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Salada uma história de cenouras, maças e limões.

Salada

uma história de cenouras, maças e limões.

Entre início, meio e fim, fico com o meio.

Pelo nosso encontro mal sucedido.

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“O sol ousado das seis da manhã cruzava a vidraça grande e retangular, sem pedir ele iluminava a minha pele, eu brilhava enquanto assistia mais uma vez aquelas cenas caóticas que não abandonavam a minha cabeça nem a custo de oração.”

E se recordara de quando descobrira o sexo, seu corpo se tornara de repente uma fonte

de prazer, uma fuga da carne por meio da própria carne - a mulher que lhe

apresentara esse "dom" talvez nem se recordasse mais do seu pequeno nome- mas Paz

memorava perfeitamente as suas feições andrógenas, as suas mãos dominadoras, o seu

perfume agridoce, o seu jeito excêntrico. Esfregou a chaleira e fez um pedido,

implorou ao gênio em pensamento para que ela voltasse, surgisse como um raio e

enchesse a cozinha com o seu ar onipotente, em lingerie negra e rendada.

Os chinelos de couro áspero do velho fizeram-na voltar daquele mundo luxurioso, a

mulher fugiu com os peitos nus, respingando saliva, a cama derreteu-se em segundos,

seus trajes vestiam-na com desespero - ergueu a cabeça e saudou o tio, encheu-lhe o

caneco com chá de hortelã, logo chegariam os outros peões para o lanche da tarde.

Olhos famintos, uma fome que ia além daquela que se sente por pães, café ou torta de

frango com cebola. A cozinha ia se enchendo de homens, os longos bancos de madeira

sendo cobertos por bundas ossudas de uma a outra extremidade, Paz dispunha os

vasilhames sobre a mesa e saía, não lhe agradava aquele odor entorpecente de suor de

macho no cio. Nenhuma peça daquele tabuleiro servia para ela, era só a cozinheira, só.

Faltava-lhe uma disposição, um “qzinho” de coragem para suportar aquilo que não

tinha menos peso simplesmente por já estar etiquetado como passado.

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Saudade! Todo o amor está se convertendo em saudade. Evoco o seu rosto charmoso quando quero fugir do presente, e resgato o passado modificando-o como se ele fosse uma massinha, aliás, coisa boa é massinha - não gostou do que fez, faz de novo, não gostou, faz de novo, e aí vai - difícil encontrar a tal da perfeição, não vou mentir, mas chega-se perto.

Messias tocava-a em todos os seus momentos de distração, chegava por trás da menina

e invadia sua calcinha com a mão peluda - um calor intenso galgava suas entranhas,

nada comparado ao que sentia com Leandra, mas era um calor, e isso provava que ali

havia vida, seu coração fechava-se gradativamente, mas seu corpo, sua matéria, tudo

resistia e implorava por água fresca.

Cedeu as suas pressões diante da ameaça, desvencilhou-se da saia, da lingerie

pequeníssima, deitou-se na mesa comprida, de madeira de ubá, uma claridade fraca

anunciava o sábado e ela precisava cumprir a sua promessa, trêmula, abriu as pernas,

deixou que aquele homem bruto a tocasse com o seu órgão forte, a sensação de

invasão chegava-lhe a cada momento em que ele ganhava suas entranhas, a sensação

de invasão nem se comparava a do primeiro beijo, entre uma língua e um pênis a

diferença era a mesma entre uma grama e uma tonelada. Ele gemia e alisava suas

coxas com as mãos ásperas e calejadas de um peão, ela fechou os olhos e fingiu estar

com Leandra - e esse ato de mentir para si mesma recompensou-a com três longos

espasmos, chegara ao gozo, aquele homem tosco era o primeiro, era o primeiro de sua

vida, e quando ele abandonou seu corpo magro, parecia faltar alguma coisa -

Messias

eu quero outra vez, eu quero outra vez" - o homem deu um sorriso

malicioso, guardou o pênis molhado na cueca, ergueu o jeans barreado e saiu. No meio

da mesa, uma poça pequena, o líquido dos dois desgraçados marcava aquela fatia de

madeira com a sujeira sagrada do ato sexual humano - enquanto isso, Paz enfiara-se

na banheira e se lavava com frenesi, a esponja espumada entre as pernas num ritmo

de vai e vem, o esperma ia descendo pelo ralo, misturado a água quente e ao sabão de

lavanda - só podia lavar-se por fora - e pensava em Leandra, na sua aparência

masculina, na sua ausência de pênis, na sua delicadeza, nas preliminares que

acendiam-lhe até o fogo da alma, Leandra deveria ter sido dotada com um órgão

daqueles,

grande

e

grosso

como

o

de

Messias,

e

imaginava-se

agachada,

completamente nua, a lamber e arranhar aquilo, depois engolia-o por completo, sentia

a garganta encharcar

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O

amor é uma fragrância adocicada solta pelos ares, à procura de dois alguéns que o apanhem

e

façam dele prisioneiro desse músculo pulsante, mas borboletas negras também voam por aí.

Uma rosa vermelha aparecera em sua janela, catara-a com pressa e se trancara no

banheiro para sentir o aroma forte, tocar-lhe as pétalas, imaginar o rosto de seu

admirador secreto. Ele era loiro, tinhas os olhos verdes, um pouco de barba, era o filho

do

coronel, sim era - aquele garoto arrogante que a desprezara por tanto tempo, agora

se

apaixonara por ela, ele a queria, ele a queria, era o dia mais feliz de sua vida, não

queria que aquilo acabasse, ficaria de pé até as zero hora porque tudo era sagrado

naquele 23 de setembro. Estava salva!

O encontro seria na cachoeira, às nove. Paz escolheu um vestido com estampas

psicodélicas, suas nádegas e seus peitos eram evidenciados por aquele tecido apertado,

um perfume de canela, uns brincos dourados de argola, batom vermelho, e lá se foi a

morena flor a caminhar pela escuridão que encobria a fazenda, as casinhas simples

enfileiradas, os currais, os cachorros nos quintais, os rádios ligados, as luzes acesas que

junto as janelas abertas davam olhos aquelas paredes sem reboco. Caminhava devagar,

não tinha pressa em chegar, tinha medo de que seu amante não fosse o homem

desejado, talvez fosse um vaqueiro fedido ou um mendigo da região, sacou a lanterna

da bolsinha de brim floreado e iluminou a estradinha de terra que só tinha árvores, de

um lado e outro, uma coruja lhe espiava do galho de uma árvore, uns olhos fortes

demais. A silhueta jovem lhe animou, estava de costas e tinha as mãos no bolso do

casaco, os cabelos eram negros e lisos. Chegou por trás e agarrou aquela cintura sem

titubear, aproximou os lábios dos ouvidos e balbuciou: "Cumpri a promessa". A

criatura era rápida, inclinou a face e invadiu a boca grossa da morena flor com uma

língua quente, o beijo foi longo, Paz tentava não demonstrar a sua falta de experiência

com os beijos - mas a outra boca era tão veloz que não sobrava tempo. Beijaram-se,

beijaram-se, beijaram-se e ao descolar a boca colaram os corpos, a beirada gelada

daquela cachoeira de águas verdes abrigava duas criaturas que quiçá seriam amantes,

estava escuro e grilos faziam uns cricris melódicos, eis a trilha sonora.

Paz esperou ansiosa por alguma palavra, mas nada aconteceu - temeu que o homem

fosse Pedro, um mudo calvo que vivia nas redondezas da fazenda, mas abraçou sua

cabeça e percebeu o cabelo sedoso, muito liso, era bom pegar amassar aqueles fios e

ela o fez por longo tempo. Como tivera prometido sexo nos últimos bilhetes trocados e

logo teria que retornar a casa, começou a se despir com lentidão, enquanto simulava

gemidos, peça a peça sendo entregue ao desconhecido. Arrancou a calcinha e caindo

na terra espessa, puxou o corpo de seu homem sobre si, ele correspondeu com uma

delicadeza

quase

feminina,

depois

encaixou

seu

pênis

na

vagina

de

Paz,

um

crepúsculo nascia lá longe, após três penetradas o desconhecido vestiu-se e antes de

Paz se erguer, desapareceu no mato , levando o sutiã laranja consigo. Paz estava

perplexa e não compreendia a pressa daquele homem, sua mudez, sua frieza, sua

esquisitice. Alguma coisa escorria entre suas pernas, secou-as com o lencinho que

trazia na bolsa, pôs o vestido, a calcinha suja de terra e sentou-se a beira da cachoeira,

choraria até o pôr do sol oferecera-se a um qualquer, como uma cadela no cio, um

desconhecido estranho inaugurara seu corpo e não permitira a ela nenhum prazer.

Empurrou com vagareza a portinha da casa, foi para o quarto, agarrou o terço

fosforescente com toda a força que tinha, rezou uma prece e pediu perdão pelo ato

praticado,

ela

era

a

culpada

por

tudo

aquilo,

ela

aceitara

a

proposta

de

um

desconhecido, ela prometera seu corpo a um homem a quem não ouvira sequer o

timbre da voz. O perdão era uma forma mais eficaz de se fazer feliz pela mal sucedida

transa do que o arrependimento. Deitou-se com o rosto virado para a parede e

dormiu, iria sonhar com o desconhecido homem, e ele seria o filho louro do

fazendeiro, e no sonho ela teria espasmos repetidos, longos gozos, gritos de prazer,

como as atrizes dos filmes pornôs que assistia com a prima quando lhe fazia visitas na

cidade.

Paz limpava o parapeito empoeirado da janela de seu quarto e notou que havia outro

bilhete - dessa vez um papel cor de rosa margeado, com escrita em caneta preta de

bico fino: "Na primeira, a escuridão ocultou meu rosto e eu escondi minha voz. Na segunda, o sol revelará quem sou e palavras bonitas serão sussurradas ao pé do ouvido". Sentiu um

formigueiro abaixo do umbigo, agora o ódio que sentia por aquele idiota desconhecido

se convertera em curiosidade, em expectativa de ter a transa que esperou por 19 anos,

seu corpo urgia por alguma coisa que lhe desse emoção, que lhe mostrasse que estava

viva, viva de corpo, alma, carne e sangue. E num gesto sujo, diante de tantas imagens

sacras, sentou-se na cama e masturbou os grandes lábios por um bom tempo, até cair

na realidade, até se lembrar de que em breve teria o que precisava, e dependia só, só

dela.

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Sonhei que você me chupava, uns lábios quentes a sugarem o líquido que escorria de mim, movimentos alternados, a cabeça bonita posta entre as minhas pernas, de vez em quando parava e fitava os meus olhos, a língua trabalhava frenética.

A casinha estava completamente vazia, Paz acreditou ter sido enganada pelo homem e

num muxoxo abandonou a cama macia, apagou a luz do quartinho e saiu, foi

agarrada por uns braços fracos na porta da sala, quatro olhos se decoravam, não havia

tempo cronológico, só o tempo do desejo funcionava, Paz achara aquela criatura

bonita demais para ser humana e num instante de fantasia cogitou que um deus

qualquer viera de algum lugar desconhecido e distante só para ter o seu corpo. Não

houve tempo para palavras, aquela boca era ágil como um furacão, a língua era um

pedaço de carne quente que não hesitava em se enfiar pela boca alheia em êxtase,

aquele homem transava com a língua também! Deixou-se ser levada para o quartinho

sem nenhuma resistência, só havia um sorriso tímido, mas grandioso. As mãos tinham

a mesma agilidade da língua e desabotoavam a camisa xadrez como se o ato estivesse

sendo cronometrado, sua saia justa puxada joelho abaixo, Paz sentia sua vagina pulsar,

seu coração batia com força, como se ela toda fosse estourar ali mesmo. Os lábios eram

tão, tão finos, e beijaram toda aquela extensão de carne morena, demoraram-se nos

peitos redondos e medianos, os mamilos sugados com sutileza, os mamilos endureciam,

arrepiavam-se e lambidas lentas se intercalavam a mordidas profundas, Paz se

contorcia como se tivesse levado um choque elétrico, uns gemidinhos escapavam,

apesar de sua quase inexistente experiência sexual ela sabia sensualizar, era um dom,

era coisa nata.

Acordara com a boca seca, as mãos suando, lembrava-se da garota do sonho - era

garoto ou garota ? Tinha voz de mulher e corpo de homem e segurava uma estatueta,

um anjo nu com uma rosa na mão. Tentava recordar o final, mas era impossível, não

conseguia chegar até lá, desceu para o café, a mãe segurou a sua mãozinha pequena,

que coisa assombrosa para uma garotinha de seis anos de idade! Aquilo era uma

aberração, um pesadelo daqueles não convinha- e narrava tudo para a mãe, que

respondia com abanos rápidos de cabeça, um rosto sem expressão, intrigada em

pensamento - seria sua filha uma louca, assim como a avó fora? Ordenou que a

menina se sentasse no banquinho e tomasse o seu café com biscoito de polvilho azedo,

logo ela deveria estar preparada para ir à escola. Ao despir a menina para dar-lhe um

banho morno no chuveiro, notou que o tecido rosa de sua calcinha estava molhado,

expulsou os pensamentos estranhos, era só urina, a menina urinara durante o sono,

sim, sim, era só isso!

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Para você só tenho uma ordem: entre sem bater e não diga palavra, somente arranque as minhas roupas, me faça feliz. Durma próxima a mim e vá embora antes de eu acordar, isso combina com sonho, preciso achar que isso é um sonho.

Corriam rumores de que ela andara de rolo com a "machinha", mulheres gordas,

cheias de peito, cochichavam ao vê-la se aproximar - ela corava, com a mesma

intensidade que desejava o corpo de uma mulher não queria que os outros soubessem,

não queria, não podia - sua família era católica demais ! Expulsariam-na da casa, até

da fazenda, seria uma sem teto, vagaria pelas rodovias escuras a vender o corpo em

troca de um prato de farofa e um copo de cerveja, e via-se sendo penetrada por velhos

grisalhos, calvos, desdentados, sifilíticos. Expulsava essas ideias sempre - logo ela, ela,

recebendo o asqueroso pedaço masculino em seu corpo por dinheiro, isso nunca,

nunca, nunca - gritava mentalmente. Seu pai não poderia saber disso.

Ela deixou a toalha cair até a cintura e pediu que a outra lhe fizesse uma massagem ,

as palmas lisas percorriam a sua pele como se tocassem claras de ovo. Em alguma casa

vizinha tocava uma canção de amor, tudo pedia pela repetição do ato sexual, que já

fora explorado ao máximo por baixo da água quente que caía do chuveiro. Em

sincronia, a toalha branca encardida ganhou o chão, e as mãos desceram automáticas

- não havia ninguém na casinha afastada e os gemidos eram audíveis a metros de

distância, uma expressão a muito oculta em cada um daqueles corpos femininos nus e

agora humedecidos por um gozo grande e livre.

Os dedos finos e grandes entravam lascivos pela vagina pequena e pouco cabeluda,

remexiam o interior de Paz, sacudiam alguma marca que ela abrigava desde criança.

As almas estavam em sintonia, os corpos estendidos naquela cama, abandonados sob os

lençóis amassados, inspirações profundas, suspiros, olhares que se cruzavam pelos

ares, até ali elas ainda não se amavam, era sexo e só, mas o sentimento chegaria em

breve, apenas estava botando nas malas duas parcelas de sofrimento, uma de felicidade

e outra de ciúmes.

A língua ia e vinha, a face coberta pelas nádegas fartas daquela mulher que se

apresentava com uma postura extremamente dominante , mas que na cama se derretia

ao sentir uma língua rija a tocar a pele fina da sua genitália mal depilada, ao ser pega

pelos

ombros com carinho. A orelha da outra já estava vermelha, era apertada

suavemente entre uns dentes amarelados de cigarro e café, um arrepio descia pela

espinha afora e ia acabar no prazer que os quatros pés enroscados despertava, os pés

juntos, a se esfregarem, os pés faziam sexo a sua maneira como se fossem uma parte

independente do corpo.

Os bicos de seus seios estavam rijos, seriam mágicos aqueles lábios humedecidos que

lhe tangiam a pele com uma volúpia escancarada, pintada de vermelho carmim?

Sucumbira no leito, imersa naquela manta felpuda, era só uma energia, uma energia

que crescia a cada estímulo que seu corpo pequeno recebia. Rangia os dentes, tinha

espasmos, seu corpo falava por si mesmo, se mexia sozinho, se contraía, os gemidos

simplesmente saiam, algo esquentava, líquidos escorriam, suor, até seus cabelos

ficavam molhados, tudo independente, uma expressão corporal sem permissão.

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Eu recebi as suas cartas e não gostei delas. Suas palavras me afogam devagarinho, eu recebi as suas cartas mudas, brancas, tão brancas e tão limpas.

As trovoadas ameaçavam desfazer aquela tarde parada de terça-feira, fosse assim e

tudo estaria perdido, seus planos, seus doces planos que já eram quase sonhos.

Minúsculas flores amarelas vinham forrar o chão do pátio da cafeteria, um grupo de

homens gargalhava na mesa do canto esquerdo, duas senhoras exibiam suas unhas

pintadas de vermelho bordô e o gato persa ronronava sobre o colo murcho de uma

delas, o atraso estaria atrelado àquela promessa descabida de temporal? O atraso fora

uma simples esquecimento premeditado? E ela ia atirando conjecturas positivas

naquelas ideias, uma a uma, não queria pensar, queria ver o que aconteceria

Fez sua oração, ajeitou o travesseiro e abandonou-se sobre o colchão fino que lhe

causava dor na coluna, o cansaço era muito, mas a cabeça não desligava. Lá no fundo,

bem no fundo, buscava um motivo, o motivo que lhe fizera chegar a tal ponto de

entregar o corpo às carícias de uma mulher, mas tudo tinha sido tão bom, tão

prazeroso, que um embate entre divino X satisfatório ocupava sua mente sem dar

trégua. Ela titubeava entre escolher um ou outro, ou viver alternadamente nesses dois

“submundos”.

Nessa noite Paz sonhou estava em um supermercado, empurrando um carrinho de

compras vazio, do seu lado esquerdo havia uma prateleira cheia de caixas de variadas

formas e cores, do lado direito uma prateleira vazia, não havia nada ali e mesmo assim

ela procurava algo, corria as palmas das mãos sobre a superfície metálica, branca e

fria – acordou com o “pi pi pi” do despertador, o primeiro a lhe dar ordens todos os

dias, menos no domingo.

Abriu a cortina que dava para a varanda e ali ficou a admirar o pôr do sol daquela

quarta-feira comum, parecia que a vida vinha de lá, parecia que Deus era ele e

ninguém mais. Sim! Aquele era Deus, ele dava corda nas pessoas, fazia as plantas

crescerem, não era invisível e machucava aqueles que lhe olhassem por muito tempo.

Uma mão acenava, com certeza estava perto da fonte Paz retribuiu o cumprimento

sem muito entusiasmo, virou as costas e foi fazer o trabalho que sempre fizera.

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Que você entre por essa porta e me diga palavras doces. Que você entre por essa porta e me prove que amar é comer sem etiqueta.

Tirou os dedos devagarinho, sabia sobre a sua virgindade “recente” e fez tudo com

cuidado. Era tão adolescente aquele corpo, umas curvas que despontavam, uns peitos

recém-nascidos – sentiu um fiapo de culpa por ter feito a ela esse “mal”, mas decidiu

enxotar tal sensação , afinal só adiantara o “estrago” que um peão qualquer faria cedo

ou tarde, amor não tinha, só tinha tesão e para que mais ? Parou para olhar aquele

rosto em orgasmo e num gesto quase escroto, pôs a mão melada na boca e depois um

beijo demorado, as línguas em transe.

Acordara nua na cama de uma mulher. Lançou um olhar sobre o seu corpo ereto,

parou nos pés meio descobertos, enroscados no lençol, ficou assim por uns seis

segundos, pensando em nada. Foi resgatada do mundo esconderijo pela fricção de uns

lábios ressequidos em sua nuca descoberta, queria sentir asco daquilo, mas uma força

maior anulava o seu esforço, e repetiram o capítulo da noite anterior de uma maneira

mais intensa, uma delicadeza bruta embriagante.

A autora não crê que ordemgere progresso. Ex.: Brasil