& in L'iaola Temera.
39 gradi %, ed è chiamata Terzera, perchè fu Ia terza a es-
ser ritrovata; (I)è lungi da Lisbona ducento e novanta leghe;
non è molto grande, imperocchè non passa di sei leghe in
lunghezza, e quattro iu larghezza; la sua lunghezza è,
da levante a ponente, come S. Michele ; è parte di monti
aspri e parte di colline fertili e amene che fanno molto
grano, e ancora in alcuni luoghi guadi, ma non cosi buoni
nè in tanta quantità come in San Michele ; è copiosa molto
di buoi, capre, pecore, e porci e di gran quantità di quaglie.
Qui ancora si vedono vestigi di materiali convertiti in pietra,
che corsero, (2) e vi sono di molti monti forati come in S. Mi-
chele ; ma dapoi che è abitata, che sono, secondo dicono,
da 140 anni, (3)ivi non si è veduto nessun fuoco. Questa isola
è di grandissimo concorso, per esser pia comtnoda a' navi-
ganti che le altre; imperocchè tutte le navi che vengono
dalle Indie cosi orientali come occidentali, da1 Brasile, da
S. Tommaso, dalla Mina e da Capo Verde, tutte vengono
qnivi a rifarsi de' mantenimenti, in modo che e' pare che
Dio miracolosamente habbia posto queste isole in mezzo
a questo gran mare Oceano per salute de' poveri naviganti,
che molte volte vi pervengono, quando senza àrbori e senza
vele, e quando senza mantenimenti; e quivi giunti si for-
iiiscono di tutto quello che loro fa di mestieri. Questa isola
è divisa in due capitanie, l'una chiamata d'Angra, e I'altra
di Playa, che sono pur maiorgati di due gentilhuomini di
questo Regno. L'entrata de1 Re in quest'isola è, secondo
dicono, da 7 in 8 mila ducati, e la terra principale è la citta
d'Angra, la quaIe è Vescovato e capo di tutte queste altre
Ay r n . isole ; ivi risiede i1 Corregidor de1 Re, che governa. Questa città

(i) Le Aszorre furono scoperte nel 1431.32,


(2) Cio* lave.
( 3 ) Piii csattamente 136.
E AI,LE AZZORRE. 3I

è molto popolata ; chè, secondo dicono, potrà fare da otto


in nove mila. anime ; che tutto i1 resto dell'isola non ne fa
altrettanto ; è molto bella, e bene accasata con strade molto
larghe e diritte; e quivi si fanuo di molti belli scrittori (I)
di legname molto eccellente. Ritrovandoci noi in quest'isola,
nella Villa di Playa, alli g di Agosto, havemmo nuova ch'erano
arrivate tre navi dall'Indie, e che l'armata de1 Re che si
ritrovava nel porto d'Angra, ch'era un gallione e due ca-
ravelle, doveva, pigliato che le navi havessero manteni-
menti, andarsene con loro per assicnrarle da' corsari, che
in questo mare vi sono in tanta copia, che i1 Re ogni anno
è forzato a mandar un'armata a quest'isole per sicnrezza
loro, e per accompagnare dette navi. Deliberando adunque
noi, se possibil fosse, d'andare in quest'armata, subito ci
espedimmo di que! loco, et andammo alta città d'Angra,
quattro leghe ivi distante ; dove il medesimo giorno c'im-
barcammo in una caravellina per andare ali'isola di S. Gior-
gio e de1 Fayale, le quali per reggimento (2) di S. Altezza era
necessario vedese, sperando, perchè ailora spirava greco .
a noi favorevole e alle navi d'India a1 tutto contrario, di
ritornase innanzi che si partissero di vista dell'isola, dove
andavano bordeggiando e pigliando mantenimenti, non po-
tendo ancorare nel porto, perchè i1 Re commanda che ar-
rivando le navi, passato i1 primo di d'Agosto, non àncorino,
per esser i1 porto in questi tempi non molto securo ; e gia
ívi si perderono alcune che diedero a costa. Ma ritornando
a noi, dico che navigammo tutto quei giorno e tutta la notte,
e la mattina in sull'aggiornare ci ritrovammo nell'isola di
S. Giorgio, in un porto chiamato Porto d'as Velas, dove

(I) Mobili, scriaanie.


(2) Ordine. L'Arditi era d servizio de1 re D. Sebastiano.
12 VIAGGIO ALL'ISOLA DI MADERA

L'isola d i sbarcati e veduto que110 ch'era necessario, i1 medesimo


Snn Gáorgio.
giorno c'imbarcammo iu un battelliuo per i1 Fayale. Que-
st'isola di S. Giorgio è lungi dana Terzera da terra a terra
dieci leghe, e da porto a porto diciotto : la sua grandezza
è di dieci leghe in lungo, e di largo è solamente due ; è molto
moutuosa e sterile, clie appena quei pochi abitatori ch'ivi
stanno raccogliono grana abbastanza ; è copiosissima di
legue e vi si fanno i migliori vini di tutte queste isole, ma
non però che s'agguaglino a quelli dell'isola di Madera. La
sua lunghezza è quasi da ostro a tramontana : e tiene al-
l'incontro di sè dalla banda di levante, lungi da cinque in
sei leghe, una isola della medesima lungliezza e larghezza,
o poco differente, che fanno un canale. Quest'isola è chia-
L ' i s o l a d e l ~ i c c o . mata l'isola de1 Picco, per uil monte altissimo e acuto, che
in essa tiene, che gli huomini di queste isole chiamano Picco ;
e dicono che l'anno innanzi che succedesse i1 fuoco di S. Mi-
chele, sentirono un grandissimo terremoto che non solo
fece tremar tutta quell'isola, ma fece anco tremare quella
di S. Giorgio, ivi distante da cinque o sei leghe ; di modo
che nel centro de1 mare pare che ambe quest'isole siano
conginnte. Dopo i1 qual teiremoto la più alta parte di detto
Picco s'aperse con grandissimo strepito, e cominciò a get-
tare grandissima quantità di fuoco, i1 quale coiltinuò insino
all'anno de1 1565, ma hora uon getta più, e da quella aper-
tura dicono che uscirono sette fiumi ardenti di quella mede-
sima sorte di materiale dell'isola di S. Michele, che corsero
insino a1 mare, e hora sono convertiti in pietra. Que-
st'isola è tutta montuosissima e selvosa, e i1 suo legname
è tenuto per i1 migliore di tutte queste isole ; è abitata so-
lamente da pastori, che vivono, quasi come huomini selva-
tici, de1 bestiame che ammazzano alia foresta, de1 quale
quest'isola ne procrea una infinita quantità ; cioè, vacche,
E .%LE AZZORRE. 33

capre, pecore, porei e conigli ; chè in tutte queste isole non


si ritrovano altre carni quadrtipedi buone per man,'viare.
Navigando poi avanti, ora a vela e ora a remi, secondo
che i1 vento ne serviva, giuugenimo all'isola de1 Fayale, a
quattro hore di notte, dove stessimo a1 meglio che potemmo
insino a1 giorno . e quivi, veduto quello che faceva me-
stieri, ci imbarcammo anco i1 medesimo giorno, dopo de-
sinare, per ritornare a S. Giorgio, tanto desiderio avevamo
di giunger I'armata. Questa isola de1 Fayale 6 situata dalla L'~SOZa
Fayale
banda di niezzodi in capo de1 canale che fa S. Giorgio e
i1 Picco ; è qiiasi di forma rotonda ; è distante da1 Porto
d'as Velas otto leghe. Non tieiie capitano, perchè essendo
morto quello clie vi era, senza heredi, è ricaduta alla Co-
rona. In questa isola ancora, cosi come in tutte queste altre,
si vede vestigio di fiioco : di modo che alcuni voglion dire
clie non solo S. Giorgio e i1 Picco, ma tutte queste isole sieno
collegate insieme ; essendo che tutte generalmente arsero,
e che i1 fuoco procede da un medesimo materiale. Que-
st'isola è assai bene popolata, e dicono che dà ogni armo d'eti-
Le zsole Gra-
trata a1 Re da sei in sette mila ducati. Le altre isolette clie ,,,,, jq,,,,

noi non vedemmo, cioè la Gratiosa, Flores e i1 Corvo, non


tengono in sè nessuna cosa notabile, e sono piccole e di poco
utile ; chè tutte insieme non danuo d'eitrata a1 Re due
mila ducati ali'anno.
Partiti che noi funimo da1 Fayale, andainmo alla volta
di S. Giorgio, a remi, per esserci i1 vento contrario ; et es-
sendo pervcnuti in sul farsi notte i11 mezzo a1 canale, i1 vento
che ne era contrario, cominciò in niodo a crescere che ci
vedemmo in'gran pericolo, iion potendo i marinari stanchi
andare innanzi incontro a1 vento ; ma alfine, come piacque
a Dio, dopo un gran pezzo i1 vento cessò ; e cosi andando
Porto d ' A s Velas.
avanti, giungemmo qiiattro hore innanzi giorno ilel Porto d'as
34 VIAGGIO ALL'ISOLA DI MADERA

Velas, dove dormimmo que1 poco di riotte che ne avanzava ;


e i1 di poi, dopo desinare, ci facemmo dare un'battello un
poco maggiore per passar piii sicuri alia Terzera, e remando
tutto i1 giorno e Ia notte veniente per il canale Iungo Ia
costa dell'isola, Ia mattina a buona hora ci ritrovammo
a1 capo dell'isola a un villaggetto chiamato i1 Toppo, otto
leghe lungi da1 Porto d'as Velas, dove rimandammo addie-
tro que1 battello in che eravamo venuti, perchè faceva
molta acqua, disegnando, come facesse buon vento, di par-
tirei iu un barco grande, ch'ivi stava carico per la Terzera.
Ma ventando pur tuttavia greco, che ci era contrario, di-
moramnio ivi tre giorni senza pane e senza vino, non ha-
vendo portato vitto con noi, non pensando di fermarci ivi,
e se pur ci fermavamo, di ritrovarue; ma non havendo quelle
povere genti di quel loco da darcene, se volevamo man-
giare eravamo sforzati d'andar con coltelli alla riva de1
mare, cogliendo certe cosette che stanno in sulle pietre,
come lumache, che quà si chiamano lappas, ( , ) e di queste,
cotte nell'acqua, ci mantenevamo. Ma Iddio ci soccorse a
tempo, facendo capitar quivi un nostro amico con un barco
molto agile da remi, nel quale c'imbarcammo i1 sabato a
mezzodi, e remando tutto quel giorno e la notte alla volta
della Terzera, come piacque a Dio, Ia mattina a hora di
Rito"no
Anpn
desinare, che fu Ia domenica, sbarcammo nel porto della
città d3Angra; dove i1 di veniente, che fu ai diciotto d'Ago-
sto, provveduti delle cose necessarie per i1 viaggio de1 Re-
gno, c'imbarcammo in una caravella ch'andava a ritrovar
l'armata, che, essendo cessato greco, che tanto l'havea
trattenuta, e spirando un poco di tramontana, già s'era av-
viata alla volta di Portogallo. Ma non si essendo allontanata
ALLZ AZZORRE. 35

molto, noi ch'eravamo sopra legno più agile, l'arrivammo


S mercoledi, a vista di S. Michele, e cosi, ringratiando Id-
dia di cosi buono successo, montammo sopra i1 gallione,
dove fumnio molto bene accomodati da1 capitano di essa ;
e cosi, rinforzandosi S vento, cominciammo a navigare
allegramente, facendo mostra d'uiia grande armata, imperoc-
chè oltra le tre navi d'India e gli altri tre legni d'armata,
venivano con noi di conserva, per assicurarsi da' corsari,
venticinque altri navilij di mercatanti. E cosi con questa
bella vista navigammo cinque giorni, dopo che partimmo
dalla Serzera, sempre con vento tramontana, tenendo la
prua a levante ; ma i1 sesta giorno, che fu alli 23 de1 mese,
voltandosi un'altra volta i1 vento a greco, non potendo
più tener la prua a levante, fummo forzati a volgerla a sci-
rocco, di modo che durando questo vento due giorni, pi-
gliando l'altura, vedemmo che eravamo discaduti quasi
un grado ; ma poi, voltandosi i1 vento a levante, e poco
dopo a scirocco e a mezzodi, ritornammo nella nostra al-
tura ; e cosi navigammo con diversi venti, quando in prua,
e quando in poppa, insino aíli 30 di Agosto, sempre con
buonissimo mare. Ma all'dtimo de1 inese, che fu una dome-
nica, la mattina in sull'aggiornare cominciò a soffiare un
ponente, da principio non molto furioso, ma a poco a poco
si venne in modo rinforzando, che fnnimo forzati a levar
le vele di gabbia, e tuttavia venendo più furioso, la uotte
ammainammo tutte le vele, e voltammo la prua a1 vento,
per dubbio di non dare in terra, perchè i1 piloto diceva che
ne eravamo molto vicini. 11 primo giorno di Settembre ~l foptusde
poi, che fu i1 lunedi, incominciò con una pioggia grandis-
sima, che durò tre hore con malta oscurità, facendo ognora
i1 vento più terribile i1 mare, e di modo elevando l'onde
che non vedevamo le gabbie delle navi d'India, ancora che
36 VIAGGIO ALL'ISOI,AD I MADERA E ALLE AZZORRE.

ci fossero molto vicine ; chè se questo mare havesse rotto,


come fa i1 nostro, eravamo in pericolo di perderci tutti.
Questa fortuna (I) durò tutto questo giorno e Ia notte; ma
i1 di venieilte, che fu il martedi, i1 vento cominciò a man-
case, e si voltò a maestro, pei i1 che, no11 dubitando piii di
dare in terra c011 questo vento, ghindammo ( 2 ) le antenne e
a1 vento demmo le vele, ch'erano state un giorno e due
notti ammainate; e dopo desinare, essendosi rischiarato
I'aere, vedenimo con molta allegrezza terra ferma, vicina
da sei in sette leghe, e a 3 hore di notte vi giungernmo e
ancorammo nel porto di una teira chiamata Cascays, sei
Rzior*o a L$- leghe lungi da Lisbona. E la mattiila, che fu i1 mercoledi
sõona
alli 3 di Settembre, all'hora della marèa, provvedute le navi
d'India di piloti della terra per entrar più sicuramente nel
porto di Lisbona, che è molto pericoloso per un scoglio
clie sta in mezzo deli'entrata, finalmente entrammo dentro
della barra, facendo molt'allegrezza, ringratiando i1 nostro
Signore Iddio d'haverci condotti a salvamento.

(I) Tempesta.
(2) Termine marinaresio : rizzamtno.
AS ILHAS DOS ACORES.
(LOUIS TEXEIRA 1587).

Esta ilha de Santa Maria tem somente duas povoações


e duas perrochias. He abzmdafzte de pam, algunz pastel e madei-
ra. Está mais ao austro que as outras.

Entre as ilha dos Açores, esta he a melhor e mais fertil


e assim mais forte, e que melhor se pode defender. E m ella está
a feitovia de1 Rey, $arque todas as arnzadas, que de todas as
partes vem comprindo sua viagem, a ella vem defirir :onde se
proveem de todo o necessario de mantimentos e outras cousas,
porque tambem e2 Rey o ha por benz e e2la raelhor o pode fazer.
T e m muito pão, vinho, fruitas, carnes, peixe ; dà pastel
com que dum cor aos panos e m Flandres e França ;e as mais
partes do norte della se proveem.
A rezão tambenz porque as armadas 6 ela veem difirir, he
porque tem o porto maior, capaz para poderem surgir por
ter dous portos. H n m he o $Angra, junto á cidade, e outro
do Fanal, que com diversos tempos podem estar em cada hum,
que sam de huma parte e outra do Brasil (que he huma ponta
qzce mostya ser alta). Tombem tem a praia bom surgidouro.
38 AS ILHAS DOS AFORES.

Chama-se ilha do B o m Jesus, e vulgarmente Terceira, por-


que vifzdo no descobrimento dellas, esta foi a tefceira, depois de
acharem as de São Miguel e Santa Maria.

ILIIA DO PICO.

Esia ilha do Pico, ainda que escaldada de muito fogo que


nela hiz, e houve, tem e d á muito pam, vinho, fruitas e alguma
madeira. T e m huma fonte que, sendo de agoa doce, arrebentou
e m fogo, e correndo pera a parte do nordeste-greco, levou a terra
e pedrn diante, e fez huma ponta no mar, que chamanz do M i -
sterio, e assiln parece sair de agoa fogo.
T e m o pico de que a ilha tomou o nonze: he tanz alto que
bem se vê de 40 légoas. T e m as vezes fogo, ?nas o teve mais que
agora. Fez o fogo nelle elz cima por continuaçam de te%& que
gastozc a terra a modo de capelo, e para baixo humas abertas
conforme a como corria o fogo, como se vê.

A ilha de S a m Jorge he huma ilha mui fresca, temperada,


não ?e%fogo, tem muito pam e fruitas, he alta, tem muita agoa.

Esta zlha do Fajal lze das menores, mas ignal é s maiores


Iza abnndancia do $a%, com mzhitos fruitos e carnes. He de
quatro legoas, como se verá por comupaso.
Esta não tem ribeiras d'agoa, somente huma fonte notavel,
e as agoas e ribezras que mostra ter, sara por causa das chuvas
e inuernadas. N o verão não ha 014t~aagoa, somente a da foxtu.
T e m wbuitas arvores de que se faz madeira olorosa, principal-
mente cedros e ciprestes.
AS ILHAS DOS AÇORES. 39

Estas duas ilhas s a m as mais ocidentaes; das qzhais tem


a grande, como mostra, muita agoa por causa d n serra que tem
sobre, a qual tem humas lagoas t a m grandes e de tanta agoa
que podem bem nadar barcos. T e m muito pam, zjinho, fruitas e
madeira.

Esta ilha, ainda que pequena, tem e dá muito pão, e al-


guma madeira. H e rasa, uem te++%
montanhas, tem s6 duas $o-
voações.