Sei sulla pagina 1di 36

Modernização oligárquica no Maranhão

Wagner Cabral da Costa (História / UFMA) wagner-cabral@uol.com.br

Modernização oligárquica no Maranhão Wagner Cabral da Costa (História / UFMA) wagner-cabral@uol.com.br

Modernização oligárquica: uma síntese possível

1. Modelo de desenvolvimento e expansão capitalista para a Amazônia:

domínio do grande capital nacional e estrangeiro, sob patrocínio do Estado (lógica dos “Grandes Projetos”).

2. Domínio oligárquico / legitimação através do discurso modernizador: a oligarquia é expressão e aliada orgânica do grande capital.

3. Caráter patrimonialista do Estado / laços entre grupos políticos e capital privado / elites predatórias (“caçadoras de rendas”: corrupção): a oligarquia se constituiu em grupo econômico, com ramificações mafiosas em setores-chave da economia e do Estado.

  • 4. Caráter de enclave exportador: alumínio / minérios / ferro-gusa / soja / novos produtos (papel e celulose / aço / derivados de petróleo).

  • 5. Expansão do agronegócio e do latifúndio, com a destruição da agricultura familiar.

  • 6. Caráter de devastação ambiental, com o esgotamento dos recursos naturais.

  • 7. Caráter socialmente excludente: hiperconcentração de renda / pobreza estrutural / exclusão da cidadania e violação dos direitos humanos.

Modernização oligárquica: uma “recolonização”

Processo de expansão do capital monopolista para a Amazônia, patrocinado pela ditadura militar com o apoio de grupos oligárquicos estaduais (a partir dos anos 1960) / continuidade após a redemocratização do país (Nova República), através de diferentes governos: Sarney, Collor, FHC e Lula. Investimentos em infra-estrutura de transportes, comunicações e energia // política de incentivos fiscais (SUDAM e SUDENE) // modernização autoritária com a transformação e agravamento dos problemas sociais.

Caráter socialmente excludente do processo de modernização capitalista da Amazônia oriental: impactos dos “grandes projetos” acentuaram a desigualdade social, não geraram empregos na escala necessária e devastaram o meio ambiente (uso predatório dos recursos naturais e poluição).

Produção e reprodução de uma “velha” e uma “nova” pobreza estrutural, no campo e na cidade.

Fases ou “ondas” da modernização oligárquica:

1ª onda: a ditadura militar e o (falso) “milagre” do Maranhão (anos 1960)

2ª onda: a ditadura militar e o Projeto Grande Carajás (anos 1970/1980)

A falsa 3ª onda: o neoliberalismo e a “década perdida” (anos 1990)

3ª onda: a modernização conservadora com verniz de esquerda (anos 2000)

As fases da modernização oligárquica em imagens:

O general-presidente Emílio Médici participa da inauguração da hidrelétrica de Boa Esperança, numa cena do documentário

O general-presidente Emílio Médici participa da inauguração da hidrelétrica de Boa Esperança, numa cena do documentário “O milagre do Maranhão”, sobre o governo Sarney (1966-70).

Ainda em Boa Esperança, José Sarney ao lado do general (e futuro presidente-ditador) João Baptista Figueiredo

Ainda em Boa Esperança, José Sarney ao lado do general (e futuro presidente-ditador) João Baptista Figueiredo (documentário “O milagre do Maranhão”).

Com a Lei de Terras (1969) foi garantida a expansão do latifúndio no Maranhão, mas, por

Com a Lei de Terras (1969) foi garantida a expansão do latifúndio no Maranhão, mas, por outro lado, o governo fazia promessas de realizar uma “Reforma Agrária” ...

... e de modernizar a agricultura e a pecuária ...

...

e de modernizar a agricultura e a pecuária ...

... pois o “progresso” traria “justiça social” (doc. “Milagre do Maranhão”).

...

pois o “progresso” traria “justiça social” (doc. “Milagre do Maranhão”).

Na 1ª edição do porta-voz da oligarquia, a (falsa) promessa de instalação de uma siderúrgica em

Na 1ª edição do porta-voz da oligarquia, a (falsa) promessa de instalação de uma siderúrgica em São Luís (1º de maio de 1973).

Nas páginas de Veja (09/11/1983), o destaque para a “redenção nacional” através do Programa Grande Carajás.

Nas páginas de Veja (09/11/1983), o destaque para a “redenção nacional” através do Programa Grande Carajás. Na foto, Eliezer Batista, então presidente da CVRD e pai do bilionário Eike Batista.

Em 13 de dezembro de 2006, FHC e Roseana Sarney inauguram o Pólo de Confecções de
Em 13 de dezembro de 2006, FHC e Roseana Sarney inauguram o Pólo de Confecções de

Em 13 de dezembro de 2006, FHC e Roseana Sarney inauguram o Pólo de Confecções de Rosário, uma das maiores fraudes da historia recente do Estado.

O Pólo foi comemorado como “símbolo de modernidade” pelo discurso neoliberal dominante.

A fraude foi montada pelo empresário chinês Chhai Kwo Chheng, com apoio de agentes da oligarquia, envolvendo recursos do Banco Mundial e Banco do Nordeste.

Imagens do site de Marcos Nogueira.

Poucos dias antes de ser cassado pelo TSE, Jackson Lago participa do lançamento da pedra fundamental

Poucos dias antes de ser cassado pelo TSE, Jackson Lago participa do lançamento da pedra fundamental da termelétrica MPX (de Eike Batista). Jornal Pequeno, 29/03/2009.

A promessa de modernização produzindo dividendos eleitorais. Em 15/01/2010, Lula, Sarney, Dilma, Roseana e Lobão participam

A promessa de modernização produzindo dividendos eleitorais. Em 15/01/2010, Lula, Sarney, Dilma, Roseana e Lobão participam do lançamento da pedra fundamental da Refinaria Premium I da

Petrobrás (Bacabeira/MA). Foto: Ricardo Stuckert (Secretaria de Imprensa/Presidência, www.info.planalto.gov.br).

Principais investimentos do corredor de exportação:

1. Projeto Grande Carajás (CVRD) / privatização por FHC.

2. Alumínio: ALUMAR (4ª fase de expansão: dez 2009). Barcarena (PA): ALUNORTE & ALBRÁS (ambas da Vale).

3. Setor siderúrgico: 07 usinas de ferro-gusa (carvão vegetal) em Açailândia (Simasa, Fergumar, Gusa Nordeste, Pindaré, Viena), Santa Inês (Cosima) e Rosário (Margusa). Marabá (PA): 10 siderúrgicas de ferro-gusa.

4. CELMAR / SUZANO / VALE: empreendimentos no Pará, Maranhão e Piauí / papel e celulose / plantio de eucalipto / álcool.

Caráter de enclave exportador:

a) Exportação de bens intermediários (97,1%) em 2012: insumos industriais (71,1%) e alimentos (26%). b) Principais mercados (2012): EUA (15,4%), China (13%), Islândia (7,95%), Espanha (7,7%), Canadá (5,39%). c) Esforço exportador da economia brasileira: pagamento da dívida / superávits da balança comercial / enfrentamento da crise mundial.

992/2012) – Contribuição relativa dos principais produtos (em US$ milhões)

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

76,5

443

465,1

737,8

857

845,4

382,6

698,6

984

887,4

0,9%

36%

31%

43,1%

39,4%

29,8%

31%

23,9%

32,3%

29,3%

56,5

330,7

435,3

451,3

573,7

820,5

306,4

238,3

435,9

498,3

1,1%

26,9%

29%

26,3%

26,3%

28,9%

24,8%

8,1%

14,3%

16,5

53,1

234

319,1

251,7

430,3

663,1

91,9

1.470.9

832,6

530,5

7,2%

19%

21,2%

14,7%

19,8%

23,4%

7,5%

50,3%

27,3%

17,5%

26,5

189

221,8

231,1

235,1

423,3

377,7

411,2

597,8

784,3

7,1%

15,4%

14,8%

13,5%

10,8%

14,9%

30,6%

14,1

19,6%

25,9%

739,8

1.231,1

1.501

1.712,7

2.177,1

2.836,3

1.232,8

2.920,2

3.047,1

3.024,7

13,4%

+ 66,4%

+ 21,9%

+ 14,1%

+ 27,1%

+ 30,3%

- 56,5%

+136,8%

+ 4,35%

- 0,74%

o Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Nova fase de expansão (?) do enclave exportador:

  • 5. Aciaria Gusa Nordeste (Açailândia – previsão de início: novembro/2013).

  • 6. Refinaria da Petrobrás (Bacabeira): 1.498 empregos (EIA-RIMA) / paralisação (início 2013).

  • 7. Termelétricas: MPX em São Luiz: 360 MW (previsão de outra em Capinzal do Norte / gás

natural) // Gera Maranhão (Miranda do Norte).

  • 8. Obras do PAC: infra-estrutura urbana e social.

Transportes (modernização dos portos e ferrovia).

Energia: UHE Estreito: projeto de R$ 3,6 bilhões / Financiamento de R$ 2,6 bilhões do BNDES /

Consórcio Estreito Energia (Ceste): Renova Energia Renovável (Suez Energy – multinacional

francesa), CVRD, ALCOA Alumínio e Camargo Corrêa.

Previsão de 06 novas usinas hidrelétricas: Serra Quebrada (rio Tocantins) / Ribeiro Gonçalves,

Uruçuí, Cachoeira, Estreito do Parnaíba, Castelhano (rio Parnaíba).

As transformações no campo

Expansão do capitalismo no campo: processo de concentração da propriedade da terra. Marco acelerador: Lei de Terras do governo Sarney (1969) / equivalente à aprovação da MP 422 (2009), que legalizou a grilagem na Amazônia. Transformação da Terra = Mercadoria: transferência de terras devolutas para o domínio de empresas particulares. Incentivos fiscais ao agronegócio (SUDAM e SUDENE): pecuária, madeireiras, soja, produção de cana de açúcar, plantio de eucalipto, mamona.

Censo Agropecuário (2006): expansão da área de lavoura, do agronegócio, aumento do rebanho bovino.

Desarticulação da agricultura familiar: diminuição no número de estabelecimentos: de 531.413 (Censo de 1985) para 288.698 estabelecimentos (Censo de 2006) / desaparecimento de 242 mil estabelecimentos.

Problemas de reprodução da agricultura familiar: políticas públicas / assistência técnica / financiamento / áreas de assentamento / ritmo da reforma agrária / conflitos com o agronegócio.

Variação do Número de Agricultores Familiares – 1995 a 2006.

 

N° de Agricultores Familiares

Variação

Variação

1995

2006

Absoluta

Percentual

(%)

Norte Maranhense

308.278

 
  • 258.693 - 16,09

-

49.585

 

Litoral Ocidental

47.858

42.010

-

5.848

-12,22

AU de São Luis

8.161

9.397

+ 1.236

+15,41

Rosário

35.751

 
  • 30.323 -15,59

-

5.248

 

Lençóis Maranhenses

41.598

 
  • 26.089 -37,29

-

15.509

 

Baixada

132.009

110.178

-

21.831

-16,54

Itapecuru-Mirim

42.901

 
  • 40.696 -5,14

-

2.205

 

Oeste Maranhense

206.415

 
  • 132.202 -35,96

-

74.213

 

Gurupi

39.088

 
  • 36.068 -7,73

-

3.020

 

Pindaré

124.353

 
  • 63.712 -48,76

-

60.641

 

Imperatriz

42.974

 
  • 32.422 -24,56

-

10.552

 

Centro Maranhense

210.893

 
  • 144.074 -31,69

-

66.819

 

Médio Mearim

91.884

 
  • 57.176 -37,78

-

34.708

 

Alto Mearim e Grajaú

77.676

 
  • 61.129 -21,31

-

16.547

 

Presidente Dutra

41.333

 
  • 25.769 -37,66

-

15.564

 

Leste Maranhense

275.560

 
  • 218.406 -20,75

-

57.154

 

Baixo Parnaíba

45.454

 
  • 39.148 -13,88

-

6.306

 

Chapadinha

63.294

 
  • 50.548 -20,14

-

12.746

 

Codó

44.462

 
  • 34.023 -23,48

-

10.439

 

Coelho Neto

16.590

 
  • 11.782 -28,99

-

4.808

 

Caxias

48.337

 
  • 43.980 -9,02

-

4.357

 

Chapadas Alto Itapecuru

57.423

 
  • 38.835 -32,38

-

18.588

 

Sul Maranhense

60.846

48.987

-

11.859

-19,50

Porto Franco

16.661

 
  • 16.955 +1,76

+

294

 

Gerais de Balsas

23.276

 
  • 16.165 -30,56

-

7.111

 

Chapada das Mangabeiras

20.909

 
  • 15.867 -24,12

-

5.042

 

Maranhão

1.061.992

802.362

- 259.630

-24,25 %

Fonte: Marcelo Carneiro (2009), Censo Agropecuário (1995 e 2006).

População urbana, rural e total – Maranhão (1960/2010)

 

1960

1970

1980

1991

2000

2010

População

442.995

752.027

1.255.156

1.972.421

3.355.577

4.143.728

Urbana

%

18

%

25

%

31

%

40

%

59,5%

63,1%

População

2.034.376

2.240.886

2.741.248

2.957.832

2.282.804

2.425.955

Rural

%

82

%

75

%

69

%

60

%

40,5%

36,9%

População

2.477.371

2.992.686

3.996.404

4.930.253

5.638.381

6.569.683

Total

Fonte: FEITOSA, 1994 (1960, 1970, 1980). Censos IBGE (1991, 2000, 2010).

População migrante (residente fora de seu estado natal) – 1950 / 2010

   

1950

1960

1970

1980

1991

2000

2010

 
  • 1 6,6%

Maranhão

 

7,6%

9,3%

12,5%

16,1%

19,3%

20,2%

(100.189)

(166.391)

(262.899)

(505.793)

(855.246)

(1.244.407)

(1.537.034)

 

Piauí

  • 2 13,1%

 

21,4%

18,9%

21%

22,4%

25,4%

25,1%

 

Ceará

  • 3 9,4%

 

15,7%

14,4%

17,9%

18,3%

18,4%

15,6%

 

Rio G. do Norte

  • 4 10,4%

 

15,9%

16,4%

19,7%

17,2%

16,7%

13,3%

 
  • 5 13,3%

Paraíba

 

18,1%

21,5%

27%

26,8%

29%

25,4%

 
  • 6 8,9%

Pernambuco

 

14,4%

16,1%

20,7%

20,8%

22,2%

19,4%

 
  • 7 16,8%

Alagoas

 

21,4%

22,4%

24,1%

20,9%

22,9%

21,5%

 
  • 8 15%

Sergipe

 

21%

23,9%

24,5%

19,9%

19,4%

16,5%

 

Bahia

  • 9 8,4%

 

12,7%

15%

17,5%

16,8%

19,9%

18,9%

 

Pará

  • 10 7,2%

 

7,1%

6,4%

6,5%

7,4%

9,8%

10%

 
  • 11 Tocantins

---

---

---

---

16,2%

19,3%

22%

Fontes: Censos (1950 a 2010). MA: um estado que apresenta média evasão populacional (Censo 2010).

Êxodo rural:

1. 1991-2000: foram expulsas 675 mil pessoas do campo. 2. 2000-2007: redução de 11% da população rural / 252 mil pessoas expulsas do campo. 3. São Luiz: uma das maiores taxas de crescimento populacional entre as capitais do nordeste (favelização, violência urbana e desemprego). 4. Periferias miseráveis e sem perspectivas espalham-se nas pequenas e médias cidades: violência urbana / agricultores de “ponta de rua” (arrendamento).

Inversão da tendência secular:

o território do Maranhão deixa de receber

migrantes em busca de “terra liberta” e passa a expulsar trabalhadores em

massa do estado.

“Exportação” de conflitos sociais (Censo 2010): “frente camponesa”: 463 mil maranhenses no Pará, 138 mil no Tocantins, 61 mil em Roraima (13,7% da população), número desconhecido na Guiana Francesa e no Suriname.

Ocupação do Maranhão pelas “frentes camponesas” (até a 2ª metade do século XX)

Ocupação do Maranhão pelas “frentes camponesas” (até a 2ª metade do século XX)

A diáspora maranhense

(intensificada nos 1980-90)

A diáspora maranhense (intensificada nos 1980-90)

A explosão da violência no campo

Incentivos à grilagem, à violência e à impunidade.

Ineficiência, corrupção e cumplicidade dos órgãos do Estado // criminalização

dos movimentos sociais.

Intensificação e diversidade dos conflitos agrários: remanescentes de quilombos

/ povos indígenas: terra e madeira / quebradeiras de coco / búfalos / carvoarias e

trabalho infantil / trabalho escravo: maioria de maranhenses.

Massacre de Eldorado dos Carajás: 19 trabalhadores rurais sem-terra mortos,

sendo 11 maranhenses (17 de abril de 1996).