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AULA 4: DIREITOS FUNDAMENTAIS – PARTE 2

Bom dia,

Concluiremos, hoje, os comentários aos exercícios sobre direitos e garantias fundamentais.

São muitos os exercícios comentados. São muitas as informações repassadas numa mesma aula. Sou consciente de que o estudo desse assunto é um tanto cansativo. Mas, por favor, siga o meu conselho: não

desanime, leia e releia essas aulas sobre direitos fundamentais, pois o assunto é recorrente em qualquer concurso e os enunciados se repetem

muito!

E não podemos parar por aqui: uma última leitura/revisão na véspera da prova será fundamental para reorganizar na cabeça tantos entendimentos do Supremo Tribunal Federal!

Outra vantagem dessa enumeração de exercícios e mais exercícios sobre direitos fundamentais é que você terá, ao final, uma ótima visão sobre quais os dispositivos da Constituição que mais são cobrados e quais aqueles que nunca são cobrados em concursos. Por exemplo:

direito de reunião é um dos incisos do art. 5º mais cobrados em concursos públicos (inciso XVI); por outro lado, em quase dez anos de preparação para concursos, nunca vi uma questão em prova sobre os incisos XXVIII e XXIX do art. 5º da Constituição!

Então é isso, coragem! Confie em mim! Certamente diversos enunciados aqui comentados estarão presentes nos próximos concursos, e será muito triste para você não acertá-los, sabendo que eles estão “guardados”, detalhadamente comentados, na sua casa!

Passemos aos comentários.

1) (ESAF/AFC/CGU/2003) Embora qualquer pessoa tenha legitimidade ativa para propor habeas corpus, a seu favor ou de terceiro, independentemente de sua capacidade civil e política, segundo a jurisprudência dos Tribunais, essa legitimidade ativa não se estende ao menor de dezoito anos, em razão dos requisitos essenciais para a validade dos atos judiciais.

Item ERRADO.

O habeas corpus é ação de legitimação universal, vale dizer, qualquer

pessoa pode impetrar habeas corpus, independentemente de capacidade civil ou política. Assim, o menor de idade, o absolutamente incapaz, o indivíduo que está com os seus direitos políticos suspensos etc. poderá impetrar habeas corpus – gratuitamente, e sem necessidade de advogado.

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2) (ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a jurisprudência do STF, havendo mais de um sindicato constituído na mesma base territorial, a sobreposição deve ser resolvida com base no princípio da anterioridade, cabendo a representação da classe trabalhadora à organização que primeiro efetuou o registro sindical.

Item CERTO.

Ao enumerar os direitos fundamentais sociais, a Constituição estabelece

o princípio da unicidade sindical, que proíbe a criação de mais de

uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será

definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município (art. 8º, II).

Muito se discutiu sobre o critério para resolver o conflito de representação, no caso da criação indevida de mais de uma entidade sindical na mesma base territorial. Havendo mais de um sindicato, a qual deles caberia a representação? Àquele que tivesse o maior número de sindicalizados? Ou àquele que houvesse obtido o registro sindical perante o órgão competente em primeiro lugar?

O STF firmou entendimento de que o conflito será resolvido com base no

princípio da anterioridade sindical, isto é, a representação da categoria caberá à entidade que obteve o registro sindical em primeiro lugar,

independentemente do número de sindicalizados.

3) (ESAF/AFC/CGU/2003) A decretação de greve por questões salariais, fora da época de dissídio coletivo, não encontra respaldo no direito de greve definido no texto constitucional.

Item ERRADO.

A Constituição Federal de 1988 não condiciona o exercício do direito de

greve do trabalhador à coincidência com o período de dissídio coletivo (o

dissídio coletivo é instaurado perante a Justiça do Trabalho quando as partes – sindicato de trabalhadores e sindicato dos empregadores - não conseguem chegar a um acordo nas negociações coletivas).

A Constituição apenas assegura o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender (art. 9º).

Como se vê, cabe aos trabalhadores decidir sobre o momento de exercer o direito de greve.

A Constituição permite o direito de greve nas atividades essenciais,

mas, nesse caso, deve a lei dispor sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade (CF, art. 9º, § 1º).

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O direito de greve do trabalhador não é absoluto, haja vista que os

abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei (CF, art. 9º,

§ 2º).

Cuidado! O direito de greve do trabalhador (CF, art. 9º) não pode ser confundido com o direito de greve do servidor público civil (CF, art. 37, VII).

O direito de greve do trabalhador (art. 9º) é norma constitucional de

eficácia plena, devidamente regulamentada pela Lei nº 7.783/1989. Logo, os trabalhadores podem atualmente exercer esse direito.

O direito de greve do servidor público civil (art. 37, VII) é norma

constitucional de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária específica. Logo, como até hoje inexiste a lei ordinária específica, os servidores públicos civis não podem exercer o seu direito de greve.

4) (ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a jurisprudência do STF, não é permitida a regionalização de critérios de concorrência em concursos para acesso a cargos públicos, por ofensa ao princípio da universalidade que informa esse tipo de concurso.

Item ERRADO.

A controvérsia sobre a regionalização de concurso público foi levada à

apreciação do STF por um candidato ao cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal – AFRF, pois os últimos concursos da Receita Federal (desde 1996) foram regionalizados, vale dizer, os candidatos

concorreram por Região Fiscal. As vagas são distribuídas por diferentes regiões e o candidato opta por uma região, concorrendo exclusivamente

às vagas correspondentes à região escolhida.

Com a adoção desse critério, é comum o candidato ser reprovado na região de sua escolha, embora tenha obtido pontuação que o aprovaria em diversas outras regiões! O candidato pode ser reprovado na região “x” com 246 pontos, enquanto outros candidatos ao mesmo cargo podem ser aprovados em outras regiões com 201 pontos!

Eu odeio esse critério de regionalização! Não acho justo, não há quem me convença!

Primeiro, porque concurso público deve ser informado por critérios objetivos, e com a regionalização passa-se a ter no certame um elemento aleatório, incerto, sujeito ao acaso (que é a sorte – ou o azar

– na escolha da região!).

Segundo, porque com a regionalização não são aprovados os candidatos de maior pontuação, o que, a meu ver, contraria o objetivo maior do certame, que é selecionar os candidatos mais preparados.

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Terceiro – e mais grave! –, porque o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal é nacional e, portanto, logo no próximo concurso de remoção, o Auditor poderá ser removido para as mais diferentes regiões do País. Ou seja, a regionalização é de fachada, só existe no momento do ingresso!

Mas, o fato é que o STF considerou a regionalização constitucional, e isso é o que vale para a prova (toda essa minha revolta, para o fim de concurso, não vale nada!).

5) (ESAF/AFT/2003) Segundo precedentes do STF, a ofensa à intimidade e à vida privada, praticada por um Senador, ainda que no exercício da sua atividade parlamentar, não o exime do pagamento da indenização por danos materiais ou morais, porque esta hipótese não está coberta pela imunidade material que lhe confere a CF/88.

Item ERRADO.

A imunidade material do parlamentar o exime da responsabilização, penal e civil, por suas opiniões, palavras e votos no exercício da atividade congressual (CF, art. 53).

Significa dizer que ele nem responderá penalmente pelas suas condutas (não poderá ser incriminado pelos chamados delitos de opinião, tais como calúnia, difamação etc.), nem responderá civilmente (não estará sujeito à reparação de eventuais danos - materiais ou morais - decorrentes de sua conduta).

6) (ESAF/AFT/2003) Segundo a jurisprudência do STF, a inviolabilidade do sigilo das correspondências, das comunicações telegráficas e dos dados não é absoluta, sendo possível sua interceptação, sempre excepcionalmente, com fundamento em razões de segurança pública, de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica, quando este direito estiver sendo exercido para acobertar práticas ilícitas.

Item CERTO.

Vimos que o constitucionalismo moderno refuta a idéia da existência de direitos e garantias fundamentais de caráter absoluto. Logo, a inviolabilidade das correspondências, por exemplo, não pode ser invocada pelo indivíduo para acobertar uma prática ilícita, criminosa. É comum, diante da prática de certos crimes (crime de seqüestro, por exemplo), a violação das correspondências, em respeito ao direito à vida, ameaçado pela prática delituosa.

7) (ESAF/AFT/2003) Segundo a jurisprudência do STF, a contribuição confederativa, como instrumento essencial para a manutenção do sistema de representação sindical, um direito coletivo dos trabalhadores, é compulsória para os integrantes de uma categoria patronal ou laboral, sindicalizados ou não.

Item ERRADO.

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Determina a Constituição que a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei (art. 8º, IV).

Veja que esse dispositivo constitucional prevê a existência de duas diferentes contribuições: uma fixada pela assembléia geral (contribuição confederativa) e outra fixada em lei (contribuição sindical).

A tabela abaixo apresenta, sucintamente, as diferenças entre essas contribuições:

CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL

Fixada pela assembléia geral

 

Fixada em lei

Não é tributo

É tributo

Devida

somente

pelos

Devida por todos os trabalhadores, sindicalizados ou não

trabalhadores sindicalizados

8) (ESAF/AFT/2003) Aplicado o princípio da reserva legal a uma determinada matéria constante do texto constitucional, a sua regulamentação só poderá ser feita por meio de lei em sentido formal, não sendo possível discipliná-la por meio de medida provisória ou lei delegada.

Item ERRADO.

As matérias constitucionais que estão protegidas pelo princípio da reserva legal só podem ser regulamentadas por lei ou por outros atos equivalentes ou superiores à lei. Poderão, então, ser regulamentadas por lei ordinária, por lei complementar, por emenda à Constituição e, ainda, por medida provisória e lei delegada, se não for matéria vedada a estas espécies normativas.

Na verdade, a maior força do princípio da reserva legal é proibir que as matérias constitucionais por ele protegidas sejam tratadas por atos administrativos infralegais em geral, tais como decreto regulamentar, portarias, instruções normativas e outros.

9) (ESAF/AFC/2000) Segundo entendimento já assentado, os direitos e garantias expressos em normas constantes de tratados internacionais de que o Brasil faz parte têm estatura constitucional.

Item ERRADO.

Os tratados internacionais em geral, aprovados pelo rito legislativo ordinário (aprovação definitiva pelo Congresso Nacional, por decreto

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legislativo; promulgação pelo Presidente da República, por decreto), são dotados de estatura ordinária no direito brasileiro, ainda quando tratam de direitos fundamentais.

Enfim, o simples fato de o tratado internacional versar sobre direitos fundamentais não o eleva à estatura de norma constitucional. Mesmo tratando de direitos fundamentais, se aprovado pelo rito legislativo ordinário, terá status meramente ordinário (mais precisamente, terá status de lei ordinária federal).

Com a promulgação da EC nº 45/2004 (Reforma do Judiciário), passou a ser possível a incorporação de tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos com status equivalente ao das emendas constitucionais. Mas, para isso, os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos deverão ser aprovados em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos seus membros (CF, art. 5º, § 3º).

Veja que não basta o tratado internacional versar sobre direitos humanos para adquirir status de norma constitucional. Para a aquisição do status constitucional é preciso que ele seja aprovado pelo rito legislativo especial estabelecido no art. 5º, § 3º, da Constituição Federal (aprovação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos).

Importante destacar que essa possibilidade de outorga de status constitucional não se aplica aos tratados e convenções internacionais em geral celebrados pela República Federativa do Brasil. Aplica-se, exclusivamente, aos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos.

Se o Brasil celebrar, hoje, um tratado ou convenção internacional sobre direitos humanos, poderá ele ser incorporado ao nosso ordenamento com status de norma ordinária ou com status de emenda constitucional, a depender do rito legislativo adotado. Caso ele seja incorporado pelo rito legislativo ordinário (aprovação definitiva pelo Congresso Nacional, por decreto legislativo; promulgação pelo Presidente da República, por decreto), terá status de lei ordinária federal. Se for incorporado pelo rito legislativo especial, previsto no art. 5º, § 3º, da Constituição (aprovação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos), terá status equivalente às emendas constitucionais.

Mas, repita-se, essa faculdade de outorga de diferente status só se aplica aos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Os demais tratados e convenções internacionais continuam a ter status meramente ordinário, haja vista que a possibilidade de outorga de estatura constitucional prevista no art. 5º, § 3º, da

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Constituição, só se aplica aos tratados e convenções sobre direitos humanos.

10) (ESAF/AFC/2000) Os direitos e garantias individuais, como regra, têm a sua aplicabilidade dependente de lei que os regulamente.

Item ERRADO.

Em regra, os direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata, independentemente de regulamentação por lei.

Essa regra, prevista no art. 5º, § 1º, da Constituição aplica-se a todos os direitos fundamentais previstos na Constituição, e não somente àqueles enumerados no art. 5º.

É verdade que temos alguns direitos fundamentais cuja aplicabilidade

depende de lei que os regulamente (art. 7º, XX e XXVII, por exemplo), mas essa não é a regra. A regra, repita-se, é a aplicabilidade imediata,

por força do comando do art. 5º, § 1º, da Constituição.

11) (ESAF/AFC/2000) Para o exercício do direito de reunião pacífica, sem armas e em lugar aberto ao público, não se exige prévia autorização da autoridade administrativa, mas se exige que a ela seja dirigido prévio aviso.

Item CERTO.

O direito de reunião não exige autorização da autoridade competente,

mas exige prévio aviso (CF, art. 5º, XVI).

Além do prévio aviso à autoridade competente, exige a Constituição que a reunião seja realizada pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, e que não frustre outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local.

Uma última orientação sobre o direito de reunião: se houver ilegalidade ou arbitrariedade contra o direito de reunião o meio idôneo para reparação é o mandado de segurança, e não o habeas corpus.

É impressionante a quantidade de vezes que o direito de reunião é

cobrado em concurso! Cansei, não comentarei mais isso daqui por

diante!

12) (ESAF/AFC/2000) Segundo o princípio do juiz natural, não se pode despojar alguém da sua liberdade ou da sua propriedade sem que se lhe assegure o direito ao contraditório.

Item ERRADO.

O princípio do juiz natural está consagrado em dois incisos do art. 5º da

Constituição: não haverá juízo ou tribunal de exceção (inciso XXXVII) e

ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente (inciso LIII).

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O inciso XXXVII veda a criação de juízo ou tribunal de exceção, para o

julgamento casuístico de um determinado crime. Seria inconstitucional, por exemplo, a criação, às pressas, de um tribunal para o julgamento de um grave crime de terrorismo que tenha sido cometido no Brasil.

O inciso LIII proíbe o julgamento, pelos juízos e tribunais existentes, de

matéria que não seja de sua competência. Seria absolutamente nula, por exemplo, uma sentença penal condenatória proferida por um Juiz de Direito (Justiça Estadual) se a competência para a apreciação da matéria pertence à Justiça Federal.

A assertiva não se refere ao princípio do juízo natural, mas sim ao

princípio do contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV), que é um dos requisitos do princípio do devido processo legal (art. 5º, LIV).

13) (ESAF/AFC/2000) O exercício do direito de criar associação depende de autorização da autoridade pública competente, nos termos da lei.

Item ERRADO.

A criação de associações independe de autorização, sendo vedada a

interferência estatal em seu funcionamento (art. 5º, XVIII).

14) (ESAF/AFC/STN/2000) De acordo com o direito brasileiro, as normas de tratados internacionais de que o Brasil faz parte têm prevalência sobre as leis e as emendas à Constituição.

Item ERRADO.

Os tratados internacionais em geral, quando aprovados pelo rito legislativo ordinário (aprovação definitiva pelo Congresso Nacional, por decreto legislativo; promulgação pelo Presidente da República, por decreto), têm paridade normativa com as leis, vale dizer, situam-se no mesmo nível hierárquico das leis.

Os tratados internacionais sobre direitos humanos, quando aprovados pelo rito legislativo especial, previsto no art. 5º, § 3º, da Constituição (aprovação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros), serão equivalentes às emendas constitucionais.

Veja que no primeiro caso (aprovação por rito legislativo ordinário) os tratados situam-se no mesmo nível hierárquico das leis, e num nível inferior às emendas constitucionais; no segundo caso (aprovação pelo rito especial, previsto no art. 5º, § 3º, da Constituição), os tratados são superiores hierarquicamente às leis, e equivalentes às emendas constitucionais.

Portanto, num ou noutro caso, os tratados internacionais não têm prevalência sobre as emendas à Constituição.

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15) (ESAF/AFC/STN/2000) A análise do processo de reforma da Constituição brasileira permite afirmar que foi adotado entre nós um modelo de constituição rígida.

Item CERTO.

Sabe-se que a rigidez constitucional decorre da exigência de um processo especial para a modificação do texto da Constituição, mais difícil do que aquele de elaboração das demais leis.

A Constituição Federal de 1988 exige um processo especial para a reforma do seu texto, ao dispor que a proposta de emenda será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros (art. 60, § 2º).

16) (ESAF/AFC/STN/2000) A proibição da prisão civil pelo constituinte não impede a prisão de quem deixa de cumprir, de modo voluntário e inescusavelmente, obrigação alimentícia.

Item CERTO.

Em regra, a Constituição proíbe a prisão civil por dívida (art. 5º, LXVII).

Porém, é constitucionalmente permitida a prisão civil: (a) do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia; e (b) do depositário infiel.

17) (ESAF/AFC/STN/2000) A violação da intimidade do indivíduo enseja pretensão à reparação tanto dos danos materiais sofridos, como também dos danos morais suportados.

Item CERTO.

Determina a Constituição que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação (art. 5º, X).

A violação da intimidade pode, portanto, ensejar tanto reparação dos danos materiais, como também dos danos morais suportados. As indenizações podem cumular-se, vale dizer, um mesmo ato pode ensejar, simultaneamente, indenização por dano material e moral.

18) (ESAF/AFC/STN/2000) Os direitos individuais, por serem fundamentais, somente podem ser abolidos por meio de emenda à Constituição.

Item ERRADO.

Os direitos e garantias individuais são cláusulas pétreas (CF, art. 60, § 4º, IV) e, como tais, não podem ser abolidos por meio de emenda constitucional.

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19) (ESAF/AFC/STN/2000) O domicílio do indivíduo pode ser invadido por terceiros, a qualquer hora, em caso de flagrante delito, desastre ou para prestação de socorro. Em cumprimento a determinação judicial, porém, no domicílio somente se pode penetrar sem o consentimento do morador durante o dia.

Item CERTO.

Determina a Constituição que a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro (durante o dia ou durante a noite), ou, somente durante o dia, por determinação judicial.

20) (ESAF/AFC/STN/2000) Por força do princípio da isonomia, toda

norma que estabeleça tratamento jurídico diferenciado entre brasileiros

é inconstitucional.

Item ERRADO.

O princípio da isonomia não proíbe tratamento diferenciado entre

brasileiros. Nada impede que a lei estabeleça tratamento diferenciado, desde que haja razoabilidade, isto é, desde que haja justificativas plausíveis para a discriminação.

Assim, a lei poderá estabelecer tratamento diferenciado levando em conta, dentre outros, o critério sexo (exigência de esforço físico mais brando para o sexo feminino em teste de determinado concurso público; concurso público só para o sexo feminino, para o ingresso no cargo de agente penitenciário numa prisão feminina etc), o critério idade (estabelecimento de idade mínima e máxima para o ingresso em certos cargos públicos, cujas atribuições justifiquem; atendimento prioritário

aos idosos etc.), o critério econômico (créditos públicos facilitados para

a população de baixa renda etc.).

Vale lembrar que, segundo a jurisprudência do STF, em se tratando de concurso público, as restrições ao princípio da igualdade só poderão ser estabelecidas em lei. Significa dizer que editais de concurso e outros atos administrativos em geral (decretos, portarias etc.) não podem estabelecer restrições ao princípio de igualdade em concurso público.

Quando eu afirmo isso em sala de aula, sempre algum candidato diz que

“o edital tal estabeleceu idade mínima”. Ora, é evidente que o edital,

como regramento do concurso, apresentará a restrição. Porém, para que a restrição trazida no edital seja válida, é indispensável que tal restrição esteja prevista na lei de organização da respectiva carreira. Se a lei não estabelece nenhuma restrição, se não há previsão legal, a restrição trazida exclusivamente no edital é inválida.

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21) (ESAF/AFC/STN/2000) As provas obtidas por meio contrário ao Direito somente podem ser utilizadas no processo civil ou penal se a parte tiver dificuldade em encontrar outro meio de provar o seu direito.

Item ERRADO.

Determina a Constituição que são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos (art. 5º, LVI).

Essa vedação alcança os processos judiciais e administrativos, e não poderá ser afastada diante da simples dificuldade da parte em encontrar outro meio de provar o seu direito.

22) (ESAF/AFC/STN/2000) A Constituição admite a interceptação de comunicações telefônicas de indivíduo suspeito do cometimento de crimes graves, desde que a escuta seja determinada por ordem judicial, pelo Ministério Público ou por Comissão Parlamentar de Inquérito.

Item ERRADO.

A Constituição permite a interceptação das comunicações telefônicas, desde que respeitados os seguintes requisitos:

a) somente por ordem judicial;

b) somente nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer;

c) somente para fins de investigação criminal ou instrução processual

penal (art. 5º, XII).

Analisemos, separadamente, esses requisitos:

a) só por ordem judicial poderá ser autorizada a interceptação telefônica: trata-se de medida sujeita à chamada reserva de jurisdição, isto é, medida que só pode ser determinada por membro do Poder Judiciário; ninguém mais pode autorizar a interceptação telefônica (comissão parlamentar de inquérito - CPI, Ministério Público, autoridade policial etc.);

b) só nas hipóteses e na forma que lei estabelecer: a Lei nº 9.296/96

regulamentou esse dispositivo e estabeleceu quais as estritas hipóteses em que a interceptação telefônica poderá ser autorizada (essas hipóteses não nos interessam no estudo do Direito Constitucional, por se tratar de matéria legal, e não constitucional);

c) só para fins de investigação criminal ou instrução processual penal:

não se permite a interceptação telefônica no âmbito de processos administrativos (processo administrativo tributário, processo administrativo disciplinar etc.), nem no âmbito de processos cíveis (ação

popular, ação de improbidade administrativa etc.).

A interceptação telefônica poderá ser autorizada pelo magistrado:

a) de ofício;

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b) por solicitação do Ministério Público, no curso de investigação criminal

ou instrução processual penal; ou

c) por solicitação da autoridade policial competente, no curso de investigação criminal.

A interceptação das comunicações telefônicas não pode ser confundida

com a quebra do sigilo telefônico.

A interceptação telefônica incide sobre o conteúdo da conversa, vale

dizer, é a autorização para a gravação do conteúdo da conversa, no

momento em que ela ocorre. É autorizada exclusivamente por membro

do Poder Judiciário (reserva de jurisdição) e executada pela autoridade

policial competente.

A quebra do sigilo telefônico diz respeito aos registros das ligações

realizadas por determinado telefone, em período pretérito. É a autorização para a obtenção, perante a companhia telefônica, dos registros das ligações – ativas e passivas – de determinado telefone (registros das ligações realizadas, das ligações recebidas, do tempo de duração de cada ligação etc.). Não é medida exclusiva do Poder Judiciário, podendo ser determinada diretamente por comissão parlamentar de inquérito – CPI.

Finalmente, importante destacar que também poderão ser interceptadas

as comunicações realizadas com o uso da telemática e informática (e-

mail, fax, telex etc.), desde que respeitados os mesmos requisitos exigidos para a interceptação das comunicações telefônicas, acima

comentados.

23) (ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o direito à inviolabilidade da honra, pela natureza subjetiva desse atributo, não se aplica à pessoa jurídica.

Item ERRADO.

A jurisprudência dos tribunais firmou-se no sentido

inviolabilidade à honra e à imagem se aplica também jurídicas, e não somente às pessoas físicas (CF, art. 5º, X).

a

às pessoas

de

que

Enfim, a imagem e a boa fama de uma empresa podem ser violadas, gerando o direito à reparação dos danos – materiais e morais – decorrentes dessa violação.

24) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Não se pode invocar direito adquirido contra lei de ordem pública.

Item ERRADO.

A doutrina faz uma distinção entre lei de ordem pública e lei de ordem

privada.

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Lei de ordem pública é aquela, de regra oriunda dos ramos do Direito Público, que regula uma situação em que impera o interesse público, mormente numa relação indivíduo-Estado. Uma lei penal (regulando os poderes do Estado de punir o infrator), uma lei do direito administrativo (regulando os direitos e deveres dos servidores frente à Administração Pública) são exemplos de leis de ordem pública.

Lei de ordem privada é aquela, de regra oriunda dos ramos do Direito Privado, que regula precipuamente relações entre particulares, os chamados negócios privados. Uma lei civil que estabeleça o regramento dos contratos privados (contrato de franquia, de arrendamento mercantil etc.) é uma típica lei de ordem privada.

Em alguns países, o ordenamento constitucional protege o indivíduo somente frente às leis de ordem privada, ou seja, nesses países somente as leis de ordem privada devem obediência ao direito adquirido, à coisa julgada e ao ato jurídico perfeito. Significa dizer que, nesses países, uma lei de ordem pública, em face do império do interesse público frente ao interesse individual, pode prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.

No Brasil, o STF firmou entendimento de que tanto as leis de ordem privada, quanto as leis de ordem pública devem obediência à proibição constitucional de prejuízo ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e

à coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI).

Então, no Brasil, uma lei de ordem pública não pode desrespeitar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. O indivíduo poderá invocar essa proteção frente a leis de ordem pública ou de ordem privada, indistintamente.

25) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Gravação ilícita de conversa telefônica não pode ser aceita em processo judicial, mas nada impede que os dados por ela obtidos sejam aproveitados em processo administrativo, se indispensáveis para a descoberta da verdade real.

Item ERRADO.

A vedação constitucional à utilização de provas obtidas por meios ilícitos

alcança os processos judiciais e administrativos (CF, art. 5º, LVI).

26) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) A gravação de conversa telefônica pode ser autorizada por autoridade judicial, para fins de instrução de processo administrativo disciplinar.

Item ERRADO.

A Constituição Federal só permite a gravação de conversa telefônica no

âmbito penal, para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (art. 5º, XII). Em hipótese alguma poderá ser autorizada a

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interceptação telefônica em processos administrativos ou de natureza cível.

27) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) A Constituição não impede que a lei possa retroagir para beneficiar o particular em face do poder público.

Item CERTO.

Determina a Constituição que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (art. 5º, XXXVI).

Sabe-se que esse dispositivo tem por fim resguardar a segurança jurídica, evitando que situações já consumadas na vigência de uma lei sejam afetadas prejudicialmente por leis posteriores.

Sabe-se também que esse dispositivo estabelece uma garantia ao indivíduo frente ao Estado, e não o contrário. Tanto é assim que o STF tem até Súmula dispondo que “A garantia de irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado.” (Súmula nº 654).

Logo, essa garantia constitucional não proíbe que a lei seja retroativa no Brasil, desde que para beneficiar o indivíduo frente ao Estado. O que o inciso XXXIV proíbe é que a lei retroaja em prejuízo ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada.

Esse aspecto é importante porque muitos pensam que a única lei que pode retroagir no Brasil é a lei penal favorável ao réu (CF, art. 5º, XL). Isso é um equívoco. Não é só a lei penal benigna que pode retroagir. Leis em geral podem ser retroativas no Brasil, desde que estabelecendo um tratamento favorável ao indivíduo frente ao Poder Público.

28) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) O particular não pode se opor a que um bem seu seja requisitado para o enfrentamento de iminente perigo público, devendo o uso do bem ser necessariamente indenizado ao ser restituído ao proprietário.

Item ERRADO.

De fato, o particular não pode se opor a que um bem seu seja requisitado pela autoridade competente no caso de iminente perigo público, pois se trata de direito fundamental assegurado ao Estado frente ao indivíduo (CF, art. 5º, XXV).

Porém, o uso não é necessariamente indenizado no momento da restituição do bem ao proprietário, pois só haverá indenização ulterior se houver dano (na verdade, o uso do bem é gratuito; a indenização ulterior, se houver, será pelos danos decorrentes do uso).

29) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) O duplo grau de jurisdição não foi erigido pelo constituinte de 1988 ao nível de direito individual fundamental.

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Item CERTO.

Muito se discute se o duplo grau de jurisdição é (ou não) uma garantia constitucional na Constituição Federal de 1988.

A discussão é relevante porque se o duplo grau de jurisdição for uma

garantia constitucional, significa dizer que não podem existir no Brasil processos – administrativos ou judiciais – de instância única, isto é, em que o indivíduo não tenha direito a recurso, ao reexame da matéria por um órgão superior.

Ao contrário, se o duplo grau de jurisdição não for uma garantia constitucional, significa dizer que nada impede a existência de processos de instância única, em que o indivíduo não tenha direito a nenhum recurso (isto é, não tenha direito ao duplo grau de jurisdição!).

Bem, depois de muita discussão, o STF firmou entendimento de que o duplo grau de jurisdição não é uma garantia constitucional na Constituição Federal de 1988.

Logo, nada impede que no Brasil tenhamos processos – administrativos ou judiciais – de instância única, nos quais o indivíduo não tenha direito a recurso.

30) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Autoridade policial pode dissolver compulsoriamente associação nefasta ao interesse público.

Item ERRADO.

As associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas por decisão judicial transitada em julgado (CF, art. 5º, XIX).

31) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Todas as provas requeridas pelo acusado num processo administrativo devem ser admitidas pela autoridade que o preside, sob pena de ofensa à garantia da ampla defesa.

Item ERRADO.

Nem todas as provas deverão ser admitidas pela autoridade que preside um processo administrativo, pois a Constituição não admite a utilização de provas obtidas por meios ilícitos (CF, art. 5º, LVI).

32) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Todo o brasileiro nato é parte legítima para propor ação popular, visando a anular ato lesivo ao patrimônio público.

Item ERRADO.

A ação popular só pode ser proposta por cidadão (CF, art. 5º, LXXIII).

Logo, não é todo o brasileiro que pode propor ação popular, pois nem todo brasileiro é cidadão. Só são juridicamente considerados cidadãos aqueles brasileiros que estão no gozo da capacidade eleitoral ativa,

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aptos para votar. Por exemplo: os brasileiros menores de dezesseis anos não podem propor ação popular, pois não gozam de capacidade eleitoral ativa (não são cidadãos).

33) (ESAF/MPOG/APO/2002) O indivíduo condenado por um fato que, quando praticado, era definido como crime, não se beneficia de lei posterior que descriminaliza a conduta.

Item ERRADO.

Determina a Constituição que a lei penal não retroagirá, salvo para favorecer o réu (art. 5º, XL).

Portanto, a lei penal descriminadora - que deixa de tipificar a conduta como crime - retroagirá, pois é benéfica ao réu, mesmo sabendo que este já foi anteriormente condenado com base na lei anterior, então vigente.

34) (ESAF/MPOG/APO/2002) Os direitos e garantias individuais previstos na Constituição dependem, invariavelmente, de lei ordinária que os desenvolva, para que possam produzir todos os seus efeitos.

Item ERRADO.

Em regra, os direitos e garantias fundamentais têm aplicabilidade

imediata, isto é, produzem os seus plenos efeitos independentemente

de regulamentação por lei (CF, art. 5º, § 1º).

35) (ESAF/MPOG/APO/2002) O trabalhador goza da garantia constitucional de não ter o salário reduzido em nenhum caso.

Item ERRADO.

O princípio da irredutibilidade do salário não é absoluto, pois a

Constituição permite a redução do salário em convenção ou acordo coletivo (art. 7º, VI).

36) (ESAF/MPOG/APO/2002) Em caso de flagrante delito, agente público pode ingressar na casa de particular, independentemente de autorização judicial, de dia ou de noite.

Item CERTO.

Diante de flagrante delito (prática atual de um crime), agentes públicos podem ingressar na casa de particular, sem o consentimento do morador e sem necessidade de autorização judicial, a qualquer hora do

dia ou da noite (CF, art. 5º, XI).

37) (ESAF/MPOG/APO/2002) Toda prisão anterior ao trânsito em julgado

de

sentença penal condenatória é inconstitucional, por ferir o princípio

da

presunção de inocência.

Item ERRADO.

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O princípio da presunção da inocência está previsto no art. 5º, LVII, da

Constituição e determina que ninguém será considerado culpado até o

trânsito em julgado de sentença penal condenatória (veja que o princípio não diz que ninguém será preso, mas sim que ninguém será considerado culpado).

Segundo a jurisprudência do STF, as prisões cautelares (em flagrante, temporária, preventiva etc.) são plenamente compatíveis com o princípio da presunção da inocência.

A força desse princípio é vedar o lançamento do nome do réu no rol dos culpados antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, isto é, o réu não pode ser registrado como criminoso (“fichado criminalmente”) antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

38) (ESAF/PFN/2003) O habeas corpus é instrumento adequado para se impugnar ordem de juiz de primeiro grau de quebra de sigilo bancário.

Item CERTO.

Vimos que, em regra, o remédio constitucional idôneo para reprimir eventuais ilegalidades ou arbitrariedades havidas na quebra do sigilo bancário é o mandado de segurança.

Porém, será também cabível a impetração de habeas corpus sempre que

a quebra do sigilo bancário implicar ofensa indireta ao direito de

locomoção. Enfim, se a quebra do sigilo bancário se der no curso de

processo em que o indivíduo possa, em tese, ser condenado à pena privativa de liberdade, poderá ser ajuizado, em vez do mandado de segurança, o habeas corpus (essa questão foi minuciosamente comentada em exercício da aula anterior).

39) (ESAF/PFN/2003) O sentenciado penal não pode ser preso para cumprir a sentença, enquanto dela pender recurso extraordinário, em virtude da presunção de inocência, que perdura enquanto não transitada em julgado a decisão condenatória.

Item ERRADO.

Vimos que o princípio da presunção da inocência não impede a prisão do réu antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória (art. 5º, LVII).

O princípio proíbe, apenas, que o seu nome seja lançado no rol dos

culpados antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, isto é, que o indivíduo seja registrado como criminoso antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

40) (ESAF/PFN/2003) Não há reparação por danos morais sem prova de dano à reputação do autor da demanda.

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Item ERRADO.

Segundo a jurisprudência do STF, a reparação por danos morais não exige comprovação de efetivo dano à reputação da vítima. Significa dizer que, por exemplo, a simples utilização indevida da imagem da pessoa pode ensejar a indenização por danos morais (CF, art. 5º, X), ainda que essa utilização não tenha causado nenhum dano à reputação

da vítima.

41) (ESAF/PFN/2003) Os direitos sociais previstos na Constituição, por serem normas programáticas, não produzem efeitos jurídicos, senão depois de regulados pelo legislador ordinário.

Item ERRADO.

Nem todos os direitos sociais são normas de eficácia limitada, de cunho programático. É verdade que temos alguns direitos sociais que são normas programáticas, isto é, que dependem de regulamentação pelo legislador ordinário para a produção dos seus efeitos essenciais (art. 7º,

XX e XXVII, por exemplo).

Porém, a regra é aplicabilidade imediata, prevista no art. 5º, § 1º, da Constituição.

42) (ESAF/PFN/2003) A ação popular pode ser ajuizada para atacar ato jurisdicional.

Item ERRADO.

A ação popular é a ação constitucional que pode ser proposta por

qualquer cidadão para anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural (CF, art. 5º, LXXIII).

Ato jurisdicional é o ato praticado por membro do Poder Judiciário – juiz

ou tribunal – no desempenho da sua função típica, que é a função

jurisdicional. Enfim, atos de natureza jurisdicional são as decisões judiciais proferidas pelos juízos e tribunais do Poder Judiciário nos casos

submetidos à sua apreciação.

controvérsia sobre o cabimento (ou não) de ação popular contra ato

de

natureza jurisdicional. Se a decisão de um magistrado violar um dos

bens protegidos pela ação popular (o meio ambiente, por exemplo),

poderá o cidadão propor uma ação popular contra esse ato do magistrado?

A resposta é negativa. Segundo a jurisprudência do STF, não cabe ação popular contra ato de natureza jurisdicional (decisões judiciais) ou, em outras palavras, os atos de natureza jurisdicional são imunes à ação popular (não podem ser atacados na via da ação popular).

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E por que não? Porque, segundo o STF, se a decisão judicial ainda não

transitou em julgado deverá ser atacada pelos recursos cabíveis nas leis

processuais que regulam o respectivo processo; ou, se a decisão judicial já transitou em julgado, deverá ser atacada na via da ação rescisória. Logo, num ou noutro caso, não será cabível a propositura de ação popular.

Podemos afirmar, então, que um ato praticado por um juiz jamais poderá ser atacado por meio de ação popular?

Não, não podemos afirmar isso. Os magistrados também praticam atos administrativos (nomeação e aplicação de penalidade a servidor, realização de uma licitação pública para contratação de serviço etc.), e esses atos poderão ser normalmente atacados por meio de ação popular (somente os atos jurisdicionais não podem ser objeto de ação popular).

43) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A ação popular é instrumento de controle da regularidade da Administração Pública, podendo, nos termos da Constituição, ser intentada por todo brasileiro.

Item ERRADO.

Vimos que não é todo brasileiro que pode propor ação popular, mas somente os cidadãos (CF, art. 5º, LXXIII).

44) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A proibição constitucional de uso de prova ilícita não incide no âmbito do processo administrativo, em que prevalece a busca da verdade real.

Item ERRADO.

A vedação à utilização de provas ilícitas aplica-se tanto ao processo judicial quanto ao processo administrativo (CF, art. 5º, LVI).

Assim, se é verdade que o réu não pode ser condenado penalmente com base em provas obtidas por meios ilícitos, também é verdade que o servidor público não pode ser penalizado em processo administrativo disciplinar com fundamento em provas ilícitas.

45) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) É inconstitucional toda norma que regula relações entre a Administração Pública e particulares com efeitos retroativos.

Item ERRADO.

A proteção ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI) não impede que as leis sejam retroativas no Brasil,

desde que em benefício dos particulares em face do Estado. Afinal, o que a regra constitucional proíbe é a retroatividade da lei em prejuízo ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada.

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46) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Nenhum brasileiro pode ser extraditado.

Item ERRADO.

A Constituição não permite a extradição do brasileiro nato; porém, é

admitida a extradição do brasileiro naturalizado em dois casos: (a) prática de crime comum, antes da naturalização; e (b) comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei (art. 5º, LI).

47) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A garantia do direito adquirido impede a alteração do regime jurídico dos servidores públicos por meio de lei.

Item ERRADO.

Segundo a jurisprudência do STF, não há direito adquirido em face de mudança do regime jurídico estatutário dos servidores públicos.

Significa dizer que o servidor público, ao tomar posse no cargo público,

não adquire direito às vantagens então previstas no seu regime jurídico.

O servidor não adquire direito à manutenção dessas vantagens por toda

a sua vida funcional, até a aposentadoria. Ulteriormente essas

vantagens poderão ser suprimidas por lei e não poderá ser invocado direito adquirido em face dessas supressões.

A minha história no serviço público é um bom exemplo para

entendermos essa orientação do STF. Quando eu ingressei no serviço público federal, em 1993, a Lei nº 8.112/90 (regime jurídico dos servidores públicos federais) estava com a sua redação original intacta. Naquela época, eu tinha direito à licença-prêmio, ao adicional de tempo

de serviço, à incorporação da gratificação pelo desempenho de cargo em

comissão etc. Com o tempo, todas essas vantagens foram suprimidas por lei, e eu não pude alegar direito adquirido diante dessas supressões.

Por que não? Porque, segundo o STF, não há direito adquirido contra alterações do regime jurídico estatutário dos servidores públicos.

48) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A dor moral, por não ser quantificável pecuniariamente, não é tida como indenizável nos casos de violação da intimidade e da vida privada.

Item ERRADO.

Segundo o STF, a dor, o sofrimento, o desconforto e o constrangimento também são indenizáveis a título de dano moral nos casos de violação

da intimidade e da vida privada (CF, art. 5º, X).

Um bom exemplo de indenização da dor moral foi um caso apreciado pelo STF, no qual uma mãe requereu indenização do Estado por dano moral em razão do assassinato do seu filho detento nas dependências

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de presídio mantido pelo Estado. O STF reconheceu o direito à indenização frente ao Estado, deixando assente que a dor moral, decorrente da perda de um ente querido, é indenizável a titulo de dano moral, por violação à vida intimidade e à vida privada.

49) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Estende-se ao escritório profissional do indivíduo a garantia constitucional da inviolabilidade da sua casa.

Item CERTO.

A interpretação que prevaleceu sobre o alcance da expressão “casa” -

prevista no art. 5º, XI, da Constituição, ao estabelecer a inviolabilidade domiciliar - é que o seu alcance é amplo, alcançando não só os recintos

de natureza residencial, mas também os recintos profissionais não- franqueados ao público, tais como: o escritório do advogado, o consultório do médico, os recintos fechados da empresa etc.

50) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Uma vez criada, uma associação somente poderá ser dissolvida por ato de vontade dos seus integrantes nesse sentido.

Item ERRADO.

As associações podem também ser dissolvidas compulsoriamente por decisão judicial transitada em julgado (CF, art. 5º, XIX).

51) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Pessoas jurídicas não podem titularizar direitos fundamentais.

Item ERRADO.

No constitucionalismo moderno, pessoas jurídicas – privadas e estatais

– também são titulares de direitos fundamentais. Na Constituição

Federal de 1988 são vários os direitos fundamentais extensíveis às pessoas jurídicas, tais como: o direito à inviolabilidade da honra e da imagem (art. 5º, X); o direito de propriedade (art. 5º, XXII); o direito à assistência jurídica gratuita e integral (art. 5º, LXXIV).

52) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Na vigência da Constituição de 1988, toda lei que fixe limite de idade para o ingresso em carreira do serviço público é inconstitucional.

Item ERRADO.

O princípio da isonomia não impede que lei estabeleça limite de idade

para o ingresso em carreira do serviço público, desde que haja razoabilidade para essa limitação, isto é, desde que as atribuições do cargo a justifiquem. Por exemplo: é constitucional a fixação de idade máxima para o ingresso no cargo de agente de polícia, pois as atribuições desse cargo, que exigem vigor físico, justificam essa exigência; porém, seria flagrantemente inconstitucional a fixação de

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idade máxima para o ingresso no cargo de professor universitário, pois as atribuições desse cargo não legitimam limitação dessa natureza.

53) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) O Ministério Público tem o poder de, em procedimento de ordem administrativa, determinar a dissolução compulsória de associação que esteja sendo usada para a prática de atos nocivos ao interesse público.

Item ERRADO.

As associações só podem ser compulsoriamente dissolvidas por decisão judicial transitada em julgado (CF, art. 5º, XIX).

54) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Pessoas jurídicas, inclusive de direito público, podem ser titulares de direitos fundamentais.

Item CERTO.

Vimos que no constitucionalismo moderno não só as pessoas físicas, mas também as pessoas jurídicas – públicas e privadas – podem ser titulares de direitos fundamentais.

55) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A Constituição Federal não tolera nenhum tratamento legislativo diferenciado entre homem e mulher, a não ser os que prevê taxativamente no seu texto.

Item ERRADO.

Além dos casos de tratamento diferenciado entre homens e mulheres estabelecidos na própria Constituição, o legislador ordinário poderá estabelecer outros, desde que haja razoabilidade para a discriminação.

Assim, por exemplo: as leis trabalhistas estabelecem tratamento diferenciado entre homem e mulher no tocante à exigência de força física no trabalho; a exigência de força física em teste para o ingresso em determinado cargo público é diferenciada entre homem e mulher etc.

56) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Os direitos e garantias fundamentais, na ordem constitucional brasileira, não podem ter por sujeitos passivos pessoas físicas.

Item ERRADO.

Em regra, as pessoas físicas figuram no pólo ativo de um direito ou garantia fundamental, como seu titular. Vale dizer, em regra, as pessoas físicas são as titulares dos direitos fundamentais (sujeito ativo) em face do Estado (sujeito passivo).

Porém, é possível que as pessoas físicas figurem no pólo passivo, assim como é possível que o Estado figure no pólo ativo, como titular do direito ou garantia fundamental.

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Um bom exemplo é o inciso XXV do art. 5º da Constituição, que prevê o direito de requisição administrativa, direito fundamental do Estado frente ao particular. Cuida-se de típico direito fundamental outorgado ao Estado, no qual o particular figura como sujeito passivo.

Percebe-se facilmente que na requisição administrativa o Estado é o sujeito ativo (titular do direito) e o particular é o sujeito passivo (obrigado à satisfação do direito), senão vejamos: no caso de iminente perigo público, a autoridade competente (sujeito ativo) poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário (sujeito passivo) indenização ulterior, se houver dano.

No tocante às garantias fundamentais, o particular poderá figurar como sujeito passivo em mandado de segurança (no caso de prática de ato coator por agente privado no exercício de atribuição do Poder Público), em habeas corpus (no caso de violação do direito de locomoção por particular) etc.

57) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) O duplo grau de jurisdição constitui direito fundamental dos indivíduos, decorrente do direito de acesso ao Judiciário.

Item ERRADO.

Segundo a jurisprudência do STF, o duplo grau de jurisdição não é uma garantia constitucional, sendo possível a existência de processos – administrativos ou judiciais – de instância única, sem direito a recurso para uma instância superior (isto é, sem direito ao duplo grau).

58) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Em nenhuma hipótese a Constituição Federal admite a pena de morte.

Item ERRADO.

A Constituição permite a pena de morte em caso de guerra declarada, em razão de agressão estrangeira, pelo Presidente da República, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas (CF, art. 5º, XLVII, a c/c art. 84, XIX).

59) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) O princípio constitucional da soberania dos veredictos do júri impede que juízes togados julguem pedido de revisão criminal de condenação proferida em tribunal do júri.

Item ERRADO.

Ao reconhecer à lei a competência para a instituição do júri, a Constituição estabelece os princípios que deverão ser seguidos pelo legislador na sua organização, a saber: (a) a plenitude de defesa; (b) o sigilo das votações; (c) a soberania dos veredictos; (d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida.

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Dentre esses princípios, temos a soberania dos veredictos, vale dizer, a decisão proferida pelo tribunal do júri ao julgar os crimes dolosos contra

a vida é soberana.

Porém, segundo a jurisprudência do STF, a soberania dos veredictos não impede a interposição de recursos perante o Poder Judiciário contra decisão do tribunal do júri (CF, art. 5º, XXXVIII, c).

Portanto, é possível que tribunal do Poder Judiciário aprecie recurso interposto contra decisão proferida pelo tribunal do júri (o tribunal poderá declarar a nulidade da decisão do júri, por contrariedade às provas constantes dos autos, por exemplo), bem assim pedido de revisão criminal de condenação anteriormente imposta em tribunal do júri.

Em relação aos outros princípios do júri, dois aspectos merecem destaque.

O primeiro é que a Constituição outorgou ao júri a competência para o

julgamento dos crimes dolosos contra a vida. O legislador ordinário poderia ampliar essa competência do tribunal do júri? A lei poderia atribuir ao júri a competência para o julgamento de outros crimes, além dos dolosos contra a vida? Embora não haja consenso doutrinário a respeito, entendemos que a orientação dominante é no sentido negativo, de que a lei não poderia ampliar a competência do tribunal do júri.

O segundo é que não é correto afirmar que todos os crimes dolosos

contra a vida serão julgados pelo tribunal do júri. Por que não? Porque, segundo o STF, as autoridades que têm foro especial previsto na Constituição Federal não se submetem a julgamento perante o tribunal do júri. Por exemplo: se o governador cometer um crime doloso contra

a vida, será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, e não pelo

júri; se o prefeito cometer um crime doloso contra vida, será julgado perante o Tribunal de Justiça, e não perante o júri – e assim por diante.

60) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Não constitui prova ilícita

a gravação de conversa telefônica, como meio de legítima defesa, feita por um dos interlocutores, sem o conhecimento do outro.

Item CERTO.

Em regra, a gravação de conversa por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro é ato ilícito, por ofensa à intimidade e à vida privada (CF, art. 5º, X).

Porém, a gravação constituirá prova lícita se utilizada em legítima defesa. Se João conversa com Pedro, e Pedro grava a conversa sem o conhecimento de João, a gravação constituirá prova lícita, se utilizada

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em legítima defesa de Pedro (Pedro pode estar sendo vítima de uma investida criminosa de João).

61) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002)

processo penal, de prova ilicitamente obtida contamina necessariamente todo o feito, tornando-o nulo.

Item ERRADO.

A mera presença de provas ilícitas nos autos não invalida

necessariamente o processo. Detectadas as provas ilícitas, faz-se o que

se chama desentranhamento de provas, isto é, são separadas as

provas lícitas das ilícitas. Estas (as ilícitas) são retiradas dos autos, mas

o processo pode ter a sua regular continuidade com fundamento nas provas lícitas autônomas.

Deve-se lembrar que, na retirada das provas ilícitas dos autos, deverão

ser retiradas as provas ilícitas originárias e todas as demais provas delas

derivadas.

Isso porque, segundo a jurisprudência do STF, tem aplicação entre nós

a teoria dos frutos da árvore envenenada (fruits of the poisonous

tree), segundo a qual as provas ilícitas contaminam todas as provas levantadas a partir dela. Afinal, se a árvore (prova ilícita originária) está

contaminada, certamente os seus frutos (provas derivadas dessa prova originária) também estão.

62) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Durante o período de prisão, o condenado por sentença criminal transitada em julgado não sofre a suspensão dos seus direitos políticos.

Item ERRADO.

O condenado criminalmente em sentença transitada em julgado sofre a

suspensão dos seus direitos políticos, enquanto durarem os efeitos da condenação (CF, art. 15, III).

63) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Atos de improbidade administrativa acarretam a perda dos direitos políticos.

Item ERRADO.

Os atos de atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, e não a sua perda.

É o que estabelece o art. 37, § 4º, da Constituição, segundo o qual os

atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

brasileiros

64) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) podem titularizar cargos públicos.

A

existência,

num

Somente

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Item ERRADO.

Determina a Constituição que os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei (art. 37, I).

Portanto, os estrangeiros podem titularizar cargos públicos, na forma

da lei. Esse dispositivo constitucional, em relação aos estrangeiros, é de eficácia limitada, vale dizer, dependente de lei regulamentadora para

a produção dos seus efeitos essências. Assim, ao contrário dos

brasileiros, os estrangeiros só podem ter acesso a cargo, emprego ou função públicos quando houver autorização em lei.

Vale lembrar, ainda, que a lei não poderá autorizar os estrangeiros a ter acesso a qualquer cargo público, haja vista que a Constituição reservou certos cargos públicos aos brasileiros natos (art. 12, § 3º)

65) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) O analfabeto não possui capacidade eleitoral passiva.

Item CERTO.

A capacidade eleitoral ativa é o direito de votar nas eleições, nos

referendos e nos plebiscitos (alistabilidade); é adquirida com o alistamento perante a Justiça Eleitoral.

A capacidade eleitoral passiva é o direito de ser votado, de ser eleito (elegibilidade).

No Brasil, a elegibilidade (capacidade eleitoral passiva) não coincide com a alistabilidade (capacidade eleitoral passiva). Todo elegível é, necessariamente, eleitor, mas a recíproca não é verdadeira, isto é, nem todo eleitor é elegível.

Ou, em outras palavras: todo aquele que possui a capacidade eleitoral passiva (elegibilidade) possui, necessariamente, a capacidade eleitoral ativa (alistabilidade); porém, nem todo aquele que dispõe da capacidade eleitoral ativa (alistabilidade) é detentor da capacidade eleitoral passiva (elegibilidade).

Ou, num linguajar mais simples ainda: não há elegível que não seja também eleitor, mas há eleitor que não é elegível!

Por exemplo: os analfabetos e os menores entre dezesseis e dezoito anos possuem a capacidade eleitoral ativa (podem votar), mas não dispõem da capacidade eleitoral passiva (não podem ser eleitos).

66) (ESAF/AFRE/MG/2005) A Constituição enumera, de forma taxativa, no seu Título sobre Direitos e Garantias Fundamentais, os direitos individuais reconhecidos como fundamentais pela nossa ordem jurídica.

Item ERRADO.

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A enumeração constitucional dos direitos e garantias fundamentais não

é taxativa, limitativa; outros direitos fundamentais além daqueles expressamente enumerados pela Constituição poderão ser reconhecidos aos brasileiros, desde que decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.

É o que reza o art. 5º, § 2º, da Constituição, nos termos seguintes: “os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”.

67) (ESAF/AFRE/MG/2005) As garantias constitucionais do direito adquirido e do ato jurídico perfeito não constituem cláusulas pétreas.

Item ERRADO.

As garantias constitucionais do direito adquirido e do ato jurídico perfeito são de natureza individual e, como tais, gravadas como cláusula pétrea (CF, art. 60, § 4º, IV).

68) (ESAF/AFRE/MG/2005) Os direitos individuais fundamentais, por serem considerados cláusulas pétreas, somente podem ser abolidos ou modificados por meio de emenda à Constituição.

Item ERRADO.

Os direitos e garantias individuais são gravados como cláusulas pétreas (CF, art. 60, § 4º, IV) e, como tais, não podem ser abolidos por meio de emenda à Constituição. O conceito jurídico de cláusula pétrea é este:

matéria que não pode ser prejudicada, tampouco abolida por meio de emenda à Constituição.

69) (ESAF/AFRE/MG/2005) O mandado de segurança, o habeas corpus e

o mandado de injunção são instrumentos processuais que compõem o

grupo das garantias constitucionais.

Item CERTO.

O mandado de segurança, o habeas corpus, o mandado de injunção, a

ação popular e o habeas data são as garantias constitucionais denominadas remédios constitucionais, em proteção aos direitos

fundamentais consagrados na Constituição.

70) (ESAF/AFRE/MG/2005) O princípio da separação dos poderes impede que o juiz invoque o princípio da proporcionalidade como fundamento para a declaração de inconstitucionalidade de uma lei.

Item ERRADO.

O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade - que tem sua sede

material no postulado do devido processo legal em sua acepção

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substantiva, previsto no art. 5º, LIV, da Constituição – é reiteradamente invocado pelo Poder Judiciário para a declaração da inconstitucionalidade das leis restritivas de direito, quando essas impõem uma restrição desarrazoada.

Vimos que o princípio da razoabilidade ou da proporcionalidade exige das leis restritivas de direito o cumprimento dos requisitos (a) necessidade, (b) adequação e (c) medida certa (proporcionalidade estrita). Caso a lei restritiva de direito ofenda a um desses requisitos, será uma lei desarrazoada, e deverá ser declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário.

71) (CESPE/AGU/2004) A era dos chamados direitos políticos teve início com a Revolução Francesa e com a aprovação da primeira declaração dos direitos do homem. A marca registrada desse período está na consciência da imperiosa necessidade de se estabelecerem limites ao poder do Estado. A preocupação, no entanto, não foi capaz de frear a tendência de, partindo-se do individualismo jurídico, chegar-se aos estados totalitários. O individualismo jurídico demonstrou claramente a sua disfunção, porque passou a traduzir os interesses de uma classe determinada, deixando à margem um grupo de pessoas desiguais. O amadurecimento de novas exigências ou de novos valores, tais como o bem-estar e o interesse na manutenção de uma igualdade que transcende a fronteira do Estado, fizeram explodir uma nova era, a dos chamados direitos sociais, como o direito à liberdade, à propriedade, à educação, à habitação e à segurança.

Item ERRADO.

O enunciado trata da evolução dos direitos fundamentais, da primeira

para a segunda geração (dimensão). Vamos revisar brevemente essa evolução dos direitos fundamentais.

Os direitos fundamentais são tradicionalmente classificados em três gerações (dimensões), levando-se em conta o elemento cronológico, isto é, o momento em que esses direitos passaram a ser considerados fundamentais ao homem.

A primeira geração de direitos fundamentais surgiu nos finais do séc.

XVIII, com o advento da Revolução Francesa, e apresenta as seguintes características: surgiu no Estado liberal, em resposta ao Estado totalitário; tem por preocupação estabelecer limites ao poder do Estado,

reduzindo a ingerência deste na esfera de liberdade do indivíduo. São os direitos fundamentais de índole negativa, que exigem uma abstenção do Estado em favor da liberdade do indivíduo; seu núcleo é, portanto, a liberdade. São os direitos civis e políticos, tais como: direito de propriedade, de manifestação de pensamento, de locomoção etc.

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A segunda geração de direitos fundamentais surgiu no início do séc. XX,

com o advento do Estado social, e apresenta as seguintes

características: surgiu no Estado social, em resposta ao Estado liberal; tem por preocupação assegurar o mínimo de dignidade aos hipossuficientes. São direitos fundamentais de índole positiva, que exigem uma atuação do Estado em favor dos desamparados; seu núcleo

é, portanto, a igualdade. São os direitos sociais, culturais e econômicos,

tais como: direito a condições dignas de trabalho, à previdência social, à

assistência social, à habitação, à educação, à segurança etc.

A terceira geração de direitos fundamentais surgiu no séc. XX, e tem por

preocupação os chamados bens da coletividade, os interesses difusos, assim entendidos aqueles que pertencem a um grupo indeterminado, ou de difícil determinação de pessoas. São exemplos: direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, à paz, ao progresso etc.

Feita essa breve revisão, passemos ao exame da assertiva do Cespe. Por que ela está errada? Porque no final do texto, o direito à liberdade e

o

direito à propriedade são apontados como direitos sociais, o que não

é

verdade. São eles direitos de primeira dimensão, de natureza política

e

civil.

A

Constituição Federal de 1988 enumera como direitos sociais os

seguintes: a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a

segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e

a assistência aos desamparados (art. 6º).

72) (CESPE/PROCURADOR/TCPE/2004) A ação popular, tal como prevista na Constituição da República, não é necessariamente dependente da prova do requisito da lesividade econômica para que seu pedido seja julgado procedente.

Item CERTO.

Segundo a jurisprudência do STF, a ação popular só exige um requisito:

a ilegalidade do ato.

Significa dizer que não se exige, para a propositura da ação popular, a comprovação de efetivo dano material, de natureza econômica, causado pelo ato ilegal. Por exemplo: um ato administrativo que atente contra a moralidade administrativa pode ser atacado por meio de ação popular, ainda que dele não decorra efetivo prejuízo econômico ao Poder Público. A simples ilegalidade, com ofensa à moralidade, já legitima a propositura da ação popular, independentemente da ocorrência de efetivo dano econômico.

73) (CESPE/AGU/2004) Na esteira da jurisprudência da Suprema Corte norte-americana e de vários tribunais constitucionais europeus, o STF

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vem aplicando o princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade na revisão judicial de atos legislativos.

Item CERTO.

Conforme exaustivamente comentado antes, o princípio da razoabilidade ou da proporcionalidade é reiteradamente aplicado pelo Poder Judiciário no Brasil como fundamento para a declaração da inconstitucionalidade de leis restritivas de direito, que impõem restrições desarrazoadas.

74) (CESPE/PRF/2004) Considere a seguinte situação hipotética. No edital de um concurso público para provimento de vagas no cargo de policial rodoviário estadual, no item referente aos requisitos para a investidura no cargo, constava um subitem segundo o qual o candidato teria de ser do sexo masculino. Nessa situação, em face do tratamento isonômico entre homens e mulheres, o subitem do edital é inconstitucional.

Item CERTO.

Embora o princípio da isonomia admita o estabelecimento de restrições em concursos públicos tendo como parâmetro o sexo do candidato, essas restrições somente serão válidas se observarem ao princípio da razoabilidade, vale dizer, se as atribuições do cargo justificarem o tratamento diferenciado.

Ora, as atribuições do cargo de policial rodoviário federal não exigem restrição quanto ao sexo, isto é, não há razoabilidade para a restrição do acesso a esse cargo público somente a candidatos do sexo masculino. O que impediria uma mulher de desempenhar as atribuições de policial rodoviário federal? Não consigo imaginar a razoabilidade para essa restrição (em sala de aula, um aluno, em tom preconceituoso e machista, disse que a razoabilidade estaria no fato de as mulheres serem “roda presa”, de não conseguirem dirigir um veículo em alta velocidade, mas isso nem sempre é verdade!).

75) (CESPE/PRF/2004) A Constituição da República protege todas as formas de vida, inclusive a uterina.

Item CERTO.

A Constituição Federal assegura textualmente o direito fundamental à

vida (art. 5º, caput), ao prescrever que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida” (

O direito à vida é considerado o mais fundamental dos direitos, pois

somente a partir dele tem início o exercício dos demais direitos constitucionalmente protegidos. Com efeito, não se pode falar em gozo dos demais direitos constitucionais - liberdade, igualdade, segurança,

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propriedade etc. - sem, previamente, assegurar-se a inviolabilidade do direito à vida.

Ao consagrar o direito à vida, a Constituição Federal impõe ao Estado o dever de bem assegurá-lo, sob dupla concepção: (a) o direito a permanecer vivo; (b) o direito de viver dignamente, usufruindo os outros valores fundamentais protegidos pelo texto constitucional, como

a saúde, a educação, a segurança, a assistência aos hipossuficientes etc.

O início da proteção do direito à vida é aquele em que surge a chamada

“vida viável”, com o início da gravidez, como resultado da fecundação do óvulo pelo espermatozóide. Inicia-se, então, a proteção do ordenamento constitucional, pois desde a gestação temos um ser distinto do pai e da mãe. Por isso se diz que a Constituição protege a vida de forma geral, inclusive a uterina.

Se a vida uterina não recebesse tutela jurídica, a proteção do direito à vida não seria completa, pois a vida poderia ser impedida, interrompida logo depois da concepção.

Aliás, a condenação do aborto pelo ordenamento jurídico brasileiro é a maior prova de que a proteção à vida alcança também o nascituro, em momento anterior ao seu nascimento (Código Penal, art. 124).

76) (CESPE/ANALISTA/TCU/2004) O objeto de um mandado de segurança coletivo impetrado por entidade de classe será um direito que esteja compreendido na titularidade dos associados e que exista em razão das atividades por eles exercidas, não se exigindo que esse direito seja próprio da classe.

Item CERTO.

Determina o inciso LXX do art. 5º da Constituição que o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:

a) partido político com representação no Congresso Nacional;

b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados.

Evidentemente, as entidades legitimadas na alínea “b”, acima transcrita, só poderão impetrar o mandado de segurança coletivo em defesa dos interesses de seus membros ou associados. Se a entidade pretende defender interesse próprio na via do mandado de segurança, o mandado não será coletivo, mas sim individual.

Muito se discutiu a respeito da necessidade de o direito defendido pela entidade no mandado de segurança coletivo ser exclusivo, peculiar, próprio dos membros ou associados.

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Alguns entendem que a entidade só pode defender no mandado de segurança interesses que sejam exclusivos dos membros ou associados. Para esses, o sindicato dos Delegados da Polícia Federal só poderia defender no mandado de segurança coletivo direito próprio da categoria (o pagamento de uma gratificação exclusiva dos Delegados, por exemplo).

Outros entendem que não há essa exigência, isto é, que a entidade tem que defender um direito cuja titularidade pertença aos membros ou associados, mas que não precisa ser exclusivo, próprio. Para esses, o sindicato dos Delegados da Polícia Federal poderia defender no mandado de segurança coletivo o não-pagamento de uma majoração de alíquota do imposto de renda, que incide sobre a remuneração dos Delegados, mas não de forma exclusiva (a majoração da alíquota do imposto de renda atinge não só a remuneração dos Delegados, mas de todos os trabalhadores em geral).

O STF referendou essa segunda tese, firmando entendimento de que o direito defendido pela entidade no mandado de segurança coletivo deve estar compreendido na titularidade dos associados, em razão das atividades por eles exercidas, mas não se exige que esse direito seja próprio, exclusivo da classe.

77) (CESPE/TJMT/2005) Os direitos e garantias individuais estão taxativamente previstos no texto constitucional, não sendo possível ampliá-los por meio de atos infraconstitucionais.

Item ERRADO. Estabelece a Constituição que os direitos e garantias nela expressos não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte (art. 5º, § 2º).

Como se vê, a enumeração constitucional dos direitos e garantias fundamentais não é taxativa, podendo outras normas constitucionais (emendas à Constituição) ou mesmo infraconstitucionais (tratados internacionais, leis etc.) estabelecer outros direitos e garantias fundamentais.

78) (CESPE/PROCURADOR/TCPE/2004) Em mandado de segurança coletivo para compensação de créditos de contribuição previdenciária indevidamente recolhida, o sindicato impetrante carece da autorização expressa destes para ter legitimidade ativa.

Item ERRADO.

Segundo a jurisprudência do STF, na impetração do mandado de segurança coletivo as entidades legitimadas não carecem de autorização expressa dos associados para a impetração da ação, pois se

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trata de hipótese de substituição processual, que prescinde de autorização expressa.

79) (CESPE/PROCURADOR/TCPE/2004) Segundo a jurisprudência do STF, a mora do Congresso Nacional quanto à edição de lei que regulamente o direito à greve do servidor público, previsto no art. 37, inciso VII, da Constituição Federal, autoriza que, por meio de mandado de injunção, o Poder Judiciário declare o pleno gozo desse direito ao impetrante, até a superveniência de lei.

Item ERRADO.

Segundo a jurisprudência do STF, o princípio da separação dos poderes impede que o Poder Judiciário legisle positivamente, suprindo a lacuna do legislador quanto ao dever de regulamentar direito previsto na Constituição.

Portanto, diante da omissão do legislador em regulamentar direito previsto na Constituição, nem no mandado de injunção, nem na ação direta de inconstitucionalidade por omissão pode o Poder Judiciário suprir a lacuna, assegurando o pleno gozo do direito pelo seu destinatário.

No mandado de injunção, o Poder Judiciário apenas reconhecerá a inconstitucionalidade da mora e comunicará a sua decisão ao órgão legislativo omisso, requerendo a expedição da norma faltante.

Na ação direta de inconstitucionalidade por omissão, o Poder Judiciário apenas reconhecerá a inconstitucionalidade da mora e dará ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias (CF, art. 103, § 2º).

Veja que no caso da ação direta de inconstitucionalidade por omissão, a providência do STF será distinta, a depender do órgão responsável pela omissão:

a) se a omissão for de um Poder (STF, Câmara dos Deputados, Senado Federal e Presidente da República), será dada mera ciência para a adoção das providências necessárias, sem fixação de prazo;

b) se a omissão for de um órgão administrativo (quaisquer órgãos subordinados aos três Poderes da República), será dada ciência para que a omissão seja sanada no prazo de trinta dias.

80) (CESPE/PROCURADOR/TCPE/2004) Segundo jurisprudência do STF, a prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, ou da omissão em atendê-lo, constitui requisito indispensável para que se concretize o interesse de agir no habeas data.

Item CERTO.

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O habeas data somente pode ser impetrado após a comprovação do

esgotamento da via administrativa. Não pode o indivíduo recorrer diretamente ao Poder Judiciário, por meio da habeas data, antes de esgotar a via administrativa. Antes do esgotamento da via administrativa, o indivíduo não dispõe de interesse de agir perante o Poder Judiciário.

Assim, para que o indivíduo tenha acesso às informações de sua pessoa constantes dos registros do Serviço de Proteção ao Crédito – SPC por meio da impetração de um habeas data perante o Poder Judiciário, é imprescindível que antes ele esgote a via administrativa. Primeiro o indivíduo deverá dar entrada em um requerimento administrativo perante o SPC e, só depois, no caso de indeferimento do pedido ou não- fornecimento das informações no prazo legal, é que poderá impetrar o habeas data perante o Poder Judiciário.

81) (CESPE/ANALISTA/STM/2004) Para os crimes hediondos, a Polícia e o Ministério Público têm ampla liberdade de investigação criminal ou instrução processual penal, não necessitando de ordem judicial para interceptação telefônica, segundo a Constituição.

Item ERRADO.

A autorização para interceptação telefônica é medida protegida pela

chamada reserva de jurisdição, isto é, só pode ser determinada por

membro do Poder Judiciário (CF, art. 5º, XII).

82) (CESPE/AUDITOR/ES) Pedro foi privado de sua liberdade de locomoção, sem fundamento legal, no curso de procedimento investigatório levado a efeito por delegado da Polícia Federal, por apresentar depoimento contraditório. Nessa situação, Pedro poderá impetrar habeas corpus, o qual prescinde da assinatura de advogado, bem como da observância de quaisquer formalidades processuais ou instrumentais.

Item CERTO.

O habeas corpus é o remédio constitucional que protege o direito de

locomoção do indivíduo e, de fato, não exige assistência advocatícia, tampouco formalidades processuais ou instrumentais para sua impetração.

Como remédio constitucional heróico, destinado à proteção da liberdade individual de locomoção, o habeas corpus não exige advogado (pode ser impetrado por qualquer pessoa, sem necessidade de assistência advocatícia), nem capacidade civil ou política (pode ser impetrado por um absolutamente incapaz, ou por alguém que esteja com seus direitos políticos suspensos), nem formalidades processuais ou instrumentais (diz-se que, se for o único meio à disposição do indivíduo, o habeas

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corpus poderá ser impetrado até em papel de embrulhar pão, em papel higiênico etc.) e é gratuito (não há pagamento de custas e emolumentos perante o Poder Judiciário para sua impetração).

83) (CESPE/TJMT/2005) A Constituição proíbe a extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião, assim como a extradição de brasileiros.

Item ERRADO.

A primeira parte do enunciado está correta, pois, de fato, a Constituição

veda a extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião (art. 5º, LII).

Porém, a parte final do enunciado, relativa à extradição dos brasileiros, está errada, pois a Constituição veda a extradição do brasileiro nato, mas admite a extradição do brasileiro naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei (art. 5º, LI).

84) (CESPE/AGU/2004) O direito ao trabalho e ao livre exercício profissional está consagrado entre os direitos sociais previstos na Constituição da República de 1988.

Item ERRADO.

O direito ao trabalho e ao livre exercício profissional não é direito

social (art. 6º), mas sim direito individual, previsto no art. 5º, XIII,

da Constituição Federal.

Que triste essa assertiva, estou apostando que você errou! Bem, melhor errar aqui do que na hora da prova! Para isso é que serve este Curso!

85) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) Com base no constitucionalismo contemporâneo, é correto afirmar que a reserva legal tem abrangência menor que o princípio da legalidade.

Item CERTO.

O

princípio da reserva legal tem abrangência menor do que o princípio

da

legalidade, porém tem maior densidade.

O princípio da legalidade tem sentido amplo, exigindo que as matérias por ele protegidas sejam disciplinadas por normas jurídicas legitimamente elaboradas (não necessariamente por lei formal). Quando

a Constituição diz que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer

alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II), temos o princípio da legalidade. Nesse dispositivo, o vocábulo “lei” não está empregado em seu sentido restrito (lei formal, aprovada segundo o processo legislativo previsto na Constituição), mas sim em sentido amplo, abarcando outras normas jurídicas.

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O princípio da reserva legal tem sentido estrito, exigindo que a

matéria por ele protegida seja disciplinada somente por lei formal ou ato

equivalente ou superior (lei ordinária, lei delegada, lei complementar, medida provisória ou emenda constitucional). Quando a Constituição diz que somente lei poderá estabelecer as hipóteses e a forma para a interceptação telefônica (art. 5º, XII), temos o princípio da reserva legal. Nesse dispositivo, o vocábulo “lei” está empregado em seu sentido estrito (lei formal, aprovada segundo o processo legislativo previsto na Constituição, ou norma equivalente).

Por isso se diz que o princípio da reserva legal tem abrangência

menor do que o princípio da legalidade, pois no texto da Constituição

há muito mais matérias sujeitas a este do que àquele.

Por outro lado, diz-se que o princípio da reserva legal dispõe de maior densidade, pois, ao exigir lei formal ou ato equivalente para o tratamento das matérias por ele protegidas, representa uma maior garantia ao indivíduo frente ao arbítrio do Estado.

Legalidade

Reserva legal

Sentido amplo

Sentido estrito

Maior alcance

Menor alcance

Menor densidade

Maior densidade

86) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) A instituição do tribunal do júri assegura a plenitude da defesa, o sigilo das votações, a soberania dos veredictos e competência para julgar e processar os crimes dolosos contra a vida, a honra e a liberdade.

Item ERRADO.

A Constituição outorga competência ao tribunal do júri somente para o

julgamento dos crimes dolosos contra a vida (art. 5º, XXXVIII).

87) (CESPE/AUDITOR/TCU/2004) Por força do texto constitucional, mandados judiciais que envolvam a prisão de pessoas somente podem ser cumpridos durante o dia.

Item ERRADO.

A Constituição não determina que a execução de mandados judiciais que

envolvam a prisão de pessoas se dê apenas durante o dia (art. 5º, LXI). Mandados de prisão podem ser executados durante o dia ou durante a noite, exceto se para sua execução for necessário adentrar na casa do indivíduo, pois, nesse caso, se não houver consentimento do morador, a Constituição só permite o ingresso durante o dia (art. 5º, XI).

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88) (CESPE/AUDITOR/TCU/2004) A norma que garante aplicabilidade aos direitos fundamentais somente se refere aos direitos arrolados no art. 5º da Constituição Federal.

Item ERRADO.

O comando constitucional que determina que as normas definidoras dos

direitos e garantias fundamentais têm aplicabilidade imediata (art. 5º, § 1º) não se aplica apenas aos direitos e garantias enumerados nesse artigo.

Pelo fato de este dispositivo integrar o art. 5º da Constituição, alguns defenderam que a aplicabilidade imediata nele estabelecida alcançaria somente os direitos e as garantias enumerados no próprio art. 5º, mas não foi esse o entendimento que prevaleceu. O entendimento que prevaleceu é que esse comando alcança também direitos e garantias fundamentais previstos em outros artigos da Constituição.

89) (CESPE/AGU/2004) Caberá ação popular contra ato de conteúdo jurisdicional que ofender ao princípio da moralidade administrativa.

Item ERRADO.

Segundo a jurisprudência do STF, não cabe ação popular contra ato de natureza jurisdicional (decisões judiciais), ainda que esse ato jurisdicional seja lesivo aos bens protegidos pela ação popular (patrimônio público, moralidade administrativa, meio ambiente e patrimônio histórico e cultural).

90) (CESPE/AGU/2004) A efetivação dos direitos sociais que impliquem uma prestação estatal submete-se a uma reserva do possível, cujo conteúdo, lato sensu, compreende tanto a capacidade do Estado de cumprir a obrigação como a razoabilidade da prestação exigida, em face do caso concreto.

Item CERTO.

A concretização dos direitos sociais está sujeita à chamada cláusula da

reserva do possível.

Significa dizer que na efetivação dos direitos sociais deverá ser levada em conta a capacidade econômica do Estado de cumprir a obrigação imposta pelo legislador constituinte, bem assim a razoabilidade da prestação exigida, em cada caso.

Vejamos um exemplo que nos auxiliará na compreensão do conteúdo da cláusula da reserva do possível.

Ao enumerar os direitos sociais, a Constituição assegura aos trabalhadores um salário mínimo capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação,

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saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo (art. 7º, IV).

Acredito que há um consenso de que o valor do salário-mínimo no Brasil não atende satisfatoriamente a todas essas necessidades básicas do trabalhador e de sua família, e que, certamente, seria mais apropriado um salário mínimo de, pelo menos, duzentos dólares americanos. Mas, será que o Estado brasileiro tem atualmente capacidade econômica para suportar um salário mínimo de duzentos dólares? Provavelmente não.

Então, o Poder Judiciário, ao apreciar a constitucionalidade do atual valor do salário mínimo, deve levar em conta a cláusula da reserva do possível, pois nada adiantaria considerar esse valor inconstitucional, pelo não-atendimento das necessidades básicas do trabalhador e de sua família, se o Estado brasileiro não tem condições de arcar com um valor considerado apropriado.

91) (CESPE/TÉCNICO/STM/2004) O sigilo das comunicações telegráficas, como todo direito fundamental, tem caráter absoluto.

Item ERRADO.

Vimos que o constitucionalismo moderno refuta a idéia da existência de direitos e garantias fundamentais de natureza absoluta, haja vista que os direitos e garantais fundamentais não podem ser invocados para acobertar práticas ilícitas.

Assim, por exemplo, diante de um caso concreto em que o direito à vida estiver em perigo, poderá o magistrado autorizar a violação das comunicações telegráficas.

92) (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2004) O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade deriva da força normativa dos direitos fundamentais. Por isso, há possibilidade de se declarar inconstitucionalidade de lei em caso de desnecessidade (inexigibilidade), de inadequação (falta de utilidade para o fim perseguido) ou de ausência de proporcionalidade em sentido estrito (desproporção entre o objetivo perseguido e o ônus imposto ao atingido).

Item CERTO.

De fato, o princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade deriva da força normativa dos direitos fundamentais, especialmente do postulado do devido processo legal, em sua acepção substantiva (CF, art. 5º, LIV).

Vimos que o princípio da razoabilidade exige das leis restritivas de direito o cumprimento dos requisitos (a) necessidade, (b) adequação e (c) medida certa (proporcionalidade entre o objetivo almejado e a restrição imposta).

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A desobediência a um desses requisitos implica a inconstitucionalidade

da lei, por ser desarrazoada.

93) (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2004) É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz. As pessoas podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. Mas, na própria Constituição da República, admitem-se restrições à liberdade de locomoção e até mesmo a suspensão da liberdade de reunião. Para ambos os casos de restrição, porém, é imprescindível prévia e fundamentada ordem ou decisão judicial.

Item ERRADO.

É verdade que a Constituição assegura o direito de locomoção no

território nacional em tempo de paz (art. 5º, XV) e o direito de reunião pacífica em locais abertos ao público (art. 5º, XVI).

Também é verdade que a própria Constituição admite restrições à liberdade de locomoção e até mesmo a suspensão da liberdade de reunião. Essas limitações excepcionais aos direitos fundamentais poderão ser impostas durante a vigência de estado de sítio, conforme previsto no art. 139, I e IV, da Constituição.

O enunciado está errado porque afirma que essas restrições aos direitos

fundamentais durante o estado de sítio dependem de prévia e fundamentada ordem ou decisão judicial, o que não é verdade. Na vigência de estado de sítio essas limitações poderão ser impostas pelas autoridades executoras da medida, sem necessidade de autorização do Poder Judiciário.

Muito bom esse enunciado do Cespe, valorize-o!

94) (CESPE/TÉCNICO/GDF/2004) Violaria a Constituição da República o fato de o DF estabelecer, como requisito para inscrição em um concurso público destinado ao provimento de todos os cargos públicos distritais, a comprovação de ao menos um ano de residência no território do DF ou do entorno.

Item CERTO.

Sem dúvida essa exigência seria flagrantemente inconstitucional, por ofensa ao princípio da isonomia ou igualdade, em razão da criação de distinções entre brasileiros por uma unidade federativa (CF, art. 19, III).

95) (CESPE/TÉCNICO/GDF/2004) Considere que um município brasileiro edite lei estabelecendo que a realização de reuniões em locais públicos dependerá de prévia autorização governamental e do

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pagamento de uma determinada taxa. Nessa situação, a referida lei seria inconstitucional.

Item CERTO.

A lei municipal seria flagrantemente inconstitucional, por ofensa ao inciso XVI do art. 5º da Constituição Federal, que estabelece o direito de reunião gratuito e sem necessidade de autorização.

96) (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2004) Às pessoas maiores de 16 e menores de 18 anos de idade, aos maiores de 70 anos de idade, assim como aos analfabetos, a Constituição da República faculta o exercício da dimensão ativa da cidadania. Entre esses, apenas aos maiores de 70 anos de idade é franqueado o exercício da dimensão passiva da cidadania.

Item ERRADO.

O gabarito definitivo do Cespe apresenta esse enunciado como errado.

Entretanto, não sei explicar o porquê! Já li, reli, pensei e pensei, mas não consegui chegar a uma explicação convincente! Prefiro pensar que foi erro do Cespe, pelo menos até que alguém me convença do contrário! Alguém se habilita?

Vejamos o porquê da minha discordância.

Vimos em questão anterior que a capacidade eleitoral ativa é o poder de votar, adquirido com o alistamento perante a Justiça Eleitoral (alistabilidade), e que a capacidade eleitoral passiva é o poder de ser votado, de ser eleito (elegibilidade).

Aos maiores de 16 e menores de 18 anos de idade, aos maiores de 70 anos de idade e aos analfabetos a Constituição faculta o exercício da capacidade eleitoral ativa (o voto é facultativo – art. 14, § 1º, II, da

CF/88).

Dentre esses, porém, apenas os maiores de 70 anos gozam da capacidade eleitoral passiva (são elegíveis, podem ser eleitos), haja vista que os maiores de 16 e menores de 18 anos de idade e os analfabetos são inelegíveis (CF, art. 14, § 3º, VI, a e § 4º).

Pode-se até argumentar que nem todo o maior de 70 anos é elegível, haja vista que ele pode ser analfabeto ou, ainda, incorrer em outros casos de inelegibilidade previstas na Constituição. Mas, convenhamos, com esse raciocínio estaríamos partindo para as exceções, e o enunciado da assertiva é genérico, aberto.

Sinto muito, mas não vou inventar moda para justificar um gabarito dado pelo Cespe de jeito nenhum! Primeiro, porque a banca examinadora do Cespe é formada por seres humanos que, como

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Cespe

ultimamente

Achei melhor apresentar esse enunciado porque ele gera muitas dúvidas em sala de aula – e também porque, até que alguém me convença do contrário, eu não concordo com o gabarito dado pelo Cespe.

97) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) Direitos e garantias fundamentais se diferem em função do fato de que aqueles consistem em disposições assecuratórias e limitadoras de poder enquanto estas instituem direitos.

Item ERRADO.

Os conceitos apresentados no enunciados estão trocados, haja vista que as garantias fundamentais é que consistem em disposições assecuratórias e limitadoras de poder, enquanto os direitos fundamentais instituem direitos.

98) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) A chamada reserva jurisdicional é privativa Do Poder Judiciário, podendo excepcionalmente ser exercida pelo Poder Executivo ou Legislativo em função atípica.

Item ERRADO.

A chamada reserva jurisdicional é privativa do Poder Judiciário, não

podendo, em hipótese alguma, ser exercida pelos Poderes Executivo e Legislativo.

Aliás, diga-se de passagem, essa expressão reserva de jurisdição surgiu exatamente para designar aquelas medidas que só podem ser determinadas por membros do Poder Judiciário, tais como a autorização para interceptação telefônica, a determinação da indisponibilidade de bens e outras.

99) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) Passeatas, comícios, desfiles, cortejos e banquetes de natureza política constituem eventos que podem ser elementos do direito de reunião passível de tutela jurídica efetiva por meio do mandado de segurança.

Item CERTO.

O direito de reunião – previsto no art. 5º, XVI, da CF - assegura, dentre

outras manifestações coletivas, a realização de passeatas, comícios, desfiles, cortejos e banquetes de natureza política.

Eventuais ilegalidades ou arbitrariedades praticadas contra o direito de reunião devem ser reprimidas por meio de mandado de segurança, e não de habeas corpus.

100) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) Todo cidadão brasileiro que praticar crime doloso contra a vida tem direito absoluto a ser julgado por um tribunal do júri competente em qualquer circunstância.

qualquer

um

de

nós,

pode

errar!

Segundo,

porque

o

bem, melhor deixar de lado esses comentários!

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Item ERRADO.

Segundo a jurisprudência do STF, a competência do foro especial previsto na Constituição Federal prevalece sobre a competência do tribunal do júri.

Logo, se o detentor de foro especial previsto na Constituição Federal pratica um crime doloso contra a vida será ele julgado pelo respectivo foro, e não pelo tribunal do júri.

101) (Cespe/STM/Técnico/2004) Considere a seguinte situação hipotética. João foi condenado a pena de 30 anos de prisão por tráfico de drogas e outros crimes. Líder do tráfico de drogas na favela ABC da capital de seu estado, João está cumprindo a pena no presídio HG. Nessa situação, a administração do presídio poderá, com fundamento em razões de segurança pública, de disciplina prisional e de preservação da ordem jurídica, excepcionalmente, violar as correspondências de João.

Item CERTO.

Vimos que o constitucionalismo moderno refuta a idéia da existência de direitos e garantais fundamentais de natureza absoluta, pois esses institutos não podem ser invocados para acobertar atos ilícitos.

102) Os direitos fundamentais não se revestem de caráter absoluto, podendo ser, inclusive, restringidos, desde que, para tanto, seja resguardado o seu núcleo essencial, utilizado o instrumento próprio e observado o princípio da proporcionalidade/razoabilidade. Tomando-se por base a norma de direito fundamental que prevê a liberdade do exercício de atividade profissional, não será destituído de razoabilidade ato legislativo que exija qualificação especial para aqueles que pretendam exercer, por exemplo, a Medicina.

Item CERTO.

O enunciado – de altíssimo nível – reza sobre aspecto já examinado exaustivamente em outros exercícios desta aula: os direitos fundamentais não dispõem de natureza absoluta e, como tais, podem ser restringidos por lei, desde que observado o princípio da razoabilidade ou da proporcionalidade.

103) A garantia constitucional da isonomia não é fundamento bom para que um grupo de servidores públicos, sob regime estatutário, obtenha, por meio de sentença judicial, vantagem financeira atribuída por lei exclusivamente a outra categoria funcional, apesar de estarem ambas em análoga situação de fato.

Item CERTO.

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Segundo o STF, o princípio da isonomia não autoriza o Poder Judiciário a estender vantagem concedida por lei a determinada categoria de servidores públicos à outra categoria não contemplada pelo legislador.

Nesse caso, o impedimento para a extensão de vantagens pelo Poder Judiciário à categoria não contemplada pela lei é o princípio da separação dos poderes, que proíbe o Poder Judiciário de legislar positivamente, criando regra jurídica não pretendida pelo legislador.

Imagine que tenha sido publicada uma lei concedendo certa vantagem aos servidores da categoria “A” de servidores públicos estatutários. Suponha que os servidores da categoria “B”, não contemplados pela lei, recorram ao Poder Judiciário requerendo a extensão da mesma vantagem a eles, sob o fundamento de que se encontram em situação de plena isonomia com os servidores da categoria “A”. Nesse caso, o Poder Judiciário não dispõe de competência para estender a vantagem aos servidores da categoria “B”, em respeito ao princípio da separação dos poderes.

104) O direito fundamental de assistência jurídica integral e gratuita que o Estado deve prestar aos que comprovarem insuficiência de recursos é incumbência da defensoria pública, instituição essencial à função jurisdicional do Estado, cuja missão corresponde a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados.

Item CERTO.

Determina a Constituição que o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos (art. 5º, LXXIV), bem assim que cabe à Defensoria Pública essa orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados (art. 134).

105) Os direitos fundamentais, em sua concepção moderna, têm como uma de suas características não se destinarem apenas à limitação estatal, pois também exigem prestações positivas do poder público.

Item CERTO.

Vimos que a partir da segunda dimensão os direitos fundamentais passaram a ter, também, feição positiva, pois passaram a exigir prestações positivas do Estado em favor dos necessitados.

106) O indivíduo preso tem o direito de manter-se calado nos interrogatórios a que se submeter; além disso, o seu silêncio não pode ser interpretado em seu desfavor.

Item CERTO.

Em respeito ao princípio de que ninguém está obrigado a incriminar a si próprio, determina a Constituição que o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado (art. 5º, LXIII).

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Veja que além do direito ao silêncio, a Constituição impõe ao Estado o dever de advertir o preso quanto a esse seu direito, sob pena de nulidade de eventual interrogatório realizado sem essa advertência quanto ao direito de permanecer calado.

107) Uma vez que as normas constitucionais definidoras de direitos e garantias individuais têm aplicação imediata, nenhum direito fundamental pode deixar de ter a sua fruição judicialmente assegurada por falta de regulação legislativa.

Item ERRADO.

Embora a regra seja a aplicabilidade imediata dos direitos e garantias fundamentais (CF, art. 5º, § 1º), vimos que há direitos fundamentais consagrados em normas de eficácia limitada, de cunho programático, que somente produzirão seus plenos efeitos após a devida regulamentação por lei (art. 7º, incisos XX e XXVII, por exemplo).

108) Historicamente, os direitos que hoje se conhecem como fundamentais surgiram como limitações à ingerência abusiva do Estado na esfera individual; esses direitos, essencialmente ligados à defesa da liberdade, são o que atualmente se denomina direitos de primeira geração (ou de primeira dimensão).

Item CERTO.

Vimos que os direitos fundamentais de primeira dimensão – direitos civis e políticos - surgiram no final do séc. XVIII, com o advento da Revolução Francesa, sob o domínio do Estado liberal, e impunham limitações à ingerência abusiva do Estado na esfera de liberdade do indivíduo.

109) Os direitos fundamentais de primeira, segunda e terceira gerações, como são conhecidos, sucederam-se historicamente, de maneira que os direitos fundamentais de primeira geração hoje não são mais aplicados.

Item ERRADO.

Uma nova geração de direitos fundamentais não vem substituir a geração anterior, mas sim complementá-la.

O vocábulo “geração” passa essa idéia de substituição de uma geração por outra, razão pela qual os constitucionalistas modernos preferem utilizar a expressão “dimensão”.

110) Os direitos fundamentais de primeira geração estão associados à liberdade; os de segunda, à igualdade; os de terceira, à fraternidade.

Item CERTO.

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Os núcleos das três gerações de direitos fundamentais formam a tríade da Revolução Francesa, nesta ordem: liberdade, igualdade e fraternidade.

111) É constitucional a prisão do devedor no contrato de alienação fiduciária, se o bem não é encontrado em sua posse.

Item CERTO.

A Constituição Federal admite expressamente a prisão civil por dívida do

responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação

alimentícia e do depositário infiel (art. 5º, LXVII).

A jurisprudência do STF firmou entendimento de que é também constitucional a prisão civil do devedor no contrato de alienação fiduciária em garantia, se o bem não é encontrado em sua posse, salvo motivo de força maior.

112) Mesmo sabendo que a Constituição estabelece que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, não é correto afirmar que o indivíduo somente possa ser legitimamente preso depois de transitada em julgado a sentença condenatória.

Item CERTO.

O princípio da presunção da inocência não impede a prisão do indivíduo

antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória (art. 5º,

LVII), isto é, o princípio da presunção da inocência é plenamente compatível com as prisões cautelares.

O que o princípio da presunção da inocência proíbe é o lançamento do nome do réu no rol dos culpados antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

113) É ilícita, em qualquer hipótese, a utilização de gravação de conversa telefônica feita por terceiro com a autorização de um dos interlocutores sem o conhecimento do outro.

Item ERRADO.

Em regra, a gravação de conversa telefônica feita por terceiro com a autorização de um dos interlocutores sem o conhecimento do outro constitui prova ilícita, por ofensa ao art. 5º, XII, da Constituição Federal.

Porém, a prova é considerada lícita se presente situação de legítima defesa (Ex.: João é vítima de investida criminosa de Pedro; Maria grava

a conversa a pedido de João, mas sem o conhecimento de Pedro; nesse caso, João pode usar licitamente a gravação como prova em sua legítima defesa).

114) O indivíduo que sofrer ato ilegal de agente público contra o direito líquido e certo de locomoção pode recorrer ao Poder Judiciário, por meio

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de mandado de segurança, contra a ilegalidade, sem prejuízo da ação penal que poderá vir a ser instaurada, caso se configurar o crime de abuso de autoridade.

Item ERRADO.

O direito líquido e certo de locomoção deve ser amparado por meio de habeas corpus, e não por mandado de segurança.

115) O habeas corpus é cabível não só contra a lesão ao direito de locomoção como também se houver apenas ameaça a ele.

Item CERTO.

Há duas espécies de habeas corpus: repressivo (ou liberatório) e preventivo (ou salvo-conduto). O habeas corpus é cabível sempre que alguém sofrer (repressivo) ou se achar ameaçado de sofrer (preventivo) violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder (art. 5º, LXVIII).

116) A ação de habeas corpus destina-se a evitar qualquer ilegalidade praticada contra direito do cidadão no curso de processo penal.

Item ERRADO.

Embora o habeas corpus seja remédio constitucional de natureza penal, não é correto afirmar que qualquer ilegalidade praticada contra direito do cidadão no curso de processo penal pode ser por ele amparada. Somente as ofensas – diretas ou indiretas - ao direito de locomoção podem ser reparadas por habeas corpus, devendo as demais ser atacadas por mandado de segurança.

117) Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o princípio da proporcionalidade tem sua sede material na disposição constitucional que determina a observância do devido processo legal.

Item CERTO.

Afirmei antes que o princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade tem a sua sede material no princípio do devido processo legal, na sua acepção substantiva (CF, art. 5º, LIV).

118) O servidor demitido do serviço público e que, por isso, viu-se impedido de entrar livremente na sua antiga repartição, pode ajuizar habeas corpus para impugnar o ato de demissão.

Item ERRADO.

Não cabe habeas corpus contra punição disciplinar de servidor público (advertência, suspensão, demissão, cassação de aposentadoria e disponibilidade e destituição de cargo em comissão), pois essas medidas não implicam ofensa ao direito de locomoção.

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Se houver arbitrariedade ou ilegalidade na aplicação da penalidade, o servidor deverá impetrar mandado de segurança, e não habeas corpus.

119) Pessoas jurídicas de direito público podem invocar certos direitos fundamentais previstos no capítulo da Constituição relativo aos direitos e deveres individuais e coletivos.

Item CERTO.

Os direitos e deveres individuais e coletivos estão enumerados, principalmente, no art. 5º da Constituição Federal, e vários deles têm como destinatárias também as pessoas jurídicas, tais como: o direito de propriedade, o direito à inviolabilidade da honra e da imagem e outros.

120) A Constituição dispõe que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Esse enunciado consagra o princípio do devido processo legal.

Item ERRADO.

O comando “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou

ameaça a direito" enuncia o princípio da inafastabilidade de jurisdição, ou inafastabilidade do acesso ao Poder Judiciário.

O princípio do devido processo legal (due process of law), sede material

do princípio da razoabilidade, está consagrado no inciso LIV do art. 5º, nestes termos: “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”.

121) Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a exigência de garantia para a interposição de recurso voluntário no processo administrativo afronta o princípio da ampla defesa e do contraditório.

Item ERRADO.

O STF firmou entendimento de que não afronta o princípio da ampla defesa e do contraditório a exigência de garantia para a interposição de recurso voluntário no processo administrativo.

Há algum tempo a Administração Pública começou a exigir do interessado, em certos processos administrativos, a efetivação de

garantia (depósito em dinheiro, fiança bancária etc.) para a interposição de recurso voluntário. Essa exigência foi impugnada perante o STF, sob

o fundamento de que afrontaria o princípio da ampla defesa e do

contraditório. Porém, o STF decidiu em sentido contrário, considerando constitucional a exigência de garantia para a interposição de recurso voluntário no processo administrativo.

122) A garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa é prerrogativa exclusiva dos litigantes em processo judicial, não podendo ser evocada por contendores em processo administrativo.

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Item ERRADO.

A garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa é

prerrogativa atribuída aos litigantes e aos acusados em geral nos

processos administrativos e judiciais (CF, art. 5º, LV).

123) O atual sistema constitucional só permite que alguém seja preso mediante ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente.

Item ERRADO.

Estabelece a Constituição que ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei (art. 5º, LXI).

Como se vê, além da prisão decorrente de ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, podemos ter prisão

sem ordem judicial nos casos de flagrante delito e transgressão militar

ou crime propriamente militar, definidos em lei.

Que tal encerrarmos com uma indagação? Você sabia que essa possibilidade de prisão em flagrante não se aplica ao Presidente da República?

É verdade! O Presidente da República não pode ser preso em flagrante, mesmo se pego no flagra cometendo um crime doloso contra a vida, limpando o machado ensangüentado com picadinhos da vítima! Por que não? Porque ele dispõe de uma imunidade processual que afasta a possibilidade de qualquer prisão cautelar (CF, art. 86, § 3º)!

Bons estudos – e até breve!

Vicente Paulo

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LISTA DOS EXERCÍCIOS COMENTADOS NESTA AULA

1) (ESAF/AFC/CGU/2003) Embora qualquer pessoa tenha legitimidade ativa para propor habeas corpus, a seu favor ou de terceiro, independentemente de sua capacidade civil e política, segundo a jurisprudência dos Tribunais, essa legitimidade ativa não se estende ao menor de dezoito anos, em razão dos requisitos essenciais para a validade dos atos judiciais.

2) (ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a jurisprudência do STF, havendo mais de um sindicato constituído na mesma base territorial, a sobreposição deve ser resolvida com base no princípio da anterioridade, cabendo a representação da classe trabalhadora à organização que primeiro efetuou o registro sindical.

3) (ESAF/AFC/CGU/2003) A decretação de greve por questões salariais, fora da época de dissídio coletivo, não encontra respaldo no direito de greve definido no texto constitucional.

4) (ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a jurisprudência do STF, não é permitida a regionalização de critérios de concorrência em concursos para acesso a cargos públicos, por ofensa ao princípio da universalidade que informa esse tipo de concurso.

5) (ESAF/AFT/2003) Segundo precedentes do STF, a ofensa à intimidade e à vida privada, praticada por um Senador, ainda que no exercício da sua atividade parlamentar, não o exime do pagamento da indenização por danos materiais ou morais, porque esta hipótese não está coberta pela imunidade material que lhe confere a CF/88.

6) (ESAF/AFT/2003) Segundo a jurisprudência do STF, a inviolabilidade do sigilo das correspondências, das comunicações telegráficas e dos dados não é absoluta, sendo possível sua interceptação, sempre excepcionalmente, com fundamento em razões de segurança pública, de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica, quando este direito estiver sendo exercido para acobertar práticas ilícitas.

7) (ESAF/AFT/2003) Segundo a jurisprudência do STF, a contribuição confederativa, como instrumento essencial para a manutenção do sistema de representação sindical, um direito coletivo dos trabalhadores, é compulsória para os integrantes de uma categoria patronal ou laboral, sindicalizados ou não.

8) (ESAF/AFT/2003) Aplicado o princípio da reserva legal a uma determinada matéria constante do texto constitucional, a sua regulamentação só poderá ser feita por meio de lei em sentido formal, não sendo possível discipliná-la por meio de medida provisória ou lei delegada.

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9) (ESAF/AFC/2000) Segundo entendimento já assentado, os direitos e garantias expressos em normas constantes de tratados internacionais de que o Brasil faz parte têm estatura constitucional.

10) (ESAF/AFC/2000) Os direitos e garantias individuais, como regra, têm a sua aplicabilidade dependente de lei que os regulamente.

11) (ESAF/AFC/2000) Para o exercício do direito de reunião pacífica, sem armas e em lugar aberto ao público, não se exige prévia autorização da autoridade administrativa, mas se exige que a ela seja dirigido prévio aviso.

12) (ESAF/AFC/2000) Segundo o princípio do juiz natural, não se pode despojar alguém da sua liberdade ou da sua propriedade sem que se lhe assegure o direito ao contraditório.

13) (ESAF/AFC/2000) O exercício do direito de criar associação depende de autorização da autoridade pública competente, nos termos da lei.

14) (ESAF/AFC/STN/2000) De acordo com o direito brasileiro, as normas de tratados internacionais de que o Brasil faz parte têm prevalência sobre as leis e as emendas à Constituição.

15) (ESAF/AFC/STN/2000) A análise do processo de reforma da Constituição brasileira permite afirmar que foi adotado entre nós um modelo de constituição rígida.

16) (ESAF/AFC/STN/2000) A proibição da prisão civil pelo constituinte não impede a prisão de quem deixa de cumprir, de modo voluntário e inescusavelmente, obrigação alimentícia.

17) (ESAF/AFC/STN/2000) A violação da intimidade do indivíduo enseja pretensão à reparação tanto dos danos materiais sofridos, como também dos danos morais suportados.

18) (ESAF/AFC/STN/2000) Os direitos individuais, por serem fundamentais, somente podem ser abolidos por meio de emenda à Constituição.

19) (ESAF/AFC/STN/2000) O domicílio do indivíduo pode ser invadido por terceiros, a qualquer hora, em caso de flagrante delito, desastre ou para prestação de socorro. Em cumprimento a determinação judicial, porém, no domicílio somente se pode penetrar sem o consentimento do morador durante o dia.

20) (ESAF/AFC/STN/2000) Por força do princípio da isonomia, toda norma que estabeleça tratamento jurídico diferenciado entre brasileiros é inconstitucional.

21) (ESAF/AFC/STN/2000) As provas obtidas por meio contrário ao Direito somente podem ser utilizadas no processo civil ou penal se a parte tiver dificuldade em encontrar outro meio de provar o seu direito.

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22) (ESAF/AFC/STN/2000) A Constituição admite a interceptação de comunicações telefônicas de indivíduo suspeito do cometimento de crimes graves, desde que a escuta seja determinada por ordem judicial, pelo Ministério Público ou por Comissão Parlamentar de Inquérito.

23) (ESAF/AFC/CGU/2003) Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o direito à inviolabilidade da honra, pela natureza subjetiva desse atributo, não se aplica à pessoa jurídica.

24) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Não se pode invocar direito adquirido contra lei de ordem pública.

25) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Gravação ilícita de conversa telefônica não pode ser aceita em processo judicial, mas nada impede que os dados por ela obtidos sejam aproveitados em processo administrativo, se indispensáveis para a descoberta da verdade real.

26) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) A gravação de conversa telefônica pode ser autorizada por autoridade judicial, para fins de instrução de processo administrativo disciplinar.

27) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) A Constituição não impede que a lei possa retroagir para beneficiar o particular em face do poder público.

28) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) O particular não pode se opor a que um bem seu seja requisitado para o enfrentamento de iminente perigo público, devendo o uso do bem ser necessariamente indenizado ao ser restituído ao proprietário.

29) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) O duplo grau de jurisdição não foi erigido pelo constituinte de 1988 ao nível de direito individual fundamental.

30) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Autoridade policial pode dissolver compulsoriamente associação nefasta ao interesse público.

31) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Todas as provas requeridas pelo acusado num processo administrativo devem ser admitidas pela autoridade que o preside, sob pena de ofensa à garantia da ampla defesa.

32) (ESAF/GESTOR/MPOG/2002) Todo o brasileiro nato é parte legítima para propor ação popular, visando a anular ato lesivo ao patrimônio público.

33) (ESAF/MPOG/APO/2002) O indivíduo condenado por um fato que, quando praticado, era definido como crime, não se beneficia de lei posterior que descriminaliza a conduta.

34) (ESAF/MPOG/APO/2002) Os direitos e garantias individuais previstos na Constituição dependem, invariavelmente, de lei ordinária que os desenvolva, para que possam produzir todos os seus efeitos.

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35) (ESAF/MPOG/APO/2002) O trabalhador goza da garantia constitucional de não ter o salário reduzido em nenhum caso.

36) (ESAF/MPOG/APO/2002) Em caso de flagrante delito, agente público pode ingressar na casa de particular, independentemente de autorização judicial, de dia ou de noite.

37) (ESAF/MPOG/APO/2002) Toda prisão anterior ao trânsito em julgado de sentença penal condenatória é inconstitucional, por ferir o princípio da presunção de inocência.

38) (ESAF/PFN/2003) O habeas corpus é instrumento adequado para se impugnar ordem de juiz de primeiro grau de quebra de sigilo bancário.

39) (ESAF/PFN/2003) O sentenciado penal não pode ser preso para cumprir a sentença, enquanto dela pender recurso extraordinário, em virtude da presunção de inocência, que perdura enquanto não transitada em julgado a decisão condenatória.

40) (ESAF/PFN/2003) Não há reparação por danos morais sem prova de dano à reputação do autor da demanda.

41) (ESAF/PFN/2003) Os direitos sociais previstos na Constituição, por serem normas programáticas, não produzem efeitos jurídicos, senão depois de regulados pelo legislador ordinário.

42) (ESAF/PFN/2003) A ação popular pode ser ajuizada para atacar ato jurisdicional.

43) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A ação popular é instrumento de controle da regularidade da Administração Pública, podendo, nos termos da Constituição, ser intentada por todo brasileiro.

44) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A proibição constitucional de uso de prova ilícita não incide no âmbito do processo administrativo, em que prevalece a busca da verdade real.

45) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) É inconstitucional toda norma que regula relações entre a Administração Pública e particulares com efeitos retroativos.

46) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Nenhum brasileiro pode ser extraditado.

47) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A garantia do direito adquirido impede a alteração do regime jurídico dos servidores públicos por meio de lei.

48) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A dor moral, por não ser quantificável pecuniariamente, não é tida como indenizável nos casos de violação da intimidade e da vida privada.

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49) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Estende-se ao escritório profissional do indivíduo a garantia constitucional da inviolabilidade da sua casa.

50) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Uma vez criada, uma associação somente poderá ser dissolvida por ato de vontade dos seus integrantes nesse sentido.

51) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Pessoas jurídicas não podem titularizar direitos fundamentais.

52) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Na vigência da Constituição de 1988, toda lei que fixe limite de idade para o ingresso em carreira do serviço público é inconstitucional.

53) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) O Ministério Público tem o poder de, em procedimento de ordem administrativa, determinar a dissolução compulsória de associação que esteja sendo usada para a prática de atos nocivos ao interesse público.

54) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Pessoas jurídicas, inclusive de direito público, podem ser titulares de direitos fundamentais.

55) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A Constituição Federal não tolera nenhum tratamento legislativo diferenciado entre homem e mulher, a não ser os que prevê taxativamente no seu texto.

56) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Os direitos e garantias fundamentais, na ordem constitucional brasileira, não podem ter por sujeitos passivos pessoas físicas.

57) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) O duplo grau de jurisdição constitui direito fundamental dos indivíduos, decorrente do direito de acesso ao Judiciário.

58) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Em nenhuma hipótese a Constituição Federal admite a pena de morte.

59) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) O princípio constitucional da soberania dos veredictos do júri impede que juízes togados julguem pedido de revisão criminal de condenação proferida em tribunal do júri.

60) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Não constitui prova ilícita a gravação de conversa telefônica, como meio de legítima defesa, feita por um dos interlocutores, sem o conhecimento do outro.

61) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002)

processo penal, de prova ilicitamente obtida contamina necessariamente todo o feito, tornando-o nulo.

62) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Durante o período de prisão, o condenado por sentença criminal transitada em julgado não sofre a suspensão dos seus direitos políticos.

A

existência,

num

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63) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) Atos de improbidade administrativa acarretam a perda dos direitos políticos.

64) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) podem titularizar cargos públicos.

65) (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) O analfabeto não possui capacidade eleitoral passiva.

66) (ESAF/AFRE/MG/2005) A Constituição enumera, de forma taxativa, no seu Título sobre Direitos e Garantias Fundamentais, os direitos individuais reconhecidos como fundamentais pela nossa ordem jurídica.

67) (ESAF/AFRE/MG/2005) As garantias constitucionais do direito adquirido e do ato jurídico perfeito não constituem cláusulas pétreas.

68) (ESAF/AFRE/MG/2005) Os direitos individuais fundamentais, por serem considerados cláusulas pétreas, somente podem ser abolidos ou modificados por meio de emenda à Constituição.

69) (ESAF/AFRE/MG/2005) O mandado de segurança, o habeas corpus e o mandado de injunção são instrumentos processuais que compõem o grupo das garantias constitucionais.

70) (ESAF/AFRE/MG/2005) O princípio da separação dos poderes impede que o juiz invoque o princípio da proporcionalidade como fundamento para a declaração de inconstitucionalidade de uma lei.

71) (CESPE/AGU/2004) A era dos chamados direitos políticos teve início com a Revolução Francesa e com a aprovação da primeira declaração dos direitos do homem. A marca registrada desse período está na consciência da imperiosa necessidade de se estabelecerem limites ao poder do Estado. A preocupação, no entanto, não foi capaz de frear a tendência de, partindo-se do individualismo jurídico, chegar-se aos estados totalitários. O individualismo jurídico demonstrou claramente a sua disfunção, porque passou a traduzir os interesses de uma classe determinada, deixando à margem um grupo de pessoas desiguais. O amadurecimento de novas exigências ou de novos valores, tais como o bem-estar e o interesse na manutenção de uma igualdade que transcende a fronteira do Estado, fizeram explodir uma nova era, a dos chamados direitos sociais, como o direito à liberdade, à propriedade, à educação, à habitação e à segurança.

brasileiros

Somente

72) (CESPE/PROCURADOR/TCPE/2004) A ação popular, tal como prevista na Constituição da República, não é necessariamente dependente da prova do requisito da lesividade econômica para que seu pedido seja julgado procedente.

73) (CESPE/AGU/2004) Na esteira da jurisprudência da Suprema Corte norte-americana e de vários tribunais constitucionais europeus, o STF

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vem aplicando o princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade na revisão judicial de atos legislativos.

74) (CESPE/PRF/2004) Considere a seguinte situação hipotética. No edital de um concurso público para provimento de vagas no cargo de policial rodoviário estadual, no item referente aos requisitos para a investidura no cargo, constava um subitem segundo o qual o candidato teria de ser do sexo masculino. Nessa situação, em face do tratamento isonômico entre homens e mulheres, o subitem do edital é inconstitucional.

75) (CESPE/PRF/2004) A Constituição da República protege todas as formas de vida, inclusive a uterina.

76) (CESPE/ANALISTA/TCU/2004) O objeto de um mandado de segurança coletivo impetrado por entidade de classe será um direito que esteja compreendido na titularidade dos associados e que exista em razão das atividades por eles exercidas, não se exigindo que esse direito seja próprio da classe.

77) (CESPE/TJMT/2005) Os direitos e garantias individuais estão taxativamente previstos no texto constitucional, não sendo possível ampliá-los por meio de atos infraconstitucionais.

78) (CESPE/PROCURADOR/TCPE/2004) Em mandado de segurança coletivo para compensação de créditos de contribuição previdenciária indevidamente recolhida, o sindicato impetrante carece da autorização expressa destes para ter legitimidade ativa.

79) (CESPE/PROCURADOR/TCPE/2004) Segundo a jurisprudência do STF, a mora do Congresso Nacional quanto à edição de lei que regulamente o direito à greve do servidor público, previsto no art. 37, inciso VII, da Constituição Federal, autoriza que, por meio de mandado de injunção, o Poder Judiciário declare o pleno gozo desse direito ao impetrante, até a superveniência de lei.

80) (CESPE/PROCURADOR/TCPE/2004) Segundo jurisprudência do STF,

a prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados

pessoais, ou da omissão em atendê-lo, constitui requisito indispensável para que se concretize o interesse de agir no habeas data.

81) (CESPE/ANALISTA/STM/2004) Para os crimes hediondos, a Polícia

e o Ministério Público têm ampla liberdade de investigação criminal ou instrução processual penal, não necessitando de ordem judicial para interceptação telefônica, segundo a Constituição.

82) (CESPE/AUDITOR/ES) Pedro foi privado de sua liberdade de locomoção, sem fundamento legal, no curso de procedimento investigatório levado a efeito por delegado da Polícia Federal, por apresentar depoimento contraditório. Nessa situação, Pedro poderá

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impetrar habeas corpus, o qual prescinde da assinatura de advogado, bem como da observância de quaisquer formalidades processuais ou instrumentais.

83) (CESPE/TJMT/2005) A Constituição proíbe a extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião, assim como a extradição de brasileiros.

84) (CESPE/AGU/2004) O direito ao trabalho e ao livre exercício profissional está consagrado entre os direitos sociais previstos na Constituição da República de 1988.

85) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) Com base no constitucionalismo contemporâneo, é correto afirmar que a reserva legal tem abrangência menor que o princípio da legalidade.

86) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) A instituição do tribunal do júri assegura a plenitude da defesa, o sigilo das votações, a soberania dos veredictos e competência para julgar e processar os crimes dolosos contra a vida, a honra e a liberdade.

87) (CESPE/AUDITOR/TCU/2004) Por força do texto constitucional, mandados judiciais que envolvam a prisão de pessoas somente podem ser cumpridos durante o dia.

88) (CESPE/AUDITOR/TCU/2004) A norma que garante aplicabilidade aos direitos fundamentais somente se refere aos direitos arrolados no art. 5º da Constituição Federal.

89) (CESPE/AGU/2004) Caberá ação popular contra ato de conteúdo jurisdicional que ofender ao princípio da moralidade administrativa.

90) (CESPE/AGU/2004) A efetivação dos direitos sociais que impliquem uma prestação estatal submete-se a uma reserva do possível, cujo conteúdo, lato sensu, compreende tanto a capacidade do Estado de cumprir a obrigação como a razoabilidade da prestação exigida, em face do caso concreto.

91) (CESPE/TÉCNICO/STM/2004) O sigilo das comunicações telegráficas, como todo direito fundamental, tem caráter absoluto.

92) (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2004) O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade deriva da força normativa dos direitos fundamentais. Por isso, há possibilidade de se declarar inconstitucionalidade de lei em caso de desnecessidade (inexigibilidade), de inadequação (falta de utilidade para o fim perseguido) ou de ausência de proporcionalidade em sentido estrito (desproporção entre o objetivo perseguido e o ônus imposto ao atingido).

93) (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2004) É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz. As pessoas podem reunir-se pacificamente,

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sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. Mas, na própria Constituição da República, admitem-se restrições à liberdade de locomoção e até mesmo a suspensão da liberdade de reunião. Para ambos os casos de restrição, porém, é imprescindível prévia e fundamentada ordem ou decisão judicial.

94) (CESPE/TÉCNICO/GDF/2004) Violaria a Constituição da República o fato de o DF estabelecer, como requisito para inscrição em um concurso público destinado ao provimento de todos os cargos públicos distritais, a comprovação de ao menos um ano de residência no território do DF ou do entorno.

95) (CESPE/TÉCNICO/GDF/2004) Considere que um município brasileiro edite lei estabelecendo que a realização de reuniões em locais públicos dependerá de prévia autorização governamental e do pagamento de uma determinada taxa. Nessa situação, a referida lei seria inconstitucional.

96) (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2004) Às pessoas maiores de 16 e menores de 18 anos de idade, aos maiores de 70 anos de idade, assim como aos analfabetos, a Constituição da República faculta o exercício da dimensão ativa da cidadania. Entre esses, apenas aos maiores de 70 anos de idade é franqueado o exercício da dimensão passiva da cidadania.

97) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) Direitos e garantias fundamentais se diferem em função do fato de que aqueles consistem em disposições assecuratórias e limitadoras de poder enquanto estas instituem direitos.

98) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) A chamada reserva jurisdicional é privativa Do Poder Judiciário, podendo excepcionalmente ser exercida pelo Poder Executivo ou Legislativo em função atípica.

99) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) Passeatas, comícios, desfiles, cortejos e banquetes de natureza política constituem eventos que podem ser elementos do direito de reunião passível de tutela jurídica efetiva por meio do mandado de segurança.

100) (CESPE/ANALISTA/STJ/2004) Todo cidadão brasileiro que praticar crime doloso contra a vida tem direito absoluto a ser julgado por um tribunal do júri competente em qualquer circunstância.

101) (Cespe/STM/Técnico/2004) Considere a seguinte situação hipotética. João foi condenado a pena de 30 anos de prisão por tráfico de drogas e outros crimes. Líder do tráfico de drogas na favela ABC da capital de seu estado, João está cumprindo a pena no presídio HG.

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Nessa situação, a administração do presídio poderá, com fundamento em razões de segurança pública, de disciplina prisional e de preservação da ordem jurídica, excepcionalmente, violar as correspondências de João.

102) Os direitos fundamentais não se revestem de caráter absoluto, podendo ser, inclusive, restringidos, desde que, para tanto, seja resguardado o seu núcleo essencial, utilizado o instrumento próprio e observado o princípio da proporcionalidade/razoabilidade. Tomando-se por base a norma de direito fundamental que prevê a liberdade do exercício de atividade profissional, não será destituído de razoabilidade ato legislativo que exija qualificação especial para aqueles que pretendam exercer, por exemplo, a Medicina.

103) A garantia constitucional da isonomia não é fundamento bom para que um grupo de servidores públicos, sob regime estatutário, obtenha, por meio de sentença judicial, vantagem financeira atribuída por lei exclusivamente a outra categoria funcional, apesar de estarem ambas em análoga situação de fato.

104) O direito fundamental de assistência jurídica integral e gratuita que o Estado deve prestar aos que comprovarem insuficiência de recursos é incumbência da defensoria pública, instituição essencial à função jurisdicional do Estado, cuja missão corresponde a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados.

105) Os direitos fundamentais, em sua concepção moderna, têm como uma de suas características não se destinarem apenas à limitação estatal, pois também exigem prestações positivas do poder público.

106) O indivíduo preso tem o direito de manter-se calado nos interrogatórios a que se submeter; além disso, o seu silêncio não pode ser interpretado em seu desfavor.

107) Uma vez que as normas constitucionais definidoras de direitos e garantias individuais têm aplicação imediata, nenhum direito fundamental pode deixar de ter a sua fruição judicialmente assegurada por falta de regulação legislativa.

108) Historicamente, os direitos que hoje se conhecem como fundamentais surgiram como limitações à ingerência abusiva do Estado na esfera individual; esses direitos, essencialmente ligados à defesa da liberdade, são o que atualmente se denomina direitos de primeira geração (ou de primeira dimensão).

109) Os direitos fundamentais de primeira, segunda e terceira gerações, como são conhecidos, sucederam-se historicamente, de maneira que os direitos fundamentais de primeira geração hoje não são mais aplicados.

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110) Os direitos fundamentais de primeira geração estão associados à liberdade; os de segunda, à igualdade; os de terceira, à fraternidade.

111) É constitucional a prisão do devedor no contrato de alienação fiduciária, se o bem não é encontrado em sua posse.

112) Mesmo sabendo que a Constituição estabelece que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, não é correto afirmar que o indivíduo somente possa ser legitimamente preso depois de transitada em julgado a sentença condenatória.

113) É ilícita, em qualquer hipótese, a utilização de gravação de conversa telefônica feita por terceiro com a autorização de um dos interlocutores sem o conhecimento do outro.

114) O indivíduo que sofrer ato ilegal de agente público contra o direito líquido e certo de locomoção pode recorrer ao Poder Judiciário, por meio de mandado de segurança, contra a ilegalidade, sem prejuízo da ação penal que poderá vir a ser instaurada, caso se configurar o crime de abuso de autoridade.

115) O habeas corpus é cabível não só contra a lesão ao direito de locomoção como também se houver apenas ameaça a ele.

116) A ação de habeas corpus destina-se a evitar qualquer ilegalidade praticada contra direito do cidadão no curso de processo penal.

117) Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o princípio da proporcionalidade tem sua sede material na disposição constitucional que determina a observância do devido processo legal.

118) O servidor demitido do serviço público e que, por isso, viu-se impedido de entrar livremente na sua antiga repartição, pode ajuizar habeas corpus para impugnar o ato de demissão.

119) Pessoas jurídicas de direito público podem invocar certos direitos fundamentais previstos no capítulo da Constituição relativo aos direitos e deveres individuais e coletivos.

120) A Constituição dispõe que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Esse enunciado consagra o princípio do devido processo legal.

121) Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a exigência de garantia para a interposição de recurso voluntário no processo administrativo afronta o princípio da ampla defesa e do contraditório.

122) A garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa é prerrogativa exclusiva dos litigantes em processo judicial, não podendo ser evocada por contendores em processo administrativo.

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123) O atual sistema constitucional só permite que alguém seja preso mediante ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente.