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PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO Gab Des

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO

Gab Des Alberto Fortes Gil Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º Andar - Gab. 36 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0143800-88.2008.5.01.0055 - RO

Acórdão

8a Turma

RECURSO ORDINÁRIO. INSTITUIÇÃO RELIGIOSA. PASTOR EVANGÉLICO. VÍNCULO DE EMPREGO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O exercício da atividade de Pastor, assim considerado como aquele que, por vocação e pela fé, difunde os ensinamentos religiosos, pregando e auxiliando os fiéis, não é considerado empregado de que trata a norma consolidada. Jurisprudencialmente, também se tem entendido que as atividades desenvolvidas por padres, pastores e afins, não constituem vínculo de emprego com as respectivas instituições religiosas, tendo em vista a própria natureza comunitária e acentuadamente voluntária da atividade sacerdotal.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso

ordinário, oriundos da MM. 55ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, em que são

partes: IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS, como recorrente, e JEAN

CARLOS NÓBREGA DA SILVA GUEDES, como recorrido.

Inconformada com a r. sentença de fls. 315/334, proferida pelo Juiz

Marcel da Costa Roman Bispo, integrada pela decisão de embargos de

declaração de fls. 345, que julgou procedente em parte o pedido, recorre a

reclamada, consoante razões de fls. 348/377.

Sustenta, em síntese, que o reclamante era pastor evangélico,

funcionando como um colaborador movido por vocação religiosa, ligado a uma

entidade sem fins lucrativos, não estando presentes os requisitos

caracterizadores da relação de emprego; que não restou comprovado o

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alegado dano material, razão pela qual não há falar em indenização a tal título; que não há falar em pagamento de horas extras, férias, 13º salário, FGTS, aviso prévio, seguro desemprego, restituição do recolhimento previdenciário e multa do art. 477, § 8º, da CLT face à inexistência de vínculo empregatício entre as partes; que é indevida a expedição de ofício ao Ministério Público eis que não restou comprovada qualquer irregularidade.

Custas e depósito recursal às fls. 378/379.

Contra-razões às fls. 382/389.

Os autos não foram remetidos ao Ministério Público do Trabalho, por não se tratar da hipótese do art. 85 do RITRT, conforme disposto no Ofício PRT/1ª Reg. Nº 131/04-GAB.

É o relatório.

Conheço

do

admissibilidade.

V O T O ADMISSIBILIDADE

recurso

por

MÉRITO

atendidos

os

requisitos

legais

de

Trata-se de reclamação trabalhista ajuizada por membro de Igreja que se disse admitido em 19/10/1997, para exercer a função de Pastor Evangélico, tendo sido injustamente dispensado em 04/10/2007, quando percebia a importância mensal de R$ 2.368,08.

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Em sua peça de ingresso, informa que realizava diversas atividades de cunho religioso - como, por exemplo, celebração de cultos diários e ceias, realização de batismos, cerimônias, programas de rádio, obras sociais em prol da Igreja, arrecadação e repasse de contribuições - além de outras relacionadas à administração e conservação da igreja, e captação de eleitores em épocas de eleição.

Afirmou que “a relação mantida entre as partes nunca teve cunho religioso ou vocacional, mas pura e simplesmente empregatícia, haja vista que nítido o desvirtuamento da instituição religiosa, que visou lucrar com a palavra de Deus, utilizando o Pastor Reclamante como veículo acima de qualquer suspeita” (fls. 05).

Nesses termos, postulou o reconhecimento do liame empregatício com a ré, bem como o pagamento dos consectários legais.

A reclamada, por sua vez, negou a existência de vínculo de emprego dizendo que a relação havida entre as partes era de natureza religiosa, originada pela vocação espiritual e decorrente da fé. Disse que o autor, em meados de 1994, manifestou sua livre e espontânea vontade de se converter, pelos motivos declinados na ficha pastoral juntada às fls. 21, tornando-se membro da entidade reclamada; que após dois anos laborando como um verdadeiro “obreiro cristão”, de forma graciosa, sentiu o “chamado de Deus”, abraçando por definitivo a vontade de se tornar uma pessoa dedicada à vida religiosa, servindo à Deus e à comunidade, o que o levou a se tornar Pastor Evangélico em 19/10/1997. Em 03/10/2007, o reclamante resolveu unilateralmente se desligar do ministério pastoral, por sua exclusiva vontade.

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Importa ressaltar, de início, que o exercício da atividade de Pastor, assim considerado como aquele que, por vocação e pela fé, difunde os ensinamentos religiosos, pregando e auxiliando os fiéis, não é considerado empregado de que trata a norma consolidada.

Jurisprudencialmente, também se tem entendido que as atividades desenvolvidas por padres, pastores e afins, não constituem vínculo de emprego com as respectivas instituições religiosas, tendo em vista a própria natureza comunitária e acentuadamente voluntária da atividade sacerdotal.

Data venia das alegações autorais, entendo que o vínculo que une o Pastor à sua Igreja é de natureza religiosa e vocacional, e a subordinação é de caráter eclesiástico e não empregatício.

Observe-se que o reclamante, ao prestar depoimento pessoal, confirmou (verbis)

que “

como

define;

Igreja desde 1996; que obreiro é um auxiliar do

que

; ;

que são 04 cultos

diariamente; que outros pastores também

realizavam cultos;

pastor em caso de reunião com o bispo regional;

que o programa de rádio era para levar a palavra de Deus e tocar músicas, dedicadas a familiares,

amigos;

por ter mais tempo para a família e gozar de folga;

que voltou a ser pastor em outra Igreja

que era substituído por outro

que passou por várias Igrejas;

acredita que tenha vocação para ser pastor

pastor, sendo uma função voluntária

antes de ser pastor, já membro da

que é cristão e assim se

está trabalhando para a Igreja Mundial,

pastor;

;que

;

;

;

;

;

que também tinha como objetivo pregar a palavra de Deus” (fls. 311).

As

declarações

autorais

evidenciam

claramente

a

natureza

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religiosa do trabalho exercido pelo reclamante, não obstante alegue ele que também tinha a expectativa de ser amparado, em termos financeiros, pela Igreja.

da

reclamada, asseverando que o autor era, de fato, vocacionado para o sacerdócio, e que ele realizava cultos, fazia atendimentos e organizava reuniões com os obreiros.

A

prova

oral

e

documental

também

corroboram

a

tese

A programação de rádio era feita de acordo com a vontade do

pastor - já que não havia um produtor - e destinava-se a chamar os fiéis para os cultos, além de veicular músicas evangélicas. Não restou comprovada a participação dos pastores em campanhas eleitorais, conforme aduzido pelo autor em sua peça de ingresso.

Também ficou patente que caso o pastor precisasse se ausentar nos cultos, outro pastor ou colaborador era chamado para realizá-los, sem que houvesse qualquer advertência ou desconto na chamada “ajuda de custo” concedida aos pastores. Não havia, pois, pessoalidade na prestação dos serviços.

A importância paga ao demandante pela Igreja não é suficiente

para autorizar o vínculo perseguido, notadamente porque não tinha feição salarial. Ademais, é perfeitamente natural que aquele que passa a se dedicar integralmente à atividade religiosa perceba uma ajuda financeira, exatamente para viabilizar a sua subsistência e a de sua família.

A submissão a um Pastor titular ou eclesiástico superior, em

obediência à hierarquia e às regras internas da Instituição Religiosa também

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não conduz à natureza empregatícia do liame.

Não foi comprovado qualquer vício de consentimento capaz de macular a declaração firmada pelo próprio autor, juntada às fls. 176, através da qual manifestou a intenção de se tornar Pastor em 19/10/1997.

A prática adotada pela reclamada, consistente em estimular a arrecadação de fundos, não a torna uma “empresa” e o reclamante “seu empregado”, eis que ausentes os requisitos caracterizadores do vinculo de emprego, previstos nos artigos 2º e 3º, da CLT.

Na esteira do raciocínio ora esposado tem se posicionado a jurisprudência (verbis):

RELAÇÃO DE EMPREGO. SERVIÇO RELIGIOSO. PASTOR EVANGÉLICO. O trabalho de cunho religioso não constitui objeto de um contrato de emprego, pois, sendo destinado à assistência espiritual e à divulgação da fé, não é avaliável economicamente. Ademais, nos serviços religiosos prestados ao ente eclesiástico, não há interesses distintos ou opostos, capazes de configurar o contrato; as pessoas que os executam, o fazem como membros da mesma comunidade, dando um testemunho de generosidade, em nome de sua crença. Tampouco pode-se falar em obrigação das partes, pois, do ponto de vista técnico, aquela é um vínculo que nos constrange a dar, fazer ou não fazer alguma coisa em proveito de outrem. Esse constrangimento não existe no tocante aos deveres da religião, aos quais as pessoas aderem espontaneamente, imbuídas do espírito de fé. Em conseqüência, quando o religioso, seja frei, padre, irmã ou freira, presta serviço por espírito de seita ou voto, exerce profissão evangélica a serviço da comunidade religiosa a que pertence, estando excluído do ordenamento jurídico-trabalhista, ou

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seja, não é empregado. Isto porque há uma relação causal direta com o cumprimento dos votos impostos pela ordem religiosa e uma presunção de gratuidade da prestação, que é disciplinada pelo Direito Canônico, no caso da Igreja Católica Apostólica Romana. O mesmo raciocínio se aplica ao pastor, pregador, missionário ou ministro do culto religioso, quando atuam na divulgação do evangelho, na celebração do culto, orientando e aconselhando os membros da Igreja. (Processo 01655-2002-058-03-00-6 - Data de Publicação 11/12/2002 DJMG Página: 13 - Órgão Julgador Segunda Turma - Relator Alice Monteiro de Barros - Revisor Convocada Ana Maria Amorim Reboludas).

Importa ressaltar, por oportuno, que a legislação previdenciária classifica os Ministros Religiosos como contribuintes individuais, conforme se infere do art. 11, da lei nº 8.213/91 (verbis):

Art. 11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas:

) ( V - como contribuinte individual:

) ( c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa

Diante de todo o exposto, não há falar em vínculo de emprego na relação havida entre as partes, pois a Igreja-ré na admissão do reclamante como voluntário e, posteriormente como pastor, não agiu como empregadora nos moldes do caput do ar. 2º, da CLT, e o reclamante, por sua vez, não se caracterizou como empregado, nos termos do ar. 3º, consolidado, especialmente porque não existiu o vínculo da subordinação jurídica, mas apenas e tão-somente o vínculo religioso.

De se afastar, pois, o vínculo empregatício entre o autor e a

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reclamada sendo, por conseguinte, indevidas as verbas contratuais e rescisórias deferidas no r. sentenciado a quo.

Não versando a hipótese presente acerca de relação de emprego, tampouco de relação de trabalho, mas sim de mero exercício de uma vocação religiosa, não há falar em indenização por danos materiais. De se destacar, por oportuno, que uma vez afastada a subordinação jurídica, de se concluir que a ida do reclamante para o Espírito Santo se deu por vontade própria, sem qualquer imposição da ré.

A improcedência do pedido desautoriza a expedição de ofício ao Ministério Público eis que não constatada qualquer irregularidade nos autos.

Dou provimento.

CONCLUSÃO

Por todo o exposto, decide este Relator conhecer do recurso e, no mérito, lhe dar parcial provimento para, afastando o vínculo empregatício entre autor e reclamada, julgar improcedente o pedido. Mantenho os valores de custas e da condenação arbitrados na r. decisão de piso, invertidos os ônus da sucumbência

A C O R D A M os Desembargadores da Oitava Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, por unanimidade, conhecer do recurso e, no mérito, por unanimidade, dar-lhe parcial provimento para, afastando o vínculo empregatício entre autor e reclamada, julgar improcedente o pedido. Mantêm-se os valores de custas e da condenação arbitrados na r. decisão de piso, invertidos os ônus da sucumbência.

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Rio de Janeiro, 23 de agosto de 2011.

Desembargador Federal do Trabalho Alberto Fortes Gil Relator